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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02633/06

Objeto: Prestação de Contas Anuais


Relator: Auditor Renato Sérgio Santiago Melo
Responsável: Antônio Trajano de Sousa
Procurador: Dr. André Luis de Oliveira Escorei

EMENTA: PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL - PRESTAÇÃO DE


CONTAS ANUAIS - PRESIDENTE DE CÂMARA DE VEREADORES -
ORDENADOR DE DESPESAS- APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PARA FINS
DE JULGAMENTO - ATRIBUIÇÃO DEFINIDA NO ART. 71, INCISO lI,
DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DA PARAÍBA, E NO ART. 1°,
INCISO I, DA LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL N.O 18/93 - Gastos
com folha de pagamento em dissonância com o disposto no
art. 29-A, § 1°, da Constituição Federal - Dispêndios do Poder
Legislativo acima do limite estabelecido no art. 29-A, inciso I, da
Carta Magna - Ausência de envio e de comprovação de publicação
dos Relatórios de Gestão Fiscal do período - Carência de equilíbrio
entre as transferências recebidas e as despesas do Poder
Legislativo - Falta de empenhamento, pagamento e contabilização
de contribuições previdenciárias patronais devidas ao INSS -
Imperfeições nos demonstrativos contábeis - Contratações de
profissionais para serviços típicos da administração pública sem
concurso público - Ausência de retenção e recolhimento das
contribuições previdenciárias dos agentes políticos - Repasse tardio
aos cofres municipais do ISSQN retido dos prestadores de serviços,
sem os encargos devidos e a respectiva autenticação nos
documentos de arrecadação municipal - Não envio ao Poder
Executivo de informações acerca da execução orçamentária, com
vistas à consolidação dos demonstrativos contábeis do Município -
Transgressão a dispositivos de natureza constitucional,
infraconstitucional e regulamentar - Eivas que comprometem o
equilíbrio das contas, ex vi do disposto no Parecer Normativo
n.o 52/2004. Irregularidade. Aplicação de multa. Concessão de lapso
temporal para pagamento. Determinação. Encaminhamento de cópia
da deliberação a subscritor de denúncia. Recomendações.
Comunicação à Receita Federal do Brasil em Campina Grande/PB.
Remessa de cópia dos autos à ego Procuradoria Geral de Justiça do
Estado.

Vistos, relatados e discutidos os PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS DO


autos da
EX-PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SERRA GRANDE/PB, relativa ao exercício
financeiro de 2005, SR. ANTÔNIO TRAJANO DE SOUSA, acordam, por maioria, o
Conselheiros integrantes do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, em se ao --'. \
plenária realizada nesta data, vencida a proposta de decisão do relator
imputação de débito, em:
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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02633/06

1) JULGAR IRREGULARES as referidas contas.

2) APLICAR MULTA ao ex-Chefe do Poder Legislativo, Sr. Antônio Trajano de Sousa, no valor
de R$ 2.805,10 (dois mil, oitocentos e cinco reais e dez centavos), com base no que dispõe o
art. 56, incisos lI, da Lei Complementar Estadual n.O 18/93 - LOTCE/PB.

3) CONCEDER-LHE o prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento voluntário da penalidade


ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto no art. 30,
alínea "a", da Lei Estadual n.o 7.201, de 20 de dezembro de 2002, cabendo à Procuradoria
Geral do Estado da Paraíba, no interstício máximo de 30 (trinta) dias após o término daquele
período, velar pelo seu integral cumprimento, sob pena de intervenção do Ministério Público
Estadual, na hipótese de omissão, tal como previsto no art. 71, § 4°, da Constituição do
Estado da Paraíba, e na Súmula n.? 40, do ego Tribunal de Justiça do Estado da
Paraíba - TJ/PB.

4) DETERMINAR a formalização de processos específicos para verificar a situação funcional


da Sra. Maria Viana da Conceição junto ao Poder Executivo do Município de Serra
Grande/PB, tendo em vista que o seu CPF informado no SAGRES (n.> 899.607.008-44)
pertence, na realidade, ao Sr. Francisco Severino Filho, bem como analisar o vínculo do
Sr. José Leite de Assis e da Sra. lida Miguel da Silva Souza com o Poder Legislativo
Municipal.

5) ENCAMINHAR cópia da presente deliberação ao Prefeito Municipal de Serra Grande/PB,


Sr. João Bosco Cavalcante, subscritor de denúncia formulada em face do Sr. Antônio Trajano
de Sousa, para conhecimento.

6) ENVIAR recomendações no sentido de que o atual Presidente da Câmara Municipal de


Serra Grande/Pô, Sr. José Dionisio Sobrinho, não repita as irregularidades apontadas no
relatório dos peritos da unidade técnica deste Tribunal e observe, sempre, os preceitos
constitucionais, legais e regulamentares pertinentes.

7) Com fulcro no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, caput, da Constituição Federal, COMUNICAR
à Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Campina Grande/PB, acerca da falta de
retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias, devidas por empregado e
empregador, incidentes sobre os subsídios pagos aos vereadores da Câmara Municipal de
Serra Grande/PB, durante todo o exercício financeiro de 2005.

8) Também com base no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, cabeça, da Lei Maior, REMETER
cópias das peças técnicas, fls. 401/409 e 482/488, do parecer do Ministério Público Especial,
fls. 491/500, e desta decisão à augusta Procuradoria Geral de Justiça do Estado da Paraíba,
para as providências cabíveis.

Presente ao julgamento o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas


Publique-se, registre-se e intime-se.
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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N.O 02633/06

TCE - Plenário Ministro João Agripino

João Pessoa, } ~ de de 2008

Presente: A - S ~ l\ (~

Represent~ Ministério Público Esp~~ ~


TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02633/06

Cuidam os presentes autos do exame das contas do ex-Presidente da Câmara Municipal de


Serra Grande/PB, relativas ao exercício financeiro de 2005, Sr. Antônio Trajano de Sousa,
apresentadas a este ego Tribunal em 06 de abril de 2006, mediante o Ofício n.O 10/2006,
fi. 02.

Os peritos da então Divisão de Acompanhamento da Gestão Municipal IV - DIAGM IV, com


base nos documentos insertos nos autos, emitiram o relatório inicial de fls. 401/409,
constatando, sumariamente, que: a) as contas foram apresentadas ao TCE/PB com atraso de
06 (seis) dias; b) a Lei Orçamentária Anual - Lei Municipal n.? 96/2004 - estimou as
transferências em R$ 200.000,00 e fixou a despesa em igual valor; c) a receita orçamentária
efetivamente transferida, durante o exercício, foi da ordem de R$ 206.364,60,
correspondendo a 103,18% da previsão originária; d) a despesa orçamentária do período
atingiu o montante de R$ 224.049,20, representando 112,02% dos gastos fixados; e) o total
da despesa do Poder Legislativo alcançou o percentual de 8,69% do somatório da receita
tributária e das transferências efetivamente arrecadadas no exercício anterior pela
Urbe - R$ 2.579.557,64; f) os gastos com folha de pagamento da Câmara Municipal
abrangeram a importância de R$ 145.185,06 ou 70,35% dos recursos transferidos;
g) a receita extra-orçamentária, acumulada no exercício, compreendeu o montante de
R$ 5.256,26; e h) a despesa extra-orçamentária, executada durante o exercício financeiro,
atingiu a soma de R$ 11.678,54.

Quanto aos subsídios dos Vereadores, verificaram os técnicos da antiga DIAGM IV que:
a) os Membros do Poder Legislativo da Comuna receberam subsídios de acordo com o
disciplinado no art. 29, inciso VI, da Lei Maior; b) os estipêndios dos Edis estiveram dentro
dos limites instituídos na Lei Municipal n.? 94/2004; e c) os vencimentos totais recebidos no
exercício pelos Vereadores, inclusive o do Chefe do Legislativo, alcançaram o montante de
R$ 110.660,00, correspondendo a 3,09% da receita orçamentária efetivamente arrecadada
no exercício pelo Município - R$ 3.583.483,74.

No tocante aos aspectos relacionados à gestão fiscal, destacaram os analistas da unidade de


instrução que: a) a despesa total com pessoal do Poder Legislativo alcançou a soma de
R$ 175.673,92 ou 4,72% da Receita Corrente Líquida - RCL da Comuna - R$ 3.719.956,00;
e b) os Relatórios de Gestão Fiscal - RGF do período não foram enviados ao Tribunal.

Ao final, os inspetores da Corte apontaram as seguintes irregularidades: a) gastos com folha


de pagamento da Câmara Municipal equivalentes a 70,35% da sua receita, contrariando o
disposto no art. 29-A, § 1°, da Constituição Federal; b) dispêndios do Poder Legislativo
correspondendo a 8,69% do somatório da receita tributária mais transferências do exercício
anterior, acima do limite imposto no art. 29-A, inciso I, da Carta Magna; c) ausência de envio
dos Relatórios de Gestão Fiscal - RGF do período, bem como da comprovação de suas
publicações; d) déficit orçamentário, no patamar de R$ 17.684,60; e) despesas não-,
contabilizadas em 2005, no montante de R$ 24.106,88; f) elaboração de demonstra
contábeis que não espelham a realidade orçamentária, financeira e patrimonial da Câm ra;
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g) não apresentação de comprovante de depósito, na import~ânciap,de R$ . ; 64, 0". ..~:§Á.
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PROCESSOTC N.o 02633/06

h) carência de realização de procedimento Iicitatório legalmente exigido, na soma de


R$ 9.600,00; i) ausência de retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias
incidentes sobre os subsídios dos Vereadores; j) despesas com combustíveis em excesso, no
valor de R$ 3.668,15; k) veículo pertencente à Câmara Municipal cadastrado no
Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba - DETRAN/PB em nome de outro
proprietário; I) não apresentação das guias de recolhimentos ao Instituto Nacional do Seguro
Social - INSS autenticadas/pagas; m) repasse a menor, tardio, sem os encargos e em
modalidade indevida do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN retido dos
prestadores de serviços; n) carência de comprovação da entrega de cópias dos balancetes
mensais da Câmara ao Poder Executivo do Município de Serra Grande/PB; o) ocupação de
cargos sem a realização de concurso público; e p) falta de documentos, dificultando a
identificação da servidora Maria Viana da Conceição.

Processadas as devidas citações, fls. 410/416 e 476/479, a responsável técnica pela


contabilidade da Câmara Municipal de Serra Grande/PB, Dra. Maria Jozuelma Leite Formiga,
deixou o prazo transcorrer sem qualquer manifestação acerca das falhas contábeis
apontadas.

Já o ex-Presidente do Poder Legislativo da Comuna, Sr. Antônio Trajano de Sousa,


apresentou a contestação de fls. 417/474, na qual juntou documentos e argumentou, em
síntese, que: a) foram indevidamente incluídas nos gastos da folha de pagamento despesas
com contratações temporárias, no valor de R$ 4.350,00; b) no cômputo dos dispêndios do
Poder Legislativo foram considerados, impropriamente, encargos sociais, na soma de
R$ 24.106,88, que não foram contabilizados em obediência à Resolução do Senado
n.O 26/2005; c) a situação deficitária apurada em 2005 representa apenas uma das
hipóteses possíveis na execução do orçamento, falha essa que não possui capitulação legal;
d) as despesas não contabilizadas, R$ 24.106,88, referem-se às obrigações patronais dos
agentes políticos, cuja exigibilidade foi suspensa pela citada resolução do Senado Federal;
e) não poderiam ser contabilizadas contribuições patronais incidentes sobre os subsídios dos
Vereadores nos demonstrativos contábeis, pois os agentes políticos não fazem mais parte do
rol de segurados da Previdência Social; f) o depósito, na quantia de R$ 6.364,60, refere-se à
devolução de saldo remanescente ao final do exercício da Câmara ao Poder Executivo,
conforme cópia do Cheque n.O 851244; g) esta Corte de Contas é favorável à inexigibilidade
de licitação para a contratação de serviços contábeis e a despesa dessa natureza realizada
pelo Poder Legislativo da Urbe foi de apenas R$ 9.600,00; h) o preço dos combustíveis sofre
variações ao sabor do mercado internacional e o consumo dos veículos aumenta na
proporção da sua taxa de depreciação; i) o veículo de placa MNQ 6986 não pertence mais ao
Legislativo, que possui, na realidade, outro, de placa MNB 5604; j) foram juntadas as Guias
da Previdência Social - GPS, relativas aos recolhimentos efetuados; k) a diferença a menor
do ISSQN foi devidamente recolhida aos cofres do Município; I) não há obrigatoriedade de
envio dos balancetes mensais do Poder Legislativo ao Executivo; m) a Sra. Maria Viana da
Conceição foi nomeada para o cargo de arquivista da Casa Legislativa em 03 de janeiro
2005, foi exonerada desse cargo em 13 de maio seguinte e nomeada tesoureira em de
maio do mesmo ano.
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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N.O 02633/06

Os autos retornaram aos analistas da unidade de instrução, que, ao esquadrinharem a


referida peça processual de defesa, emitiram posicionamento, fls. 482/488, onde
consideraram elididas as seguintes máculas: a) veículo pertencente à Câmara Municipal
cadastrado no DETRAN/PB em nome de outro proprietário; b) não apresentação das guias
de recolhimentos ao INSS; e c) falta de documentos, dificultando a identificação da servidora
Maria Viana da Conceição. Em seguida, os técnicos do Tribunal alteraram o montante da
despesa em excesso com combustíveis, de R$ 3.668,15 para R$ 2.370,68, e reputaram
parcialmente sanada a eiva concernente ao repasse do ISSQN retido dos prestadores de
serviços, em razão do recolhimento da diferença faltante. Ao final, mantiveram in totum o
seu posicionamento exordial relativamente às demais irregularidades.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, ao se pronunciar sobre a matéria, emitiu


parecer, fls. 491/500, pugnando pelo (a): a) declaração de atendimento parcial dos
requisitos de gestão fiscal responsável, previstos na Lei Complementar n.o 101/2000;
b) irregularidade das contas em exame; c) procedência parcial da denúncia constante no
Processo TC n.? 06317/06, anexado aos presentes autos; d) imputação de débito ao gestor
relativamente ao saldo não comprovado; e) aplicação de multa por ilegalidade na gestão e
dano causado ao erário, com fulcro nos arts. 55 e 56 da Lei Complementar Estadual
n.O 18/93; f) assinação de prazo à atual gestão para regularizar o quadro de pessoal da
Câmara; e g) recomendação à atual gestão a fim de diligenciar no sentido de prevenir a
repetição das falhas acusadas no exercício de 2005.

Solicitação de pauta, conforme fls. 501/502 dos autos.

É o relatório.

PROPOSTA DE DECISÃO

Manuseando o conjunto probatório encartado aos autos, constata-se que as contas


apresentadas pelo ex-Presidente da Câmara Municipal de Serra Grande/Pô, Sr. Antônio
Trajano de Sousa, relativas ao exercício financeiro de 2005, revelam diversas irregularidades
remanescentes. Entrementes, em que pese o posicionamento dos peritos da unidade de
instrução desta Corte, fI. 484, impende comentar, ab initio, que restou comprovada a
devolução do saldo remanescente ao final do exercício da Câmara para o Poder Executivo,
no montante de R$ 6.364,60, conforme cópia de cheque acostada pela defesa, fI. 438.
Ademais, ao perscrutar o extrato bancário da CONTA DIVERSOS N.o 10.950-9, pertencente
ao Município de Serra Grande/PB, constante às fls. 488/489 do Processo TC n.O 02625/06,
constata-se o efetivo ingresso do valor em 29 de dezembro de 2005. Sendo assim,
considera-se elidida a eiva antes apontada.

Por outro lado, foi observado pelos peritos deste Sinédrio de Contas, fI. 403, que os gastos
com a folha de pagamento do Poder Legislativo da Comuna, R$ 145.185,06, representaram
70,35% das transferências recebidas no exercício - R$ 206.364,60 -, violando, portan '~
o disposto no art 29-A, § 1°, da Constituição Federal, in verbis.

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N.O 02633/06

Art. 29-A. (omissis)

...
( )

§ 1º A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cento de sua


receita com folha de pagamento, incluído o gasto com o subsídio de seus
Vereadores.

Em seguida, foi destacado pelos técnicos do Tribunal, fi. 402, que os dispêndios do Poder
Legislativo da Comuna apresentados na Prestação de Contas Anual - PCA, R$ 199.942,32,
acrescidos das despesas com obrigações patronais do exercício não contabilizadas,
R$ 24.106,88, totalizaram R$ 224.049,20 ou 8,69% do somatório da receita tributária e
transferências do exercício anterior - R$ 2.579.557,64 -, infringindo, portanto, o disposto no
art 29-A, inciso I, da Carta Magna, verbatim:

Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os


subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderá
ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita
tributária e das transferências previstas no § 5º do art. 153 e nos arts. 158 e
159, efetivamente realizado no exercício anterior:

I - oito por cento para Municípios com população de até cem mil habitantes;

No tocante ao não envio a esta Corte dos Relatórios de Gestão Fiscal - RGF relativos ao
exercício sub examine, constata-se flagrante transgressão ao disposto no art. 18, § 10, da
Resolução Normativa RN - TC - 07/04, implicando em multa automática e pessoal para o
responsável, conforme dispõe o seu art. 32, caput, verbo ad verbum:

Art. 18 - (omissis)

§ 10 - Cópia do RGF, acompanhada da respectiva comprovação de


publicação, deverá ser encaminhada ao Tribunal pelo Secretário das
Finanças, no caso do Poder Executivo do Estado, pelos Prefeitos, em relação
ao Poder Executivo dos Municípios e pelos titulares do Poder Legislativo do
Estado e dos Municípios, do Poder Judiciário, do Ministério Público e do
Tribunal de Contas do Estado, até o quinto dia útil do segundo mês
subseqüente ao de referência.

( ...)
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PROCESSOTC N.o 02633/06

não podendo o valor total da multa ultrapassar o limite de R$ 1.600,00.


(nossos grifos)

Os especialistas deste Pretório também assinalaram a carência de comprovação da


divulgação dos Relatórios de Gestão Fiscal - RGF, o que denota evidente violação aos
preceitos estabelecidos nos artigos 48 e 55, § 2°, da reverenciada Lei de Responsabilidade
Fiscal - Lei Complementar Nacional n.o 101, de 04 de maio de 2000 -, ipsis /itteris.

Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será
dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os
planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de
contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução
Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas
destes documentos.

( ...)
Art. 55. (omissis)

§1°( ...)

§ 2º O relatório será publicado até trinta dias após o encerramento do


período a que corresponder, com amplo acesso ao público, inclusive por
meio eletrônico.

Com efeito, consoante previsto no art. 50, inciso I e parágrafos 10 e 2°, da lei que dispõe,
dentre outras, acerca das infrações contra as normas de finanças públicas - Lei Nacional
n.O 10.028, de 19 de outubro de 2000 -, a não divulgação do relatório de gestão fiscal ou o
seu não envio ao Tribunal de Contas, nos prazos e condições estabelecidos, constitui
infração administrativa, processada e julgada pelo próprio Tribunal, sendo passível de
punição mediante a aplicação de multa pessoal de trinta por cento dos vencimentos anuais
ao agente que lhe der causa, vejamos:

Art. 5º Constitui infração administrativa contra as leis de finanças públicas:

I - deixar de divulgar ou de enviar ao Poder Legislativo e ao Tribunal de


Contas o relatório de gestão fiscal, nos prazos e condições estabelecidos em
lei;

( ...)
§ 1Q A infração prevista neste artigo é punida com multa de trinta por~. to j;."
dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa, sendo o paga ento
da multa de sua responsabilidadepessoal. --\"~", ~~.
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§ 2º A infração a que se refere este artigo será processada e julgada pelo


Tribunal de Contas a que competir a fiscalização contábil, financeira e
orçamentária da pessoajurídica de direito público envolvida.

No entanto, esta Corte de Contas, com o intuito de uniformizar o seu entendimento acerca
da matéria, decidiu, mediante o Parecer Normativo TC n.? 12/2006, exercer a competência
que lhe fora atribuída pela referida norma somente a partir do exercício financeiro de 2006.
Assim, recomenda-se ao atual Presidente da Câmara Municipal de Serra Grande/PB, Sr. José
Dionisio Sobrinho, a estrita obediência aos ditames legais, sob pena de cominação da
mencionada multa.

Em relação ao déficit na execução orçamentária, R$ 17.684,60, registrado pelos analistas


deste Sinédrio de Contas, fI. 401, devido à inclusão de despesas não contabilizadas, mas da
competência do exercício financeiro de 2005, na quantia de R$ 24.106,88, fica claro o
inadimplemento da principal finalidade pretendida pelo legislador ordinário, através da
inserção no ordenamento jurídico tupiniquim da festejada Lei de Responsabilidade
Fiscal - LRF, qual seja, a implementação de um eficiente planejamento por parte dos
gestores públicos, com vistas à obtenção do equilíbrio das contas por eles administradas,
consoante estabelece o seu art. 10, § 1°, in verbis:

Art. 10. (omissis)

§ 10 A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e


transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de
afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas
de resultados entre receitas e despesase a obediência a limites e condições
no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da
seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de
crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e
inscrição em Restosa Pagar.

Encontra-se inserta no grupo das irregularidades constatadas na instrução do feito a falta de


contabilização, empenhamento e pagamento das contribuições previdenciárias devidas pelo
Poder Legislativo da Comuna de Serra Grande/Pô ao Instituto Nacional do Seguro
Social - INSS, no valor de R$ 24.106,88. Importa notar que a referida mácula, além de
provocar inúmeros reflexos negativos nas contas, representa séria ameaça ao equilíbrio
financeiro e atuarial que deve perdurar nos sistemas previdenciários, com vistas a
resguardar o direito dos segurados em receber seus benefícios no futuro, tudo em ardente
desrespeito ao disposto no art. 195, inciso I, alínea "a", da Lei Maior, c/c o art. 22, incisos I
e 11, alínea "a", da Lei Nacional n.o 8.212/91 - Lei de Custeio da Previdência Social -,
respectivamente, verbum pro verbo:
/--~--,

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" v,

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Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e
das seguintes contribuições sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da


lei, incidentes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou


creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviços, mesmo
sem vínculo empregatício;

Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social,


além do disposto no art. 23, é de:

I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou


creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e
trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o
trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos
habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de
reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo
tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da
lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou
sentença normativa.

II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da


Lei n.o 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do
grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos
ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas,
no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos:

a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o


risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; (grifamos)

Nesse contexto, deve ser ressaltado que a referida eiva pode, inclusive, ser enquadrada
como ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração
pública, segundo dispõe o art. 11, inciso I, da lei que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos
agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo,
emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional - Lei Nacional
n.? 8.429, de 02 de junho de 1992 -, verbatim:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os
deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às
instituições, e notadamente:--""
-,
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou div rso V"
dagueleprevisto,
naregradecompetência;
(grifO~~ noor;go[w cfl
I
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Além do mais, merece destaque o fato de que a ausência de contabilização das obrigações
patronais devidas, R$ 24.106,88, resultou na imperfeição dos demonstrativos contábeis que
compõem a Prestação de Contas Anual - PCA, que deixaram de refletir a realidade
orçamentária, financeira e patrimonial do Poder Legislativo Municipal. Essa omissão termina
por prejudicar a análise dos inspetores do Tribunal e compromete sobremaneira a
confiabilidade dos registros contábeis da Câmara Municipal de Serra Grande/PB, ficando
caracterizado o desprezo da autoridade responsável aos preceitos estabelecidos na lei que
estatuiu normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e
balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal - Lei Nacional
°
n. 4.320/64.
Na realidade, a profissional de contabilidade não registrou as informações contábeis na
°
forma prevista nos artigos 83 a 106, da referida Lei Nacional n. 4.320/64, bem como
elaborou os Balanços Orçamentário, Financeiros e Patrimonial sem observar os princípios
fundamentais previstos nos artigos 2° e 3°, da Resolução do Conselho Federal de
Contabilidade n.O 750, de 29 de dezembro de 1993, devidamente publicada no Diário Oficial
da União de 31 de dezembro do mesmo ano, verbum pro verbo:

Art. 2° - Os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam a


essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade,
consoante o entendimento predominante nos universos científico e
profissional de nosso País. Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido
mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades.

Art. 3° - São Princípios Fundamentais de Contabilidade:

I) o da ENTIDADE;
lI) o da CONTINUIDADE;
IH) o da OPORTUNIDADE;
IV) o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;
V) o da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA;
VI) o da COMPETÊNCIA e
VII) o da PRUDÊNCIA.

No que concerne aos gastos com serviços contábeis, cujo valor despendido no exercício em
análise foi de R$ 9.600,00, fl. 186, assinalados como despesa não licitada pelos peritos desta
Corte, fl. 402, impende comentar que, não obstante as últimas decisões deste Pretório
acerca da admissibilidade da utilização de procedimento de inexigibilidade de licitação para a
contratação dos referidos serviços, guardo reservas em relação a esse entendimento por
considerar que tais despesas não se coadunam com aquela hipótese, tendo em vista não se
tratar de atividades extraordinárias que necessitam de profissionais altamente habilita
nas suas respectivas áreas, sendo, portanto, atividades rotineiras da Casa Legislativa.
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02633/06

No caso, o ex-Presidente da Câmara deveria ter realizado o devido concurso público para a
contratação do referido profissional. Neste sentido, cabe destacar que a ausência do certame
público para seleção de servidores afronta os princípios constitucionais da impessoalidade,
da moralidade administrativa e da necessidade de concurso público, devidamente
estabelecidos na cabeça e no inciso II, do art. 37, da Carta Constitucional, verbo ad verbum:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência
e, também, ao seguinte:

I - (omissis)

II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação


prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com
a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em
lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de
livre nomeação e exoneração; (grifos nossos)

Abordando o tema em disceptação, o eminente Procurador do Ministério Público de Contas,


Dr. Marcílio Toscano Franca Filho, nos autos do Processo TC n.O 02791/03, epilogou de
forma bastante clara uma das facetas dessa espécie de procedimento adotado por grande
parte dos gestores municipais, ipsis /itteris.

Não bastassem tais argumentos, o expediente reiterado de certos


advogados e contadores perceberem verdadeiros "salários" mensais da
Administração Pública, travestidos em "contratos por notória especialização",
em razão de serviços jurídicos e contábeis genéricos, constitui burla ao
imperativo constitucional do concurso público. Muito fácil ser profissional
"liberal" às custas do erário público. Não descabe lembrar que o concurso
público constitui meritório instrumento de índole democrática que visa
apurar aptidões na seleção de candidatos a cargos públicos, garantindo
impessoalidade e competência. JOÃO MONTEIRO lembrara, em outras
palavras, que só menosprezam os concursos aqueles que lhes não sentiram
as glórias ou não lhes absorveram as dificuldades. (grifos inexistentes no
texto original)

Comungando com o supracitado entendimento, no reportamos, desta feita, à jurisprudência


do respeitável Supremo Tribunal Federal - STF, in verbis:

AÇÃO POPULAR - PROCEDÊNCIA - PRESSUPOSTOS. Na maioria das vezes _-~


a lesividade ao erário público decorre da própria ilegalidade do o '\
praticado. Assim o é quando dá-se a contratação, por município, de servi s ) /
'-'-'.'.
que poderiam ser prestados por servidores, sem a~;e Iicitaçã s ;;"'"
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PROCESSOTC N.o 02633/06

que o ato tenha sido precedido da necessária justificativa. (STF - 2a


Turma - RE nO 160.381jSP, ReI. Ministro Marco Aurélio, Diário da Justiça,
12 ago. 1994, p. 20.052)

Da mesma maneira, caberia a realização de concurso público para a admissão de motorista e


auxiliar de serviços gerais, pois se tratam de atividades rotineiras e essenciais para o
funcionamento da Casa Legislativa. No entanto, os técnicos do Tribunal observaram a
existência de prestadores de serviços, Sr. José Leite de Assis e Sra. lida Miguel da Silva
Sousa, desempenhando tais funções na Câmara Municipal de Serra GrandejPB, fls. 395/396.
Impende lembrar, por oportuno, que a Carta Magna só admite contratações sem concurso
público para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, conforme
dispõe o seu art. 37, inciso IX, senão vejamos:

Art. 37. (omissis)

IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para


atender a necessidadetemporária de excepcional interesse público;

Como se sabe, o ingresso de servidor com inobservância das normas legais pertinentes dá
margem à ação popular, nos termos do artigo 4°, inciso I, da Lei n. ° 4.717, de 29 de junho
de 1965. Registre-se, ainda, que as referidas contratações ensejam ato de improbidade
administrativa, conforme dispõe o artigo 11, inciso I, da lei que trata das sanções aplicáveis
aos agentes públicos - Lei Nacional n.o 8.429, de 02 de junho de 1992 -, já transcrito
anteriormente.

Quanto à ausência de retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes


sobre os subsídios pagos aos agentes políticos do Poder Legislativo da Urbe, verifica-se que
tal procedimento vai de encontro ao preconizado no art. 195, inciso 11, da Lex Legum,
c/c o estabelecido no art. 12, inciso I, alínea "j", da Lei Nacional n.? 8.212/91 - Lei de
Custeio da Previdência Social -, na sua atual redação dada pela Lei Nacional n.o 10.887, de
18 de junho de 2004, verbum pro verbo:

Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes


pessoasfísicas:

I - como empregado:

a) ( ... )

j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que


não vinculado a regime próprio de previdência social; (nossos grifas) /--
I
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No que respeita à aquisição de combustíveis, os especialistas deste Tribunal destacaram,


inicialmente, que os gastos em 2005, no patamar de R$ 9.154,69, foram bem superiores à
média dos dispêndios de mesma natureza nos exercícios de 2003 e 2004, R$ 5.486,54,
apontando um excesso de R$ 3.668,15, fI. 407. Com o intuito de justificar o consumo no
período sub examine, o ex-Chefe do Poder Legislativo da Comuna alegou que o preço do
produto sofre constantes oscilações ao longo do tempo e que, em virtude da depreciação a
que está sujeito, a uma taxa de 20% ao ano, o veículo passa a consumir mais, fls. 424/425.

Entretanto, os analistas deste Pretório refutaram a alegação acerca do aumento do consumo


na mesma proporção da taxa de depreciação, pois não condiz com o comportamento
observado em exercícios anteriores, já que, de 2003 a 2004, houve, na realidade, um
decréscimo da quantidade de gasolina consumida. Mesmo assim, a unidade de instrução
refez os cálculos, baseada, agora, no gasto anual em litros e levando em consideração a
variação de preços do combustível, conforme informado pela defesa. Daí, foi apontado um
excesso em 2005 de 952,08 litros ou R$ 2.370,68, correspondente ao valor que ultrapassou
a média consumida nos dois exercícios anteriores, devendo, por conseguinte, ser imputado
ao gestor responsável.

Nesse contexto, merece transcrição o disposto no artigo 113, da Lei de Licitações e


Contratos Administrativos - Lei Nacional n.o 8.666/93 -, que estabelece a necessidade do
administrador público comprovar a legalidade, a regularidade e a execução da despesa,
in verbis.

Art. 113. O controle das despesas decorrentes dos contratos e demais


instrumentos regidos por esta Lei será feito pelo Tribunal de Contas
competente, na forma da legislação pertinente, ficando os órgãos
interessados da Administração responsáveis pela demonstração da
legalidade e regularidade da despesa e execução, nos termos da
Constituição e sem prejuízo do sistema de controle interno nela previsto.
(grifamos)

Além disso, os princípios da legalidade, da moralidade e da publicidade administrativas,


estabelecidos no artigo 37, caput, da Constituição Federal, demandam, além da
comprovação da despesa, a efetiva divulgação de todos os atos e fatos relacionados à
gestão pública. Portanto, cabe ao ordenador de despesas, e não ao órgão responsável pela
fiscalização, provar que não é responsável pelas infrações, que lhe são imputadas, das leis e
regulamentos na aplicação do dinheiro público, consoante entendimento do ego Supremo
Tribunal Federal - STF, verbatim:

MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO.


CONTAS JULGADAS IRREGULARES. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA~~"""
ARTIGO 53 DO DECRETO-LEI 199/67. A MULTA PREVISTA NO ARTIG 53 \
DO DECRETO-LEI 199/67 NÃO T~M NATUREZA DE SANÇÃO DISCIPLI AR. -: ," ",,",
IMPROCEDENCIA DAS ALEGAÇOES RELATIVAS A CERCEAMEN E / •~

~~ ÇJ&J\\Y
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PROCESSOTC N.o 02633/06

DEFESA.EM DIREITO FINANCEIRO,CABEAO ORDENADORDE DESPESAS


PROVARQUE NÃO É RESPONSÁVELPELAS INFRAÇÕES,OUE LHE SÃO
IMPUTADAS,DAS LEIS E REGULAMENTOSNA APLICAÇÃODO DINHEIRO
PÚBLICO.COINCIDÊNCIA,AO CONTRÁRIODO QUE FOI ALEGADO,ENTRE
A ACUSAÇÃOE A CONDENAÇÃO,NO TOCANTEÀ IRREGULARIDADEDA
LICITAÇÃO. MANDADODE SEGURANÇAINDEFERIDO.(STF - Pleno - MS
20.335jDF, ReI. Ministro Moreira Alves, Diário da Justiça, 25 fev. 1983, p. 8)
(grifo ausente no original)

Visando aclarar o tema em disceptação, vejamos parte do voto do ilustre Ministro Moreira
Alves, relator do supracitado Mandado de Segurança, verbo ad verbum:

Vê-se, pois, que em tema de Direito Financeiro, mais particularmente, em


tema de controle da aplicação dos dinheiros públicos, a responsabilidadedo
Ordenador de Despesas pelas irregularidades apuradas se presume, até
prova em contrário, por ele subministrada.

A afirmação do impetrante de que constitui heresia jurídica presumir-se a


culpa do Ordenador de despesaspelas irregularidades de que se cogita, não
procede portanto, parecendo decorrer, quiçá, do desconhecimento das
normas de Direito Financeiroque regem a espécie. (grifo nosso)

Já o eminente Ministro Marco Aurélio, relator na Segunda Turma do STF do Recurso


Extraordinário n.o 160.381/SP, publicado no Diário da Justiça de 12 de agosto de 1994,
página n.O 20.052, destaca, em seu voto, o seguinte entendimento: "O agente público não
só tem que ser honesto e probo, mas tem que mostrar que possui tal qualidade. Como a
mulher de César."

Igualmente inserida no rol das máculas constatadas na instrução processual está o repasse
tardio aos cofres municipais do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN,
retido pela Câmara Municipal dos seus prestadores de serviços, na soma de R$ 256,84.
A unidade técnica destacou que os recolhimentos só foram efetuados ao final do exercício,
sem os encargos devidos e mediante depósito bancário na CONTA DIVERSOS do Município,
sem a respectiva autenticação nos Documentos de Arrecadação Municipal - DAM,
fls. 373/394. Recomenda-se, portanto, que o atual Chefe do Poder Legislativo de Serra
Grande/PB, Sr. José Dionisio Sobrinho, promova os acertos necessários junto ao Setor de
Arrecadação de Tributos da Urbe.

Finalmente, os inspetores do Tribunal destacaram a não apresentação de informações acerca


da execução orçamentária e financeira da Câmara Municipal ao Poder Executivo, com vistas
à consolidação dos demonstrativos contábeis do Município, consoante determina o art. 50,
inciso IH, da Lei de Responsabilidade Fiscal, ipsis /itteris: )-'./', ','

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PROCESSOTC N.o 02633/06

Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a


escrituração das contas públicas obedecerá as seguintes:

1-( ...)

III - as demonstrações contábeis corresponderão, isolada e conjuntamente,


as transações e operações de cada órgão, fundo ou entidade da
administração direta, autárquica e fundacional, inclusive empresa estatal
dependente;

Além disso, a Resolução Normativa RN - Te - 99/97, que estabelece normas para Prestação
de Contas Anuais de Prefeitos e Presidentes de Câmara de Vereadores, no seu artigo 3°,
cabeça, aborda a necessidade de consolidação das contas, in verbis.

Art. 3° Os resultados da movimentação orçamentária, financeira e


patrimonial das Câmaras Municipais autônomas ou não, devem integrar os
BalançosGerais do Município cuja apresentação é dever do Prefeito.

Feitas estas colocações, merece destaque o fato de que duas das máculas encontradas nos
presentes autos são suficientes para o julgamento irregular da prestação de contas
sub judice, conforme determinam os itens "2.5" e "2.12" ele o item "6" do parecer que
uniformiza a interpretação e análise, pelo Tribunal, de alguns aspectos inerentes às
°
Prestações de Contas dos Poderes Municipais (Parecer Normativo n. 52/2004), senão
vejamos:

2. Constituirá motivo de emissão, pelo Tribunal, de PARECERCONTRÁRIOà


aprovação de contas de Prefeitos Municipais, independente de imputação de
débito ou multa, se couber, a ocorrência de uma ou mais das irregularidades
a seguir enumeradas:

(... )

2.5. não retenção e/ou não recolhimento das contribuições previdenciárias


aos órgãos competentes (INSS ou órgão do regime próprio de previdência,
conforme o caso), devidas por empregado e empregador, incidentes sobre
remunerações pagas pelo Município;

( ... )

2.12. não publicação e não encaminhamento ao Tribunal dos Relatórios


Resumidos de Execução Orçamentária (REO) e dos Relatórios de Gestão
Fiscal (RGF), nos termos da legislaçãovigente;

...
( )
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PROCESSOTC N.o 02633/06

6. O Tribunal julgará irregulares as Prestações de Contas de Mesas de


Câmaras de Vereadores que incidam nas situações previstas no item 2, no
que couber, realizem pagamentos de despesas não previstas em lei,
inclusive remuneração em excessoe ajudas de custos indevidas aos edis ou
descumprimento dos limites da Lei de ResponsabilidadeFiscal e de decisões
deste Tribunal. (grifos inexistentes no texto original)

Por fim, ante as transgressões a disposições normativas do direito objetivo pátrio,


decorrentes da conduta implementada pelo ex-Chefe do Poder Legislativo da Comuna de
Serra Grande, Sr. Antônio Trajano de Sousa, resta configurada a necessidade imperiosa de
aplicação da multa de R$ 2.805,10 - valor atualizado pela Portaria n.o 039/06 do TCE/PB-,
prevista no art. 56, incisos II e III, da Lei Orgânica do TCE/PB - Lei Complementar Estadual
n.O 18, de 13 de julho de 1993, verbum pro verbo:

Art. 56 - O Tribunal pode também aplicar multa de até Cr$ 50.000.000,00


(cinqüenta milhões de cruzeiros) aos responsáveis por:

I - (omissis)

II - infração grave a norma legal ou regulamentar de natureza contábil,


financeira, orçamentária, operacional e patrimonial;

UI - ato de gestão ilegítimo ou antieconômico de que resulte injustificado


dano ao Erário;

Ex positis, proponho que o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba:

1) Com fundamento no art. 71, inciso II, da Constituição Estadual, e no art. 1°, inciso I, da
Lei Complementar Estadual n.O 18/93, JULGUE IRREGULARES as contas do ordenador de
despesas da Câmara Municipal de Serra Grande/Pô, durante o exercício financeiro de 2005,
Vereador Antônio Trajano de Sousa.

2) IMPUTE ao ex-Presidente da supracitada Edilidade, Sr. Antônio Trajano de Sousa, débito


no montante de R$ 2.370,68 (dois mil, trezentos e setenta reais e sessenta e oito centavos),
concernentes a excesso na aquisição de combustíveis.

3) FIXE o prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento voluntário aos cofres públicos
municipais do débito imputado, cabendo ao atual Prefeito Municipal de Serra Grande/PB,
Sr. João Bosco Cavalcante, no interstício máximo de 30 (trinta) dias após o término daquele
período, zelar pelo seu integral cumprimento, sob pena de responsabilidade e intervenção do
Ministério Público Estadual, na hipótese de omissão, tal como previsto no art. 71, § 4°, da
Constituição do Estado da Paraíba, e na Súmula n.o 40, do colendo Tribunal de Justiç
Estado da Paraíba - TJ/PB.
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N.O 02633/06

4) APLIQUE MUL TA ao ex-Chefe do Poder Legislativo, Sr. Antônio Trajano de Sousa, no valor
de R$ 2.805,10 (dois mil, oitocentos e cinco reais e dez centavos), com base no que dispõe o
art. 56, incisos 11e 111,da Lei Complementar Estadual n. o 18/93 - LOTCE/PB.

5) CONCEDA-LHE o prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento voluntário da penalidade


ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto no art. 3°,
alínea "a", da Lei Estadual n.O 7.201, de 20 de dezembro de 2002, cabendo à Procuradoria
Geral do Estado da Paraíba, no interstício máximo de 30 (trinta) dias após o término daquele
período, velar pelo seu integral cumprimento, sob pena de intervenção do Ministério Público
Estadual, na hipótese de omissão, tal como previsto no art. 71, § 4°, da Constituição do
Estado da Paraíba, e na Súmula n.o 40, do ego Tribunal de Justiça do Estado da
Paraíba - TJ/PB.

6) DETERMINE a formalização de processos específicos para verificar a situação funcional da


Sra. Maria Viana da Conceição junto ao Poder Executivo do Município de Serra Grande/PB,
tendo em vista que o seu CPF informado no SAGRES (n.> 899.607.008-44) pertence, na
realidade, ao Sr. Francisco Severino Filho, bem como analisar o vínculo do Sr. José Leite de
Assis e da Sra. lida Miguel da Silva Souza com o Poder Legislativo Municipal.

7) ENCAMINHE cópia da presente deliberação ao Prefeito Municipal de Serra Grande/PB,


Sr. João Bosco Cavalcante, subscritor de denúncia formulada em face do Sr. Antônio Trajano
de Sousa, para conhecimento.

8) ENVIE recomendações no sentido de que o atual Presidente da Câmara Municipal de Serra


Grande/PB, Sr. José Dionisio Sobrinho, não repita as irregularidades apontadas no relatório
dos peritos da unidade técnica deste Tribunal e observe, sempre, os preceitos
constitucionais, legais e regulamentares pertinentes.

9) Com fulcro no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, caput, da Constituição Federal,
COMUNIQUE à Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Campina Grande/PB, acerca da
falta de retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias, devidas por empregado e
empregador, incidentes sobre os subsídios pagos aos vereadores da Câmara Municipal de
Serra Grande/PB, durante todo o exercício financeiro de 2005.

10) Também com base no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, cabeça, da Lei Maior, REMETA
cópias das peça~icas, fls. 401/409 e 482/488, do parecer do Ministério Público Especial,
fls. 491/500,. ~d~sta ~~is~o à augusta Procuradoria Geral de Justiça do Estado da Paraíba,
para as provi encras cabfvels,
/

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