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Estratégia é Mudança

Quando o pensamento estratégico estiver implantado no grupo de líderes das organizações, teremos uma nova forma de planejar a estratégia. A afirmação é do diretor-presidente da Symnetics Business Transformation, o consultor Mathias Mangels. Ele não tem dúvida de que estratégia é mudança e de que é necessário incorporá-la ao cotidiano das organizações. Nesta entrevista, Mangels avalia o nível de competitividade das empresas brasileiras no atual momento de indefinições e revela alguns segredos para manter a sua empresa dentro do mercado.

Equipe Editorial Como planejar de forma estratégica em um cenário nebuloso, macroeconômico

e escapar das ameaças do mercado atual?

Mathias Mangels O planejamento estratégico tradicional, com pesquisas de mercado e estudos sobre cenários, vem dando lugar a processos dinâmicos de gestão estratégica através de aproximações sucessivas. O fato é que o executivo em geral tem pouco tempo para tomar decisões e, se demorar muito, seu negócio fica fora do mercado. Na gestão estratégica, é fundamental o trabalho em equipe dos executivos e a intuição acerca do futuro dos negócios. Quando o pensamento estratégico estiver implantado no grupo de líderes das organizações, teremos uma nova forma de planejar a estratégia.

Equipe Editorial Como garantir a competitividade das empresas? Mathias Mangels A competitividade das empresas é a busca contínua pela excelência empresarial. Ela comporta fatores internos das empresas como a qualidade da gestão, a proficiência das lideranças, a criação de uma cultura de aprendizado contínuo e a sustentabilidade do negócio no seu sentido mais amplo. Também são importantes os fatores externos como a articulação do negócio em cadeias produtivas e a própria influência das empresas no desenvolvimento de um país.

Equipe Editorial Em que nível o senhor classificaria as empresas nacionais? Mathias Mangels As empresas brasileiras têm um grande potencial de se tornarem empresas competitivas internacionalmente, graças a sua flexibilidade e a cultura de aprendizado inerente ao nosso povo. Existe também uma preocupação crescente com a sustentabilidade dos negócios graças às características do país. Para se tornarem competitivas, muitas empresas carecem da proficiência das lideranças e a excelência em gestão, comuns em organizações norte-americanas e européias.

Equipe Editorial Como orientar as organizações para que se mantenham alertas e atentas à estratégia de seus negócios? Mathias Mangels As organizações que, nos últimos 10 anos, orientaram-se para a estratégia, seguiram uma trajetória semelhante. Elas conseguiram traduzir o planejamento estratégico - com objetivo de provocar o entendimento de todos na organização - por meio de mapas estratégicos, indicadores, metas e ações. Em seguida, alinharam as unidades de negócio, áreas de apoio recursos humanos, finanças, tecnologia, etc. , criando sinergias para o sucesso da estratégia. Transformaram a estratégia em tarefa cotidiana de todos, criando mecanismos que a tornasse rotina para as pessoas. A estratégia se tornou um processo contínuo, ou seja, de gestão estratégica que avalia o desempenho da estratégia; e mobilizaram fortemente a liderança executiva para a mudança, já que estratégia é mudança.

Equipe Editorial Estudos da Fundação Dom Cabral revelam que 76% das empresas redefiniram suas estratégias nos últimos cinco anos. Como o senhor avalia esse procedimento?

Mathias Mangels Ter foco e posicionamento competitivo é uma questão de sobrevivência, já que as empresas operam com recursos humanos e financeiros limitados. No setor público, o planejamento estratégico chegou para ficar nos últimos 8 e 10 anos. O governo passou a exigir a clara definição de metas de longo prazo. Estratégia nunca foi tão importante. Entretanto, segundo dados da revista Fortune, 9 em cada 10 empresas falham na implementação da estratégia. As empresas devem se preocupar em tirar suas estratégias do papel, daí a importância da implementação de instrumentos como o Balanced Scorecard - método que serve para o acompanhamento do desempenho estratégico e a execução da própria estratégia.

Equipe Editorial O mesmo estudo mostra que a maioria das empresas não possui a devida compreensão dos indicadores utilizados como método de gestão. O que fazer para melhorar o gerenciamento das informações disponíveis? Mathias Mangels Na maioria das empresas com as quais temos trabalhado existe uma dispersão

muito grande de informação. Centenas de indicadores são monitorados e há pouco uso destes para

a efetiva tomada de decisões. Temos como prática recomendar em torno de 20-25 indicadores para um painel estratégico de gestão. Desde que o mesmo seja balanceado entre indicadores

financeiros, mercadológicos, operacionais e de recursos humanos , assegurando que todo e qualquer indicador seja atrelado a algum objetivo estratégico.

Equipe Editorial Qual o segredo para garantir a correta execução da estratégia? Mathias Mangels Ter os líderes e os colaboradores conscientes da visão do negócio, ou seja, onde queremos chegar. A clara compreensão do destino estratégico por todos na organização é premissa para o atingimento dos chamados resultados expressivos breakthrough results.

Equipe Editorial Como garantir o comprometimento dos colaboradores na execução da estratégia de transformação? Mathias Mangels Criando mecanismos que tornem a estratégia uma preocupação diária das

uma comunicação eficaz da estratégia; implementação de programas de

pessoas. São eles

incentivos monetários e não monetários atrelados à estratégia; e a criação de Scorecards de equipes e indivíduos para mostrar a contribuição de cada um na organização nos resultados.

Equipe Editorial O senhor poderia relatar casos de organizações que implantaram o processo de gestão estratégica e obtiveram sucesso? Mathias Mangels No exterior, a AT&T, no Canadá, chegou a rever sua organização e seus comitês de gestão para dinamizar o processo de gestão estratégica. Inclusive nomeando um CVO - Chief Value Officer - preocupado com a gestão do valor. A Daimler Chrysler também é um excelente exemplo de integração do planejamento, gestão e desempenho empresarial. A cidade de Charlotte, município norte-americano, foi pioneira na criação de grupos interdisciplinares envolvendo diversas secretarias municipais para a discussão de temas estratégicos comuns, como segurança e saúde. O Hospital norte-americano Montefiore é outro caso de excelência de profissionalização e modernização da gestão. No Brasil, podemos citar o Unibanco, que inclusive desceu o Balanced Scorecard para o nível individual. Outro exemplo é a Embrapa, que criou um sistema próprio de Gestão Estratégica, o chamado MGE, além da Oxiteno grupo Ultra que está vinculando todos os seus instrumentos de gestão à estratégia.

Fonte LIMA, Sérgio. Estratégia é mudança. [S.l.:s.n.].