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CUIDANDO DA TERRA

DICAS AMBIENTAIS PARA O PRODUTOR RURAL DA REGIÃO DA SERRA DA CANASTRA

Instituto Terra Brasilis

2008

CUIDANDO DA TERRA

Realização

Patrocínio

CUIDANDO DA TERRA Realização Patrocínio DICAS AMBIENTAIS PARA O PRODUTOR RURAL DA REGIÃO DA SERRA DA

DICAS AMBIENTAIS PARA O PRODUTOR RURAL DA REGIÃO DA SERRA DA CANASTRA

CUIDANDO DA TERRA Realização Patrocínio DICAS AMBIENTAIS PARA O PRODUTOR RURAL DA REGIÃO DA SERRA DA

ORGANIZAÇÃO

Instituto Terra Brasilis

EDIÇÃO

Jacqueline Nogueira Gonçalves

Leandro Moraes Scoss

Lívia Vanucci Lins

Sônia Elias Rigueira

TEXTO BASE

Marta Bouissou Morais

Paulo Henrique de Matos Almeida (Turismo na propriedade rural)

Jean Pierre Santos (Previna ataques às criações de galinhas)

REVISÃO TÉCNICA

Augusto Lima Neto

Flávia Ribeiro

Leandro Moraes Scoss

Lívia Vanucci Lins

Renata Dornelas de Andrade

Sônia Elias Rigueira

REVISÃO ORTOGRÁFICA

Genoveva Ruis Dias

ILUSTRAÇÕES

Éber Ferreira

PROJETO E EDIÇÃO GRÁFICA

Grupo de Design Gráfico – Cláudia Barcellos

I59c

Instituto Terra Brasilis. Cuidando da terra : dicas ambientais para o produtor rural da região da Serra da Canastra / realização Terra Brasilis – Belo Horizonte, 2008. 80 p. : il.

ISBN : 978-85-98955-03-2.

1. Cerrados. 2. Conservação da natureza. 3. Agropecuária.

4. Parque Nacional da Serra da Canastra (MG). I. Título.

CDD: 504.75

APRESENTAÇÃO

O Instituto Terra Brasilis foi criado em 1998, com o objetivo de promover a

conservação dos recursos naturais, através do desenvolvimento de ações que conci- liem conservação da natureza com desenvolvimento econômico e social. Desde 2001, o Terra Brasilis vem trabalhando na região da Serra da Canastra, em Minas Gerais, com o Programa Pato Aqui, Água Acolá.

O Programa Pato Aqui, Água Acolá tem como símbolo o pato-mergulhão.

Essa ave é uma espécie rara e ameaçada de extinção e é encontrada na Serra da Canastra. Através desse Programa, o Terra Brasilis desenvolve pesquisa e educação ambiental na região, visando contribuir para a conservação do pato-mergulhão e dos ambientes naturais.

A produtividade das culturas e criações está diretamente relacionada à quali- dade ambiental da região onde a propriedade está localizada. Assim, a forma como o produtor rural usa a terra é muito importante e determina o futuro da sua pro- priedade e, conseqüentemente, da região. Uma propriedade explorada de maneira correta sob o ponto de vista do uso do solo, da água, das plantas, etc., garante o uso atual e futuro desta propriedade.

Esta publicação apresenta informações atuais, úteis e interessantes relacio- nadas à conservação do meio ambiente e ao desenvolvimento de atividades numa propriedade rural. Ela reflete a realidade da Serra da Canastra e sua elaboração contou com a participação de pessoas da comunidade, de representantes de órgãos governamentais da região e da sociedade civil organizada, através de infor- mações obtidas de pesquisas, entrevistas, bate-papos e por meio de comentários, revisão de textos e outras formas de colaboração, que ajudaram na definição dos temas incluídos. A todos colaboradores, os nossos agradecimentos.

Disponibilizamos esta publicação na expectativa de que ela possa contribuir para o desafio de conciliar a produção rural e a conservação das riquezas naturais desta região.

Sônia Elias Rigueira

PRESIDENTE - INSTITUTO TERRA BRASILIS

CUIDANDO DA TERRA

EFEITO ESTUFA, AQUECIMENTO GLOBAL E MUDANÇA CLIMÁTICA

Diariamente, acompanhamos pelos meios de comunicação, rádio, televisão e jornais, notícias sobre catástrofes climáticas e mudanças que estão ocorrendo rapi- damente no clima mundial. Nunca se viu mudanças tão rápidas e com efeitos devastadores como as ocorridas nos últimos anos.

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CUIDANDO DA TERRA

CUIDANDO DA TERRA

CUIDANDO DA TERRA Consumo consciente Quando compramos qualquer produto, estamos estimulando o consumo de vários elementos

Consumo consciente

Quando compramos qualquer produto, estamos estimulando o consumo de vários elementos que são necessários para a sua produção e distribuição: energia, água e matérias-primas usadas na fabricação do produto e em sua embalagem; a quantidade de lixo gerada pelo descarte da embalagem e do próprio produto, após o uso; a maneira pela qual foi remunerada a mão-de-obra humana e suas condi- ções de trabalho, sejam estas justas e dignas ou injustas e indignas.

Considerando isso, consumir representa fazer escolhas com conseqüências para outras pessoas e para o ambiente como um todo.

O consumo atual é crescente e se, continuar como está, levará as gerações

futuras a não terem fontes de água ou de energia, reservas de ar puro nem terras férteis para a produção de alimentos em quantidade suficiente para a manutenção da vida. Hoje, já se consome 20% a mais do que a Terra consegue renovar!

O consumo é tanto, que nos esquecemos que nem sempre foi assim e que

até há poucas décadas, vivíamos sem fazer tantas compras, e vivíamos bem.

A solução para isso está na mudança da maneira como consumimos. É preci- so que cada pessoa torne-se um consumidor consciente, contribuindo para que os recursos do ambiente possam continuar a ser utilizados no futuro. Entretanto, isto exige mudanças de estilos de vida.

O consumidor consciente precisa perguntar-se sempre: os produtos e bens

que pretendo consumir são necessários? Seu consumo compensa os prejuízos que

sua produção e seu descarte acarretarão? Em cada escolha, poderemos ajudar a construir uma sociedade mais sustentável e justa.

CUIDANDO DA TERRA

Algumas dicas:

lembre-se que a água, o ar, o solo, os campos e as

florestas não são depósitos de lixo, nem apenas fontes de matérias-primas; dependemos da sua conservação para a manutenção da qualidade do ar que respiramos, para produzir alimentos de qualidade, para captar água, para

o lazer e recreação etc.;

compre menos produtos industrializados, pois assim

estaremos utilizando uma quantidade menor de energia

e de matérias-primas, e produzindo menos lixo;

use ao máximo, isto é, economize e reutilize;

recicle;

ao máximo, isto é, economize e reutilize; • recicle; • • compre reutilizáveis e recicláveis; dê

compre reutilizáveis e recicláveis;

dê preferência para a compra de produtos diretamente com o produtor ou em cooperativas;

evite embalagens.

com o produtor ou em cooperativas; • evite embalagens. Cada um de nós é mais do
com o produtor ou em cooperativas; • evite embalagens. Cada um de nós é mais do

Cada um de nós é mais do que aquilo que consome e o planeta Terra é mais do que uma fonte de recursos e uma lata de lixo.

é mais do que uma fonte de recursos e uma lata de lixo. Ao regar o

Ao regar o jardim e a horta, à noite ou de manhazinha, você reduz a perda de água pela evaporação.

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Futuro sem água

A maior parte da superfície da Terra está coberta por água, mas apenas uma

pequena parcela está disponível para nosso uso. A maior parte (97%) é salgada, uma pequena parte está armazenada em geleiras (2%) e outra, menor ainda, é de água doce (1%), armazenada em depósitos subterrâneos, rios e lagos, e pode ser utilizada pelas pessoas.

Essa parcela de 1% de água doce disponível para consumo representa muita água, mas não é suficiente. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Edu- cação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na metade do século XXI (no ano de 2050), pelo menos dois bilhões de pessoas, em 48 países, sofrerão com a falta de água.

As principais causas da falta d’água são o aumento do consumo e a degrada- ção de nascentes, córregos e rios.

A quantidade de água é a mesma desde a formação da Terra, mas o consumo

vem aumentando, principalmente nas últimas décadas.

A quantidade de água consumida pelas pessoas tem mudado, ano após ano,

região por região. Enquanto um norte-americano consome, em média, 200 a 250 litros de água por dia, a média de consumo em algumas regiões da África é de apenas 15 litros por dia! No Brasil, a média de consumo por pessoa é semelhante à média européia, de 140 a 200 litros por dia, mas regiões mais secas e mais pobres têm consumos semelhantes à média da África.

Além do aumento do consumo, outro fator que contribui para a falta de água é a diminuição das fontes de água potável, que sofrem as conseqüências dos desmatamentos nas áreas de nascentes e de vegetação nativa nas margens dos rios, da contaminação por esgotos domésticos e industriais, por fezes e urina de animais de criação e por agrotóxicos.

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CUIDANDO DA TERRA

Mais de 10 milhões de pessoas no mundo morrem a cada ano, em decorrência de doenças relacionadas à água contaminada.

CUIDANDO DA TERRA

Onça-parda (Puma concolor)

CUIDANDO DA TERRA Onça-parda ( Puma concolor ) A onça-parda ocorre em todo o Brasil, em

A onça-parda ocorre em todo o Brasil, em outros países da América do

Sul e, também, nas Américas Central e do Norte. É um pouco menor do que a onça-pintada e chega a medir dois metros de comprimento (com

a cauda) e pode pesar mais de 100 kg. A pelagem dos animais adultos

varia entre o amarelo-claro e o marrom-claro, e os filhotes nascem com

manchas pretas, que desaparecem por volta dos 10 meses de idade.

Animal carnívoro, alimenta-se de uma ampla variedade de presas:

ratos, gambás, tatus, tapetis, tamanduás-mirins, cutias, porcos-do- mato, veados, aves, lagartos e outros animais. Se a presa é grande e não é consumida de uma só vez, a onça-parda a cobre com folhas e galhos, voltando vários dias, até completar a sua refeição.

A onça-parda é um animal solitário, apesar de alguns machos e fêmeas

possuírem territórios em comum. O casal somente se encontra na época do acasalamento e os filhotes recebem os cuidados exclusivamente da mãe. A gestação dura entre 82 a 96 dias e a ninhada pode ter até seis filhotes, que dependem da mãe por cerca de dois anos.

Esses animais possuem hábitos preferencialmente noturnos, podendo iniciar suas atividades no crepúsculo, embora alguns indivíduos também mantenham-se ativos durante o dia.

A destruição de ambientes naturais, a redução do número de presas e

a caça são as principais ameaças sobre esta espécie, o que faz com

que ela faça parte da lista de animais ameaçados de extinção.

CUIDANDO DA TERRA

QUALIDADE DA ÁGUA

Água em abundância e de boa qualidade é muito importante. As paisagens, os solos, os seres vivos, o clima e as atividades humanas, como agricultura, pecuá- ria, turismo, lazer e uso doméstico, dependem da água.

Mas, como uma das principais características da água é sua capacidade de transportar óleos, pós, gases, plásticos e todo tipo de materiais, ela pode ser facil- mente poluída.

As principais fontes de poluição das águas na região da Serra da Canastra são os esgotos domésticos e os produtos agropecuários, como adubos e agrotóxicos, quando usados de forma incorreta.

CUIDANDO DA TERRA
CUIDANDO DA TERRA

CUIDANDO DA TERRA

A poluição da água por esgoto

Os esgotos domésticos não tratados contaminam a água com fezes huma- nas, restos de alimentos, detergentes e outros resíduos.

As fezes podem levar para os cursos d’água agentes causadores de doenças, como por exemplo, giárdias, amebas, bactérias que causam gastroenterite, vírus da hepatite e outros. Ao beber a água contaminada, usá-la no preparo de alimentos crus ou na irrigação de algumas plantações, ou dar para os animais domésticos beberem, as pessoas podem pegar essas doenças ou levá-las para outras. Animais que bebem a água contaminada por fezes também podem contrair doenças e, em alguns casos, transmiti-las para as pessoas que consumirem sua carne, leite, ovos ou outro produto de origem animal.

Já os detergentes, de um modo geral, são tóxicos e matam muitos seres vivos, prejudicando todo o ambiente.

Uma propriedade rural ou uma residência, que não dispõe de rede de esgoto, pode evitar esses problemas, com a construção de fossas sépticas (ver página 18).

A poluição da água por produtos agropecuários

Uma atividade agropecuária, quando não é bem planejada, pode contaminar as águas com produtos químicos (por exemplo, adubos e remédios contra pragas e doenças utilizados nas plantações de café, cana-de-açúcar, milho e soja, e criação do gado bovino), fezes e urina de animais de criação e produtos de limpeza usados em currais, queijeiras e outras instalações.

Para controlar esses problemas, o proprietário rural deve:

ficar atento ao uso de agroquímicos e de produtos de limpeza, reduzindo-o ao mínimo necessário;

usar agroquímicos e produtos de limpeza conforme as orientações dos fabricantes;

dar o destino adequado às embalagens de agroquímicos e de produtos de limpeza;

utilizar os dejetos animais na compostagem (processo que produz adubo

orgânico) ou na biodigestão (que leva à produção de gás combustível), evitando

que estes resíduos poluam os cursos d’água da região (ver páginas 48 e 49).

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Sucupira-preta (Bowdichia virgilioides)
Sucupira-preta
(Bowdichia virgilioides)

Com uma altura de oito a 16 metros e um tronco com 30 a 50 centímetros de diâmetro, a sucupira-preta é típica do Cerrado e adaptada a terrenos secos e pobres em nutrientes.

A casca é grossa e rachada, as flores são arroxeadas e os frutos, pequenas vagens achatadas.

Floresce entre julho e setembro e os frutos amadurecem entre o final de outubro e o início de dezembro.

Segundo a medicina popular, a casca e as raízes podem servir de remédio, sendo utilizadas para tratar o diabetes, a sífilis e o reumatismo.

Como plantar: colher os frutos quando começarem a cair e levar ao sol para secar. As vagens podem ser plantadas diretamente ou as sementes podem ser retiradas. As sementes ou vagens devem ser plantadas em área ensolarada e regadas diariamente.

CUIDANDO DA TERRA

Colete e utilize a água da chuva

Atualmente, com o alto custo da água clorada/encanada e com a difusão de

idéias de conservação ambiental, é grande o interesse por tecnologias que, ao mes- mo tempo, conservem as águas, diminuam a erosão e as enchentes causadas pelas águas das chuvas, diminuam o consumo de água clorada/encanada e dêem acesso

à água de boa qualidade e de baixo custo.

A água clorada/encanada não é necessária para muitos usos domésticos e de propriedades rurais, como a descarga dos vasos sanitários, o funcionamento das máquinas de lavar, a limpeza de chãos e de áreas externas, a irrigação de jardins, hortas e plantações, a água de beber para animais de criação, as piscinas e os poços para peixes e aves, como patos e marrecos. A água da chuva possui, para esses fins, qualidade tão boa, ou até melhor, do que a água clorada, e, se coletada e tratada da forma adequada, pode levar a uma economia de 30% a 50% no consumo da água clorada/encanada, sem prejuízo do conforto e da higiene.

Um sistema de coleta e utilização da água de chuva é composto por:

área de captação: geralmente telhados das edificações (das casas e tam-

bém de galpões, celeiros etc.). Como a chuva entra em contato com a superfície de coleta e pode carregar impurezas, tais como fezes de aves, poeira e folhas, a água dos primeiros minutos de chuva deve ser descartada. Se houver árvores jun- to à área de captação, a água coletada poderá apresentar cor amarronzada, o que não impede sua utilização, mas limita seus usos. A água continua adequada, por exemplo, para a limpeza de chão e áreas externas. A chamada água dura, isto é, com alto conteúdo de minerais, só deve ser utilizada para a limpeza. Superfícies lisas, de materiais metálicos, cerâmicos ou fibrocimentos, são as mais indicadas para a coleta;

calhas e tubulações: fazem o transporte da água entre a superfície de coleta

e os tanques de armazenamento. Formas, tamanhos e materiais convencionais po-

dem ser adaptados ao sistema, mas é importante que eles não contenham chumbo ou outros materiais que limitem o uso da água;

tanques de armazenamento: representam o maior custo do sistema. Se

forem dois tanques, o sistema continua a funcionar, mesmo se um deles for fecha- do para manutenção. Podem ser feitos de concreto, fibra de vidro, ferrocimento e outros materiais. É importante que não sejam transparentes para evitar a prolifera- ção de algas microscópicas, quando expostos ao sol. Um filtro (de tela ou de papel- filtro), na entrada do reservatório, evita a entrada de folhas e de outras impurezas;

ÁREAS DE

CAPTAÇÃO

CALHAS TANQUE DE ARMAZENAMENTO
CALHAS
TANQUE DE
ARMAZENAMENTO

tubulação de entrega: se o tanque não estiver em nível mais elevado que as torneiras, uma bomba deverá ser instalada.

Existem no mercado sistemas que incluem calhas, filtros a elas adaptados e outros equipamentos para serem instalados nos tanques que contribuem para a manutenção da qualidade da água acumulada. Podemos optar pela aquisição de um desses sistemas completos ou pela sua montagem, adaptando equipamentos de uso geral.

Quanta água é necessária para a produção de alimentos? Para produzir 1 kg de: O
Quanta água é necessária para a produção de alimentos?
Para produzir 1 kg de:
O consumo médio de água é de:
Açúcar
100 litros
Carne bovina
15.000 litros
Frango
6.000 litros
Cereais
1.500 litros
Frutas cítricas
1.000 litros
Raízes e tubérculos
1.000 litros
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Pato-mergulhão (Mergus octosetaceus)

O pato-mergulhão foi descrito, pela primeira vez para a ciência, em 1817, por

Jean Pierre Vieillot (1748-1831), um naturalista francês que viajou pela América do Sul, no início do século XIX.

É uma ave delgada, de cabeça e pescoço escuros, com reflexos verde-

metalizados e um penacho bem desenvolvido. O bico negro não se parece com o de outros patos e gansos: é longo e estreito, adaptado para capturar peixes, seu principal alimento. Os pés são vermelhos. Quando o casal é visto junto, o macho parece mais robusto e, geralmente, apresenta um penacho maior que o da fêmea.

O pato-mergulhão ocorre no centro-sul do Brasil e partes adjacentes da

Argentina e do Paraguai. Atualmente, a maior população conhecida vive na

região da Serra da Canastra.

O pato-mergulhão vive junto a cursos d’água límpidos e encachoeirados.

Cada casal ocupa um território de alguns quilômetros ao longo do rio, onde

permanecem durante todo o ano.

De acordo com estudos desenvolvidos pelo Instituto Terra Brasilis na região da Serra da Canastra, a estação de reprodução do pato-mergulhão começa em junho-julho de cada ano. O ninho pode ser feito em um oco de árvore ou em uma cavidade no paredão de rocha ou de terra, sempre próximo ao curso d’água. Somente a fêmea choca os ovos, mas o macho permanece próximo ao ninho, nadando, repousando em pedras ou em praias de areia. Ambos os pais alimentam os filhotes.

Naturalmente rara, esta espécie enfrenta alto risco de extinção devido a impactos ambientais provocados pelas atividades humanas, que afetam a quantidade e a qualidade da água.

A principal ameaça à sobrevivência do pato-mergulhão é a degradação e a

perda do seu ambiente natural, causadas principalmente por:

• desmatamento para formação de pastos e cultivos agrícolas;

CUIDANDO DA TERRA

CUIDANDO DA TERRA • assoreamento de cursos d’água, decorrentes da destruição da vegetação ciliar e de

• assoreamento de cursos d’água,

decorrentes da destruição da vegetação ciliar

e de práticas agropecuárias inadequadas;

• poluição de cursos d’água por esgoto

doméstico, lixo, fertilizantes, agroquímicos e

rejeitos industriais;

• construção de barragens.

Como o pato-mergulhão é uma espécie muito arisca, que se assusta e foge de locais barulhentos, as perturbações causadas por turistas e pescadores são também uma fonte potencial de ameaça para ele.

O pato-mergulhão é um símbolo da

conservação do ambiente natural da região da Serra da Canastra. Se a comunidade local conseguir protegê-lo, estará conservando também as águas e as paisagens e, contribuindo para um futuro com melhor qualidade de vida para as pessoas.

para um futuro com melhor qualidade de vida para as pessoas. A região da Canastra conta

A região da Canastra conta com o Centro de Informação Pato Aqui, Água Acolá, do Instituto Terra Brasilis, o qual desenvolve uma série de atividades com a comunidade da região. Ali, todos podem ver filmes, participar de discussões de temas ambientais, fazer cursos, ver exposições e muitas outras atividades oferecidas. Verifique o calendário mensal, fixado em vários pontos da cidade de São Roque de Minas e participe!

MAIS DE 4 METROS

CUIDANDO DA TERRA

Instale uma fossa séptica

É muito raro existir rede de esgoto nas propriedades rurais. Torna-se neces-

sário buscar uma solução para a coleta e o tratamento das águas servidas e do esgoto, economicamente viável para o produtor e, ao mesmo tempo, adequada ao ambiente.

A fossa séptica pode ser essa solução. Bem construída, ela mantêm a quali-

dade da água dos rios, das águas subterrâneas e do solo, e ainda previne doenças tais como verminoses (lombrigas e outros vermes), giardíase (uma doença que causa dor de barriga e diarréia grave, principalmente em crianças e idosos), e outras doenças.

A fossa séptica evita o lançamento de fezes e outros dejetos humanos direta-

mente em rios, lagos, nascentes ou superfície do solo. Construir uma fossa séptica

pode ser importante para a melhoria das condições de saúde das populações rurais.

As fossas sépticas devem ser localizadas em um nível do terreno mais baixo do que a moradia, e, pelo menos, a quatro metros desta, para evitar mau cheiro. Mas, a distância não deve ser muito maior, porque senão as tubulações terão que ser longas, o que encarece a construção.

CAIXA DE

INSPEÇÃO

CUIDANDO DA TERRA

É muito importante que a fossa séptica esteja, no mínimo, a 30 metros de

distância de poços ou de qualquer outra fonte de captação de água. Isso evita que, caso ocorram vazamentos, o material que escape da fossa contamine a água usada na propriedade.

O tamanho da fossa séptica depende do número de pessoas da moradia. Ela

é dimensionada em função de um consumo médio de 200 litros de água por pes-

soa, por dia. Porém, sua capacidade nunca deve ser inferior a 1.000 litros.

Uma fossa séptica é constituída por um tanque enterrado, que recebe os esgotos, retém a parte sólida e inicia a purificação da parte líquida.

A rede de esgoto da moradia deve passar inicialmente por uma caixa de

inspeção, que serve para fazer a manutenção do sistema, facilitando o desentupimento. Ao chegar à fossa séptica, o material sólido vai para o fundo e o material líquido fica sobre ele. Assim, vai sendo formado o lodo, que se deposita no fundo, e a escuma, que fica na superfície.

Sobre o lodo e a escuma agem microrganismos que transformam este mate- rial e matam outros microrganismos causadores de doenças.

Da fossa séptica, sai uma quantidade menor de esgoto do que a que lá entrou, além de gases e líquidos. Esse material vai para uma última caixa, o sumi- douro.

O sumidouro é um poço sem laje no fundo que permite que os materiais

líquidos e os gases, vindos da fossa séptica, penetrem no solo. Seu diâmetro e

profundidade podem variar, mas ele não deve ter menos de um metro de diâmetro

e menos de três metros de profundidade.

FOSSA

SÉPTICA

mas ele não deve ter menos de um metro de diâmetro e menos de três metros

SUMIDOURO

Cuidados a serem tomados:

Não construir uma fossa séptica em uma Área de Preservação Permanente (APP).

Fazer um desenho que mostre a localização da caixa de inspeção, da fossa e

do sumidouro, além da tubulação, para saber exatamente onde se encontram as construções.

A cada 24 meses (dois anos), deve-se retirar 2/3 do lodo acumulado.

Fazer com que a área sobre a fossa permaneça limpa, coberta apenas por

uma vegetação rasteira, de grama ou capim. Raízes de árvores ou arbustos podem entupir e danificar as tubulações. Lembre-se que as raízes das plantas procuram a água.

Evitar que automóveis estacionem sobre a área e que equipamentos pesa- dos sejam colocados no local.

Não planejar nenhuma construção como piscinas e calçadas nas proximida- des da fossa.

Não escoar para a fossa materiais como plásticos, fraldas, absorventes, papel

higiênico e guardanapos, já que esse lixo pode encher o tanque e entupir o sistema.

Não jogar óleos de cozinha e outras gorduras no ralo da pia, já que esses

alimentos se solidificam e entopem o campo de absorção da terra. Esses produtos podem ser recolhidos, por exemplo, em garrafas PET, e destinados à produção de biodiesel ou de sabões.

Não permitir que tintas, óleos de motor de automóvel, pesticidas, fertilizan-

tes e desinfetantes caiam no esgoto e vão parar no sistema da fossa séptica. Essas substâncias podem atravessá-lo diretamente, contaminando os terrenos em volta da fossa e matando os microrganismos que decompõem os resíduos. Aí, a fossa pára de funcionar.

Usar apenas água fervente para desentupir ralos, em substituição a quais- quer produtos cáusticos.

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CUIDANDO DA TERRA

Nos últimos quatro séculos, pelo menos 640 espécies de plantas e animais foram extintos, ou seja, desapareceram completamente da Terra.

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Palmito-juçara (Euterpe edulis)
Palmito-juçara
(Euterpe edulis)

O palmito-juçara, típico da Mata Atlântica, alcança uma altura de oito a 15 metros de altura e um caule de 10 a 20 centímetros de diâmetro.

Os frutos são apreciados por aves (arapongas, sabiás, tucanos, jacutingas) e mamíferos (porcos-do-mato, veados, esquilos, cutias, antas), que espalham as sementes eliminadas nas fezes.

A parte interna da ponta do caule fornece o palmito, muito consumido em conserva. A extração ilegal do palmito coloca em risco a sobrevivência do palmito-juçara, que se encontra ameaçado de extinção. Existem iniciativas recentes de usar as sementes para a extração da polpa na fabricação de suco.

Como plantar: colher os frutos quando começarem a cair, diretamente da árvore ou do chão. Não é necessário separar as sementes. Os frutos devem ser mergulhados na água fria durante 24 horas e semeados em seguida, em local sombreado.

CUIDANDO DA TERRA

CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

Desde a origem da vida, há quase quatro bilhões de anos, muitas espécies de seres vivos surgiram e desapareceram. A extinção é, portanto, um processo natural, que sempre ocorreu e que continuará a ocorrer. Mas, nos últimos tempos, a taxa de desaparecimento de espécies tem sido muito maior do que a taxa de extinção natural.

Nos dois últimos séculos, as maiores ameaças à vida podem ser resumidas em:

destruição dos ambientes naturais;

introdução, nos ambientes naturais, de espécies que não ocorriam natural-

mente naquele ambiente e que prejudicam a sobrevivência das espécies nativas (um exemplo é o uso de capins africanos para a formação de pastagens, fazendo diminuir as áreas de capins nativos);

coleta, caça ou pesca excessivas;

conflitos diretos com humanos (especialmente, no caso de animais carnívoros);

doenças transmitidas por animais de estimação, pelas pessoas ou por espé- cies que vieram de outras regiões e que afetam as espécies nativas.

O Brasil, considerado o país de maior diversidade de vida do Planeta, tam- bém é um dos recordistas mundiais de seres vivos ameaçados de extinção. A lista brasileira de animais ameaçados (publicada em 2005) inclui 633 animais.

Algumas espécies ameaçadas de extinção são:

animais: pato-mergulhão, tamanduá-bandeira, onça-parda, lobo-guará;

vegetais: palmito-juçara, canela-sassafrás, caneleira ou canela-do-brejo.

canela-sassafrás, caneleira ou canela-do-brejo. A primeira usina hidroelétrica no rio São Francisco foi

A primeira usina hidroelétrica no rio São Francisco foi construída em 1913 para aproveitar o potencial hidráulico da cachoeira de Paulo Afonso, na região Nordeste.

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CUIDANDO DA TERRA

Conservação da mata ciliar

Mata ciliar é aquela vegetação que nasce junto às nascentes e margens de córregos e rios, protegendo-os assim como os cílios protegem nossos olhos. Pode ser uma mata, uma capoeira ou mesmo o pasto nativo. Na bacia do rio São Francis- co, a mata ciliar já foi degradada em mais de 90%. Confira por que ela é tão impor- tante:

a mata ciliar diminui a força com que a água da chuva bate no solo e a quantidade que escorre, conservando o solo e protegendo os barrancos e as margens dos cursos d’água;

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)

Tamanduá-de-colete ou tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla)

A região da Serra da Canastra abriga dois tipos de tamanduás: o tamanduá-

bandeira e o tamanduá-de-colete ou tamanduá-mirim.

Estes são animais sem dentes, que possuem língua longa e saliva muito abundante, e que se alimentam de formigas e cupins.

O tamanduá-bandeira é um animal que chega a medir quase dois metros

(incluindo a cauda) e pesar 40 kg. Apesar de passar 14 a 15 horas por dia em repouso, esta espécie percorre vários quilômetros ao longo do dia, localizando pelo olfato os formigueiros e cupinzeiros onde busca o seu alimento. Com a ajuda das garras longas, ele escava o formigueiro ou cupinzeiro sem destruí-lo totalmente e, com a ajuda da língua, captura os insetos. Sua língua pode ser projetada a mais de 60 cm e ser movimentada 150 vezes por minuto!

Eles são animais solitários, que formam casais na época do acasalamento. A gestação dura 190 dias e, assim que nasce, o filhote sobe nas costas da mãe, da qual depende até os dois anos de idade.

a mata ciliar ajuda a absorver e armazenar água, contribuindo para diminuir os efeitos dos períodos de cheia e seca;

a mata ciliar serve como local de abrigo, alimento e reprodução de muitas espécies de animais.

Por sua grande importância, a mata ciliar é protegida por lei. O Código Flores- tal Brasileiro determina que seja obrigatória a conservação de uma faixa de mata ciliar, de acordo com a largura do curso d’água. Esta faixa é também conhecida como Área de Preservação Permanente (APP).

conhecida como Área de Preservação Permanente (APP). Apesar de serem freqüentemente vistos na região da Serra

Apesar de serem freqüentemente vistos na região da Serra da Canastra, os tamanduás-bandeira estão ameaçados de extinção por causa da degradação do Cerrado. As queimadas, que têm sido comuns na região, atingem duramente a população de tamanduás-bandeiras.

Os tamanduás-de-colete, ou tamanduás-mirins, são animais de cerca de um metro de comprimento (com a cauda). Os pêlos são mais curtos, densos e grossos do que os do tamanduá-bandeira, e a cauda é quase sem pêlos e adaptada para prender, subir em árvores e segurar em galhos. Este animal se alimenta de formigas e cupins, no solo e nas árvores. Quando ameaçado, libera um cheiro forte e desagradável.

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CUIDANDO DA TERRA

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CUIDANDO DA TERRA Faixa de vegetação nativa a ser preservada ao longo dos cursos d’água, segundo

Faixa de vegetação nativa a ser preservada ao longo dos cursos d’água, segundo o Código Florestal e pela Lei 7.511, de 07.07.1986

SITUAÇÃO

LARGURA MÍNIMA DA FAIXA

Rios com menos de 10 m de largura

30 m em cada margem

Rios com 10 a 50 m de largura

50 m em cada margem

Rios com 50 a 100 m de largura

100 m em cada margem

Rios com 100 a 200 m de largura

150 m em cada margem

Rios com largura superior a 200 m

igual à distância entre as margens

Nascentes

raio de 50 m

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Quando a mata ciliar é destruída, as conseqüências são muitas: o solo pode sofrer erosão e ficar menos fértil, os rios podem receber sedimentos e terem seu volume diminuído (assoreamento), bichos e plantas são prejudicados, pois perdem abrigo, alimento e podem não ser mais encontrados na região.

Para quem cria gado, além de não desmatar a vegetação ciliar, é importante construir bebedouros para os animais, de modo que eles não pisoteiem nem desbarranquem as margens dos cursos d’água.

Na hora de preparar o terreno para plantar, também é importante manter a faixa de vegetação ciliar intacta, conservando as suas funções para o ambiente, para as culturas agrícolas, evitando problemas e multas ambientais.

Por causa da importância da mata ciliar, além de proibir a sua retirada, a legislação exige a recuperação da vegetação nativa quando ela já tiver sido removi- da ou muito alterada.

Torne sua propriedade mais atrativa para aves e outros animais

Plantando ou conservando plantas nativas, podemos tornar a propriedade mais bonita e também mais atraente para aves, abelhas e outros animais. Assim, ajudamos a conservar a riqueza de bichos e de plantas da região da Canastra, além de sermos beneficiados pela ação desses animais sobre as culturas (polinização), controle de pragas agrícolas, manutenção da diversidade das matas ciliares, disper- são de sementes de plantas nativas, entre outros. Observem, no quadro, algumas plantas nativas desta região e os animais que elas atraem:

Flores que atraem abelhas – Perobinha, copaíba ou pau-de-óleo, capichingui, sangra d’água, camboatá, canela-sassafrás, aroeirinha ou aroeira-vermelha, ipê-amarelo, pau-pombo.

Frutos apreciados por aves – Murici-açu, canjarana, erva-lagarto ou varre-forno, embaúba, camboatá, jatobá, amora-branca, folha-miúda ou piúna-cascuda, canelinha ou canela- cheirosa, pessegueiro-bravo, congonha-de-bugre ou orelha-de-burro, aroeirinha ou aroeira-vermelha, pau-pombo.

Frutos consumidos por aves e mamíferos – Macaúba, pequi, jatobá, canela, goiaba.

Sementes apreciadas por animais – Jequitibá, copaíba ou pau-de-óleo, capichingui.

Flores apreciadas por aves – Ingá.

Forme uma horta orgânica

A prática de uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos nas plantações é tão

comum que hoje quase não é possível consumir alimentos de origem vegetal ou animal que não contenham resíduos desses produtos.

Uma pesquisa realizada em maio de 2004 pela Agência Nacional de Vigilân- cia Sanitária (Anvisa), mostrou que mais de 80% das frutas e saladas consumidas pelos brasileiros estão contaminados por agrotóxicos. A batata, a alface, o tomate, a banana e o mamão estão entre os alimentos com maior índice de contaminação.

A presença de resíduos de agroquímicos nos alimentos tem sido associada a

problemas de saúde dos consumidores: alterações no funcionamento do fígado e dos rins, malformações em bebês e aumento de alguns tipos de câncer.

Para reduzir os riscos para a saúde, é possível cultivar uma horta doméstica de forma orgânica, ou agroecológica. Assim, a família poderá ter sempre à mesa frutas e verduras frescas e de boa qualidade.

Na formação da horta orgânica, só podem ser usados adubos orgânicos (esterco e outros restos de plantas ou animais, de preferência após passar por compostagem) e adubos minerais pouco solúveis, como o sulfato de potássio. Os adubos que dissolvem-se facilmente na água, como uréia, sulfato de amônio, sali- tre-do-chile, nitrato de potássio, nitrato de cálcio, amônia anidra, nitrato de amônio, cloreto de amônio, cloreto de potássio, e outros produtos químicos, não são permi- tidos, já que seu uso continuado diminui a fertilidade do solo, contamina as águas e altera o valor nutricional dos alimentos, além de implicar em um gasto elevado de energia para serem produzidos.

O cultivo orgânico faz bem ao ambiente, já que as práticas de preparo do solo

são reduzidas ao mínimo e a vegetação nativa (o mato) é mantida próxima aos canteiros. Assim, a erosão é diminuída, e os solos, a água, os bichos e as plantas são protegidos.

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A

adubação verde traz diversos benefícios para

o

produtor e para o meio ambiente. Ela consiste

no cultivo de plantas leguminosas, como feijão-de-porco, feijão-guandu, mucuna-preta e labe-labe, que ajudam no enriquecimento do solo.

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CUIDANDO DA TERRA Os produtos orgânicos são ainda mais saborosos e conservam-se por mais tempo, sem

Os produtos orgânicos são ainda mais saborosos e conservam-se por mais tempo, sem perder seu valor nutritivo.

Para começar sua horta orgânica, siga as dicas:

Realize o plantio direto, isto é, aquela forma de cultivo em que não há

revolvimento do solo, mas rotação de culturas e uso de culturas de cobertura para

formação de palhada.

Faça a adubação com materiais orgânicos (esterco e humo produzido por

compostagem) e a adubação verde (consorciação e rotação de culturas com vege- tais que mantêm ou restauram a produtividade do solo, por exemplo, mucuna- preta, calopogônio, centrosema, ervilhaca, feijão-de-porco, girassol, leucena, guandu).

Conserve áreas de vegetação nativa próximas à horta. Isso diminui as pragas

da plantação, protege o solo, facilita a infiltração e a retenção de água no solo e contribui para a conservação de formas de vida nativas.

Se necessário, corrija o solo com calcário calcítico, magnesiano e dolomíticos, fosfatos naturais e farinha de ossos.

Cultive uma variedade de vegetais, evitando grandes extensões com apenas

um tipo de planta. Grandes plantações de um só cultivo favorecem a ocorrência de pragas.

Escolha espécies e variedades adaptadas ao local do cultivo.

Controle pragas sem usar inseticidas. Podemos fazer armadilhas luminosas, armadilhas de ferormônio, barreiras mecânicas, coleta manual, ensacamento dos frutos, uso de caldas e soluções caseiras. O controle biológico, que é o uso de microrganismos, plantas ou animais que combatem as pragas, também é uma alter- nativa. Ainda podem ser cultivadas plantas repelentes, como as apresentadas no quadro a seguir:

PLANTAS

PRAGAS QUE SÃO REPELIDAS

alecrim

moscas da cenoura, borboleta-branca do repolho e insetos do feijão e do nabo

alfavaca

moscas e mosquitos

alho

pragas da batata

borragem

pragas do tomateiro

cravo-de-defunto

nematóide (verme) da cenoura, do salsão, do alho-poró e do tomate

girassol

insetos do milho

losna

pulgões e caracóis

mamona

mosquitos

coentro

controla ácaros e pulgões

hortelã

afugenta formigas e ratos

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É fácil controlar pragas em sua horta de tomates, sem usar produtos químicos e prejudicar o meio ambiente. Um exemplo bom e barato é usar o detergente neutro, podendo ser pulverizado uma vez por semana. A dosagem ideal é de 100 ml para 20 litros de água na cultura.

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Aroeira (Myracroduon urundeuva)
Aroeira
(Myracroduon urundeuva)

A aroeira possui altura de seis a 14 metros no Cerrado e na Caatinga, e até 25 metros na Mata Atlântica, com tronco de 50 a 80 centímetros de diâmetro. As flores são bem miudinhas e amareladas e os frutos também são pequenos.

Esta é uma árvore adaptada a terrenos secos e rochosos, onde aparece sempre em pequenos grupos. Floresce em junho-julho, quando perde quase todas as suas folhas. Os frutos estão maduros entre setembro e outubro.

Por ter madeira de excelente qualidade, muito forte e resistente à umidade, a aroeira é intensamente explorada e, por isto, encontra-se ameaçada de extinção em Minas Gerais.

Como plantar: colher os frutos diretamente da árvore quando começarem a cair e, depois de secá-los ao sol, plantar em terra rica.

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DESMATAMENTO DO CERRADO

O Cerrado, com seus campos e matas, compõe a paisagem da região da Serra da Canastra. Possui um número muito grande de seres vivos e abriga alguns bichos e plantas que só são encontrados em suas paisagens. Por isso, é considerado por todo o mundo como um ambiente que precisa ser conservado.

Biomas de Minas Gerais
Biomas de Minas Gerais

Em Minas Gerais ocorrem o Cerrado, a Mata Atlântica e a Caatinga, sendo que o Cerrado ocupa aproximadamente 57% da área total do estado.

Mas, apesar da importância de sua conservação, nos últimos 35 anos, mais da metade da área original do Cerrado brasileiro foi degradada, com taxas de desmatamento maiores do que as observadas na Amazônia.

As principais ameaças ao Cerrado são a produção de carvão a partir de árvo- res nativas; as grandes plantações de soja, milho e cana-de-açúcar; a erosão do solo; o cultivo de capins introduzidos (braquiárias, capim-gordura, capim-búfalo, capim-andropogon, capim-guiné, capim-elefante ou napier) para a formação de pastagens para o gado bovino; e, as queimadas.

Quando o Cerrado é desmatado, especialmente a vegetação de topos de morro, do entorno de nascentes e das margens dos cursos d’água, a qualidade do solo, a quantidade e a qualidade da água e a sobrevivência de bichos e plantas ficam em risco.

Isso ocorre porque a vegetação nativa apresenta vários efeitos positivos para os ambientes naturais e para aumentar a produtividade das propriedades rurais:

as raízes prendem o solo, aumentam a taxa de infiltração da água e, ao mesmo tempo, aumentam sua resistência contra a erosão;

os caules, troncos e folhas retardam a chegada de parte da água da chuva

no solo e o excesso chega com menos força. Assim, o solo fica mais protegido e a perda por erosão diminui;

a vegetação nativa evita que a margens dos cursos d’água desbarranquem, controlando o assoreamento;

a vegetação nativa presente na propriedade rural, normalmente nas áreas

de preservação permanente (APP) e de reserva legal, pode agir como ‘corredores’, onde animais alimentam-se, abrigam-se e encontram-se para reproduzir;

a presença de plantas nativas ajuda a controlar as pragas agrícolas, pois elas

abrigam inimigos naturais das pragas, e favorece o aumento da produção de grãos de cultivos agrícolas, já que elas atraem animais que fazem a polinização das flores;

no manejo dos pastos, uma proporção de 100 árvores por hectare dá con-

forto aos animais, que se abrigam na sombra, e melhora a fertilidade e a umidade do solo.

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Cachorros, gansos e galinhas d’angola são excelentes vigias para a sua propriedade.

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Papel da vegetação na manutenção do sistema natural

COM COBERTURA VEGETAL

As árvores diminuem a força com que a água chega ao solo, evitando a erosão

SEM COBERTURA VEGETAL

A chuva cai direto no solo, provocando enxurrada e erosão

Rio com assoreamento
Rio com assoreamento

Raízes profundas = proteção do solo + muita infiltração

Poucas raízes = pouca infiltração + erosão

Recupere áreas desmatadas

Depois que uma área é desmatada, ela pode voltar a ter a diversidade de seres vivos e a aparência de antes da degradação se, ao ser recuperada naturalmen- te, for vizinha de áreas onde a vegetação nativa encontra-se conservada. Para isso, contribuem o vento, a chuva, os animais e as próprias plantas. No início, chegam capins e outras ervas e animais menores. Com o passar do tempo, aos poucos, vão aumentando os tipos de seres vivos que ocupam a área, bichos e plantas de maior porte podem se instalar e é possível que, após algumas décadas, nem dê para perceber que houve um desmatamento no passado. Mas, esse é um processo mui- to lento, que envolve décadas, ou mesmo, séculos.

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O plantio de espécies nativas, obedecendo a práticas adequadas, acelera a recuperação da vegetação. Se a área a ser recuperada é de vegetação ciliar, ao redor de nascente, no topo de morros ou nas encostas de tabuleiros e chapadas, é impor- tante acelerar o processo natural de regeneração da vegetação para proteger a água e o solo. Além disso, a proteção destas áreas é uma exigência da legislação brasilei- ra. A sua manutenção e recuperação evita multas e contribui para a emissão da licença ambiental da propriedade rural.

Muitas espécies nativas podem ser plantadas com facilidade e crescem rapi- damente. Já existem muitas informações sobre as necessidades das plantas do Cer- rado, como coletar e armazenar sementes, preparar mudas e plantar espécies nati- vas.

Para o plantio de árvores em áreas sem nenhuma vegetação, recomenda-se 2,50 metros de distância entre as linhas de plantio. Em cada linha de plantio, cada planta deve ficar a dois metros de distância da outra.

Para o plantio em áreas de capoeiras, é necessário abrir faixas de um metro de largura, distanciadas entre si em aproximadamente cinco metros. Nessas faixas, as plantas devem ficar a dois ou 2,50 metros de distância.

Use bem as pastagens

Usar corretamente as pastagens é bom para o produtor e para os outros componentes do ambiente – água, solo, plantas e animais nativos. O produtor dimi- nui gastos, mantém e aumenta o valor de suas terras. O ambiente, por sua vez, é conservado, mantendo a quantidade e a qualidade dos solos férteis e de água, permitindo a sobrevivência de bichos e plantas.

Algumas dicas para tornar eficiente o uso das pastagens:

plantar ou manter faixas de contorno e retenção: pastagens em morros com

rampas muito longas podem sofrer mais com a erosão pela enxurrada. Faixas de vegetação nativa de cinco metros de largura, dispostas em curva de nível, a cada 50-80 metros, reduzem a velocidade da enxurrada e retêm a terra carreada com a chuva;

formar pastagens diversificadas: o campo nativo é naturalmente diversifica-

do, mesmo onde pareça ter apenas capim, existem tipos diferentes de plantas. Essa diversidade impede o ataque por pragas e permite que sempre haja alguma planta

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em condições de ser consumida pelo gado, seja no frio, na seca, ou quando o solo fica encharcado. Ao formar pastagens, é importante manter essa diversidade, plan- tando vários tipos de capim. Isso evita a quebra na produção de leite e no ganho de peso dos animais;

fazer rodízio de pastagens: quando a pastagem é utilizada em excesso, há

perda para o produtor, que pode ter que gastar muito para recuperá-la e criar ani- mais com menor produtividade. O ambiente também perde quando se utiliza em excesso as pastagens: o solo fica mais desprotegido e a erosão é favorecida, o que acaba por afetar também os cursos d’água. Para evitar esses problemas, subdivida a pastagem em piquetes e faça rodízio entre eles: após um período de uso de um a sete dias, dependendo do tamanho e da qualidade do pasto, deixe os piquetes descansarem por 28 a 35 dias. Isso aumenta a produção dos animais, conserva o solo e ajuda no controle de vermes e carrapatos;

manter árvores nas pastagens: plante árvores nativas ou permita que algu-

mas árvores, que nasceram espontaneamente, desenvolvam-se nos pastos. Pode-

mos formar ‘ilhas’ de vegetação, ou capões, faixas de retenção nos morros ou linhas de quebra-vento. Essas árvores, na proporção de até 100 árvores por hectare, au- mentam o conforto dos animais (o que leva a uma maior produtividade), mantêm

a umidade do solo no período de seca e contribuem para adubar o solo com folhas, frutos e flores;

plantar leguminosas: as leguminosas são plantas (ervas, arbustos ou árvo-

res) que dão vagens, como o feijão e a soja. Nas pastagens, elas aumentam o valor nutritivo do capim para o gado (o que leva ao aumento na produtividade animal) e

a disponibilidade de nitrogênio para o capim (o que aumenta sua produção e qua-

lidade). Ao formar pastagens, plante estilosantes mineirão, calopogônio ou feijão- guandu consorciados com o capim. As árvores leguminosas, como o mulungu (Erythrina verna), o jacaré (Piptadenia gonoacantha) e a sucupira-preta (Bowdichia virgilioides) agem como adubos verdes.

( Bowdichia virgilioides ) agem como adubos verdes. Depois de fazer café, use o pó que

Depois de fazer café, use o pó que ficou no coador para desentupir uma pia ou, até mesmo, coloque no armário para espantar formigas.

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CUIDANDO DA TERRA Lobo-guará ( Chrysocyon brachyurus ) O lobo-guará é um animal de pernas e

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

O lobo-guará é um animal de pernas e orelhas muito longas, que chega

a medir quase 1,50 m de comprimento e pesar 23 kg. A pelagem de cor

alaranjado-avermelhada e o porte elegante tornam-no um dos mais bonitos bichos brasileiros.

Tímido e arisco, tem comportamento mais parecido com o das raposas do que o dos lobos.

São animais solitários, que só formam casais na época do cruzamento. Após uma gestação de cerca de 65 dias, nascem entre dois e cinco filhotes, que têm a pelagem negra até os seis meses de idade.

Muito ativos, principalmente no crepúsculo e à noite, percorrem vários quilômetros quadrados por dia em busca de alimento. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o lobo-guará não é um animal completamente carnívoro. Pelo menos 50% da sua dieta são de origem

vegetal, constituída principalmente pela fruta-do-lobo, que é o fruto da lobeira (Solanum lycocarpum). A abundância dessa fruta varia durante

o ano e o lobo-guará complementa sua dieta com insetos, caracóis,

pequenos mamíferos, aves e lagartos.

Apesar de os lobos serem vistos com freqüência na Serra da Canastra, esta espécie é considerada ameaçada de extinção.

As maiores ameaças ao lobo-guará nessa região são a degradação do Cerrado, os atropelamentos nas estradas e a caça.

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Queimada

O Cerrado é um tipo de vegetação que pega fogo com muita facilidade: a vegetação seca, o ar com pouca umidade e os ventos fortes podem alastrar o fogo rapidamente. Focos naturais de incêndio, que começam a partir da queda de raios, até fazem parte do seu funcionamento natural, mas, normalmente, esses incêndios ocorrem na estação chuvosa e as próprias chuvas da época podem controlá-los, limitando os prejuízos.

Mas, a maioria dos incêndios nesta região são de origem humana, atingindo extensas áreas e provocando grande destruição.

Se mal planejadas e realizadas de modo inadequado, as queimadas que são feitas para limpar ou preparar a terra, podem escapar ao controle e destruir áreas que não se esperava atingir. Essas queimadas geralmente ocorrem durante a esta- ção seca, quando o fogo alastra-se de forma mais rápida e a área atingida é maior.

Os grandes incêndios podem prejudicar para sempre a qualidade do solo, o futuro dos córregos e rios, e a sobrevivência de muitos seres vivos que encontram refúgio na região da Serra da Canastra. Isso representa risco para todos: os bichos, as plantas, o solo, a água e também para as pessoas da região, que dependem do ambiente para que suas atividades econômicas tenham um futuro garantido.

Proprietários rurais e seus funcionários devem adotar certos cuidados para tornar o uso do fogo uma ferramenta útil, e não um problema: a construção de aceiros; a orientação técnica feita por profissional habilitado; a autorização para a queima controlada; e a preparação dos proprietários rurais para combater o fogo, caso este fuja do controle.

A autorização para a queima controlada é concedida pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). Entretanto, na região da Serra da Canastra, ocorre que:

se a área estiver no entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra, a concessão da autorização pelo IEF depende da anuência do Instituto Chico Mendes

pelo IEF depende da anuência do Instituto Chico Mendes Para cortar um bolo recém-feito, use uma

Para cortar um bolo recém-feito, use uma faca molhada em água fria.

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de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Desta forma, o proprietário solicita a autorização ao IEF, que a encaminhará para aprovação do ICMBio;

se o terreno estiver na área não regularizada do Parque, a autorização deve- rá ser solicitada diretamente ao ICMBio.

Para saber se a sua área está ou não no entorno, ou na área não regularizada do Parque Nacional da Serra da Canastra, consulte o ICMBio em São Roque de Minas.

Como realizar uma queimada controlada

Só realizar queimadas com a autorização do IEF ou ICMBio, conforme men- cionado acima.

Em queimadas controladas, ter sempre em mãos os seguintes documentos

para apresentar durante a fiscalização: comprovante de propriedade do imóvel, cópia da autorização para a queima e a comunicação de queima controlada.

Conhecer o terreno e construir um aceiro em torno da área que será quei- mada. A largura do aceiro dependerá da sua localização.

Ter pessoal treinado, com equipamentos adequados, para atuar no local,

evitar que o fogo passe dos limites estabelecidos e conferir se não ficou algum foco de incêndio ao final da queima.

Avisar os vizinhos sobre a data e o horário de realização da queima.

Sempre que precisar realizar uma queimada para limpeza de terreno, contate o escritório local do IEF ou ICMBio.

ACEIROACEIRO 40 CUIDANDO DA TERRA
ACEIROACEIRO
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CUIDANDO DA TERRA Murici-de-flor-rosa ( Byrsonima coccolobifolia) O murici-de-flor-rosa ou murici-do-cerrado é uma

Murici-de-flor-rosa (Byrsonima coccolobifolia)

O murici-de-flor-rosa ou murici-do-cerrado é uma pequena árvore de até seis metros de altura e tronco tortuoso, que só existe no Cerrado.

Sua casca grossa, de 15 a 25 centímetros de espessura, permite que o murici-de-flor-rosa seja mais resistente ao fogo. As flores são pequenas e agrupadas, e atraem abelhas. Os frutos são procurados por aves, que ajudam a espalhar as sementes.

Esta árvore floresce a partir de janeiro e os frutos amadurecem em março.

Os frutos são usados para aromatizar cachaça e, segundo a medicina popular, ajudam a combater a diarréia.

Como plantar: Colher os frutos diretamente da árvore quando começarem a cair ou do chão, logo após a queda. Deixá-los amontoados, em um saco plástico, até que a polpa comece a apodrecer. Lavar para retirar as sementes que devem ser plantadas em área ensolarada e regadas duas vezes ao dia.

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Erosão dos solos

O solo é formado, ao longo do tempo pela transformação das rochas devido à

ação do calor do sol, da água das chuvas, dos ventos e dos seres vivos. As rochas vão sendo transformadas em partículas, que desprendem-se, acumulam-se e modificam- se por causa de mudanças de pressão e de temperatura e, também, pelo contato com seres vivos. Assim, vai sendo formada uma camada de solo sobre a rocha.

Este solo, quando exposto ou manejado sem cuidados, pode sofrer erosão, e aí, grandes porções do solo são carregadas pela água das chuvas ou ação dos ven- tos. As áreas que “perdem” o solo ficam mais pobres em nutrientes, apresentam “ranhuras” ou valas enormes, as chamadas voçorocas, mais facilmente observadas em topos de morro e encostas.

As principais causas da erosão são os desmatamentos, as queimadas, o pisoteio excessivo pelo gado e a abertura de trilhas por onde fortes enxurradas escorrem, carregando parte do solo.

A vegetação protege o solo da ação do vento, do calor e do frio excessivos.

Quando acontece o desmatamento, o solo fica desprotegido e sofre erosão.

As queimadas destroem a vegetação e matam seres vivos subterrâneos que ajudam a manter o solo. Áreas queimadas sofrem mais pela ação das chuvas e dos ventos, aumentando a erosão e diminuindo a fertilidade do solo.

Para crescer e se desenvolver, os vegetais retiram do solo diversos nutrientes. Na natureza, os caules ou troncos, folhas, flores, frutos e raízes voltam ao solo na forma de nutrientes, quando o vegetal morre e é decomposto. Mas, na agricultura isso não ocorre: os vegetais cultivados são retirados por completo das áreas de cultivo, não permitindo a reciclagem natural dos nutrientes. Explorado em excesso e sem receber o manejo adequado, o solo desgasta-se com o tempo.

O pisoteio constante pelo gado, o trânsito de motocross fora das estradas e a

abertura de estradas sem considerar linhas de escoamento de chuva adequadas também expõem o solo à erosão. E, a erosão traz conseqüências:

assoreamento, isto é, acúmulo de areia e terra no leito do rio, obstruindo ou prejudicando a passagem da água e deixando o rio mais raso;

desertificação, que é a modificação do solo, que perde umidade e fertilida- de e fica impróprio para o desenvolvimento das plantas;

diminuição da produtividade das culturas agrícolas, das pastagens e da pecuária;

aumento do desmatamento de áreas com vegetação nativa, em busca de terrenos mais férteis para a expansão da fronteira agrícola.

O solo parece ser um recurso permanente, mas a erosão tem sido apontada como uma grande ameaça à sobrevivência e à qualidade de vida das pessoas, já que a área de solo, em condições de cultivo ou de uso como pastagens, está dimi- nuindo. Como o processo de formação natural do solo é lento, podendo levar de centenas a milhares de anos para se completar, é preciso buscar formas de uso que causem menos impacto e menor perda de solo por erosão e, a adoção de práticas de conservação do solo.

Para evitar a erosão, preservar os solos, recuperar sua fertilidade e garantir boas colheitas e bons pastos, é necessário que o proprietário rural fique atento às causas da erosão e busque práticas de manejo do solo que garantam o futuro de sua atividade econômica e a manutenção da saúde do ambiente (ver páginas 35 e 36 ‘Recupere áreas desmatadas’, ‘Use bem as pastagens’).

De onde vieram algumas frutas que consumimos? Algumas frutas estão tão incorporadas ao nosso dia-a-dia,
De onde vieram algumas frutas que consumimos?
Algumas frutas estão tão incorporadas ao nosso
dia-a-dia, que imaginamos que elas sempre existiram
em terras brasileiras. Mas, observe quantas frutas
mais comuns são nativas de outras regiões.
Fruta
Origem
Abacate
América Central
Ameixa-amarela
Japão
Banana
Sul da Ásia
Caqui
Ásia
Carambola
Indonésia e Malásia
Figo
Arábia
Jaca
Índia
Laranja
China e Índia
Limão
Índia e Paquistão
Maçã
Ásia
Manga
Ásia
Melancia
África
Melão
Península Ibérica
Pêra
Europa
Romã
Irã
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O LIXO NOSSO DE CADA DIA

As atividades humanas geram resíduos que não têm uso imediato e que se acumulam no ambiente. Este material é o lixo, cuja produção tem aumentado mui- to nas últimas décadas e constitui um dos maiores problemas ambientais atuais.

O lixo das residências é composto principalmente por vidros, latas, papel e plásticos, usados principalmente em embalagens, e restos de alimentos. Além des- ses resíduos, o lixo pode conter outros materiais que colocam em risco a saúde humana e do ambiente, entre eles, o alumínio, presente em cosméticos e maquiagens; o níquel e o cádmio, presentes nas pilhas e baterias; o mercúrio, que é um metal tóxico presente nas lâmpadas. As cidades produzem ainda diversos resíduos industriais e o lixo hospitalar.

Composição em peso do lixo de grandes cidades brasileiras

Composição em peso do lixo de grandes cidades brasileiras 18% Restos de alimentos 16% Vidros 8%
Composição em peso do lixo de grandes cidades brasileiras 18% Restos de alimentos 16% Vidros 8%

18% Restos de alimentos

lixo de grandes cidades brasileiras 18% Restos de alimentos 16% Vidros 8% Metais 15% Plásticos 4%

16% Vidros

cidades brasileiras 18% Restos de alimentos 16% Vidros 8% Metais 15% Plásticos 4% Diversos 2% Alumínio
cidades brasileiras 18% Restos de alimentos 16% Vidros 8% Metais 15% Plásticos 4% Diversos 2% Alumínio

8% Metais

15% Plásticos

4% Diversos18% Restos de alimentos 16% Vidros 8% Metais 15% Plásticos 2% Alumínio 2% Embalagem longa vida

2% Alumínio

2% Alumínio

2% Embalagem longa vida

2% Embalagem longa vida

35% Papéis e papelões

Fonte: CEMPRE – Compromisso Empresarial de Reciclagem 2004.

E o que se faz com tanto lixo? A responsabilidade pela coleta e pelo destino do lixo cabe à prefeitura das cidades. Infelizmente, a maioria das cidades não conse- guem recolher e dar ao lixo o destino adequado. A prática mais comum é recolhê- lo e jogá-lo em grandes depósitos a céu aberto, os lixões.

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Os lixões fornecem abrigo e alimento para animais que podem transmitir doenças; causam poluição visual; seus gases poluem o ar; o líquido que escorre do material em decomposição pode poluir o solo e as águas. Durante as chuvas, parte do material pode ser carregada para os rios, causando represamentos, inundações e mais poluição.

A melhor estratégia para recolher o lixo é implantar a coleta seletiva, que

permite a separação entre lixo orgânico e materiais, como vidro, papel, alumínio e outros metais, e alguns tipos de plástico. Estes materiais podem ser reutilizados (ganhar novo uso) ou reciclados (ser utilizados como matéria-prima em novos ciclos de produção) e o material orgânico pode ser transformado em combustível

ou adubo, por exemplo.

O lixo rural contém, além do lixo doméstico, resíduos de adubos químicos,

embalagens de agrotóxicos e de produtos veterinários, além de dejetos de animais de criação. Como a coleta de lixo atinge uma parte muito pequena das proprieda- des rurais, é comum que esse lixo seja enterrado, queimado ou jogado em córregos

e rios, com conseqüências graves para a qualidade do solo, da água e do ar. E qual

é a solução? Conheça, a seguir, o que pode ser feito para que o lixo rural tenha um destino adequado.

Embalagens de agrotóxicos

Existe uma lei que determina que as embalagens vazias, ou com produtos fora do prazo de validade, devem ser levadas para onde foram adquiridas ou para unidades de recebimento indicadas na nota fiscal. O fabricante deve recolhê-las e dar-lhes o destino adequado (muitas são recicladas).

Para evitar contaminações, a lavagem adequada das embalagens também é determinada pela legislação:

As embalagens rígidas (de plástico, metal e vidro) devem ser lavadas, em-

pregando-se a tríplice lavagem, que é o ato de lavar três vezes a embalagem, logo depois de seu completo esvaziamento, ou seja, durante a preparação da calda.

Os benefícios da tríplice lavagem são a economia, ao assegurar o total apro- veitamento do conteúdo das embalagens; a segurança, por reduzir os riscos para a saúde das pessoas e dos animais; e, a conservação do ambiente, por diminuir os riscos de contaminação do solo e da água, além de viabilizar a reciclagem do material.

As embalagens rígidas não laváveis devem ser mantidas intactas, adequada- mente tampadas e sem vazamento.

As embalagens flexíveis devem ser colocadas em sacos plásticos.

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Posteriormente, todas devem ser armazenadas com suas respectivas tam- pas e seus rótulos e, preferencialmente, acondicionadas na caixa de papelão origi- nal, em local coberto e ventilado, longe de alimentos e outros materiais que podem ser contaminados, até serem devolvidas.

Mais informações sobre a destinação adequada das embalagens de agrotóxicos podem ser obtidas junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e postos de venda do produto.

Ao realizar a tríplice lavagem use os equipamentos de proteçãoindividual (luvas, avental, óculos de proteção ou protetor facial).

TRÍPLICE LAVAGEM

1 Passo 1: Esvazie completamente o conteúdo da embalagem no tanque do pulverizador. 3
1
Passo 1: Esvazie completamente
o conteúdo da embalagem no
tanque do pulverizador.
3

Passo 3: Tampe bem a embalagem e agite-a por 30 segundos.

Atenção! Repita os passos 1, 2, 3 e 4 três vezes.

2
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Passo 2: Adicione água limpa à embalagem até ¼ do seu volume.

2: Adicione água limpa à embalagem até ¼ do seu volume. 4 Passo 4: Despeje a
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4

Passo 4: Despeje a água de lavagem no tanque do pulverizador.

4: Despeje a água de lavagem no tanque do pulverizador. 5 Passo 5: Inutilize a embalagem
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Passo 5: Inutilize a embalagem plástica ou metálica, perfurando o fundo.

Dejetos animais

O maior problema dos dejetos animais é que eles causam grave contamina- ção das águas. Mas esta pode ser uma boa fonte de adubos e de energia elétrica, tornando a propriedade auto-suficiente.

Dejetos de suínos, de aves e de bovinos podem ser usados em biodigestores para a produção de combustível (gás metano). Restos de cultura, capins, lixos residenciais e de agroindústrias também podem ter este fim. Além de produzir ener- gia, o produtor melhora o saneamento da propriedade, erradicando o mau cheiro, diminuindo as moscas e evitando a poluição de córregos e rios. Uma produção diária de 50 kg de esterco pode gerar cerca de 91 m 3 /mês de gás, equivalente a 2,8 botijões de gás por mês ou 33 botijões/ano.

BIODIGESTOR

Excrementos animais e restos de alimentos são misturados com água no alimentador do biodigestor 1
Excrementos animais e restos de
alimentos são misturados com água
no alimentador do biodigestor
1
O gás metano pode ser
3
encanado para alimentar um
gerador ou aquecedor
As sobras
servem como
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fertilizante
Dentro do biodigestor, a ação
das bactérias decompõe o lixo,
transformando-o em gás
metano e adubo
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A construção do biodigestor é simples, sendo que um investimento inicial

mais elevado é necessário para a distribuição do gás canalizado.

Outro destino que pode ser dado aos dejetos animais, especialmente ao esterco, é a compostagem (veja a seguir).

Faça compostagem

A maior parte do lixo e dos dejetos das propriedades rurais é formada por

resíduos orgânicos - restos de frutas, legumes e alimentos, sobras de cultivos, folhas, capins, bagaços de cana, podas, lodos, esterco e outros materiais - que têm origem em plantas e animais.

Quando sofrem a ação de alguns microrganismos, que os usam como ali- mento, esses resíduos são decompostos. A decomposição não controlada é um processo lento, que libera mau cheiro, produz lixo e contamina o ambiente. Já a decomposição controlada, que é feita controlando-se a temperatura, a umidade e o

tempo do processo, diminui o volume de lixo orgânico e os gastos com fertilizantes,

e evita os efeitos prejudiciais da degradação que ocorreria naturalmente.

A forma mais eficiente de fazer a decomposição controlada é a compostagem, que resulta na produção de humo, um material que, misturado ao solo das planta- ções, aumenta a fertilidade e a produtividade.

A compostagem pode ser feita com baixo custo e por meio de um processo

simples, que envolve as seguintes etapas:

Preparo do material: O material orgânico deve ser triturado, homogeneizado

e umedecido, formando uma massa bem úmida com partículas entre um e cinco

centímetros. A massa não deve conter materiais não-orgânicos (vidros, plásticos e pedras). O ideal é que os materiais sejam de diferentes origens. Caso a maior parte seja de materiais palhosos, como capim e bagaços de cana, pelo menos 30% da massa devem ser de material não-palhoso (lodo, esterco etc.).

Montagem das leiras: A massa deve ser bem misturada e a leira montada com altura mínima de 1,60 m e 3,50 m a quatro metros de comprimento. É impor- tante identificar com uma placa a data da montagem e a composição do material.

Ciclo de reviramento: Para incorporar ar à massa e para controlar a sua tem-

peratura, é importante fazer o reviramento da leira a cada três dias. Esse é também

o momento de repor a água que é perdida na forma de vapor, com o cuidado de deixar a massa uniformemente úmida.

Maturação: 60 dias após a montagem da leira tem início a maturação, quan- do as leiras não devem mais ser reviradas. Nessa etapa, depois de uma fase em que a massa esquenta e passa dos 70 graus centígrados, a temperatura estabiliza-se em torno dos 40 graus. Essa é uma etapa fundamental, que deve durar pelo menos 60 dias; caso não seja maturado, o composto pode prejudicar o plantio. Quando pron- to, o material está com cor marrom ou negra, cheiro de terra mofada e aparência seca, e é chamado de humo.

Cerca de quatro meses após a montagem das leiras, o humo pode ser usado para adubar as plantações, diminuindo os gastos com adubo que escorre para os córregos e rios, impedindo ainda o acúmulo de lixo na propriedade.

COMO FAZER COMPOSTAGEM

Irrigar 15 cm de restos vegetais 5 cm de esterco
Irrigar
15 cm de restos vegetais
5 cm de esterco

• Siga colocando uma camada de restos vegetais, uma camada de esterco, uma camada de terra. Molhe continuamente sem encharcar ou deixar escorrer água pela base do composto.

• Coloque as camadas até a altura de 1,50 m ou, no máximo, 1,80 m.

1,50 m a 1,80 m Barra de ferro (para sentir a temperatura do monte) 50
1,50 m a 1,80 m
Barra de ferro (para
sentir a temperatura
do monte)
50
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Revolver irrigando
Revolver irrigando

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CONDIÇÕES AMBIENTAIS ÓTIMAS NA COMPOSTAGEM

Manutenção da umidade (água) Reviramento da leira – Oxigenação Liberação de calor e gás TEMPERATURA
Manutenção da
umidade (água)
Reviramento da
leira –
Oxigenação
Liberação de
calor e gás
TEMPERATURA
ÓTIMA
+
NUTRIENTES
=
BOA ATIVIDADE MICROBIOLÓGICA
E
DEGRADAÇÃO DA MATÉRIA
ORGÂNICA

Evite ou reduza problemas associados à compostagem:

Mau cheiro, que geralmente ocorre quando o reviramento não está sendo

feito a cada três dias, quando a leira é grande demais ou quando há excesso de umidade. Observando-se esses cuidados, o mau cheiro é controlado.

Proliferação de moscas e mosquitos – a cobertura das leiras novas com uma camada de material maturado evita que os insetos sejam atraídos.

de material maturado evita que os insetos sejam atraídos. A batata já era cultivada pelos indígenas

A batata já era cultivada pelos indígenas na região dos Andes há pelo menos dois mil anos antes de sua introdução na Europa e do desenvolvimento da batata-inglesa.

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CUIDANDO DA TERRA Cupins Os cupins são insetos sociais, isto é, cada indivíduo só sobrevive em

Cupins

Os cupins são insetos sociais, isto é, cada indivíduo só sobrevive em sua colônia e para o desenvolvimento desta. As colônias são formadas por diferentes tipos de animais: os machos férteis, as rainhas, os soldados e os operários. Cada um desses tipos exerce uma função dentro da colônia: os machos cruzam com a rainha e produzem novos indivíduos; os operários fornecem alimento e fazem a manutenção; os soldados são responsáveis pela defesa.

Operários e soldados não possuem asas. Machos e rainhas só possuem asas durante o curto vôo nupcial (a revoada de ‘aleluias’), quando ocorre o cruzamento e a formação de novas colônias.

Os ninhos dos cupins podem ser imensos e muito complexos, com sistemas de ventilação, de controle da temperatura, de umidade e de passagem de oxigênio.

Na região da Serra da Canastra, os cupinzeiros dominam a paisagem, podendo chegar a ter até 1.000 ninhos por hectare.

Os cupins são muito importantes no equilíbrio do Cerrado: eles contribuem na decomposição da madeira e no enriquecimento do solo; seus túneis contribuem para a entrada de ar e a passagem de água pelo solo; os ninhos podem servir de abrigo para uma grande diversidade de outros animais (lesmas, formigas, abelhas, vespas, aranhas, escorpiões, percevejos, besouros, sapos, cobras, lagartos, ratos, corujas); cupins são alimentos para larvas de insetos, formigas, aranhas, tamanduás e tatus.

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Intoxicação por agrotóxicos

Durante milhares de anos, as pessoas fizeram plantações e criaram animais sem grandes prejuízos causados por pragas. Desde meados do século passado, a prática da monocultura, isto é, o uso de grandes extensões de terra para um mesmo cultivo, e a criação de grandes rebanhos de uma única espécie fizeram com que houvesse mais pragas e que elas ficassem mais difíceis de controlar.

Assim, foram desenvolvidos agrotóxicos para combater as pragas. O proble- ma é que esses agrotóxicos não fazem mal somente às pragas: eles também afetam a saúde das pessoas e do ambiente.

O Brasil é um dos cinco maiores consumidores de agrotóxicos do mundo,

com mais de oito mil tipos de produtos à venda. O mau uso de agrotóxicos é um dos principais responsáveis por acidentes de trabalho no campo, sendo que a ação desses produtos no organismo humano pode ser lenta e demorar anos para se manifestar.

O mau uso de agrotóxicos tem causado mortes, abortos, nascimento de be-

bês com malformação, suicídios, câncer, doenças de pele e outros problemas. Se- gundo a Organização Mundial de Saúde, há 20 mil mortes humanas/ano nos países em desenvolvimento, como o Brasil, em conseqüência da intoxicação por pesticidas (remédios para combater pragas e doenças agropecuárias). Isso ocorre por causa das altas doses aplicadas no campo e da falta de equipamentos de proteção indivi- dual (EPI), que protegem o aplicador.

O uso incorreto de adubos e pesticidas em plantações de hortaliças, café,

cana-de-açúcar, milho, soja e outras, além do uso na criação do gado bovino e de outros animais, pode contaminar os solos e a água. Esses agrotóxicos são perigosos, mesmo em pequenas quantidades, para todos os seres vivos, contaminando direta- mente vegetais e animais. Quando a intoxicação afeta a sobrevivência de um tipo de ser vivo, outros tipos de organismos que dependiam dele como fonte de alimen- to vão sofrer as conseqüências. Todo o ambiente pode ser prejudicado.

Quem usa agrotóxico, precisa informar-se sobre a maneira segura de trans- portar, armazenar e aplicar esses produtos, além dos locais mais adequados para guardar e destinar as embalagens vazias. Os pontos de venda devem ter profissio- nais capacitados para fornecer essas informações.

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SERVIÇOS AMBIENTAIS

Os serviços ambientais são os benefícios que as pessoas recebem dos ambi- entes naturais. Apesar de todo o desenvolvimento científico e tecnológico, a vida humana depende desses serviços e esta é mais uma razão, talvez a mais prática, pela qual se deve conservar os ambientes naturais.

Serviços ambientais dos quais as pessoas dependem

Alguns bens são produzidos pelos ambientes naturais:

• Alimento

• Água potável

• Lenha

• Medicamentos

A regulação de alguns processos da natureza também é um serviço ambiental:

• Regulação do clima

• Controle de doenças

• Controle de enchentes

Alguns benefícios não-materiais são obtidos dos ecossistemas:

• Lazer

• Inspiração para arte

• Educação

Alguns serviços são necessários para formar e manter ambientes naturais:

• Fertilidade do solo

• Polinização por animais

• Disponibilidade de água

A maior parte das pessoas não se lembra dessa dependência em relação à

natureza. Uma das razões disso é que, até pouco tempo, alguns desses serviços pareciam estar garantidos para sempre. Somente quando a destruição ambiental vai-se agravando, e alguns serviços ambientais deixam de acontecer, é que conse- guimos entender que estávamos recebendo muito e cuidando pouco.

O fornecimento de água potável é um dos serviços ambientais que têm sido

ameaçados. Aqui mesmo, na região da Canastra, podemos perceber isso: nas

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últimas décadas, o desmatamento da mata ciliar e da vegetação que protegia as nascentes dos rios avançou muito nas propriedades rurais. As conseqüências já apareceram – o que antes era rio, hoje é córrego; onde antes se pulava de cabeça, hoje só dá para molhar os pés; muitos bichos que antes eram comuns, hoje são avistados de vez em quando, ou mesmo desapareceram.

É importante reconhecer que os ambientes conservados prestam serviços e

não cobram nada, além da própria conservação para continuarem a fazer isso.

Esta é uma razão prática para proteger o Parque Nacional, as Áreas de Prote- ção Permanente (APPs) e as Reservas Legais. A proteção dessas áreas garante o futuro das atividades econômicas e a boa qualidade de vida no futuro.

Mantenha ou recupere as Áreas de Preservação Permanente (APPs)

A lei exige a proteção de algumas áreas das propriedades rurais que são

consideradas de fundamental importância para a conservação da água, dos solos e da diversidade de vida. Por isso, são chamadas de Áreas de Proteção Permanente (APPs). Na nossa região, as APPs são aquelas áreas:

ao longo dos rios ou qualquer curso d’água;

ao redor de lagoas, lagos ou reservatórios naturais ou artificiais;

nas nascentes e nos chamados olhos d’água;

no topo dos morros, montes, montanhas e serras;

nas encostas;

nas bordas de tabuleiros e chapadas.

Nessas áreas, é proibido desmatamento de florestas e de quaisquer outros tipos de vegetação, já que sua conservação é muito importante para evitar que nascentes, rios e lagos sequem, que o solo sofra erosão e que desapareçam os bichos e as plantas que mantêm os ambientes naturais em equilíbrio.

Infrações nessas áreas, tais como destruir e danificar a vegetação com desres- peito às normas de utilização; cortar árvores sem autorização; extrair, sem permis- são da autoridade competente, pedra, areia e cal ou qualquer espécie mineral, sujeitam o infrator a penalidades que vão de multas à detenção.

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CUIDANDO DA TERRA Pequi ( Caryocar brasiliensis ) O pequi é uma árvore típica do Cerrado,

Pequi (Caryocar brasiliensis)

O pequi é uma árvore típica do Cerrado, frondosa, com altura de seis a

10 metros e tronco tortuoso, com 30 a 40 centímetros de diâmetro.

A flor do pequi é branca e grande. Os frutos, de polpa espinhosa, são

consumidos por aves e macacos, que ajudam a espalhar as sementes ao

eliminá-las em suas fezes.

O

pequi floresce entre setembro e novembro e os frutos amadurecem até

o

final de fevereiro.

As pessoas utilizam quase tudo do pequi: o fruto é consumido em pratos tradicionais da culinária mineira e nordestina, usado no preparo de licor, fornece óleo de uso culinário e, segundo a medicina popular, combate gripes e resfriados; a semente fornece óleo e também é usada no preparo de licor; as folhas são utilizadas na medicina popular para estimular a secreção da bile que auxilia na digestão.

Como plantar: Colher os frutos quando começarem a cair, na árvore ou após a queda. Levá-los ao sol até que a polpa seque e as sementes possam ser retiradas. Antes de plantar, é necessário que as sementes fiquem dentro d’água por 48 horas (troque a água a cada 12 horas). Depois de plantadas, regue-as diariamente.

Faça a averbação da Reserva Legal (RL) em sua propriedade

As Reservas Legais (RL), por força de lei, representam em Minas Gerais 20% da área da propriedade rural, não incluindo as Áreas de Preservação Permanente.

As restrições de uso nestas áreas são menores do que aquelas das APP: não é permitido o corte raso, mas podem ser desenvolvidas atividades que não colo- quem em risco o futuro dos recursos naturais e o funcionamento dos ambientes naturais. Alguns usos permitidos são, por exemplo, o corte seletivo de árvores para uso doméstico e construção rural na propriedade, sob autorização do IEF.

Há algumas situações, em que os proprietários que já estão utilizando toda a propriedade para a agricultura ou a pecuária, podem compensar a Reserva Legal em outras propriedades.

A área da Reserva Legal deve ser averbada no Cartório de Registro Imobiliário competente, à margem do registro do imóvel. É proibida a alteração da destinação da área da Reserva Legal, mesmo nos casos de transmissão ou desmembramento da propriedade – a área da reserva legal é permanente.

As infrações nas Reservas Legais, como explorar a área sem autorização da autoridade competente, sujeitam o produtor rural a multa. Procure o IEF para obter maiores informações sobre a reserva legal. Lembre-se, a averbação da reserva legal em cartório é um dever do proprietário rural e uma exigência para a liberação da licença ambiental da propriedade rural.

CUIDANDO DA TERRA
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Muitas plantas da região da Serra da Canastra são usadas na medicina popular. Embora a ciência ainda tenha um longo caminho a percorrer, na comprovação de suas propriedades medicamentosas, o seu cultivo pode representar uma ‘farmácia’ caseira, além de contribuir para a conservação da biodiversidade e das paisagens do Cerrado.

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CUIDANDO DA TERRA Ema ( Rhea americana ) A ema é a maior e a mais

Ema (Rhea americana)

A ema é a maior e a mais pesada ave da América do Sul: chega aos 36

kg e pode medir 1,70 m. Incapaz de voar, corre em ziguezague com

velocidade de até 60 km/h, controlando o movimento com a ajuda das asas, que são abaixadas e levantadas de modo alternado. A ema é aparentada do avestruz, que vive na África, e uma das diferenças entre eles é o número de dedos nos pés: enquanto a ema possui três dedos,

o avestruz tem apenas dois.

De maneira diferente da maioria dos outros animais, são os machos que se encarregam da maior parte do trabalho associado à reprodução: após a corte e o acasalamento com as fêmeas, são eles que constroem os ninhos, chocam os ovos e cuidam dos filhotes. Cada macho pode acasalar com várias fêmeas e elas realizam a postura dos ovos em um mesmo ninho. Os ovos são brancos e pesam cerca de 600 gramas, o que corresponde a 12 ovos de galinha. O macho defende e aquece os ovos, de 27 a 40 dias, quando nascem os filhotes.

As emas alimentam-se de folhas, frutos, sementes, insetos, sapos, cobras e lagartos. Elas contribuem para a reprodução de muitos vegetais do Cerrado que têm suas sementes espalhadas nas fezes dessas aves, além de controlar a população de espécies de insetos consideradas pragas agrícolas.

A crescente ocupação e destruição do Cerrado representam uma forte

ameaça para esta espécie, assim como o uso de agrotóxicos e o uso

inadequado do fogo para renovação das pastagens.

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CUIDANDO DA TERRA Pau-de-óleo ( Copaifera langsdorfii ) A copaíba ou pau-de-óleo é uma árvore de

Pau-de-óleo (Copaifera langsdorfii)

A copaíba ou pau-de-óleo é uma árvore de 10 a 15 metros de altura e

tronco com 50 cm a 80 cm diâmetro. A copa é densa e produz boa

sombra.

As flores são miúdas e os frutos, que contêm sementes negras em meio

a uma polpa amarela, são muito procurados por aves.

Característico de áreas onde o Cerrado e a mata encontram-se, o pau- de-óleo floresce de dezembro a março e os frutos amadurecem em agosto e setembro, quando a árvore está quase sem folhas.

O óleo de copaíba é um líquido transparente que já era usado como

cicatrizante por povos indígenas, antes da chegada dos europeus. Na medicina popular, é considerado diurético, laxativo e antiinflamatório,

além de cicatrizante.

Como plantar: Colher os frutos diretamente da árvore quando começarem a se abrir. Levá-los ao sol para a separação das sementes. Colocar as sementes para germinar, sem nenhum tratamento, logo que colhidas.

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Transforme parte de sua propriedade em uma Reserva Particular (RPPN)

As Reservas Particulares do Patrimônio Natural são áreas de conservação em terras privadas. O proprietário das terras pode optar por fazer de sua propriedade, ou de parte dela, uma RPPN, sem que isso acarrete perda do direito de propriedade.

A criação de RPPNs faz bem ao ambiente e ao proprietário das terras.

É muito bom para o ambiente porque, apesar de o Brasil ser o campeão

mundial de diversidade de animais e de plantas, as paisagens e os seres vivos bra- sileiros não se encontram adequadamente protegidos e as unidades de conserva- ção (parques e reservas) ocupam apenas cerca de 6% do território. A criação de

RPPNs representa o aumento do território das áreas protegidas.

Além da satisfação em dar sua contribuição para a conservação do ambiente, o proprietário de uma RPPN obtém benefícios: isenção do Imposto Territorial Rural para a área reconhecida como RPPN; redução do risco de invasões e ocupações irregulares, uma vez que a propriedade cumpre sua função social com a conserva- ção do ambiente; e preferência na análise do pedido de concessão de crédito agrí- cola pelas instituições oficiais de crédito para a propriedade que possui uma RPPN em seu perímetro.

Para se tornar uma RPPN, uma área tem que ter características que justifi- quem a sua conservação: grande diversidade de plantas e/ou animais, paisagens ricas ou outras características especiais. O tamanho não é limite: existem RPPNs, com menos de um hectare e outras, com milhares de hectares.

As áreas de Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente podem ser incluídas na RPPN.

As RPPNs são perpétuas – não se pode revogar seu reconhecimento, nem mesmo futuros proprietários ou herdeiros.

Existem muitas possibilidades de atividades no interior de RPPNs, inclusive com fins lucrativos, por exemplo, ecoturismo, esportes de aventura e atividades de educação ambiental. Para implementar essas atividades, o proprietário pode pedir financiamento junto a órgãos como o Fundo Nacional do Meio Ambiente, e os proje- tos que envolvem RPPNs têm prioridade na análise de concessão de financiamento.

O proprietário interessado em criar uma RPPN deve procurar o ICMBio ou o

IEF e informar-se sobre as ações e os documentos necessários.

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Sapos, rãs e pererecas

A Serra da Canastra abriga, pelo menos, 34 espécies de sapos, rãs e

pererecas, sendo que duas dessas só ocorrem nesta região, sendo chamadas de espécies endêmicas. Esses animais, que raramente são considerados boa companhia, na verdade, são importantíssimos para manter o equilíbrio dos ambientes e favorecer o sucesso das plantações agrícolas.

Sapos, rãs e pererecas são chamados de anfíbios (animais de vida dupla, em grego) por passarem parte de suas vidas na água ou em ambientes muito úmidos e parte no ambiente terrestre. A vida desses anfíbios inclui as fases de ovo (formado na água), larva ou girino (aquática) e adulto (terrestre). São considerados animais de sangue frio e dependem da temperatura do ambiente para se manterem vivos.

Esses animais podem viver como girinos durante meses, comendo bastante

e crescendo. Quando atingem um determinado tamanho, começam a

transformar-se: os ossos ficam mais fortes; a pele engrossa e fica mais resistente à perda de água; o corpo prepara-se para respirar o oxigênio do ar através de pulmões; inicialmente, nascem as patas traseiras, depois as dianteiras; a cauda vai desaparecendo; forma-se uma língua que pode ser

esticada e lançada para fora da boca, para capturar o alimento. Ao atingir a fase adulta, o animal pode ir para a margem de uma lagoa, de um rio, a copa de uma árvore ou para uma bromélia, onde reinicia o ciclo da vida.

Os anfíbios alimentam-se de insetos e de outros invertebrados. Sua presença

nas proximidades de plantações agrícolas é benéfica, pois ajuda a controlar

a população dos animais que se alimentam de folhas e de grãos. Os anfíbios

também servem de alimento para muitas espécies de aves, répteis (lagartos

e serpentes) e mamíferos.

Algumas características diferenciam esses anfíbios:

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CUIDANDO DA TERRA • Os sapos são terrestres, de pele rugosa, geralmente grandes e dão saltos

• Os sapos são terrestres, de pele rugosa,

geralmente grandes e dão saltos curtos. Em muitos deles, é possível identificar as estruturas que contêm as glândulas de veneno, salientes na cabeça e nas costas.

as glândulas de veneno, salientes na cabeça e nas costas. • As rãs possuem pernas longas

• As rãs possuem pernas longas e membranas

entre os dedos, que facilitam a natação.

e membranas entre os dedos, que facilitam a natação. As pererecas possuem cabeças e olhos grandes

As pererecas possuem cabeças e olhos grandes

em relação ao corpo estreito, vivem geralmente em árvores ou em vegetação aquática e possuem expansões debaixo dos dedos (ventosas) que aderem aos troncos de árvores e outras superfícies. Ao contrário dos sapos, dão saltos longos

facilitando sua fuga de predadores.

dão saltos longos facilitando sua fuga de predadores. A manga é uma fruta que faz muito

A manga é uma

fruta que faz muito bem para saúde. Ela contém proteínas, gorduras,

fósforo, cálcio, ferro

e vitaminas A, B1,

B2, B5 e C.

CUIDANDO DA TERRA

CUIDANDO DA TERRA

SAIBA MAIS

Certificação do Queijo Canastra

O queijo da Serra da Canastra começou a ser produzido há mais de 200 anos. O clima local contribui para o processo de maturação, o que garante sabor e colora- ção inconfundíveis ao produto. Na região, a produção do queijo artesanal é um fator cultural de significativa importância socioeconômica para grande parte das famílias rurais.

Para a comercialização legal do Queijo Minas, deve ser feito o cadastro do produtor para a Produção do Queijo Minas Artesanal. Primeiramente, o produtor rural procura a Emater para um estudo de caso. A Emater agenda com o IMA uma vistoria prévia ao local, para discutir o que deve ser feito para a adequação à legisla- ção (isso inclui a queijaria, o curral, a saúde do rebanho, a habilitação dos funcioná- rios, através de curso fornecido pela Emater, entre outros). De acordo com o que for definido, a Emater orienta o produtor rural para que seja feita essa adequação. Terminado o processo, o produtor rural faz um requerimento ao IMA solicitando a vistoria final. O IMA analisa se tudo está de acordo com a legislação e dá o seu parecer. Após o parecer positivo do IMA, o produtor rural receberá o cadastro, e poderá comercializar seu produto.

Turismo na propriedade rural

Caso o proprietário rural possua algum atrativo natural na área de sua pro- priedade, Área de Preservação Permanente, ou Reserva Legal, e deseja explorá-lo sustentavelmente para o turismo, deve manter uma trilha limpa e “batida”, com aproximadamente 0,80 m de largura para acesso à atração.

Além da manutenção da trilha, para evitar preocupações, é aconselhável que a visitação dos turistas somente seja feita e permitida, com o acompanhamento de um monitor ambiental ou de um condutor turístico local de sua confiança. Dessa forma, além de oferecer mais segurança para a visitação, o proprietário justifica a cobrança de taxa de manutenção ambiental ou taxa de entrada.

CUIDANDO DA TERRA

Caso o proprietário tenha alguma dúvida, pode procurar a associação de guias ou agências de turismo locais para esclarecer suas dúvidas. Tomando essas precauções, fica assegurada uma visita sem maiores problemas e com menor possi- bilidade de acidentes.

Picada de cobra: faça a coisa certa

As cobras peçonhentas são aquelas que possuem veneno e capacidade de introduzi-lo no nosso corpo, após uma picada. Estas cobras não costumam ser agres- sivas, picando quando se sentem ameaçadas. Ao picarem, elas liberam o veneno, que vai provocar diferentes sintomas. A gravidade da picada vai depender do tipo de cobra, do local da picada, de quanto veneno foi liberado e das condições de saúde da pessoa picada.

No Brasil, em torno de 20 mil pessoas são picadas por cobras peçonhentas a cada ano. Mais da metade são trabalhadores rurais, do sexo masculino e têm idade entre 15 e 50 anos. Dessas pessoas, aproximadamente 100 morrem por ano, em decorrência da picada, mas muitas outras ficam com seqüelas.

Para evitar as complicações e mesmo a morte, é importante rapidez no aten- dimento médico: o tratamento realizado até seis horas depois da picada é muito mais eficiente do que aquele que começa depois deste período. No tratamento da picada de cobra, não vale usar remédio caseiro, chás, bebidas alcoólicas ou qual- quer alimento.

Conheça outras dicas para o atendimento de vítimas de picada de cobra:

NÃO aplique torniquetes: isso faz com que a circulação próxima à picada

fique mais prejudicada e pode levar até à amputação de membros, que não seria necessária sem esta interferência. Além de tudo, isso ainda atrasa o atendimento médico;

NÃO tente sugar o veneno ou retirá-lo, furando ou cortando o local da pica-

da: isso atrasa o atendimento e representa mais risco para a vítima (e para quem toma a iniciativa de sugar o local da ferida!);

Lave bem o local da ferida com água corrente e sabão;

Mantenha o acidentado em repouso, de preferência deitado. Qualquer movimentação facilita a absorção do veneno;

O soro antiofídico, isto é, o remédio específico para combater os efeitos do veneno de cobras peçonhentas é o tratamento que deve ser procurado: o paciente deve recebê-lo o mais rapidamente possível.

Em caso de picada de cobra, procure o Hospital de São Roque de Minas que dispõe do soro antiofídico. Este soro também pode ser encontrado na Santa Casa de Piumhi e nos postos de saúde daquela cidade.

As cobras, peçonhentas e não-peçonhentas, são muito importantes no equi- líbrio natural e no controle de ratos e de outros pequenos animais que se alimen- tam de plantações, além de serem consumidas por outros animais como emas, seriemas, gaviões etc

Jibóia (Boa constrictor) A jibóia é uma das serpentes de colorido mais bonito da região
Jibóia
(Boa constrictor)
A
jibóia é uma das serpentes de colorido mais bonito da região da Serra
da Canastra. Não é uma espécie peçonhenta. Ela mata por asfixia, com a
ajuda dos poderosos músculos de seu corpo. A boca possui dentes
pequenos, pontiagudos e voltados para trás para auxiliar a deglutição do
alimento. A mordida, embora não inocule veneno, é muito dolorosa.
Medindo até 5,50 metros e chegando a pesar mais de 25 quilos, pode
capturar aves, ratos, gambás, macacos, morcegos, lagartos e outros
animais. A grande abertura da boca permite que ela capture e alimente-
se de animais de porte médio ou mesmo grande. É mais ativa à noite e
utiliza órgãos sensíveis ao calor para localizar e capturar as suas presas.
Embora seja uma boa nadadora, prefere o ambiente terrestre, passando
parte do tempo sobre as árvores. Durante o dia, pode repousar em
cavidades no chão e em ocos de árvores.
A
fêmea incuba os ovos dentro do seu corpo e os filhotes nascem com
cerca de meio metro de comprimento, podendo haver até 60 em uma
única ninhada. Uma jibóia pode viver entre 25 e 30 anos de idade,
crescendo durante toda a vida
CUIDANDO DA TERRA

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CUIDANDO DA TERRA Canela-sassafrás ( Ocotea odorifera ) A canela-sassafrás é uma árvore que chega a

Canela-sassafrás (Ocotea odorifera)

A canela-sassafrás é uma árvore que chega a 25 metros de altura e sua copa tem de oito a 10 metros de diâmetro.

As flores são pequenas e discretas. Flores, folhas e troncos possuem um aroma peculiar, devido à presença do óleo essencial ‘safrol’.

Floresce em diferentes épocas do ano, predominando em agosto e setembro. Os frutos estão maduros entre abril e junho.

Esta é uma árvore que se encontra ameaçada de extinção.

Como plantar: Colher os frutos diretamente da árvore quando os primeiros começarem a escurecer e a cair. Não é necessário separar as sementes. Após o plantio, regar duas vezes ao dia.

Mastite: como controlar?

A mastite ou mamite é uma inflamação das glândulas mamárias da vaca. É

muito comum e causa bastante impacto nas fazendas leiteiras. É estimado que quase a metade do rebanho nacional de bovinos tenha mastite, o que representa a perda de produção de 12% a 15%. Os prejuízos incluem queda de produtividade, leite descartado por conter antibióticos, gastos com os medicamentos e com servi- ços veterinários, descarte prematuro dos animais, diminuição do valor comercial dos animais e até morte das novilhas e vacas afetadas.

A mastite é uma doença que pode ser prevenida e controlada com medidas

simples de manejo, tanto nas propriedades onde se faz a ordenha manual, quanto naquelas onde a ordenha é mecânica.

Causas da mastite

A inflamação das glândulas mamárias pode ter várias causas, mas a mais

comum é a entrada de microrganismos causadores da doença pelo canal da teta. A maior parte das mastites é transmitida de um animal para outro pelas mãos dos

ordenadores ou pelos materiais e equipamentos utilizados para a ordenha. Algu- mas vezes, os microrganismos causadores podem estar no ambiente, como na água,

nas fezes, em materiais usados como cama, na pele dos animais etc

as mastites não provocam muitos sintomas no animal, podem até passar desperce- bidas e ter longa duração.

Muitas vezes,

Fique atento aos casos de mastite, quanto mais cedo ela for identificada, melhor para a vaca, mais barato o tratamento e menores as chances de a doença alastrar no rebanho.

Quantos anos vivem os animais domésticos?

Animal Longevidade média (anos) Cavalo 30 Gato 15 Boi 15 Burro 12 Carneiro 12 Coelho
Animal
Longevidade média (anos)
Cavalo
30
Gato
15
Boi
15
Burro
12
Carneiro
12
Coelho
12
Cachorro
13
Porco
10
Galinha
7
CUIDANDO DA TERRA

Prevenção e controle

A situação das mastites nas propriedades leiteiras nem sempre é a mesma, mas medidas gerais podem contribuir para o seu controle em qualquer circunstân- cia. As medidas mais importantes são:

As vacas devem ficar em local limpo e seco, especialmente durante o parto e na época de lactação.

Diariamente, deve-se dar destino adequado às fezes e urina (como, por exemplo, a compostagem), para evitar a proliferação de microrganismos e de moscas.

Para a ordenha, as vacas devem ser movimentadas seguindo uma rotina,

sem pressa ou violência, pois o estresse favorece o aparecimento de doenças.

A palpação do úbere e das tetas ajuda a identificar os sinais de inflamação,

como inchaço, vermelhidão e dor. Existem outros exames, mas é aconselhável a realização por um veterinário. Quando um animal está com mastite, deve ser sepa- rado dos outros e imediatamente tratado.

Começar a ordenha apenas após o exame e o descarte dos primeiros jatos

de leite. Somente tetas limpas e secas devem ser ordenhadas. É no momento da ordenha que muitas mastites começam e, por isso, é nesta hora que o cuidado deve ser redobrado.

A ordenha deve durar o menor tempo possível, ser feita com calma e sem

ser interrompida. Isso faz com que se esgote o leite, o que ajuda no controle da mastite.

O canal da teta fica aberto por até duas horas, após a ordenha, e nesse

período fica maior o risco de contaminação. Por isso, é importante que as vacas permaneçam em pé. É recomendável oferecer alimento no cocho, na saída da ordenha.

CUIDANDO DA TERRA
CUIDANDO DA TERRA

As embalagens dos agroquímicos são muito tóxicas, porque parte do veneno contido no seu interior fica retido nas paredes da embalagem.

Da mesma forma que a mão do ordenhador, a ordenhadeira mecânica pre-

cisa estar limpa e funcionando bem. As borrachas e as mangueiras devem ser trocadas, segundo as recomendações do fabricante.

Cuidado com a alimentação: animais malnutridos têm mais disposição para desenvolver mastites.

No final da lactação, todas as vacas devem ser tratadas. Isso cura mastites que não apresentaram sintomas e previne o aparecimento de outras.

PROCEDIMENTOS ANTES DA ORDENHA

1 2
1
2
aparecimento de outras. PROCEDIMENTOS ANTES DA ORDENHA 1 2 Lavagem das tetas com água corrente Secagem

Lavagem das tetas com água corrente

Secagem das tetas com papel toalha

3 4
3
4
Pré-lavagem com solução clorada
Pré-lavagem com solução clorada

Teste de mamite com caneca de fundo preto ou telada

5 Ordenha manual ou mecânica CUIDANDO DA TERRA
5
Ordenha manual ou
mecânica
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CUIDANDO DA TERRA Pau-pombo ( Tapirira guianensis ) O pau-pombo é uma árvore que atinge 14

Pau-pombo (Tapirira guianensis)

O pau-pombo é uma árvore que atinge 14 metros de altura, possui

tronco com 40 a 60 centímetros de diâmetro e é comum junto a cursos

d’água.

As flores são discretas e miúdas e os frutos, vermelho-escuros ou pretos quando maduros, são muito apreciados por aves e mamíferos. Como atrai animais silvestres e desenvolve-se bem nos solos úmidos, é muito indicado para a recuperação da vegetação das margens de rios, lagoas e nascentes.

Floresce entre agosto e dezembro e os frutos amadurecem entre janeiro

e março.

Como plantar: Colher os frutos diretamente da árvore quando começarem a cair. Se o plantio for feito logo após a coleta dos frutos, não é necessário nenhum preparo. Se as sementes forem armazenadas, a polpa deve ser retirada manualmente e as sementes lavadas em água corrente dentro de uma peneira. Frutos ou sementes devem ser plantados e regados duas vezes ao dia.

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Plantas tóxicas para o gado

Existe uma grande variedade de plantas que podem ser tóxicas para o gado e causam prejuízos aos produtores rurais. As perdas econômicas ocorrem porque os animais intoxicados podem morrer, apresentar problemas de reprodução (abortos, bezerros malformados, aumento do intervalo entre partos e infertilidade), diminui- ção no ritmo do crescimento e de engorda, enfraquecimento e maior propensão a doenças.

Algumas situações aumentam o risco de intoxicação por plantas:

Queimadas: os brotos de algumas plantas são mais tóxicos e, normalmente,

é esta parte da planta que o gado escolhe para se alimentar, por ser mais saborosa do que o vegetal adulto. A rebrota pós-queimada pode aumentar o risco de ocor- rência deste problema.

Formação de pastos em áreas desmatadas: algumas plantas tóxicas são

mais comuns em lugares que, antes ocupados por matas e capoeiras, são desmatados para formar pastagens.

Excesso de animais no pasto e pastagens ruins: com fome, os animais têm

menos opções para escolher o que comer e passam a utilizar plantas que seriam desprezadas, se houvesse escolha.

Estação seca: na seca, há menor oferta de alimento e o gado tem menos

opções de escolha de alimentos. Além disso, algumas plantas tóxicas ficam ainda mais venenosas quando estão mais secas.

Primeiras chuvas: a rebrota que ocorre após o início das chuvas é condição de risco para a intoxicação.

Transferência de animais para pastagens que eles desconhecem: por não

conhecer a planta tóxica, alguns animais transferidos de pasto podem buscar plantas tóxicas como alimento.

de pasto podem buscar plantas tóxicas como alimento. Para conservar o pó de café, como se

Para conservar o pó de café, como se fosse moído na hora, é só colocá-lo num recipiente fechado dentro da geladeira.

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Algumas plantas tóxicas, encontradas na região da Serra da Canastra, são: a erva-de-rato ou cafezinho, timbó ou cipó-prata, coerana, chique-chique, barbatimão, fedegoso e camará ou chumbinho.

Controle pragas domésticas e da horta sem inseticidas

Os inseticidas, assim que são inventados, são muito eficientes. Foi assim com

o DDT, que acabou com pragas de insetos e evitou doenças transmitidas por esses

animais, logo após a Segunda Guerra Mundial. Ainda é assim com produtos usados atualmente, na cidade e na roça, para combater moscas, baratas, mosquitos, carra- patos, pulgas e aranhas; nos animais, para combate a pulgas, carrapatos, bernes e

bicheiras; e nas plantações, para controlar cigarrinhas, lagartas, moscas e pulgões. Mas, depois de algum tempo de uso, a eficiência dos inseticidas diminui – é quando

a resistência dos insetos aos produtos faz com que eles não funcionem mais tão bem.

Além da resistência, o uso de inseticidas traz o problema grave da contamina- ção das pessoas: da mesma forma que os insetos que o produto deve matar, o inse- ticida é tóxico para as pessoas, se ingerido (junto com leite, verduras, carne e outros produtos agropecuários), inalado, ou em contato com a pele (durante a aplicação).

Outro problema é a contaminação do ambiente: da água, dos solos e dos bichos que entram em contato com o inseticida diretamente (o produto é aplicado neles), ou, indiretamente (ao ingerir água, plantas ou outros bichos contaminados).

Para combater pragas domésticas e da horta, sem o risco do uso de insetici- das, siga as dicas a seguir:

Em casa

Para matar formigas dentro de casa:

Cal virgem: misture dois quilos de cal virgem em 10 litros de água quente e aplique sobre as saídas dos formigueiros.

Solução de creolina: misture 250 ml (1/4 de litro) de creolina em 10 litros de água e aplique sobre as saídas e as trilhas de formigas.

Para prevenir e matar carunchos, gorgulhos e traças em despensas:

Pimenta-do-reino: coloque o grão (por exemplo, o feijão) em uma lata limpa, adicione alguns grãos de pimenta e feche bem.

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Eucalipto: misture 10 a 20 folhas de eucalipto (Eucalipus citriodora) para cada quilo de grão.

Para repelir e impedir a entrada de baratas:

Pimenta-do-reino: coloque quatro a oito grãos nos locais onde elas se escondem: debaixo de armários, atrás de portas etc

Vedação: Adapte uma tira de borracha sob as portas que dão para áreas

externas, vedando gretas, e feche os ralos do chão do banheiro e da cozinha, à noite.

Para controlar moscas, mosquitos e pernilongos:

Manejo de janelas: feche as janelas antes do pôr-do-sol e, só abra, quando já estiver bem escuro.

Telas nas janelas: faça um quadro com tela fina adaptável ao vão da janela

e use-o nas épocas mais quentes e úmidas, quando esses insetos são mais comuns.

Na horta

Para controlar lesmas, caracóis e tatuzinhos-de-jardim:

Cinza ou cal virgem: colocar em linhas, em volta dos canteiros, para matar

lesmas.

Cerveja com água açucarada: colocar à noite, perto das plantas atacadas,

um prato raso com a mistura. Na manhã seguinte, as lesmas estarão dentro do prato e poderão ser catadas.

Macerado de alho: esmagar quatro dentes de alho em um litro de água e

deixar curtir por 12 dias. Diluir em 10 litros de água e aplicar sobre as plantas.

Preparado de chuchu: colocar pedaços de chuchu e sal de cozinha dentro

de recipientes baixos (como latas cortadas) e colocar os recipientes próximos aos canteiros à noite. Pela manhã, catar os animais.

aos canteiros à noite. Pela manhã, catar os animais. O bicho-de-pé é a fêmea de um

O bicho-de-pé é a fêmea de um tipo de pulga minúscula que penetra na pele humana, ou de outros mamíferos, e assim consegue o sangue de que necessita para realizar a postura dos seus ovos.

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Para matar pulgões e lagartas:

Cebola e alho: Moer uma cebola e cinco dentes de alho e misturá-los em

cinco litros de água. Espremer para retirar o suco, coar e misturar em cinco litros de água. Pulverizar as plantas uma vez por semana.

Cebolinha verde ou cebola: cortar um quilo e misturar em 10 litros de água.

Deixar curtir por sete dias (a cebolinha verde) ou 10 dias (a cebola). Para pulverizar, utilizar um litro da mistura para cada três litros de água.

Para controlar fungos:

Camomila: misturar 50 gramas de flores de camomila em um litro de água

e deixar de molho por três dias, agitando quatro vezes ao dia. Após coar, aplicar a mistura três vezes ao dia a cada cinco dias.

Para controlar todas as pragas da horta, deixe faixas de vegetação nativa próximas aos canteiros.

Previna ataques às criações de galinhas

Na região da Serra da Canastra, um dos conflitos mais freqüentes entre fauna silvestre e fazendeiros é causado pelos ataques às criações de galinhas. Os fazendei- ros, geralmente, atribuem estes ataques ao lobo-guará. Entretanto, diversos animais como a jaguatirica, a lontra e alguns gaviões são também causadores destes ata- ques. O lobo-guará leva a fama, por ser um animal mais facilmente visto.

Pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Pró-Carnívoros, na região da Serra da Canastra, mostraram que a forma de manejo das galinhas influencia diretamente a ocorrência desses ataques. Em todas as propriedades onde ocorrem esses ataques, os proprietários mantêm as aves soltas, deixando-as vulneráveis e expostas aos

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A galinha foi domesticada há cerca de cinco mil anos na região da Índia e o plantel atual é estimado em dez bilhões de aves, que produzem cerca de 500 bilhões de ovos por ano.

CUIDANDO DA TERRA

CUIDANDO DA TERRA predadores, inclusive durante a noite, período em que ocorre a maioria dos ataques.

predadores, inclusive durante a noite, período em que ocorre a maioria dos ataques.

Visando solucionar o problema, foi desenvolvido um modelo de galinheiro com estruturas reforçadas, o qual foi testado em 10 fazendas onde ocorriam mais casos de ataques (predação) na região.

Os resultados deste teste foram muito positivos e os proprietários que passa- ram a utilizar o galinheiro perceberam ser possível evitar o problema de ataques por animais silvestres e, ainda, aumentar a produtividade das galinhas.

Para a construção de um galinheiro, a metragem ideal é 36 m² (6 m x 6 m) para comportar até 100 galinhas. São necessários 15 mourões, de preferência com madeira renovável e tratada (ex: eucalipto), de no mínimo 2,80 m de comprimento cada, que deverão ser fincados com pelo menos 80 cm no solo. O espaçamento entre os mourões deve ser de dois metros para que o arame farpado, fixado em três alturas (baixa, média, alta), possa dar sustentação e firmeza e fazer com que a tela fique bem esticada e a uma altura de dois metros.

As telhas devem ser apoiadas nas partes superiores dos mourões previamen- te fincados e com a tela. Uma dica é deixar um dos lados do telhado pelo menos 20 cm mais baixo, para que a água da chuva seja escoada devidamente. Outro lembrete importante é amarrar todas as telhas, para que suportem o vento.

Sugere-se que os poleiros sejam montados em forma de escada para facilitar a limpeza, e que nunca sejam colocados encostados na tela, de modo a dificultar a ação de predadores que tentam puxar as galinhas pelo lado de fora.

A idéia agora é expandir esta ação a outras propriedades, divulgando a expe- riência adquirida com a instalação dos galinheiros. Os proprietários que tiverem interesse e quiserem maiores informações, devem procurar o Projeto Lobos da Canastra, em São Roque de Minas (telefone: 37 3433-1898).

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ENDEREÇOS ÚTEIS

SÃO ROQUE DE MINAS, MG

Coocanastra – Cooperativa dos Produtores Rurais da Serra da Canastra Rua 15 de Novembro, 120 – Tel.: (37) 3433-1383 ou 3433-1168

Emater-MG – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais Prefeitura de São Roque de Minas – Tel.: (37) 3433-1352

Hospital Municipal Santa Marta Av. Getúlio Vargas, 490 – Tel.: (37) 3433-1593

Ibama – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Av. Presidente Tancredo Neves, 498 – Tel.: (37) 3433-1195

ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Av. Presidente Tancredo Neves, 498 – Tel.: (37) 3433-1195

IEF – Instituto Estadual de Florestas Prefeitura de São Roque de Minas – Tel.: (37) 3433-1807 Obs.: ligue antes, para confirmar horário de atendimento.

IMA – Instituto Mineiro de Agropecuária Prefeitura de São Roque de Minas – Tel.: (37) 3433-1385

Instituto Terra Brasilis – Centro de Informação Pato Aqui, Água Acolá Av. Presidente Tancredo Neves, 131 – Tel.: (37) 3433-1339

Polícia Florestal Rua Francisco Alves de Oliveira, 154 – Tel.: (37) 3433-1633

Prefeitura Municipal de São Roque de Minas Praça Alibenides da Costa Faria, 10, Centro Tel.: (37) 3433-1228 ou 3433-1806 ou 3433-1199

CUIDANDO DA TERRA

Saromcredi – Cooperativa de Crédito de São Roque de Minas Av. Padre Murilo Almeida Conceição, 215 – Tel.: (37) 3433-1214 A partir de março de 2009, em novo endereço: Rua 15 de Novembro, 31.

Siat – Sistema Integrado Assistência Tributária Prefeitura de São Roque de Minas Tel.: (37) 3433-1228 ou 3433-1806 ou 3433-1199 Esse local é responsável por fazer o cartão do produtor rural e emitir notas fiscais para o produtor rural.

Sindicato Rural de São Roque de Minas Rua Coronel Juventino Dias, 417 – Tel.: (37) 3433-1342

VARGEM BONITA

Prefeitura de Vargem Bonita Avenida São Paulo, 83 – Tel.: (37) 3435-1131

Emater-MG – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais Avenida São Paulo, 50 – Tel.: (37) 3435-1152

IMA – Instituto Mineiro de Agropecuária Posto do IMA na Prefeitura de Vargem Bonita – Tel.: (37) 3435-1131

Siat – Sistema Integrado Assistência Tributária Prefeitura de Vargem Bonita – Tel.: (37) 3435-1131

Saromcredi – Cooperativa de Crédito de São Roque de Minas Rua Ubirajara Lima, 145a – Tel.: (37) 3434-1166

PIUMHI

Santa Casa de Misericórdia de Piumhi Praça Guia Lopes, 53 – Tel.: (37) 3371-1765, 3371-2035 ou 3371-2805

O Instituto Terra Brasilis é uma entidade não governamental,

sem fins lucrativos, fundada em 1998 com o objetivo de promover a conservação dos ecossistemas e o uso

sustentado e racional dos recursos naturais, conciliados com

o desenvolvimento econômico-social eqüitativo.

Rua Rio Grande do Norte, 1560, Conj. 405 30130-131 Bairro Funcionários Belo Horizonte MG Telefax: (31) 3225-0414 www.terrabrasilis.org.br

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