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Universidade de Coimbra

Faculdade de Economia

A imigração

Uma visão geral

Coimbra Faculdade de Economia A imigração Uma visão geral Fontes de Informação Sociológica Pedro Ruivo Coimbra,

Fontes de Informação Sociológica

Pedro Ruivo Coimbra, Janeiro 2006

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Fontes de Informação Sociológica, leccionada pelo Doutor Paulo Peixoto.

Pedro Ruivo, aluno nº 20050813

com

cada ser humano, tenho pertenças em comum; mas ninguém no mundo

partilha todas as minhas pertenças ou sequer uma grande parte delas

É assim, justamente, que se caracteriza a identidade de cada um de nós: complexa, única, insubstituível, que não se confunde com qualquer outra. Se insisto neste ponto, é por causa do hábito de pensamento ainda tão espalhado, e a meus olhos extremamente pernicioso, segundo o qual, para afirmar a nossa identidade, deveria simplesmente dizer-se: “eu sou negro”; “eu sou sérvio”; “eu sou muçulmano”; “eu sou judeu”; quem alinhe, como eu o fiz, as suas múltiplas pertenças, é imediatamente acusado de querer “dissolver” a sua identidade no caldo

informe onde todas as cores se apagam. É, no entanto, o inverso que eu procuro afirmar. Não que todos os seres humanos são semelhantes, mas que cada um deles é diferente. Sem dúvida, um sérvio é diferente de um croata, mas cada sérvio é também diferente de todos os outros sérvios e cada croata é igualmente diferente de todos os

].

outros croatas.[

] [

]

se os homens de todos os países, de todas as crenças, se transformam tão

facilmente em assassinos, se os fanáticos de todas as cores conseguem facilmente

impor-se como os defensores da identidade, é porque a concepção “tribal” da identidade que prevalece ainda no mundo inteiro favorece uma tal deriva

Amin Maalouf, Identidades Assassinas, 1998 (pp.28-29 e 39)

Índice

1. Introdução

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2. Pesquisa detalhada

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3. O Estado das Artes

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3.1. Imigração, uma definição

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3.2. Porquê migrar?

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3.3. As (i)migrações num contexto de globalização

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3.4. Integração, problemas e soluções

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4. Avaliação de uma Página Web

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5. Ficha de Leitura

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6. Conclusão

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7. Referências Bibliográficas

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Anexo I

Avaliação: Página do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas

Anexo II

Texto de suporte da ficha de leitura: “Circulação: fluxos e refluxos” e “Asilo e Imigração económica ou a fronteira indefinida”, capítulos da obra A imigração em Portugal: movimentos humanos e culturais em Portugal, da equipa SOS Racismo.

Introdução

Neste trabalho que me propus fazer para a disciplina de Fontes de Informação Sociológica, escolhi, dentro dos disponíveis, o tema da imigração. Na verdade, não efectuei a escolha com base em nenhum critério, talvez pelo simples interesse pessoal que o assunto me despertou, mas também pela importância que parece ter vindo a adquirir no âmbito da Sociologia. É também um assunto que tem sido bastante discutido na actualidade. Falemos, por exemplo, das políticas relativas às migrações na União Europeia ou dos conflitos étnicos, de grande dimensão, que surgiram em França há relativamente pouco tempo – isto só para dar dois dos muitos exemplos que demonstram a importância que esta matéria tem em ser discutida. Ainda, porque o tema a que me propus tratar traduz um fenómeno que compreende uma realidade muito mais abrangente do que a própria imigração em si, isto é, envolve mais do que meros movimentos populacionais de entrada num dado país. A consciência de que as migrações são um fenómeno social e, portanto, uma realidade complexa, una e indivisível, ajudou-me a definir o método de trabalho. Trata-se, pois, de um assunto complexo, na medida em que é difícil falar e explicar o acontecimento social em causa sem ser no contexto geral das migrações; procurei então partir de linhas gerais e convergir, ao longo da exposição do estado das artes, para aspectos que me pareceram quase estritamente ligados à imigração, como é o caso do problema e das medidas que se devem tomar quando se fala em “integração”, mas também das comunidades de minorias étnicas e da questão do racismo / xenofobia. Quanto à estrutura do trabalho, este corresponde aos parâmetros estabelecidos no regime de avaliação da cadeira, pelo que começo por descrever detalhadamente o processo de pesquisa que fui efectuando, passando posteriormente à apresentação do Estado das Artes, isto é, uma exposição (genérica) do que achei mais relevante dentro do assunto. Segue-se uma ficha de leitura que resume dois capítulos do livro “A imigração em Portugal: Os movimentos humanos e culturais em Portugal”, que passa um pouco em revista aquilo que tratei no trabalho. Finalizo, então, com a avaliação de uma página da internet, a do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (http://www.acime.gov.pt), consultada no dia 15 de Janeiro de 2006, a qual foi das mais relevantes no decorrer da procura de informação. Por fim, resta-me esperar que o trabalho cumpra os requisitos definidos na disciplina de Fontes de Informação Sociológica, mas que também, a nível de conteúdo, esteja a par das minhas expectativas pessoais. *

* Nota: No decorrer do trabalho, introduzi algumas pequenas citações em inglês que achei melhor não traduzir, dado que podia alterar, inadvertidamente, o seu conteúdo.

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1. Pesquisa detalhada

Antes de “meter mãos à obra”, procurei rever os conhecimentos que já obtinha sobre a matéria da imigração, por forma a estruturar o trabalho e definir palavras-chave. Deste modo, organizei o desenvolvimento, diga-se o estado das artes, da seguinte forma:

A definição de imigração;

Os elementos de atracção-repulsa e a sua influência nos migrantes;

Os mesmos factores num contexto de globalização;

Integração, a necessidade da mesma;

Problemas advindos de uma má política de integração.

Em seguida, depois de bem definida esta estrutura procedi à selecção dos conceitos que me pareceram relevantes para o trabalho. Assim, as palavras-chave são:

Imigração;

Integração;

Globalização;

Minorias étnicas;

Racismo/Xenofobismo.

Posteriormente, utilizei os termos obtidos em motores de pesquisa na internet para perceber a quantidade de informação com que teria de lidar. A minha primeira escolha recaiu sobre o twingine, escusado será dizer que obtive bastante ruído, milhões de resultados, principalmente para

o termo “immigration”, 136.000.000 para ser preciso

as técnicas leccionadas na cadeira de Fontes de Informação Sociológica (a “pesquisa avançada”, bem como as equações de pesquisa, entre outros), reduzi bastante o ruído e foi-me mais fácil encontrar informação relevante. Contudo, dado que ainda continuava com um feedback ou eco bastante grande, mas também porque

é trabalhoso e nem sempre fácil verificar a validade, a qualidade e a actualidade do material contido

nas páginas da internet, decidi guiar-me, maioritariamente, por documentos impressos sem, naturalmente, deixar de recorrer a sites que especificarei no final deste trabalho. Assim, procurei livros e outro material escrito nos catálogos online das várias bibliotecas, como a Biblioteca Geral ou a Municipal. A que mais recorri e recolhi documentos foi, no entanto, a da Biblioteca da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Decidi então cingir-me ao Google e, usando

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2. O Estado das Artes

2.1. Imigração, uma definição

“A migração é o resultado de decisões individuais ou familiares, mas também faz parte de um processo social. Em termos económicos, a migração é tanto um fenómeno mundial como o comércio de mercadorias ou de bens manufacturados. Designa o movimento das populações, mas faz parte de um modelo mais vasto e é um sinal de relações económicas, sociais e culturais em transformação.” - Fonds des Nations Unies pour la Population, 1993

Todo o imigrante é emigrante e vice-versa, por isso falar em imigração é falar em (e)migração. Contudo, dentro dos fluxos das populações, a imigração refere-se ao movimento de entrada em dado país, região, cidade. Tem, por isso, determinados efeitos associados para os quais vou tentar convergir, partindo das informações que consegui recolher.

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2.2. Porquê migrar?

Como é óbvio, as populações não migram sem que tenham razões para tal. Tem de haver uma motivação para que estas abandonem a comunidade de origem, mas também há factores influentes, no local de imigração, que atraem os migrantes. É, pois, importante perceber o que “empurra” alguém do local de origem e o que o atrai no local de destino. Segundo Rui Pena Pires (2003), há uma versão clássica do modelo de atracção-repulsão que se estrutura em torno de duas perguntas-chave:

-Como decidem os migrantes (E)migrar?

- Quais as funções asseguradas pela (I)migração?

Procurei responder em linhas gerais, de forma resumida, a estas perguntas que me parecem pertinentes:

O que leva alguém a emigrar?

Actualmente, e infelizmente, os principais factores da emigração reflectem, no geral, sinais de uma conjuntura negativa, dos quais se destacam o fraco crescimento económico, a repartição desigual dos rendimentos, o excesso de população (um forte crescimento demográfico), as taxas de desemprego elevadas, os conflitos armados e limpeza étnica, as violações dos direitos do homem e perseguições, as catástrofes naturais (degradação do ambiente em geral), bem como uma governação deficiente. Ainda, a evolução positiva de um país em desenvolvimento pode - numa primeira fase - reforçar as migrações internacionais, uma vez que algumas pessoas obtêm os meios para emigrar, mas não encontram ainda perspectivas satisfatórias no seu país.

Factores de atracção dos países receptores de imigrantes

A segurança e uma situação socioeconómica melhor no país de acolhimento são os principais

factores de atracção. No caso da Europa, devido à escassez de trabalhadores altamente qualificados

e pouco qualificados, esta recorre, cada vez mais, aos mercados de emprego dos países em desenvolvimento para recrutar mão-de-obra.

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2.3. As (i)migrações num contexto de globalização

“Growing economic interdependence of states has been a widely acknowledge component of globalization” (Taran, 2002: 26)

Seria errado considerar apenas, na minha opinião, os motivos que levam um grande número de imigrantes a deslocarem-se por razões económicas, sublinhando a fome, as guerras ou o estrangulamento económico nos países em vias de desenvolvimento. Nem todas as imigrações se realizam por questões de sobrevivência, apesar de ser nesses termos que nos lembramos, primeiramente, das migrações (como a imigração ilegal). Há, no entanto, mais razões que vão para além das referidas, mas também, julgo ser necessário reflectir sobre as políticas objectivas, bem como os determinantes socio-culturais. Em linhas gerais, vou tentar interligar tudo um pouco. Deste modo, é preciso reconhecer que há outros factores determinantes no momento da decisão dos migrantes. Castles afirma que não são as populações dos países mais pobres os maiores potenciais emigrantes. Em primeiro lugar, a migração requer recursos financeiros, mas também sofre a influência de determinantes culturais, pelo que afirma “People do not simply decide as individuals to move to another country to maximize their life chances. Most migration is based on existing economic and social links, connected with colonialism, international trade and investment or previous migratory movements” (Castles, 2000: 82). Na verdade, na actualidade uma economia cada vez mais “global”, assume um papel cada vez mais importante na definição destes “social links”. Crescem, então, as migrações por motivos de lazer (turismo) mas, sobretudo, de negócios, tudo num contexto de globalização, fenómeno que vários autores consideram ter um poder disruptivo e que marca o fim da era dos Estados-Nação, podendo ser definido como uma nova fase de expansão capitalista, marcada pelo crescente domínio das grandes empresas multinacionais, do sistema financeiro e do mercado de capitais sobre o poder político (Baganha, 2001). Efectivamente, a internacionalização da produção acompanha a "nova" divisão internacional do trabalho, que se evidencia, principalmente, nas relações Norte-Sul, isto é, países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento – a evolução inegável nos meios de comunicação e transporte facilita e estimula, a meu ver, a deslocação dos agentes económicos, quer num fluxo migratório interno em dado país, quer nas migrações internacionais. Esta mundialização dos negócios traz, então, consigo novos protagonistas nas migrações intercontinentais, pois ao contrário do que sucedia no princípio do século, já não são, fundamentalmente, migrações de massas compostas por trabalhadores não qualificados, mas migrações de quadros, de trabalhadores especializados, cuidadosamente seleccionados (Bandeira, 2004). No entanto, no decorrer da pesquisa, achei curioso o facto de, ainda no contexto da globalização, os trabalhadores não qualificados continuarem a constituir uma importante massa de imigrantes, como Patrick A. Taran nos confirma “Globalization and trade liberalization have had contradictory impacts on employment conditions in countries of destination. Demand for cheap, low skilled labour in industrialized countries as well as considerable number of developing nations in Africa, Asia, Latin America and the Middle East remains evident in agriculture, food processing, construction, semi-skilled or unskilled manufacturing jobs (textiles, etc.) and low-wage services like domestic work, home health care and the sex sector.”(2002: 2) Por fim, esta vertente económica, que parece ser o principal motor das migrações, pode estar a reduzir os indivíduos imigrantes a uma potencial matéria-prima, pelo que é preciso destruir este conceito junto das populações, mas também dos órgãos governamentais, como nos diz a equipa SOS Racismo (2002). O subcapítulo 2.4. aprofundará um pouco este estatuto dos imigrantes e os problemas que levanta.

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2.4. Integração, problemas e soluções

"Há actualmente uma ideia na Europa hostil à imigração, muito por culpa do que se tem feito, enfatizando a necessidade de se fecharem as portas. E não se podem integrar pessoas dando este tipo de sinais à opinião pública. Outro problema é que muitos imigrantes não são cidadãos com direito de voto nos respectivos países de acolhimento. Por isso, é muito fácil para os partidos da extrema-direita usar argumentos contra os imigrantes, só porque eles não votam. Os políticos têm um objectivo a curto prazo: serem reeleitos. Muitos deles sabem que a Europa tem de adoptar uma nova política de imigração e sabem que o que se está a passar é absurdo. Mas isso é o que dizem nos corredores. Na praça pública têm uma atitude muito diferente." (Silberman apud o Gin Tónico, 2005)

De facto, os países europeus têm sido confrontados, na actualidade, com problemas resultantes de um modelo de integração que parece estar a falhar, dos quais o melhor exemplo será a onda de distúrbios ocorridos recentemente em França (Novembro 2005). Não esquecendo o caso Português, relembremos o “arrastão” em Carcavelos, uma manifestação clara, a meu ver, das minorias étnicas que exteriorizaram, e expuseram aos média, a insatisfação para com a sociedade, com as más condições de vida que resultam (provavelmente) de faltas de acesso a serviços e emprego, resumindo, a integração está(va) a falhar. Ainda, em Portugal, em consequência do arrastão, foram consideradas mudanças nas políticas de integração, nomeadamente alterações à lei da nacionalidade. Em suma, o tema da imigração tem estado na agenda política da União Europeia.

Mas porque é que surge esta “insatisfação para com a sociedade”?

Alguns imigrantes, nomeadamente as minorias étnicas, não se sentem “em casa” mas sabem, também, que não se adaptariam novamente, de maneira fácil, ao país de origem, caso retornassem. Cresce, por isso, essa tal insatisfação que, aparentemente, não tem uma resolução, pelo menos a curto prazo. Aprofundando este assunto, sabemos que o problema resulta de uma má, ou nenhuma, integração e é nesse sentido que se deve estudar a melhor maneira de resolver a questão, de forma a proporcionar oportunidades aos imigrantes, mas também impedir que da sociedade brotem atitudes de racismo, xenofobia que resultam na segregação destas pessoas “estranhas” à população residente. Na verdade, entende-se por discriminação racial qualquer tipo de distinção, exclusão, restrição ou preferência em função da raça, cor, ascendência, origem nacional ou étnica, que tenha por objectivo ou produza como resultado a anulação ou restrição do reconhecimento, fruição ou exercício, em condições de igualdade, de direitos, liberdades e garantias ou de direitos económicos, sociais e culturais (Felner apud ACIME, 2005) o que, numa palavra, vai contra o conceito de igualdade humana! Contudo, quando me refiro a esta questão, não posso generalizar/estender o problema a toda a sociedade imigrante, pelo que chamo a atenção para o facto de, como é óbvio, haver um “outro lado”, onde se inserem pessoas plenamente integradas e relativamente contentes com a sua posição social. Ainda, segundo a equipa do SOS Racismo (2002), deve haver uma distinção entre estrangeiros e étnicos, segundo critérios de número, dispersão espacial, condição económica e proximidade identitária, pois, como disse, muitos imigrantes são percepcionados como indivíduos integrantes da sociedade e não são incluídos nos problemas acima mencionados. Por fim, na procura de uma solução possível, encontrei um conjunto de medidas que me parecem fundamentais e merecedoras, de facto, de alguma atenção. Os objectivos a seguir apresentados estão no Portal do Governo (2005), fazendo parte do Programa do XVII Governo Constitucional. Deste modo, mesmo que as medidas se refiram ao espaço nacional, creio que de um modo geral, são aplicáveis a vários países, pelo que temos:

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O reconhecimento de um estatuto de cidadania a quem tem fortes laços com Portugal, designadamente a indivíduos que nasceram em território nacional que são filhos de pai ou de mãe não nacionais nascidos em Portugal, ou filhos de quem já vive há alguns anos em Portugal, e se encontre integrado na sociedade, qualquer que seja a sua situação face à lei;

A garantia da igualdade de tratamento, particularmente nos domínios social e laboral;

A criação de mecanismos de protecção social mínima para imigrantes que tenham perdido o seu emprego;

A participação dos imigrantes na vida política, designadamente através da participação nas eleições autárquicas, após um período de permanência no território nacional;

A criação de mecanismos e programas de integração e de incentivo a quadros qualificados nas áreas em que o País mostra maiores carências, bem como a utilização adequada de recursos humanos qualificados já imigrados em Portugal;

A multiplicação de oportunidades de aprendizagem do português por estrangeiros, bem como da formação para a cidadania;

A facilitação dos processos de equivalência de diplomas e qualificações profissionais obtidas no estrangeiro;

O desenvolvimento de programas específicos para a integração plena de segundas e terceiras gerações;

O acesso dos filhos dos imigrantes e das minorias étnicas às creches, aos jardins-de- infância e ao pré-escolar;

O lançamento de campanhas de educação sexual e planeamento familiar, particularmente destinados aos jovens imigrantes, tendo em conta a diversidade e os códigos culturais;

A participação das associações de imigrantes no processo de integração;

A frequência de cursos de formação profissional por parte de imigrantes que residam ou permaneçam legalmente em Portugal;

O desenvolvimento de uma rede nacional de informação aos imigrantes e minorias étnicas, em colaboração com as autarquias locais;

A criação de material didáctico do ensino básico e secundário que contribua para atingir níveis satisfatórios de sucesso escolar das crianças e jovens filhos de imigrantes;

Programas de inserção social e ocupacionais da mulher migrante.

A aposta muito empenhada na integração será acompanhada por um reforço da regulação e da fiscalização.

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A regulação procurará encorajar a imigração legal e desencorajar a imigração irregular. Para tanto, urge recuperar mecanismos de flexibilização da regulação dos fluxos, como as autorizações de permanência, desenvolver acordos com países de origem e criar mecanismos de resposta mais rápida e eficaz aos pedidos de imigração canalizados pelas vias legais. A fiscalização centra-se na repressão das redes de recrutamento ilegal de mão-de-obra e de tráfico de seres humanos. No plano institucional, será reforçada a figura do Alto Comissário para Imigração e as Minorias Étnicas.

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3. Avaliação de uma Página Web

A página da internet que escolhi para análise recomendo vivamente a quem quiser procurar/saber

algo relacionado com as migrações. Digo isto porque, aquando da elaboração do estado das artes, e dado o teor geral do mesmo, o site proporcionou-me uma certa orientação, pelo facto de fornecer variadíssimas ligações de interesse, relacionadas com iniciativas, estudos, projectos, livros, notícias, programas – tudo relacionado com a imigração e minorias étnicas. Chamo especial atenção para a ligação ao Observatório da Imigração (OI, s.d.), parte integrante do site da acime, que é, no fundo, uma extensão e aprofundamento, em termos científicos, do que é tratado na “página-mãe”, ou seja, http://www.acime.gov.pt/ . O sítio foi acedido no dia 5 de Janeiro de 2006. Na verdade, voltando à avaliação do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, este sitio da Web chamou-me a atenção pelo facto de, na pluralidade das pesquisas no Google, com diversos termos ou palavras-chaves (como imigração, racismo, entre outros), o ACIME ter estado na maioria das vezes entre os primeiros resultados fornecidos pelo motor de pesquisa. Ainda, esta página não foi, como é claro, a única que me foi relevante no decorrer do trabalho, mas terá sido a que me pareceu mais fiável e segura em termos de informação. Isto porque cumpriu certos requisitos, que enuncio a seguir, que considero importante ter em conta. Deste modo, começo por referir, novamente, o destaque que o sítio obteve nas procuras efectuadas que é sinal, penso, que o mesmo obtém várias visitas. Em segundo lugar, é um site institucional, o

que se percebe de imediato pela observação da página principal, através da leitura da introdução do

O Alto-comissário Rui Marques; julgo também ser sugestivo o facto de o domínio ser “gov.pt”,

indicando que se trata de uma instituição governamental. Ainda, a página está devidamente identificada e contactável, para além de propor uma interacção com o utilizador, pelo que convida ao registo do mesmo em “registe-se”. Por fim, os “eventos” mantêm-se actualizados, bem como a página em si. Resta-me dizer que é um sítio acessível, de fácil navegação, bem organizado (“mapa do site”) e não deixa de ser também uma “porta de saída” para outras ligações igualmente fiáveis que estendem o estudo da imigração em todas as suas vertentes.

A página avaliada está incluída neste trabalho, no Anexo I.

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4. Ficha de leitura

Titulo da publicação: A imigração em Portugal : Os movimentos humanos e culturais em Portugal

Autores: Equipa do SOS Racismo

Local onde se encontra: Biblioteca da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

Data da publicação: Novembro de 2002

Local de Edição: Lisboa

Editora: SOS Racismo

Titulo dos capitulos:

Circulação: fluxos e refluxos;

Asilo e imigração económica ou a fronteira indefinida

Nº de páginas: 60-80

Assunto: Imigração e Racismo

Cota: 314 IMI

Palavras-chave: Imigração; Racismo; Minorias Étnicas

Área Cientifica: Sociologia

Data da leitura: 10 de Janeiro

Pontos Fortes: Apresenta diverso material dentro do tema da imigração, não se limitando somente ao racismo, trata-se, por isso, de um bom ponto de partida para uma pesquisa mais aprofundada ou para ficar com algumas ideias e conceitos, bem como do panorama actual da imigração.

Pontos fracos: Trata-se de um livro concebido no âmbito do combate ao racismo, e portanto, apesar de um conteúdo sério, não está cientificamente elaborado. Quero com isto dizer que não é objectivo ou isento, antes serve a causa dos autores – o combate ao racismo – a não consciência disso, ao ler o documento, deixa o leitor/consultor com uma visão subjectiva do assunto.

Observações: A leitura que fiz do livro permitiu-me perceber alguns conceitos e, dado que aborda temas variadíssimos dentro da imigração, facilitou a organização e escolha de assuntos de partida para o trabalho. Ajudou-me a reaprender a importância do debate deste assunto na actualidade.

Nota sobre o autor: O SOS RACISMO foi criado em 10 de Dezembro de 1990. A sua criação partiu da iniciativa de um grupo de pessoas que, assim, se propôs lutar contra o Racismo e a Xenofobia em Portugal, contribuindo para a formação de uma sociedade em que todos tenham os mesmos direitos.

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O SOS RACISMO constitui uma associação sem fins lucrativos, tendo-lhe sido atribuído o estatuto

de utilidade pública em 1996. Desde a data da sua criação, o SOS RACISMO tem vindo a

desenvolver actividades diversificadas, que abrangem cada vez mais áreas de intervenção, de forma

a tornar possível uma acção conjunta nos vários sectores da sociedade portuguesa.

Há igualmente um esforço no sentido de colaborar com outras associações anti racistas e de imigrantes a nível nacional. O SOS RACISMO desenvolve, igualmente, actividades e acções em conjunto com outras associações de países europeus, estando actualmente activamente envolvido na criação de uma rede anti racista europeia, em conjunto com vários países da Europa. A associação tem vindo a crescer e, apesar de a maioria do trabalho realizado seja efectuado por voluntários, dispõe já, de um número significativo de núcleos espalhados por diversos pontos do país.

Resumo/Argumento:

A primeira parte deste resumo corresponde ao capítulo “circulação: fluxos e refluxos”.

Deste modo, começamos por perceber que as migrações constituem uma das tradições mais antigas da humanidade, facto que, em conjunto com a importância que as mesmas adquirem hoje – as migrações à escala global – constituem um objecto de estudo relevante para as ciências sociais. Na verdade, a busca de melhores condições é a causa dominante, quando se fala em migração, e, portanto, tal fenómeno não resulta apenas da decisão individual de cada um, mas também das disparidades, à escala mundial, bem evidentes na actualidade. Essas diferenças resultam de uma conjugação de interesses económicos dos países desenvolvidos, de uma economia globalizada e de uma divisão internacional do trabalho que só serve esses mesmos países. A necessidade de movimentação Sul-Norte, será, por isso, legitima e não deveria ser impedida por razão alguma. No entanto, dando o exemplo da União Europeia, as políticas de controlo da imigração, que se foram consolidando, de Schengen (1985) ao tratado de Amesterdão (1997), favorecem a “banalização da lógica repressiva e de suspeição, favorecendo comportamentos conservadores e fascizantes de diferentes sectores da população”, em conjunto com as “novas formas de dominação”, que permitem o controlo das fronteiras para além da UE, numa lógica imperialista e desrespeitadora dos direitos humanos fundamentais. Numa segunda parte, em “Asilo e imigração económica ou a fronteira indefinida”, portanto, os autores reiteram e reforçam as ideias do capítulo anterior. Assim, reafirmam que a decisão da migração é sempre condicionada pela conjuntura social, política e económica característica de determinado país de origem; relembra que Portugal foi também um país de emigração, em massa, ao longo do séc. XX; indica alguns direitos humanos que estão a ser desrespeitados, como é o caso do direito da escolha do local de residência. Ainda, enuncia os benefícios que ganham os países de acolhimento com a imigração, nomeadamente a existência de mão-de-obra para trabalhos menos qualificados, mas também a possibilidade de assegurar a população jovem, até certo ponto, em países que estão a envelhecer, como é o caso dos países desenvolvidos. Em último lugar, os autores afirmam a impossibilidade de estabelecer uma delimitação entre motivos de imigração puramente

económicos, ou de outro cariz, isto é, o indivíduo migra devido a uma rede de factores interligados

e

indissociáveis.

O

capítulo termina, por fim, com a mensagem de que é preciso uma tomada de consciência

relativamente ao assunto e, do mesmo modo, é preciso derrubar o levianismo com que os governos encaram a situação.

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5.Conclusão

Para finalizar esta pesquisa resta-me tirar as minhas ilações e expô-las; como pequeno aparte, tenho de confessar que realizar este documento não foi de tão fácil elaboração como julguei que seria - o que, por si só, já constitui uma conclusão.

Na verdade, e como penso já ter dito algures neste trabalho, os sites que consultei e as leituras que tive em conta levaram-me a reaprender o mecanismo das migrações e a sua importância, crescente, na actualidade. De facto, parece-me que muito deve ser feito no respeitante aos meios e modelos de integração, de forma a evitar/combater a discriminação racial, a segregação e a xenofobia, até porque os imigrantes trazem consigo uma enorme potencialidade, a vários níveis, que está a ser subaproveitada por não haver oportunidades. Não creio, no entanto, que chegue o apelo ao anti- racismo, é preciso debater o tema, explicá-lo às pessoas, é uma proposta talvez algo prosaica mas, na minha opinião, o assunto tem de deixar de estar confinado aos meios escolar e académico, o conhecimento científico visa tornar-se senso comum, numa palavra: é necessário “esclarecer as mentes”. Ainda, será preciso reconhecer um lado positivo nos países imigrantes, para o qual os

média deviam ajudar

pertinentes, nomeadamente, a da globalização que está, sem dúvida, a promover o crescimento económico mas poderá estar, porventura, a esquecer o fim último que é o desenvolvimento. Creio

ser aí que entram as ciências sociais.

Penso que, por isso, o assunto levanta questões que não deixam de ser

Por fim, apesar das dificuldades que o trabalho encerrou, proporcionou-me uma nova visão sobre o assunto, bem como me permitiu adquirir, verdadeiramente, as competências leccionadas na disciplina que, estou certo, me serviram em futuros trabalhos no decorrer do curso de Sociologia.

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Referências Bibliográficas

Baganha, Maria Ioannis (2001), “A cada Sul o seu Norte: Dinâmicas migratórias em Portugal” in Boaventura de Sousa Santos (org.), Globalização – Fatalidade ou Utopia? Porto: Edições Afrontamento.

Bandeira, Mário Leston (2004), “Migrações” in Demografia: Objecto, teorias e métodos. Lisboa: Escolar Editora

Castles, Stephen (2000), Ethnicity and Globalization. London: SAGE Publications, 79-95.

Pires, Rui Pedro Pena (2003), Migrações e integração: teoria e aplicações á sociedade portuguesa. Oeiras: Celta Editora.

SOS Racismo (2002), A imigração em Portugal: Os movimentos humanos e culturais em Portugal. Lisboa: SOS Racismo.

Taran, Patrick A. (2002), “Migration and labour solidarity”. Labour Education Online, Number 129, 26-34.

Páginas consultadas na internet

Ba, Mamadou e Brito, Miguel (s.d.), “A Imigração em Portugal”. Página consultada a 10 de Janeiro de 2006, disponível em http://www.sosracismo.pt/ livroimigracao.htm

Portal do Governo (2005), “Programa do XVII Governo Constitucional”. Página consultada a 18 de Dezembro de 2005, disponível em

http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Programa

/programa_p013.htm

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ACIME - Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (2005), “Relatório europeu sobre discriminação revela segregação de minorias em Portugal”. Página consultada a 27 de Dezembro de 2005, disponível em http://www.acime.gov.pt

OI (s.d.), “Observatório da Imigração”. Página consultada a 27 de Dezembro de 2005, disponível em http://www.oi.acime.gov.pt

O Gin Tónico, “UE e imigração”. Página consultada a 5 de Janeiro de 2006, disponível em

http://ogintonico.weblog.com.pt/arquivo/2004/11/ue_e_imigracao.html

The Republic (2002), “Illustration - Paul Best”. Imagem da capa do trabalho. Página consultada a 20 de Janeiro de 2006, disponível em http://republic-news.org/archive/34-

repub/34-images/34-illegal-immigrant-b.gif

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Anexo I

Avaliação: Página do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas

Anexo II

Texto de suporte da ficha de leitura: “Circulação: fluxos e refluxos” e “Asilo e Imigração económica ou a fronteira indefinida”, capítulos da obra A imigração em Portugal: movimentos humanos e culturais em Portugal, da equipa SOS Racismo.