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As implicações psicológicas e musicais da iniciação à leitura ao piano

Liliana Pereira Botelho Universidade do Estado de Minas Gerais – Uemg/ Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG/ Allegretto Centro de Musicalização Infantil Núcleo Villa-Lobos de Educação Musical, Belo Horizonte, MG

botel68@uol.com.br

Resumo: Este trabalho apresenta um estudo da leitura musical ao piano sob duas abordagens diferentes e complementares: a leitura como uma habilidade e a leitura como conhecimento musical. As Teorias da

Gestalt e do Construtivismo são utilizadas para entender a leitura como uma habilidade específica, complexa

e integrada em seus aspectos visuais, auditivos e psicomotores, os quais, relacionados às atividades de performance musical. O Modelo C(L)A(S)P de SWANWICK (1979) é utilizado para focalizar a leitura como

conhecimento musical cognitivo, resultado de uma compreensão progressiva da sintaxe do discurso musical. As duas abordagens da leitura musical são também utilizadas para analisar uma proposta de ensino de piano,

o livro Piano Brincando – Atividades de apoio ao professor – vol. I (FONSECA e SANTIAGO, 1993). O

trabalho também descreve como as atividades do livro possibilitam a integração da habilidade com o conhecimento musical, como performance expressiva e proficiente.

Falar em leitura musical pode parecer um tanto contraditório num momento em que os

caminhos levam a uma visão mais abrangente do fazer musical, na qual, a experiência com

a música se dá através das modalidades de composição, apreciação e performance. Essas

modalidades, cada qual com suas particularidades e contribuições, além de proporcionarem

uma experiência musical mais holística e consistente, se mostram como “janelas”, através

das quais, o desenvolvimento da compreensão musical pode ser investigado (FRANÇA,

2000, p.58). Essa visão, estruturada através do modelo C(L)A(S)P de SWANWICK

(1979), ainda traz questionamentos quanto à ênfase dada a determinadas atividades, como

por exemplo, o treinamento e assimilação de elementos da técnica pianista, a leitura

musical, entre outros, tornando a experiência musical fragmentada.

A fragmentação do fazer musical é uma tendência ainda detectada no ensino instrumental.

No caso do ensino do piano, isto pode ser demonstrado por algumas propostas, nas quais, o

primeiro contato com a música se dá através da leitura, abordada como uma mera

decodificação de símbolos, tornando-se assim, uma prática árida e sem significado musical.

A experiência musical baseada na exploração do instrumento, na improvisação, no tocar de

ouvido ou por imitação é negligenciada em prol da prática da leitura, onde o mais relevante

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é a aquisição de conceitos, a alfabetização musical. Felizmente, essas propostas vêm perdendo terreno à medida que o ensino de piano se volta para essa visão mais abrangente, na qual a leitura é inserida no fazer musical como parte do processo de desenvolvimento musical e não como indicativo do mesmo, como demonstra este trabalho.

Neste trabalho, a leitura foi abordada a partir da teoria da Gestalt e do Construtivismo. Estas, através de suas leis e conceitos, possibilitam a demonstração dos mecanismos utilizados pelo indivíduo na leitura ao piano. Ou seja, como ele percebe, identifica, reconhece e modifica estruturas para “construir” a sua habilidade de ler, e conseqüentemente, o seu conhecimento musical. Ao integrarmos as duas teorias no contexto da leitura, observamos que estas possuem termos análogos. Por exemplo, uma escala ascendente tocada no piano é definida como um esquema auditivo (Construtivismo) ou simplesmente, uma gestalt.

Por envolver aspectos psicológicos como os esquemas visuais, auditivos e motores, a leitura ao piano se mostra uma atividade complexa, prescindindo assim, de uma abordagem sistemática. Essa abordagem visa inserir a leitura no fazer musical, o qual envolve a vivência dos elementos da música, como também, a sistematização da mesma. Essa vivência é demonstrada no ensino de piano através da improvisação, do tocar de ouvido ou por imitação, as quais permitem trabalhar os esquemas envolvidos na leitura, facilitando a assimilação de conceitos vivenciados nessa etapa. O conhecimento desses aspectos envolvidos na aquisição da leitura possibilita a busca de recursos para promover o desenvolvimento da mesma.

Somente uma abordagem sistemática da leitura não possibilita o seu desenvolvimento, pois ela envolve um aspecto ainda mais relevante que é o discurso musical. Em relação à experiência musical, a leitura é sempre vista como uma prática árida e pouco prazerosa para os alunos. Isso pode acontecer devido à sua complexidade, gerada pelos aspectos que ela envolve, como reconhecer esquemas auditivos e visuais, como também, a habilidade técnica necessária para uma performance fluente.E esta é a principal questão deste trabalho:

possibilitar uma prática de leitura musicalmente consistente e expressiva, cuidando para

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que os aspectos acima citados sejam levados em consideração. Isto pode ser possível através de uma abordagem integrada das modalidades do fazer musical (fator relevante na aquisição de esquemas necessários à leitura), como também da escolha de um repertório tecnicamente e musicalmente acessível ao aluno, proporcionando assim, uma experiência expressiva e prazerosa.

As questões acima citadas são contempladas na análise do livro Piano Brincando – atividades de apoio ao professor – vol. I (FONSECA e SANTIAGO, 1993). Quanto à abordagem psicológica, o livro demonstrou uma alternância entre as propostas, sendo que a

etapa de vivência (grafia livre, coordenação motora, ritmo, contato com o instrumento) tem uma ênfase no Construtivismo e a etapa de sistematização (ordenação de notas, leitura relativa e absoluta), enfatiza a Gestalt. As atividades de vivência, com exceção das do Capítulo I, já abordam as questões envolvidas na leitura como a simultaneidade e sucessão

na partitura, a associação gráfica e motora do movimento sonoro, de uma maneira concreta.

Quanto à abordagem pelo modelo C(L)A(S)P, o livro demonstra uma abrangência da experiência musical, passando por todas as modalidades, com ênfase na modalidade de habilidades técnicas – (S). Apesar dessa predominância, o aluno tem a oportunidade de vivenciar a música de maneira criativa e expressiva, como acontece na atividade “Criando climas”.

A proposta do livro demonstra a relevância de uma fundamentação teórica na abordagem

dos conteúdos, para que os mesmos sejam experimentados de forma condizente com o processo de desenvolvimento do indivíduo. Ou seja, que ele possa vivenciar e sistematizar esse conhecimento. Observamos também que há uma preocupação com o caminho percorrido até sistematização, onde são valorizados a criatividade, a expressão e o aspecto lúdico da experiência com a música.

Esse trabalho ressalta a importância de se oferecer uma experiência integrada e musicalmente rica para que o aluno chegue à leitura absoluta. Após vivenciar a música de uma forma expressiva e consistente, ele será capaz de alcançar um nível de interpretação na

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leitura, tornando-a uma atividade expressiva. Assim, ele compreenderá o papel desta em

relação ao discurso musical.

BIBLIOGRAFIA:

BOTELHO, Liliana P. As implicações psicológicas e musicais da iniciação à leitura ao piano. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2002. Dissertação de Mestrado.

CAMPOS, Dinah M. S. Psicologia da aprendizagem. 25.ed.Petrópolis: Editora Vozes,

1997.

CAMPOS, Moema C. O piano: instrumento de livre expressão. Rio de Janeiro:

Conservatório Brasileiro de Música, 1989. Dissertação de Mestrado.

FONSECA, Maria Betânia P; SANTIAGO, Patrícia F. Piano Brincando: atividades de apoio ao professor. Vol.I. Livro do aluno,1993.

professor. Vol.I, 1993.

Piano

Brincando

livro

do

Piano Brincando: história de um livro. In:MusicaHoje, Belo Horizonte, n.2, p.97-100, 1994.

FRANÇA, Maria Cecília C. Composição, performance e audição na educação musical. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais,1995. Monografia.

Composing, performing and audience-listening as symetrical indicators of musical understanding. University of London Institute of Education, 1998. Tese de Doutorado, PhD.

Performance instrumental e educação musical: a relação entre a compreensão musical e a técnica. In: PerMusi, Belo Horizonte, v.1, p. 52- 62, 2000.

MATUI, Jiron. Construtivismo: teoria construtivista sócio-histórica aplicada ao ensino. São Paulo: Editora Moderna, 1995.