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O consultor Carlos

Ferreirinha fala sobre


mercado de luxo, consumo
consciente e como os dois
assuntos são tratados no
momento
edição 62 setembro 2009

veja mais!
• Painel Educação: Tecnologia em prol da educação • vitrine: Você compra demais? especial Roteiro Decoração
Carta ao leitor

Forças da natureza
ano 9 • edição 62 • setembro 2009

M e identifico muito com todas aquelas matérias que exaltam o espírito


de empreendedorismo do povo brasileiro. Como brasileira ‘da gema’, me
lancei nesse campo há exatos 18 anos. Ainda cursava a faculdade e abri um estúdio
DIRETORIA:
Denise Gonçalves e
Vania Ferreira

de comunicação junto com três colegas. Foram quase quatro anos nessa empresa,
que deixei para me tornar sócia de uma editora, na qual fiquei por mais seis anos PUBLISHER
Denise Gonçalves • denise@dolcemorumbi.com
até sair e montar a operação que tenho até hoje em parceria com a Vania. PRODUÇÃO E ARTE
DIREtora
Nesta empresa tivemos a oportunidade de ver a revista Dolce se enraizar
Vania Ferreira • vania@dolcemorumbi.com
cada vez mais no Morumbi. A pequena planta foi sendo cultivada e crescendo REDAÇÃO Fádua Capellari • editorial@dolcemorumbi.com
Roseli Gonçalves • roseli@dolcemorumbi.com
sob os cuidados nossos e de algumas pessoas que fizeram toda a diferença ARTE Charles Camargo • charles@dolcemorumbi.com
ASS. DE ARTE e fotografia Milena Coelho • milena@dolcemorumbi.com
naqueles primeiros passos da Dolce. Luciano Simão foi uma dessas pessoas. FOTO CAPA Divulgação
Acompanhando, tanto esses primeiros passos quanto os primeiros tombos, JORNALISTA RESPONSÁVEL Jorge Fernando Jordão / Mtb 25.370

esteve também Walter Coscia, que imprimiu todo o seu conhecimento COMERCIAL
DIRETORA
estratégico e de gestão em pelo menos metade das edições da revista. Foi nessa Ana Paula Freitas • anapaula@dolcemorumbi.com
ASSISTENTE
primeira etapa de vida que ela semeou e viu nascer sua personalidade de veículo
Alice Cristina Gonçalves • comercial@dolcemorumbi.com
de comunicação comprometido com o bairro. REPRESENTANTES COMERCIAIS Andrea Mendes e Lilian Videira

Um dos maiores símbolos do nosso compromisso é a realização do Prêmio Dolce administrativo


ASSISTENTE administrativo
Vita Amigo do Morumbi, que neste ano terá sua sexta edição. Sim, teremos
Renata Nakazawa • administracao@dolcemorumbi.com
prêmio novamente, apesar de toda a turbulência econômica que secou a fonte ASSESSORIA JURÍDICA João de Paulo Neto • jpn.adv@aasp.org.br
TRÁFEGO e CIRCULAÇÃO
dos patrocínios. Em conjunto com o comitê organizador, optamos por adequar Sergio Falsetta • sergio@dolcemorumbi.com e Ronaldo Ferreira
o formato do evento ao momento do mundo, sem nunca esquecer que a alma COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: Claudia Castellan, Floriano Serra, JAF, Lívio
do prêmio é reconhecer e dar visibilidade a quem promove a diminuição da Giosa, Marcelo Negrão, Paulo Roberto Amaral, Renata Agostine,
Renato Corrêa, Rosa Richter e Roseli Gonçalves (revisão)
desigualdade social em nossa região. Tiragem 15 mil exemplares – IMPRESSÃO CLY
DISTRIBUIÇÃO Gratuita • via courier para mailing VIP
Da árvore Dolce nasceram também outros frutos, como a nossa Confraria
feminina, que acabou de realizar seu 30º encontro definindo sua Missão, sua Visão Revista DOLCE Morumbi é uma publicação da
Página 8 Editora Ltda.-ME. A editora não se responsabiliza pelas opiniões
e, ao invés de Valores, os Mandamentos que norteiam esse grupo tão maravilhoso. emitidas nos artigos assinados. Ninguém pode retirar produtos nem
quaisquer outros materiais em nome desta publicação sem autorização
Nosso menino dos olhos completa 6 anos, nossa caçula já sabe muito bem o que expressa, por escrito, em papel timbrado, da diretoria da editora.
quer. Passados o outono e o inverno, chegou a hora de criarmos mais galhos para
CARTAS PARA A REDAÇÃO
nossa árvore, renovando o ciclo da nossa dolce vida aqui no Morumbi, com uma Av. Dr. Guilherme D. Villares, 2309 B - 05640-004 – SP
atendimento@dolcemorumbi.com
linda primavera e suas novas flores a caminho... Tel.: (11) 3464-6600 - Fax: (11) 3464-6612

DOLCE apoia:

Boa leitura, e aguardem as novidades!

reciclamorumbi.com.br escoladopovo.org
Denise Gonçalves denise@dolcemorumbi.com

4 Morumbi setembro 2009


foto: divulgação

foto: Rubens Chiri

foto: divulgação
30

42 44

edição 62 • SETEMBRO 2009

CAPA
08 n 60 Cidadania • por Rosa Richter
A cara do Luxo no Brasil Quero qualidade de vida, e você?
Especiais
n
Site rosarichter.com.br, uma ferramenta
criada para o Morumbi
16 Roteiro Decoração 62 CORPORATIVO • por Lívio Giosa
22 Mercado imobiliário de luxo Falar a verdade vale a pena

54 Educação e tecnologia 64 pensata • por Paulo Amaral


O que tem do outro lado da ponte?
66 Vitrine Eu compro, 74 final feliz • por Floriano Serra
tu compras, ela compra As quatro estações do amor

Colunas Seções
32 egotrip Uma Paris Especial 30 Achados
Sustentável
36 moda • por Claudia Castellan
O luxo de poder “ser” 38 Bem-casado
40 ESPORTE • por Marcelo Negrão Costela Rotulata
Agridoce & Vinho
Práticas esportivas com aventura,
adrenalina e emoção 44 em foco
42 TEST DRIVE • por Renato Corrêa
Mini Cooper S

6 Morumbi setembro 2009


capa
por Fádua
Fran Oliveira
Capellari• • fotos Jaf e divulgação

A Cara do luxo no Brasil


urante os dias 9, 10 e 11 de setembro, acontece a 2ª Edição da Conferência Internacional do Ne-
gócio de Luxo, o ATUALUXO 2009. O evento será realizado em São Paulo, no Hotel Grand Hyatt, e
tem o objetivo de aperfeiçoar as práticas de gestão do mercado de Luxo, que movimenta cerca
de 170 bilhões de euros no mundo.
Atividade totalmente pautada na transformação do ordinário em extraordinário – e do nor-
mal para o especial – o mercado de luxo oferece produtos e serviços que alcançam um patamar
de profunda excepcionalidade. É a gestão que transforma o produto em diálogo emocional.
Luxo é a atividade do acesso ao raro, ao exclusivo, ao único. Sinônimo de brilho, poder e status,
o mercado de luxo existe desde a Antiguidade e foi criado para mostrar a diferença entre povos.
Segundo Carlos Ferreirinha, da MCF Consultoria e Conhecimento, a importância da marca e
o poder que ela exerce no consumidor é muito grande. Ele explica que sem elas não saberíamos
escolher. “Na atividade do luxo, a relação com a marca é extraordinariamente forte. Quando nós
temos a decisão pelo produto que queremos consumir, o que nos faz levar é a marca, não a ne-
cessidade. Porque o indivíduo está consu-
“A palavra Luxo vem do latim Luxu e significa Luz. O que eu digo mindo símbolos e histórias, não o produto.
sempre nos meus cursos é ‘não temam de trazer à luz aquilo que Essa relação com a marca cresce 100 vezes,
você fez de diferencial, de detalhe, de singular, de único, porque potencializada ”.
No Brasil, ainda em crescimento em-
esse é o radical mais importante do luxo’. Luz, iluminar. Jogue o brionário, mas contínuo, muitas vezes os
foco onde você pode surpreender o outro.” Carlos Ferreirinha preços chegam a ser até dez vezes maiores,
se comparados aos do exterior. “O Brasil tem
um custo que onera muito mais a própria atividade. São taxas em todos os sentidos, seja do
produto feito nacionalmente ou internacionalmente, e ambos têm incidência de custos e tri-
butos, o que faz elevar nossos valores a um patamar impressionante”. Mesmo assim, o mercado
de luxo faz com que o Brasil apresente bons números dentro do crescimento mundial e coloca
a cidade de São Paulo como maior consumidora, responsável por mais de 65% do faturamento
Vincenzo Vessicchio no segmento em todo o país. “São Paulo manterá esse ritmo, da mesma forma que Nova York,
chegou ao Brasil com nos EUA, Milão, na Itália, ou Paris, na França. São Paulo, definitivamente, é a capital do consumo
a cara e a coragem de luxo no Brasil”, diz Ferreirinha.
Mesmo sendo produtos com valores elevados, o consultor explica que quem movimenta o
mercado de luxo é a classe média aspiracional. “As pes­soas acreditam em uma verdade coloca-

8 Morumbi SETEMBRO 2009


da na cabeça delas, que quem con-
some produtos e serviços de luxo
é apenas o topo da pirâmide. Mas
qualquer um que tenha vontade, e
se permita, desenvolver um consu-
mo emocional pode ser um consu-
midor do luxo”. Para ele, é importante
acreditar que o produto comprado
não é caro, e sim o valor justo para
se acessar algo especial. “Nós temos
uma opção: não comprar. Podemos
acessar algo que tenha o preço mais
adequado. Mas para as marcas e em-
presas que criam produtos, sonhos
e serviços, que geram nos outros a
vontade de acessar, existe um valor
e muitas vezes é um valor de cons-
trução. A gente só toma a decisão se
tiver uma pré-disposição a se aven-
turar pelo consumo emocional de
desejo e prazer. Mas o que não se
pode esquecer, jamais, como defi-
nição da essência humana, é que
todos nós consumimos o supérfluo
todos os dias, é só parar e pensar”.
Carlos Ferreirinha, diretor
Consumidores e presidente da MCF
responsáveis Consultoria e Conhecimento,
Consumir de forma inteli- um dos maiores especialistas
gente não significa perder a ele- no mercado
gância. Existem bons exemplos e de luxo do Brasil

SETEMBRO 2009
capa

diversos conceitos que estão sendo trabalha- Luxo e consciência


dos como compromisso responsável social. Com o mundo inteiro preocupado com
A atividade do luxo ainda não está completa- questões socioambientais e diversos setores se
mente pautada em um conceito sustentável, mobilizando na realização de ações para ameni-
de responsabilidade social, associada a ações zar ou até reverter efeitos negativos, Ferreirinha
de benfeitoria ou de filantropia. Então, cada diz que as pessoas precisam enxergar as coisas
vez mais que nós, consumidores, exercemos com uma postura mais leve quando se fala em
nosso papel de cobrança, acelerará a trans- mercado de luxo. Para ele, o consumo não pode
formação da atividade do luxo. “A gente sabe estar ligado a culpa. “É uma questão de princí-
que o modelo marxista-socialista não deu pios de escolha. Hoje existem marcas tradicio-
certo. O que temos, não importa se é certo nais que possuem alternativas no seu portfólio.
ou errado, é o capitalista, pautado em cima Um exemplo é a marca Stella McCartney, que
do dinheiro e do consumo. O indivíduo quer é 100% ecorresponsável. Uma das poucas mar-
desejar, consumir. O que muda é a nossa cas 100% sustentável e totalmente de luxo. En-
relação com essa manifestação. Antes, com- tão temos a possibilidade de escolher. O que
právamos por comprar. Hoje, se não formos muda é que não é o dinheiro que está em jogo,
estimulados pela emoção, não compramos”, e sim sua consciência de consumo.”
assegura Ferreirinha. Independente da classe social, em tempos
obre a crise financeira que o mun- de diminuição de recursos naturais e aquecimen-
do enfrentou nos últimos meses, to global, mesmo não deixando de fazer suas
ele alega que o fato foi o início de uma compras e viagens, muitas pessoas mudaram sua
nova rea­lidade para o consumidor. “Até rotina e adotaram medidas para ajudar a diminuir
o ano passado o dinheiro tinha perdido o os danos causados ao meio ambiente. Ferreirinha,
valor, e a relação com ele estava fácil. A partir que também colabora com essas ações, conta
deste ano, esse valor foi recuperado, mas hoje, um pouco do trabalho que sua empresa desen-
o indivíduo está mais disposto com aquilo que volve. “A MCF tem um trabalho iniciado com o
fala com ele de uma forma mais verdadeira. As ATUALUXO, onde neutralizamos 100% a con-
histórias, daqui pra frente, terão que ser mais re­­ ferência. Como são muitas pessoas envolvidas
ais. Aqueles que não tiverem alguma coisa para e atividades emitidas, nós temos uma parceria
contar de forma real vão cair”. com a Metacorp, do grupo Espírito Santo, um dos
Ainda visto como prática distante, ele afir- maiores do mundo, e eles trabalham a área de re-
ma que quem faz a mudança é o consumidor e plantio de árvores no Brasil. Então fazemos nossa
que o excesso será trazido para uma coisa mais parte dessa maneira, plantando árvores. Todas as
real. “Todas essas acelerações serão revistas. Tal- pessoas que participaram da conferência 2008
vez seja algo que a atividade do luxo tenha que já receberam a primeira foto das árvores planta-
olhar com mais cuidado, atenção, preocupação das no ano passado, mostrando a evolução. Mas
e prioridade. Conseguir elevar o tema a esse pa- ainda há uma insatisfação muito grande. Temos
drão de reflexão será uma prática importante”. vontade de fazer mais”, finaliza. g

Com espaço cada vez mais garantido em diversas lojas do país, empresários estão investindo em roupas e calçados produzidos com material
reciclado. São marcas conhecidas que optaram por produzir peças com fibras ou tintas naturais, e usam tecidos sem produtos químicos.
Algumas marcas conhecidas: Morena Rosa, que criou o Instituto Morena Rosa de Responsabilidade Socioambiental, Cultural e Desenvolvi-
mento Humano, uma organização não-governamental e sem fins lucrativos que tem como principal objetivo promover o desenvolvimento
humano por meio de ações, projetos de responsabilidade social e proteção ambiental; a Mizuno, que tem uma coleção de t-shirts feitas de
algodão e garrafas PET; e a marca Rainha, que traz camisetas masculinas e femininas produzidas com algodão orgânico, cultivado de forma
menos danosa ao solo que o do algodão convencional, além de não utilizar agrotóxicos nem adubos químicos. Outras marcas famosas que
investem em responsabilidade social são: M. Officer, Carmim, Ellus, Fórum, Levi’s, Osklen, a internacional Giorgio Armani, entre outras.

10 Morumbi SETEMBRO 2009


novas perspectivas
Pessoas com alto poder aquisitivo, que viajam sempre, moram em uma boa casa, possuem carros
confortáveis ou estão à frente de uma grande empresa, mas que também se preocupam com
questões socioambientais e com tudo o que acontece no planeta. Doam tempo, dinheiro e trabalham
incentivando diversos projetos. Dolce buscou pessoas que assumem os “zeros a mais” na conta, mas que
também fazem do dinheiro e do consumo um ato de cidadania.

Quando o assunto é ajudar, eu sempre me inte-


resso. A questão do espiritismo contribuiu muito
na minha vida. Ajudo pessoas desde os meus 18
anos e já passei por muitas situações curiosas,
mas existe uma história recente, que me marcou muito.
Eu estava saindo de um shopping quando recebi uma men-
sagem no celular, dizendo: ‘Me liga porque a dona da casa
quer me pôr pra fora, faltam R$ 100 do aluguel, e eu não
tenho como conseguir esse dinheiro’. Quando olhei a men-
sagem, não reconheci o número, nem o conteúdo. Em segui-
da, outra: ‘Me liga urgente, preciso de ajuda’. E eu pensei:
‘Meu Deus, essa pessoa está desesperada e, além de tudo,
mandando mensagem pra pessoa errada’. Então eu olhei o
número e liguei. Quando ela atendeu me chamou de Kátia,
e eu disse: ‘Não, desculpa, você mandou mensagem para a
pessoa errada’. Nesse momento, eu senti que essa pessoa
estava realmente precisando. Mesmo sem me conhecer, ela
explicou o que estava acontecendo e eu me dispus a ajudar.
Marcamos um local, ela chegou com uma amiga e ficou me
olhando, como se aquilo não estivesse acontecendo. Antes
de entregar o envelope com o dinheiro, ela quis me dar o
telefone de onde trabalhava. Também pediu o número da
minha conta, para me devolver a quantia. E eu disse a ela:
‘Olha, eu não vim aqui em momento nenhum para fazer um
empréstimo. Eu vim aqui te dar o dinheiro e te ajudar.’ Então
ela pegou o envelope, olhou pra mim e disse: ‘Eu posso te dar
um abraço? Você é um anjo!’. E a sensação que eu tive era de
que ela queria me tocar, pra ter certeza de que eu existia. Isso
me marcou e me comoveu demais. A emoção foi maior ainda
porque eu nunca tinha visto essa pessoa na minha vida. Pro-
vavelmente nunca mais verei.
E é isso o que temos que fazer: sentir a dor do outro, sem se
importar se conhecemos ou não. O que importa é que se caiu
na minha mão e eu tenho condições de ajudar, não importa
quem seja, eu vou ajudar. Eu admito que gosto de viajar e
comprar coisas caras. Me dou esse luxo, porque eu trabalho
muito para isso. Mas entre gastar com coisas caras ou aju-
dar alguém, eu não vou ter dúvida. O resto é muito ilusório
e passageiro. Quando ajudamos alguém, nos sentimos iguais, sem a imponência do
dinheiro, a não ser que você tenha isso na alma. E a sensação da ajuda,
de ser ‘anjo’ e de fazer é a coisa mais maravilhosa que existe.

SETEMBRO 2009
capa

Aline Ditta trabalha em empresa do


mercado financeiro, na área de
responsabilidade social, e mora no
Morumbi. Foi responsável pela criação do
projeto social na comunidade do Jardim
Colombo, onde participa como voluntária

Sempre desempenhei funções em


projetos sociais e gostei de pensar
no que eu podia fazer pelos outros,
mesmo não ganhando dinheiro nenhum com isso.
Hoje eu trabalho em uma empresa do mercado
financeiro e estou ligada com responsabilidade so-
cial e projetos socioambientais, tanto quanto pes-
soa física como profissional. Desenvolvo atividades
e sou responsável por um programa de voluntaria-
do grande, em uma comunidade carente no Jardim
Colombo, aqui no Morumbi. Tenho muita afinidade
com o lado social, gosto de lidar com as pessoas e
ver a mudança delas. Um dia, conversando com
uma senhora dessa comunidade, descobri que ela
era um ano mais nova que eu, mas estava com a
aparência de uma pessoa muito mais velha. Ela
não tinha sonho nenhum e eu achei isso muito tris-
te. Por esses motivos, faço a minha parte.
Na questão ambiental, me incomoda muito ver lixo e desperdício; então faço o que posso, entre coleta seletiva, consumo cons-
ciente e aproveitar as coisas. Minhas filhas e meu pai também estão bem envolvidos. Meu pai, desde 1997, em Belo Horizonte,
e minhas filhas desde crianças. Na época em que morei no Sul, elas tinham 4 anos e foram limpar um parque comigo, juntaram
todo o lixo e acharam bárbaro. Poucos dias depois, estávamos no aeroporto, indo para BH, e elas começaram a pegar todos os
papéis do chão e falavam ‘mãe, quanto lixo, a gente precisa pegar!’.
Quando nos envolvemos com esse tipo de trabalho, ficamos mais conscientes, mais atentos e menos egoístas. Nos ligamos no
que está em volta e vemos as coisas com outros olhos. É muito fácil passar e falar que no Morumbi tem favelas e que isso é feio.
Mas o olhar pode ser de outro jeito, porque nesses lugares existem pessoas que precisam de ajuda e que têm potencial, podem
fazer alguma coisa. Eu acho bacana ter o carro do ano, mas pra mim é suficiente ter um carro pequeno que me leva e me traz. O
trabalho voluntário é um direcionador. Às vezes ficamos chateados porque nem sempre as coisas andam do jeito que queremos.
Pensamos que podemos chegar e mudar o mundo, e não é assim, a gente não muda de um dia pro outro. Continua ten-
do lixo na garagem do meu prédio de vez em quando, mas tudo bem, eu abaixo e pego. Um dia as coisas vão melhorar.

12 Morumbi SETEMBRO 2009


capa

Há três anos assisti uma palestra sobre aquecimento global que me


marcou muito. Eram muitos números e dados assustadores, sobre tudo
o que estava acontecendo no nosso planeta. Foi nesse momento que pensei ‘preciso fazer
alguma coisa’.
O meu primeiro dia de trabalho mexendo com isso foi engraçado, porque eu não sabia
o que fazer, nem como ajudar; mas estava muito interessado em procurar alguém que
soubesse e, assim, dar minha contribuição. Foi dessa forma que eu consegui fazer a

Erik Cavalheri é morador do minha parte. A gente não nasce sabendo e não existe escola pra isso. Sempre gostei de
Morumbi e franqueado de ajudar e me envolvi com isso há mais ou menos dez anos, de uma forma mais informal.
lojas O Boticário. Apoiou Depois dessa palestra, eu me voltei ainda mais para a questão da natureza. Não adianta
uma iniciativa da Afras – cuidar só do lado social, porque, se continuarmos nesse ritmo, o aquecimento e o consumo
Associação das Franquias feito de maneira errada vão tomar conta de tudo. Tenho pessoas que trabalham comigo
Solidárias, financiando o e acabaram se envolvendo. Isso foi muito gratificante, porque eu senti que todas as
projeto para o plantio de pessoas têm essa tendência e eu fiquei admirado pelo interesse que demonstraram. São
300 árvores nativas no algumas horas semanais de que dispomos para colaborar com ações, como gincanas para
Xingu. Participa do Projeto arrecadação de alimentos, que levamos para pessoas mais necessitadas ou asilos, muitas
Recicla Morumbi, da vezes esquecidos. Também trabalhamos muito no Recicla Morumbi, que é um projeto
Fundação O Boticário de do qual eu me sinto um pouco padrinho, além da Fundação O Boticário de Proteção à
Proteção à Natureza, além Natureza, que eu ajudo há muitos anos, e alguns outros projetos aleatórios, de colegas
de colaborar com várias que acabam solicitando a nossa ajuda. Eu me sinto um multiplicador desse processo,
outras entidades preciso mostrar a importância disso para outras pessoas.
assistenciais. Nesse caminho que percorri até aqui, percebi que muitas outras pessoas querem fazer o
mesmo que eu, mas também não sabem como. Elas me perguntam ‘como é que se faz?’
e eu digo ‘eu não sei, mas tem muita coisa a ser feita’. Quando olho para o meu passado,
vejo como eu era inconsciente no lado social e ambiental. Cada dia que
passa eu sinto mais necessidade ainda de mudar as coisas.

14 Morumbi SETEMBRO 2009


roteiro decoração

dolce roteiro

Um papel de parede aqui, portas novas nos


armários, um tecido novo no sofá do home
teather... Essas coisinhas sempre deixam a casa
com jeito de nova e renovam as energias. O
Roteiro Decoração deste mês mostra as mais
variadas dicas para quem quer reformar a casa
toda ou apenas mudar um detalhe no quarto ou
em qualquer outro lugar da casa. Mesmo que
seja um simples jogo de chá ou café, todas as
opções são cheias de charme e personalidade.
Escolha o que vai mudar e curta sua nova casa!

16 Morumbi setembro 2009


LEROY MERLIN morumbi

A serviço do cliente
O cliente sempre procura qualidade, preço e diversidade de materiais. A Leroy Merlin se preocupa em
atender o cliente, desde a compra de um prego até em grandes projetos, sempre com qualidade, bom
preço e variedade de materiais. Para isso, dispõe, em sua unidade no Morumbi, de assessores de vendas,
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cortinas, estacionamento, lanchonete, entrega em domicílio, devolução de mercadorias e crediário.
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setembro 2009 Morumbi 17


roteiro decoração

TEXTURA & TRAMA

sua casa na moda


A Textura & Trama trabalha com designs retos e tecidos
claros em chenille e camurça em seus estofados. Para as
cortinas, o que manda é pouco tecido, também em cores
claras, além das romanas e rolôs. A leveza e a atualidade
também estão nas colchas claras e almofadas com cores
mais fortes, que dão um toque especial.
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Real Parque Decor – Rua Adalívia de Toledo, 162 – Tel.: 3758-5850 – Das 9h às
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18 Morumbi setembro 2009


setembro 2009 Morumbi 19
roteiro decoração

Archi Design, Arquitetura e Consultoria

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20 Morumbi setembro 2009


Uniflex Jardim Sul

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Sul dispõe de arquitetos e
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A Patagônia é aqui!
Recentemente inaugurado no bairro, o Café Rincon Patagônico
é muito mais do que um espaço de decoração. É café, empório,
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de encontro charmoso. Na loja se pode encontrar artesanato,
cerâmicas, tapetes e móveis rústicos típicos da Patagônia,
para dar aquele toque charmoso na sua casa.
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PAPEL PRESENTE

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setembro 2009 Morumbi 21


especial imobiliário

Mercado imobiliário de LUXO


Com o preço do metro quadrado, em média, entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, o mercado imobiliá-

rio de luxo foi um dos segmentos que não foram afetados e ainda conseguiram importan-

te destaque em meio à crise mundial. De acordo com matéria publicada no jornal O Esta­

do de São Paulo, em 8 de agosto de 2009, o valor do imóvel de luxo aumentou por volta

de 40% entre setembro de 2008 e agosto de 2009, e as vendas não pararam de crescer.

São apartamentos com valor acima de como o retorno do investimento ao proprietá­


R$ 1 milhão e tamanho superior a 200 m², rio, que pode ser muito mais rentável, se com­
que oferecem todo conforto e lazer, além parado a outras aplicações financeiras.
de contar com uma infraestrutura completa. Além de moradores, esses imóveis tam­
De acordo com Gilberto Sanches, gerente da bém atraem investidores, que geralmente
Imóveis no Morumbi, os condomínios ofere­ compram ainda na planta, esperam a constru­
cem segurança, piscinas, área fitness, quadras ção terminar para depois vender; e há, ainda,
para esportes diferenciados, pista de cooper, os casos em que as pessoas compram, moram,
sauna, espaço para diversão de bichos de esti­ mas acabam se mudando, deixando o imóvel
mação, terraço gourmet – porque a antiga sala para aluguel. Nesse caso, o valor mensal pode
de almoço está fora de moda – e até 4 vagas chegar a até R$ 18 mil por mês, dependendo
na garagem, geralmente espaçosas, para carros do apartamento.
grandes. Além disso, os residenciais geralmente Segundo Marcelo Mahtuk, diretor execu­
são localizados em bairros de altíssimo padrão, tivo da Manager Sistemas e Serviços, a faixa
arborizados, com preservação de área verde, etária das pessoas que compram apartamen­
cheios de charme, sofisticação e elegância. tos de luxo varia entre 35 e 45 anos, no caso
Voltado para altos executivos, empresários de executivos, e de 45 até 55 anos, se tratando
de médio a grande porte e profissionais libe­ de empresários.
rais com renda mensal a partir de R$ 25 mil, os Apesar de os valores serem considerados
imóveis geralmente são adquiridos para mora­ altos pela maioria das pessoas, a facilidade nos fi­
dia e possuem, no mínimo, 4 dormitórios com nanciamentos para a classe média está ajudando
até 3 suítes (em alguns casos, uma máster para a aumentar a movimentação deste mercado. “O
valorizar ainda mais o empreendimento). valor do condomínio, dependendo do número
Outras características que fazem o imóvel de unidades no empreendimento, pode chegar
se tornar atrativo são localização, segurança, a até R$ 15 mil”, conta Marcelo. “Mas o que real­
comércio instalado, fácil acesso, infraestrutura mente importa não são os valores, e sim se o
de trânsito, vizinhança, transporte público e condomínio funciona bem e de acordo com as
alguns outros diferenciais de oferta e procura, expectativas dos seus moradores”, diz. g

22 Morumbi setembro 2009


Um empreendimento ousado,
Moda
charmoso e diferenciado e que está numa
das melhores localizações do Morumbi.
Além de ter tudo pertinho – clubes,
hospitais, colégios, supermercados, e
também a futura estação de metrô São
Paulo-Morumbi, também está cercado de
verde, característica marcante do bairro.
Assinado pelo arquiteto Itamar Berezin,
pelo paisagista Benedito Abbud e pelo
decorador, das áreas comuns, Carlos Rossi, o
Menara by Cyrela foi concebido num terreno
de mais de 8.600m². Trata-se de um elegante

MENARA
condomínio residencial de altíssimo padrão
com charmosas maisons no pavimento
térreo, apartamentos e coberturas. As
Maisons possuem de 69 a 140m² privativos
e as Coberturas, 100 a 202m². O projeto
luxuoso, que foi inspirado nos famosos Jardins
de Menara, no Marrocos, traz a água como
elemento principal do paisagismo. Suas torres
Inspiração marroquina são dispostas em torno de uma imensa praça
central com inspiração marroquina. Com uma

no MORUMBI área de lazer coberta de aproximadamente


1.100 m², suas dependências têm piscinas
adulto e infantil, coberta e descoberta, piano bar,
biblioteca, brinquedoteca, fitness Center, sala
de jogos e muito mais. O empreendimento
contará ainda com uma gama de
serviços exclusivos que estará a serviço
dos moradores, como: concierge,
segurança 24h, central de manutenção,
paisagismo, arrumação e manutenção
básica dos apartamentos. Contará
também com serviços Pay Per Use, com
fornecedores de segmentos diversos,
como encomenda de flores, mecânica,
lava-rápido, congelados, entre outros.
Enfim, um empreendimento que veio para
quebrar paradigmas.

Menara by Cyrela
Rua Rubens do Amaral x Av. Padre
Lebret – Morumbi
Tel.: 3501-3070
menaramorumbi.com.br
Alto padrão MODA
cyrela com vista
permanente para o
parque burle marx

O arquiteto Itamar Berezin define


o empreendimento como a harmonia
perfeita entre arquitetura equilibrada e
natureza exuberante. Erguido no meio do
verde e a poucos minutos dos principais
shoppings centers da região, casas de
espetáculos e restaurantes com cozinha
internacional, o On The Park é um brinde
à qualidade de vida e ao bem-viver.
O empreendimento é composto
por duas torres – Torre Hyde Park e Torre
Central Park – com 25 andares cada uma,
com unidades Apartamento Tipo, com
607 m² cada um. As unidades têm quatro
suítes, uma delas máster com 84 m² e dois

ON THE
banheiros, galeria, área para adega, sala
com lareira, sala principal, home thea­
ter, escritório, salas de jantar e almoço
com uma varanda de 78m² com vista

PARk
permanente para o Parque Burle Marx.
Na área comum, os moradores podem
usufruir de lounge com piano e biblioteca,
piscinas cobertas e descobertas aquecidas
adulto e infantil, saunas e sala de
descanso, Espaço Zen e Spa, Fitness, salão
de jogos adulto e infantil, playground e
espaço de recreação infantil. O On The
Park foi concebido num terreno de mais
de 12.500m² e tem como projetistas o
arquiteto Itamar Berezin, o paisagista
Gilberto Elkis e a decoradora Deborah
Aguiar. Visite este empreendimento, que
já está pronto para morar.

On The Park – Rua Deputado Laércio


Corte, 1455 – Panamby
Tel.: 3662-1418
cyrela.com.br/onthepark
especial imobiliário

26 Morumbi setembro 2009


setembro 2009 Morumbi 27
especial imobiliário

28 Morumbi setembro 2009


setembro 2009 Morumbi 29
achados produção Renata Agostine

Sustentabilidade
A reciclagem de materiais tem trazido inúmeros benefícios para o meio ambiente.
A cada dia, empresas investem no conceito de preservação e usam a criatividade para
produzir roupas, bolsas, objetos de decoração... São matérias-primas como plástico,
madeira, vidro e papelão que, recicladas, se transformam em peças lindas! Esta edição
de Dolce traz opções originais para presentear aquela pessoa querida ou para deixar
sua casa e trabalho com aquele toque especial.

Linha madeira certificada


Grampeador madeira R$ 140, Porta-durex
madeira R$ 140, Apontador madeira cinco
furos R$ 60,00 Régua madeira R$ 35, Casa 8

Conjunto para salada


em chifre, R$120
Le Lis Blanc

Mesa Lateral
Roots
peça única, feita em raiz
R$ 3.990,
Cecília Dale

Balde de gelo
em bambu e aço. R$ 320,
Le Lis Blanc

Papel Reciclado
Bloco Frágil Brasil
Exportação papelão R$ 54,
Caderno Reuse de folhas
recicláveis R$ 50,
Papel Craft

Vaso escultura
vazado, em papelão.
R$ 825, Zona D

30 Morumbi setembro 2009


setembro 2009
Banco Zoe
Confeccionado pelo artista
plástico Domingos Tótora
em papel craft reciclado
RS 1.170, DPOT

Linha Twist em jacquard.


Feita em 100% algodão orgânico.
Colcha King R$ 495, porta-travesseiro
zero R$ 116, recheio travesseiro R$ 24,
Trousseau

fotos: Jaf/divulgação
Bicicleta de bambu
Entre £2175 até £3000 em
configuração completa.

Consulte os estabelecimentos para verificar a disponibilidade dos produtos. Preços válidos enquanto durarem os estoques e sujeitos a alterção sem prévio aviso.
Calfee Design

Escultura
Libélula
em madeira de
refugo R$ 358,
Zona D

Design Box
Embalagem eco-friendly, feita
com papel reciclado extraído
de árvores de reflorestamento
aprovadas pelo Forest
Stewardship Council.
Chega no Brasil no final do ano
Veuve Clicquot
Notebook
revestido de bambu
Tela de 12,1 polegadas. Core 2 Duo,
4 GB de RAM, 320 GB. Baterias de
3, 6 ou 9 células. Possui software que ajusta o
consumo de energia. Preço sob consulta. Asus

Caneta Esferográfica Coconut R$ 550 - Coleção


Ambition. Corpo modelado em madeira de coqueiro em tons
de preto e marrom. Faber-Castell

onde encontrar: Asus – amazon.com • Calfee Design – calfeedesign.com • Casa 8 – Shop. Cidade Jardim – Av. Magalhães de Castro,
12000 – 1° Piso – Tel.: 3552-8888 • Cecília Dale – Market Place – Av. Dr. Chucri Zaidan, 902 – Tel.: 5181-7188 • Dpot – D&D – Av. Nações Uni-
das, 12555 – Tel.: 3043-9159 • Faber-Castell – Market Place – Av. Dr. Chucri Zaidan, 902 – 5181-3112 • Le Lis Blanc – Market Place – Av. Dr.
Chucri Zaidan, 902 – Tel.: 5542-1160; Av. Giovanni Gronchi, 5819 – Tel.: 3739-1380 • Papel Craft – Market Place – Av. Dr. Chucri Zaidan, 902 –
Tel.: 5181-4165 • Trousseau – Market Place – Av. Dr. Chucri Zaidan, 902 – Tel.: 5542-1797; Av. Giovanni Gronchi, 5819 – 2° Piso – Tel.: 3746-7738
• Veuve Clicquot veuve-clicquot.com • Zona D – D&D – Av. das Nações Unidas, 12555 – Tel.: 3043-9228

setembro 2009 Morumbi 31


egotrip

Minha primeira visita à Cidade

Luz, como é conhecida, foi aos

18 anos, numa longa viagem

pela Europa. Em alguns meses

percorri cinco países e mais

de 30 cidades, mas nenhuma

sensação se comparou ao que

senti quando desembarquei

Uma Paris esp e


Q
em Paris. De lá para cá voltei uando recebi o convite para escrever esta matéria fiquei feliz e ani-
mada pela oportunidade de falar de uma das coisas que mais amo
algumas vezes e em cada na vida: viajar. Escrever sobre qualquer roteiro que eu tenha feito ou
cidade que eu já tenha conhecido seria fácil, mas confesso que falar sobre os
reencontro descubro algo cantinhos preciosos de Paris me deu até um certo friozinho na barriga. Minha
relação com essa cidade vai além de apreciar seus lindos pontos turísticos e
surpreendente, que vai de sua magnífica gastronomia, tenho uma ligação intensa com ela.
Em 2006 fui passar o Natal e o Réveillon por lá, e no dia 30 de dezembro fui
lugarzinhos inexplorados como pedida em casamento no Château de Versailles, um palácio construído pelo
rei Luís XIV, o “Rei Sol”, no século XVII. Considerado um dos maiores do mundo,
um novo restaurante, um livro ele possui 2 mil janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parques.
Só para terem uma ideia se fizermos uma comparação, o território dos Jardins
nos sebos da Rive Gauche, até de Versailles equivalem aproximadamente a 700 campos de futebol. Conside-
rado um dos pontos turísticos mais visitados na França ele recebe em média
um cafezinho especial em um 8 milhões de turistas por ano. Ficar noiva nesse lugar selou definitivamente
minha relação com Paris.
lugar que eu jamais poderia Em dezembro passado eu e meu marido desembarcamos novamente na
Cidade Luz, dessa vez já casados. Pontos turísticos como a Torre Eiffel, o Arco
imaginar. do Triunfo, a Avenida Champs-Elysées, a Catedral Notre-Dame, o Museu do
Louvre, O Museu D’Osay são visitas obrigatórias para quem vai a Paris pela
primeira vez. Como já conhecíamos esses lugares decidimos rever os que mais
gostamos e buscar outros menos explorados.
Um dos pontos que sempre visito em Paris é Monmartre, um bairro boê­
mio cheio de pintores, turistas pelas ladeiras e cafés maravilhosos. Na praça
Silvia Lourenço é jornalista, empresária da área de principal artistas disputam espaço para vender seus quadros, pôsteres antigos
comunicação, apaixonada por livros, musicais, da região, pinturas de vários estilos e até caricaturas que são feitas na hora.
cafés e viagens. e-mail: silvia.lourenco@focopress.com.br

32 Morumbi SETEMBRO 2009


p ecial

SETEMBRO 2009 Morumbi 33


egotrip

Eu aproveitei a visitinha e comprei uma obra No inverno elas são


da pintora Marie Jolann, uma linda aquarela que maravilhosas para
ilustrava Paris. Carreguei o quadro por toda a via- nos abrigar do frio,
gem e, por ironia do destino, perdi a aquarela no e no verão não há
aeroporto de Guarulhos, quando desembarquei nada mais incrível
no Brasil. Fiquei muito triste no começo mas de- que contemplar um fim de tarde em uma das
pois me conformei, por algum motivo aquela mesas que ficam ao redor da praça, do lado de
obra não tinha que ser minha, com certeza terei fora dos cafés e restaurantes. Lá sempre tomei
oportunidade de voltar para comprar outra da os melhores capuccinos e cafezinhos da cidade.
mesma artista. Uma das coisas que não se pode deixar de
No topo da montanha de Monmartre, no comer em Paris são os tradicionais crepes, que
ponto mais alto da cidade, encontra-se a Basílica são encontrados em todos os lugares, dos res-
de Sacré-Coeur, um templo dedicado ao Sagra- taurantes chiques até as barraquinhas de rua. Na
do Coração que começou a ser construído em cidade os crepes salgados são comumente co-
1875 e foi finalizado em 1914. Um dos destaques nhecidos como galletes, nome proveniente da
dessa igreja é o mosaico no apse, chamado de Bretanha, local onde o crepe é uma especialida-
Cristo em Majestade, que é um dos maiores do de regional. O recheio mais tradicional da galette
mundo. O topo da Basílica é aberto aos turistas e é o de presunto e queijo, a famosa galette jam-
reserva uma vista espetacular da cidade de Paris. bon/fromage, e vale lembrar que normalmente
Os cafés do bairro são uma história à parte, nas creperias eles perguntam se o cliente quer
qualquer cafeteria em volta da praça vale a pena. a galette complete, que leva um ovo semicru por

34 Morumbi SETEMBRO 2009


cima. Quem gosta dos crepes doces não pode Em frente à loja
deixar de experimentar o de Nutella, para mim o Ladurée, após uma
melhor de todos. tarde de compras na
Eu também não visito Paris sem comprar Cidade Luz.
pelo menos uma caixinha de
macaron, um docinho com mais
de 500 anos de história que nas-
ceu em Veneza, na Itália, mas fez
fama na França principamente
depois de ter sido eleito o doce
preferido da rainha Maria Anto-
nieta. Feitos com claras de ovos,
açúcar de confeiteiro e farinha de
amêndoas, são biscoitinhos sa-
borosos e muito delicados. Cro-
cantes por fora e extremamente
macios por dentro, podem ser
encontrados em inúmeros sa-
bores. Nos apaixonamos de tal
forma pelos macarons que em
nosso casamento substituímos
os tradicionais bem-casados por
eles e foi um sucesso porque no
Brasil nem todo mundo conhece
essas maravilhas.
Por lá, o biscoitinho pode ser apreciado
em várias pâtisseries, mas não há nada mais
deslumbrante que a vitrine da butique Ladu-
rée, na rua
Royale, próxima à avenida Champs-
Elysées. Esse “templo” do macaron com certeza
é o mais conhecido e mais chique de Paris.
Eu já cheguei a ficar quase meia hora na fila,
na véspera de Natal, para adquirir uma mara-
vilhosa e delicada caixinha. Em nossa última
viagem fomos a outra loja da Ladurée, que fica
na Printemps do Boulevard Hassmann, tudo
tão maravilhoso quanto os produtos da matriz.
A Ladurée também tem lojas em Londres, Mô-
naco, Bahrain, Tóquio e Dubai.
Como para mim Paris é a cidade mais lin- Dicas de Paris
da da Europa, espero que minha narrativa não Artista Marie Jolann
tenha sido permeada por muita emoção, e que (Praça de Montmarte)
eu tenha conseguido compartilhar as boas www.amontmartre.com
sensações que conhecer um lugar como esse
pode proporcionar. Espero encontrar vocês Ladurée - 16 rue Royale. 75
nas descobertas e aventuras de outras viagens, av. Champs-Elysées, 21 rue
aliás, desejo encontrar vocês pelas rua de Paris. Bonaparte e no Printemps do
Bon voyage! g Boulevard Hassmann

SETEMBRO 2009 Morumbi 35 Morumbi 35


porClaudia
por ClaudiaCastellan
Castellan Moda

O Luxo de poder “ser”


Você certamente já ouviu dizer que luxo é ter tempo, quando, onde e com
quem desejar. Ok, concordo. Mas e o tal luxo acessível? Ter tudo isso apenas
de chinelinho não dá! Ou será que dá sim?

N
o capitalismo, SER é, acima de tudo, a rea- de uma pequena elite que paga, no mínimo, 3
lidade nua e crua. Já o TER significa camu- mil euros uma bolsa, 20 mil um vestido ou 12
flar o real SER. Significa “Ser” outra coisa. mil um paletozinho, e não ser a cliente que
E não é verdade que moda é um rótulo que compra a maquiagem ou o perfume, ou divide
colocamos em nós mesmos para facilitar a per- uma bolsa em dez prestações e depois corta
cepção das pessoas. A verdade é que estilo e tudo de essencial do mês. Eu também compro
comportamento caminham juntos, sua imagem o perfume, o acessório, não a bolsa (ainda), o
é percebida por sua postura aliada à sua perso- make, e não é por isso que sou cliente Chanel,
nalidade, independente de como você está dos eu apenas faço parte de um grupo que conso-
pés à cabeça, mesmo sem dizer uma só palavra! me luxo acessível, viram a diferença? Não basta
comprar a marca, o importante é que o produ-
Mas onde entra o luxo em tudo isso? to se encaixe na sua necessidade, mas, acima
de tudo, no seu orçamento.
O luxo está cada vez mais próximo das pes- Tá e daí? E daí que não é por isso que vou
soas, seja por cópias de marcas menos presti- fomentar uma indústria de
giadas, seja pela imitação ou falsificação, pura e falsificação, comprando du-
simples. Em outras palavras, TER cara de rico, TER plos “cês” fakes. Ora, compre
roupa de rico, é mais importante que SER rico. uma linda bolsa no estilo da A verdade é que esti-
Falso? Sim, sem dúvida, mas para alguns o vale- que você deseja, sem logos
tudo é a palavra do dia, se não podem comprar LV de letras tortas, “cês” que lo e comportamento
a marca “original”, a solução é ir para o falsificado. descascarão etc. Claro que caminham juntos, sua imagem é
Eu realmente não sei o que é pior – ser aceito não vamos mudar a socie-
por grupos “originais”, mesmo todos sabendo dade de consumo! Isso é percebida por sua postura aliada à
ou desconfiando de que se trata de uma falsi- fato. O que podemos fazer sua personalidade, independente
ficação, ou achar que está enganando alguém. é incentivar o consumo res-
Muitas pessoas de nível optam por produtos ponsável, evitando falsifica- de como você está dos pés à cabe-
falsificados por estes serem mais baratos, com ções, grandes endividamen- ça, mesmo sem dizer
a ilusão de que “comigo usando, ninguém vai tos, inadimplência etc.
achar que é falso!” Falsa também é essa ilusão. Você alguma vez já uma só palavra!
O que de verdade chamamos luxo acessível é deve ter se perguntado:
quando você, que pensa ser cliente da marca por que algumas marcas de luxo anunciam
X quando, na verdade, apenas está compran- em revistas destinadas para classes B e C, se
do um produto que remete a ser um cliente X. elas nunca irão consumir tal produto? A res-
Explico: ser consumidor Chanel é comprar, pelo posta é simples: “o diferencial gera valor que
menos, uma peça de cada coleção, é fazer parte outras não têm”.

36 Morumbi sETEMBRO 2009


MODA

O luxo da moda é como


a Fórmula 1 e a indústria
automobilística, prazer de
poucos e desejo de mui-
tos. Chanel, que tanto amo,
dizia: “dê para as pessoas
aquilo que elas nem ima-
ginam que desejam consu-
mir”. Ou seja, o que move o
mundo são as compras por
impulso, e não há nada de
errado nisso.
“A moda tem concorrên- Chanel dizia: “dê
cia com os outros setores, mas o bolso do cliente para as pessoas
é um só”. E você define sua compra em poucos aquilo que elas nem
segundos. No caso dos bens de luxo, apesar do imaginam que dese-
alto grau de emotividade da decisão de com- jam consumir”.
pra, o consumidor possui fortes vínculos com a
marca consumida, conhece atributos do produto
(materiais, tecnologia, imagem etc.) e realiza uma
compra cuja decisão em muito se assemelha à
chamada “compra de especialidades”.
Luxo hoje, de verdade, é o que em moda
chamamos de bespoke, ou seja, não é apenas
sob medida, como citei mês passado, é fazer o
produto sem um molde pré-definido, é fazer
tudo sob medida, na cor que você escolhe, com
uma infinidade de detalhes que serão só seus,
na sua roupa, no seu carro, no seu iate, jatinho,
geladeira, casa etc. Luxo é exclusividade e não
mais apenas “sob medida”. Claudia Castellan é consultora de
imagem, consultora de private label,
Ah, o chinelinho? Bem, você pode comprar o especialista em marketing de moda,
chique, mas elegância, cada um faz a sua! professora universitária
e do Senac, palestrante e autora de
cursos na área de moda.
Abraços ! g Site claudiacastellan.com.br
E-mail claudiall@ig.com.br

sETEMBRO 2009 Morumbi 37


bem-casado

Costela Rotulata Agridoce Vinho

Serviço

Costelaria Rancho do
Vinho Morumbi
Av. Dr. Guilherme Dumont
Villares, 321 – Tel.: 3744-5899
Rodovia Régis Bittencourt,
km 293,5 – Tel.: 4147-1557

Rodízio de Costela
7 tipos de costela,
8 tipos de carne e
14 guarnições.

De segunda a quinta: R$ 29,90


Sexta-feira: R$ 33
Sábados, domingos
e feriados: R$ 38,90
Os preços de rodízio
são por pessoa.

A casa também serve a costela


pelo preço de R$ 45, para duas
pessoas.

Vinho Nono Frizon


Teroldego: R$ 39

Esta não é simplesmente uma “costela de Para acompanhar esta costela, o cozinheiro (é
porco”, que, por si só, já é uma delícia. O prato é assim mesmo que ele gosta de ser chamado) Cel-
um dos itens do Rodízio de Costela servido na so Frizon, ou Dr. Costela, recomenda o vinho tinto
costelaria Rancho do Vinho. Teroldego, Nono Frizon, pertencente ao Rancho do
A “Costela Rotulata Agridoce” é cortada em Vinho. É um tinto leve, com boa acidez, que harmo-
tira, temperada com sal e chimichurri, enrolada, niza perfeitamente com a costela de porco.
amarrada e assada na brasa por quatro horas. A costelaria Rancho do Vinho existe há 17 anos
Depois é servida com um molho agridoce feito na rodovia Régis Bittencourt, km 293,5 – Itapeceri-
à base de mel, geleia (que o cozinheiro não re- ca da Serra – e há três meses trouxe suas receitas e
vela o sabor de jeito nenhum!) e ervas frescas. clima hospitaleiro para a casa aqui do Morumbi. g

38 Morumbi SETEMBRO 2009


por Marcelo Negrão
esporte

Práticas esportivas com


aventura, adrenalina e emoção
T
odos nós sabemos que o esporte traz diversos tas, biólogos e ornitólogos para estudar o ambiente
benefícios para o nosso corpo, aumenta a auto- nas copas das árvores.
estima, dá mais disposição e ajuda as pes­soas a Para quem é mais ousado e curte muita adrena-
se tornarem mais sociáveis. Agora, já pensou aliar todos lina, o rafting é uma excelente pedida. Nesta moda-
esses benefícios que o esporte proporciona com ativi- lidade, as pessoas descem corredeiras com quedas
dades junto à natureza, sem precisar ir muito longe? de até três metros de altura em botes infláveis. Na
Em cidades do interior de São Paulo, como Bro- descida, o guia do grupo fica atrás do bote dando a
tas, Socorro, Boituva, entre outras, consideradas “ci- direção, enquanto as outras quatro pessoas remam
dades dos esportes radicais” se concentra o maior para frente, para alcançar uma maior velocidade.
número de praticantes do ecoturismo. Arborismo, Outra modalidade que ganha força a cada dia, e é
rafting, trekking, cayoning, mountain bike, enfim, adorada pelos seus praticantes, é o cayoning. Diferente
existe uma infinidade de modalidades que se encai- do rapel, em que as pessoas descem grandes penhas-
xam dentro do perfil e limite de cada um. cos, trata-se de uma descida, com cordas de seguran-
Para quem busca equilíbrio, concentração e ça, no meio de cachoei­ras. Em Brotas, algumas quedas
uma visão panorâmica, a dica é a prática do arboris- d’água chegam a 70 metros de altura, possibilitando ao
mo, que consiste em um circuito de obstáculos entre praticante um contato direto com a natureza.
plataformas montadas sob as copas das árvores. Esta Se andar de bicicleta, por si só, já é muito diverti-
atividade também é adotada por botânicos, cientis- do, imagine encarar várias trilhas em uma floresta? O
mountain bike possibilita ao aventureiro um passeio
Publicidade
por longas trilhas, permitindo a contemplação de be-
líssimas paisagens. No entanto, para a pessoa praticar
esta modalidade, é necessário estar bem preparado
fisicamente, pois em cada trecho há muita variação
entre subida e descida.
Agora, para quem prefere contemplar a natu-
reza na base da caminhada, sem aquele monte de
aparelhos, o trekking é a melhor solução. Além de ser
um excelente exercício físico, possibilita um contato
ainda mais próximo com a natureza, passando por
penhascos, montanhas e, ao final, até se refrescar em
uma cachoeira.
Para a prática de todas essas modalidades, reco-
menda-se sempre o acompanhamento de um guia
preparado, que conheça o local, para evitar aciden-
tes e extravios, assim como o uso de todos os equi-
pamentos de segurança. Se preferir contratar uma
agência de viagem, procure saber um pouco mais
sobre a procedência da empresa, para que, poste-
riormente, não tenha nenhum tipo de problema. g

Marcelo Negrão é jogador de vôlei de praia, campeão olímpico, Embaixador dos


Esportes pelo Banco do Brasil e morador do Morumbi.
E-mail: marcelonegrao@rojascomunicacao.com.br

40 Morumbi SETEMBRO 2009


TEST DRIVE
por Renato Corrêa

O carrinho extrovertido*

foto: divulgação
Um final de semana com sol, um Mini
Cooper S na mão e estradas de montanha.
Melhor que isso, só dois disso!!!

(*) Extrovertido Extrovertido – É o primeiro adjetivo que vem Mini Cooper S Admire suas linhas, dê uma
(adj. masc.): à cabeça para um carro simpático, alegre e rápido. volta ao redor do carro, olhe de frente, de trás e então
sociável, afável, Qualidades que são reconhecidas à primeira vista abra a porta e entre. Regule banco, distância, altura
nesse inglês naturalizado alemão. e inclinação do encosto, regule o volante na altura
divertido, Aliás, sobram qualidades nesse ícone do au- e na profundidade. Uma chave redonda eletrônica,
comunicativo tomobilismo, presente no mercado europeu, re- diferente das tradicionais, com o emblema do Mini,
presentado por seus antecessores, desde o início é colocada num slot atrás do volante, e quando
do século passado, quando William Richard Mor- pressionada liga o contato. Aproveite para regular
ris, em 1912, registrou a WRM Motors Ltd. para a os espelhos. Ao lado do slot, um botão de partida
produzir o Bullnose, um veículo com dois lugares. (remete os aficionados aos carros de corrida) liga o
BMW Mini Apresentado no Salão de Paris em motor demonstrando saúde e disposição. Com um
setembro de 2000, o novo Mini começou a ser pro- propulsor 1.6 litro de 4 cilindros com injeção direta,
duzido na planta em Oxford, em abril de 2001, pelo turbo que gera uma potência de 175 hp a 5.500
grupo alemão BMW. Setenta dias depois começou rpm, esse pequeno notável acelera de 0 a 100km/h
ser comercializado no Reino Unido, para fechar o em sete segundos. Daí em diante é só alegria.
ano com 42.395 unidades fabricadas. Em agosto de Aproveitamos um final de semana de ótimo
2004 a produção chegava a 500 mil, e em 2007 foi tempo e rodamos mais de 800 km pelo sul de Minas
comemorado o milionésimo Mini da fase BMW. Gerais, especificamente nas montanhas cafeeiras.
2ª geração do novo Mini – Setembro Montanha, serra, pouco movimento – local
de 2006 A BMW inicia a produção da 2ª. geração ideal para passear e conhecer esse carrinho em-
do Mini Cooper e do Mini Cooper S. Eles mantêm blemático. O Mini Cooper S não desapontou e,
o charme, o élan, o emblema, o velocímetro no muitas vezes, surpreendeu pela saúde, estabilida-
Renato Corrêa é jornalista, diretor centro do painel, o formato e a estabilidade, mas de, conforto e segurança.
do Jornal Off Road, piloto das foram totalmente reestilizados externa e interna- Com destaque para dirigibilidade – boa po-
categorias Turismo, Kart, Rally Cross
Country, Enduro e Rally com Motos. mente. Chamam a atenção por onde passam, e sição para troca de marchas no volante ou na ala-
É morador do Morumbi. E-mail: com as mudanças podem atender a todos os ti- vanca (sequencial), ou mesmo usando o câmbio
rcorrea@aclnet.com.br
pos de exigências e ampliar suas conquistas. automático em drive, para uma condução com

42 Morumbi setembro 2009


FOTO: ANA CRISTINA REIS
menor solicitação, sempre com ótima visibilidade, conforto e
segurança. Quando tocado esportivamente, botão na posição S
(sport) e usando o câmbio de seis marchas com acionamento no
volante de couro que tem ótima pegada, sobra aderência, estabi-
lidade, suspensão e freio – e muita satisfação.
Na posição sports, o veículo, que já dispõe de suspensão
mais esportiva com molas e amortecedores e barra estabilizado-
ra mais firmes, oferece ainda mudanças mais rápidas de marcha,
direção mais precisa, resposta mais rápida de aceleração. Conta,
ainda, com controle de estabilidade e de tração.
FREIOS E RODAS O sistema de freios é ABS com CDB (con-
trole de freio nas curvas) e EBV (distribuição eletrônica de frena-
gem). As rodas são de liga leve, aro 17, com pneus run-flat de 4ª
geração. Não se ocupa espaço com estepe no Mini, pois com
pneus run-flat, em caso de necessidade, pode-se rodar até 80
quilômetros com segurança até encontrar socorro.
SEGURANÇA O Mini conta com air-bags dianteiro e lateral
para condutor e passageiro nos bancos dianteiros, e para cabeça,
do tipo cortina. Os bancos traseiros, que podem ser rebatidos in-
dividualmente, contam com suporte isofix para crianças.
ITENS DE CONFORTO Muito confortável na frente para
dois ocupantes com mais de 1,90 m de altura, pode o passageiro
esticar as pernas, o que não é fácil nem em carros bem maiores.
O teto solar duplo, o sistema de som, o ar-condicionado, os
comandos de luzes, as informações e a leitura do painel atendem
plenamente às necessidade dos ocupantes.
SUSTENTABILIDADE E NÚMEROS O Mini tem baixíssima
taxa de emissão de poluentes (139 g/km), o que permite que ele
se encaixe na categoria C do Imposto VED do Reino Unido. O
consumo do Mini é muito baixo, principalmente para os nossos
padrões, o que dá conforto em autonomia com seu tanque de
50 litros de gasolina.
O Mini Cooper é o primeiro carro pequeno a conquistar o
título de Carro do Ano nos Estados Unidos. É comercializado em
mais de 70 países, e no Brasil, dependendo do modelo escolhido,
o comprador vai enfrentar fila. 

SETEMBRO 2009 MORUMBI 43


em foco

Copa Gastronomia & Futebol


emplaca no Morumbi
Foi inaugurado em 31 de agosto o restaurante Copa Gastronomia &
Futebol. Idealizado por Cristiane Ferraz, o novo projeto abriu as por-
tas dentro do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, do São Paulo Futebol
Clube, num reforço à campanha de apoio ao Morumbi como sede
paulista dos jogos da Copa do Mundo de 2014.
O evento contou com a presença do presidente do SPFC, Juvenal
Juvêncio, do vice-presidente de marketing, Júlio Casares, do cantor
Nando Reis, do casal de atores Henri Castelli e Fernanda Vasconcellos,
além de estrelas do time, de antigas e nova gerações, como Zetti e
Rogério Ceni, e do atual técnico do time, Ricardo Gomes.
Alguns dos grandes craques brasileiros que representaram o Brasil
nas Copas do Mundo foram homenageados pelo Copa e pela direto-
ria do SPFC com o troféu “Heróis do Brasil”.

foto: rubens chiri


1 2 3
4

foto: rubens chiri


5 6

7 8 1 Juvenal Juvêncio 2 Pires e Cristiane Ferraz


3 ‘Time’ de homenageados 4 Júlio Casares e Rogério
Ceni 5 Gigi Monteiro e Simone Sampaio 6 Félix e
Ricardo Gomes 7 Nando Reis, Henri Castelli e Cristiane
Ferraz 8 Bruno Aventurato de Aguiar, Didi Freitas e
Marcos Paulo S. David
Copa gastronomia &Futebol
Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1 – Portão 5 – Tel: 2613-0890
Almoço: seg a sex, buffet a quilo por R$ 35. Jantar: todas as noites,
foto: rubens chiri

cardápio de pizzas. Sábados, domingos e feriados: buffet com


preço fixo a R$ 32. Horário: segunda a segunda, das 12h às 15h, e
das 18h ao último cliente.

44 Morumbi SETEMBRO 2009


em foco em foco novidades!

Gente nova
Para melhorar ainda mais o time de profissionais
do Image Hair, acabou de chegar à casa o cabe-
leireiro Ivo Paulucci. Ivo é especialista em corte e
química e está antenado com as tendências do
Rosarichter.com.br
Numa festa animada na Casa da Fazenda, Rosa Richter, presidente da AMO
mundo do hair design.
NOVO Image Hair Rua Ascencional, 284
Jardim Sul e colunista de Dolce, lançou, no dia 30 de julho, o site que leva Tel.: 3744-7526 / 3742-8097 – imagehair.com.br
seu nome para falar de cidadania e também promover o estímulo do de-
senvolvimento saudável do bairro. As duas primeiras campanhas promovi-
das pelo site são em prol da subprefeitura do Morumbi e pela construção
das alças de acesso da ponte estaiada para o Real Parque. Acesse o site
rosarichter.com.br e vote SIM!

Luxo e off-road
A Mitsubishi Motors lançou, no dia 8 de agosto,
o Mitsubishi Pajero Dakar. O nome, escolhido
em homenagem aos 26 anos de participação no
Rally Dakar e às 12 vitórias conquistadas, é o en-
contro do luxo com o off-road.
Em coquetel para os clientes da marca que re-
sidem no bairro, a concessionária Brabus Mo-
rumbi apresentou todas as funcionalidades e
características do novo utilitário, que chegou ao
Brasil na primeira semana de agosto, e em uma
Atendimento e tecnologia série limitada para os amantes da linha Pajero.
Brabus Morumbi Av. Giovanni Gronchi, 5431
Sempre pensando em seus pacientes, a Clínica Tel.: 2526-9000 - brabus.bom.br
Weiss inovou com mais um serviço especializado:
adquiriu dois veículos (Smart e New Beetle), com
motorista, para transportar os pacientes que por-
ventura tenham alguma dificuldade em chegar à
clínica ou voltar para casa depois do atendimento.
Os carros são modernos, tecnológicos e inovadores.
Clínica Weiss – R. Dr. Luiz Migliano, 1110
6° e 8° andares – Tel..: 3744-8997

46 Morumbi SETEMBRO 2009


Espaço Cultural Porto Seguro
Com a presença de autoridades, como os subprefeitos de Campo
Limpo e Butantã e o cônsul da Alemanha, e convidados a Fundação
Visconde de Porto Seguro inaugurou, no dia 15 de agosto, o Espaço
Cultural, na Unidade I. O espaço, construído numa área de mais de 8
mil metros quadrados e rodeado de muito verde, foi idealizado para
ampliar as possibilidades de atividades diversas, nas áreas de artes,
música, teatro e idiomas, além de 34 salas de aula com kits multimí-
dia para atividades pedagógicas, oficinas de música, artes e teatro e
um auditório com isolamento acústico e 140 poltronas.

Uma Noite Mexicana


Na noite de 15 de agosto, a Camargo Corrêa Desenvolvimento
Imobiliário promoveu a Noite Mexicana, no stand do empreen-
dimento Luiza, que faz parte do projeto Arquitetura de Morar, no
bairro Jardim Sul. Delícias como guacamole, tacos e burritos fize-
ram parte do cardápio, que agradou aos visitantes.
em foco em foco

Novo conceito
A rede Smart Fit, do mesmo grupo da Bio Ritmo, acaba de inaugurar sua unidade em São
Paulo, no Carrefour Bairro, na Giovanni Gronchi. Segundo o empresário Edgard Corona,
proprietário da rede, “A Smart Fit nasceu da necessidade de uma academia que ofereça
praticidade com qualidade”. O foco é no aluno que tem pouco tempo para ir à academia
e que deseja algo específico. Para atender a esse público diferenciado, a rede disponibiliza
um número muito maior de equipamentos do que hoje é oferecido pelo mercado.
Smart Fit Av. Giovanni Gronchi, 5930 – sejasmartfit.com.br

1 2

3 4 5
Odonto Morumbi
Há dois anos no Morumbi, a Dra. Lorena Loreiro acaba de abrir seu novo consultório próxi-
mo ao Portal do Morumbi, batizado de “Odonto Morumbi”. É um espaço maior, onde os pa-
cientes têm mais conforto e contam também com novas técnicas em tratamentos bucais.
Odonto Morumbi R. Edward Joseph, 122 – conj. 92 – Tel.: 3461-0226 / 3742-5081

fotos: 1 Denise Gonçalves, Lorena Loreiro e Luiz Vendramini 2 Robson Britto e Liz Espinola Britto
3 Teresa Cristina  Bicudo, Silvio Yamachita e Emilio Sanches Derballe 4 Roberta Anhesini
5 Gabriela Arias  e  Lorena  Loreiro

48 Morumbi SETEMBRO 2009


Direto da Patagônia
No dia 15 de agosto, foi inaugurado o Rincon Patagônico Empório e Cafete-
ria, um espaço charmoso e aconchegante onde se pode degustar chocolates,
empanadas, café e ainda comprar produtos típicos da Patagônia, como artesa-
natos, cerâmicas, tapetes e móveis.
Rincon Patagônico Empório
R. Aureliano Guiamarães, 100 – Tel.: 3743-8298

SkinMax no Morumbi
A rede multinacional SkinMax, no Brasil desde
2008, acaba de chegar ao Morumbi trazendo toda
a tecnologia de estética e beleza especializada em
depilação a laser, além de um serviço exclusivo e
personalizado. Por possuir máquinas próprias, a rede
oferece preços mais acessíveis e bom atendimento.
Skin Max R. José Ramon Urtiza, 901
Tel.: 3501-6088 – skinmax.com.br
em foco

Viva México!
De 25 a 30 de agosto, o
hotel Grand Hyatt São Paulo
promoveu o Festival Mexica-
no do Estado de Oaxaca. O
chef Alejandro Ruíz, da Casa
Oaxaca, no México, esteve
presente na abertura do
festival, bem como autorida-
des mexicanas e represen-
tantes do Grand Hyatt SP. O
coquetel de abertura incluiu
comidas típicas e mariachis.

Na Casa da Fazenda
Dia 12 de agosto a ABACH – Academia Brasileira de
Arte, Cultura e História – abriu as portas da Casa da
Fazenda para o vernissage da exposição Oferenda,
da artista plástica Martha W. Farias, bem como lança-
Tadashii Tasting Nights
Em 24 de agosto, o restaurante Tedashii promovou o seu segundo “Tadashii
mento do DVD que leva o mesmo nome da expo-
Tasting Nights”, degustação de pratos diferentes criados pelo chef Emilio Ya-
sição. As telas da artista baiana, inspiradas nos orixás,
mada, sempre harmonizados com vinhos leves – brancos ou tintos. Além da
coloriram as paredes da Casa até o dia 23 de agosto.
degustação dos pratos e vinhos, o restaurante promoveu uma exposição do
A festa contou com a presença de autoridades cul-
artista plástico Sergio Guimarães.
turais, inclusive africanas, e convidados.
tadashii japanese restaurant
R. Jamanari, 40 – Tel.: 2579-7777. tadashii.com.br

Bingo beneficente
Nos dias 23 de julho e 20 de agosto o Shopping Por-
tal promoveu o Bingo Beneficente em prol da insti-
tuição Cáritas Santa Suzana. O convite vendido por
R$ 20 deu direito a três cartelas e ainda teve sua ren-
da revertida para as obras assistenciais da instituição.

50 Morumbi SETEMBRO 2009


Decoração no Market Place
De 19 a 31 de agosto o shopping Market Place realizou a sua primeira mos-
tra de decoração. Com a presença de 11 arquitetos e designers, o objetivo
foi apresentar a seus clientes ideias para decoração de pequenos ambien-
tes. Cada convidado fez uma seleção de objetos das melhores lojas de
decoração e presentes do shopping, como Cecília Dale, Lê Lis Blanc Casa,
Tok & Stok Compact, entre outras. Para Joana Corsi, gerente de marketing
do shopping, “O Market Place vem se posicionando cada vez mais como
referência de moda em São Paulo, e também possui excelentes lojas do
segmento de casa e decoração. Com a realização da mostra, conseguimos
atrair o público deste setor e possibilitamos uma importante vitrine tanto
para os lojistas quanto para os arquitetos e designers participantes”.
em foco em foco

Corretora Premium
No dia 13 de agosto, a Única Corretora de Seguros, sediada no Mo-
rumbi, recebeu o prêmio “Corretora Premium Best 2009” nos quesitos
Gerenciamento de Riscos e Seguros para Agrobusiness. Esse prêmio
homenageia apenas as empresas corretoras de seguros em função
de sua performance e especialização em segmentos específicos.

Viagem ao Fundo do Mar


Com a presença do ex-nadador Gustavo Borges, a academia GB Mo-
rumbi inaugurou no dia 25 de agosto a piscina GB Fundo do Mar,
piscina infantil lúdica, construída com detalhes como desenhos em
móbiles bidimensionais, iluminação especial, máquinas de bolinhas
de sabão, que transportam as crianças ao fundo do mar.

Dia da Secretária
O Espaço Prana criou cinco opções de pacotes de Day Spa para
comemorar o Dia da Secretária, em 30 de setembro. É uma ótima
oportunidade para valorizar e retribuir o empenho e a dedicação
dessa profissional que sempre está ao seu lado. Os valores vão de
R$ 240 (básico) até R$ 520 (premium).
Av. Giovanni Gronchi, 5819 Tel.: 2667-2016 – espacoprana.com.br

52 Morumbi SETEMBRO 2009


publieditorial

Beleza Mineral

Chegou a nova linha de maquiagem Mineral Beauty Primavera-Verão 2009 (maquiagem mineral), com lindas
cores seguindo as tendências da alta moda. A maquiagem mineral é leve, não prejudica a pele, tem maior aderência,
luminosidade e transparência ideal. Não contém conservantes, os produtos são não-comedogênicos, ou seja, não
obstruem os poros. Especialmente elaborada para uso em peles sensíveis e dermatologicamente ou oftalmologicamente
testados.

SERVIÇO O Boticário - Carrefour Tel.: 3742-1127 / Centro Empresarial Tel.: 3741-4526


Extra João Dias Tel.: 5851-7908 / Jardim Sul Tel.: 3742-0975
painel da educação

Tecnologia em
prol da educação
Q
Escolas que permitem o uso uando se é pequeno, é frequen- de lousa eletrônica, é ligada a um com-
te ouvir a famosa pergunta: putador. O sistema é equipado com
de notebook em sala de aula “O que você quer ser quando microfones e câmeras, que gravam em
e interagem com os alunos crescer?”. Geralmente feita quando se é arquivo todo o conteúdo dado em sala,
muito novo, ela é sempre respondida podendo ser revisto pelos alunos quan-
através de blogs. Professores de prontidão, com profissões como: tas vezes for necessário, ficando dispo-
que, ao invés de usarem a bombeiro, médico, dentista... Mas com nível também para download. O me-
o passar dos anos, as crianças desco- lhor é que esse material pode ser salvo
tradicional dupla quadro-negro brem o quanto elas têm que se dedicar com todas as explicações e anotações,
e giz, fazem uso de uma lousa para conseguirem se formar na profis- e você pode prestar mais atenção no
são que desejam e o quanto estudar em que o professor fala, sem precisar ano-
sensível ao toque, que possibilita um bom colégio, que prepare o aluno tar tudo no caderno, nem correr o risco
acessar a internet, na hora e com um ensino de primeira e material de perder algo importante. Além disso,
didático de qualidade, faz toda a dife- ela permite que o professor desenhe,
para todos da sala, para falar rença. Com as crianças indo cada vez sublinhe, rabisque e acesse páginas da
sobre um determinado assunto mais cedo para a escola e os pais cada internet para pesquisas on-line. Entre os
vez mais preocupados com o futuro dos benefícios que todas essas tecnologias
ou esclarecer alguma dúvida. seus filhos, vários colégios investiram trazem, pode-se destacar a redução de
Achou estranho todas essas em sistemas inovadores, substituindo trabalho para professor e aluno, melhor
os tradicionais livros e revolucionando utilização de tempo em sala de aula
tecnologias disponibilizadas em o ensino. Deixando os discentes sempre e a participação ativa de todos. Edson
salas de aula? Acompanhando bem atualizados, essa transformação Keller, diretor do Colégio Pentágono –
educacional vem dando somente re- Unidade Morumbi, explica que mesmo
cada vez mais as tendências sultados positivos. São diversos recur- sendo uma ferramenta poderosa e su-
internacionais, escolas oferecem sos tecnológicos utilizados a favor do perutilizada, o professor não pode dei-
aluno, como o uso de notebooks, TV xar de interagir com o aluno. “Eu acho
sistemas diferenciados de ensino, a cabo, vídeos, áudios e a lousa digital, essas ferramentas superimportantes,
com multimídias e recursos que tornaram as aulas mais dinâmicas porém o professor precisa saber utilizá-
e conseguiram prender a atenção do las. Não adianta escurecer a sala e passar
audiovisuais para ajudar no estudante durante todo o período que o conteúdo, sem agir mutuamente com
aprendizado. ele permanece em sala. Criada para os alunos. O professor precisa aprender
aumentar a interação entre professor e a usar essa nova ferramenta. Ela, por si
aluno, a lousa digital, também chamada só, não resolve problemas na sala de

54 Morumbi SETEMBRO 2009


objetivo

SETEMBRO 2009 Morumbi 55


painel da educação
desses recursos, as aulas ficaram muito
A maioria dos professores tem mais completas. “Houve melhor visua-
lização do conteúdo, muitas vezes tor-
blog ou interage com os alunos nando alguns tópicos complexos mais
via e-mail. Hoje isso é essencial. simples de se entenderem. Ter contato
Se o aluno perdeu alguma coisa e aprender a dominar todos esses re-
importante durante a aula, cursos se tornaram pré-requisitos para
diversas áreas de atuação no mercado
os professores postam na sua de trabalho. Aprender a lidar com isso
página e o aluno acessa ainda na escola ajuda bastante, pois a
de onde estiver. familiaridade que obtemos hoje será
Edson Keller – Diretor do Colégio Pentágono usada amanhã”. Outro estudante que
aprovou a implantação desses recursos
foi Diogo Marques, também do ensino
aula”, analisa. Edson ressalta que depois versos recursos e faz uso deles em todas médio do colégio Pentágono. “O con-
que começaram a fazer uso de sistemas as aulas. Mesmo assim, não dispensou o junto como um todo formou um novo
multimídias, a atenção e a participação uso da lousa e do giz. “Em todas as salas, sistema de ensino, muito mais moderno
em sala aumentaram. “Hoje, em Ciên- além da lousa digital, temos a lousa con- e eficiente, prático e produtivo. Como
cias, por exemplo, ao invés de desenhar vencional, não abrimos mão disso. Não consequência, temos um ensino mais
as fases de crescimento, o professor temos 100% das aulas trabalhadas em forte. Toda aula é aproveitada de forma
pode mostrar um vídeo ou um Power- lousas eletrônicas. Ela é um recurso para minuciosa, fazemos mais exercícios e,
Point e colocar tudo na tela. É colorido, o professor. A sala tem dois ambientes e com isso, aumentamos as chances de
tem movimento e som. Certamente eles se somam”, diz Keller. Fábio Floresta, atingirmos nossa finalidade, que é pas-
enriquece muito a aula”. A escola, que aluno do ensino médio, do Pentágono, sar no vestibular mais concorrido do
ensina alunos de 2 a 17 anos, possui di- conta que depois da implementação Brasil: a FUVEST”, diz.

56 Morumbi SETEMBRO 2009


Tradição e modernidade Pela reação dos nossos alunos
Outra ferramenta inovadora, mas ainda
pouco utilizada, é o Blackboard Lear- em relação a essas tecnologias,
ning System, usado na Universidade de percebemos que eles se sentem
Harvard. No Morumbi, presente apenas
no Colégio CPV, o sistema oferece o que
muito mais motivados para encarar
há de mais moderno em comunicação o mercado de trabalho do que se
entre professores e alunos, além de or- estivessem em uma aula
ganizar toda a parte administrativa.
Flávio Antonietto, diretor pedagó- simples.
gico do colégio, explica que com esse Flávio Antonietto
sistema, os alunos podem, além de ou- Diretor pedagógico do Colégio CPV
tras inúmeras opções, fazer avaliações
em casa. “O professor coloca a prova no
sistema e o aluno acessa com seu login que, mesmo fazendo uma avaliação em
e senha, de onde estiver. Assim que ele sala, os alunos não colam porque o siste-
encerra a avaliação, o sistema mostra na ma lança perguntas diferentes para cada
hora a nota que ele tirou, e já joga essa aluno, então não tem como ele olhar do
nota na nossa central de administração lado para ver as respostas”.
escolar. Não há risco de cola de qualquer Segundo Flávio, o Blackboard (re-
página da internet, porque o Blackboard produção da tela do computador à direi-
analisa o que foi escrito pelo aluno e avisa ta) é o melhor meio em opções de en-
o professor se um trecho ou texto com- sino. “É uma ferramenta muito poderosa
pleto foi tirado de algum site, por exem- de interatividade entre o aluno e a esco-
plo. Outra opção muito interessante, é la, usada em grandes universidades

SETEMBRO 2009 Morumbi 57


painel da educação
O aluno tem todo o apoio da fessores e ferramentas se completam”.
instituição para conseguir ser Ivone Nonato, coordenadora de infor-
um bom profissional, mas ele precisa mática do Colégio Porto Seguro, conta
ser determinado e estabelecer metas. que hoje em dia, o foco na qualidade
do ensino está bem diferenciado. “O
Se ele realmente estiver focado, vai uso desses recursos deixa o aluno mais
conseguir ter um futuro esperto e inteligente. Ele respeita o pro-
brilhante. fessor e entende que a principal preocu-
Ivone Nonato, coordenadora de pação dele é o conteúdo. Se o professor
informática do Colégio Porto Seguro. tem algum limite ou dúvida em relação
a tecnologia, o aluno se oferece pra aju-
dar e é uma troca muito interessante,
que os aproxima ainda mais. O profes-
e que veio para agregar valores. A nova mais modernas e de última geração, sor não é desrespeitado por ter uma
geração já nasce informatizada, então Flávio diz que a escola não abre mão dúvida de tecnologia e o aluno se sente
temos que acompanhar, porque, para do uso do quadro-negro e do giz. um co-produtor de todo esse ambiente,
eles, computador e internet são coisas “Nossos professores foram treinados ajudando com dicas e fazendo com que
importantes. Eles gostam do visual e se para usar todas as ferramentas tecno- a aula fique muito melhor”.
interessam muito mais por isso do que lógicas disponíveis no colégio; mas o Atendendo alunos com idade a
por uma aula clássica. O sistema Black- professor, o quadro-negro e o giz nun- partir de 1 ano e dois meses até o ensi-
board oferece uma imensa gama de ca desaparecerão da sala. Nós mostra- no médio, o Colégio Porto Seguro possui
possibilidades, despertando a atenção e mos todas as possibilidades que esses um moderno laboratório e tem insta-
a curiosidade dos alunos”, diz. sistemas oferecem e eles se sentem lado em 90% das salas o kit multimídia
Apesar do uso de infinitas tecno- cada vez mais motivados a produzi- em rede wirelles. De acordo com Ivone,
logias e do uso de técnicas cada vez rem novos materiais. Eu diria que pro- é um estímulo muito maior para o

58 Morumbi SETEMBRO 2009


aprendizado. “Por uma filosofia do co- sante é que o professor, a partir de uma novas ferramentas, usufruindo de todas
légio, os alunos trabalham em duplas, estratégia que pode não ter dado certo, as suas potencialidades e ensinando o
porque acreditamos muito nessa ação como qualquer outra que ele tenha usa- máximo de material possível aos alunos.
entre eles, mas com a implantação desse do, repense e discuta com os alunos, para Elas estarão cada vez mais presentes e
kit, houve também um grande estímu- fazer um diagnóstico daquilo e saber o os alunos precisam aprender a lidar com
lo para o professor, porque ele faz o seu motivo de não ter dado certo. Essas coi- tudo, porque o futuro exigirá. São ferra-
blog ou site, e mostra, acessa para o alu- sas acontecem, não é algo 100% infalível. mentas que vieram para ficar e colaborar
no em sala, e ali ele coloca as tarefas e a Como educadora, acho que a grande im- cada vez mais, fazendo com que o traba-
complementação da sua aula, para que portância disso é focar com os próprios lho para ambos os lados se torne mais fá-
o aluno acesse em casa. Já no Portinho, alunos e encontrar um novo caminho”. cil, sem perder qualidade e tempo, além
para os alunos menores, oferecemos É importante que os professores este- de oferecer flexibilidade e ambientes
equipamentos específicos para a idade. jam bem preparados para o uso dessas alternativos para aprendizagem. g
São teclados que usam o estímulo e fo-
ram especialmente montados para eles.
Quando a criança bate nas teclas, a tela
responde com sons e muitas cores, e isso
já é uma interação com a tecnologia. A
criança pratica uma ação e tem o retorno
daquilo. É uma troca que faz com que ela
saiba reconhecer objetos, por exemplo”.
Mas apesar de todas as qualidades e ex-
celentes resultados, Ivone ressalta que as
falhas são inevitáveis. “Às vezes a rede não
liga, o computador não entra no sistema,
são os percalços da tecnologia. O interes-

SETEMBRO 2009 Morumbi 59


por Rosa Richter cidadania

Quero qualidade de vida, e você?


Site rosarichter.com.br, uma ferramenta criada para o Morumbi
“Como não Caro leitor,
existe nada há anos venho trabalhando em prol da cidadania e da
mais precioso qualidade de vida. Me deparei com as desigualdades
que o tempo, sociais do Morumbi, que me mostraram a necessidade
também não de agir e sair da minha zona de conforto e me tornar
existe maior uma pessoa mais humana, produtiva e com atitude.
generosidade Ao longo desses dez anos, adquiri uma experiência
que o em áreas que podem ser muito úteis, por que não dis-
perdermos ponibilizar? Aprendi que usar as ferramentas que exis-
ajudando tem ao nosso alcance é fundamental para um bom
aos outros.” desempenho, e com essa necessidade e com esse ob-
Marcel jetivo nasceu o site rosarichter.com.br (ao lado, uma
Jauhandeau das páginas do site).
Ele nasceu com o objetivo de ser uma ferramenta
de comunicação, nos dias de hoje, pois é a melhor e
mais completa arma que temos para informar e mul-
tiplicar as mensagens desejadas. Com as demandas
diárias que recebo em meu celular, rádio e e-mail há nova ferramenta de trabalho para o Morumbi.
anos, cheguei à conclusão de que deveria criar uma Como todos sabem, um site é tão eficiente quanto um
celular ou um e-mail, porém sua multiplicação é muito
mais eficaz. Encontrei na tecnologia a ferramenta ade-
Publicidade quada para deixar todos informados e, ao mesmo tem-
po, poderem participar ativamente das reivindicações
que a população tanto almeja e solicita.
Foi baseado em três pilares que nasceu o site
www.rosarichter.com.br:

- Ele é democrático
- Ele é uma ferramenta de comunicação
- Ele é dedicado à cidadania

Espero auxiliar a todos que queiram ser coerentes


com suas escolhas e determinados em exigir os seus
direitos para, juntos, chegarmos ao exercício de uma
cidadania saudável e plena.
Os links são compostos de Apresentação, Objetivos,
Eu Quero, Telefones Úteis, ONGs, Artigos, Acompanhe,
Blog e Contato.
ENTRE, ACESSE, CONHEÇA e PARTICIPE.

Rosa Richter

Rosa Richter é pedagoga; presidente da Associação Cultural e de Cidadania do


Panamby; presidente da AMO Jardim Sul; conselheira e diretora de várias entidades
na área de desenvolvimento social. rr@rosarichter.com.br

60 Morumbi SETEMBRO 2009


por Lívio Giosa CORPORATIVO

Falar a verdade vale a pena


“Em tempos de competitividade, o que diferencia são as competências”.

Esta máxima do mercado está cada vez mais cursos feitos, conhecimentos diversos obtidos
valorizada. Quer queira ou não, tudo na vida através das experiências que vão se acumulando
nos coloca em concorrência com alguém, no seu tempo. Nasce, aí, o diferencial. Cada boa
seja na ação pessoal, seja do ponto de vis- iniciativa prática lhe dará vantagem competitiva
ta profissional ou empresarial. Reconhecer as na vida, na profissão, na sua vivência empresarial.
nossas competências é, então, fundamental. Tudo isto, quando possível, formalizado
A partir do concurso vestibular, normalmente, com os certificados, diplomas que atestam
começamos a sentir os efeitos da competição. e conferem o percurso virtuoso da carreira.
Daí vem a seleção para um recrutamento no No entanto, não raro percebe-se aqueles
estágio, depois para um cargo de trainee, e a que querem encurtar este caminho exage-
sucessão natural para alcançarmos os degraus rando ou inventando qualificações que só
maiores da responsabilidade profissional. prejudicam o processo seletivo profissional.
A conclusão fatal é que “mentira tem perna cur-
E, então, costumo dizer que a “mochila da vida”
ta” no currículo. Não adianta querer impressio-
vai se preenchendo pelas vivências alcançadas,
nar. Todo processo seletivo passa por entrevistas
e aqui se tem a base concreta e interpretativa de
Publicidade tudo que foi escrito no famoso Curriculum Vitae.
Não adianta inventar um curso que não fez,
um cargo mais elevado, indicar graus maio-
res de conhecimentos da língua ou elevar o
tempo de permanência no emprego anterior.
Como tudo pode ser comprovado, na hora “da cha-
mada oral” estas inverdades caem por terra cau-
sando uma atitude negativa para o profissional.
Por outro lado, agindo de uma forma hones-
ta, isto melhorará a sua avaliação do ponto de
vista da ética, das boas práticas e da verdade,
abrindo um novo valor de avaliação que é a fi-
delidade e o bom comportamento profissional.
Assim, se o mercado exige estas posturas, pois
quer profissionais com olhar ético e qualificado,
é preciso estar preparado verdadeiramente, con-
quistando pontos no caminho do bem da vida,
certos de que mentira e currículo não combinam. g

LÍVIO GIOSA é presidente do CENAM (Centro Nacional de Modernização Empresarial);


vice-presidente da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil);
Coordenador Geral do IRES (Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental) e
sócio-diretor da G,LM Assessoria Empresarial.

62 Morumbi
Estudar música é fundamental!
“Como é bom poder tocar um instrumento...” (Caetano Veloso)

Tocar um instrumento no Brasil ainda não é tão valorizado como em outras


partes do mundo. Tem havido, porém, uma mudança significativa neste aspecto
nos últimos anos. No Morumbi há 10 anos, a escola Em Harmonia trabalha cada
vez mais o interesse pelo aprendizado musical. Neste processo são estimulados,
de maneira globalizada e “despercebida”, a atenção, a memória, a habilidade
psicomotora, a concentração, o raciocínio matemático e o aspecto social do
aluno. Ao tocar um instrumento é possível aprimorar e exercitar dificuldades
diárias específicas que se manifestam no aprendizado na escola, no caso
das crianças. Nos adultos, pode diminuir o estresse ou ser simplesmente
um hobby que traz alegria e relaxamento aliado à realização de um sonho.

A escola possui grande variedade de cursos, entre eles: guitarra, violão, piano,
bateria, canto, flauta, teclado, violino, baixo, sax, cavaco, pandeiro, clarinete
e musicalização. Estudar o instrumento que o aluno deseja, professores
qualificados, integrados com a metodologia aplicada, e uma diretoria consciente
e participativa fazem muita diferença.

Rua Dep. João Sussumu Hirata 543 - Fone: 3749-9978


por Paulo R. Amaral pensata

O que tem do
outro lado da ponte?
Eu não acreditei quando ouvi essa meus irmãos e primos. Era uma bagunça só.
A viagem era demorada, e já chegávamos
pergunta feita por um amigo, nascido em cansados para passar os finais de semana na
São Paulo há mais de 50 anos. Ainda tentei chácara. Tempo gostoso. Clima agradável e chei-
ro de roça. As casas ficavam distantes umas das
retrucar revelando o meu espanto: Como outras e de noite o barulho dos bichos assustava.
assim? Mas ele, seguro do que estava di- O Morumbi era um lugar pra correr e viver livre,
longe do barulho infernal da cidade”.
zendo, traçou um contundente perfil do É, meu amigo, muita coisa mudou nesses
Morumbi, que eu divido com você agora, anos desde a sua infância. As distâncias encurta-
ram e o Morumbi já faz parte desta cidade agita-
caríssimo leitor. da e barulhenta (mesmo que a viagem continue
demorada por causa do trânsito intenso e do
“O Morumbi? Nossa, que lugar distante! Re-
restrito acesso ao bairro). No Morumbi de hoje
cordo do tempo em que eu ia muito pra lá quan-
você não conseguiria tomar banho de rio.
do era garoto. Meu pai tinha uma chácara cheia
Os poucos que ainda estão à mostra são
de árvores, e frutas espalhadas pelo chão. Tenho
pequenos córregos de esgoto sem tratamento
saudades dos banhos de rio lá por aquelas ban-
que deságuam no fétido Rio Pinheiros. As ruas se
das. Costumávamos ir todos juntos, meus pais,
multiplicaram, algumas – bem tortuosas – ainda
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surgem nos lugares mais inesperados e não dá
pra ficar de bobeira porque você corre o risco
de virar um número na estatística da violência
da cidade. Olha, amigo, lamento te frustrar, mas
esse Morumbi que você conheceu não existe
mais. Aliás, será que esse lugar ainda existe no
planeta?
Porém, esteja certo, caro amigo, comparado
a outras regiões de São Paulo, não há lugar me-
lhor do que o Morumbi. As árvores já não são
tantas, mas me orgulho do verde que se destaca
na paisagem. As casas mais próximas trouxeram
gente amigável e hospitaleira. E se já não há
cheiro de roça, nem barulho dos bichos à noite,
o Morumbi ainda é daqueles lugares tranquilos,
tão raros nas grandes cidades. Por isso, amigo, te
faço um convite: se arrisque a atravessar a ponte,
venha ver um novo bairro e se surpreenda. Você
pode não encontrar a sua infância, mas quem
sabe não está aqui a tranquilidade que você pro-
cura na maturidade. g

Paulo Roberto Amaral é morador do Morumbi e jornalista da Rede Globo


de Televisão, onde edita o Jornal Hoje.

64 Morumbi
vitrine
vitrine

Eu compro, tu compras,
T
odo mundo sabe, e concorda, que
fazer umas comprinhas de vez em

ela compra... quando é saudável, superagra-


dável, faz bem pro ego e nos deixa mais
felizes, principalmente quando se tem um
dinheirinho sobrando ou não vai apertar
Fazer compras e mais compras,
o orçamento mensal. Também é delicio-
mesmo sem ter dinheiro na so entrar em uma loja, provar e constatar
conta, no bolso ou no cartão que aquela roupa ou sapato que você viu
na vitrine parece que foi feito especialmen-
de crédito. Todos os dias,
te pra você. Mas o que fazer quando esse
milhares de pessoas simples prazer se torna um vício, as com-
se arriscam em fazer pras passam do limite e você começa a
mais dívidas, mesmo já acumular uma dívida em cima da outra,
não consegue mais pagar tudo o que deve
estando sem saldo no e, mesmo assim, não perde a vontade, não
banco e sem se importarem com o risco de ficar com consegue parar e continua comprando?
o nome sujo. Elas não se controlam em frente a uma Segundo o dicionário Aurélio, Onio-
mania significa “desejo mórbido, impulsivo,
vitrine e ficam com as mãos suadas se não conseguem de fazer compras”. É quando a pessoa se tor-
adquirir o objeto desejado. Acredite, isso é uma doença na incapaz de controlar o estímulo de com-
e precisa ser tratada. O nome dela é Oniomania. prar, extrapola o “aceitável” e passa a gastar
até o que não tem. Se não possui o que
quer, ela fica irritada, com taquicardia
A atriz Isla Fisher, personagem do filme Delírios de Consumo de Becky Bloom

66 Morumbi setembro 2009


vitrine

Conhecido como shopholic, esse


hábito pode atrapalhar, e muito,
a vida da pessoa, que passa a
gastar além do normal e que
sente prazer em chegar em casa
com as mãos cheias de sacolas.

e ansiosa; se possui, depois de ter nas mãos


o que tanto queria, sente um imenso alívio
e, em seguida, a culpa e o arrependimento
por ter comprado sem necessidade.
Psicólogos afirmam que as conse­
quências para esse tipo de ato são gravís­
simas, pois a pessoa se afunda em contas
e depois vive atormentada pelos cobrado­
res. Ser compulsivo por compras também
pode afetar seriamente o convívio familiar.
Há casos em que casais se separam devido
aos problemas financeiros ou até à falên­
cia dos bens causados por esses exageros.
Mais frequente em mulheres, os pro­
dutos mais comprados por elas são joias,
roupas, bolsas, sapatos, maquiagens e
perfumes. De acordo com a psicóloga
Mara Pusch, a maioria delas possui tem­
peramento forte, são dinâmicas, perfec­
cionistas e muito inteligentes. “Por isso,
na hora da compra, a avidez por comprar
fala mais alto”, afirma. Já os homens, que
não ficam de fora dessa estatística, gas­
tam mais com aparelhos celulares, produ­
tos eletroeletrônicos, motos e carros.
Não dá pra negar que as opções para
compra são diversas e atrativas. Diaria­
mente, propagandas veiculadas em todos
os meios de comunicação inspiram o con­
sumo e mostram lançamentos do mundo
inteiro, novidades interessantes e preços
que podem ser, e na maioria das vezes são,
divididos a perder de vista. Não tem como
não se encantar com tantas possibilida­
des e produtos de encher os olhos, mas é
justamente nesse momento, que a pes­
soa precisa estar atenta para não perder
o controle. Como a compra é parcelada,
ela vai adquirindo diversos bens e cada vez
mais prestações, se ‘enrolando’ na hora de
quitar os débitos.

68 Morumbi setembro 2009


vitrine

Com a palavra,
as compradoras
Quais são os reais motivos que levam
uma pessoa a ser consumista ao extremo?
Problemas familiares ou emocionais? Ex-
cesso de vaidade? Exigência da mídia?
Cobrança para estar dentro dos padrões?
A administradora Laura Oliva conta
porque começou a comprar demais. “Eu
estava com o emocional abalado. Em
vez de comer compulsivamente, passei
a comprar. Comprar qualquer coisa me
dava prazer e eu pensava: ‘eu mereço, por
que não levar?’ Para compensar a minha
tristeza e vazio eu me premiava com pe-
quenos, mas muitos, presentes. Também
presenteava as pessoas e comprava coisas
desnecessárias para a minha casa. Com-
prava para o futuro”.
Laura, que depois de uma compra
sempre prometia para si mesma nunca
mais fazer aquilo, diz que já chegou a es-
quecer de coisas que comprou por não
serem importantes, e relembra que as
maiores loucuras foram feitas em lojas de
sapatos. “Eu cheguei a comprar um sapato
de grife, de número menor ao que eu uso, só
porque era o último da loja e estava em pro-
moção”. Ela diz que se arrepende por já ter
comprometido, algumas vezes, até 100%
do salário. “Eu comprava porque queria
possuir o objeto. Me arrependo porque gas-
tei muito dinheiro e, pior, gastei mal”.

Hoje o sujeito precisa


ter, não precisa ser.
Quando o objeto de desejo é
adquirido ele consegue mostrar e
ter status. Desde cedo, as crianças
são estimuladas a competir e são
recompensadas por isto.
Quando se tornam adultas, elas
precisam ser bem-sucedidas e
continuam buscando
suas recompensas.
Rosani Maria Calegari,
psicóloga e psicanalista

setembro 2009 Morumbi 69


vitrine

Por que eu compro demais?


Segundo a psicóloga e psicanalista Rosani
Maria Calegari, um dos fatores que pode
desencadear a compulsão por compras
é o mundo capitalista em que vivemos.
“Hoje o sujeito precisa ter. Ele não precisa
ser. Então, quando o objeto de desejo é
adquirido ele consegue ostentar, mostrar e
ter status. Desde cedo, as crianças são esti-
muladas a competir e são recompensadas
por isto. Quando se tornam adultas, elas
precisam ser bem-sucedidas e continuam
buscando suas recompensas. Atualmente
as pessoas precisam ser boas em tudo o
que fazem. E muitas vezes, o ser humano
não está preparado para abarcar a toda
esta demanda. O resultado desta descom-
pensação emocional pode desencadear
uma série de ansiedades. Muitas vezes, o
comprador não está interessado e nem
necessita do objeto em si, mas no prazer
momentâneo que sua aquisição lhe ofe-
rece. O compulsivo está ‘doente’, prova-
velmente impossibilitado de se perceber
como ‘doente’, e, consequentemente, pro-
curar ajuda. É imprescindível a interven-
ção familiar ou de amigos próximos”.
Apesar de saber que a atitude não
é correta, a decoradora de ambientes e
empresária Fernanda Cardoso diz que
às vezes é difícil se controlar. Mesmo as-
sim, ela aconselha: “Qual de nós, estando
diante de uma vitrine, não se sente como
uma criança na Disney? O problema é que
comprar demais não é o melhor caminho.
De uma forma ou de outra, tentamos su-
prir nossas carências com coisas que, na
maioria das vezes, sequer usaremos, mas,
como quem encontra um tesouro valio-
so, voltamos para casa recompensadas
e felizes. No entanto, os motivos reais que
causam essa compulsão continuam no
mesmo lugar e logo a alegria vai embo-
ra. Não estou dizendo para que deixem
de comprar seus mimos ou aquela bolsa
que você tanto sonha, afinal, merecemos,
mas cuidado para que isto não deixe de
ser um prazer saudável e vire uma doen-
ça incontrolável”.

70 Morumbi setembro 2009


vitrine

A cura
De acordo com Rosani, existem
tratamentos para a compulsividade.
“Desde a linha comportamental, a psi-
coterapia e a análise. O primeiro passo
é reconhecer o problema e querer ajuda
profissional. Dependendo do grau da
compulsividade é necessário a utiliza-
ção da medicação específica. O ato da
compra preenche um ‘vazio sem nome’.
É prazeroso, momentâneo, logo, repeti-
tivo. O apoio de uma análise testemu-
nha o sofrimento, a culpa, a vergonha e
a impotência do ato compulsivo”.
A psicóloga explica que o tra-
tamento é fundamental, mas não é
garantia de cura. “As pessoas, às ve-
zes, parecem estar curadas naquele
momento. Mas ao passar novamente
por alguma situação traumática, elas
podem voltar a comprar. Uma pessoa
que já se submeteu a um tratamento
não está livre de uma recaída, porém
terá melhor compreensão da sua ação-
situação. Na questão da compulsão se
faz necessário acompanhamento tera-
pêutico e médico”.
Por isso, pense bem antes de fazer
a próxima compra. É essencial não es-
quecer que é importante poupar para
o futuro. Estabelecer metas, fazer o
planejamento adequado de quanto se
ganha e quanto pode gastar ou usar
a consciência para aprender a se con-
trolar ainda é, com certeza, a melhor
opção.

SERVIÇO:
Dra. Rosani Maria Calegari
Psicóloga e Psicanalista
Av. Dr. Guilherme Dumont Villares, 588
Tel.: 3744-0755

Dra. Mara Pusch


Psicóloga e Consultora de Imagem e
Comportamento
Tel.: 7150-3961

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vitrine

Vai Acontecer
Degustação de Histórias:
Amores Possíveis e Impossíveis
16 de setembro
Projeto exclusivo da Livraria da Vila em
parceria com o contador de histórias
Ilan Brenman e a chef de cozinha Joana
Leis. As noites temáticas acontecem uma
vez por mês com um convidado especial
surpresa. Uma noite inusitada com
histórias do mundo regadas a vinho e alta
gastronomia!
Livraria da Vila
Shopping Cidade Jardim
Das 19h45 às 21h30
Valor por evento: R$ 55

Exposição: Cores e Bichos, de


Aldemir Martins
Até 17 de setembro
Club Transatlântico
Rua José Guerra, 130 – Chácara
Santo Antonio
De seg a sex das 9 às 22h
Gratuito

Pocket Show – Bossa ao Vivo:


Patty Ascher e Arnaldo Antunes
Livraria da Vila
Shopping Cidade Jardim
Piso Auditório
14 de setembro
Patty Ascher, das 17h às19h
Arnaldo Antunes, das 19h às 21h30

Palestra: Dharma Day 2 - 2009


Iniciativa ‘Lost’
Bate-papo promovido por Fábio Hofnik
e Leandro Leite para reunir os fãs da série
Lost debaterem.
Dia 19 de setembro, às 15h
Livraria Cultura
Shopping Market Place
Palestra: Autores&Ideias com
Carlos Tramontina
Carlos Tramontina, apresentador da
segunda edição do SPTV e do semanal
Antena Paulista, publicou A morada
dos deuses: um repórter nas trilha do
Himalaia (Sá Editora), um relato pessoal
sobre sua escalada no Nepal.

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vitrine

Livraria da Vila
Shopping Cidade Jardim
Piso Auditório
20 de setembro, das 17h às 18h30
Curso: História da Arte
Esplendor e magnificência. A arte
da tapeçaria antiga: século XV ao
XVIII
De 30 de setembro a 21 de outubro
(sempre às quartas-feiras)
Das 10h30 às 12h30
Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
Av. Morumbi, 4077 – Tel.: 3742-0077
Informações e inscrições: 2306-0767 /
2306-3073 / 8128-5521
Valor: R$ 100 (inscrição) + 1 parcela
de R$ 100
Shows: Credicard Hall
Blue Man Group
Até 13 de setembro
Horário: diversos
ngressos: de R$ 100 a R$ 280
Jerry Lee Lewis
18 de setembro às 22h
Ingressos: de R$ 90 a 300
Av. das Nações Unidas, 17955
Informações: 2846-6010

Evento beneficente
Jazz for Peace
Em prol do Cáritas Santa Suzana.
Toda a renda será revertida para ações
sociais com os assistidos pela instituição.
Dia 16 de outubro, às 21h
Paróquia São Luiz Gonzaga, do Colégio
São Luiz.
Av. Paulista, 2378
Ingressos: R$ 100

setembro 2009 Morumbi 73


FINAL FELIZ por Floriano Serra

As quatro estações do amor


Como em tudo na vida ligado à natureza, as relações afetivas obedecem a ciclos – melhor dizendo, a estações,
como o tempo. E isso faz muito sentido, porque as relações humanas são dinâmicas, elas não seguem imu-
táveis, linearmente, pela vida afora – por isso elas têm suas fases e momentos de mudanças. Com a proximi-
dade da primavera, não resisti à tentação de fazer essa analogia do Amor com as quatro estações do ano.

A primavera é a fase mais esplendorosa da relação Mas, felizmente, não é sempre que
afetiva. Os casais vibram com o desabrochar de novos as histórias de amor seguem essas
sentimentos e com a revitalização dos antigos. Tudo con- fases, nessa sequência. Como sabe-
duz a relação para a alegria, o carinho e o entendimento. mos, o amor é mágico e misterioso.
Talvez alguns leitores considerem que isso só é possível E devido a essa magia e mistério
no início dos relacionamentos. Certamente as fases de que cercam o universo do amor, ele
conquista, namoro e noivado são sempre primaveris no tem suas próprias leis, ciclos e movi-
seu clima envolvente de plenitude amorosa, como se a mentos. Por isso, o ciclo das estações
relação fosse impregnada pela festa florida que é a natu- afetivas não é obrigado a seguir a
reza nessa estação. duração, a cronologia e a sequên-
cia das estações climáticas do Ano.
Nas relações afetivas, o verão pode
acontecer em março e durar o ano
O verão é a fase mais sensual da relação,
todo – ou vários anos; o inverno
quando o casal tem os hormônios à flor
pode vir em junho e durar apenas
da pele, com as fantasias à solta. Nesta es-
um fim de semana – e assim por
tação, todos os sentimentos são potencia-
diante. É o coração dos amantes que
lizados pelo calor que emana dos corpos,
determina isso – e não tente enten-
das mentes e dos corações. As pessoas se
der porque assim é – afinal, há um
apaixonam fácil, ficam mais receptivas e dei-
mundo de maravilhas nos mistérios
xam fluir as sensações que o amor produz.
do amor e é importante que ele seja
preservado. Este artigo é apenas um
alerta, um aviso de que o casal, ao
Depois vem o outono e tudo se acalma. É como se longo do seu relacionamento – e
os excessos praticados no verão, se as vivências calorosas se houver amor bastante – poderá
daquela estação provocassem um cansaço, um desgaste, determinar a qualidade das suas
um sossego nos casais. Não quero dizer que seja ruim. A quatro estações. Portanto, que pro-
fase do outono é um bom momento para as reflexões, longuem suas primaveras e verões.
para a revisão dos planos e dos sonhos, para os acertos Que repousem serenamente na
e ajustes que o casal sentir necessários. É um momento fase outonal e façam durante ela
de calmaria e este deve ser utilizado para a serenidade. suas necessárias reflexões e mu-
 danças. E quando o inverno chegar
– se chegar – agasalhem-se com
as boas lembranças das estações
Enfim, chega o inverno e com ele a relação
passadas, aqueçam-se assim como
esfria, congela, perde a disposição para o doce
numa crepitante lareira, e aguar-
e juvenil amor da primavera, perde o calor e a
dem a primavera para recomeçar,
sensualidade do verão. Para muitos casais, o in-
pois esses ciclos, sejam os da natu-
verno amoroso traz o fim da relação, de forma
reza, sejam os da relação amorosa,
triste e melancólica, apesar de tudo o que de
estão em permanente movimento
belo e forte foi vivenciado nas outras estações.
e recomeço. A propósito, a Pri-
mavera está batendo à sua porta
g

Floriano Serra é psicólogo, consultor, palestrante, autor de vários livros e inúmeros artigos sobre o comportamento humano e colunista da revista “Dolce”. E-mail: florianoserra@somma4.com.br

74 Morumbi SETEMBRO 2009


cpv

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