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A religiosidade católica e seus santos: o Cemitério Municipal de Maringá – PR como espaço de

A religiosidade católica e seus santos: o Cemitério Municipal de Maringá PR como espaço de devoção

Solange Ramos de Andrade 1 e Vanda Fortuna Serafim 2

Resumo: Neste artigo analisamos o Cemitério Municipal de Maringá como um espaço

de devoção a dois santos: Clodimar Lô e Monsenhor Bernardo. Enquanto expressão

marcante da religiosidade católica, o culto aos “santos de cemitério” confirma a

vitalidade das relações devocionais estabelecidas entre os vivos e os mortos. Em primeiro lugar apresentamos a organização do espaço dos mortos em Maringá e as

maneiras pelas quais as biografias de seus santos legitimam a crença em seus poderes

intercessores. O conceito de “representação” de Roger Chartier é utilizado para

analisarmos o milagre enquanto uma das formas de atribuição de sentido às condições de vida do homem religioso e, por fim, tecermos algumas considerações acerca da autonomia do culto a esses santos que independem de qualquer intervenção da instituição eclesiástica.

Palavras-chave: cemitério religiosidades - devoção

  • 1 Profa. Associada do Departamento de História UEM-PR; Professora do Programa de Pós-Graduação em História PPH/UEM. Coordenadora do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu História das Religiões UEM/PR. Coordenadora Nacional do GT História das Religiões e das Religiosidades ANPUH. Contato:

sramosdeandrade@gmail.com

  • 2 Doutoranda em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. Bolsista MEC-Reuni. Contato:

vandaserafim@gmail.com

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104 The catholic religiosity and its saints: the Cemitério Municipal de Maringá-PR as a place of

The catholic religiosity and its saints: the Cemitério Municipal de Maringá-PR as a place of worship

Abstract: In this article we analyze the Cemitério Municipal de Maringá as a place of devotion to two saints: Clodimar Lô and Monsignor Bernardo.While outstanding expression of religiosity Catholic, the worship to the "saints from cemetery" confirms the vitality of established devotional relationships between the living and the dead.We first present the organization of the dead space in Maringá and the ways in which the biographies of saints legitimize beliefs in their intercessor powers.The concept of "representation" of Roger Chartier is used to analyze the miracle as a way of assigning meaning to the living conditions of the religious man and, finally, we make some considerations about the autonomy of the worship of these saints that are independent of any intervention of the ecclesiastical institution.

Keywords: cemetery religiosity - worship

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105 A reflexão apresentada neste artigo está vinculada a dois projetos de pesquisa desenvolvidos, desde 2005,

A reflexão apresentada neste artigo está vinculada a dois projetos de pesquisa 3 desenvolvidos, desde 2005, no Laboratório de Estudos em Religiões e Religiosidades (LERR-UEM), com objetivo de abordar a história do catolicismo em Maringá-PR sob dois aspectos: o institucional e o das manifestações religiosas. Aqui, nos deteremos em alguns aspectos desta última.

No início do século XXI, Pierre Sanchis (SANCHIS, 2011, p. 11) questionava se, no

mapa das religiões, haveria lugar para a „religiosidade‟. A inquietação de Sanchis

decorria de que a „religiosidade‟ era uma categoria em geral utilizada como apodo depreciativo e estigmatizante, que não esconde a sua origem institucional e como se a

validade de praticar „religião‟ fosse precisamente a orientação, contida e modelada por

uma instituição.

Entendida como um tipo de experiência religiosa menor, inferior, secundária ou supersticiosa em relação aos preceitos e cerimônias rituais da religião oficial, esta definição de religiosidade se fundamenta em uma definição de religião constituída na crença da superioridade do corpus teológico, da doutrina moral e das cerimônias cíclicas e uniformes, frente a outros modos de experiência religiosa mais cotidiana, milagrosas e intimistas, quando na realidade, ambas as modalidades de experiência religiosa constituem e expressam símbolos culturais coletivos e representações mentais individuais que chamamos de religião 4 . Foi partindo desta prerrogativa que nos detivemos em estudar os santos existentes no Cemitério Municipal de Maringá no período de 2005 a 2010.

3 O primeiro deles, desenvolvido entre 2005-2007 intitulou-se "As representações do sagrado na sociedade brasileira: A história do católicismo em Maringá"; o segundo "O campo religioso católico em Maringá-PR" é um projeto ainda atual (2009-2011) e conta com apoio financeiro da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná. 4 Sobre as possíveis definições de „religiões‟ e „religiosidades‟ vide:. SANTALÓ, Carlos Álvares; BUXO Y REY, Maria Jesus & BECERRA, Salvador Rodrigues (org). La religiosidad popular. 2. Ed.Barcelona:

Anthropos Editorial, 2003.

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106 O conceito de santo que propomos é abrangente, pois envolve tanto os santos canonizados pela

O conceito de santo que propomos é abrangente, pois envolve tanto os santos canonizados pela Igreja católica, e que constam na hagiografia oficial, como aqueles santos que fogem do preceito institucional, mas que são objetos de intensa devoção por parte dos fiéis (ANDRADE, 2008).

Nossa proposta neste artigo consiste compreender o Cemitério Municipal de Maringá

como um espaço de devoção a esses santos. Para isto seguiremos o seguinte percurso:

apresentaremos inicialmente os locais dos mortos em Maringá, atentando à como um deles torna-se espaço de devoção, devido às suas presenças. Em seguida, apresentaremos a trajetória de vida de Clodimar Lô e de Monsenhor Bernardo. Na seqüência discutiremos esta manifestação religiosa a partir do conceito de

“representação” de Roger Chartier para, por fim, tecer algumas considerações acerca

destes santos enquanto expressão de uma religiosidade católica. As informações apresentadas foram retiradas de jornais da cidade, bibliografia biográfica, pesquisas de campo, questionários e entrevistas com devotos. Neste último caso serão apresentados nomes fictícios aos entrevistados.

Os locais dos mortos: os Cemitérios 5 de Maringá.

Ao analisar a história da morte no Ocidente Phillipe Ariès (1989) constatou que a atitude do homem diante da morte mudou muito ao longo dos séculos. A forma como ela é encarada hoje é muito recente, nos leva a afirmar que percepção que temos da morte é histórica e depende do contexto social e cultural em que está inserida. O morto não está mais enterrado no pátio da Igreja, nem no terreno da casa em que viveu -

5 As informações aqui apresentadas foram constatadas por meio de pesquisas de campo que vem sendo desenvolvidas anualmente, no dia de finados, desde 2005.

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107 independentemente de ser um fato religioso ou vinculado às questões de higiene pública - ele

independentemente de ser um fato religioso ou vinculado às questões de higiene pública - ele está no cemitério ou nas urnas que guardam as cinzas da cremação.

As grandes cidades já contam com fornos crematórios, dispensando os futuros trabalhos de contato com o morto a partir da manutenção de túmulos e visitas em dias específicos, como é o caso do dia 02 de novembro, o Dia de Finados. Apesar do município de Maringá não possuir forno crematório, algumas funerárias oferecem o serviço de cremação, disponibilizando a locomoção do morto para a cidade de São José dos Pinhais, na grande Curitiba. Maringá dispõe de dois cemitérios: o Cemitério Municipal de Maringá, administrado pela Prefeitura e inaugurado em 1947 ainda quando a cidade era Distrito de Mandaguari 6 , e o Cemitério Parque de Maringá, de administração privada, inaugurado em 1986.

O Cemitério Parque de Maringá

O Cemitério Parque possui uma área de seis alqueires, sendo dois de mata nativa. As construções das gavetas são subterrâneas, feitas em alvenaria, com tampas de concreto sobre as quais vem a terra e a grama que o caracterizam enquanto um cemitério-parque. Possui uma capela para velório e amplo estacionamento, além de um espaço alternativo para as velas. A ausência de túmulos dificulta as homenagens no Dia de Finados, apesar de que, durante a pesquisa de campo, encontramos formas alternativas de decoração, como flores em forma de mosaico na própria grama, cartas deixadas sobre as placas de cada jazigo ou pequenos enfeites, como imagens de santos, anjinhos ou terços. Não abordaremos este cemitério, em virtude da ausência de santos populares ou de representações imagéticas, necessários para nossa reflexão. Para atingir tal intento, nosso trabalho está centrado no Cemitério Municipal de Maringá

6 Fundada em 1947, a cidade de Maringá foi elevada a categoria de Município em 1951.

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108 O Cemitério Municipal de Maringá O Cemitério Municipal de Maringá está localizado na av. Cerro

O Cemitério Municipal de Maringá

O Cemitério Municipal de Maringá está localizado na av. Cerro Azul, próximo ao teatro Reviver. Com dez alqueires, o cemitério foi fundado juntamente ao município. De caráter marcadamente cristão, o cemitério possui uma capela para a realização de missas, que embora descrita como ecumênica, possui uma estátua de Jesus 7 , com aproximadamente 1,80m de altura. No Cruzeiro, além das garrafas de água que o rodeiam e as centenas de velas acesas, observamos, em seu topo, a imagem de Nossa Senhora Aparecida 8 .

108 O Cemitério Municipal de Maringá O Cemitério Municipal de Maringá está localizado na av. Cerro

Figura 1: Capela Ecumênica. Cemitério Municipal de Maringá. Autoria: Vanda F. Serafim (2006). Arquivo LERR.

O Cemitério possui túmulos antigos, alguns sem identificação. 9 Em virtude da presença imigrante japonesa na colonização da cidade, é freqüente a presença de suas simbologias e inscrições nos túmulos. Há questões curiosas, como a quadra de endereço Q26 LT1, a qual está totalmente abandonada e é praticamente constituída apenas por crianças recém-nascidas de até dois anos, mortas entre os anos de 1969 a 1971.

  • 7 Veja figura 1.

  • 8 A figura 2 se encontra na página seguinte.

  • 9 Veja figura 3 na próxima página.

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109 Figura 2 : Cruzeiro com a Imagem de Nossa Senhora. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria:
109 Figura 2 : Cruzeiro com a Imagem de Nossa Senhora. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria:

Figura 2: Cruzeiro com a Imagem de Nossa Senhora. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Solange R. Andrade (02/11/2010). Arquivo do LERR

109 Figura 2 : Cruzeiro com a Imagem de Nossa Senhora. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria:

Figura 3: Túmulos, jazigos e mausoléus. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim (2006). Arquivo do LERR

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110 Os padrões de túmulos variam de acordo com a época em que foram construídos; há

Os padrões de túmulos variam de acordo com a época em que foram construídos; há grande variação de arquitetura quando analisados de acordo com a década de sua fabricação. Santo Antonio e São Francisco são as imagens mais freqüentes nos túmulos.

Nos mausoléus, é freqüente a presença de mensagens aos mortos, com as temáticas mais variadas. Podemos exemplificar com algumas mensagens retiradas do mausoléu de Augusta P. Gatti (02/02/1885 14/02/1967) e Napoleão Gatti (15/10/1885 28/01/1963): Quero que a minha mãe pare de fumar12/05/2002; Quero que minha filha seja sempre assim, minha amiga 10/05/2003”; “Augusta e Napoleão não conheço vocês mas me ajuda a passar de ano10 . Passados cinco anos, encontramos as seguintes mensagens escritas com giz, no mausoléu: “Senhor peço que o exame do Zé dê certo; Por favor faça com que minha filha arrume um bom emprego; Quero muita alegria na minha vida11 . A apropriação do cemitério enquanto um espaço sagrado pode ser vislumbrada nesse mausoléu pois, apesar de não possuir um tipo específico de culto ou visitas contínuas, o fato de inscrever uma mensagem em suas paredes já indicam uma possibilidade de intercessão. Com a consolidação dos cemitérios extra-igrejas, a partir do século XIX, percebemos também um processo de diferenciação social. Podemos identificar nos cemitérios todo um universo de representação simbólica do universo social, permitindo um número considerável de análise dos fenômenos relacionados á dinâmica cultural, expressos na divisão espacial do Cemitério Municipal de Maringá. O cemitério é dividido em três setores, evidenciando a forma de como são qualificados os espaços reservados aos mortos. O primeiro setor fica logo na entrada principal do Cemitério, reservado aos túmulos, jazigos e mausoléus mais antigos e mais ricamente adornados. Quanto mais luxuosos os jazigos, mais ricas as famílias. É onde estão os túmulos, feitos em mármore (o suporte mais antigo), bronze ou granito.

  • 10 Pesquisa de campo realizada no dia 02/11/2005.

  • 11 Pesquisa de campo realizada no dia 02/11/2010.

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111 O segundo setor é reservado ao ossuário , opção dada àquelas famílias que não podem

O segundo setor é reservado ao ossuário 12 , opção dada àquelas famílias que não podem pagar um túmulo, tendo seus restos mortais nele depositados. Os ossos são colocados em gavetas numeradas. Essas gavetas são feitas em concreto 13 . É muito comum perder a referência ao número e ao local em que o morto está, pois as gavetas são empilhadas, além de serem todas iguais, tornando o reconhecimento pelos familiares, às vezes, quase impossível. Para não perderem o contato, algumas pessoas escrevem o nome do morto nas gavetas e levam flores colocando-as nas portinhas. Apesar do concreto, é comum encontrarmos gavetas abertas, quebradas, pichadas, revelando os restos mortais de alguns 14 .

111 O segundo setor é reservado ao ossuário , opção dada àquelas famílias que não podem

Figura 4

111 O segundo setor é reservado ao ossuário , opção dada àquelas famílias que não podem

Figura 5

Fig. 4: Parcial do Ossuário. Cemitério Municipal de Maringá-PR.

Autoria: Vanda F. Serafim (02/11/2006). Arquivo do LERR.

Figura 5: Formas de reverenciar os mortos do ossuário. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Solange R. Andrade (02/11/2010). Arquivo do LERR.

  • 12 Mantivemos a grafia utilizada pela administração do Cemitério.

  • 13 Figuras 4 e 5.

  • 14 O processo aqui descrito pôde ser observado em todos os dias de finados entre 2005 e 2010.

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112 O terceiro setor é denominado de terreno provisório . Terreno provisório porque são enterrados, porwww.odiario.com/maringa/noticia/213430/cemiterios-publicos-estao-no-limite-da- ocupacao.html . Acesso 12/11/2010. Em 2005 8º número de túmulos era de 23 mil. " id="pdf-obj-9-4" src="pdf-obj-9-4.jpg">

O terceiro setor é denominado de terreno provisório 15 . Terreno provisório porque são enterrados, por até três anos, aqueles cuja família não pode pagar por um túmulo comum. Passado o tempo máximo, leva-se para o túmulo ou para o ossuário, caso a família não tenha dinheiro para comprar um jazigo comum. Os restos mortais precisam ser removidos deste setor para que outros possam ser enterrados. Como o terreno é relativamente grande, a administração do Cemitério sugere que as famílias adquiram um pequeno cercado a ser colocado em volta do túmulo, para não se perder o morto de vista. Segundo o Secretário de Serviços e Obras Públicas de Maringá 16 , Wagner Mússio, mais de 60 mil pessoas estão enterradas no cemitério, que possui atualmente em torno de 27 mil túmulos 17 .

112 O terceiro setor é denominado de terreno provisório . Terreno provisório porque são enterrados, porwww.odiario.com/maringa/noticia/213430/cemiterios-publicos-estao-no-limite-da- ocupacao.html . Acesso 12/11/2010. Em 2005 8º número de túmulos era de 23 mil. " id="pdf-obj-9-14" src="pdf-obj-9-14.jpg">

Figura 6: Terreno Provisório. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim (02/11/2006). Arquivo do LERR

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113 No decorrer das pesquisas pudemos observar que a média da expectativa de visitas ao Cemitériowww.odiariomaringa.com.br/noticia/163107 . Acesso em 06/06/2008. " id="pdf-obj-10-4" src="pdf-obj-10-4.jpg">

No decorrer das pesquisas pudemos observar que a média da expectativa de visitas ao Cemitério para o Dia de Finados gira sempre em torno de aproximadamente 300 mil pessoas. Em 2007 18 , a prefeitura do município instalou cinco microcomputadores para facilitar a localização dos visitantes. Para resolver a falta de banheiros, a administração optou pela locação de sanitários ecológicos, que vem sendo mantidos desde então. Por questão de segurança, proibiu-se a entrada com sacos plásticos ou de papéis e vidros, pois eram propícios à propagação de incêndio, diante da inúmera quantidade de velas acesas nos túmulos e principalmente ao redor do cruzeiro. A questão da dengue fez com que nos dois últimos anos fosse proibida a entrada de vasos que acumulassem água parada. Em 2009 foram disponibilizadas duas vans para o transporte gratuito de idosos e deficientes no cemitério, no ano de 2010 o número aumentou para cinco e proibiu-se a circulação de outros veículos cemitério.

A presença de santos no Cemitério Municipal de Maringá

O culto aos santos está presente desde a constituição da hierarquia cristã e sua conseqüente necessidade em firmar valores morais usando modelos exemplares que traduziriam sua visão de mundo. O destaque a um determinado modelo de santidade é histórico e revela uma série de manifestações, gestos e palavras, traduzindo representações coletivas integradas por crenças e práticas coletivas, conectando o indivíduo a um determinado grupo, o que nos fornece elementos para a compreensão dos modelos de santidade atuais. As vidas dos santos constituem um importante meio de transmitir o sentido da fé cristã. Desde que o cristianismo existe, as pessoas contam e recontam as histórias dos santos. Eles têm sido homenageados em ícones, pinturas e

18 Cf. Dia de Finados deve terminar com 300 mil visitantes passando pelo cemitério de Maringá. O Diário do Norte do Paraná. Sexta-feira, 02/11/2007 às 10h59. www.odiariomaringa.com.br/noticia/163107. Acesso em 06/06/2008.

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114 estátuas. É impossível imaginar o cristianismo sem pecadores e é impossível vive-lo sem os santos.www.homenett.com.br/visualiza.php?codigo=3980 . Acesso: 11/02/06. A figura 7 se encontra na próxima página. " id="pdf-obj-11-4" src="pdf-obj-11-4.jpg">

estátuas. É impossível imaginar o cristianismo sem pecadores e é impossível vive-lo sem os santos. (WOODWARD, 1992.)

Desde 2005 as expectativas de túmulos mais visitados no Cemitério Municipal de Maringá - divulgados em jornais impressos, televisivos e emissoras de rádio - remetem- se aos túmulos do garoto Clodimar Pedrosa Lô e do Monsenhor Bernardo Abel Alphonse Cnude, aos quais são atribuídos milagres 19 . Antes de iniciarmos a análise, nos parece necessário apresentar a trajetória de vida, ou pelo menos o que conhecemos até então, dos nossos santos populares. Pertencentes ao primeiro setor do cemitério, os túmulos de Clodimar Lô e do Padre Bernardo, são os mais visitados no Dia de Finados.

Clodimar Pedrosa Lô

Segundo Eliel Diniz (1983), Clodimar Pedrosa Lô 20 , era um jovem cearense de quase quinze anos, quando deixou a família no Nordeste para retornar Maringá, no intuito de conseguir algum emprego, já que lá a situação era ainda mais precária, e sentia a necessidade de auxiliar a família economicamente, contribuindo nos custos médicos da cirurgia de sua mãe, uma doente mental. Em Maringá, no ano de 1967, vivia com a família do tio, Oésio de Araújo Pedrosa:

Justamente na adolescência, época em que todos os jovens de sua idade iam à escola , brincavam, procuravam divertimentos, Clodimar já se preparava para um futuro duro. Era pobre e não sonhava com riqueza, não tinha fantasias dos super-heróis de revistinhas. Era um garoto inteiramente consciente e responsável. (DINIZ, 1983, p. 19.)

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115 Figura 7 : Túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim (02/11/2008).
115 Figura 7 : Túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim (02/11/2008).

Figura 7: Túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim (02/11/2008). Arquivo do LERR

Clodimar conseguiu um emprego no Hotel Palace, onde trabalharia de manhã e de tarde por vinte e cinco cruzeiros novos. Ele carregava as malas, arrumava quartos, era mensageiro e, posteriormente, passou a trabalhar até as vinte e duas horas, recebendo mais cinco cruzeiros novos por isso. Como precisava do dinheiro para ajudar a família e os tios, passou a dormir no hotel, pois chegava em casa muito tarde. Lá recebia broncas freqüentes e era insultado, além de ser chamado de baianinho. (DINIZ, 1983.) Na biografia, Diniz afirma que Clodimar fazia tudo sem reclamar.

Em 1967, o viajante, Antonio Forte, instalou-se no hotel que Clodimar trabalhava, onde ficou por uns dois meses. Era comerciante, tinha 27 anos e trabalhava para uma firma com filial em Maringá, as casas Alô Brasil. Tinha a fama de dado as jogatinas, bebidas e festinhas com mulheres. No dia 23/11/1967, chegou ao hotel alegando que sumira a sua maleta com trezentos e quarenta cruzeiros novos, dinheiro proveniente das cobranças feitas para a firma que trabalhava. (DINIZ, 1983.)

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116 Erradas ou certas, há suspeitas de que Antonio Forte tenha gasto esse dinheiro com seus

Erradas ou certas, há suspeitas de que Antonio Forte tenha gasto esse dinheiro com seus divertimentos , jogos e outras coisas mais. Para isentar-se da culpa, ou para justificar a falta do montante, havia simulado um furto. Seria muito simples, pegaria uma certidão de queixa expedida pela policia e apresentaria em sua firma. Contudo, não foi tão simples assim, aliás, pensar dessa maneira foi uma infantilidade, ainda mais se tratando de uma grande quantia em dinheiro. (DINIZ, 1983, p. 26.)

Como as chaves do hotel ficavam com Clodimar, logo o gerente que sempre o maltratava, lançou-lhe a acusação e tratou de chamar a policia. Na época, o delegado era o Coronel Haroldo Cordeiro, que enviou os policiais militares Gerson Maia e Beneval Bezerra para prenderem o garoto.

Não havia, sequer, um garoto que não fugisse, de medo, quando via o jeep preto da policia, era o temido 28. Era uma imagem criada pelos policiais, em toda a população de medo. Esses policiais prendiam pessoas, mesmo que por meras suspeitas, a base de cacetadas, havia muito espancamento e tortura. (DINIZ, 1983, p.28.)

Clodimar foi preso e levado à cadeia pelos policiais às dezessete e trinta. Na sala de torturas, foi torturado psicológica e fisicamente. No desespero chegou a confessar o local onde supostamente havia escondido o dinheiro três vezes, para que os policiais fossem até lá e parassem de espancá-lo, no entanto, quando percebiam que tinham sido enganados batiam com mais força ainda. (DINIZ, 1983.) O viajante Antonio Forte foi à delegacia às vinte e uma horas e ao ver o estado de Clodimar, quis retirar a queixa, o que foi recusado pelo delegado e pelo gerente do hotel que afirmara: ladrão tem que apanhar até morrer.

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117 Logo que acordava novamente era vitimado por queimaduras de cigarros, furadas de agulha sob as

Logo que acordava novamente era vitimado por queimaduras de cigarros, furadas de agulha sob as unhas, beliscões de alicate por todo o corpo, inclusive prensa nos órgãos genitais e coronhadas de revolver na cabeça. Era Lô um garoto menor de idade e já sofria maltratos no pau-de-arara, choques elétricos entre outras torturas terríveis. Até mesmo taras sexuais eram praticadas por aqueles vermes. Foi uma noite infinda para aquele jovem adolescente. (DINIZ, 1983, p.32.)

Vendo a situação do garoto, um sargento teria dito aos policiais que estariam encrencados se não levassem o garoto ao hospital. Assustados, chegaram com Clodimar, a 01h30min no hospital Nossa Senhora Aparecida de Mandaguari, onde foi atendido pelo médico Mario Ramos Toscano de Brito, vindo a morrer logo em seguida por hemorragia interna provocada por ferimentos. Quando o tio foi a sua procura, os policiais dissimularam o máximo possível, mas não demorou muito para que as notícias alcançassem os jornais e os rádios, abalando a opinião pública. Houve até movimentos para linchar os policiais, mas os dois já haviam fugido. Duas mil pessoas acompanharam seu enterro. (DINIZ, 1983.) Nas seguintes palavras de Diniz compreendemos como se deu, de certa forma, o processo de santificação de Clodimar no imaginário das pessoas:

A podridão policial era tamanha que para uma possível melhora, algo temeroso teria de acontecer. Pedidos e solicitações não bastavam, já era vicioso, rotineiro. Seria necessário, como é para a realização de todas as grandes obras e conquistas humanas e de todos os ideais da humanidade, como foi é e sempre será, através dos tempos, que houveram mártires na obtenção dessas conquistas. Infelizmente, no caso da policia do interior paranaense, foi necessário que uma criança ingênua, fosse martirizado e levado ao holocausto dos tarados policiais que praticaram essa barbaridade. Foi necessário que enviasse o corpo mutilado à capital do estado para que as autoridades superiores sentissem o impacto brutal do hediondo crime.

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118 Só aí providencias foram tomadas. Clodimar foi o mártir marco de uma era jurídico-policial, no

Só aí providencias foram tomadas. Clodimar foi o mártir marco de uma era jurídico-policial, no Estado do Paraná. (DINIZ, 1983, p.41.)

Alguns anos depois os policiais foram presos, no Estado do Maranhão, mas conseguiram fugir novamente. Em 1970, o pai de Clodimar veio à Maringá e assassinou o gerente do hotel, justificando que queria aliviar sua consciência, curar as queimaduras provocadas por suas lágrimas que rolavam por sua face rasgando um amargo sinal de angustia e tristeza.” (DINIZ, 1983, p. 54.)

No Dia de Finados, ao se aproximarem de seu túmulo, devotos e visitantes recuperam essa história e emitem comentários como: “todo mundo ficou chocado”; “ele é um herói”; “é uma judiação vir aqui hoje, ele não é santo, é uma judiação” 21 . Também

fomos interpeladas por uma senhora com a seguinte afirmação: “ele não está mais aqui o Clodimar. O pai dele veio buscar ele [sic]” 22 . A história de Clodimar é contada

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em dois atos: no primeiro, a morte advinda pela tortura policial e, no segundo, a vingança do pai.

Crianças, jovens e adultos visitam seu túmulo e, apesar de não existir procedimento administrativo para a organização da fila, esta ordem predomina e todos querem acessar o túmulo pelo lado direito, para tocarem a foto de Clodimar. Ali param, rezam rapidamente, fazem o sinal da cruz e saem 23 .

  • 21 Pesquisa de observação realizada no dia 02/11/2010.

  • 22 Idem.

  • 23 A figura 8 se encontra na página seguinte.

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119 Figura 8 : Fluxo de pessoas no túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria:
119 Figura 8 : Fluxo de pessoas no túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria:

Figura 8: Fluxo de pessoas no túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Solange R. Andrade (02/11/2010). Arquivo do LERR

Monsenhor Bernardo Abel Alphonse Cnude

Monsenhor Bernardo, mais conhecido como Padre Bernardo, nasceu na França, em 1939 e estava no Brasil desde 1966. Em Maringá, tomou posse da paróquia Divino Espírito Santo em dezembro de 1969. Padre Bernardo veio ao Brasil, a convite de Dom Jaime, bispo titular da cidade. Este, quando de uma visita ao seminário no qual aquele estudava, descobriu seu interesse em conhecer o Brasil. Ao saber disso, Dom Jaime o provocou dizendo que para conhecer o Brasil era preciso viver nele. Quando ordenado padre em 29/06/1966, podendo optar entre o Haiti e o Brasil, Bernardo veio para cá. Mesmo falando pouco português, passou por duas paróquias até assumir a Divino Espírito Santo.

Bernardo faleceu de infarto fulminante, no início da segunda-feira, no dia 20/11/2000, sendo enterrado no Cemitério Municipal de Maringá 24 , no dia seguinte, às 17h30min,

24 A figura 9 se encontra na página posterior.

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120 próximo ao Cruzeiro, contrariando a tradição, pois todos os padres de Maringá são enterrados no

próximo ao Cruzeiro, contrariando a tradição, pois todos os padres de Maringá são enterrados no Cemitério Rainha da Paz, localizado atrás do Parque do Ingá, numa propriedade da Igreja. Em vida, o monsenhor já costumava dizer que, mesmo morto gostaria de ficar perto do povo e sua vontade foi respeitada. O corpo do padre foi velado na Paróquia Divino Espírito Santo, onde foi visto por fieis de todas as idades, obrigando formar filas para evitar tumultos:

No início da tarde, teve uma grande multidão que se espremia dentro do templo, enquanto milhares de pessoas permaneciam silenciosas e vigilantes do lado de fora, espalhando-se pela praça. Muitas pessoas que se aproximavam da urna funerária não se continham, chorando discretamente e beijando as mãos pálidas do morto. (ROCHA, 2000, s/p.)

120 próximo ao Cruzeiro, contrariando a tradição, pois todos os padres de Maringá são enterrados no

Figura 9: Túmulo do Padre Bernardo. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim (02/11/2008). Arquivo do LERR.

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121 Foi celebrada uma missa em sua homenagem de quase duas horas. O cortejo foi acompanhado

Foi celebrada uma missa em sua homenagem de quase duas horas. O cortejo foi acompanhado a pé por centenas de pessoas. O transito foi interrompido para a passagem do cortejo. A família do padre, em virtude da distância não conseguiu chegar a tempo do enterro. Padre Bernardo já recebia homenagens em vida, como o Título de Cidadão Benemérito de Maringá em 1998. (ROCHA, 2000.)

Monsenhor Bernardo era o único padre da região, autorizado pelo bispo a realizar exorcismos. Era popular entre os fiéis que o procuravam quando os problemas e as dificuldades apareciam. Atribuíam a ele, a capacidade de conceder graças dos mais diversos tipos. Uma senhora entrevistada no cemitério em 2006 nos disse: mesmo assim, quando íamos atrás dele, tinha que ser meio em segredo, por que os outros padres não gostavam que disséssemos que ele fazia isso e nem o bispo.

Nas palavras de Dom Murilo Krieger, aos olhos de alguns, o Padre Bernardo era um bondoso acolhedor, tinha o dom de com as palavras animar aos tristes e abatidos, para as mães eram carinhoso com as crianças e obtinha-lhes cura através de suas orações, os leigos viam nele o humor constante e a capacidade de trazer uma palavra de conforto em meio a tantas desgraças e os padres poderiam retratar o prazer com o qual preparava uma refeição aos seus irmãos no sacerdócio.

Não podemos negar a popularidade que o Padre Bernardo teve em vida, ao contrário de Lô, que se santificou, no imaginário coletivo, a partir de sua morte. No entanto, sua morte também foi santificada, pois, de acordo com os fiéis, o Padre Bernardo não deixou de fazer contatos com esse mundo após sua morte. Em 2004, numa reportagem do jornal O Diário, o massoterapeuta Carlos de Souza, divulgou ter contato com o padre desde 2002 e que só não havia exposto até então, pois receava os comentários que poderia suscitar, principalmente por parte das pessoas incrédulas e maliciosas. (O DIÁRIO, 2004.

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122 Carlos de Souza contou que o primeiro contato ocorreu em 23/01/2002, às 21h30min. Ele estava

Carlos de Souza contou que o primeiro contato ocorreu em 23/01/2002, às 21h30min. Ele estava na sala quando viu uma luz de cor amarela se formando até ficar bem forte. Tinha um sorriso simpático e pela roupa que usava, notou se tratar de um padre; mas não o reconhecia. Só conseguia ouvir o que o padre dizia se fechasse os olhos.

Bernardo se apresentou e Carlos disse-lhe que tinha muita vontade de conhecê-lo, perguntou ainda se o padre precisava de alguma coisa; ele disse que naquele momento não, voltaria outra vez se Deus lhe permitisse. (O DIÁRIO, 2004.)

No dia 17/03/2002, o Padre Bernardo fez um segundo contato, acompanhado de outro padre, monsenhor Kimura, também de Maringá. Desta vez lhe pediu para que alertasse ao Dom Murilo (bispo de Maringá) sobre sua saúde. Receoso, Carlos não se manifestou tempo e depois Dom Murilo passou mal em Santa Catarina e teve que se submeter a uma cirurgia do coração. (O DIÁRIO, 2004.)

O terceiro encontro teria ocorrido em 01/11/2002, desta vez Bernardo estava acompanhado por oito ou dez companheiros, todos vestidos de branco. Bernardo disse que sua missão aqui estava incompleta, devido a seu desenlace precoce. Desejava inaugurar uma casa de oração em Maringá, uma casa ecumênica, aberta a todas as religiões, a fim de socorrer os irmãos em sofrimento. Mas para isso, precisava que Carlos fosse seu porta-voz. (O DIÁRIO, 2004.) Na quarta comunicação em 24/12/2002, Bernardo apenas esboçou um sorriso e sumiu rapidamente. Queria que Carlos tomasse as providencias para a abertura da casa, que ele mesmo chamou de “casa de Jesus”. Na quinta comunicação, em 09/03/2003, o Padre Bernardo, contou-lhe sobre sua vida, pedindo-lhe para que não divulgasse esta visita. Envergonhado, Carlos perguntou por que não dava continuidade à sua tarefa nos próprios núcleos católicos. Ele respondeu que seu intuito era impraticável dentro dos moldes católicos, e que deus não olhava rótulos religiosos. (O DIÁRIO, 2004.)

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123 Na sexta comunicação em março de 2003, o monsenhor indagou se poderia contar com Carlos,

Na sexta comunicação em março de 2003, o monsenhor indagou se poderia contar com Carlos, que surpreso, disse que sim. Na sétima aparição, em 20/05/2003, ele apareceu com uma espécie de livro nas mãos, mas não falou nada. Na oitava comunicação em 12/09/2003, o padre disse que finalmente poderiam dar inicio à sua obra.

Na nona e última comunicação, de 29/01/2004, o Padre Bernardo disse que gostaria que Maringá soubesse que ele estava ainda mais vivo em plena atividade. (O DIÁRIO,

2004.)

Em resposta ao acontecido, o sucessor do Padre Bernardo, disse considerar tal comunicação incoerente, além de ser ridículo e ofensivo à memória do monsenhor. Por que o padre Bernardo estabeleceria relações com uma pessoa que nem conheceu em vida? Por que alguém de fora do clero? Além disso, as mensagens colocadas na boca do falecido teriam grande teor espírita, o que não confere com a vida do padre. Recomendou que a comunidade não releve tais episódios que só podem ter duas explicações: má fé ou desequilíbrio mental. (UTSUNOMIYA, 2004.)

Os santos e sua representação

Depois de apresentarmos o cemitério e seus santos já é tempo de discutirmos uma forma de se trabalhar com tais fenômenos. Para discutirmos tais fenômenos enquanto representaçãooptamos por trabalhar com Roger Chartier, a fim de tratarmos do espaço no qual o processo se desenvolve no nível religioso, abordaremos qual a localização destas manifestações dentro do conceito de campo religioso de Bourdieu.

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124 Para Chartier (2002), atualmente, os historiadores tentam pensar os funcionamentos sociais fora de uma divisão

Para Chartier (2002), atualmente, os historiadores tentam pensar os funcionamentos sociais fora de uma divisão rigidamente hierarquizada das práticas e das temporalidades. Passando a estudar as particularidades de uma sociedade, considerando que as práticas ou estruturas são produzidas pelas representações, que dão sentido ao mundo individual ou coletivo, o historiador deve entender que o homem representa a realidade a partir de uma construção que é social.

Nesse sentido, para construirmos uma história do catolicismo em Maringá, não basta analisar os aspectos históricos da hierarquia católica; também se faz necessário atentar a todos os aspectos presentes naquilo que, apesar de ter fortes vínculos institucionais, reinterpreta normas e transcende suas práticas para além da instituição.

Defendemos que o culto a um determinado santo é histórico. Sua representação informa ao historiador a maneira pela qual um determinado grupo social vive sua relação com a realidade social (CHARTIER, 2002), definindo estratégias de convivência a partir da necessidade de resolução de seus problemas procurando um contato com o transcendente por meio do ritual adequado, no qual investe de poder um grupo de especialistas, os santos, capazes de restaurar a ordem daquilo que é interpretado como caótico por intermédio do milagre.

Dentre as possíveis formas de representações, os cultos aos santos populares presentes no Cemitério Municipal de Maringá, evidenciam uma das formas que o fiel tem para entrar em contato com o sagrado sem a intermediação institucional, remetendo ao imaginário coletivo de toda uma cidade, ao mesmo tempo em que corresponde simultaneamente à trajetória individual da vida de diferentes pessoas.

Chartier nos fala da necessidade de compreendermos como um mesmo fato pode ser diversamente apreendido, manipulado e compreendido. Durante as pesquisas de campo

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125 no cemitério entre 2005 e 2010, ouvimos diferentes versões da mesma história. No caso de

no cemitério entre 2005 e 2010, ouvimos diferentes versões da mesma história. No caso de Clodimar Lô, durante uma aplicação de questionários, percebemos que cada pessoa narrava o fato de um modo novo, cada um enfatizava determinado aspecto. Quando a temática era as torturas que o menino sofreu, alguns se diziam devotos, mas demonstravam nem saber o ano em o fato ocorreu com precisão. Mesmo assim cada um sentia um desespero para nos falar do acontecido. O mesmo se deu com o Padre Bernardo, cada pessoa construía uma forma individual de se relacionar com o morto.

Para superarmos as atribuições de não-objetivas ou da subjetividade das representações, Chartier nos aconselha a considerarmos os esquemas geradores dos sistemas de classificação e de percepção, como verdadeiras instituições sociais, incorporando sob a forma de representações coletivas as divisões da organização social e também a considerarmos essas representações coletivas como matrizes de práticas que constroem o próprio mundo social.

Dentre as significações de representação coletiva apresentada por Chartier, nos parece mais pertinente ao caso, enquanto a manifestação de uma ausência que supõe uma clara distinção entre o que representa e o que é representação, o que nesse caso, seria instrumento de um conhecimento mediato que revela um objeto ausente substituindo-o por uma imagem capaz de trazê-lo à memória e pintá-lo tal como é. A relação de representação também pode ser turvada pela fragilidade da imaginação, fazendo com que se tome o engodo pela verdade e considere os sinais visíveis como indícios seguros de uma realidade que não existe.

A idéia acima pôde ser materializada na pesquisa de campo do dia 20/11/2005, quando completava cinco da morte do monsenhor Bernardo. O túmulo do Monsenhor, logo no

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126 início da manhã, já contava com flores e velas; as 08h00min havia treze vasos de

início da manhã, já contava com flores e velas; as 08h00min havia treze vasos de flores e as 11h00min, onze velas e mais dois vasos de flores estavam em seu túmulo, sinal de que várias pessoas passaram pelo local 25 .

Dentre as pessoas entrevistadas, podemos destacar Maria 26 , 65 anos, que dizia ter alcançado uma graça concedida pelo Padre Bernardo. Esta senhora contou que possuía uma hanseníase atacada e o médico já havia desacreditado, mas ela curou-se a partir do momento que começou freqüentar as correntes de oração coordenadas pelo monsenhor na Paróquia Divino Espírito Santo, há vinte e seis anos atrás.

A filha, que a acompanhava revelou que a mãe era perturbada por um espírito, que segundo o padre Bernardo, este teria morrido a míngua numa estrada e seu corpo teria se definhado com o sol, Maria teria passado por esta estrada, passando à ser perseguida pelo espírito. Um dia, a filha chegou em casa e sua mãe estava alterada e falava coisas estranhas, diante disto, resolveu levá-la ao padre. Em seu carro havia um crucifixo, ao qual a mãe não reagiu muito bem. Na igreja, bebeu, literalmente, um balde de água. Por meio de orações, o monsenhor teria conseguido guiar o espírito à luz. A senhora que cinco dias após o ocorrido tinha uma consulta médica em Curitiba para tratar a doença, com a ajuda do padre não precisou ir. Embora fizesse tratamento médico, Maria atribui sua cura ao monsenhor.

Outro caso que é interpretado como milagre é o de Lourdes, 53. Ela chegou em Maringá em 1976, pouco antes da filha Tereza completar três anos. No aniversário, a menina teria colocado um vestido que tinha achado não se sabe onde, e a partir daí passou a ter acessos constantes, no hospital ficava violenta e até mordia a mãe. Desesperada, Lourdes ia quase todos os dias à Catedral rezar. Uma moça que trabalhava na igreja,

  • 25 O mesmo processo é constante até hoje. O número de velas, flores e visitantes aumenta anualmente.

  • 26 Aqui serão apresentados nomes fictícios para os entrevistados.

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127 percebendo a presença constante da mulher, indagou-lhe sobre o que acontecia, e foi então que

percebendo a presença constante da mulher, indagou-lhe sobre o que acontecia, e foi então que lhe indicaram o monsenhor. Chegando à Paróquia Divino Espírito Santo com Tereza e seus outros filhos, uma moça morena com feições muito feias teria a incomodado constantemente, pedindo que se retirasse dali.

Mesmo assim, Lourdes esperou até a hora da missa. Quando o Monsenhor Bernardo pediu que formassem filas para as bênçãos, Tereza deu-lhe as costas. Mesmo assim foi benzida e nunca mais teve crises. Tereza teve inclusive um filho ao qual chamou de Bernardo. Dois anos antes da morte do padre, Lourdes, o encontrou em um supermercado, abraçando-o, contou-lhe sobre sua filha. Ele disse que se tratava de uma graça e que outros fiéis, já haviam lhe dito de pessoas que os haviam incitado à sair da igreja e depois desaparecem. Para ela foi um milagre, por isso vêm ao túmulo todos os anos. Além desses, há outros casos de pessoas que pediam por casamento, para entrar em faculdades, para vender carro e alcançaram graças.

No Dia de Finados, a circulação de pessoas nos túmulos de Clodimar e Bernardo 27 é intensa, recebendo enormes quantias de velas e flores. No túmulo do Clodimar Lô, as placas de agradecimento por graças concedidas se misturavam com os bilhetes e as flores. Os olhares de pessoas tão diferentes demonstravam ora indignação pela violência infligida ao menino, ora manifestação de reverência ao santo. Crentes ou não da realização dos milagres, ninguém ousou duvidar de seus poderes miraculosos. Enquanto Clodimar teve o nome atribuído a uma rua da cidade, Bernardo denominou uma praça, o que mostra a importância coletiva de tais representações.

27 As figuras 10 e 11 se encontram na próxima página.

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128 Figura 10 : Túmulo do Padre Bernardo. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim
128 Figura 10 : Túmulo do Padre Bernardo. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim

Figura 10: Túmulo do Padre Bernardo. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim (02/11/2009). Arquivo do LERR

128 Figura 10 : Túmulo do Padre Bernardo. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Vanda F. Serafim

Figura 11: Túmulo do Padre Bernardo. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Flávio R. de Oliveira (02/11/2010). Arquivo do LERR

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129 Só é santo se faz milagre Todo santo tem uma característica primordial: ele só é

Só é santo se faz milagre

Todo santo tem uma característica primordial: ele só é santo se faz milagre. Dessa maneira, todos os santos não oficiais possuem milagres fundadores, aqueles considerados os primeiros, os que impulsionaram seus cultos. Difíceis de serem comprovados, até mesmo unificados, com personagens que ninguém conheceu ou conhecem por intermédio das narrativas de outros, esses milagres são sempre lembrados em dias de romaria, juntamente com a história de suas vidas de santos.

De acordo com José Guilherme Magnani (MAGNANI, 1984, p. 123-150), milagre, em termos etimológicos, vem do latim miraculum, de mirare (admirar e admirável). É algo que escapa, na verdade, ao cotidiano e à norma. Tudo aquilo que é diferente e digno de ser admirado como quase contrariando as leis da natureza é, em geral, qualificado como milagre. No caso de Clodimar e Bernardo, há trajetórias diferentes. Enquanto o processo de santificação de Clodimar por meio de graças concedidas se dá na morte, o de Bernardo já se inicia em vida, com as curas que já fazia e vida e que fez com que os fiéis continuassem buscando seu auxilio após a morte.

Segundo Alba Zaluar, a devoção aos santos está carregada de aspectos práticos em detrimento aos aspectos formais; em toda localidade existe a devoção a algum santo, que são homenageados por meio de novenas, ladainhas, festas ou danças. Os santos mais poderosos têm seu dia de festa. É marcante a preocupação com a doença e os outros males aos quais se atribuem causas sobrenaturais. A decisão de recorrer aos diversos tipos de curadores existentes localmente parece decorrer de raciocínios mais ou menos integrados (ZALUAR, 1983). O campo sob o domínio de Deus e dos santos não está necessariamente limitado às doenças. A ajuda dos santos é invocada para todos os acontecimentos em que existem elementos de incerteza e que escapam ao controle humano.

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130 Na relação de reciprocidade que a promessa impõe estão o pedido feito ao santo, a

Na relação de reciprocidade que a promessa impõe estão o pedido feito ao santo, a dívida a saldar, a efetivação do pagamento ao santo, quando da graça alcançada. Os ex- votos são elementos materiais ofertados aos santos, que concretizam o agradecimento e é posterior à graça recebida. É o pagamento ao santo feito com uma representação iconográfica do objeto da bênção, que podem ser: fotografias da pessoa beneficiada, modelagem das partes do corpo afetado pela doença, placas contendo mensagem de agradecimento, enfim tudo o que pode atestar o poder miraculoso do santo. No túmulo de Clodimar, por exemplo, encontramos várias placas de agradecimentos 28 .

A relação de reciprocidade entre homem e santo marca a instrumentalidade de um contrato diático, que ligaria duas pessoas, estabelecendo entre elas um sistema de trocas de caráter especialmente econômico, com finalidades práticas explícitas, e que assim contribuiria para reforçar a solidariedade social, cada qual ocupando uma rígida posição social e tendo de seguir um conjunto de regras sociais no relacionamento com o outro. (ZALUAR, 1983.)

O milagre acontece sempre que um pedido é considerado realizado. Os santos e seus mediadores humanos adquirem fama de milagreiros por sua capacidade de curar e tornar realidade os pedidos dos clientes ou devotos. De acordo com Zaluar, a crença no milagre parece ser conseqüência da negação do acaso, que em nossa sociedade reconhecemos quando usamos a categoria sorte para caracterizar determinados eventos. Tudo aquilo que cai fora dos modelos de explicação do senso comum ou do processo rotineiro e óbvio de relacionar causa e efeito pode ser visto, dentro do catolicismo popular, como constatação da força milagreira do santo. O santo está ligado a sua capela, do seu lugar, ponto de referência para a comunidade de seus devotos e de que sua autoridade é incontestável. (ZALUAR, 1983.)

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131 Figura 12 : Placas votivas no túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Júlio
131 Figura 12 : Placas votivas no túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Júlio

Figura 12: Placas votivas no túmulo de Clodimar. Cemitério Municipal de Maringá-PR. Autoria: Júlio Cesar P. Tramonte (02/11/2008). Arquivo do LERR.

A crença em santos familiares ou criados por um contexto histórico coletivo, traduz uma aliança com um determinado santo, que protege o indivíduo durante toda a sua vida e mesmo além dela, em troca de sua veneração e cumprimento de deveres rituais. O compromisso, que envolver uma espécie de contraste entre santo e devoto com finalidades específicas e limitadas no tempo, se traduz pelas promessas aos santos, que se apresentam como especialistas em um determinado tipo de proteção.

O homem religioso tem duas posturas diante de sua relação com o mundo; ele acredita que a vida na Terra é uma passagem para uma vida melhor, mas também busca resolver seus problemas mais imediatos. Além da tentativa de resolução de seus problemas via instituições sociais, ele também procura o auxílio do transcendente por intermédio de santos, pais-de-santo, rezadeiras, terreiros, cartomantes, dentre outros. É por meio da narrativa hagiográfica, aspecto do mito religioso, que o homem religioso busca uma identificação com a divindade, com o transcendente. Quanto mais personificado for o transcendente, maior o sentimento de pertença a um projeto coletivo de salvação.

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132 É o caso do culto aos santos, pois com o passar do tempo a oração

É o caso do culto aos santos, pois com o passar do tempo a oração oferecida a Deus passa a ser oferecida ao santo, que já demonstrou, pelos milagres que realizou ser portador de poderes divinos. A proteção que o fiel implora ao poder do sagrado vai ao sentido de que sua vida não seja uma sucessão de sofrimentos. Sua religião de proteção o acompanha sempre. É uma religião de fé e de esperança. Esperança que tem um duplo sentido: confiança no poder do sagrado para escapar à fragilidade do viver, e esperança numa outra vida diferente da que leva. Enfim, para o homem religioso, o milagre aparece como mudança brusca, admirável, apoteótica, uma presença sobrenatural na natureza. É a manifestação de um poder transcendente, sobrenatural, que está fora do mundo e que, de tempos em tempos, intervêm e se mostra aos homens.

Clodimar e Padre Bernardo enquanto expressão da religiosidade católica.

Tanto Mircea Eliade (1992) como Karen Armstrong (1999), afirmam que a historicidade de um personagem não resiste à força do mito. À medida que o tempo passa os feitos realizados por uma pessoa revestida de sacralidade, tornam-se heróicos ou sagrados a tal ponto que sua trajetória passa a ser narrada de maneira que todos os seus atos passam a comprovar a inexorabilidade de seu poder e seu caráter transcendental.

Neste artigo, estruturamos nossa argumentação partindo da definição do Cemitério Municipal de Maringá enquanto espaço de devoção e como alguns setores da população da cidade vivenciam sua relação com os seus santos. O homem religioso deseja viver o mais perto possível do sagrado. Ele sente necessidade do sagrado no seu dia-a-dia e, como Deus, o Ser supremo está distante, afastado, o homem procura experiências religiosas mais concretas.

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133 Ao substituir a própria divindade, ao deixar de ser um intermediário, o santo pode realizar

Ao substituir a própria divindade, ao deixar de ser um intermediário, o santo pode realizar a sua manifestação máxima: o milagre.

O homem atual quer a salvação neste mundo, daí o poder do milagre como resposta imediata à sua angústia. É à procura de um milagre que as pessoas se dirigem aos santuários. As bênçãos, a proteção, os milagres correm de boca em boca, alongando a fila de novos adeptos. Contar a proteção recebida em tal circunstância fica sendo a maneira de pregar e de propagar a vida dos santos.

Para Chartier, as lutas de representações têm grande importância para a compreensão dos mecanismos pelos quais um grupo impõe ou tenta impor a sua concepção de mundo social, os valores que são os seus e o seu domínio e situando os conflitos de classificação ou de delimitações como pontos tanto mais decisivos quanto menos imediatamente materiais. Ao entender a cultura enquanto prática, Chartier sugere para o seu estudo as categorias de representação e apropriação. Para ele, as práticas são produzidas pelas representações por meio das quais os indivíduos dão sentido ao mundo que é deles.

Solange Ramos de Andrade (2008) conceitua como religiosidade católica todas as manifestações que envolvem as crenças e práticas ligadas ao catolicismo, que tem como ponto crucial o culto aos santos reconhecidos ou não pela Igreja. É o contato com um transcendente que, apesar de estar fortemente ligado ao institucional, ao mesmo tempo distancia-se dele, num processo de apropriação que muitas vezes marca um conflito simbólico na adoção de crenças e práticas não sancionadas. A partir da constatação de que, nessas manifestações fica difícil detectar o limite entre o institucional e o não institucional por se tratarem de expressões complexas, nas quais o devoto acredita estar vivendo sua religião, sem a preocupação dela estar ou não sancionada pela instituição, prefiro adotar um termo mais abrangente na tentativa de fugir ao reducionismo.

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134 Assim santos que povoam os cemitérios espalhados por diversas regiões do Brasil e que representam

Assim santos que povoam os cemitérios espalhados por diversas regiões do Brasil e que representam esse hibridismo de maneira paradigmática no sentido de que apresentam tanto aspectos milenares dos cultos aos santos presentes no cristianismo dos primeiros tempos como também traduzem essa memória em crenças e práticas adequadas à realidade em que vivem. Tais circunstâncias, no dizer de Roger Chartier, significam

decifrar “o modo pelo qual em diferentes momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler.” (CHARTIER, 1990, p. 16.)

Ao tornar-se um lugar no qual se entrecruzam, com relativa naturalidade, o aspecto sagrado e secular da morte, o Cemitério Municipal de Maringá abriga santos que não participam da oficialidade católica. Nele, todas as manifestações de religiosidade são possíveis. As formas de representação coletiva ligada aos cultos prestados aos mortos, ganham especial relevo quando esses mortos são considerados santos capazes de intermediar uma relação de reciprocidade simbólica, expressa de forma explícita no Dia de Finados.

Desta maneira, buscamos definir o campo religioso em Maringá, não apenas no âmbito das relações terrenas entre os fiéis, agentes e agências religiosas, mas também procuramos defini-lo no plano das relações entre o homem e o transcendente, abordando a imaginação religiosa coletiva, expressa por meio de imagens, símbolos e práticas coletivas.

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135 Referências documentais Artigos de Jornais O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ. Padre Bernardo envia mensagem< www.homenett.com.br/visualiza.php?codigo=3980 > . Acesso: 11/02/06. O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ . Finados. Caderno Cidades, quinta-feira, 01/11/2007 às 17h57. Disponível em < www.odiariomaringa.com.br/noticia/163018>. Acesso em 06/06/2008. O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ. Dia de Finados deve terminar com 300 mil visitantes passando pelo cemitério de Maringá . . Sexta-feira, 02/11/2007 às 10h59. Disponível em < www.odiariomaringa.com.br/noticia/163107 > . Acesso em 06/06/2008. Entrevistas Maria, 65. Entrevista realizada em 20/11/2005. Lourdes, 53. Entrevista realizada em 20/11/2005. " id="pdf-obj-32-4" src="pdf-obj-32-4.jpg">

Referências documentais

Artigos de Jornais

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ. Padre Bernardo envia mensagem a fiéis.

18/04/04.

ROCHA, Elvio. Fiéis despedem-se de padre Bernardo. O Diário do Norte do Paraná-

20/11/2000.

UTSUNOMIYA, Elaine. Igreja acha ridículas mensagens de padre. O Diário do Norte do Paraná 20/04/20

Publicações eletrônicas

Entrevista com

Carlos

Aparecido

Perolim.

Disponível

em:

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ. Finados. Caderno Cidades, quinta-feira, 01/11/2007 às 17h57. Disponível em <www.odiariomaringa.com.br/noticia/163018>. Acesso em 06/06/2008.

O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ. Dia de Finados deve terminar com 300 mil

visitantes passando pelo cemitério de

Maringá..

Sexta-feira, 02/11/2007 às 10h59.

Disponível em <www.odiariomaringa.com.br/noticia/163107>. Acesso em 06/06/2008.

Entrevistas

Maria, 65. Entrevista realizada em 20/11/2005.

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136 Referências bibliográficas ANDRADE, Solange Ramos de. A religiosidade católica e a santidade do mártir .

Referências bibliográficas

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