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Plinio Marcos Moreira da Rocha <pliniomarcosmr@gmail.

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artigo
Adriano Benayon <abenayon@brturbo.com.br> 21 de setembro de 2009 16:40
Para: abenayon@brturbo.com.br
Segue artigo.

Publicado em A Nova Democracia, nº 57 – setembro de 2009.

MOMENTO DECISIVO

Adriano Benayon* - 25.08.2009

Há bastante tempo trato do colapso mundial e de suas seqüelas. Insisto nesse


tema, porque se está diante de algo cuja dimensão implica um salto de
qualidade, para baixo, na história do homem.

A tendência é instalar-se longo período de trevas, como na Europa no final


da Idade Média, ou ainda pior: o império totalitário, que se quer implantar
em definitivo, controlando os recursos tecnológicos e tudo mais. É, portanto,
importante que se despertem consciências para evitar a supressão da
humanidade, em andamento por conta desse desígnio da oligarquia
concentradora.

Continuam em expansão imensas bolhas especulativas nos mercados financeiros


mundiais, aumentadas por meio de mais emissões de moeda e de títulos que as
dinastias oligárquicas forçam os governos a fazer.

Nada disso foi revertido. Bem ao contrário. Entretanto, políticos e grande parte
da mídia, na Alemanha e na França comemoram o “próximo fim” da crise e a
recuperação da economia, porque as estatísticas indicam ligeira elevação no PIB
desses dois países, de abril a junho, além da alta das bolsas de valores.

A causa dessa alta, que infla mais as bolhas, é que parte dos trilhões de euros
despejados nos bancos são aplicados nessas bolsas e nas de mercadorias, como
mostrei em artigo deste mês, “Às vésperas do desenlace”.

Leia-se Ulrich Rippert, na Global Research, em 23.08.2009:


“Comparada com um ano atrás, a economia alemã apresenta declínio de 7%.
Dentro de poucos meses, o esquema alemão de ‘dinheiro para sucatas’ vai
expirar, acelerando a queda da indústria automobilística e de autopeças. As
conseqüências para as indústrias siderúrgica, química e de máquinas
ferramentas alemãs já se fizeram sentir.”

Mesmo na França e na Alemanha, onde - ao contrário do Reino Unido, da


Espanha, da Itália e da maioria dos demais na Europa - o Estado ainda não
se considera falido, as dívidas públicas crescem vertiginosamente. Há, pois,
sérias dúvidas sobre a capacidade financeira e política dos governos de conceder
novos pacotes trilionários para cobrir os rombos das antigas bolhas, não de todo
rebentadas, e os das mais recentes.

É o que acontece em maior dimensão nos EUA, onde o Tesouro federal e os dos
Estados têm dívidas incontroláveis.

Cito Bob Chapman (Global Research, 13.08.2009): “A bolha do FED em favor de


Wall Street, vai precisar de, pelo menos, US$ 2 trilhões mais em 2010, apenas
para que a economia não soçobre.”

Há liquidações em massa por fazer nos bancos e indenizações de seguros. O que


o Tesouro dos EUA e o FED terão de meter nisso ultrapassa, em muito, os US$
23,4 trilhões já despejados, usando dinheiro dos contribuintes e emitindo moeda
e títulos públicos.

Aduz Chapman que o FED está em processo de monetizar US$ 2 trilhões


em títulos do Tesouro e das agências públicas da área imobiliária, bem como
obrigações em colateral, detidas por emprestadores. Diz mais: “É segredo o que
o FED está pagando por esses papéis quase sem valor.”
Enquanto isso, órgãos da imprensa mundial transbordam de otimismo: O
semanário Die Zeit, de Hamburgo: “Finalmente, a Recuperação!” O New York
Times: “Banqueiros de Investimentos estabelecem tendência de alta.” E o Wall
Street Journal: “Mais progresso no mundo dos negócios”
Rippert observa que essas manchetes lembram as de 1931, quando as bolsas
haviam recuperado parte do perdido em 1929, embora, em 1931, a depressão
estivesse em marcha. Como tenho afirmado, ela só terminou nos EUA em 1943,
enquanto a maior parte do Mundo era devastada com a 2ª Guerra Mundial.
O emprego nos EUA galopa para o fundo, já se tendo acumulado mais de 9
milhões de novos desempregados nos últimos 30 meses. Na Europa a taxa de
desemprego também cresceu e aumentará mais, com a dispensa dos que estão
em horário reduzido.

BRASIL
Há poucos indicadores positivos e sempre, é claro, dentro dos absurdos
estruturais que fazem vegetar na miséria ou em condições inadequadas a
maioria da população, em afronta a seu belo potencial e aos maravilhosos
recursos naturais.

Em dois anos, de 2007 a 2009, a taxa oficial de desemprego dobrou para quase
15%. O salário médio caiu mais de 20% desde 2005. De janeiro a julho de 2009,
em comparação com 2008, as inadimplências de empresas cresceram 30%, e
houve queda de 24% no valor das exportações e de 30% no das importações.

Como tenho dito, o Brasil não está imune à depressão mundial, que se
aprofunda. Em 1º lugar, as empresas grandes e medias estão nas mãos de
transnacionais sediadas no exterior, à exceção de poucas estatais, como a
Petrobrás, e alguns conglomerados privados, ainda assim com participação
estrangeira.

Em 2º lugar, nas exportações os bens intensivos de recursos naturais têm


participação cada vez maior, já da ordem de 70%, no total. Isso denota a
estrutura semicolonial do País, uma vez que no comércio mundial a participação
desses bens é da ordem de 10%.

As commodities tiveram alta em 2009, em função da especulação com o dinheiro que


sobra nos países importadores, cujos detentores não investem produtivamente, em face da
depressão. Com o prosseguimento desta e a acumulação de estoques, especialmente na
China, a demanda pelas commodities vai cair muito.

A China, que se tornou o principal importador do Brasil, também está às portas


de crise, decorrente da especulação, tendo os lucros das empresas caído 30%,
enquanto o índice da bolsa de Changai se elevou em 80%. Ademais, forma-se
naquele país colapso imobiliário de grande intensidade.

Há, ainda, enormes perdas à vista com o iminente afundamento do dólar. Para
China, Japão e outros, o montante dos títulos em dólar é catastrófico. No
Brasil, eles formam a quase totalidade das reservas. Ora, sem contar o impacto
proveniente da queda econômica naqueles países, isso é suficiente para tornar
insustentável a posição das contas externas.

Mesmo antes de isso ocorrer, a economia brasileira vem sendo, há muito


tempo, enfraquecida por se ter tornado a zona livre de saqueio que descrevi em
numerosos artigos anteriores.
A estreiteza do campo de visão, por ideologia e pela mesquinhez da ótica
partidária, faz que a maioria da opinião se divida em dois grupos: 1) os que
imaginam estar tudo bem, acreditando que Lula faz o melhor possível, dadas
as pressões do poder econômico (estrangeiro); 2) os que crêem que as coisas
estão péssimas, em face de crise ética, fomentada pela mídia e por políticos
“atucanados”, cujo próprio rabo fingem não enxergar. Pretendem fazer esquecer
os profundos estragos estruturais infligidos ao País nos oito anos do deletério
reinado de 1995 a 2002.

Uns e outros ignoram o baixo potencial de progresso e de criação de empregos


sob a atual estrutura econômica, que o próprio BNDES torna ainda mais
concentrada, financiando principalmente empresas transnacionais, além de
poucas estatais e conglomerados privados, como mostrou M.A. Campanella, em
artigo disponível em http://www.horadopovo.com.br/.

Vai ser precisa perspectiva bem diferente para que o Brasil se salve do naufrágio
global.

* Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus


Desenvolvimento”, editora Escrituras. abenayon@brturbo.com.br

Este documento esta relacionado ao documento Artigo Salve-Se Quem Puder Por Adriano
Benayon, http://www.scribd.com/doc/18339121/Artigo-SalveSe-Quem-Puder-Por-Adriano-
Benayon .