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A AIFF - Associação Para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal, tem por objectivos
A AIFF - Associação Para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal, tem por objectivos

A AIFF - Associação Para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal,

tem por objectivos a promoção e o exercício de iniciativas e de actividades tendentes à criação de um centro nacional de competitividade, inovação e

tecnologia, de vocação internacional, tendo presentes requisitos de qualidade

e profissionalismo, promover e incentivar a cooperação entre empresas,

organizações, universidades e entidades públicas, com vista ao aumento do respectivo volume de negócios, das exportações e do emprego qualificado, nas áreas económicas associadas à Fileira Florestal Portuguesa.

negócios, das exportações e do emprego qualificado, nas áreas económicas associadas à Fileira Florestal Portuguesa.

índice geral

NOTA PRÉVIA

11

2.4.1 Emprego

39

AGRADECIMENTOS

12

2.4.2 Acidentes de Trabalho

40

SUMÁRIO EXECUTIVO

13

2.5

Desempenho Energético

42

1. Enquadramento económico 2008-2009

15

2.5.1 Enquadramento no Contexto Nacional

42

2.Caracterização da fileira florestal

19

2.5.2 Produção

42

2.1

Desempenho Florestal

19

3. Empresas e mercados

45

2.1.1

Recursos Florestais

19

3.1 Caracterização empresarial por subfileira

45

2.1.2

Incêndios Florestais

21

3.2 Principais mercados e quotas de mercado por tipos de produto

47

2.1.3

Sanidade Florestal

23

3.2.1 Subfileira da cortiça

47

2.1.4

Zonas de Intervenção Florestal

24

3.2.2 Subfileira da madeira

49

2.1.5

Gestão Florestal

25

3.2.3 Subfileira da pasta

51

2.1.6

Certificação Florestal

25

3.2.4 Subfileira do papel e cartão

53

2.1.7.

Floresta na Rede Nacional de Áreas Protegidas

27

4. A investigação no domínio da fileira florestal

57

2.1.8.

Floresta na Rede Natura 2000

28

4.1 Unidades de investigação e desenvolvimento

57

2.2

Desempenho Económico

29

4.2 Investimento Global em I&D na Fileira Florestal

59

2.2.1 Indicadores Macroeconómicos da Silvicultura

29

4.3 Áreas de investigação e desenvolvimento

61

2.2.2 Indicadores Macroeconómicos da Indústria da Fileira Florestal

31

4.4 Desempenho em inovação

65

2.2.3 Balança Comercial

31

4.4.1 Investimento em inovação

65

2.2.4 Valorização das Externalidades

34

4.4.2 Rede PME Inovação COTEC

66

2.3

Desempenho Ambiental

35

5. A fileira florestal e as políticas públicas

69

2.3.1 Recuperação e Reciclagem

35

5.1 Esforço financeiro do Estado e fundos comunitários na fileira

69

2.3.2 Mitigação das Alterações Climáticas

36

5.2 Principais medidas de política

73

2.3.3 Business & Biodiversity

37

5.2.1

Iniciativas de Política Florestal 2008-2009

73

2.3.4 Certificação da Gestão Ambiental (ISO 14001:2004)

38

6. Considerações Finais

77

2.3.5 Registo no EMAS

38

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

79

2.4

Desempenho Social

39

BIBLIOGRÁFICAS 79 2.4 Desempenho Social 39 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010 5

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

5

índice de tabelas

Tabela 1 - PIB e Principais Componentes de Despesa (Taxa de Variação Real em %)

16

Tabela 40 - Número e proporção de empresas das indústrias da fileira florestal

Tabela 2 – Áreas por tipo de uso do solo (un. 1.000 ha) nos IFN de 1995/1998 e de 2005/2006

19

por subfileira em 2008

45

Tabela 3 – Áreas por tipo de floresta (un. 1.000ha) nos IFN de 1995/1998 e de 2005/2006

19

Tabela 41 - Número e proporção de empresas das indústrias da fileira florestal

Tabela 4 – Áreas Florestais por Espécies (un. 1.000 ha) nos IFN de 1995/1998 e de 2005/2006

20

por escalão de pessoas ao serviço em 2008

45

Tabela 5 – Área (un. 1000ha), volume médio (m3/ha) e volume (m3) por espécie, por composição nos IFN 1995/1998 e de 2005/2006

20

Tabela 42 - Número e proporção de empresas das indústrias da fileira florestal por escalão de volume de negócios em 2008

45

Tabela 6 – Número de ocorrências e área ardida (ha), por tipo, por ano (2000-2009)

21

Tabela 43 - Número e proporção de empresas das subfileiras florestais por escalão de pessoas

Tabela 7 – Caracterização dos incêndios com dimensão entre 100 e 500 ha (2000 – 2009)

21

ao serviço em 2008

46

Tabela 8 - Caracterização dos incêndios com dimensão superior a 500 ha (2000 - 2009)

21

Tabela 44 - Número e proporção de empresas das subfileiras florestais por escalão de volume

Tabela 9 - Caracterização dos incêndios com dimensão superior a 100 ha (2000 – 2009)

22

de negócios em 2008

46

Tabela 10 – Proporção (%) de incêndios segundo a causa determinada por ano (2006 – 2009)

22

Tabela 45 - Exportações por Tipo de Produto na Subfileira da Cortiça

47

Tabela 11 – Número e proporção de ocorrências investigadas (2006 – 2009)

22

Tabela 46 - Importações por Tipo de Produto na Subfileira da Cortiça

48

Tabela 12 - Número e proporção de ocorrências decorrentes de causas indeterminadas (2006 – 2009)

22

Tabela 47 - Exportações por Tipo de Indústria na Subfileira da Madeira

49

Tabela 13 - Número de Árvores com Sintomas de Declínio Erradicados no âmbito

Tabela 48 - Importações por Tipo de Indústria na Subfileira da Madeira

50

dos Programas de Controlo

24

Tabela 49 - Exportações por Tipo de Produto na Subfileira da Pasta

51

Tabela 14 – Número, área (ha) e fase de constituição das Zonas de Intervenção Florestal

24

Tabela 50 - Importações por Tipo de Produto na Subfileira da Pasta

52

Tabela 15 – Número e área (ha) dos Planos de Gestão Florestal

25

Tabela 51 - Exportações por Tipo de Produto na Subfileira do Papel e Cartão

53

Tabela 16 – Número e área (ha) dos Planos Específicos de Intervenção Florestal

25

Tabela 52 - Importações por Tipo de Produto na Subfileira do Papel e Cartão

55

Tabela 17 – Número de certificados de Gestão Florestal emitidos por ano,

Tabela 53 – Unidades de I&D da área científica Engenharia Florestal/Silvicultura

57

por sistema de certificação

26

Tabela 54 – Unidade de I&D da área científica Engenharia Florestal/Silvicultura

Tabela 18 – Área (ha) e número de aderentes segundo o sistema de certificação florestal, por âmbito Tabela 19 – Número de certificados CdR emitidos, segundo o sistema de certificação florestal,

27

sob a tutela do Estado Tabela 55 - Despesas em I&D, a preços correntes, no Sector Empresas da Fileira Florestal

58

anualmente (2005 – 2010) Tabela 20 – Número de certificados CdR emitidos, segundo o sistema de certificação florestal,

27

(CAE 02, 16, 17 e 31) (Milhares de Euros) Tabela 56 - Despesas em I&D, a preços correntes, no Sector Empresas da Fileira Florestal

59

por subfileira da Fileira Florestal

27

(CAE 02, 16, 17 e 31) (Milhares de Euros)

59

Tabela 21 – Principais Espécies Florestais na RNAP

27

Tabela 57 - Empresa/Grupo com mais despesas intramuros em I&D

60

Tabela 22 – Principais Espécies Florestais na Rede Natura 2000

28

Tabela 58 – Número de projectos FCT, distribuição por área científica e montante

61

Tabela 23 – VAB e Produção da Silvicultura (Milhões de Euros)

29

Tabela 59 - Projectos FCT Aprovados (2000-2008), em Número e em Valor (Euros)

62

Tabela 24 – Produção de Bens Silvícolas (Milhões de Euros)

29

Tabela 60 – Valor Global (Euros) dos Projectos FCT da Fileira Florestal Aprovados (2000-2009)

62

Tabela 25 – Taxa de Incorporação de Inputs/Unidade de Produção (Milhões de Euros)

30

Tabela 61 - Projectos AGRO 8.1 Aprovados, em Número e em Valor (Euros)

63

Tabela 26 – VAB e Volume de Negócios (Milhões de Euros)

31

Tabela 62 – Valor Global (Euros) dos Projectos AGRO 8.1 da Fileira Florestal Aprovados

63

Tabela 27 – FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), milhões de €

31

Tabela 63 - Projectos I&DT QREN Aprovados, em Número e em Valor (Euros)

63

Tabela 28 - Balança Comercial (preços correntes, M€)

31

Tabela 64 – Valor Global (Euros) dos Projectos I&DT QREN da Fileira Florestal Aprovados

64

Tabela 29 - Balança Comercial das subfileiras florestais (preços correntes, Milhões de Euros)

32

Tabela 65 – Investimento em I&D da subfileira do eucalipto

64

Tabela 30 - Ranking global das indústrias florestais, de papel e de embalagem

33

Tabela 66 – Projectos da Fileira Florestal aprovados no QREN para a área Inovação

65

Tabela 31 - Balanço Líquido (emissor/sumidouro) da floresta (gg de co2eq)

34

Tabela 67 - Projectos das Subfileiras Florestais aprovados no QREN para a área Inovação

65

Tabela 32 - Quantidade de material retomado e reciclado (ton)

35

Tabela 68 – Representatividade da Fileira Florestal na Rede PME Inovação COTEC

66

Tabela 33 - Medidas Florestais do PNAC

36

Tabela 69 - Programas de Apoio ao Investimento à Produção Florestal (2000-2010)

69

Tabela 34 – População Empregada

39

Tabela 70 - Arborização e Beneficiação nos Programas de Apoio ao Investimento

Tabela 35 - Acidentes de trabalho (mortais e não mortais) por actividade económica

41

à Produção Florestal (2000-2009)

70

Tabela 36 - Acidentes de trabalho mortais

41

Tabela 71 - Programas de Apoio ao Investimento aos Prestadores de Serviços Florestais (2000-2010)

71

Tabela 37 - Dias de Trabalho Perdido

41

Tabela 72 - Programas de Apoio ao Investimento à Indústria da Fileira Florestal (2000-2010)

72

Tabela 38 - Potência das Centrais de Produção de Energia Eléctrica a partir de Biomasa (MVA)

43

Tabela 73 – Projectos da Fileira Florestal aprovados no QREN para a Qualificação PME

72

Tabela 39 - Potência das Centrais de Cogeração (MVA)

43

Tabela 74– Projectos das Subfileiras Florestais aprovados no QREN para a Qualificação PME

72

 

Tabela 75 – Principais Medidas Legislativas no Período 2008 - 2009

75

6 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

75 6 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

7

índice de figuras

Figura 1 – Taxa de Variação Real (%)

15

Figura 2 – Taxa de variação (%) do Índice Harmonizado de preços no Consumidor

16

Figura 3 – Índice de Sentimento Económico

17

Figura 4 – Taxas de Desemprego (%)

17

Figura 5 – Taxa de Câmbio do Euro Face ao Dólar (EUR/USD)

17

Figura 6 – Evolução da Área Florestal por Espécie (103 ha) segundo os diversos IFN

19

Figura 7 – Distribuição Percentual dos Povoamentos Florestais por Estado de Vitalidade, segundo a Espécie

23

Figura 8 – Consumos Intermédios/Produção

30

Figura 9 – Rendimento Empresarial Líquido

30

Figura 10 – Transferências de Capital

30

Figura 11 – Empresas da Fileira Florestal com certificação ISO14001

38

Figura 12 – Exportações Portuguesas de Cortiça em Massa (Milhares de Toneladas) e em Valor (Milhões de Euros) no período 2000-2009

47

Figura 13 – Exportações Portuguesas de Cortiça (preços correntes) por país de Destino em 2009 (Milhões de Euros)

47

Figura 14 – Importações Portuguesas de Cortiça em Massa (Milhares de Toneladas) e em Valor (Milhões de Euros) no Período 2000-2009

48

Figura 15 – Importações Portuguesas de Cortiça (preços correntes) por País de Origem em 2009 (Milhões de Euros)

48

Figura 16 – Exportações Portuguesas de Madeiras (preços correntes) em Massa (Milhares de Toneladas) e em Valor (Milhões de Euros) no período 2000-2009

49

Figura 17 – Exportações Portuguesas de Madeira (preços correntes) por País de Destino em 2009 (Milhões de Euros)

50

Figura 18 – Importações Portuguesas de Madeira (preços correntes) em Massa (Milhares de toneladas) e em Valor (Milhões de Euros) no período 2000-2009

50

Figura 19 – Importações Portuguesas de Madeira (preços correntes) por País de Origem em 2009 (Milhões de Euros)

50

Figura 20 – Exportações Portuguesas de Pasta (preços correntes) em Massa (Milhares de Toneladas) e em Valor (Milhões de Euros) no período 2000-2009

51

Figura 21 – Exportações Portuguesas de Pasta (preços correntes) por País de Destino em 2009 (Milhões de Euros)

51

Figura 22 – Importações Portuguesas de Pasta (preços correntes) em Massa (Milhares de Toneladas) e em Valor (Milhões de Euros) no período 2000-2009

52

Figura 23 – Importações Portuguesas de Pasta (preços correntes) por País de Destino em 2009 (Milhões de Euros)

52

Figura 24 – Exportações Portuguesas de Papel e Cartão (preços correntes) em Massa (Milhares de Toneladas) e em Valor (Milhões de Euros) no período 2000-2009

53

Figura 25 – Exportações Portuguesas de Papel e Cartão (preços constantes) por País de Destino em 2009 (Milhões de Euros)

54

Figura 26 – Importações Portuguesas de Papel e Cartão (preços correntes) em Massa (Milhares de Toneladas) e em Valor (Milhões de Euros) no período 2000-2009

54

Figura 27 - Importações Portuguesas de Papel e Cartão (preços constantes) por País de Origem em 2009 (Milhões de Euros)

55

8 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

55 8 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

9

nota prévia

A AIFF - Associação Para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal é a entidade dinamizadora do Pólo de Competitividade

e Tecnologia das Indústrias de Base Florestal, criado no âmbito do Programa COMPETE, da responsabilidade do Ministério da Econo- mia da Inovação e do Desenvolvimento.

No exercício dessa actividade, a AIFF estimula a realização, por parte das entidades que operam no sector, de novos projectos que, pelo seu carácter inovador, contribuam para uma melhoria quan-

titativa e qualitativa da produção industrial; que ajudem a aumen-

tar a penetração no mercado mundial dos produtos da fileira; que

contribuam para o aumento do conhecimento e da qualificação

de quem trabalha na fileira; que facilitem as relações entre as

empresas e as unidades de investigação, colocando a investigação

ao serviço da actividade económica.

Como entidade em que confluem interesses de entidades das

indústrias da madeira e do mobiliário, da cortiça, e da pasta e papel,

a AIFF tem, também, como um dos seus objectivos essenciais,

contribuir, através do estímulo à expansão da certificação florestal, para a melhoria, em quantidade e qualidade, da nossa produção florestal - uma vez que tal melhoria é essencial ao futuro das indús- trias do sector.

O País conta, na fileira florestal, com empresas que são líderes

europeias e até por vezes mundiais dos sectores em que exercem

a

sua actividade. Por outro lado, a fileira, no seu conjunto, contribui

hoje de forma muito significativa para a redução do nosso dese-

quilíbrio das contas com o exterior, que é certamente um dos problemas mais difíceis com que a economia portuguesa se debate.

Mas Portugal dispõe ainda, no que respeita à produção florestal, de grandes potencialidades de desenvolvimento ainda não explo- radas, sendo certo que o aproveitamento dessas potencialidades

é essencial para que o sector transformador possa crescer e contri- buir ainda mais significativamente para o enriquecimento do País

e para o equilíbrio das suas contas externas.

A AIFF considera que estão hoje reunidas condições institucionais

- de que a constituição do Pólo das Indústrias de Base Florestal é

a mais importante - para que, através da concertação dos actores

principais da fileira - produtores florestais, empresas transforma- doras, unidades de investigação, associações do sector - o País possa enveredar por um novo caminho de desenvolvimento da fileira, em bases sustentáveis e com futuro.

É neste entendimento que o 1º Relatório de Caracterização da

Fileira Florestal, que a AIFF agora publica, encara a fileira florestal

como um todo, que não exclui obviamente partes diferenciadas

e com interesses próprios, mas que não são incompatíveis - antes se complementam - com interesses comuns que importa prosse- guir e que estão na base da própria constituição da AIFF.

Ao mesmo tempo, o Relatório documenta o muito que já hoje fazem as indústrias da fileira florestal e o muito que há a fazer para que as actividades da fileira possam aumentar a sua contribuição ao serviço da economia nacional.

João Ferreira do Amaral Presidente da Direcção da AIFF

João Ferreira do Amaral Presidente da Direcção da AIFF RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

11

Prof. Dr. João Ferreira do Amaral Presidente da Direcção da AIFF Direcção da AIFF agradecimentos

Prof. Dr. João Ferreira do Amaral Presidente da Direcção da AIFF

Direcção da AIFF

agradecimentos

da Direcção da AIFF Direcção da AIFF agradecimentos A AIFF – Associação para a Competitividade da

A AIFF – Associação para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal expressa

os seus agradecimentos a toda a estrutura associada, sem a qual não teria sido possível desenvolver este Relatório.

Manifesta-se, ainda, particular agradecimento à Eng. Mafalda Evangelista, no que constituiu o contributo essencial para o resultado final aqui apresentado.

Agradece-se ainda às diferentes entidades que cederam informação relevante para

a elaboração deste estudo, designadamente a APCOR – Associação Portuguesa de

Cortiça, CELPA – Associação da Indústria Papeleira, INTERFILEIRAS – Associação para

a Recuperação, Gestão e Valorização de Resíduos de Embalagens, AFN – Autoridade

Florestal Nacional, AIMMP – Associação das Indústria da Madeira e do Mobiliário, APCER - Associação Portuguesa de Certificação, o Centro Pinus – Associação para

a valorização da floresta do Pinho, a LRQA - Lloyd’s Register Quality Assurance,

a SGS ICS - Serviços Internacionais de Certificação, Lda., Bureau Veritas Certification Portugal, Unipessoal, Lda., e a AENOR - Asociación Española de Normalización

y Certificación.

Agradece-se ainda a colaboração de todas as personalidades e entidades que contribuíram para o relatório apresentado.

12 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

sumário executivo

O “Relatório de Caracterização da Fileira Florestal” é promovido pela AIFF

– Associação para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal e tem como objectivo iniciar um processo de caracterização na óptica de uma visão de conjunto, integrada, da Fileira Florestal, avaliando o seu impacto, conhecendo a sua evolução recente e o papel que desempenha em diferentes domínios. Tendo sido definido como período temporal de referência o biénio 2008-2009, constatou-se que, em virtude do impacto da conjuntura económica nesse período, seria oportuno, inclusive para proporcionar uma visão mais completa da caracterização da Fileira Flores- tal, alargar o período definido ao decénio 2000-2009, sempre que exis- tissem dados disponíveis.

De acordo com o último Inventário Florestal Nacional (IFN5), realizado entre 2005 e 2006, a floresta portuguesa ocupa cerca de 3,46 Milhões de hectares, representando 38,8% do território continental. É também

de salientar o aumento registado de 109.000 hectares entre os dois últi-

mos IFN (1995/1998 e 2005/2006). As principais espécies florestais em Portugal Continental são, por ordem decrescente, o pinheiro bravo, o eucalipto e o sobreiro, que representam cerca de 74% das áreas florestais existentes.

Os incêndios florestais mantêm-se como uma das principais ameaças à Fileira Florestal, em resultado do elevado número de ocorrências e da correspondente elevada área ardida. Apesar de alguma redução na área de povoamentos ardida em 2009, face à média do decénio em análise, constatou-se um aumento relativamente aos anos anteriores (2006- 2008), maioritariamente em áreas de matos.

A balança comercial das indústrias da fileira florestal é extremamente

vantajosa para Portugal, com um saldo positivo de 1.292 milhões de euros em 2009. Neste ano, esta fileira representou 9,3% do total das exporta- ções nacionais de bens e 3,4% do total das importações nacionais de bens. Não obstante os efeitos penalizadores induzidos pela crise econó- mica mundial, com impacto directo nos anos de 2008 e 2009, o cresci- mento das exportações da Fileira Florestal no período 2005-2009 (10,9%) foi claramente superior ao crescimento das exportações globais de bens de Portugal (1,6%). A análise específica da variação de 2009 face a 2008, revela que a redução do valor das exportações florestais (-12,3%) foi infe- rior à redução das exportações globais de bens de Portugal (-18%). As subfileiras da pasta, papel e cartão são as que possuem maior valor de exportações (1.464 milhões de euros), representando 50,2% do total das exportações florestais e 4,7% das exportações nacionais de bens.

A nível nacional existem 40 empresas da Fileira Florestal certificadas atra-

vés da NP EN ISO 14001:2004 (Certificação do Sistema de Gestão

Ambiental), representando 5,3% do total de empresas certificadas através deste normativo. Ao nível da certificação florestal estima-se que a área florestal certificada efectiva seja de 269.708 ha, dos quais as empresas de produção de pasta e papel possuem 74%. Ao nível da certificação de Cadeia de Responsabilidade, as indústrias da fileira florestal apresentam

já um número considerável de certificados (86), o que demonstra a preo-

cupação destas indústrias pela sustentabilidade dos seus processos. Em 2008, a Indústria da Fileira Florestal (6.860 empresas) representava 12% do volume de emprego da IndústriaTransformadora e cerca de 1,8% do volume de emprego nacional. Apresenta um desempenho globalmente positivo ao nível dos acidentes de trabalho com uma tendência de redução acentuada: 27,3% no período 2000 – 2007, superior à globalidade da Indústria Transformadora (-11,6%) e ao total para Portugal Continental

(-3,4%).

Ao nível dos programas de investimento em I&DT e em Inovação no âmbito do QREN as empresas da Fileira Florestal apresentam um desem- penho bastante relevante, com 2,4% e 9,5%, respectivamente, do volume total de investimento aprovado no âmbito destes programas de apoio. No que diz respeito à produção florestal, é de salientar para o período 2000-2010 um investimento de 509 milhões de euros através dos progra- mas de apoio ao investimento direccionados à produção florestal.

Relativamente aos Programas de Apoio ao Investimento à Indústria Flores- tal estes totalizaram um investimento global de 1.638 milhões de euros, do qual cerca de 66% representa o investimento privado.

Transversalmente a toda a Fileira Florestal, no período em análise, é de

salientar que o investimento global em I&DT, Inovação, Produção Florestal

e Industria foi muito superior aos apoios concedido por quaisquer progra- mas de apoios existentes.

Por fim, e em termos de iniciativas de Política Florestal no biénio 2008- 2009, é de salientar o Código Florestal e os planos de ordenamento, de gestão e de intervenção de âmbito florestal. O Código Florestal procurava compilar e actualizar as matérias enquadradoras das actividades florestais que se encontravam dispersas. Tendo sido aprovado pelo Decreto-Lei n.º 254/2009, de 24 de Setembro, foi, no entanto, através da Lei n.º 116/2009, de 18 de Dezembro, prorrogado por 360 dias o seu prazo de entrada em vigor.

Os planos de ordenamento, de gestão e de intervenção de âmbito florestal foram aprovados pelo Decreto-Lei n.º 16/2009, de 14 de Janeiro. Foi posteriormente alterado pelo Decreto-Lei n.º 114/2010, de 22 de Outu- bro, o qual estabelece o prazo de dois anos para a alteração ou revisão dos Planos Regionais de Ordenamento Florestal, clarificando este processo, e determina que as candidaturas a programas de apoio ao inves- timento apresentadas para áreas inferiores a 25 ha podem ser instruídas com um Plano de Gestão Florestal simplificado.

instruídas com um Plano de Gestão Florestal simplificado. RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010 1

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

13

1

enquadramento económico

2008-2009

O biénio 2008-2009 foi um período particularmente penalizante para a economia mundial.

O biénio 2008-2009 foi um período parti-

cularmente penalizante para a economia mundial, com uma queda acentuada das trocas comerciais na generalidade das economias (avançadas, em desenvolvi- mento e emergentes).

O aumento generalizado dos níveis de

incerteza e de aversão ao risco no último trimestre de 2008, na sequência da falên- cia do Banco de Investimento Lehman Brothers, gerou uma queda abrupta da confiança e das expectativas dos agentes e um forte aumento da restritividade das condições de financiamento a nível global. Neste contexto, observou-se uma queda substancial da procura agregada e dos fluxos de comércio mundiais no final de

2008 e no início de 2009 (Relatório Anual 2009, Banco de Portugal).

O risco associado a esta conjuntura gerou

a criação de um conjunto muito diversifi- cado de medidas de estímulo orçamental

nas diferentes economias. Neste contexto,

a produção e o comércio globais voltaram

a expandir-se a partir do segundo trimestre

de 2009 e as perspectivas sobre a activi- dade económica global tornaram-se progressivamente menos negativas ao longo do ano (Relatório Anual 2009, Banco de Portugal).

Ainda assim, a dimensão da deterioração económica a nível mundial teve profundos impactos nas diferentes economias euro- peias, com redução do investimento e das exportações.

figura 1

TAXA DE VARIAÇÃO REAL (%)

Fonte: CE 4,0 2,0 0 -2,0 -4,0 -6,0 2005 2006 2007 2008 2009 UE 27
Fonte: CE
4,0
2,0
0
-2,0
-4,0
-6,0
2005
2006
2007
2008
2009
UE 27
Zona Euro
Portugal

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

15

Esta conjuntura teve reflexos assinaláveis no contexto nacional originando uma forte recessão da economia portuguesa:

— PIB com estagnação (2008) e queda acentuada de 2,7% em 2009;

— Exportações de Bens e Serviços com queda de 11,6%;

— Investimento com queda de 13,4%.

figura 2

TAXA DE VARIAÇÃO (%) DO ÍNDICE HARMONIZADO DE PREÇOS NO CONSUMIDOR

Fonte: EUROSTAT 06 07 08 09
Fonte: EUROSTAT
06
07
08
09

No que concerne à taxa de inflação, os anos de 2008 e 2009 apresentam uma variação extrema, reflectindo o sucedido com os

preços dos bens energéticos e alimentares.

A aceleração dos preços destes bens no 1.º

semestre de 2008 levou a taxa de inflação

a atingir valores na ordem dos 3,4% (Portu- gal), tendo apresentado uma acentuada redução até ao fim do 1.º semestre de 2009. Nos últimos meses de 2009, a infla- ção registou uma subida, reflectindo em parte a recuperação entretanto observada dos preços internacionais das matérias- primas.

Em Dezembro, a taxa de inflação homóloga da área do euro aumentou para 0,9% (0,5% em Novembro), em resultado da aceleração acentuada dos preços de ener- gia, os quais aumentaram 1,8%, interrom- pendo a diminuição registada ao longo do

ano. (Boletim Mensal de Economia Portu- guesa Nº 1 | Janeiro 2010. Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvi- mento, e Gabinete de Planeamento, Estra- tégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério das Finanças e da Adminis- tração Pública).

Todo este enquadramento teve como consequências o agravamento das condi- ções de financiamento, o aumento das restrições à concessão de crédito a famílias e empresas, com impacto directo no consumo corrente de bens e serviços e no investimento. O indicador de sentimento económico registou uma deterioração iniciada no 1.º trimestre de 2008, tendência negativa que se manteve até ao 1.º trimes- tre de 2009, onde se iniciou uma inversão.

tabela 1

PIB E PRINCIPAIS COMPONENTES DE DESPESA (TAXA DE VARIAÇÃO REAL EM %) a)

COMPONENTES DE DESPESA (TAXA DE VARIAÇÃO REAL EM %) a) UE 27 Zona Euro Portugal 2005

UE 27

UE 27 Zona Euro Portugal 2005 2006 2007 2008 2009

Zona Euro

UE 27 Zona Euro Portugal 2005 2006 2007 2008 2009

Portugal

2005

2006

2007

2008

2009

 

PIB

0,9

1,4

1,9

0,0

-2,7

Consumo Privado

1,9

1,9

1,7

1,7

-0,8

Consumo Público

3,2

-1,4

0,0

1,1

3,5

Investimento

-1,5

-0,3

3,5

-0,2

-13,4

FBCF

-0,9

-0,7

3,1

-0,7

-11,1

Variação de existências (b)

-0,1

0,1

0,1

0,1

-0,6

Procura Interna

1,5

0,8

1,7

1,2

-2,5

Exportações

2,1

8,7

7,8

-0,5

-11,6

Importações

3,5

5,2

6,1

2,7

-9,2

Contributo procura interna para PIB(b)

1,6

0,9

1,9

1,3

-2,8

Contributo procura externa líquida para PIB(b)

-0,7

0,5

0,0

-1,2

0,1

Fonte: INE e Banco de Portugal Notas:

(a) Os valores para o período 2007-2009 são estimativas preliminares do Banco de Portugal. (b) Contributo para a taxa de variação do PIB em pontos percentuais.

16 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

figura 3

INDICE DE SENTIMENTO ECONÓMICO

Fonte: CE 140 120 100 80 60 40 20 0 Portugal Jan-87 Jan-88 Jan-89 Jan-90
Fonte: CE
140
120
100
80
60
40
20
0
Portugal
Jan-87
Jan-88
Jan-89
Jan-90
Jan-91
Jan-92
Jan-93
Jan-94
Jan-95
Jan-96
Jan-97
Jan-98
Jan-99
Jan-00
Jan-01
Jan-02
Jan-03
Jan-04
Jan-05
Jan-06
Jan-07
Jan-08
Jan-09
Jan-10

Esta forte recessão da economia portu-

guesa contribuiu para um aumento da taxa

de desemprego para níveis extraordinaria-

mente elevados (superiores à média da

EU27), tendência iniciada no 2.º semestre

de

2008.

O

desemprego registado atingia, no final

de Dezembro de 2009, a cerca de 563 mil indivíduos, o que traduz um acréscimo de cerca de 125 mil desempregados (+28,7%) face ao mês homólogo do ano

de

2008.

As

receitas das empresas do Sector Florestal

(principalmente as de cariz exportador) são significativamente afectadas por variações

da taxa cambial do euro face a outras divi-

sas, em particular face ao USD. Essas varia- ções da taxa cambial podem fazer sentir-se

de diferentes formas:

Produtos cujos preços no mercado mundial são estabelecidos em USD (por exemplo, o preço da BEKP), com impactos potenciais nas vendas, variáveis em função da evolu- ção do euro face ao USD;

Vendas em moedas diferentes do Euro, por exemplo USD, com impactos potenciais nas vendas, variáveis em função da evolu- ção do euro face ao USD.

O biénio 2008-2009 apresentou variações da taxa do câmbio do euro face ao dólar que tiveram impactos distintos na compe- titividade das empresas:

— O ano de 2008, com uma tendência de

valorização do dólar face ao euro, atenu-

ando a quebra no valor das exportações registada;

— O ano de 2009, com uma evolução

gradual da cotação do euro face ao dólar, penalizando o valor das exportações.

1 enquadramento económico 2008-2009

figura 4

TAXAS DE DESEMPREGO (%)

Fonte: EUROSTAT 12 10 8 6 4 2 0
Fonte: EUROSTAT
12
10
8
6
4
2
0

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

UE 27 figura 5
UE 27
figura 5

Portugal2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 UE 27 figura 5 TAXA DE CÂMBIO DO

TAXA DE CÂMBIO DO EURO FACE AO DÓLAR (EUR/USD)

Fonte: Banco de Portugal 1,60 1,55 1,50 1,45 1,40 1,35 1,30 1,25 1,20 1.ºT 2.ºT
Fonte: Banco de Portugal
1,60
1,55
1,50
1,45
1,40
1,35
1,30
1,25
1,20
1.ºT
2.ºT
3.ºT
4.ºT
1.ºT
2.ºT
3.ºT
4.ºT
2008
2009

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

17

2

caracterização da fileira florestal

A floresta portuguesa ocupa cerca de 3,46 Milhões de hectares, representando 38,8% do território continental e aumentou 109.000 hectares entre 1995 e 2005.

2.1 desempenho florestal

2.1.1 recursos florestais

De acordo com o último Inventário Florestal Nacional (IFN5), reali- zado entre 2005 e 2006, a floresta portuguesa ocupa cerca de 3,46 Milhões de hectares, representando 38,8% do território continen- tal. É também de salientar o aumento registado de 109.000 hecta- res entre os dois últimos IFN (1995/1998 e 2005/2006).

tabela 2

ÁREAS POR TIPO DE USO DO SOLO (un. 1.000ha) NOS IFN DE 1995/1998 E DE 2005/2006

Tipo de uso do solo

1995/1998

2005/2006

Floresta

3.349

3.459

Matos

2.055

1.927

Agricultura

2.973

2.930

Outros Usos

396

432

Águas interiores

107

162

Fonte: AFN

Quanto ao tipo de floresta, a evolução registada evidencia uma redução nas áreas de povoamentos (diminuição de 26.000 hecta- res) e um aumento global de 28.000 hectares para as áreas ardidas e as áreas de corte raso.

tabela 3

ÁREAS POR TIPO DE FLORESTA (un. 1.000ha) NOS IFN DE 1995/1998 E DE 2005/2006

Tipo de Floresta

1995/1998

2005/2006

Povoamento

3.201

3.175

Áreas ardidas de povoamento

79

100

Áreas de corte raso

28

34

Fonte: AFN

As principais espécies florestais em Portugal Continental são o pinheiro bravo, o eucalipto e o sobreiro, que representam cerca de 74% das áreas florestais existentes.

A justificação provável destas alterações resulta das elevadas áreas ardidas ocorridas em 2003 e 2005. As principais espécies florestais em Portugal Continental são, por ordem decrescente, o pinheiro bravo, o eucalipto e o sobreiro, que representam cerca de 74% das áreas florestais existentes. A evolu- ção das áreas florestais por espécie no período que decorreu entre os dois últimos IFN apresentou padrões distintos de variação:

— Com uma variação positiva, originando aumentos assinaláveis de

área em valor absoluto e valor relativo num período aproximado de

10 anos destacam-se o eucalipto (+10%, cerca de 68.000ha) e o pinheiro manso (+68%, cerca de 52.000ha). Destaque também para os carvalhos com um aumento de 14% (cerca de 19.000ha);

— A única espécie que apresentou uma tendência de alguma estabi-

lização foi o sobreiro, com uma variação positiva de cerca de 0,4%;

— Com uma variação negativa, originando reduções de área impor-

tantes, destacam-se o pinheiro bravo (-9,1%, correspondendo a uma redução de 91.000 ha) e a azinheira (-10,6%, correspondendo a uma redução de cerca de 49.000 ha). Também pela negativa destaca-se o castanheiro, que apresenta a maior redução em valor relativo (-25,9%).

figura 6

EVOLUÇÃO DA ÁREA FLORESTAL POR ESPÉCIE (103 ha) SEGUNDO OS DIVERSOS IFN

Fonte: AFN, 2010

(10 3 ha)

3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 1963-66 1968-80 1980-89 1995-98 2005-06 Pinheiro-bravo Eucalipto
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
1963-66
1968-80 1980-89 1995-98
2005-06
Pinheiro-bravo
Eucalipto
Sobreiro

TOTAL1995-98 2005-06 Pinheiro-bravo Eucalipto Sobreiro RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010 1 9

1995-98 2005-06 Pinheiro-bravo Eucalipto Sobreiro TOTAL RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010 1 9

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

19

tabela 4 ÁREAS FLORESTAIS POR ESPÉCIES (un. 1.000 ha) NOS IFN DE 1995/1998 E DE

tabela 4

ÁREAS FLORESTAIS POR ESPÉCIES (un. 1.000 ha) NOS IFN DE 1995/1998 E DE 2005/2006

Áreas Florestais por Espécies (Un. 1.000 ha)

(Povoamentos puros, mistos dominantes e jovens)

1995/1998

2005/2006

Pinheiro-bravo

976

885

Eucalipto

672

740

Sobreiro

713

716

Azinheira

462

413

Carvalhos

131

150

Pinheiro-manso

78

130

Castanheiro

41

30

Folhosas diversas

102

86

Resinosas diversas

27

25

TOTAL

3.201

3.175

Fonte: AFN

Não deixa de ser importante realçar que os padrões de variação demonstram de alguma forma as motivações económicas dos produtores florestais, a gestão do risco do investimento (conside- rando o efeito dissuasor dos incêndios, das pragas e doenças flores- tais) e a rendibilidade de cada espécie florestal:

—Eucalipto e pinheiro manso, espécies com elevada rentabilidade e prazos de retorno de investimento inferiores registam aumentos consideráveis de áreas;

— Pinheiro manso, apesar de menos significativo em termos absolu-

tos, apresenta uma tendência significativa de aumento de áreas;

—Pinheiro bravo e azinheira, espécies com baixa rentabilidade e

prazos de retorno de investimento superiores registam reduções

consideráveis de áreas;

—Sobreiro, espécie com rendibilidade mas com prazos de retorno de investimento superiores, regista uma estabilização/estagnação das áreas.

Relativamente ao volume (m3 com casca), a análise comparativa do último decénio apresenta uma quebra de 14 milhões de m3 totais para o pinheiro bravo, e um aumento de 6 milhões de m3 totais para o eucalipto, traduzindo a variação ocorrida na área de cada uma destas espécies no mesmo período.

tabela 5

ÁREA (un. 1000ha), VOLUME MÉDIO (m3/ha) E VOLUME (m3) POR ESPÉCIE, POR COMPOSIÇÃO NOS IFN 1995/1998 E DE 2005/2006

Povoamento

Composição

Área (Un. 1.000 ha)

Volume médio (m3/ha)

Volume (Un. 100.000 m3)

 

1995/8 a)

2005/6

1995/8 a)

2005/6

1995/8 a)

2005/6

 

Puro

730

681

95

94

69

64

Pinheiro bravo

Misto dominante

246

145

82

83

20

12

Misto dominado

141

119

33

37

5

4

 

TOTAL

94

80

 

Puro

573

567

44

55

25

31

Eucalipto

Misto dominante

99

93

66

61

7

6

Misto dominado

133

87

25

48

3

4

 

TOTAL

35

41

Fonte: AFN a) Não discrimina povoamentos jovens.

20 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

2 caracterização da fileira florestal

tabela 6

NÚMERO DE OCORRÊNCIAS E ÁREA ARDIDA (ha), POR TIPO, POR ANO (2000-2009)

Ano

N.º de Ocorrências

 

Área Ardida (ha)

 

Incêndios Florestais

Fogachos

Total

Povoamentos

Matos

Total

2000

8.802

25.307

34.109

68.646

90.958

159.604

2001

6.889

20.073

26.942

45.609

66.557

112.166

2002

6.492

20.000

26.492

65.164

59.245

124.409

2003

5.309

20.886

26.195

286.055

139.671

425.726

2004

5.020

16.950

21.970

56.109

73.430

129.539

2005

8.179

27.519

35.698

213.517

124.745

338.262

2006

3.455

16.466

19.921

36.320

39.189

75.509

2007

3.566

15.166

18.732

9.638

21.812

31.450

2008

2.557

11.275

13.832

5.463

11.781

17.244

2009

5.776

20.563

26.339

24.094

61.923

86.017

Média

5.605

19.421

25.023

81.062

68.931

149.993

(2000-2009)

Fonte: AFN

2.1.2 incêndios florestais

Os incêndios florestais mantêm-se como uma das principais amea- ças à Fileira Florestal, em resultado do elevado número de ocor- rências e da correspondente elevada área ardida. O ano de 2009 evidenciou um retrocesso nos resultados obtidos face aos anos anteriores (2006-2008), não obstante a meta inscrita no Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios ter sido atingida (área ardida anual inferior a 100 mil hectares até 2012).

Relativamente ao número de ocorrências os anos de 2008 e 2009 apresentam valores muito díspares: do valor mais baixo registado nos últimos 10 anos (13.832 ocorrências em 2008), para um valor um pouco acima da média registada no decénio anterior (2000- 2009). A mesma tendência se constata quando se analisa só o n.º de incêndios florestais.

Quanto à área ardida, é de salientar o ano de 2008, com um registo anómalo no decénio 2000-2009, devido ao muito reduzido n.º de ocorrências e baixa área ardida. Da análise efectuada é também de realçar o facto de, no que concerne ao período 2000-2009,

tabela 7

CARACTERIZAÇÃO DOS INCÊNDIOS COM DIMENSÃO ENTRE 100 E 500 ha (2000 – 2009)

o ano de 2009 ser o primeiro em que um registo superior a 5.000

incêndios florestais não se traduziu em mais de 100.000 ha de área ardida (diminuição de 63.976 ha relativamente à medida do decénio considerado).

Os grandes incêndios possuem um impacto muito expressivo no somatório global das áreas ardidas. Se atendermos aos incêndios com dimensão de área ardida entre 100 ha e 500 ha, constata- se que estes são responsáveis por cerca de 19% da área total ardida no último decénio.

Importa salientar que a área total ardida no período compreendido entre 2000-2009, 1.499.926 ha (povoamentos e matos) não corresponde a áreas ardidas na íntegra pela primeira vez, mas pelo contrário, tem-se assistido a uma redução do intervalo de tempo entre incêndios recorrentes nas mesmas áreas por motivos sociais, ambientais e económicos.

Considerando os incêndios com dimensão de área ardida superior

a 500 ha, constata-se que 426 ocorrências (0,8% do total) são

responsáveis por cerca de 58% da área total ardida no último

decénio.

tabela 8

CARACTERIZAÇÃO DOS INCÊNDIOS COM DIMENSÃO SUPERIOR A 500 ha (2000 – 2009)

Ano

100 a 500 ha

Ano

> 500 ha

 

N.º de Ocorrências

Área Ardida (ha)

Área Ardida (%Total)

 

N.º de Ocorrências

Área Ardida (ha)

Área Ardida (%Total)

2000

233

47.461

30%

2000

50

62.557

39%

2001

140

28.313

25%

2001

34

42.014

37%

2002

168

35.724

29%

2002

45

48.694

39%

2003

134

30.893

7%

2003

88

365.284

86%

2004

115

24.883

19%

2004

53

76.464

59%

2005

220

57.090

17%

2005

98

209.273

62%

2006

102

22.814

30%

2006

25

31.959

42%

2007

30

6.105

19%

2007

6

7.510

24%

2008

16

3.490

20%

2008

2

1.157

7%

2009

109

22.332

26%

2009

25

31.859

37%

Média (2000-2009)

127

27.911

22%

Média (2000-2009)

43

87.677

43%

Total

1.267

279.105

19%

Total

426

876.771

58%

Fonte: AFN

Fonte: AFN

Fonte: AFN Fonte: AFN

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

21

2 caracterização da fileira florestal

tabela 9

CARACTERIZAÇÃO DOS INCÊNDIOS COM DIMENSÃO SUPERIOR A 100 ha (2000 – 2009)

Ano

> 100 ha

 

N.º de Ocorrências

Área Ardida (ha)

Área Ardida (%Total)

2000

283

6110.018

69%

2001

174

70.327

63%

2002

213

84.418

68%

2003

222

396.177

93%

2004

168

101.347

78%

2005

318

266.363

79%

2006

127

54.773

73%

2007

36

13.615

43%

2008

18

4.647

27%

2009

134

54.191

63%

Média (2000-2009)

169

115.588

66%

Total

1.693

1.155.876

77%

Fonte: AFN

Fazendo uma análise conjunta aos grandes

incêndios no último decénio, é perceptível

a dimensão do impacto que estes possuem

para a floresta portuguesa e no quanto é determinante a sua rápida extinção, uma vez que 3% dos incêndios florestais com dimensão superior a 100 ha originaram 77% da área ardida total.

Quanto às causas dos incêndios, os resul- tados apurados com base nas ignições com investigação concluída pela GNR/SEPNA mantêm as tendências de comportamen- tos associados a negligência. De facto, e de acordo com a análise dos resultados obti- dos para o total das causas determinadas entre 2006 e 2009, as ocorrências associa- das à acção humana (uso do fogo, acidental

e incendiarismo) constituem a esmagadora

maioria das ocorrências (98,5%). O uso do fogo, associado a acções negligentes, repre- senta 52% do total, salientando-se as quei- madas como a principal causa.

O incendiarismo assume também uma

expressão relevante, com cerca de 42% do total das ignições com causas determina- das, destacando-se as motivações imputá- veis como a principal causa associada a esta sub-categoria.

Salienta-se que a única categoria de causas que apresenta uma tendência de redução

no período entre 2006-2009 são as ocor-

rências por causa acidental. Uso do fogo e incendiarismo, principais causas associadas à ocorrência de incêndios, apresentam uma tendência de estagnação/subida ligeira.

Merece destaque, por um lado o aumento do número de ignições com investigação concluída pela GNR/SEPNA, e a tendência de redução do n.º de ocorrências com causas indeterminadas.

Num somatório global do decénio, a análise revela dados extremamente preo- cupantes: uma área total ardida de 1.499.926 ha, dos quais 54% são povoa- mentos florestais (810.615 ha), uma média de 25.023 ocorrências/ano, das quais 98,5% estão associadas à acção humana. De acordo com o Relatório Anual de Áreas Ardidas e Ocorrências de 2009 (Autoridade Florestal Nacional), entre 1999 e até 2009 o eucalipto e o pinheiro bravo foram as espécies florestais mais afectadas pelos incêndios florestais.

tabela 10

PROPORÇÃO (%) DE INCÊNDIOS SEGUNDO A CAUSA DETERMINADA POR ANO (2006 – 2009)

tabela 11

NÚMERO E PROPORÇÃO DE OCORRÊNCIAS INVESTIGADAS (2006 – 2009)

Causa

Ocorrências com causa determinada (%)

 

Ocorrências

Ocorrências Investigadas

 

2006

2007

2008

2009

Média

2006

2007

2008

2009

Uso do Fogo

36,2%

52,7%

52,4%

53,1%

52,0%

n.º

2.234

6.344

6.781

12.176

Acidentais

10,5%

5,3%

5,4%

3,3%

4,5%

% Total

11,2%

33,9%

49,0%

46,2%

Incendiarismo

45,5%

40,4%

41,5%

42,4%

41,9%

Naturais

7,9%

1,7%

0,7%

1,2%

1,5%

Fonte: AFN

Total

100,0%

100,0%

100,0%

100,0%

100,0%

tabela 12

Fonte: AFN

22 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

NÚMERO E PROPORÇÃO DE OCORRÊNCIAS DECORRENTES DE CAUSAS INDETERMINADAS (2006 – 2009)

Ocorrências

Causas Indeterminadas

 
 

2006

2007

2008

2009

n.º

1.432

3.136

3.124

3.913

% Total

64,1%

49,4%

46,1%

32,1%

Fonte: AFN

2 caracterização da fileira florestal

32,1% Fonte: AFN 2 caracterização da fileira florestal 2.1.3 sanidade florestal Relativamente à sanidade

2.1.3 sanidade florestal

Relativamente à sanidade florestal, e de acordo com os dados do último IFN, cons- tata-se que as três principais espécies florestais apresentam valores muito seme- lhantes entre si para as diferentes classes de estado de vitalidade (sem danos; danos ligeiros; danos acentuados).

Com base na última informação disponível constata-se que cerca de 40% a 43% destes povoamentos florestais não apre- sentam danos, destacando-se o sobreiro como sendo a única espécie que apresenta uma evolução positiva entre os dois últimos IFN, através de um aumento de 14% da área de povoamentos sem danos.

Relativamente aos danos acentuados, estes foram identificados em cerca de 9% a 11% destas áreas, realçando o facto de pinheiro bravo e sobreiro apresentarem um aumento das áreas com danos acentuados, por oposição ao eucalipto, que apresenta uma tendência de redução (-6%).

No sobreiro, é também de salientar os resultados decorrentes do I.º Censo Nacio- nal de Mortalidade do Sobreiro, que permi- tiu identificar 329.323 árvores mortas, com base na fotografia aérea digital de 2004/2006. Esta mortalidade, e de acordo com a densidade média dos povoamentos

puros de sobreiro do 5.º IFN (66 árv./ha), corresponde a uma perda de área de cerca de 4.990 ha e a uma perda estimada de produção de cortiça de 493.984@ (o número de árvores referido representa a mortalidade dos últimos 2 a 5 anos antes do ano do voo).

O pinheiro bravo também tem apresentado

problemas ao nível da sanidade florestal, os quais estão principalmente associados ao Nemátodo da Madeira do Pinheiro (Bursaphelenchus xylophilus). Esta doença foi detectada em Portugal, em Maio de 1999, na região de Setúbal. É um verme microscópico considerado uma das doen- ças mais perigosas para as coníferas a nível mundial, estando classificado como orga- nismo de quarentena para a União Euro- peia, que se faz transportar por um insecto vector e que havia demonstrado noutras regiões do globo ter um elevado potencial

de mortalidade para o pinhal. Em Portugal,

o Nemátodo da Madeira do Pinheiro (NMP) foi encontrado unicamente em pinheiro bravo.

O seu estatuto de organismo de quaren-

tena faz com que o Estado Membro onde

a sua presença é identificada tenha de asse- gurar medidas de controlo que salvaguar- dem o território dos outros Estados-

-Membros contra o NMP e protejam os interesses comerciais da Comunidade rela- tivamente a países terceiros.

O Estado Português tem assegurado, desde

1999, a execução de programas de controlo

e erradicação:

— 1999/2007: PROLUNP - Programa Nacional de Luta Contra o Nemátodo da Madeira do Pinheiro;

—2008 em diante: Programa de Acção Nacional para Controlo do Nemátodo da Madeira do Pinheiro.

A doença tem vindo a expandir-se em

Portugal de forma gradual, tendo surgido em 2008 novos focos na região Centro que

conduziram à classificação da totalidade de Portugal Continental como zona afectada

e de restrição.

figura 7

DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS POVOAMENTOS FLORESTAIS POR ESTADO DE VITALIDADE, SEGUNDO A ESPÉCIE

Fonte: AFN, 2010

160 140 120 100 80 60 40 20 0 1995/8 2005/6 1995/8 2005/6 1995/8 2005/6
160
140
120
100
80
60
40
20
0
1995/8 2005/6
1995/8 2005/6
1995/8 2005/6
% sem danos
% danos ligeiros
% danos acentuados
Pinheiro-bravo
Eucalipto
Sobreiro

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

23

A evolução do número de árvores com sintomas de declínio permite observar uma tendência crescente, associada também ao aumento da área afectada (Tabela 13). No entanto, importa também referir que desde que o NMP foi identificado em Portugal tem-se constatado um aumento das popu- lações de escolitídeos os quais têm sido responsáveis por uma parte considerável da mortalidade ocorrida.

Saliente-se também que não existe uma sintomatologia específica do NMP, já que outros factores, como ataques de insectos ou a seca, provocam sintomas iguais levando à morte das árvores.

Os dados apresentados na Tabela 13 não incluem as árvores erradicadas por inicia- tiva privada, sendo apenas referentes às árvores com sintomas de declínio cortadas

tabela 13

NÚMERO DE ÁRVORES COM SINTOMAS DE DECLÍNIO ERRADICADOS NO ÂMBITO DOS PROGRAMAS DE CONTROLO

Ano

Árvores Erradicadas

1999/2000

53.487

2000/2001

63.212

2001/2002

50.542

2002/2003

61.458

2003/2004

85.086

2004/2005

107.817

2005/2006

288.985

2006/2007

218.895

2007/2008*

273.795

2009/2010

438.522

Total

1.641.799

Fonte: AFN 2010 *A partir de 2008 os dados já incluem a Zona Centro.

24 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

no âmbito dos programas do Estado Portu- guês. A título de exemplo, e de acordo com a AFN, na campanha 2009/2010 foram erradicadas 1.818.662 árvores por inicia- tiva privada.

Também relativamente à fileira do Euca- lipto é pertinente referir que desde o último inventário florestal nacional tem-se verifi- cado um aumento da severidade das ocor- rências de Gonipterus scutellatus (gorgulho do Eucalipto). A desfolha causada por esta praga tem um efeito muito significativo na produtividade dos povoamentos de Euca- lipto, podendo provocar perdas de produ- ção com grande significado económico, estimando-se que nas áreas afectadas, cerca de 40% a 90% de perdas de volume de madeira utilizável, para desfolhas médias a severas, respectivamente (Reis, A., et al).

tabela 14

N.º, ÁREA (ha) E FASE DE CONSTITUIÇÃO DAS ZONAS DE INTERVENÇÃO FLORESTAL

ZIF

Número

Área (ha)

Constituídas

129

589.451

Em constituição

51

384.617

Total

180

974.068

Fonte: AFN, Outubro de 2010

2.1.4 zonas de intervenção florestal

Desde 2005, com a publicação do Decreto -Lei n.º 127/2005, de 5 de Agosto, que estabelece o regime de criação de zonas de intervenção florestal (ZIF 1 ), bem como os princípios reguladores do seu funciona- mento e extinção, que o processo de cons- tituição das ZIF sofreu uma enorme evolução (Tabela 14).

Actualmente, a área coberta pelas 129 ZIF já constituídas atinge os 589.451 hectares, existindo ainda mais 51 ZIF (384.617 hectares) em processo de constituição.

1 A área territorial contínua e delimitada constituída maioritariamente por espaços florestais, submetida a um plano de gestão florestal e a um plano específico de intervenção florestal e gerida por uma única entidade.

ENTIDADES PROMOTORAS E GESTORAS DE ZONAS DE INTERVENÇÃO FLORESTAL

Tipo de

N.º Entidades

N.º Entidades

Entidade

Promotoras

Gestoras

OPF

61

37

Empresas

5

7

Autarquias

1

0

Total

67

44

2 caracterização da fileira florestal

Total 67 44 2 caracterização da fileira florestal 2.1.5 gestão florestal O Plano de Gestão Florestal

2.1.5 gestão florestal

O Plano de Gestão Florestal (PGF) é um

instrumento de planeamento previsto no enquadramento legal proporcionado pela Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96 de 17 de Agosto) e, mais tarde, pelo Decreto-Lei n.º 205/99 de 9 de Junho, que regula o processo de elaboração, aprova- ção, execução e alteração dos PGF a aplicar nos espaços florestais.

No entanto, a sua aplicação de forma mais abrangente, instituindo a obrigatoriedade legal da sua elaboração e aprovação para

as matas públicas e para parte das áreas

privadas, só veio a iniciar-se na sequência da aprovação dos Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) no período

2006-2007.

Posteriormente, a introdução do PGF apro- vado como critério de elegibilidade no acesso aos programas de apoio ao investi- mento florestal no Programa de Desenvol-

tabela 15

NÚMERO E ÁREA (ha) DOS PLANOS

DE GESTÃO FLORESTAL

vimento Rural (PRODER), a par da publica- ção do Decreto-Lei n.º 16/2009 de 14 de Janeiro, que aprova o regime jurídico dos planos de ordenamento, de gestão e de intervenção de âmbito florestal, vieram reforçar a dinâmica dos processos de elabo- ração dos PGF e dos PEIF (Planos Específi- cos de Intervenção Florestal).

Actualmente, existem 433 PGF aprovados (386.300 hectares) representando 11% da área florestal em Portugal Continental (Tabela 15).

Os PEIF são instrumentos de resposta a constrangimentos específicos da gestão florestal. Correspondem a um nível de planeamento operacional, podendo incidir sobre territórios com significativo risco de incêndio florestal, no controlo de pragas e doenças florestais, no controlo ou erradi- cação de espécies invasoras, na recupera- ção de áreas percorridas por incêndios, entre outras. Actualmente existem 24 PEIF aprovados, referentes a 107.143 hectares.

tabela 16

NÚMERO E ÁREA (ha) DOS PLANOS ESPECÍFICOS DE INTERVENÇÃO FLORESTAL

2.1.6 certificação florestal

As iniciativas de certificação florestal em Portugal, designadamente o FSC – Forest Stewardship Council e o PEFC - Programme for the Endorsement of Forest Certification, não obstante o facto de estarem a decorrer há já alguns anos, têm demonstrado algu- mas dificuldades emt acompanhar o ritmo da evolução registada noutros países, comprometendo a capacidade de resposta nacional às exigências de alguns mercados internacionais para onde o sector florestal português exporta. No entanto, destaca- se desde 2009 até à data, uma evolução positiva, com aumentos globais do número de certificados da certificação da gestão florestal (GF), e da cadeia de responsabili- dade (CdR).

 

Planos de

Número

Área (ha)

Planos Específicos de Intervenção Florestal

Número

Área (ha)

Fonte: AFN, Setembro de 2010

Gestão Florestal

 

Aprovados

433

386.300

Aprovados

24

107.143

Elaboração/Análise

426

322.163

Elaboração/Análise

21

154.677

Total

859

708.462

Total

45

261.820

Fonte: AFN, Outubro de 2010

Fonte: AFN, Outubro de 2010

Fonte: AFN, Outubro de 2010 Fonte: AFN, Outubro de 2010 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

25

2 caracterização da fileira florestal

tabela 17

NÚMERO DE CERTIFICADOS DE GESTÃO FLORESTAL EMITIDOS POR ANO, POR SISTEMA DE CERTIFICAÇÃO

tabela 18

ÁREA (ha) E NÚMERO DE ADERENTES SEGUNDO O SISTEMA DE CERTIFICAÇÃO FLORESTAL, POR ÂMBITO

Sistema

2005

2006

2007

2008

2009

2010

Total

Sistema

Âmbito

Área (ha)

Aderentes (n.º)

de Certificação

de Certificação

Individual

Grupo

Regional

PEFC

0

0 0

0

3

3

6

PEFC

2

2

2

205.030

97

FSC

0

1 2

3

4

6

16

FSC

5

11

n.a.

252.890

116

Total

0

1 2

3

7

9

22

Total

7

13

2

457.920

213

Fonte: PEFC e FSC

Fonte: PEFC e FSC

CERTIFICAÇÃO DA GESTÃO FLORESTAL

Relativamente à certificação da GF, encontram-se emitidos 22 certificados, dos quais 73% do sistema FSC, sendo notório o aumento registado de 2009 em diante, tal como referido ante- riormente (dados de 2010 referentes a consulta online em www.fsc.org a 01/10/2010).

Existe um total de área certificada de 457.920 ha, no entanto, considerando o facto de existirem áreas com dupla certificação, estima-se que a área certificada efectiva seja de 269.708 ha, dos quais as empresas de produção de pasta e papel possuem 74%.

O sistema FSC é o que possui mais área certificada (252.890 ha) e proprietários florestais envolvidos (116), sendo o âmbito de certi- ficação mais utilizado o de grupo. Destaque para as recentes certi- ficações PEFC de âmbito regional, as primeiras a ocorrer em Portugal, que possuem um número elevado de aderentes (42% do total de proprietários certificados).

26 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

CERTIFICAÇÃO DA CADEIA DE RESPONSABILIDADE (CdR)

A certificação da CdR teve uma dinâmica de desenvolvimento

muito superior à certificação da GF, facto que é facilmente cons- tatável através do número de certificados de emitidos, o qual é cerca de quatro vezes superior. Na base desta maior capacidade de resposta estará, certamente, o facto da certificação ser cada vez mais uma condição no acesso aos mercados europeus, o que

se faz sentir, numa primeira fase, nas empresas de carácter expor- tador. Também na certificação da CdR o crescimento tem sido particularmente activo em 2009 e 2010 (até à data), concen- trando-se neste período (21 meses) cerca de 70% do total dos certificados emitidos desde 2005 (dados de 2010 referentes a consulta online em www.fsc.org a 01/10/2010).

Relativamente ao sistema de certificação é notória uma escolha predominante do FSC, com cerca de 72% do total de certificados emitidos.

Relativamente ao número de certificados de CdR nas diferentes subfileiras (Tabela 20), é a subfileira da Madeira e Mobiliário que apresenta um maior número de certificados emitidos com cerca de 30% (26 certificados) do total.

tabela 19

NÚMERO DE CERTIFICADOS CDR EMITIDOS, SEGUNDO O SISTEMA DE CERTIFICAÇÃO FLORESTAL, ANUALMENTE (2005 – 2010)

Sistema

N.º de Certificados CdR emitidos

 

de Certificação

2005

2006

2007

2008

2009

2010

Total

PEFC

1

1

3

5

5

9

24

FSC

0

7

3

6

14

32

62

Total

1

8

6

11

19

41

86

Fonte: PEFC e FSC

tabela 20

NÚMERO DE CERTIFICADOS CDR EMITIDOS, SEGUNDO O SISTEMA DE CERTIFICAÇÃO FLORESTAL, POR SUBFILEIRA DA FILEIRA FLORESTAL

Sistema

N.º de Certificados CdR emitidos/Subfileira

de Certificação

Cortiça

Pasta

Madeira

Gráfica

Exploração e Comercialização de madeira

 

e Papel

e Mobiliário

PEFC

2

6

5

4

7

FSC

13

9

21

10

9

Total

15

15

26

14

16

Fonte: PEFC e FSC

2.1.7 floresta na rede nacional de áreas protegidas

A Rede Nacional de Áreas Protegidas

(RNAP) é uma das áreas nucleares de conservação da natureza e da biodiversi- dade que integra o Sistema Nacional de Áreas Classificadas. A ocupação florestal possui uma importância muito relevante nas áreas protegidas, abrangendo, de acordo com os dados disponibilizados pelo último IFN, 174.722 ha, o que corresponde a 5,5% da área florestal nacional.

Relativamente à ocupação florestal,

destaca-se o pinheiro bravo como a espécie florestal com maior predominância na RNAP (6,5% da área total nacional de pinheiro bravo está em área protegida).

tabela 21

PRINCIPAIS ESPÉCIES FLORESTAIS NA RNAP

Área Florestal na RNAP (ha)

 

Espécies Florestais

 

Sobreiro

Pinheiro Bravo

Eucalipto

 

(ha)

(%)*

(ha)

(%)*

(ha)

(%)*

174.722

21.547

3,0%

57.758

6,5%

20.635

2,8%

Fonte: AFN * em % do total para a espécie a nível nacional

Fonte: AFN * em % do total para a espécie a nível nacional RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO

RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

27

2.1.8 floresta em Rede Natura 2000 A Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP) é uma

2.1.8

floresta em Rede Natura 2000

A Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP) é uma das áreas nucleares de conservação da natureza e da biodiversi- dade que integra o Sistema Nacional de Áreas Classificadas. A ocupação florestal possui uma importância muito relevante nas áreas protegidas, abrangendo, de acordo com os dados disponibilizados pelo último IFN, 174.722 ha, o que corresponde a 5,5% da área florestal nacional.

Relativamente à ocupação florestal, destaca-se o pinheiro bravo como a espécie florestal com maior predominância na RNAP (6,5% da área total nacional de pinheiro bravo está em área protegida).Ao nível da Rede Natura 2000 a floresta possui um peso particularmente relevante, ocupando cerca de 35% da superfície das ZPE e 47% das ZEC. Estas últimas, através

da sua dimensão territorial, possuem cerca de 23,3% da área florestal nacional (738.319 ha), o que é esclarecedor quanto

à importância da floresta e da sua gestão

para assegurar a conservação dos habitats

e da biodiversidade.

Ao nível das principais espécies florestais,

e tal como sucede na RNAP, é o pinheiro

bravo que ocupa a maior parte da área florestal, seguindo-se o sobreiro.

Salienta-se ainda que, de acordo com a avaliação global do estado de conservação dos habitats naturais e espécies, por tipos de habitats e grupo taxonómico (cit in Rela- tório Nacional de Implementação da Direc- tiva Habitats 2001-2006), os habitats naturais, nos quais se encontram os de tipo florestal, apresentam, na sua maioria, um estado de conservação desfavorável/inade- quado (só 20% dos habitats de tipo flores- tal apresentam um estado de conservação favorável). Embora nos habitats florestais não se veri- fiquem situações de avaliação global

tabela 22

PRINCIPAIS ESPÉCIES FLORESTAIS NA REDE NATURA 2000

"desfavorável / má", um número signifi - cativo destes habitats naturais (11 habitats) encontram-se em situação "desfavorável/ inadequada". Para este resultado concorrem as florestas esclerófilas mediterrânicas (9320, 9330, 9340, 9380), as florestas de coníferas das montanhas mediterrânicas (9560, 9580), os carvalhais (9160, 9230, 9240) e ainda os habitats 92D0 (Galerias e matos ribei- rinhos meridionais da Nerio-tamaricetea e Securinegion tinctoriae) e 91B0 (Freixiais termófilos de Fraxinus angustifolia). Muitos destes habitats florestais encon- tram-se fragmentados ou acantonados, e são pouco frequentes as situações em que exibem a maturidade e o estado de conser- vação que devem caracterizar comunidades climácicas ou paraclimácicas. Registam uma avaliação global favorável os seguintes tipos de habitats naturais:

habitats florestais (91E0 Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus Excelsior (Alno- Padion, Alnion incanae, Salicion albae), 9380 Florestas de Ilex aquifolium).

Rede

Área

Área

Área Florestal (em % da área total)

 

Espécies Florestais

 

Natura 2000

Total (ha)

Florestal (ha)

Sobreiro

Pinheiro Bravo

Eucalipto

 

(ha)

(%)*

(ha)

(%)*

(ha)

(%)*

ZPE

714.768

247.982

34,7%

32.859

4,6%

42.040

4,8%

29.552

4,0%

ZEC

1.573.225

738.319

46,9%

142.405

19,9%

211.483

23,9%

107.639

14,6%

Fonte: ICNB * em % do total para a espécie a nível nacional

28 RELATÓRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA FILEIRA FLORESTAL 2010

tabela 23

VAB E PRODUÇÃO DA SILVICULTURA (MILHÕES DE EUROS)

2 caracterização da fileira florestal

Indicadores

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008p

Valor Acrescentado Bruto (preços correntes)

862,73

719,31

758,15

716,80

708,58

665,95

685,42

677,41

668,77

Produção da Silvicultura

1.136,01

949,72

975,57

928,41

911,50

895,3

917,73

958,28

954,18

Fonte: INE/Contas Económicas da Silvicultura

2.2 desempenho económico

2.2.1

indicadores macroeconómicos da silvicultura

De acordo com as estimativas do INE para o ano 2008 (dados ainda provisórios) o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da Silvi- cultura, com 668 milhões de euros, apre- sentou uma redução de 1,3%, relativamente a 2007, e de 22,5% relati- vamente a 2000 (Tabela 23). De forma equivalente, também a Produção da Silvi- cultura apresenta as mesmas tendências:

diminuição de 0,4% relativamente ao ano anterior, e de 16% face a 2000.

Quando se observa a Produção de Bens Silvícolas (Tabela 24), verifica-se que as três principais subfileiras apresentam tendên- cias distintas:

— A produção de cortiça em 2008 apre- senta um decréscimo de 8,8% em valor face a 2007 e, relativamente ao ano 2000, uma quebra de 51,5%;

— A produção de pinheiro bravo (madeira de resinosas para fins industriais) apresenta um decréscimo de 17,4% em valor face a 2007 e, relativamente ao ano 2000, uma quebra de 40,6% (a madeira de resinosas para serrar apresentou em 2008 o valor mais baixo desde 1994);

tabela 24

PRODUÇÃO DE BENS SILVÍCOLAS (MILHÕES DE EUROS)

— A produção de eucalipto (madeira de folhosas para triturar) é a única com tendência de crescimento, quer face ao ano anterior (+12,1%), quer face ao ano 2000

(+16,8%);

— A produção de madeira de folhosas para uso industrial teve uma evolução positiva entre 2000 e 2008, passando a ser o princi- pal bem silvícola, ligeiramente acima da cortiça e superior à produção de madeira de resinosas.

Produção de Bens Silvícolas

2000