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Emancipação da Alma - 1

ÍNDICE

Cap

 

Tema

 

Pág.

 

.

 

I -

O

sono

e

os

so-

3

nhos

II

-

Visitas

espíritas

entre

vi-

7

 

vos

III

-

Transmissão

oculta

do

pensamen-

8

 

to

IV

-

Letargia,

catalepsia,

morte

aparen-

9

 

te

V

-

O

sonambulis-

13

 

mo

VI

-

Êxta-

16

 

se

VII -

Dupla

vis-

17

ta

VIII -

Resumo teórico do sonambulismo,

20

do êxtase

e

da

dupla vis-

ta

Emancipação da Alma - 2

I - O SONO E OS SONHOS

400. Para perguntar se o encarnado permanece ou não voluntariamente no envoltório corporal, seria a

mesma coisa que perguntar se um prisioneiro está satisfeito de ficar encarcerado. O Espírito encarnado aspira incessantemente à libertação, e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais deseja ver-se desemba- raçado.

401. Durante o sono, a alma não repousa como o corpo, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os

liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então ele percorre o espa-

ço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.

402. Podemos avaliar a liberdade do Espírito durante o sono pelos sonhos. Quando o corpo repousa, o

Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem lembrança do passado e às vezes a

previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros Espíritos, seja des- te mundo, seja de outro. Freqüentemente dizes: “Tive um sonho bizarro, um sonho horrível, mas que não tem nenhuma verossimilhança”. Engano. É quase sempre uma lembrança de lugares e de coisas que vimos ou que veremos numa outra existência ou em outra ocasião. O corpo estando adormecido, o Espíri-

to trata de quebrar as suas cadeias para investigar no passado ou no futuro.

Conhecemos tão pouco dos mais ordinários fenômenos da vida! Acreditamos ser muito sábios, e as coi- sas mais vulgares nos embaraçam. A esta pergunta de todas as crianças: “O que é que fazemos quando

dormimos; o que são os sonhos?” ficais sem resposta.

O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente se encontra

no estado em que estará de maneira permanente após a morte. Os Espíritos que logo se desprendem da matéria, ao morrerem, tiveram sonhos inteligentes. Esses Espíritos, quando dormem, procuram a socie- dade dos que lhes são superiores: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em o- bras que encontram concluídas, ao morrer. Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte, pois morreis todos os dias, segundo a expressão de um santo. Isto, para os Espíritos elevados; pois a massa dos homens que, com a morte, devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza de que vos têm falado, vão, seja a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os chamam, seja à procura de prazeres talvez ainda mais baixos do que possuíam aqui; vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que as que professavam entre vós. E o que engendra a simpatia na Terra não é outra coisa senão o fato de nos sentirmos, ao acordar, ligados pelo coração aqueles com que acabamos de passar oito ou nove horas de felicidade ou prazer. O que explica também as antipatias invencíveis é que sentimos, no fundo do coração, que essas pessoas tem uma consciência diversa da nossa, porque as conhecemos sem jamais as ter visto. É ainda o que explica a indiferença, pois não procuramos fazer novos amigos quando sabemos ter os que nos amam e nos querem. Numa palavra: o sono influi mais do que podemos imaginar, sobre a nossa vida. Por efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos, e é isso o que faz que os Espíritos superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar-se entre nós. Deus quis que durante o seu contato com o vício, pudessem eles retemperar-se na fonte do bem, para não fali-

rem, eles que vinham instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu para o contato com os seus amigos do céu; é o recreio após o trabalho, enquanto esperam o grande livramento, a liberta- ção final, que deve restituí-los ao seu verdadeiro meio.

O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas podemos observar que nem

sempre sonhamos, porque nem sempre nos lembramos daquilo que vimos, ou de tudo o que vimos. Isso

porque não temos a nossa alma em todo o seu desenvolvimento; freqüentemente não nos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a nossa partida e a nossa volta, a que se junta a lem- brança do que fizemos ou do que nos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicar os sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios quanto os mais simples? Os maus Espíritos também

se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.

De resto, dentro em pouco veremos desenvolver-se uma outra espécie de sonhos; uma espécie tão anti- ga como a que conhecemos, mas que ignoramos. O sonho de Joana, o sonho de Jacó, o sonho dos pro- fetas judeus e de alguns adivinhos indianos: esse sonho é a lembrança da alma inteiramente liberta do corpo, a recordação dessa segunda vida. Procuremos distinguir bem essas duas espécies de sonhos, entre aqueles de que nos lembramos; sem isso, cairemos em contradições e em erros que seriam funestos para a nossa fé.

Emancipação da Alma - 3

NOTA DE ALLAN KARDEC: Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida, que se estende aos lugares os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que retraça na memória os aconteci- mentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores. A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeadas de coisas do mundo atual, formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter nem senso, nem nexo. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas decorrentes da lembrança incompleta do que nos apareceu no sonho. Tal como um relato ao qual se tivessem truncado frases ou partes de frases aos acaso: os fragmentos restantes, sendo reunidos, perderiam toda significação racional.

403. Não recordamos sempre dos sonhos, porque o que chamamos sono é somente o repouso do corpo,

porque o Espírito está sempre em movimento. No sono, ele recobra um pouco de sua liberdade e se co- munica com os que lhe são caros, seja neste ou em outros mundos. Mas, como o corpo é de matéria pe- sada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.

404. Os sonhos não são verdadeiros, como entendem os ledores de sorte, pelo que é absurdo admitir que

sonhar com uma coisa anuncia outra. Eles são verdadeiros no sentido de apresentarem imagens reais para o Espírito, mas que, freqüentemente, não tem relação com o que se passa na vida corpórea. Muitas vezes, ainda, como já dissemos, são uma recordação. Podem ser, enfim, algumas vezes, um pressenti- mento do futuro, se Deus o permite, ou a visão do que se passa no momento em outro lugar, a que a al- ma se transporta. Temos numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonhos para advertir paren- tes e amigos do que lhes está acontecendo. O que são aparições, senão a alma ou o Espírito dessas pessoas que se comunicam com o mundo corpóreo? Quando adquirirmos a certeza de que aquilo que vimos realmente aconteceu, não é isso uma prova de que a imaginação nada tem com o fato, sobretudo se o ocorrido absolutamente não estava no nosso pensamento durante a vigília?

405. Freqüentemente vemos em sonhos coisas que parecem pressentimentos e que não se cumprem

para o corpo, mas podem cumprir-se para o Espírito. Quer dizer que Espírito vê aquilo deseja, porque vai procurá-lo. Não se deve esquecer que, durante o sono, a alma está sempre mais ou menos sob a influ- ência da matéria, e por conseguinte não se afasta jamais completamente das idéias. Disso resulta que as preocupações da vigília podem dar, aquilo que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme. A isso é que realmente se pode chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma idéia, liga-se a ela tudo o que se vê.

406. Quando vemos em sonhos pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente, praticarem atos em que

absolutamente não pensam, isso não é efeito de pura imaginação, seus Espíritos podem vir visitar-nos, assim, como podemos visita-los, e nem sempre sabemos o que pensam. Além disso, freqüentemente aplicamos, a pessoas que conhecemos, e segundo os nossos desejos, aquilo que se passou ou se passa em outras exist6encias.

407. Não é necessário o sono completo, para a emancipação do Espírito. O Espírito recobra a sua liber-

dade quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita, para se emancipar, todos os instantes de descan- so que o corpo lhe oferece. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, e quan- to mais fraco estiver o corpo, mais o Espírito estará livre.

NOTA DE ALLAN KARDEC: É assim que o cochilar, ou um simples entorpecimento dos sentidos, apresenta muitas ve- zes as mesmas imagens do sonho.

408. Às vezes, parece-nos, ouvir em nosso íntimo palavras pronunciadas distintamente, e até mesmo

palavras inteiras, e que não têm nenhuma relação com o que nos preocupa, sobretudo quando os senti- dos começam a se entorpecer. É, às vezes, o fraco eco de um Espírito que deseja comunicar-se conosco.

409. Muitas vezes, num estado que ainda não é o cochilo, quando temos os olhos fechados, vemos ima-

gens distintas, figuras das quais apanhamos os pormenores mais minuciosos. É que, entorpecido o cor- po, o Espírito trata de quebrar a sua cadeia: ele se transporta e vê, e se o sono fosse completo, isso seria um sonho.

410. e 410a. As vezes, durante o sono ou o cochilo, idéias que parecem muito boas, e que, apesar dos

esforços que se fazem para recordá-las, se apagam da memória. Isto é o resultado da liberdade do Espí-

rito, que se emancipa e goza, nesse momento, de mais amplas faculdades. Freqüentemente, também, são conselhos dados por outros Espíritos. Essas idéias pertencem algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos que ao mundo corpóreo, mas o mais freqüente é que se o corpo as esquece, o Espírito as lem- bra, e a idéia volta no momento necessário, como uma inspiração do momento.

Emancipação da Alma - 4

411. O Espírito encarnado, nos momentos em que se desprende da matéria e age como Espírito, muitas

vezes pressente a época de sua morte, às vezes tem dela uma consciência bastante clara, o que lhe dá,

no estado de vigília, a sua intuição. É por isso que algumas pessoas prevêem à vezes a própria morte com grande exatidão.

412. A atividade do Espírito, durante o repouso ou o sono do corpo, pode fatigar a este, porque o Espírito

está ligado ao corpo, como o balão cativo ao poste. Da mesma maneira que as sacudidelas do balão aba-

lam o poste. A atividade do Espírito reage sobre o corpo, e pode produzir-lhe fadiga.

PESQUISA

SONO [Do lat. somnu.] S. m. ***** 1 1. Fisiol. Estado de repouso normal e periódico, que no homem e nos animais superiores se caracteriza especialmente pela supressão da atividade perceptiva e motora voluntária, e que é variável em seu grau de profundidade, encontrando-se a

vontade e a consciência em estado parcial ou total de suspensão temporária: "Ó sono! Unge-me as pálpebras

luz do pensamento, / Que abrasa o crânio meu." (Castro Alves, Poesias Escolhidas, p. 89.) 2. Estado de quem dorme: Pelo sono o organismo repara as suas forças. 3. Um período de sono: Teve um sono agitado. 4. Desejo provocado pela necessidade de dormir: Sentiu sono e foi-se deitar. 5. Fig. Inércia, inatividade: o sono da natureza. 6. Fig. Moleza, indolência, preguiça. 7. Fig. O repouso eterno; a morte. Sono artificial. 1. Sono que é induzido por algum sonífero. Sono de chumbo. 1. V. sono de pedra. Sono de pedra. 1. Sono muito profundo, do qual não se des-

perta com facilidade; sono de chumbo, sono pesado. Sono dos justos. 1. Bem-aventurança. Sono hibernal. 1. Hibernação. Sono leve. 1. Sono

tem o sono muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono." (Machado

de Assis, Páginas Recolhidas, p. 83). Sono pesado. 1. V. sono de pedra. Dormir a sono solto. 1. Dormir profundamente: "Caía [Lima Barreto] nas sarjetas e assim se deixava ficar, dormindo a sono solto, como qualquer pobre-diabo das ruas." (Francisco de Assis Barbosa, A Vida de Lima Barreto, p. 216.) Ferrar no sono. 1. Adormecer profundamente; bater a cama nas costas; garrar no sono: "entrou de noite sem ser pressentido e esperou que ele ferrasse bem no sono." (Gondin da Fonseca, Histórias de João Mindinho, p. 13). Garrar no sono. Bras., N.E. Pop. 1. V. ferrar no sono. O sono eterno. 1. O último sono. O último sono. 1. A morte; o sono eterno: "ainda usamos de metáforas, dizemos que os defuntos dor- mem, chamamos à morte o último sono." (Raquel de Queirós, 100 Crônicas Escolhidas, p. 34). Passar pelo sono. 1. Dormir um pouco, ligeira- mente: "Às onze horas passou pelo sono." (Machado de Assis, Várias Histórias, p. 155); "Mas não dormiu - passou apenas pelo sono" (Josué Montelo, Janelas Fechadas, p. 225). Pegar no sono. 1. Começar a dormir; adormecer: "E voltava-se de um para outro lado da cama, sem con- seguir pegar no sono." (Aluísio Azevedo, Casa de Pensão, p. 164). ***** 1 son(o[Do lat. sonus, i.] El. comp. 1. ='som', 'ruído': sonômetro,

sonoplastia, sônico. [Equiv.: - sono: uníssono.] ***** 1 - sono 1. Equiv. de son(o)-.

do qual se desperta com facilidade: "- Mamãe

/ Entorna o esquecimento / Na

SONHOS: efeito da emancipação da alma durante o sono. Quando os sentidos ficam entorpecidos os laços que unem o corpo e a alma se afrou- xam. Esta, tornando-se mais livre, recupera em parte suas faculdades de Espírito e entra mais facilmente em comunicação com os seres do mundo incorpóreo. A recordação que ela conserva ao despertar, do que viu em outros lugares e em outros mundos, ou em suas existências passadas, constitui o sonho propriamente dito. Sendo esta recordação da vigília, resultam daí, na seqüência dos fatos, soluções de continuidade que lhes rompem a concatenação e produzem esses conjuntos estranhos que parecem sem sentido, pouco mais ou menos como seria a narra- ção à qual se houvessem truncado, aqui e ali, fragmentos de linhas ou de frases.

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SONO NATURAL: suspensão momentânea da vida de relação. Entorpecimento dos sentidos durante o qual são interrompidas as relações da alma com o mundo exterior por meio dos órgãos.

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SONHO [Do lat. somniu.] S. m.

1. Seqüência de fenômenos psíquicos (imagens, representações, atos, idéias, etc.) que involuntariamente ocorrem durante o sono: um sonho

agradável; um sonho aflitivo; "o sonho coincidiu com a realidade, e as mesmas bocas uniram-se na imaginação e fora dela." (Machado de Assis, Várias Histórias, p. 55). 2. O objeto do sonho (1); aquilo com que se sonha: O meu sonho desta noite foi uma viagem à Lua. 3. Seqüência de pensamentos, de idéias vagas, mais ou menos agradáveis, mais ou menos incoerentes, às quais o espírito se entrega em estado de vigília, geralmente para fugir à realidade; devaneio, fantasia: Esta criança vive num mundo de sonhos. 4. Desejo veemente; aspiração: O seu sonho era

ser aviador. 5. Aquilo que enleva, transporta, pela extraordinária beleza natural ou estética: A interpretação do quarteto foi um sonho; Aquele trecho de natureza é um sonho. 6. Coisa ou pessoa muito bonita; visão: Greta Garbo foi um sonho que empolgou uma geração inteira. 7. Idéia dominante perseguida com interesse e paixão: sonho de paz; sonho de liberdade.

8. O que é produto da imaginação; fantasia, ilusão; quimera: Seus planos não passam de sonhos. 9. Cul. Doce muito fofo, preparado com fari-

nha de trigo cozida, leite e ovos, frito em gordura quente, e passado em açúcar e canela, ou servido com calda rala, podendo também ser reche-

ado. Sonho dourado. 1. Sonho (7) ou aspiração dominante. 2. Esperança de felicidade: "O mundo - um sonho dourado, / A vida - um hino d'a- mor!" (Casimiro de Abreu, Obras, p. 93). Um sonho. 1. V. um amor (1).

RESUMO:

Durante o sono, a alma não repousa, como o corpo, pois o Espírito jamais está inativo. Durante o sono afrou- xam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando então, este da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com outros Espíritos. O Espírito, desprendido do corpo pelo sono, lembram-se do passado e algumas vezes prevê até o futuro. Quase sempre dizemos que tivemos um sonho extravagante, horrível, e nos enganamos. É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que vimos ou que veremos em outra existência ou em outra ocasião. Dizemos que nem sempre sonhamos. É que nem sempre nos lembramos do que vimos enquanto dormíamos, por não termos a alma no pleno desenvolvimen- to de suas faculdades. Como é pesada e grosseira a matéria que compõe o nosso corpo, ele dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu durante o sono do corpo, porque a este elas não chegaram por intermédio dos órgãos corporais.

B. Godoy Paiva no livro “Síntese de O Livro dos Espíritos”

II - VISITAS ESPÍRITAS ENTRE VIVOS

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413. Do princípio de emancipação da alma durante o sono parece resultar que temos, simultaneamente,

duas existências: a do corpo, que nos dá a vida de relação exterior, e a da alma, que nos dá a vida de relação oculta. É que no estado de emancipação, a vida do corpo cede lugar à da alma, mas não existem, propriamente falando, duas existências; são antes duas fases da mesma existência, porque o homem não vive de maneira dupla.

414. Duas pessoas que se conhecem podem visitar-se durante o sono, e muitas outras, que pensam não

se conhecerem, se encontram e conversam. Podem ter, sem que o suspeitem, amigos em outros países.

O fato de visitarmos durante o sono, amigos e parentes, conhecidos, pessoas que nos podem ser úteis, é

tão freqüente que o realizamos quase todas as noites.

415. A utilidade dessas visitas noturnas, mesmo que não as recordemos, e que ordinariamente ao des-

pertar, resta uma intuição que é quase sempre a origem de certas idéias que surgem espontaneamente, sem que se possa explicá-las, e não são mais que as idéias hauridas naqueles colóquios.

416. O homem dorme, seu Espírito desperta e o que o homem havia resolvido quando desperto, mesmo

que tenha pedido mentalmente, o Espírito está muitas vezes longe de seguir, porque a vida do homem interessa pouco ao Espírito, quando ele se liberta da matéria. Isto para os homens já bastante elevados, pois os outros passam de maneira inteiramente diversa a sua existência espiritual: entregam-se as suas paixões ou permanecem em inatividade. Pode acontecer, portanto, que segundo o motivo assim proposto

o Espírito vá visitar as pessoas que deseja: mas o fato de haver desejado quando em vigília não é razão para que o faça.

417. Certo números de Espíritos encarnados podem se reunir e formar uma assembléia. Os laços de ami-

zade, antigos ou recentes, reúnem-se freqüentemente, são diversos Espíritos, que se sentem felizes em se encontrar.

NOTA DE ALLAN KARDEC: Pela palavra “antigos” é necessário entender os laços de amizade contraídos em existên- cias anteriores. Trazemos ao acordar uma intuição das idéias que haurimos nesses colóquios ocultos, mas ignoramos a fonte.

418. Uma pessoa que julga morto um de seus amigos, que na realidade não o estivesse, poderia certa-

mente encontrar-se com ele em espírito, vê-lo, e saber assim que continua vivo. Se não lhe foi imposto como prova acreditar na morte do amigo, terá um pressentimento de que ele vive, como poderá ter o de sua morte.

RESUMO:

Muitas pessoas que julgam não se conhecerem costumam reunir-se e falar-se. Podemos ter, sem que o sus- peitemos, amigos em outro país. De ordinário, guardamos apenas a intuição desses fatos, dos quais se ori- ginam certas idéias que nos vêm espontaneamente, sem que possamos explicar como nos acudiram. É que foram adquiridas nessas confabulações, enquanto a alma estava emancipada do corpo. Pode mesmo o ho- mem, pela sua vontade , provocar as visitas espirituais fazendo firme propósito, nesse sentido, ao adorme- cer.

B. Godoy Paiva no livro “Síntese de O Livro dos Espíritos”

III - TRANSMISSÃO OCULTA DO PENSAMENTO

419. A razão por que a idéia de uma descoberta, surge ao mesmo tempo em muitos lugares do mundo, é

que, durante o sono, os Espíritos se comunicam entre si. Quando o corpo desperta, o Espírito se recorda do que aprendeu, e o homem julga ter inventado. Assim, muitos podem encontrar a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando dizemos que uma idéia está no ar, fazemos uma figura mais exata daquilo que pensamos; cada um contribui, sem o suspeitar, para propagá-la.

NOTA DE ALLAN KARDEC: Nosso Espírito revela assim, muitas vezes, a outros Espíritos, e à nossa revelia, aquilo que constitui o objeto das nossas preocupações.

420. Os Espíritos podem comunicar-se, mesmo que o corpo estiver completamente acordado, porque o

Espírito não está encerrado no corpo como numa caixa ou gaiola: ele irradia em todo o seu derredor; eis porque poderá comunicar-se com outros Espíritos, mesmo no estado de vigília, embora o faça mais difi-

cilmente.

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421. Duas pessoas, perfeitamente despertas, têm muitas vezes, instantaneamente, o mesmo pensamen-

to, porque são dois Espíritos simpáticos que se comunicam e vêem reciprocamente os seus pensamen-

tos, mesmo quando não dormem.

NOTA DE ALLAN KARDEC: Há entre os Espíritos afins uma comunicação de pensamento permitindo que duas pessoas se vejam e se compreendam sem a necessidade dos signos exteriores da linguagem. Poderia dizer-se que elas falam a lingua- gem dos Espíritos.

RESUMO:

Quando dizemos que uma idéia paira no ar, usamos de uma figura de linguagem mais exata do que supomos. É que todos, sem o suspeitarem, contribuem para propagá-la, visto que durante o sono os Espíritos — como dissemos — se comunicam entre si.

B. Godoy Paiva no livro “Síntese de O Livro dos Espíritos”

IV - LETARGIA, CATALEPSIA, MORTE APARENTE

422. Os letárgicos e os catalépticos vêem e ouvem geralmente o que se passa em torno deles, mas não

podem manifestá-lo, podemos dizer que eles vêem e ouvem como Espírito; o Espírito está consciente,

mas não pode comunicar-se; o estado do corpo se opõe a isso. Esse estado particular dos órgãos nos dá

a prova de que existe no homem alguma coisa além do corpo, pois este não está funcionando e o Espírito continua a agir.

423. Na letargia o corpo não está morto, pois há funções que continuam a realizar-se; a vitalidade se en-

contra em estado latente, como na crisálida, mas não se extingue. O Espírito está ligado ao corpo en-

quanto ele vive; uma vez rompidos os laços pela morte real e pela desagregação dos órgãos, a separa- ção é completa e o Espírito não volta mais. Quando um homem aparentemente morto volta à vida, é que

a morte não estava consumada.

424. Através de cuidados dispensados a tempo, pode-se renovar os laços que estão se rompendo e de-

volver a vida a um ser através do magnetismo, que nesses casos, muitas vezes é um meio poderoso por- que dá ao corpo o fluido vital que lhe falta e que era insuficiente para entreter o funcionamento dos ór- gãos.

NOTA DE ALLAN KARDEC: A letargia e a catalepsia tem o mesmo princípio, que é a perda momentânea da sensibilida- de e do movimento, por uma causa fisiológica ainda inexplicada. Elas diferem entre si em que, na letargia, a suspensão das forças vitais é geral, dando ao corpo todas as aparências da morte, e na catalepsia é localizada e pode afetar uma parte mais ou menos extensa do corpo, de maneira a deixar a inteligência livre para se manifestar, o que não permite confundi-la com a morte. A letargia é sempre natural; a catalepsia é as vezes espontânea, mas pode ser provocada e desfeita artificialmente, pela ação magnética.

Catalepsia; ressurreições.

29. A matéria inerte é insensível; o fluido perispirital o é igualmente, mas transmite a sensação ao centro

sensitivo que é o Espírito. As lesões dolorosas do corpo repercutem, pois, no Espírito como um choque elétrico, por intermédio do fluido perispirital, do qual os nervos parecem ser os fios condutores. É o influxo nervoso dos fisiologis- tas, que, não conhecendo as relações desse fluido com o princípio espiritual, não têm podido explicar todos os efei-

tos.

Essa interrupção pode ter lugar pela separação de um membro ou seccionamento de um nervo, mas tam- bém, parcialmente ou de modo geral, e sem nenhuma lesão, nos momentos de emancipação , de grande superexci- tação, ou de preocupação do Espírito. Nesse estado, o Espírito já não cuida mais do corpo, e em sua atividade febril

atrai, por assim dizer, a si, o fluido perispirital, o qual, retirando-se de sua superfície, ali produz uma insensibilidade momentânea. Poderíamos ainda admitir que em certas circunstâncias, se produza no próprio fluido perispirital uma modificação molecular que lhe retire temporariamente a propriedade de transmissão. É assim que, no ardor do com- bate, um militar não percebe ter sido ferido; que uma pessoa cuja atenção esteja concentrada em seu trabalho não ouve o ruído que se faz em seu derredor. É um efeito análogo, porém mais pronunciado que se realiza com certos sonâmbulos, na letargia e na catalepsia. Por fim, é assim que se pode explicar a insensibilidade dos convulsionários e de certos mártires (“Revue Spirite” , janeiro de 1868; Estudos sobre os Aïssaouas). A paralisia não tem totalmente a mesma causa: aqui o efeito é todo orgânico; são os próprios nervos, os fios condutores que não são mais aptos à circulação fluídica; são as cordas do instrumento que estão alteradas.

30. Em certos estados patológicos, quando o Espírito não está mais no corpo tem todas as aparências de

morto, situação esta verdadeiramente bem descrita quando se diz que a vida está por um fio. Tal estado pode durar por mais ou menos tempo; certas partes do corpo podem mesmo entrar em decomposição, sem que a vida seja defi-

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nitivamente extinta. Enquanto o derradeiro fio não for rompido, o Espírito pode ser trazido de volta ao corpo, seja por uma ação enérgica da sua própria vontade, seja pelo influxo fluídico estranho, igualmente poderoso. Assim se expli- cam certas prolongações da vida contra toda probalidade, e certas pretensas ressurreições. É a planta que volta a viver, por vezes com uma só fibrila da raiz; mas quando as últimas moléculas do corpo fluídico são destacadas do corpo carnal, ou quando este último está num grau de degradação irreparável, todo retorno a vida é impossível. (*) Obs: Texto extraído do cap. XV, item 29, do livro “A GÊNESE” obra codificada por Allan Kardec.

(*) NOTA DE J. HERCULANO PIRES: Exemplos: “Revue Spirite”. O Dr. Cardon, agosto de 1863, pág. 251. A mulher da Córsega, maio de 1866, pág. 134.

Alguns casos:

A filha de Jairo

37. Tendo Jesus novamente passado de barco para a outra margem, logo que desembarcou, uma grande multidão se reuniu em

redor dele. E um chefe da sinagoga, chamado Jairo, veio a seu encontro; e encontrando-o, atirou-se a seus pés, suplicando-lhe com

grande sentimento dizendo-lhe:

— Tenho uma filha que esta agonizando; vinde impor-lhe as mãos para curá-la e salvar-lhe a vida. Jesus foi com ele, e era seguido de grande multidão que o comprimia. Enquanto Jairo ainda falava, vieram pessoas que lhe eram subordinadas, as quais lhe disseram:

—Vossa filha está morta; por que quereis dar ao Mestre o incômodo de ir mais longe? Porém Jesus, tendo ouvido tais palavras, disse ao chefe da sinagoga:

—Não temais, crede somente.

E a ninguém permitiu que o seguisse, exceto Pedro, Tiago e João irmão de Tiago.

Chegados à casa desse chefe da sinagoga, viram um grupo confuso de pessoas que choravam e lançavam grandes gritos. E entran- do, disse-lhes:

—Por que fazeis tanto barulho, e por que chorais? Esta moça não está morta, ela apenas está adormecida.

E troçaram dele.

Tendo feito sair a todos, tomou pai e mãe e aqueles que com ele tinham vindo, e entrou no local onde estava deitada a moça. To-

mou-a pela mão e disse-lhe:

— “Talitha cumi “, isto é, minha filha, levanta-te, eu ordeno. No mesmo instante, a moça se levantou e pôs-se a andar; pois contava doze anos, e ficaram todos maravilhados e espantados.

Marcos 5:21-43

O filho da viúva de Naim

38. No dia seguinte Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e seus discípulos o acompanhavam com uma grande multidão de povo.

Quando estavam perto da porta da cidade, sucedeu que traziam um morto a enterro; tratava-se do filho único de sua mãe, que era viúva, e havia grande número de pessoas da cidade com ela. O Senhor tendo-a visto, tocou-se de compaixão por ela, e lhe disse:

—Não chores mais. Depois aproximando-se, tocou o esquife, e os que o conduziam pararam. Então disse:

—Jovem, levanta-te, eu te ordeno.

Ao mesmo tempo o morto se ergueu, sentou-se, e começou a falar, e Jesus o entregou à sua mãe. Todos que estavam presentes foram tomados de terror, e glorificavam a Deus dizendo:

—Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou o seu povo.

O rumor desse milagre espalhou-se por toda a Judéia e em todos os países em seu derredor.

Lucas 7:11-17

39. O fato da volta à vida corporal, de um indivíduo realmente morto, seria contrário às leis da natureza, e por conseguinte, mais miraculoso. Ora, não é necessário recorrer a esta ordem de fatos para explicar as ressurreições operadas pelo Cristo. Se entre nós, as aparências enganam por vezes os profissionais, os acidentes dessa natureza deviam ser

bem mais freqüentes num país onde não se tomasse nenhuma precaução, e onde o sepultamento fosse imediato. (*) Há pois, toda a probalidade de que, nos dois exemplos acima citados apenas houve síncope e letargia. Jesus mes- mos o diz, positivamente, em relação a filha de Jairo: Esta moça não está morta, ela apenas está adormecida. Dado o poder fluídico que possuía Jesus, nada há de espantoso que o fluido vivificante, dirigido por uma for- te vontade, haja reanimado os sentidos entorpecidos; e mesmo, que ele tenha podido voltar ao corpo o Espírito pres- tes a deixá-lo, enquanto o liame perispital não estivesse definitivamente rompido. Para os homens daquele tempo, que julgavam estar o indivíduo morto, desde que não respirasse mais, houve ressurreição, e isso terão podido afir-

Obs: Texto ex-

mar, com toda boa fé; porém, houve na realidade cura, e não ressurreição, na acepção da traído do cap. XV, itens 37, 38 e 39 do livro “A GÊNESE” obra codificada por Allan Kardec.

(*) NOTA DE ALLAN KARDEC: Uma prova de tal costume encontra-se nos Atos dos Apóstolos, 5:5 e seguintes:

Emancipação da Alma - 8

“Ananias, tendo ouvido aquelas palavras, caiu e entregou o espírito; e todos os que disso ouviram falar, foram tomados de grande me- do. Logo, alguns jovens vieram buscar o seu corpo, e, tendo-o levado, o enterraram. Decorridas cerca de três horas, sua mulher (Safira), que nada sabia do ocorrido, entrou e Pedro disse, etc. etc. etc. No mesmo momento ela caiu a seus pés e entregou o Espírito. Os jovens, entrando, encontraram-na morta; e levando-a, a enterraram ao pé de seu marido

A ressurreição de Lázaro

Havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta. Maria era aquela que ungira o Senhor com bálsamo e lhe enxugara os pés com seus cabelos. Seu irmão Lázaro se achava doente. As duas irmãs mandaram, então, dizer a Jesus:

—Senhor, aquele que amas está doente. A essa notícia, Jesus disse:

—Essa doença não é mortal, mas para a glória de Deus, para que, por ela, seja glorificado o Filho de Deus. Ora, Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro. Quando soube que este se achava doente, permaneceu ainda dois dias no lugar em que se encontrava; só depois, disse aos discípu- los:

—Vamos outra vez até a Judéia! Seus discípulos disseram-lhe:

—Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te e vais outra vez para lá? Respondeu Jesus:

—Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha durante o dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; mas se alguém caminha à noite, tropeça, porque a luz não está nele. Disse isso e depois acrescentou:

—Nosso irmão Lázaro dorme, mas vou despertá-lo. Os discípulos responderam:

—Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar! Jesus, porém falara de sua morte e eles julgaram que falasse do repouso do sono. Então Jesus lhes falou claramente; —Lázaro morreu. Por vossa causa, alegro-me de não ter estado lá, para que creiais, Mas vamos junto dele! Tomé, chamado Dídimo, disse então aos outros discípulos:

—Vamos também nós, para morrermos com ele! Ao chegar, Jesus encontrou Lázaro já sepultado havia quatro dias. Betânia ficava perto de Jerusalém, a uns quinze estádios. Mui- tos judeus tinham vindo até Marta e Maria, para as consolar da perda do irmão. Quando Marta soube que Jesus chegara, saiu ao seu encontro; Maria, porém, continuava sentada, em casa. Então, disse Marta a Jesus:

—Senhor se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas ainda agora sei que tudo o que pedires a Deus, ele te concederá. Disse-lhe Jesus:

—Teu irmão ressuscitará. —Sei — disse Marta — que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia! Disse-lhe Jesus:

—Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso? Disse ela:

—Sim, senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao Mundo. Tendo dito isto, afastou-se e chamou sua irmã, dizendo baixinho:

—O Senhor está aqui e te chama! Esta, ouvindo isso, ergueu-se logo e foi ao seu encontro. Jesus não entrara ainda no povoado, mas estava no lugar em que Marta o fora encontrar. Quando os Judeus, que estavam na casa com Maria, consolando-a, viram-na levantar-se rapidamente e sair, acompanharam-na, julgando que fosse ao sepulcro para aí chorar. Chegando ao lugar onde Jesus estava, Maria, vendo-o, prostrou-se a seus pés e lhe disse:

—Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Quando Jesus a viu chorar e também os judeus que a acompanhavam, comoveu-se interiormente e ficou conturbado. E perguntou:

—Onde o colocastes? Responderam-lhe:

—Senhor, vem e vê! Jesus chorou. Diziam então os Judeus:

—Vede como ele o amava! Alguns deles disseram:

—Esse, que abriu os olhos do cego, não poderia ter feito com que ele não morresse? Comoveu-se de novo Jesus e dirigiu-se ao sepulcro. Era uma gruta, com pedra sobreposta. Disse Jesus:

—Retirai a pedra! Marta, a irmã do morto, disse-lhe:

—Senhor, já cheira mal: é o quarto dia! Disse-lhe Jesus:

—Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?

Emancipação da Alma - 9

Retiram, então, a pedra. Jesus ergueu os olhos para o alto e disse:

—Pai, dou-te graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves; mas digo isso por causa da multidão que me rodeia para que creiam que me enviaste. Tendo dito isso, gritou em alta voz:

—Lázaro, vem para fora! O morto saiu, com os pés e mãos enfaixados e com o rosto recoberto com um sudário. Jesus lhes disse:

—Desatai-o e deixai-o ir embora.

João 11:1-44 - Texto extraído da “A Bíblia de Jerusalém” Edições Paulinas

40. A ressurreição de Lázaro, digam o que disserem, não invalida de modo nenhum esse princípio. Diz-se que ele já estava há quatro dias no sepulcro; mas sabe-se que há letargias que duram oito dias, e mesmo mais. A- crescenta-se que ele cheirava mal o que é um sinal de decomposição. Essa alegação não prova nada, visto que em certos indivíduos há decomposição parcial do corpo, mesmo antes da morte, e exalam odor de apodrecimento. A morte não chega senão quando os órgãos essenciais à vida são atacados. E quem podia saber se ele cheirava mal? É sua irmã Marta que o diz; mas como sabia? Lázaro se achava enterrado há quatro dias, ela supunha isso, mas não podia ter certeza. Obs: Texto extraído do cap. XV, item 40, do livro “A GÊNESE” obra codificada por Allan Kardec.

PESQUISA:

LETARGIA (do latim lethargiam). Perda momentânea da sensibilidade e do movimento, dando ao corpo a aparência da morte real. CATALEPSIA (do grego katalépsis + ia). Perda momentânea, algumas vezes espontânea, da sensibilidade e do movimento em determinada parte do corpo.

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LETARGIA [Do gr. lethargía, pelo lat. lethargia.] S. f. [Sin. ger.: letargo.] 1. Estado patológico observado em diversas afecções do sistema nervoso central, como encefalites, tumores, etc., caracterizado por um sono profundo e duradouro do qual só com dificuldade, e temporariamente, pode o paciente despertar. 2. Estado de insensibilidade característico do transe mediúnico. 3. Fig. Sono profundo. 4. Fig. Desinteresse, indiferença, apatia. 5. Fig. Estado de abatimento moral ou físico; depressão. 6. Falta de ação; inércia, torpor. 7. Vida latente.

CATALEPSIA [Do gr. katálepsis + - ia .] S. f. 1. Med. Estado em que se observa uma rigidez cérea dos músculos, de modo que o paciente perma- nece na posição em que é colocado. [Observar-se a catalepsia principalmente em casos de demência precoce e de sono hipnótico.] 2. Filos. Compreensão, certeza, afirmação.

RESUMO:

Os letárgicos e os catalépticos, em geral, vêem e ouvem o que em derredor se diz e faz. É pelo Espírito que agem, pois este tem consciência de si, apesar de estar o corpo naquele estado. Na letargia, o corpo não está morto. Sua vitalidade está em estado latente e, enquanto o corpo vive, o Espírito se lhe acha ligado. Em se rompendo entretanto a ligação, por efeito da morte real, integral se torna a separação, e o Espírito não volta à vida, é que não era completa a morte.

B. Godoy Paiva no livro “Síntese de O Livro dos Espíritos”

V - O SONAMBULISMO

425. O sonambulismo natural é um estado de independência da alma, mais completo que no sonho; en- tão as faculdades adquirem maior desenvolvimento. A alma tem percepções que não atinge no sonho, que é um estado de sonambulismo imperfeito. No sonambulismo, o Espírito está na posse total de si mesmo; os órgãos materiais, estando de qualquer forma em catalepsia, não recebem mais as impressões exteriores. Esse estado se manifesta sobretudo durante o sono; é o momento em que o Espírito pode deixar provisoriamente o corpo, que se acha entre- gue ao repouso indispensável à matéria. Quando se produzem os fatos do sonambulismo, é que o Espíri- to preocupado com uma coisa ou outra, se entrega a alguma ação que exige o uso de seu corpo, do qual se serve como se empregasse uma mesa ou qualquer outro objeto material, nos fenômenos de manifes- tações físicas, ou mesmo a vossa mão nas comunicações escritas. Nos sonhos de que se tem consciên- cia, os órgãos, inclusive os da memória, começam a despertar e recebem imperfeitamente as impressões produzidas pelos objetos ou as causas exteriores, e as comunicam ao Espírito que, também se encon- trando em repouso, só percebe sensações confusas e freqüentemente fragmentadas, sem nenhuma ra- zão de ser aparente, misturadas que estão de vagas recordações, seja desta existência, seja de existên- cias anteriores. É, portanto, fácil compreender, porque os sonâmbulos não se lembram de nada e porque os sonhos de que conservam a lembrança na maioria das vezes não tem sentido. Digo na maioria das

Emancipação da Alma - 10

vezes, porque acontece também serem eles a conseqüência de uma recordação precisa de acontecimen- tos de uma vida anterior, e, algumas vezes, até uma espécie de intuição do futuro.

426. O chamado sonambulismo magnético é o mesmo que o natural, com a diferença de ser provocado.

427. A natureza do agente chamado magnético é o do fluido vital, eletricidade animalizada, que são modi-

ficações do fluido universal.

428. Na clarividência sonambúlica é a alma que vê.

429. Não há corpos opacos, senão os órgãos grosseiros. Para o Espírito, a matéria não oferece obstácu-

los, pois ele a atravessa livremente. Com freqüência ele vos diz que vê pela testa, pelo joelho, etc. é difícil entendermos, isto, porque estamos acostumados a ver só com olhos materiais, não compreendemos co- mo um Espírito possa ver sem o auxílio dos órgãos. Mas se o deixássemos livre, compreenderíamos que ele vê por todas as partes do corpo, ou, para melhor dizer, é fora do corpo que ele vê.

430. Não é dado aos Espíritos imperfeitos tudo ver e tudo conhecer, muitas vezes eles se enganam; eles ainda participam dos mesmos erros e prejuízos humanos; e, depois, quando estão ligados à matéria não gozam de todas as suas faculdades de Espírito. Deus deu ao homem esta faculdade com um fim útil e sério, e não para que ele aprenda o que não deve saber; eis porque os sonâmbulos não podem dizer tu- do.

431. A fonte das idéias inatas do sonâmbulo, e que ele pode falar com exatidão de coisas que ignora no

estado de vigília, e que estão mesmo acima de sua capacidade intelectual, é que o sonâmbulo possui mais conhecimentos do que podemos imaginar, somente que eles se encontram adormecidos, porque o corpo físico é bastante imperfeito para que ele possa recordá-los. Em última análise, o sonâmbulo é um Espírito encarnado, para cumprir sua missão, e o estado em que ele entra o desperta dessa letargia. Re- vivemos muitas vezes; e essa mudança é que lhe faz perder materialmente o que conseguiu aprender na existência precedente. Entrando no estado a que chamamos de crise, ele se lembra, mas sempre de ma- neira incompleta; ele sabe, mas não poderia dizer de onde lhe vem o conhecimento, nem como o possui. Passada a crise, toda a lembrança se apaga e ele volta à obscuridade.

NOTA DE ALLAN KARDEC: A experiência mostra que os sonâmbulos recebem também comunicações de outros Espíri- tos, que lhes transmitem o que eles devem dizer e suprem a sua insuficiência. Isto se vê, sobretudo, nas prescrições médicas: O Espírito do sonâmbulos vê o mal, o outro lhe indica o remédio. Esta dupla ação é algumas vezes patente, e se revela outras vezes pelas suas expressões bastante freqüentes: dizem-me que diga: ou, proíbem-me dizer tal coisa. Neste último caso é sem- pre perigoso insistir em obter a revelação recusada, porque então se dá lugar aos Espíritos levianos, que falam de tudo sem escrúpulos e sem se interessarem pela verdade.

432. A visão a distância, em alguns sonâmbulos é que a alma se transporta, durante o sono.

433. O desenvolvimento maior ou menor da clarividência sonambúlica depende da organização física ou

da natureza do Espírito encarnado; há disposições físicas que permitem o Espírito libertar-se mais ou me-

nos facilmente da matéria.

434. Até certo ponto, as faculdades de que o sonâmbulo desfruta e semelhante a do Espírito após a mor-

te, só não é a mesma, porque é necessário ter em conta a influência da matéria, a que ele ainda se acha ligado.

435. A maioria dos sonâmbulos pode ver muito bem outros Espíritos; isso depende do grau e da natureza

da lucidez de cada um; mas às vezes ele não compreende, de início, e os toma por seres corporais. Isso

acontece, sobretudo, com os que não tem nenhum conhecimento do Espiritismo; eles ainda não compre- endem a natureza dos Espíritos, o fato os espanta, e é por isso que julgam estar vendo pessoas vivas.

NOTA DE ALLAN KARDEC: O mesmo efeito se produz no momento da morte, entre os que ainda se julgam vivos. Nada ao seu redor lhes parece modificado, os Espíritos lhes aparecem como tendo corpos semelhantes aos nossos, e eles tomam a aparência de seus próprios corpos como corpos reais.

436. Como já foi dito no sonâmbulo é a alma que vê e não o corpo, e por isso que ele consegue ver a

distância.

437. O sonâmbulo experimenta no corpo as sensações de calor ou de frio do lugar em que se encontra a

sua alma, mesmo que esteja bem longe do seu corpo, porque a alma não deixou inteiramente o seu cor- po, ela permanece sempre ligada a ele pelo laço fluídico que os une, e é esse laço o condutor das sensa- ções. Quando duas pessoas se correspondem entre uma cidade e outra, por meio da eletricidade, é está, o laço entre os seus pensamentos; é graças a esta que elas se comunicam, como se estivessem uma ao lado da outra.

Emancipação da Alma - 11

438. O uso que um sonâmbulo faz da sua faculdade influi muito, no seu estado de Espírito após sua mor- te, como o uso que fez bom ou mal, como é de todas as faculdades que Deus concedeu ao homem.

PESQUISA:

SONAMBULISMO ( do lat. somnus, sono, e ambulare, marchar, passear), estado de emancipação da alma mais completo do que no sonho.

O

sonho é um sonambulismo imperfeito. No sonambulismo a lucidez da alma, isto é, a faculdade de ver, que é um dos atributos de sua natureza,

é

mais desenvolvida. Ela vê as coisas com mais precisão e nitidez, o corpo pode agir sob o impulso da vontade da alma.

O

esquecimento absoluto no momento do despertar é um dos sinais característicos do verdadeiro sonambulismo, visto que a independência da

alma e do corpo é mais completa do que no sonho.

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SONAMBULISMO NATURAL: o que é espontâneo e se produz sem provocação e sem influência de nenhum agente exterior.

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SONAMBULISMO MAGNÉTICO OU ARTIFICIAL, o que é provocado pela ação que uma pessoa exerce sobre a outra por meio do fluido magnético que esta derrama sobre aquela.

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MÉDIUNS SONÂMBULOS – Os que, em transe sonambúlico, são assistidos por Espíritos.

3' 1 45

SONÂMBULO [Do fr. somnambule.] Adj. S. m. 1. Diz-se de pessoa que anda, fala e se levanta durante o sono; noctâmbulo. 2. Diz-se de pessoa que age automaticamente, de maneira desconexa. 3. Que não tem nexo; disparatado. 4. Indivíduo sonâmbulo. [Cf. sonambulo, do v. sonambular.]

Médiuns sonâmbulos

172. O sonambulismo pode ser considerado como uma variedade da faculdade mediúnica, ou melhor, trata-se de

duas ordens de fenômenos que se encontram freqüentemente reunidos. O sonâmbulo age por influência do seu pró- prio Espírito. É a sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe além dos limites dos sentidos. O que ele diz procede dele mesmo. Em geral, suas idéias são mais justas do que no estado normal, seus conhecimen- tos são mais amplos porque sua alma está livre. Numa palavra, ele vive por antecipação a vida dos Espíritos. (*)

(*) NOTA DE J. HERCULANO PIRES: A hipótese de projeção do eu, hoje sustentada por alguns psicólogos e parapsicó- logos, é uma evidente aproximação deste princípio espírita. A independência da alma vai aos poucos se confirmando.

O médium, pelo contrário, serve de instrumento a outra inteligência. É passivo e o que diz não é dele. (**) Em resu-

mo: o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento e o médium exprime o pensamento do outro. Mas o Espírito que se comunica através de um médium comum pode também fazê-lo por um sonâmbulo. Freqüentemente mesmo o estado de emancipação da alma, no estado sonambúlico, torna fácil essa comunicação. Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com a mesma precisão dos médiuns videntes. Podem conversar com eles e transmitir-nos o seu pensamento. Assim, o que eles dizem além do círculo de seus conhecimentos pessoais lhes é quase sempre sugerido por outros Espíritos.

(**) NOTA DE J. HERCULANO PIRES: Não confundir a passividade voluntária do médium, que presta serviço ao Espíri- to comunicante, com a passividade hipnótica, por sujeição, de que alguns adversários do Espiritismo acusam a mediunidade.

Eis, a seguir, um exemplo notável da ação simultânea do Espírito do sonâmbulo e do outro Espírito, que se revelam de maneira inequívoca.

173. Um dos nossos amigos usava como sonâmbulo um rapazinho de 14 para 15 anos, de inteligência bastante curta

e de instrução extremamente limitada. Em estado sonambúlico porém, dava provas de extraordinária lucidez e gran- de perspicácia. Isso principalmente no tratamento de doenças, tendo feito numerosas curas consideradas impossí- veis. Certo dia, atendendo a um doente, descreveu a sua moléstia com absoluta exatidão. –– Isto não basta, lhe disseram, agora é necessário indicar o remédio. –– Não posso, respondeu ele, meu anjo doutor não está aqui. –– A quem cha- ma você de anjo doutor? –– Aquele que dita os remédios. –– Então não é você mesmo que vê os remédios? –– Oh,

não, pois não estou dizendo que é o meu anjo doutor que os indica? Assim, nesse sonâmbulo, quem via a doença era o seu próprio Espírito, que para isso não precisava de assistência. Mas a indicação dos remédios era feita por outro Espírito. Se esse não estivesse presente, ele nada podia dizer. So- zinho, ele era apenas sonâmbulo; assistido pelo que chamava de seu anjo doutor, era médium sonâmbulo.

174. A faculdade sonambúlica é uma faculdade que depende do organismo e nada tem a ver com a elevação, o adi-

antamento e a condição moral do sujeito. Um sonâmbulo pode, pois, ser muito lúcido e incapaz de resolver certas questões, se o seu Espírito for pouco adiantado. O sonâmbulo que fala por si mesmo pode dizer, portanto, coisas boas ou más, certas ou falsas, usar de maior ou menor delicadeza e escrúpulos no seu procedimento, segundo o grau de elevação ou de inferioridade do seu próprio Espírito, É nesse caso que a assistência de outro Espírito pode suprir as suas deficiências.

Mas um sonâmbulo pode ser assistido por um Espírito mentiroso, leviano, ou até mesmo mau, como acontece com

os médiuns. Nisto, sobretudo, é que as qualidades morais tem grande influência, por atraírem os Espíritos bons.

3' 1 45

Emancipação da Alma - 12

Obs: O sonambulismo, em si mesmo, é um fenômeno puramente anímico, não-mediúnico, mas quando, por meio dele, o sensitivo entra em relação com Espírito ou Alma, o sonâmbulo passa a desempenhar o papel de mé- dium.

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RESUMO:

O sonambulismo é um estado de independência do Espírito, mais completo do que no sonho, estado em que maior amplitude adquirem as suas faculdades. A alma tem então percepções que não dispõe no sono, que é um estado de sonambulismo imperfeito. Quando se produzem os fatos de sonambulismo, é que o Espírito se aplica a uma ação qualquer para cuja prática necessita utilizar-se do corpo. Serve-se então deste, como uma pessoa se serve de uma mesa ou de qualquer outro objeto material, no fenômeno das manifestações físicas, ou mesmo como o Espírito quando se utiliza da mão do médium, nas comunicações escritas. A pessoa so- nambulizada possui mais conhecimentos do que aqueles que pensamos possuir. Entretanto no estado a que se chama “crise”, lembra-se de muita coisa de que não se lembrava na matéria.

B. Godoy Paiva no livro “Síntese de O Livro dos Espíritos”

VI - ÊXTASE

439. A diferença entre o êxtase e o sonambulismo é que o êxtase é um sonambulismo mais apurado; a

alma do extático é ainda mais independente.

440. O Espírito do extático penetra realmente nos mundos superiores, ele os vê e compreende a felicida-

de dos que os habitam: é por isso que desejaria permanecer neles. Mas há mundos inacessíveis aos Es- píritos que não estão bastante depurados.

441. Essa faculdade depende muito do grau de depuração do Espírito; se ele vê a sua posição futura me-

lhor que a vida presente, faz esforços para romper os laços que o prendem à Terra.

442. Se abandonarmos o extático a si mesmo, sua alma poderá abandonar definitivamente o corpo e mor-

rer, e é por isso que devemos chamá-lo por meio de tudo o que pode prendê-lo a este mundo, e sobretu-

do fazendo-lhe entrever que, se quebrasse a cadeia que o retém aqui, seria esse o verdadeiro meio de não ficar lá, onde vê que seria feliz.

443. O que o extático vê é real para ele; mas, como o seu Espírito está sempre sob a influência das idéias

terrenas, ele pode ver à sua maneira, ou, melhor dito, exprimir-se numa linguagem de acordo com os seus preconceitos e com as idéias em que foi criado, ou com as vossas, a fim de melhor se fazer com- preender. É sobretudo nesse sentido que ele pode errar.

444. O extático pode enganar-se muito freqüentemente, sobretudo quando ele quer penetrar aquilo que

ele não compreende e, que por enquanto tem que ser um mistério para o homem, sendo assim usa as suas próprias idéias (já que nem ele saberá explicar aquilo que vê) e pode se tornar um joguete para os

Espíritos enganadores, que se aproveitam do seu entusiasmo para o fascinar.

445. As conseqüências que se podem tirar dos fenômenos do sonambulismo e do êxtase, é a vida passa-

da e futura que o homem entrevê. Que ele estude esses fenômenos, e neles encontrará a solução de muitos mistérios que a sua razão procura inutilmente penetrar.

446. Os fenômenos do sonambulismo e do êxtase não tem condições de se acomodar ao materialismo,

pois aqueles que o estudam de boa-fé e sem prevenções não pode ser materialista nem ateu.

PESQUISA:

ÊXTASE [Do gr. ékstasis, pelo lat. extase.] S. m. [Cf. estase.]

1. Arrebatamento íntimo; enlevo, arroubo, encanto.

2. Admiração de coisas sobrenaturais; pasmo, assombro.

3. Psiq. Fenômeno observado na histeria e nos delírios místicos, e que consiste em sentimento profundo e indizível que aparenta corresponder a

enorme alegria, mas que é mesclado de certa angústia: fica o paciente quase de todo imobilizado, parecendo haver perdido qualquer contato

com o mundo exterior.

ÊXTASE: ( do pr. ekstasis, arrebatamento, arroubo de espírito; feito de existêmi, tomar de espanto); paroxismo da emancipação da alma durante a vida corporal, de que resulta a suspensão momentânea das faculdades perceptivas e sensitivas dos órgãos. Neste estado a alma não se prende mais ao corpo senão por laços fracos, que ela procura partir; pertence mais ao mundo dos Espíritos, que ela entrevê, do que ao mundo material. O êxtase é, algumas vezes, natural e espontâneo; pode também ser provocado pela ação magnética e, neste caso, é um grau superior de so- nambulismo.

Emancipação da Alma - 13

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RESUMO:

O êxtase é um sonambulismo mais apurado. A alma do extático é ainda mais independente. Pode ver os mun- dos superiores e compreender a felicidade dos que os habitam, conforme a sua purificação. Entretanto, está sujeita a enganar-se muito, sobretudo quando pretende penetrar no que deva continuar a ser mistério para o homem.

B. Godoy Paiva no livro “Síntese de O Livro dos Espíritos”

VII - DUPLA VISTA

447. O fenômeno chamado dupla vista (*) tem relação com o sonho e o sonambulismo. Na dupla vista o

Espírito tem maior liberdade, embora o corpo não esteja adormecido. A dupla vista é a vista da alma.

(*) NOTA DE J. HERCULANO PIRES: Kardec usou duas expressões: “Segunda vista” e “dupla vista”, com evidente pre- ferência pela primeira. Em português, sendo comum a “dupla vista”, demos preferência a usar “dupla vista”.

448. A faculdade da dupla vista é permanente, mas, o seu exercício, não. Nos mundo menos materiais

que o vosso, os Espíritos se desprendem mais facilmente e se põem em comunicação apenas pelo pen-

samento, sem excluir, entretanto, a linguagem articulada; também a dupla vista é para a maioria uma fa- culdade permanente; seu estado normal pode ser comparado ao dos vossos sonâmbulos lúcidos, e essa

é também a razão por que eles se manifestam para nós mais facilmente do que os encarnados de corpos mais grosseiros.

449. A dupla vista se desenvolve espontaneamente ou pela vontade. A vontade desempenha um grande

papel. Podemos tomar por exemplo certas pessoas chamadas leitoras da sorte, algumas das quais pos- suem essa faculdade, e verás que a vontade as ajuda a entrar no estado de dupla vista e nisso a que chamais de visão.

450. A dupla vista é suscetível de se desenvolver pelo exercício, o trabalho sempre conduz ao progresso,

e o véu que encobre as coisas se torna transparente.

450a. Nesta faculdade, a organização física desempenha o seu papel; há organizações que se mostram refratárias.

451. Muitas vezes numa família, muitos membros possuem a faculdade da dupla vista, isto se deve, a

similitude de organizações, que se transmite, como as outras qualidades físicas; e depois, o desenvolvi- mento da faculdade, por uma espécie de educação, que também se transmite de um para o outro.

452. Em certas circunstâncias, pessoas desenvolvem a dupla vista, em algumas doenças, na proximidade

de um perigo, uma grande comoção, pode desenvolvê-la. O corpo se encontra às vezes num estado par- ticular, que permite ao Espírito ver o que não podeis ver com os olhos do corpo.

NOTA DE ALLAN KARDEC: Os tempos de crise e de calamidades, as grandes emoções, todas as causas, enfim, de superexcitação moral provocam às vezes o desenvolvimento da dupla vista. Parece que a providência, em presença do perigo, um meio de nos conjurar(convocar). Todas as seitas e todos os partidos perseguidos oferecem numerosos exemplos a respeito.

453. As pessoas dotadas de dupla vista nem sempre tem consciência disso; para elas, é coisa inteiramen-

te natural, e muitas dessas pessoas acreditam que, se todos se observassem nesse sentido, perceberiam ser como elas.

454. Podemos atribuir a uma espécie de dupla vista a perspicácia de certas pessoas que, sem nada te-

rem de extraordinário, julgam as coisas com mais precisão do que outras, pois, podemos dizer que a alma irradia mais livremente e julga melhor do que sob o véu da matéria.

454a. Esta faculdade pode, em certos casos, dar a presciência das coisas (pressentimentos), porque há muitos graus desta faculdade, e o mesmo indivíduo pode ter todos os graus ou não ter mais que alguns.

PESQUISA:

DUPLA VISTA. É o mesmo que segunda vista, Clarividência. SEGUNDA VISTA. É o mesmo que dupla vista, Clarividência. CLARIVIDÊNCIA (de clari + vidência). Faculdade de conhecimento extra-sensorial consistente em pacientes, em estado sonambúlico, de transe ou de vigília, perceberem imagens ou acontecimentos a longa distância – conseqüentemente por meio de obstáculos, isto é, de corpos opacos.

Emancipação da Alma - 14

É comum a confusão entre Vidência e Clarividência. Parece-nos que J. Grasset a notou, pois que, ao falar de médiuns videntes e clarividentes,

declarou deixar à palavra Clarividência o seu significado etimológico de faculdade de ver por meio de corpos opacos, portanto a distância pouca ou longa.

Kardec empregou o termo, pela primeira vez, em O Livro dos Espíritos. Quando se referia à faculdade, ora falava em Clarividência, ora em Clari- vidência Sonambúlica, ora em Dupla Vista, ora em Segunda Vista. R. Tischner escreve: “Entendemos por clarividência o conhecimento extra-sensorial de fatos objetivos dos quais não fomos informados, sendo que a percepção pelos sentidos comuns é excluída. Esses fatos (acontecimentos, objetos) devem pois fugir completamente à ação dos sentidos, quer estejam esses acontecimentos e objetos perto do médium (criptoscopia), quer estejam a uma distância que torna inacessíveis aos sentidos

(telescopia, clarividência no espaço), quer enfim estejam afastados no tempo (clarividência no tempo); no último caso, é necessário ainda distin- guir a vidência no passado (retroscopia) e a vidência no futuro (profecia)”. CLARIVIDÊNCIA NO ESPAÇO. Faculdade extra-sensória da clarividência que se processa no Espaço.

É uma das divisões, proposta por Tischner, da Metagnomia.

CLARIVIDÊNCIA NO TEMPO. Faculdade extra-sensória da clarividência que se processa no tempo. CLARIVIDÊNCIA ONÍRICA. Estado em que o indivíduo, (e a fenomenologia supranatural está repleta de casos semelhantes), sonha que uma pessoa,

que ele não pode reconhecer, morreu dessa ou daquela maneira, o que se realiza a seu tempo ou logo após, como ocorreu, conforme relato de Emilio Servadio, com José Desilla, que sonhou estar com uma pessoa, que lhe comunica ter sido astro de cinema norte-americano e ter tido uma morte em determinadas circunstâncias. Dois dias depois, José Desilla vem a saber, pelos jornais, da morte de Lon Chaney, famoso artista cine- matográfico, que morrera nas mesmas circunstâncias relatadas no sonho. CLARIVIDÊNCIA SONAMBÚLICA. Faculdade extra-sensória da clarividência que se processa no estado de sonambulismo.

É uma das divisões, propostas por Tischner, da Metagnomia.

É expressão empregada por Allan Kardec.

CLARIVIDÊNCIA TELEPÁTICA. Leitura a distância na mente de pacientes.

CLARIVIDÊNCIA TELESTÉSICA. Faculdade paranormal em que o sensitivo tem percepção de paisagens ou objetos a longa distância.

É definição de Ernesto Bozzano.

CLARIVIDÊNCIA XENOGLÓSSICA. Faculdade em que o médium recebe, pela mediunidade de clarividência, mensagens em línguas estrangeiras.

É expressão e definição de José Martim.

É o mesmo que Crisptestesia, Dupla Vista, Lucidez. Metagnomia, Panestesia, Telestesia, Vidência, Segunda Vista.

CLARIVIDENTE (do latim clarividentem). Indivíduo com faculdade de Clarividência. VIDÊNCIA (de vidente). Faculdade caracterizada pela visão que o médium vidente tem de seres desencarnados ou de coisas pós-tumulares. Boirac reputa Vidência termo impróprio para a percepção que designa. Para substitui-la propõe Metagnomia. VIDENTE (do latim videntem). Médium que possui a faculdade de vidência. METAGNOMIA (do grego metá + gnome + ia) É o mesmo que Clarividência, Crisptestesia, Dupla Vista, Segunda Vista, Lucidez, Lucidez Sonambú- lica, Metagnosia, Panestesia, Telestesia, Vidência, Segunda Vista. Metagnomia é termo criado por Émile Boirac para designar a faculdade de tomar conhecimento da realidade que está acima das possibilidades da inteligência que funciona em condições chamadas normais.

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MÉDIUNS VIDENTES – Os que vêem os Espíritos em estado de vigília. A visão acidental e fortuita de um Espírito, em determinada circunstância, é muito freqüente, mas a visão habitual ou facultativa dos Espíritos, sem qualquer distinção é excepcional. A condição atual do nosso organismo físico ainda se opõe a essa aptidão. Eis porque é conveniente não acreditar sempre, sem provas, nos que dizem ver os Espíritos.

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Médiuns videntes

167. Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Há os que gozam dessa faculdade em esta- do normal, perfeitamente acordados, guardando lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico. É raro que esta faculdade seja permanente, sendo quase sempre o resultado de uma crise súbita e passageira. Podemos incluir na categoria de médiuns videntes todas as pessoas dotadas de segunda-vista. A possibilidade de ver os Espíritos em sonho é também uma espécie de mediunidade, mas não constitui propriamente a mediunidade

de

vidência. Explicamos esse fenômeno no capítulo VI, Manifestações visuais.

O

médium vidente acredita ver pelos olhos, como os que tem dupla-vista, mas na realidade é a alma que vê, e por

essa razão eles tanto vêem com olhos abertos ou fechados. (*) Dessa maneira, um cego pode ver os Espíritos como

os que tem visão normal.

(*) NOTA DE J. HERCULANO PIRES: Note-se a razão da expressão segunda-vista ou dupla-vista que ressalta clara- mente dessa explicação de Kardec. A vidência propriamente dita independe do olhos materiais, porque é uma visão anímica, a alma vê fora do corpo. É o que a Parapsicologia chama hoje de percepção extra-sensorial. A dupla-vista se manifesta sempre com um desdobramento da visão normal. Um cego não tem dupla-vista, mas apenas vidência.

Seria interessante fazer um estudo sobre esta questão, verificando se essa faculdade é mais freqüente nos cegos. Espíritos que viveram na Terra como cegos nos disseram que tinham, pela alma, a percepção de alguns objetos e que não estavam mergulhados numa escuridão completa.

Existe um tipo de visão mediúnica denominada vidência, que ocorre com as pessoas ditas médiuns videntes, “dotadas da capacidade de ver Espíritos”, não acidentalmente, nem em sonho, mas de forma, “senão permanente, pelo menos muito freqüente”. Existe um segundo grupo de visões, denominadas clarividência, que ocorrem no estado sonâmbulico, que se distinguem da vidência porque se referem à visão de coisas terrenas. Não se trata pois, de mediunidade, mas de animismo, não-mediúnico. Existe enfim, um terceiro tipo de visões, denominadas dupla vista; como a clarividência, diz respeito às coisas terrenas, porém distingue-se dela por ocorrer no estado de vigília. Movido por objetivos puramente didáticos, Allan Kardec diz que, no fenômeno da dupla vista, o sensitivo “vê, por assim dizer, através da vista ordinária e como uma

Emancipação da Alma - 15

espécie de miragem” (LM)trata-se de uma simples comparação destinada a dar idéia de como o sensitivo registra o fenômeno. Ninguém suporá portanto que o codificador estava a ensinar que a dupla vista é um tipo de miragem. A miragem não passa de uma ilusão, ao passo que a dupla vista se refere as coisas reais. Como o agente da dupla vista não é Espírito, mas Alma (no caso, a do próprio sensitivo), o fenômeno deve ser também classificado como anímico, não-mediúnico. Curioso que Allan Kardec, em O LIVRO DOS ESPÍRITOS (cap. XIV - item 167), diz que “na categoria dos médiuns videntes se podem incluir todas as pessoas dotadas de dupla vista”; mas em OBRAS PÓSTUMAS, lê-se exatamente o contrário: “Podem incluir-se os médiuns videntes na categoria das pessoas que possuem a vista du-

pla”. Os Espíritos empregam a expressão dupla vista como sinônimo de segunda vista ( O LIVRO DOS ESPÍRI- TOS). A primeira vista é a comum, do corpo físico; a segunda, a da Alma. Examinando-se o que diz Kardec a respeito de dupla vista (ou segunda vista), chega-se à conclusão de que a expressão é empregada com dois sentidos: um restrito e outro abrangente. O restrito se refere somente ao terceiro tipo de visões, conforme estamos estudando (“miragem”). O abrangente ocorre porque as três ordens de visões são as da Alma, ou seja, registradas pela segunda vista. Assim, a vidência, a clarividência e a dupla vista (restrita) são fenômenos da dupla vista (abrangente). Outro fato muito significativo é a resistência oferecida por Kardec para denominar de vidente o indivíduo do- tado de dupla vista: “Tem-se empregado a palavra vidente que, embora não exprima com exatidão a idéia, adotare- mos até nova ordem, em falta de outra melhor” (OBRAS PÓSTUMAS.). A fim de podermos classificar os fenômenos mais facilmente, permitir-nos-emos usar as seguintes denomi-

nações:

VIDENTE — para nos referir aos que vêem Espíritos. CLARIVIDENTE SONAMBÚLICO — para nos referir aos que vêem coisas materiais através de corpos opa- cos, no estado de sonambulismo. CLARIVIDENTE VIGIL — idem, em vigília (dupla vista restrita).

 

SEGUNDO ALLAN KARDEC

SEGUNDO ALEXANDRE AKSAKOF

VIDENTE

Sensitivo:

Médium

Sensitivo:

Médium

Fenômeno:

Mediunidade

Fenômeno:

Espiritismo

CLARIVIDENTE SONAMBÚLICO

Sensitivo:

Não-médium

Sensitivo:

Médium

Fenômeno:

Não-mediúnico

Fenômeno:

Animismo

CLARIVIDENTE VIGIL

Sensitivo:

Não-médium

Sensitivo:

Médium

Fenômeno:

Não-mediúnico

Fenômeno:

Animismo

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RESUMO:

A dupla vista é ainda um resultado da libertação do Espírito, sem que o corpo esteja adormecido. É a vista da alma, e é susceptível de se desenvolver pelo exercício. Há, entretanto, organismos que são refratários a essa faculdade.

B. Godoy Paiva no livro Síntese de O Livro dos Espíritos

VIII - RESUMO TEÓRICO DO SONAMBULISMO DO ÊXTASE E DA DUPLA VISTA

455. Os fenômenos do sonambulismo natural se produzem espontaneamente e independem de qualquer causa exterior conhecida; mas, entre algumas pessoas, dotadas de organização especial, podem ser pro- vocados artificialmente, pela ação do agente magnético.

O estado designado pelo nome de sonambulismo magnético não difere do sonambulismo natural, senão

pelo fato de ser provocado, enquanto o outro é espontâneo.

O sonambulismo natural é um fato notório, que ninguém pensa por em dúvida apesar do aspecto maravi-

lhoso dos seus fenômenos. Que haveria pois, de mais extraordinário ou de mais irracional no sonambulismo magnético, por ser ele produzido artificialmente, como tantas outras coisas? Dizem que os charlatães o tem explorado; mais uma razão para que não seja deixado nas suas mãos. Quando a Ciência se tiver apropriado dele, o charlata- nismo terá muito menos crédito entre as massas. Mas enquanto se espera, como o sonambulismo natu- ral ou artificial são um fato, e contra fatos não há argumentos, ele se firma apesar da má vontade de al- guns, e isso no próprio seio da Ciência, onde penetra por uma infinidade de portas laterais, em vez de

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passar pela central. E, quando lá estiver plenamente firmado, será necessário Ihe conceder o direito da cidadania. Para o Espiritismo, o sonambulismo e mais do que um fenômeno fisiológico, é uma luz projetada sobre a Psicologia. É nele que se pode estudar a alma porque é nele que ela se mostra a descoberto. Ora, um dos fenômenos pelos quais ela se caracteriza é o da clarividência, independente dos órgãos comuns da visão. Os que contestam o fato se fundam em que o sonâmbulo não vê sempre, e à vontade dos experi- mentadores, como através dos olhos. Seria de admirar que os meios sendo diferentes, os efeitos não sejam os mesmos? Seria racional buscar efeitos semelhantes, quando não existe o instrumento? A alma tem as suas propriedades, como os olhos tem a deles; é preciso julgá-los em si mesmos, e não por ana- logia.

A causa da clarividência do sonambulismo magnético e do sonambulismo natural são a mesma: um atri-

buto da alma, uma faculdade inerente a todas as partes do ser incorpóreo que existe em nós, e que não tem limites além dos que são assinalados à própria alma. O sonâmbulo vê em toda parte a que sua alma possa transportar-se, qualquer que seja a distância. No caso da visão a distancia, o sonâmbulo não vê as coisas do lugar em que se encontra o seu corpo, a semelhança de um efeito telescópico. Ele as vê presentes, como se estivesse no lugar em que elas exis-

tem, porque a sua alma lá se encontra realmente; eis porque o seu corpo fica como aniquilado e privado de sensações, até o momento em que a alma se reapossar dele. Essa separação parcial da alma e do corpo e um estado anormal, que pode ter uma duração mais ou menos longa, mas não indefinida. Essa a causa da fadiga que o corpo experimenta, após um certo tempo, sobretudo quando a alma se entrega a um trabalho ativo.

A vista da alma ou do Espírito não sendo circunscrita e não tendo sede determinada, isso explica porque

os sonâmbulos não podem assinalar para ela um órgão especial: eles vêem porque vêem, sem saber por que nem como, pois a vista não tem, para eles, como Espíritos, lugar próprio. Se eles se reportam ao cor- po esse lugar parece estar nos centros em que a atividade vital é maior, principalmente no cérebro, ou na

região epigástrica, ou no órgão que, para eles, é o ponto de ligação mais intenso entre o Espírito e o cor- po.

O poder de lucidez sonambú1ica não é indefinido. O Espírito, mesmo quando completamente livre, é limi-

tado em suas faculdades e em seus conhecimentos, segundo o grau de perfeição que tenha atingido; e é mais ainda, quando ligado a matéria, da qual sofre a influência. Essa a causa por que a clarividência sonambúlica não é universal nem infalível. E tanto menos se pode contar com a sua infalibilidade, quanto mais a desviem do fim proposto pela natureza e a transformem em objeto de curiosidade e de experimen- tação. No estado de desprendimento em que se encontra o Espirito do sonâmbulo, entra ele em comunicação mais fácil com os outros Espíritos, encarnados ou não. Essa comunicação se estabelece pelo contato dos fluidos que compõem o perispírito e servem de transmissão ao pensamento, como o fio à eletricidade. O sonâmbulo não tem, pois, necessidade de que o pensamento seja articulado através da palavra: ele o sente e adivinha; é isso que o torna eminentemente Impressionável e acessível às influências da atmos- fera moral em que e se encontra. É também por isso que uma influência numerosa de espectadores, e sobretudo de curiosos mais ou menos malévolos, prejudica essencialmente o desenvolvimento de suas faculdades, que, por assim dizer, se fecham sobre si mesmas e não se desdobram com toda a liberdade, como na intimidade e num meio simpático. A presença de pessoas malévolas ou antipáticas produz so-

bre ele o efeito do contato da mão sobre a sensitiva.

O sonâmbulo vê, ao mesmo tempo, o seu próprio Espírito e o seu corpo; eles são, por assim dizer, dois

seres que lhe representam a dupla existência espiritual e corporal, confundidos, entretanto, pelos laços

que os unem. Nem sempre o sonâmbulo se da conta dessa. situação, e essa dualidade faz que freqüen- temente ele fale de si mesmo como se falasse de uma pessoa estranha. É que num momento, o ser cor- poral fala ao espiritual, e noutro é o ser espiritual que fala ao ser corporal.

O Espírito adquire um acréscimo de conhecimentos e de experiências em cada uma de suas existências

corpóreas. Esquece-os, em parte, durante a sua encarnação numa matéria demasiado grosseira, mas recorda-os como Espírito. É assim que certos sonâmbulos revelam conhecimentos superiores ao seu grau de instrução, e mesmo a sua capacidade intelectual aparente. A inferioridade intelectual e científica

do sonâmbulo, em seu estado de vigília, não permite, portanto, prejulgar-se nada sobre os conhecimentos que ele pode revelar no estado lúcido. Segundo as circunstâncias e o objetivo que se tenha, em vista, ele pode hauri-los na sua própria experiência, na clarividência das coisas presentes, ou nos conselhos que recebe de outros Espíritos; mas, como o seu próprio Espírito pode ser mais ou menos adiantado, ele po- de dizer coisas mais ou menos justas.

Emancipação da Alma - 17

Pelos fenômenos do sonambulismo, seja natural, seja magnético, a Providência nos dá a prova irrecusá- vel da existência e da independência da alma, e nos faz assistir ao espetáculo sublime da sua emancipa- ção; por esses fenômenos, ela nos abre o livro do nosso destino. Quando o sonâmbulo descreve o que se passa à distância, E evidente que ele o vê, mas não pelos olhos do corpo; vê-se a si mesmo no local, e

para lá se sente transportado; lá existe, portanto, qualquer coisa dele, e essa qualquer coisa, não sendo o seu corpo, só pode ser a sua alma ou seu Espírito. Enquanto o homem se extravia nas sutilezas de uma metafísica abstrata e ininteligível, na busca das causas de nossa existência moral, Deus põe diariamente sob os seus olhos e sob as suas mãos os meios mais simples e mais patentes para o estudo da psicolo- gia experimental.

O êxtase é o estado pelo qual a independência entre a alma e o corpo se manifesta da maneira mais sen-

sível, e se torna, de certa forma, palpável. No sonho e no sonambulismo a alma erra pelos mundos terrestres; no êxtase, ela penetra um mundo desconhecido, o dos Espíritos etéreos com os quais entra em comunicação, sem entretanto poder ultra- passar certos limites, que ela não poderia transpor sem romper inteiramente os laços que a ligam ao cor- po. Um fulgor resplandecente e inteiramente novo a envolve, harmonias desconhecidas na Terra a em- polgam, um bem-estar indefinível a penetra: ela goza, por antecipação, da beatitude celeste, e pode-se

dizer que pousa um pé no limiar da eternidade.

No estado de êxtase o aniquilamento do corpo é quase completo; ele só conserva, por assim dizer, a vida orgânica. Sente-se que a alma não se liga a ele mais que por um fio, que um esforço a mais poderia rom- per sem remédio. Nesse estado, todos os pensamentos terrenos desaparecem, para darem lugar ao sentimento puro que é

a própria essência do nosso ser imaterial. Todo entregue a essa contemplação sublime, o extático não

encara a vida senão como uma parada momentânea; para ele, os bens e os males, as alegrias grosseiras

e as misérias deste mundo não são mais que fúteis incidentes de uma viagem da qual se sente feliz ao

ver o termo. Acontece com os extáticos o mesmo que com os sonâmbulos sua lucidez pode ser mais ou menos perfei- ta, e seu próprio Espírito, conforme for mais ou menos elevado, é também mais ou menos apto a conhe- cer e a compreender as coisas. Verifica-se neles as vezes, mais exaltação do que verdadeira lucidez, ou, melhor dito, sua exaltação prejudica a lucidez; e por isso que suas revelações são freqüentemente uma

mistura de verdades e erros, de coisas sublimes e de coisas absurdas, ou mesmo ridículas. Espíritos infe- riores aproveitam-se muitas vezes dessa exaltação, que é sempre uma causa de fraqueza, quando não se sabe vencê-la, para dominar o extático, e para tanto se revestem aos seus olhos de aparências que o mantém nas suas idéias preconceitos do estado de vigília. Este é um escolho, mas nem todos são assim; cabe-nos julgar friamente e pesar as suas revelações na balança da razão.

A emancipação da alma se manifesta às vezes no estado de vigília, e produz o fenômeno designado pelo

nome de dupla vista, que dá aos que o possuem a faculdade de ver, ouvir e sentir além dos limites dos nossos sentidos. Eles percebem as coisas ausentes, por toda parte, até a alma onde possa estender a sua ação; vêem, por assim dizer, através da vista ordinária, como por uma espécie de miragem. No momento em que se produz o fenômeno da dupla vista, o estado físico é sensivelmente modificado:

os olhos tem qualquer coisa de vago, olhando sem ver, e toda a fisionomia reflete uma espécie de exalta- ção. Constata-se que os órgãos da visão são alheios ao fenômeno, ao verificar-se que a visão persiste,

mesmo com os olhos fechados. Esta faculdade se afigura, aos que a possuem, tão natural como a de ver: consideram-na um atributo normal, que não lhes parece constituir exceção. O esquecimento se segue, em geral, a essa lucidez pas- sageira, cuja lembrança se torna cada vez mais vaga, e acaba por desaparecer, como a de um sonho.

O poder da dupla vista varia desde a sensação confusa até a percepção clara e nítida das coisas presen-

tes ou ausentes. No estado rudimentar, ela dá a algumas pessoas o tacto a perspicácia, uma espécie de

segurança nos seus atos, a que se pode chamar a justeza do golpe de vista moral. Mais desenvolvida, desperta os pressentimentos, e ainda mais desenvolvida, mostra acontecimentos já realizados ou em vias de realização.

O sonambulismo natural e artificial, o êxtase e a dupla vista, não são mais do que variedades ou modifi-

cações de uma mesma causa. Esses fenômenos, da mesma maneira que os sonhos pertencem uma ordem natural. Eis por que existiram desde todos os tempos: a História nos mostra que eles foram co- nhecidos, e até mesmo explorados, desde a mais alta antigüidade, e neles se encontra a explicação de uma infinidade de fatos que os preconceitos fizeram passar como sobrenaturais. (*)

(*) NOTA DE J. HERCULANO PIRES: Todos estes fenômenos estão hoje cientificamente provados pelas pesquisas pa- rapsicológicas, embora certos pesquisadores pretendam fazê-los “acomodar-se ao materialismo”. Veja-se o que diz, a respeito dessa acomodação, a resposta à pergunta 446 deste livro.

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