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Ano 6 · no 47 · Novembro/2008

R$ 5,00 · www.revistaviracao.org.br

Mudança, atitude
e ousadia jovem
V iRAÇÃO

500
PROJETOS
para
para mudar
mudar oo mundo
mundo

te pa ra
Ar ão sexualvencer a
explo ra ç Jovens utilizam a arte para enfrentar a
exploração sexual contra crianças e adolescentes
Veja quem faz a Vira
pelo Brasil
Associação Imagem Comunitária Universidade Popular – Belém (PA) Centro Cultural Bájò Ayò
Belo Horizonte (MG) – www.aic.org.br www.unipop.org.br João Pessoa (PB)

Ciranda
Casa da Juventude Pe. Burnier Curitiba (PR) – www.ciranda.org.br
Goiânia (GO) Catavento – Fortaleza (CE)
www.casadajuventude.org.br www.catavento.org.br

Companhia Terra-Mar
Natal (RN) – www.ciaterramar.org.br

Agência Uga-Uga – Manaus (AM)


Centro de Referência Integral de www.agenciaugauga.org.br
Adolescentes
Salvador (BA) – www.criando.org.br

Girassolidário – Campo Grande (MS)


www.girassolidario.org.br
Diretório Acadêmico Freitas Neto
Maceió (AL)

Fundação Athos Bulcão


Brasília (DF) – www.fundathos.org.br
Rede Sou de Atitude Maranhão
São Luís (MA) – www.soudeatitude.org.br

Centro Cultural Escrava Anastácia


Jornal O Cidadão – Rio de Janeiro (RJ)

Virajovem Vitória – Vitória (ES) Grupo Atitude – Porto Alegre (RS)


Rompendo o QUEM SOMOS
silêncio
V iração é um projeto social de educomunicação,
sem fins lucrativos, criado em março de 2003 e filiado
à Associação de Apoio a Meninos e Meninas da Região Sé.
á um grande número de jovens

H envolvidos nas organizações sociais


mandando o seu recado, falando dos
direitos sexuais. Com a proximidade do III Con-
Recebe apoio institucional da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco),
do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da
Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). Além de
produzir a revista, oferece cursos e oficinas de capacitação
gresso Mundial de Enfrentamento da Exploração
Sexual de Crianças e Adolescentes (25 a 28 de em comunicação popular feita para jovens, por jovens e com
jovens em escolas, grupos e comunidades em todo o Brasil.
novembro, no Rio), o debate esquentou. Por isso,
Para a produção da revista impressa e eletrônica
nesta edição você poderá conferir o que jovens de (www.revistaviracao.org.br), contamos com a participação
Belém, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Salva- dos conselhos editoriais jovens de 21 capitais, que reúnem
dor, Recife e Fortaleza estão fazendo em suas representantes de escolas públicas e particulares, projetos e
comunidades para sensibilizar a todas e movimentos sociais. Entre os prêmios conquistados nesses
quatro anos estão o Prêmio Don Mario Pasini Comunicatore,
todos sobre esse tema.
em Roma (Itália), o Prêmio Cidadania Mundial, concedido
A galera anda se virando... Tem teatro discutin- pela Comunidade Bahá’í. E mais: no ranking da Andi, a
Viração é a primeira entre as revistas voltadas para jovens.
do crimes sexuais e prevenção DST/aids, tem roda
Participe você também desse projeto.
de diálogo, hip hop e os especialistas mostrando Veja, abaixo, nossos contatos nos Estados.
como é difícil para a/o jovem discutir um papo
pesado como esse. Sem contar a falta Paulo Pereira Lima
de grana. Sempre quando aperta, a/o jovem Diretor da Revista Viração – MTB 27.300
tem que largar o projeto para trabalhar.
CONHEÇA OS 21 VIRAJOVENS
A reportagem de capa foi premiada EM CAPITAIS BRASILEIRAS
no âmbito do 4o Concurso Tim Lopes de Investigação
Jornalística, iniciativa da Agência de Notícias dos • Belém (PA) – pa@revistaviracao.org.br
Direitos da Infância (Andi), em homenagem ao jorna- • Belo Horizonte (MG) – mg@revistaviracao.org.br
• Brasília (DF) – df@revistaviracao.org.br
lista Tim Lopes, assassinado enquanto fazia
• Campo Grande (MS) – ms@revistaviracao.org.br
uma reportagem sobre exploração sexual de crianças • Cuiabá (MT) – mt@revistaviracao.org.br
e adolescentes nos bailes funk no Rio de Janeiro. • Curitiba (PR) – pr@revistaviracao.org.br
• Florianópolis (SC) – sc@revistaviracao.org.br
VIRAÇÃO • Fortaleza (CE) – ce@revistaviracao.org.br
• Goiânia (GO) – go@revistaviracao.org.br
é publicada mensalmente em São Paulo (SP)
• João Pessoa (PB) – pb@revistaviracao.org.br
pelo Projeto Viração da Associação de Apoio a Meninas • Maceió (AL) – al@revistaviracao.org.br
e Meninos da Região Sé de São Paulo, filiada ao Sindicato • Manaus (AM) – am@revistaviracao.org.br
das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas • Natal (RN) – rn@revistaviracao.org.br
de São Paulo; CNPJ (MF) 74.121.880/0003-52; • Porto Alegre (RS) – rs@revistaviracao.org.br
Inscrição Estadual: 116.773.830.119; • Recife (PE) – pe@revistaviracao.org.br
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• Salvador (BA) – ba@revistaviracao.org.br
• São Luís (MA) – ma@revistaviracao.org.br
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ATENDIMENTO AO LEITOR
• Vitória (ES) – es@revistaviracao.org.br
Rua Augusta, 1239 – Conj. 11 Apoio Institucional
Consolação – 01305-100 – São Paulo – SP
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QUE FIGURA

MAPA da
Cartão virtual no portal da Vira:
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CONCEIÇÃO DOS BUGRES

Conselho Editorial
Eugênio Bucci, Ismar de Oliveira,
Izabel Leão, Immaculada Lopez,
João Pedro Baresi, Mara Luquet

mina
e Valdênia Paulino
Equipe Pedagógica
Aparecida Jurado, Cássia Vasconcelos,

RG
Isabel Santos, Juliana Rocha Barroso, • IMPOSSÍVEL VIVER SEM ELA 6
Maria Lúcia da Silva, Nayara Teixeira, Telefonema ao invés de e-mail,
Roberto Arruda, Robson Oliveira enciclopédia ao invés do Google,
e Vera Lion passeio no shopping ao invés de bate
Diretor papo on line. Você conseguiria
Paulo Pereira Lima imaginar a vida sem a Internet? Cristino Martins
paulo@revistaviracao.org.br
Equipe
• BRINCADEIRA SEM GRAÇA 11
Adriano Sanches, Amanda Proetti,
Camila Caringe, Carol Lemos, Gisella Eles sofreram preconceito e humilhação
Hiche, Rafael Stemberg, Rassani Costa, na escola por serem gays, mas superaram
Sálua Oliveira, Vitor Massao as mágoas e os complexos causados
e Vivian Ragazzi pelo bullying.
Administração/Assinaturas
Juliana Giron
• JUSTIÇA RESTAURATIVA 1 4
Midiadores da Vira Um sistema de justiça onde
Acássia Deliê (Maceió – AL), Alex
Pamplona (Belém – PA), Gardene Leão
o que importa são a participação
de Castro (Goiânia – GO), Graciema Maria dos envolvidos, o foco das discussões
(Natal – RN), Ionara Talita da Silva (Brasília no fato, e não nas pessoas, e a
– DF), Ismael Oliveira (Teresina – PI), reparação do dano nos seus aspectos
Ivanise Andrade (Campo Grande – MS), simbólicos ou psicológicos.
João Paulo Pontes e Bruno Peres (Porto
Alegre – RS), Lizely Borges (Curitiba – PR),
Maria Camila Florêncio (Recife- PE), Marcelo • PRÊMIO TIM LOPES 18
Monteiro de Oliveira, Maxlander Dias Enfrentamento à exploração sexual
Gonçalves, Patrícia Galleto, Thiago Martins de crianças e adolescentes. Confira
e Vitor Bourguignon Vogas (Vitória – ES), nesta edição a primeira reportagem
Niedja Ribeiro (João Pessoa – PB), Pablo Personagem Felic e Caurê Cruz
Márcio Abranches Derça (Belo Horizonte – MG),
da série vencedora da 4ª edição do
Concurso Tim Lopes de Investigação do Projeto Ateliê da Vida
Raimunda Ferraz (São Luiz – MA), Gisele
Martins (Rio de Janeiro – RJ), Renata Gauche Jornalística.
e Clarissa Diógenes (Fortaleza – CE), Scheilla
Gumes (Salvador – BA) e Eric Silva e Ubirajara
• EDUCAÇÃO SEXUAL 31
Barbosa (São Paulo – SP)
Coletar dados referentes ao comportamento sexual
Colaboradores
Bianca Pyl, Cristina Uchoa, Lentini,
de jovens a fim de fomentar ações educativas.
Márcio Baraldi, Natália Forcat, Novaes, Este é o objetivo da pesquisa Este Jovem
Paloma Klysis e Sérgio Rizzo Brasileiro. Confira!
Consultor de Marketing
Thomas Steward
Projeto Gráfico IDENTITÀ
Adriana Toledo Bergamaschi
Marta Mendonça de Almeida • MANDA VÊ 17
Fotolito Digital SANT’ANA Birô
Impressão Tarfc
• GALERA REPÓRTER 24
Jornalista Responsável
Paulo Pereira Lima – MTB 27.300 • TODOS OS SONS 27
Divulgação Equipe Viração • NO ESCURINHO 30
E-mail Redação e Assinatura
redacao@revistaviracao.com.br
assinatura@revistaviracao.com.br • VIRARTE 32
Preço da assinatura anual • PARADA SOCIAL 34
Assinatura Nova R$ 48,00
Renovação R$ 40,00 • RAP DEZ 35
De colaboração R$ 60,00
Exterior US$ 50,00
4 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47
○ ○ ○ ○
GALERA EM SINTONIA
○○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

FÁTIMA BULHÕ
BULHÕEES, do Rio de Janeiro (RJ) – via e-mail

“P rezada Equipe, sou professora da rede municipal do Rio


de Janeiro e trabalho com Educação de Jovens e Adultos
○ ○ (EJA) em duas escolas: Centro de Referência de Educação de
Jovens e Adultos, no Centro, e no CIEP Graciliano Ramos, no
Jardim América. Recebi um exemplar da revista Especial Direitos ○ ○ ○ ○
Humanos e gostei muito. Na EJA precisamos de materiais diver-

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
sos para auxiliar nosso trabalho pedagógico. Os textos e os temas
são de riquíssima contribuição! Solicito, se possível, doação de
exemplares desta e outras edições para as duas escolas. Com fé!

RENILDO MORAES,
Esquecemos
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ créditos
dos ○ ○ ○ ○ ○das
○ ○ ○E
rramo
OPS!
de João Pessoa (PB) – via e-mail fotos do Vira Virou s
da edição de outubro:
“O lá, gente linda da Revista Viração!
Nós que fazemos ASTEIAS – Juven-
Pablo Almeida e Miguel
Chikaoka. A seção Escuta Soh!
tude, Atitude e Cidadania, estamos lhes
de outubro trouxe matéria com a
escrevendo para informar a revista está
fazendo sucesso com as/os alunas/os das ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○○do EDUCAIDS, Encontro Nacio-
chamada
escolas públicas de João Pessoa. Nós nal de Educadores para a Prevenção
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

educadoras/es estamos sistematizando das DST/aids. Na verdade, a maté-


nossas experiências e temos interesse ria é sobre o 3o Encontro
em socializar um pequeno relato sobre Nacional de Jovens Vivendo
este trabalho. É possível a publicação na com HIV/aids que aconteceu,
revista? Um grande abraço! em setembro, em
Minas Gerais.

ELIZIANE LIMA, de Fortaleza (CE) – via e-mail

“O lá, galera da Viração! Sou de Fortaleza e trabalho


com jovens. Gostaria de saber se vocês oferecem
esse material da revista para pessoas que estão na luta
pelas causas juvenis. Se isso for possível, peço a ajuda
de vocês. Vocês também possuem material em dvd?

A Vira entra no debate de Mande seus comentários


gêneros e levanta a bandeira da
sobre a Vira
Vira, dizendo o que
igualdade, que deve estar também
achou de nossas reportagens e seções.
na forma de escrever. Por isso, todas
as palavras que tiverem variação de
Suas sugestões são bem-vindas!
feminino e masculino iremos incluir Escreva para nosso endereço:
os dois gêneros, e não somente o
masculino. Por exemplo: a/o jovem, Rua Augusta, 1239 – Conj. 11
o/a professor/a e assim por diante, Consolação – 01305-100 – São Paulo (SP)
de forma que contemplaremos Tel: (11) 3237-4091 / 3567-8687 / 9946-8166
a todas e todos! ou para o e-mail:
redacao@revistaviracao.org.br
Aguardamos suanº colaboração!
47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 5
A internet está presente na vida de muita gente
e as crianças, jovens e adolescentes não são diferentes.
Pode ser na lan house, em casa ou na escola, a galera
tá conectada, por isso, a Vira perguntou para o pessoal:

ERIC SILVA,
Por que as crianças, juventudes
do Virajovem São Paulo (SP) e
JULIANA CORDEIRO,
do Virajovem Curitiba (PR)
e adolescências atuais estão tão ligadas
à internet e como seria sua vida sem ela?
DIEGO BRENNER
BRENNER,, 17 anos,
Ouro Preto (MG)
Arquivo Pessoal

Nos dia de hoje tudo se resume a


GERMANA FREITAS
FREITAS,,
internet, o jovem, a única coisa que

Arquivo Pessoal
15 anos, Fortaleza (CE)
ele consegue pensar é na internet,
onde ele arruma a maioria dos seus
Porque é uma forma de se
novos amigos, onde faz trabalhos
interagir com pessoas de todos
de escola, o mundo fica mais fácil
os cantos. Acho que sem amigos,
com internet. Sem internet a vida
ás vezes você não pode ir à casa do colega, e no
seria um pouco mais difícil, ela já está
telefone só da pra ouvir a voz, já na internet você
integrada a minha vida, é muito
pode ver, escrever ouvir a voz, seria um pouco
interessante ter uma internet que faz tudo.
atrasada, não só a juventude, mas
o mundo no geral.
Arquivo Pessoal

ANNE KAROLLINE DOS SANTOS


SANTOS,,
16 anos, Aracaju (SE)
DIEGO AMARO
AMARO,,
16 anos, Brasília (DF) Por causa da tecnologia avançada, pela rede
de onde o acesso é mais rápido além de
Eu acredito que é por causa das podermos nos comunicar
salas de bate-papo, porque muitas com pessoas de outros
pessoas de longe se comunicam uma com países com mais facilidade. Um
as outras. Minha vida seria muito diferente tédio, pois com a internet tudo
sem a internet, eu não passo um dia sem fica mais fácil e prático, não Arquivo Pessoal

internet, é direto, no serviço e em casa. precisando sair de casa.

JOICE BRANDÃO
BRANDÃO,, 15 anos, Porto Velho (RO)

Eu acredito que na sociedade que estamos vivendo agora a comunicação é muito


Arquivo Pessoal

importante, e a internet é um meio que surgiu pra você comunicar, então hoje temos a
precisão de comunicação em segundos, você pode conversar com uma pessoa do
outro lado do mundo, ai internet tem essa função, por isso a juventude está ligada à
tecnologia e não teme as novidades e esse é o diferencial da juventude. Minha vida sem
internet seria muito mais complicada, tudo que eu aprendi dependente da internet, mas
acho que o ser humano tem a capacidade de se habituar a todas as condições, só que
depois de ter a internet, não tê-la mais é muito difícil.

6 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


ELIESÉR JAIROS, 18 anos,
Rio de Janeiro (RJ)
Arquivo Pessoal

Eu não vivo sem internet,


se não tiver internet onde eu
JÁ DOMINOU!
trabalho ninguém trabalha, a
unidade fecha, o jovem ta ligado à internetMSN, orkut, skype, myspace,
porque é um meio de comunicação barato, bate-papo, enfim, uma chuva de
tem um monte de informação lá, e você tem diversas
programas para qualquer tipo
formas de se comunicar. É fácil e barato, é uma tecnologia que veio pra
de gosto, essa é a internet um
ficar, a internet é uma rede que liga todo mundo numa coisa só. mundo cheio de coisas boas
e ruins, informação de todos
os lados, habitado por
ALESSANDRA GUERRA GUERRA,,
muita gente.
24 anos, Fortaleza (CE) A cada dia que passa
mais pessoas tem um

Arquivo Pessoal
Eu acredito que é devido a necessidade de computador com acesso
comunicar, conhecer pessoas que pensam do mesmo à internet no nosso país,
jeito e, que juntos podem fazer alguma coisa. Seria segundo o IBOPE, em
uma coisa difícil, não conseguiria, porque qualquer dezembro de 2007, chegou
coisa que você precisa, é só buscar via internet. há 21,4 milhões o número
de internautas residenci-
ais, isso representa um
JEAN CARLOS
CARLOS,, 16 anos, aumento de 48,4% em
São Paulo (SP) relação ao ano de 2006,
que o número era de
Porque é um meio onde você se comunica, e
Arquivo Pessoal

tem acesso à música e sites de relacionamen- 14,4 milhões de usuários.


to. Acho que seria normal, não sou fanático O mundo atual está comple-
por internet, pois não utilizo todos os dias. tamente dependente da internet
e de seus benefícios e também
está à mercê de seus perigos
que são muitos por sinal, por isso,
devemos tomar muito cuidado e usar
sabiamente essa ferramenta tão pode-
MESSIAS DIDINO ANDRADE
ANDRADE,,
15 anos, Curitiba (PR) rosa chamada internet.
Arquivo Pessoal

Porque a internet apesar de ser


bastante conhecida é parte da

Arquivo Pessoal
revolução mundial e está em
constante transformação, havendo
sempre algo que nos surpreende.
A minha vida não seria muito diferente,
pois eu não uso muito a internet. Porém é
ela que me traz muitas informações.
“O Encontro de 2 Mundos”
mostrado aqui de uma forma
inteligente e provocante em 56
crônicas, essa leitura é indis-
pensável para profissionais de
Internet e Comunicação e
recomendada para todos os
seres vivos que falam ao telefone, lêem um
blog, vêem um filme e conversam via instant
messenger ao mesmo tempo.

nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 7


Atitude cidadã
Agência Unama, de Belém (PA), comemora quatro anos LÍVIA MEDINA
MEDINA,,
do Virajovem de Belém (PA)*

M
de atividades e promove debate sobre participação juvenil ais de 70 pessoas, entre estu-
dantes universitários e de esco-
las públicas, estiveram presentes
no debate da Agência Bate-Papo, realiza-
do pela Agência Unama de Comunicação
pelos Direitos da Criança e do Adolescen-
te, no campus BR da Univer-sidade da
Amazônia (Unama), em Ananindeua (PA),
na manhã do dia 9 de outu-bro. O evento
foi em homenagem aos quatro anos da
Agência Unama, completados no
dia 16 de agosto deste ano.
Com o tema “Participação
juvenil – por uma atitude cidadã”,
a discussão contou com a presença
do jornalista da Revista Viração de São
Paulo, Paulo Lima; da coordenadora do
projeto da Agenda Criança, Lúcia Garcia;
e do coordenador do grupo de protago-
nismo juvenil do Instituto Universidade
Popular (Unipop), Alex Pamplona.
O adolescente George Miranda,
de 15 anos, estudante da escola Estadual
Dr. Agostinho Monteiro, conta que ficou
surpreso com o que aprendeu no debate.
“Pude perceber que eu já fazia ações de
protagonismo juvenil na minha escola e
nem tinha noção disso. A discussão de
hoje me fez ver com outro olhar o projeto
de comunicação que eu participo na
escola”, afirma o adolescente.
Para Paulo Lima, a garantia dos
direitos de meninos e meninas deve ser
construída a partir de discussões entre os
jovens e a sociedade. “É importante ter a
participação dos jovens na construção de
políticas, só assim podemos pensar em
uma verdadeira democracia”, acredita.
Na opinião da coordenadora do projeto
de Extensão da Unama “Agenda Criança”,
Lúcia Garcia, trabalhar com protagonis-
mo juvenil, é “criar as possibilidades, as
oportunidades para que os jovens pos-
sam descobrir o seu potencial, os seus
caminhos”, diz. O coordenador do Grupo
de Protagonismo Juvenil da Unipop,
Alex Pamplona, utiliza a metodologia
da educomunicação (educação voltada
para a comunicação), com o objetivo de
capacitar os jovens como atores princi-

8 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


pais das suas próprias ações. trabalho de professores, jornalistas em um jornalismo que sempre
A Revista Viração é considerada, e alunos que já contribuíram com a quis fazer: uma comunicação
segundo ele, uma motivação para Agência, além dos apoios e parcei- a favor do interesse público”,
trabalhar como educomunicador. ras que o projeto conquistou. afirma a universitária.
“O grande desafio é como transfor- Desde 2004, o projeto cresceu O projeto já foi destaque em
mar uma revista em um instrumento e desenvolveu várias atividades alguns estudos científicos, como,
pedagógico”, ressalta Alex. referentes à garantia de direitos por exemplo, na pesquisa do doutor
de meninos e meninas, por meio em Ciências da Comunicação pela
PROMOÇÃO DOS DIREITOS de reportagens, sugestões de pauta Universidade de São Paulo (USP),
sobre infância e adolescência para Fernando de Maria dos Santos, que
A Agência é um projeto de a imprensa paraense, produção de fez uma análise sobre a importância
extensão do curso de Comunicação matérias especiais para os princi- das agências universitárias de
Social e da Superintendência de pais jornais do estado e realização notícias para o aprendizado
Extensão da Universidade da de cursos e oficinas. Mais de 80 do aluno de jornalismo.
Amazônia (Unama). Conta com a estudantes de Comunicação Social Desde setembro de 2007,
parceria com o Fundo das Nações da Unama já passaram pelo projeto. a Agência produz a cada semana
Unidas pela Infância (Unicef) e da O aluno do quinto semestre de jor- matérias especiais para os principais
Fundação Instituto para o Desenvol- nalismo da Unama Marcos Paulo jornais locais sobre a situação de
entrou na Agência como voluntário e crianças e adolescentes no Pará.
hoje é um dos estagiários do projeto. Além disso, já foram realizadas
Para ele, par-ticipar da Agência tem diversas oficinas sobre mídia e o
um significado especial. “Entrei na ECA para jornalistas, radialistas
Agência porque não estava traba- e estudantes universitários.
lhando e precisava ganhar experiên- A Agência também atua como
cia na área jornalística. Com o passar responsável pelas ações de comu-
do tempo ganhei mais do que expe- nicação e mobilização social do
riência, fiz amigos e adquiri mais projeto Agenda Criança Amazônia,
valor pela profissão. A Agência não do Unicef, que tem como objetivo
é apenas um local de trabalho, é garantir prioridade absoluta para a
minha segunda casa”, conta o aluno.
A universitária Lígia Bernar,
de 21 anos, estagiou no projeto
infância e a adolescência nas políti-
cas públicas estaduais e municipais. .
durante quase um ano e, hoje, Lívia Medina é uma
está deixando a Agência porque das bolsistas de extensão da
foi contratada por uma empresa Agência Unama e integrante de
de comunicação. Segundo ela, um dos Conselhos Jovens da Vira,
o projeto fez com o que ela tivesse presentes em 21 Estados do País
contato com um jornalismo ético (pa@revistaviracao.org.br)
e de qualidade. “Tenho certeza
que estou mais preparada
agora para o mercado.
Acho que consegui
ter experiência

vimento da Amazônia (Fidesa)


e tem como objetivo divulgar e
promover os direitos de meninos
e meninas, previstos no Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA).
Para a coordenadora da Agência
Unama, Danila Cal, o projeto é a
concretização de um anseio antigo.
“A Agência representa a realização
de um desejo, esboçado em 2002
por um grupo de jornalistas. Mas o
trabalho foi bem mais além do que
imaginávamos naquela época e,
hoje, somos referência na área
de comunicação pelos direitos
da criança e do adolescente”,
explica a coordenadora. Ela
atribui esse resultado ao

nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 9


Entrevista com
Paulinho Borges
Agência Jovem de Notícias

Espetáculo teatral emociona e diverte


galera que participou do 3o Encontro Nacional
KELLY BORGES, do Escuta Soh! de Jovens Vivendo com HIV/aids

V
eja a entrevista que rolou iremos levar a peça pro Vale do pois teve uma hora em que eu até
com o ator Paulinho Borges, Jequitinhonha (interior de Minas me emocionei, porque eu me senti
do Grupo Teatral Cia. Conde- Gerais). Sei que iremos levar pra como jovem que está do outro lado,
lon, que apresentou a peça Pedaços muitas pessoas informações que, não como Paulinho Borges que está
de Vida no 3o Encontro Nacional de de certa forma, não chegam na fazendo teatro, passando informa-
Jovens Vivendo com HIV/aids, rea- mesma velocidade do que chega ções. Eu me senti como o jovem
lizado entre 25 e 28 de setembro, aqui pra gente. É uma satisfação que está recebendo a informação.
em Caetés (MG). no Hotel fazenda enorme estar alertando muitos Passar por isso é algo inexplicável,
Tauá. A peça, que já foi vista por jovens, batendo de porta em porta, é muito complexo falar sobre isso.
cerca de 1 milhão de jovens, proble- falando sobre a prevenção, sobre os Mas a gente não tem também só
matiza vários temas que são presen- riscos como se transmite ou não o que lembrar da prevenção, pois a
tes no dia-a-dia da galera, como vírus, porque é muito importante a televisão lembra e fala o tempo todo
abuso e exploração sexual, violên- gente ter essa informação. Por isso, sobre isso. A gente tem que também
cias, homofobia, preconceitos, eu não aceitei fazer outro trabalho alertar sobre o preconceito e mostrar
entre outros. de teatro, pois a área de educação realmente o que é ter HIV.
é a área onde eu me sinto bem.
Paulinho, como é pra você Qual a mensagem que
estar fazendo essa peça e pro- Nós sabemos que é muito você deixa pra Rede Nacional
porcionando mais informações importante estar colaborando de Jovens Vivendo com HIV/
pros jovens sobre HIV/aids? junto aos jovens, levando até AIDS (RNJVHA)
(RNJVHA)?
Trabalhar com os jovens na eles mais informações sobre Que ela venha se fortificar cada
educação geralmente não é tão fácil, prevenção. Como é pra você vez mais e que nunca desista, pois
porque o jovem tem uma barreira saber que essa peça já conse- eu tenho certeza de que a Rede hoje
que, às vezes, é muito difícil de guiu atingir cerca de um ajuda muita gente de todo o Brasil e
quebrar. Mas eu sinto uma satisfa- milhão de jovens? pode estar colaborando com muito
ção enorme de trabalhar com eles.
Por exemplo, ano que vem nós
Participar hoje um pouco desse
evento pra mim é muito importante, .
mais na luta contra a discriminação
e a prevenção do HIV.

10 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


Barra pesada Jovens gays contam sobre humilhações que sofreram nas escolas
THIAGO TOMAZ, revelou que 60% dos professores “Em primeiro lugar, preparar quem
de São Paulo (SP)* brasileiros consideram inadmissível educa: pais e professores. A partir
uma relação homossexual e 40% dos de uma queixa, o professor poderia

Q
uando Tiago Alves, 16, estudantes não gostariam de ter trabalhar com a classe, poderia criar
entrava na sala de aula colegas homossexuais em sala de trabalhos interessantes com pesqui-
de sua escola, já começava aula. O estudante Heyder Maga- sa bibliográfica e pesquisa de
a zoação. Na época, tinha apenas lhães, de 17 anos, se assumiu aos campo, apresentação dos trabalhos
12 anos e não sentia mais vontade 15. Estudante da Escola Estadual em classe e diminuir assim a inci-
de se empenhar nos estudos. Os Central de Belo Horizonte, ouvia de dência da prática”, explica Edith.
meninos de sua classe davam a ele seus professores dizeres preconcei- Tiago sofreu bullying na
apelidos taxativos como “chabiagui- tuosos. “Eu tinha um professor que escola por quatro anos seguidos.
nho” e “bichaninho”, que o faziam chegava à sala e dizia que todos os Poderia ter crescido com sentimen-
chorar quase todos os dias. Durante gays tinham que morrer, eu sentia tos negativos, com baixa auto-es-
o intervalo, mexiam em sua mochila, medo”, conta. tima e ter assumido um comporta-
pegavam seu estojo e passavam a De acordo com Edith Modesto, mento agressivo. Mas, assim como
jogar de um lado para o outro. pesquisadora, escritora, mãe de Heyder, encontrou apoio em grupos
Tiago não tinha a quem recorrer, homossexual e fundadora do Grupo de juventude LGBT como o Projeto
já que diretores e professores
fingiam não ver o que acontecia.
“Uma vez pegaram uma régua na
de Pais de Homossexuais (GPH),
os professores não estão preparados
para lidar com a diversidade sexual.
Modesto. .
Purpurina idealizado por Edith

minha mala. Eram seis meninos, “A maioria nem sabe o que é isso. *Thiago é colaborador da Vira
eles me viraram de costas, riam Tenho ido a escolas fazer capacita- e o texto foi publicado
muito, eles tentavam a todo custo ção de professores, mas, até hoje, originalmente no site da http://
colocar a régua na minha bunda”, só consegui fazer em duas escolas www.acapa.com.br/site/
conta. Histórias como a de Tiago particulares”, diz. noticia.asp?codigo=5403revista
fazem parte do cotidiano escolar O que fazer então para A Capa:
de gays. Ainda que negada pelos impedir a prática?
educadores, a prática existe e recebe
o nome de bullying homofóbico.
O termo bullying é utilizado
para caracterizar todas as formas
de atitudes agressivas, repetidas e
sem motivo aparente. O ato é um
problema mundial praticado por
um ou mais estudantes, e causa
dor e sofrimento.
Quando o preconceito é
por parte dos professores a
situação fica mais compli-
cada. Uma pesquisa da
Organização das Nações
Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura
(UNESCO), de 2004,

Jovens gays
contam sobre
humilhações que
sofreram nas escolas

nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 11


Sonhos de Programa Geração MudaMundo
ultrapassa 500 empreendimentos
sociais de jovens brasileiros

solidariedade AMANDA PROETTI


PROETTI,, da Redação

M
eio ambiente, desemprego, exclusão, futuro. Estas são algumas
das preocupações dos jovens empreendedores do Programa Geração
MudaMundo (GMM), da Ashoka Empreendedores Sociais.
Lançado em 2006, no Brasil, com o objetivo de envolver a/o jovem no emergente
movimento de agentes de transformação social positiva no País, o programa global
da Ashoka ultrapassou, em setembro, a marca de 500 projetos sociais liderados e
gerenciados por mais de 2.400 jovens brasileiros. São cerca de 35 cidades diferen-
tes nos Estados do Ceará, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo.
Este marco coloca o Brasil em destaque, sendo o país que, dentro da iniciativa
global, proporciona a maior multiplicação de projetos e inspira o movimento em
todo o mundo. A diretora do Programa no Brasil, Olivia Martin, explica o moti-
vo: “É uma junção de vários fatores, como metodologia adequada ao perfil
e aos interesses dos jovens brasileiros, uma rede de parceiros que hoje
integra mais de 25 organizações que atuam diretamente com jovens nas
suas localidades, e por último, acredito que o GMM vem somar esforços
com um movimento de juventude já articulado e atuante na linha de
participação e protagonismo juvenis em escala nacional. Tudo isso
é complementado pela força, o entusiasmo e a paixão,
próprios da juventude brasileira”.
O GMM apóia, metodológica e financeiramente, todos os projetos.
O Programa capacita educadoras/es das organizações parceiras e
prepara e orienta as/os jovens na elaboração de seus projetos.
É o caso da educadora da União Brasileiro-Israelita do
Bem-Estar Social (Unibes), Anita Pereira do Amaral.
Ela foi indicada pela própria organização. Anita
acredita na metodologia do Programa, que dispo-
nibiliza material com o passo a passo para a
construção dos projetos. “O GMM é ousado,
mexe com a questão do sonho e desperta
no jovem o olhar solidário”, explica.
Um dos projetos orientados pela
educadora é o Mãos que Falam.
O objetivo de Fernanda da Silva
Andrades, Bruno Cordeiro de Lima
e Thaís Bezerra da Silva é capacitar
jovens e adultos em Língua Brasilei-
ra de Sinais (LIBRAS). As aulas
terão início em 2009 e acontecerão
na Escola da Família, no Itaim
Paulista, bairro da zona leste de
São Paulo (SP). “A idéia principal
do Mãos que Falam, mais do que
ensinar LIBRAS, é conscientizar
as pessoas para acabar com
a exclusão”, conta Fernanda.

12 Revista
RevistaViRAÇÃO
ViRAÇÃO· ·Ano
Ano66· ·nnº º47
47
SEMANA GLOBAL
DO EMPREENDEDORISMO
JUNTE-SE!

O GMM vai realizar na Se-


mana Global do Empre-
endedorismo uma série de
atividades que farão parte
do Movimento Global
pelo Empreendedoris-
mo – Bota pra fazer.
Confira algumas:
Sonho, ousadia, paixão e entusiasmo: ingredientes básicos • Ceará – Serão
para a transformação social realizados, em
parceria com a
Anita faz um balanço da experiên- prontos. O
Secretaria de Edu-
cia: “É muito rica. É importante esses objetivo é
jovens trazerem a vitalidade deles. tentar garantir cação do Ceará,
Eles aprendem conosco, mas nós o sucesso de cerca de 30 pai-
também aprendemos muito com esse todos os proje- néis, desta vez para
jovem que se insere na sociedade, não tos colocados em a apresentação de
como “aborrecente”, mas como o jovem prática. mais de 200 projetos.
para quem o mundo é o limite!” Foi o caso do • Santa Catarina – Cer-
Projeto Novo Mundo RH. ca de 200 jovens do GMM
PAINEL GMM A idéia de Maicon Pereira e Giuliane de participarão da Feira de Pro-
Araújo era criar uma agência de empre-
jetos do Consórcio Nacional
Nos dias 21, 29 e 30 de agosto, gos que fizesse a ponte entre a deman-
a Ashoka realizou, em São Paulo, da de trabalho local e os moradores de da Juventude em parceria
o 2o Ciclo de Painéis de Apresentação seu bairro, Novo Mundo, localizado com o Instituto Comunitário
de Projetos do GMM. Foram quase entre os municípios de Votorantim e Grande Florianópolis e assis-
50 projetos liderados por cerca de Sorocaba, interior paulista. “Se todos já tirão ao show do MV Bill no
300 jovens vinculados a 10 organiza- desistiram do nosso bairro, nós não. dia da Consciência Negra.
ções sociais. Queremos mudar. E através do projeto • São Paulo – Cerca de 100
Uma banca composta por profis- Novo Mundo RH, o GMM pode nos dar jovens do GMM apresenta-
sionais dos três setores (empresas, a oportunidade de levar esperança para rão suas idéias na festa de
governo e setor social) tiveram a a nossa comunidade”, explica Maicon.
aniversário do Projeto
missão de, junto com a equipe do A banca e o GMM concluíram
GMM, decidir se os projetos estavam que a intenção da dupla era muito Aprendiz Comgás.
prontos para serem implementados ou nobre, mas não o seu papel. Maicon e A Semana Global do Em-
não. “Eu fiquei muito inspirada de ver Giuliane receberam de maneira positi- preendedorismo acontecerá
pessoas tão jovens passarem pela va a consideração da banca e do GMM entre os dias 17 e 23 de no-
experiência de pensar num plano, fazer e foram convidados a voltar em no- vembro em todo o Brasil e
um orçamento, uma pesquisa, se expor vembro para apresentar um novo, em mais de 60 países no
aqui diante de uma banca examinadora. ou o mesmo projeto reformulado. mundo inteiro.
Acho que toda essa experiência é muito Isso só mostra a responsabilidade
profunda e contribui para a certeza de que essas/es meninas e
que eles são capazes!”, conta Carolina meninos assumem pra si
de Andrade, coordenadora de parcerias diante da paralisia do Estado.
da Artemísia – Modelos de Negócios
Sociais, e umas das componentes da
O Geração MudaMundo vem
exatamente para isso: dar
TÁ na MÃO
banca no segundo dia do Painel. asas a estes sonhos, para
Em muitos casos, mesmo aprovan- que eles possam voar cada • Geração MudaMundo
do a implementação do projeto imedia- vez mais alto. www.gmm.org.br
tamente, a banca sugeriu alguns ajustes No Brasil e em outros • Semana Global do
a serem feitos antes. Essa é justamente países, o GMM conta com Empreendedorismo
a idéia do Programa. O GMM não apoio de parcerias globais www.semanaglobal.org.br
exclui as idéias das/os jovens. Apenas com empresas como a
• Campanha “Bota pra fazer!”
orienta-as/os para que, se não neste Staples/Officenet e organi-
www.botaprafazer.org.br
momento, os projetos possam ser
implementados quando estiverem .
zações internacionais
como a Artemisia.

nnºº 47
47 ·· Ano
Ano66··Revista
RevistaViRAÇÃO
ViRAÇÃO 13
13
O problema
é nosso
O
s corações batiam acelera de falar e de serem ouvidos.
Confira como a Justiça dos e com medo. Objetivos Algumas horas depois chegaram
Restaurativa coloca vítima e motivações divergentes
os fizeram perder a cabeça e, como
a um acordo, em que todos se
sentiam contemplados. Acima disso,
e ofensor cara a cara resultado, a briga aconteceu. Depois sentiam-se responsáveis por suas
de insultos mútuos, um deles partiu atitudes e convictos em não
com o conflito para a agressão física. O outro caiu repetir tal feito.
inconsciente. Na pequena comuni- Os conflitos são inerentes à vida
dade, amigos e vizinhos comenta- em sociedade e podem ser vistos
ALEXANDRE SACONI e vam o ocorrido, ora tomando parte como instrumentos de amadureci-
JULIANA ROCHA BARROSO
BARROSO,, de um, ora de outro. Esperavam, mento humano. Durante séculos,
do Portal Setor 3 ansiosos, o desfecho da história. em várias partes do planeta, os
(www.setor3.com.br) Foi proposta uma assembléia conflitos entre membros de uma
ilustrações: CRIS JACOMINO pública. Todos tinham o direito comunidade eram solucionados

14 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


de forma coletiva. Práticas ances- O termo Justiça Restaurativa dor é o da participação facultativa
trais dos Maori, povo nativo da Nova (JR) foi usado pela primeira vez em e voluntária.
Zelândia, são um exemplo disso e 1977 no artigo Beyond Restitution: Uma meta pesquisa realizada
inspiraram naquele país a criação Creative Restitution, do psicólogo no início de 2007, a pedido do
de um sistema de justiça diferente. americano Albert Eglash, em que governo britânico, revelou que,
Entre estas práticas restaurativas, ele defende que há três respostas em média, o nível de satisfação
destacam-se três aspectos funda- ao crime: a retributiva, baseada na das pessoas que passaram pelo
mentais: a participação dos envolvi- punição; a distributiva, focada na sistema de justiça tradicional está
dos, o foco das discussões no fato reeducação; e a restaurativa, funda- entre 8 e 12%, enquanto o dos que
e não nas pessoas, e a reparação mentada na reparação. A JR devolve passaram por programas de JR está
do dano nos seus aspectos simbó- às partes o conflito que lhes perten- entre 80 e 90%. Restorative justice:
licos ou psicológicos. ce e que, no sistema retributivo, foi the evidence foi desenvolvida pelo
Nos anos 1970, estas práticas delegada ao Estado, representado Centro de Criminologia Jerry Lee
ganharam força, como nos Estados por seus órgãos de controle social. da Universidade da Pensilvânia e
Unidos, com a mediação entre Através da Resolução 2002/12, reuniu uma série de pesquisas em
infrator e vítima, chamados, res- o Conselho Econômico e Social da âmbito internacional, fazendo uma
pectivamente, de “autor do ato” Organização das Nações Unidas avaliação comparativa.
e “receptor do ato”, para evitar (ONU) recomendou aos seus países
estigmas. Deste encontro, facilitado membros a incorporação das E EM OUTROS LOCAIS...
por pessoas capacitadas em técni- práticas restaurativas aos seus
cas de condução, também partici- sistemas criminais. A resolução Na Nova Zelândia, a JR foi
pam pessoas que foram indireta- contém um grupo de princípios introduzida na legislação infanto-
mente atingidas pela ofensa e que básicos e quarto elementos funda- juvenil em 1989, primeira experiên-
possam contribuir para sua resolu- mentais: uma vítima identificada, cia internacional de institucionaliza-
ção, chamados de comunidade. sua participação voluntária, um ção das práticas restaurativas num
Através de diálogo, busca-se a ofensor que aceite a responsabilida- sistema oficial de Justiça. Lá, o
efetiva responsabilização, o enfren- de por seu comportamento crimino- tribunal é considerado a última
tamento das conseqüências de so e sua participação não-coagida. opção para quem comete um crime.
escolhas e ações, a investigação Outro princípio importante do No Canadá, o modelo também é
de suas causas e a reparação das procedimento restaurativo para os inspirado nas culturas indígenas e
seqüelas. envolvidos e também para o facilita- na África do Sul, a JR foi considera-

nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 15


da como um dos fatores principais as partes do conflito para encontra- com jovens que estão cumprindo
para o êxito do processo de transi- rem uma solução. Nos Fóruns, se medidas sócio-educativas. Com isso,
ção democrática pós apartheid. um jovem entrou em conflito com a busca-se dar dimensão ao ato e
Em 1998, a Argentina a aplicou no lei, de acordo com a gravidade, ele ajudar a todos os envolvidos perce-
Centro de Assistência às Vítimas de também é encaminhado para um berem as dimensões do que aconte-
Delitos e no Centro de Mediação e
Conciliação Penal. Já a Colômbia a
inscreveu em sua Constituição e
círculo antes do seu caso ir julgado.
Já em Porto Alegre, o círculo
restaurativo é realizado
processo educativo do jovem..
ceu, além de contribuir com o

legislação. Na capital, Bogotá,


atribui-se a ela a redução de
30% na taxa de homicídios.
No Brasil, desde 2002, as expe-
riências se multiplicam. Em algumas
ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE...
cidades brasileiras, os projetos de
JR têm como foco o público juvenil, • Prática restaurativa – atitude de restaurar relações de for-
como, por exemplo, em Porto Alegre ma colaborativa, responsável e voluntária, e que trate o confli-
(RS), e nas cidades paulistas de to como oportunidade de transformação dos envolvidos.
São Paulo e Guarulhos. A Secretaria
Estadual de Educação do São Paulo,
em parceria com o Poder Judiciário
• Justiça Restaurativa – procedimento de consenso, em que
do Estado, promove o “Projeto receptor (vítima) e autor (ofensor) do ato, e, quando apropria-
Justiça e Educação”. Sua estrutura do, familiares e/ou membros da comunidade afetados por ele,
é a seguinte: caso um jovem esteja participam coletiva e ativamente na construção da solução deste
envolvido em algum conflito, em sua conflito. Relativamente informal, tem lugar preferencialmente
comunidade ou dentro da escola, e em espaços comunitários, uso de técnicas e participação de
deseje voluntariamente resolvê-lo,
um ou mais mediadores ou facilitadores.
pode solicitar um círculo restaurati-
vo. Os profissionais da escola que
estão aptos a acompanhar este • Sistema restaurativo – fala-se em sistema quando existe
procedimento unem todas uma organização que funciona segundo determinados valores
e que está estabelecida como um paradigma vigen-
te. A JR ainda não foi institucionalizada no Brasil, por-
tanto o que existe são modelos restaurativos, e não
um sistema restaurativo de justiça.

TÁ na MÃO
• Leia mais sobre Justiça Restaurativa
na série especial publicada no Portal
Setor3 (www.setor3.com.br), parceiro da Vira

16 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


Direito
DE OLHO
NO

à cidade
ECA
PALOMA KLISYS* sa
Sou
Ivo

D
esde o I Fórum Social Mundi- Nas discussões travadas
al realizado em Porto Alegre, entre membros de movimentos
uma rede composta por culturais e sociais sobre as relações
organizações não governamentais, entre o espaço urbano e a constru-
movimentos sociais e culturais vem ção da subjetividade, destaca-se Saiba sobre seus
trabalhando na elaboração de uma como desafio: a formulação de es-
carta que pretende servir de instru- tratégias de ocupação dos espaços direitos e deveres,
mento para contribuir “no processo públicos e de afirmação da cidada-
de reconhecimento no sistema nia tendo como objetivos específicos garantidos pelo
internacional dos direitos humanos o desenvolvimento da reflexão
do direito à cidade. O direito à crítica partindo da relação homem/
Estatuto da
cidade se define como o usufruto mundo; possibilitando a superação Criança e do
eqüitativo das cidades dentro dos das posturas passivas pela proposta
princípios da sustentabilidade e da de participação crescente, respon- Adolescente
justiça social”, afirma o documento sável e livre; construindo condições
disponível na internet. para que se construa um processo
O acesso a espaços públicos onde
seja possível realizar atividades de de equilíbrio da pessoa na socie-
lazer, cultura e conviver com outras dade atual, pela ação trans-
pessoas, é um direito que deve ser formadora no seu contexto.
reconhecido e respeitado, mas para Os espaços públicos das
que isso aconteça de fato, ainda é nossas grandes e caóticas
necessária uma boa dose de persis- cidades precisam ser revitali-
tência e organização. O Art 59 do zados como parte de estraté-
Estatuto da Criança e do Adoles- gias que percebam os espaços
cente determina que: “os municí- públicos como lugares que
pios, com apoio dos estados e da favorecem experiências de
União, estimularão e facilitarão a relação com o mundo,
destinação de recursos e espaços com a diversidade e a multipli-
para programações culturais,
esportivas e de lazer voltadas
para a infância e a juventude”.
cidade, não como apenas
lugares de trânsito. .
No caso específico do direito *Paloma Klisys é
à cidade, a carta do Fórum escritora, autora de
Nacional de Reforma Urbana Drogas: Qual é o barato
e o ECA podem ser utilizados e Do avesso ao direito
como material de embasa- Lentini
paloklis@hotmail.com
mento para ações que
possam culminar em transforma-
ções reais na gestão do espaço
público. Os espaços urbanos devem
TÁ na MÃO
ser utilizados como espaços privile-
giados de convivência. Devem ser • Carta Mundial pelo Direito à Cidade
pensados para favorecer a interação http://www.forumreformaurbana.org.br/_reforma/
social. A cultura e o lazer são direitos pagina.php?id=749
que têm conexão direta com a
• Não-lugares, Marc Auge
ocupação criativa dos espaços
públicos, inclusive com
http://www.ufrgs.br/ppgas/ha/pdf/n2/HA-v1n2a26.pdf
manifestações artísticas.

nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 17


CRIMES SEXUAIS:
esse assunto é
da nossa conta, sim!
Veja a primeira reportagem da série
vencedora da 4a edição do Concurso Tim Lopes
de Investigação Jornalística, sobre como
a galera está enfrentando a exploração sexual
de crianças e adolescentes

O
s jovens são muitos no Brasil. Segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-
tística (IBGE), até 2010, nosso país terá
42,9 milhões de jovens, 32,7 milhões deles entre
12 e 18 anos. E é justamente nessa idade que
muitos estão mais vulneráveis aos crimes sexuais.
Dados do Disk Denúncia da Secretaria Nacional
dos Direitos Humanos mostram que, em 2007,
5.992 crianças e adolescentes foram vítimas de
abuso, exploração sexual e/ou tráfico de seres
humanos para fins sexuais. Isso significa que,
todos os dias, pelos menos 14 meninas ou meni-
texto: ALINNE ABRAÃO, nos sofreram algum crime sexual no nosso país. É muita gente! Isso sem contar
AVELINA CASTRO e que muitos casos nem chegam a ser denunciados e que, a cada dia, aparecem
JAQUELINE ALMEIDA, mais situações – até abril deste ano, foram 2.158 denúncias, 17 por dia.
do Virajovem Belém (PA) O problema está aí para quem quiser ver! E ele atinge em cheio os mais
e KAREN KRSNA, novos, sem emprego, sem escola, com a família desestruturada e
do Virajovem Salvador (BA) com a sexualidade nascendo de modo distorcido.
fotos: SHIRLEY PENAFORTE Entre os meses de agosto e setembro, jornalistas e virajovens
percorreram as cinco regiões do Brasil para mostrar que meninas e meninos
de todas as partes estão enfrentando os crimes sexuais com amizade e alegria.
Sim, é possível pegar leve mesmo com um tema tão triste, e com muito compro-
misso e seriedade. Ué! Tá pensando que jovem também não fala sério?
Percorremos algumas capitais brasileiras e descolamos histórias iradas
que vamos contar nesta e nas próximas edições da Vira Vira.

SILÊNCIOS SENTIDOS

Sábado. Fazenda Couto. Bairro da periferia de Salvador (BA). Mais de


100 crianças e adolescentes reunidas/os. No pátio de uma escola pública,
uma menina dá o recado: “Nunca aceite violência em sua vida. Violência não
combina com a essência feminina. E não esqueça: seja tudo o que quiser ser”.

18 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


É assim que o Centro de Refe-
rência Integral de Adolescentes
(Cria), de Salvador, está tratando
os direitos e enfrentando a violência
sexual. A ONG produz material para
rádio e apresenta sete peças teatrais
de grupos diferentes, todas elas com
adolescentes a partir de 14 anos.
Silêncios sentidos, do grupo
Abebé Omi, e Diálogos, do grupo
Pais e Filhos, tratam do assunto.
A primeira explora os limites entre
prazer e dor, esclarecendo diferenças
entre exploração sexual comercial e
abuso sexual. Diálogos, traduzido
pelo grupo como “a força da mulher
e a verdade das crianças”, fala da
importância da conversa sobre
gênero, sexualidade, HIV/DSTs,
atenção e carinho. “Diálogo com
seu filho porque ele precisa ser
ouvido. Diálogo com sua mãe
porque ela tem muito o que ensinar.
Diálogo com seu vizinho, com seu
pai, com seu irmão e, principalmen-
te, com você”, diz o texto da peça.

POUCA GENTE NA ÁREA

Para enfrentar a violência


sexual, as/os jovens no Brasil
precisam brigar muito. Brigam
por mais recursos para os projetos,
para serem respeitados nas institui-
ções em que estão inseridas/os e,
muitas vezes, com seus próprios
preconceitos e limitações.
Uma grita geral é a escassez
de projetos focados no chamado
protagonismo. É comum também
o dinheiro do financiador acabar
antes dos primeiros resultados.
“A gente ainda encontra poucas
organizações trabalhando com esse
tema, apesar de ele ser bem mais
antigo do que várias outras viola- Arte para enfrentar a violência sexual
ções de direitos. Ele mexe com a
sexualidade do ser humano e isso tamento à Violência Sexual partir do ano que vem. “A situação
ainda é tabu”, conta Valéria Brahim, Contra Crianças e Adolescentes. aqui está difícil. Talvez volte pra
gerente de programas sociais da Paulina Miranda, representante, minha cidade.” O preconceito é
Associação Brasileira Terra no Tocantins, do mesmo Comitê, outra barreira. Muitas/os jovens
dos Homens (ABTH). vive um dilema parecido. Com 17 demonstram conhecimento sobre
A escassez de recurso explica anos, ficou em situação vulnerável direitos sexuais, mas tratam meni-
por que a causa perde tantas/os quando saiu da casa dos pais, mas nas e meninos exploradas/os sexual-
jovens engajadas/os. “Várias insti- virou voluntária de uma ONG ao ser mente como se isso fosse um defeito
tuições querem que os jovens sejam convidada por uma educadora. “Me ou uma escolha pessoal. Para espe-
voluntários, mas muitos precisam identifiquei na hora. É muito bom cialistas, isso é natural, porque os
estudar e trabalhar para ajudar em ajudar meninas que passam pelo jovens fazem parte da sociedade,
casa. Nessa hora, a necessidade fala que eu passei”, diz ela, que é refe- que ainda discrimina. “Se eu tenho
mais alto”, diz o educador Cleyton rência entre as/os jovens, mas parou preconceito, como eu vou falar para
Lobato, representante, no Pará, de estudar e não sabe muito bem o os outros sobre essa situação?”,
do Comitê Nacional de Enfren- que vai fazer para ganhar a vida a questiona Valéria Brahim.

nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 19


O protagonismo dá à/ao jovem a oportunidade de falar o que pensa e precisa

LUGAR NO ORÇAMENTO (Cedeca-Ceará), outro gargalo está são as políticas voltadas


no orçamento público, ainda longe justamente para eles.”
Se algumas ONGs ainda de ser o ideal. “Embora o Estatuto A partir daí, o Cedeca-Ceará
colocam protagonismo juvenil e da Criança e do Adolescente fale passou a executar um projeto que
violência sexual entre suas rubricas sobre a destinação privilegiada de une orçamento público e promoção
mais por obrigação do que por recursos públicos para a infância e do direito à participação com adoles-
crédito, os governos, em todos os juventude, ainda se vêem gastos centes da periferia de Fortaleza,
níveis administrativos, não fazem maiores com o pagamento de juros, onde a violação de direitos é mais
muito diferente. Para o advogado amortização da dívida e publicidade, percebida. Vale lembrar que a capital
Carlos Nicodemos, coordenador entre outros”, diz ele, lembrando que do Ceará é uma das mais marcadas
da Organização de Direitos Humanos o enfrentamento à violência sexual pela exploração comercial sexual
Projeto Legal, do Rio de Janeiro, recebe menos recursos ainda. de crianças e adolescentes.
ainda se brinca muito de incentivar Desde 1999, o Cedeca-Ceará O resultado do esforço foram 12
os jovens a serem protagonistas. monitora o Orçamento Público, emendas aprovadas em 2003 e 2004,
“Há iniciativas isoladas, mas não mais particularmente, o Orçamento todas elaboradas pelas/os adolescen-
um protagonismo como política de Criança. No auge do trabalho, tes. “Outro aspecto importante foi o
Estado. O nosso exemplo, aqui no lembra Clézio, percebeu-se a ausên- reconhecimento por parte da socie-
Rio, quando tivemos que explicar cia de crianças e adolescentes nos dade e do poder público local de que
e defender a participação de um espaços de decisão. “Aí surgiu o existe um grupo de adolescentes
adolescente no conselho municipal, questionamento. Por que esses atuando na discussão do orçamento
mostra claramente isso”, conta ele segmentos ainda não haviam público, inclusive pensando em
sobre a briga para que Luiz Fernan- conquistado o direito de serem metodologias de participação para
do Jordão representasse a ONG no ouvidos? Não se pode falar em esse segmento”, diz Clézio, lembran-
Conselho Municipal. democracia excluindo um grupo do que, no ano passado, o projeto
Para Clézio Freitas, do Centro de tão significativo da nossa popula- recebeu o Prêmio de Tecnologia
Defesa da Criança e do Adolescente ção, ainda mais quando o assunto Social da Fundação Banco do Brasil.

20 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


EM SÃO PAULO,
FALA SÉRIO

A adolescente Carol
nasceu com o vírus HIV.
Jovem, descobriu o precon-
ceito quando uma prima se
negou a dividir um sanduí-
che. Viver ficou pior com
a chegada do primeiro
namorado e o medo de ser
maltratada de novo. O jeito
foi desabafar com Guto,
um amigo.
Carol e Guto são bone-
cos de pano da peça de
teatro Fala Sério, expressão
usada pelas/os adolescen-
tes do projeto Tecer o
Futuro, do Centro Social
Nossa Senhora do Bom
Parto (Bompar), em São
Paulo, para falar de sexo,
sexualidade, gênero, DSTs Teatro de fantoches para acabar com o preconceito
e violência sexual na cidade.
O grupo reúne 10 jovens, a metade Uma das críticas vai para o NO PARÁ, UM
portadores do vírus HIV. serviço público de saúde, que ATELIÊ DE VIDA
Na platéia, o tema, doloroso e ignora que o jovem começa sua
difícil, vira um bate-papo em que vida sexual cada vez mais cedo e, O projeto Ateliê da Vida nasceu
a vergonha não tem lugar e impera não raro, de modo enviesado. quando mulheres do Grupo de
a liberdade para falar tudo o que “Oficialmente, é como se não Mulheres Prostitutas (Gempac)
passa pela cabeça. existissem meninas de 11, 12 anos decidiram falar sobre gênero,
A peça foi escrita pelas/os que já transam e engravidam”, preconceito e crimes sexuais
próprias/os adolescentes e muda diz outra adolescente do grupo. com suas filhas e seus filhos. Hoje,
sempre. “Não falávamos de méto- Depois apresentações o projeto atende também crianças
dos contraceptivos, mas como esse a mais de 8 mil crianças, adoles- e adolescentes em situação de
tema gera dúvidas, incluímos no centes e jovens, fica a impressão vulnerabilidade e vítimas de crimes
bate-papo”, diz Rafael Biazão, de 17 de que sobra desinformação sexuais. E apesar dessa carga, as/os
anos, educador e um dos atores. e faltam ações. adolescentes se expressam com
arte e alegria. “Eu tinha preconcei-
to, mas agora sei que eles querem
mudar essa situação, disse Caurê
Cruz Cuité, de 18 anos, monitora
de teatro. No total, 80 jovens entre
14 e 18 anos participam do projeto.
“Aqui me sinto muito feliz”,
afirma outra jovem.
As/os adolescentes discutem
cidadania, sexualidade e temas do
cotidiano. No final, elas/es mesmas/
os escolhem o tipo de expressão em
que vão se envolver, fazem seus
instrumentos musicais e escrevem
peças e músicas para os espetácu-
los. “O ateliê mudou minha vida.
Antes eu era irritada e só queria
estar na rua”, diz outra jovem,
autora de uma das peças teatrais.

Adolescente valorizado
é adolescente mais feliz

nnºº 47
47 ·· Ano
Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 21
NO PARANÁ,
UM CHAMADO À LUTA

O Navegando nos Direitos


chegou em Paranaguá, no Paraná,
num momento em que a cidade
vinha sofrendo uma grande alta de
casos de exploração sexual infanto-
juvenil e aparecia na Pesquisa Sobre
Tráfico de Mulheres, Crianças e
Adolescentes para Fins de Explora-
ção Sexual (PESTRAF) como uma das
rotas internas para tráfico de adoles-
centes e mulheres para fins sexuais.
Realizado pela Central
de Notícias dos Direitos da
Infância e da Adolescência
(Ciranda), há dois anos,
o Navegando tem foco Projetos em todo o País lutam pelas causas de meni-
na conscientização para nas e meninos vítimas de exploração sexual
o enfrentamento ao
abuso e à exploração Assim, NA BAHIA, UM ESPELHO
de meninas e meninos. temas como NA COMUNIDADE
São as/os jovens sexualidade,
que planejam e execu- violência, O Grupo de Apoio à Prevenção
tam fóruns de discussão participação à AIDS (GAPA) da Bahia é exemplo
e atividades nas escolas, política, direitos de que as/os adolescentes são
mobilizando outras/os e deveres entram responsáveis pelas estratégias de
parananguaras a participarem na roda de conversa prevenção e combate à discrimina-
e enfrentarem a violência sexual. das/os adolescentes e ção a pessoas com HIV/aids. Mirando
“O impacto do projeto em minha jovens, que produzem vídeos, contra o preconceito, eles acertam na
vida foi muito forte. Tenho o dever jornais-murais, ensaios fotográficos, exploração sexual.
de ajudar e informar as pessoas entrevistas e músicas. “Com o Para Ney Nascimento, educador
sobre a exploração projeto, aprendi que ser cidadão não do GAPA, são comuns situações
sexual infanto-juvenil”, é apenas limpar a calçada de casa”, como a do município de Madre de
diz Kelvin Rodrigues. completa Anderson Santos. Deus, próximo a Salvador. “Chega-
mos com o caminhão para apresen-
tar a peça A gente já disse tudo e
soubemos de meninas que deixam
a escola para serem exploradas,
às vezes, com conhecimento
dos pais”, explica.
Como as/os jovens do GAPA-Bahia
chegam a pelo menos 16 municípios
com teatro, grupos de hip-hop, rádio
e outros instrumentos de mobiliza-
ção, não é difícil se deparar com
exploração sexual em vários deles,
como Camaçari, Jequié e Ilhéus.
Para enfrentar o problema,
o GAPA aglomera jovens multipli-
cadores por onde passa. “Assisti à
oficinas de prevenção, sexualidade
e homofobia no meu bairro e agora
sou educador”, afirma Jeferson
Cardoso, de 20 anos, desde os 14
no GAPA. “Há muito tabu, mas os
jovens se sentem mais a vontade
conversando com alguém da mesma
idade. Me sinto um espelho no meu
bairro”, completa o rapaz, do bairro
Jardim Cruzeiro, em Salvador.

22 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


EXPLORAÇÃO SEXUAL
E você, o que acha disso?
“U ma vez uma colega que era explorada me falou: ‘Você não pode me sustentar com suas informa-
ções. Não pode levar comida pra dentro de minha casa. Eu perguntei a ela se não tinha outro caminho,
e ela disse: ‘Tem sim, mas esse caminho não chega até a mim porque eu não cheguei nem até a quinta série’.
Antes de se envolver, tem que ver a estrutura da família e qual motivo que levou à exploração. Sabendo disso,
a gente não vai chegar dizendo que é proibido, mas vai chegar lá, dar uma camisinha, ouvir um pouco mais.
A causa é a falta de emprego, de estrutura familiar e, em terceiro lugar, muita falta de
informação. Na nossa comunidade a gente é muito rico no arrocha, no pagode,
mas na hora de ter informação, a gente não é tanto. Isso chega a entris-
tecer. Eu vejo muita menina de 12, 13 anos grávida. Elas se envol-
vem com coroas de lá mesmo, e tem casos que a própria mãe
sabe, mas o cara dá dinheiro pra pôr comida dentro de casa.

Luana, de 16 anos, é moradora da


Comunidade Nova Brasília e integrante do
projeto de Rádio do Cria, em Salvador (BA)

“A imprensa não aborda com regularidade


o tema da exploração e do abuso sexual, mas

“O s jovens têm dificuldade de falar


de sexo pela educação que vem dos
penso que pior do que não abordar, é abordar de
uma forma que expõe as crianças e os adolescentes,
pais e da sociedade. Muitos pais ficam que ridiculariza, revitimiza e humilha. Aqui em Recife, por exemplo,
apreensivos e acreditam que, ao conversar temos programas muito ruins e as rádios tocam músicas que
com os filhos, podem estimulá-los para o parecem uma preliminar (do sexo).”
sexo. Se tivéssemos educação sexual nas
escolas, por exemplo, não teríamos adoles- Maria Camila, mobilizadora do Virajovem
centes engravidando e pegando DST.” de Recife (PE) e voluntária no Coletivo
de Jovens Feministas do Recife e do
Rafael, de 16 anos, participa do Centro de Jovens da organização
Projeto Quixote Jovem, de São Paulo, Bem-Estar Familiar (Bemfam)
há dois anos. Hoje está no programa
educação para o trabalho, na turma
da Agencia Quixote Spray Arte

“A gente quer ir à luta, mas para


isso tem que ter financiamento.

“E u saí do Pará quando o pastor da minha


igreja me convidou para trabalhar em uma
Uma entidade não se sustenta só
com amor .”
faculdade em São Paulo. Ao chegar fiquei preso na
casa dele, não podia falar com ninguém e nem sair de casa. Fugi. Bárbara, de 19 anos, é voluntária
O pastor pegou minhas coisas e jogou fora. Morei uma semana da Bemfam, em Recife (PE)
na rua, pensei em me prostituir, mas não tive
coragem. Aí conheci um rapaz que me
tirou da rua e me arrumou um emprego. Contribuíram também com esta
Agora estou trabalhando, mas até hoje reportagem as virajovens
minha família não sabe de nada.” Maria Camila Florencio, de Recife (PE);
Anderson Santos e Kelvin Rodriguês,
Jovem paraense de 26 anos. de Curitiba (PR); Renata Souza e
Foi vítima de tráfico de seres huma- Gisele Martins, do Rio de Janeiro (RJ);
nos e hoje vive em São Paulo (SP) Rafael Biazão, de São Paulo (SP);
e Ionara Silva, de Brasília (DF).

Promovido pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância, o Concurso Tim Lopes
de Investigação Jornalística é uma iniciativa em homenagem ao jornalista brasileiro Tim Lopes, assassinado
enquanto fazia uma reportagem sobre exploração sexual de crianças adolescentes no Rio de Janeiro.

nnºº 47
47 ·· Ano
Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 23
Mude de Programa da Viração entrevista

canal
o Rapper Slim Rimografia

GALERA ADRIANA MARTINS, ADRIANO SANCHES,


CAMILA FLORÊNCIO
FLORÊNCIO,, da Redação

REPÓRTER
fotos: ADRIANO SANCHES e SIMONE NASCIMENTO

O
Projeto/Revista Viração conquistou mais um espaço para a/o
jovem falar o que pensa. Além da revista impressa e do portal na
Internet, agora a Vira ganhou as telinhas da TV. Através de uma
parceria com a TV USP, um grupo de 12 adolescentes de escolas públi-
cas, particulares e de abrigos de São Paulo, com histórias de vida
muito diferentes, criaram o programa Quarto Mundo.
Para as/os adolescentes, o projeto começa com oficinas minis-
tradas pela equipe da TV USP e a Revista Viração
Viração. Eles aprendem
a história da televisão, os tipos e formatos de programas existen-
tes, todos os passos para a produção de um programa de TV,
além de operação de câmeras, regulagem de áudio, ajuste
de luz e outros aspectos técnicos e jornalísticos.
Em setembro, foi feita a primeira gravação, executada pelos
jovens, com apoio técnico da TV USP e do diretor de fotografia
André Moncaio. O tema foi Música e o entrevistado foi o
Rapper Slim Rimografia conhecido pelos manos do hip hop.
Slim iniciou sua carreira como grafiteiro, conhecendo outros
elementos da cultura hip hop como o break dance. Em 2000, encontrou
o rap, se identificou e passou a dedicar sua vida a pesquisar diferentes sons
Rapper Slim Rimografia e batidas para, a partir daí, começar a sua carreira como multiprodutor.
Seu primeiro CD, Slim Rimografia – Financeiramente Pobre, é uma produção
totalmente independente. O CD vendeu duas mil cópias. O álbum foi indi-
cado ao prêmio Hutuz, na categoria Artista Revelação, com destaque
no Freestyle (rima improvisada, feita na hora).
Confira um trecho da entrevista realizada com o Rapper!

O que você acha mais importante na cultura Hip Hop e


por que você participa do movimento?
Na verdade acho que grafite foi a primeira paixão
e a musica também. Comecei a andar de skate na época e ouvia umas bandas
de rap, mas não entendia qual era a ligação. A princípio, foi muito isso,
procurar entender. A paixão mesmo foi a linguagem, jovens, a coisa diferente,
a lenda urbana, cultura urbana, vi que tinha que me aprofundar
mais e hoje sou apaixonado pelo Hip Hop.

LINHA DO TEMPO
1996 – Slim iniciou no cenário 2000 – Encontra no Rap, a forma artística ideal
da cultura HIP HOP como grafiteiro e para sua expressão. Passou a pesquisar música brasileira,
marcando sua passagem também em buscando também conhecer todos os meios disponíveis para
outro dos elementos como break a sua produção em estúdio. Slim é responsável
dance. por todas as etapas da realização de suas músicas.

24 Revista ViRAÇÃO
ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47
Toda a equipe de produção

Você tem uma carreira


bem independente. Conta
pra gente como foi a
experiência de sair ven-
dendo de mão em mão
o seu primeiro CD.
É engraçado. Você começa
a fazer com entusiasmo, com
muita luta, e o CD acaba se
tornando meio que um filho.
Criar, fazer o produto, colocar
ele na embalagem, o primeiro
é muito especial. Na época eu
mesmo cortava as capinhas e
ia lá fazer as cópias das capas,
chegava em casa a noite e
montava e montava, colocava
na mochila no outro
dia e ia vender. Vendia
em ônibus, batia de
porta em porta. É um
processo cansativo,
Por que o nome Slim Rimografia? mas acho que foi um
Vem do grafite. Na época, processo muito legal
eu trabalhava na rua. Me chamavam porque você cria um
de slim por que eu era magrinho, contato com as pes-
mas eu sou magrinho até hoje. soas. É difícil porque
O Rimo é de rimar e grafia é escrita, as pessoas no começo
que vira rima escrita, são as não conhecem e aí não querem
letras das músicas. comprar. Um cara quer pagar sete,
pra mudar na minha vida mesmo outro quer pagar quinze, o outro
Suas músicas são muito ligadas e comecei a colocar nas minhas quer pagar três e outro quer de graça
a realidade em que a gente vive. músicas e tem muitas pessoas que pra ver se é bom e divulgar. Mas ser
Por que vocês optaram por fazer têm a mesma vontade de mudar e independente é uma coisa bacana.
uma arte engajada? acabou ficando uma coisa mais Eu não tinha compromisso de
Quando fazemos as letras engajada, mais política, mas acho agenda, ou tenho que fazer isso ou
acabamos falando de coisas muito que tem um lance também de fazer aquilo. O compromisso mesmo
próximas de nós, do que a gente diversão, de ironizar um pouco. é de colocar sua música, fazer ela
vive, pensa, muitas das coisas que ficar ali e mostrar para as pessoas.
eu estava lendo, das músicas que De onde veio a inspiração É cansativo, mas estou feliz por isso.
estava ouvindo na época e que me pra o título do CD Financei- Até hoje a gente ainda é um pouco
fez ser isso, não consigo fazer uma ramente pobre
pobre? ? disso, pega os equipamentos, monta
música de glamour se não vivo isso, Veio de uma música do no palco, termina o show desmonta
acaba sendo falso. Resolvi, por Thaíde que fala financeiramente tudo e leva embora.
opção mesmo, falar o que o coração pobre, pela situação mesmo. Mas acho que é legal e quero
tem vontade, aquilo que a mente Sem gravadora e também porque manter minha independência para
pensa e acaba saindo nessa linha o custo da produção do CD foi eu poder pensar minha música.
de tentar mudar alguma coisa. Eu baixo mesmo. Retratar a realidade O ruim é que tem lugares em que
sempre achei que tinha muita coisa que até hoje existe. ela acaba não chegando.

2003 – Lançou seu primeiro disco totalmente independente 2006 – Finaliza seu último trabalho, “
com 17 faixas, “Slim Rimografia – Financeiramente Pobre”, Introspectivo”, confirma seus
que vendeu 2.000 cópias de mão-em-mão. O álbum de estréia alicerces na música brasileira de
foi classificado como um dos 10 melhores de Hip Hop dos últimos três qualidade, e revela seu processo de
anos sendo indicado ao prêmio Hutuz 2004 na categoria evolução e amadurecimento como
Artista Revelação e destacando-se no freestyle e em batalhas disputadas artista. Este álbum conta com apoio
entre os principais MC’s do país.
nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 25
Filmando e discutindo

Slim, você é um multi-


artista, fez de tudo para
o seu primeiro álbum
ficar pronto e hoje você
trabalha com o Felipe
e o Thiago. Qual foi a
diferença entre fazer
um trabalho polivalente
e um trabalho em
grupo?
Eu demorei pra traba-
lhar em grupo. Acostumei
tanto a trabalhar sozinho.
Mas hoje em dia está
sendo legal, a vibe rola
e a coisa está acontecen-
do, fazer música acontece,
se a gente faz um show a
vibração é a mesma. Eu
encontrei parceiros e na
verdade a gente comparti-
lha sonhos enxergando
aquela parada lá na frente.

Por que é tão difícil entrar Você faz um trabalho junto Como você começou
no circuito comercial? com a Fundação Casa, antiga a andar de skate?
Boa pergunta! Eu estou há oito FEBEM. Como é trabalhar Comecei a andar com 12 anos
anos e não sei ainda, não descobri com os jovens de lá? e sempre foi muito importante pra
o segredo. Existem muitos padrões É difícil mesmo. Na primeira mim. Eu tive muita dificuldade
e às vezes é um cara que controla, vez que eu entrei na FEBEM, eu era com a minha família. Eles são do
existe muito investimento, não dá moleque e você sempre entra meio Nordeste e tinham a visão de que
pra comparar um cara que investe curioso, nossa, como será que é? skate é algo de vagabundo e era
dez mil com o que investe cem mil. É um lugar que é meio triste, as uma época em que ele não estava
Você tem que pagar para tocar nas vibrações que rolam ali... cheio de na mídia. O skate é um mecanismo
rádios, tem que pagar para o cara jovens talentosos que acabam se de transporte e também de aproxi-
ficar divulgando você na Internet, desviando disso e caindo lá. mar as pessoas, o cara que tem a
tem que pagar para fazer o clip, você Mas foi bem legal porque eles maior grana com o que é o pobrão,
tem que pagar tudo! Então o dinhei- não tinham contato com a minha com o cara que é louco e todo
ro é uma coisa que faz com que música. A gente trabalhou com eles mundo naquela mesma vibe, não
muitos artistas vivam às margens. a arte-educação e acabamos fazen- importa a cor, ele ensina a respeitar
Mas não sei também se é cem por do amigos, muitos amigos, e as pessoas. Hoje em dia eu não
cento maravilhoso. Eu sonho um dia descobrindo fatos das vidas das pratico diariamente. A primeira
poder estar numa estrutura melhor, pessoas, o cara vai te contando, música que eu escrevi foi quando
e continuar a fazer o que sempre fiz você procura entender e não julgar. fui andar de skate, então vai ter
e me divertir fazendo música, se Eu aprontei bastante coisa na sempre uma ligação muito forte
não, depois vai acabar virando um
trabalho normal, uma coisa chata.
Diverte as pessoas, é divertido pra
adolescência, mas não cheguei
perto do ponto de cair lá.
comigo.Com música, skate ou
graffiti, Slim ganha na humildade..
gente e enquanto for assim está bom.
TÁ na MÃO
• O programa Quarto Mundo vai
importante da loja ao ar toda segunda-feira, às 19h30,
Cash Beats Records, que apostou em sua qualidade no Canal Universitário (canal 11 da NET,
e repercussão no meio especializado e propiciou a 71 da TVA e 187 da TVA Digital). Acompa-
prensagem de um vinil com cinco faixas, e a execução nhe as experiências no blog:
através dos DJs em festas e eventos e em 2008 Slim www.quartomundotvusp.blogspot.com.
Rimografia “ Financeiramente Pobre e Introspectivo”
estarão a venda em todo o mundo pela (©urve) music™.
26 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47
Congo, felicidade e sorte
Muito Zimbo pra vocês!

SONS
SÁLUA OLIVEIRA
OLIVEIRA,,

TODOS OS SONS
da Redação

U
ma conversa boa, porém fora de jazzista ajudou muito os três, mas os novos
sintonia com o conhecimento da repórter músicos e cantores nacionais vêm contribuindo
e a imensa trajetória musical do grupo, com o repertório já consagrado. Eles já trabalha-
que não foi sanada com o briefing básico da tarde ram com a cantora Eliseth Cardoso, Elis Regina,
anterior a entrevista. O Zimbo Trio tem 44 anos de em programas como Fino da Bossa e
estrada, tocou na noite “Broadway”, que caracteri- Bossaudade.
zava São Paulo há 40 anos, visitou todos vários Por que então, você que está lendo a matéria,
países das Américas, 86 cidades na Alemanha, ou a repórter mal informada (vulgo eu) conhece-
França e Portugal várias vezes. mos pouco (ou não conhecemos) a música da
Valorizar e divulgar a música brasileira maioria da galera citada até agora?
através de novas interpretações é o foco, princi- Segundo Rubens e Itamar, por dois motivos:
palmente a música instrumental: “O que a gente O fim das casas noturnas que investem na
faz com a música brasileira, nós fazemos com a música, e nos músicos, ao vivo e a péssima
americana, mas não no palco. Porque essa não programação do maior veículo de comunicação
é a marca do Zimbo” esclarece Rubens Barsotti, do país, a televisão.
o bateirista e maior porta-voz no bate-papo. “O pior é o que entra em todas as casas.
Rubens foi quem formou o grupo, na verdade O cara chega na televisão e fala ‘Ah! Hoje vai
apresentou o único integrante que já não tocava ter tum ti ta tum ti ta..’ ou axé num sei o que lá.
com ele na noite, o pianista Amilton Godoy. Luiz Entendeu? É isso que entra na casa das pessoas,
Chaves, baixista, fechava o triângulo, e continua- o que você acha que as pessoas vão gostar?
ria completando até hoje se não tivesse morrido O jovem vai querer fazer o que todos
em fevereiro do ano passado, dando lugar ao fazem, se estão adorando ouvir
contra baixo de Itamar Collaço. bossa nova o jovem compra a
O trio estreou com a grande atriz Norma idéia. Qualquer ser humano
Bengell em 17 de março de 1964 na boate Oásis, gosta de música bem feita,
“Com vocês, Zimbo Trio!”. “Fizemos uma pesquisa eles não têm acesso, têm
na biblioteca municipal e encontramos uma acesso a outras coisas”.
palavra chamada Jimbo. E depois uma determi- Acessibilidade e respeito são as
nada pessoa nos falou que era a maneira caipira palavras de ordem. Respeito entre
de se falar Zimbo, significa além de antiga moeda eles (afinal, são quarenta e quatro anos
do Congo, felicidade e sorte”, disse Rubens. Várias juntos), promoção e ensino da boa
versões de músicas brasileiras foram consagra- música, através da escola que a
das com o Zimbo, a batida, a “pegada” que dá banda mantém, o Centro Livre de
espaço aos três músicos e valoriza detalhes
continua cativando muita gente. A formação
Aprendizagem Musical (CLAM),
que já formou vários talentos. .

nº 47 · Ano 64 · Revista ViRAÇÃO 27


FLORIANÓPOLIS TEM REPRESENTANTE NA SELEÇÃO BRASILEIRA de futebol feminino sub-17 CELINA SALES, do Virajovem Floripa (SC)*

F
oi no bairro Monte Cristo, região continental o assunto é futebol”, mas a jogadora da comunida-
de Florianópolis, que Tathiane Gonzaga, 17, de da Ilha da Magia não desanima. Seu próximo
cresceu jogando bola. A adolescente é a atual objetivo é ser contratada por um time do exterior,
lateral direita da seleção brasileira de futebol onde essa modalidade é mais valorizada. E se ela
feminino sub-17 e já encarou quatro jogos como for embora, com certeza vai deixar saudades.
titular. No dia 12 de setem-
bro, Tathiane embarca para EXEMPLO DE FAMÍLIA

Arquivo Pessoal
a Granja Comary e passará
por um período de prepara- A mãe de Tathiane,
ção juntamente com mais Ângela, jogou futebol,
21 meninas atletas. No dia inclusive, durante a gravidez
30 de outubro estará em- no mesmo time em que,
barcando para Nova Zelân- anos mais tarde, a filha viria
dia para defender as cores a fazer parte. Ela fundou a
da camisa verde e amarela, Associação Ângela Cardoso,
que ela ostenta com tanto que hoje possui um time de
orgulho, no Mundial sub-17 futebol, o FAC – Fundação
feminino 2008. Ângela Cardoso.
“Eu sempre acreditei Há alguns anos Ângela
que iria conseguir chegar criou e administrou, sozi-
à seleção, minha mãe é que nha, quatro times de fute-
não acreditava”, brincou bol, tanto masculino, quanto
Tathiane. A garota começou feminino. Visando melhorar
no futebol aos nove anos de e facilitar seu trabalho ela
idade influenciada pela parou com os times para
própria mãe, Ângela Maria poder estudar, se formar
Cardoso, também jogadora. e ter “conhecimento”
As duas jogaram pelo suficiente para melhorar
mesmo time, o Scorpions- e retomar os projetos que
Figueirense. Em 2007 a havia deixado de lado.
jogadora foi ao Rio de Janeiro competir na Liga Formou-se em pedagogia e a cerca de um ano
Nacional, ocasião em que foi convidada pelo organizou o 1o Campeonato Comunitário de
técnico do Saad Esporte Clube a entrar para o time. Capoeiras. O jogador da seleção de futsal Willian
Foram seis meses treinando em Araraquara, também começou jogando com Ângela.
São Paulo, até voltar para Florianópolis e entrar Para a dona de casa e mãe de duas jogadoras,
para o time do Avaí, time que está até hoje. a filha mais nova “ Thaise Gonzaga também joga
A última competição da qual Tathi participou futebol “ a falta de estrutura e o preconceito é o
foi os Joguinhos Abertos de Criciúma, competindo que mais dificulta o trabalho com o seu atual time
por Biguaçu. A equipe ficou em 4a lugar. o FAC. Segundo Ângela, as meninas estão sem
Mas a jovem não está sozinha na seleção e nem local fixo para os treinos, pois, esta não é a priori-
no futebol. Anelise Salváro Lorenzon, 16, goleira do dade ao uso da quadra do Conjunto habitacional
Avaí e amiga de Tathiane também já foi convocada onde mora. Quando chove não há como trabalhar
pela seleção, mas, infelizmente, não participará do com as meninas e não se tem apoio da comunida-
mundial por causa da idade. Anelise declara que os de porque a grande maioria não dá valor e não
jogos pela seleção brasileira serviram de experiên- acredita no futebol feito por mulheres. Várias vezes
cia para ela crescer e lutar pelo seu sonho. os moradores boicotaram Ângela e seu time.
Em casa, a coleção de troféus e medalhas, Mas ela não desiste e usa como exemplo tantas
nada pequena, é cuidada pela família com orgulho meninas do bairro que já estão no futebol profis-
e carinho, além da coleção de notícias sional mesmo com todos os problemas. “Imagina
e fotos de jornais em que saiu. se elas tivessem estrutura e apoio para de desen-
Contudo, uma reclamação é feita:
o preconceito que ainda existe contra o futebol
feminino. “Não se vê estádios lotados, a não ser
conclui Ângela. .
volverem no esporte aonde não chegariam?”

pelos próprios familiares e a divulgação das com- *Um dos Conselhos Jovens da Vira
petições é precária. Ninguém houve falar sobre os presentes em 21 Estados do País
campeonatos femininos que tem por aí, quando (sc@revistaviracao.org.br)

28 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 29
NO ESCURINHO ... SÉRGIO RIZZO

Pais e filhos
A

Fotos: Divulgação
s difíceis relações entre pais e
filhos já forneceram excelente
matéria-prima para obras notáveis
na literatura e também no cinema, mas
poucas vezes foi possível encontrar, em
páginas ou na tela, tanta poesia quanto
em “As Chaves de Casa” (2005), do italiano
Gianni Amelio (de “As Portas da Justiça”,
“América – O Sonho de Chegar” e “A Estrela
Imaginária”), baseado em romance de
Giuseppe Pontiggia.
Durante quase duas horas, um jovem pai
(Kim Rossi Stuart, de “Além das Nuvens” e
“Estamos Bem Mesmo sem Você”, outro filme
sobre relações familiares) e seu filho mais velho
(o menino Andrea Rossi, estreante no cinema)
ficam juntos o tempo todo. Ambos são italianos
de Roma, mas estão juntos (e bem deslocados)
em Berlim. Como nenhum deles fala alemão,
eles têm apenas um ao outro.
O que faz a dupla na Alemanha? O menino
nasceu com lesão cerebral e, embora seja adoles-
cente, se comporta como criança. Foi criado pela
avó e por um casal de tios; a mãe morreu no parto,
aos 19 anos, e o pai, desde então, nunca mais quis
vê-lo. Os médicos acreditam, no entanto, que o
processo de recuperação possa ser acelerado se
o pai biológico acompanhar o filho que abandonou
até o moderno hospital alemão que cuida de seu
caso. A viagem apresenta os dois, pai e filho.
Descrito dessa maneira, “As Chaves de Casa”
talvez se pareça com dramalhões norte-americanos
sobre doenças, realizados sobretudo para provocar
as lágrimas do público, como “Laços de Ternura”
(1983) e “Flores de Aço” (1989). É possível mesmo
que o espectador chore durante o filme, mas não
será porque Gianni Amelio o force a isso. Ao
contrário: a notável sobriedade do filme evita as
habituais armadilhas sentimentalistas e permite
que se experimente, com os personagens, o drama
profundo envolvido nessa relação entre pai e filho.
Há uma importante e simbólica participação
brasileira no filme: a trilha sonora destaca a canção
“Deus do Fogo e da Justiça”, de Geraldo Lima e

.
Osvaldo Almeida, interpretada por Virginia
Rodrigues.

30 Revista ViRAÇÃO · Ano 66 ·· nnºº 47


47
FERNANDA WINTER
WINTER,,
SEXO E SAÚDE de Lavras (MG)*

CADA VEZ MAIS CEDO


Portal Educacional realiza pesquisa sobre o comportamento sexual de estudantes

O
Portal Educacional (www.educacional.com.br) em parceria com o
Dr. Jairo Bouer realizou a pesquisa Este Jovem Brasileiro que abran-
geu 6.300 estudantes da 8a série do ensino fundamental ao 3o ano
do ensino médio de escolas particu-
lares de todo o país. O objetivo
é coletar dados referentes ao
comportamento sexual de jovens
e entender como vêem a questão
da sexualidade para fomentar
ações educativas nas escolas.
A pesquisa aponta, por exemplo,
que as meninas têm sua primeira
vez geralmente aos 15 anos, e os
meninos aos 14, e que há menor
rotatividade de parceiros entre as
meninas. Ela também revela que
apenas 38% desses jovens usam
algum método anticoncepcional,
além da camisinha.
Confira abaixo a entrevista
com Andréa Maia de Santana,

Natália Forcat
gerente da Central de Projetos
do Portal Educacional.

? Qual foi a motivação


para a pesquisa?
Traçar um perfil nacional do Essa é a terceira edição do projeto
comportamento sexual dos alunos feito em parceria com o Dr Jairo
das nossas escolas plugadas. Bouer. A cada edição um novo tema
A idéia não é julgar esses padrões é contemplado. Para 2009 iremos
de comportamentos, mas incentivar realizar uma pesquisa para traçar o
a discussão sobre aspectos relacio- perfil do jovem em relação ao àlcool.
nados à prevenção.

? O que a pesquisa entende ? Pode se dizer que, com essa


pesquisa, foi traçado o perfil
como sexualidade? do comportamento sexual do
A pesquisa relaciona questões jovem brasileiro/a?
que envolvem namoro, expectativas Cabe ressaltar que nossa meto-
criadas nos relacionamentos, nível dologia não é científica. Reunimos
de conhecimento em relação às as respostas de aproximadamente
DSTs, gravidez etc. Além de ques- 6.000 estudantes de escolas particu-
tões mais pontuais para quem já lares de diferentes Estados. Procura-
teve uma relação sexual completa. mos ter cuidado para não fazer
generalizações de comportamento.

? Porque a pesquisa foi


realizada com jovens
De acordo com o Dr. Jairo Bouer,
mediador dessa pesquisa, os resul-
de escolas particulares? tados da nossa pesquisa confirma
A pesquisa faz parte de um
conjunto de projetos colaborativos
que o portal educacional oferece
no país na área de saúde. .
outras que vem sendo realizadas

anualmente para suas escolas Fernanda Winter é integrante


plugadas. O público desse portal do Virajovem de Lavras (MG),
é composto por escolas particulares um dos 21 Estados do país
de diferentes cidades do país. (mg@revistaviracao.org.br)

nº 47 · Ano 6 · Revista ViRAÇÃO 31


VIRA
R ARTE

Direitos Humanos, Gravidez Precoce e Água


ilustram as ruas do Rio de Janeiro
Confira outros cartazes da turma da Oi Kabum!

D
esde o dia 11 de agosto, 200 pontos de mobiliário
urbano espalhados pelo Rio de Janeiro ganharam
um novovisual.São nove cartazes diferentes com os temas
Água, Direitos Humanos e Gravidez Precoce
Precoce, criados por jovens
formados na Oi Kabum! – Escola de Arte e Tecnologia do
Rio de Janeiro, Salvador e Recife.

Positivo
Positivo é amizade
de quem conhece a verdade,
construindo um mundo novo
com amor e igualdade

Positivo é ser feliz


Respeitar as diferenças em mundo de união
Somos todos cidadão

É viver, é pular, é sorrir,


É cantar, é brincar e se divertir

Chega de preconceito todo mundo tem direito de ser feliz

Vamos todos dar as mãos


Ilustrações
Neste mundo de ilusão
Você não está sozinho

Canção criada pelos participantes da oficina de música,


durante o encontro HIV e aids:
Vamos prevenir? Então, vamos comunicar?,
em São Luís (MA),
de 23 a 25 de outubro.

32 Revista ViRAÇÃO · Ano 6 · nº 47


Mudança, atitude
e ousadia jovem

CUPOM DE
ASSINATURA
Três deles estamparam o Virarte por Alain Le Quernec durante mais anual e renovação
da última edição. de três anos na cidade de Quimper, 10 edições
O trabalho, batizado de Kabum! no sul da França. Aqui no Brasil, a
Mix, foi idealizado pelo designer proposta destes workshops foi É MUITO FÁCIL FAZER OU
Felipe Taborda, a partir de um gerar cartazes sobre temas atuais RENOVAR A ASSINATURA DA
projeto do designer francês Alain que são uma realidade à popula- SUA REVISTA VIRAÇÃO
Le Quernec, e reuniu dezenas de ção jovem. Foram escolhidos três
jovens numa série de workshops cartazes de cada Estado, um sobre Basta preencher e nos enviar
o cupom que está no verso
nas três cidades. O Kabum! Mix é cada tema, e que agora estão
junto com o comprovante
semelhante a um projeto realizado espalhados pela cidade.
(ou cópia) do seu depósito.

de Márcio Abelha Para o pagamento, escolha uma


das seguintes opções:

1. CHEQUE NOMINAL e cruzado


em favor de PROJETO VIRAÇÃO.

2. DEPÓSITO INSTANTÂNEO
numa das agências do seguinte
banco, em qualquer parte do Brasil:

• BRADESCO – Agência 126-0


Conta corrente 82330-9
em nome de PROJETO VIRAÇÃO

OBS: O comprovante do depósito


também pode ser enviado por fax.

3. VALE POSTAL em favor


de PROJETO VIRAÇÃO, pagável
na Agência Augusta – São Paulo (SP),
código 72300078

4. BOLETO BANCÁRIO
(R$2,95nºde
47 taxa
· Ano bancária)
6 · Revista ViRAÇÃO 33
PARADA SOCIAL

ENDEREÇO ____________________________________________________________________________ BAIRRO ______________________

CIDADE ______________________________ ESTADO _________DATA DE NASC. __________ E-MAIL ____________________________


CEP _________________________________________ FONE (RES.) ___________________ FONE (COM.) ___________________________
NOME _________________________________________________________________________________ SEXO ______ EST. CIVIL _______
48,00
40,00
60,00
50,00
PREÇO DA ASSINATURA
R$

R$
R$

US$
Grito por moradia em
Assinatura nova

Aparecida de Goiânia
De colaboração
Renovação

Exterior

GARDENE LEÃO DE CASTRO MENDES e SHEILA MANÇO DOS SANTOS*

N
o dia 7 de setembro, enquanto muitas capitais se reuníam para
comemorar a Independência do Brasil com desfiles, numa política de
Depósito bancário no banco ___________________________________ em ____ / ____ / ____

“pão e circo” para a população, aproximadamente três mil pessoas


se reuniram para apoiar as famílias moradoras do Residencial Serra das
Brisas e Setor Belo Horizonte, em Aparecida de Goiânia (GO).
O drama destas famílias começou no final da década de 90. José Agenor
Lino e sua esposa, já faleci- Arquivo Virajovem Goiás
dos, possuíam duas glebas de
terras no local que compreen-
de, atualmente, os loteamen-
tos dos setores Serra das
Brisas e Belo Horizonte.
O extinto Instituto de
Desenvolvimento Agrário do
Estado de Goiás (Idago) teria
arrecadado, por meio de
grilagem, na década de 70, as
duas glebas. Ainda em vida,
José Agenor propôs ação de
nulidade contra o Instituto e
obteve ganho de causa. As/os
beneficiadas/os com a ação
do Idago venderam hectares,
divididos em lotes, para a Luta pelo direito à moradia
Construtora Gutembergue
que, em seguida, repassou para a Construtora Norte Sul.
FORMA DE PAGAMENTO:

As famílias que moram hoje nos dois setores compraram legalmente os


terrenos da Construtora Norte Sul, no final da década de 90, com escritura
aprovada pela prefeitura de Aparecida de Goiânia e com autenticação do
Cheque nominal

Boleto Bancário

cartório. Elas construíram suas casas e pagam regularmente taxas, como o


Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), para a Prefeitura. Com os manda-
Vale Postal

tos de desocupação dos bairros, a situação das/os moradoras/es é crítica.


Margarida Borges de Oliveira, presidente da Associação de Bairro dos
Setores Serra das Brisas e Belo Horizonte, relatou que vive de incerteza e
medo. “A gente tinha perdido a vontade de voltar para casa porque estáva-
mos aterrorizados. Depois que entidades e pessoas se sensibilizaram com a
nossa causa, a OAB conseguiu embargar a ordem de despejo. Mas isso é por
enquanto. Tudo parece um filme de terror. Se o governo quisesse, já tinha
Tel./Fax: (11) 3237-4091 / 3567-8687
São Paulo (SP) – Tel.: (11) 9946-6188

resolvido isso há muito tempo”, desabafa.


Rua Augusta, 1239 – Cj. 11

Outro morador, Gilvani de Paula e Silva, afirmou que ainda é muito cedo
Consolação – 01305-100

para definir o que acontecerá: “Tudo que a gente viveu foi muito difícil
TIPO DE ASSINATURA:

porque estávamos sozinhos. O Grito veio para nos animar. Contudo, a


REVISTA VIRAÇÃO

ameaça de despejo é constante. Para nós, parece que é o final de toda uma
Assinatura nova

De colaboração

vida e do sonho de criar nossas famílias. É desesperador. A gente vai para o

.
trabalho e não sabe se quando chegar em casa ela vai estar de pé. A luta
Renovação

continua até que tenha fim todo esse tormento”.


Exterior

*Um dos Conselhos Jovens da Vira presentes


em 21 Estados do País (go@revistaviracao.org.br)

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