Вы находитесь на странице: 1из 29

PODER JUDICIÁRIO T.

23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

ORIGEM : 7ª VARA DO TRABALHO DE CUIABÁ


RELATOR : Desembargador EDSON BUENO
REVISOR : Desembargador ROBERTO BENATAR
RECORRENTE : Yuri Alexey Vieira Jorge
Advogados : Eduardo Mahon e outro(s)
RECORRIDA : Antônia da Silva Mello Santos
Advogados : Júlio César de Oliveira e outro(s)

EMENTA

DOMÉSTICA. PAGAMENTO MENSAL EM VALOR


EQUIVALENTE À METADE DO SALÁRIO MÍNIMO.
CORRELAÇÃO ENTRE VALOR MENSAL E DIAS
EFETIVAMENTE TRABALHADOS. PRESENÇA
CONJUNTA DE TODOS OS ELEMENTOS
ESSENCIAIS AO RECONHECIMENTO DE VÍNCULO
DE EMPREGO DOMÉSTICO. AUSÊNCIA DE PROVA
DA TESE DE DIARISTA AUTÔNOMA. Ao
reconhecimento de vínculo de emprego doméstico
exige-se a presença conjunta dos requisitos
essenciais descritos no art. 1º da Lei nº 5.859, de 11
de dezembro de 1972, quais sejam: a)- trabalho
personalíssimo de uma pessoa física à pessoa ou
família, no âmbito residencial desta; b)-
continuidade; c)- onerosidade; e d)- atividade não
lucrativa do local onde os serviços são prestados. A
prova colhida na instrução probatória revela que, no
caso concreto, estão presentes todos esses
elementos essenciais, pois a reclamante executava
suas atividades nos dias fixados pelo reclamado,
recebia salário mensal em valor fixo e não lhe era
permitido fazer-se substituir por outra trabalhadora.
Recurso que, com base no arcabouço de fato e de
prova, é improvido.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, em que


são partes as acima indicadas.

1
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

RELATÓRIO

O Juiz do Trabalho Substituto Plínio Gevezier Podolan,


em atuação na 7ª Vara do Trabalho de Cuiabá-MT, proferiu a sentença de
folhas 70 a 99 dos autos do processo, integrada pelos cálculos de folhas 100
a 111, no corpo da qual reconheceu o vínculo de emprego postulado na peça
de ingresso e ordenou o reclamado a registrá-lo na CTPS da reclamante e,
ainda, condenou aquele a pagar a esta: a)- diferenças salariais; b)- férias
integrais em dobro e férias proporcionais (7/12), ambas com o acréscimo de
1/3; c)- 13º salário; d)- aviso prévio indenizado; e)- vale-transporte; e f)-
indenização por dano moral. Ainda concedeu à autora os benefícios da
gratuidade da justiça. Por fim, rejeitou a reconvenção e condenou o
reclamado em honorários advocatícios.

Insatisfeito com a sentença, o reclamado opôs os


embargos de declaração de folhas 114 a 116, que foram conhecidos e
rejeitados pela decisão de folhas 123 e 124 dos autos do processo.

Posteriormente, interpôs 2 (dois) recursos ordinários,


sendo o de folhas 126 a 145 contra o capítulo da sentença que julgou os
pedidos formulados nos autos da ação trabalhista, e o de folhas 154 a 165
contra o capítulo da sentença que apreciou os termos da reconvenção.

No primeiro desses recursos, o reclamado pediu a


declaração de nulidade de atos processuais sob o argumento de houve
cerceio à sua garantia constitucional de ampla defesa com o indeferimento
de produção de prova oral. E, caso rejeitada essa tese, que seja dado
provimento ao seu recurso para, reformando a sentença recorrida, ser
afastado o vínculo de emprego e seus consectários legais, bem como a
exclusão da condenação em indenização por dano moral. Quando não, pela
redução do valor fixado no juízo de origem para, no máximo, 5 salários
mínimos. Em relação ao segundo recurso, ele pediu: a)- o reconhecimento
da confissão ficta, b)- a nulidade da sentença por cerceamento de defesa e
c)- a condenação da Reclamante em dano moral.

O reclamado instruiu suas duas peças recursais apenas


com o comprovante de recolhimento de custas de folha 145, com o depósito
recursal de folha 147, com a cópia da declaração de imposto de renda da
pessoa física de folhas 148 a 152 e com cópia do ato administrativo relativo à
sua exoneração do cargo de Secretário de Estado, de folha 153.

2
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

A reclamante ofereceu as contrarrazões de folhas 170 a


176 e 177 a 183, nas quais defendeu a manutenção da sentença.

Ambos os recursos não foram conhecidos pela 1a Turma


deste Tribunal, conforme o acórdão de folhas 208 a 211, porque desertos.
Dessa decisão, foram interpostos os embargos de declaração de folhas 214
a 218, que foram conhecidos e rejeitados pela decisão de folhas 226 a 234.

Novamente insatisfeito, o reclamado interpôs o recurso


de revista de folhas 237 a 277, com o qual buscou a nulidade do v. acórdão
de 2a instância, o qual foi trancado pela decisão de folhas 301 e 302 da lavra
do Presidente do TRT da 23ª Região, por deserto.

Contra aludida decisão monocrática, o recorrente


manejou o recurso agravo de instrumento, que foi conhecido e provido em
parte pela 4a Turma do c. TST, nos termos do v. acórdão de folhas 308 a
313, que ordenou o processamento e julgamento do recurso ordinário
interposto contra o capítulo da sentença que apreciou a ação trabalhista e
manteve a deserção quanto ao recurso ordinário que atacou o capítulo da
sentença atinente à reconvenção.

Após o trânsito em julgado da decisão da 4ª Turma do


TST, proferida em sede de AI-RR, os autos do processo retornaram a este
Tribunal e aqui coube-me a relatoria do recurso ordinário de folhas 126 a 145
dos autos do processo, após o procedimento de distribuição eletrônica.

É, em síntese, o relatório.

VOTO

ADMISSIBILIDADE

A 4ª Turma do TST, ao apreciar o AI interposto contra a


decisão que trancou o RR manejado pelo reclamado contra acórdão deste
Tribunal, analisou a admissibilidade do primeiro recurso tão-somente pelo
ângulo do preparo, cujo requisito foi considerado preenchido, sem adentrar à
análise de cada um dos demais pressupostos de admissibilidade do recurso
ordinário (que anteriormente não havia sido conhecido no âmbito desta
Corte), os quais ficaram postergados a esta Turma Julgadora.
3
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

Em face disso, passo a análise dos demais pressupostos


intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade do recurso ordinário de folhas
126 a 145 dos autos do processo, e nesse exercício constato que a matéria
referente à discussão de (in)existência de confissão da reclamante em
relação aos fatos discutidos na ação reconvencional não pode (nem deve)
ser conhecida, porque é afeta exclusivamente ao mérito da reconvenção.

Ocorre que a reconvenção foi julgada improcedente pelo


juízo de origem e o reclamado interpôs recurso autônomo contra o capítulo
da sentença que a rejeitou, como se infere da peça processual de folhas 154
a 165 dos autos do processo. Como o referido recurso ordinário não foi
conhecido, porque deserto, e tendo a decisão que não o conheceu transitado
livremente em julgado, resta prejudicada a análise do tema acima apontado,
que foi repetido nas razões recursais do primeiro recurso.

É bom não perder de vista que a partir do instante em


que houve o trânsito em julgado da sentença no capítulo que rejeitou a
reconvenção, nenhuma matéria de fato e/ou de direito relativo a esse tipo de
resposta do réu pode ser novamente discutida, sob pena de violação ao
instituto da coisa julgada material.

Em relação aos demais temas veiculados no recurso em


apreço, encontram-se presentes os pressupostos genéricos e específicos de
admissibilidade, por isso delas conheço. Portanto, conheço parcialmente do
recurso ordinário de folhas 126 a 145 dos autos do processo, e também
parcialmente das contrarrazões, pois, repito, não conheço de discussão
sobre (in)existência de confissão (ficta ou real), por ser matéria de fato
inerente a reconvenção.

MÉRITO

NULIDADE DE ATOS PROCESSUAIS POR CERCEIO DE DEFESA

O reclamado pediu a declaração de nulidade de atos


processuais antecedentes à sentença, por cerceio à garantia constitucional
da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes, sob o fundamento
de que:

4
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

“O Juízo indeferiu a oitiva da testemunha arrolada pela


Reclamada ao argumento de que esta renovaria a prova
produzida já em depoimento – realizado na delegacia de
polícia.

Consta da ata de audiência de instrução:

(...)

Notadamente, entretanto, a Reclamada (sic) não pretendia


com referida oitiva de testemunha a produção de prova já
delineada no documento colacionado. Caberia, através de
oitiva do policial que acompanhou o desenrolar de todos os
fatos e orientou o Reclamado o esclarecimento da iniciativa
dos fatos e de como se desenrolaram.
Ademais, não pode o Judiciário cercear o direito de defesa do
Reclamado em processo complexo e que discute delicada
situação relacionada a dano moral.

A ampla defesa é preceito constitucional e o indeferimento de


oitiva de testemunha o afronta diretamente (artigo 5º, inciso LV
da CR/88), ainda mais quando apresentado rol de
testemunhas a tempo e modo.

Pelo exposto, requer a nulidade da sentença proferida e


determinação da reabertura da instrução processual para
oitiva da testemunha apontada, Sr. Catulino Catarino de
Melo.” (folha 129 dos autos do processo)

Sem razão o recorrente.

Realço, como ponto de partida, que o indeferimento de


inquirição, como testemunha do réu, de Catulino Catarino de Melo – um dos
policiais que o reclamado levou, em veículo oficial da Secretaria de Estado
da Educação, até a residência da reclamante para lá dar voz de prisão a ela
– está assim fundamentada:

“Foi requerida, pela patrona do reclamado, a oitiva da


testemunha Catulino Catarino de Melo, oficial da Polícia
Judiciária civil, o qual, todavia, está ausente ante a falta de
sua intimação nos autos.

Contudo, verifico que já foi acostado no presente caderno


processual, o depoimento do referido policial junto às fls.
5
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

16/17 o qual foi prestado na Delegacia de Polícia, tendo, neste


ato, força de prova a ser considerada por este juízo quando da
prolação da sentença.

Em face dos princípios da celeridade e da instrumentalidade


dos atos, indefiro o pleito de redesignação da presente
audiência para oitiva da sobredita testemunha, sob os
protestos da ilustre patrona.” (folha 68 dos autos do processo)

É oportuno ressaltar que, no que toca ao tem nulidade de


atos processuais no âmbito do processo do trabalho, aplica-se o princípio da
transcendência, segundo o qual só há nulidade quando o ato inquinado
causar prejuízo manifesto. Não é qualquer prejuízo que leva à nulidade, mas
apenas o prejuízo manifesto, como está grafado no art. 794 da CLT.

Nenhum prejuízo foi provado ou pode ser inferido com a


permissão de vinda aos autos do processo do trabalho de testemunho
prestado na polícia visando corroborar com outros meios de provas já
existentes nos autos do processo.

É apropriado alertar que a posição doutrinária de Ada


Pellegrini Grinover, Antonio Scarance Fernandes e Antonio Magalhães
Gomes Filho de que “inválida é a prova produzida sem a presença do juiz 1”,
pertence ao mundo do processo penal, no qual há o predomínio do sistema
inquisitivo, diferentemente do que ocorre no âmbito dos processos não
penais, incluído nestes o processo do trabalho, onde há prevalência do
princípio do dispositivo.

Assim, a conclusão dos professores da Faculdade de


Direito da USP de que “Desta afirmação básica decorre a consequência de
que não são provas, que o juiz possa utilizar para a formação de seu
convencimento, as que forem produzidas em procedimentos administrativos
prévios2.” não são plenamente aplicáveis ao processo do trabalho, que se
1
As nulidades no processo penal. 8ª ed. São Paulo: RT, 2004, p. 145.
2
O enfoque penal dessa posição doutrinária é evidente não só pelo título da obra em
conjunto, como também pelo seu viés contemplativo do princípio da presunção de inocência,
que deitam suas raízes na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789,
consagrada nas constitucionais democráticas dos dias atuais. Decorre daí a busca do valor
verdade real como um dos princípios que orientam o estudo da “teoria da prova” no
processo penal. A notável professora Ada Pellegrini Grinover, uma das autoras da obra
citada na nota de rodapé anterior, explicita seu pensamento de forma mais clara e
conclusiva em outra obra jurídica intitulada “a marcha do processo”, Rio de Janeiro: Forense
Universitária, 2000, pp. 466 a 470.
6
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

orienta, como dito, pelo princípio do dispositivo. Por isso é possível que seja
aproveitado no processo do trabalho, como coadjuvante de outros elementos
de prova, depoimentos prestados na polícia, desde que o que se pretende
colher em juízo coincide na totalidade com que o que foi colhido em
delegacia de polícia, sem qualquer vício na condução da inquirição pela
autoridade policial. O que é vedado no processo do trabalho, assim no
processo civil, é o uso isolado de depoimentos prestados na polícia como
meio de prova no judiciário, porque, nesse caso, além da violação ao
princípio do juiz natural ainda estaria ausente a presença do magistrado para
tomar o compromisso das testemunhas, de dizer apenas a verdade do que
souber e for-lhe indagado. Também restaria violado o princípio da
humanização do processo que tem sido pregado e apregoado pela doutrina
italiana3.
Com o propósito de não causar dúvida de que o
“testemunho” de Catulino Catarino Melo – colhido na polícia e aproveitado
em juízo – foi adotado na sentença exclusivamente como coadjuvante de
prova colhida em juízo, portanto como reforço do convencimento motivado do
magistrado, registro o que está escrito na sentença recorrida, verbis:

“(...) Insta esclarecer que a referida testemunha não havia sido


intimada para presenciar o feito. Entretanto, quando argüída
por este magistrado, a patrona esclareceu que a referida
testemunha faria a mesma prova oral que a outra cujo
depoimento já havia sido colhido.”
(folha 73 dos autos do processo)

Além desse panorama legal, que não contempla a tese


do recorrente, também sob o prisma constitucional, que, aliás, antecede ao
legal e deveria assim ser examinado, nenhuma razão lhe assiste, porque se
de um lado há – e efetivamente há – a garantia constitucional da ampla
defesa com os meios e recursos a ela inerentes, de outro lado e em
contradição existem outros 2 (dois) princípios constitucionais, com igual
densidade e peso normativo: da razoável duração do processo e da
celeridade, ambos positivados no ordenamento nacional desde a EC 45/2008
3
Estudo mais acurado da humanização do processo e da recomendação da doutrina italiana
pode ser feito, entre outras, na obra poderes éticos do juiz de autoria do juiz de direito
aposentado Carlos Aurélio Mota de Souza, publicado pela editora Sergio Antonio Fabris
Editor: Porto Alegre-RS, 1987, em especial nas pp. 28 a 30 e 76 a 146. Há, também, um
artigo doutrinário muito interessante sobre esse tema, embora com um enfoque mais amplo,
de Lúcio Grassi de Gouveia, juiz de direito em Recife-PE e doutor em direito pela
Universidade de Lisboa, publicado na Repro 172 (de junho de 2009), pp. 32 a 53, cujo título
é a função legitimadora do princípio da cooperação intersubjetiva no processo civil brasileiro.
7
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

que, entre outras disposições, os inseriu no inciso LXXVIII do art. 5º da


Constituição da República Federativa do Brasil.

Vê-se, assim, que, no caso concreto, existem princípios


constitucionais - com idênticas densidades normativas – em colisão.
Havendo colisão entre princípios com a mesma profundidade normativa a
solução a ser dada, segundo o panorama constitucional atual, passa pelo
juízo de ponderação dos valores/interesses em conflito, de modo tal que um
ou ambos princípios deve(m), para solucionar o caso concreto, ceder no todo
ou em parte, para, assim, haver perfeita harmonização do sistema que
compõe o ordenamento interno, mediante a aplicação dos princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade4. É o que se convencionou, em
doutrina,chamar-se de restrições a direitos fundamentais5.
Nada mais razoável e proporcional que admitir, como
coadjuvante do arcabouço probatório contido nos autos do processo, a
“declaração” prestada pela referida testemunha na delegacia de polícia.

Registro, também, que um dos princípios cardeais da


prova, abraçado pelo CPC, é o da persuasão racional ou do livre
4
O professor Rodolfo Luis Vigo, catedrático de filosofia do direito, ministro (aposentado) da
Corte Suprema da província de Santa-Fé (Argentina) e atual coordenador da Faculdade de
Direito da Universidade Austral, de Buenos Aires (Argentina), que a partir das duas últimas
décadas vem se dedicado ao estudo e difusão da nova forma de argumentação jurídica,
parte dos ensinamentos de Dworkin, Alexy, MacCormick, Ferrajoli, Zagrebelski, Aarnio,
Villey, Perelman, Kaufman e outros estudiosos da filosofia e da teoria do direito, para
concluir, grosso modo, que o momento atual é voltado às justificações interna e externa da
motivação das decisões judiciais. E que essas motivações hão de ser feitas pelo predomínio
da constituição sobre as leis, isto é, passar do estado de direito legal para o estado de direito
constitucional, e, diz, ainda, que o intérprete/aplicador dos princípios e regras deve ter o
perfil de jurista. Em vez de subsunção, ponderação. Melhores estudos sobre o pensamento
do professor argentino podem ser feitos, entre outras, na obra “Interpretación Jurídica”,
Buenos Aires: Rubinzal-Culzoni Editores, sem data, embora edição provável editada em
2004.
5
Robert Alexy, que pode ser considerado senão o maior, ao menos um dos maiores
precursores da nova/atual forma de interpretação/aplicação/argumentação jurídica, ensina
que, havendo colisão entre princípios a sua solução dar-se-á pela aplicação de outros dois
princípios (ainda que não escritos no sistema constitucional de determinado povo) da
proporcionalidade e da razoabilidade. Maiores, melhores e mais completos fundamentos de
seu pensamento podem ser conferidos, entre outras obras, no livro “Teoria dos direitos
fundamentais”, traduzido para o português (escrito e falado no Brasil) por Virgílio Afonso da
Silva, São Paulo: Malheiros, abril de 2008. Leitura proveitosa também pode ser realizada nas
obras de Ronald Dworkin, entre as quais: “Levando os direitos a sério”, São Paulo: Martins
Fontes, 2002. Também as obras de Chaïm Perelman, como: “Tratado da Argumentação – a
nova retórica”, São Paulo: Martins Fontes, 2005 e “Ética e direito” e “Lógica Jurídica”, ambas
também editadas pela Martins Fontes.
8
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

convencimento motivado, que confere ao julgador (uni ou pluripessoal) a


liberdade para apreciar o conjunto probatório, de modo que se possa
convencer mais por um que por outro meio de prova, mas, em qualquer
hipótese, está obrigado a fundamentar, na decisão, as razões de seu
convencimento, tal como está positivado no artigo 131 do CPC, de aplicação
subsidiária no processo do trabalho e também no inciso IX do art. 93 da Lei
Maior.

Concluo, assim, que, no caso concreto, não houve


agressão a nenhum princípio do processo, quer o constitucional, quer o legal.

Ao assim concluir, deixo explícito e expresso, que a


decisão de primeiro grau, de não adiar a audiência para inquirir a testemunha
tantas vezes acima nominada, não agrediu – quer reflexa, quer diretamente –
o disposto no inciso LVI do art. 5º da Lei Maior, pois, ao confrontar esse
direito constitucional fundamental (da ampla defesa) com outro direito
igualmente constitucional e fundamental inscrito no inciso LXXVIII da mesma
Lei Maior deu-se ênfase a este, como viés calibrador do caso concreto, após
exaustiva ponderação dos direitos/interesses em colisão.

Com efeito, nego provimento ao recurso e, como


corolário, rejeito a tese de nulidade de atos processuais.

(IN)EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO - DIARISTA

A sentença recorrida reconheceu/declarou a existência


de vínculo de emprego entre as partes, após concluir que a reclamante
prestou serviços ao reclamado como empregada doméstica e não diarista,
fundamentando-se, essencialmente mas não exclusivamente, no
convencimento de que, no caso concreto, há a presença do elemento
essencial continuidade, de que trata a Lei 5.859/72, ainda que a
assiduidade do labor não se refira à prestação de serviços em todos os dias
da semana.

Contrariado com essa conclusão, o reclamado recorreu a


esta Instância Superior pedindo a reforma da sentença. Como razão de pedir
a reforma sustentou, em linha de síntese, que a reclamante não foi sua
empregada e sim diarista, pois ativou em seu proveito apenas em 2 (dois)
9
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

dias da semana, o que afasta a presença do elemento essencial


continuidade exigido pelo art. 1º da Lei do Doméstico em vigor, ao
reconhecimento de vínculo de emprego.

Nenhuma razão assiste ao reclamado.

Está explicitado na petição inicial, como causa petendi,


que a reclamante foi contratada pelo reclamado para receber o salário
mensal de R$ 200,00 (duzentos reais) e que ativou em prol deste durante 8
(oito) horas/dia (das 6h30 às 14h30) nas segundas, quartas e sextas-feiras.

O reclamado contestou as pretensões da reclamante e


impugnou os fatos narrados na petição inicial (em respeito ao princípio da
concentração/eventualidade e ao ônus da impugnação específica, de que
cuidam os artigos 300 e 302 do CPC, respectivamente), ao argumento, em
síntese, de que a reclamante prestou-lhe serviços em, apenas, 2 (duas)
vezes por semana, com a incumbência de limpar seu apartamento, e que
recebia a féria ao término de cada um dos dias de efetiva prestação de
serviços, estando, assim, ausente o elemento essencial continuidade.

Esse mesmo argumento foi veiculado nas razões


recursais, havendo, assim, a devolutividade ampla dessa matéria com o
manejo do recurso ordinário, à luz do que preceitua o art. 515 do CPC, de
aplicação subsidiária.

Antes da análise das razões recursais e,


consequentemente, do reexame e valoração das provas produzidas, reputo
importante – até porque desaguará na argumentação jurídica de o porquê a
conclusão de improvimento do recurso – fazer um rápido, rapidíssimo
mesmo, bosquejo sobre a evolução histórica do tratamento legal dado à
categoria dos trabalhadores domésticos. Isto porque, à luz do que está
positivado na alínea “a” do art. 7º da CLT, os domésticos estão excluídos da
proteção dos preceitos da CLT, exceto quando for, em cada caso,
expressamente determinado no corpo da CLT que esta também se aplica a
eles.

A literatura especializada reconhece que, no Brasil,


durante longas décadas não houve disciplina jurídica específica à categoria
dos empregados (e trabalhadores) domésticos. Os escritores dizem, à uma
só voz, que a primeira legislação brasileira que cuidou da disciplina jurídica
do empregado/trabalhador doméstico foi o Decreto nº 16.107, de 30 de julho
10
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

de 1923. Posteriormente, sobreveio o Dec.-Lei nº 3.078, de 27 de fevereiro


de 1941. A Lei nº 7.036, de 10 de novembro de 1944, que regulamentou os
acidentes do trabalho, inseriu no seu campo de abrangência os empregados
domésticos (artigo 9º). Sobreveio a Lei nº 2.757, de 23 de abril de 1956, que
os tempos excluiu do rol de beneficiários das leis de infortunística. Tempos
depois veio a Lei nº 5.316, de 14 de setembro de 1967, a inseri-los
novamente no campo dos benefícios do infortúnio laboral. Por derradeiro,
essa categoria foi disciplinada pela Lei nº 5.859, de 11 de dezembro de 1972,
ainda em vigor. É digno de registro que o parágrafo único do art. 7º da Lei
Maior em vigor estendeu aos trabalhadores (compreendendo nessa categoria
os empregados) domésticos alguns dos direitos sociais fundamentais
previstos nos seus vários incisos. No período em que houve regulamentação
expressa, isso desde o Império, o serviço do doméstico foi disciplinado pelas
leis civis (Lei de 13 de setembro de 1830, Lei 108, de 11 de outubro de 1837,
e Decreto nº 2.827, de 15 de março de 1979). No período da república foi
regulamentada inicialmente pelo Dec. Nº 979, de 1903 e a partir do ano
seguinte, 1904, pelo Dec. 1.150, e se a atividade fosse desempenhada no
âmbito rural havia a aplicação da caderneta para registro das condições de
trabalho instituída pelo Dec. 6.437, de 27 de março de 1907).

Extrai-se desse rápido bosquejo histórico que o trabalho


doméstico obteve disciplina legal incipiente. Aliás, ainda o é até os dias
atuais.

No toca aos elementos exigíveis à caracterização de


vínculo de emprego também houve substancial alteração doutrinária e
jurisprudencial, principalmente nos últimos tempos. Colhe-se do magistério
de Arnaldo Sussekind, Délio Maranhão e Segadas Vianna contida na obra
conjunta “Instituições de direito do trabalho”, por exemplo, que eram duas as
condições para caracterização do trabalho doméstico: a)- a natureza não
econômica dos serviços prestados; e b)- o local da prestação de serviço: no
âmbito residencial6. Concepção que é, também, seguida por Mozart Victor
Russomano7.

De certo tempo até esta data, passou-se a exigir a


coexistência de cinco elementos essenciais: a)- o trabalho humano voluntário
por conta alheia prestado por uma pessoa física à outra pessoa física ou
família; b)- a natureza contínua dessa prestação de serviço; c)- o local:
6
Sussekind, Arnaldo et alii. Instituições de direito do trabalho. 18ª ed. São Paulo: LTr, 1999,
vol. I, pp. 189 e 190.
7
Comentários à CLT, vol. I, 1952, p. 52.
11
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

âmbito residencial ou sítio de lazer/recreio; d)- onerosidade; e e)- a


subordinação jurídica.

No caso concreto, como já foi adiantado em linhas


pretéritas, o recorrente admitiu a presença de 4 (quatro) desses 5 (cinco)
elementos (portanto, não há controvérsia quanto a presença dos elementos
essenciais: a)- serviço prestado por pessoa física a uma entidade familiar; b)-
onerosidade; c)- subordinação jurídica; e d)- o local da prestação de serviços:
no âmbito residencial) e advogou a tese da ausência apenas (e tão-somente)
de um deles: o da continuidade. Com isso, só foi devolvida a esta instância
a análise quanto à presença/ausência desse elemento essencial. Não quer
dizer que, com isso, há impedimento de se examinar a presença de um,
algum ou todos os elementos que o reclamado confessou (ou ao menos
reconheceu presentes) em sua peça recursal.

Nada obstante, tem-se que, pela redação do artigo 1º da


Lei do Doméstico, o legislador nacional adotou a locução verbal “serviços de
natureza contínua” que difere, em substância, daquela contida no art. 1º da
CLT: “serviços de natureza não-eventual”, surgindo, em razão dessa
divergência verbal, duas doutrinárias antagônicas. Uma delas, perfilha o
entendimento de que, no fundo, ambas locuções são idênticas e possuem o
mesmo alcance. A outra caminha em sentido oposto, enfatizado que a
exigência contida na lei do doméstico difere, em substância muito, daquela
contida na CLT.

Maurício Godinho Delgado, após confrontar as duas


teorias, leciona:

“Entretanto, no instante em que a ordem jurídica quis colocar


sob regência de algumas normas justrabalhistas a categoria
doméstica (através da Lei n. 5.589, de 1972), veio,
expressamente, efetuar a distinção omitida no texto celetista
anterior - referindo-se a serviços de natureza contínua.

Ora, ao não adotar a expressão celetista consagrada


(natureza não-eventual) - que importava no afastamento da
teoria da descontinuidade no tocante à caracterização do
trabalhador eventual -, elegendo, ao revés, exatamente a
expressão rejeitada pela CLT (natureza contínua), a Lei
Especial dos Domésticos (5.859/72) fez claramente uma
opção doutrinária, firmando o conceito de trabalhador eventual
doméstico em conformidade com a teoria da descontinuidade.
12
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

Essa opção doutrinária não se chocaria com o sistema, não


seria com ele incompatível: apenas daria tratamento
diferenciado a um elemento fático-jurídico geral, no contexto
de uma relação jurídica empregatícia particular (tratamento
diferenciado, aliás, que a ordem jurídica confere ao doméstico
em quase tudo: jornada, adicionais legais, FGTS, etc.). Ou
seja, o elemento da não-eventualidade na relação de emprego
doméstica deve ser compreendido como efetiva continuidade,
por força da ordem jurídica especial regente da categoria. (...)
Evidentemente que a evolução jurisprudencial tenderá a se
pacificar em direção a uma das duas vertentes interpretativas.
Tratando-se de inquestionável fonte de Direito, sua definição
sepultará qualquer dos argumentos vencidos.”8

Gustavo Filipe Barbosa Garcia diz que a jurisprudência


vem se firmando no entendimento de reconhecer a real diferenciação entre
uma expressão e outra, colacionando posicionamento convergente como de
Alice Monteiro de Barros:

“Cabe ressaltar que a Lei 5.859/72, específica do empregado


doméstico, exige, para a existência do vínculo de emprego em
questão, a continuidade na prestação de serviços.

Assim, embora exista entendimento de que o referido termo


tem o mesmo sentido da não eventualidade, prevista no art. 3º
da CLT, a posição que vem prevalecendo é no sentido de que
as duas expressões não apresentam o mesmo alcance.

Desse modo, no caso do empregado doméstico em particular,


a lei exige a efetiva habitualidade na prestação de serviços, de
forma contínua, e não intermitente, ao longo da semana.
Nesta linha, não seria empregado doméstico aquele que
presta serviços esporádicos, ou mesmo intermitentes, ou seja,
em um, dois ou até três dias na semana.

Alice Monteiro de Barros, por sua vez, destaca que:

“Não nos parece esteja incluída no art. 1º da Lei n. 5.859 a


chamada, impropriamente, de ‘diarista’ [...]. De acordo com o
novo dicionário Aurélio, o vocábulo ‘contínuo’ significa ‘em que
não há interrupção, seguindo, sucessivo’. Vê-se que, para a
caracterização do trabalhador doméstico, não se exige apenas
a não-eventualidade do art. 3º da CLT. É necessário que o
8
Curso de direito do trabalho. LTr. 5ª ed., pp. 367 e 368.
13
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

trabalho executado seja seguido, não sofre interrupção. [...]


Assim, não é doméstica a trabalhadora de residência que lá
comparece em alguns dias da semana, por faltar na relação
jurídica o elemento continuidade.”9

O professor Paulo Emílio Ribeiro de Vilhena, autor de


uma das melhores obras jurídica a respeito do tema específico “relação de
emprego”, ao se referir ao elemento essencial continuidade exigido no art.
3º da Lei 5.859/72, traça uma linha demonstrando que a aparente bi-
incidência dos pressupostos permanência e continuidade na verdade
caminha em direções opostas, o que faz com que essas mesmas direções
não se confundam. São do autor em destaque as seguintes palavras:

“A aparente bi-incidência de pressupostos – permanência e


continuidade – desvenda-se em duas distintas direções, que
faz com que elas entre si não se confundam: a) a
permanência coincide com o não-eventual e que significa
compor o trabalho doméstico uma linha de coincidência com
os afazeres e as prebendas diuturnas da atividade familiar ou
individual de consumo; b) já a descontinuidade, como suposto
de exclusão, dirige-se a uma predisposição teleológica que
não visa exclusivamente ao fator tempo, mas à abertura da
presunção de um trabalho autônomo, que leva a atividade do
prestador para outras áreas de serviços, os quais, embora de
índole doméstica, são executados em princípio de forma
autônoma, que se tonifica pela não-exclusividade, como as
lavandeiras ou as faxineiras ou as babás, v.g., em certos dias
da semana ou do mês, ou em certas horas do dia, prestadores
esses que sempre combinam em seu interesse também quais
os dias disponíveis para uma residência ou outra, sempre em
ajustes sucessivamente prévios, que, ainda, ao sabor da
vontade das partes, podem alterar-se.

Esse quid da continuidade, como suposto qualificante do


trabalhador na acepção de doméstico, encontra eco vertical na
própria Constituição Federal de 1988, que se abalançou em
alinhavar, numa operação de retoque, mais um pressuposto a
ser reverenciado na formação e na imagem da relação de
emprego: a permanência. Do que se pode concluir, sem
esforço e sem vislumbres sofismáticos, que se o vínculo não é
permanente, descabe falar em relação de emprego, tanto
quanto falar, a contrário, que não há falar em vínculo de

9
Curso de direito do trabalho. Ed. Método. 2007, p. 130.
14
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

emprego doméstico caso não se marque ele pela


continuidade.”10

Essa também é a posição majoritária do TST, como


registram os seguintes precedentes: a)- RR 2507/2003-002-09-00.2, Relator
Ministro José Simpliciano Fontes de F. Fernandes, 2ª Turma, DEJT
04/09/2009; b)- RR 681/2005-060-03-00.6, Relatora Ministra Rosa Maria
Weber Candiota da Rosa, 3ª Turma, DEJT 07/04/2009; c)- RR 3400/2003-
242-01-00.0, Relator Ministro Antônio José de Barros Levenhagen, 4ª Turma,
DJ 19/09/2008; d)- RR 277/2003-002-17-00.3, Relatora Ministra Kátia
Magalhães Arruda, 5ª Turma, DEJT 11/09/2009; e)- AIRR 813/2002-161-05-
40.5, Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, 6ª Turma, DEJT
31/10/2008; f)- RR 17676/2005-007-09-00.0, Relator Ministro Pedro Paulo
Manus, 7ª Turma, DEJT 04/05/2009; e g-) RR 827/2004-031-12-00.8,
Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, 8ª Turma, DEJT
04/09/2009.

Todos esses precedentes partem da mesma concepção:


serviço prestado em 2 ou 3 dias da semana com pagamento ao final de cada
dia, normalmente em valor superior ao do empregado mensalista, para fazer
frente às despesas com terceiro, não atende ao requisito continuidade
exigido pelo art. 3º da Lei do Doméstico (Lei 5.859/72) para caracterização
do vínculo de emprego, pois pressupõe-se que a intermitência dos serviços
não atendem às necessidades permanentes da família nem ao bom
funcionamento da residência, e demonstram que o trabalhador diarista não
tem interesse em vincular-se à uma família ou à residência desta, pois
pretende manter a liberdade para, assim, ativar em outras residências ou até
mesma na residência própria.

Este relator comunga com esses posicionamentos.

Contudo, a prova (e até mesmo a ausência de prova) dos


fatos contidos nos autos do processo revela que, no caso concreto, a relação
de direito material havida entre as partes é de emprego doméstico e que
não se encaixa nos precedentes do TST, acima transcritos.

Embora a reclamante tenha dito na petição inicial que


ativou tão-somente em 3 dias de cada semana: nas segundas, quartas e
sextas-feiras, existem fatos relevantes e comprovados por idôneos meios de
10
VILHENA, Paulo Emílio Ribeiro de. Relação de Emprego – estrutura legal e supostos. 2ª
ed. São Paulo: LTr, 1999, pp. 547 e 548.
15
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

prova que desfiguram a liberdade da reclamante. O primeiro deles: os dias


foram fixados pelo reclamado, para atender integralmente as suas
exigências, pois residindo sozinho em seu apartamento, não necessitava da
presença da reclamante para cuidar das lides domésticas em todos os dias
da semana. O segundo fato relevante é extraído da prova oral: havia a
exigência, imposta pelo reclamado à reclamante, de permanência desta na
residência daquele nos outros (demais) dias da semana enquanto ou pai ou
a namorada do reclamado permanecesse no apartamento deste.

O terceiro elemento de fato, porém o mais importante de


todos para rejeitar a tese de diarista, refere-se à periodicidade e ao valor do
pagamento mensal à reclamante. Ficou provado nos autos do processo que
a reclamante ativara durante 8 (oito) horas em cada um dos dias que
trabalhava, o que, por si só, demonstra a ausência de liberdade.
Paralelamente a isso, o reclamado não conseguiu desvencilhar-se do ônus
de provar que a remunerava no término de cada dia trabalhado, o que leva à
presunção de veracidade da tese da autora, de que recebia salário fixo
mensal em valor aproximado de meio salário mínimo.

Lembro que na ausência de prova, a solução do caso


concreto é feita mediante a distribuição do ônus da prova como regra de
julgamento. Assim, em razão de ter o reclamado declinado fato modificativo
do direito da autora, cabia-lhe o ônus de provar sua alegação, à exegese do
inciso II do art. 333 do CPC, ônus do qual, repise-se, não se desincumbiu,
por isso, alçou-se à qualidade de verdade processual a tese contida na
petição inicial: era mensal o salário pago à reclamante.

Isto porque, consta na petição inicial, a seguinte narrativa


fática:

“A reclamante recebia o salário fixo de R$ 200,00 (duzentos


reais) mensais.”
(folha 3 dos autos do processo)

Esse fato, de pagar salário por mês, como salientou o


Min. Vantuil Abdala ao relatar o RR 1.242/2003-058-03-00.2, é incompatível
com a figura do diarista.

Na concepção do Ministro do TST, “o(a) “diarista” é o(a)


trabalhador(a) que, normalmente, não se dispõe, por razões várias, a se
vincular a um empregador por intermédio de um contrato de trabalho
16
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

doméstico, com rigidez obrigacional de presença ao serviço e horário nem a


perceber salário fixo mensal, pois prefere pactuá-lo com base na unidade dia,
recebendo sempre ao final da jornada. É um(a) trabalhador(a) que se dispõe
a prestar serviços em algum dia ou outro da semana, conforme seu interesse
ou disponibilidade, seja porque seus compromissos pessoais ou mesmo
familiares não lhe permitem a disponibilidade integral na semana, seja
porque prefere este tipo de atividade trabalhando em residências várias,
executando um tipo especial de serviço.”

No caso concreto, além de o salário da reclamante ser


pago mês a mês, o valor desse salário mensal (algo próximo a meio salário
mínimo) era (e é) compatível com o número de dias trabalhados. Dias que,
como já dito e aqui se repete, eram fixados pelo reclamado, e elastecia em
todas as vezes em que ou o pai ou a namorada do reclamado permanecia no
apartamento deste, deixando evidente a subordinação da reclamante às
ordens de seu patrão e que o trabalho em apenas 3 dias da semana, quando
o reclamado estava só no apartamento, era suficiente para atender, na
plenitude, as exigências da residência/família unipessoal deste.

Rememoro, à guisa de conclusão, que existem


precedentes nesta Corte a respeito da matéria de fato debatida no caso
concreto. Cito dois deles: a)- o RO nº 00931.2005.026.23.00-8, de relatoria
da Desª Leila Calvo; e b)- o RO nº 00449.2002.021.23.00-3, de relatoria do
Des. João Carlos. No último desses precedentes, o relator disse com muita
propriedade que:“... a intermitência na prestação de trabalho decorre tão-
somente da desnecessidade de sua presença diária na residência.”

Com efeito, o acervo probatório existente nos autos do


processo, em especial a prova oral colhida na sessão em prosseguimento,
conduz-me ao convencimento insofismável da presença do único elemento
essencial controvertido: a continuidade. Em razão disso, mantenho intacta a
sentença pelos seus próprios e judiciosos fundamentos.

Nego provimento.

DANO MORAL

O julgador de origem constatou a presença de ato ilícito


praticado pelo reclamado contra a reclamante, e para compensar o dano

17
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

causado a esta, condenou aquele no importe de R$ 38.000,00 (trinta e oito


mil reais), a título de dano moral.

Contrariado com essa condenação, o reclamado interpôs


o recurso em julgamento, ao término do qual pediu a reforma da sentença
para eximi-lo da condenação imposta e se rejeitada essa tese, para minorar
o valor da condenação, pois, ao revés do que está escrito na petição inicial,
foi ele, recorrente, quem sofreu dano moral pois a reclamante o ameaçou
com ingresso de ação trabalhista, mesmo sabendo que nada lhe era devido.

Nenhuma razão assiste ao reclamado.

A reclamante relatou na petição inicial que o reclamado


forjou um flagrante delito, com a intenção (deliberada e premeditada) de
prendê-la.

Simulou concordar com a proposta de acordo para evitar


discussão em juízo sobre a matéria de fato, e propôs a pagar-lhe R$ 500,00
(quinhentos reais), menor valor convencionado, pois a pretensão inicial da
autora era de R$ 3.000,00 (três mil reais), para quitar seus direitos
trabalhistas.

Noticiou, também na petição inicial, que estava enferma


à época do evento, e por isso pediu ao reclamado várias vezes para pagar
seus direitos trabalhistas, mas este nunca cumpriu o que combinou com ela.
Relatou que, ao invés de pagar-lhe o valor combinado, o reclamado se dirigiu
até a sua residência, acompanhado de 2 (dois) policiais que estavam no
interior do veículo de vidros escuros usado pelo reclamado, e após receber
foz de prisão, os policiais colocaram-na no mesmo veículo, juntamente com
outras 5 (cinco) pessoas que ali já se encontravam, e conduziram-na à
delegacia sob a acusação de “constranger o reclamado com emprego de
violência ou grave ameaça”. Essa humilhação causou-lhe dano/prejuízo, e
para compensá-lo pleiteou indenização por dano moral.

O reclamado, sob o pretexto de ser vítima de tentativa de


extorsão praticada pela reclamante, reconviu à ação visando o recebimento
de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Salientou ele, que a tentativa de extorsão
ficou configurada com a ameaça de propor demanda judicial em seu
desfavor, mesmo sabendo a reclamante que não era credora sua.

18
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

Ressaltou, também, que, como cidadão e político, teve


contra si o apontamento de fato criminoso e vexatório, na medida em que
houveram repercussões na esfera pessoal e profissional, já que houve
comentário desairosos na cidade em razão do ajuizamento de ação
trabalhista e dos texto da petição inicial, devendo, ainda, ser acrescentado
que se evidencia o dano moral em razão da falsa notícia de que cometera
crime de tortura e denunciação falsa de crime contra a reconvinda.

Informou, ainda, que se sentindo vítima de ato criminoso


buscou orientação junto à Polícia Civil, que o aconselhou a procurar a
reclamante, com acompanhamento policial.

Primeiramente, necessário esclarecer que este juízo não


detém competência material para dirimir questão criminal. Desse modo, não
cabe aqui tecer considerações sobre os crimes descritos pelas partes, que,
se quiserem que sejam eles apurados, devem procurar a autoridade
competente.

Cabe, sim, a este juízo, perscrutar acerca da existência


ou não de violação a direitos personalíssimos, caracterizadora dos danos
morais vindicados pelas partes, de cunho eminentemente civil.

As declarações colacionadas às folhas 12 a 17,


prestadas pela reclamante, reclamado e pelo policial civil, juntamente com
despacho do delegado de polícia, relatam que em 10 de maio de 2007 o
reclamado, seu motorista e dois policiais civis conduziram a reclamante até
delegacia de polícia, sob acusação de “constranger com emprego de
violência ou grave ameaça (crime de tortura)”. Sendo a vítima, em tais
apontamentos, o reclamado.

Transcrevo excertos da prova oral que julgo importantes


ao deslinde da questão de fato concernente ao depoimento da testemunha
do reclamado:

“(...) que a reclamante ligou para o depoente pedindo para


falar com o reclamado, mas como este não estava disponível
no momento o depoente se ofereceu para resolver o
problema, oportunidade em que a reclamante disse que
estava precisando de uma ajuda e que se o reclamado não a
ajudasse, o colocaria no "pau" e que esta ajuda se referia a
uma cirurgia que a reclamante queria fazer, não sabendo dizer
se esta passava por algum problema de saúde; que o
19
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

depoente transmitiu essa conversa ao reclamado; que na


mesma hora o depoente acompanhado do reclamado, se
dirigiu à delegacia metropolitana, que não estava atendendo e
foram encaminhados aos CISC do Planalto, onde o senhor
Yuri prestou queixa, registrou o boletim de ocorrência, sendo
que 02 policiais foram designados para acompanhá-los; que
antes de saírem da delegacia a reclamante ligou para o
senhor Yuri e o depoente ouviu o senhor Yuri falar com a
reclamante, mediante viva-voz, do celular e que outros
presenciaram este fato, inclusive os policiais que os
acompanharam; que nessa conversa a reclamante ameaçou o
senhor Yuri, dizendo que queria uns R$2.000,00/R$3.000,00 e
que ele não pagasse ela colocaria ele na justiça; que o senhor
Yuri disse à reclamante que estava indo à sua casa levar o
dinheiro; que o depoente, o senhor Yuri, os 02 policiais e o
senhor Albano se dirigiram à casa da reclamante e pararam
em frente à casa da reclamante; que enquanto estavam no
carro com os vidros fechados, a reclamante se dirigiu ao
senhor Yuri e este, que estava com um cheque na mão,
perguntou "quer dizer que se eu não arrumasse o dinheiro
você iria me colocar na justiça?" e a reclamante disse "eu ia
colocar", momento em que os policiais deram voz de prisão e
levaram a reclamante para o CISC; que a reclamante não foi
algemada e nem resistiu à prisão; que após isso o depoente
não sabe o que ocorreu. (...) que o depoente conheceu a
reclamante quando esta foi laborar para o reclamado, não se
recordando a data exata; que o carro utilizado para o flagrante
pertencia ao Seduc/MT, durante o horário de trabalho; que a
reclamante foi colocada no mesmo carro onde já estavam 05
pessoas; que após pegar fogo no apartamento do reclamado,
a reclamante deixou de trabalhar para o reclamado porque
este não tinha onde se estabelecer.” - depoimento da
testemunha do reclamado, Sr. Gilson Abel Figueiredo do
Carmo, folhas 66 e 67 - (destaquei)

O crime de tortura narrado pelo reclamado à autoridade


policial (f. 41), consoante o boletim de ocorrência, teve o seguinte desenrolar:

“Narrativa do fato:

Narra o comunicante que a senhora (dona Antônia) trabalhou


na sua residência pelo tempo de três meses no ano de 2006,
dona Antônia era diarista, trabalhava duas vezes na semana e
na data de hoje 10.05.2007 às 14:30 dona Antônia ligou no

20
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

celular do senhor (Gilson Abel Figueiredo do Carmo)


funcionário do comunicante e pediu dinheiro para fazer uma
cirurgia de úlcera, o Senhor Gilson disse que ia ver com o
comunicante. Dona Antônia retornou a ligação dizendo que se
o comunicante não arrumar o dinheiro, ela vai entrar na
Justiça do Trabalho contra o mesmo. Relata, ainda, que no
momento do registro de ocorrência, dona Antônia ligou
novamente no celular do Gilson, e que amanhã 11.05.2007 ela
vai até a casa dele”. - fl. 41

Os relatos confirmam que as partes mantinham relação


jurídica de trabalho – reconhecida em juízo como de emprego -, e por força
desse liame a reclamante era obrigada cuidar da residência do reclamado, e
este, a pagar-lhe pelos serviços prestados.

Em razão da até então fundada dúvida quanto à


existência ou não de vínculo empregatício (e de seus consectários legais), é
razoável e plenamente compreensiva atitude que a reclamante tomou de
negociar com o reclamado os valores que entendia serem-lhe devidos, posto
que os estudos especializados encontram sérios obstáculos para afastar ou
acatar o vínculo de emprego em situações como a aventada pela autora.
Tanto é que o vínculo empregatício com seus consectários só vieram a ser
reconhecidos na instância primária, repita-se.

Por outro lado, não há como constatar a licitude na


atitude do reclamado, de acusar a reclamante de ter cometido crime de
tortura, ameaça, extorsão ou constrangimento, conforme restou consignado
na delegacia de polícia pelo só fato de buscar ela uma transação para
prevenir litígio. Aliás, foi somente pela influência pessoal e política que detem
o reclamado junto aos órgãos do poder executivo estadual que conseguiu, no
SISC, não só orientação de como simular um flagrante delito como também
de conduzir policiais em veículo público estadual para resolver pendências
privadas. Essa mesma influência foi mais longe: fez com que os dois policiais
conduzidos pelo reclamado até a residência da reclamante dessem voz de
prisão a esta e a conduziram até o SISC onde passou por vexames e
humilhações, posto que quaisquer das tipificações legais não prescindem da
incursão em atos ilícitos, os quais de nenhuma forma é possível aferir da
ameaça de ajuizar ação judicial, pois a existência ou não dos créditos
controvertidos só podem ser pleiteados no Judiciário, único poder detentor de
competência material para solucionar a controvérsia.

21
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

Não custa lembrar que o paradigma atual, emanado da


Constituição da República Federativa do Brasil em vigor, propugna pela
supervalorização da dignidade da pessoa humana, princípio máximo de um
estado Democrático de Direito, como está a indicar o inciso III do art. 1º da
Lei Maior vigente.

Ademais, o parâmetro de constatação do cometimento


de ato ilícito não perpassa, tão-somente, pela comparação entre o direito do
empregador/tomador de serviços em proteger seu patrimônio, portanto
exercício regular de um direito, e incursão dessas medidas protetivas na
esfera íntima do empregado/prestador de serviços, devendo tais
procedimentos deixar intacto o supraprincípio da dignidade da pessoa
humana, instigador supremo do bem-estar coletivo.

O Código Civil de 2002 adotou a normatização de


cláusulas gerais, na intenção de dar instrumentos aos operadores do Direito
na consecução de metas estatuídas na nova ordem instaurada pela
Constituição Federal de 1988. Assim, o abuso do direito (art. 187) é
parâmetro normativo que visa enquadrar todo e qualquer exercício de um
direito aos fins sociais, pautados na boa-fé e na prevalência da dignidade
humana e, ainda, ao valor social dado ao trabalho pelo constituinte originário
de 1988.

Nesse sentido, constato que o reclamado violou os


direitos personalíssimos da obreira, devendo reparar pelo extrapolamento, já
que a negociação e a cobrança das verbas vindicada estão dentro do
parâmetro da legalidade da defesa dos direitos dela, não se constando essa
legalidade na atitude tomada pelo tomador/empregador.

O pleito indenizatório encontra respaldo no art. 5º da Lei


Fundamental de 1988, o qual dispõe:

“Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes:

(...)

22
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao


agravo, além da indenização por dano material, moral ou à
imagem;

(...)

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a


imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo
dano material ou moral decorrente de sua violação;”(grifamos)

O art. 186 do Código Civil de 2002 estabelece:

"Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito."

Assim como o art. 187, CC/2002:

“Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao


exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo
seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons
costumes.”

Importante a lição de Clayton Reis, em comentário ao


dano moral e material:

“Assim, quando sofremos um prejuízo em nossas


aspirações, se considerarmos que nossa existência é uma
contínua manifestação no sentido da aquisição de fatos
da vida que envolvem interesses (prestígio, posição de
comando, sucesso profissional, posição financeira, bens
materiais, etc.), haverá inequívoco dano. Desta forma, se a
lesão decorrer de ato ilícito, o dever de indenizar será
imediato(...)”.

“(...) Enquanto no caso dos danos materiais a reparação tem


como finalidade repor as coisas lesionadas ao seu “status quo
ante” ou possibilitar à vítima a aquisição de outro bem
semelhante ao destruído, o mesmo não ocorre, no entanto,
com relação ao dano eminentemente moral. Neste é
impossível repor as coisas ao seu estado anterior. A
reparação em tais casos, reside no pagamento de uma soma
pecuniária, arbitrada pelo consenso do juiz, que possibilite ao

23
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

lesado uma satisfação compensatória da sua dor íntima.”11 (os


grifos não constam do original)

A responsabilidade civil afigura-se como dever jurídico,


de natureza obrigacional, decorrente da prática de um ato ilícito imputável
àquele em face de quem é postulada a reparação em decorrência do evento
danoso.

Conforme exposto, todos os elementos do dever de


indenizar encontram-se presentes. Devendo-se analisar a extensão do dano
para aferir o valor da reparação, conforme estatui o CC/2002: “Art. 944. A
indenização mede-se pela extensão do dano.”.

Mister citar o conceito de dano moral proferido por


Valentin Carrion, quando pontifica:

“Dano moral é o que atinge os direitos da personalidade, sem


valor econômico, tal como a dor mental psíquica ou física.
Independe das indenizações previstas pelas leis trabalhistas e
se caracteriza pelos abusos cometidos pelos sujeitos da
relação de emprego."12

De acordo com os ensinamentos do doutrinador acima


citado, o abalo moral caracteriza-se pela dor mental, psíquica ou física,
decorrentes dos abusos advindos da relação empregatícia.

Neste viés, Clayton Reis, em comentário ao dano moral,


advoga:

“Assim, quando sofremos um prejuízo em nossas aspirações,


se considerarmos que nossa existência é uma contínua
manifestação no sentido da aquisição de fatos da vida que
envolvem interesses (prestígio, posição de comando, sucesso
profissional, posição financeira, bens materiais, etc.), haverá
inequívoco dano. Desta forma, se a lesão decorrer de ato
ilícito, o dever de indenizar será imediato.”13

11
Avaliação do dano moral. Rio de Janeiro: Forense, 1998. pp. 7 e 8.
12
Comentários à consolidação das leis do trabalho. 24ª ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p.
373.
13
Avaliação do dano moral. Rio de Janeiro: Forense, 1998. p. 7.
24
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

Reforçando o entendimento supramencionado, o mesmo


doutrinador (ob. cit. p. 8), ensina:

“Enquanto no caso dos danos materiais a reparação tem como


finalidade repor as coisas lesionadas ao seu “status quo ante”
ou possibilitar à vítima a aquisição de outro bem semelhante
ao destruído, o mesmo não ocorre, no entanto, com relação
ao dano eminentemente moral. Neste é impossível repor as
coisas ao seu estado anterior. A reparação em tais casos,
reside no pagamento de uma soma pecuniária, arbitrada pelo
consenso do juiz, que possibilite ao lesado uma satisfação
compensatória da sua dor íntima." (os grifos não constam do
original)

Na lição de Alice Monteiro de Barros, dano moral:

“Entendemos como dano moral o menoscabo sofrido por


alguém ou por um grupo como conseqüência de ato ilícito ou
atividade de risco desenvolvida por outrem capaz de atingir
direitos da personalidade e princípios axiológicos do direito,
independentemente de repercussão econômica.”14

O valor da indenização do dano moral deve ser


proporcional à ofensa, respeitando-se a capacidade econômica do ofensor,
bem como as peculiaridades da situação fática vivenciada pelas partes.

Em situações especiais é preciso aplicar, também, a


teoria do valor do desestímulo, utilizada como referência pelo sistema
americano, conhecido como punitive damages ou exemplary damage no
sentido de a sua imposição importar de exemplo para a não reincidência pelo
causador do dano, senão também para prevenir a ocorrência de futuros
casos de lesão.

Acerca da teoria do desestímulo, Rui Stoco assim


preleciona:

“Os valores ditos morais situam-se em outra dimensão,


irreflexíveis no patrimônio objetivo da pessoa.

14
Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2005. pp. 604 a 607.
25
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

Por essa razão o dano moral “não se avalia mediante cálculo


matemático-econômico das repercussões patrimoniais
negativas da violação como se tem feito às vezes - porque tal
cálculo já seria a busca exatamente do minus ou do
detrimento patrimonial, ainda que por aproximativa estimação.
E tudo isso já está previsto na esfera obrigacional da
indenização por dano propriamente dito” (cf. Walter Moraes,
TJSP, RT 650/66).

Sérgio Pinheiro Marçal, do “Pinheiro Neto - Advogados”, em


excelente e interessante artigo publicado no Boletim do 3º
RTD, de São Paulo (setembro/97, n. 126), afirma que “o que
temos visto, hoje, é uma rápida mudança de um sistema que
amparava a quase irresponsabilidade por danos morais para
um sistema que perigosamente vem procurando se aproximar
dos padrões norte-americanos dos punitive damages. Essa
mudança se deve não às previsões legais feitas pela
Constituição Federal e pelo Código de Defesa do
Consumidor, mas sim a alguns julgados que vêm tentando
consolidar na jurisprudência a chamada “teoria do valor do
desestímulo”.

E esclarece que, a exemplo do que ocorre nos Estados


Unidos com os punitive damages, busca-se fixar uma
indenização por danos morais que desestimule o autor dos
danos e outros a agir da mesma forma lesiva em outra
oportunidade.

Além de postar-se em desacordo com a teoria que, segundo


seu posicionamento, busca apenas “a condenação com o
objetivo puro de punir o agente causador do dano e dar
exemplo à sociedade”, sustenta que essa teoria foi
arduamente defendida pelo saudoso jurista Carlos Alberto
Bittar.
Sem dúvida, não há como discordar ou deixar de aderir às
preocupações manifestadas pelo ilustre autor do artigo citado,
que se mostram atuais até os dias de hoje.

A busca de indenizações milionárias e a utilização do instituto


da responsabilidade civil como fonte de enriquecimento
devem ser combatidas e veementemente repelidas.

Mas cabem alguns reparos.

26
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

O primeiro está em que a “teoria do valor do desestímulo” não


tem apenas o sentido e a dimensão que se buscou
emprestar-lhe.

Nem mesmo pode ser repudiada se adequadamente aplicada,


em associação com outros critérios que o caso concreto
exigir.

Também não se identifica à perfeição com os padrões


americanos do punitive damages.

O objetivo maior do denominado punitive ou exemplary


damage é que sua imposição sirva de exemplo não somente
para o causador do dano, senão também para prevenir, na
sua advertência, a ocorrência de casos futuros (Louisville, R.
Co. Vs. Ritchel, 148 KY 701, 147 SE 411, dentre outros).

Portanto, a diferença básica não está na composição do dano


como mera punição, mas, e principalmente, no sistema de
estabelecimento do quantum da indenização por dano moral.”
(Tratado de Responsabilidade Civil - 6ª ed. rev., atual. e ampl.
- São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2004, pp. 1706 e
1707)

Em face do exposto, mantenho a condenação de


primeiro grau imposta ao reclamado, de indenizar a reclamante pelo dano
moral sofrido.

Resta, ainda, perquirir quanto ao valor do dano moral,


pois com o manejo do recurso o reclamado devolveu tal matéria a esta
instância.

O dano moral, devido a sua natureza imaterial, subsume-


se àqueles casos em que o juiz, inspirado pela lógica do razoável, deve
prudentemente arbitrar o valor necessário à compensação do ofendido pela
conduta ilícita (CC, art. 950, parágrafo único e art. 953, parágrafo único).

Entretanto, alguns critérios objetivos devem nortear essa


fixação por arbitramento, tais como: a estipulação de um valor compatível
com a reprovabilidade da conduta ilícita, a intensidade e duração do
sofrimento experimentado pela vítima, a capacidade sócio-econômica e
financeira das partes e outras circunstâncias específicas de cada caso
concreto. Nesse contexto, o ponto ótimo a ser alcançado é aquele em que o
27
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

valor arbitrado sirva como punição da conduta ilícita e cumpra o caráter


pedagógico de desestimular a reincidência dessa conduta, sendo que do
outro lado da balança deve-se buscar apenas a compensação do ofendido,
pois o que passar disso caracterizar-se-á como fonte de enriquecimento sem
causa.

No caso dos autos, o valor fixado na sentença, de R$


38.000,00 (trinta e oito mil reais), atendeu a todos esses parâmetros, razão
pela qual o mantenho.

Nego provimento.

CONCLUSÃO

Em face do acima exposto, não conheço do recurso


ordinário que atacou a sentença no capítulo em que apreciou a
reconvenção e das respectivas contrarrazões; conheço parcialmente do
recurso ordinário interposto contra a sentença no capítulo em que tratou
especificamente da ação trabalhista e, também, parcialmente das
contrarrazões. No mérito, nego-lhe provimento, nos termos da
fundamentação supra, que integra esta conclusão para todos os efeitos
legais.

ISSO POSTO:

DECIDIU a 1ª Turma de Julgamento do Egrégio Tribunal


Regional do Trabalho da Vigésima Terceira Região, por unanimidade, não
conhecer do recurso ordinário que atacou a sentença no capítulo em que
apreciou a reconvenção e das respectivas contrarrazões; conhecer
parcialmente do recurso ordinário interposto contra a sentença no capítulo
em que tratou especificamente da ação trabalhista e, também, parcialmente
das contrarrazões. No mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do
Desembargador Relator, que integra esta conclusão para todos os efeitos
legais.

Cuiabá-MT, terça-feira, 13 de outubro de 2009.

28
PODER JUDICIÁRIO T.
23ª REG
JUSTIÇA DO TRABALHO


.
T.R

O
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO ª
F l. .2 _3 _ R_ E _G _ _ _ _ _ _
T


.
T.R
SE
C

O O
. E

N
F lT. R_ I B_ ._ P _ L _ _ _ _ _ _

SE
C

O
. T E

N
R IB . P L

TRT - RO-00660.2007.007.23.00-4

Desembargador EDSON BUENO


Relator

29