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Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” ITALIANOS NA NOROESTE PAULISTA: A AQUISIÇÃO DE

ITALIANOS NA NOROESTE PAULISTA: A AQUISIÇÃO DE PROPRIEDADES

RURAIS POR IMIGRANTES ITALIANOS EM TERRAS DE FLOREAL

Introdução

Giani Vendramel de Oliveira *

A imigração é um tema freqüentemente abordado e que possui uma grande importância,

pois abrange um período de transformações econômicas, políticas e sociais. No Brasil a grande

imigração teve início em meados do século XIX e se estendeu até as primeiras décadas do século

XX. O período inicial coincide com a proibição do tráfico negreiro que desencadeou o fim da

escravidão no país, a qual havia perdurado por mais de três séculos.

A expansão de grandes propriedades de cultivo do café no estado de São Paulo, ocorrida

no mesmo período, foi outro fator de grande relevância ao abrir caminho para a entrada de uma

legião de estrangeiros, vindos para suprir a falta de mão-de-obra nos cafezais.

Quando imigrantes italianos cruzaram o Atlântico rumo ao Brasil para trabalhar nas

lavouras cafeeiras, muitos traziam consigo a esperança de se tornarem pequenos proprietários,

atraídos pela propaganda enganosa que a terra no país era de fácil acesso. Embora este anseio se

manifestasse na maioria destes sujeitos, apenas uma pequena parte conseguiu realizar seu sonho.

Os casos ocorridos no atual município Floreal e em sua região, onde diversos imigrantes puderam

adquirir suas terras, não foi comum em todas as partes do país, ao contrário, foi a minoria destes

imigrantes que, com muitos anos de trabalho, economia, paciência e persistência conseguiram

comprar um pedaço de terra.

Assim, o presente trabalho tem como objetivo fazer uma breve análise do contexto

histórico que possibilitou a vinda destes imigrantes para o Brasil e posteriormente, em um

movimento de migração interna, para a região noroeste paulista. O enfoque será dado também

para a aquisição de pequenas porções de terras por esses indivíduos em terras de Floreal, o que

desencadeou na fundação do município.

* Mestranda em História na linha de Política e Movimentos Sociais pela Universidade Estadual de Maringá-UEM.

Sociais pela Universidade Estadual de Maringá-UEM. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio de 2008.
Sociais pela Universidade Estadual de Maringá-UEM. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio de 2008.

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” A Chegada do Imigrante O município de Floreal está

A Chegada do Imigrante

O município de Floreal está localizado na região noroeste paulista, no extremo oeste do

Estado de São Paulo. Atualmente pertence à região administrativa de São José do Rio Preto.

Conforme documentação cedida pela prefeitura municipal 1 , sua fundação oficial ocorreu no dia

seis de agosto de mil novecentos e trinta e cinco, no entanto, segundo relatos de moradores, foi

por volta de 1929 que as primeiras famílias começaram a se instalar no local, sendo que grande

parte dos primeiros povoadores do atual município eram imigrantes italianos e/ou seus

descendentes que haviam se tornado proprietários rurais, adquirindo pequenas porções de terra.

Para uma melhor compreensão do tema abordado, segue abaixo uma breve análise da

situação histórica e econômica do Brasil que possibilitou a vinda destes imigrantes para o país.

A expansão da lavoura cafeeira no estado de São Paulo, principalmente a partir da

segunda metade do século XIX, abriu caminho para a entrada de uma legião de imigrantes no

Brasil. Para sustentar o surto da lavoura cafeeira e a grande dimensão que tomou fez-se

necessário uma enorme demanda de mão-de-obra. Costa (1982) aponta que, a partir de 1850, com

a pressão exercida pela Inglaterra para o fim do tráfico negreiro foi preciso encontrar outra

alternativa para suprir a falta de braços para a lavoura. A partir de então, a solução encontrada

para essa carência foi a imigração estrangeira 2 .

Conforme Stolck e Hall (1983) a primeira experiência realizada com a introdução do

trabalho livre em substituição a mão-de-obra escrava foi feita pelo senador Vergueiro já em 1847,

em sua fazenda Ibicaba localizada próximo a Limeira, pois segundo seus familiares, Verguiro

entendia que o fim da escravidão estava próximo, era uma questão de tempo. Empolgados com o

aparente sucesso da experiência do senador Vergueiro e preocupados com o fim do tráfico

negreiro, por volta de 1850 diversos fazendeiros recorreram a Vergueiro e Cia., uma companhia

que o senador havia fundado a fim de intermediar a vinda de imigrantes para o Brasil, para que

pudessem trabalhar nas lavouras de café. Neste período toda a despesa gasta com o transporte do

1 Informação contida no documento intitulado Histórico do Município, fornecido pela prefeitura municipal de Floreal.

2 Peter Eisenberg (1989), discute em sua obra Homens esquecidos escravos e trabalhadores livres, a mentalidade dos fazendeiros no congresso agrícola de 1878, onde foi discutido a implantação de mão-de-obra livre estrangeira em substituição á escrava, já que consideravam os trabalhadores nacionais enviáveis, pois os tachavam de vagabundos, preguiçosos, impróprios para o trabalho na lavoura.

preguiçosos, impróprios para o trabalho na lavoura. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio de
preguiçosos, impróprios para o trabalho na lavoura. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio de

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” imigrante era paga pelo fazendeiro e depois repassada para

imigrante era paga pelo fazendeiro e depois repassada para esses trabalhadores.

Esse sistema desagradava os imigrantes pois ao entrarem no Brasil já se encontravam

com um saldo devedor muito alto. Em vista destas dificuldades Elias (2005) observa que,

cafeicultores e o governo se articularam a fim de promover a imigração subvencionada, onde as

despesas da viagem feitas pelo imigrante, a propaganda para atrair esses trabalhadores livres, a

instalação para a chegada dos mesmos e os primeiros auxílios prestados a eles, seriam todas

despesas pagas pelo governo imperial e provincial.

De varias partes da Europa vieram braços para a lavoura. Mas diversos autores assinalam

que, a imigração italiana se sobressaiu em termos de quantidade. O que pode ser exemplificado

por um fragmento de Zuleika Alvim:

De todas as nacionalidades que, entre 1870 e 1920, se dirigiram para o estado, a italiana com cerca de um milhão de indivíduos, representou 40% da soma de imigrantes, num total de 2,5 milhões. Vale ressaltar ainda que do total de italianos que se dirigirão para o Brasil, cerca de 1,4 milhões, no mesmo período 70% tiveram São Paulo como destino (ALVIM, 2000:395).

A autora ainda destaca, que essa proporção tão grande de italianos que imigraram, se deve

a problemas econômicos que a Itália enfrentava após sua unificação. Entre eles: condições

naturais difíceis (solo montanhoso), um alto crescimento demográfico, sua unificação tardia, a

substituição do trabalho manual pelas maquinas, entre outros, que fizeram com que entre 1841 e

1940, sete milhões e meio de italianos deixassem sua pátria.

Essas crises, conforme João C. Tedesco, faziam crescer ainda mais o desejo desses

imigrantes de se tornarem proprietários. A política de colonização não poupou esforços em suas

propagandas, divulgando a possibilidade de se conseguir terras no Brasil, mexendo ainda mais

com o imaginário desses colonos, assim: “Para os promotores da colonização, esse desejo de

propriedade funcionava como isca para atrair os imigrantes(TEDESCO, 20001: 39).

Os indivíduos procuram nessas imigrações, conquistar o pedaço de terra tão almejado,

encontrando uma solução para os seus problemas. Conforme Zuleika Alvim, havia uma forte

propaganda que criava a ilusão de que no Brasil era muito fácil adquirir terra, que em pouco

tempo o imigrante conseguiria juntar o pecúlio suficiente para comprar sua propriedade. A autora

ainda aponta que no Estado de São Paulo foi criado em 1886 a Sociedade Promotora de

Imigração (SPI), que ficou responsável pela introdução de imigrantes no estado, por intermédio

pela introdução de imigrantes no estado, por intermédio Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio
pela introdução de imigrantes no estado, por intermédio Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” de agentes contratadores, em suas palavras: ] [ autorizado

de agentes contratadores, em suas palavras:

] [

autorizado a prometer, em seus folhetos de propaganda, aos imigrantes potenciais passagens gratuita do porto de desembarque à localidade escolhida como destino, sementes, alimentos por mais de seis meses e ainda a esperança de se tornarem proprietários (ALVIM, 2000: 395).

em virtude do contrato estabelecido entre a SPI e Caetano Pinto, este era

O agente citado pela autora, Caetano Pinto, foi o mais importante da SPI. Contudo a

realidade não era a divulgada nas propagandas, os fazendeiros paulistas não estavam interessados

em criar núcleos coloniais ou em tornar os imigrantes em pequenos proprietários, mas queriam

substituir o braço escravo por mão-de-obra barata, que lhes garantissem lucro.

No Brasil a imigração se desenvolveu a partir de diversos interesses. De um lado estavam

os fazendeiros de café que necessitavam de mão-de-obra para o trabalho nas lavouras cafeeiras,

por outro lado o governo tinha como objetivo criar colônias de povoamento no sul do país, que

possuía baixa densidade populacional. A criação de núcleos coloniais nos estados sulinos se fez

devido à necessidade de proteger as fronteiras do país e também como uma forma de atrair a

imigração em larga escala.

Havia ainda uma questão muito importante que vinha sendo debatida desde a Abolição, a

questão racial, que acabou por incentivar ainda mais a vinda de imigrantes europeus. A

historiadora Andréa S. Pessanha aponta para o projeto da elite intelectual brasileira de

“embranquecer” e europeizar a população:

No final do século XIX, na iminência da abolição da escravatura, discutir a questão racial significava, para as elites, debater a questão nacional, já que o progresso do país dependeria da composição étnica de seu povo. Assim, a defesa da imigração não se restringia às necessidades de mão-de-obra, mas também a um ideal de construção de uma nacionalidade. O Brasil que se pretendia formar era livre e de cidadãos brancos. Os nacionais (mestiços, negros e brancos pobres que não tinham a cultura das elites) eram desclassificados como trabalhadores e cidadãos, mas o futuro deles poderia ser promissor através de uma “regeneração” biológica e cultural (PESSANHA, 2005: 21).

Sendo assim a imigração desempenharia além da função econômica, como fornecedora de

mão-de-obra, uma outra função, a de reformar a moral da sociedade, com pretendiam os

preconceituosos da elite.

Por fim, vale destacar que embora o anseio pela terra se manifestasse na maior parte dos

italianos que imigraram para o Brasil, a conquista da mesma não foi comum em todas as regiões

a conquista da mesma não foi comum em todas as regiões Jacarezinho, dos dias 21 a
a conquista da mesma não foi comum em todas as regiões Jacarezinho, dos dias 21 a

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” do país, ao contrário, foi a minoria destes sujeitos

do país, ao contrário, foi a minoria destes sujeitos que conseguiu realizar o sonho de conquistar a

terra.

Italianos no Noroeste Paulista

Refletindo acerca da vinda dos imigrantes para a região noroeste paulista e sua instalação

no município em questão, analisando a obra de Pierre Monbeig percebe-se que Floreal foi

fundado exatamente quando, conforme o autor, surge na região nas primeiras décadas do século

XX, uma tendência de fundação de novos municípios, geralmente associados ao prolongamento

da estrada de ferro ou ao surgimento de estradas rodoviárias. Procurava-se fundar as cidades

próximas às estradas a fim de evitar o isolamento, facilitar a comunicação e o escoamento de

produtos. Segundo o autor:

Ao norte do Tiête, com o prolongamento da ferrovia entre Rio Preto e Votuporanga e a construção de novas estradas, o povoamento chegou perto de Porto Getúlio Vargas, no rio Paraná e da cachoeira dos Índios, no rio Grande. As florestas ao norte do baixo Tiête foram devastadas pelos pioneiros que avançaram a partir de Monte Aprazível, na direção de Nhandeara e Vila Magda e pelos japoneses de Pereira Barreto (MONBEIG, 1984: 206).

Cabe salientar que o município de Floreal encontra-se entre os municípios de Vila Magda

(atualmente Magda) e Nhandeara citados pelo autor. De acordo com José C. Rossato e através da

fala de moradores de Floreal percebe-se que o impulso para o loteamento de terras na região foi

dado devido o prolongamento da estrada de ferro da zona Araraquarense que em 1912 atingiu

São José do Rio Preto ficando parada por muito tempo neste local, o que incentivou o seu

crescimento, indo alcançar o município de Votuporanga já por volta de 1945. Nas palavras de

Rossato:

Votuporanga

Como ela ficou

estacionada aqui alguns anos, propiciou altos dividendos para a evolução da cidade. Aliás, foi o local que mais parou, exceto São José do Rio Preto e Mirassol. Graças a isto, a cidade cresceu. Aumentava o número de estabelecimentos de hospedagens e o comércio em geral, por ser, evidentemente, ponto de atração para todo esse sertão, de então (ROSSATO, 1987: 23).

sentiu-se engalanada. Acelerou seus passos rumo ao progresso. [

A ferrovia chegou. Foi uma festa. 'Era cinco de fevereiro de 1945' [

]

]

uma festa. 'Era cinco de fevereiro de 1945' [ ] ] Jacarezinho, dos dias 21 a
uma festa. 'Era cinco de fevereiro de 1945' [ ] ] Jacarezinho, dos dias 21 a

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” Na entrevista realizada com o Sr. Armando Vian 3

Na entrevista realizada com o Sr. Armando Vian 3 , ele descreve brevemente o município

de Votuporanga antes da estrada de ferro chegar e depois que ela se instalou no município,

demonstrando o quanto ela foi importante para atrair novos povoadores para a região até então

pouco habitada:

A estrada de ferro passava por onde é Votuporanga. Votuporanga foi uma cidade

quando eu fui em Votuporanga, isso que foi em quarenta e um, quarenta e dois

(1941/1942) por aí, eu falei: aqui não sai cidade mais de espécie nenhuma, porque é um

cerrado, mais um cerrado do pó, mas a estrada de ferro não sei quantos anos ela ficou parada em Votuporanga, então todo mundo falava: vamo compra terra pra Votuporanga, vamo compra terra alí pra Valentin (Valentil Gentil), vamo compra terra pra cá (Floreal), a estrada de ferro êêêêê agora sim, agora vai embora. (foi) Onde formou Votuporanga.

que

eu

Os primeiros moradores que se instalaram em terras de Floreal haviam se tornado

proprietários rurais, adquirindo pequenas porções de terra que ainda estavam cobertas de mata

virgem. Devido a esse tipo de vegetação que predominava no local, a cidade inicialmente foi

chamada de Floresta e posteriormente Vila Floresta. A partir de então, cada vez mais fo ram se

instalando pequenos proprietários rurais e suas famílias aos redores da Vila Floresta,

desencadeando na fundação de um município.

As terras onde constitui hoje o município de Floreal, segundo análise de relatos de

moradores, pertenciam em geral a grandes proprietários de terra que foram loteando suas

fazendas, vendendo para cada família que chegava no local pequenas quantidades de alqueires.

Conforme Monbeig (1984), a crise de 1929 foi um golpe duro para muitos fazendeiros paulistas

de café, que para suprir suas perdas financeiras, tiveram que buscar outras alternativas como

vender terras que possuíam no “sertão”. Esta crise de certa forma beneficiou aqueles que haviam

guardado algum pecúlio e almejavam se tornar pequenos proprietários, possibilitando que alguns

imigrantes realizassem o sonho de comprar um pedaço de terra.

A presença e influência de imigrantes italianos e seus descendentes na referente cidade,

pode ser observada desde o princípio do seu povoamento. No documento intitulado “Histórico do

Município” 4 dois nomes são citados como os primeiros proprietários na cidade, são eles: Cândido

Poloni e Atílio Sbroggio. O histórico ainda faz menção as primeiras famílias que se instalaram na

cidade, sendo elas os Tiso, os Boracini, os Sbroggio e os Davidoff. Um equívoco do “Histórico”

3 Entrevista realizada por Giani Vendramel de Oliveira, no município de Floreal, dia 07/04/2007.

4 Documento fornecido pela prefeitura municipal de Floreal.

Documento fornecido pela prefeitura municipal de Floreal. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio de
Documento fornecido pela prefeitura municipal de Floreal. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio de

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” foi mencionar apenas algumas das primeiras famílias que se

foi mencionar apenas algumas das primeiras famílias que se instalaram no município, pois nos

relatos orais pode ser observado que um grande número de famílias de descendência italiana se

encontrava em Floreal desde seus primórdios. Segundo o relato do Sr. Alberto Lojudice 5 que

chegou ao município por volta de 1934, havia muitos imigrantes italianos e descendentes

residindo nos arredores de Floreal. Quando é questionado sobre a quantidade de italianos o

entrevistado diz:

Tinha bastante. A maioria desses que veio aqui pra Floreal antigamente, a maioria era italiano. Que vê? O pai era italiano, o Pasqualoto era italiano, o Buracini veio primeiro que nós, não sei se um ano ou dois primeiro, era italiano. Tinha um tal de Pichinin era da raça italiana também. Depois veio o Hugo Carvinari, que depois mudou, vendeu o sítio e foi lá pra Pereira Barreto. Esse Hugo também era italiano.

O relato do Sr. Alberto é apenas uma demonstração do número de famílias que residiam

em Floreal e que não consta no “Histórico do Município”, o número real de italianas e

descendentes que se instalaram na localidade nos seus primórdios ainda é desconhecido.

Dona Amábile Maria Tiso Vendramel nos relata de uma forma muito simples a sua versão

para a fundação do município de Floreal, que conta com a iniciativa de dois proprietários de terra,

são eles Cândido Poloni e Procópio Davidoff. Abaixo segue a descrição de Maria:

O Procópio comprou a fazenda alí e ele e o Candinho Poloni falou: Vamo abri uma vila aqui? Aí se juntaram todos, o Candinho Poloni, meu pai, meu tio Pedro, o Santo Silvério e derrubaram um trecho de mato aqui. O Candinho Poloni que deu o terreno pra fazer a cidadinha. Aí levantaram o cruzeiro, fizeram uma capelinha, aí foi chegando o primeiro que colocou venda aqui chamava Carlos Calchi, depois os Verdi [

Dentre os grupos que formaram o município, além da presença de italianos, foi constatado

a presença de espanhóis, que vieram impulsionados pelo avanço da ferrovia como no caso dos

italianos e descendentes e os mineiros, que em sua maioria se instalou na região antes dos grupos

citados anteriormente; saíam de Minas Gerais, estado que ainda sofria com o declínio da

exploração do ouro e vinham para a Noroeste Paulista, região ainda pouco habitada, para abrir

novas propriedades.

Breves Conisderações

5 Entrevista realizada por Giani Vendramel de Oliveira, no município de Floreal, dia 11/09/2006.

de Oliveira, no município de Floreal, dia 11/09/2006. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio
de Oliveira, no município de Floreal, dia 11/09/2006. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” O objetivo deste trabalho foi o de traçar uma

O objetivo deste trabalho foi o de traçar uma breve análise sobre a vinda de imigrantes

italianos para o Brasil e posteriormente para o município de Floreal. Cabe lembrar que o presente

texto é apenas um fragmento de um projeto de pesquisa que teve início durante a graduação e

vem sendo ampliada no programa de pós-graduação em História.

A pesquisa como um todo propõe um estudo sobre o caso ocorrido no atual município de

Floreal, no qual diversos imigrantes italianos e/ou seus descendentes adquiriram pequenas

propriedades rurais, dando enfoque para a trajetória destes sujeitos que percorreram diversas

fazendas do Estado de São Paulo, trabalhando como colonos ou meeiros, até poderem conquistar

a terra almejada. Pretende ainda compreender quais os fatores políticos, econômicos e sociais que

impulsionaram a vinda destes indivíduos para o município em questão e o que possibilitou a

posse de pequenas propriedades rurais.

Referências Bibliográficas

ALVIM, Zuleika M. F. O Brasil italiano (1880 1920). In: FAUSTO, Boris (org). Fazer a América. 2ª ed. São Paulo: Edusp, 2000, p. 383 - 417.

COSTA, Emília Viotti. Da senzala à colônia. 2ª ed. São Paulo: Livraria Ciências Humanas,

1982.

EISENBERG, Peter. Homens esquecidos escravos e trabalhadores livres no Brasil século

XVIII e XIX. Campinas: Editora da Unicamp, 1989.

ELIAS, Rodrigo. Braços para fazer um país. In: Revista Nossa História. Ano 2/ nº 27, outubro,

2005, p. 14 - 19.

MONBEIG, Pierre. Pioneiros e fazendeiros de São Paulo. São Paulo: HUCITEC; Polis, 1984.

PESSANHA, Andréa Santos. Em nome do progresso. In: Revista Nossa História. Ano 2/ nº 27,

outubro, 2005, p. 20 - 22.

ROSSATO, José Carlos. Votuporanga em Três Dimensões. São Paulo: EDICON, 1987.

Votuporanga em Três Dimensões. São Paulo: EDICON, 1987. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio
Votuporanga em Três Dimensões. São Paulo: EDICON, 1987. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI”

– ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” STOLCKE, Verena; HALL, Michael M. A introdução do trabalho

STOLCKE, Verena; HALL, Michael M. A introdução do trabalho livre nas fazendas de café de

São Paulo. In: Revista Brasileira de História. São Paulo, vol. 6, p. 80-120, 1984.

TEDESCO, João Carlos. Um pequeno grande mundo: a família italiana no meio rural. Passo

Fundo: EDIUPF, 2001.

família italiana no meio rural. Passo Fundo: EDIUPF, 2001. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de
família italiana no meio rural. Passo Fundo: EDIUPF, 2001. Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de