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PODER JUDICIÁRIO

Tribunal de Justiça do Estado da Bahia


Gabinete do Desembargador José Olegário Monção Caldas

QUARTA CÂMARA CÍVEL – Câmaras Cíveis Isoladas


PROCESSO N.º 4762-8/2008 - Agravo de Instrumento
Comarca: Salvador∕BA –
Origem: 1ª Vara de Defesa do Consumidor
Agravante: SUL AMÉRICA SEGURO DE SAÚDE S/A
Advogado: ERIKA VALBERDE PONTES E OUTROS
Agravada: ANADJARA SANTANA DE CARVALHO
Advogado: WILKER CAMPOS CHAGAS
Relator: DES. JOSE OLEGÁRIO MONÇÃO CALDAS

D E C I S Ã O

Vistos.
SUL AMERICA SEGURO SAÚDE S/A, pessoa
jurídica de direito privado, interpôs Agravo de
Instrumento contra decisão proferida pela MM.
Juíza de Direito da 1ª Vara Especializada de
Defesa do Consumidor, Comarca desta Capital, nos
autos da Ação Ordinária de Obrigação de Fazer,
com pedido de liminar, contra si promovida por
ANADJARA SANTANA DE CARVALHO.
É que a ilustre julgadora da
Instância, considerando relevante o fundamento
da demanda e o justificado receio de ineficácia
do provimento final, houve por bem de conceder a
tutela initio litis, impondo à Ré promova a
imediata autorização do internamento da Autora
na CLÍNICA DE TRATAMENTO DA OBESIDADE SALUTE

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(AI4762-8/2008 JB)
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BAHIA S/A, arcando com as despesas pertinentes,


inclusive honorários médicos, taxas
hospitalares, medicações e exames, até o
restabelecimento da autora, pena de multa
diária.
Contrapondo-se à medida, lastra-se a
Agravante na ausência dos pressupostos de lei,
justificadores da ordem liminar, especialmente
em vista da inexistência de previsão de
cobertura para “custeio de hospedagem em hotel
de luxo”, revelando-se mesmo abuso de direito, a
teor das cláusulas contratuais do seguro, e
rechaça, por fim, o caráter de urgência que se
pretende conferir ao aludido tratamento.
Pugna pelo provimento do agravo,
atribuindo-se, de logo, os efeitos a que alude a
Lei de Ritos, seu art. 527, inciso II.
O agravo vem no prazo e se faz
acompanhar das peças indispensáveis à sua
interposição.
É o breve relatório.

Decido.
Ao exame dos autos, não vislumbro
identificado o dano potencial, a ensejar o
acautelamento vindicado, afigurando-se motivada

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a decisão de 1º grau, ante expressa previsão


da norma do art. 84, §3º do Código de Defesa do
Consumidor, sobretudo na hipótese de tratamento
de patologia que compromete a saúde,
interferindo na qualidade e na expectativa de
vida do paciente.
Eis o assentado pretoriano:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE


FORNECIMENTO DE SERVIÇO – TUTELA
ANTECIPADA (...) OBESIDADE MÓRBIDA
– LIMITAÇÃO DE COBERTURA – 1. A
limitação de cobertura de doença
graves, tal como a que acomete a
Agravada (obesidade mórbida), é
nula de pleno direito, vez que
frustra expectativas legítimas do
consumidor de ter a prestação dos
serviços contratados, restringindo
direitos imanentes à própria
natureza e objetivos do contrato,
bem como, por violação ao princípio
da boa-fé. 2. Ainda que se
argumente que as seguradoras de
planos de saúde possam limitar a
cobertura a determinadas doenças, a

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cláusula que impõe a negativa de


cobertura para tratamentos e
cirurgias experimentais seria nula,
eis que não dá ao consumidor exata
compreensão da referida restrição,
sendo imprecisa e vaga, conforme os
parágrafos 3º e 4º, do art. 54, do
CDC.(...) Recurso improvido. (TJES
– AI 11019000956 – 3ª C.Cív. – Rel.
Des. Rômulo Taddei – J.
02.04.2002).” (Juris Síntese).

São as razões pelas quais denego a


suspensividade requerida e converto o recurso em
agravo retido.
Publique-se.Intimem-se.
Salvador, (BA) 28 de fevereiro de
2008.

Des. JOSÉ OLEGÁRIO MONÇÃO CALDAS


Relator

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