Вы находитесь на странице: 1из 12

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

PEQUENOS GRUPOS COLABORATIVOS ONLINE: UMA EXPERIÊNCIA INTERATIVA E DIALÓGICA

Alessandra Lisboa da Silva 1

1 Universidade de Brasília/tutora.alelisboa@gmail.com

Resumo: O presente texto apresenta o processo de construção do conhecimento estabelecido em pequenos grupos colaborativos online. A escolha das estratégias didático-pedagógicas de uma disciplina deve incluir aquelas que promovam interação entre o grupo de alunos, e a existência de trabalhos em grupos é constitutiva à abordagem da aprendizagem colaborativa. Caracteriza-se por um estudo empírico realizado em uma disciplina do quinto semestre do curso de Pedagogia da Universidade Aberta do Brasil da Universidade de Brasília, com abordagem qualitativa e de análise de conteúdo que estabelece interação e dialogismo entre os sujeitos e as ferramentas interacionais disponibilizadas no Ambiente Virtual de Aprendizagem (MOODLE). A práxis do educador online mediatizando as ações educativas favorece a eficiência do processo de ensino e aprendizagem. A capacidade de comunicação é uma habilidade essencial na atividade da tutoria online. O tutor precisa transmitir suas mensagens com clareza textual, sem espaço para interpretações dúbias sob a pena de interferir negativamente no processo de aprendizagem dos alunos, uma habilidade que é também essencial no estabelecimento das regras do curso e dos critérios de avaliação. Os dados para análise qualitativa foram extraídos das avaliações da tarefa colaborativa “Você é o professor”, publicada no ambiente virtual de aprendizagem (Moodle) e pelas observações dos seis fóruns de construções e seis fóruns de apresentações dos trabalhos dos pequenos grupos colaborativos online, realizados ao longo da vigência da disciplina Fundamentos da Arte em Educação. Demonstra uma análise preliminar das categorias e percepções individuais dos alunos. Foram utilizados como arcabouço teórico autores como HARASIM (2005), BAKHTIN (1992), BRUFFEE (1984), Pallof & Pratt (2005), entre outros.

Palavras-chave: Tutoria online. Ambiente virtual de aprendizagem. Trabalho Colaborativo. Pequenos grupos colaborativos.

ABSTRACT: This paper presents the process of knowledge construction set in small collaborative groups online. The choice of the didactic and pedagogical strategies of a disciplineshould include those that promote interaction between the student group, and the existence of group work is constitutive of the collaborative learning approach. It is characterized by an empirical study in a discipline of the fifth semester of Pedagogy at the Open University of Brazil University of Brasilia, with qualitative content analysisand establishing interaction and dialogue between individuals and the tools available on the interactional Virtual Learning Environment (MOODLE). The praxis of the teacher mediating online educational activities promotes efficiency of teaching and learning. The ability to communicate is an essential skill in the activity of online tutoring. The tutor needs to transmit

1

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

text messages with clarity, without room for interpretation under the dubious penalty interfere negatively in the process of learning,a skill that is also essential in establishing the rules of the course and assessment criteria. The qualitative data for analysis were drawn from assessments of collaborative task "You're the teacher", published in the virtual learning environment (Moodle) and the observations of six buildings and six boards forums presentations of the work of small online collaborative groups, conducted throughout the duration of the course Fundamentals of Art Education. A preliminary analysis shows the categoriesand perceptions of individual students. Were used as theoretical framework the authors as HARASIM (2005), BAKHTIN (1992), BRUFFEE (1984), Pallof & Pratt (2005), and others.

Keywords: Online tutoring. Virtual Learning Environment. Collaborative Work. Collaborative Small Groups.

1.

Introdução

Os efeitos das mudanças oriundas da expansão do ensino na modalidade educação a distância podem ser notado em todas as esferas sociais, nos progressos tecnológicos e de recursos midiáticos, na expansão do mercado de trabalho e, inevitavelmente na ampliação da oferta de ensino, seja para formação profissional, ou até mesmo para formação continuada e de aperfeiçoamento. A internet é um espaço didático-pedagógico permite a inserção do homem em distintos contextos, em situações reais do uso da linguagem e em interações com os demais atores do processo educativo.

As tecnologias contemporâneas são potencializadoras da capacidade do homem de construir, transformar, modificar o mundo, sendo essencialmente parte da condição humana. Com as grandes mudanças, vivenciamos inovações intensas no contexto educacional. O desenvolvimento constante das tecnologias de comunicação e informação tem alterado esse contexto, principalmente na modalidade de Educação a Distância. Isto tem levado a uma reflexão e interesse entre os educadores, que buscam refletir sobre a educação neste contexto permeado pelas inovações e a constante transformação (SANTOS, 2009).

Desde o e-mail até os chats e as plataformas de aprendizagem educacionais, a comunicação humana mediada pelo computador tem sido uma ferramenta de uso crescente no ensino superior (TELES, 2009). O avanço da educação a distância com os recursos tecnológicos é notável. Surge então um espaço favorável para o aprimoramento da educação online seja por meio das plataformas de ambientes virtuais bem como o uso de ferramentas pedagógicas de apoio ao ensino/aprendizagem. Vários modelos pedagógicos são utilizados em ambientes online, dentre eles o modelo de ensino colaborativo que é objeto de análise empírica do presente ensaio realizado na disciplina Fundamentos da Arte em Educação, turma com dezessete alunos do pólo Alto Paraíso- Goiás, disciplina do 5º semestre do curso de Pedagogia da Universidade Aberta do Brasil/ Universidade de Brasília – UaB/UnB. A análise se deu ao longo da oferta da disciplina no ano de 2010.

Apenas a disponibilização de conteúdos em ambientes virtuais de aprendizagem não garante que a construção do conhecimento seja efetiva. Nos ambientes virtuais de aprendizagem observa-se que alguns fatores favorecem a aprendizagem tais como:

2

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

professores/tutores

capazes

de

motivar

os

alunos,

ambiente

virtual

com

bom

design

instrucional,

feedback

das

atividades

realizadas

pelos

alunos

e

material

didático

bem

elaborado.

Os ambientes virtuais de aprendizagem e as tecnologias contemporâneas de informação e comunicação constituem fundamentos e ferramentas para a contextualização da educação a distância que promovem a interação, cooperação, comunicação e motivação, permitindo assim a diversificar e potencializar as relações inter e intrapessoais.

Nos estudos de Vygotsky, para que tais ações sejam sucedidas, todo o processo de construção do conhecimento precisa ser bem articulado do ponto de vista epistemológico e metodológico. O aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer. (Vygostsky, 1987, p.101).

  • 2. A Tutoria no Curso de Pedagogia

Para compreender o processo de mediação pedagógica nos ambientes virtuais de aprendizagem da UaB/UnB, faz-se necessário refletir um pouco sobre o papel da tutoria no contexto dos cursos de graduação.

Os tutores (presenciais e online) com formação mínima de graduação em Pedagogia, ou em áreas afins, atuando no Pólo de Apoio Presencial, ou na Instituição, têm a função de acompanhar, apoiar, prover suporte e avaliar os estudantes ao longo de sua caminhada. Recebem formação online, antes de iniciarem suas atividades e ao longo do curso, sob a supervisão de um coordenador de tutoria, função ocupada por professores e demais atores sociais do Curso de Pedagogia da Universidade de Brasília. Quanto às funções específicas dos “tutores presenciais” e dos “tutores online”, dependerá do sistema de tutoria adotado pela Instituição e da disponibilidade ou não de profissionais formados em Pedagogia ou áreas de saber afins nos municípios pólos.

Uma das funções mais importantes do tutor online é a de ajudar o aluno no desenvolvimento de seus estudos, motivando a organização e a disciplina como meio de se obter um aprendizado significativo e superar assim, as dificuldades culturais inerentes a modalidade EaD. O papel do tutor online é "mais do que ensinar, trata-se de fazer aprender

(...),

concentrando-se na criação, na gestão e na regulação das situações de aprendizagem"

(Perrenoud, 2000, p.139).

O

tutor

online

atua

como

mediador,

facilitador,

incentivador,

investigador

do

conhecimento, da própria prática e da aprendizagem individual e grupal (ALMEIDA, 2001).

Para atuar online, o tutor deve, primeiramente ter formação acadêmica e capacidade para planejar, acompanhar e avaliar atividades. Ademais, formação pessoal para trabalhar com alunos de vários locais e níveis de aprendizado. Saber cativar os alunos para o curso, ter liderança e comando sobre o grupo de alunos. Exercendo este papel com simpatia e harmonia, o tutor online é uma verdadeira "ponte" de ligação entre o aprendiz e a aprendizagem, mas apropriadamente uma ponte "rolante", que ativamente colabora para que o educando construa aprendizagens significativas.

3

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

Apesar de a educação a distância requerer autonomia do estudante, no Ambiente Virtual de Aprendizagem –AVA - o tutor online é sempre um facilitador do processo de ensino. Por isso, ele é responsável pela iniciativa das discussões, ou seja, é quem dá as diretrizes da discussão, além de alertar, avaliar e acompanhar o desenrolar das atividades. Os tutores online devem estimular os alunos a, por meio da investigação orientada, e conhecer seus próprios modos de aprender, e assim, desenvolver o autodidatismo.

Para Arnaldo Niskier (1999), o educador online reúne as qualidades de um planejador, pedagogo, comunicador, e técnico de informática. Numa visão construtivista, a finalidade da mediação pedagógica é contribuir para que o aluno desenvolva a capacidade de realizar aprendizagens significativas por si mesmo, ampliando, progressivamente, seu nível de autonomia. Diante disso, o tutor pode ser considerado um mediador que dá suporte e atua como orientador da aprendizagem dos alunos.

Pallof & Pratt (2005), evidencia que os alunos virtuais são, ou podem passar a ser, pessoas que pensam criticamente e sabem que o professor atua como facilitador do processo de aprendizagem on-line. Eles sabem também que, uma melhor experiência on-line, exige do aluno responsabilidade no seu processo de aprendizagem. Desse modo, antes de notificar qualquer avaliação de aprendizagem, o tutor deve considerar os aspectos socioeconômicos e culturais dos alunos, na tentativa de ajudá-los a superar os obstáculos e problemas na realização do curso. Assim, é importante que, ao momento da avaliação, o tutor esteja atento a aspectos como: interesse, cooperação e participação nas atividades propostas, bem como identifique os pontos fortes e fracos no desempenho do aluno, dando-lhe subsídio para aprender, e servindo como auxílio nos estilos de aprendizagem e preferências, importantes na hora da avaliação. O fundamental é que o tutor ajude os alunos a entender o papel importante que desempenham no processo de aprendizagem (Palloff & Pratt, 2005), garantia de sucesso no curso.

  • 3. O Curso de Pedagogia e a Disciplina Fundamentos da Arte em Educação

O projeto acadêmico do curso de pedagogia da UAB/UnB, tem como princípio contribuir para tornar realidade à missão da Faculdade de Educação, missão esta entendida como a de formar educadores capazes de intervir na realidade, mediante uma atuação profissional crítica, contextualizada, criativa, ética, coerente e eficaz, buscando a completa realização individual e coletiva. E esta atuação deve, complementarmente, estar envolvida com um projeto de sociedade autônoma, solidária e democrática.

O curso apresenta carga horária total de 3210 horas distribuídas em 11 períodos letivos, conforme Resoluções CNE nº 01 e 02/2002 e Parecer nº 09/2001. A matriz curricular do curso se organiza em disciplinas, totalizando 52 (cinquenta e duas). O curso de Pedagogia está estruturado de maneira que propicie atingir os objetivos:

  • 1. Formar profissionais capazes de articular o fazer e o pensar pedagógicos para

intervir nos mais diversos contextos sócio-culturais e organizacionais que requeiram sua competência;

  • 2. Formar profissionais conscientes de sua historicidade e comprometidos com os

anseios de outros sujeitos, individuais e coletivos, socialmente referencia- dos para

formular, acompanhar e orientar seus projetos educativos;

4

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

3. Preparar educadores capazes de planejar e realizar ações e investigações que os levem a compreender a evolução dos processos cognitivos, emocionais e sociais considerando as diferenças individuais e grupais;

4. Formar profissionais comprometidos com seu processo de auto-educação e de formação continuada. (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2009).

A proposta pedagógica da disciplina Fundamentos da Arte em Educação - FAE, do 5º semestre do curso de Pedagogia da UAB/UnB, traz como pressupostos contribuir para a formação do educador, facilitando a compreensão da importância e da especificidade da arte educação, assim como a distinção entre o conhecimento científico e o conhecimento artístico. Explora vários tipos de arte educação para a sala de aula e a diversidade artística brasileira, assim como o papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN-Arte, bem como aprofunda o conhecimento de novas formas de arte interativa como a ciberarte, que é uma produção artística, produzida com recursos tecnológicos do computador.

A estrutura e recursos utilizados na primeira oferta da disciplina Fundamentos da Arte EM Educação.

A disciplina foi desenvolvida no ambiente virtual de aprendizagem MOODLE, utilizado em todos os cursos de graduação a distância da Universidade de Brasília. Quanto à disposição das ferramentas do Moodle, utilizamos divisão tradicional em três colunas, para delimitar os espaços da sala virtual de aprendizagem (ver Figura 1):

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5

Figura 1 – A tela de abertura da sala virtual da disciplina Fundamentos da Arte em Educação

Na coluna central do ambiente há uma sessão permanente (sempre disponível). Nessa primeira sessão, estão os recursos que ficam disponíveis durante toda a vigência da disciplina, que são:

Fórum de notícias: ferramenta utilizada para divulgação de informes do tutor online, professor supervisor da disciplina e coordenação do curso, organizador das

5

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

atividades a serem realizadas durante a disciplina. O fórum de notícias fica sempre aberto aos alunos do curso; Cafezinho das Artes: é um espaço de bate papo informal, de socialização, que objetiva oportunizar a participação da turma em um espaço livre, dialógico, para compartilhar temas diversos entre alunos/alunos, alunos/tutor online; Netiqueta: são regras de comportamento e conduta nos espaços virtuais de aprendizagem ProgramaFundarte: ementa da disciplina, contendo todo o plano de ensino, cronograma e atividades a serem realizadas pelos alunos; Fórum de Coordenação dos Tutores e Professor: espaço destinado exclusivamente aos tutores online, presencial, professor supervisor da disciplina e coordenadores do curso, para discussões acerca do andamento da disciplina; Fórum de dúvidas: espaço destinado à publicação de dúvidas dos alunos e feedback dos tutores.

Ao longo das dezesseis semanas de aula online, os alunos realizam leituras semanais, atividades, trabalho em grupo colaborativo e discussões das temáticas por toda a turma em fóruns semanais de discussões:

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5

Figura 2 – Tela das cinco primeiras semanas de atividades online

O modelo pedagógico utilizado na disciplina é o do trabalho colaborativo, de maneira que os alunos participam e aprendem uns com os outros. Ao longo da disciplina FAE, os alunos realizaram a tarefa em grupo intitulada “ Você é o Professor”, onde construíram trabalhos colaborativos sobre um tema de sua escolha dentro das três unidades temáticas da disciplina, Arte: fundamentos e breve histórico, Arte na sala de aula e Ciberarte. Em grupos, os participantes não se isolam para realizar atividades individualmente, mas mantêm-se engajados em uma tarefa compartilhada que é construída e mantida pelo e para o grupo. Sendo assim, a aprendizagem em pequenos grupos colaborativos se dá por meio das interações entre alunos-alunos, alunos-tutor online.

6

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

  • 4. Os Pequenos Grupos Colaborativos e Algumas Análises

Harasim et.al (2005) sugere que os grupos possam ser formados pelo professor, pelos alunos ou por ambos. Às vezes é bom deixar os alunos escolherem o próprio grupo, mas esse processo costuma ser complicado demais quando realizado online.

Segundo Harasim et.al (2005), a aprendizagem colaborativa é vista como qualquer atividade na qual duas ou mais pessoas trabalham juntas para criar significado, explorar um tópico ou melhorar habilidades. Já para Bruffee (1984) o trabalho é melhor aprendido em pequenos grupos, nos quais os estudantes alcançam os diagnósticos colaborativamente. Bruffee afirma que a tarefa do professor "deve envolver os alunos numa conversa em tantos pontos no processo de escrita quanto possível". Com base nos estudos de Bruffee, o diálogo entre tutor e alunos provoca o pensamento entre dois pares conhecedor, cada uma contribuindo com uma categoria específica de familiaridade e expertise e a troca de conhecimentos entre alunos/alunos e tutores/alunos permite a aprendizagem colaborativa eficiente.

No início da disciplina os alunos foram convidados a formar os próprios grupos pelos tutores online:

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5

Figura 3 – A tela do tópico “Formação dos Grupos”, publicado no Fórum de Notícias da turma

Após a formação dos pequenos grupos colaborativos, cada grupo numericamente identificado recebeu um espaço próprio para a construção da tarefa colaborativa. A formação dos fóruns dos pequenos grupos aconteceu da seguinte forma:

Fórum do Grupo: um fórum individualizado para cada grupo, onde apenas os integrantes grupos visualizavam os conteúdos de seus respectivos fóruns e tinham acesso a construção da tarefa colaborativa; Fórum de Apresentação do grupo: um fórum individualizado para a

7

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

apresentação dos trabalhos de cada grupo, onde todos os alunos da turma tinham acesso a construção colaborativa da temática escolhida pelo grupo apresentador da semana.

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5

Figura 4 – A tela do espaço “Fórum dos grupos”, alocado no espaço central da sala virtual da disciplina

O trabalho em grupo é difícil em qualquer contexto, mas a natureza assíncrona e textual da rede pode gerar dificuldades de coordenação (HARASIM, 2005). Sendo assim é aconselhável ao tutor atribuir funções aos integrantes dos pequenos grupos colaborativos. Na turma dos alunos de Alto Paraíso - GO, recomendou-se:

“Cada um dos membros do grupo deve ter uma função especifica, como por exemplo: Aluno 1. buscar material e preparar a apresentação inicial; Aluno 2. moderar a discussão da semana; Aluno 3. Elaborar o sumario final da semana. Os grupos têm autonomia para decidir como melhor distribuir as funções, mas o importante é que todos trabalhem de forma igualitária”.

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5

Figura 5 – Colaboração/Imagem do Google.com

8

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

Durante um período estabelecido no cronograma da turma, cada pequeno grupo colaborativo pesquisou e elaborou em equipe o trabalho online relacionado ao ensino da Arte. Na semana seguinte à elaboração da atividade, o grupo- pesquisador apresentou o trabalho em duas ou três telas (duas páginas). Ao apresentar-se à turma, o grupo pesquisador desempenhou o papel de tutores-alunos dos colegas da turma, moderando as ações no ambiente virtual de aprendizagem. Ao todo foram formados seis pequenos grupos colaborativos que construíram os seguintes trabalhos/temas:

Grupo 1: A caçada da rainha em Alto Paraíso de Goiás. Grupo 2: Música popular e folclórica.

Grupo 3: Teatro de consciência ambiental na educação infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Grupo 4: Arte e reciclagem Grupo 5: Informática e o Ambiente Escolar. Grupo 6: A Arte da dança

A escolha livre dos temas dos trabalhos produzidos pelos pequenos grupos colaborativos envolvem um conjunto de referenciais diretamente relacionados à forma dos alunos perceberem o mundo e de se identificar com o contexto cultural em que estão inseridos.

Sobre este raciocínio, aplica-se a reflexão de Mikhail Bakhtin (1992) ao trabalho de criação artística. O lingüista russo refere-se ao autor, não como um sujeito transcendental ou de uma universalidade inseparável, mas sim como integrante de uma época determinada, o que faz com que o indivíduo, interagindo com o mundo e se posicionando frente a ele, expresse sua forma de vê-lo e entendê-lo. O artista, o aluno no caso do presente estudo empírico, se utilizaria da escrita para expressar sua visão de mundo, suas idéias e seu entendimento do contexto que se encontra inserido.

O artista utiliza a palavra para trabalhar o mundo, e, para tanto a palavra deve ser superada de forma imanente, para tornar-se expressão do mundo dos outros e expressão da relação de um Autor com esse mundo. A escrita (a relação do Autor com a língua que ela implica) é o reflexo impresso no dado do material por seu estilo artístico (sua relação da vida e com o mundo da vida e, condicionado por essa relação, sua elaboração do homem e do seu mundo); o estilo artístico não trabalha com as palavras,mas com os componentes do mundo, com os valores do mundo e da vida. (BAKHTIN,1992)

O dialogismo defendido por Bakhtin é abarcado na concepção sociointeracional da linguagem. Deste modo, as práticas discursivas e não as estruturas lingüísticas constituem o cerne do princípio dialógico. Nele, práticas discursivas e estruturas lingüísticas se determinam e se influenciam mutuamente.

Para alguns autores que fizeram parte do referencial teórico da presente pesquisa que originou este artigo Pallof & Pratt (2005), HARASIM et.al (2005), a opção das estratégias pedagógicas deve conter àquelas que privilegiem interação entre os grupos de alunos A política de interação tutor online/aluno deve ser apresentada nas primeiras orientações das

9

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

aulas online. Em algumas instituições, as políticas sobre o feedback do professor aos trabalhos dos alunos, determinam os dias para que os alunos recebem respostas, determinado tipo de resposta no prazo de 24 horas. (PALLOF & PRATT, 2005). Na avaliação individual, entregue pelos alunos ao final da disciplina, sobre a aplicação da disciplina e sobre os 6 trabalhos construídos pelos pequenos grupos colaborativos, havia perguntas referentes ao trabalho em grupo e a atuação do tutor. A análise qualitativa preliminar das percepções individuais de oito alunos da turma reflete como os alunos conectaram-se nos grupos colaborativos. As avaliações foram analisadas de acordo com a metodologia da análise de conteúdo (FRANCO, 2003) que é um conjunto de técnicas que visa adquirir por procedimentos objetivos e sistemáticos, a descrição do conteúdo das mensagens e conhecimentos relativos as variáveis inferidas destas mensagens. Já as categorias, significam uma espécie de sinais significativos que permitem a classificação dos elementos constitutivos das mensagens analisadas.

Categoria analisada

Percepções recorrentes dos alunos

Percentual % da categoria analisada presente nas avaliações

dificuldade na formação do grupo (capacidade de interagir com os colegas de turma e trabalhar em equipe)

Na formação do grupo não teve dificuldade, pois foi muito tranqüilo, procuramos agrupar com as pessoas que possuem mais facilidade para nos comunicar. Aluno 8

0%

divisão das tarefas entre os componentes do grupo (designação de tarefas, atribuições dos componentes dos grupos)

Não houve divisão, o trabalho foi feito junto. Aluno 7

62,5%

interação no fórum do grupo para construção do trabalho ( diálogo entre os participantes, construção colaborativa no fórum do grupo)

Pela falta de entendimento, no fórum de construção do trabalho não houve tanta interação. Aluno 1

75%

O percentual de cada categoria analisada foi calculado a partir do total de percepções recorrentes e explicitadas nas avaliações individuais da disciplina dos 8 alunos analisados.

  • 5. Interação, Dialogismo e Considerações Finais

Considerando as atividades em grupo da disciplina Fundamentos da Arte em Educação como uma estratégia que atende aos pressupostos do Projeto Político Pedagógico do curso de Pedagogia à distância, identificamos espaços férteis para a investigação do dialogismo que pode se manifestar de diferentes formas, seja por oposição, aceitação, consentimento; da

10

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

interatividade e da aprendizagem colaborativa aliada a um planejamento didático-pedagógico que proporciona aos alunos condições de serem mais participativos e colaborativos na construção do conhecimento deles mesmos, dos componentes do grupo e dos demais alunos da turma, mediatizados pelas ações do tutor online.

O mediador do processo de aprendizagem, o tutor online, deve dialogar e atuar como coordenador da ação comunicativa, que deve ser orientada ao entendimento, à compreensão das mensagens e ao intercâmbio dos atos comunicativos, principalmente fundamentado sob a utilização adequada da linguagem. Sendo assim, para que uma comunicação realmente alcance um caráter pedagógico é necessário estar atrelada a realidade do aluno. “É por isso que a experiência verbal individual do homem toma forma e evolui sob o efeito da interação contínua e permanente com os enunciados individuais dos outros”. (BAKHTIN, 1992).

Grande parte da investigação relacionada com grupos colaborativos online enquadra- se no âmbito das comunidades de aprendizagem. Para Harasim et al. (2005) nas redes de aprendizagem participam pessoas das mais diferentes procedências e formações, reunidas num esforço comum de procura de informação, sua compreensão e aplicação. Tal informação pode tornar-se conhecimento à medida que se processa a sua integração, pelo indivíduo, em algo significativo, devido às interações, ações e relações entre os membros de um grupo que vão estabelecendo com as pessoas envolvidas, e pode ser utilizada no tratamento de questões e na resolução de problemas específicos. Estas redes têm a potencialidade de gerar ambientes em que a construção do conhecimento corresponde a um esforço genuíno de colaboração entre todos os participantes que têm à sua disposição um conjunto de recursos cada vez mais rico e diversificado.

Por fim, o modelo da primeira oferta da disciplina Fundamentados da Arte em Educação, gerou grande quantidade de dados, cujas análises já proporcionaram aprimoramentos na segunda oferta da disciplina em 2011. A partir das primeiras análises e de outras que estão em desenvolvimento atualmente, é possível afirmar que o dialogismo, a interação social entre os participantes, favorecedores da aprendizagem colaborativa em pequenos grupos colaborativos, propiciou a construção de trabalhos relacionados à realidade cultural local dos alunos.

Com as análises observou-se que nem tudo funcionou positiva e homogeneamente. O desenho de disciplina online relacionado com trabalhos realizados em pequenos grupos colaborativos, parece apontar, tantos pontos positivos como negativos, na qual facilidades e dificuldades individuais e coletivas foram identificadas na realização da tarefa Você é o professor. Mais estudos, reflexões e relatos de experiências são necessários para que possamos identificar aspectos que influenciaram no sucesso de alguns e fracassos de outros.

Referências

ALMEIDA, Fernando José et al. Educação a Distância: Formação de Professores em Ambientes Virtuais e Colaborativos de Aprendizagem. São Paulo, Projeto NAVE, 2001.

BAKHTIN, Mikhail M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992. BRUFFEE, K. A. Sharing our toys: Cooperative learning versus collaborative learning. Change, v 27 n1, p. 12-19, 1984.

11

ESUD 2011 – VIII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Ouro Preto, 3 – 5 de outubro de 2011 - UNIREDE

FRANCO, Maria Laura P. B. Análise de Contéudo. BrasÌlia: Plano, 2003.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2002.

HARASIM, Linda; TELES, Lúcio; TUROFF, Murray; HILTZ R. Redes de aprendizagem: um guia para ensino e aprendizagem on line.São Paulo: Senac, 2005.

NISKIER, Arnaldo. Educação a Distância: A Tecnologia da Esperança. São Paulo, Loyola,

1999.

PALLOFF, Rena M.; PRATT, Keith. O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes on-line. Porto Alegre: Artmed, 2005.

PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. 3. ed. Tradução de Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Curso de Pedagogia UAB/UnB. Universidade de Brasília. 2009. Brasília.

SANTOS, Aline Renée Benigno.et.al. Hipertexto: uma ferramenta para construção da aprendizagem na educação a distância. Anais eletrônicos do 3o Simpósio Hipertexto e Tecnologia na Educação – redes sociais e de aprendizagem, 2010.

TELES, Lucio França. A aprendizagem por e-learning. Educação a Distância: o estado da arte / Fredric Michael Litto, Manuel Marcos Maciel Formiga (orgs.). São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

VYGOTSKY, Lev S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1987.

12