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ENEGENHARIA DA PRODUÇÃO PROF. MARCELO XAVIER GUTERRES ENGENHARIA ECONÔMICA http://marceloguterres.spaces.live.com/ 1º

ENEGENHARIA DA PRODUÇÃO

PROF. MARCELO XAVIER GUTERRES

ENGENHARIA ECONÔMICA

http://marceloguterres.spaces.live.com/

1º SEMESTRE DE 2008

Índice

 

Página

Capítulo 1 Juros Simples

3

Capítulo 2 Operações de Desconto

9

Capítulo 3 Juros Compostos

14

Capítulo 4 Série de Pagamentos

21

Capítulo 5 Sistemas de Amortização

32

Capítulo 6 Métodos Tradicionais de Análise de Investimentos

42

Capítulo 7 Substituição de Equipamentos

60

Capítulo 8 Análise sob Condições de Risco e Incerteza

Referências Bibliográficas

65

70

CAPÍTULO 1

JUROS SIMPLES

1.1 Introdução

O dinheiro, além de ter a função de facilitar o processo de transações entre os elementos de uma economia, também possibilita o próprio processo de produção de bens e serviços que são transacionados. Esta ação de participar do processo produtivo se dá através do investimento. (Ehrlich, 1983)

Em geral, há numerosas oportunidades de investimento disponíveis aos investidores, às empresas e às agências governamentais. No caso da empresa privada, o investimento contínuo é uma necessidade para que a mesma possa sobreviver no atual mundo competitivo, como já salientava Fleischer (1973). Matérias primas devem ser adquiridas, novos equipamentos devem substituir os equipamentos antigos e obsoletos, novos produtos devem ser desenvolvidos, campanhas de marketing devem ser lançadas, funcionários devem estar sempre atualizados etc. Enfim, existe uma gama enorme de investimentos que podem ser considerados como alternativas da demanda de capital.

Se vivêssemos num mundo com recursos ilimitados de capital, não haveria a necessidade de uma teoria sobre investimentos, pois todas as propostas de aplicação de fundos seriam aceitáveis desde que se obedecesse a um simples critério: a renda total deve exceder o total dos gastos. No mundo real, no entanto, os recursos são limitados e a oferta de capital não é suficiente para a satisfação de toda a demanda de investimentos pelas unidades econômicas. Desta maneira, este livro pretende dar alguma luz ao seguinte problema: dentre as diversas alternativas de investimento disponíveis a uma empresa, quais devem ser selecionadas e quais devem ser rejeitadas, a fim de que ela possa sobreviver a longo prazo?

Nos capítulos que seguem, apresentaremos como se dá a formação e acumulação de capital através de juros simples e compostos, bem como operações de desconto, relações de equivalência entre fluxos de caixa e sistemas de amortização de dívidas. Na seqüência, veremos alguns conceitos importantes como custo de capital e estrutura de capital das empresas. Finalmente, estudaremos os principais métodos de seleção de alternativas de investimento e suas diversas aplicações, tanto sob condições de certeza como sob condições de risco.

1.2 Conceito de juro

Compensação pelo adiamento do consumo

2

O estudo de equivalência entre valores em datas diferentes constitui o objeto da Matemática Financeira. E o elemento fundamental para transposição destes valores no tempo é o juro.

Veja-se, por exemplo, o caso de um indivíduo dotado de uma determinada riqueza. Esta riqueza representa uma possibilidade de consumo imediato para a satisfação das necessidades atuais do indivíduo ou então a possibilidade dele investir num processo produtivo que gerará novas riquezas futuras. Assim, uma pessoa que dispõe de certa riqueza, geralmente concorda em cedê-la a outros, desde que receba uma remuneração que compense o adiantamento do consumo ou a oportunidade perdida de geração de novas riquezas com aquele capital. Esta remuneração pelo direito de uso de uma riqueza durante certo tempo é o que se denomina de juro.

O nível do juro é fixado pelo mercado em função do equilíbrio das forças de oferta e procura, tal qual acontece com os preços dos demais bens econômicos.

Compensação pelo risco assumido

Até o momento vislumbramos a possibilidade do capital emprestado vir a ser devolvido, além do juros, integralmente a seu proprietário original. Supusemos o caso de um empréstimo absolutamente seguro, isento de riscos. Na prática, nunca deve ser abolida a hipótese de perda do capital emprestado. Desta maneira, é natural que a taxa de juros cresça de acordo com o risco do negócio, conforme mostra a figura abaixo.

1.3 Taxa de Juro

Juro

conforme mostra a figura abaixo. 1.3 Taxa de Juro Juro Remuneração pelo risco Juro puro Risco
conforme mostra a figura abaixo. 1.3 Taxa de Juro Juro Remuneração pelo risco Juro puro Risco
conforme mostra a figura abaixo. 1.3 Taxa de Juro Juro Remuneração pelo risco Juro puro Risco

Remuneração pelo risco

Juro puro

Risco

Taxa de juro é definida como a razão entre o juro recebido ao final de um certo período de tempo e o capital inicialmente aplicado.

i =

J

P

(1)

3

onde i é a taxa de juro auferida; J é o valor do juro e P é o valor do capital inicial.

Exemplo:

Determine a taxa de juro cobrada num empréstimo de $1.000,00 a ser quitado por $1.200,00. (R: 20%)

1.4 Capitalização a juros simples

Regime de capitalização é o nome dado ao processo de formação de capital ao longo do tempo, a partir de uma dada riqueza ou capital inicial. O processo de formação de capital pode-se dar através de uma capitalização discreta ou contínua. A primeira ainda pode ser subdividida em capitalização simples e capitalização composta. A seguir veremos como o capital se forma através da capitalização simples.

Capitalização simples

Neste regime os juros são gerados exclusivamente pelo capital inicial. A taxa de juro não incide, pois, sobre os juros acumulados. Neste regime de capitalização a taxa varia linearmente em função do tempo, ou seja, se quisermos converter a taxa diária em mensal, basta multiplicarmos a taxa diária por 30, e assim por diante.

Num intervalo unitário de tempo temos que o juro é calculado isolando-se a variável J da fórmula (1) acima e dado por J = P.i.

Assim, temos que o juro gerado ao final do primeiro intervalo de tempo será calculado por: J 1 = P.i. Ao final do segundo intervalo de tempo o juro será: J 2 = P.i. Ao final do terceiro intervalo de tempo o juro será: J 3 = P.i, e assim sucessivamente, até o juro gerado ao final do n ésimo intervalo de tempo, que será dado por: J n = P.i.

Desta maneira, os juros totais ao final de n intervalos unitários de tempo serão:

J

= J 1 + J 2 + J 3 +

+ J n , que substituídos por P.i, vem:

J

= Pi + Pi + Pi +

+Pi

(“n” parcelas “P.i”),

o

que origina a fórmula para o cálculo dos juros no regime de capitalização simples:

J = P.i.n

(2)

4

Exemplos (Vieira Sobrinho, 1997):

1. Qual o valor dos juros correspondentes a um empréstimo de $10.000,00, pelo prazo de 5 meses, sabendo-se que a taxa cobrada é de 3% ao mês? (R: J = $1.500)

2. Um capital de $25.000,00, aplicado durante 7 meses, rende juros de $7.875,00. Determinar a taxa correspondente. (R: i = 4,5% ao mês)

3. Sabendo-se que os juros de $6.000,00 foram obtidos com aplicação de $7.500,00, à taxa de 8% ao trimestre, pede-se que se calcule o prazo. (R: n = 10 trimestres ou 2,5 anos)

1.5 Montante e Valor Atual

O montante (ou valor futuro), que vamos indicar por F, é igual à soma do capital inicial mais os juros referentes ao período de aplicação:

 

F

= P + J

(3)

Substituindo

a

equação

(2)

na

(3),

obtemos

que

se

denomina

de

“fórmula

fundamental para juros simples”:

 
 

F

= P(1 + i.n)

 

(4)

Se construirmos um gráfico do montante ou valor futuro, F, em função do número de períodos de capitalização, n, observaremos a relação linear existente entre os valores monetários num regime sob capitalização simples.

F

Exemplos (Vieira Sobrinho)

P

sob capitalização simples. F Exemplos (Vieira Sobrinho) P F = P(1 + i.n) (tempo) 1. Calcular
sob capitalização simples. F Exemplos (Vieira Sobrinho) P F = P(1 + i.n) (tempo) 1. Calcular
sob capitalização simples. F Exemplos (Vieira Sobrinho) P F = P(1 + i.n) (tempo) 1. Calcular

F = P(1 + i.n)

(tempo)

5

2.

Determinar o valor atual de um título cujo valor de resgate é de $60.000,00, sabendo-se que a taxa de juros é de 5% ao mês e que faltam quatro meses para seu vencimento. (R:

$50.000)

1.6

Juro Exato e Juro Comercial

Juro exato considera o ano civil com 365 dias e os meses com os números efetivos de dias. Já o juro comercial considera o ano comercial, com 360 dias e o mês com 30 dias.

Exemplo:

Um capital de $30.000 é aplicado por 5 dias à taxa de juros simples de 15% ao mês. Obter o juro exato e o juro comercial, sabendo-se que o mês da operação tem 31 dias.

Solução:

Usando-se a equação (2), temos que:

juro exato:

J = P.i.n = 30.000 x 0,15/31 x 5 = $725,81

juro comercial: J = P.i.n = 30.000 x 0,15/30 x 5 = $750,00

1.7 Operações com Hot money

São operações de curtíssimo prazo (geralmente de um único dia) feitas pelas empresas junto às instituições financeiras. As taxas são formadas em função do mercado interfinanceiro – a taxa CDI over mais um spread cobrado pelo banco que faz a intermediação. É usual que a taxa do hot money seja dada em termos mensais, sendo o critério de cálculo o de juro simples e a convenção de juro comercial.

Exemplo:

Uma empresa recebe um empréstimo de $5milhões através de uma operação de hot money. Supondo que essa operação seja renovada por dois dias úteis, calcule o montante, supondo que no 1 o dia a taxa da operação seja de 2,46% a.m. e no 2 o dia a taxa de operação seja de 2,49% a.m. (não leve em conta o IOF).

1 o dia: J = 5.000.000 x 2,46/3.000 x 1 = $4.100,00

F = $5.004.100,00 F = $5.004.153,40

2 o dia: J = 5.004.100,00 x 2,49/3.000 x 1 = $4.153,40

6

1.8 Problemas sobre capitalização simples

1. Determinar os juros simples obtidos nas seguintes condições:

Capital

Taxa

Prazo

a) $2.000,00

12% a.m.

5 meses

b) $3.000,00

21% a.a.

2 anos

c) $2.000,00

1,3% a.m.

3 anos

d) $6.000,00

15% a.t.

2 anos e meio

2. Qual o montante de uma aplicação de $600.000 a juros simples, durante 5 meses à taxa de 80% a.a.?

3. Um capital de $1.000 é aplicado por um dia, a juros simples e à taxa de 1,5% a.m. Obtenha os juros dessa aplicação, considerando um mês de 30 dias.

4. Bruno aplicou $300.000 pelo prazo de 6 meses e recebeu $90.000 de juros. Calcule a taxa de juros simples semestral da aplicação.

5. Numa aplicação de $3.000, à taxa de juros simples de 10% a.a., o montante recebido foi de $4.800. Determine o prazo da aplicação.

6. Paula aplicou uma certa quantia à taxa de juros simples de 10% a.m., durante 4 meses, resgatando um montante de $740. Obtenha o juro auferido nesta aplicação.

7. Mara aplicou $800 a juros simples e à taxa de 12% a.a. Se ela recebeu $384 de juros, obtenha o prazo da aplicação.

8. Uma geladeira é vendida $5.000 ou então por $1.500 de entrada, mais uma parcela de $4.250 após 4 meses. Qual a taxa mensal de juros simples do utilizada?

9. Um vestido de noiva é vendido a vista por $4.000 ou então por $1.000 de entrada mais uma parcela de $3.500 após 5 meses. Qual a taxa mensal de juross simples do financiamento?

10. Durante quanto tempo um capital deve ser aplicado a juros simples e à taxa de 8% a.a.para que duplique?

11. (Concurso Controlador da Arrecadação Federal) Um capital aplicado à taxa de juros simples e 8% a.m. triplica em que prazo?

9

CAPÍTULO 2

OPERAÇÕES DE DESCONTO

2.1 Conceito de desconto Existem algumas operações no mercado financeiro denominadas de desconto. Estas operações são realizadas quando se conhece o valor futuro (também chamado de valor de resgate, valor nominal, ou ainda, de valor de face) de um título (duplicata, nota promissória, cheque pré-datado etc.) e se quer determinar seu valor atual. O desconto de duplicatas e notas promissórias são muito usados pelas empresas para atender às suas necessidades de capital de giro. O desconto deve ser entendido como a diferença entre o valor futuro e seu valor na data da operação, dado por:

D = N – P

(1)

Onde, D representa o valor do desconto concedido na data atual, N representa o valor nominal do título na data de vencimento e P representa o valor atual ou presente que é recebido pelo possuidor do título, na data atual.

Assim como no caso dos juros, o valor do desconto está associado a uma taxa e a um determinado período de tempo.

Como salienta Vieira Sobrinho (1997, p.47), embora seja freqüente a confusão entre juros e descontos, trata-se de dois critérios distintos, claramente caracterizados. Assim, enquanto no cálculo dos juros a taxa referente ao período da operação incide sobre o capital inicial ou valor presente, no desconto a taxa do período incide sobre o seu montante ou valor futuro.

O desconto pode ser classificado em simples e composto, de maneira similar à

classificação dos juros que se classificam em juros simples e compostos. Assim, o desconto simples, também chamado de comercial ou bancário, envolve cálculos lineares e o desconto composto envolve cálculos exponenciais. Observa Vieira Sobrinho (1997) que este último tipo de desconto não é utilizado em nenhum país do mundo, tendo um interesse meramente teórico.

A seguir descrevemos a metodologia do cálculo do desconto simples junto com

alguns exemplos.

10

2.2 Desconto Simples (ou Bancário ou Comercial)

Um determinado título (nota promissória, letra de câmbio, duplicata etc.) com valor nominal N pode ser resgatado antes da data de seu vencimento por um valor inferior a esse valor nominal.

O desconto simples, utilizado no Brasil de maneira ampla e generalizada, é obtido

multiplicando-se o valor de resgate ou valor nominal de um título pela taxa de desconto e pelo prazo a decorrer até o seu vencimento, ou seja:

D = N x i x n

(2)

Onde D representa o valor monetário do desconto, N é o valor nominal do título recebido, i é a taxa de desconto e n é o prazo.

Para se determinar o valor descontado, basta subtrair o valor do desconto do valor nominal do título, de acordo com a equação abaixo:

P = N – D

(3)

Onde P é o valor presente do título descontado.

Exemplo 1:

Um título que tem um valor nominal de $2.000 é descontado em um banco 90 dias antes do vencimento, à taxa de 2,5% ao mês. Qual o valor do desconto simples?

Dados:

N = $2.000

n = 90 dias = 3 meses i = 2,5% a.m.

D = ?

Solução:

O valor do desconto será: D = 2.000 x 0,025 x 3 = $150,00

Exemplo 2:

Uma duplicata no valor de $6.800 é descontada por um banco, gerando crédito de $6.000 na conta do cliente. Sabendo-se que a taxa cobrada pelo banco é de 3,2% ao mês, determinar o prazo e vencimento da duplicata.

Dados:

N = $6.800

11

P = $6.000

i = 3,2%

n = ?

Solução:

P = N – D ==> D = N – P = 6800 – 6000 = 800

Como D = N x i x n, vem:

800 = 6.800 x 0,032 x n

Portanto,

n

=

800

6800 x 0,032

= 3,6765 meses ou 110 dias

2.3 Operações de Desconto Simples para um borderô de duplicatas

Caso tenhamos um conjunto de títulos (borderô no caso de duplicatas), o valor do desconto será a soma dos valores líquidos de cada título. Para duplicatas de mesmo valor nominal, mas com diferentes maturidades, podemos usar a seguinte fórmula:

D

T

=

N

m

i

t

1

+

t

n

2

(4)

Onde m é o número de títulos e t i é o prazo do título i.

Exemplo:

Calcular o desconto total correspondente ao valor de 5 títulos, no valor de $1.000 cada um,

com vencimentos de 30 a 150 dias (1 a 5 meses) respectivamente. Sabendo-se que o banco cobra uma taxa de desconto de 3% ao mês.

Dados:

Duplicata

Valor

Prazo até o vencimento

D

1 $1.000

1 mês

1.000x0,03x1 =

30

2 $1.000

2

1.000x0,03x2 =

60

3 $1.000

3

1.000x0,03x3 =

90

4 $1.000

4

1.000x0,03x4 = 120 1.000x0,03x5 = 150

5 $1.000

5

Solução:

Σ = 450

12

O mesmo valor de $450 poderia ser obtido diretamente pela fórmula:

D

T

=

1.000 x 5 x 0,03 x

1

+

5

2

= $450

2.4 Operações de desconto com IOF e taxa de administração

Na prática bancária há a cobrança de taxas e impostos, como no exemplo a seguir.

Exemplo:

Uma duplicata de valor igual a $6.000 é descontada em um banco dois meses antes do vencimento, à taxa de desconto comercial ou simples de 2% ao mês. Sabendo que o banco cobra 1% de despesas administrativas e que o IOF é de 0,0041% ao dia sobre o valor financeiro da operação, calcular o valor obtido pelo portador do título.

Dados:

N = 6.000

i = 2% a.m n = 2 meses

Solução:

D = N.i.n = 6.000 x 0,02 x 2 = $240

Despesas administrativas: 1% sobre $6.000 ou 0,01 x 6.000 = $60

IOF: 0,000041 (ao dia) x (6.000-240) x 60 dias = $14,17

Valor líquido obtido: 6.000 – 240 – 60 –14,17 = $5.685,83

obs: Valor bruto = 6.000 – 240 = 5.760

O custo efetivo da operação seria o rendimento equivalente de um investimento de $5.685,83 que proporcionasse um retorno monetário de $6.000 após dois meses.

0

5.685,83

2
2

6.000

Usando-se o conceito de juros compostos, que será visto no próximo capítulo, chega-se ao valor de uma taxa de juros de i = 2,73% a.m., que corresponde ao juro efetivamente cobrado pelo banco. Veja que esta taxa é maior que a taxa nominal da operação de desconto.

13

2.5 Problemas sobre operações de desconto simples:

1. Uma duplicata de $70.000,00, com 90 dias a decorrer até o seu vencimento, foi descontada por um banco à taxa de 2,70% ao mês. Calcular o valor líquido entregue ou creditado ao cliente. ($64.330,00)

2. Calcular o valor do desconto de um título de $100.000,00, com 115 dias a vencer, sabendo-se que a taxa de desconto é de 3% ao mês. ($11.500,00)

3. Sabendo-se que o desconto de uma duplicata no valor de $25.000,00, com 150 dias a vencer, gerou um crédito de $22.075,06 na conta do cliente, determinar a taxa mensal de desconto. (2,34%)

4. Um título de $140.000,00 foi descontado a 33% ao ano, 5 meses antes do seu vencimento. Determinar o valor líquido entregue ao seu portador. ($120.750,00)

5. Determinar o valor nominal ou de face de um título, com 144 dias para o seu vencimento, que descontado à taxa de 48% ao ano proporcionou um valor atual (valor líquido creditado) de $38.784,00. ($48.000,00)

6. Sendo de $3.419,44 o valor do desconto, uma duplicata, descontada à taxa de 3,55% ao mês, 120 dias antes do seu vencimento, calcular o valor creditado na conta do cliente.

($20.661,12)

7. Determinar quantos dias faltam para o vencimento de uma duplicata, no valor de $9.800,00, que sofreu um desconto de $548,50, à taxa de 32% ao ano. (63 dias)

8. Uma empresa desconta uma duplicata no valor de $44.000,00 e com 60 dias de prazo até o vencimento. Sabendo-se que o banco cobra uma taxa de desconto de 5,3% ao mês, calcular o valor creditado na conta dessa empresa e a taxa efetiva de juros, calculada de acordo com o regime de capitalização composta, cobrada nessa operação. ($39.336,00 e 5,76% a.m.)

9. Determine o desconto bancário sofrido por uma promissória de $1.000,00 à taxa de 8% a.m. 3 meses antes do seu vencimento. (Resp.: $240,00)

10. Qual o custo efetivo da operação acima, já que você recebeu $760,00 por um título que vale $1.000,00? Use juros compostos! (Resp.: 9,58% a.m.)

14

CAPÍTULO 3

JUROS COMPOSTOS

3.1 Capitalização composta

No regime sob capitalização composta os juros incidem sobre o capital corrigido, são os juros sobre juros. São também chamados de juros capitalizados. É a forma mais utilizada no Brasil e outros países.

A simbologia é a mesma já conhecida:

F é o montante ou valor futuro

n

é período de tempo ou prazo

P

é o principal ou capital inicial

i

é a taxa de juros

De maneira análoga aos juros simples, o valor do montante após n períodos de capitalização, usando a propriedade distributiva do produto em relação à soma, será:

-ao final do 1 o intervalo unitário de tempo: P + J = P + iP = P(1+i)

-ao final do 2 o intervalo unitário de tempo: P + J = P(1+i) + iP(1+i) = P(1+i) 2

-ao final do 3 o intervalo unitário de tempo: P + J = P(1+i) 2 + iP(1+i) 2 = P(1+i) 3

-ao final do n -ésimo ” intervalo unitário de tempo: P + J = P(1+i) n-1 + iP(1+i) n-1 = P(1+i) n

A última fórmula é denominada de “fórmula fundamental para juros compostos”.

F = P(1+i) n

(1)

Nesta equação temos quatro variáveis: F, P, i e n. Conhecendo-se três delas, a outra poderá ser determinada.

Abaixo apresentamos, graficamente, uma comparação entre a capitalização a juro simples e a juro composto aplicadas a um capital inicial de $100. Observa-se que a linha que representa a capitalização a juro simples é linear, enquanto que a linha que representa a capitalização a juro composto é exponencial. Para intervalos de tempo menores que o intervalo unitário, a capitalização a juro simples proporciona um montante maior, enquanto que para intervalos maiores que a unidade, o montante determinado a juro composto sempre será maior.

15

Exemplos:

F Juros compostos Juros simples $100 1 2 3 4 5
F
Juros compostos
Juros simples
$100
1
2
3
4
5

n

1. Determine o valor futuro de $1.000,00 aplicados a uma taxa de 10% a. m. por três meses, a juro composto.

Dados:

P

= 1.000,00

n

= 3 meses

i = 10% a. m.

F = ?

Solução:

Usando-se a fórmula fundamental para juros compostos, o montante após três períodos de tempo será de:

F =

3

1.000

×

(1

+

0,1)

3

=

1.331,00

Exemplo usando a calculadora financeira HP 12C:

Nesta calculadora, temos a seguinte correspondência entre as variáveis até agora estudadas e a sua notação nas teclas da calculadora:

F

FV (future value)

P

PV (present value)

n

n (número de períodos)

16

i i (taxa, sempre na forma percentual)

2. Miguel aplicou $200 a uma taxa de 15% a.m., por 3 meses. Quanto obteve de juros e quanto resgatou?

Dados:

P ou PV= 200,00

n = 3 meses i = 15% a. m.

Solução pela HP12c:

Queremos FV = ?

Teclas

F clear FIN 200 CHS

F c l e a r F I N 200 CHS

Visor Significado

limpa a memória financeira

- 200,00 fluxo de caixa negativo (aplicação)

15

i

15,00

taxa de juros

3

n

3,00

prazo de aplicação

FV

 

304,18

montante final

RCL PV

- 200,00 capital inicial

+

104,18 juros auferidos

3.2 Equivalência entre taxas

Dizemos que uma taxa mensal (i m ) é equivalente a uma taxa anual (i a ) quando aplicadas a um mesmo capital inicial produzem o mesmo montante final. Graficamente, temos a seguinte situação:

i m , 12 vezes P F 1/jan 31/dez i a , 1 vez P
i m , 12 vezes
P
F
1/jan
31/dez
i a , 1 vez
P
F
1/jan
31/dez
Algebricamente, temos o seguinte:

17

para determinar a taxa anual equivalente a uma taxa mensal qualquer, temos:

P(1 + i m ) 12 = P(1 + i a ) 1 , isolando-se i a , vem:

i a = (1 + i m ) 12 – 1

(taxa anual equivalente)

para determinar a taxa mensal equivalente a uma taxa anual qualquer, temos:

P(1 + i m ) 12 = P(1 + i a ) 1 , isolando-se i m , vem:

i = 12 1 + i − 1 m a
i
=
12
1
+
i
1
m
a

ou i m =(1 + i a ) 1/12 – 1 (taxa mensal equivalente)

As equações acima também podem ser adaptadas para estabelecer a equivalência entre taxas para outras periodicidades. Assim, para se determinar a taxa trimestral equivalente a uma taxa anual, a fórmula seria:

i

t

Exemplo:

=

a uma taxa anual, a fórmula seria: i t Exemplo: = − 1 ou i t

1

ou i t =(1 + i a ) 1/4 – 1 (taxa trimestral equivalente)

1. Determinar a taxa anual equivalente a 0,5% a.m. (caderneta de poupança).

Dados:

i m = 0,5% i a = ?

Solução:

i a = (1 + 0,005) 12 – 1 i a = 0,0617 ou 6,17% a.a.

2. Determinar a taxa mensal equivalente a 60,103% a.a.

Dados:

i a = 60,103% i m = ?

Solução:

i m = (1 + 0,60103) 1/12 – 1 i m = 0,04 ou 4% a.m.

18

3. Dada a taxa over de 23% ao ano, determine a taxa equivalente diária. Use 252 dias úteis.

Dados:

i a = 23% (com 252 dias úteis) i d = ?

Solução:

i d = (1 + 0,23) 1/252 –1 = i d = 0,000822 ou 0,0822% ao dia

3.3 Taxa nominal e taxa efetiva

Taxa nominal Chama-se taxa nominal de juros à taxa onde o período ao qual ela está referenciada não coincide com o período de tempo em que os juros são capitalizados. Por exemplo, a caderneta de poupança paga uma taxa de 6% ao ano com capitalização mensal. Este tipo de taxa é muito mencionada no mercado financeiro nacional e internacional. Observa-se que nos cálculos financeiros é necessário calcular a taxa em que os juros são efetivamente capitalizados.

Taxa efetiva Define-se taxa efetiva de juros como a taxa onde o período ao qual ela está referenciada coincide com o período de tempo em que os juros são capitalizados. Por exemplo, a taxa de 0,5% ao mês com capitalização mensal é uma taxa efetiva. É prática do mercado, para o caso de taxas efetivas, não especificar o período no qual os juros são capitalizados. Assim, no exemplo acima, diz-se apenas que a taxa efetiva é de 0,5% ao mês. Saber determinar o valor da taxa efetiva de um contrato é importante, pois é ela que representa o verdadeiro custo de uma operação financeira.

Exemplos

1. Calcule a taxa efetiva, sabendo-se que a taxa nominal é de 60% ao ano com capitalização mensal.

Solução:

i

e

=

60%

12

= 5%

19

2. Dada uma taxa nominal de 12% ao ano com capitalização trimestral, determine a taxa efetiva.

Solução:

i

12%

=

e 4

= 3%

20

3.4 Problemas sobre capitalização composta

1. Uma pessoa toma $100.000 emprestado, a juros de 2% a.m., pelo prazo de 10 meses com capitalização composta. Qual o montante a ser devolvido? (Resp.: $121.899,40)

2. Quanto deve ser aplicado hoje para que se configurem $10.000,00 de juros ao fim de 5 anos, se a taxa de juros for de 4% a.trimestre? (Resp.: $8.395,44)

3. Qual a taxa efetiva anual cobrada em relação a 18% a.a. capitalizados mensalmente? (Resp.: 19,56%)

4. Qual a taxa efetiva mensal de 24% ao ano com capitalização semestral? (Resp.: 1,9%)

5. Rishi Singh tem $1500 para investir. Seus conselheiros de investimentos sugerem um investimento que não pague juros determinados, mas que gere um retorno de $2000 ao final de três anos.

a. Qual a taxa de retorno que o senhor Rishi terá ganho com esse investimento? (Resp.: 10,06% a.a.)

b. O senhor Rishi está considerando outros investimentos, de igual risco, os quais geram um retorno de 8% ao ano. Qual o investimento deve ser realizado e por quê?

6. João esteve procurando um empréstimo para financiar a compra de seu carro novo. Encontrou três possibilidades que parecem atraentes e deseja selecionar aquela que apresenta taxa de juros mais baixa. As informações disponíveis com relação a cada uma das três alternativas de empréstimos de $5.000 seguem baixo:

Empréstimo

Principal

($)

Empréstimo Principal ($) A 5.000 B 5.000 C 5.000 Pagamento Prazo anual ($) (anos)

A

5.000

B

5.000

C

5.000

Pagamento

Prazo

anual ($)

(anos)

1.352,81

5

1.543,21

4

2.010,45

3

a. Determine a taxa de juros relativa a cada um dos empréstimos. (Resp. 11%; 9%;

10%)

b. Qual empréstimo o senhor João deveria realizar?

7. René deseja determinar o valor futuro ao final de dois anos, de um depósito de $15.000 feito em uma conta que paga taxa de juros nominal anual de 12%. Encontre o valor futuro do depósito de René, supondo que os juros sejam capitalizados: (1) anualmente; (2) trimestralmente; (3) mensalmente; (4) continuamente. (Resp.: $18816,00; $19001,55; $19046,02; $19068,74)

14

CAPÍTULO 3

JUROS COMPOSTOS

3.1 Capitalização composta

No regime sob capitalização composta os juros incidem sobre o capital corrigido, são os juros sobre juros. São também chamados de juros capitalizados. É a forma mais utilizada no Brasil e outros países.

A simbologia é a mesma já conhecida:

F é o montante ou valor futuro

n

é período de tempo ou prazo

P

é o principal ou capital inicial

i

é a taxa de juros

De maneira análoga aos juros simples, o valor do montante após n períodos de capitalização, usando a propriedade distributiva do produto em relação à soma, será:

-ao final do 1 o intervalo unitário de tempo: P + J = P + iP = P(1+i)

-ao final do 2 o intervalo unitário de tempo: P + J = P(1+i) + iP(1+i) = P(1+i) 2

-ao final do 3 o intervalo unitário de tempo: P + J = P(1+i) 2 + iP(1+i) 2 = P(1+i) 3

-ao final do n -ésimo ” intervalo unitário de tempo: P + J = P(1+i) n-1 + iP(1+i) n-1 = P(1+i) n

A última fórmula é denominada de “fórmula fundamental para juros compostos”.

F = P(1+i) n

(1)

Nesta equação temos quatro variáveis: F, P, i e n. Conhecendo-se três delas, a outra poderá ser determinada.

Abaixo apresentamos, graficamente, uma comparação entre a capitalização a juro simples e a juro composto aplicadas a um capital inicial de $100. Observa-se que a linha que representa a capitalização a juro simples é linear, enquanto que a linha que representa a capitalização a juro composto é exponencial. Para intervalos de tempo menores que o intervalo unitário, a capitalização a juro simples proporciona um montante maior, enquanto que para intervalos maiores que a unidade, o montante determinado a juro composto sempre será maior.

15

Exemplos:

F Juros compostos Juros simples $100 1 2 3 4 5
F
Juros compostos
Juros simples
$100
1
2
3
4
5

n

1. Determine o valor futuro de $1.000,00 aplicados a uma taxa de 10% a. m. por três meses, a juro composto.

Dados:

P

= 1.000,00

n

= 3 meses

i = 10% a. m.

F = ?

Solução:

Usando-se a fórmula fundamental para juros compostos, o montante após três períodos de tempo será de:

F =

3

1.000

×

(1

+

0,1)

3

=

1.331,00

Exemplo usando a calculadora financeira HP 12C:

Nesta calculadora, temos a seguinte correspondência entre as variáveis até agora estudadas e a sua notação nas teclas da calculadora:

F

FV (future value)

P

PV (present value)

n

n (número de períodos)

16

i i (taxa, sempre na forma percentual)

2. Miguel aplicou $200 a uma taxa de 15% a.m., por 3 meses. Quanto obteve de juros e quanto resgatou?

Dados:

P ou PV= 200,00

n = 3 meses i = 15% a. m.

Solução pela HP12c:

Queremos FV = ?

Teclas

F clear FIN 200 CHS

F c l e a r F I N 200 CHS

Visor Significado

limpa a memória financeira

- 200,00 fluxo de caixa negativo (aplicação)

15

i

15,00

taxa de juros

3

n

3,00

prazo de aplicação

FV

 

304,18

montante final

RCL PV

- 200,00 capital inicial

+

104,18 juros auferidos

3.2 Equivalência entre taxas

Dizemos que uma taxa mensal (i m ) é equivalente a uma taxa anual (i a ) quando aplicadas a um mesmo capital inicial produzem o mesmo montante final. Graficamente, temos a seguinte situação:

i m , 12 vezes P F 1/jan 31/dez i a , 1 vez P
i m , 12 vezes
P
F
1/jan
31/dez
i a , 1 vez
P
F
1/jan
31/dez
Algebricamente, temos o seguinte:

17

para determinar a taxa anual equivalente a uma taxa mensal qualquer, temos:

P(1 + i m ) 12 = P(1 + i a ) 1 , isolando-se i a , vem:

i a = (1 + i m ) 12 – 1

(taxa anual equivalente)

para determinar a taxa mensal equivalente a uma taxa anual qualquer, temos:

P(1 + i m ) 12 = P(1 + i a ) 1 , isolando-se i m , vem:

i = 12 1 + i − 1 m a
i
=
12
1
+
i
1
m
a

ou i m =(1 + i a ) 1/12 – 1 (taxa mensal equivalente)

As equações acima também podem ser adaptadas para estabelecer a equivalência entre taxas para outras periodicidades. Assim, para se determinar a taxa trimestral equivalente a uma taxa anual, a fórmula seria:

i

t

Exemplo:

=

a uma taxa anual, a fórmula seria: i t Exemplo: = − 1 ou i t

1

ou i t =(1 + i a ) 1/4 – 1 (taxa trimestral equivalente)

1. Determinar a taxa anual equivalente a 0,5% a.m. (caderneta de poupança).

Dados:

i m = 0,5% i a = ?

Solução:

i a = (1 + 0,005) 12 – 1 i a = 0,0617 ou 6,17% a.a.

2. Determinar a taxa mensal equivalente a 60,103% a.a.

Dados:

i a = 60,103% i m = ?

Solução:

i m = (1 + 0,60103) 1/12 – 1 i m = 0,04 ou 4% a.m.

18

3. Dada a taxa over de 23% ao ano, determine a taxa equivalente diária. Use 252 dias úteis.

Dados:

i a = 23% (com 252 dias úteis) i d = ?

Solução:

i d = (1 + 0,23) 1/252 –1 = i d = 0,000822 ou 0,0822% ao dia

3.3 Taxa nominal e taxa efetiva

Taxa nominal Chama-se taxa nominal de juros à taxa onde o período ao qual ela está referenciada não coincide com o período de tempo em que os juros são capitalizados. Por exemplo, a caderneta de poupança paga uma taxa de 6% ao ano com capitalização mensal. Este tipo de taxa é muito mencionada no mercado financeiro nacional e internacional. Observa-se que nos cálculos financeiros é necessário calcular a taxa em que os juros são efetivamente capitalizados.

Taxa efetiva Define-se taxa efetiva de juros como a taxa onde o período ao qual ela está referenciada coincide com o período de tempo em que os juros são capitalizados. Por exemplo, a taxa de 0,5% ao mês com capitalização mensal é uma taxa efetiva. É prática do mercado, para o caso de taxas efetivas, não especificar o período no qual os juros são capitalizados. Assim, no exemplo acima, diz-se apenas que a taxa efetiva é de 0,5% ao mês. Saber determinar o valor da taxa efetiva de um contrato é importante, pois é ela que representa o verdadeiro custo de uma operação financeira.

Exemplos

1. Calcule a taxa efetiva, sabendo-se que a taxa nominal é de 60% ao ano com capitalização mensal.

Solução:

i

e

=

60%

12

= 5%

19

2. Dada uma taxa nominal de 12% ao ano com capitalização trimestral, determine a taxa efetiva.

Solução:

i

12%

=

e 4

= 3%

20

3.4 Problemas sobre capitalização composta

1. Uma pessoa toma $100.000 emprestado, a juros de 2% a.m., pelo prazo de 10 meses com capitalização composta. Qual o montante a ser devolvido? (Resp.: $121.899,40)

2. Quanto deve ser aplicado hoje para que se configurem $10.000,00 de juros ao fim de 5 anos, se a taxa de juros for de 4% a.trimestre? (Resp.: $8.395,44)

3. Qual a taxa efetiva anual cobrada em relação a 18% a.a. capitalizados mensalmente? (Resp.: 19,56%)

4. Qual a taxa efetiva mensal de 24% ao ano com capitalização semestral? (Resp.: 1,9%)

5. Rishi Singh tem $1500 para investir. Seus conselheiros de investimentos sugerem um investimento que não pague juros determinados, mas que gere um retorno de $2000 ao final de três anos.

a. Qual a taxa de retorno que o senhor Rishi terá ganho com esse investimento? (Resp.: 10,06% a.a.)

b. O senhor Rishi está considerando outros investimentos, de igual risco, os quais geram um retorno de 8% ao ano. Qual o investimento deve ser realizado e por quê?

6. João esteve procurando um empréstimo para financiar a compra de seu carro novo. Encontrou três possibilidades que parecem atraentes e deseja selecionar aquela que apresenta taxa de juros mais baixa. As informações disponíveis com relação a cada uma das três alternativas de empréstimos de $5.000 seguem baixo:

Empréstimo

Principal

($)

Empréstimo Principal ($) A 5.000 B 5.000 C 5.000 Pagamento Prazo anual ($) (anos)

A

5.000

B

5.000

C

5.000

Pagamento

Prazo

anual ($)

(anos)

1.352,81

5

1.543,21

4

2.010,45

3

a. Determine a taxa de juros relativa a cada um dos empréstimos. (Resp. 11%; 9%;

10%)

b. Qual empréstimo o senhor João deveria realizar?

7. René deseja determinar o valor futuro ao final de dois anos, de um depósito de $15.000 feito em uma conta que paga taxa de juros nominal anual de 12%. Encontre o valor futuro do depósito de René, supondo que os juros sejam capitalizados: (1) anualmente; (2) trimestralmente; (3) mensalmente; (4) continuamente. (Resp.: $18816,00; $19001,55; $19046,02; $19068,74)

˜

´

PROGRESS OES, LOGARITMOS E MATEM ATICA FINANCEIRA

Martha Salerno Monteiro Departamento de Matem´atica CAEM - IME-USP

A primeira parte desta apostila cont´em um resumo do conteudo´ da referˆencia [1] que conta a

hist´oria do logaritmo. Acrescentamos atividades que tˆem como objetivo ajudar a compreender as id´eias envolvidas na cria¸c˜ao dos logaritmos. Na segunda parte relacionamos essa teoria a` matem´atica financeira e ao numero´ e.

Uma id´eia importante sobre as progress˜oes

A tabela a seguir mostra uma Progress˜ao Geom´etrica (PG) colocada ao lado de uma Progress˜ao

Aritm´etica (PA), de modo que o numero´

1 na PG corresponda ao numero´

0 na PA.

PG PA 1/9 -4 1/3 -2 1 0 3 2 9 4 27 6 81
PG
PA
1/9
-4
1/3
-2
1
0
3
2
9
4
27
6
81
8
243
10
729
12
2.187
14
6.561
16
19.683
18

Nessa tabela notamos, por exemplo, que o numero´

243 corresponde ao numero´

27, na primeira coluna, corresponde ao numero´ 10; e o produto 27 × 243 = 6561 corresponde a`

1 = 81

6 na segunda; o numero´

soma 6 + 10 (confira!). Notamos tamb´em que

corresponde a 10 + (2) = 8, e ainda que 3 4 = 81 corresponde a 2 × 4 = 8.

9 1 × 9 = 1 corresponde a 4 + 4 = 0, que 243 ×

3

Vocˆe n˜ao fica curioso em saber se:

(a)

´e coincidˆencia?

(b)

valeriam resultados an´alogos com outros numeros´

quaisquer da tabela?

(c)

valeriam as mesmas propriedades em outras tabelas com diferentes progress˜oes?

Para tentar responder, fa¸camos a atividade abaixo.

1

Atividade 1.

1. Invente uma nova tabela com termos consecutivos de uma PG na primeira coluna e de uma PA na segunda, fazendo corresponder ao numero´ 1 da PG o numero´ 0 na PA.

2. Para essa nova tabela, experimente calcular v´arios produtos de termos da PG e a soma dos termos correspondentes na PA. Verifique se os resultados se correspondem.

3. Verifique se seus colegas chegaram a` mesma conclus˜ao e responda a` pergunta (c) acima.

A conclus˜ao a` qual vocˆe deve ter chegado na Atividade 2 foi percebida em meados do s´eculo XVI. De fato, em 1554, Michael Stifel, em seu livro Arithmetica Integra, colocou lado a lado uma progress˜ao geom´etrica e uma aritm´etica, e estabeleceu as seguintes rela¸c˜oes (embora usando outra terminologia):

produto na primeira corresponde a adi¸c˜ao na segunda; quociente na primeira corresponde a diferen¸ca na segunda; potˆencia na primeira corresponde a produto na segunda; raiz na primeira corresponde a quociente na segunda.

Para os padr˜oes atuais ´e exigido maior rigor para que seja aceito um fato como verdade. Vamos provar o primeiro dos resultados acima enunciados na seguinte atividade. Os demais resultados podem ser provados de forma an´aloga.

Atividade 2.

1. Escreva o termo geral a n de uma P.G. com termo inicial igual a 1.

2. Escreva o termo geral b n de uma P.A. com termo inicial igual a 0.

3. Calcule a n · a m e escreva o resultado em forma de uma unica´

potˆencia.

4. Calcule b n + b m e escreva o resultado em forma de um unico´

produto.

5. Com base no resultado obtido nos itens anteriores, como vocˆe responde a quest˜ao (a) acima?

Tudo leva a crer que esta maneira de relacionar as progress˜oes tenha inspirado a cria¸c˜ao dos logaritmos.

Conside agora a Tabela 2 a seguir. Trata-se de uma tabela de “logaritmos de base 2”. A cada numero´ a` esquerda corresponde um numero´ a` direita, chamado seu logaritmo. Por exemplo, dizemos que o logaritmo de 512 na base 2 ´e 9. Para obtermos o produto de dois numeros´ que est˜ao na coluna da esquerda primeiramente somamos seus logaritmos. O resultado dessa soma ´e o logaritmo

2

do produto. Para achar o produto, basta ler na tabela, da direita para a esquerda, qual o numero´ que tem aquele logaritmo. Por exemplo, calculemos o produto 8 · 128 :

128

7

×

+

8

3

− − −−

− − −

(1.024)

10

Note que deixamos de fazer diretamente a multiplica¸c˜ao e, em vez disso, efetuamos uma adi¸c˜ao. Repare que a maneira como escolhemos para indicar o que foi feito n˜ao ´e a convencional, mas acreditamos que seja sugestiva. Na nota¸c˜ao usual (e rigorosa) de logaritmos, escrever´ıamos:

Como

log 2 (8 · 128) = log 2 8 + log 2 128 = 3 + 7 = 10 = log 2 1.024

conclu´ımos que

Tabela 2

8 · 128 = 1.024

P.G. P.A. 1 0 2 1 4 2 8 3 16 4 32 5 64
P.G.
P.A.
1
0
2
1
4
2
8
3
16
4
32
5
64
6
128
7
256
8
512
9
1.024
10
2.048
11
4.096
12
8.192
13
16.384
14
32.768
15
65.536
16
131.072
17
262.144
18
524.588
19
1.048.576
20

Atividade 3. Calcular as opera¸c˜oes indicadas sem efetu´a-las diretamente, mas usando a t´abua de logaritmos.

3

(i) 256 · 16 = (iii) 32 · 1.024 = (v) 256 2 = (vii)8.192 ÷ 512 =

(ix)

32.768 =

3

(ii) 512 · 2.048 = (iv) 16.384 · 16 = (vi) 64 3 = (viii) 1.048.576 ÷ 2.048 = (x) 1.024 5 =

1

Atividade 4. Use a t´abua anterior para verificar que a m´edia aritm´etica dos numeros´ 5 e 9

correspondentes na coluna da

(na coluna da direita) corresponde a` m´edia geom´etrica dos numeros´ esquerda. Ser´a que foi coincidˆencia ou ´e um fato geral?

Mais quest˜oes intrigantes. Seja a n um termo gen´erico da PG da t´abua acima.

1. Escreva a n na forma de potˆencia da base.

2. Determine o valor de log 2 (a n ).

3. Quanto ´e 2 log 2 (a n ) ?

4. Qual o valor de log 2 (2 k )?

Uma t´abua de logaritmos de base b qualquer (b > 0, b

= 1), ´e uma tabela em que se colocam

uma PG ao lado de uma PA de modo que os numeros´ 1 e b na PG correspondem respectivamente

aos numeros´

0 e 1 da PA. Qual o valor de log b (b n )?

S˜ao conhecidas as seguintes propriedades (exclusivas) dos logaritmos:

que valem para qualquer numero´

numeros´

reais x > 0 e y > 0.

log b (xy) = log b x + log b y

log b ( x ) = log b x log b y

y

log b (x k ) = k · log b x

log b x

1

k

log b ( x) =

k

natural k

= 0, qualquer base b tal que

b

>

0, b

(1)

(2)

(3)

(4)

= 1, e quaisquer

Os alunos, em geral, decoram-nas sem conseguir fornecer um argumento que explique porque elas s˜ao verdadeiras. Devemos ter consciˆencia de que as demonstra¸c˜oes dessas propriedades em toda sua generalidade exige racioc´ınio bastante abstrato e, portanto, de dif´ıcil compreens˜ao. Entretanto, a demonstra¸c˜ao pode ser simples e acess´ıvel em alguns casos especiais, e vale a` pena ser feita com os alunos para que eles aproveitem a oportunidade de desenvolver esse tipo de habilidade. Vamos ver como fica a demonstra¸c˜ao da primeira propriedade dos logaritmos no caso em que x = b n e y = b m .

4

Notemos primeiramente que log b (b n ) = n e, portanto teremos que log b x + log b y = log b b n + log b b m = n + m. Assim,

log b (x · y) = log b (b n · b m ) = log b (b n+m ) = n + m = log b x + log b y

Atividade 5. Demonstre a validade das propriedades 2 a 4 acima no caso especial em que x = b n

e y = b m , sendo m e n numeros´

naturais.

Quest˜oes para reflex˜ao:

(a) Em qualquer tabela de logaritmo, a m´edia aritm´etica de dois termos quaisquer da PA corresponde a` m´edia geom´etrica dos termos correspondentes na PG. Por quˆe? (b) Qual a base do logaritmo que aparece na tabela 1?

Uma grande descoberta envolve a solu¸c˜ao de um grande problema, mas h´a uma semente de descoberta na solu¸c˜ao de qualquer problema. Seu problema pode ser modesto; por´em, se ele desafiar sua curiosidade e fizer funcionar sua capacidade de criar, e caso vocˆe o resolva sozinho, ent˜ao vocˆe poder´a experimentar a tens˜ao e o prazer do triunfo da descoberta.

George Polya

Em nossas aulas, ´e importante que proporcionemos ao aluno a oportunidade de fazer descobertas por si s´o, tanto para solu¸c˜oes de problemas, como na constru¸c˜ao de significados e compreens˜ao dos conceitos. Quando o pr´oprio aluno consegue perceber sozinho uma determinada propriedade, ela passa a fazer sentido para ele, a fazer parte de seu repert´orio de conhecimento, a ser usada com naturalidade, em vez de ser apenas algo a ser decorado e nunca lembrado. As atividades at´e aqui tiveram esse objetivo: dar significado as` propriedades do logaritmo.

O que ´e logaritmo?

Os logaritmos foram inventados, de maneira independente, por John Napier (1550 - 1617), bar˜ao escocˆes, te´ologo e matem´atico, e por Jost Bur¨ gi (1552 - 1632), su´ı¸co, matem´atico e fabricante de instrumentos astronˆomicos. Sem que nenhum tivesse conhecimento do outro, tabelas de logaritmos foram publicadas por Napier em 1614 e por Burgi¨ em 1620. Ambos procuravam resolver o problema de simplificar as longas opera¸c˜oes de multiplica¸c˜ao e divis˜ao que os recentes desenvolvimentos da Astronomia e da Navega¸c˜ao vinham exigindo, tanto envolvendo numeros´ muito grandes como fra¸c˜oes muito pequenas.

´

E importante saber que, no final do s´eculo XVI, n˜ao havia a nota¸c˜ao de potˆencias para abreviar

produtos repetidos de mesmo valor.

Vamos tentar compreender a id´eia que eles tiveram. Vocˆes devem ter notado que a tabela 2 acima ´e bastante incompleta, j´a que com ela s´o conseguimos

que l´a est˜ao, que s˜ao apenas os da forma 2 n com n natural.

calcular opera¸c˜oes envolvendo os numeros´

5

Para que a tabela seja util,´

produto como, por exemplo, 47 × 520.

temos que fazˆe-la muito maior, de modo que possamos calcular qualquer

A id´eia de Napier e de Burgi¨ foi justamente a de tornar a tabela mais completa, de modo que se pudesse calcular v´arios produtos e n˜ao apenas os produtos de potˆencias naturais da base. Em outras palavras, eles conseguiram escrever qualquer numero´ x como potˆencia (n˜ao necessariamente inteira) da base b. Iremos agora conhecer um pouquinho de como o problema foi resolvido, para que possamos entendˆe-lo e apreci´a-lo. Isto requer considerar potˆencias com outros expoentes al´em dos naturais:

expoentes fracion´arios, negativos ou at´e irracionais. N˜ao faremos aqui um estudo sobre potˆencias com tais expoentes, mas iremos us´a-los a partir daqui. O leitor interessado em aprofundar o esse t´opico poder´a encontrar no cap´ıtulo 2 de [2] um texto bastante completo sobre potˆencias. Tamb´em ser´a necess´ario usar um processo de aproxima¸c˜oes sucessivas. Trata-se de um pro- cedimento que envolve id´eias muito ricas, bastante usadas em resolu¸c˜oes de problemas num´ericos importantes. Napier publicou trˆes tabelas que, juntas, calculavam com precis˜ao at´e a s´etima casa decimal, os logaritmos dos numeros´ 4.998.609, 4034 a 10.000.000. Ele trabalhou 20 anos para produzir esse trabalho. Briggs (1556 - 1630), um professor de matem´atica em Oxford, empolgado com a id´eia de Napier quis conhecˆe-lo pessoalmente, sugeriu algumas modifica¸c˜oes e continuou o trabalho de Napier, produzindo tabelas de logaritmo na base 10 com precis˜ao de 15 casas decimais. Reproduzimos abaixo um pequen´ıssimo trecho da tabela de Briggs, copiando os valores apenas at´e a sexta casa decimal.

a log 10 a 1 0 1, 074608 0, 031250 1, 154782 0, 062500 1,
a
log 10 a
1
0
1, 074608
0, 031250
1, 154782
0, 062500
1, 333521
0, 125000
1, 778279
0, 250000
3, 162277
0, 500000
10
1

´

Atividade 6. O objetivo desta atividade ´e calcular log 10 1, 5 (o logaritmo decimal de 1, 5).

n˜ao inteiro (por quˆe?).

E de

Por isso, iremos achar algumas

se esperar que o resultado seja um numero´

aproxima¸c˜oes desse valor. Acompanhe o racioc´ınio responda as`

perguntas formuladas no caminho.

Olhando a primeira coluna da tabela acima, percebemos que 1, 5 “ se encaixa “ entre os numeros´ 1, 333521 e 1, 778279, cujos logaritmos s˜ao dados. Precisamente, temos que

1, 333521 < 1, 5 < 1, 778279

 

(5)

Conclu´ımos que o logaritmo de 1, 5 deve estar entre 0, 125000 e 0, 250000 e escrevemos

< log(1, 5) <

.

.

.

.

.

.

(6)

6

ou tamb´em (em fra¸c˜oes):

< log(1, 5) <

1

4 .

(7)

racional obtido fazendo a m´edia aritm´etica dos dois logaritmos conhecidos da

linha (3). Ent˜ao q 1 = Verifique, usando uma calculadora, que 10 q 1 ´e aproximadamente 1, 539927. Como q 1 ´e a m´edia aritm´etica de dois elementos do lado direito da tabela, ent˜ao 10 q 1 ´e a m´edia

geom´etrica dos numeros´

Seja q 1 o numero´

correspondentes a` direita. Vocˆe sabe por que?

A tabela agora cresceu um pouquinho. Veja:

a log a . . . . 1 1, 333521 8 3 1, 539927 16
a
log a
.
.
.
.
1
1, 333521
8
3
1, 539927
16
1
1, 778279
4
.
.
.
.

Como 1, 5 est´a entre 1, 333521 e 1, 539927, conclu´ımos que log(1, 5) est´a entre

1

8

=

0, 125000 e

3

16 = 0, 187500. Com isso j´a sabemos que a primeira casa decimal do numero´

procurado ´e 1!

Em outras palavras, uma aproxima¸c˜ao, com uma casa decimal de precis˜ao, para log(1, 5) ´e 0, 1.

Ainda n˜ao conhecemos a segunda casa decimal. S´o podemos perceber que deve estar entre 2 e 8. Para aumentar a precis˜ao, basta repetir o processo. Vamos l´a: vemos, na tabela, que

(8)

ent˜ao

1, 333521 < 1, 5 < 1, 539927

1

8

< log(1, 5) <

3

16

(9)

Escolho o racional q 2 tomando a m´edia aritm´etica dos racionais conhecidos na linha acima e verifico que 10 q 2 ´e aproximadamente igual a 1, 433013. Como

(10)

1, 433013 < 1, 5 < 1, 539927,

7

conclu´ımos que

(11)

Note que a segunda casa decimal ainda n˜ao estabilizou. Por isso, temos que continuar o processo. Fica como informa¸c˜ao e incentivo a continuar os c´alculos, saber que temos que usar o processo mais duas vezes, encontrando

< log(1, 5) <

q 3 =

q 4 =

11

64

23

128

= 0, 171875 ; 10 q 3 1, 485508 ;

= 0, 179688 ; 10 q 4 1, 512473.

Vamos conferir? M˜aos a` obra!

Com isso, descobrimos que, como 1, 5 est´a entre 1, 485508 e 1, 512473, o valor de log(1, 5) est´a entre 0, 171875 e 0, 179688. Mais precisamente, escrevemos

0, 171875 < log(1, 5) < 0, 179688

(12)

Assim, temos certeza de que a segunda casa decimal de log(1, 5) ´e 7, ou seja, log(1, 5) 0, 17.

Sobre a terceira casa temos uma imprecis˜ao enorme: est´a entre 1 e 9, conforme mostra a ultima´ desigualdade acima. Vocˆe j´a tem uma id´eia do trabalho que d´a ach´a-la a` m˜ao.

Devemos admirar e respeitar os matem´aticos, navegadores, astrˆonomos do s´eculo XVII n˜ao s´o pela engenhosidade, mas tamb´em pela paciˆencia com que dedicaram anos de suas vidas fazendo c´alculos como os que mostramos acima para que a humanidade pudesse depois fazer outros c´alculos mais r´apida e facilmente. Durante quase 4 s´eculos que sucederam a` descoberta dos logaritmos, sua utilidade revelou-se decisiva na Ciˆencia e Tecnologia. Recentemente, com o uso cada vez mais comum de computadores

e

calculadoras, as t´abuas de logaritmos n˜ao s˜ao mais uteis´ como instrumento de c´alculo. Entretanto

o

estudo dos logaritmos ´e fundamental, pois o desenvolvimento da Matem´atica e das ciˆencias em

geral veio mostrar que diversos fenˆomenos f´ısicos, qu´ımicos, biol´ogicos e econˆomicos s˜ao modelados por fun¸c˜oes logar´ıtmicas e por fun¸c˜oes exponenciais.

Finalmente, devemos mencionar que a defini¸c˜ao de logaritmo do modo como ´e ensinado hoje

na escola (log b a = c b c = a) levou cerca de 200 anos para ser formulada. Todo esse tempo ´e certamente um sinal do grau de dificuldade que o conceito abarca.

´

E muito importante que os alunos aprendam a usar as propriedades, que s˜ao exclusivas, dos logaritmos. Tamb´em ´e bastante util´ o conhecimento das fun¸c˜oes logaritmo e sua inversa, a fun¸c˜ao exponencial, e seus gr´aficos. Esse conhecimento permitir´a que os estudantes compreendam melhor v´arios outros assuntos. Eles entender˜ao melhor biologia, qu´ımica, f´ısica, al´em da pr´opria matem´atica.

A Rela¸c˜ao com a Matem´atica Financeira e o numero´

e.

Existem duas modalidades bastante conhecidas de ganhos de juros sobre um capital. S˜ao chama- dos juros simples os valores obtidos na situa¸c˜ao em que, ao longo do tempo, apenas o capital inicial

8

rende juros. J´a nos juros compostos, ap´os cada per´ıodo de tempo a que se refere a taxa contratada, os juros ganhos s˜ao capitalizados (somados ao capital), passando a render juros tamb´em. A tabela abaixo mostra os montantes (total do capital inicial mais os juros ganhos) no final de cada per´ıodo de duas aplica¸c˜oes, ambas com um capital inicial de R$ 1000,00 aplicados a uma taxa de 10% ao mˆes. Na terceira coluna est˜ao os montantes do capital aplicado a juros simples e na segunda, os montantes do capital aplicado a juros compostos.

Numero´ de meses Montante (Juros Compostos) 0 R$ 1000,00 1 R$ 1100,00 2 R$ 1212,00
Numero´
de meses
Montante (Juros Compostos)
0
R$ 1000,00
1
R$ 1100,00
2
R$ 1212,00
3
R$ 1331,00
4
R$ 1464,10
5
R$ 1610,51
Montante (Juros Simples)
R$ 1000,00
R$ 1100,00
R$ 1200,00
R$ 1300,00
R$ 1400,00
R$ 1500,00

Observe que, na terceira coluna, o valor do montante apresentado em cada linha ´e a soma do valor anterior com 10% do valor da linha correspondente ao mˆes 0. Na segunda coluna, o valor do montante em cada linha ´e a soma do valor anterior com 10% desse valor anterior. Tamb´em podemos pensar que o valor do montante em cada linha da segunda coluna ´e o valor do montante da linha anterior multiplicado por 1,1. Logo, a sequ¨ˆencia de numeros´ na terceira coluna ´e uma Progress˜ao Aritm´etica de raz˜ao 100, e na segunda coluna, ´e uma Progress˜ao Geom´etrica de raz˜ao 1,1.

Perguntas.

1. Se, em vez de 10% de juros, fossem 5%, ainda ter´ıamos uma PG na segunda coluna? Em caso afirmativo, qual seria a raz˜ao?

2. Os valores dos montantes em juros simples formam sempre progress˜oes aritm´eticas? Por quˆe?

3. Os valores dos montantes em juros compostos formam sempre progress˜oes geom´etricas?

Problema 7. Suponhamos que R$ 1000,00 sejam aplicados a juros compostos:

(a)

(b)

(c)

(d) a uma taxa di´aria de 12

a uma taxa de 12% ao mˆes. Qual ser´a o montante ap´os um mˆes?

a uma taxa de 6 % a cada 15 dias. Qual ser´a o montante ap´os um mˆes?

a uma taxa de 4 % a cada 10 dias. Qual ser´a o montante ap´os um mˆes?

30 %. Qual ser´a o montante ap´os um mˆes?

Vocˆe deve ter reparado que o montante, ao final de 1 mˆes, aumenta, conforme aumenta a frequ¨ˆencia com que os juros s˜ao capitalizados. Ser´a que, se subdividirmos mais e mais o per´ıodo

9

de tempo, o montante crescer´a indefinidamente? Ou seja, ser´a que, se tivermos os juros capitaliza-

dos, a cada hora, ou a cada minuto, etc

em algum valor m´aximo? Essa quest˜ao ´e hist´orica, tendo sido formulada pela primeira vez em 1683 por Jacob Bernoulli (1654-1705) e respondida por Leonhard Euler (1707-1783).

o montante ir´a crescer, tendendo a infinito, ou ir´a parar

,

Imagine que haver˜ao n capitaliza¸c˜oes ao mˆes com taxas (a juros compostos) de

n 1 % em cada

per´ıodo. Temos que calcular, em fun¸c˜ao de n, qual o montante no final de um mˆes, e observar o que

acontece quando n cresce indefinidamente. Para isso ´e necess´ario calcular o valor de (1 + valores crescentes de n.

) n , para

1

n

Usando a f´ormula do binˆomio de Newton, ´e poss´ıvel provar que, qualquer que seja o numero´ esse valor est´a entre 2 e 3. Tente fazer isso!

n,

1

Exerc´ıcio 8. Calcule (1+ n ) n para n = 1, 2, 3, 4, 5, 6. Esses valores encontrados s˜ao aproxima¸c˜oes

para o numero´

e.

O numero´

e ´e definido como sendo

e =

n→∞ lim (1 +

1

n ) n

Euler provou que o numero´ 18 casas decimais:

e 2, 718281828459045235

e acima ´e a base do chamado logaritmo natural, usualmente indicado por ln, isto

´e, log e x = ln x. Por suas aplica¸c˜oes, e principalmente por causa do C´alculo Diferencial e Integral, a fun¸c˜ao y = ln x se tornou a fun¸c˜ao logaritmo mais importante no mundo cient´ıfico.

irracional e chegou a calcular uma aproxima¸c˜ao com

e ´e um numero´

O numero´

Referˆencias

1. Druck, Iole de Freitas. Um pouco da Hist´oria de Potˆencias, Exponenciais e Logar´ıtmos, Re- lat´orio T´ecnico do Departamento de Matem´atica RT-MAT 95-24, IMEUSP, 1995.

2. Lima, Elon Lages. Logaritmos, SBM, Cole¸c˜ao Professor de Matem´atica, 1.

3. Maor, Eli. e: a hist´oria de um numer´ o, Editora Record, 2003.

4. http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/HistTopics/e.html#s19

10

21

CAPÍTULO 4

SÉRIES DE PAGAMENTOS

4.1 Introdução

Este tema é de fundamental importância nas aplicações práticas. O conceito de equivalência permite transformar formas de pagamentos (ou recebimentos) em outras formas equivalentes, e conseqüentemente, efetuar comparações alternativas.

Noções de Fluxo de Caixa A visualização de um problema que envolve séries de pagamentos e recebimentos é bastante facilitada usando-se uma representação gráfica simples, chamada “diagrama de fluxo de caixa”.

Exemplo 1:

João recebe seu salário no primeiro dia do mês, recebe também o aluguel de uma sala comercial no dia 20 do mês, a qual ainda está pagando o financiamento ao final de cada mês (dia 30) e faz seus outros pagamentos nos dias 5, 10 e 20. Apresente o fluxo de caixa correspondente.

Representação Gráfica: 0 1 5 10 20
Representação Gráfica:
0
1
5
10 20

30 dias

Exemplo 2:

Um banco concede um empréstimo de $40.000 a um cliente, para pagamento em 6 prestações iguais de $9.000. Represente o FC do ponto de vista do banco e do ponto de vista do cliente.

9.000

Banco:

 
Banco:  
Banco:  
Banco:  
Banco:  
 
 
 
   
 

40.000

 

40.000

Cliente:

Cliente:  
 
   
   
   
   
   
   
 
 

9.000

22

4.2 Séries de Pagamentos ou (recebimentos)

Séries

de

pagamentos

são

definidas

como

uma

sucessão

de

pagamentos/

recebimentos com vencimentos sucessivos ao longo do tempo.

Aqui, sempre estaremos supondo que as séries de pagamentos terão as seguintes características:

a) a diferença de prazo entre constante:

cada

termo (ou fluxo de caixa) e o seguinte

é

10 20 30 40 50 dias PMT 1 PMT 2 mês 1 mês 2 0
10
20
30
40
50 dias
PMT 1
PMT 2
mês 1
mês 2
0
1 2 meses
P

b) os valores dos termos (ou fluxos de caixa) que compõe a série podem ser:

- constante (série uniforme):

- variáveis:

c)

os vencimentos dos termos da série podem ser no final de cada sub-período ou no início.

final do período (o mais comum)

0

pmt1 pmt2 mês 1 mês 2 1 2 meses P
pmt1
pmt2
mês 1
mês 2
1
2 meses
P

início do período ( leasing)

23

Principais relações de equivalência

a) Equivalência entre P e F:

F = P(1+ i)

n

ou

0 P
0
P

F

n

P =

F

(1

+

i)

n

Com esta relação pode-se responder às seguintes perguntas:

Qual o valor a ser investido hoje, a determinada taxa de juros, para se obter uma quantia F após certo tempo?

Investindo-se uma quantia P, hoje, qual a quantia F a ser obtida após n períodos a uma taxa i?

b) Equivalência entre PMT e F:

F

=

PMT

(1

+

i)

n

1

i

ou

b) Equivalência entre PMT e F: F = PMT (1 + i) n − 1 i
b) Equivalência entre PMT e F: F = PMT (1 + i) n − 1 i
b) Equivalência entre PMT e F: F = PMT (1 + i) n − 1 i
b) Equivalência entre PMT e F: F = PMT (1 + i) n − 1 i
b) Equivalência entre PMT e F: F = PMT (1 + i) n − 1 i
b) Equivalência entre PMT e F: F = PMT (1 + i) n − 1 i

PMT

PMT

F

=

F

i

(1

+

i)

n

1

Com esta relação pode-se responder às seguintes perguntas:

24

Qual será o valor futuro produzido por uma série de pagamentos periódicos, dada uma determinada taxa de juros?

Quanto se deve depositar periodicamente com o objetivo de se formar uma poupança futura, dada uma determinada taxa de juros?

Exemplo:

Quanto terá, no final de quatro anos, uma pessoa que aplicar $500 por mês, durante esse prazo, em um “Fundo de Renda Fixa”, à taxa de 3% ao mês?

Representação do FC:

0 1 2 3 4
0
1
2
3
4

500

Solução usando a fórmula:

F

=

500 x

(1

+

0,03)

48

1

0,03

=

500 x 104,4084

Usando a HP 12C:

1) f clear FIN 2)200 CHS PMT

3) 3

4) 48

5) FV

I

n

F

=

52.204,20

Visor

- 500,00

3,00

48,00

52.204,20

Exemplo:

Quanto uma pessoa terá que aplicar mensalmente num fundo de renda fixa, durante 5 anos, para que possa resgatar $200.000 no final de 60 meses, sendo que o fundo proporciona um rendimento de 2% ao mês?

Representação do FC:

F = 200.000 0 1 60 meses PMT =?
F = 200.000
0
1
60 meses
PMT =?

25

Solução usando a fórmula:

PMT

=

F

 

i

=

200.000 x

0,02

(1

+

i)

n

1

(1,02)

60

Usando a HP 12C:

=

200.000 x 0,0088

Visor

=

$1.753,59

1) f clear FIN 2) 200.000 FV

200.000,00

3) 2

i

2,00

4) 60

n

60,00

5) PMT

-1.753,59

c) Equivalência entre PMT e P

PMT

=

P

(1

+

i)

n

x

i

(1

+

i)

n

1

(Tabela Price)

ou

P

P PMT = P (1 + i) n x i (1 + i) n − 1
P PMT = P (1 + i) n x i (1 + i) n − 1
P PMT = P (1 + i) n x i (1 + i) n − 1
P PMT = P (1 + i) n x i (1 + i) n − 1
P PMT = P (1 + i) n x i (1 + i) n − 1
P PMT = P (1 + i) n x i (1 + i) n − 1
P PMT = P (1 + i) n x i (1 + i) n − 1

PMT

P

=

PMT

(1

+

i)

n

1

(1

+

i)

n

x

i

Com esta relação pode-se responder às seguintes perguntas:

Qual será o valor da prestação, caso se queira comprar um bem na forma parcelada?

Qual o valor da retirada periódica que se pode fazer a partir de um determinado capital investido?

Exemplo:

Um empréstimo de $30.000 é concedido por uma instituição financeira para ser liquidado em 12 prestações iguais, mensais e consecutivas. Sabendo-se que a taxa de juros é 3,5% ao mês, calcular o valor da prestação.

26

Representação do FC:

Solução usando a fórmula:

30.000 i = 3,5% a.m. 12 meses 0
30.000
i = 3,5% a.m.
12 meses
0

PMT

PMT

=

30.000 x

(1

+

0,035)

12

x 0,035

 

(1

+

0,035)

12

1

=

30.000 x 0,10348

Usando a HP 12C:

 

Visor

1) f clear FIN 2) 30.000 PV

30.000,00

3) 3,5

i

3,50

4) 12

n

12,00

5) PMT

-3.104,52

=

$3.104,52

Exemplo:

Calcular o valor atual de uma série de 24 prestações iguais, mensais e consecutivas de $3.500 cada uma, considerando uma taxa de 5% ao mês.

Representação do FC:

P = ? i = 5% a.m. 24meses 0
P = ?
i = 5% a.m.
24meses
0

pmt = 3.500

Solução usando a fórmula:

P

=

3.500 x

(1

+

0,05)

24

-1

(1

+

0,05)

24

x 0,05

=

3.500 x 13,79864

=

$48.295,25

27

Usando a HP 12C:

 

Visor

1) f clear FIN 2) 3.500 PMT

3.500,00

3) 5

i

5,00

4) 24

n

24,00

5) PV

-48.295,25

Exemplo: problemas em que a taxa de juros é a incógnita.

Determinar a que taxa anual foi firmada uma operação de empréstimos de $100.000, para ser liquidada em 18 prestações mensais, iguais e consecutivas de $7.270,87 cada uma.

Fluxo de Caixa:

P

=

PMT x

PMT = 7.270,87 0 18meses P = 100.000 i = ? n 18 (1 +
PMT = 7.270,87
0
18meses
P = 100.000
i = ?
n
18
(1
+ -1
i)
(1
+
i)
1
100.000
=
7.270,87
n
18
(1
+ x i
i)
(1
+
i)
x i

Solução:

1) por tentativa e erro

P

100.000

2) usando uma tabela financeira

PMT

7.270,87

=

3) usando uma calculadora financeira como a HP12C

= 13,7535

3% a.m.

i = 3% a.m.

Solução por tentativas:

100.000

=

7.270,87 x

(1

+ i)

18

-1

(1

+

i)

18

1

100.000

(1

+ i)

18

x i

(1

+

i)

18

x i

7.270,87

= = 13,7535

Agora, o objetivo é encontrar um valor de i para que o lado esquerdo da equação torne-se igual a 13,7535. Faremos uma tentativa com i = 1% e outra com i = 5%.

(1

+

i)

18

1

(1

+

i)

18

x i

= 13,7535

i 1%

= ⇒

16,3982

>

13,7535

i 5%

= ⇒

11,6896

<

13,7535

i está entre 1% e 5%

28

Regra de três:

16,3982 A 13,7535 D 11,6896 B E C i = 1% i = x %
16,3982
A
13,7535
D
11,6896
B
E
C
i = 1%
i = x %
i = 5 %

Igualando as proporções entre a altura e a base do triângulo maior (ABC) e do triângulo menor (DEC), temos que:

5

1

16,3982

11,6869

x = 3,2467% a.m.

=

5- x

13,7535

11,6896

4

4,7086

=

5- x

2,0639

d) Perpetuidades

Uma perpetuidade é uma série uniforme com uma vida infinita. Este conceito é muito usado para o cálculo de aposentadorias e mensalidades de clubes. Alguns governos já emitiram títulos que pagam juros periódicos para sempre. É o caso das consols emitidas pelo governo britânico, onde o titular desses bônus nunca receberão o principal, somente recebem os juros periódicos.

Pode-se determinar a equação que relaciona uma série uniforme perpétua e seu valor presente através da fórmula inversa da tabela Price, fazendo-se o número de períodos, n, tender a infinito, como mostrado abaixo.

P =

P

n  (1 + i) − 1  PMT Lim PMT =  n →∞
n
(1
+
i)
1 
PMT
Lim PMT
=
n →∞
(1
+ i)
n i
i
PMT
0
1
2
3
.
.
.

29

Exemplo:

João pretende se aposentar e receber anualmente, ao final de cada ano, um valor fixo de $10.000,00. Quanto ele deverá acumular ao final de sua vida de trabalho para que possa usufruir de tal benefício durante sua aposentadoria? Suponha uma taxa real de juros de 6% ao ano.

Dados: