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II COLÓQUIO BINACIONAL BRASIL-MÉXICO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO 01 a 03 de abril de 2009 – São Paulo – Brasil

“INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO”: POLÍTICAS DE COMUNICAÇÃO NA AMAZÔNIA CONTEMPORÂNEA.

Ana Paula Nazaré de Freitas 1 Fabrício Santos de Mattos 2

Resumo

O texto discute as relações entre políticas de comunicação, integração, cultura e democracia na Amazônia, analisando o caso do “convênio” entre uma grande empresa de telecomunicações do Pará, a TV Liberal, e a FUNTELPA. A hipótese consiste em pensar que o Governo do Pará não apenas inverte a lógica da integração e desenvolvimento na Amazônia, mas reconfigura o processo de colonialismo interno no estado, sob uma lógica neoliberal. Percebemos, assim, as relações de poder que permeiam a comunicação e a cultura, como os desafios para a construção da democracia na Amazônia contemporânea.

Palavras-chave

Políticas de comunicação. Democracia. Comunicação. Cultura. Amazônia contemporânea.

Introdução

O presente artigo sugere uma análise de um “convênio” 3 firmado entre o Estado e uma

grande empresa privada de telecomunicações, tendo como ponto focal as relações de

desenvolvimento e integração regional, visando problematizar as relações de poder inerentes

aos campos da comunicação e da cultura, e aprofundando a intersecção entre eles.

Percebemos, assim, os campos da comunicação e da cultura como os campos protagonistas

das relações de poder na contemporaneidade, por serem os campos formadores dos

imaginários sociais em nossa sociedade.

1 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Sociedade da Universidade Estadual do Ceará (UECE), e membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Políticas Públicas de Cultura e de Comunicação da Universidade Estadual do Ceará. E-mail: anapaula.freitas@gmail.com

2 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Sociedade da Universidade Estadual do Ceará (UECE), membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Políticas Públicas de Cultura da Universidade Estadual do Ceará. E-mail: fsdemattos@gmail.com

3 Não desconhecemos a relação polêmica que a palavra “convênio” traz a este caso, pois muitos dos atores envolvidos neste debate afirmam que não se trata de um convênio, e sim de um contrato. O relatório de maio de 2007 da Comissão de Inquérito Administrativo que analisou o caso, afirma que “No instrumento propriamente dito, o que se observa é que, foi firmado um contrato, com a denominação de convênio, o que não encontra respaldo legal” (CARNEIRO, et al, 2007, p. 7). Por este motivo, a palavra será sempre usada entre aspas.

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Pensando sob a perspectiva de uma construção permanente da democracia 4 , é necessário desenvolver uma crítica a esse tipo de política de comunicação, que restringe a participação democrática no campo midiático, e as possíveis disputas de interpretação. Este posicionamento resulta na análise de políticas de caráter exclusivista, pautando a circularidade dos significados nas lógicas dos mercados econômico e político, e objetivando a manutenção do poder de uma elite local. Uma vez que a sociedade contemporânea é ambientada e estruturada pelo campo comunicacional, sustentamos que as políticas de comunicação devem atuar a favor da construção de espaços públicos 5 os mais ampliados possíveis, já que as disputas políticas atualmente acontecem muito mais no plano simbólico e, portanto, cultural. Ao ler os termos do “convênio”, demonstrados sucintamente na apresentação que segue, é fácil perceber a lógica que norteou a política de comunicação do Estado do Pará entre os anos 1997 a 2006. Essa lógica está baseada numa relação de clientelismo e favorecimento de uma parte da elite amazônica, composta de empresários de comunicação e governantes, num processo hegemônico imbricado e mais complexo do que prevê o senso comum. Não se trata apenas de debater ou quantificar os prejuízos causados aos cofres públicos, mas de observar questões mais complexas, como o próprio desenvolvimento do processo democrático e como este tipo de política interfere na criação de espaços públicos, na circulação de significados simbólicos e, consequentemente, na estruturação das dinâmicas culturais do Estado do Pará.

Apresentando o caso

O caso apresentado aqui se inicia há mais de trinta anos, em 1977, quando o Governo do Estado do Pará, na Amazônia brasileira, firma pela primeira vez um contrato com a empresa TV Liberal Ltda., afiliada da Rede Globo de Televisão no estado Pará. Este primeiro contrato consistia num pagamento mensal que a Fundação de Telecomunicações do Pará (FUNTELPA), recebia da TV Liberal, pela utilização de seus retransmissores em algumas localidades do interior do estado, em que a empresa privada veiculava parcialmente sua programação, pois

4 Sobre o conceito de democracia ver BOBBIO (2000) 5 Sobre a ampliação dos espaços públicos, assim como a concepção de democracia como uma construção permanente, descontínua e desigual, ver a discussão de ALVAREZ; DAGNINO; ESCOBAR (2000)

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“comprometia-se a veicular a programação educativa da Funtelpa, pela manhã, e a disponibilizar horário para a divulgação de assuntos de interesse do Governo do Estado.” (PINHEIRO, 2007) Além disso, a TV Liberal pagava também uma porcentagem de 1% de sua arrecadação publicitária veiculada nas cidades da região em que utilizasse os retransmissores da Funtelpa. Pode-se questionar, desde este primeiro contrato, os vínculos entre as políticas de comunicação dos governos e a empresa, mas queremos nos ater a uma mudança mais relevante, que aconteceu em 1997. Ao final de 1997 6 , o contrato anterior foi reformulado, recebendo o nome de “convênio”. A cláusula primeira do documento publicado em 27 de outubro de 1997 no Diário Oficial do Estado do Pará, refere-se ao objeto e ao objetivo do “convênio”:

“O presente convênio tem por objeto a recepção pela FUNTELPA da programação

) através do

serviço LIBSAT, visando a maior integração da comunidade paraense quanto a seus

problemas e suas aspirações, inclusive com o acompanhamento, via inserções propostas,

de assuntos concernentes aos objetivos e ao desempenho da Administração Estadual, de

local/regional, produzida, pela GERADORA 7 e transmitida para todo Estado (

problemas gerais do Pará e de suas soluções possíveis, de reivindicações dos variados

segmentos sociais e, finalmente, de numerosos temas de utilidade pública e conveniência

para esta Unidade Federativa e seus jurisdicionados.” (DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO

DO PARÁ, 27 de out. de 1997, p. 4, grifos nossos)

Na segunda Cláusula do documento, referente às obrigações das partes, o texto prevê que a TV Liberal deveria, em contrapartida, ceder inserções de propaganda institucional em sua programação diária ao Governo do Estado do Pará. Além disso, neste trecho do texto, percebe-se as premissas que dão sustentação à implementação do ‘convênio’: a lógica de integração do estado permeada por uma idéia de desenvolvimento econômico e cultural.

) do interior do

estado, a TV LIBERAL assegura à FUNTELPA a veiculação em todas as localidades aonde

chegue sua programação (

de duas inserções diárias de 90 (noventa) segundos cada,

“IV - Em contrapartida pela utilização de suas retransmissoras de TV´s (

),

sendo uma no primeiro intervalo comercial regional do Jornal Nacional, de segunda à

sábado, uma aos domingos, no primeiro intervalo comercial regional do Fantástico, além de

uma inserção de segunda a sexta feira, no primeiro intervalo comercial regional do Globo

6 O “convênio” foi firmado durante o primeiro mandato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), no governo de Almir Gabriel. No período entre 1998 e 2006, que abrange o segundo mandato de Almir Gabriel e o mandato de Simão Jatene, também do PSDB, foram publicados 14 aditivos ao “convênio”. O último aditivo, ao final do governo Jatene, prorrogou o convênio por mais 12 meses, abrangendo o primeiro ano do mandato do novo governo do Estado do Pará, assumido por Ana Júlia Carepa, membro do Partido dos Trabalhadores (PT) no início de 2007.

7 O termo “GERADORA” se refere à Tv Liberal, enquanto que os termos “RECEPTORA e RETRANSMISSORA” referem-se à Funtelpa.

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Ciência e aos domingos, uma inserção no primeiro intervalo comercial regional do Globo Rural; ( ) §3º - A TV LIBERAL LTDA. assegura à FUNTELPA, a veiculação de mais 03 (três)

inserções diárias de 15(quinze) segundos cada, contendo chamadas relativas às veiculações

da

Funtelpa previstas no Convênio;

V

– A TV LIBERAL, por este instrumento, também assegura à FUNTELPA (

)

a

divulgação em sua programação local/regional de, no mínimo, 15 (quinze) minutos

semanais de temas que promovam a valorização das atividades econômicas, artísticas, culturais e científicas do Estado do Pará, com o objetivo de integrá-lo, preservando e estimulando o desenvolvimento da economia e da cultura paraense.

VI – A TV LIBERAL, igualmente, assegura à FUNTELPA, mensalmente, 25 (vinte e

cinco) minutos adicionais de espaço publicitário, distribuídos em inserções nos intervalos

Estas inserções

também são pertinentes a Mensagens Institucionais do Governo do Estado, sobre as atividades da administração e a divulgação de matérias de interesse do Pará e serão

inseridas igualmente na área de cobertura da TV Liberal Canal 7 de Belém;

VII – A Geradora se compromete a divulgar, nos intervalos comerciais de sua programação,

no mínimo, 06 (seis) mensagens institucionais do Governo do Estado, com a duração de 30

(trinta) segundos cada, sendo 02 (duas) no horário matutino, 02 (duas) no vespertino e 02

(duas) no noturno, alusivas à utilização do serviço LIBSAT, em Convênio com a FUNTELPA, como veículo para informar a comunidade sobre atividades e matérias de interesse do Pará, colimando, via moderno dispositivo de comunicação, a integração de

todos os segmentos da sociedade, no vasto território paraense, aos esforços dirigidos ao desenvolvimento do Estado.

comerciais da programação, no horário de 19:00 às 22:30 horas, (

)

VIII

– A produção de todo o material a ser veiculado, com exceção do previsto no item V,

que

compete à Geradora, é de responsabilidade exclusiva da FUNTELPA, sem qualquer

ônus

para a TV LIBERAL, devendo, ser entregue a esta, em Belém, com qualidade técnica

satisfatória e compatível com o sistema e formato utilizado pela Geradora, dentro dos

prazos e das normas praticadas pela TV LIBERAL”. (idem, ibidem, grifos nossos)

Segundo o Relatório da Comissão de Inquérito Administrativo (2007), analisando os termos do “convênio”, também fazem parte das obrigações da TV LIBERAL:

“Fornecimento ao sistema integrado estadual de retransmissão de televisão no Pará, através

de suas estações no interior, de sinais de radiodifusão de sons e imagens em áudio e vídeo,

para divulgação pela Funtelpa de toda a Programação Local/Regional da Geradora, incluindo cobertura de eventos, jornalismo, notícias do Estado, da Região e dos Municípios, utilizando seus equipamentos e processos exclusivos (LIBSAT). Instalação e prestação de

assistência técnica as suas expensas, aos equipamentos de recepção do serviço LIBSAT, de sua propriedade, nas retransmissoras da Funtelpa”. (CARNEIRO; LUNA; NETO, 4 de maio de 2007, p. 3)

O “convênio” descreve ainda as obrigações da FUNTELPA, que seriam:

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“Em contrapartida pelos serviços técnicos de disponibilização de sua estação terrena, (Up

Link) do segmento espacial do satélite Brasil Sat B1, fornecimento, instalação e

manutenção dos equipamentos de recepção e especialmente, pelas inserções de que tratam

as cláusulas IV VI e VII deste convênio, a FUNTELPA pagará a TV Liberal, a partir de 1

de outubro de 1997, o valor mensal de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) atualizado

anualmente pelo IGP (Índice Geral de Preços) 8 .( )

Produção de todo o material a ser veiculado, com exceção do previsto no item V, que

compete à TV LIBERAL”. (DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DO PARÁ, 27 de out. de

1997, p. 4)

Até janeiro de 2007, somando-se o pagamento mensal efetuado pela FUNTELPA a TV LIBERAL aos gastos relativos à manutenção das estações retransmissoras de TV – que são de responsabilidade da Funtelpa – chega-se a mais de quarenta milhões de reais em gastos do Estado com este “convênio”:

“(

correção, foi o montante de R$35.050,806,12 (trinta e cinco milhões, cinqüenta mil,

oitocentos e seis reais e doze centavos).

sem

)

o valor total pago a TV Liberal durante o prazo de vigência do convênio, (

)

Além do valor pago diretamente a TV Liberal, a Funtelpa arcava, e ainda arca, com todas as

despesas relativas às Retransmissoras de TV do interior que estão nas mãos da TV Liberal,

isso significa gastos com água, luz, pessoal, diárias para as equipes de manutenção da

capital visando conserto dessas retransmissoras, Anatel etc.

Nos foi informado, pela diretoria, que o valor estimado dos gastos indiretos com o convênio

giram em torno de R$5.000.000,00 (cinco milhões de reais).” (CARNEIRO et al, 2007, p.

4-5)

Dessa forma, a programação da FUNTELPA alcançava apenas a região metropolitana da capital paraense, Belém, enquanto que a programação veiculada em 78 municípios (dos 143 que compõe o estado) foi e será gerada pela TV Liberal até pelo menos junho de 2008, segundo as informações disponibilizadas pelo Governo do Estado do Pará 9 .

As Políticas de comunicação sob a ótica da integração

Para compreender a lógica de uma política de comunicação como esta, é necessário pensar sobre os vários processos complementares que conformam a realidade da região

8 Segundo o relatório da Comissão de Inquérito Administrativo (2007), a fatura de pagamento que data de janeiro de 2007, correspondia à R$ 461.097,47(quatrocentos e sessenta e um mil, noventa e sete reais e quarenta e sete centavos). 9 Em matérias jornalísticas recentes, veiculadas pela agencia de noticias do estado, a Agência Pará, o governo afirma que até junho de 2008 serão retomadas as retransmissoras do interior do Pará.

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amazônica. Propomos iniciar este debate analisando como a ideologia da “integração” atua para respaldar os processos de colonialismo interno, implementados recentemente no território amazônico. A idéia de “integração” pautou e ainda pauta a construção do imaginário coletivo sobre a região, percebida como uma “fronteira em movimento” 10 .

A partir da inauguração, em 1959, da rodovia Belém-Brasília e, posteriormente, no

período dos governos militares (1964-1985), a região Amazônica foi alvo de políticas públicas que a consideravam como área estratégica para o desenvolvimento econômico e a manutenção da soberania nacional. Segundo Fábio Horácio-Castro (2006), entre as várias estratégias de integração da Amazônia, estava a implantação de redes de integração espacial:

“Sobretudo através da construção de estradas, mas também por meio da implementação de

um sistema de transmissão televisivas e telefônicas. Em cinco anos, foram construídas

cerca de 12 mil km de estradas e, em três anos, foram implantados 5.110 km de um sistema

de comunicação por microondas, franqueados à rede Globo de Televisão, privilegiada pelo

regime militar e que assim, empreendeu um projeto de padronização da linguagem e dos

valores culturais através de sua programação”. (CASTRO, 2006, p.5)

É neste período que é situado o primeiro “convênio” feito entre o Governo do Estado do

Pará e a TV LIBERAL, em que a empresa pagava ao Estado pelo “aluguel” de seus retransmissores. Em 1997, porém, ainda utilizando dos termos de uma “integração do estado”

o Governo do Pará inverte os papéis do “convênio”, tornando-se ele próprio o locatário dos

serviços dessa empresa privada, que continuava usando os retransmissores estatais. Nossa hipótese consiste em pensar que o Governo do Estado do Pará não apenas inverte

a lógica da integração, mas reconfigura o processo de colonialismo interno no estado. Faz isso

partindo de uma lógica neoliberal, portanto diferente dos desenvolvimentistas e militares, permitindo que o protagonista que dinamiza essa nova integração, nos âmbitos da cultura e da comunicação, seja uma empresa privada, ou seja, delegando ao mercado esta função, e, no entanto, mantendo uma relação de tutela e clientelismo com a empresa. Com isso queremos inferir que sempre existe uma relação outra, para além da simples gestão administrativa que o termo “política de comunicação” implica. Queremos por em relevância a política, num

sentido distinto: o de relações de poder inerentes e imbricadas às políticas governamentais 11 .

É sabido que as retransmissoras da Rede Globo de Televisão produzem e transmitem

pouca produção local, destinando a maior parte de sua programação aos programas da

10 Sobre o conceito de fronteira em movimento ver VELHO (1979).

11 Trata-se da distinção que não existe nas línguas latinas, como existe no inglês, entre politics e policy. Ver a esse respeito ORTIZ (2008); BARBALHO (2008).

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emissora nacional. Além disso, a TV Liberal tem a maior parte de sua produção voltada à região metropolitana de Belém, onde está seu centro de produção jornalística e publicitária. Completando este quadro, pode-se afirmar também que muitos programas veiculados pela TV Liberal fazem circular significados que reiteram certa identidade amazônica, conhecida como “paraensismo”, mote da campanha cultural dos governos do PSDB no período em que vigorou o “convênio”. Essa campanha cultural era veiculada pela propaganda institucional, que tinham várias inserções diárias (garantidas nos termos do “convênio”) na programação da Tv Liberal, além de outros veículos utilizados.

A relação de proximidade entre a principal rede de televisão do estado do Pará e o grupo

político que compunha o governo do estado ainda proporcionava mais um privilégio: a larga vantagem que este possuía em relação aos outros grupos políticos, porque, além de possuir a máquina administrativa do Estado, tinha também uma contínua campanha publicitária durante quase 10 anos. Enfim, todos estes fatores acabam tornando mais contraditória e problemática esta suposta “integração”. 12

A partir do debate acima, já podemos elaborar uma questão: numa sociedade em que os

significados simbólicos circulam, principalmente, através dos meios de comunicação de massa e das indústrias culturais 13 , até que ponto a construção da democracia e do espaço público é afetada por uma política que delega o campo comunicacional, principal campo estratégico de construção de imaginários sociais, ao mercado, sob a ideologia de “integração e desenvolvimento”? É este debate que pretendemos seguir.

Políticas de comunicação e políticas culturais: um jogo de ecos

A “identidade” amazônica, conhecida pelos termos de exaltação de um modo de ser “amazônida”, foi muito estimulada através de políticas de cultura e de comunicação, pela intervenção da mídia local, e pelos integrantes da intelligentzia 14 amazônica. Esse estímulo pode ser identificado como um processo de criação de consenso e hegemonia, em que as elites locais, nacionais e internacionais reafirmavam os significados simbólicos pertinentes a essa “identidade”, como dinâmica de manutenção de poder. Esse jogo ritualístico movimenta

12 Sobre a relação entre integração nacional, mídia e identidade cultural nacional ver o conceito de ‘Moderna Tradição Brasileira’ ORTIZ (1989). Para um aprofundamento na dialética da integração da Amazônia ao território nacional e as irrupções identitárias desta região ver o conceito de ‘Moderna Tradição Amazônica’ CASTRO (2006).

13 Sobre o conceito de indústrias culturais ver BARBALHO (2008).

14 Segundo MANNHEIM (1999), a intelligentzia é “um grupo social cuja tarefa específica consiste em dotar uma dada sociedade de uma interpretação de mundo” (MANNHEIM, 1999, pg. 19, apud CASTRO, 2005, pg. 7)

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aparatos culturais diversificados e constroem a noção de Modernidade na Amazônia contemporânea. Tais dinâmicas são recorrentes em muitos países da América Latina, segundo

CANCLINI(2008):

“Entender as relações indispensáveis da modernidade com o passado requer examinar as

operações de ritualização cultural. Para que as tradições sirvam hoje de legitimação para

aqueles que as construíram ou se apropriaram delas, é necessário colocá-las em cena. O

patrimônio existe como força política na medida em que é teatralizado: em comemorações,

monumentos e museus. Na nossa América, onde o analfabetismo começou a ser minoritário

a poucos anos e não em todos os países, não é estranho que a cultura tenha sido

predominantemente visual. Ser culto, então, é apreender um conjuunto de conhecimentos,

em grande medida icônicos, sobre a própria história, e também participar dos palcos em que

os grupos hegemônicos fazem com que a sociedade apresente para si mesma o espetáculo

de sua origem” (CANCLINI, 2008, p. 161-162)

A proposta de coerência identitária chamada de “Moderna Tradição Amazônica” acarretou historicamente em graves conseqüências para as disputas político-culturais na região Amazônica, podendo-se afirmar que essa dinâmica social gerou um distanciamento, silenciamento e ocultamento 15 , dos vários processos de reivindicações identitárias que se insurgiram recentemente na Amazônia e não se reconhecem, assim como não estão reconhecidos nessa “identidade”. CASTRO (2006) cita algumas dessas minorias que não faziam parte da coerência identitária (e do mito de Amazônia) proposta pelos poderes instituídos nessa sociedade. A tais identidades silenciadas por este discurso essencialista de Amazônia ela dá o nome de “identidades emergentes”:

“‘Novos índios’, remanescentes de quilombos, coletores dispersos na floresta, movimentos

sociais e culturais organizados nas grandes cidades da região seriam índices de um amplo

processo de reorganização das referências e das perspectivas identitárias” (CASTRO 2006,

p.1).

Sendo assim, todo processo de identidade se conforma como um fenômeno político, nas palavras de CASTRO:

“Não há identidade que se afirme não-politicamente, porque a necessidade de enunciar o próprio, de afirmar o próprio, se dá como uma necessidade política de dizer, por meio dessa assertiva, o não-outro.” (CASTRO, 2006, p.6). Ora, se a cultura é compreendida contemporaneamente como uma arena de disputa entre as práticas sociais hegemônicas e contra-hegemônicas, cabe aqui relembrar a questão de SANTOS (1993) a respeito do caráter de político das declarações identitárias:

15 Principalmente por parte da mídia e dos poderes públicos atrelados às elites históricas locais e ao capital internacional, que percebe a região como grande fonte de recursos minerais e biológicos.

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é crucial

conhecer quem pergunta pela identidade, em que condições, contra quem, com que propósitos e com que resultados”. (SANTOS 1993, apud CASTRO 2006, p.9)

Estrategicamente, esta proposta de coerência identitária amazônica significou uma histórica negligência em relação à cultura como forma de visibilidade social e afirmação da diferença. Segundo CASTRO (2006)

“Intelectuais, artistas e tecidos mediáticos amazônicos parecem ignorar os processos em curso de reelaboração, de reogranização, das identidades locais. Conclui-se que as dinâmicas que movem os processos sociais em questão não compõem com os interesses tradicionais das elites intelectuais locais, as quais, aparentemente, reproduzem os mecanismos de representação e de simbolização presentes no influxo colonizador, principal organizador da ocupação da região pelo europeus e brasileiro” (CASTRO, 2006, p.7)

Trata-se aqui da negação da experiência social amazônica, de uma cultura demarcada pela exclusão e pela violência (simbólica e social), ou seja, pelo padrão de poder fundado na experiência colonial. No Estado do Pará, as políticas culturais, executadas nos três governos de estado capitaneados pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de 1994 a 2006, foram estratégicas na formulação de um desejo de pertencimento, um desejo identitário forjado e disseminado pelos aparatos midiáticos, principalmente através da propaganda institucional. A comunicação institucional, no âmbito Estatal, tem o objetivo de publicizar as ações, eventos e empreendimentos de um governo, além de criar uma imagem institucional consoante com suas proposições ideológicas. Geralmente veiculada nos meios de massa, ela tem funções de prestadora de contas do governo para a população. A propaganda governamental é uma das formas mais diretas de se obter informações sobre o Estado, diante de um anúncio de tv ou jornal, sabe-se das ações empreendidas pelo governo em praticamente toda extensão do estado. No caso do Estado do Pará, a propaganda governamental se propôs a ser uma vitrine das manifestações culturais do Estado, anunciadora das ditas “tradições(em algumas campanhas, por exemplo, anunciou recorrentemente o que é “o Pará” e quem é “o paraense”). Pode-se perceber, nessas campanhas, o protagonismo das imagens midiatizadas de uma “cultura amazônica”, como representações visuais de importância vital para a construção dos sentidos e processos simbólicos que fundamentam e/ou legitimam um desejo identitário essencialista, coeso e hegemônico. Tais estratégias de comunicação institucional, não se restringiam apenas a peças midiáticas, mas também abrangeram eventos culturais, influenciado em pautas e agendas

“(

)

quem pergunta por sua identidade questiona (

)

valores hegemônicos. (

)

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culturais do governo, ou seja, faziam parte das dinâmicas de construção simbólica da identidade proposta pelas políticas culturais deste governo. Em uma de suas propagandas oficiais 16 , o governo faz um relatório de sua gestão e também estabelece diretrizes para os anos subseqüentes, nestes documentos percebe-se claramente a intenção declarada do governo do estado em fazer um resgate cultural do “paraensismo”:

“Um dos mais desafiantes compromissos da gestão Almir Gabriel foi, sem dúvida, o de

revitalizar a cultura do Estado de um patamar sacrificado pelo alheamento da sociedade

paraense em relação á memória de sua própria história e ao respeito nos valores e

manifestações que fazem sua identidade.(

nada, em reatar essa sintonia, tendo como chave de sua condução uma política que ( )

construísse um suporte capaz de fazer manifestar, em toda sua verdadeira amplitude, o

A tarefa, portanto, consistia, antes de mais

)

singular potencial da cultura do Pará, motivando a sociedade a se reconhecer, com orgulho,

na sua identidade cultural(

)”

(Pará. Governador 1995-1998: Almir Gabriel, p. 95)

Essa diretriz, continuou sendo seguida, mesmo com a troca do governador (porém do mesmo partido, o PSDB), como pode-se verificar na mensagem do governador referente ao ano de 2003, em tópico intitulado “O paraensismo”:

“Em nenhum outro setor da vida cotidiana paraense a diversidade de elementos é tão

marcante quanto no cultural. As influencias indígenas, européias e africanas formam a

pluralidade do paraensismo, característica humana sócio-cultural que o Governo Almir

Gabriel procurou resgatar desde 1995, deslanchando em todo o Estado um processo

contínuo da afirmação da auto-estima paraense e das potencialidades regionais, que haviam

se perdido ao longo da história.” (Pará. Governador 2003: Simão Jatene, p. 99, 2003)

Esta intenção declarada do resgate de uma identidade essencialista que havia sido “esquecida” por governo anteriores, conforma um movimento que atinge várias camadas da sociedade. Tal identidade não foi forjada por um único governo e tampouco foi elaborada apenas pelos aparatos midiáticos. Esta identidade conforma-se como uma construção social específica dentro das políticas de cultura e de comunicação, e é resultante de um processo histórico anterior e dinâmico na qual a propaganda e a publicidade governamental atuaram como um dos vários protagonistas, alimentando os contextos sociais com valores, imagens e percepções, ao mesmo tempo retroalimentando-se destes mesmos contextos. Sobre esse processo, CANCLINI (1997) afirma:

) são

os que reencontramos na rua, e vice-versa: umas ressoam nas outras. A esse circularidade

“Percebo um jogo de ecos. A publicidade comercial e os lemas políticos que vemos (

do comunicacional e do urbano subordinam-se os testemunhos da história, o sentido

público construído em experiências de longa duração” (CANCLINI, 2008, p. 290)

16 Mensagem à Assembléia Legislativa. Trata-se de um documento em que o governo publica seu relatório de atividades referentes ao ano de governo, publicizando suas diretrizes e prestando contas aos vereadores.

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Neste contexto é importante considerar o que BOURDIEU (1996 apud BARBALHO, 2004, p.159) afirma em relação ao Estado. Segundo o autor, o Estado “é detentor de um metacapital que reúne capitais simbólico, social, econômico, político e cultural”. Portanto, ao se analisar as políticas de comunicação e cultura engendradas pelos governos, estaremos lidando com “discursos altamente legitimados e de grande força legitimadora na definição identitária” (BARBALHO, 2004, p.159). A Moderna Tradição Amazônica, é necessário reafirmar, propõe uma coerência cultural identitária que pretende unificar as diversidades e diferenças existentes na região, criando uma dinâmica de silenciamento e ocultamento de conflitos existentes e das lutas sócio-culturais envolvidas num recente processo de reorganização identitária na Amazônia.

Democracia, espaço público e comunicação: intersecções

Partindo das informações presentes no texto do “convênio”, que afirmam que apenas a TV Liberal dispunha da tecnologia necessária para a transmissão via satélite de sua programação, é bastante razoável concluir que, durante esse período, em muitos municípios e localidades do estado do Pará, as pessoas que não tinham disponibilidade de comprar uma antena parabólica recebiam apenas o sinal da empresa, como informação e entretenimento audiovisual. Sendo assim, também é razoável pensar num certo ‘monopólio de significados’, difundidos pela retransmissora. Num trabalho sobre a importância de legislar sobre as indústrias culturais e as empresas de comunicação, Néstor García Canclini (2001) afirma que os meios de comunicação são os principais formadores dos imaginários sociais na contemporaneidade, assim como são predominantes na formação das esferas públicas e da cidadania. Ou seja, para além de uma visão estadista ou protecionista de cultura, é necessário articular as demandas sociais com os aparatos comunicacionais presentes no entorno social:

“Si el sentido de la cultura se forma también en la circulacion y recepción de los productos

No se trata de que exclusivamente el Estado se ocupe de todo esto, ni de

volver a oponerlo a las empresas privadas, sino de averiguar cómo coordinarlos para que todos participemos de modo más democrático en la selección de lo que va a circular o no, de quiénes y con qué recursos se relacionarán com la cultura, quiénes decidirán lo que entra o no en la agenda pública. La privatización creciente de la producción y difusión de bienes simbólicos está ensanchando la grieta entre los consumos de elites y de masas. En tanto la

simbólicos (

).

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tecnologia facilita la circulación transnacional, se agrava la brecha entre los informados y los entretidos al disminuir la responsabilidad del Estado por el destino público y la accesibilidad de los productos culturales, sobre todo de las innovaciones tecnológicas y artísticas” (CANCLINI, 2001, p 8)

Assim, apesar da construção permanente da democracia ser um processo descontínuo e desigual, uma política de comunicação eficiente, que realmente visasse “a maior integração da comunidade paraense quanto a seus problemas e suas aspirações”, deveria ser pautada na possibilidade de ampliação e no aprofundamento de espaços públicos alternativos, e não na sua restrição e monopolização a partir da circularidade de um único discurso midiático. Um posicionamento de viés mais democrático tenderia a pensar a mídia como um espaço que deve ser disputado, partindo de pressupostos de politização da cultura, que reverberariam do e no tecido social. Como situa Martín Hopenhayn:

“El campo decisivo de lucha en la articulacion entre cultura y política se da cada vez más en la industria cultural, y que dicha articulación no se decide tanto en ‘el modo de producción’ como en las ‘condiciones de circulación’. En otras palabras, no es tanto la producción de sentido sino en su circulación donde se juegan proyetos de vida, autoafirmación, de identidades, estéticas y valores. En el campo de la circulación hoy dia se desarolla uma lucha tenaz, molecular y reticular por apropriarse de espacios comunicativos a fin de plantear demandas, derechos, visiones de mundo y sensibilidades. En la circulación, mucho más que en la producción, la cultura deviene política” (HOPENHAYN, 2001, p. 72 apud BARBALHO, 2008, p. 109)

Portanto, o espaço público/midiático (que é um dos espaços públicos possíveis) que se desenvolve com esse tipo de política, é um espaço restrito e de certa maneira direcionado, onde as leis dos mercados econômico e político passam a ser os reguladores sociais. Essa relação corresponde, em larga medida, a um exemplo paraense do que Evelina Dagnino (1994) conceitua como autoritarismo social:

“O autoritarismo social engendra formas de sociabilidade numa cultura autoritária de exclusão que subjaz ao conjunto das práticas sociais e reproduz a desigualdade nas relações sociais em todos os seus níveis. Nesse sentido, sua eliminação constitui um desafio fundamental para a efetiva democratização da sociedade. A consideração dessa dimensão implica desde logo uma redefinição daquilo que é normalmente visto como o terreno da política e das relações de poder a serem transformadas. E, fundamentalmente, significa uma ampliação e aprofundamento da concepção de democracia, de modo a incluir o conjunto das práticas sociais e culturais, uma concepção de democracia que transcede o nível institucional formal e se debruça sobre o conjunto das relações sociais permeadas pelo autoritarismo social e não apenas pela exclusão política no sentido estrito.” (DAGNINO, 1994, p.104-105)

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Partindo dessas considerações, podemos pensar neste “convênio” como uma mostra de

como reverbera no tecido social latinoamericano esse autoritarismo social, constituído desde a

colonização e baseado na experiência da dominação e da violência. Acrescentando a essas

relações sociais, no caso da Amazônia, uma vivência de isolamento e exclusão, também

consituinte das bases das relações de poder em sua sociedade. Observa-se que,

recorrentemente, tanto nas políticas públicas quanto na lógica do mercado, a região é tratada

simplesmente como objeto de lucro e interesses privados, mesmo que seja por uma

reutilização das velhas argumentações inseridas do binômio “desenvolvimento e integração”:

uma região sem cidades, sem homens e sem mulheres.

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