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Educação e Justiça Social

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RESUMOS 34 08.09.11 18:05 Page 2 Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação Rua Visconde

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação

Rua Visconde de Santa Isabel, 20 conj. 206 / 208 – Vila Isabel Rio de Janeiro / RJ – CEP: 20560-120

www.anped.org.br / anped@anped.org.br

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Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação

34.ª Reunião Anual da ANPEd

Educação e Justiça Social

02 a 05 de outubro

Natal-RN/2011

Organização:

ANPEd

Financiamento:

CNPq/FINEP – CAPES – CLACSO – FAPERJ – FAPESP FAPERN – IPEA – MEC/SEB/SECADI

Apoio:

GOVERNO FEDERAL GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE FUNDAJ – IFRN – UERN – UFRN – PPGED/UFRN

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DIRETORIA

Dalila Andrade Oliveira (UFMG)

CONSELHO FISCAL

(Biênio 2009-2011)

(Biênio 2009-2011)

Presidente:

Vice-Presidentes:

Titulares

Antonio Cabral Neto (UFRN) Leda Scheibe (UFSC - UNOESC) João Ferreira de Oliveira (UFG) Secretário-Geral:

Lisete Regina Gomes Arelaro (USP) Alda Junqueira Marin (PUC-SP) Carlos Roberto Jamil Cury (PUC-MG)

Antonio Flavio Barbosa Moreira (UCP) Secretários-Adjuntos:

Suplentes Gaudêncio Frigotto (UERJ)

Eliza Bartolozzi Ferreira (UFES) Elizeu Clementino de Souza (UNEB)

Olgaíses Maués (UFPA) Alfredo José da Veiga-Neto (UFRGS)

Coordenadores dos Grupos de Trabalho (GTs))

História da Educação

GT02

Maria Teresa Santos Cunha (UDESC)

Movimentos Sociais, Sujeitos e Processos Educativos

GT03

Maria Antonia de Souza (UTP)

Didática

GT04

Pura Lúcia Oliver Martins (PUC-PR)

Estado e Política Educacional

GT05

Andrea Barbosa Gouveia (UFPR)

Educação Popular

GT06

Danilo Romeu Streck (UNISINOS)

Educação de Crianças de 0 a 6 anos

GT07

Maria Letícia Barros Pedroso Nascimento (USP)

Formação de Professores

GT08

Joana Paulin Romanowski (PUC-PR)

Trabalho e Educação

GT09

Maria Clara Bueno Fischer (UFRGS)

Alfabetização, Leitura e Escrita

GT10

Claudia Maria Mendes Gontijo (UFES)

Política da Educação Superior

GT11

Afrânio Mendes Catani (USP)

Currículo

GT12

Carlos Eduardo Ferraço (UFES)

Educação Fundamental

GT13

Carmen Sanches Sampaio (UNIRIO)

Sociologia da Educação

GT14

Maria da Graça Jacintho Setton (USP)

Educação Especial

GT15

Rita de Cássia Barbosa Paiva Magalhães (UFRN)

Educação e Comunicação

GT16

Guaracira Gouvea de Sousa (UNIRIO)

Filosofia da Educação

GT17

Ralph Ings Bannell (PUC-Rio)

Educação de Pessoas Jovens e Adultas

GT18

Edna Castro de Oliveira (UFES)

Educação Matemática

GT19

Marcelo Almeida Bairral (UFRRJ)

Psicologia da Educação

GT20

Marilda Gonçalves Dias Facci (UEM)

Educação e Relações Étnico-Raciais

GT21

Paulo Vinicius Baptista da Silva (UFPR)

Educação Ambiental

GT22

Martha Tristão (UFES)

Gênero, Sexualidade e Educação

GT23

Claudia Maria Ribeiro (UFLA)

Educação e Arte

GT24

Monique Andries Nogueira (UFRJ)

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COMITÊ CIENTÍFICO Coordenador Antonio Álvaro Soares Zuin (UFSCar) Vice-Coordenador Cláudio Roberto Baptista (UFRGS)

Representantes

História da Educação

GT02

Rosa Fátima de Souza (UNESP)

Movimentos Sociais, Sujeitos e

GT03

Maria Arisnete Câmara de Morais (UFRN) Mônica Dias Peregrino Ferreira (UERJ)

Processos Educativos Didática

GT04

Lúcia Helena Alvareza Leite (UFMG) Aída Maria Monteiro Silva (UFPE) Marilda Aparecida Behrens (PUC-PR)

Estado e Política Educacional

GT05

Marília Fonseca (UnB)

Educação Popular

GT06

Angela Maria Martins (FCC) Nalú Farenzena (UFRGS) Flávio Henrique Albert Brayner (UFPE)

Educação de Crianças de 0 a 6 anos

GT07

Silvia Helena Vieira Cruz (UFC) Lígia Maria Lima Leão de Aquino (UERJ)

Formação de Professores

GT08

José Rubens Lima Jardilino (UFOP) Iria Brzezinski (UCG) José Angelo Gariglio (IFMG)

Trabalho e Educação

GT09

Marise Nogueira Ramos (UERJ) Mauro Augusto Burkert Del Pino (UFPel) Sônia Maria Rummert (UFF)

Alfabetização, Leitura e Escrita

GT10

Ludmila Thomé de Andrade (UFRJ) Maria do Socorro Alencar Nunes Macedo (UFSJ) Cleonara Maria Schwartz (UFES)

Política de Educação Superior

GT11

João dos Reis Silva Júnior (UFSCar) Vera Lúcia Jacob Chaves (UFPA) Alfredo Macedo Gomes (UFPE)

Currículo

GT12

Antônio Carlos R. de Amorim (UNICAMP)

Educação Fundamental

GT13

Elizabeth Fernandes de Macedo (UERJ) Roberto Sidnei Alves Macedo (UFBA) Carmen Lúcia Vidal Pérez (UFF) Luís Henrique Sommer (UNISINOS)

Sociologia da Educação

GT14

Márcio da Costa (UFRJ) Cynthia Paes de Carvalho (PUC-Rio)

Educação Especial

GT15

Cláudio Roberto Baptista (UFRGS) Rosângela Gavioli Prieto (USP) Kátia Regina Moreno Caiado (UFSCar)

Educação e Comunicação

GT16

Antonio Álvaro Soares Zuin (UFSCar) Cláudia Maria de Lima (UNESP) Rosália Duarte (PUC-Rio)

Filosofia da Educação

GT17

Amarildo Luiz Trevisan (UFSM) Sandra Soares Della Fonte (UFES)

Educação de Pessoas Jovens e Adultas

GT18

Maria Margarida Machado (UFG) Márcia Soares de Alvarenga (UERJ)

Educação Matemática

GT19

Adair Mendes Nacarato (USF) Carmen Lúcia Brancaglion Passos (UFSCar)

Psicologia da Educação

GT20

Diana Carvalho de Carvalho (UFSC)

Educação e Relações Étnico-Raciais

GT21

Anita Cristina Azevedo Resende (UFG) Ahyas Siss (UFRRJ) Maílsa Carla Pinto Passos (UERJ)

Educação Ambiental

GT22

Rosa Maria Feiteiro Cavalari (UNESP) Isabel Cristina Moura Carvalho (PUC-RS)

Gênero, Sexualidade e Educação

GT23

Maria Rita de Assis César (UFPR) Eliane Rose Maio (UEM)

Educação e Arte

GT24

Marcos Villela Pereira (PUC-RS) Luciana Grupelli Loponte (UFRGS) Aldo Victorio Filho (UERJ)

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FORPRED Coordenadora Alice Casimiro Lopes (UERJ) Vice-coordenadora Fabiany de Cássia Tavares Silva (UFMS)

Comissão Local Docentes e Colaboradores da UFRN

Alda Maria Duarte Araújo Castro

Alessandro Augusto Azevedo

Antônio Cabral Neto

Cristovão Pereira Souza

Daniel Cavalcanti Fernandes Campos

Edmilson Jovino de Oliveira

Emilia Farache

Gilmar Barbosa Guedes

Ivan Cabral

Jefferson Fernandes Alves

Karenine de Oliveira Porpino

Luciane Terra dos Santos Garcia

Magna França

Márcia Maria Gurgel Ribeiro

Maria Aparecida de Queiroz

Maria da Conceição Passeggi

Maria Aparecida dos Santos Ferreira

Maria do Socorro da Silva Batista (UERN)

Maria Goretti Cabral Barbalho

Maria Verônica Gomes da Silva

Mariangela Momo

Marlúcia Menezes Paiva

Marly Amarilha

Marta Maria de Araújo

Milton José Câmara dos Santos

Sávio Jordan Azevedo de Luna

Suêldes de Araújo

Tatyana Mabel Nobre Barbosa

Teodora de Araújo Alves

Vicente Vitoriano M. Carvalho

Walter Pinheiro Barbosa Junior

Secretaria da ANPEd Ana Maria Clementino Cleide Litiman Renata Pinheiro Castro Roberto Moreno Roseane Maria de Medeiros Affonso Simone Barbosa Farias

Organização deste volume Roseane Maria de Medeiros Affonso Simone Barbosa Farias

Programação visual e Capa Roberto Moreno

Cartaz

Ivan Cabral

Impressão e acabamento RDS Gráfica e Editora Ltda.

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ASSOCIADOS INSTITUCIONAIS DA ANPEd - 2011

PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

CUML - Centro Universitário Moura de Lacerda - PPGE FURB - Fundação Universidade Regional de Blumenau - PPGE FURG - Universidade Federal do Rio Grande - PPGE Ambiental PUC-Campinas - Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PPGE PUC-MG - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PPGE Escolar:

Sociologia e História PUC-PR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PPGE PUC-RIO - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PPGE PUC-RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PPGE PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PPGE: Currículo PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PPGE: História, Política, Sociedade PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PPGE Matemática PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PPGE:

Psicologia em Educação UCB - Universidade Católica de Brasília - PPGE UCDB - Universidade Católica Dom Bosco - PPGE UCG - Universidade Católica de Goiás - PPGE UCP - Universidade Católica de Petrópolis - PPGE UCS - Universidade de Caxias do Sul - PPGE UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina - PPGE UECE - Universidade Estadual do Ceará - PPGE UEL - Universidade Estadual de Londrina - PPGE UEM - Universidade Estadual de Maringá - PPGE UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais - PPGE UEPA - Universidade do Estado do Pará - PPGE UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa - PPGE UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - FEBF UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - FFP UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - PPFH UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - PROPED UFAL - Universidade Federal de Alagoas - PPGE Brasileira UFAM - Universidade Federal do Amazonas - PPGE UFBA - Universidade Federal da Bahia - PPGE

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UFC - Universidade Federal do Ceará - PPGE UFES - Universidade Federal do Espírito Santo - PPGE UFF - Universidade Federal Fluminense - PPGE UFG - Universidade Federal de Goiás - PPGE Escolar Brasileira UFG - Universidade Federal de Goiás – Campus Catalão UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados - PPGE UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora - PPGE UFMA - Universidade Federal do Maranhão - PPGE UFMG - Univerdidade Federal de Minas Gerais - PPGE: conhecimento e inclusão social UFMS - Universidade Federal do Mato Grosso do Sul -PPGE UFMS - Campus do Pantanal - PPGE UFMT - Universidade Federal do Mato Grosso - PPGE UFMT - Campus de Rondonópolis - PPGE UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto UFPA - Universidade Federal do Pará - PPGE UFPB - Universidade Federal da Paraíba - PPGE UFPE - Universidade Federal de Pernambuco - PPGE UFPel - Universidade Federal de Pelotas - PPGE UFPI - Universidade Federal do Piauí - PPGE UFPR - Universidade Federal do Paraná - PPGE UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - PPGE UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - PPGE UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - PPGE UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - PPGEDUC UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - PPGEA UFS - Universidade Federal de Sergipe - PPGE UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina - PPGE UFSCar - Universidade Federal do São Carlos - PPGE UFSCar - Universidade Federal de São Carlos - PPGE Especial UFSCar - Universidade Federal de São João Del-Rei - PPGE UFSM - Universidade Federal de Santa Maria - PPGE UFU - Universidade Federal de Uberlândia - PPGE Brasileira UFV - Universidade Federal de Viçosa - PPGE ULBRA - Universidade Luterana do Brasil - PPGE UMESP - Universidade Metodista de São Paulo - PPGE UnB - Universidade de Brasília - PPGE

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UNEB - Universidade Estadual da Bahia - PPGEduC (Educação e Contemporaneidade) UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - PPGE UNESA - Universidade Estácio de Sá - PPGE UNESC - Universidade do Extremo Sul Catarinense - PPGE UNESP-Araraquara - Universidade Estadual Paulista - PPGE Escolar UNESP-Rio Claro - Universidade Estadual Paulista - PPGE UNESP-Marília - Universidade Estadual Paulista - PPGE UNESP-Rio Claro - Universidade Estadual Paulista - PPGE Matemática UNESP-Presidente Prudente - Universidade Estadual Paulista - PPGE: formação inicial e continuada de professores UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas - PPGE UNICID - Universidade da Cidade de São Paulo - PPGE UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - PPGE nas Ciências UNILASALLE - Centro Universitário La Salle - PPGE UNIMEP - Universidade Metodista de Piracicaba - PPGE UNINOVE - Centro Universitário Nove de Julho - PPGE UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná - PPGE UNIPLAC - Universidade do Planalto Catarinense - PPGE UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - PPGE UNISAL - Centro Universitário Salesiano de São Paulo - PPGE UNISANTOS - Universidade Católica de Santos - PPGE UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos - PPGE UNISC - Universidade Santa Cruz do Sul - PPGE UNISO - Universidade de Sorocaba - PPGE UNISUL - Universidade do Sul de Santa Catarina - PPGE UNIT - Universidade Tiradentes - PPGE UNIUBE - Universidade de Uberaba - PPGE UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí - PPGE UNIVILLE - Universidade Regional de Joinville UNOESC - Universidade do Oeste de Santa Catarina - PPGE UNOESTE - Universidade do Oeste Paulista UPF - Universidade de Passo Fundo - PPGE USF - Universidade de São Francisco - PPGE USP - Faculdade de Educação da USP - PPGE UTP - Universidade Tuiuti do Paraná - PPGE

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Sumário

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Apresentação

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Ementas dos Minicursos

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Resumos dos Trabalhos

319

Resumos dos Pôsteres

386

Instituições Representadas

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Índice Remissivo de Autores

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Apresentação

A 34ª. Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação irá realizar-se este ano com um tema da mais alta relevância para a sociedade brasileira, marcada por profundas de- sigualdades econômicas, sociais, de gênero, de raça, entre outras. Tem, assim, a intenção de envolver a comunidade acadêmica na discussão dos problemas que o Brasil precisa enfrentar na atualidade, reafirman- do o compromisso de nossa Associação com a produção e divulgação do conhecimento em educação que promova a mudança social e con- tribua para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. Após 18 anos sendo realizada na região sudeste do Brasil, a Reu- nião Anual da ANPEd ocorre na cidade de Natal, Rio Grande do Nor- te, orientada pela necessidade de contribuir para o fortalecimento da pós-graduação em Educação nas regiões norte e nordeste. Além disso, inova-se ao buscar um formato que se adéqüe as exigências resultantes do crescimento quantitativo e qualitativo de nossa área, bem como à di- versificação que tal crescimento apresenta. É com o espírito de mudan- ça e renovação que a 34ª. RA busca promover o encontro de pesquisa- dores e pesquisadoras em Educação das mais diversas partes desse imen- so Brasil para expor seus resultados de estudos e pesquisas e debater o destino da pós-graduação e sua inserção na realidade brasileira. Entre os dias 2 e 5 de outubro estarão reunidos pesquisadores e pesquisadoras em Educação, docentes e discentes dos 108 Programas

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Apresentação

de Pós-Graduação em Educação deste país, além de convidados espe- ciais que, com suas experiências e reflexões, deverão enriquecer o de- bate educacional. São eles pesquisadores estrangeiros de distintos paí- ses, tanto da América Latina (Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Gua- temala, Nicarágua) quanto dos Estados Unidos e Europa (França, In- glaterra e Portugal), além de pesquisadores que se dedicam a outras áreas do conhecimento. Incluem-se, ainda, entre nossos interlocutores, representantes de segmentos da sociedade civil organizada e do gover- no em seus distintos âmbitos. Mais uma vez, esperamos congregar pesquisadores docentes e discentes da pós-graduação em educação do país reunidos em nossos 23 Grupos de Trabalho (GTs). Nossa programação para os quatro dias de evento foi cuidadosamente organizada pela Diretoria, em estreita colaboração com os Coordenadores de GTs, e contou ainda com o apoio inestimável do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) por meio de uma comissão organizadora local. Nossa expectativa é de que esta reunião contribua ainda mais para a consolidação da ANPEd na comunidade científica nacional e internacional, por sua efetiva atuação a favor da afirmação da pesqui- sa e da pós-graduação em educação no país e na Região. Nesse sen- tido, vale destacar a presença de vários convidados estrangeiros em sessões especiais, sessões conversas e colóquios, bem como nas duas conferências que teremos. A afirmação da ANPEd como uma socie- dade científica tem sido marcada nos últimos dois anos pelas suas múltiplas ações e ramificações, ultrapassando as fronteiras de nossa área específica. Por meio de intercâmbios e articulações políticas com outras entidades, associações e movimentos, temos marcado impor- tante presença no cenário nacional e internacional, tanto na defesa de políticas mais adequadas à pós-graduação em educação quanto na defesa de interesses mais amplos, como nossa incansável participação e contribuição ao debate do novo Plano Nacional de Educação. Es- treitamos nossos laços com sociedades científicas parceiras, desenvol- vemos políticas específicas de fomento à produção na área por meio de convênios com o IPEA, o MEC, FLACSO e CLACSO.

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Apresentação

No plano internacional, nossa participação em diferentes espa- ços, discutindo a política de pós-graduação e a pesquisa no contexto latino-americano, tem permitido levar nossas experiências ao conheci- mento de nossos vizinhos, bem como promover o debate necessário sobre o desenvolvimento científico na Região. Nosso país é sempre lembrado por sua excelência na pós-graduação, convivendo, lamenta- velmente, com sérios problemas na educação básica. Sabemos que esse paradoxo é resultado das profundas desigualdades que marcam este país, resultando em grandes injustiças sociais. A 34ª. Reunião Anual da ANPEd, que ora se inicia, é a primeira organizada depois de 18 anos fora da Região Sudeste. Conforme já afir- mado, isto significou um grande desafio para a atual diretoria desta As- sociação, mas contamos com o apoio e a confiança de nossos associa- dos, sem o que tal aposta não seria possível. Os esforços envidados nes- sa empreitada foram substantivos e de muitos, em especial dos colegas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Univer- sidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e do Instituto Fe- deral do Rio Grande do Norte (IFRN). Contamos ainda com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Nor- te (FAPERN), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pes- soal de Nível Superior (CAPES), do Ministério da Educação (MEC), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, bem como de universidades e ou- tras instituições que se somaram a nós na viabilização deste evento. Compreendemos que é dever da Pós-Graduação debruçar-se sobre essa realidade no sentido de buscar contribuir para sua trans- formação e é com este objetivo que organizamos a 34ª. Reunião Anual. Esperamos que sejam quatro dias de debates e reflexões bas- tante frutíferos.

A Diretoria

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Ementas dos Minicursos

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Ementas dos Minicursos

GT02 – HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

PARADIGMAS DE EXPLICAÇÔES PARA ESTUDOS DA CULTURA: TEXTOS E INTERPRETAÇÕES Yolanda Lima Lobo – UFRJ

O curso focaliza temas e interpretações comuns à História, Sociologia

e Etnologia, campos convergentes para estudos da cultura, com o ob-

jetivo de mostrar de que modo gerações de historiadores da cultura usam abordagens e técnicas para desenvolver novos materiais e méto- dos de análise. A atenção se direciona para a compreensão em nível

teórico (metodologia, epistemologia) das possibilidades e das condi- ções de conhecer, sem esquecer sua finalidade prática (investigação). Procurar-se-á esclarecer o papel da teoria na investigação, isto é, como operar categorias e conceitos chaves para dar significados ao material empírico recolhido. Para isso, serão examinados criticamente modelos

já propostos para estudos da cultura, de modo especial os estudos de

Pierre Bourdieu sobre a formação do gosto, a produção do consumo e

as regras das artes e os de Roger Chartier sobre recepção e leitura de

textos, produção ou escrita, unidade e coerência do significado. No

plano didático, o curso será desenvolvido em dois dias. Seguindo o conselho de Bourdieu, Chamboredon e Passeron (1968) sobre a hie-

rarquia dos atos epistemológicos, a estrutura do curso procura exami- nar os procedimentos de investigação como um processo em três atos:

a ruptura, a construção e a verificação (ou experimentação) dos mode-

los utilizados por Bourdieu e Chartier. No primeiro dia, examinar-se-

á o método de trabalho de Pierre Bourdieu: a escolha do objeto, a or-

dem de exposição e a de investigação; o andamento da investigação: as

principais operações que permitem extrair sentidos dos dados colhidos

de diferentes pesquisas estatísticas e etnográficas (pré-pesquisa; pesqui-

sa; pesquisa complementar); protocolos de procedimentos (a constru-

ção da amostra, de questionários e de entrevistas); o exame da estrutu-

ra de relações entre as proposições. No segundo dia, a atenção será

dada aos estudos de Roger Chartier sobre os modos de criação e apro- priação de produtos culturais: folhetos, textos, livros, cartas. Finalizan- do, procurar-se-á refletir sobre as afinidades subterrâneas que unem as obras de Pierre Bourdieu e Roger Chartier.

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Ementas dos Minicursos

GT03 – MOVIMENTOS SOCIAIS, SUJEITOS E PROCESSOS EDUCATIVOS

O SUJEITO SOCIAL ENTRE O INDIVÍDUO E O ATOR

EM ALAIN TOURAINE Paulo Henrique de Queiroz Nogueira – UFMG

O

sujeito se encontra na ordem do dia nas ciências sociais e humanas.

O

vaticínio de sua morte e a afirmação de sua existência são tematiza-

dos em diferentes obras no decorrer dos últimos anos. Esse anúncio do

sujeito no foco das preocupações dos cientistas sociais torna a temáti-

ca da subjetividade relevante para se pensar a relação entre indivíduo e

sistema social.

Alain Touraine é um desses autores que se debruçam sobre essa relação

na tentativa de equacionar os dilemas presentes entre os que defendem

à dissolução de saídas para a subjetividade por hipertrofiá-la no inte-

rior das tematizações narcísicas do sujeito ou por atrofiá-la tornado o sujeito uma vítima das marcas de dominação social.

Touraine, ao buscar um terceiro caminho entre Lipovetski e Bourdieu, investiga como o sujeito se constitui na modernidade no interior da ação dos movimentos sociais na disputa dos bens simbólicos aportados

pela sociedade pós-industrial. E é no reconhecimento de outras tema- tizações do sujeito e na busca de seus impasses que reside os méritos

de suas postulações do sujeito gestado pelo indivíduo quando se mo-

biliza como ator social.

E em diálogo com o pensamento contemporâneo, traceja uma análise

dos novos fenômenos por que passa o mundo após a Segunda Grande Guerra. Criticando as postulações teóricas que hipertrofiam o sujeito

e a racionalidade técnica, Touraine reafirma a necessidade de se pensar

a relação entre subjetividade e racionalização, duas das dimensões mar-

cante de gênese da modernidade, e compreendê-las sob uma nova rou- pagem visto ser nesse tensionamento que o sujeito se gesta na ação do indivíduo como ator social. Equacionando, desta forma, a instauração

de uma sociabilidade no qual se atenuem os particularismos dos co-

munitaristas e os universalismos das utopias modernas — duas posi- ções aparentemente contrárias entre si, mas que podem vir a afirmar o totalitarismo no campo da política. Refazer esse percurso é trazer um autor com uma grande envergadura

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Ementas dos Minicursos

teórica para o seio do debate educacional no que esse tem de central que é a constituição do sujeito e os processos de socialização na con- temporaneidade. Nesse sentido, o mini-curso pode não apenas tornar esse autor mais conhecidos entre nós, mas potencializar o debate acerca dos fins que cercam o ato educacional como ato emancipatório presente no caráter já consagrado dos vínculos formativos e humanizadores atribuídos à escola.

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Ementas dos Minicursos

GT04 – DIDÁTICA

TRABALHO DOCENTE: A AULA E AS DIDÁTICAS ESPECIAIS Ilma Passos Alencastro Veiga – UnB-UniCEUB Edileuza Fernandes da Silva – SEDF Agência Financiadora: CNPq

Este minicurso analisa o trabalho docente na educação superior, as

concepções de trabalho docente, de aula e suas repercussões na cons- trução das didáticas especiais em diferentes campos científicos.

O conteúdo será desenvolvido em quatro unidades didáticas. Na pri-

meira, o trabalho docente é analisado na perspectiva da racionalidade técnica influenciada pela concepção disciplinar e fragmentada de co- nhecimento que separa a teoria da prática, o saber do fazer, o sujeito do objeto, levando os docentes a uma dependência do conhecimento

do campo científico para a condução de suas práticas.

A segunda unidade analisa o trabalho docente comprometido com a

ideia de potencializar a aprendizagem dos estudantes, com o fortaleci- mento do conhecimento construído nos diferentes espaços educativos, relevante para a formação profissional e para a melhoria da sociedade, conforme Benedito, Ferrer e Ferreres (1995). Garcia (1999) considera

as seguintes dimensões do trabalho docente: cognitiva, socioemocio-

nal, substantiva e comunicativa, acrescentando que além dos conheci- mentos do campo científico, o trabalho docente envolve habilidades

de

avaliação, resolução de conflitos, análise do contexto, compreensão

da

diversidade cultural, dos aspectos do currículo oculto e do currícu-

lo em ação. É possível identificar no trabalho docente da educação su-

perior o papel de uma ação cultural, suas dimensões e a ampliação do

trabalho.

A terceira, enfatiza a aula como espaço de múltiplas relações e intera-

ções, dinamizada pela relação pedagógica de cunho dialógico a fim de

propiciar o exercício da autonomia do professor e do aluno. A aula como um projeto de construção colaborativa se configura planejada- mente e se explicita concretamente, em torno de seus elementos cons-

titutivos: objetivos, conteúdos, métodos e técnicas de ensino, tecnolo- gias e avaliação.

A quarta unidade analisa pesquisas em busca da unidade entre uma di-

dática geral e as didáticas específicas, interdependentes, uma vez que o

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Ementas dos Minicursos

objeto de estudo de ambas é o ensino. A didática especial corresponde

a cada ciência ou disciplina específica, objeto de um determinado en- sino. É uma didática que reinventa a prática pedagógica pois exige a confrontação epistemológica e interdisciplinar na concepção de Bedo- ya (2005).

A metodologia do minicurso interliga as unidades didáticas partindo

das concepções dos participantes, busca compreender a prática e siste- matizá-la por meio de relatos escritos, estudos grupais, exposição dia- logada e reelaboração dos relatos.

A avaliação ocorrerá no transcorrer do minicurso com indagações e ao

final com a aplicação de um instrumento avaliativo.

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Ementas dos Minicursos

GT05 – ESTADO E POLÍTICA EDUCACIONAL

“BRICOLAGEM” METODOLÓGICO USANDO COMPUTADOR E FERRAMENTAS PARA PESQUISAS EM/PARA EDUCAÇÃO Ridha Ennafaa – UFRN Agência Financiadora: CAPES/UFRN

“La régle de son jeu (le bricolage) est de toujours s’arranger avec les mo- yens du bord, c’est à dire un ensemble à chaque instant fini d’outils et de matériaux hétéroclites” - Levi-Strauss, 1962 p.31 (la Pensée Sauvage Edit.Plon) Como o computador e as ferramentas, hoje disponiveis (livres e/ou co- merciais), podem ajudar-nos a tratar os dados das nossas pesquisas pes- soais ou colaborativas com abordagens complementares quantitativos e qualitativos. Das abordagens Macro para o Micro e vice versa, do Quantitativos para o Qualitativos ou vice versa; não temos a certeza de que existem pesquisas quantitativas ou qualitativas. Nós preferimos di- zer: não há investigação baseada principalmente (ou especialmente) em elementos quantificáveis (de forma errada ou com razão!), investi- gações baseada principalmente em relatos ou mal quantificados (com ou sem razão direito!) há abordagens mais quantitativas e abordagens mais qualitativas. Hoje, nos temos varias possibilidades de combinar e explorar resultados dos dados que construíamos para : Análises tex- tuais - de conteúdo e/ou lexical de “Corpus” de textos diver-

da Web ou não. - Análises secundárias e multiníveis

sos

dos dados de banco de dados/ Censos; Construção de questionários, Enquetes, guia de entrevistas, /Entrevistas/Focus_Group/ Analises multivariadas/ Análise Exploratória dos dados da Escola francesa de analises dos dados. Os exemplos tratados para o minicurso são com dados reais, exertos de pesquisas pessoais (1983-2011) no Brasil Fran- ça, Africa e no campo da educação básica e ensino superior: da « edu- cação para todos » ao « ensino superior de massa ».

/….oriundos

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GT06 – EDUCAÇÃO POPULAR

OS LUGARES DA EDUCAÇÃO POPULAR:

DESLOCAMENTOS E NOVOS DESAFIOS Edla Eggert – UNISINOS Lana Claudia De Souza Fonseca – UFRRJ Jadir de Morais Pessoa – UFG Eymard Mourão Vasconcelos – UFPB

O lugar teórico-político da EP nas relações entre estado e sociedade,

suas várias configurações desde meados do século XX; a EP nas práti-

cas políticas e nas práticas formativas dos movimentos populares; a EP como instrumento de gestão participativa das políticas sociais; a EP nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, na graduação e na pós- graduação stricto sensu, embasando as metodologias, a orientação de projetos e a constituição de grupos de pesquisa; a metodologia da EP

no cotidiano das salas de aula das escolas públicas, sua relação com os

saberes escolares; a EP abordando, de forma mais explícita, novos con- teúdos da dimensão espiritual, sobretudo em face de crises existenciais e problemas comunitários graves; a EP no setor de saúde, na estrutu- ração de novas tecnologias e de novas técnicas de cuidado, na estrutu- ração de novos modos de fazer educação em saúde; a EP nas práticas autônomas da cultura popular, como os diversos reisados, congados, danças regionais, artesanato, teatro popular etc.; em todas essas situa- ções, mantendo-se o horizonte da constituição de sujeitos sociais au- tônomos e críticos, em lugar da mera destinação de ações e recursos governamentais.

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GT07 – EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS DE 0 A 6 ANOS

EDUCAÇÃO INFANTIL: O DEBATE SOBRE A DIVERSIDADE E DIFERENÇA Anete Abramowicz – UFSCar Tatiane Cosentino Rodrigues – UFSCar

Este mini-curso pretende discutir as temáticas relativas à diferença e à diversidade que atravessam o campo da criança, da infância e da edu- cação infantil. Em um primeiro momento pretende-se configurar as distintas concepções presentes no debate sobre diferença e diversidade, buscando mostrar a maneira pela qual a temática ascende nas políticas públicas em educação a partir da década de 90, especialmente no go- verno Lula, e nas pesquisas da educação da criança pequena. Outro ponto a ser trabalhado refere-se ao debate presente no interior da sociologia da infância sobre o singular e/ou plural da infância. Nes- te eixo discutir-se-á a infância como estrutura social, como singular. E de outro, pretende-se discutir a infância na clave da experiência, como diferença. Ao final pretende-se configurar o processo de iniciação (cre- ches) das crianças sob a clave da diferença.

Tópicos

– A infância, as relações raciais, de gênero e de classe social como es- truturas sociais. Povo. O singular da infância.

– A criança e as diferenças. O plural da infância. Multidão.

– Educação infantil como diferença e/ou diversidade.

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GT08 – FORMAÇÃO DE PROFESSORES

PESQUISAS NO CAMPO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES:

QUESTÕES TEÓRICAS E METODOLÓGICAS Marli André – PUC-SP Menga Lüdke – PUC-Rio

Serão discutidas questões teóricas e metodológicas associadas às pes- quisas que têm como foco a formação de professores. Especial atenção será dada às seguintes questões: (1) o tema e a formulação do proble- ma em estudo; (2) questões metodológicas: descrição dos passos da pesquisa, os procedimentos e instrumentos; superando as classificações e tipologias (3) a análise de dados: muito além da mera descrição, em busca da interpretação; (4) o relatório da pesquisa: aprendendo a ela- borar os relatos.

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GT09 – TRABALHO E EDUCAÇÃO

TRABALHO, CLASSES SOCIAIS E EXPERIÊNCIA HISTÓRICA NA OBRA DE E. P. THOMPSON Celia Vendramini – UFSC Lia Tiriba – UFF

Visando contribuir para a pesquisa no campo Trabalho e Educação, o minicurso propõe o estudo de elementos teórico-metodológicos da obra do historiador marxista inglês E. P. Thompson. Nos marcos do materialismo histórico, abordar-se-ão, especificamente, as análises do

autor acerca da classe e consciência de classe, da experiência histórica

e da cultura como questões fundamentais para apreensão da totalida- de social.

As classes sociais e a consciência de classe como fenômeno histórico e como formação econômica, política e cultural. Thompson compreen-

de que a classe e a consciência de classe vão formando-se juntas na ex-

periência: é uma formação imanente. Tal compreensão pode ser obser-

vada na análise que faz do período 1790 a 1830, quando se forma a classe operária inglesa. Sua análise considera o modo de vida caracte- rístico dos trabalhadores, que está associado com um modo de produ- ção, e os valores partilhados pelos que viveram durante a Revolução Industrial.

A análise da experiência enquanto forma de apreensão da realidade.

Como um historiador contemporâneo dentro da abordagem marxista,

o autor desenvolve aspectos pouco estudados até então. Um deles, e de

grande relevância nas suas obras, o qual perpassa toda A Formação da Classe Operária Inglesa, é a experiência histórica. A categoria expe- riência, gerada na vida material, permite a análise histórica das relações entre trabalho e educação; contribui para a pesquisa sobre os saberes do trabalho e para tornar visível o lugar do sujeito coletivo nos proces- sos de produção e reprodução da existência humana. Elementos teórico-metodológicos presentes nas obras de Thompson que contribuem para análise do sentido histórico atual de experiências coletivas de trabalhadores, suas raízes históricas e suas possibilidades futuras, considerando a dialética passado, presente e futuro. O autor atribui grande valor aos estudos empíricos, à análise do movimento real da sociedade, sem perder a análise mais ampla da sociedade, o que

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nos ajuda a compreender diversas formas de organização da vida social na atualidade: cooperativas, associações, movimentos sociais etc, como expressão das relações de classe. A análise das contradições e ambiva- lências das experiências históricas; das condições objetivas e subjetivas das situações reais; o estudo do contexto social, dos costumes, da rela- ção com o tempo, da disciplina no trabalho, das tradições das expe- riências e da cultura que nele emergem são questões presentes no es- tudo da formação da classe operária inglesa e, também, elementos pre- ciosos para pensar os movimentos populares na atualidade, em espe- cial, a cultura do trabalho que se tece na produção associada.

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GT10 – ALFABETIZAÇÃO, LEITURA E ESCRITA

TEORIAS DE ALFABETIZAÇÃO Isabel Cristina Alves Silva Frade – UFMG Eliana Peres – UFPel Cancionila Janzkovski Cardoso – UFMT

História da alfabetização: pressupostos teóricos e campos de conheci- mento que têm auxiliado na construção do campo de estudos. Meto- dologia e fontes de pesquisa. Investigações empíricas sobre materiais e métodos no século XIX e século XX. Relação entre pedagogia e aspec- tos editoriais: produção, circulação, aspectos materiais e pedagógicos envolvidos na análise dos suportes para ensinar a ler e escrever.

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GT11 – POLÍTICA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR

“A AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NOS

GOVERNOS LULA” Gladys Beatriz Barreyro – EACH/USP Josè Carlos Rothen – UFSCAR

O minicurso tem como objetivo apresentar e discutir o processo de

elaboração e implantação do Sistema Nacional de Avaliação da Educa- ção Superior (SINAES). Tomar-se-á como referência a idéia de que as posições no debate sobre a avaliação da educação superior, oscilam en-

tre considerá-la como um processo interno de autoconhecimento ins-

titucional ou como ferramenta de regulação das instituições pelo Esta-

do e/ou pelo mercado. Em um primeiro momento serão apresentados

os

modelos de avaliação da educação superior adotados no Brasil a par-

tir

da década de 1980. No segundo momento, serão apresentadas as

fases da implantação do SINAES desenvolvendo-se a hipótese de que

na proposta original adotou-se um sistema hibrido de avaliação como

autoconhecimento e como instrumento de regulação pelo Estado, e que na sua última fase adotou-se a concepção da avaliação como me- canismo de regulação pelo mercado.

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GT12 – CURRÍCULO

NARRATIVAS E CURRÍCULO: RELAÇÕES, DESDOBRAMENTOS E PERSPECTIVAS NA ATUALIDADE Inês Barbosa de Oliveira – UERJ Maria da Conceição Silva Soares – UERJ Agência Financiadora: CNPq/FAPERJ

A

importância das narrativas como forma de expressão relevante para

o

campo das ciências humanas e sociais vem sendo crescentemente re-

conhecida. Na educação, muitos estudiosos vêm se debruçando sobre

o tema, recuperando a importância das narrativas verbais, imagéticas e

outras para a compreensão dos processos educativos. Em meio a esse debate, o campo do Currículo – e particularmente o GT Currículo da ANPEd – vem valorizando e promovendo discussões em torno do tema. Esta proposta de minicurso pretende abordar os mais relevantes aspectos desse debate do ponto de vista das possibilidades de apropria- ção pelo campo dos estudos de currículo.

Os objetivos do minicurso são:

refletir sobre o embate entre o discurso científico e outras formas nar-

rativas ao longo da história recente e sobre as possíveis perspectivas que

a crise do paradigma moderno abre para outras formas de expressão

verbal e imagética numa perspectiva de compreensão do potencial epistemológico das narrativas, desqualificadas pelo cientificismo mo- derno e seu ideário;

apresentar e discutir amplamente diferentes formas narrativas, verbais

e imagéticas, recuperando sua importância como formas de criação e

expressão de conhecimentos, sua contribuição na formação dos sujei- tos sociais e nos processos sociais de aprendizagem, nos quais o cam- po do currículo se inscreve. Para atingirmos os objetivos propostos, será desenvolvida uma reflexão sobre o papel das narrativas nos processos de aprendizagem e de ex- pressão de aprendizagens. Ementa e Programação Cada item da Ementa será trabalhado em um dos dias do curso, com base na bibliografia apresentada, em aulas construídas pelas duas pro- ponentes.

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Narrativas e conhecimentos: relações, interpenetrações, desdobramen- tos e perspectivas atuais. Narrativas verbais e narrativas imagéticas: as- pectos gerais e especificidades no campo do Currículo. 2) Reflexões sobre Currículo em suas relações com as diferentes narra- tivas, os diferentes modos de apresentar, indicar, representar e fabular a realidade configurada e/ou vivida, conforme os dispositivos técnicos em que eles tomam corpo. A importância atual das narrativas como expressão de conhecimentos diversos para o campo do Currículo, con- siderando a necessidade de tecer os sentidos contemporâneos em sin- tonia com a diversidade cultural e com as contingências do presente.

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GT13 – EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL

EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL, CONHECIMENTOS, SABERES E FAZERES ESCOLARES COTIDIANOS:

UM DIÁLOGO COM AS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS Jacqueline de Fátima dos Santos Morais – UERJ Mairce da Silva Araújo – UERJ

Este mini-curso tem como propósito atender tanto a demanda de dis- cussão a respeito das novas diretrizes curriculares para o ensino funda- mental, apontadas pelo GT13, quanto aprofundar a temática em tor- no da qual o GT tem se voltado em seus últimos trabalhos encomen- dados: a educação fundamental conhecimentos, saberes e fazeres esco- lares. Desta forma, pretendemos abordar as implicações da Resolução Nº 7, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2010 para o cotidiano escolar no que diz respeito a organização e gestão da escola, projeto político-pe- dagógico e avaliação. Assim, privilegiaremos em nossa discussão o co- tidiano escolar buscando dar visibilidade às experiências emancipató- rias tecidas pelos sujeitos que o constituem, indo em direção do que Boaventura denomina como “conhecimento emancipação”.

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GT14 – SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO

SISTEMAS DE INFORMAÇÕES EDUCACIONAIS

E DEMOGRÁFICAS: CARACTERÍSTICAS, LIMITES E

POSSIBILIDADES

Fatima Alves – PUC-Rio Mariane Kolinski – UFRJ

A partir da década de 1990, o Brasil acumulou importantes experiên-

cias com projetos de avaliação da educação nos mais diversos níveis de ensino. Especificamente para a Educação Básica, podemos citar o Sis- tema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), os diversos projetos estaduais e municipais de avaliação e a participação do país no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) e, mais re-

centemente, a Prova Brasil. De forma geral, tais experiências têm gera- do dados sobre o desempenho escolar dos alunos e sobre suas caracte- rísticas sociais e culturais, e também sobre as escolas, seus diretores e professores. Ainda no âmbito educacional, o Censo Escolar anualmen- te coleta uma série de informações sobre as escolas brasileiras, bem como dados referentes ao fluxo escolar. A partir de 2007, o Censo Es- colar coleta informações individualizadas não apenas das escolas, mas também dos alunos e turmas. Em decorrência dessa paulatina sistema- tização e consolidação do sistema estatístico educacional, o Brasil apre- senta, hoje, dados substanciais sobre acesso à escola, fluxo e evasão e sobre o desempenho dos estudantes brasileiros. Além disso, há vários anos o Brasil dispõe de um conjunto de levanta- mentos demográficos dentre os quais se destacam o Censo Populacio- nal e a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) que dis- ponibilizam diversos indicadores sociais. No entanto, este cenário mais rico em dados sobre a educação brasileira não tem acarretado em um grande crescimento na utilização destas informações nas pesquisas realizadas na área de sociologia da educação e, muito menos, na edu- cação em geral. Uma das possíveis explicações para esta questão está re- lacionada com o não conhecimento das informações disponibilizadas pelos sistemas de informações por parte dos professores e alunos dos cursos de pós-graduação brasileiros.

A proposta deste mini curso insere-se justamente nesta temática. Tem

como objetivos:

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– apresentar as principais características dos sistemas de informações

educacionais e demográficos no Brasil relacionados com o desenho de pesquisa; objetivos, público-alvo; periodicidade; unidades de análises; tipos de informações disponibilizadas;

– identificar os limites para a utilização das informações coletadas pe-

los sistemas de informações;

– discutir as possibilidades de análises envolvendo a utilização dos di-

ferentes sistemas de informações, a partir da apresentação de exemplos de pesquisas.

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GT15 – EDUCAÇÃO ESPECIAL

MEDICALIZAÇÃO E ESCOLARIZAÇÃO:

DESAFIOS NO TRABALHO

TEMPOS DE PRODUÇÃO DE DOENÇAS Adriana Marcondes Machado – USP

EDUCATIVO EM

O conceito de medicalização em Michel Foucault. O processo de me- dicalização nas formas atuais de investigar acontecimentos escolares. A Problematização de situações escolares cotidianas e formas de criar bre- chas em um campo social patologizante.

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GT16 – EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO

PESQUISA E FORMAÇÃO EM TEMPOS DE CIBERCULTURA:

DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO Edméa Santos – UERJ

A cibercultura é a cultura contemporânea estruturada pelo uso das tec-

nologias digitais nas esferas do ciberespaço e das cidades. Em sua fase

atual vem se caracterizando pela convergência dos dispositivos e redes móveis, como os laptops, celulares, mídias locativas, e pela emergência dos softwares sociais que vêm estruturando redes sociais no ciberespa- ço e nas cidades. Nesse contexto, interessa-nos compreender como es- ses potenciais comunicacionais podem contribuir para pesquisa e a formação de professores em situações de aprendizagem formais e não formais. Que abordagens, métodos e dispositivos de pesquisa estão sendo utilizados por pesquisadores e grupos de pesquisa no Brasil? Em meio a esse debate, o campo da interface Educação e Comunicação – e particularmente o GT 16 da ANPEd – vem valorizando, nos últimos anos, as discussões em torno do tema, propondo publicações e deba- tes que tratam do assunto. Esta proposta de minicurso pretende abor- dar os mais relevantes aspectos desse debate discutindo com os parti- cipantes aspectos epistemológicos e metodológicos. Os objetivos do minicurso são:

– Discutir como as redes sociais, estruturadas pelos softwares sociais da Web 2.0, e a mobilidade dos computadores e dispositivos móveis po- dem contribuir para a pesquisa e formação de professores na atual fase da cibercultura.

– Apresentar e discutir amplamente algumas abordagens metodológi-

cas a exemplo da pesquisa multirreferencial, pesquisa histórico-cultu- ral, pesquisa-formação na educação online, pesquisas nos dos e com os cotidianos, netnografias. Para tal, será desenvolvida uma reflexão que visa a considerar o papel das narrativas nos processos de aprendizagem e de expressão de apren- dizagens.

Ementa e Programa Cibercultura e tempos de redes sociais e mobilidade. Abordagens, mé- todos e dispositivos de pesquisa em Educação e Cultura Digital (pes-

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quisa mutirreferencial, pesquisa histórico-cultural, pesquisa-formação

e educação online, pesquisas nos dos e com os cotidianos, netnogra-

fias). A pesquisa no Ciberespaço e na Educação Online. Desafios para

a pesquisa e formação de professores na cibercultura.

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GT17 – FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

MODELOS DE FORMAÇÃO HUMANA - PAIDEIA, BILDUNG

E FORMAÇÃO OMNILATERAL

Avelino da Rosa Oliveira – UFPel

O Curso discute a ideia de formação omnilateral, desenvolvida pela

tradição pedagógica marxista, enquanto devedora e, simultaneamente, superadora dos modelos da Paideia grega e da Bildung alemã. O con- ceito que primeiro exprime o ideal educativo grego é o de arete, enten- dida como conjunto de qualidades físicas, espirituais e morais tais como bravura, coragem, força, destreza, eloquência, capacidade de persuasão, enfim, a heroicidade. Trata-se neste momento inicial, de um atributo próprio da nobreza. Ao da época arcaica há um alarga- mento deste ideal formativo, evoluindo para a busca do Belo e do Bom, a excelência física e moral. Só no século V a.C. chega-se, efeti- vamente, à Paideia, passando da formação do homem para a do do ci- dadão da polis, no sentido de um espírito plenamente desenvolvido, tendo desabrochado todas as suas virtualidades – o homem tornado verdadeiramente homem. O segundo modelo, a Bildung, significa au- toformação e aperfeiçoamento individual, e representa a forma pecu- liarmente alemã de assimilação da herança individualista ocidental, com sua ênfase inigualável na liberdade de autocultivo pessoal. Seu sig- nificado complexo e holístico indica um processo de formação espiri- tual, referente à forma interior que os seres humanos podem atingir ao desenvolverem suas aptidões através do contato intenso com os con- teúdos espirituais de seu ambiente. Bildung implica valores, ethos, per- sonalidade, autenticidade, humanidade. Enfim, é processo de autofor- mação, de autocultivo espiritual. A ideia de formação omnilateral, por

seu turno, só pode ser compreendida no horizonte da superação da so- ciedade individualista coerida pela lógica do capital; portanto, na pers- pectiva da emancipação humana. No entanto, sendo muito mais do que a mal interpretada articulação entre ensino e trabalho, a formação omnilateral é plenamente devedora das ideias de Paideia e Bildung, na medida em que não pode prescindir de qualquer dos elementos destas.

A formação omnilateral toma em conta o humano como rica totalida-

de de múltiplas e complexas determinações; deste modo, todas as di-

mensões do humano são igualmente relevantes: o intelectual, o corpo-

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ral, o estético, o sensível, o social, enfim, todos os constitutivos do hu- mano articulam-se e ganham sentido em torno de sua determinação mais fundamental: o trabalho produtivo. De outra parte – e sem dei- xar de ser devedora daqueles modelos de formação –, a formação om- nilateral reconhece a impossibilidade de efetivação do plenamente hu- mano no interior dos limites impostos pela lógica do capital. Assim, vai além da Paideia e da Bildung, articulando a formação à superação da alienação, ou seja, à emancipação humana. A primeira aula discute os modelos formativos da Paideia e da Bildung, enquanto a segunda prossegue com a formação omnilateral.

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GT18 – EDUCAÇÃO DE PESSOAS JOVENS E ADULTAS

EMERGÊNCIA E CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO PERMANENTE/EDUCAÇÃO CONTINUADA;

A EDUCAÇÃO AO LONGO DA VIDA

Osmar Fávero – UFF Jane Paiva – UERJ

A “crise” dos sistemas de ensino europeu nos anos de 1960, a “desco-

berta” da educação extraescolar (ou não-formal), e a “invenção” da educação permanente e da educação continuada. O Relatório Faure; o

inacabamento do homem; a cidade educativa. Educação permanente como expressão dos anos 1970 e da teoria do capital humano. A con- cepção desenvolvida na América Latina: educação permanente e de- senvolvimento cultural. O Relatório Delors: educação ao longo da vida. Educação continuada pós-CONFINTEA V: atribuição de senti- dos no Brasil e na América Latina. Perspectivas pós-CONFINTEA VI.

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GT19 – EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

PERSPECTIVAS SOBRE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

INCLUSIVA

Lulu Healy – UNIBAN

Temos nos dedicado a temas que buscam uma didática adequada para

o ensino de Matemática em classes inclusivas há alguns anos e atribuí-

mos aos nossos estudos tanto caráter pragmático como teórico. Prag- mático, dado às práticas sociais atuais destinadas a atender aos alunos com necessidades educacionais especiais presentes nas salas de aulas re- gulares: embora o incremento dado anualmente aos números da Edu- cação Inclusiva, especialmente no Brasil, é expressivo, o mesmo não pode ser dito, pelo menos no campo de Educação Matemática, sobre

o volume de pesquisa sobre como trabalhar neste novo contexto. Teó-

rico, por conjecturarmos que identificar diferenças e semelhanças nas práticas matemáticas daqueles cujo conhecimento do mundo é media- do por diferentes canais perceptivos, nos permitirá uma compreensão robusta da relação entre experiência e cognição no plano geral da Edu- cação. Assim uma questão fundamental que motivará as atividades deste minicurso é: Como podemos dar subsídios aos professores que traba- lham em salas de aula inclusivas e também para aqueles que trabalham com a formação destes professores, quando nossa compreensão sobre as par-

ticularidades dos processos de aprendizagem desses alunos é tão limitada? Para explorar esta questão, iniciamos o curso com considerações de perspectivas teóricas, que viabilize a interpretação dos processos de aprendizagem matemática em educandos portadores de necessidades educacionais especiais, dando atenção particular a três vertentes:

O papel mediador de ferramentas materiais e semióticas;

A natureza situada e corporificada da cognição;

Nossa tendência como seres humanos de interpretar o mundo por

meio de narrativas.

A seguir, convidaremos os participantes para vivenciar alguns cenários

de aprendizagem matemática, nos quais conceitos matemáticos são ex-

pressos por meio dos sistemas háptico, visual e auditivo. Apresentare- mos exemplos, para análise, de alunos cegos e alunos surdos interagin- do em estes cenários.

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GT20 – PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: PSICOLOGIA E OUTROS CONHECIMENTOS Lizia Helena Nagel – CESUMAR

A violência vem crescendo, em frequência e complexidade, estenden- do-se, em qualquer parte do mundo, a todos os relacionamentos. A Psicologia da Educação não pode enfrentar essa realidade apenas com os seus conhecimentos específicos. Mesmo ao se considerar extrema- mente relevante o conhecimento divulgado sobre bullying e cyberbull- ying, ainda assim, isso não é suficiente. Não basta, pois, estabelecer a correspondência entre indisciplina, bullying e cyberbullying com baixa autoestima, depressão, distúrbios alimentares, sexualização precoce, uso de drogas ou abandono da família. Tampouco é satisfatório o le- vantamento de estratégias para, no espaço escolar, superar a crise com- portamental que lá adentrou. Da mesma forma, carece de profundida- de explicar qualquer transgressão como uma forma de protesto, ou como mero desejo de (re)construção! Outros estudos sobre transgres- sões, de caráter mais sociológico, como os que analisam a violência por parte de jovens fora do espaço escolar, embora tragam valiosas contri- buições, ainda assim, não respondem às angústias da sociedade em ge- ral. Tais análises não podem ficar confinadas às declarações dogmáti- cas que encontram no poder (sempre tratado abstratamente) ou nas desigualdades sociais (já definidas por preconceitos culturais ou pelo sistema econômico) as causas últimas desse fenômeno. A resposta cen- trada nesses dois fatores, dada aprioristicamente, distancia-se da espe- culação meticulosa da práxis vigente, pondo de lado um exame minu- cioso e necessário das interações entre os indivíduos que se afastam, cada vez mais, dos conceitos de cidadania, de responsabilidade civil ou moral. Em qualquer situação, torna-se absolutamente necessário diri- gir o olhar para as ações concretas dos indivíduos e/ou para a filosofia que sustenta essa sociedade em tempo de mudanças profundas no tra- balho que, em última instancia, não só produz o homem como se ex- pressa na objetividade das interações e dos inter-relacionamentos de qualquer sujeito. A filosofia (neo)liberal, que se caracteriza pela emu- lação dos indivíduos para a mais radical e autêntica autonomia; a pe- dagogia (pós) moderna, que retira do professor a função educadora; e

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Ementas dos Minicursos

a psicologia, que eleva a identidade do sujeito ao patamar da indivi- dualidade exacerbada, todos esses campos de conhecimento precisam ser revisitados porque desviam o foco central das relações a tudo indi- vidualizando. Tanto o discurso radical sobre liberdade quanto a conse- quente prática da autonomia no sistema capitalista (autolouvado de- mocrático) precisam de avaliação sólida, independentemente da noção de classe social, pois é dentro das relações individualistas, desrespeito- sas e generalizadas (em âmbito privado ou público) que o cidadão, ao promover o bullying, o cyberbullying ou o assédio, entre outras trans- gressões, encontra “aleitamento materno”.

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Ementas dos Minicursos

GT21 – EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS

ARTE E CONHECIMENTO NA DIÁSPORA AFRICANA Mailsa Carla Pinto Passos – UERJ Roberto Conduru – UERJ Carlos Roberto de Carvalho – UFRRJ

Os processos de produção e de apropriação dos artefatos pela diáspo- ra africana no Brasil. Arte, artefato e diáspora. A experiência pós-colo- nial e a produção artística de sujeitos afro-brasileiros. Origem, tradi- ção e mito em contextos pós-coloniais

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Ementas dos Minicursos

GT22 – EDUCAÇÃO AMBIENTAL

DISCIPLINA E INTEGRAÇÃO CURRICULAR:

DIÁLOGOS COM O CAMPO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL Alice Casimiro Lopes – UERJ Jacqueline Girão – UFRJ

Discursos curriculares sobre disciplina e integração: concepção sócio- histórica; diferenças entre disciplina escolar e disciplina científica; di- ferentes formas de integração curricular; impactos nas discussões sobre educação ambiental. Nossa proposta é articular discussões sobre a tensão disciplinaridade/ integração no campo do currículo às pesquisas sobre a forma curricu- lar da EA nos contextos escolares. Apoiamo-nos nas teorizações do campo do currículo para matizar vertentes que entendem que a edu- cação ambiental não pode, a priori, assumir a forma disciplinar. Utili- zamos exemplos descritos na literatura sobre disciplinas constituídas pela integração de conteúdos de diversas áreas de referência, como a disciplina escolar Ciências e a disciplina Educação Ambiental, criada em Armação dos Búzios (RJ) entre os anos de 2006 e 2009, para ar- gumentar que a disciplinaridade convive com diversos mecanismos de integração curricular. Para entender os processos de organização disci- plinar, apoiamo-nos em Alice Casimiro Lopes, Elizabeth Macedo, Ivor Goodson e Stephen Ball; valemo-nos também das considerações de Oliveira e Ferreira (2007) sobre ações de Educação Ambiental nas dis- ciplinas Ciências e Biologia e de Lima (2007) e Lima e Oliveira (2010) sobre práticas escolares de Educação Ambiental. A questão da interdis- ciplinaridade no campo da Educação Ambiental é discutida com base em Loureiro (2004 e 2006), Lima (2005) e Carvalho (2001). Em nos- so entender, o diálogo com tais teorizações contribui para superar a di- cotomia usualmente estabelecida entre disciplinaridade e integração nas políticas curriculares para a educação ambiental.

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GT23 – GÊNERO, SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO

ENTRE FILMES, MÚSICAS, REVISTAS

CORPOS, GÊNEROS E SEXUALIDADES NOS DIFERENTES ARTEFATOS CULTURAIS Paula Regina Costa Ribeiro – FURG

DISCUTINDO

O minicurso tem como proposta discutir as questões de corpos, gêne-

ros e sexualidades a partir de diferentes artefatos culturais como filmes, histórias em quadrinhos, músicas, anúncios publicitários, livros infan- tis, sites, revistas, entre outros. As discussões serão alicerçadas no cam- po teórico dos Estudos Culturais e de Gênero, em suas vertentes pós- estruturalistas, que caracteriza os objetos sob análise como resultados

de

um processo de construção social (SILVA, 2004). Nessa perspecti-

va

as revistas, programas de TV, músicas, imagens, jornais, entre ou-

tros são considerados artefatos culturais, pois são constituídos por re- presentações produzidas a partir de significados que circulam na cul-

tura, sendo essa a justificativa que nos atrai a examiná-los (FISCHER, 2002). Na chamada análise cultural, ao examiná-los, problematizamos

as representações (re)produzidas neles, bem como os processos pelos

quais as mesmas vão tornado-se “naturalizadas” (SILVA, 2004). Tais artefatos contêm pedagogias culturais que ensinam modos de ser e es- tar no mundo, construindo e reproduzindo significados sociais. As pe- dagogias, consideradas como processos sociais que ensinam, esten- dem-se a todos aqueles espaços sociais implicados na produção e no intercâmbio de significados (RIBEIRO, 2002). Segundo Steinberg (1997), o termo pedagogia cultural refere-se à ideia de que a educação ocorre em diversos espaços sociais, incluindo, mas não se limitando ao espaço escolar. Essas pedagogias, ao veicularem os mais diversos dis- cursos, acabam nos interpelando e nos constituindo como sujeitos. As- sim, ancorada nesses pressupostos teóricos, neste minicurso, pretende- mos analisar diversos artefatos culturais, bem como debater e proble- matizar os discursos dos corpos, gêneros e sexualidades presentes em tais artefatos.

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Ementas dos Minicursos

GT24 – EDUCAÇÃO E ARTE

QUAL TEATRO PARA QUAL ESCOLA? Gilberto Icle – UFRGS Agência Financiadora: CAPES e CNPq

As práticas teatrais nas escolas da educação básica, frequentemente, as-

sumem o protagonismo de um discurso de emancipação criativa dos alunos, além de fomentar esperanças de atividades potentes para uma diversidade de construções para crianças e jovens. Entretanto, a insistência de diminutivos no vocabulário que procura

nomear e descrever tais práticas (teatrinho, pecinha, ceninha, apresen- taçãozinha) indica que tais práticas nem sempre estão amparadas nos objetivos que elas mesmas prometem cumprir.

A entrada do teatro na escola, seja como atividade informal, seja como

componente curricular, sempre foi objeto de desconfiança por educa- dores e artistas. A escola - como espaço de disciplina e como reduto da

conservação dos saberes - tem dificuldades em lidar com o caráter

transgressor que é próprio do teatro. Assim, o que esse minicurso propõe para a reflexão é justamente saber qual teatro interessa à escola. Como podemos pensar e praticar teatro

na

escola tomando-o como forma de rompimento com o estabelecido?

O

objetivo deste minicurso, com efeito, será o de apresentar e analisar

um conjunto de exemplos de espetáculos contemporâneos que rom- pem com enunciados recorrentes sobre teatro na escola. Para isso será

necessário discutir noções alargadas de teatro, dança e espetáculo; pen- sar práticas performativas como um conceito operacional para poder identificar várias manifestações espetaculares e não apenas os modelos canônicos de teatro. As práticas contemporâneas, nas quais fronteiras e territórios das linguagens não fazem mais sentido, põe em evidência

o conceito de performance como elemento capaz de nos fazer romper

com o paradigma que une de maneira necessária teatro e literatura. Este minicurso se organizará a partir da apresentação de vídeos com fragmentos de espetáculos contemporâneos, seguidos de exposições a partir de imagens e textos. Isso deverá de forma coletiva promover dis- cussões e diálogos. No primeiro encontro apresentar-se-ão produções diversificadas que hibridizam linguagens e, assim, discutem concep- ções e modelos de teatro, dança e performance. A partir desses exem-

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Ementas dos Minicursos

plos, terá lugar a discussão sobre as possibilidades criativas do teatro na escola (em especial, em relação ao espaço cênico) e a crítica à crença na expressão imaculada do aluno. O segundo encontro se ocupará em apresentar produções diversificadas que não partem da literatura ou da linearidade da narrativa e, por conseguinte, possibilitam a reflexão so- bre o trabalho de criação coletivo e o papel do professor-diretor como guia dos alunos-atores. Nesse caso, a ênfase será sobre a teatralização dos estereótipos e sobre o espetáculo escolar como estereótipo da vida escolar.

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DIRETORIA

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Ementas dos Minicursos

“COMO PUBLICAR EM REVISTAS DE “ALTO IMPACTO” Gustavo E. Fischman – Arizona State University – USA

Este minicurso está dirigido a jovens pesquisadores/as e estudantes de pós-graduação em educação. O minicurso será realizado em Portu- guês, porém conhecimento de inglês é recomendável. Este minicurso tem como objetivos:

A) apresentar os principais parâmetros e critérios requeridos para pu-

blicar em revistas da área de educação que se consideram de “alto Im-

pacto”

B) Apresentar e discutir estratégias para a preparação dos manuscritos

para incrementar as chances de aceitação dos trabalhos de pesquisado-

res/as brasileiros/as em revistas de “alto impacto”.

A DOCÊNCIA NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO À EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Acácia Kuenzer – UFPR

Formação docente para a educação básica, para a educação profis- sional e para a educação de jovens e adultos: convergências, especi- ficidades e contradições. Fundamentos legais e pedagógicos da for- mação docente no campo da educação profissional (regular e EJA). Práticas pedagógicas: saberes e fazeres na integração entre a educa- ção básica e a educação profissional (regular e EJA). O perfil do do- cente a ser formado para atuar na educação profissional integrada ao ensino médio (regular e EJA). • Referências BRASIL. INEP. Educação Superior em Debate - Formação de Profes- sores para Educação Profissional e Tecnológica. 1 ed. Brasília: Institu- to Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), 2008. KUENZER, Acácia Zeneida. Palestra. In: BRASIL. INEP. Formação

de professores para a educação profissional e tecnológica. Brasília: Ins- tituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira,

2008.

MACHADO, Lucília Regina de Souza. Ensino Médio e Técnico com Currículos Integrados: propostas de ação didática para uma relação

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não fantasiosa. IN: TVescola. Programa Salto para o Futuro. Ensino médio integrado à educação profissional. Boletim 07, maio/junho de 2006, p. 51-68. Setembro de 2006. Disponível em <http://www.tvebrasil.com.br/salto/> Acesso 22.09.2007. MACHADO, Lucília Regina de Souza. Diferenciais inovadores na formação de professores para a educação profissional. In: Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica / Ministério da Edu- cação, Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. v. 1, n. 1, (jun. 2008 -). – Brasília: MEC, SETEC, 2008.

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Resumos dos Trabalhos

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GT02 – HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

O LIVRO DIDÁTICO NA ESCOLA PRIMÁRIA (1915-1969):

UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA QUANTO AO GÊNERO

Ademir Valdir dos Santos – UTP Samara Elisana Nicareta – UTP e UFPR

Neste estudo o livro didático é visto como auxiliar na disseminação, através da escola, de padrões de comportamento, de papeis que even- tualmente serão assumidos por homens e mulheres. O objetivo é dis- cutir a constituição do feminino nas imagens de obras publicadas en- tre 1915 e 1969, propondo uma análise imagética e de suas relações com o gênero segundo perspectiva histórica. É uma pesquisa docu- mental embasada na análise de 130 figuras localizadas em 27 obras usadas na escola primária, construindo uma pedagogia de imagens (CUNHA, 2007). Mostra-se que a representação feminina é a mes- ma em cartilhas, livros de leitura e manuais de moral e cívica. Predo- minam imagens da menina branca, frágil, vestido rodado, cabelos com laço de fita e figurada no lar. Sugerem-se brincadeiras como de boneca e de casinha, instituindo um padrão vinculado à vida domés- tica e à maternidade. São fixadas posições diferenciadas e cultural- mente produzidas para o homem e a mulher, sem variações devidas à modernização. Há um teor imagético que busca estereotipar situa- ções sociais e de convívio do feminino e do masculino por meio de representações de gênero de base ideológica e vinculadas a contextos históricos.

MODOS E CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO NAS CULTURAS DO ESCRITO: PEDRO NAVA E A FORMAÇÃO NA FAMÍLIA (1903-1913) Juliana Ferreira de Melo – UFMG

O artigo traz resultados da pesquisa sobre a formação na família do

médico e escritor mineiro Pedro Nava (1903-1984). Para realizá-la, utilizei como fontes sua obra memorialística e jornais que circularam em Juiz de Fora, cidade natal do escritor, entre 1903 e 1913. Trabalhos do campo da História e da Sociologia da Educação fundamentam este estudo, desenvolvido na escala do indivíduo. Fruto de relações entre

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

história e literatura, as memórias de Pedro Nava configuram-se como importante manifestação de seu percurso de formação. Em relação ao mundo letrado, Nava iniciou sua participação nas culturas do escrito,

transformando a herança cultural disponibilizada a ele pelos parentes

no início do século XX. Nos ramos paterno e materno da família, ora-

lidade, leitura e escrita apresentam-se como os pilares da relação de Pe-

dro Nava com o universo da escrita, associados ao espaço urbano, o qual contribuiu positivamente com a intimidade que Nava construiu com o mundo letrado. O aprendizado de Pedro Nava de certos gostos

e preferências culturais relaciona-se diretamente com a afetividade por alguns de seus familiares; com a admiração por seus valores, compor- tamentos e modos de viver.

A INFÂNCIA EM DISPUTA NO PRIMEIRO CONGRESSO DE INSTRUCÇÃO PRIMARIA – MINAS GERAIS/1927 Cleide Maria Maciel de Melo – UEMG

Este estudo investigou o processo de escolarização em Minas Gerais nos anos finais da Primeira República. Utilizou como ponto de par-

tida um evento – o Primeiro Congresso de Instrucção Primaria – rea- lizado em Belo Horizonte, no período de 09 a 18 de maio de 1927. Promovido pelo governo do presidente Antonio Carlos de Andrada

e do secretário Francisco Campos, esse Congresso teve a finalidade

explícita de respaldar a reforma do ensino primário que seria decre- tada em outubro do mesmo ano. Sob a perspectiva da micro-histó- ria, este trabalho analisou os registros publicados em três jornais diários – o Minas Geraes, o Correio Mineiro e o Diario de Minas. Procurou demonstrar que, nesse momento da educação mineira, a infância foi percebida/tomada como objeto de disputa entre os con- gressistas representantes de três campos: o político, o médico e o pe- dagógico. Palavras-chave: infância; escolarização; criança; campo.

SOCIOLOGIA E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: QUESTÕES TEÓRICAS E CONCEITUAIS PARA A INVESTIGAÇÃO DA PSICOGÊNESE E SOCIOGÊNESE DA DOCÊNCIA Cynthia Greive Veiga – UFMG

O objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de abordagem

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

conceitual para a escrita da história da educação, especificamente para

a investigação da história da docência tendo como referência teórica os

dois planos desenvolvidos pelo sociólogo Norbert Elias na investigação

dos processos civilizadores – a sociogênese e a psicogênese. Para o es- tudo da história da docência parte-se da premissa de que as alterações no comportamento dos indivíduos (psicogênese) e as alterações nas fi- gurações sociais (sociogênese) integram uma mesma trama e não po- dem ser estudadas separadamente. Desse modo a institucionalização da escola pública nas sociedades ocidentais, com ênfase desde o sécu- lo XIX, é um acontecimento a ser investigado de modo indissociado das tensões presentes nas dinâmicas relacionais que produzem a esco-

la como figuração, ou seja, das tensões presentes nas relações ente pro-

fessores, pais, alunos e gestores da escola.

HISTÓRIAS CONECTADAS DO CURRÍCULO:

CIRCULAÇÃO DE IDEIAS E MÉTODOS DE PESQUISAS Maria do Carmo Martins – UNICAMP

Trata-se de uma pesquisa sobre intercâmbios de ideias e experiências;

trajetórias de intelectuais, produção e circulação de saberes, visando compreender melhor a historiografia do currículo e as maneiras como

se realiza, historicamente, conexões entre pesquisadores de Brasil e In-

glaterra, nos período de 1969 a 2009, datas delimitadas pelas fontes

usadas no trabalho. Refere-se á compreensão sobre os modos de difu-

são internacional da cultura acadêmica, As reflexões pautadas em histórias conectadas, visando perceber inter- câmbios e circulação de ideias e métodos exigem do historiador a pro- posição de comparáveis, colocando sob novo prisma questões sobre si- militudes, diferenciações, classificações. Partindo da compreensão de que as categorias se forjam no próprio movimento de delimitar o real

e de, sobre ele, estabelecer uma inteligibilidade, estabeleço relações

possíveis, tomando por fontes, revistas acadêmicas, traduções, autores

e teorias amplamente citadas, recolocando-os em três dimensões: a his-

tória do campo, a história das disciplinas escolares e a história do co-

nhecimento e da cultura.

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

A GÊNESE DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO DE ARTE

NO SUL DO BRASIL: O CASO DA ESCOLA DE BELAS ARTES DE PELOTAS Clarice Rego Magalhães – UFPel e UFRGS Giana Lange do Amaral – UFPel

O objetivo deste trabalho é abordar os fatores que levaram à criação da

Escola de Belas Artes de Pelotas (EBA) no ano de 1949 no interior do Rio Grande do Sul. A EBA surge como uma instituição particular de ensino de arte, e é a origem do atual Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (CA/UFPEL). A pesquisa pretende preencher uma lacuna historiográfica. O conhecimento acerca das origens da EBA é

importante para a historiografia das instituições escolares e para a construção da identidade e a valorização da singularidade da institui- ção. Este estudo, ancorado na História Cultural, traz as especificidades

e peculiaridades da formação da Escola de Belas Artes de Pelotas, tece

reflexões a respeito e pretende constituir-se em uma contribuição para

a História das Instituições Educativas em nível superior, mormente

para as de ensino de arte. A análise das fontes nos indica que o adven-

to da Escola se deu por uma combinação de fatores que imprimiram

características únicas à Escola de Belas Artes de Pelotas. Palavras-chave: História das Instituições Educativas; Escola de Belas Artes; Instituição de Ensino de Arte.

A CRIANÇA NO PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO

PRIMÁRIA NA PROVÍNCIA DO PARANÁ (1867-1885):

UMA HISTÓRIA AO RÉS-DO-CHÃO

Juarez José Tuchnski dos Anjos – UFPR

Os estudos em história da Educação brasileira sobre o século XIX vêm identificando diversos grupos de crianças que freqüentaram as escolas públicas primárias nesse período. Todavia, pouco se sabe sobre o papel atribuído à criança no processo de escolarização. Tomando a escola como uma figuração social, de acordo com a proposta de Norbert Elias, esta pesquisa parte da hipótese de que na escola primária oito- centista um papel era atribuído à criança pelos sujeitos com os quais ela se relacionava no interior daquele espaço de instrução. Para verifi- car tal hipótese, recorreu-se à abordagem da micro-história, para por meio da redução da escala, identificar esse papel a partir das experiên-

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

cias históricas dos professores primários da cidade da Lapa, na Provín- cia do Paraná, entre os anos de 1867-1885, mas também em outros lo- cais da província. Os ofícios produzidos por professores e inspetores, termos de exames e notícias publicadas no Jornal “O Dezenove de De- zembro” são as fontes interrogadas na presente investigação. Palavras-chave: criança; século XIX; Paraná; escolarização.

CIDADE E EDUCABILIDADE (PRÍNCIPE, RIO GRANDE DO NORTE – SÉCULO XIX) Olivia Morais de Medeiros Neta – UFRN

Esse trabalho é uma construção que tem como temática cidade e edu- cabilidade e como objeto pedagogias da cidade no Príncipe no século XIX, a partir do qual objetivamos pela relação entre os espaços e as so- ciabilidades, mirar um conjunto de educabilidades constituídas por

práticas sociais e valores à vida material e às elaborações simbólicas no Príncipe (atual cidade de Caicó, RN) no século XIX. O corpus docu- mental para o estudo da pedagogia da cidade no Príncipe, século XIX,

é composto por fontes distintas e amplas. São elas: político-adminis-

trativas, cartoriais e judiciárias. Para a análise e interpretação das fon- tes, o estudo assenta-se no método indiciário, permitindo o apreço aos pormenores e a conciliação entre a racionalidade e a sensibilidade. Esse trabalho de história social da cidade, de conformidade com Georges Duby (1995) e Peter Burke (2002), considera o estudo das esferas da cultura, da economia e da sociedade na vida em comunidade. Dessa forma, localizamos e focalizamos educabilidades pelas quais práticas sociais e os valores, a vida material e as elaborações simbólicas consti- tuem um conjunto de aprendizagens decorrentes da relação entre os espaços e as sociabilidades. Mirando os espaços e suas escrituras, socia- bilidades e educabilidades é que nos voltamos a um entendimento am- plo de que estamos constituindo uma história das educabilidades no Príncipe no século XIX, essa tem como constructor maior a cidade e seus componentes de educação socializadora e instrutiva. Em termos conclusivos, pensar sobre cidade e educabilidade é ressaltar que a pe- dagogia da e na cidade é possível em função dos movimentos cidadãos

e da urbanidade, bem como pela monumentalização da cidade, pois

esta é responsável por transmissão de saberes. Palavras-chave: Príncipe (Rio Grande do Norte); sociabilidades; edu- cabilidades.

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

O BOLETIM MENSAL DO CENTRO BRASILEIRO DE

PESQUISAS EDUCACIONAIS: O IMPRESSO COMO ANÚNCIO DE CONSOLIDAÇÃO E PRENÚNCIO DE DECLÍNIO INSTITUCIONAL (1955-1964) Fernando César Ferreira Gouvêa – UFRRJ

Este trabalho tem como objeto de estudo o Centro Brasileiro de Pes- quisas Educacionais e os seus Centros Regionais criados em 1955. Busca a compreensão dos períodos de consolidação e de declínio da instituição em tela, utilizando – dentre outras fontes – o Boletim

Mensal do referido Centro que ainda não foi explorada na historiogra-

fia da Educação Brasileira. A metodologia utilizada repousa na pesqui-

sa de caráter documental e histórico, especialmente no que concerne à

história cultural que valoriza fontes variadas como os impressos. A tese central deste trabalho é que a consolidação do Centro Brasileiro de

Pesquisas Educacionais abarcou o período de 1957 a 1960 e o declí- nio ocorreu no hiato de tempo entre os anos de 1961 e 1964. Tal pe- riodização significa o distanciamento do argumento recorrente que o golpe civil-militar de 1964 foi o único responsável pelo esvaziamento do CBPE. As fontes apontam que o esvaziamento institucional foi acentuadamente marcado por motivos endógenos e, posteriormente, por força do arbítrio através de marcos regulatórios que esvaziaram a instituição e selaram a sua extinção em 1977.

“ESPÍRITO ESAVIANO” E COTIDIANO DISCENTE NA ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA E VETERINÁRIA DO ESTADO DE MINAS GERAIS Eduardo Simonini Lopes – UFV

O “espírito esaviano” foi uma mentalidade cunhada na Escola Supe-

rior de Agricultura e Veterinária do Estado de Minas Gerais (ESAV) – instituição esta que a partir de 1970 passou a ser conhecida como Uni- versidade Federal de Viçosa – e perdurou dos anos 20 aos 40 do séc. XX. O cultivo de tal “espírito” veio a ser uma ferramenta importante para modelar os modos de fazer e de pensar daqueles que iniciaram a construção da ESAV e que propunham fazer dela um modelo de in- fluência tanto na prática da agricultura brasileira quanto na constru- ção de valores morais “superiores” a contribuir com o crescimento da Nação. Neste sentido, este trabalho se dedicou a apresentar o contex-

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

to institucional no qual o “espírito esaviano” foi cunhado e sua inter-

ferência no cotidiano discente da instituição, especialmente aquela in- dicada nos exemplares do jornal estudantil “O Bonde”, publicados en- tre 1945 e 1947.

ESCOLA COMPULSÓRIA INGLESA:

HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA Maria Cristina Soares de Gouvea – UFMG

O estudo da implementação da escola obrigatória ao final do século

XIX revela um fenômeno transnacional, em que os mais distintos paí-

ses ocidentais construíram sistemas de ensino voltados para a univer- salização da educação elementar. No interior deste quadro, a Inglaterra apresenta um percurso caracte- rístico, tendo sido um dos últimos países europeus a assumir a escola- rização da infância como dever das famílias e obrigação do Estado. O

chamado “atraso inglês” na institucionalização da compulsoriedade da educação instiga-nos a pensar a singularidade dos diferentes processos nacionais de afirmação da Escola obrigatória e estatal. Tendo como fonte o estudo das obras e periódicos científicos ingleses e europeus do campo da história e história da educação, busca-se ana-

lisar

os referenciais historiográficos da produção inglesa sobre o tema,

bem

como apresentar o percurso histórico de legitimição da interven-

ção do Estado na instrução elementar. Na análise deste percurso tem-

se como foco os projetos de acesso à instrução e cultura letrada desen-

volvidos pelos distintos atores sociais, notadamente Estado, igrejas e as classes trabalhadoras, ao longo do século XIX.

ESCOLARIZAÇÃO DA INFÂNCIA CATARINENSE:

A NORMATIZAÇÃO DO ENSINO PÚBLICO PRIMÁRIO

(1910-1935)

Solange Aparecida de Oliveira Hoeller – UFSC

O objetivo da pesquisa foi compreender as proposições educativas e

argumentações para a escolarização da infância catarinense e os mo- dos de efetivação – a normatização e os arranjos – de tal intenção, entre os anos de 1910 e 1935. A metodologia procurou responder:

Que elementos materiais e simbólicos contribuíram para a (re)con-

figuração do ensino primário público catarinense entre 1910 e

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

1935? Fontes pesquisadas: Regulamentos da Instrução Pública de 1911 e 1914; documentos sobre a reforma do ensino catarinense de 1935; legislação pertinente; mensagens de presidentes, governado-

res, interventores federais; relatórios de secretários do interior e jus- tiça; regimentos internos das escolas; programas de ensino da esco-

la normal, grupos escolares e escolas isoladas; relatórios de inspeto-

res e diretores de escolas; textos de revistas, congressos, conferên- cias; fontes iconográficas. A necessidade de se escolarizar a infância catarinense, demandou uma (re)configuração de uma forma e cultu- ra escolares, por meio das normatizações específicas para as escolas primárias públicas, na intenção de atender as demandas impostas pela própria república que colaborassem com o progresso e regene- ração do Estado e, daí, da Nação brasileira. Palavras-chave: Santa Catarina; ensino primário; infância.

EDUCAÇÃO DE ESCOLA PARA MENINOS E MENINAS (SÃO PAULO E RIO GRANDE DO NORTE, 1890-1930) Marta Maria de Araújo – UFRN

A investigação da institucionalização da escola primária em São

Paulo e no Rio Grande do Norte de 1890 a 1930 centrou-se na lei- tura de fontes documentais (decretos, leis, mensagens, regimentos, relatórios) visando recompor as modalidades de escolas postas e re- postas pela forma política republicana desse período e, outrossim, cotejar as similaridades nas suas propriedades gerais, bem como nas suas particularidades e variantes. As modalidades de escolas primá- rias analisam-se como constitutivas de uma determinada forma es- colar de socialização predominante, segundo as teorizações de Guy Vincent, Bernard Lahire e Daniel Thin (2001). O imperativo da comparação requereu, como orienta Nunes (2001), a compreensão das lógicas sobre as quais atuavam à luz de um pensamento global. Em São Paulo e no Rio Grande do Norte, a forma escolar de socia-

lização primária efetivada em correspondência com várias modali- dades de escola pública – grupo escolar, escolas modelo, reunida, iso- lada, rudimentar, ambulante – harmonizava-se com um programa

de estudos, método de ensino intuitivo, tempo e idade escolar. As

modalidades de escolas públicas inseriam assim cada educando no

limite da classe social a que pertencia.

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

DELEITAR E INSTRUIR: DA DINÂMICA EDUCATIVA DO BELO EFICAZ NA AMÉRICA PORTUGUESA Marcus Vinicius Corrêa Carvalho – UEMG

Este texto pretende ponderar sobre algumas relações possíveis entre a educação, a ética e as práticas de representação artística fundamenta- das nas poéticas e nas retóricas antigas, pensando-as como equação de questões centrais do fazer humano. No âmbito deste texto, esses ter- mos são definidos a partir dos contextos e das processualidades que as assentam na dinâmica educativa da América Portuguesa inerente à “política católica” da Coroa Portuguesa. Pressupõe-se a conceituação do reino português como um “corpo místico”, no qual a alienação do poder em submissão à pessoa mística do rei dava base para o desenvol- vimento da dinâmica educativa e catequética da pregação da “política católica”. Caracterizar-se-á esta doutrina difundida pelos jesuítas ante- riormente à sua expulsão pelo Marquês de Pombal em 1759. Uma doutrina que implicava em que a educação fosse capaz de “levar os in- divíduos a uma integração harmoniosa como súditos no corpo políti- co do Estado”, a partir da qual a idéia de liberdade era definida como “subordinação livre” ou subordinação à cabeça real. Essa caracterização centrar-se-á sobre a consideração dos preceitos que estabelecem a prá- tica artística como elemento de instrução, de ensinança e de educação desde a antiguidade no ocidente.

MILITARES E EDUCAÇÃO NO BRASIL:

A REVISTA A DEFESA NACIONAL

José Antonio Miranda Sepulveda – UFRJ

Este texto analisa as diferentes concepções de educação defendidas pe- los militares, mais especificamente, pelo grupo que criou a revista A Defesa Nacional em 1913. Tal revista foi organizada pelo último gru- po de militares enviado para um estágio na Alemanha (1910-1913) e

se apresentava como plataforma de lançamento para as idéias militares

nacionalistas e como instrumento de intervenção na política nacional.

O período da revista analisado vai da sua criação até 1935, ano da In-

tentona Comunista. Como referencial teórico utilizo os conceitos de campo e habitus de Pierre Bourdieu. O tema “educação” esteve cons- tantemente em foco na revista A Defesa Nacional. É possível, porém, verificar tendências diferenciadas no decorrer de suas publicações, ba-

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Resumos dos Trabalhos GT02 – História da Educação

lizados por fatos importantes para o campo militar (1922, o tenentis- mo; 1935, a “Intentona Comunista”), que vão influenciar os temas abordados na publicação, e foram assim divididos: i) Período de estru- turação da revista (1913-1922); ii) Período de enrijecimento político

(1923-1935).

Palavras-chave: educação; militares e A Defesa Nacional.

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GT03 – MOVIMENTOS SOCIAIS, SUJEITOS E PROCESSOS EDUCACIONAIS

EDUCAÇÃO INFANTIL DO CAMPO:

APROXIMAÇÕES AO CENÁRIO DO ESPÍRITO SANTO Valdete Coco – UFES

No encontro entre a Educação Infantil (EI) e a Educação do Campo (EC), neste trabalho abordamos a Educação Infantil do Campo (EIC)

explorando as ações de formação, a atuação dos movimentos sociais e

a dinâmica de atendimento desenvolvida pelos municípios, a partir de

pesquisa exploratória focalizando o cenário do Espírito Santo (ES). In-

tegrando o marco teórico da EI como um direito de todas as crianças,

a pesquisa sinaliza a complexidade da luta pela garantia de políticas

públicas voltadas para a educação das crianças pequenas, implicando a necessidade de fortalecimento do diálogo com a pauta da EC na espe- cificidade da EI. Palavras-chave: educação do campo; educação infantil; políticas públi- cas.

REFLEXÕES ACERCA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS DO CAMPO EM SANTA CATARINA Natacha Eugenia Janata – UFSC Vanessa Xavier Caldas – UFSC Alcione Nawroski – UFSC

O

presente artigo tem como objetivo retratar e caracterizar a educação

de

jovens do campo em Santa Catarina, vinculados ao Ensino Médio.

Esta proposta parte da pesquisa “Educação do Campo: políticas e práti- cas em Santa Catarina”, vinculada ao Observatório de Educação do Campo/CAPES/INEP/SECAD, desde 2008 até o presente. Inicialmen-

te realizamos uma caracterização geral dos jovens brasileiros e em segui-

da contextualizamos a educação dos jovens que vivem no campo no es-

tado de Santa Catarina. Esta contextualização é baseada na análise de da-

dos do Censo Escolar de 2008 e 2009, debruçando-nos também em pontos específicos no que diz respeito aos municípios de Lages e Cam-

po Belo do Sul, por fazerem parte da Serra Catarinense, foco da pesqui-

sa matricial. Ainda, utilizamos outros aportes teóricos quanto ao ensino

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Resumos dos Trabalhos GT03 – Movimentos Sociais, Sujeitos e Processos Educativos

do meio rural para delinear tal pesquisa. A pesquisa levanta dados par- ciais quanto ao seu objeto e revela disparidades no tratamento da popu- lação do campo. Percebe-se que são necessárias políticas públicas que subsidiem os jovens do meio rural, a fim de possibilitar a superação das desigualdades que estes sujeitos enfrentam historicamente. Palavras-chave: ensino médio; educação do campo; juventude.

INTÉRPRETES DE SI: NARRATIVAS IDENTITÁRIAS DE JOVENS EM CONFLITO COM A LEI Nilda Stecanela – UFRGS Carmem Maria Craidy – UFRGS

As reflexões deste texto são produzidas em meio ao crescente interesse

pela juventude como objeto de estudo em pesquisas desenvolvidas pe- las ciências sociais. Nossos argumentos centram-se nas identidades

narrativas dos jovens em privação de liberdade, decorrentes de pesqui-

sa realizada num Centro de Atendimento Socioeducativo, situado no

Rio Grande do Sul. Quando os jovens em conflito com a lei entram no debate acadêmico, em geral, o foco é a relação com atos infracio-

nais; instituições clássicas de socialização; educação prisional; ou com percursos de risco. O intuito é dar relevo aos processos identitários de uma juventude específica, que narra seu cotidiano a partir do espaço de confinamento. Sem perder de vista a perspectiva macrossociológi- ca, optamos por uma reflexão de caráter microssociológico, tendo as narrativas dos jovens como matéria privilegiada para organização, aná- lise e interpretação dos dados construídos no campo, por meio da tro-

ca

de cartas com os pesquisadores. Valemo-nos das palavras dos jovens

de

forma direta e também indireta, fazendo ressoar os seus ecos nas in-

terpretações que apresentamos. Palavras-chave: narrativas identitárias; juventude carcerária; pesquisa qualitativa.

ECONOMIA SOLIDÁRIA E REFORMA AGRÁRIA:

REFLETINDO SOBRE A EDUCAÇÃO NOS MOVIMENTOS SOCIAIS A PARTIR DA APRENDIZAGEM DIALÓGICA Kelci Anne Pereira – UFSCar

O artigo problematiza os obstáculos e elementos transformadores para

a consolidação da solidariedade e autogestão nos movimentos sociais

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da economia solidária (ES) e da Reforma Agrária (RA), segundo aná- lises intersubjetivas tecidas com sujeitos que vivenciam tais âmbitos. O referencial teórico-metodológico elegido é a aprendizagem dialógica e a metodologia comunicativo crítica, auxiliado por referenciais que também assumem o diálogo (práxis) como central para a superação das desigualdades sociais e a produção do conhecimento. Sob tais funda- mentos, os movimentos sociais em questão são apresentados como or- ganizações de trabalhadores/as em luta por direitos sociais e humanos negados pelo capitalismo. Neste sentido, evidencia-se, de um lado, que valores e práticas deste sistema, incorporados nas relações interpes- soais, obstruem a autogestão e a solidariedade nas práticas de ES em assentamentos rurais. Por outro lado, a realização de processos educa- tivos dialógicos não escolares mostra-se profícua, mas não suficiente, na superação de tais obstáculos. Daí a necessidade de políticas de Edu- cação de Jovens e Adultos (EJA) e de financiamento adequadas às ne- cessidades de vida e trabalho dos agentes da ES e RA.

EDUCAÇÃO DO CAMPO E EDUCAÇÃO ESPECIAL:

INTERFACES E SUAS IMPLICAÇÕES NA REALIDADE DAS ESCOLAS PÚBLICAS DO CAMPO Patrícia Correia de Paula Marcoccia – UTP

Este trabalho problematiza a realidade dos alunos da educação especial nas escolas públicas do campo brasileiro, a partir das lutas e demandas dos movimentos sociais, os quais vêm conquistando espaço no cenário sociopolítico nacional. Os conceitos centrais que norteiam o trabalho são: educação do campo e sua interface com a educação especial e a educação especial na perspectiva da inclusão educacional. Foi desen- volvido no estado do Paraná, por meio de trabalho de campo, utilizan- do técnicas de entrevistas, questionários e análise documental. No es- tudo, foi possível constatar que os alunos da educação especial que fre- quentam as escolas públicas do campo paranaense não estão tendo ga- rantido o direito à educação. Relatos de diretores e professores das es- colas do campo descrevem a situação de exclusão do alunado da edu- cação especial quanto ao transporte escolar, infraestrutura das escolas do campo, carência de materiais pedagógicos, frágil formação dos pro- fessores e ausência de professor especializado. Palavras-chave: educação do campo; educação especial; inclusão edu- cacional; movimentos sociais; escola pública.

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O CINEMA VAI À ESCOLA: O JOVEM COMO

PROTAGONISTA NA DINAMIZAÇÃO CULTURAL Denise Helena Pereira Laranjeira – UEFS Mirela Figueiredo Santos Iriart – UEFS

O jovem enfrenta inúmeras tensões na sua relação com a escola, já

que esta se mostra pouco permeável às culturas juvenis e a suas for- mas de comunicação e expressão. A instituição escolar há muito já não se apresenta como representação única de legitimação e trans- missão cultural. Neste ensaio parte-se da proposição de que a lingua- gem cinematográfica pode servir como estratégia de acesso, mobili- zação e ressignificação da experiência juvenil, como ferramenta para construir/ ampliar canais de diálogo entre estudantes (com caracte- rísticas sociais, étnicas, culturais e históricas diversas), professores e a sociedade. Direciona-se um olhar sobre o contexto escolar como lu- gar de produção de subjetividades, configurado por elementos de na- tureza histórica, cultural, ideológica e institucional, onde sujeitos ne- gociam significados no encontro/confronto entre os semelhantes e os diferentes. O cinema na escola pode apresentar-se como ferramenta pedagógica, veículo de transmissão de saberes, que possibilitem aos jovens o acesso aos novos códigos da linguagem audiovisual e às competências não restritas ao saber ler e escrever, criando espaços de reflexão, crítica e intervenção sobre questões prementes da sociedade contemporânea.

CONSTITUIÇÃO DO MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DO CAMPO: MOMENTO SOCIEDADE-POLÍTICA Edson Marcos de Anhaia – UFSC

Este trabalho é fruto de pesquisa de dissertação que procurou com- preender a constituição do Movimento Nacional de Educação do Campo no final dos anos 90. Na década de 1990, surgem no campo

brasileiro inúmeras experiências educacionais resultantes do processo

de mobilização dos trabalhadores rurais, que se organizaram em movi-

mentos sociais para garantir as condições mínimas de sobrevivência ou

para lutar por políticas públicas que pudessem viabilizar as condições

de existência desses trabalhadores. Essas experiências fizeram emergir

o Movimento Nacional de Educação do Campo, que pautou na agen-

da nacional a educação do campo como demanda dos trabalhadores

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do campo. Para compreender a constituição desse Movimento busca- mos, na dissertação, analisar o contexto histórico de sua constituição a partir de um recorte que denominamos momento-sociedade civil e momento sociedade-política o primeiro com forte influencia dos mo- vimentos sociais do campo principalmente do MST e o segundo uma participação maior do Estado. Para este texto, em especifico, apresen- tamos a metodologia utilizado na pesquisa a fim de situar o caminho percorrido, para em seguida contextualizar o conceito de sociedade ci- vil no contexto do Estado Moderno para compreender o momento so- ciedade-civil e o momento sociedade-políticas e por fim apresentare- mos alguns resultados encontrados. Palavras-chave: educação do campo; sociedade civil; Estado.

PRÁTICAS DE TRANSMISSÃO E APRENDIZAGEM NO BAIXO TAPAJÓS: CONTRIBUIÇÕES DE UM ESTUDO ETNO- GRÁFICO PARA EDUCAÇÃO DO CAMPO NA AMAZÔNIA Chantal Vitória Medaets – Université Paris Descartes

Este artigo apresenta resultados da pesquisa etnográfica realizada em duas comunidades ribeirinhas às margens do rio Tapajós, oeste do Pará, com objetivo de refletir sobre a infância e os processos de apren- dizagem não escolar neste contexto. Aproximando as discussões trazi- das pelo movimento da Educação do Campo e aquelas de uma perspec- tiva antropológica de compreensão da lógica interna à um determina- do grupo social (no caso, no que se refere à aprendizagem), sugiro aqui a relevância deste olhar na construção de uma proposta de educação contextualizada. Voltando o olhar para a família e a comunidade, analiso a educação que estes adultos dispensam às crianças em seu quotidiano. Para esta população, quais são os saberes importantes a transmitir às gerações futuras? E quais são as modalidades de transmissão e de aprendizagem desses saberes? A partir de uma primeira experiência profissional na re- gião e dos dados de campo aqui apresentados, levanto a hipótese de que essas práticas diferem e por vezes mesmo se opõem às práticas edu- cativas escolares. Palavras-chave: aprendizagem; educação do campo; infância; popula- ção ribeirinha.

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FORMAÇÃO DE EDUCADORES DO CAMPO:

CONSIDERAÇÕES A PARTIR DOS CURSOS DE LICENCIATURAS PARA OS MONITORES DAS ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS Sandra Regina Magalhães de Araújo – UNEB

O trabalho intenta refletir sobre a formação inicial de educadores do

campo, tendo como referência os cursos de licenciaturas nas áreas de Geografia, Letras, Matemática, História e Biologia, ofertados pela

UNEB para os monitores das Escolas Famílias Agrícolas por meio de convênio com as redes presentes neste Estado – AECOFABA e RE- FAISA. Desse modo, apresentam-se aspectos que orientam as políticas

públicas de formação de educadores do campo, apoiados nos autores que problematizam esta modalidade de ensino. Posteriormente, des- creve e analisa os cursos a partir dos aspectos legais e dos projetos po- lítico-pedagógicos, dispositivos fundamentais nos estudos que buscam compreender processos formativos. Destaca, ainda, o papel e o perfil dos monitores das EFAs com o objetivo de elucidar a importância des-

te profissional de educação nas escolas do e no campo. Por fim, ressal-

ta-se a relevância do tema na definição de políticas públicas de forma-

ção de educadores, a partir do perfil de educador que se desenha para atuar nas escolas do campo. Palavras-chave: educação do campo; formação de educadores do cam- po; escolas famílias agrícolas.

QUEM SÃO OS JOVENS DA EDUCAÇÃO PRISIONAL? UM PERFIL DOS ESTUDANTES DO PROJOVEM PRISIONAL DO RIO DE JANEIRO Diogenes Pinheiro – UNIRIO Miguel Farah Neto – UNIRIO

Visando ampliar a inclusão social de jovens de 18 a 29 anos, o Brasil, no âmbito da Política Nacional de Juventude, criou o ProJovem Urbano, programa voltado à conclusão do Ensino Fundamental, à qualificação profissional e ao desenvolvimento de experiências de participação cida- dã. Entretanto, seu caráter inclusivo encontra obstáculos à sua efetiva- ção, representados, sobretudo, pela invisibilidade a que estão submeti- dos esses jovens, fruto do processo de naturalização da desigualdade so- cial brasileira. Algumas iniciativas, porém, buscam reverter tal quadro.

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Exemplo disso é a parceria estabelecida entre a Secretaria Nacional da Ju- ventude e o Ministério da Justiça, oferecendo o ProJovem Urbano a jo- vens que estão cumprindo pena de privação de liberdade. Tal experiên- cia tem se revelado uma alternativa importante de inclusão, dentro de uma oferta educativa de caráter universal. Neste trabalho, apresenta-se um perfil dos jovens, a partir dos alunos que, desde agosto de 2009, in- tegram as turmas de duas penitenciárias do Estado do Rio de Janeiro, considerando suas vivências e expectativas quanto ao futuro.

A JUVENTUDE NEGADA NA FORMAÇÃO DE EDUCADORES

Luiza Mitiko Yshiguro Camacho – UFES Pollyana dos Santos – UFSC

O objetivo do trabalho é analisar a possibilidade do/no curso de Peda-

gogia da presença e/ou manifestação da juventude no seu corpo dis- cente. Os sujeitos analisados foram alunos do curso de Pedagogia da UFES. A pesquisa iniciou em 2007 e culminou em 2009 e se desen- volveu a partir dos estudos teóricos, da consulta a documentos referen- tes ao curso, da pesquisa de campo (utilizando-se das técnicas: obser-

vação participante, questionários, entrevistas individuais e grupos fo- cais). O estudo de caso foi a opção metodológica para a investigação.

As categorias teóricas centrais são: juventudes e formação de professo-

res. A pesquisa constatou que, embora o curso de Pedagogia em ques- tão seja formado, majoritariamente, por jovens, 80,18%, a maioria não se reconhece como tal, identificando-se apenas com a condição de aluna (70,27%). Manifestações juvenis são confundidas com a indis- ciplina escolar. Disto nasce a contradição entre ser aluna, ser jovem, ser adulta. O curso exige delas a antecipação da construção do habitus de professora, que deveria ocorrer posteriormente, no exercício da profis- são. Verifica-se, pois, que a juventude é negada no curso de Pedagogia. Palavras-chave: juventude; formação de educadores; pedagogia.

IGREJA, EDUCAÇÃO DO CAMPO E SEU MOVIMENTO:

ELEMENTOS PARA O ENTENDIMENTO DE SUAS ORIGENS

E SENTIDOS

Marcos Antonio de Oliveira – UFSC

O

artigo, afeito ao campo de pesquisa do autor e resultado de pesqui-

sa

que resultou em tese apresentada a Programa de Pós-Graduação em

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Educação, reflete sobre a relação entre a educação do campo e a igre- ja. Para isto, historia os principais momentos da constituição e as prin- cipais propostas da educação do campo, bem como apresenta seus principais proponentes, identificando a igreja como uma de suas mais significativas origens. Assim, demonstra e discute o projeto da igreja para o campo e, na parte final, coloca as relações entre as propostas desta e a educação do campo. Conclui por uma aproximação entre es- tas propostas, o que reflete a origem dos proponentes deste tipo de educação e do Movimento Por uma Educação do Campo. Palavras-chave: igreja; educação do campo; movimento de educação do campo.

SUJEITOS DO PROJOVEM: PERFIL, TRAJETÓRIAS E EXPECTATIVAS DE SEUS ALUNOS Luiz Carlos Gil Esteves – UNIRIO

O estudo analisa dados recolhidos entre os alunos do Projovem Urba-

no, visando auxiliar as instâncias de decisão e implemento do Progra- ma no sentido de uma melhor adequação, correção de rumos, redefi- nição de objetivos e/ou sustentação de suas propostas. A partir das in- formações obtidas entre 2008 e 2009, em diversos municípios/estados do Brasil, notou-se que os cenários em que transitam e atuam tais su- jeitos são similares aos dos brasileiros situados nas camadas mais em- pobrecidas da sociedade. De modo geral, são jovens de cor/raça parda ou negra, de baixa renda, com oportunidades de formação e inserção no trabalho precárias, acesso a bens de consumo limitado e redes de sociabilidade restritas. Sua trajetória escolar é marcada por desigualda- des e discriminações que se combinam e se potencializam, produzin- do diferentes graus de vulnerabilidade, cujos efeitos culminam na re- corrência de situações de repetência, abandono precoce, desinteresse pelos estudos etc., denunciando o quanto a escola se afasta e se exclui tão prematuramente da vida desses jovens. Palavras-chave: políticas públicas; juventude brasileira; Projovem; jo- vens.

MOVIMENTOS SOCIAIS E UNIVERSIDADE:

O DIÁLOGO NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Rosemeri Scalabrin – UFRN Ana Lúcia Assunção Aragão – UFRN

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Este artigo integra estudos sobre o diálogo entre os movimentos so-

cais do campo no Sudeste paraense e a Universidade na gestão do Ensino Superior. O diálogo foi analisado a partir dos relatos e da in- vestigação bibliográfica e documental, tendo por referência o proces-

so de construção do conhecimento no curso de Agronomia da UFPA

Marabá. Priorizo a reflexão sobre o processo educacional desenvolvi-

do pelos movimentos sociais e pela Universidade, em parceria, viabi-

lizados pelos projetos do PRONERA. A análise teve como base o es- tudo realizado como parte da pesquisa de tese de doutoramento em

educação, em que analiso as contribuições do curso de Agronomia para assentados. Palavras-chave: diálogo; movimentos sociais; universidade.

AS NOVAS CONFIGURAÇÕES DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NO CAMPO DA EDUCAÇÃO: O MOVIMENTO INTERFÓ- RUNS DE EDUCAÇÃO INFANTIL BRASILEIRO - MIEIB Deise Gonçalves Nunes – UFF

Tendo como base uma pesquisa desenvolvida entre os anos 2008/2011, com apoio do CNPq, o artigo pretende analisar as novas configurações dos movimentos sociais na área da educação a partir do estudo de um singular movimento, o Movimento Interfóruns de Edu- cação Infantil Brasileiro – Mieib. Criado em 1999, o Mieib teve um significativo protagonismo na cons- trução da política de educação infantil para os setores populares no Brasil que, até meados dos anos 90, era hegemonicamente uma área de competência da assistência social e, como tal, produtora de um con-

junto de práticas de controle social fundado em noções higienistas e moralistas.

O trabalho pretende analisar a dinâmica deste movimento que, ao

longo deste anos, foi assumindo posições que saltaram de uma opo- sição radical a uma progressiva institucionalização dentro de uma ló- gica subordinada às diretrizes emanadas pelo MEC. Esta dinâmica é atravessada por disputas internas que, na contemporaneidade, reve- lam dois projetos distintos para a política de educação infantil: um, que defende a sua agenda dentro das políticas públicas financiadas e mantidas pelo Estado e outra que defende a educação infantil como campo fértil para ações do terceiro setor, associadas ou não com o poder público.

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A RELAÇÃO TRABALHO E EDUCAÇÃO NA ESCOLA DE

ASSENTAMENTO PAULO FREIRE: UM ESTUDO DE CASO Adriana D’Agostini – UFSC

Este artigo tem como objeto de estudo uma escola de assentamento. Objetiva analisar, problematizar, teorizar e sistematizar as relações en- tre trabalho e educação presentes nesta escola de assentamento do Es- tado de Santa Catarina a partir de um estudo de caso, no qual se uti- lizou da pesquisa bibliográfica e de campo. A partir da análise realiza- da constata-se que esta escola apresenta as possibilidades de essência para a transformação, mas as condições objetivas e subjetivas para a concretização das mesmas ainda precisam ser construídas. No momen- to as práticas realizadas estão no universo das contradições e das dis- putas internas e externas as quais a escola se submete. Palavras-chave: escola pública do campo; prática pedagógica; trabalho e educação.

RELAÇÕES ENTRE MOVIMENTO SOCIAL E ESTADO:

A PARCERIA NO ÂMBITO DO PROGRAMA NACIONAL DE

EDUCAÇÃO NA REFORMA AGRÁRIA Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade – UFRN

Este artigo integra estudos sobre as políticas públicas de educação do campo no Brasil, em particular sobre o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), com foco no princípio operacional e metodológico da parceria. Foi realizada pesquisa documental e biblio- gráfica, tendo como fontes de investigação documentos do PRONERA, bem como referenciais produzidos sobre as relações entre movimentos sociais e o Estado. Apresentamos uma breve caracterização do programa, com foco no princípio operacional e metodológico da parceria. Em se- guida, refletimos sobre a concepção de parceria e sua presença nas polí- ticas públicas (de educação do campo). Verificamos que a parceria se configura como um dos elementos necessários para a construção de po-

líticas públicas, em especial, da educação do campo, visto que possibili-

ta a interação de instituições públicas com movimentos sociais, confe-

rindo legitimidade à educação do campo. Ao promover um processo de aprendizado democrático, a parceria tem se apresentado como estratégia de democratização da educação do campo. Palavras-chave: política pública; educação do campo; PRONERA; parceria.

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GT04 – DIDÁTICA

A DIDÁTICA NO AMBITO DA PÓS-GRADUAÇÃO:

UMA ANÁLISE DAS PUBLICAÇÕES E VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO DAS PRODUÇÕES Andréa Maturano Longarezi – UFU Roberto Valdés Puentes – UFU Agência Financiadora: CNPq e FAPEMIG

O trabalho analisa o lugar e a natureza das produções sobre Didática

desenvolvidas no âmbito dos Programas de Pós-Graduação em Educa-

ção, tomando como amostra o estado de Minas Gerais. A análise é efe- tuada por intermédio da identificação das dimensões (fundamentos, condições e modos) e dos campos (disciplinar, profissional e investiga- tivo) nos quais essas produções se concentram, bem como pela quali- ficação das publicações mediante a classificação e avaliação dos veícu- los utilizados para sua divulgação. Os resultados indicam que a Didá- tica ocupa, em média, um terço das produções realizadas pelos profes- sores vinculados à área e que as publicações em periódicos representam apenas pouco mais de um sexto do total de produção. O artigo discu-

te, ainda, a forte concentração de estudos teóricos sobre profissionali-

zação e formação docente e a pouca expressividade científica e acadê-

mica dos veículos de divulgação dessa produção, sinalizando para o predomínio de pesquisas e publicações no campo teórico e poucas in- dagações sobre as condições e os modos de intervenção e de efetivação das práticas pedagógicas. Palavras-chave: didática; campos; dimensões; produções; pós-gradua- ção.

PRÁCTICAS DE ENSEÑANZA Y PRÁCTICAS PROFESIONALES: UN PROBLEMA DE LA DIDÁCTICA UNIVERSITARIA Elisa Angela Lucarelli – UBA Sara Claudia Finkelstein – UBA

La Comunicación presenta los avances realizados por un Programa que

investiga la formación en las profesiones del campo de la salud en una Universidad argentina, centrándose en el análisis de la construcción de

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aprendizajes complejos en las carreras de Odontología y Medicina, y de

las formas innovadoras tendientes a la articulación teoría práctica desar- rolladas por los docentes en su enseñanza en el espacio de las Clínicas.

A través del desarrollo de una metodología cualitativa y a la luz de un

marco conceptual basado en la Didáctica fundamentada crítica, se enuncian consideraciones relativas a: la especificidad de la Didáctica

Universitaria, las prácticas de enseñanza en la formación en la profesión,

el marco curricular de las dos carreras en estudio, las características que

adopta la enseñanza en las Clínicas, la construcción de aprendizajes complejos en esos ámbitos, la colaboración que se establece entre pares estudiantiles para enfrentar la incertidumbre que generan las situaciones de práctica profesional en la formación de grado. Palabras-claves: prácticas de enseñanza; prácticas profesionales; didác- tica universitaria.

O ESTÁGIO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

PRESENCIAL E A DISTÂNCIA: A EXPERIÊNCIA DO CURSO DE MATEMÁTICA DE UMA IES PÚBLICA Nadiane Feldkercher – UFPel Maria das Graças C. da S. Medeiros Gonçalves Pinto – UFPel

O estágio supervisionado é um componente curricular obrigatório nos

cursos de formação inicial de professores e, de certa forma, suas orien- tações legais têm como referência os cursos presenciais. Nesse trabalho, objetivamos investigar como se desenvolvem os estágios nos Cursos de Licenciatura em Matemática a Distância e Presencial de uma Univer- sidade Federal do Rio Grande do Sul, na perspectiva de professores orientadores, coordenadoras de pólo e alunos estagiários. Utilizamos a abordagem qualitativa e a entrevista individual como instrumento de coleta de dados. Alguns resultados: a organização curricular do estágio é idêntica nos dois cursos; os estagiários do Curso a Distância são mais assessorados quanto à orientação e acompanhamento do estágio; há um maior número de profissionais envolvidos no estágio do Curso a Distância, tais como tutores da sede, coordenadoras e tutores do pólo; existem inúmeras limitações no desenvolvimento do estágio nos dois cursos; os estagiários dos dois cursos concebem o estágio como o mo- mento de colocar em prática as teorias e como um de momento de aproximação ao futuro campo de atuação. Ressalta-se, entretanto, que existem mais convergências do que divergências no desenvolvimento

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do estágio entre os dois cursos, o que é no mínimo curioso.

Palavras-chave: formação inicial de professores; estágio curricular su- pervisionado; licenciatura em matemática a distância; licenciatura em matemática presencial.

INTERDISCIPLINARIDADE E INOVAÇÃO EDUCATIVA PELO OLHAR ETNOGRÁFICO Antonio Serafim Pereira – UNESC

O estudo etnográfico realizado numa escola pública gaúcha, visando

compreender os significados da inovação pretendida em sua proposta pedagógica concernente à interdisciplinaridade, evidenciou as signifi-

cações que expressam documentos, falas dos professores e suas práti- cas. Dos documentos emergiram referências de que a interdisciplinari- dade liga-se à ideia de superar a fragmentação dos conhecimentos. Para

os professores (questionários) a interdisciplinaridade está associada a

trabalho cooperativo. Em aula (observação participante), o conheci- mento movimentou-se entre a orientação disciplinar, multi e interdis- ciplinar. A metodologia interdisciplinar situou-se numa perspectiva de transmissão, circunstancialidade, mediação ou ausência. Nas entrevis-

tas os professores reafirmaram as significações iniciais. Registros, falas e práticas foram analisados a partir do enfoque interdisciplinar que si- tua a informação no seu contexto histórico e epistemológico, proble- matiza-a e recorre a relações necessárias de saberes cotidianos e disci- plinares para aprofundar sua compreensão. Este é o contexto descriti-

vo do presente trabalho.

Palavras-chave: inovação; interdisciplinaridade; ensino.

AVALIAÇÃO COMO PRINCÍPIO DE DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE A PARTIR DA ESCRITA DE DIÁRIOS REFLEXIVOS Suzana Maria Barrios Luis – UFAL

Este trabalho se baseia em uma pesquisa realizada com professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental Público do DF que escreveram

diários reflexivos sobre suas práticas avaliativas. A pesquisa teve um ca- ráter colaborativo e analisou as práticas avaliativas evidenciadas a par-

tir dos registros escritos e das falas das professoras (entrevistas), bus-

cando analisar os processos e as referências sobre os quais desenvolvem

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Resumos dos Trabalhos GT04 – Didática

um saber próprio da avaliação e compreender os esquemas de análise que utilizam ao registrar suas práticas avaliativas. Os dados foram ana- lisados de acordo com duas dimensões principais: em termos dos sig- nificados que a escrita dos diários implicou para as professoras e para seu desenvolvimento profissional e em termos da análise das práticas avaliativas que foram evidenciadas por meio desses diários. Palavras-chave: avaliação escolar; escrita reflexiva; desenvolvimento profissional.

A COMPLEXIDADE DO TRABALHO DOCENTE NO CONTEXTO DOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO:

VOZES DE UM CAMPUS DO IFC Sonia Regina de Souza Fernandes – IFC Idorlene da Silva Hoepers – UNIVALI Jamile Delagnelo Fagundes da Silva – IFC

O presente texto tem como objetivo refletir a complexidade que o atual contexto, de expansão da educação superior, bem com do ensino médio técnico e tecnológico na rede pública federal no Brasil vem exi- gindo tanto dos docentes como das instituições que os acolhem. Tal reflexão está centrada, especialmente no quesito da didática da sala de aula no domínio da docência em suas dimensões conceituais e do pro- cesso didático-pedagógico na relação com o processo de ensinagem. Foram coletados dados por meio de entrevistas semi-estruturadas, com docentes de um campus do Instituto Federal Catarinense. Na análise das vozes buscamos tecer um diálogo entre o campo da linguagem, se- guindo o viés bakhtiniano da enunciação, e o campo da educação, com ênfase na complexidade do trabalho docente, na perspectiva de Cunha. Os resultados apontam como as vozes dos sujeitos envolvidos podem se constituir num rico espaço de formação continuada como forma de aprender e apreender as relações existentes no contexto da práxis pedagógica. Eis a nosso ver, os possíveis diálogos e reflexões da complexidade do trabalho docente, que envolve não só o campo da educação, mas a articulação dos diferentes saberes que compõem a di- mensão pedagógica. Palavras-chave: trabalho docente; didática; vozes.

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LEITURA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES:

UM DIÁLOGO ENTRE MUNDO, PALAVRA E PROFISSÃO Elisangela André da Silva Costa – UFC Maria Socorro Lucena Lima – UECE

Esta pesquisa tratou das práticas de leitura dos professores que atuam no Ensino Fundamental, considerando os diferentes tempos, espaços

e atividades que vêm possibilitando aos mesmos o contato com o ato

de ler. Considerou que as transformações sociais impulsionaram mu- danças de ordem quantitativa e qualitativa nos sistemas de ensino, so- bretudo a dificuldade de leitura de docentes e discentes. A grande per- gunta foi como os professores dos anos iniciais do Ensino Fundamen- tal compreendem, desenvolvem e avaliam suas práticas de leitura? O objetivo foi compreender como, e a partir de que referenciais, são de- senvolvidas as práticas de leitura desses profissionais. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação crítico colaborativa e a coleta de dados utilizada se deu em encontros de reflexão sobre a prática, com a cola- boração de dez professores em atividades que incluíam entrevistas, questionários, observações, levantamento e análise documental. Fun- damenta-se essa reflexão com as ideias de Freire (1995 e 1996); Za- ponne (2001); Lima (2001 e 2004); Lajolo (2005); Dione (2008) e Barbier (2002), entre outros. Os resultados apontam para práticas pro- fissionais e experiências formativas de leitura limitadas e limitantes por parte dos investigados. Palavras-chave: leitura; práticas de leitura; formação de professores.

DIDÁTICAS ESPECÍFICAS E FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES: O CASO DO MESTRADO EM ENSINO DAS CIÊNCIAS Sonia Regina Mendes dos Santos – UERJ-PROPEd Herbert Gomes Martins – UERJ Patricia Maneschy Duarte da Costa – AEDB Cleonice Puggian – University of Cambridge

Este trabalho apresenta um estudo qualitativo, do tipo estudo de caso, tendo como sujeitos os alunos de um Mestrado Profissional em Ensi- no das Ciências. A pesquisa analisa a contribuição da pós-graduação stricto sensu na emergência de uma nova identidade docente associada

à (re)significação das didáticas específicas. O desenho da pesquisa foi

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Resumos dos Trabalhos GT04 – Didática

estruturado em duas fases desenvolvidas entre 2010 e 2011: na pri-

meira, de caráter documental, examinamos 16 dissertações adotando como unidades de análise: a) a escolha dos objetos de estudo pelos alu- nos, b) as metodologias de pesquisa e c) os “produtos pedagógicos”. Na segunda fase entrevistamos nove concluintes durante uma entrevis-

ta em grupo, consubstanciando as categorias que emergiram durante a

análise documental. Dados indicam a emergência de inovações didáti- cas e transformações no saber docente resultantes da dialética entre a formação no Mestrado Profissional e o trabalho cotidiano desses pro- fessores. Identificamos o advento de uma nova profissionalidade que

se exerce, concomitantemente, nas licenciaturas e na educação básica.

Resultados indicam que, ao articular o saber de diversas áreas, as didá-

ticas específicas assumem uma nova configuração e rompem com tra- dicionais divisões epistemológicas. O estudo mostra ainda a emergên- cia de novos sentidos para a Didática como campo epistemológico. Conclui que as inovações tecnológicas e pedagógicas desenvolvidas na formação continuada enriqueceram o repertório desses docentes e am- pliaram suas possibilidades para o saber e o fazer interdisciplinares.

O OFÍCIO DE PROFESSOR EM ESCOLAS PRIVADAS

DE SETORES POPULARES Isabel Lelis – PUC-Rio

Este texto traz os resultados de uma pesquisa realizada em duas esco- las privadas de pequeno porte que atendem setores populares e ca-

madas médias inferiores, localizadas em bairros da zona sul e oeste da cidade do Rio de Janeiro. Através de um questionário aplicado aos 24 professores que atuavam no ensino fundamental foi possível per- ceber a posição sócio-econômica e cultural que esse grupo profissio- nal ocupa no campo do magistério, o isolamento e a solidão em que

se encontra do ponto de vista dos recursos que dispõe. Suas condi-

ções de trabalho são impeditivas de um trabalho colaborativo entre pares. Do ponto de vista das da cultura do ensino, as observações fei- tas permitiram verificar que as práticas na sala de aula seguem um padrão-aula expositiva, aplicação de exercícios e correção, sendo o li- vro didático, o único suporte didático. A dificuldade de gestão da classe, provocada pela indisciplina e desinteresse dos alunos para es- ses professores parece tornar o trabalho difícil do ponto de vista da mobilização para os estudos, apesar das turmas serem reduzidas em

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termos do número de alunos. Trata-se de um grupo profissional mar- cado pela segmentação e pauperização do ponto de vista das condi- ções de trabalho e formação. Palavras-chave: trabalho docente; escolas privadas; setores populares.

ENSINAR PESQUISA: IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES Marinalva Lopes Ribeiro – UEFS

Este trabalho objetiva realizar uma reflexão acerca do ensino com pesquisa nos cursos de formação de professores. Estabeleceu-se como questionamentos norteadores: Existem influências da pesquisa no ensino? Como se dá a articulação entre ensino e pesquisa na forma- ção do professor da escola básica? Os estudantes demonstram dispo- sição para se envolver no ensino com pesquisa na sala de aula? Na busca de respostas para tais indagações, nos respaldamos teoricamen- te em autores, como Barnett, (2005); Coiçaud, (2008); Hughes, (2008); Marcelo García (1999); Stenhouse, (2007). Baseado em re- sultados de pesquisa quantiqualitativa, realizada em rede de pesqui- sadores, o estudo contou com depoimentos de 116 estudantes de di- versos cursos de licenciatura das regiões Sudeste, Sul e Nordeste do

Brasil, resultantes de entrevistas semiestruturadas. Os resultados in- dicam que a prática pedagógica da maioria dos docentes formadores de professores deixa de promover a articulação entre ensino e pesqui-

sa na sala de aula, o que nos leva a crer que esses profissionais pare-

cem não compreender a necessidade premente de ministrar um en- sino que privilegie a produção de conhecimento. Palavras-chave: formação docente; ensino com pesquisa; ensino supe- rior.

A GUARDIÃ DE MEMÓRIAS: REVELANDO CENAS

DOCENTE E DISCENTES DE UMA DIDÁTICA DIFERENCIADA Márcia Ambrósio Rodrigues Rezende – UFMG

Este artigo tem como objetivo discutir algumas conclusões presentes na tese defendida na UFMG, em 2010, e que teve como objeto de es- tudo a relação pedagógica e as oportunidades formativas gestadas a partir da construção de portfólios de aprendizagens. Para tornar os da-

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dos públicos, foi feita uma pesquisa qualitativa de investigação (analí- tico-descritiva), entrecruzando os novos dados à (re-)escrita da expe- riência docente. Como resultados, destacam-se: 1. a relação pedagógi-

ca de interestruturação do conhecimento entre os sujeitos da ação di-

dática; 2. a realização de processos múltiplos de recriação e (res-)sig- nificação de práticas pedagógicas gestando oportunidades formativas e

a apropriação das múltiplas linguagens; 3. os projetos de trabalho re-

presentando uma estratégia pedagógica significativa de construção de conhecimento; 4. a fotografia revelando-se como uma possibilidade de criação e produção discente; 5. as práticas de leitura, escrita, revi- são e reflexão sobre as ações realizadas exercitando ciclicamente a au- toavaliação e a autorregulação de maneira significativa. Palavras-chave: relação pedagógica; avaliação; portfólio; memória do- cente/discente; prática pedagógica.

A FORMAÇÃO DE HABILIDADES NO CONTEXTO

ESCOLAR: CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA DE

P. YA. GALPERIN Isauro Beltrán Nuñez – UFRN Betania Leite Ramalho – UFRN

As competências e habilidades são duas das categorias-chave que carac- terizam a identidade das reformas educacionais no Brasil. No caso das competências, muito se tem discutido e problematizado, revelando-se contradições significativas que devem levar à construção de um novo significado (ou vários deles) dessa categoria no currículo escolar. Não obstante, no caso das habilidades, não se tem debatido a mesma em igual medida no contexto das novas propostas didáticas. Se as compe- tências e as habilidades estão relacionadas, como se expressa nos docu-

mentos oficiais das reformas educacionais, uma reconceptualização de uma, deve levar à reflexão crítica das práticas formativas da outra. Por- tanto o objetivo central do trabalho é promover uma reflexão didática sobre as habilidades e sua formação no currículo escolar. Tomamos como referencial o que identificamos como a Teoria da Apropriação por etapas da atividade histórico-cultural configurada pelas contribui- ções de L. S. Vygotsky, A. N. Leontiev e P. Ya. Galperin, de forma a sustentar com argumentos uma forma de se pensar e de se organizar,

o processo de formação e desenvolvimento de habilidades no contex-

to escolar.

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Palavras-chave: habilidades; formação de habilidades; planejamento didático; Galperin.

A PRÁTICA DOCENTE NO ENSINO DE HISTÓRIA:

CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA DA ATIVIDADE Maria da Paz Cavalcante – UFRN

Este trabalho investiga a forma pela qual a Teoria da Atividade, pro- posta por Alexei Nicolaievich Leontiev, colaborou para a atuação de uma professora que leciona História no 8 o ano, do Ensino Fundamen- tal, da Escola Estadual Coronel Fernandes, no município de Luís Go- mes - RN. O objetivo é analisar as contribuições da referida teoria na prática docente dessa professora. Optou-se pela abordagem colabora- tiva como estratégia formativa e empregou-se como procedimento para a formação do saber as Sessões Reflexivas. A análise evidenciou que a professora se utilizou de construções da Teoria da Atividade e aprimorou a sua prática, desenvolvendo aulas dessa disciplina de modo a promover a participação do aluno na oralidade e favorecer o seu de- senvolvimento integral. O processo formativo, no tocante à prática da docente, revelou uma elevação na sua aprendizagem que contribuiu para o aprimoramento no seu desenvolvimento profissional. Diante dessas constatações, como necessidades de novas reflexões, a investiga- ção recomenda, principalmente, a organização de atividades de ensi-

no, fundamentada nessa teoria, que possibilite a professora aperfeiçoar

o processo de ensino e de aprendizagem contribuindo com formação

plena do educando. Palavras-chave: história; Teoria da Atividade; prática docente; ensino;

aprendizagem.

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POLÍTICAS DE FORMAÇÃO E VALORIZAÇÃO DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA:

(IN) CONSISTÊNCIAS DAS AÇÕES E ESTRATÉGIAS DO PAR NOS MUNICÍPIOS Zenilde Durli – UFSJ Elton Luiz Nardi – UNOESC Marilda Pasqual Schneider – UFSC

Este trabalho objetiva discutir as políticas de formação e valorização dos professores da educação básica pela análise do Plano de Ações Ar- ticuladas (PAR) de municípios catarinenses. Destaca consistências e inconsistências das ações e estratégias e o caráter pouco flexível de construção do Plano, que segue procedimentos cuidadosamente arqui- tetados pelo MEC. Identifica que o esforço para aprovação do PAR in- duz gestores a produzir documentos uniformes, cujas metas confluem para um conjunto padronizado de ações. É no campo da formação continuada de professores onde os municípios evidenciam maior ne- cessidade de intervenção, justamente para o qual o Estado ainda não prevê investimentos voltados às especificidades dos municípios. A fal- ta de recursos para a implementação das ações previstas e a frágil cor- respondência com as necessidades locais, coloca as possibilidades de re- versão do quadro educacional como um desafio ainda não devidamen- te enfrentado pelo Estado no âmbito da formação e valorização de pro- fessores da educação básica. Palavras-chave: políticas de formação e valorização de professores; pla- no de ações articuladas; ações e estratégias.

TOMADA DE DECISÃO NA GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS: REFLEXÕES A PARTIR DAS CONTRIBUIÇÕES DE HABERMAS Rosilda Arruda Ferreira – UFBA Bianca Daéb’s Seixas Almeida – UFBA

Este artigo tem por objetivo compreender como as variáveis comuni- cação e negociação que compõem o conceito de interação apresentado por Habermas em sua obra sobre a Teoria do Agir Comunicativo pode

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contribuir para qualificar o processo tomada de decisão e a gestão de

políticas públicas. Para tanto, abordamos inicialmente o conceito de tomada de decisão a partir de um enfoque histórico-crítico; em segui- da, apresentamos o conceito de interação desenvolvido por Habermas

na Teoria do Agir Comunicativo; e por fim, apontamos na direção das

possíveis contribuições do conceito de interação para melhoria do pro-

cesso de tomada de decisão e qualificação da gestão em política públi-

ca com destaque para as relações entre avaliadores e gestores. Assim,

mais do que trazer resultados de pesquisa quanto ao tema, nos propo-

mos a abrir novas perspectivas de análise e de possibilidades de aplica- ção conceitual para a pesquisa científica na área, com impactos impor- tantes para o problema da relação entre avaliação, tomada de decisão

e gestão de políticas públicas.

O

ENSINO MÉDIO NO BRASIL: EXPANSÃO DA MATRÍCULA

E

PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE

Gilvan Luiz Machado Costa – UNISUL

Este artigo tem como objetivo discutir quem são os professores que le- cionam no ensino médio no Brasil e conhecer em que condições rea- lizam seu trabalho. Para tentar compreender esse tema, foram analisa-

dos artigos de periódicos da área de educação. A discussão teórica foi cotejada com dados dos professores da última etapa da educação bási-

ca coletados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacio-

nais Anísio Teixeira – Inep. Pode-se inferir que os professores do ensi- no médio das escolas públicas compõem um grupo muito singular e que foi bastante fragilizado pelas reformas. Em relação aos professores da educação infantil e ensino fundamental, eles têm mais aulas, tur- mas, alunos, turnos e empregos. Questões relacionadas à saúde, à eva- são de professores, ao desinteresse dos jovens em tornar-se trabalhador

da educação e à falta de professores, sobretudo no ensino médio, e que

estão articuladas à precarização do trabalho docente, continuam atuais

e precisam ser compreendidas. Tais argumentos ganham força na atua-

lidade, a partir das novas ações governamentais que incidem sobre o ensino médio. Palavras-chave: trabalho docente; ensino médio; condição de trabalho.

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POTENCIALIDADES E LIMITES DO IDEB:

ANALISANDO O QUE PENSAM GESTORES EDUCACIONAIS DE MUNICÍPIOS COM MELHORES RESULTADOS NO ESTADO DE SÃO PAULO Vanda Mendes Ribeiro – USP Cláudia Oliveira Pimenta – USP

Esse trabalho visa explicitar e analisar, à luz de referências teóricas, opiniões de gestores educacionais, de vinte municípios do estado de São Paulo, sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb, identificando potencialidades e limites desse índice. As in- formações tratadas advêm de pesquisa sobre fatores explicativos de bons resultados no Ideb, no ensino fundamental. Primeiramente apresenta-se debate acadêmico acerca do índice. Na sequência, ana- lisam-se as visões dos gestores. Verifica-se que os gestores conside- ram as avaliações externas e indicadores importantes instrumentos para a gestão da rede e intervenção pedagógica; e preocupam-se com finalidades educacionais. A classificação de escolas, por meio de ran- kings, é considerada, por alguns, injusta e um entrave à gestão. Para parte dos gestores, o Ideb deve contemplar outras dimensões de qualidade. A análise indica a necessidade de estudos sobre o impac-

to do Ideb, sobre o que os gestores consideram serem adequadas fi-

nalidades educacionais, bem como sobre a composição de indicado- res educacionais. Palavras-chave: Ideb; qualidade na educação; política educacional.

AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO PARANÁ E O GASTO-ALUNO/ANO NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA Wilson João Marcionilio Alves – UFPR

O presente trabalho tem como propósito apresentar resultados da pes-

quisa desenvolvida no âmbito do Mestrado em Educação da UFPR, sob o título “Financiamento e Políticas Públicas para a Educação Pro- fissional no Paraná (2003-2007)”, que objetivou investigar as implica- ções do financiamento e das políticas públicas voltados para essa mo- dalidade de ensino, considerando o discurso oficial de retomada da educação profissional e expansão do ensino médio integrado no Para- ná. A partir desse objetivo, nossa pesquisa buscou refletir sobre a sufi-

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ciência ou não do investimento realizado para a garantia dessa políti- ca educacional. Para tanto, utilizamos dois parâmetros: 1) o investi- mento em educação profissional frente aos gastos em MDE; 2) o gas- to-aluno/ano em escolas que ofertam educação profissional. Isto pos- to, procuramos desvelar a política, os moldes como se dá esse financia- mento, a partir das informações constantes no Balanço Geral do Esta- do, e o levantamento dos custos das escolas referentes aos gastos com pessoal, fundo rotativo, merenda escolar e demais insumos, no senti- do de definir o gasto-aluno/ano nas escolas públicas que ofertam a educação profissional. Palavras-chave: financiamento da educação; políticas públicas; educa- ção profissional; gasto/aluno; ensino médio integrado.

CARREIRA E REMUNERAÇÃO DO MAGISTÉRIO NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO: DESCRIÇÃO E ANÁLISE LEGISLATIVA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA Maria Angélica Pedra Minhoto – USP Rubens Barbosa de Camargo – USP Márcia Aparecida Jacomini – UNIFESP

Este trabalho estuda a carreira e a remuneração do magistério público municipal da cidade de São Paulo. Foram analisadas a forma de ingres- so, a jornada de trabalho, a movimentação na carreira, a dispersão sa- larial e a composição da remuneração docente. A pesquisa se caracte- riza como estudo documental e as fontes primárias foram as normas que tratam da carreira do magistério no período de 1951 a 2010. Ve- rificou-se que o concurso público foi o principal processo de contrata- ção de docentes; o tempo da “jornada básica” alterou-se, tendo sido instituída a possibilidade de complementá-la e estendê-la; para a mo- vimentação, preponderaram a antiguidade e a titulação; a dispersão sa- larial sofreu variações até 1994, tornando-se estável a partir de então e a composição da remuneração, para além do vencimento, apresentou acréscimos e variações em termos de adicionais, gratificações, auxílios, indenizações, abonos e prêmios. Palavras-chave: carreira; valorização; remuneração docente; magistério municipal de São Paulo.

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A MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO E A

DEMOCRATIZAÇÃO EDUCACIONAL NO MUNICÍPIO DE ALTAMIRA/PA Dalva Valente Guimarães Gutierres – UFRGS

O artigo trata da municipalização do ensino em Altamira-Pa e suas im-

plicações para a democratização educacional. A concepção de demo- cratização utilizada baseou-se em Ellen Wood para quem a democra- cia supõe a indissociabilidade entre o econômico e o político, sob pena de configurar-se apenas como democracia formal. Esta foi analisada a partir dos seguintes eixos: acesso à educação e à apropriação do conhe- cimento, valorização do professor, financiamento e gestão educacio- nal. Por meio de análise documental e pesquisa de campo o estudo de- monstrou que o acesso ao conhecimento foi ampliado, mas a distor- ção idade-série persiste; que o aumento das receitas educacionais não repercutiu na remuneração dos professores e tampouco impactou em um gasto-aluno compatível com o Custo-Aluno Qualidade Inicial- CAQI. Os professores ‘municipalizados’ foram excluídos da rede pú- blica de ensino com o processo de ‘desmunicipalização’ e a política de gestão educacional foi redimensionada instituindo-se parceria com o Instituto Ayrton Senna. Em alguns aspectos, a democratização educa- cional em Altamira continua formal, evidenciando-se os limites da de- mocratização na sociedade capitalista Palavras-chave: democratização educacional; municipalização; Altami- ra (PA).

PERSPECTIVAS ATUAIS DA EDUCAÇÃO CUBANA:

DESCENTRALIZAÇÃO OU DESCONCENTRAÇÃO? Maria do Carmo Luiz Caldas Leite – UCSAL

O trabalho está vinculado à pesquisa que buscou investigar o processo

de transformação em curso nas escolas cubanas, a partir do ano 2001, no movimento que envolveu vários subsistemas da Educação, dentre eles a Formação e o Aperfeiçoamento do Pessoal Pedagógico, com base nas experiências acumuladas de formação emergente. O recorte prio- riza a análise da universalização do ensino superior em Cuba, dentro da conjuntura internacional relacionada às reformas. Esta investigação procura repensar, no âmbito das políticas de descentralização, que o lo- cus de discussão dos saberes constituintes da docência e das especifici-

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dades da ação educativa a ser privilegiado é a própria escola. No entan- to, como as reflexões decorrentes deste estudo apontam o termo mais adequado, seria a desconcentração atuando no plano físico-territorial. Para tal, destacam-se os trabalhos de Castro Alegret (2010) e Rojas Arce (2005), fundamentais no embasamento desta investigação.

ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL:

DELIMITAÇÃO DA ÁREA MEDIANTE O VOCABULÁRIO USUAL (1996-2005) Lourdes Marcelino Machado – UNESP Graziela Zambão Abdian – UNESP

O objetivo do trabalho é apresentar parte dos resultados de pesquisas

que tiveram por questão primordial a construção do conhecimento na área da Administração da educação, a delimitação desse campo de es- tudos e a explicitação de uma terminologia básica. O levantamento de

dados, nesta etapa, foi realizado entre os anos de 1996 e 2005, no Ban-

co de Teses da Capes e foi sistematizado em dois âmbitos: teórico-con-

ceitual e prático-institucional. Da análise, evidenciamos que os ter-

mos/expressões identificados desde os anos 1920 permanecem em uso;

há termos incorporados nos estudos mais recentes como tecnologias de

informação e comunicação, internet, qualidade total, voluntariados, cooperativismo, gestão democrática e outros; há termos caídos em de- suso, pois não notamos ou surgem de modo inexpressivo algumas ex- pressões, sendo que o próprio termo administração escolar sofre pro- cesso de substituição pelo termo gestão; há termos que passaram a ser

utilizados com novos significados, sendo exemplo quase clássico o uso

da expressão gestão, invariavelmente, acompanhada de “democrática”,

“participativa”, “compartilhada”. Palavras-chave: administração da educação no Brasil; vocabulário usual da área.

O PERCURSO ESCOLAR DA POPULAÇÃO EM

SITUAÇÃO DE POBREZA Natalia de Souza Duarte – SE-DF Silvia Cristina Yannoulas – UnB

Este estudo analisa relação entre a educação formal e a população em situação de pobreza, destacando o fracasso escolar nesse percurso. So-

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cializa alguns dos fundamentos de conceituações sobre pobreza e refle-

te mais detalhadamente sobre a educação formal como direito social

positivado. Apresenta um levantamento preliminar de estudos quanti- tativos sobre a relação entre educação formal e pobreza. A partir do diálogo com os indicadores apresenta e discute a produção acadêmica recente sobre educação e pobreza e os primeiros achados de análises es- tatísticas sobre essa relação. Conclui ressaltando as características de

uma política social e a necessidade de se garantir à escola e à educação

a distribuição democrática do sucesso escolar como complementação

do acesso à escola. Palavras-chave: educação formal; fracasso escolar; pobreza; política educacional; política social.

ATUAÇÃO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO COM RELAÇÃO AO DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES À EDUCAÇÃO Adriana Aparecida Dragone Silveira – USP

O presente artigo analisa como o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-

SP) julgou as demandas envolvendo os direitos de crianças e adoles- centes à educação, no período após a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente (1991-2008), verificando em quais assuntos

estabeleceu-se uma jurisprudência favorável para a exigibilidade do di- reito à educação por meio do Poder Judiciário e as principais dificul- dades quanto à interpretação deste direito. A partir da análise das de- cisões, observou-se que há uma tendência majoritária entre os mem- bros do TJ-SP a aceitar com mais facilidade as demandas que requisi- tavam, individualmente ou para um número definido de interessados,

o acesso à educação, consolidando uma jurisprudência favorável ao

longo dos anos, principalmente com relação à educação infantil e à educação especial. Todavia, os desembargadores foram mais resistentes em acatar os pedidos relacionados às questões técnicas ou políticas, considerando a tese da impossibilidade de interferência do Judiciário em atividade discricionária do Poder Executivo. Palavras-chave: direito à educação básica; Tribunal de Justiça de São Paulo; políticas públicas educacionais.

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RESULTADOS POSITIVOS DO IDEB EM REDES ESCOLARES MUNICIPAIS: EVIDÊNCIAS DE ESTUDO EXPLORATÓRIO Dirce Nei Teixeira de Freitas – UFGD Alaíde Maria Zabloski Baruffi – UFGD Giselle Cristina Martins Real – UFGD

O objetivo deste trabalho é apresentar constatações de estudo explora-

tório realizado em dez redes escolares municipais sul-mato-grossenses com resultados positivos no Ideb, com vistas a identificar no contexto

e na política local fatores que podem ter concorrido para isso. Trata-se

de parte de um estudo exploratório desenvolvido nos anos de 2009 e

2010, envolvendo também redes municipais paulistas e cearenses, sen-

do financiado pela CAPES/INEP no âmbito do Programa Observató- rio da Educação. O estudo utilizou abordagem qualitativa conjugada com abordagem, utilizando dados obtidos em bancos de dados oficiais

e dados de campo obtidos in loco por meio de observação e entrevis-

tas, além de documentos impressos e eletrônicos. Foram identificados dez fatores que podem ter concorrido para os resultados positivos no Ideb das redes observadas, assim como questões para novos estudos e

a necessidade de que a promissora tônica local da qualidade educacio- nal conte com política de apoio. Palavras-chave: ensino fundamental; qualidade educacional; Ideb.

ANÁLISE DAS CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO E DA REMUNERAÇÃO DOCENTE NO BRASIL A PARTIR DAS BASES DE DADOS DEMOGRÁFICAS E EDUCACIONAIS Thiago Alves – USP Jose Marcelino de Rezende Pinto – USP

A centralidade atribuída ao papel do professor nos programas educa-

cionais e sua responsabilização pelos resultados do processo educati-

vo nos sistemas públicos de educação básica suscita que seja dado, em contrapartida, um tratamento adequado a aspectos fundamentais para a profissionalização da atividade docente como formação, dura- ção da jornada de trabalho, remuneração e estrutura da carreira na pauta das políticas educacionais. Diante deste contexto, este artigo visa descrever algumas características do trabalho docente e compa- rar a remuneração dos professores a de outros profissionais com o mesmo nível de formação utilizando os microdados da PNAD e do

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Censo Escolar de 2009. As bases foram analisados por meio de téc-

nicas estatísticas e os resultados evidenciaram, entre outros aspectos, desafios com relação (1) à formação, uma vez que um terço dos pro- fessores do ensino fundamental e 50% na educação infantil não pos- suem formação em nível superior; (2) às condições de trabalho, pois expressivo número de professores trabalha em mais de uma escola e leciona para grande número de alunos por turma; e (3) à remunera- ção, já que o nível socioeconômico dos professores e o rendimento

de seu trabalho é inferior ao de outros profissionais com nível de for-

mação equivalente ou mesmo inferior.

A TEORIA DA AÇÃO DE BOURDIEU, O CONCEITO

DE CAMPO CIENTÍFICO E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA OS ESTUDOS SOBRE A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO EM POLÍTICA EDUCACIONAL Ana Lúcia Felix dos Santos – UFPE

O presente estudo visa problematizar a utilização da teoria dos campos

de Bourdieu para o desvelamento das relações de poder e dominação

que marcam a constituição e legitimação do campo de estudos sobre a política educacional, e que estão na base do par dialético conhecimen-

to e interesse. Para tanto, discorre sobre os conceitos que embasam a

teoria citada relacionando-os com as possibilidades de análises que ela proporciona. Ao final propõe pistas para assunção dessa teoria nos es- tudos sobre a pesquisa em política educacional. Palavras-chave: teoria dos campos; campo científico; política educacio- nal.

INFLUÊNCIA DO ACORDO PARA OFERTA E MANUTEN- ÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL EM CURITIBA NOS RESULTADOS ESTUDANTIS Marilene Zampiri – UFPR

O artigo discute o papel do Estado na garantia do direito à educação

a partir do cotejamento entre as ações governamentais derivadas da

política de responsabilização para oferta e manutenção do ensino pú-

blico e os resultados obtidos pelos estudantes em escolas do ensino fundamental em Curitiba. Após apresentar as bases sobre as quais a análise teoricamente se sustenta, sobretudo em Weber e Bourdieu, o

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trabalho apresenta e discute a (não) priorização em cada fase do ensi-

no fundamental, anos iniciais (AI) e anos finais (AF), derivada em par-

te do acordo de partilha entre estado e município, a partir dos dados

do IDEB. As conclusões demonstram que a etapa do ensino funda- mental (AI ou AF) priorizada pelo poder público tende a apresentar resultados mais homogêneos e ascendentes, sugerindo com isto am- pliação do direito à educação. De outro lado, quando o poder público não prioriza dada parte do ensino fundamental, a heterogeneidade pa- rece imperar, deixando os alunos que estão submetidos a esta condição mais dependentes de outras variáveis para ter o seu direito à educação garantido. Palavras-chave: direito à educação; ensino fundamental; oferta e ma- nutenção do ensino; IDEB.

A UTILIZAÇÃO DA METODOLOGIA DE SENSE-MAKING

NO CAMPO DA GESTÃO EDUCACIONAL Breno Pádua Brandão Carneiro – UNEB Ivan Luiz Novaes – UEBA Nadia Hage Fialho – UEBA

Este artigo apresenta reflexões teóricas sobre o uso da metodologia de Sense-Making (Produção de Significado) em pesquisas sobre a utiliza- ção de informações na tomada de decisão por parte de gestores de or- ganizações educacionais. Nossa opção por apresentar reflexões teóricas sobre essa metodologia é motivada pelo interesse em estabelecer rela- ções entre produção de significado (sensemaking) e tomada de decisão na efetivação de políticas públicas para o ensino superior. As reflexões aqui apresentadas representam uma abordagem inicial que será desen- volvida em maior profundidade em estudos posteriores.

A POLÍTICA DE ACESSO A EDUCAÇÃO INFANTIL NOS

ÚLTIMOS DEZ ANOS NO ESTADO DA PARAÍBA Lenilda Cordeiro de Macêdo – UFCG Adelaide Alves Dias – UFBA

Este texto analisa a política de educação infantil empreendida nos úl- timos dez anos em nível nacional e, especificamente na Paraíba, sendo foco principal o acesso. Realizamos uma pesquisa documental e esta- tística, tendo por base o Censo Escolar, além de documentos oficiais e

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acadêmicos. A análise, de caráter qualiquantitativo nos possibilitou apontar alguns resultados: a matrícula na creche evoluiu discretamen- te, até o ano de 2006. Nos últimos quatro anos o crescimento foi mais significativo, no entanto, insuficiente para garantir a ampliação do acesso. Os recursos do FUNDEB apesar de importantes, não tem sido suficientes para vencer os desafios existentes naqueles municípios cuja situação financeira é precária, tendo em vista a baixa arrecadação de impostos. Tal cenário favorece a privatização e/ou rebaixamento dos serviços para a grande maioria dos cidadãos paraibanos de 0 a 5 anos, cujo direito a educação tem sido violado. Palavras-chave: política; educação infantil; direito à educação.

AS INTERFACES DA PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA GESTÃO ESCOLAR Luciana Rosa Marques – UFPE Priscila Ximenes Souza do Nascimento – UFPE

Este trabalho versa sobre a participação da família de estudantes na gestão da escola, analisando as concepções e práticas que vem se ins- tituindo no cotidiano escolar. Considera que essa atuação inscreve-se no processo macrossocial de construção de relações democráticas e que o espaço escolar é um território partilhado, bem como disputa- do, pelas famílias, professores, diretores e funcionários. Fundamen- ta-se na Teoria do Cotidiano e nos Estudos nos/dos/com Cotidianos Escolares por entender que os sujeitos sociais não agem de forma ho- mogênea ou única, mas assumem posturas diferenciadas dependen- do do tempo e dos espaços em que se inserem. Através de observa- ções em instituições municipais de ensino, viu-se que a participação da família existe, mas possui configurações diversas intimamente li- gadas às especificidades do grupo social que constitui a escola e que sua ação participativa varia de acordo com os objetivos que elas têm. Assim, há uma variedade de formas de participação das famílias que, embora pouco reconhecidas, são legítimas, pois favorecem o cumpri- mento da função social da escola e colaboram na construção de uma cultura escolar democrática. Palavras-chave: família; gestão escolar; cotidiano; participação.

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O NOVO PAPEL DA ESCOLA COMO EXECUTORA DE

POLÍTICAS PÚBLICAS: AS PARCERIAS DA SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO PARA A REALIZAÇÃO DE PROGRAMAS SOCIAIS Guilherme Andolfatto Libanori – UFSCar Sandra Aparecida Riscal – UFSCar

Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como objetivo a análise das concepções que fundamentam as parcerias inter- setoriais em cinco programas da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, implementados de 1995 a 2008, quais sejam: Escola da Fa- mília: Desenvolvimento de uma Cultura de Paz no Estado de São Pau-

lo; Superação Jovem; Justiça e Educação: Parceria para a Cidadania; Escola em Parceria; e Comunidade Presente. Procurou-se compreen- der a concepção e papel das parcerias, seu caráter de políticas compen- satórias enfatizando o novo papel assumido pelas unidades escolares na execução destes programas. Pode-se concluir que o modelo gerencial

de administração da educação paulista possibilitou uma nova relação

com o setor privado por meio da realização de parcerias que privati- zam as decisões e gestão de programas sociais que são executados nas unidades escolares públicas. Palavras-chave: parceria; programas sociais; Secretaria de Estado da Educação de São Paulo.

ESTADO, GERENCIALISMO E POLÍTICAS EDUCACIONAIS:

CONSTRUINDO UM REFERENCIAL TEÓRICO DE ANÁLISE Iana Gomes de Lima – UFRGS Luís Armando Gandin – UFRGS

O texto apresenta a construção de uma ferramentaria teórica para a

análise do estado e das políticas públicas contemporâneas, com espe- cial atenção às políticas educacionais. Utilizando centralmente a con-

tribuição de John Clarke e Janet Newman e agregando conceitos for- jados por Michael Apple e Stephen Ball, o texto oferece lentes teóricas para o exame da natureza gerencialista do estado contemporâneo. Através de uma dispersão do poder, de um borramento entre o públi-

co e o privado e de políticas avaliativas que controlam as ações das ins-

tituições públicas, o estado gerencial combate o estado de Bem-estar social e cria as bases para políticas públicas que redesenham a relação

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entre sociedade civil e estado. O texto conclui com algumas implica- ções para o campo de estudo das políticas educacionais, enfatizando a necessidade de não subentender a transposição não mediada da lógica gerencialista a todas as ações do estado.

CONTINUIDADES E RUPTURAS NA POLÍTICA EDUCACIONAL: INDICADORES DO PERÍODO 1995-2005 Sofia Lerche Vieira – UECE

Com o objetivo de identificar continuidades e rupturas em política edu- cacional o trabalho discute indicadores do período 1995-2005 à luz de considerações sobre as reformas educacionais e seus nexos com a agen- da brasileira. O estudo mostra que durante o período considerado o Brasil permanece refém do dilema quantidade/qualidade. Embora ten- do expandido largamente a oferta, grandes desafios permanecem. Do ponto de vista da interface público/privado, a despeito de uma amplia- ção das oportunidades de acesso na esfera pública, é inquestionável a permanência de mecanismos de preservação da ambigüidade entre o público e o privado. Quanto à dinâmica centralização/descentralização os indicadores sinalizam um aprofundamento da participação dos mu- nicípios na oferta de educação infantil e ensino fundamental e dos es- tados no ensino médio, evidenciando uma descentralização da execu- ção dos serviços de Educação Básica. Como resumo pode-se dizer que os indicadores apontam no sentido de maior continuidade que ruptura nas tendências de política educacional do período, a despeito dos mati- zes ideológicos distintos dos grupos no poder na cronologia desse in- tervalo.

PARTICIPAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES DO SETOR PRIVADO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA PIAUIENSE E CEARENSE Liliene Xavier Luz – UESPI Antonio Glauber Alves Oliveir – UESPI

Nesse artigo analisamos a participação das organizações do setor pri- vado na educação pública piauiense e cearense no âmbito dos sistemas de ensino por meio de um mapeamento das ações empreendidas pelas organizações que realizam parceria com as secretarias de educação si- tuadas nos dois estados. O recorte temporal da pesquisa são os anos de 2004 a 2010, cuja finalidade é retratar elementos de continuidade das

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reformas na gestão dos governos mais recentes, levando em conta a realidade de um Estado com maior desenvolvimento econômico e com expressivo número de organizações do setor privado como é o caso do Ceará e, de outro de menor porte na região Nordeste, o Piauí que, numa primeira vista, se configura de forma também significativa quando se trata das parcerias entre o poder público e o setor privado, expressando que, independente da região as ações na educação estão imbuídas pelo reformismo liberal que vem orientando as políticas edu- cacionais a mais ou menos três décadas. Palavras-chave: organizações do setor privado; políticas educacionais; Piauí; Ceará.

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A DIVERSIDADE CULTURAL COMO VANTAGEM

EDUCATIVA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

Raquel Moreira – UFSCar

Este artigo traz reflexões a respeito dos elementos que favorecem e di- ficultam o trabalho pedagógico que toma como eixo a diversidade existente em sala de aula, as quais são resultado de pesquisa de mestra- do desenvolvida entre os anos de 2008 a 2010 junto a uma escola que pretende desenvolver uma educação apoiada na racionalidade comu- nicativa e na dialogicidade, entendendo, pelo menos em tese, a diver- sidade como vantagem educativa. Apoiada pela FAPESP, a investiga- ção seguiu a concepção Comunicativa Crítica como metodologia de pesquisa, a qual tem como bases teóricas as elaborações decorrentes de Habermas, de Freire e do Centro Especial em Teorias e Práticas Supe- radoras de Desigualdades (CREA/UB – Espanha). Destacou-se como grande elemento favorecedor a presença de diferentes pessoas nos mo- mentos de ensino e de aprendizagem, bem como a preocupação da educadora da sala em propiciar momentos para dialogar sobre a diver- sidade, sobre como os saberes são construídos historicamente por di- ferentes povos e como isto se repercute em nossas vidas. Já como ele- mentos dificultadores, enfatizaram-se a inexistência de um currículo comunicativo e a dificuldade de se trabalhar com questões de precon- ceito, discriminação e racismo – presentes nos diversos âmbitos de nossa vida.

APRENDIZADO NA DOENÇA; UM OLHAR A PARTIR DA PERSPECTIVA DA ESPIRITUALIDADE E DA EDUCAÇÃO POPULAR Eymard Mourão Vasconcelos – UFPB

A crise existencial trazida pela doença leva o paciente e seu grupo so-

cial a importantes questionamentos sobre as suas vidas. São questiona- mentos intensamente impregnados de emoção em que elementos in- conscientes da subjetividade participam intensamente. Podem resultar em amplas transformações positivas ou em grandes catástrofes pessoais e familiares. A participação do profissional de saúde neste processo de

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elaboração é dificultada pelo fato de sua formação não valorizar e não prepará-lo para lidar com dimensões subjetivas não expressas de forma racional e clara. Este texto procura refletir sobre esta dinâmica subjeti- va profunda que acontece nestes momentos e discute sobre caminhos para uma ação educativa nestas situações. Utiliza-se, para isto, do ins- trumental teórico da educação popular, da psicologia junguiana e de estudos contemporâneos sobre espiritualidade. Aponta para a possibi- lidade de uma ação educativa voltada para a construção compartilha- da de novos sentidos e motivações para a existência.

UM OLHAR PARA AS ESCOLAS MULTISSERIADAS: NÃO ESTARÃO NELAS CONTIDAS CATEGORIAS QUE PODEM SER A SOLUÇÃO PARA ALGUNS PROBLEMAS QUE AFLIGEM A ESCOLA COMO UM TODO? Ilsen Chaves da Silva – UNIPLAC

Este trabalho investigou escolas multisseriadas da Região Serrana de Santa Catarina, tendo como foco as práticas pedagógicas. Obser- vou-se a heterogeneidade presente nesse tipo de escola. Procurou-se mostrar o valor da classe multisseriada enquanto alternativa pedagó- gica apropriada para promover a aprendizagem significativa no âm- bito da escola fundamental. Paulo Freire com sua concepção nos dá suporte. Outra relevante fonte nessa construção, foi Munarim, lide- rança no que se refere à implementação de políticas públicas para a educação do campo no Brasil. No centro da problemática, a dimen- são heterogeneidade, característica estrutural que fornece a dinâmica das escolas multisseriadas, analisada à luz das teorizações de Vygotsky. Esta característica mostrou a sua fecundidade para a aprendizagem dos alunos, podendo ser tomada como princípio ou paradigma, que sendo essencial às classes multisseriadas, poderá ins- pirar as escolas regulares urbanas, sobretudo quando estas estão de- safiadas a promover a aprendizagem de crianças com diferenças acentuadas em um mesmo tempo e espaço educativo (inclusão es- colar). Palavras-chave: escolas multisseriadas; heterogeneidade; práticas peda- gógicas.

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“CONTRA O DESPERDÍCIO DA EXPERIÊNCIA”:

DESAFIOS TEÓRICO-PRÁTICOS NA FORMAÇÃO COM EDUCADORES/AS Ana Lúcia Souza de Freitas – PUC-Minas Jéssica Boaventura dos Santos Ferraz – PUC-RS Maria Elisabete Machado – PUC-RS Caroline Martins Pereira de Sales – PUC-RS

Parafraseando Boaventura, o texto apresenta desafios teórico-práticos da formação com educadores/as, destacando a compreensão acerca da monocultura do saber e do rigor e ao epistemicídio que dela decorre, ou seja, a morte de conhecimentos alternativos, descredibilizados em relação ao conhecimento científico. O alerta para o desperdício da ex- periência é o fundamento da pesquisa que apresenta um movimento inédito-viável de formação com acadêmicas do Curso de Pedagogia. As leituras de Paulo Freire organizam um grupo de estudos que, ao reco- nhecer o valor epistemológico dos saberes de experiência feitos, desen- volve sua rigorosidade metódica por meio do diálogo que se amplia na partilha dos diários de pesquisa. Compreender o potencial emancipató- rio desta experiência é um dos objetivos da pesquisa. Convidadas a es- crever sobre sua história no grupo, os textos produzidos são revelado- res das (trans)formações em processo. A análise textual discursiva toma como referência os textos individuais e os diários coletivos e permite vislumbrar o potencial emancipatório que se realiza no empoderamen- to dos sujeitos, a partir de vários aspectos. Entre eles, a tomada cons- ciência da inconclusão, em que, autorizando-se a “dizer a sua palavra”, arriscam-se no caminho da pesquisa acadêmica. Palavras-chave: formação com educadores; educação popular; inédito- viável; diário de pesquisa; empoderamento.

CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO POPULAR E FENOMENOLOGIA PARA A PESQUISA EM EDUCAÇÃO REALIZADA COM PROSTITUTAS Fabiana Rodrigues de Sousa – UFSCar Maria Waldenez de Oliveira – UFSCar

Neste artigo discorremos sobre os conceitos de corporeidade, cons- ciência e intencionalidade a partir de aportes teóricos da Educação Popular (em especial das contribuições de Paulo Freire e Ernani Fio-

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ri) e da Fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty. Procuramos problematizar o lugar do corpo e da consciência no processo de aquisição de conhecimentos, questionando a valorização da raciona- lidade em detrimento da sensibilidade na apreensão do mundo e na busca por conhecer. As reflexões, ora, apresentadas foram tecidas ao longo do desenvolvimento de pesquisa de doutorado em educação,

cujo objetivo consistiu em buscar compreender os significados atri- buídos por prostitutas ao processo de educar-se na prática da pros- tituição. Por fim, discorremos sobre saberes de experiência consoli- dados no exercício da prostituição, procurando desvelar a relevância

da percepção, do corpo e dos dados sensíveis no processo de aquisi-

ção desses saberes. Palavras-chave: corporeidade; consciência; saberes de experiência.

O GIRO DIALÓGICO NA SOCIEDADE E A CONCEPÇÃO

DE APRENDIZAGEM DIALÓGICA: AVANÇOS PARA A COMPREENSÃO DA ESCOLA NA CONTEMPORANEIDADE Vanessa Gabassa – UFG Fabiana Marini Braga – UFSCar

O artigo que apresentamos neste momento é resultado de duas pes-

quisas de doutorado (2007-2009), desenvolvidas a partir do concei-

to de aprendizagem dialógica e da implementação da proposta de

Comunidades de Aprendizagem no Brasil, assim como do desenvol- vimento de uma pesquisa mais ampla, financiada pela FAPESP den- tro da linha de pesquisa “Ensino Público”, e realizada em parceria com professoras da rede básica de ensino (2007-2009). A problemá- tica apresentada refere-se ao giro dialógico implementado nas socie- dades e sua repercussão na área da educação e na escola. Apresenta- mos o conceito de aprendizagem dialógica como uma alternativa de trabalho em prol do êxito educativo para todas as pessoas na atual sociedade do conhecimento e da informação. Pautadas na metodo- logia comunicativa-crítica, as pesquisas tiveram nas entrevistas e grupos de discussões seus principais instrumentos de coleta. Os re- sultados alcançados revelaram a existência de relações mais respeito- sas e melhorias nas aprendizagens de todos (as). As dificuldades se resumem na busca por manterem vivos os princípios da aprendiza- gem dialógica conquistada.

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TERTÚLIA DIALÓGICA DE ARTES: UMA ATIVIDADE GERADA E DESENVOLVIDA ENTRE A COMUNIDADE

E A ESCOLA

Adriana Fernandes Coimbra Marigo – UFSCar Amadeu José Montagnini Logarezzi – UFSCar

O presente trabalho integra os resultados de uma dissertação de mes-

trado desenvolvida durante os anos de 2008 e 2009, com o objetivo

de compreender os processos educativos que se manifestam em ativi-

dades de reflexão em torno de obras artísticas, na perspectiva da apren- dizagem dialógica. Pretende descrever, caracterizar e analisar a tertúlia dialógica de artes como uma atividade gerada e desenvolvida em uma escola municipal situada na periferia de uma cidade média da região sudeste do Brasil, em atenção à demanda de crianças e de seus familia- res. Inicialmente, o texto destaca alguns dos referenciais teórico-meto- dológicos da investigação realizada, como a teoria da ação comunica- tiva de Jünger Habermas, da ação dialógica de Paulo Freire e o concei-

to

de aprendizagem dialógica de Ramón Flecha. Em seguida, apresen-

ta

a tertúlia dialógica de artes como um dos meios pelos quais se pode

ampliar a aprendizagem de crianças na educação básica. Ao final, algu-

mas considerações são apresentadas, vislumbrando novos caminhos para a atividade. Palavras-chave: educação popular; democratização do conhecimento; escola.

NÃO SE PODE SER SEM REBELDIA: A LIÇÃO FREIRIANA

JÁ A SABEMOS DE COR! FALTA APRENDÊ-LA!

Michelle Rodrigues Nobrega – UFPel Gomercindo Ghiggi – UFPel

O presente texto busca relacionar as obras de Paulo Freire – em espe-

cial ‘Pedagogia do Oprimido’ – com a realidade dos educadores em sa- las de aula, onde comumente nos deparamos com alunos marcados como ‘indisciplinados”, não raro punidos pela sua rebeldia com a re-

provação, por exemplo. E assim, voltamos mais a Freire para discutir

os pressupostos da Educação Popular, na qual a rebeldia é condição à

sua autonomia. Paulo Freire nos deixou como testemunho, durante todo o seu legado, a rebeldia como expressão da constituição de clas- se. É por isto que apontamos que a lição a sabemos de cor, pois deco-

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ramos a teoria, porém é preciso aprendê-la, colocá-la na prática e transformar a educação do dia-a-dia da sala de aula. Palavras-chave: educação popular; pedagogia; Paulo Freire; rebeldia; sala de aula.

EDUCAÇÃO NO MOVIMENTO COOPERATIVO Walter Frantz – UNIJUÍ

A cooperação, em seus aspectos práticos de organização e dinâmica de

funcionamento, exige de seus sujeitos e atores uma comunicação de interesses e de objetivos, a respeito do qual desejam falar, debater e de- cidir. Nessa dinâmica, a cooperação institui a importância do diálogo como um de seus meios de gestão e, consequentemente, potencializa a concretude de suas práticas como um processo social de educação. No entanto, esse sentido pedagógico de suas práticas, quase sempre, apa- rece de forma difusa, associado a processos de comunicação, de intera- ção, entre os atores da cooperação. O texto procura contribuir à refle- xão e compreensão do processo social da cooperação como meio edu- cativo. Decorre das atividades de pesquisa sobre objetivos e significa- dos da organização cooperativa. Palavras-chave: movimento cooperativo; cooperação; organização coo- perativa; educação.

CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO POPULAR COMUNITÁRIA:

A CONCEPÇÃO-MEDIAÇÃO DE SABERES CIENTÍFICOS NO

CONTEXTO SOCIOCULTURAL DE ESCOLAS POPULARES

Denise Moura de Jesus Guerra – UFBA

Esse estudo elabora uma compreensão acerca da concepção-mediação dos saberes científicos no contexto de escolas populares comunitárias, partindo do pressuposto da positividade da ciência nas sociedades con- temporâneas. Concomitante, elabora uma discussão densa acerca de suas degenerâncias e enfatiza a possibilidade de interconexão do co- nhecimento científico com outros saberes, ao mesmo tempo em que reflete, explicita e analisa uma experiência pedagógica na qual as pro- fessoras compreendem o sentido social do seu trabalho e se instituem como organizadoras de situações educativas, o que contribui para rati- ficar o caráter emancipatório da educação e da ciência. Durante dois anos, vivenciamos o cotidiano da prática pedagógica de três escolas po-

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pulares comunitárias, nas quais, a partir das próprias demandas de en- sino e aprendizagem, desenvolvemos – pesquisadora, professoras e es- tudantes – a pesquisa-ação formação de cunho epistemológico e sócio- existencial, inspirando-nos na etnopesquisa e seus dispositivos de in- vestigação.

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GT07 – EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS DE 0 A 6 ANOS

EDUCAÇÃO INFANTIL, INFÂNCIA E CIDADANIA Isabel Cristina de Andrade Lima e Silva – UNICAMP

Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados da pesquisa de mestrado desenvolvida acerca da temática infância e cidadania. Inicialmente, há que se considerar que até recentemente, enquanto

a infância era vista como o lugar da criança, a cidadania era com-

preendida como um status atribuído especificamente aos que atin- giam a condição de adulto. Na análise das concepções de cidadania

e infância presentes no Referencial Curricular Nacional para a Edu-

cação Infantil (RCN/Infantil) é possível perceber que há um esfor- ço em articular essas duas concepções no sentido de produzir um

discurso sobre a criança cidadã no campo da educação infantil. Como dizer que uma criança, especialmente a de zero a seis anos, seja capaz de exercer sua cidadania, de assumir as responsabilidades que o exercício da cidadania exige? Ou eleva-se o estatuto da crian-

ça para atribuir-lhe cidadania ou rebaixa-se o estatuto da cidadania

para que se adapte às crianças. Não há como aproximar os dois con- ceitos sem proceder a essa estratégia. As implicações da alteração dos estatutos oscilam entre valorização relativa da criança e a desvalori- zação da cidadania. Palavras-chave: educação infantil; infância; cidadania.

SOBRE IMPORTÂNCIAS, MEDIDAS E ENCANTAMENTOS:

O PERCURSO CONSTITUTIVO DO ESPAÇO DA CRECHE

EM UM LUGAR PARA OS BEBÊS Luciane Pandini Simiano – UFRGS Carla Karnoppi Vasques – UFRGS

O presente texto tem por tema a educação infantil. Por foco, a con-

figuração do espaço da creche em um lugar para bebês. Como re- curso argumentativo, apresentar-se-ão elementos de uma pesquisa de orientação etnográfica, realizada em uma instituição pública no sul do estado de Santa Catarina, no ano de 2009. Foram sujeitos da investigação um grupo de 10 bebês e quatro adultos, duas professo- ras e duas auxiliares. Defende-se a importância de um espaço orga-

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nizado para os bebês, porque o espaço educa, expõe ideias, externa- liza mensagens. O prédio, o mobiliário, os objetos e sua organiza- ção potencializam ou limitam as aprendizagens. É necessário, con- tudo, ir além destas materialidades. É fundamental olhar, reconhe- cer, valorar, as formas de ocupação e os sentidos estabelecidos entre bebês e adultos. O processo de constituição subjetiva e social, en- gendrado no direito à educação infantil de qualidade, implica com- preender o bebê como sujeito competente nas relações, capaz de fa- lar sobre si e o outro. O professor, ao narrar a vida na creche, pro- duz sentidos e significados capazes de potencializar tais vivências. Na dimensão da experiência, no tempo da pausa e dos encontros, lugares são constituídos e constitutivos. Trata-se de uma outra pos- sibilidade de ser e estar na creche. Palavras-chave: educação infantil; bebê; espaço; lugar.

O LUGAR DA CRECHE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Gabriela Barreto da Silva Scramingnon – UNIRIO

A proposta deste trabalho, fruto de uma dissertação de mestrado, é

discutir a organização e o funcionamento das creches e de seus pro- fissionais na rede municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro. Fundamenta-se teoricamente na produção relativa à história e a po- lítica da educação da criança de 0 a 6 anos; na concepção de crian-

ça como produtora de cultura, cidadã de direitos; e na formação dos

profissionais da Educação Infantil como requisito para a garantia de um atendimento de qualidade para as crianças. Na realização da pesquisa três estratégias metodológicas foram utilizadas: aplicação

de questionário, realização de entrevistas individuais e grupo focal.

Inicialmente traz algumas conquistas da Educação Infantil na legis- lação brasileira. Em seguida discute o contexto das creches apresen- tando a organização da Educação Infantil nesta rede de ensino. Para finalizar, aponta os principais desafios no que tange a modalidade creche destacando ações que contribuem para a fragmentação entre creche e pré-escola tais como: espaços destinados às atividades de- senvolvidas com as crianças; estrutura e funcionamento dos estabe- lecimentos e quadro de profissionais que compõe a equipe das ins- tituições.

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