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Universidade Católica Portuguesa

Mestrado Profissional Em Enfermagem


Médico-Círúrgica
Teorias de Enfermagem

Análise crítica à Teoria Geral de Enfermagem de


Dorothea Orem

Ricardo Manuel Dias da Fonseca


Covilhã / Viseu, 15 de Fevereiro de 2008
Universidade Católica Portuguesa
Mestrado Profissional Em Enfermagem
Médico-Círúrgica
Teorias de Enfermagem

Análise crítica à Teoria Geral de Enfermagem de


Dorothea Orem
Sob a supervisão da Professora Doutora Margarida Vieira

Ricardo Manuel Dias da Fonseca


Covilhã / Viseu, 15 de Fevereiro de 2008
Índice

Introdução_____________________________________________________3

1- Análise crítica à Teoria Geral de Enfermagem de Dorothea Orem_______5

1.1- Descrição da Teoria__________________________________________5

1.2- Análise crítica_______________________________________________7

2- Conclusão___________________________________________________10

Bibliografia____________________________________________________11

Índice de Figuras

Figura 1________________________________________________________5

Figura 2________________________________________________________8
Introdução

No âmbito da disciplina Teorias de Enfermagem leccionada no Mestrado


Profissional em Enfermagem Médico-Cirúrgica pela Professora Doutora Margarida
Vieira, na Universidade Católica de Viseu, foi-nos proposta a realização de um trabalho
escrito que tem como objectivo efectuar uma análise crítica a uma teoria de
enfermagem.
Deste trabalho constará um breve enquadramento teórico da Enfermagem como
ciência, com a caracterização conceptual de alguns termos que irão ser abordados no
decorrer do mesmo. Constará, também, a apresentação da teórica que seleccionei para
executar este trabalho (Dorothea Orem), fazendo uma breve revisão biográfica da sua
vida e obra antes de iniciar a descrição e análise crítica da sua Teoria do auto-cuidado,
do deficit do auto-cuidado e Teoria dos sistemas de Enfermagem, baseado em diversos
autores que aferem da pertinência, fiabilidade e aplicabilidade à realidade prática da
teoria da supracitada autora.
Deste texto constará uma nota introdutória, com um enquadramento global dos
temas a abordar, uma fase de desenvolvimento, com descrição sumária, análise crítica e
discussão acerca da teoria de Dorothea Orem e conclusão.
A enfermagem, ao longo dos tempos, sempre viveu as suas experiências,
estruturou as suas normas e princípios e divulgou-os, como forma de elaboração do seu
corpo de conhecimento dentro de uma perspectiva histórica (Fialho et al, 2002) 8.
Desde os anos 50 que se deu uma explosão no conhecimento na área da saúde
(De Laure et al, 2002) 5. Surge, a partir desta altura, a necessidade de obter e organizar
um corpo de conhecimento próprio, que veio a ganhar ênfase na década de 60. Neste
particular, foi preciso organizar o gigantesco volume de informação gerada. No âmbito
particular da enfermagem, existiu a preocupação de relacionar a teoria com os cuidados
de enfermagem prestados. Nesta óptica, surgem as teorias de enfermagem como bases
de pensamento com as quais avaliar as situações que se apresentam. À medida em que
mais e mais situações vão surgindo, essas bases vão conferir uma estrutura de
organização, análise e tomada de decisão. Segundo De Laure (2002) 5, as teorias de
enfermagem fornecem estrutura para comunicação entre enfermeiros e profissionais de
outras áreas da saúde, servem para auxiliar a clarificar crenças, valores e objectivos a
atingir, ajudando a definir a contribuição única da Enfermagem no cuidado aos clientes
e auxiliando ao desenvolvimento cada vez maior da disciplina de Enfermagem,
conferindo-lhe maior autonomia.
Parker (2001) 15 classifica teorias de Enfermagem como padrões de pensamento,
do ser e do fazer em Enfermagem e que se revestem de suma importância para conferir
estrutura e substância para fundamentar a prática, o ensino e a investigação nesta área e
ao mesmo tempo serem flexíveis e dinâmicas para poderem acompanhar o crescimento
e as mudanças na disciplina e na prática da Enfermagem.
Horta (1979) 12 considera Enfermagem como ciência porque:
“1) Os fenômenos que estuda são reais e passíveis de experimentação.
2) As teorias já desenvolvidas exprimem relações necessárias entre os fatos e os
atos.
3) Suas conclusões estão dentro da certeza probabilística que explica não só as
ciências hermenêuticas, como as empírico-formais e até a física considerada ciência
formal ou positiva.”
Após este enquadramento sucinto da afirmação da Enfermagem como ciência e
a importância das teorias de Enfermagem para a afirmação da nossa profissão, passa a
apresentar-se de forma breve Dorothea Orem, para posteriormente se proceder à análise
crítica da sua teoria.
Dorothea Elisabeth Orem (1914-2007) nasceu em Baltimore, Maryland, nos
Estados Unidos da América. Conclui a sua formação inicial em Enfermagem em 1930,
pelo Providence Hospital School of Nursing, de Washington DC. Em 1939 obteve o
grau de Bacharel em Ciências de Educação em Enfermagem e o grau de Mestre em
Ciências de Educação em Enfermagem em 1946 pela Catholic University of América.25
Recebeu vários títulos honorários, entre os quais o de Doutora em Ciências pela
Georgetown University em 1976, o mesmo grau mas pela Incarnate Word College, San
António, Texas em 1980 e em 1988 o título de Doutora em Human Letters pela Illinois
Western University, Blomington, Illinois. Em 1992 foi nomeada Membro Honorário da
American Academy of Nursing. Em 1998 foi nomeada Doutora Honoris Causae em
Enfermagem, pela Universidade do Missouri.
Iniciou o desenvolvimento da sua teoria em 1959, fazendo a primeira publicação
da sua teoria de Enfermagem. Porém, não permaneceu estanque e continuou o
desenvolvimento do seu projecto. Em 1971, publicou o livro Nursing: Concepts of
Practice, numa edição que tinha como foco principal de atenção o indivíduo. A segunda
edição, publicada em 1980, foi desenvolvida de forma a incluir o indivíduo em grupos
pluri-pessoais (família, comunidade e grupos de apoio). Em 1985, publica a Teoria
Geral de Enfermagem de Orem, constituída por três bases teóricas inter-relacionadas
entre si: a Teoria do Auto-Cuidado, a Teoria do Deficit do Auto-Cuidado e a Teoria dos
Sistemas de Enfermagem. Em 1991, publicou uma nova obra em que incluiu a criança,
os grupos e a sociedade. A sua obra foi republicada em 1995 e 2001. 9
Reformou-se em 1984, mas ainda assim continuou o desenvolvimento da sua
Teoria de Enfermagem.
Faleceu em 22 de Junho de 2007, na sua residência em Skidaway Island, aos 92
anos de idade.
A sua teoria de Enfermagem apresenta um paradigma totalitário, virado a sua
atenção para a relação de ajuda, em que concebe a acção de enfermagem como a
realização das actividades que a pessoa não pode executar em determinadas fases do seu
ciclo vital, mas fomentando sempre, em maior ou menor grau, o auto-cuidado por parte
da própria pessoa. Assenta, também, em bases teóricas tais como a Teoria das
Necessidades Humanas de Maslow, fazendo as adaptações teóricas à realidade de
enfermagem, frisando que a satisfação das necessidades leva ao aperfeiçoamento,
fortalecimento e desenvolvimento saudável da pessoa (Dueñas Fuentes, 2000). 7
Estes paradigmas assentam, por sua vez no conceito de metaparadigma de
enfermagem, que é composto por 4 proposições:
Pessoa – Indivíduo com exigências físicas e emocionais para o desenvolvimento
de si mesmo e manutenção do seu bem-estar. 3 4 10
Ambiente – O que envolve a pessoa (todos os factores físicos, químicos,
biológicos, sociais, familiares ou comunitários), e que pode afectar a sua capacidade
para realizar as suas capacidades de auto-cuidado. 2 3 4 5 6 10
Saúde – Definida como um “estado de bem-estar físico, social e mental e não
apenas a ausência de doença ou enfermidade” (Orem, 1980, citada por Bridge et al
2007) 8. Hanucharumkul (1989) citando Orem (1985) refere que os aspectos físicos,
psicológicos, interpessoais e sociais da saúde são inseparáveis. 4 10
Enfermagem – Conjunto de actos de uma pessoa especialmente capaz e treinada
para ajudar uma pessoa ou um conjunto de pessoas a lidar com os seus problemas reais
ou potenciais de deficit de auto-cuidado. (Bruce et al, 2007) 3 4
1- Análise crítica à Teoria Geral de Enfermagem de Dorothea Orem

1.1- Descrição da Teoria

A Teoria de Orem é considerada uma “Grand Theory” (De Laure, 2002; Parker,
5 15
2001) . Uma “Grand Theory” é composta por conceitos que representam fenómenos
globais e extremamente complexos. É aquela que possui maior abrangência, representa
o maior nível de desenvolvimento abstracto de conceptualização fenomenológica de
relevo dentro da disciplina. As teorias deste tipo tendem a ser pertinentes para todas as
áreas da Enfermagem (Parker, 2001) 15. Resultam da reflexão ponderada acerca da
prática de enfermagem e do conhecimento dos diversos contextos da enfermagem ao
longo dos tempos.
A teoria de Orem é composta de três bases teóricas: A Teoria do Auto-Cuidado,
a Teoria do Deficit do Auto-Cuidado e a Teoria dos Sistemas de Enfermagem. No
entanto, a nomenclatura geral atribuída é Teoria do Deficit de Auto-Cuidado de Orem.
A figura 1 oferece a representação esquemática desta teoria:

In http://www.eewb.br/autocuidado/fundamentacao%20teorica.html

Esta teoria descreve “Enfermagem como uma profissão que satisfaz as


necessidades de auto-cuidado das pessoas, para que estas prolonguem, a vida e a saúde
ou recuperem-se do seu estado de doença” (Diniz, 2006) 6.
A Teoria do Auto-Cuidado assenta em definir o auto-cuidado como um
comportamento adquirido e uma acção deliberada em resposta a uma necessidade5, com
o objectivo de manter a saúde e um completo bem-estar do corpo mente e espírito 3 22.
Orem apresenta três requisitos (ou exigências) para o auto-cuidado:
Universais – relacionados com os processos essenciais à saúde e à vitalidade,
tendo em vista a manutenção do bem-estar e saúde, tais como a necessidade de
oxigénio, alimentação, hidratação, eliminação, repouso e interacção social, comuns a
todos os seres humanos nas diversas fases do ciclo vital e de vida quotidiana 2 3 5 6 22 .
De desenvolvimento – são aquelas que se encontram ligadas às modificações nas
diferentes fases da vida e adaptações sociais. Ajuda o indivíduo a viver, a amadurecer, a
prevenir doenças ou suas complicações e a adaptar-se a novos papéis sociais 2 3 22.
De desvio da saúde – é exigido em circunstâncias que se desviam do “normal”,
como em caso de lesões ou doenças 3 9 22. Diniz (2006) refere que “aparecem como
medidas terapêuticas necessárias para o diagnóstico e tratamento dos indivíduos com
problemas de saúde ou com incapacidades físicas e psíquicas, que afectam o corpo
como um todo”
Orem considera auto-cuidado como um comportamento aprendido, influenciado
pelo metaparadigma da pessoa, ambiente, saúde e Enfermagem, incluindo três aspectos:
as necessidades universais de auto-cuidado, as necessidades de apoio e ajuda ao auto-
cuidado durante o desenvolvimento da pessoa e os desvios comportamentais em relação
à saúde da pessoa. 9
Qual é então o conceito de auto-cuidado na visão de Dorothea Orem? É um
conjunto de actividades iniciadas e executadas pelo próprio indivíduo para seu próprio
benefício e cujas competências vão evoluindo com o desenvolvimento. Tem como
objectivo manter a saúde e a vida, conservar a sensação de bem-estar e promover o seu
desenvolvimento pessoal. Orem teoriza que todo o ser Humano possui as competências
e requisitos básicos universais para o auto-cuidado 3 5 6 15 16 17 21.
A Teoria do Deficit de Auto-Cuidado é considerada por Orem como o núcleo da
teoria geral de Enfermagem. Foster e Janssens (1993) citados por Torres (1999) 6
referem que a Enfermagem passa a ser uma exigência a partir das necessidades de um
adulto, quando o mesmo se acha incapacitado ou limitado para o seu auto-cuidado
contínuo e eficaz e que os cuidados de Enfermagem podem ser prestados quando [...] as
habilidades para cuidar sejam menores do que as exigidas para satisfazer uma
exigência conhecida de autocuidado[ ...] ou habilidades de autocuidados ou de
cuidados dependentes excedam ou igualem às exigidas para satisfazer a demanda atual
de autocuidado, embora uma relação futura de deficiência possa ser prevista devido as
diminuições previsíveis de habilidades de cuidado” (Foster e Janssens, 1993, p.92,
citados por Torres, 1999). 6
Segundo esta teoria, todo o adulto tem a capacidade para satisfazer as suas
necessidades de auto-cuidado, mas que quando existe a incapacidade para o fazer
devido a limitações de várias ordens, existe um deficit de auto-cuidado. Bruce et al
(2003) 3 refere que a pessoa beneficia da intervenção de Enfermagem quando uma
situação de saúde inibe a sua capacidade de auto-cuidado ou quando se vê confrontado
com situações onde as suas capacidades não são suficientes para manter a sua saúde ou
o seu total bem-estar. As intervenções de Enfermagem focam-se na detecção das
limitações ou deficits e implementando intervenções que auxiliem a pessoa a suprir
essas limitações no restabelecimento do seu auto-cuidado, de acordo com as suas
necessidades 2 3 5 6 22 23 24. Orem identificou cinco intervenções em que o enfermeiro
interage com a pessoa, sendo elas agir ou fazer para o outro; guiar o outro; apoiar o
outro (física e psicologicamente); proporcionar um ambiente que promova o
desenvolvimento pessoal, para se tornar capaz de satisfazer as suas necessidades actuais
ou futuras; ensinar o outro 22.
A Teoria dos Sistemas de Enfermagem é, segundo Orem, a teoria unificadora, que
abrange a Teoria do Deficit do Auto-Cuidado, que por sua vez abrange a Teoria do
Auto-Cuidado 5. Foca-se na capacidade do enfermeiro para auxiliar a pessoa a suprir as
suas necessidades reais ou potenciais de auto-cuidado ou a capacidade de execução
alterada desse mesmo auto-cuidado. É uma teoria focada na pessoa e em que, para
satisfazer a necessidade de auto-cuidado da pessoa, Orem identificou três sistemas:
totalmente compensatório, parcialmente compensatório e sistema de apoio e educação 3
5 6 22
. O sistema totalmente compensatório reflecte o indivíduo incapaz de realizar as
suas actividades de auto-cuidado, envolve a relação enfermeiro-pessoa incapaz de fazer
por si própria. Apoia e protege a pessoa, compensando a sua incapacidade para o aut-
cuidado 3 5 6 9 22. O sistema parcialmente compensatório representa um envolvimento
quer do enfermeiro quer da pessoa num conjunto de medidas que visa concretizar as
exigências do auto-cuidado. “…o enfermeiro efetiva algumas medidas de autocuidado
pelo paciente, compensa suas limitações de autocuidadoatendendo o paciente conforme
o exigido. O paciente age realizando algumas medidas de autocuidado, regula suas
atividades e aceita atendimento e auxílio do enfermeiro.” (Torres, 1999) 22. O sistema
de apoio e educação verifica-se quando a pessoa pode executar ou pode e deve aprender
a executar essas tarefas do auto-cuidado. A pessoa é responsável pelo seu próprio auto-
cuidado, servindo o enfermeiro como guia, professor ou consultor na aprendizagem e na
fomentação do cuidar de si próprio por parte da pessoa (por exemplo, quando um
enfermeiro guia uma mãe inexperiente durante a amamentação do seu filho) 3 5 22. O
objectivo da Teoria dos Sistemas de Enfermagem visa o conceito de Autonomia.
O processo de Enfermagem segundo Orem comporta três fases:
Fase 1 – fase de diagnóstico e prescrição, onde se faz um levantamento das
necessidades de auto-cuidado da pessoa e onde se planeiam actividades de acordo com
o diagnóstico efectuado, envolvendo essas acções num dos sistemas de Enfermagem
supracitados.
Fase 2 – fase de planeamento dos sistemas de Enfermagem e planeamento da
execução das acções de Enfermagem, onde cria o sistema de Enfermagem adequado,
com as actividades adequadas à necessidade da pessoa. Estabelecem-se metas
juntamente com a pessoa para atingir fins específicos com o objectivo do bem-estar
total.
Fase 3 – gestão e controlo dos sistemas de Enfermagem, em que o enfermeiro
auxilia a pessoa (ou família) a atingir os objectivos tendo em visa o auto-cuidado,
diagnosticados e planeados nas fases anteriores 9 22.

1.2- Análise Crítica

Após esta descrição global da teoria de Dorothea Orem, passa-se à avaliação


critica propriamente dita. Os critérios a serem utilizados para estabelecer esta análise
são: claridade, coerência, integridade e compreensibilidade, simplicidade, poder
explicativo, poder justificativo, produtividade e viabilidade.
Conquanto à claridade, Bridge et al (2007) 2 considera que os termos utilizados
por Orem na construção da sua teoria estão perfeitamente definidos. A linguagem
utilizada na teoria é consistente com a linguagem da filosofia subjacente. Não existem
palavras criadas ou inventadas. Os termos utilizados são claros e objectivos. Em relação
à coerência, as mesmas autoras, citando Tomey e Alligood (2002), referem que existe
congruência na terminologia utilizada ao longo de toda a teoria. Orem definiu e
elaborou uma estrutura para o termo auto-cuidado de uma forma única mas coerente
com outras interpretações. As dificuldades na aquisição dos conceitos de Orem
prendem-se, segundo Tomey e Alligood, citados por Bridge et al, com uma fraca
familiaridade com o campo de acção da Enfermagem por parte dos leitores. De acordo
com a retrospectiva conceptual descrita, e relativamente a estes dois itens de análise,
estou de acordo com a leitura feita pelos autores que citei. A teoria de Orem é clara e
coerente quanto aos seus objectivos e apresenta de forma esclarecedora todos os
principais conceitos à volta dos quais se rege, nomeadamente o conceito base de auto-
cuidado, que aparece claramente definido e inteligível.
Em relação à simplicidade, a teoria geral de Orem abarca três teorias
constituintes: a Teoria do Auto-Cuidado, do Deficit de Auto-Cuidado e dos Sistemas de
Enfermagem. A interligação entre estas teorias e seus conceitos integrantes é simples e a
relação entre estas teorias é fácil de representar através de diagramas. A estrutura
substancial desta teoria encontra os seus alicerces no subconjunto das sub-teorias que a
compõe 2. Embora seja uma teoria abrangente, extensa, a interligação entre os conceitos
propostos por Orem é facilmente compreensível, uma vez que o conceito base de auto-
cuidado tem uma aplicação universal e que é facilmente transportado para a prática da
Enfermagem 9. Embora à primeira vista, a teoria de Orem possa ser entendida como
muito complexa, devido à integração de três teorias na sua formulação geral, o
entendimento que esta teoria oferece aos seus leitores é relativamente simples e bastante
inteligível, na mesma medida em que é claro e coerente com os seus objectivos de
aplicação. Sendo simples, clara e congruente, esta teoria torna-se compreensível e
passível de ser apreendida de forma objectiva por aqueles que buscam nela uma base
teórica para se fundamentarem na abordagem prática. Não obstante, George (2002)
citado por Bridge et al (2007) refere que a teoria de Orem é simples, mas no entanto
complexa, uma vez que as diversas aplicações do termo auto-cuidado, nas variadas
conceptualizações da teoria pode ser confuso numa fase inicial 2.
Quanto à integridade da teoria, tal como já foi sumariamente referido acima,
não se verificam incongruências, a relação vigente nas três teorias englobadas na teoria
Geral de Orem é interdependente e com associações lógicas e coerentes
interconceptuais, apoiadas na visão do metaparadigma teórico em que se baseia e na
aplicação da base conceptual da promoção da autonomia fundamentada pelo conceito de
auto-cuidado. Estes conceitos apresentam uma inter-relação proporcionando uma visão
prática de Enfermagem.

Figura 2
Indivíduo

Auto-cuidado

Actividade Exigências
de de
Auto-cuidado Auto-cuidado
(ou Déficit de
Auto-Cuidado)
Actividade
de
Enfermagem

Modelo Conceptual de Enfermagem de Orem, adaptado de Tomey e


Alligood, 2002, p. 192, citado em Bridge et al (2007): Dorothea Orem’s Self-Care
Deficit Theory

Em relação às bases explicativas e justificativas desta teoria, Rosenbaum (1985) refere


que a teoria de Orem oferece resposta a algumas perguntas de grande relevo no âmbito
da Enfermagem, tais como: “porque é que a Enfermagem é necessária? ; porque é que o
auto-cuidado é necessário na vida?; como é que as pessoas podem ser auxiliadas através
da Enfermagem?” 16. Estas são perguntas de grande utilidade e importância para a
prática da Enfermagem e as soluções que a teoria de Orem apresenta para estas questões
são de grande importância para a formação do corpo de conhecimento em Enfermagem,
pelo que apresenta soluções para problemas da ciência de Enfermagem decorrentes da
verificação desses mesmos problemas na realidade prática. Embora possua limitações
conquanto à generalização da aplicação efectiva desta teoria (como será referido
oportunamente), a base explicativa e justificativa constante da formulação teórica de
Orem é consistente e de relevo para a prática da Enfermagem, como auxílio precioso ao
desenvolvimento da ciência e disciplina. Em relação à produtividade, e segundo
Hanucharurnkul (1989) 10,a teoria de Orem é extremamente apelativa na prática de
Enfermagem, em especial em situações de saúde pública. Rosenbaum (1985) refere o
uso da teoria de Orem em pessoas com diabetes, com enterostomias, em mulheres com
cesarianas programadas, em pessoas que abusam de álcool e em crianças hospitalizadas
16
.Torres et al (1999) aplicam a teoria de Orem num estudo de caso de uma adolescente
grávida, onde referem que “É possível considerar que o uso da teoria do autocuidado
de Dorothea Orem é um instrumento válido, o qual nos ajudou a promover uma
comunicação mais objetiva entre pesquisador e pesquisada, adequando-se de certa
forma ao planejamento da assistência de enfermagem, à problemática dessa
adolescente.” 22. Armer et al (2005) aplicaram o processo de Orem num estudo acerca
de linfedema pós cancro do pulmão, onde referem que a teoria de Orem ajudou à
detecção dos sintomas cruciais na prevenção e detecção precoce e tratamento do
linfedema 1. Lima et al (2006) explicitaram a contribuição de Orem nos diagnósticos de
enfermagem em doentes pós-cateterismo cardíaco 14. Silva (2004) publicou um estudo
acerca da qualidade de vida e do auto-cuidado dos idosos residentes nos bairros da
periferia de Monterrey, México 17. Silva e Kimura (2000) publicaram um estudo onde se
basearam na teoria de Orem para validar uma escala de auto-cuidado, a ASA-A 18. No
sítio da Portfolio Professional Nursing refere algumas das áreas passíveis de aplicação
da teoria de Orem, tais como áreas de ensino acerca de medicação, nutrição, higiene,
comportamento e de manutenção da saúde, através de exercício físico programado,
controlo de peso, promoção de um ambiente seguro e gestão de stress 24. Estes são só
alguns exemplos da produtividade da teoria de Orem para a prática e desenvolvimento
da Enfermagem, onde poderíamos acrescentar diversas outras modalidades de auto-
cuidado, como na educação da pessoa com hipertensão arterial, no ensino a familiares
de pessoas com limitações e na fomentação de hábitos de vida saudáveis com vista a
manutenção da saúde e prevenção da doença. A teoria de Orem, sendo uma teoria
abrangente, abarca várias áreas de intervenção, sendo os exemplos citados apenas uma
amostra. Podemos considerar que esta teoria tem uma grande contribuição para o
desenvolvimento da Enfermagem, produzindo conhecimento e dirigindo o seu foco de
atenção para a prática baseada na evidência. Tomey e Alligood (2002) citados por
Bridge et al (2007) referem que a teoria de Orem, sendo uma teoria geral, é útil para os
enfermeiros inseridos na Enfermagem prática, para o desenvolvimento e validação do
conhecimento, ensino e aprendizagem da Enfermagem 2.
Quanto à viabilidade da teoria de Orem, dos exemplos supracitados verificamos
que é viável em diversos aspectos da prática da Enfermagem, contribuindo de forma
positiva para o desenvolvimento da ciência e da profissão. Contudo, apresenta algumas
limitações de aplicação. Horan (2004) publica um artigo onde ressalva o contributo
inegável da teoria de Orem para a ciência de Enfermagem, ressalva um aspecto que
pode ser considerado uma limitação major desta teoria. Orem considera que todo o ser
Humano possui as competências para o auto-cuidado. E então aqueles que possuem
dificuldades de aprendizagem, moderadas ou severas? Não considerarão eles demasiado
complexo e difícil de concretizar e delinear objectivos? Se bem que este autor considera
que do ponto de vista teórico e filosófico esta teoria poderia incluir estas situações,
retrata como “anedótico” que se registem melhorias imensuráveis numa pessoa com
deficits cognitivos apenas por se aplicar o modelo de auto-cuidado de Orem 11.
Spearman et al (1993) numa revisão selectiva de estudos entre 1986 e 1991 acerca da
teoria de Orem, regista que dos estudos analisados, 32% fizeram um uso mínimo da
teoria, 55% um uso insuficiente e 13% um uso adequado 20. Lauder (2001) identifica
outra limitação à teoria de Orem, fazendo um estudo sobre auto-negligência, sendo a
aplicabilidade do conceito de auto-cuidado pouco objectivo nestas circunstâncias 13. Em
mais uma limitação apontada pela literatura, George (2002) citado por Bridge et al
(2007) se encontra na definição de saúde que deve ser vista como um processo dinâmico
e que, segundo este autor, está definido em premissas que lhe confere alguma rigidez,
logo um carácter estático em contraponto ao dinamismo que deveria apresentar 2.
Embora se encontrem estas limitações (como seria natural encontrar numa rede de
pensamento), a teoria de Orem é viável e aplicável à realidade prática. Todas estas
discussões acerca do modelo conceptual permitem auxiliar ao seu desenvolvimento e ao
desenvolvimento da Enfermagem, como profissão e ciência.

2- Conclusão

A Teoria Geral de Enfermagem de Dorothea Orem centra a sua abordagem


conceptual no auto-cuidado. Desta teoria abrangente (ou Grand Theory) fazem parte
três teorias: a Teoria do Auto-Cuidado, a Teoria do Deficit de Auto-Cuidado e a Teoria
dos Sistemas de Enfermagem. Com base na sua teoria, Orem delineia o processo de
Enfermagem, dirigido ao problema central que rege a teoria, o auto-cuidado e a
satisfação de necessidades para manter a saúde e evitar a doença.
Após se ter tecido uma sumária descrição de toda esta temática, seguiu-se a
abordagem crítica. Recapitulando, verificámos que a conceptualização de Orem tem os
requisitos para se considerar um teoria, e que através da sua aplicação na ciência da
Enfermagem, contribuiu para o desenvolvimento desta profissão e para a construção de
um corpo de conhecimento mais alargado dentro desta ciência,
Analisando os critérios de análise de uma teoria, considera-se como uma teoria
simples, congruente e compreensível, denotando integridade na sua elaboração
conceptual. Utiliza termos claros e compreensíveis, proporcionando ao leitor e ao
enfermeiro que deseje basear a sua prática nesta formulação teórica um suporte
inteligível. Tem capacidade explicativa e justificativa, que se revela pela congruência da
abordagem temática e clareza de conteúdos. Como vimos acima, vários são os estudos
(embora apenas uma pequena porção desses estudos tenha sido citada) onde se
exemplifica a produtividade científica da teoria de Orem, aplicada em diversas situações
que afectam a pessoa. Por este prisma se valida e se viabiliza. No entanto, são
reconhecidas algumas limitações à concepção teórica, sendo as principais a aplicação
deste modelo em pessoas com limitações intelectuais e em casos de auto-negligência.
Para finalizar, todos nós que estamos ligados à prática da Enfermagem devemos
lutar para desenvolver a nossa profissão, a nossa ciência. O campo do saber é muito
amplo, não é estanque. A nossa capacidade de produzir conhecimento científico não
deve ser negligenciada, mas sim fomentada e potenciada. Nunca menosprezando e
reconhecendo o trabalho excelente desenvolvido por pessoas que dedicaram parte da
sua vida a esta nobre profissão, devemos valorizar os seus esforços e pegarmos nas
bases existentes para também contribuirmos para o desenvolvimento da Enfermagem.
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24 -http://members.aol.com/annmrn/nursing_portfolio_I_index.html
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