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A era Vargas

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Começando a unidade
O que você sabe sobre a Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT)?
2 Qual é a importância do petróleo em nosso
cotidiano?
3 O que é ditadura?
4 O que você costuma ouvir no rádio? Música,
notícia, jogo de futebol, entrevistas?
5 Quais características do governo Vargas essas
imagens representam?
A Revolução de 1930 e o Governo Provisório Fim da política do café-com-leite Resultado da
A Revolução de 1930 e o Governo Provisório Fim da política do café-com-leite Resultado da

A Revolução de 1930 e o Governo Provisório

A Revolução de 1930 e o Governo Provisório Fim da política do café-com-leite Resultado da disputa

Fim da política do café-com-leite

Resultado da disputa pelo poder entre as elites de alguns estados brasileiros, a Revolução de 1930 marcou o fim da Primeira República.

a Revolução de 1930 marcou o fim da Primeira República. ~11~~~m~!lllii~ Na Primeira República alternavam-se na

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Na Primeira República alternavam-se na presidência os representantes dos estados de São Paulo e Minas Gerais, num arranjo político que ficou conhecido como política do café-com-leite. A hegemonia de paulistas e mineiros na política nacional começou a sofrer fortes pressões em 1929. Além da crescente insatisfação das elites dos outros estados que se sentiam alijadas do poder, o presidente Washington Luís, que representava São Paulo, resolveu lançar nesse ano a candidatura de um pau- lista, Júlio Prestes, quando caberia a Minas Gerais indicar seu sucessor. Sentindo-se excluídos pela atitude de Washington Luís, mineiros e

g gaúchos fizeram um acordo: reuniram oposições de outros estados à

a.

~ política federal e formaram a Aliança Liberal. ;; Por sua vez, a sustentação econômica do governo também entrou

·~ em crise no final dos anos 1920. Devido à quebra da Bolsa de Valores

--~iiilg de Nova York, os Estados Unidos reduziram as importações de café do

Brasil, provocando a queda dos preços internacionais desse produto.

Os produtores que contraíram empréstimos bancários para ampliar as plantações de café ficaram em uma situação difícil. Esses sinais demonstravam que a política do café-com-leite se aproxi- mava do final. A partir daí, os brasileiros assistiriam a uma reorganização

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Manifestação popular no início da campanh a da Aliança Liberal em frente ao Teatro Municipal, na cidade do Rio de Janeiro, em 1929.

política das elites no poder.

ro; retexto para a tomada do poder

Nas eleições de 1930, a Aliança Liberal lançou as candidaturas de Getú- lio Vargas, governador do Rio Grande do Sul, e de João Pessoa, governador da Paraíba, aos cargos de presidente e vice-presidente do Brasil. O programa da Aliança Liberal defendia o incentivo ao conjunto da produção agrícola nacional e não apenas ao café. Além disso, apresentava leis de proteção aos trabalhadores e de incentivo à indústria. O programa liberal também insistia na necessidade de uma reforma política, com a instituição do voto secreto, porque as fraudes nas eleições eram comuns na Primeira República. Como era previsto, Júlio Prestes venceu as eleições. Por essa vitória ser considerada inevitável, a oposição resolveu reconhecer a eleição do candidato oficial. O resultado eleitoral parecia acalmar as disputas entre as elites dos estados. Um acontecimento imprevisto, porém, mudou novamente o quadro político. Por motivos ligados àpolítica da Paraíba, João Pessoa, candidato derrotado à vice-presidência, foi assassinado por um adversário político local. O grupo ligado a Getúlio Vargas resolveu utilizar esse fato a seu favor e ornanizou uma acão armada contra Washirn!ton Luís.

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'. '.:-&;.; ' A Revolução de 1930 O movimento teve início em Minas Gerais e no

A Revolução de 1930

O movimento teve início em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul,

em outubro de 1930. Rapidamente ganhou adeptos também nos estados do Nordeste, tornando insustentável a situação de Washington Luís. O presidente da república foi obrigado a renunciar por causa da forte pressão, e um grupo de militares ocupou provisoriamente a direção do governo.

Em 3 de novembro de 1930, apoiado por setores populares e pela maioria dos participantes do movimento, Getúlio Vargas tornou-se presidente, inaugu- rando wn período de quinze anos que ficou conhecido como era Vargas.

O movimento que conduziu Getúlio Vargas à presidência do Brasil

foi tradicionalmente chamado de Revolução de 1930, mas o uso desse conceito é muito controverso entre os historiadores.

conceito é muito controverso entre os historiadores. O movimento de 1930: revolução ou golpe? Getúlio

O movimento de 1930: revolução ou golpe?

historiadores. O movimento de 1930: revolução ou golpe? Getúlio Vargas é recepcionado por uma multidão em

Getúlio Vargas é recepcionado por uma multidão em Itara ré, no estado de São Paulo, divisa com o Paraná, em 24 de outubro de 1930.

Para alguns historiadores, o movimento de 1930 foi uma revolução, pois mudou profundamente o panorama socioeconômico brasileiro. Para outros autores, em 1930 ocorreu apenas um golpe de Estado, que se apresentou como revolução para ocultar a existência de projetos re- volucionários em gestação no Brasil.

Texto 1

"A Revolução de 1930 põe fim à hegemonia da burguesia do café, desenlace escrito na própria forma de inserção do Brasil no sistema ca- pitalista internacional. Sem ser um produto mecânico da dependência externa, o episódio revolucionário expressa a necessidade de reajustar a estrutura do país, cujo funcionamento, voltado essencialmente para um único gênero de exportação, se torna cada vez mais precário:'

FAUSTO, Boris. A Revolução de 1930: historiografia e história.

11 ed.

São Paulo: Bras ilie n se, 1987. p. 112.

Texto 2 "Como discurso do exercício de poder, revolução de trinta oculta o percurso das classes sociais em conflito, não apenas anulando a existência de determinados agentes, mas, principalmente, definindo enfaticamen- te o lugar de todos os agentes sociais. [Nessa operação] sobrelevam-se apenas alguns agentes sociais ao passo que outros são de uma vez por todas suprimidos, não se tornando estranha, tanto para a ótica do poder constituído nos anos trinta como para a historiografia, a inexistência da ação política dos dominados durante esse período histórico:'

DECCA, Edgar Salvadori de. 1930: o silêncio dos vencidos. 4. ed . São Paulo: Brasiliense, 1988. p. 75-76.

Questões

Qual ideia sobre a Revolução de 1930 é defendida pelo autor do texto 1? Eo autor do texto 2, que ideia ele defende?

2. A consagração do termo "Revolução de 1930" na historio- grafia refletiria qual visão sobre esse acontecimento?

1.

a

refletiria qual visão sobre esse acontecimento? 1. a As iniciativas de valorização do café O governo,

As iniciativas de valorização do café

O governo, mesmo depois da crise de 1929, provocada pela queb ra da Bolsa de Valores de Nova York, não deixou de re - prese ntar os interesses dos ca- feicultores paulistas. Por meio da "política de valorização do café", o governo federal não hesitava em comprar e queimar

produ ção quando as vendas

eram baixas. A medida, inicia- da em 193 1, visava manter o preço do produto no mercado internacion al por meio da redu - ção da oferta.

Glossário

Glossário Interventor Pessoa de confiança do presiden- t e nomeada para o governo de cada estado.

Interventor

Pessoa de confiança do presiden- t e nomeada para o governo de cada estado.

do presiden- t e nomeada para o governo de cada estado. Cartaz convocan d o os

Cartaz convocan d o os paulistas

a participar da Rev o l uç ão

Constituciona lista de 1932.

Meninos pau li stas du rante a Revolução Constituciona li sta d e 1932. Apesar d e derrotados, os pa ulista s se jul g aram como "venced ores m o rais" da luta pelo fato de Getúlio Varga s ter co nvoca d o, meses depo is, a Co n st it u inte de 1933 .

O Governo Provisório

O Governo Provisório, instituído após o movimento de 1930, era composto por representantes das elites estaduais vitoriosas e por milita- res que apoiaram a queda de Washington Luís. Getúlio Vargas procurou governar mantendo um certo equilíbrio entre esses dois setores. Um dos instrumentos utilizados para isso foi a nomeação de 'nterventores nos estados, vários deles militares. O interventor de cada estado, por sua vez, nomeava os prefeitos dos municípios. Boa parte da oposição a Vargas se desarticulou depois da derrota militar, e a maioria dos interventores recebeu apoio das elites locais, facilitando a consolidação do novo governo. Parecia haver, em um pri- meiro momento, uma união política entre o governo federal e os estados. Nos estados em que os antigos partidos persistiam, a reação aos novos governantes nacionais começava a ser tramada.

A revolta dos paulistas

A política federal de intervenção despertou resistência, principalmente nos estados economicamente mais ricos, como São Paulo. A elite paulista, colocada à margem do poder central, lutava pelo fim do Governo Provisório, por novas eleições para a presidência da repúbli- ca, pela autonomia estadual e contra o interventor nomeado por Vargas para São Paulo, que não era paulista. A mais importante exigência do movimento era a elaboração de uma nova Constituição para o país. Em 9 de julho de 1932, começou em São Paulo uma reação militar contra o governo federal. Isolados, os paulistas esperavam contar com o apoio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, o que não ocorreu. Apesar da enorme superioridade militar do governo federal, a guerra civil ainda durou aproximadamente três meses. No início de outubro, a Força Pública Paulista rendeu-se. Era o fim do movimento que ficou conhecido por Revolução Constitucionalista de 1932. Embora os pau- listas tenham sido derrotados, a nomeação do paulista Armando de Sales

Oliveira como interventor de São Paulo evidenciou a importância da elite desse estado no panorama político e econômico do país.

importância da elite desse estado no panorama político e econômico do país. .g ; t: <(

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Entre a ditadura e o governo constitucional Um dos principais acontecimentos dessa fase do governo
Entre a ditadura e o governo constitucional Um dos principais acontecimentos dessa fase do governo

Entre a ditadura e o governo constitucional

Um dos principais acontecimentos dessa fase do governo Vargas foi a promulgação da Constituição de 1934.

fu ssembleia Constituinte

Após o movimento constitucionalista de 1932, Vargas tomou uma série de iniciativas buscando amenizar o confronto com as elites regionais que resistiam à sua política, em especial a elite de São Paulo. Cedendo às pressões que se iniciaram no movimento de 1932, Vargas convocou eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, em maio de 1933. Na ocasião, vários partidos políticos se formaram e, no ano seguinte, depois de longos debates entre os constituintes, a Constituição foi finalmente promulgada.

constituintes, a Constituição foi finalmente promulgada. Lá no Palácio da s Aguias, charge de J. Carlos

Lá no Palácio da s Aguias, charge

de

J. Carlos representando Getúlio Vargas espalhando cascas de banana em frente ao Palácio do Catete. Revista Careta,

n . 1.493, de 30 de janeiro de

1937.

Getúlio Vargas e outros políticos, no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, em foto de 15 de novembro de 1933, durante a instalação da Assembleia Nacional Constituinte.

A Constituição de 1934

Além de instituir o voto secreto e extensivo à mulher, a Constituição de 1934 apresentou muitos aspectos novos, em comparação com a Cons- tituição anterior. Veja alguns deles.

Legislação trabalhista: proibição de diferença de salário para um mesmo trabalho; regulamentação do trabalho das mulheres e dos menores, do descanso semanal e das férias remuneradas.

Organização sindical: instituição da pluralidade (permissão para organização de mais de um sindicato por setor ou ramo de atividade) e da autonomia sindical.

Educação: ensino primário gratuito e obrigatório, regulamentação do ensino religioso como facultativo nas escolas públicas. Por voto indireto, a Assembleia Nacional Constituinte elegeu Getúlio Vargas presidente da república, com mandato até maio de 1938. A partir dessa data, as eleições para presidente da república seriam por via direta.

com mandato até maio de 1938. A partir dessa data, as eleições para presidente da república

FOLHA DA MANHA

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FOLHA DA MANHA A-FEIRA, 26 DE NOVEMBRO DE 1935 CAJXA POITA.L. 1 EHD . TELl!lCR. "'J'OLRA.8

A-FEIRA, 26 DE NOVEMBRO DE 1935

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i Matai acha-se em poder dos aiblnados -

Manchete do jo rna l Fo lha da Ma nh ã, d e 26 de novembro de 1935, not iciando a Inte nt ona Co mun ista.

de novembro de 1935, not iciando a Inte nt ona Co mun ista. Estado de sítio

Estado de sítio

Suspensão temporária de certos direitos e garantias ind iv id uais.

Integralistas e comunistas

As repercussões da crise de 1929 afetaram a vida da população bra- sileira, em particular a dos trabalhadores. Inúmeras greves em estados importantes, como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, estavam acontecendo. Em 1934, a crise econômica ainda não tinha sido superada e setores da sociedade se mobilizavam para solucioná-la. Duas organiza-

ções políticas importantes formaram-se nesse período: a Ação Integralista

Brasileira (AIB) e a Aliança

• AIB. Nacionalistas, os integralistas achavam que a democracia era um regime incapaz de tirar o Brasil da crise. Inspirados em ideias e regimes totalitários, como o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha, os integralistas eram, sobretudo, contra o comunismo.

• ANL. Esse agrupamento formou-se a partir da reunião de diversos setores descontentes da sociedade brasileira. A ANL opunha-se ao integralismo e ao avanço do nazismo e do fascismo na Europa. Com tendência nacionalista, propunha a nacionalização de empresas estrangeiras, a reforma agrária e um governo popular para o Brasil. Embora dirigida pelo Partido Comunista, a ANL contava com a participação de anarquista, liberais e socialistas. Os confrontos entre os adeptos das duas correntes eram constantes. Simpático aos integralistas, Getúlio Vargas tendia a reprimir com mais rigor os atos da ANL.

Nacional Libertadora

(ANL) .

Luís Carlos Prest es d is cursa na se d e

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Alianç a

Nacion al Lib ert ado ra (AN L),

no

Rio de Janeiro, em setem bro de 1935.

Prepara-se o regime autoritário

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~ Em meados de 1935, o governo federal fechou a ANL, transformando-a

m ~ em uma organização ilegal. Mesmo assim, o grupo manteve as suas ativi-

~ dades. Em novembro do mesmo ano, a ANL organizou uma revolta com ~ o objetivo de instaurar um novo governo, por meio de um golpe militar.

g A revolta foi denominada pelo governo e a grande imprensa de Inten- 8 tona Comunista. Restrito às cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro, o movimento foi rapidamente controlado pelo governo federal. \! A rebelião serviu de pretexto para o governo decretar o estado de sítio, censurar os meios de comunicação e prender centenas de envolvidos na revolta. O líder comunista Luís Carlos Prestes foi condenado a trinta anos de prisão. Sua esposa, Olga Benário, foi detida e deportada para a Alemanha, onde morreu num campo de concentração nazista.

A ditadura do Estado Novo Repressão política, mudanças na economia brasileira e conquistas dos trabalhadores
A ditadura do Estado Novo Repressão política, mudanças na economia brasileira e conquistas dos trabalhadores

A ditadura do Estado Novo

Repressão política, mudanças na economia brasileira e conquistas dos trabalhadores marcaram esse período.

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Capa do folheto Getúlio Vargas, o amigo das crianças, publicado pelo

DIP em novembro de 1940. O culto à personalidade é uma característica dos governos autoritários.

é uma característica dos governos autoritários. À espera das eleições De acordo com a Constituição de

À espera das eleições

De acordo com a Constituição de 1934, as eleições para a presidência da república e para o governo dos estados ocorreriam em janeiro de 1938.

A campanha eleitoral já tinha se iniciado, em abril de 1937, quando o pau-

lista Armando de Sales Oliveira se lançou candidato à presidência. Apoiado

pelo governo, disputava o escritor paraibano José Américo de Almeida. Getúlio Vargas tinha uma postura dúbia. Publicamente defendia a rea-

lização das eleições. Nos bastidores, preparava um golpe para permanecer no poder. Apoiado pelos militares, só faltava o pretexto para suspender

as eleições e anunciar a continuidade do seu governo.

O golpe que instituiu o Estado Novo

O motivo alegado pelo governo de Getúlio Vargas para manter-se no poder foi a existência do Plano Cohen, um suposto plano comunista para

a tomada do poder. Porém, tudo não passava de uma farsa: o plano foi

elaborado por integralistas e aproveitado por chefes militares vinculados

ao governo de Vargas.

Em 1O de novembro de 1937, tropas federais fecha-

ram o Congresso Nacional. No mesmo dia, Getúlio Vargas, em transmissão pelo rádio, infor- mou a toda a nação a institui- ção do Estado Novo. Pouco tempo depois, as eleições de 1938 foram suspensas, os parti- dos políticos foram dissolvidos

e os governadores dos estados novamente substituídos por interventores. Nos anos se- guintes, até 1945, o Brasil viveu sob uma ditadura comandada por Getúlio Vargas.

Brasil viveu sob uma ditadura comandada por Getúlio Vargas. Getúlio Vargas anuncia a implantação do Estado

Getúlio Vargas anuncia a implantação do Estado Novo, em 1937. Ao instituir a ditadura, Vargas rompeu com os integralistas e se desentendeu com setores liberais, organizando um estilo de governo centrado na sua figura .

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Operário em fábrica de canos e sabres em ltajubá, Minas Gerais, entre 1938 e 1945.

a. O crescimento da economia brasileira

~ ~ Na política externa, o governo de Vargas adotou uma posição pragmá-

~ tica, procurando ampliar as relações comerciais com as grandes potências .~ e tirar proveito das rivalidades entre elas. Assinou acordos de comércio ~ com a Alemanha, que se tornou, na década de 1930, o segundo maior

2 parceiro comercial do Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo antes do início da Segunda Guerra, o governo dos Estados Unidos adotou uma política de aproximação com o Brasil, interessado em ter um aliado estratégico na América do Sul caso estourasse um conflito mundial. O governo brasileiro, percebendo isso, conseguiu maior crédito junto aos Estados Unidos e assinou acordos comerciais que favoreciam o país. A economia brasileira também foi beneficiada pela Segunda Guerra Mundial. Nos primeiros anos do conflito, o preço das matérias-primas e produtos agrícolas, que eram a base das exportações do Brasil, subiu no mercado internacional, melhorando a balança comercial brasileira. A queda na produção de artigos industrializados voltados para a ex- portação também estimulou o Brasil a produzir bens e mercadorias até então importados.

CRESCIMENTO ANUAL DA AGRICULTURA E INDÚSTRIA NO BRASIL

(em %) 0% 20% 40% 60% 80% 100% D Agricultura =Indústria
(em %)
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D
Agricultura
=Indústria

Fonte: D 'ARAUJO, Maria Cetina. A era Vargas. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004. p. 52. (Coleção Polêmica)

Estatização da economia

Durante o Estado Novo, a economia brasileira caracterizou-se por uma forte intervenção estatal. Em 1938, foi criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que originalmente respondia pela administração das jazidas de petróleo encontradas na Bahia e pelo abastecimento de combustíveis no país. Nos primeiros anos da década de 1940, foram criadas importantes companhias estatais, como a mineradora Companhia Vale do Rio Doce, encarregada de extrair e exportar minério de ferro de Minas Gerais, e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco. Em 1941, foi instalada, com apoio dos Estados Unidos, a produtora de aço Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Esses setores de base foram fundamentais para o processo de desenvol- vimento industrial pelo qual o Brasil passava. Em 1940, 70% dos estabele- cimentos industriais brasileiros tinham sido criados a partir de 1930.

Usina hi.drelétrica de Paulo Afonso, Bahia, em 1999. Construída pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco, fundada porVargas, a primeira usina do Complexo de Paulo Afonso foi inaugurada em 1954.

Hidrelétrica do São Francisco, fundada porVargas, a primeira usina do Complexo de Paulo Afonso foi inaugurada

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Primeiro poço de petróleo explorado no Brasil. Município de Lobato, na Bahia, em foto de 1938.

Nacionalização do petróleo

A criação do Conselho Nacional do Petróleo, em 1938, foi a primeira

medida de peso para regulamentar a exploração do petróleo no país. Esse assunto despertou grandes discussões em torno da exploração e da comer- eia ização essa importante e estratégica ionte e energia e matéria-prima.

De um lado, estavam os nacionalistas, que desejavam que a exploração do 2 petróleo fosse feita somente por companhias brasileiras; de outro, aqueles

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que defendiam a abertura para as empresas estrangeiras.

A campanha "O petroleo é nosso" tomou corpo a partir de 1947,

inicialmente apoiada por pequenos grupos de militares nacionalistas, jornalistas e estudantes. Uma das lideranças do movimento foi o escritor brasileiro Monteiro Lobato, criador do personagem Jeca Tatu, um "caipirà' do Vale do Paraíba, surgido no livro Urupês, que se transformou em ícone nacional. Lobato engajou-se na luta depois de ter retornado dos Estados Unidos, onde viveu por quatro anos. Ele acreditava que o petróleo tinha uma importância estratégica fundamental para o desenvolvimento nacional. Por suas po- sições, Lobato foi preso duas vezes durante a ditadura Vargas.

A linha nacionalista venceu e, em 1953, foi criada a Petrobras, empresa

estatal que tinha o monopólio sobre as atividades petrolíferas, menos sobre a distribuição dos derivados de petróleo, em todo o território nacional.

dos derivados de petróleo, em todo o território nacional. O fim do monopólio da Petrobras Em

O fim do monopólio da Petrobras

Em junho de 1995, a Câmara dos Deputados aprovou a quebra do mo- nopólio da Petrobras nas atividades ligadas ao petróleo. Dois anos depois, em 1997, a Lei do Petróleo aboliu definitivamente a exclusividade que a estatal detinha desde 1953 e criou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para regular o setor petrolífero.

A mudança enfrentou a oposição de setores nacionalistas e foi defendi- da por aqueles que acreditavam que a quebra do monopólio traria muitas empresas estrangeiras para concorrer com a Petrobras.

O balanço da quebra do monopólio da Petrobras é bastante positivo para a empresa. A Petrobras se modernizou e tem o domínio absoluto do mercado brasileiro, além de atuar, por meio de suas unidades e de empre- sas subsidiárias, em 27 países do mundo. O lucro líquido da companhia saltou de 640 milhões de dólares, em 1996, para aproximadamente 14 bilhões de dólares, em 2008.

Questões

1. O que mudou na atuação da Petrobras no Brasil da época de Vargas para os dias atuais? O que permaneceu?

2. O temor dos setores que se opunham à quebra do monopólio da Petrobras se confirmou? Justifique.

quebra do monopólio da Petrobras se confirmou? Justifique. Plataforma de petróleo da Petrobras, no estado do

Plataforma de petróleo da Petrobras, no estado do Rio de Janeiro, em 2004.

Direitos previstos pela CLT (1943)

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Jornada diária de 8 horas de trabalho

1

Proibição do trabalho para os menores de 14 anos e do trabalho noturno aos menores de 18 anos

Igualdade salarial entre homens e mulheres

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Proibição do trabalho da mulher 6 semanas antes e 6 semanas depois do parto

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Adicional salarial para o exercício de atividades insalubres

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Féri as remuneradas

Organização sindical e leis trabalhistas

Com a aceleração do processo industrial, os trabalhadores urba- nos passaram a ser uma das preocupações centrais do Estado Novo.

- Novas leis disciplinaram o movimento sindical e regulamentaram as

condições de trabalho.

Os sindicatos foram organizados por categoria profissional e pas- saram a ser totalmente controlados pelo Estado.

- Instituiu-se a Justiça do Trabalho para conciliar os conflitos entre patrões e empregados. Foi também criado o imposto sindical, que vi- gora até hoje, e equivale ao valor de um dia de trabalho descontado do

salário, geralmente no mês de março, para ser repassado aos sindicatos

e ao Ministério do Trabalho.

Criou-se o salário mínimo e foi elaborada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), um conjunto de normas que reuniu conquistas

- dos trabalhadores, como a proibição do trabalho para menores de

14 anos, a garantia da igualdade salarial entre homens e mulheres

e a jornada diária de 8 horas de trabalho.

O

controle exercido sobre os sindicatos e a ampliação da legislação

- trabalhista serviram de instrumentos da propaganda oficial. Perante a classe trabalhadora, Getúlio conquistou grande popularidade.

O Brasil na Segunda Guerra Mundial

'

A Segunda Guerra Mundial foi deflagrada em 1939, e o Brasil aderiu

ao bloco dos aliados em 1942.

Em troca de financiamentos para construir a Companhia Siderúrgica

Nacio n al

p as norte -americanas se instalassem no Nordeste brasileiro e passassem a

fornecer borracha e minérios para a indústria bélica dos países aliados.

pela adesão brasileira ao bloco dos aliados,

afundou, com os seus submarinos, navios mercantes brasileiros, matando

por volta de 600 pessoas. Diante dos acontecimentos, em 1942 o Brasil declarou guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) . Dois anos depois, foram enviadas tropas para combater os nazistas na

Itália, conhecidas como Força Expedicionária Brasileira (FEB).

e para modernizar as Forças Armadas, o Brasil permitiu que tro-

A Alem anh a, contrariada

(ERA VARGAS (1930-1945) l~--------------------------

(ERA VARGAS (1930-1945) l~-------------------------- 1932 1935 • • • Revoluç ão de 1930 - Getúli
1932
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(ERA VARGAS (1930-1945) l~-------------------------- 1932 1935 • • • Revoluç ão de 1930 - Getúli o

1935

Revolução de 1930 - Getúli o Varg as ass um e o poder.

1 Revolução Co n st it uci o nalist a em São Paulo.

1 Constitu ição

de 1934.

l 1ntentona

Comunista.

Repercussões da guerra no Brasil

Durante a guerra, o Brasil passou por problemas de abastecimento de artigos de primeira necessidade, como combustíveis, remédios, tecidos e tri- go. Além disso, os estrangeiros oriundos de países do Eixo sofreram intensa vigilância por parte do governo brasileiro. As atividades e as associações de imigrantes italianos, alemães e japoneses passaram a ser controladas. Os estados sulistas, onde era forte a presença de pessoas de origem italiana e alemã, foram bastante vigiados, e proibiu-se o ensino de língua estrangeira nas escolas. Naquele período, muitas populações de origem germânica em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul falavam e eram alfabetizadas em alemão. A guerra interferiu até no futebol. Em 1942, o governo proibiu o uso de nomes dos países do Eixo em entidades, instituições etc. Em Belo Horizonte, a Societá Sportiva Palestra Italia passou a se chamar Cruzeiro Esporte Clube, em homenagem à constelação do Cruzeiro do Sul (veja escudos ao lado). Em São Paulo, o Palestra Italia aproveitou a letra P estampada no uniforme e adotou o nome Palmeiras.

A renúncia de Vargas

Ao final da guerra, quando várias ditaduras, como o regime fascista na Itália e o nazista na Alemanha, foram derrotadas, a situação de Vargas tornou-se insustentável. No poder desde 1930, ficava cada vez mais difícil para Vargas explicar como a ditadura brasileira tinha lutado, junto com os países aliados, contra as ditaduras na Europa. No campo interno, a oposição exigia mudanças. Manifestações estudantis lideradas pela União Nacional dos Estudantes (UNE) contra o nazifascismo passaram a agitar o país. Em outubro de 1943, a elite liberal de Minas Gerais lançou um manifesto público pedin- do o fim da ditadura. Esse documento ficou conhecido como Manifesto dos Mineiros e foi a primeira manifestação pública de expressão contra o Estado Novo. Depois dessa, outras manifestações surgiram. Pressionado pelos militares (o mesmo grupo que o conduziu ao poder, em 1930), Vargas foi obrigado a ceder e renunciou, em 1945.

em 1930), Vargas foi obrigado a ceder e renunciou, em 1945. Escudo da Societá Sportiva Palestra

Escudo da Societá Sportiva Palestra ltalia, antigo nome do Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte.

antigo nome do Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte. Escudo atual do Cruzeiro Esporte Clube, de

Escudo atual do Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte.

1 - Getúlio Vargas chega ao Palácio do Catete

em 31 de outubro de 1930; 2 - Rebeldes paul is- tas no campo de Lorena, em São Paulo, durante a Revolução Constitucionalista de 1932; 3 -An- tônio Carlos Ribeiro de Andrada. presidente da Assembleia Constituinte, assina a Constituição, em 1934; 4 - l uís Carlos Prestes. líder da ANL. é interrogado na Polícia Especial, no Rio de Janeiro; 5 - Getúlio Vargas anuncia o início do Estado Novo, em 1937; 6- Companhia Siderúr- gica Nacional, em Volta Redonda (RJ), início da década de 1940; 7 - Getúlio Vargas em frente ao Ministério da Fazenda, em 1O de novembro de 1943, dia em que a CLT entrou em vigor;

8 - Estudantes da Faculdade de Direito da Uni- versidade de São Paulo comemoram a queda de Getúlio Vargas, em São Paulo, em 1945.

a queda de Getúlio Vargas, em São Paulo, em 1945. Criação da Companhia Consolidação das Leis
a queda de Getúlio Vargas, em São Paulo, em 1945. Criação da Companhia Consolidação das Leis
a queda de Getúlio Vargas, em São Paulo, em 1945. Criação da Companhia Consolidação das Leis
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Criação da Companhia

Consolidação das Leis

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Educação e cultura na era Vargas

~ ue significa ser brasileiro?

Desde as primeiras décadas do século XX, a identidade nacional teve a atenção de setores importantes da intelectualidade do país. A preocu- pação com as características peculiares dos brasileiros e com os traços fundamentais da nossa sociedade esteve presente, por exemplo, na Semana da Arte Moderna de 1922. A ideia de um projeto cultural próprio do Brasil foi buscada por muito tempo. A partir de 1930, e em especial durante o Estado Novo, iniciativas de caráter nacional foram desenvolvidas em diversas áreas culturais. É por isso que muitos intelectuais atuaram direta ou indiretamente em várias iniciativas culturais na era Vargas e, principalmente, no Estado Novo. Entre eles, podem ser citados os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, os educadores Anísio Teixeira e Gustavo Capanema, o escritor Mário de Andrade e o compositor Heitor Villa-Lobos.

Nacionalismo e propaganda

A exaltação de um ideal nacionalista, por parte do governo de Getúlio, teve o propósito de auxiliar sua política centralizadora que, muitas vezes, contrariava os interesses das elites regionais. Com o objetivo de difundir a ideologia do Estado Novo junto às ca- madas populares, foi criado, em 1939, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), com a tarefa de coordenar, orientar e centralizar as propagandas interna e externa, controlar produções artísticas, dirigir o programa de radiodifusão oficial do governo e organizar manifestações cívicas, festas patrióticas, exposições e concertos, acumulando também funções diretas e indiretas de repressão política.

festas patrióticas, exposições e concertos, acumulando também funções diretas e indiretas de repressão política.
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O populismo brasileiro

Conceitos históricos

O populismo foi um dos mais importantes fenômenos políticos da América Latina do século XX.

Os projetos e governos populistas tinham amplo apoio popular. Em alguns casos (Argentina, Brasil) assumiam feição urbana e buscavam o apoio do operariado. Em outros (México, Bolívia), a base de sustentação era o campesinato. Com uma retórica nacionalista, conduziam projetos de reforma social afirmando conciliar os interesses capitalistas com as reivindicações dos trabalhadores.

As constantes aparições públicas dos líderes, a sua exaltação no rádio, nas escolas, no cinema eram meios utilizados pelos governos populistas para desenvolver sua política de massas, obter voto, endosso político e, muitas vezes, devoção popu lar ao líder. Juan Domingo Perón, na Argentina, e Getúlio Vargas, no Bras il, são d ois exemplos de líderes populistas.

Getúlio Vargas chegou ao poder em um período de transi-

ção entre o regime dominado pelas elites agrárias regionais

e a constituição de um novo país, marcado pela centralização

política e pela emergência da classe operária no cenário po- lítico nacional.

No governo, construiu uma imagem de líder preocupado com a nação e as questões sociais. Quando necessário, soube 2 se apoiar nos trabalhadores urbanos, exaltando suas quali- dades, a dignidade do trabalho, despertando sentimentos de participação e identificação nacionais, ao mesmo tempo que controlava com mãos de ferro as organizações sindicais, submetidas ao aparato de governo e à legislação trabalhista.

Passados mais de cinquenta anos de sua morte, Vargas con- tinua lembrado, por muitos, como defensor das causas sociais

e dos interesses nacionais.

Varg as desfila em carro aberto durante comemorações do dia 1 2 de maio, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, em 1944. -~-

1.

2.

3.

4.

Identifique as principais características da política populista.

Que meios eram utilizados por Vargas para desenvolver sua política populista?

As imagens desta página expressam a política populista de Vargas? Explique.

E hoje, você identifica traços de populismo em algum político de sua cidade, seu estado, ou mesmo de projeção nacional? Pense nisso e escreva um texto sobre o assunto.

Cabeça de Getúlio Vargas sendo esculpida, em foto de 1941.

Educação e cultura na era Vargas

~ ue significa ser brasileiro?

Desde as primeiras décadas do século XX, a identidade nacional teve a atenção de setores importantes da intelectualidade do país. A preocu- pação com as características peculiares dos brasileiros e com os traços fundamentais da nossa sociedade esteve presente, por exemplo, na Semana da Arte Moderna de 1922. A ideia de um projeto cultural próprio do Brasil foi buscada por muito tempo. A partir de 1930, e em especial durante o Estado Novo, iniciativas de caráter nacional foram desenvolvidas em diversas áreas culturais. É por isso que muitos intelectuais atuaram direta ou indiretamente em várias iniciativas culturais na era Vargas e, principalmente, no Estado Novo. Entre eles, podem ser citados os poetas Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, os educadores Anísio Teixeira e Gustavo Capanema, o escritor Mário de Andrade e o compositor Heitor Villa-Lobos.

Nacionalismo e propaganda

A exaltação de um ideal nacionalista, por parte do governo de Getúlio, teve o propósito de auxiliar sua política centralizadora que, muitas vezes, contrariava os interesses das elites regionais. Com o objetivo de difundir a ideologia do Estado Novo junto às ca- madas populares, foi criado, em 1939, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), com a tarefa de coordenar, orientar e centralizar as propagandas interna e externa, controlar produções artísticas, dirigir o programa de radiodifusão oficial do governo e organizar manifestações cívicas, festas patrióticas, exposições e concertos, acumulando também funções diretas e indiretas de repressão política.

patrióticas, exposições e concertos, acumulando também funções diretas e indiretas de repressão política.

Instrumentos de propaganda política

A propaganda governamental era feita, principalmente, por meio de

cartilhas voltadas para crianças e jovens e pelo controle dos grandes jornais.

Na Rádio Nacional, verbas oficiais permitiam que um elenco de gran- des estrelas reproduzisse nos programas os valores e comportamentos considerados adequados naquela época. O DIP interferia também na produção musical, incentivando as canções que exaltavam o trabalho e combatiam a boemia. Cerimônias públicas, voltadas principalmente para os jovens e ostra- balhadores, procuravam estimular sentimentos cívicos. Essas cerimônias, comuns no Estado Novo, realizavam-se em estádios de futebol ou em outros locais que permitiam grandes concentrações populares. Nos comícios e nas manifestações cívicas em estádios, como o do Clube de Regatas Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, eram executados grandes cantos orfeônicos de obras do compositor Heitor Villa-Lobos. Como é comum nos governos autoritários, o nacionalismo de Vargas insistia num tom ufanista, de exaltação patriótica, que projetava a ima- gem de uma nação única e homogênea, afinada com o projeto político do governo. Colocar-se no terreno de oposição significava ser inimigo da pátria e dos interesses da nação.

A educação na era Vargas

Até 1930, as principais iniciativas e ações na área da educação eram responsabilidade dos estados. O governo Vargas, seguindo sua orientação centralizadora e buscando formar uma nova elite intelectual, tratou de organizar também a educação em nível nacional, tomando uma série de medidas ao longo de seus quinze anos de governo.

A primeira medida visando implementar um sistema nacional de

ensino foi a criação do Ministério da Educação e Saúde, em 1930, tendo como ministro o mineiro Francisco Campos. No ministério de Francisco Campos e especialmente no de Gustavo Capanema, chefe da pasta da Educação durante o Estado Novo, várias reformas educacionais foram realizadas. Nos níveis de ensino hoje conhecidos por ensino fundamental e mé- dio realizaram-se reformas que estabeleceram um currículo seriado, a frequência obrigatória e a exigência do diploma de nível médio, chamado na época de secundário, para o ingresso no ensino superior.

Também se incentivou o ensino profissionalizante. No nível superior, procurou-se estabelecer a base de um sistema universitário nacional e deu -se preferência à criação de universidades em vez de um conjunto de escolas superiores isoladas.

O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN),

que tinha como função representar simbolicamente a identidade e a memória da nação, e o Instituto Nacional do Livro, organização voltada para a expansão do número de bibliotecas públicas em todo o território nacional, são outras medidas tomadas pelo Ministério da Educação du- rante o Estado Novo.

pelo Ministério da Educação du- rante o Estado Novo. Na órbita dos Estados Unidos Contrariando o
pelo Ministério da Educação du- rante o Estado Novo. Na órbita dos Estados Unidos Contrariando o

Na órbita dos Estados Unidos

Contrariando o discurso na- cionalista, no Estado Novo a influência cultural dos Esta- dos Unidos se tornou mais ex- pressiva. Foi nesse período que os Es- t údios Disney criaram o perso- nagem brasileiro Zé Carioca . Também nesse período Car- mem Miranda se transfor- mou em uma artista famosa, cantando sambas, chorinhas, rumbas e boleros em filme s de Hollywood. Trata- va-se da "política de boa vizinhan- ça" do governo Ro osevel t , que pretendi a esti- mu lar o bo m re - 1ac ion a me nt o entre Brasil e Es- tad os Unidos .

re - 1ac ion a me nt o entre Brasil e Es- tad os Unidos .
re - 1ac ion a me nt o entre Brasil e Es- tad os Unidos .

Cana-de-açúcar, um dos doze painéis

da obra Ciclos econômicos do Bras il, de

Cand ido

Po rt in ar i, 1938 . Os pa inéis,

afi nados

co m o

nacio nali sm o de Vargas,

exa ltam o povo bras il eiro, o

as r iquezas do país .

traba lho e

Os cari t o im it an do Getúl io Va rgas na década de

Os cari t o im it an do Getúl io Va rgas na década de 1930. Oscarito estreou em 1932 no teatro de rev i sta Ca l ma, Gegê, que satirizava Vargas.

Canta Brasil, teatro de revi sta

de Walter Pi n to re p rese nta d o no Teatro Recre io, n o Rio de

Janeiro, em 1945.

Erudito ou popular?nta d o no Teatro Recre io, n o Rio de Janeiro, em 1945. Os meios

Os meios de comunicação da época (imprensa escrita, rádio e cine- ma) foram muitas vezes usados para transformar o gosto popular em um padrão considerado culto. O rádio difundiu a música erudita e os programas de leitura de clássicos literários; o cinema nacional contou com iniciativas de produção esteticamente corretas para o padrão inter- nacional. As tentativas, no entanto, fracassaram.

A população não se reconhecia nessas produções nem estava familia-

rizada com a linguagem da cultura erudita. Atrações populares, como o

teatro de revista, é que atraíam o público e faziam grande sucesso.

O teatro de revistarevista, é que atraíam o público e faziam grande sucesso. O teatro de revista é uma

O teatro de revista é uma peça de teatro com dança, música e diálogos

irônicos, que procura comentar acontecimentos da realidade cotidian a, da vida social e política do país e divertir o público. Como seu próprio nome diz, o teatro de revista é uma revisão dos fatos . Mas uma revisão feita com

muita ironia, que ridiculariza situações, pessoas ou mesmo a sociedade. Durante o Segundo Reinado e a Primeira República, o Rio de Janeiro, capital do país, pôde presenciar um grande número de apresentações. A proximidade com os órgãos públicos e com os políticos e o cotidiano da cidade forneciam material abundante para piadas e crônicas dos cos- tumes. Tudo em linguagem muito popular. Esse tipo de manifestação artística contribuiu para orientar usos e costumes da sociedade. A sensualidade feminina, por exemplo, encontrava nas vedetes do teatro de revista um modelo de graça e beleza.

também se destacaram pela

criação de caricaturas de políticos importantes. Getúlio Vargas foi provavelmente o chefe de governo mais satirizado nos palcos teatrais,

principalmente antes da ditadura do Estado Novo.

Muitos comediantes, como Oscarito,

mais satirizado nos palcos teatrais, principalmente antes da ditadura do Estado Novo. Muitos comediantes, como Oscarito,

O

cinema nacional

O

período Vargas também é marcado pelas primeiras tentativas de

Vargas também é marcado pelas primeiras tentativas de s industrialização do cinema no Brasil. Na década

s

industrialização do cinema no Brasil. Na década de 1930, importantes realizações cinematográficas foram feitas, como O caçador de diamantes

(1932),Alô, alô, carnaval (1936) e Banana da terra (1939). Mas as produções

foram logo superadas pelo desenvolvimento do filme falado no exterior e

il

pelas dificuldades em acompanhar o ritmo de renovação tecnológica das

películas estrangeiras.

Sem oferecer grandes atrativos para o público, a distribuição dos filmes ficou cada vez mais difícil e os investimentos decaíram. Isso explica por que as produções brasileiras dessa fase foram poucas e irregulares.

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O

rádio e a política

O

radiojornalismo começou a se difundir a partir de 1935. O grande

marco foi o Repórter Essa, lançado pela Rádio Nacional em 1941, con- siderado o precursor dos programas jornalísticos. O Repórter Essa foi um dos pioneiros em enfatizar critérios usados no jornalismo até hoje:

isenção diante da notícia, objetividade e precisão para conquistar credi- bilidade. Contudo, como a base do noticiário era preparada pela agência de notícias UPI (United Press International) , a visão norte-americana foi predominante em suas coberturas.

O rádio também foi um importante instrumento de divulgação da

política de Getúlio Vargas. Em 1938, o governo lançou A Hora do Brasil, programa obrigatório que transmitia diariamente os principais atos do presidente, música brasileira, informações culturais e artísticas de diversas regiões e orientações sobre turismo brasileiro. A Hora do Brasil tinha um claro tom nacionalista e de exaltação da figura presidencial. Em 1962, A Hora do Brasil passou a se chamar Voz do Brasil. Atualmente, o programa, na maioria das vezes, inicia-se às 19 horas (horário de Brasília) e tem duração de uma hora.

Getúlio Vargas usou o rádio com eficiência para difundir a política do Estado Novo e a sua própria imagem. Ao mesmo tempo, por meio da censura, exerceu forte controle sobre os meios de comunicação.

exerceu forte controle sobre os meios de comunicação. Heron Domingues, o Repórter Essa, da Rádio Nacional,

Heron Domingues, o Repórter Essa, da Rádio Nacional, em foto da década de 1940. Esse programa fez história no rádio brasileiro.

de 1940. Esse programa fez história no rádio brasileiro. Livro D'ARAUJO, Maria Celina. A era Vargas
de 1940. Esse programa fez história no rádio brasileiro. Livro D'ARAUJO, Maria Celina. A era Vargas
de 1940. Esse programa fez história no rádio brasileiro. Livro D'ARAUJO, Maria Celina. A era Vargas
de 1940. Esse programa fez história no rádio brasileiro. Livro D'ARAUJO, Maria Celina. A era Vargas

Livro

Esse programa fez história no rádio brasileiro. Livro D'ARAUJO, Maria Celina. A era Vargas . 2.

D'ARAUJO,

Maria Celina.

A

era Vargas .

2.

ed . São Paulo:

Moderna,

2004. (Coleção

Polêmica)

Rubens Roca (centro), Sérg io Montemor (esquerda) e Francisco Scollamieri (direita), em cena do filme

O caçador de diamantes, de 1932.