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CURSOS ON-LINE – ECONOMIA I – PROF.

MOZART FOSCHETE 1

AULA 1: INTRODUZINDO A ECONOMIA

Nessa nossa primeira aula, nós vamos


apresentar alguns conceitos básicos e
específicos da Economia, que serão muito
importantes para o nosso aprendizado dos
tópicos que veremos mais adiante, de nível
intermediário e até mais avançados da teoria
econômica. Para aqueles que já estudaram
Economia ou que já são iniciados nesta
disciplina, este tópico será útil como revisão
daqueles conceitos.1

1.1. Mas, afinal, de que trata a Economia?

Durante toda a nossa vida somos afetados pelas


condições econômicas da comunidade em que vivemos. As
roupas que vestimos, os alimentos que comemos, a escola
que freqüentamos, o salário que recebemos, os problemas do
desemprego e da inflação, são todos fatores ligados
diretamente às condições econômicas. Você certamente já se
fez uma série de perguntas relacionas à condição econômica
dos países e das pessoas e para as quais nunca encontrou
respostas satisfatórias. São perguntas do tipo: -Por que
existem umas poucas economias ditas desenvolvidas
enquanto em um elevado número de países as condições de
vida ainda são bastante precárias? Por que algumas pessoas
são ricas, enquanto muitas ainda enfrentam o problema de
não ter moradia nem alimentação adequada? Por que
algumas pessoas recebem altos salários, enquanto outras
ganham apenas o suficiente para a sua sobrevivência? Por
que existe tanto desemprego? Por que há períodos em que os
preços sobem persistentemente, enquanto, em outros, os
1
As eventuais notas explicativas que apareceriam em notas de rodapé foram jogadas para o final do texto.

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preços permanecem relativamente estáveis? Por que o Brasil


e outros países têm uma dívida externa tão elevada e,
aparentemente, são incapazes de pagá-la?
O estudo da Economia objetiva a compreensão de todos
esses problemas, fornecendo respostas a essas e a diversas
outras questões. A ciência econômica pode nos proporcionar
um melhor entendimento de como funciona o sistema sócio-
econômico que nos cerca, e o que pode ser feito para
prevenir, corrigir ou pelo menos aliviar problemas como a
pobreza, o desemprego e a inflação.
Em geral, os estudantes, ao iniciarem seu estudo, querem
uma definição de Economia. Existem diversas como, por
exemplo:

.
“A economia é o estudo da maneira pela qual os homens utilizam
recursos produtivos para produzir mercadorias e serviços para satisfazer
as necessidades dos membros da sociedade.”

Agora um outro ponto importante a registrar: você já


percebeu o quanto as pessoas são insaciáveis? De uma forma
geral, quanto mais elas têm, mais elas querem, concorda? Se
conseguem um primeiro emprego para ganharem R$ 500,
ficam fora de si de contentes. Passados, porém, os primeiros
dias ou meses, o encanto do primeiro emprego acaba e a
pessoa passa a procurar ou a se preparar para um emprego
melhor, que pague mais. E quando conseguem este emprego
melhor, a coisa não pára aí. A pessoa continua cada vez
querendo mais e melhor. O mesmo ocorre quando a gente
compra o primeiro carro que, na maioria dos casos, não é lá
essas coisas! Passada a euforia inicial, a gente já está
pensando em adquirir um outro mais novo e mais vistoso. E
assim vai.
Tudo isso leva-nos à conclusão de que as necessidades
humanas são ilimitadas. De um modo geral, quando as

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necessidades básicas (alimentação, moradia, vestuário) são


atendidas, o indivíduo passa a sentir outras necessidades,
como educação, lazer, melhoria de seu padrão de vida –
melhor casa, melhores roupas, um automóvel mais novo, e
assim por diante. Uma vez atendidas plenamente as
necessidades ditas materiais, o indivíduo passa a ter outro
tipo de necessidade: a estima dos amigos, o reconhecimento
e aceitação de seu grupo social, necessidade de status e
coisas do gênero.
Para satisfazer a maior quantidade possível dessas
necessidades, a sociedade conta com recursos como terra,
mão-de-obra, máquinas, equipamentos, conhecimentos
técnicos e muitos outros. Esses recursos, no entanto, são
bastante limitados e, portanto, nem todas as necessidades
podem ser simultaneamente satisfeitas.
As escassez de recursos, então, torna-se o problema
fundamental de cada sociedade. Como resultado, a sociedade,
através do instrumental analítico fornecido pela ciência
econômica – princípios, teorias, modelos -, procura usar os
recursos escassos tão eficientemente quanto possível, a fim
de produzir o máximo de bens e serviços que deseja. O
campo de atuação da Economia seria, assim, o estudo da
escassez e a administração eficiente dos recursos. Eficiência,
aqui, significa reduzir o desperdício ao mínimo. Em outras
palavras, pode-se dizer que...

...uma economia estará produzindo da forma mais eficiente possível


quando não pode aumentar a produção de um bem sem reduzir a produção

Observe-se que, se não houvesse escassez, quer dizer, se


todos os recursos fossem abundantemente disponíveis, não
haveria necessidade de se estudar economia.

1.2 Alguns conceitos econômicos básicos

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Antes de entrarmos na teoria econômica propriamente


dita, é interessante que sejam conceituados alguns termos
econômicos que serão bastante usados ao longo do texto e
cujo conhecimento é essencial para uma melhor compreensão
do assunto. Assim, temos:
Bens e serviços – são o resultado do processo
produtivo. Bens são as coisas concretas, tangíveis, como
roupas, televisores, sapatos, canetas, etc; serviços são coisas
intangíveis, como transporte, educação, saúde, intermediação
financeira, comunicações, etc.
Fatores de produção - este é um termo típico do
“economês”. Fatores de produção são todos os recursos
utilizados na produção dos bens e serviços para a satisfação
de necessidades ou desejos do homem. Englobam desde os
recursos naturais não-renováveis, como terra e água, até
máquinas, equipamentos, recursos humanos, galpões,
conhecimento técnico, capacidade empresarial, e muitos
outros.
Convenientemente, todos esses recursos produtivos são
classificados, de uma forma simplificada, em três categorias:
a) Terra – compreendendo todos os recursos naturais
não-renováveis, como terra, água e ar.
b) Trabalho – correspondendo aos recursos físicos,
mentais e intelectuais do homem, aplicados na produção.
c) Capital – englobando todos os recursos “produzidos”
para serem utilizados na produção de outros bens, incluindo
aí, principalmente, máquinas, equipamentos e prédios.

Os bens, por sua vez, podem ser classificados de


diversas formas, dependendo de sua natureza, da quantidade
disponível, de seu destino, de quem os consome, da fase em
que se encontra no processo produtivo etc. Assim, temos:
-Bens livres – são aqueles que, apesar de serem limitados
em quantidade, existem em relativa abundância. O uso de
parte desses bens, por alguém, não afeta ou reduz seu

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consumo por outra pessoa. São exemplos de bens livres o ar,


a água do mar, etc. Por existirem em abundância, não têm
preço, não caracterizando um problema econômico.
-Bens econômicos – são aqueles bens relativamente
escassos, não sendo suficientes para atender a todos. Como
tal, têm um valor (preço) de mercado.
-Bens intermediários – são bens que ainda vão sofrer
algum tipo de transformação, não estando, portanto,
disponíveis para o consumidor. Como exemplos, podem ser
citados o couro (que ainda vai entrar na fabricação do
sapato), a madeira (que vai virar móvel), o tecido (que vai
ser usado na produção de roupas), etc.
-Bens finais – são os bens já disponíveis para o
consumidor, seja nas lojas, seja nas padarias ou nos
supermercados.
Um aspecto importante a registrar é que o destino de um
bem é que o caracteriza como bem intermediário ou bem
final. Assim, por exemplo, a farinha de trigo tanto pode ser
um como outro. A farinha que está na padaria para a
fabricação de pães é um bem intermediário; já a farinha de
trigo vendida no varejo, nas mercearias e supermercados, é
um bem final, pois está ali disponível para o consumidor
comprá-la. E se você adquirir um farol para seu carro numa
loja de auto-peças, você classificaria este farol como bem
intermediário ou como bem final?2
-Bens de consumo – são os bens destinados à satisfação
de necessidades pessoais, como, por exemplo, arroz, roupas,
automóveis.
Os bens de consumo se classificam em três tipos: os bens
de consumo não-duráveis – que são aqueles que se esgotam
de imediato, no ato de sua utilização pelo consumidor, como é
o caso de alimentos e bebidas; – os bens de consumo
duráveis – que são aqueles que têm uma vida útil, não se

2
Você acertou se respondeu que o farol é, nesse caso, um bem final, pois foi adquirido por um consumidor.
Se tivesse sido adquirido por um fabricante de carros, seria considerado um bem intermediário.

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esgotando de imediato com o seu uso, como, por exemplo, os


automóveis e os eletrodomésticos; – e, por fim, existem
aqueles bens que, a rigor, não se enquadram nem no
primeiro grupo nem no segundo, e que são, por isso mesmo,
chamados de bens semi-duráveis – como são exemplos o
vidro, a roupa e calçados.
Você seria capaz de citar pelo menos mais um exemplo de
cada um desses tipos de bens de consumo?
Mas, continuemos com nossa classificação de bens:
-Bens de capital – são os bens produzidos para serem
utilizados na produção de outros bens, não se destinando ao
consumo final dos indivíduos, como é o caso das máquinas e
equipamentos, de prédios e galpões.
-Bens complementares – são bens consumidos
conjuntamente, isto é, o consumo do bem X leva ao consumo
do bem Y, como, por exemplo, carro e pneu, pão e manteiga.
Quais mais?
-Bens substitutos – são bens consumidos de forma
concorrente, isto é, o consumo do bem X exclui o consumo do
bem Y, sendo exemplo clássico a manteiga e a margarina, ou
dois carros de um mesmo padrão, porém de marcas
diferentes. Esses bens são também chamados na teoria
econômica de bens sucedâneos ou bens concorrentes.

A variação na renda real e o consumo de bens

Existe ainda uma outra classificação de bens quando nós


associamos o seu consumo a uma variação da renda real do
consumidor3. Assim, por exemplo, há alguns bens cujo

3
Veja que estamos falando de renda “real” e não simplesmente de renda. O conceito de renda real está
relacionado com os preços dos produtos. Assim, por exemplo, se, num período qualquer, os preços sobem
15% e o seu salário cresce, também, 15%, você não está nem melhor, nem pior do que antes. Sua renda
“nominal’ cresceu 15%, mas sua renda real permaneceu do mesmo jeito. Agora, se os preços subiram 15% e
seu salário cresceu 25%, você está melhor agora, pois pode comprar mais bens agora do que antes, já que sua
renda nominal cresceu mais que a inflação. Ou seja, sua renda real, agora, está maior que antes. Pelo mesmo
raciocínio, se os preços subiram 15% e seu salário só foi corrigido em 8%, no período, houve, então, uma
queda em sua renda real e você ficou mais pobre.

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consumo cai quando a renda real do consumidor aumenta e


vice-versa. Estes bens são chamados de bens inferiores; há
outros bens cujo consumo aumenta quando a renda real
aumenta e vice-versa, ainda que não seja na mesma
proporção. Estes bens são denominados bens normais. Há,
ainda, um terceiro tipo de bem cujo consumo cresce
proporcionalmente mais que o crescimento da renda real do
consumidor (e vice-versa). A estes geralmente se dá o nome
de bens superiores.

E o que são bens públicos e bens privados?


Ah, já ia me esquecendo de falar desses dois tipos de
bens – muito importantes, principalmente para quem vai
estudar finanças públicas. Então vamos lá:
Bens públicos são aqueles bens cujo consumidor não é
individualmente identificado nem a quantidade consumida é
determinada. Mais ainda, o consumo deste bem por alguém
não exclui a possibilidade de outrem consumi-lo na mesma
intensidade. O exemplo típico é a segurança nacional, o
serviço de polícia e de corpo de bombeiros. Uma vez
oferecidos esses serviços, todos, querendo ou não, se
beneficiam deles. Como não se sabe quem consumiu o bem
ou serviço e nem quanto foi consumido por cada um, não há
como cobrar do indivíduo por seu consumo. Nesse caso, o
setor privado não tem nenhum interesse em oferecer esse
bem ou serviço, cabendo ao Estado fornecê-lo, cobrando,
para tanto, um imposto de todos.
Já bens privados, ao contrário, são aqueles cujo
consumidor e a quantidade por ele consumida são conhecidos.
Nesse caso, o benefício e a satisfação do consumo se esgotam
no próprio consumidor e, portanto, cabe a ele pagar pelo
mesmo. Como, nesse caso, são conhecidos tanto o
consumidor como a quantidade que ele adquiriu, fica fácil
cobrar dele por este consumo. Assim sendo, o setor privado
terá interesse em fornecer esse bem ou serviço. É o caso de
automóveis, roupas, calçados e eletrodomésticos.

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Há, ainda, um terceiro tipo de bem cujo consumidor é


identificado, mas o benefício decorrente do seu consumo
extrapola o consumidor individual, terminando por atingir,
direta ou indiretamente, toda a sociedade. É o caso da
educação e da saúde. Por esse motivo, esses bens podem ser
oferecidos tanto pelo setor privado, como pelo Estado,
atuando ambos de forma complementar. A esses bens
costuma-se dar o nome de bens semipúblicos ou meritórios.

1.3. Consumo X investimento

Dois conceitos que, também, devem ser introduzidos


desde já são o consumo e o investimento. Ambos são gastos,
porém de natureza diferente. Consumo refere-se aos gastos
ou despesas com bens e serviços que satisfazem
necessidades pessoais, como são os gastos com alimentação,
automóveis, saúde, vestuário e lazer. Já investimento refere-
se às despesas voltadas para a ampliação da capacidade
produtiva da economia. Exemplos típicos de gastos de
investimento seriam a construção de uma hidroelétrica, a
construção ou ampliação de uma fábrica, a aquisição de novas
máquinas e equipamentos por uma firma, etc.
Relacionada ao investimento está a poupança – que pode
ser definida como a parte da renda dos indivíduos ou das
empresas que não é gasta. É importante frisar que sem
poupança não há investimento. Alguém na economia tem de
poupar, isto é, sacrificar consumo, para que haja recursos que
financiem o investimento.
De outra parte, cumpre destacar que, em termos
econômicos, nem sempre o que se constitui ou se denomina
de investimento para um indivíduo o será para a economia.
Assim, por exemplo, se você adquire um lote, isso pode se
constituir num “bom investimento” para você mas, é preciso
considerar que esta operação em nada alterou a economia, já
que sua capacidade produtiva continua a mesma. Assim,
economicamente falando, esta aquisição de um lote que, para
você, pode ter sido um bom negócio ou um “bom

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investimento”, não se constitui em investimento para a


economia. Da mesma forma, uma aplicação individual em
caderneta de poupança ou em depósito bancário a prazo, com
ganho de juros, ainda que comumente seja chamada de
“investimento”, não passa de uma poupança que,
posteriormente, poderá ou não dar origem a novos
investimentos, isto é, a gastos que ampliem a capacidade
produtiva de uma empresa ou do país.

1.4. Microeconomia versus Macroeconomia

A Economia é estudada em dois campos ou níveis


distintos: de um lado, temos a microeconomia que estuda o
comportamento econômico dos agentes econômicos como os
consumidores, os proprietários dos recursos produtivos e as
empresas produtoras; também estuda a determinação e as
variações dos preços dos recursos produtivos – como já visto,
chamados de fatores de produção - e dos bens e serviços
tomados cada um de per si. À microeconomia cabe, ainda, o
estudo da produção da firma e dos diversos tipos de
mercados - concorrência perfeita e oligopólio, por exemplo -
onde atuam os ofertantes e demandantes de bens e serviços.
Assim, quando se falar na demanda e na oferta de sal, ou de
carros, de roupas, de passagens aéreas, etc, estamos falando
de microeconomia.
De outra parte, temos a macroeconomia - que trata da
atividade econômica em nível agregado. À macroeconomia
cabe o estudo do nível da produção total de um país, da
renda nacional, da produção industrial ou da produção
agrícola como um todo. Ademais, a macroeconomia está
preocupada com a determinação do nível de emprego e do
nível geral de preços.
Assim, o estudo da produção de uma firma – por maior
que ela seja - situa-se no campo da microeconomia, enquanto
o estudo do setor industrial é um tópico da macroeconomia.
Da mesma forma, se você estuda a atividade econômica de
uma fazenda, você está dentro da microeconomia; já o

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estudo da agricultura como um todo pertence à


macroeconomia.
A rigor, o interesse pelo estudo e desenvolvimento da
moderna Macroeconomia ocorreu a partir da Grande
Depressão do início dos anos trinta, tendo recebido impulso
especial com a publicação da Teoria Geral do Emprego, do
Juro e da Moeda, de John Maynard Keynes, em 1936. Desde
então, os estudos macroeconômicos estão voltados para a
compreensão das causas das grandes flutuações no nível do
produto global e do emprego e na proposição de políticas de
prevenção contra aquelas flutuações de forma que a atividade
econômica opere sempre próxima do pleno emprego.
Importante considerar que o estudo da macroeconomia
pode ser enfocado no curto e no longo prazos. No curto prazo,
a análise está voltada para a determinação do nível de
produção efetiva, em um dado período, e na definição de
medidas de política econômica que podem ser adotadas para
elevar esta produção caso esteja abaixo do nível do produto
potencial da economia - definido este pelo pleno emprego dos
fatores de produção.
No longo prazo, o enfoque macroeconômico está centrado
na Teoria do Crescimento, onde são analisados os fatores que
determinam o nível e a taxa de crescimento da economia.
Trata-se, na verdade, de um tópico mais avançado da
macroeconomia e que, como tal, só será abordado por nós no
curso de Economia II.

1.5. O sistema econômico: agentes e fluxos

Uma descrição do sistema econômico como um todo deve


considerar, de um lado, os tipos de agentes econômicos que
nele atuam e, de outro, os fluxos por ele gerados. Se
considerarmos, por simplificação, uma economia fechada, isto
é, sem relações econômicas com outros países (sem
exportações e importações, por exemplo), podemos identificar
os seguintes agentes que atuam no sistema econômico:

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. As unidades familiares
. As empresas.
. O governo.
No sistema econômico, às unidades familiares cabe o
papel de fornecer os recursos produtivos às empresas
(recursos naturais, mão-de-obra, capital, capacidade
empresarial, etc.), recebendo, em troca, uma remuneração –
isto é, uma renda - que, num momento seguinte, será voltada
para adquirir das empresas bens e serviços de que
necessitam.
As empresas, por seu turno, demandam das unidades
familiares os recursos produtivos de que precisam,
remunerando-as com uma renda (salários, aluguéis, juros e
lucros), enquanto ofertam para as mesmas os bens e serviços
que produzem.
Ao governo cabe o papel principal de regulador da
atividade econômica e de provedor dos chamados “bens
públicos”- dos quais são exemplos, como já vimos, a
segurança nacional, o serviço de polícia, a administração da
justiça - além de garantir o fornecimento dos chamados “bens
meritórios”, como educação e saúde. Para o desempenho
dessas atividades, o governo arrecada impostos dos agentes
econômicos como, por exemplo, o imposto de renda (IR) e o
imposto sobre produtos industrializados (IPI).
Num modelo mais completo, teríamos de incluir um
quarto agente econômico, denominado comumente de resto
do mundo, que responde pelas importações e exportações de
bens e serviços do país.
O funcionamento rotineiro do sistema econômico é melhor
retratado através do fluxo circular da atividade econômica,
conforme ilustrado na Figura 1.1. A rigor, é possível
identificar naquela figura quatro fluxos do sistema econômico,
bastante distintos. Um primeiro fluxo pode ser visto na parte
inferior da Figura 1.1., constituído dos fatores de produção -
que fluem das famílias para as empresas; um segundo, se

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constitui do fluxo de renda - correspondendo aos pagamentos


pelas empresas aos proprietários dos fatores de produção
utilizados, e que são traduzidos nos salários, aluguéis, juros e
lucros. Na parte superior da Figura 1.1., temos mais dois
fluxos: um seria o dos bens e serviços ofertados pelas
empresas às unidades familiares, denominado de fluxo de
produtos; o outro é caracterizado pelos pagamentos das
famílias às empresas pela compra daqueles bens e serviços.
Pela sua natureza, esses quatro fluxos costumam ser
unificados em dois fluxos distintos:
i) fluxos reais – assim considerados o fluxo de fatores de
produção e o fluxo de produtos; e,
ii) fluxos monetários – correspondendo ao fluxo de
renda e ao fluxo de pagamentos, pelas famílias, dos bens e
serviços fornecidos pelas empresas.

Figura 1.1

Pagamentos pelos bens e serviços de consumo


Bens e serviços de consumo

Famílias Empresas

Fatores produtivos - trabalho, terra e capital


Salários, ordenados, aluguéis, juros e lucros

É importante ressaltar que, se excluirmos o governo, o


preço dos produtos ofertados no mercado pelas empresas
corresponde exatamente ao custo de produção (lembrando
que, do ponto de vista econômico, os lucros, como qualquer
outro tipo de renda, fazem parte dos custos). Em outras
palavras, não havendo governo, o valor global dos produtos
ofertados é igual, por definição, à soma de todos os salários,
juros, aluguéis e lucros pagos ao longo de todo o processo

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produtivo, em todas as suas etapas4. Havendo governo, o


valor dos produtos no mercado será acrescido dos impostos
indiretos (basicamente, o imposto sobre produtos
industrializados – IPI -, o imposto sobre a circulação de
mercadorias e serviços – ICMS - e o imposto sobre serviços –
ISS), deduzindo-se os subsídios governamentais.
Note-se que, para que o sistema funcione em equilíbrio5,
é necessário que todos os bens e serviços produzidos sejam
vendidos. Como o valor da renda gerada no processo
produtivo é igual ao valor dos produtos ofertados, isso
significa que, para que a economia funcione de forma
equilibrada, é necessário que todos gastem a renda que
receberam das empresas, ou se nem todos gastarem, é
necessário que alguém gaste no lugar deles.

1.6. Vazamentos e injeções

Ocorre, no entanto, que existem diversos obstáculos que,


a princípio, impedem que toda a renda auferida pelos
indivíduos retorne às empresas sob a forma de compra de
bens e serviços. Esses obstáculos – chamados de
vazamentos – são a poupança (S), os impostos (T) e as
importações (M). Esses três obstáculos reduzem seus gastos,
concorrendo para “sobrar” produtos nas prateleiras das lojas.
E por que isso acontece? É fácil explicar: suponha que você
recebe um salário de R$2000,00. Para que a economia
funcione bem, isto é, equilibradamente, você deveria gastar
todo este seu salário (já que o valor da renda total é igual,
por definição, ao valor total dos produtos). Mas, aí vem o
governo e lhe tira, na fonte, R$200,00 a título de imposto de
renda (sem falar na contribuição previdenciária – que também

4
Deve ser lembrado que as matérias –primas se constituem em custos para uma firma isolada. Porém, quando
analisada a economia, no agregado, o valor das matérias-primas compradas por uma firma corresponde aos
salários, juros, aluguéis e lucros pagos na etapa anterior e que, portanto, já foram computados como custos da
firma que as produziu. Assim, no agregado, as matérias-primas desaparecem. Este ponto ficará claro mais
adiante, no Capítulo de “contabilidade nacional”.
5
“Equilíbrio”, em economia, significa igualdade entre a oferta e a demanda, seja a nível global, de toda a
economia, seja a nível de um produto específico, como calçados, café, automóveis, etc.

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não deixa de ser um imposto!). Assim, mesmo que você


queira gastar todo o seu salário comprando produtos, você só
poderá comprar R$1800,00 – que é o que lhe sobrou depois
de retirado o IR. Mas, além disso, você ainda resolve fazer
uma poupançazinha mensal de, digamos, R$150,00 para,
mais à frente - quem sabe? – comprar um carrinho usado. Ao
tomar esta decisão, você estará deixando de gastar mais
R$150,00 na compra de produtos. Nessas alturas, você já
reduziu suas compras em R$350,00. E depois de tudo isso,
você (ou outra pessoa) ainda decide importar um
microcomputador dos Estados Unidos. Mas, com que dinheiro
você vai pagar esta importação? Certamente, com parte de
seu salário. Digamos que você gaste R$100,00 por mês com
esta importação. Ora, o dinheiro que você gasta comprando
bens do exterior faz reduzir o seu dinheiro disponível para
gastar aqui dentro. No final, somando estas três parcelas,
você deixou de gastar, isto é, de comprar bens e serviços
dentro do País, R$450,00! A esse seus “não-gastos” se dá o
nome de vazamentos. Assim, dos R$2000,00 de seu salário,
você só terá comprado R$1550,00 em mercadorias e serviços.
Se nada for feito para compensar aqueles vazamentos,
muitas empresas não terão como vender todos os bens e
serviços que produziram e, em conseqüência, certamente
tenderão a reduzir sua produção no próximo período – o que
poderá se traduzir em crise econômica com desemprego.
Para evitar que tal aconteça, é necessário criar
mecanismos ou gastos compensatórios para cada vazamento.
Esses gastos - chamados de injeções – são constituídos dos
investimentos (I) – que compensam a poupança -, dos gastos
do governo (G) – que devem equivaler ao montante
arrecadado sob a forma de impostos -, e as exportações (X) –
que devem, na medida do possível, ser iguais ao valor das
importações, para que o setor externo fique equilibrado.
Ocorre, no entanto, que os agentes econômicos que
poupam – isto é, as pessoas – não guardam qualquer relação
com os agentes econômicos que fazem investimentos – isto é,
as empresas. Ademais, a motivação para poupar é diferente

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da motivação para investir. Assim, é perfeitamente plausível


que, em determinado ano ou período, o valor das poupanças
seja diferente do valor dos investimentos, podendo um ser
maior que o outro. Da mesma forma, o governo tanto pode
manter seu orçamento equilibrado, como pode gastar mais do
que arrecada sob a forma de impostos (ou até gastar
menos!!!). Também é bastante possível que o valor das
exportações ora seja maior, ora seja menor que o valor das
importações.
Resumindo: o valor total das injeções tanto pode ser
maior, como pode ser menor, como pode até ser igual ao
valor das injeções. Obviamente, cada uma dessas situações
traz conseqüências diferentes para a economia do país, como
veremos a seguir.

1.7. Situações de equilíbrio e de desequilíbrio


macroeconômico

Antes de analisarmos essas três hipóteses, é importante


introduzir o conceito de “equilíbrio” em Economia. Equilíbrio
refere-se a uma situação de mercado que, uma vez atingido,
tende a persistir. O equilíbrio de mercado ocorre quando a
quantidade demandada de um produto é igual à quantidade
ofertada desse produto. O equilíbrio pode se dar tanto a nível
de um produto ou serviço tomado isoladamente, como a nível
da economia como um todo. Assim, tanto se pode dizer que o
mercado de automóveis está em equilíbrio, como se pode
dizer que a economia brasileira está em equilíbrio. Da mesma
forma, pode-se também dizer que o mercado tal e tal está em
desequilíbrio – o que ocorre quando a demanda é maior ou
menor que a oferta naquele mercado.

Com esse conceito de equilíbrio em mente, vejamos as


três situações que uma economia pode enfrentar quando se
compara o valor das injeções com o valor dos vazamentos:

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Suponha, em primeiro lugar, que as injeções sejam


menores que os vazamentos. Isso quer dizer que ou os
empresários não estão confiantes no desempenho da
economia nos próximos anos e, como tal, não estão dispostos
a fazer muitos investimentos (ampliarem suas fábricas, ou
criar novas indústrias) e, portanto, está sobrando poupança
nos bancos, ou o país está exportando menos do que
importando ou, apenas para raciocinar, o governo está
gastando menos do que está arrecadando (será isso
possível?!!!). Não importa qual seja a razão, mas se os
vazamentos são maiores que as injeções, isso significa que
está havendo menos compras do que deveria haver. Em
termos econômicos, isto quer dizer que a demanda agregada
está fraca, menor do que a oferta agregada de bens e
serviços.
Se assim é, qual deve ser a conseqüência disso para a
economia como um todo? Você certamente já deduziu o que
deverá acontecer a partir daí: os empresários, percebendo
que seus produtos não estão sendo todos vendidos, e que
está havendo uma formação indesejada de estoques nas
empresas, começam a reduzir a produção. E reduzir produção
significa reduzir o nível de emprego e, numa cadeia de
conseqüências, a redução do emprego implicará queda da
renda das pessoas, que implicará um menor consumo, etc. A
economia entra, assim, num círculo vicioso de recessão, com
baixo nível de emprego-renda-consumo. Esta é a
conseqüência mais direta de uma situação onde as injeções –
isto é, os gastos agregados – são menores que os
vazamentos (que são os não-gastos), a nível
macroeconômico.

Vejamos, agora, a situação em que as injeções são


maiores do que os vazamentos. Isso quer dizer que está
havendo um volume de compras muito grande na economia.
Os empresários estão otimistas com o futuro da economia e
estão fazendo muitos gastos de investimentos; o governo
deve, também, estar gastando mais do que arrecada em
impostos e, também, pode ser que as exportações estão

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acima das importações. Nesta situação, os lojistas, vendo que


seus estoques estão acabando, fazem mais e mais pedidos às
fábricas, obrigando estas a aumentarem a produção. O
resultado disso é certamente mais crescimento econômico
com mais geração de emprego. Dependendo da resposta mais
ou menos rápida do setor produtivo, a pressão das compras
em excesso pode (e deve) pressionar os preços para cima,
dando início a um processo inflacionário. Num primeiro
momento, haverá crescimento econômico com inflação. Mas,
com o passar do tempo, os agentes econômicos começam a
perceber que a inflação está lhes causando perdas e mais
perdas reais e, em conseqüência, passam a exigir correções
compensatórias de salários, surgem mecanismos automáticos
de correções de aluguéis e dos valores de contratos de
fornecedores, as taxas de juros se elevam para cobrir as
taxas de inflação. Entra-se, então, no chamado círculo vicioso
da inflação assim descrito: a inflação gera correções de
salários e de outras rendas que geram mais inflação e que
gera mais correções, e assim por diante. O final deste
processo é a conhecida espiral inflacionária de difícil controle
e que acaba por paralisar a atividade produtiva, entrando o
país, novamente, na estagnação econômica. Ou, como se diz
no jargão econômico, na estagflação, caracterizada pelo pior
dos dois mundos: estagnação com inflação!

Temos, por fim, a terceira situação, que é aquela em que


o valor total das injeções se iguala com o valor total dos
vazamentos, ou, em termos econômicos, trata-se de uma
situação em que a chamada oferta agregada de bens e
serviços é igual à chamada demanda agregada por esses
produtos. Nesta situação, tudo o que se deixou de comprar
por causa da poupança, dos impostos arrecadados pelo
governo e das importações foi exatamente compensado pelos
gastos de investimentos, do governo e de exportações. Não
sobra nem falta produto. Nesta hipótese, pode-se, então,
afirmar que o sistema econômico estará em uma situação de
equilíbrio estável – uma situação em que a economia cresce a
taxas moderadas – digamos, entre 3% e 5%, - sem pressões

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inflacionárias. Seria esta a situação “ideal” da economia – que


é o que geralmente acontece com as economias
desenvolvidas, como a Alemanha, a França, os Estados
Unidos, o Canadá e outros.

1.8. Outros conceitos econômicos relevantes

Existem, ainda, alguns outros conceitos econômicos


bastante relevantes e que certamente ajudarão você a
entender melhor os tópicos macroeconômicos que estaremos
desenvolvendo em aulas mais à frente. Senão, vejamos:

i) Variáveis fluxo e variáveis-estoque

Existem dois tipos de variáveis econômicas: as variáveis-


fluxo e as variáveis-estoque.
As variáveis-fluxos são aquelas que são medidas em um
determinado período, tais como ano, trimestre, mês, semana,
etc., podendo ser citados os seguintes exemplos:
.salários pagos num determinado mês;
.exportações e importações no trimestre;
.lucro das empresas no quadrimestre;
.consumo de bens e serviços no ano;
.o número de nascimentos e óbitos na semana;
.a variação dos preços no semestre.
Já as variáveis-estoque são aquelas medidas em uma
determinada data, sendo exemplos:
.O estoque de mercadorias numa loja;
.o capital investido numa fábrica;
.a dívida externa do país;
.o estoque de capital do país;
.a dívida interna do governo;
.a população de um país;

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.a quantidade de moeda em circulação no país;

Deve ficar claro que existe uma inter-relação entre as


variáveis-fluxo e as variáveis estoque, como pode ser visto no
exemplo de uma torneira que esteja despejando água
(variável-fluxo) num reservatório. O volume de água que
existe em determinado momento no reservatório é uma
variável-estoque, mas este volume é afetado a cada momento
pela vazão de água da torneira. Em outros termos, a variável-
estoque (nível da água no reservatório) é influenciada pelo
valor da variável-fluxo (que é a vazão da água da torneira).
A mesma coisa se passa em Economia. A dívida externa
de um determinado país – que, em qualquer momento, é uma
variável-estoque – é influenciado entre um momento e outro
pelos fluxos de empréstimos e de amortizações feitas no
período. Da mesma forma, existe, hoje ou agora, um estoque
de automóveis no país ou numa cidade, mas com contínua
produção de carros (fluxo), aquele estoque vai se alterando
com o passar dos dias, dos meses ou do ano.

ii) Mercados

Todos temos na cabeça um quase perfeito conhecimento


do que seja mercado. Mas, se você pergunta a um seu colega
o que ele entende por “mercado”, é quase certo que ele vai
gaguejar, dissimular, tentar explicar, mas no fundo não vai
saber definir o que seja esta palavra. Então, vamos lá, tentar
clarear a cabeça de seu amigo:
Mercado é lugar no qual compradores e vendedores se
encontram para comprar ou vender bens, serviços e recursos.
Existe um mercado para cada bem ou serviço, como também
existe o mercado para um país como um todo. Você tanto
houve falar no mercado de automóveis ou no mercado de
feijão, como no mercado brasileiro de café, de trabalho, etc.
E, dependendo do número de agentes que atuam em
determinado mercado – quantos compradores e ofertadores
existem do produto – este mercado receberá uma

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denominação diferente (como monopólio, oligopólio, etc),


mas isso será visto com mais detalhes na próxima aula.

iii) Função

Por fim, um outro termo que aparece muito nos textos


de economia é “função”. Uma função nada mais é que uma
relação matemática entre os valores de duas ou mais
variáveis. A função mostra como o valor de uma determinada
variável – chamada “variável dependente” – depende do ou
varia com o valor de uma ou mais variáveis - chamadas
“independentes”. Assim, por exemplo, a função-demanda de
um produto no mercado mostra a relação entre a quantidade
demandada de um produto num período e o preço deste
produto (mantendo o valor das demais variáveis constante!).
À medida que variamos os preços de determinado produto,
vão variando também as quantidades demandadas desse
produto.

Você seria capaz de lembrar de alguma outra função, em


Economia? Se não se lembra, dê uma olhada nos exemplos
que aparecem na “nota de rodapé” abaixo6.

1.9. Resumindo esta nossa primeira aula

Em resumo, esta nossa primeira aula serviu para


introduzir aqueles não iniciados em Economia ao mundo
maravilhoso desta Ciência. Para aqueles que já têm uma certa
base na disciplina, esta aula deve ter sido útil para relembrar
conceitos básicos que nos serão bastante úteis quando
começarmos a estudar a Macroeconomia, já a partir da
terceira aula.
Hoje, nós vimos os diversos conceitos de bens, o
conceito e a diferença de consumo e investimento, revisamos

6
São inúmeros os exemplos de “função” na teoria econômica, como a função consumo (C = bYd), a função
poupança (S = sYd), a função oferta (Qs = fP); a função investimento (I = i r), e tantos outros.

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o funcionamento do sistema econômico – seus fluxos e


agentes – e, por fim, analisamos o conceito de “equilíbrio”
econômico, enfocando as situações de equilíbrio e
desequilíbrio macroeconômico e suas conseqüências para o
nível de emprego, de renda e de produto.
Na nossa próxima aula – a 2ª de uma série de 12 aulas -
nós continuaremos introduzindo alguns conceitos econômicos
básicos, quando vamos estudar os tipos de mercado
existentes e a lei da oferta e da procura. Até nossa próxima
aula, mas, antes, dê uma olhada nos exercícios de revisão do
que foi visto até aqui.
Uma boa sorte para você, um abraço e até nosso
próximo encontro!
_________________________

Exercícios de revisão:
1. Complete:

I - Só a limitação física não produz escassez; o ar e a água do mar são limitados em


quantidade, mas não caracterizam um problema econômico, porque, em
circunstâncias normais, não são _________________, porque___________________
II - Economia e escassez estão tão interligados que um bem escasso é chamado de
___________________________, e um bem que não é escasso é denominado de
_____________________.

III -Os recursos que entram no processo produtivo são chamados de


____________________. Já o resultado do processo de produção é chamado de
__________________________.

IV - Classifique os itens abaixo (terra, trabalho ou capital):


1. Terra usada para uma barragem ____________________
2. Terra usada numa horta _____________________
3. Um triturador de milho _________________________

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4. Uma batedeira de bolo _______________________


5. Os serviços de uma empregada doméstica _____________
6. A água usada por engarrafador de cerveja ______________

V - Na terminologia econômica, os meios (ou fatores de produção) produzidos são


chamados de _________________________.

VI - Recordando, faça a distinção entre:


- Bens e serviços;
- Bens de consumo e bens de capital;
- Poupança e investimento.

2. Com relação ao fluxo circular da atividade econômica, para que o sistema econômico
funcione em equilíbrio, é necessário e suficiente que:
a) S = I;
b) G = T e S = I;
c) S = I e X = M;
d) G = S, T = M e X = I;
e) S = I, T = G e X = M.

3. Com relação, ainda, ao ciclo da atividade econômica, marque C (certo) ou E (errado)


sentenças abaixo.
a) ( ) A oferta de bens e serviços é tipicamente um fluxo real.
b) ( ) O sistema econômico conta com dois mercados distintos: um de fatores de
produção e outro de bens e serviços.
c) ( ) O sistema econômico estará em equilíbrio se, e somente se, o total de poupança
for igual ao total de investimentos.
d) ( ) As empresas, as unidades familiares e o governo são os agentes econômicos do
sistema.
e) ( ) O sistema econômico só estará em equilíbrio se todas as rendas geradas no
processo produtivo forem gastas.
f) ( ) A poupança se constitui numa “injeção” do fluxo monetário.
g) ( ) As unidades familiares são os agentes demandantes tanto dos fatores de produção
como dos bens e serviços.
h) ( ) Se o total de injeções for igual ao total de vazamentos, o sistema econômico
estará em equilíbrio, mas sem qualquer estímulo à expansão.
i) ( ) Se o total das injeções for menor que o total de vazamentos, haverá recessão com
inflação.

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j) ( ) As importações são consideradas vazamentos no fluxo de renda.


k) ( ) O processo produtivo dá origem a dois fluxos distintos: o da renda (pagamento
aos fatores de produção) e o fluxo real (oferta e procura dos bens e serviços).
l) ( ) O processo produtivo mostra que a economia sempre e obrigatoriamente estará
em equilíbrio, já que o valor da renda gerada é, por definição, igual ao valor dos
bens e serviços produzidos.
m) ( ) Os gastos do governo são considerados “injeções”, desde que sejam iguais ao
montante dos impostos arrecadados.
n) ( ) Os serviços dos fatores de produção fluem das famílias para as empresas,
enquanto o fluxo contrário, da renda, destina-se ao pagamento de salários,
aluguéis, juros e lucros.
..............

Gabarito com alguns comentários:


1. I - escassos; existem em relativa abundância;
II - bem econômico; bem livre;
III - fatores de produção; bens e serviços;
IV - 1. terra; 2. terra; 3. capital; 4. capital; 5. trabalho; 6. terra.
V - bens de capital;
VI- ambos são o resultado do processo produtivo; bens: são coisas concretas, tangíveis;
serviços: são coisas intangíveis; bens de consumo: são bens destinados a satisfazer
necessidades pessoais; bens de capital: são bens produzidos para produzir outros
bens (ex. máquinas); poupança: é a parte da renda que não é gasta ou consumida;
investimentos: são gastos voltados para aumentar a capacidade produtiva da firma
ou do país.
2. E
3. a) C; b ) C;
c) E - Comentário: Recorde-se que, para que o sistema econômico funcione em
equilíbrio, é necessário que todas as rendas sejam gastas. Se o proprietário da renda, por
algum motivo não gastá-la inteiramente (porque quis poupar uma parte, ou porque o
governo lhe tomou uma parte via impostos), alguém tem de gastá-la em seu lugar. Assim,
não basta que a poupança seja igual aos investimentos para a economia estar em equilíbrio;
é necessário que todas as demais injeções sejam iguais aos respectivos vazamentos. Do
contrário, ou sobra ou falta produto na economia, provocando, assim, uma situação de
desequilíbrio.
d) C – Comentário: Esta afirmativa está correta desde que a análise esteja
considerando uma economia “fechada”, isto é, sem relações comerciais e financeiras com o
exterior. Se “abrirmos” a economia, ou seja, considerando-se uma economia “aberta”,
temos de acrescentar entre os agentes econômicos o “setor externo” ou o “resto do mundo”.

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e) C – Comentário: veja comentário do item (c), acima.


f) E;
g) E – Comentário: As unidades familiares ofertam recursos ou fatores
produtivos e demandam bens e serviços das empresas. Já estas últimas demandam fatores
produtivos e ofertam bens e serviços para as famílias.
h) E – Comentário: Sim, o sistema econômico estará em equilíbrio, mas haverá
estímulo, sim, ao crescimento. Ao verem que todos os seus produtos foram vendidos, as
empresas estarão interessadas em produzir mais no próximo ano. Neste caso, a economia
crescerá a taxas moderadas, algo entre 3% e 5% ao ano.
i ) E; j)C; k) C;
l)E – Comentário: Realmente, por definição matemática, o valor total das rendas
é igual ao valor total dos bens e serviços. Mas, para a análise do equilíbrio importa mesmo
é verificar se todas as rendas foram gastas, adquirindo todos os produtos oferecidos.
m) E – Comentário: Os gastos do governo são considerados injeções,
independentemente de serem iguais, maiores ou menores do que os impostos arrecadados.
Em economia, gastos são sempre injeções (inclusive o consumo das famílias).
n ) C.
Até nossa próxima aula!
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.--.-.-.-.-.-.-.-.

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AULA 2: ESTUDO DO MERCADO: DEMANDA


E OFERTA

Nesta nossa 2ª aula, nós continuaremos


discutindo tópicos de microeconomia
que serão fundamentais para o nosso
entendimento da Macroeconomia – que
é, como você sabe, o objetivo maior de
nosso curso de Economia I. Nós vamos
aqui desenvolver uma teoria simples do
funcionamento do mercado, sua
estrutura, a atuação da lei da oferta e
da demanda e como são definidos os
preços numa economia capitalista, onde
o governo não interfere na economia.

2.1. Introdução

Costuma-se dizer que, numa economia capitalista, os


problemas econômicos relativos à decisão sobre que tipos de
produtos devem ser produzidos e a que preços serão vendidos
esses produtos são resolvidos normalmente pelo livre jogo
das forças de mercado – isto é, pelo livre funcionamento da
oferta e da demanda. Nesta hipótese, as decisões e escolhas
econômicas são individualizadas e feitas pelos consumidores –
que são os demandantes dos bens e serviços – e pelos
produtores – que são os ofertantes. Agindo de acordo com
seus próprios interesses, os indivíduos, afetando e sendo
afetados pelo sistema de preços, tomam as decisões que
maximizarão a satisfação coletiva.
Nosso propósito nesta nossa segunda aula não é
desenvolver uma teoria completa da demanda e da oferta e
de determinação de todos os preços numa economia. Nosso
objetivo aqui é, antes, o de introduzir uma visão simplificada

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de como atua um sistema de preços e sua influência na


alocação de recursos escassos.
Ocorre, porém, que a determinação do preço e da
quantidade produzida de um bem ou serviço depende
essencialmente do número de agentes econômicos –
demandantes e ofertantes – existentes nesse mercado. Por
isso, é interessante caracterizar, antes, os diversos tipos de
mercado existentes.
O mercado, como você sabe, é o local onde se encontram
os vendedores e compradores de determinados bens e
serviços. Antigamente, a palavra mercado tinha uma
conotação estritamente geográfica, mas isso já está deixando
de ser assim. Hoje, com os avanços tecnológicos nas
comunicações, as transações econômicas podem se realizar
sem contato pessoal direto entre comprador e vendedor, tal
como ocorre nas compras e vendas pela internet.
Dito isso, vamos, então, conhecer os diversos tipos ou
estruturas de mercado existentes.

2.2. Estruturas de mercado

Um mercado é constituído de compradores e vendedores.


A palavra mercado pode tanto se referir a uma economia
como um todo – o mercado brasileiro ou mercado de São
Paulo, por exemplo – ou a um produto ou um setor específico
qualquer – o mercado de trabalho, o mercado agrícola, o
mercado de automóveis, de calçados ou de livros.
Observa-se, de outra parte, que as relações entre
compradores e vendedores seguem padrões diferentes,
dependendo do tamanho desse mercado, do número de
agentes econômicos (vendedores e compradores) que nele
atuam e até mesmo do tipo de produto comercializado. Como
resultado, a forma como os preços são determinados varia de
acordo com as características de cada mercado. Essas

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características permitem diferenciar quatro estruturas básicas


de mercado:
i) Concorrência perfeita
ii) Monopólio
iii) Oligopólio
iv) Concorrência monopolística.

Geralmente, na literatura econômica, o monopólio, o


oligopólio e a concorrência monopolística são chamados de
mercados imperfeitos.
Vejamos, então, as características distintivas de cada um
desses mercados.

. A concorrência perfeita
Falemos, primeiro, da concorrência perfeita: para que
um mercado seja caracterizado como de concorrência perfeita
é necessário que preencha as seguintes condições básicas:
a) existência de um número elevado de vendedores
e compradores independentes, cada qual muito pequeno
em relação a esse mercado como um todo, sendo, em
conseqüência, incapaz de afetar os níveis de oferta e
procura do produto e o seu preço. A essa característica
costuma-se denominar de “atomização”.
b) todas as firmas desse mercado vendem produtos
homogêneos (idênticos ou substitutos próximos), de tal
modo que os compradores possam comparar os preços;
c) conhecimento ou informação perfeita das condições
do mercado, tanto pelos vendedores como pelos
compradores, para que todos possam competir em pé de
igualdade;
d) livre entrada e saída de empresas no mercado, ou
seja, não há restrições para que uma empresa nova entre
no mercado ou dele queira sair; e inexistência de

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associações de produtores visando impedir ou inibir a


entrada de novas empresas.
d) perfeita mobilidade de fatores de produção,
significando que a mão-de-obra e outros fatores
produtivos de uma empresa para outra ou de uma região
para outra.
Na concorrência perfeita, é o mercado que estabelece o
preço do produto, eliminando toda e qualquer possível
exploração do consumidor, fazendo com que os preços sejam
“justos”, no sentido de que sejam iguais aos custos (incluindo
nesses o chamado “lucro normal”). O produtor, por ser um
“átomo” nesse mercado, recebe o preço como dado, não
tendo qualquer poder de alterá-lo.
Examinando as características distintivas do mercado de
concorrência perfeita, você já deve ter percebido que este
mercado não é facilmente encontrado na prática. O exemplo
mais próximo de um mercado de concorrência perfeita seria a
bolsa de valores: o produto ali transacionado é homogêneo –
digamos, uma ação ordinária do Banco do Brasil; existem
diariamente milhares de compradores e de vendedores desta
ação; todos os agentes econômicos que ali atuam têm
perfeito conhecimento dos preços praticados para esta ação;
e, por fim, há livre entrada de compradores e vendedores
nesse mercado.
Um outro mercado também citado como próximo da
concorrência perfeita é o de produtos agrícolas, como parece
ocorrer, por exemplo, com o mercado de arroz – um produto
padronizado, existindo milhares de vendedores e de
compradores desse produto no mercado.

. Monopólio
O monopólio é um tipo de mercado diametralmente
oposto à concorrência perfeita. É o caso limite onde só existe
um produtor ou fornecedor de um bem ou serviço. Nessa
situação, o monopolista tem controle absoluto sobre o preço

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de seu produto. Mas, isso não significa que o monopolista


fixará o preço no nível mais alto que ele puder. Na verdade,
considerando que a demanda pelo seu produto pode reagir ao
aumento de preço, o monopolista irá fixá-lo no nível em que
seus lucros totais sejam maximizados – o que pode ocorrer a
um preço relativamente baixo.
Exemplos de monopólio são as empresas fornecedoras de
energia elétrica, algumas de telefonia e a própria Petrobrás.
Uma figura de comportamento similar ao monopólio e que
é pouco divulgada e conhecida é o monopsônio –
caracterizado pelo mercado onde existe um só comprador do
produto considerado. Seu poder de estabelecer o preço é o
mesmo do monopólio. Um exemplo comum desse tipo de
mercado ocorre com os pequenos e inúmeros produtores de
leite da zona oeste de Minas Gerais que, sem alternativa, se
vêem obrigados a vender o produto para apenas uma grande
empresa pasteurizadora sem concorrentes na região. Nesta
situação, a empresa compradora (única da região) tem
perfeitas condições de impor os preços para a compra do
leite.

. Oligopólio
O oligopólio é um tipo de mercado que se diferencia da
concorrência perfeita pelas seguintes características
principais:
a) o mercado é dominado por um número pequeno de
grandes empresas;
b) na maioria dos casos, muito embora possa haver
diferenciação entre os produtos das diversas firmas, eles
são perfeitos substitutos entre si, como é o caso do setor
de eletrodomésticos, sabão em pó, automóveis, cimento,
etc.
c) como, na maioria dos casos, 80% a 90% do mercado
é dominado por um pequeno número de grandes

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empresas, existe um relativo controle de preços por estas


firmas, através de acordos ou conluios;
d) as empresas do setor tentam ganhar mercado através
de uma massiva publicidade, e nunca através de redução
de preços;
e) a ação de uma firma afeta as demais, tornando-as
interdependentes, apresentando, geralmente, um firma
maior que se comporta como líder das demais.

São inúmeros os exemplos de mercados oligopolísticos.


Aliás, a característica dominante da economia brasileira é o
alto grau de oligopolização de suas indústrias, como são
exemplos a indústria automobilística, a indústria de aparelhos
de tv, de geladeiras, de aparelhos de som, de cimento, de
sabonetes, de pasta de dente, e inúmeros outros.

. Concorrência monopolística

Concorrência monopolística é um mercado onde existem


várias pequenas empresas disputando o mesmo tipo de
cliente, caracterizando uma situação mais ou menos
eqüidistante da concorrência perfeita e do monopólio.
Geralmente é encontrada no mercado de varejo. Suas
características principais são:
a) geralmente cada empresa tem seu próprio produto
que, embora possa ser substituto próximo dos demais,
apresenta característica diferenciadora de firma para
firma;
b) são todas firmas de porte e poder de concorrência
relativamente semelhantes, o que limita bastante seu
controle sobre seu preço;
Exemplos de concorrência monopolística são as butiques
de um shopping, os restaurantes, as escolas privadas, as
padarias, as pequenas mercearias, etc.

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São essas as principais estruturas de mercado existentes.


Feita esta abordagem, temos, agora, condições de analisar
como funcionam as forças de mercado – isto é, a oferta e a
demanda - num sistema econômico capitalista, e como são
determinados os preços dos bens e serviços em geral, sem
que o governo interfira nesse processo.

2.3. Um exemplo simples de como funciona o


mercado

Para iniciar, vamos supor que numa determinada cidade


exista uma feira livre onde são vendidas semanalmente, entre
outros produtos, uma certa quantidade X de laranjas e uma
quantidade Y de maçãs. Suponhamos mais que, por uma
razão qualquer, verifica-se uma mudança na preferência dos
consumidores e, em conseqüência, a demanda por laranjas
tenha aumentado (talvez porque alguém tenha espalhado o
boato de que a laranja é melhor para a saúde do que a
maçã). Dado que a renda ou o poder aquisitivo dos
consumidores não se alterou, esta preferência por mais
laranjas só será satisfeita se ocorrer uma queda na demanda
por maçã.
Como a produção de maçãs e de laranjas permanece
inicialmente a mesma de antes, o que acontecerá com os
preços desses dois produtos? Ora, o aumento na procura de
laranjas provocará uma falta deste produto, enquanto a
queda na demanda por maçã provocará um excesso de oferta
deste produto. Em conseqüência, o preço da laranja se
elevará, enquanto os vendedores tratarão de reduzir o preço
da maçã para acabar com o estoque. Como, agora, os lucros
da venda de laranjas são maiores, os produtores irão
transferir recursos (ou fatores) da produção de maçãs para a
de laranjas, aumentando a oferta destas e reduzindo a oferta
daquelas.
Obviamente, com o aumento da quantidade de laranjas,
seus preços deverão cair um pouco, enquanto os preços das

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maçãs (agora, reduzidos) se elevarão ligeiramente. Enquanto


o preço das laranjas for compensador (mais lucrativo), os
produtores continuarão transferindo recursos para sua
produção – isto é, até que o conseqüente declínio de seus
preços não mais compense essa transferência. No final desse
processo, os níveis de produção e de preços de ambos os
produtos se estabilizarão – com o preço da laranja mais alto e
o da maçã mais baixo que inicialmente – enquanto se
registrou uma alteração na utilização dos recursos produtivos
entre os dois produtos.
E lembre-se que todas essas mudanças ocorreram em
função de uma simples mudança no gosto dos consumidores
e da conseqüente atuação do mecanismo de preços de
mercado.
Se entendemos bem esse mecanismo, podemos agora
analisar mais concretamente o comportamento dos
consumidores e dos produtores, isto é, da demanda e da
oferta. Comecemos pela demanda.

2.4. A lei da demanda

Suponha que você vá a um restaurante para almoçar com


seus parentes e o garçom lhe entregue o cardápio. O que
influencia a sua escolha? Ainda que lhe pareça embaraçoso
admitir, é forçoso reconhecer que a primeira coisa que você
olha é o preço dos diversos pratos. O preço, sem dúvida, é o
principal fator que influencia a compra de qualquer produto
pelo consumidor. Mas, você há de convir que a escolha de
uma determinado prato - digamos, peixe - irá depender não
só de seu preço mas, também, do preço de outras carnes, do
preço das massas etc., que servem como substitutos.
Obviamente, quanto mais alto o preço do peixe em relação
aos demais pratos, mais propenso você estará a pedir carne
de vaca, frango ou mesmo massas. Mas, se os preços forem
mais ou menos iguais ou se, para você, a diferença de preços

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não pesar muito, você escolherá de acordo com seu gosto. De


qualquer modo, você escolherá pratos e outros complementos
tendo em vista o que você pode ou está disposto a gastar,
isto é, de acordo com sua renda. Se considerarmos que o
restaurante onde você está é freqüentado por outras pessoas
de sua cidade, podemos também concluir que a quantidade
de filé, de frango ou de massa vendida por esse restaurante,
no período do almoço, dependerá, também, do número de
habitantes da cidade. Deve-se esperar que, numa cidade
pequena, os freqüentadores de restaurantes são em menor
número que numa cidade grande. E assim por diante.
Vemos com esse exemplo simples que sua escolha – e,
generalizando, a das demais pessoas - foi influenciada por
diversos fatores ou variáveis que, de modo geral, serão as
mesmas que o influenciarão em outras ocasiões ou em outras
escolhas.
Dessa forma, podemos listar pelo menos cinco fatores
principais que influenciam a quantidade de um bem qualquer
demandada pelos consumidores de um determinado mercado,
a saber:
· Preço do bem (Px)
· Preços de outros bens substitutos ou concorrentes (Pc)
· Gosto ou preferência do consumidor (G)
· Nível de renda do consumidor (Y)
. Tamanho do Mercado (M)

ou, em linguagem matemática, podemos dizer que a


quantidade demandada (Qd) de um bem X é expressa por:
QdX = f(Px, Pc, G, Y, M)

Como é difícil dimensionar a influência ou o peso exato de


cada um desses fatores na demanda por um bem, os
economistas costumam fazer variar um desses fatores (por
exemplo, preço subindo, preço caindo) e ver seu efeito sobre
a demanda por um bem, enquanto os demais fatores

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permanecem constantes. A questão, então, seria: O que


acontece com a demanda por um produto X se seu preço
variar, enquanto a renda, o gosto e o preço de outros
produtos não variam? Simplificadamente, então,
QdX = f(P)
com tudo o mais permanecendo constante (esta é a
conhecida condição ceteris paribus).
Normalmente, teremos uma relação inversa entre o preço
do bem e a quantidade demandada. Quando o preço do bem
cai, o bem fica mais barato em relação ao preço de seus
concorrentes e, em conseqüência, os consumidores estarão
dispostos a adquirir maiores quantidades desse bem. Se o
preço se elevar, a reação dos consumidores será oposta. Daí,
podemos derivar a seguinte definição da lei da demanda:

A escala de demanda de mercado de um


produto qualquer mostra as diferentes quantidades
que os consumidores estão dispostos e aptos a
adquirir em um dado período de tempo, quando o seu
preço varia.

A escala de demanda de mercado é o resultado


da soma das escalas de demanda de todos os
indivíduos no mercado.

Vamos supor que uma pesquisa de mercado junto aos


potenciais compradores de um produto qualquer (digamos,
sandálias Melissa) apontou os resultados constantes da
Tabela 2.1, onde estão relacionados diferentes preços e
diferentes quantidades demandadas daquele produto.
Tabela 2.1
ESCALA DE DEMANDA DE MERCADO DA MELISSA
Quantidade
Preço (R$ por par)
demandada (por mês)
200 1.000
160 1.500

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120 2.500
80 4.000
40 6.000

A Tabela 2.1 mostra que, ao alto preço de R$ 200,00,


apenas 1.000 pares seriam comprados por mês. Se o preço
caísse para, digamos, R$ 120,00, os consumidores
adquiririam 2.500 pares, e assim por diante. Ou seja, à
medida que o preço se reduz, maiores serão as quantidades
demandadas e vice-versa.
Essas informações podem ser colocadas num gráfico
cartesiano, gerando a curva de demanda de mercado, tendo
no eixo vertical os diferentes preços e no eixo horizontal as
respectivas quantidades demandadas, conforme mostra a
Figura 2.1.

P Figura 2.1

200
160
120
80
40

1000 1500 2500 4000 6000

Como se constata, a curva de demanda é negativamente


inclinada (da esquerda para a direita) indicando que os
consumidores estarão dispostos e aptos a comprar mais de
uma mercadoria a preços mais baixos. Isso é conhecido como
a lei da demanda e ocorre por duas razões principais:
primeiro, porque à medida que o preço de uma mercadoria
baixa, os indivíduos substituem outras mercadorias por esta

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em seu consumo; segundo, porque quando o preço baixa os


consumidores se tornam “mais ricos” em termos reais.
Mas uma questão importante é: qual será o preço deste
produto (no caso, Melissa), já que temos vários preços e
várias quantidades? Infelizmente, ainda não temos condições
de saber. Precisamos, antes, analisar o outro lado do mercado
– o lado dos produtores ou ofertantes.

2.5. A lei da oferta

A exemplo da demanda, as quantidades ofertadas de um


bem qualquer dependem de vários fatores, valendo
mencionar os seguintes:
i) o preço do produto considerado (Px) – obviamente,
quanto maior for o preço de um bem (ceteris paribus), maior
será a quantidade que os produtores gostariam de oferecer no
mercado;
ii) preços de outros bens (Pi)– se os preços de outros
bens (de tecnologia de produção semelhante) subirem e o
preço do bem X não se alterar, os produtores procurarão
reduzir a produção de X e tentarão produzir esses bens cujos
preços estão subindo;
iii) preços dos fatores de produção (Pf)– o preço dos
fatores determina o custo de produção. Se o preço dos fatores
se elevar, os custos se elevarão, o que pode provocar uma
queda na produção e conseqüente redução da oferta de um
bem; e, ainda,
iv) o nível da tecnologia empregada (T) – quanto mais
moderna a tecnologia adotada no processo produtivo, maior é
a quantidade produzida por fator empregado, reduzindo o
custo de produção e, portanto, aumentando a oferta do
produto para qualquer nível de preço.

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Assim, as quantidades ofertadas de um produto X


qualquer, podem, matematicamente, ser representadas da
seguinte forma:
QsX = f(Px, Pi, Pf, T)
onde, Qsx representa a quantidade ofertada do bem X (o
s – símbolo de oferta – vem do inglês supply).

Também, a exemplo do que foi dito no caso da demanda,


os economistas costumam considerar fatores os Pi, Pf e T
invariáveis e, então, analisam preliminarmente os efeitos de
variações no preço do produto (Px) sobre as quantidades
ofertadas. Com esta hipótese de ceteris paribus, a quantidade
ofertada de um produto qualquer, X, passa a ser definida por:
QsX = f(P)
Ou seja,
A oferta é definida como “as diferentes quantidades de
um bem ou serviço que os produtores estão dispostos e aptos
a vender, durante um certo tempo, a diferentes preços,
ceteris paribus”.

E, intuitivamente, podemos afirmar, com a hipótese


ceteris paribus, de que quanto maior o preço de um bem,
mais interessante se torna produzi-lo e, portanto, a oferta
será maior e vice-versa.
A Tabela 2.2 mostra dados hipotéticos de vários níveis de
preços e as diferentes quantidades que os produtores estarão
dispostos e aptos a oferecer no mercado (no caso, também de
sandálias Melissa).

Tabela 2.2
ESCALA DE OFERTA DE MERCADO DA MELISSA

Preço (R$ por Quantidade ofertada

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par) (por mês)


200 5.000
160 4.000
120 2.500
80 1.000
40 500

A Tabela 2.2 mostra que, ao alto preço de R$ 200,00 por


par, os produtores estarão dispostos a oferecer 5.000 pares
no mercado, enquanto que ao baixo preço de R$ 80,00, por
exemplo, eles oferecerão apenas 1.000 pares, e assim por
diante. Ou seja, ao contrário dos consumidores, à medida que
o preço se reduz, menores serão as quantidades que os
produtores estarão dispostos a vender no mercado.
A representação gráfica da escala de oferta nos fornece a
curva de oferta, conforme mostra a Figura 2.2.
Figura 2.2
Px
200
S
160

120

80

40

500 1000 2500 4000 6000 Qsx

Conforme você pode verificar, a curva de oferta é, em


geral, positivamente inclinada (da esquerda para a direita),
indicando o fato de que quanto mais altos forem os preços,
maiores quantidades de um produto serão ofertadas no

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mercado. Trata-se de uma relação direta entre preços e


quantidades ofertadas.
Conhecido, agora, o comportamento de ambos os lados –
isto é, dos consumidores e dos produtores – diante de
variações nos preços, já temos condições de verificar a que
preço o produto será vendido no mercado.

2.6. Preço de Equilíbrio

O preço de equilíbrio é aquele em que a quantidade de


uma mercadoria que os consumidores estão dispostos e aptos
a adquirir, durante um determinado tempo, é exatamente
igual à quantidade que os produtores estão dispostos e aptos
a oferecer no mercado.
Para descobrir que preço é esse, podemos analisar a
Figura 2.3, onde estão desenhadas as curvas de demanda e
de oferta tal qual as desenhamos anteriormente.
Figura 2.3

P S
200
160
120
80
40 D

1000 2000 3000 4000 5000 Q

Suponhamos que o preço seja, inicialmente, fixado em R$


200,00 o par. A esse preço, a demanda por Melissa será de
apenas 1.000 pares por mês, enquanto a oferta será de 5.000

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pares. Assim, há um excesso de oferta e, conseqüentemente,


os preços começam a cair. Mas, é bom observar que os
preços não vão despencar de repente. Os preços vão caindo
aos poucos, enquanto houver produto sobrando. E, de outra
parte, vale notar que, à medida que P vai caindo, a oferta vai
se reduzindo e a demanda vai se elevando.
Agora, suponhamos que os preços sejam fixados em R$
80,00 o par. A esse preço, os consumidores estarão dispostos
a comprar 4.000 pares, mas os produtores só ofertarão 2.000
pares. Há, então, um excesso de demanda em relação à
oferta e, conseqüentemente, os preços começam a se elevar.
Mas, observe-se que, à medida que os preços vão se
elevando, a demanda vai-se reduzindo e a oferta vai-se
expandindo. Os preços continuam subindo enquanto a
demanda for maior que a oferta.
Ao final desse processo de ajustamento vemos que, ao
preço de R$ 120,00 o par, a quantidade demandada de
Melissa será de 3.000 pares, igualando exatamente a
quantidade ofertada. Como a esse preço a demanda e a
oferta são iguais, não haverá pressão para que o preço caia
ou se eleve. Este, então, é o preço de equilíbrio.
Resumindo tudo isso, temos:
D<S P se reduz
D>S P se eleva
D=S P não se altera

2.7. Variações na Demanda e na Oferta


Como você viu, na definição da curva de demanda por um
bem, fizemos a hipótese de que todos os demais fatores que
a afetam (renda, gosto, etc.) permaneceram inalteradas.
Agora, vamos imaginar uma situação em que esses
fatores que, por hipótese, estavam constantes, variem
(sempre cada um isoladamente). O que nós vamos observar é
que, se qualquer desses fatores se alterar, a curva de

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demanda também se modificará. Assim, por exemplo, se a


renda (real) dos consumidores se elevar, se suas preferências
pela mercadoria aumentarem, ou se os preços dos bens
substitutos se tornarem mais altos, haverá um aumento na
demanda do bem considerado para qualquer preço anterior.
Assim, no caso da sandália Melissa, por exemplo,
ocorrendo alguns dos fatos acima, uma maior quantidade de
Melissa será demandada aos níveis de preços de R$ 140,00
ou de R$ 120,00, etc., o que deslocará a curva de demanda
para cima e para a direita, como mostra a Figura 2.4. Como
haverá um excesso de demanda, o novo preço de equilíbrio
será, agora, mais alto.

Figura 3.4. Figura 3.5


P
P S1

S2
S 160
140
140
120
D2 D
D1
3000 3500 Q
3000 3500 Q

O mesmo pode ser dito em relação à curva de oferta de


uma mercadoria. Também aqui, se o preço dos fatores se
reduzir, ou se a tecnologia melhorar ou, ainda, se o número
ou tamanho dos produtores aumentar, haverá um aumento
na oferta do produto para qualquer preço anterior. Assim,
ocorrendo um dos fatores acima, a oferta de Melissa será
maior aos preços de R$ 160,00, R$ 140,00, etc., provocando
um deslocamento da curva de oferta para baixo e para a
direita, como mostra a Figura 3.5. Como haverá um excesso

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de oferta sobre a demanda, a tendência será uma redução do


preço de equilíbrio.
Observe, no entanto, que a alteração da demanda ou da
oferta pode ocorrer em virtude de variações no preço do
produto considerado e não, necessariamente, por variações
daqueles fatores que estavam, por hipótese, constantes
(gasto dos consumidores, nível de renda dos consumidores,
custo de produção, preço de produtos substitutos, etc).

Dessa diferença surgem dois conceitos distintos:

i) Variação da quantidade demandada (ou ofertada)


– ocorre quando o preço do bem considerado varia,
implicando um deslocamento ao longo da curva de demanda
(ou de oferta).

ii) Variação da demanda (oferta) – ocorre quando


outros fatores, exceto o preço, variam, implicando
deslocamento da curva de demanda para a direita ou
esquerda (caso seja um dos fatores que influem na demanda)
ou da curva de oferta (caso se trate de um fator que afete a
oferta).

2.8. Resumo desta 2ª aula

Bem, nesta 2ª aula, nós vimos os diversos tipos de


mercado existentes, suas características distintivas e, a
seguir, vimos como funciona o mercado de um produto
qualquer, analisando a famosa lei da oferta e da procura –
uma lei que, apesar de várias tentativas de presidentes e
dirigentes políticos para revogá-la, permanece imutável e
eterna. O perfeito entendimento do funcionamento desta lei
será fundamental para a compreensão dos tópicos de
macroeconomia que veremos mais adiante.

Antes de encerrar esta nossa aula, porém, gostaria de


mostrar a você, no Apêndice a seguir, uma outra forma um

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pouco mais analítica, com um tratamento matemático, das


funções demanda e oferta, tal como costuma aparecer nos
exercícios e provas de concursos sobre esse tema.
................................................

APÊNDICE: UMA ILUSTRAÇÃO MATEMÁTICA DAS


FUNÇÕES DEMANDA E OFERTA

1. A função demanda

Vamos supor que a demanda pelo bem X seja expressa


matematicamente da seguinte forma:

QdX = f(Px, Y, Pc)


Onde, Y é o nível de renda e Pc o preço do produto
concorrente.
Se, por hipótese, a função demanda fosse linear, e
colocando números na expressão acima, poderíamos ter, por
exemplo:
Qdx = -3Px – 1,5Pc + 0,1Y
Supondo, agora, que as variáveis assumam os seguintes
valores:
Px = 8
Pc = 10
Y = 800
e, substituindo esses valores na função acima, teremos:
Qdx = (-3 x8) – (1,5 x 10) + (0,1 x 800)
Qdx = - 24 – 15 + 80
Qdx = 41
Ou seja, com os valores acima para Px, Pc Y, a quantidade
demandada do bem X será de 41 unidades por unidade de
tempo.

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Agora, vamos supor que a condição ceteris paribus


prevaleça para os valores de Pc e de Y (isto é, que seus
valores permaneçam constantes em 10 e 800,
respectivamente. Com esta hipótese, a curva de demanda do
bem X será dada por:
Qdx = -3Px – 1,5 x 10 + 0,1 x 800
Qdx = -3Px – 15 + 80
Qdx = 65 – 3Px
E a representação gráfica dessa última expressão será:
Px

21,7

Dx
65 Qx
O gráfico acima mostra que, se o preço de x cair a zero,
a quantidade máxima do bem X que os seus consumidores
iriam adquirir seria 65 unidades. Da mesma forma, R$21,70
seria o preço que anularia a demanda de X, ou seja, este
seria um preço que nenhum consumidor estaria disposto a
pagar por este bem.
Agora, vamos supor que a renda do consumidor subisse
para 1000, e fazendo as devidas substituições na equação
original acima, teremos um novo valor (mais alto) para a
quantidade demandada, ou seja:
Qdx = -3Px – 1,5 x 10 + 0,1 x 1000
Qdx = 85 – 3Px (que é nova curva de demanda)
Esta nova quantidade demandada de X maior que a
anterior é representada graficamente por um deslocamento
para cima e para a direita da curva de demanda, como no
gráfico abaixo:
Px

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28,3

21,7

Dx D’x
65 85 Qx
Como o aumento da renda do consumidor provocou um
aumento na quantidade demandada do bem X, este bem é,
então, um bem normal (conforme nós já vimos na nossa Aula
1).
Vamos supor, agora, que ao invés do nível de renda, o
preço do bem C é que tivesse variado de, digamos, 10 para
14. Neste caso, fazendo as devidas substituições, teríamos:
Qdx = -3Px – 1,5 x 14 + 0,1 x 800
Qdx = 59 – 3Px (que fornece a nova curva da demanda)
e a curva de demanda teria se deslocado para a esquerda.
Como o aumento do preço do bem C reduziu a demanda
do bem X, estes dois bens são complementares1.
Observe que nós poderíamos ter chegado a essas mesmas
conclusões apenas analisando os sinais dos coeficientes das
variáveis na função demanda. Assim:
i) Pela equação de demanda original, podemos ver que o
coeficiente da variável renda é positivo (+0,1): isto
significa que se a renda aumentar, o valor da Qd,
aumentará também. Daí, podemos concluir que o bem
X é um bem normal.
ii) Caso o sinal do coeficiente da renda fosse negativo,
um aumento da renda diminuiria a Qd e, portanto, o
bem X seria inferior.

1
O conceito de bens complementares, substitutos, inferior, normal, superior, etc., foi desenvolvido em nossa
Aula 1. Se você já esqueceu esses conceitos, dê uma revisitada naquela aula.

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iii) O sinal do coeficiente do preço do outro bem (C) é


negativo (-1,5). Isso significa que se o preço do bem
aumentar, a Qdx diminuirá e, logo, X e C são
complementares (se o preço do carro aumentar,
ceteris paribus. Já se o sinal do coeficiente do bem C
fosse positivo, um aumento de Pc aumentaria
também a Qdx e, conseqüentemente, X e C seriam
substitutos ou concorrentes.

2. A função oferta
Se, por hipótese, a função oferta fosse linear, nós
poderíamos representar esta função, por exemplo, por:
Qsx = 5Px – 4Pi
onde Qsx = quantidade ofertada do bem X;
Pi = preços das matérias-primas para a fabricação de X.
Assim, supondo Pi = 5 constante, a função oferta passa
a ser:
Qsx = 5px – 20
Esta função fornece a curva de oferta apresentada no gráfico
abaixo.
Px
Qsx = 5px -20

Qsx

E por que a curva de oferta intercepta o eixo dos preços na


altura do preço de 4 reais? Isso ocorre porque, pela equação
da oferta acima, pode-se deduzir que os produtores só
estarão dispostos a oferecer o bem X no mercado se os

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preços se situarem acima de 4 reais. Para preços abaixo de 4


reais, o custo das matérias-primas torna impraticável a
produção deste bem. Se, por exemplo, Px = 3, e substituindo
este preço na equação acima, teríamos uma produção
negativa igual a 5 unidades (mas, claro, não existe produção
negativa!). Já se Px = 4 reais, a produção seria zero. Para
qualquer outro preço acima de 4, a produção se torna positiva
e só a partir daí a análise da curva de oferta deste bem se
torna relevante.
Agora, imagine que o preço das matérias-primas (Pi) se
eleve para 7,50. Nesta hipótese, teríamos:
Qsx = 5Px – 4 x 7,50
Qsx = 5Px – 30
Agora, a oferta se torna compensadora a preços maiores
que 6 reais, o que desloca a curva de oferta para cima,
conforme se pode ver no gráfico abaixo:
Px
Qsx = 5Px -30
Qsx = 5Px - 20

6
4

Qsx

_________________

Exercícios de revisão (com gabarito comentado ao final)


Observação: Primeiro, tente fazer os exercícios e só depois vá
até o gabarito para verificar seu desempenho.

Assinale a alternativa correta:

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1. A quantidade demandada de um produto qualquer é influenciada


pelos fatores abaixo, exceto:
a) custo ou tecnologia de produção;
b) gosto ou preferência do consumidor;
c) nível de renda dos consumidores;
d) preço do produto considerado;
e)preço de produtos substitutos.

2. A quantidade ofertada de um produto qualquer é afetada pelos


fatores abaixo, exceto:
a) preço dos produtos com técnica de produção semelhante;
b) renda dos consumidores;
c) preço do produto considerado;
d) custo ou tecnologia de produção.

3. Os fatores abaixo causam variação da demanda (deslocamento da


curva), exceto:
a) um aumento da renda real dos consumidores;
b) mudança na preferência dos consumidores;
c) mudança no preço dos produtos substitutos;
d) mudança no preço do produto considerado;
e) crescimento da população do mercado considerado.

4. Os fatores abaixo causam um deslocamento da curva de oferta,


exceto:
a) redução dos custos de produção;
b) saída do mercado de diversos produtores;
c) mudança do gosto ou preferência do mercado consumidor;
d) variação do preço dos produtos de tecnologia similar;
e) todas as alternativas anteriores.

5. Suponha que um determinado tipo de sandália feminina entrou na


moda. A partir desta informação, pode-se esperar:
a) um deslocamento da curva de demanda para a direita, e
conseqüente redução de seu preço;
b) um deslocamento da curva de oferta para a direita, e
conseqüente queda no preço da sandália;
c) um deslocamento tanto da curva de demanda como da curva de
oferta para a direita;
d) um deslocamento da curva de demanda para a direita e
conseqüente aumento do novo preço de equilíbrio;
e) um deslocamento ao longo das curvas de oferta e de demanda.

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6. Com relação às curvas de oferta e demanda, estão corretas as


afirmativas abaixo, exceto:
a) se o preço do produto considerado se alterar, as duas curvas se
deslocam;
b) se o preço do produto substituto se elevar a curva de demanda
se desloca para a direita;
c) se o custo de produção se reduzir, a curva de oferta se desloca
para a direita e para baixo;
d) a curva de demanda não é afetada pela tecnologia de produção;
e) o preço de equilíbrio é aquele que iguala as quantidades
ofertadas e demandadas.

7. Numa economia em concorrência perfeita, as curvas de oferta e


procura de determinado bem são Qs = 4P + 4 e Qd = 16 – 2P, onde
Qs, Qd e p são, respectivamente, quantidades ofertadas e
demandadas e P o preço.
Neste caso, o preço e a quantidade de equilíbrio são,
respectivamente:
a) 120 e 20,00;
b) indeterminados;
c) 12 e 2,00;
d) 10 e 15,00;
e) 2,00 e 12.

8. Considerando os dados da questão 15, anterior, e supondo que o


governo tabelou o preço de venda desse produto em 1,00, haverá
um excesso de demanda igual a:
a) 4 unidades;
b) 14 unidades;
c) 10 unidades;
d) 6 unidades;
e) impossível de definir.

9. Se a curva de demanda permanecer inalterada, deslocando-se para


menos a curva da oferta:
a) as quantidades transacionadas diminuem, mas o preço de
equilíbrio não se altera;
b) as quantidades transacionadas se reduzem, e o preço de
equilíbrio deve se elevar;
c) o preço de equilíbrio se altera para mais e somente a oferta
crescerá;
d) o preço de equilíbrio e as quantidades transacionadas
movimentam-se na mesma direção, ambos se elevam;

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e) o preço de equilíbrio e as quantidades transacionadas se


movimentam na mesma direção, ambos se reduzem.

10. Numa indústria em concorrência perfeita, a curva de oferta é defi-


nida por Qs = 600P – 1000, enquanto a curva de demanda é
definida por Qd = 4500 – 400P. Neste caso, a quantidade
transacionada de equilíbrio (Qe) e o preço de equilíbrio (Pe) serão,
respectivamente:
a) 2,00 a 5,50;
b) 2300 e 5,50;
c) 5,00 e 4500;
d) 20,00 e 5500;
e) 5,50 e 5500.

11. Sabe-se que o bem X é substituto do bem Y e que o mercado de X


encontra-se em equilíbrio. Se ocorrer uma redução no preço de Y,
com tudo o mais permanecendo constante, haverá repercussões no
mercado de X. Não havendo tempo para que este mercado se
reequilibre, observar-se-á a constituição de um excesso da:
a) demanda sobre a oferta no mercado, com tendência à elevação
do preço de X;
b) oferta sobre a demanda no mercado, com tendência à redução
do preço de X;
c) demanda sobre a oferta no mercado, com tendência à redução
do preço de X;
d) oferta sobre a demanda no mercado, com tendência à elevação
do preço de X;
e) oferta sobre a demanda no mercado, com tendência à elevação
do preço de Y.

12. Sabe-se que X é complementar de Y. Se ocorrer uma queda do


preço de Y, ceteris paribus, haverá repercussões no mercado de X,
levando-o, num primeiro momento, a uma situação de desequilíbrio.
Caso haja tempo para que o mercado de X se reequilibre, deve-se
esperar:
a) uma redução do preço de X, porque a curva de oferta desse
bem se deslocará para a direita, mantendo-se fixa a posição da
curva de demanda;
b) uma elevação do preço de X, porque a curva de oferta desse
bem se deslocará para a esquerda, mantendo-se fixa a posição
da curva de demanda.
c) uma redução do preço de X, porque a curva de demanda desse
bem se deslocará para a esquerda, mantendo-se fixa a posição
da curva de oferta;

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d) uma elevação do preço de X, porque a curva de demanda desse


bem se deslocará para a direita, mantendo-se fixa a posição da
curva de oferta;
e) uma elevação do preço de X, porque a curva de demanda desse
bem se deslocará para a direita, mantendo-se fixa a posição da
curva de oferta;

13. Sabe-se que X é um bem inferior. Se ocorrer um aumento na renda


dos consumidores do bem, com tudo o mais permanecendo
constante, haverá repercussões no mercado de X, levando-o, num
primeiro impacto, a uma situação de desequilíbrio. Caso haja tempo
para que o mercado se reequilibre, deve-se esperar:
a) uma elevação do preço de X, porque a curva de oferta desse
bem se deslocará para a esquerda, mantendo-se fixa a posição
da curva de demanda;
b) uma redução do preço de X, porque a curva de oferta desse
bem se deslocará para a esquerda, mantendo-se fixa a posição
da curva de demanda;
c) uma redução do preço de X, porque a curva de demanda desse
bem se deslocará para a esquerda, mantendo-se fixa a posição
da curva de oferta;
d) uma elevação do preço de X, porque a curva de demanda desse
bem se deslocará para a direita, mantendo-se fixa a posição da
curva de oferta.

14. Suponha que o mercado de X está equilibrado ao nível de Po e Qo e


que X é substituto de outro bem Y. Se ocorrer um aumento no preço
de Y, ceteris paribus, deve-se esperar:
a) uma elevação do preço de X, porque a curva de demanda desse
bem se deslocará para a direita, mantendo-se fixa a posição da
curva de oferta;
b) uma redução do preço de X, porque a curva de demanda desse
bem se deslocará para a esquerda, mantendo-se fixa a posição
da curva de oferta;
c) uma redução do preço de X, porque a curva de oferta desse
bem se deslocará para a direita, mantendo-se fixa a posição da
curva de demanda;
d) uma elevação do preço de X, porque a curva de oferta desse
bem se deslocará para a esquerda, mantendo-se fixa a posição
da curva de demanda.

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ESTRUTURAS DE MERCADO

15. São características da concorrência perfeita, exceto:


a) atomização de vendedores e compradores;
b) livre entrada e saída de compradores e vendedores;
c) perfeito conhecimento das condições do mercado (preço e
quantidade) pelos agentes econômicos;
d) pequeno número de grandes empresas vendendo uma grande
variedade de produto;
e) produtos homogêneos.

16. São características do oligopólio, exceto:


a) alto grau de controle sobre os preços pelas empresas
participantes;
b) grande nº de pequenas empresas vendendo produtos bastante
diferenciados;
c) as empresas não fazem guerra de preços;
d) as empresas fazem guerra de publicidade;
e) existe uma “interdependência” entre as empresas.

17. Com relação ao monopólio, estão corretas as afirmativas abaixo,


exceto:
a) só existe um produtor do produto;
b) o monopolista fixa o preço no nível que bem entender, isto é,
fixa-o sempre no nível mais alto;
c) em princípio, o monopólio é proibido por lei;
d) o produto não tem substituto próximo.

18. Com relação à concorrência monopolística, estão corretas as


afirmativas abaixo, exceto:
a) muitas empresas vendendo produtos diferenciados, mas
próximos substitutos;
b) a diferenciação de produto pode ser real ou imaginária (criada
pela propaganda);
c) é uma forma de organização típica do mercado de varejo;
d) há concorrência extrapreço, como propaganda e embalagens do
produto;
e) as empresas têm total controle sobre seus preços.

19. Muitos vendedores e um só comprador definem o mercado como:


a) oligopólio;
b) concorrência perfeita;
c) concorrência monopolística;
d) monopólio;

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e) monopsônio.

20. A forma de concorrência imperfeita, onde a oferta de um bem


qualquer está concentrada em um limitado número de empresas
capazes de afetarem os preços de mercado, denomina-se:
a) monopólio;
b) monopsônio;
c) oligopólio;
d) oligopsônio;
e) concorrência monopolística.

21. Das atividades econômicas abaixo a que mais se aproxima de um


monopólio é:
a) a dos produtores de arroz do Estado de Goiás;
b) a dos fabricantes de sabão em pó;
c) a dos proprietários de postos de gasolina e de padarias;
d) a compra e venda de ações nas Bolsas de Valores;
e) a de fornecimento de energia elétrica pela CEB.

22. A concorrência extrapreço não é possível nem eficaz:


a) no oligopólio de produto diferenciado;
b) na concorrência perfeita.
c) no oligopólio de produto padronizado;
d) no monopólio;
e) na concorrência monopolística;

23. Com relação aos diversos tipos de mercado, marque V (verdadeiro)


ou F (falso) nas afirmativas abaixo.
a) ( ) Num mercado de concorrência perfeita, as firmas não
têm controle sobre o preço do produto.
b) ( ) Num mercado oligopolístico, as empresas têm grande
controle sobre o preço do produto.
c) ( ) Monopsônio é o mercado onde só há um vendedor ou
produtor de determinado produto.
d) ( ) A “atomização” de produtores e vendedores é uma
característica do mercado de concorrência monopolística.
e) ( ) Num mercado de concorrência perfeita, o produto das
inúmeras firmas participantes é padronizado.
f) ( ) Uma das características do oligopólio é que as firmas
não fazem guerra de preço, mas fazem guerra de publicidade.
g) ( ) Na concorrência monopolística, tanto os vendedores como os
compradores têm perfeito conhecimento (informações) sobre os
preços e quantidades negociadas.

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h) ( ) Num mercado de oligopólio, há livre entrada e saída de


vendedores e de compradores.
i) ( ) No mercado em concorrência monopolística, as
empresas são pequenas e vendem produtos diferentes mas
bastante próximos substitutos.
j) ( ) Para a empresa que funciona em mercado
perfeitamente competitivo, não há risco de “sobrar” produto ao
preço de mercado.
k) ( ) Por não ter concorrente, uma firma monopolística tenderá a
fixar o preço no nível mais alto para aumentar seus lucros.
_____________
GABARITO
1. a > o custo ou tecnologia de produção é um fator que afeta
a oferta e não a demanda;
2. b > a renda afeta a demanda e não a oferta;
3. d > a mudança no preço do produto considerado causa
deslocamento na curva (ou seja, variação na quantidade
demandada;
4. c > mudança de gosto ou de preferência do consumidor é
um fator de demanda;
5. d > veja item 2.7. do texto;
6. a > a variação de preço provoca um deslocamento ao longo
das duas curvas (de oferta e de demanda), e não das duas
curvas;
7. e > Solução: Em equilíbrio, a Qs = Qd; assim, fazendo as
devidas substituições, teremos:
4P +4 = 16 – 2P
6P = 12
P=2
Substituindo o valor de P encontrado, nas equações originais,
encontramos os valores de Qs e Qd, ou seja: Q = 12.
A resposta então é P = 2 e Q = 12.
8. d > é só você substituir P = 1 nas duas equações, achando
os valores de Qs e de Qd; a diferença entre as duas
responde a questão.
9. b > é só desenhar um gráfico com as duas curvas de oferta
e de demanda, e deslocar a curva de oferta para a

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esquerda, e verificar o novo P e a nova Q e depois


compará-los com a posição original.
10. b > veja exercício 7;
11. b > A curva do bem X se deslocará a esquerda e sobrará
produto no mercado e, assim, seu preço deve cair;
12. e > A curva de demanda se desloca para a direita e faltará
produto;
13. c > como se trata de um bem inferior, um aumento na
renda do consumidor provoca uma redução na sua demanda.
14. a > deixamos pra você a dedução;
15. d (se você tiver dúvida quanto às questões de 15 a 23, dê
uma revisada no item 2.2. do texto);
16. b 17. b 18. e 19. e 20. c 21. e 22. b;
23. aV; bV; cF; dF; eV; fV; gV; hF;
iV; jV; kF.
.......................

Até nossa próxima aula! Aliás, nossa 3ª aula é sobre


ELASTICIDADE-PREÇO – que serviu como “aula demonstrativa” –
lembra-se?
Assim, nossa próxima aula (que será a 4ª) já será de
macroeconomia! Até lá, então!

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AULA 3 – A ELASTICIDADE E SUAS APLICAÇÕES

Neste encontro vamos tratar de um dos temas mais importantes


da teoria econômica e que se aplica a qualquer assunto econômico: a
elasticidade. Embora seja um conceito comumente usado no estudo
das variações que ocorrem na demanda de um produto quando seu
preço varia, ela aparece também no estudo os efeitos da taxa de câmbio
sobre as exportações e importações de um país, no efeito da taxa de
juros sobre o nível da poupança e do investimento, enfim em
praticamente todos os temas econômicos.

Mas, o que vem a ser elasticidade? Qual a sua aplicação e


utilidade?

1. O conceito de elasticidade

Na teoria econômica, o termo elasticidade significa sensibilidade. Na


realidade, a elasticidade mostra quão sensíveis são os consumidores de
um produto X (ou seus produtores), quando o seu preço sofre uma
variação para mais ou para menos. Em outras palavras, a elasticidade
serve para medir a reação – grande ou pequena – desses consumidores
(ou de seus produtores) diante de uma variação do preço do produto X.
Neste caso, teríamos a chamada elasticidade-preço da demanda (ou, no
caso dos produtores, a elasticidade-preço da oferta) por este produto. O
mesmo raciocínio poderia ser aplicado em relação a uma variação na
renda real dos consumidores. Neste caso, estaríamos medindo o quanto
a demanda pelo bem X é sensível a uma variação na renda dos
consumidores – e teríamos, então, a chamada elasticidade-renda. Mas,
não vamos misturar as coisas: Vamos, primeiro, nos fixar no conceito de
elasticidade-preço. Depois analisaremos a questão da elasticidade-
renda.

2. A elasticidade-preço (Ep) da demanda

É fácil constatar que as pessoas reagem com intensidade diferente


diante de variações dos preços dos diferentes produtos. Se o sal sobe de
preço, as pessoas não vão deixar de comprá-lo por causa disso e,
provavelmente, nem vão reduzir a quantidade que costumam comprar
desse produto – já que o sal é essencial para elas. Também e por razões

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diferentes, as pessoas não devem reagir muito a um aumento no preço


de uma bala e, aqui, isso se explicaria pelo fato de que o preço da bala
é muito baixo e não afeta o bolso do consumidor. Sabe-se, também,
que as pessoas não reagem muito a um aumento do preço da gasolina –
e, neste caso, isso se deve provavelmente ao fato de que a gasolina,
sendo essencial para quem tem carro, não tem um substituto e o jeito é
arcar com este aumento. De outra parte, porém, se produtos como
automóveis, ou passagens aéreas e outros, subirem de preço, é
bastante provável que sua demanda se reduza significativamente.

Com esses exemplos, podemos ver que a reação das pessoas a uma
variação do preço de um produto depende muito do tipo de produto. Em
alguns casos, a reação pode ser muito grande, em outros pequena e em
uns poucos casos nem reação há. E note-se que é importante – para os
produtores/vendedores, principalmente – saber se o consumidor do
produto X reage muito ou pouco a um variação – aumento ou redução –
do seu preço, pois isso vai ajudar o produtor a estabelecer um preço
“ótimo” para seu produto – ou seja, um preço onde sua receita pode ser
máxima. E para conhecer a elasticidade-preço da demanda pelo produto
X é preciso calculá-la. E é o que vamos fazer a seguir.

3. Calculando a elasticidade-preço da demanda

Suponha-se o seguinte comportamento da demanda de dois bens X e Y:

Demanda de X Demanda de Y
Px Qdx Py Qdy
1º instante 10 100 20 80
2º instante 12 60 24 76

Note-se que, entre o primeiro e o segundo instante, o preço de


ambos os produtos subiu 20%. No entanto, é fácil verificar que a reação
do consumidor – medida pelas quantidades adquiridas (Qd) - foi
bastante diferente nos dois casos. Enquanto no caso do produto X, a
demanda se reduziu 40% (caindo de 100 para 60), no caso do produto Y
a quantidade demandada só se reduziu 5% (caindo apenas 4 unidades
de um total de 80).
Diante desse exemplo, pode-se concluir que a demanda do
consumidor pelo produto X é mais sensível a uma variação do preço do

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que a do produto Y. Esta sensibilidade – maior ou menor – pode ser


medida pelo chamado

coeficiente de elasticidade-preço da demanda (Ep) - que mede a


variação percentual na quantidade demandada de um produto em
conseqüência de uma variação percentual em seu preço.
Veja que se trata de variações percentuais na quantidade e no preço e
não variações absolutas. Isso porque variações absolutas não nos dizem
nada. Um aumento de R$ 100,00 (isto é, uma variação absoluta) no
preço de um carro não significa quase nada, ao passo que uma variação
de R$ 10,00 no preço do quilo de feijão poderá até derrubar o Ministro
da Agricultura.
Matematicamente, a elasticidade-preço da demanda é definida pela
fórmula:

Ep = Variação percentual na quantidade demandada

Variação percentual no preço


O numerador desta fração – ou seja, a variação percentual na
quantidade demandada, é dada por:
∆Q
, onde∆Q = Q2 − Q1
Q
e o denominador – isto é, a variação percentual no preço, é dada por:

∆P
, onde∆P = P2 − P1
P
Assim, temos:

∆Q
∆ %Q Q
Ep = =
∆% P ∆P
P
No exemplo numérico acima, nós teríamos no caso do bem X:
40%
Epx = =2
20%
E, no caso do bem Y:

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5%
Epy = = 0,251
20%

Uma questão que se coloca é a seguinte: para o cálculo da elasticidade,


deve-se tomar o preço (P) e a quantidade (Q) originais ou o novo preço
e a nova quantidade? Tudo depende da convenção.
Suponha um produto com uma curva de demanda como ilustrado na
Figura 1. No ponto A, temos que, ao preço (P) de R$ 10,00 a unidade, a
quantidade demandada (Q) é de 100 unidades; no ponto B, ao preço de
R$ 6,00, a Q é de 180 unidades.

Figura 1

Agora, suponha que o preço caia de R$ 10,00 (preço inicial) para R$


6,00 (novo preço) e, em conseqüência, a Qd aumente de 100 unidades
(inicial) para 180 (nova quantidade).

Como calcular a elasticidade no arco AB?


100 + 180
A solução no caso é tomarmos a quantidade média (ou, ) e o
2
10 + 6
preço médio (ou, ), e teríamos:
2

1
Note-se que, na realidade, o valor encontrado seria um número negativo, já que as variações da demanda
(40% e 5%) são negativas. Mas, para efeito de interpretação da elasticidade-preço da demanda, o que importa
é o valor absoluto desta.

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∆Q 80
Q( m é d i o) 140 80 8 640 (2)
Ep = = = × = = 114
,
∆P 4 140 4 560
P( m é d i o ) 8

Alternativamente, ao invés de tomarmos o P e o Q médios, nós


poderíamos usar o P e Q originais (mas aí estaríamos medindo a
elasticidade no ponto A), ou então, poderíamos usar o P e o Q novos
(mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto B).
A elasticidade-preço da demanda no ponto A será, então:

∆Q 80
Q0 80 10 800
Ep = = 100 = × = = 2,0
∆P 4 100 4 400
P0 10

e a elasticidade-preço no ponto B será:


∆Q 80
Q1 180 80 6 480
Ep = = = x = = 0,67
∆P 4 180 4 720
P1 6
Por convenção, utiliza-se mais comumente a primeira fórmula, isto é,
tomam-se a quantidade e o preço médios, quando se tratar do cálculo
da elasticidade-preço no arco A-B (isto é, no intervalo entre os pontos A
e B).

4. Classificação da elasticidade e receita total

Como dissemos no início, o conceito de elasticidade tem muitas


aplicações úteis. Conhecendo-se a elasticidade de um produto, podemos
saber se a receita total (P x Q) irá ou não aumentar diante de uma
queda ou de um aumento nos preços. Tudo vai depender da intensidade
da reação dos consumidores diante de variações nos preços.
Há três situações possíveis:
1ª - A variação percentual na quantidade é maior que a variação
percentual no preço, ou seja, na fórmula da elasticidade, o numerador é

(1) Na realidade, normalmente, o valor da elasticidade-preço da demanda é negativo porque um aumento do preço (efeito positivo)
provoca uma queda na demanda (efeito negativo) e vice-versa. Mas nós esquecemos o sinal e consideramos o valor absoluto da
elasticidade.

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maior que o denominador e, então, em termos absolutos, isto é,


desprezando-se o sinal (que, no caso da demanda é sempre negativo) a
Ep > 1. Nesse caso, a demanda deste produto denomina-se elástica
em relação a seu preço.
2ª - A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual
no preço: então, em termos absolutos, Ep = 1 e a demanda deste bem
apresenta elasticidade unitária em relação ao seu preço.
3ª - A variação percentual na quantidade é menor que a variação
percentual no preço: então, Ep < 1 e a demanda denomina-se
inelástica a preço.

Adicionalmente, há ainda dois casos, um tanto raros, é verdade, a


considerar:
a) quando a curva de demanda é inteiramente horizontal ao nível de um
determinado preço e, nesta hipótese, temos uma demanda
infinitamente elástica a preço;
b) quando a curva de demanda é inteiramente vertical – o que
demonstra que a quantidade demandada é insensível a variações no
preço do produto e, nesta hipótese, temos uma demanda totalmente
inelástica a preço.

Elasticidade-preço X receita dos produtores

E agora vem a pergunta: qual a importância ou utilidade de se saber se


a demanda de um produto é elástica ou inelástica? A resposta é
simples: é a magnitude da elasticidade-preço que vai orientar o
produtor/vendedor se ele deve aumentar ou reduzir seu preço para
aumentar sua receita. Se o valor numérico da elasticidade-preço é alto –
isto é, maior que 1, em valor absoluto, e, portanto, a demanda é
elástica -, significa que os consumidores reagem muito a variações de
preços do produto – ou, em outras palavras, se o preço aumentar um
pouco, os consumidores reduzirão muito sua demanda daquele produto.
O inverso também é verdadeiro: se ele reduzir um pouco seu preço,
suas vendas deverão aumentar muito. O mesmo raciocínio vale para o
caso em que o valor numérico da elasticidade-preço seja pequeno - isto
é, menor que 1 em valor absoluto, sendo, portanto, a demanda
inelástica.
Assim entendido, podemos tirar as seguintes conclusões relativamente
aos efeitos de variações de preços sobre a receita total do vendedor:

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i) - Se o produto tem uma demanda elástica, um aumento de P


provocará uma queda na receita total porque a redução percentual da
quantidade demandada será maior que o aumento percentual de preços.
Nesse caso, o produtor deve baixar o preço para aumentar a receita.
Isso ocorre porque a quantidade demandada aumentará
percentualmente mais que a perda percentual de preços.
ii) - Se a elasticidade-preço da demanda é unitária, a receita total não
se alterará com aumentos ou reduções de preços. Isso porque, se o
produtor aumentar o preço em 10%, a quantidade demandada cairá
10%; se ele reduzir o preço em 10%, a quantidade aumentará 10%, e
assim por diante.
iii) - Se o produto for inelástico, uma queda de preços provocará uma
queda de receita total porque a redução percentual de P não será
compensada pelo aumento percentual da quantidade demandada. Nesse
caso, o produtor deve aumentar o preço para aumentar sua receita
total, já que a quantidade demandada cairá percentualmente menos que
o aumento percentual nos preços.

6. Fatores que influenciam a magnitude da elasticidade-preço

Mas, afinal de contas, o que leva um produto a ter uma demanda


elástica ou inelástica? Ou como identificar, sem necessidade de fazer
cálculos, um produto de demanda elástica ou inelástica?
Embora rigorosamente só se possa afirmar que a demanda do produto X
é elástica ou não em relação a variações em seu preço a partir de uma
pesquisa específica, os produtos possuem certas características que nos
permitem concluir a priori se eles são mais ou menos elásticos a
variações em seu preço3, a saber:
i) Essencialidade do produto – parece claro que quanto maior o
grau de utilidade ou de essencialidade do produto para o consumidor,
menos elástica (ou seja, mais inelástica) tende a ser sua demanda. De
fato, se o produto é essencial para o consumidor, aumentos em seu
preço reduzirão pouco ou quase nada suas compras. Da mesma forma,
reduções de preço desses produtos não deverão provocar aumentos em
sua compras, pois o consumidor tende a comprar um certa quantidade –
digamos, fixa – dos mesmos. É o que ocorre, geralmente, com os bens
de primeira necessidade, como alimentos, serviços de saúde ou de
educação – que sabidamente têm demanda inelástica a preço. De outra

3
Essas características foram apontadas pioneiramente pelo famoso economista inglês Alfred Marshall (1842-
1924) em seus Principles of Economics.

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parte, produtos supérfluos, para o consumidor, como jóias e perfumes,


tendem a ter demanda elástica a preço.

ii) Quantidade de substitutos – também parece inquestionável a


afirmação de que, se o produto tiver muitos substitutos próximos, um
aumento de seu preço deve estimular o consumidor a mudar de
produto, reduzindo, portanto, a demanda daquele cujo preço se elevou
(se o preço do Palio se elevar, o consumidor tenderá a substitui-lo por
Gol 1000, ou por Fiesta, etc). Ou seja, quanto mais substitutos houver
para um produto X, mais elástica a preço será sua demanda.
Obviamente, o contrário ocorre na hipótese de o produto não ter
substitutos próximos (como é o caso do sal). Nesta hipótese, mesmo
ocorrendo um aumento do preço do produto, o consumidor tenderá a
continuar adquirindo a mesma quantidade de antes, por simples falta de
opção – o que torna sua demanda inelástica a preço.

iii) Peso no orçamento do consumidor – quanto menor for o preço


do produto, menos ele pesará no bolso do consumidor, como é o caso
da caixa de fósforos. Assim, aumentos no preço de um produto
“barato”, tendem a não alterar a demanda daquele produto, como seria
o caso se o preço da caixa de fósforos passasse de 20 centavos para 30
centavos (um aumento de 50%!). Nesta hipótese, a demanda desses
produtos ditos “baratos” tende a ser inelástica a preço, ocorrendo o
contrário no caso dos produtos mais caros, como carros, passagens
aéreas, etc.

iv) Nível de preço – este é um aspecto pouco abordado pelos livros-


textos de Economia, mas a verdade – facilmente comprovável – é que
se o preço do produto estiver na parte superior da curva de demanda,
mais elástica tende a ser sua demanda, ocorrendo o contrário se o preço
estiver na parte inferior da curva4.

7. Elasticidade da oferta

O conceito da elasticidade também se aplica no caso da oferta, para


medirmos a reação dos produtores às variações de preço. Em síntese,
podemos assim definir a elasticidade-preço da oferta:

4
Isso é certamente verdade no caso de uma curva de demanda retilínea, negativamente inclinada, e é
geralmente válido para a demanda expressa por uma curva propriamente dita.

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A “elasticidade-preço da oferta mede a variação percentual na


quantidade ofertada de uma mercadoria em conseqüência de uma dada
variação percentual em seu preço”.
A exemplo da elasticidade da demanda, podemos obter diferentes
valores para a elasticidade da oferta conforme utilizemos o preço e a
quantidade originais ou novos. Também aqui, por convenção, é
preferível utilizarmos P e Q médios, sendo a fórmula de cálculo dada
por:

Ep = Variação percentual na quantidade ofertada


Variação percentual no preço
∆Q
∆ % Q Q( mé d i o)
ou, Ep = =
∆% P ∆P
P( mé d i o)

Tomando por exemplo a curva de oferta da Figura 2, suponha que, ao


preço inicial de R$ 10,00 por quilo, os produtores estarão dispostos a
vender 200kg de arroz; se o preço se elevar para R$ 15,00, a oferta
crescerá para 280kg. Vamos calcular a elasticidade desta curva de
oferta no arco AB.

Figura 2

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∆%Q 80
Q( m é d i o ) 240 80 12,5 1000
Ep = = = × = = 0,83
∆% P 5 240 5 1200
P( mé d i o) 12,5

Dependendo do número que se obtém, após este cálculo, a elasticidade-


preço da oferta também será classificada como:
i) elástica , se o coeficiente encontrado for maior que 1,0;
ii) unitária, se o coeficiente encontrado for igual a 1,0;
iii) inelástica, se o coeficiente encontrado for menor que 1,0,
valendo lembrar que, como os preços e quantidades ofertadas variam
na mesma direção, o coeficiente da elasticidade-preço da oferta terá
sempre um sinal positivo.

8. Elasticidade-preço-cruzada

Diferentemente da elasticidade-preço anterior, esta elasticidade-preço-


cruzada mede a sensibilidade da demanda do bem X a variações nos
preços do bem Y. Matematicamente, é medida pela razão entre as
variações percentuais da quantidade demandada de um bem X e as
variações percentuais de preço do bem Y. Ou:
∆%Q x
E xy =
∆ % Py

Esta razão pode assumir valores negativos e positivos ou, ainda, ser
igual a zero.
– Se o resultado for < 0, isto é, negativo, os dois bens são
complementares.
– Se o resultado for > 0, isto é, positivo, os dois bens são substitutos ou
sucedâneos.
– Se o resultado for = 0, os dois bens não guardam qualquer
relação de consumo entre si.

Exemplo:
Suponha que X seja manteiga e Y seja margarina (dois produtos
tipicamente substitutos).
Se o preço de Y subir (+), a quantidade demandada de manteiga deve
aumentar ( + ). Logo, dividindo-se um valor positivo por outro positivo,
o resultado será um valor positivo e, portanto os bens são substitutos.

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Analise a hipótese de X = pneu e Y = carro. O que deve ocorrer, caso o


preço do carro aumente (ceteris paribrus)?

9. Elasticidade-renda

A elasticidade-renda (Er) mede a razão entre a variação percentual da


quantidade demandada de um bem X e a variação percentual da renda
real do consumidor. Ou:
∆%Qx
Er =
∆ %R

Dependendo do valor do coeficiente da elasticidade-renda obtido, o bem


será classificado em bem inferior, ou bem normal ou bem superior.
Assim, por exemplo, suponha que a renda dos consumidores tenha se
elevado, num certo período de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00, em
conseqüência, a quantidade demandada dos bens A, B, C e D, se
alteraram de Qd0 para Qd1, conforme a tabela a seguir:

Bens Qd0 Qd1


A 20 18
B 25 30
C 30 78
D 10 15
E 40 40
Utilizando a fórmula acima, podemos calcular a elasticidade-renda
para os cinco bens acima, assim:
− 10%
i) Er (bem A) = = - 0,33
30%
20%
ii) Er (bem B) = = 0,66
30%
30%
iii) Er (bem C) = = 1,0
30%
50%
iv) Er (bem D) = = 1,67
30%

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0%
v) Er (bem E) = =0
30%
Observe-se que a quantidade demandada do bem A diminuiu
quando a renda aumentou. Quando se verifica esta relação inversa entre
variação na renda do consumidor e a conseqüente variação no consumo
de um bem, este bem é denominado de bem inferior – como é o caso do
bem A. Em conseqüência, o coeficiente da elasticidade-renda dos bens
inferiores é negativo, refletindo o fato de que, no caso desses bens, o
seu consumo cai quando a renda cresce.
No caso do bem B, verificamos que o seu consumo cresceu quando
a renda cresceu, embora tenha crescido proporcionalmente menos que o
crescimento da renda – o que forneceu um coeficiente da elasticidade-
renda positivo, porém menor que 1, ou seja, a demanda desse bem
inelástica a renda. Estes bens são denominados bens normais – que
são aqueles cuja demanda tende a acompanhar a direção da variação
renda. Se a renda cai, o seu consumo também cai; se a renda cresce, o
seu consumo também cresce, ainda que não na mesma intensidade.
No caso do bem C, o aumento do consumo se deu na mesma
intensidade do aumento na renda (ambos cresceram 30%), e por isso, o
coeficiente da elasticidade-renda foi positivo, igual a 1, ou seja, a
elasticidade-renda é unitária. Estes bens também são classificados
como bens normais.
No caso do bem D, o consumo cresceu proporcionalmente mais
que o crescimento na renda, dando um coeficiente de elasticidade-renda
positivo maior que 1 – ou seja, a elasticidade-renda neste caso é
elástica. Estes bens são denominados bens superiores.
Por fim, temos o caso do bem E, cujo consumo não se alterou em
decorrência do aumento da renda, fornecendo um coeficiente de
elasticidade-renda igual a 0. Esses bens anelásticos a renda são também
considerados bens normais, geralmente se aplicando ao caso dos bens
de consumo saciado (alimentos básicos, por exemplo).
Em síntese, em relação à elasticidade-renda, temos as seguintes
conclusões:
– Se o resultado desta razão for positivo maior que 1,0, o produto é
dito “bem superior”.
– Se o resultado situar-se entre 0 e 1,0 o bem é normal.
– Se o resultado for menor que 0, isto é, negativo, o produto é
chamado de “bem inferior”.

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10. Escassez, Tabelamento e Incidência Tributária

10.1 Escassez e excedente – tabelamento

Muitas vezes, o governo se vê obrigado a intervir no mercado através do


controle de preços ou tabelamento, com o objetivo de proteger os
consumidores. Isso ocorre sempre que um país atravessa um período de
aceleração inflacionária, ou quando o governo percebe a ação ou
comportamento de grupos de empresas – os oligopólios – que tentam
tirar proveito de seu “poder de mercado” reajustando abusivamente
seus preços.
Ao perceber que os preços que vigorarão no mercado serão muito
elevados, o governo resolve intervir, fixando um preço máximo para a
venda do produto – e que será, necessariamente, menor do que o preço
que vigoraria no mercado.
No Brasil, essa prática foi muito comum nos anos 80 e 90 do século
passado, como mostraram as experiências do Plano Cruzado, em 1986;
do Plano Bresser, em 1987; do Plano Verão (Mailson), em 1989 e do
Plano Collor II (ou Zélia), em 1991. Esses foram momentos bem
marcantes de “congelamentos” de preços que, no fundo, se traduzem
em verdadeiros tabelamentos. Afora esses momentos, existiam, ainda,
os controles permanentes de preços pela SUNAB, CIP, “Câmaras
Setoriais”, etc.
Não importa a forma, nem o órgão, nem o porquê do controle ou do
tabelamento de preços. O que importa, do ponto de vista da análise
econômica, é conhecer as conseqüências desse tabelamento.
Para tanto, vamos partir da Figura 3:

Figura 3

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O governo resolve tabelar o preço de x ao nível de P1. Pelo mercado, o


preço de equilíbrio seria Pe. Ao nível de P1 a QD é maior que Qs
surgindo um excedente da demanda sobre a oferta igual a QD - QS.
Esse excedente forçaria o preço a subir até Pe – o que é impedido pelo
congelamento. Com isso, surge uma demanda insatisfeita (igual a QD –
Qs), existindo diversas soluções para o problema, a saber:
(i) Aparecem as filas: Toda vez que, num mercado, houver excesso
de demanda, surgirão filas, seja nas bilheterias dos teatros, seja à porta
dos açougues, seja nos balcões das lojas, sendo que somente os que
chegarem primeiro serão atendidos.
(ii) Surgem as vendas preferenciais: Quando a demanda para um
concerto musical é maior que o número de bilhetes, muitas vendas são
feitas “por debaixo do pano”. Os promotores do espetáculo reservam
uma parte dos ingressos para convidados ilustres, para políticos ou para
fregueses mais regulares.
(iii) Surge o mercado negro: Sabendo que vai faltar ingresso, para
burlar o tabelamento, reduzem a quantidade contida no próprio produto,
vendendo-o, porém, ao preço tabelado. Assim, por exemplo, o rolo de
papel higiênico, antes com 45 metros, passa a 40 metros, o quilo de
carne passa a ter 900 gramas, o sabonete já não faz tanta espuma
como anteriormente, etc.
Como se vê, o controle ou congelamento de preços, ainda que seja um
instrumento útil para estancar temporariamente um processo infla-
cionário, provoca sempre outras distorções no mercado.

10.2 Incidência tributária

Qual será o efeito da imposição, pelo governo, de um imposto sobre a


venda de uma mercadoria? Quem pagará este imposto? O leitor menos
atento responderá que o imposto será pago pelo consumidor. No
entanto, isso pode ou não ser verdade. Tudo dependerá das
elasticidades da demanda e da oferta. Mas, antes de mais nada, é
preciso distinguir dois tipos de impostos: (i) o imposto específico – que
é um valor fixo que incide sobre o preço de venda, digamos, R$ 10,00;
e (ii) o imposto ad valorem – que é um percentual que recai sobre o
valor da venda, digamos, 15%.. Analisemos os dois casos:

a) Imposto específico

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O primeiro efeito do lançamento de um imposto específico é o


deslocamento da curva da oferta, igual, verticalmente, ao montante do
imposto.
Isso se explica pelo fato de que a curva de oferta representa as
quantidades que serão oferecidas pelo produtor em relação aos preços
praticados no mercado. Para qualquer preço P de mercado, o produtor
subtrai o imposto T, ficando com a diferença. Ou seja, o produtor
receberá o valor P2 que será dado por:
P2 = P 1 - T
O que ocorrerá com o preço e a quantidade de equilíbrio? A resposta
está ilustrada na Figura 4. A decretação de um imposto específico
desloca, como já foi dito, a curva de oferta para a esquerda. O novo
ponto de equilíbrio se dá onde a nova curva de oferta (S1) corta a curva
de demanda. Antes, P0 e Q0 eram, respectivamente, o preço e a
quantidade de equilíbrio. Agora, o equilíbrio se dá em P1 e Q1. Do preço
P1 o vendedor receberá apenas P2 (= P1 - T). Como P2 é menor que P0,
a oferta do produtor cai para Q1.
Figura 4

Neste exemplo, sobre quem recai efetivamente o imposto?


Pode-se dividir o montante do imposto (= P1 - P2) em duas parcelas, a
saber:
(i) P1 = P1 – P0 que corresponde ao aumento do preço de equilíbrio –
e, por conseqüência, representa a parcela do imposto a ser paga pelo
consumidor.
(ii) P2 = P0 – P2 que corresponde à redução no preço recebido pelo
produtor – e que, por conseqüência, representa a parcela a ser paga
pelo produtor.

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Qual das duas parcelas é a maior? Isto irá depender da elasticidade da


demanda e da oferta.
Observemos a Figura 5, onde são apresentadas duas curvas de
demanda. Dx e Dy, sendo Dx mais elástica (mais “deitada”) que Dy.
Ambas as curvas cruzam, inicialmente, a curva de oferta S0 no mesmo
ponto, definindo o preço e quantidade de equilíbrio inicial em P0 e Q0.
Com a decretação de um imposto específico, T, a curva de oferta se
desloca para S1. O novo preço de equilíbrio se dará no ponto onde as
duas curvas de demanda cruzam com nova curva de oferta (S1). No
caso do produto de demanda Dy, o novo preço será P2 e a quantidade
transacionada será Q2. Já para o produto de demanda Dx (mais
elástica), o preço será P1 (menor que P2) e a quantidade transacional
será Q1.

Figura 5

Lembre-se que o aumento do preço pós-imposto representa a parcela


do imposto repassada ao consumidor. No caso presente, o repasse
maior ocorreu no produto Dy (menos elástico). Isto se explica pelo fato
de que um produto de demanda inelástica implica que os consumidores
não reagem muito às variações de preços. Se isto é fato, o produtor
repassará o máximo do imposto ao preço, sabendo que os consumidores
não reduzirão muito suas compras do produto.

b) Imposto ad valorem

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Trata-se de um imposto que incide sobre o valor da venda,


representando, no caso, um percentual da receita do vendedor (ou
produtor). Assim, por exemplo, se o imposto (t%) for 20%, o produtor
receberá efetivamente apenas 80% do preço de mercado, isto é,
receberá P*, que será dado por:
P* = (1 – t%)P

Qual será o efeito da decretação de um imposto ad valorem?


Graficamente, a curva de oferta se tornará mais vertical, sendo o
coeficiente angular da nova curva de oferta (S1) dado pela taxa do
imposto, como mostra a Figura 6.

Figura 6 Figura 7

Pela Figura 7, com o deslocamento da curva de oferta, tanto o preço


como a quantidade de equilíbrio se alteram de P0 e Q0 para P1 e Q1,
respectivamente.
Tal como no caso do imposto específico, aqui, também, o montante do
imposto será dividido em duas parcelas:
∆P1 = P1 − P0 , que será paga pelo consumidor e
∆P2 = P0 − P2 , que será paga pelo produtor.

10.3 Política de preços mínimos

Com o objetivo de proteger os agricultores das flutuações climáticas


que, necessariamente, afetam sua colheita e, daí, alteram os preços de
mercado, o governo adota a chamada “política de preços mínimos” ou
“garantia de preços mínimos”.

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Tal política se justifica pelo fato de que se houver uma boa safra,
digamos, de milho, sua oferta será grande e, em conseqüência, seus
preços serão baixos, podendo, inclusive, ficar abaixo dos custos de
produção. Sendo a demanda por produtos agrícolas geralmente
inelástica, com uma baixa de preços, a receita dos produtores se
reduzirá. Com isso, os produtores não terão qualquer estímulo para
plantar milho no próximo ano, quando, então, haverá escassez do
produto e conseqüente aumento de preços.
Para evitar essas flutuações e os prejuízos para os produtores e para os
consumidores, o governo interfere no mercado fixando “preços
mínimos” que garantam uma remuneração compensatória aos
produtores. Este “preço mínimo de garantia” só será usado pelo
produtor se, por excesso de oferta, “o preço de mercado” se situar
abaixo do preço de garantia.
Para entender as conseqüências da adoção de uma política de preços de
garantia, consideremos a Figura 8 que, hipoteticamente, reflete o
mercado de milho, onde S é a oferta, D é a curva de demanda, Pe é o
preço de equilíbrio determinado pelas forças de mercado (oferta e
demanda) e Pm é o preço mínimo fixado pelo governo.

Figura 8

Como o Pm é maior que o preço de mercado (Pe), a receita garantida


aos produtores será OPm x OQs (ou igual à área OPmCQsO). Se não
houvesse o preço de garantia, a receita dos produtores seria dada pelo
preço de mercado multiplicado pela quantidade vendida, ou, OPe x
OQs, que, obviamente, seria menor que a anterior, já que Pe < Pm.
Para garantir aos produtores a receita definida pelo preço mínimo, o
governo dispõe de duas alternativas:

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i) fixa o preço em Pm e compra o excedente de milho, ou seja, BQs ao


preço de Pm ; ou
ii) deixa que o milho seja vendido ao preço de mercado, Pe, e concede a
cada agricultor um subsídio, em dinheiro, igual a Pm - Pe para cada
saca vendida.

A questão, então, é: qual dos dois programas é mais caro para o


governo? Antes de responder, vale lembrar que, em qualquer
alternativa, a receita dos produtores será dada pelo retângulo
OPmACO.
Se o governo optar pelo primeiro programa, isto é, comprar o
excedente, a despesa dos consumidores (DC) será dada por OPm x OB
(= OPmABO) e, conseqüentemente, a despesa do governo (DG) será
OPm x BQs (= BACQsB).
Observando que quanto maior a parcela paga pelos consumidores,
menor será a despesa do governo, e considerando que a demanda por
milho tem alta probabilidade de ser inelástica, a despesa dos
consumidores será maior no primeiro programa, compra do excedente
pelo governo. Isto porque, quando a demanda é inelástica, um aumento
do preço do produto de Pe para Pm eleva a receita do vendedor (isto é,
aumenta a despesa dos consumidores). Se esta é aumentada, significa
que a do governo diminui. (Observe-se que não se consideram, aqui, os
custos de armazenamento, nem as eventuais receitas que o governo
terá, mais tarde, com a venda de seu estoque).

11. Algumas conclusões-resumo desta nossa primeira aula

Aprendemos, hoje, então, o que é a elasticidade nos seus diversos


conceitos – elasticidade-preço da demanda e da oferta, a elasticidade-
renda e a elasticidade-preço-cruzada. Aprendemos, também, como
calculá-la e como interpretar os resultados encontrados. Fomos mais
além, analisando casos específicos de sua aplicação, como no caso de
políticas governamentais de tabelamento de preços, no caso da
incidência e do ônus do imposto sobre os consumidores (e,
eventualmente, sobre os produtores) e no caso das políticas de
garantidas de abastecimento postas em prática pelo Governo.
Nas nossas próximas aulas, veremos outras aplicações deste importante
conceito econômico, principalmente quando abordarmos a questão dos

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investimentos, da poupança, do mercado monetário e do comércio


exterior e do balanço de pagamentos.
Uma boa sorte para você, um abraço e até nosso próximo encontro!
______________

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Exercícios de fixação:

I) Exercícios resolvidos:
1. A elasticidade-preço da demanda do produto A é –0,1. Se o preço desse
produto aumentar em 2%, quanto deverá diminuir a quantidade demandada?
Solução: Utilizando a fórmula de cálculo da elasticidade-preço e fazendo as
devidas substituições pelos números dados pelo problema, tem-se:
∆%Qd ∆%Qd
Ep = = = −0,1
∆% P − 2%
Efetuando a conta acima, tem-se que a variação percentual da quantidade
demandada (∆%Qd) é igual a –2%. Ou seja, a quantidade demandada deverá
cair 2%.

2. A elasticidade-preço da demanda de um bem é –1,8 e a quantidade


demandada ao preço de mercado é de 5.000 unidades. Caso o preço do bem
sofra uma redução de 5%, qual deverá ser a nova quantidade demandada?
Solução: Novamente, vamos utilizar a fórmula da elasticidade-preço, com as
devidas substituições:
∆%Qd ∆%Qd
Ep = = = −1,8
∆% P − 5%
Ou seja, ∆%Qd = -5% x -1,8 = 9%; assim, a quantidade demandada teria
aumentado em 9%, ou em 450 unidades (9% de 5.000 unidades).
Deste modo, a nova quantidade passará a ser: 5.450.

3. Sabe-se que a demanda de um bem X qualquer é elástica a preço. Assim, se


o preço desse bem aumentar, tudo o mais permanecendo constante, o gasto
total do consumidor deste bem deve aumentar, cair ou permanecer
constante?
Solução: Para que a demanda de um bem seja elástica a preço, é necessário que
a ∆%Qd > ∆%P. Esta é a condição para que o resultado seja maior que 1 (em
valor absoluto). Ora, se um aumento, digamos, de 10% no preço do produto
provocar, digamos, uma queda na quantidade demandada de 20% (logo ∆%Qd
> ∆%P), a despesa ou gasto total do consumidor deve cair.

4. Suponha-se a seguinte função demanda linear:


Qdx = 600 – 5Px
Esta equação fornece uma curva de demanda representada por um linha reta tal
como representado no seguinte gráfico abaixo.
Pede-se: calcule a elasticidade-preço nas seguintes hipóteses:

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i) P = 90; ii) P = 60; e, P = 30.

120

90

60

30

0 150 300 450 600

Solução: O ponto médio corresponde ao preço de 60 (igual à média entre zero e 120) e à
quantidade de 300 (média entre zero e 600).
i) Vamos calcular a Ep correspondente ao preço de 60, utilizando como referência para o
cálculo o preço de 120 (que reduz a quantidade demandada para zero). Temos:
Px Qd
60 300
120 0
∆%Qd 100%
Ep = = =1
∆% P 100%

ii) Agora, vamos calcular a Ep para o preço de 30. A este preço, a quantidade demandada é
450 (Qd= 600 - 5 . 30 = 450). Assim, vamos calcular a Ep caso o preço suba de 30 para 60:
Px Qd
30 450
60 300
P ∆Q 30 150 4500
Ep= . = . = = 0,33
Q ∆P 450 30 13500

iii) Considerando, agora, uma queda do preço de 90 (onde a quantidade demandada é 150)
para 60, temos:

Px Qd
90 150
60 300
90 150
Ep = . =3
150 30

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Dos cálculos acima, pode-se concluir que uma curva de demanda representada por uma
linha reta tem elasticidade unitária no seu ponto médio, sendo elástica aos preços acima do
ponto médio e inelástica aos preços abaixo do ponto médio.

5. Numa indústria em concorrência perfeita, a curva de oferta de um produto qualquer é


definida por Qs = 600P – 1000, na ausência de impostos, enquanto a curva de demanda é
definida por Qd = 4500 – 400P. Suponha, então, que o Governo lance um imposto
específico T = 1,00 sobre este produto.
Calcule a quantidade transacionada de equilíbrio (Qe) e o preço de equilíbrio (Pe) antes e
depois do imposto.

Solução: Em equilíbrio, a quantidade ofertada (Qs) é igual à quantidade demandada (Qd),


ou Qs = Qd
Substituindo nesta igualdade, os valores de Qs e de Qd, temos:
600P – 1000 = 4500 – 400P
ou, 1000P = 5500
e, P = 5,50
Para acharmos a quantidade transacionada de equilíbrio, substituímos o valor encontrado
para P nas duas equações dadas pelo problema, assim:

Qs = 600 x 5,50 – 1000 = 2.300


Qd = 4500 – 400 x 5,50 = 2.300

Logo, antes do imposto a quantidade transacionada de equilíbrio é 2.300 e o preço de


equilíbrio é 5,50.

Vamos agora calcular a quantidade e o preço de equilíbrio depois do imposto (T = 1):


Antes de fazermos as devidas substituições, é bom lembrar que, agora, qualquer que seja o
preço de venda do produto, para o produtor o preço será um real a menos, já que ele tem de
recolher para o governo este imposto. Assim, se ele vender o produto por 5,00, para ele é
4,00; se ele vender por 7,00, para ele é 6,00. Quanto ao consumidor, o preço que ele paga é
sempre o preço que estiver no mercado. Se o preço for 5,00, para ele é mesmo 5,00; se o
preço for 7,00, ele pagará este preço, independentemente de ter ou não um imposto
embutido no preço.
Assim, o imposto só vai afetar a equação da oferta. Para sabermos qual a quantidade
ofertada, após o imposto, temos de retirar do preço (P) o imposto, ficando assim a equação
da oferta:
Qs = 600(P-1) – 1000
A equação da demanda, como foi dito, não é afetada, já que, para o consumidor, o preço P é
de fato o preço que ele paga.
Assim, igualando as duas equações, teremos:
600(P-1) – 1000 = 4500 – 400P
ou, 600P – 600 - 1000 = 4500 – 400P
1000P = 6100
e, P = 6,10

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Ou seja, o imposto de 1,00 elevou o preço de 5,50 para 6,10. A este novo preço a
quantidade ofertada será:
Qs = 600 x (6,10 – 1) – 1000 = 2.060
e a quantidade demandada será:
Qd = 4500 – 400 x 6,10 = 2.060.

Assim, o efeito do imposto foi elevar o preço para o consumidor (de 5,50 para 6,10) – o que
fez a quantidade demandada cair – e reduzir o preço recebido pelo produtor (6,10 – 1,00 =
5,10) – o que fez, também, a quantidade ofertada cair.

II – Exercícios propostos (veja gabarito ao final)

Múltpla escolha: Assinale a alternativa que responde a proposição:

1. Se a receita total se eleva quando o preço se reduz, pode-se dizer, então, que a demanda
é:
a) inelástica;
b) tem elasticidade unitária;
c) vertical;
d) elástica;
e) horizontal.

2. A demanda por um produto é mais elástica:


a) quanto maior for o nº de bens substitutos disponíveis;
b) quanto menor for a proporção da renda do consumidor despendida no produto;
c) quanto menor for o período de tempo considerado;
d) quanto mais essencial for o produto;
e) depende de preferência do mercado.

3. A elasticidade-cruzada da procura de um bem X em relação ao preço do bem Y é – 1,5.


A partir desta informação pode-se concluir que o bem X é:
a) substituto do bem Y, com demanda elástica em relação ao preço de Y;
b) complementar ao bem Y, com demanda elástica em relação ao preço de Y;
c) substituto do bem Y, com demanda inelástica em relação ao preço de Y;
d) complementar do Y, com demanda inelástica em relação ao preço de Y;
e) os dois bens não estão relacionados no consumo.

4. A proporção da renda gasta na aquisição de carne cresce à medida que aumenta a renda
do indivíduo (mantidos constantes os preços). Logo, a elasticidade-renda da procura da
carne é, para ele:
a) zero;
b) negativa;
c) menor que 1;
d) maior que 1.

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5. A elasticidade-preço da demanda do bem X é 0,5. Daí, pode-se concluir que:


a) um aumento no preço de X deve provocar um aumento na sua demanda em
proporção maior que a redução do preço;
b) uma redução do preço de X deve aumentar a demanda em proporção maior que a
redução do preço;
c) uma redução do preço de X provoca um aumento da demanda em proporção
menor que a redução no preço;
d) é impossível afirmar qualquer coisa sem conhecer o mercado do bem.

6. Num mercado em concorrência perfeita, na ausência de imposto, a curva de oferta de um


determinado produto é dada por Qs = 600P – 900 e a curva de demanda é dada por Qd
= 3500 - 200P. O governo, então, decide decretar um imposto específico T = 2. Neste
caso, os preços de equilíbrio, antes e após o imposto, são, respectivamente:
a) 5,50 e 6,20;
b) 6,75 e 5,50;
c) 5,50 e 7,00;
d) 5,50 e 6,75;
e) 7,00 e 5,50.

7. O governo lança um imposto específico (T) sobre determinado produto fabricado em


regime de concorrência perfeita. Pode-se garantir que, a curto prazo, o ônus do
imposto:
a) incidirá totalmente sobre o consumidor;
b) recairá inteiramente sobre o produtor;
c) será dividido entre produtores e consumidores, conforme o poder político de cada
grupo;
d) será dividido entre dois grupos (produtores e consumidores), de acordo com as
elasticidades-preço da oferta e da demanda;
e) nada pode ser afirmado a priori, sem se conhecer o produto.

8. A carga paga pelos consumidores, por um imposto unitário, arrecadado dos produtores
será:
a) maior quanto mais elástica for a curva de demanda;
b) maior quanto mais inelástica for a curva de demanda;
c) maior quanto mais inelástica for a curva de oferta;
d) maior quanto menor o controle do Governo sobre o mercado;
e) sempre maior que a carga paga pelos produtores.

9. A proporção da renda gasta na aquisição do bem X cresce à medida que aumenta a renda
real dos indivíduos. A partir desta afirmativa, pode-se concluir que:
a) a elasticidade-renda da procura deste bem é menor que 1 e X é um bem inferior;
b) a elasticidade-renda da procura é igual a 1 e o bem é normal;
c) a elasticidade-renda da procura é maior que 1 e o bem é normal;

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d) a elasticidade-renda da procura é negativa e o bem é inferior;


e) a elasticidade-renda da procura é maior que 1 e X é um bem superior.

10. A elasticidade cruzada da demanda do bem X em relação ao preço do bem Y é – 0,5. A


partir desta informação, pode-se concluir que o bem X é:
a) substituto bruto do item Y, com demanda elástica em relação ao preço de Y;
b) complementar do bem Y, com demanda inelástica em relação ao preço de Y;
c) substituto bruto do bem Y, com demanda inelástica em relação ao preço de Y;
d) complementar bruto do bem Y, com demanda elástica em relação ao preço de Y;
e) complementar do bem Y, com elasticidade unitária em relação ao preço de Y.

11. Se a elasticidade-arco da procura por carne for igual a –2 e se o preço do quilo passar
de R$ 9,00 para R$ 11,00, a queda percentual na quantidade procurada será de:
a) 20%;
b) 50%;
c) 30%;
d) 25%;
e) 40%.

12. (Questão da prova do concurso para Auditor do Tesouro Municipal –Recife-2003)


Considerando uma curva de demanda representada por uma linha reta, é correto afirmar:
a) no ponto médio da “curva” de demanda, a elasticidade-preço da demanda é zero;
b) o valor absoluto da elasticidade-preço da demanda é igual a 1 e constante em todos
os pontos da “curva” de demanda;
c) o valor absoluto da elasticidade-preço da demanda é maior que 1 para todos os
pontos da “curva” de demanda;
d) a elasticidade-preço da demanda varia ao longo da “curva” de demanda;
e) quando P = 0, a elasticidade-preço da demanda é igual a 1.

13. (Questão da prova de Analista de Planejamento e Orçamento – MPOG – 2003)


Considerando uma curva de demanda por um determinado bem, pode-se afirmar que:
a) independente do formato da curva de demanda, a elasticidade-preço da demanda é
constante ao longo da curva de demanda, qualquer que sejam os preços e
quantidades;
b) na versão linear da curva de demanda, a elasticidade-preço da demanda é 1 quando
Q = zero;
c) na versão linear da curva de demanda, a elasticidade-preço da demanda é zero
quando p = zero;
d) independente do formato da curva de demanda, a elasticidade nunca pode ter o seu
valor absoluto inferior à unidade;
e) não é possível calcular o valor da elasticidade-preço da demanda ao longo de uma
curva de demanda linear.

14. (Questão da prova TCU –Analista de Finanças e Controle Externo – 2000) Sobre a
incidência de um imposto sobre a venda de uma mercadoria específica é correto afirmar
que:

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a) em um mercado concorrencial aumentará os preços se a demanda for inelástica e a


oferta elástica;
b) haverá aumento de preço de preço se a curva de demanda for totalmente elástica e o
mercado for concorrencial;
c) implicará um aumento de preços apenas em mercados oligopolizados;
d) não provocará aumento nos preços em mercados concorrenciais, podendo provoca-
lo em mercados oligopolizados, dependendo das elasticidades da oferta e da
demanda;
e) não provocará aumento de preços se a demanda for inelástica e o mercado
concorrencial.
____________________

Gabarito dos exercícios propostos:


1. d 2. a 3. b 4. d 5. c
6. c 7. d 8. b 9. e 10. b
11. e 12. d 13. c 14. d
_____________________

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AULA 4: INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA

Nas nossas três primeiras aulas, nós fizemos uma


introdução-revisão de alguns conceitos da Microeconomia
que certamente vão nos ajudar muito no entendimento da
Macroeconomia – que é, a partir desta Aula 4, o objeto
central de nosso curso. Nós, agora, vamos dar um salto, e
passar a estudar a economia do país como um todo,
analisando as variáveis que determinam o volume da
produção total de bens e serviços, o nível do emprego e o
nível geral de preços do sistema econômico.
Nesta nossa Aula de n° 4, nós vamos abordar os
grandes agregados da economia, como são chamados o
produto interno bruto, o investimento bruto, a renda
nacional, e outros conceitos relevantes.
Bem-vindo, então, ao maravilhoso mundo da
Macroeconomia!

4.1. O sistema econômico: agentes e fluxos

A teoria macroeconomia é a parte da teoria econômica que


estuda o funcionamento da economia como um todo. Cabe à
macroeconomia identificar e medir as variáveis que determinam o
volume da produção total de bens e serviços, o nível do emprego e
o nível geral de preços do sistema econômico, bem como os
agentes econômicos que atuam nesse sistema, realizando
transações de todos os tipos e naturezas.

Como foi dito em nossa Aula 1, uma descrição do sistema


econômico como um todo deve considerar, de um lado, os tipos de
agentes econômicos que nele atuam e, de outro, os fluxos por ele
gerados. Se considerarmos, por simplificação, uma economia
fechada, isto é, sem relações econômicas com outros países (sem
exportações e importações, por exemplo), podemos identificar os
seguintes agentes que atuam no sistema econômico:

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. As unidades familiares
. As empresas
. O governo
No sistema econômico, às unidades familiares cabe o papel
de fornecer os recursos produtivos às empresas (recursos
naturais, mão-de-obra, capital, capacidade empresarial, etc.),
recebendo, em troca, uma remuneração ou renda – (que pode ser:
salários, aluguéis, juros e lucros) - que, num momento seguinte,
será voltada para adquirir das empresas bens e serviços de que
necessitam.
As empresas, por seu turno, demandam das unidades
familiares os recursos produtivos de que precisam, remunerando-
as com uma renda (salários, aluguéis, juros e lucros), enquanto
ofertam para as mesmas os bens e serviços que produzem.
Ao governo cabe o papel principal de regulador da atividade
econômica e de provedor dos chamados “bens públicos”- dos quais
são exemplos, como já vimos, a segurança nacional, o serviço de
polícia, a administração da justiça - além de garantir o
fornecimento dos denominados “bens meritórios”, como educação
e saúde. Para o desempenho dessas atividades, o governo
arrecada impostos dos agentes econômicos como, por exemplo, o
imposto de renda (IR) e o imposto sobre produtos industrializados
(IPI).
Na contabilidade nacional, o governo é constituído pelos
órgãos da chamada Administração Direta – basicamente, os
Ministérios e as Secretarias - considerados os três níveis de
governo: federal, estadual e municipal. Como o governo, em
regra, não tem o objetivo de auferir lucro, as empresas públicas e
sociedades de economia mista, das quais o governo seja acionista,
são incluídas no item empresas (no setor privado).
Num modelo mais completo, teríamos de incluir um quarto
agente econômico, denominado comumente de resto do mundo
e que responde pelas importações e exportações de bens e
serviços do país.

4.2. Conceitos Básicos: a Mensuração do Produto e


da Renda e da Despesa

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A contabilidade nacional proporciona medidas agregadas do


valor de mercado dos bens e serviços finais produzidos na
Economia durante um certo período, geralmente um ano.
Dependendo dos itens computados nesta medição, obtêm-se
diferentes medidas deste produto.
Assim, por exemplo, temos o conceito Produto Interno Bruto
que pode ser definido assim:

Produto interno bruto (PIB) corresponde à


soma dos valores de todos os bens e serviços
finais produzidos em uma economia, durante um
certo período.3

Há três aspectos que devemos observar nessa definição:


primeiro, que estamos falando de bens e serviços finais – o que
quer dizer que, para evitar a dupla contagem, não podemos somar
o valor da produção do aço e/ou o valor da produção da borracha,
etc. – que são matérias-primas – com o valor do carro, pois no
valor deste – que é um bem final – já estão incluídos os valores
das matérias-primas utilizadas em sua produção.
Um outro aspecto a observar é que, na contabilidade nacional, a
produção é entendida como qualquer atividade que aumente a
quantidade e/ou valor do bem ou serviço. Assim, considera-se
produção não somente a transformação de uma matéria-prima
num produto novo, mas também as atividades de transporte, de
intermediação financeira, de comercialização, e de prestação de
serviços em geral.
Um terceiro ponto a ser observado é que não entram no cálculo
do valor do Produto as transações que envolvam troca de ativos
que não foram produzidos no ano ou período considerado, como,
por exemplo, a compra e venda de imóveis e de carros usados.

E de onde vem o valor do produto de um país?

O valor do PIB é o resultado do produto dos três setores


produtivos, a saber:
I - Setor Primário – constituído pela produção agropecuária,
tendo como principais componentes a produção agrícola
propriamente dita (arroz, milho, soja, etc.), a produção da

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pecuária (abate de gado, suínos, etc.) e a produção extrativa


vegetal (borracha, carvão vegetal, etc.);

II - Setor Secundário – constituído pela produção do setor


industrial e tendo como principais subsetores: indústria
extrativa mineral (petróleo, ouro, minério de ferro, etc.),
indústria da construção civil (prédios, estradas, barragens,
etc.), indústria de transformação (mecânica, eletrônica,
têxtil, etc.) e serviços industriais de utilidade pública (energia
elétrica, saneamento, etc.);

III - Setor Terciário – constituído pelo setor de serviços, tendo


como principais subsetores: transportes e comunicações,
intermediação financeira, setor governo (exceto empresas
estatais), comércio, saúde e educação (privadas), turismo e
lazer, etc.

4.3. Os diversos conceitos de produto – uma análise


mais detalhada

O produto interno bruto (PIB) de um país é dado pelo valor de


todos os bens e serviços que foram produzidos durante um certo
período de tempo, geralmente um ano. Seu valor é medido pelo
lado dos custos de produção, traduzidos estes nas despesas
realizadas pelas empresas com a remuneração dos fatores
utilizados na produção (salários, aluguéis, juros e lucros). A
contrapartida do valor do produto global ou do valor agregado
dessas despesas é dada pela renda interna que corresponde à
soma daquelas rendas recebidas pelos proprietários dos fatores de
produção. Se o produto for avaliado aos preços de mercado, deve-
se acrescentar a essas rendas a receita auferida pelo governo, ou
seja, os impostos indiretos, deduzidos os subsídios. Constata-se,
então, que o valor do produto e da renda são duas medidas
distintas do mesmo fluxo de bens e serviços gerados na atividade
econômica.
Muitas vezes o estudante se vê confuso diante de conceitos
como “produto interno”, “produto líquido”, “renda nacional”,
“renda pessoal”, e tantos outros. Mas, afinal, todos esses termos
se referem à mesma coisa ou são conceitos e medidas diferentes?
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Na realidade, todos estes conceitos referem-se a coisas


semelhantes, mas não iguais. O que distingue um conceito do
outro são alguns itens que entram no cálculo de um mas não
entram no outro. Por exemplo, a diferença entre qualquer produto
“líquido” e seu correspondente “bruto” consiste na “depreciação”
que entra no cálculo somente deste último.
O Quadro I, a seguir, mostra de que forma são calculados os
diversos conceitos de produto e de renda, possibilitando uma
comparação entre ambos.

QUADRO I
Ótica do produto Ótica da renda
(+)Salários pagos: 1.300 (+)Salários pagos: 1.300
(+)Aluguéis: 900 (+)Aluguéis: 900
(+)Juros: 700 (+)Juros: 700
(+)Lucros 1.100 (+)Lucros: 1.100
= Produto Interno Líquido
a custo de fatores(cf): 4.000 = Renda Interna Líquida: 4.000
(+) Depreciação: 300 (+) Depreciação: 300
=Prod. Interno Bruto(cf):4.300 =Renda Interna Bruta: 4.300
(-) Renda líquida enviada (-) Renda líquida enviada
ao exterior: -200 ao exterior: -200
=Prod. Nacional Bruto (cf):4.100 =Renda Nacional Bruta: 4.100
(+) Impostos indiretos(*): 600 (-) Depreciação: -300
(-) Subsídios: -100 =Renda Nacional líquida: 3.800
=Prod.Nacional Bruto(pm):4.600 (-) Lucros retidos: -500
(-) Contr.Previdendenciárias:-700
(+) Transferências Govern.: 600
(+) Transf. Empresariais: 100
= Renda Pessoal: 3.300
(-) Impostos diretos(**): 400
= Renda Pessoa Disponível: 2.900
(*) IPI/ICMS/ISS (**) IR/IPVA/IPTU

Pelo Quadro I, acima, pode-se concluir que:

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a) A diferença entre o produto a custo de fatores e o


produto a preços de mercado reside na inclusão, neste
último, dos impostos indiretos e na retirada dos subsídios.
b) A diferença entre o produto interno e o produto nacional
e entre a renda interna e a renda nacional reside na renda
líquida enviada ao exterior.
c) A diferença entre o produto líquido e o produto bruto
reside na depreciação;

De uma forma geral, nos Estados Unidos e outros países


desenvolvidos, utiliza-se mais comumente, para efeito de análise
da atividade econômica, o conceito de Produto Nacional Bruto
(PNB). Isso se explica porque o PNB desses países costuma ser
maior que o seu PIB – porque eles recebem mais renda do exterior
do que enviam para o exterior.
Já nos países subdesenvolvidos, o Brasil entre eles, usa-se
geralmente o conceito de Produto Interno Bruto (PIB) - que, no
caso desses países, costuma ser maior que o PNB, uma vez que a
renda que esses países recebem do exterior tende a ser menor
que a renda por eles enviada ao exterior.

A Ótica das Despesas

Como foi dito anteriormente, o valor do produto é igual ao valor


da renda gerada e, por sua vez, é igual à despesa agregada, isto
é, ao valor do fluxo de bens e serviços transacionados na
economia.
As despesas agregadas se compõem das seguintes categorias
de gastos:
a) Despesas pessoais de consumo (C) – incluindo aí os
gastos das famílias com bens de consumo (alimentos,
automóveis, etc.) e serviços (saúde, lazer, etc.).
b) Investimento privado bruto (I) – incluindo edificações,
fábricas, equipamentos, máquinas e variações de estoques.
Vale lembrar que só são computados os bens e serviços
“novos”, isto é, produzidos e vendidos (ou comprados) no ano
considerado. Assim, a compra de um edifício com 5 anos de
construção, ou de um carro usado não é computada no valor

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do PIB deste ano. Isto porque o valor deste edifício e deste


carro já foi apurado no PIB do ano em que foram produzidos.

c) Gastos do governo (G) – incluem os dispêndios do governo


com os seguintes itens:
i) despesas correntes - aí incluídas as compras de bens e
serviços para o funcionamento normal das agências
governamentais e o pagamento de funcionários civis e
militares.
ii) despesas de capital - compra de bens e serviços voltados
para investimentos (construção de escolas, hospitais,
estradas, etc.). Não entram nestes gastos do governo: as
transferências governamentais, nem os dispêndios das
empresas públicas (tipo Petrobrás, Vale do Rio Doce,
Eletrobrás, etc.). Estes últimos são contabilizados no setor
secundário, como setor privado.
d) Exportações líquidas (X - M) – aqui entendidas como o
valor total das exportações de bens e serviços menos o valor
das importações de bens e serviços.

Ou seja, pela ótica ou abordagem da despesa, o valor do


produto interno bruto, a preços de mercado, é dado pela equação
abaixo:

PIBpm= C + I + G + X - M

4.4. O Valor Adicionado

Para calcular o valor do PIB, todos os bens e serviços devem


ser contados só uma e única vez. Para tanto, deve-se computar
somente os valores dos bens finais já que estes incluem todos os
custos intermediários (matérias-primas) das diversas etapas do
processo produtivo.
Assim, por exemplo, as estatísticas oficiais contam o valor do
pão vendido ao consumidor, mas não somam a este valor o preço
da farinha de trigo, já que este está incluído no preço final do pão.
Da mesma forma, se se computa o preço do automóvel vendido ao
consumidor, não se deve adicionar a este o preço do aço e outros

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componentes do carro. Do contrário, haveria o problema da “dupla


contagem”.
Aparentemente, a maneira mais fácil de se medir o valor do PIB
é considerar os valores dos bens finais. Mas, alternativamente,
pode-se chegar ao mesmo resultado somando o “valor adicionado”
pela empresa em cada estágio do processo produtivo.
Valor adicionado é igual ao valor do produto vendido pela
empresa menos o custo dos produtos intermediários comprados
pela empresa e seus fornecedores.

Um exemplo de cálculo do valor adicionado:

Tabela 1

(PRODUÇÃO HIPOTÉTICA DE CIGARROS)

Pela Tabela 1, verifica-se que o valor do PIB é igual ao valor do


bem final (=100), vendido pela loja ou bar ao consumidor.
Alternativamente, se somarmos os valores adicionados ou
acrescidos por cada empresa em cada etapa ou estágio,
encontraremos o mesmo valor para o produto (24 + 27 + 18 + 12
+ 19 = 100).

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4.5. Produto nominal X produto real

O valor do produto varia de um ano para outro. Geralmente,


o valor do produto no ano t é nominalmente maior do que o valor
do produto registrado no ano t–1, isto é, no ano anterior. Esta
diferença de valor pode ser explicada por duas variáveis: por
variação dos preços (P) e/ou por variações nas quantidades
produzidas (Q).
A partir desta constatação, é possível distinguir dois
conceitos muito importantes da contabilidade nacional: o produto
nominal e o produto real.
O produto nominal – também chamado de produto a preços
correntes - corresponde ao valor do produto medido aos preços
vigentes no ano de referência. Matematicamente, é obtido pelo
somatório do valor da produção de todos os bens e serviços finais
de uma economia. Ou formalmente:

Produto nominal = ∑ Pi x Qi
onde i varia de 1 a n produtos.
Pela fórmula acima, verifica-se que o produto nominal pode
aumentar ou diminuir em função tanto dos preços quanto das
quantidades produzidas dos bens e serviços finais.
Já o produto real – também chamado de produto a preços
constantes - corresponde à quantidade física de bens e serviços
produzidos pela economia. Ou seja, o produto real somente varia
se houver uma variação na quantidade física efetivamente
produzida. E parece óbvio que quanto maiores as quantidades
produzidas de todos os bens ou serviços, maiores e melhores são
as condições médias de vida dos cidadãos, já que aumentos na
produção implicam aumentos no nível de renda e, por
conseqüência, do nível de consumo da população.
Assim, o que interessa saber não é se o produto nominal está
crescendo de um ano para o outro – já que este aumento pode ser
causado simplesmente por um aumento dos preços – e sim saber
se o produto real está também crescendo ou não.

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Como o valor do produto nominal de um determinado ano


embute variações no nível médio de preços e também eventuais
variações no quantum físico produzido, para que possamos saber o
valor do produto real daquele ano e podermos verificar se este
valor é ou não maior do que o do ano anterior, é necessário que
sejam anuladas ou isoladas as variações no produto provocadas
por variações nos preços. Se fizermos isso, qualquer variação para
mais ou para menos no valor do produto será explicada por
variações nas quantidade produzidas. Este processo não é muito
complicado. Ao contrário, é até muito simples, conforme
mostraremos a seguir.
Considere, primeiramente, os dados constantes da Tabela 2,
abaixo:
Tabela 2

(1) (2) (3) (4) (5)

Anos Produto Deflator Produto real Taxa de


nominal implícito do crescimento
(R$ mil) Produto (base: 2001) real (%)

1999 275.000 132,0 369.583 --

2000 343.750 158,4 384.982 4,2

2001 395.312 177,4 395.312 ?

2002 420.080 191,6 388.946 ?

2003 454.430 202,5 398.103 ?

A título de exercício, suponha que, para os anos


compreendidos entre 1999 e 2003, o produto nominal registrou os
valores que aparecem na Coluna 2. Como se pode ver, os valores
nominais do produto cresceram muito de um ano para o outro – o
que certamente pode ser explicado por aumentos de preços e
também por aumentos na quantidade física de bens e serviços
produzidos. Temos, então, de isolar ou eliminar as variações do
produto nominal causadas por aumentos de preços – o chamado
“efeito-preço”. Depois que fizermos isso, as eventuais diferenças
entre os valores do produto de um ano para o outro serão

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creditadas exclusivamente a variações no quantum físico


produzido – isto é, no produto real.
Para eliminarmos o efeito-preço, é preciso que adotemos um
índice de preços qualquer. No caso do produto interno ou nacional,
geralmente é utilizado o chamado deflator implícito do produto
(DIP) – que é calculado tomando por base as variações de preços
dos produtos agrícolas, dos produtos industriais e dos serviços
(setores que formam o PIB), ponderados pelo tamanho de cada
setor.
Por hipótese, imaginamos que o índice médio anual do DIP
que, num determinado ano-base, digamos 1995, era 100,0, com o
aumento dos preços registrou, de 1999 a 2003, os valores
constantes da Coluna 3, da Tabela 2. A diferença percentual do
índice de um ano para o outro seria, grosso modo, a taxa de
inflação do ano, medida por este DIP.
Vamos, então, calcular agora o valor do produto real para
cada ano daquela série. Para tanto, já temos duas variáveis
importantes: os valores do produto nominal e o índice de preços.
Para encontrarmos o valor do produto real usamos a seguinte
técnica:
1° - escolhemos um determinado ano da série para servir
como referência ou, como se diz em economia, como ano-base.
Esta escolha é aleatória, podendo ser qualquer ano. No exemplo
acima, tomamos como ano-base o ano de 2001;
2° - uma vez escolhido o ano-base, o próximo passo é
multiplicar o valor do produto nominal de cada ano pelo índice de
preço do ano-base (no caso presente, por 117,4) e dividir o
resultado encontrado pelo índice de preço do respectivo ano. Para
um melhor entendimento, vamos achar o valor do produto real do
ano 2000:
1° passo: multiplicamos o valor do produto nominal deste
ano – 343.750 – por 177,4, encontrando 60.981.250;
2º passo: dividimos o valor encontrado acima pelo índice de
preço do ano 2000, ou:

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60.981.250 : 158,4 = 384.982 >> que é o valor do produto


real do ano 2000, quando medido aos preços vigentes no ano
2001.
Procedendo assim para todos os demais anos da série,
encontramos os valores constantes da Coluna 4. Pelo que se pode
verificar, agora os valores dos produtos são mais próximos um do
outro, já não havendo as discrepâncias observadas nos valores do
produto nominal da Coluna 2 – discrepâncias estas decorrentes
das variações de preço de um ano para outro.
Como, agora, todos os produtos estão medidos aos preços
vigentes em 2001 (ano escolhido para ser o ano-base), qualquer
diferença entre eles é real. Para calcularmos a taxa de crescimento
real de um ano para o outro, basta dividir o valor do produto real
do ano t+1 pelo valor produto real do ano t; em seguida,
subtraímos uma unidade do quociente encontrado e multiplicamos
o resultado por 100.
Vamos calcular, por exemplo, a taxa de crescimento real em
2000:
384.982 : 369.583 = 1,0417
1,0417 – 1,0 = 0,0417
0,0417 x 100 = 4,17% ou 4,2%.

Deixamos para você o cálculo da taxa de crescimento real


para os demais anos1.

4.6. As Contas Nacionais do Brasil

As Contas Nacionais do Brasil sempre foram calculadas pela


Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), mas a partir
de 1986, esta tarefa passou a ser da responsabilidade do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Sistema de Contas Nacionais no Brasil adotado pelo IBGE,
segue grosso modo o sistema criado por Richard Stone que é,
também, o sistema adotado e recomendado pelas Nações Unidas

1
Você acertou se encontrou os seguintes resultados: 2,7% para 2001; -1,6% para 2002 e 2,4% para 2003.

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para seus países-membros – sistema este que se baseia em


quatro contas, a saber:
i. Conta 1 – Produto Interno Bruto (ou Conta da
Produção);
ii. Conta 2 – Renda Nacional Disponível Bruta (ou Conta
da Apropriação);
iii. Conta 3 – Conta de Capital;
iv. Conta 4 – Conta Transações Correntes com o Resto do
Mundo.
Existe, ainda, uma Conta 5 – que corresponde à Conta do
Governo – mas que é apresentada à parte, denominada Conta
Corrente das Administrações Públicas – e cujos lançamentos
não têm contrapartida com as demais contas do Sistema de
Contas Nacionais.
Os lançamentos dos valores dessas contas seguem os
preceitos contábeis das partidas dobradas que obedecem a dois
princípios:
i) em cada conta, o total de débitos deve ser igual ao total
de créditos;
ii) a todo crédito lançado em um conta corresponde um
débito lançado em outra conta e vice-versa.
Com essas considerações, apresentamos, a seguir, um
modelo das Contas Nacionais utilizado no Brasil, tendo como
referência as quatro Contas mencionadas acima, além da Conta do
Governo, seguido de um comentário sucinto sobre cada Conta.
(Observação: Estas contas são mostradas aqui mais para você ter uma visão de
como são apresentadas as Contas Nacionais do Brasil, do que por qualquer outra razão.
Você não deve se preocupar muito em entender essas contas, exceto, talvez, no tocante à
Conta de Capital (formação bruta de capital fixo X poupança) que, recorrentemente tem
sido objeto de questões nas provas de concursos públicos de Macroceconomia).

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Conta 1 – Conta Produto Interno Bruto


Débito Crédito
1.1.Produto Interno Bruto, a custo de 1.4. Consumo Final das Famílias (2.1)
fatores (2.4) 1.5. Consumo Final das Administrações
1.1.1.Remuneração dos empregados Públicas (2.2)
(2.4.1) 1.6.Formação Bruta de Capital Fixo (3.1)
1.1.1. Excedente operacional bruto 1.7. Variação de estoques (3.2)
(2.4.2) 1.8. Exportações de Bens e Serviços
1.2. Tributos Indiretos (2.7) não-fatores (4.1)
1.3. (-) Subsídios (2.8) 1.9. (-) Importações de Bens e Serviços
não-fatores (4.5)

Produto Interno Bruto (PIB) Dispêndio Correspondente ao PIB

Comentários: Como se pode ver, a Conta do Produto Interno


Bruto apresenta, do lado do débito, o pagamento das empresas aos
fatores de produção, valendo observar que o excedente operacional
bruto corresponde a todas as rendas pagas na economia, excluídos os
salários e ordenados pagos aos empregados. Ainda do lado do débito
são somados os impostos indiretos (IPI/ICMS/ISS) e retirados os
subsídios. O resultado final corresponde, assim, ao produto interno
bruto a preços de mercado.
Do lado do crédito, o que as empresas receberam dos agentes que
adquiriram os bens e serviços finais que elas produziram, perfazendo o
chamado “dispêndio correspondente ao PIB” – que, em termos
econômicos, equivale à despesa interna bruta, a preços de mercado.

Conta 2 – Renda Nacional Disponível Bruta


Débito Crédito
2.1. Consumo final das famílias (1.4) 2.4. Produto Interno Bruto a custo de fa-
2.2. Consumo final das adm.públicas (1.5) tores (1.1)
2.3. Poupança bruta (3.3) 2.4.1.Remuneração dos empregados
(1.1.1)
2.4.2. Excedente operacional bruto
(1.1.2)
2.5. Remuneração de empregados, líquida,
recebida do Resto do Mundo(4.2-4.6)
2.6.Outros rendimentos, líquidos, recebi-
dos Resto do Mundo (4.3-4.7)
2.7. Tributos indiretos (1.2)
2.8. (-) Subsídios (1.3)
2.9. Transferências unilaterais, líquidas,
recebidas do Resto do Mundo(4.4-4.8)

Utilização da Renda Nacional Apropriação da Renda Nacional

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Disponível Bruta Disponível Bruta

Comentários: A conta acima descreve, do lado do débito, como as


famílias e o governo utilizam a renda recebida – destinando parte ao
consumo e parte à poupança; já do lado do crédito, aparecem as rendas
recebidas pelas famílias e pelo governo (impostos líquidos dos subsídios)
mais o resultado líquido dos recebimentos e transferências do e para o
exterior.

Conta 3 – Conta de Capital


Débito Crédito
3.1. Formação bruta de capital fixo (1.6) 3.3. Poupança bruta (2.3)
3.1.1 Construção 3.4. Menos: Saldo em transações corren-
3.1.1.1 Administrações públicas tes com o Resto do Mundo (4.9)
3.1.1.2 Empresas e famílias
3.1.2 Máquinas e equipamentos
3.1.2.1 Administrações Públicas
3.1.2.2 Empresas e famílias
3.1.3 Outros
3.2. Variação dos estoques (1.7)

Acumulação Bruta Interna Financiamento da Acumulação


Bruta Interna

Comentários: Na Conta de Capital, são lançados do lado do débito as


aplicações da economia na formação bruta de capital fixo (investimentos
brutos) e nas variações de estoques (contabilmente considerados como
investimentos para as empresas); já do lado do crédito, são lançadas as
fontes de financiamento daquelas aplicações, constituídas da poupança
bruta da economia (valendo notar que esta é composta pela poupança
bruta do setor privado - que é igual à poupança líquida do setor privado
mais a depreciação - mais a poupança do Governo em conta corrente),
mais a poupança externa – representada esta última pelo saldo em
conta corrente do balanço de pagamentos.

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Conta 4 – Transações Correntes com o Resto do Mundo


Débito Crédito
4.1. Exportações de bens e serviços (1.8) 4.5. Importações de bens e serviços (1.9)
4.2. Remuneração dos Empregados rece- 4.6. Remuneração dos empregados paga
bida do Resto do Mundo (2.5 + 4.6) ao Resto do Mundo (4.2 – 2.5)
4.3. Outros rendimentos recebidos do 4.7. Outros rendimentos pagos ao Resto
Resto do Mundo (2.6 + 4.7) do Mundo (4.3 – 2.6)
4.4. Transferências unilaterais recebidas 4.8. Transferências Unilaterais pagas ao
do Resto do Mundo (2.9 + 4.8) Resto do Mundo (4.4 – 2.9)
4.9. Saldo das transações correntes com o
Resto do Mundo (3.4)
Recebimentos Correntes Utilização dos recebimentos
correntes

Comentários: Nessa conta, são registrados, do lado do débito, os


gastos dos não-residentes (estrangeiros) com a aquisição dos bens e
serviços produzidos internamente (exportações de bens e serviços),
além dos rendimentos e transferências (rendas e donativos) recebidos
do Resto do Mundo. Do lado do crédito, são lançados os pagamentos
pelos bens e serviços importados pelo país, mais as rendas e
transferências (doações) enviadas para o Resto do Mundo, aparecendo,
ainda, deste lado, o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente.

A conta corrente das Administrações Públicas

Comentário: A Conta Corrente das Administrações Públicas é


apresentada em separado, complementando as quatro contas
anteriores, e nela são mostradas as transações correntes do governo.
Do lado do débito, são lançados os itens de despesa do governo –
traduzidas no consumo final (que é composto dos gastos correntes com
pessoal e na compra de bens e serviços), além do subsídios concedidos
pelo governo ao setor produtivo e aos consumidores, mais as
transferências (sendo essas constituídas das pensões e aposentadorias
pagas pelo INSS) e o pagamento de juros da dívida interna pública que,
tecnicamente são também considerados como transferências do governo
ao setor privado. Note-se que nesta conta não aparecem as despesas de
capital do governo que, na realidade são incluídas no item “formação
bruta de capital fixo”, na Conta Produto Interno Bruto.
Do lado do crédito, aparecem as receitas correntes do governo, aí
incluídos os impostos indiretos e diretos e outras receitas correntes –
valendo lembrar que as contribuições previdenciárias estão incluídas
nessas últimas.

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Conta Corrente das Administrações Públicas


Débito Crédito
Consumo final das Administrações Públicas Tributos indiretos
.Salários e encargos Tributos diretos
.outras compras de bens e serviços Outras receitas correntes líquidas
Subsídios
Transferência de Assistência e Previdência
Juros da Dívida Pública Interna
Poupança em Conta Corrente

Total da utilização da receita corrente Total da receita corrente

4.7. O investimento bruto total e a poupança da


economia

Um tópico que, recorrentemente, tem aparecido nas provas


de Macroeconomia é a questão do investimento bruto1 versus a
formação da poupança necessária para ao seu financiamento.

O investimento total bruto da economia – que


corresponde aos gastos totais da economia com bens de capital
(máquinas, equipamentos, edificações, construções de
infraestrutura) assim se decompõe:
i) Investimento bruto – que é constituído pelos
investimentos do governo e do setor privado; e,
ii) Variação de estoques.

Investimento bruto X investimento líquido

O termo investimento bruto corresponde, em Economia, às


compras de bens de capital novos pelas empresas e pelo governo,
com o objetivo de ampliar ou melhorar a sua capacidade
produtiva.

1
Na Contabilidade nacional, o investimento bruto é chamado de “formação bruta de capital fixo”. Para
efeitos didáticos, continuaremos usando neste texto o termo “investimento bruto” – que é o mais comumente
usado nos textos de macroeconomia.

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Ocorre, no entanto, que uma parte dos bens de capital em


uso na economia sofre desgaste físico no processo produtivo – o
que representa uma perda ou decréscimo no valor do estoque de
capital. A esse fenômeno se dá o nome de depreciação.
Se retirarmos do investimento bruto o valor da depreciação,
encontraremos o chamado investimento líquido – que representa o
acréscimo líquido ocorrido no estoque de capital da economia no
período considerado.
Ou seja,
Investimento bruto menos depreciação = investimento líquido
Um exemplo: Suponha que a economia disponha de 20
máquinas no início do ano, sendo este, portanto, o seu estoque de
capital naquele momento. Se, ao longo do ano, são produzidas e
compradas cinco máquinas novas, mas duas das máquinas
existentes no início do ano, de tanto serem usadas, se tornam
imprestáveis para a produção e têm de ser substituídas por duas
das máquinas novas, teremos a seguinte situação:
O investimento bruto da economia foi de 5 máquinas novas,
mas o investimento líquido foi de apenas 3 novas máquinas – que
corresponde ao acréscimo de fato ocorrido no estoque de capital.

A variação de estoques X o investimento

Quando a produção não é totalmente vendida no ano,


ocorrem as chamadas variações positivas de estoques na
economia. Esses bens que não foram vendidos, estarão
certamente disponíveis para vendas no futuro mais ou menos
breve. Mas, até que isso aconteça, essas variações de estoques
constituem um aumento no patrimônio das empresas e, como tal,
são consideradas como investimento da economia.
Somando-se esta variação de estoques aos investimentos
brutos, tem-se o chamado investimento total.

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A poupança da economia

E de onde vêem os recursos para financiar o investimento da


economia? A resposta é muito simples: da poupança.
Numa economia aberta e com governo, a poupança da
economia vem de quatro fontes principais:

i) poupança líquida do setor privado – que se compõe


da poupança das famílias – que corresponde à parte da
sua renda que elas não gastam e que geralmente é
aplicada no mercado financeiro – e da poupança das
empresas – que resulta dos lucros não-distribuídos;
ii) depreciação2;
iii) poupança do governo em conta corrente (Sg);
iv) poupança externa (Se) – que corresponde à
diferença entre os recebimentos e os pagamentos
efetuados pelo Resto do Mundo relativos às transações
correntes3

A soma da poupança líquida do setor privado com a


depreciação é denominada de poupança bruta do setor privado
(Sp).

Por outro lado, a soma da poupança bruta do setor privado


com a poupança do governo em conta corrente é denominada de
poupança interna bruta ou simplesmente poupança interna.

A identidade entre a poupança e o investimento

As definições contidas no item anterior podem,


contabilmente, ser resumidas no seguinte quadro – que
poderíamos chamar de Conta Consolidada de Capital:

2
Lembre-se que as empresas registram a depreciação, em sua contabilidade, como uma despesa, mas na
verdade isso não representa nenhum desembolso monetário para a empresa – resultando, assim, em última
análise, como mais um recurso à disposição da empresa para o financiamento de seus investimentos.
3
Observe-se que uma “poupança externa positiva” equivale, na verdade, a um déficit no Balanço de
Pagamentos em Conta Corrente do país. Ou seja, o país estará, nesta hipótese, recebendo poupança exaterna
para financiar seus gastos a maiores.

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Gastos de investimento Poupança


Investimento bruto / setor privado(Ip) Poupança bruta do setor privado (Sp)1
Investimento do governo (Ig) Poupança do governo em c.corr. (Sg)
Variação de estoques (∆est) Poupança externa (Se)

Investimento total bruto Poupança total


1
Lembre-se que a poupança bruta do setor privado é igual à soma da poupança
líquida + a depreciação.

Logo,
Ip + Ig + ∆est. = Sp + Sg + Se (1)

Para simplificar, podemos incluir a variação de estoques no item


“investimento privado” (Ip), assim:

Ip + Ig = Sp + Sg + Se (2)

Déficit público

Uma observação importante que deve ser feita é que a


poupança do governo em conta corrente, registrada nas contas
nacionais, é o resultado apenas da receita corrente do governo
menos os seus gastos correntes (gastos de custeio, subsídios,
transferências e pagamento de juros), não se computando os
gastos com bens de capital, isto é, os gastos de investimento do
governo.
Para se apurar o déficit do governo – ou melhor, o déficit
público (DP) - é necessário acrescentar as despesas de
investimento do governo àqueles gastos correntes, deduzindo o
total encontrado da receita corrente do governo. Ou, dito de outra
forma:
DP = Ig – Sg (3)

E substituindo a equação (3) na equação (2) e mudando as


variáveis de lado, pode-se ter:

Ig – Sg = Sp + Se – Ip
Ou,
DP = (Sp – Ip) + Se (4).

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Pela equação (4), pode-se perceber que, pela ótica da


Contabilidade Nacional, o déficit público é financiado pelo excesso
da poupança bruta sobre o investimento privado e pela poupança
externa, isto é, pela poupança do Resto do Mundo – que, como já
foi dito, corresponde ao déficit do país no balanço de transações
correntes.

4.8. Carga Tributária

Um tema que tem sido objeto de discussões permanentes na


sociedade é a questão do alto nível de impostos cobrados pelo
governo, isto é, a carga tributária. Alguns afirmam que a carga
tributária no Brasil é por demais elevada; outros afirmam
exatamente o contrário.
Obviamente, quando se diz que a carga tributária é elevada ou
é baixa, deve-se ter em mente algum padrão de comparação. No
caso, a comparação é com outros países. Mas, para que esta
comparação seja feita, é necessário que todos os países usem o
mesmo critério de cálculo, do contrário estaremos comparando
laranjas com abacaxis. Assim, o que se tem feito é seguir os
modelos aceitos pelas Nações Unidas no tocante aos critérios de
medição das contas nacionais.
Com relação à carga tributária, há dois conceitos: o de carga
tributária bruta (CTB) e o de carga tributária líquida (CTL). Para o
cálculo desses dois conceitos, usam-se as seguintes fórmulas:

CTB = Total de impostos


PIBpm

CTL = Total de impostos – transferências – subsídios


PIBpm

Vale lembrar que no total dos impostos devem ser incluídos os


impostos diretos e indiretos bem como as contribuições
previdenciárias.
No Brasil, de acordo com as estatísticas oficiais, a carga
tributária (bruta e líquida) cresceu sistematicamente nas últimas

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três décadas, acentuando-se este crescimento mais ainda a partir


do governo Fernando Henrique. As estatísticas indicam que, ao
final de 2004, a carga tributária bruta atingiu algo como 38% do
PIB – a mais alta entre todos os países em desenvolvimento e uma
das maiores do mundo, equiparando-se à de países altamente
desenvolvidos, como a Suécia e Noruega – países onde o retorno
que a sociedade recebe do setor público – sob a forma de
educação, saúde, lazer, transporte coletivo – é reconhecidamente
elevado, nada comparado com o que ocorre em países como o
Brasil onde serviço prestado pelo Governo à população está longe
de ser satisfatório.

______________________

EXERCÍCIOS DE REVISÃO:

I) Exercícios resolvidos:

- Com base nos seguintes dados hipotéticos das contas nacionais, responda às questões de 1
a 10:

salários pagos pelas empresas privadas: 300


salários pagos pelo governo: 110
depreciação dos equipamentos 40
juros: 100
lucros totais: 400
aluguéis: 150
renda líquida enviada ao exterior: 50
impostos diretos: 90
impostos indiretos: 200
subsídios: 50
contribuições previdenciárias: 70
lucros retidos: 150
compras de bens e serviços pelo governo: 90
formação bruta de capital fixo (FBKF): 120
exportações: 180
importações: 130
gastos de consumo privado: 800
transferências governamentais: 110
transferências empresariais: 30

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1. Os gastos de consumo do governo e sua poupança são, respectivamente:


a) 90 e 10; b) 110 e 90; c) 200 e 10; d) 200 e 0; e) 10 e 5.
Solução: (A solução dos exercícios de 1 a 5 pode ser encontrada no Quadro I, do texto):
-Os gastos de consumo do governo são constituídos das despesas com pessoal mais as
compras de bens ou serviços, ou seja:
110 + 90 = 200
-Já a poupança do governo é obtida, deduzindo-se da arrecadação total (que é igual à
soma dos impostos diretos + indiretos + contribuições previdenciárias + outras
receitas correntes, se houver) menos as despesas correntes ( = gastos de consumo +
transferências + subsídios), ou seja:
Total de impostos: 90 + 200 + 70 = 360
Despesas correntes: 200 + 110 + 50 = 360
Logo, 360 – 360 = 0 >> ou seja, a poupança é zero.
A resposta, portanto, é a letra d.

2. O produto nacional bruto a preços de mercado é igual a:


a) 1.200; b) 1.300; c) 1.100; d) 1.400; e) 1.500.

Solução: No cálculo do PNBpm entram os impostos indiretos menos os subsídios


(porque é a preços de mercado), + depreciação (porque é produto bruto) e menos a
renda líquida enviada ao exterior (porque é nacional). Logo:
PNBpm = PILcf + depreciação + impostos indiretos – subsídios + renda recebida do
exterior – renda enviada ao exterior.
O PILcf = S + A + J + L = 410 + 150 + 400 + 100 = 1.060
PNBpm = 1060 + 40 + 200 – 50 – 50 = 1.200.
A resposta, portanto, é a letra a.

3. A renda nacional líquida:


a) 1.000; b) 1.010; c) 1.020; d) 1.030; e) 1.040.

Solução: A resposta correta é a letra b. Deixamos para você a solução desta questão.
Para tanto, consulte o Quadro I, do texto.

4. A renda pessoal disponível (RPD) é:


a) 810; b) 850; c) 910; d) 950; e) 840.

Solução: Pelo Quadro I, a RPD é assim encontrada:


Partindo da renda nacional líquida (encontrada na questão 3, anterior), devem ser
deduzidos: - os lucros retidos (LR);
- contribuições previdenciárias (CP);
- os impostos indiretos(imp.ind.);
e somadas: as transferências governamentais (TG) e as transferências empresariais
(TE), se houver. Assim:
RPD = RNL – LR – CP – Imp. Dir. + TG + TE
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RPD = 1.010 – 150 - 70 – 90 + 110 + 30


RPD = 840 e, portanto, a resposta correta é a letra e.

5. A despesa nacional, exclusive variação de estoques, é:


a) 940; b) 860; c) 1.100; d) 1.040; e) 1.250.

Solução: A resposta correta é a letra c. Deixamos para você a solução desta questão,
lembrando que se trata de despesa nacional, e, portanto, você deve incluir no cálculo a
renda líquida enviada ao exterior.

Observação: as respostas das questões de 6 a 11 encontram-se ao final desta série. Antes


de resolver estas questões, releia a parte do texto sobre Produto Nominal e Produto Real.

6. O conceito de PIB real per capita consiste:


a) no volume total de mercadorias e serviços finais por habitante, avaliado a partir do
produto a preços constantes;
b) na medida do desenvolvimento econômico e social de uma sociedade;
c) no indicador da evolução de preços da economia;
d) os itens b e c estão corretos;
e) nenhuma das alternativas anteriores.

7. Assinale a única afirmativa incorreta.


a) Os preços se alteram e, por isso, as alterações no valor do PIB não indicam de modo
preciso as modificações da produção física ou do produto real.
b) Produto real é o produto medido com os preços mantidos constantes, como se estes
não tivessem se alterado de um ano para outro.
c) As alterações do produto real dão uma boa indicação da variação da produção física
entre dois períodos.
d) As variações do produto real são o resultado da variação física e dos preços do
produto.
e) O produto nominal incorpora as variações físicas e de preços do produto.

8. No ano-base que tipo de relacionamento existe entre o PIB a preços correntes e o PIB a
preços constantes:
a) o PIB a preços constantes > o PIB a preços correntes;
b) o PIB a preços constantes = o PIB a preços correntes;
c) o PIB a preços constantes < o PIB a preços correntes;
d) os dois PIBs não são relacionados;
e) os dois PIBs sempre terão valores distintos.

9. A diferença entre o PIB e o PNB é expressa:


a) pela diferença entre as exportações e importações de mercadorias;
b) pela renda líquida enviada (ou recebida) do exterior;
c) pela diferença entre as exportações e importações de mercadorias e serviços;
d) pelo valor da depreciação;
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e) pela diferença entre impostos indiretos e subsídios.

10. Assinale a opção correta.


a) As transferências líquidas de renda ao exterior equivalem à diferença entre rendas
de fatores produtivos pagos ao exterior e rendas de fatores recebidas do exterior.
b) Em uma economia aberta, as exportações representam uma proporção constante do
PIB.
c) Em geral, nas economias desenvolvidas, o PNB é menor que o PIB.
d) A renda líquida enviada ou recebida do exterior corresponde, em valor, à diferença
entre o total das exportações e o total das importações.
e) Todas as afirmativas estão erradas.

11. Se uma empresa compra uma mercadoria por CR$ 2.000,00 e apenas a revende, sem
qualquer transformação física, por CR$ 2.500,00, então o valor agregado ou adicionado
pela empresa é igual a:
a) zero; b) 2.500; c) 500; d) 4.500; e) 2.000.

Gabarito das questões de 6 a 11:


6. a; 7. d; 8 . b; 9 . b; 10. b; 11. a

Até a semana que vem, com a nossa 5ª aula – que


versará sobre o Balanço de Pagamentos e Taxa de
Câmbio. Um abraço para você, e até lá!

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Aula 5: O Balanço de
Pagamentos e a taxa de
câmbio
Vamos, nesta nossa 5ª Aula, falar um
pouco sobre comércio exterior. Em comércio
exterior, apenas dois tópicos têm sido objeto
de questões de provas de concursos públicos:
o balanço de pagamentos e sua estrutura e a
taxa de câmbio e sua influência sobre o
balanço de pagamentos de um país.
A gente começa, primeiramente, pelo
Balanço de Pagamentos, sua estrutura e
composição e, depois, tratamos da taxa de
câmbio. Então vamos lá.

II – Balanço de Pagamentos

5.1 Conceitos Básicos

O que é e para que serve o Balanço de Pagamentos? A resposta


é muito simples:
O Balanço de Pagamentos (BP) de um país nada mais é que
um registro sistematizado de todas as transações comerciais e
financeiras de um país com o resto do mundo. Ou, de acordo com
a definição mais técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), e
adotada pelo Banco Central do Brasil, o
Balanço de Pagamentos consiste no registro
sistemático de todas as transações econômicas
realizadas, durante um certo período, entre

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residentes do país e residentes de outros países ditos


estrangeiros.”
O propósito principal desse registro é informar às autoridades
monetárias sobre a situação das contas externas do país, de modo
a auxiliá-las na formulação das políticas monetária, fiscal, cambial
e comercial.
Objetivamente, o BP contém o registro contábil de todas as
transações de bens e serviços, as transferências de propriedades,
as variações de ouro monetário, as transferências unilaterais de
divisas e as variações de Direitos Especiais de Saque (DES) de
uma economia com o resto do mundo.
Os componentes do Balanço de Pagamentos são comumente
apresentados em coluna, sendo os valores lançados em diferentes
grupos de contas. Como conseqüência da adoção do critério das
“partidas dobradas”, a soma do saldo de todas as contas, em seu
conjunto, deve necessariamente ser igual a zero.
Note-se que, a despeito dos esforços do FMI, a estrutura e o
registro do BP ainda diferem de um país para outro. Neste texto,
seguiremos a estrutura e nomenclatura adotada pelo Banco
Central do Brasil.

5.2. A contabilidade do Balanço de Pagamentos

No BP, utilizando o sistema de registro contábil, todas as


transações são registradas com duas entradas - ou seja, o sistema
de "partidas dobradas": uma a débito e outra a crédito. Em
conseqüência, contabilmente, o BP está sempre em equilíbrio, o
que não significa que tenha havido equilíbrio de fato entre
pagamentos e recebimentos do exterior.
Normalmente, qualquer transação de um residente no país
com um residente no exterior gera um "haver" (direito) ou uma
"obrigação", no exterior. Assim, por exemplo, uma venda de café
ao exterior (exportação) dá lugar a um "haver" e é registrada a
crédito, com sinal positivo, na balança comercial.
Simultaneamente, haverá um registro, com sinal negativo, na
conta "haveres em moeda no exterior", significando uma saída
dessas divisas para aplicação nas reservas do país no exterior.

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Isso se explica pelo simples fato de que as divisas (digamos,


dólares) não entram, de fato, no país: elas são depositadas numa
conta do banco brasileiro (que intermediou a operação) em um
banco conveniado no exterior (Citybank, Bankboston, Credit
Lyonais, Mitsubishi Bank, etc). Assim, contabilmente, o Banco
Central registra a “entrada” (sinal positivo) das divisas no item
“exportações” da balança comercial e, simultaneamente, registra
sua saída no item “haveres em moeda no exterior”, com sinal
negativo. O sinal desta saída é negativo, mas na verdade, significa
que as reservas do Brasil, no exterior, se elevaram naquele
instante.
Inversamente, a compra de uma máquina do exterior por um
residente no país (uma importação) gera uma "obrigação" e é
lançada a débito no item "importações", da balança comercial,
com sinal negativo, e a crédito, isto é, com sinal positivo, na
conta "haveres em moeda no exterior". Contabilmente, significa
que foram sacadas divisas de nossas reservas no exterior, que
foram internalizadas no País (por isso o sinal positivo) para
pagamento da importação da máquina. O sinal positivo neste item
“haveres em moeda no exterior” significa que houve uma
diminuição das reservas internacionais aplicadas no exterior.
Observe-se, então, que a contrapartida (partidas dobradas) destas
duas transações corresponderá, no caso, a um movimento de
capitais, já que os pagamentos não são realizados em moedas e
sim através de movimentação de contas bancárias.

5.3. A estrutura do balanço de pagamentos

O BP é constituído de diversas contas e subcontas, sendo duas


as contas principais: a Conta (ou balança) de Transações
Correntes e a Conta de Capital, como se vê na Tabela 5.1.
De acordo com os critérios de escrituração ou de
contabilização adotados pelo Banco Central, algumas observações
se fazem necessárias, relativamente às principais contas do
Balanço de Pagamentos que aparecem naquela Tabela, a saber:

A- Conta de transações correntes

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Trata-se, sem dúvida, da mais importante conta do BP, e


engloba todas as transações de mercadorias e serviços e as
transferências unilaterais. Um superávit na conta de transações
correntes significa que o país "vendeu" mais mercadorias e
serviços do que "comprou" do exterior, possibilitando ao país
quitar obrigações contraídas anteriormente, ou adquirir ativos no
exterior ou, ainda, aumentar suas reservas internacionais. Se for
registrado um déficit em conta corrente, as implicações serão
opostas às acima mencionadas. Conforme você pode observar na
Tabela 5.1. a conta de transações correntes – ou, simplesmente,
conta corrente do BP - se compõem de:

1. Balança comercial
A balança comercial registra todas as transações referentes
somente às exportações e importações de mercadorias. Como foi
descrito acima, se uma determinada importação foi paga à vista, a
operação é registrada a débito (sinal negativo) em “importações” e
a crédito (sinal positivo) no item “haveres em moeda no exterior”.
Caso essa importação seja financiada - isto é, não envolve
pagamentos à vista e, portanto, não afeta a posição das reservas
internacionais do país (haveres em moeda no exterior) - faz-se o
lançamento a débito em "importações" e a crédito em
"financiamentos", na conta de capital.

2. Balança de serviços
Com relação ao registro dos diversos itens da conta de
serviços, vale mencionar o seguinte:
i) Transportes: inclui todas as receitas e despesas com frete
e o valor das passagens de viajantes, desde que se trate de uma
operação entre um residente e um não-residente. Ou seja, a
compra de uma passagem aérea da VARIG, para a França, por
brasileiro residente no Brasil, não será registrada no BP. Mas, se
ele comprar esta passagem da Air France, ainda que seja no Brasil
e em reais (R$), tal operação será devidamente registrada na
conta de “transportes”.

TABELA 5.1
__________________________________________________

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ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTOS

A) Balança de transações correntes (=1+2+3)


1. Balança Comercial (=a+b)
a) Exportações
b) Importações
2. Balança de Serviços (=a+b+c+d+e+f+g)
a) transportes (fretes/passagens)
b) seguros
c) viagens internacionais (turismo)
d)despesas governamentais (embaixadas,consulados, etc)
e) pagamento de juros da dívida externa
f) remessa de lucros e dividendos
g)outros serviços(royalties,patentes,bolsas de estudos,etc)
3. Transferências unilaterais (donativos)

B) Conta de capitais (autônomos)


a) empréstimos de médio e longo prazos
b) financiamentos
c) investimentos e reinvestimentos diretos
d) amortização da dívida externa
e) outros capitais (de curto prazo).

C) Erros e omissões
D) Resultado do Balanço de Pagamentos (=A+B+C)
E) Demonstrativo do Resultado do Balanço de Pagamentos
(capitais compensatórios)
a) Operações de regularização (FMI, BIRD, BID)
b)Haveres em moeda no exterior:aumento(-)ou redução(+)
c) Ouro monetário: aumento (-) ou redução (+)
d) Direitos especiais de Saque (DES)

ii) Viagens internacionais: registra as despesas e receitas


com viajantes, não incluídas no item anterior, isto é, em
“transportes”. Exemplos: a compra de US$ 4.000,00 para viagem

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de um brasileiro ao exterior ou a troca de dólares por reais feita


por turistas estrangeiros numa agência bancária no Brasil.
iii) Lucros e dividendos: refere-se à parte dos lucros que as
empresas multinacionais, com investimentos no Brasil, remetem
ao exterior (despesa) ou que empresas brasileiras, com
investimento no exterior, remetem para o Brasil (receita). Note-se
que os "lucros reinvestidos"- isto é, a parte dos lucros que não foi
efetivamente remetida ao exterior - é registrada, também, como
remessa de lucros (sinal negativo), sendo, em contrapartida,
registrada como uma entrada (sinal positivo) no item
"investimentos e reinvestimentos diretos", da conta de capital. Tal
procedimento se explica pela necessidade de se manter um
controle mais objetivo dos investimentos estrangeiros no país.
iv) Juros: refere-se ao pagamento dos juros da dívida
externa (despesa) e dos juros de financiamentos de importações
adquiridas a prazo. Se o país receber juros de fora, o registro,
claro, é feito com sinal positivo.
v) Despesas governamentais: referem-se aos gastos com
manutenção de embaixadas, consulados, etc., no exterior
(despesas) e aos recebimentos de outros países para suas
representações diplomáticas no Brasil (receitas).

3. Transferências unilaterais
Trata-se de donativos ou doações, sem a contrapartida de
pagamentos por parte de quem recebe. Se forem feitas em
moeda, o registro é normal, ou seja, a crédito - se for um
recebimento, - e a débito - se for uma saída, lançando-se o
mesmo valor, com sinal trocado em "haveres em moeda no
exterior". Se a doação for em espécie, isto é, em mercadorias, são
feitos dois lançamentos: se se tratar de uma entrada ou
recebimento de doações, faz um registro a débito em importações,
e outro a crédito (sinal positivo) em "doações", não alterando,
assim, o resultado do BP.

B. Conta de Capitais (autônomos)

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Esta conta registra apenas o movimento dos chamados


capitais autônomos- isto é, os capitais que entram ou saem como
resultado da livre operação das forças de mercado (oferta e
demanda). Neste sentido, distinguem-se dos chamados capitais
compensatórios - que são os capitais movimentados
exclusivamente pelo Banco Central e que aparecem no
"Demonstrativo do Resultado do BP".
Fazem parte da Conta de Capitais autônomos os seguintes
movimentos financeiros:
a) Empréstimos: registra os empréstimos de curto, médio e
longo prazos, obtidos junto aos bancos privados, no exterior.
b) Financiamentos: referem-se aos financiamentos de
importações adquiridas para pagamento a prazo. Neste caso, como
já foi dito, há, também, dois registros: um a débito, em
"importações", e outro, a crédito, em "financiamentos".
c) Investimentos e reinvestimentos diretos: referem-se
aos chamados "capitais de risco" que as empresas estrangeiras
aplicam no Brasil (entrada), ou que empresas nacionais aplicam no
exterior (saída). Note-se que essas aplicações tanto podem ser no
setor produtivo, como podem ocorrer no mercado de capitais
(bolsas de valores) ou em títulos do mercado financeiro.
d) Amortizações: referem-se ao pagamento (ou
recebimento) de parte do principal da dívida externa ou de
financiamentos concedidos anteriormente.

C - Erros e Omissões

Como os registros do BP são feitos com base em estimativas


– ainda que bastante seguras - há sempre a possibilidade de
"desvios" nos lançamentos. Assim, é provável que os dados sobre
uma ou outra ou outra operação não seja oportuna e devidamente
registrada, existindo, inclusive, a hipótese de operações ainda em
“trânsito” que não foram ainda registradas em todos os
computadores dos diversos órgãos envolvidos com o comércio
exterior. Este item procura minimizar os efeitos de tais falhas.

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D - Resultado do Balanço de Pagamentos

A soma do saldo em Transações Correntes mais o saldo da


Conta de Capitais, mais Erros e Omissões, fornece o resultado do
BP. Sendo positivo, o Balanço de Pagamentos terá um superávit;
se for negativo, haverá um déficit; e se for nulo (isto é, um saldo
zero), haverá um equilíbrio.

E- Demonstrativo do Resultado do BP

Se houver um equilíbrio no BP, as contas do Demonstrativo


do Resultado não serão alteradas. Se, no entanto, houver um
déficit, o Demonstrativo mostrará como foi financiado este déficit;
e se houver um superávit, o Demonstrativo indicará para onde foi
enviado o saldo positivo obtido. Para tanto, existem as seguintes
sub-contas:
a) Contas de regularização: referem-se às operações com
organismos internacionais (FMI, Banco Mundial, Banco
Interamericano de Desenvolvimento, Eximbanks, etc), tendo como
objetivo financiar possíveis déficits do BP. Note-se que tais
operações podem ocorrer mesmo se, ao final, o BP registrar um
superávit, dado que tais financiamentos são contratados
preventivamente, antes de se fechar o BP.
b) Haveres em moeda no exterior: as Autoridades
Monetárias dispõem de um estoque de moedas estrangeiras e de
títulos externos de curto prazo aplicados no exterior, como
resultado de superávits do BP de anos anteriores. Assim, se o BP
apresentar um superávit, haverá um aumento desses haveres e o
valor aparecerá com sinal negativo (indicando uma saída de
haveres para o exterior). Se houver um déficit, o contrário
ocorrerá.
c) Ouro monetário: registra as aquisições de ouro não-
monetário e as vendas de ouro pelas autoridades monetárias. No
primeiro caso, o registro é feito com sinal negativo no item
“variações” (saída de divisas) e, com sinal positivo no item
“monetização do ouro”; no segundo caso, com sinal positivo no
item “variações” (entrada de divisas) e, com sinal negativo, em
“desmonetização do ouro”.

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d) Direitos Especiais de Saque (DES) - trata-se de um


tipo de moeda escritural criada pelo Fundo Monetário
Internacional. O país dispõe de um fundo de recursos em DES, no
FMI, e pode movimentá-lo se necessário.

5.4.Um exemplo numérico

Para facilitar a compreensão da estrutura do balanço de


pagamentos e seus respectivos lançamentos contábeis, vamos dar
um exemplo numérico hipotético. Assim, suponhamos que as
operações entre residentes e não-residentes de um certo país
foram, em determinado ano, as seguintes (valores em dólares):
i) o país importa mercadorias no valor de 300 milhões,
sendo 250 milhões com pagamento à vista e 50 milhões
financiados a longo prazo;
ii) o país recebeu 30 milhões em investimento direto, sendo
10 milhões sem cobertura cambial, isto é, sob a forma de
equipamentos.
iii) as exportações do país atingiram, no período, 350
milhões, pagas à vista;
iv) o país pagou, à vista, 30 milhões de fretes;
v) o país remeteu ao exterior 60 milhões, sendo 30 milhões
referentes a juros da dívida externa; 20 milhões de
remessas de lucros e 10 milhões de amortizações.
vi) o país recebeu 15 milhões como donativos, sendo que 5
milhões foram em espécie, isto é, em mercadorias.
vii) o FMI emprestou ao país 25 milhões para a regularização
do déficit do BP.
viii) os gastos de turistas estrangeiros no país atingiram a
soma de 5 milhões, enquanto os turistas nacionais
gastaram no exterior 10 milhões.
ix) o país fez empréstimos no exterior no montante de 15
milhões.

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A tabela a seguir mostra a contabilização das operações


acima:
Contabilização do Balanço de Pagamentos
_____________________________________________________
_____Operações________________
i ! ii ! iii ! iv ! v ! vi ! vii ! viii ! ix
--------------------------------------------------------------------------
Exportações +350
Importações -300 -10 -5
Fretes -30
Juros -30
Lucros -20
Amortizações -10
Transferências Unilat. +15
Turismo de brasileiros -10
Turismo de estrangeiros +5
Empréstimos do exterior +15
Empréstimos do FMI +25
Financiamentos +50
Investimentos diretos +30
Haveres no exterior+250 -20 –350 +30 +60 -10 -25 -5 -15
_____________________________________________________

A montagem do balanço de pagamentos fica, então, assim:


A - Balança de Transações Correntes (= 1+2+3)..: -35
1. Balança comercial: +35
a) Exportações: +350
b) Importações: -315
2. Balança der serviços: -85
a) Fretes: -30
b) Juros: -30
c) Lucros: -20

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d) Turismo: -5
3. Transferências unilaterais: +15
B - Conta de Capitais (autônomos)..: +85
a) Empréstimos do exterior: +15
b) Financiamentos: +50
c) Investimentos diretos: 30
d) Amortizações: -10
C - Resultado do balanço de pagamentos (= A+B)..:+50
D- Demonstrativo do Resultado:-50
a) Empréstimos do FMI: +25
b) Haveres no exterior: -75

5.5. Transações Sobre a Linha e Sob a Linha

As transações internacionais de um país podem ser


classificadas em duas categorias:
a) Transações sobre (ou acima) da linha - também
chamadas operações autônomas, são aquelas transações que se
realizam entre residentes e não-residentes, motivadas apenas
pelas forças de mercado, espontaneamente, sem interferência das
Autoridades Monetárias. São exemplos das transações sobre a
linha: as exportações, as importações, a captação de empréstimos
por empresas nacionais, os investimentos diretos, os
financiamentos, o pagamento de transportes, os seguros, as
viagens internacionais1, etc..
b) Transações sob ou abaixo da linha - também chamadas
de movimentos compensatórios ou induzidos de capitais, são
aquelas operações destinadas a cobrir eventuais déficits do
balanço de pagamentos (ou a aplicar eventuais superávits). Estas
operações são decorrentes do saldo (positivo ou negativo) das
transações autônomas. São exemplos de tais transações os
empréstimos obtidos pelas Autoridades Monetárias junto ao FMI

1
Embora, tecnicamente, o termo “operações autônomas” se aplique a todas essas operações de mercado,
geralmente o termo é aplicado mais aos movimentos de capitais privados.

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com a finalidade de financiar déficits do BP, ou ainda, as variações,


para mais ou para menos, ocorridas nas reservas internacionais do
país (inclusive ouro monetário).
Note-se que esses "movimentos compensatórios ou induzidos"
são sempre um resultado da ação das Autoridades Monetárias para
equilibrar o BP ou mesmo para a formação de reservas
internacionais.

5.6. Conceito de equilíbrio do balanço de pagamentos

Quando o BP está em equilíbrio?


Em princípio, considera-se o BP em equilíbrio quando a soma
do saldo da Conta de Transações Correntes com o saldo da Conta
de Capitais (mais erros e omissões) se anulam.
Um segundo conceito seria aquele que considera o BP sempre
em equilíbrio, após o movimento de capitais compensatórios - isto
é, após a Conta do Demonstrativo do Resultado. Alega-se, para
tanto, que, por definição, o BP sempre é encerrado em equilíbrio,
já que eventuais déficits decorrentes da soma das transações
correntes e da conta de capitais terão que ser cobertos ou por
empréstimos ou por variações dos havers no exterior.
A despeito de todos esses conceitos, o que parece importar
mesmo é o conceito de equilíbrio da Conta de Transações
Correntes - já que é esta conta que mostra, realmente, se o país
comprou mais mercadorias e serviços do que vendeu ao exterior -
isto é, se o país "gastou" mais divisas do que recebeu. Isto
porque, se houver um déficit de transações correntes, este déficit
implicará, necessariamente, ou mais endividamento do país no
exterior ou em mais investimentos externos no país (significando
aumento de ativos nacionais de propriedade de estrangeiros).
Assim considerado, é importante que o país mantenha um
relativo equilíbrio de suas contas correntes, o que, em última
análise, significa realizar um esforço maior para aumentar suas
exportações de mercadorias e obter um superávit na balança
comercial para compensar o crônico e inevitável déficit da balança
de serviços.

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O ajustamento do balanço de pagamentos e as principais


políticas que se poderia adotar para se corrigir desequilíbrios
externos da economia são descritos a seguir.

5.7. O saldo em conta corrente: uma interpretação


econômica2

A balança de serviços compreende duas categorias distintas:


i) os serviços não-fatores – que não representam
remuneração aos fatores de produção e que são constituídos pelos
transportes, seguros, turismo e despesas governamentais;
ii) os serviços fatores – que representam o pagamento aos
fatores de produção, sendo constituídos pelos juros da dívida
externa, as remessas de lucros, os pagamentos de salários, os
aluguéis de equipamentos, os pagamentos de assistência técnica e
royalties.
A balança de transações correntes, como foi visto, se
constitui, basicamente, de vendas e de compras de bens e
serviços ao exterior. A diferença entre os pagamentos e
recebimentos do exterior, nessa conta, dá origem a dois conceitos
que, embora na prática às vezes são usados como sinônimos, são
bastante distintos do ponto de vista econômico: a transferência
líquida de recursos e a renda líquida recebida ou enviada ao
exterior.
Tecnicamente, a transferência líquida de recursos ao
exterior corresponde à diferença entre as exportações de bens e
serviços não-fatores e as importações de bens e serviços não-
fatores. Ou seja, corresponde ao saldo da balança comercial mais
o saldo da balança de serviços não-fatores. A essa diferença, com
sinal trocado, se dá o nome de hiato de recursos – que indica o
quanto o país consome a mais sobre aquilo que produz.
De outra parte, a renda recebida (+) ou enviada (-) ao
exterior corresponde ao saldo de serviços fatores mais as
transferências unilaterais.
Assim, em síntese, tem-se:

2
Vide M. H. Simonsen e R.P.Cysne – Macroeconomia – Ed. Atlas/FGV Editora, R.J., 1995, Cap. 2.

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Saldo do BP em conta corrente = transferência líquida de


recursos para o exterior + renda líquida recebida (ou - renda
enviada) ao exterior.
Tomando o exemplo do exercício numérico da seção 4.6.,
constata-se que o saldo da balança comercial era de +35; o da
balança de serviços era igual a –85, decomposto em -35 de
serviços não-fatores e –50 de serviços fatores (juros e lucros),
enquanto as transferências unilaterais apresentaram um saldo de
+15. Temos, assim:
(a) Transferência líquida de recursos ao exterior: 0
(b) Renda líquida enviada ao exterior: -35
(c) Saldo do BP em conta corrente (= a + b): -35.

Deste modo, pode-se afirmar que, no período considerado,


este país não apresentou “hiato de recursos”, mas transferiu 35 de
renda líquida para o exterior – que, nesse exemplo, corresponde
ao saldo em conta corrente.

Poupança externa

Um aspecto importante a salientar é que, caso o país registre


saldo negativo na conta corrente do BP, tal fato exigirá,
necessariamente, uma entrada de capitais autônomos e/ou
compensatórios para financiá-lo. Por essa razão, se diz que,
economicamente, um saldo negativo em transações correntes
significa que o país está poupança externa de igual valor,
poupança esta que se destina ao financiamento de parte do
investimento doméstico. Pela mesma razão, caso aquele saldo
seja positivo, significa que o país está exportando poupança
interna para financiar investimentos no exterior.
Nesse raciocínio, se o país receber um volume de capitais
autônomos maior que seu saldo negativo em conta corrente –
apresentando, portanto, um saldo positivo no BP total – esse
excesso de entrada de capitais externos não será absorvido pela
economia, domesticamente, ficando depositado no exterior como
reservas adicionais que poderão ser usadas no futuro.

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II - Taxa de Câmbio
5.8. Mercado cambial e taxa de câmbio: conceito

Um dos aspectos que distingue o comércio internacional do


comércio interno é o fato de que aquele envolve moedas diferentes
de diferentes países. Quando algum brasileiro compra um aparelho
de televisão dos Estados Unidos, ele tem de pagá-la em dinheiro
americano, isto é, em dólar. Da mesma forma, se uma empresa
americana desejar adquirir café brasileiro, terá que pagar sua
transação em reais ao produtor brasileiro. É esta necessidade de
fazer pagamentos no exterior em moedas diferentes da usada no
próprio país que faz surgir a taxa de câmbio e o mercado cambial.
O mercado de câmbio consiste de um grande número de
bancos, corretores e exportadores e importadores, além do
Tesouro Nacional e bancos centrais, interessados na compra e
venda de divisas estrangeiras. Como todo mercado, o mercado de
câmbio conta com uma oferta e com uma demanda de divisas ou
moedas estrangeiras.
Do lado dos vendedores, ou ofertadores, temos os
exportadores, os tomadores de empréstimos no exterior,
vendedores de serviços, turistas estrangeiros, investidores de
capital de risco, etc.; do lado dos compradores, ou demandantes
das divisas estrangeiras, temos os importadores, compradores de
serviços do exterior, turistas nacionais, devedores no exterior, etc.
Como qualquer mercadoria, a divisa estrangeira tem um preço
(ou cotação) dado pela taxa de câmbio que pode assim ser
definida:
Taxa de câmbio é o preço, em termos da moeda
nacional, de uma unidade de moeda estrangeira.
De uma forma geral, a taxa de câmbio entre duas moedas
quaisquer deve refletir a relação entre os preços domésticos e os
preços praticados nos demais países, dos bens, serviços e fatores
de produção. Neste sentido, deve-se observar que as quantidades
de uma moeda em relação a outra, digamos, o dólar, não tem

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qualquer significado ou implicação mais importante, pois tudo


depende do padrão monetário interno de cada país.
Assim, por exemplo, se a taxa de câmbio entre o iene japonês e
o dólar americano é, hoje, de 110 ienes por dólar, isto não
significa, em absoluto, que o iene é uma moeda “mais fraca” que a
moeda americana. O que é, de fato, importante, é verificar se esta
taxa ou paridade está variando e em que direção. Note-se que há
alguns anos atrás um dólar equivalia a 220 ienes. Hoje, o iene se
fortaleceu e o preço do dólar, na moeda japonesa, caiu a metade!
Também é importante observar se as variações ocorridas na
taxa de câmbio são explicadas por flutuações de mercado
(movimentos de oferta e demanda) ou por diferenciais de inflação
entre dois países, e se tais variações acarretam perdas ou ganhos
reais do poder de compra da moeda nacional nas operações
externas. Adicionalmente, não se pode classificar, a priori, tais
variações como um mal em si, pois, às vezes, trata-se de
correções de distorções anteriores.

5.9. Sistemas cambiais

A questão que, de imediato, se coloca é: como é determinado o


valor da taxa de câmbio entre duas moedas de dois países
diferentes?
Isto depende de cada país. De uma forma geral, a taxa de
câmbio ou é determinada pelo livre funcionamento das forças de
mercado ou é fixada e administrada pela autoridade monetária,
isto é, pelo Banco Central. No primeiro caso, temos as chamadas
taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes; no segundo, temos as
taxas de câmbio fixas. Vejamos a operação de cada um desses
sistemas.

5.9.1. Taxas de câmbio fixas no padrão-ouro

Para você entender melhor como são fixadas as taxas de


câmbio, vamos relembrar um pouco como funcionava o sistema
cambial há algumas décadas atrás. No século XIX, o sistema

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cambial predominante era baseado no chamado “padrão-ouro”.


Sob este sistema, as autoridades monetárias de cada nação
fixavam o preço do ouro em termos da moeda nacional e se
comprometiam a comprar e a vender qualquer quantidade de ouro
a tal preço. Evidentemente, este preço era condicionado à
quantidade de moeda circulando e à quantidade de ouro estocado
no Banco Central do país. Dada uma certa quantidade de ouro ali
existente, seu preço em moeda nacional seria tanto maior quanto
maior fosse a quantidade de moeda nacional em circulação. Ou
seja, a paridade entre a moeda nacional e o ouro dependia da
quantidade existente de moeda e de ouro.
A partir desta relação de preços entre o ouro e a moeda
nacional, tornava-se fácil estabelecer a taxa de câmbio entre duas
moedas de dois países diferentes – a chamada paridade de
cunhagem. Uma vez assim fixada, a taxa de câmbio só podia
variar acima ou abaixo desta paridade no montante do custo de
embarcar ouro entre duas nações – os chamados “pontos do
ouro”.
Para entender melhor este sistema, suponha que a paridade
cambial ou par metálico (no padrão-ouro) entre o dólar americano
e o franco francês fosse a seguinte: US$ 1 = FF 5 (este valor era
derivado do fato de que, nos Estados Unidos, um grama de ouro
deveria custar um dólar, enquanto, na França, um grama custava
5 francos). Caso, por qualquer razão, a demanda por dólares na
França aumentasse, o preço da moeda americana subiria,
digamos, para US$ 1 = FF 6, bem acima, portanto, da paridade
metálica com o ouro.
Vamos supor que o custo (despesas de frete, seguros, etc.) de
se remeter ouro da França para os Estados Unidos fosse de FF
0,50 por quantidade de ouro equivalente a um dólar. Se assim era,
pode-se concluir que o francês preferirá comprar ouro em seu país
e remetê-lo para pagar suas contas nos Estados Unidos, ao invés
de trocar seis francos por um dólar. Em outras palavras, o limite
superior de variação da taxa de câmbio de paridade era dado por
FF 5,50 por dólar (isto é, a taxa de câmbio mais a taxa de
transporte do ouro). Acima deste valor, era preferível trocar franco
por ouro e remetê-lo para os Estados Unidos.
O mesmo raciocínio se aplicaria na hipótese de haver um
aumento da demanda americana por franco francês, fazendo com

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que a taxa de câmbio se reduzisse para, digamos, FF 4,00 por


dólar. Neste caso, com o custo de enviar ouro dos Estados Unidos
para a França situado nos mesmos FF 0,50 mencionados
anteriormente, era preferível ao americano comprar ouro no seu
país e remetê-lo para a França, trocando neste país um grama por
5 francos. Como ele gastou FF 0,50 na remessa, receberia,
liquidamente, FF 4,50 por um dólar (mais do que os FF 4,00 por
dólar mencionado antes).

FF
US $
S
(gold point) 5,50
(saída)

5,00

(gold point) 4,50


(entrada) D

US$
Figura 5.1.

Assim, no padrão-ouro, a taxa de câmbio entre duas moedas


era relativamente fixa, podendo variar dentro de intervalos
mínimos, definidos pelo custo de transporte do ouro de um país
para outro. Estes limites superior e inferior para variação da taxa
de câmbio de paridade metálica eram chamados de “pontos de
ouro” (gold-points). No exemplo acima, e conforme mostrado na
Figura 5.1., o limite superior seria FF 5,50 e o inferior seria FF
4,50.
Note-se que este sistema foi usado de forma generalizada na
chamada “era dourada”, de 1870 a 1914. Já na década de 20 e
início de 30 do século passado, seu uso foi esporádico, entrando
em verdadeiro colapso durante a Grande Depressão. Depois da 2ª
Grande Guerra, o Tratado de Bretton Woods (1944) criou um

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sistema de câmbio fixo para os países-membros do Fundo


Monetário Internacional (FMI), composto pela maioria das
economias de mercado. Pelo novo acordo, cada nação deveria
definir o valor da respectiva moeda em relação ao dólar que, por
sua vez, era conversível em ouro à taxa fixa de US$ 35,00 por
onça3. Depois de muitas idas e vindas, o Tratado de Bretton
Woods caiu em 1971, quando o Presidente Nixon suspendeu a
conversibilidade do dólar em ouro (ou seja, os Estados Unidos não
mais converteriam dólares em ouro, seja para os governos
estrangeiros, seja para as instituições financeiras estrangeiras ou
não). Simultaneamente a esta medida, os Estados Unidos
alteraram unilateralmente a paridade, isto é, a taxa de câmbio –
do dólar em relação às demais moedas européias e japonesa.

Desde 1973, as principais moedas do mundo industrializado


trabalham sob um esquema de câmbio flutuante, mas sob certo
controle da autoridade monetária do país (a chamada “flutuação
suja”), onde as principais moedas – dólar, marco alemão, franco
francês, iene japonês – flutuam entre si, de uma forma quase
livre, como se verá mais adiante, quando falarmos das taxas de
câmbio flexíveis ou flutuantes. Antes, porém, convém falar um
pouco sob um outro tipo de taxa de câmbio fixa ou administrada,
usado nas economias em desenvolvimento.

5.9.2. Taxa de câmbio fixa, pós-padrão-ouro

A maioria dos países em desenvolvimento, o Brasil, inclusive,


por não terem moeda conversível – isto é, uma moeda que seja
aceita nas trocas internacionais – não pode se dar ao luxo de
adotar um mercado cambial livre, sob o risco de se verem sem
reservas em divisas estrangeiras na quantidade necessária para
atender seus pagamentos no exterior.

3
Vale observar que a conversibilidade do dólar em ouro era parcial, pois somente as instituições financeiras e
governos estrangeiros poderiam fazê-lo. Os habitantes dos Estados Unidos não podiam possuir ouro
monetário e a Reserva Federal não era obrigada a converter dólares em ouro para a população..

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Neste caso, esses países costumam adotar um regime cambial


fixo, no sentido de que o valor da taxa de câmbio é determinado
pela autoridade monetária nacional que, a princípio, deveria
vender e comprar a moeda estrangeira, em qualquer quantidade,
ao preço por ela fixado. Assim, por exemplo, se o Banco do México
resolver fixar a taxa de câmbio peso mexicano/dólar a P$ 3 = 1
US$, garantindo a conversibilidade a esta taxa, isto significa que o
banco mexicano se compromete a vender 3 pesos por um dólar,
ou a pagar um dólar por três pesos mexicanos.
Na vida real, no entanto, em vários países em desenvolvimento,
principalmente quando enfrentam déficits no balanço de
pagamentos, não se consegue vender ou comprar a moeda
estrangeira pelo valor fixado oficialmente, pelo menos na
quantidade desejada, dado que, além de fixar o valor do câmbio,
muitas vezes a autoridade monetária limita a quantidade a ser
transacionada no mercado oficial, dando margem, geralmente, ao
surgimento de um mercado paralelo de divisas – o chamado
“mercado negro”.
Uma observação importante é que, no caso deste regime de
câmbio fixo, o arranjo mais comum é um país definir a taxa de
câmbio entre a moeda nacional e uma determinada moeda
estrangeira (podendo ser o dólar ou o iene ou o franco francês,
dependendo da área de influência econômica a que pertence o
país), estabelecendo, após isso, as taxas de câmbio com outras
moedas a partir da relação entre estas e a moeda estrangeira
escolhida como “âncora”.
Observe-se, também, que o fato de ser “fixada” pelo Banco
Central do país não significa que a taxa de câmbio permanece
constante para sempre. Ao contrário, seu valor pode ser alterado –
sempre pela autoridade monetária – seja porque está havendo
inflação doméstica, seja por questões de balanço de pagamentos.
No caso brasileiro, por exemplo, até 1993, devido às altas taxas de
inflação, o câmbio era alterado diariamente – o chamado sistema
de minidesvalorizações cambiais – de forma a manter a paridade
real do poder de compra da taxa de câmbio.
Por fim, vale dizer ainda que, num regime de taxas de câmbio
fixas, quando o Banco Central compra moeda estrangeira, ocorre,
nesse momento, um aumento da chamada base monetária. Caso o
Banco Central venda a moeda estrangeira – para importadores,

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turistas, etc. – a base monetária se reduz. Em outras palavras, a


oferta interna de moeda nacional aumenta ou diminui quando as
reservas internacionais do país aumentam ou se reduzem.

5.9.3. Taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes

Num regime ou sistema cambial de taxas flexíveis ou


flutuantes, o preço da divisa estrangeira, ou taxa de câmbio, é
determinado pelo livre jogo da oferta e da demanda de moeda
estrangeira. Imaginemos como seria determinada a taxa de
câmbio entre o franco francês (FF) e o dólar americano (US$) no
mercado de Paris: por trás da demanda da França por dólares está
o desejo dos franceses de importar bens e serviços dos Estados
Unidos e realizar outras transferências de pagamentos para este
país. A demanda francesa por dólares tem inclinação negativa,
como mostra a Figura 5.2, porque taxas de câmbio mais baixas
significam que os franceses despenderão menos francos para
adquirir produtos e serviços no mercado americano. Ou seja, os
Estados Unidos se tornam, para os franceses, um lugar mais
barato para se comprar e se investir.

Figura 5.2.

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De outro lado, por trás da oferta de dólares pelos Estados


Unidos está o desejo dos americanos de importar bens e serviços
franceses, ou de investir na França ou emprestar a empresas
neste país. Quanto mais francos forem trocados por um dólar,
mais atrativo se torna o mercado francês para os americanos –
que, assim, ofertarão mais e mais dólares naquele mercado Isto
nos fornece uma curva de oferta de dólares positivamente
inclinado, como mostra na Figura 1.
Como em qualquer mercado, a taxa de câmbio de equilíbrio é
determinada pela intersecção das curvas de oferta e de demanda.
No caso da Figura 8.2, a taxa de câmbio de equilíbrio será FF 5,50
= 1 US$. Qualquer valor acima desta taxa implicará um excesso
de oferta de dólares no mercado francês, enquanto qualquer valor
abaixo implicará excesso de demanda pela moeda americana.
Suponha, agora, que, mantida constante a demanda inicial
(curva Do), ocorra, por qualquer razão, um aumento da oferta
americana de dólares no mercado francês, como seria o caso de
um aumento do fluxo turístico de americanos nos meses de verão
europeu. Em conseqüência, a curva de oferta se deslocaria para
S1 – o que provocará uma queda da taxa de câmbio para FF 4,00
= 1 US$. Da mesma forma, se, por uma razão qualquer, houver
um aumento da procura francesa por dólares, a curva de demanda
se deslocará para a direita, para D1 – o que causará um aumento
da taxa de câmbio para FF 6,00 = 1 US$.
Observe-se que, num mercado cambial livre, as alterações na
oferta e na demanda de divisas estrangeiras podem resultar tanto
de uma variação nas transações normais realizadas com o exterior
(aumento ou queda das exportações ou das importações, uma
maior entrada de empréstimos ou de investimento de risco, etc.),
como também podem ser o resultado de movimentos
especulativos de aplicadores interessados em tirar proveito de
diferenciais de taxas de câmbio. De todo modo, ainda que as
flutuações cambiais não sejam incomuns, a tendência normal das
taxas de câmbio, nos mercados livres, é a de permanecer estáveis
a médio e longo prazos.
Um ponto importante a observar é que, no mundo de hoje,
praticamente inexiste um mercado onde a taxa de câmbio seja
determinada de forma totalmente livre pelos movimentos da oferta
e da demanda. Mesmo nos países desenvolvidos – França, Estados

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Unidos, Inglaterra, Japão, Alemanha, Itália, etc. – o mercado


funciona razoavelmente livre, porém sob um certo controle das
autoridades monetárias. É a chamada “flutuação suja” dirty
floating. O objetivo disso é o de evitar que movimentos
especulativos provoquem distúrbios ou perturbações no mercado
cambial internacional.

5.10. Flutuações da taxa de câmbio

Diversos fatores podem provocar variações rotineiras no valor


da taxa de câmbio. Geralmente, são fatores que alteram ou
influenciam a demanda e a oferta de divisas estrangeiras. Assim,
por exemplo, além da taxa de câmbio, a demanda por divisas é
afetada pelas seguintes variáveis:
i) a expansão do produto interno (Y) do país: se o produto
interno estiver crescendo, deve ocorrer um aumento das
importações – o que induzirá um aumento da demanda
por moeda estrangeira; este aumento da demanda
provocará uma variação para mais do valor da taxa de
câmbio;
ii) variações do nível de preços internos (Pi) ou dos preços
externos (Pe); caso Pi se eleve, as importações ficarão
relativamente mais baratas – o que provocará um
aumento das importações e, conseqüentemente, da
demanda por divisas; caso Pe se eleve, ocorrerá o
contrário: as importações ficarão mais caras, provocando,
em conseqüência, uma queda nas importações e, daí, na
demanda por divisas;
iii) taxa de juros interna (ri) e externa (re): um aumento em ri
certamente estimulará a entrada de mais capitais no país
para aplicações no mercado financeiro – aumentando a
oferta de divisas estrangeiras no mercado interno; caso a
re se eleve, haverá um estímulo à saída de capitais para
o exterior – o que provocará um aumento da demanda
por divisas para esta remessa para fora.

Podemos resumir essas colocações afirmando que a demanda


por divisas (Dd) pode ser representada pela seguinte equação:

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Dd = f(e, Y, Pi, Pe, ri, re)


- + + - - +
onde,
e = taxa de câmbio (e vem da palavra inglesa exchange, que
significa câmbio);
os sinais – e + querem dizer que a demanda por divisa é,
respectivamente, crescente ou decrescente em relação à variável
considerada.
Essas mesmas variáveis afetam positiva ou negativamente a
oferta de divisas, exceto que, no caso do produto, o que interessa
não é o comportamento do produto interno (Y) e, sim, o
comportamento do produto ou renda do resto do mundo (YRM).
Ou seja, a oferta de divisas (Sd) pode ser assim representada:
Sd = f(e, YRM, Pi, Pe, ri, re)
+ + - + + -

Representação gráfica

O efeito de eventuais mudanças nessas variáveis sobre a


demanda e a oferta de divisas pode ser visualizado graficamente
do seguinte modo:
Vamos imaginar que o mercado cambial esteja em equilíbrio
à taxa de câmbio eo, tal como mostrado na Figura 5.3 – que nada
mais é que uma repetição da Figura 5.2.
e
Sd

eo

Dd

Qo Q
Figura 5.3

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Agora, vamos supor que ocorra um aumento dos preços internos


(Pi)– ou seja, houve inflação interna. Nesta hipótese, como já
vimos anteriormente, a demanda por divisas deverá aumentar – o
que, graficamente, é representado por um deslocamento da curva
de demanda (Dd) para a direita – enquanto a oferta de divisas
deverá diminuir – implicando um deslocamento da curva de oferta
(Sd) para a esquerda4.
Conforme se pode observar pela Figura 5.4., o resultado
desses deslocamentos foi um aumento da taxa de câmbio de eo
para e1.
e
Dd1 Sd1
Ddo Sdo
e1
eo

Q
Figura 5.4.
Deixamos para você a análise e conclusões, caso ocorresse o
inverso, isto é, se, ao invés de um aumento dos preços internos,
ocorresse uma elevação dos preços dos preços externos (Pe).

5.11. Apreciação e depreciação da moeda nacional e


seus efeitos sobre o balanço de pagamentos.
Conclusões.

No caso de um sistema de taxas de câmbio flexíveis ou


flutuantes, caso haja um aumento no valor da taxa de câmbio, diz-
se que houve uma depreciação ou desvalorização da moeda
nacional; ou seja, serão necessários, agora, mais unidades da
moeda nacional para se adquirir uma unidade da moeda do outro
país.
4
Se você não entendeu o por quê desses deslocamentos dessas curvas, volte lá em nossa Aula n° 2 e releia
este tópico.

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Na hipótese inversa, isto é, se houve uma redução no valor


da taxa de câmbio, diz-se que houve uma apreciação ou
valorização da moeda nacional.
De outra parte, se o sistema cambial adotado pelo país for o
de taxas de câmbio flexíveis ou flutuantes, o total de divisas
ofertadas no mercado é, automaticamente, igualado pelo total de
demanda por estas divisas. Isso se explica pela seguinte razão: se,
ao preço vigente da taxa de câmbio, e por um motivo qualquer,
houver um aumento na demanda por divisas, seu preço se elevará
– o que deverá causar, de um lado, um aumento na oferta de
divisas e, de outro, reduzirá, num segundo momento, uma
redução do novo valor da taxa de câmbio, até que o mercado se
reequilibre.
Raciocínio inverso se aplica caso ocorra, por uma razão
qualquer, um aumento da oferta de divisas. Nesta hipótese, o
preço da taxa de câmbio cairá, estimulando a demanda por divisas
e, num segundo momento, reduzindo a nova oferta de divisas (por
que seu valor caiu) e, novamente, ao fim e ao cabo, o mercado
achará uma nova taxa de câmbio de equilíbrio.
De tudo isso se conclui que, num sistema de taxas de câmbio
flexíveis ou flutuantes, o saldo do Balanço de Pagamentos (BP)
estará automaticamente em equilíbrio, sem necessidade de o
Banco Central interferir ou alterar o volume das reservas
internacionais do país, já que o total de divisas ofertadas sempre
se igualará ao total de divisas demandadas.
Uma última questão antes de encerrarmos esta nossa 5ª Aula
de Economia: Qual o sistema cambial adotado atualmente pelo
Brasil?
Até 1994 – quando da implantação do Plano Real – o Brasil
adotava o sistema de taxas de câmbio fixas ou administradas. A
partir do Plano Real, através de um processo de ajuste sucessivo,
o Banco Central do Brasil foi introduzindo o sistema de taxas de
câmbio flexíveis que nunca foi, na prática, inteiramente adotado.
Na realidade, o Brasil, hoje, utiliza um sistema que poderia ser
chamado de “misto”, mais conhecido como flutuação suja (dirty
floating5). Por este sistema, o Banco Central deixa que as taxas de

5
O sistema de taxas de câmbio totalmente flexíveis, onde não há qualquer interferência do Banco Central –
ou seja, o sistema “puro” é denominado clean floating (flutuação limpa).

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câmbio flutuem ao sabor da oferta e da demanda por divisas –


porém, dentro de um certo intervalo, com limite máximo e mínimo
– o chamado sistema de bandas.
Nesse processo, se a taxa de câmbio ameaça romper o limite
mínimo – porque há um excesso de oferta de divisas – o Banco
Central entra no mercado comprando divisas, provocando, em
conseqüência, uma elevação no valor da taxa de câmbio e
evitando, assim, que o limite mínimo seja rompido. Da mesma
forma, se houver uma ameaça de rompimento do limite máximo, o
Banco Central entra no mercado oferecendo divisas estrangeiras,
derrubando, assim, o valor da taxa de câmbio.

Com essas colocações, encerramos esta nossa 5ª Aula. A


seguir, são apresentados alguns exercícios de revisão e fixação
sobre balanço de pagamentos e taxa de câmbio. Até nossa
próxima aula.

___________________

EXERCÍCIOS DE REVISÃO E FIXAÇÃO: (gabarito ao final)

1. Com relação aos registros contábeis no Balanço de Pagamentos, estão


corretas as afirmativas abaixo, exceto:
a) todas as transações são registradas com duas entradas, uma a crédito e
outra a débito;
b) qualquer transação de um residente no país com um residente no exterior
gera um “haver” (direito) no exterior;
c) se um residente no país comprar uma máquina de um residente no
exterior, esta operação gerará uma “obrigação” no exterior;
d) uma exportação é lançada a crédito, no Balanço do Pagamento.

2. A balança comercial compreende:


a) as exportações e importações de bens e serviços;
b) somente as exportações de mercadorias e serviços;
c) somente as importações de bens e serviços;
d) somente as exportações e importações de serviços;
e) somente as exportações e importações de mercadorias.

3. A conta de transações correntes compreende:


a) as balanças comercial e de transferências unilaterais;

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b) as balanças comercial e de serviços;


c) as balanças comercial, de serviços e os movimentos de capital;
d) somente os movimentos de capital;
e) balanças comercial, de serviços e transferências unilaterais.

4. Não faz parte da conta de transações correntes:


a) remessa de lucros e dividendos;
b) pagamentos de juros da dívida;
c) exportações e importações de mercadorias;
d) investimentos diretos;
e) viagens internacionais.

5. Consideram-se rendas de capitais:


a) as remessas de juros e amortizações da dívida;
b) apenas as remessas de lucros;
c) apenas as remessas de juros;
d) as remessas de juros e de lucros;
e) nenhuma das alternativas anteriores.

6. Não faz parte da conta de serviços:


a) as remessas para amortizações da dívida;
b) apenas as remessas de lucros;
c) apenas as remessas de juros;
d) as remessas de juros e de lucros;

7. Não faz parte da conta de capitais:


a) as amortizações da dívida;
b) os investimentos diretos (capital de risco);
c) os empréstimos e financiamentos de curto prazo;
d) as remessas de lucros e de juros;
e) os empréstimos de longo prazo.

8. Se houver um déficit em transações correntes, o equilíbrio do Balanço de


Pagamentos:
a) exigirá, obrigatoriamente, o ingresso de capitais de risco;
b) tanto pode ser obtido através do ingresso de capitais autônomos, como
por movimentos induzidos de capital (empréstimos oficiais);
c) levará, obrigatoriamente, a uma redução das reservas internacionais do
país;
d) não poderá ser obtido a curto prazo;
e) forçará uma redução da remessa de juros para o exterior.

9. As vendas de ouro pelo Banco Central à indústria nacional são registradas:


a) na conta de serviços;
b) na conta de capitais compensatórios;
c) na conta “desmonetização” de ouro;
d) na conta de capitais, como saída de divisas;
e) não são registradas no Balanço de Pagamentos.

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10. As transações abaixo são registradas na conta de serviços, como


“transportes”, exceto:
a) as despesas com fretes das mercadorias importadas;
b) as receitas com fretes das mercadorias exportadas;
c) o valor das passagens adquiridas por residentes às companhias aéreas Pan-
América;
d) o valor das passagens adquiridas por não-residentes à VARIG;
e) o valor das passagens adquiridas por residentes à VARIG.

11. Se uma empresa multinacional obteve um lucro de Cr$ 3 bilhões, em suas


operações no Brasil, e decide enviar para sua matriz, no exterior, apenas
Cr$ 1 bilhão, reinvestindo no Brasil os restantes Cr$ 2 bilhões, o registro
no Balanço de Pagamentos:
a) será feito no item “Remessa de Lucros”, registrando-se apenas o
montante efetivamente remetido;
b) será feito no item “Remessa de Lucros”, registrando-se o total dos lucros
obtidos, registrando-se como “entrada”, no item “investimentos diretos” o
montante do reinvestimento;
c) não será feito qualquer registro no Balanço de Pagamentos, pois o capital
investido já fora registrado no Balanço de Pagamentos de anos anteriores;
d) só corresponderá a parte do lucro que efetivamente foi reinvestida no
país;
e) nenhuma das alternativas.

12. Numa economia aberta, um déficit no Balanço de Pagamentos em conta


corrente corresponde a:
a) uma exportação de poupança doméstica que se canaliza para investimentos
no exterior;
b) uma saída de capitais para o exterior;
c) uma elevação do nível de reservas internacionais do país;
d) uma importação de poupança externa, que se canaliza para investimentos
domésticos.

13. Na conta de capitais não são registrados:


a) o movimento de capitais autônomos;
b) os financiamentos de importações adquiridas para pagamento a prazo;
c) os investimentos e reinvestimentos diretos;
d) as amortizações da dívida externa;
e) o movimento de capitais compensatórios, isto é, induzidos para a
regularização dos déficits do Balanço de Pagamentos.

14. As “contas de regularização” referem-se:


a) às operações com organismos internacionais (FMI, BIRD, etc.), com o
objetivo de financiar possíveis déficits do Balanço de Pagamentos;
b) às operações de amortizações da dívida externa;
c) às variações para mais ou para menos dos haveres das autoridades
monetárias no exterior;

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d) aos movimentos de “ouro monetário”.

15. As operações abaixo são exemplos de “transações sobre (ou acima) a


linha”, exceto:
a) todas as operações envolvendo a balança comercial;
b) todas as operações envolvendo a balança de serviços;
c) todas as operações motivadas apenas pelas forças de mercado;
d) todas as operações das autoridades monetárias com o objetivo de cobrir
eventuais déficits do Balanço de Pagamentos;
e) as transferências unilaterais.

16. Existem diversos conceitos de “equilíbrio” do Balanço de Pagamentos,


sendo o conceito mais relevante aquele que:
a) considera que o Balanço de Pagamentos está em equilíbrio quando a soma
do saldo da Conta de Transações Correntes com o saldo da conta de capitais
(mais erros e omissões) se anulam;
b) considera o Balanço de Pagamentos sempre em equilíbrio, após o
movimento dos capitais compensatórios;
c) considera o Balanço de Pagamentos em equilíbrio quando o saldo da conta
de transações é zero;
d) considera o Balanço de Pagamentos em equilíbrio, quando o valor das
exportações é igual ao valor das importações de mercadorias.

17. As operações abaixo são exemplos de “transações sob (ou abaixo) a linha”,
exceto:
a) os empréstimos e financiamentos obtidos junto aos bancos privados;
b) os empréstimos obtidos pelas autoridades monetárias com o objetivo de
cobrir eventuais déficits do Balanço de Pagamentos;
c) as variações, para mais ou para menos, das reservas internacionais do
país;
d) os movimentos de capitais compensatórios ou induzidos;
e) as operações decorrentes do saldo positivo ou negativo das transações
autônomas.

18. No mercado cambial, não são ofertadores de moeda estrangeira:


a) os exportadores de mercadorias;
b) os que precisam de divisas estrangeiras para pagar dívidas contraídas no
exterior;
c) os tomadores de empréstimos no exterior;
d) os turistas estrangeiros que visitam o país.

19. Em geral, nos países menos desenvolvidos, o governo controla o mercado


cambial e até mesmo fixa a taxa de câmbio. Isto se deve:
a) ao fato de que estes países têm moeda “fraca” e conseqüentes problemas
de Balanço de Pagamentos;
b) ao fato de que, nestes países, a lei da oferta e da procura não reflete a
real escassez de divisas;
c) ao fato de que a moeda desses países não é conversível em ouro;

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d) ao fato de que estes países importam mais do que exportam mercadorias


e serviços.

20. Taxa de câmbio de equilíbrio é aquela que:


a) iguala o valor das exportações com o valor das importações;
b) iguala o saldo da balança comercial com o saldo da balança de serviços;
c) iguala a oferta e a demanda por divisa estrangeira no mercado cambial;
d) é fixada pelo governo.

21. De acordo com as elasticidades da demanda por exportações brasileiras, se


o Real for desvalorizado em 20% (reais) em relação ao dólar, isto deverá
provocar:
a) um aumento nas vendas externas brasileiras, se a demanda por nossos
produtos for inelástica;
b) uma queda nas vendas externas brasileiras, se a demanda tiver
elasticidade unitária;
c) um aumento nas vendas externas brasileiras, se a demanda externa for
elástica;
d) uma queda nas importações brasileiras, se a demanda interna por
produtos estrangeiros for inelástica.

22. Uma maxidesvalorização da taxa de câmbio Real/dólar deverá provocar,


em princípio:
a) um aumento nas exportações brasileiras e uma queda nas importações;
b) um aumento nas exportações brasileiras, mantendo-se inalteradas as
importações;
c) um aumento tanto das exportações como das importações brasileiras;
d) uma queda nas exportações brasileiras e um aumento nas importações.

23. Uma maxidesvalorização cambial não deverá provocar os efeitos esperados


(queda das importações e aumento das exportações) se:
a) o país só importar produtos primários e exportar produtos industrializados;
b) o país só importar produtos industrializados;
c) o país importar bens essenciais e exportar bens primários, que são
inelásticos a preços;
d) o país exportar bens industrializados inelásticos a preços;
e) uma maxidesvalorização cambial sempre aumentará as exportações e
reduzirá as importações.
24. Numa economia hipotética, durante um determinado ano, foram efetuadas
as seguintes transações com o exterior6:
.Exportações de mercadorias à vista: 1.500
.Amortizações pagas: 600
.Doações recebidas: 100
.Lucros remetidos para o exterior: 100
.Importações de mercadorias à vista: 1.300
.Empréstimos obtidos junto ao FMI: 150

6
Questão retirada de Viceconti, P. e Neves, S. Introdução à Economia, Editora Frase, S.Paulo, 6ª ed. 2003.

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.Fretes e seguros pagos 100


.Juros pagos : 200
.Investimentos externos no país: 500
.Venda de ouro monetário: 50
Com base nesses dados, os resultados da Balança Comercial (BC), da Balança
de Transações Correntes (BTC), para a Balança ou Conta de Capitais
Autônomos (BKA) e para o saldo do Balanço de Pagamentos (BP) são,
respectivamente:
a) BC = 200; BTC = -100; BKA = 100; BP = 0.
b) BC = 200; BTC = -100; BKA = -100; BP = -200.
c) BC = -200; BTC = 0; BKA = -200; BP = 200.
d) BC = 200; BTC = -100; BKA = -100; BP = 200.
e) BC = -200; BTC = -100; BKA = -100; BP = -200.

25. Suponha que o Balanço de Pagamentos do Brasil registrou, em


determinado ano, os seguintes dados:
. Saldo da balança comercial: 450
. Exportações de serviços (não-fatores): 250
. Importações de serviços (não-fatores) : 150
.Saldo das transações correntes (déficit): 150
. Donativos líquidos recebidos do exterior: 50
. Movimento de capitais autônomos (entrada liquida): 100
Nessas condições, a renda líquida enviada ao exterior é igual a:
a) 950; b) 750; c) 650; d) 700; e) 350.

_______________

GABARITO:
1. b; 2. e; 3. e; 4. d; 5. d; 6. a;
7. d; 8. b; 9. c; 10. e; 11. b; 12. d;
13. e; 14. a; 15. d; 16. c; 17. a; 18. b;
19. a; 20. c; 21. c; 22. a; 23. c; 24. b;
25. b.

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Aula 6: A moeda e o sistema bancário

Nessa nossa sexta aula, nós vamos entrar no


maravilhoso mundo do dinheiro e dos sistema
bancário-comercial. Primeiro, nós vamos apresentar
uns conceitos básicos sobre moeda, suas origens, sua
evolução e seu papel na economia. Depois, veremos
como o Banco Central controla a quantidade de
dinheiro na economia e como ele controla o sistema
bancário para que este não provoque uma expansão
descontrolada na quantidade do dinheiro em
circulação.
Os conceitos monetários que desenvolve-remos
aqui serão bastante úteis mais à frente, quando
estudarmos o papel da política monetária no
desempenho da economia como um todo. Assim,
vamos ao que nos interessa aqui.

6.1. Introduzindo o conceito de moeda: Evolução,


Formas, Tipos e Funções da Moeda

Conceitualmente, o termo “moeda” é usado para denominar


tudo aquilo que é geralmente aceito como meio de trocas de bens
e serviços.
Não se pode afirmar com exatidão quando surgiu e qual foi a
primeira moeda. Remontando aos primórdios da civilização,
imagina-se facilmente que o homem primitivo produzia tudo
quanto bastava ao seu sustento. Suas necessidades limitavam-se
à garantia de sua sobrevivência. As associações e o
desenvolvimento natural da vida em grupo criaram, porém, outras
necessidades para cuja satisfação o indivíduo, isoladamente, se viu
impotente. Sua auto-suficiência se reduzia na medida do
crescimento de suas necessidades.
Nesta cadeia de raciocínio, o próximo passo foi a introdução
paulatina da divisão e especialização do trabalho: cada indivíduo
passou a produzir um ou poucos produtos, consumindo uma parte

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deles e tentando passar a outro o seu excedente em troca de


outros bens de que necessitava. Estabeleceu-se, então, um
sistema de trocas diretas, isto é, mercadorias por mercadorias.
É fácil imaginar as dificuldades para um razoável funcionamento
desta economia de escambo: primeiro, esse sistema exigia uma
permanente coincidência de interesses (o indivíduo A dispõe de
arroz e quer trocar por carne; para se realizar esta troca, é
imprescindível que ele encontre um indivíduo B que não só tenha
carne mas que, também, queira arroz!); segundo, há ainda a
dificuldade de se estabelecerem as relações ou preços de troca
(valores entre dois bens bastante diferentes).
Por tudo isso, este sistema, que vigorou na mais remota
antiguidade, era claramente ineficiente.
As mudanças requeridas se realizaram lentamente. O próximo
passo foi o surgimento de um sistema de trocas indiretas: por esse
novo esquema, uma mercadoria qualquer, que tivesse aceitação
geral, passava a ser usada, por convenção e aceitação do grupo,
como meio de pagamento. Tem-se aqui a introdução da moeda no
sistema econômico e que, passando por um processo evolutivo
natural, dá origem a todo o sistema monetário moderno.
No desenvolvimento deste novo sistema de trocas indiretas, a
moeda assumiu as mais diferentes formas, nos mais diferentes
países e épocas. Numa ordem quase cronológica de seu
aparecimento, podemos registrar, sinteticamente, as seguintes
formas e tipos de moeda:
a) Moeda-mercadoria: geralmente escolhia-se uma
mercadoria que fosse relativamente escassa e não facilmente
perecível (nem sempre possível). A história registra que, em
diferentes locais e épocas, foram usados como moeda: sal,
gado, fumo, peles, trigo, rum, ostra, carne-seca, ferro, cobre,
etc.
b) Metais preciosos: sem dúvida, de todas as
mercadorias, a preferência maior recaía, geralmente, sobre os
metais, não só pela sua relativa escassez mas, também, pela
sua durabilidade e fácil divisibilidade. Muito embora o ferro, o
cobre e o bronze tenham sido bastante utilizados, houve uma
predominância do uso dos metais preciosos, notadamente a
prata e o ouro.

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c) Moeda-papel: com o crescimento do volume e valor


das transações, o manejo de grandes quantidades de metais
preciosos tornou-se problemático pelas dificuldades de
transporte e os riscos envolvidos. Pouco a pouco, nota-se o
aparecimento de casas de custódia desses metais em diversos
pontos, em diversos países. Estas casas passaram a receber
em depósito os metais preciosos dos comerciantes, emitindo
em troca um recibo ou certificado de valor correspondente.
Este certificado recebeu a denominação de moeda-papel e
era generalizadamente aceito nas transações. Sua
característica principal era possuir lastro integral em ouro,
isto é, a qualquer momento o possuidor do certificado poderia
ir à casa de custódia emissora e reconvertê-lo em ouro ou
prata. Daí sua crescente aceitabilidade como meio de
pagamento em substituição aos próprios metais preciosos.
d) Papel-moeda: com o tempo, e diante da crescente
demanda por tais certificados – para atender os negócios em
franca expansão - as casas de custódia passaram a emitir
certificados cujo valor global em circulação excedia o valor
total dos metais preciosos ali depositados. A experiência
acumulada pelos custodiadores mostrava que nem todos os
depositantes resgatavam, ao mesmo tempo, seus depósitos,
Além do mais, enquanto alguns vinham para reconverter seus
certificados em ouro, outros vinham para depositar mais ouro.
Assim, com um encaixe metálico menor, era possível garantir
a liquidez dos certificados, isto é, garantir as reconversões
que, em média, na semana ou no mês, correspondia a apenas
uma fração do total dos certificados em circulação.

Temos, assim, um novo marco histórico na evolução das formas


de moeda: a passagem da moeda-papel para os certificados
emitidos sem o correspondente lastro em ouro ou prata e que
vieram a ser chamados de papel-moeda. Pouco a pouco, o papel-
moeda passou a ter uso generalizado como meio de pagamento
nas transações pelo simples fato de que sua aceitação era geral,
não se questionando sobre a possibilidade de convertê-lo ou não
em ouro.
Num processo evolutivo normal, e com o intuito de evitar riscos
de emissões exageradas, o passo seguinte foi dado pelo governos,
com a proibição de emissão de papel-moeda pelos bancos privados

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(antigas casas de custódia), limitando-se o direito de sua emissão


a uma instituição oficial que, pouco a pouco, se transformou nos
atuais bancos centrais de cada país. E não guardando mais
qualquer idéia de representatividade, nem valor intrínseco, o
papel-moeda passou a ser aceito porque simplesmente se sabe
que será aceito em outra operação amanhã (posteriormente, sua
aceitação passou a ser imposta por lei).
e) Moeda escritural bancária: é representada pelos
depósitos à vista, do público, nos bancos comerciais – ou
seja, as contas correntes das empresas e dos indivíduos –
materializados, na prática, pelo cheque.

Tipos de moeda

Numa classificação didática, temos hoje, as seguintes espécies


ou formas de moeda:
I - moeda manual – representada pelas moedas metálicas e
pelo papel-moeda;
II - moeda escritural ou bancária – representada pelos
depósitos à vista nos bancos comerciais. Note-se que é o depósito
à vista é que é moeda, e não o cheque. Este último é apenas a
forma mais comum para se utilizar a moeda “depósito à vista” –
que é, este sim, o meio de pagamento. O cheque sem um depósito
à vista por trás dele não tem qualquer valor econômico.
Vale observar que o papel-moeda e a moeda escritural ou
bancária são chamados moedas fiduciárias (isto é, em que se tem
fé ou em que se acredita), já que não possuem valor intrínseco,
constituindo-se em moeda simplesmente porque têm aceitação
generalizada nas transações econômicas.

Funções da moeda

De uma forma geral, os economistas reconhecem as seguintes


funções desempenhadas pela moeda:
i) meio de pagamento ou intermediário de trocas;
ii) padrão de referência de valor ou unidade de conta; e,
iii) reserva de valor.

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Tendo aceitação generalizada como meio de pagamento nas


transações, a moeda desempenha sua função mais cristalina e
fundamental – que é de servir como instrumento ou intermediária
de trocas entre os indivíduos para satisfação de ambas as partes.
Como padrão de referência de valor, a moeda possibilita que
todos os valores dos bens, serviços e fatores de produção sejam
expressos em unidades monetárias, propiciando a fácil avaliação e
comparação de todos os recursos disponíveis na Economia.
A moeda desempenha, também, a função de reserva de valor
no sentido de que o indivíduo pode manter sua riqueza (ou parte
dela) sob a forma de moeda, por um período de tempo, sabendo
que, amanhã ou depois, este ativo será aceito em qualquer
transação por ter liquidez absoluta. Trata-se, no entanto, de uma
função que merece duas ressalvas: primeiro, se o indivíduo prefere
manter sua riqueza sob a forma de moeda, ele deixa de ganhar,
pois a moeda em si não gera rendimentos; segundo, e ao
contrário, em períodos inflacionários o indivíduo perde com a
desvalorização da moeda.

6.2 Indicadores Monetários

Existem três conceitos monetários – indicadores do volume de


dinheiro na economia que, a despeito de medirem coisas
diferentes, são muitas vezes usados, até mesmo pela imprensa,
como se fossem a mesma coisa. Mas, na realidade, são conceitos
bastante distintos. Trata-se, no caso, do “papel-moeda emitido”,
do “papel-moeda em circulação” e do “papel-moeda em poder do
público”.
Diariamente, o Banco Central do Brasil divulga uma estatística
da evolução do saldo desses diversos conceitos de moeda – que
podem assim ser definidos:
i) papel-moeda emitido (PME) – trata-se do total de
dinheiro “autorizado” (isto é, produzido ou fabricado) pelas
Autoridades Monetárias;

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ii) papel-moeda em circulação (PMC) – equivale ao total do


papel-moeda emitido menos o dinheiro que se encontra no
caixa do Banco Central;
iii) papel-moeda em poder do público (PMP) – deduzindo-
se do PMC o dinheiro em caixa dos bancos comerciais, tem-
se o total de dinheiro em poder do público, isto é, todos os
indivíduos e empresas (exclusive, claro, os bancos
comerciais).

6.3. Meios de Pagamento

O público – aí incluídos os indivíduos e as empresas – possui,


de uma forma geral, diversos ativos ou haveres – isto é, coisas
que têm valor econômico e que constituem seu patrimônio,
podendo ser citados entre estes os imóveis, fazendas, carros,
depósitos de poupança, aplicações financeiras em bancos, títulos
do governo, depósitos à vista nos bancos comerciais, papel-moeda
em espécie em seu poder, ações e outros tantos.
Cada ativo deste possui um grau diferente de liquidez –
medido este pela capacidade de o ativo se transformar em moeda
ou em dinheiro propriamente dito. Assim, quanto mais fácil for
transformar um ativo em dinheiro, maior se diria que é o seu grau
de liquidez.
Do ponto de vista da economia, se o indivíduo A tem uma
fazenda no valor de R$ 100 mil e o indivíduo B tem um depósito
de poupança também no valor de R$ 100 mil, podemos afirmar
que ambos têm o mesmo nível de riqueza, porém a riqueza do
indivíduo B tem muito mais liquidez. Isso porque é muito mais
fácil sacar sua riqueza no banco, transformando-o quase que
instantaneamente em dinheiro do que vender a fazenda e receber
o dinheiro. Para vender a fazenda, pode-se levar algum tempo;
para sacar o depósito do banco não se gasta mais que 30
minutos1.
É esta diferença entre os diversos graus de liquidez de um
ativo que o torna mais ou menos instrumento ou meio de

1
Jocosamente, diríamos que o depositante gastaria não mais que 30 minutos, sendo 15 minutos para
conseguir uma vaga no estacionamento e outros 15 minutos na fila do banco!

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pagamento. Poucos, pouquíssimos mesmo, são os haveres que são


considerados, pelo Banco Central, meios de pagamento, valendo
para estes a seguinte definição:

Tecnicamente, consideram-se meios de


pagamento (M1) todos os haveres possuídos pelo
público não-bancário e que podem ser utilizados a
qualquer momento para a liquidação de qualquer dívida
em moeda nacional. Ou seja, são haveres que possuem
liquidez absoluta e imediata.

Muito embora haja controvérsia em relação ao maior ou menor


grau de liquidez de um ativo, é praticamente consensual que
apenas dois haveres preencham estas condições de possuírem
liquidez absoluta e de serem aceitos, de imediato, como
pagamento nas transações: o papel-moeda em poder do público –
PMP - (aí incluídas não só as notas mas, também, as moedas
metálicas) e a moeda escritural ou bancária – representada pelos
depósitos à vista, do público, nos bancos comerciais públicos e
privados (DVbc).
Assim, no caso brasileiro, o total de meios de pagamento –
geralmente denominado M1 – é definido pela expressão:

M1 = PMP + DVbc

Este universo M1 corresponde, de outra parte, ao total da


chamada oferta monetária.
No caso brasileiro, as estatísticas mostram que o público vem
mantendo, na média dos últimos anos, cerca de 14% de seus
meios de pagamento sob a forma de dinheiro no bolso (=PMP) e
os restantes 86% como depósitos em conta corrente nos bancos
comerciais, sendo interessante observar que estas relações são
relativamente estáveis, só se alterando em função de uma
anomalia no mercado (como foi o caso do “confisco” dos depósitos,
na época da ex-ministra Zélia, em 1991, e que acabou por alterar
aquela composição. Temeroso de novos confiscos, o público
reduziu a proporção de seus depósitos nos bancos!).
Uma ressalva importante que se deve fazer em relação às
estatísticas de meios de pagamento, neste conceito de M1, é que

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nelas não estão incluídos nem os depósitos voluntários e


compulsórios dos bancos comerciais nas Autoridades Monetárias
(Banco Central) – dos quais falaremos mais adiante-, nem os
depósitos da União, também, no Banco Central.
É fácil entender o porquê disso: como a preocupação, no caso,
é medir a liquidez do público, não há por que incluir os depósitos
dos bancos comerciais (que não são parte do público); quanto à
União, é importante entender que, ao contrário do público, ela não
limita ou condiciona o montante de seus gastos ao volume de
depósitos que, eventualmente, tenha no Banco Central, mas, sim,
ao que dispõe o orçamento federal. Mas, note-se que os depósitos
da União nos demais bancos que não o Banco Central, bem como
os depósitos dos Estados e Municípios em qualquer banco estão
computados no total do M1.

Outros conceitos de moeda: os “quase-moeda”

Além desse conceito tradicional de meios de pagamento, existe


uma gama de outros ativos financeiros que são aceitos como
pagamento em diversas transações ou que podem ser
transformados em moeda sem grandes dificuldades e num espaço
de tempo relativamente curto. A estes ativos se dá geralmente o
nome de quase-moeda – que são haveres financeiros de alto
grau de liquidez, porém de grau inferior ao da moeda manual e ao
dos depósitos à vista.
Como exemplos de quase-moeda citam-se os depósitos de
poupança, depósitos a prazo, títulos públicos, etc.
A partir dessas considerações, foram desenvolvidos outros
conceitos e classificações de meios de pagamento mais
abrangentes, de acordo com o grau de liquidez do ativo financeiro.
Estas classificações divergem de autor para autor, terminando,
muitas vezes, por serem convencionais e arbitrárias. No caso
brasileiro, segue-se o critério adotado pelo Banco Central – critério
este que tem se alterado muito nestes últimos anos,
principalmente em função do surgimento de inúmeros tipos de
aplicações financeiras. Assim, por exemplo, nos anos noventa, o
Banco Central adotava os seguintes conjuntos de meios de
pagamento:

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M1 = PMP + DVbc
M2 = M1 + FAF + títulos públicos (federais, estaduais e
municipais) em poder do público
M3 = M2 + depósitos de poupança
M4 = M3 + títulos privados (depósito a prazo, letras
hipotecárias e letras de câmbio)
A importância desses conceitos é ressaltada no momento em
que o Banco Central, por competência legal, procura controlar a
quantidade de moeda na economia, como parte, digamos, de uma
estratégia de combate à inflação. A questão que, então, se coloca
é: no controle da inflação, deve o Banco Central controlar a
quantidade de meios pagamento (= à oferta monetária). Para
tanto, deve aquela autoridade monetária assestar suas baterias
sobre qual deles? M1? M3? M4?
Na verdade, não há consenso sobre isso entre os economistas.
O Banco Central, por falta, talvez de condições técnicas, limita-se
a controlar apenas a evolução do M1.

6.4. Criação e Destruição de Moeda

Este é um assunto que, recorrentemente, tem sido objeto de


questões de provas de concursos onde entra a disciplina Economia.
E o que vem a ser “criação” e “destruição” de moeda (ou,
alternativamente, “criação” e “destruição” de meios de
pagamento)? É fácil entender isso. Senão, vejamos:
Diariamente, o público - isto é, os indivíduos e as empresas -,
realiza operações com o setor bancário comercial2, operações
estas traduzidas em depósitos, saques, pagamentos diversos (luz,
telefone), tomada ou quitação de empréstimos, etc.
Dependendo da natureza dessas operações, o total de ativos
monetários da economia – isto é, os meios de pagamento (M1) –
poderá se reduzir ou aumentar. Se o resultado for um aumento

2
De uma forma simples e sintética, banco comercial é aquele que abre conta corrente e emite talões de
cheque para seus clientes.

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dos meios de pagamento, tem-se aí uma criação de moeda; se


ocorrer uma redução dos meios de pagamento, tem-se uma
destruição de moeda. Então, o que se tem de verificar, após a
operação bancária, é se o total de meios de pagamento se alterou
para mais ou para menos.
Para um melhor entendimento da explicação a seguir, é
interessante que você conheça dois conceitos novos: primeiro, o
conceito de haver monetário; segundo, o de haver não-monetário.
Haver ou ativo monetário corresponde a um dos componentes
dos meios de pagamento (M1), ou seja, ou é o papel-moeda em
poder do público ou é o depósito à vista. Já haver não-monetário é
todo ativo possuído pelo público que não seja meio de pagamento
(M1), como, por exemplo, ações, promissórias, títulos do governo,
carro, lote, imóveis, etc.
Entendida, assim, a diferença entre haver não-monetário e
haver monetário, fica mais fácil entende a criação e a destruição
de moeda. Senão, vejamos:
No processo de criação de moeda, o público entrega ao setor
bancário um “haver não-monetário” (por exemplo, uma
promissória) e recebe deste um “haver monetário” (por exemplo,
um empréstimo traduzido num depósito à vista). No caso de
destruição de moeda, o público entrega ao banco um ativo
monetário (digamos, dinheiro em espécie) e recebe um ativo não-
monetário (a promissória vencida).
Vale repetir que a criação ou destruição de moeda só ocorre se,
da operação entre o público e o banco, resultar uma alteração do
total de meios de pagamento do público. Isto significa dizer que,
se um indivíduo paga sua conta de luz com um cheque de sua
conta corrente não haverá nem criação nem destruição de moeda,
pois a queda de seus depósitos à vista é compensada pelo
aumento dos depósitos da companhia de eletricidade – que
também é público. Da mesma forma, se um correntista vai ao
banco e saca de sua conta corrente, com um cheque seu, nada
ocorre, de vez que ele trocou um ativo monetário (depósito à
vista) por outro (dinheiro em espécie). Mas, claro, se ele saca de
sua conta de poupança, há criação de meios de pagamento, pois
os depósitos de poupança são considerados haveres não-
monetários.

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6.5. Base Monetária e o Multiplicador Bancário

Conceitualmente, a política monetária consiste no controle da


oferta monetária e das taxas de juros, pelas autoridades
monetárias (Banco Cetral), através do uso de instrumentos diretos
e indiretos (que serão vistos mais adiante), com vistas a controlar
o nível de liquidez do sistema econômico.
A política monetária deve, por outro lado, se inserir no contexto
da política econômica global do governo, procurando, sempre que
possível, a compatibilização e o atingimento de seus objetivos
macroeconômicos.
Quando se fala em controle da oferta monetária, pensa-se,
imediatamente, que basta o Banco Central parar de emitir moeda,
e tudo se arranja. Mas, as coisas não são assim tão simples. Não
se pode esquecer que os bancos comerciais têm uma grande
capacidade para “criar” moeda através de empréstimos que se
transformam em novos depósitos, que dão origem a novos
empréstimos, e assim por diante.
É através dos empréstimos que os bancos “multiplicam” o
dinheiro circulante na economia. Quanto mais empréstimos
fizerem, maior será a multiplicação dos meios de pagamentos. A
origem desses empréstimos, como se disse, está nos depósitos
captados pelo banco. Assim, um grande condicionante do volume
dos empréstimos é o volume de depósitos à vista no banco. Um
outro condicionante é o montante ou proporção dos depósitos à
vista que o banco pode emprestar. Obviamente, os bancos
gostariam de emprestar todo o volume de depósitos, mas este
desejo esbarra na necessidade imperiosa de se manter em caixa,
sob a forma de moeda, uma parcela dos depósitos para o
pagamento de cheques dos clientes. Mas, as limitações ao volume
de empréstimos que os bancos podem efetuar vão mais além, pois
ainda existem restrições impostas por lei e outras medidas
restritivas, de iniciativa do próprio Banco Central.
Com estas considerações, podemos, então, partir para a
derivação do chamado multiplicador bancário (k) dos meios de
pagamentos, relativamente ao volume de dinheiro que o Banco
Central coloca em circulação – dinheiro, este dito, “de alto poder

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de expansão” e que, tecnicamente, é denominado de Base


Monetária (B).

Contabilmente, a Base Monetária é dada pela soma dos valores


constantes do chamado passivo monetário do Banco Central que
se compõe de:
i) - o papel-moeda em poder do público (PMP);
ii) - o caixa em moeda corrente dos bancos comerciais (R1);
iii) - os depósitos voluntários dos bancos comerciais junto ao
Banco Central (R2); e,
iv) - os recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais,
também junto ao Banco Central (R3)

Assim temos:
B = PMP + R1 + R2 + R3 (1)
Mas, como PMP + R1 = PMC (veja o item atrás “Indicadores
Monetários”), temos que a base monetária pode ser definida ainda
como:
B = PMC + R2 + R3 (2)
E, já que R = R1 + R2 + R3, então a base monetária pode também
ser definida como:
B = PMP + R (3)

sendo R = total das reservas ou encaixes dos bancos comerciais


(R= R1 + R2 + R3).

Já os meios de pagamento (M1), como sabemos, são assim


constituídos:
M1 = PMP + DVbc (4)
E sendo o total de meios de pagamento um múltiplo da base
monetária (B), resultado do processo multiplicativo dos
empréstimos bancários, deduz-se que o multiplicador (k) dos

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meios de pagamento é dado pela relação entre o total de M1 e a


base monetária, ou
k = M1/B (5)
ou ainda,
M1 = B . k (6)

Para se achar a expressão ou fórmula do valor do multiplicador,


consideremos as seguintes expressões:

Considere as seguintes relações comportamentais do público:


i) d1 = PMP/M1 ou, d1M1 = PMP (7)
ii) d2 = DVbc/M1 ou, d2M1 = DVbc (8)

A equação (7) mostra qual a proporção do papel-moeda em


poder do público em relação ao total de meios de pagamento (M1);
já a equação (8) indica qual a proporção dos depósitos à vista nos
meios de pagamento.

Logo,
M1 = d1M1 + d2M1 (9)
E, dividindo-se todos os termos da equação (9) por M1, tem-se:
1 = d1 + d2
e,
d1 = (1 - d2) (10)

Recorde-se, agora, que a base monetária é definida por:

B = PMP + R (3)

Para se saber qual é a fração ou percentual das reservas ou


encaixes totais (r) em relação aos meios de pagamento, dividimos
as reservas totais (R) pelos depósitos à vista (DVbc), ou:

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r = R/DVbc ou R = rDVbc ou, ainda, R = rd1M1 (11)

onde, r = taxa de reserva ou encaixe total.

Substituindo (7) e (11) em (3), tem-se:

B = d1M + rd2M1 (12)

Substituindo (10) em (12), tem-se:

B = (1 - d2)M1 + rd2M1 (13)

Operando a expressão (13), obtém-se:


B
= (1− d2 ) + rd2
M1

B
=1− d2 (1− r)
M1

B
M1 =
1 − d 2 (1− r)

1
M1 = .B
1− d2 (1− r)
(14)

Ou seja, M1 é igual ao valor da base monetária (B) vezes o


multiplicador (k), sendo

1
k=
1 − d 2 (1 − r )
(15)
onde,
d2 = fração dos meios de pagamentos que o público mantém
sob a forma de depósitos à vista nos bancos comerciais; e,

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r = fração dos depósitos à vista que os bancos comerciais


mantêm como encaixes totais.
Vejamos um exemplo numérico:
Suponha que os depósitos à vista correspondam a 80% dos MP
e que a taxa de reservas bancárias (r) seja 30% dos depósitos à
vista. Com esses dados, vamos calcular o valor de k:
Fazendo as devidas substituições na equação (15), acima,
temos:
1 1 1 1
k= = = = = 2,7
1 − 0,9(1 − 0,3) 1 − 0,9(0,7) 1 − 0,63 0,37

Pela expressão (15), pode-se deduzir que a expansão dos meios


de pagamento, isto é, da oferta monetária, pode ocorrer em três
situações:
i) - por aumento das operações ativas do Banco Central via
aumento da emissão (o que aumenta B);
ii) - por aumento de d2, isto é, da proporção dos depósitos à
vista do público nos bancos comerciais em relação ao total
dos meios de pagamentos; e,
iii) por redução da relação encaixes/depósitos à vista nos
bancos comerciais.

Deve-se observar que, na execução da política monetária e para


controle da oferta monetária, as autoridades monetárias têm
relativo controle sobre os itens (i) e (iii), mas nenhum controle
sobre (ii) – que depende exclusivamente do comportamento do
público.
No entanto, como se admite uma relação mais ou menos
estável ou pelo menos previsível entre os DVbc e M1, pode-se, em
princípio, afirmar que as autoridades monetárias podem controlar
relativamente a expansão da oferta monetária. Este controle é
exercido diretamente sobre a base monetária e indiretamente
sobre o multiplicador (k) através do uso de diversos instrumentos.

6.6 Instrumentos Clássicos de Controle Monetário

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Como foi visto, o volume da oferta monetária (= meios de


pagamento) depende de mudanças na base monetária e/ou de
alterações no valor do multiplicador (k).
A tarefa fundamental do Banco Central é o de adequar o volume
de meios de pagamento às reais necessidades da economia tendo
em vista o atingimento dos objetivos macroeconômicos. Ocorre,
no entanto, que, mesmo que haja uma programação monetária –
pela qual se prevê a evolução dos agregados monetários, mês a
mês, em decorrência do esperado comportamento das contas
externas do País, das operações do Banco Central com o Tesouro
Nacional e de empréstimos dos bancos oficiais aos bancos privados
e ao setor produtivo – nem sempre o programado se comporta
como esperado. Vez por outra, observa-se uma expansão
exagerada dos meios de pagamento; outras, uma contração desse
agregado, com evidente escassez de dinheiro na economia, com
graves prejuízos para os negócios.
Para controlar a liquidez da economia, mantendo-a em níveis
compatíveis com as necessidades conjunturais da economia, o
Banco Central dispõe de diversos instrumentos que ora atuam
sobre a base monetária, ora sobre o multiplicador bancário (k).
Os instrumentos mais tradicionais geralmente usados pelo
Banco Central são:
a) controle da emissão;
b) fixação da taxa de recolhimento compulsório;
c) operações de redesconto de liquidez; e,
d) operações de mercado aberto (open market).

a) Controle da emissão – sobre este instrumento não há


o que falar. Basta que se desligue a tomada da máquina
impressora de dinheiro e a emissão monetária estará
controlada.
b) Fixação da taxa de recolhimento compulsório –
trata-se de um percentual dos depósitos à vista que os
bancos comerciais devem recolher periódica e
obrigatoriamente ao Banco Central.

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Claramente, quanto maior esta taxa, maior será o valor de r


(taxa de encaixes totais) e vice-versa, já que os recolhimentos
compulsórios são uma parte das reservas totais dos bancos.
Assim, na medida em que o Conselho Monetário Nacional decide
elevar o percentual dos recolhimentos compulsórios (r3), o
multiplicador (k) se reduz, uma vez que a medida levará a uma
disponibilidade menor de recursos para os bancos efetuarem
empréstimos. A recíproca é, também, verdadeira.
c) Operações de redesconto – consistem num
empréstimo de última instância e de curtíssimo prazo que o
Banco Central faz aos bancos comerciais sempre que estes
estiverem com falta de liquidez, isto é, com falta de recursos
em caixa para atender às demandas de seus clientes. Por isso
mesmo são também chamados de “empréstimos de liquidez”.
Ao realizar tais operações, o Banco Central funciona como
banco dos bancos, descontando títulos dos bancos a taxas de juros
prefixadas.
Como instrumento de controle monetário, o redesconto inibe ou
estimula os bancos a tomar o empréstimo através de:
a) alterações das taxas de juros cobradas pelo Banco Central;
b) mudança dos prazos concedidos para que os bancos quitem
sua dívida;
c) fixação de tetos ou limites para a tomada do empréstimo;
d) exigência de garantias (títulos públicos ou o próprio
compulsório);
e) controle da freqüência de utilização do empréstimo.

d) operações de mercado aberto (open market) – o


mercado aberto, num sentido amplo, pode ser entendido
como o mercado onde são transacionados os mais diversos
títulos públicos federais e estaduais e bancários privados, de
rentabilidade pré ou pós-fixada.
No entanto, entendido como instrumento de política monetária,
as operações de mercado aberto consistem na compra e/ou venda
de títulos públicos federais (NTN, LBC, LFT, BTN, etc.) pelo Banco

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Central, com o objetivo de influenciar o nível das reservas


bancárias e, daí, o fluxo de crédito.
As operações de mercado aberto, pela sua flexibilidade, se
constituem no mais poderoso instrumento de que dispõe o Banco
Central para regular o nível de liquidez da economia no curtíssimo
prazo. Assim, por exemplo, quando as autoridades monetárias
desejam enxugar o mercado monetário, emitem e vendem lotes
volumosos de títulos federais, retirando dos bancos e do público a
quantidade desejada de moeda. Contrariamente, se a intenção for
a oposta, isto é, expandir o nível de oferta monetária, o Banco
Central realiza operações maciças de resgate (isto é, de compra)
desses títulos, injetando moeda no sistema.
Estes são, em síntese, os instrumentos clássicos de controle
monetário usados pelo Banco Central. Obviamente, sempre
existirão outros que, eventual e conjunturalmente, podem ser
utilizados, como, por exemplo, a limitação ou fixação de tetos para
empréstimos, medida que, não raras vezes, foi usada no Brasil ao
longo dos anos 80.

6.7. Teoria Quantitativa da Moeda

A teoria quantitativa, na versão clássica, enfatiza a função da


moeda como meio de trocas. Assim, em qualquer período, o valor
global das transações é igual ao número de transações (T),
multiplicado pelo seu preço médio (P). Esse valor, por seu turno,
será idêntico ao fluxo monetário que é igual à quantidade de
moeda ou meios de pagamento (M) multiplicado pelo número de
vezes que a moeda trocou de mão (V) naquele período. Resulta,
daí, a conhecida “equação das trocas” que é geralmente
apresentada como:

MV = PT (16)

Posteriormente, por razões essencialmente práticas, o número


de transações (T) foi substituído pelo nível de renda (Y) uma vez
que se dispõe de estatísticas sobre a renda e não sobre a
quantidade de transações. Neste caso, é feita a hipótese de que o

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nível das transações totais seja proporcional ao nível da renda,


passando a equação (16) a ser, então, reescrita como:

MV = PY (17)
onde,
M = estoque de moeda (meios de pagamento)
V = a velocidade de circulação deste estoque, isto é, o número
de vezes que cada unidade monetária é empregada durante o
período escolhido;
P = o nível médio de preços (índice); e,
Y = o nível da renda ou produto real.

Tal como se apresenta, dada a definição de V, a equação (16) é


necessariamente verdadeira em relação a quaisquer valores de M,
P e Y. Trata-se, no caso, de uma equação definicional ou
tautológica, isto é, verdadeira em si mesma e, como tal, nada
acrescenta de novo à teoria econômica.
No entanto, introduzindo-se certas hipóteses sobre algumas de
suas variáveis, tal como fizeram os clássicos, a equação das trocas
pode se tornar de alguma utilidade. Deste modo, são colocadas as
seguintes hipóteses:
I- a oferta monetária é exógena, no sentido de que as
autoridades monetárias (no caso, o Banco Central)
controlam a quantidade de moeda na Economia;
II - supõe-se que não há desemprego no país, e que,
portanto, o nível da renda ou produto é constante no curto
prazo, ao nível do pleno emprego dos fatores;
III - também a velocidade de circulação da moeda (V) é
constante no curto prazo dado que é determinada por
fatores institucionais, padrões comerciais, e hábitos de
compras e pagamentos, além do estado da tecnologia
utilizada no processo de transações, citando-se, entre estes,
os seguintes:
a) institucionalização, por determinações legais, da
periodicidade de pagamentos salariais (semanal, mensal);

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b) o grau de sofisticação do sistema financeiro,


especialmente na compensação de cheques; e,
c) os hábitos de compras da população.
Todos estes fatores são, a rigor, constantes num curto período,
digamos, 6 meses. Assim, com as hipóteses de que V e Y são
invariáveis a curto prazo, uma alteração na quantidade de M (para
mais ou para menos), determina uma variação, na mesma
proporção, no nível médio de preços. E a igualdade expressa na
equação (16) se transforma numa teoria de determinação de
preços, ou seja:

P = MV (17)
Y
Um exemplo numérico:
Suponha que, hoje, os valores das variáveis da equação (16)
sejam:
M = 200; V = 5 (constante, no curto prazo); P = 10; e
Y = 100.
Substituindo estes valores na equação (16), temos:
200 x 5 = 10 x 100
ou, 1000 = 1000,
Suponha, agora, que o Banco Central aumente a quantidade de
meios de pagamento (através, por exemplo, de uma emissão
monetária) no montante de 30%, ou, em valores absolutos, em 60
unidades monetárias. Como V e Y, por hipótese, são valores
constantes no curto prazo, o ajuste da equação (16) – para que
seus dois lados tenham o mesmo valor, ocorrerá no nível de
preços (P), assim:
260 x 5 = P x 100
260 x5 1.300
P= = = 13
100 100
ou seja, o nível geral dos preços (P) se elevou de 10 para 13,
um aumento de 30% - exatamente igual ao aumento ocorrido na
quantidade de dinheiro em circulação. Ou seja, aumentos de

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moeda, sem que o nível do PIB tenha aumentado, só concorre


para gerar inflação.
Daí, vem a conclusão dos teóricos da escola clássica: a moeda é
um fator tipicamente neutro, servindo, por assim dizer, apenas
como um lubrificante para a melhor operação das forças reais da
economia. Para os clássicos, variações na quantidade real de
moeda somente afetam o nível agregado de preços.

6.8. Sistema Financeiro Nacional: Constituição e


Funções

O Sistema Financeiro Nacional (brasileiro) é constituído de dois


grupos distintos de entidades financeiras:

I- Sistema Monetário – composto pelas entidades que


criam moeda, isto é, meios de pagamento (= papel – moeda
em poder do público e depósitos à vista, do público, nos bancos
comerciais). Fazem parte deste sistema o Banco Central do
Brasil – chamado de “Autoridades Monetárias” – que tem o
poder de emitir moeda –, e os bancos comerciais, públicos e
privados – que recebem depósitos à vista do público e efetuam
empréstimos de curto prazo.

II - Sistema Não-Monetário – abrange todas as entidades


de intermediação financeira não-bancária (isto é, exclusive
bancos comerciais). Fazem parte desse sistema diversas
entidades financeiras que se distinguem uma da outra pela sua
principal operação passiva (captação de recursos) e sua
principal operação ativa (aplicação dos recursos captados).
Como principais entidades do sistema não-monetário, citam-se:

a) Bancos de Desenvolvimento – são entidades oficiais


(governamentais) de crédito, cujas principais operações passivas
são os recursos do PIS/PASEP, FINSOCIAL, transferências do
orçamento do governo e empréstimos externos; suas operações
ativas se limitam a empréstimos para capital de giro e de capital
fixo para empresas (para implantação ou expansão). A principal

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entidade deste subsistema é o Banco Nacional de Desenvolvimento


Econômico e Social (BNDES) havendo diversos outros bancos re-
gionais e estaduais de desenvolvimento (BDMG, BRB, BANDESUL,
BANDERJ).
b) Bancos de Investimentos – são entidades privadas, com
finalidades semelhantes às dos bancos de desenvolvimento,
atuando, de certa forma, como complementares a estes no
fornecimento de crédito às empresas, mas seguindo as leis e taxas
de juros praticadas no mercado. Suas principais fontes de recursos
são os depósitos a prazo (CDB) e empréstimos externos.
c) Sistema Financeiro da Habitação – tendo como órgão
central a Caixa Econômica Federal. Fazem parte deste subsistema
as entidades que têm como objetivo captar recursos através de
cadernetas de poupança e, eventualmente, através de venda de
letras hipotecárias ou imobiliárias, e destinando tais recursos ao
financiamento de construção e/ou aquisição de moradias. São
exemplos as Caixas Econômicas Estaduais, as Sociedades de
Crédito e Investimentos (SCI) e as entidades dos bancos privados
que compõem o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo
(SBPE).
d) Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento –
mais conhecidas como “financeiras”, são aquelas entidades que
têm na venda de letras de câmbio sua principal operação passiva
e, como principal operação ativa, o financiamento ao consumidor
para aquisição de bens de consumo duráveis (eletrodomésticos,
automóveis, etc.).
Importante observar que essas entidades não existem
isoladamente. Em geral, fazem parte de uma empresa maior – a
holding. Assim, por exemplo, o BRADESCO é uma grande holding
do sistema financeiro, composto de um Banco Comercial Bradesco,
um Banco de Investimento Bradesco, uma Financeira Bradesco,
uma Seguradora Bradesco, uma Corretora e uma Distribuidora
Bradesco, e assim por diante.

6.9. Funções Clássicas de um Banco Central

As funções típicas ou clássicas de um banco central são:

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a) banco emissor de papel-moeda;


b) banqueiro dos bancos comerciais;
c) banqueiro do Tesouro Nacional;
d) depositário das reservas internacionais do País.

Se se organizarem as contas de captação e de aplicação de


recursos do Banco Central sob a forma de um balancete – com
passivo (fontes de recursos) e ativo (aplicação de recursos) –
veremos que aquelas funções estão espelhadas nas diversas
rubricas ou contas do balancete.
Para melhor análise, costuma-se dividir as contas do passivo
em dois grupos: passivo monetário e passivo não-monetário,
conforme a natureza da conta. Os recursos não-monetários são
aqueles que não se encontram à disposição do público, não sendo,
portanto, exigíveis a curto prazo. Já os recursos monetários se
constituem de todos aqueles valores exigíveis a curto prazo (o
PMC, os depósitos voluntários e compulsórios dos bancos
comerciais). Registre-se desde já que, por definição, o passivo
monetário do Banco Central é igual à Base Monetária, como se
verá mais adiante.
Voltando, agora, ao balancete do Banco Central, nota-se que,
como órgão emissor de papel-moeda, o total emitido aparece no
passivo monetário, como uma das fontes de financiamento do
Banco Central, lembrando que, na prática, aparece, apenas, o
PMC, de vez que na consolidação do balancete, elimina-se do ativo
e do passivo o “encaixe em moeda” do Banco Central (recordando
que PME – encaixe do Banco Central = PMC).
Continuando, como banqueiro dos bancos, aparecem no passivo
os depósitos voluntários e o recolhimento compulsório dos bancos
comerciais, enquanto no ativo aparecem os redescontos e outros
empréstimos àqueles bancos.
Como banqueiro do Tesouro Nacional, aparecem no passivo os
depósitos do Tesouro Nacional (geralmente, frutos da arrecadação
de impostos) e, no ativo, o saldo dos títulos públicos federias e
empréstimos à União.
Como depositário das reservas internacionais do País, aparece
no ativo o contra-valor dessas reservas em cruzeiros.

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Como banco de fomento, função que o Banco Central do Brasil


vem, paulatinamente, abandonando para se tornar um verdadeiro
banco central nos moldes clássicos, aparecem no passivo recursos
de diferentes fontes legais e, no ativo, o repasse desses recursos a
entidades oficiais (ou mesmo privadas) de crédito para
financiamento dos setores produtivos.
* * *
Com essas colocações, encerramos esta nossa 6ª Aula. A
seguir, são apresentados alguns exercícios de revisão e fixação
sobre balanço de pagamentos e taxa de câmbio. Até nossa
próxima aula.

___________________

EXERCÍCIOS DE REVISÃO E FIXAÇÃO: (gabarito ao final)

1. Com relação às diversas formas assumidas pela moeda, ao longo da


história, estão corretas as afirmativas abaixo, exceto:
a) economia de escambo é aquela em que se trocam mercadorias por
mercadoria, não existindo moeda como meio de troca;
b) moeda-papel era um certificado com lastro integral (e, depois, parcial)
em ouro;
c) o papel-moeda não dispõe de lastro em ouro, ou seja, não pode ser
resgatado;
d) a moeda bancária ou escritural é representada pelo dinheiro em caixa
nos bancos comerciais e pela emissão monetária;
e) a moeda-mercadoria assumiu diversas formas, como, por exemplo, sal,
peles, ostras, etc.

2. Com relação à evolução e formas de moeda, estão corretas as alternativas


abaixo, exceto:
a) pelo sistema de trocas indiretas, uma mercadoria qualquer é escolhida
como meio de troca, por convenção social.
b) para que uma mercadoria se mantivesse por longo tempo como “moeda”
era indispensável que fosse escassa, não-perecível e passível de divisão;
c) os sistemas de trocas diretas são aqueles em que se utilizam
mercadorias como moeda;
d) entende-se como moeda-papel os certificados de depósitos emitidos pelas
casas de custódia e que tinham lastro em metais preciosos,
particularmente em ouro;
e) entende-se por reconversão de um certificado de depósito a sua troca
pelo lastro metálico que lhe deu origem.

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3. São formas de moeda existentes modernamente, exceto:


a) papel-moeda;
b) moeda metálica;
c) moeda-papel;
d) moeda bancária ou escritural.

4. São funções da moeda, exceto:


a) reserva de valor;
b) intermediária ou meio de trocas;
c) servir de lastro para o papel-moeda em circulação;
d) unidade de conta ou padrão de valor.

5. A moeda escritural ou bancária é representada:


a) pelos depósitos à vista do público nos bancos comerciais;
b) pelo talão de cheques;
c) pelos depósitos de poupança nos bancos;
d) pelos depósitos a prazo e à vista nos bancos;
e) por todos os ativos financeiros aceitos como meio de trocas.

6. Com relação aos conceitos monetários, estão corretas as afirmativas abaixo,


exceto:
a) o papel-moeda em circulação é igual ao papel-moeda em poder do
público mais o dinheiro em caixa nos bancos comerciais;
b) o papel-moeda em poder do público é igual ao papel-moeda emitido
menos dinheiro em caixa do Banco Central;
c) o papel-moeda emitido é igual ao papel-moeda em circulação mais o
dinheiro em caixa do Banco Central;
d) o papel-moeda emitido é igual ao papel-moeda em poder do público
mais o dinheiro em caixa do Banco Central e em caixa dos bancos
comerciais.

7. São expressões sinônimas:


a) papel-moeda e moeda-papel;
b) moeda bancária e moeda escritural;
c) moeda inconversível e moeda bancária;
d) moeda fiduciária e moeda escritural;
e) nenhuma das alternativas anteriores.

8. A expressão é a liquidez por excelência aplica-se:


a) apenas ao papel-moeda conversível em metais preciosos;
b) apenas à moeda escritural, por representar depósitos à vista no sistema
bancário comercial, que podem ser retirados a qualquer instante e sem
prévio aviso;
c) ao ouro, único ativo líquido por excelência;
d) ao papel-moeda, simplesmente;
e) por definição, a quaisquer formas de moeda.

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9. A expressão quase-moeda aplica-se:


a) a todos os ativos financeiros;
b) aos ativos financeiros não-monetários, de elevado índice de liquidez;
c) às formas primitivas de moedas não-metálicas;
d) às formas fiduciárias de moedas destituídas de valor legal;
e) nenhuma das alternativas anteriores.

10. O conceito convencional de meios de pagamento é dado pela soma:


a) do papel-moeda e das moedas metálicas em poder do público com os
títulos de emissão do Tesouro Nacional;
b) dos depósitos à vista do público nos bancos comerciais, com o papel-
moeda em circulação e com títulos da Dívida Pública;
c) do papel-moeda e das moedas metálicas em poder do público com os
depósitos à vista do público nos bancos comerciais;
d) do papel-moeda com as moedas metálicas em circulação;
e) nenhuma das alternativas anteriores.

11. Identifique abaixo as operações de criação (C) e de destruição (D) de


meios de pagamento, ou nenhuma destas alternativas (N):
a) ( ) O Zé Pereira leva ao Banco Popular R$ 5.000,00 e efetua um
depósito à vista.
b) ( ) O Zé Patriota prefere efetuar depósito à vista no Banco do Brasil.
c) ( ) Já a Maria Clarineta leva ao Banco Clarim R$ 10.000,00 e efetua um
depósito a prazo.
d) ( ) O Banco of London, com sede no Rio, compra do Zé Export todas as
suas cambiais no valor de US$ 100.
e) ( ) O Banco of New York, com sede em São Paulo, vendeu cambiais no
valor de R$ 10.000,00 ao Joaquim Import.
f) ( ) A empresa Zé Galo leva ao Banco Galinheiro uma duplicata para
desconto, depositando à vista no mesmo banco o dinheiro recebido.
g) ( ) O Banco Confiante compra títulos da dívida pública possuídos pelos
Irmãos Desconfiados.
h) ( ) O Banco Morada Velha vende uma casa a Pedro Semorada, recebendo
o pagamento à vista em dinheiro.
i) ( ) O Banco Semfronteira aumenta seu capital vendendo ações ao
público.
j) ( ) O Banco Central redesconta uma duplicada em poder do Banco
Promissório, entregando papel-moeda a este último.
k) ( ) A União paga aos construtores da Ferrovia da Madeira, sacando sobre
seus depósitos nas Autoridades Monetárias.

12. Suponha que o sistema monetário tenha apresentado, em dezembro/2004,


os seguintes dados (em R$ milhões):
- papel-moeda emitido: 400
- moeda escritural: 600
- encaixe em moeda dos Bancos Comerciais (R1): 60
- demais encaixes ou reservas dos Bancos Comerciais: 240
- moeda em caixa das Autoridades Monetárias: 40

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Considerando estes dados, o papel-moeda em circulação e o papel-moeda


em poder do público são, respectivamente:
a) 600 e 240; b) 360 e 300; c) 400 e 350;
d) 340 e 280; e) 400 e 300.

13. Com base nos dados da questão 12, pode-se afirmar que o total de meios
de pagamento (M1) e a Base Monetária são, respectivamente:
a) 900 e 600; b) 900 e 300; c) 590 e 890;
d) 300 e 290; e) 600 e 600.

14. Ainda com base nos dados da questão 12, o multiplicador dos meios de
pagamento será:
a) 2,0; b) 1,0; c) 1,5; d) 3,0; e) 2,5.

15. Supondo que o papel-moeda em poder do público (PMPP) seja 20% do


total dos meios de pagamentos e que o total de encaixes (ou reservas)
bancários seja 25% dos depósitos à vista, então o multiplicador bancário
dos meios de pagamento será:
a) 2,0; b) 2,5; c) 3,0; d) 3,5; e) 4,0.

16. No Brasil, a base monetária se compõe de:


a) total do papel-moeda emitido;
b) papel-moeda em circulação mais depósitos à vista nos bancos comerciais;
c) papel-moeda em poder do público mais depósitos;
d) papel-moeda em poder do público, mais encaixe em moeda dos bancos
comerciais, mais depósitos voluntários dos bancos no Banco Central e
mais recolhimento compulsório;
e) papel-moeda em poder do público.

17. A oferta monetária (= meios de pagamento) deverá se expandir caso


ocorra uma das situações abaixo, exceto:
a) aumento das operações ativas do Banco Central, via resgate de títulos
públicos federais;
b) redução da proporção do papel-moeda em poder do público em relação
ao total dos meios de pagamento;
c) aumento da proporção dos depósitos à vista do público nos bancos
comerciais em relação ao total de meios de pagamento;
d) redução da relação encaixe/depósitos à vista dos bancos comerciais;
e) aumento da taxa de recolhimento compulsório dos bancos comerciais.

18. Supondo que o total de reservas ou encaixes bancários seja 40% dos
depósitos à vista, o multiplicador bancário simples dos meios de pagamento
então é:
a) 4,0; b) 3,5; c) 3,0; d) 2,5; e) 2,0.

19. Quando o Banco Central realiza uma venda maciça de títulos públicos
federais, o efeito esperado é:

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a) redução dos meios de pagamento e da taxa de juros;


b) redução dos meios de pagamento e aumento das taxas de juros;
c) aumento dos meios de pagamento e das taxas de juros;
d) aumento dos meios de pagamento e queda das taxas de juros.

20. São funções típicas do Banco Central, exceto:


a) banco dos bancos, recebendo recolhimentos compulsórios e efetuando
empréstimos de liquidez (redesconto);
b) banco emissor de moeda;
c) agente do Tesouro Nacional;
d) captador de depósito de poupança;
e) fiscalizador do Sistema Financeiro Nacional.

21. O passivo monetário do balancete consolidado do sistema monetário é


igual a:
a) meios de pagamento (M1);
b) base monetária;
c) papel-moeda em circulação;
d) reservas bancárias.

22. No Brasil, a base monetária compõe-se do:


a) total do dinheiro emitido pelo Banco Central;
b) papel-moeda em poder do público mais os depósitos à vista do público
nos bancos comerciais;
c) papel-moeda em circulação, mais os depósitos voluntários dos bancos
comerciais junto às autoridades monetárias, mais os recolhimentos
compulsórios dos bancos comerciais;
d) passivo não-monetário das autoridades monetárias.

23. O passivo monetário do Banco Central é igual a:


a) Reservas bancárias;
b) Papel-moeda emitido;
c) Meios de pagamento;
d) Papel-moeda em circulação;
e) Base monetária.

24. O total de oferta monetária é igual a:


a) total de moeda emitida pelo Banco Central;
b) base monetária;
c) base monetária dividida pelo multiplicador;
d) papel-moeda em poder do público mais os depósitos à vista do
público nos bancos comerciais.

25. A oferta monetária deverá se expandir caso ocorra uma das situações
abaixo, exceto:
a) aumento das operações ativas do Banco Central via aumento da
emissão ;

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b) redução da relação encaixe/depósitos à vista dos bancos


comerciais;
c) aumento da proporção dos depósitos à vista do público nos
bancos comerciais em relação ao total de meios de pagamento;
d) aumento da proporção do papel-moeda em poder do público em
relação ao total de meios de pagamento.

26. São instrumentos clássicos de controle monetário, exceto:


a) operações de redesconto de liquidez;
b) operações de mercado aberto;
c) a limitação do volume de papel-moeda em poder do público;
d) a fixação da taxa de recolhimento compulsório sobre os depósitos
à vista nos bancos comerciais.

27. No sentido restrito de instrumento de política monetária, as operações de


mercado aberto consistem:
a) num mercado onde são transacionados os mais diversos títulos
públicos e bancários privados;
b) num mercado onde são transacionados títulos de rentabilidade
não fixada;
c) na compra e/ou venda de títulos públicos federais pelo Banco
Central;
d) na compra e/ou venda de títulos públicos federais e títulos privados
pelos bancos comerciais e público em geral.
__________________

G A B A R I T O:

1. d; 2. c; 3. c; 4. c; 5. a;
6. b; 7. b; 8. d; 9. b; 10. c;
11. aN; bN; cD; dC; eD; fC; gC; hD; iD; jN; kN.
12. b; 13. a; 14. c; 15. b; 16. d;
17. e; 18. d; 19. b; 20. d; 21. a;
22. c; 23. e; 24. d; 25. d; 26. c; 27. c.
______________

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Aula 7: A Macroeconomia Keynesiana

Nesta nossa 7ª aula, nós estaremos entrando


no cerne da macroeconomia propriamente dita,
introduzindo a chamada teoria macroeconômica
keynesiana cuja principal característica é o papel
do governo e de sua política fiscal (impostos e
gastos governamentais) na determinação do nível
do produto e da renda agregados. Trata-se de
uma teoria desenvolvida em função da grande
depressão de 1929-33 e que ainda se mantém na
moda nos dias de hoje, sendo rotineiramente
objeto de questões nas provas de macro-
economia dos concursos públicos. Então, vamos
lá!

1.Introdução: O Equilíbrio com Desemprego:


Clássicos x Keynesianos

Até a grande depressão de 1929-33, a questão do desemprego não


causava maiores preocupações. A maioria dos economistas – formados
na tradição clássica – acreditava que, eventualmente, poderia surgir
algum desemprego, mas era um fenômeno temporário que, logo, seria
eliminado pelo próprio mecanismo e atuação livre das forças de
mercado.
Esta crença dos clássicos de que o pleno emprego da mão-de-obra
era a situação natural e normal da economia, baseava-se,
fundamentalmente, na chamada “Lei de Say”, segundo a qual “a oferta
cria sua própria demanda”.
Em outras palavras, por trás da Lei de Say está o raciocínio de que
os indivíduos só ofertam seus recursos produtivos – como os serviços de
mão-de-obra – porque desejam comprar bens e serviços. Assim, se um
aumento da oferta de serviços de um indivíduo produzisse 10 unidades
de produtos adicionais, haveria automaticamente um aumento da
demanda por bens e serviços no mesmo montante. Em conseqüência,

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tudo o que fosse produzido seria consumido, não havendo razões para
sub-produção ou super-produção. Não sobraria nem faltaria produto.

1.1. A poupança e o investimento no sistema clássico

Como se poderia conciliar esta posição dos economistas clássicos


com a existência evidente de poupança? Se as pessoas poupam é
porque optaram por não gastar toda a renda que obtiveram no processo
produtivo. Conseqüentemente, a oferta de produtos (que deu origem à
renda) será maior que a demanda.
A explicação clássica para a poupança (S) é a de que os indivíduos
somente estarão dispostos a adiar o consumo, ou seja, a poupar, caso
lhes seja pago um prêmio ou recompensa (juros) por este sacrifício. A
quantidade poupada será, então, maior ou menor quanto maior ou
menor for a taxa de juros (r).
Em outras palavras, existe uma relação direta e positiva entre S e r.
Se r se eleva (cai), a poupança se eleva (se reduz). Esta relação está
ilustrada na Figura 1, abaixo:

r
r

S I
Figura 1 Figura 2
Mas, os bancos só oferecerão uma taxa de juros maior, pela
poupança do público, se houver, por parte dos tomadores de
empréstimos, isto é, as empresas, uma demanda satisfatória. No
modelo clássico, as firmas demandarão estes recursos para comprarem
novas máquinas, ou seja, para realizarem seus investimentos
produtivos. Mas, só o farão se os retornos esperados desses
investimentos excederem o custo dos empréstimos – dado pela taxa de
juros. Daí, pode-se concluir que a quantidade de investimentos (I) que

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será efetivada (isto é, a demanda por recursos da poupança) variará


inversamente à taxa de juros. Se r estiver baixa, haverá mais
investimentos; se r estiver alta, haverá menos investimentos. Esta
relação inversa ou negativa entre I e r está mostrada na Figura 2.
Observe, agora, a Figura 3, que mostra as curvas de I e S, juntas.
Nesta figura estão marcadas três taxas de juros (r1, r0 e r2). Se, por
acaso, a taxa de juros estiver num nível muito elevado, digamos r1,
haverá um excedente de poupança sobre os investimentos e, em
conseqüência, os bancos reduzirão o prêmio (r) que pagam pela
poupança. Com um r menor, a poupança deve se reduzir e o
investimento aumentar. Se, ao contrário, r estiver muito baixo,
digamos, se r2, haverá muita demanda por investimentos, e faltará
poupança. Em conseqüência, os bancos aumentarão r para atrair mais
poupança. Com r se elevando, S aumenta e I cai. No final deste
processo, teremos um nível de r tal que igualará S e I. Na Figura 3, este
nível é r0.

Figura 3

Há duas anotações importantes a serem feitas com relação ao


sistema clássico: primeiro, neste sistema, o valor da taxa de juros é
determinado pela oferta de fundos (poupança) e pela demanda por
estes fundos (investimentos). Esta é uma conclusão diferente da que foi
proposta na teoria keynesiana – que diz que a taxa de juros é
determinada no mercado monetário, pela oferta e demanda de moeda.
Segundo, pela teoria clássica, a igualdade entre S e I ocorre sempre ao
nível da renda de pleno emprego (Yf).

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1.2. A crítica keynesiana

Esta visão clássica dos problemas econômicos sempre foi aceita sem
maiores contestações até a Grande Depressão do início dos anos 30.
Com o aprofundamento da crise econômica de 1929-33 e não havendo
qualquer sinal de que a economia americana (e européia) poderia se
recuperar através da atuação das forças de mercado, os pressupostos
da teoria clássica começaram a ser questionados. Isto propiciou o
aparecimento de uma nova teoria para explicar, de forma mais
convincente, o fenômeno da crise e sua conseqüência mais evidente e
direta: o desemprego em massa.
Esta nova escola, que deu uma verdadeira guinada na forma de
enfocar os problemas macroeconômicos, teve seus princípios e
pressupostos expostos no livro “Teoria Geral do Emprego, dos Juros e
da Moeda”, publicado em 1936 pelo economista inglês John Maynard
Keynes – e que provocou uma verdadeira revolução no pensamento
econômico. Esta nova interpretação dos fenômenos macroeconômicos
modernos conhecida como “Teoria Keynesiana” – e que será objeto de
nosso estudo a seguir – se assenta em três proposições importantes
relativamente simples, a saber:
I - Desemprego: ao contrário dos economistas clássicos, Keynes
argumentou que as forças de mercado de uma economia
poderiam não ser suficientemente fortes para levar a economia ao
pleno emprego. Na realidade, o equilíbrio macroeconômico
poderia ocorrer em um nível com desemprego em grande escala;
II- Causa do desemprego: na interpretação de Keynes, o
desemprego era o resultado de gastos muito baixos em bens e
serviços; ou seja, o desemprego era devido essencialmente a
uma “demanda agregada insuficiente”;
III- Remédio para o desemprego: para acabar com o
desemprego, a única saída é aumentar a demanda agregada. E,
para Keynes, a melhor maneira para isso era “aumentar os gastos
governamentais”.

Com esta introdução, passamos agora ao estudo da determinação


“do nível da renda de equilíbrio”, de acordo com a teoria keynesiana.

2. A Demanda e a ofertas agregadas

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A teoria keynesiana está voltada para a chamada “determinação do


nível da renda nacional de equilíbrio” – no sentido de que a oferta
agregada – isto é, a produção total de bens e serviços de uma economia
– seja igual à demanda agregada – ou seja, os dispêndios da
coletividade com estes bens e serviços. Invertendo o pressuposto da Lei
de Say (“a oferta cria sua própria demanda”), a abordagem keynesiana
afirma que a demanda agregada determina o nível da oferta agregada
e, conseqüentemente, o nível da renda de equilíbrio.
Mais importante ainda, este equilíbrio entre oferta e demanda
agregadas pode ocorrer (e geralmente ocorre) em um ponto abaixo do
nível de pleno emprego (Yf). Ou seja, a economia está em equilíbrio
mas com desemprego de mão-de-obra e com fábricas produzindo
aquém de sua capacidade de produção. Para que a economia atinja o
nível do pleno, é necessário que a demanda agregada seja aumentada
através do aumento de qualquer de seus componentes.
Mas, o que vem a ser demanda agregada? O que chamamos de
demanda agregada (DA) é o resultado da soma das compras de
diferentes agentes econômicos, a saber:
a) gastos de consumo privado (C ) - que são os dispêndios dos
indivíduos em bens e serviços, como alimentação, vestuário,
automóveis, viagens, lazer, etc.
b) investimentos (I) - que são as compras de máquinas e
equipamentos e edificações pelas empresas, mais as adições
desejadas ou voluntárias de estoques (não incluindo, portanto,
o aumento não-planejado de estoques, isto é, os produtos não-
vendidos devido a uma insuficiente demanda);
c) gastos do governo (G) - aí incluídos os dispêndios
governamentais com compras de bens e serviços e com o
pagamento de funcionários, para o bom funcionamento da
administração pública;
d) exportações (X) - traduzidas nas vendas de bens e serviços ao
exterior.

Ou seja,
DA = C + I + G + X (1)
De outro lado, temos a oferta agregada (OA) – também chamada
de “oferta global” (OG) - compreende todos os produtos disponíveis
para venda no mercado interno, seja oriundos da produção interna, seja

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oriundos das importações. Em outras palavras, a oferta agregada (OA)


se compõe da soma do produto interno bruto, a preços de mercado (Y),
mais as importações de bens e serviços (M). Ou:
OA = Y + M (2)
Lembrando que, em equilíbrio, a oferta agregada deve ser igual à
demanda agregada, temos:
Y+M=C+I+G+X (3)
e,
Y=C+I+G+X-M (4)
sendo (X-M) as chamadas “exportações líquidas”.

Recordando que, pelas identidades das contas nacionais, o valor do


produto corresponde ao valor da renda gerada, podemos concluir, a
partir da equação (4) que, sabendo-se os valores dos diversos
componentes da demanda agregada, encontraremos o valor da renda ou
produto nacional1 de equilíbrio (Y). Comentário:

Assim, nosso objetivo passa a ser o de estudar um modelo que nos


permita encontrar este nível de equilíbrio da renda. Para facilitar nosso
entendimento, dividiremos a análise em três etapas:
i) primeiro, excluiremos de nosso modelo o governo e o setor
externo;
ii) depois, incluiremos o governo; e,
iii) finalmente, completaremos o modelo com a inclusão do setor
externo.

3. Modelo simples de dois setores: economia


fechada e sem governo

Numa economia muito simples, sem governo e sem setor externo,


isto é, sem transações com o exterior, a renda nacional (Y) será

1
Como já mostramos na Aula 4, a diferença entre o produto “interno” e o “nacional”, e entre a renda
“interna” e a “nacional” reside na “renda líquida enviada ao exterior”. Para os nossos objetivos aqui, esta
diferença é irrelevante e os dois conceitos podem ser usados de forma intercambiável, sem prejuízo da
análise e de suas conclusões. No caso do presente texto, estaremos, doravante, usando os termos renda
nacional de equilíbrio ou produto nacional de equilíbrio, ao invés de “interno” por serem aqueles de uso
mais freqüente nos livros textos de macroeconomia.

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destinada apenas ao consumo das famílias (C) e à poupança (S), já que,


não havendo governo, não há impostos. Temos, então:

Y=C+S (5)
Da mesma forma, o produto nacional (Y) se destinará ao consumo
das famílias (C) e aos investimentos das empresas (I), ou seja:
Y=C+I (6)
Pela equação (5), a poupança (S) será dada pela diferença entre a
renda nacional (Y) e o consumo (C). Sendo a poupança um não-gasto,
poder-se-ia imaginar, a princípio, que a poupança seria
contraproducente para a economia, uma vez que, se a renda não for
gasta por quem a recebeu, haverá formação indesejada de estoques de
produtos numa ou noutra empresa. Esta sobra de produtos fará com
que estas empresas cortem produção no momento seguinte, reduzindo
o emprego e a renda nacional. Se assim é, por que, então, a poupança é
bem vista por todos e até estimulada pelo governo? A resposta é muito
simples: a poupança financia os investimentos produtivos das empresas.
Sem poupança não há investimentos. Mas, é importante entender que,
para que o nível da renda nacional esteja em equilíbrio, é necessário
que a poupança “planejada” pelas famílias seja igual ao investimento
“planejado” pelas empresas. Isto significa que, em equilíbrio,

S=I (7)

De acordo com a equação (6), se soubermos os valores de C e de


I, ou de C e S, na equação (5), encontraremos o nível da renda nacional
de equilíbrio. Vejamos como calculá-la, começando pelo consumo (C):

3.1. A função consumo

Seguindo o raciocínio de Keynes, parece razoável afirmar que o


principal determinante do consumo é a renda disponível (Yd), isto é, o
montante que as pessoas dispõem para gastar após retirados os
impostos e acrescidas as transferências governamentais. No caso
presente, como estamos supondo, por enquanto, que não existe
governo nessa economia, não há impostos nem transferências
governamentais e, portanto, a renda disponível (Yd) é igual, por
definição, à renda nacional (Y). Assim, se a renda cresce ou se reduz, o
mesmo ocorrerá com o consumo, mas não necessariamente no mesmo
montante.

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A função consumo mostra a relação existente entre


o nível das despesas de consumo e o nível da renda
disponível.

Empiricamente, descobriu-se que o consumo corresponde a uma


proporção e da renda e que esta proporção entre consumo e renda
disponível é altamente estável.
Mas, será que o valor do consumo total é determinado
exclusivamente pela renda disponível corrente? Como se explica, então,
que pessoas que não dispõem de renda no momento presente, como é o
caso daquelas que se encontram desempregadas, consomem um
mínimo que seja? Na realidade, quando se olha no agregado, percebe-
se que uma parte do consumo total independe do nível de renda – ou
pelo menos do nível da renda corrente ou presente. Se assim é,
podemos definir a função consumo do seguinte modo:

C = a + bYd (8)

onde, a = parte autônoma do consumo,2 isto é, a parcela que


não depende da renda;
b = fração da renda que é gasta.

Esta fração b é chamada de propensão marginal a consumir (PMC)


- que, na verdade, se constitui num dos mais importantes conceitos
introduzidos por Keynes na análise da determinação do nível da renda.
O termo “marginal” sempre significa, em economia, um “extra” ou
“adicional” qualquer decorrente de um acréscimo qualquer ocorrido em
um variável. No caso presente, significa o adicional de consumo
decorrente de um aumento na renda. Tecnicamente, a propensão
marginal a consumir é definida pela razão entre a variação no consumo
(∆C) decorrente de uma variação na renda disponível (∆Yd) e esta
variação na renda. Ou seja,

∆C
PMC = b = (9)
∆Yd

2
O traço horizontal sobre a letra significa que é um valor dado, autônomo, isto é, que não depende de outra
variável.

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O valor de b situa-se no intervalo entre 0 e 1, valendo notar que


este valor, como já se disse, é bastante estável ao longo do tempo,
significando dizer que se a PMC de uma sociedade é, digamos, 0,8 ( o
que equivale dizer que corresponde a 80% da renda disponível), este
valor tende a permanecer em torno desse valor por vários anos.3

3.2. A função poupança

Nem toda a renda pessoal disponível se destina ao consumo. Uma


pequena parcela se destina à poupança (S). Podemos dizer que a
poupança corresponde à parcela da renda disponível que não é gasta.
Ou:
Renda disponível = consumo + poupança
e,
Poupança = renda disponível - consumo

Em notação abreviada, temos:

Yd = C + S (10)
S = Yd - C (11)

Para acharmos a função poupança basta substituirmos na equação


(11) o valor do consumo dado pela equação (8), ou:
S = Yd - (a + bYd)
S = -a +Yd - bYd
e,
S = -a + Yd (1-b) (12)

Tal como no consumo, um conceito importante com relação à


poupança é a chamada propensão marginal a poupar (PMP) ou (s) e que
pode ser definida como sendo a razão entre a variação na poupança,

3
O estudante não deve confundir o conceito de PMC com um outro conceito semelhante que é a “propensão
média a consumir” (PMeC). Esta última é dada pela razão entre o consumo total e a renda disponível, isto é,
PMeC = C/Yd ou ainda, PMeC = a+bYd/Yd

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decorrente de uma variação na renda disponível, e esta variação na


renda disponível, ou:

PMP = s =∆S/∆Yd (13)

Note-se que, pela equação (10), a renda pessoal disponível se


destina ao consumo e à poupança. Donde se conclui que qualquer
variação na renda disponível (∆Yd) será distribuída entre consumo e
poupança, ou:

∆Yd = ∆C + ∆S (14)

Dividindo-se todos os termos da equação (14) por ∆Yd, tem-se:

∆Yd ∆C ∆S
= +
∆Yd ∆Yd ∆Yd
ou,
1 = PMC + PMS (15a)

ou ainda,
1=b+s (15b)
e,

s=1–b (15c)

Todos esses conceitos desenvolvidos até aqui estão sumarizados na


Tabela 1 que apresenta, na primeira coluna, dados hipotéticos de
diversos níveis de renda disponível. Na segunda coluna, aparecem os
dados de consumo. Como se pode ver, o consumo cresce à medida em
que a renda disponível cresce. Deve ser observado que quando a renda
salta de 400 para 900 (ou ∆Yd = 500), o consumo pula de 500 para 900
(ou ∆C = 400). Dividindo-se ∆C por ∆Yd, temos uma propensão
marginal a consumir igual a 0,8. O mesmo ocorre quando a renda
aumenta de 900 para 1.400, com o consumo passando de 900 para
1.300. Se dividirmos a variação no consumo pela variação na renda
disponível, para cada nível de renda, encontraremos uma propensão

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marginal a consumir (b) igual a 0,8, mostrado na terceira coluna. A


quarta coluna nos fornece o montante da poupança - dado pela
diferença da renda disponível e respectivo consumo. Importante
observar que quando a renda é muito baixa, o consumo supera a renda
disponível e, portanto, a poupança é negativa (igual a -100, no caso).
Já a última coluna nos dá a propensão marginal a poupar. Se a PMC =
0,8, então, por definição, a PMS é 0,2.

TABELA 1
Renda, consumo e poupança

Renda Consumo PMC (=b) Poupança PMP(=s)


disponível
400 500 -100
900 900 0,8 0 0,2
1.400 1.300 0,8 100 0,2
2.000 1.780 0,8 220 0,2
2.800 2.420 0,8 380 0,2
3.800 3.220 0,8 580 0,2
5.000 4.180 0,8 820 0,2

Deve ser enfatizado que os dados de consumo que aparecem na


coluna 2 foram calculados sob a hipótese de que a propensão marginal a
consumir, b, é constante ao longo do tempo - uma hipótese que é feita
para tornar o cálculo mais fácil. Empiricamente, sabe-se que b
apresenta-se relativamente estável mas não necessariamente
constante. Registre-se que o próprio Keynes tinha sérias dúvidas com
relação à constância de b, chegando mesmo a sugerir que a propensão
marginal a consumir pode declinar à medida que a renda atinge níveis
mais elevados.

Tanto a função consumo como a função poupança podem ser


melhor visualizadas através de gráficos. Assim, por exemplo, a
Figura 4 mostra a função consumo, C = a + bYd, e a função poupança
(S) supondo que não há governo e, portanto, T = 0.

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Na Figura 4a. nós medimos a renda disponível no eixo horizontal e


o nível do consumo no eixo vertical. A linha de 45º, por ser eqüidistante
dos dois eixos, tem a propriedade de representar, em todos os seus
pontos, igualdade entre o nível de renda e a demanda agregada (no
caso presente, medida pelo consumo). Observe que a função consumo,
C = a + bYd, não parte da origem do gráfico e, sim, um pouco acima,
no eixo vertical. A distância entre o ponto zero do gráfico e o intercepto
da função consumo no eixo vertical corresponde ao consumo autônomo,
a. Já a inclinação da reta do consumo é dada por b =∆C/∆Yd.

C
45

S C

1000
a
0 1000 1500
(a)
S

-a 1000 1500

(b)
Figura 4

Na Figura 4b. está retratada a função poupança, S = -a + Yd (1-b).


Graficamente, a função poupança é derivada da diferença vertical entre
a linha de 45º e a linha do consumo. A baixos níveis de renda, como já
se observou, a poupança é negativa, devido à parcela do consumo
autônomo, a. Também aqui, nós medimos no eixo horizontal a renda
disponível, enquanto o eixo vertical mede o nível da poupança (negativa
ou positiva).

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3.3. Cálculo da renda de equilíbrio

Temos, agora, todos os ingredientes para achar o valor da renda de


equilíbrio (Ye) neste modelo simples onde, por hipótese, a demanda
agregada tem apenas dois componentes - o consumo e o investimento.
Para tanto, vamos retomar a equação (6):

Y=C+I (6)

Comentário:
Para determinar o nível da renda de equilíbrio, devemos substituir
na equação os valores de C e de I. No caso do consumo, seu valor está
definido na equação (8). Quanto ao investimento, poderíamos supor que
seu valor está associado ao nível da renda ou à taxa de juros. No
entanto, como estamos trabalhando, ainda, com um modelo de
economia muito simples, vamos supor que o valor do investimento é
dado exogenamente, isto é, não depende de nenhuma outra variável e,
assim, pode ser representado por (I). Mais à frente relaxaremos esta
hipótese e faremos o investimento função direta do nível de renda e/ou
inversa da taxa de juros. Assim, por enquanto, o valor do investimento
será dado por:

I=I (16)

Substituindo, então, os valores de C e de I na equação (6), temos:

Y = a + bYd + I (17)

A renda disponível (Yd) é, por definição, igual à renda nacional (Y)


menos os impostos (T) mais as transferências governamentais (R), ou:

Yd = Y - T + R (18)

Na hipótese de uma economia sem governo, não há impostos nem


transferências governamentais e, portanto, a renda disponível é igual à

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renda nacional. Assim, podemos substituir Yd por Y na equação (17),


ficando:

Y = a + bY + I (19)

Agora, para achar o valor de Y, basta operar a equação (19),


assim:

Y - bY = a + I
Y(1-b) = a + I
Y = (a + I)/ (1-b)
ou,
Y = 1/1-b . (a + I) (20)

Ou seja, pela equação (20), o valor da renda ou produto de


equilíbrio (Y) é dado pela soma dos gastos autônomos - no caso, (a + I)
- multiplicado por um valor k definido por:

k = 1/1-b (21)

valendo lembrar que (1-b) equivale à propensão marginal a poupar


(s).

Vejamos um exemplo numérico:


Suponha que a função consumo seja dada por: C = 100 + 0,8Y e
que o investimento seja: I = 500. Qual será, então, o valor de Y de
equilíbrio?
Substituindo esses valores na equação (6), obtém-se:
Y = 100 + 0,8Y + 500
Y - 08Y = 600
Y(1-0,8) = 600
Y = 1/0,2 . 600
e
Y = 5 x 600 = 3.000

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Assim, o nível da renda de equilíbrio será 3.000. E por que sabemos


que este é o nível de equilíbrio? Para entender o porquê, vamos supor
que, por alguma razão, a produção total corrente esteja situada em
3.500, ao invés de em 3.000. Neste caso, os produtores estarão
oferecendo no mercado bens e serviços no valor de 3.500, enquanto a
demanda total é de somente 3.400 - consistindo esta de 2.900 de
consumo (= 100 + 0,8x3.500) mais um investimento igual a 500. Como
resultado, os estoques de bens não-vendidos vão se acumular,
ocorrendo o que os economistas denominam de investimento em
estoques não-desejado.. Em conseqüência, os comerciantes vão reduzir
o volume de seus pedidos às fábricas e estas, por seu turno, vão cortar
produção. Neste processo, a economia regredirá até o nível de 3.000,
que é o nível de produção equivalente à soma de C e I.
Mas, devemos atentar para o fato de que durante o período anterior
ao ajustamento, a economia estava em desequilíbrio, produzindo 3.500.
Ocorre que toda produção – isto é, os 3.500 do exemplo - deve se
destinar ao consumo ou ao investimento (uma vez que, por hora, o
governo e o setor externo estão excluídos do modelo). Mas, como pode
haver 3.500 de consumo e investimento quando já vimos que a
demanda total de consumo e investimento situa-se abaixo disso?
Para responder esta questão, nós devemos fazer uma distinção
entre investimento desejado e investimento efetivo. O investimento
efetivo representa os expansão da fábrica, aquisições de máquinas e
equipamentos e aumentos de estoques - independentemente da
acumulação de estoques ser desejada ou não. Assim, com uma
produção corrente de 3.500, a demanda de consumo seria 2.900 e o
investimento efetivo seria 600. Mas, o investimento desejado - isto é, a
demanda de investimento - alcançaria somente 500. Ou seja, haveria
um investimento não-desejado em estoques no montante de 100. É
esta acumulação indesejada de estoques que levará à redução na
produção em direção ao nível de equilíbrio de 3.000!

Ainda nessa mesma


linha de raciocínio, vale
lembrar que, nesses DA
modelos de determinação 45
do nível da renda ou
produto de equilíbrio,
parte-se, em geral, da C+I
hipótese de que o
300 C

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I

a
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consumo efetivo é igual à


demanda por consumo
(isto é, o consumo
desejado), já que os
consumidores não podem
ser forçados a comprar
bens. Eles compram
simplesmente o que eles
desejam comprar. Se
assim é, o equilíbrio, neste
modelo de dois setores,
ocorre somente onde e quando o investimento desejado é igual ao
investimento efetivo, isto é, quando não há acumulação indesejada de
estoques.
Todo esse raciocínio pode ser melhor visualizado através da Figura 5
que mostra a curva de consumo (C) e, paralela a esta, a curva da
demanda agregada (DA), que corresponde à soma de C + I. A
distância vertical entre a curva de consumo e a da demanda agregada é
dada pelo valor do investimento (I). O equilíbrio ocorre no ponto em
que a demanda agregada intercepta a linha de 45º, isto é, onde a
demanda agregada é igual à renda ou produto nacional (Y). Tomando
os exemplo numérico acima, o equilíbrio ocorre quando a demanda
agregada e a renda ou produto nacional são iguais a 3.000. A esse nível
de renda, o consumo é 2.500 (ou: C = 100 + 0,8 x 3.000) e o
investimento é 500.

3.4. O multiplicador dos gastos e as variações no nível da


renda ou do produto de equilíbrio

Podemos constatar, no exemplo numérico acima, que o valor dos


gastos autônomos (600) foi multiplicado por 5, que, no caso, é o valor
de k - o chamado multiplicador dos gastos4. Pela equação (21), o valor
deste multiplicador depende do valor de b, isto é, da “propensão
marginal a consumir”. Assim, se:
b = 0,9 → k = 10;
b = 0,8 → k = 5;
b = 0,75 → k = 4.

4
Também chamado, às vezes, de “multiplicador keynesiano dos gastos”.

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Donde se conclui que, quanto maior a PMC, maior será o valor do


multiplicador e vice-versa.
Pela equação (20), qualquer variação nos gastos autônomos (a+I),
provocará uma variação do nível da renda de equilíbrio. Esta variação do
nível da renda será, porém, ampliada pelo multiplicador desses gastos.
Assim, voltando aos dados do exemplo numérico anterior, suponha que
os empresários decidam elevar seus investimentos para 700 - ou seja,
um acréscimo de 200. O novo valor de equilíbrio de Y será:

Y = 100 + 0,8Y + 700


Y - 0,8Y = 800
Y(1-0,8) = 800
Y = 1/0,2 x 800
e,
Y = 5 x 800 = 4.000

Ou seja, um aumento de 200 nos investimentos provocou um


acréscimo de 1.000 no nível da renda de equilíbrio, devido ao
multiplicador dos gastos. Donde se conclui que a variação - positiva ou
negativa - que se pretenda dar ao nível da renda dependerá da
magnitude do multiplicador (k) e da magnitude da variação do gasto
autônomo (∆GA), isto é:

∆Y = k . ∆GA (22)

Mas, como se explica que um aumento de 200 nos gastos de


investimentos provoque um aumento de 1.000 no nível da renda de
equilíbrio? Ou seja, de onde surge o multiplicador?
A existência do multiplicador pode ser explicada da seguinte
maneira: um aumento no investimento provoca, num primeiro
momento, um aumento no nível da renda; este aumento na renda, por
sua vez, provoca, num segundo momento, um aumento no consumo (já
que o consumo depende da renda); o aumento no consumo, por seu
turno, provoca um novo aumento em Y ( porque Y = C + I), e assim por
diante.

A equação (22) nos dá uma solução para o problema de política


econômica bastante comum: o que pode ou deve ser feito quando o
nível corrente da renda de equilíbrio estiver abaixo ou acima do

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chamado nível da renda de pleno emprego (Yf)? - lembrando que Yf, em


outras palavras representa o nível de produção máxima possível quando
todos os recursos existentes no país estão empregados.
Se o nível corrente da renda de equilíbrio estiver abaixo de Yf, a
demanda agregada deverá ser estimulada; se estiver acima, deverá ser
reduzida. Trata-se dos chamados hiatos deflacionários e inflacionários,
que serão analisados mais à frente, depois que introduzirmos o governo
em nosso modelo de demanda agregada.

3.5. A poupança e o investimento: o paradoxo da parcimônia

Como já foi dito, neste modelo de dois setores, o equilíbrio ocorre


quando a poupança é igual ao investimento desejado. Mas, é importante
que, embora a poupança e o investimento desejado sejam iguais em
equilíbrio, os valores da poupança e do investimento desejado são
determinados de forma independente um do outro e é bom enfatizar
que a poupança não causa o investimento. Poupança é, simplesmente,
o que sobra da renda, após realizado o consumo. Já o investimento
desejado depende da lucratividade esperada da nova fábrica e dos
novos equipamentos e estoques.
Agora, suponha que a poupança mostre uma tendência para
exceder o investimento desejado. Imaginemos, como no exemplo
numérico anterior, que o investimento desejado seja R$ 700 e que a
renda se situe no nível de desequilíbrio de R$ 5.000 - acima do nível de
equilíbrio que, digamos, seria de R$ 4.000. Com uma função consumo C
= 100 + 0,8Y e a

renda situando-se em R$ S+I


Figura 6
5.000, a poupança seria
R$ 900, superando,
portanto, o investimento
desejado. Neste caso, o
nível da renda cairia até S1

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que a poupança se iguale


com o investimento
desejado.
Se isto é fato, seria
mais apropriado dizer que S0
o investimento desejado 700
causa a poupança, e não o I
contrário, pelo menos no
caso de uma economia 0
que enfrenta desemprego 3200 3500
em larga escala. Se o
investimento aumentasse,
atingindo, portanto, R$800
– o nível de equilíbrio da renda passaria, então, para R$4.500, com a
poupança saltando para R$800. Em outras palavras, um aumento na
demanda de investimento aumenta a renda e, daí, a poupança se eleva.
Mas, há um ponto mais curioso ainda nesta análise: o que deverá
ocorrer caso, por exemplo, o público decida, por uma razão qualquer,
aumentar sua taxa de poupança? A resposta é simples, embora
paradoxal: na prática, a poupança, longe de aumentar, provocará uma
queda no nível da renda e do emprego até que o público retorne ao seu
nível anterior de poupança.
Esta conclusão pode ser melhor visualizada através da Figura 6. Em
nosso exemplo, com o investimento desejado em R$ 700, caso o público
aumente sua taxa de poupança para 25% da renda (ou seja, a PMC
passa para 0,75), a renda cairá para R$ 3.200. A este nível de renda, a
poupança se igualará ao investimento desejado (ambos serão R$ 700).
Ou seja, o aumento no desejo de poupar não conduziu a um aumento
no volume da poupança de equilíbrio, mas, sim, a uma queda no nível
da renda!

Na realidade, o S+I
argumento pode ser
colocado de forma mais
drástica ainda: caso a S1
demanda por investimento
seja uma função direta e
positiva da renda - isto é, So

I=iY
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700
S1
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o investimento cresce à
medida que a renda cresce
- então, um aumento no
desejo de poupar (ou seja,
uma redução da PMC)
provocará, de fato, uma
queda no volume da
poupança de equilíbrio, tal
como mostrado na Figura
7, onde a um aumento na
taxa de poupança faz com
que a linha da nova função
poupança (S1) cruza com a curva de investimentos ao nível da renda de
equilíbrio igual a Y1, reduzindo, em conseqüência, a poupança para
S1 (projetada no eixo vertical). A explicação para tanto é muito
simples:
A tentativa dos consumidores de aumentar sua taxa de poupança
resultará em formação indesejada de estoques de produtos nas fábricas,
uma vez que a produção excederá a demanda agregada.
Conseqüentemente, a renda cai até atingir um novo nível de equilíbrio.
Como resultado do aumento no desejo de poupar, poupança, de fato,
cairá. Este é o conhecido paradoxo da parcimônia que, pode assim ser
descrito:

Paradoxo da Parcimônia: Se, por hipótese, o


investimento for uma função direta e positiva da renda, um
aumento no desejo de poupar por parte do público acaba por
reduzir o nível da renda de equilíbrio e, conseqüentemente, reduz
a poupança a um nível abaixo do nível que vigorava antes.

De todo modo, deve ser enfatizado que o paradoxo da


parcimônia só se aplica a uma economia em recessão, com desemprego
em larga escala. Numa economia com excesso de demanda agregada e
inflação, uma queda na demanda de consumo liberará recursos para
investimentos. Neste caso, um aumento no desejo de poupar pode
assim causar um aumento na poupança e investimento de equilíbrio.

4. A economia com governo

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4.1. Efeitos do governo na economia

Vamos, agora, tornar nossa economia um pouco mais realista,


incluindo o governo em nosso modelo. A introdução do governo no
modelo irá afetar a determinação do valor da renda de equilíbrio de três
formas:
i) as compras de bens e serviços, pelo governo, irão alterar o valor
da demanda agregada;
ii) a arrecadação de impostos (T) alteram o valor da renda
disponível (Yd) que, agora, será diferente da renda nacional; e,
iii) o consumo privado (C) passa, agora, a ser função da renda
disponível, de fato, e não mais da renda nacional.

Numa economia com governo, a renda nacional (Y) será destinada


ao consumo (C), à poupança (S) e aos impostos (T) , ou

Y=C+S+T (23)

Da mesma forma, sob a outra ótica, o produto nacional (Y) se


destinará ao consumo privado (C), aos investimentos empresariais (I) e
às compras do governo (G), ou seja:

Y=C+I+G (24)

Assim, pelas equações (22) e (23), temos:

C+S+T=Y=C+I+G

E a condição de equilíbrio da renda passa a ser:

C+S+T=C+I+G
Ou melhor, ainda:

S+T=I+G (25)

Desta forma, conhecendo-se os valores de C, I e G (ou os valores


de C, S e T), acha-se o valor da renda de equilíbrio.

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Tomemos, por exemplo, o valor de Y dado pela equação (24).


Como já foi dito, a função consumo, agora, não depende da renda
nacional (Y), mas, sim, da renda disponível (Yd), ou
C = a + bYd (26)
A renda disponível, por seu turno, é igual à renda nacional (Y)
menos os impostos (T), ou

Yd = Y - T5 (27)

Observe-se que os impostos (T) podem assumir três formas


diferentes, a saber:

i) um valor autônomo, independente do nível da renda, isto é:

T=T (28)

ii) um valor relacionado à renda, isto é, um percentual (t) da renda,


ou:
T = tY (29)

ii) um valor misto, incluindo as duas formas anteriores, ou seja:

T = T + tY (30)

Para começar, vamos supor, por enquanto, que os impostos


independem do nível da renda, isto é, T = T. Mais adiante, usaremos o
imposto relacionado à renda e veremos como isto afeta o valor do
multiplicador dos gastos (k). Agora, suponhamos, mais, que o governo
gaste um valor qualquer, G, e os empresários decidam investir um dado
valor, I.
Para acharmos o valor da renda de equilíbrio, vamos substituir
estes valores na equação (24), encontrando:

Y = a + b(Y - T) + I + G (31)

5
Observe-se que estamos desconsiderando as transferências governamentais ( R). Caso fôssemos incluir estas
transferências, a Yd seria igual à renda nacional (Y) menos os impostos (T) líquidos das transferências ( R),
ou: Yd = Y - (T-R) ou, ainda, Yd = Y – T + T + R

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Para se achar o valor da renda de equilíbrio, é só operar a equação


(31), assim:
Y = a + bY - bT + I + G
Y - bY = a - bT + I + G
Y(1-b) = a - bT + I + G
e,
Y = (1/1-b) (a - bT + I + G) (32)

Ou seja, o valor da renda de equilíbrio, mais uma vez, será dado


pela soma dos gastos autônomos (GA) vezes o multiplicador, k.
Pela equação (32), podemos observar que, quando os impostos não
estão relacionados à renda, isto é, quando não são uma fração da
renda, o valor do multiplicador (k = 1/1-b) é igual ao do multiplicador
simples de uma economia sem governo, visto anteriormente. Na
verdade, a introdução do governo no modelo altera somente o lado dos
gastos autônomos que, agora, incluem o valor do imposto, com sinal
negativo (-bT), e o valor dos gastos do governo (G).

Vejamos um exemplo numérico:


Suponha que uma economia apresentou os seguintes dados:
C = 100 + 0,9Yd; T = 500; I = 400 e G = 600.
Com base nesses dados, calcule o valor da renda corrente de
equilíbrio (Y).

Para acharmos o valor de Y, poderíamos substituir esses dados


tanto na equação (31) como na equação (32). No entanto, julgamos
mais conveniente fazê-lo na equação (31) - que é a equação básica do
modelo - enquanto a equação (32) é derivada daquela e depende dos
itens que naquela aparecerem.
Substituindo os dados do problema na equação (31), temos:
Y = 100 + 0,9(Y - 500) + 400 + 600
Y = 100 + 0,9Y - 450 + 400 + 600
Y - 0,9Y = 650
0,1Y = 650

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Y = 1/0,1 x 650
Y = 10 x 650 = 6.500

Conclui-se, assim, que o valor do multiplicador dos gastos (k) é 10


e o nível da renda de equilíbrio (Y) é 6.500.

4.2. Os diversos multiplicadores das variações dos gastos


autônomos

Pela equação (32), podemos deduzir que qualquer variação num


dos componentes dos gastos autônomos provocará uma mudança no
valor de equilíbrio da renda que será igual à variação do gasto vezes o
multiplicador, k.
Ocorre que, ainda pela equação (32), enquanto as variações em G
e em I são ampliadas diretamente pelo multiplicador, as variações nos
impostos (∆T) serão multiplicadas por -b e, depois, por k. Assim, os
impactos de um aumento ou redução de G ou de I sobre o nível da
renda de equilíbrio serão de intensidade diferente dos impactos de um
aumento ou corte dos impostos (T). A partir desta constatação,
podemos derivar os diversos multiplicadores das variações dos gastos
autônomos, a saber:

i) Multiplicador das variações em G ou em I:

k = 1/1-b e ∆Y = k . ∆G ou, ∆Y = k . ∆I (33)

ii) Multiplicador das variações em T (quando não-


relacionado à renda):

kt = (1/1-b) . (-b) ou, kt = -b/1-b e ∆Y = kt . ∆T (34)

Note-se que o sinal do multiplicador dos impostos é negativo. Isso


ocorre porque um aumento dos impostos reduz a renda disponível, o
que, por sua vez, reduz o consumo e, daí, a demanda agregada, com
impacto negativo sobre o nível da renda de equilíbrio.
Antes de prosseguirmos, é interessante observarmos a relação
existente entre esses dois multiplicadores. Para tanto, vamos calcular os

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valores dos multiplicadores das variações em G (ou em I) e das


variações em T, supondo que a propensão marginal a consumir (b) seja:

i) 0,9; ii) 0,8; iii) 0,75.

Usando as fórmulas dadas pelas equações (33) e (34), temos:


i) k = 1/1-0,9 = 10; e kt = -0,9/1-0,9 = -9
ii) k = 1/1-0,8 = 5 e kt = -0,8/1-0,8 = -4
iii) k = 1/1-0,75 = 4 e kt = -0,75/1-0,75 = -3

Pelos exemplos acima, conclui-se que o valor do multiplicador dos


impostos (não-relacionados à renda, voltamos a repetir) é uma unidade
menor que o multiplicador dos gastos (G e I), e tem o sinal negativo.

iii) O multiplicador do “orçamento equilibrado”:

Orçamento equilibrado ocorre quando o governo gasta exatamente


o que arrecada de impostos. Caso o governo persiga este objetivo,
qualquer aumento de suas despesas deverá ser financiado por um igual
aumento de impostos.
A questão que, agora, se coloca é a seguinte: - qual deve ser o
efeito líquido sobre o nível da renda de equilíbrio se o governo aumentar
seus gastos em ∆G e, para tanto, aumentar os impostos no mesmo
montante do aumento em G, isto é, ∆G = ∆T?
Lembre-se que um aumento em G provoca um aumento em Y igual
a k . ∆G, enquanto um aumento em T provoca uma queda em Y igual a
kt . ∆T. Então, o efeito final sobre Y será a soma desses dois efeitos, ou:
∆Y = k . ∆G + kt . ∆T
∆Y = (1/1-b) ∆G + (-b/1-b) ∆T
Como ∆G = ∆T, podemos substituir ∆T por ∆G:
∆Y = (∆G/1-b) + (-b. ∆G/1-b)
∆Y = ∆G(1-b/1-b)
e,
∆Y = ∆G

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Ou seja, a variação no nível de renda (∆Y) será igual à variação do


gasto do governo (∆G). Donde se conclui que, se o governo aumentar
seus gastos e os impostos no mesmo montante (∆G=∆T), provocará um
aumento na renda de equilíbrio num valor igual à variação orçamentária
(∆Y=∆G=∆T). Este fato é conhecido na teoria macroeconômica como o
Teorema do Orçamento Equilibrado.
Mas, resta a pergunta: qual a magnitude do multiplicador do
“orçamento equilibrado”? Para responder esta pergunta devemos
recordar que ∆Y = k . ∆G. Como ∆Y=∆G, então, neste caso, k = 1!
Vale lembrar que esta conclusão de que o multiplicador (k) do
orçamento equilibrado é igual a 1 só é válida na hipótese de os impostos
(T) não serem relacionados à renda. Como se verá mais adiante, caso
os impostos sejam relacionados à renda, o multiplicador do orçamento
equilibrado é, ainda, positivo, sendo, porém, menor que 1!

4.3. Hiato deflacionário e hiato inflacionário

Um importante conceito macroeconômico é o de “renda de pleno


emprego” (Yf) - que corresponde àquele nível ao qual todos os fatores
de produção, particularmente a mão-de-obra, estão empregados. Atingir
e permanecer ao nível da renda de pleno emprego é o objetivo maior de
todos os governos e, geralmente, as políticas e medidas governamentais
estão voltadas para este fim.
Ocorre, no entanto, que, por várias razões, o nível corrente da
renda de equilíbrio pode estar, em determinado momento ou período,
abaixo ou mesmo acima do nível da renda de pleno emprego,
decorrendo dessa constatação dois conceitos importantes:

i) Hiato deflacionário - corresponde à diferença entre o nível


da renda de pleno emprego (Yf) e o nível da renda corrente de
equilíbrio, estando esta abaixo daquela. Tal situação implica
que parte dos recursos produtivos da economia estão
desempregados, e geralmente é decorrente de uma demanda
agregada deficiente. Para se atingir o pleno emprego, faz-se
necessário, então, que se estimule a demanda agregada, o
que, na teoria keynesiana, se traduz na adoção de medidas
fiscais, como:
a) aumento dos gastos do governo (∆G); e/ou

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b) redução de impostos (∆T)6.

E qual deverá ser a magnitude dessas medidas? Isto vai depender


do valor do multiplicador dos gastos (ou dos impostos) e da magnitude
do hiato deflacionário. Lembre-se que neste caso, o hiato inflacionário
corresponderá à variação na renda corrente - isto é, ∆Y - necessária
para que se atinja o nível da renda de pleno emprego.

ii) Hiato inflacionário - corresponde tal hiato à diferença entre o


nível da renda de pleno emprego e o nível corrente da renda
de equilíbrio, estando esta acima daquela. Isto decorre do fato
de que a demanda agregada está exacerbada, situando-se
acima da oferta agregada máxima possível da economia. Ao
contrário do que alguns poderiam imaginar, tal situação
acarreta muitos inconvenientes como, por exemplo, o
surgimento de pressões inflacionárias e junto com estas vêm
as incertezas e instabilidades macroeconômicas. Também aqui
faz-se necessária a adoção de medidas fiscais - segundo o
modelo keynesiano - voltadas para redução da demanda
agregada, citando-se:
a) corte ou redução dos gastos do governo; e/ou
b) aumento dos impostos.
Mais uma vez, a magnitude dessas medidas dependerá do valor
do multiplicador e de quanto será necessário reduzir o nível da renda
corrente para que esta retorne ao nível da renda de pleno emprego.

4.4. A hipótese dos impostos relacionados à renda

Até agora, vimos tratando os impostos como se fossem


autônomos, isto é, independentes do nível da renda. Tal hipótese foi
adotada para uma melhor e mais fácil compreensão do processo de
determinação do nível da renda de equilíbrio e da atuação dos
multiplicadores das variações dos gastos e dos impostos.
No entanto, devemos admitir que, no mundo real, raramente nos
defrontamos com impostos específicos ou autônomos. Mais
realisticamente devemos supor que os impostos sejam relacionados

6
Eventualmente, até mesmo um aumento nas transferências governamentais (∆R) poderia provocar um
aumento no consumo e, daí, um aumento na demanda agregada, elevando, via multiplicador, o nível da renda
de equilíbrio.

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com ou dependentes do nível de renda. Mais realista ainda seria supor


que os impostos têm dois componentes: um componente autônomo (T)
e um componente que é uma função t da renda, ou seja:

T = T + tY (35)

Com essa hipótese, a equação (31) ficaria assim:

Y = a + b(Y -T -tY) + I + G (36)

Para se achar o valor da renda de equilíbrio, basta operar a


equação (36), assim:
Y = a + bY - bT - btY + I + G
Y - bY + btY = a + bT + I + G
Y (1 - b + bt) = a - bT + I + G
1
Y =( )(a − bt + I + G ) (37)
1 − b + bt

Verifica-se, pela equação (37) que, com a introdução do imposto


como função da renda, o multiplicador se altera. Antes, o multiplicador
era dado por:
k = 1/1-b

Agora, o multiplicador teve seu denominador ampliado e, em


conseqüência, o valor da fração se reduziu, sendo dado por:

k = 1/1-b+bt (38)

4.5. Os estabilizadores automáticos

Foi visto que, quando o governo aumenta seus gastos ou mesmo


quando os empresários aumentam seus investimentos, um processo de
multiplicação desses gastos entra em funcionamento, ampliando seus
efeitos finais sobre o nível da renda ou produto de equilíbrio. Caso, no
entanto, os impostos sejam relacionados à renda, o efeito do
multiplicador é enfraquecido pois todo aumento que se verificar na
renda provocará um aumento nas receitas tributárias, reduzindo a renda
diponível e, daí, o consumo induzido. No final das contas, com o imposto

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relacionado à renda, o impacto na renda de equilíbrio decorrente de um


aumento nos gastos do governo acaba sendo menor do que seria, caso
os impostos fossem autônomos.
O mesmo ocorre na hipótese oposta, isto é, de uma redução dos
gastos do governo ou dos gastos de investimento – o que reduzirá a
renda de equilíbrio. Mas, sendo os impostos relacionados à renda, a
arrecadação tributária automaticamente cairá, reduzindo o impacto da
redução dos gastos sobre o nível da renda de equilíbrio. Por reduzir o
impacto sobre a renda decorrente dessas variações nos gastos do
governo ou nos gastos de investimentos, costuma-se chamar o imposto
associado à renda de estabilizador automático.
Há vários outros estabilizadores automáticos, como, por exemplo,
a contribuição previdenciária – que aumenta quando a renda aumenta e
se reduz quando a renda se reduz. Um outro exemplo é o auxílio
desemprego. Num recessão, com desemprego, a renda cai bastante,
reduzindo, daí, o consumo agregado. No entanto, a queda na renda é
compensada, parcialmente, pelos pagamentos do auxílio desemprego. O
inverso ocorre quando o emprego cresce e a renda cresce.

5. O modelo com governo e a economia aberta

Quando abrimos a economia, devemos introduzir no modelo as


exportações líquidas de bens e serviços (X-M) e, assim, teremos o
modelo completo, tal como definido na equação (4), do início deste
capítulo:

Y=C+I+G+X-M (4)

As funções consumo, investimento e gastos do governo


permanecem como na equação (31). Os impostos podem ou não ser
função da renda. No caso presente, permaneceremos com a hipótese de
que os impostos são função da renda (tY) e ainda têm um componente
autônomo (T)
Assim, resta apenas definir as variáveis X e M. Em princípio,
podemos supor que as exportações dependem exclusivamente da
demanda externa e, como tal, seu valor é determinado exogenamente,

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isto é, fora do modelo7. Neste caso, podemos definir o valor das


exportações como sendo um dado autônomo, ou:

X=X (39)

Quanto às importações, os registros históricos mostram que elas


são altamente dependentes do ritmo da atividade econômica, ou seja,
são uma função do nível da renda (mY), mas, também, apresentam um
componente autônomo (M), não relacionado à renda. Assim,
M = M + mY (40)

A exemplo da função consumo, o coeficiente m é denominado de


propensão marginal a importar.
Já temos, agora, as definições de todas as variáveis e podemos,
então, achar o valor da renda de equilíbrio. Para tanto, basta substituir
os valores de C, I, G, X e M na equação (4), obtendo, então:

Y = a + b(Y - T - bY) + I + G + X - M – mY (41)


Y = a + bY - bT - btY + I + G + X - M - mY
Y - bY + btY + mY = a - bT + I + G + X - M
Y(1 - b + bt + m) = a - bT + I + G + X - M
Y = (1/1-b+bt+m) (a - bT + I + G + X - M) (42)

Pela equação (42), podemos verificar que, com a introdução das


importações como função da renda, o denominador foi acrescido do
coeficiente m e, com isso, o valor do multiplicador se reduziu, tornando-
se, portanto, menor do que o encontrado para uma economia fechada.
Desta última afirmativa podemos tirar outra conclusão
importante: a magnitude do multiplicador k depende, em última análise,
das variáveis da demanda agregada que forem função do nível da
renda. Assim, por exemplo, ao introduzirmos a hipótese de que os
impostos eram função de Y, o multiplicador se reduziu pelo acréscimo,
no denominador do multiplicador, do coeficiente dos impostos, t. Da
mesma forma, fazendo as importações uma função m da renda, o

7
Atente-se para o fato de que em modelos macroeconômicos mais complexos, além da demanda externa, as
exportações são também influenciadas pela relação de preços domésticos vis a vis os preços externos e pela
taxa de câmbio vigente.

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multiplicador tornou-se menor ainda, com a adição deste coeficiente


àquele denominador. Neste raciocínio, podemos imaginar a hipótese de
serem os investimentos também uma função da renda, assumindo, por
exemplo, um formato do tipo

I = I + iY (43)

onde, I = componente autônomo dos investimentos, e


i = coeficiente que poderia ser chamado de “propensão
marginal a investir”, que define o volume de investimentos em função
da renda.
Adotando-se esta hipótese em nosso modelo, o valor do
multiplicador, k, será novamente alterado. E, sendo os investimentos
função do nível de renda, qual será o novo valor de k? Deixamos a
resposta a cargo do aluno.

* * *
Com essas colocações, encerramos esta nossa 7ª Aula. A seguir, e como
sempre, são apresentados alguns exercícios de revisão e fixação sobre os modelos
keynesianos de determinação do nível da renda de equilíbrio.
Nossa próxima aula versará sobre o modelo IS-LM que é uma continuação
natural do que vimos nesta 7ª aula. Até lá.
________________________

EXERCÍCIOS DE REVISÃO E FIXAÇÃO (Gabarito no final)

1. De acordo com a Lei de Say:


a) a demanda cria sua própria oferta.
b) a poupança depende exclusivamente do nível de renda.
c) a oferta cria sua própria demanda.
d) o nível do produto depende só da demanda agregada.
e) o investimento depende de estímulos do governo.

2. De acordo com a teoria clássica:


a) a poupança depende da renda e o investimento depende da taxa de juros.
b) a poupança depende da taxa de juros e o investimento depende da renda.
c) a taxa de juros influencia diretamente o nível do produto e da renda.
d) somente o investimento depende da taxa de juros.
e) tanto a poupança como o investimento são funções da taxa de juros.

3. No modelo keynesiano, a função consumo:

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a) relaciona-se negativamente ao nível da renda disponível.


b) relaciona-se positivamente ao nível da renda disponível.
c) não se relaciona com o nível da renda disponível.
d) depende da taxa de juros.
e) depende, exclusivamente, da decisão do indivíduo.

4. A propensão marginal a consumir é a razão entre:


a) a variação no consumo e a variação na renda disponível;
b) a variação no consumo e a renda disponível;
c) o consumo total e a variação na renda disponível;
d) o consumo total e a renda disponível total;
e) o consumo total e a renda total.

5. Se uma família consome CR$ 8.000 quando sua renda disponível (Yd) é CR$ 10.000 e consome
mais CR$ 2.400 quando Yd aumenta CR$ 3.000, sua propensão marginal a consumir (PMgC) é:
a) 0,75; b) 0,9; c) 0,85; d) 0,8; e) 0,7.

6. Dada a função consumo: C = a + bYd , está incorreta a afirmativa:


a) a é a parte autônoma do consumo;
b) a propensão marginal a consumir é b;
c) a propensão marginal a poupar (PMgS) é = Y – a – b;
d) a propensão média a consumir (PMeC) = (a + bYd)/Y;
e) somente a afirmativa (c) está incorreta.

7. A propensão média a consumir (PMeC) é a relação entre:


a) a variação no consumo e a renda total;
b) a variação no consumo e a renda disponível;
c) o consumo total e a renda total;
d) a variação no consumo e o consumo total;
e) o consumo total e a renda disponível.

8. Ao contrário dos clássicos, para Keynes a poupança:


a) é uma função inversa da taxa de juros.
b) é uma função direta do nível da renda disponível.
c) é uma função direta do nível dos investimentos.
d) é uma função direta da taxa de juros.
e) é uma função inversa do nível da renda disponível.

9.De acordo com a teoria keynesiana, dada a função consumo:


C = a + bYd , a poupança será definida por:
a) S = –a + Yd (1 - b)
b) S = –a
c) S = –bYd
d) S = + a – Yd (1 - b)
e) S = Y – b Y d

10. A “eficiência marginal do investimento” é definida como:


a) a taxa de retorno de um projeto que se situar acima da taxa de juros do mercado;

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b) a taxa de retorno de um projeto que for igual à taxa de juros do mercado;


c) a taxa de retorno esperada de um investimento durante a vida de um projeto;
d) a taxa de juros sobre as aplicações financeiras;
e) a taxa de juros aplicada sobre a poupança.

11. De acordo com a função consumo: C = a + bYd, é incorreto afirmar:


a) “consumo autônomo” é a parte do consumo que não se relaciona à renda;
b) “consumo induzido” é a parte do consumo que depende do nível de renda disponível;
c) o consumo total é dado pela soma do “consumo autônomo” mais o “consumo induzido”;
d) o principal componente da função consumo é o “componente autônomo”;
e) o fator b é definido com a “propensão marginal a consumir”.

12. Se a PMgC = 0,75, o valor do multiplicador é:


a) 5; b) 10; c ) 4; d) 3; e) 2,5.

13. Existe um “hiato inflacionário” quando:


a) a oferta agregada excede o nível de equilíbrio da renda corrente (Ye);
b) o nível da renda de pleno emprego é maior que o nível da renda corrente;
c) o nível da renda de equilíbrio corrente é maior que o nível da renda de pleno emprego;
d) o nível da oferta agregada está acima da demanda agregada;
e) o nível de equilíbrio da renda corrente é igual ao nível da renda de pleno emprego.

14. O “hiato deflacionário” ocorre quando:


a) a renda de equilíbrio corrente está abaixo da oferta agregada;
b) a renda de equilíbrio corrente excede o nível de renda de pleno emprego;
c) o nível dos investimentos é maior que o da poupança;
d) a demanda agregada é maior que a oferta agregada;
e) o nível de equilíbrio da renda corrente situa-se abaixo da renda de equilíbrio de pleno
emprego.

15. Se a PMgC é 0,75 e se existe um hiato inflacionário igual a CR$ 100 bilhões, numa economia
sem governo e sem setor externo, a variação necessária nos investimentos para se atingir o nível
do pleno emprego será (em CR$ bilhões):
a) 1 0 0 ; b) 10; c ) 20; d) 5; e ) 25.

16. Sendo Y = C + I e a = 200; b = 0,9; I = 500, então o valor da renda de equilíbrio será:
a) 8.000; b) 7.000; c) 6.000; d) 5.000; e) 4.000.

17. Retornando aos dados iniciais da questão anterior, e supondo que os empresários aumentem
seus investimentos em 50 bilhões, a expansão na renda de equilíbrio será:
a) 5 0 0 ; b) 50; c) 2 0 0 ; d) 100; e) 2 5 0 .

18. Numa economia com governo e fechada, onde os impostos não são relacionados à renda, o
valor do multiplicador dos gastos:
a) será menor que o multiplicador dos gastos simples;
b) será maior que o multiplicador simples;
c) será igual a 1;
d) será igual ao multiplicador dos gastos sem governo;
e) depende dos gastos do governo.

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19. Sendo C = 100 + 0,8Yd ; T = 200; R = 100; G = 500 e I = 300, o nível da renda de equilíbrio
será:
a) 3.100; b) 3.500; c) 4.000; d) 4.100; e) 4.500.

20. Se o nível da renda de pleno emprego for 6.000, e considerando os dados iniciais da questão
anterior, de quanto deverá ser o aumento nos gastos autônomos (G ou I) para que a economia
atinja o pleno emprego?
a) 1 8 0 ; b) 190; c) 380; d) 390; e) nenhuma dessas.

21. Ainda com base nos dados iniciais da questão 19, o valor do multiplicador dos gastos
autônomos e o dos impostos serão, respectivamente:
a) 5 e – 5 ; b) – 5 e 5; c ) –4 e 5; d) 5 e –4; e) 5 e 4 .

22. Com os mesmos dados da questão 19, o valor do multiplicador do “orçamento equilibrado”
será:
a) 1 ; b) 2; c) 3 ; d) 4; e) 5 .

23. Com os mesmos dados da questão 19, e supondo que a renda de pleno emprego (Yf) seja 5.100,
quanto o governo deverá gastar a mais para que a renda atinja o pleno emprego, supondo que
o “orçamento seja equilibrado”?
a ) 100; b) 300; c ) 600; d) 1.000; e) 1.300.

24. Supondo os dados da questão 19, e que Yf seja 5.100, de quanto deverá ser a variação dos
impostos para que a renda atinja o pleno emprego (Yf)?
a) -250; b) -200; c) -1.000; d) -500; e ) - 100.

25.Supondo que C = 200 + 0,75Yd e que I = 400; G = 500 e que a função imposto seja
T = 400 + 0,2Y; e R = 200, o nível da renda de equilíbrio será:
a) 2.300; b) 2.275; c) 2.350; d) 2.325; e) 2.375.

26. Sendo a PMgC = 0,8 e os impostos (T) = 200, o nível de equilíbrio da renda crescerá R$ 500
bilhões se:
a) ocorrer um aumento de R$ 100 bilhões nos impostos e CR$ 100 bilhões nos gastos do
governo;
b) ocorrer um aumento de R$ 125 bilhões nos impostos e um aumento de R$ 200 bilhões nos
gastos do governo;
c) ocorrer uma redução de R$ 500 bilhões nas receitas de impostos;
d) ocorrer um aumento de R$ 500 bilhões no dispêndio do governo;
e) ocorrer um aumento de R$ 200 bilhões no consumo.

27. No modelo completo Y = C + I + G + X - M, sendo C = 40 + 0,8Yd; T = 0,2Y; I = 200;


G = 300; X = 100 e M = 40 + 0,14Y, o multiplicador dos gastos será:
a) 1 ; b) 1,5; c) 2,5; d) 2; e) 3,5.

28. Considerando os dados da questão anterior, o nível da renda corrente de equilíbrio será:
a) 1.200; b) 1.000; c) 1.100; d) 1.280; e) 1.240.

29. Estabilizadores automáticos são:

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a) ações do governo para moderar a queda da renda;


b) aumentos dos gastos governamentais para aliviar a situação dos desempregados;
c) mudanças automáticas nas receitas tributárias e nas transferências quando a economia se
afasta do nível do pleno emprego;
d) mudanças discricionárias nos gastos autônomos;
e) mudanças discricionárias nos impostos.

30. Suponha que uma economia apresenta os seguintes dados:


C = 60 + 0,8Yd ; T = 50 + 0,2Y; I = 100 + 0,2Y; G = 200; X = 40 e M = 20 + 0,04Y. Neste
caso, o valor do multiplicador (k) e o níel da renda de equilíbrio serão, respectivamente
a) 1 e 1.300; b) 2 e 1.400; c) 3 e 1.500; d) 4 e 1.600; e) 5 e 1.700

_______________________

GABARITO:
1. c; 2. e; 3. b; 4. a; 5. d; 6. c;
7. c; 8. b; 9. a; 10. c; 11. d; 12. c;
13. c; 14. e; 15. e; 16. b; 17. b; 18. d;
19. d; 20. c; 21. d; 22. a; 23. d; 24. a;
25. e; 26. b; 27. d; 28. a; 29. c; 30. e.

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Aula 8: O SISTEMA IS - LM E AS POLÍTICAS


FISCAL E MONETÁRIA
Na aula anterior, nós estudamos o modelo
keynesiano onde a política fiscal se constitui no
principal instrumento para dinamizar a economia.
Nós agora vamos mostrar que nem só de política
fiscal vive a economia. Uma outra escola - a dos
chamados “monetaristas” – defende a tese de que a
política monetária é o principal, se não o único,
instrumento que deve ser acionado para a ativação
da economia. De fato, há situações em que a política
monetária é um instrumento mais poderoso do que a
política fiscal. Em outras, a situação se inverte.
Nesta Aula 8, nós vamos analisar com mais
detalhe a atuação dessas duas políticas – a fiscal e a
monetária – verificando como e quando cada uma
deve ser usada. Isso é feito, em Economia, através
do chamado “Sistema IS-LM”, conforme se vê a
seguir.

8.1. Introdução

Conforme você teve oportunidade de ver na Aula 7, anterior, as


medidas de política fiscal consistem nas variações para mais ou
para menos nos gastos do governo e nas variações para mais ou
para menos no nível de impostos. Você viu, também, que essas
medidas são um poderoso instrumento para alterar o nível da
renda de equilíbrio em função, principalmente, dos multiplicadores
que ampliam seus efeitos sobre a renda.
Esta ênfase na atuação da política fiscal como principal
instrumento de ativação da economia é, geralmente, associada à
chamada “escola keynesiana” que via no aumento dos gastos
governamentais a única saída para estimular a demanda agregada
e, daí, acabar com a recessão e o desemprego.
Mas, alternativamente e a bem da verdade, pode-se
argumentar que as alterações no nível do produto e da renda não

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ocorrem exclusivamente por efeito da política fiscal. Tais


alterações podem ser provocadas, também, por medidas de
política monetária. Neste caso, em vez de atuar com medidas de
aumentos ou reduções de gastos governamentais e de impostos, o
governo poderia, através do Banco Central, reduzir ou aumentar a
oferta monetária, via emissão de moeda e de operações de
mercado aberto, alterando, em conseqüência, a taxa de juros – o
que poderá afetar o volume dos investimentos privados, que se
constitui em importante componente da demanda agregada.
A análise conjunta da atuação das políticas fiscal e monetária
permite, em princípio, duas conclusões: primeiro, dependendo das
condições apresentadas por uma economia em recessão, as duas
políticas são eficazes para levar a economia até o pleno emprego;
e, segundo, há circunstâncias em que apenas a política fiscal se
torna eficaz, enquanto, em outras situações, somente é eficaz a
política monetária.

8.2. O Sistema IS-LM

O estudo da atuação, simultânea ou não, e dos efeitos das


políticas fiscal e monetária sobre o nível da renda ou produto de
equilíbrio, é feito, em macroeconomia, através do chamado
sistema IS-LM – materializado em duas curvas que representam
situações de equilíbrio no mercado de produtos e no mercado
monetário.

8.2.1. A curva IS

Para você entender a análise que faremos mais adiante sobre o


papel e a atuação das políticas fiscal e monetária, é essencial que
você conheça as especificidades das duas curvas – a IS e a LM –
bem como elas funcionam e se comportam quando são alteradas

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algumas variáveis de política econômica. Comecemos pela curva


IS.
A IS é uma curva que mostra combinações de níveis de renda
(Y) e de taxa de juros (r) que equilibram o chamado “mercado de
produtos”, no sentido de que a poupança social – dada esta pela
soma da poupança propriamente dita (S) e dos impostos (T) – é
igual à soma dos gastos de investimentos (I) e dos gastos do
governo (G).
Ou seja, S + T = I + G.
Por essa definição, constata-se que, para cada nível de renda
(Y) existe uma e somente uma taxa de juros (r) que equilibra ou
torna iguais a chamada poupança social (S+T) e os gastos de
investimentos (I) mais as despesas governamentais (I+G).

Derivação da curva IS

No modelo IS-LM, a poupança (S), por hipótese, é função da


renda (Y) – tal como no modelo keynesiano. Isso significa que, se
Y crescer, S também crescerá e vice-versa. Já o investimento (I),
por hipótese, é uma função inversa da taxa de juros (r) – tal como
no modelo da escola clássica. Ou seja, se r cair, o investimento
aumentará e vice-versa.
Com essas duas hipóteses, e partindo do pressuposto de que
G = I, é necessário que se encontrem os valores de Y e de r que
fazem S = I.
Graficamente, a derivação da curva IS pode ser assim
explicada: suponha que o nível de renda se situe em Y1 – gerando
uma poupança S1 – o que exige uma taxa de juros r1 que deter-
mina um nível de investimentos igual à S1 (Figura 8.1). Caso o
nível de renda aumente para Y2, a poupança crescerá para S2 – o
que exigirá uma queda na taxa de juros para r2 para que o investi-
mento aumente até se igualar com S2. Agora, a combinação de Y2
com r2 gera um novo ponto de equilíbrio entre S e I.

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O mesmo raciocínio se aplica, caso o nível de renda cresça até


Y3, gerando uma poupança maior (S3) – o que exigirá uma nova
redução na taxa de juros para, digamos, r3, de forma a estimular
o investimento até se igualar à nova poupança. A combinação de
Y3 com r3 gera um novo ponto de equilíbrio entre S e I. Assim,
ligando os diversos pontos de combinação de diferentes níveis de Y
com diferentes níveis de r, derivamos a curva IS que aparece na
Figura 8.1.

Figura 8.1.

A inclinação da curva IS

Como se pode ver pela Figura 8.1, a curva IS é negativamente


inclinada refletindo o fato de que um aumento na taxa de juros
reduz os gastos de investimentos, reduzindo a demanda agregada
e, conseqüentemente, reduzindo o nível da renda de equilíbrio. De
que, então, depende a inclinação da curva IS? Ou seja, o que faz a
curva IS ser mais ou menos inclinada?
Em primeiro lugar, a inclinação da IS depende da elasticidade
do investimento em relação à taxa de juros, isto é, depende da
sensibilidade ou resposta do investimento em relação às variações
na taxa de juros. Quanto mais elástico ou mais sensível for o
investimento em relação às variações na taxa de juros, menos
inclinada (mais deitada) é a curva IS, e vice-versa.
Em segundo lugar, a inclinação da IS depende, também, da
magnitude do multiplicador dos gastos (k). Quanto maior k, maior

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será o efeito de uma variação dos investimentos sobre o nível da


renda de equilíbrio e, portanto, menos inclinada é a curva IS – e
vice-versa. Conforme foi visto no modelo keynesiano mostrado na
Aula 7 anterior, é bom lembrar que a magnitude de k depende,
essencialmente, da propensão marginal a consumir (b) e da
alíquota do imposto (t) – relembrando, também, que quanto maior
b e menor t, maior será o k.

A posição da curva IS

A posição da curva IS depende do volume dos gastos totais,


isto é, de C + I + G, onde C é função da renda disponível (Yd), o
investimento (I) tem um componente autônomo (I) e ainda é
função inversa da taxa de juros (ou seja, I = I – ir), e G é um
valor autônomo, dado (G=G).

Na figura 8.2., o ponto A corresponde a um dado volume de


gastos iniciais de C + I + G, para uma dada taxa de juros (r1).
Caso ocorra um aumento nos gastos do governo (∆G), a curva IS
se desloca para I’S’. Mantida a mesma taxa de juros r1, a
economia se deslocaria para o ponto B. Neste ponto, o nível de
investimento é o mesmo que em A (porque a taxa de juros
continua a mesma). A magnitude do deslocamento da IS até I’S’ é
dada pelo montante da variação em G vezes o multiplicador (k).

Figura 8.2.

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Se, por acaso, a taxa de juros cair para r2, a economia se


desloca para o ponto C por efeito do aumento nos gastos de
investimentos. Observe que em C, o nível dos gastos do governo é
o mesmo que em A, tendo crescido apenas os investimentos como
conseqüência da queda na taxa de juros. Vale registrar, ainda,
que, se o governo reduzir a alíquota do imposto (t), a renda
pessoal disponível se elevará e, daí, haverá um aumento do
consumo (C) para toda e qualquer taxa de juros. Em
conseqüência, a curva IS se desloca, da mesma forma, para a
direita.
De tudo o que foi dito até aqui, deve ficar claro que a curva IS
se deslocará para a esquerda sempre que houver uma redução nos
gastos do governo e/ou um aumento no nível dos impostos. Pelo
mesmo raciocínio, a curva IS se deslocará para a direita sempre
que o governo aumentar seus gastos e/ou reduzir os impostos.
Temos, assim, um razoável grau de informação sobre a curva
IS e seu funcionamento. Passemos, agora, à curva LM.

8.2.2 A curva LM

A curva LM mostra combinações de níveis de renda (Y) e de


taxas de juros (r) que fazem o mercado monetário ficar
equilibrado, no sentido de que a demanda por moeda é igual à
oferta de moeda.
Para você entender o funcionamento da curva LM, comecemos
por definir “moeda” (M). No sistema LM, moeda são os “meios de
pagamento” de uma economia, ou seja, a soma do papel-moeda
em poder do público mais os depósitos à vista do público nos
bancos comerciais1.
Essas duas formas de moeda apresentam duas características
principais: primeiro, ambas servem como meio de troca ou de
pagamento; e, segundo, nenhuma delas proporciona retorno, isto
é, não rende juros. De outra parte, a maioria dos outros ativos
financeiros – que chamaremos, por conveniência, de títulos –
1
Se você não se lembra desses conceitos, dê uma revisada na Aula 6!

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propiciam um retorno ao seu possuidor e não podem ser usados


como pagamento nas transações.
Assim conceituado, pode-se dizer que a riqueza de um
indivíduo consistirá de dois tipos de ativos – moeda e títulos – e
cabe a ele escolher como será a distribuição de sua riqueza entre
esses dois ativos. Caso ele opte por mais moeda, diremos que ele
está demandando moeda; se sua opção for por mais títulos, sua
demanda por moeda será, então, reduzida. De qualquer forma, é
preciso lembrar que, como qualquer mercado, o mercado
monetário tem uma demanda e uma oferta. Primeiramente, vamos
examinar o lado da demanda por moeda; depois, examinaremos a
oferta.

8.2.3. A demanda por moeda

Inicialmente, a questão que se coloca é: – o que leva um


indivíduo a demandar ou a reter mais moeda e, portanto, menos
títulos, e vice-versa? Quais as razões ou motivos que poderiam
influir na sua quantidade demandada de moeda e na sua
preferência por títulos? Aqui, valem duas observações
importantes: primeira, quando dissermos que o indivíduo
“demandará moeda”, não podemos esquecer que isso significa que
ele estará optando por deixar sua riqueza sob uma das formas de
meios de pagamento (geralmente, depósitos à vista); segunda,
sua demanda por moeda (Md) deve ser, sempre, formulada em
termos reais, isto é, Md/P. Deve ficar claro, assim, que “demanda
por moeda” significa o mesmo que demanda por saldos ou
encaixes reais, como aparece geralmente nos livros textos de
macroeconomia.
Assim dito, e considerando a abordagem keynesiana da
demanda por moeda, podemos dizer que há três razões ou
motivos que levam um indivíduo a manter maior ou menor
quantidade de moeda, a saber:

i) Demanda para a transação (Mt)

O primeiro motivo para se demandar moeda seria a


necessidade de se manter moeda para efetuar os pagamentos de

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luz, gasolina, colégios e demais compras, ao longo do mês. A esse


motivo chamaremos de demanda por moeda para transação.
Podemos supor que, à medida que a renda do indivíduo se eleva,
maior será o seu nível de gastos e, portanto, maior será a sua
demanda por moeda para atender esses gastos. Ou seja, a
demanda por moeda para transação aumenta com o aumento do
nível da renda. Matematicamente,

Mt = kY (1)

onde, k corresponde à fração da renda que é mantida sob a


forma de moeda para transação, sendo k’ positiva2.

ii) Demanda por precaução (Mp)

Uma segunda razão – pouco mencionada na literatura


econômica – que leva um indivíduo a reter ou demandar moeda é
o chamado motivo precaucional – que se traduz na necessidade
sentida pelo indivíduo de reter moeda “extra” para cobrir alguma
eventualidade, ou um fato inesperado, como no caso de uma
doença ou do surgimento de um negócio de ocasião. Um exemplo
muito comum ocorre quando o indivíduo, ao planejar uma viagem,
opta por deixar no banco um certo montante de dinheiro, além do
necessário para pagar as despesas normais da viagem, com o
objetivo de cobrir despesas inesperadas que podem
eventualmente surgir ao longo da viagem.
A exemplo do caso anterior, esta demanda por moeda por
precaução também está diretamente ligada em nível de renda do
indivíduo e, como tal, pode perfeitamente ser incluída ou somada
à Mt, sem prejuízo da análise.

iii) Demanda especulativa de moeda (Me)

Um terceiro e importante motivo que leva o indivíduo a optar


por mais ou por menos moeda é, sem dúvida, a taxa de juros (r).
De uma forma geral, podemos esperar que um aumento na taxa

2
k' positiva significa, em matemática, que a derivada primeira é positiva; ou seja, um aumento do nível de
renda – Y – provoca também um aumento na demanda por moeda para transações. A relação é entre demanda
por moeda e nível de renda é, portanto, direta.

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de juros – isto é, na taxa de retorno dos títulos – fará com que o


indivíduo demande mais títulos e menos moeda, e vice-versa. Por
esse raciocínio, podemos também afirmar que, se a taxa de juros
estiver muito alta, a maioria das pessoas optará por ter apenas
títulos, mas se a taxa de juros estiver muito baixa, a maioria das
pessoas preferirá manter seus ativos sob a forma de moeda, na
expectativa de que a taxa de juros irá aumentar quando, então,
aplicarão em títulos. Esse comportamento do indivíduo diante de
variações da taxa de juros denomina-se demanda especulativa de
moeda que, pelo que foi visto, guarda uma relação inversa ou
negativa com a taxa de juros. Ou seja, se r se elevar, cai a
demanda por moeda (ou aumenta a demanda por títulos); se r
cair, aumenta a demanda por moeda (ou cai a demanda por
títulos). Matematicamente,
Me = hr (2)
sendo h’ negativa.

A demanda total por moeda

A função demanda por moeda ou por saldos reais (Md/P) é


expressa pela soma dos dois componentes acima, ou seja:
Md/P = kY + hr (3)

Já que nesse modelo existem apenas dois ativos – moeda e


títulos – e considerando uma dada riqueza, sempre que a
demanda por moeda aumentar – seja por aumento na renda, seja
por queda na taxa de juros – a demanda por títulos cairá, já que a
demanda por títulos é simplesmente o inverso da demanda por
moeda.
A Figura 8.3 mostra a função demanda por moeda das
equações (1), (2) e (3). A Figura 8.3a apresenta a demanda por
moeda para transações (kY), para três diferentes níveis de renda.
Como no eixo vertical aparece a taxa de juros (r), a curva de
demanda por moeda para transações se torna vertical, indicando
que este componente da demanda por moeda não é afetado por r.

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Já a Figura 8.3b representa a demanda por moeda para


especulação. A curva se apresenta negativamente inclinada,
mostrando a relação inversa entre taxa de juros e a demanda
especulativa por moeda. Pelo que se observa, quando a taxa de
juros se situa em níveis elevados, a demanda por moeda é
praticamente nula, mas à medida em que r cai, a demanda
especulativa por moeda vai aumentando. Quando r atinge um
nível considerado mínimo, a demanda por moeda se torna
horizontal, indicando que, a esse nível de taxa de juros, todos os
indivíduos preferirão moeda em vez de títulos (tecnicamente, diz-
se, então, que nesse ponto a demanda por moeda é infinitamente
elástica à taxa de juros).

Figura 8.3a Figura 8.3b

Figura 8.3c

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Somando-se os dois componentes da demanda por moeda


(kY + hr), obtemos o gráfico da Figura 8.3c, onde as três curvas
mostram a demanda total de moeda, para diferentes níveis de
renda (Y1, Y2, Y3). Por ali se vê que a posição da curva de
demanda total de moeda depende do nível de renda, isto é,
quanto maior a renda, maior a demanda por moeda para
transação e, portanto, mais distante do eixo vertical se situa a
curva. Já o formato da curva depende do componente de demanda
especulativa por moeda. Como a demanda por moeda se torna
horizontal a baixas taxas de juros, a Figura 8.3c mostra o conjunto
de curvas convergindo para a posição horizontal quando a taxa de
juros está muito baixa, independentemente do nível de renda.

8.2.4. A oferta e demanda por moeda e a taxa de juros

Vamos, agora, introduzir a oferta de moeda em nosso modelo.


Em princípio, podemos fazer a hipótese, bastante provável, de que
a quantidade real de oferta monetária (Ms/P) é determinada pelo
Banco Central. A este órgão se atribui o poder de controlar o nível
de liquidez do sistema econômico, colocando ou retirando moeda
da economia de acordo com seus próprios critérios. Nesse caso,
diz-se que a oferta de moeda é exógena ao modelo, independendo
do nível de renda ou da taxa de juros e, como tal, aparece como
uma linha vertical.
Conforme mostra a Figura 8.4, partindo da oferta monetária real
Ms0/P inicial, caso o Banco Central resolva aumentar a quantidade
de moeda em circulação, a curva de oferta monetária se desloca
para a direita (para Ms1/P ou até para Ms2/P).

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Figura 8.4

Agora, vamos colocar as duas curvas – de demanda e de oferta


monetária – num mesmo gráfico, conforme aparece na Figura 8.5.
Dado o nível de preços (P), teremos uma demanda por moeda
Md1, definida para o nível de renda (Y1). Considerando que o
estoque real de moeda seja Ms1/P, teremos a taxa de juros r1,
estabelecida pela igualdade entre a Ms1/P e a Md1/P. Caso o Banco
Central aumente a oferta real de moeda, a Ms se desloca para a
direita até Ms2/P, forçando uma redução na taxa de juros.

Figura 8.5

Agora, considere a Figura 8.6, que mostra, para um dado nível


de preços e para uma dada oferta monetária, diversas curvas de
demanda por moeda a partir de diferentes níveis de renda. Por ali

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se verifica que, à medida que a renda cai de Y3 para Y2 e Y1, a taxa


de juros de equilíbrio do mercado monetário também cai para r2 e
r3. Isto ocorre porque, quando a renda diminui, cai também a
demanda por moeda para transações, aumentando, em
conseqüência, a demandada por títulos – o que, por sua vez, força
uma queda no retorno propiciado pelos mesmos, isto é, na taxa de
juros.

Figura 8.6

De tudo o que foi dito até aqui, verifica-se que a condição de


equilíbrio no mercado monetário é encontrada ao se igualar a
função demanda de moeda à oferta exogenamente dada, ou:

Ms/P = Md/P = kY + hr (4)

A partir dessas considerações, temos, agora, condições de


derivar a curva LM.

8.2.5. Derivação da curva LM

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Na Figura 8.7a estão mostradas combinações de taxas de juros


e níveis de renda que tornam a demanda por moeda (ou por
encaixes reais) igual à oferta monetária. Ao nível da renda Y1, a
curva de demanda por moeda corresponde a L1. Com a oferta
monetária dada por Ms/P, a oferta e a demanda por moeda se
igualam no ponto E1 – que corresponde à taxa de juros r1. Na
Figura 8.7b, o ponto E1 corresponde à combinação do nível de
renda Y1 com a taxa de juros r1 que equilibra o mercado
monetário. O ponto E1 corresponde, assim, a um ponto na curva
LM.

Figura 8.7a Figura 8.7b

Suponha, agora, que a renda cresça até Y2. Na Figura 8.7a, este
aumento na renda provoca um aumento na demanda por moeda
para transação, deslocando a curva de demanda por moeda para
L2. Com a oferta monetária mantida constante, o aumento na
demanda por moeda faz com que a taxa de juros se eleve até r2 –
para que o equilíbrio no mercado monetário seja restabelecido.
Temos, então, um novo ponto de equilíbrio (E2) que, transportado
para a Figura 8.7b, nos dá uma nova combinação de renda e taxa
de juros (Y2 e r2) que equilibra a oferta com a demanda por
moeda. Repetindo a mesma experiência para outros níveis de
renda, geraremos mais pontos que mostram combinações de Y e

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de r que equilibram a oferta e a demanda de moeda. Ligando


todos esses pontos teremos a curva LM.
Como podemos ver, a curva LM é positivamente inclinada,
refletindo o fato de que, com uma dada oferta monetária, um
aumento no nível de renda aumenta a demanda por encaixes
monetários – o que, como já foi explicado, força um aumento na
taxa de juros.

A inclinação da curva LM

Em princípio, podemos afirmar que quanto maior for a


demanda por moeda para transações, isto é, quanto maior for a
elasticidade da demanda por moeda em relação à renda, medida
por k, e quanto menos sensível ou menos elástica à taxa de juros
for a demanda por moeda, mais inclinada será a curva LM. Em
outras palavras, se a demanda por moeda for muito insensível à
taxa de juros, então h (na equação 4) estará próxima de zero, e a
curva LM é quase vertical. Se, por outro lado, a demanda por
moeda é muito sensível à taxa de juros, então h é muito grande e,
portanto, a curva LM é quase horizontal.

A posição da curva LM

Na Figura 8.8a, está desenhada a curva de demanda real por


moeda, para um dado nível de renda Y1. Com uma oferta
monetária real inicial (Ms1/P), o equilíbrio monetário é dado no
ponto E1, ao nível da taxa de juros, r1. Na Figura 8.8b, o ponto E1
corresponde a um ponto na curva LM.

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Figura 8.8a Figura 8.8b

Suponha, agora, que haja um aumento na oferta monetária


real, deslocando a curva de oferta monetária para Ms2/P. Na Figura
8.8a, com uma dada renda, Y1, este aumento da oferta monetária
provoca uma queda na taxa de juros para r2, de forma a manter o
equilíbrio no mercado monetário. O novo equilíbrio é restabelecido
no ponto E2, que, transportado para a Figura 8.8b, causa um
deslocamento da curva LM para a direita e para baixo, até L’M’. Ou
seja, para cada nível de renda, um aumento da oferta monetária
faz com que a taxa de juros caia para induzir as pessoas a reterem
mais moeda. Alternativamente, para uma dada taxa de juros, o
nível de renda tem que ser mais alto para que aumente a
demanda por moeda para transações, de modo a absorver o
excesso de oferta monetária.

8.3. O equilíbrio nos mercados de produtos e


monetário

Tendo derivado a curva IS – que nos fornece os pares r-Y que


equilibram o mercado de produtos – e a curva LM – que nos dá os
pares r-Y que equilibram o mercado monetário, colocaremos,
agora, as duas curvas num mesmo gráfico. Vale lembrar que as

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equações que definem o equilíbrio desses mercados são dadas


por:
S + T = I – ir + G ou ainda, Y = C + I – ir + G (mercado de
produtos)
e
Ms/P = kY + hr (mercado monetário)

Resolvendo simultaneamente essas duas equações, encontramos


um único par r-Y, na intersecção das curvas IS e LM, que define o
equilíbrio em ambos os mercados. Na Figura 8.9, o equilíbrio
econômico é dado pelo par ro, Yo. Todas as demais combinações
r-Y são pontos fora do equilíbrio. Consideremos, por exemplo, o
ponto A, definido por r1 Y1. Como se trata de um ponto sobre a IS,
o mercado de produtos está em equilíbrio, mas, estando fora da
curva LM, o mercado monetário está em desequilíbrio. Neste
mercado, dado Y1, a taxa de juros deveria ser mais baixa do que r1
para que o mercado monetário ficasse em equilíbrio.

Figura 8.9.

À taxa de juros r1, há um excesso de oferta de moeda. Em


outros termos, os indivíduos estão tentando comprar títulos,
aumentando, assim, seus preços e elevando a taxa de juros.

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O mesmo raciocínio se aplica ao ponto B, definido por r2, Y2.


Nesse ponto, o mercado monetário está em equilíbrio, mas, como
está fora da IS, o mercado de produtos está fora do equilíbrio.
Nesse mercado, dado Y2, a taxa de juros está muito alta e há,
portanto, um excesso de oferta de produtos. Para se atingir o
equilíbrio, a taxa de juros deveria cair para estimular o
investimento, aumentando a demanda agregada até igualá-la com
a oferta.

8.4. A Atuação das Políticas Fiscal e Monetária

Como vimos, então, o equilíbrio macroeconômico se dá na


intersecção das curvas IS-LM, que define uma combinação r-Y que
equilibra os dois mercados – o de produto e o monetário.
Ocorre, porém, que este equilíbrio pode ocorrer em um nível de
renda abaixo do nível de pleno emprego (Yf) – o que significa que
a demanda agregada está abaixo da oferta potencial da economia.
Ou seja, há desemprego em nível de renda corrente de equilíbrio e
cabe ao governo adotar medidas que estimulem a demanda
agregada, aumentando, daí, o produto corrente de equilíbrio e
reduzindo ou mesmo eliminando o desemprego.
Para atingir tal objetivo, o governo poderia acionar tanto a
política fiscal, como a política monetária. Vejamos os efeitos de
cada uma dessas políticas:

8.4.1 Efeitos da política fiscal

Já sabemos que as medidas de política fiscal se materializam


através de variações nos gastos do governo (∆G) e de variações
em nível de impostos (∆T). Para analisarmos a atuação da política
fiscal, suponha que a economia esteja em equilíbrio em nível de r0,
Y0, na Figura 8.10 – um nível abaixo, portanto, do nível de renda
de pleno emprego (Yf). Caso o governo pretenda que a economia

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caminhe para o pleno emprego, ele poderia, por exemplo,


aumentar seus gastos em ∆G. Este aumento em G causa um
deslocamento da curva IS para a direita, até I1S1. A magnitude
desse deslocamento é dado por k x ∆G. Caso a taxa de juros
permanecesse em r0, a economia cresceria até Y1. No entanto, o
aumento na renda eleva a demanda por moeda para transações, o
que, com uma oferta monetária fixa, faz com que a taxa de juros
se eleve ao longo da curva LM até r2. Este aumento na taxa de
juros provoca uma redução no investimento, anulando, em parte,
os efeitos do aumento nos gastos do governo. Em conseqüência, o
novo nível de equilíbrio do produto demandado se situará em Y2(=
Yf).

Figura 8.10

Em resumo, os resultados da política fiscal de aumento nos


gastos do governo foram: um aumento na renda de equilíbrio e,
conseqüentemente, nas despesas de consumo; um aumento na
taxa de juros e, conseqüentemente, uma queda no nível dos
investimentos, compensando parcialmente o aumento nos gastos
do governo. Esta compensação é apenas parcial porque foi
constatado que, ao final do processo, o produto demandado de
equilíbrio aumentou. Portanto, o aumento em G termina por
alterar a composição do produto, com o governo desfrutando de
uma maior parcela deste, em detrimento do setor privado.
Efeitos semelhantes sobre o nível de Y e r (e, portanto, sobre o
investimento) seriam obtidos caso o governo, ao invés de
aumentar seus gastos, reduzisse o nível dos impostos – o que

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elevaria a renda disponível e, daí, aumentariam as despesas de


consumo. Se, por hipótese, os impostos forem uma fração t da
renda, um corte nos impostos significaria uma redução no
percentual de impostos (digamos, de 25% para 15%). O aumento
nas despesas de consumo, induzido pela política fiscal, produz os
mesmos resultados do aumento nos gastos do governo. A
diferença maior reside no fato de que esta redução no percentual
dos impostos aumenta o multiplicador dos gastos (k), o que,
graficamente, implica numa curva IS menos inclinada, conforme
mostra a Figura 8.11.

Figura 8.11

8.4.2 Os efeitos da política monetária

Se o valor inicial do produto de equilíbrio situa-se abaixo do


nível de pleno emprego, o governo poderia estimular a atividade
econômica usando a política monetária, em vez da política fiscal.
Neste caso, o mecanismo de transmissão seria o seguinte: o Banco
Central aumenta a quantidade de moeda em circulação Æ que
reduz a taxa de juros Æ estimulando o investimento privado Æ e,
daí, via multiplicador, a renda de equilíbrio aumenta.
Para analisarmos estes efeitos da política monetária, considere a
Figura 8.12, onde o equilíbrio inicial se dá no ponto E – ponto em
que a curva LM inicial (que corresponde a uma oferta monetária
real, Mso/P) corta a curva IS. Suponha, então, que o Banco
Central, através de uma operação de open-market (mercado
aberto) de compra de títulos públicos, aumente a quantidade

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nominal de moeda – o que, mantido o nível de preços, significa um


aumento da oferta monetária real.

Figura 8.12

Como já foi visto, um aumento na oferta monetária real desloca a


curva LM para a direita, até L1M1. Em conseqüência, o novo ponto
de equilíbrio se dará no ponto E’, com uma taxa de juros mais
baixa e um nível mais alto de renda, próximo ao nível da renda de
pleno emprego. O nível de renda de equilíbrio aumenta porque a
compra de títulos, pelo Banco Central, no mercado aberto, reduz a
taxa de juros – o que estimula o investimento e faz a renda
crescer.
É importante observar que, no processo da economia à nova
situação de uma oferta monetária maior, a taxa de juros cairia,
inicialmente, até o ponto E1 – dado o nível de renda inicial (Yo).
Nesse ponto, entretanto, há um excesso de demanda por bens,
devido ao aumento nos investimentos e, em conseqüência, a
economia começa a crescer. O aumento do nível de renda provoca
um novo aumento na demanda por moeda para transações – o
que faz com a taxa de juros comece a subir até atingir um novo
equilíbrio no ponto E’. Nesse ponto, atinge o nível da renda de
pleno emprego (Yf), com a taxa de juros situando-se em r1,
estando tanto o mercado de produto como o monetário em
equilíbrio.

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8.4.3 Alguns casos especiais e a eficácia das políticas fiscal


e monetária

A seção anterior analisou os efeitos das políticas fiscal e


monetária em situações gerais e, digamos, normais. No entanto,
há situações específicas em que, eventualmente, apenas a política
fiscal pode ser eficaz – no sentido de elevar o nível da atividade
econômica e reduzir o desemprego – enquanto, em outras, apenas
a política monetária terá essa eficácia. Antes, porém, convém
lembrar que a curva LM apresenta, a rigor, três trechos bastante
distintos, tal como mostrado, de forma estilizada, na Figura 8.13.

Figura 8.13

Um primeiro trecho – definido por sua porção horizontal –


corresponderia a uma economia em recessão aguda, estando a
taxa de juros bastante baixa, em níveis próximos de zero; um
segundo trecho seria aquele em que a curva LM se apresenta
vertical e corresponderia a uma economia próxima de pleno
emprego; já que o terceiro trecho corresponderia à porção
intermediária da curva LM e que se apresenta positivamente
inclinada. Para analisar a eficácia das políticas fiscal e monetária, é
importante verificar em qual desses trechos a economia se
encontra – ou seja, em que ponto a curva IS corta a curva LM.

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A armadilha da liquidez

Suponha que a economia esteja em recessão aguda, distante


do nível da renda de pleno emprego, tal como mostrado na Figura
8.14. Nessa situação, a taxa de juros está tão baixa que todos os
indivíduos optam por reter toda a moeda que for ofertada,
esperando um aumento na taxa de juros para, então, aplicar em
títulos. Nesse caso, a demanda por moeda é infinitamente elástica
à taxa de juros e qualquer tentativa do Banco Central de expandir
a oferta de moeda com o intuito de baixar a taxa de juros será
inócua. Esta é a conhecida situação denominada como armadilha
da liquidez – uma hipótese levantada por Keynes para mostrar
que, em situações de recessão econômica, a política monetária é
totalmente ineficaz. Por isso mesmo, esta porção da LM é
conhecida como “trecho Keynesiano da LM”.

Figura 8.14.

Graficamente, um aumento da oferta monetária deslocaria a


curva LM para a direita, sem alterar a intersecção das duas curvas
e, portanto, sem alterar o nível da renda de equilíbrio. Isso ocorre
porque, se a taxa de juros não se alterna, o investimento não
aumenta e, assim, o produto de equilíbrio também não se altera.
Nessa situação, a única política eficaz seria a fiscal que, digamos,
através de um aumento dos gastos do governo, deslocaria a curva
IS para a direita e, daí, via multiplicador, elevando o nível da
renda equilíbrio.

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O caso clássico

O caso oposto da curva LM é a sua porção vertical – conhecido


como “trecho clássico”. Nesse trecho, a demanda por moeda é
totalmente insensível – ou inteiramente inelástica – à taxa de
juros, dependendo somente do nível de renda. Supondo que a
curva IS corte a curva LM nesse trecho, tal como mostrado na
Figura 8.15, a política fiscal se torna totalmente ineficaz para
alterar o nível da renda de equilíbrio. De forma oposta, a única
política capaz de elevar o nível da renda ou do produto de
equilíbrio será uma expansão da oferta monetária que possibilitaria
uma redução da taxa de juros e, daí, estimularia o investimento.
Graficamente, um aumento da oferta monetária deslocaria a curva
LM para a direita, cortando a curva IS no ponto E’, com a renda se
expandindo até Y1.

Figura 8.15.

A visão de uma curva LM vertical – que determina a eficiência


comparativa da política monetária sobre a política fiscal – está
geralmente associada com o ponto de vista de alguns economistas
– conhecidos como “monetaristas” – que defendem a tese de que
o que importa para influir na atividade econômica são os
instrumentos monetários. Já aqueles que defendem o uso da
política fiscal são geralmente associados à chamada “escolha
keynesiana”.

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8.5. Outras considerações sobre a eficácia das


políticas fiscal e monetária

Deve ficar claro que, no trecho intermediário da curva LM, isto


é, na parte em que a LM se apresenta positivamente inclinada,
ambas as políticas são eficazes para levar a economia até próximo
ao pleno emprego.
Esta constatação, aliada aos dois casos extremos vistos
anteriormente – a armadilha da liquidez e o caso clássico –
indicam que a inclinação da curva LM é o principal determinante da
eficácia e eficiência das políticas fiscal e monetária como
mecanismos de influenciar o nível da atividade econômica. Mas, na
realidade, também a inclinação da IS pode determinar que tipo de
política é recomendada para estimular a atividade econômica e
reduzir ou eliminar o desemprego.
No que tange à curva LM, vimos que sua inclinação depende
essencialmente da sensibilidade da demanda por moeda em
relação à taxa de juros. Quanto mais sensível (ou elástica) à taxa
de juros for a quantidade demandada de moeda, menos inclinada
é a curva LM e, portanto, menos eficaz tende a ser a política
monetária, e vice-versa.
No tocante à curva IS, pode-se afirmar que, quanto mais
sensível ou elástico à taxa de juros for o investimento, menos
inclinada é a IS e, portanto, menos eficaz é a política fiscal – ou,
em outras palavras, mais eficaz tende a ser a política monetária –
e vice-versa. Deixamos a cargo do aluno desenhar graficamente
essas hipóteses, confirmando essas proposições.
***
Com essas colocações, encerramos esta nossa 8ª Aula. A seguir, são
apresentados alguns exercícios de revisão e fixação sobre os efeitos das políticas
fiscal e monetária, no contexto do sistema IS-LM. Até nossa próxima aula.
_________________________

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EXERCÍCIOS DE REVISÃO E DE FIXAÇÃO:

1. A curva IS mostra:
a) combinações de níveis de renda (Y) e de taxa de juros (r) que fazem T = G;
b) combinações de Y e r que equilibram o mercado de produtos, isto é, onde:
S = I e T = G;
c) combinações de níveis de poupança e de investimento que equilibram Y e r;
d) combinações de Y e r que equilibram o mercado monetário, isto é, onde a oferta e a
demanda por moeda são iguais;
e) combinações de Y e r que fazem o mercado monetário igual ao mercado de produtos.

2. A curva LM mostra:
a) combinações de Y e r que equilibram o mercado monetário, isto é, onde a oferta e a
demanda por moeda são iguais;
b) combinações de Y e r que equilibram o mercado de produtos;
c) combinações de S e I que equilibram Y e r;
d) combinações de Y e r que equilibram o mercado monetário e o mercado de produto;
e) combinações de Y e r que equilibram a poupança social (T + S) com os gastos autônomos (I
+ G).

3. Assinale dentre as alternativas abaixo qual a que provoca um deslocamento da curva IS para a
direita:
a) aumento do volume de moeda em circulação;
b) redução do nível dos salários nominais;
c) aumento das alíquotas do imposto de renda;
d) redução dos gastos do governo;
e) redução da carga tributária autônoma;

4. O efeito de um aumento nos gastos do governo, num modelo IS-LM, será:


a) a curva IS se desloca para a direita, a renda de equilíbrio crescerá e, ceteris paribus, r
crescerá;
b) a curva IS se desloca para a esquerda e a renda de equilíbrio crescerá e, ceteris paribus, r
cairá;
c) a curva LM se desloca para a direita, Y de equilíbrio crescerá e r crescerá;
d) a curva LM se desloca para a esquerda, Y de equilíbrio crescerá e r cairá;
e) as duas curvas se deslocam para a direita e a renda de equilíbrio crescerá.

5. Num modelo IS-LM,estando a renda corrente de equilíbrio abaixo do nível de pleno emprego, o
governo deverá acionar uma das medidas abaixo, exceto:
a) reduzir os impostos;
b) reduzir a oferta monetária;
c) aumentar seus gastos;
d) aumentar as transferências;
e) reduzir a r para estimular os investimentos.

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6. Num modelo IS-LM, o efeito de uma expansão monetária será:


a) um deslocamento para a esquerda da curva LM;
b) um deslocamento para a direita da curva IS;
c) um deslocamento ao longo da curva LM, para baixo;
d) um deslocamento da curva LM para a direita;
e) um deslocamento para a direita da curva IS.

7. Se o governo expandir a oferta monetária, o nível de renda deverá crescer porque:


a) a taxa de juros cairá e a poupança cairá;
b) a taxa de juros cairá e o consumo cairá;
c) a demanda por moeda para transação crescerá;
d) a taxa de juros cairá e os investimentos crescerão;
e) a demanda por moeda para especulação se reduzirá.

8. Relativamente ao equilíbrio da renda (produto) nacional e da taxa de juros de uma economia, é


correto afirmar:
a) uma política monetária contracionista levaria a uma redução na produção e na taxa de juros;
b) um aumento na tributação, tudo o mais constante, provocaria redução na produção e
aumento na taxa de juros da economia;
c) uma política fiscal expansionista, de redução do superávit ou aumento do déficit do
governo, provocaria aumento no produto nominal e na taxa de juros;
d) uma política fiscal, conduzida para reduzir o déficit do governo provocaria, tudo o mais
constante, aumento na taxa de juro de equilíbrio e redução no nível da renda ou produto
nominal;
e) uma política monetária expansionista levaria a um aumento na taxa de juros e a uma
redução na produção.

__________________

Gabarito:

1. b; 2. a; 3.e; 4. a; 5. b; 6. d; 7. d; 8. c.

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Aula 9: A interação entre as políticas monetária,


fiscal e cambial

Este tópico, certamente, é o mais analítico e técnico


e, talvez o mais complicado de nosso curso. Mas não é
nenhum bicho de sete cabeças. Basta ter um pouco mais
de concentração e paciência que você vai entendê-lo
perfeitamente. Afinal, nada é tão complicado assim. Esta
nossa Aula 9, na verdade, é apenas uma continuação
natural do modelo IS-LM, com a introdução da taxa de
câmbio em nosso modelo. Importante ressaltar que nas
provas de macroeconomia dos concursos públicos mais
recentes sempre tem havido questões envolvendo a
atuação conjunta das três políticas macroeconômicas
mencionadas no título. Vamos em frente!

9.1. Introdução

O mundo de hoje não comporta mais aquele tipo de


economia fechada, idealizada principalmente por alguns
movimentos socialistas da primeira metade do século passado. As
economias modernas são, todas elas, abertas, isto é, exportam
parte dos bens e serviços que produzem e importam parte dos
bens e serviços que consomem. As economias abertas também
emprestam e tomam empréstimos nos mercados financeiros
mundiais, investem em outras economias e recebem investimentos
de empresas de outros países.

Nesta Aula 9, estaremos preocupados em analisar o impacto


das políticas monetária e fiscal sobre a renda agregada de
equilíbrio e sua interação com a política cambial, numa economia
aberta. Como já foi visto no capítulo anterior, na macroeconomia
este tema é tratado, geralmente, através do sistema IS-LM –
valendo ressaltar, no entanto, que este sistema é mais apropriado
para uma economia fechada. Para o caso de uma economia
aberta, costuma-se adotar uma versão ampliada do sistema IS-LM

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- o chamado modelo Mundell-Fleming, desenvolvido por estes


dois economistas nos anos 601.
Ao ampliar o sistema IS-LM para uma economia aberta, o
modelo Mundell-Fleming procura mostrar até que ponto são
eficazes as políticas monetária e fiscal em relação às flutuações da
atividade econômica, quando se consideram seus efeitos sobre a
taxa de câmbio e, conseqüentemente, sobre o balanço de
pagamentos. Como se verá mais adiante, a eficácia daquelas
políticas macroeconômicas depende essencialmente do sistema
cambial adotado pelo país - isto é, se o país adota uma taxa de
câmbio flutuante ou uma taxa de câmbio fixa.
A análise, aqui, será conduzida em duas partes: na primeira,
iremos supor que o regime cambial é o de taxas flutuantes; na
segunda, o de taxas fixas. Para facilitar a compreensão, o modelo
considera o nível de preços constante.

9.2. O Modelo Mundell-Fleming

O modelo Mundell-Fleming é derivado de três equações


básicas, similares às que definem o sistema IS-LM, a saber:

Curva IS: Y = C(Yd) + I(r) + G + NX(e) (1)

Curva LM: Ms/P = Md(Y,r) (2)

r = r* (3)

onde,
Yd = renda disponível;
NX = exportações líquidas, isto é, X-M (do inglês: net exports);
e = taxa de câmbio vigente;
r = taxa de juros doméstica;
r* = taxa de juros externa ou taxa de juros mundial.

1
O desenvolvimento teórico desse modelo pode ser encontrado em Fleming, J.M. – Domestic Financial
Policies under Fixed and under Floating Exchange Rates – IMF Staff Papers 9, nov./1962 e em Mundel, R.A.
– International Economics – Macmillan, N. York, 1968.

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Para uma melhor compreensão desse novo modelo, vamos


dar uma palavrinha sobre o que aquelas três equações estão
dizendo:

Tal como no caso da IS-LM tradicional, a equação (1)


descreve o equilíbrio no mercado de bens. A novidade aqui é a
inclusão do termo NX - que representa as exportações líquidas,
isto é, X-M. No caso, as NX são função inversa da taxa de câmbio,
e. Atente-se que, no modelo Mundell-Fleming, a taxa de câmbio é
definida como a "quantidade de moeda estrangeira por unidade de
moeda nacional" (a chamada cotação do "certo"). Assim, por
exemplo, e pode ser 2 dólares por Real. Um outro aspecto
importante é que, no modelo Mundell-Fleming, supõe-se que os
preços são mantidos constantes e, assim, qualquer variação da
taxa nominal de câmbio corresponderá a uma variação real da
taxa de câmbio.
Pela forma como a taxa de câmbio foi definida, deve-se ter
cuidado ao interpretá-la num gráfico. Assim, por exemplo, se
houver um valorização cambial – isto é, uma unidade da moeda
nacional passa a comprar mais e mais unidades da moeda externa
-, o valor da taxa de câmbio cresce ao longo do eixo vertical.
Neste caso, os bens importados pelo Brasil se tornam mais
baratos, estimulando as importações e desestimulando as
exportações - reduzindo, em conseqüência, as exportações
líquidas (NX). Se, por hipótese, ocorrer uma desvalorização
cambial, o valor da taxa de câmbio decresce ao longo daquele eixo
e, conseqüentemente, as exportações líquidas crescerão.
A equação (2) descreve o equilíbrio no mercado de moeda.
Também como no modelo IS-LM tradicional, a oferta monetária
real (Ms/P) - exogenamente determinada pelo Banco Central - é
igual à demanda por saldos monetários reais (Md) - que é uma
função direta do nível de renda (Y) e uma função inversa da taxa
de juros (r).
A equação (3) diz que a taxa de juros doméstica (r) é
determinada pela taxa de juros mundial (r*). Isto significa que o
país pode tomar empréstimo ou emprestar no mercado mundial o
quanto quiser, sem afetar r*. O porquê desta igualdade entre r e
r* será explicado mais adiante.

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O modelo Mundell-Fleming é melhor entendido através do


uso de gráficos. No entanto, como o modelo tem três variáveis - Y,
r, e - não é possível apresentá-lo em um único gráfico
bidimensional. Assim, podemos apresentá-lo em dois gráficos
separados: no primeiro, usamos as variáveis Y-r, mantendo a taxa
de câmbio constante; no segundo, que é o mais apropriado para o
modelo Mundell-Fleming, usamos as variáveis Y-e, mantendo a
taxa de juros constante. Note-se que ambos os gráficos
apresentam o mesmo modelo, porém de duas formas diferentes.

9.3. O modelo no gráfico Y-r

Num gráfico Y-r, o modelo Mundell-Fleming apresenta as


curvas IS e LM de forma semelhante ao modelo tradicional, como
mostra a Figura 9.1. A novidade no gráfico é a reta horizontal,
correspondente à taxa de juros mundial. Há dois aspectos a
destacar na Figura 9.1: primeiro, o fato de que a curva IS é
traçada a partir de uma dada taxa de câmbio (digamos, dois
dólares por Real). Caso a taxa de câmbio se valorize (passando,
digamos, a três dólares por Real), os bens estrangeiros se tornam
mais baratos que os nacionais, reduzindo as exportações líquidas.
Observe-se que, como a taxa de câmbio não está nos eixos
do gráfico, uma alteração de seu valor provoca um deslocamento
da curva IS ( para a esquerda, se houver uma valorização – pois o
país irá exportar menos e importar mais - e, para a direita, se
houver uma desvalorização cambial – pela razão oposta). Um
segundo aspecto a observar é o fato de que as três curvas se
cruzam num mesmo ponto. O que faz com que isto ocorra? A
resposta é: o ajustamento da taxa de câmbio. Isso ocorre pela
seguinte razão:

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r
LM

r = r*

IS(e
0 Y
Figura 9.1

Suponhamos que a taxa de juros interna (r) - dada pelo


cruzamento da IS-LM - se situe acima da taxa de juros mundial
(r*), tal como mostrado na Figura 9.2. Nesta situação, o Brasil
estaria atraindo capitais externos em busca de um maior retorno.
Para aplicar no Brasil, os investidores teriam, antes, de trocar seus
dólares por Reais. Este aumento na oferta de dólares provoca uma
valorização da taxa de câmbio, reduzindo as exportações líquidas -
o que se traduz por um deslocamento da curva IS para a
esquerda, até que r se iguale a r*.
Caso a taxa de juros interna se situe abaixo da taxa de juros
externa, como mostrado na Figura 9.3, os investidores brasileiros
tentarão aplicar seus Reais no exterior, aumentando a demanda
por dólares. Em conseqüência, haverá uma desvalorização
cambial, o que aumenta as exportações líquidas - implicando num
deslocamento da curva IS para a direita, até que as duas taxas de
juros se igualem.

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Taxa de juros muito baixa Taxa de juros muito alta

r r

LM

Taxa de juros LM
Taxa de mundial
juros interna
r r =r*

r = r* r
Taxa de juros Taxa de juros
iinterna
mundial IS(e)
IS(e
0 Y 0 Y
Figura 9.2 Figura 9.3

9.2.2. O modelo no gráfico Y-e

Nesta segunda forma de apresentar o modelo Mundell-


Fleming, a taxa de câmbio - e - substitui a taxa de juros que,
então, é suposta constante ao nível da taxa de juros mundial - r*.
Com isso, as duas equações representadas no gráfico passam a
ser expressas por:
Curva IS*: Y = C(Yd) + I(r*) + G + NX(e) (4)

Curva LM*: Ms/P = Md(Y,r*) (5)

Colocamos um asterisco (*) na IS-LM para registrar que a


taxa de juros está mantida no nível mundial, r*. Observe-se que a
curva LM é desenhada vertical porque a taxa de câmbio não entra
na equação da LM*, ou seja, a curva LM* é totalmente inelástica à
taxa de câmbio. Assim, dada a taxa de juros mundial, a curva LM*
determina o nível de renda agregada, ajustando-se a taxa de
câmbio de tal forma que a curva IS cruze a curva LM no ponto
dado por r*. Esta situação é retratada na Figura 9.4.

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e
LM*

eo
Taxa de câmbio
de equlíbrio

IS*

0 Yo Y

Figura 9.4

Já a curva IS* tem inclinação negativa porque uma taxa de


câmbio mais valorizada reduz as exportações líquidas e,
conseqüentemente, diminui a renda agregada. Se houver uma
desvalorização cambial, haverá um deslocamento ao longo da
curva IS*, no sentido descendente, já que a taxa de câmbio
aparece no eixo vertical da Figura 9.4.
Assim entendido, usaremos, no restante deste texto, o
gráfico Y-e, uma vez que este nos parece mais representativo do
modelo Mundell-Fleming, já que esse gráfico msotra de maneira
mais direta como a taxa de câmbio responde às mudanças na
política econômica. De toda forma, para se analisar o efeito das
políticas macroeconômicas - particularmente das políticas fiscal e
monetária - em uma economia aberta, é necessário, antes de mais
nada, que se defina o sistema cambial vigente no país, ou seja, se
o sistema cambial adotado é o de taxas flutuantes ou de taxas
fixas. Começaremos pelo primeiro.

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9.3. As Políticas Fiscal, Monetária e Comercial num


regime de Taxas de Câmbio Flutuantes

Como já foi visto, sob este regime a taxa de câmbio flutua


livremente, de acordo com as circunstâncias econômicas, que
definem o comportamento das forças de mercado, isto é, da oferta
e da demanda.

a) Política Fiscal

Suponha que a economia encontra-se em equilíbrio ao nível


de Yo e, portanto, abaixo do nível da renda de pleno emprego (Yf)
e que o governo resolva estimular a demanda agregada interna
aumentando seus gastos (∆G). Por conseguinte, a curva IS* se
desloca para a direita, como mostra a Figura 9.5. Este
deslocamento da curva IS provoca um aumento na taxa interna de
juros, atraindo capitais externos. A entrada extra de capitais
externos aumenta a demanda por Reais, valorizando a taxa de
câmbio e, conseqüentemente, reduzindo as exportações líquidas -

e
LM

e1

eo

IS* 2
IS*1

Yo Yf Y

Figura 9.5

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o que implica um movimento para trás, ao longo da nova IS*2. No


final do processo, esta queda das exportações líquidas anula o
efeito da expansão da demanda agregada interna provocada pelo
aumento inicial de G, de tal forma que a renda de equilíbrio
permanece no mesmo nível anterior Yo), porém, agora, com uma
taxa de câmbio mais alta.

Esta conclusão sobre o efeito da política fiscal contrasta


bastante com a derivada do modelo IS-LM tradicional, aplicado a
uma economia fechada. Nesta, a expansão fiscal aumenta a taxa
de juros e a renda de equilíbrio. Já na economia aberta, aquela
expansão deixa o nível da economia inalterado.

b) Política Monetária

Imaginemos, agora
LM*1 LM*2
a mesma situação inicial e
anterior e que, ao invés
do governo acionar a
política fiscal o banco
central aumente a oferta
de moeda na economia,
deslocando a curva LM* eo
para a direita, como
mostra a Figura 9.6. Em
e1
conseqüência, haverá
uma redução na taxa
interna de juros, o que IS*
estimula a saída de
capitais nacionais para Yo Yf Y
outros países mais Figura 9.6
rentáveis. Esta saída de
capitais significa uma
maior oferta de Reais no
mercado cambial, reduzindo a taxa de câmbio e aumentando, em
conseqüência, as exportações líquidas.

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Conclusão: numa economia aberta, a política monetária, ao


contrário da política fiscal, é bastante eficaz no sentido de que
influencia o nível da renda de equilíbrio pela alteração que provoca
na taxa de câmbio e não através da taxa de juros, como no
modelo IS-LM de uma economia fechada.

c) Política comercial

As medidas de política fiscal são, basicamente, o


estabelecimento de tarifas sobre as importações, a fixação de
cotas para a importação de determinado produto ou, ainda, a
concessão de subsídios à indústria doméstica que concorre com o
produto importado. Vamos supor, por exemplo, que o governo
decida reduzir as importações do país instituindo, para tanto, uma
tarifa ou fixando uma cota de importações. Que efeitos teriam tais
medidas sobre a renda agregada de equilíbrio e sobre a taxa de
câmbio?
A conseqüente e
redução das importações
implica um aumento das LM
exportações líquidas
(NX) para qualquer nível
de taxa de câmbio. e1
Como NX é um compo-
nente da equação da IS,
o aumento das expor-
tações líquidas provoca eo
um deslocamento da IS*2
curva S* para a direita,
como mostra a Figura IS*1
9.7. Como se pode
observar, a restrição 0 Yo Y
comercial, num sistema
de câmbio flutuante, Figura 9.7
causa uma elevação da
taxa de câmbio de eo
para e1, mas não tem

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qualquer efeito sobre a renda de equilíbrio. Também não tem


qualquer efeito sobre o consumo, o investimento e os gastos do
governo. E mais, embora inicialmente as restrições às importações
tendam a aumentar as exportações líquidas, este aumento é
totalmente anulado pelo aumento que provoca na taxa de câmbio.
Em conseqüência, a restrição comercial não alterou o saldo em
conta corrente do balanço de pagamentos – que, geralmente seria
o objetivo de qualquer restrição às importações.

9.4. As Políticas Fiscal e Monetária num regime de


Taxas de Câmbio Fixas

Neste sistema, como sabemos, o banco central fixa ou


administra a taxa de câmbio e, para tanto, se obriga a comprar ou
a vender a moeda nacional ao preço predeterminado. Assim, por
exemplo, vamos supor que o Banco Central tenha fixado a taxa de
câmbio em 0,5 dólar por um real. Isso significa que ele terá de dar
2 reais em troca de um dólar, se alguém assim o desejar, ou um
dólar em troca de dois reais. Para tanto, ele terá de dispor de uma
reserva razoável de ambas as moedas. Quanto ao real, não há
problema porque o Banco Central poderá emitir sempre que
necessário; já a reserva de dólares terá de ser formada com
transações passadas.
Um dado importante a observar é que, num sistema de taxas
de câmbio fixas, o único objetivo da política monetária é o de
manter a taxa de câmbio no nível fixado pelo Banco Central. Nesse
sentido, pode-se dizer que, sob o sistema de câmbio fixo, o Banco
Central não tem controle da oferta monetária, de vez que o
volume de reais em circulação será aquele que garanta que a taxa
de câmbio de equilíbrio seja igual à taxa de câmbio fixada pelo
Banco Central.
Para entender melhor este ponto, suponha, então, que o
Banco Central fixe a taxa de câmbio em 0,5 dólar por real.
Suponha, mais, que, dado o volume de oferta monetária atual, a
taxa de câmbio deveria ser 0,75 dólar por 1 real, ou seja, 50%
acima da taxa fixada, conforme retratado na Figura 9.8. Nesta
situação, um indivíduo poderia fazer uma operação de arbitragem,

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comprando no mercado 1,5 dólar por 2 reais e revendendo-o por 3


reais ao Banco Central, lucrando, portanto, um real na operação.
Ao comprar o dólar deste arbitrador, o Banco Central estará
aumentando automaticamente a oferta monetária – o que desloca
a curva LM* para a direita, provocando uma redução na taxa de
câmbio de equilíbrio. Observe-se que a oferta monetária
continuará se expandindo até que a taxa de câmbio de equilíbrio
iguale a taxa de câmbio fixada pelo Banco Central.
LM e LM
e

Taxa de câmbio Taxa de


de equilíbrio câmbio fixa

Taxa de câmbio
de equilíbrio
Taxa de IS*
câmbio fixa IS*
Yo Y Yo Y

Figura 9.8 Figura 9.9


Vamos supor, agora, que o Banco Central tenha fixado o
câmbio em 0,5 dólar por real, mas a taxa de câmbio de equilíbrio
seja 0,25 dólar por real. Nessa hipótese, nosso arbitrador trocará
um real por 0,5 dólar com o Banco Central e, em seguida, trocará
este 0,5 dólar por 2 reais no mercado, repetindo a operação tantas
vezes quantas forem convenientes. Com isso, a oferta monetária
(de reais) se reduz internamente – o que desloca a curva LM para
a esquerda, provocando um aumento na taxa de câmbio de
equilíbrio, como mostra a Figura 9.9. A oferta monetária
continuará se reduzindo até que a taxa de câmbio de equilíbrio
iguale a taxa de câmbio fixa.
Por tudo o que se disse, pode-se tirar a seguinte conclusão:
num sistema de taxa de câmbio fixa, a oferta monetária sai do
controle do Banco Central e passa a ser endogenamente
determinada. Ou seja, a essência de um sistema de taxas de
câmbio fixas é o compromisso do Banco Central em deixar que a
oferta de moeda se ajuste de tal forma a garantir que a taxa de
câmbio se mantenha no nível fixado por ele.

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Assim entendido, vejamos, agora, a atuação das políticas


fiscal, monetária e comercial sob este regime cambial.

a) Política Fiscal

Suponha que a economia esteja na situação retratada na


Figura 9.10 (em Yo) e que o governo estimule a despesa agregada
interna através de um aumento de seus gastos – o que desloca a
curva IS* para a direita. Como já foi visto, esta política
pressionará, ao final, a taxa de câmbio para cima. No entanto, na
tentativa de manter a taxa de câmbio estável, o banco central se
verá obrigado a aumentar a oferta monetária - o que implica um
deslocamento da curva LM para a direita - reduzindo a taxa de
juros e, conseqüentemente, mantendo a taxa de câmbio no nível
inicial.
e
LM*1 LM*2

IS*2

IS*1

Taxa de
câmbio fixa

Yo Y1 Y
Figura 9.10
Assim, ao contrário do que ocorre no caso das taxas de
câmbio flutuantes, uma expansão fiscal, num sistema de taxa de
câmbio fixa, é bastante eficaz no sentido de elevar o nível da
renda de equilíbrio. Isto ocorre porque, por definição, se verifica
uma expansão monetária automática e simultânea.

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b) Política Monetária

Vejamos, agora, o que ocorrerá caso o banco central resgate


títulos públicos no mercado, aumentando a oferta monetária? O
impacto inicial desta medida será traduzido num deslocamento da
curva LM* para a direita, com conseqüente redução da taxa de
juros. Esta queda na taxa de juros provocará, como já visto, uma
saída de reais em busca de aplicações mais rentáveis no exterior -
o que leva a uma desvalorização cambial - como mostra a Figura
9.11. Mas, como o banco central tem o compromisso de vender a
moeda estrangeira a uma taxa de câmbio fixa, os especuladores
ou arbitradores procurarão vender seus Reais para aquele
banco, reduzindo, assim, a oferta monetária e, em conseqüência,
a curva LM* retorna à sua posição inicial.
e

LM

IS*

Taxa de
câmbio fixa

Y0 Y

Figura 9.11

Por conseguinte, a política monetária se torna inteiramente


ineficaz num regime de taxa de câmbio fixa. Na verdade, ao
decidir pela fixação da taxa de câmbio, o banco central não mais
controla a oferta monetária e esta perde eficácia como
instrumento de política econômica.

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c) Política comercial

Caso o governo, no intuito de melhorar o saldo da balança


comercial, imponha uma cota ou uma tarifa sobre as importações,
as exportações líquidas (NX) aumentarão, deslocando, portanto, a
curva IS* para a direita, como mostra a Figura 9.12. Este
deslocamento da IS* causa um aumento na taxa de câmbio. Para
evitar que isso aconteça o Banco Central terá de aumentar a
oferta monetária, deslocando, assim, a curva LM* para a direita.

e
IS*2 LM*1 LM*2

IS*1

Taxa de
câmbio fixa

Yo Y1 Y

Figura 9.12

Como se observa pela Figura 12.12, e ao contrário do que


ocorre com a taxa de câmbio flutuante, a restrição comercial, com
taxa de câmbio fixa, aumenta não só o saldo em conta corrente
(NX), como também o nível da renda agregada.

9.5. Conclusões do Modelo Mundell-Fleming

A principal conclusão que se pode tirar do modelo Mundell-


Fleming é que o efeito das políticas fiscal, monetária e comercial
sobre o nível de atividade econômica, numa economia aberta,

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depende do regime cambial adotado - se o de taxas flutuantes ou


o de taxas fixas.
Com taxas de câmbio flutuantes ou flexíveis, o modelo
mostra que apenas a política monetária é eficaz para afetar a
renda agregada. Neste regime cambial, o impacto da política fiscal
é anulado pela valorização cambial que ela provoca. Já com taxas
de câmbio fixas, apenas a política fiscal é eficaz para influir sobre o
nível da renda. A força da política monetária é anulada pelo fato de
que a oferta monetária se ajusta para manter inalterada a taxa de
câmbio. Também como foi demonstrado, políticas comerciais de
restrição às importações, como meio de melhorar o saldo de
transações correntes do balanço de pagamentos, só são eficazes
no sistema de taxas de câmbio fixas.
* * *
Com essas colocações, encerramos esta nossa 9ª Aula. A seguir, são
apresentados alguns exercícios de revisão e fixação sobre os efeitos das políticas
fiscal e monetária, no contexto do sistema IS-LM. Até nossa próxima aula.
_________________

EXERCÍCIOS DE REVISÃO E DE FIXAÇÃO

Tomando sempre por base o Modelo Mundell-Fleming para uma economia


aberta, responda as questões a seguir:

1. Caso o país adote um regime de taxas de câmbio flutuantes, se o


governo adotar uma política fiscal expansionista, seus efeitos serão:
a) Tanto a taxa de câmbio como a renda agregada e as exportações
líquidas se elevarão;
b) A taxa de câmbio se elevará, com conseqüente queda nas
exportações líquidas, mas os efeitos sobre a renda ou produto
nacional serão nulos;
c) A taxa de câmbio se reduzirá, as exportações líquidas se elevarão
e a renda agregada não se altera;
d) Tanto a taxa de câmbio como a renda agregada e as exportações
líquidas se reduzirão.

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2. Caso o país adote um regime de taxas de câmbio flutuantes, se o


governo adotar uma política monetária expansionista, seus efeitos
serão:
a) Elevação da renda agregada e da taxa de câmbio e redução das
exportações líquidas;
b) Queda da renda nacional, aumento da taxa de câmbio e queda
das exportações líquidas;
c) Aumento do produto nacional, queda da taxa de câmbio e
aumento das exportações líquidas;
d) Redução do produto nacional, da taxa de câmbio e das
exportações líquidas.

3. Caso o país adote um regime de taxas de câmbio flutuantes, se o


governo impuser restrições às importações, seus efeitos serão:
a) Nulos sobre o nível do produto e sobre as exportações líquidas,
mas deve provocar um aumento da taxa de câmbio;
b) Nulos sobre o produto, mas deve provocar uma queda na taxa de
câmbio e nas exportações líquidas;
c) Aumento do nível do produto, queda na taxa de câmbio e nulos
sobre as exportações líquidas;
d) Queda no nível do produto, aumento na taxa de câmbio e das
exportações líquidas.

4. Caso o país adote um regime de taxas de câmbio fixas, se o governo


adotar uma política fiscal expansionista, seus efeitos serão:
a) Um aumento do nível da renda agregada, da taxa de câmbio e
das exportações líquidas;
b) Um aumento do produto nacional, queda na taxa de câmbio e nas
exportações líquidas;
c) Uma queda da renda nacional, da taxa de câmbio e um aumento
nas exportações líquidas;
d) Um aumento da renda agregada, sem efeitos sobre a taxa de
câmbio e sobre as exportações líquidas.

5. Caso o país adote um regime de taxas de câmbio flexíveis, se governo


adotar uma política monetária expansionista, seus efeitos serão:
a) Totalmente nulos sobre o produto nacional, a taxa de câmbio e
sobre as exportações líquidas.
b) Um aumento do nível da renda agregada, da taxa de câmbio e
das exportações líquidas;
c) Um aumento da renda agregada, sem efeitos sobre a taxa de
câmbio e sobre as exportações líquidas;

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d) Um aumento do produto nacional, queda na taxa de câmbio e nas


exportações líquidas.

6. Caso o país adote um regime de taxas de câmbio flexíveis, se governo


adotar uma política de restrição às importações, expansionista, seus
efeitos serão:
a) Um aumento da renda agregada, sem efeitos sobre a taxa de
câmbio e sobre as exportações líquidas;
b) Um aumento do nível da renda agregada e da taxa de câmbio e
uma redução das exportações líquidas;
c) Um aumento da renda agregada e das exportações líquidas,
mantendo-se a taxa de câmbio inalterada;
d) Uma queda da renda nacional, da taxa de câmbio e um aumento
nas exportações líquidas.

_____________________

G A B A R I T O:

1. b; 2. c; 3. a; 4. d; 5. a; 6. c.

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AULA 10: O MODELO DE OFERTA E DEMANDA


AGREGADAS

Nessa nossa última aula teórica (as duas próximas


serão só de exercícios), nós vamos tratar da oferta e da
demanda no agregado, mostrando que, no mundo
macroeconômico, o comportamento da oferta e da
demanda tem muita semelhança com o que se passa a
nível microeconômico. A exemplo da aula anterior, esta
também exigirá de você um pouco mais de
concentração, mas nada que preocupe. Como já
dissemos uma vez, só é difícil aquilo que a gente não
entende. Então vamos lá!

10.1. A curva de demanda agregada

As Aulas 8 e 9, anteriores, trataram da demanda agregada


da economia, supondo um dado nível de preços, exogenamente
determinado. Pelo que nós vimos na Aula 8, o equilíbrio no
mercado de produtos (curva IS) simultaneamente ao equilíbrio do
mercado monetário (curva LM) determina, para um dado nível de
preços P, os valores de equilíbrio do produto, Y, e da taxa de
juros, r.

Se relaxarmos a hipótese de P constante, as variações no


nível geral de preços provocarão alterações nos valores de
equilíbrio de Y e de r, através das mudanças que ocorrerão na
oferta real de moeda (Ms/P). Recorde-se que o nível de preços não
entra na equação da IS, isto é, do mercado de produtos,
constituindo-se em parte integrante apenas da curva LM pelo seu
efeito na oferta real de moeda.

Para derivarmos a curva de demanda agregada (D) da


economia – num gráfico chamado Y-P (Y=produto ou renda; P=
nível geral de preços) - basta verificarmos o que ocorre com o
produto de equilíbrio, no sistema IS-LM - quando o nível de preços
se altera. Observemos as Figuras 10.1a e 10.1b: ao nível inicial

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de preços P0, temos o par de equilíbrio r0 e Y0, determinado nos


mercados monetário e de produtos (Figura 10.1a). Projetado na
Figura 10.1b, obtemos o ponto A que indica o nível do produto de
equilíbrio demandado (Y0) ao nível de preços P0. Agora, suponha-
se que o nível de preços se eleve para P1. O efeito desse aumento
de preços pode ser visto de dois ângulos: com uma renda real
constante, o aumento de P eleva a renda nominal, aumentando,
aumentando a demanda por saldos monetários para transações;
ou ainda, o aumento em P reduz a oferta real de moeda (Ms/P)
criando um excesso de demanda por moeda no mercado
monetário ao níveis iniciais de r e Y. Haverá, então, uma pressão
sobre a taxa de juros que deverá, em conseqüência, se elevar – no
caso presente, até r1. Esse fenômeno se verifica para qualquer
nível de renda, acarretando um deslocamento da curva LM para a
esquerda (Figura 10.1a). Ademais, como conseqüência da
elevação da taxa de juros, a demanda de investimento se reduz,
provocando uma redução no nível da renda de equilíbrio para Y1.

A curva de demanda agregada (D) da economia é derivada


ao verificarmos o que ocorre com o produto de equilíbrio
demandado quando P varia. Vimos acima que uma elevação de P
reduziu o nível da renda ou produto de equilíbrio para Y1.
Combinando esse novo nível de Y com o novo nível de preços P1,
obtemos o ponto B, no gráfico Y-P, mostrado na Figura 10.1b.
Repetindo-se essa experiência para outros diferentes níveis de
preço, verificaremos que haverá um nível de produto demandado
para cada nível de preços. Ligando todos essas combinações
obtemos a chamada curva de demanda agregada da economia,
conforme mostrada na Figura 10.1b.

A curva de demanda agregada (D) mostra uma relação inversa


entre o nível de preços e o nível do produto demandado. Ou seja, à
medida que o nível de preços se eleva, o produto de equilíbrio
demandado na economia se reduz, e vice-versa.
r LM1

r1 LM0
r0

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IS

(a) Y0 Y1 Y

P1 B

P2 A

(b) Y1 Y0 Y

Figura 10.1

Conhecida a curva de demanda agregada da economia,


vejamos agora a função oferta agregada para que possamos achar
os valores de equilíbrio do produto e do nível de preços.

10.2. A oferta agregada da economia

Para derivarmos a curva de oferta agregada torna-se


necessário definir uma função de produção para a economia como
um todo. Essa função de produção mostrará qual a quantidade de
produto agregado que pode ser obtida a partir de uma dada
utilização de fatores de produção – aí incluídos a mão-de-obra, o
estoque de capital, a quantidade de terra, o nível de tecnologia e
outros. Para facilitar a análise, costuma-se simplificar a função de
produção, limitando o número de fatores a apenas dois: o trabalho
e o estoque de capital. Assim, o produto ofertado (Y) de uma
economia pode ser assim definido:

Y = f(K, L) (10.1.)

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onde, Y = produto agregado ofertado;


K = estoque de capital;
L = quantidade de trabalho ou de mão-de-obra
empregada.

Pela função de produção definida na equação (10.1), o


produto ofertado da economia (Y) depende da quantidade utilizada
de capital (máquinas, equipamentos, etc.) e de mão-de-obra.
Variações em K e em L provocarão variações em Y. Limitando-se a
análise ao curto prazo, pode-se considerar que o estoque de
capital permanece inalterado, isto é constante. Nesse caso, o nível
do produto ofertado passa a ser função apenas da quantidade de
mão-de-obra empregada, L. Assim temos:

Y = f(K, L) (10.2)

onde, K = estoque de capital, suposto constante;


L = quantidade de mão-de-obra empregada, suposta
variável.

Essa função de produção de curto prazo está ilustrada na


Figura 10.2a. que mostra o produto ofertado (Y) se expandindo de
Y0 para Y1 à medida que a mão-de-obra empregada se expande de
L0 para L1. Vale observar que a função de produção expressa na
Figura 10.2a. pressupõe retornos crescentes a baixos níveis de
emprego, passando a apresentar retornos decrescentes à medida
que L se eleva. O nível máximo de produto total é atingido ao se
empregar L2 homens. A partir daí, aumentos de mão-de-obra farão
com que o produto total caia. Isso ocorre devido à hipótese de que
o estoque de capital (K) permanece constante, decorrendo daí a
conhecida Lei dos Rendimentos Decrescentes.

Associada à função de produção mostrada na Figura 10.2a.


está a Figura 10.2b. que mostra dois outros conceitos de produto
importantes: o primeiro é o de produto médio do fator trabalho
(PML) que é dado por Y/L. Graficamente, o produto médio é dado
pela inclinação da reta que, saindo da origem, vai até um ponto
qualquer da curva de produto total. Pode-se verificar que o PML
cresce inicialmente, atinge um nível máximo e, a partir daí,
começa a cair. O segundo conceito é o de produto marginal do
trabalho (PMgL) que corresponde ao acréscimo no produto total

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decorrente do emprego de mais uma unidade de mão-de-obra, ou


∆Y/∆L.

Y1 Y = f(K,L)

Y2

(a) L0 Y2 Y
PML
PMgL

PML

(b) L0 L1 L
Figura 10.2 PMgL

Graficamente, o PMgL é dado pela inclinação da tangente em


qualquer ponto da curva de produto total. Tal como o PML, o PMgL
cresce inicialmente, atinge um nível máximo e, depois, cai
indefinidamente, podendo até se tornar negativo. Vale observar
que no ponto em que a curva do PML é interceptada pela curva do
PMgL (e, portanto, nesse ponto os dois produtos são iguais), a
inclinação da reta que sai da origem é máxima, coincidindo com a
inclinação da tangente nesse ponto.

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Uma vez entendido que, no curto prazo, com o estoque de


capital constante, o nível de produto ofertado depende
exclusivamente do nível de emprego da mão-de-obra, L, faz-se
necessário determinar o nível de L. Para tanto, temos que analisar
o funcionamento do mercado de trabalho – valendo lembrar que,
como qualquer mercado, o mercado de trabalho é constituído de
uma demanda por mão-de-obra, por parte das empresas, e de
uma oferta de horas de trabalho, por parte dos indivíduos que
procuram emprego. Para uma melhor compreensão do assunto,
faremos essa análise por parte, iniciando pela demanda da firma
por mão-de-obra.

10.2.1. A demanda por mão-de-obra

A demanda de uma firma competitiva por mão-de-obra é


influenciada essencialmente pela receita adicional que a firma
espera obter com a nova contratação de trabalhadores e com o
custo adicional decorrente dessa contratação. A receita adicional é
denominada de receita marginal (RMg) – que corresponde ao
acréscimo na receita total decorrente da produção da nova mão-
de-obra empregada. Já o custo adicional é denominado de custo
marginal (CMg) – e corresponde ao acréscimo no custo total
decorrente do emprego de mais uma unidade de mão-de-obra. O
custo marginal, no caso, corresponde ao salário (W) que a firma
deve pagar ao trabalhador.

Num mercado em concorrência perfeita, o preço do produto é


dado pelo próprio mercado, não tendo a firma qualquer influência
sobre o mesmo. Assim, a receita marginal (RMg) decorrente do
acréscimo de mais uma unidade de mão-de-obra é dada por:
RMg = P x PMgL (10.3)

Com P constante, dado pelo mercado, e com o produto


marginal decrescente, a receita marginal será decrescente.
Supondo um custo marginal constante (dado pelo salário, W), a
empresa competitiva empregará mão-de-obra enquanto a receita
marginal for maior que o custo marginal, isto é, o salário, W. Com
RMg decrescente, haverá um ponto em que RMg = CMg quando,
então, a firma para de contratar mão-de-obra. Nesse ponto, a

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firma estará maximizando seus lucros totais (muito embora, nesse


ponto, o lucro marginal (=RMG - CMg) seja zero).

Assim, podemos concluir que o nível de demanda por mão-


de-obra (DL) de uma firma é definida pelo ponto em que RMg =
CMg, ou

P x PMgL = W (10.4)

Ou ainda,

W/P = PMgL (10.5)

onde, W/P = w = salário real,

e a curva de demanda da firma por mão-de-obra (DL) pode


ser definida por:

DL = f(W/P) (10.6)

A demanda por trabalho de uma firma competitiva, tal como


expressa pela equação (10.6), está ilustrada na Figura 10.3. Pela
equação (10.6), verifica-se que a demanda por trabalho é uma
função do salário real (W/P), fato esse aceito tanto pelos clássicos
como pelos keynesianos.

Já a demanda agregada por trabalho será a soma das


quantidades demandadas pelas firmas individuais, a cada preço de
mercado, oferecendo como resultado um demanda agregada
semelhante àquela da Figura 10.3. Para um dado nível de preços,
P0, a inclinação negativa da curva de demanda por trabalho (tanto
individual, como agregada) é explicada pela produtividade
marginal decrescente da mão-de-obra.

w=W/P

W0/P0 W0 = PMgL0

W0/P1 W1 = PMgL1

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DL

DL0 DL1
Figura 10.3

Vale observar que, caso o nível de preços se eleve de P0 para


P1, a receita marginal (= P x PMgL) se elevará e, em
conseqüência, a demanda por trabalho se eleva para qualquer
nível de W nominal anterior. Isso porque, com o aumento do nível
de preços, o salário real (W/P) se reduz, estimulando as empresas
a empregarem mais mão-de-obra. Graficamente, esse aumento na
demanda por trabalho implica um movimento para baixo ao longo
da curva DL (Figura 10.3).

10.2.2. A oferta de trabalho

Sem pretender entrar em detalhes quanto à decisão


individual relativa à combinação de trabalho X lazer – o que
envolveria uma análise da função utilidade e curvas de indiferença,
a questão que nos interessa aqui é: a oferta de trabalho é função
do salário real ou do salário nominal?

Já foi visto que a demanda por trabalho parece ser realmente


função do salário real, W/P. No entanto, há discordância quanto à
oferta de trabalho. De um lado, há a hipótese clássica de que a
oferta depende do salário real , não existindo, do lado do
trabalhador a hipótese da “ilusão monetária”. De outro lado, há a
hipótese keynesiana de que os trabalhadores ofertam mais ou
menos horas de trabalho em função do salário nominal, reagindo
pouco ou quase nada às variações de preços, originando-se daí o
fenômeno da “ilusão monetária”.

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Não cabe aqui especular, em detalhes, com quem está a


razão. Na verdade, a hipótese clássica1 da oferta de trabalho como
função do salário real parece ser mais correta a longo prazo, mas
a suposição de que aquela oferta seja função do salário nominal,
W, pode ser mais útil para explicar as variações do nível de
emprego no curto prazo.

De qualquer forma, interessados que estamos em determinar


o nível da oferta agregada, analisaremos as conseqüências de
ambas as hipóteses sobre o equilíbrio no mercado de trabalho e,
daí, sobre o nível do produto ofertado. Comecemos pela hipótese
clássica.

10.2.2.1. A hipótese clássica

Como foi dito, os economistas clássicos acreditam que os


trabalhadores estarão mais dispostos a oferecer uma maior
quantidade de trabalho (horas de trabalho) somente se o nível do
salário real , w = W/P, se elevar. Caso o valor do salário real se
reduza, os trabalhadores oferecerão menos horas de trabalho. Em
outras palavras, não existe, da parte dos trabalhadores, a suposta
ilusão monetária. Esse comportamento pode ser assim expresso:

SL = g(w) = g(W/P) (10.7)

onde, SL = montante de trabalho ofertado


w = W/P = nível do salário real.

Vale lembrar que, subjacente a esse raciocínio, está a idéia


de que o trabalhador tem plena consciência do valor de seu
produto marginal e assim exigirá um nível de salário nominal
compatível com o nível de preços da economia e com aquele seu
produto marginal. Ou seja,

1
Muito embora a Escola Clássica seja bastante definida no tempo – tendo vigorado entre 1750 até
aproximadamente 1870/80 – o termo “clássico” se aplica, de uma forma geral, à economia pré-keynesiana.
Na verdade, essa foi a denominação dada pelo economista inglês J.M.Keynes no início de sua obra, que
revolucionou a teoria macroeconômica, “A Teoria do Juro, do Emprego e da Moeda”, publicada em 1936,
aplicando a expressão a todos os economistas que o antecederam,

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W = P x PMgL (10.8)

A expressão (10.7) está retratada na Figura 10.4 que indica


o montante de trabalho ofertado, no agregado, a qualquer nível
de salário real. A curva de oferta agregada de trabalho (SL) é
positivamente inclinada, pois os trabalhadores oferecerão mais
horas de trabalho à medida que o salário real se eleva. Assim, com
um salário nominal igual a W0 e o nível de preços igual a P0 – o
que define um nível de salário real igual a w0 – a oferta agregada
de trabalho é igual a SL0.

w=W/P SL

W0/P0

W0/P1

SL1 SL0 SL

Figura 10.4

Um aspecto importante a salientar é que, caso haja, por


exemplo, uma elevação de preços, digamos, de P0 para P1, o
salário real, w, se reduz – implicando uma redução na oferta
agregada de trabalho. Graficamente, isso é representado por um
deslocamento para baixo ao longo da curva SL, com a oferta
agregada de trabalho caindo para SL1, conforme se vê na Figura
10.4.

10.2.2.2. O equilíbrio no mercado de trabalho clássico

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Temos, assim, a função demanda e a função oferta de


trabalho no modelo clássico

DL = f (w) = f(W/P) (10.9)


SL = g(w) = g(W/P) (10.10)

Para que o mercado de trabalho esteja em equilíbrio, é


necessário que DL = SL, ou seja:

f(w) = g(w) (10.11)

A visualização gráfica do equilíbrio no mercado de trabalho


aparece na Figura 10.5. que representa a condição de equilíbrio
expressa pela equação (10.11).

w=W/P

SL

wo=Wo/Po

DL
L0 L
Figura 10.5

Assim, partindo da posição de equilíbrio definida por P0, w0,


W0 e L0, vejamos o que acontece caso o nível de preços se eleve
para P1. Esse aumento em P provocará uma queda no salário real
(w =W/P) e, em conseqüência, haverá uma redução na oferta
agregada de trabalho – implicando um deslocamento para baixo ao
longo da curva SL da Figura 10.5 – e um aumento da demanda
por trabalho – traduzido num deslocamento para baixo ao longo da
curva DL. Haverá, então, um excesso de demanda por trabalho, o
que fará com que os salários se elevem até que o salário real

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inicial (w0) seja recuperado e, conseqüentemente, o nível do


emprego inicial, L0. Por esse raciocínio podemos concluir que o
nível de emprego de equilíbrio, no modelo clássico, é determinado
exclusivamente no mercado de trabalho, sendo independente das
condições que vigoram nos mercados de produto e monetário, ou
seja, do que ocorre com a demanda agregada da economia.

10.2.2.3. A curva de oferta agregada no modelo clássico

Para derivar a curva do produto ofertado ou, simplesmente,


curva de oferta agregada do modelo clássico, no gráfico Y-P, basta
verificarmos o que acontece com o nível de emprego quando os
preços sobem. Para tanto, vale relembrar que, no curto prazo,
com o estoque de capital constante, as variações no nível do
produto ofertado dependem exclusivamente das variações que
ocorrem no nível de emprego, L.

Assim, partindo do níveis iniciais de equilíbrio de W0 e P0 –


que definem um nível de salário real, w0, e, conseqüentemente, o
nível de emprego inicial igual a L0, conforme mostrado na Figura
10.6a – obtemos o ponto A no gráfico Y-P (Figura 10.6b),
resultante da combinação do nível de preços P0 e do produto
ofertado, Y0. Caso o nível de preços se eleve para P1, a oferta
agregada de trabalho, como já sabemos, se reduz ao longo da
curva SL, enquanto a demanda se eleva ao longo da curva DL. O
excesso de demanda sobre a oferta de trabalho fará com que os
salários nominais se elevem até que o salário real, w0, seja
restaurado e, por isso, o nível de emprego permanece em L0.

Como o nível de emprego não se expande, o produto


agregado ofertado não deve se elevar. Projetando esse raciocínio
para o gráfico Y-P, temos o mesmo nível de produto (Y0) porém
ofertado, agora, a um nível de preços mais alto (P1) – o que nos
fornece o ponto B na Figura 10.6b.
w=W/P

SL

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wo=Wo/Po

DL

(a) L0 L

P
S

P1 B

Po A

(b) Y0 Y

Figura 10.6

Repetindo a mesma experiência para outros níveis de preço,


teremos vários preços para um mesmo nível de produto ofertado,
Y0. Ligando todos essas combinações de P e Y0, obtemos a curva
de oferta vertical S, mostrada na Figura 10.6b.

Uma conclusão importante que pode ser retirada de tudo o


que dissemos acima é que, no modelo clássico, a magnitude do
produto de equilíbrio ofertado é determinado no mercado de
trabalho. Se assim é, para os antigos economistas clássicos e para
os modernos (os monetaristas), as medidas de política fiscal do
governo, com o intuito de gerar mais emprego e mais
produto,longe de atingir seus objetivos, só fazem aumentar os
preços e alterar a distribuição do produto, sem mudanças no seu
total. Isso ficará claro ao analisarmos o modelo clássico completo,
a seguir.

10.2.2.4. O modelo clássico completo.

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Vamos, agora, analisar o modelo clássico completo, incluindo


nele o produto de equilíbrio demandado, Y0 – definido pelo sistema
IS-LM – e o produto de equilíbrio ofertado, também Y0 –
determinado pelo mercado de trabalho. Todas as equações que
atuam nesse modelo são já nossas conhecidas, ou seja:

i) Equação da IS (mercado de produtos): Y = C + I – ir + G (10.12)

ii) Equação da LM (mercado monetário): Ms/P = kY + hr (10.13)

iii) Função de produção de curto prazo: Y = f(K, L) (10.14)

iv) Equilíbrio no mercado de trabalho: f(w) = g(w) (10.15)

Essas quatro relações estão retratadas na Figura 10.7.


Assim, suponhamos que os valores iniciais das variáveis relevantes
sejam w0, P0, L0, Y0 e r0. Os valores iniciais de Y e de r são
encontrados pela intersecção das curvas IS-LM, mostrados na
Figura 10.7a. Como foi visto anteriormente, fazendo-se diversas
hipóteses de níveis de preços, geramos a curva de demanda
agregada (D0) no gráfico Y-P, conforme mostrado na Figura 10.7c.
O mercado de trabalho, por sua vez, está em equilíbrio ao nível
de w0, com o emprego situando-se em L0. O nível de emprego L0
determina, por seu turno, o nível do produto ofertado, Y0 (Figura
10.7c). Ao nível de preços P0, a oferta e a demanda agregada
situam-se em Y0 (Figura 10.7c).

Feitas essas considerações, vejamos os efeitos de alterações


da política fiscal e da política monetária sobre o produto ou renda
de equilíbrio da economia.

r LM1
LM0
k x ∆G

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IS1

ISo

(a) Y0 Y

w=W/P

SL

wo

DL

(b) L0 L

P S0

P1

P2

(c) Y0 Y

Figura 10.7

Efeitos da Política Fiscal

Ainda visualizando a Figura 10.7, suponha, para começar,


que o governo, na tentativa de gerar mais empregos, resolva

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aumentar seus gastos – o que desloca a curva IS para a direita,


até IS1 (Figura 10.7a), deslocando, conseqüentemente, a curva de
demanda agregada para a direita (para D1, na Figura 10.7c). A
partir daí, segue-se uma série de conseqüências. No raciocínio
clássico, o excesso de demanda agregada forçará uma elevação
dos preços, reduzindo a oferta real de moeda – o que se traduz
num deslocamento da curva LM para a esquerda, até LM1. A
redução da oferta monetária provoca uma elevação da taxa de
juros, o que reduz a demanda por investimentos e,
conseqüentemente, diminuindo o excesso de demanda agregada
no mercado de produto.

No mercado de trabalho, a elevação de preços reduz o salário


real w, provocando um excesso de demanda por trabalho – o que
fará com o salário nominal W se eleve até que seu valor real volte
aos níveis anteriores, fazendo o nível de emprego retornar ao nível
inicial (Figura10.7b).

Observe-se que esse processo de ajustamento só terminará


quando a taxa de juros tiver subido o suficiente para reduzir a
demanda por investimento no mesmo montante do aumento em
G.

E, ao final desse processo de ajustamento, quais foram os


efeitos do aumento em G? Raciocinando com o modelo clássico, o
que se observa é que o aumento dos gastos do governo fez com
que o nível de preços se elevasse, assim como o salário nominal
W, mas sem afetar o salário real w. Como o salário real não se
alterou, o nível de emprego se manteve em L0 e, em
conseqüência, o produto ofertado permaneceu constante. Com o
aumento de preços, a taxa de juros se elevou, reduzindo o nível de
investimento no mesmo montante do aumento dos gastos do
governo. Em conclusão, os efeitos finais da política fiscal de
aumento em G foram apenas alocativos, com aumento da
participação do governo na formação do produto e redução
equivalente da participação dos investimentos privados.

Efeitos da Política Monetária

No modelo clássico, efeitos semelhantes ao da política fiscal


podem ser observados caso o governo opte por estimular a

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demanda agregada através de uma política monetária


expansionista.

Assim, por exemplo, partindo das posições iniciais de


equilíbrio mostradas na Figura 10.8, suponha que o governo
expanda a oferta monetária, deslocando a curva LM para a direita
(Figura 10.8a). O excesso de moeda na economia fará com que a
taxa de juros comece a cair. A redução na taxa de juros estimula a
demanda das empresas por investimentos e, daí, aumentando a
demanda agregada (D)– o que se traduz por um deslocamento da
curva D para a direita D1 (Figura 10.8.b). Agora, ao nível de
preços P0 haverá um excesso de demanda agregada sobre a oferta
agregada, forçando um aumento dos preços. Esse aumento dos
preços reduzirá paulatinamente a oferta monetária real até que a
curva LM retorne à sua posição original.

No mercado de trabalho, os efeitos serão os já descritos


anteriormente: a elevação dos preços reduz o salário real w,
provocando um aumento da demanda das firmas por mão-de-obra
– o que eleva o salário nominal até que o salário real volte ao seus
níveis anteriores e, conseqüentemente, retornando o nível de
emprego ao nível inicial.

Ao final desse processo de ajustamento, os preços e os


salários nominais – agora mais altos - serão as únicas variáveis
que se alteraram como efeito da expansão monetária. A conclusão
de tudo o que vimos é uma só: no modelo clássico, os efeitos das
políticas fiscal e monetária sobre o nível do produto ofertado e do
emprego são inócuos a longo prazo. A insistência governamental
com tais políticas só fazem gerar aumentos de preços, isto é,
inflação.

Passemos, agora, à análise do modelo keynesiano – que


adota a hipótese de que a oferta de mão-de-obra é função do
salário nominal e, não, do salário real.
r

LM0

LM1

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ro

r1

IS

(a) Y0 Y1 Y

w=W/P SL

wo

DL

(b) L0 L

S0

P1

Po
D1
D2

(c) Yo Y

Figura 10.8

10.2.2.5. A oferta de trabalho como função do salário


nominal

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Contrapondo-se à hipótese clássica de que a oferta de


trabalho (SL) é função do salário real, há a hipótese keynesiana de
que os trabalhadores ofertam mais ou menos horas de trabalho
em função do salário nominal que lhes é oferecido, reagindo pouco
ou quase nada às variações de preços, originando-se, daí, o
conhecido fenômeno da ilusão monetária.

A oferta de trabalho como função do salário nominal (W)


pode ser assim expressa:

SL = f(W) (10.16)

Pela equação (10.16), caso o valor do salário nominal se


eleve por qualquer razão, a oferta de trabalho aumentará e vice-
versa. Essa relação direta e positiva entre oferta de trabalho e
salário nominal está retratada na Figura 10.9., mostrando que os
trabalhadores só estarão dispostos a oferecer mais horas-homem
de trabalho caso lhes seja pago um salário nominal maior. Um
aspecto importante a observar aqui é que, caso haja um aumento
dos preços, a curva de oferta de trabalho não se desloca, pois os
trabalhadores só estão preocupados com o salário nominal que
recebem.

W SL = f(W)

W1

W0

L0 L1 L

Figura 10.9

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P1 x PMgL

P0 x PMgL

DL

Figura 10.10

Vejamos, agora, como se dá o equilíbrio nesse mercado de


trabalho. Deve ser salientado que, da parte da firma, a demanda
por trabalho (DL) é sempre função do salário real (w = W/P),
lembrando que a firma contratará pessoal até o ponto em que a
RMg = CMg,. Como o custo marginal é dado pelo salário nominal
(W) que ela paga e sua receita marginal é dada por P x PMgL,
temos que

W = P x PMgL (10.17)

A equação (10.17) nos dá a demanda por mão–de-obra de


uma firma. Em outras palavras, dado um salário nominal W, a
firma contratará mão-de-obra até o ponto em que sua receita
marginal (= P x PMgL) iguale aquele salário, tal como mostrado
na Figura 10.10. Caso o salário nominal se reduza, a firma
contratará mais mão-de-obra, reduzindo, em conseqüência, o
PMgL de forma a manter a condição de equilíbrio expressa na
equação (10.17).

A condição de equilíbrio no mercado de trabalho pode, então,


ser expressa assim:

SL = DL
Ou
f(W) = P x PMgL (10.18)

A Figura 10.11 retrata essa condição de equilíbrio no


mercado de trabalho, mostrando a curva de oferta e de demanda
por trabalho para um dado nível de preços P0. A esse nível de
preços, com o salário nominal estabelecido em W0, temos o nível
de equilíbrio do emprego L0. Caso o salário fosse estabelecido em
W1, haveria um excesso de demanda por trabalho igual à DL1 –

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SL1, o que forçará um aumento no nível do salário nominal até que


o excesso de demanda por trabalho seja eliminado, voltando o
emprego de equilíbrio a se situar em L0.

W
SL

Wo
W1

DL

SL1 L0 DL1 L

Figura 10.11

10.2.2.6. A curva de oferta agregada no modelo de salário


nominal

Caso, por alguma razão, o nível de preços se eleve, o salário


real se reduzirá para qualquer nível de salário nominal anterior,
estimulando as empresas a demandarem mais mão-de-obra.
Graficamente, isso implica num deslocamento da curva de
demanda por trabalho para a direita, tal como mostrado na Figura
10.12a, passando para DL1, DL2, etc, à medida que os preços se
elevam para P1, P2 e assim por diante. O aumento da demanda
por trabalho faz com que o salário nominal se eleve de W0 para W1
e W2, provocando um aumento na oferta de mão-de-obra ao longo
da curva Sn. Conseqüentemente, o nível de emprego se expande
para L1, L2, etc.

SL

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W2
W1
W0
P2 x PMgL
P1 x PMgL
P0 x PMgL

(a) L0 L1 L2 L

Y2
Y1 Y=f(K,L)
Y0

(b) L0 L1 L2 L

P2
P1
P0

(c) Y0 Y1 Y2 Y
Figura 10.12
Pela função de produção mostrada na Figura 10.12b, o aumento
do nível de emprego eleva o produto ofertado de Y0 para Y1 e Y2.
Projetando-se esses valores no gráfico Y-P, podemos derivar a curva de
oferta no modelo de salário nominal. Assim, ao nível de preços P0 – que
determina o nível de emprego L0 – temos o produto ofertado Y0. Caso os

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preços subam para P1, o emprego crescerá para L1, elevando o produto
ofertado para Y1, e assim sucessivamente. Obtemos, então, a curva de
oferta agregada (S) mostrada na Figura 10.12c. Note-se que, ao
contrário do modelo clássico, a curva de de oferta agregada no modelo
de salário nominal apresenta-se positivamente inclinada.

Efeitos da Política Fiscal

Vejamos, agora, os efeitos da atuação da política fiscal sobre a


atividade econômica. Suponha que a economia se encontra em equilíbrio
aos níveis de P0, W0, L0, r0 e Y0, tal como mostrado na Figura 10.13 e
que o governo, na tentativa de aumentar o nível de emprego, aumente
seus gastos em ∆G. Graficamente, esse aumento em G desloca a curva
IS para IS1 (Figura 10.13a) e, conseqüentemente, a curva de demanda
agregada se desloca também para D1 (Figura 10.13c). Agora, ao nível
de preços P0, a demanda agregada excede a oferta agregada, forçando
um aumento dos preços.

No mercado de trabalho, como já foi visto, o aumento dos preços


reduz o valor do salário real w, estimulando as empresas a contratar
mais mão-de-obra – o que se traduz num deslocamento da curva DL
para a direita (Figura 10.13b) – com conseqüente elevação do salário
nominal para W2 e do nível de emprego para L2. O aumento do nível de
emprego eleva o produto ofertado para Y2 (Figura 10.13c), o que reduz
a elevação de preços. No modelo IS-LM, o aumento inicial de preços
reduz a oferta monetária real, deslocando a curva LM para a esquerda.
Esse deslocamento só não é maior porque a oferta agregada se eleva e
amortece um pouco o aumento dos preços. A redução (pequena) da
oferta monetária eleva um pouco a taxa de juros de r1 para r2 apenas,
reduzindo um pouco demanda por investimentos e, daí, reduzindo a
demanda agregada de Y1 para Y2.

Assim, diferentemente do modelo clássico, no modelo do salário


nominal, ao final do processo de ajustamento, teremos: um nível de
preços mais elevado, um maior nível de emprego e, conseqüentemente,
um produto ofertado e demandado maior. O salário nominal (W)
aumentou, mas o salário real (w) caiu. Sabemos que o salário real caiu
porque o nível de emprego aumentou de L0 para L2.

R IS1
LM1
IS0
LM0

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r2
r1
r0

(a) Y0 Y1 Y2 Y

SL

W2
W0
DL2 = P2 x PMgL

DL1 = P0 x PMgL

(b) L0 L2 L

P
S

P2
P0

D1
D0

(c) Y0 Y2 Y1 Y

Figura 10.13

Efeitos da Política Monetária

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No modelo de salário nominal, os efeitos de um expansão


monetária sobre o nível do produto, do emprego e dos preços são
bastante semelhantes aos de uma política fiscal expansionista.
Assim, partindo novamente das posições de equilíbrio inicial
mostradas na Figura 10.14, suponha que o governo aumente a
oferta monetária, deslocando, em conseqüência a curva LM para
LM1 (Figura 10.14a) – o que provoca uma queda na taxa de juros
e aumenta a demanda por investimento. Esse aumento no
investimento implica um aumento da demanda agregada,
deslocando a curva de demanda agregada de D0 para D1, no
gráfico Y-P. Agora, ao nível de P0, há um excesso de demanda
agregada sobre a oferta agregada e, como conseqüência, os
preços começam subir. A partir daí, os desdobramentos são nossos
conhecidos: o aumento de preços reduz o salário real w, o que
aumenta a demanda por mão-de-obra e, daí, eleva o salário
nominal, estimulando uma maior oferta de trabalho. O nível de
emprego se eleva até L2 e, conseqüentemente, o nível do produto
ofertado cresce até Y2. De outra parte, o aumento de preços reduz
a oferta monetária, deslocando a curva LM para a esquerda até
LM2. A curva LM não retorna à sua posição original simplesmente
porque o produto ofertado aumentou e, com isso, o aumento de
preços não foi tão intenso. De qualquer forma, a pequena redução
da oferta monetária provocou uma pequena elevação da taxa de
juros de r1 para r2, o que provoca uma queda nos investimentos.
No gráfico Y-P, essa queda nos investimentos se traduz por um
deslocamento para a esquerda, ao longo da curva de demanda
agregada D1, até que o produto demandado se iguale ao produto
ofertado ao nível de preços P2.

Ao final do processo, observa-se mais uma vez que, ao


contrário do modelo clássico, no modelo de salário nominal o
aumento da oferta monetária elevou os preços, o nível de emprego
e o nível do produto de equilíbrio da economia.

r LM0

ro LM1

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r2
r1

IS

(a) Y 0 Y2 Y1 Y

W
DL2 SL
DL1
W1
W2

P2 x PMgL
P0 x PMgL
(b) L0 L2 L

P
S

P1

P0
D1
D0

(c) Y0 Y2 Y1 Y

Figura 10.14

10.3. Determinação do nível de preços

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A partir do que foi dito até aqui temos já condições de


determinar o nível geral de preços da economia. Na realidade,
como acontece em qualquer mercado de produtos específicos, o
preço, em nível agregado, é estabelecido na interseção da curva
de oferta agregada com a curva de demanda agregada. De
importante a destacar seriam os efeitos de um eventual aumento
da demanda agregada sobre o nível de preços, quer se trate da
hipótese de uma curva de oferta clássica (salário real), quer se
trate de uma curva de oferta keunesiana (salário nominal).
Vejamos as diferenças existentes nas duas hipóteses.

10.3.1. O nível de preços e a curva de oferta clássica

Como já foi visto anteriormente, na hipótese clássica de


salário real, a curva de oferta agregada (S) é vertical. Isso ocorre,
para os clássicos, ao nível de “pleno emprego” – que, para eles, é
o estado normal da economia. Eventuais desempregos são
fenômenos temporários, resolvidos pelas próprias forças de
mercado, isto é, pela oferta e demanda por produto e por mão-de-
obra.

Assim, suponha que a economia se encontra em equilíbrio


ao nível de preços P0 – nível este determinado pelo cruzamento
das curvas de oferta e da demanda agregadas mostradas na
Figura 10.15. A partir dessa situação inicial, suponha que o
governo aumente seus gastos em ∆G – implicando, no gráfico Y-P,
um deslocamento da curva de demanda agregada, D, para D1.
Agora, ao nível inicial de preços P0, haverá um excesso de
demanda agregada sobre a oferta agregada igual a Y1 –Y0,
forçando os preços a subirem. Na hipótese clássica, como já
vimos, esse aumento de preços reduzirá o valor do salário real,
W/P, aumentando a demanda por mão-de-obra, mas reduzindo a
oferta de mão-de-obra (que também é função do salário real). O
excesso de demanda por mão-de-obra força o salário nominal, W,
para cima, até que o salário real recupere seu valor inicial,
eliminando, assim, o excesso de demanda por trabalho. Como o
nível de emprego não se altera, o produto ofertado permanece o
mesmo, ao nível de Y0. Todo esse processo de ajustamento está
mostrado na Figura 10.15.

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P
S

P1

P0

D1
D0
Y0=Yf Y1 Y

Figura 10.15

No mercado monetário, a elevação de preços reduz a oferta


monetária real (Ms/P), deslocando a curva LM para a esquerda, o
que eleva a taxa de juros e, daí, reduz a demanda por
investimentos. No gráfico Y-P, a redução dos investimentos se
traduz numa redução da demanda agregada, à medida que os
preços sobem. Os preços só deixarão de subir quando for
eliminado todo excesso de demanda agregada sobre a oferta
agregada. Ao final desse processo de ajustamento, o produto de
equilíbrio ofertado e demandado será o mesmo de antes, porém,
os preços terão subido na proporção do aumento da demanda
agregada, situando-se, agora, em P1, conforme se pode ver na
Figura 10.15.

10.3.2. O nível de preços e a hipótese de salário nominal

Com a hipótese de uma oferta de mão-de-obra com função


de salário nominal, vimos que a curva de oferta agregada é
positivamente inclinada, indicando que um eventual aumento de
preços reduzirá o salário real (W/P), mas não o salário nominal
(W), estimulando um maior emprego de mão-de-obra e, daí,
aumentando o produto ofertado da economia.

Assim, suponha que a economia esteja em equilíbrio ao nível


de preços P0 – nível de preços esse determinado pelas curvas de

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demanda agregada (D) e de oferta agregada (S). A interseção


daquelas duas curvas, além de determinar o nível de preços,
determina, também, o nível de produto de equilíbrio Y0.
Imaginemos, agora, que Y0 seja menor que o produto de pleno
emprego e que o governo decida adotar uma política fiscal
expansionista para melhorar os índices de desemprego,
aumentando seus gastos, tal como no exemplo anterior, em ∆G.
Graficamente, no modelo IS-LM, tal medida implica um
deslocamento para a direita da curva IS. No gráfico Y-P, a curva
de demanda agregada D se desloca para direita (Figura 10.16),
criando um excesso de demanda agregada sobre a oferta
agregada igual a Y1 –Y0. Consequentemente, os preços começam a
subir.

P1

P0
D1

D0

Y0 Yf Y1

Figura 10.16

Na hipótese de uma oferta de trabalho como função do


salário nominal, o aumento dos preços reduz o valor do salário real
(W/P), estimulando as firmas a empregarem mais homens. O
aumento na demanda por mão-de-obra faz o salário nominal, W,
crescer, aumentando a oferta de mão-de-obra. Como o aumento
de W não ocorre na mesma proporção do aumento dos preços, o
nível de emprego se eleva e, daí, aumentando o nível do produto
ofertado – o que diminui a intensidade do aumento de preços.

No modelo IS-LM, o aumento dos preços reduz a oferta real


de moeda, deslocando a curva LM para a esquerda. Esse

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deslocamento, como já foi visto, é relativamente menor que o


deslocamento da curva IS devido ao aumento do produto ofertado
que reduz o aumento dos preços. No final desse processo de
ajustamento, o nível de emprego terá aumentado, elevando,
conseqüentemente, o nível do produto ofertado, enquanto o nível
de preços terá se elevado para P1. Vale observar que esse
aumento de preços verificado no modelo de salário nominal é
menor que aquele observado no modelo de salário real, dado que
o nível de produto ofertado se elevou.
* * *
Tendo, assim, desenvolvido toda uma explicação teórica
sobre o produto de equilíbrio demandado e ofertado, e de
determinação do nível geral de preços da economia, seja do ponto
de vista do modelo clássico e do modelo de salário nominal,
identificado este com a escola keynesiana, concluímos a parte
teórica de nosso Curso de Economia I.
Acredito que, para os alunos não-economistas,
principalmente, esta deve ter sido a Aula mais “pesada” deste
nosso Curso, devido aos inúmeros gráficos, muitas vezes
integrados um ao outro. Mas, para aqueles que tiverem um pouco
mais de dificuldade no aprendizado deste tópico, vale o seguinte
conselho: guarde as hipóteses básicas de cada Escola: a Clássica e
a Keynesiana. E também os principais efeitos das políticas fiscal e
monetária em cada Escola.
Bem, outros tópicos, um pouco mais avançados talvez, serão
tratados em nosso já programado Curso de Economia II.
* * *
Com essas colocações, encerramos esta nossa 10ª Aula. A seguir, e como sempre,
são apresentados alguns exercícios de revisão e fixação sobre os modelos de oferta e
demanda agregadas.
Nossas próximas duas e últimas aulas serão apenas de exercícios de revisão.
Até lá e fiquem com meu abraço!

_____________________

EXERCÍCIOS DE REVISÃO E FIXAÇÃO (gabarito no final):

1. Não é correto afirmar:


a) Se o aumento relativo do nível de preços é superior ao aumento relativo na
quantidade nominal de moeda, a oferta real de moeda se reduz e a LM se desloca para cima e
para a esquerda.

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b) Se o aumento relativo na quantidade nominal de moeda é maior que o aumento


relativo no nível de preços, a oferta real de moeda se eleva e a LM se desloca para baixo e para
a direita.
c) Se o nível de preços se reduz, ceteris paribus, a oferta real de moeda diminui e a
curva LM se desloca para a esquerda.
d) Se o aumento relativo da quantidade nominal de moeda for igual ao aumento relativo
no nível de preços, a oferta real de moeda permanece constante e a LM não se altera.
e) Um aumento no nível de preços, não acompanhado por um aumento na quantidade
nominal de moeda, eleva a taxa de juros.

2. Um aumento do nível de preços:


a) Provoca uma queda na demanda agregada, implicando, graficamente, um
deslocamento ao longo da curva de demanda agregada.
b) Provoca uma queda na demanda agregada, implicando, graficamente, um
deslocamento da curva de demanda agregada para a esquerda.
c) Provoca automaticamente um aumento da oferta agregada.
d) Provoca uma queda na oferta agregada.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.

3. Com relação à curva de demanda agregada (no gráfico Y-P), marque a alternativa incorreta:
a) Se o governo aumentar seus gastos, a curva IS se desloca para a direita e,
conseqüentemente, a curva de demanda agregada também se desloca para a direita.
b) Um aumento da oferta monetária, desloca a curva LM para a direita, reduzindo a
taxa de juros e aumentando o investimento - o que provoca um deslocamento ao longo da curva
de demanda agregada.
c) Um aumento do nível de preços reduz a oferta real de moeda e desloca a LM para a
esquerda, provocando, conseqüentemente, um deslocamento para cima e ao longo da curva de
demanda agregada.
d) Se, para um dado nível de preços, o Banco Central reduzir a oferta nominal de
moeda, através de operações de open-market, a taxa de juros se elevará, provocando queda no
investimento e, conseqüentemente, um deslocamento da curva de demanda agregada para a
esquerda.
e) Se o governo reduzir os impostos (T), o consumo privado aumentará - o que
deslocará a curva de demanda agregada para a direita.

4. A função keynesiana de oferta de trabalho postula que os trabalhadores


a) Aceitam uma diminuição do salário monetário ou nominal desde que esta redução
aumente o nível de emprego.
b) Aceitam uma diminuição do salário real, mas não do salário nominal vigente.
c) Aceitam uma diminuição do salário nominal, mas não do salário real.
d) Não aceitam diminuição nem no salário nominal, nem no salário real.
e) Havendo desemprego, aceitam diminuição tanto do salário nominal como do real.

5. (Concurso do AFC) No modelo "clássico" de determinação do produto, renda e emprego, o


mercado de trabalho é concebido da seguinte maneira:
a) A curva de demanda é inversamente relacionada com a produtividade marginal física
do trabalho e a oferta de trabalho é função do salário real.
b) A curva de demanda é inversamente relacionada com a produtividade marginal física
do trabalho e a oferta de trabalho é função do salário nominal.

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c) A curva de demanda é perfeitamente inelástica e a oferta de trabalho é função do


salário nominal.
d) A curva de demanda se identifica com a produtividade marginal física do trabalho e
a oferta de trabalho é função do salário real.
e) A curva de demanda se identifica com a produtividade marginal física do trabalho e a
oferta de trabalho é função do salário nominal.

6. (Concursos do AFC) Indique a opção de resposta errada, quanto às hipóteses adotadas pelo
modelo "clássico" de equilíbrio no mercado de trabalho:
a) O equilíbrio pode se dar aquém da situação de pleno emprego.
b) Prevalece a concorrência perfeita na produção de bens e serviços.
c) Os trabalhadores são remunerados na medida do valor do seu produto marginal.
d) As empresas são maximizadoras de lucros.
e) A curva de demanda de trabalho mostra relação inversa entre salário real e
quantidade demandada de trabalho.

7. Com relação ao mercado de trabalho, não é correto afirmar:


a) No modelo clássico, a oferta de trabalho é função do salário real.
b) No modelo keynesiano, a demanda por trabalho é função do salário real.
c) No modelo clássico, a demanda por trabalho é função do salário real.
d) No modelo clássico, o equilíbrio do mercado de trabalho sempre ocorre ao nível do
pleno emprego.
e) No modelo keynesiano, enquanto a economia estiver abaixo do pleno emprego, os
trabalhadores estarão dispostos a oferecer mais horas de trabalho, desde que o salário nominal
se eleve.

8. Assinale a alternativa incorreta:


a) No modelo clássico, a curva de oferta agrregada é vertical, ao nível do pleno
emprego.
b) No modelo keynesiano, a curva de oferta agregada é negativamente inclinada em
relação ao nível de preços.
c) No modelo de salário nominal, a curva de oferta agregada é positivamente inclinada
em relação ao nível de preços.
d) No modelo clássico, por hipótese, a economia está sempre no pleno emprego.
e) O modelo keynesiano parte, geralmente, da hipótese de que a economia está em
recessão, isto é, abaixo do pleno emprego.

9. De acordo com o modelo clássico, as conseqüências de uma política fiscal expansionista são:
a) Um aumento no nível de preços, uma elevação do salário real e queda do nível de
emprego.
b) Uma queda dos preços e conseqüente aumento da demanda agregada, porém sem
alterar a oferta agregada.
c) Uma queda dos preços, seguida de aumentos na demanda e na oferta agregadas.
d) Um aumento dos preços, seguida de queda do salário real e conseqüente aumento do
nível de emprego e do produto ofertado.
e) Um aumento no nível de preços, uma elevação do salário nominal, mas não do
salário real, sem alteração do nível de emprego e da oferta agregada.

10. No modelo de salário nominal, caso o governo adote uma política fiscal expansionista,
observar-se-ão os seguintes efeitos no sistema econômico:
a) Os preços subirão e tanto o nível de emprego como a oferta agregada cairão.

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b) Os preços cairão, com conseqüente aumento do salário real e queda do nível de


emprego.
c) Os preços subirão, o salário real cairá, resultando em um aumento do nível de
emprego e, daí, do produto ofertado.
d) O salário nominal crescerá na mesma proporção do aumento dos preços e,
conseqüentemente, o nível do emprego e do produto ofertado se manterão inalterados.
e) Os preços cairão, com conseqüente queda no nível de emprego e do produto
ofertado.

_________________

GABARITO:
1. c; 2. a; 3. b; 4. b; 5. d;
6. a; 7. e; 8. b; 9. e; 10. c.

________________

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AULA 11: EXERCÍCIOS DE REVISÃO: 1ª BATERIA

Nesta 11ª e penúltima Aula deste nosso Curso de


Economia I, nós vamos fazer uma revisão complementar
da matéria ensinada, resolvendo as questões que
apresentamos ao final de cada uma de nossas Aulas. Mas,
como nosso objetivo principal é preparar vocês em
Macroeconomia – visando principalmente o concurso do
AFRF – nós vamos nos centrar nos exercícios das Aulas de
macroeconomia, a partir da Aula 5 - (agora renumerada)1
– sobre Balanço de Pagamentos e Taxa de Câmbio. Aliás,
a maioria dos exercícios propostos nas quatro primeiras
aulas já foram resolvidos na própria aula.
Obviamente, algumas questões propostas são por
demais simples e dispensarão nossos comentários. Mas
se, por acaso, alguns de vocês não conseguirem resolver
alguma questão que eu tenha julgado fácil, é só enviar
suas dúvidas para o Fórum. Comecemos, então, pela Aula
5 – sobre o Balanço de Pagamentos e Taxa de Câmbio.
Mãos à obra!

I - Aula 5 – Balanço de Pagamentos e Taxa de Câmbio


Exercícios de revisão e fixação - soluções comentadas:

1. A resposta da questão é a letra b , pois dependendo da operação, pode ser gerado


ou um “haver” (se for uma compra) ou uma “obrigação” (se for uma compra ou um
endividamento).
2. Muito óbvia: a resposta correta é a letra e.
3. Também óbvia: letra e. Qualquer dúvida, dê uma revisada na estrutura do Balanço
de Pagamentos (BP).
4. Óbvia: letra d. Os investimentos diretos fazem parte da conta de capitais
autônomos.
5. Óbvia: letra d. Essas são as rendas dos capitais de investimentos (lucros) e dos
capitais de empréstimos (juros)>
6. Óbvia: letra a.

1
A Aula 0 – sobre Elasticidade – foi feita como Aula-demonstraçaõ. Na verdade, ela deveria receber a
denominação de Aula 3, pois seu lugar é após a Aula 2 – sobre o Estudo do Mercado: demanda e oferta.
Assim feito, a Aula sobre Introdução à Macroeconomia – que era a Aula 3 – virou Aula 4.

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7. Óbvia: letra d.
8. A resposta correta é a letra b. Os eventuais déficits na Balança de Transações
Correntes (BTC) são cobertos, em princípio, pelos recursos que entram na conta de
capitais autônomos (empréstimos, investimentos, etc.). Se estes não forem
suficientes, então o país terá de lançar mão de movimentos induzidos de capital
(haveres em moeda no exterior – reservas-, empréstimos de agência oficiais, como
FMI, Banco Mundial, etc.).
9. A resposta é a letra c. Ao vender ouro para a indústria nacional, o Banco Central
recolhe Reais de circulação – daí o termo “desmonetização” .
10. A resposta é a letra e. Trata-se de uma operação entre dois residentes (no Brasil) – o
passageiro e a Varig – e, como tal, não envolve divisas estrangeiras e, portanto, não
é registrada no BP.
11. A resposta é a letra b. Quando uma empresa estrangeira reinveste parte de seus
lucros, faz-se o registro de saída do lucro total no item “remessa de lucros” (com
sinal negativo) da conta de serviços e dá entrada em “reinvestimentos diretos”, na
conta de capitais autônomos, da parte que foi reinvestida. É como se a empresa
tivesse remetido para a matriz todo o lucro obtido no Brasil e, depois, investido
parte deste lucro no país.
12. A resposta é a letra d. Sempre que houver um déficit na balança de transações
correntes, este déficit tem de ser coberto com recursos externos. Estes recursos
externos são considerados poupança externa – que vai financiar parte da formação
bruta de capital fixo do país.
13. Resposta óbvia: letra e. Quando se diz “conta de capital” está-se geralmente se
referindo aos capitais autônomos – que não têm nada a ver com os “capitais
compensatórios”.
14. Resposta óbvia: letra a. As contas de regularização são financiamentos obtidos junto
aos organismos internacionais tipo FMI, Banco Mundial, etc. para ajudar a fechar o
BP.
15. “Operações sobre a linha” são aquelas que ocorrem em função das forças de
mercado, sem interferência do Banco Central, como são as importações, as
exportações, empréstimos, seguros, viagens, investimentos diretos, etc. A resposta
correta é, então, a letra c.
16. Resposta: letra c. O conceito mais relevante de equilíbrio do BP é o equilíbrio da
balança de transações correntes (BTC)– que registra as compras e vendas de bens e
serviços do país para o exterior.
17. “Operações sob a linha” referem-se aos movimentos de capitais compensatórios
realizados pelo Banco Central para fechar o BP. A resposta, então, é a letra a.
18. Resposta óbvia: letra b.
19. Resposta óbvia: letra a.
20. Resposta óbvia: letra c.

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21. Resposta letra c. Isso porque o objetivo de uma desvalorização cambial é tornar
nossos produtos mais baratos no exterior. Se a demanda por estes produtos for
elástica – isto é, os compradores estrangeiros reagem bem a uma queda de preço de
nossos produtos – nós vamos vender muito mais e a receita em dólares aumentará.
Mas, preste atenção: isso só ocorre se a demanda for elástica a preço.
22. Resposta óbvia: letra a. Este é, geralmente, o objetivo de uma maxidesvalorização
cambial.
23. Letra c. Se o país importar basicamente bens essenciais, uma maxidesvalorização
não vai reduzir nossas importações – pois estes bens são inelásticos a preço. O
mesmo vale para as exportações de produtos primários (geralmente produtos
agrícolas).
24. O saldo do BP corresponde à soma do saldo da BTC (-100) + o saldo da conta de
capitais autônomos (-100); ou seja, no caso presente é igual a -200. Portanto, a
resposta correta é a letra b.
25. O Saldo da BTC corresponde à soma do saldo da balança comercial (+450) mais o
saldo das exportações e das importações de serviços não-fatores (+100) mais o
saldo das transferências unilaterais (donativos) (+50) mais o saldo das exportações e
das importações de serviços de fatores (igual à renda líquida enviada ao exterior).
Como a soma dos dados conhecidos acima dá 600 e como o saldo da BTC foi um
déficit de 150, então a renda líquida enviada ao exterior foi 750, e a resposta, então,
é a letra b.

__________________________

II – Aula 6: A Moeda e o Sistema Bancário

Exercícios com soluções comentadas:

1. A afirmativa incorreta é a letra d. A moeda bancária ou escritural é representada


pelos depósitos à vista do público nos bancos comerciais.
2. Resposta: letra c. Os sistemas de trocas diretas trocam mercadoria por mercadoria.
3. Resposta: letra c. Hoje, não existe “moeda-papel” – que seria um certificado
bancário com lastro em ouro ou outro metal precioso.
4. Resposta: letra c. A afirmativa nem tem sentido.
5. Resposta óbvia: letra a.
6. A resposta é a letra b. Se você tem dúvidas, dê uma revisada no item 6.2. –
Indicadores Monetários – da Aula 6.
7. Resposta óbvia: letra b.

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8. O único ativo que tem “liquidez absolta ou liquidez por excelência” é o próprio
dinheiro (nota ou moeda metálica). Logo, a resposta é a letra d.
9. Resposta um tanto óbvia: letra b.
10. Na realidade, os meios de pagamento (MP) são compostos do Papel-moeda em
poder do público (PMP) + os depósitos à vista do público nos bancos Comerciais
(DV). O PMP é, por sua vez, constituído das moedas metálicas e do papel-moeda
propriamente dito. Assim, a resposta correta é a letra c.
11. A resposta já está no gabarito.
12. Papel-moeda em circulação (PMC) = Papel-moeda emitido (PME) menos o
dinheiro em caixa do Banco Central. Logo, PMC = 400 – 40 = 360;
PMP = PMC menos encaixe em moeda dos bancos comerciais (R1)=360 – 60 = 300
Logo, a resposta é a letra b.
13. MP = PMP + DV; e DV = moeda escritural. Assim, MP = 300 + 600 = 900; já
base monetária (BM) = PMP + total das reservas bancários = 300 + 60 + 240 = 600.
Logo, a resposta é a letra a.
14. O multiplicador dos meios de pagamento pode ser deduzido da seguinte fórmula:
k=MP/BM = 900/600 = 1,5. Resposta: letra c.
15. A outra fórmula do multiplicador bancário é: k = 1/1-d(1-r), onde d = fração dos
meios de pagamento sob a forma de DV; e r = taxa das reservas bancárias sobre os
DV. Assim, 1/1-0,8(1-025) = 1/1-0,6 = 1/0,4 = 2,5. Resposta: letra b.
16. Resposta: letra d. Veja questão 13, acima.
17. Todas as alternativas aumentam o valor do multiplicador bancário, exceto a letra e
– que, então, é a resposta correta.
18. A fórmula do multiplicador simples é: k = 1/r. Assim, k = 1/0,4 = 2,5. Resposta:
letra d.
19. Ao vender títulos públicos, o Banco central estará tirando dinheiro de circulação.
Com menos dinheiro em circulação, os meios de pagamento se reduzem e a taxa de
juros tem a se elevar pela escassez de recursos circulando. Então, a resposta é a letra
b.
20. Resposta um tanto óbvia: letra d. o Banco Central não tem a função de captar
poupança.
21. Não dá para demonstrar aqui esta contabilidade do sistema monetário (que é
composto pelo Banco Central + os bancos comerciais). Mas, a resposta correta é a
letra a.
22. Letra c. Veja questão 13, acima.
23. Também não dá para demonstrar aqui a contabilidade do Banco Central. Mas a
resposta correta é a letra e.
24. A oferta monetária, por definição, é igual ao total de meios de pagamento. Logo, a
resposta é a letra d.

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25. Pela mesma razão mencionada na questão 17, a resposta é a letra d.


26. A afirmativa da letra c não se constitui em instrumento clássico de controle
monetário. Esta é, então, a resposta.
27. Resposta correta: letra c.

___________________________

III – Aula 7: A macroeconomia keynesiana

Exercícios de revisão com solução comentada:

1. A lei (clássica) de Say diz que “a oferta cria sua própria demanda”. Logo, a resposta
é c.
2. Para os clássicos, tanto a poupança como o investimento dependem apenas da taxa
de juros. Então, a resposta é a letra e.
3. Para Keynes, o consumo depende, positiva e exclusivamente, do nível da renda
disponível. Resposta: letra b.
4. Esta é uma definição matemática, sem maiores comentários. Resposta: letra a.
5. PMgC = ∆C/∆Yd = 2.400/3.000 = 0,8. Resposta: letra d.
6. A propensão marginal a poupar (s) é o complemento da propensão marginal a
consumir (b). Se b = 0,8, então s = 0,2; se b = 0,75, então, s = 0,25. Assim, a única
afirmativa incorreta é a letra c.
7. A propensão média a consumir é dada pelo consumo total dividido pela nível da
renda disponível. Ou: (a +bYd)/Yd. Logo, a resposta é a letra e.
8. Para Keynes, tanto o consumo como a poupança são função direta do nível da renda
disponível. Logo, a resposta é a letra b.
9. A Yd = C + S ou: S = Yd – C = Yd – a –bYd; Ou, S = -a +Yd (1-b). Logo, a
resposta é a letra a.
10. A definição correta de eficiência marginal do investimento é a constante da letra c.
11. A única afirmativa incorreta é a letra d. O principal componente do consumo é
aquele relacionado com o nível de renda (bYd).
12. A fórmula do multiplicador keynesiano simples é: k = 1/1-b (sendo b = PMgC).
Assim, k = 1/1-0,75 = 1/0,25 = 4. Resposta: letra c.
13. O “hiato inflacionário” ocorre quando há um excesso de demanda agregada na
economia em relação ao nível do produto de pleno emprego (Yf). A resposta, então,
é a letra c.

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14. O “hiato deflacionário” é o contrário: ocorre quando a demanda agregada corrente


(Yc) está abaixo do nível do produto de pleno emprego (Yf). Resposta: letra e.
15. Primeiro, temos de achar o multiplicador: k = 1/1-b = 1/1-0,75 = 4. Como há um
hiato inflacionário de 100 bilhões, é necessário que a variação na renda (∆Y) seja
igual a uma redução de 100 bilhões para volta ao nível do pleno emprego. Ocorre
que: ∆Y = k x ∆I; ou: -100 = 4 x ∆I e, portanto, ∆I = -25 bilhões. Ou seja, é
necessário, neste caso, haver um corte de 25 bilhões nos investimentos. Então, a
resposta é: letra e.
16. Solução: Y = C + I >> Y = 200 + 0,9Y + 500 >> Y – 0,9Y = 700 >> 0,1Y = 700;
>>> Y = 1/01 x 700 = 10 x 700 = 7.000. Resposta: letra b.
17. Lembre-se que: ∆Y = k x ∆I. Logo, ∆Y = 10 x 50 = 500. Resposta: letra a.
18. Resposta: letra d. Sem maiores comentários.
19. Com os dados da questão, a equação para se achar o produto de equilíbrio é a
seguinte: Y = a + b(Y-T +R) +I + G
Ou: Y = 100 + 0,8(Y – 200 + 100) +300 +500
Y = 900 + 0,8Y – 160 + 80
Y – 0,8Y = 820 >> 0,2Y = 820 >> Y = 1/0,2 x 820 >> Y = 5 x 820 >> Y = 4.100.
Logo, a resposta é a letra d.
20. Ora, será necessária uma variação ou aumento no produto (∆Y) igual a 1.900 (ou:
6.000 – 4.100). Como ∆Y = k x ∆G e como k = 5, temos: 1.900 = 5 x ∆G;
Ou: ∆G = 1900/5 = 380. E a resposta é a letra c.
21. O multiplicador dos impostos é igual a uma unidade a menos que o multiplicador
dos gastos, porém com sinal negativo. Como já vimos que k = 5, então o
multiplicador dos impostos será –4. Resposta: letra d.
22. “Orçamento equilibrado” ocorre quando o aumento dos gastos do governo (∆G) é
igual ao aumento dos impostos para financiar este aumento em G. O multiplicador
deste “orçamento equilibrado” é sempre igual a 1 (desde que os impostos não seja
associados ao nível de renda). Logo, a resposta é a letra a.
23. Como o aumento do produto ou da renda (∆Y) deve ser 1.000 (=5.100 – 4.100), e
como o multiplicador do orçamento equilibrado é 1, temos:
∆Y = k x ∆G >> 1000 = 1 x ∆G >> portanto, ∆G = 1000. Resposta: letra d.
24. Como já vimos, o multiplicador dos impostos (kt), neste caso, é – 4. Como a renda
deve crescer 1000, temos: ∆Y = kt x ∆T >> 1000 = - 4 x ∆T >> ∆T = 1000/-4 = -
250. Ou seja, deve haver um corte ou redução nos impostos de 250 e a resposta é a
letra a.
25. Neste caso, a equação do produto será: Y = a + b(Y – T – tY + R) + I + G
Ou: Y = 200 + 0,75(Y – 400 – 0,2Y + 200) + 400 + 500
Y = 1.100 + 0,75Y – 300 – 0,15Y + 150

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Y- 0,75Y + 0,15Y = 950


0,4Y = 950 >> Y = 1/0,4 x 950 >> Y = 2,5 x 950 =2.375.
E a resposta é, portanto, a letra e.
26. O aumento na renda de equilíbrio será o resultado do aumento nos gastos do
governo + o aumento nos impostos. O multiplicador de G é: k = 1/1-0,8 = 5. Então,
o multiplicador do aumento dos impostos é – 4. Neste caso, se o governo aumentar
os impostos em 125, renda cairá 500 (= - 4 x 125) e se, ao mesmo tempo, o
governo gastar mais 200, a renda crescerá 1.000. Somando estes dois efeitos,
teremos um aumento na renda de equilíbrio de 500 bilhões. Logo, a resposta é a
letra b.
27. Substituindo na equação do modelo completo os valores dados pela questão, temos:
Y = 40 + 0,8 (Y – 0,2Y) + 200 + 300 + 100 – 40 – 0,14Y
Y = 600 + 0,8Y – 0,16Y – 0,14Y
Y = 600 + 0,5Y >> Y – 0,5Y = 600 >> 0,5Y = 600 >> Y = 1/0,5 x 600;
Ou: Y = 2 x 600 = 1.200. O multiplicador, então, é 2. E a resposta é a letra d.
28. Já foi achado na questão anterior que o nível da renda de equilíbrio é 1.200. Então, a
resposta é a letra a.
29. Resposta: letra c. Quando a economia entra em recessão, a renda cai e, daí, o
consumo cai, o que vai repercutindo geometricamente no nível da renda de
equilíbrio. Mas, neste momento, entram em cena o auxílio desemprego, os impostos
sobre a renda se reduzem – o que amortece em parte a queda na renda de equilíbrio.
Estes mecanismos são chamados de “estabilizadores automáticos.
30. Substituindo os valores dados na questão na fórmula do modelo keynesiano
completo, temos:
Y = 60 + 0,8(Y – 50 – 0,2Y) + 100 + 0,2Y + 200 + 40 – 20 -0,04Y
Y = 60 + 0,8Y – 40 – 0,16Y +100 + 0,2Y + 200 + 40 – 20 – 0,04Y
Y – 0,8Y + 0,16Y -0,2Y + 0,04Y = 340
Y – 0,8Y = 340 >> 0,2Y = 340 >> Y = 1/0,2 x 340
Y = 5 x 340 = 1.700.
Resposta: letra e.

___________________________________

IV – Aula 8: O Modelo IS-LM

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Exercícios de revisão com solução comentada:

1. A definição da Curva IS é exatamente a que aparece na letra b – que é a resposta


correta.
2. Pela mesma razão, a definição da Curva LM é a que aparece na letra a – que é a
resposta correta.
3. A redução da carga tributária aumenta a renda disponível e, daí, aumenta o
consumo. Todo aumento de gastos (aumento de G, ou aumento de I, ou aumento de
C) tende a levar a IS para a direita. Logo a resposta é a letra e.
4. O aumento nos gastos do governo desloca a curva IS para a direita, cortando, agora
a curva LM num ponto mais elevado – o que eleva a taxa de juros. Logo, a resposta
é a letra a.
5. Se o governo reduzir a oferta monetária, a taxa de juros vai se elevar e, em
conseqüência, os investimentos vão cair, reduzindo ainda mais a renda. Logo, a
única medida que não eleva a renda é a descrita na letra b.
6. Todo aumento na oferta monetária, isto é, na quantidade de dinheiro em circulação,
causa um deslocamento da curva LM para a direita. Resposta: letra d.
7. Resposta correta: letra d. Resposta um tanto óbvia.
8. Uma política fiscal expansionista desloca a curva IS para a direita, aumentando Y
de equilíbrio, mas provocando um aumento na demanda por moeda para transações.
Como a oferta monetária permanece a mesma, este aumento na demanda por moeda
causa um aumento na taxa de juros. Logo, a resposta correta é a descrita na letra c.

________________________

V – Aula 9 – A macroeconomia aberta

Exercícios de revisão com solução comentada

Para responder todas as questões propostas nesta Aula 9 é importante ter em mente as
seguintes conclusões (retiradas do modelo Mundell-Fleming):
1. Se o país adota um regime de taxas de câmbio flutuantes:
a) A política fiscal não tem qualquer efeito sobre o nível do produto, mas taxa
de câmbio se elevará,;

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b) A política monetária, ao contrário, é muito eficaz no sentido de provocar um


aumento do nível da renda de equilíbrio, com conseqüente queda na taxa de
câmbio, ocorrendo, também, um aumento nas exportações líquidas.
c) A política comercial restritiva não terá qualquer efeito no sentido de
melhorar a conta de transações correntes, nem o nível da renda de equilíbrio,
mas provoca um aumento na taxa de câmbio.
2. Se o país adota um regime de taxas de câmbio fixas:
a) A política fiscal passa a ser a política mais eficaz para elevar o nível do
produto da economia, com redução da taxa de juros;
b) Já a política monetária se torna inteiramente ineficaz para este fim.
c) A política comercial é eficaz, elevando a renda agregada e, também, as
exportações líquidas.

Observação: quem tem dúvidas sobre estas conclusões, deve reler a análise que é feita nesta
Aula 9. Se você achar isso um “saco”, não se preocupe: apenas decore as conclusões acima
– que pode ser o suficiente para você acertar a questão da prova.
Com isso explicado, as respostas dos Exercícios da Aula 9 passam a ser um tanto óbvias.
Senão, vejamos:
Questões;
1. Conforme visto acima, a resposta correta é a letra b.
2. Resposta: letra b.
3. Resposta: letra a.
4. A resposta correta seria um item e – que não apareceu com os seguintes dizeres:
d) um aumento da renda agregada, sem efeitos sobre a taxa de câmbio e com
aumento das exportações líquidas (isto, se o governo impuser alguma
restrição às importações). Caso o governo não pratique nenhum tipo de
restrição comercial, a resposta correta é a letra d.
5. A resposta correta seria: letra e: aumento na renda agregada, queda da taxa de
câmbio e aumento nas exportações líquidas.
6. Também aqui a resposta correta seria a letra e: a renda agregada e o saldo em
transações correntes permanecem inalterados e a taxa de câmbio se eleva.

__________________________

VI – Aula 10: O modelo de oferta e demanda agregadas:

Exercícios de revisão com solução comentada:

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1. Uma redução no nível de preços provoca um aumento na oferta real de moeda,


implicando um deslocamento da curva LM para a direita. Esta queda no nível de
preços tem o mesmo efeito de um aumento na quantidade monetária, mantido o
nível de preços constante. Logo, a afirmativa c está incorreta e é a resposta da
questão.
2. Como a variável “preço” está no gráfico da curva de oferta e demanda, qualquer
variação de preço provoca um deslocamento ao longo da curva e não da curva.
Portanto, a resposta correta é a letra a.
3. Um aumento da oferta monetária provoca uma queda na taxa de juros e, daí, um
aumento nos investimentos. Agora, para um dado nível de preços, a demanda
agregada é maior – o que implica um deslocamento desta curva para a direita.
Portanto, a letra b está incorreta e responde à proposição.
4. Na visão keynesiana, os trabalhadores sofrem de “ilusão monetária”. Havendo
desemprego, são capazes de ofertar mais mão-de-obra ao mesmo salário nominal
vigente, mesmo que os preços tenham aumentado e reduzido seu salário real. Logo,
a resposta é a letra b.
5. Resposta correta: letra d. Esta é a essência do modelo clássico sobre o mercado de
trabalho.
6. Para os clássicos, a economia só está em equilíbrio ao nível de pleno emprego.
Logo, a resposta é a letra a.
7. A resposta correta é a letra e. Veja a resposta da questão 4, acima.
8. Ao contrário, no modelo keynesiano, a curva de oferta agregada é positivamente
inclinada em relação ao nível de preços. Se o preço aumentar, aumenta a demanda
por mão-de-obra e, daí, a oferta de produtos. Então, a letra b está incorreta e
responde à questão.
9. Resposta correta: letra e. Os clássicos negam qualquer eficácia da política fiscal
para elevar o nível de emprego e do produto agregado.
10. Resposta correta: letra c. Os keynesianos (do modelo de salário nominal) acreditam
que uma política fiscal expansionista aumenta os preços, mas aumenta, também, o
nível de emprego e do produto agregado (exatamente o contrário do que dizem os
clássicos).
__________________________

OK! Com isso, resolvemos todos os exercícios de revisão que propusemos ao longo
de nossas aulas. Se ainda persistir alguma dúvida, você pode usar o Fórum que terei o
máximo prazer em atende-lo.
Nossa próxima (e última aula) conterá somente questões de provas de concursos
passados - resolvidas e comentadas. Espero que você esteja tendo um bom proveito
com esses exercícios. Até a próxima e um abraço!

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AULA 12 : EXERCÍCIOS DE REVISÃO: 2ª BATERIA

Nesta 12ª e última Aula deste nosso Curso de


Economia I, nós vamos fazer uma revisão complementar
da matéria ensinada nas dez primeiras aulas, resolvendo
questões pertinentes de provas macroeconomia de
concursos passados. As questões foram escolhidas
aleatoriamente, e vocês terão a oportunidade de observar
a forma como as questões são apresentadas nas provas e
o tipo de questão que cai com mais freqüência. Através
de sua resolução e entendimento você poderá ter uma boa
idéia de como estão seus conhecimentos da matéria
ministrada até aqui. Então, mãos à obra!

1. (AFRF –PAT – 2002/2°) Com relação ao balanço de pagamentos, é incorreto afirmar


que:
a) as exportações de empresas multinacionais instaladas no Brasil são
computadas na balança comercial do país;
b) os investimentos diretos fazem parte dos chamados movimentos de capitais
autônomos;
c) o saldo da conta de “transferências unilaterais” faz parte do saldo do
balanço de pagamentos em transações correntes;
d) o saldo total do balanço de pagamentos não é necessariamente nulo;
e) as chamadas rendas de capital fazem parte do denominado balanço de
serviços não-fatores.

Solução comentada:
As alternativas de a a d estão todas claramente corretas. Talvez, a única que poderia
suscitar alguma dúvida seria a letra d. Esta afirmativa está correta porque o saldo do BP
corresponde à soma do saldo da conta de transações correntes com o saldo da conta de
capitais autônomos (mais “erros e omissões”, se houver). Esta soma pode dar um resultado
nulo, positivo ou negativo. Se for positivo, sobraram divisas que serão lançadas em
“haveres em moeda no exterior”; se forem negativas, faltaram divisas que serão sacadas
daquela mesma conta.
Assim, a resposta correta é a letra e, que, de fato, é a única alternativa incorreta. Isso porque
a balança de serviços é composta de duas sub-contas: a de serviços de fatores – que
corresponde, basicamente, ao pagamento de juros, de lucros, royalties, etc – que são as
remunerações dos fatores de produção ou, no caso, às rendas de capital; e os serviços não-
fatores – que corresponde ao pagamento de outros serviços, como transporte, seguros,
turismo, etc. .

2. (AFRF –PAT – 2002/2°) Com relação ao modelo IS/LM, é incorreto afirmar que:

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a) no chamado caso da “armadilha de liquidez”, em que a LM é horizontal,


uma elevação dos gastos públicos eleva a renda sem afetar a taxa de juros;
b) excluídos os casos “clássico” e da “armadilha da liquidez”, numa
economia fechada a elevação dos gastos públicos eleva a renda. Esta
elevação, entretanto é menor comparada com o resultado decorrente do
modelo keynesiano simplificado, em que os investimentos não dependem da
taxa de juros;
c) no chamado caso “clássico”, em que a LM é vertical, uma elevação dos
gastos públicos só afeta as taxas de juros;
d) se a IS é vertical, a política fiscal não pode ser utilizada para a elevação da
renda;
e) na curva LM, a demanda por moeda depende da taxa de juros e da renda.

Solução comentada:
a) A letra a está correta (se você tem dúvidas, veja o porquê na página 23 da Aula 8 –
sobre a “armadilha da liquidez”;
b) A letra b também está correta pela seguinte razão: se o governo aumenta seus
gastos, o nível da renda (Y) aumenta de forma ampliada pelo multiplicador. Este
aumento de Y provoca um aumento na demanda por moeda para transações – o que
– dada uma dada oferta monetária, eleva a taxa de juros. Sendo, nesta hipótese, os
investimentos função inversa da taxa de juros (r), o aumento em r reduz os
investimentos – o que anula em parte o aumento na renda provocado pelo aumento
nos gastos do governo.
c) A letra c está correta (se você tem dúvidas, veja o porquê na página 24 da Aula 8 –
sobre o “caso clássico”).
d) A letra d está errada; isso por que, se a IS for vertical, qualquer política fiscal
expansionista desloca a IS para a direita, elevando a Y renda de equilíbrio. Esta é a
resposta correta da questão. (Em caso de dúvida, reveja a última página da Aula 8).
e) A afirmativa constante da letra e está inteiramente correta (veja a equação (4) da
página 13 da Aula 8).

3. (AFRF – PAT-2003) Considere os seguintes saldos do balanço de pagamentos para


uma determinada economia hipotética, em unidades monetárias:
- saldo da balança comercial: superávit de 100;
- saldo em transações correntes: déficit de 50;
- saldo total do balanço de pagamentos: superávit de 10.
Com base nestas informações e considerando que não ocorreram lançamentos na
conta “erros e omissões”, é correto afirmar que:
a) o saldo da conta “transferência unilaterais” foi necessariamente superavitário;
b) independente do saldo da conta “transferências unilaterais”, podemos afirmar
com certeza que o saldo da balança de serviços foi superavitário;
c) o saldo dos movimentos de capitais autônomos foi negativo;
d) se a conta “transferências unilaterais” foi superavitária, podemos afirmar com
certeza que a balança de serviços apresentou saldo positivo;
e) se a conta “transferências unilaterais” foi superavitária, podemos afirmar com
certeza que a balança de serviços apresentou saldo negativo.

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Solução comentada:
a) O saldo da balança a de transações corrente (BTC) resulta da soma do saldo da
balança comercial (BC) + saldo da balança de serviços (BS) + transferência
unilaterais (TU). Como a BC teve um saldo positivo de 100 e a BTC teve um saldo
negativo de 50, nada leva a afirmar que o saldo de TU tenha sido positivo, nulo ou
negativo. Logo, a letra a está errada.
b) A letra b está errada pela mesma razão anterior;
c) O saldo do BP é igual à soma do saldo da BTC com o saldo da conta de capitais
autônomos (CCA). Ora, se BTC teve saldo negativo e o BP teve saldo positivo de
10, então o saldo de CCA tem de ser positivo. Logo, a letra c está também errada.
d) Alternativa d também está errada, pois BTC = BC + BS + TU. Se BC e TU são
positivas e BTC é negativa, então BS tem de ser negativa.
e) Em conseqüência do que foi dito na letra d anterior, a letra e é a opção correta.

4. (AFRF – PAT – 2003) Considere os seguintes dados:


- c: papel-moeda em poder do público/meios de pagamentos;
- d: depósito à vista nos bancos comerciais/meios de pagamentos;
- R: encaixe total dos bancos comerciais/depósitos à vista nos
bancos comerciais;
- m = multiplicador dos meios de pagamento em relação à base
monetária;
Com base nestas informações, é incorreto afirmar que, tudo o mais constante:
a) quanto maior d, maior será m;
b) quanto maior c, menor será d;
c) quanto menor c, menor será m;
d) quanto menor R, maior será m;
e) c + d > c, se d for diferente de zero.

Solução comentada:
a) A letra a está correta, pois quanto maior a participação dos depósitos à vista no total
de meios de pagamento (d), mais dinheiro os bancos disporão para emprestar e
portanto maior será o multiplicador bancário (m). (Se você tiver dúvidas, leia as
pág. 13/14/15 da Aula 6);
b) Ora, se a letra a está correta, logo letra c está incorreta, já que uma é o inverso da
outra, lembrando que MP = c (PMP) + d (DV nos bancos comerciais). Logo, a letra
c é a resposta da questão.

5. (AFRF -PAT 2003) Considere as seguintes informações para uma economia hipotética
aberta e sem governo, em unidades monetárias:
-exportações de bens e serviços não-fatores = 100;
-renda líquida enviada ao exterior = 50;
-formação bruta de capital fixo mais variação de estoques: = 150;
-poupança líquida do setor privado = 50;
-depreciação = 5;

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-saldo do governo em conta corrente = 35;1


-Com base nestas informações e considerando as identidades macroeconômicas de um
sistema de contas nacionais, é correto afirmar que as importações de bens e serviços
não-fatores é igual a:
a) 110; b) 30; c) 80; d) 20; e) 200.

Solução comentada:
Pelas contas nacionais, a formação bruta de capital fixo (FBKF) mais a variação de
estoques (∆est) = ao total de poupança da economia. Já o total de poupança da
economia é constituído da soma da poupança líquida do setor privado (=50) mais a
depreciação (=5) + a poupança do governo (35 + o saldo (negativo) da balança de
transações correntes (que não sabemos qual é mas é fácil saber pois: 150 = 50 + 5 + 35
+ saldo da BTC, ou seja, saldo negativo da BTC = 60.
O saldo da BTC = saldo das exportações de bens e serviços não-fatores (=100)
menos importações de bens e serviços não-fatores menos renda líquida enviada ao
exterior – aqui incluídas as TU – que é igual a 50. Assim, para a BTC ter apresentado
um saldo negativo de 60 é necessário que as importações de bens e serviços tenham tido
um saldo negativo de 110 (ou seja, +100 de XBSNF - 50 de RLEE – 110 de MBSNF =
-60.
Logo, a resposta é a letra a.

6. (AFRF – PAT – 2003) Considere as seguintes informações para uma economia


fechada e com governo:
Y = 1200; C = 100 + 07Y; I = 200;
Onde: Y = produto agregado;
C = consumo agregado;
I = investimento agregado.
Com base nessas informações, pode-se afirmar que, considerando o modelo keynesiano
simplificado, para que a autoridade econômica consiga um aumento de 10% no
produto agregado, os gastos do governo terão de sofrer um aumento de:

a) 60%; b) 30%; c) 20%; d) 10%; e) 8%

Solução comentada:
Para saber quanto deve aumentar o gasto do governo (G) para que a economia cresça ‘0% é
necessário que saibamos, antes, quanto era este gasto – o que não é mencionado no
problema. Embora o valor de G possa ser achado por dedução matemática, deveria constar
do problema – o que é uma falha de quem formulou a questão.
Vamos, então, achar, primeiro, o valor atual de G:
A fórmula do modelo keynesiano para uma economia fechada é: Y = C + I + G.

1
Há uma incoerência na formulação desta questão, pois sem seu enunciado diz que trata-se de uma
“economia hipotética e sem governo”, mas, depois aparece um dado com a poupança do governo em conta
corrente!!!

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Substituindo nesta equação os valores dados pelo problema, podemos achar o valor de G,
assim: 1.200 = 100 + 0,7 (1.200) + 200 + G
Ou: 1.200 = 100 + 840 + 200 + G e, fazendo as devidas operações, encontramos G = 60
Agora, vamos ver quanto o G precisa aumentar para que a economia cresça 10%:
10% de uma renda de 1.200 corresponde a uma expansão de 120. Quanto deve aumentar o
G para que a economia cresça 120? Isso depende do valor do multiplicador dos gastos
autônomos (k) que é dado pela fórmula: k= 1/1-b, onde b é a propensão marginal a
consumir que, no caso é 0,7. Substituindo 0,7 nesta fórmula, encontramos um k = 3,3.
Dividindo o crescimento da renda (=120) por k, encontramos o valor de 36. Ou seja, o
aumento em G (= ∆G) terá de ser 36, ou seja, um aumento de 60% em relação ao valor
anterior (ou seja, aos 60 anteriores). Logo, a resposta é a letra a.

7. (AFRF - PAT – 2003) Com relação ao modelo IS/LM, é incorreto afirmar que:
a) quanto maior a taxa de juros, menor é a demanda por moeda;
b) na ausência dos casos clássicos e da armadilha da liquidez, um política
fiscal expansionista eleva a taxa de juros;
c) na ausência dos casos clássico e da armadilha da liquidez, um política
fiscal expansionista eleva a renda;
d) no caso da armadilha da liquidez, uma política fiscal expansionista não
aumenta o nível da renda;
e) quanto maior a renda, maior é a demanda por moeda.

Solução comentada:
Esta questão já foi, de certa forma, comentada em questões anteriores. Todas as afirmativas
estão corretas, exceto a letra d – que é a resposta da questão. Se você tiver dúvidas, retorne
à Aula 8 e releia especialmente o item 8.4.3.

8. (AFRF – PAT – 2002) Considere as seguintes informações:


A = saldo da balança comercial;
B = saldo da balança de serviços;
C = saldo das operações de transferências unilaterais;
D = saldo em transações correntes;
E = movimento de capitais autônomos;
F = movimento de capitais compensatórios;
G = saldo total do balanço de pagamentos.
Com base nessas informações, pode-se afirmar com certeza que:
a) A+ B + C = D + E + F + G
b) A+ B + C + D + E + F + G = 0
c) A + B + C + E + F = 0
d) G = 0
e) A + B + C = D = G = 0

Solução comentada:
a) a letra a está errada porque simplesmente A+B+C = D;
b) a letra b está errada porque D e G estariam sendo contado duas vezes;
c) A letra c está correta pois, de fato, o saldo das transações correntes (=A+B+C) + o
saldo de capitais autônomos (=E) dá G – que é o saldo total do BP. Se G for

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positivo, nós lançamos este resultado com o sinal trocado em “movimento de


capitais compensatórios”, zerando o resultado final do BP; se for negativo, nós
lançamos este resultado com o sinal trocado naquela conta. No final, fica:
A+B+C+E+F = 0. E, portanto, a letra c é a resposta correta.

9. (AFRF – PAT - 2002) Considere as seguintes informações:


-importações de bens e serviços não-fatores: 30;
-renda líquida enviada ao exterior: 100;
-variação de estoques: 10;
-formação bruta de capital fixo: 200;
-poupança líquida do setor privado: 80;
-depreciação: 5;
-saldo do governo em conta corrente: 60.
Com base nas identidades macroeconômicas básicas que decorrem de um sistema
de contas nacionais, é correto afirmar que as exportações de bens e serviços não-fatores é
igual a:
a) 75; b) 65; c) 55; d) 50; e) 45.

Solução comentada:
Uma identidade importante das contas nacionais e que todo candidato deve ter em mente é
esta: Formação bruta de capital fixo (FBKF) + variação de estoques = poupança do setor
privado (Sp) + poupança do governo (Sg) + depreciação (D) + saldo do balanço em
transações correntes (Stc).
Pelos dados da questão, temos: 200 + 10 = 80 + 60 + 5 + Stc
Ou: Stc = 65, ou seja, a BTC deve apresentar um saldo negativo de 65.
Como as importações de bens e serviços não-fatores (= 30) + a renda líquida enviada ao
exterior (=100) dá um total de 130 (negativos), as exportações de bens e serviços não-
fatores será 65 – e resposta é, então, a letra b.

10. (AFRF – PAT – 2002) Considere os seguintes dados:


C = 500 + cY; I = 200; G = 100; X = M = 50;
Onde: C = consumo;
G = gastos do governo;
I = investimento;
X = exportações;
M = importações;
Com base nestas informações, é correto afirmar que:
a) se a renda de equilíbrio for igual a 2.500, a propensão marginal a poupar será
igual a 0,68;
b) se a renda de equilíbrio for igual a 1.000, a propensão marginal a consumir será
maior que a propensão marginal a poupar;
c) se a renda de equilíbrio for igual a 2.000, a propensão marginal a consumir será
igual a 0,5;
d) se a renda de equilíbrio for igual a 1.600, a propensão marginal a consumir será
igual a propensão marginal a poupar;

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e) não é possível uma renda de equilíbrio maior que 2.500.

Solução comentada:
A fórmula do modelo keynesiano para uma economia aberta e com governo é:
Y=C+I+G+X–M
Substituindo nesta equação os valores dados pela questão, temos:
Y = 500 +cY +200 + 100 + 50 –50
Ou: Y = 800 + cY.
Assim, no caso da letra a, teríamos: 2.500 = 800 + c2.500 > ou: 1700 = c2.500 > o que faz
c = 0,68 (que é igual a 1700/2500). Portanto, a resposta da questão é a letra a.
Observe, no entanto, que a letra d também está correta, senão vejamos:
Y = 800 + cY; Substituindo o valor de Y (=1.600) nesta equação, temos:
1.600 = 800 + c1.600 > ou: 800 = c1.600 e c = 0,5. Ora se c (= propensão marginal a
consumir) é 0,5, então a propensão marginal é poupar é também 0,5, e a letra d também
está correta e responde à questão.
Ou seja, há duas respostas corretas para esta questão.

11. (ESAF – MPOG – 2002) Com relação ao multiplicador keynesiano, é correto afirmar
que:
a) se a propensão marginal a consumir for igual à propensão marginal a poupar, o
seu valor será igual a um;
b) numa economia fechada, seu valor depende da propensão marginal a poupar, pode
ser menor que um, e só é válido para os gastos do governo;
c) numa economia aberta seu valor depende da propensão marginal a consumir e
importar, pode ser negativo e vale apenas para os gastos do governo e exportações
autônomas;
d) numa economia fechada, seu valor depende da propensão marginal a poupar, não
pode ser menor que um e vale para qualquer componente dos denominados gastos
autônomos agregados;
e) seu valor para uma economia fechada é necessariamente menor do que para uma
economia aberta.

Solução comentada:
Para que a propensão marginal a consumir (b) seja igual à propensão marginal a poupar (s),
é necessário que ambas sejam = 0,5. Com b = 0,5, o multiplicador k será: k =1/1-0,5 = 2.
Logo a letra a está errada.
Realmente, o valor do multiplicador depende da propensão marginal a poupar (ou da
propensão marginal a consumir – já que uma é o complemento da outra), mas não pode ser
menor que 1 e é válido para todos os componentes dos gastos autônomos e não somente
para os gastos do governo. Logo, a letra b também está errada.
A letra c também está errada, pelas mesmas razões do item anterior.
Pelas mesmas razões acima, a letra d está correta e é a resposta da questão.

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12. (ESAF – APO – MPOG –2002) Supondo o denominado modelo keynesiano generalizado
e considerando como hipótese uma economia aberta e pequena num mundo com
livre e perfeita mobilidade de capital, é correto afirmar que:
a) sob um regime de taxas de câmbio flutuante, somente a política fiscal é eficiente no
que diz respeito aos seus efeitos sobre o produto;
b) sob um regime de taxas de câmbio fixas, a política fiscal é mais eficiente do que a
política monetária no que diz respeito aos seus efeitos sobre o produto;
c) independente do regime cambial, a política fiscal é mais eficiente do que a política
monetária no que diz respeito aos seus efeitos sobre o produto;
d) independente do regime cambial, não como utilizar a política monetária num
mundo de livre mobilidade de capital;
e) independente do regime cambial, a política monetária só terá efeitos sobre a
inflação.

Solução comentada:
Esta questão foi retirada diretamente do Modelo Mundell-Fleming. A resposta correta é a
letra b. Por que? Para saber o por quê só existe um caminho: dê um releitura da Aula 9 –
sobre a interação das políticas fiscal, monetária e cambial, atentando, principalmente, para
o efeito de cada uma das políticas – fiscal e monetária – sob os diferentes sistemas
cambiais: taxas de câmbio fixas e taxas de câmbio flutuantes. Você verá, então, que,
dependendo do regime ou sistema cambial adotado pelo país, a política fiscal pode se mais
indicada do que a política monetária, e vice-versa.

13. (Esaf-APO-MPOG-2002) Com base nas identidades macroeconômicas básicas, é


correto afirmar que:
a) no Brasil, o produto nacional bruto é maior do que o produto interno bruto;
b) se o país obteve um saldo positivo no saldo do balanço de serviços de fatores, então
o produto nacional bruto será maior do que o produto interno bruto;
c) se o saldo em transações correntes for nulo, o produto nacional bruto será igual ao
produto interno bruto;
d) se o saldo total do balanço de pagamentos for positivo, então o produto nacional
bruto será maior do que o produto interno bruto;
e) independente das contas externas do país, o produto interno bruto é
necessariamente maior do que o produto nacional bruto.

Solução comentada:
Lembre-se que a diferença entre o produto interno bruto (PIB) e o produto nacional
bruto (PNB) de um país reside na remessa ou na entrada líquida de renda do exterior
(lucros, juros, etc )- ou seja, as rendas oriundas dos serviços de fatores. No caso brasileiro,
por ser um país em desenvolvimento, nós enviamos mais renda para o exterior do que
recebemos. Logo, nosso PNB é menor do que nosso PIB. Donde se conclui que a letra a
está errada.
Agora, se ao invés de enviar liquidamente renda para o exterior, o país receber
liquidamente essas rendas, então o PNB deste país passa a se maior que o seu PIB. E, em
conseqüência, a letra b está correta e responde à questão.

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Note-se que a diferença conceitual entre PIB e PNB só tem a ver com a renda de fatores
(serviços de fatores) remetidos ou recebidos do exterior, não tendo qualquer outra relação
com outras contas do BP. Por isso, os outros itens da questão 13 estão errados.

14. (Esaf-MPOG-2002) Com base no balanço de pagamentos, é correto afirmar que:


a) o saldo dos movimentos de capitais autônomos tem que se necessariamente igual ao
saldo dos movimentos em transações correntes;
b) as transferências unilaterais têm como única contrapartida de lançamento a
balança comercial;
c) o saldo total do balanço de pagamentos é necessariamente igual a zero;
d) os lucros reinvestidos são lançados com sinal positivo nos movimentos de capitais e
com sinal negativo no balanço de serviços;
e) as amortizações fazem parte do balanço de serviços.

Solução comentada:
O saldo dos movimentos de capitais autônomos (empréstimos, financiamentos,
investimentos, etc.), não têm nada a ver com o saldo da BTC. Como o nome mesmo diz,
eles são “movimentos autônomos” de capitais e podem ser maiores, menores ou, por
coincidência, até iguais ao saldo da BTC. Logo, a letra a está errada.
Já as transferências unilaterais, se forem em mercadorias, a contrapartida é em
“importações”, da balança comercial; se forem em dinheiro, a contra partida será no item
“haveres em moeda no exterior”. Logo, a letra b está também errada.
O saldo do BP é dado pela soma do saldo da BTC + o saldo da conta de capitais autônomos
e este saldo pode ser positivo, negativo ou até zero. Logo, a letra c também está errada.
De outra parte, se uma empresa estrangeira reinveste parte de seus lucros no Brasil, o
registro no BP será: com sinal negativo, na balança de serviços como remessa de lucros e,
com sinal positivo, no item “investimentos diretos”, da conta de capitais autônomos – como
se houvesse uma entrada de recursos nessa conta. Logo, a resposta correta da questão é a
letra d.

15. (Esaf-MPOG-2002) Considere o modelo de oferta e de demanda agregada, supondo a


curva de oferta agregada positivamente inclinada e a curva de demanda agregada
derivada do modelo IS/LM. É correto afirmar:
a) um aumento dos gastos do governo eleva o produto, deixando inalterado o nível
geral de preços;
b) uma elevação da oferta monetária só resulta em alterações no nível geral de
preços;
c) uma elevação do consumo agregado não causa impactos sobre o nível geral de
preços;
d) uma elevação das exportações tende a elevar tanto o produto agregado quanto o
nível geral de preços;
e) uma redução nos impostos não causa alterações no produto agregado.

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Solução comentada
A resposta correta é a letra d. Se você tem dúvidas sobre isso, faça uma revisão de nossa
Aula 10, no modelo de salário nominal (modelo keynesiano), particularmente no item
10.3.2.

16. (Esaf-MPOG-2003) Com relação ao multiplicador keynesiano, é incorreto afirmar:


a) seu valor não pode ser menor do que zero;
b) quanto menor a propensão marginal a consumir, menor será o valor do
multiplicador;
c) seu valor não pode ser maior do que 10;
d) numa economia fechada, se a propensão marginal a consumir for igual a 1/2 ,
então o valor do multiplicador será igual a 2;
e) seu valor é necessariamente maior do que 0,5.

Solução comentada:
A afirmativa constante da letra c é a única incorreta e portanto esta é a resposta da questão.
Apenas um pequena prova de que o valor de k pode ser maior que 10: se a PMgC (b) for
igual a 0,95, então o multiplicador será:
k = 1/1-b >> k = 1/1-0,95 >> k = 1/0,05 >> k = 20 – que é maior que 10.

17. (Esaf-MPOG-2003) Considere as seguintes informações:


Y = 1000; C = 600; I = 300; G = 100; X = 50; M = 50.
Onde, Y = produto agregado; C = consumo agregado; I = investimento agregado; G =
gastos do governo; X = exportações; e M = importações. Supondo que a função consumo
agregado é do tipo C = Ca + cY, onde Ca representa o consumo autônomo e é igual a 100,
pode-se afirmar, com base nos dados apresentados, que a propensão marginal a consumir
é igual a:
a) 0,50; b) 0,70; c) 0,90; d) 0,85; e) 0,30.

Solução comentada:
Como já foi visto anteriormente, o modelo keynesiano completo é dado pela equação:
Y = C + I + G + X – M. Assim, substituindo os dados propostos na questão nesta equação,
temos: 1000 = 100 +c1000 + 300 + 100 + 50 – 50
Ou: 500 = c1000 e, portanto, c = 0,5 e a resposta correta é a letra a.

18. (MPOG- APO – 2005) Considere;


Y = C(Y) + I + G + X – M(Y)
C(Y) = Co + 0,7Y
M(Y) = Mo + 0,5Y
I = 700; G = 200; X = 300; Co = 500; Mo = 100
Onde, Y = produto; I = investimento; G = gastos do governo; X = exportações;
M = importações; Co = consumo autônomo; Mo = importações autônomas.
Com base nessas informações é incorreto afirmar:
a) ∆Y/∆Co = 1,5
b) No equilíbrio, Y = 2.000;
c) No equilíbrio, C = 1.900;

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d) No equilíbrio, M = 1.100;
e) Se ∆G = 100, então ∆Y = 125.

Solução comentada:
Antes de mais nada, vamos achar com os dados mencionados acima o valor do produto
de equilíbrio(Y), fazendo as devidas substituições na equação: Y=C(Y) +I+G+X-M(Y):
Y= 500 + 0,7Y + 700 +200 + 300 – 100 – 0,5Y
Y = 1600 + 0,7Y – 0,5Y
Y – 0,2Y = 1600
0,8Y = 1600
Y = 1600/0,8 = 2000.
O produto de equilibrio é, portanto, 2000. Com base neste achado, podemos verificar
que:
a) A letra b está correta;
b) O consumo (C) = 500 + 0,7 x 2000 = 1900, e, portanto, a letra c também está
correta;
c) M = 100 + 0,5 x 2000 = 1.100, e, portanto, a letra d também está correta;
d) Pelo que se viu acima, o multiplicador (k) = 1/0,8 = 1,25. Assim, se o governo
aumentar seus gastos em 100, o aumento em Y será = 1,25 x 100 = 125, e, portanto,
a letra e também está correta.
e) Por exclusão, a letra a é a única afirmativa incorreta e, portanto, é a resposta da
questão.

19. (MPOG –AP0 – 2005) – Considere os seguintes dados:


-investimento privado: 300;
-poupança privada: 300;
-investimento público: 200;
-poupança do governo: 100.
Com base nessas informações e considerando as identidades macroeconômicas básicas, a
economia apresenta:
a) um déficit em transações correntes de 100 e um superávit público de 100;
b) um superávit em transações correntes de 100 e um déficit público de 100;
c) um déficit em transações correntes de 100 e um déficit público de 100;
d) um déficit em transações correntes de 100 e um déficit público nulo;
e) um déficit em transações correntes nulo e um superávit público de 100.

Solução comentada:
- A formação bruta de capital fixo (FBKF), no presente caso, corresponde à
soma do investimento privado (300) + o investimento público ( 200) = 500.
- De outra parte, a poupança total da economia (para financiar estes
investimentos) se compõe de: poupança privada (300) + poupança do
governo em conta corrente + poupança externa (= déficit em transações
correntes).
- Ou seja, é necessária uma poupança do governo + poupança externa = 200.
Assim, a única alternativa que fornece estes 200 é a letra a.

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20. (Esaf-MPOG-2003) Considere os seguintes dados para uma economia hipotética:


-variação de estoques: 20;
-formação bruta de capital fixo: 100;
-poupança líquida do setor privado: 50;
-depreciação: 5;
-saldo do governo em conta corrente: 50.
Com base nas identidades macroeconômicas básicas para uma economia aberta e com
governo, podemos afirmar que esta economia apresentou:
a) saldo nulo no balanço de pagamentos em transações correntes;
b) superávit no balanço de pagamentos em transações correntes no valor de 15;
c) déficit no balanço de pagamentos em transações correntes no valor de 25;
d) superávit no balanço de pagamentos em transações correntes no valor de 25;
e) déficit no balanço de pagamentos em transações correntes no valor de 15.

Solução comentada:
Observe como este tipo de questão tem caído de forma recorrente nas provas de
Macroeconomia. Mas, vamos lá:
-O investimento total da economia = FBKF + variação de estoques = 120;
-Por sua vez, a poupança necessária para financiar este investimento vem de: poupança
líquida do setor privado (50) + depreciação (5) + saldo do governo em conta corrente (50) +
saldo da balança em transações correntes (?).
-Ou seja, a poupança conhecida = 50 + 5 + 50 = 105. Então é necessário um déficit em
transações correntes = 15. Portanto, a resposta correta é a letra e.

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Bom, meus alunos, com essa 12ª Aula – só de questões de provas passadas – nós
estamos concluindo nosso Curso de Economia I – on-line. Espero que vocês tenham
gostado e tenham tido um bom proveito. Breve, breve, estaremos montando o Curso de
Economia II – abordando outros tópicos que eventualmente apareçam no Edital do
Concurso para o AFRF e que não tenham sido tratados neste nosso 1° Curso. Até lá, então.
E não parem de estudar. Um abraço a todos vocês!

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