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MATERIAIS NÃO-CONVENCIONAIS UTILIZADOS PARA CONTROLE DE RUÍDOS: MITO OU REALIDADE BASTOS, L. P. 1 ;

MATERIAIS NÃO-CONVENCIONAIS UTILIZADOS PARA CONTROLE DE RUÍDOS: MITO OU REALIDADE

BASTOS, L. P. 1 ; MELO, G. S. V. 2 ; VERGARA, E. F. 3

(1) Universidade Federal de Santa Catarina; (2) Universidade Federal do Pará; (3) Universidade Federal de Santa Maria

RESUMO

Dispositivos acústicos como painéis, barreiras, etc., quando de alta eficiência, geralmente, são de custosa aquisição, tornando, em muitas das vezes, inviável sua utilização, principalmente, por empresas de pequeno porte e orçamento limitado. Além disso, a pouca importância dada por empresas e/ou empregadores à qualidade acústica de certos ambientes dificulta a aquisição e, consequentemente o emprego destes materiais. Dessa forma, materiais não-convencionais, como caixas de ovos e placas de isopor, por serem de baixo custo, fácil aquisição e devido à crença popular, são utilizados para controlar ruídos, sem que se tenha conhecimento de suas características acústicas e sem saber se realmente podem ser utilizados para esta finalidade, pois podem representar uma fonte de riscos desnecessária ao estabelecimento em que estiverem sendo utilizados, e, principalmente, às pessoas que vierem a frequentá-lo, em casos de incêndio ou proliferação de fungos por parte do material. Este trabalho avalia o desempenho acústico desses materiais através de ensaios para a determinação de seus coeficientes de absorção sonora e perda de transmissão, desmistificando conceitos equivocados a respeito dos mesmos, contribuindo para difundir alguns conceitos de acústica arquitetônica através de situações práticas.

ABSTRACT

Acoustic devices such as panels, barriers, etc., when of high efficiency generally are of difficult acquisition due to high costs, turning, in many cases, their use impracticable, mainly for limited budget small-sized companies. Additionally, little importance given by companies and / or employers to the acoustic quality of certain environments complicates the acquisition and consequently the use of these materials. Thus, non- conventional materials, such as egg boxes and Styrofoam plates, are used to control noises due to their low cost, easy acquisition and also to the popular misunderstanding, without knowledge of their acoustical characteristics and applicability, because they can represent a unnecessary source of risk to the environment in which they are being employed and, mainly, to the people that will come to attend it, in case of fires or fungus proliferation by the referred materials. Therefore, the present work evaluate the acoustical performance of those materials through tests aiming to determine their sound absorption coefficients and transmission loss characteristics, explaining correctly some frequently mistaken concepts, contributing to diffuse some Architectural Acoustics’ notions through practical situations.

Palavras-Chave: Poluição Sonora, Materiais não-convencionais, Desempenho Acústico.

1. INTRODUÇÃO A maioria dos produtos utilizados em tratamentos acústicos possui como matéria-prima, materiais provenientes de fontes não-renováveis, de origem sintética, de elevado tempo de degradação, de alto custo de produção, e alguns casos, tóxicos, como a fibra de vidro, por exemplo. Estas características aliadas ao desconhecimento e desinteresse por parte de certas empresas e/ou empregadores à cerca da qualidade acústica de determinados ambientes, dificultam a aquisição e, consequentemente, o emprego destes materiais.

Neste sentido, a busca por novos materiais de baixo custo, fácil acesso e aquisição, desempenho acústico satisfatório atestado em laboratório, e êxito reconhecido através de aplicações reais, é

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necessária para o desenvolvimento de produtos que possam ser utilizados para a finalidade de controle de ruído. Portanto, este trabalho tem como objetivo avaliar as propriedades acústicas de materiais não-convencionais (caixas de ovos e isopor) que comumente são utilizados com o propósito de controlar de ruídos sem que esta utilização seja atestada cientificamente. Adicionalmente, este trabalho busca difundir determinados conceitos em acústica arquitetônica por meio de situações práticas.

2. MATERIAIS ACÚSTICOS: FUNDAMENTOS Os materiais considerados bons absorvedores acústicos, no que concerne à absorção resistiva, são normalmente porosos e/ou fibrosos, leves e apresentam estrutura (configuração) interna de espaços vazios ou microcavidades favoráveis acusticamente. Dessa forma, quando certa energia acústica incide sobre estes, parte é dissipada em energia térmica através da viscosidade do ar, enquanto que uma pequena parte é transmitida através do material, fazendo com que a energia acústica refletida apresente intensidade reduzida (ver Figura 1a). Esse fenômeno ocorre tanto em materiais porosos quanto em materiais fibrosos, só que por mecanismos diferentes. Nos materiais porosos a energia acústica incidente entra pelos poros e dissipa-se por reflexões múltiplas e atrito viscoso do ar, transformando-se em energia térmica (ver Figura 1b). Já nos materiais fibrosos, a energia acústica incidente entra pelos interstícios das fibras, fazendo-as vibrarem junto com o ar. Este movimento (de histerese) das fibras gera atrito e promove conversão de energia acústica em energia térmica (ver Figura 1c) (GERGES, 2000).

em energia térmica (ver Figura 1c) (GERGES, 2000). Figura 1 - (a) Absorção sonora promovida por

Figura 1 - (a) Absorção sonora promovida por um material acústico, (b) mecanismo de absorção de um material acústico poroso, (c) mecanismo de absorção de um material acústico fibroso; em que: é a energia acústica incidente, é a energia refletida, é a energia dissipada e é a energia transmitida.

A busca por materiais com as características mencionadas na seção 1, é tão grande, que certos materiais, como caixas de ovos e placas de isopor, por exemplo, são empregados com a finalidade de controle de ruído mesmo que não sejam conhecidas suas propriedades acústicas e outras características relevantes, e de forma mais preocupante, sem que a utilização para esta finalidade seja comprovada.

Para que determinados materiais sejam utilizados para controlar ruídos, é necessário que estes apresentem bom desempenho em outros aspectos além do acústico, para que não representem uma fonte de riscos desnecessária não só ao ambiente em que estiverem sendo utilizados, mas, principalmente, às pessoas que vierem a frequentá-lo. Por exemplo, fibras naturais são inflamáveis por natureza, dessa forma, é de fundamental importância que painéis acústicos, fabricados a partir destes materiais, resistam ao fogo quando utilizados como revestimento interno de ambientes. Outros materiais podem exalar fortes odores, ou acelerar a proliferação de fungos, facilitando sua degradação, entre outros.

Caixas e cartuchos de papelão liso e papelão ondulado são geralmente utilizados como embalagens de armazenamento por indústrias de diferentes segmentos. Essas embalagens de papelão podem ser

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moldadas em vários formatos (ver Figura 2a) e são relativamente leves. O papelão é biodegradável e reciclável, entretanto, não é resistente a chamas nem à umidade, restringindo assim, sua gama de aplicações. Razoável capacidade de absorção sonora é atribuída à caixa de ovos, mesmo que sem comprovação. Isto possivelmente é explicado pelo fato de sua geometria remeter à geometria de vários materiais de absorção comercialmente disponíveis (ver Figuras 2b e 2c).

O perfil sinuoso nos materiais acústicos convencionais tem como funções principais: aumentar a

área do material e alterar gradativamente a impedância acústica entre o ar e a espuma, o que acaba potencializando sua eficiência de absorção. Dessa forma, o bom desempenho atribuído às caixas de ovos enquanto absorvedor sonoro é creditado à forma e não ao material já que as caixas são constituídas de papelão e este impede o fluxo de ar através de sua estrutura e isto vai de encontro com uma das características que um material deve possuir para ser bom absorvedor sonoro que é boa resistência ao fluxo, porém, não total (GERGES, 2000).

resistência ao fluxo, porém, não total (GERGES, 2000). Figura 2 - (a) Caixa de ovos e

Figura 2 - (a) Caixa de ovos e materiais absorvedores sonoros com geometrias semelhantes: (b) espumas de melamina com cunhas arredondadas e (c) espumas de poliuretano com cunhas piramidais.

Fonte: (b) e (c) http://www.thumbcy.com/nda.php

Em relação ao isopor, a este é popularmente creditado bom desempenho acústico enquanto absorvedor e também enquanto isolante acústico, o que dificilmente pode ser verdade já que as características para desempenhar essas funções são opostas. Para ser bom isolante acústico o material tem de ser, basicamente, denso e rígido; já para ser um absorvedor eficiente, o material tem

de ser flexível e possuir boa resistência ao fluxo de ar.

As principais características do isopor, segundo a Associação Brasileira de Poliestireno Expandido (ABRAPEX), são: resistência ao envelhecimento, elevadas resistência à compressão e absorção de choques, boa resistência mecânica, baixa condutividade térmica, baixo peso e facilidade de manuseio, excelente isolante térmico na faixa de -70ºC a 80ºC e, cerca de 97% de seu volume é constituído de ar. Além disso, o isopor pode ser encontrado em diversos formatos, como em placas

de variadas espessuras (ver Figura 3a), e em densidades, geralmente, entre 18 e 25 kg/m 3 . Por outro

lado, é inflamável e pode ser atacado por roedores.

Uma explicação para que o isopor seja (erroneamente) interpretado como material de isolamento acústico está relacionada talvez ao fato de que este material é conhecido pelo seu bom desempenho como isolante térmico. Assim, como existem materiais que partilham características comuns às do isopor e que são utilizados tanto para isolamento acústico, em preenchimento de portas acústicas, forros, caixas acústicas, etc., quanto para isolamento térmico, em caldeiras, fornos, tubulações, etc., (por exemplo, lã de vidro e lã de rocha) as propriedades dos materiais são confundidas, e uma generalização equivocada acaba creditando ao isopor, características que de fato não possui.

Outra explicação plausível está no fato de que este material possui poros fechados (ver Figura 3b), o que dificulta o escoamento de ar através de sua estrutura e, consequentemente, trocas de calor por convecção. Assim, é acreditado que o mesmo aconteça com o som, o que não ocorre.

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Adicionalmente absorção e isolação sonoras são frequentemente confundidas. Este fato contribui para o desentendimento a respeito das características acústicas de determinados materiais e, consequentemente, leva a atribuições incorretas. Um exemplo comum desta situação é dizer que o isopor é bom absorvedor sonoro. Essa atribuição possivelmente se deve ao fato de que este material também se assemelha a determinados materiais absorvedores sonoros (ver Figura 3c) tanto no aspecto visual quanto como na sua capacidade de resistir a deformações (característica comum entre os materiais acústicos) ou por sua elevada porosidade, por exemplo. Então, por possuir algumas características em comum, é acreditado que o isopor absorva energia sonora como os materiais acústicos, o que também não ocorre.

Observando-se as Figuras 3b e 3d, verifica-se que a micrografia de uma amostra de isopor, mostrada na Figura 3b, difere bastante da micrografia de um material absorvedor sonoro mostrada na Figura 3d. Estas micrografias, mesmo que em resoluções diferentes, são utilizadas somente para mostrar as diferenças existentes entre as estruturas internas dos materiais comparados. No que se refere à resistência ao fluxo, é possível notar que o material absorvedor sonoro (espuma de poliuretano) possui poros de células abertas para permitir a entrada de ar através de sua estrutura, possibilitando a visualização de várias camadas do material. No caso do isopor, não é possível visualizar a mesma característica estrutural da espuma de poliuretano, sendo, portanto, um fator que pesa contra a possibilidade de ser um bom absorvedor sonoro.

pesa contra a possibilidade de ser um bom absorvedor sonoro. Figura 3 - (a) Placas de

Figura 3 - (a) Placas de poliestireno expandido EPS (isopor) e (b) micrografia de uma amostra de EPS com resolução de 60 x, (c) espuma de poliuretano e (d) micrografia de uma amostra de espuma de poliuretano com resolução de 70 x.

Fonte:

www.hull.ac.uk/acoustics/r7.htm.

(a)

e

(b)

http://www.acepe.pt/eps/eps_prop_term.asp,

(c)

http://www.sonex.com.br

e

(d)

Recentemente, alguns trabalhos tiveram como objeto de estudo painéis de fibras vegetais fabricados industrialmente (ver Figuras 4a e 4b) (MAFRA, 2004; VIEIRA, 2008) e artesanalmente (ver Figuras 4c) (BASTOS et al., 2009), concluindo-se após vários ensaios sob aspectos diversos (flamabilidade, odor, proliferação de fungos, envelhecimento, etc.) que estes materiais podem ser utilizados como painéis absorvedores sonoros, pois seu desempenho é compatível e, em alguns casos, superior, ao desempenho de materiais convencionais.

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Figura 4 - (a) e (b) Painéis industriais de fibra de coco de diferentes espessuras

Figura 4 - (a) e (b) Painéis industriais de fibra de coco de diferentes espessuras e densidades e (c) painéis artesanais de fibras de (1) dendê, (2) sisal, (3) açaí e (4) coco.

Fonte: (a) e (b) VIEIRA, 2008 e (c) BASTOS et al., 2009.

Embora apresentem bom desempenho e uma série de características positivas, estes painéis de fibras vegetais não podem ser considerados, pelo menos por enquanto, como materiais convencionais para controle de ruído. Pois, ainda que haja algumas empresas fabricantes desses produtos por meio de uma linha de produção aperfeiçoada e quase totalmente automatizada, e mesmo que sua produção seja relativamente em grande escala, nenhuma dessas empresas concebe esses painéis com a finalidade de controle de ruído. A prova maior disto é que nenhuma destas empresas fornece a curva de coeficiente de absorção sonora desses materiais em função da frequência. O que acontece é que, alguns desses materiais, por possuírem bom desempenho acústico, principalmente no que se refere à capacidade de absorção sonora, ocasionalmente obtida pelo processo produtivo e pelas características dos materiais envolvidos, acabam sendo utilizados para essa finalidade. Ocorre também de essas empresas modificarem alguns parâmetros durante o processo de fabricação, como a espessura do painel ou densidade, por exemplo, para atender a uma determinada demanda, e isso acaba potencializando a capacidade de absorção sonora desse painel sem que seja essa a intenção real do fabricante.

Em outras palavras, conceber um material absorvedor sonoro é substancialmente diferente de conceber um material que pode ser utilizado para a finalidade de controle de ruído. No processo de fabricação do primeiro, os parâmetros envolvidos são ajustados para resultarem na melhor eficiência, pois sua função primordial é a de um material com características acústicas (absorver ou isolar ondas sonoras). No processo de fabricação do segundo, tenta-se agregar características acústicas ao material sem se preocupar em conseguir, ou mesmo sem saber como obter, a melhor eficiência quando do ajuste dos parâmetros do processo produtivo, pois absorver ou isolar ondas sonoras é apenas uma de suas funções secundárias.

3. METODOLOGIA

As amostras aqui analisadas foram caixas de ovos (10,11 m 2 ) e placas de isopor (10,80 m 2 ) de 18 kg/m 3 de densidade e dimensões iguais a 1 m x 1,2 m x 0,05 m (altura x largura x espessura). Esses materiais foram selecionados principalmente porque, em algumas situações, são empregados para controlar ruídos sem que sua aptidão e eficiência, para tal finalidade, sejam comprovadas; às vezes são anunciados e comercializados com propriedades acústicas sem que essas sejam informadas pelo vendedor (fabricante); e por fim, pelo fato do objetivo deste trabalho ser o de desmistificar, através de ensaios experimentais, os conceitos equivocados que se tem a respeito dos referidos materiais, por grande parte da população. Este fato se deve, fortemente, à crença popular e à veiculação de poucas informações, na maioria, incorretas, a respeito dos mesmos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram realizados ensaios para quantificar, a capacidade de absorção sonora das placas de isopor e

das caixas de ovos, e também, a capacidade de isolamento sonoro das referidas placas. Os

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equipamentos utilizados (ver Figuras 5a, 5b e 5c) para executá-los foram os seguintes: Calibrador de nível sonoro, Bruel & Kjaer, tipo 4230 (94 dB, 1.000 Hz) de número de série 1351791; Fonte sonora, Bruel & Kjaer, tipo 4224, nº1491240; Medidor de nível sonoro, 01dB-Metravib, Blue Solo 01, nº.60266; Pré-amplicador de microfone, 01dB-Metravib, PRE 21 S, nº 12943 e Microfone, GRAS, MCE 212, nº 75246.

PRE 21 S, nº 12943 e Microfone, GRAS, MCE 212, nº 75246. Figura 5 - (a)

Figura 5 - (a) Microfone e suporte, (b) fonte sonora e (c) medidor de nível de pressão sonora e computador.

Os ensaios foram conduzidos em câmaras normalizadas, de transmissão sonora (câmaras germinadas) e reverberante. Na câmara reverberante, foram realizados ensaios para a determinação do coeficiente de absorção sonora com base na norma ISO 354/1999. Nas câmaras germinadas, foram realizados ensaios para a determinação da perda de transmissão (PT), tendo-se como base a norma ISO 140/1997. Estes ensaios foram executados no Laboratório de Acústica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e foram utilizadas duas posições de fonte e seis posições de microfone para todos os ensaios, sendo executadas três medições em cada posição de microfone. A configuração das amostras na câmara reverberante (ver Figura 6a) pode ser vista nas Figuras 6b e

6c.

(ver Figura 6a) pode ser vista nas Figuras 6b e 6c. Figura 6 - (a) Câmara

Figura 6 - (a) Câmara reverberante vazia, (b) caixas de ovos e (c) placas de isopor (EPS).

Os resultados, em relação ao coeficiente de absorção sonora dos materiais ensaiados, podem ser vistos na Figura 7.

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Figura 7 - Coeficientes de absorção sonora das caixas de ovos, placas de isopor e

Figura 7 - Coeficientes de absorção sonora das caixas de ovos, placas de isopor e câmara vazia.

Ensaios anteriores realizados em papelão plano revelaram baixo desempenho deste material quanto à capacidade de absorção sonora, podendo ser negligenciado como absorvente sonoro (SANTOS, 2005). Porém, a geometria das caixas de ovos em papelão contribui para mudar esse baixo desempenho e é responsável pela eficiência razoável desse material a partir de 800 Hz de acordo com a figura 7. Desta forma, pode-se concluir que a geometria das embalagens de papelão influencia realmente na sua capacidade de absorção sonora, podendo-se até dizer que há uma relação direta entre sua geometria e os mecanismos e frequências de absorção (SANTOS, 2005).

Em relação ao isopor, mesmo apresentando grande dificuldade em permitir o fluxo de ar através de sua estrutura, este apresentou desempenho razoável quanto à capacidade de absorção sonora a partir de 1.000 Hz ainda de acordo com a figura 7. Desta forma, se conclui que provavelmente o mecanismo de absorção do isopor seja diferente dos mecanismos de absorção mencionados anteriormente, necessitando-se de um estudo mais detalhado a respeito deste material e dos principais parâmetros relacionados com seu comportamento acústico. Adicionalmente, embora a colocação de material absorvedor no interior de um ambiente tenha como principal finalidade a redução (ou eliminação) das diversas reflexões sonoras que ocorrem neste ambiente, e, consequentemente, da reverberação, isto implica também na redução de ruído deste ambiente. Normalmente essa redução é muito pequena frente à redução proporcionada por barreiras, enclausuramentos, etc., entretanto, o conforto gerado com o aumento da absorção é tal, que se tem a impressão de que os níveis sonoros foram reduzidos mais do que as medições revelam (BISTAFA,

2006).

Para a determinação da perda de transmissão das placas de isopor, determinou-se, anteriormente, a perda de transmissão de uma parede de tijolos de 2 furos com 0,01 m de cimento em ambos os lados. Em seguida, as placas de isopor foram coladas na referida parede (ver Figura 8c) que separava as câmaras, emissora (ver Figura 8a) e receptora (ver Figura 8b), na face voltada para a câmara emissora, e dessa forma, o acréscimo promovido na perda de transmissão, agora do conjunto parede + placas de isopor, seria creditado às placas de isopor.

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Figura 8 - (a) Câmara emissora, (b) câmara receptora e (c) placas de isopor (EPS)

Figura 8 - (a) Câmara emissora, (b) câmara receptora e (c) placas de isopor (EPS) coladas na parede.

Os resultados obtidos para a perda de transmissão das placas de isopor podem ser vistos na Figura

9.

das placas de isopor podem ser vistos na Figura 9. Figura 9 - Perda de transmissão

Figura 9 - Perda de transmissão sonora das placas de isopor.

Analisando o gráfico da Figura 9, é possível observar que o desempenho do isopor enquanto isolante acústico é muito baixo, principalmente entre 500 Hz e 2000 Hz que é uma região muito sensível à audição humana e de grande importância para a inteligibilidade, podendo ser considerado negligenciável. Adicionalmente, na maior parte da faixa de frequência de análise, sua perda de transmissão não atinge valores que alterem a percepção do ruído pelas pessoas. O ouvido humano é capaz de perceber variações no nível de pressão sonora da ordem de 1 dB (GERGES, 2000), porém, esta percepção fica restrita a condições rigorosamente controladas de ambientes laboratoriais. Na prática, entretanto, onde se está sujeito a nível de ruído de fundo significativamente variável, ruídos aleatórios diversos, etc., tem-se que variações de 1 dB a 3 dB são quase perceptíveis; da ordem de 6 dB, são claramente perceptíveis; e da ordem de 10 dB, são variações substanciais.

5. CONCLUSÕES Em relação ao isopor, sua capacidade de isolamento sonoro é muito baixa, haja vista que não promove reduções no nível de ruído que possam ser percebidas por pessoas. Porém, se mostrou um absorvedor razoável a partir de 1.000 Hz, mesmo não apresentando as principais características físicas de um material absorvedor (boa resistência ao fluxo). Assim, a mais provável explicação para este fato é a de que o mecanismo de absorção do isopor não se enquadre nos mecanismos de absorção mencionados anteriormente, sendo necessário um estudo mais detalhado a respeito deste material e suas propriedades.

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Em relação às caixas de ovos, de fato, sua geometria influencia na sua eficiência enquanto absorvedor, fato este comprovado pelo desempenho razoável obtido a partir de 800 Hz. Porém, é preciso determinar de que maneira sua geometria se relaciona com sua capacidade de absorção sonora, já que a matéria-prima da qual este produto é constituído não tem influência positiva sobre seu coeficiente de absorção sonora, necessitando-se de outros testes envolvendo este material.

Em relação ao coeficiente de absorção sonora dos materiais ensaiados, embora tenham sido, comprovadamente, considerados razoáveis, para que possam ser utilizados para a finalidade de controle de ruído, é necessário que estes apresentem bom desempenho em outros aspectos para que não representem riscos ao estabelecimento em que estiverem sendo utilizados e, principalmente, às pessoas que vierem a frequentá-lo, no caso de incêndios ou de proliferação de fungos, por exemplo.

As necessidades em se controlar ruídos e em se ter materiais eficientes mais acessíveis, aliadas à crença popular, contribuem para a utilização de materiais não-convencionais, como caixas de ovo e isopor, para controlar ruídos, sem se ter conhecimento de suas propriedades acústicas ou mesmo se podem ser utilizados para tal. Esse pensamento ganha força, pois, o que acontece na realidade é que, pelo fato de esses materiais serem de baixo custo e fácil aquisição, e em muitas situações em que são utilizados não é exigida alta eficiência, como no caso de ambientes domésticos, estúdios amadores, etc., acabam atendendo, na maioria das vezes, às necessidades dos usuários. Ou seja, nestes casos, a preocupação com o custo é maior do que a preocupação com a eficiência ou com os riscos que estes materiais podem oferecer ao ambiente e às pessoas que o frequentarem. Deve-se, portanto, estudar mais a fundo esses materiais, no sentido de determinar suas capacidades de resistir a chamas, a fungos, verificar se exalam fortes odores, se degradam facilmente, entre outros, procurando corrigir uma eventual deficiência de modo que estes materiais passem a fazer parte da gama de materiais comercialmente disponíveis para controlar ruídos, com a vantagem de serem de baixo custo e fácil aquisição.

REFERÊNCIAS

BASTOS, L. P.; HENRIQUES, N. J. M.; SOEIRO, N. S.; MELO, G. S. V. M

characterization of panels manufactured from vegetable fibers. IN: 20TH INTERNATIONAL CONGRESS OF MECHANICAL ENGINEERING. ANAIS, 2009.

Development and acoustic

BISTAFA, S. R. Acústica Aplicada ao Controle de Ruído. São Paulo - SP: Editora Edgar Blücher, 2006.

GERGES, S. N. Y. Ruído: Fundamentos e Controle. 2. ed. Florianópolis. NR Editora, 2000.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 140: Acoustics Measurement of Sound Absorption in Reverberation Rooms, 1997.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 354: Measurements of sound absorption in a reverberation room, 1999.

MAFRA, M. P. A. Desenvolvimento de infra-estrutura para caracterização e análise de painéis acústicos. 2004. 135 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal do Pará, Belém, 2004.

SANTOS, J. L. P. Estudo do Potencial Tecnológico de Materiais Alternativos em Absorção Sonora. Santa Maria:

editora UFSM, 2005.

VIEIRA, R. J. A. Desenvolvimento de painéis confeccionados a partir de fibras de coco para controle acústico de recintos. 2008. 262 f. Dissertação de Mestrado, Setor de Ciências Exatas, Vibrações e Acústica, Universidade Federal do Pará, Belém, 2008.

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