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Voto nº 9725 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 837.231-3/3-00


Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76.

— A confissão do réu na Polícia, ainda que repudiada em Juízo, pode justificar


decreto condenatório, se em harmonia com os mais elementos de convicção dos
autos; ao seu aspecto intrínseco é que se deve atender, não à circunstância do
lugar onde a presta o confitente.
—“Para os chamados penalistas práticos, a confissão do acusado se equiparava à
própria coisa julgada, como ensinava Farinácio: Confessio habet vim rei
judicatae” (José Frederico Marques, Estudos de Direito Processual Penal, 1a.
ed., p. 290).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 9726 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 877.974-3/6-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, § 3º, do Cód. Penal;
arts. 202 e 386, nº IV, do Cód. Proc. Penal.

— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto
condenatório.
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a
Juízo para mentir.
— As qualificadoras do art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal (emprego de arma
de fogo e concurso de agentes) não se aplicam à figura do latrocínio (art. 157, §
3º), conforme a lição da melhor doutrina (cf. Damásio E. de Jesus, Código
Penal Anotado, 18a. ed., p. 593) e a jurisprudência dos Tribunais (cf. Rev. Tribs.,
vol. 746, p. 599; 780/583, etc.).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
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Voto nº 9727 — HABEAS cORPUS Nº 1.183.068-3/9-00

Art. 148, § 1º, nº II, do Cód. Penal;


art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável, pode o
réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua prisão
preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de Jesus,
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 246).

Voto nº 9736 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.036.426-3/5-


00
Art. 59 do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12, § 2º, nº II, 16 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 66, nº III, alínea “e”, da Lei de Execução Penal;
art. 35 da Lei nº 11.343/06.

— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo


a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A causa de aumento de pena do art. 18, nº III, da Lei nº 6.368/76 (“decorrer de
associação”), já não subsiste e, pois, não pode ser reconhecida à luz da nova Lei
de Drogas (Lei nº 11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime
autônomo (art. 35).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
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Voto nº 9737 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 957.039-3/2-00


Arts. 149, 184, 202 e 251, do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76.

–– Ainda que o requeira a Defesa, não está obrigado o Juiz a ordenar seja o acusado
submetido a exame médico-legal, se não há dúvida sobre sua integridade mental
ou alguma circunstância do processo lhe indique a necessidade da realização da
providência (art. 149 do Cód. Proc. Penal).
— A mera alegação de falta de higidez psíquica do réu não basta a deferir-lhe
pedido de instauração de incidente de insanidade mental; é mister que o
verifique o Juiz à luz dos elementos informativos dos autos e, na condição de
presidente e diretor do processo, decida, com prudente arbítrio, se necessária ou
não a diligência, que importa sempre demora, muita vez escusada, na prestação
jurisdicional (art. 149 do Cód. Proc. Penal).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
—“A majorante prevista no art. 18, nº III, da Lei nº 6.368/76 ocorre quando a
associação criminosa é meramente eventual, configurativa de simples concurso
de agentes (co-autoria ou participação), sem que haja quadrilha previamente
organizada” (STJ; rel. Min. Vicente Leal; in Rev. Tribs., vol. 823, p. 553).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 9738 — agravo em execução Nº 1.158.436-3/0-


00
Arts. 76 e 116, parág. único, do Cód. Penal;
art. 181, § 1º, alínea “e”, da Lei de Execução Penal.

–– É maior de toda crítica a decisão que, por amor do princípio que rege o
cumprimento de penas nos casos de concurso de infrações (art. 76 do Cód.
Penal), somente suspende a pena restritiva de direitos (prestação de serviços à
comunidade), sem convertê-la em privativa de liberdade, a fim de que se execute
primeiro “a pena mais grave”.
––“Assim, o executado cumprirá a pena privativa de liberdade para, somente
depois, ter a possibilidade de prestar serviços à comunidade, devendo esta ser
suspensa enquanto cumpre aquela, em respeito ao art. 116, parág. único, do
Cód. Penal” (STJ; REsp nº 662.066-SC; 5a. T.; rel. Min. José Arnaldo da
Fonseca; DJU 1º.8. 2005; v.u.).
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Voto nº 9739 — agravo em execução Nº 1.160.631-
3/0-00
Arts. 86, nº I, 89 e 90, do Cód. Penal.

—“Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena
privativa de liberdade” (art. 90 do Cód. Penal).
––“Uma vez cumpridas as condições e expirado o prazo do livramento condicional
sem revogação (art. 90 do Cód. Penal), a pena é automaticamente extinta” (STJ;
RHC nº 8.363-RJ; 6a. Turma; rel. Min. Fernando Gonçalves; DJU 24.5.99, p.
202).

Voto nº 9740 — agravo em execução Nº 1.154.524-3/3-


00
Art. 197 da Lei de Execução Penal.

— Se o sentenciado cumpriu inteiramente sua pena, carece de legítimo interesse o


pedido de reforma da decisão que lhe desclassificou falta disciplinar de natureza
grave para média. Em conseqüência, agravo em execução interposto com essa
finalidade está prejudicado, visto perdeu o objeto (art. 197 da Lei de Execução
Penal).

Voto nº 9741 — agravo em execução Nº 1.154.533-3/4-


00
Art. 197 da Lei de Execução Penal.

— Se o sentenciado cumpriu inteiramente sua pena, carece de legítimo interesse o


pedido de reforma da decisão que lhe restabeleceu o regime semi-aberto. Em
conseqüência, agravo em execução interposto com essa finalidade está
prejudicado, visto perdeu o objeto (art. 197 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 9742 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 873.535-3/4-00


Arts. 70 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 226, II e 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal.

— A vítima de roubo, pelo contacto que manteve com o réu, é pessoa a mais
capacitada a reconhecê-lo. Suas palavras, por isso, merecem credibilidade e
podem justificar condenação.
— É questão fria nos pretórios da Justiça que as regras do art. 226 do Cód. Proc.
Penal, de caráter suasório ou de recomendação, podem ser postergadas, se
impossíveis de executar ou se o dispensar o caso concreto. Não acarreta,
portanto, a nulidade do processo o reconhecimento do réu pela vítima, sem as
formalidades legais, se esta lhe não pôs em dúvida a identidade física. O fim a
que deve atender o ato do reconhecimento — não importando as circunstâncias
de sua realização — é se o sujeito passivo, ao indicar o autor do roubo, fê-lo, ou
não, com certeza e espontaneidade.
—“Responde por roubos em concurso formal o sujeito que, num só contexto de fato,
pratica violência ou grave ameaça contra várias pessoas, produzindo
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multiplicidade de violações possessórias” (Damásio E. de Jesus, Código
Penal Anotado, 18a. ed., p. 591).

Voto nº 9743 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 874.781-3/3-00


Arts. 33, § 2º, alínea “b”, 59 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 386, nº IV, do Cód. Proc. Penal.

— É a palavra da vítima suficiente para embasar decreto condenatório, máxime se


em harmonia com os mais elementos de convicção dos autos. A razão é que a
pessoa, cujo direito foi violado, não se propõe senão obter Justiça, como forma
de reparação do dano causado à ordem moral da sociedade.
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a
pena inferior a 8 anos o benefício do regime semi-aberto; o Código Penal, o que
veda às expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior a 8 anos
(não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos.

Voto nº 9744 — agravo em execução Nº 1.152.604-3/4-


00
Art. 121, § 2º, ns. II e III, do Cód. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
(art. 121, § 2º, ns. II e III, do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, sem
atender ao requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o
reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9745 — agravo em execução Nº 1.154.612-3/5-


00
Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento


condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar
sem grave injúria da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente
longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de
falta grave (fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar
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conduta carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua
redenção.

Voto nº 9746 — agravo em execução Nº 1.113.888-3/3-


00
Art. 52 da Lei de Execução Penal.

— Comete falta grave e sujeita-se a sanção disciplinar o preso que profere furta
estabelecimento penal. Com efeito, reza o art. 52 da Lei de Execução Penal que
“a prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave”.
— Dado que a lei se refere à “prática de fato previsto como crime”, e não à
condenação, entende-se que, para a aplicação da sanção disciplinar ao infrator,
não é necessário o trânsito em julgado de decisão condenatória (art. 52 da Lei de
Execução Penal).

Voto nº 9747 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 863.342-3/5-00


Arts. 107, nº IV, 1a. figura, 110, § 1º, 114, nº I, 147, 304 e 307, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— A confissão judicial do réu tem valor absoluto como meio de prova; pela
presunção de sua autenticidade, pode autorizar a edição de decreto
condenatório.
— Incorre nas penas do art. 304 do Cód. Penal (uso de documento falso) o sujeito
que apresenta cédula de identidade, na qual, debaixo de sua fotografia, consta o
nome de outrem.
— Até à mentira tem o réu licença de recorrer, como meio de defesa; não lhe é
lícito, entretanto, atribuir-se falsa identidade, que isto a lei define e pune como
crime (art. 307 do Cód. Penal).
— O elemento subjetivo do tipo do art. 147 do Cód. Penal (ameaça) está na vontade
de prometer mal injusto e grave, com a intenção de intimidar, ainda que o agente,
em seu íntimo, não queira realizá-lo.
— Pois que a ameaça é crime formal, consuma-se no mesmo ponto em que chega à
notícia da vítima. Destarte, para configurar-se, é irrelevante sua efetiva
consumação; basta a intenção do agente de causar temor, porque o bem jurídico
protegido é a tranqüilidade espiritual.
— Ocorre em 2 anos a prescrição da pena de multa aplicada (art. 114, nº I, do Cód.
Penal).

Voto nº 9751 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 886.634-3/6-00


Arts. 29 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

— Muita vez, o silêncio do acusado é a mais clara das explicações.


— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo
comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roborarem outros elementos do processo.
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve
a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave
ameaça.
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
7
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade
e se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 9752 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 956.585-3/6-00

Art. 180, § 1º, do Cód. Penal.

— Nos crimes de receptação dolosa, porque mui difícil apurar o elemento


subjetivo do tipo, cumpre recorrer às circunstâncias mesmas do fato e à
personalidade do agente (art. 180 do Cód. Penal).
—“O preceito secundário do § 1º (do art. 180 do Cód. Penal) deve ser
desconsiderado, uma vez que ofende os princípios constitucionais da
proporcionalidade e da individualização legal da pena” (Damásio E. de Jesus,
Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 697).
—“A imposição de pena maior ao fato de menor gravidade é inconstitucional,
desrespeitando os princípios da harmonia e da proporcionalidade” (Idem,
ibidem).
— Em se tratando de simples “emendatio libelli”, é força proceder à devida
correção, ainda que em Segunda Instância. Conforme o STF, pode o Juiz, se é
que o não deva, na sentença, corrigir o erro (Rev. Trim. Jurisp., vol. 79, p. 95;
apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p.
291).

Voto nº 9753 — HABEAS cORPUS Nº 1.154.882-3/6-00

Art. 157, § 3º, do Cód. Penal;


art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).
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Voto nº 9758 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.002.210-3/6-


00
Arts. 65, nº III, alínea “d” e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal.

— É entendimento jurisprudencial uniforme de todos os Tribunais do País que, em


se tratando de crimes patrimoniais, de ordinário praticados na clandestinidade, a
palavra da vítima há de preferir à “versão sistematicamente negativa dos
acusados, visto que não se concebe que alguém possa, gratuitamente, incriminar
um desconhecido” (Rev. Tribs., vol. 736, p. 629).
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve
a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave
ameaça.
—“O que importa é o motivo da confissão, como por exemplo, o arrependimento
sincero, demonstrando merecer pena menor, com fundamento na lealdade
processual” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 246).

Voto nº 9759 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 884.194-3/2-00

Art. 158, § 1º, do Cód. Penal;


art. 157 do Cód. Proc. Penal.

—“O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova” (art. 157 do Cód.
Proc. Penal).
—“O juiz criminal é, assim, restituído à sua própria consciência” (Francisco
Campos, Exposição de Motivos do Código de Processo Penal, nº VII).
— Na prova do crime e de sua autoria tem a palavra da vítima grande peso e
alcance: pode justificar solução condenatória da lide penal, se em harmonia com
os mais elementos do processo.
— Não carece de fundamentação a sentença que, patenteando os motivos do
convencimento do Magistrado, rende ensejo ao réu de impugná-la amplamente.
— A gravidade da ameaça, no crime de extorsão, deve inferir-se das circunstâncias
pessoais da vítima. Se esta recorreu à proteção do Estado, comunicando o fato à
Polícia, há forte indício de que a intimidação foi séria e eficaz.
— O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem
indevida (Súmula nº 96 do STJ).
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Voto nº 9760 — HABEAS cORPUS Nº 1.163.791-3/1-00


Arts. 14, nº II, 121, § 2º, nº I e 310, parág. único, do Cód. Penal;
arts. 312 e 406, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio
de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva
exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do
réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons
antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem
a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód.
Penal) àquele que, acusado de crime grave – como é o homicídio –, tem contra si
a presunção de periculosidade.
— A custódia cautelar, nesse caso, representa não
só garantia do processo, mas inexorável medida política de prevenção da
criminalidade e de defesa da ordem social, meta primeira do Estado e aspiração
permanente da Justiça.

Voto nº 9761 — HABEAS cORPUS Nº 1.160.185-3/4-00


Arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
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decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao
art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 9762 — HABEAS cORPUS Nº 1.168.042-3/0-00


Art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal;
art. 14 da Lei nº 6.368/76;
arts. 1º, inc. III e 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se
defenda o réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência
(art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso
ao processo.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível ante a sua excepcionalidade a decretação ou
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; rel. Min. Celso de Mello; Rev.
Trim. Jurisp., vol. 180, pp. 262/264).

Voto nº 9763 — HABEAS cORPUS Nº 1.160.502-3/2-00


Arts. 71, 214 e 224, alínea “a”, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal.
–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por atentado violento ao pudor,
será verdadeira abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória
após sua condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível
inclui-se precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda
contava ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito
subjetivo depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de
sua culpabilidade.

Voto nº 9764 — HABEAS cORPUS Nº 1.166.437-3/9-00


Art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
11
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória
(art. 44 da Lei nº 11.343/06).
Voto nº 9765 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 883.663-3/6-00
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 226, nº II, do Cód. Proc. Penal.
— Conforme a lição de renomados juristas, a regra do art. 226, nº II, do Cód. Proc.
Penal é de caráter apenas suasório, não imperativo. Não se anula o ato de
reconhecimento por não ter sido colocado o réu junto de outras pessoas: tal se
observará, diz a lei, “quando possível”. “Trata-se de uma recomendação, não de
uma exigência” (Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a.
ed., p. 196).
— Protagonista do episódio criminoso, a palavra da vítima, em caso de roubo, é a
pedra angular do edifício da Acusação e justifica sentença condenatória se em
harmonia com os mais elementos dos autos.
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 9766 — HABEAS cORPUS Nº 1.155.828-3/8-00


Art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9767 — HABEAS cORPUS Nº 1.162.321-3/0-00


Art. 140 do Cód. Penal;
art. 61 da Lei nº 9.099/95;
art. 84, § 1º, da Const. Estadual.
— Se o processo tramitou perante o Juizado Especial Criminal, por ser a infração
de menor potencial ofensivo (art. 61 da Lei nº 9.099/95), será competente
(“ratione materiae”) para conhecer de eventual recurso o Colégio Recursal, não
o Tribunal de Justiça.
—“As Turmas de Recurso constituem-se em órgão de segunda instância, cuja
competência é vinculada aos Juizados Especiais e de Pequenas Causas” (art.
12
84, § 1º, da Const. Estadual).

Voto nº 9768 — HABEAS cORPUS Nº 1.165.808-3/5-00


Art. 155, §§ 1º e 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de furto mediante rompimento de obstáculo, nos termos da figura típica
do art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal, incide na cláusula restritiva; pelo que, não
tem jus ao benefício.

Voto nº 9769 — HABEAS cORPUS Nº 1.157.968-3/0-00


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).
13

Voto nº 9770 — HABEAS cORPUS Nº 1.155.863-3/7-00

Arts. 14, nº II, 83, parág. único e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 66, nº III, alínea “b” e 112, da Lei de Execução Penal;
art. 10, § 2º, da Lei nº 9.437/97;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Contra o parecer de notáveis juristas, que


sustentam não ser o “habeas corpus” meio apropriado a impugnar decisão de
que caiba recurso ordinário, mostra-se de bom exemplo conhecer da impetração,
porque, em tese, passa pelo remédio jurídico-processual mais célere e eficaz para
conjurar abusos e ilegalidades contra o direito à liberdade de locomoção do
indivíduo (art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.792/2003 (que deu nova redação
ao art. 112 da Lei de Execução Penal) não revogou o Código Penal; destarte, nos
casos de pedido de benefício em que seja mister aferir mérito, poderá o Juiz
determinar a realização de exame criminológico no sentenciado, se autor de
crime doloso cometido mediante violência ou grave ameaça, pela presunção de
periculosidade (art. 83, parág. único, do Cód. Penal).

Voto nº 9771 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 849.597-3/5-00

Arts. 213, 223 e parág. único, 224, alínea “a”, 225, § 1º, nº II e 226, nº II, do
Cód. Penal;
arts. 1º, ns. V e VI, 2º, § 1º e 9º, da Lei nº 8.072/90.

— Ensina a experiência vulgar que o sujeito inocente, quando acusado de crime, não
o sofre em silêncio, antes se defende com energia e prontamente.
— A palavra da vítima de estupro tem notável importância na apuração das
circunstâncias do fato criminoso e na identificação de seu autor, pois repugna à
condição da mulher, sobretudo se de vida honesta, faltar à verdade em matéria
que, por sua infâmia e opróbrio, lhe imprimiu na alma um como estigma
indelével (art. 213 do Cód. Penal).
—“(...) relativamente aos crimes de estupro e ou atentado violento ao pudor,
quando cometidos em qualquer das hipóteses referidas no art. 224 do Cód.
Penal, o aumento de pena previsto no art. 9º da Lei nº 8.072/90 somente tem
incidência se do fato resultar lesão corporal grave ou morte (art. 223 e parág.
único do Cód. Penal)” (STJ, HC nº 36.828-RJ; rel. Min. Hélio Quaglia
Barbosa; DJU 13.2.2006, p. 849; m.v.).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
14

Voto nº 9772 — agravo em execução Nº 1.164.720-3/6-


00
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76), crime da classe dos hediondos, crime da classe dos
hediondos, sem atender ao requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado
primário, 3/5 para o reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes
Hediondos).
–– Decisões contraditórias no seio da Justiça operam sempre como fator de
insegurança dos negócios jurídicos, em detrimento grave de seu nome e crédito.

Voto nº 9773 — agravo em execução Nº 1.163.461-3/6-


00
Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento


condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar
sem grave injúria da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente
longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de
falta grave (fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar
conduta carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua
redenção.
15

Voto nº 9774 — HABEAS cORPUS Nº 1.145.179-3/7-00


Arts. 180 e 299, do Cód. Penal;
arts. 312, 499, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 14, “caput”, da Lei nº 10.826/03;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado à mão armada e mediante concurso de agentes –
Necessidade da custódia cautelar – Ordem denegada.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
realização de ato processual no Juízo deprecado, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.

Voto nº 9775 — HABEAS cORPUS Nº 1.158.538-3/6-00


Arts. 214, 224, letra “a” e 225, § 1º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 196, 310, parág. único, 312, 563, 566 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–– Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e
incontroversa de prejuízo às partes, ou se “houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc.
Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de atentado violento ao pudor incide na cláusula restritiva; pelo que, não
tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
16
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.

Voto nº 9776 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 888.057-3/7-00


Art. 157, § 2, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 226 e 563, do Cód. Proc. Penal;
art. 5, nº LXIII, da Const. Fed.
— Embora direito de todo o réu permanecer calado (art. 5º, nº LXIII, da Const.
Fed.), ensina a experiência vulgar que, em pontos de responsabilidade criminal,
ao silêncio recorre apenas quem tem culpa; o inocente, se acusado, esse desde
logo se defende com todas as potências da alma.
— Nisto de reconhecimento, o ponto está em que seja seguro. O exagerado apego
ao rito preconizado pelo art. 226 do Cód. Proc. Penal constitui, muita vez,
escusado tributo ao frívolo curialismo, que o sábio Francisco Campos mandava
proscrever, de férula em punho (cf. Exposição de Motivos do Código de
Processo Penal, vol. XVII).
— A fixação do regime prisional fechado não desdiz da condição do réu que,
reincidente em crime doloso, persiste em violar, desenfreadamente, o patrimônio
alheio.

Voto nº 9777 — HABEAS cORPUS Nº 1.162.329-3/7-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal.
–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por roubo, será verdadeira
abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após sua
condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-se
precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava
ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo
depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua
culpabilidade.

Voto nº 9778 — HABEAS cORPUS Nº 1.170.004-3/8-00


Arts. 310, parág. único e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

—“HABEAS CORPUS” – Alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo


– Necessidade de expedição de carta precatória – Inexistência de ilegalidade –
Ordem denegada.
— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica motivos
de força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de carta
precatória para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e franca
oportunidade de obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
17
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 9779 — HABEAS cORPUS Nº 1.159.878-3/4-00

Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9780 — HABEAS cORPUS Nº 1.161.412-3/9-00

Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9781 — HABEAS cORPUS Nº 1.136.755-3/5-00

Arts. 65, nº I e 214, do Cód. Penal;


art. 659 do Cód. Proc. Penal.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido


anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que,
satisfeita a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a
matéria do litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).
–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença
condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).
18

Voto nº 9782 — HABEAS cORPUS Nº 1.168.834-3/5-00


Art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 40, nº III e 44, da Lei nº 11.343/06.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da ausência de testemunhas, se intimadas na forma da lei, pois não
está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior
que obstam à realização do ato processual.
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9783 — agravo em execução Nº 1.164.473-3/8-


00
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

—“O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a


concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga de
benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 9784 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.086.264-3/6-


00
Arts. 156, 303 e 386, nº V, do Cód. Proc. Penal;
art. 16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/2003;
art. 144 da Const. Fed.

— Feita em Juízo, tem a confissão do réu valor absoluto, porque estreme de


eventuais defeitos que a podiam viciar, como a coação moral. Rainha das provas
(“regina probationum”) chamavam-lhe os velhos praxistas, e tal apanágio ainda
lhe reconhece a jurisprudência dos Tribunais, pelo que autoriza a edição de
decreto condenatório.
— Incorre em crime e, pois, sujeita-se às penas da lei aquele que possui arma de
fogo com numeração raspada, sem justificá-lo (art. 16, parág. único, nº IV, do
Estatuto do Desarmamento).
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os
perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que
existam controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das
19
Armas de Fogo, 1998, p. 107).

Voto nº 9785 — HABEAS cORPUS Nº 1.155.545-3/6-00

Art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal.

— Questões relativas à progressão de regime


prisional e a outros incidentes de execução da pena são da competência
originária do Juízo das Execuções Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da
Lei de Execução Penal); ao Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o
reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e
estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).
–– Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter livramento condicional, pois se trata de matéria em que, por
previsão de lei (art. 66, nº III, alínea e, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.

Voto nº 9786 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 494.072-3/8-00

Art. 202 do Cód. Proc. Penal;


arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76.

—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564;
rel. Min. Cordeiro Guerra).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente
impõe-se demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram
à verdade ou caíram em erro de informação. É que, na busca da
verdade real — alma e escopo do processo —, “toda pessoa
poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia juntamente com papel-alumínio, pois tais circunstâncias
revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
20
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 9787 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 892.687-3/6-00

Art. 202 do Cód. Proc. Penal;


arts. 12, 14 e 16, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º da Lei nº 9.296/96.

— A prova, obtida mediante interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça em


face de “indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal” (art.
2º da Lei nº 9.296/96), é lícita e, portanto, pode servir de fundamento a decreto
condenatório.
—“Não há invalidar o resultado obtido em decorrência de interceptações
telefônicas que foram realizadas mediante autorização judicial, nos termos da
Lei nº 9.296/96” (Rev. Tribs., vol. 854, p. 559; rel. Min. Felix Fischer).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia juntamente com pedaços de plástico e fita adesiva, pois
tais circunstâncias revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não
ao uso próprio.
— O crime do art. 14 da Lei nº 6.368/76 (associação para o tráfico) é autônomo e
não se subsume ao tipo fundamental do art. 12 da mesma lei.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 9788 — HABEAS cORPUS Nº 1.151.297-3/4-00

Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
21

Voto nº 9789 — HABEAS cORPUS Nº 1.175.586-3/9-00


Arts. 14, nº II e 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal;
arts. 581, nº IV e 647, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LXVIII e 93, nº IX, da Const. Fed.
— Condição fundamental da concessão da ordem de “habeas corpus”, a liqüidez e
certeza do direito alegado pelo paciente devem estar comprovadas nos autos
(art. 647 do Cód. Proc. Penal).
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional,
próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a
“causa petendi” respeita a questões de alta indagação.
— Não é o “habeas corpus” — mas o recurso
em sentido estrito (art. 581, nº IV, do Cód. Proc. Penal) — o remédio jurídico
idôneo para impugnar decisão que pronuncia o réu para julgamento pelo
Tribunal do Júri.
— À luz da melhor orientação pretoriana, o prolator “da sentença de pronúncia deve
exarar sua decisão em termos sóbrios e comedidos, a fim de não exercer
qualquer influência no ânimo dos jurados” (Rev. Tribs., vol. 522, p. 361; apud
Damásio E. Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 338).
— A sentença de pronúncia que, mediante justificação em termos sóbrios e
comedidos, admite a qualificadora articulada na denúncia não incorre na tacha de
nulidade, antes atende ao preceito da Constituição Federal, que determina sejam
“fundamentadas todas as decisões” (art. 93, nº IX).

Voto nº 9790 — HABEAS cORPUS Nº 1.166.766-3/0-00


Arts. 69, “caput” e 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
— Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do Juiz), primariedade, bons
antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem
a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave – como é o homicídio –, tem
contra si a presunção de periculosidade.
— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica
motivos de força maior, a cujo número pertence a necessidade
de expedição de carta precatória para o interrogatório do réu,
22
termo essencial do processo e franca oportunidade de
obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).

Voto nº 9791 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 492.915-3/1-00


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 202 e 566, do Cód. Proc. Penal.
—“Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver
influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da
causa” (art. 566 do Cód. Proc. Penal).
— A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório: se em harmonia com
os mais elementos dos autos justifica a procedência da pretensão punitiva e a
condenação do réu.
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve a
posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave ameaça.
— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto condenatório.
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód. Proc.
Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas penas da lei,
donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a Juízo para mentir.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº
8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena.
Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente — e
conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).

Voto nº 9792 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 841.390-3/2-00


Arts. 107, nº IV, 109, nº V, 110, § 1º, 119 e 180, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 202 e 580, do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 10, “caput”, da Lei nº 9.437/97;
arts. 12, “caput” e 35, da Lei nº 10.826/03;
arts. 5º, “caput” e 144, da Const. Fed.
— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto condenatório.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo a
idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se demonstrar,
além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro de
informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do processo —, “toda
pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— A causa de aumento de pena do art. 18, nº III, da Lei nº 6.368/76 (“decorrer de
associação”), já não subsiste e, pois, não pode ser reconhecida à luz da nova Lei de
Drogas (Lei nº 11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime autônomo
(art. 35).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº
8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena.
Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente — e
conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).
–– A posse irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 12,
“caput”, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente de
perigo concreto.
— Não incorre em censura a decisão que, por evitar “bis in idem” (que a consciência
jurídica adversa a todo transe), considera a receptação crime-meio em respeito do
porte ilegal de arma de fogo, crime-fim (art. 180, “caput”, do Cód. Penal e art.
23
10, “caput”, da Lei nº 9.437/97).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
— É escusado lembrar que, segundo o teor literal do art. 119 do Código Penal, “no
caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de
cada um, isoladamente”.

Voto nº 9793 — HABEAS cORPUS Nº 1.169.865-3/3-00


Arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 35 e 44 da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando
os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois não
está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que
obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu
exame, o juiz não pode criar obstáculos tais que venham a tornar
letra morta a garantia constitucional” (Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel. José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa
decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao
Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que
deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão
preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve
ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art. 44
da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9794 — HABEAS cORPUS Nº 1.167.197-3/0-00


Arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 1º, ns. I, e § 4º, da Lei nº 9.613/98;
arts. 33 e 35, da Lei nº 11.343/06;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que
deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de
Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão
preventiva exige prova bastante da existência do crime e indícios
suficientes de autoria. Não é necessária a mesma certeza que deve
ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
24
–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido
anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que, satisfeita a
prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a matéria do
litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se deve
outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico,
1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido” (Rev.
Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 9795 — HABEAS cORPUS Nº 1.166.966-3/2-00


Arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio
de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva
exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do
réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9796 — HABEAS cORPUS Nº 1.166.338-3/7-00


Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
25
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da
sentença condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 9797 — HABEAS cORPUS Nº 1.140.662-3/5-00


Arts. 312, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9798 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.157.145-3/5-


00
Arts. 45, § 1º e 59, do Cód. Penal;
arts. 12, “caput” e 16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/03;
art. 144, da Const. Fed.

— Feita em Juízo, tem a confissão do réu valor absoluto, porque estreme de


eventuais defeitos que a podiam viciar, como a coação moral. Rainha das provas
(“regina probationum”) chamavam-lhe os velhos praxistas, e tal apanágio ainda
lhe reconhece a jurisprudência dos Tribunais, pelo que autoriza a edição de
decreto condenatório.
–– A posse irregular de arma de fogo de uso permitido tipifica a infração do art. 12,
“caput”, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), independentemente
de perigo concreto.
26
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo,
pôs a mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os
perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que
existam controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das
Armas de Fogo, 1998, p. 107).

Voto nº 9799 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.158.517-3/0-


00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33 da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.
— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de
injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro
de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do processo —,
“toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).
— É jurisprudência dominante em nossos Tribunais que sentenças absolutórias e
processos em curso “não devem ser considerados como maus antecedentes,
prejudicando o réu” (cf. Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed.,
p. 209).
— Em princípio, o réu condenado por tráfico ilícito de entorpecentes (art. 33 da
Lei nº 1.343/06) deverá cumprir sua pena sob o regime inicial fechado. Assim
dispôs a lei, como forma de coartar a atividade do “mercador da desgraça”(art.
2º, nº 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9800 — HABEAS cORPUS Nº 1.162.498-3/7-00


Arts. 29, 69, 70, 157, § 2º, ns. I e II, 288, parág. único, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões,
27
também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria
ocioso” (O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 9801 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 984.760-3/5-00


Art. 22 do Cód. Penal;
arts. 156, 304, 386, nº V e 563, do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 14, da Lei nº 6.368/76.
—“O condutor também é considerado testemunha. Assim, não constitui nulidade o
fato de ser ouvido como testemunha” (STF; RTJ, vol. 51, p. 566; apud Damásio
E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22ª. ed., p. 242).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).

Voto nº 9802 — HABEAS cORPUS Nº 1.174.015-3/7-00


Art. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 14, 16, 17, 18 e 21, da Lei nº 10.826/03;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se defenda
o réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência (art. 5º, nº
LVII, da Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso ao processo.
— Não há denegar liberdade provisória ao infrator do art. 14 da Lei nº 10.826/03
(porte ilegal de arma de fogo) se presentes os requisitos do art. 310, parág.
único, do Cód. Proc. Penal.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável, pode
o réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua
prisão preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de
Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 246).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp.
262-264; rel. Min. Celso de Mello).

Voto nº 9822 — HABEAS cORPUS Nº 1.164.520-3/3-00


Arts. 29, 69 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se defenda
o réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência (art. 5º, nº
28
LVII, da Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso ao
processo.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 9823 — HABEAS cORPUS Nº 1.160.506-3/0-00


Arts. 14, nº II e 155, §§ 1º e 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 313, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de furto mediante rompimento de obstáculo, nos termos da figura típica
do art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal, incide na cláusula restritiva; pelo que, não
tem jus ao benefício.

Voto nº 9824 — agravo em execução Nº 1.155.202-3/1-


00
Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento


condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar
sem grave injúria da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente
longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de
falta grave (fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar
conduta carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua
redenção.

Voto nº 9825 — agravo em execução Nº 1.152.518-3/1-


00
Art. 83 do Cód. Penal.
29
–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento
condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar
sem grave injúria da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente
longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de
falta grave (fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar
conduta carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua
redenção.

Voto nº 9826 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.161.880-3/3-


00
Arts. 202, 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
arts. 1º, ns. V e VI, 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06.
— Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por roubo, será verdadeira
abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após sua
condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-se
precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
— Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava
ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo
depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua
culpabilidade.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, §
2º).

Voto nº 9827 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.129.390-3/2-


00
Arts. 59 e 307, do Cód. Penal;
arts. 202 e 580, do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.
— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de
injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
30
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A causa de aumento de pena do art. 18, nº III, da Lei nº 6.368/76 (“decorrer de
associação”), já não subsiste e, pois, não pode ser reconhecida à luz da nova Lei
de Drogas (Lei nº 11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime
autônomo (art. 35).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 9828 — HABEAS cORPUS Nº 1.150.948-3/9-00

Arts. 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;


art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio
de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva
exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do
réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
31
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9830 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.165.422-3/3-


00
Arts. 29, 33, § 2º, alínea “b”, 59 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 13 da Lei nº 10.826/03.
— De tanta importância é a palavra da vítima, na apuração do fato criminoso, que, se
lhe não demonstrar o réu que se equivocou ou tem interesse em prejudicá-lo, pode
servir de base para sua condenação.
— A simulação de porte de arma não enseja o reconhecimento da causa especial de
aumento de pena do art. 157, § 2o, no I, do Cód. Penal, que depende da presença
efetiva de instrumento lesivo.
— Cancelada a Súmula nº 174 da jurisprudência do STJ (cf. REsp nº 213.054-SP; DJU
7.11.2001), já não pode prevalecer o entendimento de que o emprego de arma de
brinquedo (“arma ficta”) seja causa de agravamento da pena do roubo. Ainda que
idôneo para caracterizar ameaça à vítima, por infundir-lhe temor, o simulacro de
arma de fogo não qualifica o roubo (art. 157, “caput”, do Cód Penal). Inteligência
diversa do texto legal implicaria considerável prejuízo para os
interesses do réu, pois o obrigaria a recorrer ao STJ para alcançar o
que lhe recusaram outros Juízos ou Tribunais.
—“O Código Penal somente agrava a pena do delito quando o sujeito emprega arma.
Revólver de brinquedo não é arma. Logo, o fato é atípico diante da circunstância.
Caso contrário, por coerência lógica, o porte de revólver de brinquedo constituiria o
crime do art. 13 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (porte ilegal de
arma). Se, no roubo, configura a circunstância arma, por que não
constituiria a elementar daquele delito?” (Damásio E. de Jesus,
Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 595).
— Não há equiparar o dolo do agente que, arma de fogo em punho,
pode matar a vítima em caso de reação, ao de quem sabe “a priori”
somente a intimidará, porque mero simulacro de arma (“arma
ficta”, ou de brinquedo) a que traz consigo!
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a pena
inferior a 8 anos o benefício do regime semi-aberto; o Código Penal, o que veda às
expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior a 8 anos (não
importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos (art. 33,
§ 2º, alínea b, do Cód. Penal).

Voto nº 9831 — HABEAS cORPUS Nº 1.160.000-3/1-00


Art. 184, § 2º, do Cód. Penal;
arts. 41 e 569, do Cód. Proc. Penal.
— O exame de provas no âmbito do “habeas corpus”, para a verificação da falta de
justa causa para a ação penal, tem sido pábulo de tormentosas disputas. Mas, a
inteligência que, de presente, prevalece a tal respeito, assim na Doutrina como na
Jurisprudência, é a que, embora incompatível o processo de “habeas corpus” com o
contraditório ou ampla indagação probatória, tem lugar o exame dos elementos dos
autos, “para avaliar-se da legalidade ou ilegalidade da ação penal” (cf. Rev. Tribs.,
vol. 491, p. 375; rel. Min. Costa Lima).
—“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
32
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
— Não é inepta a denúncia que permite ao réu o exercício do direito de ampla defesa.
Eventual preterição de requisito do art. 41 do Cód. Proc. Penal pode suprir-se até à
sentença final (art. 569 do Cód. Proc. Penal).
— “Se a denúncia narra fato que permite adequação típica, ela não é, formalmente,
inepta (art. 41 do CPP)” (STJ; Jurisprudência, vol. 105, p. 303; rel. Min. Félix
Fischer).
— Para que a denúncia produza efeitos de direito e
autorize a instauração do processo-crime basta que descreva ação típica e lhe indique
o autor (art. 41 do Cód. Proc. Penal).
— Só é admissível trancamento de ação penal por falta de justa causa, quando esta se
mostre evidente à primeira face.
— “Se o fato atribuído ao paciente constitui violação da lei penal, existe justa causa
para o processo” (Rev. Forense, vol. 172, p. 426).

Voto nº 9832 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.096.941-3/4-


00
Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.
— Embora direito de todo o réu permanecer calado (art. 5º, nº LXIII, da Const.
Fed.), ensina a experiência vulgar que, em pontos de responsabilidade criminal,
ao silêncio recorre apenas quem tem culpa; o inocente, se acusado, esse desde
logo se defende com todas as potências da alma.
— Protagonista do roubo, a vítima autoriza-se, por força, a discorrer dele e de seu
autor. A objeção de que sua palavra, porque parte no evento criminoso, é
tendenciosa, passa por argumento especioso: não tem a vítima outro interesse na
causa que incriminar o verdadeiro roubador, que apenas dele poderá reaver as
coisas que lhe foram subtraídas. Pelo que, aliada a outros elementos de
convicção, serve de fundamento a decreto condenatório.
—“Consuma-se o roubo quando o agente, mediante violência ou grave ameaça,
consegue retirar a coisa da esfera de vigilância da vítima” (STF; rel. Min.
Carlos Velloso; Rev. Tribs., vol. 705, p. 429).
— Impossível capitular de furto a subtração de coisa alheia móvel mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, pois são estas elementares do roubo (art. 157,
“caput”, do Cód. Penal).

Voto nº 9833 — HABEAS cORPUS Nº 1.165.571-3/2-00


Art. 66, nº III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 9834 — HABEAS cORPUS Nº 1.163.812-3/9-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
33
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante
a ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9835 — HABEAS cORPUS Nº 1.169.416-3/5-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o
Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9836 — HABEAS cORPUS Nº 1.169.132-3/9-00

Art. 647 do Cód. Proc. Penal;


art. 5º, LXIX, da Const. Fed.

— Se foi o advogado-impetrante quem a requereu, não há senão homologar a


desistência de “habeas corpus”, pela presunção de que obrara “secundum jus” e
à luz da ética profissional (art. 647 do Cód. Proc. Penal).
— Ao contrário do que passa com a apelação, não há mister poderes especiais para
desistir de “habeas corpus”. Se desnecessário o instrumento de mandato para
impetrá-lo, seria contra-senso exigir poderes especiais para dele desistir.

Voto nº 9837 — HABEAS cORPUS Nº 1.168.007-3/1-00

Art. 159, § 1º, do Cód. Penal;


arts. 310, parág. único, 499 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

–– Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236)
–– Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
––“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
34
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.
— Se preso em flagrante delito, é razão que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Pedido de desclassificação do fato criminoso não cabe na esfera angusta do
“habeas corpus”, onde não têm entrada questões de alta indagação, ou que
impliquem aprofundado exame da prova dos autos.

Voto nº 9838 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 949.734-3/0-00


Arts. 14, nº II e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 156 do Cód. Proc. Penal;
art. 1º da Lei nº 2.252/54.

— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo


comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roborarem outros elementos do processo.
— Muita vez, o silêncio do acusado é a mais clara das explicações.
—“Para os chamados penalistas práticos, a confissão do acusado se equiparava à
própria coisa julgada, como ensinava Farinácio: Confessio habet vim rei
judicatae” (José Frederico Marques, Estudos de Direito Processual Penal, 1a.
ed., p. 290).
— Há tentativa de roubo se o agente, logo perseguido e preso, não teve a posse
tranqüila da coisa subtraída, recuperada afinal pela vítima.
— Destituído de natureza formal, o crime de corrupção de menores (art. 1º da Lei
nº 2.252/54) não se caracteriza sem a prova da inocência do sujeito passivo, que
não se presume. Só a inocência não vê a serpente debaixo das flores!
— Ainda que, de ordinário, o aumento de 1/3 pela incidência de dupla qualificadora
do roubo satisfaça aos intuitos da lei, a fração de 3/8 conforma-se aos ditames da
jurisprudência do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (cf. Rev.
Tribs., vol. 734, p. 673).
— Ordinariamente falando, ao autor de roubo é o regime fechado o que mais lhe
convém, como justa resposta por ter violado de frente regras fundamentais da
convivência humana

Voto nº 9839 — HABEAS cORPUS Nº 1.166.692-3/1-00


Arts. 14, nº II e 155, §§ 1º e 4º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
35
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de furto mediante rompimento de obstáculo, nos termos da figura típica
do art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal, incide na cláusula restritiva; pelo que, não
tem jus ao benefício.

Voto nº 9840 — HABEAS cORPUS Nº 1.162.639-3/1-00


Arts. 29 e 159, § 1º, do Cód. Penal;
arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é


insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo;
apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório
(art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio
de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva
exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do
réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões,
também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso”
(O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347).

Voto nº 9841 — HABEAS cORPUS Nº 1.169.626-3/3-00


Arts. 14, nº II, 71, 157, § 2º, ns. I e II, 171, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica
36
motivos de força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição
de carta precatória para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e
franca oportunidade de obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade
real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 9842 — mandado de SEgUrança Nº 1.162.755-


3/0-00
Art. 654 do Cód. Proc. Penal;
art. 66, nº III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXIX, da Const. Fed.

–– Ao contrário do “habeas corpus” –– que “poderá ser impetrado por qualquer


pessoa” (art. 654 do Cód. Proc. Penal) ––, somente poderá requerer mandado
de segurança quem detiver o “jus postulandi”, isto é, o advogado no exercício
pleno de seu múnus.
—“Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou
correição” (Súmula nº 267 do STF).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do mandado de segurança.

Voto nº 9843 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 884.039-3/6-00


Arts. 44, § 2º, última parte, 64, nº I e 155, do Cód. Penal;
arts. 76, § 2º, nº II e 89, da Lei nº 9.099/95.

— Está acima de crítica a decisão que condena por furto o sujeito que, réu confesso,
foi detido na posse do produto do crime (art. 155 do Cód. Penal).
— É argumento lógico irrefragável que a posse de coisa alheia sem justificativa
satisfatória induz à certeza de sua origem ilícita.
— Incorre na pena de furto consumado o sujeito que, tendo subtraído coisa alheia
móvel, mantém-lhe a posse tranqüila e desvigiada, ainda que por breve trato de
tempo (art. 155 do Cód. Penal).
— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto
condenatório.
37
— Instituto destinado a beneficiar unicamente o infrator de vida pregressa
inculpável, a suspensão condicional do processo não se aplica a acusado que
tenha sido condenado por outro crime (art. 89 da Lei nº 9.099/95).

Voto nº 9844 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.164.559-3/0-


00
Arts. 61, nº I, 65, nº III, alínea “d” e 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal;

— Sustenta-se em prova inabalável e, pois, está acima de crítica, a sentença que


condena por furto o agente que, ao receber voz de prisão, ainda traz à mão a
“res furtiva” (art. 155 do Cód. Penal).
— “A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena
abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do STJ).

Voto nº 9853 — HABEAS cORPUS Nº 1.164.298-3/9-00


Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 312, 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Se o réu respondeu solto ao processo (porque razões não havia que lhe
justificassem a custódia cautelar), e nenhum ato perpetrou no curso da instrução
que o fizesse decair do “status libertatis”, será mais conforme à comum opinião
dos doutores e ao magistério da jurisprudência dos Tribunais conceder-lhe o
benefício de apelar em liberdade (art. 594 do Cód. Proc. Penal).
–– Exceto na hipótese de necessidade cautelar, não é de bom exemplo (nem talvez
legítimo) condicionar o recebimento do recurso ao prévio recolhimento do réu à
prisão: “O princípio do duplo grau de jurisdição atribui ao réu o direito de ver
a sentença condenatória submetida à apreciação do tribunal, independentemente
da condição do recolhimento à prisão” (Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 473).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp.
262-264; rel. Min. Celso de Mello).

Voto nº 9854 — HABEAS cORPUS Nº 1.167.835-3/2-00


Arts. 29, 69 e 180, § 1º, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 16, parág. único, nº IV, da Lei nº 10.826/03.
— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica
motivos de força maior, a cujo número pertence a necessidade
de expedição de carta precatória para o interrogatório do réu,
termo essencial do processo e franca oportunidade de obtenção
de prova, imprescindível à busca da verdade real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
38
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no
caso de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º,
do Cód. Proc. Penal).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 9855 — HABEAS cORPUS Nº 1.175.656-3/9-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9856 — HABEAS cORPUS Nº 1.164.821-3/7-00


Arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112 e 197, da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
p. 2.561).

Voto nº 9857 — HABEAS cORPUS Nº 1.172.406-3/7-00


Art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal.
39
— Embora praxe vitanda, não configura constrangimento ilegal a permanência
do condenado em estabelecimento penal próprio do regime fechado, enquanto
aguarda vaga no semi-aberto. Ditada por força maior ou razão de ordem
superior invencível, tal situação no entanto cai na esfera da previsão humana:
todo o infrator sabe que, delinqüindo, sua liberdade poderá ser coartada em grau
menor ou maior.
— Pretender o condenado passar desde logo ao regime aberto, como forma de
iludir o rigor da espera, será tripudiar sobre o direito de outros sentenciados que
há mais tempo aguardam a efetivação da transferência para o estágio
intermediário, além de fazer injúria à própria sociedade, que tem o direito de
exigir do infrator a reparação, em forma de pena retributiva, do dano que lhe
causou com o seu crime.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 9858 — HABEAS cORPUS Nº 1.169.648-3/3-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 500 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica
motivos de força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição de
carta precatória para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e
franca oportunidade de obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade
real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
na inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 9859 — HABEAS cORPUS Nº 1.166.194-3/9-00


Art. 171, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal.

— É regra de direito positivo que o réu não pode apelar sem recolher-se à prisão
(art. 594 do Cód. Proc. Penal), por força do que estatui o art. 393, nº I, do
40
mencionado diploma legal, convém a saber: entre os efeitos da sentença
condenatória inscreve-se o de “ser o réu preso ou conservado na prisão”.
— Se o réu carece dos requisitos subjetivos, não há dispensar-lhe o benefício do
apelo em liberdade sem grave afronta ao Direito e à boa razão, sendo legítima a
sentença que o denega.
— Dispõe expressamente a lei que, para apelar em liberdade, deve o réu satisfazer
a dois quesitos primordiais: ser primário e ter bons antecedentes (art. 594 do
Cód. Proc. Penal).
— A exigência de prisão provisória para apelar não ofende a garantia
constitucional da presunção de inocência (Súmula nº 9 do STJ).
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.

Voto nº 9860 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.152.206-3/8-


00
Arts. 33, § 2º, letra “c”, § 3º e 59, do Cód. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76.

— Em se tratando de réu primário, a “regra é partir da pena base no grau


mínimo” (TRF da 1a. R; Ap.nº 22.082; DJU 5.3.90, p. 3.233).
—“Nos termos do art. 33, § 2º, letra c, do Cód. Penal, o condenado não-
reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o
início, cumpri-la em regime aberto” (STJ;HC nº 65.275/SC; Min. Arnaldo
Esteves Lima; 5a. T.; DJU 5.2.07).

r
Voto nº 9861 — ecurso de ofício Nº 1.163.062-3/2-00
Arts. 71 e 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
arts. 743 e 746, do Cód. Proc. Penal;
art. 197 da Lei de Execução Penal.

— Enquanto em vigor o art. 746 do Cód. Proc. Penal, da decisão que conceder
reabilitação criminal caberá recurso de ofício;
—“É preciso que a Justiça seja solícita em ouvir o seu reclamo (do ex-presidiário),
dando o primeiro testemunho de que tem ele direito à reintegração social. Não
se pode admitir que marcas de Caim o persigam até o túmulo” (João Baptista
Herkenhoff, Uma Porta para o Homem no Direito Criminal, 2a. ed., p. 196).

Voto nº 9862 — HABEAS cORPUS Nº 1.173.287-3/0-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
41
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9863 — HABEAS cORPUS Nº 1.167.715-3/5-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal;
art. 306 do Código de Trânsito;
arts. 76 e 89, da Lei nº 9.099/95.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9864 — HABEAS cORPUS Nº 1.170.066-3/0-00


Art. 66, nº III, alínea “b”, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 9865 — HABEAS cORPUS Nº 1.174.613-3/6-00


Arts. 129 e 329, “caput” e § 2º, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o
recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a
questões de alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).

Voto nº 9866 — HABEAS cORPUS Nº 1.163.251-3/8-00


Arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06.
–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por roubo, será verdadeira
abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após sua
condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-se
precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda
contava ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito
subjetivo depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de
sua culpabilidade.

Voto nº 9867 — HABEAS cORPUS Nº 1.176.558-3/9-00


42
Arts. 310, parág. único, 312, 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Sem que se caracterize situação de real neces-sidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabí-vel, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou
a subsistência da prisão preventiva (...)” (Rev. Trim. Jurisp., vol . 180, pp. 262-
264; rel. Min. Celso de Mello).

Voto nº 9868 — HABEAS cORPUS Nº 1.151.430-3/2-00


Arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).
43
Voto nº 9869 — HABEAS cORPUS Nº 1.176.217-3/3-00
Arts. 157, § 2º, ns. I e II, 311, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é
insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo;
apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do contraditório
(art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões,
também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso”
(O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 9870 — HABEAS cORPUS Nº 1.146.502-3/0-00


Arts. 29, 159, § 1º e 288, parágrafo único, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal.

–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por formação de quadrilha, será


verdadeira abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após
sua condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-
se precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda contava
ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito subjetivo
depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de sua
culpabilidade.
–– Segundo entendimento pacífico do STF, a disposição do art. 594 do Cód. Proc.
Penal não se aplica a réu preso em razão de flagrante ou preventiva (cf.
Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 21a. ed., p. 470).
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– O instituto do “habeas corpus”, em vista de seu rito sumaríssimo e natureza
específica, não se presta a aferir requisitos subjetivos para a concessão de regime
prisional, tarefa em que somente haverá entender o Juízo da causa ou das
Execuções Criminais.

Voto nº 9871 — HABEAS cORPUS Nº 1.175.428-3/9-00


Arts. 14, nº II, 33, § 2º, alínea “b” e 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
44
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a
tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o
recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de
alta indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 9872 — HABEAS cORPUS Nº 1.177.984-3/0-00


Arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 9873 — HABEAS cORPUS Nº 1.173.669-3/3-00


Art. 288 do Cód. Penal;
arts. 6º e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
45
art. 1º da Lei nº 8.137/90.

— Em linha de princípio, não é o “habeas corpus” meio idôneo para obstar o curso
do inquérito policial nem da ação penal, se o fato imputado ao réu constituir
crime e houver indícios suficientes de sua autoria.
— Ainda na esfera do “habeas corpus”, é admis-
sível a análise de provas para aferir a proce-dência da alegação de falta de justa
causa para a ação penal; defeso é apenas seu exame aprofundado e de sobremão,
como se pratica na dilação probatória (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— Para trancar a ação penal, ou impedir o curso de inquérito policial, sob o
fundamento da ausência de “fumus boni juris”, há mister prova mais clara que a
luz meridiana, a fim de se não subverter a ordem jurídica, entre cujos postulados
se inscreve o da apuração compulsória, pelos órgãos da Justiça, da
responsabilidade criminal do infrator.

Voto nº 9874 — HABEAS cORPUS Nº 1.170.755-3/4-00


Arts. 14, nº II, 33 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 9875 — HABEAS cORPUS Nº 1.173.534-3/8-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal.

— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade


provisória – Roubo praticado à mão armada e mediante concurso de agentes –
Necessidade da custódia cautelar – Ordem denegada.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
na realização de ato processual no Juízo deprecado, que tem o caráter de força
maior, motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc.
Penal).
— Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído
com as peças e documentos que comprovem as alegações do paciente.
— O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que
se não toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está
devidamente instruído (José Frederico Marques, Elementos de Direito
46
Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 417).

Voto nº 9876 — HABEAS cORPUS Nº 1.176.911-3/0-00


Art. 197 da Lei de Execução Penal.

— Ainda que instrumento processual de dignidade


constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
p. 2.561).

Voto nº 9877 — HABEAS cORPUS Nº 1.177.445-3/0-00

Arts. 14, nº II e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;


art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 9878 — HABEAS cORPUS Nº 1.161.786-3/4-00

Arts. 71 e 171, § 2º, nº VI, do Cód. Penal;


art. 41 do Cód. Proc. Penal.

––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não


contraditória e que não deixe alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
47
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra
do contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa causa
unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a
atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência.
–– Para que a denúncia produza efeitos de direito e autorize a instauração do
processo-crime basta que descreva ação típica e lhe indique o autor (art. 41 do
Cód. Proc. Penal).
–– Nossos Tribunais têm decidido, sem quebra, ser inadmissível o trancamento de
ação penal por alegada ausência de justa causa, quando se baseia a denúncia em
indícios de crime em tese e de sua autoria.

Voto nº 9889 — HABEAS cORPUS Nº 1.160.784-3/8-00

Arts. 66, nº III, alínea “b” e 118, nº I, da Lei de Execução Penal;


art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— O Juiz que determina a regressão do sentenciado ao regime fechado, em caso de
falta grave, não viola a lei, antes a cumpre com pontualidade. Sua decisão, por
isso, está ao abrigo de reforma na via excepcional do “habeas corpus” (art. 118,
nº I, da Lei de Execução Penal).
—“O retorno ao regime mais gravoso é poder geral de cautela do Juiz, e não
padece de ilegalidade, como dispõe o art. 66, nº III, alínea b, da Lei de
Execução Penal” (Rev. Tribs., vol. 745, p. 566; rel. Dante Busana).
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).

Voto nº 9891 — HABEAS cORPUS Nº 1.172.634-3/7-00

Art. 312 do Cód. Proc. Penal;


arts. 33 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


48
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 9892 — HABEAS cORPUS Nº 1.172.829-3/7-00


Art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— A alegação de que é o réu dependente de drogas não implica, “ipso facto”,
diagnóstico de inimputabilidade: “a dependência, para consubstanciar a base
biológica da inimputabilidade deve ser objetivamente diagnosticada como doença
mental, isto é psicopatia ou enfermidade da mente, de fundo físico ou psíquico ou
ambos” (Vicente Grecco Filho, Lei de Tóxicos – Prevenção e Repressão).

Voto nº 9893 — HABEAS cORPUS Nº 1.154.967-3/4-00


Arts. 312, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
49
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que
somente o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a
demora decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes
processuais, pois não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir
motivos de força maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9894 — HABEAS cORPUS Nº 1.168.552-3/8-00


Arts. 214, 224, letra “a” e 225, § 1º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de atentado violento ao pudor incide na cláusula restritiva; pelo que não
tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio
de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva
exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do
réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 9895 — HABEAS cORPUS Nº 1.163.733-3/8-00


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 321, 323 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
50
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado à mão armada e mediante concurso de agentes –
Necessidade da custódia cautelar – Ordem denegada.
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.

Voto nº 9896 — HABEAS cORPUS Nº 1.171.544-3/9-00


Arts. 14, nº II, 41, 61, nº II, 121, § 2º, ns. II e IV, 129, § 9º, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência
da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do
Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a
materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Não há averbar de falta de fundamentação a decisão que encerra base jurídica e
fática bastante a garantir-lhe a validade. Tratando-se de roubo, crime de extrema
gravidade, a necessidade e a conveniência da decretação da custódia cautelar
como que se presumem.
— Se preso em flagrante delito, é razão que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Pedido de desclassificação do fato criminoso não cabe na esfera angusta do
“habeas corpus”, onde não têm entrada questões de alta indagação, ou que
impliquem aprofundado exame da prova dos autos.

Voto nº 9897 — HABEAS cORPUS Nº 1.170.944-3/7-00


Art. 148, § 1º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 16, parág. único, da Lei nº 10.826/03;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
51
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o
mesmo rigor que deve encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio
de Damásio E. de Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva
exige prova bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
Não é necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do
réu” (cf. Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no cárcere, a
verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se não satisfaz às
condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão de liberdade
provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 9898 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.143.792-3/0-


00
Arts. 29, 33, § 2º, alínea “b”, 59 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal.

— A vítima, atenta sua relevante posição no episódio criminoso, é a mais capacitada


a depor das circunstâncias em que ocorreu e apontar-lhe o verdadeiro autor.
— Não realiza ato de simples acompanhamento físico, mas de execução do tipo
penal, o sujeito que, durante roubo de veículo, se posta ao lado da vítima, com ar
ameaçador, restringindo-lhe a liberdade (art. 29 do Cód. Penal).
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a
pena inferior a 8 anos o benefício do regime semi-aberto; o Código Penal, o que
veda às expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior a 8 anos
(não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos
(art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal).
—“A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para imposição de regime mais severo do que o permitido
segundo a pena aplicada” (Súmula nº 718, do STF).

Voto nº 9899 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.145.366-3/0-


00
Arts. 14, nº II, 59, 68 e 155, “caput”, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Aquele que, argüido acerca do fato criminoso, cerra os lábios e nada responde,
nisso mesmo dá a conhecer sua grande culpa, uma vez que a razão natural ensina
não ser próprio do inocente suportar em silêncio injusta acusação, podendo falar
e defender-se. Afora os casos de exceção (que merecem comprovados sempre),
calado só permanece quem admite a veracidade da imputação.
— A palavra da vítima, porque protagonista do fato delituoso, não se recebe
geralmente com reservas, senão como expressão da verdade, que só a prova do
erro ou da má-fé pode abalar;
— O sujeito que, trazendo consigo coisas alheias, não lhes justifica de modo cabal a
procedência, entende-se que é autor de crime; pois, em regra, nenhuma
52
dificuldade tem o dono de provar que sua posse é legítima.
— Na esfera dos crimes contra o patrimônio, cometidos sem violência a pessoa, tem
relevância apenas a lesão jurídica de valor econômico, pois segundo a velha
fórmula do direito romano, “de minimis non curat praetor” (Dig. 4,1,4).
— Aplicado inconsideradamente, o princípio da insignificância representa violação
grave da lei, que manda punir o infrator; destarte, subtrair a seu rigor o culpado,
sem relevante razão de direito, fora escarnecer da Justiça, que dispensa a cada um
o que merece. Em verdade, conforme aquilo de Alberto Oliva, “todo homem
deve saber do fundo de seu coração o que é certo e o que é errado” (“apud”
Ricardo Dip e Volney Corrêa de Moraes, Crime e Castigo, 2002, p. 3;
Millennium Editora).
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de furto,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 9900 — RevisÃo CRIMINAL Nº 370.912-3/8-00

Arts. 14, nº II e 121, “caput”, do Cód. Penal;


arts. 156 e 621, do Cód. Proc. Penal.

— É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca ao peticionário provar,


com firmeza, que a sentença condenatória contraveio à realidade dos autos. Na
forma do art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
— Contrária à evidência é só aquela decisão que de todo se afasta das provas
coligidas nos autos.
— É cânon de jurisprudência que não merece deferimento revisão criminal que se
não apóie nos incisos do art. 621 do Código de Processo Penal.

Voto nº 9901 — RevisÃo CRIMINAL Nº 370.142-3/3-00

Art. 157, § 2º, ns. I e II, § 3º, do Cód. Penal;


arts. 395 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal.

— Última oportunidade que a lei defere ao condenado para a emenda de eventual


injustiça ou erro judiciário, não será de bom exemplo denegar-lhe, “in limine”,
a súplica revisional, exceto nos casos de total inépcia. Profundo conhecedor da
natureza humana, advertiu o grande Vieira: “nenhum homem é tão sábio, que
não esteja sujeito a errar” (Sermões, 1959, t. IV, p. 13).
— Não anula a ação penal a falta de apresentação de rol de testemunhas pela
Defesa, se teve oportunidade de fazê-lo (art. 395 do Cód. Proc. Penal).
“Dormientibus non succurrit jus”.
53
— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão
policial constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto
condenatório.
— Segundo a doutrina finalista da ação — adotada pela reforma penal de 1984 —, o
dolo no latrocínio “abrange os riscos inerentes à conduta” (cf. Damásio E. de
Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 602).
— Contrária à evidência é somente aquela decisão que está em absoluto
antagonismo com a prova dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes hediondos (Lei
nº 8.072/90), no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento
de pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 9902 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.162.356-3/0-


00
Arts. 155 e 157, §§ 1º e 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 156 do Cód. Proc. Penal;
art. 1º da Lei nº 2.252/54;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de


injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo
comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se em
harmonia com outros elementos do processo.
— Caracteriza roubo impróprio a ação de quem, logo após subtrair-lhe coisa alheia
móvel, emprega violência contra a vítima, a fim de assegurar a detenção da “res
furtiva” (art. 157, § 1º, do Cód. Penal).
— Como o roubo impróprio se consuma com o emprego da violência ou grave
ameaça, não admite a tentativa (art. 157, § 1o, do Cód. Penal). É a lição de
Nélson Hungria: “no caso de violência subseqüente à subtração, o momento
consumativo é o do emprego da violência; e não há falar-se em tentativa”
(Comentários ao Código Penal, 1980, vol. VII, p. 61).
— Se o réu praticou a subtração mediante violência a pessoa — o que é atributo do
roubo — , fica evidente a impossibilidade jurídica de classificá-la como furto.
— Não se caracteriza o crime de corrupção de menores (art. 1º da Lei nº
2.252/54), sem a prova da preexistente inocência do menor e da atuação decisiva
do agente para corrompê-lo (cf. Rev. Tribs., vol 750, p. 606).
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 9903 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.163.890-3/3-


00
54
Art. 157, “caput”, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

—Embora direito de todo o réu permanecer calado (art. 5º, nº LXIII, da Const.
Fed.), ensina a experiência vulgar que, em pontos de responsabilidade criminal,
ao silêncio recorre apenas quem tem culpa; o inocente, se acusado, esse desde
logo se defende com todas as potências da alma.
— Protagonista do roubo, a vítima autoriza-se, por força, a discorrer dele e de seu
autor. A objeção de que sua palavra, porque parte no evento criminoso, é
tendenciosa, passa por argumento especioso: não tem a vítima outro interesse na
causa que incriminar o verdadeiro roubador, que apenas dele poderá reaver as
coisas que lhe foram subtraídas. Pelo que, aliada a outros elementos de
convicção, serve de fundamento a decreto condenatório.
—“Consuma-se o roubo quando o agente, mediante violência ou grave ameaça,
consegue retirar a coisa da esfera de vigilância da vítima” (STF; rel. Min.
Carlos Velloso; Rev. Tribs., vol. 705, p. 429).
— Impossível capitular de furto a subtração de coisa alheia móvel mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, pois são estas elementares do roubo (art. 157,
“caput”, do Cód. Penal).

Voto nº 9904 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 878.681-3/6-00

Arts. 14, nº II e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;


art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal.

— A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório: se em harmonia


com os mais elementos dos autos justifica a procedência da pretensão punitiva e a
condenação do réu.
— Há tentativa de roubo se o agente, logo perseguido e preso, não teve a posse
tranqüila da coisa subtraída, recuperada afinal pela vítima.
—“Esta Corte Federal Superior e o Excelso Supremo Tribunal Federal firmaram já
entendimento no sentido da impossibilidade de se considerar como maus
antecedentes, quando na fixação da pena-base, o fato de o réu responder a
outros processos criminais” (STJ; REsp nº 281.450-0-RO; 6a. T.; j. 21.9.2004;
Boletim do Superior Tribunal de Justiça, nº 1, p. 74).
—“Se primário o réu, a regra é partir da pena-base no grau mínimo” (TRF da 1a.
R., Ap. nº 22.082, DJU 5.3.90, p. 3.233).
— O regime prisional fechado, sobre atender ao espírito da lei, conforma-se à
personalidade do autor de roubo, sujeito de ordinário violento e, pois,
necessitado de severa disciplina, que o melhore e reconduza à vida em sociedade.

Voto nº 9905 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.165.429-3/5-


00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
arts. 28 e 33, da Lei nº 11.343/06.
55
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força
de convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564;
rel. Min. Cordeiro Guerra).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo considerável quantidade de
substância entorpecente, pois tal circunstância revela que se destinava ao
comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— Em se tratando de réu primário, a “regra é partir da pena base no grau
mínimo” (TRF da 1a. R; Ap.nº 22.082; DJU 5.3.90, p. 3.233).

Voto nº 9906 — HABEAS cORPUS Nº 1.166.959-3/0-00


Arts. 14, nº II, 29, 150, § 1º, 157, § 2º, ns. I, II e V, 180, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 321, 323, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 19 da Lei das Contravenções Penais;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
— HABEAS CORPUS – Pedido de liberdade
provisória – Roubo praticado à mão armada e mediante concurso de agentes –
Necessidade da custódia cautelar – Ordem denegada.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora na
realização de ato processual no Juízo deprecado, que tem o caráter de força maior,
motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo que, não tem jus ao benefício.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua autoria.

Voto nº 9907 — HABEAS cORPUS Nº 1.173.885-3/9-00


Arts. 29, 61, nº II, alínea “h” e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
— De presente, por força do princípio da presunção de inocência (art. 5º, nº LVII,
da Const. Fed.), prevalece nos Tribunais o entendimento de que a prisão
cautelar somente se legitima se determinada por inelutável necessidade e
56
conveniência de ordem pública. Necessidade é a razão que se funda na
gravidade extrema do crime e na periculosidade do agente, circunstâncias que o
obrigam a segregar-se da comunhão social.
–– Se ausentes os pressupostos legais da decretação da prisão preventiva, tem direito
a liberdade provisória o réu que, primário e de bons antecedentes, responde a
processo por crime cometido sem violência (art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal).
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável, pode o
réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua prisão
preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de Jesus,
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 246).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp.
262-264; rel. Min. Celso de Mello).
Voto nº 9908 — HABEAS cORPUS Nº 1.158.182-3/0-00
Arts. 14, nº II e 155, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixe alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).

Voto nº 9909 — agravo em execução Nº 1.167.981-3/8-


00
Art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76) crime da classe dos hediondos, sem atender ao
requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o
reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9910 — agravo em execução Nº 1.174.387-3/3-


00
57
Arts. 12 e 18, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de tráfico de entorpecentes
(art. 12 da Lei nº 6.368/76) crime da classe dos hediondos, sem atender ao
requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o
reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Dois requisitos exige a lei para a progressão de regime: lapso temporal e mérito
do condenado; presentes que sejam, compete ao Juiz despachar de boa sombra a
pretensão, uma vez não pode recusar-se a praticar os atos de seu ministério.
— Não vá esquecer ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 9911 — agravo em execução Nº 1.151.062-3/2-


00
Art. 112 da Lei de Execução Penal.

— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a


concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga de
benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 9912 — agravo em execução Nº 1.168.079-3/9-


00
Art. 109, nº VI, do Cód. Penal;
arts. 112 e 127, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.
— “O cometimento de falta grave interrompe a contagem do prazo exigido para a
concessão do benefício da progressão de regime prisional” (STJ; HC nº
12.453-SP; rel. Min. Gilson Dipp; j. 6.3.2001; DJU 23.4.2001, p. 171).
— Deve o sentenciado atender, sem quebra, às instâncias da disciplina do
estabelecimento penal para poder, no tempo oportuno, credenciar-se à outorga de
benefícios (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Justiça excessiva não é senão injustiça, proclamou com assaz de razão o
eloqüente Cícero: “Summum jus, summa injuria” (De Officiis, I, 10).
— A decisão que concede remição de penas é imutável após seu trânsito em julgado.
Portanto, desconstituí-la, salvo mediante revisão criminal, fora violar a
autoridade da “res judicata”, um dos principais dogmas em que assenta a ordem
jurídica (art. 5º, nº XXXVI, da Const. Fed.).
— Frutos de seu trabalho e, pois, estipêndio do suor, os dias remidos do preso têm
alguma coisa de sagrado que os guarda do rigor do Juízo da execução penal.
—“É inadmissível a perda dos dias remidos por decisão judicial, em virtude de falta
grave cometida pelo sentenciado” (RJTACrimSP, vol. 39, p. 416).
58

Voto nº 9913 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.168.252-3/9-


00
Arts. 14, nº II, 157, § 2º, ns. I e II, 288, parág. único, do Cód. Penal;
art. 386, ns. IV e VI, do Cód. Proc. Penal.
— A confissão policial, ainda que repudiada em Juízo, autoriza decreto
condenatório se em harmonia com outros elementos de prova, máxime o firme
reconhecimento do réu pela vítima.
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564;
rel. Min. Cordeiro Guerra).
—“Associar-se quer dizer reunir-se, aliar-se ou congregar-se estável ou
permanentemente, para a consecução de um fim comum. À quadrilha ou bando
— art. 288 do Cód. Penal — pode ser dada a seguinte definição: reunião estável
ou permanente (que não significa perpétua), para o fim de perpetração de uma
indeterminada série de crimes. A nota de estabilidade ou permanência da
aliança é essencial” (Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, 1958, vol.
IV, pp. 177-178).
— O regime prisional fechado é o compatível com o autor de roubo, pela muita
gravidade do crime, ou pela ruim personalidade dos que o cometem, sujeitos pelo
comum violentos, que assentaram praça na milícia da maldade.

Voto nº 9914 — agravo em execução Nº 1.152.327-3/0-


00
Art. 121, § 2º, ns. II e III, do Cód. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
(art. 121, § 2º, ns. II e III, do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, sem
atender ao requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o
reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9915 —Recurso em Sentido Estrito Nº 1.171.963-3/0-


00
Arts. 14, nº II e 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal;
59
art. 93, nº IX, Const. Fed.

–– A linguagem do Magistrado, ao proferir sentença de pronúncia, não deve ser


tão profunda e prolixa, que pareça ferir o mérito da causa, nem tão sutil e etérea,
que não dê a conhecer as razões que o induziram a mandar o réu a júri.
— O julgador que, de modo sucinto e com sobriedade, discorre das qualificadoras
do homicídio articuladas na denúncia contra o réu, para afastá-las ou acolher,
não infringe a lei nem conculca direito de terceiro, antes atende a critério de
legalidade estrita, a saber: art. 408 do Cód. Proc. Penal e art. 93, nº IX,
Constituição da República.
— A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo
Júri o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc.
Penal). Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando
manifesta sua inocorrência; do contrário, são os Jurados os que sobre elas se
devem pronunciar, porque matéria de sua competência.

Voto nº 9916 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.169.023-3/1-


00
Arts. 33, § 2º, alínea “b”, 59, 65, nº III, alínea “d” e 157, § 2º, nº I, do Cód.
Penal.
–– A confissão judicial, por seu valor absoluto – visto se presume feita
espontaneamente –, basta à fundamentação do edito condenatório.
— A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório: se em harmonia
com os mais elementos dos autos justifica a procedência da pretensão punitiva e a
condenação do réu.
— Há tentativa de roubo se o agente, logo perseguido e preso, não teve a posse
tranqüila da coisa subtraída, recuperada afinal pela vítima.
— Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado não-reincidente a
pena inferior a 8 anos o benefício do regime semi-aberto; o Código Penal, o que
veda às expressas é que se conceda ele ao réu condenado a pena superior a 8 anos
(não importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos
(art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal).
—“A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para imposição de regime mais severo do que o permitido
segundo a pena aplicada” (Súmula nº 718, do STF).

Voto nº 9917 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 885.939-3/0-00


Arts. 70 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.
— Isto de permanecer calado no inquérito, conquanto direito seu, faz contra a
presunção de inocência do réu. A razão é que, se deveras inocente e limpo de
crime, tê-lo-ia já proclamado, como aqueles que são acusados sem causa, pois a
todos ensinou a Natureza a defender-se com a última força. Ordinariamente
falando, é o silêncio do réu pedra-de-toque de sua culpa.
60
— Nos casos de roubo, a palavra da vítima tem extraordinário valor e peso,
pois manteve contacto direto com seu autor, cuja punição unicamente lhe
interessa, não a de pessoa inocente.
—“Responde por roubos em concurso formal o sujeito que, num só contexto de fato,
pratica violência ou grave ameaça contra várias pessoas, produzindo
multiplicidade de violações possessórias” (Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 18a. ed., p. 591).
— O regime prisional fechado é, em linha de princípio, o que verdadeiramente
convém ao autor de roubo, sobretudo se manifesta sua propensão à vida de
crimes.

Voto nº 9918 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.172.287-3/2-


00
Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.
— Está acima de crítica a decisão que condena por furto o sujeito detido na posse do
produto do crime (art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal).
— É argumento lógico irrefragável que a posse de coisa alheia sem justificativa
satisfatória induz à certeza de sua origem ilícita.
–– O réu que é inocente declara-o desde logo, movido da própria razão natural, que
ordena a todo o indivíduo se defenda de injusta acusação; quem se refugia no
silêncio, embora direito seu previsto na Constituição da República (art. 5º, nº
LXIII), esse dá a conhecer que não tinha que responder à acusação, por
verdadeira. Donde o prestígio do venerável brocardo “qui tacet, consentire
videtur” (quem cala, consente).

Voto nº 9919 — HABEAS cORPUS Nº 1.186.196-3/4-00


Art. 647 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, LXIX, da Const. Fed.

— Se foi o advogado-impetrante quem a requereu, não há senão homologar a


desistência de “habeas corpus”, pela presunção de que obrara “secundum jus” e
à luz da ética profissional (art. 647 do Cód. Proc. Penal).
— Ao contrário do que passa com a apelação, não há mister poderes especiais para
desistir de “habeas corpus”. Se desnecessário o instrumento de mandato para
impetrá-lo, seria contra-senso exigir poderes especiais para dele desistir.

Voto nº 9920 — agravo em execução Nº 1.178.092-3/6-


00
Art. 157, § 3º, do Cód. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de latrocínio (157, § 3º, do
Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, sem atender ao requisito do lapso
temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o reincidente (art. 2º, § 2º, da
Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
61
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9921 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.173.030-3/8-


00
Arts. 14, nº II, 29, 59 e 157, § 2º, ns. I e II, § 3º, 2a. parte, do Cód. Penal.

— Conforme iterativa jurisprudência dos Tribunais, a palavra da vítima, se ajustada


aos mais elementos do processo, justifica decreto condenatório.
—“Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o
agente a subtração de bens da vítima” (Súmula nº 610 do STF)
— Em pontos de co-autoria, quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide
nas penas a este cominadas (art. 29 do Cód. Penal), de tal arte que, no caso de
tentativa de latrocínio, irrelevante é a circunstância de não ter sido o autor do
disparo que feriu a vítima: quem quer a causa quer o efeito!

Voto nº 9922 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.175.644-3/4-


00
Arts. 14, nº II, 29, 59, 61, nº II, alíneas “a” e “d”, 157, § 2º, ns. I e II, § 3º, do
Cód. Penal.

— Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos, a confissão policial
constitui prova idônea de autoria delituosa e justifica edição de decreto
condenatório.
— No caso de roubo, tem a palavra da vítima extraordinária importância para
comprovar-lhe a materialidade e a autoria: parte precípua no evento criminoso, é
a que está em melhores condições de, à luz da verdade sabida, reclamar a punição
unicamente do culpado.
— As qualificadoras do art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal (emprego de arma
de fogo e concurso de agentes) não se aplicam à figura do latrocínio (art. 157, §
3º), conforme a lição da melhor doutrina (cf. Damásio E. de Jesus, Código
Penal Anotado, 18a. ed., p. 593) e a jurisprudência dos Tribunais (cf. Rev. Tribs.,
vol. 746, p. 599; 780/583, etc.).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
62
Voto nº 9923 — agravo em execução Nº 1.175.781-
3/9-00
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 5º da Const. Fed.

— Se o sentenciado atendeu ao requisito objetivo (lapso temporal), observou sem


quebra o código de disciplina do presídio e manifesta o propósito de emendar as
máculas do passado, faz jus à progressão ao regime semi-aberto, porque esta é a
vontade da lei (art. 112 da Lei de Execução Penal). Somente fato grave,
indicativo de personalidade anômala e refratária aos estímulos da recuperação,
poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional mais brando.
— O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de regime semi-
aberto ao sentenciado, se já cumpriu dela a sexta parte (necessariamente longa).
Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de falta
grave (fuga) se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar conduta
carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua redenção.
— “A progressão de regime de cumprimento de pena (fechado para o semi-aberto)
passou a ser direito do condenado, bastando que se satisfaça a dois
pressupostos: o primeiro, de caráter objetivo, que depende do cumprimento de
pelo menos 1/6 da pena; o segundo, de caráter subjetivo, relativo ao seu bom
comportamento carcerário, que deve ser atestado pelo diretor do
estabelecimento prisional” (STJ; HC nº 38.602; 5ª. Turma; rel. Min. Arnaldo
Esteves de Lima).
— “A pena-retributiva jamais corrigiu alguém” (Nélson Hungria, Comentários ao
Código Penal, 1980, 6a. ed., vol. I, t. I, p. 14).

Voto nº 9929 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.166.051-3/7-


00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
arts. 28 e 33, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de


injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
63

Voto nº 9930 —Recurso em Sentido Estrito Nº 1.145.214-3/8-


00
Arts. 23, nº II e 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal;
arts. 79 e 408, do Cód. Proc. Penal;
art. 14 da Lei nº 10.826/03.

— Segundo a comum opinião dos doutores, para a pronúncia não é mister mais que
a prova da realidade do crime e indícios da responsabilidade do réu (art. 408 do
Cód. Proc. Penal).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo
Júri o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc.
Penal). Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– Ainda que, em tese, possa absolver o réu com fundamento na legítima defesa, ao
Juiz da pronúncia não é lícito fazê-lo senão quando comprovada a
descriminante legal acima de toda a dúvida razoável (art. 23, nº II, do Cód.
Penal).
–– Salvo se manifesta sua inocorrência, não é de bom exemplo afastar, desde logo,
na fase da pronúncia, as qualificadoras do homicídio; ao Tribunal do Júri, como
a seu Juiz natural, é que, em princípio, cabe apreciá-lo (art. 121, § 2º, nº IV, do
Cód. Penal).
––A conexão importa unidade de processo e julgamento (art. 79 do Cód. Proc.
Penal).

Voto nº 9931 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.162.941-3/0-


00
Art. 2º, parág. único, do Cód. Penal;
arts. 202 e 563, do Cód. Proc. Penal;
art. 12, § 1º e § 2º, nº II, da Lei nº 6.368/76;
arts. 1º, ns. V e VI, 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 14 a 26, da Lei nº 10.409/02;
arts. 28 e 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.

— A Lei nº 10.409/02 não revogou os arts. 12 e seguintes da Lei nº 6.368/76. É que


uma lei revoga outra, quando expressamente o disponha, ou quando, em relação à
lei nova, a anterior se torne antagônica e antinômica, gerando com ela
incompatibilidade.
—“O rito especial previsto na Lei nº 10.409/02 aplica-se apenas aos crimes nela
previstos, os quais, insertos nos arts. 14 a 26, que integram a seção única do
Capítulo III, foram integralmente vetados, por vício de inconstitucionalidade”
(STJ; HC nº 28.300-RJ; 6a. Turma; rel. Min. Paulo Medina; j. 16.12.2003; DJU
3.11.2004, p. 245).
—“Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a
acusação ou para a defesa” (art. 563 do Cód. Proc. Penal)
64
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para
logo a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para o tipo do art. 16
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia juntamente com pedaços de plástico e fita adesiva, pois
tais circunstâncias revelam que o tóxico se destinava ao comércio ilícito, e não
ao uso próprio.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).
— Por força do princípio da ultratividade da lei mais favorável (art. 2º, parág.
único, do Cód. Penal), é possível aplicar a diminuição de pena prevista no art.
33, § 4º, da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas) aos casos de condenação pelo art.
12, “caput”, § 1º e § 2º, nº II, da Lei nº 6.368/76, mediante “recomposição
comparativa” das penas cominadas (cf. Vicente Greco Filho e João Daniel
Rassi, Lei de Drogas Anotada,2007, pp. 201/202).

Voto nº 9932 — agravo em execução Nº 1.164.670-3/7-


00
art. 12, “caput”, § 1º e § 2º, nº II, da Lei nº 6.368/76;
art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.

— Por força do princípio da ultratividade da lei mais favorável (art. 2º, parág.
único, do Cód. Penal), é possível aplicar a diminuição de pena prevista no art.
33, § 4º, da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas) aos casos de condenação pelo art.
12, “caput”, § 1º e § 2º, nº II, da Lei nº 6.368/76, mediante “recomposição
comparativa” das penas cominadas (cf. Vicente Greco Filho e João Daniel
Rassi, Lei de Drogas Anotada,2007, pp. 201/202).

Voto nº 9933 — agravo em execução Nº 1.166.185-3/8-


00

Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento


condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar
sem grave injúria da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente
longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de
falta grave (fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar
conduta carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua
redenção.
65
Voto nº 9934 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.152.247-
3/4-00
Arts. 33, § 2º, alínea “c”, § 3º e 59, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo


a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a
Juízo para mentir.
— “A melhor interpretação da lei é a que se preocupa com a solução justa, não
podendo o seu aplicador esquecer que o rigorismo na exegese dos textos legais
pode levar a injustiças” (STJ; Rev. Tribs., vol. 656, p. 188).
— Se o aconselharem as circunstâncias do caso, poderá o Juiz fixar ao réu
condenado por infração do art. 12 da Lei de Tóxicos regime inicial diverso do
fechado, em obséquio ao preceito inscrito no art. 5º da Lei de Introdução ao
Código Civil (denominada “lex legum” ou superdireito), que reza: “na
aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às
exigências do bem comum”.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 9935 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.162.313-3/4-


00
Arts. 202 e 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal;
art. 33 da Lei nº 11.343/06;
arts. 12 e 16, nº IV, da Lei nº 10.826/06.

—“Todas as variações graves são um indício positivo de mentira” (Mittermayer,


Tratado da Prova em Matéria Criminal, 1871, t. II, p. 30; trad. Alberto Antônio
Soares).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
66
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, §
2º).

Voto nº 9936 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.173.512-3/8-


00
Arts. 213, 223, parág. único e 224, alínea “a”, do Cód. Penal;
art. 499 do Cód. Proc. Penal;
arts. 1º, nº V, 2º, § 1º e 9º, da Lei nº 8.072/90.

— Não cai sob a rubrica das nulidades nem viola direito das partes o despacho que,
no prazo do art. 499 do Cód. Proc. Penal, indefere a realização de diligência que
não é cabal ou imprescindível à decisão da causa.
— A confissão, máxime se feita perante o Magistrado, tem o caráter de prova
ilustríssima; segundo o famoso Ulpiano, equipara-se não menos que à coisa
julgada: “Confessio habet vim rei judicatae”.
—“A confissão judicial tem valor absoluto e, ainda que seja o único elemento de
prova, serve como base à condenação” (Rev. Tribs., vol. 744, p. 573).
— Tem a palavra da vítima importância capital nos crimes contra a liberdade
sexual. Se ajustada ao conjunto probatório dos autos, enseja condenação: ao
cabo de contas, ninguém se reputa mais apto a discorrer das circunstâncias e
autoria do crime que a pessoa que lhe padeceu diretamente os agravos físicos e
morais (art. 213 do Cód. Penal).
— O aumento especial de pena previsto no art. 9º da Lei nº 8.072/90 (Lei dos
Crimes Hediondos) para os crimes de estupro e atentado violento ao pudor,
somente é aplicável se ocorrer lesão corporal grave ou morte (cf. STJ; 5a. Turma,
rel. Min. José Dantas; cf. Rev. Trib., vol. 721, p. 548).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 9939 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.167.356-3/6-


00
Art. 171, “caput”, do Cód. Penal.

— Fraude “é qualquer malicioso subterfúgio para alcançar um fim ilícito” (Nélson


Hungria, Comentários ao Código Penal, 1980, t. VII, p. 169).
— Incorre nas penas de estelionato aquele que, inculcando-se mediador entre as
partes em negócio imobiliário, causa-lhes prejuízo, por fraude e induzimento a
erro (art. 171, “caput”, do Cód. Penal).
— Não se exime da nota de estelionatário, e pois incorre nas penas do art. 171,
“caput”, do Cód. Penal, o sujeito que, inculcando-se (falsamente) corretor
autorizado a vender certo imóvel, mostra-o à vítima, que o adquire e paga, e só
ao depois percebe ter sido ilaqueada em sua boa-fé.
— Para que seja a pena justa, segundo a memorável lição do Marquês de Beccaria,
não deve ter senão o grau de rigor suficiente para afastar os homens da senda do
crime (Dos Delitos e das Penas, § XVI).
67
Voto nº 9940 — HABEAS cORPUS Nº 1.179.024-3/4-00
Arts. 14, nº II e 155, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 312, 313 e 659, do Cód. Proc. Penal.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado
a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado
o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9941 — HABEAS cORPUS Nº 1.178.689-3/0-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9942 — HABEAS cORPUS Nº 1.179.995-3/4-00


Arts. 29, 69 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido


anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que,
satisfeita a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a
matéria do litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 9943 — HABEAS cORPUS Nº 1.179.349-3/7-00


Art. 126 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

— Contra o parecer de notáveis juristas, que sustentam não ser o “habeas corpus”
meio apropriado a impugnar decisão de que caiba recurso ordinário, mostra-se de
bom exemplo conhecer da impetração, porque, em tese, passa pelo remédio
jurídico-processual mais célere e eficaz para conjurar abusos e ilegalidades
contra o direito à liberdade de locomoção do indivíduo (art. 5º, nº LXVIII, da
Const. Fed.).
— É razoável computar, no cálculo de liqüidação das penas do condenado, como de
pena cumprida, o tempo de remição pelo trabalho (art. 126 da Lei de Exec.
Penal). Dado que a Lei de Execução Penal é a tal respeito omissa, pode o Juiz
guiar-se pelo princípio comum que rege a solução dos casos controversos e optar
pela parcialidade mais favorável ao sentenciado: “Semper in dubiis benigniora
praeferenda sunt”.
—“O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, no processo MJ-
8.926/94, por unanimidade, entendeu que o tempo remido deve ser abatido da
68
pena não só para livramento condicional como também para indulto e
progressão de regime (DJU 2.12.94, p. 18.352)” (apud Damásio E. de Jesus,
Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 663).

Voto nº 9944 — HABEAS cORPUS Nº 1.184.720-3/2-00


Arts. 14, nº II e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

—É princípio altamente reputado que o réu que respondeu a processo em


liberdade assim deve aguardar seu julgamento definitivo, exceto se o obstarem
motivos supervenientes de grande vulto (art. 594 do Cód. Proc. Penal).
— Não entra em dúvida que passa por um dos efeitos da sentença condenatória ser
o réu preso (art. 393, nº I, do Cód. Proc. Penal). Mas, se o Juiz da causa não lhe
decretou a prisão preventiva, por julgá-la desnecessária (se não ilegítima), nisto
mesmo deu a conhecer que lhe franqueara o direito ao recurso em liberdade.
— “A melhor interpretação da lei é a que se preocupa com a solução justa, não
podendo o seu aplicador esquecer que o rigorismo na exegese dos textos legais
pode levar a injustiças” (Rev. Tribs., vol. 656, p. 188).

Voto nº 9945 — HABEAS cORPUS Nº 1.191.113-3/9-00


Art. 647 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, LXIX, da Const. Fed.

— Se foi o advogado-impetrante quem a requereu, não há senão homologar a


desistência de “habeas corpus”, pela presunção de que obrara “secundum jus” e
à luz da ética profissional (art. 647 do Cód. Proc. Penal).
— Ao contrário do que passa com a apelação, não há mister poderes especiais para
desistir de “habeas corpus”. Se desnecessário o instrumento de mandato para
impetrá-lo, seria contra-senso exigir poderes especiais para dele desistir.

Voto nº 9946 — HABEAS cORPUS Nº 1.174.274-3/8-00


Arts. 157, § 2º, ns. II e V, 214 e 329, do Cód. Penal;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
art. 32 da Lei das Contravenções Penais;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
–– Não é o “habeas corpus” via legal idônea para apressar decisões nem apreciar
pedido de progressão de regime prisional, por implicar análise detida de
requisitos objetivos e subjetivos, reservada à competência do Juízo da execução
(art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal).

Voto nº 9947 — HABEAS cORPUS Nº 1.176.617-3/9-00


Arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal;
arts. 12, 14 e 18, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
69
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes
de execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9948 — HABEAS cORPUS Nº 1.173.122-3/8-00


Art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
arts. 12 e 18, nº I, da Lei nº 6.368/76.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação
de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do Estado.

Voto nº 9949 — HABEAS cORPUS Nº 1.180.635-3/5-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, § 3º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação
de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do Estado.

Voto nº 9950 — HABEAS cORPUS Nº 1.175.259-3/7-00


Arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 197, da Lei de Execução Penal.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
70
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Ainda que instrumento processual de dignidade
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas
corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi”
respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
P. 2.561).

Voto nº 9951 — HABEAS cORPUS Nº 1.174-981-3/4-00


Arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 14 da Lei nº 10.826/03;
art. 33 da Lei nº 11.343/06.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação
de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9952 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.163.332-3/8-


00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.
— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de
injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
71
§ 2º).

Voto nº 9953 — HABEAS cORPUS Nº 1.171.319-3/2-00


Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 499 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
— Unicamente faz jus à liberdade provisória o preso que, havendo cometido delito
afiançável, reúna méritos pessoais; importa ainda não seja o caso de decretação
de prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
— Inimigo potencial da ordem jurídica e da sociedade, o autor de furto qualificado
não merece recobrar a liberdade, primeiro que dê estritas contas à Justiça, ao
termo do devido processo legal.
— Prisão em flagrante apoiada em auto regular, lavrado com observância dos
preceitos legais, não se relaxa, fora os casos de injustificável excesso de prazo na
formação da culpa.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do crime
(dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 9954 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.172.315-3/1-


00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 28 e 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06.

— Tem lá seu valor a confissão do réu na Polícia, máxime se convicente e ajustada


aos mais elementos de prova dos autos.
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564;
rel. Min. Cordeiro Guerra).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
72
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia, pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se
destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— Fator de esclarecida e humana individualização da pena, será bem reduzi-la ao
réu condenado por infração do art. 33 da Lei nº 11.343/06 (Lei de Drogas), que
satisfaça aos requisitos de seu § 4º.
— Temperar com a eqüidade o rigor da lei foi sempre timbre dos que distribuem
justiça, como advertiu o insigne Carlos Maximiliano: “Hoje a maioria absoluta
dos juristas quer libertar da letra da lei o julgador, pelo menos quando da
aplicação rigorosa dos textos resulte injusta dureza, ou até mesmo simples
antagonismo com os ditames da eqüidade. Assim, vai perdendo apologistas na
prática a frase de Ulpiano — durum jus, sed ita lex scripta est — duro Direito,
porém assim foi redigida a lei — e prevalecendo, em seu lugar, o summum jus,
summa injuria — do excesso de direito resulta a suprema injustiça”
(Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p. 170).
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 9957 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.176.879-3/3-


00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 28 e 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06.
—“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada, mas pela força de
convencimento que nela se contém” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564; rel.
Min. Cordeiro Guerra).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo a
idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se demonstrar,
além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro de
informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do processo —, “toda
pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28 não
se mostra atendível, se o réu trazia consigo considerável quantidade de substância
entorpecente, pois tal circunstância revela que se destinava ao comércio ilícito, e não
ao uso próprio.
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da classe
dos hediondos, deve cumprir sua pena “inicialmente em regime fechado”, por força
do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
73

Voto nº 9958 — HABEAS cORPUS Nº 1.182.514-3/8-00


Arts. 312, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 28, 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas
corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com observância
da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa causa
unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a atipicidade do
fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não contraditória e
que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC; rel. Min. Clóvis
Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a providência da
prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art. 312 do Código de
Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou
para assegurar a aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da
infração penal e veementes indícios de sua autoria.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento, dilatando
os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente o
excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois não
está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior que
obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não pode
criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia constitucional”
(Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel. José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa
decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao
Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art. 44
da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9959 — HABEAS cORPUS Nº 1.181.143-3/7-00


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9960 — HABEAS cORPUS Nº 1.176.325-3/6-00


Arts. 312, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33, § 1º, 34, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
74
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou
com o elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9961 — HABEAS cORPUS Nº 1.183.091-3/3-00


Art. 155, §§ 1º e 4º, nº II, 3a. figura, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 313, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,


consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão cautelar, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à satisfação de
requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a prisão preventiva
(cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por sua periculosidade, o
75
autor de furto mediante rompimento de obstáculo, nos termos da figura
típica do art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal, incide na cláusula restritiva; pelo
que, não tem jus ao benefício.

Voto nº 9962 — HABEAS cORPUS Nº 1.183.581-3/0-00


Arts. 61, nº II, alínea “h”, 69, 121, § 2º, ns. II, III e IV, 125 e 213, do Cód.
Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9963 — agravo em execução Nº 1.176.801-3/9-


00
Art. 83 do Cód. Penal.

–– Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento


condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar
sem grave injúria da Lei e da Justiça.
–– O argumento da pena longa não é poderoso a obstar a concessão de livramento
condicional ao sentenciado, se já cumpriu dela a metade (necessariamente
longa). Tampouco lhe serve de empecilho à obtenção do benefício o registro de
falta grave (fuga), se, ao depois, revelou, por largo espaço de tempo, exemplar
conduta carcerária e notável dedicação ao trabalho, sinais inequívocos de sua
redenção.

Voto nº 9964 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.165.401-3/8-


00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo a
idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos policiais,
há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de policial não torna
a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud
Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 187).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se demonstrar,
além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em erro de
informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do processo —, “toda
pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc. Penal).
— O justificado rigor, com que a Lei nº 8.072/90 tratava os crimes denominados
hediondos, foi atenuado pela Lei nº 11.464/2007, que lhe introduziu modificação no
art. 2º , § 1º, para permitir a seus autores progressão no regime prisional após o
cumprimento, sob o regime fechado, de 2/5 da pena se primário, ou 3/5, se reincidente.
76
Voto nº 9967 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.143.539-
3/6-00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil;
arts. 12 e 14, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º da Lei nº 9.296/96.
— A prova, obtida mediante interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça em
face de “indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal” (art. 2º
da Lei nº 9.296/96), é lícita e, portanto, pode servir de fundamento a decreto
condenatório.
—“Não há invalidar o resultado obtido em decorrência de interceptações telefônicas
que foram realizadas mediante autorização judicial, nos termos da Lei nº 9.296/96”
(Rev. Tribs., vol. 854, p. 559; rel. Min. Felix Fischer).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos policiais,
há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de policial não torna
a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud
Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 187).
— O crime do art. 14 da Lei nº 6.368/76 (associação para o tráfico) é autônomo e não se
subsume ao tipo fundamental do art. 12 da mesma lei.
— “A melhor interpretação da lei é a que se preocupa com a solução justa, não
podendo o seu aplicador esquecer que o rigorismo na exegese dos textos legais pode
levar a injustiças” (STJ; Rev. Tribs., vol. 656, p. 188).
— Para que seja a pena justa, segundo a memorável lição do Marquês de Beccaria, não
deve ter senão o grau de rigor suficiente para afastar os homens da senda do crime:
“Perchè una pena sia giusta, non deve avere che quei soli gradi d’intensione che
bastano a rimuovere gli uomini dai delitti” (Cesare Beccaria, Dei delitti e delle
pene, § XVI).
— Se o aconselharem as circunstâncias do caso, poderá o Juiz fixar ao réu condenado
por infração do art. 14 da Lei de Tóxicos regime inicial diverso do fechado, em
obséquio ao preceito inscrito no art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil
(denominada “lex legum” ou superdireito), que reza: “na aplicação da lei, o juiz
atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº
8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de pena.
Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente — e
conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).

Voto nº 9968 — agravo em execução Nº 1.179.410-3/6-


00
Arts. 71, 214, 224, alínea “a” e 226, nº II, do Cód. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal.

— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que


assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de atentado violento ao
pudor (art. 214 do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, sem atender ao
requisito do lapso temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o
reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
77
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.

Voto nº 9969 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.173.391-3/4-


00
Arts. 72 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal.

— Depõe ordinariamente contra o interesse do réu seu silêncio na quadra do


inquérito policial. Deveras, quando injusta a acusação, o inocente clama de
contínuo à face do mundo, não se retrai ao silêncio, refúgio natural dos culpados.
— A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório: se em harmonia
com os mais elementos dos autos justifica a procedência da pretensão punitiva e a
condenação do réu.
— A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de desmerecê-lo constitui
solene despropósito, pois toda a pessoa pode ser testemunha (art. 202 do Cód.
Proc. Penal) e aquela que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que o policial vem a
Juízo para mentir.
— Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve lapso de tempo, teve
a posse desvigiada da coisa subtraída à vítima mediante violência ou grave
ameaça.
— Ante a prova de que a arma empregada pelo autor do roubo estava desmuniciada,
não tem lugar a qualificadora do inc. I do § 2º do art. 157 do Código Penal, por
ausência de potencialidade ofensiva, razão da causa de aumento de pena.
— “A toda evidência, o poder vulnerante da arma de fogo informa a razão de ser
da causa de aumento de pena (...)” (STJ; rel. Min. Hamilton Carvalhido; Rev.
Sup. Trib. Justiça, vol. 190, p. 577).
— O regime prisional fechado é o que, em princípio, convém ao autor de roubo, por
sua natural periculosidade, como sujeito infenso à ordem legal e destituído de
sentimento ético, sobretudo se reincidente, e pela notória gravidade do crime, que
intranqüiliza e comove a população honrada.

Voto nº 9970 — embargos de declaração Nº 1.102.759-3/1-


01
Art. 157, § 2º, ns. I, II e IV, do Cód. Penal;
arts. 312 e 366, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, ns. LXVIII e LV, da Const. Fed.
—“Afortunado o que, pecando um dia contra a verdade, ou contra a justiça,
acorda, a tempo, de seu engano, e se retrata ainda utilmente do seu desvio”
(Rui, Questão Minas x Werneck, 1917, pp. 119-120).
—“Somente Deus é exemplar em seus julgamentos; os homens falhamos”
(Orosimbo Nonato; apud Hugo Mósca, O Supremo Tribunal Federal e o meu
Depoimento, 1975, p.7).
—“Admitem-se embargos de declaração, excepcionalmente, para corrigir patente
erro de fato“ (STF; Min. Luiz Gallotti; Rev. Tribs. vol. 431, p. 244).
78
—“Julgar alguém sem ouvi-lo é fazer-lhe injustiça, ainda que a sentença seja
justa” (Sêneca; apud Vicente de Azevedo, Curso de Direito Judiciário Penal,
1958, vol. I, p. 93).

Voto nº 9971 — agravo em execução Nº 1.184.173-3/5-


00
Art. 157, § 2º, nº II e § 3º, do Cód. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de latrocínio (art. 157 § 3º,
do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, sem atender ao requisito do lapso
temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o reincidente (art. 2º, § 2º, da
Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9972 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.177.059-3/9-


00
Art. 171, “caput”, do Cód. Penal.

— A argüição de nulidade por falta de apreciação de teses da Defesa não prevalece


contra sentença cuja conclusão se mostre com elas inconciliável. É que “a
sentença precisa ser lida como discurso lógico” (STF; REsp nº 47.474/RS; 6a.
Turma; rel. Min. Luiz Vicente Cernicchiaro; DJU 24.10.94, p. 28.790).
— Realiza a figura típica do art. 171, “caput”, do Cód. Penal, sujeitando-se portanto
ao rigor da lei, o indivíduo que, após ilaquear a boa-fé de terceiro mediante falsa
alegação, obtém-lhe indevida vantagem econômica.
— As palavras firmes e coerentes da vítima, aliadas a frágil e infidedigna
autodefesa do réu, bastam a justificar-lhe a condenação, pois as manobras
fraudulentas do estelionatário não ostentam, pelo comum, a clareza da luz
meridiana.
— Ao renitente e empedernido autor de estelionatos, que se atira sem freios à
estrada tortuosa dos ilícitos penais, só o regime prisional fechado lhe serve para
a contenção do impulso criminoso e reparação do mal que causa à sociedade.

Voto nº 9973 — Recurso em Sentido Estrito Nº 1.173.118-3/0-


00
Arts. 14, nº II, 29, 69 e 121, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal.
— Segundo a comum opinião dos doutores, para a pronúncia não é mister mais que
a prova da realidade do crime e indícios da responsabilidade do réu (art. 408 do
Cód. Proc. Penal).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo
Júri o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc.
Penal). Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
79
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando
manifesta sua inocorrência; do contrário, são os Jurados os que sobre elas se
devem pronunciar, porque matéria de sua competência.

Voto nº 9974 —Recurso em Sentido Estrito Nº 1.172.727-3/1-


00
Arts. 14, nº II, 121, § 2º, nº II e 129, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal.
— O justo cai sete vezes por dia (“justus septies in die cadit”).
— A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo
Júri o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc.
Penal). Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– Não é ao Juiz da pronúncia, mas ao Tribunal Popular, juiz natural da causa,
que compete desclassificar tentativa de homicídio para lesões corporais, se não
afastada de plano a hipótese de haver o réu obrado com intenção homicida ao
ferir a vítima em região nobre do corpo.
–– Na dúvida sobre a desclassificação do crime para outro da competência do Juiz
singular, deve o Magistrado pronunciar o réu, na forma do art. 408, “caput”, do
Cód. Proc. Penal.
— É doutrina consagrada nos Tribunais que não se deve excluir qualificadora
articulada na denúncia, salvo se manifestamente improcedente.

Voto nº 9975 —Recurso em Sentido Estrito Nº 1.173.381-3/9-


00
Arts. 14, nº II e 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 408 do Cód. Proc. Penal.
— Segundo a comum opinião dos doutores, para a pronúncia não é mister mais que
a prova da realidade do crime e indícios da responsabilidade do réu (art. 408 do
Cód. Proc. Penal).
–– A decisão de pronúncia tira ao efeito somente de submeter a julgamento pelo
Júri o acusado da prática de crime doloso contra a vida (art. 408 do Cód. Proc.
Penal). Donde veio a dizer José Frederico Marques: “A pronúncia é sentença
processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama admissível a
acusação, para que esta seja decidida no plenário do Júri” (Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. III, p. 217; Millennium Editora).
–– As qualificadoras articuladas na denúncia apenas podem ser excluídas quando
manifesta sua inocorrência; do contrário, são os Jurados os que sobre elas se
devem pronunciar, porque matéria de sua competência.

Voto nº 9976 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.180.079-3/7-


00
Arts. 12 e 16, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 28, 33 e 40, nº III, da Lei nº 11.343/06.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33 da Lei nº 11.343/06).
— Para autorizar decreto condenatório basta a confissão judicial do réu. Deveras, é
axioma de Direito que “a confissão da parte releva de outra prova” (cf.
80
Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico, 1985, t. II, p. 530).
–– “Se a ré trazia consigo a droga (cocaína) pretendendo introduzi-la na Casa de
Detenção, o delito previsto no art. 12 da Lei de Tóxicos se consumou,
independentemente da entrega” (STJ; REsp nº 188.986; rel. Min. Félix Fischer;
DJU 13.9.99, p. 94).
— A desclassificação do crime do art. 33 da Lei nº 11.343/06 para o tipo do art. 28
não se mostra atendível, se o réu trazia consigo e guardava na residência
considerável quantidade de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia, pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se
destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes hediondos (Lei
nº 8.072/90), no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º, § 2º).
— O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº 11.343/06), crime da
classe dos hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime inicial fechado, por
força do preceito do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 9977 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.177.076-3/6-


00
Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.
— Está acima de crítica a decisão que condena por furto o sujeito que, réu confesso,
foi detido na posse do produto do crime (art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal).
— Passa por princípio de razão lógica interpretar-se contra o acusado o seu silêncio,
pois não é próprio de inocente relegar sua defesa para as barras da Justiça
quando, no empenho da busca da verdade, podia já deduzi-la na Polícia.
— A sabedoria dos Tribunais tem assentado que a apreensão de bens de terceiro em
poder do acusado, sem que lhe ofereça explicação plausível, constitui excelente
prova de autoria de crime e enseja condenação.

Voto nº 9978 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.118.375-3/9-


00
Arts. 59 e 171, do Cód. Penal;
art. 563 do Cód. Proc. Penal.
—“Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a
acusação ou para a defesa” (art. 563 do Cód. Proc. Penal).
— Salvo prova em contrário, a cargo de quem o alegar, entende-se emitido como
ordem de pagamento o cheque, não garantia de dívida, pois aquela é sua
característica específica. Ele não garante, solve o débito. “É um quase-dinheiro,
que traduz uma ordem de pagamento que se exaure com o recebimento do seu
valor” (Paulo Restiffe Neto, Lei do Cheque, 1973, p. 39).
— A conduta de quem, ilaqueando a fé a terceiro, mantém-no em erro e, mediante
falsa promessa de pagamento, obtém vantagem econômica indevida, constitui, à
evidência, a figura típica do art. 171 do Código Penal.
— As palavras firmes e coerentes da vítima, conjugadas a inverossímil explicação do
réu, conferem ao acervo probatório a certeza de que necessita o julgador para
proferir condenação.

Voto nº 9982 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.172.094-3/1-


00
Arts. 14, nº II, 29, 61, nº I, 83, parág. único e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal.

— Quando natural e plausível era falar, não estranha se tome por confissão o
proceder de quem, apartando-se da linguagem e estilos da inocência, prefere
permanecer calado, indiferente à advertência do aforismo “qui tacet,
81
consentire videtur” (em vulgar: quem cala, consente)
— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo
comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roboram outros elementos do processo.
— Inexiste quebra do preceito do “non bis in idem” se o Magistrado fixa ao réu a
pena-base além do mínimo legal, à conta de seus antecedentes desabonadores e
defeituosa personalidade, exasperando-a depois pela nota da reincidência: que
são diversas as causas dos aumentos.
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de
roubo, sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de
personalidade e disposto abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras
que disciplinam a convivência humana.

Voto nº 9983 — HABEAS cORPUS Nº 1.183.229-3/4-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 366, do Cód. Proc. Penal;
art. 1º da Lei nº 2.252/54;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— De presente, por força do princípio da presunção de inocência (art. 5º, nº LVII,


da Const. Fed.), prevalece nos Tribunais o entendimento de que a prisão
cautelar somente se legitima se determinada por inelutável necessidade e
conveniência de ordem pública. Necessidade é a razão que se funda na gravidade
extrema do crime e na periculosidade do agente, circunstâncias que o obrigam a
segregar-se da comunhão social.
–– Se ausentes os pressupostos legais da decretação da prisão preventiva, tem direito
a liberdade provisória o réu que, primário e de bons antecedentes, responde a
processo por crime cometido sem violência (art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal).
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).
—“Liberdade provisória. Embora preso em flagrante por crime inafiançável, pode
o réu ser libertado provisoriamente, desde que inocorram razões para sua
prisão preventiva” (TJSP; Rev.Tribs., vol. 523, p. 376; apud Damásio E. de
Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 246).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp.
262-264; rel. Min. Celso de Mello).

Voto nº 9984 — HABEAS cORPUS Nº 1.184.942-3/5-00

Art. 659 do Cód. Proc. Penal.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o


82
Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa
o paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 9985 — HABEAS cORPUS Nº 1.179.852-3/2-00

Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;


arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112 e 197, da Lei de Execução Penal.

— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a


liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
p. 2.561).

Voto nº 9986 — HABEAS cORPUS Nº 1.165.167-3/9-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por roubo, será verdadeira


83
abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após sua
condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-se
precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda
contava ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito
subjetivo depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de
sua culpabilidade.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 9987 — HABEAS cORPUS Nº 1.165.227-3/3-00


Arts. 71 e 171, § 2º, nº VI, do Cód. Penal;
art. 41 do Cód. Proc. Penal.

––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não


contraditória e que não deixe alternativa à convicção do julgador” (STF;
HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do
crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de
rito sumaríssimo; apenas cabe na instância ordinária, com observância da
regra do contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa causa
unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a
atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência.
–– Para que a denúncia produza efeitos de direito e autorize a instauração do
processo-crime basta que descreva ação típica e lhe indique o autor (art. 41
do Cód. Proc. Penal).
–– Nossos Tribunais têm decidido, sem quebra, ser inadmissível o trancamento
de ação penal por alegada ausência de justa causa, quando se baseia a
denúncia em indícios de crime em tese e de sua autoria.

Voto nº 9988 — HABEAS cORPUS Nº 1.183.620-3/9-00

Arts. 29, 70, 157, § 2º, ns. I, II e V, 288, parág. único, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 1º, da Lei nº 2.252/54;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
84
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou
com o elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 9989 — HABEAS cORPUS Nº 1.178.267-3/5-00

Art. 2º da Lei nº 8.072/90;


arts. 33, 35 e 44, da Lei nº 11.343/06.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da ausência de testemunhas, se intimadas na forma da lei, pois não
está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força maior
que obstam à realização do ato processual.
—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
33 da Lei nº 11.343/06).

Voto nº 9990 — HABEAS cORPUS Nº 1.180.285-3/7-00


Arts. 70 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— Como lhe compete presidir as audiências e prover à instrução dos processos, não
será decerto o Juiz um conviva de pedra ou um espectador inerte. Fatos existem,
no entanto, que lhe excedem a jurisdição; denomina-os a tradição jurídica
85
motivos de força maior, a cujo número pertence a necessidade de expedição
de carta precatória para o interrogatório do réu, termo essencial do processo e
franca oportunidade de obtenção de prova, imprescindível à busca da verdade
real.
— Ainda que exaspere a sorte do preso, tal fato não caracteriza constrangimento
ilegítimo por excesso de prazo no encerramento da instrução criminal, uma vez
que nem sempre o pode o Juiz dispensar ou prevenir. Eis a razão por que, no caso
de força maior, dispõe a lei que “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
— Embora seja de Magistrado motivar sempre suas decisões, ninguém ainda ousou
contestar a verdade destas palavras do conspícuo Ministro Mário Guimarães, do
Supremo Tribunal Federal, grande sabedor da matéria: “Certas decisões,
também, se fundamentam por si mesmas. Insistir em justificá-las, seria ocioso”
(O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 347).
— Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do
juiz), primariedade, bons antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência
no foro da culpa não valem a autorizar a concessão de liberdade provisória (art.
310, parág. único, do Cód. Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave —
como é o roubo —, tem contra si a presunção de periculosidade.

Voto nº 9991 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.172.093-3/7-


00
Art. 157, § 3º, 2a. parte, do Cód. Penal.

—“A característica do latrocínio é matar para roubar, ou roubar matando” (Rev.


Tribs., vol. 441, p. 356; rel. Adriano Marrey).
—“Se o sujeito mata a vítima por motivo não-patrimonial e, depois, aproveitando-
se da oportunidade, subtrai-lhe bens, não há latrocínio, mas dois crimes em
concurso material (conexão ocasional): homicídio e furto” (Damásio E. de
Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 605).
— A periculosidade do agente “constitui fundamento idôneo par a manutenção da
prisão” (STF, Rev. Trim. Jurisp., vol. 172, p. 80).

Voto nº 9992 — HABEAS cORPUS Nº 1.181.495-3/2-00

Art. 197 da Lei de Execução Penal.

— Ainda que instrumento processual de dignidade


86
constitucional, próprio a tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o
“habeas corpus” substituir o recurso ordinário, máxime quando a “causa
petendi” respeita a questões de alta indagação.
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
p. 2.561).

Voto nº 9993 — agravo em execução Nº 1.180.028-3/5-


00
Art. 121, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
(art. 121, § 2º, nº II, do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, crime da
classe dos hediondos, sem atender ao requisito do lapso temporal: 2/5 para o
condenado primário, 3/5 para o reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei
dos Crimes Hediondos).

Voto nº 9994 — agravo em execução Nº 1.187.307-3/0-


00
Art. 213 do Cód. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90.
87
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em
que assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime
prisional fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de estupro (art.
213 do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, sem atender ao requisito do
lapso temporal: 2/5 para o condenado primário, 3/5 para o reincidente (art. 2º, §
2º, da Lei nº 8.072/90, Lei dos Crimes Hediondos).
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 9995 — agravo em execução Nº 1.180.727-3/5-


00
Art. 121, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 93, nº IX, da Const. Fed.

— A despeito da nova redação que a Lei nº 10.792/03 deu ao art. 112 da Lei de
Execução Penal, subsiste a possibilidade de realização do exame criminológico,
“quando o entender indispensável o juiz da execução para a decisão sobre
progressão de regime” (Julio Fabbrini Mirabete, 11a. ed., p. 59).
— Não padece do vício de nulidade a decisão que, suposto sucinta, dá as razões do
convencimento de seu prolator, fundadas na prova e em bom direito (art. 93, nº
IX, da Const. Fed.).
— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
— Sob pena de violação da coisa julgada material, instituto capitalíssimo em que
assenta a ordem jurídica, o Juízo de Execução não pode alterar o regime prisional
fechado, imposto pela sentença condenatória a autor de homicídio qualificado
(art. 121, § 2º, nº II, do Cód. Penal), crime da classe dos hediondos, crime da
classe dos hediondos, sem atender ao requisito do lapso temporal: 2/5 para o
condenado primário, 3/5 para o reincidente (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90, Lei
dos Crimes Hediondos).

Voto nº 9997 — HABEAS cORPUS Nº 1.179.430-3/7-00


Arts. 14, nº II e 157, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal;
88
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

–– Se o acusado respondeu preso ao processo-crime por roubo, será verdadeira


abusão lógica deferir-lhe o benefício da liberdade provisória após sua
condenação, pois entre os efeitos da sentença condenatória recorrível inclui-se
precisamente o de “ser o réu conservado na prisão” (art. 393, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
–– Se a Justiça o não reputou digno do benefício da liberdade, quando ainda
contava ser absolvido, com mais forte razão carecerá o acusado de requisito
subjetivo depois de condenado, quando a presunção de inocência terá cedido à de
sua culpabilidade.
— Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a tutelar a
liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o recurso
ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões de alta
indagação.
—“O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da sentença
condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).
— Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, da Lei de Execução Penal); ao
Tribunal, apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido,
sendo-lhe defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.

Voto nº 9998 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.185.912-3/6-


00
Arts. 107, nº IV, 1a. figura, 109, nº VI, 110, § 1º e 180, “caput”, do Cód.
Penal;
art. 16 da Lei nº 6.368/76.

— Responde por receptação o agente que recebe e oculta, em proveito próprio ou


alheio, objetos e documentos de terceiro, que sabia tratar-se de produto de crime
(art. 180, “caput”, do Cód. Penal).
— No crime de receptação (art. 180, “caput”, do Cód. Penal), impossível que é
desvendar os segredos da alma humana, somente as circunstâncias do fato
revelarão se o agente obrou, ou não, com dolo; delas apenas é que se poderá
inferir se lhe era do conhecimento a origem ilícita das coisas adquiridas em
proveito próprio.
— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do
exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
— Forma que é de prescrição da pretensão punitiva, a prescrição intercorrente
(art. 110, § 1º, do Cód. Penal) rescinde a própria sentença condenatória,
fulminando-lhe os efeitos (cf. Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 17a.
ed., p. 358).
— Acolhida preliminar de extinção de punibilidade do apelante pela prescrição da
pretensão punitiva estatal, todas as mais questões perdem alcance e já não
podem ser objeto de exame nem deliberação (art. 107, nº IV, 1a. figura, do Cód.
Penal).

Voto nº 9999 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 916.856-3/0-00


89
Arts. 14, nº II, 107, nº IV, 109, nº VI, 110, § 1º e 155, § 4º, nº I, do Cód.
Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— Com o decurso do tempo, “a memória do fato punível apagou-se e a necessidade


do exemplo desaparece” (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 6a. ed., p. 171).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 10.000 — HABEAS cORPUS Nº 1.177.070-3/9-00


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 5º, nº XL, da Const. Fed.

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio
basilar de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.
— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores
intérpretes, “é auto-aplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).
— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os
condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para
efeito de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.
—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos
crimes hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº
11.464, em 29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de
Execução Penal” (HC nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j.
25.10.07; DJU 19.11.07, p. 264);
—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).
—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do
veredictum anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta
causa da Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito,
16a. ed., p. 377).
90
Voto nº 10.001 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 951.302-
3/0-00
Arts. 107, nº IV, 109, nº V, 110, § 1º, 115 e 155, “caput”, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de


prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
deliberação.

Voto nº 10.002 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.149.391-


3/3-00
Art. 180, “caput”, do Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06.

— O réu inocente responde logo à injusta acusação, como o determina a própria


razão natural; não se chama ao silêncio, que este é o refúgio comum dos
culpados.
— No crime de receptação dolosa, é das circunstâncias mesmas do fato e da
personalidade do agente que se deve aferir o elemento subjetivo do tipo, de sorte
que nenhum valor têm os protestos de inocência do réu que adquire a estranho,
sem documentação regular, motocicleta. Aquele que assim procede, por força que
não pode ignorar se trata de coisa de origem ilícita, máxime se possui tormentosa
biografia penal (art. 180, “caput”, do Cód. Penal).
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06).
— Vale o depoimento pelo grau de veracidade que encerra. Com respeito aos
policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples condição de
policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº 51.577; DJU
7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 187).
— O justificado rigor, com que a Lei nº 8.072/90 tratava os crimes denominados
hediondos, foi atenuado pela Lei nº 11.464/2007, que lhe introduziu modificação
no art. 2º , § 1º, para permitir a seus autores progressão no regime prisional após
o cumprimento, sob o regime fechado, de 2/5 da pena se primário, ou 3/5, se
reincidente.
91

Voto nº 10.003 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.181.216-


3/0-00

Arts. 44, § 2º, 1a. parte e 180, “caput”, do Cód. Penal.

— A confissão do réu, na Polícia, corroborada por outros valiosos elementos de


convicção (dentre os quais, a prisão em flagrante e o depoimento de testemunha
presencial), autoriza a edição de decreto condenatório. Com efeito, exceto se
comprovado ter sido obra de violência, a confissão do réu passa por prova
excelente, “pois que é contrário à natureza alguém afirmar contra si fato que
não seja verdadeiro” (Mário Guimarães, O Juiz e a Função Jurisdicional,
1958, p. 309).
— No crime de receptação dolosa, é das circunstâncias mesmas do fato e da
personalidade do agente que se deve aferir o elemento subjetivo do tipo, de sorte
que nenhum valor têm os protestos de inocência do réu que adquire a estranho,
sem documentação regular, veículo automotor. Aquele que assim procede, por
força que não pode ignorar se trata de coisa de origem ilícita, máxime se possui
tormentosa biografia penal (art. 180, “caput”, do Cód. Penal).
— Se primário o réu, pode o Juiz substituir-lhe por restritiva de direitos (v.g.,
prestação pecuniária) a pena de um ano de reclusão a que foi condenado, por
infração do art. 180, “caput”, do Cód. Penal, pois conta com o beneplácito da lei
(art. 44, § 2º, 1a. parte, do Cód. Penal).

Voto nº 10.004 — HABEAS cORPUS Nº 1.175.813-3/6-00

Art. 659 do Cód. Proc. Penal;


arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o
Tribunal verificar ter já cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o
paciente, lhe julgará prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).
92
Voto nº 10.005 — HABEAS cORPUS Nº 1.170.469-3/9-
00
Arts. 66, nº III, alínea “b” e 118, da Lei de Execução Penal.

—“O retorno ao regime mais gravoso é poder geral de cautela do Juiz, e não
padece de ilegalidade, como dispõe o art. 66, nº III, alínea b, da Lei de
Execução Penal” (Rev. Tribs., vol. 745, p. 566; rel. Dante Busana).
— Enquanto se não comprove que a falta disciplinar cometida pelo reeducando era
somente leve, parece bem suspender-lhe cautelarmente o regime semi-aberto até
decisão sobre eventual regressão (art. 118 da Lei de Execução Penal).

Voto nº 10.006 — agravo em execução Nº 1.182.723-3/1-


00
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76.

— A Lei nº 10.729/03 — que deu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução
Penal — não aboliu o exame criminológico para a progressão de regime, o qual
pode ser realizado se as circunstâncias pessoais do sentenciado e a natureza do
crime que cometeu o aconselharem. Nisto, como no mais, obrará sempre o
Magistrado com a prudência e o arbítrio do bom varão.
— Se o sentenciado atende aos requisitos do art. 112 da Lei de Execução Penal, isto
é, “tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar
bom comportamento carcerário”, faz jus à progressão ao regime semi-aberto.
Somente fato grave, indicativo de personalidade anômala e refratária aos
estímulos da recuperação, poderá obstar-lhe a mudança para regime prisional
mais brando.
— A concessão do benefício da progressão de regime prisional segundo os
requisitos da lei não se deve interpretar por liberalidade irresponsável da Justiça
Criminal, senão por voto sincero de que o sentenciado emende a mão e tome para
o caminho do bem, de que se desviara, a fim de que possa reintegrar-se,
efetivamente, no convívio social (art. 112 da Lei de Execução Penal).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 10.007 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 918.620-3/9-


00
Arts. 14, nº II, 107, nº IV, 110, § 1º, 114, nº I e 155, § 2º, do Cód. Penal;
art. 61 do Cód. Proc. Penal.

— O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do


exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
— Se a única aplicada, a pena de multa prescreve em 2 anos (cf. art. 114, nº I, do
Cód. Penal).
–– A prescrição intercorrente (art. 110, § 1º, do Cód. Penal) “constitui forma de
prescrição da pretensão punitiva (da ação), que rescinde a própria sentença
condenatória” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 358).
–– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da pretensão
punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de exame ou
93
deliberação.

Voto nº 10.009 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 886.622-3/1-


00
Art. 59, “caput”, do Cód. Penal.
— A só presença de duas ou mais qualificadoras não obriga ao aumento da pena do
roubo além do mínimo legal de 1/3, o que apenas se justifica nos casos em que
praticado por grupo numeroso de agentes, mediante emprego de armas de grosso
calibre e alto impacto.

Voto nº 10.010 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 882.744-3/4-


00
Art. 157, “caput”, § 2º , inc. I , do Cód. Penal;
art. 13 da Lei nº 10.826/03.
— Cancelada a Súmula nº 174 da jurisprudência do STJ (cf. REsp nº 213.054-SP;
DJU 7.11.2001), já não pode prevalecer o entendimento de que o emprego de
arma de brinquedo (“arma ficta”) seja causa de agravamento da pena do roubo.
Ainda que idôneo para caracterizar ameaça à vítima, por infundir-lhe temor, o
simulacro de arma de fogo não qualifica o roubo (art. 157, “caput”, do Cód
Penal). Inteligência diversa do texto legal implicaria considerável prejuízo para
os interesses do réu, pois o obrigaria a recorrer ao STJ para alcançar o que lhe
recusaram outros Juízos ou Tribunais.
—“O Código Penal somente agrava a pena do delito quando o sujeito emprega
arma. Revólver de brinquedo não é arma. Logo, o fato é atípico diante da
circunstância. Caso contrário, por coerência lógica, o porte de revólver de
brinquedo constituiria o crime do art. 13 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de
2003 (porte ilegal de arma). Se, no roubo, configura a circunstância arma, por
que não constituiria a elementar daquele delito?” (Damásio E. de Jesus,
Código Penal Anotado, 18a. ed., p. 595).
— Não há equiparar o dolo do agente que, arma de fogo em punho, pode matar a
vítima em caso de reação, ao de quem sabe “a priori” somente a intimidará,
porque mero simulacro de arma (“arma ficta”, ou de brinquedo) a que traz consigo!

Voto nº 10.011 — HABEAS cORPUS Nº 1.188.273-3/0-00


Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112 e 197, da Lei de Execução Penal.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de usurpação
de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era inconstitucional
(já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício lógico: ao fixar-lhe o
lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de progressão, a nova lei
não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-o, com deferir-lhe
94
precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos considerava defeso, i.e.,
a possibilidade de progressão no regime prisional (art. 2º, § 1º, da Lei nº
8.072/90).
—“Não se conhece de habeas corpus originário quando substitui recurso ordinário
não interposto” (STF; HC nº 59.186-8; rel. Min. Décio Miranda; DJU 26.3.82,
p. 2.561).

Voto nº 10.012 — HABEAS cORPUS Nº 1.185.106-3/8-00


Arts. 14, nº II, 29, “caput”, 70 e 157, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 312, 393, nº I e 594, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Se o réu respondeu solto ao processo (porque razões não havia que lhe
justificassem a custódia cautelar), e nenhum ato perpetrou no curso da instrução
que o fizesse decair do “status libertatis”, será mais conforme à comum opinião
dos doutores e ao magistério da jurisprudência dos Tribunais conceder-lhe o
benefício de apelar em liberdade (art. 594 do Cód. Proc. Penal).
–– Exceto na hipótese de necessidade cautelar, não é de bom exemplo (nem talvez
legítimo) condicionar o recebimento do recurso ao prévio recolhimento do réu à
prisão: “O princípio do duplo grau de jurisdição atribui ao réu o direito de ver
a sentença condenatória submetida à apreciação do tribunal, independentemente
da condição do recolhimento à prisão” (Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 473).
—“Sem que se caracterize situação de real necessidade, não se legitima a privação
cautelar da liberdade individual do indiciado ou do réu. Ausentes razões de
necessidade, revela-se incabível, ante a sua excepcionalidade, a decretação ou a
subsistência da prisão preventiva (...)” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 180, pp.
262-264; rel. Min. Celso de Mello).

Voto nº 10.013 — HABEAS cORPUS Nº 1.186.789-3/1-00


Arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.

Voto nº 10.015 — HABEAS cORPUS Nº 1.168.719-3/0-00


Arts. 312, 393, nº I, 594 e 659, do Cód. Proc. Penal;
art. 14 da Lei nº 6.368/76;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
95
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante
a ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel.
Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.016 — HABEAS cORPUS Nº 1.182.474-3/4-00


Art. 659 do Cód. Proc. Penal.
— Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já cessado a
violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará prejudicado o
pedido de “habeas corpus”.
–– “Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a ação,
a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min. Vicente
Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.017 — HABEAS cORPUS Nº 1.181.012-3/0-00


Art. 112 da Lei de Execução Penal;
arts. 12, 14 e 18, da Lei nº 6.368/76.
–– Não se conhece de “habeas corpus” que seja simples reiteração de pedido
anterior, com os mesmos fundamentos de fato e de direito. A razão é que,
satisfeita a prestação jurisdicional, não pode o Juízo ou Tribunal reapreciar a
matéria do litígio, senão mediante recurso ordinário.
–– Já dispunham as velhas Ordenações que sentença que passa em julgado não se
deve outra vez meter em disputa (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, 1985, vol. II, p. 588).
—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”
(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 10.018 — HABEAS cORPUS Nº 1.182.853-3/4-00


Arts. 312, 648, nº I e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 33 da Lei nº 11.343/06;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes os indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
—“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da culpa
decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou ao
96
Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).

Voto nº 10.019 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.180.753-


3/3-00
Art. 202 do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76;
art. 33, “caput”, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.

— Nenhum homem inocente, podendo falar, prefere o silêncio para defender-se de


injusta acusação. Se permaneceu calado, ainda que direito seu garantido pela
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), dificilmente se eximirá de juízo
adverso.
— A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do acusado argúi para logo
a idéia de tráfico (art. 12 da Lei nº 6.368/76).
— A inidoneidade das testemunhas não se presume; ao argüente impõe-se
demonstrar, além de toda a controvérsia, que faltaram à verdade ou caíram em
erro de informação. É que, na busca da verdade real — alma e escopo do
processo —, “toda pessoa poderá ser testemunha” (art. 202 do Cód. Proc.
Penal).
— Com respeito aos policiais, há decisão histórica do Pretório Excelso: “A simples
condição de policial não torna a testemunha impedida ou suspeita” (HC nº
51.577; DJU 7.12.73, p. 9.372; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo
Penal Anotado, 22a. ed., p. 185).
— Uma pena, para ser justa – escreveu o profundo Marquês de Beccaria —, deve ter
somente o grau de rigor que baste a afastar os homens da senda do crime.
“Perchè una pena sia giusta, non deve avere che quei soli gradi d’intensione che
bastano a rimuovere gli uomini dai delitti” (Dei Delitti e delle Pene, § XVI).
— A Lei nº 11.464, de 28.3.2007 atenuou o rigor da Lei dos Crimes Hediondos (Lei
nº 8.072/90) no que respeita à progressão no regime prisional de cumprimento de
pena. Se o sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus ao benefício (art. 2º,
§ 2º).

Voto nº 10.021 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.157.586-


3/7-00
Arts. 33, § 1º, alínea “a”, 64, nº I e 157, “caput”, do Cód. Penal.

— O réu inocente já o declara no inquérito policial, quando argüido pela autoridade


a respeito da imputação; o que se mantém em silêncio (bem que direito seu),
nisso mesmo dá a conhecer sua culpa. É que repugna ao bom senso nada
responda o inocente a grave e injusta acusação.
— Se arrimada a outros elementos de convicção, constitui a fotografia prova idônea
para justificar edito condenatório porque, em princípio, reproduz os caracteres
fundamentais extrínsecos do indivíduo, sendo-lhe não raro a cópia fiel.
— A vítima do roubo, por ter sofrido diretamente os efeitos da ação criminosa, é
quem está em melhores condições de descrevê-la; daqui o subido valor de sua
palavra, na qual, se acorde com as mais provas dos autos, pode o Juiz assentar o
decreto de condenação.
— Embora inaptas para configurar a agravante da reincidência (art. 64, nº I, do Cód.
Penal), condenações pretéritas do sujeito sempre lhe caracterizam maus
antecedentes, que o cálculo da pena-base não pode relegar à sombra.
97
— O regime prisional fechado é, pelo comum, o que mais convém à
personalidade do autor de roubo, de seu natural violento e refratário à disciplina
social. (cf. art. 33, § 1º, alínea a, do Cód. Penal).

Voto nº 10.022 — HABEAS cORPUS Nº 1.171.942-3/5-00

Arts. 14, nº II e 121, “caput”, do Cód. Penal;


arts. 310, parág. único e 312, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

— À luz da nova ordem constitucional instaurada no País, a regra geral é que se


defenda o réu em liberdade. Consectário do princípio do estado de inocência
(art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.), só por exceção deve o acusado responder preso
ao processo.
–– Conforme a comum opinião dos doutores, toda prisão cautelar, que se não
sustente em indeclinável necessidade, passa por abusiva e ilegítima e, pois, quer-
se revogada. Nesse número merecem contados os casos de encarceramento de
réu, quando ausentes os requisitos da decretação da prisão preventiva (art. 310,
parág. único, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 10.023 — HABEAS cORPUS Nº 1.186.437-3/5-00

Arts. 563 e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;


art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33 e 44, da Lei nº 11.343/06.

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente
o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“O habeas corpus é o instrumento tutelar da liberdade. No seu exame, o juiz não
pode criar obstáculos tais que venham a tornar letra morta a garantia
constitucional” (Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 26, p. 95; rel.
José Dantas).
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8, p. 236).
—“Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a
acusação ou para a defesa (art. 563 do Cód. Proc. Penal).
— O crime de tráfico de entorpecentes é insuscetível de liberdade provisória (art.
44 da Lei nº 11.343/06).
98

Voto nº 10.024 — HABEAS cORPUS Nº 1.176.634-3/6-00

Arts. 41, 569 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;


arts. 33, 35 e 69, da Lei nº 11.343/06.

— Não é inepta a denúncia que permite ao réu o exercício do direito de ampla


defesa. Eventual preterição de requisito do art. 41 do Cód. Proc. Penal pode
suprir-se até à sentença final (art. 569 do Cód. Proc. Penal).
— “Se a denúncia narra fato que permite adequação típica, ela não é, formalmente,
inepta (art. 41 do CPP)” (STJ; Jurisprudência, vol. 105, p. 303; rel. Min. Félix
Fischer).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a culpabilidade do agente, é
insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito sumaríssimo;
apenas tem lugar na instância ordinária, com observância da regra do
contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa causa unicamente
se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de vista, a atipicidade do fato
imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 10.025 — HABEAS cORPUS Nº 1.179.958-3/6-00

Arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;


art. 2º da Lei nº 8.072/90;
arts. 33 e 44, da Lei nº 11.343/06;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.

–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do fato ou com o
elemento moral do crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de
“habeas corpus”, de rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária,
com observância da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por
falta de justa causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro
súbito de vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art.
648, nº I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
99
Penal Anotado, 22a. ed., p. 249).

Voto nº 10.026 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.186.720-


3/7-00
Arts. 29, 155 e 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal.

— A vítima, atenta sua relevante posição no episódio criminoso, é a mais capacitada


a depor das circunstâncias em que ocorreu e apontar-lhe o verdadeiro autor.
— Não realiza ato de simples acompanhamento físico, mas de execução do tipo
penal, o sujeito que, durante roubo a estabelecimento comercial, se posta ao lado
da vítima, com ar ameaçador, restringindo-lhe a liberdade (art. 157, § 2º, nº II,
do Cód. Penal).
— Impossível capitular de furto a subtração de coisa alheia móvel mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, pois são estas elementares do roubo (art. 157,
“caput”, do Cód. Penal).
— Não há aplicar ao roubo a teoria do crime de bagatela; ao contrário do que
sucede com o furto, o valor da coisa subtraída não serve de critério ou pedra de
toque para aferir eventual insignificância da lesão jurídica, em se tratando de
roubo. Aqui, a objetividade jurídica não é apenas a tutela da posse ou a
propriedade, senão a integridade física, a vida, a saúde e a liberdade, e estas não
podem nunca ser subestimadas.

Voto nº 10.027 — HABEAS cORPUS Nº 1.187.721-3/9-00


Arts. 86, nº I e 90, do Cód. Penal;
art. 732 do Cód. Proc. Penal;
arts. 145 e 146, da Lei de Execução Penal.
–– É questão vitoriosa nos Tribunais que a revogação do livramento condicional
somente pode ocorrer durante o período de prova (art. 86 do Cód. Penal).
–– “Terminado o período de prova sem revogação, a pena privativa de liberdade
deve ser julgada extinta” (Julio Fabbrini Mirabete, Execução Penal, 11a. ed.,
p. 599).

Voto nº 10.028 — agravo em execução Nº 1.184.066-3/7-


00
Art. 83 do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal.
–– Embora já não constituam requisitos o exame criminológico e o parecer da
Comissão Técnica de Classificação (art. 112 da Lei de Execução Penal), nada
obsta que, nos casos que lhe parecerem, determine o juiz sua realização. Fica,
portanto, a seu talante submeter, ou não, o sentenciado a exame criminológico,
segundo as circunstâncias do caso e a diligência do varão prudente.
— Satisfeitos os requisitos legais (art. 83 do Cód. Penal), é o livramento
condicional direito público subjetivo do condenado, que se lhe não pode negar
sem grave injúria da Lei e da Justiça.
––“Denegar o benefício de livramento condicional àquele que satisfaz os
pressupostos exigidos, porque um dia praticou delito grave, será fazer letra
morta à salutar disposição do art. 83 do Cód. Penal, e ao condenado será impor
desalentadora perspectiva de uma inatingível liberdade” (Jurisprudência do
100
Tribunal de Justiça, vol. 167, p. 324).
— Não esqueça ao cultor do Direito que ainda o mais vil dos homens tem jus à
proteção da Lei!

Voto nº 10.029 — aPELAçÃO cRIMINAL Nº 1.182.228-


3/2-00

Arts. 29 e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal.

— Nas declarações do réu, “todas as variações graves são um indício positivo de


mentira” (Mittermayer, Tratado da Prova em Matéria Criminal, 1871, vol. II,
p. 30; trad. Alberto Antônio Soares).
— Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da vítima são, pelo
comum, dignas de crédito; servem, pois, a lastrear condenação, máxime se a
roborarem outros elementos do processo.
— Para caracterizar a qualificadora do art. 157, § 2o, no I, do Cód. Penal, irrelevante
é a apreensão da arma utilizada pelo agente; basta que testemunhos idôneos lhe
comprovem a existência.
— É, por força, o regime prisional fechado o mais compatível com o autor de roubo,
sobretudo se indivíduo que ostenta copiosos traços negativos de personalidade e
se consagrou abertamente à vida fora da lei, de todo infenso às regras que
disciplinam a convivência humana.

Voto nº 10.030 — HABEAS cORPUS Nº 1.190.315-3/3-00

Art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;


arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal.

–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de


execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).
101

Voto nº 10.032 — HABEAS cORPUS Nº 1.181.734-3/4-00


Arts. 213 e 214, do Cód. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
arts. 66, nº III, alíneas “b” e “f”, 112, da Lei de Execução Penal.
–– Questões relativas à progressão de regime prisional e a outros incidentes de
execução da pena são da competência originária do Juízo das Execuções
Criminais (art. 66, nº III, alíneas b e f, da Lei de Execução Penal); ao Tribunal,
apenas em grau de recurso, cabe o reexame do ponto ali decidido, sendo-lhe
defeso deferi-lo na via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”.
— Não se conhece de pedido de “habeas corpus” impetrado ao Tribunal com o
escopo de obter progressão ao regime semi-aberto, pois se trata de matéria em
que, por previsão de lei (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal), deve
entender o Juízo de Direito da Vara das Execuções Criminais, sob pena de
usurpação de suas atribuições e violação de norma de organização judiciária do
Estado.
— O argumento de que a aplicação retroativa da Lei nº 11.464/07 era
inconstitucional (já que importava “novatio legis in pejus”) descobre vício
lógico: ao fixar-lhe o lapso temporal de 2/5 (ou 3/5, se reincidente) para efeito de
progressão, a nova lei não piorou a situação do reeducando; ao revés, favoreceu-
o, com deferir-lhe precisamente aquilo que a Lei dos Crimes Hediondos
considerava defeso, i.e., a possibilidade de progressão no regime prisional (art.
2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 10.033 — HABEAS cORPUS Nº 1.182.122-3/9-00


Art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, 312, 313 e 500, do Cód. Proc. Penal;
art. 16, parág. único, nº I, da Lei nº 10.826/03;
art. 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente;
arts. 5º, nº LVII e 93, nº IX, da Const. Fed.
–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de inocência,
consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII), subsiste a
providência da prisão preventiva, quando conspiram os requisitos legais do art.
312 do Código de Processo Penal: garantia da ordem pública, conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que
comprovada a materialidade da infração penal e veementes indícios de sua
autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve encerrar a
decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de Jesus ao art.
312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova bastante da
existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é necessária a mesma
certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu” (cf. Código de Processo
Penal Anotado, 21a. ed., p. 246).
–– Ao cominar pena àquele que, sem licença da autoridade, traz arma consigo, pôs a
mira o legislador em “evitar a posse indiscriminada de armas de fogo e os
perigos que acompanham a admissão de uma sociedade armada sem que
existam controles ou regras gerais estabelecidas” (Luiz Flávio Gomes, Lei das
Armas de Fogo, 1998, p. 107).
— O benefício da liberdade provisória é incompatível com a condição do réu que
não comprova primariedade, bons antecedentes, ocupação lícita e residência no
102
foro da culpa (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). A custódia
cautelar, nesse caso, é medida indeclinável de garantia da ordem pública e
aplicação da lei penal.