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CADERNO DE REFERÊNCIA

DE CONTEÚDO

APRESENTAÇÃO

CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo ao estudo da disciplina Ano Litúrgico e Liturgia

Seja bem-vindo ao estudo da disciplina Ano Litúrgico e Liturgia das Horas, disponibilizada para você em ambiente virtual (Educação a Distância).

Como pôde observar no Guia de disciplina, nesta parte, chamada Caderno de referência de conteúdo, você encontrará o referencial teórico das quatro unidades em que se divide a presente disciplina.

Com

o

estudo aqui

proposto você terá a oportunidade de refletir sobre

a

celebração do mistério cristão, que é o mistério pascal de Jesus Cristo (sua morte e

ressurreição) no tempo, ou seja, esse mistério é celebrado no transcorrer do tempo:

horas, dias, semanas, meses e ano.

Desse modo, você perceberá que, em cada um desses momentos celebrativos, o mistério de Cristo se apresentará com um colorido diferente. Em outras palavras, em cada momento do tempo em que se celebra a liturgia há um sentido teológico-litúrgico distinto.

A relação entre a liturgia e o tempo acontece no ciclo diário com a celebração da Liturgia das Horas, por meio da qual as diversas horas do dia (manhã, meio-dia, tarde e noite) são assinaladas pela presença do mistério pascal.

Tal relação acontece também no ciclo semanal, mensal e anual. Assim, temos o chamado Ano Litúrgico com seus vários tempos litúrgicos (ciclo do Natal, ciclo Pascal, tempo comum) e suas várias festas (do Senhor, de Maria e dos Santos).

Os conteúdos desta disciplina têm como objetivo aprofundar o sentido que há na celebração do mistério de Cristo no tempo, além dos sentidos que cada uma das horas, dias, semanas, meses e o próprio ano adquirem ao serem tocados pela presença desse mistério.

CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo ao estudo da disciplina Ano Litúrgico e Liturgia
CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo ao estudo da disciplina Ano Litúrgico e Liturgia

Esperamos que, com este programa, você possa conhecer e aprofundar os conceitos relacionados à disciplina Ano Litúrgico e Liturgia das Horas.

Bom estudo!

ATENÇÃO!

Aceite o desafio! Venha fazer parte deste novo processo de construção coletiva e cooperativa do saber.

INTRODUÇÃO À DISCIPLINA

INTRODUÇÃO À DISCIPLINA AULA PRESENCIAL Objetivos • Estabelecer interação com os participantes do curso e com
INTRODUÇÃO À DISCIPLINA AULA PRESENCIAL Objetivos • Estabelecer interação com os participantes do curso e com
INTRODUÇÃO À DISCIPLINA AULA PRESENCIAL Objetivos • Estabelecer interação com os participantes do curso e com
INTRODUÇÃO À DISCIPLINA AULA PRESENCIAL Objetivos • Estabelecer interação com os participantes do curso e com

AULA PRESENCIAL

INTRODUÇÃO À DISCIPLINA AULA PRESENCIAL Objetivos • Estabelecer interação com os participantes do curso e com

Objetivos

Estabelecer interação com os participantes do curso e com o tutor, tendo em vista o necessário fortalecimento do vínculo inicial para a construção do processo de aprendizagem na modalidade EAD.

Analisar e discutir os temas explicitados na disciplina Ano Litúrgico e Liturgia das Horas.

Conteúdos

Programa para o desenvolvimento da disciplina.

INTRODUÇÃO À DISCIPLINA AULA PRESENCIAL Objetivos • Estabelecer interação com os participantes do curso e com

TEMPO, LITURGIA E CELEBRAÇÃO DO DOMINGO

Objetivos

Interpretar as diversas categorias temporais presentes na História até a atualidade.

Reconhecer o modo como as categorias temporais se apresentam na Bíblia: Antigo e Novo Testamento e sua incidência na liturgia.

Interpretar a sacramentalidade do Ano Litúrgico e da Liturgia das Horas.

TEMPO, LITURGIA E CELEBRAÇÃO DO DOMINGO Objetivos • Interpretar as diversas categorias temporais presentes na História

• Identificar e interpretar o domingo como núcleo e centro do

Ano Litúrgico partindo de sua origem histórica e sua teologia, além das conseqüências para sua celebração e pastoral.

Conteúdos

Tempo e liturgia – compreendendo o que é o tempo.

Tempo na Sagrada Escritura.

Sacramentalidade do tempo litúrgico.

Domingo – fundamentação bíblica, teologia e celebração.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Para alcançar os objetivos esperados nesta unidade, selecione os períodos

UNIDADE 1

Bacharelado em Teologia

ATENÇÃO!

Para alcançar os objetivos esperados nesta unidade, selecione os períodos do dia em que você se sente mais bem disposto para estudar. Há pessoas que trabalham melhor à noite, outros logo ao amanhecer. Não se esqueça de consultar o Guia de disciplina para verificar a dedicação semanal média de estudos para cada disciplina e separe suas horas para estudo. Uma sugestão: entre uma hora e outra, lembre-se de descansar sua cabeça por alguns minutos.

1 INTRODUÇÃO

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Para alcançar os objetivos esperados nesta unidade, selecione os períodos

Ao iniciar a disciplina Ano Litúrgico e Liturgia das Horas, é preciso considerar que o objeto de nosso estudo será a relação existente entre a liturgia e o tempo.

A liturgia, como já foi estudado, é a celebração do mistério de Cristo que se atualiza cada vez que a comunidade cristã reúne-se para, dele, fazer a memória. Tal memória se faz no decorrer do tempo que se estende ao longo do ano (Ano Litúrgico) ou ao longo do dia (Liturgia das Horas).

Vale

ressaltar que o Ano Litúrgico apresenta o mistério de Cristo

em seus

mistérios: sua encarnação, vida pública, morte, ressurreição e ascensão.

Já a Liturgia das Horas apresenta o mesmo mistério pascal de Cristo presente na oração diária da Igreja. Pode-se dizer que aquilo que é celebrado ao longo do Ano Litúrgico apresenta-se sintetizado pela celebração das horas.

Além do mistério de Cristo em seus mistérios, o Ano Litúrgico e a Liturgia das Horas manifestam a presença de Maria e dos santos como modelos de vivência. Por isso se pode falar do culto mariano e do culto dos santos na liturgia.

Como você vê, esta disciplina apresenta-se, de um lado, multifacetada, por apresentar vários temas, e por outro, unitária, quando se percebe que o fio condutor de tudo é o mistério de Cristo.

Comecemos, então, a caminhada para compreender o Ano Litúrgico e a Liturgia das Horas.

Bom estudo!

  • 2 TEMPO E LITURGIA

Para iniciar nosso estudo sobre tempo e liturgia, vamos compreender o que é o

tempo.

Falar sobre o tempo não é coisa fácil. Agostinho já dizia: “O que é o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei” (AGOSTINHO, 1997, p. 14-17).

O tempo é algo sentido pelo homem que experimenta que a vida e a história se cumprem do decorrer dos dias e dos anos. Sobre a base dos ritmos sazonais e mensais, nos quais o ciclo anual se divide, bem como o ciclo semanal, conjunto menor no qual se agrupam os dias, divididos, por sua vez, em horas e minutos, temos unidades temporais convencionais que circunscrevem e medem as obras e os dias dos grupos humanos (ROSSO, 2002).

Devido ao fato de o tempo ser, antes de tudo, algo vivenciado do que definido é que, ao longo da história, ele se tornou objeto de estudo de várias ciências. Dentre as

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    4 Claretiano – Batatais

© Ano Litúrgico e Liturgia das Horas

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Para alcançar os objetivos esperados nesta unidade, selecione os períodos
UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia várias ciências, a filosofia tem um campo específico para o estudo

UNIDADE 1

Bacharelado em Teologia

várias ciências, a filosofia tem um campo específico para o estudo do tempo e da vida humana, considerando que o tempo também é estudado pela física, pela história, pela história das religiões etc.

Assim, o tempo foi explicado segundo diversas categorias, umas mais antigas, outras mais recentes, as quais continuam sendo utilizadas em nosso cotidiano.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia várias ciências, a filosofia tem um campo específico para o estudo

A

liturgia,

em

sua relação com

o

tempo, também adota algumas dessas

categorias temporais, cujo uso tem origem na cultura judaica e no modo como a Bíblia

apresenta sua visão de tempo.

Desse modo, a experiência humana do tempo pode ser vista em algumas tríades, as quais se referem aos usos diversos do termo, como:

  • a) devir universal: o passado, o presente e o futuro;

  • b) ordem de sucessões: a simultaneidade (ao mesmo tempo em que), a sucessão (o tempo passa veloz) e a duração (não tive tempo de fazer);

  • c) relações de estaticidade e dinamismo: velho e novo; estável e mutável; sistema e evento.

No entanto não são, somente, essas as formas de compreender o tempo. De acordo com Augé (1991), desde as culturas mais arcaicas já encontramos tentativas de definir a experiência do tempo.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia várias ciências, a filosofia tem um campo específico para o estudo

Em primeiro lugar, fala-se do tempo cósmico como aquela dimensão universal com a qual se mede o perdurar das coisas mutáveis, bem como a sucessão rítmica das fases em que se processa o devir da natureza. Este tempo se mostra como algo neutro, objetivo, independente do homem.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia várias ciências, a filosofia tem um campo específico para o estudo

Assim, enquanto experimenta o devir da natureza, o homem primitivo percebe, antes mesmo de fazer uma reflexão filosófica sobre o tempo, que as vicissitudes de sua vida pessoal, familiar e social estão contidas nos ritmos do tempo cósmico. Dessa forma, surge o tempo histórico.

Os gregos, partindo de tal experiência temporal, explicam o tempo segundo a categoria da circularidade, ou seja, falam do tempo cíclico. Para eles o tempo não traz novidade, pois sempre volta ao seu ponto de origem, para se repetir novamente.

Na base dessa visão grega estão o mito e as especulações cosmogônicas 1 , os quais procuram explicar os ciclos do tempo e como a vida renasce. A história para eles é uma repetição indefinida de ciclos fechados, num movimento semelhante ao movimento dos astros.

O tempo cíclico torna-se sinônimo de uma rotação sem sentido, e a história é vazia, sem esperança, pois como uma realidade fechada no ciclo eterno dos astros, recomeça sempre sem jamais se cumprir definitivamente.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia várias ciências, a filosofia tem um campo específico para o estudo

Desse modo, o homem sente-se um prisioneiro e vive seu destino na rotina que se repete indefinidamente. Para encontrar a salvação é preciso fugir, libertar-se do círculo que o amarra à fatalidade.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia várias ciências, a filosofia tem um campo específico para o estudo

ATENÇÃO!

Para ampliar seus conhecimentos sobre as categorias temporais na atualidade, consulte o artigo de Armido Rizzi. Categories culturali odierne nell´interpretazione del tempo (Categorias culturais hodiernas na interpretação do tempo). In: Associazione Professori di Liturgia (Org.) L´anno liturgico, Brecia: Marietti, 1983. p. 11-22.

ATENÇÃO!

Para aprofundar seus conhecimentos sobre a experiência humana do tempo, você poderá consultar as seguintes obras:

  • a) BERGAMINI, A. Cristo, festa da Igreja: história, teologia, espiritualidade e pastoral do ano litúrgico, São Paulo: Paulinas, 1994. (Coleção liturgia e participação).

  • b) LOPEZ MARTIN, J. Tempo sagrado, tempo litúrgico e mistério de Cristo. In: BOROBIO, D. (Org.). A celebração na Igreja. Ritmos e tempos da celebração. São Paulo: Loyola, 2000. v. 3. p. 31-44.

INFORMAÇÃO:

Experimentamos este tempo a cada dia, com a sucessão do dia (a presença da luz do sol, da noite), com a lua e as estrelas, assim como na sucessão das estações do ano: primavera, verão, outono, inverno. Este é o tempo dos calendários, dividido em dias, semanas, meses.

(1) Cosmogônica: referente à cosmogonia – narrativas sobre a origem do mundo e do homem. Tais narrativas estão presentes em todas as culturas. A Bíblia, por exemplo, no Gênesis, traz duas narrativas cosmogônicas:

1,1-2,4a (da tradição sacerdotal) e 2,4b-4,26 (da tradição javista).

INFORMAÇÃO:

É neste sentido que se entende na mitologia grega a ação de Kronos, o deus do tempo, que devora seus filhos. A experiência humana é que o tempo vai passando inexoravelmente.

VOCÊ SABIA QUE ...

Esta visão do tempo ainda se faz

presente na atualidade, quando alguns pensam que o destino já está definido, que acontecerá o que tiver de acontecer, que não podemos mudar o curso da história etc. Esta é uma visão fatalista e pode levar ao desespero.

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Amplie seus conhecimentos sobre o tempo sagrado e o tempo

UNIDADE 1

Bacharelado em Teologia

ATENÇÃO!

Amplie seus conhecimentos sobre o tempo sagrado e o tempo profano, consultando as obras a seguir:

  • a) ELIADE, M. Mito do eterno retorno. São Paulo: Mercuryo,

1992.

  • b) ELIADE, M. O sagrado e o profano: a essência das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

(2) Em grego, o termo profano significa aquilo que está diante do sagrado: pro – fanum (de fainon – que é o mesmo termo usado na palavra fenômeno).

(3) Tempo da Igreja e tempo do mercador: LE GOFF, Jacques. Tempo della Chiesa e tempo del mercante. Torino: Einaudi, 1977.

ATENÇÃO!

A visão de Jacques Le Goff,

importante historiador da Idade Média, é discutida por Rizzi (apud APL, 1983, p. 13-14). Confira!

INFORMAÇÃO:

O lema “Tempo é dinheiro” é o

que caracteriza esta concepção temporal.

É nesse contexto que se apresentam outras duas categorias temporais: o tempo sagrado e o tempo profano. Tais categorias estão presentes nas religiões primitivas e, de alguma forma, estão relacionadas à visão fatalista da circularidade.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Amplie seus conhecimentos sobre o tempo sagrado e o tempo

Diante da circularidade do tempo cíclico para os gregos, ou do tempo histórico

marcado por acontecimentos imprevisíveis e irreversíveis, o homem busca refúgio num

tempo primordial, no qual possa transcender a contingência e a casualidade.

Tal tempo primordial não é algo produzido pelo homem, mas nasce de arquétipos divinos que estão inscritos no mais profundo da consciência humana e que respondem à ordem mais profunda da realidade.

É o tempo sagrado que caracteriza a prática ritual das diversas religiões, durante as quais se atualiza o mito primordial das origens, permitindo ao homem transcender-se e encontrar o sentido mais profundo de sua vida, ao mesmo tempo em que se opõe ao tempo profano 2 , que é o tempo do dia-a-dia, no qual pesam a rotina e o cansaço.

Vale ressaltar que há ainda outras categorias para se compreender o tempo, dentre as quais destacam-se os estudos de Jacques Le Goff no seu livro Tempo da Igreja e tempo do mercador 3 .

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Amplie seus conhecimentos sobre o tempo sagrado e o tempo

O tempo da Igreja predomina no primeiro milênio depois de Cristo e apresenta- se como o tempo que pertence a Deus. Assim, a visão do mundo e da história é influenciada pelas leis imutáveis da criação e pelo desígnio progressivo de salvação que marca a história da Igreja.

As orações do monge e o trabalho do camponês são ritmados por esse tempo, que tem no toque do sino a sua voz. Toda a vida humana é marcada por esse tempo.

No início do segundo milênio, a economia vai deixando o campo e a informalidade e vai se orientando e se desenvolvendo em sentido comercial. Isso exige do homem uma nova relação com o tempo. O homem precisa controlá-lo para que se cumpram os prazos comerciais, para a produção das mercadorias, para a sua venda e para que ele possa lucrar.

Há nesse tempo uma profunda transformação antropológica, pois não é mais Deus e suas leis que governam a vida humana e o mundo. O homem torna-se o protagonista da história, aquele que dá sentido ao tempo, à sua vida e ao mundo.

Assim, o tempo do mercador assume tal importância que o homem acaba perdendo o poder de controlá-lo. Hoje, de fato, o homem é governado pelas leis do mercado e não pode parar de trabalhar, produzir sem encontrar um sentido para isso e para sua própria vida.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Amplie seus conhecimentos sobre o tempo sagrado e o tempo

Sentindo-se oprimido pelo tempo do mercador, o homem moderno busca tempos alternativos, ou seja, novas maneiras de dar sentido ao tempo e à sua vida. Uma alternativa, que é fruto do próprio tempo do mercador, é o tempo livre, durante o qual o homem pode fazer o que quiser.

No entanto, mesmo para vivenciar o tempo livre, segundo sua própria vontade, o homem acaba ficando preso às ofertas de sentido para seu tempo, as quais estão ligadas à concepção do tempo do mercador: ir ao shopping, fazer compras, ir ao cinema, viajar etc.

Outras categorias temporais atuais são:

a) o tempo apocalíptico, que se caracteriza pelo anúncio do fim do mundo;

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia b) o retorno do tempo cíclico, que procura levar o homem

UNIDADE 1

Bacharelado em Teologia

  • b) o retorno do tempo cíclico, que procura levar o homem a seguir o ciclo da natureza com propostas de técnicas de conhecimento, de reapropriação do corpo, disciplina alimentar etc.

Desse modo, está ainda em atuação uma visão niilista do tempo, ou seja, uma visão pessimista que prega um vazio de sentido da história. Diante de todas essas categorias temporais, surgem estes questionamentos:

  • a) Como a liturgia se relaciona com o tempo?

  • b) Qual categoria é predominante na organização do Ano Litúrgico?

  • c) categorias

Como outras

influenciam

a

pastoral

e

a

espiritualidade

litúrgicas ?

litúrgicas ?

Tais perguntas poderão ser respondidas a seguir, com a visão que a Sagrada Escritura tem do tempo e como isso influenciou a liturgia judaica e em seguida a liturgia cristã.

Tempo na Sagrada Escritura

O tempo está presente de maneira particular em toda a Sagrada Escritura, pois é a partir dele que a Bíblia enxerga o mundo. A revelação de Deus se abre e se encerra com indicações temporais:

“No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1).

“Aquele que atesta estas coisas, diz: “Sim, venho muito em breve!”. Amém! Vem, Senhor, Jesus” (Ap 22,20).

Ainda que a categoria temporal seja mais importante do que a categoria espacial, para a visão bíblica não há uma única concepção do tempo na Sagrada Escritura.

Assim, pode-se dizer que há uma evolução e que a religião de Israel, num primeiro momento, privilegia a visão mais simples do tempo como fluxo que mede a vida, com a alternância de dia e noite, tempo físico-cronológico associado ao movimento dos astros e à vida agrícola.

Num segundo momento dá-se a historicização das primitivas festas agrícolas cananéias trocando os seus conteúdos pelos prodígios realizados por Deus no passado, como é o caso da festa da Páscoa, por exemplo. Predomina agora a concepção histórico- existencial do tempo, a qual pode ser vista na sua progressão linear.

Por fim, por meio dos profetas, prega-se uma nova manifestação de Deus na história, convidando o povo para a conversão: como Deus agiu no passado, ele agirá no futuro. O momento presente (o “hoje”) faz convergir o passado que se atualiza e o futuro que se antecipa. Será essa concepção que se fará presente na liturgia judaica e cristã, por meio do memorial (anámnesis) – hoje se atualiza o evento salvífico passado e por meio dessa atualização se antecipa a futura intervenção de Deus na história (escatologia).

O Novo Testamento apresenta a maneira cristã de entender o tempo, a qual foi herdada do judaísmo, que compreendia o tempo por meio de uma concepção histórica marcada por eventos significativos de intervenção de Deus em favor de seu povo.

A novidade é que, do ponto de vista da fé cristã, o evento decisivo, a intervenção definitiva de Deus na história, dá-se na pessoa de Jesus, o Cristo. Com sua morte-ressurreição já se iniciou entre nós o “fim”, o eschatón, a eternidade, a plenitude do tempo, o Reino de Deus, como visita de Deus, como graça transformadora. Por isso, na vigília pascal, ao inscrever no círio pascal a cruz, os números do ano corrente e as letras A e Z, o ministro diz:

ATENÇÃO!

Para aprofundar o tema da relação tempo e liturgia, você pode consultar o número monográfico da Revista Concilium Tempo e liturgia, 162:2, 1981.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia b) o retorno do tempo cíclico, que procura levar o homem

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Você poderá aprofundar seus conhecimentos em relação ao tempo da

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Bacharelado em Teologia

ATENÇÃO!

Você poderá aprofundar seus conhecimentos em relação ao tempo da salvação radicado em Cristo, consultando as obras:

  • a) CULLMANN, O. Cristo e o tempo. Tempo e história no cristianismo primitivo. São Paulo: Custom, 2003. Já em relação ao sentido sacramental do Ano Litúrgico, você poderá consultar a obra:

  • b) SIVINSKI, M. (Org.) Ano litúrgico como realidade simbólico-sacramental. São Paulo: Paulus, 2002 (Cadernos de liturgia 11).

VOCÊ SABIA QUE ...

Cada um dos tempos litúrgicos, dias festivos ou horários litúrgicos estão carregados de conteúdo simbólico e, por isso, sua celebração só pode ser mudada mediante um processo de inculturação, o qual considere todos os elementos simbólicos envolvidos, para que não se perca seu sentido teológico- litúrgico.

Cristo, ontem e hoje, Princípio e Fim, A e Z, A ele o tempo e a eternidade, a glória e o poder pelos séculos sem fim. Amém (BUYST apud BUYST; FRANCISCO, 2004, p. 107).

Pode-se afirmar, ainda, que:

No Novo Testamento o Kronos assumiu uma conotação salvífica, mediante o kairós da morte-ressurreição de Cristo, que qualifica também a sua encarnação, dando lugar ao eon presente, o qual, enquanto põe um termo ao passado, antecipa a solução final, através das ações de Cristo e da Igreja. O tempo cósmico continua seu curso, aparentemente inalterado; o tempo histórico recebe uma nova orientação, mas a natureza dos acontecimentos que marcam seu curso não se modifica (AUGÉ, 1991, p. 18).

Cabe aqui a distinção entre a abordagem quantitativa e a abordagem qualitativa do tempo.

A abordagem quantitativa considera o tempo como uma sucessão de entidades que podem ser medidas: um determinado número de dias, meses ou anos – é kronos – o tempo cronológico, a duração do tempo o eon – que representa uma era, uma idade.

Já a abordagem qualitativa considera o tempo como uma sucessão de experiências essencialmente únicas e sem medida (kairós): cada dia é visto como significativo em si mesmo, ou seja, cada dia é visto como revelador do projeto de Deus. É a partir dessa abordagem que a Sagrada Escritura, Antigo e Novo Testamento, compreende o tempo e celebra liturgicamente os eventos de salvação ou kairós.

Sacramentalidade do tempo litúrgico

O tempo da salvação está radicado em Cristo, no mistério de sua morte- ressurreição e de sua encarnação; é esse mistério que é atualizado na liturgia. Isso acontece em cada celebração litúrgica, a qual acontecendo num determinado dia e hora, considera este evento salvífico na sua dimensão de kairós e é isto que faz do tempo litúrgico um tempo sacramental. De fato, em todo o Ano Litúrgico está presente a sacramentalidade que brota da celebração do mistério pascal.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Você poderá aprofundar seus conhecimentos em relação ao tempo da

Assim, a organização do tempo na liturgia pertence a uma estrutura simbólico- sacramental. É por isso que os momentos do tempo (amanhecer, entardecer, o domingo, determinados dias ou meses etc.) possuem um sentido simbólico, o qual pode se chocar com uma concepção temporal que não considere a ação de Deus na história.

No entanto, tal sentido simbólico pode tornar-se o meio pelo qual o homem, oprimido pelo tempo do mercador (marcado pela produção e lucro), encontre um sentido para sua vida e para a história.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia ATENÇÃO! Você poderá aprofundar seus conhecimentos em relação ao tempo da

Desse modo, a celebração anual do mistério de Cristo, ao longo do Ano Litúrgico e da Liturgia das Horas, torna-se anúncio, profecia e realização do Reino aqui e agora. Isto está presente no “hoje” litúrgico, característico do memorial ou anámnesis. É neste sentido que se pode dizer que a liturgia é História da Salvação em ato, ou seja, ela continua acontecendo no tempo por meio da ação litúrgica.

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR : Os prefácios utilizados na celebração eucarística é que

UNIDADE 1

Bacharelado em Teologia

INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR:

Os prefácios utilizados na celebração eucarística é que evidenciam esta realidade, quando, por meio do HOJE litúrgico atualizam um determinado mistério de Cristo e assim permitem celebrar ao longo do Ano Litúrgico a totalidade de seu mistério pascal. Exemplos: “Revelastes, hoje, o mistério de vosso Filho como luz para iluminar os povos no caminho da salvação” (Prefácio

de Epifania); “Hoje, nas águas do rio Jordão, revelais o novo Batismo ” ... (Prefácio do Batismo do Senhor), “Vencendo o pecado e morte, vosso Filho

Jesus Cristo, Rei da Glória, subiu hoje antes os anjos maravilhados da Ascensão do Senhor).

...

(Prefácio

Observe no quadro a seguir, a descrição do Ano Litúrgico:

ANO LITÚRGICO

  • a) Tempo da manifestação:

• Advento.

• Natal.

• Epifania.

  • b) Tempo comum

  • c) Tempo pascal:

• Quaresma. • Tríduo pascal. • Qüinquagésima pascal.

  • d) Celebrações festivas do senhor, de Maria e dos Santos.

Ano Litúrgico a partir do Vaticano II

A Constituição Litúrgica Sacrosanctum Concilium em sua reforma enriqueceu o Ano Litúrgico com uma teologia que acentuou o mistério pascal de Cristo como seu centro e, de modo definitivo, como seu único objeto de celebração.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR : Os prefácios utilizados na celebração eucarística é que

Assim, encontramos no número 102 uma síntese dos fundamentos do Ano

Litúrgico:

A Santa Mãe Igreja considera que é seu dever celebrar a obra de salvação de seu divino Esposo com uma sagrada recordação, em dias determinados, ao logo do ano. Toda semana, no dia que chamou “do Senhor”, comemora sua ressurreição, que uma vez ao ano celebra também, junto com sua santa paixão, na solenidade máxima da Páscoa.

Além disso, no ciclo do ano, desenvolve todo o mistério de Cristo, desde a Encarnação e o Natal até a Ascensão, Pentecostes e a expectativa de feliz esperança e vinda do Senhor.

Ao comemorar assim os mistérios da Redenção, abre as riquezas do poder santificador e dos méritos de seu Senhor, de modo que os torna presentes, de certo modo, durante todo o tempo, aos fiéis para que os alcancem e plenifiquem- se da graça da salvação (SC 102).

Foi mediante esta teologia do Ano Litúrgico que foi organizada a atual estrutura do Ano Litúrgico e seu calendário, para que, assim, sua celebração pudesse, de fato, tornar presente a cada dia a celebração do mistério de Cristo.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR : Os prefácios utilizados na celebração eucarística é que

INFORMAÇÃO:

Cada família litúrgica tem uma organização e uma estrutura diversa do Ano Litúrgico, ainda que sempre celebrem o mistério de Cristo. Por exemplo: a Liturgia Ambrosiana em Milão, as Liturgias Orientais etc. Para saber mais sobre esse tema consulte a obra: DONADEO, M. O ano litúrgico bizantino. São Paulo: Ave Maria, 1998.

INFORMAÇÃO:

Outra síntese da teologia do Ano

Litúrgico pode ser encontrada no Catecismo da Igreja Católica, n.

1168-1173.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR : Os prefácios utilizados na celebração eucarística é que

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia INFORMAÇÃO: O atual, chamado Calendário Romano foi aprovado mediante o motu-proprio

UNIDADE 1

Bacharelado em Teologia

INFORMAÇÃO:

O atual, chamado Calendário Romano foi aprovado mediante o motu-proprio do papa Paulo VI Mysterii paschalis de 14 de fevereiro de 1969 e publicado nesse mesmo ano, entrando em vigor em 1º de janeiro de 1970.

VOCÊ SABIA QUE ...

No Brasil a CNBB publica a cada ano o Diretório Litúrgico contendo o calendário litúrgico do ano em vigor com todas as datas e demais indicações litúrgicas para as celebrações da eucaristia e da Liturgia das Horas.

ATENÇÃO!

Para um estudo mais detalhado do tema, consulte as obras a

seguir:

  • a) AUGÉ, M. O domingo: festa primordial dos cristãos. São Paulo: Ave Maria, 2000.

  • b) SILVA, J. A. O domingo: páscoa semanal dos cristãos. Elementos de espiritualidade dominical para as equipes de liturgia e o povo em geral. São Paulo: Paulus, 1998. (Coleção celebrar a fé e a vida 5).

O calendário litúrgico é a lista ordenada cronologicamente das celebrações da Igreja Universal e de cada Igreja particular, ao longo dos dias de um ano. Tal calendário pode ser encontrado no início do Missal Romano, de cada um dos volumes da Liturgia das Horas e em diversas edições práticas, como calendários e agendas litúrgicas.

Desse modo, contendo as datas determinadas para a Igreja Universal (calendário geral), como as próprias de cada Igreja particular ou instituto religioso (calendários particulares), é um instrumento pastoral tão indispensável como os rituais dos sacramentos.

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia INFORMAÇÃO: O atual, chamado Calendário Romano foi aprovado mediante o motu-proprio
UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia INFORMAÇÃO: O atual, chamado Calendário Romano foi aprovado mediante o motu-proprio

3 DOMINGO

A celebração do mistério pascal está no centro da “memória” que a comunidade cristã faz de seu Senhor.

Tal celebração é realizada semanalmente e sobre ela a Sacrosanctum Concilium

afirma:

Devido à tradição apostólica que tem sua origem do dia mesmo da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra cada oitavo dia o Mistério Pascal. Esse dia chama-se justamente dia do Senhor ou domingo. Neste dia, pois, os cristãos devem reunir- se para, ouvindo a Palavra de Deus e participando da Eucaristia, lembrarem-se da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os “regenerou para a viva esperança, pela Ressurreição de Jesus Cristo entre os mortos” (1Pe 1,3). Por isso, o domingo é um dia de festa primordial que deve ser lembrado e inculcado à piedade dos fiéis, de modo que seja também um dia de alegria e de descanso do trabalho. As outras celebrações não se lhe anteponham, a não ser que realmente sejam de máxima importância, pois que o domingo é o fundamento e o núcleo do ano litúrgico (SC 106).

A citação da Sacrosanctum Concilium apresenta uma síntese daquilo que o domingo representa para a comunidade cristã, desde a sua origem apostólica até o presente.

O domingo é evocado por meio de sua tradição apostólica, como o dia da celebração da ressurreição de Cristo, chamado de dia do Senhor ou oitavo dia, dia em que se recorda o batismo e se reúne para a palavra e a eucaristia, sendo um dia de festa e de descanso.

O domingo é o dia da comunidade cristã, pois ela se reúne para a celebração eucarística, sendo também o dia da caridade, já que é neste dia que os cristãos podem se confraternizar na fraternidade cristã e rezar pelas intenções de todo o mundo, bem como fazer a coleta que irá ajudar os mais necessitados.

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Vamos analisar brevemente cada uma das afirmações citadas sobre o

domingo:

Dados do Novo Testamento

Os primeiros cristãos, muito embora, como judeus, tivessem arraigada em sua vida a celebração do sábado como dia de descanso e com culto, escolheram desde o começo o domingo como seu dia de reunião e de celebração da eucaristia. O motivo parece evidente: nesse dia, o primeiro dia da semana, depois do sábado, Jesus ressuscitou, convertendo-o assim em “o dia do Senhor” por excelência. Podiam ter escolhido a quinta-feira por suas reminiscências eucarísticas, ou a sexta-feira como dia da morte salvadora, ou mesmo o sábado, com conteúdo novo (ALDAZÁBAL, 2000, p. 69).

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De fato, a razão para tal escolha pode ser encontrada em várias páginas do Novo Testamento:

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  • a) O episódio de Emaús (Lc 24,13-35) apresenta como uma parábola as riquezas do domingo para os cristãos: é no “primeiro dia da semana” (Lc 24,1.13) que os discípulos de Emaús, desanimados após a morte de Jesus, encontram-se com um caminhante pela estrada, o qual vai revelando o mistério da morte de Jesus por meio das Sagradas Escrituras e quando parte o pão durante a ceia é que eles o reconhecem como o Senhor 4 . Esse texto traz a prática dominical dos cristãos: reúnem-se para a palavra e para a fração do pão e durante a reunião encontram-se com o seu Senhor, Jesus Ressuscitado. Isto fica claro em nossa celebração eucarística dominical, a qual é dividida em duas partes: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística.

  • b) O Evangelho de João (Jo 20,19-29) traz as aparições do Ressuscitado aos seus discípulos no “oitavo dia”, que também é o primeiro dia da semana, enquanto estavam escondidos por medo dos judeus. Nesse texto, encontram- se outros aspectos teológicos do domingo: a reunião da comunidade, a presença do ressuscitado, a fé dos discípulos, a paz que o Senhor dá aos seus discípulos, a recordação da paixão, o envio missionário e a tarefa da reconciliação (ALDAZABAL, 2000).

  • c) Os Atos dos Apóstolos (20, 7-12) fala-nos da reunião de Paulo com a comunidade em Trôade: “no primeiro dia da semana, enquanto estávamos reunidos para partir o pão”.

  • d) A primeira carta aos Coríntios (1Cor 16,1-2) apresenta o convite de Paulo para que a comunidade, por ocasião de sua reunião semanal (“cada primeiro dia da semana”), faça uma coleta em favor dos pobres da comunidade de Jerusalém – o domingo é o dia da caridade.

  • e) O livro do Apocalipse (1,10) fala que João teve uma visão no “dia do Senhor” – “fui arrebatado pelo espírito no dia do Senhor” – kyriaké hemera. Este texto traz pela primeira vez o nome “dia do Senhor” aplicado a esse dia, como sendo o dia que pertence ao Kyrios Jesus, o Ressuscitado.

Como é possível notar, o domingo é, segundo o Novo Testamento, o dia em que a comunidade cristã celebra a vitória pascal de Jesus, do Senhor. Por isso que esse dia é denominado “dia do Senhor” e é a celebração da páscoa semanal, a festa primordial, fundamento e núcleo do Ano Litúrgico.

Nomes do domingo

Os textos do Novo Testamento usam alguns nomes diferentes para falar da mesma realidade que é o domingo:

  • a) O primeiro dia da semana: isto porque na nomenclatura numérica aplicada aos dias da semana pelos judeus, ele é o primeiro dia depois do sábado, que é o sétimo e o último dia da semana. Este nome evoca um significado duplo: recorda o “primeiro dia” em que Deus criou a luz (Gn 1,3-5) e dá início a toda criação e indica que Jesus, pela sua morte e ressurreição, dá início a uma nova criação.

  • b) O oitavo dia: este nome aparece em Jo 20, 26 – “oito dias

depois...”

e

também nos Santos Padres que querem ressaltá-lo como o dia que transcende

ao septenário e assim assume um sentido escatológico: tempo da plenitude e ao mesmo tempo de antecipação. Cada domingo traz a presença da salvação que já está acontecendo como memória da ressurreição salvadora de Cristo e como antecipação da plenitude de seu Reino.

ATENÇÃO!

Não deixe de ler os textos citados, na íntegra, em sua Bíblia. Tal leitura será muito importante para compreender as descrições apresentadas.

(4) O termo Senhor, do grego Kyrios aparece no Novo Testamento sempre que se quer indicar o Ressuscitado.

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia INFORMAÇÃO: A palavra domingo deriva deste nome: dies dominicus, que passa

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INFORMAÇÃO:

A palavra domingo deriva deste nome: dies dominicus, que passa a ser abreviado como dominicus e daí domingo, em português e espanhol, domenica em italiano, dimanche em francês. As linhas anglo-saxônicas conservaram o nome dia do Sol (Sunday, Sonntag) que era usado pelos romanos, que atribuíam o nome de um planeta a cada dia da semana, segundo uma concepção mitológica.

INFORMAÇÃO:

Para compreender melhor o

sentido do domingo você poderá consultar João Paulo II – Carta Apostólica “Dies Domini” sobre a santificação do domingo

(1988), na qual o Papa chama a atenção para os principais valores cristãos desse dia e sua celebração na atualidade.

(5) A Didaqué é um compêndio da doutrina cristã do primeiro século, é chamada de Catecismo dos primeiros cristãos (ZILLES, U., 1986, 39.76).

c) O dia do Senhor: este é nome mais especificamente cristão dado a esse dia – é o dia senhorial ou do Senhor (kyriaké hemera, dies dominicus) – “do Senhor”. Como se vê, é um adjetivo (do grego kyriaké e do latino dominicus, dominica) que qualifica o dia como o dia do Ressuscitado, é de fato, o dia em que Jesus ressuscitou dos mortos e apareceu aos seus e continua a se fazer presente quando a comunidade de seus discípulos se reúne para ouvir sua palavra e partir o pão em sua memória.

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Domingo e o sábado

O domingo, como foi visto nos textos neotestamentários, nasce mediante a experiência que a comunidade cristã fez da presença do Ressuscitado em seu meio e, por isso, distingue-se da instituição sabática dos judeus.

Há testemunhos no Novo Testamento de que Jesus e seus discípulos observassem o sábado. No entanto, não será esse o dia adotado pela comunidade cristã para celebrar o seu culto. Não se trata de uma substituição de um dia pelo outro, mas sim de uma instituição nova, diferente, pois como se vê as características do sábado judaico, sobretudo, o descanso semanal, não passou para o domingo.

De fato, o domingo, na sua origem não era feriado, dia de descanso, e só passou a sê-lo após o Edito de Milão, promulgado pelo Imperador Constantino em 313. Por isso é que os cristãos celebravam a eucaristia dominical na noite do sábado para o domingo como uma vigília, concluindo-a ao nascer do sol, para que pudessem ir para o trabalho. Justino, na sua Apologia I, refere-se a isso quando escreve que “lêem-se as memórias dos

apóstolos ou os outros escritos dos profetas até que o tempo permita

...

).

O domingo, portanto, rompe com o sábado, superando-o e levando-o à plenitude como dia da nova criação e da salvação plena, realizada na morte e ressurreição de Cristo.

O sábado

judaico apresenta, contudo, uma teologia que, depois da paz

constantiniana, quando o domingo se torna dia de descanso, começará a ser aplicada

também pelos cristãos, para vivenciar esse dia.

Nessa teologia, encontram-se os seguintes elementos: o sábado exalta o poder criador de Deus, convida à festa e ao descanso, tem um sentido social de fraternidade e nele se atualiza a aliança pascal de Deus com seu povo, os quais podem ser percebidos na celebração dominical da páscoa de Senhor.

Celebração do domingo

A celebração do domingo como páscoa semanal provém desde a comunidade primitiva e se estendeu durante os séculos com variações, segundo os lugares e os tempos, até chegar aos dias de hoje, quando o celebramos segundo o sentido e estrutura que assumiu desde o Vaticano II.

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Um dos primeiros testemunhos sobre a celebração do domingo é encontrado na Didaqué 5 (do fim do século 1º), que apresenta no capítulo 14 a união da celebração eucarística com o dia de domingo:

“Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.”

Nota-se que desde então o domingo é celebrado com a eucaristia, a qual faz a memória do Senhor Ressuscitado em meio aos seus (Lc 24).

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia Outro testemunho importante é o texto da Apologia I , que

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Outro testemunho importante é o texto da Apologia I 6 , que Justino escreve ao imperador Antonino Pio, descrevendo amplamente a vida da comunidade cristã, em particular a eucaristia dominical:

E no dia chamado do Sol, realiza-se a reunião num mesmo lugar de todos os

... dia do Sol, porque é o primeiro dia, em que Deus, transformando as trevas e a

habitantes nas cidades ou nos campos

Fazemos a reunião todos juntos no

matéria, fez o cosmos, e Jesus Cristo, nosso Salvador no mesmo dia ressuscitou

de entre os mortos

...

(Apologia I, 67).

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O texto reafirma a praxe cristã de celebrar o domingo com a reunião comunitária, na qual se celebra a eucaristia memorial do mistério pascal de Jesus.

O Vaticano II, em sua reforma litúrgica, resgatou o sentido teológico-litúrgico do domingo, como aparece na Sacrosanctum Concilium nº 106, citado anteriormente, reafirmando ser ele o dia de festa primordial e o fundamento e núcleo do Ano Litúrgico, orientando que sua celebração não seja substituída por nenhuma outra.

Assim, para que isso se tornasse realidade tanto a eucologia como o lecionário dominical foram revistos de modo a expressarem mais claramente o conteúdo litúrgico do domingo. Isso pode ser percebido mais plenamente nos domingos do Tempo comum (33 ou 34 domingos no ano), mas também se manifesta nos domingos do Tempo da manifestação e do Tempo pascal, nos quais se inserem ainda os conteúdos próprios desses tempos.

Pode-se, contudo, perceber na pastoral litúrgica do Ano Litúrgico algumas dificuldades para a celebração atual do domingo: a organização da sociedade capitalista ancorada na concepção do tempo do mercador estruturou turnos de trabalho ininterruptos e isto traz dificuldade para o descanso dominical e para a celebração eucarística dominical.

Pastoralmente tem se sugerido que as pessoas que trabalham no domingo celebrem sua páscoa semanal durante a semana, isto, no entanto, poderia suprir o preceito dominical, mas tal celebração fica reduzida em seu conteúdo simbólico próprio do domingo.

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Outra dificuldade é a falta de sacerdotes para presidirem a eucaristia em todas as comunidades cristãs, as quais, para não se privarem totalmente do dia do Senhor, reúnem-se para a celebração da Palavra, em que se acrescenta, muitas vezes, a comunhão eucarística com pré-santificados. Esta não é, contudo, a solução adequada para tal situaçã o .

UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia Outro testemunho importante é o texto da Apologia I , que
UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia Outro testemunho importante é o texto da Apologia I , que

Por fim, nem sempre se cumpre o pedido da Sacrosanctum Concilium nº 106. A celebração do domingo acaba sendo substituída por outras celebrações, como as “jornadas”: dia do catequista, dia do religioso, dia do padroeiro, dia da Bíblia etc.

Ainda que a celebração eucarística dominical atualize o mistério pascal para a realidade atual e tal realidade esteja presente na celebração por meio das orações e na oferenda que fazemos com Cristo ao Pai, ela não deve tomar o lugar do mistério de Cristo.

Assim, concluímos com o texto do Prefácio dominical IX do Missal Romano atual, o qual nos apresenta uma síntese teológica do domingo e de sua celebração:

Na verdade é justo e necessário, é nosso dever e salvação, dar-vos graças e bendizer-vos, Senhor, Pai santo, fonte da verdade e da vida, porque, neste domingo festivo, nos acolhestes em vossa casa.

(6) Esta obra Apologia I (apologia = defesa, justificativa) foi escrita por Justino ao redor do ano 165 para explicar ao Imperador Antonio Pio e seus companheiros como os cristãos viviam, pois já havia perseguições contra a comunidade cristã, sendo que o próprio Justino morreu mártir em 165 (NOVAK; GIBIN, 1981, p. 82-83).

INFORMAÇÃO:

Este texto apresenta a teologia dos nomes do domingo, conforme foi descrita anteriormente.

ATENÇÃO!

Para aprofundar seus conhecimentos neste tema consulte a obra: BERGAMINI, A. Cristo, festa da Igreja: história, teologia, espiritualidade e pastoral do Ano Litúrgico. São Paulo:

Paulinas, 1994. (Coleção liturgia e participação). p.122-126.

INFORMAÇÃO:

Como esta é uma dificuldade que atinge grande parte das comunidades cristãs em todo o mundo, tem havido uma reflexão sobre o tema por parte do magistério da Igreja, por teólogos, liturgistas e pastoralistas, com o objetivo de buscar soluções.

ATENÇÃO!

Amplie seus conhecimentos sobre o dia do Senhor. Consulte

as obras a seguir:

  • a) CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Diretório para as celebrações dominicais na ausência do presbítero, 1988.

  • b) CNBB. Orientações para a celebração da Palavra de Deus, 1994. (Documentos da CNBB 52).

  • c) BUYST, I. Celebração do domingo ao redor da palavra de Deus. São Paulo: Paulinas, 2002 (Coleção celebrar).

  • d) BUYST, I. Presidir a celebração do dia do Senhor. São Paulo: Paulinas, 2004.

  • e) PALUDO, F. A celebração da palavra de Deus. In: CELAM – Manual de liturgia. A celebração do mistério pascal: outras expressões celebrativas do mistério pascal e a liturgia na vida da Igreja. São Paulo: Paulus, 2007. v. 4. p. 155-186.

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia Hoje, vossa família, para escutar vossa Palavra e repartir o Pão

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Hoje, vossa família, para escutar vossa Palavra e repartir o Pão consagrado, recorda a Ressurreição do Senhor, na esperança de ver o dia sem ocaso, quando a humanidade inteira repousará junto de vós. Então, contemplaremos vossa face e louvaremos sem fim vossa misericórdia.

Por isso, cheios de alegria e esperança, unimo-nos aos anjos e a todos os santos, cantando a uma só voz ...

  • 4 CONSIDERAÇÕES

Chegamos ao final da primeira unidade da disciplina Ano Litúrgico e Liturgia das Horas, com a qual você pôde estudar alguns conceitos introdutórios relacionados ao tempo e a liturgia e a celebração do domingo.

Assim, entre os conteúdos abordados neste estudo destacaram-se as diversas categorias temporais presentes na história até a atualidade e a sacramentalidade do Ano Litúrgico e da Liturgia das Horas.

A próxima unidade vai abordar conceitos relacionados ao tempo pascal, com base na preparação quaresmal, no tríduo pascal e na qüinquagésima pascal.

  • 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGOSTINHO, SANTO. Confissões. São Paulo: Paulus, 1997. (Coleção Patrística 10)

ALDAZABAL, J. Domingo, dia do Senhor. In: BOROBIO, D. (Org.) A celebração na Igreja:

ritmos e tempos da celebração. São Paulo: Loyola, 2000. v. 3. p. 67–91.

AUGÉ, M. O domingo: festa primordial dos cristãos. São Paulo: Ave Maria, 2000.

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Liturgia: história, celebração, teologia, espiritualidade. São Paulo: AM, 1996. p.

276–337.

Teologia do ano litúrgico. In: AUGÉ, M. et al. O ano litúrgico: história, teologia e celebração. Anámnesis 5. São Paulo: Paulinas, 1991. p. 11–34.

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BERGAMINI, A. Cristo, festa da Igreja: história, teologia, espiritualidade e pastoral do ano litúrgico, São Paulo: Paulinas, 1994. (Coleção liturgia e participação)

BUYST, I. Celebração do domingo ao redor da palavra de Deus. São Paulo: Paulinas, 2002 (Coleção celebrar)

O mistério celebrado ao longo do tempo. In: BUYST, I.; FRANCISCO, M. J. O mistério celebrado: memória e compromisso. Teologia litúrgica 2. Valencia (Espanha):

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Siquem, 2002. p. 105–121. Presidir a celebração do dia do Senhor. São Paulo: Paulinas, 2004.

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CULLMANN, O. Cristo e o tempo. Tempo e história no cristianismo primitivo. São Paulo:

Custom, 2003.

DONADEO, M. O ano litúrgico bizantino. São Paulo: Ave Maria, 1998.

ELIADE, M. Mito do eterno retorno. São Paulo: Mercuryo, 1992. O sagrado e o profano: a essência das religiões. São Paulo: Martins Fontes,

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1992.

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UNIDADE 1 Bacharelado em Teologia LOPEZ MARTIN, J. Tempo sagrado, tempo litúrgico e mistério de Cristo.

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LOPEZ MARTIN, J. Tempo sagrado, tempo litúrgico e mistério de Cristo. In: BOROBIO, D. (Org.). A celebração na Igreja. Ritmos e tempos da celebração. São Paulo: Loyola, 2000. v. 3. p. 31-44.

NOVAK, M. G., GIBIN, M. Tradição apostólica de Hipólito de Roma: Liturgia e catequese em Roma no século III. Em apêndice Textos catequético-litúrgicos de São Justino Mártir. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1981. (Fontes da catequese 4)

PALUDO, F. A celebração da palavra de Deus. In: CELAM – Manual de liturgia. A celebração do mistério pascal: outras expressões celebrativas do mistério pascal e a liturgia na vida da Igreja. São Paulo: Paulus, 2007. v. 4. p. 155-186.

RIZZI, A. Categorie culturali odierne nell´interpretazione del tempo. In: APL –

Associazione Professori di Liturgia (Org.). L´anno litúrgico: Atti della XI Settimana di Studio dell´Associazione Professori di Liturgia, Brescia, 1982. Casale Monferrato: Marietti,

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ROONEY, M. O domingo. In AUGÉ, M. et al. O ano litúrgico: história, teologia e celebração. Anámnesis 5. São Paulo: Paulinas, 1991. p. 71-94.

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SILVA, J. A. O domingo: páscoa semanal dos cristãos. Elementos de espiritualidade dominical para as equipes de liturgia e o povo em geral. São Paulo: Paulus, 1998. (Coleção celebrar a fé e a vida 5)

SIVINSKI, M. (Org.) Ano litúrgico como realidade simbólico-sacramental. São Paulo:

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VATICANO II. Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia. In:

Compêndio do Vaticano II. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 1977. p. 259-306.

ZILLES, U. (Org.). Didaqué: catecismos dos primeiros cristãos. 5. ed. Petrópolis: Vozes,

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Anotações

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