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Avaliação de

desempenho
docente: a génese, a
evolução e as críticas

ramiro marques

Published by FastPencil, Inc.


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D
r
a
Avaliação de desempenho docente: a génese, a evo-
f
lução e as críticas
t
ramiro marques

Publication date December 2nd, 2009


Copyright © 2009 ramiro marques

All characters appearing in this work are fictitious. Any resemblance to real
persons, living or dead, is purely coincidental.
Dedico este ebook aos leitores e comentadores do Prof-
Blog
Acknowledgements

Agradeço aos guest bloggers do ProfBlog: Miguel Lour-


eiro e Cristina Ribas
Table of Contents
ADD e divisão da carreira em duas categorias… .......... 7
Conheça o Projecto de Lei do PCP para… .................... 9
Todos à espera que o Parlamento aprove… ............... 11
Com estas 3 recomendações do CCAP eu con-
cordo… ....................................................................... 13
Aprovado regime transitório de avaliação… .............. 15
PCP, BE e Verdes entregaram iniciativas… ............... 19
BE quer grupo de missão a elaborar novo… .............. 23
Fenprof exige que nova equipa do ME suspenda… ... 27
Louçã reafirmou ontem que o Parlamento… ............. 31
Ainda o debate em torno do modelo de avaliação… ...35
Para a crítica do modelo de avaliação… ..................... 37
O debate desta noite em torno do modelo… .............. 41
Debates ProfAvaliação: Avaliação de desem-
penho… ....................................................................... 43
O projecto de lei do CDS sobre avaliação… ................ 45
Debate ProfAvaliação 25/10/09: que alterna-
tivas… ........................................................................ 49
Sindicatos esperam que Isabel Alçada anuncie… ...... 51
O modelo de avaliação de desempenho do… ............. 53
Mário Nogueira lança repto à nova ministra… .......... 57
Modelo de avaliação de desempenho perto… ............ 61
Por que razão José Sócrates vai recuar… ................... 65
Prazo de calendarização da ADD termina… ............. 69
Grupo Parlamentar do PSD promove debate… ......... 73
O modelo de ADD apresentado por José Luíz… ........ 75
Bases para uma avaliação de desempenho… ............. 79
Sem eduquês e sem Pedagogia do Estado… ............... 85
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
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a
Ainda o debate em torno da proposta de… ................ 87
f
O modelo actual de avaliação de desempenho… ....... 91
t
O futuro da ADD e do ECD está apenas nas… ........... 95
As linhas gerais da proposta de lei do… .................... 99
Isabel Alçada hoje no Parlamento: "tanto… ............ 103
Mário Nogueira exige que escolas avaliem… ........... 105
Como ultrapassar a questão dos efeitos… ................ 109
CDS entrega na AR projecto de diploma… .............. 113
A pedido de muitos colegas: "Projecto… ................... 115
CDS apresenta solução razoável para a… ................. 117
Assim, não! João Dias da Silva (Fne) quer… ........... 121
Apede, PROmova e MUP olham com descon-
fiança… ..................................................................... 123
Ainda é cedo para sorrir. Um texto do… .................. 125
João Dias da Silva (Fne) quer solução… .................. 129
Tomada de posição da Apede e do PROmova… ....... 131
Fenprof exige a não produção de efeitos… .............. 133
Para acabar de vez com esta ADD e este… ............... 137
PSD e PS à beira de acordo sobre avaliação… .......... 139
Enquanto não se conhecem os detalhes do… .......... 143
Entregar (ainda) a ficha de AA, ou não? .................. 145
Projecto de Resolução do PSD: principais… ............ 149
Apede exige anulação dos efeitos do 1º… .................. 151
O modelo de avaliação de desempenho que… ......... 153
BE retira projecto de lei de avaliação… .................... 157
Esclarecimento do deputado Pedro Duarte… .......... 161
CDS mantém projectos de resolução sobre… .......... 165
Projecto de resolução do CDS de alteração… ........... 169
O projecto de resolução do CDS sobre avaliação… .. 175
O projecto de lei 2/XXI do PCP sobre avaliação… ... 179
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
A resposta e o esclarecimento do deputado… .......... 181
f
O ponto da situação da avaliação de desempenho… 185
t
Os projectos que o Parlamento discute… ................. 189
Um calendário negocial apertado mas sem… .......... 193
PS vota contra projectos do CDS, BE, Verdes… ....... 197
Governo tem 30 dias para criar novo modelo… ....... 201
A proposta do ME apresentada ontem aos… .......... 203
A questão dos contingentes divide professores… ... 207
Fechar os dossiers ECD e ADD para recentrar… ..... 211
A proposta da Fenprof para a criação de… .............. 215
Segunda ronda negocial é hoje. Só por… ................. 217
Fne e Fenprof sairam das reuniões com… ............... 221
ADD e divisão da carreira em duas
categorias estão por um fio

1. Até os media mais alinhados com o socratismo


já perceberam que o actual modelo de avaliação de
desempenho e a divisão da carreira têm os dias con-
tados. O Expresso, o semanário português mais alin-
hado com o PS, reconhece que a nova composição do
Parlamento é adversa para os que defendem a conser-
vação da divisão da carreira e do modelo burocrático de
avaliação de desempenho. Todos os partidos da opo-
sição assinaram o Compromisso Educação. E todos já
reafirmaram a vontade de o cumprirem. O primeiro
partido a reafirmar o compromisso foi o PCP, logo
seguido pelo BE. Dias depois, foi a vez de o CDS fazer o
mesmo pela voz de uma dos melhores deputados da
anterior legislatura: Diogo Feio. E mais recentemente,
foi o PSD a confirmar o cumprimento das promessas.
Fê-lo pela voz do deputado Pedro Duarte. 2. Perante
este cenário, o que devem fazer os directores das
escolas? Terem calma e adiar o mais possível os proce-
dimentos do novo ciclo de avaliação de desempenho. E,
caso seja possível, emendarem os erros e as injustiças
cometidas contra os docentes que não entregaram os
objectivos individuais e se viram impedidos de serem
avaliados. 3. Aos professores que aspiram con-
correr à prova pública para acesso a titular, eu
aconselharia prudência. Tenham calma. Esperem mais

7
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
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a
uns meses para ver o que acontecerá às iniciativas leg-
f
islativas dos partidos da oposição.
t
Para saber mais

• Quem semeia ventos colhe tempestades

• Nova AR trará mudanças

Notícias diárias de educação

8
Conheça o Projecto de Lei do PCP
para suspensão da ADD e fim da
divisão da carreira

O PCP divulgou o Projecto de Lei de alteração do esta-


tuto da carreira docente dos educadores de infância e
professores do ensino básico e secundário. O docu-
mento é extenso. Tive conhecimento dele através do
blog EducacaoSa que o publicou no Scribd.
Principais alterações:

1. Artº 2 - Suspensão ou nulidade dos efeitos da


avaliação de desempenho: é suspensa a vigência do
decreto regulamentar 2/2008, do decreto regulamentar
1-A/2009 (avaliação simplex) e do decreto regula-
mentar 14/2009 (prorrogação da avaliação de desem-
penho por novo ciclo avaliativo).

2. São considerados nulos os efeitos previstos


para concurso de colocação de professores das classifi-
cações atribuídas no primeiro ciclo de avaliação de
desempenho.

3. Da não entrega dos objectivos individuais não


decorre penalização para os professores.

4. Artº 3 - Alteração do ECD: eliminação da divisão


da carreira em categorias hierarquizadas.

9
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
5. Substituição do actual modelo de avaliação
f
de desempenho por um modelo formativo e orien-
t
tado para a melhoria do desempenho dos docentes.
Imagem daqui
Notícias diárias de educação

10
Todos à espera que o Parlamento
aprove suspensão da ADD. A chave
está no sentido de voto do PSD

O que mais me preocupa, neste momento, é que os par-


tidos da oposição queiram “impor” os seus projectos de
modelo de avaliação nas propostas de suspensão,
podendo, com isso, dificultar e até inviablizar votações
maioritárias na AR. Creio que todos sabem que o
modelo do PCP é diferente do modelo do CDS-PP, só
para dar um exemplo. E a chave está no PSD e na sua
atitude, no momento de votar propostas de outros par-
tidos. O voto da bancada do PSD é decisivo, todos o
sabemos. Estará disponível para viabilizar esta pro-
posta do PCP que fala numa avaliação de desempenho
formativa? Creio que será necessário sensibilizar toda a
oposição para que se centre, no imediato, apenas e só,
no máximo denominador comum POSSÍVEL. Que
possa ser aceite e votado favoravelmente por todos. O
ideal seria uma proposta conjunta mas, ao menos, que
se entendam no essencial. É esse o objectivo da APEDE
(e dos restantes movimentos) nos contactos que
faremos na AR. Queremos virar esta página negra que
as escolas e os professores têm vivido nos últimos anos
(reparem que não referi os alunos- e não foi por acaso),
para que possa abrir-se um novo ciclo. É fundamental
que os partidos da oposição não se esqueçam, nem por

11
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
um segundo, que os professores, nas escolas, não vão
f
suportar mais adiamentos.
t
Ricardo Silva (Apede)
Notícias diárias de educação

12
Com estas 3 recomendações do CCAP
eu concordo

O CCAP emitiu novo parecer sobre a avaliação de


desempenho. É um documento equilibrado e que
acolhe algumas críticas feitas por directores, avalia-
dores e avaliados. Identifico-me com 3 recomendações
e considero as restantes pouco ambiciosas.

1. A arquitectura e a operacionalização da ava-


liação de desempenho devem contribuir para a
inovação, a criatividade e evitar a uniformi-
dade.
Certo! Como conseguir isso com o quadro jurídico vig-
ente? O CCAP não diz. Mas eu digo: é preciso revogar
os decretos regulamentares 2/2008, 1-A 2009 e
14/2009.

2. As medidas a tomar devem ser previamente


testadas antes de ser generalizadas.
Exacto! Foi isso que a ministra da educação não fez.

3. A temporalidade dos ciclos de avaliação deve


ser alargada em articulação com os momentos
de progressão na carreira.
Há muito que defendo que os ciclos de avaliação devem
ser de quatro ou cinco anos, consoante os momentos de
progressão na carreira. E defendo que não faz sentido

13
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
sujeitar a avaliações formais de desempenho os
f
docentes que estão no topo da carreira.
t
Foto daqui
Para saber mais

• Parecer 2 do CCAP/Julho de 2009

Notícias diárias de educação

14
Aprovado regime transitório de
avaliação de desempenho de
directores, subdirectores e adjuntos

1. Foi publicada no dia 21 de Outubro aPortaria


1317/2009, que fixa o regime trasitório de avaliação
de desempenho dos directores de escolas, subdirec-
tores, adjuntos e directores de centros de formação.

2. Os directores são avaliados pelo respectivo


director regional de educação. Os subdirectores e
adjuntos são avaliados pelo respectivo director.

3. Menções a atribuir: insuficiente, regular,


bom, muito bom e excelente. A classificação final é
determinada pela soma da classificação ponderada atri-
buída a cada parâmtero. Entre os parâmetros constam:
graus académicos, acções de formação, classificações
de avaliações externas da escola e número de anos em
funções executivas, entre outras.

4. Junto de cada DRE é constituído um Con-


selho Coordenador de Avaliação de que fazem
parte o director regional, o director-geral de recursos
humanos, três directores de escolas e um director de
centro de formação. Cabe ao Conselho Coordenador da
Avaliação validar as classificações de Muito Bom e de
Excelente.

15
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
5. É fácil verificar o elevado grau de depend-
f
ência dos directores escolares face aos direc-
t
tores regionais de educação. Não é exagero dizer
que os directores escolares ficam na dependência das
boas graças dos directores regionais de educação.
Podem ser demitidos pelo director regional de edu-
cação e são avaliados por ele. Não tendo turma atri-
buída, é caso para perguntar: faz sentido que os direc-
tores continuem a ser abrangidos pelo estatuto da car-
reira docente? Não me parece. Foram professores, mas
deixaram de ser. São gestores intermédios, não são
professores.
Imagem daqui
Para saber mais

• Regime transitório de avaliação dos direc-


tores. No blogue Pé-Ante-Pé

Notícias diárias de educação

16
Aprovado regime transitório de avaliação… D
r
a
f
t

17
PCP, BE e Verdes entregaram
iniciativas legislativas para pôr fim à
divisão da carreira e suspender a
ADD

1. Respondendo ao apelo dos professores, mate-


rializado, aliás, através de dois documentos estraté-
gicos aprovados pela FENPROF – Livro Negro das
Políticas Educativas do XVII Governo Constitucional e
Carta Reivindicativa dos Professores e Educadores – o
PCP, o BE e Verdes deram entrada, na Assembleia da
República, diversos projectos que correspondem a
importantes iniciativas legislativas que visam uma
mudança estratégica das políticas educativas do Gov-
erno na área da Educação, designadamente quanto ao
Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos
Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

2. Assim, neste âmbito, o Partido Comunista


Português apresentou as seguintes iniciativas:

Apreciação Parlamentar (1/XI) do Decreto-Lei n.º


270/2008, de 30 de Setembro, que “Procede à nona
alteração ao Estatuto da Carreira dos Educadores de
Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secun-
dário, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28
de Abril, à terceira alteração ao Decreto-Lei n.º
20/2006, de 31 de Janeiro, e à primeira alteração ao
Decreto-Lei n.º 104/2008, de 24 de Junho”

19
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/
f
Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34807
t

Projecto de Lei (2/XI) que “Determina as condições da


revisão do Estatuto da Carreira dos Educadores de
Infância e dos Professoares dos ensinos Básico e Secun-
dário, e as condições da sua realização”.
http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/
Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34809

3. O Bloco de Esquerda avançou com as


seguintes iniciativas:

Projecto de Lei 13/XI que “Suspende do processo de


avaliação de desempenho de educadores de infância e
professores do ensino básico e secundário e cria uma
unidade de missão para a elaboração de um novo
modelo de avaliação”
http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/
Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34821

Projecto de Resolução (02/XI) que “Recomenda ao


Governo a abertura imediata do processo de Revisão do
Estatuto da Carreira Docente com vista à extinção da
divisão entre professores titulares e professores”.
http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/
Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34816

4. O Partido Ecologista “Os Verdes” apresentou


as seguintes iniciativas:

20
PCP, BE e Verdes entregaram iniciativas… D
r
a
Projecto de Resolução (3/XI) que “Recomenda a sus-
f
pensão da avaliação dos docentes do ensino público
t
não superior”.
http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/
Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34826
Fonte: SPRC

Notícias diárias de educação

21
BE quer grupo de missão a elaborar
novo modelo de avaliação de
desempenho. Cuidado com os grupos
de missão!

1. O BE apresentou na AR um projecto de lei que


visa a suspensão imediata do actual modelo de ava-
liação de desempenho, a revogação das consequências
do primeiro ciclo avaliativo e a criação de um grupo de
missão, composto por 20 a 35 membros, represen-
tantes dos vários stakeholders na Educação.

2. Cuidado com os grupos de missão. Quando leio


“composto por especialistas em educação de reconhe-
cido mérito”, fico de pé atrás. Quase sempre isso sig-
nifica entregar ao inimigo a chave do castelo. É a porta
aberta para a entrada do eduquês.

3. Por um lado, o grupo de missão pode


arrastar no tempo a solução para o problema,
acabando por dar razão a José Sócrates e ao PS na tese
de que os sindicatos de professores estão contra toda e
qualquer avaliação de desempenho.
Por outro, esse grupo de missão corre o risco de ficar
nas mãos dos representantes do eduquês, tornando o
futuro modelo de avaliação de desempenho refém da
burocracia.

23
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
4. Raciocinem comigo: quem é que vai fazer
f
parte desse grupo de missão? Provavelmente,
t
alguns membros que integram o actual Conselho Cien-
tífico para a Avaliação de Professores, representantes
dos sindicatos de professores, especialistas em ava-
liação de desempenho e supervisão e representantes do
ministério da educação. O grupo de missão terá de con-
sensualizar propostas. Há o perigo de o grupo de
missão propor um modelo tipo manta de retalhos, onde
tudo cabe para que todos aparentemente fiquem satis-
feitos. E, depois, quem se lixa é o mexilhão.

5. Em vez do grupo de missão, acho mais aconsel-


hável colocar a elaboração da proposta do novo modelo
de avaliação de desempenho nas mãos do Ministério da
Educação e dos representantes dos professores: sindi-
catos. Manda a prudência que sejam também ouvidos
os movimentos de professores.
Imagem daqui
Para saber mais
Oposição pede suspensão da ADD mas deixa
solução para depois
PCP, BE e Verdes entragaram na AR iniciativas legisla-
tivas
Notícias diárias de educação

24
BE quer grupo de missão a elaborar novo… D
r
a
f
t

25
Fenprof exige que nova equipa do
ME suspenda o actual regime de
avaliação de desempenho

Da nova equipa do ME - a quem será solicitada uma


primeira reunião logo que tome posse - espera-se
capacidade de diálogo e negociação e aguardam-se
sinais claros e inequívocos de mudança, devendo já os
primeiros ser a suspensão do actual regime de ava-
liação, ficando as escolas dispensadas de apresentar a
calendarização prevista até ao final do corrente mês de
Outubro, e uma intervenção urgente no sentido da reg-
ularização dos horários de trabalho dos professores.
Fonte: Página Web da Fenprof
Comentário
1. Estive a ver o vídeo de 10 minutos com a
intervenção de Isabel Alçada na campanha
eleitoral. Discordo de quase tudo o que ela defende,
mas folgo em saber que ela não incluiu o ECD e a ADD
entre as medidas positivas do Governo.

2. Pode essa omissão significar alguma coisa? É


cedo para saber. Primeiro, é preciso saber quem são os
secretários de estado. Depois, convém conhecer o pro-
grama do Governo para a área da Educação. Por
último, é preciso esperar pelo que a ministra da edu-
cação vai dizer aos sindicatos logo que eles tiverem

27
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
oportunidade de lhes apresentar as exigências dos pro-
f
fessores. Tudo isto se vai saber dentro de três semanas.
t

4. As iniciativas legislativas para suspender a


ADD e pôr termo à divisão da carreira não
serão aprovadas antes de Dezembro. O problema
é que o dia 30 de Outubro é já para a semana e esse é o
prazo estabelecido para as escolas aprovarem os calen-
dários da avaliação de desempenho.
Para saber mais

• Francisco Assis disse ontem que é muito pro-


vável a suspensão da ADD

• Sob a “alçada” da expectativa, mas não, pro-


priamente, de qualquer estado de graça

• Posso estar enganado, mas isto é o que eu


penso que vai acontecer

Notícias diárias de educação

28
Fenprof exige que nova equipa do ME suspenda… D
r
a
f
t

29
Louçã reafirmou ontem que o
Parlamento vai suspender a
avaliação de desempenho

Foi à saída de um encontro de da Fne com o BE que


Francisco Louçã reafirmou a necessidade de suspensão
imediata da avaliação de desempenho. E acrescentou:
“se não for o Governo a fazê-lo, será o Parlamento”
João Dias da Silva, presidente da Fne, afinou pelo
mesmo diapasão e acrescentou à lista de queixas a
sobrecarga de trabalho a que alguns professores estão a
ser sujeitos, alegando que há uma “falta de critérios que
está a fazer com que estes ultrapassem largamente
dentro das escolas aquilo que é o tempo de trabalho
que deviam desenvolver” e exigindo que seja feita a
“contabilização do tempo de trabalho”. “Se houver real-
ização de trabalho extraordinário que seja remunerado
como tal”, advogou. Fonte: Público Online, de
23/10/09
Comentário
1. Ana Drago esteve ao lado de Francisco Louçã
no encontro com a Fne. Fez bem Francisco Louçã
em se rodear de Ana Drago. O líder do BE tem vastos
conhecimentos sobre muitas matérias mas a Educação
não é uma delas. E Ana Drago é um ícon para muitos
professores que se habituaram a ver nela uma defen-
sora, no Parlamento, das suas reivindicações.

31
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Como dizia ontem à noite, na SICN, um comentador
f
assalariado ao serviço do Governo: “O grande combate
t
que se avizinha é entre o PS e a oposição em torno da
avaliação de professores e Sócrates não quer perder
esse combate”.

2. O período que estamos a viver é complexo,


cheio de incertezas e alguma ansiedade.
Aproxima-se o dia 20 de Outubro e com ele o fim do
prazo para as escolas fixarem os calendários do
segundo ciclo de avaliação de desempenho.

3. Há directores que apostam no facto consu-


mado para tentarem inverter a tendência, jul-
gando que, dessa forma, o actual modelo de avaliação
de desempenho se imporá por via dos direitos adquir-
idos.
Foto daqui

A história

• Fne debateu com BE o ECD e a ADD

Notícias diárias de educação

32
Louçã reafirmou ontem que o Parlamento… D
r
a
f
t

33
Ainda o debate em torno do modelo
de avaliação de desempenho. A
opinião de José Cerca

“O que os professores exigem é a suspensão


imediata do actual modelo.” Sinceramente, já
começo a ficar cansado com esta cassete, sem que se
apresentem alternativas válidas,consistentes e
coerentes a esta suspensão.

Mas o que é mais grave é que, perante esta exi-


gência, (sobre a qual neste momento, me abstenho de
adicionar qualquer adjectivo) a mensagem que passa
na opinião pública é que “os professores exigem é a
suspensão imediata de toda e qualquer avaliação”.

E isso é mau para toda uma classe docente,


sobre a qual recai uma difícil e exigente tarefa da qual
depende o futuro cultural e formativo dos cidadãos de
qualquer País. Só por isso deveria haver mais respeito e
compreensão não só por parte da sociedade civil, mas
também da tutela de quem ela depende.

Parece-me, por outro lado que a intransigência,


quer de parte de certas forças sindicais, quer por
parte de alguns movimentos de professores, surgidos e
alimentados na blogosfera, terão contribuído para se
criar uma imagem não muito favorável a esta classe na
qual me incluo com muito orgulho.

35
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
José Cerca
f
Imagem daqui
t
Para saber mais

• Octávio Gonçalves desmonta os argumentos


de José Cerca

Notícias diárias de educação

36
Para a crítica do modelo de
avaliação de desempenho. Um post
do Wegie

1- Gostaria de sublinhar em primeiro lugar que


qualquer avaliação tem como primordial objec-
tivo distribuir os avaliados numa pauta, de
forma a os indivíduos interiorizarem o seu lugar rela-
tivo (acima de uns e abaixo de outros). Serve para
exaltar o trabalho individual e a competição. Serve para
destruir o esforço colectivo e a cooperação entre indi-
víduos.

2- Este modelo de avaliação ADD insere-se no


esquema de avaliação hierárquica da função
pública. Directores-Regionais avaliam Directores de
Escolas que por seu turno avaliam Professores.

3- É um facto que a Administração Pública que


foi partidarizada ao longo de anos é o facto de
os funcionários de muitos serviços já não
valerem pela sua competência e honestidade,
mas por uma cotação de corredor, que corresponde ao
poder que se pensa que um funcionário tem em função
das suas amizades com gente do poder. É-se avaliado
antes de mais pelos laços com o poder, basta ser mili-
tante do PS ou do PSD para se subir na cotação, se for
militante do partido do poder sobe-se, mas se for mili-
tante do partido da oposição é-se respeitado porque

37
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
com a alternância convém evitar militâncias. A partir
f
daqui há todo um conjunto de parâmetros que podem
t
valorizar um funcionário: A pertença uma certa clien-
tela, laços de amizade ou familiares.

4- Parece-me evidente que os interesses insta-


lados na burocracia do Ministério da Educação
vão lutar raivosamente pela implementação deste
esquema porque é o único que permite a uma auto-
reprodução. Não é a mudança de cabeça do Ministério
que vai alterar alterar o prosseguimento desta política.

5- Se a única alternativa que se oferece é uma


vaga auto-avaliação e não uma avaliação séria com a
intervenção de delegados dos grupos disciplinares,
supervisionados por entidades externas com formação
nas áreas diciplinares, com observação de aulas com
observação de projectos (ou situações educativas de
natureza não disciplinar), papel de director de turma,
etc, a luta a longo prazo está perdida. Isto é será pos-
sível que a oposição anule esta ADD Simplex, mas no
futuro outra similar se imporá.
Wegie
Post actualizado às 22:00
Para saber mais

• Intervenções de Octávio Gonçalves (PRO-


mova) e Elenáro (comentador) em torno do
modelo de ADD

38
Para a crítica do modelo de avaliação… D
r
a
• O debate continua: Intervenções do Octávio
f
Gonçalves, Elenáro e José Cerca
t

• O debate em torno do modelo de ADD: Inter-


venções do Wegie, Miguel Loureiro, Elenáro,
Apache, José Cerca e Octávio Gonçalves

Notícias diárias de educação

39
O debate desta noite em torno do
modelo da avaliação de desempenho:
colectânea de intervenções

O debate começou com um comentário de José


Cerca sobre a avaliação de desempenho. Depois, con-
tinuou com extensos comentários de Octávio Gonçalves
que, por sua vez, suscitaram resposta de Elenáro. E
pelo meio, houve lugar para a publicação de um post do
Wegie que gerou controvérsia e novos comentários do
Miguel Loureiro, do Apache e do José Moreira da Silva.

Tudo por junto deu sete páginas de texto cerrado


que eu compilei e publiquei no scribd. E coloquei links
no “para saber mais” do post do Wegie.

E porque o texto de sete páginas merece divul-


gação, aqui estou a postá-lo com a promessa de que
esta colectânea será a primeira de muitas com base nos
comentários dos leitores em torno de questões contro-
versas de Educação e de Pedagogia.

A publicação periódica, no scribd e no blogue,


das colectâneas com os melhores comentários
sobre questões controversas é a minha resposta ao
aumento de comentadores e de comentários ocorrido
desde que comecei a destacar os últimos 15 comen-
tários no topo da barra lateral do blogue. Entendo que,

41
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
num blogue, os comentários têm tanta importância
f
como os posts.
t
A história

• As intervenções em torno do debate desta


noite sobre avaliação de desempenho - Doc de
7 páginas

Notícias diárias de educação

42
Debates ProfAvaliação: Avaliação de
desempenho: que modelo?
Intervenções da noite de 24/10/09

Publica-se hoje a primeira colectânea (10 pág-


inas) com as principais intervenções dos comenta-
dores em torno do debate sobre o modelo de avaliação
de desempenho, ocorrido ontem à noite. É a primeira
de outras iniciativas que visam dar a palavra aos lei-
tores.

O processo de elaboração das colectâneas é


simples: o editor do ProfAavaliação selecciona os
comentários mais substantivos, coloca-os no scribd e
publica-os no blogue.

Debate em torno do modelo de avaliação de


desempenho suscitado no ProfAvaliação do dia
24/10/09: as posições do Octávio Gonçalves, do Ele-
náro, Miguel Pinto, José Cerca, Miguel Loureiro,
Apache. JAD, JAS, MAT, Wegie.
O debate foi suscitado por um post do Wegie: “Para a
crítica da avaliação de desempenho”. O editor do Pro-
fAvaliação (Ramiro Marques) fez uma selecção dos
comentários mais substantivos. Os textos seleccionados
são assinados pelos autores
A história

43
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
• Debate em torno da avaliação de desempenho
f
- ProfAvaliação dia 24/10/09 - Intervenções
t
de Wegie, Elenáro, Miguel Loureiro, Apache,
MAT, JAD, JAS, JM Tavares e Miguel Pinto

Notícias diárias de educação

44
O projecto de lei do CDS sobre
avaliação de desempenho,
apresentado a 6/1/2009, pode ser
uma solução?

1. Pouca gente já se lembra do conteúdodo pro-


jecto de lei que o CDS apresentou, no Parla-
mento, no dia 6 de Janeiro de 2009. Com o título
“Simplificação do Modelo de Avaliação de Desem-
penho”, o documento difere do modelo instituído pelo
decreto regulamentar 1-A/2009, vulgo modelo simplifi-
cado, num aspecto importante: não se prevê que o
acesso às menções de mérito (Excelente e Muito Bom)
esteja dependente da assistência às aulas.

2. As injustiças provocadas pelo modelo simpli-


ficado (decretos regulamentares 1-A/2009 e 14/2009)
resultam de condicionar o acesso às menções de mérito
à assistência às aulas. Ora, se todos os professores de
uma escola pedissem assistência às aulas, candida-
tando-se, assim, ao Excelente e ao Muito Bom, as
escolas entrariam em colapso, dado o excesso de buroc-
racia, e voltaríamos ao modelo complex, imposto pelo
decreto regulamentar 2/2008. Ao invés, os que não
concorrem às menções de mérito, abrem as portas a
que o acesso às menções de mérito fique facilitado aos
que, por hipotético oportunismo, resolvem aproveitar
das vantagens resultantes da falta de comparência dos
colegas. Foi isso que aconteceu com o primeiro ciclo de

45
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
avaliação e é isso que o projecto de lei do CDS pretende
f
evitar. Nesse sentido, a ser aprovado pelo Parlamento,
t
o projecto de lei do CDS previne algumas injustiças
criadas pelo modelo simplificado em vigor.

3. Chamo a atenção para o artigo 7º do projecto


de lei do CDS: a responsabilidade da avaliação final é
do conselho pedagógico, que a realiza em função da
auto-avaliação feita pelo docente, A auto-avaliação é
feita numa ficha criada pelo conselho pedagógico. O
director avalia as componentes de participação na vida
da escola e relação com a comunidade escolar, bem
como a formação e desenvolvimento profissional.

4. Atenção também para o artigo 8º: é garantido


ao docente o direito de reclamação e recurso.

5. Sempre que não haja coincidência entre a


auto-avaliação do docente e a avaliação do con-
selho pedagógico, há lugar para uma entrevista de
avaliação com o objectivo de identificar os motivos das
diferenças.

6. Há, no entanto, uma questão, colocada pelo


colega Brandão num comentário:
“quanto à aprovação de um modelo alternativo creio
que não deverá ser feito sem se ouvir e ter em conta a
opinião dos docentes e das suas organizações sindicais
representativas, sejam lá quantos e quais forem os par-
tidos que possam estar de acordo. O que se está a reg-
ular é a uma boa parte da vida profissional dos profes-

46
O projecto de lei do CDS sobre avaliação… D
r
a
sores, o que não deve ser feito sem que estes se mani-
f
festem”.
t

7. Sobre a questão da falta de imparcialidade e


da isenção do conselho pedagógico para avaliar
os docentes, a Lelé Batita deixou este argu-
mento:
“Sempre me pareceu que uma avaliação externa feita
por gente de facto preparada e com formação adequada
seria a forma mais credível de garantir alguma objecti-
vidade e isenção. A avaliação interna feita por pares
leva a situações de competição e choques de interesses,
e logo, de conflitualidade. E, repito, a gestão escolar,
tendo deixado de ser democrática, não assegura que
não se formem lobbies de interesses mais ou menos
escusos nos processos de avaliação. Para obstar a isso,
todos os procedimentos devem ser acautelados por
individualidades não comprometidas com a escola e
que nem sequer conheçam os professores”.Qual é a sua
opinião sobre esta proposta? Resolve as injustiças
criadas pelo Simplex? Ou continua a ser inaceitável?
Para saber mais

• E se o PS votar a favor do projecto de lei do


CDS inspirado mo modelo de avaliação das
escolas privadas?

Notícias diárias de educação

47
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

48
Debate ProfAvaliação 25/10/09: que
alternativas ao actual modelo de
avaliação de desempenho

À semelhança do que fiz ontem, recolhi os comentários


mais substantivos sobre alternativas ao actual modelo
de avaliação de desempenho e publiquei-os no Scribd.
São 6 páginas com as intervenções de Miguel Loureiro,
Lelé Batita, JM Tavares, Wegie, Apache, Mat e Elenáro.
A selecção dos comentários foi feita pelo editor do Pro-
fAvaliação - Ramiro Marques.

O documento é publicado simultaneamente no Scribd,


no ProfAvaliação, no Twitter e no Facebook. A leitura
do documento mostra que não existe consenso em
torno das alternativas ao actual modelo de avaliação de
desempenho. A solução tem de ser encontrada através
do diálogo entre o Governo, os grupos parlamentares e
os sindicatos e movimentos de professores.

Amanhã, volto a actualizar o documento com as inter-


venções que vierem a ser produzidas no final da noite.
Para saber mais

• Debate ProfAvaliação sobre alternativas ao


actual modelo de desempenho

Notícias diárias de educação

49
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

50
Sindicatos esperam que Isabel
Alçada anuncie suspensão da
avaliação de desempenho. PS e CDS
procuram solução no Parlamento

O JN traz hoje uma peça jornalista que ajuda a


compreender as manobras políticas que estão a
acontecer em torno da questão da avaliação de profes-
sores. Já ontem o DN - outro jornal próximo do PS e do
Governo - trazia uma peça idêntica. O Governo não
quer perder a face e é provável que se entenda com o
CDS em torno do projecto de lei sobre avaliação de
desempenho, inspirado no modelo do ensino coopera-
tivo, apresentado, no Parlamento, no dia 6 de Janeiro
de 2009.

O líder da bancada do PS confirma a vontade


política em encontrar uma solução que evite uma der-
rota do Governo no Parlamento e que traga serenidade
às escolas.

O CDS guarda silêncio sobre esta questão mas


não enjeita a possibilidade de ganhar protago-
nismo político, apresentando-se à opinião pública
como um partido responsável em torno do qual se con-
stroem soluções para os problemas do país.
A história

51
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
• Educação no centro das prioridades do novo
f
governo
t

Notícias diárias de educação

52
O modelo de avaliação de
desempenho do ensino particular vai
ser aplicado ao ensino público? Por
que razão Sócrates tem de ceder aos
professores?

Nota: O Post foi actualizado e aumentado às 18:36. Há


nele muita matéria para debate.
1. As probabilidades de o PS apoiar uma inicia-
tiva legislativa do CDS que substitue o actual
modelo de avaliação de desempenho pelo modelo em
vigor no ensino particular e cooperativo são grandes.
Convém, por isso, divulgar quer o modelo de avaliação
em vigor no ensino particular e cooperativo quer o pro-
jecto de lei que o CDS entregou, no Parlamento, no dia
6 de Janeiro de 2009. É bem provável que o CDS o
volte a apresentar e, desta vez, conte com os votos
favoráveis dos deputados do PS.

2. Os media afectos ao PS - em particular a TSF,


o DN e o JN - começaram a preparar a opinião
pública para que esta veja a cedência de José Sócrates
como uma vitória da responsabilidade face à putativa
irresponsabilidade dos grupos parlamentares da opo-
sição que se limitaram a apresentar projectos de lei de
suspensão da avaliação de desempenho.

3. Balbino Caldeira, editor do blogue Do Por-


tugal Profundo, vai mais longe na análise da

53
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
cedência aos professores, associando-a à necessi-
f
dade de José Sócrates se travestir da postura dialogante
t
em ordem a ganhar as próximas eleições presidenciais,
às quais deseja concorrer como candidato do PS com
possibilidades de congregar apoios de toda a esquerda
numa segunda volta contra Cavaco Silva.

Nota 1: Deixo aqui o desafio para um debate em torno


do projecto de lei do CDS de avaliação de desempenho
e do modelo de ADD das escolas privadas. Os docu-
mentos estão nos links “Para saber mais”. Publiquei no
meu Google Site - RamiroDotCom - um texto com 5
páginas sobre Supervisão, avaliação e desenvolvimento
profissional.

Nota 2: O PROmova acaba de publicar um post sobre


o modelo de ADD das escolas privadas onde destaca:
“Mesmo convictos de que o modelo de avaliação do
ensino particular e cooperativo é susceptível de aperfei-
çoamentos consensuais que o tornem mais consistente
e transparente (como a necessidade de os coordena-
dores com assento no Conselho Pedagógico terem que
voltar a ser eleitos pelos seus pares de Departamento
ou ainda a necessidade de se garantir ao avaliando a
possibilidade de recorrer naturalmente da avaliação do
Director para o Conselho Geral – por exemplo), há pelo
menos um mérito incontestado que o mesmo possui:
dispensa a figura dos professores “titulares” e a casuís-
tica e o descrédito que advém da divisão na carreira”.
Imagem daqui

54
O modelo de avaliação de desempenho do… D
r
a
Post actualizado às 16:00 Nova actualização às 18:23
f
Para saber mais
t

• Modelo de avaliação de desempenho em vigor


no ensino particular e cooperativo

• Projecto de Lei do CDS sobre avaliação de


desempenho

• O projecto de lei do CDS pode ser a solução?

• Debate ProfAvaliação sobre modelo de ADD

Notícias diárias de educação

55
Mário Nogueira lança repto à nova
ministra: "suspensa ou, pelo menos,
alargue o prazo de calendarização
da ADD até final do 1º período!"

“As escolas estão obrigadas a calendarizar até final do


mês os procedimentos da avaliação para o próximo
ciclo. Sabemos que a Oposição junta vai suspender o
modelo, basta fazer contas ao número de deputados,
mas não terá tempo para o fazer antes do fim do mês.

As escolas vão fazer trabalho que de nada servirá”,


começou por dizer o secretário-geral da Fenprof, acre-
scentando: “Isto resolvia-se com uma nova ministra
que, consciente de que as escolas vão desenvolver pro-
cedimentos para depois atirarem fora, tomasse um pri-
meiro acto de coragem política e suspendesse a ava-
liação ou, pelo menos, alargasse o prazo de calendari-
zação até final do 1º período.”

Para Nogueira, este seria “um grande passo no sentido


de ganhar a confiança dos professores”. E deixa o aviso:
“Se disser que tudo se mantém, os professores voltam à
rua”. Fonte: CM Online

Comentário
1. É um repto que se compreende. Muitas escolas
estão expectantes e ainda não aprovaram a calendari-

57
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
zação do 2º ciclo de avaliação de desempenho. O prazo
f
termina a 30 de Outubro.
t

2. Se o Governo não tomar a iniciativa da sus-


pensão, é quase certo que será o Parlamento a fazê-lo.
As propostas do PCP e do BE já foram entregues e
divulgadas. E é provável que o CDS volte a apresentar o
projecto de lei chumbado em Janeiro de 2009 e que
estende às escolas públicas o modelo de avaliação de
desempenho usado no ensino privado.

3. Compreende-se, também, a ameaça de Mário


Nogueira: os professores podem ter de voltar à rua.
Imagem daqui
Para saber mais

• Modelo de avaliação de desempenho do


ensino privado

• Projecto de Lei do CDS sobre avaliação de


desempenho

Notícias diárias de educação

58
Mário Nogueira lança repto à nova ministra… D
r
a
f
t

59
Modelo de avaliação de desempenho
perto do fim. Governo deve
apresentar proposta que vá ao
encontro das pretenções da oposição
e sindicatos, defende deputado do PS

Já há vozes no PS a defenderem que o Governo apre-


sente propostas que “vão ao encontro” das pretensões
dos sindicatos e oposição em matéria de avaliação e
estrutura das carreiras dos professores. Luiz Fagundes
Duarte considera mesmo este passo “inevitável” na
actual situação política.

Em declarações ao DN, o deputado - ressalvando estar


a opinar “a nível pessoal”, dado não existirem ainda
“posições oficiais” do PS na matéria - assumiu não
haver “outra saída” para estes temas, que considerou as
excepções numa legislatura em que, na sua opinião, “a
esmagadora maioria” das reformas educativas foram
aceites.

Fagundes Duarte admitiu que a iniciativa “não deverá


partir do grupo parlamentar do PS” mas do Ministério
da Educação, agora tutelado por Isabel Alçada. Caberá
assim ao Governo definir “até que ponto” está disposto
a recuar. Isto, sendo certo que a oposição já pôs em
cima da mesa exigências como o fim das quotas para as
melhores notas, a suspensão dos efeitos das avaliações
já realizadas e a eliminação da categoria de titular.

61
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
O que o deputado exclui é a inexistência de uma alter-
f
nativa do Governo: “Já ficou claro que as coisas têm de
t
ser discutidas e negociadas”, defendeu.” É matematica-
mente certo que se todos os partidos da oposição apro-
varem determinada proposta ela passa”.

Contactado pelo DN, o secretário-geral da Federação


Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), Dias da
Silva, considerou as declarações do deputado um sinal
de “consciência de que o quadro político de hoje é
novo”, manifestando esperança de que seja também
esse o entendimento do Governo. Fonte: DN de
27/10/09
Comentário
1. Depois de o líder da bancada parlamentar do
PS, Francisco Assis, ter dito que o actual modelo de
avaliação de desempenho deve ser suspenso, vem agora
outro deputado do PS, Luís Fagundes Duarte, dizer o
mesmo, clarificando que a solução de consenso deve
partir do Governo.

2. À direita do hemiciclo, também há movimen-


tações. O eurodeputado Diogo Feio admitiu estar o
CDS a preparar um projecto de lei que ponha fim à cat-
egoria de professor titular e estenda às escolas públicas
um modelo de avaliação de desempenho semelhante ao
existente no ensino particular e cooperativo. Lembro
que esse modelo teve a aprovação dos sindicatos de
professores e está em vigor nas escolas particulares

62
Modelo de avaliação de desempenho perto… D
r
a
sem que se conheça qualquer tipo de contestação à sua
f
aplicação.
t

3. O projecto de lei que o CDS está a preparar


centra a avaliação na componente científica e
pedagógica, elimina a categoria de professor titular e
torna facultativo o desempenho de cargos de gestão
intermédia nas escolas.

4. Perante isto, o que devem fazer as escolas?


Adiar o mais possível a aprovação da calendarização.
As escolas que já aprovaram a calendarização devem
adiar o mais possível o início dos procedimentos. As
que forem mais apressadas arriscam-se a “trabalhar
para o boneco”.
Imagem daqui
Notícias diárias de educação

63
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

64
Por que razão José Sócrates vai
recuar na avaliação de desempenho?

1. Estive uns bons dez minutos a conversar ao


telefone com o António Balbino Caldeira, editor
do blogue Do Portugal Profundo. O motivo foi a
preparação da publicação do post a divulgar o lança-
mento da 2ª edição do livro dele, titulado “O Dossiê
Sócrates”. Quis também agradecer-lhe a oferta do livro
e da dedicatória: “Ao Ramiro, pela companhia, labor,
persistência, responsabilidade e apoio, ofereço este
livro de investigação, serviço público de quatro anos e
meio, em prol da liberdade, verdade, democracia e Por-
tugal”.

2. A conversa resvalou para os cenários da ava-


liação de desempenho. A tese de António Balbino
Caldeira, com a qual concordo, é a seguinte: José Sóc-
rates vai aprovar, em conselho de ministros, um
decreto regulamentar que define o quadro jurídico da
avaliação de desempenho e revoga os decretos regula-
mentares 2/2008, 1-A/2009 e 14/2009. O novo
decreto regulamentar não suspende a avaliação de
desempenho, mas cria um novo quadro jurídico decal-
cado do projecto de lei que o CDS apresentou, no Parla-
mento, em Janeiro de 2009, inspirado no modelo de
avaliação de desempenho das escolas particulares e
cooperativas. O novo modelo de avaliação de desem-
penho vai deixar cair a figura do professor titular, uma

65
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
vez que a responsabilidade pela avaliação dos profes-
f
sores será partilhada pelo Director e pelo Conselho
t
Pedagógico da escola. Fica, assim, a porta aberta para
que a divisão da carreira em duas categorias caia. Mas
essa queda só vai ocorrer mais tarde que é para os pro-
fessores se lembrarem disso na altura do voto.

3. Dessa forma, José Sócrates alcança dois


objectivos: esvazia as iniciativas legislativas do PCP e
do BE e ganha a confiança de mais umas dezenas de
milhares de professores. Por que razão é tão impor-
tante a José Sócrates fazer as pazes com os profes-
sores? Porque José Sócrates não quer que esta legisla-
tura dure mais de dois anos. Provavelmente, vai querer
que dure ainda menos. Se a situação económica e
financeira do país continuar a agravar-se (a taxa de
desemprego já toca os 11% e vai continuar a agravar-se
nos próximos meses e o défice já vai nos 9%), José Sóc-
rates vai querer trocar o leme do barco em risco de
naufrágio pelo poiso seguro da Presidência da Repúb-
lica, onde ficará livre de processos e das responsabili-
dades pela condução de um país à beira do abismo eco-
nómico e financeiro, provavelmente em fase de rotura
de pagamentos. Para José Sócrates atingir esses objec-
tivos, vai precisar dos votos dos professores que
migraram para o Bloco de Esquerda. E as cedências na
avaliação de desempenho e no estatuto da carreira
docente são as locomotivas que empurrarão, de novo,
muitos desses votos para o PS.
Para saber mais

66
Por que razão José Sócrates vai recuar… D
r
a
• Projecto de Lei do CDS sobre avaliação de
f
desempenho
t

Notícias diárias de educação

67
Prazo de calendarização da ADD
termina hoje. Pedro Araújo,
presidente da ANDE, apela a
direcores para adiarem ao máximo
os procedimentos. Isabel Alçada vai
guardar silêncio

1. A Associação Nacional de Dirigentes Esco-


lares aconselhou, ontem, os directores a
adiarem ao máximo alguns procedimentos da
avaliação de professores. As iniciativas legislativas
da oposição fazem crer na suspensão do modelo de ava-
liação de desempenho e na abolição da divisão da car-
reira.

2. A ANDE considera que as escolas devem


estender até Dezembro ou Janeiro o prazo de
entrega dos objectivos individuais. Pedro Araújo,
recém-leito presidente da ANDE, em entrevista à RTP1,
apelou aos directores para adiarem o mais possível os
procedimentos de avaliação, nomeadamente o prazo de
entrega dos objectivos individuais. Com esta medida,
defendeu, as escolas “dão tempo” aos partidos políticos
e à nova equipa ministerial para “encontrarem solu-
ções” para os problemas do modelo de avaliação: “É
indispensável que se reveja o modelo de avaliação e a
divisão da carreira entre titulares e professores”, con-
siderou.

69
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
3. Pedro Araújo pronunciou-se ainda sobre o
f
prazo para o estabelecimento da calendarização do
t
segundo ciclo de avaliação que termina hoje, dando a
entender não ser intelectualmente honesto exigir que a
ministra da educação o adie.

4. Ao dar uma no cravo e outra na ferradura, o


presidente da nova associação de dirigentes
escolares exemplifica o dilema em que se
encontram os directores escolares: se ficam cal-
ados, são acusados pelos professores de aceitarem pas-
sivamente as injustiças e prepotências que o ME lança
sobre as escolas. Se falam, arriscam-se a ter os inspec-
tores a entrarem pela escola dentro. O medo das repre-
sálias fala mais alto do que a vontade de denunciar as
malfeitorias impostas pelo ME. Estão numa situação
incómoda e eles próprios são vítimas da forma prepo-
tente como os serviços do ME se relacionam com as
escolas. O medo é comum a directores e a professores e
todos vêem a sua acção pedagógica prejudicada pela
avalancha de burocracia. Neste momento, há centenas
de directores e adjuntos que estão atafulhados de proc-
essos de avaliação de desempenho, referentes ao pri-
meiro ciclo de avaliação, perdendo centenas de horas
de volta da plataforma da DGRHE, impedidos de dedi-
carem o seu tempo à melhoria da qualidade do ensino e
à resolução dos problemas dia dia-a-dia.

5. Apesar dessa duplicidade, que se com-


preende devido ao medo das represálias, as pal-

70
Prazo de calendarização da ADD termina… D
r
a
avras de Pedro Araújo revelam sensatez e conhe-
f
cimento da realidade, ao contrário das afirmações que
t
o Presidente do Conselho de Escolas prestou à RR:
“este não é o momento para suspender o modelo e
deixar um vazio…o processo tem de ser feito quanto
antes porque há um calendário para cumprir”.

6. O que vai acontecer hoje? O ME vai largar o


prazo ou vai mantê-lo? Tudo leva a crer que Isabel
Alçada se mantenha em silêncio durante todo o dia,
perdendo uma grande oportunidade de reconstruir as
pontes que Maria de Lurdes Rodrigues destruiu. Se o
silêncio se confirmar, isso significa que o futuro do
modelo de avaliação de professores está nas mãos dos
partidos da oposição.
Hoje, os directores e adjuntos vão viver mais um dia
infernal, desperdiçando horas a elaborar um calendário
que se destina a ir para o caixote do lixo. E assim se vai
destruindo a escola pública em Portugal.
Imagem daqui
Para saber mais

• Vivem no mesmo mundo?

• ANDE criada na segunda feira no Porto

• Escolas atrasam entrega de objectivos indi-


viduais

Notícias diárias de educação

71
Grupo Parlamentar do PSD promove
debate com Santana Castilho e
representantes do sector da
Educação, no edifício novo da AR, no
dia 4/11/09

É uma iniciativa do grupo parlamentar do PSD e os


convites são assinados pelo Presidente do Grupo Parla-
mentar, José Aguiar Branco. O “key speaker” é Santana
Castilho. Fará uma intervenção de 30 minutos, entre as
10:30 e as 11:00, centrada em quatro questões educa-
tivas:

1, A suspensão do modelo de avaliação de


desempenho e a sua substituição por um modelo não
burocrático, formativo, exequível e justo.
2. Alterações ao estatuto da carreira docente no
sentido da abolição da divisão da carreira em
duas categorias.
3. Alterações ao actual modelo de gestão
escolarde forma a introduzir maior democrati-
cidade à gestão escolar.
4. Alterações ao estatuto do aluno tendo em vista
criar instrumentos ágeis e eficazes de prevenção e com-
bate à indisciplina, violência escolar e absentismo.

Apontem na agenda: dia 4 de Novembro, às 10:30,


no Edifício Novo da Assembleia da República.

73
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Das 11:00 às 12:30, haverá um debate no qual
f
participarão vários representantes do sector da edu-
t
cação: professores e encarregados de educação.
A sessão de encerramento será às 12:30 e estará a cargo
do Presidente do Grupo Parlamentar do PSD.Notícias
diárias de educação

74
O modelo de ADD apresentado por
José Luíz Sarmento. No meu
entender não é melhor do que o
modelo imposto pelo decreto
regulamentar 2/2008

1. Tenho pela escrita de José Luiz Sarmento


muito respeito e leio atentamente tudo o que
ele publica no blogue As Minhas Leituras. É um
dos bloggers que melhor reflecte sobre Educação. Esta
semana, José Luiz Sarmento publicou um extenso doc-
umento com as bases para um modelo de avaliação de
desempenho.

2. Não tenho tempo para fazer a análise do


modelo. Vou fazê-lo durante o fim-de-semana.
Deixo apenas algumas notas porque considero que o
modelo do José Luiz Sarmento, a ser aplicado, lançaria
as escolas num mar de burocracia e guerras intestinas.
Para além de envolver os alunos e os pais no processo
de avaliação dos docentes, através do preenchimento
de questionários, o modelo inclui a recolha de dados
dos colegas de grupo sobre a prestação de outros
docentes do grupo.

3. E na dimensão objectiva da avaliação anual,


José Luiz Sarmento propõe que se sujeitem os
docentes à realização dos exames do 12º ano. Só
pode estar a brincar, não? Só que isto é uma coisa

75
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
demasiado séria para se lançarem para discussão púb-
f
lica propostas tão disparatadas. Deixem-se de fantasias
t
e não tenham a pretensão de quererem reinventar a
roda!

4.Até agora, o único modelo com pés e cabeça e


com capacidade de exequibilidade foi o pro-
jecto de lei que o CDS apresentou no Parla-
mento, em Janeiro de 2009, inspirado no modelo em
vigor nas escolas privadas. O CDS já disse que o vai
melhorar. Uma das melhorias prometidas é o alarga-
mento do ciclo de avaliação para 4 anos e a incidência
da recolha de dados no ano de passagem de escalão. No
modelo de avaliação de desempenho proposto pelo
CDS não há lugar para professores titulares.

5. No Projecto de Lei do CDS, a responsabili-


dade da avaliação de desempenho é repartida
entre o director e o conselho pedagógico da
escola, tendo o avaliado direito a recurso e rec-
lamação. A ser aprovado o Projecto de Lei do CDS cai
por terra a justificação para a criação da categoria de
professor titular. O documento já mereceu a concor-
dância, em linhas gerais, dos sindicatos e tem condi-
ções para ser aprovado no Parlamento com os votos de
todos os partidos da oposição e, provavelmente, com os
votos do PS.
Imagem daqui
Post actualizado e ampliado às 15:00
Voltarei a este assunto depois do almoço.

76
O modelo de ADD apresentado por José Luíz… D
r
a
Para saber mais
f
t
• Saída à vista com CDS a ocupar espaço

• Projecto de lei do CDS

• O Projecto de Lei do CDS sobre ADD - No


Scribd. Texto completo

• Paulo Portas pede a Sócrates abertura para


resolução dos problemas da ADD e do ECD

Notícias diárias de educação

77
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

78
Bases para uma avaliação de
desempenho não taylorista e não
arbitrária. Um post construído a
duas mãos que trabalharam a 300
quilómetros uma da outra

Este é um post construído a duas mãos. Uma a teclar


no Porto - a mão do Wegie -, outra a teclar em San-
tarém: a minha mão. Não conversámos ao telefone.
Apenas lemos o que cada um foi escrevendo em
resposta ao documento elaborado pelo José Luiz Sar-
mento. Este trabalho colaborativo só podia ser feito na
blogosfera. E é por isto que os blogues são uma ferra-
menta digital de construção e difusão do conhecimento
como há poucas. É por isto que vale a pena passar mil-
hares de horas por ano a blogar.
1. O problema da questão da avaliação do
desempenho docente reside no facto de que
assenta num equívoco fundamental: a falta de
enquadramento teórico sobre quais os critérios que
fazem o “bom professor”. De tal modo que actividades
análogas em contextos similares são entendidas e
reconhecidas de modo diferente.

2. Em todos os países da Europa existe algum


tipo de avaliação do desempenho docente. Varia
a forma: avaliação externa e mais formal ou auto-ava-
liação interna desenvolvida informalmente. Asse-
melham-se as finalidades: melhorar ou assegurar a

79
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
qualidade do ensino e proporcionar informação para a
f
tomada de decisões a respeito do docente. A promoção
t
da qualidade do ensino é a finalidade mais presente nas
avaliações de carácter interno, desenvolvidas pelas
próprias escolas. Ao passo que nas avaliações externas,
embora se combinem as duas finalidades, a procura de
informação sobre o docente tem repercussões sobre
salários e promoções.

3. Estes dois tipos de avaliação devem ser com-


plementares: a avaliação interna deve ser mais uma
parte do trabalho dos professores como profissionais
sensatos que procuram melhorar a sua prática. Por
outro lado, a avaliação externa introduz elementos de
objectividade e contribui para uma melhor avaliação. A
avaliação com repercussões nas condições económicas
ou laborais dos professores deve ser necessariamente
externa.

4. Dito isto há que estabelecer o que está subja-


cente a estes pressupostos.Com o sistema capital-
ista a dar os seus primeiros sinais de cansaço, anun-
ciando o fim do sonho da felicidade para todos, prome-
tida pelo Evangelho segundo Adam Smith, para os
negócios dos grandes deste mundo a escola está sempre
entre os primeiros acusados. A formação escolar já não
é garantia de uma boa qualificação nem fonte de infor-
mação sobre o funcionamento das empresas e socie-
dades. A fim de amenizar estas deficiências e revitalizar
a imagem da escola é preciso então repensar o seu

80
Bases para uma avaliação de desempenho… D
r
a
papel em função do estado dum mundo em que a com-
f
petição atinge o seu ponto culminante. Daí as avalia-
t
ções neo-tayloristas.
Wegie

Uma proposta do Ramiro: Bases para uma ADD


não taylorista, não burocrática e não arbitrária

1. José Luiz Sarmento levantou a questão da


necessidade de encontrar modelos de ADD não
tayloristas. E a solução proposta por ele foi a de
envolver vários intervenientes no processo, incluindo
os alunos, de forma a introduzir um sistema de pesos e
contrapesos que reduza a arbritrariedade, já que a sub-
jectividade faz parte intrínseca de todos os processos de
avaliação e como tal deve ser aceite.

2. Nesse sentido, JL Sarmento faz a divisão


entre uma avaliação interna, de tipo formativo,
que identifique pontos fracos nos desempenhos
e indique caminhos para os superar, e uma ava-
liação externa, que permita a recolha de ele-
mentos com incidência nos salários e promo-
ções. Parece-me haver lógica nesta divisão e na defesa
da pluralidade dos intervenientes. A minha proposta
vai no sentido de a avaliação de desempenho anual ser
apenas formativa e a avaliação externa, essa sim, com
incidência nos salários e promoções, ser feita apenas de
quatro em quatro anos, correspondendo ao ano de
mudança de escalão.

81
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
3. Para reduzir a arbitrariedade, a avaliação
f
externa deve contar com a intervenção de pro-
t
fessores de fora da escola do avaliado mas do
mesmo grupo disciplinar (no caso dos 2º e 3º
CEB e Ensino Secundário) ou do mesmo nível
de ensino (no caso do pré-escolar e do 1º CEB).
Os intervenientes externos avaliariam apenas a
dimensão científica e pedagógica mediante assistência
a aulas e verificação dos dossiés pedagógicos dos ava-
liados. A classificação a atribuir na dimensão científica
e pedagógica teria o peso de 50% para a classificação
final e teria de ter a concordância do Conselho Pedagó-
gico do docente avaliado. Em caso de discordância, o
avaliado teria o direito a um segundo processo de ava-
liação com o recurso a outros intervenientes externos.

4. As dimensões da assiduidade e cumprimento


do serviço atribuído seriam avaliadas pelo
Director da escola e teriam um peso de 50% na
classificação final. Esta classificação seria passível
de recurso para a direcção regional da educação que
nomearia um júri exterior à escola do avaliado.
Notícias diárias de educação

82
Bases para uma avaliação de desempenho… D
r
a
f
t

83
Sem eduquês e sem Pedagogia do
Estado deixaria de haver lugar para
a burocracia

Elenário, espero bem que a única escolha pos-


sível não seja entre o eduquês e o empirismo,
porque a ser assim estaríamos muitíssimo mal. Mas
felizmente as Ciências da Educação não se esgotam no
eduquês.

O que eu peço aos teóricos das Ciências da Edu-


cação é que façam o mesmo exame de con-
sciência que estão a fazer os macroecono-
mistas, ou seja: que reconheçam que o seu ramo do
saber, por mais desenvolvido que esteja, é uma ciência
social no âmbito da qual se defrontam teorias difer-
entes e até antagónicas; e que nenhuma destas teorias
pode aspirar ao estatuto de state of the art.

O problema com este exame de consciência é


político, e não científico, uma vez que levaria a
duas consequências inevitáveis: por um lado, não
haveria qualquer razão objectiva para que as escolas
não fossem autónomas também na adopção das teorias
pedagógicas que lhes parecessem mais adequadas; e
por outro inviabilizaria a existência duma “pedagogia
de Estado”, o que daria início a um efeito dominó que
ninguém quer.

85
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Sem pedagogia de Estado, a gigantesca buroc-
f
racia educativa (que constitui um dos três
t
vícios principais do nosso sistema de ensino)
perderia a sua razão de existir; o que poderia ser
muito bom para o País, mas seria péssimo para alguns
milhares de boys e girls que ficariam sem emprego.

Entre uma pedagogia de Estado e o puro empir-


ismo, o empirismo seria o mal menor; mas é per-
feitamente possível haver pedagogias que não sejam de
Estado.
José Luiz Sarmento, editor do blogue As Minhas Lei-
turas
Imagem daqui
Notícias diárias de educação

86
Ainda o debate em torno da proposta
de ADD de JL Sarmento. Uma
resposta crítica da Lelé Batita

A proposta divulgada por JL Sarmento, em torno do


texto “Para uma avaliação de desempenho sem derivas
neotayloristas”, provocou intenso debate na caixa de
comentários do ProfAvaliação. Depois da publicação do
post do Wegie, impõe-se a publicação da resposta
crítica da Lelé Batita, editora do Pérola de Cultura.
1. Quem avalia quem nas Escolas? Vamos inverter
os procedimentos e correr o risco de subverter a pouca
objectividade que nos resta? Destruir a pouca autori-
dade que ainda não nos foi retirada? Confundir os
papéis dos alunos e dos professores numa promiscui-
dade avaliativa? Misturar os pais neste complexo proc-
esso onde nem nós, entre pares, nos estamos a conse-
guir entender?

2. A proposta de José Luiz Sarmento não tem a


clareza de espírito de quem conhece a realidade
da escola portuguesa das periferias, dos bairros
pobres, onde oitenta por cento da população é iletrada
e os alunos nem português sabem falar.

3. Se não, nunca faria uma proposta destas. 20


anos de serviço numa escola ligada a um gueto socio-
cultural seriam o tempero ideal para as consciências
bem-pensantes de muitos teóricos da pedagogia se

87
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
aperceberem do país real onde as escolas portuguesas
f
se inserem e como os seus professores mal sobrevivem
t
a toda esta violência ministerial, institucional, legal,
etc.

4. Se não forem os nossos pares a trabalhar


para recuperar alguma dignidade deontológica
que tem vindo a ser retirada à classe docente,
tudo se perderá num torvelinho irremediável.
Deixemos os alunos e os pais nos seus lugares, sem
delírios pós-modernistas que só contribuirão para
acabar com os professores e transformá-los todos em
funcionários públicos dum romance do Orwell.

5. Tenho muito respeito por José Luiz Sar-


mento e pelos seus textos, mas desta vez penso
que entrou pelo idealismo romântico. As suas
boas intenções não o impediram de resvalar pelo irrea-
lismo. Penso que deveria repensar o documento.

6. Uma das partes mais preocupantes do docu-


mento:

“Quanto à vertente subjectiva, a avaliação ordinária


terá os seguintes intervenientes:

a) os alunos do professor avaliado;


b) os pais, encarregados de educação e outros interes-
sados, se for caso disso e comprovarem um interesse
directo e legítimo, nos termos que adiante se explic-
itam, no resultado dessa avaliação;

88
Ainda o debate em torno da proposta de… D
r
a
c) os professores do mesmo grupo ou área disciplinar;
f
d) os órgãos de direcção estratégica, executiva e peda-
t
gógica da escola;
e) um membro indigitado pelo professor avaliado,
podendo ser um professor da mesma área ou de outra,
da mesma escola ou de outra, ou um representante
legal devidamente constituído.”
E aqui o delírio total:
“Da componente objectiva da avaliação ordinária

48. Esta componente consistirá na sujeição do avaliado


ao mesmo exame nacional a que serão sujeitos os
alunos do 12º Ano numa das seguintes disciplinas, à
sua escolha:

a) Português

b) Matemática

c) Física e Química

d) Inglês

e) Geografia

f) Filosofia (se for reposta)”


Para saber mais

• O modelo de JL Sarmento não é melhor do


que o do decreto regulamentar 2/2008

89
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
• Debate em torno do texto de JL sarmento.
f
Um post do Wegie
t

• O esclarecimento do JL Sarmento

Notícias diárias de educação

90
O modelo actual de avaliação de
desempenho tem os dias contados,
mas ainda lhe restam 3 a 4 meses de
vida

1. Não há a menor dúvida que os partidos da


oposição se vão entender na suspensão do
actual modelo de ADD mas os regulamentos da AR
obrigam a que a aprovação dessas iniciativas legisla-
tivas se faça apenas em Janeiro ou Fevereiro. Há fases
que têm de ser cumpridas:
i. discussão do programa do Governo. O programa do
Governo só foi entregue esta tarde no Parlamento.
ii. criação de comissões parlamentares.
iii. envio das propostas para as comissões parlamen-
tares.
iv. agendamento para discussão e apreciação no ple-
nário.
v. o agendamento para discussão e aprovação em ple-
nário das propostas de lei de suspensão da ADD terá
de esperar pela discussão e aprovação do Orçamento
Geral de Estado, que é uma Lei prioritária.
Vai demorar 3 ou 4 meses.

2. Se o Governo se antecipasse às iniciativas


legislativas, a suspensão do modelo de ADD
podia ser feita em Dezembro. Mas tudo indica que
Sócrates mantém a teimosia e vai esticar a corda, quiçá,
para forçar eleições antecipadas. Engana-se!

91
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
O PR já disse que este Governo é para governar 4 anos.
f
Não lhe fará a vontade. E os partidos da oposição
t
também não. Ele quer fazer-se de vítima - é essa a sua
estratégia política - mas ninguém lhe fará a vontade.

3. Se o Governo quisesse resolver o problema,


podia fazê-lo por decreto regulamentar sem
necessidade de ir ao Parlamento. Ou seja, podia
aprovar o decreto regulamentar em Novembro. O PR
promulgaria em Dezembro. Seria a melhor solução.
Tudo indica que Sócrates rejeita essa opção.
Assim, os partidos da oposição vão ter de esperar o
tempo necessário para aprovarem as propostas de lei
que já entraram na AR. Até à aprovação em Plenário,
vai demorar 3 meses.

4. Outra hipótese ainda em cima da mesa é a


seguinte: o CDS ressuscita o projecto de lei sobre
ADD apresentado em Janeiro de 2009 e consegue
negociá-lo com os deputados do PS e, talvez, com os
restantes partidos da oposição, nomeadamente o PSD.
Nesse caso, a solução poderia ser um pouco mais
rápida, mas demoraria sempre mais de dois meses,
provavelmente 3 meses.
Mas uma coisa é certa: o actual modelo tem os dias
contados. José Sócrates sabe isso. Está apenas a ganhar
tempo.
Imagem daqui
Notícias diárias de educação

92
O modelo actual de avaliação de desempenho… D
r
a
f
t

93
O futuro da ADD e do ECD está
apenas nas mãos dos partidos da
oposição. Governo insiste nos erros e
coloca-se à margem da solução

1. A leitura do capítulo sobre Educação do Pro-


grama do Governo permite concluir que o PS
insiste nos erros cometidos nos últimos quatro
anos e meio. O Programa do Governo parte de dois
equívocos:
i. O PS julga que o programa eleitoral foi sufragado
pelo Povo. Não foi. O Povo retirou-lhe a maioria abso-
luta. Na verdade, o que o Povo fez foi dizer: estamos
insatisfeitos com o modo como o PS governou e não
queremos dar a nossa concordância ao Programa Elei-
toral do PS mas, não havendo uma alternativa credível
para governar, queremos que o PS estabeleça con-
sensos com os partidos da oposição.
ii. O PS julga que os partidos da oposição vão violar o
Compromisso Educação que estabeleceram com os sin-
dicatos e movimentos de professores. Está enganado.

2. Ao insistir nos erros, o PS afasta-se da sol-


ução para os problemas da ADD e da divisão da
carreira. Isso significa que a pressão dos professores
deve dirigir-ase para quem tem a solução para os prob-
lemas. E quem tem a solução são os partidos da opo-
sição.

95
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
3. As propostas de lei do BE e do PCP para sus-
f
pensão da avaliação de desempenho e abolição
t
da divisão da carreira docente têm de ser discu-
tidas e aprovadas no Parlamento o mais
depressa possível. Sabemos que não vão ser promul-
gadas antes de Janeiro de 2010. Mas existe a probabili-
dade de essas propostas de lei serem aprovadas, na
generalidade, no Plenário, indo de seguida para dis-
cussão na Comissão Parlamentar da Educação.

4. A aprovação dessas propostas de lei na gen-


eralidade constituiria uma mensagem clara: o
actual modelo de ADD está morto, não vale a pena os
directores insistirem nele. Conduziria à suspensão efec-
tiva dos procediementos na maior parte das escolas.

5. Isso é possível e desejável. Na próxima


quarta.feira, pelas 10:30, o PSD promove um debate no
edifício novo da AR, com Santana Catilho (key speaker)
e com representantes dos professores: sindicatos e
movimentos. Mário Nogueira (Fenprof) e João Dias da
Silva (Fne) vão estar presentes. Os movimentos de pro-
fessores também se farão representar. Logo à tarde,
publicarei aqui as linhas gerais da intervenção de 30
minutos que Santana Castilho vai fazer.

6. O debate que o PSD vai fazer amanhã, em


torno da comunicação de 30 minutos de San-
tina Castilho, mostra o quanto aquele partido está
empenhado em fazer aprovar legislação que suspenda o
actual modelo de avaliação de desempenho e termine

96
O futuro da ADD e do ECD está apenas nas… D
r
a
com a divisão da carreira. Essa é uma questão central
f
no combate político de curto prazo.
t

Nota final: A pressão sobre os partidos da oposição


tem de fazer-se na blogosfera e na twittosfera. Os jor-
nais vão sendo tomados, um a um, por forças afectas ao
Governo. No dia 1 de Outubro, foi tomado o Público. A
independência dos media tradicionais face ao poder
político está quase no nível zero. Os media digitais
ganham importância no processo de denúncia e resis-
tência às arbitrariedades e injustiças. O Twitter é um
poderoso instrumento de difusão da informação. Esse
reconhecimento levou-me a colocar mais dois widgets
no blogue (a meio da barra lateral): uma caixa com a
minha lista de tweets favoritos sobre educação
e uma segunda caixa com a minha lista de
tweets favoritos sobre blogues e redes sociais.
Chamo a atenção dos leitores para essas duas caixas. A
informação que delas emana é quase inesgotável e vale
um pouco de atenção.
Notícias diárias de educação

97
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

98
As linhas gerais da proposta de lei do
BE para a avaliação de desempenho

O BE propõe uma avaliação anual às escolas e, aos pro-


fessores, só quando estiverem em vias de progressão na
carreira; a avaliação interna deverá ser validada por
uma externa, conduzida por uma equipa de especia-
listas e de membros da Inspecção-Geral de Educação.
Resultados escolares e quotas desaparecem do regime;
a observação de aulas pode manter-se a pedido dos
docentes.

Assim, no início de cada ano lectivo os órgãos de coor-


denação científica e pedagógica de cada escola define
os seus objectivos e no final do ano a sua auto-avaliação
será validada pela comissão externa. Os docentes serão
avaliados por uma comissão interna, criada em cada
agrupamento. Se o professor discordar da nota será
constituída uma “equipa arbitral”. Caso a avaliação seja
negativa, o docente terá de cumprir um plano de recu-
peração e no final ser sujeito a nova avaliação extraor-
dinária - aí ou transita ou a sua continuidade na car-
reira é questionada. O BE defende ainda a concessão de
“mais autonomia” às escolas em caso de avaliação posi-
tiva. Fonte: JN de 4/11/09
Comentário
1. Parece uma proposta equilibrada. No entanto,
parece-me mais prudente que os partidos da oposição
se unam em torno de um projecto de lei que se limite a

99
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
pôr fim ao actual modelo de avaliação de desempenho e
f
aprove as linhas gerais do novo modelo, remetendo
t
para o Governo, em negociação com os sindicatos, a
criação do regime jurídico onde constem os procedi-
mentos.

2. A proposta do BE não parece muito diferente


do Projecto de Lei do CDS. Nesta matéria, não será
difícil estabelecer consensos entre todos os partidos da
oposição. O Governo não tem possibilidade de garantir
a manutenção do actual modelo de avaliação de desem-
penho. Resta-lhe ganhar tempo e lançar cortinas de
fumo. O fim do actual modelo de ADD está próximo.
Foto: Floresta tropical do Sri Lanka
Para saber mais

• A proposta do BE

• Resumo da proposta do BE

• O texto do Projecto de Lei do BE

Notícias diárias de educação

100
As linhas gerais da proposta de lei do… D
r
a
f
t

101
Isabel Alçada hoje no Parlamento:
"tanto na ADD como no ECD não há
pontos que não se possam mudar"

«Tanto no sistema de avaliação como no Estatuto [da


Carreira Docente], duas faces da mesma realidade, não
há pontos que não se possam mudar», afirmou Isabel
Alçada à saída do final da primeira parte do debate do
programa do Governo, que decorreu hoje de manhã no
Parlamento.

Reconhecendo que a avaliação dos professores tem sido


um factor de «agitação», a ministra pretende criar «um
clima diferente», transformando a «polémica» em
«comunicação efectiva e diálogo». Fonte: Diário
Digital, 5/11/09
Comentário
1. O Governo fala a duas vozes? Por um lado o pri-
meiro ministro e o ministro dos assuntos parlamen-
tares a reafirmarem um discurso de confrontação e de
ameaça, firmes na recusa de alterações profundas ao
estatuto e ao modelo de avaliação. Por outro, o líder
parlamentar do PS, Francisco Assis, e a ministra da
educação, com um discurso de abertura à negociação
com os sindicatos e à mudança no ECD e na avaliação
de desempenho.

2. Eu quero acreditar que é o segundo discurso


e a segunda postura que vencem no braço-de-

103
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
ferro imposto por José Sócrates na questão da ava-
f
liação dos professores.
t

3. A solução é fácil e está à vista de todos. Pode


surgir de dois lados: ou dos partidos políticos da opo-
sição, com o recurso a iniciativas legislativas, ou do
Ministério da Educação, na sequência de negociações
com os sindicatos. Isabel Alçada abriu hoje a porta à
segunda. Ainda bem. Vamos esperar para ver.
Notícias diárias de educação

104
Mário Nogueira exige que escolas
avaliem docentes que não
entregaram objectivos

“Ninguém quer que se suspenda o que foi feito. O pri-


meiro-ministro diz que 48 mil professores já foram
avaliados. Pois nós exigimos que sejam avaliados todos
os cerca de 150 mil professores e educadores, mesmo
os que não entregaram os objectivos. Queremos é que
não se inicie o segundo ciclo avaliativo com este
modelo”, afirmou Nogueira, frisando que na “esmaga-
dora maioria das escolas todos os professores são ava-
liados e os que não foram por não ter entregue objec-
tivos estão a ser alvo de discriminação à luz da Consti-
tuição”. Nogueira exige ainda que as notas de Muito
Bom ou Excelente não permitam subir nas listas gradu-
adas para concurso.
Comentário
Não se compreende que os docentes que não entre-
garam os objectivos individuais não sejam objecto de
avaliação de desempenho. A maior parte dos directores
aceitou avaliar os docentes que não entregaram objec-
tivos individuais. Houve, no entanto, alguns directores
que fizeram o contrário. Como é evidente, os directores
que recusaram avaliar os docentes que não entregaram
objectivos individuais estão a exercer sobre eles uma
vingança mesquinha.

105
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Trata-se de retaliar contra a rebeldia. Esses directores
f
deviam ter vergonha na cara. Não têm e é pena. Não
t
merecem ser directores. O comportamento deles faz-
me lembrar a galeria de ditadores da fotografia que
ilustra o post.

A história

• Nogueira exige: avaliação para todos

Notícias diárias de educação

106
Mário Nogueira exige que escolas avaliem… D
r
a
f
t

107
Como ultrapassar a questão dos
efeitos do 1º ciclo de avaliação de
desempenho?

O que separa Isabel Alçada dos sindicatos não é a abo-


lição da divisão da carreira, mas sim a questão dos
efeitos das menções de mérito obtidas pelos docentes
que pediram assistência a aulas.

Os sindicatos exigem que as menções de mérito não


tenham efeitos para concursos e progressão na carreira
e querem que todos os docentes, incluindo os que não
entregaram objectivos individuais, sejam avaliados.

O JN oviu ex-responsáveis pela pasta da Educação e


recolheu os seguintes depoimentos:

Para Roberto Carneiro - ministro da Educação do XI


Governo constitucional, do actual Presidente da
República Cavaco Silva -, não há dúvidas de que “como
princípio, a avaliação é necessária, porque é preciso
premiar os melhores e punir os piores”. E o actual
modelo, com todas as falhas que lhe sejam apontáveis,
“teve o mérito” de procurar responder a essa necessi-
dade.

Por isso, defende, “a suspensão não deve acontecer até


haver um modelo melhor”. Caso contrário, alerta, a
consequência pode ser o vazio nesta matéria: “Temo

109
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
que com a suspensão se coloque a seguir a questão de
f
saber se a avaliação é ou não necessária”, adverte.
t

José Manuel Canavarro, secretário de Estado da


Administração Educativa durante o governo de San-
tana Lopes, defende que executivo e sindicatos têm de
fazer algumas cedências para que o processo de nego-
ciações seja levado a bom termo. Num debate que,
“nesta fase vai ser muito político e muito pouco téc-
nico”, José Manuel Canavarro refere que “está por
saber se se vai atacar os sintomas ou a causa da
doença”. Ou seja, se a discussão vai ficar pelo modelo
de avaliação dos professores ou se passará por aquilo
que define como “o mal de todos os males, o estatuto
da carreira docente”. Mas manifesta dúvidas: “Não sei
se a abertura do Governo e da ministra da Educação
chegarão aí”.

Quanto à suspensão da actual avaliação dos docentes, o


ex-secretário de Estado defende que “seria melhor neu-
tralizar os efeitos do modelo anterior” . Sobretudo há
que salvaguardar um princípio, sublinha: “Aquilo que
ficou para trás ou conta igual para todos ou não conta
para ninguém.”

Por aquilo que conheço de Isabel Alçada, estou em crer


que a opinião dela coincide com a de Roberto Carneiro:
quer pôr um fim à divisão da carreira e deseja o envol-
vimento dos sindicatos na construção de um modelo de
avaliação de desempenho menos burocrático e menos
arbitrário. Em vez de falar em suspensão, Isabel Alçada

110
Como ultrapassar a questão dos efeitos… D
r
a
vai querer deslocar o discurso para a construção de um
f
novo modelo que siga as últimas recomendações do
t
CCAP.

Há forma de ultrapassar aquilo que separa a ministra


da educação dos sindicatos? Julgo que sim. Os sindi-
catos devem exigir que a ministra da educação diga que
todos os docentes, incluindo os que não entregaram
objectivos individuais, têm de ser avaliados até
Dezembro. Dessa forma, seriam mitigadas algumas
injustiças provocadas pela confusão do primeiro ciclo
de avaliação.
Foto: Flores do Sri Lanka
A história

• Ex-ministros criticam insistência na sus-


pensão da avaliação

Notícias diárias de educação

111
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

112
CDS entrega na AR projecto de
diploma para suspender o actual
modelo de ADD e abolir a divisão da
carreira

O CDS entregou hoje, no Parlamento, um projecto de


diploma de suspensão do actual modelo de avaliação de
desempenho e um projecto de lei com modelo de ava-
liação de desempenho alternativo. Esse projecto visa a
criação de um modelo alternativo, inspirado no que
existe nas escolas particulares, e que coloca a avaliação
de desempenho nas mãos do conselho pedagógico e do
director.

O projecto de diploma, a ser aprovado, põe fim à


divisão da carreira em duas categorias. Além disso, o
projecto de resolução prevê a criação de uma comissão
arbitrária para resolver os conflitos surgidos no pri-
meiro ciclo de avaliação de desempenho.

Outra novidade do modelo previsto no projecto de lei


do CDS é o alargamento dos ciclos de avaliação e a inci-
dência da avaliação de desempenho com consequências
para a progressão no ano da transição.
Foto: Floresta tropical do Sri Lanka
Para saber mais

• O projecto de lei do CDS pode ser a solução

113
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
• O modelo de ADD do ensino particular pode
f
ser aplicado ao ensino público?
t

Notícias diárias de educação

114
A pedido de muitos colegas: "Projecto
de Lei do CDS sobre Avaliação de
Desempenho"

Ontem, o CDS entregou dois diplomas na Assembleia


da República: um projecto de resolução para suspender
o actual modelo de avaliação de professores e um pro-
jecto de lei com o quadro jurídico de uma avaliação de
desempenho alternativa inspirada no modelo em vigor
no ensino particular.

Não sei se a versão entregue ontem é igual à versão que


o CDS entregou no Parlamento em Janeiro de 2009.
Deixo aqui a versão de Janeiro de 2009. A que foi
entregue ontem não deve ser muito diferente. Logo que
esteja disponívl na Web a versão entregue ontem,
colocá-la-ei aqui.

Principais eixos do projecto de lei do CDS:

1. Aboliação da divisão da carreira

2. Avaliação de desempenho dos docentes a cargo do


Conselho Pedagógico e do Director.

3. Comissão arbitrária para resolver os conflitos sur-


gidos na sequência do primeiro ciclo de avaliação de
desempenho.

115
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
4. Possibilidade de reclamação e recurso da classifi-
f
cação atribuida ao docente.
t

5. Alargamento do ciclo de avaliação de desempenho.

6. Avaliação formativa anual.

7. Avaliação com classificação e efeitos na progressão


da carreira no ano de transição de escalão.
Notícias diárias de educação

116
CDS apresenta solução razoável para
a ADD e ECD. Modelo de avaliação
simplificado proposto ontem pelo
CDS na AR

O CDS entregou, ontem, na Assembleia da República,


uma proposta de resolução a suspender o actual
modelo de avaliação de desempenho e um projecto de
lei que cria um modelo simplificado assente em vários
pressupostos que me parecem correctos:

1. Quem avalia os docentes não são os colegas mas sim


os órgãos de direcção da escola: conselho pedagógico e
director.

2. A avaliação é feita com base num único documento


preenchido pelo docente e entregue no final do ano lec-
tivo.

3. O conselho pedagógico avalia exclusivamente as


competências científicas e pedagógicas dos docentes.

4. O director avalia a assiduidade e o cumprimento do


serviço lectivo.

5. Carreira docente única com a possibilidade de a


dado passo cada professor poder optar pela docência
com turmas ou pela supervisão sem divisão entre cate-
gorias.

117
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
6. Criação de comissão jurídica para resolver os con-
f
flitos criados no âmbito do primeiro ciclo de avaliação
t
de desempenho.

O projecto de lei do CDS bem como os projectos do


PCP, do BE e dos Verdes estão agendados para dis-
cussão pelo Plenário da Assembelia da República no
próximo dia 20 de Novembro.

Paulo Portas já fez saber que o CDS vai votar favoravel-


mente os projectos de lei apresentados pelos partidos
da oposição.

A divisão da carreira e o actual modelo de avaliação ter-


minam antes do Natal. Os partidos da oposição estão a
cumprir as promessas eleitorais e vão dar uma belís-
sima e merecida prenda de Natal aos professores.
Foto daqui
Notícias diárias de educação

118
CDS apresenta solução razoável para a… D
r
a
f
t

119
Assim, não! João Dias da Silva (Fne)
quer travar iniciativas dos partidos

João Dias da Silva defendeu àsaída da reunião no Min-


istério da Educação que os partidos políticos devem
parar com as iniciativas previstas no Parlamento para
suspender a avaliação. “Privilegiamos uma solução
dentro do quadro negocial que vai agora iniciar-se”,
disse, instando os partidos a “ficarem atentos”. O líder
da FNE estava muito optimista: “Esta reunião marcou
o início do fim da antiga avaliação e da divisão da car-
reira em duas categorias. Vamos construir rapidamente
um modelo novo”, afirmou, estimando que haverá nova
avaliação em “60 dias”.
Comentário
1. Esteve mal, João Dias da Silva. Pedir aos partidos
para travarem os pedidos de suspensão da avaliação de
desempenho? Errado! Foram essas iniciativas legisla-
tivas que fizeram o Governo recuar. Com os professores
desmobilizados e sem vontade de regressarem às ruas
de Lisboa, a esperança dos professores reside apenas
no cumprimentos das promessas eleitorais feitas pelo
BE, PCP, CDS e PSD.

2. Todos os partidos da oposição têm revelado respon-


sabilidade e firmeza. Têm feito um trabalho notável que
já está a dar frutos. Ao contrário do que João Dias da
Silva diz, os partidos da oposição devem manter todas
as iniciativas legislativas que visam suspender o actual

121
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
modelo de ADD e criar um modelo alternativo sem
f
divisão da carreira. E é já no dia 20 que esses projectos
t
vão ser discutidos no Plenário da Assembleia da
República.
Foto: Floresta tropical no Sri Lanka
A história

• Ministra promete nova avaliação

Notícias diárias de educação

122
Apede, PROmova e MUP olham com
desconfiança para as declarações de
ontem da ministra da educação

Enquanto os sindicatos fazem uma leitura optimista da


primeira reunião com a ministra da educação, acen-
tuando a abertura de Isabel Alçada para negociar o
estatuto da carreira e a avaliação de desempenho, os
movimentos independentes de professores criticam a
falta de clareza da ministra.

O PROmova chega mesmo a dizer que as reuniões de


ontem com os sindicatos e a conferência de imprensa
da ministra foram operações de charme que fazem lem-
brar um filme já visto.

Ao contrário dos sindicatos - que parecem satisfeitos


por ocuparem, de novo, o palco das negociações -, os
movimentos independentes colocam todas as esper-
anças nas mãos das iniciativas legislativas dos partidos
da oposição e na resistência dos professores nas
escolas.

Deixo os leitores com os links das tomadas de posição


dos movimentos:

• É fundamental que não fiquem nódoas ou


resíduos

123
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
• Reuniões de charme da ministra com os sin-
f
dicatos são cenas de filme já visto
t

• Negociações?

Notícias diárias de educação

124
Ainda é cedo para sorrir. Um texto
do Brandão sobre os resultados das
reuniões de ontem e a posição da Fne

Sobre o estranho pedido de João Dias da Silva (Fne)


aos partidos da oposição para não avançarem com as
iniciativas legislativas sobre avaliação de desempenho e
abolição da divisão da carreira, o colega Brandão
redigiu este oportuno texto:

É uma posição muito desastrada, a da FNE.

Sinceramente, não apreciei o contentamento excessivo.


O momento não é de descontrair, é de feições cerradas,
sorrisos só depois, quando as coisas estiverem no papel
devidamente assinadas.

Senão corre-se o risco de perder o controle da situação.

É certo que o Governo está numa situação difícil. Ele


deve querer provocar, para forçar eleições antecipadas
na esperança de obter maioria absoluta, a única forma
em que o Sócrates se sente bem a governar.

Mas a questão dos professores não deve ser a mais ade-


quada para esse fim. O Governo está demasiado isolado
e muito embrulhado.

Depois, até o Sócrates já deve ter percebido que as


chances eleitorais dele não darão mais para o que já
tem se não conseguir apaziguar os docentes.

125
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Tudo isto pode ser certo ou não. Mas o que importa é
f
que os professores estejam atentos e activos. Nos seus
t
sindicatos, na sua acção individual, nos seus movi-
mentos e nos seus blogs.

Evidentemente, a solução tem de ser encontrada na


base negocial entre os sindicatos (espera-se que em
Plataforma) e o Governo.

Mas se a AR puder fixar o quadro em que essas nego-


ciações podem decorrer porque, não? Até quando se
sabe que a opinião prevalecente na Assembleia reflecte
mais a vontado dos professores?

Não se compreende a posição da FNE.

Mas isso também pouco importa. Os partidos compro-


meteram-se foi com as professoras e os professores.

É perante estes que têm de respeitar o que livremente


assumiram.

Espera-se que o façam. Podem fazê-lo. Devem fazê-lo.


Não têm desculpas para o recusar.
Brandão
Foto: Flores do Sri Lanka
Notícias diárias de educação

126
Ainda é cedo para sorrir. Um texto do… D
r
a
f
t

127
João Dias da Silva (Fne) quer
solução que venha do processo
negocial com a ministra

“Já dissemos aos partidos da oposição que queremos


uma solução que resulte do processo negocial. Prefer-
imos uma solução no Ministério da Educação a uma
solução na Assembleia da República”, afirmou ontem
João Dias da Silva ao CM, mostrando-se esperançado
nas negociações com a ministra da Educação: “Vamos
construir rapidamente um modelo novo. A reunião
marcou o início do fim da avaliação.”

Comentário
1. Não sei como é que João Dias da Silva tem a certeza
de que das negociações com o ME podem vir soluções
mais rápidas do que do Parlamento. Que garantias tem
para dar de que isso é assim?

2. Que garantias é que a ministra da educação deu a


João Dias da Silva de que vai substituir rapidamente o
actual modelo de avaliação de desempenho e abolir a
divisão da carreira?

3. João Dias da Silva teve essas garantias da ministra


da educação? Se teve por que razão não as revela? Ou
será que não teve e tudo não passa de “wishfull
thinking”, uma enorme vontade de que seja assim,
embora não haja garantias de que seja mesmo?

129
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
4. Os projectos de lei dos partidos da oposição estão
f
agendados para debate no Parlamento nos dias 19 e 20
t
de Novembro. Todos os partidos da oposição se com-
prometeram publicamente em abolir a divisão da car-
reira e a suspender o actual modelo de avaliação de
desempenho. Como é que João Dias da Silva pode sus-
tentar que a solução mais rápida vem das negociações
com a ministra da educação?
Para saber mais

• João Dias da Silva quer travar iniciativas dos


partidos

Notícias diárias de educação

130
Tomada de posição da Apede e do
PROmova face aos resultados da
primeira reunião da ministra com os
sindicatos

No essencial, a APEDE subscreve e aplaude o texto dos


nossos colegas e amigos do PROmova, ao qual pouco
temos a acrescentar. Parece-nos, de facto, que anda a
ser cozinhado um caldo de “simpatia”, com trocas de
beijos e outras delicadezas, as quais podem alindar as
manchetes dos jornais mas pouco se traduzem em con-
quistas práticas e reais para os professores.

Há que dizer, de forma muito nítida: da parte dos sin-


dicatos, os professores desejam mais do que o deslum-
bramento de “aberturas ao diálogo” tão ambíguas
quanto inócuas.

Os professores querem a firmeza e a coerência necessá-


rias para se exigir do Ministério da Educação uma cele-
ridade de decisão à altura da urgência. Porque os pro-
fessores não podem esperar mais.

E o que está agora, em cima da mesa, é a exigência de


uma suspensão imediata da avaliação de desempenho.
E isso significa anular os efeitos das classificações
superiores a Bom e não penalizar os docentes que se
recusaram a participar na farsa do primeiro ciclo de
avaliação de desempenho.

131
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Para saber mais
f
t
• Uma questão de firmeza. O texto completo da
Apede

Notícias diárias de educação

132
Fenprof exige a não produção de
efeitos da atribuição, no primeiro
ciclo avaliativo, de Muito Bom e
Excelente, de imediato nos concursos
para contratação a realizar ainda
este ano lectivo

As primeiras reuniões dos sindicatos com a ministra,


ocorridas na passada terça-feira, estão a criar uma
chuva de interpretações diversas.

Os movimentos independentes de professores dizem


que tudo aquilo não passou de uma operação de
charme que encantou os sindicatos mas não trouxe
nada de palpável para as escolas e os professores.
A Fne embandeirou em arco e saiu da reunião com a
convicção absoluta de que o fim do actual modelo de
avaliação e da divisão da carreira estão para muito
breve e serão fruto do processo negocial que se inicia
na próxima semana. De tal forma João Dias da Silva
ficou entusiasmado com o discurso da ministra que
pediu aos partidos da oposição para ficarem vigilantes
mas não avançarem com as iniciativas legislativas de
suspensão do actual modelo de ADD.

A Fenprof saiu da reunião moderadamente optimista,


remetendo para a reunião da próxima semana uma
conclusão mais definitiva sobre a postura da ministra.
A Fenprof aposta no processo negocial mas pede aos

133
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
partidos políticos que mantenham as iniciativas legisla-
f
tivas e aos professores que se mantenham vigilantes.
t
A Fenprof exige a suspensão do actual modelo de ava-
liação e a sua substituição por outro menos burocrático
e que resulte das iniciativas parlamentares da opo-
sição e do processo de negociação com os sindicatos. O
entendimento que a Fenprof tem da suspensão dos
efeitos do primeiro ciclo avaliativo é a seguinte:

a) Encerramento do primeiro ciclo avaliativo, sendo


garantida a avaliação de todos os docentes, indepen-
dentemente de terem apresentado proposta de objec-
tivos individuais;

b) Não produção de efeitos da atribuição, no primeiro


ciclo avaliativo, de Muito Bom e Excelente, de imediato
nos concursos para contratação a realizar ainda este
ano lectivo;

c) Não prosseguimento do segundo ciclo avaliativo,


ficando as escolas dispensadas de desenvolver os pro-
cedimentos a que estariam obrigadas caso este não
fosse suspenso.
Para saber mais

• Primeira reunião com a nova equipa ministerial

Notícias diárias de educação

134
Fenprof exige a não produção de efeitos… D
r
a
f
t

135
Para acabar de vez com esta ADD e
este ECD: 3 projectos de resolução e
3 projectos de lei

1. Não há fome que não dê em fartura. Neste momento,


já deram entrada no Parlamento três projectos de reso-
lução (PSD, CDS e PEV) e três projectos de lei (PCP, BE
e CDS) referentes à avaliação de desempenho e ao esta-
tuto da carreira docente.

2. Qual é a diferença entre um projecto de resolução e


um projecto de lei?

3. O primeiro entre em vigor logo que aprovado pelo


Plenário da Assembleia da República mas só tem força
de recomendação. O Governo pode optar pela recusa da
recomendação assumindo os custos políticos de
afrontar o Parlamento.

4. O segundo tem força de lei mas precisa de ser apro-


vado pelo Plenário e depois pela comissão da especiali-
dade. Demora mais tempo a ter força de lei e obriga o
Governo a respeitar todo o articulado.

5. Os sindicatos preferem que o Parlamento aprove


projectos de resolução porque dessa forma ficam com
poder negocial para encontrar as soluções. O decreto-
lei ou o decreto regulamentar que vier a ser aprovado
pelo Governo para substituir o actual modelo de ava-
liação e alterar o estatuto da carreira terá o contributo

137
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
dos sindicatos na sequência do processo negocial. Se o
f
Parlamento aprovar leis que criem novos quadros jurí-
t
dicos para a avaliação e para o estatuto, os sindicatos
ficam com o poder negocial esvaziado. É neste quadro
que devem ser entendidas as palavras de João Dias da
Silva à saída da reunião com a ministra na passada
terça-feira.
Imagem daqui
Notícias diárias de educação

138
PSD e PS à beira de acordo sobre
avaliação de professores

Na sequência das reuniões da ministra da educação


com os sindicatos e da entrevista que deu a Judite de
Sousa, está em preparação um acordo entre o grupo
parlamentar do PSD e os deputados do PS tendo em
vista encontrar uma solução para a avaliação de desem-
penho e o estatuto da carreira docente que não con-
stitua uma derrota política para o Governo.

José Sócrates terá dado carta branca a Isabel Alçada


para resolver rapidamente a questão sem pôr em causa
os resultados do 1º ciclo de avaliação de desempenho. E
Isabel Alçada tem pressa em voltar uma página sobre
um assunto que provoca desgaste e prejudica a imagem
pública do Governo e do PS.

Pedro Duarte é o homem do PSD que está a desenhar o


acordo. Do lado do PS, está Francisco Assis. Ontem, o
PSD deu um passo na construção desse acordo ao apre-
sentar no Parlamento um projecto de resolução que
visa recomendar ao Governo a substituição, no prazo
de 30 dias, do actual modelo de avaliação por um
outro, menos burocrático e mais formativo. O projecto
de resolução do PSD recomenda ao Governo que os
docentes que não entregaram objectivos individuais
possam ser avaliados até Dezembro e faz a defesa da
abolição da divisão da carreira.

139
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
A construção está em marcha e retoma as recomenda-
f
ções de Junho do CCAP. Alexandre Ventura, secretário
t
de estado adjunto da educação, tem o dossier nas mãos.
Um primeiro esboço de modelo de avaliação será
entregue aos sindicatos para a semana.

Os movimentos independentes de professores reagiram


com críticas ao acordo entre o PSD e o PS e continuam
a insistir na tese da suspensão do actual modelo e revo-
gação dos efeitos das menções de Muito Bom e Exce-
lente.
Foto: Sri Lanka
Para saber mais

• A posição do PROmova: o erro crasso do PSD

• A posição da Apede: a ver vamos

• Parecer nº 2 de 19 de Junho do CCAP

Notícias diárias de educação

140
PSD e PS à beira de acordo sobre avaliação… D
r
a
f
t

141
Enquanto não se conhecem os
detalhes do novo modelo de ADD,
fique com estes recursos sobre
Supervisão e Avaliação de
Desempenho

Não restam dúvidas: o actual modelo de avaliação de


desempenho e os diplomas que o criaram - decreto reg-
ulamentar 2/2008, 1-A/2009 e 14/2009 - estão prestes
a ser substituídos por um diploma que, neste momento,
ainda ninguém conhece os contornos. É provável que o
novo modelo de avaliação de desempenho acolha as
recomendações nº 2 do CCAP, emitidas a 19 de Junho
de 2009. O projecto de resolução que o PSD entrrgou,
na sexta-feira passada, e que configura um acordo
explícito ou tácito com o PS, vai ajudar a conhecer
esses contornos.

O primeiro-ministro negou ontem a existência do


acordo com o PSD, mas eu não acredito nas palavras de
José Sócrates e tenho sobejas razões para não confiar
no que ele diz.

É quase certo que o novo modelo de avaliação de


desempenho será mais formativo e terá menor carga
burocrática. É provável que a avaliação da componente
científica e pedagógica da avaliação seja feita por ava-
liadores externos com formação acrescida em super-

143
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
visão e avaliação de desempenho. O projecto da Fne
f
defende isso.
t

Mas ainda é cedo para falar em detalhe daquilo que não


se conhece. Vamos esperar mais um pouco. Fiquem
com a leitura destes textos:

• Supervisão, avaliação e desenvolvimento pro-


fissional

• O papel dos coordenadores de departamento


na motivação dos colegas

Notícias diárias de educação

144
Entregar (ainda) a ficha de AA, ou
não?

1. Pelo que dizem, o DN transmite em correia o pensar


deste poder;
2. O DN publicou uma notícia – “Ficha de auto-ava-
liação permitirá ser classificado” – em que diz: “O
Ministério da Educação deverá viabilizar uma sol-
ução, para a avaliação de desempenho dos últimos
dois anos, que permita às escolas classificarem todos
os docentes que tenham entregue, pelo menos, as
fichas de auto-avaliação.É esta, soube o DN, a inter-
pretação que pode ser dada às declarações deste
sábado de Isabel Alçada, quando afirmou que “os pro-
fessores que entregaram elementos para a ava-
liação serão todos avaliados”.”
3. Apesar de ser a enésima vez que dou a minha
opinião (leitura da legislação), mantenho que:a) A Ava-
liação é um DIREITO;b) A Auto-avaliação é um
DEVER!Como é que recusando um DIREITO eu posso
estar obrigado aos DEVERES inerentes?Resumindo,
para mim não era obrigatória a entrega da ficha de
Auto-avaliação, se eu não queria ser avaliado, sofrendo
as consequências de tal decisão.A alínea do Estatuto
Disciplinar, que falava na Avaliação, não se prendia
com isto, mas com quem impedisse a Avaliação, que é
um Direito dos outros…Mas a lógica e os argumentos
servem para quê, quando a porrada é certa?

145
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
4. Como já não sou levado muito a sério, e
f
mesmo sabendo que vou levar nas orelhas,
t
arrisco a dar opinião, a quem nela quiser ponderar. a)
Se a porta se abrir, a quem não entregou a AA, façam-
no!b) São papéis que querem? Dão-se papéis! Quem é
que levou a AA a sério?c) Afinal não é só o Governo e a
Tutela que querem salvar a face, são todos os Partidos,
mesmo os do Compromisso Educação, são as Federa-
ções de Sindicatos, porque já todos concordam com a
não suspensão, mas com a substituição!d) Nesta bara-
funda de incoerências, de que serve fazer o papel de
mexilhão? E sabemos todos que há vidas complicadas
entre colegas, que não lhes permitem ser heróis, nem
consta que alguém vá erigir um Memorial.Claro que
isto não quer dizer, que quem quiser manter a
posição não a mantenha, mas dadas as circunstân-
cias, que fazem o homem/mulher…
5. Digamos que, como a Selecção que ganhou 1-0, só no
próximo jogo vai saber se atingiu os objectivos, nós
também ganhamos a 1ª parte (por 2-0), retir-
ando a maioria absoluta ao PS e “ganhando” o
reconhecimento da nulidade deste modelo de
ADD.
6. O futuro tê-lo-emos sempre salvaguardado,
por novas, ou renovadas circunstâncias…
Imagem: Leão feridoNotícias diárias de educação

146
Entregar (ainda) a ficha de AA, ou não? D
r
a
f
t

147
Projecto de Resolução do PSD:
principais recomendações ao
Governo

O blogue do MUP publicou há pouco o Projecto de


Resolução do PSD.

É um projecto de resolução sobre avaliação de desem-


penho e estatuto da carreira docente.

Um projecto de resolução entra imediatamente em


vigor, logo após aprovação no Plenário da AR, mas só
tem força de recomendação. Não tem força de lei.

Principais recomendações:
1. Evitar que haja professores prejudicados pelo 1º ciclo
de avaliação de desempenho devido a interpretações
diferentes da legislação. Todos os professores poderão
ser avaliados até Dezembro, independetemente de
terem ou não entregue objectivos individuais.
2. Fim da divisão da carreira. A categoria de professor
titular desaparece.
3. Avaliação de desempenho sem quotas.

4. Governo tem 30 dias para negociar com os sindicatos


um novo modelo de avaliação de desempenho.
5. A avaliação deve ter uma dimensão formativa e con-
tribuir para o desenvolvimento profissional e o apro-
fundamento da autonomia da escola.

149
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
6. A avaliação deve ser exequível e com o mínimo de
f
burocracia.
t
Notícias diárias de educação

150
Apede exige anulação dos efeitos do
1º ciclo avaliativo

A Apede publicou, ontem, duas tomadas de posição que


exigem a anulação dos efeitos do 1º ciclo avaliativo.

• Ricardo Silva levanta questões pertinentes

Concordam que os avaliadores, que não avaliarem nin-


guém, sem turma atribuída, venham a ser classificados
com muito bom e excelente só porque existem quotas
para o grupo dos avaliadores?

• Reafirmação dos nossos princípios

Não aceitamos que as classificações de muito bom e


excelente, arbitrariamente distribuídas e atribuídas no
quadro de um modelo incapaz de distinguir o mérito
docente, venham a ter efeitos na seriação futura dos
professores.
Não aceitamos qualquer penalização para os profes-
sores que se recusaram a participar na farsa da ava-
liação de desempenho.
Flores do Sri Lanka
Para saber mais

• No blogue Octávio Gonçalves: Ricardo Silva


coloca as questões pertinentes

Notícias diárias de educação

151
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

152
O modelo de avaliação de
desempenho que Alexandre Ventura
está a preparar

Alexandre Ventura, ex- presidente do CCAP e actual


secretário de estado adjunto da educação, tem em mãos
o dossier avaliação de desempenho. É ele que está a
preparar o esboço de modelo de ADD que a ministra da
educação apresentará aos sindicatos ao longo desta
semana.

A crer na última recomendação do CCAP - Recomen-


dação nº 2 de 19 de Junho - o novo modelo de ava-
liação de desempenho terá os seguintes contornos:

1. Os ciclos de avaliação serão alargados de forma a


coincidirem com os ciclos de progressão na carreira:
mínimo de 4 anos e máximo de 6 anos, consoante o
escalão em que o docente se encontra.

2. Os procedimentos de avaliação de desempenho


incidem sobre o ano de transição de escalão, ou seja o
último ano do ciclo.

3. Os avaliadores serão externos, voluntários e sujeitos


a prévia certificação em supervisão e avaliação de
desempenho.

4. A dimensão científica e pedagógica será reforçada. O


director avalia a assiduidade e o cumprimento do ser-

153
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
viço distribuído. Os avaliadores - com certificação em
f
supervisão e avaliação de desempenho - avaliam as
t
funções lectivas com base na observação de aulas e
análise dos materiais produzidos.

5. Redução da carga burocrática.

6. Fim das quotas para atribuição das menções de


mérito.

7. Abolição da divisão da carreira em duas categorias.

Não eram estas as exigências dos professores?

O que vão os sindicatos fazer? A Fne vai aceitar o


acordo porque o modelo é semelhante à proposta
desenvolvida por aquela federação de sindicatos. A
Fne, através do ISET, já está a preparar os cursos de
pós-graduação para os futuros avaliadores. Esses
cursos podem arrancar logo que haja acordo, ou seja
em Janeiro ou Fevereiro.
É provável que a Fenprof também assine o acordo. Os
sindicatos querem virar uma página sobre a questão da
ADD e do ECD para se concentrarem noutros prob-
lemas graves: cargas horárias excessivas, carga buroc-
rática sobre os professores, estatuto do aluno e altera-
ções ao modelo de gestão escolar.
Foto: Sri Lanka
Notícias diárias de educação

154
O modelo de avaliação de desempenho que… D
r
a
f
t

155
BE retira projecto de lei de avaliação
de desempenho a pretexto de dar
tempo para sindicatos negociarem
com a ministra

O BE acaba de retirar o projecto de lei de avaliação de


desempenho. Razão invocada: dar tempo aos sindicatos
para negociarem com a ministra da educação a substi-
tuição do actual modelo por outro.

O projecto de lei que o BE retirou da Assembleia da


República previa a criação de um sistema integrado de
avaliação de professores e de escolas a cargo de uma
comissão interna.

O projecto do BE insistia numa avaliação por pares e


estabelecia uma conexão entre a avaliação da escola e a
avaliação dos professores.

No dia 19 e 20 de Novembro, vão ser discutidos, no Ple-


nário da Assembleia da República, vários projectos de
lei e de resolução, entre eles um projecto do PSD que
deverá contar com os votos favoráveis do PS e será, por
isso, aprovado.

O projecto de recomendação do PSD dá ao Governo 30


dias para negociar com os sindicatos um novo modelo
de ADD que não tenha quotas nem se baseie na dis-
tinção entre professores titulares e não titulares. O
referido projecto de resolução recomenda ao Governo

157
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
que não haja penalizações para os professores que não
f
entregaram objectivos individuais.
t

Enquanto os projectos de lei carecem de discussão e


aprovação na comissão da especialidade, os projectos
de resolução entram imediatamente em vigor, embora
não tenham força de lei.
Foto: Flores do Sri Lanka
A história

• BE retira projecto de lei para novo modelo de


avaliação

• Projecto de resolução do PSD

Notícias diárias de educação

158
BE retira projecto de lei de avaliação… D
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t

159
Esclarecimento do deputado Pedro
Duarte sobre o projecto de resolução
do PSD/avaliação de desempenho

Na sequência do envio de um pedido de esclarecimento


por parte de Ilídio Trindade, editor do blogue MUP, o
deputado Pedro Duarte deu a seguinte resposta clarifi-
cadora:

“Caro Professor Ilídio Trindade

Agradeço o contacto e a oportunidade para esclarecer a


posição do PSD que alguns têm tentado distorcer.
O Projecto do PSD refere expressamente o prazo de 30
dias, após a sua aprovação para a extinção da divisão
da carreira em 2 categorias (entre professores titulares
e não titulares) e para a consagração de um novo
modelo de avaliação (também em 30 dias).

Nesse sentido, parece-nos óbvio que todos os procedi-


mentos relativos ao 2º ciclo avaliativo deverão ser ime-
diatamente suspensos. É uma questão de bom senso
que, certamente - no caso do Projecto do PSD ser apro-
vado -, os Directores e o próprio ME compreenderão.

De resto, no ponto 3 do nosso Projecto, prevê-se a


criação de um enquadramento transitório que garanta
que professores que não participaram no 1º ciclo ava-
liativo que agora termina (por exemplo, por não terem

161
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
entregue os objectivos individuais), não sejam penali-
f
zados na sua carreira.
t

Assim, nomeadamente com a possibilidade - já assu-


mida pela Ministra - de todos poderem entregar as
fichas de auto-avaliação, só não progredirá quem não
quiser.

O Projecto não refere explicitamente a “suspensão” do


actual modelo de avaliação. Na verdade, este Projecto
vai mais longe, prevendo que - no prazo de trinta dias -
haja uma substituição (logo, uma revogação e não uma
mera suspensão) do actual modelo.

Se se confirmar a ideia expressa pelo PM ontem de que


apoiará o projecto do PSD, tal significará uma grande
evolução do PS que deveremos saudar. E significará,
principalmente, o fim da divisão na carreira e a morte
do modelo de avaliação que ainda vigora (recordo que,
por enquanto, o PS nunca disse que era contra a divisão
na carreira e apenas falou em aperfeiçoamentos no
modelo, nunca falou num novo modelo…).

Será assim uma grande vitória da luta que os profes-


sores travaram nos últimos 2 anos. E a esse respeito,
penso que todos devemos estar gratos àqueles que
(como o meu amigo) lideraram, empenhada e entusias-
ticamente, essa luta.

Se o Projecto do PSD for aprovado, estão criadas todas


as condições para que a paz volte às nossas escolas e,

162
Esclarecimento do deputado Pedro Duarte… D
r
a
assim, nos concentremos na qualidade do ensino e nas
f
aprendizagens dos nossos alunos.
t

Para qualquer esclarecimento adicional, não hesite em


contactar-me”.
Pedro Duarte
Deputado do PSD
Notícias diárias de educação

163
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

164
CDS mantém projectos de resolução
sobre avaliação e estatuto da
carreira docente

O CDS mantém os projectos de resolução sobre ava-


liação de desempenho e sobre alterações ao estatuto da
carreira docente. Vão ser discutidos e votados, no Par-
lamento, nos dias 19 e 20 de Novembro. São projectos
de resolução e, por isso, não têm força de lei. Estes pro-
jectos constituem recomendações para o Governo ter
em conta nas negociações com os sindicatos.

O projecto sobre avaliação segue, em grande medida,


os princípios e procedimentos do modelo aplicado às
escolas particulares.

O projecto sobre estatuto da carreira docente põe fim à


divisão da carreira em duas categorias.

• O projecto de resolução do CDS sobre estatuto da


carreira docente

Principais alterações no ECD:

1. Estabeleça uma estrutura de carreira dos educadores


de infância e dos professores dos ensinos básico e
secundário, que se desenvolva em nove escalões, à qual,
para além da função docente, se possam associar fun-
ções de coordenação pedagógica escolar, como direcção
de turma, coordenação de directores de turma, coorde-

165
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
nação de projectos, ou outras coordenações previstas
f
no Regulamento Interno de Escola;
t

2. Considere na progressão da carreira docente, uma


diminuição do tempo de permanência em cada escalão,
em função de uma avaliação de Muito Bom ou Exce-
lente, no processo de avaliação do trabalho docente
associado ao exercício de funções de coordenação;

3. Considere na progressão da carreira docente, uma


bonificação do tempo de serviço para efeitos de pro-
gressão, em função da aquisição de formação especiali-
zada quer na área científica de leccionação, quer na
área de Ciências da Educação em domínios relacio-
nados com o desempenho de funções no Sistema Edu-
cativo;

4. Estabeleça o acesso à carreira docente aos candi-


datos com as habilitações profissionais para a docência,
através de uma prova de avaliação de índole peda-
gógica e didáctica na respectiva área de docência;

5. Estabeleça um período probatório correspondente ao


primeiro ano escolar no exercício efectivo de funções
na carreira docente;

6. Considere, decorrido o tempo de permanência esti-


pulado para o 7º escalão, a possibilidade do docente se
candidatar, a lugares abertos por concurso em cada
escola, ao prosseguimento da sua carreira, associando à
sua função docente, o exercício de funções de adminis-

166
CDS mantém projectos de resolução sobre… D
r
a
tração escolar, orientação educativa, organizaçao e
f
desenvolvimento curricular ou supervisão pedagógica;
t

7. Estabeleça, para esse percurso profissional, uma pro-


gressão vertical de três níveis;

8. Estabeleça para o acesso à candidatura a esse prosse-


guimento da carreira, a obrigatoriedade do candidato,
para além da apresentação do seu currículo profis-
sional, ser detentor de formação especializada nos
dominios da administração escolar, orientação educa-
tiva, organizaçao e desenvolvimento curricular, super-
visão pedagógica ou formação de formadores;

9. Estabeleça a possibilidade dos docentes que se


encontrem no 8º e 9º escalão da carreira docente,
poderem candidatar-se ao percurso profissional estabe-
lecido para funções docentes e de administração
escolar, orientação educativa, organizaçao e desenvol-
vimento curricular ou supervisão pedagógica, sempre
que se abram candidaturas em cada escola, sendo que,
no caso de se integrarem no referido percurso, o tempo
de permanência no escalão terá correspondência no
tempo estabelecido para o respectivo nível;

10. Estabeleça, como medida transitória, para os


docentes integrados na actual categoria de professor
titular uma integração no percurso definido em três
níveis, sem prejuízo de, gradualmente, obterem os
requisitos estabelecidos para o acesso a esse percurso, a
saber: formação especializada nos dominios da admin-

167
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
istração escolar, orientação educativa, organizaçao e
f
desenvolvimento curricular, supervisão pedagógica ou
t
formação de formadores;

11. Estabeleça para os docentes identificados no


número anterior, um período de dois anos para que
cada um dos docentes possa obter a formação solici-
tada, sendo que, no caso de incumprimento desse
requisito, o docente seja integrado no escalão corre-
spondente ao nível em que se encontrava, sem perda do
índice remuneratório;

12. Estabeleça na situação anterior de incumprimento e


para os docentes que se encontrem no nível III a corre-
spondência, para esse efeito, ao 9º escalão;

13. Estabeleça ainda, como medida transitória, para os


docentes integrados na actual categoria de professor,
mas a vencer pelos níveis 240 e 299 da anterior car-
reira, a sua integração no percurso definido em três
níveis, sem prejuízo de, gradualmente, obterem os
requisitos estabelecidos para o acesso a esse percurso, a
saber: formação especializada nos dominios da admin-
istração escolar, orientação educativa, organizaçao e
desenvolvimento curricular, supervisão pedagógica ou
formação de formadores;

14. Estabeleça igualmente para os docentes identifi-


cados no número anterior, o total cumprimento do esti-
pulado no ponto 11.

168
Projecto de resolução do CDS de
alteração ao estatuto da carreira
docente

1. Estabeleça uma estrutura de carreira dos educadores


de infância e dos professores dos ensinos básico e
secundário, que se desenvolva em nove escalões, à qual,
para além da função docente, se possam associar fun-
ções de coordenação pedagógica escolar, como direcção
de turma, coordenação de directores de turma, coorde-
nação de projectos, ou outras coordenações previstas
no Regulamento Interno de Escola;

2. Considere na progressão da carreira docente, uma


diminuição do tempo de permanência em cada escalão,
em função de uma avaliação de Muito Bom ou Exce-
lente, no processo de avaliação do trabalho docente
associado ao exercício de funções de coordenação;

3. Considere na progressão da carreira docente, uma


bonificação do tempo de serviço para efeitos de pro-
gressão, em função da aquisição de formação especiali-
zada quer na área científica de leccionação, quer na
área de Ciências da Educação em domínios relacio-
nados com o desempenho de funções no Sistema Edu-
cativo;

4. Estabeleça o acesso à carreira docente aos candi-


datos com as habilitações profissionais para a docência,

169
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
através de uma prova de avaliação de índole peda-
f
gógica e didáctica na respectiva área de docência;
t

5. Estabeleça um período probatório correspondente ao


primeiro ano escolar no exercício efectivo de funções
na carreira docente;

6. Considere, decorrido o tempo de permanência esti-


pulado para o 7º escalão, a possibilidade do docente se
candidatar, a lugares abertos por concurso em cada
escola, ao prosseguimento da sua carreira, associando à
sua função docente, o exercício de funções de adminis-
tração escolar, orientação educativa, organizaçao e
desenvolvimento curricular ou supervisão pedagógica;

7. Estabeleça, para esse percurso profissional, uma pro-


gressão vertical de três níveis;

8. Estabeleça para o acesso à candidatura a esse prosse-


guimento da carreira, a obrigatoriedade do candidato,
para além da apresentação do seu currículo profis-
sional, ser detentor de formação especializada nos
dominios da administração escolar, orientação educa-
tiva, organizaçao e desenvolvimento curricular, super-
visão pedagógica ou formação de formadores;

9. Estabeleça a possibilidade dos docentes que se


encontrem no 8º e 9º escalão da carreira docente,
poderem candidatar-se ao percurso profissional estabe-
lecido para funções docentes e de administração
escolar, orientação educativa, organizaçao e desenvol-

170
Projecto de resolução do CDS de alteração… D
r
a
vimento curricular ou supervisão pedagógica, sempre
f
que se abram candidaturas em cada escola, sendo que,
t
no caso de se integrarem no referido percurso, o tempo
de permanência no escalão terá correspondência no
tempo estabelecido para o respectivo nível;

10. Estabeleça, como medida transitória, para os


docentes integrados na actual categoria de professor
titular uma integração no percurso definido em três
níveis, sem prejuízo de, gradualmente, obterem os
requisitos estabelecidos para o acesso a esse percurso, a
saber: formação especializada nos dominios da admin-
istração escolar, orientação educativa, organizaçao e
desenvolvimento curricular, supervisão pedagógica ou
formação de formadores;

11. Estabeleça para os docentes identificados no


número anterior, um período de dois anos para que
cada um dos docentes possa obter a formação solici-
tada, sendo que, no caso de incumprimento desse
requisito, o docente seja integrado no escalão corre-
spondente ao nível em que se encontrava, sem perda do
índice remuneratório;

12. Estabeleça na situação anterior de incumprimento e


para os docentes que se encontrem no nível III a corre-
spondência, para esse efeito, ao 9º escalão;

13. Estabeleça ainda, como medida transitória, para os


docentes integrados na actual categoria de professor,
mas a vencer pelos níveis 240 e 299 da anterior car-

171
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
reira, a sua integração no percurso definido em três
f
níveis, sem prejuízo de, gradualmente, obterem os
t
requisitos estabelecidos para o acesso a esse percurso, a
saber: formação especializada nos dominios da admin-
istração escolar, orientação educativa, organizaçao e
desenvolvimento curricular, supervisão pedagógica ou
formação de formadores;

14. Estabeleça igualmente para os docentes identifi-


cados no número anterior, o total cumprimento do esti-
pulado no ponto 11.

Para saber mais

• O projecto de resolução do CDS de alteração


ao estatuto da carreira docente. Texto com-
pleto

Notícias diárias de educação

172
Projecto de resolução do CDS de alteração… D
r
a
f
t

173
O projecto de resolução do CDS sobre
avaliação de desempenho

1. Suspender o processo de avaliação até à publicação


de um novo regime de avaliação de desempenho
docente.

2. Recomendar que nas negociações entre o Governo e


os Sindicatos representativos do sector, seja acordado,
um novo regime de avaliação do pessoal docente, no
decorrer do 1º Período, do presente ano lectivo.

3. Determinar que essas negociações sejam estabele-


cidas dentro dos limites definidos no número seguinte.

4. A solução quadro não poderá deixar de considerar:


a) A promoção do desenvolvimento profissional dos
docentes num quadro de rigor que reconheça o mérito
e o a excelência na componente científico-pedagógica;
b) Uma avaliação simplificada, nomeadamente baseada
num documento único de auto-avaliação;
c) Um período de avaliação que não prejudique o
decurso normal do ano lectivo, a terminar no fim ano
lectivo com a consequente emissão do seu resultado
antes do início do ano lectivo subsequente;
d) A avaliação dos docentes hierarquizada centrada no
Conselho Pedagógico;
e) Um período de avaliação plurianual;

175
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f) O estabelecimento de um quadro de isenção da ava-
f
liação, para certas situações concretas;
t
g) Um sistema de arbitragem expedito para os
recursos;
h) A proibição do critério da classificação dos alunos
como um dos elementos da avaliação da classe docente.

5. Determinar que em sede de negociação seja estabele-


cido o final da divisão da carreira docente em Profes-
sores e Professores Titulares.

6. Estabelecer a preparação de todos os actos neces-


sários para início célere de um processo de formação
para os avaliadores e os avaliados.
Foto: Floresta tropical do Sri Lanka
Para saber mais

• O projecto de resolução do CDS: texto com-


pleto

Notícias diárias de educação

176
O projecto de resolução do CDS sobre avaliação… D
r
a
f
t

177
O projecto de lei 2/XXI do PCP sobre
avaliação de desempenho e estatuto
da carreira docente

O Grupo Parlamentar do PCP apresentou, no primeiro


dia de trabalhos da presente legislatura, o Projecto de
Lei n.º 2/XI, determinando a revisão do Estatuto da
Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores
do Ensino Básico e Secundário e estabelecendo as con-
dições para a realização dessa revisão. Este projecto
prevê a suspensão do regime de avaliação em curso e a
abertura de um processo de diálogo tendente à sua sub-
stituição por um outro sistema de avaliação que seja
razoável e que não represente um factor de desestabili-
zação do funcionamento das escolas, no quadro de uma
revisão do Estatuto da Carreira Docente que implique
também uma revisão dos critérios de elaboração de
horários e dos conteúdos das componentes lectiva e
não lectiva.

Para o PCP, a avaliação de professores deve:

a) Pressupor a eliminação da divisão da carreira e das


quotas;

a) Ser formativa e orientada para melhorar a qualidade


do desempenho;

179
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
b) Ser realizada entre pares e com o envolvimento dos
f
conselhos pedagógicos.
t

Notícias diárias de educação

180
A resposta e o esclarecimento do
deputado Pedro Duarte sobre o
projecto de resolução do PSD de
avaliação de desempenho

Exmo Sr. Deputado Pedro Duarte,

Sou professor(a) e, como tal, ouvi atentamente, durante


a campanha eleitoral, as propostas do PSD para a Edu-
cação, nomeadamente as que apontavam, de forma
determinada, para a suspensão do actual modelo de
avaliação e o fim da divisão da carreira docente. Essas
propostas condicionaram o voto de muitos professores
que se reviram nas posições assumidas pelo partido a
que pertence.

Fico surpreendido(a), se é que algo ainda me sur-


preende neste País, pelas notícias hoje vindas a público
e que dão conta de um possível recuo do PSD nestas
questões.

Assim, urge esclarecer os eleitores, nomeadamente os


Professores, sobre qual é efectivamente a vossa pos-
ição. A oposição tem maioria, mas…

Com os melhores cumprimentos,


Avelino Azevedo
Professor de Educação Física da
Escola Secundária/3 de Oliveira do Douro

181
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Resposta do deputado Pedro Duarte (PSD):
f
t
Agradeço o contacto e a oportunidade para esclarecer a
posição do PSD que alguns têm tentado distorcer.

Assim, segue em anexo o Projecto de Resolução que o


PSD entregou no Parlamento.

Aí se defende, designadamente:
1. A alteração do Estatuto da Carreira Docente, no
prazo de 30 dias, designadamente, para extinguir a
divisão da mesma em 2 categorias (entre professores
titulares e não titulares);
2. Consagração de um novo modelo de avaliação,
também em 30 dias, radicalmente diferente do que está
ainda em vigor;
3. Criação de um enquadramento transitório que
garanta que professores que não participaram no 1º
ciclo avaliativo que agora termina (por exemplo, por
não terem entregue os objectivos individuais), não
sejam penalizados na sua carreira.

O Projecto não refere explicitamente a “suspensão” do


actual modelo de avaliação. Na verdade, este Projecto
vai mais longe, prevendo que - no prazo de trinta dias –
haja uma substituição (logo, uma revogação e não uma
mera suspensão) do actual modelo.

Ou seja, o PSD propõe que se responda afirmativa-


mente às reivindicações legítimas e justas dos profes-
sores (e dos seus representantes, os sindicatos), garan-

182
A resposta e o esclarecimento do deputado… D
r
a
tindo-se que os professores serão avaliados já este ano
f
lectivo, com um novo modelo, mais justo.
t

Se o Projecto do PSD for aprovado, estão criadas todas


as condições para que a paz volte às nossas escolas e,
assim, nos concentremos na qualidade do ensino e nas
aprendizagens dos nossos alunos”.
Pedro Duarte
Deputado do PSD - Vice-Presidente do Grupo Parla-
mentar

Notícias diárias de educação

183
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

184
O ponto da situação da avaliação de
desempenho no dia em que o
Plenário da AR discute os projectos
de lei e de resolução

1. Hoje e amanhã, a avaliação de professores e o esta-


tuto da carreira docente ocupam o espaço central da
política. O Parlamento discute os projectos de reso-
lução e os projectos de lei sobre avaliação de desem-
penho e estatuto da carreira docente.

2. O PS diz agora que só vota favoravelmente o projecto


de resolução do PSD caso este partido se comprometa a
chumbar os projectos apresentados pelo BE, PCP,
Verdes e CDS. A chantagem do PS sobre o PSD está ao
nível daquilo a que os socialistas nos habituaram desde
que se deixaram comandar por José Sócrates: um nível
baixo.

3. O CDS diz que mantém o projecto de resolução que


recomenda a suspensão do actual modelo de avaliação
e aponta para a criação de um modelo inspirado no sis-
tema em vigor nas escolas particulares. O BE retirou o
projecto de lei sobre avaliação de desempenho a pre-
texto de dar espaço às negociações da ministra com os
sindicatos.

4. O PCP afirmou que mantém a intenção de prosseguir


com a discussão e votação do seu projecto. Relembro

185
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
que o projecto do PCP aponta para a suspensão do
f
actual modelo e a anulação dos efeitos das menções de
t
mérito. Coisa que o PS não admite e que o PSD deixou
cair no seu projecto de resolução.

5. A ministra da educação quis antecipar-se às votações


no Parlamento e enviou, ontem, ao final da tarde, um
comunicado para as escolas com instruções para que se
conclua rapidamente o 1º ciclo de avaliação e se avalie
todos os docentes, incluindo os que não entregaram os
objectivos individuais. Os directores adesivados
ficaram órfãos. Se tivessem vergonha na cara, pediriam
a demissão. Há muito que a perderam. E, como bons
adesivos, vão cumprir.

6. Ficam de fora da avaliação algumas centenas de pro-


fessores, talvez milhares, que se recusaram a entregar a
auto-avaliação. Foram os mais consequentes mas
também os mais imprudentes. Os sindicatos não ape-
laram ao boicote à entrega da ficha de auto-avaliação
porque sabiam que a auto-avaliação tinha carácter
obrigatório.Também não o fiz neste blogue. Deixei essa
questão à consciência de cada um e publiquei diversos
textos a acentuar a obrigatoriedade da entrega da ficha
de auto-avaliação.

7. Da leitura do comunicado da ministra conclui-se que


o Governo deseja encerrar rapidamente o 1º ciclo de
avaliação com o maior número possível de docentes
avaliados. Toda a gente sabe, incluindo o Governo, que
o 1º ciclo de avaliação foi uma farsa que agora precisa

186
O ponto da situação da avaliação de desempenho… D
r
a
de terminar em comédia. Por isso, está nas mãos dos
f
directores a aceitação de um qualquer documento que
t
se pareça com uma putativa ficha de auto-avaliação
ainda que entregue a um mês do encerramento do ciclo
avaliativo. Os directores que forem capazes de o fazer
mostram nobreza de carácter.

8. Restam os efeitos das menções de mérito. É possível


anular ou reduzir os efeitos das menções de mérito do
1º ciclo avaliativo em sede de alterações ao estatuto da
carreira docente.
Foto: Reserva Natural do Boquilobo
Notícias diárias de educação

187
Os projectos que o Parlamento
discute hoje e amanhã: o ponto da
situação

A Assembleia da República discute hoje oito diplomas


(cinco projectos de resolução e três projectos-lei) sobre
a avaliação dos professores e o estatuto da carreira
docente, quatro dos quais insistem na suspensão dos
modelos em vigor.

CDS, BE, PCP e Verdes pedem a suspensão da ava-


liação dos professores, enquanto o PSD recomenda ao
Governo que elabore, em 30 dias, um novo modelo de
avaliação e a extinção da divisão da carreira docente
entre as categorias hierarquizadas de “professor” e
“professor titular”.

No entanto, nenhum dos diplomas em discussão tem


aprovação garantida nas votações previstas para sexta-
feira, já que PS e PSD reservaram o seu sentido de voto
para depois do debate de hoje. Fonte: iOnline de
19/11/09

O CDS e o PCP tencionam levar os seus projectos até ao


fim, forçando uma votação. É praticamente certa a
rejeição desses projectos. O PS já disse que os vai
chumbar proque não admite a suspensão do 1º ciclo de
avaliação. O PSD não lhes dará voto favorável proque
conflituam com o projecto de resolução dos sociais

189
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
democratas. Quase certa é a aprovação do projecto de
f
resolução do PSD que dá 30 dias ao Governo para criar
t
novo modelo de avalição e recomenda a abolição da
divisão da carreira, dois requisitos que Isabel Alçada
aceitou.

O que é que os professores já alcançaram? O fim da


divisão da carreira em duas categorias - a principal
reivindicação e a causa de todos os malefícios - e a
garantia de que vai haver um modelo menos burocrá-
tico, mais formativo e que recorra a avaliadores certifi-
cados com formação pós-graduada em avaliação de
desempenho. Convenhamos que não foi pouco. Ainda
há 3 meses, Jorge Pedreira ameaçava com processos
disciplinares quem não entregasse objectivos individ-
uais. Ontem, a nova ministra ordenou às escolas que
avaliassem todos os professores, incluindo os que se
recusaram a entregar os objectivos individuais.
Para saber mais

• A posição da Fenprof

• A posição do PROmova sobre o comunicado


da ministra da educação

Notícias diárias de educação

190
Os projectos que o Parlamento discute… D
r
a
f
t

191
Um calendário negocial apertado
mas sem tabu. ADD, ECD,
aposentação, faltas e horários em
negociação

Depois de quatro anos e meio de imposição de legis-


lação sem verdadeira negociação, chegou finalmente a
hora de discutir tudo. Sem tabus. Da avaliação de
desempenho e estatuto da carreira aos horários, regime
de faltas e regras de aposentação. Só falta o estatuto do
aluno. Essa questão ficará para 2010.

A ministra da educação não tem menos pressa do que


os professores na correcção da “revolução educativa”
feita por Maria de Lurdes Rodrigues . Uma “revolução”
feita contra os professores, o bom senso e a realidade.

Não se espere ouvir da boca de Isabel Alçada uma


crítica à sua antecessora. Educada, Isabel Alçada, não
cairá na tentação de criar um bode expiatório. Mas o
que conta são as acções. E a nova ministra inaugurou
não apenas um estilo diferente - mais humano e dialo-
gante - mas também novas políticas. Abriu um ciclo de
correcção dos erros e excessos da “revolução educativa”
imposta por Maria de Lurdes Rodrigues contra tudo e
contra todos. As políticas educativas como instrumento
de engenharia social passaram à história.

193
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Erram os que dizem que Isabel Alçada é a Maria de
f
Lurdes com chá e simpatia. Há um mundo a separar a
t
anterior ministra da nova ministra. Isabel Alçada gosta
dos professores e partilha a cultura profissional dos
professores. Não tem contencioso com os professores.
Não é desconfiada. Reconhece que os professores estão
afogados em burocracia, em reuniões improdutivas e
em novas funções. Deseja contribuir para a solução.
Tem bom senso e pragmatismo. Conhece as escolas e
sabe que sem professores motivados não há melhoria
da qualidade de ensino.

A urgência desse contributo exigiu a fixação de um cal-


endário negocial apertado. Vai ser assim:

• Reuniões nos dias 25 e 30/11 para apresentação de


propostas de alteração ao ECD.

• Reuniões nos dias 9 e 14/12 para apresentação de


propostas de avaliação de desempenho

• Reuniões nos dias 23 e 28/12 para propostas de tran-


sição entre modelos de avaliação, horários, regime de
faltas e regras de aposentação.

• Reunião de 30/12 para análise e negociação das pro-


postas finais.

Em Janeiro ou Fevereiro, já deverá haver um novo ECD


e uma nova ADD. Será o tempo certo para recentrar o
debate educativo em torno do que realmente interessa:
estatuto do aluno, programas, exames, gestão escolar e

194
Um calendário negocial apertado mas sem… D
r
a
gestão pedagógica. O pesadelo da educação ao serviço
f
da engenharia social passou.
t
Notícias diárias de educação

195
PS vota contra projectos do CDS, BE,
Verdes e PCP e dá aval à aprovação
do projecto de resolução do PSD. A
leitura do colega Brandão

A síntese do debate parlamentar de hoje em torno dos


projectos de avaliação de desempenho foi feita por
Jorge Lacão, o ministro dos assuntos parlamentares:
“vejo coincidência entre os propósitos do Governo e o
projecto do PSD”.

O colega Brandão fez a seguinte leitura do debate de


hoje:

“O que se passou hoje na AR foi bom e foi mau.

Bom, porque ficou clara a aberração que o PS consid-


erava a maior perfeição e que contra tudo e todos
impôs com a prepotência da sua maioria absoluta.

Bom, porque o fim dessa coisa monstruosa ficou mais


perto.

Bom, porque se demonstrou que há partidos que


honram os seus compromissos.

Mau, porque é claro que o PS não reconhece nem se


desculpa por todo o mal que causou, a docentes, à
escola, ao país. O PS limita-se a tentar manobrar nas
novas condições políticas e parlamentares.

197
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Mau, porque uma outra vez um partido não cumpre
f
com o prometido, ainda há apenas alguns meses.
t

O PSD pode pensar que é um grande argumento dizer


que os outros estão agarrados a posições do passado,
enquanto só ele, PSD, actua nas actuais (ele e o PS, que
o acompanha, parece).

A verdade é que o programa eleitoral do PSD foi escrito


e apresentado vai para ai 2 meses.

E lá o compromisso é claro, “Suspensão”!

Um programa eleitoral é escrito para o futuro. Quando


o escreveu o PSD certamente que conhecia o ponto de
situação do chamado processo de avaliação, sabia qual
seria a sua evolução e o ponto em que estaríamos hoje.

E nem por isso hesitou: “Suspensão”, foi o prometido.

Agora, as palavras são outras, para tentar esconder o


que não pode negar: está a rasgar compromissos assu-
midos”.
Foto: Docklands, Londres
Brandão
Notícias diárias de educação

198
PS vota contra projectos do CDS, BE, Verdes… D
r
a
f
t

199
Governo tem 30 dias para criar novo
modelo de avaliação de desempenho

O projecto de resolução do PSD, aprovado ontem com a


abstenção do PS, entra imediatamente em vigor. Quais
as consequências da aprovação desse projecto dereso-
lução?

1. Tem apenas valor de recomendação. Dá ao Governo


30 dias para negociar co os sindicato

201
A proposta do ME apresentada
ontem aos sindicatos. Cinco medidas
aceitáveis e uma inaceitável

O que é aceitável:

1. Carreira única para educadores, professores do 1º, 2º


e 3º CEB e ensino secundário.

2. Carreira única sem divisão em categorias. A cate-


goria de titular desaparece.

3. Especialização funcional facultativa nos dois últimos


escalões para quem quiser desempenhar cargos de ori-
entação, supervisão, gestão da formação e avaliação,
acessível mediante candidatura aos docentes com for-
mação especializada.

4. Avaliação com observação de aulas para acesso aos


3º, 5º e 7º escalões.

5. A atribuição de funções de coordenação, orientação,


supervisão e avaliação estão reservadas aos docentes
posicionados a partir do 4º escalão, preferencialmente
dotados de formação especializada.

5. Selectividade no acesso à carreira através de apro-


vação em prova pública e avaliação do desempenho
durante o período probatório. A avaliação feita durante
o período probatório exige observação de aulas.

203
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
O que não é aceitável:
f
t
A fixação anual de vagas para acesso aos 3º, 5º e 7º
escalões. É quase certo que Alexandre Ventura vai
deixar cair o contingente para o 5º escalão. Não se jus-
tificam três contingentes. A proposta de três contin-
gentes visa criar espaço de manobra para a negociação.
Se os sindicatos forem firmes, é possível um recuo do
ME dos três contingentes para apenas um: no acesso ao
7º escalão.

Erram os que afirmam que esta proposta agrava as con-


dições de progressão na carreira. A negociação só
começou ontem. Vai estender-se até 30 de Dezembro.
O Governo está enfraquecido. O primeiro-ministro
acossado por casos judiciais e comportamentos no
mínimo duvidosos. Os partidos da oposição estão vigi-
lantes. Os sindicatos e os movimentos de professores
sabem o que os professores querem e o que não
aceitam. Eu estou moderadamente optimista.
Foto: O Muro de Berlim - Berliner Mauer - 1961-1989 -
gravado no chão da cidade
Para saber mais

• Proposta do ME apresentada ontem aos sin-


dicatos: Princípios da revisão do ECD e sua
articulação com a avaliação de desempenho

Notícias diárias de educação

204
A proposta do ME apresentada ontem aos… D
r
a
f
t

205
A questão dos contingentes divide
professores e pode custar-lhes o
apoio da opinião pública. A minha
posição

1. Foi há minutos que recebi um telefonema de um pai


de uma aluna, provavelmente membro de uma asso-
ciação de pais, que me perguntava por que razão os
professores se opunham aos contingentes. Afirmou ele:
“não há profissão onde todos tenham garantias de
atingir o topo da carreira e faz sentido que o Governo
recorra ao instrumento dos contingentes para poder
adaptar o aumento ou redução de vagas ao crescimento
ou redução do PIB”.

2. Não tive argumentos para o contrariar. Os contin-


gentes fazem sentido como instrumento de gestão dos
custos com o pessoal. Nenhum Governo pode dispensar
o recurso a esse instrumento. O que não parece justo,
por ser exagerado, é criar contingentes no acesso ao 3º
e ao 5º escalão. Mas pode justificar-se a criação de con-
tingentes para acesso ao 7º escalão.

3. Se os sindicatos deixarem de assinar um acordo com


o ME justificando com a oposição aos contingentes, os
professores perderão o apoio da opinião pública que
não compreenderá as razões da garantia dessa excep-
cionalidade. E o primeiro-ministro ganhará legitimi-
dade para os acusar de quererem aquilo que as outras

207
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
profissões não têm: a garantia de que todos chegam ao
f
topo da carreira.
t

4. Os sindicatos devem aceitar apenas a criação de con-


tingentes no acesso ao 7º escalão e têm de estar muito
atentos à definição de critérios para a alocação das
vagas pelo contingente. Essa alocação deve ser fruto de
negociações anuais entre os sindicatos e o ME, sendo
natural que as vagas reduzam em anos de PIB negativo
e cresçam em anos de PIB positivo.

5. Os intervenientes e a duração dos ciclos avaliativos


também devem preocupar os sindicatos. A minha pos-
ição é conhecida há muito. Vou resumi-la:

5.1. A componente de assiduidade e de verificação do


cumprimento do serviço distribuído deve estar a cargo
do director da escola.

5.2. A componente científica e pedagógica deve incluir


assistência a aulas e estar a cargo de dois interve-
nientes: um interveniente interno (o delegado de disci-
plina ou grupo, a restaurar na alteração ao decreto-lei
75/2008) e um interveniente externo. O interveniente
externo deve ser sempre um especialista na área disci-
plinar do avaliado e, sempre que possível, ter um dou-
toramento na área da especialidade. Para evitar a con-
taminação pelo eduquês, o interveniente externo não
deve ser doutorado em ciências da educação. Para ava-
liar os educadores e professores do 1º CEB, deve
recorrer-se a um pós-graduado (doutorado, de prefer-

208
A questão dos contingentes divide professores… D
r
a
ência) em educação de infância ou em educação
f
básica). Para avaliar os docentes dos 2º e 3º CEB e do
t
ensino secundário, deve recorrer-se a um doutorado na
respectiva área disciplinar do docente em avaliação.

5.3. Os ciclos de avaliação devem ter a duração de


quatro anos. As menções devem ficar reduzidas a três:
Regular, Bom e Muito Bom. Os escalões devem ser
todos de 4 anos e a carreira encurtada em dois ou três
anos.
Foto: Muro de Berlim. Restauro de 1600 metros do
Muro de Berlim por ocasião dos 20 anos da sua queda
Para saber mais

• A proposta do ME de alteração ao ECD

• A proposta da Fenprof

Notícias diárias de educação

209
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
f
t

210
Fechar os dossiers ECD e ADD para
recentrar o processo negocial no
estatuto do aluno, redução da carga
burocrática, horários sem cargas
excessivas e simplificação curricular

As questões que mais afectam a qualidade do ensino


não são, como é óbvio, o estatuto da carreira nem a
avaliação dos docentes. São o estatuto do aluno, a
perda da autoridade dos professores, o definhar da
gestão democrática, a carga burocrática, os horários de
trabalho com cargas excessivas, a formação contínua
fora de horas e aos sábados, dada por turboformadores
e vendilhões de receitas, e a complexidade curricular.

É preciso fechar as questões do ECD e da ADD para


começar a pensar, a negociar e a deliberar sobre os
problemas realmente importantes para a qualidade do
ensino.

E sobre isto pode não haver consensos e é provável que


a ministra da educação e a sua entourage se deixem
contaminar pelo poder difuso do eduquês. Aliás, o edu-
quês alimentou-se, nas duas últimas décadas, à custa
da crescente complexidade e dispersão curricular, tom-
ando de assalto a maioria dos grupos de trabalho e
comissões criadas pelas várias estruturas centrais e
regionais do Ministério da Educação. Onde o eduquês
cai, cresce a burocracia.

211
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
Para além da simplificação legislativa, revogando a
f
maior parte dos decretos-leis, decretos regulamentares,
t
portarias e despachos assinados por Maria de Lurdes
Rodrigues e Valter Lemos, é necessário proceder a uma
simplificação e concentração curricular. Desde logo,
eliminando as tangas curriculares que dão pelos nomes
de “estudo acompanhado”, “trabalho de projecto” e
“formação cívica”. Outra medida sensata será pôr fim
aos blocos de 90 minutos com o consequente regresso
às aulas de 50 minutos. E há disciplinas irrelevantes no
ensino secundário, nos Cef e nos cursos profissionais
que importa eliminar em benefício do fortalecimento
das cargas horárias das unidades curriculares funda-
mentais.

A lei que estabelece o estatuto do aluno tem de ser sub-


stituída por um diploma que se limite a restaurar a
autoridade dos professores dentro das salas de aula, a
dar instrumentos de acção aos directores das escolas
para travarem e reprimirem os comportamentos vio-
lentos, a linguagem imprópria na sala de aula e as
agressões verbais e físicas a professores e a alunos.

A gestão democrática tem de ser restaurada, permi-


tindo que as escolas optem por órgãos executivos cole-
giais ou unipessoais e criando um equilíbrio no con-
selho pedagógico entre membros designados pela
direcção executiva e membros eleitos pelos grupos dis-
ciplinares.

212
Fechar os dossiers ECD e ADD para recentrar… D
r
a
A acreditação dos cursos de formação contínua e espe-
f
cializada tem de ser mais exigente e rigorosa, imped-
t
indo os turboformadores e os vendilhões de receitas de
controlarem a oferta formativa.
Foto: Cúpula de vidro no Reichstag, Berlim, 2009

Notícias diárias de educação

213
A proposta da Fenprof para a
criação de novo modelo de avaliação
de desempenho

Para saber mais

• Proposta da Fenprof para um modelo de ava-


liação de desempenho

• Colectânea de Textos do ProfBlog: Bases para


um novo modelo de avaliação de desempenho

Notícias diárias de educação

215
Segunda ronda negocial é hoje. Só
por milagre pode haver acordo

- “Garantir níveis remuneratórios ajustados ao grau de


qualificação inicial exigida, revelando-se economica-
mente aliciante, e desde logo para os que entram na
profissão, o que, aliás, a FNE concretiza na proposta já
referida ao definir o índice 170 para início de carreira;

- permitir que os mais jovens possam mais rapida-


mente subir no início da escala salarial;

- determinar que o topo da carreira esteja acessível a


todos os docentes;

- garantir que se respeite, no mínimo, a paridade de


topo desta carreira com o da carreira técnica superior
da administração pública, não deixando de ter em linha
de conta o nível de formação inicial que se exige”.
Fonte: Resposta da Fne ao documento que o ME apre-
sentou em 25/11 sobre princípios e estrutura do ECD

A leitura do extracto do documento da Fne é suficiente


para concluir pela impossibilidade de um acordo entre
o ME e os sindicatos. O processo negocial não estará
concluído a 30/12, como exige o projecto de resolução
aprovado na AR, nem será assinado mais tarde.

Não é possível um acordo sobre um modelo de ava-


liação de desempenho que tenha consequências na pro-

217
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
gressão da carreira porque todos sabem, embora não o
f
admitam, que não é possível estabelecer correlações
t
entre avaliação e desempenho dos docentes.

Tão pouco é possível estabelecer correlações entre a


posse de diplomas de mestrado e de doutoramento ou a
colecção de cursos de especialização e desempenho
docente.

Conheço doutorados no ensino básico e secundário que


são pouco dedicados à escola e pouco empenhados na
profissão. Conheço licenciados no ensino básico e
secundário que são a trave-mestra da escola, excelentes
pedagogos e professores entusiasmados e dedicados.
Trinta e cinco anos de profissão docente ensinaram-me
que, regra geral, os “papa-diplomas” dedicam-se pouco
à escola e aos alunos. Que me desculpem os que fogem
à regra.

Ninguém quer admitir esta verdade: não é possível ava-


liar com justiça, eficácia e objectividade o desempenho
dos docentes. Todas as tentativas de criar e imple-
mentar modelos de avaliação docente têm o mesmo
resultado: aumentar a burocracia nas escolas, colocar
as escolas a trabalhar para dentro (em vez de trabal-
harem para os alunos) e aumentar os níveis de desmo-
tivação e de ressentimento dos professores.

Não há volta a dar. É impossível estabelecer acordos


sobre modelos de avaliação docente. Razão: nenhum
presta. E não servem para nada.

218
Segunda ronda negocial é hoje. Só por… D
r
a
Mas há modelos piores do que outros. Como a ideo-
f
logia da prestação de contas e da avaliação de desem-
t
penho cavou fundo na idiossincracia dos burocratas
europeus, os professores vão ter de “gramar” com um
modelo de avaliação. Que seja, então, o menos mau.

E o modelo menos mau aponta para: ciclos de avaliação


mais longos (4 anos), procedimentos de avaliação reali-
zados apenas no ano de mudança de escalão, avaliação
da assiduidade e cumprimento do serviço distribuído a
cargo do director e avaliação da componente científica
e pedagógica a cargo do conselho pedagógico e de um
supervisor externo à escola do avaliado com uma espe-
cialização na área do avaliado.

Se o Estado não tem dinheiro para assegurar uma edu-


cação de qualidade para todos, com professores bem
pagos, vale mais dizer a verdade. Mas que essa verdade
seja revelada para todos os casos e que não se arranjem
bodes expiatórios e se sacrifiquem sempre os mesmos.
Foto: Berlim, 2009
Actualização às 14:30
Resta ainda a questão do que fazer aos docentes que
não são capazes ou não querem corrigir os erros graves,
sejam no âmbito da relação pedagógica, cumprimento
do serviço distribuído ou da componente científica. Um
período probatório feito com rigor ajudaria a despistar
os casos mais graves. Para os professores posicionados
na carreira, e que revelam persistência de más práticas
graves, confirmadas pelo conselho pedagógico da

219
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
escola, há os serviços de inspecção, devendo ser dada
f
aos directores a possibilidade de requererem uma ava-
t
liação externa.

Notícias diárias de educação

220
Fne e Fenprof sairam das reuniões
com o ME satisfeitas com proposta
de simplificação da ADD. Post
actualizado às 18:45

Terminou ao final da manhã a reunião do ME com a


Fne. João Dias da Silva deixou a reunião satisfeito com
aquilo que diz ser a aproximação das posições do ME às
propostas da Fne e a existência de um verdadeiro
espírito negocial.

O ME manteve a intenção de criar contingentes para


acesso aos 3º, 5º e 7º escalões mas admitiu a passagem
automática aos docentes que forem avaliados com
Muito Bom e Excelente. Não se saber ao certo se não
existirão restrições administrativas às menções de
mérito. Se houver, significa a manutenção das quotas.
Se não houver, serão eliminados os entraves à pro-
gressão até ao topo da carreira.

O ME mantém os ciclos de avaliação de dois anos mas


está aberto à possibilidade de os alargar.

O processo de avaliação incidirá sobre um documento


de auto-avaliação do docente a apresentar no final de
cada ciclo.

221
Avaliação de desempenho docente: a génese… D
r
a
A duração de cada escalão será de quatro anos, com
f
excepção do 5º que será de dois anos, e a carreira terá a
t
duração de 34 anos.

Não houve aproximação face à prova de ingresso na


profissão: O ME insiste na prova e a Fne recusa.

Na próxima segunda-feira, a Fne entrega a Alexandre


Ventura um documento contributo. A Fne foi recebida
esta tarde.
Actualização às 18:40
A Fenprof, tal como a Fne, saiu da reunião satisfeita
mas reafirma a existência de pontos de desacordo.
Entre as divergências, a existência de uma espécie de
quotas - com outro nome - para as avaliações de mérito
e a proposta de contingentes para acesso a determi-
nados escalões.

A Fenprof gostou do modelo de avaliação apresentado


pelo ME: avaliação a cargo de uma comissão de três
docentes do Conselho Pedagógico e um relator do
grupo disciplinar do avaliado. A comissão de avaliação
do Conselho Pedagógico será dirigida pelo director da
escola. OME mantém ciclos avaliativos de dois anos
mas está aberto a alargá-los.

Uma nota pessoal: Parece-me que vamos ter o


excesso de burocracia de regresso às escolas com o
Director e uma dezena de professores imersos em
papéis, grelhas e relatórios. Se os ciclos avaliativos
forem de 2 anos, será o Inferno nas escolas. Mau de

222
Fne e Fenprof sairam das reuniões com… D
r
a
mais para ser verdade. Se os ciclos avaliativos forem de
f
quatro anos, já será mais exequível. A ver vamos.
t

Foto: Panda (mãe?) a pedido da filha da Celeste


Para saber mais

• Fne recebe com agrado proposta de simplifi-


cação daADD

• Fenprof saiu satisfeita da reunião mas diz


que ainda há divergências

Notícias diárias de educação

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Avaliação de desempenho docente: a génese… D
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