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Cálculo do Na e Nac

João Francisco Fernandes, ESTSetúbal/IPS


Introdução
• A contabilização das necessidades de energia para
preparação de Águas Quentes Sanitárias é uma das
novidades da nova versão do RCCTE;
• O limite máximo fixado para Nac corresponde à utilização de
um sistema bastante ineficiente (65% de rendimento médio
anual), mas haverá posteriormente outras exigências
práticas através da limitação das necessidades de energia
primária (Ntc), que impedirão o recurso a sistemas AQS
pouco eficientes a menos que o edifício propriamente dito,
bem como os seus sistemas energéticos de aquecimento e de
arrefecimento, tenham um desempenho muito bom, ou que
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haja sistemas de captação de energia renovável (colectores


solares…) adequados;
• Há ainda uma imposição regulamentar de instalar colectores
solares térmicos para produção de AQS nos novos edifícios e
nas reabilitações abrangidas pelo RCCTE.
Necessidades de Referência
para preparação de AQS
0,081 ⋅ Maqs ⋅ nd
Na = kWh/(m2.ano)
Ap
Maqs nd
Consumo
Habitação médio Consumo anual
Período de
diário por Ocupantes águas quentes
consumo
Ocupante (litros)
(litros)
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T0 e T1 2 29 200
Tipologia

T2 3 43 800
40 365
T3 ... ...
Tn n+1 (n+1) 14 600
Necessidades de Referência
para preparação de AQS
0,081 ⋅ Maqs ⋅ nd
Serviços Na = kWh/(m2.ano)
Ap
Utilização Número de Dias de Consumo Consumo
Consumo de AQS médio anual águas
dos Edifícios de Serviço
nd diário quentes
(litros) (litros)
permanente 365 36 500
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encerrado 1 dia por semana 313 31 300


100
encerrado 1,5 dias por semana 287 28 700
encerrado 2 dias por semana 261 26 100
Necessidades calculadas
para preparação de AQS
Nac =  a − Esolar − Eren  Ap
Q
kWh/(m2.ano)
 ηa 
Esolar - contribuição de colectores solares térmicos
Eren - contribuição de outras formas de energia renovável
Qa - energia útil dispendida com sistemas convencionais
Qa = (MAQS . 4187 . ∆T . nd) / (3.600.000)
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(kWh/ano)
∆T = 60ºC-15ºC
ηa - eficiência de conversão a partir da fonte primária de
energia
ηa) dos sistemas AQS
Eficiência (η
• A eficiência energética dos sistemas de preparação de AQS
pode corresponder a uma de três situações:
– O valor médio anual real, baseado na eficiência nominal
dos equipamentos efectivamente instalados, obtida por
ensaios normalizados;
– Um valor típico por tipologia de equipamento, conservador
(os valores reais de mercado serão normalmente
superiores), que consta do RCCTE;
– Na ausência de indicação de sistema instalado (ou a
instalar), usa-se o valor típico correspondente a um
sistema de defeito:
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• Esquentador a gás (η ηa = 50%), onde houver gás


natural ou GPL
ηa = 90%)
• Cilindro eléctrico, nos restantes casos (η
Nota: o esquentador a gás de referência (ηηa = 50%) tem uma
eficiência média inferior ao valor de 65% imposto pelo Na.
η a)
Eficiência média anual de referência (η
dos sistemas AQS
Eficiência de
Sistemas Convencionais de Produção de Águas Quentes Sanitárias
conversão ηa
com pelo menos 100 mm de isolamento térmico 0,95
Termoacumulador
com 50 a 100 mm de isolamento térmico 0,90
eléctrico
com menos de 50 mm de isolamento térmico 0,80
com pelo menos 100 mm de isolamento térmico 0,80
Termoacumulador
com 50 a 100 mm de isolamento térmico 0,75
a gás
com menos de 50 mm de isolamento térmico 0,70
com pelo menos 100 mm de isolamento térmico 0,87
Caldeira mural
com 50 a 100 mm de isolamento térmico 0,82
com acumulação
com menos de 50 mm de isolamento térmico 0,65
Esquentador a gás 0,50
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• Tubagem interior de água quente não isolada (e>10 mm) - 0,10


• Sistemas centralizados – valor justificado caso a caso e isolamentos
obrigatórios nos termos do RSECE (sistemas com mais de 25 kW de
potência instalada).
Equipamentos AQS
Termoacumulador eléctrico
Termoacumulador a gás
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Caldeira Mural a Gás (com controle de temperatura de saída da água)


Esquentador a Gás (sem controle de temperatura de saída da água)
Ficha Técnica dos Equipamentos
Exemplo: uma
caldeira mural
88% - médio anual
> valor de defeito
do RCCTE (82%)
É necessário utilizar valores credí-
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veis fornecidos pelos fabricantes na


base da normalização e legislação
vigente (inc. marcação CE).
Usar os valores de eficiência de defeito do RCCTE sub-avalia o
desempenho real – recomenda-se o uso de valores reais de catálogo.
Solar Obrigatório
Desde que haja cobertura com exposição solar
adequada:
COLECTORES OBRIGATÓRIOS!
Nos edifícios unifamiliares,
multi-familiares e de serviços.
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Sol
Exposição Solar Adequada
Altura
do Sol
SW
• uma cobertura em terraço;
• ou uma cobertura inclinada
SE com água cuja normal esteja
orientada numa gama de azi-
mutes de 90º entre Sudeste
e Sudoeste;
• As coberturas não deverão
ser sombreadas por obstá-
culos significativos no perío-
do que se inicia diariamente
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2h
duas horas depois do nascer
do Sol e termina duas horas
Na prática: não pode haver obstruções antes do ocaso.
com altura solar superior a cerca de
20º (este valor varia um pouco com a
latitude).
Solar Obrigatório
Esta área “nominal” pode ser
reduzida por forma a não
ultrapassar 50% da área de
cobertura disponível (não
sombreada e com a orientação
correcta)
Exemplo:
A regra das pessoas nominais resulta,
num edifício, em 80 m2 de colectores.
Caso 1: A cobertura a sul, não
sombreada, tem um total de 100 m2.
Conclusão: Só é exigível instalar uma
1m2 de Colector Solar por pessoa área de 50 m2 de colectores (mas pode
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“nominal” num edifício: instalar os 80 m2, ou mais, se


quiser…).
T0 e T1 – 2 pessoas Caso 2: A cobertura tem mais de 160
m2 de área a sul não sombreada:
T2 – 3 pessoas Tn – n+1 Conclusão: Têm que ser instalados, no
mínimo, os 80 m2 de colectores solares.
pessoas
Solar Obrigatório:
as dúvidas que não devem sê-lo
• A obrigação é de instalação de
colectores solares térmicos,
uma tecnologia bem
estabelecida;
• Não se trata de pré-instalação
de infra-estuturas, os colectores
têm de ser efectivamente
previstos em projecto (para
licenciamento) e montados no
edifício, para captação efectiva
e real de energia solar para AQS
(para emissão da licença de
utilização);
• A área de referência é
obrigatória, com as
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possibilidades referidas nas


perguntas/respostas da ADENE
Caracterização do Desempenho de
Colectores Solares Térmicos
• Faz-se de acordo com ensaios
segundo a norma EN 12975-2 em
laboratórios acreditados (p. ex.,
em Portugal, no LECS do INETI);
• O desempenho representa-se por
uma equação do tipo:
η = F ηο – F U (∆∆T / I)
em que:
∆T – Tágua – Tamb(ºC)
I - Int. da Rad. Solar (W/m2)
Exemplo:
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Rendimento Óptico (F ηο) 0,72


Coeficiente de Perdas (F U) 7,9 W/m2.ºC
• Estes parâmetros são necessários
para quantificar o desempenho
dos sistemas solares no software
SOLTERM.
A contabilização da energia captada
pelos colectores solares térmicos
• A contribuição da energia AQS dos colectores solares é
obrigatoriamente calculada com o programa SOLTERM.
É necessário saber
quantificar as características
técnicas dos componentes do
sistema solar térmico.
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Substituição dos Colectores Solares


Esta definição exclui, portanto:
Os colectores solares térmicos
podem ser substituídos por • substituição por quaisquer
outras renováveis que CAPTEM tecnologias eficientes mas não
A MESMA ENERGIA numa base baseadas em energias renováveis
anual, usada para AQS ou (ex.:, recuperadores de calor,
OUTROS FINS. bombas de calor, bombas de calor
solares “termodinâmicas”, bombas
de calor geotérmicas, micro-
cogeração, etc.);
• lareiras, salamandras, etc., pois
estes sistemas não “captam”
energia, utilizam biomassa.
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São alternativas aceitáveis, p. ex.:


• Geotermia
• Painéis fotovoltaicos
• Eólica
Utilização de Outras Renováveis para AQS
Q a
− E solar − E ren
η
=
a
N ac
A p
(kWh/m2.ano)
• Contribuição de qualquer fonte renovável que possa substituir os
colectores solares, mesmo que não seja utilizada para aquecer
AQS;
• Contribuição de qualquer renovável utilizada para aquecer AQS,
incluindo também a biomassa (além das aceites na alínea ante-
rior: fotovoltaico, geotermia, eólica, etc.);
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• Contribuição de recuperações de calor (de equipamentos – por


ex., “chillers” com recuperador – ou de fluidos residuais)
utilizadas para aquecer AQS.
• A quantificação dos valores inscritos em Eren, terá de ser sempre
justificada com base em método reconhecido pelo licenciador.
Tipologias de sistemas em
edifícios de habitação multifamiliar
• O RCCTE não impõe qualquer tipologia de sistema –
podem ser sistemas individuais ou colectivos,
servindo a totalidade das fracções ou apenas uma
parte;
• Por exemplo, se a área de cobertura for insuficiente
para cumprir a regra de 1 m2/pessoa, o projectista
pode optar por concentrar a área de colectores
disponíveis apenas para abastecimento de uma parte
do edifício;
• A quantificação do desempenho deve ser feita tendo
em consideração a configuração do sistema solar
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previsto ou instalado.
Exemplos de Tipologias de Sistemas
para Edifícios de Habitação Colectivos (I)
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Exemplos de Tipologias de Sistemas


para Edifícios de Habitação Colectivos (II)
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A contabilização da energia captada
pelos colectores solares térmicos
• Apesar de, para cumprir os requisitos do
RCCTE, poder ser instalado qualquer tipo de
colector solar térmico…
• Para poder contabilizar a energia captada no
termo Esolar da equação
Nac =  a − E  Ap
Q
 −E
 ηa
solar ren

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• Só é admissível o recurso a colectores certificados


(Marca CERTIF ou equivalente)…
• instalados por instaladores certificados…
• e desde que haja prova da existência de contrato de
manutenção durante 6 anos.
Colectores Solares em Edifícios não
Residenciais abrangidos pelo RCCTE
• O RCCTE exige, também para estes edifícios (ou
fracções autónomas), o recurso a colectores solares;
• O consumo de referência é fixado em 100 litros/dia,
mas os projectistas podem justificar outros valores
(incluindo um consumo AQS nulo);
• Como, para os edifícios de habitação, o consumo por
pessoa é de 40 litros/dia (a 65ºC), e este corresponde
a 1 m2 de colectores solares térmicos, o consumo de
AQS nos edifícios (ou FAs) de serviços é
correspondente a 2,5 m2 de colectores solares por cada
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100 litros diários (a 65ºC) de consumo;


• O sistema solar deve ser adequado a cada caso
concreto, mediante justificação adequada do consumo
realmente previsto para a Fracção Autónoma.