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TÉCNICA FESTIVAIS
Conheça o trabalho do stage manager, ou Em sua 12ª edição, o Festival Recife do Teatro
diretor de cena, o grande responsável pela Nacional promete movimentar os teatros e
sincronia do espetáculo espaços públicos da capital
Pág. 10 Pág. 17

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Uma publicação da Aver Editora - 15 a 30 de Novembro de 2009 - Ano I Nº 15 R$ 5,00

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Surgida de uma HISTÓRIA

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Reprodução

s i
iniciativa do

E
Governo do Estado,
a São Paulo Escola de
Teatro estreia com a
meta de ser a maior
a
instituição de ensino
de artes cênicas no
País, com 1.200
alunos, entre turmas
regulares e de difusão
cultural
Págs. 12 e 13
Os pouco mais
de cinco anos de
existência do Dzi
Croquettes foram
suficientes para
deixar a marca de
ousadia e renovação
Pág. 22

DANÇA
A Cisne Negro Cia. de Dança
mantém sucesso que sugiu a
partir da união de um grupo de
atletas com bailarinas clássicas
Im

Pág. 10
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ENTREVISTA
O trabalho de Renato Borghi é destaque
nas atuações, nos espetáculos que escreveu
e na história de luta e de resistência
Págs. 8 e 9
2 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

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Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
3
Editorial
Divulgação

Rio Grande
do Sul
Porto Alegre celebra o
Mesa Verde, novo festival
Movimento Teatral
de dança que reúne
grupos de Para quem é apaixonado pela história do teatro, os movimentos teatrais podem
diferentes estilos ser comparados com um grande conflito. Inicialmente, há uma tensão que só aca-
Pág 15
ba quando um líder – ou o representante de uma classe – toma uma atitude contra
algo ou alguém.
Formam-se alianças e os combatentes enfrentam todos que tentam se opor,
mesmo que isso cause baixas importantes, mas, no final sempre há um cenário
modificado.
Essa comparação metafórica quase infantil reflete apenas a importância dos
movimentos para que algo novo aconteça, mesmo que surja sob protestos e con-
tradições.
Ainda na história do teatro, sempre lamentei não ter acompanhado os mo-
vimentos que fizeram do teatro o que conheço agora. Aliás, diferente de outras
áreas da cultura como música, cinema, literatura ou artes plásticas, as artes cênicas
são as únicas que, por mais que se obtenham registros, a manifestação real da arte
não pode ser guardada. Neste ponto até defendo os grandes jornalistas de teatro,
que jogam na cara dos focas aventureiros que “mal viram Paulo Autran em cena”.
Índice Sim, infelizmente a nova geração de profissionais de teatro perdeu esta importante
oportunidade, mas, ao mesmo tempo, o resultado do trabalho destes grandes no-
mes formou a nova cena do teatro brasileiro, o movimento teatral atual.
Percebemos isso facilmente olhando para as páginas da edição 15 do Jornal de
TÉCNICA......................................................................6 Teatro. Renato Borghi é um homem à frente do seu tempo, tanto que um de seus
espetáculos acaba de ser adaptado e montado depois de décadas da primeira ence-
Stage Manager ou diretor de cena nação e ainda causa polêmica no público. Quando criou o Teatro Oficina, ao lado
Esse é o profissional que põe ordem no palco e é um dos de Zé Celso Martinez Correia, provavelmente não tinha noção de que o trabalho
realizado ali poderia ser considerado um movimento teatral. Neste mês completa-
principais responsáveis pela sincronia do espetáculo se dez anos da morte de Plínio Marcos, outro exemplo de pessoa que pagou que
disse, mas tinha quase como uma obrigação pessoal falar o que via e escrever sobre
situações camufladas na sociedade brasileira.
..................................8 e 9
ENTREVISTA...................................................... Por falar em ousadia, que delícia foi o nosso contato com o Dzi Croquettes.
Um trabalho de liberação, criatividade extrema, ou simplesmente liberdade artís-
Renato Borghi tica. O fato de o grupo ter durado apenas cinco anos isenta a responsabilidade de
O ator, produtor e diretor revela-se um apaixonado pelo teatro. chamá-los de movimento?
O nosso articulista convidado da edição é um coletivo, a Revista Bacante. Al-
Não é à toa que possui mais de 50 anos de carreira e facetas guns torcem o nariz para as críticas e polêmicas levantadas pelo grupo em seu site,
outros, como o Jornal de Teatro, acreditam que a simples discussão do tema já é
válida, bem-vinda e necessária. Pra quem conhece um pouco mais o grupo, perce-
SINDICAIS................................................................11 be a vontade o trabalho de cada um dos seus integrantes para entender esta lou-
cura que vai além dos espetáculos. Se há um risco de a crítica teatral perder força
1º Encontro dos SATEDs do Nordeste nas próximas décadas, jornalistas como os da Bacante desenvolvem na internet o
seu movimento teatral – de forma livre e democrática, como o meio que utilizam.
Fortaleza sediou, no dia 15 de outubro, a primeira reunião dos Talvez todos estes pensamentos tenham sido introdutórios para apresentar a
Sindicatos dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões nossa reportagem sobre a SP Escola de Teatro. Por que o surgimento de um novo
centro de formação poderia ser enquadrado no editorial sobre movimentos tea-
trais? Em um mesmo espaço, acontecerão cursos de diferentes especialidades den-
tro do teatro. Sendo assim, a possibilidade de um cenógrafo acompanhar o pro-
FESTIVAIS.................................................................17 cesso de um dramaturgo, ou o do iluminador criar um espetáculo com um clown,
Festival Recife do Teatro Nacional é muito grande. O mais importante, porém, deste novo centro de formação é que
o estudo da arte volta para um patamar democrático, diferente das grande escolas
A 12ª edição do evento terá 42 apresentações este ano, sendo presentes hoje no país com preços altíssimos e pouco retorno a curto prazo. Para
que 18 serão encenadas em espaços públicos descentralizados essa geração que “mal viu Paulo Autran em cena” é a possibilidade de não só fazer
parte de um movimento, mas criá-lo – como provavelmente acontecerá quando as
primeiras turmas saírem da escola e se lançarem pelos palcos do país.

POLÍTICA CULTURAL..................................................18
Companhia Brasileira de Ópera Rodrigoh Bueno
Maestro João Neschling, com apoio do MinC, anunciou a criação Editor do Jornal de Teatro
do projeto, que visa popularizar a música erudita em todo o País

Email Redação: Redação Rio de Janeiro: Rua General


redacao@jornaldeteatro.com.br Padilha, 134 - São Cristóvão - Rio de Janeiro (RJ).
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4 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

Bastidores
Fotos: Divulgação
GAMBIARRA
– “A” FESTA!
O evento preferido da
classe artística paulistana já
conquistou toda a cidade e
chegou arrasando nas edições
especiais que aconteceram no
Rio de Janeiro. A organização
ainda não divulgou o que está
programando para as festas de
fim de ano, mas promete que
as festas vão “lavar o que tem
que limpar”, como diz o hino
oficial da festa. Enquanto isso,
confira uns cliques da noite.
Alex Gruli e Edu Reyes Leilah Moreno

DJ Taiguara e Miro Rizzo Douglas Simon e Talita Castro Lucia Verissimo e Tuca Notarnicola

ESQUETES
BRAZIL FOUNDATION ABRE EDITAL FRINGE RECEBE INSCRIÇÕES ATÉ O DIA 30 DE NOVEMBRO
ANUAL PARA PROGRAMAS CULTURAIS Os grupos teatrais que quiserem participar do Fringe 2010, a mostra paralela do
A fundação recebe projetos até o dia 15 de dezembro deste ano. Para participar, Festival de Curitiba, devem inscrever seus projetos até o dia 30 de novembro, aces-
o proponente deverá encaminhar seu trabalho, demonstrando que ele se encaixa nos sando o regulamento disponível no site do evento (www.festivaldecuritiba.com.br).
requisitos do edital, isto é, que leve em conta a diversidade cultural e o resgate das Os inscritos serão selecionados por uma banca curadora, que avaliará o trabalho de
tradições locais. Mais informações: (21) 2532-3029. pesquisa teatral de cada grupo. Nesta edição, o evento contará com uma mudança
importante: os coletivos selecionados serão agrupados conforme estéticas parecidas
FUNARTE DIVULGA PROJETOS e cada sala teatral da cidade sediará uma determinada linha conceitual.
SELECIONADOS PARA OCUPAR SUAS SALAS EM SP
Ao todo, são cinco os projetos aprovados para ocupar os espaços da Funarte: COOPERATIVA PAULISTA PROMOVE MOSTRA CINE-TEATRO
“NuConcreto” (Cia. Circo Mínimo) e “Mostra Tatiana Belinky” (Grupo Luz e Ri- Entre os dias 19 e 25 de novembro, o Complexo Cultural Funarte recebe filmes
balta) na Sala Carlos Miranda; “A Mulher Que Ri” (Barracão Cultural) na Sala Renée que documentam a construção de espetáculos teatrais, além de cinebiografias de per-
Gumiel; “Que Amores São Esses” (Núcleo Cênico Projeto Bazar); e “As Aventuras sonalidades importantes para o teatro. A adaptação cinematográfica da peça “Barre-
de Pepino” (Cia. Rodamoinho) no Teatro de Arena Eugenio Kusnet. Cada um dos la”, de Plínio Marcos, e a documentação do processo de montagem de “O Balcão”,
coletivos receberá uma verba entre R$ 32 mil e R$ 54 mil para ocupar os espaços en- por Ruth Escobar e Victor García, são algumas das atrações. Mais informações: www.
tre os meses de novembro de 2009 a fevereiro de 2010. Os ingressos serão vendidos cineteatrobrasil.com.
a R$ 10, com desconto de 50% para a classe artística, estudantes e idosos.
TUSP ABRE INSCRIÇÕES PARA CIRCUITO DE TEATRO
BID CONCEDE DOAÇÕES A PROJETOS CULTURAIS Alunos e professores das escolas públicas de teatro em São Paulo poderão ins-
Projetos culturais que apoiarem o desenvolvimento social de suas comunidades crever seus projetos para o Circuito TUSP de Teatro, que tem como objetivo ocupar
poderão concorrer a financiamento de até 10 mil dólares. Por trás dessa ajuda está espaços nos campi da Universidade de São Paulo, tanto na capital quanto no interior.
o BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, que receberá as propostas de
custeio até o dia 31 de janeiro de 2010. As doações cobrirão projetos que estimulem COOPERATIVA PAULISTA DE TEATRO
atividades econômicas e sociais em comunidades de toda América Latina e Caribe. Os AVALIA PROJETOS PARA O 2º PRÊMIO CPT 2009
interessados devem enviar as propostas para as representações do banco. Os grupos que tiverem interesse em concorrer ao Prêmio CPT 2009 – 2º semestre
deverão enviar um e-mail para imprensa@cooperativadeteatro.com.br, anexando na
PROJETO A. TITO FILHO FOMENTA TEATRO NO PIAUÍ mensagem o release, serviço e a cidade de realização do espetáculo. O regulamento
Além do teatro, áreas como música, dança, cinema e fotografia, podem ser finan- pode ser encontrado no site www.cooperativadeteatro.com.br.
ciadas pelo Projeto A. Tito Filho, que tem como meta a exibição pública das obras
que forem contempladas com o programa.
CURSOS, OFICINAS E LEITURAS DRAMÁTICAS:
PREFEITURA DE SÃO PAULO RECEBE MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA SEDIA CICLO
INSCRIÇÕES PARA ARTE-EDUCADORES DE LEITURAS SOBRE HOMOEROTISMO
Até o dia 27 de novembro estarão abertas inscrições para artistas-orientadores e A 3ª edição do Dramática: Ciclo de Leituras Teatrais sobre Homoerotismo e Sexu-
coordenadores artístico-pedagógicos interessados em servir na Secretaria Municipal alidade, será apresentada entre os dias 19 e 21 de novembro. Entre os textos selecio-
de Cultura e nos CEUs nas áreas de teatro, artes visuais, dança e música. As inscrições nados estão “Les”, de Ronaldo Ventura, vencedor do Prêmio GLBT SID, do Ministé-
devem ser feitas no Depto de Expansão Cultural da Secretaria Municipal da Cultura, rio da Cultura. Entre os demais selecionados para as leituras estão “Restos de Cerveja
na Avenida São João, 473, das 14h00 às 18h00. em Copo Transparente”, de Sérgio Pires; “Neve”, de Luciano Mazza; e “À Beira do
Mar Aberto”, adaptação de Rodolfo Lima a partir da obra de Caio Fernando Abreu.
FESTIVAIS:
IPITANGA ABRE INSCRIÇÕES PARA O 5º FESTIVAL DE TEATRO CENTRO CULTURAL RUTH CARDOSO RECEBE
A cidade baiana estará com inscrições abertas até o dia 25 de novembro para OFICINA DE TEATRO RESTAURATIVO
grupos teatrais interessados em participar do 5º Festival Nacional Ipitanga de Teatro, Raul Araújo será o responsável pelo curso que pretende usar o teatro como forma
que ocorrerá entre os dias 14 e 30 de janeiro de 2010. Os grupos que participarem de recuperar os vínculos sociais em situações de conflito. A oficina dispõe de 20 vagas
do festival poderão concorrer a prêmios nas categorias de melhor espetáculo adulto; e o curso acontecerá nas noites de terças e quintas, de 1º de dezembro até 25 de feve-
infantil; de rua; além de diretor; ator; atriz; ator coadjuvante; atriz coadjuvante; reve- reiro de 2010. O projeto, que faz parte da Marcha Mundial pela Paz, recebe inscrições
lação; categoria especial; e espetáculo júri popular. até 25 de novembro, no Centro Cultural Ruth Cardoso, em São Paulo.
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
5
Bastidores

Fotos: Divulgação
ESQUETES FESTIVAL NO

Zeca Souza
MATO GROSSO COM
APRESENTAÇÕES
PARA TODOS OS
GOSTOS
CIA TRIPTAL Com uma programa-
PROMOVE OFICINA DE ção variada, o 17º Fes-
CRIAÇÃO COM TEXTO tival Mato-grossense de
DE PLÍNIO MARCOS Teatro chega à cidade de
Completando em 2009 Rondonópolis com apre-
uma década da morte do sentações de grupos de
dramaturgo Plínio Marcos, todo Estado. O palco da
a Companhia Triptal pro- Escola Estadual Daniel
move oficina sobre técnicas Martins de Moura recebe
de construção cênica. Os 13 companhias diferentes
interessados no curso po- que se revezam entre en-
derão acompanhar técnicas cenações infantis e adul-
de aquecimento e prepara- tas. Entre as apresentações
ção teatral por meio da en- destinadas às crianças, esta
cenação de “Dois Perdidos edição do evento conta
Numa Noite Suja”. Depois com a encenação de clás-
da apresentação, haverá de- sicos como “Os Saltim-
bates com os membros da bancos”, do Grupo Reve- Alfredo Tambeiro e Kleber Góes
companhia. As inscrições lação; e “O Gato Malhado
vão até o dia 25 de novem- ESPETÁCULO
e a Andorinha Sinhá”, do
bro e o curso será ministra- APONTOTCHEKHOV LEVA
Grupo Raio de Luz. Para
do no dia 1º de dezembro, PARA O PALCO A VIDA
o público adulto, a pro-
no Centro Cultural da Ju- DO ESCRITOR E
gramação fica por conta
ventude Ruth Cardoso. DRAMATURGO RUSSO,
de companhias como o
ANTON TCHEKHOV 
Grupo Téspis, com a peça
CAMPANHAS DE Encenado pelos atores Alfredo
“Tudo Parece um Sonho”.
INCENTIVO: “VÁ AO Tambeiro e Kleber Góes, a monta-
Além das peças que serão
TEATRO” CHEGA AO gem tem direção de Fernando Ne-
apresentadas entre 18 e 21
FIM EM DEZEMBRO ves e reinaugura o Teatro Cacilda
de novembro, a cidade irá
O incentivo governa- Becker, em São Paulo 
sediar, no último dia do
mental, que confere entra- No espetáculo, os atores inter-
festival, as eleições para
das para peças de teatro a pretam o Anton Techekhov e explo-
a nova diretoria da Fede-
preços populares, vale até o ram os seus conflitos profissionais,
ração Mato-grossense de
dia 13 de dezembro. Os in- suas relações com a família, a medi-
Teatro e a premiação das
gressos, vendidos na forma cina e a literatura, além de seu poder
peças vencedoras.
de vouchers, precisam ser Peça se apropria dos vários significados do corpo transformador na consciência cole-
solicitados com uma antece- tiva e na realidade russa da época.
dência mínima de um dia das PROGRAMA TEATRAL PARA Após a estréia no Cacilda Becker,
apresentações e trocados AS SEXTAS À MEIA NOITE! o espetáculo segue com temporada
por ingressos nas bilheterias Foi da dissecação à  reconstrução do corpo no Teatro Sesc Vila Mariana.
até 30 minutos antes do iní- feminino que os dramaturgos Adriana Azenha e
cio do espetáculo. Gerson Steves — também diretor do espetáculo
— criaram o texto de “A Bomba Anatômica”. 
FUNARTE PROMOVE Dividido em partes (como se divide o cor- DAS COISAS
NESSE ANO A 7ª po humano: cabeça, tronco e membros), a QUE VIVEMOS
CAMPANHA “TEATRO peça apropria-se dos vários significados que o “Depois de nove meses no
PARA TODOS” NO RIO corpo e suas partes podem ter para recons- Núcleo de Pesquisa “A cena como
Entre os dias 19 de no- truir novas ideias e pensamentos e, com isso, invenção” do Grupo XIX de Te-
vembro e 20 de dezembro, falar para além do corpo da mulher, tocar o atro, um grupo de atores tem um
a Funarte vai disponibilizar pensamento e até mesmo a alma.  entardecer para cumprir uma ur-
mais de 100 mil ingressos Trata-se de um exercício de atrizes (Tatia- gente tarefa: celebrar a vida ativa,
a preços populares para os na Alves e Valéria Espinhara) que dividem a potente, numa única cena! Para
cariocas. Ao todo, são 69 as cena o tempo todo, brincando entre si e com essa missão encontraram um lu-
peças contempladas com o o público. Por meio de um jogo permanente, gar perdido, uma casa em ruínas
benefício. Os interessados desfilam uma enorme variedade de pequenos onde a vida cria a si mesma em
podem adquirir os ingressos personagens que podem durar o tempo de cada ramo brotado das paredes.”
uma fala, uma palavra ou uma imagem.  “MARIA DELLA COSTA: UMA Com essas palavras, o elenco
em vários pontos de venda EMPRESA E SEUS SEGREDOS”
da cidade: no quiosque da Ci- Ou mais: como é o caso das três histórias composto pelos integrantes do
centrais da peça. Em “Cabeçuda, Fazedora e Foi lançado pela editora Perspec- núcleo convida o público para o
nelândia; nas filiais das Lojas tiva o livro “Maria Della Costa: uma
Americanas Express; postos Uma Mulher de Peito”, o público se depara espetáculo que acontece nos sá-
com mulheres vividas ciclotimicamente pelas empresa e seus segredos”, da histo- bados e domingos, às 18h, até o
BR; nos sites Infresso.com riadora Tânia Brandão. O texto eleva
e Americanas.com; e nos atrizes que, ao narrarem suas trajetórias, per- dia 20 de dezembro. O local é a
calços e pequenos dramas, arrancam da platéia a atriz ao posto de principal influên- Vila Maria Zélia. Para saber como
quiosques móveis que esta- cia na criação do teatro moderno bra-
rão distribuídos em vários pequenos sorrisos e lágrimas. chegar acesse: http://grupoxixde-
O espetáculo fica em cartaz no Teatro do Ator sileiro e pode ser adquirido nas prin- teatro.ato.br/
bairros do Rio de Janeiro. cipais livrarias do país. Atriz é elevada à grande influência
(Praça Roosevelt, 172 – SP) até 11 de dezembro.
6 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

Técnica

João Caldas / Divulgação

Divulgação
O espetáculo Miss-Saigon é um exemplo da criatividade necessária a um stage manager competente. Tuto Gonçalves, há seis anos na área, prevê o crescimento da profissão no Brasil

Colocando ordem no palco


O stage manager, ou diretor de cena, é considerado o principal responsável pela sincronia do espetáculo em todas as suas áreas

Por Pablo Ribera saber do que vai precisar”. já que sabe de tudo com relação tipo de situação que aconte- deve ser rápido, para que nin-
Tuto Gonçalves, stage ma- a estrutura, cenário, luzes, etc.” ce no palco, no camarim e até guém se dê conta que houve
Um espetáculo teatral pre- nager há seis anos, acredita que Durante a peça, este pro- mesmo na cabine de luz. Sabe um erro”, explica Leslie. “Ele
cisa ser perfeito aos olhos do o profissional é um elemento fissional também é importante quando cada ator deve entrar é necessário para que tudo
público. Não basta ter bons importante para os espetácu- para o andamento do espetácu- ou sair. Sabe onde está sua funcione bem, com 100% de
atores e atrizes, um grande di- los. “Ele organiza o palco, ve- lo. Segundo Leslie, ele muitas equipe. Se acontece, por exem- qualidade. É muito importante
retor e uma história fascinante. rifica a quantidade de pessoas vezes é essencial e até mesmo plo, de alguma coisa deixar de para quando se precisa escon-
Deve ser bem organizado, as que participam e quem deve o herói da apresentação. “O funcionar, o stage manager der um erro. Para que tudo seja
luzes precisam estar bem di- entrar ou sair, entre outras fun- stage manager resolve qualquer soluciona esse problema. Ele lindo e flua”.
recionadas, o som tem que ser ções. É um membro essencial”.
de qualidade e, no palco, é ne- O stage manager deve ser
cessária uma sincronia, seja na um profissional que saiba lidar ARTE DOS MÍNIMOS DETALHES Welligton Carvalho
atuação, no entra-e-sai de ato- com a organização de uma peça. Um dos destaques do circuito
res ou nos objetos que serão Ele é necessário para que a sin- teatral do ano, a peça “Rainha(s) –
utilizados. E para que tudo seja cronia do espetáculo não seja Duas Atrizes Em Busca de Um Cora-
realizado da forma certa, entra comprometida, tanto no palco ção”, da Companhia Livre de Teatro,
em cena o stage manager, pro- quanto atrás dele, nos bastido- foi muito bem recebida em todas as
fissional também chamado de res. “Deve deixar tudo no lugar cidades por onde passou. Além das
diretor de palco ou diretor de certo e com a pessoa certa. É interpretações de Georgette Fadel e
cena. Tais definições, porém, praticamente um relações pú- Isabel Teixeira, e da direção de Cibele
Forjaz, o espetáculo contou com uma
não são as mais adequadas. blicas da peça, já que faz toda a
ótima direção de palco. Por trás desse
“Na verdade, a denomi- parte de comunicação entre os trabalho está Elisete Jeremias, que
nação não é bem diretor, e profissionais”, diz Leslie. opera há mais de dez anos na área.
sim stage manager”, explica O stage manager, como A seguir, a diretora de palco revela ao
Leslie Pierce, stage manager disse Leslie, deve entender Jornal de Teatro alguns detalhes do Elisete Jeremias: “Na arena, os atores devem estar atentos a tudo”
mexicana radicada no Brasil um pouco de tudo. E ela cita seu trabalho:
e com grande experiência na exemplos: “Se a peruca que EJ – Eu comecei nessa área com a to e devem estar atentos a tudo: à
profissão. “Este profissional é um ator precisa usar para a Jornal de Teatro - Em que parte da peça “Cacilda I”, no Teatro Oficina. Isso iluminação, à música...
importante para coordenar to- peça não encaixar em sua ca- construção da peça “Rainha(s)” que foi no ano de 1998, mas dois anos an-
dos os componentes da peça, beça, o stage manager é cha- começou o seu trabalho de direção tes eu já trabalhava como atriz naquele JT - Existem bons profissionais para
sejam os atores e atrizes ou os mado para arranjar uma solu- de palco? Você esteve presente logo grupo. A partir de 2004, passei a traba- trabalhar nessa área no Brasil? Qual a
diretores técnicos e artísticos” ção. Também pode acontecer no começo, nas primeiras leituras, ou lhar com Cibele Forjaz, na montagem de formação deles?
Segundo Leslie, o stage ma- que a parte artística e a parte entrou depois? “Um Bonde Chamado Desejo” e, desde EJ – Existem ótimos diretores
nager deve saber de tudo um técnica do espetáculo não se Elisete Jeremias – Eu estive pre- então, tenho trabalhado com a Compa- de palco no Brasil. Conheci bons
pouco. “A pessoa deve conhe- entendam, não falem a mes- sente desde o primeiro dia dos en- nhia Livre de Teatro. profissionais dessa área em com-
cer a parte técnica, deve saber ma língua. O stage manager saios. Eu li o texto junto com as atrizes panhias como o Teatro da Vertigem
da peça, da história que ela surge, então, como articula- e presenciei as improvisações das JT - Construir essa proposta de direção e a Companhia de Atores. Cada um
conta e saber lidar com os pos- dor. Ou seja, ele acaba por ser cenas. A construção das personagens de palco em arena é mais difícil do que deles tem uma formação diferente
síveis problemas que podem o cérebro da companhia, tem foi feita pelas próprias intérpretes, em palco italiano? e acaba aprendendo a técnica da di-
acontecer. Ele deve participar que ter todas as informações, orientadas pela direção, mas eu ajudei EJ – Eu estou acostumada a tra- reção de palco no dia-a-dia. No fun-
de tudo, desde o primeiro en- saber lidar com as emoções e nas soluções de cena e na busca por balhar em palco de arena, porque já do, o teatro é uma atividade coletiva
saio, e saber o que cada profis- com todo o tipo de coisa”. efeitos no palco, como o sangue cê- comecei fazendo essa direção no Te- e todos os envolvidos na produção
nico que escorre nas apresentações, atro Oficina, onde não há coxias, por acabam tendo que ser um pouco de
sional faz, seja técnico de luz, Para Tuto, até mesmo sobre
por exemplo. exemplo. Os dois tipos de palco têm tudo, inclusive diretores de palco:
técnico de áudio ou camarei- montagem de palco o stage ma- dinâmicas muito diferentes. Na arena, não temos mais a figura do contra-
ra”, explica ela, que vai além: nager deve entender. “Pelo me- JT - Como começou o seu trabalho os atores precisam superar a timidez regra que fica atrás das coxias, es-
“Tem que conhecer até mesmo nos um pouco ele deve saber. com a direção de palco? de estarem expostos a todo o momen- perando o momento de agir.
os adereços que o ator usa para Ele tem um papel importante,
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
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Marketing Cultural

Comunicação aliada à cultura Divulgação

Grupo RBS garante apoio cos do Estado, valorizamos a


cadeia produtiva e a economia
a eventos culturais e da cultura”, ressalta Alice Ur-
genuinamente gaúchos bim, participante do Comitê
de Cultura do Grupo RBS e
Por Letícia Souza, responsável pelo apoio cultural
redação Porto Alegre dos espetáculos.
Seus mais de cinco mil co-
Empresa de comunicação laboradores também são bene-
multimídia, o Grupo RBS sem- ficiados com estas iniciativas.
pre foi sinônimo de tradição e O projeto “Vá ao Teatro” dis-
pioneirismo no Rio Grande do tribui ingressos de espetáculos
Sul e em Santa Catarina. Po- apoiados pelo Grupo aos seus
rém, há algum tempo, a afiliada funcionários, a fim de agregar
mais antiga da Rede Globo tem conhecimento e cultura às suas
se destacado em uma área ino- vidas. Aqueles que tiverem in-
vadora: a de apoio a projetos teresse em assistir determinada
culturais. Só em 2009, cerca de peça de teatro, devem procurar
55 espetáculos de teatro e de o setor responsável para rece-
dança contaram com o incen- berem, sem nenhum custo, o
tivo do Grupo RBS. acesso livre aos eventos.
O apoio institucional, Apesar de serem maioria
quando solicitado, destina-se no rol de atividades apoiadas
exclusivamente a peças tea- pelo Grupo RBS, o teatro e
trais com temporada de, no a dança não são os únicos a
mínimo, duas semanas e é contarem com o incentivo. O
concedido, apenas, para duas A peça “Homens de Perto” consolidou-se como um dos espetáculos mais apreciados pelos gaúchos Salão Jovem Artista, realizado
temporadas ao ano, indepen- de dois em dois anos, organiza
dentemente do número de atores ou equipe de produção). Nestor Monastério, e encena- ral bem diversificada, aliada a exposições em áreas de Porto
semanas. Assim, propicia não Um dos espetáculos mais ção de Zé Victor Castiel, Ro- um público exigente e apega- Alegre, como o Margs e a Usi-
só uma grande diversidade assistidos no Rio Grande do gério Beretta e Oscar Simch, do à espetáculos locais, o Rio na do Gasômetro, e de peças
de espetáculos, mas que novos Sul, e que contou com apoio tem como objetivo levar aos Grande do Sul orgulha-se de produzidas por novos talentos
talentos sejam descobertos. A institucional do Grupo RBS, palcos, de forma irreverente, as ver muitos atores, descobertos na área de artes plásticas. Ou-
divulgação das apresentações é o “Homens de Perto”. Ini- aflições masculinas para enten- nos palcos gaúchos, atuando tro projeto é conhecido como
aparece por meio de chamadas cialmente com a proposta de der as mulheres e os problemas em peças e emissoras pelo Bra- “Histórias Curtas”, que incen-
de apoio, com duração de 15 quebrar o paradigma de que do cotidiano. Atualmente em sil. “O objetivo é a formação tiva a produção audiovisual e
segundos, veiculadas na RBS- apresentações teatrais tratam turnê pelo Brasil, é sucesso de de plateia e reconhecimento teledramaturgia gaúcha, movi-
TV e na TVCom (este material apenas dos problemas femi- público e crítica. de talentos locais. Se trabalhar- mentando o mercado profis-
de divulgação é elaborado pelos ninos, a peça, com direção de Com uma produção cultu- mos com estes atores e técni- sional de artistas.
www.marcioreif f.com.br
Por Marcio Reif f
8 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

Entrevista

RENATO BORGHI:
A S V Á R I A S FA C E S D E U M A PA I XO N A D O P E LO T E AT R O
Por Liliane Ribeiro, redação Florianópolis
Consagrado no teatro brasileiro, Renato Borghi possui mais de 50 anos de carreira como ator – mas esta é apenas uma de
suas facetas artísticas. Além de produtor e diretor, seu trabalho como autor é encenado e adaptado todos os anos, como aconte-
ce em São Paulo com a montagem “A Loba de Ray-ban”. Apaixonado pelo teatro desde criança, Borghi foi um dos responsáveis
pela diversificação da cena teatral no Brasil e é um dos nomes presentes no início do Teatro Oficina, na década de 1960. Nos
anos de chumbo da ditadura militar, enfrentou a censura com suas “peças metafóricas”.
João Caldas

“Nós tivemos uma


grande luta com a
censura. O desafio
era encontrar uma
peça que fosse uma
metáfora, que estivesse
falando do Brasil
daquele momento,
com a plateia, mas,
ao mesmo tempo,
tinha que ser alguma
coisa que eles não
pudessem proibir. Foi
uma grande luta de
criatividade que tive-
mos naquele tempo
da ditadura.” Borghi em ação: atuação em várias áreas do teatro (como ator, produtor, diretor e dramaturgo) em mais de 50 anos de uma carreira vitoriosa

Jornal de Teatro – Você se tes da de ator? orquestra, mas, enquanto eu JT – Foi a sua estreia como o Oficina está lá. Conseguimos
formou em Direito e, logo de- ensaiava, estudava a voz com profissional? então, fazer nosso primeiro te-
pois, estreou profissionalmente RB – Bem, isso foi uma coisa a mãe da Nydia Lícia, que era RB – Foi a minha estreia no atro profissional, que começou
como ator. Chegou a exercer a meio por acaso. Eu cantava esposa do Sérgio Cardoso. Teatro Copacabana, no Rio em 1961.
profissão? Quando começou no teatro e a minha vizinha Eles tinham uma companhia de Janeiro. Tinha 20 anos. Aí
essa paixão pelo teatro? de cima ficava comovida. Um muito importante, que ocu- voltei para São Paulo para ter- JT – Você considera impor-
dia, ela me convidou para to- pava o teatro da Bela Vista, minar a faculdade e foi nessa tante que um artista passe por
Renato Borghi – Não exerci. A mar chá na casa dela (ela estava e estavam fazendo uma peça volta que, já no terceiro ano do outras funções dentro de um
paixão começou desde crian- com visitas) e eu fui lá cantar, que era um grande sucesso. curso de Direito, conheci o Zé espetáculo? De alguma forma,
ça. Eu fiz Direito assim como porque nunca tive muita ver- Minha professora, que era a Celso (Martinez Correa). Co- trabalhar como autor te fez um
quem espera uma oportunida- gonha na cara mesmo (risos). mãe da Nydia, falou: ‘Rena- meçamos a firmar uma afini- dramaturgo melhor ou vice-
de para fazer alguma atividade Quando terminei de cantar, to, porque a gente não vai se dade muito grande. Falávamos versa?
artística. Eu prometi à família tinha um homem lá que eu apresentar para a orquestra de teatro, discutíamos teatro,
que me formava, mas não che- não conhecia. Um homem im- para tentar o papel principal tínhamos reuniões sobre tea- RB – Não sei. Eu escrevo se-
guei a exercer. Quando surgiu portantíssimo, João Campo de da peça “Chá de Simpatia”, tro, etc. Até que ele escreveu guindo a inspiração. Escrevi
a primeira oportunidade para Magalhães, que foi o homem para o Rio de Janeiro, porque uma peça para o grupo amador umas cinco peças mais ou me-
fazer teatro eu aceitei. Termi- que lançou o Agnaldo Rayol o ator que faz em São Paulo Oficina. Escreveu a primeira, nos. Duas delas são muito pre-
nei a faculdade, me formei, e outros cantores. Ele falou: vai deixar o papel e abrir uma logo depois a segunda e nós fo- miadas: “O Lobo de Ray-ban”,
mas comecei a minha carreira você está contratado, amanhã firma de contabilidade.’ mos fazendo teatro amador até na versão masculina (agora está
artística muito cedo, com 20 esteja na boate Cave. Você vai terminar a faculdade. Quan- estreando a Loba) e “Decifra-
anos. ensaiar com a minha orquestra JT – E você foi? do terminamos, fizemos um me ou devoro-te”, que tam-
durante quatro meses e depois juramento de nos profissio- bém foi bastante premiada.
JT – É verdade que você quis vai gravar um disco na Phillips. RB – Fui e ganhei o teste entre nalizarmos. Conseguimos até Eu passo cerca de dez anos
seguir a carreira de cantor an- Aí comecei a ensaiar com a uns 50 candidatos. construir uma sede e até hoje sem escrever nada. Só escrevo
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
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Fotos: Divulgação
Entrevista

No início da carreira (esq.) e com o elenco de “O Jardim das Cerejeiras”, ao lado de Beth Goulart, Tonia Carrero e Ana Kutner, um dos vários sucessos de Borghi nos palcos

quando vem inspiração. a vida interior do teatro. Acho Mehler parece bastante sólida. do Brasil daquele momento, RB – Eu tive a impressão de que o
que é por isso que as pessoas Como é a relação de vocês? com a plateia, mas, ao mesmo público aceita maravilhosamente
JT – Falando em premiação, pensam que eu estou escreven- tempo, tinha que ser alguma bem. Mais do que a homossexua-
que importância você dá para do sobre a minha pessoa. RB – Nós trabalhamos muito. coisa que eles não pudessem lidade masculina, talvez porque a
os prêmios que ganhou? A Miriam foi contratada do proibir. Foi uma grande luta homossexualidade feminina seja
JT – Você contracenou com grupo Oficina durante muito de criatividade que tivemos na- uma coisa mais plástica, uma coi-
RB – Na época em que eu os sua sobrinha na peça “Cadela tempo, então nós fizemos vá- quele tempo da ditadura. sa mais bonita para o público.
ganhei, eles eram muito im- de Vison”, ano passado. Essa rias peças juntos como “Os
portantes, pois ganhei o prê- “veia teatral” existe em mais al- Pequenos Burgueses”, “Qua- JT – Você vê com otimismo JT – Mas a diferença é basica-
mio máximo da época, que era guém da família? Foi a primeira tro num Quarto” e, finalmente, a nova geração teatral, que já mente a inversão dos sexos?
o Moliére, e já havia ganhado vez que contracenaram juntos? um casal que fez um sucesso nasceu sem censura do Estado RB – A diferença é a seguinte:
dois antes, como ator. Então, já no teatro em “Andorra”, na e com apoio de determinadas eu fiz uma versão masculina e li
eram três prêmios Moliére: dois RB – Não. Eu acho que só eu qual interpretávamos um casal leis que não haviam no início para uma grande amiga na épo-
como ator e um como autor. e ela. Foi a primeira peça que romântico. de sua carreira? ca, a Dina Sfat. Ela gostou da
fizemos juntos. peça. Falou para mim que ado-
JT – Uma vez você falou que JT – Recentemente ela conce- RB – Eu vejo sim. Acho que raria fazer o papel do homem
as pessoas costumam pensar JT – Nesses 51 anos de carrei- deu uma entrevista ao Jornal de o teatro é imortal e continuará e perguntou se eu não poderia
que todas as suas obras se re- ra, qual o momento você con- Teatro e revelou que a censura sendo. Enxergo-o com otimis- escrever uma versão feminina.
ferem à sua vida pessoal, ou sidera o mais marcante? interrompeu um momento im- mo, com esperança. Pediu para que eu esquecesse a
seja, que você se inspira em sua portante que acontecia no Tea- masculina e montasse a femini-
vida para compor. Que tipo de RB – Foi quando fiz o “Rei da tro Brasileiro. Alguma peça sua JT – Está em cartaz, em São na. Logo depois que terminei de
semelhança as pessoas veem? Vela”, de Oswald de Andra- foi censurada? Paulo, “A Loba de Ray-ban”, escrever o lobo homem, come-
Por que pensam isso? de, com direção do Zé Celso adaptação de um texto seu. cei a escrever a loba mulher, por-
Martinez Correa. Acho que é RB – Várias, claro! Nós tive- Qual a diferença histórica desta que a Dina queria muito fazer,
RB – Mania. É porque eu es- o ponto que eu realmente me mos uma grande luta com a para a primeira montagem? O mas ela já estava com câncer e,
crevo sobre os bastidores de tornei um ator completo. censura. O desafio era encon- público aceita com mais facili- quando terminei o trabalho, ela
teatro, sobre a vida das pessoas trar uma peça que fosse uma dade as relações propostas na já não pôde mais fazer. A peça
de teatro. Escrevo muito sobre JT – A parceria com Miriam metáfora, que estivesse falando peça? ficou esses anos todos na gaveta.
10 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

Dança

Fotos: Divulgação
Além dos
corpos torneados
Cisne Negro Cia. De Dança: a companhia que
surgiu de um grupo de atletas e bailarinas clássicas
Espaetáculo “Abacadà” da Cisne Negro Cia. de Dança
Por Ive Andrade, redação São Paulo

Corpos torneados. Essas VOCAÇÃO


eram as únicas coisas em comum EDUCACIONAL
entre os alunos de educação de fí- Apesar de o Estúdio de Bal-
sica da Universidade de São Paulo let Cisne Negro, criado há quase
e as bailarinas clássicas do Estú- meio século, não ter relação direta
dio de Ballet Cisne Negro quan- com a companhia de dança ho-
do começaram a trabalhar juntos, mônima, o grupo também car-
em 1977. Na época, a criadora da rega a intenção educacional por
escola não tinha nenhuma inten- onde leva seus espetáculos. “Via-
ção de atuar com homens, muito jamos muito desde o começo da
menos com atletas que nada sa- companhia. E sempre que viaja-
biam sobre a arte. Ainda assim, mos procuramos escolas nesses
depois de algum tempo de resis- locais e damos aulas e workshops
tência, o desafio motivou Hulda para pessoas que, geralmente, não
Bittencourt, que criou, há mais têm de onde tirar essas informa-
de três décadas, a Cisne Negro ções. É um sucesso. As crianças
Companhia de Dança. adoram”, comemora Bittencourt.
“Eu nunca tinha trabalhado “Queremos sempre deixar algo
com rapazes. Foi difícil, ainda na cidade que visitamos”. A
mais porque cada um veio de ideia não é somente ensinar, mas
uma modalidade de esporte, sem despertar o interesse por dança
nenhuma experiência. Apesar da em novos públicos. “Queremos Beleza de movimentos e sincronismo são as marcas registradas da companhia, que privilegia o físico ideal
minha resistência, eles permane- atrair mais público para a dança.
ceram e, trabalhando com eles, Além de artistas, somos educado- Hoje, a Cisne Negro Cia. de
percebi que o estilo não poderia res também”, afirma. Dança tem em seu repertório 73
ser clássico. Eles tinham corpos espetáculos, incluindo seu último
belíssimos, cheios de saúde, mas SUCESSO trabalho, “Abacadà”, coreografa-
não sabiam nada de dança”, ex- CONTEMPORÂNEO do por Dany Bittencourt, com
plica a fundadora da companhia, E CLÁSSICO música de André Mehmari, que
ao falar sobre o estilo do grupo. Desde o início da compa- estreou no último dia 20, em
“Através de experimentações, nhia, as viagens para dentro e São Paulo. “Fazemos cerca de
movimentos naturais, percebi para fora do Brasil são cons- 70 a 90 apresentações por ano.
que o estilo moderno se encaixa- tantes, assim como as partici- Dançamos em qualquer lugar, da
va melhor”. pações de coreógrafos reno- Alemanha ao interior dos estados
Há 32 anos, quando começa- mados como Victor Navarro, brasileiros”, conta, com orgulho,
ram os trabalhos da companhia, Rui Moreira, Denise Namura e Bittencourt, ao falar sobre uma
esses 12 atletas foram os primei- Patrick Delcroix. “De repente, de suas obras premiadas, “O
ros homens do grupo. A filosofia começamos a receber diversos Quebra-Nozes”.
não mudou muito desde então. convites para dançar pelo Bra- “Fiz a coreografia de ‘O
Atualmente, o elenco oficial é sil e no exterior e a companhia Quebra-Nozes’ para um dos ani-
composto por 14 bailarinos, que cresceu muito”, conta. “Nos- versários da companhia. Foi uma
chegaram à companhia das mais so repertório é bem diversifi- surpresa muito grande quando
diversas formas: por seleções (que cado”, revela a fundadora do ganhei o APCA. Levei um susto
são feitas anualmente), indicações grupo, que preza pela varieda- quando me ligaram para avisar”.
ou por serem ex-alunas do Estú- de de artistas trabalhando nos O espetáculo, que está em car- A coreografia de “Quebra-Nozes” deu um prêmio a Dany Bittencourt
dio de Ballet, no caso das mulhe- espetáculos e rejeita a ideia de taz há 26 anos, tem música de
Tchaikovsky e será apresentado
res. “É claro que as meninas que
são da escola têm a oportunidade
ter um coreógrafo residente.
“As primeiras coreografias fo- em São Paulo, em dezembro. A SERVIÇO:
de fazer parte da companhia. Mas ram feitas por mim, mas mesmo seleção de bailarinos aconteceu
O premiado espetáculo, com coreografia original de Hulda Bitten-
temos gente do Brasil inteiro, o nessa época eu já convidei outros em meados deste ano e, desde
que me deixa muito orgulhosa”, coreógrafos. Nós não temos inte- então, os artistas têm trabalhado court, hoje responsável pela direção artística, entra em cartaz no dia
afirma Bittencourt, que, hoje, resse em ter coreógrafos residen- exclusivamente neste projeto. “É 10 de dezembro e segue até o dia 20. Este ano, o destaque fica para a
cuida da direção artística da com- tes. Para os bailarinos, trabalhar um clássico com elementos do ex-bailarina da Cisne Negro Companhia de Dança, Cintia Beranek, que
panhia. “A companhia até hoje com pessoas diferentes é enrique- contemporâneo, sempre faze- volta depois de oito anos como integrante do Cirque Du Soleil.
é formada por gente muito bem cedor”, justifica. Já no primeiro mos essa mistura de estilos. O
trabalhada, de dentro e de fora do ano do Cisne Negro, o grupo fez público gosta tanto do ‘O Que- Onde: Teatro Alfa, São Paulo
país. Fazemos um trabalho dife- três espetáculos, um deles coreo- bra Nozes’ porque ele quer so- Quanto: de R$ 50 a R$ 90
rente, graças à teimosia dos atle- grafado por uma das precursoras nhar”, acredita Bittencourt. “E Mais informações: www.teatroalfa.com.br
tas que começaram tudo isso e da da dança contemporânea brasilei- dança é justamente isso, dança é
ou  (11) 5693-4000  (11) 5693-4000  
minha ousadia.” ra, Penha de Souza. beleza”, conclui.
Jornal de Teatro 1º a 15 de Novembro de 2009
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Sindicais
Fotos: Divulgação

Integrantes dos SATEDs de todo o Nordeste se reuniram na capital cearense para debater o setor, trocar experiências, unificar e padronizar o órgão em todas as cidades da região

Fortaleza
sedia primeiro encontro de SATEDs do Nordeste
Questões de direito e maior fiscalização
norteiam as principais pautas do debate.
Próxima reunião acontece em janeiro de 2010

Divulgação
Por Dominique Belbenoit, contingente suficiente para rial (convenção coletiva) está
fiscalizar as produtoras cultu- previsto a todos os SATEDs
redação Brasília rais que não contratam devi- do Nordeste. Ele será firma-
A capital cearense rece- damente os artistas. Em ou- do com a FENAC (Federação
beu a primeira edição oficial tras palavras, a lei n°6533/78, Nacional de Cultura). “Pre-
do Encontro dos SATEDs que prevê maior fiscalização cisamos atualizar os salários,
do Nordeste (Sindicato dos dos espetáculos que circulam que variam muito de Estado
Artistas e Técnicos em Es- pelo Nordeste, não é respei- para Estado”, conta José Car-
petáculos de Diversões), no tada na maioria dos casos”, los N´gão.
dia 15 de outubro. O objeti- denuncia José Carlos. Para o organizador deste
vo do encontro foi discutir, O caso parece não se primeiro encontro e presi-
trocar experiências, unificar restringir somente ao Esta- dente do SATED-CE, Oscar
os SATEDs do Nordeste e do da Bahia. Ivonete Melo, Rôney, já houve várias tenta-
padronizar questões relativas presidente do SATED-PE, tivas de reunir SATEDs com
ao setor. Após sua criação, enfrenta o mesmo desca- demais entidades culturais
em julho deste ano, em Ala- so por parte do governo. do Nordeste, mas os resulta- A satisfação esteve no rosto de todos os participantes do encontro
goas, foi decidida a realização De acordo com ela, os sin- dos não foram satisfatórios
de um Fórum Permanente dicatos não têm poder para por causa do grande número
dos SATEDs do Nordeste, fiscalizar, mas o Ministério de envolvidos. “Foi melhor
num período quadrimestral, a do Trabalho também não começar com um grupo pe-
ser realizado em cada estado, cumpre com sua parte. “Por queno, ou seja, apenas com
consecutivamente.
A cada edição, o sindicato
conta dessa falta de interesse
por parte dos órgãos compe-
sindicatos. Vamos, futura-
mente, inserir outros gru-
O espetáculo continua aqui!
local recepcionará os demais tentes, estamos discutindo a pos, outras entidades nesses
com toda a infra-estrutura possibilidade de levar o caso encontros, mas cada coisa ao
necessária, ficando a cargo de ao Ministério Público”, con- seu tempo”, diz.
cada órgão as despesas relati- ta a presidente. Para ele, o fato de os sin-
vas ao deslocamento. O pró- Outro problema enfrenta- dicatos se comprometerem
ximo encontro já está agen- do pelos SATEDs Nordeste a participar dos encontros
dado para os dias 19 e 20 de é a dificuldade de enquadrar é de grande valia, pois cada
janeiro de 2010, em São Luís, algumas atividades técnicas troca de experiência pode Rua Martinho Prado, 212
no Maranhão. Nesta edição, no processo de regulamen- gerar caminhos para novas (esquina com a Augusta)
participaram representantes tação. Com o surgimento de soluções. “Criamos grupos Fone: 11 3256-5330
de cinco sindicatos. Quatro novas profissões, ficou difí- de trabalho e cada um deles
do Nordeste e um de Minas cil definir e, principalmente, ficou responsável por tratar
Gerais. São eles: Alagoas, garantir certos direitos. Por de determinado assunto. O
Bahia, Ceará, Pernambuco e isso, foi elaborada uma lista nosso sindicato ficou res-
Minas Gerais. das novas funções profis- ponsável por estudar meios
Segundo José Carlos sionais, surgidas a partir das de uniformizar o sistema ad-
N´gão, Secretário Geral do novas mídias, principalmente ministrativo, incluindo taxas
SATED-BA (Bahia), um dos na área de áudio visual, com e serviços. Outros ficaram
pontos culminantes das dis- as suas respectivas descri- de estudar os problemas re-
cussões nesse encontro foi a ções, para a construção de lativos ao direito autoral, que Rua Martinho Prado, 187
questão do descaso das medi- uma proposta de Atualização é um problema bastante fre- Fone: 11 3258-6673
das de fiscalização, que atual- do Quadro Anexo de Fun- qüente em todos os Estados.
mente são ineficientes. “Aqui ções do Decreto nº 82.385, No próximo encontro vamos
na Bahia a garantia dos direi- da Lei nº6.533/ 78. levar algumas propostas para
tos dos artistas e técnicos fica As atualizações, no en- solucionar e dar continuida-
a critério das delegacias de tanto, vão além do quadro de aos nossos projetos”, es-
trabalho. Elas alegam não ter de funções. Um acordo sala- clarece.
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
13
Reportagem

teatro do Brasil Ivam

Jarbas Homem de Mello


nicas, responsável pelo aprimoramento de 1200 alunos Cabral:
Fotos: divulgação
O desafio
de criar
Ivam: “Uma ideia inovadora e irá contribuir para pesquisas em teatro”
criadores
O ator Ivam Cabral é o a criação colaborativa: o drama- Grupo Parlapatões, Guilher-
fundador, junto de Rodolfo turgo também tem que traba- me Bonfanti, do Teatro da
García Vázquez, da Compa- lhar com atores, diretores e com Vertigem, e Raul Teixeira, do
nhia Os Satyros, estabeleci- todas as demais pessoas envol- CPT- Macunaíma.
da há quase uma década na vidas no processo de constru-
praça Roosevelt, no centro ção. O curso deverá prepará-lo JT – Quando começa o
de São Paulo. Ambos desen- para isso. Outro passo impor- curso?
volveram um trabalho teatral tante que será dado pela escola IC – As inscrições para todos
focado no diálogo constante é o de batalhar pela regulamen- os interessados serão abertas
com o espaço urbano e atraí- tação profissional do dramatur- a partir do dia 26 de novem-
ram uma legião de seguidores go, algo que pode abrir o cam- bro e o curso terá início no
que vinham atrás das experi- po para inúmeros profissionais dia 20 de fevereiro de 2010.
mentações do grupo. Hoje que atuam nessa área.
consagrado, Ivam embarca JT – O que seria o Depar-
em uma nova fase de seu JT – Essa formação de pro- tamento de Ideias?
trabalho: dirigir uma escola fissionais técnicos pode fo- IC – Esse departamento é
técnica custeada pelo Estado mentar a produção teatral uma das grandes novidades
e que pretende trazer novos no País? da escola: é o responsável
parâmetros para o ensino das IC – Sim. Esse é um dos pro- pelo planejamento de ações
artes cênicas no Brasil. pósitos da escola: preparar pes- culturais, tais como a criação
soas habilitadas a operar em dos cursos de difusão e a son-
Jornal de Teatro – De onde uma área que exige profissio- dagem de atividades que po-
surgiu a ideia para essa es- nais com esses conhecimentos. dem levar o teatro para outras
cola? Como o governo pro- O teatro é uma área bastante comunidades, participando
curou apoiá-la? promissora e oferece muitas ativamente das grandes dis-
Ivam Cabral – Os Satyros já vagas para essas pessoas. cussões sociais. Além disso,
mantinham um projeto social é por meio dele que será lan-
no Jardim Pantanal, na periferia JT – Como serão os cursos çado o Programa Kairós, de
de São Paulo, com oficinas de regulares na escola? distribuição de bolsas. Um
atuação e formação de técni- IC – Serão estruturados em qua- projeto como esse, que vai
cos (iluminadores, operadores tro módulos semestrais: verme- conceder auxílio aos alunos
de som etc.). Em 2005, quan- lho, azul, amarelo e verde, sendo que precisarem trabalhar du-
do o então prefeito José Serra que cada um deles é autônomo e rante o curso, fará com que a
visitou o Espaço dos Satyros, abrange uma modalidade espe- formação de artistas deixe de
na praça Roosevelt, tomou co- cífica de construção teatral: no ser elitizada e atraia talentos
nhecimento desse projeto so- módulo verde haverá predomínio de todas as classes sociais.
cial e sugeriu que aproveitásse- das técnicas realistas, com os con-
tyros permitirá levar os ensinamentos da arte para todas as classes sociais mos um prédio desocupado da ceitos de Stanislavski, por exem- JT – Quais as outras novi-
praça para montar uma escola plo. No módulo azul, o aluno dades que a escola preten-
de formação. tem contato com a performance de trazer?
e assim por diante. O módulo IC – Além de montar o
JT – O que faz da propos- amarelo compreenderá técnicas maior acervo digital de obras
ta da SP Escola de Teatro relacionadas ao teatro épico-nar- teatrais do País, nós iremos
algo tão inovador? rativo e o módulo vermelho será organizar uma enciclopédia
IC – A filosofia da escola é composto de projetos feitos pe- virtual de teatro, que será
a de formar profissionais do los próprios alunos. Cada módu- fundada no sistema wiki, o
teatro que tenham uma visão lo é autônomo e o aluno receberá que possibilitará aos usuários
global e abrangente de toda o diploma quando tiver passado gerar e alterar o seu conteú-
a construção do espetáculo. por todos os quatro. do. É uma ideia inovadora,
A formação na SP Escola de que promete contribuir bas-
Teatro é holística: os alunos JT – Como foi a escolha dos tante para as pesquisas em
deverão se formar com uma coordenadores de cada curso? teatro no Brasil.
visão apurada de tudo o que IC – Nos pautamos por pro-
envolve a concepção de uma fissionais que já desenvolves- JT – Com a chegada da es-
peça e como cada especiali- sem algum trabalho importan- cola à praça Roosevelt, esse
dade técnica (atuação, dire- te em suas respectivas áreas. lugar superará de vez o es-
ção, iluminação...) pode inte- J.C.Serroni, por exemplo, manti- tigma de lugar degradado?
ragir com as demais. É o que nha oficinas de cenografia e fi- IC – Sim, e o teatro é um gran-
chamamos de artista-criador. gurino em seu espaço. Marici Sa- de responsável por provocar
lomão também desponta como essas mudanças no cenário ur-
JT – Como adequar essa importante dramaturga na cena bano. As mudanças pelas quais
proposta de artista-criador paulistana. Além deles, profissio- passaram a praça, que vão ser
a um curso de dramatur- nais que já tinham ampla expe- ainda maiores com a chegada
gia, que é uma atividade, riência em seus grupos teatrais da escola, são o legado que
em princípio, solitária? foram chamados para coordenar nós, artistas, deixamos para a
IC – Uma das novas frentes cada uma das áreas: Hugo Pos- cidade. É algo que vai durar
da dramaturgia é justamente solo e Raul Barretto, ambos do além das nossas vidas.
Cursos serão gratuitos, mas haverá a distribuição de bolsas de estudo
14 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

Evento Divulgação

A ‘Cidade do Teatro’
“O Túnel”, texto inédito de Dias Gomes, foi uma das estreias nacionais durante o Festival Internacional de Teatro de Angra dos Reis. Foram 62 espetáculos em 24 dias de festival

Fita 2009: 6ª Festa Internacional de Teatro de Angra dos Reis atrai 80 mil pessoas durante um mês
Por Douglas de Barros, de Animadores de Bonecos. SEIS ANOS DE ARTE NO isso, descobriram o óbvio, que a teatro. Tanto que todos pagam
Entre as estreias, sete no LITORAL FLUMINENSE cultura tem prestígio e traz turis- para ver o teatro e não o artista
redação Rio de Janeiro
total, a peça “Usufruto” foi es- O primeiro Festival de An- tas. Então, o prefeito de Angra da TV”, explica.
Conhecida por suas praias, crita e protagonizada por Lú- gra aconteceu em 2004. Desde na época me pediu para fazer um Para este ano, além das tendas
ilhas e, principalmente, man- cia Veríssimo. O espetáculo é então, já passaram pela Fita a grande festival. Eu falei para ele principais, espaços alternativos
sões milionárias, a cidade de o primeiro trabalho de Lúcia diva Bibi Ferreira, o dramaturgo que já tinha um projeto grande e como o Teatro Municipal (com
Angra do Reis, na Costa Verde como autora e foi a apresenta- espanhol Fernando Arrabal, Os- mostrei para ele no dia seguinte”. capacidade para 240 pessoas),
do Rio de Janeiro, viveu dias de da no dia 20 de novembro. Já mar Prado, Susana Vieira, Jonas Para o jornalista, o grande ginásios e pátios de escolas pú-
arte e agitação cultural. Tudo no dia 22 a festa contou com Bloch, Maria Padilha, Adriana objetivo da Fita é levar teatro blicas receberam peças infantis
porque, desde o dia 30 de a estreia de “A Marca do Zor- Esteves, Marcos Palmeira, Ro- de qualidade e formar público e uma uma tenda/boate reuniu,
outubro e até o último 22 de ro”, dirigida por Pedro Vascon- berto Bomtempo, Gutti Fraga, que aprecie a arte. “Procuramos nos fins de noite, pelo menos
novembro, aconteceu o Fita cellos e com Thierry Figueira, Marcelo Faria, Drica Moraes, fazer um festival do ponto de quatro mil jovens. Os ingressos
2009 (Festa Internacional de Priscila Fantim e Thadeu Mello Débora Falabella e tantos outros vista da plateia com todos os mais baratos custaram R$ 2,50,
Teatro de Angra). nos papéis principais. Outra es- que consagraram Angra dos Reis tipos de teatro, dos mais po- mas também foram disponibi-
Na sexta edição do fes- treia nacional foi “O Túnel”, um como a cidade do teatro. pulares aos mais ‘cabeça’, mas lizadas entradas de R$ 5, R$ 10
tival foi montada a “Cidade texto inédito de Dias Gomes. O idealizador da festa, o sempre um teatro de interesse e até R$50.
do Teatro”, com duas gran- Angra também conferiu “Co- jornalista João Carlos Rabello, do público. Ou seja, qualidade A organização da festa ainda
des tendas na praia do Anil. chambranças de Quaderna”, afirma que a festa teve um iní- com interesse popular feito para distribui onze mil ingressos para
O Palco Sesc (com capacida- com Inez Vianna; de “Garotos”, cio modesto, tanto que o evento formar público para o teatro”, crianças das escolas públicas da
de para 1.500 expectadores) e com Rafael Almeida, Marco An- recebeu 12 mil pessoas em sua revela Rabello, que acredita que cidade. “Recentemente trouxe-
o Palco Transpetro (com 500 tônio Gimenez, Ivan Mendes, primeira edição. “Na verdade, o trabalho tem sido recompen- mos 550 crianças de Ilha Gran-
lugares) abrigaram grandes es- Caio Bucker e Ícaro Silva; “Como a Fita começou de uma forma sado por causa do prestígio que de para assistir a um espetáculo
petáculos e estreias nacionais. me tornei estúpido” (peça que amadora e com espaços meno- a mostra tem recebido a cada de teatro infantil. Elas nunca
Em 24 dias de festival a mostra teve estreia apenas em Portugal) res. Então, nós percebemos que ano. “Os artistas ficam apaixo- tinham ido ao teatro e algumas
reuniu 62 espetáculos. Em car- com Gonçalo Diniz, Shirley Va- existia uma demanda reprimi- nados pelo carinho do público nunca tinham saído da ilha. Ao
taz, sucessos da temporada do lentine e Betty Faria; e “Dois da, de um público grande que e estrutura de som e luz que a ver que as crianças choravam
Rio de Janeiro e de São Paulo, pra lá, dois pra cá”, com Rita queria ver teatro. Foi quando, gente monta. Todos se mos- de alegria com o espetáculo,
peças internacionais, cursos, de- Elmôr e Thelmo Fernandes em 2006, aconteceu a Flip (Fes- tram surpresos e encantados todos nós choramos juntos
bates, teatro nas escolas e a se- (as duas últimas inéditas no ta Internacional Literária), em com o público de iniciados e e foi um grande momento”, re-
gunda edição da Festa Nacional Rio de Janeiro).. Paraty, e foi um sucesso. Com que estão acostumados a assistir lembra Rabello.
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
15
Rio Grande do Sul
Mesa Verde: o novo festival de dança dos gaúchos
Porto Alegre celebra evento que conta com espetáculos internacionais e nacionais de renome entre os mais variados estilos de dança
Fotos: divulgação
Por Leonardo Serafim, Incessantes, em 2004, promo-
redação Porto Alegre vido pela Secretaria Munici-
pal da Cultura/Prefeitura de
Após receber a 55ª Feira do Porto Alegre. A montagem
Livro e estar sediando a 7ª Bie- integrou o circuito interna-
nal do Mercosul, a capital gaú- cional Ciudades que Danzan,
cha abre suas portas para o 1º com sede em Barcelona, e
Festival Internacional de Dan- que propõe o diálogo da dan-
ça Mesa Verde, que acontece ça com a arquitetura.
até o dia 22 de novembro. Em Porém, a apresentação
sua primeira edição, o even- mais aguardada pela crítica foi
to recebe 13 grupos dos mais da companhia alemã Sussane
variados estilos de dança. Com Linke, responsável pelo fecha-
uma proposta de apresentar di- mento do evento. Sussane foi
ferentes culturas para os porto- considerada uma das melhores
alegrenses, a mostra conta com bailarinas do mundo nas déca-
companhias nacionais e inter- das de 1970 e 1980, dirigindo
nacionais. Escolas europeias, o famoso Folkwang Studio de
argentinas, cubanas e, é claro, Dança. Em sua visita a Porto
brasileiras, desfilam seus talen- Alegre, a coreógrafa apresen-
tos nos teatros da cidade. tou o espetáculo “Solo Eve-
A companhia Retazos é um dos 13 grupos que agitam a cena teatral em Porto Alegre com o Mesa Verde
“Muitas vezes, a dança con- ning with Solos”.
temporânea visita os festivais Mesa Verde para homenagear tos, a companhia não desapon- também foi uma surpresa po- O Festival, que tem a inten-
de teatro, e, devido ao cresci- a criação do coreógrafo Kurt tou e levou dezenas de pessoas sitiva no Mesa Verde, ao mos- ção de tornar-se um encontro
mento dessa arte, torna-se in- Jooss, maior expressionista ale- ao parque. Três bombeiros fi- trar seu trabalho no dia 19. bienal, também ofereceu pales-
dispensável haver um espaço mão de todos os tempos. zeram parte da apresentação, Utilizando literatura, música, tras e workshops para os par-
de troca de experiências sobre A abertura do Festival ficou manuseando os equipamentos vídeos e artes plásticas na ticipantes do evento. Aqueles
ela, valorizando sua dissemina- por conta do grupo madrile- para garantir a coreografia dos performance, a escola expôs que ainda quiserem conferir o
ção pelo Estado e aproximan- nho Provizional Danza, com o seis bailarinos espanhóis, que a obra “Acessos”, que nasceu evento contaram com uma pro-
do as pessoas”, avalia Decio show “Calle 4”, no dia 15, na inclui a utilização de manguei- de uma oficina-montagem, gramação gratuita (exceto os
Antunes, idealizador do pro- Usina do Gasômetro. Mesmo ras de água. ministrada por Paulo Guima- espetáculos que acontecem no
grama, que adotou o nome com muita chuva e fortes ven- O grupo gaúcho “Meme” rães no projeto Movimentos Theatro São Pedro e no CIEE).

Festival de Teatro de Rua garante sua segunda edição para 2010


Dez grupos devem atrair olhares de mais de 50 mil gaúchos durante a festa. Ao todo, entre 12 a 20 de abril, serão 30 apresentações
Por Leonardo Serafim, realização da Associação Fa-
redação Porto Alegre los & Stercus, do Sesc/RS e da
Prefeitura Municipal de Porto
Evento que arrancou aplau- Alegre, acontecerá de 12 a 20
sos e sorrisos da população de abril e pretende reunir oito
gaúcha no começo deste ano, companhias de teatro de rua
o Festival de Teatro de Rua do Rio Grande do Sul e dois
de Porto Alegre anunciou que convidados das demais regiões
promoverá sua segunda edi- do Brasil. Serão 30 apresenta-
ção em abril de 2010. Com ções para um público estimado
uma proposta ousada, que visa de 50 mil espectadores. Para a
abordar distintas estéticas tea- formação dos artistas e técni-
trais, a mostra resgatou as apre- cos, serão realizadas oficinas,
sentações de artes cênicas em seminários e um ciclo de de-
espaço aberto da cidade, fato bates.
costumeiro na década de 1990, Um dos grupos presentes
mas que fora esquecido nos será o Falos & Stercus, um dos
dias atuais. E com essa nova idealizadores do movimento
retomada, o principal benefi- e grande atração da primeira
ciado é o povo. edição do evento. Considerada
Na sua edição de estreia, um dos principais nomes do Festival quer novamente levar o teatro para a população carente, repetindo a ética da última edição
o Festival de Rua cortejou os teatro contemporâneo do sul
porto-alegrenses nos prin- do País, a companhia já está glês Luke Dixon na última pas- panhar os espetáculos. nosso estado”, garante Paulo
cipais pontos do município. na estrada há mais de 16 anos. sagem do Falos & Stercus pela “É de suma importância Flores, da companhia gaúcha
Com grupos e temas dos mais Com números inovadores e Europa. esse acontecimento de teatro Oí Nóis Aqui Travez.
variados, o evento reuniu mul- que buscam sua própria lingua- Além dos parques e cen- de rua em Porto Alegre, pois O 2º Festival de Teatro de
tidões por onde passou. Era só gem de expressão, o Falos & tros culturais, os organizadores colocará, novamente, o povo a Rua de Porto Alegre está com
começar a cena, para as pes- Stercus virou referência nacio- do festival querem novamente par do que é feito fora dos pal- inscrições abertas até o dia 4 de
soas diminuírem seus passos nal e recebeu elogios de todas levar o teatro para a popula- cos. Ele é uma chance de po- dezembro, no Centro Munici-
apressados e acompanhar os as partes, inclusive de fora do ção carente, ato que também der ampliar nossos horizontes, pal de Cultura (Av. Érico Ve-
espetáculos, formando rodas e Brasil. “A Inglaterra nunca ti- aconteceu na edição passada. como na questão de trazer gru- ríssimo, 307). Aqueles que qui-
aglomeração. nha visto algo como eles. Para Descentralizando suas apre- pos de fora, grupos de outras serem participar devem enviar
Em 2010, a ideia é atraves- uma gélida e úmida Londres, o sentações, o evento percorrerá cidades do País para haver esse fotos, release, rider técnico, um
sar barreiras e expandir as ativi- grupo trouxe fogo e excitação, dois bairros pobres da cidade, compartilhamento, essa troca DVD com o espetáculo na ín-
dades. O 2º Festival de Teatro que acenderam a comunidade visando dar oportunidade dos de experiência que, certamente, tegra e clipagem de artigos e
de Rua de Porto Alegre, uma teatral”, afirmou o diretor in- menos afortunados de acom- impulsionará o teatro de rua do notícias publicadas.
16 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

Especial

Pya Lima / Divulgação


Inglaterra e, agora vivendo em

Teatro do
Nova Iorque, esteve por aqui
para dirigir o ator Raul Cortez
em “Rei Lear”, de Shakespea-
re, em 2000, disse-me, em en-
trevista realizada naquela oca-
sião, que ao voltar da Europa,
no final de 1960, deparou-se
com um deslumbrante Teatro

Incêndio
Oficina que, em 1969, marcou
a História do Teatro Brasileiro
com a montagem desse texto,
no mesmo ano. Daniels, um
dos fundadores do Teatro Ofi-
cina, apesar do “encantamento
diante de Na Selva das Cida-
des” sentiu que o espetáculo
Por Nilton Guedes marcava a entrada do grupo

volta em numa fase diferente da que,


como integrante do grupo, ele
vivenciou.
Talvez a aproximação com
a dramaturgia de Brecht enca-
2010 com minhou o Teatro Oficina ao
que a crítica Mariangela Alves
de Lima identifica como “Tea-
tro Social”, ou seja, aquele que
se distingue pela preocupação
“sonhado com a ordem social, com o co-
letivo, do que com o indivíduo
em si. E, nesses 40 anos da pri-
meira e antológica encenação,

repertório” Marcelo Marcus Fonseca conta


com a participação de Zé Cel-
so, diretor da referida primeira
montagem, em voz-off.

DIVERSÃO BRECHTIANA
Segundo Marcelo Marcus
Fonseca, o que caracteriza
o Teatro do Incêndio é que
Momento do espetáculo “A Selva das Cidades” onde Liz Reis e Rene Ramos interpretam Marie Garga e Shlink. Retorno programado para 2010 “uma peça não pode ser chata.
Teatro é diversão, como disse
o Brecht. E ensinamento. Pela
Por Michel Fernandes*, Selva das Cidades’ traz assun- falávamos ou não de nós, hoje. truição do caráter, mania de diversão. Quem vai ao teatro
especial para o Jornal de tos correlatos ao cotidiano do Levantamos questões relevan- perseguição e abalos psíquicos quer ser tentado. Pelo que?
Teatro espectador que observa, assus- tes com o elenco sobre isso. dessa sociedade tarada e enfu- Pela arte. Não pela chatice”.
tado, a fraqueza moral em suas Por exemplo, por que colocar recida que encarcerou Artaud, “Peças com a complexi-
Ao encerrar o terceiro mês calçadas”, diz Fonseca, tam- uma peça em cartaz e para enriqueceu o maduro Rim- dade da Na Selva... permitem
de uma pródiga temporada bém integrante do elenco do quê? Acho pertinente se falar baud levando dele uma perna assuntos variados, idéias sobre-
em 2009, o espetáculo “Na Teatro do Incêndio. em ‘pensa’, porém, mais im- e já havia exilado Eurípedes, postas, escolha de conversas”,
Selva das Cidades”, do Teatro Uma característica relevante, portante é estar. Quem está, é que corrompem esfriando diz. Fonseca afirma seguir na
do Incêndio, já tem retorno apontada por Marcelo Marcus pensa. Por isso a arte tem que rostos e falas”. direção contrária do encenador
programado para meados de Fonseca, durante esses três me- ser superior ao social. Ela fica, O Teatro do Incêndio Gerald Thomas (quem, aliás,
fevereiro de 2010, no Teatro ses de temporada da peça, deve- o discurso passa.” completa 15 anos em 2010 e declarou ter “abandonado o te-
Aliança Francesa (onde cum- se à “multiplicidade de com- “Na Selva das Cidades” tem em seu currículo mon- atro brasileiro”) no que respei-
priu sua segunda temporada preensões das plateias. Mesmo pode ser da metade do sécu- tagens de autores como An- ta ao tratamento “mau-humo-
este ano – a primeira, sempre tendo feito outras peças de Bre- lo passado, o século XX que, tonin Artaud, Marquês de rado, desiludido e depressivo”.
com platéia lotada, estreou no cht (“Baal – O Mito da Carne” e como afirma o historiador Eric Sade, Zeno Wilde, do próprio “Minha fé no teatro en-
emblemático 11 de setembro, “A Boa Alma de Setsuani”, essa Hobsbawm, em seu livro “Era Marcelo Marcus Fonseca, en- contra-se aqui inabalável: ele
no Teatro da Funarte). E não última um pouco sisuda em rela- dos Extremos” (em que relata tre outros autores, mas, diz pode e é o equilíbrio possível
voltará sozinho, mas, segun- ção à excelente versão protago- fatos marcantes ocorridos no o diretor, o ponto comum a na busca pela humanidade, que
do Marcelo Marcus Fonseca, nizada por Denise Fraga e dirigi- período), tratou-se de cem anos todas montagens é entender é obrigada a ficar na defensiva.
diretor-fundador da compa- da por Marco Antonio Braz, em extremamente ricos em evolu- o homem. “É isso que me in- Nós dançamos a crueldade im-
nhia, o espetáculo, escrito pelo temporada popular no TUCA ção, disputas pelo poder etc., e, teressa: o homem, por que o placável do teatro de Brecht,
alemão Bertold Brecht, anco- com o nome de “A Alma Boa de mesmo assim, o conteúdo do homem vive e como vive”. do ‘teatro do Herói Surrado’,
rará um “sonhado repertório Setsuan”), o ponto de comunica- texto brechtiano continua com Para o diretor, “Na Selva como disse Walter Benjamim
do grupo” que, também, trará ção preciso pela poesia do autor assombrosa atualidade, já que das Cidades” permitiu, ao Te- do (livro) Teatro Épico. Nosso
“outros dois autores em peças nunca tinha se revelado de for- coloca em evidência a inabilida- atro do Incêndio “a consoli- teatro transborda o amor pelo
nunca traduzidas para o portu- ma tão concreta, clara, apaixo- de humana em discernir o que é dação de núcleos de figurinos, que fazemos. Nós damos em
guês”, além de um ciclo de lei- nada e acordada (de razão) nos não render-se ao chamado das cenografia, interpretação, mú- gozo nosso sangue, a nossa
turas de obras transgressoras, espectadores para mim”. sereias, ou seja, aos apelos do di- sica e produção que caminha luta. Nossa parte não é recla-
“o que faz parte da história do Para estabelecer a proxi- nheiro que compra tudo: poder, para uma auto-suficiência nes- mar, é interessar, é trocar. O
Teatro do Incêndio”. midade do texto ao momento ética, sucesso, ideias e ideais, ou sas áreas, dispensando serviços teatro é a arte do querer. De
Escrita na juventude de atual em que valores, ideários pelo menos assim pensam seus terceirizados. Mas falta muito, quem faz e quem vê”, afirma.
Bertold Brecht, em 1922, “Na e ideologias parecem ceder, detentores. muito ainda.” O resultado atingiu as ex-
Selva das Cidades”, embo- cada vez mais, ao caos e ao “Na medida em que o es- pectativas de Marcelo Marcus
ra anti-capitalista, nada tem paroxismo, Marcelo recorreu, petáculo amadureceu, o jogo UM ESPETÁCULO QUE Fonseca: “O mais prazeroso tem
do didatismo marxista que o no processo de montagem da da vida urbana em forma de FAZ ECO NA HISTÓRIA sido o interesse, a grande presen-
autor alemão empregaria em peça, ao interlocutor Mário Ví- arte, diversão, parece ‘aliviar’ o DO TEATRO BRASILEIRO ça de público jovem que não tem
suas peças da maturidade, mas, tor Santos como “um debate- ouvinte, confirmando que ele Quando o diretor Ron Da- hábito de ir ao teatro, assistindo
mesmo assim, trata do capital dor presente na sala de ensaios não está louco, mas, sim, as re- niels, ou, se preferir, Ronaldo com energia uma peça de 2h10,
de maneira franca e crua. “‘Na com o objetivo de saber o que lações de vício de vitória, des- Daniel, brasileiro radicado na sem achar longa”, completa.
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
17
Festivais

Teatro em todos os cantos de Recife


A 12ª edição do Festival Recife do Teatro Nacional terá 42 apresentações este ano. Dessas, 24 subirão aos
palcos e outras 18 serão encenadas em espaços públicos descentralizados da capital pernambucana
Fotos: divulgação
Por Adoniran Peres,
redação Florianópolis
Dando sequência a uma tra-
jetória que visa descentralizar a
arte, os espetáculos da 12ª edi-
ção do FRTN (Festival Recife
do Teatro Nacional), que acon-
tece entre os dias 19 e 30 de
novembro, promete, mais uma
vez, ultrapassar as fronteiras da
cultura e movimentar os teatros
e espaços públicos da capital
pernambucana. Há três anos, o
festival leva peças teatrais para
18 micro-regiões de Recife. Por
falar em descentralizar, destaque
para o teatro de rua, que, este
ano, virá com força total – abrirá
o festival com a peça “Till: a saga As peças “Encantrago” e “Réquiem” possuem temáticas sociais próximas das comunidades, uma forma de aproximá-las do contato com a arte
de um herói torto”, do grupo
mineiro Galpão. “Descentralizar sentações fazem parte da edição acesso a espetáculos de altíssimo gundo ela, o festival visa fazer do “Cenografias para um Teatro
tem tudo a ver com o tema do de 2009, que reúne importantes nível a preços populares”, expli- teatro um instrumento de trans- em Trânsito”, com participação
festival deste ano: o teatro e a companhias da cena contempo- ca o secretário de cultura Renato formação do homem, com pro- de José Carlos Serroni (SP), João
cidade. Moradores de bairros de rânea nacional. Dessas, 24 apre- Lins. As peças têm preço máxi- vocação do senso crítico, de for- Denys Araújo Leite (RN/PE),
difícil acesso não precisarão se sentações subirão aos palcos do mo de R$ 5. Em 2008, aproxi- ma que esteja junto com o povo Marcondes Lima (PE) e Cláu-
deslocar para os grandes teatros Teatro Barreto Junior, Teatro do madamente 16 mil pessoas se e que interaja com ele. “As peças dio Lira (PE). De 18 a 21, José
para ter acesso à cultura e isso é Parque, Teatro Apolo, Teatro de deliciaram com os espetáculos envolvem temáticas sociais pró- Carlos Serroni (SP) ministra ofi-
fantástico”, diz Lúcia Machado, Santa Isabel e Teatro Hermilo do FRTN e, para 2009, estima- ximas das comunidades. Enten- cina no Oi Kabum! com o tema
coordenadora do FRTN. Borba Filho, além das outras 18 se que esse número seja ainda demos que quanto mais próxima “Reflexões sobre Cenografia e o
Outra atração mineira que récitas que serão encenadas em maior, pois mais peças de rua fa- da comunidade melhor”, frisa. Espaço Cênico”. O especialis-
também promete atrair o públi- regiões descentralizadas, como rão parte da grade, o que garante ta vai falar sobre a evolução do
co nas ruas é a peça “Baby Dolls Jordão Alto e Barro. mais espectadores. SEMINÁRIO espaço cênico da Grécia até os
– uma exposição de bonecas”, Durante os 11 dias, a cultura “São, pelo menos, dois espe- E OFICINAS dias de hoje, além da relação do
do grupo Obscena. Já o Teatro teatral de Recife será reforçada táculos de rua que requisitaram Dentro da programação do figurino e da iluminação com a
que Roda, de Goiânia, traz sua com grupos de Pernambuco, de espaços maiores e, conseque- festival serão realizados semi- cenografia.
versão de “Quixote”, de Cervan- São Paulo, do Rio de Janeiro, de temente, pela grande estrutura nários e oficinas com temáticas Lições de cenotécnica serão
tes, uma montagem que convida Minas Gerais, de Goiás, do Rio montada e qualidade das peças, relacionadas, principalmente, apresentadas por Helvécio Alves
o público a rever a paisagem ur- Grande do Sul, do Rio Grande deve atrair um número grande às áreas técnicas do teatro. De Izabel, em oficina de Cenotéc-
bana por um outro ângulo, cheio do Norte e do Ceará. “O público de pessoas”, avalia Lúcia Macha- 21 a 24 de novembro, o Tea- nia, no Teatro Apolo, dias 17 e
de fantasia. Ao todo, 42 apre- do Recife vai respirar teatro, com do, coordenadora do FRTN. Se- tro Apolo receberá o seminário 18 de novembro, com elementos
básicos de carpintaria, serralha-
ria, traquitanas e mecanismos.
PROGRAMAÇÃO DESCENTRALIZADA PROGRAMAÇÃO NOS TEATROS Os participantes poderão es-
ESPETÁCULO LOCAL DATA HORA DATA LOCAL HORA ESPETÁCULO tudar as dimensões do palco e
caracterizar o espaço de acordo
TILL, A SAGA Praça do Arsenal 19.11  19h 20 e 21/11 Teatro Barreto Júnior 19h e 19h Encruzilhada com as necessidades do espetá-
20.11 20h Hamlet (PE) culo, além de construir objetos
MISERIA Morro da Conceição 22.11 16h 21 e 22/11 Teatro do Parque 16h30 Outra vez, era uma de auxílio técnico. Roberto Gill
vez... (PE) Camargo (SP) ministra oficina
QUIXOTE Academia da Cidade - Joana Bezerra 22.11 16h de Sonoplastia, de 25 a 27 de
21 e 22/11 Teatro Apolo 21h In On It (RJ)
MISERIA Praça Nossa Senhora de 23.11 16h novembro, na Sala de Dança do
22 e 23/11 Teatro Hermilo 19h Carícias (PE) Teatro de Santa Isabel, com de-
Fátima - San Martin
Borba Filho talhes da função estética do som
QUIXOTE Praça Coronel Othon - Macaxeira 23.11 16h e o processo de criação sonora.
23/11 Teatro de Santa Isabel 21h Vozes
BABY DOLLS Rua da Imperatriz - Boa Vista 24.11 16h Dissonantes (SP) Já a Cia. Obscena (Agrupa-
24/11 Teatro de Santa Isabel 21h Mary Stuart (RJ) mento Independente de Pesqui-
MISERIA Praça Tertuliano Feitosa - Hipódromo 24.11 16h
sa Cênica-MG) propõe a pro-
QUIXOTE Em frente ao CSU Afrânio Godoy 24.11 16h 24 e 25/11 Teatro Hermilo 19h Playdog (PE) dução de textualidades cênicas
- Alto Santa Terezinha Borba Filho diversas por meio do desenvol-
BABY DOLLS Pátio da Feira de Casa Amarela 25.11 16h 25 e 26/11 Teatro Barreto Júnior 19h A Mar Aberto (RN) vimento de relações com obje-
26 e 2711 Teatro Apolo 21h Réquiem (SP) tos, espaços, corpos e narrativas,
QUIXOTE Praça Presidente Kennedy - Jordão Alto 25.11 16h
além de procedimentos de cor-
MISERIA Praça Arnaldo Assunção - 25.11 16h po instalação, na oficina “Como
Engenho do Meio 27, 28 e 29/11 Teatro Hermilo 21h Rainhas – Duas se fabrica uma mulher?”, de 25 a
BABY DOLLS Praça Pinto Damásio - Várzea 26.11 16h Borba Filho atrizes em busca 27, no Espaço Compassos.
de um coração O XII Festival Recife do Te-
QUIXOTE Praça Barreto Campelo - Torre 26.11 16h atro Nacional tem investimento
(SP)
MISERIA Buraco da Gata - Três Carneiros 26.11 16h
27 e 28/11 Teatro Barreto Júnior 19h Meire Love (CE) total de R$ 755 mil e conta com
BABY DOLLS Terminal Integrado de Passageiros / 27.11 16h patrocínio da Eletrobrás, Chesf,
Estação do Metrô - Barro Coopergas e BNB, além do
28 e 29/11 Teatro do Parque 19h, 19h Encantrago – Ver apoio institucional do Minc-Fu-
MISERIA Praça das Lavadeiras - Areias 27.11 16h e 21h30 de rosa um ser tão narte, Cepe (Companhia Editora
BABY DOLLS Praça Nossa Senhora da Boa Viagem 28.11 16h (CE) de Pernambuco) e Oi Kabum!.  
18 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

Política Cultural

Ópera legitimamente brasileira


Brasil ganha companhia para difundir a atividade e popularizar a música erudita em todo o território nacional
Nanan Catalão, Comunicação Social/MinC
Por Nanan Catalão,
Comunicação Social/MinC
O ministro da Cultura,
Juca Ferreira, e o maestro
John Neschling anunciaram,
dia 12 de novembro, em São
Paulo, a criação da primei-
ra Companhia Brasileira de
Ópera. Uma iniciativa do ma-
estro com o apoio do Minis-
tério da Cultura, integralmen-
te financiada com recursos do
incentivo fiscal. Orçada em
R$ 14 milhões, a companhia
levará a todas as regiões do
Brasil espetáculos de nível
internacional, com elevado
apuro técnico, a preços popu-
lares, além de cursos de for-
mação para atores e músicos.
“Temos 100 anos de tra-
dição de ópera e um grupo
enorme de cantores no Brasil
desprivilegiados. Então, a mi-
nha ideia foi criar uma com-
panhia bem estruturada, que Ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o maestro João Neschling acreditam na inovação trazida pela primeira Companhia Brasileira de Ópera
atinja grandes públicos que
nunca tiveram acesso à ópera co”, afirmou Ferreira. Segun- que, em suas palavras, “sem- apresentações também volta- canta Fiorello e por aí vai.” A
e, também, que ofereça aos do ele, mesmo sendo uma ins- pre foi conhecida por ter um das para a população da perife- concepção cênica da ópera,
profissionais hoje desempre- tituição privada, a Companhia custo muito alto para um pú- ria da capital federal, para que assinada pelo diretor italiano
gados uma possibilidade digna Brasileira de Ópera foi conce- blico restrito, enquanto este ela possa, também, se sentir Pier Francesco Maestrini, faz
de sobreviverem com sua arte, bida em uma lógica pública. projeto traz a proposta inédi- parte integrante das comemo- uso de um desenho animado
um trabalho fixo. Falo não só “Compreendemos a grandeza ta de uma instituição de ópera rações”, informou o ministro. de duas horas e meia em que
dos cantores, mas dos técni- da iniciativa. Se fosse apenas com espetáculos a custo bai- Segundo Neschiling, a é narrada a história da ópera.
cos, maquiadores, iluminado- um projeto de montagem, já xo para públicos amplos”. peça foi escolhida por ser A Companhia Brasileira
res e outros profissionais en- seria importante, mas a com- Em sua primeira etapa, a uma ópera de câmara, fácil de Ópera criará um mercado
volvidos”, explicou o maestro. panhia traz uma complexida- Companhia Brasileira de Ópe- de viajar. Será criada uma permanente de trabalho para
O ministro da Cultura dis- de, com uma proposta clara de ra pretende realizar mais de orquestra – a ser comanda- técnicos e artistas, além de fun-
se que o projeto se soma ao democratização a partir de um 100 apresentações da ópera da por Neschling e maestros cionar como um centro de for-
esforço do governo de de- conceito inovador, que integra “O Barbeiro de Sevilha”, do convidados como Abel Ro- mação para estes profissionais.
mocratizar a Cultura no País. acesso, formação e recupera- compositor italiano Gioachino cha, Vitor Hugo Toro e Ira Estima-se que cada espetáculo
“Traz o esforço de democrati- ção de acervos”, explicou. Rossini, em 20 cidades, para Levin – e três elencos serão envolverá, pelo menos, 200
zação integrado com o acesso Também presente na cole- mais de 140 mil espectado- formados. “Esses artistas vão pessoas em todo o Brasil, entre
à excelência artística, tanto no tiva, o secretário de Políticas res. “A ideia é estrear em abril se dividindo ao longo da tem- maestros, músicos, cantores,
sentido de acesso da popula- Culturais do MinC, José He- de 2010, no Teatro Nacional porada. É importante dizer técnicos e montadores. Além
ção, quanto no sentido de que rencia, afirmou que o projeto Claudio Santoro, em Brasília, que não hierarquiza o elenco, disso, durante a turnê, serão re-
artistas possam produzir e procura inverter a tradicional como parte das comemorações pois o barítono que um dia alizadas master class para téc-
acessar o financiamento públi- equação exclusora da ópera, dos 50 anos da cidade, com faz o Fígaro, no dia seguinte nicos, atores e músicos locais.

Sociedade brasileira quer consumir cultura, diz coordenadora


A coordenadora executi- com cultura ficam na sexta po- número. “Qualquer Estado e O presidente da organiza- abrir possibilidades de profis-
va do Programa Mais Cultura, sição, acima dos investimentos qualquer município brasileiro ção não governamental Insti- sionalização para colocá-los
Silvana Meireles, afirmou, dia com educação. Ou seja, existe podem aderir ao programa, tuto Arte no Dique, José Vir- no mercado de trabalho. Esse
10 de novembro, que a popu- um anseio da sociedade civil e basta manifestar essa intenção. gílio, se mostrou ansioso com programa transformará a vida
lação brasileira quer consumir dessa população por consumo Existe uma vasta gama de pro- a implementação dos Espaços daquelas pessoas”, destacou.
cultura. Segundo ela, os gastos de cultura”, disse Silvana du- dução cultural espalhada pelo Culturais em sua em sua ci- De acordo com a coordenado-
da população com esse item es- rante seminário para discutir a território brasileiro. Em con- dade, Santos (SP). “Com a ra do Programa Mais Cultura,
tão na sexta posição, acima das construção de espaços cultu- traponto, há uma falta de aces- inauguração da Escola Popu- a iniciativa atingirá 19 estados
despesas com educação. rais em áreas de intervenção do so a essa produção cultural. lar de Arte e Cultura Plínio brasileiros, com cerca de 20
“Apesar de termos dados PAC (Programa de Aceleração Então, o ministério tem traba- Marcos e do Espaço Ciber- ações. No total, 1,2 mil projetos
revelando que há grande parce- do Crescimento). lhado com os Estados brasilei- nético Gilberto Gil, em 2010, devem receber apoio do Minis-
la da população, principalmen- Ela ressaltou que cerca de ros, e, mais recentemente, com vamos criar a possibilidade de tério da Cultura, entre eles, 200
te das classes C, D, e E, que 60% dos municípios brasileiros municípios, no sentido de fazer gerar empregos modernos e cines cultura, 410 bibliotecas
ainda é desassistida por políti- têm ações do Programa Mais alianças para o desenvolvimen- capacitação profissional. Em modernizadas, além de pontos
cas públicas na área da cultura, Cultura e que a criação dos Es- to e ampliação desse projeto”, uma área onde os jovens não de leitura e pontos de cultura.
os gastos da família brasileira paços Culturais ampliará esse frisou. têm perspectiva, é importante Agência Brasil
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
19
Artigo
Encontro de coletivos pela visão de um coletivo
Por Revista Bacante* 
Fotos: Cia da Foto

“Porra, será que o Próxi-


mo Ato cabe num jornal?”
Foi a dúvida de que partimos
para escrever esse artigo. Nós,
da Bacante, acompanhamos
o encontro internacional de
2009 do programa Próximo
Ato, promovido pelo Itaú Cul-
tural, que aconteceu de 3 a 7
de novembro de 2009. Essa
experiência passou longe de
ser uma cobertura jornalísti-
ca: queríamos estar lá como
participantes, com a mesma
intenção e expectativa que os
grupos tinham de vivenciar um
ambiente de trocas de experi- Grupos puderam trocar experiências e discutir questões polêmicas O encontro atraiu o interesse de quem faz da arte um estilo de vida
ências e discussão de questões
polêmicas entre coletivos. E
Mauricio Alcantara

Reprodução
estávamos muito abertos a essa
troca, já que, cada vez mais,
assumimos a Revista Bacante
como um coletivo de reflexão
sobre o teatro, permanente-
mente aberto e disposto, so-
bretudo, a aproveitar o poten-
cial da internet para ampliar as
possibilidades e a diversidade
da discussão.
Esta foi a sétima edição do
encontro e a quarta abordando
especialmente as experiências
do teatro de grupo no Brasil.
Dos cinco dias de cobertura,
resultaram, além de inúmeras
conversas de bar, alguns posts
no Blog da Bacante, um ba-
lanço geral dos organizadores
e ainda um especial contendo
entrevistas curtas com os gru-
pos – o projeto era questionar Paulo Arantes e Lehmann conversam com a plateia de forma descontraída Home page da revista Bacante. Exploração do potencial da internet
todos os grupos (ou quantos
conseguíssemos importunar) alemão (ok, essa parte é men- para desfrutar o momento jun- municípios amazônidas, em A resposta para a pergunta
a respeito de três temas que tira) com o teórico do teatro to aos artistas naquele horário, função dos inúmeros obstácu- que inicia esse texto é não. O
estão sempre em destaque pós-dramático. O que estamos ainda mais com o azar de uma los como voos poucos e caros, Próximo Ato não cabe no jor-
na Bacante – seja nas críticas, dizendo é que, ainda mais po- chuva repentina. A experiên- estradas ruins ou inexistentes, nal, como também não coube
seja nos comentários: 1. Fi- tente do que ouvir Lehmann cia performática voltada ao locais em que só se pode che- na Bacante, como também
nanciamento: como o grupo sobre o teatro contemporâneo, próprio umbigo, ou seja, sem gar de barco etc. não coube no projeto do Itaú
financia seus trabalhos?; 2. Di- foi ouvir quem faz o teatro reverberar nem interferir na Dos Espaços Abertos saí- Cultural. No Itaú, ele vai virar
álogo com o entorno: como as contemporâneo brasileiro em cidade que a abrigou, sugere ram relatos que serão publica- o programa Rumos Teatro,
questões da sua região estão todo e qualquer canto do país. o significado desses primeiros dos no blog do Próximo Ato; que apoiará, via edital, proje-
presentes na obra do grupo e, Como alertou a gerente do dias de encontro: o contato e da Plenária, resultou um do- tos de interação estética entre
por outro lado, como o grupo núcleo Cênicas do Itaú Cultu- conhecimento entre os grupos cumento que está sendo finali- coletivos. Na Bacante, vai vi-
está presente nas questões de ral, Sônia Sobral, não devemos e restrito a eles. Além disso, zado para ser levado a público rar memória, estatística e pia-
sua região?; 3. Fator agregador: nos iludir acreditando que esta- mostra uma dificuldade deste e compartilhado com as Con- da. No Brasil, espera-se, vai vi-
qual o fator agregador/defini- va ali “todo o teatro brasileiro”. movimento que ainda engati- ferências de Cultura. E, para rar um movimento autônomo,
dor/de união do grupo? A par- Não estava. Mas estavam pelo nha: com tamanha diversidade além disso, ambos tiveram desvinculado do que os inves-
tir daí, construímos um pano- menos dois representantes de de pensamento e de demandas, como resultado impalpável a tidores pensam ser importante
rama – cheio de buracos, mas grupos de cada um dos 26 Es- como estabelecer uma pauta, possibilidade de vislumbrar para o teatro brasileiro, mas às
muito diverso e sem edições – tados do país e do Distrito Fe- uma bandeira, uma demanda, nos grupos o amadurecimen- demandas e aos esforços dos
de como pensam os grupos de deral, o que, de alguma forma, uma força comum que dê sen- to político e de reflexão sobre próprios coletivos.
teatro no Brasil. já nos deixa mais próximos da tido a essa união, a esse e aos o fazer artístico. Tal evolução Alguns links que julgamos
Para este relato breve do diversidade de sotaques, postu- próximos encontros? aponta para caminhos real- importantes e servirão para
que foram esses dias de encon- ras, demandas. Sobre este e outros assun- mente conectados com a cole- atingir mais camadas nesse ar-
tro, talvez seja menos impor- Nos primeiros dias, os re- tos, as discussões entre os tividade e em direção à parti- tigo (porque, afinal, nós pen-
tante dizer da passagem dos presentantes participaram de grupos concentraram-se nos cipação efetiva na construção samos em hipertexto, não tem
palestrantes Hans Thies LehLeh- uma experiência com a perfor- últimos dias, por meio de duas de políticas públicas e no ce- jeito)
mann, Nicolas Bourriad e Ós- mer Eleoora Fabião, em que estruturas: os Espaços Abertos nário artístico do país. Então, A Bacante é um coletivo
car Cornago. Não, não estamos foi possível trocar a experiên- e a Plenária. Falou mais alto en- quem sabe um dia possamos aberto de crítica teatral
desconsiderando a importância cia não só do discurso, mas a tre as muitas demandas a ban- nos dar a liberdade de discutir que pode ser encontrado
dos convidados internacionais, da prática e buscar uma inte- deira defendida com veemên- estética ou mesmo a base dos somente na internet. Se
justamente no sentido de am- ração que independia das pala- cia pelos representantes do nossos conceitos de cultura e quiser conhecer mais,
pliar horizontes de reflexão e vras. Na noite de quinta-feira, norte do País: a discussão e in- arte. Por enquanto, nesse mo- acesse:
provocar, incentivar, ou mes- como celebração do encontro, clusão como demanda nacional mento histórico, ainda estáva-
mo bagunçar pensamentos – os grupos fizeram uma perfor- e não unicamente regional do mos discutindo sobrevivência.
inclusive publicaremos assim mance no vão livre do MASP, à chamado “custo amazônico” E fica claro que sobreviver em
que possível uma entrevista meia-noite. Claro, para si mes- - ou seja, os custos elevados movimento e em grupo pare- www.bacante.com.br.
“exclusiva” (chique, não?) em mos, já que não havia pedestres de produção e circulação nos ce bem mais possível.
20 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

Vida e Obra

Dez anos sem o


gênio maldito Plínio Marcos
Fotos: Divulgação

Quando surgiu no tação e permaneceu proibi-


da por mais 21 anos. Plínio,
universo teatral, o então, escreveu seu segundo
trabalho: “Os Fantoches ou
dramaturgo trouxe Chapéu sobre Paralelepípedo
para Alguém Chutar” – rees-
mais que uma crita depois como “Jornada
de um Imbecil até o Enten-
nova construção de dimento”. Pagu, na época,
linguagem, foi um escrevia crítica teatral para o
jornal “A Tribuna de Santos”
dos primeiros a e colocou uma foto de Plínio
com gravata borboleta e a se-
levantar a voz guinte manchete: “Esse anal-
fabeto esperava outro milagre
dos marginalizados de circo”. O trabalho tinha
sido um fiasco.

NOVOS CAMINHOS
Por Adair de Oliveira, A vinda para São Paulo
redação Brasília aconteceu em 1960. Para ga-
rantir o sustento, Plínio era
“Nos conhecemos no iní- uma espécie de faz tudo. Tra-
cio da carreira. Nossas mães balhou como camelô, ator e
eram amigas de trocar confi- técnico da extinta TV Tupi,
dências sobre os filhos. Em quando estourou nacional-
uma dessas conversas, elas fa- mente, em 1966, com “Dois
laram a respeito da dificulda- Perdidos Numa Noite Suja”
de da carreira escolhida pelos – censurada logo ao chegar
rebentos – teatro –, por ser no departamento. Com “Na-
uma profissão mais trabalho- valha na Carne” (1967) ocor-
sa. Durante esse papo, a mãe reu o mesmo e a única saída
do Plínio diz: “Pior é meu encontrada pelo grupo foram
filho, que foi para o circo”. as apresentações na casa de
Este é um dos muitos causos Cacilda Becker, que cedeu o
que recheiam o universo do espaço para o espetáculo. A
gênio Plínio Marcos, conta- liberação do texto virou cau-
do pelo amigo, ator e atual sa nacional e contou com o
presidente da Funarte (Fun- apoio dos principais nomes
dação Nacional de Artes), do meio artístico e cultural.
Sérgio Mamberti. No dia 19 No Rio de Janeiro, “Na-
de novembro, completam-se valha na Carne” foi apresen-
dez anos da morte de um dos tada, às portas fechadas, no
mais importantes dramatur- Teatro Opinião. O exército
gos brasileiros, um dos pou- cercou o teatro e proibiu a
cos que soube retratar e trazer apresentação. A atriz Tônia
para o palco a vulnerabilidade Carrero comprou a briga e
da condição humana e as fra- levou o espetáculo para uma
quezas de uma sociedade. “Para essa gente, os gurus do sistema, passado é um exemplo, futuro é uma esperança e presente é um pé no saco” casa vazia, no morro de Santa
A trajetória começa com Tereza. Para despistar, Plínio
seu nascimento, na cidade de queno, era tido como débil ocorrido. Deste aconteci- Plínio em relatos publicados, deu entrevistas aos jornalis-
Santos (SP), no dia 29 de se- mental. Não conseguia apren- mento nasceu “Barrela”, es- “ele fez um puta escarcéu, tas, enquanto o povo recebia
tembro de 1935. Os primei- der. Meu poder de concentra- crita por Plínio aos 22 anos descobriu um gênio.” senhas com o endereço da
ros passos aconteceram no ção era nenhum”. Isso, se- de idade. A peça foi mostrada Os ensaios começaram casa da Tônia, que ficou lota-
circo, como palhaço Frajola, gundo Plínio, era devido aos para Pagu (Patrícia Galvão), no início de 1959 e logo o da e tinha público para outro
mas Plínio ainda teve outras métodos escolares da época. que achou os diálogos tão espetáculo foi encaminhado espetáculo.
profissões – funileiro, vende- Em 1958, o segundo ato poderosos quanto o texto de para a censura federal, que “O Abajur Lilás” (1969)
dor de livros em uma banca da vida do escritor e drama- Nelson Rodrigues. Em segui- proibiu a apresentação. En- foi outro texto proibido. Ti-
espírita e tarólogo. Além de turgo entrou em cena. “Hou- da, Pagu levou o texto para tão, Pagu entrou em contato nha Paulo Goulart na pro-
estivador no cais do porto de ve um caso, em Santos, que Pascoal Carlos Magno – res- com Pascoal, que faz a polícia dução e Nicete Bruno e Wal-
Santos e cjogador de futebol me chocou profundamente: ponsável pelo setor cultural reconsiderar a proibição da derez de Barros no elenco.
no time juvenil da Portuguesa um garoto foi preso por uma e universitário da Presidência peça. “Barrela” foi apresen- Após uma consulta informal
Santista, no Jabaquara. Todos besteira e, na cadeia, curra- da República no governo de tada no dia 1º de novembro à censura, veio a resposta
diziam que era um excelente do. Dois dias depois de sair Juscelino Kubitschek –, que de 1959, no palco do Centro negativa. Os ensaios foram
jogador. Mas, em compen- de lá, matou quatro dos caras realizava o Festival Nacional Português de Santos. Mesmo interrompidos. O texto esta-
sação, na escola – como ele que estavam com ele na cela”, de Teatro de Estudante, em com tamanho sucesso, a peça ria liberado para montagem
mesmo dizia – “quando pe- relatou o autor, na época do Santos, e, como relembrou foi censurada na apresen- somente em 1975, o que não
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
21
Vida e Obra
a primeira da cidade de São que, até então, não tinham di-
Paulo – que contou com as reito de estar no palco. “Isso
atrizes Walderez de Barros provocou um espanto por-
e Etty Fraser na função de que, até então, os ‘atores’ que
porta-bandeiras e o ator Tony eram representados eram os
Ramos como mestre sala em trabalhadores politizados de
uma apresentação. Após al- Guarnieri e Vianinha”, expli-
gumas divergências, o grupo ca.
acabou. Em seguida, foi for- De acordo com Sergio
mada a Banda Redonda, que Mamberti, Plínio era um ho-
existe até hoje. mem desprendido. “Um ator
Segundo entrevista conce- de ‘Navalha na Carne’ teve um
dida no livro “A Crônica dos acidente grave. O Plínio, mes-
que não Têm Voz”, o jorna- mo com os problemas finan-
lista e incentivador cultural ceiros que passava, simples-
Carlo Pinta destaca que o mente doou todo o dinheiro
samba de São Paulo começou da bilheteria da peça para o
a evoluir no Bar Redondo, tratamento desse ator,” relem-
com Plínio e Geraldo Filme. bra. Mamberti ressalta que no
Ali, começou a se estruturar espetáculo o autor apresenta
o samba de São Paulo. Plínio ao público, em uma hora e
não tem importância ape- quinze minutos, um clima trá-
nas como autor. Ele é mais gico de um épico da tragédia
completo. Sua importância é grega. “Além de ter sido um
como homem da cultura po- grande dramaturgo, ele inovou
pular brasileira. no tempo, nas formas de diá-
Em 1970, Plínio escreveu e logos e no estilo”, afirma.
dirigiu “Balbina de Iansã”. Fo- Outro caso lembrado por
ram gravadas músicas de com- Oswaldo Mendes foi a visi-
positores tradicionais do samba ta feita pelo político Mário
paulista como Talismã, Sílvio Covas. A visita ocorreu em
Modesto e Jangada. Em 1974, 1999, quando Plínio estava
lançou o disco “Plínio Marcos internado: “Oi, Covas, você
em Prosa e Samba, Nas Que- pretende se candidatar para
bradas do Mundaréu”, com presidente. (Covas) ‘Acho que
participação dos sambistas Ge- não, tenho que fazer uma ci-
raldo Filme, Zeca da Casa Ver- rurgia’. (Plínio) ‘Porra, então
de e Toniquinho Batuqueiro. O morre logo.” Esse diálogo
disco foi resultado de um show ilustra bastante o que o Plí-
realizado com tais músicos. nio era. Se você não tem ob-
Neste mesmo período, havia jetivo na vida porque viver.
programas em rádios e na TV Você tem que ter motivos
Tupi nos quais se divulgava o para viver.
“Eu, como repórter de um tempo mau, fiz a terra tremer várias vezes”. Outra de suas frases marcantes trabalho dos sambistas paulis- Para o coordenador do cur-
tas. Durante vários anos, Plínio so de artes cênicas da Faculda-
fez a cobertura do desfile das de Dulcina de Moraes, Francis
aconteceu. O advogado Iberê “Oração para um Pé-de-Chi- Brasil. O que os mantêm cos- Escolas de Samba de São Paulo Wilker, a obra do Plínio Mar-
Bandeira de Melo entrou com nelo” e “Jesus-Homem” são turados como uma colcha de para jornal, rádio e televisão. cos mostra como nos relacio-
recurso contra a proibição. O montadas. retalhos é a língua, o idioma, namos uns com os outros (há
próprio Ministro da Justiça, que é o mesmo do Oiapoque CAUSOS E sempre uma relação de poder,
Armando Falcão – governo A CRÔNICA ao Chuí. Os autores fazem re- IMPORTÂNCIA de exploração). “A obra dele é
Geisel – reiterou a proibi- E O SAMBA ferência às possibilidades da Segundo Oswaldo Men- uma declaração de amor ao ser
ção da peça, sob a alegação Além de dramaturgo e língua portuguesa que remete des, ator e autor da biogra- humano porque ele é capaz de
de que ela atentava contra a escritor, Plínio Marcos cons- a vários “Brasis”. Plínio vai se fia “Bendito Maldito – Uma pegar aquelas pessoas que a
moral e os bons costumes. A truiu uma carreira sólida no debruçar sobre a linguagem Biografia de Plínio Marcos”, sociedade finge não ver e cha-
luta deu-se de instância em jornalismo e passou por im- de sua gente, principalmente o surgimento dele foi funda- mar atenção àquilo como, in-
instância, até chegar ao STF portantes redações de jornais a gente do cais do porto de mental para o teatro brasileiro dependentemente do cargo ou
(Supremo Tribunal Federal), e revistas do país. A carreira Santos e do mundo que o cer- não somente na construção da cor, somos seres humanos,
em Brasília. A peça teve um como cronista aconteceu por ca. O elenco de personagens de um tipo de linguagem, mas somos feitos da mesma maté-
único voto favorável do então volta de 1968, no extinto jor- é riquíssimo, como são riquís- na colocação das personagens ria”, diz.
juiz Dr. Jarbas Nobre. nal Última Hora, com uma simas suas falas e expressões.
Em 1979, um grupo de coluna que circulava aos do- Segundo Fred Maia, as
atores juntou-se clandestina- mingos. Umas das marcas ou crônicas de Plínio Marcos
mente e formou um grupo peculiaridades da crônica de apontavam não necessaria-
chamado O Bando para mon- Plínio era o caráter memoria- mente para um embate con-
tar “Barrela”, que comple- lista de sua narrativa. Mesmo tra o governo vigente no País
tava aniversário de 20 anos escrevendo em jornais e re- na época, mas ele apresenta-
de censura. A peça estreou vistas de circulação nacional, va uma realidade brasileira
em dezembro, no porão do ele nunca deixou de contar as que era desagradável para os
TBC (Teatro Brasileiro de histórias da sua gente. Outro generais. “O Plínio, quando
Comédia). Os ingressos eram elemento percebido no texto falava dessas mazelas, desa-
vendidos pelo próprio elen- do cronista era uso da gíria e gradava, porque pintavam um
co que, nas ruas, os ofere- a temática marginal. Brasil lindo e maravilhoso,
ciam para as pessoas. Todas No livro “A Crônica dos quando, na verdade, nós tí-
as sessões ficaram lotadas e que não Têm Voz”, os autores nhamos todos os tipos de de-
o espetáculo era realizado às Fred Maia, Javier Contreras e sagregação – um êxodo rural
sextas-feiras, à meia-noite. As Vinícius Pinheiro explicam violento e uma ocupação do
peças “Barrela” e “O Abajur que o cronista Plínio Marcos campo desordenada que deu
Lilás”, em 1980, foram libe- conseguiu desenvolver uma no que deu”, conta.
radas pela Censura Federal. literatura carregada de con- Outra paixão do drama-
O Bando transfere-se para o ceitos, elementos e signos turgo foi o samba. Plínio foi
Teatro Taib e as peças “Dois que estão na cultura popular, um dos fundadores da pio- Plínio: “Minhas peças são atuais porque o País não evoluiu”
Perdidos Numa Noite Suja”, que é dinâmica e diversa no neira Banda Badalha (1972),
22 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

História

A farsa do macho e a graça da fêmea


O Dzi Croquettes nasceu irreverente e alinhado à contracultura, à criação coletiva e ao teatro vivencial
Fotos: Divulgação
Por Paloma Jacobina, responsável por transformar o
redação Salvador grupo numa trupe artística elo-
giada pela crítica.
A história dos Dzi Croquettes “Eles eram simplesmente
poderia ser descrita como uma fantásticos e, por isso mesmo,
sucessão de momentos de sorte, serviram de inspiração para todos
irreverência, perdas e redescober- nós que circulávamos no meio
tas. Um coletivo de 13 jovens ato- artístico. Nós, das Frenéticas, tive-
res reunidos em torno da propos- mos grande influência no modo
ta de tratar a homossexualidade de vestir, falar e trabalhar deles”,
como uma bandeira de afirma- revela Lídia Lagys, que começou
ção de direitos, o grupo carioca a carreira artística nas Dzi Cro-
alcançou sucesso internacional quettas ou Fadas do Apocalipse,
graças à Ditadura Militar – que versão feminina dos Dzi, e que
os obrigou a deixar o Brasil para depois viraram As Frenéticas, já
trabalhar na França, em 1973 –, sob produção do Nelson Motta.
ao apadrinhamento da atriz Liza Segundo Claudio Tovar, o se-
Minneli – que conseguiu furar o gredo do sucesso do grupo estava
bloqueio da imprensa local, que no talento individual de cada um
não recebera bem ao espetáculo dos seus integrantes. “Eu fazia
– e ao talento individual de cada o cenário e cada um bolava seu
um dos seus integrantes. próprio figurino. Tudo era muito
Os pouco mais de cinco anos novo e ousado. Em muitos mo-
de existência do grupo foram su- mentos, as coisas aconteciam por
ficientes para marcar muitas ge- acaso. Pessoas começavam a ver
rações. Com figurinos ousados, mensagens subliminares em ce-
maquiagem pesada e o contraste nários e objetos que estavam ali
Lennie Dale, Ciro Barcelos e Rogério de Poli em plena apresentação do Ballet dos Andróginos
dos corpos masculinos em trajes por acaso e que passavam a ter
femininos, eles imprimiram ao uma identidade”, revela o ator,
espetáculo tons de grotesco, de que entrou no grupo no verão de
deboche e espírito felino. Carac- 1972, quando ele já existia, depois
terísticas que transformaram os de assistir a um dos espetáculos.
Dzi Croquettes em inspiração Dessa mesma forma despre-
para nomes como Ney Mato- tensiosa, afirma Tovar, foram
grosso, Miguel Falabella e Claudia criados os personagens que su-
Raia, padrinhos das Dzi Cro- biam ao palco vestidos de mulher,
quettas – que depois viraram As mas mantendo as pernas cabelu-
Frenéticas – e até influenciaram a das e a cara cheia de pelos. “Era
linguagem ao surgir com termos esse o nosso figurino. Nada pare-
como “tietagem”. Mesmo depois cido com as drag queens às quais
de separados, os Dzi Croquettes queriam nos associar. Era humor
influenciaram a criação do Gru- inteligente. Era vanguardista e
po de Teatro Vivencial, do Recife, acredito que continuaria sendo
e diversos grupos gays na Bahia, até hoje, caso o grupo ainda exis-
entre as décadas de 1980 e 1990. tisse”, conclui.
Histórias que estão sendo re- E foi com essa estética de
contadas através do documentá- corpos nus e figurinos inusitados
rio homônimo de Tatiana Issa e que os Dzi Croquettes ganharam
Raphael Alvarez, recém-lançado o coração do público, da crítica e
no Brasil, e já premiado no Fest- da classe artística. Ainda mais fa-
Rio e na 33ª Mostra Internacional mosos, mas com o lado artístico
de Cinema de São Paulo. No do- complicado pelo uso de drogas
cumentário, o grupo carioca, que que circulava no mundo de gla-
Dzi Croquettes: o nada tradicional grupo de bailarinos fez uma pequena revolução particular
surgiu com o espetáculo “Gente mour e sucesso, eles voltaram
Computada Igual a Você”, origi- ao Brasil para estrear duas mon-
nado de um show de boate, tem ser falados na sociedade reprimi- ator na televisão brasileira. táculos do grupo, também surgi- tagens antes da dissolução: “Em
sua história contada através de da pelo período da ditadura. Os trabalhos do grupo não ram nomes como o do coreógra- Busca do Sucesso” e “Romance”.
imagens de arquivo e de depoi- Mas ser revolucionário em contam com muitos registros, de- fo Lennie Dale, o autor Wagner Foi na época em que estavam
mentos de personalidades, como uma época onde formas de ex- vido às dificuldades tecnológicas Ribeiro de Souza, e os bailarinos com “Romance”, no Teatro Ruth
o diretor da Rede Globo Jorge pressões artísticas eram tidas da época, mas que parecem ser Cláudio Gaya, Ciro Barcelos, Re- Escobar, em São Paulo, que o
Fernando, o cantor Gilberto Gil, como subversivas não foi fácil. redimensionados diante da telona ginaldo de Poli, Bayard Tonelli, produtor cultural e musical An-
o jornalista e produtor musical “Passamos por apertos com a a cada depoimento mostrado no Rogério de Poli, Paulo Bacellar, tônio Carlos Pereira, o God, tra-
Nelson Motta e a atriz Elke Ma- censura. Precisávamos maquiar filme. “Foi incrível ver a vida pas- Benedictus Lacerda, Carlinhos balhou com o grupo. “Eu era fã
ravilha, entre outros. algumas cenas, ficávamos mor- sando na minha frente. Fiquei tão Machado e Eloy Simões. Profis- de carteirinha. Fazia parte daque-
Em “Gente Computada”, rendo de medo de não passar. emocionado, que não consegui sionais que levavam aos palcos le grupo de cerca de 300 pesso-
o grupo apresentava números Tivemos um prejuízo imenso, assistir o documentário da primei- uma proposta de vanguarda, li- as que assistiam aos espetáculos
cantados, dublados e dançados, pegamos nossas coisas e fomos ra vez. Chorei, fiquei nervoso, de beração, afronta aos costumes, quando propus que eles fossem
entremeados por monólogos que para a Europa. Ficamos por lá coração apertado, mas também nostalgia e saudade. Montagens fazer uma sessão noturna na casa
equacionam as experiências de quase dois anos, e passamos por feliz em ver aquela história sendo que reciclavam práticas da antiga Hullaballo, da qual eu era pro-
vida dos integrantes. Os textos de Milão, Paris e Lisboa até retorna- relembrada e reconhecida pelo pú- revista musical, do show de caba- prietário. Eles se apresentavam
interligação, de autoria de Wagner mos ao Brasil”, recorda o ex-Dzi blico. Confesso que precisei me re- ré e da tradição norte-americana no Escobar em horário comercial
Ribeiro, abusavam da ironia de Croquette, Cláudio Tovar, que compor para sentar e assisti-lo por do entertainment. Um árduo tra- e conosco depois da meia noite.
duplo sentido e tom farsesco para também era responsável pela es- completo”, revelou Tovar. balho de interpretação e de dança Era um sucesso”, lembra God,
tratar de temas que não podiam tética do grupo e hoje atua como Da equipe criadora dos espe- do bailarino Lennie Dale, maior que hoje mora na Bahia.
Jornal de Teatro 15 a 30 de Novembro de 2009
23
Internacional
Depois de um período agitado com audições na Europa, Adriano Fanti arrumou
um tempo para apresentar aos leitores do Jornal de Teatro as novidades do mundo
dos musicais na Inglaterra. Acompanhe!

A Man of No Importance
Estreia no Union Theatre,
Fotos: divulgação

em Londres, o fabuloso mu-


sical “A Man of No Impor-
tance”, de Lynn Ahren (letras)
e Stephen Flaherty (Livreto).
Baseado em um filme indepen-
dente feito em 1994, estrelado
por Albert Finney, este musical
aborda tanto os clichês do tea-
tro musical quanto a cultura ir-
landesa e ainda assim consegue
ser extremamente charmoso.
O filme é uma joia escondida
e pertence a uma era em que os
“blockbusters” estavam sendo
convertidos em peças musicais.
Este espetáculo se sobressai em
sua integridade de conteúdo
como um grande exemplo de
que adaptações musicais podem
ser muito mais do que a simples
reunião de canções batidas e
manjadas (jukebox), apresenta-
das a todo volume.
Terrence McNally delica-
damente teceu a história por
meio de reviravoltas tragicô-
micas, complementadas pelas
letras de substância compostas
por Lynn Ahrens. O livreto de
Stephen Flaherty, confortável
ao invés de cerebral, dá o to-
que de simplicidade necessária
para a peça. Stephen Flaherty e Lynn Ahren se basearam em filme independente Terrence McNally tece história por meio de reviravoltas tragicômicas
A história retrata um moto-
rista de ônibus (Alfie), irlandês recitando dramaticamente os sentimentos por um atraente como Adelle; caíram como lu- Se há uma deficiência na
de meia idade, que tem verda- poemas de Oscar Wilde. Um colega de trabalho, Robbie Fay. vas em seu papeis: o livreto mu- montagem, isso se dá porque
deira paixão por teatro ama- dia, ele conhece uma passagei- O diretor Ben De Wynter sical lhes dá a oportunidade de a equipe de criação não parece
dor, poesia e, acima de tudo, ra nova chamada Adelle, que o juntou um “ensemble” forte cantarem ótimas canções, que ter pensado muito na concep-
pelas obras de Oscar Wilde inspira a tentar montar Salomé que traz vida a seus persona- emocionam e também empol- ção do espetáculo. Restrições
(com quem conversa em sua tendo ela como protagonista. gens com total convicção. Paul gam o público. de orçamento não são desculpa
imaginação como se o escri- Mas a peça causa ira entre os Clarckson está adorável como É irônico, no entanto, que para falta de imaginação (isso
tor fosse uma espécie de men- membros mais conservadores Alfie, lidando com estilo e dig- os musicais que buscam maior nós brasileiros tiramos de letra
tor). A controvérsia tem lugar da comunidade (incluindo o nidade com todas as comple- conteúdo acabam sendo sem- e esta produção foi negligente
quando Alfie tenta encenar a açougueiro Carney, que corteja xidades da personagem e sua pre os de orçamento mais pre- neste sentido, permitindo falhas
peça “Salomé” de Wilde em sua irmã Lily), todos eles ten- jornada de autodescobrimento. cário e cuja falta de público do tipo de cortinas que não se
meio à fervorosamente católi- tando boicotar Alfie. Mas, ao Paul Monagham resiste à ten- os impede de suportar longas fecham, objetos cênicos nada
ca Dublin dos anos 60. invés de desistir, ele decide ir tação de interpretar a persona- temporadas. Os musicais mais funcionais e figurinos que caem
Alfie Byrne é uma figura lo- adiante e quebrar tabus, uma gem de Carney de forma cari- caros, com cenários mirabo- aos pedaços durante os númenúme-
cal querida por todos, um sol- decisão que o força a encarar o cata, conseguindo capturá-la na lantes que chegam até a roubar ros de dança. É, faltou mesmo
teirão (não do tipo atraente) seu eu interior, particularmen- medida certa. Patrick Kelliher o foco do enredo, não parecem o famoso jeitinho brasileiro para
que encanta seus passageiros te em relação aos seus reais como Robbie; e Roisin Sullivan sofrer desse problema. ter resolvido tudo isso.

NOTAS
MUSICAL INSPIRADO NO HOMEM-ARANHA DENZEL WASHINGTON TEM PLANOS WILL SMITH E JAY-Z PRODUZIRÃO MUSICAL
TEM ROCKSTAR COMO PROTAGONISTA DE VOLTAR AOS PALCOS INSPIRADO EM MÚSICO NIGERIANO

A peça “Spider-Man Turn Off The Dark”, que será en- A montagem do texto “Fences”, de August Wilson, “Fela”, musical que leva aos palcos da Broadway a vida de
cenada em breve na Broadway, já encontrou o intérprete promete garantir o retorno de Denzel Washington para um dos pioneiros do afrobeat, Fela Anikulapo-Kuti, já tem produ-
para a personagem-título: Reeve Carney, vocalista da banda o teatro. Os produtores Carole Shorenstein Hays e Scott tores garantidos: os atores Will Smith e Jada Pinkett Smith e o
de rock Carney. Além do cantor, Evan Rachel Wood encar- Rudin ainda não acertaram o espaço que sediará a peça rapper Jay-Z. A participação deles no financiamento da peça, a
nará, nos palcos, a namorada do herói, Mary Jane; e Alan na Broadway e nem o restante da equipe, mas prometem uma semana de sua estreia, pode garantir o sucesso da história
Cumming será o Duende Verde, o eterno arqui-inimigo. Com que terão no elenco o ator hollywoodiano, que se mantém do músico que influenciou gente no mundo inteiro, de Paul Mc-
estreia prevista para 2010, o musical contará as origens do afastado dos palcos desde 2005, quando encenou “Júlio Cartney a Gilberto Gil. A montagem reproduz o clube em que Kuti
super-herói aracnídeo e terá Bono Vox e The Edge (ambos da César”. A última apresentação de “Fences”, que contou tocou por muitos anos, na cidade de Lagos, na Nigéria. No papel
banda irlandesa U2) como compositores das músicas. Embo- com James Earl Jones no papel que será de Washington, do músico está o ator Sahr Ngaujah, premiado por sua atuação
ra o projeto conte com uma equipe estrelada, a montagem conseguiu vencer tanto o prêmio Tony, por melhor peça, nesse papel na temporada Off-Broadway da peça. Mesmo es-
enfrentou sérias dificuldades para conseguir financiamento. quanto o Pulitzer, por melhor drama em 1987. Agora, quem treando no circuito principal da cidade, os produtores prometem
Mas, segundo seus produtores, a peça já encontrou quem assume a direção do espetáculo é Kenny Leon, que já che- que não suavizarão os aspectos polêmicos da história de Kuti:
banque os mais os mais de US$ 40 milhões previstos para gou a dirigir outras duas peças de August Wilson, “Radio seu casamento com 27 mulheres e o engajamento político con-
custear a encenação. Golf” e “Gem of the Ocean”. tra o governo nigeriano estarão todos na trama.
24 15 a 30 de Novembro de 2009 Jornal de Teatro

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