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DEUS SOB ATAQUE: NOVOS ESTUDOS QUESTIONAM SUA EXISTÊNCIA

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GALILEU.GLOBO.COM

LIVRE-SE Geracão Y
DAS VELHAS ELA É SUPERFICIAL,

IDEIAS!
EGOÍSTA E DISTRAÍDA,
MAS VAI MUDAR
O MUNDO

A VERDADE É QUE...
Twitter
AS PESSOAS
FILMES VIOLENTOS POR TRÁS DOS
PERFIS FALSOS DE
DISSEMINAM A PAZ CELEBRIDADES
TV FAZ BEM PARA COMO MUSSUM E
HEBE CAMARGO
OS ESTUDOS
LER LIVROS NÃO
É FUNDAMENTAL
Mistérios
POR QUE BEIJAMOS,
SORRIMOS, FICAMOS
A PIRATARIA VERMELHOS, SOMOS
VAI SALVAR O SUPERSTICIOSOS E
CAPITALISMO CUTUCAMOS O NARIZ

COMER MUITO
NÃO ENGORDA Bolívia
COMO A MAIOR
5 CERTEZAS NAS RESERVA DE LÍTIO
QUAIS VOCÊ NÃO AS DO PLANETA PODE
DEVE ACREDITAR ÁRVO TRANSFORMAR
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AQUE ES UM PAÍS POBRE
CEM
COM COMENTÁRIOS DE O PL A NUMA POTÊNCIA
NETA
Bento Ribeiro
APRESENTADOR DO
PROGRAMA FURO MTV

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9 771415 985008
OUTUBRO 2009 I Nº219 I R$ 9,90

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Ricardo Corrêa Rita Loiola Nik Neves

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FOTOS ILUSTRAÇÃO

queda das

COMO UMA NOVA GERAÇÃO DE


ECONOMISTAS, LINGUISTAS E
CIENTISTAS ESTÁ COLOCANDO
ABAIXO ALGUMAS DE NOSSAS
MAIORES CONVICÇÕES
ocê já se permitiu duvidar se plantar árvores faz real-
mente bem para o planeta? Ou se os filmes violentos
tornam as pessoas mais agressivas? Os economistas,
sim, e resolveram investigar os dados em busca de res-
postas. As conclusões foram surpreendentes “nãos”,
com causas e consequências que desafiam o senso comum. Essa com-
binação de perguntas inesperadas e soluções improváveis é uma linha
de pesquisa que vem rendendo vários best sellers. Munidos das estatís-
ticas e números certos, autores de todo o mundo acabaram descobrin-
do que as convicções humanas são mais frágeis do que imaginamos.

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Para o economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner, eles
são os “freakonômicos”, pessoas que utilizam as ferramentas da econo- FILMES
mia para explicar os fatos do cotidiano. O termo, cunhado em seu livro
Freakonomics, de 2005, foi espalhado ao redor do globo na capa dos 4 VIOLENTOS
milhões de exemplares vendidos. Dizendo que o moralismo representa o
modo como gostaríamos que o mundo funcionasse, e a economia, como
DIMINUEM
ele funciona na realidade, o best seller mostrou, entre outras coisas, que a
criminalidade dos Estados Unidos diminuiu por causa do aborto. No fim
O CRIME
do mês, eles prometem colocar ainda mais lenha na fogueira das certezas,
com a segunda edição da série, o Superfreakonomics.
NAS RUAS
FILMES COM MUITA PANCADA
“A lógica da ciência econômica é muito poderosa para ajudar a compre-
são excelentes para deixar
ender o mundo”, diz o economista Carlos Eduardo Gonçalves, herdeiro
a cidade tranquila. Gordon
do pensamento freakonômico e um dos autores do livro Sob a Lupa do
Dahl e Stefano Della Vigna,
Economista. “Suas análises tentam, no fim das contas, entender as esco-
economistas do National
lhas humanas.” Afinal, foi a vontade de explicar como alguém optava en-
Bureau of Economic Research
tre ser honesto ou trapacear sob as forças do capitalismo nascente que fez
(Centro Nacional de Pesquisas
Adam Smith criar a economia clássica, no século 18. Para Tim Harford,
Econômicas) dos Estados
outro economista da nova geração, as técnicas de Smith são o melhor
Unidos, provaram que, quando
meio de desatar os nós da realidade e apontar soluções para problemas
há muito sangue jorrando na
aparentemente intransponíveis. “A simplicidade revela inconsistências
tela, há poucos atos violentos
em nossa visão de mundo e confronta nosso pensamento com as evidên-
na realidade. Comparando
cias”, afirma em A Lógica da Vida, livro que será lançado no Brasil
os números do público de
ainda neste mês. “A nova economia por trás de todas as coisas nos
NA TELA DA cinema, seu perfil e crimes
oferece perspectivas inesperadas, não intuitivas e irreverentes em TV: As novas cometidos no mesmo dia e
relação ao pensamento convencional.” É isso que biólogos, lin- tecnologias
ajudam a transmitir na noite após as sessões,
guistas e economistas mostram nas páginas a seguir.
o conhecimento eles descobriram que
e melhoram a a taxa de criminalidade
cognição das
crianças diminui 1,3% a cada milhão
de pessoas assistindo a um
filme de pancadaria. Na noite
seguinte à sessão, a queda
chega a 2%. Isso significa
mil delitos evitados por fim
de semana, ou cerca de 52
mil crimes a menos por ano.
“A curto prazo, esses filmes
são ótimos”, diz Stefano. “Ao
TV deixa que tudo indica, assaltantes
e assassinos em potencial
crianças preferem ir ao cinema e não
cometer crimes.” Mas não
inteligentes é qualquer filme agressivo
que provoca o sossego das
PROIBIR A TV PARA CRIANÇAS travessas ceram com os olhos pregados na telinha tive- famílias — são só aqueles
realmente pode ser um castigo. Elas vão tirar ram um desempenho pouco melhor na escola com muita quebradeira. Filmes
notas mais baixas na escola, conhecer menos (quase um ponto acima da média) do que quem pouco ou nada violentos não
sobre o mundo e terão mais dificuldades de lei- não tinha TV em casa. E, quanto mais pobre a têm efeito. Além disso, como
tura que as outras crianças. Se ela for pobre, a família, mais a falta de televisão causou impac- é proibido servir bebidas
proibição vai ter efeitos ainda mais negativos. to negativo nas provas. “Nada indica que a TV alcoólicas nos cinemas,
Jesse Shapiro, economista da Universidade de dos últimos 60 anos provocaria efeitos maléficos bebe-se menos e há menos
Chicago, nos EUA, descobriu que a TV não faz nas crianças”, diz o pesquisador. “Aliás, seus confusão. A hipótese de
mal para crianças em idade pré-escolar. Aliás, efeitos são mais positivos se elas tiverem pais Gordon e Stefano é que, após
é a falta dela que faz os jovens tirarem notas estrangeiros, com pouco estudo e pobres.” as sessões, as oportunidades
mais baixas, diferentemente do que dizem pe- Uma pesquisa recente do Departamento de para cometer um delito são
diatras e psicólogos. Jesse recolheu dados de Educação dos Estados Unidos provou que es- diminuídas. Ou seja, além de
crianças das décadas de 40 e 50 — momento tudantes submetidos a atividades online tam- reduzir o número de crimes,
em que a TV entrou nos lares norte-america- bém tiram notas mais altas. Eles ficam nove filmes assim ainda atenuam
nos — e comparou com suas notas no ensino pontos acima da média e são mais motivados o abuso de álcool.
médio. O resultado é que as crianças que cres- que seus colegas excluídos digitalmente.

“ÓBVIO QUE A TV FAZ AS CRIANÇAS MAIS ESPERTAS. ELAS VEEM SIMPSONS!”

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“Eu sou a prova que os
filmes de drama aumentam
a criminalidade. Depois
de ver essas comedinhas
românticas, tenho vontade de
sair dando tiros por aí”

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ME NTA O
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“FUNOS GIBI ANHA
SÓ EM AR ER-
HOMDO SUPM”
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“Entre um bom livro e um mau filme,


o segundo geralmente ganha, por
mais que não queiramos confessar”
Daniel Pennac, escritor francês

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LER NÃO É FUNDAMENTAL Para os franceses Pierre Bayard e
Daniel Pennac, ler um livro da primeira à última página não é necessariamente uma virtude. É
melhor passar os olhos pelo título e a orelha, pular as páginas ou deixá-lo pela metade, dizer que
leu tudo e ainda ter discussões filosóficas sobre seu conteúdo. “Ser culto é ser capaz de se orientar
rapidamente em uma obra, e essa orientação não implica sua leitura integral”, afirma Bayard em
seu livro Como Falar dos Livros que não Lemos?. Bayard é psicanalista e professor de literatura da
Universidade Paris 8, na França. Sua bandeira é dizer que a leitura passa por meios-termos como
deixar o livro fechado, ouvir falar sobre ele, percorrer suas páginas... O escritor francês Daniel
Pennac também luta pelo direito à não-leitura. Seu ensaio Como um Romance explica que é o “ter
que ler” que afasta os leitores. “Temos o direito de não ler, de pular as páginas, ler qualquer coisa
ou não terminar um livro”, diz Pennac. Faça um teste: experimente discutir com seus amigos
Ulisses, de James Joyce. Provavelmente todos terão uma opinião formada, ainda que nenhum deles
tenha lido de cabo a rabo o romance.

LEITURA
DINÂMICA: No Brasil,
apenas 20% dos
alunos da 8ª série e
24% do último ano

Gerundismo do ensino médio têm


notas satisfatórias

está certo
de leitura

“VOCÊ VAI ESTAR LENDO essa


reportagem com atenção.” Calma.
Antes de fechar a revista com raiva,
veja esses dados: um levantamento
entre a população de Brasília
mostrou que 4% fala esse tipo
de frase, e 95% delas são usadas
em situações formais. E nenhuma
dessas pessoas era atendente
de telemarketing. Parece que o
gerundismo não é uma praga e nem
sai só da boca das telefonistas. Na
verdade, ele é uma estrutura correta RODÍZIO COLOCA
e normal no português do Brasil,
que chegou por aqui junto com as
caravelas. “Desde que português é
MAIS CARROS NAS RUAS
PROIBIR ALGUNS AUTOMÓVEIS de circular veis de poluição permanecerem constantes,
português, essa estrutura está aí. E
um dia na semana aumenta o tráfego. Quanto houve um aumento no registro de veículos de
não está errada”, afirma a linguista
mais carros são proibidos de circular, mais con- 325 mil unidades no primeiro ano após o início
Patrícia Tavares, que pesquisou
gestionamento nas ruas e mais poluição no ar. do programa, há 20 anos. E a maioria desses
o assunto na Universidade de
“Restrições como o rodízio de São Paulo criam in- carros recém-comprados eram latas-velhas,
Brasília. “O problema é que, ao ser
centivos para as pessoas comprarem outros car- sem manutenção e mais poluidores. Ou seja,
muito utilizada pelo telemarketing,
ros”, diz o economista Lucas Davis, que anali- em vez de deixar o carro em casa, a população
um serviço chato, ela também
sou o Hoy No Circula, o programa de rodízio prefere comprar um veículo velho e sair com ele
começou a incomodar os ouvidos.”
mexicano semelhante ao paulistano. Morando no dia da proibição. É por isso que, mesmo du-
O gerundismo aparece mais nas
na capital do México, Lucas tinha a impressão rante o período de rodízio, São Paulo registra
relações que os linguistas chamam
de que, ao deixar seu carro na garagem duran- recordes de congestionamentos. E a qualidade
de assimétricas, entre pessoas que
te um dia da semana, ele não diminuía os con- do ar não mudou tanto nos últimos anos. “De-
não são íntimas, mas também não
gestionamentos ou ajudava na qualidade do cisões como a implantação desse tipo de me-
são desconhecidas. “Usar o futuro
ar. Intrigado, já que fazia parte dos 20% de car- dida deveriam ser baseadas em análises deta-
soa arrogante, então a opção é
ros da cidade proibidos de sair, ele foi atrás dos lhadas de custos e benefícios para a cidade e
essa construção, que não parece
números. E eles revelaram que, além de os ní- para seus habitantes”, diz o economista.
tão autoritária”,
ÓCIO
diz Patrícia. NEG
IO !” PÁG.

U E ESSEO? É FE 45
AÍ Q RA D “Que rodízio que nada, o melhor plano para
“E DO TÁ ER
NÃ melhorar o trânsito de São Paulo é fechar a Argentina
e transformar aquilo num grande estacionamento.”

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“TODO DE
O
MU DODPER A
N
PÁG.
46 APREN IZAR
ECONOMM OS
ÁGUA COESES:
COMER MUITO FRANC O
BANH
NÃO ENGORDA DE JEITO.”
NENHUM
SERÁ QUE AS PESSOAS ESTÃO MAIS GORDAS porque comem mais?
Uma pesquisa da Universidade de Harvard, nos EUA, afirma que não.
Elas engordam porque os alimentos ganharam mais calorias, e não
porque são consumidos em maior quantidade. Exemplo é a batata.
Antes da Segunda Guerra, batata frita era coisa rara, difícil de ser fei-
ta. Então, nos anos 50, surgiram os descascadores de legumes, as pa-
nelas de fritura e os produtos já cortados e congelados. E hoje, as fri-
tas são o gênero de batata dominante no mundo. Ou seja, a mesma
comida de hoje engorda mais que a dos anos 20. Para os autores da
pesquisa “Por que os americanos estão mais obesos?”, o grande pro-
blema é que os alimentos são altamente processados e deixam mais
Não vale a pena
calorias disponíveis para a população — que acaba comendo o mes-
mo, mas engordando mais. “A cada 30 minutos ganhos no preparo dos
economizar a
alimentos, o Índice de Massa Corporal [padrão internacional para detectar
a obesidade] aumenta meio ponto”, diz o economista Jesse Shapiro, um
água do prédio
dos responsáveis pelo estudo. Sua equipe descobriu que, nos últimos
BASTA OLHAR A CONTA DE ÁGUA do condomínio.
30 anos, a população continua tão sedendária quanto antes, gasta a
Quantas vezes você pagou menos porque economizou
mesma energia para trabalhar e no caminho até o escritório, come por-
água? “Consumindo menos água, o morador do
ções iguais e, mesmo assim, ganhou 10 quilos. No entanto, o tempo pa-
prédio faz um favor a todos”, afirmam Carlos Eduardo
ra preparar comida diminuiu 20 minutos, ou 100 calorias a mais por dia.
Gonçalves e Mauro Rodrigues em seu livro Sob a Lupa
do Economista, lançado mês passado pela editora
SEM Campus-Elsevier. “Contudo, ele ganha pouco com
BARRIGA: A isso. Mesmo que todos os outros moradores estejam
fórmula dos
economistas para tomando banhos curtos, o melhor para cada um ainda
emagrecer: gaste os é tomar banhos demorados, pois a conta é dividida.”
20 minutos ganhos No livro, os economistas buscam desmistificar
na preparação
dos alimentos em fatos da realidade a partir de análises econômicas,
exercícios mais ou menos como Steven Levitt e Stephen
diários Dubner fizeram no livro Freakonomics. Um dos alvos
são as contas de água dos condomínios, mostrando
que quem se sacrifica para tomar banhos curtos, na
verdade, não ajuda na economia geral e ainda acaba
pagando pelo banho dos outros. Você pode até gastar
menos o recurso natural, mas não o seu dinheiro. A
mesma teoria serve para explicar as contas salgadas
do bar quando os amigos se reúnem. Por essa lógica,
economizar só vale a pena se a conta for individual.
Assim, ninguém paga pelo desperdício de todos.

ÁRVORES POLUEM E AQUECEM O PLANETA


Plantar árvores não é bom para o meio ambiente. Elas poluem, causam câncer e aquecem a
Terra. “Há 20 anos os cientistas sabem que árvores ajudam a criar ozônio, um dos maiores
poluentes do ar”, afirma o biólogo americano Mark Potosnak, autor de um estudo provando
que as plantas são causam a poluição de Las Vegas. “Mesmo uma pequena quantidade delas
em uma grande cidade faz a qualidade do ar piorar muito.” A explicação do biólogo é que,
sozinhas, as árvores são inofensivas. Elas emitem um composto que estimula a formação do
ozônio, o gás que protege a atmosfera dos raios ultravioletas. Até aí, tudo bem. O problema é
que esse composto, combinado com o óxido de nitrogênio dos carros, faz algumas espécies
criar ozônio em quantidades venenosas, que podem causar câncer e problemas pulmonares.
Em Las Vegas, a concentração do gás estava 30% acima do nível recomendado.

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DESMATAR? O físico
indiano Govindasamy
Bala também diz que
as árvores não são tão
boas quanto parecem.
Há dois anos, mostrou
que elas contribuem
para o aquecimento
global. Em regiões
polares, por exemplo,
fazem o solo absorver
calor e aumentar a
temperatura. Então a
solução é sair por aí
desmatando parques
e florestas? “Normal-
mente é muito impo-
pular cortar árvores...
e as máquinas de poda
são agressivas para
o meio ambiente”,
diz o biólogo Mark
Potosnak.”A melhor
solução é deixá-las
morrer e substituí-las
por espécies menos po-
luidoras.” Pinheiros ou
acácias, por exemplo.

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“Árvores e
pombos são as
maiores pragas
da humanidade.”

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MODELO: Os piratas
têm o papel de re-
guladores. Mostram
onde estão as falhas
do sistema e indicam
onde e como ele pode
melhorar. É por isso
que até o funk carioca
melhora a economia.
“No Brasil, os músicos
do funk fazem dinheiro
baseados em cópias
baratas e remixes de
CDs. Os jovens do
Rio queriam mudar o
modelo da indústria
da música, mas foi a
indústria que olhou o
que estava acontecen-
do ali”, diz Matt Mason.
"As companhias agora
estão legalizando o
modelo de negócios
criado pelos piratas."

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“É imoral cobrar por


coisas que podem ser
pirateadas. Já imaginou
o mundo sem os cds do
Playstation 2 de dérreal?”

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NOVELAS DIMINUEM
A PIRATARIA O NÚMERO DE FILHOS
MELHORA A DUAS GRANDES E POPULOSAS NAÇÕES
conseguiram a proeza de reduzir
no mercado de trabalho. Porém o
principal fator no caso brasileiro foi
ECONOMIA em 40 anos a taxa de natalidade de
maneira espetacular. A China viu sua
outro: as novelas. “Regiões cobertas
pelo sinal da Globo têm taxas de
O capitalismo como fertilidade cair de 5,8 em 1960 para 1,8 natalidade significativamente
conhecemos hoje foi filho por mulher em 2000. No Brasil, a menores”, afirma Alberto Chong,
salvo pela pirataria. “Se queda foi de 6,3 para 2,3 no período. economista do Banco Interamericano
as leis de direito autoral Mas, enquanto na China foram feitos de Desenvolvimento (BID) e um dos
investimentos pesados em programas responsáveis pelo estudo Novelas e
tivessem segurado os de controle de natalidade, o Brasil não Fertilidade: Evidências do Brasil. “Elas
piratas, hoje viveríamos fez nada disso. Sim, dá para colocar são poderosíssimas na idealização da
em um mundo no a conta na popularização do uso família pequena.”
qual os Estados de anticoncepcionais, aumento de O pesquisador foi atrás dos motivos
escolarização e entrada da mulher citados pelos experts para explicar os
Unidos estariam mais números da natalidade e descobriu
para uma gigantesca que a taxa de escolarização e de dis-
fazenda”, afirma Matt seminação de métodos contracepti-
Mason, autor do livro vos não eram proporcionais à queda na
fertilidade brasileira. Mas, percebendo
The Pirate’s Dilemma
que as novelas chegam a 98% dos la-
(O Dilema do Pirata, res brasileiros e que os núcleos fa-
sem tradução para o miliares dos enredos são pequenos
português e livre para (custa caro pagar muitos artistas),
download no site www. ele comparou o número de filhos
das protagonistas com a taxa
thepiratesdilemma. de natalidade no País e... bin-
com). “A pirataria go! Os dados batiam.
mantém o capitalismo
BEBÊ A
e a democracia BORDO: Onde a
em xeque. É seu taxa de natalidade
era menor, a maioria
papel fazer o das crianças ganhava
jogo de pesos nomes de personagens
das novelas. Lembra do
e contrapesos,
oferecendo boas
cigano Igor? Seu primo
não tem o mesmo Escolas mistas
prejudicam os meninos
nome à toa.
coisas para a
sociedade.” Depois de
SE OS HOMENS TINHAM DÚVIDAS que mulher atrapalha os estudos, agora há pro-
o álbum In Rainbows, vas. Uma pesquisa da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, mostrou que os me-
do Radiohead, liderar as ninos têm as notas mais baixas quando estudam com garotas, mas, em turmas de um
vendas britânicas ao ser sexo só, não há diferenças entre as notas. Quando tem mulher na classe, eles se dis-
colocado para download traem, deixam as melhores notas para elas e não passam no vestibular. “O problema
da diferença das notas masculinas e femininas começa no primário e se reflete na fa-
gratuito na internet,
culdade”, afirma a pesquisadora Sheree Gibb, uma das responsáveis pelo estudo. Na
não restaram muitos Nova Zelândia, as garotas levam vantagem em todos os graus de ensino superior:
argumentos contra a têm 63% dos diplomas de graduação, 57% dos de mestrado e 51% dos di-
pirataria musical. O plomas de doutorado. Tentando descobrir o motivo, os pesquisa-
S
PÁG.

CD físico vendeu 1,2 dores foram atrás das notas de escolas mistas e de um
T O , MAM 49

milhão de cópias e 100


sexo só (na Nova Zelândia há escolas públicas unissex). “CERNÃO TE A
As provas mostraram que, quando colocados em escolas SE LHER N AL
mil boxes, superando o masculinas, os garotos se comportam melhor e tiram notas MU LA, QUÃO
lucro do disco anterior tão boas quanto as delas. “A diferença no rendimento pode ESCOOTIVAÇ?”
da banda e deixando os ser explicada pelo comportamento das crianças”, diz a pes- A M ESMO
quisadora. “Os meninos tendem a ser aéreos, agressivos e agir M
executivos da Warner
de modo inapropriado quando estão com garotas.”
rindo à toa.
* COLABOROU Guilherme Barros PINÓQUIO: OBJETOS DE CENA 11 3129-3369

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