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Clarissa Yakiara

Limite na Medida Certa

Educando com amor, respeito e liberdade!

-Para pais, mães e educadores de crianças de 0 a 7 anos-

Ilustração da capa: Verônica Calandra Martins

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Direitos Reservados ® 2014 Clarissa Bicalho Haddad

Sinta-se livre para enviar por email, tweetar, colocar em seu blog e compartilhar na Web… mas por favor não altere o conteúdo deste e-book. Obrigada!

             
             
                 

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Agradecimentos Ao meu filho, Joã o Gabriel que despertou em mim a vontade de buscar o melhor na minha pessoa, para inspirá-lo de forma amorosa, consciente e coerente. Ao meu marido, Rafael Samdekian que me motiva diariamente a seguir e dar um passo a mais. Ao meu pai, Elias Haddad Filho que me apoia, corrige e é um exemplo de força, honestidade e responsabilidade. A minha mãe M ô nica Bicalho e a todas as mulheres que fazem parte de minha vida, amigas que me apoiam, confiam no meu trabalho ou ajudam no cuidar do meu filho para que eu possa seguir compartilhando com outras pessoas o que aprendo diariamente sobre a Arte de Educar um Ser e Me Educar. Ao meu Mestre e a minha tribo que trazem luz e calor para que minha chama interna se mantenha acesa.

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Sumá rio

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Sugestões para você que deseja dar limites com amor e firmeza:

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Porque falar sobre Limites, Birras, Castigos e Recompensas?

8

O

que são Limites?

9

E

você? Quer mesmo dar limites ao seu filho?

11

Um caminho de auto-educação: questionando e mudando hábitos!

13

Limite Educativo x Limite Corretivo:

16

O

que é a Pirraça? E os 5 passos para superá-la!

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O

que está por trás dos Castigos e das Recompensas? E como superá-los?

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Epílogo

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Sobre a autora:

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Clarissa Yakiara a sete anos atrás se deparou com uma gravidez não planejada, mas inconscientemente muito desejada, que mudou completamente os rumos de sua vida. A chegada de João Gabriel coincidiu com a sua graduação em psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais.

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Parece que havia ali um forte chamado para mergulhar profundamente no universo da maternidade. Os dois anos seguintes foram dedicados exclusivamente a ele, João. Logo que ele começou a frequentar a Escola

Clarissa retomou o trabalho (mesmo antes de se formar já fazia conferências

 

e

trabalhava com pais), naquela época com a certeza de qual era a sua missão

e

disposta a aprender e apoiar pais e mães de crianças de 0 a 7 anos por todo

o

Brasil.

Deu início então a realização de palestras para pais em escolas nas quais já havia feito estágios, e foi indicada a trabalhar com pais e mães de algumas empresas de Belo Horizonte, como o SEBRAE e a COPASA. Paralelamente, começou a receber pessoas, dentre as que a ouviam nas palestras, em trabalho individualizado de atendimento em consultório para

 

aconselhamento

sobre

questões específicas sobre a maternidade e a

paternidade.

 

Após este intenso caminhar, Clarissa pode, hoje, compartilhar com vocês um pouco do que aprendeu sobre limites, birras, amor, respeito e outras coisinhas tão comuns na vida de pais, mães e filhos. Este aprendizado foi colhido com muito carinho, como fruto, também, de sua relação com o João, do acompanhamento da vivência de seus clientes e suas dores e delícias em relação a maternidade e paternidade, além de pesquisas e estudos de diversas teorias em especial a Pedagogia Waldorf.

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Sugestões para você que deseja dar limites com amor e firmeza:

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Olá, espero que gostem do conteúdo deste pequeno texto que compartilho com vocês. São ensinamentos preciosos que podem ajudar a criação de uma visão clara e objetiva do que são limites, de como dar limites para seu filho, de como agir durante as birras e pirraças entre outra coisas.

Uma sugestão para você que está lendo este E-BOOK agora é que PRATIQUE as dicas apresentadas antes de julgá-las. Coloque em prática o passo a passo apresentado e tenha paciência para colher os resultados. Longe de apresentar fórmulas mágicas sobre como dar limites, pois não acredito que elas existam, este trabalho visa ajudar a construir uma relação entre pais e filhos baseada no amor, respeito, confiança e liberdade. Relações assim construídas geram adultos felizes e íntegros.

Este caminho que pretendo compartilhar com você requer:

1) Tempo: Lembre-se que seu filho acabou de chegar ao mundo e precisa de tempo para aprender. Isso você consegue diminuindo sua ansiedade e estabelecendo uma relação mais harmônica com o tempo, se aproximando do seu ritmo natural. Uma dica é respirar de forma consciente, lenta e profundamente várias vezes ao dia. Pare e faça este exercício sempre que se lembrar. 2)Constância: Não adianta fazer uma vez e achar que a questão está resolvida. Repita, repita, repita e, por muitas vezes, repita. Você vai falar e fazer a mesma coisa por diversas vezes, lembre-se que estamos construindo hábitos e isso requer persistência. 3)Paciência: Observe a si mesmo. Procure sempre a motivação/ intenção por trás de suas ações e busque manter sempre a paciência e alegria, você vai precisar muito destas virtudes em seu dia a dia com a criança. 4)Coerência: Com as crianças o que vale é "Faça o que eu digo e faça o que eu faço”. Quando não somos coerentes com o que exigimos das crianças, elas podem até fazer o que estamos pedindo, mas a probabilidade de estabelecermos uma relação baseada no medo e não no amor e respeito é grande. Ao educar um ser é importante pensar no longo prazo também e refletir sobre quais os valores que estão por trás das nossas ações, sobre o que estamos “plantando” e disseminando para nossos filhos.

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Porque falar sobre Limites, Birras, Castigos e Recompensas?

O

Ritmo Social atual nos faz acreditar que cada vez temos menos tempo.

Precisamos ser pais, mães, profissionais, donas de casa, maridos e esposas. Desta maneira, sair de casa mais uma vez, deixar a criança, para escutar uma palestra ou buscar ajuda de um profissional se transforma em um grande desafio. Além disso, são tantas informações que recebemos de que muitas vezes ficamos perdidos e não sabemos como agir. Foi pensando nisso que resolvi registrar minhas reflexões que podem te apoiar no processo de estabelecer limites para seu filho com amor e firmeza, de compreender e lidar com birras e pirraças e entender os mecanismos perversos envolvidos no castigar ou recompensar nossos filhos.

A

utilização de um texto em meio eletrônico (e-book) possibilita a você

realizar a leitura em uma diversidade de locais e ocasiões, onde e quando você quiser.

Este e-book, além de te apresentar uma maneira de estabelecer limites para seus filhos, vai te ajudar a:

1) Compreender e lidar com as birras e pirraças; 2)Saber o que é importante limitar e o que pode ser relevado; 3)Entender melhor as reais necessidades do seu filho nos primeiros anos de vida e as necessidades de pais e mães; 4)Construir uma relação que tenha como bases o amor e o respeito mútuo; 5) Entender melhor as consequências dos castigos e das recompensas, soluções tão utilizados hoje em dia para evitar aborrecimentos para os adultos.

Vamos lá então?

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O que são Limites?

Limites são fronteiras que trazem segurança para as crianças. E as crianças precisam de segurança. Elas nascem a partir de um processo de “desproteção” (elas deixam a vida totalmente protegida dentro do útero e saem à luz) e necessitam que os adultos apresentem as fronteiras seguras para caminhar com confiança e vontade pela vida.

Podemos pensar que a criança é como uma pequena árvore de Bonsai. Depois de germinadas, nós aparamos folhas e galhos, raízes; conformamos a planta como julgamos ser o correto (mas preservando sua origem / essência); e mantemos aquela pequena árvore constantemente monitorada para deixá-la forte e segura. Quando ela, linda, estiver mais crescida poderá ser “deixada” para viver com menores cuidados.

Noções básicas dos Limites nos Primeiros anos de vida… As fronteiras estabelecidas para a criança começam junto com o início da

vida, já no útero da mãe, é aí mesmo a primeira relação da criança com o limite: um ambiente seguro, porém delimitado, escuro, silencioso, quentinho

e acolhedor. Quanto mais respeito, cuidado e amor há desde a gravidez, mais fácil será a relação desta criança com os limites que estão por vir.

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Sendo assim, a primeira vivência do limite é física e começa no útero. A relação com o espaço físico intensifica-se no nascimento, e é no primeiro ano de vida, a partir da vivência gradual do movimento corporal do próprio bebê e dos entornos apresentados a ele, como colo dos pais, amamentação, roupas, berço, carrinho, chão, contato com a mãe, brinquedos, sons, banho, rotina etc. que a criança percebe os limites.

É

papel de pai e mãe cuidar das impressões e da forma com que elas chegam à

criança. Criar um ambiente seguro, acolhedor, harmônico e tranquilo para recebê-la.

Uma boa inspiração é recordar do ambiente que a criança se encontrava antes do nascimento, o útero, e respeitar ao máximo este espaço que a criança vai transitar agora. Pense que o mundo e o seu ritmo social acelerado, cheio de informações, luzes, formas, sons, cores, etc. deve ser apresentado de forma gradual aos pequenos que acabam de chegar. Sugiro manter a criança nos primeiros meses, mais protegida, recolhida e aproveitar ao máximo os estímulos naturais, tanto quanto possível. Desta maneira ela terá a oportunidade de descobrir seu corpo e os entornos que a cercam de forma lenta e profunda, o que permite o desenvolvimento de uma criança mais autônoma e auto confiante.

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Nesta fase a proibição, quando necessária, também deve ser física, contenção, colocar no colo, segurar a mãozinha, etc. As mãos e a boca nos primeiros anos de vida da criança devem ser bem cuidados. É importante lembrar que a criança está aprendendo e dessa maneira precisamos “ensinar" a ela qual a forma de usar suas mãos, sua boca e o que mais for necessário.

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Vejamos dois exemplos:

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''Quando a criança usa a mão para bater ou apertar alguém, o que fazer? Segurar a mãozinha da criança, falar e atuar orientando qual a maneira que desejo que ela atue, pegar sua mãozinha, por exemplo, e fazer um carinho, ou convidá-la para apertar a mãozinha e não as bochechas do outro".

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"Se ela jogar a comida ou algum brinquedo no chão, como proceder? Mostrar de forma prática e simples que as mãos são para pegar a comida e levar até a boca ou como se deve tratar o brinquedo, se for um boneco fazer carinho, dar um beijinho etc."

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Enfim, tudo isso deve ser feito com muito respeito e paciência, de forma a inspirar nossos pequenos que estão apenas chegando e conhecendo a si mesmo, os outros e o mundo ao redor.

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Limite para crianças acima de 3 anos Somente após os 3 anos, o pensamento começa a acordar e as palavras passam a fazer mais sentido, pois agora a linguagem e o mundo dos conceitos já estão mais claros para a criança. Daí em diante, a criança começa a perceber com mais clareza o outro e o limite pode ser dado também no espaço social, nas relações entre pessoas. É hora de reforçar noções de respeito, até onde posso ir, não bater, não machucar o outro, ser educado, cumprimentar etc., pois agora fazem mais sentido para a criança e podemos começar a exigir estes comportamentos sociais.

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E você? Quer mesmo dar limites ao seu filho?

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de

pergunta:

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Antes

avançarmos

nas

nossas

reflexões,

peço

que

pense

sobre

esta

A que você quer dar limites? E onde estão estes limites?

Já parou para pensar nisso? Quando faço esta pergunta muitos pais me respondem que querem dar limite as pirraças, birras, gritos e “maus comportamentos” das crianças

Você sabia que uma má conduta diz de um sintoma, não de uma característica da criança?

Se isto é verdade, e é, nos interessa buscar as causas deste sintoma para saná-las e apoiar nossos filhos a crescerem felizes. Precisamos olhar para a questão com profundidade e respeito para compreender os significados reais do que a criança está trazendo a tona (o sintoma).

Em geral, nossa tendência é eliminar rapidamente o sintoma, ‘dá um remedinho que passa logo!’. Vamos castigar e punir as crianças por seus comportamentos desafiadores ou recompensar quando não atuam de acordo com nossas expectativas! Ações simples, rápidas, que não tomam muito meu tempo e o melhor, indicadas por diversos profissionais hoje em dia, assim nem nos sentimos muito culpados. Mas, será que isso funciona mesmo? É desta forma que quero educar meu filho?

Muitas vezes fazemos assim com a educação das crianças, pois é dessa maneira que lidamos também com nossas questões: ‘tomamos uma cervejinha para esquecer dos problemas’, trabalhamos em demasia, ficamos horas na frente da TV, celular ou computador, enchemos nossa agenda, ocupamos nossa mente e nos distraímos constantemente para não aprofundarmos nos desafios e incômodos que permeiam nossas vidas.

Enfim, o que vou propor aqui é algo bem diferente disso, requer coragem e persistência: é a possibilidade de ampliar seu olhar, ir além da questão de como dar limite para seu filho, é empreender um caminho de auto educação que vai exigir que você questione valores e, até mesmo, esteja disposto a mudar alguns hábitos.

Este sintoma que a criança trás a tona, não é algo que está somente relacionado exclusivamente a ela, ele tem suas raízes no ambiente relacional que está inserida, ou seja, diz de comportamentos, sentimentos, emoções e crenças familiares, em especial de pai e mãe. Dessa maneira, é preciso

desenvolver a sua vontade para ir além do sintoma e buscar sua raiz, que muitas vezes não está na criança e, sim, dentro de você!

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Este é um caminho maravilhoso, muitas vezes árduo e surpreendente. Pode ser trilhado por pais, mães e qualquer adulto que queira inspirar as crianças de forma autêntica e coerente. O caminho exige que ora olhemos para dentro e ora para a criança. Um trabalho de auto observação, no qual permaneço atento ao que penso, sinto e faço. Paralelamente à auto observação, observo também este pequeno ser, meu filho(a), que com sua espontaneidade e pureza lança luz constantemente a questões escuras que teimamos em esconder, inclusive de nós mesmos.

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Um caminho de auto-educação: questionando e mudando hábitos!

O

primeiro passo deste trabalho é entender o que acontece com a criança, nos

primeiros anos de vida, para realmente podermos educá-las de uma maneira consciente e coerente. É importante saber que grande parte dos aprendizados da criança vem dos exemplos que ela recebe, ou seja, ela vai imitar o que vê, sente, escuta, enfim o que ela consegue perceber do meio no qual ela vive. Ela atua como uma 'esponjinha' que absorve o que está ao seu redor.

! Nós, enquanto educadores, pais e mães, também já fomos crianças e trazemos conosco crenças,
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Nós, enquanto educadores, pais e mães, também já fomos crianças e trazemos
conosco crenças, padrões, hábitos, valores e toda uma bagagem consciente e
inconsciente do que nos foi passado. Dessa forma, para educar uma criança
precisamos estar atentos a esta bagagem que carregamos conosco, avaliar o
que queremos manter, o que faz sentido mantermos e o que não queremos
mais, o que não queremos repetir para a formação de nossos filhos.
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Este trabalho, de observar a si mesmo e escolher, à luz da consciência e
clareza mental, o quero manter vivo e atuante dentro de mim e em minhas
relações, é o que eu chamo de Auto-educação. Rudolf Steiner, criador da
Pedagogia Waldorf, já dizia: “Toda educação é auto-educação, e nós na
qualidade de educadores, em realidade formamos apenas o ambiente em que
a criança educa a si mesma”.
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Este é o primeiro grande ensinamento: Compreender que EDUCAR “seu filho” nada mais é que uma grande OPORTUNIDADE de educar a si mesmo.

E

qual seria o caminho para empreender esta AUTO-EDUCAÇÃO?

Existem vários caminhos possíveis o que vou te propor é simples e eficaz. Pratico em meu dia a dia e acompanhei e sigo acompanhando junto a diversos pais, mães e amigos.

Um caminho possível rumo a auto-educação:

Passo 1 - Observe a criança - Grande parte do que a criança trás à tona ela aprendeu com os pais e começou a imitar. Por isso observá-la é uma grande oportunidade de ver aspectos seus refletidos ali. Observe sem julgar, da forma mais neutra que conseguir. Vejamos um exemplo: “Se observa que seu filho grita

- antes de julgá-lo ou se preocupar, observe bem a criança - quais os comportamentos dela, em quais momentos fica mais agressiva e grita, procure saber como ela se comporta em outros ambientes quando não está com você, com quais pessoas ele grita

mais etc.. E antes de agir, vá para o segundo passo.

Passo 2 – Exerça a auto-observação - Depois de observar bem a criança, observe a si mesmo com desprendimento e honestidade. Pergunte a si mesmo: você é um exemplo do que vê em seu filho? Como você é de alguma maneira corresponsável pelo que a criança faz? Seguindo o exemplo anterior:

“Observe como você comunica com a criança e outras pessoas que convive; você grita?; você fala alto, mesmo quando não é preciso?; fala de maneira agressiva?; muda seu tom de voz e expressão facial quando está nervoso?; etc.”. Não faça nada ainda, vamos ao

passo 3.

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Passo 3 – Mude seus hábitos - Agora sim, a partir do que identificou no processo de auto-observação, mude e redesenhe seus hábitos que de alguma maneira contribuem para inspirar o comportamento inadequado que você observa na criança. Seja você um exemplo da mudança que quer ver no outro, antes de exigir qualquer coisa do seu filho. Ex.: “Fale baixo e com suavidade;

expresse seus sentimentos com honestidade; converse com presença e atenção com as pessoas; comunique com mais amor e respeito com você mesmo. Lembre-se que seu filho está te observando!”

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Passo 4 - Comece a construir um novo mundo - Agora vamos trabalhar com nosso filho. Crie com apoio em histórias, contos de fadas, jogos, brincadeiras, canções e outros recursos lúdicos um ambiente para guiar a criança por um caminho mais assertivo em direção ao comportamento desejado. Dessa forma, você vai falar a mesma linguagem que seu filho, além de ter a chance

de modificar um comportamento indesejado sem se sentir culpado depois. No

caso do exemplo que estamos acompanhando: “Uma idéia interessante seria criar

uma pequena história, para crianças acima de 3 anos. Pode ser um Papagaio que gritou tanto que perdeu a voz e depois disso foi procurar sua voz pela floresta, aprendeu várias lições com os outros animais (aqui você coloca de forma bem simples e lúdica os valores que deseja passar para seu filho) até recuperar sua voz quando aprendeu a tratá-la com mais respeito.”

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Enfim, esta é só uma idéia, você pode criar, imaginar, se divertir e o melhor

de tudo: descobrir um caminho de cura e transformação para seu filho e

também para sua criança interior, que talvez esteja aí há anos adormecida e

entediada.

A

meu ver, as crianças nos dão uma oportunidade, valiosíssima, de

resgatarmos aspectos de nossa própria infância, rever interpretações e juízos, reviver momentos felizes etc. Quando abraçamos esta oportunidade podemos curar feridas, traumas e interpretações que geravam sofrimentos oriúndos da

infância e escolher focar nos aprendizados e momentos felizes que com certeza também vivemos.

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Vejamos um exemplo pessoal: "Lembro-me que quando era criança eu detestava ver meus pais discutirem, quando isso acontecia eu ficava super incomodada, especialmente se haviam outras crianças comigo presenciando a cena, ficava com vergonha, triste,

sentia raiva e deseja com toda minha força que este momento acabasse logo. Certa vez, (agora já adulta, casada e com filho) estava no carro com meu marido, meu filho e um amiguinho dele, eu e meu marido começamos a discutir. Percebi, após alguns minutos de discussão intensa, um grande incômodo no meu filho que estava agitado, tentando desviar sua própria atenção e a do colega cantando uma música em voz alta. Olhei para trás e seus olhinhos diziam tudo. Neste instante, me vi refletida ali, vi a criança que já fui e que ainda vive dentro de mim, que se assusta com gritos e com palavras agressivas e desrespeitosas. Me calei. Lembrei que 'quando um não quer dois não brigam’ e internamente começei a buscar minha responsabilidade naquela situação. Uma infinidade de aprendizados surgiram durante os dias que se seguiram àquele episódio. Pude me aproximar dos meus pais e me colocar no lugar deles, aceitando e respeitando o que faziam não mais desde a raiva e sim de um outro espaço de compreensão. Pude me aproximar do meu filho, pedir desculpas, agradecer pelos aprendizados que sua reação me propiciou, comunicar sobre minha dor e fazer novos acordos na tentativa de não repetir aquele episódio. Conectar-me com minha criança interior, escutá-la, sentir novamente suas dores e dar novo significado a elas, agora como mulher, mãe e adulta capaz de olhar com maturidade para a situação vivida na infância."

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Enfim, cito de forma breve alguns aprendizados que obtive desta situação que vivi e deixo o convite para você mergulhar profundo neste caminho de auto- educação e deixar que a partir dos seus desafios possam nascer grandes aprendizados, capazes de levar você e as pessoas ao seu redor ao crescimento e evolução. Agora é a sua vez: crie um ritual e experimente estes quatro passos. Eles vão te apoiar a se tornar íntimo de você mesmo(a) e sensível a quem você mais ama.

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E como último ponto lembre-se que para mudar um hábito a repetição é fundamental! Persevere, persista e confie que a possibilidade de ser um pai e uma mãe inspiradores está dentro de você!

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Limite Educativo x Limite Corretivo:

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Vamos agora avançar mais um pouco em nosso tema principal. Vou te apresentar dois tipos de limites: os limites educativos e os limites corretivos. Os limites educativos são o que te apoiarão a construir a relação pautada no respeito, amor e confiança com seu pequeno, ao passo que os limites corretivos vão te apoiar a ter uma visão ampla do que significa e de como atuar quando um conflito já está instaurado.

A.Os limites educativos Os limites educativos são, na minha opinião, aquilo que realmente educa o ser, como o próprio nome diz.

O

limite educativo tem efeito no longo prazo. É preparar o ambiente para que

a

criança possa se desenvolver, cuidar de todo o entorno que a cerca e das

impressões que chegam a ela, além de manter a atitude de disponibilidade para educá-lo! Assumir de uma vez por todas que foi você quem escolheu ter um filho, conscientemente ou não!

É saber que minha presença ao lado da criança, guiando seus primeiros passos é fundamental para a construção de um ser autoconfiante e com autoestima suficiente para crescer na vida de maneira segura. A presença de

que falo aqui, é o que inspira nossos filhos. Ela é apresentada a ele, nosso filho, sob a forma de nossos exemplos, da forma como nos relacionamos com

 

outro, com o mundo e por meio do desenvolvimento de uma relação de autoridade amorosa.

o

A

construção desta relação de autoridade amorosa e deste entorno que educa

e sustenta, é o que chamo de limite educativo. Vejamos então o passo a passo para os limites educativos:

1 - Entenda as necessidades da criança: É fundamental observá-la, estudar, pesquisar e manter a atitude de interesse genuíno pelo seu filho. Questionar- se sobre o que esta criança necessita, em cada etapa de sua vida, é o primeiro passo para estabelecer limites seguros. Neste momento, é muito importante desenvolver sua intuição para não seguir em caminhos equivocados pelo simples fato de confiar na opinião de pessoas que estão distantes da situação

e pouco abertas a compreender o todo ali apresentado. Por exemplo: não é

porque a maioria das pessoas castigam seus filhos (inclusive a Super Nanny ensina em um programa na TV) que você também precisa fazê-lo (falarei sobre castigos e

recompensas mais a frente). A observação do seu filho, o conhecimento adquirido

e o desenvolvimento de sua percepção intuitiva são seu melhor apoio para construir relações baseadas no respeito e amor.

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2

- Entenda suas necessidades (adulto da relação): Você deverá cultivar

o

interesse por seu processo de autoconhecimento, gerando um espaço interno cada vez maior, de intimidade com você mesmo. Escutar essa voz mental que te acompanha diariamente e conhecer o que motiva suas ações, palavras e sentimentos. Vejamos um exemplo simples: “Quando vamos sair com a criança

para brincar em uma pracinha e ela quer escolher a própria roupa que vai usar. Suponhamos que ela escolha um short xadrez com um blusa floral, as quais a

Muitas vezes vamos tentar convencê-los de trocar de roupa e

a situação pode se transformar num grande conflito. Te convido a se perguntar: Quero

ficar em paz ou realmente esta é uma questão que merece limites claros e vou impor o que quero? Se preferir a paz, solte a questão e deixe a criança ir com a roupa que deseja, afinal está indo somente a pracinha. Se realmente esta for uma questão para você se pergunte também: ‘qual é a real necessidade da criança?’ Seria expressar sua vontade, fazer suas próprias escolhas, diferenciar sua identidade… ‘E qual é a minha real necessidade na situação?’ Estou preocupada com a aparência do meu filho, com o que os outros vão pensar dele por medos que trago comigo de ser julgada, criticada? Minhas ações estão constantemente baseadas na necessidade de ser aceita, amada e reconhecida

pelos demais? ou simplesmente, Quero proteger meu filho de críticas de outras crianças?’ Nesta situação é importante observar honestamente a minha intenção diante do comportamento da criança! Porque este comportamento do meu filho me incomoda? Ele pode dizer muito mais a meu respeito do que imagino. Meu filho pode estar me mostrando uma grande oportunidade de resgatar minha autenticidade, o respeito as diferenças, entre várias outras coisas.

combinação passou longe

3

- Crie regras claras e firmes: É fundamental estabelecer na sua família

regras claras que devem ser seguidas por todos (friso, todos) levando em consideração as necessidades autênticas das crianças e adultos. Cada família vai definir quais são as regras e valores que deseja estabelecer no convívio, de forma clara, simples, objetiva e de preferência de maneira que os adultos da família (pai e mãe) estejam de acordo e dispostos a seguí-las sempre (ao menos na frente das crianças).

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Por exemplo: Se na sua casa comer doce é somente nos finais de semana, seja firme em sua decisão. Quando entendemos os impactos do açúcar em nosso organismo não vamos

ficar com pena da criança e ceder, pois sabemos que estamos fazendo o melhor para ela

e para nós mesmos (daí a importância de buscar informações antes de estabelecer as

regras). Dessa maneira, seja coerente e coopere com o que foi acordado pelos adultos da família.

4

- Crie uma rotina de vida saudável para seu filho: O quarto passo para

estabelecer limites educativos é criar uma rotina saudável. Isso significa, que

você deve estar atento aos três segredos de uma rotina saudável que são movimento, alimentação e sono. Ou seja, diariamente é importante que seu filho tenha uma boa dose de movimento (brinque livremente dentro e fora de casa) para gastar energia e se desenvolver. A alimentação para gerar a energia necessária ao movimento deve ser escolhida com base nos costumes alimentares da família. Dê preferência aos alimentos frescos, naturais e orgânicos. Compartilhe as refeições em família quando possível e crie um

ambiente tranquilo para este momento sagrado. A alimentação é um momento de grande importância emocional para o ser humano, no qual vamos apoiar a criança a amar e respeitar o que a nutre, além de ensinar valores compartilhados pela família. Dessa forma não devemos ‘distrair’ as crianças com televisão, brinquedos, barulhos, discussões, celulares, etc. e, sim, levá-las a vivenciar este momento com reverência e respeito.

Depois de brincar muito e comer bem, a criança estará cansada e terá mais sono no final do dia. Assim, mais uma vez, fique atento ao ambiente que você cria para ela dormir, o ambiente deverá ser silencioso, escurinho, tranquilo e muito acolhedor. Criar um ritual para o início do sono e repetí-lo diariamente trás mais confiança para a criança, pode ser uma canção, uma oração, uma história, ou algo que você crie e que faça sentido para você e seu filho.

Estes quatro passos vão te apoiar a estabelecer os limites a partir de uma relação que vai além autoritarismo, da imposição e do poder ‘porque eu sei, eu mando, eu quero assim e ponto final’. Os limites aqui nascem de uma autoridade amorosa, do amor que vem dos adultos que educam de forma atenta e comprometida, que buscam a cada instante ser um modelo digno de ser imitado por seu filho. No qual suas ações são claras, firmes e coerentes, além disso, mantêm uma atitude disponível, presente para seu filho.

B. Os limites corretivos São ações, que nascem de uma visão ampla e capaz de acolher as necessidades das crianças, e que vamos ter nos momentos em que os conflitos, que as envolvem, já estão acontecendo. No meio de uma pirraça, briga ou discussão o que devemos fazer?

Abaixo, compartilho com vocês alguns passos que levam a esta ações que corrigem, amparam ou guiam os comportamentos infantis por caminhos mais assertivos. Em geral, utilizamos estes passos nos momentos em que as crianças estão vivendo algum conflito. Muitas vezes, estes momentos despertam emoções em nós adultos também e fazem com que atuemos de forma reativa e sem refletir sobre as conseqüências de nossas ações.

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Estes passos são simples e devem acontecer de forma rápida, pois não há muito o que procrastinar quando o conflito já está presente. A prática te apoiará ao decidir cada vez mais rapidamente. Decidir o que fazer a partir da compreensão e vivência do que funciona para sua família, de forma mais consciente e consequente.

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Vejamos os Passos para os limites corretivos - diante de um conflito:

1

- Observe as necessidades da criança: Veja este exemplo extraído de um

texto da autora Helle Heckman e observe como as necessidades das crianças são simples quando estamos atentos e disponíveis: "Observe o momento quando

você vai buscar seu filho na Escola. No exato momento que ele sai da sala. O seu celular toca e você atende? Você cumprimenta seus amigos e começa uma conversa intensa? Se a resposta foi SIM, você não está presente para a criança. Ela esteve pelo menos 4 horas

e você não está lá! Então a criança grita: “Quero

uma bala!”, “Quero isso, quero aquilo!”, ou começa a correr ou a cair ou a se meter em pequenas encrencas porque ela está confusa, pois na verdade ela te viu, mas não te encontrou! Do contrario, se você tomar o tempo (e isso talvez leve 5 segundos) de se abaixar, dar-lhe um abraço e então cheirá-lo (tão lindo! tão querido!) e assim realmente ESTAR lá, seus olhinhos lhe dirão, muito mais do que palavras, como foi o seu dia. Ele não pode contar-lhe com palavras, pois não se lembra, mas seus olhos lhe contarão tudo. Então, você o toma pela mão e andam juntos (num passo que a criança possa acompanhar, é claro!), e isso é realmente amável, pois assim você está criando um belo momento, um “momento você e eu”. Agora, se precisa cumprimentar as pessoas, você já pode, rapidamente, mas sempre junto com a criança porque ela sentirá “Eu estou onde pertenço, junto com minha mãe/pai”.

1

fora de casa e tudo que deseja é você

2

- Observe o que você está sentindo: Como já disse, em outros momentos o

trabalho de auto observação é uma constante indispensável para a construção de uma relação amorosa, coerente e respeitosa com as crianças. Neste momentos, a orientação é observar com atenção suas emoções, em especial a raiva, tristeza, medo e alegria. ‘Quais emoções surgem diante de um conflito? O que os comportamentos desafiadores do seu filho despertam em você? Será que estas emoções já estavam aí reprimidas ou surgem somente nos momentos desafiantes com as crianças? O fato das atitudes de seu filho não corresponderem às suas expectativas gera que tipo de emoção em você?’ Faça estas e outras perguntas de forma comprometida em diversos momentos do seu dia a dia com a criança e surpreenda-se com as respostas que poderá encontrar.

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“As crianças que não têm limites nos deixam exasperados e somos obrigados a nos deter e a nos observar. Descobriremos que somos nós, os adultos que estamos limitados em nossa capacidade de introspecção e comunicação com nós mesmos e com os demais." Laura Gutman 2

3- Decida: Depois de observar suas emoções frente a uma situação conflitiva, com a percepção mais ampla e consciente das necessidades das crianças, decida como vai atuar para retomar seu estado de paz antes de apoiar a criança a voltar para o equilíbrio.

4- Aja: Com a decisão tomada, entre em ação. Aqui é necessário muita

1

Trecho extraído de texto distribuido na Escola Polén da autora Helle Heckman. Sem bibliografia.

2

GUTMAN, Laura. A maternidade e o encontro com a própria sombra. Ed. Best Seller

criatividade, a prática e a persistência vão te apoiar a desenvolver a criatividade necessária. Você pode escolher o que fazer e pouco a pouco ir observando o que funciona melhor para você, para seu filho e para o momento e espaço em que se encontram. Seguem alguns exemplos de ações que podem te inspirar:

a- Contenção física quando a criança está totalmente descontrolada e a ponto de se machucar ou machucar a outra pessoa. Segure os braços e pernas da criança e com seu próprio corpo transmita a mensagem desejada. Não precisa falar nada neste momento ou simplesmente pequenas frases como: ‘A mamãe está aqui com você!’, ‘Fique tranquilo estou aqui para te apoiar’. É preciso agir com muito cuidado para não machucar sua criança e/ou você mesmo. b- Retirar-se da situação, quando você também está a ponto de perder o controle. O melhor é sair de cena e dar um tempo para você e para a criança se centrarem novamente. É claro que somente quando a situação permitir que a criança fique segura sem você por perto. c- Simplesmente, sentar-se e observar com tranquilidade a criança, esperar com paciência até que a criança expresse o que está sentindo e volte ao centro. Dessa forma você pode apoiá-la com sua presença, olhar e ter uma atitude compassiva. Essa é a minha favorita e a mais desafiante de alcançar, pois constantemente me envolvo emocionalmente com a situação. d- Conversar com a criança quando as emoções já estiverem menos intensas. Uma boa maneira de fazer isso, é tentar contar uma história interessante, objetiva e criativa que remeta ao aprendizado que deseja que seu filho tire da situação. e- Mudar o foco da criança. Levar a atenção da criança para algo além do que está gerando o conflito.

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Estes são apenas algumas maneiras que podemos atuar para dar limite a atitudes de nossos filhos com as quais não estamos de acordo. Você pode criar a sua e observar os resultados. São formas alternativas à maneira com que muitos de nós fomos educados, por meio de castigos, recompensas, gritos, ameaças, agressões etc. Pratique e observe se faz mais sentido atuar assim em seu dia a dia!

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O que é a Pirraça? E os 5 passos para superá-la! 3

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As informações a seguir podem te trazer clareza, compreensão e, quem sabe, mais tolerância frente a momentos de pirraças e birras de seus filhos. Leia, com bastante atenção, e abra seu coração para acolher as suas emoções e as dos pequenos.

“O que é então a famosa pirraça?”

A

pirraça nada mais é do que um conflito emocional vivenciado pela criança.

Vejamos: quando uma criança nasce o plano natural é de que ele se apegue aos seus cuidadores para sobreviver. Já observou o quanto o bebê humano é dependente dos seus cuidadores? Diferente de outros mamíferos que com pouco tempo de vida já são mais independentes? Nosso bebê precisa de atenção, afeto, comunicação, alimento, calor, contato, enfim essas são umas das principais necessidades que ele precisa para se desenvolver, especialmente pelo fato de que ele não se locomove autonomamente nos primeiros meses de vida. Se estas necessidades forem entregues ao bebê de forma adequada e em abundância é provável que nasça, entre o cuidador e criança, uma relação baseada no ‘apego seguro’. Isso é a base para formação de uma personalidade segura, autoconfiante, com autoestima elevada, capaz de suportar desafios e, por mais contraditório que possa parecer, uma criança futuramente independente e autônoma.

Por volta dos dois anos de idade, a sobrevivência da criança já está ‘mais garantida’ e a natureza muda seus planos para aquele pequeno ser: agora é o momento de preparar a criança para a independência (autonomia). Não que antes isso não seja trabalhado, mas o foco recaia nas necessidades básicas de um pequeno ser com baixíssima autonomia. A criança vai manifestar esse “instinto” natural de se tornar independente de forma rudimentar e simples, ela vai negar ao outro. Você vai reconhecer esta etapa facilmente, pois a palavra mais utilizada será o não.

O

fato da criança negar o mundo ao redor, as pessoas, o que lhe é oferecido, a

sua rotina e, principalmente, o que as pessoas mais próximas lhe oferecem é a maneira mais simples que ela tem de seguir este plano que a natureza está lhe oferecendo. Este não quer dizer simplesmente: "Mamãe eu não sou você!”,

“Papai eu posso escolher algo diferente de você!”, “Eu estou crescendo”, “Posso querer, desejar e fazer coisas que você não quer”.

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Baseado no texto: "Las rabietas", de Rosa Jové.Sem referências bibliográficas.

Ela não está fazendo por mal, porque é chata, porque quer te testar, nada disso: ela simplesmente está sentindo que chegou o momento de se colocar no mundo como um ser único e em algum aspecto diferente dos demais e a maneira que ela encontrou de te dizer isso foi negando você e o mundo ao redor.

! E como dói ser negado, não é verdade? Como nós seres humanos interpretamos a
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E como dói ser negado, não é verdade? Como nós seres humanos
interpretamos a separação de forma tão equivocada e dolorosa. Dentro de
nós, pais e mães, sentimos despertar uma série de emoções, raiva, tristeza,
medo, que precisam ser investigadas (passo 2 do Limite Corretivo) e não
projetadas de forma inconsciente em nossos filhos, por meio de uma
palmada, um grito, um castigo ou outros métodos que usamos.
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Acho importante dizer aqui, que sou mãe e que sei que nós também
estamos aprendendo com nossos filhos e redesenhando hábitos antigos.
Ás vezes, sei que vamos perder o controle e a única coisa que seremos
capaz de fazer é gritar ou dar um apertão na criança. Confesso que
também já fiz isso. Nestes momentos, é preciso ter compaixão consigo
mesmo e fazer o que deve ser feito para se perdoar e caso sinta vontade
pedir desculpas para a criança também. Ufa, que alívio você deve estar
sentindo ao escutar isso, né?! rs.
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Continuando: geralmente, seguir este impulso natural e negar a quem mais ama gera um conflito emocional enorme para a criança. Na maior parte das vezes nós pais, mães e cuidadores não entendemos o que se passa com as crianças (porque estão negando tudo) e normalmente nos enraivecemos com elas. Por sua vez, as crianças notam que estão enfrentando os seres que mais amam e isso provoca uma ambivalência de sentimentos nelas. E isso culmina em nada mais nada menos que nas “pirraças”: uma espécie de luta interior entre o que devo fazer por natureza e uma incompreensão dos meus pais que me geram um sentimento ambivalente e negativo. Muitos pais vivem essa etapa com muita ansiedade porque pensam que é uma maneira de rebeldia da criança, que estão querendo os desafiar, desobedecer e testar. A criança contraria os pais para lhe dizer algo muito importante: “estou crescendo, eu não sou você, posso querer, desejar e fazer coisas que você não quer que eu faça.”

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E quais seriam então os passos para superar uma pirraça? 1) Compreenda que a criança quer diferenciar sua identidade. Isso significa que é nosso papel de pai e mãe compreender que a criança não quer nos testar ou nos deixar com raiva quando está fazendo pirraça. Ela simplesmente está seguindo o plano da natureza para que cresça e se torne um ser autônomo.

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2) Deixe que ela faça o que ela quiser. Antes de questionar este passo, lembre-se que é você que, observando as necessidades da criança e da família, vai estabelecer quais são os limites, até

onde seu filho pode ir. Dentro das regras e rotinas estabelecidas, agora sim, deixe que a criança faça o que ela quer. Imagine que as regras e a rotina são a moldura de um quadro, dentro da moldura a criança pode se movimentar livremente.

Para facilitar este trabalho pergunte-se se é perigoso ou nocivo o que a criança está fazendo? O mais importante é zelar pela vida humana. Agora de acordo com minha experiência poucas coisas que as crianças fazem são realmente perigosas, a ponto de colocar a vida delas em risco.

Quantas vezes nós "brigamos" por querer que a criança use a roupa que eu quero e aí vem a pirraça. Muitas vezes, uma roupa pode atentar contra o “bom gosto”, mas dificilmente atentará contra a vida da criança.

Nosso papel de pai e mãe é cuidar do ambiente no qual a criança vai se desenvolver, criar um espaço seguro e adequado para que nossos filhos possam se movimentar livremente. Quando eu cumpro meu papel com excelência, posso deixar que meu filho faça o que quiser!

Por exemplo: “Quando a criança pega uma faca e começa a fazer uma pirraça porque eu "tirei"o objeto de sua mão, é importante que eu reconheça que a responsabilidade

muitas vezes é minha por deixar a faca ao alcance dela. Neste caso, claro que vou tomar

a faca da mão do meu filho e deixá-lo chorar, mas num segundo momento é importante

rever minha responsabilidade e até pensar se não é o momento de mudar o local que

guardo as facas e outros objetos perigosos em minha casa. É apenas por um tempo, logo

a

criança ficará maior e entenderá que não pode mexer ali.”

O

fato da criança experimentar o resultado das suas ações sem a rejeição

paterna apoia o desenvolvimento de um ser confiante e com autoestima equilibrada.

3) Evite tentações. Observe quais são os momentos que seu filho faz mais pirraça. Essa é a chave para que você descubra o que é uma tentação para seu filho e como evitá-la em seu dia a dia.

No supermercado querendo doces e guloseimas, na hora de comer, à noite

passeando em shoppings ou locais que tiram a criança da sua rotina, na hora

de

dormir etc.?

Já observou? Agora, como fará para evitar esse comportamento? Você pode mudar pequenos hábitos e atitudes que terão um grande impacto na vida familiar! Usar a criatividade para manter as regras e fazer com que a criança faça o que você quer sem gerar muito conflito. Por exemplo: “A criança está

brincando e você a convida para tomar banho, ela não vai, resiste, chora e logo começa a fazer uma pirraça. Antes do conflito se instalar, você pode contar uma história de um

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bichinho que não gostava de tomar banho, ou levar algum boneco para tomar banho com ela, fazer bolhas de sabão, enfim, usar da sua criatividade e envolver a criança falando uma linguagem que ela entenda.

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Assim você a conduz para o que deseja, sem entrar em guerra!

4) Não julgue nossos filhos. Quantas vezes julgamos nossos filhos por suas atitudes? “Que menina feia

Mas assim você está muito bobo

brinquedos pro amigo

Menino bonito come tudo

Que menino mais mal educado, não quer beijar a vovó…"

Que egoísta não quer emprestar seus

Assim você está chato

! Já se perguntou qual o impacto de frases como essa na vida de quem
!
Já se perguntou qual o impacto de frases como essa na vida de quem você
mais ama?
!
Posso não estar de acordo com o que meu filho está fazendo, mas isso não
significa que ele é melhor ou pior por se comportar assim. Veja este exemplo e
se inspire:
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"- Meu amor a vovó chegou, vamos dar um beijinho nela?

- Não!

- Sabia que quando as pessoas vem a nossa casa elas se sentem muito felizes quando a

gente as recebe com um beijinho?

- Sabia!

- Então, vamos dar um beijinho na Vovó, ela está esperando!

- Não quero!

- Mamãe tá percebendo que você não quer dar um beijinho nela (valido aqui o sentimento

dele) e como podemos fazer então para que ela se sinta bem em nossa casa?

- Eu quero mostrar meus brinquedos para ela, ou Eu quero dar um beijo na mão dela, ou

Quero dar um aperto de mão nela alternativas para ela!)"

(caso a criança não sugira nada você pode dar

5) A pirraça passa com a idade. É verdade!!! Chegará um dia que a criança terá uma linguagem mais clara e adequada para explicar o que deseja, não necessitará mais chorar ou espernear! Ainda mais se conduzirmos esta etapa tão importante do desenvolvimento infantil de forma adequada. E cabe a nós pais termos paciência e amor para acolhermos todo sentimento que vem das crianças, essa é a grande chave!

Se você acha que será desafiante recordar destes passos diante da pirraça tenho duas dicas importantes:

1) Respeite seu tempo e vá trabalhando um passos de cada vez. Não seja tão exigente com você mesmo! 2) Na dúvida do que fazer (entendo que é desafiante decidir o que fazer quando estamos a ponto de perder a razão) respire e acolha seu filho, por que

ele está precisando também. As pirraças são conflitos emocionais nos quais as crianças estão sofrendo também!

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“Me queira quando eu menos mereça porque será quando eu mais precise”, ou “tente se colocar em meu lugar porque eu também estou me sentindo mal”. Rosa Jové .

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Frase extraída do texto: "Las rabietas", de Rosa Jové. Sem referências bibliográficas.

O que está por trás dos Castigos e das Recompensas? E como superá-los? 5

Quando criamos ou educamos com respeito, frente a uma má conduta de nossos filhos, longe de reprimir ou castigar, nos perguntamos quais são os motivos que os tem levado a esse comportamento. Uma má conduta diz de um sintoma, não de uma característica da criança, e nos interessa buscar as causas deste sintoma para saná-las e apoiar nosso filho a crescer feliz.

Observem se a sua maneira de educar seus filhos se baseia na ideia: “faz isso e receberá aquilo”. Os prêmios que se oferecem as crianças para que comam ou se comportem bem (entenda-se que as ações das crianças correspondam as minhas expectativas) podem ser tão prejudiciais quanto os castigos, são duas faces de uma mesma moeda.

“Castigos”:

“Cadeira para pensar”, “dar um tempo” ou as “conseqüências lógicas” - são maneiras de camuflar o que, em essência, é um castigo. Por exemplo: não comeu a sopa e como conseqüência da “sua decisão” não vai a casa do seu amigo. Impor algum grau de sofrimento à criança, para alterar um comportamento, não ajuda a criança a se tornar uma pessoa que toma suas decisões de forma ética e compassiva.

Ás vezes parece que o castigo funciona, e se prestarmos atenção veremos que ele é algo que proporciona um cumprimento temporal, e nos vemos “obrigados” a aumentar “o grau dos castigos”. A criança é induzida a evitar o castigo, é possível que uma criança que escuta: “Não quero te ver fazendo isso outra vez”, possa pensar: “tudo bem. Da próxima vez você não vai ver. Vou fazer escondido”.

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Acho válido refletir sobre a razão pela qual castigamos e questionarmos sobre os impactos dos castigos em nossas vidas e de nossos filhos. A partir daí, você terá mais clareza para decidir se deseja castigar ou não.

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Entenda porque castigamos:

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É fácil e esperado pelo nosso entorno.

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Nos faz sentir poderosos: “eu tenho o controle”.

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Baseado em:

Alfie Kohn, Beyond Discipline Alexandria, Va.: Association for Supervision and Curriculum Development, 1996. Alfie Kohn, Cinco razones para dejar de decir “Muy bien”.

Funciona ou pode funcionar a curto prazo. Entretanto, é importante parar e refletir sobre as conseqüências no longo prazo, valores que eu estou ensinando para meu filho quando o castigo.

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Muitos de nós fomos educados de maneira punitiva e vivemos rodeados por isso em maior ou menos escala.

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Muitas vezes acreditamos não saber como atuar diferente.

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Ficamos com medo de que a criança que não for punida vai repetir o comportamento novamente ou até mesmo de maneira pior. Damos a mão elas querem o braço.

! ✓ Pensamos, erroneamente, que a alternativa ao castigo é não fazer nada. Se não
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✓ Pensamos, erroneamente, que a alternativa ao castigo é não fazer nada.
Se não castigamos estamos sendo permissivos.
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Temos que superar essa dicotomia ou castiga ou não faz nada: trabalhar junto
com a criança, ser seu aliado e não seu inimigo. Adiante vou apresentar
algumas dicas de como superar os castigos, mas antes vamos entender um
pouco melhor as recompensas.
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“Recompensas”

É o outro lado da moeda. Não estamos ensinando a criança a se comportar

bem, a escolher um comportamento bom como fim em si mesmo, como gerador de uma pessoa ética, de caráter. Estamos estimulando uma obediência temporal. O único benefício que a criança vê em se comportar bem é a recompensa que recebe pela atitude e logo pode perder o interesse pelo que é oferecido.

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Colocadas estas idéias sobre os castigos e as recompensas sugiro praticar, como alternativa, e de forma a superá-los, gradualmente, os 5 pontos citados abaixo:

1) Se coloque no lugar da criança. Seja empático e observe como algumas vezes a humilhamos, ou a colocamos em um lugar embaraçoso quando chamamos atenção na frente dos amigos, gritamos, batemos. Como você se sente quando isso acontece com você?

O

castigo pode mudar um comportamento e muitas vezes não tem nenhum

efeito positivo sobre os motivos e valores que levaram a pessoa a cometer a ação. Pense que é possível educar ao invés de castigar. Aproveite a oportunidade.

2) Pense nas conseqüências a longo prazo desta atitude, na influência do seu comportamento na formação dos valores deste ser em formação.

Castigos deveriam ser evitados, pois, além de serem uma falta de respeito com

o outro, podem agravar os problemas mais do que resolvê-los. Estudos

comprovam que crianças que costumam ser castigadas em casa tendem a se comportar pior fora de casa. Os castigos ensinam a ganhar usando a força e a criança recebe um exemplo do uso do poder, contrário à razão e à cooperação, isso pode afetar o desenvolvimento de seus valores. O que o processo castigo/

recompensa ensina para a criança é: "se você não gosta da maneira que alguém atua, você pode fazer mal a ela até que ela pare de ter essa atitude. Ou, se você não consegue o que quer de uma determinada pessoa, ofereça algo a ela, um benefício e quem

sabe ela fará aquilo que você deseja. Sinto que valores como vingança, egoísmo, manipulação, corrupção, dificuldade em perdoar, estão muito relacionados aos aprendizados baseados no modelo de educação Castigo/Recompensa.

3) Crie uma aliança amorosa entre adulto e criança. Essa aliança tão vital

para

quando

o

desenvolvimento

futuro

do

ser

pode

ser

comprometida

castigamos. Por exemplo: Em fases como a adolescência nas quais nossos filhos podem estar cheios de dúvidas e inseguranças em relação ao mundo, à vida, à sexualidade e à drogas, caso essa relação tenha sido bem estabelecida na infância é muito provável que ele recorra primeiramente a nós pais para apoiá-lo. Em caso contrário, se ele tiver medo, pois educamos de forma autoritária, fica difícil confiar em nós. Ele vai buscar ajuda em outros locais, onde você não sabe que tipo de “ajuda” ele terá.

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4) Para apoiar uma criança temos que compreender porque ela se comporta daquela maneira. Isso tem maior chance de acontecer se a criança se sente mais próxima de nós, para nos explicar como vê as coisas desde o seu ponto

de vista. Exemplo: Se uma criança está sendo agredida na escola por outras crianças

e, em casa, se sente nervosa, com raiva, impotente e explode batendo no irmãozinho mais

novo, os pais ficam bravos com seu comportamento e o castigam. Quais as possibilidades dessa criança de sentir confiante e compreendida para poder verbalizar e explicar a seus pais que está sofrendo na escola? O castigo vai provavelmente agravar seu comportamento e potencializar suas emoções”.

O

castigo pode se tornar um círculo vicioso: quanto mais castigo a pessoa

recebe, mas chateada se sentirá e pior se comportará. Pense: Se você não rouba ou não mata, não é porque tem medo da prisão e sim porque é um ser moral, sabe que isso é mal e pode imaginar como isso afetaria a sua vida e a das outras pessoas.

5) Levar a criança a tomar consciência do todo, tomar suas decisões baseadas no seu sentido próprio de dignidade e por consideração aos demais. E não exclusivamente porque se quebrar uma regra vai sofrer alguma conseqüência negativa. Não centrar tudo na criança. Exemplo: “Seu filho não

quer se alimentar, você vai insistir, usar a criatividade, esperar um tempo maior e

mostrar para ele que é importante se alimentar pelo seu exemplo, com o passar dos dias.

E não ensiná-lo que tem que comer porque assim vai ganhar uma sobremesa, ou ver

televisão, ou porque se não o fizer será castigado”.

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Recompensas e castigos são desnecessários quando se oferece a criança um entorno seguro e solidário no qual se possa criar e descobrir, e um grau significativo de escolhas sobre o que se deseja aprender e por qual motivo. Os bons valores devem ser cultivados interiormente e semeados por exemplos verdadeiros que vêm das pessoas mais amadas que rodeiam este ser.

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Epílogo

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A chegada de um bebê em nossas vidas é uma grande oportunidade: temos apenas que nos entregar a esta jornada de educação e autoeducação, de olhar para fora, para nossos filhos e buscar, internamente, a correspondência do que vemos refletido ali. O universo nos entrega um cristal de presente, claro e transparente que vai refletir e ampliar o melhor e o pior que temos dentro de nós. Daí, a razão de refletirmos sobre nós mesmos para que nossos defeitos não se perpetuem no outro.

Olhe com amor para tudo o que vier à tona, não fuja, não busque fórmulas mágicas e rápidas, aprenda a ficar aí mesmo, presente para este presente que lhe foi entregue.

Espero que a partir da leitura destas reflexões muitas perguntas floresçam e que você saiba pacientemente cultivar cada pergunta, enquanto observa a si mesmo e às pessoas ao seu redor (em especial seu ‘cristalzinho'). Não tenha pressa de encontrar as respostas, pois elas podem nos deixar mais rígidos em relação as infinitas possibilidades que há neste encontro tão sagrado entre:

pai, mãe e filho.

Conte com meu apoio para crescermos juntos e inspirarmos nossas crianças.

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