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Universidade de Brasília Decanato de Extensão Etnologia Visual da Imagem do Negro no Cinema Profª Sandra Machado

We can't call each other black queens, that's not a reading, that's a fact: Uma análise interseccional sobre gênero e raça em Paris is Burning.

Diego José “Bernardino” da Silva

Matr.: 13/0008184

mas quando vocês são todos a mesma coisa, então você tem que

melhorar nos insultos. Em outras palavras, se eu sou uma ‘bicha’ negra e você é uma ‘bicha’ negra, não podemos nos chamar de ‘bicha’ negra, pois ambas somos’ bichas’ e negas. Isso não é insultar, é só um fato.”

“(

)

Dorian Corey, Paris is burning, 1990.

1. Introdução.

Esta pesquisa tem por objetivo identificar as relações interseccionais entre raça e gênero presentes no filme de não-ficção Paris is Burning (1990) de Jennie Livingston. Para tal análise busquei referenciais nos teóricos de gênero que tratassem também da questão raciais, pois o cruzamento dessas duas principais categorias de análise criou o ambiente propício para o desenvolvimento da cultura dos bailes.

A interseccionalidade se torna indispensável para esta análise, uma vez que as relações de transgeneridade, sexualidade, raça e classe social permeiam todo o ambiente no qual foi desenvolvida a cultura dos balls, objeto central do filmes. Também como parte de uma cultura subversiva que faz uso das normas do da sociedade ao mesmo tempo em que desenvolve sua própria maneira de interpretá-las e contradizê-las. “Nessa subversão cultural se

inscrevem o deboche, (

a ironia e o riso, florescendo num descaso pelas

normas de gênero sexual (como cultivo ao travestismo) e no uso distorcido da linguagem.” (Trevisan, 2000: 35)

)

Um dos objetivos contidos em analisar academicamente a cultura de bailes é recuperar a memória do movimento LGBT 1 e suas vertentes e, mais que isso, criar um discurso a partir dessa mesma memória, para que as representações que foram construídas sobre esse grupo historicamente não fiquem amarradas à uma visão da perspectiva do dominador, como aponta Louro (2002):

“Historicamente, nesses espaços, os grupos dominantes os homens

brancos heterossexuais de classe média urbana, nas sociedades

ocidentais falaram sobre os demais, construindo representações

sociais que tiveram e têm poderosos efeitos de verdade. Apropriar-se

dessas instâncias culturais e aí inscrever sua própria representação e

sua história, propor as questões de seu interesse, mostrar sua

estética e sua ética tornam-se uma meta urgente para aqueles grupos

antes submetidos. A luta no terreno cultural é, fundamentalmente,

uma luta em torno da atribuição de significados. Significados esses

que são produzidos em meio a relações de poder não apenas

1 Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Ao decorrer do trabalho a sigla assumirá várias formas e grafias de acordo com o contexto e o protagonismo com que se relacionam.

porque eles expressam posições de poder, mas também porque tem

efeitos de poder. Portanto, o que esses grupos sociais estão

disputando é a possibilidade de impor seus próprios significados a

respeito do mundo, das práticas e dos indivíduos“. (LOURO, Guacira

Lopes, 2002)

É necessário ressaltar também que dentro do próprio grupo, há uma série de problemáticas a respeito da invisibilização de outras transgeneiridades. Como houve no Brasil, tardiamente, a organização do movimento homossexual e só depois das lésbicas, sendo que travestis e transexuais só muito recentemente passaram a ser tema de pesquisas acadêmicas do ponto de vista social. O que dificulta ainda mais a busca por referenciais bibliográficos que não se refiram aos TTLGB com uma visão de fora do movimento político-social.

“Homens predominaram nas organizações do movimento brasileiro,

desde suas primeiras fases. O movimento de lésbicas vai se

fortalecer e ganhar autonomia somente na segunda metade dos anos

1990. Organizações independentes de travestis começaram a surgir,

também, apenas nos anos 1990. Isso se reflete na bibliografia e no

material de pesquisa disponível, mais numeroso e detalhado no que

diz respeito ao que hoje se identificam como gays. A

homossexualidade masculina é um tema de pesquisa significativo nas

ciências sociais brasileiras desde o final dos anos 1970, ao passo de

que estudos sobre lésbicas, travestis e transexuais são mais recentes

e, do ponto de vista das formas de associação política, ainda em

número bastante reduzido. Por conta disso, as referências aos gays

acabam por ocupar maior espaço (

)”.

(SIMÕES, 2009, p. 15).

2. Resumo do filme/histórico

Paris is Burning (1990) é um premiado filme de não ficção da cineasta norte-americana Jennie Livingston, uma das obras audiovisuais mais aclamadas do chamado novo cinema queer 2 , mostra a realidade da ballroom scene da cidade de Nova Iorque no fim dos anos 1980. Ao escolher alguns protagonistas daquela cena, Livingston criou um recorte para explorar alguns

2 RICH, B. Ruby, Sight & Sound Magazine, 1992.(ver também cut, Duke University Press: Duham and London, 2013)

, New queer cinema: the director’s

aspectos básicos existentes naquele cenário. Traçando uma linha temporal, segundo Tim Lawrence, em seu texto ‘Listen, and you will hear all the houses that walked there before’: A history of drag balls, houses and the culture of voguing, feito para o livro fotográfico de Chantal Regnault (Voguing and the House Ballroom Scene of New York, 1989-92, lançado ano passado) que durante a mesma época de gravações do filme de Livingston, fotografou parte da comunidade gay que participava dos bailes e praticava o voguing, como Willi Ninja (figura 1), um dos responsáveis por fazer o voguing atingir o mainstream. A cultura dos balls (bailes) remonta à segunda metade do século XIX, onde o Hamilton Lodge no Harlem encenava bailes de máscaras voltados ao público queer 3 já no ano de 1829.

voltados ao público queer 3 já no ano de 1829. Figura 1 Willi Ninja, mother da

Figura 1 Willi Ninja, mother da House of Ninja, fotografado por Chantal Regnault.

Os bailes iniciaram uma tradição anual, chamada de “parada das fadas” (fairies em inglês é um termo usado para designar homens que agiam de maneira feminina, com conotação pejorativa, entretanto foi usado no contexto dos bailes para denominar as drag queens, travestis e transexuais, por serem expressões de gênero femininas). Assim como diz Lawrence em:

Held once a year, the balls came to feature a procession known as

the ‘parade of the fairies’, which involved drag queen contestants

sashaying through the auditorium in preparation for a costume

3 O termo aqui se fazer presente como guarda-chuva para todas as formas de gênero e sexualidades discordantes da norma à época, visto que, mesmo que ainda não teorizado já se fazia presente em contraponto à heteronormatividade compulsória já determinada pelo discurso da Igreja no Ocidente à época.

competition. For the rest of the evening, dancers took to the floor in

couples and formed partnerships that were superficially straight, with

men (including lesbians dressed as men and gay men who favoured

butch style) accompanying women (or men dressed as women, as

well as straight femmes) while any number of straights watched on

from the sidelines 4 (LAWRENCE, 2013).

Com a criminalização dos “atos homossexuais”, em 1923, pela legislação do estado de Nova Iorque, os bailes ficaram restringidos aos bairros de Village e do Harlem, onde passaram a ser uma cultura ainda mais underground e subversiva, e cresciam conforme seu ambiente sócio-político propiciava, um gueto negro e gay. Apesar da notável integração entre pessoas brancas e “de cor”, o forte racismo ainda era presente nos bailes pois as participantes brancas tinham muito mais chances de ganhar os prêmios que as participantes negras que também eram obrigadas a “embranquecer” suas faces. O que levou às pessoas negras que daqueles bailes participavam, a promover seus próprios bailes.

By the early 1960s, drag ball culture had began to fragment along

racial lines. For although balls such as the one held at Rockland

Palace boasted a remarkably even mix of black and white

participants, with the dancefloor also notably integrated, black queens

were expected to ‘whiten up’ their faces if they wanted to have a

chance of winning the contests. Even then, their chances were slim,

as they might have pondered further when the white-skinned Venice

Lamont won first prize at the Rockland Palace event for looking ‘most

like a woman’, her figure ‘the envy of many of the women spectators’.

So black queens started to stage their own events, with Marcel

Christian staging what might well have been the first black ball in

1962. 5 (LAWRENCE, 2013)

4 Tradução livre: Uma vez por ano, os bailes passaram a apresentar um processo conhecido como a “parada das fadas” que envolvia competidoras drag queens correndo pelo auditório nos preparativos para uma competição de fantasias. Pelo resto da noite, dançarinos assumiam a pista em casais formando parceiros que eram superficialmente heterossexuais, com homens (incluindo lésbicas vestidas como homens e homens gays que preferiam o estilo “machão”) acompanhando mulheres (ou homens vestido como mulheres bem como mulheres heterossexuais) enquanto um número de heterossexuais assistia na plateia. 5 Tradução livre: Por volta do começo dos anos 1960, a cultura dos bailes drag começou a se fragmentar em linhas raciais. Pois, embora os bailes, com o realizado no Rockland Palace ostentava uma memorável mistura de participantes negros e brancos, com a pista de dança também notavelmente integrada, era esperado que as drag queens negras “embranquecessem” seus rostos se elas quisessem ter a chance de

Cansada do preconceito nos bailes, Crystal LaBeija, sendo uma das poucas drag queens negras premiadas em bailes organizados por brancos, à convite de Lottie, uma drag queen negra do Harlem, co-promoveu seu primeiro baile. Lottie foi também quem deu a ideia de que se criasse um grupo e o nomeasse de House of LaBeija, elegendo Crystal para o cargo de mother da casa. Ambas concordaram e assim se deu o primeiro baile anual da House of LaBeija, suntuosamente intitulado de Crystal & Lottie LaBeija presentes the first anual House of LaBeija Ball 6 .

Coma criação da primeira house, outras logo sugiram. A referência eram as fashions houses que produziam a alta moda (iniciada na França, com a haute couture, as maisons de mode, como a Maison de Lanvin e Maison de Chanel), cujo estilo e glamour inspiravam as drag queens, um grupo de indivíduos envolvidos na criação de um mesmo objeto, com um mesmo objetivo em comum: desfilar em bailes e ganhar prêmios, bem como promover seus próprios bailes.

Paris is burning era o nome do baile promovido por Paris Dupree, mother da House of Dupree, iniciado em 1980, foi o primeiro a expandir as categorias de competição para que houvesse maior integração dos participantes do baile, incluindo as categorias temáticas e saindo do lugar-comum de “homem se vestindo como mulher”.

3. Análise do filme

“Você tem três problemas nesse mundo, que todo homem negro tem. Você é homem, e negro Mas você é negro, homem e gay”. Com essa frase somos introduzidos pelos cortes de câmera à um submundo da Nova Iorque de 1987. Pepper LaBeija em um traje dourado e extravagante de mangas bufantes, óculos escuros e luvas, abre caminho pelas ruas do Harlem até chegar às portas de Paris is Burning. Os bailes representados no filme surgem e crescem como um entretenimento produzido pela exclusão social,

ganhar os concursos. E, mesmo assim, suas chances eram pequenas, como elas poderiam ter ponderado ainda mais quando a “branquela” Venice Lamont ganhou o primeiro prêmio no evento do Rockland Palace por se parecer “mais como uma mulher”, ela descobriu “a inveja de muitas das mulheres espectadoras”. Então as drag queens negras passaram a dar seus próprios eventos. Com Marcel Christian promovendo o que pode ter sido o primeiro baile negro em 1962. 6 Tradução livre: Crystal & Lottie LaBeija apresentam o primeiro baile anual da Casa de LaBeija.

racial e sexual. Apesar de seu histórico podendo ser estudando desde a metade do século XIX, após a assinatura de uma lei que criminalizava a “conduta homossexual” em 1923 na cidade de Nova Iorque, os bailes (à sua época queer mascarade balls), em sua origem foram frequentados por celebridades, pessoas brancas e de classes mais abastadas, passaram a ser restringidos aos guetos da comunidade negra.

Diversas vezes no filme, há um “cruzamento” entre as problemáticas do ser negro com o ser gay. Pepper La Beija, em sei depoimento comenta sobre a exclusão social que sofria por ser negra e como se sentia em relação às classes sociais mais altas, que possuíam extrema riqueza. Livingston, por sua vez, ilustra a fala de LaBeija, com imagens de pessoas brancas em seu “habitat natural”, fazendo compras, aparecendo em revistas, com seus cavalos, suas mansões. Ainda sobre os bailes, Dorian Corey, mother fundadora da House of Corey, em sua fala, cita a atriz negra, norte-americana Lena Horne (Figurna 2) Os parâmetros do julgamentos nos bailes, carregava o mesmo preconceito racial da sociedade, o que era considerado belo era o branco, heterossexual, rico. A identidade padrão que todos tentavam imitar. Entretanto os bailes eram o ambiente no qual aqueles indivíduos poderiam realizar sua fantasias de serem essa identidade-padrão.

realizar sua fantasias de serem essa identidade-padrão. Figura 2 "( queriam parecer Marilyn Monroe." Dorian

Figura 2 "(

queriam parecer Marilyn Monroe." Dorian Corey, screencaps do filme Paris is Burning

Os padrões da sociedade como já vimos, se reproduzem na cena dos bailes, valorizando aqueles que conseguem capturar a “essência” branca e representa-las no baile. Seguindo a narrativa do filme, somos introduzidos às categorias, e a mais marcante de todas: a categoria de realness (Figura 3) segue um diálogo sobre o preconceito contra os homossexuais na sociedade.

as estrelas negras eram estigmatizadas. Ninguém queria parecer Lena Horne. Todos

)

“Quando você é um homem ou uma mulher, você pode fazer tudo ( ) mas quando você é gay, você está atento à tudo que você faz” o controle que se dava ao modo de se agir fora da cena dos bailes para não chamar atenção para sua sexualidade. A habilidade de se misturar e passar a heteronormatividade à frente, é recompensada nos bailes. Tanto quanto um homem gay fosse capaz de se passar por um homem heterossexual, como um homem gay ou uma travesti fosse capaz de se passar por uma mulher heterossexual.

fosse capaz de se passar por uma mulher heterossexual. Figura 3 Realness uma das categorias-base dos

Figura 3 Realness uma das categorias-base dos bailes, se refere à capacidade de se misturar, de conseguir "enganar" como um homem ou mulher heterossexual.

Venus Xtravaganza (Figura 4), é uma das consideradas “fêmeas reais” (categoria que surgiu entre as categorias de realness e designavam as travestis e transexuais que participavam dos bailes e podiam sair à luz do dia como mulheres comuns), a transexual foi aceita na House of Xtravaganza, pelo seu fundador, Hector, mesmo sem tem ganhado nenhum prêmio em um baile antes, como era critério de costume para aceitação de novos membros nas houses. Mesmo sendo branca, por ser transexual seu espaço na sociedade “comum” é renegado, o que a leva, como única opção, a trabalhar como prostituta, tanto para se manter, quanto para conseguir dinheiro suficiente para realizar sua cirurgia, “para se sentir uma mulher completa”, como a mesma diz.

Figura 4 Venus Xtravaganza, sobre seu sonho de se tornar uma "mulher completa" ela também

Figura 4 Venus Xtravaganza, sobre seu sonho de se tornar uma "mulher completa" ela também ressalta a importância do dinheiro, pois meninas brancas, ricas e estragadas sempre "conseguem o que querem, quando querem".

As houses com o tempo e tornaram famílias alternativas, pois as mothers muitas vezes acolhiam seus membros que eram expulsos de suas famílias por serem gays. É notável na fala de Pepper LaBeija, o jogo de câmera usado para ilustrar o momento em que ela fala de sua família e do modo como foi expulsa de casa por sua mãe. Durante entrevista na qual ela está cercadas pelos membros de sua house, seus filhos. No início de sua fala, a câmera está focada em Pepper e um de seus “filhos” está ao fundo, em segundo plano, conforme a fala corre, a câmera focaliza no garoto deitado ao fundo, que houve a fala de Pepper e concorda. A câmera também filma outro garoto que faz parte daquele núcleo familiar, que está sentado no chão.

Figura 5 "Quando se é rejeitado pelo pai, pela mãe, pela família, eles vçao para

Figura 5 "Quando se é rejeitado pelo pai, pela mãe, pela família, eles vçao para o mundo, vão procurar. Procurar alguém para preencher o vazio. Sei disso porque garotos vieram até mim, porque eles podem conversar comigo, eu sou gay e eles são gays e apoiaram em mim se eu fosse a mãe ou o pai deles”

4. Conclusão

“E ainda sim, nós sobrevivemos” diz LaBeija, mesmo sendo negadas na sociedade, por serem negros, gays, transexuais e travestis, a cultura das ballrooms se desenvolveu e atingiu o mainstream, sendo referenciadas até hoje tanto no meio LGBT quanto influenciando a cultura de massa. Hoje, drag queens não se restringem apenas à noite, aos ambientes voltados para esse público, mas aparecem em programas de auditório, de humor, e reality shows. Com o advento da internet as produções têm ganhado mais público, mais visibilidade, alterando as representações antes determinadas por um ponto de

vista dominante, heteronormativo, branco e de classe social alta. As representações produzem sentidos estes mesmos sentidos dominantes e excludentes criam o ambiente social no qual as subculturas se desenvolvem. Não haveria Paris is Burning, vogueing, drag balls, como se deram se negros, latinos, homossexuais, travestis e transexuais não caracterizassem o “outro”, as identidades que se diferem do padrão (LOURO, 2002).

5. Referências bibliográficas

LOURO, Guacira Lopes. Sexualidades contemporâneas: políticas de identidade e de pós-identidade. In: Construções da Sexualidade: gênero, identidade e comportamento em tempos de AIDS, Anna Paula Uziel, Luís Felipe Rios, Richard Parker (orgs.), Rio de Janeiro: Pallas: Programa de Gênero e Sexualidade IMS/UERJ e ABIA, 2004.

NUNAN, Adriana. Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo, Rio de Janeiro: Caravansarai, 2003.

SIMÕES, Julio Assis; FACCHINI, Regina. Do movimento homossexual ao LGBT, São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2009. Coleção História do Povo Brasileiro.

LAWRENCE, Tim. ‘Listen, and you will hear all the houses that walked there before’: A history of drag balls, houses and the culture of voguing. In: Voguing and The House Ballroom Scene of New York City 1989-92, Soul Jazz Books,

2013.

MONFORTE, Ivan. House and Ball Culture Goes Wide. Gay & Lesbian Review Worldwide 17 no. 5 S/O 2010 p. 28-30.

6. Referências audiovisuais

LIVINGSTON, Jennie. Paris is Burning (71 min. cor, som), 1990.