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Herman Brinkman
Herman Brinkman

Abertura

O Espírito Santo

no cenáculo

N Na noite de 14 de nisã (final de abril

e

início de maio) do ano 30, numa

quinta-feira, Jesus realizou uma

longa reunião de despedida com seus

discípulos, no andar de cima de uma

casa em Jerusalém. Conjectura-se que

o

dono do cenáculo seria o pai de João

Marcos (At 12.12).

O que aconteceu naquela noite é

narrado detalhadamente apenas no Evangelho de João e ocupa cinco capítulos (13-17). Como o Senhor

seria “cortado da terra dos viventes”

e derramaria a “sua alma na morte”

(Is 53.8, 12) na tarde do dia seguinte,

sexta-feira, ele achou por bem referir-se claramente à pessoa do Espírito Santo,

o “outro Consolador”, aquele que o

substituiria depois de sua volta para o

Pai (Jo 14.16). Ali no cenáculo, Jesus menciona quatro vezes a palavra Consolador (Almeida Revista e Atualizada), três

vezes a expressão Espírito da Verdade

e uma vez o nome Espírito Santo

(Jo 14.16-17, 26; 15.26; 16.7). Exceto uma vez, todos os catorze verbos usados por Jesus ao se referir ao ministério do

Espírito Santo estão no tempo futuro:

convencerá, ensinará, fará lembrar, glorificará etc. O Senhor confirma a profecia de Joel (Jl 2.28) e promete para breve o “natal” do Espírito Santo. Embora nunca tenha estado ausente da história, desde a criação (Gn 1.2) até a ida de Simeão ao templo no momento

(Gn 1.2) até a ida de Simeão ao templo no momento em que o recém-nascido menino

em que o recém-nascido menino Jesus

O

Espírito é o Advogado (tradução

estava sendo apresentado (Lc 2.25- 28),

da

Comunidade de Taizé e Edição

o Espírito Santo seria derramado de

modo especial e inauguraria o seu pleno ministério. Tal acontecimento se deu cinqüenta dias depois, no dia do

Pentecostes (At 2.1-4). O crente que não tem o hábito de ouvir a voz de Deus através da leitura proveitosa das Escrituras, nem de falar com ele através da oração desperdiça esses meios de graça, colocados à sua disposição pelo favor imerecido de Deus. Mais sério desperdício comete

o crente que não reconhece ou não

Pastoral), o Ajudador (tradução

do Novo Mundo), o Auxiliador

(Nova Tradução na Linguagem de Hoje), o Conselheiro (Nova Versão Internacional), o Consolador (Bíblia Viva e Almeida Revista e Atualizada), o Defensor (tradução da CNBB) e o Valedor (Bíblia do Peregrino). Algumas versões preferem usar a palavra do texto grego, aportuguesando-a para Paracleto (Tradução Ecumênica da Bíblia, Edição Pastoral-Catequética, Bíblia de Jerusalém e traduções do

Trazer à lembrança tudo que Jesus disse sobre o Espírito Santo

pode provocar um verdadeiro

avivamento no Corpo de Cristo

leva a sério a assistência que o Espírito Santo pode oferecer-lhe em qualquer

tempo e em qualquer circunstância. Ao usar a palavra grega parakletos para se referir ao Espírito Santo, Jesus mostra a riqueza do ministério do seu substituto aqui na terra. Parakletos é uma palavra muito significativa e preciosa. Indica que

o Espírito é a pessoa chamada para

estar ao lado de outra pessoa para auxiliá-la com sua influência e poder. Os tradutores da Bíblia fazem grande esforço para encontrar a palavra mais apropriada na língua vernácula. Daí a multiplicidade de versões.

Padre Matos Soares e do Monsenhor José Basílio Pereira). William Hendriksen, formidável professor de Novo Testamento no Calvin Seminary, entende que nenhuma tradução é melhor do que o termo Auxiliador, aquele que pode fornecer “qualquer ajuda que for necessária” (Comentário de João, p. 665). Trazer à lembrança tudo que Jesus

disse sobre o Espírito Santo, o “outro Paracleto”, no cenáculo de Jerusalém pode revitalizar os crentes e provocar

de forma coletiva um verdadeiro

avivamento no Corpo de Cristo, a

Igreja!

crentes e provocar de forma coletiva um verdadeiro avivamento no Corpo de Cristo, a Igreja! Julho-Agosto,

Julho-Agosto, 2008

ULTIMATO

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Carta ao leitor

O equilíbrio entre o juízo temerário e o discernimento espiritual Fotomontagem/Brenda Lamothe/Werdok Werdokarian
O equilíbrio entre o juízo temerário e
o discernimento espiritual
Fotomontagem/Brenda Lamothe/Werdok Werdokarian

C Chama-se de juízo temerário o

julgamento apressado, arrogante,

baseado em impressões, em

informações de segunda mão, em

maledicência e no “ouvi dizer”. Para

o

julgamento não ser temerário, a sua

motivação precisa ser trazida à tona e

examinada. Por trás do juízo podem

estar a inveja, o ciúme, a competição

e o desejo de vingança. Em outras

palavras, o auto-julgamento deve preceder o julgamento alheio. O mandamento de Jesus no sermão do Monte é claro: “Não julguem os outros para vocês não serem julgados por Deus” (Mt 7.1, NTLH). Se as Escrituras desencorajam o juízo temerário, elas encorajam o discernimento espiritual, sem o qual corre-se o risco de chamar o mal de bem e o bem de mal, a escuridão de claridade e a claridade de escuridão, o amargo de doce e vice-versa (Is 5.20). Discernimento espiritual nada mais é do que distinguir com a maior precisão possível uma coisa da outra — cujas diferenças nem sempre aparecem à primeira vista — com o propósito de fazer o juízo certo. Em qualquer esfera da vida, há uma porção de pessoas, de pronunciamentos e de produtos falsos. Lidamos com isso diuturnamente. O mesmo problema invade e permeia

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ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

a vida religiosa. É impressionante

a lista de coisas falsas que a Bíblia

denuncia: testemunho falso (Êx 20.16), notícias falsas (Êx 23.1), acusação falsa (Êx 23.7), juramento falso (Lv 6.3), língua falsa (Pv 21.6), pena falsa (Jr 8.8), visão falsa (Jr 14.14), circuncisão falsa (Fp 3.2), humildade falsa (Cl 2.23), irmãos falsos (2Co 11.26), profetas falsos (Mt 7.15), mestres falsos (2Pe 2.1), apóstolos falsos (2Co 11.13), espíritos falsos

(1Jo 4.1) e até cristos falsos (Mt 24.24).

O campo do discernimento é

muito vasto e difícil. É preciso discernir entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, entre a vontade de Deus e a vontade própria, entre os grandes momentos de Deus e os acontecimentos comuns, entre o Espírito da verdade e o espírito do erro. Uma das parábolas de Jesus fala sobre o trigo e o joio.

A matéria de capa desta edição exigiu

da redação e dos demais articulistas

o cuidadoso equilíbrio entre o juízo

temerário e o discernimento espiritual. Buscamos obedecer ao conselho do apóstolo: “Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom” (1Tm 5.20-21).

E. César

e fiquem com o que é bom” (1Tm 5.20-21). E. César Fundada em 1968 ISSN 14153-3165
Fundada em 1968
Fundada em 1968

ISSN 14153-3165 Revista Ultimato Ano XLI · NÀ 313 Julho-Agosto 2008

Direção e redação cartas@ultimato.com.br Elben M. Lenz César (Jornalista responsável) MTb 13.162 MG

Administração Klênia Fassoni, Daniela Cabral e Lenira Andrade

Vendas Lucia Viana, Lucinéa de Campos, Romilda Oliveira, Tatiana Alves e Vanilda Costa

Editorial e Produção Marcos Bontempo, Bernadete Ribeiro, Djanira Momesso César, Fernanda Brandão Lobato, Josué Bastos e Roberta Dias

Finanças / Circulação Emmanuel Bastos, Aline Melo, Aparecida Peixoto, Edson Ramos, Emílio Gonçalves, Luís Carlos Gonçalves, Rodrigo Duarte e Solange dos Santos

Estagiários Alaila Ribeiro, Bruno Tardin, Daniel Figueiredo, Fabiano Ramos, Hadassa Alves, Ivny Monteiro, Larissa Caldeira, Luci Maria da Silva, Luiza Barbosa, Marcela Pimentel e Priscila Rodrigues

Arte - Oliverartelucas Impressão - Plural Tiragem - 40.000 exemplares

Łrgão de imprensa evangélico destinado à evangelização e edificação, sem cor denominacional, Ultimato relaciona Escritura com Escritura e acontecimentos com Escritura. Pretende associar a teoria com a prática, a fé com as obras, a evangelização com a ação social, a oração com a ação, a conversão com a santidade de vida, o suor de hoje com a glória por vir. Circula nos meses ímpares.

Publicado pela Editora Ultimato Ltda., membro da Associação de Editores Cristãos (AsEC) Os artigos não assinados são de autoria da redação. Reprodução permitida. Obrigatório mencionar a fonte.

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Marsy

Pastorais

57 .

A flexibilidade do profeta Jeremias

O
O

homem e a mulher tementes a Deus

precisam ser muito flexíveis. Muitas vezes Deus manda fazer coisas muito óbvias ou coisas muito estranhas, coisas muito fáceis ou coisas simplesmente impossíveis.

O servo obediente, o servo submisso, o

servo já acostumado com estes mandos

ele manda e sempre dá certo. A Noé Deus ordenou que construísse uma barca de três andares, de 133 metros de comprimento por 22 de largura por 13 de altura, longe do mar ou de algum rio (Gn 6.14-16). A Abraão Deus ordenou que ele saísse de sua

própria terra e de seus parentes próximos

e remotos e caminhasse para longe, para uma terra que ele mostraria mais na

frente (Gn 12.1). A Moisés, quando ele

e todo o povo de Israel estavam parados diante do Mar Vermelho, Deus ordenou

que eles seguissem em frente (Êx 14.15).

E assim por diante.

de cima, o servo humilde, faz tudo que

O profeta Jeremias parece ser

a pessoa a quem Deus mais dava

ordens, que eram sempre prontamente obedecidas. A impressão que se tem é que Deus “se intrometia” na vida de Jeremias muitas vezes e exigia uma

porção de coisas diferentes e curiosas.

O Senhor ordenou a Jeremias que

ficasse solteiro: “Não se case nem tenha filhos neste lugar” (16.2).

O Senhor ordenou a Jeremias que

não participasse de festas: “Não entre

numa casa em que há um banquete, para se assentar com eles para comer e beber” (16.8).

O Senhor ordenou a Jeremias que

embebedasse os reis de todos os reinos

da face da terra: “Pegue da minha mão

este cálice com o vinho da minha ira e

faça que bebam dele todas as nações a quem eu o envio” (25.15).

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ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

O Senhor ordenou a Jeremias que comprasse isto e aquilo: “Vá comprar um cinto de linho e ponha-o em volta da cintura, mas não o deixe encostar na água” (13.1), “Vá comprar um vaso de barro de um oleiro” (19.1). Deus mandou que o profeta comprasse

As muitas coisas diferentes e curiosas que Deus mandava Jeremias fazer eram na verdade preciosos
As muitas coisas diferentes e
curiosas que Deus mandava
Jeremias fazer eram na
verdade preciosos recursos
didáticos e pedagógicos
que tornavam os recados
do profeta dramáticos e
impactantes

também a propriedade de seu primo Hanameel em Anatote (32.6-12).

O Senhor ordenou a Jeremias que

fosse a este e aquele lugar: “Vá à casa do oleiro e ali você ouvirá a minha mensagem” (18.1); “Coloque-se no pátio do templo do Senhor e fale a todo

o povo das cidades de Judá que vem

adorar no templo do Senhor” (26.2);

“Vá à comunidade dos recabitas,

convide-os a virem a uma das salas do templo do Senhor e ofereça-lhes vinho para beber” (35.2).

O Senhor ordenou a Jeremias que

não intercedesse pelo povo eleito: “E você, Jeremias, não ore por este povo

nem faça súplicas ou pedidos em favor dele, nem interceda por ele junto a mim, pois eu não o ouvirei” (7.16). Esta ordem foi repetida pelo menos mais duas vezes (11.14, 14.11).

O Senhor ordenou a Jeremias algo

que pareceu ridículo: “Faça uma canga

e coloque sobre o seu pescoço. Amarre

a canga com pedaços de couro, como se amarra um boi para puxar um arado” (27.2, BV).

O Senhor entregou a Jeremias uma

tarefa muito especial: “Pegue um rolo

e escreva nele todas as palavras que

lhe falei a respeito de Israel, de Judá e de todas as outras nações, desde que comecei a falar a você, durante o reinado de Josias, até hoje”

(36.2).

A leitura do contexto mostra que cada ordem tinha a sua razão de ser e era dada em função do longo ministério de 47 anos do profeta (de 627 a.C. a

580 a.C.). Eram preciosos recursos didáticos e pedagógicos que tornavam os recados de Jeremias audíveis, visíveis, dramáticos e impactantes.

recursos didáticos e pedagógicos que tornavam os recados de Jeremias audíveis, visíveis, dramáticos e impactantes.
“Busquem o Senhor enquanto é possível achá-lo” IS 55.6 S eções Abertura 3 Carta ao

“Busquem o Senhor enquanto é possível achá-lo” IS 55.6

Seções

Abertura

3

Carta ao leitor

4

Pastorais

6

Cartas

8

Quadro de avisos

13

Mais do que notícias

14

Números

15

Nomes

17

Frases

18

Em Jesus você pode confiar

48

Novos acordes

55

Meio ambiente e fé cristã

59

Prateleira

60

Ação mais que social

61

Agenda

64

Vamos ler!

65

Reflexão Robinson Cavalcanti

Reflexão Robinson Cavalcanti

A

mui santa participação política

Ricardo Gondim No country for old men

Ricardo Gondim No country for old men

Redescobrindo a Palavra de Deus Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente , Valdir

Redescobrindo a Palavra de Deus Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente, Valdir Steuernagel

História Raízes históricas da teologia da prosperidade , Alderi Souza de Matos

História Raízes históricas da teologia da prosperidade, Alderi Souza de Matos

Entrevista Eli Ticuna, Henrique Terena, Márcia Suzuki e Ronaldo Lidório O caminho do coração

Entrevista Eli Ticuna, Henrique Terena, Márcia Suzuki e Ronaldo Lidório

O caminho do coração

Direitos fundamentais da criança com prioridade absoluta

Direitos fundamentais da criança com prioridade absoluta

A

espiritualidade da vergonha, Ricardo Barbosa de Sousa

Da linha de frente Messias modernos, Bráulia Ribeiro

Da linha de frente Messias modernos, Bráulia Ribeiro

Arte e cultura Resenha de metade de um livro , Mark Carpenter Resenha de metade de um livro, Mark Carpenter

Ponto final

O eu, o nós e a auto-estima, Rubem Amorese

Irina Tischenko
Irina Tischenko
O eu, o nós e a auto-estima , Rubem Amorese Irina Tischenko O A D e
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, Rubem Amorese Irina Tischenko O A D e S S S S Capa O sucesso

Capa

O sucesso de Edir Macedo e a pergunta que fica no ar

As boas novas de Edir Macedo e da teologia da prosperidade

Duas atitudes inacreditáveis: a pregação interesseira

e a magnanimidade de Paulo

Sobre riqueza e pobreza, Ariovaldo Ramos

Sobre os dízimos e ofertas, Valdeci da Silva Santos

Sobre o aborto, Ageu Heringer Lisboa

Sobre cura

NA INTERNET • Chamados para quê? (seção “Altos papos ”), por Jeverton Magrão Ledo www.ultimato.com.br
NA INTERNET
• Chamados para quê? (seção “Altos
papos ”), por Jeverton Magrão Ledo
www.ultimato.com.br

Especial 1968

Contagem regressiva de 1968, “o ano que não terminou”

Cronologia de 1968 — o ano da confusão

Contextualização histórica — o ano de 1968 nas páginas de Ultimato de 1968 Uma radiografia do cristianismo brasileiro

e do nascimento de Ultimato

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ABREVIAÇÕES:

BH - Bíblia Hebraica; BJ - A Bíblia de Jerusalém; BV - A Bíblia Viva; CNBB - Tradução da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; EP - Edição Pastoral; EPC - Edição Pastoral - Catequética; NTLH - Nova Tradução na Linguagem de Hoje; TEB - Tradução Ecumênica da Bíblia. As referências bíblicas não seguidas de indicação foram retiradas da Edição Revista e Atualizada, da Sociedade Bíblica do Brasil, ou da Nova Versão Internacional, da Sociedade Bíblica Internacional.

Julho-Agosto, 2008

ULTIMATO

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Cartas

Cartas Lutero Parabéns a Ultimato por não se omitir na proclamação das verdades eternas contidas nas

Lutero

Parabéns a Ultimato por não se omitir na proclamação das verdades eternas contidas nas Sagradas Escrituras. Muitos já se revoltaram e atacaram a revista por ela ter

chamado a atenção dos leitores para certos erros, calúnias

e difamações. Li na edição de maio/junho a respeito do

polonês Ryszard Mozgol, que falou um monte de asneiras

sobre Martinho Lutero. Que Ultimato continue proclamando

a Palavra de Deus, para a glória e honra dele.

REV. AROLDO AGNER

Igreja Evangélica Luterana do Brasil Santiago, RS

Evangélicos e católicos

Achei no mínimo cômica a carta do leitor de Umuarama, PR, que diz que “um evangélico por mais errado que seja ainda é mais certo do que qualquer católico”. Tenho apenas 18 anos e

sou católico. Durante minha vida conheci muitos evangélicos,

Madre

Tereza dizia: “Se você critica as pessoas, não tem tempo para amá-las!” Fica aqui a minha mensagem! Aproveito para parabenizar a revista pelo seu conteúdo sempre criativo.

todos muito educados, diferentemente desse leitor

VALDEIR CESÁRIO DOS SANTOS

Claraval, MG

Lamento que a conceituada revista de espiritualidade cristã Ultimato publique cartas ofensivas para os cristãos de tradição católico-romana, como aconteceu na edição de maio/junho, por parte do leitor Odair Orlandi, de Umuarama, PR. É bom salientar que nenhuma revista católica ousa dar apreciações negativas do credo de outras religiões. Ao contrário, se nota um esforço de valorizar o que é bom e santo existente nos outros.

PE. ERNESTO ASCIONE

Santo Antônio do Descoberto, GO

A carta de Umuarama é radical e irrefletida. Não comungo com o autor. Devemos estabelecer distinções: a Igreja Católica realmente constitui um sistema paralelo à Escritura, não há dúvida. Mas não posso julgar cada católico

em particular. Por outro lado, um evangélico pode ser

nominal, carnal, hipócrita

não estão caminhando no mesmo sentido da Igreja Católica

medieval?

Algumas igrejas evangélicas

ALEX ESTEVES DA ROCHA SOUZA

Campo Grande, MS

Poder com suavidade

Meu elogio ao excelente artigo de Alderi Souza de Matos

a respeito dos neopentecostais (“História”, maio/junho

2008). Há uma mansidão (poder com suavidade) em suas palavras, que, conforme Efésios 4.29, são úteis para a edificação e transmitem graça.

GUILHERME ARAÚJO WOOD

Campinas, SP

Terapia de vidas passadas

Sobre o artigo O caminho confuso e perigoso da terapia de vidas passadas, devemos questionar não a validade do tratamento e sim a roupagem que recebeu. Se há resultado, não devemos descartá-lo e sim compreender que as lembranças trazidas à tona não são um acesso a vidas passadas, mas uma imersão profunda no subconsciente.

O que não podemos é maquiar as manifestações do

subconsciente como sendo algo a mais do que realmente

é maquiar as manifestações do subconsciente como sendo algo a mais do que realmente 8 ULTIMATO

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ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

são apenas para causar curiosidade, crenças falsas e maior consumo da própria terapia.

PAULA QUINTÃO

Barbacena, MG

Rubem Alves

Em referência à edição de maio/junho e ao artigo O sucesso da não-violência, em se fazendo celebrações de 40 anos, creio ser necessário e louvável lembrar que, também 40 anos atrás, Rubem Alves defendeu sua tese Towards a Theology of Liberation: An Exploration of the Encounter between the Languages of Humanistic Messianism and Messianic Humanism (Teologia da Libertação: Explorando o Encontro entre as Linguagens do Messianismo Humanístico e do Humanismo Messiânico) no mesmo Seminário Teológico de

Princeton, onde Raimundo Barreto Jr. se formou. Tal tese foi publicada, com muito sucesso, em inglês, sob o título A Theology of Human Hope, em 1969. Sua tradução portuguesa apareceu em 1987 sob o título Da Esperança. Lembro-lhes também que Rubem Alves, em sua dissertação, produzida um pouco antes de um estudo similar de Gustavo Gutiérrez Merino, foi um dos primeiros a usar o então original termo “Teologia da Libertação”. Ademais, tal discussão abriu caminho para

a criação de outras teologias da libertação, como a negra,

feminista, entre outras. Sem desmerecimento à lembrança do

legado de King, seria também justo Ultimato lembrar e celebrar

a produção acadêmica de um brasileiro que tanto influenciou e

ainda influencia a teologia ocidental. Ainda que o Rubem Alves não mais se defina como teólogo, seu legado é inquestionável e caberia uma entrevista com o próprio.

DR. BRUNO J. LINHARES

Rio de Janeiro, RJ

Acampamento Quest

Na edição de novembro/dezembro de 2007, Ultimato publicou uma notícia sobre o Acampamento Quest, nas proximidades de Clarksville, em Ohio, e de outros cem da mesma linha tanto nos Estados Unidos como no Canadá, que pregam o ateísmo. Por coincidência nosso acampamento aqui em Jaraguá do Sul, no Estado de Santa Catarina, também se chama Quest, embora de linha diametralmente oposta. Somos um acampamento cristão de aventura, focado em evangelismo e no desenvolvimento de líderes, no estilo de Jesus — líder-servo. Estamos servindo a Deus desafiando pessoas de todas as idades usando princípios bíblicos e éticos em um ambiente de acampamento. Por causa do nome Quest e porque parte de nossa equipe é do Canadá, tem havido algum questionamento a nosso respeito. Por meio desta carta queremos deixar claro que o nosso Quest não tem nada a ver com o Quest ateísta. Para mais informações acesse <www.questbr.com>.

CAROL WILBERT

Jaraguá do Sul, SC

Homossexualidade

revista Ultimato tem tendência homofóbica, por isso não farei assinatura da mesma.

A

JOSÉ LIMA DE OLIVEIRA JÚNIOR

João Pessoa, PB

“Arrependei-vos e crede no evangelho”

É

diz. Depois de dizer que o homem exige arrependimento do ofensor para perdoá-lo, o artigo Orgulho e preconceito (maio/junho de 2006, p. 54) dá claramente a entender que Deus, para perdoar, não exige nada (em contraste com o

homem). Não é o que vejo Deus dizer na Bíblia. Ele enfatiza

o

Mateus 11.20-24; Lucas 13.1-5; Apocalipse 2.16 e 21; 3.3; 9.20-21; 16.9. É certo que o perdão de Deus, baseado na remissão de pecados feita no Calvário, é perfeito; o do homem não é. Tenho exortado os crentes a que alimentem espírito de perdão e a que perdoem, independente da atitude do ofensor. Mas que Deus exige arrependimento, exige. Tanto assim que até para nos arrependermos Deus nos socorre, porque somos incapazes disso (Rm 2.4).

pena que os cristãos digam que Deus diz o que ele não

arrependimento, como se pode ver em Marcos 1.15;

ODAYR OLIVETTI

Águas da Prata, SP

ele não arrependimento, como se pode ver em Marcos 1.15; ODAYR OLIVETTI Águas da Prata, SP

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ULTIMATO

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Somos longânimos com todos na igreja, como Jesus ensinou, mas não com os homossexuais. Parece

Somos longânimos com todos na igreja, como Jesus ensinou, mas não com os homossexuais. Parece que o sentimento que cultivamos por eles é de repulsa. Eles se sentirão seguros em nosso meio?

MARCOS PAULO SILVA

Três Lagoas, MS

Por favor, não me despertem

Em certa igreja a presença de Deus era quase tocável.

Irmãos com responsabilidade missionária à flor da pele. Os jovens vivendo sem fornicação e mulheres emocional

e espiritualmente inteligentes e de vida abundante.

Crianças sempre contentes e adolescentes radicalmente santificados. Líderes de espiritualidade responsável e íntegros. Tudo isso vi com meus próprios olhos até que acordei. Era tudo um sonho. Mesmo que esse sonho não se torne real, vou mantê-lo. Por favor, não me despertem!

LUCIMARA MAGALHÃES

São Bernardo do Campo, SP

Uso de animais na ciência

Li a frase do Luiz Eugênio Araújo de Moraes Mello afirmando

que os testes em animais são absolutamente necessários. Não sou profissional na área, mas nem por isso deixo de saber que não há nada de absolutamente necessário nos testes em animais. Acredito que seja palpável abolir o uso de animais, não apenas no ensino como também na pesquisa. Isso já foi

tecnicamente provado. Vejam-se os livros A Verdadeira Face da Experimentação Animal e Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação. O embate acontece principalmente por motivos políticos e interesses financeiros.

DANIELA LETÍCIA RODRIGUEZ

Contagem, MG

Templos com simplicidade

Como assinante, leio com muito interesse todos os artigos, mas olho também os anúncios. Chamou minha atenção um anúncio mostrando fachadas de templos com arquitetura exageradamente moderna. Gostaria de recomendar às igrejas com projetos de novas construções que ergam seus templos com simplicidade. Beleza e funcionalidade, sim, mas com simplicidade. Todo o dinheiro gasto em decoração exagerada e inútil poderia ser melhor aplicado em missões. Sempre faltam recursos para a obra missionária, cujos obreiros vivem muitas vezes em pobreza.

WILFRIED KÖRBER

Vinhedo, SP

Ultimato

Gostaria de parabenizar a Editora Ultimato pelo serviço que presta ao cristianismo. Apesar de não concordar (obviamente) com toda a sua linha doutrinária, reconheço que a revista tem sido um manancial de espiritualidade e profecia.

PE. BRÁULIO LINS

Palmares, PE

Sou padre da Santa Igreja Católica e recebo Ultimato . Não sei quem me manda, pois não a pedi. Contudo, gosto muito de recebê-la e de lê-la. Peço, humildemente, que essa revista seja um meio de aproximação entre nós cristãos. Que ela possa conter artigos também católicos, se possível.

PE. JOSILEUDO Q. FAÇANHA

Araçoiaba, CE

A última vez que escrevi a Ultimato foi para fazer uma crítica feroz. Fico decepcionado comigo ao me lembrar que, depois

do artigo criticado por mim, li outros tantos maravilhosos e não tive a mesma presteza para elogiá-los. A edição de maio/junho

é fantástica: sábia, coerente e convidativa a reflexões.

FAUSTO FERNANDES PEREIRA

Inhumas, GO

Ultimato faz muito bem à minha alma! Foi um dos melhores investimentos que fiz em termos de assinaturas de periódicos que nos trazem reflexão teológica com inteligência sem se tornarem exaustivos.

PR. EDIVANDRO FERNANDES CARLOS

Vila Velha, ES

Os hinos dos nossos antepassados e dos noviços

Falar do corinário Vem Cantar é falar das dificuldades que

a igreja brasileira vive; de um lado os que querem cantar

é falar das dificuldades que a igreja brasileira vive; de um lado os que querem cantar

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ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

somente a músicas de nossos antecessores, as quais marcaram gerações, e do outro os noviços,

somente a músicas de nossos antecessores, as quais marcaram gerações, e do outro os noviços, da geração do louvor espontâneo. Não podemos viver sem nossas raízes nem sem conhecer o novo, pois as igrejas que perdem suas origens vivem de modismos, sem valorizar a arte

e

a cultura, embasadas numa idéia do “aqui e agora”,

e

aquelas que vivem sem observar o presente não têm

futuro promissor, pois estão isoladas, vivendo do passado, comendo o maná do dia anterior. Valdivino reúne neste corinário o antigo e o novo mostrando que é possível haver uma harmonia entre o passado e o presente, que o Deus de ontem é o mesmo de hoje e o será para sempre.

WELINGTON FERNANDES DE LIMA

Barra do Garças, MT

Fora de foco

A igreja está mesmo perdendo o foco. De agência

missionária, ela se tornou um hospital para cuidar de seus doentes ou uma empresa que necessita de novidades para que o cliente se mantenha fiel. Quando me converti, no final de 1989, a minha igreja era atuante e promovia

visitas a lares, hospitais, presídios etc. Hoje, esta mesma igreja local vive de cultos semanais, com muito pouco evangelismo. Como no futebol, o que mais se vê agora é

a troca de pessoas de uma denominação para outra. Por qualquer motivo se muda de time.

LUIZ FERNANDES MARTINS

Campo Belo, MG

Netos, bisnetos e trinetos

Na “Carta ao leitor” da edição de maio/junho, lê-se que David Alves “tem sete filhos, 51 netos, 79 bisnetos

e cinco tetranetos”. Ora, pela seqüência, após os

bisnetos, vêm os trinetos e não os tetranetos ou

tataranetos — os tetranetos são filhos dos trinetos

e não dos bisnetos! Mesmo completando 100 anos,

David Alves dificilmente terá tetranetos (tomara que sim!), mas creio que seriam necessários mais uns bons anos.

OTAVIO ANTONIO VARELLA

Araraquara, SP

Marina Silva

Fiquei muito feliz com o artigo da ex-ministra e senadora Marina Silva (“Meio ambiente e fé cristã”, maio/junho). Seu trabalho à frente do Ministério do Meio Ambiente, a forma digna e decente como saiu de lá, abrindo mão de cargos e com altivez, sem arrogância, seu profundo conhecimento e reconhecimento mundial, quando o assunto é meio ambiente, e, principalmente, seu amor ao evangelho, nos levam a implorar a Ultimato que a irmã Marina Silva faça parte da relação de seus colunistas fixos.

WILSON DE OLIVEIRA JR.

Recife, PE

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Quem somos? Líderes lançam documentos sobre a identidade evangélica D ois documentos publicados em maio

Quem somos?

Líderes lançam documentos sobre a identidade evangélica

D ois documentos publicados em maio por líderes

evangélicos expressam certa angústia vivida por parte da igreja evangélica nas Américas do Sul e do Norte. Um chama-se An Evangelical Manifesto: The Washington Declaration of Evangelical Identity and Public Commitment (Um Manifesto Evangelical — Declaração de Washington da Identidade Evangélica e de Compromisso Público) e foi elaborado e publicado por um grupo representativo de líderes evangelicais dos Estados Unidos. A introdução do manifesto diz que ele é “uma declaração aberta de quem são os evangelicais e qual o propósito deles”. Diz também que há uma confusão sobre o termo “evangelical” e o seu lugar na vida

pública dos Estados Unidos. No conteúdo percebe-se o esforço para explicar no que realmente os cristãos crêem e qual o seu chamado. “Nós, evangelicais, somos definidos teologicamente, e não política,

social ou culturalmente. (

evangelical é ser fiel à liberdade, justiça, paz e bem-estar que está no

) Ser

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ULTIMATO

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cerne das boas novas de Jesus”. O outro documento foi escrito em Quito (Equador) e
cerne das boas novas de Jesus”.
O outro documento foi escrito
em Quito (Equador) e assinado
pelo Fórum da Unidade, composto
por doze líderes latino-americanos
de igrejas, organizações cristãs
teológicas e de atendimento social.
A iniciativa nasceu espontaneamente
Para amar
a Bíblia inteira
de um encontro entre estes líderes,
sem vínculos de formalidade
institucional. O documento chama-
M ais de 5.300 páginas de
comentários sobre os livros da
se Carta Pastoral — Um convite
ao diálogo e à ação e tem como
destinatária a igreja evangélica
da América Latina e Caribe. O
Bíblia formam a série Comentários
Esperança, da Editora Esperança. Desde
conteúdo expressa o desejo de
“discernir a voz do Senhor, sonhar
e assumir novos desafios para o
momento”, especialmente em favor
da missão e da unidade da igreja.
Diz também que a “diversidade
é parte da identidade das igrejas
evangélicas, assim como a unidade
é parte da sua vocação”. E que
“os novos esforços em favor da
unidade deveriam dar prioridade à
comunidade local”.
A julgar pela realidade da igreja
evangélica no Brasil, marcada
pela confusão na prática da fé,
pela dúbia atuação pública e
por relacionamentos sectários,
nós, evangélicos brasileiros,
também precisamos escrever um
documento que expresse nossa
angústia atual.
1996 este vasto e consistente conteúdo
escrito por teólogos alemães está no
catálogo da editora. A novidade é que a
partir de agosto a série estará disponível
também em formato eletrônico, em uma
parceria com a Sociedade Bíblica do
Brasil. Vai compor o banco de recursos
da Bíblia Eletrônica (que substitui a
Bíblia Online).
Nas palavras de Adolf Pohl, um
dos autores da série, “o desejo destes
comentários é que por meio destas
parcelas da Bíblia possamos vir a amar
a Bíblia inteira e sua mensagem, e que
possa raiar para nós a justiça de Cristo,
a liberdade de Deus e a verdade do
por Lissânder Amaral
Espírito Santo”. Para Russel Shedd,
os Comentários Esperança vão ajudar
leitores que “buscam explicações de
textos em geral e também dos mais
difíceis”.
Os Comentários Esperança já
ganharam cinco vezes o Prêmio
Areté, da Associação
de Editores Cristãos
(AsEC).
por Lissânder Amaral
NA INTERNET
• Carta Pastoral; um convite
ao diálogo e à ação
www.ultimato.com.br
Scapture
D e acordo com a Organização Mundial de Saúde, a cada dia 6.800 pessoas são
D e acordo com a Organização Mundial de Saúde, a cada dia 6.800 pessoas são
D e acordo com a
Organização Mundial de
Saúde, a cada dia 6.800 pessoas
são contaminadas pelo HIV
(vírus da imunodeficiência
humana) e 5.750 morrem.
Hoje são 33 milhões de
infectados. Daqui a 20 anos
hora, no intervalo de 90 anos. Além
desses há de se somar os que foram
vítimas de genocídio instaurados
pelo governo de certos países,
aproximadamente 120 milhões de
pessoas (só nos dois países comunistas
China e União Soviética foram 80
milhões).
12.000.000
númerosnúmeros
poderão ser 150 milhões
(quatro vezes e meia a mais).
A OMS informa também
que a cada ano são realizados
cerca de 50 milhões de abortos
no mundo, 19 milhões dos
quais de forma clandestina e
insegura. No caso do Brasil,
são 1,1 milhão de abortos
anualmente. Segundo o
médico Miguel Srougi, em
2005, 250 mil brasileiras foram
internadas em hospitais da rede
pública devido a complicações
do aborto. Destas, 11 mil
devem ter morrido.
de dólares foi quanto a milionária
americana Leona Helmsley, morta aos
87 anos, em agosto de 2007, deixou de
herança para sua cadela Trouble
Entre 2003 e 2005, 78% dos cerca de
60 mil jovens do sexo masculino, que
morreram no Brasil, perderam a vida
por causas externas, majoritariamente
homicídios e acidentes de trânsito.
No mesmo período morreram 15 mil
jovens do sexo feminino, 35% pelas
mesmas causas externas.
1.200.000
é o número de caracteres da nova
tradução em português do célebre Moby
Dick do escritor americano Herman
Melville, publicado em 1851
Dados oficiais informam que
836.711 meninas de 15 a 19 anos já
tiveram filhos, o que equivale a 11,4%
da população nesta faixa etária.
48
dúzias de rosas e 11.000 flores de jasmim
são necessárias para produzir uma onça
do perfume Joy de Petou
Levantamento recente feito
pela Secretaria Nacional Antidrogas
(Senad) mostrou que 12,3% dos
brasileiros têm características de
dependência de álcool. Nas capitais
e nas regiões metropolitanas, 13%
dos adolescentes são considerados
bebedores “pesados”, consumindo
mais de cinco doses por vez, mais de
uma vez por semana. Apenas 10%
dos dependentes do álcool conseguem
largar o vício sozinhos.
Em 25 anos, de 1980 a 2005, houve
112 mil casos de aids notificados
entre jovens de 15 a 29 anos. O total
significa 30% de todos os aidéticos
brasileiros. A principal forma de
contágio nesta época se deu por
transmissão sexual (60% dos casos).
1.000.000
Em sua coluna no Jornal do
Brasil, o escritor Fausto Wolf lembra
que o século 19 deu-nos grandes
filósofos, escritores, romancistas e
principalmente cientistas. Apesar disso
tudo, o século seguinte cometeu o
maior genocídio da história.
de brasileiros deficientes físicos,
auditivos e visuais estão à espera de
órteses e próteses para diminuir suas
limitações e alegrar mais a vida
49.722
Em artigo publicado na Christianity
Today, Ronald Sider, autor de O
Escândalo do Comportamento Evangélico
(Editora Ultimato), diz que o século
crianças e adolescentes estão
matriculados nas 364 escolas localizadas
em comunidades quilombolas, onde
vivem os descendentes dos escravos
africanos trazidos ao Brasil entre os
séculos 18 e 19
20
foi o mais sangrento da história.
Um estudioso do assunto estima que
86
milhões de pessoas morreram nas
guerras entre 1900 e 1990, o que
significa 2.500 por dia ou 100 a cada
Daqui a 20 anos
poderão ser 150
milhões com o
vírus do HIV
25.900
mulheres presas nos presídios brasileiros
Fatos que desafiam as utopias

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ULTIMATO

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A esperança cristã deve ocupar o lugar das utopias Divulgação “U m outro mundo talvez
A esperança cristã deve ocupar o lugar das utopias Divulgação
A esperança cristã
deve ocupar o lugar das utopias
Divulgação

“U m outro mundo talvez seja possível”, escreve o brasileiro

Gilberto Dupas, 65, presidente do Instituto de Estudos Econômicos

Internacionais (IEEI) e autor de O Mito do Progresso. Para ele, esta frase seria o exercício da utopia e a negação do narcisismo, “porque é a utopia que nos obriga a olhar em direção a uma sociedade menos injusta”. Dupas não confunde a utopia com a esperança

e chega a afirmar que “assim como

a esperança, a utopia não morrerá nunca”.

A esperança cristã é muito superior

à capacidade humana de sonhar

com um mundo melhor. Os versos de Eduardo Galeano, que Gilberto Dupas transcreve em seu artigo Acabaram as utopias? (Folha de São

Paulo, 05/05/08, p. A3), mostram os limites da utopia:

“Para que serve a Utopia? Ela está diante do horizonte Me aproximo dois passos

E ela se afasta dois passos.

Caminho dez passos

E o horizonte corre

Dez passos mais à frente. Por muito que eu caminhe Nunca a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.”

Com o exercício da utopia fica- se apenas com os sonhos. É bom sonhar com aquilo que “olho nenhum

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ULTIMATO

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viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou” (1Co 2.9). Mas o exercício da esperança é incomparavelmente melhor. No bojo da utopia encontramos imaginação fértil e otimista. No bojo da esperança encontramos certeza fértil e otimista. Enquanto a utopia se distancia cada vez que nos aproximamos dela, a esperança não foge e cada vez estamos mais perto dela. Sob a ótica da utopia, a frase “um outro mundo talvez seja possível ” está correta. Sob a ótica da esperança cristã, a declaração está errada. Com o óculo da esperança fundamentada na pessoa de Jesus Cristo, não haveria margem para a dúvida. Então diríamos “um outro mundo é possível ”. A incômoda palavra “talvez” cairia por terra definitivamente. A utopia precisa se transformar em esperança. Ela até pode ser um degrau para se chegar à esperança. A caminhada do sonho é bem mais curta que a caminhada da certeza. A utopia produz uma alegria forçada, mas não enganosa, pois todos conhecem sua natureza: ela não promete nada. Comporta-se como um comprimido para afugentar a dor e não a doença. Já a esperança produz uma alegria gerada pela fé, que abraça algo que de fato virá a seu tempo.

Gilberto Dupas

O compromisso com a esperança

e não com a utopia usa termos

mais absolutos. Não diz “sociedade menos injusta” nem se contenta com o pouco. Mas garante que

a justiça fará habitação na nova ordem, nos “novos céus e nova terra” (2Pe 3.13).

A ponta inicial da corda da

esperança foi colocada nas mãos

dos homens quando a harmonia do gênero humano e da natureza com

o Criador foi quebrada (Gn 3.15).

A outra ponta está na consumação

do século, no fim da história,

na plenitude da salvação. Nossa caminhada não é indefinida nem eterna, como se nada acontecesse em algum ponto do enredo, como

se a glória por vir não estivesse

na agenda de Deus. Quem usa a corda que liga o paraíso perdido ao paraíso recuperado como guia de corrimão não precisa da utopia. Ele está absolutamente certo de que o pecado, a injustiça e a morte (“os céus e a terra que agora existem”) serão realmente banidos para dar lugar àquilo que “olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou”

(“novos céus e nova terra”). Graças

à soberania e ao amor de Deus,

que nos enviou Jesus Cristo para remover o pecado do mundo (Jo 1.29) e fazer novas todas as coisas (Ap 21.5)!

Porto Filho é lembrado pela comunidade de Campo Grande 20 anos após sua morte Em
Porto Filho é lembrado pela comunidade de Campo Grande 20 anos após sua morte Em

Porto Filho é lembrado pela comunidade de Campo Grande 20 anos após sua morte

pela comunidade de Campo Grande 20 anos após sua morte Em 1931, um carioca de 23
pela comunidade de Campo Grande 20 anos após sua morte Em 1931, um carioca de 23

Em 1931, um carioca de 23 anos, nascido em Pedra de Guaratiba, abandonou pela metade o curso que fazia na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha. Nunca se soube ao certo por que Manoel da Silveira Porto Filho desistiu da carreira médica. Mas, graças a este estranho desfecho, a igreja evangélica brasileira ganhou um líder de projeção nacional dentro e fora da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil. Vocacionado para o ministério, Porto Filho cursou o Seminário Batista do Sul do Brasil e foi ordenado pastor congregacional no final de 1937. Além de pastorear por 47 anos a igreja de Campo Grande, no Rio, Porto Filho foi presidente da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais e Cristãs do Brasil e da extinta Confederação Evangélica do Brasil por mais de um mandato. Como poeta e um apaixonado pela hinologia, Porto Filho participou ativamente da comissão revisora do Salmos e Hinos, o mais antigo hinário evangélico brasileiro, e escreveu, traduziu ou metrificou vários hinos, entre eles Grata memória, Rocha eterna, Na manjedoura, Espera em Deus e Vós, criaturas de Deus Pai.

Manoel

da Silveira

Porto Filho

O ex-acadêmico de medicina não era um crente isolado da sociedade nem da realidade. Exercia um ministério holístico. Foi professor de latim e português no Colégio Belisário dos Santos, fundador e presidente da Associação Campograndense de Assistência ao Menor e conselheiro da antiga FUNABEM. Foi um dos fundadores do Lions Clube de Campo Grande, do Instituto Campograndense de Cultura e da Sociedade Universitária Campograndense, hoje Fundação Educacional Unificada Campograndense, e participou da Academia de Letras, Ciências e Artes de Itaboraí e da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Deu também a sua contribuição na formação de pastores, como um dos fundadores do Instituto Bíblico de Pedra de Guaratiba, RJ, como professor de geografia bíblica, Novo Testamento e teologia e como diretor de extensão do Seminário Unido de Campo Grande, hoje Seminário Teológico do Oeste. Apesar de sua inteira dedicação ao Senhor, Porto Filho não foi poupado de algumas tragédias familiares. No dia 29 de agosto de 1963, sua filha Norma, de apenas 22 anos, mãe de um menino de 1 ano e 2 meses e de outro de 4 meses, foi assassinada a sangue frio pelo próprio marido, quatro anos mais jovem que ela. Depois de passar a noite em claro, antes do alvorecer do novo dia, a bagagem religiosa que Porto Filho trazia no coração e na mente despontou fortemente a ponto de ele poder escrever mais um hino.

No dia 1° de junho de 2008, quando Manoel da Silveira Porto Filho completaria 100 anos (ele morreu aos 80), a Igreja Evangélica Congregacional Campograndense promoveu uma semana inteira de eventos em gratidão a Deus pela vida de seu ex-pastor!

de eventos em gratidão a Deus pela vida de seu ex-pastor! A glória do sol nascente
A glória do sol nascente Manoel da Silveira Porto Filho Além das sombras que vão
A glória do sol
nascente
Manoel da Silveira Porto Filho
Além das sombras que vão descendo,
Tudo envolvendo na escuridão
Eu vejo a glória do sol nascente,
Resplandecente no seu clarão.
Não pode a noite, por mais sombria
A luz do dia toda esconder.
Após as trevas vem triunfante,
O sol brilhante do amanhecer.
Assim as sombras não permanecem
Quando escurecem o nosso olhar
No pranto amargo que as dores trazem
E a muitos fazem desanimar.
Se a noite é longa nos teus caminhos
E se os espinhos te vêm ferir,
Jociano Brait

Não desanimes, ó alma triste! Um sol existe que vai surgir!

Jesus não tarda a sua vinda:

Um pouco ainda e então verás Que as sombras fogem com seus terrores E as tuas dores não voltam mais.

(Fonte: Manoel da Silveira Porto Filho — poeta, pastor e mestre, de M. Bernardino Filho, Editora União das Igrejas Evangélicas, 2006, p. 266-267)

Julho-Agosto, 2008

ULTIMATO

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DivuulgaçãoDivuulgação

Divuulgação Divuulgação Divuulgação O apelo sexual está por todos os lados. É difícil evitar que isso
Divuulgação Divuulgação Divuulgação O apelo sexual está por todos os lados. É difícil evitar que isso
Divuulgação Divuulgação Divuulgação O apelo sexual está por todos os lados. É difícil evitar que isso
Divuulgação
Divuulgação

O apelo sexual está por todos os lados. É difícil

evitar que isso aconteça.

O importante é dar aos filhos uma educação

baseada na Palavra de Deus para fornecer uma base moral com referenciais verdadeiros e eternos.

O diálogo, a amizade e a oração são as melhores armas.

Chris Poli, pedagoga, a Supernanny do SBT e colunista da revista Enfoque

N a cruz, Deus viu em seu Filho amado o nosso

pecado, os nossos crimes lesa divindade e a nossa culpa merecedora da maior condenação. No cristão, Deus vê a justiça de Cristo. Por isso, apesar de o homem salvo continuar sendo pecador na terra, é aceito e declarado justo por Deus.

Odayr Olivetti, ex-professor de Teologia Sistemática do Seminário Presbiteriano de Campinas

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ULTIMATO

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E ngolir orgulho, vaidade e algumas

derrotas faz parte [da vida], mas engolir princípios, jamais. É preciso que o dirigente maior banque suas posições. E eu não vou fazer pirotecnia ambiental.

Marina Silva, senadora, ex-ministra do Meio Ambiente, membro da Assembléia de Deus de Brasília

Divuulgação
Divuulgação

O culto que agrada a Deus não é o

tradicional nem o

contemporâneo, mas

o que parte de um

coração quebrantado

e de lábios que

confessam o nome do

Senhor.

Guilhermino Cunha, pastor da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro

O maior ídolo de todos é o “eu” de cada

pessoa que se considera mais importante que o próximo. [O problema

é que] as pessoas mais

felizes na vida são [exatamente] aquelas que se desprenderam do “eu” e passaram a viver por Jesus, [a exemplo de Paulo, que declarou] “já estou crucificado com Cristo, e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).

Rômulo Walden Ribeiro, pastor batista

E nquanto Jerusalém se torna cada

vez mais religiosa

e nacionalista, a

cosmopolita Tel Aviv [a 60 quilômetros] se afasta da política e cultua o hedonismo e o sucesso pessoal.

Marcelo Ninio,

jornalista brasileiro

A

ntigamente você se dizia católico.

Hoje você é batizado na Igreja Católica, joga flores a Iemanjá, tem

a casa decorada pelos

princípios do Feng Shui

e segue o budismo.

Luli Radfahrer, professor na USP

Shui e segue o budismo. Luli Radfahrer, professor na USP O cirurgião plástico deve sempre preocupar-

O cirurgião plástico deve sempre preocupar-

se muito mais com suas próprias limitações do que com suas possibilidades.

Ivo Pitanguy,

cirurgião plástico

com suas possibilidades. Ivo Pitanguy , cirurgião plástico S e alguém perceber que suas dívidas se

S e alguém perceber que suas dívidas

se avolumaram e, pior ainda, originam-se de despesas adiáveis ou desnecessárias, é chegada a hora de procurar auxílio de psicólogos ou psicoterapeutas.

Maria Inês Dulci, coordenadora da

Associação Brasileira de Defesa do Consumidor

Stockxpert

Capa

O sucesso de Edir Macedo e a pergunta que fica no ar

20

ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

O sucesso de Edir Macedo é enorme. Trata-se de um fenômeno religioso sem igual.

Em 30 anos, o modesto fluminense nascido em 1945 e convertido ao evangelho no Rio de Janeiro em 1964 fundou uma igreja neopentecostal que hoje tem quarenta luxuosas catedrais,

mais de 4.700 templos e quase 10 mil pastores só no Brasil. Em média, a cada quinze dias, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) constrói um templo

e transfere um dos seus obreiros para

fora do país. É a maior distribuidora de

Bíblias e uma das maiores locatárias do país (paga o aluguel de 8.806 imóveis). Já se estabeleceu em quase todos os países do globo e em alguns faz tanto sucesso como no Brasil. Na Argentina,

a igreja tem cinco catedrais, mais de 150 templos, trezentos núcleos, duzentos pastores e 66 horas de programas de televisão por semana, além do jornal El Universal, com tiragem de 170 mil exemplares. A catedral de Guayaquil, no Equador, tem 7.500 metros de área construída e custou 8 milhões

Stockxpert

de dólares. A de Soweto, na África do Sul, ficou por 20 milhões. Em Portugal estão sendo construídas duas catedrais, uma em Lisboa e outra no Porto. Macedo pretende construir a mais arrojada catedral da Universal em um quarteirão de 28 mil metros quadrados no bairro do Brás, na cidade de São Paulo. Orçado em 200 milhões de reais, o templo terá dezoito andares e acomodará 13 mil fiéis assentados.

todos relacionados principalmente com

a teologia da prosperidade (veja O que

Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz, na pág. 24). Há que se considerar também

o estranho sincretismo religioso abraçado pela IURD. Outra possível explicação para

o fenômeno poderia ser o estilo empresarial de Macedo, já exposto na reportagem A igreja de Edir Macedo tornou-se um conglomerado que mescla

prosperidade. Quase todas as igrejas neopentecostais e não poucas igrejas de linhas pentecostal e tradicional estão sendo perigosamente seduzidas por este movimento, nascido nos Estados Unidos no início do século 20 (veja Raízes históricas da teologia da prosperidade, na pág. 46). Para satisfazer o público obcecado muito mais por seu próprio bem-estar material do que pela busca do reino de Deus (o que Jesus condenou no

Sermão do Monte), muitas igrejas estão sendo tentadas a deixar de lado o evangelho original e abraçar o “outro evangelho” (Gl 1.16). Na verdade, as igrejas pentecostais e históricas não devem ficar impressionadas nem com

o sucesso numérico nem com a grande

visibilidade das igrejas neopentecostais.

Jesus manda tomar mais cuidado com

o alicerce do que com a casa em si. Sem

esse alicerce cavado na rocha, que é Cristo, a casa mais cedo ou mais tarde cairá e sua queda fará “um barulho medonho” (Mt 7.27, BV). Uma das

tentações a que Jesus foi submetido era, nas palavras de John Stott, “ganhar

o mundo satisfazendo sua fome por

meio de uma exposição sensacional do poder”. Jesus não transformou pedras

em pães, não se jogou da parte mais alta do templo ao chão nem se curvou diante de Satanás para evitar a cruz e ganhar de lambuja “todos os reinos do mundo

e o seu esplendor” (Mt 4.8). Stott diz

ainda que “o Diabo adora nos persuadir

de que os fins justificam os meios” (A Bíblia Toda, O Ano Todo, p. 177).

As igrejas pentecostais e históricas não devem ficar impressionadas nem com o sucesso numérico nem com a grande visibilidade das igrejas neopentecostais. Jesus manda tomar mais cuidado com o alicerce do que com a casa em si. Sem esse alicerce cavado na rocha, que é Cristo, a casa mais cedo ou mais tarde cairá e sua queda fará “um barulho medonho”

Além das atividades religiosas, a Universal tem construtoras, seguradoras, empresas de táxi aéreo, agências de turismo, mídia e consultorias, que geram 22 mil empregos diretos e mais de 60 mil indiretos. O sucesso de Edir Macedo diz respeito também aos seus negócios particulares. Ele e a esposa são donos da Rádio Copacabana e da Record, a segunda maior rede de televisão do país, com 99 emissoras (próprias e afiliadas) e 6 mil funcionários, cujo valor deve estar na casa de 2 bilhões de dólares. A grande pergunta que todo mundo faz à boca pequena, especialmente os evangélicos, é como entender o sucesso de Macedo. Seria indício da bênção de Deus em sua vida e obra? Seria o resultado do exercício tenaz da oração? Seria o fruto de um avivamento promovido pelo Espírito Santo? Essas três possibilidades enfrentam séria dificuldade em vista de certos ensinos, certos procedimentos e certos métodos da Universal, que agridem a pureza do evangelho de Jesus,

religião, mídia, política e negócio (edição de novembro/dezembro de 2007, p. 61). Levando-se em conta que Deus é o soberano Senhor sobre todos e sobre tudo, portanto o Senhor da história, pode-se até supor que Macedo seria

o seu servo, o seu vassalo, o seu

agente, um instrumento de juízo para provocar nas igrejas cristãs alguma resposta, alguma reação, alguma providência. Deus não chama o poderoso rei da Babilônia de “meu servo Nabucodonosor” (Jr 25.9)? Não diz sobre o poderoso rei da Pérsia que “ele é meu pastor e realizará tudo o que me agrada” (Is 44.28)? A IURD é apenas a mais visível de todas as denominações cristãs que estão abraçando a infeliz teologia da

Nota Os dados sobre Edir Macedo e a Universal foram retirados de O Bispo — a história revelada

de Edir Macedo (Larousse, 2007).

— a história revelada de Edir Macedo (Larousse, 2007). NA INTERNET • A igreja de Edir
NA INTERNET • A igreja de Edir Macedo tornou-se um conglomerado que mescla religião, mídia,
NA INTERNET
• A igreja de Edir Macedo tornou-se um conglomerado que mescla religião, mídia,
política e negócios (edição de novembro/dezembro de 2007)
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ULTIMATO
21

Photozox

Capa

As boas novas de Edir Macedo e da

teologia da prosperidade

A s boas novas anunciadas pela

Igreja Universal do Reino de

Deus são formidáveis. Não há

quem não se deixe atrair por elas. É por essa razão que a Universal é o maior fenômeno religioso dos últimos tempos. Todavia, as boas novas de Edir

Macedo não são exatamente as boas novas que foram anunciadas altas horas da noite aos pastores que apascentavam os seus rebanhos nas cercanias de Belém, no dia do nascimento de Jesus. Aos aterrorizados homens do campo, o anjo declarou: “Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11). Encabeçados pelo bispo maior, os bispos e os pastores da Universal estão apresentando ao povo, pelo púlpito, pelas sessões de descarrego, pela televisão, pelas emissoras de rádio e por meio de seus periódicos e livros, o “Jesus errado”, nas palavras do pastor Israel Belo de Azevedo, diretor do Seminário Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro.

“Há pessoas se relacionando com o Jesus que se ama enquanto se precisa dele. Quantas pessoas vêm a todos os

cultos da igreja, até do meio da semana,

e desaparecem depois que recebem de

Jesus o que buscavam. [

a Jesus por causa dos milagres não sabe

quem é Jesus. Pois ele disse: ‘Eu sou o pão vivo que desce do céu. Se alguém

comer desse pão, viverá para sempre’ (Jo 6.51)”. 1

“Enquanto algumas pessoas espiritualizam o evangelho, como se ele oferecesse somente salvação do pecado, outros politizam o evangelho, como se ele oferecesse somente libertação da opressão” (John Stott). 2 O que acontece com a Universal e, não raro, com outras igrejas neopentecostais comprometidas com a teologia da prosperidade, é que elas enfatizam

a parte egoísta

do evangelho,

a libertação

da opressão da miséria, da fome, do

] Quem busca

As igrejas comprometidas com a teologia da prosperidade enfatizam a parte egoísta do evangelho, estimulando

o materialismo e o malfadado

consumismo, e destroem o estilo de

vida

simples que o cristianismo apregoa

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ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

desemprego, da bancarrota, da doença, da depressão, das crises matrimoniais etc. O próprio Edir Macedo explica:

“Somos um pronto-socorro”. 3 As boas novas do bispo estimulam

o materialismo e o malfadado

consumismo, e destroem o estilo de vida simples que o evangelho apregoa. Por culpa dessas “boas novas” e de outras, provavelmente em nenhuma outra ocasião da história Jesus tenha

descido tanto do seu pedestal de direito

e de origem como agora. Esse desvio

amplo e sorrateiro pode ser visto na denúncia de Belo de Azevedo:

“Há um produto circulando por aí:

você quer saber viver? Siga os ensinos da moralidade e da sabedoria deixados por Jesus. Você quer aprender como liderar? Aprenda com Jesus, o maior

Ultimato imagem

Duas atitudes inacreditáveis:

administrador de empresas do mundo. Você quer conhecer a si mesmo?

Aprenda com Jesus, o maior psicólogo

de todos os tempos. Quem se interessa

por Jesus em função apenas dos seus ensinos não sabe quem é Jesus. Suas palavras são palavras de vida eterna (Jo 4.13-14)”. 4 O povo não quer saber nada de pecado, arrependimento, conversão, porta estreita, caminho apertado, poucos companheiros, auto-negação, amor e doação de si mesmo ao próximo nem de muitos outros valores básicos do cristianismo. Mas cristianismo sem cruz não existe. Jesus descreveu

enfaticamente a obra do Espírito Santo:

“Quando ele vier, convencerá o mundo

do pecado, da justiça e do juízo”

(Jo 16.8). Assim sendo, nada mais

oportuno e mais fadado ao sucesso do que a pregação de outras boas novas.

O senador Marcelo Crivella, também

bispo da Universal, afirma que Edir

Macedo “nunca aceitou ensinar o povo

a cantar ‘eu sou pobre, pobre, pobre,

de marré, marré, marré’”. 5 Na verdade,

a IURD não seria a potência que é se

pregasse as boas novas originais em sua totalidade. Nem levantaria o dinheiro

que arrecada na forma de dízimos e ofertas, como o próprio Edir Macedo admite: “Qualquer pessoa que chega

à igreja e é abençoada, mais ela dá. Se

você fosse e recebesse, não daria?”. 6 A Universal é a principal responsável pela popularização do dízimo mercenário, aquela contribuição dada somente por causa do retorno. Para Macedo, o fiel que precisa de alguma bênção ou algum milagre tem duas opções: “Ou a pessoa dá ou não recebe”. 7

Notas

1. Revista Enfoque, maio 2008, p. 32.

2. A Bíblia Toda, O Ano Todo, p. 179.

3. O Bispo, p. 136.

4. Revista Enfoque, maio 2008, p. 53.

5. O Bispo, p. 123.

6. Idem, p. 201.

7. Idem, p. 202.

53. 5. O Bispo , p. 123. 6. Idem , p. 201. 7. Idem , p.

a pregação interesseira e a magnanimidade de Paulo

D esde o início, desde Paulo, desde

a metade do primeiro século

até hoje, o início do século 21,

alguns cristãos pregam a Cristo não “por motivo puro”, “não por reta intenção”, “não por honestidade ou sinceridade”, mas “por ambição egoísta”, “por briga”, “por discórdia”, “por espírito de competição”, “por interesse pessoal”, “por intriga”, “por inveja”, “por partidarismo”, “por polêmica”, “por porfia” ou “por rivalidade”. Fazem assim porque “são ciumentos e briguentos”. Tudo isso está na Epístola de Paulo aos Filipenses (1.15-17). Mais inacreditável ainda é que o rigoroso apóstolo mostra-se extremamente longânimo diante de tamanho absurdo: “Isso não tem importância. O que importa é que Cristo está sendo anunciado, seja por maus ou por bons motivos. Por isso estou alegre e vou continuar assim” (Fp 1.8, NTLH). Esta passagem bíblica, que merece todo respeito, parece proibir o que Ultimato está fazendo na matéria de capa desta edição. Já que à porta de cada catedral, templo ou sala alugada da IURD anuncia-se a Cristo por meio da expressão “Jesus Cristo é o Senhor”, retirada da mesma Epístola de Paulo aos Filipenses (2.11), a revista não deveria

criticar Edir Macedo nem qualquer outro pregador da teologia da prosperidade. Não é bem assim. Paulo não ficaria quieto nem manso diante do “evangelho

da saúde e da prosperidade” (um dos

nomes da teologia da prosperidade). O

que estava em jogo no caso mencionado por Paulo é a falta de intenção pura

da parte daqueles evangelistas que

pregavam a Cristo por interesse pessoal.

O que está em jogo no caso dos

pregadores da teologia da prosperidade é que eles pregam um evangelho diferente daquele que os primeiros

cristãos ouviram e aceitaram. Nesse terreno, Paulo é indobrável: “Se alguém, mesmo que sejamos nós ou um anjo do céu, anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que temos anunciado, que seja amaldiçoado!” (Gl 1.8). De sobra, além de pregar o evangelho original, os “ganhadores de almas”

de qualquer denominação histórica e

pentecostal deveriam descobrir a sua verdadeira motivação e experimentar uma mudança radical, caso estejam pregando por espírito de competição, de

rivalidade, de intriga, de partidarismo! Deus será grandemente glorificado

depois desse acontecimento!
depois desse acontecimento!
intriga, de partidarismo! Deus será grandemente glorificado depois desse acontecimento! Julho-Agosto, 2008 ULTIMATO 23

Julho-Agosto, 2008

ULTIMATO

intriga, de partidarismo! Deus será grandemente glorificado depois desse acontecimento! Julho-Agosto, 2008 ULTIMATO 23

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Capa

O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz

SOBRE RIQUEZA E POBREZA

Edir Macedo diz:

“A Igreja Católica sempre impregnou na cabeça das pessoas que riqueza é coisa do mal e que pobreza é boa. Eles querem que eu pregue a “teologia da

miséria”? [

catedrais) é abrir a cabeça do pobre que dá oferta. Na sua casa, ele senta no sofá rasgado ou até no chão. Na Igreja ele é

honrado. Tem o direito de sentar numa cadeira estofada, com ar-condicionado, usar um banheiro limpo. Recebe um atendimento exemplar. Eu quero mostrar que ele é capaz de conquistar coisas grandes, uma vida melhor. Algo como dizer: ‘Veja a grandeza de Deus. Sua casa é um barraco. Olha o que Deus pode fazer. A Igreja Universal também começou em um barraco, mas olha como está hoje. Você precisa investir nesse Deus’” (O Bispo, p. 208, 211).

]

O objetivo (de construir

A Bíblia diz:

A frase do bispo Macedo soa

simpática ao pobre e se parece com

a fé de que a pobreza se resolve no

relacionamento particular com Deus, na prática de uma fé pessoal.

A Igreja Universal não foi a primeira

a construir catedrais. Toda confissão

religiosa parece ter uma visão de que

Deus se agrada da riqueza. No Antigo Testamento temos duas construções milionárias. O que está em pauta, portanto, não é a construção de

catedrais, porque essa prática é milenar, transcultural e transreligiosa. A questão

é a natureza da pobreza. Seria resultado de um insuficiente relacionamento com

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ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

Deus, algo como falta de fé? Portanto, uma questão espiritual? Significaria que quem é rico (não se contempla aqui a questão da origem da riqueza, mas a simples posse da mesma), independente da relação que tem com Deus, é uma pessoa abençoada? É de se supor que haja gente rica que não tenha relacionamento algum com Deus. A Bíblia fala do pobre e da pobreza. Em Deuteronômio 15.4, Deus dá orientações para que não haja pobre entre o povo de Israel. E a solução apresentada é de ordem econômica. Deus exige que a cada sete anos as dívidas sejam perdoadas sem cobrança de juros, para que não existam pobres. A causa apontada (nesse contexto) para a existência da pobreza também é de ordem econômica: o endividamento. Em Levítico 25.10-55, Deus proclama o Jubileu, uma série de medidas econômicas limitando

Ariovaldo Ramos

o direito à propriedade, assim como o

direito de explorar o trabalho alheio. Era um modo de evitar a pobreza,

sanando a situação a cada cinqüenta anos, uma vez que a cada cinco

décadas a sociedade voltava ao estado de igualdade. Mais uma vez a pobreza

é relacionada com questões de ordem

econômica, e o Jubileu é um modelo econômico de reordenamento das relações, de modo a erradicar a causa da pobreza, que nesse contexto era a perda da posse da terra. Desde a promulgação de sua lei,

e diante da desobediência à mesma,

Deus vem estabelecendo práticas para que o pobre não seja desamparado, a fim de que a sociedade se aproxime do estado de igualdade. Há a pobreza fruto de má administração, ou de irresponsabilidade, ou de desobediência ao Senhor. O livro de Provérbios está repleto dessas advertências, mas elas têm caráter pessoal e extemporâneo, sem cair no reducionismo de classificar a pobreza como resultado destes atos particulares. Em Provérbios encontramos também

Bruno Neves

uma série de advertências contra a exploração do pobre, assim como a orientação de que se deve cuidar dele e buscar a sua emancipação. No Novo Testamento a busca pela erradicação da pobreza continua. É o que se vê na proposta de sociedade que se pode abstrair da fala de Jesus Cristo:

“Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles e mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos. Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente” (Mc 10.42-45, NTLH). Jesus Cristo preconizou uma nova sociedade, cujo poder governamental seja exercido por meio do serviço a todos. Trata-se de uma sociedade em que todos sejam cidadãos, pois só numa sociedade em que o governo assume a sua vocação de servo de todos é que a cidadania floresce. Na sociedade do Cristo, o poder deve ser exercido dessa forma para que ela seja um espaço em que:

o uso da terra seja regulamentado tendo em vista o bem de todos, pois Deus não admite que alguém possa comprar casa sobre casa e terra sobre terra até ser o único morador do lugar (Is 5.8). Na sociedade do Cristo a terra tem de ser repartida entre todos, pois é para todos; a riqueza seja distribuída com eqüidade, pois Deus quer que quem colheu demais não tenha sobrando, e quem colheu de

menos não tenha faltando (2Co 8.15); haja consciência de coletividade; o imposto seja um instrumento legítimo de distribuição de renda;

Trata-se de uma sociedade em que todos desfrutem do direito à dignidade; uma sociedade de cidadãos, pois só onde há dignidade há cidadania.

Jesus Cristo preconizou uma nova sociedade, cujo poder

governamental seja exercido por meio do serviço a todos. Trata-

se de uma sociedade em que todos sejam

cidadãos, pois só

uma sociedade em que o governo assume a sua vocação de

servo de todos é que a

cidadania floresce

o trabalhador usufrua da riqueza que produz, pois ele é digno de seu salário (Lc 10.7). Não se pode amordaçar o boi que debulha o milho (1Tm 5.18), isto é, aquele que produz deve ser o primeiro a usufruir do que produziu. Esta seria uma sociedade de trabalhadores para trabalhadores;

a criança tenha prioridade, pois Deus não quer que nenhum dos pequeninos se perca e ameaça com duras penas a sociedade que desviar as crianças de sua vocação divina: vocação à saúde, à educação, à segurança, à longevidade, ao emprego, enfim, a uma vida que possa ser celebrada;

os órfãos e as viúvas, isto é, os que tudo perderam, não fiquem desamparados; ao contrário, parte da produção deve ser destinada exclusivamente para estes, para que não haja miséria na sociedade.

o idoso seja referencial de sabedoria, nunca um fardo, pois na Bíblia ele é o conselheiro que ajuda o jovem na sua caminhada e por este é visto como um mentor, como guardião dos valores que devem nortear a sociedade, como alguém que deve ser honrado, o cidadão por excelência, pois construiu e legou para as gerações que o sucedem. Na sociedade preconizada por Cristo o conjunto de cidadãos é o estado, e todos

são cidadãos. Por isso, o governo estaria

a serviço de todos, o que significa estar sob o controle da cidadania. Assim, os direitos humanos seriam respeitados. E

onde os direitos humanos são respeitados há previdência, isto é, o futuro do cidadão estaria assegurado; ele seria o beneficiário da riqueza que produziu.

E previdência seria um conceito que

abrangeria não apenas a saúde ou a velhice, mas a educação, a segurança,

o emprego, o lazer, enfim, tudo o que

dá qualidade à vida. Nessa sociedade, o governo seria um agente previdenciário,

e o futuro seria, não algo que quanto

mais remoto melhor, mas uma sucessão de presentes, em que cada dia traria a garantia de um futuro assegurado. A pobreza é uma questão econômica

e que tem de ser resolvida por via

econômica, o que se logrará quando as proposições de Deus forem ouvidas.

se logrará quando as proposições de Deus forem ouvidas. Ariovaldo Ramos é pastor na Comunidade Cristã

Ariovaldo Ramos é pastor na Comunidade Cristã Reformada e na Igreja Batista de Água Branca, ambas em São Paulo.

Julho-Agosto, 2008

ULTIMATO

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Fotomontagem/Juan Croatto/Afonso Lima

Capa

O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz

SOBRE OS DÍZIMOS E OFERTAS

Edir Macedo diz:

“As pessoas não devem dar ofertas

para ajudar a igreja, mas para ajudar

a si próprias. Quando dá está fazendo

um investimento para si, na sua vida. É

o que mostra a Bíblia. Quem dá tudo

recebe tudo de Deus. É inevitável. É

].

faz um sacrifício financeiro, Deus fica sem opção. Ele tem a obrigação

toma lá, dá cá [

Quando alguém

de responder, porque é sua promessa.

É a fé. Basta seguir o que Deus disse:

‘Provai-me nos dízimos e nas ofertas’”

(O Bispo, 2007, p. 207, 215).

A Bíblia diz:

A entrega de dízimos, ofertas e outras formas de contribuições financeiras

é uma prática comum entre as igrejas

cristãs ao longo dos anos. O dinheiro

não é o assunto mais importante da vida cristã, mas a

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ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

maneira como o crente lida com ele determina sua resposta em outras questões da vida (Lc 16.10-12). O cristão amadurecido não se deixará escravizar pela avareza e pelo apego ao dinheiro a ponto de ser mesquinho em seu compromisso com a igreja. Ao mesmo tempo, esse cristão não se deixará iludir pela presunção de que seu relacionamento com Deus é pautado pela barganha, pois as bênçãos de Deus não são negociadas. No Antigo Testamento, a entrega do dízimo baseava-se na convicção teológica de que o Senhor é o dono de toda a terra, o doador e o preservador da vida (Sl 24). O dízimo era santo ao Senhor e sua entrega seria uma demonstração prática do reconhecimento da soberania de Deus sobre a terra, seus frutos e a própria vida do ofertante. Ao mesmo tempo, a entrega dos dízimos era a

Valdeci da Silva Santos

expressão prática da gratidão a Deus por suas bênçãos e generosidade para com a nação israelita. Logo, aquele ato tinha significado cúltico e ocorria em cerimônias acompanhadas de intensa celebração e adoração a Deus (Dt 12.5-19). A retenção do dízimo, porém, não estava sujeita às mesmas penalidades legais provenientes da desobediência civil da lei, como exclusão social e apedrejamento. A infidelidade do povo seria disciplinada por Deus por meio de catástrofes sociais e econômicas. Há que se notar ainda que a entrega dos dízimos era tão central à vida da nação de Israel que Neemias a restituiu tão logo o povo foi liberto do cativeiro babilônico (Ne 13.10-14). A desobediência dessa prática, de acordo com o profeta Malaquias, equivalia ao pecado de roubar a Deus (Ml 3.6-12). Além dos dízimos, a lei mosaica prescrevia outros tipos de contribuições, como era o caso das ofertas das primícias e das ofertas alçadas (Êx 23.16, 19; 34.22-26). Essas ofertas deveriam atender ao princípio da proporcionalidade, pois eram dadas segundo a bênção do Senhor sobre os ofertantes (Dt 16.10). Segundo as normas para essas contribuições, as ofertas das primícias eram especialmente apresentadas durante a Festa das Semanas, também chamada de Pentecoste ou Festa das Primícias, por ser realizada cerca de cinqüenta dias após a Páscoa e por coincidir com os primeiros frutos da colheita anual em Israel (Nm 28.26).

Parte dessas ofertas era dedicada ao sustento do pobre, do órfão e da viúva; outra parte, à realização de uma ceia comum; e ainda uma terceira parte destinava-se ao sustento dos sacerdotes. Enquanto o dízimo era

anual e trienal, as ofertas poderiam ser entregues em várias ocasiões do ano, especialmente na época das colheitas ou eventos festivos. Tanto os dízimos como as ofertas eram entregues em reconhecimento da soberania e generosidade de Deus para com a nação de Israel (Dt 26.1s).

É verdade que o Novo Testamento

não apresenta diretrizes claras sobre a

entrega do dízimo pelos cristãos e esse fator é, no mínimo, surpreendente. Há três referências ao dízimo nos Evangelhos, e elas devem ser analisadas

em seus contextos respectivos. A primeira encontra-se na parábola do fariseu e o publicano, na qual o fariseu se orgulhava de entregar o dízimo de tudo quanto ganhava (Lc 18.9-14). Ao contar essa parábola o propósito de Jesus foi condenar a atitude daqueles que “confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (v.9). Dessa forma, o que foi condenado na parábola não foi

a

prática da entrega do dízimo, mas

o

fato de o fariseu depender de sua

justiça própria em vez de apelar para a

graça e misericórdia de Deus.

A segunda referência ao dízimo nos

Evangelhos está em Mateus 23.23 ou no texto paralelo de Lucas 11.42. Nesses versículos Jesus também faz referência a uma prática comum dos escribas e fariseus, que pareciam extremamente zelosos quanto à obediência dos aspectos mínimos da lei (dar o dízimo da arruda e do cominho), mas negligenciavam a prática da misericórdia, da justiça e da fé. Jesus os reprovou dizendo que deveriam “fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” Na verdade, Jesus não censura os fariseus por darem

o dízimo, mas por julgarem que o dízimo substituía a base real de seu relacionamento com Deus. Jesus condenou os fariseus e escribas por sua

hipocrisia, e não pela prática da entrega dos dízimos.

O Novo Testamento é repleto de

diretrizes a respeito das contribuições financeiras na igreja primitiva. Em primeiro lugar, há o registro de contribuições com o objetivo de auxiliar os necessitados na igreja. Em Atos há vários relatos sobre o

compartilhamento de posses com o objetivo de atender aos necessitados na igreja (At 2.45; 4.34, 36-37). A primeira eleição de diáconos teve o

O objetivo da contribuição

do crente não tem

valor

comercial, não é para ajudar a ele mesmo, mas para expressar

sua gratidão a Deus, bem como o reconhecimento de que todo o seu ser vem do Senhor

propósito de promover certa assistência material a alguns menos favorecidos (At 6.1-6). A prática de cuidar dos necessitados tornou-se comum entre os cristãos a ponto de Paulo exortar os membros de uma igreja gentílica, Éfeso, a trabalharem para terem “com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28). Assim, a igreja primitiva incentivava contribuição para auxílio dos seus membros.

A prática sistemática da contribuição

financeira no cristianismo primitivo que mais se aproxima da entrega do dízimo é aquela descrita como uma coleta a favor dos santos (1Co 16.1-3; 2Co 8-9). É importante observar que alguns cristãos receberam a exortação de Paulo com alegria e interpretaram a contribuição como

um privilégio (2Co 8.4). Aquela coleta foi incluída na liturgia da igreja de Corinto (1Co 16.1-2) e deveria ser interpretada como uma expressão de generosidade, gratidão e adoração

a Deus (2Co 9.10-13). Em outra

ocasião, Paulo insistiu que aquela prática fosse interpretada como um ato de obediência ao evangelho de

Cristo (2Co 9.13). Deve-se considerar

o aspecto sistemático e o planejamento

envolvido naquela coleta, a ponto de Paulo afirmar que a igreja de Corinto estava preparada havia um ano para fazê-la (1Co 16.1,2; 2Co 9.1-2). Por último, aquela contribuição seria proporcional, conforme a prosperidade do contribuinte (1Co 16.2). Dessa

forma, todos os cristãos contribuiriam de forma igual, não em valor, mas no percentual. Concluindo, a perspectiva do bispo Macedo sobre contribuições cristãs contraria o ensino das Escrituras sobre esse assunto. Segundo a Bíblia,

o objetivo da contribuição do crente

não é para ajudar a ele mesmo, mas para expressar sua gratidão a Deus, bem como o reconhecimento de que todo o seu sustento vem do Senhor. Sua interpretação de que o texto de Malaquias 3.10 — “provai-me nos dízimos e nas ofertas” — seja uma promessa que deixa Deus sem opção se parece mais com a doutrina espírita da causa e efeito. Somente o entendimento espírita do “toma lá, dá cá” justificaria semelhante interpretação. A contribuição cristã deve ainda ter o objetivo de ajudar os irmãos na fé, e neste sentido a igreja é fortalecida. Por último, a perspectiva bíblica sobre contribuição não tem a natureza comercial que o bispo defende. O Deus que se revela nas Escrituras nunca pode

ficar refém do contribuinte, pois este não lhe faz favor algum.

refém do contribuinte, pois este não lhe faz favor algum. Valdeci da Silva Santos é pastor

Valdeci da Silva Santos é pastor da Igreja Evangélica Suíça e professor no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo.

Julho-Agosto, 2008

ULTIMATO

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Capa

O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz

SOBRE O ABORTO

Edir Macedo diz:

“Sou a favor do direito de escolha da mulher. Em casos como estupro, má-formação do feto ou quando a

vida da mãe está comprovadamente ameaçada pela gestação, não há o que discutir. Sou a favor do aborto, sim.

A Bíblia também é. Olhe só [Ec 6.3]:

‘Se alguém gerar cem filhos e viver

muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele’ [

O Brasil deveria se unir pelo direito

da mulher de optar pelo aborto [

Certamente grande parte de nossas mazelas sociais diminuiria. Pense comigo: é melhor a mulher não ter

filhos ou ter e jogar o bebê na lata do

lixo? [

preferível a criança não vir ao mundo ou vê-la nos lixões catando lixo para sobreviver? Eu creio na Bíblia. Nesses casos, eu credito que o aborto é melhor do que nascer. A mulher precisa ter o direito de escolher” (O Bispo, 2007, p. 223).

]

]

]

Vamos ser frios e racionais: é

A Bíblia diz:

O bispo Macedo influencia milhões de brasileiros através do poder midiático, por ser tido como ministro da Palavra de Deus. Poderia contribuir para uma cultura de vida, justiça, paz e de solidariedade simplesmente sendo fiel ao que as Escrituras expõem. Mas, quando admite, ensina e estimula uma prática elástica do aborto, como sendo uma questão de direito de opção da

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ULTIMATO

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Gilber Mirândola
Gilber Mirândola

mulher, se alia às forças da anti-vida que saem das trevas e obscurecem a razão, insensibilizam corações e tornam nosso mundo cada vez mais cínico, frio, sem alma. Muitas legislações, apoiadas por eminentes teólogos, mesmo reafirmando

a

primazia do direito à vida, admitem

o

aborto em casos excepcionais, como

em gravidez decorrente de estupro ou quando há indiscutível risco de vida

para a mãe. Outra excepcionalidade que envolve muita polêmica entre peritos trata do estatuto do feto com má- formação. Estas três situações são objeto de controvérsia por envolver limites éticos e científicos e não podem ser uma questão fechada prematuramente. Envolvem demasiado sofrimento e requerem decisões de comitês de ética. Mas o que espanta é Macedo sacar

a Bíblia como arma de morte. Faz

uma apropriação indébita do texto de

Ageu Heringer Lisboa

Eclesiastes (6.3), forçando-o a dizer o

que não diz, mas o que Macedo deseja dizer. Isto não é exegese, e sim eixegese, violência ao texto. A passagem bíblica em questão, em seu contexto, é como uma sátira, uma ilustração da pobreza do dinheiro em satisfazer plenamente ou espiritualmente uma pessoa. Em todo o capítulo 5

o sábio alerta sobre sua frágil base.

Na maioria das vezes é mal repartido (5.9), dilapidado por estranhos (5.10). Mesmo que você disponha de riqueza, bens e honra (6.1,2), um estranho poderá desfrutá-los em seu lugar (6.2)

e você acaba ficando com sofrimento.

Imaginemos alguém com muitos bens, filhos e tempo de vida, ou seja, com todas as condições para desfrutar da

existência e mesmo assim não a desfruta,

e chega até a morrer em miséria e ficar insepulto. Temos aqui o alerta sobre

o absurdo de depender de coisas, de

trabalhar em vão, sendo infeliz pelo impasse de sentido e vazio existencial. Assim, até um não-nascido, um aborto, de fato é mais feliz por nunca vir a sofrer tais absurdos. Mas o texto jamais legitima o aborto. Macedo é coerente com sua pregação segundo o espírito do capitalismo, atuando como os que transformam tudo em mercadoria avaliada pelo valor utilitário. Tratar questões humanas

desta forma resulta num tipo de eugenia já praticada por déspotas sanguinários em busca de tipos

ideais, com descarte dos deficientes

e não-competitivos. É chocante sua

afirmação sobre a razoabilidade do aborto como prática preferível ao abandono ou morte de bebês, ou como

que pretende considerar o feto como parte do corpo da mulher! O ainda não- nascido é sabidamente um outro ser.

Mulheres que abortam voluntariamente

evolução, é a base ética mínima que protege a possibilidade e a dignidade da existência. A própria justificativa para

medida desejável para melhorar os

utilização de células-tronco com vistas

indicadores socioeconômicos! Heil

ou por pressão do macho fujão não

a

salvar ou curar outras vidas tem por

Hitler! Ave César! Viva Herodes!

estarão livres de questionamentos da

base este continuum. Segundo o poeta

Não conceder ao embrião abrigado

consciência, nem de lembranças, sonhos

no útero o direito de desenvolvimento

e

sentimentos de perda. Quase sempre

bíblico, Deus tece o ser humano no ventre de uma mulher (Sl 139.13-16).

pleno, por razões de conveniência e

o

aborto é vivenciado como trauma e

Quem ousará interromper sua obra? A

ordem utilitária e subjetivista, é negar

a ordem natural da vida, é reforçar a

pulsão de morte. A onda abortista é parte de uma cultura de dessacralização do corpo, de banalização do sexo, de afirmação ética narcisista, primado do gozo individual. O estímulo a qualquer forma de gozo sexual, com qualquer parceiro ou parceira, sem perguntas incômodas, é massivamente incutido na população e defendido por políticas públicas preocupadas apenas com a assepsia física. O que exige compromisso e permanência é exorcizado por indivíduos infantilizados que não assumem a plenitude de seus gestos. Nega-se a conexão da sexualidade com uma potencial gestação, fazendo o corpo negar a alma. Quando acontece uma gravidez, afirma- se, então, não se estar preparado para assumi-la; era apenas sexo esportivo, esqueceu-se a camisinha, enfim, algo deu “errado”! E que falácia o argumento

compromete a auto-estima. De fato, a gestante é, arquetipicamente, guardiã da vida e qualquer violação deste princípio resulta em sofrimento; portanto, ela deve receber todo apoio do genitor masculino, de familiares e da rede social. É sabido que grávidas abandonadas por parceiros e decididas a abortar, quando apoiadas por amigas e instituições, em sua maioria decidem manter a gestação; portanto, é digno de louvor o trabalho samaritano do Cervi (Centro de Reestruturação para a Vida, www.cervi.org.br), em São Paulo, e abrigos do Exército de Salvação e da Igreja Católica, que oferecem apoio social, psicológico e médico, revertendo situações de desespero. Já nos primeiros documentos da Igreja cristã, o Didaquê, temos ensinamentos de defesa da vida intra-uterina. Reconhecer que o humano procede do humano, desde o instante da fecundação e em contínua

razão bíblica — a lógica do Espírito e

a ação de Cristo — defendem a vida

em todas as suas formas e fases. Se nossa civilização acorda, ainda que

tardiamente, para a questão ambiental

e esforços são feitos para a defesa de

peixes, animais e florestas em extinção,

quanto mais a espécie humana merece igual dignidade e proteção! Que loucura é esta reduzir o humano a um mero aglomerado de células sujeito ao capricho humoral de alguém? Finalmente respondo ao bispo que o melhor é caminhar no espírito de Jesus. Nos casos já consumados, seguramente ele acolheria graciosamente uma mulher que cometeu aborto e diria algo como “não te condeno, mas veja que não peques”. Quem imagina Jesus aconselhando alguém a abortar, ele que

é a ressurreição e a vida?

alguém a abortar, ele que é a ressurreição e a vida? Ageu Heringer Lisboa, psicólogo e

Ageu Heringer Lisboa, psicólogo e terapeuta familiar, é mestre em ciências da religião. É autor de Sexo:

Espiritualidade, Instituto e Cultura (Editora Ultimato).

Hananias , o mago da prosperidade

E nquanto o Espírito Santo procura convencer o mundo do pecado,

da justiça e do juízo (Jo 16.8), certos pregadores apregoam a teologia da prosperidade.

O problema não é de hoje. É

o

profeta Hananias, no mesmo lugar

e

para o mesmo público, profetizava

“prosperidade” (Jr 28.9, NVI e BP), ou “paz” (NTLH, ARA e BV), ou “felicidade” (Tradução da CNBB). Um

e outro usavam a mesma introdução:

multissecular. O profeta Jeremias fazia

“Assim diz o Senhor”.

o

que podia para convencer os reis e

Uma das notas de rodapé da Edição

o

povo de Israel da famosa tríade que

Pastoral Catequética explica: “Os falsos

estava para chegar a qualquer momento:

profetas lisonjeiam habitualmente

a guerra, a fome e a peste (Jr 14.12;

21.7; 24.10; 27.8; 29.17; 32.24; 34.17; 38.2; 42.17; 44.13). Enquanto isso,

o povo mediante promessas de

prosperidade”. Outra nota, desta vez da Edição Pastoral, reforça: “Hananias

é um falso profeta que recorre à

demagogia, procurando dizer o que os ouvintes gostam de ouvir e não aquilo que o povo precisa ouvir”. Uma terceira nota de rodapé insiste: “[A prosperidade é] em geral a mensagem dos falsos profetas” (Bíblia de Estudos da NVI). Jeremias não é o único profeta impopular da história de Israel. Todo verdadeiro profeta, por uma questão de compromisso, quase sempre diz o que não agrada. Mas sempre diz a verdade!

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ULTIMATO

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Lars Sundström

Capa

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SobreSobre curacura

Edir Macedo diz:

“A tradição religiosa ensina que devemos pedir todas as coisas dizendo ‘se for da vontade de Deus’. Conseqüentemente, poucas pessoas têm experimentado milagres de cura. Parece contraditório, mas a realidade é que muitos cristãos, e até pastores, acreditam que ‘talvez não seja da vontade de Deus curar’. Isso é diabólico, falso, abominável”. (Folha Universal, 4/05/08, p. 3.)

A Bíblia diz:

A nossa vontade nem sempre coincide com a vontade de Deus e

a vontade de Deus deve ser levada a

sério. Na oração modelo, o Senhor

Jesus mesmo coloca em nossos lábios

o respeito pela soberania de Deus:

“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). O próprio Jesus, em sua tremenda agonia no Getsêmani, três vezes seguidas suplicou a suspensão do cálice do sofrimento sem abrir mão da submissão devida a Deus: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres” (Mt 26.39). Mesmo convencido várias vezes pelo Espírito de que passaria por prisões e sofrimentos em Jerusalém

(At 20.22-24), o que foi confirmado dramaticamente por um profeta chamado Ágabo, o apóstolo Paulo não desistiu da viagem, apesar do pedido de Lucas e dos crentes de Cesaréia, que acabaram descobrindo que essa era a vontade de Deus (At 21.10-14). A Bíblia diz que Davi já havia se arrependido do seu adultério e que a mão do Senhor já não pesava mais dia e noite sobre a sua cabeça (Sl 32.1-5), quando seu jejum e oração chorosos em favor da criancinha gravemente enferma não foram atendidos (2Sm 12.15-23). Havia muitos leprosos em Israel (povo eleito) no tempo de Eliseu, todavia nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o gentio (Lc 4.27). Timóteo era um homem doente. É Paulo quem nos dá esta informação:

“Tome um pouco de vinho, por causa do seu estômago e das suas freqüentes enfermidades” (1Tm 5.23). Ora, será que sua avó Lóide, sua mãe Eunice, os presbíteros da igreja, Paulo (seu pai na fé e tutor eclesiástico) e ele mesmo, todos crentes, não oravam por sua cura? Paulo foi obrigado a deixar Trófimo em Mileto, porque ele havia adoecido (2Tm 4.20). Cabe aqui a mesma pergunta: será que Paulo, os demais

Sindicato de mágicos

Acha-se disponível no Portal Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br) a tese de doutorado em História Social intitulada Sindicato de Mágicos: Uma História Cultural da Igreja Universal do Reino de Deus, defendida em 2007 na Universidade Estadual Paulista (UNESP). A autoria é de Wander de Lara Proença, 38, professor de história do cristianismo, movimentos religiosos contemporâneos e Novo Testamento na Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina, PR.

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companheiros de viagem, a igreja

de Mileto e o próprio Trófimo não clamaram em favor de cura?

É certo que a Bíblia encoraja a

oração em favor dos doentes. É uma das obrigações da igreja, nem sempre levada avante: “Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para

A Bíblia diz que Timóteo era um homem doente. Será que sua avó Lóide, sua mãe Eunice, os presbíteros da igreja, seu pai na fé (Paulo) e ele mesmo não oravam por sua cura?

que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, ele será perdoado” (Tg 5.14-15). Mas nem sempre o doente é levantado por Deus, não por falta de fé nem por ter cometido

algum pecado não confessado. Muitos cristãos notáveis por este mundo afora adoecem, permanecem doentes e morrem.

A soberania de Deus tem que

ser levada em conta. Ou será que a igreja primitiva não orou em favor

de Estêvão, que foi apedrejado (At 7.54- 59), nem de Tiago, irmão de João, que foi decapitado (At 12.1-2)? Será que ela só intercedeu em favor de Pedro, que foi milagrosamente

libertado da prisão (At 12.3-19)?

(At 12.1-2)? Será que ela só intercedeu em favor de Pedro, que foi milagrosamente libertado da

Palo Perez

EEspecial

Especial

Palo Perez E Especial Especial 1968 A contagem regressiva de 1968, “o ano que não terminou”

1968

A contagem regressiva de 1968, “o ano que não terminou”

N a época, não passava pela cabeça de ninguém que aquele ano, 1968,

teria uma importância histórica tão grande. O cartunista brasileiro Angeli era um adolescente de 12 anos, mas já sentia, como ele diz hoje, “o cheiro de alguma coisa, que eu não entendia, mas sabia que estava acontecendo”. Se os anos 60 são “a década que mudou tudo”, o ano de 1968 é o mais importante da década e maio é o mês mais importante do ano. O jornalista Zuenir Ventura acertou em cheio ao dar o título 1968 — O Ano que Não Terminou ao seu livro sobre aquele ano (400 mil exemplares vendidos). Para compreender a importância histórica de 1968, é bom reunir os seguintes depoimentos de brasileiros e estrangeiros:

Edgar Morin, 87, pensador francês — “1968 foi, antes de mais nada, um ano de revolta estudantil e juvenil, numa onda que atingiu países de naturezas

sociais e estruturas tão diferentes como

Egito, Estados Unidos, Polônia

denominador comum é uma revolta contra a autoridade do Estado e da família.” Michel Maffesoli, 64, sociólogo francês — “1968 se mostrou uma

O

revolução subterrânea que reformou as pequenas esferas do trabalho, da família e da escola. Transformou nossa maneira de falar, de sentir. Foi uma verdadeira liberação dos costumes [ ] Maio de 68 marcou o início da pós- modernidade.” Zuenir Ventura, 77, jornalista brasileiro — “[Em 1968] ou jovens eram muito agressivos e respondiam: ‘Não confie em ninguém com mais de 30 anos’ [ ] Havia uma certa utopia ingênua ao achar que as drogas poderiam ser instrumento de abertura das consciências. Mas essa realidade se mostrou perversa.” Nicolas Sarkozy, 53, presidente da França — “O legado do Maio de 68 impôs a idéia de que não existia mais qualquer diferença entre bom e mau, verdade e falsidade, beleza e feiúra. Sua herança introduziu o cinismo na sociedade e na política.” José Eli da Veiga, 60, professor de economia na USP — “O que o fundamental Maio de 1968 desencadeou entre os jovens foi uma adesão a valores e causas estranhas aos seus pais e avós, marcados pelas circunstâncias de duas guerras mundiais que abriram e fecharam a maior crise capitalista.”

Maria Clara Bingemer, 58, teóloga

e professora da USP — “[Em 1968] o

movimento hippie estava no auge, com

seu lema ‘faça o amor, não faça guerra’.

A juventude recusou o mundo legado

por seus pais, encharcado do sangue de duas guerras mundiais, da tensão da Guerra Fria e do assassinato em massa

na Guerra do Vietnã. E o caminho que encontrou para seu protesto foi redescobrir a natureza, a liberdade das relações sexuais, o sexo sem

conseqüências, garantido pela pílula anticoncepcional que as mulheres começaram a tomar para evitar a

gravidez indesejada [

1968 foi marcado pela rejeição a todo

autoritarismo e totalitarismo, afetando

a interlocução e o diálogo entre

gerações e estamentos da sociedade.” Michael de Certeau, 61, jesuíta francês — “Em maio de 1968 tomou-

se a palavra como tomou-se a Bastilha em 1789.” Miriam Goldenberg, antropóloga e

professora na Universidade Federal do Rio

de Janeiro — “Os eventos do Maio de 68

na França podem ser interpretados como

o estopim de uma série de transformações políticas e comportamentais ocorridas na segunda metade do século 20 e que

] O ano de

Julho-Agosto, 2008

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tiveram como eixos centrais: o desejo de liberdade, a busca de prazer sem limite,

promessas do livre consumo do sexo

e das mercadorias. [

]

O movimento

a

recusa de qualquer forma de controle

de 1968, depois de ser reduzido a

e

de autoridade e a defesa da igualdade

transbordamentos da juventude sem

entre homens e mulheres (

)

Para os

conseqüência para a ordem social,

jovens estudantes franceses do Maio de 68, liberdade, felicidade e prazer eram elementos inseparáveis de uma revolução

cujo lema era: ‘É proibido proibir’.”

“O que sobreviveu da

libertação sexual dos anos

1960 foi o hedonismo tolerante, facilmente incorporado a nossa ideologia hegemônica: hoje o prazer sexual não apenas é permitido, é ordenado — os indivíduos se sentem culpados quando não podem desfrutá-lo” (Slavoj Zizek)

Boris Groys, 61, filósofo — “O ano de 1968 foi o afluxo súbito de energia. Por todo o mundo — em Moscou, em Praga, na América, na China, em Paris, na Alemanha — muitas pessoas começaram a reivindicar: ‘queremos

fazer qualquer coisa sem ter de fazê-lo’.” Jacques Rancière, professor na Universidade de Paris 8 — “Maio de 68 tornou-se retrospectivamente

o movimento de uma juventude

impaciente para gozar todas as

viu-se carregado, ao inverso, de um

peso histórico desastroso [

transformar a sociedade inteira em uma agregação de consumidores narcisistas, desligados de qualquer elo

social, ele garantiu o triunfo definitivo

do mercado capitalista [

estava consagrado como o providencial salvador do capitalismo.” Slavoj Zizek, 59, filósofo esloveno — “Os eventos explosivos visíveis [de

]. Ao

]. Maio de 68

1968] foram, em última instância,

o resultado de um desequilíbrio

estrutural — a passagem de uma forma

de dominação para outra [

sobreviveu da libertação sexual dos anos 1960 foi o hedonismo tolerante, facilmente incorporado a nossa ideologia hegemônica: hoje o prazer sexual não apenas é permitido, é ordenado — os indivíduos se sentem culpados quando não podem desfrutá-lo.” Daniel Cohn-Bendit, 63 — deputado no Parlamento Europeu, do Partido Verde Alemão: “[Em maio de 1968] não conhecíamos a aids nem degradações climáticas nem provações da globalização, do desemprego. Éramos prometéicos. Tudo parecia possível. O futuro nos pertencia. [

É muito mais angustiante ser jovem

]. O que

]

hoje do que há 40 anos. Mas quem tem

vontade de se revoltar se revolta! [

Em todo caso, 1968 não deve ser visto como modelo. Retenham simplesmente que existem momentos históricos em que alguma coisa explode — um desejo de fazer avançar, de transformar a sociedade —, e que isso pode funcionar.”

Foi exatamente em janeiro de 1968, nesse ano completamente doido que reúne e colhe as tragédias dos anos anteriores mais doidos ainda, que o então jornal Ultimato começou a sua

carreira, meio ingenuamente, mas, ao mesmo tempo, certo de que alguma coisa estava acontecendo. O primeiro parágrafo do primeiro artigo publicado na primeira página da primeira edição dizia solenemente:

“A contagem regressiva do tempo [o ano bissexto de 1968] começou: 366,

365, 364, 363

teremos chegado ao fim, ao último número, e haverá a explosão de júbilo ou de tristeza. De júbilo, se houver ações de graças. De tristeza, se houver remorso e reconhecimento tardio de culpa e de erro. Moisés foi muito sensato quando pediu a Deus:

“Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12). Esta deve ser a nossa oração no limiar deste novo ano. A vitória está condicionada a certos meios de graça à

nossa disposição!”

]

A 31 de dezembro

está condicionada a certos meios de graça à nossa disposição!” ] A 31 de dezembro 32
está condicionada a certos meios de graça à nossa disposição!” ] A 31 de dezembro 32

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ULTIMATO

Julho-Agosto, 2008

Especial Especial

Especial

1968

Cronolonologia de 1968 –

Cronologia de 1968 –

o ano da confusão

e do nascimento de Ultimato

Janeiro Abril 2 — O cirurgião sul-africano Christian 4 — O pastor e líder negro
Janeiro
Abril
2 — O cirurgião sul-africano Christian
4
— O pastor e líder negro americano Martin Luther King, 39 anos, é assassinado
Barnard, 46, retira o coração do recém-
falecido Clive Haupt, 23, e o coloca
no peito do dentista Philip Blaiberg,
58, num transplante bem-sucedido
realizado na cidade do Cabo, na África
do Sul.
na sacada do seu quarto num hotel em Memphis, no Tennessee. No rascunho do
sermão que iria pregar no dia seguinte, estava escrito: “Só desejo fazer a vontade de