Вы находитесь на странице: 1из 194

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Helisângela Araujo

Vanessa Almeida

COLEÇÃO FORMANDO EDUCADORES EDITORA NUPRE

2010

REDE DE ENSINO FTC

William Oliveira

PRESIDENTE

Reinaldo Borba VICE-PRESIDENTE DE INOVAÇÃO E EXPANSÃO

Fernando Castro VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO

João Jacomel COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO

Cristiane de Magalhães Porto EDITORA CHEFE

Francisco França Souza Júnior / Lorena Porto Serões CAPA

Mariucha Silveira Ponte PROJETO GRÁFICO

Helisângela Araújo

Vanessa Almeida

AUTORIA

Paula Queiroz de Oliveira DIAGRAMAÇÃO

Paula Queiroz de Oliveira ILUSTRAÇÕES

Corbis/Image100/Imagemsource/Stock.Xchng

IMAGENS

Hugo Mansur

Márcio Melo

Paula Rios

REVISÃO

COPYRIGHT © REDE FTC Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98. É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito, da REDE FTC - Faculdade de Tecnologia e Ciências. www.ftc.br

SUMÁRIO

1 A DINÂMICA INTERNA E OS MATERIAIS TERRESTRES

9

1.1

TEMA 1. A DINÂMICA DA TERRA E SUA EVOLUÇÃO NO TEMPO GEOLÓGICO

11

1.1.1 CONTEÚDO 1. ESTRUTURA INTERNA DA TERRA

11

1.1.2 CONTEÚDO 2. TECTÔNICA DE PLACAS

23

1.1.3 CONTEÚDO 3. DEFORMAÇÕES GEOLÓGICAS: FALHAS E DOBRAS

37

1.1.4 CONTEÚDO 4. TEMPO GEOLÓGICO

43

MAPA CONCEITUAL

55

ESTUDOS DE CASO

56

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

56

TEMA 2. MINERAIS E ROCHAS

61

 

1.1.5 CONTEÚDO 1. CICLO DAS ROCHAS/MINERAIS FORMADORES DAS ROCHAS

61

1.1.6 CONTEÚDO 2. ROCHAS ÍGNEAS

65

1.1.7 CONTEÚDO 3. ROCHAS SEDIMENTARES

70

1.1.8 CONTEÚDO 4. ROCHAS METAMÓRFICAS

78

MAPA CONCEITUAL

83

ESTUDOS DE CASO

84

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

84

2 A DINÂMICA EXTERNA DO PLANETA

91

2.1

TEMA 3. MOVIMENTOS SUPERFICIAIS E SISTEMA HIDROLÓGICO

93

2.1.1 CONTEÚDO 1. INTEMPERISMO

93

2.1.2 CONTEÚDO 2. EROSÃO

101

2.1.3 CONTEÚDO 3. MOVIMENTOS DE MASSA

125

2.1.4 CONTEÚDO 4. RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS E SUBTERRÂNEOS

134

MAPA CONCEITUAL

145

ESTUDOS DE CASO

146

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

146

2.2

TEMA 4. DINÂMICA GEOLÓGICA EM DIFERENTES AMBIENTES

155

2.2.1 CONTEÚDO 1. AMBIENTE DESÉRTICO

155

2.2.2 CONTEÚDO 2. AMBIENTE GLACIAL

160

2.2.3 CONTEÚDO 3. AMBIENTE FLUVIAL

165

2.2.4 CONTEÚDO 4. AMBIENTE COSTEIRO

173

MAPA CONCEITUAL

179

ESTUDOS DE CASO

180

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

180

GLOSSÁRIO

187

Caro (a) aluno (a),

APRESENTAÇÃO

Vamos iniciar o estudo da Geologia, a ciência que se dedica a compreender a Terra quanto à origem, seus materiais (composição, transformações e aplicabilidade) e processos que operam na superfície e no seu interior. A Geologia interage com outras ciências como a Física, a Química e a Biologia, bem como com as ciências econômicas e sociais. Esta ciência é fundamental para o estudo da Biologia, já que a biosfera e a litosfera, juntamente com a at- mosfera e hidrosfera, formam sistemas que se complementam. Associado a isso, a análise da formação e evolução da Terra constitui a base para o estudo dos ecossistemas e da evolução das espécies.

Neste material vamos conhecer aspectos geológicos do nosso planeta, etapa fundamental para compreendermos temas tratados do nosso cotidiano, bem como a preservação do meio ambiente, os benefícios advindos da exploração sustentável de recursos naturais, e também para o exercício pleno da nossa cidadania.

Para um melhor aproveitamento da disciplina, recomendamos a leitura complementar indicada, a interpretação dos textos, bem como a realização e a aplicação das atividades didáti- cas e exercícios propostos.

Almejamos que este material contribua para a sua formação docente e contínuo apren- dizado dos temas relacionados à Biologia.

Sucesso em seus estudos!

Professoras Helisângela Araújo e Vanessa Almeida

A DINÂMICA DA TERRA E SUA EVOLUÇÃO NO TEMPO GEOLÓGICO

1

A DINÂMICA INTERNA E OS MATERIAIS TERRESTRES

A DINÂMICA INTERNA E OS MATERIAIS TERRESTRES

1.1

TEMA 1. A DINÂMICA DA TERRA E SUA EVOLUÇÃO NO TEMPO GEOLÓGICO

1.1.1

CONTEÚDO 1. ESTRUTURA INTERNA DA TERRA

A ciência Geologia (geo = terra + logos = estudo) tem como objetivo central o estudo do Planeta Terra em seus múltiplos aspectos, considerando, sobretudo, sua origem, composi- ção, estrutura e história evolutiva.

O grande impulso ao estudo da Terra foi dado nas primeiras décadas do século passado, através da busca por repostas a questões que há séculos intrigam a humanidade: de onde vem a lava dos vulcões? Qual a origem dos terremotos? Como áreas antes cobertas pelo mar se tor- naram planícies costeiras? O que levou à formação de geleiras ou desertos em lugares anteri- ormente recobertos por exuberantes florestas?

Décadas de estudos permitiram decifrar boa parte destes enigmas, possibilitando associ- ar a maior parte destes fenômenos à dinâmica interna do planeta. Desta forma, processos que têm origem em camadas subsuperficiais do planeta acabam sendo expressos na superfície, onde geram modificações complexas e transitórias.

Para compreender a estrutura interna do planeta é necessário recorrer a sua origem, que está intrinsecamente relacionada ao surgimento do Sistema Solar e do próprio Universo. Considerando em primeiro estágio o fenômeno de maior amplitude, nos deparamos com uma das maiores preocupações da humanidade: explicar a origem do universo.

11

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Origem do Universo

Praticamente todas as civilizações criaram suas hipóteses na tentativa de explicar a natu- reza e origem do universo. Assim surgiam inúmeros modelos, ao longo dos séculos, sendo os principais: o modelo geocêntrico, o heliocêntrico e o galactocêntrico. Apenas no último século foi desenvolvida uma teoria pautada em observações e análises sofisticadas, conhecida como a teoria da Grande Explosão (Big Bang), segundo a qual um pequeno ponto inicial, menor que o núcleo de um átomo, extremamente quente e concentrado, teria começado a se expandir rapi- damente, originando o universo há cerca de 15 bilhões de anos.

originando o universo há cerca de 15 bilhões de anos. (FIGURA 1 . O DIAGRAMA REPRESENTANDO

(FIGURA 1. O DIAGRAMA REPRESENTANDO A EXPANSÃO DO UNIVERSO, QUE TEVE INÍCIO COM O BIG BANG)

(FONTE: HTTP://ETERNOSAPRENDIZES.WORDPRESS.COM/2008/12/23/ESTUDO-INDEPENDENTE-CONFIRMA-O-DESTINO-DO-UNIVERSO-E- CONTROLADO-PELA-ENERGIA-ESCURA/)

Esse modelo começou a ser formulado a partir das descobertas realizadas pelo astrôno- mo americano Edwin Hubble (1889-1953), na década de 1920. Hubble concluiu que as galá- xias mais distantes estavam se afastando umas das outras, portanto a matéria que hoje consti- tui as estrelas e galáxias esteve, em algum instante no passado, muito concentrada, com densidade e temperatura infinitas. Então, nesse momento, houve o evento do Big Bang e o universo começou seu processo de expansão.

12

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

(FIGURA 2. EDWIN HUBBLE (1889-1953), AO LADO DO TELESCÓPIO SCHMIDT DO MONTE PALOMAR (CALIFÓRNIA), EM

(FIGURA 2. EDWIN HUBBLE (1889-1953), AO LADO DO TELESCÓPIO SCHMIDT DO MONTE PALOMAR (CALIFÓRNIA), EM 1949)

(FONTE: HTTP://WWW.SCIELO.BR/PDF/EA/V20N58/20.PDF)

Em decorrência da expansão e consequente formação do espaço, originaram-se as forças fundamentais da natureza (força eletromagnética, forças nucleares forte e fraca e força da gra- vidade) e a temperatura e densidade reduziram consideravelmente, criando condições para a formação da matéria. A partir deste momento, partículas de prótons, elétrons e nêutrons co- meçaram a ser constituídas. Elétrons associaram-se com os prótons, favorecendo a formação dos átomos de elementos químicos mais leves. Inicialmente houve o sugimento dos átomos de Hidrogênio (H) e Hélio (He), seguidos pela formação dos átomos de Lítio (Li) e Berílio (Be).

Outros elementos de número atômico mais elevado teriam surgido durante os processos de evolução das estrelas e nos momentos de formação dos corpos celestes originados após as explo- sões de estrelas (supernovas). As confirmações do Big Bang

No final dos anos de 1940, o astrônomo George Gamow sugeriu que a explosão inicial po- deria ter deixado resquícios observáveis até hoje. Ele pensou que um universo tão compacto e quente teria emitido muita luz. Com a expansão, a temperatura característica dessa luz teria abai- xado. Segundo cálculos simples, hoje ela talvez pudesse ser observada na radiação de microondas, com uma temperatura de cerca de 5 graus Kelvin.

Em 1965, dois engenheiros, Arno Penzias e Ro- bert Wilson, procuravam a origem de um ruído ele- tromagnético que estava atrapalhando as radiopro- pagações de interesse para um sistema de telecomunicações. Descobriram que a radiação vinha de todas as direções para as quais apontassem sua antena.

Mediram a temperatura dessa radiação; eles en-

vinha de todas as direções para as quais apontassem sua antena. Mediram a temperatura dessa radiação;

13

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

contraram um valor para a temperatura não muito diferente do previsto, de 2,7 graus Kelvin (próximo ao zero absoluto). Era a confirmação da teoria do Big Bang; Penzias e Wilson recebe- ram o Prêmio Nobel de Física em 1978.

(MODIFICADO DE HTTP://WWW.SCIELO.BR/PDF/EA/V20N58/20.PDF)

Em décadas recentes, o modelo do Big Bang foi aperfeiçoado para um novo conceito, o do Big Bang inflacionário. Este modelo foi proposto pelo físico americano Alan Guth, em 1982, destacando que no instante zero do Big Bang a expansão cósmica teve um ritmo excep- cionalmente mais veloz do que atualmente.

Em resposta a este período de inflação as galáxias teriam sido formadas. Segundo Steiner (2006), essa ideia seria testável, pois prevê a existência de pequenas flutuações na temperatura da radiação cósmica de fundo. Muito se pesquisou a esse respeito, até que, em 1992, o satélite Cobe determinou não só que essas flutuações existem, mas que elas se comportam exatamente de acordo com o previsto pela teoria inflacionária. Por esse trabalho os pesquisadores norte- americanos George Smoot e John Mather receberam o Prêmio Nobel de Física em 2006 (STEINER, 2006).

Origem do Sistema Solar – A Nebulosa Solar

O Sistema Solar, do qual o Planeta Terra faz parte, possui aproximadamente 4,6 bilhões de anos e apresenta uma estrela – o Sol – na posição central de sua sequência principal, em torno da qual circundam outros corpos, a exemplo de planetas, satélites, asteroides, cometas, além de volumes significativos de poeira e gás.

Estudos astronômicos indicam que todos os membros do nosso Sistema Solar foram formados essencialmente no mesmo período e a partir do mesmo material. Considerando estas indicações, uma hipótese tem se consagrado nos últimos séculos, na tentativa de explicar

a origem deste sistema. Esta hipótese, conhecida como Nebulosa Solar Primitiva (NSP), foi

sugerida em 1755 pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) e desenvolvida em 1796 pelo matemático francês Pierre-Simon de Laplace (1749-1827), em seu livro Exposition du

Systéme du Monde.

Segundo Laplace, a nebulosa solar representa uma imensa nuvem discoidal de gases (principalmente hidrogênio e hélio) e partículas em rotação, resultante da explosão de uma

supernova, que em seu estágio final teria formado outros elementos químicos que constituem

o sol e os demais componentes do sistema solar.

Dados mais recentes da teoria nebular propõem que uma grande nuvem rotante de gás interestelar colapsou para dar origem ao Sol e aos planetas. Uma vez que a contração iniciou, a

14

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

força gravitacional da nuvem, atuando em si mesma, acelerou o colapso. À medida que a nu- vem colapsava, a rotação aumentava por conservação do momentum angular e, com o passar do tempo, a massa de gás rotante assumiria uma forma discoidal, com uma concentração cen- tral que deu origem ao Sol (OLIVEIRA FILHO & SARAIVA, 2010), conhecido como protos- sol, em seu estágio inicial de formação. Na porção externa desta nuvem originaram-se peque- nas concentrações de matéria que passaram a orbitar este protossol em vários planos, sujeitas a sucessivas colisões que ampliavam ainda mais as quantidades de matéria, formando proto- planetas, com órbitas praticamente circulares e coplanares com o plano equatorial do pro- tossol.

e coplanares com o plano equatorial do pro- tossol. (FIGURA 3. REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS PASSOS DA

(FIGURA 3. REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS PASSOS DA FORMAÇÃO DO SISTEMA SOLAR, DESDE A NEBULOSA SOLAR ATÉ O ESTADO ATUAL)

(FONTE: HTTP://WWW.CCVALG.PT/ASTRONOMIA/SISTEMA_SOLAR/INTRODUCAO.HTM)

Estes mesmos processos de condensação e acresção, que deram origem ao protossol e aos protoplanetas, em menor escala, geraram os outros corpos do Sistema Solar.

A enorme pressão gravitacional no interior do protossol, associada à elevada temperatu- ra no interior dos protoplanetas mais próximos a este corpo (Mercúrio, Vênus, Terra e Mar- te), além do fraco campo gravitacional destas unidades planetárias, tornou inviável a retenção de grandes quantidades de materiais mais leves como hidrogênio, hélio, amônia, metano e água, vaporizados em suas superfícies. Tal condição fez com que apenas os materiais mais pesados, como rochas e metais, fossem preservados. Por outro lado, os planetas mais distantes do protossol (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) mantiveram quase todo o seu material origi- nal, concentrando mais hidrogênio e outros materiais leves da nuvem primordial.

Desta forma, após a formação do planeta Terra, o decaimento de isótopos radioativos e a liberação de calor, pelas colisões de partículas, resultaram na fusão de elementos densos co- mo o ferro e o nível que se concentraram no centro da Terra. Os componentes mais leves das

15

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

rochas migraram em direção à superfície. Essa seleção de materiais através de suas densidades foi um mecanismo essencial na diferenciação das camadas da Terra.

Nessas condições de formação, a Terra e outros planetas do sistema solar estiveram su- jeitos à ação de dois fenômenos que contribuíram para a sua configuração, sendo estes os pro- cessos de diferenciação e desgaseificação. O primeiro fenômeno, resultante da migração dos materiais mais densos para o interior da Terra, em função da força da gravidade, foi responsá- vel pela disposição concêntrica de diferentes camadas, constituídas por materiais com valores crescentes de densidade da superfície ao centro do planeta.

crescentes de densidade da superfície ao centro do planeta. (FIGURA 4. PROCESSO DE DIFERENCIAÇÃO) (FONTE:

(FIGURA 4. PROCESSO DE DIFERENCIAÇÃO)

(FONTE: HTTP://SITES.GOOGLE.COM/SITE/GEOLOGIAEBIOLOGIA/A-FORMACAO-DO-SISTEMA-SOLAR)

O segundo fenômeno representa a liberação de grandes quantidades de vapor de água e outros gases do interior do planeta. Estes gases teriam originado a atmosfera primitiva, uma vez que o campo gravitacional da Terra é capaz de reter os gases liberados na superfície. A grande quantidade de gases liberados na atmosfera ajudou no processo de resfriamento, dimi- nuindo a penetração dos raios solares. O vapor d’água, por sua vez, se condensou, formando nuvens. Quando a superfície terrestre resfriou a cerca de 100°C, chuvas torrenciais consegui- ram chegar à superfície, inundando as áreas baixas e dando origem aos oceanos. Com isso foi reduzida a quantidade de vapor d’água e dióxido de carbono no ar, tornando a atmosfera rica em nitrogênio.

Atualmente a atmosfera apresenta cerca de 79% de nitrogênio, 20% de oxigênio, 1% de argônio e quantidades insignificantes de dióxido de carbono e vapor d’água.

16

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

(FIGURA 5. PROCESSO DE DESGASEIFICAÇÃO) (FONTE:

(FIGURA 5. PROCESSO DE DESGASEIFICAÇÃO)

(FONTE: HTTP://SITES.GOOGLE.COM/SITE/GEOLOGIAEBIOLOGIA/A-FORMACAO-DO-SISTEMA-SOLAR)

A Estrutura Interna da Terra

A dificuldade de acesso ao interior do globo terrestre fez com que o homem buscasse al- ternativas diversas para compreender a constituição interna do planeta. Assim, o estudo tem considerado dados gerados a partir de inúmeros métodos diretos e indiretos. A associação destas informações torna evidente a existência de camadas que apresentam constituição dife- rente no interior do planeta Terra.

Os primeiros indícios dessa heterogeneidade na constituição do planeta surgiram atra- vés de especulações realizadas a partir de observações e análises de erupções vulcânicas e ter- remotos. Dados mais consistentes foram obtidos na segunda metade do século XIX, quando foram realizadas estimativas do raio e massa da Terra, permitindo a realização de um cálculo aproximado da densidade do planeta. Considerando que a densidade calculada (5,5g/cm3) foi superior à grande parte das rochas encontradas na superfície do planeta, concluiu-se que no interior do planeta deveria existir uma porção de matéria constituída por um material de alta densidade. Estudos complementares sugeriam, no final deste século, a existência de uma regi- ão central formada por níquel e ferro, cercada por uma camada composta de silicatos de ferro e magnésio.

A confirmação destes dados e maior detalhamento do interior do planeta só foram pos- síveis através da interpretação dos dados de propagação das ondas sísmicas.

As ondas sísmicas são ondas mecânicas que se propagam na Terra, com velocidade afetada pelas propriedades do material em que trafegam. Estas ondas mantêm a mesma ve- locidade ao atravessarem regiões mais ou menos homogêneas, tornando-se mais lentas ou mais rápidas quando atravessam materiais de composição diferente. A velocidade de pro- pagação das ondas sísmicas é proporcional à rigidez do material que atravessam. Em geral, quanto maior a densidade de uma rocha, maior a velocidade das ondas que trafegam por estas.

17

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Os métodos diretos de estudo, Os métodos diretos de estudo, constituem em observar e analisar:
Os métodos diretos de estudo,
Os métodos diretos de estudo,
constituem em observar e analisar:
constituem em observar e analisar:
Os métodos indiretos consistem em:
Os métodos indiretos consistem em:
Afloramentos rochosos expostos
Afloramentos rochosos expostos
na superfície da Terra
na superfície da Terra
Estudoeinterpretaçãodas
Estudoeinterpretaçãodas
ondassísmicas
ondassísmicas
Material expelido pelos vulcões
Material expelido pelos vulcões
Investigação de meteoritos
Investigação de meteoritos
Sondagens
Sondagens
Estudo do magnetismo terrestre
Estudo do magnetismo terrestre
Minas e poços abertos para
Minas e poços abertos para
exploração
exploração

(FIGURA 6. PRINCIPAIS MÉTODOS DIRETOS E INDIRETOS DE ESTUDO DA CONSTITUIÇÃO INTERNA DO GLOBO TERRESTRE)

(IMAGEM PRODUZIDA PELO AUTOR)

Existem dois tipos fundamentais de ondas que se propagam no interior da Terra. As ondas longitudinais, também denominadas de ondas de compressão ou primárias (onda P), de características elásticas, são responsáveis por provocar a compressão e a expansão da rocha. A velocidade deste tipo de onda cresce com o aumento da densidade e diminui bruscamente ao passar por um meio líquido, apresentando velocidade entre 4 e 7 km/s, ao trafegarem da cros- ta terrestre, e 8 km/s, ao se deslocarem no manto superior.

O segundo grupo principal de ondas apresenta vibrações perpendiculares, sendo deno- minadas ondas transversais, cisalhantes ou secundárias (ondas S). A velocidade deste tipo de onda aumenta com a densidade do meio, não havendo propagação em meios líquidos. A velo- cidade das ondas S é menor do que as ondas P, girando em torno de 3 e 4 km/s na crosta. Co- mo resultado dessa relativa lentidão, as ondas P são as primeiras registradas, enquanto o regis- tro das ondas S sempre ocorre algum tempo depois.

18

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Modelo de onda P. A onda se pro- paga ao lado da mola. Sendo longitudinal,
Modelo de onda P. A onda se pro- paga ao lado da mola. Sendo longitudinal,

Modelo de onda P. A onda se pro- paga ao lado da mola. Sendo longitudinal, as partículas se movem paralelas à direção de propagação.

Modelo de onda S. A onda se propa- ga ao longo da corda. As partículas se mo- vem perpendicularmente à direção de propagação da onda transversal.

(FIGURA 7. REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS PROCESSOS DE PROPAGAÇÃO DAS ONDAS SÍSMICAS P E S)

(FONTE: HTTP://WWW.EDUCA.MADRID.ORG/WEB/IES.RAYUELA.MOSTOLES/DEPTOS/DBIOGEO/RECURSOS/APUNTES/BIOGEOBACH1/2- ESTRUCTURATERRESTRE/ESTUDIO.HTM)

A análise do comportamento destas ondas, no interior do planeta, revela que:

a

velocidade de propagação das ondas P aumenta gradualmente até aproximadamente

35 km de profundidade, ponto onde se observa uma interrupção neste comportamen- to, com redução na velocidade de propagação da onda. Este ponto foi definido pelos cientistas como o limite entre duas camadas com características distintas, configuran-

do-se como uma descontinuidade, conhecida como Descontinuidade de Mohorovicic (Moho), em homenagem a seu descobridor, o sismólogo Andrija Mohorovicic. A par-

tir deste ponto a velocidade aumenta rapidamente, até atingir aproximadamente 2.900 km de profundidade, quando então sofre uma brusca diminuição, configurando outro limite entre camadas, definido como Descontinuidade de Gutenberg. Após este pon- to a velocidade das ondas P volta a aumentar, com nova interrupção a aproximada- mente 5.100 km, onde está localizada a Descontinuidade de Lehmann, que representa

o limite entre duas outras camadas;

a velocidade de propagação das ondas S se comporta de forma análoga às ondas P, de-

saparecendo, entretanto, a 2.900 km de profundidade e reaparecendo a 5.100 km de profundidade. Este intervalo de não propagação das ondas S foi interpretado pelos ci- entistas como sendo um trecho formado por material fundido (no estado líquido), meio no qual este tipo de onda não trafega.

19

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

(FIGURA 8. COMPORTAMENTO DAS ONDAS P E S NO INTERIOR DA TERRA, COM IDENTIFICAÇÃO DE

(FIGURA 8. COMPORTAMENTO DAS ONDAS P E S NO INTERIOR DA TERRA, COM IDENTIFICAÇÃO DE DESCONTINUIDADES E DELIMITAÇÃO DE CAMADAS)

(FONTE: HTTP://WWW.FGEL.UERJ.BR/DGRG/WEBDGRG/HOMEPAGEOCEANO/GG6_ESTRUTURA%20DA%20TERRA.HTML)

Essas variações no comportamento de propagação das ondas mostram que há diferenças na composição do material atravessado pelas ondas, tornando possível inferir zonas distintas no interior do globo. A partir desta análise foram então elaborados dois modelos para a estru- tura interna da Terra: um baseado na composição química dos materiais e outro baseado no seu estado físico.

MODELO QUÍMICO

Crosta

A crosta representa a zona mais externa e estreita do globo. O tre- cho da crosta que compõe os continentes é chamado de crosta conti- nental, enquanto que a parte da crosta que forma o substrato oceânico

é chamada de crosta oceânica.

Crosta continental: constituição essencialmente granítica, com espessura média de 35 km, podendo atingir 70 km nas zonas monta- nhosas. Apresenta densidade relativamente baixa (aproximadamente 2,7 g/cm3). Entretanto, em sua porção inferior ou basal, mais próximo ao manto, a crosta continental apresenta composição basáltica (com densidade de cerca de 3,3 g/cm3)

20

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

 

Crosta oceânica: constituição essencialmente basáltica, com es- pessura média de 8 km.

A

crosta está separada do manto através da Descontinuidade de

Moho.

 

O

manto representa a camada mais espessa do interior do planeta

Manto

(média de 80% do volume do planeta), estendendo-se da base da crosta

até aproximadamente 2.900 km de profundidade. Em resposta ao au- mento da profundidade, ocorre um aumento da pressão e consequen- temente da densidade do manto. Próximo à Descontinuidade de Moho (contato crosta/manto) a densidade é de 3,3 g/cm3 e próximo à Des- continuidade de Gutenberg (contato manto/núcleo) fica em torno de 5,7 g/cm3. Essa camada é formada por rochas muito densas, ricas em ferro e magnésio (rochas básicas), sendo subdividida em:

Manto superior: localizado entre a porção inferior da crosta até aproximadamente 400 km, constituído provavelmente por silicatos ricos em ferro e magnésio. Aumento na densidade.

Manto inferior: localizado abaixo dos 400 km até a profundidade de 2.900 km, constituído por minerais (silicatos densos), de Mg, Fe e Al.

Alguns autores consideram a existência de um manto transicio- nal, localizado entre 400 km e 650 km, a partir de onde teria início o manto inferior.

O

manto está separado do núcleo pela Descontinuidade de Gu-

temberg, que faz com que as ondas passem de uma velocidade de 13,6 km/s na base do manto para 8,1 km/s no núcleo.

 

O

núcleo representa a camada situada logo abaixo do manto infe-

Núcleo

rior até aproximadamente 6.371 km de profundidade (zona central do planeta), sendo essencialmente constituída por Fe e Ni. Este trecho também apresenta-se subdividido em núcleo externo e in-

terno

(ver

tabela

de

modelo

físico),

limite estabelecido pela Descontinuidade de Lehmann.

O crescente aumento da temperatura, decorrente do aumento da profundidade, tende a fundir as rochas, contudo o aumento da pressão tende a fazer com que as rochas fiquem no estado sólido. A cerca de 100 km abaixo da superfície, o grande aumento da temperatura pre- domina sobre o aumento da pressão e as rochas apresentam um estado plástico (parcialmente

21

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

pastoso). Esta região, de aproximadamente 250 km de extensão, é conhecida como Zona de Baixa Velocidade (ZBV) e representa mais uma descontinuidade sísmica.

MODELO FÍSICO

Litosfera

 

A

litosfera representa uma porção rígida, formada pela crosta e

topo do manto superior. Apresenta cerca de 100 km de espessura.

Astenosfera

 

A

astenosfera compreende a parte do manto superior, abaixo da

litosfera, e parte inicial do manto inferior, ou seja, a ZBV.

 

É

constituída por materiais sólidos, sendo mais pastosos que os

da litosfera, portanto mais plásticos e deformáveis.

Mesosfera

 

A

mesosfera está localizada entre a astenosfera e 2.900 km de

profundidade, sendo constituída por materiais rígidos.

Núcleo

 

O

núcleo externo localiza-se entre a mesosfera e cerca de 5.150

Externo

km de profundidade, sendo constituído por materiais líquidos.

   

O

núcleo interno estende-se desde 5.150 km até ao centro da

Núcleo

Terra (6.371 km de profundidade) e é constituído por materiais sóli-

Interno

dos.

e é constituído por materiais sóli- Interno dos. (FIGURA 9. ESQUEMA DOS MODELOS FÍSICO E QUÍMICO

(FIGURA 9. ESQUEMA DOS MODELOS FÍSICO E QUÍMICO DE DIVISÃO DAS CAMADAS INTERNAS DO)

(FONTE: HTTP://CORREIA.MIGUEL25.GOOGLEPAGES.COM/CARACTER%C3%ADSTICASINTERNASDATERRA

22

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

1.1.2

CONTEÚDO 2. TECTÔNICA DE PLACAS

A teoria da tectônica de placas está fortemente relacionada a outra teoria geológica, de- nominada de Teoria da Deriva Continental, apresentada ao mundo em 1912 pelo meteorolo- gista alemão Alfred Wegener. Segundo este cientista, há cerca de 250 milhões de anos, os con- tinentes estavam reunidos em uma única massa continental, conhecida como Pangea (do grego: todas as terras), cercado pelo oceano Pantalassa.

Ainda segundo Wegener, a fragmentação do supercontinente Pangea originaria, há cer- ca de 200 milhões de anos, duas grandes massas continentais, denominadas de Laurásia, no Hemisfério Norte, e o Gondwana, no Hemisfério Sul. A Laurásia e o Gondwana teriam conti- nuado o processo de fragmentação e migração, originando os continentes que conhecemos na atualidade.

Para elaborar essa teoria revolucionária, Wegener baseou-se, sobretudo, em observações detalhadas do mapa-múndi, através do qual percebeu a similaridade entre as linhas de costa dos continentes América do Sul e África, separados pelo Oceano Atlântico, embora incessan- tes alterações nas bordas dos continentes, provocadas por agentes erosivos, tenham feito com que os contornos não evidenciem uma união perfeita. Décadas após a proposta de Wegener, a construção de mapas com o contorno da plataforma reafirmaram esta evidência, uma vez que as bordas da plataforma apresentavam contornos com similaridades ainda maiores.

Entretanto, para fortalecer sua ideia e conquistar o apoio de outros pesquisadores, We- gener procurou outras evidências que pudessem fundamentar a Teoria da Deriva Continental. Dentre estas se destacam:

Evidência litológica;

Evidência paleontológica;

Evidência paleoclimática.

23

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

(FIGURA 10. PROCESSO DE DERIVA CONTINENTAL) (FONTE: HTTP://GEOGRAFIABRASIL.MESHFRIENDS.COM/MYSITE/?PAGE=3535) Assim como a

(FIGURA 10. PROCESSO DE DERIVA CONTINENTAL)

(FONTE: HTTP://GEOGRAFIABRASIL.MESHFRIENDS.COM/MYSITE/?PAGE=3535)

Assim como a estreita coincidência entre as linhas de costa de certos continentes, a pre- sença de determinadas formações rochosas com idade, forma, estrutura e composição similar, em continentes distintos, reforça a ideia de aproximação dos continentes no passado. Um e- xemplo desta evidência pode ser destacado pelas cadeias na Argentina e na África do Sul, que adquirem perfeita continuidade quando se simula a aproximação entre América e África. Este, entretanto, não foi o argumento mais forte utilizado por Wegener, que chegou a relacionar pacotes estratigráficos de rochas presentes no nordeste da Índia, da Antártida, do sudeste da América do Sul, do leste da África e da Austrália, cuja idade oscila entre 300 e 135 M.a. atrás. Desta análise Wegener percebeu que, embora distribuídas em pontos distintos do planeta, estas rochas resultaram dos mesmos processos tectônicos e deposicionais, corroborando a ideia da junção dos continentes no Hemisfério Sul, em épocas anteriores a 135 M.a.

24

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

(FIGURA 11. EVIDÊNCIA LITOLÓGICA) (FONTE: HTTP://GEOGRAFIABRASIL.MESHFRIENDS.COM/MYSITE/?PAGE=3535) Outra evidência à

(FIGURA 11. EVIDÊNCIA LITOLÓGICA)

(FONTE: HTTP://GEOGRAFIABRASIL.MESHFRIENDS.COM/MYSITE/?PAGE=3535)

Outra evidência à Teoria da Deriva Continental foi amparada no estudo paleontológico, ao defender que diversos fósseis de organismos encontrados em diferentes continentes não poderiam ter cruzado os oceanos que separam essas massas continentais. Um destes exemplos é o Mesosaurus, um réptil marinho cujos fósseis foram encontrados na América do Sul e na África, indicando uma antiga união destes dois continentes. Outro exemplo é a presença de fósseis de Glossopteris (gimnosperma primitiva) em diferentes continentes, cuja ocorrência e distribuição espacial se correlacionavam perfeitamente ao se juntarem os continentes.

correlacionavam perfeitamente ao se juntarem os continentes. (FIGURA 12. EVIDÊNCIA PALEONTOLÓGICA) (FONTE:

(FIGURA 12. EVIDÊNCIA PALEONTOLÓGICA)

(FONTE: HTTP://W3.UALG.PT/~JDIAS/INTROCEAN/B/A11INTR.HTML)

Além dos fósseis, a distribuição atual de alguns organismos também se tornou uma evi- dência da Deriva dos Continentes. Exemplo deste fato é a ancestralidade comum entre orga- nismos localizados em continentes distintos, como os marsupiais australianos, que têm uma direta ligação fóssil com os marsupiais encontrados nas Américas.

25

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Evidências paleoclimáticas também serviram como argumento a favor da Deriva Conti- nental. Wegener apontou dados que indicavam mudanças climáticas globais severas no passa- do. O estudo de depósitos glaciais em diversos continentes indicou que, à cerca de 220 mi- lhões a 300 milhões de anos, capas de gelo cobriam extensas áreas do Hemisfério Sul. Rochas de origem glacial foram encontradas na América do Sul, na África, na Índia e na Austrália, indicando que estes continentes, nesta época, encontravam-se unidos no Polo Sul, junto à Antártica. Por outro lado, para esta mesma época passada, existem evidências de ocorrência da vegetação típica de climas tropicais em regiões do Hemisfério Norte, indicando que no passado a América do Norte e a Europa estavam mais próximas do Equador.

do Norte e a Europa estavam mais próximas do Equador. (FIGURA 13. EVIDÊNCIA PALEOCLIMÁTICA) (FONTE: TEIXEIRA

(FIGURA 13. EVIDÊNCIA PALEOCLIMÁTICA)

(FONTE: TEIXEIRA ET AL. (2000))

Todas estas evidências foram compiladas por Wegener, em 1915, em seu livro A origem dos Continentes e Oceanos. Mesmo com todos estes argumentos a favor da Teoria da Deriva Continental, esta ideia recebeu sérias críticas, não conseguindo firmar-se entre a comunidade científica da época, que a criticava, sobretudo, por não explicar como ocorria o movimento das massas continentais.

Somente após a morte de Wegener, a partir da exploração do fundo oceânico, foram re- unidas novas descobertas que permitiram reavivar a Teoria da Deriva Continental. Primeira- mente, verificou-se a existência de uma cadeia montanhosa de 73.000 km de extensão ao lon- go do Oceano Atlântico (sentido N-S), com altitudes de até 3.000 m e um vale central. Dados obtidos através de amostragem dessas montanhas revelaram a existência de rochas com idades inferiores a 150 milhões de anos, contrariando a expectativa de encontrar neste local as rochas mais antigas da Terra. Neste momento originou-se a ideia de que o vale central do Atlântico poderia ser uma imensa fenda de onde surgia rocha em fusão, formando e expandindo o asso- alho oceânico.

26

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Essa ideia inicial impulsionou a realização de estudos complementares, a exemplo da avaliação das propriedades magnéticas das rochas (paleomagnetismo), que constataram que os basaltos do assoalho oceânico mostram um padrão de magnetização em bandas, revelador das já conhecidas inversões ocorridas com o campo magnético terrestre, padrão este que é simétrico em relação à cadeia meso-oceânica.

Além disso, com o aperfeiçoamento dos métodos radiométricos, ao final dos anos 60, pôde-se constatar que o fundo oceânico é tanto mais velho quanto mais afastado estiver da cadeia meso-oceânica, confirmando dessa forma a idéia da Expansão do Assoalho Oceânico (Mugeller et al., 2005. p.13).

Estas novas descobertas, aliadas à Teoria da Deriva Continental, levaram ao apareci- mento, na década de 60 do século XX, da Teoria da Tectônica de Placas. Segundo esta teoria, a litosfera não é uma camada contínua, apresentando-se fragmentada em sete placas litosféri- cas (ou tectônicas) principais e mais de uma dúzia de placas de menores dimensões, que se deslocam em movimentos horizontais sobre o topo da astenosfera, formado por material mais quente, denso e em estado parcialmente fundido.

mais quente, denso e em estado parcialmente fundido. (FIGURA 14. AS PLACAS TECTÔNICAS) (FONTE:

(FIGURA 14. AS PLACAS TECTÔNICAS)

(FONTE: HTTP://E-GEO.INETI.PT/EDICOES_ONLINE/DIVERSOS/GUIAO_TECTONICA_PLACAS/GUIAO_TECTONICA_PLACAS.PDF)

Através desta nova teoria, o movimento dos blocos continentais foi explicado por Harry Hess, em 1962, considerando a hipótese de expansão do fundo oceânico, que elucidava a mi- gração dos continentes através do movimento das placas litosféricas (ou tectônicas).

Segundo Hess, a maior parte das formações existentes nos fundos oceânicos estaria rela- cionada com a ascensão de material vindo do manto. A existência de Correntes de Convecção no interior da Terra seria o mecanismo responsável pelo processo geológico associado à ex- pansão dos fundos oceânicos. Estes processos teriam sua origem determinada pelo alto fluxo de calor emanando do interior do planeta, ocasionando a ascensão de material proveniente do

27

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

manto, uma vez que o aumento de temperatura nesta camada tornaria seu material menos denso. Assim, o movimento relativo das placas resulta do calor interno da Terra que é transfe- rido até a superfície, através de células de convecção que se situam na astenosfera.

de células de convecção que se situam na astenosfera. (FIGURA 15. CORRENTES DE CONVECÇÃO (FLUXO DE

(FIGURA 15. CORRENTES DE CONVECÇÃO (FLUXO DE MATERIAIS)

(FONTE: HTTP://WWW.CIENTIC.COM/PORTAL/INDEX.PHP?VIEW=ARTICLE&CATID=67%3AGEOTECTONICA&ID=165%3ATERRA-PLANETA-

EM-MUDANCA&OPTION=COM_CONTENT&ITEMID=85)

Esta força é capaz de movimentar as atuais placas litosféricas na escala de 3 a 11 cm por ano, em diferentes direções, a depender do tipo de Fronteiras ou Limites entre Placas Litosfé- ricas (transformante, divergente ou convergente).

r i c a s (transformante, divergente ou convergente). (FIGURA 16. TIPOS DE LIMITES ENTRE PLACAS

(FIGURA 16. TIPOS DE LIMITES ENTRE PLACAS LITOSFÉRICAS)

(FONTE: HTTP://WWW.CIENTIC.COM/PORTAL/INDEX.PHP?VIEW=ARTICLE&CATID=67%3AGEOTECTONICA&ID=165%3ATERRA-PLANETA-

EM-MUDANCA&OPTION=COM_CONTENT&ITEMID=85)

LIMITES CONSERVATIVOS OU TRANSFORMANTES são caracterizados pelo des- lizamento horizontal entre placas, sem que ocorra destruição ou criação de crosta ao longo da fratura. O exemplo mais conhecido deste tipo de fronteira é a Falha de San Andreas (Santo André), na América do Norte, promovida pelo deslocamento conser- vativo das Placas do Pacífico e Norte-Americana.

28

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

(FIGURA 17. TIPOS DE LIMITES ENTRE PLACAS LITOSFÉRICAS) (FONTE :
(FIGURA 17. TIPOS DE LIMITES ENTRE PLACAS LITOSFÉRICAS) (FONTE :

(FIGURA 17. TIPOS DE LIMITES ENTRE PLACAS LITOSFÉRICAS)

(FONTE: HTTP://W3.UALG.PT/~JDIAS/GEOLAMB/GA2_SISTTERRA/203TECTPLACAS/63FRONTTRANSF.HTML)

LIMITES DIVERGENTES OU CONSTRUTIVOS são caracterizados pelo afastamento entre placas, criando, em geral, uma nova crosta oceânica, em função da ascensão do magma vindo do manto. Esta ascensão de magma gera cadeias de montanhas submer- sas chamadas de Dorsais Oceânicas. O exemplo mais conhecido de um limite diver- gente de placas é a Dorsal Mesoatlântica.

um limite diver- gente de placas é a Dorsal Mesoatlântica. (FIGURA 18. TIPOS DE LIMITES ENTRE
um limite diver- gente de placas é a Dorsal Mesoatlântica. (FIGURA 18. TIPOS DE LIMITES ENTRE
um limite diver- gente de placas é a Dorsal Mesoatlântica. (FIGURA 18. TIPOS DE LIMITES ENTRE
um limite diver- gente de placas é a Dorsal Mesoatlântica. (FIGURA 18. TIPOS DE LIMITES ENTRE
um limite diver- gente de placas é a Dorsal Mesoatlântica. (FIGURA 18. TIPOS DE LIMITES ENTRE

(FIGURA 18. TIPOS DE LIMITES ENTRE PLACAS LITOSFÉRICAS)

(FONTE: MODIFICADO DE TEIXEIRA ET AL., 2000)

LIMITES CONVERGENTES OU DESTRUTIVOS são caracterizados pela colisão en- tre placas litosféricas, onde a mais densa efunda sob a menos densa, formando uma zona de intenso magnetismo, denominada de “Zona de Subducção”.

29

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Placas convergentes

(Crosta oceânica x Crosta continental)

Quando a colisão ocorre entre uma placa oceânica e placa continental, a oceânica, mais densa devido a sua composição basáltica (rica em ferro e magnésio), afunda sob a crosta con- tinental menos densa de composição granítica (rica em alumínio). Este local onde a crosta afunda sob a outra é chamada de Zona de Subducção. Enquanto a crosta oceânica afunda, as altas temperaturas do manto fazem com que as rochas sejam fundidas, formando mais mag- ma. Este magma é extravasado em vulcões no continente. Este fenômeno ocorre no limite oeste da América do Sul, na região dos Andes. Neste local, a placa oceânica mergulha sob a placa continental sul-americana, gerando uma zona de subducção e a formação de cadeias de montanhas.

zona de subducção e a formação de cadeias de montanhas. (FIGURA 19. PLACAS CONVERGENTES (CROSTA OCEÂNICA

(FIGURA 19. PLACAS CONVERGENTES (CROSTA OCEÂNICA X CROSTA CONTINENTAL))

(FONTE: HTTP://WWW.DRM.RJ.GOV.BR/ITEM.ASP?CHAVE=42)

Placas convergentes (Crosta oceânica x Crosta oceânica)

Quando a colisão ocorre entre duas placas oceânicas, a mais antiga e, portanto, mais res- friada e mais densa, afunda sob a placa menos densa. A atividade vulcânica ocorre de forma similar ao caso de choque entre crosta oceânica e continental, contudo, os vulcões gerados na placa oceânica, menos densa, formarão ilhas vulcânicas ou arcos de ilhas. Como exemplo mais comum da ocorrência deste fenômeno, tem-se a formação das ilhas do Japão.

30

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

(FIGURA 20. PLACAS CONVERGENTES (CROSTA OCEÂNICA X CROSTA OCEÂNICA)) (FONTE: HTTP://WWW.DRM.RJ.GOV.BR/ITEM.ASP?CHAVE=42)

(FIGURA 20. PLACAS CONVERGENTES (CROSTA OCEÂNICA X CROSTA OCEÂNICA))

(FONTE: HTTP://WWW.DRM.RJ.GOV.BR/ITEM.ASP?CHAVE=42)

Placas convergentes (Crosta continental x Crosta continental)

Quando a colisão ocorre entre duas placas continentais, em função da baixa densidade destas placas, não há subducção. Como resultado gera-se um encurtamento, formando gran- des cadeias de montanhas. O exemplo mais comum da ocorrência deste evento é a formação do Himalaia.

da ocorrência deste evento é a formação do Himalaia. (FIGURA 21. PLACAS CONVERGENTES (CROSTA CONTINENTAL X

(FIGURA 21. PLACAS CONVERGENTES (CROSTA CONTINENTAL X CROSTA CONTINENTAL)

(FONTE: HTTP://WWW.DRM.RJ.GOV.BR/ITEM.ASP?CHAVE=42)

Além destes limites, existem ainda os Limites de Placas Complexos, que correspondem a uma mistura dos anteriores, quando todos estes tipos de fronteiras de placas se relacionam.

31

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

(FIGURA 22. TIPOS DE LIMITES ENTRE PLACAS LITOSFÉRICAS) (FONTE: HTTP://WWW.DRM.RJ.GOV.BR/ITEM.ASP?CHAVE=42) O Rifte

(FIGURA 22. TIPOS DE LIMITES ENTRE PLACAS LITOSFÉRICAS)

(FONTE: HTTP://WWW.DRM.RJ.GOV.BR/ITEM.ASP?CHAVE=42)

O Rifte (Rift) representa uma estrutura de bacia tectônica, margeada por falhas de gravidade, originada por tectônica extensional sobre hot spot, tipo graben, alon- gado, desenvolvendo vale ou depressão extensa (rift valley) em continentes ou, em sua possível evolução, em oceanos (rifte de cadeia meso-oceânica). Os rifts, geral- mente, ocorrem em uma junção tríplice em 120 graus e apresentam-se na forma de calha, margeada por falhas normais, onde se acumulam sedimentos, maiormente detríticos fluviais, associados a rochas magmáticas alcalinas.

(FONTE: HTTP://E-GROUPS.UNB.BR/IG/GLOSSARIO/)

alcalinas. (FONTE: HTTP://E-GROUPS.UNB.BR/IG/GLOSSARIO/) (FIGURA 23: DISTRIBUIÇÃO DOS VULCÕES COM ATIVIDADE

(FIGURA 23: DISTRIBUIÇÃO DOS VULCÕES COM ATIVIDADE RECENTE (À ESCALA GEOLÓGICA))

(FONTE: HTTP://E-GEO.INETI.PT/EDICOES_ONLINE/DIVERSOS/GUIAO_TECTONICA_PLACAS/GUIAO_TECTONICA_PLACAS.PDF)

Os contatos entre placas tectônicas são áreas extremamente instáveis da litosfera. Nestes pontos se concentram os episódios vulcânicos e sísmicos de maior proporção do planeta. Ob- servando atentamente os mapas a seguir, é possível perceber a relação que existe entre a dis- tribuição dos vulcões e dos terremotos (sismos) com os limites entre as placas litosféricas.

32

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

( F I G U R A 2 4 : DISTRIBUIÇÃO DOS SISMOS QUE OCORRERAM

(FIGURA 24:

DISTRIBUIÇÃO DOS SISMOS QUE OCORRERAM ENTRE 1965 E 1995)

(FONTE: HTTP://E-GEO.INETI.PT/EDICOES_ONLINE/DIVERSOS/GUIAO_TECTONICA_PLACAS/GUIAO_TECTONICA_PLACAS.PDF)

Os Terremotos

Embora o deslocamento das placas litosféricas ocorra de forma extremante lenta (poucos centímetros ao ano), o momento de colisão pode gerar repercussões avassaladoras, se conside- rarmos que a partir deste instante inicia-se um processo acentuado de compressão de massas. A tensão acumulada é tão grande que supera a resistência das rochas e ocorre uma ruptura, cha- mada falha geológica. Nesse momento, ocorre o terremoto.

Na região onde duas placas estão se afastando também ocorre tensão, só que de distensão,

não de compressão.

placas litosféricas, com terremotos interplacas. Os mapas que mostram a localização dos epicen- tros deixam bem clara a grande concentração dos sismos, por exemplo, nos bordos da placa do Pacífico. Nada menos de 75% da energia liberada por terremotos ocorre naquela região do glo- bo, conhecida por Cinturão de Fogo do Pacífico, porque os terremotos são ali acompanhados de vulcanismo. Mas, embora menos frequentes, pode haver terremotos também dentro de uma placa (terremotos intraplaca). Eles são em geral de pequena intensidade quando comparados com os de bordo de placa. Como o Brasil está na Placa Sul-Americana e esta se choca com outra placa na região da Cordilheira dos Andes, fora do nosso território, estamos livres de terremotos muito fortes, registrando apenas os intraplaca. Mas isso não significa que aqui ocorrem apenas acomodações de camadas, como se pensava até a década de 70 do século passado.

A quase totalidade da atividade sísmica do planeta ocorre em limites de

Os sismos intraplaca são rasos (até 30 a 40 km de profundidade) e de magnitudes baixas a

moderadas.

tensão acumulada chama-se hipocentro (ou foco). O ponto da superfície terrestre imediatamen-

O ponto no interior da crosta onde se inicia a ruptura e a consequente liberação da

33

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

te acima do hipocentro é o epicentro. Este é o que mais interessa à população atingida pelo ter- remoto, pois ele é uma cidade, um povoado ou um ponto a certa distância de um local conheci- do, e não um ponto perdido no interior da crosta. Quando um terremoto é de baixa intensida- de, chama-se de abalo sísmico ou tremor de terra. Mas a origem e a natureza são exatamente as mesmas, diferindo apenas a extensão da área de ruptura.

Fonte: http://www.cprm.gov.br/

CURIOSIDADE!

A Históriada Escala Richter

A Escala Richter foi criada em 1935, por Charles F. Richter (1900 - 85), um físico norte- americano que desenvolveu a medida para calcu- lar a intensidade dos abalos sofridos na Costa Oeste dos EUA, usando como base a leitura de sismógrafos.

Oeste dos EUA, usando como base a leitura de sismógrafos. Richter, trabalhando no Instituto de Tecnologia

Richter, trabalhando no Instituto de Tecnologia da Califórnia, estudou mais de 200 terre- motos por ano para compô-la.

A escala começa no número 1 e não tem limite definido. Cada unidade a mais representa um acréscimo de energia dez vezes superior ao último grau. Os terremotos de número 1 e 2 são captados por aparelhos, mas raramente percebidos pelas pessoas e animais. O famoso terremo- to do México de 1985 alcançou 8,1 pontos e o recente tremor na Índia, em 26 de janeiro de 2001, chegou a 7,9.

Abalos de 9 graus nunca foram registrados, apesar da crença de que o terremoto de Lisboa de 1755 possa ter sido um desses.

Fonte: http://www.sitedecuriosidades.com/ver/a_historia_da_escala_richter.html

34

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Os Vulcões

Os vulcões são estruturas geológicas, formadas em terra ou no mar, por onde extravasa o magma, constituído em grande parte por silicatos, misturados com vapor de água e gás. Essa es- trutura comunica-se com uma câmara subterrânea profunda, onde o magma fica armazenado, a câmara magmática. Além do magma, saem pelo vulcão outros materiais, como gases e partículas quentes (como cinzas).

Um vulcão típico tem formato cônico e montanhoso, mas de proporções variáveis. Essa estru- tura é característica do vulcanismo de erupção central, mas há também o vulcanismo de fissura, em que o magma, em geral de composição basáltica, sai não através de um conduto cilíndrico, mas através de grandes fendas na crosta terrestre.

Apesar de se assemelharem bastante na forma, vulcão e montanha são diferentes na estrutura e no modo de formação. A montanha constitui-se pela deformação da crosta terrestre, devido a esforços de compressão que atuam ao longo de milhares de anos. O vulcão pode surgir rapida- mente (o Paricutín formou-se em um ano) e tem uma estrutura, composta por chaminé, cratera e cone vulcânico. Este último forma-se não por deformação da crosta, mas por acúmulo do material ejetado do interior da Terra durante as sucessivas erupções.

A origem e a distribuição dos vulcões estão relacionadas com a distribuição das placas tectô- nicas, massas rochosas rígidas que formam a crosta terrestre e que deslizam sobre o manto, mate- rial subjacente de consistência plástica. Onde há choque de duas placas constituídas inteiramente de crosta oceânica, ou seja, de basalto, uma delas mergulhará sob a outra e sofrerá fusão. Nessa re- gião, chamada de zona de subducção, surge um conjunto de pequenas ilhas vulcânicas distribuí- das em forma de arco. De todos os vulcões visíveis, 95% estão em zonas de subducção.

Se uma placa oceânica choca-se com uma continental, a placa oceânica mergulha sob a outra, por ser mais pesada, formando também zona de subducção. A imensa placa do Pacífico desloca-se para o norte, cerca de 1 cm por ano, e choca-se contra a placa norte-americana, mergulhando sob ela. Por isso, localizam-se na costa daquele oceano cerca de 60% dos vulcões ativos do planeta, o que deu à região o nome de Anel de Fogo do Pacífico. A placa de Nazca choca-se contra a Améri- ca do Sul e assim formaram a cordilheira dos Andes, com seus vulcões e terremotos. Esse tipo de vulcanismo é o mais estudado, e o magma pode ter composição bem mais variada do que aquele formado onde duas placas se afastam.

Se o choque for de duas placas continentais, pode não haver subducção (mergulho de uma sob a outra), e surgir uma cadeia de montanhas, pela deformação das rochas. Nessas áreas, o vul- canismo pode estar ausente, embora os terremotos, por serem de pequena profundidade, sejam

35

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

perigosos. Um exemplo é a Cordilheira do Himalaia, formado pelo choque da Índia com a Ásia. A placa africana está se chocando contra a placa eurasiana, provocando terremotos na Turquia e no Irã, por exemplo. Mas na região onde estão o Etna e o Vesúvio há uma pequena subducção, por isso existem esses dois vulcões.

A famosa Falha de Santo André (San Andreas Fault), na Califórnia, é o encontro de duas pla- cas continentais que não se chocam de frente e sim deslizam uma rente à outra. Ali os terremotos são frequentes e podem ser perigosos, mas não há vulcanismo.

Se duas placas estão se afastando, surge vulcanismo submarino. Ele é responsável pela expan- são do fundo oceânico em diversas zonas do globo. Esse tipo de vulcanismo é o mais comum de todos, representando 80% da atividade vulcânica da Terra, mas é pouco observado, por ocorrer no fundo dos oceanos. A lava sai através de fraturas na crosta e espalha-se para os dois lados da fratu- ra, sem grandes eventos explosivos. Essas fraturas podem ter poucos metros de largura e alguns quilômetros de comprimento. A Cadeia Mesoatlântica é uma extensa crista que existe no meio do Oceano Atlântico, e que mostra focos de vulcanismo desse tipo. Ela marca a zona de separação da placa sul-americana e da placa africana. Na Islândia, essa cadeia aflora e ali é o único local onde se vê vulcanismo basáltico continental.

Embora pouco comum (só 5% dos vulcões), há também vulcanismo no interior das placas tectônicas, não só nos bordos. Isso corre quando existe, no manto terrestre, um ponto quente (hot spot), local onde o magma se concentra e ascende até a superfície, se encontrar uma brecha para tanto. Nessa situação, como a placa está se movendo, mas o ponto quente permanece fixo, apare- cem na superfície da Terra vários vulcões ao longo de uma linha, sendo cada qual mais jovem que o que lhe antecede, seguindo em um determinando rumo geográfico. Exemplo desse tipo de vul- canismo são as ilhas vulcânicas do Havaí. No desenho acima, pode-se ver como aquela área vulcâ- nica forma uma faixa, com vulcões cada vez mais antigos, de Noroeste (5,1 milhões de anos) para Sudeste (400 mil anos ou menos). A localização dos pontos quentes pode ter pouca ou nenhuma relação com as placas tectônicas, mas alguns cientistas acreditam que muitas dessas áreas marcam os antigos limites de placas.

Fonte: http://www.cprm.gov.br/

36

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

1.1.3

CONTEÚDO 3. DEFORMAÇÕES GEOLÓGICAS:

FALHAS E DOBRAS

Em diferentes pontos do planeta é possível notar a presença de estratos rochosos defor- mados. Essas deformações representam o reflexo da ação de forças que resultam, sobretudo, do dinamismo interno da Terra.

Em geral as deformações acontecem nas fronteiras ou limites entre placas, uma vez que nestas zonas de interação – divergentes, convergentes ou transformantes (conservativos) – as rochas que compõem a crosta ficam sujeitas a um poderoso stress.

Stress é a força aplicada a uma rocha por unidade de área, usualmente é expressa como

kg/cm2.

A exposição de uma rocha a um stress promove a sua deformação, com visível alteração da sua forma e no seu volume. Entretanto, o tipo de deformação sofrido pela rocha depende de propriedades da rocha. No interior do planeta, sob condições de temperatura e pressão mais elevadas, além da presença de fluidos em longos períodos de atuação dos esforços, as rochas ficam mais maleáveis e se deformam plasticamente. Estas rochas terão uma deforma- ção dúctil e vão formar dobras. As rochas deformadas em condições mais próximas à superfí- cie, sob baixas temperaturas e pressões, terão uma deformação rúptil e sofrerão rupturas, gerando falhas e fraturas.

Considerando estas propriedades é possível determinar, em linhas gerais, três tipos de stress, cada um correspondendo a um dos três tipos básicos de limites de placas.

Rochas localizadas em margens de placas convergentes sofrem stress compressional. Este tipo de stress reduz o volume das rochas. As rochas que sofrem compressão ge- ralmente são dobradas, havendo um aumento no sentido vertical e uma diminuição lateral.

As rochas que se encontram em margens divergentes sofrem stress tencional ou de ex- tensão. As rochas são “esticadas”, havendo uma diminuição no sentido vertical e um aumento lateral da área ocupada por estas rochas após a deformação.

As rochas em margens de placas transformantes são movimentadas lateralmente em sentidos opostos, sofrendo um stress de cisalhamento. Através deste tipo de stress grandes blocos de rocha são movimentados lateralmente.

37

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Em porções mais profundas da crosta, sujeita a temperatura mais elevada, a crosta sofre deformação dúctil. Nestes locais, forças compressivas levam à formação de dobras, enquanto que forças distensivas levam ao alongamento e forças de cisalhamento promovem a formação de zonas de cisalhamento.

Na porção superior da crosta, submetida a baixas temperaturas, formam-se falhas quan- do exposta às forças deformacionais da crosta. Falhas inversas formam-se durante a compres- são, enquanto falhas normais formam-se durante a extensão e falhas de desligamento durante o cisalhamento.

a extensão e falhas de desligamento durante o cisalhamento. DEFORMAÇÃO DÚCTIL DEFORMAÇÃO FRÁGIL (FIGURA 25: TIPOS

DEFORMAÇÃO

DÚCTIL

DEFORMAÇÃO

FRÁGIL

(FIGURA 25: TIPOS DE DEFORMAÇÃO (DÚCTIL E FRÁGIL)

(FONTE: HTTP://BIO-PORTEFOLIO.BLOGSPOT.COM/)

Portanto, os principais tipos de deformação tectônica sofridas pelas rochas são:

dobras – enrugamentos dos estratos;

falhas – rupturas das rochas com deslocação dos respectivos blocos.

DOBRAS

As dobras são estruturas construídas em camadas ou estratos rochosos que foram depo- sitados originalmente na horizontal e depois sofreram uma deformação plástica ou dúctil, formadas em zonas de temperatura elevada, a acentuadas profundidades.

Estruturalmente uma dobra possui dois lados, que são designados flancos, e uma char- neira, que representa uma linha onde os dois flancos se encontram. Além destes elementos, uma rocha deformada em dobra pode apresentar uma superfície ou plano axial (superfície

38

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

que contém a linha de charneira da superfície dobrada) e um eixo de dobra (linha que une os pontos de curvatura máxima da superfície dobrada).

1.

os pontos de curvatura máxima da superfície dobrada). 1. (FIGURA 26: COMPONENTES DE UMA DOBRA) (FONTE:

(FIGURA 26: COMPONENTES DE UMA DOBRA)

(FONTE: HTTP://WWW.NETXPLICA.COM/MANUAL.VIRTUAL/EXERCICIOS/GEO11/DEFORMACOES/11.GEO.DOBRAS.3.HTM)

Inúmeros critérios podem ser utilizados para classificar morfologicamente uma dobra. Dentre estes podem ser citados: disposição da convexidade; disposição de idade das camadas; ângulos interflancos; sistema de dobras; assimetria; orientação e forma em perfil, dentre os quais merecem destaque:

CLASSIFICAÇÃO QUANTO A FORMA:

Sinclinais: são dobras côncavas, onde as rochas são dobradas, tendendo a formar baci- as ou vales, contudo a expressão final no relevo vai depender da resistência das rochas à erosão.

Anticlinais: são dobras convexas, onde as rochas são dobradas, tendendo a formar domos ou morros, contudo, como no caso anterior, a expressão final no relevo vai de- pender da resistência das rochas à erosão.

vai de- pender da resistência das rochas à erosão . (FIGURA 27: DOBRAS QUANTO A FORMA
vai de- pender da resistência das rochas à erosão . (FIGURA 27: DOBRAS QUANTO A FORMA

(FIGURA 27: DOBRAS QUANTO A FORMA – ANTICLINAL E SINCLINAL)

(FONTE: HTTP://WWW.EDUCACAOPUBLICA.RJ.GOV.BR/OFICINAS/GEOLOGIA/GEOLOGIA_GERAL/UNID2_CAP4.HTML)

39

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

CLASSIFICAÇÃO QUANTO À SIMETRIA

Simétricas: quando o plano axial é aproximadamente vertical e os flancos apresentam a mesma inclinação. Dobras simétricas geralmente ocorrem quando a compressão é relativamente suave.

Assimétricas: em situações onde a compressão é mais intensa, como próximo aos li- mites de placas, as forças tectônicas compressivas forçam um flanco a se movimentar mais que o outro, gerando dobras assimétricas. Nestas dobras o plano axial é inclina- do.

Recumbentes: com a continuidade da compressão, o plano axial da dobra assimétrica pode deitar até ficar na horizontal, virtualmente paralelo à superfície da Terra. As do- bras recumbentes são tipicamente encontradas em cadeias de montanhas fortemente deformados como os Apalaches, os Himalaias e os Alpes Europeus.

como os Apalaches, os Himalaias e os Alpes Europeus. SimétricaSimétrica AssimétricaAssimétrica

SimétricaSimétrica

AssimétricaAssimétrica

RecumbenteRecumbente

(FIGURA 28: DOBRAS QUANTO À SIMETRIA)

(FONTE: HTTP://WWW.EDUCACAOPUBLICA.RJ.GOV.BR/OFICINAS/GEOLOGIA/GEOLOGIA_GERAL/UNID2_CAP4.HTML)

FRATURAS E FALHAS

As fraturas são estruturas deformacionais que podem ser observadas em praticamente todas as rochas sujeitas a baixas temperaturas e baixas pressões litostáticas. Sob tais condições, as rochas encontram-se em estado rígido, tornando-se facilmente sujeitas a rachaduras (fratu- ras). Neste caso, a ausência de plasticidade impede que a rocha seja dobrada. Em casos extre- mos, pode ocorrer deslocamento ao longo das fraturas, gerando falhas.

Falhas são fraturas na crosta terrestre com deslocamento relativo, perceptível entre os lados contíguos e ao longo do plano de falha.

As falhas resultam de extensões, distensões e torções que ocorrem na crosta terrestre. Suas dimensões variam da escala microscópica às escalas continentais. Quando elas ocorrem no fundo oceânico, o desnivelamento resultante gera ondas extremamente destrutivas deno- minadas tsunamis.

40

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Estruturalmente uma falha apresenta inúmeros elementos geométricos:

Plano de falha – superfície de ruptura, onde ocorre o deslizamento de material, com inclinação visível.

Teto ou capa – bloco localizado acima do plano de falha.

Muro ou lapa – bloco localizado abaixo do plano de falha.

Escarpa de falha – é a própria superfície de deslizamento do bloco, que geralmente apresenta marcas estriadas ou escarpas, indicando a direção do movimento.

Rejeito – deslocamento relativo, medido no plano de falha, entre dois pontos previa- mente adjacentes situados em lados opostos da falha.

previa- mente adjacentes situados em lados opostos da falha. (FIGURA 29: COMPONENTES DE UMA FALHA) (FONTE:

(FIGURA 29: COMPONENTES DE UMA FALHA)

(FONTE: HTTP://WWW.EDUCACAOPUBLICA.RJ.GOV.BR/OFICINAS/GEOLOGIA/GEOLOGIA_GERAL/UNID2_CAP3.HTML)

As falhas podem deslocar grandes blocos rochosos ao longo de um plano de falha. O plano de falha é a superfície ao longo da qual ocorre o movimento dos blocos. Devido aos pro- cessos erosivos a que estão sujeitas as rochas na superfície, dificilmente são encontrados os originais planos de falha.

Em Salvador (na Bahia), o desnível topográfico que separa a Cidade Alta da Cidade Bai- xa foi gerado por uma falha, a chamada Falha de Salvador. Esta falha representa a borda da Bacia do Recôncavo, aberta como uma consequência secundária da separação Brasil/África, que gerou o Atlântico sul. Ao longo do tempo, o plano de falha já sofreu um grande recuo erosivo, estando atualmente a superfície de erosão nas proximidades do Elevador Lacerda.

De acordo com o seu movimento relativo (de um bloco em relação ao outro), as falhas são classificadas do seguinte modo:

Falhas horizontais ou transcorrentes: são falhas geradas por stress de cisalhamento, gerando um movimento horizontal, paralelo ao plano de falha. A maior e mais conhe- cida falha transcorrente encontrada na literatura é a Falha de Santo André, nos Estados Unidos.

41

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

(FIGURA 30: FALHA HORIZONTAL) (FONTE: MODIFICADO DE LEINZ, 1977 ) ∑ F a l h
(FIGURA 30: FALHA HORIZONTAL) (FONTE: MODIFICADO DE LEINZ, 1977 ) ∑ F a l h

(FIGURA 30: FALHA HORIZONTAL)

(FONTE: MODIFICADO DE LEINZ, 1977 )

Falhas verticais: neste tipo de falha os blocos rochosos se movem verticalmente em re- lação ao plano da falha, como é o caso da Falha de Salvador. A depender da direção de movimento dos blocos, as falhas verticais podem ser:

Falhas normais: o bloco do teto desce em relação ao muro. Este tipo de falha está ge- ralmente associado com stress tencional ou divergente. A descida dos blocos rochosos, ocasionada por este tipo de falhamento, gera depressões chamadas de graben. O bloco do muro que permanece elevado em relação ao teto é chamado de horst.

Rocha Antiga Rocha Antiga R o c h a A n t i g a

Rocha Antiga

Rocha Antiga

Rocha Antiga

Rocha Recente

Rocha Recente

Rocha Recente

A n t i g a Rocha Recente Rocha Recente Rocha Recente Rochas recentes alinhadas com

Rochas recentes alinhadas com as antigas

Rochas recentes alinhadas com as antigas

Rochas recentes alinhadas com as antigas

(FIGURA 31: FALHA VERTICAL NORMAL)

(FONTE: MODIFICADO DE LEINZ, 1977)

Falhas inversas: neste tipo de falha o bloco do teto sobe em relação ao muro. Esta fa- lha está geralmente associada com poderosas compressões horizontais, comuns onde existe convergência de placas.

42

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Rochas recentes Rochas recentes Rochas antigas são Rochas antigas são empurradas para cima das empurradas
Rochas recentes
Rochas recentes
Rochas antigas são
Rochas antigas são
empurradas para cima das
empurradas para cima das
Rochas antigas
Rochas antigas
mais recentes
mais recentes

(FIGURA 32: FALHA VERTICAL INVERSA)

(FONTE: MODIFICADO DE LEINZ, 1977)

1.1.4

CONTEÚDO 4. TEMPO GEOLÓGICO

O tempo geológico representa a idade média do planeta Terra, contada a partir da sua

origem (aproximadamente 4,6 bilhões de anos) aos dias atuais. Ao longo da sua história o pla- neta foi palco de inúmeras transformações geológicas (Deriva continental, Construção de ca-

deias de montanhas, Abertura de oceanos, Glaciações etc.) e biológicas (surgimento de espé- cies, estágios de maior abundância de determinados grupos animais, extinções etc.) que se processam em um intervalo extenso de tempo.

Essa dimensão de tempo acaba excedendo consideravelmente as medidas que usual- mente realizamos, quando medimos o tempo em minutos, horas, dias, meses e alguns anos. Entretanto, certos eventos geológicos e biológicos de grande proporção necessitam de milha- res de anos para ocorrer. A evolução das espécies representa um exemplo de fenômeno desta magnitude, pois, segundo a teoria da evolução, as espécies evoluem com o passar do tempo, de modo que as formas vivas atuais descendem de espécies preexistentes que passaram por lentas e graduais mudanças ao longo do tempo geológico.

Visando documentar e ordenar os sucessivos eventos que atingiram a Terra, os geólo- gos, no século XIX, apoiados em conhecimentos gerados por outras ciências, a exemplo da Biologia, construíram a Escala de Tempo Geológico, que é padronizada e utilizada no mundo inteiro.

O tempo geológico é entendido como o tempo decorrido desde a formação da Terra

até os nossos dias, isto é, aproximadamente, 4,6 bilhões de anos.

43

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Portanto, a escala do tempo geológico representa um calendário de idade relativa da his- tória da Terra, criado a partir do uso dos princípios de datação relativa e absoluta das rochas e do cruzamento de informação geológicas de vários pontos do globo. A datação relativa consi- dera a sucessão temporal dos eventos, sem a determinação exata da idade precisa e de quanto tempo durou. Já a datação absoluta revela com precisão quando um determinado evento ocor- reu através da obtenção de uma idade absoluta.

Datação Relativa

A datação relativa representa o estabelecimento da sucessão temporal dos eventos, atra- vés da análise das rochas de uma coluna estratigráfica. Para melhor entender as possíveis in- terpretações que podem ser realizadas, faz-se necessário o reconhecimento dos princípios que regem a organização das sequências sedimentares, que perturbam uma acomodação estratigrá- fica e que ajudam a entender a evolução das espécies. A compreensão destes princípios ajuda a entender os eventos que ocorreram ao longo da História do planeta. Um princípio maior (Princípio do Uniformitarismo) defende que "o presente é a chave do passado", ou seja, as leis da natureza são constantes. Assim, os processos geológicos que ocorrem no presente são simi- lares àqueles ocorridos no passado e o estudo dos registros geológicos, essencialmente rochas e suas estruturas, gerados por processos atuais, permite interpretar a evolução geológica.

Dentre os princípios da datação relativa merecem destaque:

1. Princípio da sobreposição de camadas (Princípio de Steno): considerando que as ro- chas sedimentares são formadas a partir da deposição de sedimentos em camadas (represen- tando uma coluna estratigráfica), assume-se que as rochas (camadas) mais antigas são coloca- das na base e as mais jovens no topo. O mesmo é válido para as rochas vulcânicas (basalto), que também se formam por acresção vertical de material.

que também se formam por acresção vertical de material. FIGURA 33: SOBREPOSIÇÃO DE CAMADAS. (FONTE:

FIGURA 33: SOBREPOSIÇÃO DE CAMADAS.

(FONTE: HTTP://SITES.GOOGLE.COM/SITE/GEOLOGIAEBIOLOGIA/HOME/ESTRATIGRAFIA)

44

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Este princípio pode ser aplicado quando são considerados os depósitos formados por deposição vertical, excluindo-se aqueles gerados pela acresção lateral (exemplo: terraços fluvi- ais). Além dessa condição, este princípio não deve ser aplicado quando há deformação das camadas a ponto de modificar a posição original dos estratos depositados.

Camadas sobrepostas em condição de terraços fluviais. Nesta condição, as camadas que ocupam posição superior
Camadas sobrepostas em condição de terraços fluviais. Nesta condição, as camadas que ocupam posição superior

Camadas sobrepostas em condição de terraços fluviais. Nesta condição, as camadas que ocupam posição superior (mais elevados) são mais antigas (A) do que as que se encon- tram menos elevadas, que são mais novas (B).

Camadas sobrepostas, com posterior deformação, o que gera alteração da sequên- cia e incompatibilidade com o princípio da sobreposição.

FIGURA 34: EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA SOBREPOSIÇÃO DE CAMADAS.

(FONTE: HTTP://SITES.GOOGLE.COM/SITE/GEOLOGIAEBIOLOGIA/HOME/ESTRATIGRAFIA)

2. Princípio da Continuidade Lateral: camadas de sedimento semelhantes, localizadas em colunas estratigráficas situadas em locais diferentes, podem ser correlacionadas, pois cor- respondem a uma continuidade e, consequentemente, apresentam a mesma idade.

continuidade e, consequentemente, apresentam a mesma idade. FIGURA 35: OS ESTRATOS CORRESPONDENTES EM CADA UMA DAS

FIGURA 35: OS ESTRATOS CORRESPONDENTES EM CADA UMA DAS SÉRIES SÃO DA MESMA IDADE. O ESTRATO 3 DA SÉRIE A É DA MESMA IDADE DO ESTRATO 3 DA SÉRIE B E ASSIM SUCESSIVAMENTE. (FONTE:

HTTP://SITES.GOOGLE.COM/SITE/GEOLOGIAEBIOLOGIA/HOME/ESTRATIGRAFIA)

45

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

3.

Princípio das Discordâncias: as discordâncias representam superfícies de erosão ou

não deposição, localizadas acima de qualquer tipo de rocha. Entretanto, acima destas, só po- dem existir rochas sedimentares, que são sempre mais jovens que as rochas abaixo da discor- dância. A presença de uma discordância permite determinar, além da datação relativa de ro- chas, se houve erosão ao longo do tempo geológico, em determinado local, permitindo reconhecer que o registro geológico não é completo.

4. Princípio das Relações de Corte: segundo este princípio, uma rocha ígnea intrusiva

ou falha que corte uma sequência de rochas é mais jovem que as rochas por ela cortadas. Por- tanto, com base neste princípio, é possível estabelecer a relação relativa de eventos em qual- quer tipo de rocha cortada por umas das feições acima relacionadas.

de rocha cortada por umas das feições acima relacionadas. FIGURA 36: RELAÇÕES DE CORTE. INTRUSÃO É

FIGURA 36: RELAÇÕES DE CORTE. INTRUSÃO É MAIS RECENTE DO QUE OS ESTRATOS A, B, C, D E E. O FILÃO É MAIS RECENTE QUE TODAS AS OUTRAS FORMAÇÕES. (FONTE: HTTP://E-PORTEFLIO.BLOGSPOT.COM/2009/03/ROCHAS-SEDIMENTARES-ARQUIVOS- HISTORICOS.HTML)

5. Princípio dos Fragmentos Inclusos: de acordo com este princípio, os fragmentos de

rochas incluídos em um estrato são mais antigos do que as rochas nas quais estão inclusos. Este princípio, associado ao princípio das relações de corte, ajuda a datar relativamente rochas estratificadas, ígneas e metamórficas (quando nestas são observados fragmentos inclusos).

(quando nestas são observados fragmentos inclusos). FIGURA 37: O ESTRATO F É MAIS RECENTE DO QUE

FIGURA 37: O ESTRATO F É MAIS RECENTE DO QUE OS DEMAIS, POIS INCLUI FRAGMENTOS DE D, C E B.

(FONTE: HTTP://E-PORTEFLIO.BLOGSPOT.COM/2009/03/ROCHAS-SEDIMENTARES-ARQUIVOS-HISTORICOS.HTML)

46

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

6. Princípio da Sucessão Faunística: segundo este princípio, os organismos vivem e se sucedem no tempo geológico segundo uma ordem determinada e invariável, de modo que, se esta ordem é conhecida, é possível determinar a idade relativa entre camadas a partir de seu conteúdo fossilífero. A este princípio pode ser somada a interpretação de que estratos que pertençam a colunas estratigráficas diferentes, mas que apresentem os mesmos fósseis, têm a mesma idade relativa, já que os fósseis possuem a mesma idade do estrato que os contém.

os fósseis possuem a mesma idade do estrato que os contém. FIGURA 38: CORRELAÇÃO BIOESTRATIGRÁFICA DE

FIGURA 38: CORRELAÇÃO BIOESTRATIGRÁFICA DE TRÊS AFLORAMENTOS.

(FONTE: HTTP://E-GEO.INETI.PT/DIVULGACAO/MATERIAIS/POSTERS/POSTER_CORRELACAO.PDF)

Datação Absoluta

A datação absoluta permite determinar a idade das rochas em anos, através do uso de técnicas radiométricas, aplicadas nos minerais constituintes das rochas. As análises que per- mitem determinar este tipo de datação partem do princípio de que os minerais e as rochas, bem como todo tipo de matéria, são formados por átomos de elementos químicos. Vale lem- brar que o modelo de átomo aceito na atualidade informa que esta estrutura é formada por um núcleo, no qual podem ser encontradas partículas positivas (prótons) e neutras (nêu- trons), cercado por uma região onde estão concentradas as partículas negativas (elétrons). O número de partículas positivas determina o que é quimicamente chamado de número atômico do elemento químico. Alterações no número de prótons originam novos elementos químicos, com estrutura atômica e propriedades diferentes.

A massa atômica, por sua vez, representa a soma entre os números de prótons e nêu- trons. Portanto, quando se considera o elemento químico Carbono, tem-se o carbono de nú- mero atômico igual a 6, com três números de massa distintos (12, 13 ou 14). Essas diferenças no número de massa estão relacionadas com o número de nêutrons. Isso permitiu aos quími- cos formularem o conceito de isótopos para identificar os elementos com mesmo número atômico e diferentes números de massa.

47

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Logo, considerando o elemento Carbono, têm-se os isótopos: 126C (6 prótons, 6 nêu- trons e massa atômica 12), 136C (6 prótons, 7 nêutrons e massa atômica 113) e 146C (6 pró- tons, 8 nêutrons e massa atômica 14).

113) e 146C (6 pró- tons, 8 nêutrons e massa atômica 14). FIGURA 39: ISÓTOPOS DE

FIGURA 39: ISÓTOPOS DE CARBONO.

(FONTE: WWW.EHU.ES/BIOMOLECULAS/ISOTOPOS/ISOTOPOS2.HTM)

O conhecimento sobre isótopos aprofundou-se nas últimas décadas, permitindo reco- nhecer a existência de isótopos estáveis, a exemplo dos isótopos 126C e 136C, e instáveis (ou radioativos), a exemplo do 146C.

Em laboratório, através do uso de aparelhos chamados espectrômetros de massa, conse- gue-se determinar a idade absoluta de formação dos minerais e rochas, a partir dos isótopos instáveis, considerando o tempo de duração da desintegração ou decaimento radiativo. O tempo de decaimento representa uma reação natural que se processa no núcleo dos átomos instáveis, fazendo com que este átomo se transforme em outro estável. Os isótopos instáveis são chamados de átomos-pai e os átomos que resultam da desintegração são designados áto- mos-filho. O tempo necessário para que metade dos átomos-pai se transforme em átomos- filho é chamado tempo de semivida ou meia-vida.

átomos- filho é chamado tempo de semivida ou meia-vida. FIGURA 40: ISÓTOPOS MAIS UTILIZADOS EM DATAÇÃO

FIGURA 40: ISÓTOPOS MAIS UTILIZADOS EM DATAÇÃO RADIOMÉTRICA E SUAS RESPECTIVAS SEMIVIDAS.

(FONTE: HTTP://SITES.GOOGLE.COM/SITE/GEOLOGIAEBIOLOGIA/BIOLOGIA-E-GEOLOGIA-10%C2%BA/A-MEDIDA-DO-TEMPO-E-A-IDADE- DA-TERRA)

48

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Considerando esta relação entre átomos pai e filho, admite-se que, após decorrido o tempo de uma semivida, um elemento químico com 16 átomos instáveis terá 8 átomos instá- veis (radioativos) e 8 estáveis (radiogênicos). Após duas semividas haverá apenas 4 átomos instáveis e 12 átomos estáveis. Após três semividas haverá apenas 2 átomos instáveis e 10 áto- mos estáveis e assim sucessivamente.

instáveis e 10 áto- mos estáveis e assim sucessivamente. FIGURA 41: TEMPO DE DECAIMENTO. (FONTE:

FIGURA 41: TEMPO DE DECAIMENTO.

(FONTE: HTTP://SITES.GOOGLE.COM/SITE/GEOLOGIAEBIOLOGIA/BIOLOGIA-E-GEOLOGIA-10%C2%BA/A-MEDIDA-DO-TEMPO-E-A-IDADE- DA-TERRA)

A semivida é diferente entre os elementos químicos. Portanto, quando se deseja datar uma rocha muito antiga, deve-se escolher um átomo-pai com um tempo de semivida elevado, a exemplo do Potássio-40, que possui semivida de aproximadamente 11,9 M.a. Em contrapar- tida, quando o objetivo é datar uma rocha cuja formação ocorreu em um período relativamen- te recente, deve-se optar por um átomo-pai com um tempo de semivida reduzido, a exemplo do carbono-14 (5,6 mil anos).

49

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

A datação por carbono-14

Os raios cósmicos que vêm do espaço atravessam a atmosfera terrestre e arrancam nêutrons dos átomos do ar. Os nêutrons têm uma meia-vida curta (certa de 13 min). Com o oxigênio do ar os nêutrons não reagem; com o nitrogênio, porém, há reação:

não reagem; com o nitrogênio, porém, há reação: Forma-se assim o carbono-14, radioativo e de meia-vida

Forma-se assim o carbono-14, radioativo e de meia-vida muito longa (5.600 anos). Na atmosfera o carbono-14 se "queima", transformando-se em CO2, que é absorvido pelos vegetais (no processo de fotossíntese) e daí passa para os animais.

Partindo do pressuposto de que a quantidade de carbono-14 manteve-se constante nos últimos 20.000 anos, o teor de carbono-14 também é constante nos vegetais e ani- mais, enquanto vivos (cerca de 15 desintegrações por minuto e por grama de carbono total).

No entanto, quando o vegetal e/ou animal morre, cessa a absorção de CO2 com carbono radioativo, e começa o decaimento do carbono-14, de acordo com a equação:

o decaimento do carbono-14, de acordo com a equação: Assim, após 5.600 anos, a radioatividade cairá

Assim, após 5.600 anos, a radioatividade cairá para a metade. Desse modo, me- dindo a radioatividade residual do fóssil, podemos calcular a sua idade. A grande difi- culdade está no fato de essa radioatividade ser muito fraca. Por isso, são necessários, então, contadores de grande precisão e, ainda por cima, isolados da influência dos raios cósmicos que chegam constantemente à superfície da Terra. Com esses cuidados, podemos efetuar datações de até 40.000 anos, com erros da ordem de 200 anos.

FONTE: HTTP://WWW.AGRACADAQUIMICA.COM.BR/INDEX.PHP?ACAO=QUIMICA/MS2&I=23&ID=243)

50

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

A Escala do Tempo Geológico

Os dados gerados a partir da aplicação de técnicas de datação relativa e absoluta permi- tiram aos geólogos determinar a sequência cronológica dos acontecimentos que marcaram, ao longo dos tempos, a história da Terra. A partir desta sequência foi construída a escala de tem- po geológico. Esta escala divide os 4,6 bilhões de anos da Terra em unidades de várias magni- tudes, de acordo com os eventos geológicos ocorridos. Estas unidades, em ordem decrescente de abrangência, são: Éons, Eras, Períodos, Épocas e as Idades. Em linhas gerais, a subdivisão destas unidades foi determinada com base nos grandes eventos geológicos e mudanças na bi- odiversidade, ocorridos ao longo deste tempo.

A coluna do Tempo Geológico está dividida em quatro Éons, sendo, do mais antigo para

o mais recente, Hadeano, Arcaico, Proterozoico e Fanerozoico. O termo Pré-Cambriano é utilizado para designar o conjunto dos três primeiros Éons e vai desde os 4,6 bilhões de anos até os 542 milhões de anos, sendo indicado em algumas referências como um Éon que envol- veria Hadeano, Arcaico e Proterozoico. Apesar de corresponder a oito nonos da vida da Terra, sabe-se pouco sobre os eventos ocorridos neste Éon, uma vez que as modificações a que a crosta terrestre foi submetida posteriormente dificultam a interpretação dos seus vestígios.

O Fanerozoico representa o Éon mais recente, pois teve início há cerca de 542 milhões

de anos e estende-se até o presente. Este intervalo do tempo geológico é caracterizado pela

grande explosão na diversidade de vida na Terra. Esta unidade do tempo geológico está divi- dida nas seguintes Eras: Paleozoico, Mesozoico e Cenozoico, respectivamente da mais antiga para a mais recente.

o

Era Paleozoica (de 540 milhões a 248 milhões de anos atrás): marca o aparecimento de diversos organismos invertebrados, dos primeiros organismos com conchas (surge a capacidade de biomineralização em muitos dos grupos de seres vivos), dos peixes, das plantas terrestres, dos insetos, dos anfíbios e dos répteis (os seres vivos conquistam os ambientes continentais). Por outro lado, o final desta era é marca pela extinção de várias espécies. Estima-se que aproximadamente 80% da vida marinha desapareceu nesta era. Durante esta era, o movimento das placas juntou todas as massas continen- tais em um único supercontinente chamado Pangea. Esta redistribuição de massa e terra gerou grandes mudanças climáticas que se acredita ser a causa da grande extin- ção de espécies ocorrida nesta época. Está subdividida em seis períodos:

Cambriano

Ordoviciano

Siluriano

Devoniano

Carbonífero

51

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Permiano

o

Era Mesozoica (de 248 milhões a 65 milhões de anos atrás): é marcada pelo apareci- mento dos dinossauros, dos primeiros mamíferos de pequena dimensão, dos pássaros e das primeiras plantas com flores. Nos ambientes marinhos profundos proliferam os cefalópodes como as amonites e belemnites. O fim da Era é marcado por uma grande extinção em massa da vida, que vitimou cerca de 75% das espécies vivas e extinguiu grandes grupos de animais, como os dinossauros e as amonites. Inicia-se a fragmenta- ção do supercontinente Pangea e ocorre a abertura do Oceano Atlântico. Está subdivi- dida em três períodos:

Triássico

Jurássico

Cretáceo

o

Era Cenozoica (de 65 milhões de anos atrás aos dias atuais): representa a menor de todas as eras e que se encontra melhor registrada. O grande desenvolvimento do grupo dos mamíferos permite identificar esta como sendo a Era dos Mamíferos. Também nesta Era, marcando o início do Período Quaternário, ocorreu uma grande glaciação que afetou todos os ambientes terrestres, provocando a extinção dos grandes mamífe- ros e outros grupos animais que não se adaptaram às alterações climáticas. Ainda na Era Cenozoica ocorreu o aparecimento dos mamíferos de grandes dimensões e o sur- gimento dos primeiros hominídeos, cuja cadeia evolutiva originou o Homem Moder- no. Está subdividida em dois períodos:

Terciário

52

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Quaternário

Quaternário (FIGURA 42. ESCALA DO TEMPO GEOLÓGICO) (FONTE:

(FIGURA 42. ESCALA DO TEMPO GEOLÓGICO)

(FONTE: HTTP://PORTALDOPROFESSOR.MEC.GOV.BR/FICHATECNICAAULA.HTML?AULA=581)

A magnitude do Tempo Geológico

O Tempo Geológico é contado a partir do momento em que a Terra alcançou a sua presen- te massa, que é provavelmente o mesmo ponto em que a crosta sólida da Terra se formou de i- nício, embora não se tenham rochas que datem deste tempo inicial. Na verdade, as evidências atualmente disponíveis sugerem que nenhuma rocha permaneceu do primeiro bilhão de anos da história da Terra. Antes do princípio, processos cósmicos desconhecidos estavam produzin- do a matéria como a conhecemos hoje, para a Terra e para o sistema solar. Neste intervalo in- cluímos o tempo cósmico. Mesmo hoje, a quantidade real de tempo geológico decorrido, visto que é tremendamente grande, significa pouco, sem qualquer base de comparação.

53

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Para este fim, têm sido inventados numerosos esquemas, nos quais eventos geológicos im- portantes são localizados proporcionalmente, em unidades de comprimento ou tempo anuais, de modo a tornar o tempo geológico um tanto mais compreensível.

Comprimam-se, por exemplo, todos os 4,6 bilhões de anos de tempo geológico em um só ano. Nesta escala, as rochas mais antigas reconhecidas datam de março. Os seres vivos aparece- ram inicialmente nos mares em maio. As plantas e animais terrestres surgiram no final de no- vembro, e os pântanos, que formaram os depósitos de carvão carboníferos, floresceram durante cerca de quatro dias no início de dezembro. Os dinossauros dominaram em meados de dezem- bro, mas desapareceram no dia 26, mais ou menos na época que os Andes e as Montanhas Ro- chosas se elevaram inicialmente. Criaturas humanoides apareceram em algum momento na noite de 31 de dezembro, e as mais recentes capas de gelo continentais começaram a regredir da área dos Grandes Lagos e do norte da Europa há cerca de 1 minuto e 15 segundos antes da meia-noite do dia 31. Roma governou o mundo ocidental por 5 segundos, das 11h59m45s às 11h59m50s. Colombo descobriu a América 3 segundos antes da meia-noite, e a ciência da Geo- logia nasceu com os escritos de James Hutton exatamente há pouco mais de 1 segundo antes do final de nosso movimentado ano dos anos.

54

(FONTE: MUGGLER ET AL., 2005)

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

MAPA CONCEITUAL

Estrutura Interna da Terra Estrutura Interna da Terra Continental Continental Modelo Físico Modelo Físico Modelo
Estrutura Interna da Terra
Estrutura Interna da Terra
Continental
Continental
Modelo Físico
Modelo Físico
Modelo Químico
Modelo Químico
Oceânica
Oceânica
Crosta
Crosta
Litosfera
Litosfera
Manto
Manto
Astenosfera
Astenosfera
Superior
Superior
Mososfera
Mososfera
Inferior
Inferior
Núcleo
Núcleo
Núcleo Externo
Núcleo Externo
Endosfera
Endosfera
Núcleo Interno
Núcleo Interno

55

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

ESTUDOS DE CASO

1) O elemento químico carbono está presente na natureza em três formas isotópicas (C12, C13 e C14). Os carbonos C12 e C14 reagem com o oxigênio atmosférico, formando dióxido de carbono (C12O2 e C14O2). Essas moléculas são absorvidas durante o processo de fotossín- tese, pela qual se opera a sua incorporação à cadeia alimentar. Quando ocorre a morte do or- ganismo fotossintetizador, cessa a incorporação de dióxido de carbono e, a partir deste instan- te, o teor de C12 permanece constante e C14 diminui, devido à reação de desintegração radioativa. Portanto, se um paleontólogo, realizando um estudo de campo, encontrar um osso de mamífero que contém 1/10 de C14 do mesmo mamífero vivo, determine o número de a- nos do fóssil. Para isso, deve-se reconhecer que a meia-vida do C14 é de 5.600 anos.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

QUESTÃO 01. A escala do tempo geológico, sintetizada por Gradstein & Ogg, 1966, apresenta a ERA PROTEROZOICA dividida em 6 períodos. Indique a alternativa em que os períodos estão ordenados do mais antigo para o mais recente.

a) Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Carbonífero, Devoniano e Permiano.

b) Cambriano, Ordoviciano, Permiano, Siluriano, Devoniano e Carbonífero.

c) Cambriano, Permiano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano e Carbonífero.

d) Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero e Permiano.

e) Cambriano, Carbonífero, Ordoviciano, Siluriano, Permiano e Devoniano.

QUESTÃO 02. A origem da Teoria de Placas surgiu no início do século XX com os trabalhos do cientista alemão Alfred Wegener, que se dedicou a estudos metereológicos, astronômicos, geofísicos e paleontológicos. Durante a sua vida, estudando um mapa-múndi, Wegener obser- vou que as costas da América do Sul se encaixavam com a África e que todos os continentes, se aglutinados, formariam um megacontinente. A este megacontinente Wegener denominou:

a) Gondwana

b) Cambriano

56

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

c)

Pangea

d) Mississipiano

e) Laurásia

QUESTÃO 03. A tendência de resfriamento cenozoico culminou na Era Glacial (alterando pe- ríodos de avanço e retração glacial no Hemisfério Norte). Esse período caracterizou-se por:

a) aparecimento de várias espécies.

b) evolução de comunidades biológicas.

c) extinção de muitas espécies de plantas e animais.

d) extinção dos dinossauros.

e) formação de regiões biogeográficas.

QUESTÃO 04. A litosfera, a camada mais superficial, rochosa e rígida da Terra, é constituída por crostas continentais e oceânicas, sendo a parte superior do manto. Sua profundidade mé- dia atinge cerca de 100 km. Nela se formaram cerca de doze grandes placas tectônicas que se movimentam sobre a astenosfera e apresentam três tipos de limites entre si: divergentes, con- vergentes e transcorrentes. Considerando o tamanho dessas placas, assinale a opção incorreta.

a) Nos limites divergentes, as áreas das placas aumentam com a formação de crosta oceânica.

b) Nos limites convergentes de crosta oceânica com crosta continental, pelo menos uma das

placas tem sua área diminuída.

c) Nos limites transformantes, as áreas das placas permanecem constantes.

d) Nos limites divergentes, a área de uma das placas aumenta com a criação de crosta conti-

nental.

e) Nos limites convergentes de crosta oceânica com crosta continental, a placa oceânica tem

sua área diminuída.

QUESTÃO 05. Os movimentos das placas tectônicas condicionam a formação de ambientes tectônicos diversos, onde são gerados magmas de composição química diferente e, consequen- temente, formadores de rochas ígneas intrusivas e extrusivas de diferentes composições quí- micas e mineralógicas. Considerando os ambientes tectônicos de: (a) arco de ilhas (subducção crosta oceânica versus crosta oceânica); (b) arco magmático continental (subducção crosta oceânica versus crosta continental); e (c) dorsais meso-oceânicas, assinale a opção que apre- senta os tipos de rochas ígneas intrusivas e extrusivas mais comumente encontrados em cada um desses ambientes.

57

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

a) (a) máficas a félsicas; (b) máficas a intermediárias; (c) basálticas

b) (a) basálticas; (b) máficas a intermediárias; (c) máficas a félsicas

c) (a) máficas a intermediárias; (b) máficas a félsicas; (c) basálticas

d) (a) máficas a félsicas; (b) basálticas; (c) máficas a intermediárias

e) (a) máficas a intermediárias; (b) basálticas; (c) máficas a félsicas

CONSTRUINDO CONHECIMENTO Biologando

(c) máficas a félsicas CONSTRUINDO CONHECIMENTO Biologando (FONTE:

(FONTE: HTTP://NOTICIAS.UOL.COM.BR/ULTNOT/INTERNACIONAL/2004/12/27/ULT1859U6.JHTM)

Bioexecutando Vulcão de Levedura

Materiais Necessários

Copos de plástico

Fermento biológico em pó

Água oxigenada

Um pouco de detergente

Corante de alimento (opcional)

58

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Procedimentos

1. Primeiro, escolha o local onde irá fazer esta experiência. Dentro da pia da cozinha pode ser

uma boa ideia! Ou então coloque o copo sobre um prato fundo. Assim, fica mais fácil de lim- par no final.

2. Dissolva o fermento biológico em um copo de água. Coloque um pouco dessa mistura

(mais ou menos um dedo) em dois copos de plástico.

3. Pingue algumas gotas de detergente nos dois copos com a mistura de leveduras.

4. Coloque o copo com a mistura de fermento dentro de uma pia ou em uma superfície fácil

de limpar.

5. Despeje um pouco de água oxigenada dentro do

copo contendo um pouco da solução de fermento e

veja o resultado. É MUITO RÁPIDO!!!! Parece um vulcão.

Se você fizer dentro de uma pia, coloque mais água oxigenada que volta a espumar:

6. Se quiser, misture um pouco de corante de alimento para fazer uma espuma colorida.

pouco de corante de alimento para fazer uma espuma colorida. Reflexões Por que a água oxigenada

Reflexões

Por que a água oxigenada espuma, quando colocada em contato com a levedura?

O que faz a água oxigenada espumar é a presença de uma proteína chamada catalase. Esta pro-

teína é uma enzima, pois acelera as reações químicas (reações que levariam dias para aconte-

cer ocorrem em alguns minutos ou segundos).

A levedura é rica em catalase e, portanto, é fácil de observar essa reação.

Quando você usa a água oxigenada sobre um ferimento, vemos o mesmo efeito de "espumar". Muita gente acredita que isso acontece porque o ferimento tem microrganismos, mas essa não

é

a realidade. Se você colocar a água oxigenada sobre sua pele sem ferimentos, nada acontece –

e

ela não está livre desses microrganismos, não é?

No caso do ferimento, a catalase é proveniente das células vermelhas do seu sangue. Muitas outras células de seu corpo contêm essa enzima que serve de proteção para o seu organismo. Isso porque a água oxigenada é, na verdade, um peróxido de hidrogênio (H2O2), muito pare- cido com a água (H2O).

FONTE: ADAPTADO DE HTTP://WWW.BIOQMED.UFRJ.BR/CIENCIA/VULCAOLEVED.HTM

59

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Janela do BioConhecimento

Os ciclos – sem começo, nem fim – a que os processos naturais obedecem inspiram o livro "Cinco pedrinhas saem em aventura". Trata-se do terceiro livro desta série que inicia o leitor no conhecimento sobre o nosso planeta e seu funcionamento. O livro transmite conhecimen- tos de Geologia, pouco abordada nas escolas e no cotidiano.

Autores: Maria Cristina Motta de Toledo e Rosely Aparecida Imbernon.

Maria Cristina Motta de Toledo e Rosely Aparecida Imbernon. (FONTE:

(FONTE: HTTP://WWW.MUNDOGEO.COM.BR/INTERNA.PHP?P_CAP=7&P_PRODCODNR=369)

60

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

TEMA 2. MINERAIS E ROCHAS

1.1.5

CONTEÚDO 1. CICLO DAS ROCHAS/MINERAIS FORMADORES DAS ROCHAS

MINERAIS

Um mineral representa uma substância inorgânica sólida, natural ou artificial, de com- posição química conhecida e característica, com estrutura atômica ordenada, geralmente na forma de cristais. Cada mineral tem uma estrutura química definida, que lhe confere um con- junto único de propriedades físicas. Uma análise mais criteriosa dos minerais revela a existên- cia de uma menor parte formada por apenas um elemento químico, como o ouro, enquanto a maioria dos minerais é composta por inúmeros elementos associados. O arranjo organizado destes elementos na composição de dado mineral (arranjo cristalino) confere a um mineral a homogeneidade, de forma que é possível visualizá-lo como um sistema monofásico, com físi- cas e químicas próprias.

Assim, é possível descrever um mineral a partir das suas propriedades físicas, que refle- tem sua estrutura interna regular, ao passo que, através da dissolução em ácidos, é possível reconhecer a sua composição química.

PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MINERAIS

As principais propriedades físicas dos minerais são:

- Cor e Brilho: estas duas propriedades estão relacionadas à absorção e/ou reflexão da luz pe- los minerais. A cor representa o resultado da absorção seletiva de comprimentos de onda da luz branca pelos minerais. Muitos minerais mostram uma cor constante, sendo designados como minerais idiocromáticos. Outros minerais, entretanto, não apresentam cor constante, a exemplo do quartzo, que pode ser incolor, branco ou rosa, entre outras cores. Estes minerais com cor variável chamam-se de alocromáticos.

O brilho é resultante da quantidade de luz que o mineral reflete. O brilho é determinado de forma descritiva, caracterizando-se dois grupos principais: os minerais que apresentam brilho de metal (brilho metálico) e aqueles que não o apresentam (brilho não metálico). Neste segundo grupo, que engloba a maior parte dos minerais, o brilho é descrito por analogia a

61

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

substâncias comuns: vítreo (do vidro), adamantino (do diamante), resinoso, sedoso, gorduro- so ou graxo, nacarado (da pérola), ceroso, terroso etc. (Muggler et al. 2005).

- Densidade relativa: definida como a relação entre o peso do mineral e o peso de um volume

igual de água destilada. Esta propriedade é característica para cada mineral e está intimamente relacionada com os elementos químicos que constituem o mineral e a maneira como estes elementos estão arranjados dentro da estrutura cristalina.

- Dureza: representa a resistência de um mineral à abrasão. Depende da reação da estrutura

cristalina à aplicação de um esforço sem ruptura. Minerais com ligações covalentes possuem dureza mais elevada, enquanto minerais com ligações fracas apresentam dureza menor.

minerais com ligações fracas apresentam dureza menor. (FIGURA 43. ESCALA DE MOHS PARA DUREZA DOS MINERAIS)

(FIGURA 43. ESCALA DE MOHS PARA DUREZA DOS MINERAIS)

(FONTE: HTTP://ESTUDANTE-DE-BIOGEO-11.BLOGSPOT.COM/2009/03/PROCESSOS-E-MATERIAIS-GEOLOGICOS.HTML)

- Clivagem: representa a propriedade que alguns minerais apresentam de se formar fragmen-

tos planos e regulares quando partidos. Esta propriedade também está relacionada à sua estru-

tura cristalina do mineral.

- Traço: é a cor do pó fino do mineral, definida quando se risca uma superfície procelânica

branca com dado mineral. Esta propriedade depende da composição química e do estado de oxidação, sendo típica principalmente para minerais metálicos e menos importante para mi- nerais não metálicos. Como exemplos clássicos de minerais identificáveis pela cor de traço podem ser citados: hematita (Fe2O3) e magnetita (FeO), que apresentam, respectivamente, traço vermelho e preto.

62

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

PROPRIEDADES QUÍMICAS DOS MINERAIS

De acordo com a composição química é possível agrupar os minerais em diferentes ca- tegorias, geralmente caracterizadas com base na presença de um determinado elemento quí- mico ou grupo iônico. Algumas das classes químicas são:

CLASSES

PROPRIEDADES

EXEMPLOS

QUÍMICAS

Elementos nativos

Minerais em que os elemen- tos ocorrem sob forma não combi- nada.

Ouro, diamante, co- bre, enxofre.

Sulfetos

Minerais formados pela combinação de elementos metáli- cos com o enxofre.

Galena, pirita.

Óxidos

Minerais que contêm um ou mais elementos metálicos em com- binação com o oxigênio.

Magnetita, hematita, pirolusita.

Hidróxidos

São os óxidos que possuem água ou

Bauxita.

hidroxila (OH) em sua com- posição.

Carbonatos

Minerais nos quais a fórmula inclui o grupo iônico CO3 (carbo- nato).

Calcita.

Fosfatos

Minerais cujas fórmulas con- têm o grupo iônico PO4 (fosfato).

Apatita.

Silicatos

Minerais cuja composição química inclui obrigatoriamente Si e O, em combinação com outros elementos químicos.

Olivina, Granada.

(FIGURA 44. CATEGORIAS QUÍMICAS DOS MINERAIS.

FONTE: ADAPTAÇÃO DE MUGGLER ET AL. (2005))

63

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

ROCHAS

O termo rocha é utilizado em Geologia como referência a uma associação natural de

minerais, em proporções variáveis. Algumas rochas podem ser formadas por um único mine- ral, a exemplo do calcário, constituído unicamente por calcita; ou o quartzito, constituído predominantemente por quartzo. Entretanto, em sua maioria, as rochas são constituídas por mais de um tipo de mineral, sendo alguns mais representativos (minerais essenciais) e outros de menor representatividade (minerais acessórios). O granito, por exemplo, é formado por minerais de quartzo, feldspato e mica, classificados como essenciais. Nesta mesma rocha po- dem estar presentes, como acessórios, os minerais anfibólios, apatita, turmalina, zirconita, magnetita etc. Em linhas gerais, os minerais essenciais são aqueles que definem a natureza da rocha, permitindo caracterizá-la. Os minerais acessórios, por sua vez, aparecem na rocha em quantidades pequenas, não afetando a sua classificação. Assim, a presença de determinado mineral acessório pode servir como indicador da variedade de uma rocha. Um basalto, por exemplo, costuma ter magnetita, mas, se ela não estiver presente, ele continuará sendo um basalto. Um sienito não precisa ter nefelina para ser sienito, mas se tiver, será uma variedade chamada sienito nefelínico.

As rochas podem ser classificadas com base em diferentes critérios. Quando se conside- ra a sua origem ou processo de formação, é possível estabelecer três grandes grupos: Ígneas ou Magmáticas, Sedimentares e Metamórficas. Sob ação de diferentes processos geológicos, estes grupos de rochas estão em constante processo de formação e transformação, originando o CICLO DAS ROCHAS.

CICLO DAS ROCHAS

Diferentes processos geológicos de ação exógena e endógena promovem a criação, a transformação e o desgaste das rochas. Assim, as rochas ígneas, metamórficas e sedimentares, que aparentemente não mostram relações entre si, estão na verdade intimamente relacionadas através do ciclo das rochas.

A representação gráfica deste ciclo revela que em resposta à ação dos agentes químicos,

físicos e biológicos do intemperismo ocorre a formação de sedimento, que será transportado por diferentes mecanismos até um local de deposição (em zonas deprimidas da crosta conti- nental ou oceânica), onde será acumulado. O empilhamento de camadas sucessivas de sedi- mento favorece a compactação e consequente forma as rochas sedimentares. Estas rochas po- dem ser soerguidas e novamente expostas ao intemperismo. Um outro viés deste ciclo se inicia

quando uma rocha é submetida a aumentos de temperatura e pressão (metamorfismo), le- vando à formação de rochas metamórficas. Estas rochas também podem ser soerguidas e, des- ta forma, expostas ao intemperismo. Uma outra possibilidade a ser considerada refere-se à exposição dessa e de qualquer outro tipo de rocha a temperatura que promova sua fusão, for-

64

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

mando magma. Como resultado, o magma poderá ascender à superfície como produto vulcâ- nico (vulcanismo) ou permanecer no interior e se consolidar como um produto plutônico (plutonismo). As rochas assim formadas (magmáticas) podem ser novamente expostas à ero- são, e assim sucessivamente.

O ciclo das rochas é constante e está ocorrendo em diferentes pontos da superfície do planeta, em diferentes fases, formando e erodindo montanhas em determinados locais e pro- movendo a deposição e afundando dos sedimentos erodidos em outro lugar.

e afundando dos sedimentos erodidos em outro lugar. (FIGURA 45: CICLO DAS ROCHAS) (FONTE:

(FIGURA 45: CICLO DAS ROCHAS)

(FONTE: HTTP://MARGARIDASOUSA19.BLOGSPOT.COM/)

1.1.6

CONTEÚDO 2. ROCHAS ÍGNEAS

As rochas ígneas são formadas a partir da cristalização do magma. O magma, por sua vez, representa o produto da fusão das rochas, fato que geralmente ocorre em zonas de alta temperatura, geralmente localizadas em profundidades superiores a 200 km. Quando o mag- ma atinge a superfície do planeta, através de erupções vulcânicas, passa a ser chamado de lava.

As rochas resultantes da solidificação ou cristalização do magma podem ser classificadas

em:

rochas vulcânicas ou extrusivas: são as que se cristalizam na superfície;

rochas plutônicas ou intrusivas: são aquelas que se cristalizam em profundidade.

65

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

(FIGURA 46. ROCHAS VULCÂNICAS E PLUTÔNICAS) (FONTE:

(FIGURA 46. ROCHAS VULCÂNICAS E PLUTÔNICAS)

(FONTE: HTTP://100PIPOCAS.BLOGSPOT.COM/2008/05/ROCHAS-MAGMTICAS-PLUTNICAS-E-VULCNICAS.HTML)

Durante o processo de resfriamento do magma são formados cristais de minerais, até que toda porção líquida seja transformada em uma massa sólida pela aglomeração dos cristais. O nível ou taxa de resfriamento influencia o tamanho dos cristais gerados, de forma que:

se o resfriamento ocorre de forma lenta, os cristais têm tempo suficiente para crescer, então a rocha formada apresentará grandes cristais, ou seja, a rocha será constituída por um número pequeno de cristais, mas bem desenvolvidos;

se o resfriamento ocorre de forma rápida aparecerá um grande número de pequenos cristais.

Portanto, se uma rocha ígnea apresenta cristais que são visíveis apenas com o auxílio de microscópios, sabe-se que o processo de cristalização ocorreu de forma muito rápida. Em con- trapartida, quando os cristais são identificados facilmente, sabe-se que a rocha se cristalizou lentamente.

CLASSIFICAÇÃO DAS ROCHAS ÍGNEAS

As rochas ígneas ou magmáticas variam muito de composição e aparência física. Isso ocorre porque há diferenças na composição do magma, na quantidade de gases dissolvidos e também no tempo de cristalização. Existem dois modos principais para classificar as rochas ígneas: um com base em sua composição mineralógica e outro com base em sua textura.

a) Quanto à textura (relação com o tamanho e arranjo dos cristais)

Afanítica: apresentam cristais de tamanho diminuto. Estas rochas podem ter se crista- lizado próximo ou na superfície e, em algumas situações, podem mostrar pequenos buracos (vesículas), devido ao escape de gases durante a sua cristalização.

66

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Fanerítica: apresentam cristais mais desenvolvidos. Estas rochas são formadas quando o magma se solidifica abaixo da superfície. Neste caso, a rocha apresenta cristais gran- des, que podem ser individualmente identificados.

Porfirítica: como dentro do magma os cristais não são formados ao mesmo tempo, al- guns cristais podem ser formados enquanto o material ainda está abaixo da superfície. Se ocorrer a extrusão deste magma, os cristais formados anteriormente, quando o magma estava no interior da crosta, ficarão emersos em um material mais fino solidifi- cado durante a erupção vulcânica. O resultado é uma rocha com cristais grandes emer- sos em uma matriz de cristais muito finos. Esses cristais maiores são chamados de pór- firos, daí a textura recebe o nome de porfirítica.

Vítrea: a textura vítrea ocorre quando, durante as erupções vulcânicas, o material se resfria tão rapidamente em contato com a atmosfera que não há tempo para ordenar a estrutura cristalina. Neste caso não são formados cristais e sim uma espécie de vidro natural. A mais comum destas rochas é conhecida como obsidiana.

Outro tipo de rocha vulcânica que exibe a textura vítrea é a púmice (vendida comerci- almente como pedra púmice). Diferentemente da obsidiana, a púmice exibe muitos canais de ar interligados, como uma esponja, devido ao escape de gases. Algumas amostras de púmice, inclusive, flutuam na água devido à grande quantidade de vazios.

flutuam na água devido à grande quantidade de vazios. (FIGURA 47. PRINCIPIAS TIPOS DE ROCHAS E
flutuam na água devido à grande quantidade de vazios. (FIGURA 47. PRINCIPIAS TIPOS DE ROCHAS E
flutuam na água devido à grande quantidade de vazios. (FIGURA 47. PRINCIPIAS TIPOS DE ROCHAS E

(FIGURA 47. PRINCIPIAS TIPOS DE ROCHAS E TEXTURAS VULCÂNICAS (DA ESQUERDA PARA A DIREITA) RIOLITO E ANDESITO COM TEXTURA PORFIRÍTICA AFANÍTICA E BASALTO COM TEXTURA VESICULAR AFANÍTICA))

(FONTE: HTTP://WWW.UFRGS.BR/GEOCIENCIAS/CPORCHER/ATIVIDADES%20DIDATICAS_ARQUIVOS/GEO02001/ROCHAS.HTM)

b) Quanto à composição mineralógica

A composição química do magma define a composição mineral das rochas. Assim, uma mesma massa magmática pode produzir rochas de composição mineral diferente.

Um cientista, N. L. Bowen, descobriu que em magmas resfriados no laboratório deter- minados minerais se cristalizam primeiro em temperaturas muito altas e com a diminuição

67

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

gradativa da temperatura novos cristais vão sendo formados. Bowen descobriu também que os cristais formados reagem com o magma restante para criar o próximo mineral.

A sequência de cristalização descrita pela observação do cientista é conhecida como sé- rie de cristalização magmática ou Série de Bowen. Nesta série, a olivina é o primeiro mineral a se formar, reage com o magma para formar o piroxênio, que por sua reage para formar o anfibólio para formar a biotita. Da mesma forma, o plagioclásio cálcico é o formado e de sua reação com o magma se forma o plagioclásio rico em sódio. Os últimos minerais a se formar, já em baixas temperaturas, são o feldspato potássico, a muscovita e o quartzo.

são o feldspato potássico , a muscovita e o quartzo . (FIGURA 48. SÉRIE DE BOWEN)

(FIGURA 48. SÉRIE DE BOWEN)

(FONTE: HTTP://ESTUDANTE-DE-BIOGEO-11.BLOGSPOT.COM/2009/03/DIFERENCIACAO-MAGMATICA.HTML)

Os minerais que fazem parte da Série de Bowen são espécies de silicatos, ou seja, são compostos de sílica (silício e oxigênio) associada a diferentes elementos químicos, tais como ferro, cálcio, magnésio, alumínio e potássio, entre outros.

Quando levamos em consideração o percentual de sílica presente nas rochas ígneas, po- demos classificá-las em quatro grupos principais:

Rochas ultramáficas: o termo “máfico” vem de magnésio e ferro. As rochas ultramáfi- cas são compostas por silicatos de ferro e magnésio (olivina e piroxênio) e apresen- tam relativamente pouca sílica (menos que 40%). A rocha ultramáfica mais comum é o peridotito. O peridotito apresenta uma cor verde e é muito denso. Em geral se cristali- za abaixo da superfície, mostrando uma textura fanerítica.

Rochas máficas: as rochas máficas contêm de 40% a 50% de sílica e são compostas principalmente por piroxênio e plagioclásio cálcico. Este tipo de rocha ígnea é a mais

68

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

abundante na crosta, e o seu representante principal é o basalto. O basalto é uma é ro- cha escura, relativamente densa e com textura afanítica, pois se cristaliza na superfície ou próximo a ela. Os basaltos são as rochas predominantes nas placas oceânicas e são os principais constituintes de várias ilhas vulcânicas, como as ilhas do Havaí. Os basal- tos também constituem vastas áreas do Brasil, principalmente no Paraná.

Rochas intermediárias: as rochas ígneas intermediárias contêm cerca de 60% de sílica. Além do plagioclásio cálcico e dos minerais ricos em ferro e magnésio, como os piro- xênios e anfibólios, contém também minerais ricos em sódio e alumínio, como bioti- ta, muscovita e feldspatos. Podem apresentar também uma pequena quantidade de quartzo.

A rocha vulcânica intermediária mais comum é o andesito e o seu equivalente plutônico é o diorito. O primeiro apresenta textura afanítica enquanto que o segundo apresenta textura fanerítica.

Rochas félsicas: o termo “félsico” vem de feldspato e sílica. Rochas ígneas félsicas con- têm mais que 70% de sílica. São geralmente pobres em ferro, magnésio e cálcio. São ri- cas em feldspato potássico, micas (biotita e muscovita) e quartzo. A rocha ígnea félsi- ca mais comum é o granito. O granito é uma rocha ígnea plutônica. Como o magma félsico é mais viscoso (por ser pobre em água), geralmente se cristaliza antes de chegar à superfície, por isso as rochas félsicas plutônicas são mais comuns. Quando este magma consegue chegar à superfície, extravasando em intensas erupções, a rocha for- mada é o riolito.

Observação Rochas ígneas dos tipos ultramáficas e máficas contêm os primeiros mi- nerais da Série de Bowen. São minerais que se cristalizam com altíssimas temperaturas – supe- riores a 1.000°C. As rochas félsicas têm seus últimos minerais cristalizando-se a baixas tempe- raturas – inferiores a 800°C.

69

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

1.1.7

CONTEÚDO 3. ROCHAS SEDIMENTARES

As rochas sedimentares são formadas na superfície da crosta terrestre a partir do proces-

so de intemperismo e consequente formação de sedimentos. O intemperismo (que será discu- tido no Conteúdo 1 do Tema 3) fragmenta as rochas em pequenas partículas e também pode promover alterações na composição química das mesmas, transformando minerais em outros mais estáveis, em função das condições ambientais onde o intemperismo está atuando. Em seguida, a gravidade e os agentes erosivos (águas superficiais, vento, ondas e gelo) removem os produtos do intemperismo e transportam para um novo local onde eles são depositados e consolidados, formando rochas sedimentares.

depositados e consolidados, formando rochas sedimentares. (FIGURA 49. ETAPAS DO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE ROCHAS

(FIGURA 49. ETAPAS DO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE ROCHAS SEDIMENTARES)

(FONTE: HTTP://WWW.NETXPLICA.COM/MANUAL.VIRTUAL/EXERCICIOS/GEO10/10.GEO.ROCHAS.SEDIMENTARES.FORMACAO.HTM)

IMPORTANTE: Sedimento é o produto do intemperismo, posteriormente transpor- tados pelos agentes erosivos.

A contínua deposição de sedimentos soltos ou inconsolidados pode se transformar

numa rocha, ou seja, ser litificados. Veja algumas situações onde isso ocorre:

quando uma camada de sedimento é depositada, ela cobre as camadas anteriormente depositadas naquele local, podendo criar uma pilha de sedimentos de centenas de me- tros de profundidade;

essa acumulação de material uns sobre os outros vai compactando esse material devido ao peso das camadas sobrepostas;

70

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

nesta pilha de sedimentos, que pode chegar a quilômetros de profundidade, o decai- mento de isótopos radiativos, que compõem alguns grãos minerais misturados nestes sedimentos, gera calor;

esses sedimentos empilhados em camadas são também invadidos por água subterrânea que transportam íons dissolvidos.

por água subterrânea que transportam íons dissolvidos. (FIGURA 50. LOCAL DE FORMAÇÃO DE ROCHAS SEDIMENTARES)

(FIGURA 50. LOCAL DE FORMAÇÃO DE ROCHAS SEDIMENTARES)

(FONTE: HTTP://WWW.SOBIOLOGIA.COM.BR/CONTEUDOS/SOLO/SOLO5.PHP)

DIAGÊNESE: É um processo resultante da combinação do calor, da pressão causada pelo peso dos sedimentos e dos íons transportados pela água, causa mudanças na natureza química e física dos sedimentos.

Depois de processada a diagênese ocorre uma conversão dos sedimentos em uma rocha sedimentar sólida; é a litificação. Durante a litificação ocorre:

empacotamento dos sedimentos, deixando-os mais juntos uns dos outros;

expulsão da água que ocupa os espaços entre os grãos;

precipitação de cimento químico, ligando os grãos uns aos outros.

A diagênese também pode envolver a transformação de alguns minerais em outros mais estáveis.

71

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

COMPACTAÇÃO: É um processo diagenético, através do qual o volume dos sedi- mentos é reduzido por aplicação de uma determinada pressão gerada pelo próprio peso dos sedimentos.

Quando os sedimentos vão se acumulando, aumenta a pressão gerada pelo material que vai se sobrepondo, expelindo a água e o ar, e os sedimentos vão ficando cada vez mais juntos.

Grãos muito pequenos, como as argilas, quando são compactados apresentam uma forte aderência devido a forças atrativas entre os grãos, convertendo o sedimento inconsolidado em rocha sedimentar.

CIMENTAÇÃO: É o processo diagenético através do qual os grãos são “colados” por materiais originariamente dissolvidos durante o intemperismo químico ocorrido anteri- ormente nas rochas.

O intemperismo libera íons que ficam dissolvidos na água que flui através dos poros e- xistentes entre os grãos dos sedimentos antes da compactação. Posteriormente, esses íons se precipitam entre os grãos dos sedimentos formando um cimento.

Sedimentos com grãos grossos, como as areias e os seixos, tornam-se mais propensos a serem cimentados do que os sedimentos finos, como as argilas e os siltes, porque o espaço entre os grãos é maior, podendo conter mais água e com isso mais material dissolvido.

Os agentes mais comuns de cimentação são o carbonato de cálcio e a sílica.

O carbonato de cálcio é formado quando os íons de cálcio, produzidos pelo intempe- rismo químico de minerais ricos em cálcio (plagioclásio, piroxênios e anfibólios), se combinam com o dióxido de carbono e a água do solo.

O cimento de sílica é produzido inicialmente pelo intemperismo químico dos feldspa- tos em rochas ígneas.

intemperismo químico dos feldspa- tos em rochas ígneas. (FIGURA 51. PROCESSO DE COMPRESSÃO, COMPACTAÇÃO E
intemperismo químico dos feldspa- tos em rochas ígneas. (FIGURA 51. PROCESSO DE COMPRESSÃO, COMPACTAÇÃO E
intemperismo químico dos feldspa- tos em rochas ígneas. (FIGURA 51. PROCESSO DE COMPRESSÃO, COMPACTAÇÃO E

(FIGURA 51. PROCESSO DE COMPRESSÃO, COMPACTAÇÃO E CIMENTAÇÃO)

(FONTE: ADAPTADO DE HTTP://MAISBIOGEOLOGIA.BLOGSPOT.COM/2009/03/FORMACAO-DAS-ROCHAS-SEDIMENTARES_12.HTML)

72

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Óxidos de ferro, como a hematita e a limonita; carbonatos de ferro, como a siderita; e sulfetos de ferro, como a pirita, também podem formar cimentos em rochas sedimentares, ligando os grãos sedimentares grossamente granulados.

A compactação e a cimentação não afetam apenas os grãos de rochas. Como os produtos

do intemperismo químico são transportados para os lagos e oceanos, pelo fluxo das águas, esse mesmo processo pode litificar conchas, fragmentos de conchas ou outras partes duras de organismos que se acumulam nestes corpos d’água.

Uma rocha que consiste apenas de partículas sólidas, compactadas e cimentadas juntas, sejam de fragmentos de rochas preexistentes ou restos de organismos, são chamadas de ro- chas clásticas ou com textura clástica.

O aumento da temperatura e da pressão, associado com o peso dos sedimentos, promo-

ve a recristalização de alguns grãos minerais, criando um mineral mais estável a partir de ou- tro que se encontrava instável naquelas condições ambientais.

Um exemplo clássico deste processo é a transformação da aragonita (um mineral secre- tado por alguns organismos marinhos a partir de suas conchas) em calcita, um mineral muito mais estável.

CLASSIFICAÇÃO DAS ROCHAS SEDIMENTARES

As rochas sedimentares são geralmente classificadas em detríticas ou químicas, a de- pender da fonte do material que as compõe. Contudo, em cada uma destas categorias existe uma grande variedade de rochas, refletindo os diferentes tipos de transporte, deposição e pro- cessos de litificação a que foram submetidas.

a) Rochas sedimentares detríticas

As rochas sedimentares detríticas são classificadas de acordo com o tamanho de suas partículas:

Lamitos: são rochas formadas por partículas muito pequenas (menores que 0,004 mi- límetros), chamadas de silt (0,004 a 0,063 mm) e argila (< 0,004 mm), que formam a fração granulométrica (tamanho) chamada de lama. Por serem constituídos por partí- culas tão finas, os lamitos são sempre formados em condições de águas calmas, como nos fundos de lagos e lagoas, em regiões oceânicas profundas e em planícies de inun- dação de rios. Sob condições de águas mais agitadas, este material (argila ou silt) per- manece em suspensão na água e não se deposita.

Mais da metade das rochas sedimentares encontradas no mundo são lamitos.

Os lamitos apresentam cores variadas a depender da sua composição mineral.

73

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

Lamitos vermelhos contêm óxido de ferro, precipitado a partir de água contendo fer- ro dissolvido e oxigênio em abundancia.

Lamitos cinzas contêm óxido de ferro que precipitou em ambiente pobre em oxigê- nio.

Lamitos pretos são formados em águas com a quantidade de oxigênio insuficiente pa- ra decompor toda a matéria orgânica contida no sedimento.

Essas rochas são usadas como fonte de argila, por exemplo, para a fabricação de cerâmi- cas. Algumas dessas rochas podem também ser fontes de petróleo e gás natural.

Arenitos: são rochas detríticas formadas por grãos com 0,063 a 2 milímetros de diâ- metro (tamanho areia) e compõem aproximadamente 25% das rochas sedimentares encontradas no mundo.

Os seus grãos são geralmente cimentados por sílica ou carbonato de cálcio.

Existem dois tipos principais de arenito classificados de acordo com sua composição.

Quartzo arenito: são arenitos compostos predominantemente (>90%) por grãos de quartzo. São geralmente de coloração clara. Contém geralmente os grãos bem arre- dondados e bem selecionados sugerindo que foram transportados por longas distân- cias.

Arcóseo: são arenitos de coloração rosa, contendo mais de 25% de grãos de feldspato. Seus grãos, geralmente derivados de rochas graníticas ricas em feldspatos, são angulo- sos e pobremente selecionados, sugerindo um transporte por pequenas distâncias (rá- pida deposição).

Os arenitos são muito usados na construção civil. Além disso, alguns arenitos são exce- lentes armazenadores de óleo e gás (geralmente formados nos lamitos e migram para se arma- zenar nos arenitos) devido aos espaços entre os grãos.

Conglomerados e brechas: são rochas sedimentares detríticas, contendo grãos maio- res que 2 mm de diâmetro (tamanho de seixos). Nos conglomerados os grãos são arre- dondados e nas brechas são angulosos.

Em geral, estas rochas possuem uma matris – material fino, como areia fina ou argila, que preenche os espaços entre os seixos; e são cimentados por sílica, carbonato de cálcio ou óxido de ferro.

A depender do tamanho dos seixos é possível identificar as rochas de origem, identifi- cando a sua composição e textura.

Os seixos arredondados dos conglomerados sugerem que estes foram transportados por vigorosas correntes a longas distâncias, enquanto que os seixos angulosos das brechas suge- rem um breve transporte.

74

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

b) Rochas sedimentares químicas

As rochas sedimentares químicas são formadas através dos produtos do intemperismo químico, precipitados a partir de soluções quando a água (em que estas substâncias estão dis- solvidas) evapora ou fica supersaturada devido a mudanças de temperatura.

Existem três tipos principais de rochas sedimentares de origem química:

Carbonatos: a composição básica dos carbonatos é a calcita (carbonato de cálcio), e compõe aproximadamente 10% a 15% das rochas sedimentares do mundo. Os carbo- natos são formados pela precipitação da calcita a partir de lagos e oceanos. Em geral, quando a água se torna mais aquecida ou quando a quantidade de carbonato de cálcio dissolvido na água aumenta, este se torna menos solúvel e tende a se precipitar for- mando os carbonatos.

A maior parte dos carbonatos tem origem orgânica. São formados a partir de restos de esqueletos de animais marinhos e plantas em águas rasas ao longo de plataformas continentais equatoriais, onde a água é quente e a vida marinha é abundante.

Chert: são rochas sedimentares formadas pela precipitação de sílica. Pode apresentar origem inorgânica ou orgânica, precipitados, respectivamente, a partir de águas ricas em sílica ou de restos de organismos que contem sílica em seu esqueleto.

Evaporitos: são rochas sedimentares químicas, de origem inorgânica, formadas pela evaporação da água salgada. Em média a água do mar contém cerca de 3,5% de sais dissolvidos. Se a água é rasa e o clima é quente, ocorre a evaporação e o consequente aumento na concentração destes sais. Com o aumento da evaporação, cristais sólidos de sais são precipitados e se acumulam no fundo do mar.

O sal mais comum formador de evaporitos é a halita (NaCl), conhecida como sal de co-

zinha.

ROCHAS SEDIMENTARES E O PROCESSO DE FOSSILIZAÇÃO

Os fósseis (do latim fossilis, que significa “tirado da terra”) representam o registro de formas de vida do passado geológico da Terra. Em geral, o registro fossilífero é extraído das rochas, que funcionam como grandes reservatórios que podem armazenar os organismos em sua estrutura. Considerando os três principais tipos de rochas, é possível afirmar que as rochas sedimentares são as mais propícias à preservação dos organismos, pois o próprio processo de formação destas rochas, com o acomodamento de camadas sedimentares, torna possível a fossilização.

Considerando a natureza do material fossilizado, é possível enquadrar como fósseis os restos, as marcas ou os vestígios da atividade de seres vivos, que ficaram preservados nas ro-

75

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

chas ou outros materiais naturais. Assim, é possível determinar como exemplos de fósseis:

conchas de moluscos, espinhos de equinodermas, dentes e ossos de vertebrados preservados e fazendo parte integrante das rochas que os contêm. Estes são chamados de somatofósseis, pois representam partes do corpo (soma) que foram preservadas. Quando ocorre a preservação de pegadas, rastos e outras marcas, deixadas em sedimentos pela passagem de seres vivos, utiliza- se como referência o termo icnofósseis.

O processo de fossilização requer certas condições para se processar, sendo as princi-

pais:

o

a presença de esqueleto biomineralizado (interno ou externo);

o

o soterramento rápido, isolando os organismos e restos de seres vivos do desgaste pro- movido pela erosão;

o

a natureza dos sedimentos envolventes;

o

a geoquímica do meio;

o

as características do meio ambiente;

o

o clima.

Para entender o processo de fossilização é necessário compreender as etapas que regem a Tafonomia (do grego tafós, enterramento, sepultura, e de nómos, lei), que representa um ramo da Paleontologia (ciência especializada no estudo dos fósseis) voltado para o estudo das mudanças que os restos e vestígios de organismos experimentaram na litosfeta, da sua morte até os dias atuais. A tafonomia pode ser subdividida em: Bioestratinomia e Fossildiagênese.

A Bioestratinomia representa a parte da tafonomia que se ocupa dos processos que atin-

gem o organismo após a sua morte, até seu soterramento, envolvendo: tipo de morte (seletiva ou catastrófica), necrólise, desarticulação, transporte e soterramento final. A fossildiagênese, por sua vez, compreende os processos que favorecem a conservação do organismo, após o soterramento.

76

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

Existem diferentes processos de fossilização, sendo os principais:

Processos de Fossilização

TIPOS

CARACTERÍSTICAS

EXEMPLOS

Conservação

Os restos dos organismos mantêm-se quase inalterados, ape- nas com modificações mínimas. Este processo inclui a mumifica- ção, em que o cadáver sofre, sobre- tudo, desidratação.

com modificações mínimas. Este processo inclui a mumifica- ção, em que o cadáver sofre, sobre- tudo,

É o aprisionamen- to/envolvimento de organismos em substâncias fossilizantes, como o âmbar, asfalto, gelo ou sílica, permanecendo aí conservados.

Inseto conservado no âmbar.

Mineralização

A fossilização dá-se por transformações químicas, pelas quais a matéria orgânica é substi- tuída por matéria mineral, como a calcita, a sílica e a pirita, entre ou- tros.

quais a matéria orgânica é substi- tuída por matéria mineral, como a calcita, a sílica e

Estrutura do coral com substituição de calcita.

Incarbonização

Processo comum de fossili- zação dos vegetais e animais com esqueletos de natureza quitinosa. Consiste no enriquecimento pro- gressivo em carbono em relação aos outros elementos químicos da matéria orgânica.

Consiste no enriquecimento pro- gressivo em carbono em relação aos outros elementos químicos da matéria orgânica.

Pinha fossilizada.

Moldagem

Este processo consiste na re- produção da morfologia interna ou externa de um resto de organismo pelo sedimento consolidado que o preenche ou envolve, respectiva- mente. Chama-se molde interno

de um resto de organismo pelo sedimento consolidado que o preenche ou envolve, respectiva- mente. Chama-se

77

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

 

quando a reprodução é do interior do organismo, por exemplo, o in- terior das conchas. O molde exter- no reproduz a morfologia externa do organismo fóssil.

Molde interno de um gastrópode.

Impressão

As impressões são moldes externos de estruturas finas (baixo relevo), como folhas ou penas e rastos deixados por seres vivos. As impressões são conservadas quan- do os sedimentos moles em que foram deixadas sofrem diagênese, petrificando-as.

As impressões são conservadas quan- do os sedimentos moles em que foram deixadas sofrem diagênese, petrificando-as.

Impressão da asa de um inseto.

Icnofóssil

As marcas ou vestígios de a- tividades vitais dos seres vivos, também podem ser fossilizadas – conhecidos por icnofósseis – como pistas, tubos, pegadas, ovos, ninhos e fezes. Estes últimos, chamados coprólitos, podem fornecer uma ideia do comportamento alimentar do animal.

ovos, ninhos e fezes. Estes últimos, chamados coprólitos, podem fornecer uma ideia do comportamento alimentar do

Rastro de trilobitas.

(FONTE: ESTUDO DOS FÓSSEIS (GUIA DE CONTEÚDOS): HTTP://E-GEO.INETI.PT/DIVULGACAO/MATERIAIS/GUIOES/BUSCA_FOSSEIS.PDF)

1.1.8

CONTEÚDO 4. ROCHAS METAMÓRFICAS

As rochas metamórficas resultam da transformação de rochas preexistentes, sob a influ- ência de agentes de origem interna, tais como pressão, temperatura e fluidos gasosos (CO2 e H2O, principalmente). Esse conjunto de transformações constitui o metamorfismo.

O metamorfismo é o processo através do qual as condições do interior da Terra alte- ram a composição mineral e estrutura das rochas sem fundi-las. Rochas sedimentares, ro- chas ígneas e até mesmo as próprias rochas metamórficas sofrer metamorfismo.

78

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

O metamorfismo não é observado, pois não se processa em condições encontradas na

superfície. As suas causas e consequências são estimadas através de experimentos de laborató- rio que reproduzem as condições do interior do planeta. Só quando as rochas sofrem soer- guimento e erosão, ficando expostas na superfície, é possível observar os resultados na ação metamórfica nas rochas.

A composição da rocha original ou rocha parental e a circulação de fluidos ricos em í-

ons são fundamentais na determinação do tipo de rochas e minerais a serem formados.

Desta forma, são determinantes no processo metamórfico: o calor, a pressão, a presen- ça de fluidos e a rocha parental.

Calor: elemento indispensável para as reações químicas e às vezes constitui um mais importante fator do metamorfismo. Como já foi dito anteriormente, a temperatura aumenta com o aumento da profundidade em direção ao interior da Terra. Na crosta e na parte superior do manto a temperatura aumenta cerca de 20°C a 30°C por quilôme- tro de profundidade. As temperaturas necessárias para metamorfizar as rochas em ge- ral são superiores a 200°C, encontradas em profundidades em torno de 10 km abaixo da superfície.

Pressão: fundamental para o metamorfismo, é de cerca de 1 quilobar (ou 1000 bar; 1 bar = 1,02 kg/cm2). Esta pressão é encontrada a aproximadamente 3 km abaixo da su- perfície. Contudo, como as temperaturas necessárias para se processar o metamorfis- mo só ocorrem normalmente a cerca de 10 km, o metamorfismo acontece somente a pequenas profundidades se houver uma intrusão magmática ou fricção entre placas tectônicas.

Quando a pressão é aplicada na rocha em uma direção preferencial – pressão dirigida – gera um alinhamento mineral em camadas ou bandas, em geral perpendicular à direção da força aplicada, chamado de textura foliada ou simplesmente foliação.

Presença de fluidos: fluidos como os líquidos ou gases, no interior ou ao redor de uma rocha submetida a pressão, facilitam a migração de átomos e íons, aumentando drasti- camente o potencial das reações metamórficas.

Rocha parental (rocha antes do metamorfismo): essa rocha determina quais os mi- nerais e qual a nova rocha metamórfica será formada sob as novas condições ambien- tais. Em uma rocha parental que contém um único mineral o metamorfismo vai pro- duzir uma rocha composta predominantemente deste mesmo mineral. Por exemplo, o metamorfismo de um carbonato puro, composto por calcita, vai gerar uma rocha me-

79

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

tamórfica rica em calcita – o mármore; já o metamorfismo de um quartzo arenito vai gerar um quartzito, uma rocha metamórfica composta por quartzo recristalizado.

CLASSIFICAÇÃO DAS ROCHAS METAMÓRFICAS

Essas rochas metamórficas são classificadas de acordo com a sua aparência e composi- ção. O critério básico usado para classificar as rochas metamórficas de acordo com a sua apa- rência ou textura é a presença ou não de foliação metamórfica.

a) Rochas Foliadas

O rearranjo mineral gerado pelo metamorfismo gera foliação ou um paralelismo entre os grãos minerais. As rochas foliadas necessariamente sofreram uma pressão dirigida (pres- são aplicada em uma direção preferencial). A depender do grau de temperatura e do tipo de rocha parental, podem ser classificadas em:

Filitos: são rochas metamórficas foliadas geradas a partir do metamorfismo de lamitos (argilitos e siltitos) a baixas temperaturas. São rochas compostas principalmente por micas e apresentam um quebramento em planos paralelos formados pela foliação. Po- dem variar de cor a depender da composição mineral: filitos pretos indicam a presença de matéria orgânica, filitos vermelhos de óxidos de ferro e filitos verdes indicam a pre- sença de uma mica verde chamada de clorita.

Xistos: com o aumento da temperatura necessária para formar os filitos, as placas de mica crescem e os cristais se tornam visíveis, gerando uma rocha metamórfica foliada chamada de xisto. Os xistos podem ser derivados de lamitos, mas também podem ser formados a partir de arenitos finos ou basaltos. Os xistos ricos em um determinado mineral podem levar o nome deste mineral, ou seja, um xisto rico em micas é chamado de mica-xisto.

Gnaisses: são rochas formadas a altas temperaturas onde ocorre uma segregação mi- neral em bandas, num processo chamado de diferenciação metamórfica. Os gnaisses são formados por bandas mais claras, compostas predominantemente por quartzo e feldspato, e bandas escuras, compostas predominantemente por micas. Os gnaisses de origem ígnea são formados geralmente a partir de rochas graníticas e os gnaisses de o- rigem sedimentar podem ser formados a partir de lamitos e arenitos impuros.

80

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

b) Rochas Não Foliadas

As rochas não foliadas são geradas a partir do contato de uma rocha preexistente (ro- cha parental) com o magma quente ou através da pressão confinante, ou seja, a pressão litosférica a que as rochas estão sujeitas a grandes profundidades. A depender da rocha paren- tal, podem ser classificadas em dois tipos principais.

Mármore: o mármore é uma rocha composta por grandes cristais recristalizados de calcita gerados a partir de pequenos cristais de calcita em carbonatos. A presença de impurezas no carbonato (rocha parental do mármore) pode gerar mármores rosas, verdes, cinzas ou pretos.

Quartzitos: são rochas muito duras e resistentes geradas a partir do metamorfismo de arenitos puros. São compostos essencialmente por quartzo recristalizado.

81

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

82

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

MAPA CONCEITUAL

Tipos de Rochas Tipos de Rochas Sedimentar Sedimentar Metamórfica Metamórfica Magmática Magmática Origem
Tipos de Rochas
Tipos de Rochas
Sedimentar
Sedimentar
Metamórfica
Metamórfica
Magmática
Magmática
Origem
Origem
Intemperismo
Intemperismo
Temperatura
Temperatura
Fusão
Fusão
Transporte
Transporte
Pressão
Pressão
Cristalização
Cristalização
Sedimentação
Sedimentação
Metamorfismo
Metamorfismo
Diagênese
Diagênese

83

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

ESTUDOS DE CASO

ESTUDOS DE CASO (FONTE: HTTP://REVISTAESCOLA.ABRIL.COM.BR/ENSINO-MEDIO/COMO-ACONTECEM-TERREMOTOS-538576.SHTML) A figura

(FONTE: HTTP://REVISTAESCOLA.ABRIL.COM.BR/ENSINO-MEDIO/COMO-ACONTECEM-TERREMOTOS-538576.SHTML)

A figura acima evidencia a distribuição geográfica dos vulcões no globo terrestre. Consideran-

do essa imagem, elabore um texto que explique esta distribuição, com referência à Teoria da Tectônica de Placas. Neste texto explique, também, por que não existem vulcões ativos na cos-

ta do Brasil.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

QUESTÃO 01. Diagênese é o processo de:

a) transformação de rochas em magma, por meio da fusão parcial.

b) transformação de sedimentos em rochas metamórficas, por meio do aumento de pressão e

temperatura.

c) deposição de sedimentos no regime de fluxo superior e inferior de alta energia.

d) mudanças na composição e textura consolidando um sedimento após sua deposição.

e) deposição de sedimentos no regime de fluxo inferior de baixa energia.

84

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

QUESTÃO 02. Qual, dentre os pares de rochas abaixo relacionados, pode ser considerado o par rocha reservatório - rocha selante mais adequado para armazenar petróleo?

a)

Calcário e Arenito.

b) Mármore fraturado e Arenito.

c)

Folhelho e Marga.

d) Arenito e Calcarenito.

e)

Arenito e Folhelho.

QUESTÃO 03. Apesar de diferenças na gênese, as rochas metamórficas e as rochas ígneas po- dem mostrar características e propriedades semelhantes. Dentre estas características e propri- edades, incluem-se a:

a) estrutura maciça e o uso como pedra de revestimento.

b) ocorrência sob a forma de diques e a textura cataclástica.

c) gênese a partir de solidificação do magma e as estruturas lineares.

d) classificação de acordo com o conteúdo de quartzo e a estrutura colunar.

e) textura vítrea e a estrutura foliada.

QUESTÃO 04. A migração primária de petróleo é definida como o movimento ascendente dos hidrocarbonetos gerados pela maturação da matéria orgânica da rocha geradora, no sentido de buscar ambientes de menor pressão e maior permoporosidade, no qual há a ocorrência de rocha reservatório. A migração secundária refere-se aos movimentos posteriores de migração dos hidrocarbonetos, que podem desenvolver-se quando da ocorrência de alguns eventos es- truturais, diagenéticos e magmáticos na bacia, entre os quais não devem ser incluídos os even- tos:

a) estruturais na bacia que reabriram caminhos de migração para reservatórios situados em

áreas submetidas a pressões menores.

b) diagenéticos que ampliaram as condições permoporosas de reservatórios situados em áreas

submetidas a pressões menores.

c) magmáticos que propiciaram o desenvolvimento de canais de migração dos hidrocarbone-

tos, como o contato dique/rocha sedimentar.

d) estruturais na bacia que criaram anticlinais e consequentemente reservatórios em áreas submetidas a pressões menores.

e) estruturais de metamorfismo de alto grau que afetaram toda a bacia.

85

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

QUESTÃO 05. As pesquisas relacionadas à exploração de petróleo, cujo objetivo principal é o de encontrar um campo de óleo e/ou gás natural comercialmente explorável, têm como prin- cípio a identificação de quatro parâmetros considerados fundamentais para que isso ocorra. Para a ocorrência de campos de óleo e/ou gás natural não é fundamental que:

a) tenha ocorrido a maturação da matéria orgânica da rocha geradora.

b) os processos de abrir caminhos (como falhas, por exemplo) tenham sido eficientes para a migração dos hidrocarbonetos gerados.

c) a sequência sedimentar em que estão presentes os campos de hidrocarbonetos apresente a

ocorrência de eventos magmáticos.

d) haja a ocorrência de rochas reservatório com boa permoporosidade.

e) tenham sido formadas armadilhas estruturais ou estrafigráficas, com rochas selantes ou

capeadoras retendo os hidrocarbonetos no reservatório.

CONSTRUINDO CONHECIMENTO

Biologando

PETRÓLEO

O que é?

A palavra petróleo vem do latim petroleum – de petrus (pedra) e oleum (óleo) – e repre- senta um líquido natural, inflamável, oleoso, de cheiro característico e com densidade menor que a da água. É uma mistura complexa de hidrocarbonetos, ou seja, de substâncias orgânicas formadas apenas por hidrogênio e carbono. Na sua maioria são hidrocarbonetos alifáticos, alicíclicos e aromáticos.

O petróleo pode conter também quantidades pequenas de nitrogênio, oxigênio, com- postos de enxofre e íons metálicos, principalmente de níquel e vanádio. Sua cor pode variar do incolor ao marrom ou preto, passando pelo verde e marrom-claro. É a principal fonte de e- nergia da atualidade, daí sua enorme importância. Existem petróleos leves, médios e pesados, além de óleos extraídos de areias impregnadas de alcatrão.

Origem

Das muitas teorias sobre o surgimento do petróleo, a mais aceita diz que ele se formou a partir da decomposição de matéria orgânica (principalmente algas), decomposição esta causa- da pela pouca oxigenação e pela ação de bactérias. Esses seres teriam se acumulado no fundo dos mares e lagos e, com o passar de milhões de anos, o peso dos sedimentos sobre eles depo-

86

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

sitados teria promovido compactação e aquecimento, levando às transformações que deram origem ao petróleo. A temperatura mínima para deflagrar esse processo é 49ºC, mas ela pode chegar a 177ºC. Isso corresponde a profundidades de 1.500 e 6.400 metros, respectivamente. Se a matéria orgânica for levada a profundidades maiores, ou seja, submetida a temperaturas superiores a 177ºC, transforma-se em gás ou grafita.

Esse processo de formação é, como se viu, extremamente lento – daí se considerar o pe- tróleo um recurso não renovável. A rocha onde o petróleo se forma é chamada de rocha gera- dora. Dela, ele migra para cima até ficar aprisionado na rocha reservatório (se não chegar até à superfície), de onde é extraído. As rochas geradoras mais comuns são folhelhos negros.

Jazidas

Ao contrário do que muitos pensam, o petróleo não é encontrado na natureza como um lago subterrâneo ou preenchendo grandes cavidades nas rochas. Ele é um líquido que ocorre entre os grãos de rochas sedimentares porosas e permeáveis, como arenitos, por exemplo, ou em cavidades interconectadas de rochas como calcário. Uma jazida de petróleo assemelha-se, portanto, muito mais a uma esponja encharcada do que a uma caverna com líquido. Como ele tende sempre a migrar para cima, atravessando as rochas que o recobrem através de fraturas ou espaços entre os grãos, acabará chegando à superfície da Terra se não encontrar no cami- nho uma rocha impermeável (rocha capeadora) que o detenha. Se a encontra, forma-se a jazi- da. Folhelhos e camadas de sal são rochas capeadoras comuns.

Nesta situação, diz-se que há uma armadilha ou trapa (do inglês trap) estratigráfica. Mas

o óleo pode ser contido também, em sua ascensão, por uma deformação da rocha, caso em que se diz haver uma trapa estrutural.

Não sendo barrado em sua migração, o petróleo chega à superfície, onde começa a per- der seus componentes voláteis, transformando-se em asfalto natural. Asfaltos desse tipo já foram usados pela humanidade há três mil anos antes de Cristo. Como as camadas de rocha do continente podem se estender mar adentro, jazidas de petróleo podem ser encontradas no fundo do mar. É justamente de poços submarinos que vem a maior parte da produção brasi-

leira desse combustível fóssil. Na rocha reservatório é comum haver água salgada, acima dela

o petróleo e acima do petróleo, gás natural.

87

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

aa bb (FONTE: HTTP://WWW.CPRM.GOV.BR/ ) cc Bioexecutando DECOMPOSIÇÃO DAS ROCHAS PARA FORMAR O SOLO MATERIAL

aa

aa bb (FONTE: HTTP://WWW.CPRM.GOV.BR/ ) cc Bioexecutando DECOMPOSIÇÃO DAS ROCHAS PARA FORMAR O SOLO MATERIAL •

bb

(FONTE: HTTP://WWW.CPRM.GOV.BR/)

aa bb (FONTE: HTTP://WWW.CPRM.GOV.BR/ ) cc Bioexecutando DECOMPOSIÇÃO DAS ROCHAS PARA FORMAR O SOLO MATERIAL •

cc

Bioexecutando DECOMPOSIÇÃO DAS ROCHAS PARA FORMAR O SOLO

MATERIAL

• Fósforo

• 1 copo

• 1 pegador

• 1 lamparina

• 1 vidrinho de remédio vazio, trazido de casa

• Água

• 1 vidrinho de remédio vazio, trazido de casa • Água Cuidado: verifique se o vidrinho

Cuidado: verifique se o vidrinho está bem limpo. Não pode conter resto de remédio!

PROCEDIMENTO E PERGUNTAS

• Coloque a lamparina em sua mesa e acenda-a.

• Segure o vidrinho com o pegador e aqueça-o.

• A seguir, mergulhe-o rapidamente no copo com água fria.

1. O que aconteceu com o vidrinho?

88

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

2.

Por quê?

3. O que esta experiência tem a ver com as rochas?

Janela do BioConhecimento

Este livro é um ótimo guia para identificar fósseis de vários tipos, desde protozoários até plan- tas, animais invertebrados, dentre outros. Inclui também informações de como encontrá-lo e de como datá-los da maneira correta. O livro apresenta, ainda, belíssimas ilustrações.

e de como datá-los da maneira correta. O livro apresenta, ainda, belíssimas ilustrações. 89 FUNDAMENTOS DE

89

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

90

HELISÂNGELA ARAÚJO E VANESSA ALMEIDA

BLOCO

TEMÁTICO

2

A DINÂMICA EXTERNA DO PLANETA

A DINÂMICA EXTERNA DO PLANETA

2.1

TEMA 3. MOVIMENTOS SUPERFICIAIS E SISTEMA HIDROLÓGICO

2.1.1

CONTEÚDO 1. INTEMPERISMO

O relevo da Terra compõe-se de uma combinação de forças endógenas resultantes da dinâmica interna do planeta, e de forças exógenas que decorrem da dinâmica da atmosfera, hidrosfera e biosfera terrestre. Os processos exógenos são responsáveis pelas diferentes formas do relevo.

são responsáveis pelas diferentes formas do relevo. (FONTE IMAGEM: WWW.SCIENCEPHOTOLIBRARY.COM) (FIGURA 52.) As

(FONTE IMAGEM: WWW.SCIENCEPHOTOLIBRARY.COM)

(FIGURA 52.)

As diferentes formas de relevo não são originadas em um curto intervalo de tempo, ge- ralmente são necessários milhões de anos para que elevações montanhosas sejam erguidas e modeladas. Grande parte da topografia terrestre resulta de eventos de diferenciação que ocor- reram e permanecem ocorrendo na porção interna do planeta, associados a agentes externos que afetam diretamente as suas formas.

93

FUNDAMENTOS DE GEOLOGIA

A ação intempérica constitui um dos agentes externos mais efetivos e relacionados à

grande diversidade de formas observadas no nosso planeta. Intemperismo equivale ao conjun- to de processos químicos, físicos, biológicos ou físico-químicos que atuam isoladamente ou em conjunto na interface da atmosfera e litosfera, ocasionando a decomposição das rochas e minerais expostos na superfície. Os produtos do intemperismo são partículas minerais discre- tas. Vale ressaltar que intemperismo não é sinônimo de erosão, pois o segundo implica em transporte de material. A erosão constitui o processo de remoção dos produtos do intempe- rismo, enquanto que a circulação destes materiais é denominada de transporte. Os sedimentos transportados são ocasionalmente depositados, na maioria das vezes no ambiente marinho. O conjunto de intemperismo e erosão constituem o processo de denudação. A natureza e a efeti- vidade dos eventos intempéricos depende sobretudo de variáveis como características e pro- priedades dos materiais, fenômenos climáticos e fatores locais. Os principais agentes que estão relacionados a estas variáveis são a água (chuvas, rios, mares e águas subterrâneas), a tempera- tura, o vento, a cristalização de sais e a atividade biológica, inclusive a humana.

Os elementos resultantes do intemperismo apresentam-se bastante diversificados. De modo geral, as rochas e minerais são intemperizadas sequencialmente. Logo, num mesmo local é comum observarmos materiais com graus distintos de alteração, o que confere ao con- junto um aspecto diferenciado. Na superfície podemos observar materiais em estado avançado de desagregação e decomposição, enquanto que na porção mais profunda é possível encontrar uma mistura de materiais alterados e inalterados.

IMPORTANTE: O conjunto de materiais alterados, independente de seu estado, é classificado como regolito ou manto de decomposição. Já o material superficial formado, em estado avançado de alteração e lixiviação, associado à matéria orgânica, é denominado de solo.

INTEMPERISMO FÍSICO

O intemperismo físico consiste no conjunto de processos que conduzem à desagregação

mecânica das rochas da crosta terrestre com redução da granulometria e expansão da superfí- cie específica. Neste tipo de intemperismo há apenas a alteração da unidade física, não ocorre

necessariamente a alteração da composição química e estrutura cristalina dos minerais consti- tuintes das rochas. De acordo com os fatores atuantes, o intemperismo físico pode ser subdi- vidido em termal (insolação ou variação de térmica) e mecânico (alívio de pressão, crescimen- to de cristais e cristalização de sais e abrasão).

94