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Unidade III

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7 O IlumInIsmO e O RefORmIsmO IlustRadO

Portugal não conseguiu fazer com que o ouro da América portuguesa reconfigurasse suas relações econômicas e propiciasse um desenvolvimento diferenciado. As questões europeias faziam com que as relações fossem complicadas e o jogo das grandes potências era cada vez maior. Ao mesmo tempo, as ideias mudavam.

O século XVIII é caracterizado como o “século das luzes”: a partir da razão, passou‑se a acreditar que o homem podia explicar o mundo. Esse século teve como ponto de partida a “crise de consciência europeia (1680–1715)”, analisada por Paul Hazard (1948), na qual a crise do conhecimento imanente levou ao nascimento do método a partir da dúvida, fazendo surgir um novo rumo intelectual e cultural. Todo o clericalismo passou a ser criticado. O racionalismo e o cientificismo foram exaltados – e o exemplo mais forte disse foi a Enciclopédia, tentativa de reunir todo o conhecimento da época.

Unidade III Unidade III 7 O IlumInIsmO e O RefORmIsmO IlustRadO Portugal não conseguiu fazer com

Figura 71 – A Enciclopédia era um esforço enorme de reunir todo o conhecimento

Como explica Eric J. Hobsbawm, a obra em questão tinha uma proporção muito maior:

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A grande Enciclopédia de Diderot e d´Alembert não era simplesmente um compêndio do pensamento político e social progressista, mas do progresso

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científico e tecnológico. Pois, de fato, o “iluminismo”, a convicção no progresso do conhecimento humano, na racionalidade, na riqueza e no controle sobre a natureza – de que estava profundamente imbuído o século XVIII – derivou sua força primordialmente do evidente progresso da produção, do comércio e da racionalidade econômica e científica que se acreditava estar associada a ambos. E seus maiores campeões eram as classes economicamente mais progressistas (HOBSBAWM, 2004, p. 40–41).

Era esse o contexto econômico fundamental para a burguesia. Seus empreendimentos geravam grandes acumulações e seu destaque era indiscutível. Mais do que isso, os burgueses sabiam que o Estado absolutista era sustentado por suas atividades, mas a sociedade permanecia com valores estamentais – ou seja, preponderava o nascimento. A burguesia, além de criticar essa organização social, desaprovava, após a Revolução Industrial, a intervenção do Estado na economia. As novas ideias, por um lado, defendidas a partir de Adam Smith em A riqueza das nações, proclamavam que as leis da oferta e da procura controlariam o sistema econômico sem qualquer necessidade de intervenção do Estado. O trabalho seria o grande gerador de riquezas. Por outro lado, os franceses defendiam a fisiocracia, ou seja, que a agricultura seria a única grande forma de se gerar riqueza a um país – pois o alimento é imprescindível para qualquer tipo de atividade, então sempre terá mercado. De qualquer maneira, também entendiam os franceses que as relações econômicas não dependiam do Estado – seu lema era “laissez faire, laissez passer” (deixe fazer, deixe passar).

A partir dessa nova mentalidade econômica os burgueses passaram a desejar o liberalismo econômico e a criticar o Estado Absolutista e, por extensão, todas as bases mais importantes do mercantilismo. Mais do que isso, aspiravam a uma sociedade de direitos capaz de garantir a liberdade, a igualdade, a propriedade e a rebelião contra qualquer tirania. Na prática, essas ideias de direitos surgiram com John Locke, filósofo inglês da época da Revolução Gloriosa inglesa. Suas ideias tiveram enorme propagação e atingiram uma grande força revolucionária.

A força das ideias iluministas atingiu níveis impressionantes. Na política, dois grandes autores se destacaram: Montesquieu, com sua obra O Espírito das Leis, defendia que a única forma de se garantir a harmonia política eram as leis e, com elas, a divisão de poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, com suas funções específicas, são capazes de garantir autonomia e dependência ao mesmo tempo. Já Jean Jacques Rousseau defendia a bondade do homem em seu estado natural e a legitimação do poder relacionada a um contrato social feito pelos homens em nome de todos – daí a vontade geral de permitir a garantia da liberdade. Nesse aspecto, Rousseau foi uma grande exceção – defendia a vontade geral, ao passo que os outros pensadores entendiam que uma minoria letrada (relacionada com a burguesia) era quem deveria participar da política.

História do Brasil Colônia científico e tecnológico. Pois, de fato, o “iluminismo”, a convicção no progresso

Observação

Na prática, podemos considerar as ideias iluministas como precursoras da sociedade de direitos e Rousseau como o pai da democracia moderna – a vontade geral elegendo seus representantes no poder.

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Claro que, na prática, essas ideias atingiram forças variadas ao longo da Europa e da América. A estrutura do Antigo Regime, em todos os seus aspectos, estava em jogo – os elementos mais fortes de seu desmoronamento floresceram nesse momento: a Revolução Industrial, a Revolução Americana e a Revolução Francesa.

  • lembrete

É fundamental retomar que o Antigo Regime da Época Moderna era radicalmente oposto às ideias baseadas no Iluminismo. A era dos grandes reis era baseada em perspectivas teológicas, mas o Iluminismo combatia essa visão tendo como análise o puro uso da razão.

Para o que nos interessa aqui, por ora, basta dizer que o capitalismo industrial nasceu com a Revolução Industrial. O uso da máquina transformou completamente o processo produtivo. A riqueza passou a ser vista como infinita. Tudo dependia da sua produtividade. As relações econômicas poderiam ser promovidas em todos os lugares e se garantiriam os seus valores, já que a oferta aumentava, pela abertura de mercados (a lei da procura). Foi a partir daí que a Inglaterra se tornou um país liberal por excelência. Esse eco bateria de frente com os valores protecionistas do mercantilismo e do Antigo Sistema Colonial. Estava, então, estabelecida a Crise do Antigo Sistema Colonial, absolutamente sistêmica em sua essência.

Variou a maneira como as novas ideias alcançaram diversos países. Em alguns, milhares foram contagiados. Em outros, as monarquias europeias se aproveitaram dos novos ideias para uma tentativa de reformar o Estado absolutista a fim de promover o desenvolvimento econômico e social. Entretanto, nesse último caso, nunca se pensava em alterar as relações políticas – havia um enorme temor de governos representativos ou, mais adiante, da propagação do ideário da Revolução Francesa. Esse movimento ficou conhecido como Despotismo Esclarecido. Dois dos países que promoveram esse sistema foram justamente os ibéricos.

  • Observação

O Despotismo Esclarecido tinha contradições claras. Um exemplo era a defesa básica dos iluministas do princípio da explicação racional para todas as instituições, o que não ocorreria com o poder do monarca, garantido pela teoria do direito divino, como vimos.

Até a segunda metade do século XVIII, a Península Ibérica estava mergulhada no Barroco. A especificidade da Ilustração na região foi a condução controlada pelo Estado, filtrando as ideias segundo seus interesses. A circulação de livros era restrita, pois somente aqueles que obtivessem a autorização da Inquisição poderiam ter determinadas obras iluministas. Todavia, não podemos deixar de mencionar a existência de “contrabando de ideias”, que não era visto pela Inquisição. “Guardado, fechado, entretanto, não podia permanecer de modo absoluto. Por um motivo ou outro (o comércio, a diplomacia) os homens circulam para fora da Península, e com os homens as ideias” (NOVAIS, 2006, p. 220).

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Os pensadores iluministas da Península Ibérica são chamados de estrangeirados por terem vivido parte de suas vidas em outros países europeus e terem, assim, mantido contato e se tornado adeptos de ideias da ilustração que corriam naqueles lugares. Eles teriam sido os responsáveis por trazer o Iluminismo para Portugal e Espanha.

De qualquer maneira, na prática, os novos conceitos deixavam os países ibéricos em uma encruzilhada:

De repente, os sete séculos de história da Península, comandados pela ideia de missão evangelizadora e civilizadora e por um territorialismo reiterativo de uma determinada ordem social, deixavam de se apresentar como fonte de dinamismo e lastro para um novo protagonismo ibérico. As possibilidades de um renascimento pareciam residir fora do passado e da tradição, deslocadas para o novo horizonte que se consolidava na Europa. O século XVIII na Europa Central traz um desafio à Ibéria: o de se tornar efetivamente Europa, depois de ter tentado hispanizá‑la (BARBOZA FILHO, 2000, p. 372).

Esse novo tempo era visto a partir de um movimento de modernização para a Península Ibérica com base na reforma do Estado e numa reorganização política e econômica das possessões no continente americano, ou seja, em questões de Estado, com as medidas pombalinas (Portugal) e a reforma dos Bourbons (Espanha). Foi um projeto desenvolvido a partir do Estado, sendo, portanto, instituído de cima para baixo, mantendo a tradição com o objetivo de se constituir completamente o Estado, renovando o sistema, mas não a estrutura. Eis a especificidade da ilustração tanto em Portugal como na Espanha.

7.1 O governo do marquês de Pombal

A política mercantilista promovida pelo Conde de Ericeira durante o governo de D. Pedro II visava à formação de manufaturas locais em Portugal. Logo, contudo, esse projeto foi abandonado pela exploração do ouro na América portuguesa. Ao mesmo tempo, as relações diplomáticas de Portugal com a Inglaterra geraram o Tratado de Methuen, que permitiu um boom do vinho português. No entanto, o produto só compensava os gastos com os panos ingleses na medida em que era complementado pelo ouro proveniente da colônia.

A necessidade de mudanças mais significativas foi demonstrada por alguns estrangeirados. Um dos pontos mais defendidos era a necessidade de garantir manufaturas na Metrópole para manter o ouro brasileiro no Reino. No mesmo sentido, era fundamental conservar e melhorar as possessões do ultramar para otimizar as relações comerciais e ampliar o desenvolvimento – chegou‑se até mesmo a pedir à Coroa que estrangeiros pudessem se instalar no Brasil para estimular a produção em todo o império português.

Foi em torno desse contexto que surgiu Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. Proveniente da pequena nobreza, foi embaixador português em Londres de 1739–43. Lá observou o controle inglês sobre o comércio português e obteve contato com a literatura inglesa. Depois da morte do rei D. João V e da ascensão de D. José I, foi nomeado Secretário de Estado da Guerra e dos Negócios Estrangeiros, no ano de 1750. Com o terremoto de Lisboa de 1755, tornou‑se Primeiro Ministro para garantir a reconstrução depois da catástrofe de proporções gigantescas. Em 1757, o cargo também passou a ser absolutamente de direito, pois morreu o secretário do Reino, Pedro Motta. Em 1759, recebeu o título de Conde de Oeiras. Em 1769, foi nomeado Marquês de Pombal.

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Unidade III Figura 72 – Representação do Marquês de Pombal. Nota‑se a visão da centralidade do

Figura 72 – Representação do Marquês de Pombal. Nota‑se a visão da centralidade do desenvolvimento econômico através do gesto e do plano de fundo

O diagnóstico que fizera em Londres, no ano de 1742, foi bastante significativo para as suas ações quando chegou ao poder. O Marquês de Pombal entendia que Portugal assumira uma posição bastante periférica nas questões europeias. Além disso, havia o constante temor das ameaças promovidas pelos ingleses e espanhóis para dominar as possessões portuguesas.

O marquês criticava com veemência o comércio anglo‑português, sobretudo após a assinatura do Tratado de Methuen. A posição central que defendia para a solução dessa realidade era aumentar a renda da Coroa através do incremento do comércio entre Metrópole e colônia.

Na Metrópole, o despotismo esclarecido visava a uma profunda transformação em torno da necessidade de otimizar a administração e revitalizar o desenvolvimento econômico. Quanto à primeira dessas duas questões, Pombal procurou promover uma política de renovar os quadros da nobreza, o que gerou uma oposição feroz, desde os primeiros anos, da velha aristocracia. Essa problemática foi agravada em setembro de 1758, com o atentado do Marquês de Távora contra D. José I, em que Pombal conduziu pessoalmente a investigação e a aproveitou para esmagar a oposição aristocrática tradicional. Ao mesmo tempo, envolveu nesse caso os jesuítas e, em setembro de 1759, expulsou‑os de Portugal por serem declarados inimigos da Coroa.

Uma das discussões bastante em voga na época era que os inacianos estavam promovendo um império teocrático no Novo Mundo, que estavam repletos de riqueza e completamente desinteressados em obedecer às metrópoles europeias. A partir daí, era cada vez mais visível a participação dos burgueses no processo administrativo. No ensino, o grande interesse era a laicização, relacionada à garantia do desenvolvimento econômico e de medidas modernizantes.

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Então, uma profunda reforma pedagógica passou a acontecer a partir dos oratorianos, já que eles eram muito mais envolvidos no conhecimento e no ensino laico e negavam a escolástica (uma vez que defendiam a leitura de filósofos não católicos).

O Marquês de Pombal criou o Colégio dos Nobres (que rapidamente fracassou, pois os nobres não desejavam ir) e a Escola de Comércio (onde se discutia a economia política e da qual participavam alguns burgueses importantes). Ao mesmo tempo, o marquês intensificou a imprensa régia, inclusive com a criação da Real Mesa Censória que, aos poucos, tentou se sobrepor à Inquisição, que, apesar de não ter sido extinta, teve seu papel diminuído, pois eram cada vez mais evidentes as divergências entre as “questões do Estado” e os interesses religiosos. A censura deveria responder às necessidades do Estado e não poderia ser a causa da divisão entre cristãos velhos e novos para que não ocorressem mais fugas de capital.

Quanto à necessidade de revitalizar o desenvolvimento econômico, Pombal procurou retomar a força das manufaturas têxteis, que estavam em enorme desvantagem com relação à concorrência inglesa. Além disso, ele continuou a política de fortalecimento da vinicultura ao criar a Companhia das Vinhas do Alto Douro (1756), que sofreu com a oposição de um levante popular no Porto em 1757 (levante esse duramente reprimido: mais de 30 pessoas foram condenadas à morte).

De qualquer modo, era a colônia o local central das medidas pombalinas. O fortalecimento do poder do Estado daria prioridade para a política colonial. Os meses iniciais da administração foram dedicados às preocupações geopolíticas. Era básico, para a expansão econômica, garantir a extensão do império. E, assim, Pombal acabou por negociar o Tratado de Madrid de 1750. A questão remetia à importância do comércio do sul e do contato do contrabando da prata. Com a definição desenvolvida, o território da América portuguesa foi bastante ampliado, garantindo, nesse primeiro momento, os domínios dos sertões e a presença bastante significativa no sul.

Segundo Francisco Calazans Falcon (2001), as ações foram norteadas no sentindo de desenvolver, em um termo emprestado por Guy Martinére, “dupla mutação”, promovendo mutação espacial, econômica e demográfica. Na relação espacial, a base era garantir o centro‑sul e o centro‑oeste da colônia, em constante conflito com os espanhóis. Para isso, era necessário promover o povoamento para manter as forças militares.

A reforma administrativa se iniciou com a extinção das capitanias hereditárias em 1759 e se aprofundou após 1763, com a transferência da sede do vice‑reino do Brasil, criado recentemente, para o Rio de Janeiro. Essa transferência teve como finalidades a máxima aproximação do ouro (evitando o contrabando) e a defesa do sul da colônia, por meio das fortificações contra os espanhóis. Havia, assim, uma relação bastante estreita entre o reformismo militar e a reforma fiscal.

Ao mesmo tempo, na relação econômica, houve a tentativa de revitalizar as áreas da mineração através de uma ampliação do crescimento demográfico, tudo em torno de um progressivo arrocho fiscal – vários novos impostos foram criados. Na prática, no entanto, havia o confronto entre a “contradição tradicional, inerente à administração colonial – escassez de meios em comparação com a ambição dos fins” (FALCON, 2001, p. 230).

Uma das medidas importantes a partir daí foram as companhias de comércio para atuar nas colônias. Foram criadas a Companhia Geral do Grão Pará e Maranhão, em 1755, e a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, em 1759. Ambas foram estabelecidas para fomentar o desenvolvimento econômico através da

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concentração dos recursos e do direcionamento administrativo. Isso era mais voltado para o Nordeste açucareiro, que procurava ser incrementado a partir do avanço do tráfico negreiro.

Foi proibida a escravidão dos indígenas para fomentar esse trato mercantil e, ao mesmo tempo, aumentar os contingentes populacionais locais (até os aldeamentos foram declarados completamente livres e passaram a ser amparados pelo Estado), o que resultaria em maiores capacidades de defesa e de fomento econômico local (pois foi estimulado o casamento misto com portugueses).

Na prática, dentro das medidas de monopólios voltadas às companhias de comércio, o governo pombalino decretou a expulsão de comissários volantes das frotas do Brasil. A perspectiva central era nacionalizar o comércio em torno das companhias. Contudo, o problema central que acabou surgindo foi a participação do capital estrangeiro, o que, na realidade, acabou permitindo, em grande medida, a manutenção do núcleo do comércio luso‑inglês.

Unidade III concentração dos recursos e do direcionamento administrativo. Isso era mais voltado para o Nordeste

Observação

As companhias de comércio, muitas vezes utilizadas na época moderna, tanto nos primórdios dos processos de colonização como em seu momento derradeiro, eram uma forma de garantir o uso do capital privado incentivado pelos benefícios gerados pelo Estado.

Em vistas do desenvolvimento comercial, especialmente para dinamizar as trocas atlânticas, sedimentando teias mais complexas e garantindo a ampliação mercantil, em 1765, foram abolidos os sistemas de frotas para Rio de Janeiro e Bahia. A expectativa de tratos diretos e mais amplos fomentaria o mercado interno e, ao mesmo tempo, todo o conjunto de relações econômicas.

Apesar de as relações estarem bastante centralizadas na Metrópole, na colônia, foi favorecida uma certa autonomia das autoridades locais a fim de fomentar a economia.

Um dos exemplos mais significativos foi o caso de São Paulo. D. Luis Antônio de Souza Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, foi nomeado governador e capitão‑general de São Paulo entre os anos de 1765 e 1775. A capitania finalmente era resgatada, após a perda da autonomia administrativa, sendo comprada em um processo bastante obscuro.

A ação central do Morgado de Mateus era promover um processo civilizador, organizando uma dita “desordem”. Tudo estava estabelecido em torno de um amplo processo:

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A restauração da autonomia da Capitania não obedecia apenas a uma necessidade geral, geopolítica e administrativa (a defesa do Sul e do Oeste assim como a impossibilidade do Rio de Janeiro em “responder a tudo”), mas também atendia à uma necessidade local e econômica (o estado da economia e da população de São Paulo e a diminuição da mineração). Ademais de por fim aos atritos sulinos, a Metrópole buscava novas fontes

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econômicas em vista da decadência das minas. Passava‑se à revalorização das áreas coloniais, independente do ouro (BELLOTTO, 1979, p. 45).

Já em seu discurso de posse, Morgado de Mateus criou um amplo leque de necessidade: acrescentar suas povoações; estender aos confins os seus domínios; fertilizar os campos com a agricultura; estabelecer nas terras diferentes produções econômicas; promover novos caminhos; penetrar nos desconhecidos sertões; descobrir o ouro de novas minas; fortificar as possessões já existentes; armar significativamente o exército; observar as leis e garantir a justiça.

Fica claro, assim, que Morgado de Mateus expressava um amplo leque de desejos de desenvolvimento. Uma das ações mais importantes que promoveu foi o incentivo à produção de açúcar. Um amplo conjunto configurou um avanço comercial em torno do trato agrícola que se tornou cada vez mais importante.

Na década de 1770, já estava bastante evidente o declínio do ouro. Nessa perspectiva, houve uma profunda contração do comércio britânico com Portugal, não por novos acordos, mas pela falta de recursos lusos para cobrir os gastos com essas relações.

Uma nova oligarquia mercantil passou a controlar as companhias do Brasil, a Junta do Comércio, o Erário Régio e as manufaturas. Não foi à toa que o governo pombalino procurou cooptar as elites locais para a nova estrutura administrativa e militar capaz de fomentar a garantia do último respiro do sonho de reestruturação da antiga grandeza do império português.

Os setores que se desenvolveram com a estrutura propiciada por Pombal foram as exportações de vinhos portugueses, algumas manufaturas, como a têxtil, em torno das novas conjunturas econômicas e da intervenção do Estado, além do chamado renascimento agrícola da colônia. Esse renascimento, caracterizado como a última fase da economia colonial do Brasil, teve como base o impulso das exportações do açúcar, do tabaco e do algodão.

Podemos argumentar que houve uma efetiva “nacionalização” da economia portuguesa com a criação de uma oligarquia mercantil e manufatureira em Portugal, mas, ao mesmo tempo, ocorreu um fracasso nas determinações coloniais na medida em que as companhias de comércio não foram capazes de fomentar as relações entre Metrópole e colônia conforme o esperado. Contudo, ainda nessa reestruturação, é inegável que um profundo impacto foi visto nas estruturas coloniais: as relações atlânticas foram bastante ampliadas e o Brasil passou a contar, cada vez mais, com um ativo mercado interno e diversificado, se comparado a outros momentos da colonização.

Era, assim, o momento derradeiro da economia colonial, pois logo essas novas estruturas seriam alteradas, ampliadas e redimensionadas em torno da chegada da Corte. Novos tempos, novos ares: o fim do período de relações de dominação e subordinação estava próximo.

7.2 Os tratados de limites

A Colônia do Sacramento, grande marco da presença portuguesa no sul, foi fundada, em 1680, para garantir o contrabando da prata do alto Peru. Ela retomava os vínculos comerciais com Buenos Aires,

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desfrutados durante a União Ibérica. Ao mesmo tempo, havia ainda o interesse pelo gado das vacarias da Banda Oriental e pelo acesso ao mercado de erva‑mate. A colônia foi tomada por tropas de Buenos Aires e índios guaranis missioneiros em 1681, mas foi devolvida aos portugueses em 1683. Mais uma vez, voltou para as mãos dos espanhóis, em 1705, após um grande cerco. Mais tarde, foi retomada pelos portugueses devido aos termos do Tratado de Utrech, de 1715 – foi a chamada “segunda fundação”. Já era prevista, então, a possibilidade de uma troca, pois Portugal sabia que tinha escassez de gente (atraída para as minas) e não desejava alarmar os espanhóis.

Os portugueses passaram, no início do século XVIII, a cobiçar o gado das grandes vacarias, utilizado para o abastecimento interno, e para o uso do couro. Ao mesmo tempo, os portugueses consolidariam o domínio territorial, afastando os espanhóis. Nesse sentido, a presença lusitana na banda oriental ficou marcada por duas fases distintas. A primeira, de 1716 até 1737, foi um momento de expansão do entorno agrícola, sobretudo do trigo, além da exploração do gado da banda oriental – ocasião em que Montevideo foi fundada (1723) e logo tomada pelos espanhóis (1725). A segunda, ocorrida após 1737, foi baseada nas relações comerciais do porto, principalmente do contrabando, já que os entornos agrícolas haviam sido destruídos pelos espanhóis.

Uma nova conjuntura metropolitana surgiu com a ascensão de Alexandre de Gusmão, brasileiro, secretário do rei D. João V e membro do Conselho Ultramarino, grande responsável pelo convencimento da corte espanhola da presença portuguesa nos sertões. Ele criou uma política de fixação dos limites defensáveis (a partir do relevo), além de se basear no direito do uti possidetis – cada parte há de se fixar com o que atualmente possui. Alexandre produziu ainda um grande esforço para a coleta e reunião de informações geográficas que pudessem informar a corte, inclusive com o envio de “padres matemáticos”.

Unidade III desfrutados durante a União Ibérica. Ao mesmo tempo, havia ainda o interesse pelo gado

Figura 73 – A figura de Alexandre de Gusmão foi de grande importância na assinatura do Tratado de Madri

Na prática, o momento diplomático era favorável: o novo monarca espanhol, Fernando VI (1746‑1759), era casado com D. Maria Bárbara de Bragança, filha do rei português D. João V. Em 1749,

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o Mapa das Cortes atenuava as perdas sofridas pelo lado espanhol (que não se preocupara em conhecer os limites de Tordesilhas no interior), através de inexatidões (talvez pelo conhecimento técnico limitado, mas também, muito possivelmente, pela manipulação para garantir o interesse de Portugal).

O Tratado de Madri, então, fez a troca condicional de Sacramento, território português, por Sete Povos das Missões, espanhol. O sucesso da diplomacia portuguesa, assim, era dado na garantia do afastamento dos espanhóis da costa brasileira e na preservação do domínio das grandes vacarias do Sul.

No entanto, os jesuítas espanhóis não acataram a decisão diplomática e desencadearam as Guerras Guaraníticas (1753–1756) – que, inclusive, geraram resistência também na Amazônia.

História do Brasil Colônia o Mapa das Cortes atenuava as perdas sofridas pelo lado espanhol (que

Figura 74 – As fronteiras do Tratado de Madri, garantindo a Portugal um amplo domínio, inclusive de Sete Povos das Missões, apesar da entrega da Colônia do Sacramento aos espanhóis

Os tratados posteriores foram bastante variados e estavam relacionados às disputas europeias e às mudanças reais. Em 1761, o Tratado de El Pardo revogou o de Madrid, fazendo voltar a valer a linha de Tordesilhas. Com as disputas da Guerra dos Sete Anos, Portugal e Espanha ficaram em lados opostos e os espanhóis invadiram e ocuparam a colônia do Sacramento em 1762. Com o Tratado de Paris, de 1763, que deu fim à guerra, Sacramento foi devolvida aos portugueses, que ainda mantiveram a região do Rio Grande (onde se localizava Sete Povos das Missões). Com a expulsão dos jesuítas dos países ibéricos, agravaram‑se as disputas na Amazônia, mas logo os espanhóis decidiram concentrar suas forças no sul.

Com a morte de D. José I, em 1777, e a queda de Pombal, D. Maria I teve o forte apoio da viúva do rei, irmã do monarca espanhol Carlos III. Foi então que surgiu o Tratado de Santo Ildefonso (1777–1778) que, grosso modo, manteve os limites do Tratado de Madri, exceto no sul, onde

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Portugal entregou para a Espanha o controle do Sacramento e de Sete Povos das Missões. Os conflitos, particularmente no Rio Grande do Sul, perduraram até 1801, quando foi assinado o Tratado de Badajós, que reconheceu Sete Povos como domínio português. A partir de então, as questões territoriais ficariam definidas, mas os interesses econômicos perduraram e desembocaram em diversas ações militares em torno das disputas econômicas. Assim, esse quadro se manteve até a Guerra do Paraguai, maior conflito da América do Sul.

Domínio espanhol Domínio português
Domínio espanhol
Domínio português

Figura 75 – O território português após o Tratado de Santo Ildefonso, 1777–1778. Perceba a perda de territórios na região Sul

A historiografia viu esse quadro de diversas maneiras, sobretudo com produções nacionalistas do início do século XX. Na Argentina, procurou‑se demonstrar, através da questão de Sacramento, o descaso histórico da Coroa espanhola com a região do Prata. Já a historiografia uruguaia, por sua vez, tomou o foco de resistência primitiva ao invasor luso‑brasileiro. No Brasil, por fim, a questão central era a identidade regional ou nacional frisando o “ninho de contrabandistas” existente e

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também a questão de um avanço territorial português fracassado pelo alto custo de manutenção e pela falta de gente.

História do Brasil Colônia também a questão de um avanço territorial português fracassado pelo alto custo

Observação

Não se pode perder de vista que, muitas vezes, a história é utilizada como construção da memória, o que gera escritos apaixonados e defensores do desenvolvimento da construção do ideal nacional do país. Assim, não é à toa que os conflitos do Sul foram analisados de maneira diferente em cada um dos países.

8 nOvas PeRsPectIvas – a ecOnOmIa dO BRasIl na segunda metade dO séculO XvIII

Após a morte do rei D. José I, em 1777, o governo passou às mãos de D. Maria I, conhecida como “a Louca”. Esse novo reinado procurou anular as ações de Pombal, que logo saiu do governo, e imprimir um retorno significativo da força da nobreza ao sistema administrativo – foi por isso que sua política ficou conhecida como “a viradeira”. Uma das medidas famosas de seu governo foi o Alvará de Proibição Industrial, em 1785, que eliminaria absolutamente quaisquer condições de ocorrência de um desenvolvimento industrial na colônia (que já que não era recorrente no Brasil).

De qualquer maneira, não se deve perder de vista o continuísmo na política de arrocho colonial. O ponto central dos ilustrados portugueses a partir da década de 1780 era: como superar o atraso econômico de Portugal e de suas possessões em relação aos poderes centrais das grandes potências europeias?

Na prática, a reforma econômica iniciada por Pombal deveria continuar e se ampliar a todo custo. As perspectivas das mudanças econômicas na América portuguesa eram vistas como a base para o impulso econômico para a Metrópole.

Na agricultura, em torno das ideias fisiocráticas, a questão central era o incentivo à diversificação e ao incremento através da dinamização da produção escravista por meio de um ativo tráfico negreiro. Na mineração, a tentativa foi melhorar as técnicas extrativistas, ainda que os sinais de ausência do ouro fossem cada vez mais claros. No comércio, os diversos monopólios e estancos – como os do óleo de baleia ou mesmo do sal (ambos de altíssimo rendimento por serem produtos de necessidade básica), foram revisados ou abolidos para fomentar a ampliação da teia mercantil. Tentou‑se ainda fomentar as ciências naturais para que, através de um conhecimento melhorado, fosse possível criar condições para o desenvolvimento atualizando ou diminuir o atraso, que era um ponto bastante claro para grande parte daqueles que tinham ideias iluministas. Claro que essas perspectivas não eram aplicadas a todo custo ou sem limites. Tudo era bastante moderado para não interferir nas bases da tradição e do absolutismo.

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Foi nesse contexto que surgiu, em 1779, a Academia de Ciências de Lisboa, que propagava ideias quase cristalizadas na intelectualidade portuguesa: a necessidade de se desenvolver a colônia e também a Metrópole. Essas ideias reafirmavam uma “decadência” agrícola em boa medida oprimida pelo excesso de taxas e pelo pouco apoio do Estado.

A defesa central era evitar o mau uso e o desperdício das terras buscando potencializar o rendimento das plantações. Ao mesmo tempo, buscava‑se aumentar a eficiência do processo de trabalho aprimorando sua organização na propriedade e diminuindo as tensões entre os proprietários e os escravos. Era ainda necessário adotar técnicas produtivas mais eficazes por meio de experiências próprias ou mediante adoção de técnicas com eficácia comprovada em outros espaços. Na verdade, o grande modelo de exploração e desenvolvimento colonial era o Caribe – pela maximização da produtividade e pelos lucros constantes, sobretudo dos franceses e ingleses.

Com relação aos escravos, duas linhas centrais eram defendidas. Uma abordagem tinha base no processo produtivo vigorante em cada ramo agrícola, outra respaldava‑se no modelo dos jesuítas, ou seja, no estímulo à constituição de famílias escravas e do sistema de trabalho por tarefas – tudo tendo como base não a moral cristã, mas sim relações entre senhores e escravos para a promoção do capital.

Os resultados do fomento ilustrado foram bastante importantes para a economia colonial. Todo esse impulso permitiu uma significativa implementação da diversificação econômica na colônia, como atestou Jobson Arruda:

Verificamos, portanto, que há duas preponderâncias fundamentais na economia brasileira. Uma, representada pelo açúcar, no período colonial da nossa economia. Outra, representada pelo café, na etapa nacional da economia brasileira. Entre os dois momentos, uma breve diversificação, que tem início com a crise do ouro por volta de 1760 e termina com a ascensão do café, em 1831–1840 (ARRUDA, 1980, p. 631).

O contexto internacional da segunda metade do século XVIII e início do século XIX foi também favorável à economia da América portuguesa. As guerras de independência dos Estados Unidos abriram o mercado inglês para o algodão, que pôde ser desenvolvido no Brasil. As guerras napoleônicas complementaram esse fomento, pois impediram o trato do produto proveniente do Egito e da Índia.

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História do Brasil Colônia Figura 76 – As áreas de produção de algodão no século XVIII.

Figura 76 – As áreas de produção de algodão no século XVIII. Em especial destaque, as regiões do Maranhão e de Pernambuco

O cultivo do algodão era facilitado pela ausência da necessidade da construção de um amplo aparato para o seu crescimento e foi estabelecido a partir de extensas propriedades que utilizavam a mão de obra escrava. As principais áreas produtoras foram o Maranhão e Pernambuco.

As guerras de independência do Haiti geraram a abrupta interrupção da produção do açúcar. Rapidamente foi desestruturado todo o sistema de mercantilização de um significativo e consolidado mercado. Nesse sentido, o Brasil revitalizou sua produção açucareira no Nordeste, além de fomentar novas áreas produtivas, como o Sudeste. Com especial destaque, o Rio de Janeiro e São Paulo passaram a atender à demanda internacional e a acumular uma atividade de exportação bastante importante.

História do Brasil Colônia Figura 76 – As áreas de produção de algodão no século XVIII.

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cultivo da

cana

também era

imprescindível para a produção da aguardente, de enorme importância

para o trato negreiro nas margens do Atlântico.

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O tabaco, por sua vez, já era um produto bastante consolidado no trato mercantil atlântico e continuou a se desenvolver, não só no Bahia, mas também no sul de Minas.

Outros cultivos que também podem ser comentados foram o cacau, o arroz, o anil, ou ainda o início da produção do café na Baixada Fluminense como uma atividade complementar e que ganharia contornos importantíssimos.

Unidade III O tabaco, por sua vez, já era um produto bastante consolidado no trato mercantil

Figura 77 – O circuito mercantil de exportação da América portuguesa ao longo do século XVIII era bastante dinâmico. Note as imbricadas relações, do sertão ao litoral, em torno dos diversos produtos de interesse do mercado internacional

Uma ampla rede de relações mercantis já era claramente visível ao longo do século XVIII. O mercado do ouro, o incentivo ilustrado e, por fim, o contexto internacional favorável foram progressivamente consolidando enormes circuitos, cada vez mais complexos.

Há de se ter em vista, de qualquer maneira, que, paralelamente a esse avanço, havia ainda um significativo progresso do mercado de abastecimento.

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História do Brasil Colônia Figura 78 – O circuito de importações. Destacava‑se, sem dúvida, o tráfico

Figura 78 – O circuito de importações. Destacava‑se, sem dúvida, o tráfico negreiro, que se estabelecia a partir dos principais portos locais. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento interno gerava um mercado de gêneros europeus

A produção básica de alimentos e outros produtos destinados ao comércio mais interno de menor vulto foi crescendo nesse contexto. Havia uma imbricada relação, como argumenta Stuart Schwartz:

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historicamente, no Brasil, a produção de roceiros e escravos, ou, com

maior exatidão, a agricultura de subsistência e a de exportação, estavam intimamente ligadas numa relação complexa, multidimensional e em mutação histórica. Eram, de fato, duas faces da mesma moeda (SCHWARTZ,

2001, p. 124–125).

O incremento das atividades de exportação, além do aumento dos centros urbanos, permitia um mercado em constante ascensão, o que interligava o trato tanto das grandes lavouras como também de pequenos agricultores:

Assim, em vez da dicotomia entre os roceiros arcaicos e a produção dinâmica para exportação, esses dois setores tornaram‑se intimamente ligados. O que é digno de nota em fins do período colonial é a capitalização progressiva da agricultura de subsistência, comprovada pelo uso cada vez maior de

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escravos na produção de alimentos, mesmo pelos pequenos produtores rurais (SCHWARTZ, 2001, p. 139).

Essa era uma realidade muito maior no Brasil do que a imagem cristalizada das grandes propriedades escravistas nos moldes do mercantilismo da época moderna – e que, inclusive, predominava no território português, já que muitos viviam com a presença ou não da mão de obra escrava e, muitas vezes ainda, trabalhavam ao lado de seus cativos, com vistas à sobrevivência e gerando uma realidade completamente diferente.

Ricardo Di Carlo, ao analisar o impacto do açúcar para o território paulista, argumentou que:

É bastante seguro afirmar, portanto, que o alicerce da agricultura paulista continuou sendo a produção de alimentos, que se expandia paralelamente às culturas de exportação entre o final do século XVIII e a primeira metade do século XIX. Por conseguinte, entendemos que o estudo de São Paulo neste período não deve deixar de contemplar tanto a atividade da exportação como a de abastecimento. Mais do que isso, essas atividades não devem ser tratadas de forma independente, mas sim de maneira interligada, buscando‑se suas relações e repercussões nos mais diversos segmentos da sociedade colonial. É o que chamamos aqui de dinâmica do exportar e abastecer (CARLO, 2011, p. 21).

Não devemos perder de vista as imbricadas relações que fomentaram o desenvolvimento econômico do momento derradeiro da economia colonial. Há, inclusive, um debate acerca de novas interpretações da importância do mercado interno e do status social que tinha a aristocratização como um projeto no Brasil – para alguns, até se contrapondo à lógica do Antigo Sistema Colonial.

saiba mais Para uma análise mais profunda sobre o tema, veja o estudo de Ricardo di

saiba mais

Para uma análise mais profunda sobre o tema, veja o estudo de Ricardo di Carlo:

CARLO, R. F. di. Exportar e abastecer: população e comércio em Santos, 1775‑1836. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

Sem dúvida, a colônia, nos idos derradeiros do século XVIII, tinha uma dinâmica cada vez mais importante. Ao se procurar promover a revitalização econômica para garantir as relações exclusivas da Metrópole, era inevitável o avanço do desenvolvimento colonial. E, nesse mesmo contexto, o Antigo Regime estava em crise. Uma crise estrutural, já que todas as suas bases estavam sendo atacadas pelo Iluminismo e pelas revoluções burguesas. Novas ideias se propagavam, ainda que as amarras coloniais tentassem atingir suas maiores forças. Os movimentos de rebeldia estampavam essas novas perspectivas.

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8.1 Revoltas emancipacionistas

O endurecimento da política colonial a partir das ideias das reformas pombalinas acentuava as diferenciações entre as elites locais e as perspectivas de exploração metropolitanas. A propagação da filosofia iluminista fomentava críticas às bases da estrutura da época moderna. Ao mesmo tempo, eram cada vez maiores os valores propostos pelas chamadas revoluções burguesas.

A Revolução Industrial fomentou o liberalismo e, por conseguinte, os ataques aos monopólios do Antigo Sistema Colonial em torno da intervenção do Estado na economia. Acreditava‑se que a riqueza estava na produção industrial e essa só poderia se expandir na medida em que angariasse um crescente mercado consumidor.

A Revolução Americana foi o modelo de independência para as elites da América. O processo da primeira colônia a se libertar do jugo opressor da metrópole europeia alterou as relações políticas, mas parou por aí. Nada mais das estruturas econômicas ou sociais foi significativamente modificado. Contudo, seu exemplo trazia a esperança do sonho de liberdade possível.

A Revolução Francesa, por sua vez, era o exemplo da condução burguesa, cada vez mais em ascensão, atacando os privilégios de alguns em busca dos ideais de liberdade e igualdade perante a lei.

História do Brasil Colônia 8.1 Revoltas emancipacionistas O endurecimento da política colonial a partir das ideias

Figura 79 – A simbologia da Revolução Francesa teve um alcance enorme. Sua Declaração de Direitos ecoava entre os mais diversos povos e trazia o sonho de uma sociedade de direitos iguais, capaz de combater qualquer governo opressor

Todas as bases estruturais do Antigo Regime eram levadas a uma crise ao mesmo tempo em que as metrópoles ibéricas, através do despotismo esclarecido, tentavam revisitá‑las a fim de fomentar o avanço econômico da Metrópole. Claro que o choque foi inevitável.

No contexto da rebelião pelo grande fiscalismo e opressão do ouro, do aumento do domínio administrativo português e da propagação dos ideais iluministas a partir da revolução americana, a primeira manifestação foi a Inconfidência Mineira, de 1789. José Joaquim da Maia, influenciado

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pelos ideias iluministas, procurou o apoio de Thomas Jefferson. Ele era um dos estudantes da América portuguesa na Europa e compôs o grupo dos líderes do movimento. Nessa coligação, ainda estavam alguns padres e militares, dentre eles, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Unidade III pelos ideias iluministas, procurou o apoio de Thomas Jefferson. Ele era um dos estudantes

Figura 80 – Joaquim José da Silva Xavier se tornou o primeiro grande herói da formação da memória de nossa história

Há de se entender que esse grupo tinha diversas relações com a Metrópole: eram funcionários em determinadas atribuições da exploração aurífera, ou mesmo em atividades paralelas, como a arrematação de impostos, que era delegada a particulares desde a criação da Junta da Fazenda de Minas, no governo pombalino; eram ainda empregados nas manifestações do poder local – promovido pelas Câmaras. É significativo que, na medida em que a produção do ouro já não era como a de 50 anos antes, o fiscalismo e os interesses portugueses passassem a ser vistos como radicalmente diferentes dos da elite local. Era isso que justificava a crescente participação da elite local em amplas atividades econômicas e, ao mesmo tempo, a crescente importância das atividades agropastoris na capitania de Minas Gerais.

Ao mesmo tempo, contudo, os contratos de arrematação de impostos, pela conjuntura decadente do ouro, já geravam atrasos e déficits, o que gerou um endurecimento da política fiscal de Melo e Castro ao longo da década de 1780. Visando garantir, a todo o custo, a cobrança dos quintos, dos dízimos e as entradas dos atrasados, o governador Cunha de Meneses e o visconde de Barbacena acabaram por levar parte substantiva da elite a planejar o levante anticolonial.

As propostas do movimento giravam em torno do modelo emancipacionista dos Estados Unidos. Ou seja, visava‑se a primeiro garantir a ruptura dos vínculos coloniais com Portugal e, depois, formar uma república tendo como capital a cidade de São João del Rey. Chegou‑se a definir uma bandeira e um lema “Libertas quae sera tamen” – liberdade ainda que tardia. Como um movimento de uma elite razoavelmente restrita, o projeto baseava‑se no ideal de emancipação nos moldes da formação dos EUA, quer dizer, sem um caráter social – ou seja, a abolição da escravidão. As ideias do movimento, assim, foram crescendo no Brasil:

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Por meio de gazetas de notícias trazidas por comerciantes ou contrabandistas estrangeiros, os ideais de 1776 penetraram de início alguns núcleos do litoral, onde fascinaram principalmente setores do comércio, descontentes com os monopólios e com as restrições impostas pela Metrópole portuguesa e ansiosos por estabelecer relações de comércio direto com a Inglaterra. Por intermédio de estudantes brasileiros que voltavam da Europa, esses ideais se infiltraram nas elites descontentes ou empobrecidas do interior do país (DIAS, 2005, p. 129).

No entanto, o projeto não saiu do papel. Antes de sua eclosão propriamente dita, o movimento foi delatado por alguns de seus ex‑participantes – Joaquim Silvério dos Reis, Brito Malheiros e Inácio Correia Pamplona, que receberiam perdão por suas dívidas com a Coroa. Um amplo processo de averiguação – “devassa”, no dizer da época – foi estabelecido até 1792. A determinação final foi que apenas Tiradentes fosse condenado à morte.

A figura do Tiradentes é um tema bastante interessante para se compreender a relação entre história e memória. Durante a formação do império do Brasil, sua imagem foi quase esquecida. Em grande parte, essa perspectiva foi difundida na medida em que a imagem de formação do nosso País era vista quase como uma continuidade da de Portugal, já que os herdeiros da coroa lusa ficaram com o poder no Brasil.

A guinada na visão acerca de Tiradentes só foi sentida com a proclamação da República. A partir desse evento, foi necessário resgatar um herói do separatismo para mostrar que o sonho de uma real transformação e liberdade já era sentido havia séculos. Daí a ruptura total só ter sido promovida realmente a partir de 15 de novembro de 1889.

História do Brasil Colônia Por meio de gazetas de notícias trazidas por comerciantes ou contrabandistas estrangeiros,

Figura 81 – O quadro de Leopoldino de Faria exalta a figura de Tiradentes no momento de sua comutação da pena de morte. Destaca‑se sua construção mítica, valorosa, como baluarte da liberdade

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Exemplo de aplicação
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Unidade III Exemplo de aplicação Você é capaz de problematizar outro fato histórico brasileiro que foi
Unidade III Exemplo de aplicação Você é capaz de problematizar outro fato histórico brasileiro que foi
Você é capaz de problematizar outro fato histórico brasileiro que foi visto e revisto em torno
Você é capaz de problematizar outro fato histórico brasileiro que foi visto e revisto em torno

Você é capaz de problematizar outro fato histórico brasileiro que foi visto e revisto em torno dos valores de história e memória?

Outro movimento importante foi a Conjuração do Rio de Janeiro, em 1794. Ali, na prática, houve uma união muito mais intelectual em discursos pela necessidade da liberdade. São elucidativas as ideias do patriota republicano em 1791:

Há de ser naqueles tempos, em que todo o novo hemisfério se há de dividir todo, em duas repúblicas; uma compreendendo todo o Norte, outra todo o meio‑dia; queira Deus que isto suceda sem efusão de sangue; eu então já dormirei no Senhor (apud DIAS, 2005, p. 137–138).

Unidade III Exemplo de aplicação Você é capaz de problematizar outro fato histórico brasileiro que foi

Observação

Patriota republicano era o pseudônimo adotado para a propagação das ideias da Conjuração do Rio de Janeiro.

As ideias eram bastante debatidas na Sociedade Literária, liderada por Mariano José Pereira da Fonseca. Em grande medida, os conceitos discutidos orbitavam eram em torno da Revolução Francesa. Os principais representantes chegaram a ser presos, mas, por falta de provas, poucos anos depois foram soltos.

De qualquer forma, a sedição mais radical foi a Conjuração dos Alfaiates, na Bahia. Esse movimento, de 1798, teve como grande influência os ideais da Revolução Francesa e a propagação da liberdade e da igualdade.

Há de se compreender que o final do século XVIII trazia novas relações econômico‑sociais na Bahia. As conturbações ocorridas em São Domingos e o vácuo no mercado mundial de artigos tropicais abriram caminho para o estímulo à produção açucareira e aumentaram as tensões na teia escravista, bem como a sua percepção pelas elites senhoriais.

Na prática, um amplo projeto estava em curso com o movimento baiano. Além dos ataques ao reformismo ilustrado, tendo como base o sonho do livre comércio, a abertura dos portos, ou mesmo melhores perspectivas na colônia, como o aumento dos soldos, havia ainda uma perspectiva maior com a proposta da abolição da escravidão e a adoção do regime republicano de governo.

Um espectro social mais amplo participava da sedição: desde escravos e negros forros até artesãos, soldados, mestiços ou ainda senhores de engenho e liberais. Tratava‑se de um movimento de algo essencialmente novo, como aponta István Jancsó:

Nem residia a novidade na dimensão imediatamente política do acontecimento, já que, antes, seja em Minas Gerais, comprovadamente, ou no Rio de Janeiro,

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supostamente, grupos de diversa configuração social consideraram a hipótese de alteração do sistema político que regia a Colônia e foram objeto de repressão. Em ambos os casos, porém, não havia sido rompido o limite da publicidade das intenções sediciosas e, principalmente, em ambos os casos os limites sociais das articulações políticas não confrontavam a ordem social prescrita, permanecendo longe do aventar o grande risco da irrupção no socialmente restrito cenário da política daqueles cuja condição – a grande massa da população – lhes negava por princípio esse acesso (JANCSÓ, 1996, p. 158).

A repressão ao movimento gerou enforcamentos e degredos. Contudo, parte de seus líderes continuou na vida pública. Talvez o caso mais importante seja o de Cipriano Barata, médico da cidade de Salvador que foi deputado do Brasil nas cortes em Lisboa, jornalista e revolucionário. E assim:

Desembocando numa proposta de aliança de classes que não se reconheciam nela, o movimento sedicioso baiano de 1798 configurou, no plano da luta política, a forma extremada de rejeição do arbítrio colonial nos quadros do Antigo Regime. Na verdade, apesar de ter atingido o nível da ação política, em pouco tempo conseguiu ultrapassar o plano imediato das tensões, isto é, dos desdobramentos, na curta duração, das contradições fundamentais do sistema contra o qual se debatia. Nesse sentido, representou um momento da acumulação de experiência política que informaria a prática futura de homens e classes que, num futuro não muito remoto, num outro contexto histórico, resolveriam as contradições que, na Bahia de 1798, levaram um grupo de homens a desafiarem um Império (JANCSÓ, 1996, p. 201).

História do Brasil Colônia supostamente, grupos de diversa configuração social consideraram a hipótese de alteração do

Figura 82 – O retrato do liberal Cipriano Barata – figura de destaque nas ideias de liberdade e república no Brasil

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saiba mais Para entender o quadro da Crise do Antigo Sistema Colonial não deixe de ler

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Para entender o quadro da Crise do Antigo Sistema Colonial não deixe de ler a obra completa de:

JANCSÓ, I. Na Bahia, contra o Império: história do ensaio da sedição de 1798. São Paulo; Bahia: Hucitec; EDUFBA, 1996.

Outra ação de intelectuais em busca da emancipação foi a Conspiração dos Suaçunas, ocorrida em Pernambuco, no ano de 1801. Alguns de seus principais líderes eram membros importantes da Igreja Católica, como o padre Manuel Arruda Câmara, fundador de uma sociedade secreta chamada de sociedade do Aerópago de Itambé, ou mesmo os irmãos Francisco de Paula, Luís Francisco e José Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, proprietários do engenho que daria nome ao movimento.

Contudo, antes que algo além da discussão das propostas pudesse ocorrer, uma denúncia levou as autoridades a prender os envolvidos que, apesar disso, em pouco tempo foram soltos.

Por fim, outro movimento de caráter emancipacionista foi a Revolução Pernambucana, de 1817. Nela já se demonstraram fortemente relações com a transferência da Corte para o Brasil e com os impostos para a formação de um amplo aparato de desenvolvimento para a Corte no Rio de Janeiro – inclusive, ganhando outras províncias brasileiras.

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Figura 83 – A extensão da Revolução Pernambucana de 1817

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Na realidade, as relações da Coroa com Pernambuco eram bastante específicas depois da expulsão dos holandeses. Em boa medida, a região ficou com o direito informal de ser tratada de maneira singular pela Metrópole. Depois de algumas insurreições específicas de alguns militares, que acabaram presos, uma forte reação surgiu. O governador fugiu. Em 7 de março, eclodiu o movimento, que conseguiu permanecer no poder até 19 de maio.

A Revolução Pernambucana era um movimento de busca de autonomia regional e de ideais republicanos – apesar de alguns membros da liderança serem pró‑monarquia. Os envolvidos eram inspirados pela Revolução Francesa, em um processo muito mais simbólico de liberdade e igualdade e também pela Revolução Americana, sobretudo em torno da necessidade de serem tratados de maneira unitarista. Ou seja, procuravam garantir que os impostos provenientes do Rio de Janeiro parassem de ser tão opressores e, ao mesmo tempo, que pudessem gerar maiores benefícios para Pernambuco.

O novo governo teve muitas divergências em sua formação. Inicialmente, uma junta governaria até três anos e seria responsável pelos poderes Executivo e Legislativo, propondo artigos que deveriam ser aprovados pelas Câmaras Municipais. Essas câmaras eram elitizadas, como vimos, e passavam, assim, a ter um poder ainda maior. Em um ano deveria ser formada uma Assembleia Constituinte.

Uma das discussões recorrentes era o fim da escravidão. No entanto, quando a proposta estava na Câmara, devido ao fato de ela ser formada por um grupo de elite, a perspectiva foi desviada para uma abolição lenta e gradual a fim de que, num primeiro momento, seus interesses não fossem diretamente afetados.

Havia ainda a discussão da representatividade em uma base republicana. As câmaras não desejavam permitir uma ampla representatividade, já que isso prejudicaria seus interesses de elite econômica.

História do Brasil Colônia Na realidade, as relações da Coroa com Pernambuco eram bastante específicas depois

Figura 84 – A bandeira do movimento pernambucano de 1817. A simbologia trazia os ideais de paz, amizade e união

O movimento de repressão foi financiado pelas elites da Bahia e do Rio de Janeiro pelo temor da força de irradiação dos ideais promovidos a partir de Pernambuco. Contudo, o cerne do problema da montagem do governo revolucionário foi a divergência das elites da região. De um lado, estavam os tradicionais produtores de açúcar da Mata Sul, que haviam retomado sua pujança produtiva com a desarticulação do Haiti. De outro, havia o crescimento do algodão com o processo de independência dos Estados Unidos, na região da Mata Norte de Pernambuco. Esses dois grupos possuíam circuitos políticos e econômicos diferentes. Comerciantes de açúcar continuavam a ser portugueses ligados à Coroa. Já o algodão saía do Brasil via comércio inglês.

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A Revolução de 1817 foi feita pela Mata Norte (algodão) e debelada pela força gerada pela Mata Sul (açúcar). As elites das demais regiões temiam a perda dos circuitos mercantis e também a força do tráfico negreiro.

Exemplo de aplicação 8.2 a vinda da família Real
Exemplo de aplicação
8.2 a vinda da família Real
Unidade III A Revolução de 1817 foi feita pela Mata Norte (algodão) e debelada pela força
Unidade III A Revolução de 1817 foi feita pela Mata Norte (algodão) e debelada pela força
Unidade III A Revolução de 1817 foi feita pela Mata Norte (algodão) e debelada pela força

Esteja atento às particularidades dos maiores movimentos em torno de um ideário de independência no Brasil. Procure elencar: por que adquiriam feições tão diferenciadas?

Apesar da crescente insatisfação com os mandos e desmandos da Coroa, nenhum movimento local foi forte o bastante para acabar com o Sistema Colonial. A crise, contudo, era evidente.

De qualquer forma, no alvorecer do século XIX, a Europa passou a viver um contexto inteiramente novo: a Era Napoleônica. Para entender esse contexto, são significativas as palavras de Eric Hobsbawm:

Como homem ele era inquestionavelmente muito brilhante, versátil, inteligente e imaginativo, embora o poder o tivesse tornado sórdido. Como general, não teve igual; como governante, foi um planejador, chefe e executivo soberbamente eficiente e um intelectual suficientemente completo para entender e supervisionar o que seus subordinados faziam (HOBSBAWM, 2004, p. 111–112).

Unidade III A Revolução de 1817 foi feita pela Mata Norte (algodão) e debelada pela força

Figura 85 – A força da figura de Napoleão marcou completamente o século XIX. Na imagem, repare a construção em torno de um Estadista

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Esse desenvolvimento, para o que nos interessa aqui, alterou substancialmente as relações políticas da Europa. A França de Napoleão teve um sucesso gigantesco por terra. Venceu a coalização de opositores e sua influência alcançou terras da Península Ibérica até a Rússia. No mar, no entanto, Napoleão procurou vencer seu maior inimigo: a Inglaterra. Contudo, a Batalha de Trafalgar (1805) marcou a derrocada das forças navais francesas. Após esse momento, “o único modo que parecia haver para derrotar a Grã‑Bretanha era a pressão econômica, e isso Napoleão tentou fazer eficazmente através do Sistema Continental (1806)” (HOBSBAWM, 2004, p. 128). O Bloqueio Continental, imposto por Napoleão, proibia qualquer país de comercializar com a Inglaterra. E no meio dessa disputa de gigantes estava Portugal. Tradicional parceiro dos ingleses, a nação lusitana passou a sofrer com a pressão francesa. Por quase dois anos, os lusos conseguiram promover uma política de neutralidade. Contudo, no momento decisivo, no final do ano de 1807, decidiram partir com a Corte para o Brasil, através da escolta inglesa.

A Família Real e a Corte chegaram a Salvador no início de 1808, no dia 22 de janeiro. Desembarcaram no dia seguinte. Calcula‑se que mais de 15 mil pessoas totalizavam a Corte que chegava ao Novo Mundo. Apesar dos desejos dos baianos de que a Corte se instalasse ali, D. João decidiu ir até o Rio de Janeiro – capital da colônia.

Havia a necessidade da construção de um amplo sistema para abastecer a Família Real e a aristocracia. Palácios foram criados, outros foram simplesmente entregues pela elite local – que financiava a Coroa com doações em troca de cargos nas novas instituições, ou mesmo de direitos, títulos ou casamentos.

Já de início, no ano de 1808, a Coroa decidiu abrir os portos às nações amigas de Portugal para fomentar seu abastecimento – era o fim do chamado Pacto Colonial. Pouco depois, o Alvará de Permissão Industrial procurou desenvolver esforços para o substantivo aumento de mercado que a Coroa procurava.

Claro que a vinda da Corte propiciou um enorme incremento no mercado de abastecimento do Brasil. Ao mesmo tempo, um amplo leque de medidas era visto:

Déspotas esclarecidos e fisiocratas iludiam‑se exagerando os recursos das novas terras e estavam tomados pela febre dos melhoramentos materiais. Reservavam privilégios para o Centro‑Sul, onde se instalara a Corte. A fim de custear as despesas de instalação de obras públicas e do funcionalismo, aumentaram os impostos sobre a exportação de açúcar, tabaco, algodão e couros, criando ainda uma série de outras tributações que afetavam diretamente as capitanias do Norte, que a Corte não hesitava ainda em sobrecarregar com a violência dos recrutamentos e com as contribuições para cobrir as despesas da guerra no reino, na Guiana e no Prata. Para governadores e funcionários das várias capitanias, parecia a mesma coisa dirigirem‑se para Lisboa ou para o Rio de Janeiro (DIAS, 2005, p. 34–35).

Em 1810, a Coroa assinou dois tratados com os ingleses. O tratado de Aliança e Amizade garantia relações de cooperação e apoio. Já o de Comércio e Navegação, por sua vez, permitiu tarifas preferenciais aos produtos ingleses. Os produtos de qualquer país amigo pagavam 24% de impostos alfandegários ad valorem (sobre o valor). Os portugueses, por sua vez, teriam uma taxa de 16%. Os ingleses, contudo,

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apenas 15%. Logo uma enxurrada de produtos ingleses dominou os mercados do Brasil e fomentou a derrocada da burguesia lusa ou mesmo o incentivo industrial local.

Um grande fomento econômico foi buscado com a fundação do Banco do Brasil. Foi gerado um amplo incentivo ao desenvolvimento da saúde e da educação. No entanto, foi na cultura que o impacto da vinda da Corte foi ainda mais sentido: foram inaugurados o Teatro Real de São João e a Real Biblioteca; a imprensa foi autorizada a existir. Além disso, houve a famosa vinda da Missão Artística francesa para dar a aparência de uma capital europeia ao Rio de Janeiro e fomentar o espírito das letras no Brasil.

No plano externo, a Corte adotou uma política externa agressiva ao dominar a Guiana Francesa como uma represália ao ataque em Portugal. Além disso, dominou a Cisplatina, dentro da disputa geopolítica do comércio do sul.

No entanto, foi em 1815 que os passos finais da colonização foram vistos. Após a decisão do Congresso de Viena de estabelecer a volta imediata de todas as dinastias europeias ao poder após a Era Napoleônica, D. João VI deu uma cartada política. Ele elevou o Brasil a Reino Unido. Na prática, essa ação retirava o Brasil da condição de colônia.

A ideia com essa atitude era, ao mesmo tempo em que a Família Real se garantia frente às questões da política europeia, contentar as elites brasileiras e justificar a Corte no Brasil. No fim das contas, a Coroa decidiu‑se por manter garantido seu principal produtor de riquezas em um momento de convulsão social com as diversas disputas pela independência na América espanhola e mesmo o temido “haitianismo”:

A vinda da Corte com o enraizamento do Estado português no Centro‑Sul daria início à transformação da colônia em Metrópole interiorizada. Seria essa a única solução aceitável para as classes dominantes em meio à insegurança que lhes inspiravam as contradições da sociedade colonial, agravadas pela fermentação mais generalizada no mundo inteiro na época, que a Santa Aliança e a ideologia da contra‑revolução na Europa não chegavam a dominar. Pode‑se dizer que esse processo, que parte do Rio de Janeiro e do Centro‑Sul, somente se consolidaria com a centralização política realizada por homens como Caixas, Bernardo de Vasconcelos, Visconde do Uruguai, consumando‑se politicamente com o Marquês de Paraná e o Ministério da Conciliação (1853‑1856) (DIAS, 2005, p. 19).

Unidade III apenas 15%. Logo uma enxurrada de produtos ingleses dominou os mercados do Brasil e

Observação

O temor do “haitianismo” era que um processo de independência pudesse ocorrer de modo semelhante ao do Haiti. Ali o movimento foi duplo: político e social. Os escravos conseguiram derrubar o poder instituído e promover uma verdadeira transformação da ordem social com a abolição da escravidão e a morte dos brancos.

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Era o fim do status colonial e a interiorização da Metrópole. Iniciava‑se, assim, um novo capítulo da nossa história. A formação do nosso país. A história de nossa Independência, assunto para os nossos próximos estudos.

História do Brasil Colônia Era o fim do status colonial e a interiorização da Metrópole. Iniciava‑se,

Resumo

O século XVIII alterou todas as bases modernas, pois a Europa passou por profundas transformações. A Revolução Industrial trazia à tona um novo sistema capitalista, baseado no valor da produção. A produtividade alcançaria níveis impressionantes e promoveria os valores do liberalismo. No bojo desse processo, a filosofia racionalista dos “homens das luzes” criticava toda a estrutura do Antigo Regime, em torno da ascensão, agora bastante evidente e consolidada, da burguesia. O poder absolutista não era mais justificado e os privilégios da nobreza eram profundamente combatidos, bem como o intervencionismo estatal. Essas ideias geravam a Crise do Antigo Sistema Colonial.

As coroas ibéricas ainda tentaram um último suspiro de arrocho colonial com as medidas do reformismo ilustrado. Obtiveram um sucesso parcial, temporário, já que serviram, em contrapartida, para revelar a acentuada divergência de interesses entre os dois lados do Atlântico. Assim, as revoltas proliferaram.

De especial destaque para Portugal foi o governo do Marquês de Pombal. Baseado na transformação da administração e da otimização da exploração, atacou a nobreza e a Igreja e procurou, de diversas formas, fazer com que a América portuguesa pudesse obter mais recursos. Foi em torno desse momento que as fronteiras da América portuguesa, através de uma hábil política pombalina, conseguiram ganhar contornos muito maiores do que os adquiridos nos séculos XV e XVI.

No entanto, as ideias ilustradas ganhavam ainda mais terreno. Um marco desse momento foi justamente o nascimento de modelos capazes de influenciar todo o continente. Quando a coroa britânica tentou alterar as bases estruturais da colonização da América do Norte, aqueles que já haviam desfrutado do gosto da liberdade não aceitaram perdê‑la. Com isso, surgiu a primeira colônia independente. O modelo da esperança da liberdade entre todos os países da América, contudo, inclusive por ter sido um processo de elite, não alterou as relações sociais e econômicas. Por fim, a Revolução Francesa revelava a luta para acabar com a opressão e os privilégios e demonstrava a força da condução burguesa na luta pelo fim do Antigo Regime.

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Em meio a esse contexto surgiram as revoltas emancipacionistas na América portuguesa. Dois movimentos tiveram maior destaque: o mineiro e o baiano. O primeiro, bastante influenciado pelo modelo dos Estados Unidos, reuniu membros da elite em torno de um projeto de república e manutenção da escravidão. Teve como estopim a decadência das minas e o enrijecimento da exploração dos impostos promovido pela Coroa. O segundo foi profundamente baseado nos ideais mais apaixonados da Revolução Francesa. Envolvendo diversos elementos, inclusive vários populares, o movimento sonhou com uma república, mas com igualdade social e abolição da escravidão. Nenhum deles teve força suficiente para angariar grande sucesso.

A conjuntura europeia foi radicalmente afetada no início do século XIX pela Era Napoleônica. A força do grande imperador Napoleão fez com que a Família Real portuguesa e toda a sua Corte, por causa de sua parceira com os inimigos franceses – os ingleses –, fugissem para a América. A partir de então as relações entre Metrópole e colônia nunca mais foram as mesmas, e o processo de independência do Brasil ganhou contornos cada vez mais claros. Os interesses dos lados do Atlântico se tornavam evidentemente divergentes.

Unidade III Em meio a esse contexto surgiram as revoltas emancipacionistas na América portuguesa. Dois movimentos

exercícios

Questão 1. (Enade 2008)

Unidade III Em meio a esse contexto surgiram as revoltas emancipacionistas na América portuguesa. Dois movimentos
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Figura 86

História do Brasil Colônia

A imagem corresponde a uma representação recorrente de Tiradentes, cultuado oficialmente como herói republicano desde 1890. Ela resulta de uma construção historiográfica e política do personagem, que encontrou grande receptividade junto à população a partir do século XX. Uma das características dessa representação, que ajuda a explicar essa receptividade e a força de Tiradentes no imaginário brasileiro, é:

  • A) A altivez de Tiradentes, que indica uma posição de repúdio às autoridades políticas e religiosas.

  • B) A identificação de Tiradentes com as causas populares, representadas pela figura do carrasco negro.

  • C) A resistência de Tiradentes à religião, indicando sua ligação com o Iluminismo.

  • D) A abnegação cristã de Tiradentes, indicando a entrega de si ao sacrifício por um ideal.

  • E) O estado físico de Tiradentes, indicando seu sofrimento pelas torturas na prisão.

Resposta correta: alternativa D.

Análise das alternativas.

  • A) Alternativa incorreta.

Justificativa: embora discutível, a atitude de Tiradentes no quadro parece não se referir a altivez frente às autoridades, visto que ele próprio era um militar.

  • B) Alternativa incorreta.

Justificativa: a Conjuração Mineira (comumente denominada Inconfidência Mineira) foi antes de tudo um movimento elitista, que não tinha uma posição clara quanto à abolição dos escravos.

  • C) Alternativa incorreta.

Justificativa: Tiradentes nunca agiu contra a religião, sendo ele próprio católico.

  • D) Alternativa correta.

Justificativa: a própria semelhança da figura de Tiradentes com a de Cristo sugere que a execução de Tiradentes seja vista como um martírio.

  • E) Alternativa incorreta.

Justificativa: Tiradentes, no quadro, não aparenta ter aspecto físico debilitado, sugerindo ainda uma grande resolução frente à própria morte.

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Unidade III

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Questão 2. Assinale a alternativa correta sobre a gestão do Marquês de Pombal.

  • A) Pombal via com preocupação a difusão dos ideais iluministas e, como ardente defensor do Antigo Regime, buscou reforçar a autoridade real por meio do fortalecimento do papel da religião no reino, em especial auxiliado pelos jesuítas.

  • B) A admiração de Pombal pelas nascentes ideias liberais no campo da economia levou‑o a abrir mão de uma fiscalização extremamente rígida no que se refere à mineração brasileira, facilitando o enriquecimento dos colonos com vistas a uma posterior instalação de manufaturas com capital privado no Brasil.

  • C) Pombal acabou com as diversas Companhias de Comércio particulares e criou uma grande Companhia Real de Comércio nos moldes britânicos.

  • D) Pombal defendia a instalação de manufaturas na colônia com vistas a superar o atraso de Portugal frente a outras nações europeias. Sua sucessora, Dona Maria, revogou essa posição, pois entendia que o papel da colônia era apenas suprir a metrópole.

  • E) Pombal foi acusado de preterir a agricultura e fomentar exclusivamente a exploração aurífera e de pedras preciosas, levando a colônia à fome.

Resolução desta questão na plataforma.

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FiguRAs E ilustRAçõEs

Figura 1

5.JPG. Disponível em: <http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/conteudo_3926/5.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2014.

Figura 2

A09_4.JPG. Disponível em: <http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/conteudo_1129/A09_4. jpg>. Acesso em: 18 ago. 2014.

Figura 3

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Figura 4

A_55_1.JPG. Disponível em: <http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/ conteudo_3694/A_55_1.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2014.

Figura 5

A_55_2.JPG. Disponível em: <http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/ conteudo_3694/A_55_2.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2014.

Figura 6

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Figura 7

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Disponível em: <http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/conteudo_2429/071

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Figura 8

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Figura 9

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Figura 10

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Figura 11

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Figura 12

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Figura 13

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Figura 14

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Figura 15

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Figura 16

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Figura 17

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Figura 18

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Figura 19

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Figura 20

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Figura 21

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Figura 22

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Figura 23

102.JPG. Disponível em: <http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/conteudo_9591/102.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2014.

Figura 24

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Figura 25a

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Figura 25b

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Figura 27

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Figura 28

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Figura 29

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Figura 30

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Figura 31

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Figura 32

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Figura 33

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Figura 34

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Figura 36

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Figura 37

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Figura 38

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Figura 39

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Figura 40

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Figura 41

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Figura 44

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Figura 45

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Figura 47

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Figura 49

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Figura 50

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Figura 51

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Figura 52

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Figura 53

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Figura 54

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Figura 56

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Figura 57

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Figura 59

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Figura 60

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Figura 61

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Figura 63

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Figura 73

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Figura 77

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Audiovisuais

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Exercícios

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Unidade II – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO

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Unidade III – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO

TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2008: História. Disponível em:

<http://download.inep.gov.br/download/Enade2008_RNP/HISTORIA.pdf>. Acesso em: 15 ago. 2014.

Informações: www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

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