Вы находитесь на странице: 1из 76
Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Guia do profissional em treinamento Nível 2

Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos

Guia do profissional em treinamento

Nível 2

Promoção Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental – ReCESA

Realização Núcleo Regional Nordeste – NURENE

Instituições integrantes do NURENE Universidade Federal da Bahia (líder) | Universidade Federal do Ceará | Universidade Federal da Paraíba | Universidade Federal de Pernambuco

Financiamento Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia I Fundação Nacional de Saúde do Ministério da Saúde I Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades

Apoio organizacional Programa de Modernização do Setor de Saneamento – PMSS

Comitê gestor da ReCESA

- Ministério das Cidades;

- Ministério da Ciência e Tecnologia;

- Ministério do Meio Ambiente;

- Ministério da Educação;

- Ministério da Integração Nacional;

- Ministério da Saúde;

- Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico Social (BNDES);

- Caixa Econômica Federal (CAIXA).

Parceiros do NURENE

Comitê consultivo da ReCESA

- Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva – ABCMAC

- Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES

- Associação Brasileira de Recursos Hídricos – ABRH

- Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública – ABLP

- Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais – AESBE

- Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento – ASSEMAE

- Conselho de Dirigentes dos Centros Federais de Educação Tecnológica – CONCEFET

- Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA

- Federação de Órgão para a Assistência Social e Educacional – FASE

- Federação Nacional dos Urbanitários – FNU

- Fórum Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas – FNCBHS

- Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras

– FORPROEX

- Fórum Nacional Lixo e Cidadania – L&P

- Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental – FNSA

- Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM

- Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS

- Programa Nacional de Conservação de Energia – PROCEL

- Rede Brasileira de Capacitação em Recursos Hídricos – Cap-Net Brasil

- ARCE – Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará

- Cagece – Companhia de Água e Esgoto do Ceará

- Cagepa – Companhia de Água e Esgotos da Paraíba

- CEFET Cariri – Centro Federal de Educação Tecnológica do Cariri/CE

- CENTEC Cariri – Faculdade de Tecnologia CENTEC do Cariri/CE

- Cerb – Companhia de Engenharia Rural da Bahia

- Compesa – Companhia Pernambucana de Saneamento

- Conder – Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia

- EMASA – Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Itabuna/BA

- Embasa – Empresa Baiana de Águas e Saneamento

- Emlur – Empresa Municipal de Limpeza Urbana de João Pessoa

- Emlurb / Fortaleza – Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização de Fortaleza

- Emlurb / Recife – Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife

- Limpurb – Empresa de Limpeza Urbana de Salvador

- SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto do Município de Alagoinhas/BA

- SANEAR – Autarquia de Saneamento do Recife

- SECTMA – Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco

- SEDUR – Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia

- SEINF – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Infra-Estrutura de Fortaleza

- SEMAM / Fortaleza – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano

- SEMAM / João Pessoa – Secretaria Executiva de Meio Ambiente

- SENAC / PE – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Pernambuco

- SENAI / CE – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Ceará

- SENAI / PE – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco

- SEPLAN – Secretaria de Planejamento de João Pessoa

- SUDEMA – Superintendência de Administração do Meio Ambiente do Estado da Paraíba

- UECE – Universidade Estadual do Ceará

- UFMA – Universidade Federal do Maranhão

- UNICAP – Universidade Católica de Pernambuco

- UPE – Universidade de Pernambuco

Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Guia do profissional em treinamento Nível 2

Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos

Guia do profissional em treinamento

Nível 2

EXX Resíduos Sólidos: plano de gestão integrada de resíduos sólidos: guia do profissional em treinamento: nível 2 / Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (org). – Salvador: ReCESA, 2008. 76 p. Nota: Realização do NURENE – Núcleo Regional Nordeste; coordenação de Viviana Maria Zanta, José Fernando Thomé Jucá, Heber Pimentel Gomes e Marco Aurélio Holanda de Castro.

1. Conceitos Gerais. 2. Plano de Gestão Integrada de

Resíduos Sólidos Urbanos - PGIRSU. 3. Modelos de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos. 4. Participação Social nas Políticas e Planos de Gestão: Direitos e deveres do cidadão relacionados aos serviços de limpeza pública. 5. Gestão de recursos financeiros para o manejo de resíduos sólidos urbanos.

CDD – XXX.X

Catalogação da Fonte:

Coordenação Geral do NURENE Profª. Drª. Viviana Maria Zanta

Organização e revisão do guia Keila Gislene Querino de Brito Beltrão Maria Cristina Moreira Alves

Autores Cecília Maria Mota Lins | Cláudia Coutinho Nóbrega Eduardo Antonio Maia Lins | Ingrid Roberta de França Soares Alves José Dantas de Lima | José Fernando Thomé Jucá Keila Gislene Querino de Brito Beltrão | Maria Cristina Moreira Alves Silvio Romero de Melo Ferreira

Créditos Licia Rodrigues da Silveira

Central de Produção de Material Didático Alessandra Gomes Lopes Sampaio Silva | Danilo Gonçalves dos Santos Sobrinho Patrícia Campos Borja | Vivien Luciane Viaro

Projeto Gráfico Marco Severo | Rachel Barreto | Romero Ronconi

Impressão

Fast Design

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte.

ApresentaçãoApresentaçãoApresentaçãoApresentação dadadada ReCESAReCESAReCESAReCESA

A criação do MinistérioMinistérioMinistérioMinistério dasdasdasdas CidadesCidadesCidadesCidades no Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, permitiu que os imensos desafios urbanos passassem a ser encarados como política de Estado. Nesse contexto, a SecretariaSecretariaSecretariaSecretaria NacionalNacionalNacionalNacional dededede SaneamentoSaneamentoSaneamentoSaneamento AmbientalAmbientalAmbientalAmbiental (SNSA) inaugurou

um paradigma que inscreve o saneamento

como política pública, com dimensão urbana e ambiental, promotora de desenvolvimento e redução das desigualdades sociais. Uma concepção de saneamento em que a técnica e a tecnologia são colocadas a favor da prestação de um serviço público e essencial.

A missão da SNSA ganhou maior

relevância e efetividade com a agenda do saneamento para o quadriênio 2007- 2010, haja vista a decisão do Governo Federal de destinar, dos recursos reservados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), 40 bilhões de reais para investimentos em saneamento.

Nesse novo cenário, a SNSA conduz ações de capacitação como um dos instrumentos estratégicos para a modificação de paradigmas, o alcance de melhorias de desempenho e da qualidade na prestação dos serviços e a integração de políticas setoriais. O projeto de estruturação da RedeRedeRedeRede dededede CapacitaçãoCapacitaçãoCapacitaçãoCapacitação eeee ExtensãoExtensãoExtensãoExtensão TecnológicaTecnológicaTecnológicaTecnológica emememem SaneamentoSaneamentoSaneamentoSaneamento AmbientalAmbientalAmbientalAmbiental –––– ReCESAReCESAReCESAReCESA constitui importante iniciativa nessa direção.

A ReCESA tem o propósito de reunir um conjunto de instituições e entidades com

o objetivo de coordenar o

desenvolvimento de propostas

pedagógicas e de material didático, bem

como promover ações de intercâmbio e de

extensão tecnológica que levem em consideração as peculiaridades regionais e as diferentes políticas, técnicas e tecnologias visando capacitar profissionais para a operação, manutenção e gestão dos sistemas e serviços de saneamento. Para a estruturação da ReCESA foram formados Núcleos Regionais e um Comitê Gestor, em nível nacional.

Por fim, cabe destacar que este projeto tem sido bastante desafiador para todos nós: um grupo predominantemente formado por profissionais da área de engenharia que compreendeu a necessidade de agregar outros olhares e saberes, ainda que para isso tenha sido necessário "contornar todos os meandros do rio, antes de chegar ao seu curso principal".

ComitêComitêComitêComitê GestorGestorGestorGestor dadadada ReCESAReCESAReCESAReCESA

NURENENURENENURENENURENE

O Núcleo Regional Nordeste (NURENE) tem

por objetivo o desenvolvimento de

atividades de capacitação de profissionais da área de saneamento, em quatro estados da região Nordeste do Brasil:

Bahia, Ceará, Paraíba e Pernambuco.

O NURENE é coordenado pela

Universidade Federal da Bahia (UFBA), tendo como instituições co-executoras a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O NURENE espera que suas atividades possam contribuir para a alteração do quadro sanitário do Nordeste e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida da população dessa região marcada pela desigualdade social.

CoordenadoresCoordenadoresCoordenadoresCoordenadores InstitucioInstitucionaisInstitucioInstitucionaisnaisnais dodododo NURENENURENENURENENURENE

OsOsOsOs GuiasGuiasGuiasGuias

A coletânea de materiais didáticos

produzidos pelo NURENE é composta de

19 guias que serão utilizados nas Oficinas

de Capacitação para profissionais que

atuam na área de saneamento. Quatro guias tratam de temas transversais, quatro abordam o manejo das águas pluviais, três estão relacionados aos sistemas de abastecimento de água, três são sobre esgotamento sanitário e cinco versam sobre o manejo dos resíduos

sólidos e limpeza pública.

O público alvo do NURENE envolve

profissionais que atuam na área dos serviços de saneamento e que possuem um grau de escolaridade que varia do semi-alfabetizado ao terceiro grau.

Os guias representam um esforço do

NURENE no sentido de abordar as

temáticas de saneamento segundo uma proposta pedagógica pautada no reconhecimento das práticas atuais e em uma reflexão crítica sobre essas ações para a produção de uma nova prática capaz de contribuir para a promoção de

um saneamento de qualidade para todos.

EquipeEquipeEquipeEquipe dadadada CentralCentralCentralCentral dededede ProduçãoProduçãoProduçãoProdução dededede MateMaterialMateMaterialrialrial DidáticoDidáticoDidáticoDidático –––– CPMDCPMDCPMDCPMD

ApresentaçãoApresentaçãoApresentaçãoApresentação dadadada áreaáreaáreaárea temáticatemáticatemáticatemática

ResíduosResíduosResíduosResíduos SólidosSólidosSólidosSólidos

Os resíduos sólidos constituem um campo de ação do saneamento ambiental com interfaces com a saúde, o meio ambiente e demais componentes do saneamento. Deve ser compreendido como uma rede de interações que envolve aspectos sociais, técnicos, administrativos, operacionais, jurídicos, econômicos e financeiros. Para o êxito de suas atividades é importante o entendimento da co-responsabilidade na cadeia de resíduos. Dentro dessa visão, são abordados temas como planos integrados de gestão de resíduos sólidos urbanos considerando, entre outros assuntos, as oportunidades de processamento dos resíduos, alternativas de reaproveitamento e técnicas de disposição final.

ConselhoConselhoConselhoConselho EditorialEditorialEditorialEditorial dededede RResíduosRResíduosesíduosesíduos SólidosSólidosSólidosSólidos

Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – Nível 2

1111

SUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIO

INTRODUÇÃO

3

CONCEITOS GERAIS

4

O QUE SÃO RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS?

4

COMO OS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS PODEM SER CLASSIFICADOS?

4

GERAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

9

COMO PODEMOS REDUZIR A GERAÇÃO DE RSU?

10

RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS E A SAÚDE

12

GESTÃO E GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

15

PLANO DE GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS - PGIRSU

16

OBJETIVO

16

LEVANTAMENTOS

16

ASPECTOS DO MANEJO PARA OS DIVERSOS TIPOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

18

TRATAMENTO DOS RSU

26

TRATAMENTO DOS RSU

27

DESTINAÇÃO FINAL DOS RSU

31

MODELOS DE GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

38

PARTICIPAÇÃO SOCIAL NAS POLÍTICAS E PLANOS DE GESTÃO: DIREITOS E DEVERES DO CIDADÃO RELACIONADOS AOS SERVIÇOS DE LIMPEZA PÚBLICA

46

GESTÃO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA O MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS56

CUSTOS DOS SERVIÇOS DE LIMPEZA URBANA

64

REFERÊNCIAS

67

Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – Nível 2

2222

Introdução

Este Guia foi elaborado para a oficina Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos PGIRSU do NURENE – Núcleo Regional Nordeste / ReCESA – Rede de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental.

Pretende-se com ele, promover a reflexão dos profissionais de serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos sobre conceitos e informações úteis para a elaboração, implementação e avaliação de um PGIRSU, com vistas ao gerenciamento adequado dos resíduos sólidos.

Os tópicos são abordados em cinco blocos, o primeiro trata de conceitos básicos sobre resíduos sólidos, em seguida apresenta-se as etapas constituintes de um plano de gestão fornecendo exemplos de modelos de gestão para em posteriormente destacar dois aspectos importantes para a efetividade do plano, a participação social e os recursos financeiros necessários.

Ao longo da oficina várias questões serão apresentadas e discutidas com o grupo. Observe a Figura 1 que apresenta alguns fatores que influem na qualidade de vida. Qual a relação que pode ser estabelecida entre resíduos sólidos e condições de vida? O que devemos fazer para termos boas condições de vida que levem a uma qualidade de vida satisfatória para todos? Reflita

Fonte: Oficina da ReCESA em Pernambuco, 2006.
Fonte: Oficina da ReCESA em Pernambuco, 2006.

Figura 1 - Fatores que influem nas condições de vida.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

3

3333

Conceitos gerais

OOOO quequequeque sãosãosãosão RESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOS SÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOS URBANOS?URBANOS?URBANOS?URBANOS?

Resíduos sólidos urbanos (RSU) referem-se a resíduos sólidos e semi-sólidos gerados num aglomerado urbano (residências, comércio, logradouros, etc.), Figura 2.

Figura 2 - Exemplos de Resíduos Sólidos Urbanos. Fonte: www2.portoalegre.rs.gov.br /dmlu/default.php?p_secao=39.
Figura 2 - Exemplos de Resíduos Sólidos Urbanos.
Fonte: www2.portoalegre.rs.gov.br
/dmlu/default.php?p_secao=39.
Acesso outubro de 2007

De modo geral, os resíduos são compostos de restos de alimentos, papel, plástico, metal, trapos, podas, madeira, entre outros. Esses resíduos quando manuseados e dispostos de forma inadequada no meio ambiente podem ocasionar, problemas sanitários como também, deterioram a paisagem e desperdiçam oportunidades de obtenção de renda (ZANTA e outros,

2006)

Segundo a NBR 10.004/2004 Resíduos Sólidos Urbanos “são resíduos sólidos, nos

estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividades da comunidade de

origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, de serviços, de varrição ou

agrícola. Incluem-se lodos de estações de tratamento de água (ETA), e estações de

tratamento de esgotos (ETE’s), resíduos gerados em equipamentos e instalações

de controle da poluição e líquidos que não possam ser lançados na rede pública de esgotos, em função de suas particularidades”, ABNT (2004).

ComoComoComoComo osososos RESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOS SÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOS URBANOSURBANOSURBANOSURBANOS podempodempodempodem serserserser classificlassificlassificlassificados?cados?cados?cados?

Os Resíduos Sólidos Urbanos são classificados de diferentes maneiras, sendo mais comumente utilizada a classificação por origem e por potencial de contaminação. A importância dessa classificação é nortear a escolha de alternativas permitindo-se incluir desde o potencial de redução da geração de resíduos até a sua destinação final adequada.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

4

4444

A classificaçãoclassificaçãoclassificaçãoclassificação porporporpor origemorigemorigemorigem define os resíduos sólidos como:

origemorigemorigemorigem define os resíduos sólidos como: Domiciliar:Domiciliar:Domiciliar:Domiciliar: originado da

Domiciliar:Domiciliar:Domiciliar:Domiciliar: originado da vida diária das residências, constituído por restos de alimentos (cascas de frutas, verduras), papel (jornais, revistas), embalagens em geral (vidro, papelão, alumínio), resíduos contaminados como papel higiênico, fraldas descartáveis e resíduos tóxicos (tintas, esmaltes, aerossóis).

e resíduos tóxicos (tintas, esmaltes, aerossóis). ComercialComercial:ComercialComercial::: proveniente dos

ComercialComercial:ComercialComercial::: proveniente dos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como supermercados, estabelecimentos bancários, lojas, bares, restaurantes, etc.

bancários, lojas, bares, restaurantes, etc. ServiçosServiçosServiçosServiços

ServiçosServiçosServiçosServiços públicospúblicos:públicospúblicos originados dos serviços de limpeza urbana, incluindo todos os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, galerias, córregos, restos de podas de plantas, limpeza de

feiras livres, etc

diversos, embalagens, etc.

È constituído por restos de vegetais

embalagens, etc. È constituído por restos de vegetais Industrial:Industrial:Industrial:Industrial: originado nas

Industrial:Industrial:Industrial:Industrial: originado nas atividades dos diversos ramos da indústria, tais como: o metalúrgico, o químico, o petroquímico, o de papelaria, da indústria alimentícia, etc. O resíduo industrial é bastante variado, podendo ser representado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros, cerâmicas. Nesta categoria, inclui-se grande quantidade de lixo tóxico.

categoria, inclui-se grande quantidade de lixo tóxico. Agrícola:Agrícola:Agrícola:Agrícola: resíduos sólidos

Agrícola:Agrícola:Agrícola:Agrícola: resíduos sólidos das atividades agrícola e pecuária, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, etc. O resíduo proveniente de pesticidas é considerado tóxico e necessita de tratamento especial.

é considerado tóxico e necessita de tratamento especial. ResíduosResíduosResíduosResíduos dadadada

ResíduosResíduosResíduosResíduos dadadada construção:construção:construção:construção:

oriundos de construções, demolições, restos de obras, solos de escavações. Geralmente é um material inerte, podendo uma parcela ser passível de reaproveitamento.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

5

5555

RResíduRResíduesíduosesíduososos dosdosdosdos serviçosserviçosserviçosserviços dededede transporte,transporte,transporte,transporte, geradosgeradosgeradosgerados nasnasnasnas instalaçinstalaçinstalaçinstalaçõesõesõesões dededede aeroportos,aeroportos,aeroportos,aeroportos, rodoviárias,rodoviárias,rodoviárias,rodoviárias, portosportosportosportos etc.,etc.,etc.,etc., são considerados potencialmente perigosos, passíveis de se tornarem um veículo transmissor de doenças contagiosas de um lugar para outro.

RResíduosRResíduosesíduosesíduos originadosoriginadosoriginadosoriginados nnosnnososos serviçosserviçosserviçosserviços dededede saúdesaúdesaúdesaúde (RSS)(RSS):(RSS)(RSS)::: são resíduos descartados por hospitais, farmácias, postos de saúde, clínicas odontológicas, veterinárias (algodão, seringas, agulhas, restos de remédios, luvas, curativos, etc.). Os RSS são regidos por uma legislação específica, a RESOLUÇÃO RDC ANVISA Nº 306/2004 (Ministério da Saúde), na qual os resíduos são classificados em cinco grupos de acordo com as características dos materiais:

grupos de acordo com as características dos materiais: G R U P O G R U
grupos de acordo com as características dos materiais: G R U P O G R U

GRUPOGRUPOGRUPOGRUPO AAAA - Resíduos com a possível presença de agentes biológicos que, por suas características, podem apresentar risco de infecção.

suas características, podem apresentar risco de infecção. GRUPOGRUPOGRUPOGRUPO BBBB - Resíduos contendo substâncias

GRUPOGRUPOGRUPOGRUPO BBBB - Resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade.

de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. GRUPOGRUPOGRUPOGRUPO CCCC - Quaisquer materiais resultantes

GRUPOGRUPOGRUPOGRUPO

CCCC

-

Quaisquer

materiais

resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista.

os quais a reutilização é imprópria ou não prevista. G R U P O G R

GRUPOGRUPOGRUPOGRUPO DDDD - Resíduos que não apresentem risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares.

podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. G R U P O G R U P O

GRUPOGRUPOGRUPOGRUPO EEEE - Materiais perfurocortantes ou escarificantes, tais como:

lâminas de barbear, agulhas, escalpes, ampolas de vidro, brocas, limas endodônticas, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas; tubos capilares; micropipetas, lâminas e lamínulas, espátulas e todos os utensílios de vidro quebrados em laboratórios e outros similares.

A Resolução CONAMA nº 358/2005 Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

6

6666

A outra classificação dos RSU também comumente utilizada é qquantoqquantouantouanto aosaosaosaos riscosriscosriscosriscos potenciaispotenciaispotenciaispotenciais dededede

contaminaçãocontaminaçãocontaminaçãocontaminação do meio ambiente e a saúde. Os resíduos são classificados em: perigosos e não perigosos.

resíduos são classificados em: perigosos e não perigosos. VocêVocêVocêVocê Sabia!Sabia!Sabia!Sabia! O

VocêVocêVocêVocê Sabia!Sabia!Sabia!Sabia!

O Ministério da Saúde através

da Portaria N.º 518, de 25 de

março de 2004, Estabelece os

procedimentos e

responsabilidades relativos ao

controle e vigilância da

qualidade da água para

consumo humano e seu padrão

de potabilidade, e dá outras providências.

Figura 3. Classificação dos resíduos sólidos quanto à periculosidade.

O Quadro 1 apresenta os responsáveis pelo gerenciamento de cada tipo de resíduo, segundo a

origem.

Quadro 1 – Responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos sólidos.

 

ORIGEMORIGEMORIGEMORIGEM DODODODO RESÍDUORESÍDUORESÍDUORESÍDUO

RESPONSÁVELRESPONSÁVELRESPONSÁVELRESPONSÁVEL

Domiciliar

Prefeitura

Comercial

Prefeitura*

Público

Prefeitura

Serviços de saúde

Gerador (hospitais etc.)

Industrial

Gerador (indústria)

Portos, aeroportos e terminais rodoviários e ferroviários.

Gerador (portos etc.)

Agrícola

Gerador (agricultor)

Entulho

Gerador/Município(*)

Fonte: IPT/CEMPRE, 2000. (*) A Prefeitura é responsável por quantidades pequenas, de acordo com a legislação municipal específica. Quantidades superiores são de responsabilidade do gerador.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

7

7777

Na classificação dos resíduos quanto à periculosidade foram apresentados termos que talvez ainda sejam desconhecidos por você: PERICULOSIDADE, BIIDEGRABILIDADE e SOLUBILIDADE. Assim, vamos conjuntamente construir a definição de cada um deles.

conjuntamente construir a definição de cada um deles. A partir do quadro acima, como você definiria?

A partir do quadro acima, como você definiria?

um deles. A partir do quadro acima, como você definiria? Periculosidade: Periculosidade: Periculosidade:

Periculosidade:

Periculosidade:

Periculosidade:

Periculosidade:

Biodegradabilidade:Biodegradabilidade: Biodegradabilidade:Biodegradabilidade:

Solubilidade:

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

8

8888

GeraçãGeraçãoGeraçãGeraçãooo dosdosdosdos RESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOS SÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOS URBANOSURBANOSURBANOSURBANOS

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico - PNSB (IBGE, 2000) realizada no ano 2000, o Brasil gerava, neste ano, diariamente, cerca de 228 mil toneladas de resíduos, geração per capita de 1,35 (kg/hab/dia). Segundo mesma pesquisa, a região sudeste era responsável por 62% de todo o resíduo gerado no país, Quadro 2.

Quadro 2 – Estimativa de geração de resíduos sólidos no Brasil

 

GeraçãoGeraçãoGeraçãoGeração dededede ResíduosResíduosResíduosResíduos

GeraçãoGeraçãoGeraçãoGeração percapitapercapitapercapitapercapita

RegiãoRegiãoRegiãoRegião

PopulaçãoPopulaçãoPopulaçãoPopulação TotalTotalTotalTotal

QuantidadeQuantidadeQuantidadeQuantidade

PPercentualPPercentualercentualercentual

QuantidadeQuantidadeQuantidadeQuantidade

QuantidadeQuantidadeQuantidadeQuantidade

PercentualPercentualPercentualPercentual

(ton/dia)(ton/dia)(ton/dia)(ton/dia)

(kg/hab/dia)(kg/hab/dia)(kg/hab/dia)(kg/hab/dia)

Brasil

169.799.170

100

228.413

100

1,35

Norte

12.900.704

7,6

11.067

4,8

0,86

Nordeste

47.741.711

28,1

41.558

18,2

0,87

Sudeste

72.412.411

42,6

141.617

62,0

1,96

Sul

25.107.616

14,8

19.875

8,7

0,79

Centro-Oeste

11.636.728

6,9

14.297

6,3

1,23

Fonte: Pesquisa Nacional de Saneamento Básico; IBGE (2000).

VocêVocêVocêVocê sabia!sabia!sabia!sabia!

Segundo Pinto, 1999, no Brasil em cidades médias e

grandes a geração de resíduos da construção varia entre 400 a 700 kg/hab.ano.

Para refletir

O que você gera de Resíduos sólidos é a mesma quantidade que você produz?

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

9

9999

Você tem idéia de quanto tempo os resíduos se decompõem na natureza? Será que podemos pensar nisso antes de gerá-los?

natureza? Será que podemos pensar nisso antes de gerá-los? ComoComoComoComo podemospodemospodemospodemos

ComoComoComoComo podemospodemospodemospodemos reduzirreduzirreduzirreduzir aaaa geraçãogeraçãogeraçãogeração dededede RSU?RSU?RSU?RSU?

Cite exemplos de como reduzir a geração de RSU:

Cite exemplos de como reduzir a geração de RSU:

Cite exemplos de como reduzir a geração de RSU:

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

10

1111

Para minimizar os impactos causados pelos resíduos produzidos é necessário envolver os cidadãos através de programas educativos que enfatizem os bons hábitos e a preservação do meio ambiente.

Todos nós produzimos lixo, logo fazemos parte desse problema, mas podemos também fazer parte da solução, utilizando os 3R’s:

RRRReduzir o necessário.

RRRReutilizar o máximo possível.

Estimular a RRRReciclagem.

Reduzir:Reduzir:Reduzir:Reduzir: consiste em diminuir a quantidade do lixo produzido, desperdiçar menos, consumir só

o necessário, sem exageros.

Reutilização:Reutilização:Reutilização:Reutilização: A reutilização é a re-introdução dos resíduos sem alterações na sua estrutura, nos circuitos de produção ou consumo para uso semelhante. Por exemplo, a utilização de garrafas retornáveis de cerveja e dos dois lados de uma folha de papel. O uso de garrafas de PET para fabricação de utensílios e móveis também é uma forma de reutilização (Figura 4).

e móveis também é uma forma de reutilização (Figura 4). ( A ) (C) Fonte: www.setorreciclagem.com.br

(A)

também é uma forma de reutilização (Figura 4). ( A ) (C) Fonte: www.setorreciclagem.com.br (B) Figura
(C) Fonte: www.setorreciclagem.com.br
(C)
Fonte: www.setorreciclagem.com.br

(B) Figura 4 - Reutilização de garrafas PET: (A) Encosto e assento para cadeira de praia; (B) Luminária; e (C) Mochilas feitas com tiras do PET.

ReciclarReciclar:ReciclarReciclar

O termo reciclagem, tecnicamente falando, não corresponde ao uso que fazemos

dessa palavra, pois reciclar é transformar algo usado, em algo igual, só que novo. Por exemplo, uma lata de alumínio, pós-consumo, é transformada através de processo industrial em uma lata nova.

O que podemos fazer é contribuir para a reciclagem por meio de segregação dos materiais, isto

é separar para a reciclagem, pois, na verdade, o indivíduo na maioria das vezes não recicla

Como exceção podemos citar os artesãos de papel reciclado.

Agora que você já sabe como reduzir a geração de resíduos sólidos, vamos apresentar os benefícios gerados pelos 3R’S:

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

11

1111

DiminuiçãoDiminuiçãoDiminuiçãoDiminuição dadadada quantidadequantidadequantidadequantidade dededede lixo:lixo:lixo:lixo: a redução da geração de lixo aumenta a vida útil dos aterros sanitários, pois diminui a quantidade de lixo disposto para aterramento. Reduz também o custo da coleta para a prefeitura municipal, pois haverá menos lixo a ser coletado;

DiminuiçãoDiminuiçãoDiminuiçãoDiminuição dadadada exploraçãoexploraçãoexploraçãoexploração dosdosdosdos recursosrecursosrecursosrecursos naturais:naturais:naturais:naturais: com a exigência por produtos com maior durabilidade, mantendo um consumo mais racional e repartindo com outras pessoas o uso de materiais (equipamento, jornais, livros, etc.), os recursos naturais renováveis e não renováveis são menos explorados. Estas práticas não implicam em diminuição da qualidade de vida, ao contrário, a tendência é aumentá-la;

ReduçãoReduçãoReduçãoRedução dodododo consumoconsumoconsumoconsumo dededede energia:energia:energia:energia: pode-se gastar menos com a reciclagem do que fazendo o produto com matéria prima não reciclada;

ReduçãoReduçãoReduçãoRedução dadadada poluiçãopoluiçãopoluiçãopoluição dodododo ar,ar,ar,ar, dasdasdasdas águaságuaságuaságuas eeee dodododo solo:solo:solo:solo: diminuindo a proliferação de doenças e a contaminação de alimentos;

GeraçãoGeraçãoGeraçãoGeração dededede empregos:empregos:empregos:empregos: oportunidades de fortalecer organizações comunitárias, gerando renda pela comercialização dos recicláveis, como também, emprego gerados pela implantação de indústrias recicladoras.

RESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOS SÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOS URBANOSURBANOSURBANOSURBANOS eeee aaaa SAÚDESAÚDESAÚDESAÚDE

A principal dificuldade na definição das populações expostas aos efeitos diretos ou indiretos do gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos municipais está no fato dos sistemas de informação e monitoramento sobre saúde e meio ambiente não contemplarem, em geral, o aspecto coletivo das populações, não dispondo de dados epidemiológicos suficientes e confiáveis. Ainda que seja difícil estabelecer uma relação de interferência na saúde desta população pelos resíduos sólidos municipais, diante da ausência de qualquer tipo de saneamento, não há razões para se imaginar que não haja uma contribuição significativa dos mesmos neste quadro negativo (FERREIRA e ANJOS, 2001).

Doenças como malária, cólera, leptospirose, dengue, doenças de chagas, esquistossomose e leishmaniose estão associadas à degradação ambiental e à ausência de condições sanitárias mínimas. Organismos patogênicos e seus vetores encontram nos resíduos sólidos substâncias de alto teor energético, disponibilidade de água e abrigo. Alguns destes organismos habitam os resíduos durante toda sua existência, outros apenas em certos períodos.

Esse fenômeno migratório pode constituir-se num grande problema, pois o resíduo passa a ser uma fonte contínua de agentes patogênicos e uma ameaça real à sobrevivência humana.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

12

1111

VocêVocêVocêVocê sabia!sabia!sabia!sabia!

Um agente patogênico pode ser um microorganismo como bactérias, vírus, fungos, protozoários, helmintos e alguns tipos de vermes seres vivos.

A Figura 5 apresenta as vias de contato existente entre o lixo e o homem.

Contato Doenças direto Insetos e LIXOLIXOLIXOLIXO HOMEMHOMEMHOMEMHOMEM ratos Alimentação de Contato Mal-estar
Contato
Doenças
direto
Insetos e
LIXOLIXOLIXOLIXO
HOMEMHOMEMHOMEMHOMEM
ratos
Alimentação de
Contato
Mal-estar
indireto
animais (porcos e
aves)
Poluição do
meio ambiente
Figura 5 – Vias de contato do Homem com o lixo
Fonte: SISINNO e outros, 2000

VocêVocêVocêVocê sabia!sabia!sabia!sabia!

Vetor é o ser vivo responsável pela transmissão de doenças entre seres vivos.

O Quadro 3 apresenta as doenças relacionadas aos resíduos sólidos, o período de resistência,

vetores e formas de transmissão.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

13

1111

Quadro 3 - Doenças relacionadas aos resíduos sólidos.

MicrorganismosMicrorganismosMicrorganismosMicrorganismos

DoençasDoençasDoençasDoenças

ResistênciaResistênciaResistênciaResistência

VetoresVetoresVetoresVetores

FormaFormaFormaForma dededede

 

(dias)(dias)(dias)(dias)

transmissãotransmissãotransmissãotransmissão

BactériasBactériasBactériasBactérias

 

Salmonella typhi

Febre tifóide

29 – 70

Mosca,

Asas, patas, corpo, fezes e saliva

 

barata

Salmonella Paratyphi

F. paratifóide

29 – 70

Mosca,

Asas, patas, corpo, fezes e saliva

 

barata

Salmonella sp

Salmoneloses

29 – 70

Mosca,

Asas, patas, corpo, fezes e saliva

 

barata

Shigella

Disenteria

02

07

Mosca,

Asas, patas, corpo, fezes e saliva

bacilar

barata

Coliformes fecais

Gastroenterites

35

Mosca,

Asas, patas, corpo, fezes e saliva

 

barata

Leptospira

Leptospirose

15 – 43

Rato e pulga

Mordida, urina, fezes e picada

Mycrobacterium

Tuberculose

150-180

 

tuberculosis

Vibrio cholerae

Cólera

1 – 13*

Mosca,

Asas, patas, corpo, fezes e saliva

 

barata

 

VírusVírusVírusVírus

Enterovírus

Poliomielite

20

– 70

Mosquito

Picada

(Poliovirus)

 

HelmintosHelmintosHelmintosHelmintos

 

Ascaris lumbricoídes

Ascaridíase

2.000 – 2.500

Mosca,

Asas, patas, corpo, fezes e saliva

 

barata

Trichuris trichiura

Trichiuríase

1800**

 

Larvas de

Ancilostomose

35**

 

ancilóstomos

Outras larvas de vermes

25

– 40

 

ProtozoáriosProtozoáriosProtozoáriosProtozoários

 

Entamoeba histolytica

Amebíase

08 – 12

Mosca,

Asas, patas, corpo, fezes e saliva

 

barata

* em alimentos, ** em laboratório.

Fonte: Adaptado de Brasil, 2004

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

14

1111

GESTÃOGESTÃOGESTÃOGESTÃO eeee GERENCIAMENTOGERENCIAMENTOGERENCIAMENTOGERENCIAMENTO dosdosdosdos RESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOSRESÍDUOS SÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOSSÓLIDOS URBANOSURBANOSURBANOSURBANOS

Os termos gestão e gerenciamento são comumente entendidos com sendo sinônimos, mas são diferentes. Entende-se como gestão de resíduos sólidos o estabelecimento de políticas, normas, leis e procedimentos relacionados a estes. Portanto, é uma atribuição para pessoas com autonomia para aprovar o PGIRS. Por outro lado, o termo gerenciamento de resíduos sólidos refere-se aos aspectos tecnológicos e operacionais da questão, envolvendo fatores administrativos, gerenciais, econômicos, ambientais e de desempenho, por exemplo, produtividade e qualidade. Relaciona-se à prevenção, redução, segregação, reutilização, acondicionamento, coleta, transporte, tratamento, recuperação de energia e destinação final de resíduos sólidos (PNUD, 1996).

Em síntese, o gerenciamento é o processo de implementação da política e das estratégias para o desenvolvimento e execução das ações definidas no PGIRS. A Figura 6 ilustra a participação dos principais atores que participam do gerenciamento de RSU.

OPERACIONAM Fonte: Oficina da ReCESA em Pernambuco, 2006.
OPERACIONAM
Fonte: Oficina da ReCESA em Pernambuco, 2006.

Figura 6 - Principais atores de um PGRSU e suas respectivas atribuições.

Uma vez definido um modelo básico de gestão de resíduos sólidos, contemplando diretrizes, arranjos institucionais, instrumentos legais, mecanismos de sustentabilidade, entre outras questões, deve-se criar uma estrutura para o gerenciamento dos resíduos, de acordo com o modelo e traçado de acordo com as características dos municípios.

Pode-se considerar o gerenciamento integrado dos resíduos quando existir uma estreita interligação entre as ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento das atividades do sistema de limpeza urbana, bem como quando tais articulações se manifestarem também das demais políticas públicas setoriais. Nesse cenário, a participação da população ocupará papel de significativo destaque, tendo reconhecida sua função de agente transformador no contexto da limpeza urbana.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

15

1111

Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos - PGIRSU

ObjetivoObjetivoObjetivoObjetivo

Prestar o serviço de manejo e limpeza urbana com eficiência e eficácia, garantindo melhorias sanitárias e ambientais.

LevantamentosLevantamentosLevantamentosLevantamentos preliminares.preliminares.preliminares.preliminares.

Esta primeira etapa, comumente chamada de diagnóstico, é imprescindível para a elaboração de alternativas para a gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos de um município. Para isso necessita-se levantar as informações do atual sistema de limpeza urbana, bem como a caracterização qualitativa e quantitativa dos resíduos a serem coletados.

Alguns aspectos a serem considerados para a realização de um bom diagnóstico relacionados por Mesquita Junior, 2002, são descritos a seguir.

Levantamento detalhado sobre a situação atual da limpeza urbana no Município;

responsabilidade pelo sistema de limpeza urbana;

serviços contemplados (atendidos? realizados?);

infra-estrutura disponível (viaturas, equipamentos, pessoal);

gasto/mês com o serviço de limpeza;

formas de cobrança (IPTU, taxa específica, outros);

quantidade de lixo gerada na cidade;

porcentagem da população e área atendida pelos serviços;

existência de catadores nas ruas ou no local de disposição final;

existência de cooperativa de catadores;

existência de coleta seletiva e reciclagem;

formas de tratamento e disposição final;

existência de programa de Educação Ambiental;

existência de serviço de informação e atendimento ao público;

existência de pesquisa de opinião pública sobre os serviços de limpeza;

levantamento dos principais problemas relacionados à limpeza urbana;

estabelecimento de metas e prioridades;

estudo de viabilidade técnica, econômica, ambiental e social;

identificação das parcerias para a concepção e desenvolvimento do projeto.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

16

1111

A caracterização dos resíduos sólidos pode ser física, química e biológica, conforme apresentado no Quadro 4. Vale ressaltar, que os aspectos sociais, econômicos, culturais, geográficos e climáticos podem influenciar nesta caracterização.

Quadro 4 – Caracterização dos resíduos sólidos

Geração per capita FÍSICAFÍSICAFÍSICAFÍSICA Relaciona a quantidade de resíduos urbanos gerada diariamente por
Geração per capita
FÍSICAFÍSICAFÍSICAFÍSICA
Relaciona a quantidade de resíduos urbanos gerada
diariamente por número de habitantes de determinada
região.
Composição
gravimétrica
Traduz o percentual de cada componente em relação ao
peso total da amostra de lixo analisada.
Peso específico
aparente
É o peso do lixo solto em função do volume ocupado
livremente, sem qualquer compactação, expresso em
kg/m³.
Teor de umidade
Representa a quantidade de água presente no lixo,
medida em percentual do seu peso.
Compressividade
É o grau de compactação ou a redução do volume que
uma massa de lixo pode sofrer quando compactada.
Submetido a uma pressão de 4kg/cm², o volume do lixo
pode ser reduzido de um terço (1/3) a um quarto (1/4) do
seu volume original.
Poder calorífico
Esta característica química indica a capacidade potencial
de um material desprender determinada quantidade de
calor quando submetido à queima. O poder calorífico
médio do lixo domiciliar se situa na faixa de
5.000kcal/kg.
pH
Indica o teor de acidez ou alcalinidade dos resíduos. Em
geral, situa-se na faixa de 5 a 7.
QUÍMICAQUÍMICAQUÍMICAQUÍMICA
Composição
química
Consiste na determinação dos teores de cinzas, matéria
orgânica, carbono, nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo,
resíduo mineral total, resíduo mineral solúvel e gorduras.
Relação
carbono/nitrogênio
(C/N)
Indica o grau de decomposição da matéria orgânica do
lixo nos processos de tratamento/disposição final. Em
geral, essa relação encontra-se na ordem de 35/1 a 20/1.
BIOLÓGICABIOLÓGICABIOLÓGICABIOLÓGICA
são aquelas determinadas pela população microbiana e dos agentes patogênicos
presentes no lixo que, ao lado das suas características químicas, permitem que
sejam selecionados os métodos de tratamento e disposição final mais
adequados.
métodos de tratamento e disposição final mais adequados. Segundo Pessin et al. 2002, os resíduos podem

Segundo Pessin et al. 2002, os resíduos podem ser analisados quanto a sua composição gravimétrica considerando os seguintes componentes:

Matéria Orgânica, Plástico, Papel e Papelão, Vidro, Metais, Trapos e Madeira, Contaminante Químico, Contaminante Biológico, Folhas e Terra, e outros

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

17

1111

AspectosAspectosAspectosAspectos dodododo manejomanejomanejomanejo paraparaparapara osososos diversosdiversosdiversosdiversos tipostipostipostipos dededede ResíduResíduResíduResíduosososos SólidosSólidosSólidosSólidos UrbanosUrbanosUrbanosUrbanos

O manejo dos RSU compreende as ações referentes à geração, acondicionamento, coleta e transporte, tratamento e disposição final, assim como proteção à saúde humana e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos envolvidos neste serviço público. Um programa de gerenciamento deve assegurar que todos os resíduos serão manejados de forma apropriada e segura, desde a geração até a destinação final.

AcondicionamentoAcondicionamentoAcondicionamentoAcondicionamento

Acondicionamento é a fase inicial, na qual os resíduos são preparados de modo a serem mais facilmente manuseados nas etapas de coleta e de destinação final. Acondicionar significa dar ao resíduo sólido uma embalagem adequada, cujos tipos dependem de suas características e da forma de remoção, aumentando assim a segurança e a eficiência do serviço.

A gestão dos resíduos tem início no local onde ele é gerado. No domicílio, o acondicionamento adequado, propicia um ambiente saudável e facilita a coleta. Existem diferentes maneiras de acondicionar resíduos, vão desde sacos plásticos até contêineres. É importante que para cada tipo de resíduos seja escolhido o acondicionamento mais adequado. O Quadro 5 apresenta as opções para acondicionar os resíduos sólidos de acordo com seu tipo.

Quadro 5 – Formas de acondicionamento de acordo tipo dos resíduos sólidos

TiTipoTiTipopopo dededede ResíduoResíduoResíduoResíduo

FormasFormasFormasFormas dededede acondicionamentoacondicionamentoacondicionamentoacondicionamento

Domiciliares / comerciais

Sacos plásticos contêineres de plásticos e metálicos

Varrição

Sacos plásticos descartáveis; apropriados Contêiner coletor ou intercambiável Recipientes basculantes – cestos Contêineres estacionários

Feiras livres e eventos

Recipientes basculantes - cestos Contêineres estacionários Tambores de 100/ 200 L Cestos coletores de calçadas

Podas

Contêineres estacionários

Resíduos da construção (entulho)

Contêineres estacionários

Resíduos dos serviços de saúde

Sacos ou recipientes que evitem vazamentos e resistam às ações de punctura e ruptura.

Fonte: BRASIL (2004); RESOLUÇÃO RDC ANVISA Nº 306/2004

O acondicionamento dos resíduos é realizado de duas formas: interna e externa, conforme exemplos apresentados na Figura 7.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

18

1111

(A) Fonte: BRASIL (2004) (B) Figura 7. Acondicionamento de resíduos: (A) Acondicionamento interno; (B) Acondicionamento

(A)

Fonte: BRASIL (2004)
Fonte: BRASIL (2004)

(B)

Figura 7. Acondicionamento de resíduos: (A) Acondicionamento interno; (B) Acondicionamento externo

(A) Acondicionamento interno; (B) Acondicionamento externo Figura 8. Recipientes usados para acondicionar resíduo. Os

Figura 8. Recipientes usados para acondicionar resíduo.

Os limites máximos aceitáveis de peso e de volume do lixo a ser coletado regularmente são estabelecidos por normas da prefeitura que devem refletir as peculiaridades locais. A população deve ser orientada e educada, pois sua colaboração é fundamental para a boa execução das atividades.

Um mau acondicionamento retarda e encarece os serviços de limpeza urbana do município. Recipientes inadequados ou improvisados, pouco resistentes, mal fechados ou muito pesados e com materiais sem a devida proteção, aumentam o risco de acidentes de trabalho.

Os materiais agressivos ou perigosos devem ser acondicionados em separado do restante do lixo, para uma correta disposição. Os líquidos devem ser retirados. Vidros quebrados e superfícies cortantes devem ser embrulhados em jornal.

Os grandes geradores ou geradores de resíduos especiais (entulhos de construção, industriais, radioativos etc.), devem providenciar o acondicionamento do resíduo que geram.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

19

1111

ColetaColetaColetaColeta

A coleta visa à remoção de resíduos sólidos colocados à disposição do Poder Público, os quais devem ser encaminhados ao tratamento e/ou a destinação final.

Há diferentes tipos de coletas de RSU segundo a NBR 12980/1993 (ABNT, 1993).

ColetaColetaColetaColeta domiciliardomiciliar:domiciliardomiciliar::: coleta dos resíduos domésticos e comerciais que tenham características semelhantes ao doméstico

ColetaColetaColetaColeta dededede resíduosresíduosresíduosresíduos dededede feiras,feiras,feiras,feiras, praiaspraiaspraiaspraias ouououou calçadõescalçadões:calçadõescalçadões::: coleta dos resíduos oriundos da limpeza e varrição de feiras, praias e calçadões.

ColetasColetasColetasColetas EspeciaisEspeciais:EspeciaisEspeciais::: qualquer remoção de resíduos que, em função de suas características especiais, não são retirados pela coleta de lixo domiciliar. Em geral, são resíduos volumosos, restos de folhagem e podações, veículos abandonados, animais mortos, ou resíduos cuja coleta exija equipamentos especiais e/ou estejam definidos na legislação do município. Quando a geração de resíduos excede o volume máximo estabelecido pela legislação municipal cabe ao gerador providenciar a sua coleta, por exemplo, grandes volumes de resíduos de construção civil.

ColetaColetaColetaColeta dededede resíduosresíduosresíduosresíduos dededede serviçosserviçosserviçosserviços dededede saúdesaúde:saúdesaúde::: é realizada à parte por apresentar riscos à saúde superiores à coleta domiciliar. Essa coleta é executada por veículos exclusivos, de forma a não ocorrerem problemas de espalhamento de resíduos, o derramamento de líquidos em vias públicas ou problemas de contato manual.

ColetaColetaColetaColeta Seletiva:Seletiva:Seletiva:Seletiva: é aquela onde a população separa e acondiciona os materiais segundo as suas características (papel, plástico, metal, alumínio, vidros), para posterior coleta pelo Poder Público. Sugere-se estabelecer uma coleta seletiva de todos os materiais recicláveis acondicionados juntos, para posterior triagem, reduzindo o custo da coleta que pode ter freqüência de uma vez por semana.

Para sua implantação é necessário que a limpeza pública da cidade esteja bem equacionada, principalmente o sistema de tratamento e destinação final. O município não deve possuir vias públicas sem coleta normal, sua população deve ser educada quanto ao acondicionamento dos resíduos sólidos e os horários de coleta e não podem existir pontos de acúmulo ou descarga indiscriminada de resíduos.

Programas de educação ambiental e de incentivo à ação cidadã devem ser desenvolvidos visando à adesão da população. Vale ressaltar que não se deve analisar o custo-benefício como único indicador da viabilidade da coleta seletiva, pois mesmo com o aumento dos custos devido à utilização de veículos especiais e a criação de rotas e freqüência de coleta alternativas, é necessário considerar os benefícios sociais e ambientais decorrentes da reciclagem.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

20

2222

A Coleta Seletiva pode ser feita de diferentes maneiras: porta-a-porta, Pontos de Entrega

Voluntária (PEV´s) ou Locais de Entrega Voluntária (LEV´s), unidades ou centrais de triagem e por catadores.

Fonte: BRASIL (2004)
Fonte: BRASIL (2004)

PortaPorta-PortaPorta--a-aa-a--porta:-porta:porta:porta:

os

resíduos

são

separados

no

local

de

geração

para

serem

recolhidos

pela

prefeitura.

Figura 9 – Coleta de materiais recicláveis porta-a-porta

PEV´sPEV´sPEV´sPEV´s (Pontos(Pontos(Pontos(Pontos dededede EntregaEntregaEntregaEntrega Voluntária)Voluntária)Voluntária)Voluntária) ouououou LLEV´sLLEV´sEV´sEV´s (Locais(Locais(Loca(Locaisis dededede EntregaEntregaEntregaEntrega Voluntária):Voluntária):Voluntária):Voluntária): Distribuição em pontos diversos de grupos de acondicionadores diferenciados por cores e/ou símbolos onde as pessoas depositam os matérias recicláveis.

Fonte: www.ciabrasil.org.br Acesso janeiro de 2008
Fonte: www.ciabrasil.org.br
Acesso janeiro de 2008

UnidadesUnidadesUnidadesUnidades ouououou CentraisCentraisCentraisCentrais dededede Triagem:Triagem:Triagem:Triagem: É a unidade onde é realizada a triagem dos resíduos domiciliares e comerciais, que passarão por um processo de separação, prensagem e armazenamento.

Figura 10 - Processo de separação dos materiais recicláveis.

PorPorPorPor catadores:catadores:catadores:catadores: Os catadores recolhem materiais recicláveis, quando permitido, em locais de armazenamento temporário ou de destinação final dos resíduos. Esta alternativa é uma das responsáveis pelo sucesso da reciclagem no Brasil, no entanto recomenda-se que estes catadores sejam inseridos ao sistema de limpeza urbana do município, por meio de associações ou cooperativas, permitindo a capacitação e melhores condições de trabalho.

Já apresentamos os tipos de coletas existentes, agora vamos aprender a importância de existir

um PLANO DE COLETA para a movimentação dos RSU em condições de segurança e sem oferecer riscos à saúde da população e a integridade dos funcionários. No Quadro 6 apresenta-

se os itens que devem constar neste PLANO.

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

21

2222

Quadro 6 – Itens que devem ser considerados na elaboração de um Plano de Coleta

SetoresSetoresSetoresSetores eeee abrabragênciaabrabragênciaagênciaagência dededede coletacoletacoletacoleta

Determinados com base na estimativa de quantidade de resíduos gerada pela população em cada setor

RotasRotasRotasRotas

De cada setor em função da distância até a sua área de destinação final, bem como da velocidade dos veículos coletores

VelocidadeVelocidadeVelocidadeVelocidade Condicionada a obstáculos, tais como: topografia da área, intensidade do trânsito de veículos e pedestres, existência de locais de difícil acesso, etc.

DetalhamentoDetalhamentoDetalhamentoDetalhamento

Indicando no mapa pontos bases para cada setor de coleta, de forma a

gráficográficográficográfico

evitar deslocamentos improdutivos do caminhão.

RoteiroRoteiroRoteiroRoteiro descritivodescritivodescritivodescritivo Com a visualização do roteiro de coleta traçado, de forma que permita estimar o tempo produtivo e previsão de horários aproximados de atendimento em cada trecho do setor de coleta. Esse dado é de fundamental importância para que os moradores disponham os resíduos para a coleta no horário adequado.

VeículosVeículosVeículosVeículos coletorescoletorescoletorescoletores

Utilizados em função em das características de cada setor, dificuldade de acesso, quantidade de resíduos, etc.

QuantidadeQuantidadeQuantidadeQuantidade dededede garisgarisgarisgaris Calculada em função das necessidades de cada região, das características dos equipamentos a serem empregados, da geração de RSU.

FreqüênciaFreqüênciaFreqüênciaFreqüência eeee horáriohoráriohoráriohorário

eeee horáriohoráriohoráriohorário Determinados em função de alguns parâmetros, tais como:

Determinados em função de alguns parâmetros, tais como:

equipamentos, pessoal e combustível.

Pode variar em função da localidade e volume de coleta, podendo ser no horário diurno ou noturno com freqüência diária ou alternada. A freqüência deve ser definida e rigorosamente obedecida visando evitar acúmulo de lixo e, conseqüentemente, transtornos à população e a não credibilidade no serviço e nos horários de passagem do veículo coletor.

O estabelecimento de coleta diurna e alternada nas áreas de menor produção de lixo

(geralmente zonas residenciais e zonas mistas – comercial e domiciliar), e de coleta noturna

e diária nas zonas de maior geração de resíduos (zonas comerciais e centrais) proporcionará

a racionalização dos serviços, com melhor aproveitamento de equipamentos e da mão-de- obra, bem como menor custo de operação.

TranspTransporteTranspTransporteorteorte

O transporte é a transferência dos resíduos do local de origem para o tratamento e/ou destino

final. Para isso, devem ser utilizados veículos coletores que atendam as especificações inerentes a cada tipo de resíduo. Para escolha do tipo de veículo coletor devem ser levados em

consideração o tipo e a quantidade de lixo, os custos de equipamentos, as condições locais como a mão de obra, as características das vias públicas (largura, declividade e pavimentação),

as densidades populacionais e de tráfegos e custeios operacionais de manutenção.

A análise da realidade local poderá indicar alternativas mais baratas, como, por exemplo, a

carroça de tração animal, micro-coletores ou reboques puxados por pequenos tratores (Quadro

7).

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

22

2222

Quadro 7 – Vantagens e desvantagens dos veículos coletores

EXEMPLOEXEMPLOEXEMPLOEXEMPLO TIPOTIPOTIPOTIPO VANTAGENSVANTAGENSVANTAGENSVANTAGENS
EXEMPLOEXEMPLOEXEMPLOEXEMPLO
TIPOTIPOTIPOTIPO
VANTAGENSVANTAGENSVANTAGENSVANTAGENS
DESVANTAGENSDESVANTAGENSDESVANTAGENSDESVANTAGENS
• Transporta pequenas
quantidades de resíduos.
Coleta imediata dos resíduos de varrição.
Lutocar¹Lutocar¹Lutocar¹Lutocar¹
Trafega em locais de vias estreitas.
Fácil limpeza e manutenção.
• Necessita de ponto de apoio
para seu esvaziamento
• Transporta pequenas
quantidades de resíduos.
TraçãoTraçãoTraçãoTração animal²animal²animal²animal²
Apropriado para a zona rural (pequenos povoados);
Não consome combustível.
Baixo custo
• Custeio da alimentação e
tratamento do animal.
• O lixo pode se espalhar pela rua
devido à ação do vento.
CaminhãoCaminhãoCaminhãoCaminhão
Possibilidade de utilização em outros serviços do município.
basculantebasculantebasculantebasculante ³³³³
• A altura da carroceria exige dos
garis grande esforço na
manipulação do lixo.
• Preço elevado do equipamento.
• Manutenção mais complicada.e
cara para municípios pequenos
CompactadorCompactadorCompactadorCompactador 4444
• Relação custo x beneficio
desfavorável em áreas de baixa
densidade populacional.

Capacidade de transportar muito lixo. Baixa altura de carregamento, facilitando o serviço dos coletores que apresentam maior produtividade. Rapidez na operação de descarga do material, já que são providos de mecanismos de ejeção. Elimina inconvenientes sanitários decorrentes da presença de trabalhador arrumando o lixo na carroceria ou do espalhamento do material na via pública.

Fonte: Adaptação de BRASIL (2004). Imagens: 1 www.seton.com.br (Acesso abril de 2008) 2 www.sanepar.com.br (Acesso outubro de 2007) 3 www.itapagipe.mg.gov.br (Acesso janeiro de 2008) 4 www.sobral.ce.gov.br (Acesso janeiro de 2008)

2222

Guia do Profissional em Treinamento - ReCESA

23

LimpezaLimpezaLimpezaLimpeza dededede LogradourosLogradourosLogradourosLogradouros PúblicosPúblicosPúblicosPúblicos

Varrição de vias públicas

O objetivo da varrição é manter a cidade limpa,

evitar riscos à saúde pública e prevenir enchentes e assoreamento de recursos hídricos. Devido ao caráter permanente desse serviço, recomenda-se a implantação de áreas de apoios (micro ponto de varrição) para os garis.

A freqüência de uma varrição é função direta do

tipo de ocupação do solo, vias de acesso e áreas de eventos sendo maior em áreas de grande fluxo de pedestres e menor em áreas residenciais.

Figura 11 - Varrição manual. Fonte: http://portal2.manaus.am.gov.br/ Acesso outubro de 2007
Figura 11 - Varrição manual.
Fonte: http://portal2.manaus.am.gov.br/
Acesso outubro de 2007

A varrição das vias, calçadas, sarjetas, escadarias, túneis e outros logradouros públicos,

em geral pavimentados, pode ser manual ou mecânica (Figura 11 e 12). A prioridade da

varrição deve ser dada às sarjetas e processadas a limpeza de passeios quando sujos (LIMA, 2001).

Figura 12. Varrição mecânica. Fonte: www.ourinhos.sp.gov.br/ Acesso outubro de 2007
Figura 12. Varrição mecânica.
Fonte: www.ourinhos.sp.gov.br/
Acesso outubro de 2007

A varrição envolve despesas significativas e deve ser executada por um plano de varrição, estabelecendo:

setores da cidade e suas respectivas freqüências de varrição;

de

roteiro

e

número

necessário

servidores e equipamentos;

produtividade esperada por varredor (km varridos/jornada).

Embora o parâmetro “produtividade” seja determinante nesse processo, outros critérios e aspectos são igualmente importantes e precisam ser considerados. A equipe de varrição deve ser composta por um número par de "carrinheiros" e varredores a fim de se cumprir a execução do percurso conforme planejado e garantir a segurança dos trabalhadores.

Essa metodologia de planejamento propõe que a turma de varrição se subdivida em duas equipes, que percorrem simultaneamente, os lados direito e esquerdo das vias públicas, evitando desta forma manobras perigosas para a segurança dos garis. Além disto, ao "carrinheiro" cabe apenas a função de recolher e acondicionar os resíduos em sacos plásticos que devem ser dispostos em pontos de confinamento para posterior remoção da via pública e o esvaziamento dos cestos coletores de resíduos leves (NOGUEIRA e MESQUITA, 2001).

Capinação e roçagem

Capinação e roçagem são serviços distintos: a capinação consiste na retirada de terra, corte e retirada total da cobertura vegetal que cresce de forma indesejada; a roçagem refere-se a cortar rente ao chão a vegetação rasteira, na qual se mantém uma cobertura vegetal mínima sobre o solo, Figura 13.

Figura 13 - Serviço de roçagem - Jardim Botânico, Curitiba, PR.

Fonte: http://cidadesdobrasil.com.br/ Acesso outubro de 2007
Fonte: http://cidadesdobrasil.com.br/
Acesso outubro de 2007

A capinação é realizada, geralmente, em áreas não edificadas e em ruas não pavimentadas, com o objetivo de evitar que o mato, o capim e as ervas daninhas prejudiquem o trânsito de pessoas, a segurança pessoal, a estética e a limpeza dos logradouros públicos e das áreas residenciais. Evitando também, a transformação dessas áreas em depósitos de detritos, em esconderijos de pessoas suspeitas e em focos de desenvolvimento de mosquitos e roedores.

A periodicidade dos serviços de capina varia de 30 a 120 dias, dependendo da época do ano (período de estiagem ou de chuvas) e do movimento do uso do logradouro a ser capinado.

No que diz respeito ao tipo de capinação, ela pode ser manual, mecânica ou química (Figuras 14).

Fonte: www.amaranthus.esalq.usp.br Acesso outubro de 2007
Fonte: www.amaranthus.esalq.usp.br
Acesso outubro de 2007

(A)

(B)

Fonte: www.inteligentesite.com.br Acesso outubro de 2007 Fonte:www.clin.rj.gov.br r Acesso outubro de 2007
Fonte: www.inteligentesite.com.br
Acesso outubro de 2007
Fonte:www.clin.rj.gov.br r
Acesso outubro de 2007

(C)

Figura 14. Tipos de capinação: (A) manual ; (B) Mecânica; e (C) Química.

Segundo Lima (2001), a capinação química apresenta o custo/beneficio acentuadamente mais econômico, quando comparada às formas manuais e mecânicas, porém, apesar do grande número de dados comprovando eficácia do método, existe resistência das autoridades em aprovar esses serviços, em função dos riscos de contaminação.

Pintura de meio-fio

A pintura de meio-fio tem um caráter especial para a limpeza urbana, devendo ser executada após a capinação, raspagem de terra, varrição e lavagem das vias, quando necessário.

Este serviço não é apenas um efeito visual, além do aspecto de limpeza e organização, ela serve de orientação para o tráfego e ajuda na segurança do trânsito. A aplicação da pintura pode ser em linha contínua e linha interrompida. Em geral, essa pintura é feita com tinta a base de cal. Considerados agentes formadores de filme, os óleos facilitam a aplicação da tinta, pois melhoram o deslizamento do pincel, na tinta utilizada deve-se dar preferência para a adição de óleos de linhaça, pois estes são secativos.

Limpeza de feiras livres e mercados

Este serviço deve ser realizado por garis, munidos de vassourões, pás e carrinhos de mão, imediatamente após o encerramento do expediente da feira ou mercado. As áreas onde foram comercializados peixes, carnes e frutas devem ser lavadas, desinfetadas ou desodoradas. Para facilitar o acondicionamento de grandes volumes podem ser utilizados contêineres.

Os resíduos de feiras livres e mercados são orgânicos em quase toda a sua totalidade,

sendo favorável encaminhá-los para o processo de compostagem.

A

e

Limpeza de Praias

limpeza de praias consiste no recolhimento de papéis, embalagens e detritos volumosos

pode ser realizada de forma manual ou mecânica.

método manual, utilizando-se ancinhos,

pás, etc., permite uma operação rápida e com elevada produtividade. É o mais recomendado.

O

No método mecânico são utilizadas máquinas

resistentes à corrosão, maresia e abrasão da

areia (Figura 15). Considerando o custo de

aquisição e manutenção desses equipamentos, seu emprego geralmente não se justifica.

Figura 15. Limpeza mecânica de praias. Fonte: www.ubatuba.sp.gov.br/noticias/ Acesso outubro de 2007
Figura 15. Limpeza mecânica de praias.
Fonte: www.ubatuba.sp.gov.br/noticias/
Acesso outubro de 2007

A freqüência e o número de equipes nas praias dependem do movimento nas mesmas.

O Poder Público deve disponibilizar cestos e contêineres ao longo da praia de

forma que facilite aos banhistas e demais freqüentadores o depósito adequado de

resíduos leves. Estes acondicionadores servem como instrumento operacional, de apoio, e de educação da população.

TratamentoTratamentoTratamentoTratamento dosdosdosdos RSURSURSURSU

Segundo o Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (IBAM, 2001), tratamento de resíduos sólidos urbanos é definido:

uma série de procedimentos destinados a reduzir a quantidade

ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos, seja impedindo descarte

de lixo em ambiente ou local inadequado, seja transformando-o em material inerte ou biologicamente estável”.(IBAM, 2001; pág 119)

como

Entre as formas de tratamento dos resíduos sólidos urbanos podemos citar Compostagem, Reciclagem e a Incineração como os mais usuais sendo que esta última por possuir alto custo ainda é pouco difundida no Brasil.

CompostagemCompostagemCompostagemCompostagem

A compostagem é um processo biológico e controlado de tratamento e estabilização de resíduos orgânicos para a produção de condicionantes do solo (composto). O processo de compostagem é desenvolvido por uma população diversificada de microrganismos e envolve duas fases distintas: a primeira, quando acontecem as reações bioquímicas de oxidação mais intensas, predominantemente termofílicas; a segunda, ou fase de maturação, quando ocorre o processo de humificação dos materiais orgânicos compostados, predominando nesta fase reações mesofílicas (PEREIRA NETO, 1996). A Figura 16 ilustra as alterações na temperatura durante o processo de compostagem.

Fonte: Adaptado do IPT/CEMPRE, 2000.
Fonte: Adaptado do IPT/CEMPRE, 2000.

Figura 16. Evolução da cura do composto.

A compostagem é, por definição,,,, o processo que visa à estabilização de materiais orgânicos por via aeróbia. Vários são os métodos para a execução do processo de compostagem, entre eles destaca-se: compostagem artesanal; compostagem com reviramento mecânico; compostagem em pilhas estáticas com aeração forçada; compostagem em recintos fechados com aeração forçada.

Fonte: Grupo de Resíduos Sólidos da UFBA, 2006 Figura 17 - Leira de compostagem, Parque
Fonte: Grupo de Resíduos Sólidos da UFBA, 2006
Fonte: Grupo de Resíduos Sólidos da
UFBA, 2006

Figura 17 - Leira de compostagem, Parque Sócioambiental de Canabrava – Salvador, Ba

Quais resíduos podem ser encaminhados para a compostagem?

Quais resíduos podem ser encaminhados para a compostagem?

Quais resíduos podem ser encaminhados para a compostagem?

ReciclagemReciclagemReciclagemReciclagem

Reciclagem é a transformação de resíduos, tais como papéis, plásticos, vidros e metais, por meio do seu retorno à indústria para serem beneficiados e novamente transformados em produtos comercializáveis no mercado de consumo. Um exemplo é a reciclagem de vidro, Figura 18. A reciclagem propicia vantagens como preservação de recursos naturais; geração de emprego e renda; e conscientização da população para as questões ambientais. Porém o custo do beneficiamento da maioria dos recicláveis ainda é considerado elevado em relação ao custo de matéria-prima virgem.

elevado em relação ao custo de matéria-prima virgem. Figura - 18. Exemplo da trajetória da reciclagem

Figura - 18. Exemplo da trajetória da reciclagem de vidro.

IncineraçãoIncineraçãoIncineraçãoIncineração

A incineração é um processo de oxidação com temperaturas acima de 1000ºC no qual acontece a transformação de materiais e a destruição de microrganismos. Esse processo apresenta uma redução significativa do volume e do peso inicial, em torno de 95% e 85%, respectivamente. As escórias e as cinzas geradas são totalmente inertes (BRASIL, 2004).

As vantagens da incineração são: redução drástica do volume a ser descartado; redução do impacto ambiental, quando bem operado; destoxificação; e recuperação de energia. Por outro lado, a incineração apresenta as seguintes limitações: custo elevado; exige mão-de-obra qualificada e manutenção intensa; e emissão de componentes da classe das dioxinas e furanos, que são potencialmente cancerígenos.

Importância da Catação informal na Reciclagem

Há anos, a reciclagem é sustentada no Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, através da catação informal de papéis e outros materiais achados nas

ruas e nos lixões. Em cada Região Metropolitana, estima-se a existência de milhares de homens e mulheres que sobrevivem como catadores de rua. Nos municípios menores,

também é comum a presença pessoas trabalhando na catação (IPT/CEMPRE, 2000).

Figura 19 - Manifestação pública de catadores, Recife - PE Fonte: www.movimentodoscatadores.org.br/ Acesso outubroi
Figura 19 - Manifestação pública
de catadores, Recife - PE
Fonte: www.movimentodoscatadores.org.br/
Acesso outubroi de 2007

Segundo Roberto Rocha 1 , em entrevista concedida em 2005 à repórter Alana Gandra da Agência Brasil, os catadores podem ser agrupados em quatro níveis: cooperativas de catadores; associações de catadores; catadores de rua ou em formação; e catadores de lixões a

céu aberto.

Embora de grande importância o benefício que os catadores trazem para a limpeza urbana passa despercebido. Eles coletam recicláveis antes que o caminhão da prefeitura passe, reduzindo o volume de resíduos coletados e os gastos com a limpeza pública. O material encaminhado às indústrias gera empregos e reduz a utilização de recursos naturais (IPT/CEMPRE, 2000).

A renda de catadores varia em função da composição do lixo e do número de catadores, mas em muitos locais é maior que o salário mínimo. Nos lixões, embora as condições de trabalho sejam extremamente insalubres, de acordo com o IPT/CEMPRE, 2000, muitos catadores recusam oportunidades de empregos em cidades pela liberdade de horário e de comportamento trabalhando nos lixões.

1 Representante da comissão nacional de articulação do movimento nacional dos catadores de materiais recicláveis

A administração pública, em conjunto com entidades de assistência às populações carentes, pode incentivar a formação de associações de catadores e cooperativas formalizando uma atividade, auxiliando com a dotação de uma infra-estrutura mínima, e ajudando a resgatar a cidadania desse segmento excluído. Estas parcerias podem ocorrer com a participação do poder publico no planejamento do trabalho, na capacitação desses profissionais, na valorização dos mesmos perante a sociedade (LIMA, 2001).

Neste sentido, a integração desses trabalhadores no Serviço de Limpeza Urbana Municipal, pode trazer benefícios em diversos setores do município. Para tanto devem ser articuladas ações com diversas secretarias que possam contribuir: educação, habitação, saúde, meio ambiente, abastecimento, trabalho, desenvolvimento social. Deverão ser envolvidos empresários do ramo de reciclagem, lideranças comunitárias, escolares e a população (LIMA, 2001).

De acordo com o estudo feito em 2005 pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, em conjunto com o departamento de Economia da Universidade Federal da Bahia, o custo para a implementação de uma cooperativa de catadores é um dos mais baixos do mercado brasileiro.

Qual a situação dos catadores em seu município? O que pode ser feito para eles cada vez mais o sistema formal de resíduos sólidos?

DestinaçãoDestinaçãoDestinaçãoDestinação finalfinalfinalfinal dosdosdosdos RSURSURSURSU

Vamos iniciar este item questionando o seu conhecimento sobre a destinação de resíduos sólidos urbanos no seu Município.

Qual é a destinação final dos resíduos sólidos urbanos coletados no seu município? Descreva suas
Qual é a destinação final dos resíduos sólidos urbanos
coletados no seu município?
Descreva suas características.

Existem alguns métodos de disposição final de RSU sendo utilizados no País, embora o único sanitariamente adequado seja o Aterro Sanitário. A seguir são conceituados os três métodos de disposição praticados no Brasil.

LixãoLixãoLixãoLixão

Neste método os resíduos sólidos são simplesmente descarregados sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública (Figura 20). Essa forma de disposição facilita a proliferação de vetores (moscas, mosquitos, baratas, ratos); geração de maus odores; poluição das águas superficiais e subterrâneas pelo lixiviado – mistura do chorume, gerado pela degradação da matéria orgânica, com a água de chuva. Também não possibilita o controle dos resíduos que são encaminhados para o local de disposição (BIDONE e POVINELLI, 1999).

Fonte: Grupo de Resíduos Sólidos da UFPE
Fonte: Grupo de Resíduos Sólidos da UFPE

Figura 20. Lixão de Campina Grande-PB

Em termos ambientais, os lixões agravam a poluição do ar, do solo e das águas, além de provocar poluição visual. Nos casos de disposição de pontos de lixo nas encostas é possível ainda ocorrer a instabilidade dos taludes pela sobrecarga e absorção temporária da água da chuva, provocando deslizamentos.

Em termos sociais, os lixões a céu aberto contribuem para a favelização do local. A área passa a exercer atração nas populações de baixa renda do entorno, que buscam na separação e comercialização de materiais recicláveis uma alternativa de trabalho, apesar das condições insalubres e sub-humanas da atividade. Do ponto de vista econômico, a área para disposição de resíduos gera custos externos negativos, quase sempre ignorados, referentes à depreciação das terras e imóveis nos seus arredores. Esse tipo de destinação está proibido no Brasil.

AterroAterroAterroAterro controladocontroladocontroladocontrolado

Técnica utilizada para promover melhorias no local de disposição final de resíduos sólidos visando aumentar a segurança do local e minimizar os riscos de impactos negativos ao meio ambiente e a saúde pública. Entre as ações adotadas podemos citar: o recobrimento diário dos resíduos com argila; controle e registro de entrada e saída de veículos e drenagem das águas pluviais.

Estes procedimentos são muitas vezes empregados para atenuar alguns impactos ambientais da disposição na forma de LIXÃO, não evitando na maioria das vezes o risco de poluição no solo pela infiltração do lixiviado gerado.

AterrosAterrosAterrosAterros ManuaisManuaisManuaisManuais ouououou SimplifSimplificadosSimplifSimplificadosicadosicados

Existem algumas tecnologias de aterros simplificados ou manuais atualmente no Brasil, concebidas para serem aplicadas em municípios com geração de resíduos sólidos que podem alcançar no máximo 30 toneladas dias segundo a Resolução CONAMA Nº308, de

03/2002.

Na Bahia o Aterro Sanitário Simplificado - ASS proposto pela Companhia de Desenvolvimento Urbano Regional do Estado da Bahia - CONDER para atender a carência de disposição adequada de municípios baianos com população até 15.000 habitantes que

gerem de 10 a 15 toneladas de resíduos por dia (CONDER, 2005). Segundo Fiúza, Fontes e Cruz (2002), a grande totalidade dos municípios baianos com população nesta faixa não tem receita suficiente para resolver seus problemas de saneamento básico, situação

agravada com a carência de capacitação técnica e gerencial. Para estes autores a baixa geração de RSU, comum em municípios deste porte, dispensa tecnologia sofisticada para destiná-los adequadamente do ponto de vista sanitário e ambiental.

FIGURA 21 – Aterro Sanitário Simplificado dos Distritos Baixios e Palame Município de Esplanada, Ba.
FIGURA 21 – Aterro Sanitário Simplificado dos Distritos
Baixios e Palame Município de Esplanada, Ba.
Fonte: Grupo de Resíduos Sólidos da
UFBA, 2005

AterroAterroAterroAterro SanitárioSanitárioSanitárioSanitário

Aterro sanitário é uma obra de

engenharia que tem como objetivo acomodar resíduos sólidos no solo, no menor espaço possível, sem causar danos ao meio ambiente e a saúde pública. Para tanto, dispõe de vários sistemas de engenharia, tais como drenagem superficial das águas pluviais e do lixiviado de base, drenagem dos gases produzidos na decomposição dos resíduos orgânicos, etc (Figura 22).

Dreno de Lixiviado Fonte: Adaptado do IPT/CEMPRE, 2000.
Dreno de
Lixiviado
Fonte: Adaptado do IPT/CEMPRE, 2000.

Figura 22 - Componentes da obra de engenharia de aterro sanitário

Quando do projeto de aterros sanitários devem ser tomadas as seguintes medidas:

proteger as águas superficiais e subterrâneas de possível contaminação oriunda do aterro;

dispor, acumular e compactar diariamente o lixo na forma de células, trabalhando com técnicas corretas para possibilitar o tráfego imediato de caminhões coletores, equipamentos e para reduzir recalques futuros do solo do local;

recobrir diariamente o lixo com uma camada de terra para impedir a proliferação de roedores, insetos e outros vetores e a presença de catadores e animais à procura de materiais e alimentos;

controlar os gases e líquidos que são formados no aterro;

manter os acessos internos e externos em boas condições, mesmo em tempo de chuva;

isolar e tornar indevassável o aterro e evitar incômodos à vizinhança.

Tratamento do Lixiviado

Para que um aterro seja considerado sanitário é necessário, entre outras coisas, que ele trate o seu efluente, ou seja, o lixiviado proveniente das células de lixo, que é uma mistura de água de chuva e subprodutos da decomposição dos resíduos. Esse efluente é altamente poluente e sua composição é complexa devido à variabilidade de suas características. Conseqüentemente, a forma de tratá-lo requer estudos prévios bastante apurados para cada caso e a opção pelo tipo de tratamento deve ser baseada em parâmetros técnicos e econômicos (BELTRÃO, 2006). O Quadro 8 apresenta alguns sistemas de tratamento utilizados em aterros sanitários.

Quadro 8 - Sistemas de tratamento que podem ser utilizados em aterros sanitários.

SISTEMASISTEMASISTEMASISTEMA

 

VANTAGENSVANTAGENSVANTAGENSVANTAGENS

DESVANTAGENSDESVANTAGENSDESVANTAGENSDESVANTAGENS

Lodo ativado

-Elevada eficiência na remoção de DBO. -Baixos requisitos de área. -Redução de maus odores, insetos e vermes.

-Elevado custo de implantação e operação -Elevado consumo de energia -Elevado índice de mecanização

Lagoa aerada

-Eficiência de tratamento satisfatória, condições climáticas favoráveis (para o Nordeste).

-Elevado custo de implantação e operação

Filtro

-Elevada eficiência na remoção de DBO. -Requisitos de área relativamente baixos. -Mecanização baixa.

-Elevado custo de operação. -Elevado custo de implantação. -Elevada perda de carga.

biológico

Filtro

-

Boa resistência após períodos de

-Remoção de N e P insatisfatório. -Riscos de entupimento.

anaeróbio

paralisação.

-

Boa adaptação a diferentes tipos e

 

concentrações de esgotos.

Reator UASB

-Baixos requisitos de área. -Reduzido consumo de energia. - Eficiência satisfatória na remoção de DBO.

-Possibilidade de maus odores. -Remoção de N e P insatisfatório. -Relativamente sensível a variação de carga.

Lagoa

-Satisfatória remoção de DBO. -Construção e manutenção simples. -Requisitos energéticos praticamente simples

-Elevado requisito de área. -Permanece variável com as condições climáticas. -Necessidade de remoção de algas dos efluentes para o cumprimento de padrões rigorosos.

facultativa

Lagoa

-Requerem áreas inferiores aos das lagoas facultativas. - Satisfatória remoção de DBO.

-Possibilidade de maus odores na lagoa. - Eventual necessidade de elevatória de recirculação do efluente, para controle de maus odores.

anaeróbia

Aproveitamento de biogás

Um aterro sanitário também deve possuir em seu interior um sistema de drenagem de gases que possibilite a coleta do metano, gás carbônico e água (vapor), além de outros gases, formados pela decomposição dos resíduos. Esse efluente pode ser queimado na atmosfera ou aproveitado para geração de energia. No caso de alguns países, como o Brasil, a utilização dos gases pode ter como recompensa financeira a compensação por créditos de carbono conforme previsto no Protocolo de Kyoto.

Monitoramento Ambiental

O monitoramento dos recursos naturais na área contaminada do empreendimento visa o

acompanhamento das condições do meio físico natural e social em função do uso do solo.

A realização do monitoramento indica, por exemplo, a evolução do estágio de decomposição dos resíduos depositados e, portanto, de eficiência no processo de inertização do maciço de lixo. O monitoramento constitui uma base para análise do comportamento de aterros de resíduos sólidos, além de fornecer dados essenciais ao seu tratamento, manutenção, ou mesmo, operação.

O conjunto ordenado e sistemático de ações permitirá verificar a eficiência das medidas

mitigadoras previstas em projeto e a eficiência do sistema, sendo possível detectar falhas

eventuais e agir rapidamente, evitando, com isso, o agravamento de um impacto ambiental. Assim sendo, deverá ser devidamente monitorada a qualidade das águas superficiais e das águas subterrâneas.

Recuperação de areas usadas como Lixões

É urgente a promoção a operação adequada das áreas de disposição de resíduos, no

intuito de prevenir ou reduzir os possíveis impactos negativos ao meio ambiente ou à saúde pública

A busca de soluções para o problema deve envolver, sobretudo, a recuperação técnica,

social e ambiental de áreas afetadas aliada aos aspectos políticos e administrativo- financeiros da questão.

Os processos de recuperação dos lixões requerem ações voltadas à estruturação do aterro para a realização do tratamento dos seus resíduos envolvendo: preparação da infra- estrutura de acessos e circulação no aterro; drenagem de águas pluviais; formação de células; cobertura do lixo compactado; drenagem e retenção de lixiviado e drenagem e captação de gases. Neste processo é de grande importância a avaliação da eficiência do

As Figuras 23 e

plano de recuperação da área monitorando-se o solo, água e ar do

24 ilustram as etapas do processo de recuperação para a disposição final adequada da área do Lixão de Aguazinha, Olinda-PE

(A) Lixão a céu aberto (B) Aterro de Aguazinha no ano de 2001 Figura 23
(A) Lixão a céu aberto
(B) Aterro de Aguazinha no ano de 2001
Figura 23 - Situação inicial do Lixão de Aguazinha, Olinda-PE.
Fonte: Grupo de Resíduos Sólidos da UFPE
(A) Geometrização e cobertura de argila (2006). (B) Situação Atual (2006). Fonte: Grupo de Resíduos
(A) Geometrização e cobertura de argila (2006). (B) Situação Atual (2006).
Fonte: Grupo de Resíduos Sólidos da UFPE

Figura 24 - Situação em 2006 do processo de recuperação do Lixão de Aguazinha, Olinda-PE.

AgoraAgoraAgoraAgora responda:responda:responda:responda: A partir dos conceitos apresentados, como você avalia a
AgoraAgoraAgoraAgora responda:responda:responda:responda:
A partir dos conceitos apresentados, como você avalia a destinação final
dos resíduos sólidos urbanos coletados no seu município? O que deve ser
modificado?

Modelos de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos

Como já foi visto, o conceito de gestão de resíduos sólidos abrange atividades referentes à tomada de decisões estratégicas com relação aos aspectos institucionais, administrativos, operacionais, financeiros e ambientais (LIMA, 2003). Trata-se da organização do setor, por meio de políticas e instrumentos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM (2003) os princípios traçados no Plano de Gestão de Resíduos Sólidos são:

Reduzir a geração de resíduos.

Aumentar a reutilização e reciclagem do que foi gerado.

Promover o depósito e tratamento ambientalmente adequado dos rejeitos.

Prestar os serviços a toda população.

Um modelo de gestão envolve três aspectos: arranjos institucionais, instrumentos legais e mecanismos de sustentabilidade (LIMA, 2001).

A gestão dá o suporte necessário para o processo de funcionamento do sistema, para

garantir a prestação do serviço público de limpeza urbana com eficiência.

Assim a gestão dentro de um sistema de limpeza urbana/pública, de forma mínima,

significa:

(i) criar, por lei municipal, um órgão próprio (departamento, autarquia ou empresa pública), que deve estar vinculado a alguma secretaria da administração direta e contida dentro do organograma da prefeitura para que conste no orçamento ;

(ii) possuir fontes de recursos que garanta a execução, seja, orçamentária, por

comercialização de espaços, cobrança dos serviços;

(iii) o órgão deve estar organizado de acordo com as atividades exercidas para a

prestação dos serviços, tanto a questão de estrutura organizacional tanto administrativa

(controle de freqüência, atendimentos diversos, emissão de relatórios, controle de contratos de terceirização etc.) quanto operacional (transporte, coletas diferenciadas, varrição, limpeza de logradouros, tratamento e destino final), cargos e funções dimensionados de acordo com as necessidades.

Com a gestão organizada, o gerenciamento, em geral, ocorre com maior eficiência.

O Instituto de Pesquisa e Tecnologia – IPT (2000) sugere descentralização de recursos,

planejamento e implantação das propostas na gestão integrada dos resíduos respeitando

a cultura e os hábitos da população além do incentivo de parcerias.

Gerenciar os resíduos de forma integrada demanda trabalhar integralmente os aspectos sociais com o planejamento das ações técnicas e operacionais do sistema de limpeza urbana (IBAM, 2001).

O Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos é um documento que apresenta um levantamento da situação atual do sistema de limpeza urbana, com pré-seleção das alternativas mais viáveis, estabelecimento de ações integradas e diretrizes sob os aspectos ambientais, econômicos, financeiros, administrativos, técnicos, sociais e legais para todas as fases da gestão dos resíduos sólidos, desde a sua geração até a destinação final (BRASIL, 2000).

O gerenciamento integrado é composto de subsistemas específicos que demandam instalações, equipamentos, pessoal e tecnologias não somente por parte da prefeitura, mas realizados pelos demais agentes envolvidos na gestão, entre os quais se enquadram (IBAM, 2001):

a própria população, empenhada na separação e acondicionamento diferenciado dos materiais recicláveis em casa;

os grandes geradores, responsáveis pelos próprios rejeitos;

os catadores, organizados em cooperativas, capazes de atender à coleta de recicláveis oferecidos pela população e comercializá-los junto às fontes de beneficiamento;

os estabelecimentos de serviços de saúde responsáveis por tornar os resíduos inertes ou oferecer à coleta diferenciada, quando isso for imprescindível;

a prefeitura, por meio de seus agentes, instituições e empresas contratadas, que com acordos, convênios e parcerias exercem importante papel no gerenciamento integrado de todo o sistema.

A Constituição Federal, em seu art. 30, incisos I e V, estabelece como atribuição do município legislar sobre assuntos de interesse local, especialmente quanto a

organização dos seus serviços públicos, como é o caso da limpeza urbana.

seus serviços públicos, como é o caso da limpeza urbana . Em geral, o sistema de

Em geral, o sistema de limpeza urbana de uma cidade pode ser administrado das seguintes formas:

(a) diretamente pelo Município, por meio de um departamento;

(b) através de uma empresa pública específica; ou

(c)

através

de

uma

empresa

de

especificamente essa função.

economia

mista

criada

para

desempenhar

Independentemente disso, os serviços podem ser ainda objeto de concessão ou terceirização junto à iniciativa privada, via licitação.

A Figura 25 apresenta de forma esquemática o modelo de gestão exercido diretamente

pelo município. Neste modelo a Prefeitura planeja, executa e fiscaliza os serviços de limpeza pública.

Prefeitura Municipal

os serviços de limpeza pública. Prefeitura Municipal Secretaria Municipal de Obras / Serviços Urbanos

Secretaria Municipal de Obras / Serviços Urbanos

Municipal Secretaria Municipal de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Serviços Congêneres Coleta

Departamento de Limpeza Urbana

de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Serviços Congêneres Coleta Varrição Destinação Final

Serviços

Congêneres

Coleta
Coleta
Varrição
Varrição
Destinação Final
Destinação
Final
Fiscalização
Fiscalização

Figura 25 - Gestão de RSU exercida diretamente pelo Município (LIMA, 2001)

Nos próximos itens definem-se as demais formas de prestação de serviços de limpeza urbana, a saber: concessão, terceirização e consórcio.

ConcessãoConcessãoConcessãoConcessão

É um modelo de gestão definido na Lei 8987/95, que dispõe sobre o regime de concessão

e permissão da prestação de serviços públicos previstos no art. 175 da Constituição

Federal. Consiste na delegação de serviço público ou obra pública, mediante contrato administrativo precedido de licitação, que objetiva a transferência da Administração para

o particular, por tempo determinado (LIMA, 2003).

A concessionária organiza, executa e coordena o serviço, podendo inclusive terceirizar

operações e arrecadar os pagamentos referentes a sua remuneração, diretamente ao usuário/beneficiário dos serviços. Geralmente é objeto de contrato a longo tempo que possam garantir o retorno dos investimentos aplicados (IBAM, 2001).

Na concessão o poder concedente, o município, detém a titularidade do serviço e o poder de fiscalização e regularização. Isso pressupõe uma capacitação técnica e administrativa para executar todos os atos pertencentes ao processo, desde decisões técnicas, elaboração de termos de referência, edital e contrato até a fiscalização e o controle dos serviços prestados (IPT, 2000). A Figura 26 ilustra esquematicamente essa forma de prestação de serviço na área de limpeza urbana.

A grande dificuldade está nas poucas garantias que as concessionárias recebem quanto à

arrecadação e ao pagamento dos seus serviços e na fragilidade dos municípios em preparar os editais de concessão, conhecer custos e fiscalizar serviços (LIMA, 2003; IBAM,

2001).

Prefeitura Municipal Secretaria Municipal de Obras / Serviços Urbanos Gerência de Limpeza Urbana Fiscalização
Prefeitura Municipal
Secretaria Municipal de Obras / Serviços Urbanos
Gerência de Limpeza Urbana
Fiscalização
Empreiteira (s)
Coleta
Varrição
Serviços
Destinação
Congêneres
Final

Figura 26 - Gestão de RSU exercida por empresa particular (LIMA, 2001).

TerceirizaçãoTerceirizaçãoTerceirizaçãoTerceirização

A terceirização é uma maneira de execução dos serviços na área de limpeza urbana por

meio de contratos firmados com o ente particular. Essa forma de prestação de serviço consolida o conceito próprio da administração pública, ou seja, exercer as funções de coordenação, podendo deixar às empresas privadas a operação propriamente dita (LIMA,

2003).

É importante lembrar que a terceirização de serviços pode se manifestar em diversas

escalas, desde a contratação de empresas bem estruturadas com especialidade em determinado segmento operacional tais como as operações nos aterros sanitários, até a

contratação de microempresas ou trabalhadores autônomos, que possam promover, por exemplo, coleta com transporte de tração animal ou a operação manual de aterros de pequeno porte.

As concessões e terceirizações podem ser globais ou parciais, envolvendo um ou mais segmentos das operações de limpeza urbana. Existe ainda a possibilidade de consórcio com outros municípios, especialmente nas soluções para a destinação final dos resíduos.

ConsórcioConsórcioConsórcioConsórcio

O consórcio caracteriza-se como um acordo entre municípios com o objetivo de alcançar

metas comuns previamente estabelecidas. Para tanto, os recursos sejam humanos ou financeiros dos municípios integrantes são reunidos sob a forma de um consórcio a fim de viabilizar a implantação de ação, programa ou projeto desejado.

A Lei 11.445/05 estabelece diretrizes nacionais para o Saneamento Básico. A mesma

define regras para aumento de investimentos privados e públicos no setor. Os focos são o

planejamento, a fiscalização e a participação social.

A Lei de Saneamento (11.445/05) também recomenda a implementação da gestão

associada dos consórcios municipais no setor.

Os consórcios por sua vez são fundamentados na Lei 11.107/05, regulamentada pelo Decreto 6.017/07. Os consórcios públicos são parcerias formadas por dois ou mais entes federativos, que optam por constituir um consórcio com personalidade jurídica de direito público ou de direito privado, subordinando-se, em ambos os casos, às normas de direito público relativas à licitação, celebração de contratos, admissão de pessoal, execução de receitas e despesas e à prestação de contas.

Em se tratando de consórcios públicos, termos como gestão associada de serviços públicos e contrato de programa devem ser compreendidos pelas prefeituras para uma boa gestão dos RSU.

De acordo com a referida Lei entende-se por gestão associada de serviços públicos o exercício das atividades de planejamento, regulação ou fiscalização de serviços públicos por meio de consórcio público ou de convênio de cooperação entre entes federados, acompanhadas ou não da prestação de serviços públicos ou da transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos. De um modo geral, essa expressão trata da prestação conjunta de serviços públicos por dois ou mais entes federativos.

O Contrato de Programa é um instrumento pelo qual devem ser constituídas e reguladas

as obrigações que um ente da Federação, inclusive sua administração indireta, tenha para

com outro ente da Federação, ou para com consórcio público, no âmbito da prestação de

serviços públicos por meio de cooperação federativa.

Conforme se pode depreender da referida Lei, o termo contrato de programa presta-se à efetivação da gestão associada de serviço público, sendo celebrado em decorrência de um consórcio público ou de um convênio de cooperação.

A Figura 27 apresenta de forma esquemática o modelo de consórcio entre municípios

para uma das etapas da gestão de seus resíduos, a destinação final.

Prefeitura A

Prefeitura A Secretaria de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Gerência de Limpeza Urbana

Secretaria de Obras / Serviços Urbanos

Prefeitura A Secretaria de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Gerência de Limpeza Urbana

Departamento de Limpeza Urbana

de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Gerência de Limpeza Urbana Prefeitura B Secretaria
Gerência de Limpeza Urbana

Gerência de Limpeza Urbana

Gerência de Limpeza Urbana
Gerência de Limpeza Urbana
Departamento de Limpeza Urbana Gerência de Limpeza Urbana Prefeitura B Secretaria de Obras / Serviços Urbanos

Prefeitura B

de Limpeza Urbana Gerência de Limpeza Urbana Prefeitura B Secretaria de Obras / Serviços Urbanos Departamento

Secretaria de Obras / Serviços Urbanos

Urbana Prefeitura B Secretaria de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Prefeitura C Secretaria

Departamento de Limpeza Urbana

de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Prefeitura C Secretaria de Obras / Serviços

Prefeitura C

Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Prefeitura C Secretaria de Obras / Serviços Urbanos Departamento de

Secretaria de Obras / Serviços Urbanos

Urbana Prefeitura C Secretaria de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Gerência de Limpeza

Departamento de Limpeza Urbana

de Obras / Serviços Urbanos Departamento de Limpeza Urbana Gerência de Limpeza Urbana ATERRO SANITÁRIO Gerência

Gerência de Limpeza Urbana

Departamento de Limpeza Urbana Gerência de Limpeza Urbana ATERRO SANITÁRIO Gerência de Limpeza Urbana Figura 27

ATERRO SANITÁRIO

Gerência de Limpeza Urbana

Gerência de Limpeza Urbana

Gerência de Limpeza Urbana
Gerência de Limpeza Urbana
Limpeza Urbana ATERRO SANITÁRIO Gerência de Limpeza Urbana Figura 27 - Consórcio entre municípios na destinação

Figura 27 - Consórcio entre municípios na destinação final de RSU (LIMA, 2001)

ConsideraçõesConsideraçõesConsideraçõesConsiderações FinaisFinaisFinaisFinais

A escala da cidade, suas características urbanísticas, demográficas, econômicas e as

peculiaridades de renda, culturais e sociais da população devem orientar a escolha da forma de administração, tendo sempre os seguintes condicionantes como referência

(IBAM, 2003):

(a)

custo da administração, gerenciamento, controle e fiscalização dos serviços;

(b)

autonomia ou agilidade para planejar e decidir;

(c)

autonomia de aplicação e remanejamento de recursos orçamentários;

(d) capacidade para investimento em desenvolvimento tecnológico, sistemas de informática e controle de qualidade;

(e) capacidade de investimento em recursos humanos e geração de emprego e renda;

(f)

resposta às demandas sociais e políticas;

(g)

resposta às questões econômicas conjunturais;

(h)

resposta às emergências operacionais; e

(i) resposta ao crescimento da demanda dos serviços.

A administração direta operando todo o sistema de limpeza urbana é uma forma

freqüente em cidades de menor porte. Nesses casos, o gestor, normalmente, é um

departamento da prefeitura ou de uma de suas secretarias, compartilhando recursos com outros segmentos da administração pública. Esse tipo de administração, compartilhada com outros segmentos da prefeitura, em geral tem custo bastante reduzido quando comparado com o custo de um órgão ou de uma instituição especificamente voltada para a gestão da limpeza urbana da cidade, porém não oferece garantia de eficiência (IPT,

2000).

A prefeitura poderá terceirizar os serviços de coleta e limpeza urbana a empresas

especializadas, cuidando apenas da administração dos contratos e da qualidade dos serviços. O núcleo administrativo na prefeitura pode ser reduzido e as empresas devem cobrar do governo municipal preços que abrangem as despesas tanto de custeio como de

capital. Nesse caso, não existe por parte do Município a necessidade de investir recursos

na aquisição e reposição de veículos e equipamentos.

Nesses casos, algumas questões podem não ser resolvidas, tais como as vinculadas às demandas sociais e políticas; as de caráter econômico conjunturais; as emergências operacionais ou as de crescimento da demanda, que exigiriam renegociação dos contratos, uma vez que tais fatos não podem ser valorados, previstos ou pré- dimensionados. Conseqüentemente, mesmo terceirizando os serviços, é prudente que a prefeitura conte com alguma reserva própria operacional, constituída de veículos, equipamentos e recursos humanos, para fazer frente a essas necessidades contigenciais e que possam, eventualmente, suprir ou complementar algum serviço não executado pelas empresas contratadas (IBAM, 2001; IPT, 2000).

Em todos os casos e possibilidades de administração, seja direta ou indireta, a prefeitura tem que equacionar duas questões (IBAM, 2001):

(a) destinar recurso suficiente para viabilizar o pagamento dos gastos necessários

aos serviços; e

(b) arrecadar receitas destinadas à limpeza urbana da cidade.

A gestão dos RSU tem por princípio garantir a criação de mecanismos de comunicação em duas direções: do PGIRS para a sociedade e da sociedade para o PGIRS. Dentro dessa perspectiva, torna-se necessária a criação de espaços para a participação da sociedade no planejamento, acompanhamento e avaliação dos objetivos e processo do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos. Nesse sentido, a participação da população, das organizações não governamentais e demais entidades da sociedade civil, como cooperativas, sindicatos e associações de bairros, deve ser ativa em todas as fases do processo, de forma a poder obter informações, influindo e opinando sobre os objetivos, metas, prazos, recursos e, sobretudo, atuando na implantação das ações (IBAM, 2001).

Importante!Importante!Importante!Importante!

Qualquer que seja o modelo de gestão a Responsabilidade do serviço é da Prefeitura.

Agora complete os quadros abaixo com o seu entendimento sobre cada modelo de gestão apresentado.

AdministraçãoAdministraçãoAdministraçãoAdministração

diretadiretadiretadireta

ConcessãoConcessãoConcessãoConcessão

TerceirizaçãoTerceirizaçãoTerceirizaçãoTerceirização

ConsórcioConsórcioConsórcioConsórcio

Participação Social nas Políticas e Planos de Gestão:

Direitos e Deveres do Cidadão Relacionados aos Serviços de Limpeza Pública.

A participação da comunidade é um ato de liberdade e uma decisão individual que depende, fundamentalmente, do despertar do sentimento de cidadania, para que o cidadão também se sinta responsável pela limpeza pública e se qualifique para ser um agente de mudança em todo este processo.

Qualquer sistema de mobilização busca alcançar um objetivo previamente definido, e por isto, este ato envolve a razão do indivíduo. Para que essa mobilização seja útil, a comunidade deve estar orientada para a construção de um ideal, de um projeto ou programa futuro, portanto uma campanha de mobilização, que deve ser duradoura e consistente e não um propósito meramente passageiro, que se converte automaticamente em um evento, uma campanha ou uma festividade comemorativa.

Pode-se dizer que para se obter a mobilização da comunidade é necessário:

Definir

uma

existentes, juntamente com a população.

as

linhas

de

ação

com

ampla

discussão

dos

problemas

Compatibilizar as linhas de ação com todas as disponibilidades (líderes comunitários, escolas, associações, etc.) existentes na própria comunidade.

Definir as responsabilidades e competências (recursos humanos, divulgação, meio de locomoção das pessoas envolvidas, etc).

Criar e organizar comissões (operações, divulgação, multiplicadores) para operacionalizar o programa.

Criar e organizar os grupos de discussões internas para planejar e avaliar as ações e acompanhar o envolvimento de lideranças em função do planejado.

Monitorar os resultados e fazer os ajustes necessários.

Em geral, o sucesso de programas relacionados a serviços de Limpeza Pública se dá em

função da participação da comunidade. A definição do conjunto das atividades, das metas

a serem alcançadas e a execução em parceria são de fundamental importância, pois além

de permitirem um grau de consciência das pessoas envolvidas no processo de limpeza urbana, contribuem, acima de tudo, para uma visão crítica e participativa a respeito dos

resíduos sólidos urbanos.

Programas de educação ambiental podem contribuir consideravelmente para a melhoria dos serviços de limpeza urbana na comunidade. A participação da comunidade pode ser

estimulada por meio de uso de campanhas públicas constantes, em parceria com meios de comunicação com uso de faixas, panfletos, outdoors na própria comunidade, de modo

a se buscar uma interação entre a comunidade e o meio. É importante que a população

seja ouvida, pois, geralmente, as ações a serem implantadas são sugeridas pela própria comunidade.

Acredita-se que não é necessário apenas compreender os problemas e os paradigmas relacionados com os resíduos sólidos urbanos, suas causas e conseqüências, é necessário, acima de tudo, tomar atitudes que busquem o aprimoramento e o equacionamento dos problemas.

Segundo Bordenave, (1983), a participação social pode ser definida como:

a garantia da legitimidade do processo de gestão da sociedade, da promoção da igualdade, na conquista da cidadania e de um processo sustentável de Desenvolvimento Local. (ibid. p.13)

[

]

Assim, um processo para ser sustentável tem que ser conduzido com participação social, uma vez que é uma forma de assegurar a legitimidade do processo e a igualdade de direitos e deveres.

Para tanto, é necessário criar a dúvida ou a motivação para que o indivíduo decida se participa ou não participa. Quando a dúvida se instala, significa que uma consciência mínima quanto a importância da participação foi atingida, podendo-se dizer que se inicia neste momento o processo de convencimento para uma participação autêntica de controle cidadão (ARNSTEIN, 1969 apud SOUZA, 2002).

A busca cada vez mais intensa pela participação social baseia-se no fato de que a mesma

é um elemento fundamental para o alcance da real democracia. Para Moraes (2002):

o uso dos mecanismos de participação e controle social na

definição de políticas sociais e, principalmente, de projetos urbanos vêm ampliando a noção de democracia para além da democracia representativa. Em que pese os debates teóricos sobre a democracia direta e representativa, tudo leva a crer, que existe um terreno fértil a ser explorado e que estes mecanismos podem se constituir em alternativas para ampliar o debate sobre a ação do governo, democratizando-o e, conseqüentemente, tornando-o mais próximo dos reais interesses da sociedade. (ibid, p.64)

] [

A seguir apresentam-se dois exemplos de interação com a comunidade. O primeiro

Projeto realizado pela Universidade Federal da Paraíba visando o fortalecimento de uma associação de catadores e o segundo Projeto executado pela Universidade Federal da Bahia como a finalidade de incluir a comunidade local na elaboração de propostas visando

à melhoria do Sistema de Manejo e Disposição dos Resíduos Sólidos.

EXEMPLOEXEMPLOEXEMPLOEXEMPLO DEDEDEDE INSERÇÃOINSERÇÃOINSERÇÃOINSERÇÃO SOCIALSOCIALSOCIALSOCIAL 2222

ProProjeto:ProProjeto:jeto:jeto: Fortalecimento da Associação dos Catadores de Lixo de Pedras de Fogo (ACLIPEF)

AtoresAtoresAtoresAtores envolvidos:envolvidos:envolvidos:envolvidos: Governo Federal; Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo; Universidade Federal da Paraíba; Igreja, Associação de Catadores e munícipes.

Objetivo:Objetivo:Objetivo:Objetivo: Fortalecer a Associação dos Catadores de Pedras de Fogo, com a perspectiva de garantir trabalho e renda e contribuir com o processo de construção de cidadania dos associados.

Após realização de ações do trabalho social, coordenado pela Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo, em 2003 iniciou-se à mobilização dos catadores, que antes “trabalhavam” no lixão municipal para a formação de uma Associação de Catadores. Assim, em 2004 foi fundada a Associação dos Catadores de Lixo de Pedras de Fogo (ACLIPEF) e no ano seguinte foi assinado convênio entre a ACLIPEF e a prefeitura municipal permitindo que os catadores coletassem material reciclável no ambiente da usina de compostagem, utilizada para tratamento de parte dos resíduos domiciliares coletados no Município. Em contra partida a prefeitura deveria distribuir cesta básica nas três primeiras semanas de trabalho até o ingresso dos catadores no Programa Bolsa Família

No início o trabalho dos catadores na usina foi marcado por muitas dificuldades geradas tanto pela inexperiência dos associados quanto do pessoal da Prefeitura, bem como a ausência de equipamentos adequados (prensa, carrinhos, material de segurança, entre outros). Alguns fatores implicaram na redução da renda dos catadores, que em abril de 2004, era de apenas R$ 60,00 por mês. Com isso, os catadores reivindicaram a aquisição de equipamentos adequados e treinamento técnico a Prefeitura Municipal, que informou não dispor de orçamento.

Devido às dificuldades enfrentadas pela associação e a percepção da vontade de vencer dos catadores a Universidade Federal da Paraíba em parceria com várias instituições (PMPF, CAIXA, Cáritas, ABES, Fórum Estadual Lixo e Cidadania e a ACLIPEF) elaborou este projeto que tem como objetivo aumentar o volume de materiais recicláveis coletados e conseqüentemente, a renda mensal dos associados da ACLIPEF.

Este projeto está sendo desenvolvido desde junho de 2006 e seu final está previsto para abril de 2008. Entre as ações realizadas podem citar: elaboração de projeto e implantação de coleta seletiva porta a porta em alguns setores da cidade (centro e bairros de melhor poder aquisitivo), coleta seletiva nas escolas e instituições municipais e privadas, atividades de sensibilização junto ao setor privado e à população, capacitação dos associados, aquisição de equipamentos (prensa, equipamentos de proteção individual, balança, pás, gadanho, etc.), entre outras.

2 O projeto teve como instituição financiadora o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, através do edital nº 18 CTHIDRO/CTAGRO. A instituição executora é a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e as instituições parceiras são: Caixa Econômica Federal (CAIXA), Cáritas Região Nordeste II, Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo (PMPF) e a própria Associação dos Catadores de Lixo de Pedras de Fogo – ACLIPEF

DiagnósticoDiagnósticoDiagnósticoDiagnóstico dadadada situaçãosituaçãosituaçãosituação dosdosdosdos associadosassociadosassociadosassociados

Este etapa foi realizada visando-se conhecer a situação atual dos catadores, uma vez que, quando o projeto foi elaborado em junho de 2005 havia 37 pessoas na associação e no início do projeto em julho de 2006 apenas 16, permanecendo assim até janeiro de 2008.

O Diagnóstico dos catadores foi realizado em agosto de 2006, onde foram obtidos os seguintes dados: quantidade de homens e mulheres trabalhando na catação; faixa etária; estado civil dos (as) catadores (as); número de filhos/as; à raça/cor; procedência; residência; documentação; relação de trabalho e renda; tempo de trabalho na catação de material reciclável; tempo de associado; trabalho anterior; renda mensal individual; renda familiar; desenvolvimento de outra atividade profissional; habilidade profissional além de catador/a; acesso aos programas e benefícios sociais do Governo; condições de moradia; forma de posse da moradia; tipo de edificação das moradias; número de cômodos das moradias; situação quanto à energia elétrica e saneamento básico; escolaridade/qualificação; saúde; previdência; atividades de lazer, etc.

Através dos resultados obtidos no questionário aplicado, assim como em conversas informais com os associados da ACLIPEF, a equipe do projeto identificou que os mesmos tinham baixa auto-estima, como também medo de ir às ruas realizar a coleta porta a porta quando fosse implantado este programa.

Diante disto, foram realizadas duas oficinas com uma psicóloga, visando promover momentos de formação e socialização com os Agentes Ambientais, refletindo sobre as relações interpessoais como condição fundamental para um trabalho em equipe, motivado para novos desafios. Os temas foram: RESGATE DE AUTO-ESTIMA E MOTIVAÇÃO PARA NOVOS DESAFIOS.

ParticipaçãoParticipaçãoParticipaçãoParticipação dasdasdasdas escolasescolasescolasescolas eeee outrasoutrasoutrasoutras instituiçõesinstituiçõesinstituiçõesinstituições municipaismunicipaismunicipaismunicipais nononono programaprogramaprogramaprograma dededede coletacoletacoletacoleta seletivaseletivaseletivaseletiva portaportaportaporta aaaa porta.porta.porta.porta.

As reuniões realizadas com secretários e funcionários da Prefeitura, comerciantes, professores e catadores para divulgação do projeto, foram fundamentais para adesão da comunidade ao projeto na escola Riacho do Salto na zona rural de Pedras de Fogo.

Através da aplicação do questionário junto à população foi detectado que a maioria não sabia o que era coleta seletiva, por isto o trabalho de divulgação do projeto iniciou-se bem antes do lançamento da coleta seletiva porta-a-porta, para que a população entendesse o projeto e se engajasse nas atividades proposta, principalmente no que se refere a separação do lixo.

LançamentoLançamentoLançamentoLançamento dadadada coletacoletacoletacoleta seletivaseletivaseletivaseletiva

Finalmente, a coleta seletiva foi iniciada no dia 08 de novembro de 2007. Após os estudos de caracterização, foi decidido iniciar o programa pelos bairros da Mangueira, Centro e Concórdia.

Duas semanas antes do lançamento do projeto, os associados foram conhecer o núcleo de coleta seletiva do Bessa em João Pessoa (distante 53Km) e depois tiveram mais uma oficina sobre o programa de coleta seletiva. Após esta visita, observou-se que os associados ficaram animados com o programa, antes a maioria tinha vergonha de ir pra rua coleta o material reciclável.

No lançamento do programa de coleta seletiva, estiveram presentes a Prefeita e vários secretários da Prefeitura, técnicos do projeto, o gerente da CAIXA e outras autoridades. O lançamento foi realizado na praça no centro da cidade e, em seguida, os associados passaram pelas ruas previstas, junto com toda a equipe técnica e alguns secretários, informando da coleta. Foi observado, que neste dia várias pessoas entregaram o material reciclável. (Figura 28)

pessoas entregaram o material reciclável. (Figura 28) (A) (C) (B) (D) Figura 28 - (A) Presença

(A)

pessoas entregaram o material reciclável. (Figura 28) (A) (C) (B) (D) Figura 28 - (A) Presença

(C)

entregaram o material reciclável. (Figura 28) (A) (C) (B) (D) Figura 28 - (A) Presença de

(B)

entregaram o material reciclável. (Figura 28) (A) (C) (B) (D) Figura 28 - (A) Presença de

(D)

Figura 28 - (A) Presença de técnicos e associados no lançamento da coleta seletiva; (B) Carrinhos coletores utilizados na coleta seletiva; (C) Técnica e associada conversando com um dono de casa sobre o projeto; e (D) Faixa colocada no município na semana do lançamento da coleta seletiva

Ao longo do desenvolvimento deste projeto pode-se verificar que no trabalho de inserção social de catadores, mesmo neste caso, que já existia a associação, é necessário a participação de profissionais da área do serviço social e da psicologia.

Em Pedras de Fogo, foi encontrada uma usina praticamente abandonada, não havia técnico para gerenciá-la, a coleta e o encaminhamento dos resíduos para a usina eram realizados aleatoriamente. Esta situação era motivo de constantes reclamações por parte dos catadores, que por sua vez, trabalhavam de acordo com seus horários, em condições precárias, tinham vergonha do trabalho que realizavam e por isso não coletavam materiais recicláveis nas ruas.

Este trabalho reforça que a interdisciplinaridade é fundamental para que um programa de coleta seletiva tenha sucesso. Outra observação importante é a necessidade de ouvir todos os atores envolvidos no processo, daí a necessidade de ter inicialmente apresentado o projeto para a Associação, pois são os principais atores e se eles não quisessem o projeto este não poderia ser desenvolvido. Em seguida, a apresentação do projeto a sociedade de Pedras de Fogo, pois sem a adesão dos mesmos o projeto também não teria êxito. Portanto, além de apresentar ou capacitar é necessário ouvir os envolvidos, e assim unir o saber técnico com o saber popular.

Equipe Técnica:

Nome

Formação/ Função

Instituição

Claudia Coutinho Nóbrega

Dra/ Coordenadora

UFPB

Carmem Lúcia Moreira Gadelha

Dra/ Pesquisadora

UFPB

Gilson Barbosa Athayde Júnior

Dr/ Pesquisa dor

UFPB

Hamilcar José Almeida da Filgueira

Dr/ Pesquisa dor

UFPB

Josefa Rosemar de Oliveira

Msc/ Assistente Social

Secretária de Ação Social da PMPF

Rosa Maria Carlos e Silva

Esp/ Assistente social

CAIXA

Luciene Martins Ferreira da Silva

Grad/Assistente social

Cáritas

Sabrina Lívia ----

Bolsista ITI/CNPq

UFPB/aluna

João ---

Bolsista ITI/ CNPq

UFPB/aluno

Maria Manuela Chaves de Figueiredo

Bolsista DTI/ CNPq

UFPB/aluna de mestrado

Nazaré ----

Voluntária

UFPB/aluna

EXEMPLO DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL 3

Projeto:Projeto:Projeto:Projeto: Proposta de Melhorias no Sistema de Manejo e Disposição dos Resíduos Sólidos para Pequenas Comunidades - PRORESOL

AtoresAtoresAtoresAtores envolvidos:envolvidos:envolvidos:envolvidos: Prefeitura Municipal de Alagoinhas; Universidade Federal da Bahia; Associação de Moradores e munícipes.

Objetivo:Objetivo:Objetivo:Objetivo: Incorporar a participação social em todas as etapas do desenvolvimento de Planos de GISRSU, ou seja, no diagnóstico, na proposição de soluções e na sua implantação, ressaltando-se a relação dos resíduos sólidos com a saúde e meio ambiente, a possibilidade de valorização dos resíduos sólidos urbanos e a busca de oportunidades para a geração de renda e emprego.

O projeto foi desenvolvido nas comunidades de Boa União, Quizambu, Estevão e Riacho

da Guia do Município de Alagoinhas – BA. A Figura 29 apresenta as ações executadas em

cada fase do projeto.

Revisão Bibliográfica e

análise de documentos (PMSA/Alagoinhas)

Visitas de Campo e

Aplicação de

questionário

Reuniões participativas

Oficinas

PRORESOL

questionário Reuniões participativas Oficinas PRORESOL FASE I Diagnóstico da situação existente
FASE I

FASE I

FASE I

Diagnóstico da

situação existente

situação existente

situação existente
FASE I Diagnóstico da situação existente   FASE II   Interação com a   comunidade e
 
 
 

FASE II

 

Interação com a

 
comunidade e

comunidade e

comunidade e

proposição de

melhorias

Levantamento de Custos

Caracterização dos RSU e

mapeamento dos pontos

de descarte inadequados

Cadastramento e

Treinamento dos

agentes

Levantamento dos indicadores de avaliação

Figura 29 - Fases do PRORESOL e suas atividades componentes

Descrevem-se, a seguir, os resultados encontrados nas duas FASES do Projeto.

SituaçaoSituaçaoSituaçaoSituaçao dosdosdosdos SSistemasSSistemasistemasistemas dededede SSaneamentoSSaneamentoaneamentoaneamento nananana fasefasefasefase IIII

O serviço de abastecimento de água nas localidades era realizado pelo SAAE – Serviço

autônomo de Água e Esgoto que utilizava como manancial o aqüífero da região, o tratamento existente era via desinfecção com hipoclorito de sódio, sendo a água ofertada de boa qualidade. As localidades não possuíam sistema de esgotamento sanitário coletivo, adotando o emprego de fossa séptica ou o lançamento a céu aberto das águas servidas.

3 O Projeto foi financiado pela Fundação Nacional de Saúde - FUNASA

Os resíduos sólidos das localidades estudadas eram coletados por meio de carroça e dispostos, temporariamente, em caixa estacionária, para serem encaminhados para aterro sanitário existente na sede municipal. Cabe ressaltar que embora a destinação final na sede municipal de Alagoinhas tenha sido projetada e implantada como aterro sanitário, , constatou-se na época de desenvolvimento do trabalho vários problemas de operação tais como , exposição de resíduos dispostos, presença de vetores e de catadores na área

do aterro e pontos de insurgência de lixiviado. Nas localidades observou-se também o

hábito de enterrar ou queimar parte dos resíduos gerados.

SistemasSistemasSistemasSistemas dededede saúdesaúdesaúdesaúde eeee educaçãoeducaçãoeducaçãoeducação

Todas as localidades estudadas eram atendidas por postos de saúde municipais, exceto Quizambu. Com relação ao ensino público as localidades de Boa União e Riacho da Guia ofereciam educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação para jovens e adultos - EJA. Em Estevão e Quizambu o nível de ensino era até a 4ª série do ensino fundamental, sendo que somente em Estevão o curso de EJA era oferecido.

ProblemasProblemasProblemasProblemas dasdasdasdas comunidadescomunidadescomunidadescomunidades eeee relaçãorelaçãorelaçãorelação saúdesaúdesaúdesaúde –––– resíduosresíduosresíduosresíduos sólidos.sólidos.sólidos.sólidos.

No diagnóstico realizado, buscou-se também identificar junto aos entrevistados quais eram os maiores problemas da comunidade, tendo sido destacado por 38,2% dos entrevistados os serviços de saúde como o maior problema, seguido de administração/governantes e dificuldade de acesso às localidades com 16,1% e 13,9% respectivamente. Ao serem questionados da existência ou não de problemas ambientais

na comunidade, 33,8% declararam que existiam, e entre eles, 23,6%, viam como maior

problema a poluição dos rios.

Quanto à relação doenças e resíduos sólidos os moradores entrevistados, na sua maioria, 53,9% não souberam identificar doenças relacionadas com os resíduos. Contudo cerca de 31,4%, declararam que a dengue está relacionada com a disposição inadequada dos resíduos sólidos. Em relação às doenças mais freqüentes na família, as três mais citadas foram diabetes, gripe e hipertensão.

PercepçãoPercepçãoPercepçãoPercepção dasdasdasdas ComunidadesComunidadesComunidadesComunidades emememem relaçãorelaçãorelaçãorelação aosaosaosaos ResíduosResíduosResíduosResíduos SSSSólidosólidosólidosólidos

A identificação da percepção ambiental da comunidade referente aos problemas

existentes, o entendimento e a postura coletiva em relação aos resíduos sólidos foi

aprofundada por meio de reuniões participativas.

Nas reuniões foram utilizadas dinâmicas que permitiram maior envolvimento e dinamismo, motivando o participação da comunidade e fortalecendo os vínculos com a equipe de pesquisadores. Assim concluiu-se que as dinâmicas empregadas, além de permitirem conhecer a percepção da comunidade, também foram um fator mobilizador para a participação social. O Quadro 9 apresenta as dinâmicas aplicadas durante as reuniões e os resultados encontrados.

Quadro 9 – Dinâmicas aplicadas as comunidades de Quizambu, Estevão e Riacho da Guia e os respectivos procedimentos e resultados

DinâmicaDinâmicaDinâmicaDinâmica

 

ObjetivoObjetivoObjetivoObjetivo

MaterialMaterialMaterialMaterial utilizadoutilizadoutilizadoutilizado

 

ProcedimentosProcedimentosProcedimentosProcedimentos

 

ResultadosResultadosResultadosResultados

Dos Pares.

Apresentação dos atores e o aprofundamento inter-pessoal.

Crachás.

Entrega dos crachás, em seguida apresentação individual informando a sua atividade e profissão.

Identificação e conhecimento de sua atividade e papel na comunidade de cada participante.

Das Cadeiras.

Despertar a atenção para temas como: solidariedade, integração, participação, entre outros.

Cadeiras e aparelho de som.

Construção de um círculo de cadeiras que a cada etapa era reduzido com a retirada de uma cadeira , devendo se manter unidos todos os participantes por meio de contato fisico

Propiciou aos participantes refletir sobre conceitos como: união, solidariedade, companheirismo, parceria, cooperação, criatividade, responsabilidade,

Matriz Cromática (adaptada por SILVA,

2000).

Identificar problemas ambientais relacionados aos

resíduos sólidos da comunidade

Cartolina, papel metro e caneta.

Os participantes identificavam os problemas, associando-os a uma cor indicadora do grau

de

gravidade e por fim, apresentavam

Problemas principaisidentificados: disposição inadequada de resíduos, falta de acondicionadores, poluição dos rios e insuficiência da freqüência da coleta. Soluções indicadas maior número de acondicionadores, maior freqüência de coleta, maior atenção do poder público, coleta seletiva, entre outros.

e

da sede municipal.

possíveis soluções de caráter individual e coletivo.

 

Finalizar de forma lúdica o

 

Os balões representando o meio ambiente eram lançados ao ar levando a interação do grupo para que os mesmos não caíssem ao chão. Após encerrada a dinâmica. encontrávamos participantes descobriam os papeis com palavras colocados dentro dos

 

Dos Balões.

encontro, e apresentar o conceito responsabilidade compartilhada no cuidado com

Balões de borracha.

Facilitou a compreensão do conceito de meio ambiente, mostrando a integração e interação com o mesmo, permitiu ainda que fosse abordada a responsabilidade que cada um tem com os resíduos gerados.

o

meio ambiente.

 

balões

que formavam a frase: Um Por Todos

 

e Todos Por Um.

       

A

identificação dos problemas de manejo de RS levantados no

Estimular o equacionamento dos problemas relacionados aos RS, identificando-se as oportunidades de melhorias de manejo, tratamento e disposição final.

questionário da etapa preliminar e matriz cromática motivaram a

A

maquete construída pela equipe do projeto

participação dos integrantes na reunião e despertou a atenção dos mesmos para a situação da comunidade, facilitando a

Maquete Interativa

Isopor, cola e tinta

representava o núcleo urbano de cada

comunidade.

visualização espacial dos problemas existentes, com identificação

de

pontos de descarte inadequado de resíduos ou e de locais

onde existia falta de acondicionadores.

Painel Relação:

Incentivar os participantes a pensarem na relação entre atividade humana, resíduos sólidos, meio ambiente e saúde.

Desenhos de elementos que compõem o ambiente e vetores

 

Discussão da relação saneamento, saúde e meio ambiente permitindo aos participantes refletirem de que maneira um ambiente degradado pode ser considerado como fator de risco a saúde.

Saneamento Ambiental, Meio Ambiente e Saúde

Construção pelos participantes de um meio saudável, em seguida transformando-o em um meio insalubre.

54

Um dos objetivos da pesquisa era o de trabalhar as possibilidades de minimização dos resíduos gerados de modo a incentivar a adoção de novas práticas. Assim sendo, após discussão com os moradores e lideranças locais optou-se pela realização de oficinas, abertas aos interessados de qualquer faixa etária e que abordassem assuntos de interesse para a localidade. O Quadro 10 apresenta as oficinas e os respectivos procedimentos.

Quadro 10 – Oficinas aplicadas e os respectivos métodos

OOficinaOOficinaficinaficina

ObjetivoObjetivoObjetivoObjetivo

MaterialMaterialMaterialMaterial utilizadoutilizadoutilizadoutilizado

ProcedimentosProcedimentosProcedimentosProcedimentos

Aproveitamento

Fomentar o aproveitamento de materiais como: cascas de frutas e verduras, sementes, etc.

Texto de apoio: Caderno de receitas (*); Outros recursos: fogão, panela e as sobras de alimentos.

Aula prática de culinária.

de alimentos.

Reciclagem de

Demonstrar a fabricação do papel artesanal.

 

Demonstração do processo de fabricação de papel artesanal (**).

papel.

Papel, fôrmas, água.

 

Construção de brinquedos a partir de materiais recicláveis.

 

Construção de

Brinquedos.

Garrafas Pet, tampas plásticas.

brinquedos (**).

Introdução ao

Introduzir na comunidade conceitos básicos de compostagem, visando seu possível uso na agricultura familiar.

Texto de apoio: Manual de Compostagem (*); Outros recursos quadro negro, retroprojetor e amostras de composto orgânico

Aulas expositivas.

processo de

compostagem.

(*) Elaborado pela equipe do projeto PRORESOL. (**) Realizada pela equipe da LIMPURB do Município de Salvador.

ConclusãoConclusãoConclusãoConclusão O diagnóstico permitiu caracterizar o sistema atual de manejo dos resíduos sólidos das comunidades, identificando-se que as atividades básicas realizadas, possuíam deficiências, como descartes clandestinos, falta de acondicionadores em número e localização suficientes, ou maior freqüência de coleta, demonstrando falta de planejamento dos serviços e aplicação de recursos financeiros. Ainda indicou o desconhecimento da associação de doenças com o manejo e destinação inadequada de resíduos sólidos

Com base nos problemas identificados pelas comunidades e preferências por certas soluções e encaminhamentos a equipe técnica passou a desenvolver estudos técnicos sobre o sistema de coleta seletiva de resíduos, sistema de compostagem e encaminhamento de resíduos contaminados quimicamente e biologicamente para o retorno ao gerador ou o confinamento correto. Para manutenção do processo de sensibilização foram treinados agentes e vigilantes de saúde atuantes nas localidades

Deste modo considera-se que os resultados obtidos através das técnicas aplicadas para mobilizar a comunidade em relação aos resíduos sólidos, saúde e meio ambiente podem ser considerados satisfatórios, pois a comunidade contribuiu com a identificação dos problemas e, com sua vivência nas sugestões de possíveis soluções, propiciando uma mudança de postura de meros atores para agentes. Considera-se, portanto, que o envolvimento das comunidades desde o diagnóstico até a implantação das melhorias, é factível de ser realizado e contribui para a maior sustentabilidade da gestão de RSU.

Equipe Técnica:

Nome

Formação/ Função

Instituição

Viviana Maria Zanta

Profª. Drª/ Coordenadora

UFBA

Clesivania Santos Rodrigues

Pesquisadora

UFBA

Danilo Gonçalves dos Santos Sobrinho

Pesquisador

UFBA

Gestão de Recursos Financeiros para o Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos

Uma grande preocupação, por parte dos gestores e do executivo municipal, é onde buscar recursos financeiros para a implantação de ações e empreendimentos referentes aos serviços de limpeza urbana nos municípios. Estes recursos podem ter por finalidade a aquisição de veículos e equipamentos para a execução da coleta de resíduos sólidos, a implantação de unidades de triagem e compostagem, a recuperação dos lixões, bem como, a elaboração e implantação de projetos de aterros sanitários, precedidos do estudo de seleção de áreas.

Outra preocupação, de grande importância, é a capacitação de seu quadro funcional, seja em nível técnico, médio ou gerencial. Para isso, é necessária a elaboração e execução de programas específicos para capacitação, dando eficiência aos empreendimentos e projetos implantados nos municípios.

Atualmente os projetos de infra-estrutura na área de resíduos sólidos são financiados pelos Ministérios da Saúde, Meio Ambiente e das Cidades. Os recursos são oriundos do OGU - Orçamento Geral da União (esfera fiscal, emendas parlamentares), ou de agências multilaterais, CAIXA e BNDES, por meio de linhas de crédito.

Geralmente, esses ministérios atuam conforme o número de habitantes dos municípios, que enviam propostas de financiamento de projetos. Existe, portanto, uma partição, por faixa de população, assim convencionada:

MinistérioMinistérioMinistérioMinistério dadadada SaúdeSaúde:SaúdeSaúde::: responsável pelo financiamento de municípios com até 50.000 habitantes, financiando ações de implantação ou melhoria de sistemas de tratamento e disposição final de RSU.

MinistérioMinistérioMinistérioMinistério dodododo MeioMeioMeioMeio AmbienteAmbiente:AmbienteAmbiente::: financia ações de ordenamento de coleta, tratamento e disposição final adequada de RSU para municípios com até 250.000 habitantes.

MinistérioMinistérioMinistérioMinistério dasdasdasdas CidadesCidades:CidadesCidades responsável pelo aporte de recursos para municípios com população superior a 250.000 habitantes, para elaboração de projetos para implantação e ampliação de sistemas de limpeza pública, acondicionamento, coleta, disposição final e tratamento de RSU.

O Ministério das Cidades exige que o município que solicita o financiamento já possua um Plano de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos – PGRSU, seja qual for a modalidade do projeto. Já os Ministérios da Saúde e Meio Ambiente exigem a existência prévia de um PGRSU para algumas modalidades de projeto. Na modalidade “Apoio à Implantação, ampliação, melhoria do Sistema Público de Coleta, Tratamento e Destinação Final de Resíduos Sólidos para Prevenção e Controle de Agravos” é exigida pelo Ministério da

Saúde a apresentação de PGRSU, já o Ministério do Meio Ambiente faz essa exigência na modalidade “Apoio à Elaboração de Projetos para Implantação e Ampliação dos Sistemas de Resíduos Sólidos Urbanos”.

Cada um destes Ministérios possui em seus sites links de acesso a manuais que

orientam e instruem os proponentes para a elaboração de suas propostas e planos

de trabalho.

Ministério

da

Saúde:

www.saude.gov.br,

Ministério

do

Meio

Ambiente:

www.mma.gov.br e Ministério das Cidades: www.cidades.gov.br

As Linhas de financiamento são:

MinistérioMinistérioMinistérioMinistério dodododo MeioMeioMeioMeio AmbienteAmbienteAmbienteAmbiente

• Apoio à Elaboração de Projeto Demonstrativo de Gestão Ambiental de Resíduos Sólidos em Áreas Urbanas com População entre 50.000 e 250.000 habitantes;

• Apoio a Projetos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos em municípios com população entre 50.000 e 250.000 habitantes;

• Apoio a Projetos de Aproveitamento Energético das Emissões de Metano Resultante dos Resíduos Sólidos;

• Fomento a Projetos de Gerenciamento e Disposição de Resíduos em Municípios com População entre 50.000 e 250.000 Habitantes;

• Capacitação de Agentes para a Gestão Ambiental de Resíduos Sólidos Urbanos;

• Sistema de Informação em Gestão Ambiental de Resíduos Urbanos.

MinistérioMinistérioMinistérioMinistério dasdasdasdas CidadesCidadesCidadesCidades

• Apoio à Elaboração de Projetos para Implantação e Ampliação dos Sistemas de Resíduos Sólidos Urbanos;

• Apoio à implantação e ampliação dos Sistemas de Limpeza Pública, Acondicionamento, Coleta, Disposição Final e Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos em Municípios com população superior a 250.000 habitantes ou integrantes de Regiões Metropolitanas;

• Financiamento para implantação e ampliação dos Sistemas de Limpeza Pública, Acondicionamento, Coleta, Disposição Final e Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos.

MinistérioMinistérioMinistérioMinistério dadadada SaúdeSaúdeSaúdeSaúde (FUNASA)(FUNASA)(FUNASA)(FUNASA)

• Implantação, ampliação ou melhoria do Sistema de Coleta, Tratamento e Destinação Final de Resíduos Sólidos para a Prevenção e Controle de Agravos em municípios de até 50.000 habitantes ou com risco de transmissão de dengue;

• Apoio à Implantação, ampliação, melhoria do Sistema Público de Coleta, Tratamento e Destinação Final de Resíduos Sólidos para Prevenção e Controle de Agravos em municípios com população acima de 250.000 habitantes ou em Regiões Metropolitanas, em conjunto com o Ministério das Cidades.

5.1.5.1.5.1.5.1. FormasFormasFormasFormas dededede cobrançacobrançacobrançacobrança dosdosdosdos serviçosserviçosserviçosserviços limpezalimpezalimpezalimpeza urbanaurbanaurbanaurbana

De acordo com Código Tributário Nacional - CTN a prestação de serviços pode ser em um sistema tributário como o nosso, em impostos e taxas

ImpostoImpostoImpostoImposto (Artigo 16): Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. Exemplos: O imposto de renda, o IPTU, ITBI, etc.

TaxaTaxaTaxaTaxa (Artigo 77): As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto, nem ser calculada em função do capital das empresas.

A cobrança pelos serviços de limpeza urbana é por meio de taxa. A forma de cobrança mais comum é através do carnê do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A maneira como a taxa é calculada varia de prefeitura para prefeitura.

Apresentaremos a seguir a forma de cobrança da prestação dos serviços de limpeza urbana praticadas pelas Prefeituras Municipais do Recife – PE e de Caxias do Sul- RS

TaxaTaxaTaxaTaxa dededede LimpezaLimpezaLimpezaLimpeza PúblicaPúblicaPúblicaPública dodododo RecifeRecife-RecifeRecife--PE-PEPEPE

No Recife a Taxa cobrada pelos serviços municipais de coleta e remoção de lixo é denominada Taxa de Limpeza Pública – TLP e regida pela LEI 15.563/91. A Taxa é recolhida conjuntamente com o IPTU. São considerados isentos:

as instituições de assistência social que se dediquem, exclusivamente, a atividades assistenciais sem fins lucrativos, em relação aos imóveis destinados ao exercício de suas atividades essenciais;

o contribuinte possuidor de imóvel considerado mocambo, conforme dispuser o Poder Executivo;

o contribuinte possuidor de um único imóvel, com área construída até 50 (cinqüenta) metros quadrados, que nele resida, outro não possuindo o cônjuge, o filho menor ou maior inválido, e não tenha renda mensal familiar superior ao valor de R$ 365,44 ( trezentos e sessenta e cinco reais e quarenta e quatro centavos);

os contribuintes que tenham adquirido imóveis em vilas populares construídas pela Companhia de Habitação Popular de Pernambuco - COHAB-PE ou pelo Serviço Social Agamenon Magalhães - SSAM, durante o prazo de amortização das parcelas;

os imóveis de propriedade de terceiros utilizados pela Administração Pública direta

indireta, que não explore atividade econômica, do Município do Recife mediante locação, cessão, comodato ou outra modalidade de ocupação, observado na

e

legislação;

o

imóvel que goza de imunidade tributária na forma prevista no artigo 150, inciso

VI, alínea "b" da Constituição Federal, bem como aquele enquadrado no que dispõe

o

artigo 17, inciso VII, desta Lei, com redação dada pela Lei 17.145, de 08 de

dezembro de 2005.

os imóveis de propriedade das associações de moradores, associações de bairros e clube de mães, desde que utilizados com exclusividade como sede da Instituição e para os fins estatutários;

os imóveis de propriedade das agremiações carnavalescas desde que utilizado com exclusividade como sede da agremiação;

os imóveis residenciais de terceiros cedidos parcialmente para utilização de sede de associações de bairro e clube de mães, desde que a área utilizada seja separada fisicamente e a área residencial remanescente obedeça aos critérios estabelecidos por lei.

BaseBaseBaseBase dededede CálculoCálculoCálculoCálculo

A TLP é calculada com base na UFIR, de acordo com a seguinte fórmula:

Onde:

FcFcFcFc Fator de coleta de lixo

TLPTLPTLPTLP ==== FcFcFcFc xxxx EiEiEiEi xxxx UiUiUiUi

EiEiEiEi Fator do enquadramento do imóvel em razão da área construída (Ac), quando edificado, ou testada fictícia (TF), quando não edificada, expresso em UFIR’s ,

UiUiUiUi Fator de utilização do imóvel.

A UFIR - Unidade Fiscal de Referência é um índice de correção extinto em outubro de 2000, mas ainda é utilizado para correção de tributos.

O último valor fixado foi R$ 1,0641

Será reduzida em 50% (cinqüenta por cento) a Taxa de Limpeza Pública para os imóveis não edificados que possuam muros e, quando situados em logradouro provido de meio- fio, também possuam calçadas.

Na hipótese de utilização diversificada do imóvel, será aplicado o maior fator de utilização do imóvel (Ui) no cálculo da Taxa de Limpeza Pública (TLP).

FatorFatorFatorFator dededede coletacoletacoletacoleta dededede lixolixolixolixo

 

FatorFatorFatorFator dodododo enquadramentoenquadramentoenquadramentoenquadramento dodododo imóvelimóvelimóvelimóvel

 

FatorFatorFatorFator dededede utilizaçãoutilizaçãoutilizaçãoutilização dodododo imóvelimóvelimóvelimóvel

 

ÁreaÁreaÁreaÁrea construídaconstruídaconstruídaconstruída

 

MetroMetroMetroMetro linearlinearlinearlinear dededede testadatestadatestadatestada fictíciafictíciafictíciafictícia

   

TipoTipoTipoTipo dededede ColetaColetaColetaColeta

FcFcFcFc

AcAcAcAc (m(m(m(m 2222 ))))

(UFIR’s)(UFIR’s)(UFIR’s)(UFIR’s)

AcAcAcAc (m(m(m(m 2222 ))))

(UFIR’s)(UFIR’s)(UFIR’s)(UFIR’s)

 

(Tf)(Tf)(Tf)(Tf)

UFIR’sUFIR’sUFIR’sUFIR’s

TipoTipoTipoTipo dadadada AtividadeAtividadeAtividadeAtividade EconômicaEconômicaEconômicaEconômica

UUiUUiii

   

De 0,01 a 25,00

2,2

De 400,01 a 600,00

108,6

De 0,01 a 4,00

21,7

Terreno

0,80

Convencional

             

Diária

3,0

De 25,01 a 30,00

2,6

De 600,01 a 700,00

130,3

De 4,01 a 8,00

32,6

Residencial

1,04

De 30,01 a 40,00

3,5

De 700,01 a 800,00

152,0

De 8,01 a 10,00

38,0

Convencional

           

Comercial s/ produção de lixo orgânico