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Antes de ler:

− Relaxe, você pode descobrir que se encaixa em muitos padrões aqui descritos,
inclusive tidos como “negativos”. Tenha em mente que a principal vantagem dessa
leitura é o auto-conhecimento e a auto-aceitação somente Na medida em que você
SE conhece e SE aceita, fica muito mais simples também SE compreender e
descobrir os porquês de muitas coisas até então misteriosas até pra você
mesmo(a). Comigo foi assim.
− A descoberta e aceitação do “encaixe” nos padrões aqui descritos não implica
obrigatoriamente num diagnóstico, pode ser só um indicativo. Seja crítico e
autocrítico. Isso implica em não aceitar qualquer imposição “de primeira” e, por
outro lado, também não descartar nenhuma possibilidade, ok? O que manda é o
bom-senso, sempre!!
− A idéia por trás desse texto é fazer você pensar e enxergar tanto a você mesmo,
quanto o mundo, de forma “diferente”.
− E, repetindo, tenha em mente que não existem padrões “positivos” ou “negativos”
aqui. Padrões somente positivo e/ou negativo pertencem à outro campo, o moral. A
A abordagem das questões aqui tratadas é feita à partir da visão médica e psiquica
somente, sem nenhuma intenção de criterizar nenhum sintoma partindo do ponto
de vista “moral”, ok?
− Se você tem um PROCESSADOR DE TEXTO, pode ir sublinhando, ou marcando de
outra forma qualquer as partes com as quais se identifica e/ou encaixa. Foi assim
que eu fiz e tomei um baita choque ao final.
− Boa leitura, e espero que seja tão útil à você, quanto foi pra mim.

O Transtorno de Personalidade Limítrofe (TPL), também conhecido como Transtorno


de Personalidade Borderline (TPB) é definido como um gravíssimo transtorno de
personalidade caracterizado por desregulação emocional, raciocínio “8 ou 80” (“branco e
preto”, totalmente bom e totalmente mau) extremo ou cisão e relações caóticas. Com
tendência a um comportamento briguento, também é acompanhado por impulsividade
auto-destrutiva, manipulação, conduta suicida, bem como esforços excessivos para evitar
o abandono e sentimentos crônicos de vazio, tédio e raiva. Por vezes, o transtorno é
confundido com depressão ou transtorno afetivo bipolar.

O transtorno borderline é um grave distúrbio que afeta seriamente toda a vida da


pessoa acometida causando prejuízos significativos tanto ao indivíduo limítrofe
como às pessoas a sua volta.

Frequentemente eles precisam estar medicados (antidepressivos, antipsicóticos,


ansiolíticos etc.) para tentar reduzir as consequências incontroláveis que a doença traz.
Além disso, acompanhamento psicológico é primordialmente muito importante.
Os sintomas aparecem durante a adolescência ou nos primeiros anos da fase adulta e
persistem geralmente por toda a vida. Essa fase pode ser desafiadora para o paciente,
seus familiares e seus terapeutas, mas na maioria das vezes a severidade do transtorno
diminui com o tempo. Pelo fato dos sintomas eclodirem principalmente na adolescência,
muitas vezes os pais ou familiares acham que é mera rebeldia própria da idade. Contudo,
não fazem idéia que estão diante de um ente com um grave distúrbio.

As perturbações sofridas pelos portadores do TPL alcançam negativamente várias facetas


psicossociais da vida, como as relações no trabalho, casa, e ambientes escolares.
Tentativas de suicídio e suicídio consumado são possíveis resultados sem os devidos
cuidados e terapia.

A maioria dos estudos indica uma infância traumática (especialmente separação dos pais,
abuso infantil) como precursora do TPL, ainda que alguns pesquisadores apontem uma
predisposição genética, além de disfunções no metabolismo cerebral.
Estima-se que 2% da população sofra deste transtorno, com mulheres sendo mais
diagnosticadas do que homens.
O termo Borderline (Limítrofe) deriva da classificação de Adolph Stern que descreveu, na
década de 1930, a condição como uma patologia que permanece no limite entre a neurose
e a psicose. Pelo fato de o termo carecer de especificidade, existe um atual debate se esta
doença deva ser renomeada.

Características borderline
"Eu te odeio… por favor, não me abandones."
"Eu mal vejo a hora de que essa fase de rebeldia passe!", "É assim por falta de uma boa
surra!" ou "Ele ficou assim na adolescência, isso deve ser da idade ou pura frescura para
chamar a atenção!" são pensamentos frequentes de pais ou familiares de um indivíduo
com o transtorno de personalidade borderline.
Essa forma de pensar é muito comum, sendo que raramente os pais se dão conta de que o
problema de agressividade, impulsividade, falta de concentração e até de vontade de
terminar o que mal começa, podem ser sintomas de uma doença ou transtorno. Às vezes,
os pais têm vergonha de levar o filho ao psiquiatra ou terapeuta, o que prejudica ainda
mais o tratamento que acaba sendo tardio, e as consequências piores. Frequentemente
eles preferem culpar o próprio filho ou a problemas espirituais. Além disso, muitas vezes
eles tendem a acreditar que o indivíduo é assim por ser mal-educado, irresponsável ou até
mesmo mimado. Contudo, quando os sintomas típicos borderline estão presentes, tais
hipóteses são falsas porque, pelo contrário, não se trata de uma pessoa mimada ou mal-
educada, com uma personalidade essencialmente imatura (que muitas vezes está
caracteristicamente presente na personalidade anti-social). E sim de um indivíduo
doente e que sofre muito por ser assim, muitas vezes tais sintomas frutos de maus
tratos e uma infância traumática. Apesar do borderline ser também muito imaturo, a
específica personalidade imatura frequentemente ocorre por consequência de um déficit
na educação, pela "superproteção" ou pela falta de limites educacional. A personalidade
imatura limita-se especificamente a características típicas de imaturidade como
impaciência, intolerância às frustrações, egoísmo excessivo, auto-estima inflada.
Exibicionismo, pouca consideração com os sentimentos alheios e falta de respeito e
educação para com os outros. Bem como impulsividade, puerilismo, pseudo hiperatividade
e comportamento visivelmente muito infantil, propensos a atos francamente anti-sociais,
como furtos e outros crimes. Além disso, a personalidade imatura ausenta de outros
sintomas típicos do borderline (como a auto agressão, sentimento de vazio, tédio e raiva,
baixa auto-estima, medo de abandono e de estar só etc.).
Aqueles que sofrem do transtorno de personalidade borderline são indivíduos
que afastam aqueles de quem mais precisam. Ao tempo que precisam dessas
pessoas, afastam assustadoramente as mesmas. São muito exigentes de atenção e
são excessivamente manipuladores. Eles têm profundos traços de masoquismo e sadismo
e, de forma geral, são como crianças em um corpo de adulto que não toleram limites.
Muito imaturos emocionalmente, são impacientes, não sabem esperar, suas recompensas
devem ser sempre imediatas, não toleram frustrações e tendem a colocar a culpa sempre
em outros. Isto acontece porque borderlines geralmente foram crianças privadas de uma
necessidade básica, especialmente foram negligenciadas em alguma etapa de sua vida
emocional que deixaram marcas profundas na personalidade (ex.: Separação dos pais,
crianças que foram abusadas sexualmente ou emocionalmente, que sofreram violência
física, perda precoce de um ente querido, etc.). Assim, é como se seu desenvolvimento
emocional tivesse estacionado drasticamente.
Às vezes, indivíduos borderlines foram pessoas que cresceram com um grande sentimento
de não ter recebido atenção suficiente. Eles são revoltados, e buscam caminhos para
procurar essa falta de atenção, em suas relações. Frequentemente, na amnese, é achada
uma carência afetiva (ex.: ausência do pai), maus tratos ou abusos sexuais.
Os diferentes traumas na infância geram um profundo sentimento crônico de vazio,
rejeição e dor, incorporando-se na personalidade borderline que é vivenciada como uma
dor profunda e dilacerante. Essa dor é intensamente sentida em indivíduos borderlines, o
que pode estimular o processo auto destrutivo.
O borderline também é essencialmente insaciável. Em termos de atenção, cuidado e
carinho, eles sempre querem mais do que realmente têm. Por mais que as pessoas lhe
deem tais afetos, com frequência eles estão a exigir constantemente muito mais do que
recebem. Talvez porque quando crianças, foram indivíduos que sempre estariam exigindo
muita atenção, sendo esta não suficientemente preenchida, e frequentemente foram
também crianças muito teimosas.
Tais pessoas com instabilidade emocional são aquelas que não conseguem manter
equilíbrio em situações de tensões ou estresse. Elas frequentemente mudam de humor,
emoções e conduta conforme o contexto que lhe são apresentadas. Via de regra, têm
baixa capacidade de julgamento e usualmente têm reações grosseiras, acompanhadas
muitas vezes de culpa ou ansiedade. Podem ser pessoas rebeldes ou totalmente tímidas.
Esses indivíduos que possuem instabilidade emocional tendem a ser grosseiros,
"reclamões" e briguentos. Algumas vezes, essas pessoas podem confundir carência
emocional com paixão. Transferem para relacionamentos amorosos a sua instabilidade
emocional. Então, são os causadores de brigas excessivas, têm ciúmes exagerado ou
sentimento possessivo, e o borderline vê o outro como se ele só tivesse a obrigação de
estar ali apenas para prover o que o limítrofe necessita. Além disso, eles tendem a
acreditar que o outro parceiro tem de estar todo o tempo com ele e com a obrigação de
não deixá-lo sozinho ou abandonado. Quando o parceiro tem de ir embora, deixá-lo
sozinho, ou quando cancela um encontro, facilmente borderlines ficam furiosos ou entram
em pânico, partindo frequentemente para manipulações, com ameaças suicidas. Essa
tendência do limítrofe se sentir facilmente ferido ou agredido (pequenos estressores são
capazes de enfurecê-los. Eles se irritam ou se rebelam por pouca coisa, às vezes
totalmente insignificantes) faz com que frequentemente entrem em brigas ou confusões
no ambiente social do dia-a-dia. Eles não têm controle de si mesmo, por isso facilmente
demonstram irritabilidade e raiva em variadas situações triviais, desde maus tratos e
estupidez até xingamentos e violência. Borderlines são, de forma geral, propensos a um
comportamento evidentemente briguento, com uma notável facilidade em brigar com
todos a seu redor, abrir escândalos, confusões etc. Eles podem conseguir brigas por coisas
pouco importantes em restaurantes, lojas, bancos, mercado ou em outro qualquer lugar
público. Por exemplo, é o caso da jovem borderline que solta explosões verbais a um
homem, por este ter esbarrado, sem querer, na moça. Tais situações, ocasionalmente,
podem ser uma porta de entrada para brigas realmente violentas, já que, às vezes,
borderlines podem deparar-se com outras pessoas também explosivas e pouco tolerantes.
Em geral, tais conflitos são frutos de explosões em situações contornáveis aos olhos do
observador, mas que o borderline não consegue evitar.
Limítrofes são pessoas que passam seu tempo a tentar controlar mais ou menos emoções
que elas não controlam realmente. São pessoas que, diga-se de passagem, têm duas
vidas. Uma vida quando estão na sociedade e outra vida de comportamentos muito
diferentes quando estão a sós. Sua capacidade de esconder o transtorno faz com que
sejam vistos, superficialmente, como se não tivessem nada, entretanto suas vidas são
sofríveis e um verdadeiro inferno dissimulado. Pessoas com o transtorno oscilam entre um
comportamento adulto e um comportamento infantil.
Esses indivíduos são árduos manipuladores. Alguns psiquiatras e psicólogos dizem que
borderlines são "pacientes impossíveis", porque frequentemente são manipuladores,
pessoas que buscam atenção, perturbam e irritam, além de não terem capacidade o
suficiente para controlar suas condutas. Agridem a eles mesmos e aos demais que tentam
ajudá-los. Em suas relações iniciais (ex.: terapia), por causa da grande desconfiança que
eles mantêm, as palavras com frequência não são usadas para comunicar ou exprimir
sentimentos. O que existe são as manipulações, testes, controle etc. Eles tendem a
defender-se de sentimentos, emoções e lembranças e facilmente testam suas relações
através de manipulações.
Parece que o borderline está sempre usufruindo de testes e manipulações, a fim de testar
as outras pessoas, como elas reagirão a tais testes como agressividade, brigas,
chantagens, etc. e, se por acaso, o abandonarão por tais razões. Esses testes, então, são a
forma de limítrofes analisar e ter certeza de que não há jeito de aparecer alguma ameaça
de abandono por parte da pessoa cuidadora.

A solidão, o vazio e a baixa auto-estima


O paciente borderline para viver em paz precisa encontrar um objeto protetor que nunca o
deixe. Para isso, eles testam tais "objetos" (as pessoas) para poderem acreditarem nisso.
Tais testes são manipulações, maus tratos, discussões etc. como forma de que isso atesta
que, mesmo através de tais caminhos, o borderline nunca será abandonado. Obviamente,
isto traz à tona a grande questão da tolerância das pessoas "alvo" do borderline, afinal,
dificilmente as pessoas em sua volta têm tamanha paciência para tais manipulações. O
limítrofe parece estar sempre insatisfeito e precisando de mais e mais (seja atenção,
carinho, apoio, cuidados etc.) porque sente um vazio irreparável, um nada, um buraco,
uma frustração contínua. Sente-se insuficiente e desvalorizado. São pessoas com uma
baixíssima auto-estima, frequentemente causada por conta de uma infância traumática,
como por exemplo, o abuso infantil, sobretudo o sexual. Com frequência, eles vêem-se
como ridículos, sempre preocupando-se em excesso com um "defeito imaginário", bem
como têm a sensação de que têm nojo de si mesmo (principalmente se houve o abuso
sexual) ou de que eles são uns "monstros".
Estar só e relaxar é algo que o borderline não consegue. Sua baixa auto-estima e a
necessidade constante de ter sempre alguém cuidando dele, faz com que a solidão seja
vista como insuportável. São pessoas que não conseguem ficar sozinhas apenas consigo
mesmas, com sua própria companhia. Para eles, a convivência consigo mesmo é seu pior
inimigo.
Borderlines são pessoas que não suportam a solidão, frequentemente sentem grande
ansiedade ao ficar só. Se sentem abandonados, rejeitados e excluídos, facilmente ficando
deprimidos quando percebem que seu "cuidador" o deixou. Para eles, é como se eles não
existissem, sem uma estrutura externa (ex.: cuidador). Com seu cuidador, podem estar em
plena euforia. Porém, quando este anuncia que terá de ir, facilmente passam de um humor
eufórico para raivoso com manipulações e esforços excessivos para evitar ficarem
sozinhos. Se ficam só esse momento torna-se tão insuportável que do humor raivoso
decaem para a depressão. Seus atos auto-destrutivos aumentam de intensidade. Podem
fazer tentativas suicidas, sentir que nada mais é real (despersonalização e
desrealização), entre outros comportamentos extremos.
Borderlines sentem que estão sempre na solidão e com um grande sentimento crônico de
vazio. Tal sentimento constantemente os incomoda e tendem a achar sempre uma forma
de preencher tal vazio, mas com frequência, descrevem que esse sentimento nunca
desaparece. Borderlines sentem tudo com uma alta intensidade, sendo que para eles, tudo
faz mal, tudo os agride e machuca. Não sabem se proteger, ou ao menos, acreditam não
saber. Eles ainda têm sentimentos de serem uma eterna "vítima", incapaz de aceitar suas
próprias responsabilidades. São pessoas que não têm uma noção clara de sua identidade.
Na realidade, eles não tem uma identidade bem formada, assim, precisam do apoio de
uma outra identidade, causando assim um grande medo ao abandono, perda e rejeição de
tal identidade cujo borderline o considere como cuidador. A visão que eles têm de si
mesmo frequentemente se caracteriza por uma visão flutuante e pouco constante,
mudando rapidamente de tal visão. Assim, isso contribui para a grande instabilidade que
circula em suas vidas. Quase sempre eles dizem não ter certeza de nada. Ou então, dizem
uma coisa, mas em seguida mudam de idéia ou opinião. Seus gostos são totalmente
inconstantes, podem gostar de uma coisa, para em seguida enjoar da mesma. Sua
identidade, orientação sexual e a visão de si mesmos também assim são baseados. Eles
facilmente se vêem como maus, estranhos, sem amor e sem doçura. Além disso, eles
também se enxergam como pessoas que não merecem elogios, mérito e prazer. São
indivíduos que são escravos das suas próprias emoções. Limítrofes também tendem a ter
baixa tolerância às críticas, tendendo a levar sempre para o lado pessoal. Tais críticas
provocam frequentemente acessos de mau humor, irritabilidade e acusações.
Eles não toleram a solidão e demonstram um grande medo excessivo de serem
abandonados ou rejeitados, sendo que este medo é acompanhado caracteristicamente de
esforços frenéticos para evitá-lo. Podem fazer manipulações emocionais, especificamente
chantagens, como ameaças ou tentativas de suicídio. Contudo, caso a manipulação não
funcione, eles podem demonstrar explosões de raiva, se auto-rotulam como "maus" e
podem cometer atos autodestrutivos, como automutilar-se. O medo de ser abandonado é
tão enorme nessas pessoas que casualmente sofrem de dissociações, têm distorções da
realidade como ter idéias paranóides ou alucinações e, no extremo, praticar
impulsivamente o suicídio completo. Além disso, por causa do suposto abandono (real ou
imaginado) da grande idealização por tal pessoa, eles passam rapidamente para a grande
desvalorização desta última, pelo fato de terem sido "abandonados". Contudo, é notável
também que a volta da pessoa cujo limítrofe a considere como seu cuidador, ocasione a
remissão de tais sintomas e manipulações. Mas frequentemente eles são tão inseguros
com grande medo de perda, que acabam por serem muito ciumentos, sem se darem conta
que todo esse comportamento prejudica e assusta as pessoas em sua volta. De maneira
geral, o transtorno de personalidade borderline é um dos principais distúrbios associados
ao suicídio e auto mutilação. Borderlines costumam se sentirem "maus" e o suicídio e
comportamento auto-agressivo por vezes é considerado como uma forma de auto punir-
se. Eles podem tomar muitos medicamentos de uma vez só, com ou sem intenção de
suicídio, abusar de drogas e bebidas, auto mutilar-se fisicamente, colocar-se em risco,
entre outros atos impulsivos com notável tendência a "castigar-se".
Eles frequentemente sofrem de solidão mesmo estando entre pessoas. Sentem-se sós e
sempre acham que as pessoas não os compreende e que ninguém jamais poderá o
compreender. São indivíduos que possuem baixa auto-estima, insegurança e não se amam
o suficiente para ficarem a sós consigo mesmo. Quando isto acontece, com frequência
sentem uma grande ansiedade. Tendem a sentir o vazio de forma mais intensa,
contribuindo para cometerem atitudes impulsivas como auto-mutilar-se.

A desregulação emocional x relacionamento familiar


Borderlines, caracteristicamente, têm dificuldades no controle das emoções e podem ter
dificuldade em conviver em grupo. Eles frequentemente exigem toda a atenção do mundo
para si e facilmente são tomados pelas emoções. Podem arranjar conflitos com amigos,
namorados e familiares com grande demonstrações de ciúmes, possessividade e medo de
serem abandonados. E ainda com tanta exigência de atenção e cuidado, com frequência
armam confusão com notáveis explosões de raiva. Como agressividade, ironia,
xingamentos e até demonstrações físicas de violência. Por isso, podem viver a criar casos
e "barracos" para tudo o que é canto onde vão.
Pessoas com esse distúrbio, de maneira geral, são superficialmente adoráveis e
simpáticos. Porém, com pessoas de sua grande intimidade (ex.: familiares) eles são tidos
frequentemente como irritantes, agressivos, mal-humorados, rebeldes. Tanto que o
ambiente intra-familiar de pessoas com este distúrbios é muitas vezes marcado por brigas
e conflitos constantes.
Esses indivíduos constantemente não conseguem manter um bom relacionamento entre
seus familiares íntimos que convivem dia-a-dia com ele (ex.: pais e irmãos). Por vezes, o
ambiente familiar é repleto de discórdias, discussões e brigas, sendo que estes últimos
também são classificados hora como bons, hora como maus. A imprevisibilidade e
instabilidade típica de limítrofes contribuem para a geração de conflitos intra-familiar
Muitas vezes, tais pessoas que convivem com o indivíduo percebem tais características,
como humor instável com demonstração frequente de incapacidade de controlar a raiva
(ex.: mau humor frequente, mau gênio, agressividade constante). Às vezes, borderlines
podem ser tidas como pessoas incapazes de demonstrar gratidão, de interessar-se por si
mesmo e pelos outros. Os outros, assim como a mãe, podem ser sentidos como estranhos
que têm apenas a função de suprir e prover o que ele espera.

Geralmente, a dor física bem como as brigas e discussões podem ser formas de aliviar a
tensão interna que se alastra no interior do indivíduo limítrofe. Por isso, com frequência, o
borderline se acalma após uma briga com familiares. Enquanto depois da discussão todos
ficam mal, como ele descarregou sua tensão, ele age como se nada de importante
houvesse acontecido e tende a esperar que os outros reajam assim também.
As pessoas de sua intimidade, facilmente olham limítrofes como estressados, pessoas "de
lua" e imprevisíveis. A convivência diária com borderlines pode ser de extrema dificuldade.
Porque ao longo de um dia, podem ser tidos como aqueles que de manhã estão de um
jeito, à tarde de outro, e à noite de outro jeito. Por isso, o ambiente intra-familiar é
caracterizado por intensas intrigas e conflitos constantes. Frequentemente irritadiços ou
agressivos, podem tratar hora bem, hora mal aqueles que convivem com ele. Até mesmos
seus parentes podem ser divididos hora como "bons", hora como "maus". Portanto, medo,
repulsa e raiva são emoções frequentes que borderlines produzem em pessoas de sua
grande intimidade. Familiares sempre percebem que são pessoas que têm facilidade em
demonstrar agressividade, sendo que dificilmente conseguem controlar tais hostilidades -
Estas perceptíveis através de mau humor, agressividade constante, amargura persistente
e até ataques de rebeldia ou violência.
Apesar disso, quase sempre, socialmente essas características não são
momentaneamente percebidas. Pelo contrário, suas relações podem ser superficiais,
assim, demonstram ser adoráveis, queridos e simpáticos - embora possam armar confusão
e demonstrar irritação por coisa mínima. Contudo, tais qualidades perdem a força
conforme suas relações se tornam profundas e íntimas. Muitas vezes, superficialmente,
tais pessoas que mal conhecem o indivíduo borderline podem duvidar e não acreditar
quando familiares, por exemplo, relatam o comportamento irritadiço e anormal que o
limítrofe exibe.

Instabilidade, inconstância e relacionamentos


O perfil geral do transtorno também inclui uma inconstância invasiva do humor, das
relações interpessoais, da conduta (comportamento) e da identidade, que pode levar a
períodos de dissociação. São pessoas muito instáveis em todos os aspectos de sua vida;
seus relacionamentos são intensos mas muito caóticos, com tendência a terminar
abruptamente de forma explosiva, pois eles são marcados por períodos de grande
idealização e grande desvalorização causados por medo excessivo de abandono, esforços
exagerados para evitar a perda, chantagens emocionais, possessão, ciúmes e explosões
de raiva. A instabilidade emocional, também contribui para relacionamentos instáveis. O
humor do borderline pode ser muito lábil, alternando diariamente entre períodos de
depressão profunda, grande ansiedade, euforia, intensa raiva ou irritabilidade (não
necessariamente nessa ordem), sendo que, quando estão sós, frequentemente se sentem
irritadiços e depressivos juntamente com um sentimento crônico de vazio. A instabilidade
também é intensa na própria percepção de imagem de si mesmo (propensos a achar-se
feios, gordos demais, magros demais, defeitos imaginários em geral - anorexia, bulimia,
vigorexia, transtorno dismórfico corporal etc.), nas atitudes, opiniões e até na sexualidade.
O paciente borderline apresenta em todos os aspectos de sua vida a "difusão de
identidade" que pode ser descrita como a recusa em considerar outros tempos e outras
diferentes situações, dando prioridade à situação presente e atitudes imediatas. Como se
tivessem uma "amnésia" das situações e atitudes anteriores. Assim, forma-se a
instabilidade entre os extremos "bom e mau" (8 ou 80, branco ou preto, mas nunca o
meio-termo). Os indivíduos limítrofes tendem a caracterizar uma pessoa, objeto ou
circunstância apenas pelo presente, como se não existisse o passado ou o futuro, nem
outros tempos ou situações diferentes. Por exemplo, o borderline ao perceber que a
pessoa cuidadora está com ela, ele tende a classificá-la como "ótima". Quando o cuidador
tem de ir embora, este rapidamente passa da grande idealização ("ótima") para a grande
desvalorização ("péssima"), desprezando a história em que passaram. Se o cuidador
retorna, novamente a pessoa é passada do extremo "péssima" para o "ótima". Isto
evidencia a grande instabilidade entre os extremos cujos borderlines sofrem. É assim,
também, que outras pessoas, objetos e circunstâncias são analisados por limítrofes,
sempre oscilando entre o "bom" e o "mau", conforme o presente imediato, deixando de
lado o passado, situações remotas e diferentes. Exemplificando, de modo geral, a
borderline é aquela jovem que valoriza demais o namorado. Contudo, por menor que seja
a contrariedade, já acha que ele não presta mais. Também acontece quando a limítrofe
liga para a amiga. Só porque esta não pôde atendê-la naquela hora, a borderline já
acredita que não é amada e depois agride, exige e acusa dramaticamente a amiga de não
dar devida importância a ela.
De forma geral, borderlines estão sempre no extremo e fazem análise extrema das
situações externas. Eles passam facilmente do "eu te amo" para o "eu te odeio", é sempre
o branco ou preto, mas nunca o cinza. Suas opiniões em relação aos outros, são assim
baseadas também, alternando drasticamente entre pessoas "ótimas" e pessoas
"péssimas", por isso a frustração é frequente. Geralmente, a frustração é precedida por
ameaças reais ou imaginárias de abandono. Assim é evidente que as próprias idealizações
desses indivíduos trazem ainda mais enorme instabilidade para eles. Mas
caracteristicamente eles têm baixa intolerância às frustrações, porque são
emocionalmente hipersensíveis a qualquer estímulo estressante, reagindo sempre de
maneira raivosa, com grande dificuldade em controlar fortes emoções. Frequentemente
têm explosões de raiva com facilidade, às vezes com evidente demonstrações como jogar
estressadamente objetos ao chão, ou se auto-agredir. Contudo, geralmente essas
expressivas demonstrações são seguidas por culpa ou vergonha, contribuindo novamente
para o sentimento de que são "maus".
Por causa da tendência em completamente idealizar ou completamente desvalorizar
pessoas, lugares e objetos, os portadores da personalidade limítrofe por vezes podem
fazer um mau julgamento de outras pessoas. Muitas vezes fazendo-se assim em se
envolver em relações extremamente prejudiciais, que levam a sucessivas crises
emocionais.
Em um relacionamento, o borderline exige atenção exclusiva e constante, proteção
permanente, alguém forte que amenize sua solidão e seu vazio. Quando isso acontece, ele
se sente confortável e tranquilo, contudo, teme o abandono do ser amado e
frequentemente o inferniza constantemente com medo de que isso realmente se
concretize. No momento em que o borderline se vê incompreendido ou ameaçado pelo
objeto amado, ele pode ter respostas agressivas, auto mutiladoras ou suicidas. Isso
frequentemente surge em situações de cólera intensa ou misturada com explosões súbitas
do humor depressivo, revelando gestos e comportamentos a fim de estabelecer um
controle sobre o ambiente e as pessoas de tais situações, provocando no outro um
sentimento de culpabilidade.
Esses indivíduos de maneira geral, trazem consigo sempre grande instabilidade em seus
relacionamentos. Apesar da dificuldade em nutrirem confiança por outros, quando eles se
apaixonam por alguém, podem referir-se a tal pessoa como "ele é tudo para mim, eu o
adoro/amo". Contudo, quando o cuidador está prestes a supostamente "abandoná-lo" (ex.:
anunciar que tem de ir embora, para a casa), Borderlines podem passar rapidamente de
carentes de afeto para raivosos, frequentemente demonstrando humor seco, grosseiro e
raivoso, com comportamento impulsivo (ex.: dizer que odeia, demonstrar agressividade,
tratar mal a pessoa etc.), juntamente, fazem esforços excessivos, para assim evitarem ser
abandonados. Tais esforços são tão extremos que às vezes cometem atos muito
impulsivos, levados por fortes emoções (raiva, ira ou cólera). Por exemplo, fingir passar
mal, acidentar-se propositalmente, auto mutilar-se, ameaças suicidas, prender a pessoa,
tentar suicídio, chantagens entre outros atos extremos. Exatamente por isso, por vezes, os
borderlines podem terminar em caso policial, porque são eles que muitas vezes são donos
de tais esforços frenéticos para evitarem ser abandonados. Podem, por exemplo, serem
autores de comportamentos muito impulsivos e irracionais como sequestros ou crimes
movidos pela angústia de serem abandonados.
Frases como "Você não vai querer mais namorar comigo, olha só o que eu fiz" ou "Eu me
odeio! Você ainda vai continuar gostando de mim, depois disso?" demonstram o medo em
ser abandonado, largado e mostra questões que o borderline supõe ser motivos para o
abandono.
Frequentemente em relacionamentos íntimos, o borderline demonstra grande necessidade
de ajuda por causa de sua depressão e por conta de maus tratos passados, contudo, ao
tempo de que se mostram depressivos e dependentes de cuidados, de repente podem
maltratar cruelmente a outra pessoa.
A vida em si do borderline não é estável. Seus relacionamentos bem como
comportamentos e sua personalidade em geral não são duradouros. É notável nesses
indivíduos constante instabilidade nos seus relacionamentos. Eles podem demonstrar
profundos sentimentos de apego e desapego fácil e ambivalente. Ao passo que, se sentem
só, desejam muito a presença do outro, mas quando esta presença se concretiza, podem
achar que estão muito próximos e invadindo sua privacidade. É um eterno "eu te odeio -
não me deixe", bem como rápida passagem do "eu te amo", para o "eu te odeio".
Parceiros afetivos que se relacionam com limítrofes vivem em constante confusão e com
frequência se assustam e se irritam com as relações caóticas típicas do borderline. Isso
acontece porque limítrofes idealizam e se desapontam a todo tempo. Hora podem amar,
mas depois podem odiar. Pessoas que mantêm relacionamento com um indivíduo
emocionalmente instável, hora podem se sentir sufocadas de tanta exigência de atenção,
cuidado e carinho, bem como excessivas manipulações. Hora podem duvidar do
sentimento do borderline que demonstra grande ternura, para em seguida, demonstrar
frieza, raiva e maus tratos.
Suas opiniões e idéias são facilmente instáveis e contraditórias. Podem dizer com
convicção "sim", para em seguida, dizer "não", gostando assim de algo, para facilmente
odiá-lo ou vice-versa. Isso também acontece em relação à carreira profissional e sua
orientação sexual. Estão constantemente mudando em relação ao que pensam e fazem, e
o que irão exercer profissionalmente. Sua identidade sexual é frequentemente marcada
por dúvidas e mudanças constantes ou até adeptos à bissexualidade. Por vezes, definem-
se a si próprios como "hora uma coisa, hora outra coisa". Quando estão convictos de algo,
de repente, vêem-se cercados por dúvidas contrárias novamente, por isso, a indecisão
nessas pessoas é comum. Até a própria aparência física do limítrofe tende a ser instável.
De maneira geral, são pessoas que não conseguem ficar estáveis. Por isso, são
intolerantes à monotonia e rotinas, facilmente contrariando e quebrando regras, bem
como desistindo ou desanimando facilmente de atividades rotineiras ou que exigem uma
certa monotonia.
Borderlines frequentemente não têm persistência o bastante para continuarem um
projeto, tarefa ou objetivo. Eles tendem a iniciar, porém, dificilmente terminam. Enjoam,
cansam ou desgostam facilmente. Por isso, a vida do limítrofe é uma instabilidade
contínua, seja em seus projetos, relacionamentos, preferências ou comportamentos.
O borderline não é capaz de se ligar por muito tempo a coisa alguma que não seja, de
fato, algo de seu total interesse. Por isso também dificilmente mantêm um relacionamento
por muito tempo, um emprego estável, um objetivo constante, um gosto ou preferência
interna estável. Na realidade, a inconstância é a palavra chave da vida do borderline.
Limítrofes estão sempre à beira entre o amor e o ódio. Eles amam o objeto (ex.: cônjuge),
mas em seguida, por motivos fúteis e até mesmos insignificantes de repente passam do
amor para o ódio, como se, para o borderline, as pessoas estivessem sempre oscilando
entre o ótimo (ideal) e o péssimo (pior) e vice-versa. Sem meio termo e sem a
conscientização de que o ideal não existe, nem mesmo o péssimo. Eles tendem a idealizar
as pessoas por qual querem como seus cuidadores, contudo, não aprendem que o ideal
não existe, por isso estão sempre insatisfeitos. A pessoa "ideal" parece sempre depender
do que o borderline necessita. Caso a pessoa "ideal" negue, ignore tal necessidade, ou
frente a recusas, o borderline rapidamente passa do amor para o ódio. Por exemplo, é o
caso da borderline que não quer ver os defeitos do namorado, que tenta sempre mudá-lo,
a fim de que este fique "perfeito". Porém, quando percebe que tais condutas não
funcionaram, rapidamente o desvaloriza. Também é o caso da paciente que quer ouvir
apenas as coisas que deseja, pelo terapeuta. Quando o terapeuta diz coisas na qual ela
não deseja, do "bom", rapidamente o terapeuta é passado drasticamente para o "mau".
Isto mostra que borderlines mudam de um extremo ao outro, por pouquíssimas coisas.
A vida do limítrofe é dividida sempre entre boa e má. Péssima ou ótima. Mas nunca o
neutro ou meio-termo. Eles próprios dividem as outras pessoas como "totalmente boas" ou
"totalmente más", mas nunca reconhecem a neutralidade das outras pessoas. Ou a pessoa
é ótima, ou a pessoa é péssima, por exemplo.
O fato de borderlines serem extremistas ("tudo ou nada", "agora ou nunca" "te amo ou te
odeio" etc.) faz com que tenham visões assim extremistas até mesmo de seus objetivos e
futuro. Quando conseguem iniciar um projeto (estudos para o vestibular, emprego, entre
outros planos a longo prazo), ele é frequentemente presunçoso: sua meta é ser
reconhecido ou nada valerá a pena. Como em geral, não vai ser reconhecido
imediatamente, ele abandona a tarefa prematuramente, sem se quer terminá-lo. Tal
atitude por recompensa apenas imediata, com desprezo à paciência de esperar, torna-o
frequentemente paralisado e sem objetivos concretos. O pensamento de uma jovem
borderline assim é feito como por exemplo "Vou estudar, mas somente se eu passar agora
no vestibular". Como tal recompensa está obviamente longe de ser realiza, então, a
borderline para abruptamente de estudar. Ou então, nem se quer começa. As tarefas do
dia-a-dia também assim são raciocinadas Quando a recompensa não é imediata, eles
abandonam tal projeto ou têm dificuldade em começá-la, dando uma errônea imagem de
"preguiçosos" ou "fracassados".
Em geral, as pessoas na qual se relacionam superficialmente ou que apenas está no inicio
de um relacionamento com um borderline, não fazem idéia das perturbações e relações
caóticas que vão ser recebidos em tais relacionamentos. Contudo, apesar de tudo isso,
obviamente os indivíduos com o transtorno de personalidade limítrofe frequentemente
necessitam de muita ajuda, carinho e apoio, embora possam fazer de suas relações um
verdadeiro "inferno". Eles não têm esse comportamento de forma proposital, pois é
notável que são pessoas muito conturbadas, tal transtorno fruto de traumas vivenciados
na infância, cuja pessoa afetada não tem culpa. A pessoa que está como "cuidadora" do
borderline (ex.: namorado ou cônjuge) tem de estar ciente que estão diante de um grave
transtorno, uma patologia dilacerante tanto para o próprio enfermo quanto aos familiares
e pessoas próximas. Por isso tal cuidador precisa haver muita paciência com esses
indivíduos e, sobretudo, apoiar e tentar ajudá-los.

Egoísmo, agressividade e imaturidade


Essas pessoas têm dificuldade em avaliar as consequências de seus atos e de aprender
com a experiência e, então, por isso erram e repetem o erro, nunca aprendendo com seus
erros. São indivíduos tão exigentes e imprevisíveis que assim tendem a afastar todos
aqueles que o cercam. Além disso, são pessoas que não têm necessidade, eles têm
urgência. Não sabem adiar e não aguentam esperar.
Borderlines também tendem a funcionar muito mal, conforme o estresse. Quanto mais
estressados e pressionados, ainda mais pioram os sintomas. Além disso, eles sempre
tendem a contornar a situação e colocam a culpa em outros, seja por suas deficiências,
decepções, responsabilidades ou problemas. Também vivem da gratificação,
especificamente a imediata e geralmente querem ser livres para fazerem o que querem.
Contudo, ao mesmo tempo desejam ser cuidados e protegidos. Na verdade, são eternas
crianças em um corpo de adulto, por isso aparentam estar se fazendo de "vítima", quando
na realidade não estão.
"Eu os agrido, vocês me devem, vocês precisam fazer tudo por mim e eu nada por vocês"
é frequentemente um lema em mente dos borderlines. Quase nunca eles se importam
com as necessidades alheias (ex.: dos pais, do namorado), porque tendem a priorizar as
suas. Acusam de forma egoísta e injustamente que seus pais deveriam gastar mais
dinheiro com o indivíduo borderline, do que com eles próprios, por exemplo. Ou então
exigem toda a atenção, paciência e carinho para si mesmos ("Você tem que me tratar
sempre bem.") e pouco retribuem ("Eu te maltrato, mas você não pode me maltratar, deve
apenas me dar carinho e apoio."). Isto evidencia um "quê" de egoísmo típico traço
narcisista no paciente borderline, por isso tem dificuldade em perceber o lado do outro, ou
de distinguir o rosto do outro, só conseguindo visualizar suas próprias necessidades.
Interesses genuínos são raros. Se, por acaso, suas necessidades são ignoradas,
borderlines sentem-se profundamente irritados por não terem sido levado em conta.
Segundo Kernberg, é a difusão de identidade responsável por tais percepções
empobrecidas. Como o próprio borderline não tem uma identidade bem definida,
obviamente, eles têm grande dificuldade em enxergar o outro, afinal, não consegue
enxergar-se com precisão. Por causa dessa dificuldade em enxergar o outro, o borderline
pode ser notavelmente difícil em ter amigos ou namorados, ou então, mantê-los. Ele se
aborrece com facilidade com qualquer assunto que não lhe diga a respeito, necessitando
sempre ser o centro de tudo. Como nem sempre isso ocorre (ou então, ocorre
esporadicamente), ele se irrita excessivamente podendo causar sérios prejuízos em tais
relacionamentos.
Apesar do histriônico desejar também ser sempre os centros das atenções, a grande
diferença, é que quanto tudo gira em seu redor, ele sente sua carência afetiva
momentaneamente preenchida, nada mais lhe falta. Nesse caso, a outra pessoa existe e é
levada em conta a sua existência. Quanto ao borderline, sua carência afetiva e vazio são
momentaneamente preenchidos, entretanto, a outra pessoa existe apenas para satisfazê-
lo naquele instante.
As outras pessoas regularmente vivem a pedir que tais pessoas "se acalmem", porque
limítrofes são frequentemente vistos como estressados ou rebeldes, com notáveis
tendências a reagir de forma emocional excessiva (hiperemotividade) por pouca coisa.
Contudo, frequentemente eles não têm controle algum sobre si mesmo e não têm
confiança por ninguém, nem se quer por pessoas íntimas, como seus familiares próximos.
Limítrofes são pacientes que têm uma grande incapacidade em haver relações humanas
"normais" e dão a aparência de não se ressentir com as emoções de outros humanos. Eles
não têm paciência por nada e, assim, se estressam ou irritam-se facilmente, até por coisas
banais. Por isso, apesar do borderline conseguir demonstrar uma certa "normalidade" em
várias situações triviais do cotidiano, com frequência exibem escandalosamente a
incapacidade em controlar sua raiva (ex.: Acessos de mau humor por ter que esperar a ser
atendido no hospital. Explosões verbais ou "armar barracos" com um funcionário por este
ter devolvido, sem querer, a quantidade de dinheiro errada. Ou tratar grosseiramente o
médico). Estão frequentemente causando confusões. De forma geral, eles reagem
normalmente até o momento em que, sem motivos, seu humor radicalmente muda para
de repente ter um ataque de raiva ou grosseria, brigando com todo mundo.
Borderlines se irritam com facilidade, por isso, podem demonstrar com frequência mau
humor e agressividade, especialmente com pessoas íntimas. Porém, geralmente saem de
seus ataques de raiva como se nada tivesse acontecido, e não conseguem entender por
que o outro ficou magoado, demonstrando assim uma dificuldade em compreender a
realidade. Eles sempre tendem a achar que têm a razão de tudo e facilmente exprimem
um bloqueamento na interpretação das emoções e sentimentos alheios.
Quando o borderline crê ter sido tratado de maneira injusta (que seja real ou não), ele
reage agressivamente e impulsivamente. Às vezes, muitos gestos de outras pessoas são
interpretadas falsamente ou qualificadas como hostis. Esses indivíduos têm dificuldade em
interpretar justamente o comportamento de outros. Sua percepção sobre outros é muito
instável.
O que frequentemente ocorre são conflitos constantes no dia-a-dia do borderline, como no
trabalho ou no simples ato de ir pagar uma conta ao banco ou comprar alimentos no
supermercado, por exemplo. Com muita facilidade, sempre dão um jeito de abrir um
conflito. No trabalho, podem arranjar discussões com o chefe por pouca coisa.
Frequentemente se não são demitidos, eles próprios se demitem em momentos de alta
impulsividade, tomados pelas emoções. Quando tais atitudes acontecem socialmente,
constantemente as outras pessoas tendem a julgar falsamente o limítrofe. Erroneamente
ele é classificado como "mimado", rebelde, estressado, louco ou apenas o "seu modo de
ser". Contudo, seu modo de ser, na realidade, é um modo de ser doentio.
O borderline frequentemente tem dificuldade em relação a limites. Eles não conhecem
limites e necessitam de limites para se sentirem seguros, entretanto, eles tornam-se
agressivos ou violentos caso uma oposição frontal venha ao encontro deles. Quase nunca
colocar limites em limítrofes serve como uma atitude significativa, porque eles tendem a
entender isto de forma errada, como uma atitude de rejeição ou abandono. Os limites
podem e devem ser colocados, mas com muita cautela, para que eles não se sintam
ameaçados e maltratados.
Nas relações íntimas, borderlines podem ser francamente insuportáveis, irritantes ou
assustadores. Ao tempo que se mostram carentes de afeto, dependentes e com grande
necessidade de apoio e cuidado, podem se mostrar muito manipuladores e irritantes.
Facilmente se irritam por qualquer coisa e sua afetividade é marcada por ansiedade,
desespero, raiva ou depressão, sendo que tais emoções não são dissimuladas.
Demonstram agressividade ou raiva intensa inadequadamente. Eles necessitam da outra
pessoa a todo instante, podendo parecer egoístas porque se comportam como só estão ao
lado de alguém, para receber cuidado e afeto, sem se importar se suas manipulações
emocionais e maltratos estão a prejudicar ou não o outro. Na realidade, esses indivíduos
raramente experimentam emoções genuínas, por vezes sentem um vazio afetivo, sendo
que a raiva é a emoção mais sentida nessas pessoas. Contudo, quando sentem emoções
plenamente razoáveis, tendem a proteger-se delas, mudando assim, facilmente de
parceiros, amigos, trabalho, lugar onde mora etc.
Nos relacionamentos íntimos, assim como indivíduos com o transtorno de personalidade
dependente, borderlines se sentem sempre carentes de afeto, com intolerância a ficar só e
necessidade constante de haver alguém consigo. Contudo, tais transtornos se distinguem,
primeiro, pelo fato de dependentes serem submissos, medrosos e influenciáveis.
Seguidamente, diferem-se porque borderlines são manipuladores tendendo a fazer
esforços excessivos para não serem deixados sozinhos. Quando percebem que estão
prestes a ser "abandonados", fazem reclamações, exigências e acusam a outra pessoa de
abandoná-la (outras acusações como: "Você é egoísta, pois está me deixando" ou "Você
não gosta de mim! Se gostasse não me abandonaria!"). Podendo demonstrar mau humor,
agressividade sendo que rapidamente passam da idealização "amo-te" para a
desvalorização "odeio-te" (ex.: "Você não se importa comigo, eu te odeio!"), com alta
tendência a conflitos e rompimentos. Frequentemente, em tais momentos, borderlines
ficam furiosos e impulsivamente tratam mal a pessoa por qual consideram seu cuidador.
Eles têm um profundo e excessivo medo de abandono e rejeição, sendo que suas rupturas
sentimentais terminam sempre em tentativas de suicídio ou automutilação e até,
regularmente, param no hospital. Eles têm intensos temores de se sentirem rejeitados ou
abandonados, sendo que trazem consigo um sentimento de que sem o outro, não podem
dar continuidade à vida, que não podem mais viver. Tais decepções amorosas são muito
intensas, dolorosas e insuportáveis em borderlines. Frequentemente causando um intenso
sentimento de vazio e um medo excessivo de fundir-se ou desaparecerem.
É comum o borderline ser ciumento e controlador. Por causa disso, pessoas muito
dependentes, influenciáveis e sugestionáveis, como a personalidade histriônica e
dependente facilmente sofrem num relacionamento com um borderline, por exemplo. O
caso da mulher borderline que todo dia vai até a padaria para ver se seu marido não está
com outra, é um dos poucos e banais exemplos.
O borderline exige demais da sua família que pode, com razão, cansar-se das suas
exigências e das suas agressões.
Devido à sua necessidade de apoio, o borderline pode se tornar agressivo quando
contrariado. Como é uma pessoa sensível e perspicaz, ele saberá como agredir,
conseguirá escolher pontos vulneráveis dos circunstantes. A tendência da família e
pessoas de sua intimidade, nesse momento, será considerá-lo manipulador, agressivo,
esperto, capaz de grandes atrocidades. Entretanto, na realidade, o borderline é por si uma
pessoa frágil e delicada, que agride por total desespero. Sua violência, geralmente, ocorre
com mais frequência quando se sente abandonado, incompreendido ou contrariado.
O borderline submete frequentemente seus familiares a algumas torturas, exigindo e
agredindo, embora com isso estejam apenas tentando reviver experiências passadas na
quais a relação entre ele e seu cuidador não foi capaz de lhe proporcionar boas condições
emocionais. Em geral, o borderline tenta refazer o caminho não realizado no início de sua
vida, com as mesmas pessoas (pai, mãe ou outros responsáveis, por exemplo) que não
foram capazes de fazê-lo anteriormente.
Como o borderline tem a tendência de não enxergar o outro, vinculando-se apenas a seus
interesses mais imediatos, às vezes ele pode tomar atitudes pouco recomendáveis com
seus familiares e pessoas íntimas. Eles podem trair, mentir, criticá-los, pôr sempre a culpa
em tais pessoas, colocá-los em situação financeira difícil, esconder, querer estragar o que
o outro gosta e muitas outras coisas do gênero. São atitudes ditas sociopáticas (ou
psicopáticas), que menos do que punição, exigem compreensão para não mais se
repetirem. Contudo, a família quase sempre não entende isto, sendo assim uma tarefa
difícil de convencer a família que o borderline, assim como sociopatas, dificilmente
aprendem com seus erros e punições. Para eles, raramente castigos e punições
funcionam. Pelo contrário, quase sempre tais punições são seguidas de mais agressividade
e raiva, por parte dos borderlines, que entendem isso como rejeição. Não que o borderline
não precise de limites destas atitudes. Por causa de seu narcisismo, ele considera muito
justo que tudo seja para uso próprio (e de preferência, imediato), que tudo esteja voltado
para ele. É claro, entretanto, que ele tem de saber o quão importante é reconhecer que é
impossível ele continuar a ter atitudes egoístas, essencialmente porque tais atitudes
frequentemente afastam as pessoas das quais ele tanto necessita.

A automutilação
A automutilação é uma das principais características do transtorno, sendo assim,
frequentemente o que o diferencia de outros transtornos de personalidade (em especial
histriônica e anti-social) é a presença de forte tendência à auto destruição. Tais atitudes
impulsivas podem ser vistas por inúmeras formas e são tidas como triplo sentido: Ao
tempo que significam desespero, angústia, depressão e dor emocional atenuada com a
dor física, a automutilação pode ser uma forma de conseguir atenção e carinho para si,
bem como culpar pessoas à sua volta, em momentos de raiva extrema. Alguns atos auto-
destrutivos frequentemente usados por borderlines podem ser se cortar, queimar,
arranhar, bater-se, Abusar de medicamentos, expor-se a acidentes e situações perigosas,
não se importar com sua saúde expondo-se a doenças etc. Bem como abusar de
substâncias psicoativas, energéticos e café, ingerir doces em exagero, dirigir
imprudentemente, dormir em excesso (hipersônia), praticar sexo inseguro. E ainda gastar
sem controle dinheiro, comer compulsivamente, roubar objetos e utensílios de pouco valor
monetário (cleptomania) entre outros comportamentos prejudiciais a si próprio. Engajam-
se em tais comportamentos impulsivos para se libertarem de sentimentos crônicos de
vazio, mas que frequentemente causam grande arrependimento e culpa após cumprir
essas ações. Às vezes, as outras pessoas podem perceber ou questionar-se sinais
evidentes de automutilação em borderlines (ex.: vários arranhões percebidos no braço,
hematomas ou cortes). Mas via de regra, eles tendem a apresentar argumentos
implausíveis ou pouco explicativos em relação a tais ferimentos, com medo de que
descubram seu comportamento auto-destrutivo. Por exemplo, podem dizer que não sabem
de onde tais hematomas apareceram ou dizer que se machucaram sem querer com uma
faca.
Pessoas com o distúrbio, podem haver períodos em que se isolam socialmente. Mas em
contrapartida, frequentemente estabelecem novos relacionamentos apenas para sentir-se
com uma jornada normal, principalmente porque tendem a evitar a que se façam mal a si
mesmos, quando estão sós. Às vezes, eles se vêem obrigados a aproximar-se de outras
pessoas que não os agradam muito, especificamente apenas para se impedirem de que se
auto-destruam (auto mutilações, abuso de medicamentos, bulimia etc.).

A carência afetiva, desconfiança e histeria


Eles estão sempre a reclamar de algo, talvez querendo sempre manter um cuidador perto
de si, mas não têm capacidade o suficiente para nutrir uma relação saudável e estável.
Para isso, eles são vistos como exímios manipuladores tendendo a manter perto de si a
qualquer custo outra pessoa que seja sua "cuidadora". Isso pode ser conseguido de várias
maneiras, entre elas, ficar doente emocional ou fisicamente é frequente. Primordialmente,
manipulando se fazem de ingênuos a fim de conseguirem um vínculo. Entretanto, acabam
por criar seríssimas confusões em tais vínculos, mas sempre tendem a se fazer como as
vítimas injustiçadas. Assim como pessoas portadoras do transtorno de personalidade
histriônica, limítrofes podem glorificar doenças podendo estar cronicamente doentes (ex.:
depressão, gripes que não saram, novos sintomas que sempre aparecem sem causa
aparente, queixas hipocondríacas etc.).
Indivíduos limítrofes também têm altas tendências às dissociações, histeria e podem ter
problemas com amnésia, frequentemente com falhas de memória. Eles também têm altas
taxas de desenvolvimento ao transtorno dissociativo de identidade (personalidade
múltipla), isto é, quando um indivíduo eclode mais de uma personalidade para lidar com
as situações estressantes.
Às vezes, o comportamento de alguns borderlines pode demonstrar como obtinham
carinho e consideração, em épocas remotas (especificamente quando crianças). Por isso,
eles podem ocasionalmente mostrar um comportamento francamente sedutor para
conseguir cuidado, alternando drasticamente, após a intimidade, o papel entre o sedutor e
o vingador de maus tratos passados.
Essas pessoas podem mostrar-se simpáticas socialmente, mas em geral, as relações
interpessoais desses indivíduos podem ser escassas. Principalmente porque borderlines
têm dificuldade em nutrir confiança em relação aos outros, por vezes são desconfiados e
têm reações paranóides. Sendo assim, suas relações podem ser superficiais. Quando estas
são íntimas, o comportamento anormal nessas pessoas ficam exageradamente evidentes,
caracterizando relacionamentos intensos mas instáveis.

Reatividade do humor e impulsividade


Eles têm frequentemente flutuações do humor intensas, imprevisíveis e constantes. Eles
não têm controle deles mesmo e parecem sempre ter medo de si próprio. De manhã,
podem ver a vida como aceitável. À tarde, bruscamente sentem um grande vazio com
intensa vontade de se suicidar. E, à noite, radicalmente seu humor novamente muda e
sentem uma grande ansiedade com desejo compulsivo de se acabar em guloseimas, por
exemplo.
A impulsividade no borderline sempre está relacionada à desesperança, falta de apoio,
intensa sensação de rejeição e vazio, o que leva, no desespero, por atos impulsivos auto
destrutivos.
O borderline é confundido com frequência com quadro maníaco. Isto ocorre porque ele
pode apresentar-se acelerado ou animado, por estar apaixonado por alguém e sendo
correspondido, se sentindo amado, por exemplo. Angustiado ou delirante, também se
encontra acelerado. Nestes casos, a confusão com uso de drogas ou bebidas alcoólicas
também é frequente. Contudo, ele pode passar da animação para a depressão
rapidamente, sempre dependendo das circunstâncias a que esteja submetido.
Frequentemente a depressão e o transtorno afetivo bipolar são confundidos com a
desordem borderline de personalidade. Contudo, talvez uma das principais diferenças é
que além de todos os outros sintomas típicos de limítrofes, tanto a depressão unipolar
como a da bipolaridadade, se caracterizam por sensação de culpa, inferioridade com uma
tristeza de base. Enquanto isso, a depressão do borderline se caracteriza essencialmente
em razão de um vazio existencial, um buraco nunca preenchido, uma vida sem sentido, do
tédio diante de seus objetivos e idéias de fracassos de frustração em relação a ideais não
atingidos. Como o borderline também pode se sentir muito angustiado, podendo passar
dias e anos na cama, isso frequentemente é confundido ainda mais com a depressão (uni
ou bipolar). Contudo, a principal diferença que os diferencia seria que o quadro depressivo
do borderline diferencia-se principalmente porque, em geral, o quadro geralmente piora de
noite, quando o limítrofe se vê sozinho e frequentemente com crises agudas de carência
afetiva. Enquanto isso, pelo contrário, no paciente depressivo ou bipolar a piora do quadro
vê-se pela manhã-tarde. Outra diferença importante entre os transtornos é que como o
borderline precisa sempre de uma pessoa consigo, que lhe minimize o sentimento de
vazio, quando seu cuidador está presente, o limítrofe permanece tranquilo, enquanto
sente que a presença do outro está evidente e cuja sensação de abandono está ausente.
Diferente do bipolar que tendo ou não uma pessoa consigo, continuará a sentir-se
depressivo, triste e mal humorado. Muitas vezes, a depressão do borderline vem
acompanhada por ansiedade, agitação ou desespero.

Início dos sintomas e estatísticas


Frequentemente, na etapa inicial (ex.: começo da adolescência, por volta dos 12, 13 anos
de idade) da eclosão dos sintomas do transtorno de personalidade limítrofe, sintomas
como má adaptação social, baixo rendimento escolar, comportamentos anormais. Bem
como déficit na regulação dos afetos, agressividade, conflitos no ambiente familiar,
tentativas de suicídio e depressão grave são frequentes. A etapa secundária, no fim da
adolescência ou inicio da idade adulta (na faixa dos 17 aos 20 anos), todos os sintomas
propriamente ditos ficam evidentes, tendo seu auge por volta dos 20 aos 25 anos de
idade, causando grande prejuízo. Contudo, é sábio que o transtorno tende a ser atenuado
conforme a idade, sobretudo próximo dos 35-40 anos de idade. Talvez pelo fato de que ao
passar do tempo, as pessoas ficam menos enérgicas que aos 20 anos de idade. Assim
como todos os transtornos de personalidade, quase nunca borderlines acreditam sofrer de
uma patologia ou que sua conduta e comportamentos são muito problemáticos. Eles
tendem a culpar os outros, como causadores de discórdias e outras atitudes típicas de
fronteiriços, em geral com argumentos implausíveis, e acreditam que "são normais", mas
só um pouco exagerados em tudo.
As estatísticas apontam que 93% das pessoas portadoras do transtorno de personalidade
borderline também apresentam um transtorno afetivo concomitante, especialmente
depressão nervosa e distimia. Além disso, estima-se também que 88% apresentam um
transtorno de ansiedade, especialmente o transtorno do estresse pós traumático e fobias
em geral. A conduta suicida no borderline pode ser maior naqueles com história prévia de
tentativas de suicídio, história de abuso sexual e comorbidade com abuso de substâncias
e/ou depressão nervosa. Comportamentos histriônicos e sociopáticos são fenômenos
frequentemente presentes em borderlines. No padrão geral de patologia grave, as famílias
de pacientes borderline têm como características mães intrusivas e dominadoras e pais
distantes, sendo que as relações conjugais são predominantemente conflitivas.
De forma geral, o transtorno de personalidade borderline é tido como um dos transtornos
mentais mais devastadores, sobretudo na área de relacionamentos interpessoais, e o
distúrbio também é um dos mais difíceis de ser tratado

Características diversas

Pensamento extremista
• Borderlines têm raciocínio 8 ou 80, branco ou preto, amor ou ódio, ótimo ou
péssimo, perfeito ou terrível mas nunca o cinza ou meio termo.
• Eles vêem as pessoas drasticamente como perfeitas ou terríveis. Para eles, não
existe o "mais ou menos", ou a pessoa é perfeita ou a pessoa é terrível. Se não é
perfeita é terrível e vice-versa;
• Se a pessoa é perfeita, ótima ou boa ela merece ser tratada muito bem, como um
deus. Quando a pessoa é horrível, péssima ou má, ela merece ser tratada muito
mal, como um demônio;
• Eles têm esse pensamento também consigo mesmos: se hoje eles se vêem como
perfeitos, eles acham que merecem serem tratados como os melhores, como os
principais e terem toda a atenção do mundo, caso contrário, eles se tornam
terríveis, merecedores de maus tratos, punições e auto mutilações;
• Pensamentos "tudo-ou-nada" aparecem em muitas outras áreas da vida do
borderline. Quando há um problema, algumas pessoas com desordem borderline
podem sentir como se existisse apenas uma solução. Uma vez que a ação é feita,
não há retorno. Por exemplo "faça tudo, ou não faça nada". Uma mulher no
trabalho, recebeu novas ordens na qual ela não gostou, sua solução foi deixar seu
emprego;
• Têm dificuldade em terminar o que começam. Isso vai desde uma simples leitura de
um livro, até a desistência ou interrupção de um projeto importante.
• "Ou fazem tudo ou não fazem nada";
• Podem ser tidos erroneamente como "preguiçosos" por causa desse pensamento;
• Não conseguem ver o "lado bom" e o "lado ruim" de cada pessoa, objeto ou
circunstância: acreditam que o objeto é totalmente bom, ou totalmente ruim,
alternando drasticamente entre o primeiro e o segundo, várias vezes;
• Têm dificuldade em verem defeitos ou má qualidades em pessoas na qual
consideram totalmente boas ou ótimas. E têm dificuldade em enxergar qualidades
boas em pessoas na qual consideram totalmente más ou péssimas, demonstrando
uma grande resistência em entender o "meio-termo" das coisas e situações. Ex.: se
a pessoa é terrível, ela é péssima, não há nenhuma qualidade nela. Ela é ridícula,
má, abusadora, inconfiável… Ao passo que, se a pessoa é perfeita, ela é ótima, não
há praticamente nenhum defeito nela. Ela é linda, boa, confiável…
• Sua opinião de alguém é baseada frequentemente em sua última interação com
ele, porque têm dificuldade em integrar os traços bons e ruins de uma só mesma
pessoa;
• Em cada momento particular, alguém é "bom" ou é "mau", não há nada no meio,
nenhuma área cinzenta;
• Eles também podem sentir que seus relacionamentos devem ser claramente
definidos: ou é amigo ou é inimigo. Ou é seu amante apaixonado ou um
companheiro platônico. Esta é a razão porque as pessoas borderlines podem ter
dificuldade em ser amigos após o fim de um romance.

Manipulações
• Manipulam as pessoas através de chantagens emocionais pouco evidentes como
brigas, discussões e conflitos que na verdade são a forma de que encontram para
testarem as pessoas das quais necessitam;
• Demonstram seus medos através de irritabilidade, mau humor, raiva e
agressividade;
• Tentam se proteger através da raiva;
• Críticas e acusações são típicos mecanismos de defesas usados por borderlines;
• Situações comuns com manipulações e acusações:
A namorada borderline acusa o namorado muitas vezes de não amá-la e de querer
abandoná-la. A filha adolescente borderline acusa os pais de não amá-la o suficiente para
deixá-la morar sozinha. O marido borderline acusa a esposa "a culpa é toda sua de
estarmos nessa situação financeira decadente"
• Às vezes, as críticas e acusações se tornam abuso verbal;
• Agem de maneira extrema, exagerada ou manipuladora para conseguirem o que
querem;
• Acusam os outros de terem dito coisas que nunca disseram, de terem feito coisas
que nunca fizeram, de terem acreditado em coisas que nunca acreditaram;
• Conseguem reconhecer o ponto fraco das pessoas as quais conhecem muito bem,
utilizando de tal conhecimento para manipulações e terem êxito nas suas
necessidades;
• Chantagistas para conseguirem o que querem: acreditam no "se eu fizer isso, você
faz aquilo…" e vice-versa;
• Eles vivem a testar o amor e afeição das outras pessoas.

Instabilidade excessiva
• Borderlines têm uma grande instabilidade emocional evidente: pessoas instáveis
sentem tudo de forma intensa, ferindo-se facilmente e deixam-se abalar por
situações externas e internas por motivos pouco importantes ou até mesmo fúteis.
Eles não conseguem manter o mesmo humor e emoções durante um longo período
(no caso do borderline, ele não consegue manter um humor estável num mesmo
dia, alternando muitas vezes, variadas emoções). Uma característica típica de
pessoas instáveis emocionalmente são as constantes brigas no ambiente intra-
familiar, por exemplo, por isso são tidos como agressivos, briguentos ou que
reclamam demais.
• Mudam de comportamento de forma muito rápida, em questão de segundos: com
pessoas que conhecem muito bem (tal como familiares e namorado), tratam-nas
mal com frequentes discussões e provocações, mudando rapidamente para gentis e
adoráveis com as outras pessoas na qual têm pouco intimidade;
• Muitas vezes, as outras pessoas não acreditam nos familiares que relatam esse
comportamento;
• Agem de forma controlada e apropriada em várias situações, mas extremamente
fora do controle em outras;
• Facilmente desvalorizam alguém. Podem adorar a pessoa em um dia, mas no outro
podem odiá-la a ponto de maltratá-la e não se importar disso, afinal, de uma pessoa
"perfeita", de repente, passaram drasticamente para uma pessoa "desastrosa" que
merece ser tratada assim como ela é vista. Tais desvalorizações rápidas
frequentemente são precedidas por motivos pouco perceptíveis para a outra
pessoa.
• Ao tempo que querem a intimidade, eles não querem. Eles têm medo de muita
intimidade, por isso alguns relacionamentos podem ser superficiais.
• Às vezes eles querem estar perto de outros, outras vezes quer estar longe;
• Empurra o outro para longe justamente quando o outro está se sentindo próximo;
• Limítrofes tendem a ser aquele tipo que quando querem alguma coisa, ficam
ansiando e sentindo uma grande vontade de ter aquilo, contudo, quando
conseguem, desgostam, enjoam ou não querem mais;
• Eles têm dificuldade em dizer exatamente o que gostam, o que querem, de modo
que há uma notável tendência à instabilidade em seus gostos, comportamentos,
identidade e auto-imagem;
• Eles frequentemente não sabem quem são, não sabem o que gostam, mudam de
gosto drasticamente de um segundo a outro, não sabem o que querem ou então
mudam de opiniões e objetivos a todo momento;
• Sua orientação sexual também pode ser instável: uma boa parte dos borderlines
têm dificuldade ou instabilidade em relação à sua própria orientação sexual, sendo
que frequentemente também não sabem o que são, mudando rapidamente de uma
identidade sexual para outra. Por exemplo, eles podem não ter certeza se são
realmente heterossexuais ou homossexuais, ou então podem ser bissexuais (isto
não é regra);
• Borderlines são enchidos de imagens contraditórias de si mesmos. Eles relatam
geralmente que sentem o vazio interior, que são pessoas diferentes dependendo de
com quem estão;
• Mudam de desejos, opiniões e humor num piscar de olhos;
• "Mantenha a distância um pouco próximo": o borderline pode começar a se sentir
subjugado ou com medo de estar perdendo o controle quando uma pessoa se
aproxima demais dele. Ao tempo que ele quer a intimidade, ele não sabe como
estabelecer limites de maneira saudável, e a intimidade genuína pode fazê-lo sentir
vulnerável ou abusado. Ele talvez esteja com medo de que o outro possa ver o seu
"verdadeiro" eu, fique enojado e o abandone. Então, ele começará a se distanciar
para evitar se sentir vulnerável ou controlado. Ele pode arranjar uma briga com o
outro, "esquecer" alguma coisa importante ou fazer algo dramático ou explosivo.
Mas então a distância o faz se sentir solitário. Os sentimentos de vazio pioram e o
seu medo de abandono se torna forte. Então ele faz esforços frenéticos para se
aproximar novamente e o ciclo de repete.[6]
• As outras pessoas fora do ambiente familiar, como amigos e conhecidos, podem
perceber que o borderline não é o mesmo, aquele que conheceram no início. Por
exemplo, as outras pessoas viam-no como adorável, porém, percebem que ao
passar da intimidade, conforme se conhecem mais, o indivíduo limítrofe muda de
comportamento, tal como passam de um comportamento delicado e gentil para
frio, seco ou distante.

Narcisismo e histrionismo
• Podem parecer egoístas ou egocêntricos;
• Suas emoções e sentimentos são tão intensos que eles têm dificuldade em colocar
as necessidades dos outros em primeiro lugar, acontecendo o contrário: suas
necessidades são colocadas antes das dos outros, pouco importando se a pessoa
em relação é seu filho, pai, mãe etc.;
• Eles se sentem ignorados quando não são o foco da atenção;
• Fazem ou dizem algo impróprio para receber atenção e cuidado quando se sentem
ignorados. Por quererem atenção, tais traços histriônicos podem estar presentes,
tais como: às vezes o borderline pode se vestir sexualmente provocante para
receber cuidado e atenção, podem inventar histórias ou exagerá-las, exagerar
sintomas ou doenças, entre outros comportamentos a fim de reafirmar sua
presença;
• Alguns borderlines podem jogar o papel de vítima para si mesmos, porque isso atrai
atenção solidária, fornece uma identidade e lhes dá uma ilusão de que não são
responsáveis por suas próprias ações;
• Há uma evidente exigência narcisista no borderline: alguns borderlines
frequentemente trazem o foco da atenção para si mesmos. Algumas pessoas com
personalidade borderline puxam a atenção para si mesmos por ficar se queixando
de doenças; outras talvez ajam inapropriadamente em público. Esse
comportamento narcisista pode ser sobrecarregante especialmente para as outras
pessoas que não possuem o transtorno de personalidade borderline, visto que o
limítrofe nem mesmo considera como suas ações afetarão a outra pessoa.
• Negam os efeitos de seu comportamento em outros, frequentemente diz que os
outros exageram;
• Cheia de auto-ódio, a pessoa borderline talvez acuse os outros de odiá-la. Com
medo de ser abandonada, ela pode se tornar tão crítica e facilmente enfurecida,
que por fim desejam realmente abandoná-la. Então, incapaz de enfrentar a causa
de sua dor, o borderline pode culpar os outros e se colocar no papel de vítima;
• Às vezes, podem parecer dramáticos, fazendo "tempestade em copo d'água";
• Podem ser tidos como incapazes de demonstrar gratidão.

Irritabilidade, agressividade e comportamento briguento


• Irritam-se muito facilmente, sendo que muitas vezes por motivos inexistentes ou
incompreensíveis aos olhos dos outros. Às vezes os familiares não sabem o motivo
que levaram o borderline a adotar um comportamento agressivo para com eles, por
exemplo.
• Eles podem criar crises ou brigas desnecessárias, demonstrando um estilo de vida
caótico e desorganizado;
• Geralmente, o que parece ser raiva, impulsividade, agressividade e comportamento
manipulativo é na realidade uma tentativa mal-orientada de extrair envolvimento e
afeição;
• O borderline vive constantemente num caos. Ele pode deliberadamente levantar
argumentos e isso em constante conflito com outros. Ele também pode ser fanático
por drama, desde que isso crie agitação;[6]
• Tentam diminuir o vazio, a dor interna e a tensão interior através da raiva,
agressividade e brigas.

Sequelas de abuso na infância


• Alguns especialistas acreditam que o transtorno de personalidade limítrofe seja uma
síndrome consequente de graves sequelas na personalidade, decorrente de abuso
na infância;
• Uma boa parte das pessoas com o transtorno tiveram uma infância traumática,
sobretudo foram abusados sexualmente (porém, isto não é regra geral);
• Borderlines têm dificuldade em confiar nas pessoas (especialmente se houve abuso
sexual), sobretudo nos indivíduos do mesmo sexo do abusador;
• Borderlines com histórico de abuso, podem repetir o roteiro do passado. Eles
tendem a se sentir eternamente vitimados porque estão condicionados a esperar o
comportamento cruel das pessoas em que confiam. Quando crianças, podem ter se
sentido responsáveis pelo seu comportamento abuso. Podem ter acreditado que
algo neles levou as pessoas agirem daquela forma cruel. Então, quando adultos,
essas crianças anteriormente abusadas esperam o pior das pessoas, existindo
sempre um grande pessimismo. Interpretam o comportamento normal como cruel
ou negligente e reagem com a raiva, desespero ou vergonha intensa. As pessoas
em torno deles ficam confusas porque não podem ver o que realmente provoca o
seu comportamento;
• Se houve sobretudo abuso sexual, eles frequentemente acusam a si próprio de
serem nojentos, sujos ou impróprios;
• Podem expressar raiva ou ódio por si mesmos, o que leva a serem negligentes com
sua própria saúde e consigo próprio.

Desconfiança e idéias paranóides


• Borderlines têm dificuldade em confiar nas pessoas;
• Têm frequentemente idéias paranóides, estas são maiores em períodos de estresse
ou sensação de abandono e solidão;
• Borderlines caminham numa linha tênue entre sanidade e a loucura, às vezes se
desequilibram e acabam por caminhar francamente na loucura, com alucinações e
idéias delirantes, especialmente em situações estressantes, embora não possam
ser diagnosticados como totalmente psicóticos ou esquizofrênicos.
• Manias de perseguição e pensamentos paranóides frequentes: "estão a fazer uma
conspiração contra mim", "estão me perseguindo, me espionando", "estão rindo de
mim" "aquele casal está cochichando algo sobre mim" "isso não é apenas uma
coincidência, há algo planejado por trás disso" "estão todos contra mim" "as
pessoas não param de olhar para mim" "aposto que ele tem outras intenções" "as
pessoas me traem e abusam de mim" etc.;
• Facilmente interpretam as ações de outras pessoas erroneamente como hostis,
ameaçadoras, irritantes ou zombadoras, o que causa um gatilho para explosões de
irritabilidade e brigas constantes, porque tendem a reagir da mesma forma pela
qual acreditaram ter sido tratados (ex.: se o borderline acredita que o gerente do
banco o tratou com hostilidade, o limítrofe rapidamente o tratará mal também).

Despersonalização
• Borderlines podem sentir que não são reais, são inexistentes,
especialmente quando estão sozinhos;
• Em momentos de grande estresse ou quando percebem o abandono real
ou imaginado, podem dissociar-se, existindo assim a despersonalização.
Eles frequentemente relatam tal fenômeno sendo frequente, mas que
aumentam de intensidade nos momentos em que estão a sós ou sentem-
se abandonados, ignorados ou rejeitados;
• A despersonalização pode ser referida por uma sensação de irrealidade,
de que nada mais é real em sua volta, nem eles mesmos. Podem acreditar
estar num sonho ou pesadelo, cuja sensação de irrealidade é fortemente
angustiante. Ainda podem relatar que estão num filme e vêem tudo como
se estivessem fora do corpo, como se tivessem se desprendido da sua
própria personalidade ou do seu corpo. Tais sensações são tão fortes que
frequentemente eles acabam por se sentir deprimidos e angustiados,
sendo às vezes um gatilho para a auto mutilação (podem se mutilar para
ver se existem mesmo, para sentirem que são reais);
• Quando estão tendo uma crise de despersonalização, as outras pessoas
podem perceber um comportamento levemente anormal, como por
exemplo, uma falta de atenção, como se a pessoa estivesse longe,
distante ou "viajando";
• Alguns borderlines podem conviver dias, semanas e até meses com
despersonalização, sendo frequentemente pegos a todo instante pela
sensação angustiante de irrealidade e de desprendimento do corpo.
• Algumas pessoas relatam que olhar-se no espelho bem como se lembrar
da despersonalização piora o quadro, pois sentem-se irreais ou
inexistentes;
• Borderlines podem ter problemas com a memória e atenção, especialmente em
momentos de dissociações tais como a despersonalização. Eles podem ter
"brancos" e apagões, esquecimentos sobretudo após as situações de
despersonalização.
• As atividades prejudiciais a si mesmos são uma forma de alívio da tensão, dor e
vazio interno, bem como uma maneira de expressar a raiva ou o ódio-próprio.

Pensamentos borderline
• "Eu tenho que ser amada por todas as pessoas importantes na minha vida o tempo
todo senão eu sou desprezível";
• "Algumas pessoas são ótimas e tudo sobre elas é perfeito. Outras pessoas são
inteiramente péssimas e devem ser severamente censuradas e punidas por isso";
• "Odeio quando as pessoas não dão atenção para mim;
• "Eu não tenho controle sobre meus sentimentos ou as coisas que faço em
consequência deles;
• "Ninguém se importa comigo tanto o quanto deveria, então eu sempre perco todos
com quem me importo - apesar das coisas desesperadas que eu tento fazer para
impedi-los de me abandonar";
• "Se todos me tratam mal, eu me torno má, ruim…"
• "Eu odeio ficar sozinha, a ansiedade toma conta de mim";
• "Quando eu estou sozinha, eu me torno ninguém e nada";
• "Eu não consigo parar a frustração que eu sinto quando necessito algo de alguém e
não sou capaz de receber isso."
• "O que será que eu fiz para ele(a) me olhar com desdém ?"

Critérios do DSM-IV-TR
A última versão do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou Manual
Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM-IV-TR) - o guia americano
amplamente usado por médicos à procura de um diagnóstico de doenças mentais – define
o TPL (código do DSM-IV-TR: 301.83) como: “um padrão invasivo de instabilidade dos
relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que
começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos”. Um
diagnóstico de TPL requer cinco dos nove critérios listados no DSM e que os mesmos
estejam presentes por um significante período de tempo.
Os critérios são:
1. Esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado. [Não incluir
comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5].
2. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado
pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização.
3. Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou
do sentimento de self (si mesmo).
4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria
pessoa (por ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias como drogas e
bebidas, direção imprudente, comer compulsivamente, roubo compulsivo e
patológico, entre outros.). [Não incluir comportamento suicida ou automutilante,
coberto no Critério 5].
5. Recorrência de comportamentos, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento
automutilante.
6. Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex,
episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando
algumas horas e raramente mais de alguns dias).
7. Sentimentos crônicos de vazio.
8. Raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por ex,
demonstrações frequentes de irritação, raiva constante, lutas corporais
recorrentes).
9. Ideação paranóide transitória (por ex, sentir-se perseguido) e relacionada ao
estresse ou severos sintomas dissociativos (por ex, a despersonalização e processos
amnésicos intensos).

Explicação dos critérios do DSM-IV-TR


O DSM prossegue em dizer:
Critério 1: Os portadores deste transtorno fazem esforços frenéticos para evitar um
abandono real ou imaginado. Quando existe a percepção de rejeição, separação ou de
perda da estrutura externa, os borderlines podem sofrer profundas mudanças na auto-
imagem, cognição, afeto e no comportamento.
Essas pessoas são muito sensíveis aos estímulos externos, por isso, experimentam
intensos temores de abandono e raiva inadequada, mesmo diante de uma separação real
por tempo limitado (como quando alguém cancela um encontro, quando o terapeuta
anuncia o fim da sessão ou quando alguém de importância significativa faz uma viagem
curta). Limítrofes tendem a acreditar que este "abandono" sugere que eles sejam "maus",
"ruins". Esse medo do abandono está relacionado a uma intolerância a ficar só e a uma
necessidade de ter outras pessoas consigo. Dentre os esforços para evitar o abandono
estão ações impulsivas como comportamentos automutilantes ou suicidas, que estão
classificadas separadamente no Critério 5.
Critério 2: Os indivíduos com TPL têm um padrão de relacionamentos instáveis e
intensos. Podem idealizar um potencial prestador de cuidados ou amante logo no primeiro
ou segundo encontro, assim como exigir que passem muito tempo juntos e que
compartilhem detalhes e segredos bastante íntimos no início de um relacionamento.
Entretanto, pode ocorrer uma rápida passagem da idealização para a desvalorização, por
achar que a outra pessoa não se importa o suficiente, não está "lá" o suficiente.
Os afetados pelo TPL podem sentir empatia e carinho pelos outros, porém, esses
sentimentos só surgem pela expectativa de que a outra pessoa também "estará lá" para
atender suas próprias necessidades, assim que exigido. Os indivíduos borderlines estão
inclinados a mudanças repentinas e drásticas em suas opiniões sobre os outros, que são
vistos alternadamente como salvadores bondosos ou como vilões punitivos. Tais mudanças
refletem a desilusão com uma pessoa cujas qualidades foram idealizadas ou cuja rejeição
ou abandono estão iminentes.
Critério 3: Pode haver uma perturbação de identidade caracterizada por uma auto-
imagem ou sentimento de si mesmo persistentemente instáveis. Mudanças súbitas e
drásticas na auto-imagem são observadas por objetivos, valores e aspirações profissionais
em constante mudança. Borderlines podem exibir mudanças repentinas de opiniões e
planos acerca da carreira, identidade sexual, valores e tipos de amigos. Além disso, podem
mudar subitamente do papel de coitados e carentes de apoio para vingadores de abusos e
maus tratos passados.
Mesmo que geralmente possuam uma auto-imagem de "malvados", os indivíduos com o
TPL podem, algumas vezes, sentir que eles não existem de verdade. Experiências assim
ocorrem, tipicamente, em períodos em que o indivíduo sente falta de um relacionamento
significativo, carinho e apoio. Limítrofes podem apresentar pior desempenho em situações
de trabalho ou escolares não estruturadas.
Critério 4: Borderlines são impulsivos em, pelo menos, duas áreas potencialmente
prejudiciais a si próprios. Podem jogar patologicamente, fazer gastos irresponsáveis,
comer em excesso (compulsão também por doces é frequente, principalmente nas
mulheres), furtar/roubar (cleptomania), abusar de drogas e/ou bebidas (ex.: álcool, café,
energéticos etc.), fazer sexo inseguramente, dirigir imprudentemente e até mesmo usar
algum tipo de lazer de forma excessiva e patológica (ex.: televisão, computador, etc.).
Critério 5: Limítrofes exibem, de maneira recorrente, comportamento, gestos ou ameaças
suicidas ou comportamento automutilante.
O suicídio completado ocorre entre 8 e 10% desses pacientes, atos de automutilação (por
ex, cortes ou queimaduras) e ameaças suicidas são muito comuns. As tentativas
recorrentes de suicídio são, quase sempre, a principal causa da busca de ajuda. Atos
autodestrutivos são usualmente precipitados por ameaças de separação ou rejeição.
A automutilação rotineiramente acontece durante experiências dissociativas e traz alívio
pela reafirmação da capacidade de sentir (e existir) ou pela representação de um castigo
simbólico do sentimento de ser "mau".
Critério 6: Os portadores do Transtorno da Personalidade Borderline podem apresentar
instabilidade afetiva, seguida de uma grande reatividade do humor. Essa labilidade do
humor é frequentemente notada por mudanças bruscas do humor num só dia (por ex,
disforia intensa, irritabilidade e ansiedade, que duram algumas horas e raramente mais de
um(s) dia(s). É o caso do borderline que passa do bem estar para a depressão profunda,
da depressão à irritabilidade extrema e, em seguida, para a ansiedade (não
necessariamente nessa ordem), sendo difícil para os borderlines, ficarem por muito tempo
se sentindo totalmente bem.
O humor dos borderlines é basicamente disfórico e alterna-se com períodos de raiva,
pânico ou desespero e é, raramente, aliviado por fases de bem-estar. Episódios assim
refletem a intensa reatividade do portador a estresses interpessoais.
Critério 7: Limítrofes podem ser incomodados por recorrentes sentimentos de vazio.
Facilmente entediados, sempre procuram algo para fazer.
Critério 8: As pessoas com este transtorno de personalidade rotineiramente expressam
raiva extrema e inadequada e/ou têm dificuldade em controlar sua raiva. Borderlines
podem exibir extremo sarcasmo, explosões verbais ou amargura persistente.
A raiva aparece, muitas vezes, quando um prestador de cuidados ou amante é visto como
omisso ou indiferente e prestes a abandoná-lo. As expressões de raiva, na maior parte das
vezes, são seguidas de vergonha e culpa e contribuem para o sentimento de ser "mau".
Critério 9: Em episódios de estresse, podem ocorrer ideações paranóides (exemplo:
sentir-se enganado, perseguido, espionado) ou sintomas dissociativos severos (por ex,
despersonalização), no entanto, estes sintomas são transitórios e de gravidade limitada,
insuficientes para um diagnóstico adicional.
Episódios paranóicos ou dissociativos ocorrem geralmente em resposta a um abandono
real ou imaginado. Os sintomas tendem a ser breves, durando minutos ou horas. O retorno
real ou percebido do carinho da pessoa prestadora de cuidados ou amante pode ocasionar
a remissão desses episódios.

Diagnósticos comparáveis
A Classificação Internacional de Doenças - Volume 10 (CID-10), da Organização Mundial da
Saúde, tem um diagnóstico comparável chamado Transtorno de Personalidade
Emocionalmente Instável – Tipo Borderline (F60.31). Nele (além do critério geral de
transtorno de personalidade) se requer perturbações e incertezas sobre a auto-imagem,
metas, preferências internas (incluindo sexualidade), oscilações de humor, tendência em
se envolver em relações intensas e instáveis frequentemente levando a crises emocionais,
excessivos esforços para se evitar abandono, pensamentos e ameaças recorrentes ou atos
de autolesão e suicídio; e sentimentos crônicos de vazio.
A Sociedade Chinesa de Psiquiatria tem outro diagnóstico comparável chamado Transtorno
de Personalidade Impulsiva. Um paciente diagnosticado com TPI deve demonstrar
"explosões afetivas" e "demonstrável comportamento impulsivo", mais três de oito
sintomas. Este diagnóstico é descrito como um híbrido dos subtipos impulsivo e borderline
do Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável do CID-10, e também incorpora
seis dos nove critérios do DSM-IV-TR.
Também chamado de Transtorno Explosivo Intermitente, ou TEI, transtorno que é
provocado pela baixa serotonina no cérebro. A diminuição desse neurotransmissor no
cérebro prejudica a transmissão de informações de um neurônio para o outro, o que leva a
situações de descontrole e agressividade.

Cisão no paciente borderline


No Transtorno de Personalidade Borderline, cisão (splitting) é um erro cognitivo
característico. Esse erro é uma defesa primitiva e representa a tendência em se
completamente idealizar ou completamente desvalorizar outras pessoas, lugares, idéias,
ou objetos; o que significa, vê-los como totalmente bons ou totalmente maus.
Segundo alguns teóricos como Otto Kernberg, é um comportamento no ser humano,
enquanto criança pequena, dividir o mundo entre "bom" e "mau". A criança não está
emocionalmente madura o bastante para saber lidar com as diferenças e imperfeições das
outras pessoas/coisas. Em alguma fase do desenvolvimento infantil, o indivíduo aprende a
enxergar o meio-termo e a neutralidade existentes nos outros e o comportamento de
separação primitivo é superado.
No TPL, por diversas razões, o mecanismo de separação se mantém na idade adulta e cria
uma instabilidade emocional que afeta severa e negativamente a vida dos pacientes
borderlines. Essa cisão pode resultar problemas como o estupro e envolvimento com
drogas pelo mau julgamento ao escolher parceiros e estilos de vida.

Diagnósticos diferenciais
O transtorno de personalidade limítrofe pode ser confundido com outras desordens
da personalidade, especialmente o transtorno de personalidade histriônica, sociopatia e
dependente.
No transtorno de personalidade histriônica, ambos compartilham características como
oscilação emocional, dependência afetiva, necessidade de cuidado e atenção,
manipulações emocionais, intolerância às frustrações, monotonia, rotina e a regras,
carência afetiva, hipersensibilidade emocional, impulsividade, dificuldade em ficar só,
insegurança, instabilidade e dissociações, mas em geral, podem distinguir-se porque o
comportamento do limítrofe diante outros caracteriza-se essencialmente como carente,
enquanto que o comportamento do histriônico quase sempre é visto como sedutor ou
sexualmente provocante. Apesar de muito semelhantes, os dois transtornos ainda se
diferenciam pelas principais características de tais personalidades, como a tendência
suicida, esforços excessivos para evitar o abandono e grande sentimento de raiva que
borderlines demonstram, além do mecanismo de cisão-extremo (idealização total ou
desvalorização total) que limítrofes veem o mundo. Enquanto isso, histriônicos
demonstram um comportamento exuberante ou chamativo, manipulador e sedutor,
teatral, aparentemente fingido e modulando suas encenações conforme as pessoas ou
circunstâncias. Histriônicos também podem fazer ameaças ou tentativas suicidas, mas em
geral, são frequentemente para terem atenção para si.
No transtorno de personalidade anti-social, apesar de muito semelhantes, as duas
personalidades se diferenciam porque anti-sociais não tendem caracteristicamente à
instabilidade emocional, comportamento suicida, cisão e medo de abandono, com esforços
excessivos para evitá-los. Sociopatas, via de regra, manipulam para conseguir bens
materiais, financeiros ou que lhe proporcione prazer, enquanto borderlines manipulam a
fim de conseguir cuidados, apoio e afeto.
No transtorno de personalidade dependente, ambas personalidades compartilham
excessiva dependência afetiva e emocional, com grande medo de abandono e rejeição,
hipersensibilidade, baixa tolerância às críticas, insegurança, baixa-auto estima e
imaturidade emocional. Contudo, elas se diferenciam porque enquanto o dependente ao
terminar relacionamentos íntimos, prestam a colocar-se como submissos, borderlines
tendem a terminar de forma explosiva, com sentimento raiva em relação à pessoa amada.
Além da diferença entre outras características como auto-agressão, manipulação
emocional, comportamento suicida e tendências impulsivas no indivíduo limítrofe.

Prevalência
Estatísticas provam que a prevalência do Transtorno de Personalidade Limítrofe varia de
1% a 2% na população geral. As mulheres correspondem a 75% dos diagnosticados, na
proporção de que para três mulheres diagnosticadas, um homem é diagnosticado.
Limítrofes correspondem aproximadamente a 20% das populações prisionais, 10% das
populações de atendimento ambulatorial e 20% das populações internadas em hospitais
psiquiátricos. O suicídio é 800 vezes maior que na população geral e 10% entre esses
pacientes.

Etiologia – Causas e influências


Pesquisadores acreditam que o TPL resulta de uma combinação que envolve uma infância
traumática, componentes genéticos e acontecimentos estressantes durante a
adolescência, além de disfunções no funcionamento cerebral.

Abuso infantil, trauma ou negligência


Numerosos estudos mostraram uma forte relação entre abuso infantil e o desenvolvimento
de TPL. Muitos indivíduos com TPL reportam uma história de abuso, negligência e
separação quando crianças. Pais de portadores foram apontados como tendo falhado em
dar a proteção necessária, e negligenciado os cuidados físicos de seus filhos. Pais (de
ambos os sexos) foram tipicamente reportados como tendo negado a validade dos
pensamentos e sentimentos de seus filhos, de se retirarem emocionalmente em algum
momento e terem tratado a criança inconsistentemente. Orfandade de algum (ou dois)
dos pais também é comum entre esses pacientes. É comum, ainda, encontrar uma história
de abuso sexual por um não responsável (principalmente nas mulheres) entre portadores
de TPL. Alguns dos casos, a forma de negligencia não se dá somente na infância, pessoas
que sofrem instabilidade durante a fase de formação, como na adolescência, também são
propensas a apresentar os sintomas de TPL. De acordo com Joel Paris, “Alguns
pesquisadores, como Judith Herman, acreditam que o Transtorno de Personalidade
Limítrofe é um nome dado a uma manifestação particular do Estresse Pós-Traumático
(EPT)". No entanto, Paris considera essa conclusão como não comprovada, uma vez que
muitos portadores de TPL não têm uma grave história de traumas.

Genética
A literatura existente sugere que traços relacionados ao TPL são influenciados
por genes e já que a personalidade é geralmente hereditária, então o TPL
também deve ser, no entanto estudos têm tido problemas metodológicos e as
ligações exatas não estão claras ainda. Um estudo maior de gêmeos idênticos
descobriu que se um deles atingir o critério de TPL, o outro também atinge em
um terço (35%) dos casos. Filhos de pais (de ambos o gêneros) com TPL têm
cinco vezes mais chances de também desenvolver o Transtorno de
Personalidade Limítrofe ou o Transtorno de Personalidade Anti-Social
(Sociopatia).
Funcionamento cerebral
Neurotransmissores relacionados com o TPB incluem serotonina, noradrenalina,
acetilcolina (relacionada a várias emoções e ao humor); ácido gama-aminobutírico (o
maior neurotransmissor inibidor no cérebro, que pode estabilizar a flutuação de humor); e
o ácido glutâmico (um neurotransmissor responsável pelo prazer).

Tratamento

Psicoterapia
Tradicionalmente há um ceticismo em relação ao tratamento psicológico de transtornos de
personalidade, mesmo assim muitos tipos específicos de psicoterapia para TPB foram
desenvolvidos nos últimos anos. Os estudos (limitados) já registrados não confirmam a
eficácia desses tratamentos, mas pelo menos sugerem que qualquer um deles pode
resultar em alguma melhora. Terapias individuais simples podem, por si mesmas, melhorar
a auto-estima e mobilizar as forças existentes nos borderlines. Terapias específicas podem
envolver sessões durante muitos meses ou, no caso de transtornos de personalidade,
muitos anos. Psicoterapias são frequentemente conduzidas com indivíduos ou com grupos.
Terapia de grupo pode ajudar a potencializar as habilidades interpessoais e a
autoconsciência nos afetados pelo TPB.
Exemplos comuns de terapias indicadas aos limítrofes incluem:
• Terapia comportamental dialética: Estabelecida nos anos 1990, a terapia
comportamental dialética se tornou uma forma de tratamento do TPB, originada
principalmente como uma intervenção para pacientes com comportamento suicida.
Essa forma de psicoterapia deriva da terapia cognitivo-comportamental e enfatiza a troca
e negociação entre o terapeuta e o cliente, entre o racional e o emocional, e entre a
aceitação e a mudança. O tratamento tem como alvo os problemas com a automutilação.
O aprendizado de novas habilidades é um componente principal, incluindo consciência,
eficácia interpessoal, cooperação adaptativa com decepções e crises; e na correta
identificação e regulação de reações emocionais.
• Terapia de esquemas: Outra forma de terapia que também se estabeleceu nos
anos 1990 e tem como base uma aproximação integrativa derivada de técnicas
cognitivas-comportamentais juntamente com relações objetais e técnicas da
gestalt. Esta terapia se direciona aos mais profundos aspectos da emoção,
personalidade e esquemas (modos fundamentais de relacionamento com o mundo).
A terapia também foca o relacionamento com o terapeuta (incluindo um processo
de quase paternidade), vida diária fora da terapia, e experiências traumáticas na
infância.
• Terapia cognitivo-comportamental: A TCC é o tratamento psicológico mais
usado em doenças mentais, mas parece ter menos sucesso no TPB, devido
parcialmente às dificuldades no desenvolvimento de uma relação terapêutica e
aderência à terapia. Um estudo recente descobriu que resultados com essa terapia
aparecem, em média, depois de 16 sessões ao longo de um ano.
• Terapia matrimonial ou familiar: Terapia matrimonial pode ajudar na
estabilização da relação matrimonial e na redução dos conflitos matrimoniais que
podem piorar os sintomas do TPB. Terapia familiar pode ajudar a educar os
membros da família acerca do TPB, melhorar a comunicação familiar, e prover
suporte aos membros da família ao lidar com a doença de seus amados.
• Psicanálise: Com o ensino de Jacques Lacan, a clínica psicanalítica progrediu muito
no que diz respeito ao tratamento deste quadro, oferecendo a possibilidade para o
paciente de fazer novos ajustes, o que, consequentemente, provoca o
apaziguamento dos sintomas e do sofrimento psíquico.
Um dos maiores problemas com as psicoterapias são os elevados números de abandono
das mesmas pelos portadores de TPB.

Medicação
Um número de medicamentos é usado em pacientes com TPL. Devido ao fato de o
transtorno ser considerado primariamente uma condição psicossocial, a medicação tem
mais como função tratar as comorbidades, como ansiedade e depressão, do que o
transtorno por si. Antidepressivos são usados para melhorar o sentimento de vazio e
antipsicóticos são usados para diminuir os quadros de automutilação e os sintomas
dissociativos.

Serviços mentais de recuperação


Indivíduos com TPL às vezes necessitam serviços mentais extensivos e têm sido contados
como 20% das hospitalizações psiquiátricas. A maioria dos pacientes com TPL continua
usando tratamento fora do hospital por muitos anos. A experiência dos serviços varia.
Acessar os riscos de suicídio pode ser um desafio para profissionais da área mental (e
pacientes tendem a subestimar a letalidade de seus atos) já que a taxa de suicídio é muito
maior daquela do restante da população. Limítrofes são descritos pelos funcionários
hospitalares com extremamente difíceis de lidar.

Dificuldades na terapia
Existem desafios únicos no tratamento de TPL. Na psicoterapia, um cliente por ser
bastante sensível à rejeição e pode reagir negativamente (por ex, se mutilando ou
abandonando a terapia) se sentir isso. Além do mais, profissionais da área podem se
distanciar emocionalmente dos indivíduos com TPL por auto-proteção devido ao estigma
associado com o diagnóstico.

Outras estratégias
Psicoterapias e medicamentos formam a parte principal do contexto geral dos serviços da
saúde mental e das necessidades psicossociais relacionadas ao TPL.

Remissão dos sintomas e possível estabilidade


Estatísticas sugerem que, com o devido tratamento, portadores de Transtorno de
Personalidade Limítrofe tendem a sofrer recessão dos sintomas em algum momento da
fase adulta posterior. Dos que procuram ajuda profissional de uma maneira geral, 75%
sofrem remissão da maior parte dos sintomas entre os 35 e 40 anos de idade, 15% entre
os 40 e 50 anos de idade e os 10% restantes podem não apresentar resultados
satisfatórios ou podem cometer suicídio.