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UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES HÉLIO DA SILVA JÚNIOR

APRECIAÇÃO MUSICAL ATRAVÉS DA ESCUTA PORTÁTIL

MACAÉ-RJ

2014

UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

HÉLIO DA SILVA JÚNIOR

APRECIAÇÃO MUSICAL ATRAVÉS DA ESCUTA PORTÁTIL

HÉLIO DA SILVA JÚNIOR

Artigo Científico Apresentado à Universidade Candido Mendes - UCAM, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Educação musical e ensino de artes.

MACAÉ-RJ

2014

APRECIAÇÃO MUSICAL ATRAVÉS DA ESCUTA PORTÁTIL HÉLIO DA SILVA JÚNIOR

RESUMO

Hélio da Silva Júnior

A preocupação básica deste estudo é refletir sobre a experiência de apreciação nas aulas de educação musical da educação básica, tendo como objetivos identificar novas possibilidades de escuta mediadas por dispositivos portáteis. Espera-se que este artigo possa colaborar e cooperar na implementação de propostas de ensino de música que apliquem a escuta crítica ou ativa, considerem a vivência musical doa alunos, e se utilizem de aparelhos portáteis de música. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica considerando as contribuições de autores como Kebach (2012), Ramos (2012), Swanwick (1979), Gonh (2005), entre outros procurando enfatizar aspectos relacionados a apreciação musical. Conclui-se que a apreciação musical é uma dimensão fundamental do ensino da música na educação básica, ao lado da execução e composição musical. !

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Palavras-chave: Apreciação musical, Escuta crítica, Escuta ativa, Dispositivos portáteis de música.

Introdução

O presente trabalho tem como tema as possibilidades de educação musical na educação básica, em sentido mais estrito, a dimensão apreciação musical, mediada por aparelhos portáteis de música. Nesta perspectiva, construiu-se questões que nortearam este trabalho:

Qual a relevância da apreciação musical para as aulas de música na educação básica? E que tipo de escuta caracteriza esta apreciação?

Como os aparelhos portáteis de música podem ser usados como mediadores das aulas de apreciação musical na educação básica?

Quais são as possíveis relações do repertório aplicado nas aulas de apreciação musical com a música cotidiana dos alunos?

A apreciação musical é uma área do conhecimento, uma forma de se relacionar com a música que envolve muitas maneiras de ouvir e reagir ao estímulo sonoro. (BASTIÃO, 2003). Em sendo área do conhecimento deve ser planejada para que colabore para o pleno desenvolvimento musical do educando. Vários autores sustentam o pensamento que ao lado da composição e da execução musical, a apreciação coopera para uma aprendizagem musical

eficaz. Entre os que fundamentam esta pesquisa há também o entendimento que o repertório utilizado nas aulas deve ser, em primeira instância, originado na música do cotidiano dos alunos, que se apresenta, invariavelmente, nas playlists dos aparelhos portáteis de música dos estudantes. Neste contexto, o objetivo primordial deste estudo é, pois, investigar quais são as possibilidades de mediação das aulas de apreciação musical na educação básica por aparelhos portáteis de música, assim como a possível relação do repertório aplicado com a música cotidiana dos discentes. Para alcançar os objetivos propostos, utilizou-se como recurso metodológico, a pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise de materiais já publicados na literatura e artigos científicos divulgados no meio eletrônico.

O texto final foi fundamentado nas ideias e concepções de autores

como: Kebach (2012), Ramos (2012),Gonh (2005), Bastião (2003), Swanwick

(1979), Levy (1999), Penna (2008), Schafer (1991), Lipovetsky (1989).

Desenvolvimento

A apreciação é uma dimensão preponderante no processo de educação musical. É através desta que as composições dos alunos interagem com as orbras musicais já existentes, alimentando seus

pressupostos criativos, assim como, suas possibilidades estilísticas, harmônicas, melódicas e instrumentais.

O educador musical inglês, Keith Swanwick, em seu livro: A basis for

music education (1979) constrói sua metodologia de ensino da música em um sistema denominado T.E.C.L.A: T técnica, E execução, C composição, L literatura e A apreciação.

Neste modelo as atividades principais, Composição, Apreciação e Performance (CAP), coordenam o processo de aprendizado que é auxiliado pela Literatura e aquisição técnica. Swanwick (1979) reforça, através de seu sistema, que a apreciação deve ser tratada em condições de igualdade com atividades como as de composição e execução musical. Regularmente em aulas de educação musical, na educação básica, situações em que os alunos ouvem música. Desejando-se o relaxamento, a aceleração, o controle, ou mesmo sob o disfarce das trilhas sonoras de filmes e desenhos animados há atividades denominadas por apreciação musical, infelizmente, nem sempre, este “ouvir“ oportuniza que haja verdadeira aprendizagem musical. Neste contexto para que a apreciação contribua com o processo de educação musical deve-se sugerir que esta seja feita a partir de uma escuta reflexiva em que os sentimentos provocados pela música sejam relacionados mas não desprezando a dimensão estrutural da música. Denominamos esta escuta: escuta crítica ou escuta ativa. Keback (2009) Segundo Gonh (2005), a escuta crítica combina a percepção e pensamento crítico. Tanto a escuta por si mesma, quanto as elucubrações sobre a música desassociadas uma da outra não caracterizam um processo de apreciação musical eficaz. Neste sentido observa-se portanto que, para que a apreciação musical seja desenvolvida como conhecimento a escuta deve estar associada a reflexão. Desta maneira, propõe-se portanto que na escuta a atenção do sujeito esteja voltada para uma atividade de verdadeiro envolvimento com aquilo que apresentam-lhe, diferenciando as estruturas musicais, significando a música e descrevendo sentimentos evocados. Em linhas gerais propõe-se uma escuta que transcenda a atividade de escuta para entretenimento ou relaxamento em aula. A maioria dos autores da educação musical, alinhados com outros autores da área de educação, afirma que devemos considerar o saber dos educandos para prática pedagógica, ou seja, a música do cotidiano dos alunos deve ser o ponto de partida para uma possível expansão de seus conhecimentos musicais. Shafer (1991), Sousa (2009).

Diante desse pressuposto, propõe-se o que Penna (2008) entende por estabelecimento de um elo que relacione a vivência musical dos alunos com as atividades de apreciação musical. Nesta perspectiva, justifica-se a escolha originada na constatação da regularidade com que os alunos utilizam-se de aparelhos portáteis de música no ambiente escolar. Lipovetsky (1989) afirma que até a idade moderna a música limitava-se apenas a lugares e momentos específicos, ou seja, para ouvi-la era necessário mover-se para o espaço em que ocupava, no tempo que executava-se. Hoje a música não está presa ao espaço nem ao tempo. Ainda, Levy (1999) destaca que o advento do aparelho portátil de música altera as relações do ser humano com a própria música. Portanto os fones de ouvido tornaram-se um acessório indispensável para os jovens e adolescentes. A apreciação musical realizada a partir dos aparelhos portáteis de música entender-se-á por escuta portátil. Segundo Ramos, a audição a partir de aparelhos portáteis de música tais como: celulares, ipods, mp3 players, utilizando-se fones de ouvido.(2012, pg.15). Em pesquisa sobre a escuta portátil, Ramos afirma que a portabilidade dos equipamentos aliada a sua crescente capacidade de armazenamento e organização em playlists, levaram a autora a se interessar por seu potencial de aprendizagem musical. Seu objetivo ao desenvolver a pesquisa foi compreender o potencial educativo dessa escuta, através do entendimento do “interesse das pessoas por diversos estilos de música, seus procedimentos de aprendizagem e o que os leva a adquirir dispositivos portáteis de reprodução”. (RAMOS, 2012, P.

18).

Diante destes pressupostos, considera-se que o ensino da música deve incluir atividades de apreciação, e que esta apreciação seja devenvolvida a partir de uma escuta crítica. Desta maneira as aulas de apreciação musical na educação básica, mediadas a partir da escuta portátil, materializam-se através da percepção de gêneros musicais, suas estruturas, particularidades, sonoridades e instrumentação. Os ouvintes tornam-se críticos em relação ao repertório selecionado em suas playlists.

Conclusão

!

Diante do exposto, concluiu-se que a apreciação musical é uma

dimensão fundamental do ensino da música na educação básica, ao lado da

execução e composição musical.

Propõe-se que as atividades de apreciação musical sejam executadas,

necessáriamente, através de uma escuta crítica, ou escuta ativa, em que

considera-se a apreciação musical como uma associação entre a escuta e a

reflexão em música.

O número de ouvintes de música em dispositivos portáteis representa

um grande percenual entre os alunos, as playlists de seus aparelhos revelam

preferências por determinados estilos musicais e em ultima instância seus

“saberes”em música.

Neste sentido justifica-se a mediação das aulas de apreciação musical

na educação básica através dos aprelhos portáteis de música.

REFERÊNCIAS

!

BASTIÃO, Zuraida Abud. Pontes educaionais: uma proposta pedagógica em

apreciação musical. In: Encontro Anual da Abem, 13. Anais 2004. CD ROM.

Rio de Janeiro,

GOHN, Daniel M. Educação a Distância: Como Desenvolver a Apreciação Musical? In: XV Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-

Graduação em Música. Anais

Rio de Janeiro, 2005. CD ROM.

KEBACH, P.; SILVEIRA, V. Processos de interação social em ambientes de educação musical. In. BEYER, E.; KEBACH, P. (Org.). Pedagogia da música:

experiências de apreciação musical. Porto Alegre: Mediação, 2009. p. 97-

108.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

LIPOVETSKY, Gilles Manole. A era do vazio - Ensaio sobre o individualismo Contemporâneo. Lisboa: Relógio D’Água Editores Lda, 1989.

PENNA, M. Música(s) e seu ensino. 2. ed. rev. ampl. Porto Alegre: Sulina,

2010.

RAMOS, S. N. Escuta portátil e a aprendizagem musical. um estudo com jovens sobre a audição musical mediada pelos dispositivos portáteis. 2012. 245 f. Tese (Doutorado em música). Instituto de artes. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-graduação em música. Porto Alegre,

2012.

SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991.

SOUZA, Jusamara (org.). Aprender e Ensinar Música no Cotidiano. Porto Alegre: Sulina, 2009.

SWANWICK, Keith. A basis for music education. London: NFER-NELSON,

1979.

SWANWICK, Keith. Ensinando música musicalmente. São Paulo: Moerna,

2003