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A ‘caixinha’ turística

E
mendas parla- rou uma espécie de “rubrica com o cuidado de se exigir com-
mentares indivi- guarda-chuva” a partir de uma provação do uso das verbas,
duais estão ser- portaria do Ministério listando através de fotografias dos sho-
vindo para que di- as obras e atividades que po- ws, cópias dos anúncios dos
nheiro público se- dem ser financiadas. Além de eventos ou de matérias sobre
ja aplicado em uma relação que inclui a cons- eles publicadas na imprensa,
eventos turísticos de variada trução de museus e teatros, tem havido até casos de frau-
espécie numa escala nunca vis- pórticos, teleféricos, mirantes, des com fotomontagens de
ta. Desde 2005, os valores já praças e parques de exposi- eventos que não aconteceram.
aumentaram mais de dez ve- ções, rodeios ecológicos ou te- Anuncia-se agora que o Mi-
zes, passando de R$ 162,4 mi- máticos, etc., foi autorizado o nistério do Turismo e a CGU
lhões para R$ 1,71 bilhão, que é patrocínio de festas e eventos. elaboram um pacote para res-
o que está previsto no Orça- E os recursos, que até 2006 se tringir a liberação de verbas
mento de 2010. Só de 2009 pa- destinavam apenas a cidades nessa área e para evitar o uso
ra 2010, o aumento foi de 56%. turísticas, cadastradas no Mi- eleitoral dos eventos. Uma das
Ao que parece, por causa da re- nistério, passaram a ir para ideias é estender aos convê-
percussão do escândalo das qualquer uma – e é claro que nios firmados com entidades
ambulâncias, a distribuição para a captação de votos o re- sem fins lucrativos e municí-
desses veículos às prefeituras torno eleitoral desse gasto é pios as mesmas exigências in-
– fosse com fins demagógicos, cluídas nos acordos realizados
fosse para engordar os “caixas com os Estados em ano eleito-
2” das campanhas eleitorais – Verbas para shows ral: o Ministério só liberaria re-
passou a ser substituída pela cursos para convênios firma-
distribuição de verbas destina- entraram no lugar dos antes de julho e os eventos
das para o turismo. das verbas para não poderão ocorrer depois
E é fácil explicar essa nova ambulâncias desse prazo. Curioso é pensar
preferência dos parlamenta- que os efeitos eleitoreiros das
res em canalizar as verbas das festas e shows não ultrapas-
suas emendas para o patrocí- mais rápido. sem mais de dois meses (agos-
nio de shows e festas em seus Disse o secretário executivo to e setembro), já que as elei-
redutos políticos em vez de, co- da Controladoria-Geral da ções são no início de outubro.
mo antes, canalizá-las para a União (CGU), Luiz Navarro, Além disso, o que será feito pa-
saúde (que desceu, nesse ran- que o aumento de recursos pa- ra coibir eventos “fantasmas”?
king, do 1º para o 4º lugar) ou ra a promoção de eventos O governo se preocupa, ago-
para educação, saneamento “avulta aos olhos” e que, desde ra, com uma farra de emendas
básico, estradas, habitação, ne- 2008, tem sido alvo de preocu- parlamentares individuais ca-
cessidades reais da popula- pação do Ministério do Planeja- nalizadas para eventos ditos tu-
ção. É que o dinheiro do orça- mento e do próprio Ministério rísticos, parecendo esquecer
mento para shows e festas é do Turismo. “Um evento é mui- que esse facilitário de repasses
de liberação rápida (em média to atrativo do ponto de vista de verbas acompanhou o forta-
dois meses), pois independe político, é simpático ao eleitor. lecimento político do Ministé-
de licitação pública. Também Mas o risco, em ano de eleição, rio, nas gestões Walfrido Ma-
é de controle muito difícil, pois é o uso dessas festas como pro- res Guia (PTB) e Marta Su-
não há padronização de custos paganda antecipada com di- plicy (PT). Antes tarde do que
nesses eventos, os artistas co- nheiro público, sem falar da nunca. Mas, diante das fortes
bram cachês muito diferencia- possibilidade de desvio de re- suspeitas de superfaturamen-
dos e há um amplo leque de cursos para o caixa 2”, acres- to, de desvios e até de fraudes
gastos em cada produção e em centou. A CGU já identificou primárias, com as emendas do
cada “palco-palanque”. casos de superfaturamento, de Orçamento, é preciso que a opi-
Para um técnico da Comis- desvios de verba e até de fes- nião pública saiba quais são os
são Mista de Orçamento – con- tas “fantasmas”, sob investiga- parlamentares que estão patro-
forme matéria do Estado de ção da Polícia Federal e do Mi- cinando mais essa farra imoral
segunda-feira – o turismo vi- nistério Público. E, mesmo com o dinheiro de todos.

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