Вы находитесь на странице: 1из 16
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000
http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000

http://www.gruhbaspe.com.br

Circulação Nacional

http://www.gruhbaspe.com.br Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000 exemplares

Ano 3 - n°25 - Setembro de 2000

Circulação Nacional Ano 3 - n ° 25 - Setembro de 2000 Tiragem: 10.000 exemplares gruhbas@bignet.com.br

Tiragem: 10.000 exemplares

gruhbas@bignet.com.br

LITERATURA E HISTÓRIA LuziaLuziaLuziaLuziaLuzia NeófitiNeófitiNeófitiNeófitiNeófiti EDUCAÇÃO, CIDADANIA, CRENÇA
LITERATURA E HISTÓRIA
LuziaLuziaLuziaLuziaLuzia NeófitiNeófitiNeófitiNeófitiNeófiti
EDUCAÇÃO, CIDADANIA, CRENÇA
RELIGIOSA E IDEOLOGIA POLÍTICA
BentoBentoBentoBentoBento AmancioAmancioAmancioAmancioAmancio
HISTÓRIA CULTURAL,
PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO - Parte I
MarileneMarileneMarileneMarileneMarilene LimaLimaLimaLimaLima SantosSantosSantosSantosSantos RodriguesRodriguesRodriguesRodriguesRodrigues
IMPRENSA NA REPÚBLICA VELHA
MariaMariaMariaMariaMaria SaleteSaleteSaleteSaleteSalete MagnoniMagnoniMagnoniMagnoniMagnoni
CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS AAAAATEMPORAISTEMPORAISTEMPORAISTEMPORAISTEMPORAIS PPPPPARAARAARAARAARA UMAUMAUMAUMAUMA
CAMPCAMPCAMPCAMPCAMPANHAANHAANHAANHAANHA ELEITORALELEITORALELEITORALELEITORALELEITORAL
LuciaLuciaLuciaLuciaLucia CutroCutroCutroCutroCutro SanchesSanchesSanchesSanchesSanches

Sem título-5LuciaLuciaLuciaLuciaLucia CutroCutroCutroCutroCutro SanchesSanchesSanchesSanchesSanches 1 12/11/2007, 12:26

1

12/11/2007, 12:26 LuciaLuciaLuciaLuciaLucia CutroCutroCutroCutroCutro SanchesSanchesSanchesSanchesSanches Sem título-5 1

LuciaLuciaLuciaLuciaLucia CutroCutroCutroCutroCutro SanchesSanchesSanchesSanchesSanches Sem título-5 1 12/11/2007, 12:26
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T
2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 E D I T

2

2 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000

E D

I

T O R I A L

Paulo Eduardo Dias de Mello

PPPPPesquisaesquisaesquisaesquisaesquisa revelarevelarevelarevelarevela dificuldadesdificuldadesdificuldadesdificuldadesdificuldades nonononono planoplanoplanoplanoplano educacionaleducacionaleducacionaleducacionaleducacional

Entre os meses de fevereiro e junho deste ano, o Gruhbas – Projetos Educacionais, Organização Não Governamental, que apoia o Bolando Aula e o Bolando Aula de História, realizou uma ampla pesquisa junto a 3.700 municípios brasileiros. Esta pesquisa pretendia saber como estavam as condições de aperfeiçoamento pedagógico do professor. Foi perguntando

se haviam investimentos nesta área, se foram realizados concursos públicos de ingresso e quais os temas mais importantes para

o trabalho de capacitação de professor. Foram ao todo 35 perguntas, dentre as quais uma que o grupo pretende explorar nas próximas publicações, a pergunta sobre

o conhecimento do Programa Parâmetros em Ação. Como este é um programa para “apoiar e incentivar o desenvolvimento profissional de professores e especialistas em educação”, palavras do Ministro da Educação, Paulo Renato na apresentação dos livros que compõem o material; achamos muito grave o fato de 60% dos secretários entrevistados tenham declarado não conhecer o Programa. Polêmicas à parte, estaremos publicando trechos do material como mais uma forma de prestar um serviço ao professor. Acreditamos que este material ajude o trabalho coletivo dos professores, suas discussões, as interpretações dos Parâmetros Curriculares Nacionais e a tarefa de preparação das aulas. Em São Paulo, o telefone da Delegacia Regional do MEC é (0XX11) 3665.2500, procurar o Setor do Ensino Fundamental para saber sobre a inclusão no Programa.

Os Editores

para saber sobre a inclusão no Programa. Os Editores   EXPEDIENTE EXPEDIENTE EXPEDIENTE   O Bolando
 

EXPEDIENTEEXPEDIENTEEXPEDIENTE

 

O Bolando Aula de História é uma publicação mensal do BOLANDO AULA Caixa Postal nº 2614 - Santos - SP CEP: 11021-970 (013) 981-4967 / 271-9669 / 235-3282

Editores: Geraldo R. Pereira de Carvalho, Ed- son Florentino José, Mário Monteiro Neto, Paulo Eduardo Dias de Melo e Mary Kawauchi Jornalista responsável: Tereza Cristina Mattar Mtb: 13.444 Colaboradores: Bento Amancio, Lucia Cutro San- ches, Maria Salete Magnoni, Marilene Lima Santos Rodrigues Revisão: Paulo Eduardo de Mello Projeto gráfico e editoração eletrônica:

Luciana Lane Valiengo Impressão: Artgraph S/A. Tiragem: 10.000 exemplares * Foto da capa: Jornal A Tribuna - 03/10/2000

 

http://www.gruhbaspe.com.br

 
 

gruhbas@bignet.com.br

Sem título-5    gruhbas@bignet.com.br 2 Envie seu relato de experiência ou sugestão de

2

Envie seu relato de experiência ou sugestão de atividades para publicarmos.

de experiência ou sugestão de atividades para publicarmos. Bolando Aula de História Caixa Postal 2614 Santos

Bolando Aula de História Caixa Postal 2614 Santos - SP CEP: 11021-970 Fax: (013) 271-9669

Bolando Aula de História Caixa Postal 2614 Santos - SP CEP: 11021-970 Fax: (013) 271-9669 12/11/2007,
12/11/2007, 12:26
12/11/2007, 12:26
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3 EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,,

nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 3

3

EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO,,,,, CIDCIDCIDCIDCIDADADADADADANIA,ANIA,ANIA,ANIA,ANIA, CRENÇACRENÇACRENÇACRENÇACRENÇA RELIGIOSARELIGIOSARELIGIOSARELIGIOSARELIGIOSA EEEEE IDEOLIDEOLIDEOLIDEOLIDEOLOGIAOGIAOGIAOGIAOGIA POLÍTICAPOLÍTICAPOLÍTICAPOLÍTICAPOLÍTICA

Bento Amancio

A educação deve ser vista como um ele-

mento constituinte da formação da cidadania; qualquer educação que não atenda a estas ne- cessidades na formação do verdadeiro ser hu- mano é simples adestramento.

E a educação, como a idealizo, seria aquela

que faz do cidadão, um indivíduo constituído em sua formação geral, de conhecimentos técni- cos necessários a sua absorção pelo mercado de trabalho, mas muito mais que isto, de um in- divíduo dotado de consciência social, sensível as necessidades da sociedade, sejam estas bá- sicas como direito a saúde, transporte, segu- rança ou de temas relevantes de interesse ge- ral da sociedade, tais como previdência social, reforma tributária, mudanças na lei penal, lei eleitoral, enfim, um cidadão preparado, partici- pante, atuante, tanto no que toca aos seus inte- resses pessoais e coletivos, quanto aos aspec- tos dos deveres que lhe cabem na sociedade. Tem se uma idéia da política como algo feitoadestramento. E a educação, como a idealizo, seria aquela a nível de cidades, uma política baseada

a nível de cidades, uma política baseada em

despachantes de luxo, sejam vereadores, de- putados ou senadores, quase sempre atuando

a nível regional, o que transporta a preocupa-

ção dos eleitores para questões atinentes ao seu dia-a-dia, tais como fornecimento de água, transportes, enfim, aspectos e necessidades primárias, ligadas a qualidade de vida, portan- to, não é de se estranhar este comportamento da classe política em geral, que embora, ocu- pantes de cargos que tratam e legislam a nível

estadual ou federal, continuam a ter um com- portamento próprio de vereadores. Isto explica, de certa forma, o comportamento de candidatos a cargos com atuação em esferas mais amplas, como é o caso de deputados estaduais, federais ou senadores, que adotam como lemas de campanha, assuntos que, em sua maioria, pertencem a esfera de atuação de vereadores, que tratam ou deveriam tratar diretamente de assuntos de interesse dos munícipes.

O motivo para tal comportamento é simples,

estes candidatos sabem perfeitamente que o eleitor não entende, não absorve assuntos ou

Sem título-5que o eleitor não entende, não absorve assuntos ou 3 temas relevantes, de interesse nacional, salvo

3

temas relevantes, de interesse nacional, salvo alguns temas mais polêmicos, ligados à segu- rança, como pena de morte, aumento das pe- nas cominadas a crimes hediondos, etc; co- nhecem perfeitamente a educação, sabedores da incapacidade, do nível de profundidade que estes eleitores são capazes de dar a assuntos mais complexos, do qual não entendem e que portanto não os sensibilizam, os atraem com seus votos, em direção ao postulante do cargo. Por outro lado, temos uma contrapartida; é o caso de candidatos a cargos de vereança, que tratam e tem competência para legislar e atuar somente a nível municipal, que abordam, tor- nam como lemas de campanha, assuntos que são de competência exclusivamente federal, como é o caso de candidatos que falam em serem a favor da pena de morte, aposentado- ria, prisão para crimes hediondos, como estu- pro, seqüestro, e outras questões sensíveis e que atraem o eleitor, mas que, sabidamente, não são de sua competência. Cito nominalmente um cartaz de campanha, de um candidato a prefeito na cidade de São Paulo, no caso , que tem a seguinte frase em um cartaz de campanha - “Quem é a favor da pena de prisão perpétua, vota em fulano “ , que como legislação penal é uma atividade de com- petência federal e não de competência de um prefeito municipal. O importante, em ambos os casos citados, é que os políticos postulantes a cargos públi- cos, sabem perfeitamente que os eleitores, em sua maioria, são despreparados, parte de uma sociedade formada por analfabetos funcionais, sejam portadores de ensino fundamente, mé- dio ou, pasmem, superior, quem leciona sabe perfeitamente do que estou falando e que não conseguem fazer esta diferenciação. Ao separar assuntos, de temas relevantes ao interesse nacional, não desprezo os assun- tos que afetam diretamente, o dia-a-dia do cida- dão, tais como saúde, transporte, esgotos, di- reitos legítimos e parâmetro de uma boa quali- dade de vida, pelo contrário, acredito que se a população, mesmo que desprovida de maiores condições formadoras sociais e críticas, bus- cassem os seus mínimos, básicos interesses,

12/11/2007, 12:26 bus- cassem os seus mínimos, básicos interesses, teríamos aí uma pressão popular justa e sane- adora,

teríamos aí uma pressão popular justa e sane- adora, digo saneadora, porque na maioria das vezes, por trás de um mau serviço prestado ao munícipe, existe a corrupção, o desmando e no mínimo, incompetência na gestão dos interes- ses públicos, motivadas por indicações políti- cas ou apadrinhamentos de administradores ineficientes, isto, nos casos menos graves. Os ministérios públicos estaduais, principal- mente nas grandes capitais, estão completa- mente ocupados com denúncias e processos de improbidade administrativa por parte daque- les que deveriam zelar pelo interesse público, haja visto a enorme, a quantidade de prefeitos, principalmente no estado de São Paulo, sendo processados, o que ensejou a criação pela câ- mara dos deputados, de uma lei chama “Lei da mordaça” , que na prática, se aprovada, impe- de o pronunciamento de promotores e juizes de manifestarem-se sobre processos que atente, principalmente, contra a moralidade adminis- trativa. Uma “pérola” jurídica, patrocinada pelos nos- sos “probos” deputados federais, sem contar ainda, com uma outra lei em andamento no con- gresso, que impede que os promotores públi- cos estaduais, lotados em cidades, tanto de capitais e interior do país, atuem contra os ad- ministradores destas, o que seria, pela nova lei, uma função privativa do procurador geral do Estado, uma espécie de “chefe” geral dos pro- motores públicos estaduais, que diga-se de pas- sagem, é um cargo provido por meio de indica- ção feita diretamente pelo governador do Esta- do; mediante lista, ele escolhe quem será o pro- curador geral, uma indicação meramente políti- ca, não técnica, na maioria das vezes. Contando com o número de municípios que existem pelo país, no caso de São Paulo, mais de 600 municípios, ficaria reduzida a capaci- dade dos Ministérios Públicos estaduais de com- bater a corrupção e desmandos administrativos, patrocinados pelos alcaides e seus asseclas, na prática, um atestado de impunidade, forneci- do legalmente a estes. Estes aspectos fogem ao crivo e a aprecia- ção da maioria da população, inclusive daque- les que por terem passado pelos bancos esco- lares, deveriam ter adquirido um discernimento, uma capacidade de análise dos fatos sociais, além, é óbvio, dos conhecimentos necessários ao trabalho. E isto só acontece porque somos um povo, que tem um sistema educacional, iminentemente adestrador e o adestramento é aquele que, na maioria das vezes, beneficia somente ao patro- cinador do adestramento; não forma um cida- dão mas tão somente prepara um profissional

4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e
4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 para o trabalho; e

4

4 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000

para o trabalho; e no nosso caso, muito mal, te- mos que considerar esta frase como uma es- pécie de paradigma para o que aconteceu à educação brasileira, a partir da década de l.970, onde a qualidade do ensino foi substituída pela quantidade, uma política de ensino baseada, principalmente, em um pretenso milagre econô- mico, feito as custas de vultuosos individamen- tos externos, obras faraônicas e uma boa dose de corrupção, que não é um fenômeno social novo no país.

A necessidade de mão de obra, treinada ra-

pidamente, para enfrentar o desafio do milagre que não veio, levou os governos militares a uma

política educacional, que penso, desastrosa para

o nosso futuro, como país emergente, desas-

trosa que primou pela quantidade e não pela qualidade. Nesta época, havia o problema dos exce-

dentes, candidatos que não conseguiam vagas em universidades, pois estas tinha capacidade limitada para acolhe-los, abrindo-se aí, o cami- nho para a proliferação de faculdades particu- lares, isto no âmbito do ensino superior, segui- do também, de uma demanda por escolas se- cundárias, também particulares, para suprir um setor em que o governo mostrava-se incapaz de atuar com eficiência. Certamente qualquer pessoa que tenha mais de 40 anos hoje, sabe perfeitamente, de como expandiu-se à época o número de estabelecimentos de ensino nas periferias das grandes cidades, patrocinadas por um governo de títeres, e com isso, não havendo pessoal qualificado para atender a demanda crescente por professores nestes estabe- lecimentos, baixaram-se as exigências para os que compunham os quadros de docentes, em sua maioria, professores recém-admiti- dos em faculdades, sem o devido preparo profissional para o exercício de tão impor- tante tarefa, pois eram primeiranistas, como dizia-se então, calouros.pela qualidade. Nesta época, havia o problema dos exce- O ensino passa a ser, em síntese,

O ensino passa a ser, em síntese, essen-

cialmente tecnicista, adestrador, levando à péssima qualidade do ensino público que te- mos hoje, somado, obviamente, a outros fato- res, tais como, poucos investimentos, mer- cantilização educacional, abertura excessiva de novas faculdades e transformação de fa-

culdades em universidades, sem que estas

estivessem, estruturalmente, capacitadas para isso.

A educação adestradora deve ser banida,

de nada vale os conhecimentos adquiridos se

estes não tem como finalidade o ser humano,

a sociedade, seus pares; a verdadeira edu-

cação é aquela que privilegia a construção do

Sem título-5edu- cação é aquela que privilegia a construção do 4 conhecimento por parte do agente passível

4

conhecimento por parte do agente passível de educação; ela vem da reflexão, do experi- mento, da vivência do conhecimento a ser apropriado. Para as classes dominantes e para os que governam em seu nome e que repre- sentam estas classes, não há interesse em patrocinar tal tipo de educação, não lhes in- teressa um povo culto e esclarecido, dota-

dos de saber crítico e reflexivo, a eles, inte- ressa a continuidade da ignorância propici- ada pelo adestramento que se faz de edu- cação; adestramento que treina o povo na omissão, na docilidade apática e subservi- ente dos muares. Não devemos ter ilusões, não sabemos se

o homem tem em sua essência a bondade ou a maldade; tornar os seus semelhantes objetos de exploração ou meios para conseguir os seus fins remontam às nossas origens, tais questões polêmicas nunca foram e provavelmente nun- ca serão respondidas pelos humanos, então cabe a nós, os humanos, criar instrumentos sociais para que haja o controle destes senti- mentos antagônicos. E estes meios certamente, só serão pos- síveis mediante a educação pela educação, pela cidadania; na Bíblia Sagrada está escri- to, maldito do homem que confiar em outro homem; o autor desta escrita, certamente não completou a frase dizendo que, o homem que tivesse total confiança em seu semelhante, poderia ser induzido a erro, traído, roubado ou escravizado. Embora tenha uma formação religiosa ju- daico-cristã, minha compreensão do mundo não me permite crer nesse Deus, onipotente, onisciente, dotado de amor total por seus fi- lhos; a minha razão baseada na vivência, e consciente dos atos humanos e na natureza

e ciência, permite-me sim, entender que há

algo muito poderoso e atuante em nosso Uni- verso, que não compreendemos e nem temos

respostas

Sobre a nossa razão de ser e existir e o porque de nossa existência ninguém tem uma resposta exata; muitos, baseados em escritas, tidas como sagradas, consciência religiosa ou fé, que surge espontaneamente dentro de si, defendem seus interesses e crenças, dizen- do-se portadores, sabedores da verdade, a grande verdade é que nada sabemos, os que dizem-se portadores da verdade ou estão en- ganando ou estão sendo enganados, duas ca- tegorias distintas e intimamente ligadas em nos- sa sociedade. Este engano, daqueles que são enga- nados, tem muito a ver com uma desejável sa-

12/11/2007, 12:26 que são enga- nados, tem muito a ver com uma desejável sa- tisfação psicológica interior; a

tisfação psicológica interior; a conveniência de não ter que refletir sobre a própria existência e

a de seus semelhantes, e nesse caso, ligar-se

a respostas prontas e feitas sob medida é um

alento, um conveniente conforto emocional e espiritual. Entretanto, aqueles que enganam dizendo- se portadores da verdade, o fazem, na maioria das vezes, motivados por interesses que pou-

co ou nada tem a ver com a fé ou religiosidade

e sim, com os seus próprios interesses e de

grupos aos quais estão ligados, sejam estes interesses de ordem financeira, na manutenção

do poder político ou na defesa de seus dogmas religiosos.

A primeira vista, tais afirmações parecem

não ter ligação alguma com a educação, entre- tanto, sabemos perfeitamente do uso, com fins políticos, da religiosidade, tendo como objetivo,

o exercício do poder político conseguido atra- vés da votação em candidatos indicados por

lideranças religiosas, sejam elas de qualquer orientação.

O que defendo realmente, é uma educação

que liberte o ser humano das amarras causa- das por crenças religiosas ou convicções polí- ticas e ideológica, que o deixam cego diante dos fatos concretos e reais, fugindo-lhe a razão di- ante do fervor, da paixão, causados por tais

convicções e crenças; que este indivíduo dota- do do conhecimento crítico e reflexivo, não seja utilizado como meio para obtenção de fins ad- versos à sua consciência e às necessidades do coletivo humano.

O que pode parecer aos menos esclareci-

dos, como um ataque às religiões e ideologias, na verdade, é uma tentativa de separar estas, das necessidades da sociedade, não permitir- lhes influenciar naquilo que é o dia a dia da so- ciedade, que são as necessidades básicas do

direito a saúde, do direito ao trabalho, do direito

a justiça e a segurança de ter, basicamente, uma

vida melhor. Estas necessidades básicas não mudam porque muda o regime de governo; uma cidade precisa de transportes, de sistemas de saúde, assim como um país precisa de justiça, do que é justo, moral e legalmente honestos, e isto, não há ideologias ou religiões que possam mudar ou prover, até porque a nossa história está recheada de exemplos de governos pretensamente religiosos ou ideológicos e que não deram ou não dão certo. Há que se, em não podendo proibir as mani- festações religiosas ou ideológicas, até porque são constitucionalmente direitos inerentes, o que respeito plenamente, deve-se em contra-

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5 partida, criar meios que

nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 5

5

partida, criar meios que permitam o controle da

soficamente barato e de fácil digestão intelec-

interação social, do equilíbrio das relações en- tre estes, e isto não passa pelas religiões ou ideologias, que em sua história demonstraram- se incapazes de exercer esta interação, equilí- brio, em uma forma justa e solidária, descam- bando na maioria das vezes, para um exercício ditatorial dos seus dogmas e pensamentos, vide

tual e que, se seguidas, promoveriam uma vida em comunidade muito melhor. Mas o que conta mesmo é que a religião sempre teve uma participação política e foi exercida em nome do poder, portanto, em pa- íses iminentemente católicos, ou tidos como católicos, como o nosso, a religiosidade, por

a

Inquisição sanguinária, patrocinada pela igre-

meio de seus dogmas, auxiliou muito a tare-

ja

católica, a mal fadada aventura comunista na

fa dos governantes em pastorear os cami-

União Soviética e seus satélites ou o pensa-

nhos dos governados, isto em uma época

mento tacanho e canhestro de certas religiões evangélicas, que se pudessem e se tivessem

passada onde o padre, o juiz, o delegado e o prefeito e suas respectivas edificações re-

a

oportunidade, transformar-se-iam em “preten-

presentavam os ícones das autoridades

sos” governos “divinos” gerenciados por homens

máximas do poder.

suas mazelas humanas. A sociedade não necessita de religiões ou de ideologias para administra-las, são prescin- díveis do ponto de vista das necessidades bá- sicas que melhorem a vida do coletivo, e só atendem as necessidades interiores de cada indivíduo e somente a ele e a seu universo pessoal devem ater-se, não lhes dando assim,

e

Digo passado, onde a igreja exercia grande influência moral e social, hoje, certamente, igre- jas pouco freqüentadas, crenças empalidecidas, carentes de fiéis e dízimos; a igreja perdeu muito da sua força política, seja para novas “crendi- ces”, ou simplesmente porque a educação reli- giosa foi relegada, nestes novos tempos, a se- gundo plano, e os governos, travestidos em so-

o

direito de praticar o proselitismo religioso ou

ciedade, perderam uma grande auxiliar no con-

ideológico forçado, doutrinador à força; fé ou ideologia, em minha concepção, é algo pura- mente individual, que brota naturalmente de dentro do indivíduo devem terminar nos limites externos a ele. Certamente, as religiões foram as formas iniciais organizadas de controle e interação social, posteriores aos grunhidos e exibições de força física dos primeiros lideres, poderiam ter se originada no temor ao imaginário Deus “Sol”, Deus “Montanha” ou de uma simples paulada, o fato é que foram e sempre estiveram ligadas de uma forma ou outra ao exercício do poder. Podemos até pensar, e somos livres para isso, que as religiões e crenças foram as primeiras formas de manifestação política do pensamento, contrários a elas ou a fa- vor, que em uma forma mais complexa, tor- naram-se o que conhecemos hoje, como partidos políticos. Inegavelmente, foi muito grande a influência da religião nas primeiras formas organizadas da educação, condicionando-as a preceitos religi- osos, e até hoje isto acontece em alguns esta- belecimentos escolares, só este fato por si só, justifica o presente texto, relacionado educação, política e religião. Dizer que as coisas desandaram na socie- dade porque o homem virou as costas para Deus, como dizem muitos crentes na palavra divina, certamente tem um quê, um fundo de verdade, pois os mandamentos e a palavra di- vina pregam ações de sabedoria racional, filo-

trole e na interação social entre os indivíduos, como prova disso ofereço os espetáculos reli- giosos promovidos pelos novos arautos da reli- giosidade, padres, pastores e seus bem dirigi- dos espetáculos de fé, utilizando-se de técni- cas desenvolvidas pelos pastores de algumas igrejas evangélicas. Se o homem virou as costas para Deus, como querem muitos, certamente virou as costas para as igrejas, pois estas, assim como as ideologias, mostram-se incompetentes para suprir as necessidades que o indivíduo tem de viver materialmente bem, independen- tes de uma vida espiritual plenamente exerci- da na palavra Divina ou de uma consciência política plenamente saciada de justiça e co- munhão dos bens comuns, tão propalada pelos líderes comunistas, onde o povo vivia em comunhão na escassez comunista e es- tes na opulência capitalista. Recentemente foi publicado na imprensa mundial um documento da igreja católica inti- tulado “Dominus Jesus”, uma declaração aprovada pelo Papa João Paulo II e assinada pelo porta-voz da ortodoxia católica, o car- deal Joseph Ratzinger, que indica como o único caminho para a salvação o da Igreja Católica. Segue ainda o comunicado dizen- do que, embora hajam divisões entre os cris- tãos, a igreja de Cristo continua a existir, em plenitude, na “única” Igreja Católica; pelo do- cumento os não-cristãos estão em situação deficiente em relação a salvação de sua alma, ressalta ainda o documento, defeitos em ou-

5

12/11/2007, 12:26 de sua alma, ressalta ainda o documento, defeitos em ou- 5 tras denominações cristãs, em especial,

tras denominações cristãs, em especial, para aquelas que não reconhecem a primazia da figura papal. O importante neste comunicado é o não re- conhecimento de outras religiões, que no en- tendimento do Vaticano, ameaçam o catolicis- mo pelo subjetivismo a que se permitem, dei- xando aos seguidores destas religiões “nave- gar”, utilizam-se aí de um termo cibernético, no mercado de crenças, guiados por uma falsa idéia de “igualdade” entre as religiões. Para o cardeal, “guardião” da doutrina cristã, só o cris- tinanismo “merece” ser classificado como “fé”, relegando as demais denominações, a classifi- cação de “crenças”, consideradas pelo docu- mento como apenas uma “experiência religio- sa”; que não levariam a Deus, pois Jesus Cris- to é o único mediador entre Deus e os homens, portanto, por este comunicado, a Igreja Católi- ca é a única e verdadeira representante da pa- lavra divina. Fica estabelecido neste documento, o ver- dadeiro pensamento daqueles que detém o po- der na Santa Sé, documento este que na ver- dade, explicita o sentimento, até então velado, do monopólio da verdadeira fé e religiosidade, passado por Deus por meio de procuração em sabe-se lá qual cartório divino, desconhecido por nós, meros seres humanos. Esperam-se agora, as reações dos líderes de outras “crenças” ou “seitas” religiosas, ao documento, que acredito, por motivações polí- ticas e religiosas ou simples desejo de aproxi- mação das ortodoxias diversas com a Igreja Católica, não havia sido publicado até a pre- sente data. Se nos faz falta um consenso religioso, um consenso ideológico, que atenda a todas as nossas necessidades materiais e espirituais, que se faça da educação reflexiva, um meio de consecução de vida melhor, assim fica mais fácil, para que cada indivíduo, dentro de seu universo pessoal, consiga a paz espiritual, isto, para aqueles que crêem na providência divi- na, Bíblia Sagrada, Alcorão, Torá, etc; e para aqueles que acreditam em ideologias, que estes consigam a paz de consciência do de- ver cumprido.

Bento Amancio é coordenador de ensino técnico/educacional do IBET Inst.Básica de Ensino Tecnologico em S.Paulo, coordenador conveniado de ensino técnico do SINTEC Sind.dos Teçnicos Industriais do Est.S.P mestrando em fase final, proposição em tese, de ensino dos Direitos Coletivos, Individuais e Sociais, no ensino fundamental, médio e universitário.

Sem título-5em tese, de ensino dos Direitos Coletivos, Individuais e Sociais, no ensino fundamental, médio e universitário.

6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem
6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem

6

6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000

ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO

Sem título-56 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO 6 12/11/2007,

6

12/11/2007, 12:26 6 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO CAFÉ BRASILEIRO Sem título-5

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7 CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS

nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 7

7

CONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOSCONSELHOS AAAAATEMPORAISTEMPORAISTEMPORAISTEMPORAISTEMPORAIS PPPPPARAARAARAARAARA UMAUMAUMAUMAUMA CAMPCAMPCAMPCAMPCAMPANHAANHAANHAANHAANHA ELEITELEITELEITELEITELEITORALORALORALORALORAL

Lucia Cutro Sanches

Estamos participando de um momento político cruci- al para as cidades brasileiras, momento este da esco- lha dos governantes municipais na última eleição do milênio. Por isso, o papel que cabe a todo cidadão cons- ciente deve ser sempre o mesmo: escolher um candida-

to ciente das necessidades da cidade (seja ela qual for)

e competente na gestão da mesma, pois dele depende-

rá, em grande parte, nossa vida por um período de qua- tro (e talvez) longos anos. É notório que a escolha de indivíduos para cargos públicos foi prática recorrente entre alguns povos da antigüidade, em especial, entre os romanos, um povo que, cioso da organização e gestão eficiente da Urbs (Roma), criou com o decorrer do tempo e das necessi- dades uma série de cargos que acabavam por compor uma carreira política (cursus honorum) para os cidadãos que a eles se elegiam. Quando remetemos aos romanos e seus inúmeros cargos eletivos (cônsul, pretor e tribuno, entre outros), podemos ter a falsa idéia de que os mecanismos de acesso a estes cargos davam-se por métodos diferen- tes dos atuais. Entretanto, malgrado a vasta gama de meios de informação (imprensa falada, escrita e Inter- net) que temos a nossa disposição (assim como tam- bém os tem nossos candidatos), basta lermos atenta- mente um documento do ano de 64 a.C. e denominado Commentariolum petitionis (1) para percebermos que as campanhas eleitorais de hoje pouco diferem das cam- panhas realizadas no século I a.C. No documento citado, somos capazes de identificar

o procedimento de políticos da nossa época, sejam eles recém chegados à vida pública ou aqueles que se man- tém em evidência por décadas, isso sem a necessidade de citar nomes. No ano de 64 a.C., Cícero (grande orador e político da

Roma republicana) entrou em campanha para concorrer ao cargo de cônsul tendo como adversários Antônio Híbri- da e Catilina. Em vista disso, Quinto Marco, irmão de Cíce- ro, escreve e envia-lhe um pequeno manual de campa- nha política (Commentariolum petitionis), aconselhando-

o sobre quais procedimentos um candidato deve adotar

para convencer os eleitores de que ele é o merecedor dos votos. Façamos uma breve análise de alguns trechos do documento para verificarmos a sua atualidade e identifi- carmos nele os candidatos que beiram ao século XXI.

“Embora o dom natural tenha extrema força, todavia parece que, num cometimento de pou- cos meses, o artifício pode levar de vencida a natureza.” (I, 1)

No trecho citado, Quinto Marco reconhece a habilidade retórica de Cícero, mas alerta-o de que só saber falar bem não é o suficiente, é preciso mais que convencer somente com palavras. É preciso também lembrar àqueles que devem algum favor, que esta é a hora apropriada para retribuírem, conforme a seguir:

“ que entendam os que te devem

reconhecimento, que, se quiserem retribuir o favor, nenhuma outra ocasião de tornar-te penhorado lhes será dada”(I, 4).

Também é vital para um candidato ser amigo daqueles que estão no poder a fim de obter apoio político:

“Parece ser também de grande ajuda a simpatia dos nobres e sobretudo dos consulares. É útil que sejas considerado por aqueles mesmos a cuja classe e número pretendes chegar, como

7

digno dessa classe e desse número” (I, 4)

É preciso investigar o nível moral dos adversários, pois caso haja algo que os denigra, deve-se expor o que fizeram e acusá-los. Além disso, ter adversários desonestos ou criminosos é muito melhor que ter adversários honestos, pois são os mais fáceis de derrotar:

“Mas Antônio e Catilina são inquietantes. Pelo contrário, concorrentes, ambos assassinos desde a infância, ambos dissolutos, ambos indigentes devem (até) ser desejados por um homem como tu, ativo, diligente, irrepreensível, eloqüente, benquisto aos juizes”.

Uma boa estratégia consiste em adquirir muitos amigos, pois quanto maior o número deles, maior parece ser a fama e o apoio ao candidato:

“É preciso suscitar amigos de todo o tipo: para impressionar, homens ilustres pelo cargo e pelo nome, que mesmo que não dão provas de interesse pela tua eleição, conferem, todavia, ”

ao candidato certa dignidade

(V, 18).

Os motivos que levam os eleitores a votar seriam basicamente três, a saber, conceder-lhes benefícios, a esperança de obter os benefícios e a simpatia. Em vista disso, o candidato deve se aplicar com afinco nestes procedimentos:

“Mas, visto que os homens são induzidos particularmente por três coisas à benevolência e

a estas preocupações de dar seu voto, ou seja,

pelo benefício, pela esperança e por simpatia espontânea, deve-se examinar com esmero como deve ser tratado cada um desse meios” (VI, 21).

Mais uma vez, a campanha eleitoral é o melhor momento para o candidato cobrar os favores daqueles que foram beneficiados por ele no passado e, mais do que isso, mostrar-se devedor daqueles que votarem nele:

“Há, de fato, homens influentes em seus bairros

e em seus municípios, há homens ativos e

abastados que, mesmo se não se preocuparam antes com este tipo de favor (eleitoral), podem todavia, de uma hora para a outra, fazê-lo por alguém a quem estejam obrigados ou a quem queiram agradar. É preciso dedicar-se a esses tipos de homens de modo que eles, por si próprios, entendam que vês o que podes esperar de cada um, que reconheces o que recebes e que guardas a lembrança do que recebeste” (VI, 24).

Falar o que os eleitores querem ouvir, na circunstância e no modo de entender deles é uma ótima tática para se fazer sentir mais próximo dos eleitores, para dar-lhes a impressão que ambos (candidato e eleitores) são iguais:

“Eles te quererão por amigo, se virem que a sua amizade é por ti desejada. Busca que entendam isso, adotando uma linguagem adaptada à circunstância” (VIII, 31).

Andar sempre acompanhado por uma comitiva, sem discriminar classe social ou idade, faz parecer que o candidato é importante e querido:

“E já que se fez menção de comitiva, cumpre atentar também nisso, de sorte que possas

12/11/2007, 12:26 comitiva, cumpre atentar também nisso, de sorte que possas valer-te quotidianamente de uma comitiva de todas

valer-te quotidianamente de uma comitiva de

todas as categorias (de pessoas), de todas as

ordens e de todas as idades (

numerosa, todos os dias, traz uma grande reputação e prestígio”(IX, 34-36).

) Uma comitiva

O candidato não pode manter-se distante dos

eleitores, ele precisa conhecê-los pelo nome, visitá-los, cumprimentá-los e elogiá-los, mesmo que o elogio não

seja sincero (lisonja):

“Visto que se falou suficientemente sobre a criação de amizades, cumpre falar dessa outra parte da campanha, que consiste no interesse popular. Ela exige o conhecimento (do eleitor) pelo nome, a lisonja, a visita freqüente, a generosidade, o incitamento da opinião e a esperança política” (XI, 42).

É preciso ser candidato sempre, estar em evidência, mesmo que não tenha chances de se eleger, pois o que não pode acontecer é ser esquecido:

“Não se ausente para nada; todavia, a vantagem da assiduidade é esta, não só estar em Roma e no foro, mas portar-se assiduamente como candidato, dirigir-se ”

muitas vezes às mesmas pessoas

(XI, 43).

Os eleitores gostam de promessas, por isso, é preciso

prometer algo para os eleitores, mesmo que a promessa jamais seja cumprida, pois é melhor prometer e mais tarde e não cumprir que recusar de imediato o que os eleitores pedem:

que não podes fazer, ou recusa-o

amavelmente ou mesmo não o recuses; a primeira das atitudes é a de um homem honesto, a segunda, a de um bom candidato

e todos se encontram em tal disposição de

) (

ânimo, que preferem que lhes digas uma mentira a que lhes dês uma recusa” (XI, 45).

o “

O candidato, durante a campanha, deve afastar-se

do cargo público que estiver ocupando, pois este procedimento dará a impressão de que o passado político, principalmente se foi ruim, não se aplica mais ao novo período:

não “

ocupar-te do Estado

deves, todavia, durante a campanha, ”

(XIII, 53).

Como pudemos perceber, os conselhos e procedimentos para uma campanha eleitoral ocorrida há mais de 20 séculos não são nada diferentes dos métodos utilizados pelos políticos nas campanhas atuais e, ao lermos os conselhos do irmão de Cícero, todo o cidadão com um mínimo de consciência política é capaz de lembrar e identificar vários candidatos atuais.

1- A íntegra da obra encontra-se em Cicéron.

Correspondante I. Paris: Les Belles Lettres, 1950, p. 80-102.

Lucia Cutro Sanches é Bacharel e Licenciada em História pela USP. Professora efetiva da E. E. Profª Luiza Mendes Corrêa de Souza (São Paulo/SP) e pesquisadora da Escola do Futuro/ USP. Mestranda em História Social pela USP e ministrante de cursos no Centro de Capacitação Profissional da Escola do Futuro/USP.

Sem título-5em História Social pela USP e ministrante de cursos no Centro de Capacitação Profissional da Escola

8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução
8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Maria Salete Magnoni Introdução

8

8 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000

Maria Salete Magnoni

Introdução

“Duas serão as atitudes possíveis do romancista que escolheu para sua ficção os caminhos da História: uma, discreta e respeitosa, consistirá em reproduzir ponto por ponto os atos conhecidos, sendo a ficção mera servidora duma fidelidade que se quer inatacável; a outra, ousada, leva-lo à entretecer dados históricos não mais que suficientes num tecido ficcional que se manterá predominante. Porém, estes dois vastos mundos, o mundo das verdades históricas e o mundo das verdades ficcionais, à primeira vista inconciliáveis, podem vir a ser harmonizados na instância narradora.” (José Saramago).

De alguma forma, o escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto, realizou ousadamente a idéia do contemporâneo escritor

português. Pois, “vamos ser sinceros: não será possível proceder-se à revisão da nossa história

sem recorrer aos romances,

contos, crônicas e artigos de Lima Barreto. Escritor eminentemente memorialista, a ponto de se tornar difícil, senão impossível delimitar em alguns de seus romances e contos as fronteiras da ficção e da realidade, ele anotou, registrou, fixou, comentou ou criticou todos os grandes acontecimentos da vida republicana”à revisão da nossa história sem recorrer aos romances, (Barbosa, 1961: 15). E ainda, no dizer

(Barbosa, 1961: 15). E ainda, no dizer de Alfredo Bosi: “Lima Barreto olhou na cara este seu presente que foi a nossa República Velha. Como um observador que se sabe vencido mas não submisso à máquina social” (Bosi, 1992: 267). Lima Barreto nasceu em 1881 e morreu em 1922. Embora tenha tido vida curta e atribulada, deixou uma produção literária que pode ser considerada a mais instigante entre Machado

de Assis e o Modernismo de 1922 e, como muito

bem descreveu seu biógrafo Francisco de Assis Barbosa, prestou um serviço inestimável aos que trabalham com a pesquisa histórica e também àqueles que se dedicam ao ensino da

História. Utilizando-se de recursos como a

sátira, a ironia, a caricatura, o riso, a crítica contundente, desmontou em seus escritos todo

o esquema de sustentação do poder na

República do Kaphet, como ironicamente se referia a nossa República Velha. Contrariamente

a outros intelectuais de sua época, não se

deixou cooptar pelo poder. Recusou-se a manter qualquer compromisso com a elite intelectual, representada por escritores como Coelho Neto e Olavo Bilac. Nunca se enganou, nem alimentou ilusões. Desconfiado, não se identificava com o militarismo florianista nem com os senhores do café, aos quais chamava de plutocracia paulista, pois para ele “uma rematada tolice que foi a tal república. No fundo, o que se deu em 15 de novembro foi a queda do partido liberal e a subida do conservador,

republicana (

),

Sem título-5partido liberal e a subida do conservador, republicana ( ), 8 IMPRENSA NA REP Uma proposta

8

IMPRENSA NA REP Uma proposta de estudo a parti Lima Barreto - Recordações do

sobretudo da parte mais retrógrada dele, os escravocratas de quatro costados” (CRJ, 110). Em 1917 na crônica São Paulo e os Estrangeiros, veemente condenação à expulsão determinada por Altino Arantes, 1 governador do Estado de São Paulo, dos trabalhadores anarquistas estrangeiros que lideraram a greve de 1917 na Cidade de São Paulo, recupera em suas memórias um quadro que o Brasil irá ver muitas vezes mais:

Quando em 1889, o senhor Marechal Deodoro proclamou a República eu era menino de oito anos. Embora fosse tenra a idade em que estava, dessa época e de algumas anteriores eu tinha algumas recordações. Das festas por ocasião da passagem da Lei de 13 de Maio ainda tenho vivas recordações; mas da tal história da proclamação da República só me lembro que as patrulhas andavam, nas ruas, armadas de carabina e meu pai foi, alguns dias depois, demitido do lugar que tinha. E é só. Se alguma coisa eu posso acrescentar a essas reminiscências é que a fisionomia da cidade era de estupor e de temor. Nascendo como nasceu, com esse aspecto de terror, de violência, ela vai aos poucos acentuando as feições que trazia no berço. (Ba,52) Vale lembrar que as ácidas palavras com as quais o homem escritor Lima Barreto nos remete à idéia de monstruosidade não são meras recordações fantasiosas do menino

Afonso. Numa frase que ficou célebre, Aristides Lobo, propagandista republicano, assim definiu em carta ao jornal paulista Diário Popular, com data de 18 de novembro de 1889, a sua decepção com a não participação popular no episódio: “O povo assistiu àquilo bestializado, sem saber o que significava, julgando tratar-se de uma parada.” (Basbaum,1975: 18). Vivenciando a maioria dos governos de nossa primeira República, não lhe escaparam os vários aspectos formadores da cultura política do Brasil do século XX, tais como:

A administração pública voltada para os interesses privados. “Toda a nossa administração republicana tem tido um constante objetivo de enriquecer a antiga nobreza agrícola e conservadora, por meios de tarifa, auxílios à lavoura, ”

imigração paga, etc

-

(CRJ, 110).

- A corrupção. “A República no Brasil é o regímen da corrupção. Todas as opiniões devem, por

12/11/2007, 12:26 é o regímen da corrupção. Todas as opiniões devem, por esta ou aquela paga, ser estabelecidas

esta ou aquela paga, ser estabelecidas pelos

Proclamada que foi a

República, ali, no Campo de Sant’Ana, por

três batalhões, o Brasil perdeu a vergonha e os seus filhos ficaram capachos, para sugar os cofres públicos desta ou daquela forma.

É a política da corrupção, quando não é a do arrocho.” (Ma, 79-80)

- A desconfiança por parte do povo dos políticos e o que é pior, na própria política. “(A política) Eu a encaro, como todo o povo a vê, isto é, um ajuntamento de piratas mais ou menos diplomados que exploram a desgraça e a miséria dos humildes.” (Ma, 78)

- A conivência da grande imprensa com o poder político. Por ocasião do movimento grevista do Rio de Janeiro em novembro de 1918 se repetiu o já acontecido em São Paulo na Greve de 1917,

o discurso oficial e policial justificava a repressão com o argumento da necessidade de manutenção da ordem e classificava como antipatriótica e obra de agitador estrangeiro e anarquista qualquer denúncia ou reivindicação vinda dos trabalhadores. Para piorar, as autoridades e a polícia associavam o anarquismo ao terrorismo, acusação da qual o movimento anarquista tentava a todo custo rebater. Mesmo doente e internado no Hospital Central do Exército, Lima Barreto escreve a crônica Da Minha Cela, em solidariedade aos grevistas, onde ataca o chefe da polícia Aurelino Leal e ironiza os jornalistas e os seus artigos contra os trabalhadores. As anotações das leituras de jornais que estão no Diário Íntimo dão uma idéia do teor da crônica:

(

poderosos do dia. (

)

)

O artigo do Amaral (O País) tem o mesmo plano que o do Miguel Melo (Gazeta); o do Antonio Torres ( Gazeta) o mesmo que daquele último; o do filho do Leão Veloso (Correio da Manhã) o mesmo que o do Torres. Parece que o plano foi ditado pelo chefe da polícia, devendo tocar nos seguintes pontos:

a) acoimar de estrangeiros os

anarquistas, e exploradores dos operários

brasileiros;

b) debochar os seus propósitos e

inventar mesmo alguns bem repugnantes e infames;

c) exaltar a doçura e o patriotismo do

operário brasileiro;

d) julgar que eles tem razão nas suas

reivindicações; que a dinamite não deve ser empregada, etc.; que devem esperar, pois a câmara vai votar o Código do Trabalho, etc.; etc.

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9 REPÚBLICA VELHA partir da

nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 9

9

REPÚBLICA VELHA partir da leitura do romance de es do Escrivão Isaías Caminha

Seria melhor mandar o Celso Vieira redigir

uma circular, em papel da Chefatura da polícia,

e mediante pagamento razoável, publicá-la em

todos os jornais. (DI, 202). Uma leitura atenta de suas obras poderá ensinar-nos muito ainda hoje, haja vista que todos estes execráveis aspectos da vida republicana assinalados pelo escritor já nos primórdios do século, perduram ainda nesse Brasil republicano do fim-de-século, espalhando ceticismo, descrença e desesperança sobretudo entre os jovens com os quais trabalhamos.

O texto literário na aula de História.

É fato corrente, entre nós, professores de

História, o quanto o texto literário pode ser um precioso recurso para o ensino de nossa disciplina, com um resultado ainda mais enriquecedor se for trabalhado numa perspectiva interdisciplinar com os colegas de Literatura, Geografia, Artes, sociologia e filosofia. Mas, quantos de nós realmente aproveitamos tudo o que a Literatura tem à oferecer ao ensino da História? Como já pude vivenciar, a leitura e o conseqüente desmonte de um texto ficcional pode se revelar num saboroso exercício de conhecimento histórico e de apreensão da realidade por parte dos alunos, e ainda ter como desdobramento a produção por eles de outros belíssimos textos. A proposta de trabalho aqui feita está direcionada para as turmas de Ensino Médio, discutir através da leitura do romance de Lima Barreto; Recordações do Escrivão Isaías Caminha , uma questão já bastante importante Recordações do Escrivão Isaías Caminha, uma questão já bastante importante

e decisiva no contexto da República Velha: o

poder da Imprensa, tema que hoje mais do nunca está na ordem do dia, ampliado com o surgimento de outros meios de comunicação de massas que Lima Barreto possivelmente nem sequer vislumbrou que poderiam vir a existir.

Recordações do Escrivão Isaías Caminha

Romance de estréia de Lima Barreto, foi publicado pela primeira vez em 1909, pela Livraria Clássica Editora de Lisboa, tendo o próprio escritor custeado a edição. Anteriormente, os dois primeiros capítulos haviam sido publicados na revista Floreal, editada em 1907 e dirigida por Lima Barreto que não passou do quarto número. Por ocasião do lançamento das Recordações do Escrivão Isaías Caminha, segundo anotações do seu Diário Íntimo, Lima

Sem título-5Caminha , segundo anotações do seu Diário Íntimo , Lima 9 Barreto já tinha pronto o

9

Barreto já tinha pronto o romance Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, que foi publicado em 1919. Porque então publicou primeiro o Isaías? O escritor respondeu a pergunta na carta que escreveu em 07/02/1909 ao crítico Gonzaga Duque: “era um tanto cerebrino o Gonzaga de Sá, muito calmo e solene, pouco acessível, portanto. Mandei as Recordações do Escrivão Isaías Caminha, um livro desigual, propositalmente mal feito, brutal por vezes mais sincero sempre” (C1,168-170). A intenção do escritor era polemizar, estrear demarcando terreno, trazendo ao público a sua concepção de literatura, que expusera no artigo de apresentação da revista Floreal, de certa maneira sintetizada pela frase (inspirada em Taine) 2 existente no prefácio do livro: “A obra de arte tem por fim dizer aquilo que os simples fatos não dizem”. Como se sabe o romance de Lima Barreto é uma sátira e ao mesmo tempo uma crítica à imprensa representada pelo Correio da Manhã, que era o jornal de maior sucesso, o mais representativo e abusado dos órgãos de imprensa da época. Numas de suas tentativas de ingresso no jornalismo profissional, Lima trabalhou no Correio. Não se sabe ao certo quem o levou para o jornal de Edmundo Bittencourt. Sabe-se apenas que são deles as reportagens acerca das escavações do morro do castelo 3 que estavam sendo realizadas pela prefeitura do Rio de Janeiro, publicadas no jornal entre 28/04 e 3/06 de 1905 e recentemente organizadas em livro por Beatriz Resende, professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o título: “O subterrâneo do Morro do Castelo:

um folhetim de Lima Barreto”. No Isaías, Lima Barreto não desqualifica a imprensa enquanto tal, mas antecipa o poderio atual da mídia. A fala de Isaías ao adentrar pela primeira vez na redação de um jornal é reveladora: “naquela hora, presenciando tudo aquilo, eu senti que tinha travado conhecimento com um engenhoso aparelho de aparições e eclipses, espécie complicada de tablado de mágica e espelho de prestidigitador, provocando ilusões, fantasmagorias, ressurgimentos, glorificações e apoteoses com pedacinhos de chumbo, uma máquina Marinoni e a estupidez das multidões. Era a Imprensa, a Onipotente Imprensa, o quarto poder fora da Constituição!” (IC, 174). O que fez em verdade foi o desvendamento dos fundamentos que alicerçavam a Imprensa Brasileira de sua época e que são ainda contemporâneos.

12/11/2007, 12:26 Brasileira de sua época e que são ainda contemporâneos. A relação de Lima Barreto com a

A relação de Lima Barreto com a Imprensa

O troco à sua ousadia Lima Barreto recebeu

em forma de boicote. O poderoso Edmundo

Bittencourt declarou, quando do lançamento do romance, total bloqueio ao escritor, sendo segundado por toda a grande imprensa por um

longo período. Mas, Lima Barreto nunca se amedrontou, mesmo sabendo da importância que tinham os jornais para que um escritor se tornasse conhecido, como podemos ver numa passagem do romance Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá: “Sofreiam o nosso pensamento, porque, quem não aparece no jornal, não aparecerá nem no livro, nem no palco, nem em parte alguma – morrerá. É uma ditadura” (GS, 90). E ainda: “em seus romances apresenta o processo de transformação da literatura em objeto de troca, com toda a sua complexa ambigüidade. Revela isso em todos os campos, dos jornais, dos editores, enfim, da comercialização do papel às convicções, às idéias e sentimentos dos escritores” (Figueiredo,1995:55). Uma outra passagem do Gonzaga de Sá é bastante ilustrativa da compreensão que Lima Barreto tinha da

imprensa: “Um jornal dos grandes, tu bem sabes

o que é; uma empresa de gente poderosa, que

se quer adulada e só tem certeza naquelas

inteligências já firmadas, registradas, carimbadas, etc., etc. Demais, o ponto-de-vista limitado e restrito dessas empresas, não permite senão publicações para os leitores medianos, que querem política e assassinatos. Os seus proprietários fazem muito bem, dão o que lhes

Se não consultam as médias,

têm que lisonjear os potentados, os graúdos (

pede o público

Além disso, são necessárias mil curvaturas, para

chegar até eles os grandes jornais, e quando se chega para não escandalizar a média e a grande

burguesia onde eles tem sua clientela, é preciso atirar fora o que se tem de melhor na cachola.” (GS: 89- 90). É através também do Gonzaga de Sá que Lima Barreto manifesta sua simpatia pela pequena imprensa: “Gosto dos jornais obscuros, dos jornais dos que se iniciam. Gosto dos começos, da obscura luta entre a inteligência e

a palavra, das singularidades, das

extravagâncias, da livre ou buscada invenção

dos principiantes.” (GS:87-88).

Embora Lima Barreto tenha exposto de forma tão direta o que pensava a respeito da imprensa, certamente não lhe escapou a importância crescente dos jornais no contexto de nossa República Velha, onde a ordem capitalista ia cada vez mais se impondo. É bastante extensa

a presença do escritor na imprensa da época,

são

mais de 500 artigos e crônicas, publicados

em

jornais de notável importância política e

literária. Colaborou com a revista Careta cerca

de 15 anos, como redator fixo, recebendo

salário. No jornal A.B.C permaneceu de 1916

até

sua morte em 1922. Esta colaboração por

ter

um caráter menos profissional que a de

Careta, é mais interessante: “São artigos

10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que
10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 políticos e literários, que

10

10 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000

políticos e literários, que constituem, na verdade, o que há de melhor no Lima Barreto polemista, a par dos que publicou em outros periódicos da época – ‘revistas e jornais modestos’ nos quais podia escrever com inteira liberdade sobre fatos, homens e coisas do tempo”. (Barbosa, 1988: 226). Foi colaborador também, mesmo que esporadicamente, em O País, no Rio Jornal, em A Notícia e na Gazeta de Notícias. Porém, é verídico o fato de grande parte dessa colaboração ter ido para a pequena imprensa, porque Lima Barreto considerava os grandes jornais “como órgãos de frações da burguesia rica, da indústria, do comércio, da política ou da administração” (Ba, 159). Essa pequena imprensa era composta por revistas e jornais libertários ou ligados a associações de classe, como A Voz do Trabalhador, órgão

oficial da COB (Confederação Operária Brasileira). Era presença também em o Debate dirigido pelo então militante anarquista e depois fundador do PCB Astrojildo Pereira. Colaborou ainda nas revistas Brás Cubas e Contemporânea. Escrevia também nos jornais revolucionários do Rio, São Paulo e até mesmo de Porto Alegre, como Lanterna, O Parafuso,

O Cosmopolita, A Patuléia e A Luta, porém

com menos assiduidade. Lima Barreto não

hesitava em defender a liberdade de expressão, principalmente em se tratando da pequena imprensa. Protesta em 1920 através da crônica

O Caso da A Folha, publicada em A Patuléia,

publicação anarquista paulista, contra a apreensão pela polícia do jornal A Folha, fundado e dirigido pelo escritor Medeiros e Albuquerque, onde cobra da imprensa a solidariedade entre todos os órgãos de informação com vistas a assegurar a liberdade de imprensa, independentemente da orientação editorial que esses jornais ou revistas tivessem. Aponta que no caso de A Folha, embora tardia a solidariedade veio, e questiona por que os jornais anarquistas Spartacus e A Plebe, que também tinham sido apreendidos, não receberam o mesmo tratamento: “Os grandes jornais de todo o país não protestaram, ao que parece, porque se tratava de jornais de operários e apontados como anarquistas. Curioso motivo. Então só os doutores ou quase doutores, ou naturalizados doutores tem pensamento e podem exprimi-lo nos jornais? Então só os jornais de grande tiragem são imprensa?” (FM, 253-254).

Sugestão de roteiro de trabalho:

Segue aqui alguns pontos levantados a partir da leitura do romance que julgo pertinentes para subsidiar a discussão, que deve ser remetida o tempo todo para a atualidade, buscando inclusive perceber o nível de consciência crítica de nossos jovens em relação aos meios de comunicação. a) O caráter mercantil da imprensa, a produção da notícia como um produto com

10

grande potencial de venda e retorno financeiro garantido.

b) A Submissão dos jornalistas ao editor-

chefe, a ponto de transformarem em objeto de

troca os seus pensamentos e sentimentos e se anularem enquanto produtores de idéias e

opiniões, produzindo assim artigos contrários as suas vontades e distante de suas convicções (exemplo: a personagem Adelermo Caxias).

c) A Falta de ética, princípios e a corrupção

reinantes no jornalismo.

d) A Imprensa como formadora de opinião e

a ausência de um debate ideológico de

qualidade nas questões relativas a política.

e) A capacidade da Imprensa em promover

processos de deslocamentos das tensões e causas dos problemas, criando situações onde se desvia a atenção do fato em si, na medida em que as personalidades das pessoas que os protagonizam passam a ser o foco, fazendo com que questões de ordem social e pública sejam vistas como de natureza privada. f) A imprensa como peça importante para que os interesses privados prevaleçam na esfera pública. O não cumprimento da sua mais nobre função, que seria a de contribuir com a educação do povo, esclarecendo e elucidando os fatos. A busca sempre mais acirrada pelo aumento do número de leitores, visando poder cobrar mais pela publicidade e aumentar o prestígio de seus redatores para que possa efetuar melhores negociatas com os latifundiários, os industriais, os grandes comerciantes e as oligarquias.

Para tornar ainda mais rica a discussão, seria interessante trabalhar conjuntamente com

o romance Recordações do Escrivão Isaías

Caminha, fazendo assim uma ponte bastante concreta com a realidade atual, o artigo do saudoso jornalista Aloysio Biondi, Mentira e cara-durismo (ou: a imprensa no reinado FHC), publicado na Revista Caros Amigos de agosto de 2000. Seria interessante também indicar a leitura dos livros: Minha razão de viver. Memórias de um repórter, de Samuel Wainer e Chatô: o rei do Brasil de Fernando Morais, válidos sobretudo pelo seu caráter documental.

Bibliografia

Obras de Lima Barreto citadas no texto:

Bagatelas Coisas do reino de jambon Correspondência V.1 Diário Íntimo Feiras e Mafuás Marginália

Recordações do escrivão Isaías Caminha IC

Vida e morte de M.J.Gonzaga de Sá

CRJ

Ba

C1

DI

FM

Ma

GS

Todos os títulos constam em:

12/11/2007, 12:26 de Sá CRJ Ba C1 DI FM Ma GS Todos os títulos constam em: BARRETO, A.H.

BARRETO, A.H. de Lima. Obras completas de Lima Barreto. Organizadas sob a direção de Francisco de Assis Barbosa, com a colaboração de Antonio Houaiss e M. Cavalcanti Proença. São Paulo: Brasiliense, 1956. 17 volumes.

Referências Gerais:

BARBOSA, Francisco de Assis. A vida de Lima Barreto. Belo Horizonte/ São Paulo: Itatiaia/ Edusp, 1988. BASBAUN, Leôncio. História sincera da República: de 1889 a 1930. São Paulo: Alfa Ômega, 1975-76. V. 2. BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Cia das Letras, 1992. FIGUEIREDO, C.L. Negreiros de. Lima Barreto e o fim do sonho republicano. Rio de Janeiro:

Tempo Brasileiro, 1995. SARAMAGO, José. História e Ficção. Jornal de letras, artes e idéias, n o. 400, p.19, Lisboa, Portugal, 1990.

1 A expulsão contrariava a Constituição, visto que a legislação brasileira assegurava desde 1841 igualdade civil a nacionais e estrangeiros, e a partir de 1907 estatuía que estrangeiros com profissão definida, mulher e filhos brasileiros não podiam ser expulsos. Entre os trabalhadores expulsos estavam, por exemplo, Antonio Napilinski, sapateiro, casado, com filhos brasileiros e residente no Brasil há mais de vinte anos, Antonio Candeias Duarte, naturalizado e tendo seis filhos brasileiros. Cf.: BANDEIRA, Moniz, MELO, Clovis, ANDRADE. A.T. O Ano Vermelho. A Revolução Russa e os seus reflexos no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1980. p. 69.

2 Hippolyte-Adolphe Taine (1828-1893), pensador francês. Sua obra abrange filosofia, história da literatura, arte e também o desenvolvimento histórico da moderna sociedade francesa. Entre suas obras mais conhecidas estão: Filosofia da Arte e História de Literatura Inglesa.

3 Espaço onde se iniciou a cidade do Rio de Janeiro, foi posto abaixo para que em seu lugar se realizasse a exposição do centenário da Independência em 1922.

Maria Salete Magnoni é Professora de História na Rede Estadual em São Paulo, Mestre e Doutoranda em Letras (Literatura Brasileira) na USP. E-mail: masalete@usp.br

Sem título-5na Rede Estadual em São Paulo, Mestre e Doutoranda em Letras (Literatura Brasileira) na USP. E-mail:

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem

nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11

11

ANÚNCIO DO RAÍ

Sem título-5nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ 11 12/11/2007,

11

12/11/2007, 12:26 nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 11 ANÚNCIO DO RAÍ Sem título-5

12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES
12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES

12

12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000

ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES

Sem título-512 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES 12

12

12/11/2007, 12:26 12 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 ANÚNCIO DO CELSO ANTUNES Sem

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13 LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE

nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 13

13

LITERALITERALITERALITERALITERATURATURATURATURATURA EEEEE HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA

Luzia Neófiti

“Há, porém, um reino do espírito no qual a palavra não só conserva seu poder figurador original, como, dentro deste, o renova constantemen- te; nele experimenta uma espécie de palingenesia permanente de renasci- mento a um tempo sensorial e espiri- tual. Esta regeneração efetua-se quando ela se transforma em expres- são artística. Aqui torna a partilhar da plenitude da vida, porém, se trata não mais da vida miticamente presa e sim esteticamente liberada.” Ernst Cassirer Linguagem e Mito

Na relação com o mundo da natureza

e com o da cultura, a literatura expressa e compõe um verbo de outra ordem, sempre inaugural e prospectivo, quer acentue, predominantemente, a desrealização do real, operando com o fragmentário e o lacunar em que a perspectiva de espelhamento do real se esbate, quer, por outro lado, pondo em

relevo seu pano de fundo “real”, como se

o universo ficcional fosse mera extensão reflexiva do dado referencial e suas circunstâncias. Qualquer obra literária pertence à ordem do mimético, no sentido de

articular o real e o imaginário, através da

ficção:

“(

)

mimese não é o mero reflexo,

mas a relação dialética de interioridade e exterioridade. (

) É

imitando a realidade que a obra se

liberta da realidade. (

) a obra

literária é uma imagem do real” 1 .

A literatura é a arte da linguagem. No texto da ficção (poesia ou narrativa), tramam-se os fios do dito e do não-dito, da voz e do silêncio que fazem falar a linguagem, a raiz de sua voz. Como signo plural exercita-se no constante

13

engendramento e rearticulação de suas potencialidades sígnicas, de tal forma que aquilo que se expressa em sua formulação verbal passa a ter existência, ali, como Ser de linguagem.

“Molgável, moldável, dirigente assim – e não me refiro só à literária – ela mesma se ultrapassa; como a arte deve ser, como é o espírito humano: faz e refaz suas formas. Sem cessar, dia a dia, cedendo à constante pressão da vida e da cultura, vai-se desenrolando, se destorce, se enforja, malêia-se, faz mó do monótono, vira dinâmica, vira agente, foge à esclerose torpe dos lugares-comuns, escapa à viscosidade, à sonolência, à indigência; não se estatela. Seus escritores não deixam” 2

Portanto, a sempre reinvenção da linguagem, por meio da imaginação construtiva” (Coleridge), realiza o trabalho do artista, desenvolvendo-se, ao mesmo tempo, no plano do conhecimento do mundo (mimese) e no plano da construção original de um outro, a obra. E se o escritor, como sujeito do texto, é, também, o sujeito da prática da linguagem, assumindo a gênese do sentido, por seu lado o leitor, no horizonte da recepção da obra, torna-se partícipe dessa aventura da criação, como o sujeito da atribuição de significados, através da ação perceptiva. Na operação da linguagem, interrelacionam-se a perspectiva do escritor e a do leitor, situados em universos semióticos diversos. O texto só alcança significação nas leituras que o atualizem. Não há, contudo, nada mais histórico do que a linguagem. Seu corpo sensível, sua força de inscrição e registro impregnam-se das marcas do tempo, das sombras da história, de suas expectativas e lacunas, de seus cacos

12/11/2007, 12:26 da história, de suas expectativas e lacunas, de seus cacos e resíduos. Estar na linguagem equivale

e resíduos. Estar na linguagem equivale

a experimentar a condição humana. Ou, como diz Nélida Piñon: “Eu sei que a

palavra é a vida”. Pode-se afirmar que é

a aventura humana acontecendo onde a

vida palpita ou silencia que atesta o destino histórico da linguagem. Em A Paixão Segundo GH, romance de Clarice

Lispector, a personagem-narradora assim se expressa:

“Eu tenho à medida que designo – e este é o esplendor de se ter uma linguagem. Mas eu tenho muito mais à medida que não consigo designar. A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá- la – e como não acho. Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que instantaneamente reconheço. A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas – volto com o indizível”. 3

Desponta, assim, a linguagem como

o território comum em que se manifesta

o Ser da História e o da Literatura. Embora partilhem a mesma essencialidade, é bem diversa a atualização que ambas realizam. Podemos dizer que a linguagem literária enquanto criação inventa e reinventa, continuamente, a “verdade” das motivações essenciais do Saber e do Ser. Porque, enquanto mimese, a literatura articula-se pela linguagem de contaminação do real e do imaginário,

por meio de uma operação de transgressão dos limites que só é possível no texto ficcional. Ou seja, a linguagem da literatura caracteriza-se pela relação triádica entre o real, o ficcional e o imaginário. Em conseqüência, oferece-se, no texto literário, como linguagem que atualiza uma lacuna da História, como palavra

Sem título-5Em conseqüência, oferece-se, no texto literário, como linguagem que atualiza uma lacuna da História, como palavra

14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da
14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 não-pronunciada. A percepção da

14

14 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000

não-pronunciada. A percepção da História como linguagem, como texto, por sua vez, obriga

ao reconhecimento de seu ser de código, irremediavelmente relativo, por atualizar, apenas, uma versão dentre outras tantas possíveis. Enquanto proposição geral de cifras da realidade, o evento histórico, em sua sintaxe relacional, demarca o tempo

e o espaço de seu acontecer de onde

emanam e projetam-se os sentidos. Concebida como construção, como memória, como ideologia, a linguagem da

História fornece um corpo de

representações coerentes para explicar

o real. No texto “Semiologia e Literatura”, o ensaísta Muniz Sodré refere a relação de mútua contribuição entre a História e a Literatura, demarcando, no entanto, a essencial diferença que as identifica:

“Toda literatura implica uma semiose, isto é, um processo de significação cuja produção está ligada ao valor artístico. O alcance profundo desse valor deve ser buscado na articulação do texto literário com a História. Em outras palavras, o valor artístico de uma obra parece residir na maior ou menor apreensão que o texto realizano entanto, a essencial diferença que as identifica: da situação do ser humano confrontado com a

da situação do ser humano confrontado com a realidade da História e do Incosciente (em especial, o mito, mantido pelas formações discursivas do Incosciente). Isto não significa que o texto literário contenha a figuração da aparência da estrutura social (ou seja, do real histórico), mas que contém aquilo que ficou latente na História, já que não foi dito pela linguagem. É, portanto, uma lacuna da História que transparece, como palavra não-pronunciada, no texto literário. A História não entra tal e qual no texto, mas irrompe em seu sentido

profundo. (

Sem título-5tal e qual no texto, mas irrompe em seu sentido profundo. ( ) O que se

)

O que se pretende

14

realmente dizer é que a literatura implica um discurso simbólico, que não analisa o mundo histórico em sua imediatez (assim como o faz a linguagem comum), mas da maneira específica da arte, criando os seus próprios significados e apontando para os sentidos latentes ou recalcados pela História: o não- dito. Tal recalcamento é operado pelo código, que subordina a mensagem lingüística às regras do jogo histórico, instituindo uma verdade ilusória. A arte literária, em contrapartida, produz a sua significação de um modo tal que se abram caminhos para a percepção da dissimulação e da mistificação operadas pela linguagem comum (regida em última instância por um código, a língua) com relação aos fatos do mundo”. 4

Buscar alcançar a semiose literária equivale ao desafio de lançar-nos na dimensão em que a forma não se reduz ao plano da expressão, já que, indissociavelmente, inclui um conteúdo articulado com o real histórico e com

a história das formas de expressão.

Assim, situar-se num dado horizonte histórico de intercâmbio entre a arte e

a sociedade, em que se entrecruzam

linguagem a explorar, que nos conduz a perspectivas inéditas em vez de confirmar as nossas.” 5

Se a linguagem da arte identifica-se como apropriação da natureza criada, uma invenção para dar voz à história humana e desrecalcá-la do mundo das aparências, comporta, em si mesma, o malogro:

“Toda estória pode resumir-se nisto: - Era uma vez uma vez, e nessa vez um homem. Súbito, sem sofrer

diz, afirma: -‘Lá

’ Mas não acho as

palavras.” 6

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1. PORTELLA, Eduardo. Teoria da

Comunicação Literária. R.J., Tempo

Brasileiro, 1970, pp. 34-6.

2. ROSA, João Guimarães. “Pequena Palavra”, in Antologia do Conto Húngaro. R.J., Civilização Brasileira, 1957, p. 24.

3. LISPECTOR, Clarice. A Paixão

Segundo G. H. R. J., Nova Fronteira, 1986, p. 172.

diferentes visões de mundo, diferentes

4.

SODRE, Muniz. “Semiologia e

procedimentos estéticos e

Literatura”, in Teoria Literária. R. J., Tempo

virtualidades realizadas, negadas ou por se realizar. É na infinita exploração

Brasileiro, 1979, p. 162.

de vertentes, falas e sentidos que a

5.

MERLEAU-PONTY, Maurice. “A

Literatura, sendo ficção, permite mais que o exercício histórico, reinventando

Linguagem Indireta e As Vozes do Silêncio”, in Textos Selecionados - Os

o percurso da experiência e da

Pensadores. S. P., Abril Cultural, 1980, p.

significação. Afinal, como nos alerta

170.

Merleau-Ponty:

 

6.

ROSA, João Guimarães. “Lá, nas

“O que há de risco na comunicação literária, e de ambíguo, irredutível à tese em todas as grandes obras de arte não é um delíquio provisório do qual se pudesse esperar eximi-la, mas o esforço a que se tem de consentir para atingir a literatura, ou seja, uma

12/11/2007, 12:26 se tem de consentir para atingir a literatura, ou seja, uma Campinas”, in Tutaméia , R.

Campinas”, in Tutaméia, R. J., Nova Fronteira, 1985, p. 100.

Luzia Neófiti é professora da E.E. Barnabé - Santos/SP, ex-Secretária Municipal de Educação de Santos (94/96) e colaboradora dos jornais Bolando Aula e Bolando Aula de História.

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA
nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15 HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA

nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000 Bolando Aula de História 15

15

HISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIAHISTÓRIA CULTURAL,CULTURAL,CULTURAL,CULTURAL,CULTURAL, PSICANÁLISEPSICANÁLISEPSICANÁLISEPSICANÁLISEPSICANÁLISE EEEEE EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO ----- ParteParteParteParteParte IIIII

Marilene Lima Santos Rodrigues

1.HISTÓRIA

Ainda estamos a uma longa distância da “história total” defendida por Braudel. Na verdade, seria irrealista acreditar que esse objetivo poderia um dia ser alcançado – mas alguns passos a mais foram dados em sua direção.

(Peter Burke)

A história é uma disciplina na qual tem ha-

vido inúmeras mudanças, ela tem sido “me- xida por dentro”, operação essa, implemen- tada pela História Cultural e que tem atribuí-

do hegemonia a essa vertente de pensamen- to historiográfico. Os historiadores culturais, têm estabelecido interlocução e diálogo com outros países e propiciado uma aproximação da História com a História da Educação. Es- ses, ao estabelecerem uma definição mais antropológica de cultura, têm estado interes- sados em todos os ramos de atividade do homem, posto que a realidade é social ou cul- turalmente constituída, é uma “construção cultural”, sujeita a variações, tanto no tempo como no espaço.implemen- tada pela História Cultural e que tem atribuí- A História Cultural, também conhecida por “nova

A História Cultural, também conhecida por

“nova história” – expressão mais bem conheci- da na França – não é passível de uma defini-

ção categórica, segundo Burke (1992, p. 10) pois é um movimento que está unido mais naquilo a que se opõe, ou seja, é daquilo que ela não é que se pode construir sua “definição”.

O autor continua dizendo que a nova histó-

ria é a história escrita como uma reação delibe- rada contra o “paradigma” tradicional, “aquela

visão do senso comum da história, (

freqüência tem sido considerado a maneira de se fazer história, ao invés de ser percebido como uma dentre várias abordagens possíveis do passado”. Para ilustrar o contraste entre a antiga e a nova história, vamos tomar emprestado al- guns dos seis pontos que Burke (op. cit. pp. 11-6) aponta: a história não é aquela discipli- na que diz respeito somente à política mas, deve se interessar por virtualmente toda a vida humana, pressuposto que desfaz a tra- dicional distinção entre o que é central e o que é periférico na história; segundo o para- digma tradicional, a história deve estar base-

) que com

Sem título-5digma tradicional, a história deve estar base- ) que com 15 ada em documentos e registros

15

ada em documentos e registros oficiais, ao passo que a nova história mostra as limita- ções desse tipo de documento, defendendo

que tais registros devem ser suplementados por outro tipo de fonte; a história é objetiva, ideal perseguido pelo paradigma tradicional, é considerado irrealista pelos historiadores da nova história, visto que o relativismo cultural se aplica tanto à escrita da história, quanto a seus chamados objetos. A percepção dos conflitos é realçada por uma apresentação de pontos de vista opostos do que pela tentativa de apresentar um consenso. Essa ótica traz a noção de que o passado não está concluído, não está estruturado, deli- mitado e determinado, e de que o presente é incerto, bem como o futuro uma incógnita. Para o historiador francês Chartier, as ver- dadeiras mutações do trabalho histórico nes- tes últimos anos não foram produzidas por uma “crise geral das ciências sociais” nem por uma “mudança de paradigma” mas à distância tomada, nas próprias práticas de pesqui- sa, em relação aos princípios de inteligibi- lidade que tinham governado o procedi- mento historiador há vinte ou trinta anos

os historiadores tentaram pensar os

) (

funcionamentos sociais fora de uma par- tição rigidamente hierarquizada das práti-

cas e das temporalidades (

) sem que fos-

se dada primazia a um conjunto particular

de determinações (

Daí as tentativas

para decifrar de um outro modo as socie- dades, penetrando nas meadas das ten- sões que as constituem a partir de um pon- to de entrada particular (um acontecimen- to importante ou obscuro, um relato de vida, uma rede de práticas específicas) e considerando não haver prática ou estru- tura que não seja produzida pelas repre- sentações, contraditórias e em confronto, pelas quais os indivíduos e os grupos dão sentido ao mundo que é o deles (Chartier, 1996, pp. 176-177).

)

A História Cultural, com a preocupação de abranger toda a atividade humana, fica enco- rajada a ser interdisciplinar, o que a leva a manter interlocuções com outras disciplinas e ciências, como por exemplo a antropologia social, economia, literatura, psicologia, socio- logia, psicanálise, etc. Abre-se para novas fon-

12/11/2007, 12:26 socio- logia, psicanálise, etc. Abre-se para novas fon- tes, metodologias e objetos de interesse. Os novos

tes, metodologias e objetos de interesse. Os novos historiadores, avançando em terreno que não lhes é familiar, podem esbarrar em problemas de definição, fontes, métodos e ex- plicação. Assim apresentam-se por buscarem empreendimentos mais arriscados do que os buscados pelos historiadores tradicionais. É nesse universo que vamos encontrar a “mi- cro- história”.

1.2. A MICRO-HISTÓRIA E GINZBURG

A micro-história nasce na Itália como rea- ção à história serial, quantitativa francesa, re- chaçando o objetivo de chegar ao acúmulo empírico do todo através das séries ou da soma. Trabalha com a premissa de que do fragmento histórico, pode-se apreender o todo. Segundo Giovani Levi A micro- história é essencialmente uma prática historiográfica em que suas referên- cias teóricas são variadas e, em certo senti- do, ecléticas. O método está de fato relacio- nado em primeiro lugar, e antes de mais nada, aos procedimentos reais detalhados que constituem o trabalho do historiador, e assim, a micro- história não pode ser defini- da em relação às microdimensões de seu

como todo trabalho ex-

objeto de estudo (

perimental, não tem um corpo de ortodoxia

estabelecida para dele se servir. (

) nada

mais é que uma gama de possíveis respos- tas que enfatizam a redefinição de concei- tos e uma análise aprofundada dos instru- mentos e métodos existentes (Levi, 1992, pp. 133- 135).

)

Introduz, assim, a noção de escala de leitu- ra como um procedimento analítico, que confi- gura-a como sendo uma “prática essencialmen- te baseada na redução da escala da observa- ção, em uma análise microscópica e em um estudo intensivo do material documental” (Levi, p. 136), que revelará fatores anteriormente não observados e que tem haver com o grau de de- talhamento que se necessita para ler o objeto estudado, não com relação à natureza do obje- to, se “macro” ou “micro”. O trabalho de seus historiadores demonstra a idéia de que a pes- quisa histórica não é uma atividade puramente retórica e estética, mas, antes de tudo, uma prá- tica interpretativa.

16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador
16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 Ginzburg (1939- ), historiador

16

16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000

Bolando Aula de História

nº 25 - Setembro de 2000

Ginzburg (1939- ), historiador italiano da micro- história, particularmente, opera com uma lupa, em cima de tramas infindáveis e propõe como bom lugar de pesquisa a rés do chão, o lugar mais infinitesimal de se fazer história, o que denota uma concepção não aristocrática de cultura. O autor parte de um paradigma indiciário, que segundo ele emer- giu silenciosamente no âmbito das ciências humanas, por volta do final do século XIX, e até agora não foi digno de suficiente atenção (Ginzburg, 1989, p. 143). A antigüidade desse paradigma, pode ser resgatada na arte venatória ou adivinhação e, sua modernidade, na nova ciência paleon- tológica, que reúne história, arqueologia, ge- ologia, astronomia física e paleontologia, isto é, a capacidade de fazer profecias retrospec- tivas (op. cit. p. 169). Para explicar esse para- digma na modernidade, faz uma explanação sobre os nexos entre Morelli - Holmes, More- lli - Freud e Holmes - Freud, deixando claro que nos três casos “pistas talvez infinitesi- mais permitem captar uma realidade mais profunda, de outra forma inatingível” (op. cit. p. 150). Deixa claro em sua explanação, que nos três casos, entrevê-se a semiótica médi- ca: a disciplina que permite diagnosticar as doenças inacessíveis à observação direta na base de sintomas superficiais, às vezes irre- levantes aos olhos do leigo. As pistas são: sintomas para Freud (fun- dador da psicanálise), indícios para Sherlock Holmes (detetive, principal personagem da obra literária de Arthur Conan Doyle) e sig- nos pictóricos para Morelli (historiador de arte italiano). No paradigma indiciário, faz-se ne- cessário examinar os pormenores mais ne- gligenciáveis e indícios imperceptíveis para a maioria, perceber a importância caracterís- tica dos detalhes secundários, das particula-16 Bolando Aula de História nº 25 - Setembro de 2000 É mais gostoso! Sem título-5

É mais gostoso!

É mais gostoso!

Sem título-5dos detalhes secundários, das particula- É mais gostoso! 16 ridades insignificantes, penetrar em coisas concretas e

16

ridades insignificantes, penetrar em coisas concretas e ocultas através de elementos pouco notados ou despercebidos, dos detri- tos ou “refugos” da nossa observação e, es- crupulosamente catalogar o que descobriu. Esse conjunto de metodologias e práticas, mostram os nexos dessas três formas de in- vestigação por ele citadas. Para Ginzburg, o contexto só é importante quando significa o sujeito e o sujeito pode ser um grupo ou o indivíduo, mesmo aquele considerado medíocre. O indivíduo, é síntese do social e, portanto, encontra-se toda forma social nele. O indivíduo é seu objeto, o que denota aí, fortes heranças de Freud. Trabalha o indivíduo como indivíduo, não como desculpa para ler a sociedade. Admite a hipótese da singularidade, porém, considerando que o indivíduo pode ser único em sua singularidade e, ainda assim, representar outros indivíduos de seu tempo e espaço, defendendo que mesmo um caso-limite pode se revelar representativo. Trabalha com a hipótese morfológica, na qual o elemento constituidor da história é a forma. Trabalha com estrutura e sua racio- nalidade, com o indivíduo e sua racionalida- de. Não considera uma racionalidade pré dada, constitutiva das estruturas, mas que na constituição das estruturas, adjudicam- lhe uma racionalidade. Em sua obra O queijo e os vermes (1998) não se vê Menocchio (Domenico Scandella) que teve uma vida transcorrida em total ano- nimato, descolado do advento da imprensa ou da Reforma Protestante, mas não o con- sidera como desdobramento especular, como um introjetor das estruturas. Menoc- chio é condenado porque enfrentou a hierar- quia da Igreja e “suas afirmações em defesa

da tolerância religiosa, seu desejo de reno- vação radical da sociedade, apresentam um tom original e não parecem resultado de in- fluências externas passivamente recebidas” (Ginzburg, 1998, p. 30).

Procura no sujeito sua forma peculiar de apropriação e as significações que suas hipóteses formuladas podem ter para ele, não colocando em discussão se essa apropriação

é débita ou não de um outro sujeito ou meio.

Assim, trava uma interlocução com Bakthin,

a respeito da hipótese formulada sobre a

influência recíproca entre a cultura da classe

“subalterna” e da classe “dominante”. Utiliza o conceito de circularidade a partir do enfoque da apropriação: produção, distribuição e consumo dos bens culturais, olhando tempos

e lugares diferentes. Não encontra produto

explícito das culturas popular e dominante, ou seja, o que autenticamente foi produzido por uma ou por outra, ou o que é típico desta ou daquela, combatendo o pressuposto clássico de que a classe dominante produz e dissemina a cultura, ou que a cultura dominante é a da “classe dominante”, sendo

a “subalterna” um mero receptáculo do

produzido. Sua leitura é que a cultura é constituinte das relações sociais.

Marilene Lima Santos Rodrigues

é Mestranda em Educação:História, Política, So-

ciedade/PUC-SP;Psicóloga; Assistente Técni- co- Pedagógica do Departamento de Educação da Prefeitura Municipal de Diadema; Coorde- nadora Editorial do jornal “DEPED” e da revista “Da Educação” da Secretaria Municipal de Edu- cação, Cultura, Esportes e Lazer de Diadema; Ex- professora (substituta) da cadeira de Psi- cologia da Educação da Universidade de Santo Amaro - SP e colaboradora do jornal Bolando Aula de História.

O Bolando Aula de História é uma publicação mensal do Jornal Bolando Aula Caixa Postal

O Bolando Aula de História é uma publicação mensal do Jornal Bolando Aula Caixa Postal 2614 - CEP: 11021-970 - Santos - SP

IMPRESSO

12/11/2007, 12:26 História é uma publicação mensal do Jornal Bolando Aula Caixa Postal 2614 - CEP: 11021-970 -