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APOSTILA DE DIREITO PENAL MILITAR PROF. ROGÉRIO- TURMA 3- 28- 03-14

COMENTÁRIOS INICIAIS Existe um nítido paralelismo entre o Direito Penal Militar (DPM) e o Direito Penal Comum (DP), mormente a questão da tipicidade, excludentes de ilicitude e culpabilidade. Considerando as semelhanças com o Direito Penal Comum, aborda-se aqui, tão somente, as particularidades do DPM e diferenças em relação ao DP, de maneira pontual. Cita-se inicialmente que o bem jurídico tutelado no Direito Penal Militar (DPM) é diferente do Direito Penal Comum (DP). DP: visa proteger os bens jurídicos mais relevantes para a vida em sociedade. DPM: visa proteger a hierarquia e a disciplina (visando a segurança da nação e as instituições militares). Estes são os sustentáculos da atividade militar. Por isso, existem tipos penais no CPM, não previstos no CP, por exemplos: desrespeito a superior (art. 160), furto de uso (art. 241), publicação ou crítica indevida (art. 166), dano culposo (art. 266), pederastia (art. 235).

2. Das medidas de segurança

As medidas de segurança (MS) regem-se pela lei vigente ao tempo da sentença, prevalecendo, entretanto, se diversa, a lei vigente ao tempo da execução. Parece que é inconstitucional, pois prevê a retroavidade da lei, independente da gravidade da medida. E o art. 5º, XL, da CF (retroatividade da lei benéfica). Na verdade, as MS não são penas. Para a doutrina, as MS não tem caráter retributivo como as penas, tanto que nem aparece no rol taxativo das penas principais (art. 55) e nem das penas acessórias (art. 98) do CPM. Na verdade foram catalogadas no arts. 3°, e 110 a 120 do Código Castrense. As MS são aplicadas de acordo com o grau de periculosidade do agente e visam evitar que ele exponha outrem a perigo.

do agente e visam evitar que ele exponha outrem a perigo. 3. Teoria do lugar do

3.

Teoria do lugar do crime

São três as teorias que gravitam em torno do assunto:

1. Teoria da Atividade: lugar do crime é aquele em que se iniciou a execução da conduta típica;

2. Teoria do resultado: lugar do crime é aquele em que se produziu o resultado da ação/omissão;

3. Teoria da Ubiquidade: lugar do crime é tanto aquele em que se iniciou sua execução, como aquele em que ocorreu o

resultado.

No que tange ao lugar do crime, o CPM adotou um sistema misto (Jorge César de Assis). Crimes comissivos – Teoria da Ubiquidade Crimes omissivos – Teoria da Atividade (o CPM, em relação aos crimes omissivos, adota esta teoria, já que considera praticado o fato no lugar em que deveria realizar-se a ação omitida – art. 6º).

4.

Territorialidade é a aplicação da lei penal ao crime praticado no território nacional e a extraterritorialidade retrata a aplicação da lei ao crime praticado fora do território brasileiro. No CP, a territorialidade da aplicação da lei encontra-se no art. 5º e a extraterritorialidade (alguns casos) no art. 7º.

Territorialidade e extraterritorialidade

A extraterritorialidade da aplicação da lei é exceção no CP, e uma regra no CPM.

A lei penal militar aplica-se ao crime MILITAR praticado dentro e fora do território nacional, sem prejuízo de tratados e

convenções internacionais (art. 7º).

Exemplos:

Um Sgt do Exército no Haiti, em serviço, agride uma civil haitiana.

Um Cap PM em missão de paz em Angola divulga informações privilegiadas a um estrangeiro, causando prejuízo à administração militar (art. 326-violação de sigilo funcional)

No intuito de se evitar o “bis in idem”, ou dupla punição pelo mesmo, no mesmo ramo do direito público, o art. 8º determina que a eventual pena aplicada no estrangeiro, atenua a pena no Brasil, se diversa, e nela é computada, se idêntica. Haverá situações em que o crime militar poderia ser cometido no exterior, inclusive, em detrimento do Brasil (favor ao inimigo – art. 356) e, nestas condições, provavelmente, não haveria interesse da outra nação em processar e julgar o agente.

5. Crime Militar

A Carta Magna em seus artigos 124 e 125, § 4º, deixou a cargo da lei ordinária, definir o que vem a ser crime militar.

Assim, o Decreto-Lei n. 1001/69, que dispõe sobre o Código Penal Militar (CPM), traz em seu bojo o que vem a ser crime militar. Todavia, o Codex não definiu o conceito de delito castrense, e sim, apresenta um rol taxativo de situações que se consideram crime militar. Portanto, para se entender o conceito de crime militar, basta compreender os artigos 9º e 10 do CPM, com prevalência do art. 9º, que trata dos crimes militares em tempo de paz. No escopo de definir o crime militar, a doutrina estabeleceu 04 critérios classificatórios:

EM RAZÃO DA MATÉRIA (ratione materiae) – matéria própria da caserna – dupla qualidade no ato e no agente: deserção (art. 187) EM RAZÃO DA PESSOA (ratione personae) – reside da qualidade militar do agente: abandono de pessoa (art. 212). É o

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faleconosco@fatimasoares.com.br www.fatimasoares.com.br caso da letra “a” do inc. II, do art. 9º do CPM. EM

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caso da letra “a” do inc. II, do art. 9º do CPM. EM RAZÃO DO LOCAL (ratione loci) – em lugar sujeito à administração militar: apologia (art. 156) EM RAZÃO DO TEMPO (ratione temporis) – crimes praticados em tempo de guerra (art. 10), bem como, durante o período de manobras ou exercício etc.

Todavia, os doutrinadores concluíram que nenhum dos quatro critérios abarcaria todas as situações consideradas crime militar e sedimentaram pacificamente que:

“CRIME MILITAR É AQUELE QUE A LEI DIZ QUE É”

Cita-se um conceito de crime militar que auxilia no entendimento da disciplina, utilizando-se do conceito analítico de crime:

É todo fato típico, antijurídico, culpável e que se enquadre em uma das situações previstas no art. 9º do CPM.

6. Crime propriamente e impropriamente militar Outra distinção feita pelos textos legais e discutida pela doutrina é a distinção entre crime propriamente militar (ou crime militar próprio) e crime impropriamente militar (ou crime militar impróprio). Por que devo saber o que são crimes impropriamente militares e propriamente militares? Entre outros, cita-se os aspectos abaixo alguns permissivos legais aplicáveis apenas no caso dos crimes propriamente militares. 1) A permissão para a prisão do militar, mesmo ausentes o estado de flagrância ou o Mandado de Prisão expedido por autoridade judiciária, conforme dicção do art. 5º inc. LXI:

6.2. Crime impropriamente militar (ou militar impróprio): 7 Análise do art. 9º do CPM -
6.2. Crime impropriamente militar (ou militar impróprio):
7 Análise do art. 9º do CPM - Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:
Suj. Ativo
Suj. Passivo
Comentário (s)
Exemplo (s)
Militar da
ativa, da
reserva,
Instituição
militar, militar da
ativa, da
reserva,
reformado ou
civil
São os crimes previstos no CPM, não
previstos na legislação comum ou
previstos de modo diverso.
reformado ou
Crimes de: motim (art. 149), revolta
(art. 149), conspiração (art. 152),
omissão de lealdade militar (art. 151),
etc.
civil
Aqui se encontram todos os crimes
propriamente militares.

Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.

2) No art. 18 do CPPM existe a previsão de detenção do indiciado do IPM, pelo prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 20, sendo a prisão apenas comunicada à autoridade judiciária e, para estar em perfeita sintonia com a Carta Magna, a permissão contida naquele artigo, diz respeito ao crime propriamente militar;

3) O crime militar próprio não gera reincidência ao agente que responder a processo por crime comum, nos termos do art. 64, II, do CP.

6.1 Crime propriamente militar (ou militar próprio) São aqueles que estão previstos somente no CPM e só podem ser praticados por militar. Ex: deserção (art. 187), abandono de posto (art. 195), abandono de posto (art. 196) embriaguez em serviço (art. 202), dormir em serviço (art. 203). Todos os crimes propriamente militares enquadram-se no inc. I do art. 9º do CPM. Mas, cuidado, nem todos os crimes que se enquadram naquele inciso são propriamente militares, como por exemplo: ingresso clandestino (art. 302), furto de uso (art. 241).

São aqueles previstos no CPM e no CP e podem ser praticados, tanto por militar, quanto por civil. Ex: lesão corporal (art. 129), homicídio (art. 205), ameaça (art. 223), furto (art. 240), falsidade ideológica (art. 319). Registra-se aqui que existe uma terceira categoria de crime militar elaborada por uma doutrina minoritária. Trata-se do crime tipicamente militar mencionado por Ione de Souza e Cláudio Amim Miguel (previsto só no CPM – insubmissão, ingresso clandestino, furto de uso, etc).

Artigo 9º, inc. I: os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial.

Artigo 9º, inc. II: os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum, quando praticados:

Letra “a”

Suj. ativo

Suj. passivo

Comentário (s)

Exemplo (s)

Militar da ativa (art. 3º, § 1º, do EMEMG – Lei Estadual n.

Militar da ativa.

Nos termos do CPM, os crimes praticados por militar da ativa contra militar da ativa serão crimes militares, sendo esta a única circunstância exigida pela lei. (Malgrado, vide item 7.1 - particularidades e variáveis sobre o art. 9º).

1) Dois militares de folga e à paisana se agridem numa festa particular;

Militar da

5.301/69)

reserva

   

reconvocado.

Obs: Militar em situação de atividade significa militar da ativa, e não, militar em serviço (letra “c”). Citam-se aqui dois casos em que o STJ declarou a competência para justiça comum, por entender que os militares envolvidos não estavam de serviço, portanto, não estariam em situação de atividade (HC n. 119813/08-PR e conflito de competência n. 26.986/07-SP)

2) Um Cadete do 2º

Militar reconvocado Obs: equipara-se a militar da ativa para aplicação da lei penal militar (art. 12 do CPM).

ano

do CFO

ameaça

outro

discente do mesmo

curso, dentro

de

uma república.

A figura do assemelhado, prevista no art. 21 do CPM, não mais existe em nenhuma Instituição Militar (art. 232 EMEMG).

2

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Letra “b” faleconosco@fatimasoares.com.br www.fatimasoares.com.br Suj. ativo Suj. passivo Comentário (s)

Letra “b”

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Suj. ativo

Suj. passivo

Comentário (s)

Exemplo (s)

Militar da ativa.

Militar da ativa.

Observe que o sujeito ativo não precisa estar em serviço, nem atuando em razão da função, basta que o fato seja praticado em lugar sujeito à Administração Militar. Lugar sujeito à administração militar é aquele local em que os regramentos (normas) militares e a estrutura hierárquica são respeitados e nitidamente percebidos. Quem comanda é a mais alta autoridade, designada por outra autoridade competente. As funções aí exercidas são delegadas de acordo com os postos e graduações dos militares (ex: 1º BPM, DAL, CPM, HPM, CTPM). Não são lugares sujeitos à administração militar: sedes das justiças militares, clubes e entidades associativas, a saber: COPM, CCS-PM, AOPM, ASPRA etc.

1) Um Sgt PM, de folga, no interior do HPM (Hospital da PM), ameaça de morte o médico que o atendia.

Militar da

Militar da

reserva

reserva

reconvocado.

reconvocado.

Letra “c”

Suj. ativo Suj. passivo Comentário (s) Exemplo (s) Militar da ativa. Militar da O fato
Suj. ativo
Suj. passivo
Comentário (s)
Exemplo (s)
Militar da ativa.
Militar da
O fato deve ser praticado pelo militar de serviço ou
reserva
atuando em razão da função (quando o militar de folga,
O militar que
causa uma
lesão
de
Militar da
reserva
Militar
reconvocado.
reformado
impulsionado pelo dever militar ou acionado por alguém,
intervém numa ocorrência).
Pode ocorrer crime militar, mesmo quando o militar deixa
de atuar quando deveria fazê-lo, como no caso da omissão
diante de uma situação de flagrante delito (arts. 29, §2º do
CPM, 301 do CPP e 243 do CPPM).
Civil.
Comissão de natureza militar e formatura = militar em
serviço.
corporal culposa
no agente (civil)
que está sendo
algemado
durante uma
ocorrência.
Letra “d”
Suj. ativo
Suj. passivo
Comentário (s)
Exemplo (s)
Militar da ativa.
Militar da
Militar da
reserva,
reserva
reformado ou
A alínea “d” segue os mesmos critérios da
alínea “c”, visto que o militar da ativa em
período de manobra ou exercício,
certamente, estará de serviço.
reconvocado.
civil.
O Cadete PM que profere
palavras ofensivas à dignidade do
pedagogo da EFO (Unidade
Militar), durante um acampamento
militar.
Letra “e”
Suj. ativo
Suj. passivo
Comentário (s)
Exemplo (s)
Militar da ativa.
Administração
militar
Militar da
reserva
reconvocado.
Ocorre quando o militar viola bens patrimoniais
pertencentes às instituições militares ou que se
encontrem sobre a responsabilidade destas
(apreendidos, alocados, etc).
Por ordem administrativa militar tem-se que se
trata da própria harmonia da instituição,
abrangendo sua administração, o decoro de seus
integrantes etc. Assim, delitos contra a ordem
administrativa militar são “as infrações que
atingem a organização, sua existência e sua
finalidade, bem como o prestígio moral da
Instituição Militar”.
Policial militar, de folga, que passando
defronte a uma viatura de
policiamento estacionada ao lado de
uma base comunitária, decide, por
insatisfação salarial ou outra
motivação, danificar o veículo oficial
com um bloco de concreto.

Artigo 9º, inc. III: os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as instituições militares, considerando se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:

Letra “a”

Suj. ativo

Suj. passivo

Comentário (s)

 

Exemplo

 

Militar da reserva (QOR) ou reformado (QOR) (art. 3º, §§ 2º e 3º, do EMEMG – Lei Estadual n.

Administração

Considere os mesmos comentários feitos sobre o art. 9º, II, “e”, atentando-se que agora o sujeito ativo não é mais o militar da ativa.

Um

civil

que,

militar

dolosamente, arremessa

5.301/69).

uma pedra em direção

Civil: O civil pode ser julgado pela justiça militar federal (art. 124 da CF), mas não será julgado pela justiça militar estadual (art. 125, § 4º da CF e súmula 53 do STJ). Portanto, o civil só pratica crime militar contra a Instituição Militar federal.

Vide art. 13 do CPM e art. 82, § 1º, CPPM.

ao

quartel

do

exército

(federal)

e

quebra

os

vidros de uma janela.

3

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faleconosco@fatimasoares.com.br www.fatimasoares.com.br Letra “b” Suj. ativo Suj. passivo Comentário (s)

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Letra “b”

Suj. ativo

Suj. passivo

Comentário (s)

 

Exemplo

Militar da

Militar da ativa

Observe-se

que

esta

Durante um festival de sorvete no interior do 12º BI-EB (Unidade Militar Federal), um civil furta o

reserva

hipótese

exige

como

Militar da reserva reconvocado

elementar

que

o

crime

Militar

ocorra

em

local

sujeito

à

reformado

Funcionário do Ministério Militar ou da Justiça Militar (juiz, promotor, escrivão, Oficial de justiça etc – art. 27 do CPM), no exercício da função inerente ao seu cargo. Obs: não existem mais os ministérios militares, agora as Forças Armadas estão subordinadas ao Ministério da Defesa.

administração militar.

aparelho celular de um militar daquela Unidade.

Civil

 

Letra “c”

Suj. ativo Suj. passivo Comentário (s) Exemplo Militar da reserva Militar da ativa A alínea
Suj. ativo
Suj. passivo
Comentário (s)
Exemplo
Militar da reserva
Militar da ativa
A alínea “c” se resume aos casos em
que o militar estiver de serviço em
situações extraordinárias, como:
Militar reformado
Militar
da
reserva
reconvocado
Civil
prontidão, vigilância, observação,
exploração, exercício, acampamento,
acantonamento ou manobras. (vide
conceitos no item 7.1.3)
Durante um acampamento
de militares, o fotógrafo do
evento, sendo um militar
reformado, injuria um
discente (militar),
chamando-o de frouxo e
muxiba.
Letra “d”
Suj. ativo
Suj. passivo
Comentário (s)
Exemplo (s)
Militar da
Militar da ativa
reserva
O fato pode ser praticado em qualquer lugar,
desde que seja contra militar em função de
natureza militar (ex: proteção da pátria), ou no
Militar
da
desempenho de serviço de vigilância, garantia e
1) Um Ten PM QOR, insatisfeito por ter
sido parado numa blitz, desacata o Sgt
PM, Cmt da Operação, chamando-o de
“sargentinho de merda”.
Militar
reserva
reformado
reconvocado
Civil
preservação da ordem pública (policiamento
ostensivo – art. 144, § 5º da CF), administrativa ou
judiciária, quando legalmente requisitado para
aquele fim, ou em obediência a determinação legal
superior.
Em síntese, fato praticado contra militar em
serviço.
2) Um civil desobedece à ordem legal
de um militar do Exército Brasileiro em
serviço de segurança pública no Rio de
Janeiro (emprego excepcional).
7.1. Particularidades sobre o artigo 9º
7.1.1 Art. 9º, II, “a”
Acerca dos crimes militares praticados por militar da ativa contra militar da ativa, abordam-se aqui algumas situações
excepcionais, extraídas da doutrina e jurisprudência. Ressaltando que pela letra da lei, serão sempre crimes militares.
Considere em todas as situações abaixo que os envolvidos são militares da ativa (ou reconvocados), não estão em serviço,
não estão atuando em razão da função e encontram-se em lugar não sujeito à administração militar:
1) Crime doloso contra a vida de militar praticado por militar: crime militar: se o fato se enquadrar no art. 9º, será crime militar,
pois, a exceção do parágrafo único do referido artigo refere-se à vítima civil, e não, militar.
Todavia, se o autor do delito desconhecer a condição de militar da vítima será crime comum, conforme construção doutrinária
e jurisprudencial, baseando-se na interpretação extensiva do art. 47, I, do CPM.
2) Militar federal X militar estadual: considerando que a própria Constituição Federal, reservou artigos diferentes para definir
os militares estaduais (art. 42 da CF) e os militares federais (art. 142 da CF), a doutrina e jurisprudência tem entendido que o fato
envolvendo tais militares será crime comum.

3) Policial Militar X Bombeiro: crime militar: será crime militar, pois ambos pertencem à instituições militares estaduais e podem ser julgados pela Justiça Militar Estadual.

4) Os casos em que a vítima militar for pessoa do sexo feminino X Lei Federal n. 11.340/06 (Lei Maria da Penha): Cita-se por exemplo um casal de militares da ativa, ou mesmo pai e filha. Neste caso, a doutrina tem defendido que se o caso concreto afetar somente a esfera íntima da família será crime comum e, se abalar os pilares da hierarquia e disciplina militares (afetar a instituição militar) será crime militar.

5) Fato envolvendo militares estaduais pertencentes a instituições de Unidades Federativas diferentes (PMMG X PMSP): será crime militar, nos mesmos termos indicados no tópico 3 acima. E, o autor será julgado pela Justiça Militar Estadual da Unidade Federativa em que for lotado (Súmula 78 STJ).

7.1.2 Crimes dolosos contra a vida de civil Parágrafo Único (do art. 9º): Os crimes de que trata este artigo quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil serão da competência da justiça comum (Tribunal de Júri), salvo quando praticados no contexto de ação militar realizada na

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forma do art. 303 (abate de aeronaves em voo irregular no espaço aéreo brasileiro) da Lei no 7.565, de 19 de dezembro de 1986 - Código Brasileiro de Aeronáutica.” (grifo e acréscimo nosso) São de competência da Justiça Comum (Tribunal de Júri), conforme preceito citada e mandamentos constitucionais insculpidos no art. 5º, XXXVIII, “d” e no art. 125, § 4º, ambos da Carta Magna. Observe que no contexto de ação militar praticada por militar das Forças Armadas no abate de aviões em voo irregular no espaço aéreo brasileiro, a competência continua sendo da Justiça Militar Federal. O art. 303, caput, da Lei n. 7565/86, lista as autoridades que podem realizar o abate do avião suspeito ou em voo irregular, sendo elas: as autoridades aeronáuticas (militar federal), fazendárias ou da Polícia Federal. Obs: Extrai-se dos concursos da PMMG que as respectivas comissões de elaboração das provas entendem que o crime doloso contra a vida de civil, mesmo enquadrando-se numa das situações do art. 9º do CPM, são crimes comuns, conforma dicção do parágrafo único, em comento. Todavia, para Assis (2012, p. 166-170) trata-se de um crime militar doloso contra a vida e para Neves e Streifinger (2011, p. 335-349) o em trata-se de um crime militar cuja competência para processo e julgamento é da justiça comum. Por outro lado, o STM entende ser inconstitucional a Lei n. 9.299/96, que acrescentou o parágrafo único ao art. 9º, consequentemente, para aquele órgão os crimes dolosos contra a vida de civil, praticados por militares federais no cumprimento de suas funções continuam sendo crimes militares. O STM sustenta, ainda, que a exceção do parágrafo único não se aplica na esfera da Justiça Militar Federal, visto, que a própria Constituição Federal não excepcional da competência da Justiça Militar da União os crimes dolosos contra a vida de civil, como o fez na esfera da Justiça Militar estadual, conforme dicção do art. 124 comparado com o art. 125, § 4º, da Carta Magna.

Assim, nos termos da lei e conforme entendimento extraído dos vestibulares da Polícia Militar tem-se
Assim, nos termos da lei e conforme entendimento extraído dos vestibulares da Polícia Militar tem-se o seguinte:
CRIME
VÍTIMA
NATUREZA DO CRIME
COMPETÊNCIA PARA
JULGAMENTO
DOLOSO CONTRA A VIDA
civil
crime comum
Justiça Comum
militar
crime militar
Justiça Militar
CULPOSO CONTRA A VIDA
crime militar
Justiça Militar

Cuidado: conforme já asseverado anteriormente se for crime doloso contra a vida de militar, o caso não se enquadra na exceção do parágrafo único do art. 9º, sendo, em regra, de competência da Justiça Militar. De igual modo, se for crime culposo contra a vida, continuará sendo crime militar se enquadrar-se numa das situações do art. 9º.

7.1.3 Art. 9º, III, “c”– Conceitos (extraídos do livro “Comentários ao Código Penal Militar” de Jorge César de Assis ). Formatura: é o deslocamento marcial, cadenciado ou não, de tropa militar, devidamente comandada. Período de prontidão: é um estado de alerta, em que as tropas estão prontas para operações. Vigilância e observação: sob o ponto de vista jurídico se confundem, traduzindo um estado de espreita, de constante observação. Exploração: é o reconhecimento de um terreno, o seu balizamento para a passagem das tropas. Acampamento: é o estacionamento temporário das tropas, que se abrigam em barracas, diferenciando-se do acantonamento, que é o estacionamento das tropas, também em caráter temporário, mas aproveitando-se de instalações adrede existentes. Exercício ou manobra: são funções de adestramento militar, que as tropas realizam periodicamente para destreza. O período de manobras ou exercício deve ser entendido como o espaço temporal compreendido entre o aprontamento da tropa até sua liberação.

7.2. Possibilidades sobre o artigo 9º No intuito de se apreender melhor os comentários sobre o art. 9º, apresentam-se nos quadros abaixo, algumas possibilidades extraíveis das situações previstas naquele preceito esclarecedor da norma castrense. Os quadros denotam as situações hipotéticas e a incidência em crime comum ou militar, conforme o caso. As situações são definidas de acordo com a interpretação da lei seca, com a ressalva do militar federal e militar estadual receberem tratamento (e conceituação) diferenciado pela Constituição Federal. Relembra-se que a justiça militar federal tem competência ampla para processar e julgar militar ou civil que pratique delito castrense (art. 124 da CF) e a justiça militar estadual tem competência para processar e julgar somente os militares estaduais, autores de crimes militares (art. 125, § 4º da CF). Registra-se, apenas por zelo, que um caso concreto pode incidir em mais de uma das situações previstas no art. 9º. Por exemplo: um militar de serviço (inc II, “c”), agride seu comandante de viatura (inc I – crime militar próprio), no interior do quartel (inc. II, “b”). Todavia, no momento de se aplicar a lei, as incidências em nada alteram na dosimetria da pena, apenas reforçam que o caso, seguramente, configura crime militar. Por tratar dos crimes previstos somente no CPM ou de modo diverso na lei penal comum, o inciso I do art. 9º dispensa a exposição de situações. Pois, na ocorrência do fato incide o crime militar. Por exemplo: se um militar recusar a obedecer à ordem de um superior sobre assunto de serviço, depreende-se, sem maiores esforços, que o fato se enquadra como crime militar (art. 163 do CPM), dispensando-se analisar se o militar estava em lugar sujeito à administração militar, em serviço, atuando em razão da função etc.

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7.2.1 Art. 9º, inc. II, letra “a”. faleconosco@fatimasoares.com.br www.fatimasoares.com.br Obs: Considere que em

7.2.1 Art. 9º, inc. II, letra “a”.

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Obs: Considere que em todas as situações abaixo, ambos os militares, são da ativa ou reconvocados, não estão em serviço, não estão atuando em razão da função e não se encontram em lugar sujeito à administração militar.

 

Instituição

do

militar

da

ativa

ou

 

Instituição do militar da ativa ou reconvocado (vítima)

Natureza do crime

reconvocado (autor)

 

1

Militar federal

X

Militar federal

Crime militar

2

Militar estadual

 

X

Militar estadual

Crime militar

3

Militar federal

X

Militar estadual

Crime comum

4

Militar estadual

 

X

Militar federal

Crime comum

5

Militar estadual de RJ

 

X

Militar estadual de MG

Crime militar

6

Bombeiro militar

 

X

Policial militar

Crime militar

7

Militar estadual (crime doloso contra a vida)

 

X

Militar estadual

Crime militar

8

Militar federal (crime doloso contra a vida)

 

X

Militar federal

Crime militar

7.2.2 Art. 9º, inc. II, letra “b”.

Considere que em todas as situações abaixo, que o fato foi praticado em lugar sujeito à administração militar (quartel, HPM, COdont, CTPM, DAL, APM etc), o autor é militar da ativa ou reconvocado, não está de serviço e nem atuando em razão da função e

a

Instituição do militar da ativa ou Situação da vítima e do local Natureza de crime
Instituição
do
militar
da
ativa
ou
Situação da vítima e do local
Natureza de crime
reconvocado (autor)
1 Militar Federal
X
Militar
Federal
ou
civil
em
Crime militar
LSAMF
2 Militar Federal
X
Militar Estadual (inclusive, da
ativa) ou civil em LSAME
Crime comum
3 Militar Estadual
X
Militar Estadual/federal ou civil
em LSAME
Crime militar
4 Militar Estadual
X
Militar
Estadual
ou
civil
em
Crime comum
LSAMF
5 Militar federal
(crime doloso contra a vida)
X
Militar estadual em LSAMF ou
LSAME
Crime comum
6 Militar estadual
(crime doloso contra vida)
X
Militar federal em LSAMF
Crime comum
7 Militar estadual
(crime doloso contra vida)
X
Militar federal em LSAME
Crime comum
8 Militar federal/estadual (crime doloso
contra a vida)
X
Civil (em qualquer lugar)
Crime comum
Art. 9º, inc. II, letras “c” e “d” .
Instituição
do
militar
da
ativa
ou
Natureza de crime
reconvocado (autor)
Militar da reserva, reformado
ou civil (vítima)
1 Militar federal/estadual
X
Militar federal/estadual/civil
Crime militar
2 Militar federal/estadual (crime doloso
contra a vida)
X
Civil
Crime comum
3 Militar federal (crime doloso contra a
vida)
X
Militar federal
Crime militar
4 Militar federal (crime doloso contra a
vida)
X
Militar estadual
Crime comum
5 Militar estadual (crime doloso contra a
vida)
X
Militar federal
Crime comum
6 Militar estadual (crime doloso contra a
vida)
X
Militar estadual
Crime militar

vítima é militar da reserva, reformado ou civil.

Legenda – LSAMF: lugar sujeito à administração militar federal; LSAME: lugar sujeito à administração militar estadual.

7.2.3

Considere que em todas as situações abaixo, a vítima é militar da reserva, reformado ou civil e o crime foi praticado por militar em serviço ou atuando em razão da função. Para os conceitos: formatura, manobra ou exercício e demais insculpidos na letra “d”, considere militar em serviço.

7.2.4 Art. 9º, inc. II, letra “e”.

Considere que em todas as situações abaixo, o sujeito ativo é militar da ativa ou reconvocado, indiferente se está ou não de

serviço ou se o fato foi praticado em lugar sujeito à administração militar. O ponto principal nesta alínea é a lesão ao patrimônio sob

a administração militar ou a ordem administrativa militar.

Instituição

do

militar

da

ativa

ou

 

Instituição militar violada

 

Natureza de crime

reconvocado (autor)

   

1 Militar Federal

 

X

Patrimônio sob a AMF ou OAMF

Crime militar

2 Militar Federal

 

X

Patrimônio

sob

a

AME

ou

Crime comum

 

OAME

3 Militar estadual

 

X

Patrimônio sob a AMF ou OAMF

Crime militar

4 Militar Estadual

 

X

Patrimônio

sob

a

AME

ou

Crime militar

 

OAME

Legenda: AMF: administração militar federal; OAMF: ordem administrativa militar federal; AME: administração militar estadual; OAME: ordem administrativa militar estadual

6

Rua Pouso Alegre, 657 sala 17 - Floresta - BH- MG - (31) 3421-3907 | (31) 3444-2817 | (31)8785-2000

faleconosco@fatimasoares.com.br www.fatimasoares.com.br 7.2.5 Art. 9º, inc. III, letra “a”. Considere que em todas as

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www.fatimasoares.com.br

7.2.5 Art. 9º, inc. III, letra “a”.

Considere que em todas as situações abaixo, o autor é militar da reserva, reformado ou civil, que atenta contra o patrimônio sob a administração militar ou contra a ordem administrativa militar.

   

Militar de reserva, reformado ou civil (autor)

 

Instituição militar violada

 

Natureza de crime

 
 

1 Militar Federal

X

Patrimônio sob a AMF ou OAMF

Crime militar

 

2 Militar Federal

X

Patrimônio

sob

a

AME

ou

Crime comum

OAME

 

3 Militar estadual

X

Patrimônio da AMF ou OAMF

 

Crime militar

 

4 Militar Estadual

X

Patrimônio da AME ou OAME

 

Crime militar

 

5 Civil

X

Patrimônio da AMF ou OAMF

 

Crime militar

 

6 Civil

X

Patrimônio da AME ou OAME

 

Crime comum

Legenda: AMF: administração militar federal; OAMF: ordem administrativa militar federal; AME: administração militar estadual; OAME: ordem administrativa militar estadual.

7.2.6 Art. 9º, inc. III, letra “b”.

Considere que em todas as situações abaixo, que o fato foi praticado em lugar sujeito à administração militar (quartel, HPM, COdont, CTPM, DAL, APM etc), por militar da reserva, reformado ou civil e a vítima é militar da ativa ou funcionário do ministério ou justiça militar, no exercício de função inerente ao seu cargo (promotor, juiz, serventuários e auxiliares da justiça, nos termos do art. 27 do CPM).

Militar de reserva, reformado ou civil (autor) Situação do local Natureza de crime 1 Militar
Militar de reserva, reformado ou civil
(autor)
Situação do local
Natureza de crime
1 Militar Federal
X
Militar federal ou funcionário da
JM em LSAMF
Crime militar
2 Militar Federal
X
Militar estadual ou funcionário
da JM em LSAME
Crime comum
3 Militar Estadual
X
Militar federal ou funcionário da
JM em LSAMF
Crime militar
4 Militar Estadual
X
Militar estadual ou funcionário
da JM em LSAME
Crime militar
5 Militar federal
(crime doloso contra a vida)
X
Militar federal em LSAMF
Crime militar
6 Militar federal
(crime doloso contra vida)
X
Militar estadual em LSAMF ou
LSAME
Crime comum
7 Militar estadual
(crime doloso contra vida)
X
Militar estadual ou federal em
LASMF ou LSAME
Crime militar
8 Militar federal/estadual (crime doloso
contra a vida)
X
Funcionário da justiça militar
(em qualquer lugar)
Crime comum
9 Civil
X
Militar federal em LSAMF
Crime militar
10 Civil
X
Militar federal ou estadual em
LSAME
Crime comum
11 Civil
X
Militar estadual em LSAMF
Crime comum
Art. 9º, inc. III, letras “c” e “d”.
Militar da reserva, reformado ou civil
(autor)
Militar da ativa (em serviço)
Natureza de crime
1 Militar federal
X
Militar estadual
Crime comum
2 Militar federal
X
Militar federal
Crime militar
3 Militar estadual
X
Militar federal/estadual
Crime militar
4 Civil
X
Militar estadual
Crime comum
5 Civil
X
Militar federal
Crime militar

Legenda – LSAMF: lugar sujeito à administração militar federal; LSAME: lugar sujeito à administração militar estadual.

7.2.7

Considere que em todas as situações abaixo, o crime foi praticado por militar da reserva, reformado ou civil, a vítima era militar da ativa em serviço. Neste caso, será indiferente se o fato foi praticado dentro ou fora do lugar sujeito à administração militar.

Por fim, citam-se algumas situações que se parecem crime militar e não são. Preste bastante atenção, pois, não são raras as vezes em que aparecem nas provas, “pegadinhas” neste sentido.

 

AUTOR

 

VÍTIMA

NAT. DE CRIME

1

Militar da reserva, reformado ou civil

X

Militar da ativa, de folga e fora do lugar sujeito à administração militar.

 

2

Militar da reserva ou reformado ou civil

X

Militar da reserva ou reformado em lugar sujeito à adm. militar.

3

Militar da reserva ou reformado ou civil

X

Civil em lugar sujeito à administração militar (salvo, no caso de funcionário do ministério ou justiça militar, no exercício da função).

CRIME COMUM

4

Militar da ativa, de folga e fora do lugar sujeito à administração militar

X

Militar da reserva, reformado ou civil.

7

Rua Pouso Alegre, 657 sala 17 - Floresta - BH- MG - (31) 3421-3907 | (31) 3444-2817 | (31)8785-2000