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14. HISTÓRIA DA DRENAGEM URBANA

14.1. CONCEITO HIGIENISTA

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Entre 1850 e o fim do século XIX, Paris tornou-se uma referência mundial por

construir uma importante rede de esgotos, denominada “TOUT À ÉGOUT”, ajudando a

cristalizar o conceito higienista (higiene pública). O conceito higienista não demorou a chegar ao Brasil como testemunham as primeiras redes enterradas de esgoto sanitário implantadas em 1864 no Rio de Janeiro, mas ele somente seria aplicado mais decididamente após a proclamação da República em 1889 (Melo Franco,

1968). Nesta época, havia no mundo um casamento bem sucedido a filosofia higienista e o domínio da hidráulica de condutos e canais que permitia promover o saneamento junto com as reformas urbanísticas. Os sanitaristas da época estavam atentos a isso e, no fim do século XIX, o Brasil vê surgir entre eles a grande figura do engenheiro fluminense Saturnino de Brito (1864-1929), formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Adepto do positivismo, ele revoluciona o conceito higienista no Brasil ao trabalhar no saneamento da cidade de Santos (Obras, 1943). Saturnino de Brito, apresenta argumentos sólidos em favor do sistema separador absoluto (redes de condutos separados para esgotos pluviais e cloacais) contra o sistema dominante da época que era o unitário. Em decorrência da atuação de Saturnino de Brito, já no início do século XX, o conceito higienista, usando uma rede de drenagem pluvial separada dos esgotos domésticos, ficou estabelecido como regra para as cidades brasileiras. Em 2000, cerca de 82% dos municípios brasileiros com redes subterrâneas tinham sistemas separadores (Pesquisa, 2002).

OBSERVAÇÃO: A intensidade das chuvas tropicais não favorecem os sistemas unitários, pois a vazão é muito grande comprometendo o tratamento do “esgoto”.

O conceito higienista predominou até século XX no mundo inteiro, mas o fim da sua história já foi decretada nos anos 60, nos países desenvolvidos, quando a consciência ecológica expôs suas limitações para levar em conta os conflitos ambientais entre as cidades e o ciclo hidrológico.

  • 14.2. CONCEITO AMBIENTAL

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O conceito ambiental aplicado à drenagem urbana fez com que os ícones das soluções higienistas deixassem de reinar sozinhos, ou seja, o rol de obras tradicionais como condutos, sarjetas, bocas-de-lobo, córregos retificados, entre outras, teria de ser ampliado para admitir soluções alternativas e complementares à evacuação rápida dos excessos pluviais, dentro de um contexto de preservação ambiental (Tucci e Genz, 1995). Obras de retenção e amortecimento de escoamentos, como pavimentos permeáveis, superfícies e valas de infiltração, reservatórios e lagos de detenção e a preservação dos arroios naturais passaram a fazer parte do vocabulário da drenagem urbana. Além disso, o enfoque ambiental preconiza também o tratamento dos esgotos pluviais que podem ser tão poluidores quanto os esgotos cloacais.

  • 14.3. TENDÊNCIA DOS CONCEITOS NO BRASIL

A maioria das obras de drenagem urbana no Brasil ainda segue o conceito higienista. A razão principal é que o conceito ambiental é muito mais difícil e caro de aplicar porque exige ações integradas sobre grandes áreas, com conhecimento técnico multidisciplinar, ao contrário das ações higienistas, voltadas a soluções locais, e concebidas unicamente por engenheiros civis. Além disso, o conceito higienista, embora ultrapassado, exerce ainda um atrativo muito grande pela sua simplicidade (toda água circulante deve ir rapidamente para o sistema de captação, evitando insalubridades e desconfortos, nas casas e nas ruas) e pelo fato das obras de infra-estrutura por ele exigidas terem um comportamento dinamicamente restrito,

portanto fáceis de dimensionar, pois só têm uma função de transporte rápido, isto é, “pegar e largar rápido”.

O livrar-se rapidamente da água tornou-se praticamente um dogma no meio técnico, convencendo inclusive à população que aplica a mesma idéia na suas propriedades particulares urbanas. No Brasil, como parece ser em outros países em desenvolvimento, há o agravante ainda de o conceito higienista ser mal aplicado, seja por falta de recursos, mau dimensionamento, má execução ou por manutenção deficiente. Adicionalmente, as pressões sócio-econômicas exercidas pela sociedade brasileira como um todo agravam o quadro

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estabelecendo um cenário difícil para implantação de qualquer conceito de drenagem urbana, sobretudo a ambiental: urbanização acelerada e desordenada, criação de um mosaico de ocupações (favelas desassistidas vizinhas a bairros equipados) e nível de educação ambiental deficiente (arroios e bocas-de-lobo vistos por grande parte da população como locais de destino de dejetos e lixo). A história da drenagem urbana no Brasil apesar dessas dificuldades parece estar hoje numa transição entre a abordagem higienista e a ambiental. Muitas capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba, estão promovendo ações no sentido de estabelecer planos diretores de drenagem urbana, seguindo os preceitos do conceito ambiental que passa pela conscientização de que a drenagem urbana deve se integrar ao planejamento ambiental das cidades, deixando de ser apenas um mero problema de engenharia. O que importa é uma correta gestão dos impactos do meio urbano sobre o meio- ambiente hidrológico e isto transcende a um simples receituário de obras padrão e remete a uma abordagem mais complexa incluindo aspectos técnicos de engenharia, sanitários, ecológicos, legais e econômicos e que exige uma conexão muito mais estreita com a concepção e gestão dos espaços urbanos. O ciclo hidrológico é elemento chave na definição do saneamento urbano e da drenagem. Portanto, as conseqüências do conceito higienista são:

Aceleração do escoamento,

Afastamento rápido dos picos de cheias para os corpos receptores, com sobrecargas destes, comprometendo principalmente a macrodrenagem.

14.4. CONCEITOS INUNDAÇÕES, ENCHENTES E DRENAGEM (TUCCI,

2002)

14.4.1. Inundações

Os rios transbordam sempre que as chuvas forem muitos intensas. Normalmente um rio, ou mesmo um pequeno córrego, escoa por um canal natural que é suficiente para transportar apenas uma pequena quantidade de água durante o tempo todo. Quando ocorrem as chuvas contínuas por longos períodos de tempo, aquele canal que é alimentado por estas chuvas pode transbordar, passando a ocupar uma faixa lateral ao canal.

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Esta faixa tem o nome de várzea ou zona de inundação natural. Ainda hoje, muitos campos de futebol são feitos nas várzeas de rios, é o futebol de várzea. Muito antes que os homens construíssem as primeiras cidades, os rios inundavam suas margens durante a época das chuvas.

Várzea (Zona de inundação)

Rio
Rio

Várzea (Zona de inundação)

  • 14.4.2. Enchente

As enchentes são mais graves que as inundações porque a água das chuvas ocupa uma área maior do que simplesmente as várzeas dos rios. No caso de uma enchente, não se pode falar em transbordamento dos rios. Uma enchente é muito mais que isto porque mesmo que os rios sejam bem largos e profundos, ainda assim não são suficientes para transportar a grande quantidade de água das chuvas. As grandes enchentes que ocorrem uma vez a cada 20 ou 30 anos são fenômenos naturais provocados por chuvas excepcionais, ou seja, chuvas muito raras muito intensas ou contínuas. Mas, se a cada vez que ocorre uma chuva mais ou menos forte, também ocorrem enchentes nas cidades, alguma coisa está errada.

  • 14.4.3. Drenagem

A drenagem é um conjunto de obras construídas com a finalidade de evitar inundações freqüentes. Um sistema de drenagem é composto basicamente pelas bocas de lobo que captam as águas das chuvas que escoa pelas ruas, calçadas e sarjetas e pelas galerias pluviais que recebem essas águas e conduzirão as mesmas para os rios e canais que atravessam a cidade.

14.5. ÁGUA NO MEIO URBANO

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Nos países em desenvolvimento, a prioridade nº 2 é o tratamento de esgoto. Em alguns países, como o Brasil, o abastecimento de água, prioridade nº 1 que poderia estar resolvido, devido à grande cobertura de abastecimento, volta a ser um problema devido a forte contaminação dos mananciais (Tucci, 2002). Este problema é decorrência da baixa cobertura de esgoto tratado. As regiões metropolitanas expandem-se na periferia, justamente onde se concentram os mananciais, agravando sua condição. A tendência é de que as cidades continuem buscando novos mananciais sempre mais distantes e com alto custo. Neste contexto, o estágio do controle da qualidade da água resultante da drenagem está ainda mais distante nos países em desenvolvimento. Até o controle quantitativo da drenagem urbana ainda é limitado nesses países. Tucci (2002) fala em um ciclo de contaminação urbana que se observa nas cidades brasileiras devido a um gerenciamento precário. A ineficiência pública segundo Tucci (2002) é observada em vários domínios das águas urbanas que podem ser resumidos no seguinte:

Perda significativa (cerca de 40%) da água tratada nas redes de distribuição

urbana; Redes que não coletam esgoto suficiente, da mesma forma, que estações de tratamento continuam funcionando abaixo da sua capacidade instalada:

Redes pluviais com dois problemas básicos:.(a) transporte indesejado de esgoto cloacal in natura, assim como da contaminação do escoamento pluvial (carga orgânica, tóxicos e metais); (b) canais e condutos são construídos sem muito planejamento, havendo excesso deles, cujo efeito é apenas de transferir inundações de um local para outro dentro da cidade, a custos insustentáveis para os municípios. Isto demonstra que os aspectos relacionados com a infra-estrutura das águas urbanas têm sido planejados de forma inadequada. Grande parte dos problemas citados está relacionada com a forma setorial de como são tratados. Por isso, a gestão integrada das águas urbanas vê a drenagem urbana moderna enquadrada numa visão ampla de planejamento das áreas urbanas, que envolve principalmente:

planejamento do desenvolvimento urbano;

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transporte;

abastecimento de água e saneamento;

drenagem urbana e controle de inundações;

resíduo sólidos;

controle ambiental.

  • 14.6. DRENAGEM URBANA MODERNA

O enfoque ambiental da drenagem urbana moderna preocupa-se com a manutenção e recuperação de ambientes saudáveis interna e externamente à área urbana, ao invés de só procurar sanear o interior da cidade, segundo preceitos meramente sanitaristas. A drenagem urbana moderna deve ter os seguintes princípios (Tucci e Genz, 1995):

Não transferir impactos para jusante;

Não ampliar cheias naturais;

Propor medidas de controle para o conjunto da bacia;

Legislação e Planos de Drenagem para controle e orientação;

Constante atualização de planejamento por estudo de horizontes de expansão;

Controle permanente do uso do solo e áreas de risco;

Competência técnico-administrativa dos órgãos públicos gestores;

Educação ambiental qualificada para o poder público, população e meio técnico. Na verdade há a proposição de mudança de paradigma da gestão da drenagem urbana de um enfoque sanitário-higienista (do livrar-se das águas pluviais o mais rápido possível) para um enfoque ambiental (reequilíbrio do ciclo hidrológico para mais perto do natural) que segue os princípios acima, destacando-se o controle na fonte. Para isso é necessária uma verdadeira integração entre todos os chamados setores da água. Para Tucci (2002) esta integração está vinculada ao reconhecimento de que as seguintes inter-relações devem ser efetivamente consideradas no planejamento urbano:

o abastecimento de água é realizado à partir de mananciais que podem ser contaminados pelo esgoto cloacal, pluvial ou por depósitos de resíduos sólidos; a solução do controle da drenagem urbana depende da existência de rede de

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esgoto cloacal e suas características; a limpeza das ruas, a coleta e disposição de resíduos sólidos interfere na quantidade e na qualidade da água dos pluviais. O enfoque sanitário-higienista que setorizou demasiadamente a drenagem pluvial influenciou até a estrutura institucional municipal. Hoje, os municípios apresentam uma capacidade institucional limitada para enfrentar problemas tão complexos e interdisciplinares.

14.7. POR QUE ATUALMENTE OCORREM TANTAS ENCHENTES NAS CIDADES?

Algumas cidades são mais sujeitas a inundações e enchentes porque nasceram muito próximas de rios. A água é necessária para tudo; assim, nada mais natural que os homens de antigamente construírem suas casas e vilas ao lado de rios. Com o passar do tempo, estas vilas transformaram-se em grandes cidades. Outras cidades, começaram a sofrer com as enchentes mesmo situando-se longe dos rios. Algumas das causas das enchentes são devidas à própria construção das cidades e tudo que elas contêm: casas, prédios e ruas. Vamos aqui explicar um pouco disso de uma forma bem simplificada. Quando construímos uma casa, um pátio, ou uma calçada, o que estamos fazendo é revestir a terra, o chão. Antes da construção a água da chuva podia penetrar no solo com mais facilidade. Mas depois, a água da chuva não consegue se infiltrar e então ela escorre pelas superficies. Isto se chama impermeabilização do solo. Em um campo aberto com árvores, uma grande parte da água da chuva fica retida nas árvores ou infiltra-se no solo. Mas o que ocorre em uma área ocupada com muitas construções?

Quando a superficie por onde a água escoa é “lisa”, por exemplo, no caso dos pátios

de cimento ou das sarjetas ou ainda o asfalto das ruas, a velocidade da água pode ser muito

maior do que quando a água escoa por uma superficie mais “áspera”, como um gramado.Isso

significa que a água escoa mais depressa e pode se acumular nos pontos mais baixos de uma

área da cidade. Por isso, com o crescimento das cidades, temos maiores acúmulos de água da chuva que não se infiltra no solo e, portanto, escoa mais rápido em direção aos pontos críticos.

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14.8. O QUE FAZER PARA EVITAR ENCHENTES E INUNDAÇÕES?

Vamos enumerar algumas coisas que podem estar ao nosso alcance. Primeiramente, em nossa própria casa e depois vamos também pensar em nosso bairro e na cidade em que vivemos.

Evitar fazer grandes pátios cimentados. Um quintal mantido com grama, horta ou árvores facilita a infiltração da água das chuvas no solo ou mesmo a retenção desta água nas folhas das plantas. Se em nosso pátio existe um córrego, devemos mantê-lo aberto e limpo.

Quando canalizamos um córrego com um bueiro ou construímos sobre ele, estamos dificultando a passagem da água. Os esgotos domésticos não devem ser ligados às galerias pluviais. Se não existe rede de esgotos em nosso bairro, devemos buscar os órgãos responsáveis para que façam a sua parte. Enquanto isso, podemos tratar os esgotos de nossa casa com uma fossa. Não jogar papéis ou lixo nas ruas porque as bocas de lobo ficarão entupidas e não poderão dar entrada para a água nas galerias pluviais. Um lote na margem de um córrego não é um bom local para se construir uma casa. Mais cedo ou mais tarde, este córrego vai transbordar e poderá causar sérios prejuízos. As margens dos córregos e rios devem ser conservadas sem construções, numa faixa de 30 metros (varia de município para município). Os loteamentos devem ter área verde nas partes mais baixas e próximas dos córregos. As áreas verdes ajudam a infiltração e a retenção da água das chuvas.

Um loteamento de uma área situada em um morro deve ser muito bem planejado porque, na maior parte das vezes, a construção de ruas e casas nestas áreas mais altas irá agravar muito as enchentes nas áreas mais baixas. Isto sem contar ainda o perigo dos deslizamentos.

15. GERENCIAMENTO DAS ÁGUAS

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15.1. DESEQUILÍBRIO URBANIZAÇÃO

DO

CICLO

HIDROLÓGICO:

EFEITO

DA

À medida que a urbanização avança há menos perdas anuais de evapotranspiração e maiores parcelas do
À medida que a urbanização avança há menos perdas anuais de evapotranspiração e
maiores parcelas do escoamento passam a circular na rede pluvial e nos arroios diminuido a
recarga dos aqüíferos, passando a haver menos escoamento de base.
A figura 70 mostra o efeito da urbanização sobre o comportamento hidrológico.
Área não
urbanizada
Área não
urbanizada
Figura 70 – Efeito da urbanização sobre o
comportamento hidrológico, (TUCCI, 2002).

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15.2. EFEITO DA URBANIZAÇÃO SOBRE O ESCOAMENTO SUPERFICIAL

O escoamento superficial é o excesso de água não infiltrado da precipitação que surge sobre o solo pela ação da gravidade, na direção das cotas mais baixas, vencendo principalmente o atrito com a superficie do solo. É, por isso, um escoamento rápido se comparado ao escoamento subterrâneo e mesmo ao hipodérmico. Pode ser capturado por depressões e banhados (detenção superficial), onde infiltra, evapora ou é amortecido. O

escoamento superficial livre manifesta-se inicialmente na forma de pequenos filetes de água que se moldam ao microrrelevo do solo. A erosão de partículas de solo em seus trajetos na topografia existente molda, por sua vez, uma microrede de drenagem efêmera que converge

para a rede de cursos d’água mais estáveis, formada por arroios e rios.

A figura 71 mostra o efeito da urbanização sobre o escoamente superficial.

Qmáx. 1 Qmáx. 2 tempo t 1 t 2
Qmáx.
1
Qmáx.
2
tempo
t 1
t 2

Figura 71 Efeito da urbanização sobre o escoamento superfícial, segundo TUCCI, 2002.

Em síntese, a urbanização desequilibra o fluxo natural das águas, seja ela mesmo alterando os volumes dos diversos processos hidrológicos, seja interpondo-se ao caminho natural delas. As consequências objetivas da urbanização são as seguintes:

Inundações ribeirinhas: ocorrem principalmente pelo processo natural no qual o rio escoa pelo seu leito maior, assim este tipo de enchente é decorrência

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de processo natural do ciclo hidrológico, de modo que, quando a população ocupa o leito maior, que são áreas de risco, os impactos são freqüentes (Tucci,

2002);

Inundações intra-urbanas: a impermeabilização do solo reduz ou até mesmo evita a infiltração da chuva no solo, “produzindo” mais água para drenagem e a

rede pluvial acelera os escoamentos, favorecendo a acumulação de água em pontos de saturação. Com respeito às inundações ribeirinhas, baseado em Tucci (2002), podemos apontar o seguinte:

na quase totalidade das cidades brasileiras, mesmo as com Plano Diretor, não

existe nenhuma restrição quanto ao loteamento de áreas de risco de inundação, e uma seqüência de anos sem enchentes é razão suficiente para que empresários loteiem áreas inadequadas; população de baixa renda invade com facilidade áreas ribeirinhas que pertencem ao poder público;

áreas de médio risco, que são atingidas com freqüência menor, sofrem prejuízos significativos quando as enchentes as atingem. Desta forma, os principais impactos sobre a população são (Tucci, 2002):

prejuízos de perdas materiais e humanas;

interrupção da atividade econômica das áreas inundadas;

contaminação por doenças de veiculação hídrica como leptospirose, cólera, entre outras; contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, de estações de tratamentos entre outros. As inundações devido a urbanização, por outro lado, acarretam nos seguintes impactos principais (Tucci, 2002):

aumento das vazões máximas e da sua freqüência; aumento da produção de sedimentos devido à desproteção das superfícies e à produção de resíduos sólidos (lixo); deterioração da qualidade da água superficial e subterrânea, devido a lavagem das ruas, transporte de material sólido e às ligações clandestinas de esgoto cloacal e pluvial e contaminação de aqüiferos;

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  • 15.3. REEQUILÍBRIO DO CICLO HIDROLÓGICO URBANO

Deve-se buscar:

Favorecer a infiltração da chuva no solo para não saturar a rede pluvial existente nem incentivar a construção excessiva de rede de condutos e canais para drenagem. Promover onde possível a reservação temporária das águas pluviais para também não onerar a rede pluvial e propiciar alagamentos em locais indevidos.

OBSERVAÇÕES: 1) O ideal é fazer com que o ciclo hidrológico em meio urbano tenha volumes d’água nos diversos compartimentos (escoamento superficial, infiltração no

solo, evapotranspiração) em níveis análogos à situação de pré-urbanização.2) Os reequilíbrios necessários inserem-se dentro de uma filosofia ambientalisla da gestão da drenagem pluvial, na qual a drenagem urbana deve se integrar ao planejamento urbano ambiental das cidades, deixando de ser apenas um mero problema de engenharia. A palavra- chave é sustentabilidade.

  • 15.4. IMPACTOS DO DESENVOLVIMENTO URBANO NA DRENAGEM

15.4.1. Considerações

Com a urbanização, temos os principais impactos de quantidade e de qualidade, tais

como:

bacias de pequeno porte, onde se concentra a área impermeabilizada;

aumento da vazão de pico e antecipação da frequência de ocorrência;

aumento do volume do escoamento superficial;

diminuição da evaporação e da recarga subterrânea;

aumento da poluição de origem pluvial;

aumento da produção de sedimentos.

Aumento da vazão média de cheia (6 a 7 vezes) devido à impermeabilização.

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Redução do tempo de concentração e aumento das áreas impermeáveis devido à canalização.

15.4.2. Fatores agravantes das inundações

Temos:

Canalização de córregos sem a devida análise de impactos à jusante

(transferência de inundações de um ponto para outros). Uso do sistema de drenagem para esgotamento sanitário doméstico e industrial;

Ocupação das áreas de inundação pela população depois de anos de cheias menores; Aumento da produção de sedimentos; Geralmente, as áreas mais atingidas são de populações pobres; Não existe tradição em medidas preventivas nas áreas de inundação.

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16. IMPORTÂNCIA E COMPETÊNCIA DOS SISTEMAS DE DRENAGEM

  • 16.1. RESPONSABILIDADE

No Brasil, institucionalmente, a infraestrutura de microdrenagem é reconhecida como competência dos governos municipais que devem total responsabilidade para definir as ações no setor, ampliando-se esta competência em direção aos governos estaduais e até federais na medida em que crescem de relevância as questões de maior abrangência como dissipador de energia, canalização de rios, estudo das bacias hidrográfica, etc.

  • 16.2. OCUPAÇÃO DO SUB-SOLO NA VIA PÚBLICA

Um sistema de drenagem de águas pluviais por ser constituído de tubulações de grande porte, normalmente interfere com outras redes tais como, tubulações de água, esgoto, gás, dutos (cabos) elétricos, telefônicos, etc. Esse aspecto deve merecer cuidadoso estudo, principalmente na fase de execução, quando pode aparecer tais obstáculos cadastrados ou não.

16.3.CONSEQUÊNCIAS DA URBANIZAÇÃO

Na implantação de uma cidade, o desmatamento pode causar erosão num certo local do terreno e consequentemente assorear outros locais mais baixos, isto se, o desenvolvimento urbano ocorrer de forma desordenada. Uma ocupação urbana bem planejada deve sempre prever obras que, possibilitem adequado escoamento das águas pluviais excessivas, evitando inundações, acúmulo de água parada e velocidades excessivas. Com o aumento da área impermeável (aumento da vazão) muitas cidades estão passando por dificuldades (transtornos) nas regiões sujeitas as inundações com prejuízos materiais, sociais e sanitários. Uma coleta de lixo ineficiente, somada a um comportamento indisciplinado dos

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cidadãos, acaba por entupir galerias, bueiros e poluir ainda mais as águas do corpo receptor (rio, lago). Os problemas de controle de poluição diretamente relacionados à drenagem urbana têm sua origem na deterioração da qualidade dos cursos receptores das águas pluviais. Além de aumentar o volume do escoamento superficial direto, a impermeabilização da superficie também faz com que a recarga subterrânea, já reduzida pelo aumento do volume das águas servidas (conseqüência do aumento da densidade populacional), diminua ainda mais, restringindo as vazões básicas a níveis que podem chegar a comprometer a qualidade da água pluvial nestes cursos receptores, não bastasse o fato de que o aumento do volume das águas servidas já é um fator de degradação da qualidade das águas pluviais. Dentre os problemas relativos à ocupação do solo, sobressaem-se as conseqüências da proliferação de loteamentos executados sem condições técnicas adequadas, decorrente da desonestidade e da ausência quase total de fiscalização apropriada, idônea e confiável, o que dificulta (e muito) a aplicação de critérios técnicos na liberação de áreas para loteamento. Como conseqüência direta da ausência absoluta da observação de normas que impeçam a ocupação de cabeceiras íngremes e de várzeas de inundação, são ocupados terrenos totalmente inadequados ao assentamento. Os problemas sociais decorrentes, principalmente, da migração interna, faz com que grandes contingentes populacionais se instalem em condições extremamente desfavoráveis, desprovidos das mínimas condições de urbanidade, inviabilizando a imposição das mais básicas normas de atenuação de inundações. Compostas em grande parte por indivíduos analfabetos ou semi-alfabetizados, estas comunidades não tem interesse em qualquer tentativa de elucidação de problemas tipicamente urbanos. O êxodo rural e o conseqüente crescimento desenfreado e caótico das populações urbanas no Brasil têm contribuído negativa e significativamente aos problemas relacionados ás questões da drenagem urbana. A inexistência de controle técnico da distribuição racional da população dificulta a construção de canalizações para que se possa eliminar áreas de armazenamento. Dentro da realidade brasileira, a hipertrofia acelerada e desordenada das grandes cidades faz com que dificilmente seja possível impedir o loteamento e a ocupação de áreas vazias, já que não há interesse do poder público em desapropriá-las e ocupá-las adequada e racionalmente, fazendo que surjam áreas extensas e adensadas sem qualquer critério (Professor: Antonio Cardoso Neto).

16.4. PLANO DIRETOR

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Um plano de desenvolvimento urbano deve considerar de modo mais amplo os aspectos relativos ao escoamento de águas pluviais, procurando controlar a impermeabilização com mais áreas permeáveis (grama, brita, elementos vasados, etc), preservar áreas para retenção natural e principalmente área para escoamento dos excessos de água ao longo dos fundos de vale. Assim, um plano diretor deve considerar o problema do escoamento das águas superficiais excessivas e, principalmente, adequar os fundos de vale para as vazões de enchentes que ali poderão ocorrer. Muitas vezes é mais econômico adequar o uso de um fundo de vale as inundações periódicas do que construir obras de proteção contra essas inundações. É altamente recomendável que um plano diretor de drenagem urbana evite medidas locais de caráter restritivo (que freqüentemente deslocam o problema para outros locais, chegando agravar as inundações à jusante), através da bacia hidrográfica como um todo. O plano diretor deve possibilitar a identificação das áreas a serem preservadas e a seleção das que possam ser adquiridas pelo poder público antes que sejam ocupadas, loteadas ou que seus preços se elevem e tornem a aquisição praticamente impossível. É também recomendado um estudo da zona de inundação. O plano de drenagem deve ser articulado com outras atividades urbanas (abastecimento de água, rede de esgoto, transporte público, planos viários, etc). Do plano deve também constar a elaboração de campanhas educativas que visem a informar a população sobre a natureza e a origem do problema das enchentes, sua magnitude e conseqüências.

OBSERVAÇÃO: A solicitação de recursos deve ser respaldada técnica e politicamente, dando sempre preferência à adoção de medidas preventivas de maior alcance social e menor custo.

O plano de Drenagem Urbana deve obedecer aos controles estabelecidos no plano da bacia no qual estiver inserido, lembrando que o uso do solo, a Constituição Federal, define que é de responsabilidade do Município. O esquema a seguir mostra o controle do ciclo da água nas cidades.

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262 OBSERVAÇÃO: Na implantação da urbanização de uma cidade, o projeto de drenagem deverá fazer parte

OBSERVAÇÃO: Na implantação da urbanização de uma cidade, o projeto de drenagem deverá fazer parte do projeto de urbanização e de todas as demais obras de infra estrutura. Para implementar medidas sustentáveis na cidade é necessário desenvolver o Plano Diretor de Drenagem Urbana. O Plano se baseia em princípios onde os principais são os seguintes: (a) os novos desenvolvimentos não podem aumentar a vazão máxima da jusante; (b) o planejamento e controle dos impactos existentes devem ser elaborados considerando a bacia como um todo; (c) o horizonte de planejamento deve ser integrada ao Plano Diretor da cidade; (d) o controle dos efluentes deve ser avaliado de forma integrada como o esgotamento sanitário e os resíduos sólidos.

16.5. ALTERAÇÕES NO CORPO RECEPTOR

Com a implantação de um sistema de águas pluviais, conseqüentemente aumentará a vazão de pico no ponto de lançamento, alterando as condições de escoamento do corpo receptor (rios, lagos, oceanos). As bocas de descarga das galerias de águas pluviais, quando não há dissipador de energia são facilmente obstruídas pelo crescimento da vegetação circunvizinha à tubulação.

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Este crescimento faz com que os materiais sólidos encontrados no interior da tubulação e carregados pela chuva, se acumulem nos pontos de lançamento prejudicando o bom funcionamento da galeria, podendo surgir áreas alagadas.

  • 16.6. ÁREAS DE CONHECIMENTO

Num projeto de galeria de águas pluviais há a necessidade de rever alguns assuntos de Hidrologia e de Hidráulica, como veremos no decorrer deste material.

OBSERVAÇÃO: Como na

maioria

dos

projetos

que envolvem a

Engenharia

Sanitária, o de Águas Pluviais é importante que se conheça as áreas (terrenos) adjacentes, principalmente as áreas à montante e a jusante da área em questão.

  • 16.7. RESERVATÓRIOS URBANOS “SECOS”

Alguns lugares públicos principalmente os localizados em zonas baixas das cidades, podem ser utilizados para armazenar temporariamente as águas das chuvas, através de reservatórios enterrados ou semi-enterrados com o propósito de amortecimento das descargas máximas. Atualmente a maior dificuldade no projeto e implementação desses reservatórios é a área disponível e a quantidade de lixo transportada pela drenagem que obstrui a entrada da água nos reservatórios, e com o seu represamento pode vir a se constituir em uma eventual fonte de moléstias e até de epidemias.

  • 16.8. DRENAGEM EM RODOVIAS

As águas em rodovias devem ter seu escoamento controlado, pois poderá ocorrer erosão nos acostamentos e taludes de cortes, resultando em manutenção cara e perigosa

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devido ao tráfego de veículos. As valetas ao longo das rodovias, em geral, são construídas em forma de V raso, já que essa seção pode ser facilmente conservada e oferece menos riscos aos veículos. Estimativas indicam que aproximadamente um quinto (1/5) do custo das rodovias destina-se a valas, bueiros e outras estruturas que visam à drenagem.

16.9. ESTUDOS PARA IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA DE DRENAGEM

  • 16.9.1. Diagnóstico da situação atual

Devemos aplicar uma metodologia apropriada, iniciando pela coleta de dados tais como, situação sócio-econômica da área a ser beneficiada; condições naturais do escoamento; intensidades de chuvas; valores das vazões já ocorridas; dificuldades de implantação das obras; tipo de terreno etc. Com os dados confiáveis, justifica-se a necessidade da execução da obra, como por exemplo, indicando as áreas que estão sujeitas às inundações, os prejuízos sociais, materiais e sanitários.

  • 16.9.2. Prognóstico da situação

Devemos considerar os dados de crescimento econômico, social e urbano, pois, as vazões de escoamento superficial são estimadas considerando a previsão da impermeabilização no horizonte do projeto. Portanto, após a análise de todos os dados resultados qualitativos e quantitativos do prognóstico, estes normalmente é que definem a implantação de um sistema de galeria, pois a situação futura serão mais críticas (severas) que as atuais.

  • 16.9.3. Soluções alternativas

Obviamente antes de se implantar qualquer sistema, devemos considerar o benefício e o custo que em regra é alto. De um modo geral sempre são feitos estudos alternativos visando diminuir os custos.

  • 16.9.4. Estudos Regionais

265

No caso de córregos que atravessam zonas urbanas e suburbanas, deve-se levar em conta o tipo de canalização a ser feita: um canal em terra sem revestimento ou um canal revestido. Observe que um canal sem revestimento custará menos, mais em compensação exigirá, cuidados com a proliferação de mosquitos após as enchentes em locais onde houver grama, erosão em seus taludes, desapropriações ou redução de faixas laterais destinadas ao tráfego. Apesar de independentes, as obras de macrodrenagem e microdrenagem, mantém um estreito relacionamento, devendo ser projetadas conjuntamente para uma determinada área. As obras de macrodrenagem consistem em retificar ou ampliar as seções dos cursos naturais, construção de canais artificiais ou galerias de grandes dimensões e estruturas auxiliares para proteção contra erosões e assoreamento. Os revestimentos utilizados em canais podem ser de concreto armado ou ciclópico, alvenaria de pedra argamassada, pedras, pré-moldados, gabiões e gramas em pontos raramente atingidos pela água com plantio de placas ou mudas. Vantagens de revestir os canais:

  • - diminui os desbarrancamentos dos taludes;

  • - diminui as erosões de fundo e das margens;

  • - diminui as perdas por infiltração;

  • - aumento da velocidade da água;

  • - impede o crescimento da vegetação, e;

  • - diminui a freqüência da manutenção.

OBSERVAÇÃO: A maior desvantagem é o custo.

  • 16.9.5. Considerações finais

Infelizmente, na prática, tem-se mostrado que a relação entre custos das obras e os prejuízos previsíveis quase sempre a solução adotada não é a mais tecnicamente conveniente. Apesar de haver uma tendência generalizada de se declarar prejuízos maiores que os realmente ocorridos, os danos causados, por exemplo, por uma inundação são grandes, podendo ocasionar perdas de vidas humanas, além de prejuízos materiais e perda de prestígio de administradores municipais.

266

17. PARTES CONSTITUTIVAS DE UM SISTEMA DE DRENAGEM URBANA

  • 17.1. MICRO E MACRODRENAGEM

A microdrenagem urbana consiste do sistema de condutos principais a nível de loteamento ou de rede primária urbana em que capta através de bocas-de-lobo as águas excessivas e as leva para os fundos de vale, várzeas, etc, enquanto que a macrodrenagem abrange córregos, rios, que são responsáveis pelo escoamento final (normalmente após o dissipador de energia) dessas águas.

  • 17.2. SARJETAS

São pequenos canais situados ao longo da guia (meio fio) com a finalidade de dirigir o escoamento superficial para a captação. As sarjetas devem manter o fluxo dentro de sua capacidade e dentro das velocidades admissíveis mínimas e máximas pré-estabelecidas por normas.

  • 17.3. CAPTAÇÕES

São dispositivos (caixas de concreto ou alvenaria) chamados de BOCAS DE LOBO localizados em intervalos ao longo das sarjetas, com a finalidade de captar o escoamento superficial quando a vazão ultrapassa a capacidade da sarjeta (águas excessivas) ou quando a água tende a ficar parada (pontos baixos) ou ainda quando a velocidade for muito grande. Observe nos cruzamentos de ruas e ou avenidas que as bocas de lobo se localizam antes das faixas de pedestres.

  • 17.4. CONDUTOS DE LIGAÇÃO

267

São

condutos

que

têm

como

finalidade, encaminhar a água captada à galeria

propriamente dita. São condutos que ligam as bocas de lobo as caixas de ligação mais próximas ou a poços de visita ou até mesmo ligam boca de lobo com boca de lobo.

  • 17.5. CAIXAS DE LIGAÇÃO

São caixas de concreto ou alvenaria sem tampão externo para visita (sem entrada para os homens do serviço). Destinadas a ligar à galeria aos condutos de ligação de bocas de lobo ou conectar duas ou mais canalizações de esgotamento de bocas de lobo, quando se desejar reuni-las em um único conduto.

  • 17.6. POÇOS DE VISITA

Poço de visita é uma câmara visitável através de uma abertura existente na sua parte

superior, ao nível do terreno, destinado a permitir a reunião de dois ou mais trechos consecutivos. Proporcionam acesso as pessoas de serviço aos condutos para inspeção, limpeza e reparos e funcionam como caixas de ligação. São semelhantes aos P.V. de esgoto. Podem ser previstos nas seguintes situações:

  • - mudanças de direção ou declividade da galeria;

  • - junções de galerias;

  • - mudanças de diâmetro;

  • - trechos longos, de modo que a distância entre dois poços de visita sucessivos

não exceda cerca de 100 metros. Esta distância pode ser maior ou menor de acordo

com a velocidade de escoamento e do sistema de limpeza e manutenção.

  • 17.7. GALERIAS

268

São canalizações fechadas e subterrâneas, destinadas a receber as águas pluviais através dos condutos de ligação e conduzi-las ao seu destino final que pode ser um rio, lago, oceano, etc.

  • 17.8. CANAIS DE DRENAGEM

São obras artificiais destinadas a conduzir o excesso de água de uma região, que depende principalmente da topografia do terreno e da natureza do solo, que determinam a declividade longitudinal do canal e as inclinações dos taludes. Também existem outros fatores que podem interferir no projeto principalmente na construção de um canal de drenagem, como por exemplos, a existência de obras próximas ou no alinhamento do futuro canal, condições construtivas etc.

  • 17.9. DISSIPADOR DE ENERGIA

São obras especiais destinadas a diminuir as velocidades do fluxo de água, para evitar efeitos prejudiciais à estrutura ou natureza de um canal. Os dissipadores de energia são utilizados nas bocas de descarga das galerias, que também ajudam a evitar o crescimento da vegetação no ponto de lançamento.

17.10. PISCINÕES

Os piscinões (enormes reservatórios) têm o objetivo de armazenar as águas das chuvas durante o pico e reduzir a velocidade com que elas chegam aos rios e córregos, evitando transbordamento e alagamento em regiões baixas.

269

Após as chuvas, as águas armazenadas são liberadas através de comportas. São Paulo possui vários piscinões com volume de armazenamento variando de 100000 m³ a 500000 m³.

17.11. APRESENTAÇÃO CONSTITUINTES

EM

PLANTA

DAS

PRINCIPAIS

PARTES

A seguir temos exemplos de localização de bocas de lobo (BL), condutos de ligação (CL), caixas de ligação (CX), poços de visita (PV) e a galeria propriamente dita em ruas públicas.

269 Após as chuvas, as águas armazenadas são liberadas através de comportas. São Paulo possui vários

Exemplo 01 Localização das singularidades, condutos de ligações e galeria ao longo de uma rua, segundo a Secretaria Municipal de Serviços Públicos da cidade de Maringá.

270

45° 45° Passeio Passeio CL sarjeta CL 45° CL CX CX Galeria PV CL 45° Passeio
45°
45°
Passeio
Passeio
CL
sarjeta
CL
45°
CL
CX
CX
Galeria
PV
CL
45°
Passeio
Passeio
270 45° 45° Passeio Passeio CL sarjeta CL 45° CL CX CX Galeria PV CL 45°

faixa de

pedestre

270 45° 45° Passeio Passeio CL sarjeta CL 45° CL CX CX Galeria PV CL 45°

Exemplo 02 Localização das singularidades, condutos de ligação e galeria cruzamento, segundo a Secretaria Municipal de Serviços Públicos de Maringá.

num

271

18.

MANUTENÇÃO

ÁGUAS PLUVIAIS

E

LIMPEZA

DOS

SISTEMAS

DE

GALERIAS

DE

  • 18.1. INTRODUÇÃO

Dentre as possibilidades de poluição dos mananciais, daremos ênfase à poluição provocada pelo lançamento de poluentes através das galerias de águas pluviais que possam prejudicar a qualidade da água de rios e lagos que abastecem diversos municípios. Quando uma galeria é obstruída normalmente ocasiona o surgimento de áreas alagadas com transtorno para a população local. A desobstrução se faz necessária, onde muitas vezes há a necessidade de se refazer trechos inteiros da galeria obstruída com custos altíssimos. A prática tem mostrado que em muitos casos mesmo que um projeto de galeria de águas pluviais tenha sido projetado e executado conforme as Normas Brasileiras ainda assim têm trazido problemas como os citados.

  • 18.2. MANUTENÇÃO DAS BOCAS DE LOBO

18.2.1. Considerações

A limpeza rotineira de bocas de lobo é atribuição em geral ao Serviço de Limpeza Pública por estar ligada à varrição das vias públicas e por não depender de abertura e reconstrução de pavimento. É imprescindível proceder a sua limpeza periódica a fim de se evitar o carregamento de sólidos para os ramais e galerias de águas pluviais obstruindo-os total ou parcialmente. A freqüência de limpeza de bocas de lobo deve ser executada em função das características de cada região.

  • 18.2.2. Características pluviométricas

272

Regiões onde o índice pluviométrico é alto (limpeza mais freqüente) ou baixo (limpeza menos freqüente) a chuva carrega os materiais encontrados nas vias públicas para o interior das caixas das bocas de lobo, com possibilidades desse material ir para a galeria obstruindo-a.

  • 18.2.3. Características da vegetação

A arborização do Município também é de grande importância para determinação da freqüência de limpeza das bocas de lobo, sendo as árvores, grandes contribuintes para o depósito de folhas e flores nas vias públicas, que acabam sendo levadas junto com a argila para o interior das caixas das bocas de lobo.

  • 18.2.4. Característica do Solo

Um solo arenoso é facilmente carregado pela chuva e mesmo quando ele se encontra depositado no interior da boca de lobo, ele é facilmente carregado pela chuva seguinte. Um solo argiloso, por sua vez, se deposita no interior das bocas de lobo em muitas vezes junto com folhas e flores compactado de forma que a chuva não consegue transportá-los através da galeria, permanecendo no interior da boca de lobo até sua retirada.

  • 18.2.5. Características topográficas

Cidades que possuem uma topografia muito acidentada tem ruas e avenidas com grande declividade o que em geral acarreta certa dificuldade para captar essas águas através das bocas de lobo, onde uma percentagem considerável passa pela boca de lobo sem ser captada trazendo transtornos à jusante. Já em lugares com baixa declividade, fundos de vale, estas áreas estão sujeitas a inundações e alagamentos.

  • 18.2.6. Características econômicas

Nas cidades, devem ser feito um levantamento das características comerciais das várias regiões, para a determinação da freqüência da limpeza das bocas de lobo.

273

Regiões onde há presença de supermercados, comércio cerealista, feiras livres, são locais onde restos de alimentos, embalagens são constantemente encontrados nas vias públicas e que, não havendo uma boa limpeza das mesmas, podem ser carregados para o interior das bocas de lobo. Com estas considerações, o município deve fazer uma escala de freqüência de limpeza, onde com mais freqüência nesse tipo de comércio e com menos freqüência, por exemplo, em zonas residenciais.

OBSERVAÇÃO: O ideal é fazer uma limpeza antes e outra após o período de

chuvas.

18.3. EXECUÇÃO DA LIMPEZA DAS BOCAS DE LOBO

  • 18.3.1. Limpeza manual

A limpeza manual é executada com a utilização de pás de ângulo reto e ganchos. Primeiro retiram-se a tampa da boca de lobo utilizado um gancho próprio para tal ou até mesmo com uma picareta. Retirada a tampa, faz-se a limpeza retirando-se todo o material do interior da caixa com auxílio das pás. Quando o material se encontra muito compactado a sua retirada é feita com o auxílio de água que ajuda a descompactar o material, através de caminhões pipa. Após a retirada do material é verificado o estado de conservação dos condutos de ligação e da galeria, limpando o passeio e o leito carroçável e retirando no mesmo dia todo o material encontrado.

OBSERVAÇÃO: O sistema manual de limpeza é cansativo, incômodo e de baixo rendimento.

  • 18.3.2. Limpeza mecanizada

A limpeza pode ser feita por:

  • 18.3.2.1. Caminhões eductores

274

Possuem equipamentos com dispositivos aspiradores que sugam o material depositado no fundo da caixa. Através da utilização de um tubo acoplado à uma mangueira de sucção do caminhão, é executada a limpeza, a extremidade livre do tubo é serrilhada e um sistema hidráulico de movimentação da mangueira possibilita o esboroamento do material para sua posterior aspiração. Estes veículos possuem também um sistema específico para a remoção do material compactado, através da utilização de jatos de água que também servem para a lavagem final dos passeios e da pavimentação circunvizinha à caixa.

  • 18.3.2.2. Caminhão hidro-jato à vácuo (tatuzão)

Possui um reservatório com capacidade para 6000 litros de água, uma bomba de alta pressão, mangueiras e bicos especiais para a desobstrução e limpeza das tubulações. O caminhão possui mais um reservatório para 4000 litros equipado com bomba de sucção utilizada para a retirada de detritos das bocas de lobo, caixas de ligação e poços de visita.

18.4. DESOBSTRUÇÃO DE RAMAIS E GALERIAS

A desobstrução de ramais e galerias constitui um dos serviços mais trabalhosos entre os atribuídos à Limpeza Pública, pois requer em muitos casos abertura e reposição de pavimentação, construção de novos poços de visita, bocas de lobo, reconstrução de trechos de galeria de águas pluviais e outras obras. A limpeza de galeria acontece juntamente com a limpeza e manutenção das bocas de lobo, sendo, portanto, de igual importância, trazendo benefícios à saúde pública e ao conforto da população. Recomenda-se também a limpeza da boca de descarga da galeria, pois uma vez que esta estiver obstruída (principalmente pelo crescimento da vegetação local), a limpeza dos ramais e da galeria não teriam os resultados desejados.

275

18.5. CAUSAS MAIS COMUNS NA OCORRÊNCIA DE OBSTRUÇÃO DE GALERIAS DE ÁGUAS PLUVIAIS

  • 18.5.1. Pequena declividade da galeria

Mesmo utilizando as declividades mínimas permitidas por Normas, conforme os materiais depositados nas ruas e avenidas o seu transporte utilizando as águas das chuvas é dificultado, resultando na sua obstrução parcial ou até mesmo total.

  • 18.5.2. Ausência ou deficiência das atividades de varrição das vias públicas

A ausência da varrição periódica das vias públicas resulta em um acúmulo de diversos materiais tais como folhas, flores, galhos de árvores pequenos, solo, papéis e lixo de pequenas dimensões que vão parar nas sarjetas e são carregados pelas águas das chuvas para as bocas de lobo, tubulação de ligação, caixa de ligação, poços de visita e no fundo da galeria, que com o passar do tempo sofrem um processo de compactação e com isso diminuindo a secção de escoamento.

  • 18.5.3. Ausência da manutenção das bocas de lobo

A manutenção e limpeza das bocas

de lobo

como

vimos

é

um

dos fatores mais

importantes para se evitar a obstrução da galeria de águas pluviais.

  • 18.5.4. Intensidade das precipitações

Observe que as chuvas rápidas e fracas na maioria das vezes prejudicam o escoamento das águas pluviais, que transportam materiais levando-os até o interior das tubulações depositando-os ali mesmo sem atingir as bocas de descarga, já com as chuvas de longa duração e de grande intensidade estas já por possuírem um grande volume de água, carregam os materiais até o lançamento da galeria evitando assim a sua obstrução.

276

  • 18.5.5. Características da vegetação circunvizinha à galeria

A presença de árvores de grande porte através de suas raízes pode penetrar nas juntas dos tubos (cimento e areia) indo para o interior da tubulação, formando uma malha onde os materiais que estão sendo carregados pela água da chuva são interceptados (parcialmente ou totalmente) e assim obstruindo trecho.

  • 18.5.6. Lançamento de lixo doméstico nas galerias

O lançamento de folhas, flores e

lixo encontrados nas sarjetas e passeios para o

interior das bocas de lobo através da limpeza (varrição) feita pelas donas de casa e comerciantes são cenas vistas diariamente. Ainda podemos notar outros tipos de desinformação da população, tais como lavagem de calçadas e sarjetas empurrando normalmente com uma vassoura a sujeira para as bocas de lobo, a falta de coleta de lixo em algumas regiões que resultam no carregamento de parte desse lixo para as galerias.

OBSERVAÇÕES: 1)Materiais de grandes dimensões, como pedaços de madeira, tijolos, garrafas descartáveis, entre outros são constantemente encontrados no interior das bocas de lobo, caixas e galerias. 2)O trabalho com TATUZÃO (equipamento de alta pressão destinado a fazer a limpeza de tubulações entupidas) necessita de uma retro-escavadeira para a retirada do lixo acumulado e um caminhão para carregar este lixo.

277

19. HIDRÁULICA DOS SISTEMAS DE DRENAGEM URBANA (MEDIDAS CONVENCIONAIS)

19.1. TIPOS DE ESCOAMENTO EM CANAIS

  • 19.1.1. Permanentes

O escoamento ou regime é permanente se a velocidade local em um ponto qualquer da corrente permanecer invariável no tempo, em módulo e direção. A profundidade, a vazão e a área molhada etc. mantém constante ao longo do canal, com uma continuidade de vazão.

  • 19.1.2. Não permanentes

O escoamento ou regime é não permanente se a velocidade em um certo ponto varia com o passar do tempo, que neste caso não existe uma continuidade de vazão.

A altura d’água, a área molhada e o raio hidráulico variam de seção para seção e no

tempo.

OBSERVAÇÃO: O escoamento é dito uniforme desde que as velocidades (trajetórias) sejam paralelas entre si e constantes ao longo de uma mesma trajetória e a linha

d’água é paralela ao fundo (altura da água é constante). Quando as trajetórias não são paralelas entre si o escoamento é dito não uniforme, a declividade da linha d’água não é paralela à declividade de fundo e os “elementos” variam de seção para seção.

Classificação dos movimentos:

Q e V constantes = movimento é permanente e uniforme Q constante e V variável = movimento é uniformemente variado Q e V variáveis = movimento é variado

278

19.2. ELEMENTOS GEOMÉTRICOS DOS CANAIS

  • 19.2.1 Área molhada (A M )

É a área da seção reta do escoamento, normal à direção do fluxo.

  • 19.2.2. Perímetro molhado (P M )

É o comprimento da parte da fronteira sólida da seção do canal (fundo e paredes) em contato com o líquido.

  • 19.2.3. Raio hidráulico (R H )

É a relação entre a área molhada e o perímetro molhado (R H = A M / P M ).

  • 19.2.4. Altura da água ou tirante d’água (y)

É a distância vertical do ponto mais baixo da secção do canal até a superfície

livre.

  • 19.2.5. Altura de escoamento da seção (h)

É a altura do escoamento medida perpendicularmente ao fundo do canal.

  • 19.2.6. Largura de topo (B)

É a largura da secção do canal na superfície livre, é função da forma geométrica da

seção e da altura d’água.

  • 19.2.7. Altura hidráulica ou altura média (h m )

É a relação entre a área molhada e a largura da seção na superfície livre. É a altura de um retângulo de área equivalente à área molhada.

279

19.3.

CONSIDERAÇÕES CANAIS URBANOS

SOBRE

O

PROJETO

E

CONSTRUÇÃO

DE

  • 19.3.1. Retificação e alargamento

Devem ser feitas, na medida do possível, de jusante para montante, pois o contrário quando ocorrer chuvas intensas, à jusante poderá sofrer ainda mais com as condições de escoamento. A retificação de canais e córregos deve ter cuidados especiais devido à diminuição do comprimento longitudinal com o aumento da declividade e conseqüentemente da velocidade.

  • 19.3.2. Envelhecimento do canal

O projetista deve prever um aumento da rugosidade das paredes e fundo dos canais em torno de 10 a 15% devido ao uso e má manutenção do mesmo.

  • 19.3.3. Folga na altura d’água

Prever uma folga em torno de 20 a 25% da altura d’água, acima do nível máximo de

projeto (40cm no máximo). Esta folga é importante como fator de segurança, visto que, poderá haver deposição de materiais no fundo do canal e garantia na previsão da vazão.

  • 19.3.4. Canais de concreto

Prever drenos nas paredes e fundo, com certo espaçamento longitudinal, para evitar subpressão quando o nível do lençol freático estiver alto.

  • 19.3.5. Canais em pedras argamassadas

Devem prever drenos nos taludes, pois a alvenaria de pedras possuem uma certa permeabilidade, considerando que o fundo seja de concreto magro.

  • 19.3.6. Declividade em canais

280

Deve garantir uma velocidade mínima (média) para evitar deposição de materiais em suspensão e crescimento de plantas aquáticas e uma velocidade máxima (média) para evitar erosão do material das paredes e fundo do canal. A tabela 11 mostra alguns valores recomendados para a velocidade média de escoamento em canais.

TABELA 11 Velocidade média em canais em função dos materiais e das paredes.

Material das paredes do canal

Velocidade média (m/s)

Areia Terreno arenoso Terreno argiloso Terreno de aluvião Terreno argiloso-compacto Solo cascalhado Pedregulho, piçarra Rochas sedimentares moles Alvenaria Rochas compactas Concreto

0,30 a 0,60 0,60 a 0,75 0,75 a 0,85 0,85 a 0,90 0,90 a 1,20 1,20 a 1,50 1,50 a 1,80 1,80 a 2,45 2,45 a 3,05 3,05 a 4,00 4,00 a 6,00

19.3.7. Inclinação dos taludes

A máxima inclinação dos taludes deve ser menor que o ângulo de repouso do material de revestimento. A tabela 12 mostra alguns valores para taludes de canais abertos.

281

TABELA 12 Declividade média de taludes em canais abertos

Natureza das paredes

Z = tg θ

Canais em terra, sem revestimento Canais em saibro, terra porosa Cascalho roliço Terra compacta, sem revestimento Terra muito compacta, paredes rochosas Rochas estratificadas Rochas compactas, alvenaria acabada, Concreto

0,3 a 0,5

0,50

0,60

0,70

0,80

2,00

19.4. ENERGIA (CARGA) ESPECÍFICA (PORTO, 2001)

Muitos fenômenos que ocorrem em canais podem ser analisados utilizando-se o princípio da energia. Uma mesma vazão pode ser escoada num canal, com a mesma energia específica de duas formas diferentes, conforme a declividade do canal. 1º Grande lâmina de água y 1 e pequena velocidade, isto é, grande energia potencial e pequena energia cinética (escoamento subcrítico). 2º Pequena lâmina de água y 2 e grande velocidade, ou seja, pequena energia potencial e grande energia cinética (escoamento supercrítico). A energia específica por unidade de peso, em uma seção qualquer do canal é dada por:

V 2 E   y 2 g
V
2
E
 
y
2 g

Isto é, a energia específica é a soma da altura d’água no canal (y) com a carga cinética

(V²/2g).

A figura 72 mostra a seção de um canal para uma vazão constante e a figura 73 ilustra

a variação da energia específica (E) com a altura d’água (y).

282

282 Figura 72 - Seção de um canal Figura 73 - Energia Específica (E) x Altura

Figura 72 - Seção de um canal

Figura 73 - Energia Específica (E) x Altura d’água (y)

Considerando a equação da continuidade Q = SV e a equação da energia específica E

= y +

V 2

2g

, temos a equação das vazões.

Q 2 E  y  2.g.S 2 Q  2g.S. E  y
Q
2
E  y 
2.g.S
2
Q 
2g.S.
E  y
282 Figura 72 - Seção de um canal Figura 73 - Energia Específica (E) x Altura

A figura 74 mostra a representação gráfica denominada de “curva das vazões”, onde Q representa o valor de uma vazão para duas lâminas y 1 e y 2 . Q será máximo para o y c (y crítico).

282 Figura 72 - Seção de um canal Figura 73 - Energia Específica (E) x Altura

Figura 74 – Vazão x lâminas d’água.

CONCLUSÕES

283

  • 01. Um dado valor de E, pode ocorrer em duas profundidades diferentes y 1 e y 2

(figura 4).

  • 02. Existe um ponto E (mínimo) ao qual corresponde uma profundidade crítica, y c .

Este ponto é denominado de crítico E c (figura 4).

  • 03. O fluxo no ponto crítico ou em suas proximidades é instável. Uma alteração

pequena de energia pode causar uma alteração significativa na altura da água, razão pela qual

deve-se evitar projetos de canais funcionando nas proximidades do regime crítico.

  • 04. A classificação quanto ao regime de escoamento pode ser determinado da

seguinte maneira:

Se y > y c Se y = y c Se y < y c

subcrítico ou fluvial crítico, e supercrítico ou torrencial.

19.5. ESCOAMENTO CRÍTICO

  • 19.5.1. Definição

Corresponde ao estágio em que a energia específica é mínima para uma dada vazão ou o estágio em que a vazão é máxima para uma dada energia específica.

  • 19.5.2. Velocidade crítica (V c )

Considerando a equação da energia

específica

E

=

y

+

V 2

2g

e

a

equação da

profundidade média y m = 2(E y), temos:

V c =

g  y m
g  y
m

=>

V  g y . c c
V
g y
.
c
c

Onde: y c = altura crítica

284

 

19.5.3.

F

r

V

 

g

Onde:

 

Se F r < 1 Se F r = 1 Se F r > 1

 
 

19.6.1.

Número de Froude (Fr)

O número de Froude permite classificar os escoamentos livres e é dado pela seguinte fórmula para canais.

h m
h
m

v velocidade média na seção g aceleração da gravidade h m altura hidráulica da seção.

Conforme o valor do Número de Froude, temos:

subcrítico ou fluvial crítico supercrítico ou torrencial

OBSERVAÇÃO: Para a seção retangular a altura hidráulica (h m ) é igual à altura d’água (y), isto é, h m = y.

19.6. MOVIMENTO PERMANENTE UNIFORME (ESCOAMENTO LIVRE)

Fórmulas

19.6.1.1.

Equação da continuidade:

Q = A · V

19.6.1.2.

Fórmula de Chézy:

V = C ·

R  I H
R
I
H

19.6.1.3.

Q = C · A ·

 

19.6.1.4.

C

  R

1 6 H
1
6
H

  

n

 

  

1

R

2 3
2
3

H

V =

·

n

·

Fórmula de Chézy utilizando a equação da continuidade:

R  I H
R
I
H

Fórmula de Manning

I

1 2
1
2

19.6.1.5.Composição de fórmulas anteriores:

n Q

I
I

parâmetros

de dimensio-

namento

=

2 3 A   R H
2
3
A   R
H

geométrica forma

285

TABELAS

286

As tabelas 13 e 14 fornecem os valores n para a fórmula de Manning. TABELA 13 Valores de n em função das condições das paredes

TABELAS 286 As tabelas 13 e 14 fornecem os valores n para a fórmula de Manning.

287

TABELA 14 Valores de n.

287 TABELA 14 – Valores de n. Fonte: BANDINI, Hidráulica, vol.1.

Fonte: BANDINI, Hidráulica, vol.1.

19.7. SEÇÃO DE CANAIS

  • 19.7.1. Seção retangular

288

Bordo livre
Bordo livre
Q 2 y  - profundidade crítica (y c )  3 c b 2 
Q
2
y
-
profundidade crítica (y c ) 
3
c
b
2
g
V 
g y
.
c
c
-
velocidade crítica (V c ) 
n
Q
 A
.
R
2/3
-
declividade crítica (I c ) 
I
c
H
c
  • 19.7.2. Seção trapezoidal

19.7. SEÇÃO DE CANAIS 19.7.1. Seção retangular 288 Bordo livre Q 2 y  - profundidade
- fator da seção “crítico” (Z c ): Z c = Q g c  b
-
fator da seção “crítico” (Z c ): Z c =
Q g c

b
z
y
y
3
2
c
c
-
fator da seção (Z): Z =
b
2
z
y
c

onde z = tg θ

  • 19.7.3. Seção circular

289

19.7.3. Seção circular 289 Velocidade Máxima - Se θ = 257º ou y D - Vazão

Velocidade Máxima

-

Se θ = 257º ou

y

D

-

Vazão máxima

 

y

Se θ = 302,5º ou

D

-

   

y

= 2arc cos (1 2 ·

D

-

A M = D 2 ·

- sen

 
 

8

-

 

D

(1 -

sen   )

 

R H =

4

-

Corda (B)

 

B = D · sen

    2   

= 2 ·

 

Profundidade

 

-

Normal

  

1 - cos     2      

y N = D ·

 

2

-

Crítica

= 0,81

= 0,94

Ângulo Central (θ)

)

Área “molhada” (A m )

Raio Hidráulico (R H )

y (D - y)
y (D - y)
 

D

·

- sen

 

y C =

8

   

sen

  

2

  • - Fator da Seção (Z)

 
2
2

- sen

3

2

5

D 2

Z =

1

 

32

  

sen

  

2

2

290

290

291

EXERCÍCIOS

01)

Um canal retangular com revestimento em concreto mal conservado com 3,0m

de largura transporta 6,0m 3 /s, determinar os itens 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4. Bordo livre
de largura transporta 6,0m 3 /s, determinar os itens 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4.
Bordo livre
y c
  • 1.1 A profundidade crítica y c ;

  • 1.2 A velocidade crítica V c ;

  • 1.3 A declividade crítica I c .

  • 1.4 Altura (bordo) livre.

292

  • 1.5 Se

o

mesmo

canal

tiver

uma

declividade

de

0,002m/m

determinar

a

profundidade normal y.

 
  • 1.6 Classificar

o

regime

de

escoamento

em

subcrítico

(fluvial)

crítico

ou

supercrítico (torrencial).

02) Um canal trapezoidal construído em gabiões (rochas irregulares) em boas condições, com 3m de largura no fundo e taludes de 1H : 1V e declividade de 0,005m/m, conduz uma vazão de 15m 3 /s. Determinar.

292 1.5 Se o mesmo canal tiver uma declividade de 0,002m/m determinar a profundidade normal y.
  • 2.1 A profundidade normal y N .

  • 2.2 A profundidade crítica y c .

293

  • 2.3 Classificar

o

regime

de

escoamento

em

subcrítico

(fluvial),

crítico

ou

supercrítico (torrencial).

03)

Um canal feito para galeria de águas pluviais, em concreto n = 0,0135 tem

diâmetro de 1,20m e declividade de fundo de 0,0055m/m com uma lâmina de água igual 0,96m. Determinar os itens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4.

293 2.3 Classificar o regime de escoamento em subcrítico (fluvial), crítico ou supercrítico (torrencial). 03) Um
  • 3.1 O ângulo central θ;

  • 3.2 A área molhada A m ;

  • 3.3 O raio hidráulico R H ;

  • 3.4 A capacidade da galeria Q.

294

  • 3.5 Para essa mesma galeria só que funcionando para uma vazão de 0,7m 3 /s, qual

será a altura da lâmina y e verificar o tipo de escoamento.

  • 3.5.1 Capacidade a seção plena Q SP .

Determinar os itens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4.

  • 3.5.2 Entrar na tabela: Condutos circulares parcialmente cheios e determinar y.

  • 3.5.3 Classificar

o

escoamento

em

subcrítico

(fluvial),

crítico

ou

supercrítico

(torrencial).

295

EXERCÍCIOS

01)

Um canal retangular em concreto n = 0,0135, com 3,00 de largura, conduz

3600 l/s, quando a profundidade é de 1,5m. Determine:

295 EXERCÍCIOS 01) Um canal retangular em concreto n = 0,0135, com 3,00 de largura, conduz
  • 1.1 energia específica E;

    • 1.2 o regime de escoamento;

    • 1.3 a profundidade crítica;

    • 1.4 a velocidade crítica;

    • 1.5 a declividade crítica.

02) Um canal de drenagem, trapezoidal, em terra com vegetação rasteira nos taludes e fundo, com taludes 1,5H : 1,0V, declividade do fundo 1% e a largura do leito junto ao fundo é de 4,00m, e conduz uma vazão de 20m 3 /s.

Bordo livre Determinar:
Bordo livre
Determinar:
  • 2.1 a profundidade normal, y n ;

  • 2.2 a velocidade relativa à y, V(y);

  • 2.3 profundidade crítica, y c ;

  • 2.4 vazão crítica, Q c .

296

03)

Uma galeria de águas pluviais de 1,0m de diâmetro, coeficiente de rugosidade

de Manning n = 0,0135 (concreto) e declividade de fundo I = 2,5 · 10 3 m/m transporta, em

condição de regime permanente e uniforme, uma vazão de 1,20m 3 /s.

296 03) Uma galeria de águas pluviais de 1,0m de diâmetro, coeficiente de rugosidade de Manning

3.1) Determinar a altura d’água y e a velocidade média V m . 3.2) Qual seria a capacidade de vazão da galeria, se ela funcionasse na condição de máxima vazão?

04) Uma galeria de águas pluviais de concreto, após anos de uso, apresentou a formação de um depósito de material solidificado, como mostra a figura. Supondo que o nível d’água na galeria permaneça constante e que o coeficiente de rugosidade do material solidificado seja o mesmo do concreto, determine em que percentagem foi reduzida a capacidade de vazão da galeria.

y = 0,70D y = 0,20D
y = 0,70D
y = 0,20D

297

20. ESTIMATIVA DAS VAZÕES DE ÁGUAS PLUVIAIS

20.1. INTENSIDADE DAS CHUVAS (i)

A intensidade das chuvas (i) é a medida da quantidade de chuva que cai numa área num certo tempo.

EXEMPLO:

Uma chuva de 10mm/h, significa que em 1 hora “caiu” por m², uma altura de água de 10mm = 1cm = 0,01m. Considerando que não há evaporação nem infiltração.

Chuva h = 1cm 1m
Chuva
h = 1cm
1m

1m

Portanto, o volume acumulado em 1 hora para uma chuva de 10mm, será:

V = A b .h V = 1m² . 0,01m V = 0,01m³

A intensidade da chuva a ser considerada para os estudos do escoamento superficial é o parâmetro básico para a elaboração do projeto das galerias. Assim sendo, o projetista deve

obter a “equação da chuva” para a localidade em questão ou as curvas intensidade x duração x

freqüência. A intensidade média (i m ) da precipitação sobre toda a área drenada é uma grandeza que mede a altura de água precipitada na unidade de tempo (mm/hora ou l/s . ha). Existem várias equações correspondentes às chuvas intensas que são em função do tempo de duração da chuva (t) em minutos e do período de recorrência (T) em anos. Veja algumas delas dadas em mm/h.

298

i m =

3462,7 T

0,172

(São Paulo)

 

(t

22)

1,025

i m =

5950 T

(

t

26)

0,217

1,15

(Curitiba)

i m =

2085 T

(t

10)

0,213

1,09

(Maringá)

OBSERVAÇÃO: Para transformar a unidade mm/h para l/s . ha, basta dividir pelo fator de transformação 0,36.

EXEMPLO: i m = 108 mm/h corresponde a 300l/s . ha As fórmulas citadas são válidas para t ≤ 120 minutos, pois as chuvas com duração

superior a 120 minutos normalmente não são catalogadas, porque no dimensionamento de galerias o tempo de concentração raramente atinge esse período. Portanto, para o dimensionamento das galerias de águas pluviais só interessam as chuvas de maior intensidade, capazes de produzirem maior volume de água na unidade de tempo.

As chuvas de maior intensidade são registradas em aparelhos chamados pluviógrafos. Os registros feitos através de grande número de anos por um pluviógrafo dizem que a intensidade média de uma chuva é tanto maior quanto menor for a sua duração.

20.2. PERÍODO DE RETORNO OU TEMPO DE RECORRÊNCIA (T)

20.2.1. Conceito

Para se decidir o grau de proteção conferido à população com a construção das obras de drenagem, deve-se determinar a vazão de projeto. Deve-se, também, conhecer a probabilidade (possibilidade de ocorrência) P de o valor de uma determinada vazão ser igualado ou superado em um ano qualquer. A vazão de projeto é imposta de tal forma que sua

299

probabilidade P não exceda um determinado valor pré-estabelecido.

EXEMPLOS:

  • 1. Uma chuva de 5mm/h e tempo de ocorrência 5 anos.

Significa: Essa chuva só ocorre com essa intensidade (ou maior) uma vez em cada 5 anos. Também podemos dizer que a possibilidade de ocorrência é de 20% (1/5).

  • 2. Calcular a vazão de um canal para um período de retorno de 30 anos.

Significa: Uma vez a cada 30 anos o canal transbordará.

20.2.2. Considerações para a escolha de T

  • 1. A escolha e justificativa de um determinado período de retorno, para uma

determinada obra prende-se a uma análise da economia e da segurança da obra. A sociedade através de seus representantes pode ajudar a decidir o risco aceitável pela comunidade e quanto ela está disposta a pagar pela proteção desta obra.

  • 2. Quanto maior for o período de retorno, maiores serão os valores das vazões de

pico encontrados e, conseqüentemente mais segura e cara será a obra. Conseqüentemente, quanto menor for T, a chuva terá uma menor intensidade (maior duração) obras de menor porte e menor custo. Lembramos também que quanto maior o porte das obras a sua interferência no ambiente urbano serão maiores, conseqüentemente teremos desapropriações, relocação de populações, interrupções no tráfego, prejuízos no comércio isto durante a fase de

construção das obras, que induzem a custos adicionais e implicações políticas de tratamento delicado. Por isso, de um modo geral, são escolhidos períodos de retorno pequenos (quanto menor maior é o risco).

  • 3. Para adotar um T, considera-se a dificuldade em melhorar ou ampliar certa

obra e as conseqüências quando não fizer tal obra, como os transtornos para a comunidade quando houver inundações, alagamentos com certa freqüência e acidentes com prejuízos calculáveis como, por exemplo, a destruição de aterros e incalculáveis como morte de animais, pessoas, etc.

O emprego de um período de retorno maior, qualquer que seja o seu valor, significa que o engenheiro quer adotar um risco calculado. Todavia, há uma possibilidade de que aquele período de retorno da chuva será excedido ao menos uma vez em N anos.

  • 4. Nas áreas residenciais o acúmulo de água nas ruas e principalmente nos

cruzamentos (depende da freqüência e duração), tem menos importância que numa zona

300

comercial esta menos importante que uma na zona industrial.

  • 5. Cabe ao engenheiro decidir (correr riscos) quando um projeto de drenagem

envolve simultaneamente vários períodos de retorno, como por exemplo, a drenagem em rodovias com um valor de T e bueiros com outro valor para T.

20.2.3. Tabela para T

A tabela ocupação da área.

15 nos sugere

alguns valores para o

período de retorno, em

função da

TABELA 15 Período de retorno em função da ocupação da área.

Tipo de obra

Tipo de ocupação

Período de retorno (anos)

Micro-drenagem

Residencial

2

Micro-drenagem

Comercial

5

Micro-drenagem

Edifícios de serviços ao público

5

Micro-drenagem

Aeroportos

2-5

Micro-drenagem

Áreas comerciais e artérias de tráfego

5-10

Macro-drenagem

Áreas comerciais e residenciais

50-100

Macro-drenagem

Áreas de importância específica

500

Fonte: CETESB

De um modo geral:

  • - canalização de rios

...........................................

T

= 30 anos.

  • - rede de águas pluviais (cidade)

T

= 10 anos.

20.3. TEMPO DE DURAÇÃO DA CHUVA (t d )

É o tempo que decorre entre o “cair” da primeira gota até o cair da última gota na área

em estudo. Escolhido o tempo de recorrência ainda há a necessidade de se estabelecer o tempo de duração da chuva que deve estar associado à precipitação que poderá causar a maior vazão de pico em uma secção considerada. Mostra-se que essa duração da chuva, para a qual ocorre a maior vazão de pico é aproximadamente igual ao período de tempo que uma gota de água teórica precipitada no

301

ponto da bacia mais distante da secção considerada, leva para atingir essa secção, ou seja, o tempo necessário para que toda a área de drenagem passe a contribuir para a vazão na seção estudada. Portanto, a maior vazão de pico é dada quando: o tempo de duração da chuva é igual ao tempo de concentração. Em síntese:

CHUVAS

  • - Fortes (intensas) curta duração.

  • - Fracas (baixa intensidade) são prolongadas.

20.4. TEMPO DE ESCOAMENTO SUPERFICIAL (t s ).

O escoamento superficial considera o movimento da água a partir da menor porção de chuva, que caindo sobre um solo saturado de umidade ou impermeável escoa pela sua superfície. Na verdade o escoamento superficial começa algum tempo após o início da precipitação (uns 10 minutos após) e cresce com o tempo até atingir um valor sensivelmente constante à medida que a precipitação prossegue. Cessada esta, ele vai diminuindo, até anular- se.

Parte da água das chuvas é interceptada pela vegetação e outros obstáculos, de onde se evapora posteriormente. Do volume que atinge a superfície do solo, parte é retirada em depressões do terreno parte se infiltra e o restante escoa pela superfície, logo que a intensidade da precipitação supere a capacidade de infiltração no solo e os espaços nas superfícies retentoras tenham sido preenchidos. As trajetórias descritas pela água no seu movimento são determinadas, principalmente, pelas linhas de maior decline de terreno, portanto o escoamento superficial é influenciado pela vegetação, tipo de solo, declividade do terreno, da área da bacia, etc. O tempo de escoamento superficial corresponde ao tempo que a água leva para chegar do ponto mais distante (tempo de percurso da água é maior) até a seção considerada que num sistema de galerias pluviais é o início da mesma. O tempo de escoamento superficial (t s ), dado em minutos, pode ser obtido pelas fórmulas de:

GEORGE RIBEIRO

t s

16

L

(1,05

0,2.

p

) . (100.I

)

0,04

ts 10min (galeria de águas pluviais)

Onde:

302

L comprimento do maior percurso (talvegue) em Km.

I declividade média do percurso em m/m. p relação entre a área coberta de vegetação pela
I declividade média do percurso em m/m.
p relação entre a área coberta de vegetação pela área total da bacia.
TALVEGUE(L)
Q
 KERBY   n  L   0,47 t s = 1,44 · 
KERBY
  n  L  
0,47
t s = 1,44 ·
I
Para galerias de água pluviais, recomenda-se: t s ≥ 10 minutos.

Onde:

t s tempo de escoamento superficial em minutos L comprimento do maior percurso em metros I declividade do percurso (média) em metro por metro n coeficiente relativo à natureza do terreno (tabela) A tabela 16 nos dá o valor de n para a fórmula de Kerby, em função da natureza do terrreno.

303

TABELA 16 Coeficiente n da Fórmula de Kerby.

Característica do terreno

n

Superfície lisa e impermeável

0,02

Terreno endurecido e desnudo

0,10

Pasto ralo, superfície desnuda e moderadamente áspera

0,20

Pasto denso (altura média)

0,30

Vegetação baixa e densa

0,40

OBSERVAÇÃO: Em percursos com trechos de declividades diferentes t s deve ser calculado trecho a trecho e somado depois os tempos.

20.5. TEMPO DE CONCENTRAÇÃO (t c ) (CANHOLI, 2005)

20.5.1. Conceitos

Tempo de concentração relativo a uma seção de um curso de água é o intervalo de tempo contado a partir do início da precipitação para que toda a bacia de drenagem passe a

contribuir na seção em estudo. Corresponde ao tempo que a água leva para ir do ponto mais

“distante” da bacia até a seção considerada (maior tempo de percurso).

303 TABELA 16 – Coeficiente n da Fórmula de Kerby. Característica do terreno n Superfície lisa

Logo, o tempo de concentração (t c ) é dado por:

t c = t S1 + t S2 Onde:

304

t S1 : é o tempo que leva uma gota de água caindo em um ponto extremo da bacia, até chegar ao vale de maior extensão (talvegue). Em geral se caracteriza por pequenas alturas de lâminas d´água e baixas velocidades. Pode ser calculada pela fórmula de George Ribeiro adaptada.

Onde:

0,091.  n L .  0,8 t  s 2 i 0,5 . I 0,4
0,091.
n L
.
0,8
t
s 2
i
0,5
.
I
0,4
m
m

n é o coeficiente de rugosidade de Manning (s/m 5/2 ). L o comprimento do trecho. i m total precipitado em 24 horas para recorrência de 2 anos (mm). I m a declividade média do terreno (m/m). A tabela a seguir (Tabela 17) apresenta alguns valores de n para escoamento em superfícies.

TABELA 17 Valores de n para escoamento em superfícies.

Tipo de Superfície

n (Manning)

Asfalto liso

0,011

Concreto liso/ rugoso

0,012

Pisos cerâmicos

0,015

Pavimento intertravado/ paralelepípedo

0,024

Gramados (esparsos/ densos)

0,15/0,24

Vegetação arbustiva (leve/ densa)

0,40/0,80

Plantações rasteiras (normais)

0,13

t s2 : é o tempo que leva uma gota de água para percorrer o talvegue até a primeira boca de lobo. Ocorre após o trecho sobre a superfície t s1 , onde o escoamento tende a se concentrar, formando canais rasos. Pode ser calculado pela seguinte fórmula.

Onde:

L t  S 2 V
L
t
S 2
V

L é o comprimento do trecho (m).

305

V é a velocidade média do escoamento no trecho (m/min).

Para estimar a velocidade média, podemos usar o gráfico da Figura 75.

305 V – é a velocidade média do escoamento no trecho (m/min). Para estimar a velocidade

Figura 75 - Estimativa da velocidade média em canais rasos (SCS, 1986).

t

p

: é o tempo de percurso dentro da galeria (canalização). Idem caso anterior,

isto é:

Onde,

V

Portanto:

  • 1 I

.

1/ 2

n

2/3

. R

H

L t  p V t  t t t c S1 S2 p
L
t
p
V
t
 t
t
t
c
S1
S2
p

20.5.2. Tipos de Chuvas

  • a) Chuva de baixa intensidade (uniforme) e grande duração.

306

306 OBSERVAÇÃO: A partir t = tc, sem infiltração, haverá apenas o escoamento superficial atingindo a

OBSERVAÇÃO: A partir t = tc, sem infiltração, haverá apenas o escoamento superficial atingindo a vazão máxima e constante.

b) Chuva intensa (uniforme ) e de curta duração.

306 OBSERVAÇÃO: A partir t = tc, sem infiltração, haverá apenas o escoamento superficial atingindo a

Considerações:

01) Quando em uma área de drenagem, a duração da chuva corresponde a toda a área da bacia que contribui para o escoamento, ou seja, o tempo de duração é igual tempo de concentração da chuva, a vazão será dita máxima ou crítica ou ainda vazão de pico. 02) Se por acaso o percurso da água que aflui a um determinado ponto puder ser efetuado de maneiras distintas, considera-se o maior tempo de percurso.

20.6. COEFICIENTE DE DEFLÚVIO (C)

307

O coeficiente de deflúvio ou coeficiente de escoamento superficial ou coeficiente de

Runoff representa no projeto de galerias de águas pluviais, a parcela de água de chuva caída na área contribuinte que atinge a respectiva boca de lobo. Esse coeficiente, inferior à unidade, depende principalmente:

  • - do grau de permeabilidade da área contribuinte.

  • - do tempo de duração da chuva.

  • - do tipo e utilização do solo.

  • - da declividade de bacia.

Se as áreas contribuintes das bocas de lobo que alimentam uma secção da galeria forem constituídas de subáreas com coeficientes diferentes, deve ser adotado para a área total um coeficiente resultante da média ponderada desses coeficientes. O coeficiente de deflúvio pode aumentar no futuro, pois se uma área hoje é pavimentada com paralelepípedos sem rejuntamento no futuro pode receber um capeamento asfáltico. O valor C normalmente aumenta também, com a duração da chuva, pois a medida que a chuva se desenvolve as depressões nos terrenos vão enchendo de água o terreno permeável vai se saturando e com isso aumentando o escoamento superficial.

O valor de C pode ser estimado empregando-se a expressão de Horner:

C = 0,364 · log t c + 0,0042 · p 0,145

Onde:

t c tempo de concentração em minutos p porcentagem (taxa) da área impermeabilizada (ex: p = 80% - área urbana ocupada ou que será ocupada). A tabela 18 apresenta alguns valores de C (coeficiente de Deflúvio), que podem ser sugeridos para projetos de redes de drenagem.

  • a) De acordo com a ocupação da área.

308

TABELA 18 (a) Valores do coeficiente de Runoff (C).

Natureza da ocupação da área

Coeficiente C

Áreas centrais, densamente construídas, com ruas pavimentadas Áreas adjacentes ao centro, com ruas pavimentadas Áreas residenciais com casas isoladas Áreas suburbanas pouco edificadas

0,70 a 0,90

0,50 a 0,70 0,25 a 0,50 0,10 a 0,20

  • b) De acordo com o revestimento da superfície.

TABELA 18 (b) Valores do coeficiente de Runoff (C).

Natureza da Superfície

Coeficiente C

Cobertura das construções Pavimentação de concreto Pavimentação asfáltica em bom estado Pavimentação asfáltica má conservada

0,70 a 0,95 0,80 a 0,95 0,85 a 0,90 0,70 a 0,85

Pavimentação a paralelepípedos com

0,75 a 0,85

juntas argamassadas Pavimentação a paralelepípedos sem

0,50 a 0,70

rejuntamento Pavimentação de pedras irregulares sem

0,40 a 0,50

rejuntamento Revestimento de macadame Revestimento de cascalho Terreno desnudo

0,25 a 0,60 0,15 a 0,30 0,10 a 0,30

Terrenos livres e ajardinados/ gramados - solos arenosos

1

≤ 2%

0,05 a 0,10

2% < I < 7%

0,10 a 0,15

I

≥ 7%

0,15 a 0,20

- solos pesados (argilosos)

1

≤ 2%

0,15 a 0,20

2% < I < 7%

0,20 a 0,25

I

≥ 7%

0,25 a 0,30

20.7. MÉTODO RACIONAL

309

O método racional traz resultados bastante aceitáveis para o estudo de pequenas

bacias (áreas ≤ 1km 2 ) e t c ≤ 20 minutos, tendo em vista a sua simplicidade de operação bem como da inexistência de outro método de melhor confiabilidade. O método racional não leva em consideração alguns fatores, tais como:

  • a) condições de permeabilidade do terreno, variam durante a precipitação.

  • b) retardamento natural do escoamento provocado por armazenamento temporário

de depressões existentes nas bacias ocasionando alteração no pico de cheia.

  • c) variações da intensidade da chuva, isto é, admite uma precipitação uniforme e

constante em toda a área de contribuição. A seguir temos o hidrograma adotado (baseado no método racional) em forma de um triângulo isósceles com a base igual ao dobro do t c , onde t d = t c .

20.7. MÉTODO RACIONAL 309 O método racional traz resultados bastante aceitáveis para o estudo de pequenas

Para estimar a vazão pluvial (vazão de pico), a fórmula mais utilizada é a chamada

“fórmula racional”.

Onde:

Q p = C · i m · A
Q p = C · i m · A

Q p é a vazão pluvial, em l/s C coeficiente de escoamento, superficial ou de deflúvio ou de Runoff. i m intensidade média de chuva (máxima média), em l/s · ha A área de drenagem, em há

310

OBSERVAÇÕES:

1)

2)

O seu nome, valor racional, é devido à razão Q p /i m.

Quanto maior a importância de uma obra na

área em estudo, como por

exemplo, piscinões, rebaixamento da calha de rios, reservatórios de hidrelétricas, será necessário um estudo mais detalhado das precipitações e vazões de projeto.

EXERCÍCIOS

01)

A figura a seguir mostra um hidrograma do método racional em termos de

vazão específica, (vazão/área), com o coeficiente de Runoff C = 0,70.

(l/s.ha)

350 300 250 200 150 100 50 10 20 30 40 50 60 00 Tempo (minutos)
350
300
250
200
150
100
50
10
20 30
40 50
60
00
Tempo (minutos)
contribuição unitária

Considerando o tempo necessário para que toda a área de drenagem passe a contribuir para a vazão na seção considerada; determine o tempo de duração da chuva em minutos, o tempo de concentração em minutos e a intensidade de precipitação em litros por segundo por hectare.

02) Um determinado trecho de galeria deverá receber e escoar o deflúvio superficial oriundo de uma área estritamente comercial de 2,50 ha, com um coeficiente de escoamento superficial correspondente as áreas adjacentes ao centro, com ruas pavimentadas. Se o tempo de concentração previsto para o início do trecho é de 16,6 minutos, calcular a

311

vazão de jusante do mesmo.

03)

Toda a área da figura abaixo contribui para as bocas de lobo assinalada.

Observe as subáreas e determine o coeficiente de escoamento superficial (C) para toda área

em questão.

20m 10m 40m 10m 20m Parque Bairros Área Comercial (gramado) (alguns Central prédios) (prédios) c=0,15 c=0,60
20m
10m
40m
10m
20m
Parque
Bairros
Área Comercial
(gramado)
(alguns
Central
prédios)
(prédios)
c=0,15
c=0,60
B.L
c=0,80
Rua
Pavimentação Asfáltica
c = 0,90
B.L
Parque
Área sem
(gramado)
melhoramentos
(desnuda)
c=0,15
c=0,20
40m
10m
30m
Rua
Rua
Rua

04) Um determinado trecho de galeria deverá receber e escoar o deflúvio superficial oriundo de uma área de 1,85ha, onde 18% correspondem a ruas asfaltadas e bem conservadas, 6% correspondem à pavimentação de concreto, 46% de gramados em solos com declividade de 3%, além de 30% de telhados cerâmicos. A sua inclinação média é de 2%. Se o tempo de concentração previsto para o início do trecho é de 14 minutos, calcular a vazão de jusante do mesmo.

05) Encontrar um coeficiente de escoamento adequado para uma área de pequena inclinação, bem urbanizada (área adjacente ao centro), onde 22% correspondem a ruas asfaltadas e bem conservadas, 8% de passeios cimentados, 36% de pátios ajardinados e 34% de telhados cerâmicos. Que setor da área urbana parece ser este (c)?

06)

DACACH (1984) Considerando que um estacionamento retangular (figura a

seguir) possui 28m x 30m, onde a sua área é plana, impermeável e a declividade é linear e

está indicada pela seta. Considerando ainda que as linhas 01, 02, 03,

...

,

12, são paralelas à

312

canaleta e que as gotas caídas na linha 1, levam 1 minuto para chegar na canaleta, na linha 2, levam 2 minutos e assim sucessivamente até a linha 12. Tempo de recorrência: 5 anos.

28m 12 11 10 9 8 7 6 30m 5 4 3 2 1 0 CANALETA
28m
12
11
10
9
8
7
6
30m
5
4
3
2
1
0
CANALETA
ESTACIONAMENTO

Determinar:

Vazão (l/s) 30 25 20 15 10 5 Tempo (min) 0 5 10 15 20 25
Vazão (l/s)
30
25
20
15
10
5
Tempo (min)
0
5
10
15
20
25
30
35
  • 6.1 A vazão máxima em litros por segundo, que atingirá a canaleta e representar as

variações da vazão de chegada na canaleta.

  • 6.2 A vazão máxima em litros por segundo, para uma chuva de 6 minutos de

duração e representar as variações da vazão de chegada na canaleta (mesmo gráfico – “acima”).

 

Respostas:

01)

td = 30 minutos

05)

C =

tc = 30 minutos

06)

6.1

Q = 23,6 l/s

im = 357 l/s.ha

6.2

Q = 16,7 l/s

02)

Qj = 397 l/s

03)

C = 0,48

04)

Qj =

313

21. MEDIDAS NÃO CONVENCIONAIS (CANHOLI, 2005)

  • 21.1. INTRODUÇÃO

Os conceitos “inovadores” para aumentar a eficiência hidráulica dos sistemas de

drenagem têm por objetivo:

  • - reter os escoamentos pluviais nas proximidades de suas fontes;

  • - retardar os escoamentos através de reservatórios;

  • - aumentar os tempos de concentração;

  • - reduzir as vazões máximas (picos);

  • - retardar o fluxo das calhas dos córregos e rios;

  • - incrementar o processo de infiltração.

    • 21.2. MANEIRAS DE INFILTRAÇÃO

      • 21.2.1. Superfícies de infiltração

Permitem que as águas superficiais percorram o terreno coberto por vegetação (ex:

grama). Em áreas pouco permeáveis devem ser instalados drenos para eliminar águas paradas.

  • 21.2.2. Valetas de Infiltração

São valetas revestidas com vegetação (grama) adjacentes a ruas e estradas ou junto às áreas de estacionamento para favorecer a infiltração.

  • 21.2.3. Lagoas de Infiltração

São projetadas com nível d´água permanente e volume de espera.

  • 21.2.4. Bacias de Percolação

314

É construída por meio da escavação de uma valeta que posteriormente é preenchida com brita ou cascalho, sendo sua superfície reaterrada. O material granular promove a reservação temporária do escoamento, enquanto a percolação se processa lentamente para o subsolo.

  • 21.2.5. Pavimentos Porosos

a) São constituídos normalmente de concreto ou asfalto convencionais, dos quais foram retiradas as partículas mais finas. Podem ser construídos sobre camadas permeáveis geralmente bases de material granular.

21.2.4. Bacias de Percolação 314 É construída por meio da escavação de uma valeta que posteriormente

b) Elementos celulares, normalmente de concreto, também colocados sobre a base granular.

21.2.4. Bacias de Percolação 314 É construída por meio da escavação de uma valeta que posteriormente

315

315 21.2.6. Infiltração São medidas de contenção nas fontes mais recomendadas, quando não se dispõe de

21.2.6. Infiltração

São medidas de contenção nas fontes mais recomendadas, quando não se dispõe de espaço ou ainda quando a urbanização existente, já consolidada, inviabiliza outras medidas. É importante observar a posição do lençol freático como também o tipo de solo.

21.3. DETENÇÃO DE ESCOAMENTOS

É realizada através da reservação dos volumes escoados obtendo-se amortecimento dos picos das enchentes Figura 76.

Vazão 1. Vazão afluente 2. Vazão efluente Qa (1) Qe (2) Tempo
Vazão
1. Vazão afluente
2. Vazão efluente
Qa
(1)
Qe
(2)
Tempo

Figura 76 Efeito da detenção a jusante das enchentes.

316

21.4. BACIAS DE RETENÇÃO São reservatórios de superfície que sempre contêm água com as seguintes finalidades:
21.4.
BACIAS DE RETENÇÃO
São reservatórios de superfície que sempre contêm água com as seguintes finalidades:
-
Recreacionais.
-
Paisagistas.
-
Abastecimento.
21.5.
BACIAS DE DETENÇÃO

São “reservatórios” secos durante as estiagens, mas projetados para reter as águas superficiais apenas durante e após as chuvas.

316 21.4. BACIAS DE RETENÇÃO São reservatórios de superfície que sempre contêm água com as seguintes

OBSERVAÇÃO: Estas bacias podem ser usada em épocas de estiagens para lazer, como por exemplo futebol.

DIMENSIONAMENTO

Num dos métodos mais utilizados para o dimensionamento de volume de reservação é o do Hidrograma da Fórmula Racional (Figura 77). Este método tem por objetivo preservar as condições naturais ou originais das enchentes locais.

317

Volume de Reservação (área do triângulo ABCD)
Volume de Reservação
(área do triângulo ABCD)

Figura 77 Hidrograma da Fórmula Racional

Onde:

V R é o volume de reservação para obter a condição original e ou natural anterior à urbanização, isto é, “impacto ambiental zero”.

OBSERVAÇÃO: O tempo de base de cada um corresponde ao dobro do tempo de concentração.

De acordo com a figura 67, temos

V R = [ Q (atual) Q (pret.) ] . t c (pret.)

Considerações sobre os reservatórios:

Local:

-

Área disponível, se não pertencer à prefeitura deve ser desapropriada.

Revestimento:

-

Concreto.

-

Vegetação (grama).

Taludes:

-

Em função do tipo de terreno (argiloso ou arenoso).

Furma:

-

Retangular (concordando os cantos “vivos”, com semi-circunferências).

Profundidade:

-

Varia de 1,50 a 5,00m, dependendo do solo, da área disponível, lençol freático

etc.

Cobertura:

318

  • - Laje em concreto armado, quando utilizar o local para área de lazer,

estacionamento, etc.

Estrutura de Entrada:

  • - Galeria (existente ou não).

Estrutura de Saída:

  • - Orifícios no fundo e em outras cotas superiores.

  • - Vertendo em níveis diferentes.

21.6. RETARDAMENTO DA ONDA DE CHEIA

  • 21.6.1. Considerações

O retardamento da onda de cheia consiste na diminuição da velocidade média em canalizações convencionais, isso resulta no aumento do tempo de percurso dessa onda, com o aumento do tempo de concentração da bacia e finalmente, a redução nos picos de vazão.

  • 21.6.2. Procedimentos

  • - Manter tanto quanto possível o traçado natural do rio ou córrego com suas curvas e alargamentos.

  • - Reduzir as declividades através de degraus ou no pior caso, manter as declividades naturais.

    • - Revestir os canais, rios, córregos, com gabiões, enrocamentos, gramas desde

que compatíveis com as velocidades desejadas.

  • - Dotar a seção hidráulica de patamares, mantendo-se as vazões mais freqüentes

contidas no leito menor. No leito maior devem ser previstos parques e áreas de lazer.

  • 21.7. POLDERS

319

Os polders são sistemas compostos por diques de proteção, redes de drenagem e sistemas de bombeamento. Visam proteger as áreas ribeirinhas ou litorâneas que se situam em cotas inferiores às dos níveis d´água que ocorrem durante os períodos de enchentes ou marés.

  • 21.8. GRANDES ÁREAS IMPERMEABILIZADAS

    • 21.8.1. Objetivos

Ampliar as áreas permeáveis quando possível ou até mesmo através de certas estruturas reservar a água precipitada por meio da inundação controlada em certos pontos como pela implantação de reservatórios.

  • 21.8.2. Reservatórios de Armazenamento das Águas de Chuva

É obrigatória na Cidade de São Paulo a execução de reservatórios para águas coletadas por coberturas e pavimentos nos lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a 500m 2 (A ≥ 500m 2 ). É recomendada a seguinte fórmula:

Onde:

V R = 0,15 . A T . p . t d

V R - é o volume do reservatório em m 3 ; A T - a área impermeável do terreno em m 2 ; p a precipitação para 60 mm/h (0,06m/h); t d tempo de duração da chuva (1h).

OBSERVAÇÃO: Para áreas de estacionamentos, além da reservação, é obrigado deixar uma área permeável de 30% da área do terreno.

21.9. CALÇADÕES

  • 21.9.1. Considerações

  • - Não têm sarjetas.

  • - Só possuem declividade longitudinal.

  • - Tráfego de pedestres durante o “dia”.

320

  • - Trânsito de veículos durante a noite (madrugada) para abastecimento de lojas.

  • - Em geral, são áreas centrais.

    • 21.9.2. Critérios de Projeto

  • - É recomendado o método racional: Q = C . i m . A

Onde C = 0,95; T = 5anos e t c = 5 minutos.

  • - A captação é feita por caixas grelhadas com as aletas das grelhas em ferro

fundido inclinadas que dá mais segurança aos pedestres cegos com bengalas e mulheres com salto alto. Figura 78.

21.9. CALÇADÕES 21.9.1. Considerações - Não têm sarjetas. - Só possuem declividade longitudinal. - Tráfego de

Figura 78 Planta e cortes de uma grelha para calçadão (EMURD).

EXERCÍCIO

321

Dados de uma bacia hidrográfica anterior e posterior ao desenvolvimento na região de Maringá:

  • - Área (A): A = 80.000 m 2 = 8ha.

  • - Comprimento da talvegue (L): L = 205m

  • - Declividade média do talvegue (I l ): I l = 0,05m/m

  • - Características do terreno da área em questão.

ATUAL: Terreno com erosão, endurecido e desnudo. PRETENDIDA: Terreno coberto com vegetação do tipo pasto denso e médio.

  • - Tempo de recorrência (T): T = 7 anos.

Determinar o volume de reservação, utilizando o hidrograma da fórmula racional,

considerando o impacto ambiental zero. Resp.: V R = 455m 3 .

322

22. ELEMENTOS DE MICRO-DRENAGEM URBANA (WILKEN, 1978).

22.1. SEÇÃO TRANSVERSAL

A seguir temos as seções transversais de ruas e avenidas.

22.1.1 Seção transversal de ruas. 2% 2% TABELA DE DIMENSÕES (metros) PISTA PASSEIO (calçada + grama)
22.1.1 Seção transversal de ruas.
2%
2%
TABELA DE DIMENSÕES (metros)
PISTA
PASSEIO
(calçada + grama)
LARGURA
(m)
TOTAL DA RUA
8,00
3,00
14,00
8,00
3,50
15,00
8,00
4,00
16,00
10,00
5,00
20,00
OBSERVAÇÃO.: I longitudinal (ruas e avenidas): I L ≥1%

22.1.2. Seção transversal de avenidas

323

22.1.2. Seção transversal de avenidas 323

22.2.SARJETAS

  • 22.2.1. Conceito e Finalidade

324

Sarjetas são calhas coletoras de água pluviais oriundas das ruas e avenidas localizadas entre o término da pista (leito carroçável) e os meios fios. Se não houver vazão excessiva o abaulamento das vias públicas faz com que as águas provenientes da precipitação escoem nas sarjetas. O excesso de vazão ocasiona inundações das calçadas, e as velocidades altas podem até erodir o pavimento, portanto as sarjetas têm as funções de evitar inundação do passeio e certa faixa da pista conseqüentemente dar segurança aos pedestres e veículos. A figura 79 mostra em detalhe de uma sarjeta, meio-fio e pavimentação usada pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos de Maringá.

0,10 CAPA CBUQ 2% 0,15 0,25 0,10 0,15 0,10
0,10
CAPA CBUQ
2%
0,15
0,25
0,10
0,15
0,10

Figura 79 Detalhe do meio-fio e sarjeta-pavimentação com capa CBUQ.

  • 22.2.2. Vazão nas sarjetas

A capacidade de vazão nas sarjetas depende de sua forma, declividade e rugosidade. A fórmula de Manning pode ser usada para o cálculo de vazão (não é constante ao longo de seu comprimento) em sarjetas, onde o coeficiente de rugosidade n varia devido ao efeito da contribuição lateral de água proveniente da pista do escoamento raso e esparramado, da profundidade variável transversalmente e da tensão de cisalhamento junto ao meio fio (paredes irregulares) é irregular.

325

Os valores de “n” de Manning adotados são os seguintes:

 

Sarjeta de concreto com bom acabamento

 

n = 0,012

 

Pavimento de asfalto

   
 

textura lisa

 

n = 0,013

textura áspera

n = 0,016

Sarjeta de concreto com pavimento de asfalto

 
 

textura lisa

 

n = 0,013

textura áspera

n = 0,015

OBSERVAÇÃO:

Para

sarjetas

com

pequenas

declividades

onde

possam

ser

acumulados sedimentos os valores de “n” devem ser aumentados.

22.2.3. Cálculo da capacidade de vazão de uma sarjeta (Q s )

A figura 80 mostra a secção transversal da sarjeta (canal triangular) junto ao meio fio.

325 Os valores de “n” de Manning adotados são os seguintes: Sarjeta de concreto com bom

Figura 80 Secção transversal junto ao meio fio.

onde:

y altura da guia-meio fio (y 15cm) y 0 altura da lâmina de água máxima nas sarjetas (y 0 10cm) faixa máxima de inundação Considerando a figura 11, temos:

A =

y 0

  • 2 (área molhada)

326

 y

R H =

2

(y

0

Dadas:

326  y R = 2  (y 0 Dadas:  0 (raio hidráulico) y 0
  • 0 (raio hidráulico)

y

0 2

2

)

Q = A · V (equação da continuidade)

nQ R 2 3 I = A · H
nQ
R
2
3
I
= A ·
H

(composição de fórmulas)

Isolando Q, na última equação, vem:

Q =

2 A  R 3  I H
2
A
R
3
I
H
 

n

Portanto:

Q =

y 0

 

·

2n

 

Chamando:

 

N =

y 0

 

·

2n

 

2

 

  • 1

  • 2

  • 0

 

y

  • 0

y

2

2

3

2

 

  • 1

  • 2

  • 0

 

y

  • 0

y

2

2

3

·

I
I

, temos

I Q s = N ·
I
Q s = N ·

CONSIDERAÇÕES:

01)

A faixa máxima de inundação (ℓ) pode variar desde a água escoando só nas

sarjetas onde ℓ = 0,30m e y 0 = 0,10m até no máximo onde a água escoa por toda a calha da

rua onde ℓ varia para cada tipo de rua desde a guia até o eixo da rua e y 0 = 0,15m.

02)

N encontra-se tabelado nos anexos. Drenagem de vias.

03)

A vazão na sarjeta (capacidade da sarjeta) deve ser maior à dada pelo método

racional (vazão pluvial), isto é, Q s > Q p .

327

04)

Quando a vazão pluvial na sarjeta Q p for igual ou maior que a vazão na sarjeta

Q s , deve-se localizar a 1ª boca de lobo.

05) A velocidade e a vazão máxima nas sarjetas estão associadas as características da secção da rua. Normalmente as velocidades estão compreendidas entre 0,5m/s ≤ V ≤

3,0m/s.

Para o

cálculo da vazão em

sarjetas também pode ser usada a seguinte fórmula

elaborada por Izzard.

1 I 2 Q s = 0,375 · Z n · y 0 ·
1
I
2
Q s = 0,375 ·
Z n
· y 0 ·

Ou

Q  K . I S
Q
 K
.
I
S

onde:

Q s : vazão na sarjeta em m 3 /s. y 0 : altura da água na sarjeta no alinhamento do meio fio, em m.

Z: inverso da declividade transversal da sarjeta (Z = tg0 =

).

y

0

I: declividade em m/m. K: tabelado (anexo) em l/s.

328

328

329

22.3. CAPTAÇÃO DAS ÁGUAS DAS SARJETAS

  • 22.3.1. Definição

A captação é uma estrutura hidráulica destinada a interceptar e coletar as águas pluviais que escoam pelas sarjetas para, em seguida, encaminhá-las as canalizações subterrâneas. Estas estruturas hidráulicas são denominadas de BOCAS-DE-LOBO (B.L.)

  • 22.3.2. Localização das bocas de lobo (B.L.)

Recomendam-se alguns critérios, tais como:

  • 1. Quando for ultrapassada sua capacidade de engolimento ou houver saturação

da sarjeta (ambos os lados da via).

  • 2. Deverá haver bocas-de-lobo nos pontos mais baixos por receberem

contribuições dos dois lados (sentidos).

  • 3. Nos cruzamentos (esquinas de ruas e ou avenidas) “antes” das faixas de

pedestres.

  • 4. Não dispondo de dados

sobre a capacidade

de escoamento das sarjetas,

recomenda-se um máximo espaçamento de 80m entre duas bocas de lobo, consecutivas.

  • 22.3.3. Dimensionamento hidráulico das B.L.

Símbolos que serão utilizados

Q 0 : vazão na sarjeta (à montante) em m 3 /s; Q c : vazão captada pela boca de lobo em m 3 /s; I: declividade longitudinal da sarjeta em m/m; θ 0 e θ: ângulo entre a seção transversal da rua e a vertical; y 0 : altura da água na sarjeta, em m; y: altura da água na sarjeta (à montante), em m; L: comprimento da abertura da boca de lobo, em m; n: coeficiente de rugosidade de Manning, em m; w: largura da depressão, em m; a: altura da depressão na extremidade de montante da boca de lobo, em m;

330

b: altura da depressão na extremidade de jusante da boca de lobo, em m; K: é igual a 0,23, 0,20 e 0,18 respectivamente para os valores de tgθ iguais a 12, 24 e 48.

22.3.4. Tipos de bocas de lobo

Entende-se por depressão um rebaixamento feito na sarjeta junto a entrada da boca de lobo, com a finalidade de aumentar a capacidade de captação.

22.3.4.1. Bocas de lobo com abertura na guia

As bocas de lobo com entrada pela guia são as mais utilizadas em nosso País. Podemos observar que a água escoando pela sarjeta ao entrar pela abertura na guia ela precisa mudar de direção. Quanto maior a declividade da sarjeta maior a porcentagem de água que passa pela boca de lobo sem ser captada. Para aumentar a porcentagem de captação da água pela boca de lobo é recomendado um rebaixamento (depressão) na sarjeta de uns 5 cm junto a boca de lobo direcionando o fluxo. O comprimento da abertura depende de vários fatores, como a vazão máxima à receber, a altura da lâmina de água na sarjeta ao encontrar a boca de lobo e a depressão na sarjeta ao longo da boca de lobo. A caixa de captação (alvenaria de tijolo ou bloco de concreto) fica situada sob o passeio e possui tampa em concreto armado. A altura máxima da abertura varia de 10 a 13 cm geralmente é limitada pela altura da guia (meio fio) que é em torno de uns 15 cm. Se as águas se acumularem sobre a boca de lobo (em ponto baixo da sarjeta) e a altura da carga de água for menor que a altura da abertura na guia, esse tipo de boca de lobo passa a funcionar como um vertedor de parede espessa, horizontal, cuja vazão Q é dada pela fórmula a seguir.

3 2 Q = 1,705 ∙ C d · L · y 0
3
2
Q = 1,705 ∙ C d · L · y 0

Onde:

Q: vazão em m 3 /s C d : coeficiente de vazão

L: comprimento da abertura da B.L. em metros y 0 : lâmina de água na entrada em metros.

Alguns valores de C d :

  • - C d = 0,89, para y 0 = 0,06 m

  • - C d = 0,91, para y 0 = 0,12 m

  • - C d = 0,94, para y 0 = 0,18 m

331

OBSERVAÇÃO: Esta fórmula considera que o escoamento de aproximação da água na B.L não é uniforme.

Se a altura da água sobre o local for maior do que o dobro da altura da abertura na guia, a vazão será dada pela fórmula de orifícios.

Q = 3,101 · L · h ·

y
y

Onde:

Q = vazão em m 3 /s L: comprimento da abertura da B.L. em metros h: altura da abertura na guia em metros y: profundidade da água acima da cota média da abertura na guia em metros.

OBSERVAÇÃO: A capacidade hidráulica de engolimento de uma B.L. padrão é de no máximo 60 l/s.

A figura a seguir (Figura 81) mostra uma boca de lobo com abertura na guia.

332

LATERAL
LATERAL

Figura 81 Planta, vista lateral e corte transversal de uma boca de lobo com abertura na guia.

A) Boca de lobo sem depressão (y = y 0 ) As figuras 82 mostram transversalmente uma B.L. sem depressão, e uma secção A-A feita na mesma B.L.

332 LATERAL Figura 81 – Planta, vista lateral e corte transversal de uma boca de lobo

Figura 82 Boca de lobo sem depressão.

Para o dimensionamento da boca de lobo sem depressão, emprega-se a seguinte equação proposta por Wilken.

333

9 /16 Q 1  c   n  Q  0 L = 5,44K
9 /16
Q
1
c
  n  Q
0
L
= 5,44K
(tg
)
9/16
I

EXERCÍCIO

Dados de uma boca de lobo sem depressão. Q 0 = 60 l/s, I 0 = 0,03m/m, n = 0,015 e tgθ = 12.

Determinar:

  • 1 -

o comprimento da abertura da boca de lobo para uma captação de 90% da

vazão à montante.

  • 2 -

a vazão a ser captada para uma boca de lobo com 0,80m de comprimento de

abertura no meio fio.

  • 3 a vazão que passa sem ser captada.

-

  • 4 a eficiência da boca de lobo.

-

B) Boca de lobo com depressão (y ≠ y 0 ) As figuras 83 mostram transversalmente uma boca de lobo com depressão e duas seções A-A e B-B feitas na mesma B.L.

333 9 /16 Q 1  c   n  Q  0 L =

Figura 83 Boca de lobo com depressão

Seqüência para dimensionamento de uma boca de lobo com depressão.

334

  • a) determinação da energia específica à montante da boca de lobo (E 0 ):

OBSERVAÇÃO: O conceito de energia específica é a base da teoria atual sobre o escoamento não uniforme.

ou seja,

E 0 =

V

2

0

2g

E 0 =

0,0468

tg  0
tg 
0

·

3 2
3
2

    n I    

·

Q 0
Q
0

+ y 0

 

1,445

+

3 (tg  ) 8 0
3
(tg
)
8
0

·

3  n  Q  8  0   I 
3
 n  Q 
8
0
I
  • b) fixar o valor da depressão a e a largura da depressão w.

A relação usual entre as duas variáveis é: a = w/8; adotando-se w, determina-se a.

  • c) seção B B da figura anterior

tg=

w

w

tg

0

a

  • d) energia específica na boca de lobo (E).

E =

V 2

2g

+ y =

V 0

2g

+ y 0 + a

e)

número de Froude (F r )

....

adimensional

F r =

V

2

2g

= 2

E

y

-

1

f)

calcular M

....

adimensional

g)

calcular c

....

adimensional

M =

L

F r

a

tg

c

=

0,45

1,12

M

335

h) capacidade de captação

Q

  • L = (k + c) · y 3/2 · g 1/2

i) quadros e gráficos

Para facilitar os cálculos, tem-se os valores de E 0 =

V

0

2

2g

+ y 0 (em centímetros) em

função de Q 0 ,

I
I

n

e z = tg0 apresentados no Quadro 1.

V 2 0 Figura 84 – Valores de E 0 = + y 0 em centímetros.
V
2
0
Figura 84 – Valores de E 0 =
+ y 0 em centímetros.

2g

336

As figuras 84, 85 e 86 fornece a relação entre E e y. 0 Figura 85
As figuras 84, 85 e 86 fornece a relação entre E e y.
0
Figura 85 – Relação entre E 0 e y para tan 0 = 12
0
0
0

Figura 86 Relação entre E 0 e y para tan0 = 24

337

E 0 Figura 87 – Relação entre E 0 e y para tan 0 = 48
E 0
Figura 87 – Relação entre E 0 e y para tan 0 = 48
E 0

Quando a capacidade hidráulica de engolimento de uma boca de lobo é menor que vazão pluvial a ser captada, podemos optar por um sistema de bocas de lobo múltiplas, conforme a figura 88.

338

338 Figura 88 – Planta, vista lateral e corte transversal de bocas de lobo múltiplas. EXERCÍCIO

Figura 88 Planta, vista lateral e corte transversal de bocas de lobo múltiplas.

EXERCÍCIO

Dados de uma boca de lobo com depressão. Q 0 = 70l/s; I = 0,023m/m; n = 0,015; W = 60cm; a = 7,5cm; Z = tgθ 0 = 12 e L =

0,90m.

Determinar:

  • 1 a energia específica à montante da boca de lobo (E 0 ).

)

  • 2 a altura da água y (secção B B).

)

  • 3 o número de Froude (F r ).

)

5 )

a vazão a ser captada para K = 0,23

6)

a vazão que passa sem ser captada.

339

5 ) a vazão a ser captada para K = 0,23 6) a vazão que passa

22.3.4.2. Bocas de lobo com grades

São as possuidoras de barras paralelas ao meio fio (guia) e algumas transversais geralmente na forma retangular, ao nível da sarjeta ou num rebaixamento desta. A caixa fica situada sob a faixa da sarjeta. Apenas algumas bocas de lobo são capazes de captar toda a água que a ela chega, salvo se estiverem em depressões de onde a água não tenha outra saída por onde escoar. As grelhas com barras paralelas à guia podem ser perigosas para os ciclistas, por isso de algumas barras transversais, mas se houver muitas transversais (perpendiculares), a água tende a saltar por sobre as barras diminuindo a eficiência quanto à captação. Este tipo de boca de lobo tem demonstrado na prática uma redução da vazão de engolimento considerável e, além disso, é muito comum logo no início da chuva, que pequenos detritos venham a obstruir a entrada da água, reduzindo ainda mais essa vazão. Através da figura 89 podemos constatar os seguintes elementos: a a largura da abertura entre duas barras consecutivas, e a espessura das barras, d a distância entre a guia e a primeira barra da grade, e L 0 o comprimento da grade. Recomendam-se as seguintes relações:

0,4

a e

1,4

0,7

y a 0

2,0

1,0

y

0

d

2,0

5,0

L

0

d

200,0

340

GUIA

d e a
d
e
a

Figura 89 Planta de uma grade de ferro.

OBSERVAÇÃO:

As

bocas-de-lobo

depressão, possuem capacidade muito baixa.

com

grade

de

barras

transversais,

sem

A capacidade da boca-de-lobo com grade, localizada em ponto baixo da sarjeta depende das aberturas e da altura de água sobre a grade.

Se

a altura

(carga) da

água sobre a

grade for até 12cm,

a

grade

atuará como um

vertedor podendo ser aplicada a fórmula de vertedores.

y 3 2 Q P = 1,655 . 0
y
3
2
Q P
= 1,655 .
0

na qual:

Q = vazão por metro linear de perímetro da boca de lobo.

P

y 0 = altura da água na sarjeta sobre a grade, em metros. Se a altura (carga da água sobre a grade for superior a 42cm a grade atuará como um orifício podendo ser aplicada a fórmula para orifícios.

Na qual:

y 1 2 A Q = 2,91 · 0
y
1
2
A Q
= 2,91 ·
0

Q

A

= vazão por metro quadrado de área de abertura da grade, excluindo as áreas

ocupadas pelas barras.

341

y 0 = altura da água na sarjeta sobre a grade, em metros.

Quando y 0 estiver entre 12 e 42cm, isto é, na zona de transição o valor da carga estará entre os valores dados pelas fórmulas citadas. Cabe a cada projetista adotar tal valor.

OBSERVAÇÃO: O resultado deve ser divido por 2, (50% suja) para levar em conta um possível entupimento parcial, supondo que somente a metade do perímetro é utilizada.

A figura 90 mostra esquematicamente uma boca-de-lobo com grade e sarjeta com seção transversal uniforme.

341 y = altura da água na sarjeta sobre a grade, em metros. Quando y estiver

Figura 90 Boca de lobo com grade e seção da sarjeta uniforme.

As equações para dimensionamento podem ser:

1 y 8 I 2 3 0 Q 0 = 0,375 · 0 · Z ·
1
y
8
I
2
3
0
Q 0 = 0,375 ·
0
· Z ·
n
L
g
0
V
·
= m
y
0
0