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Novo registro do cuitelão Jacamaralcyon tridactyla (Vieillot, 1817) em fragmento florestal urbano de Belo Horizonte, Minas Gerais

Tulaci Bhakti Faria Duarte¹ , ³, João Car- los de Castro Pena² & Marcos Rodrigues¹

O cuitelão Jacamaralcyon tridactyla

(Vieillot, 1817) é um galbulídeo que origi- nalmente ocupava áreas de florestas esta- cionais semideciduais na região sudeste do Brasil 1 . Classificado como endêmico para a Floresta Atlântica 2 , a espécie era considera- da muito comum por naturalistas do século XIX, tais como Reinhardt e Lund, que a registraram em matas do interior do estado

de Minas Gerais 1,3,4 . Até o início da década de 1990, eram conhecidos registros em 38 localidades, distribuídas pelos estados do Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais 1 . Após o primeiro re- gistro publicado para a espécie para o estado da Bahia em 2002 5,6 , foi possível verificar a partir de revisão bibliográfica, uma signifi- cativa redução de registros publicados para J. tridactyla, sendo o mais recente em 2012, na região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) 7 . Listas regionais consideram o cuitelão atualmente extinto na natureza no estado de São Paulo, vulnerável em Minas Gerais e deficiente em dados no Rio de Ja- neiro 8 . A redução em sua distribuição é um dos fatores que fazem com que a espécie seja considerada como Vulnerável à extin- ção pela IUCN 6 . Atualmente estão disponíveis poucas in- formações sobre a distribuição da espécie, assim como sobre sua história de vida 9,10 . Dessa forma, o objetivo desta nota é divul- gar o registro de J. tridactyla em um frag- mento de mata no interior de área urbana no município de Belo Horizonte, Minas Gerais. Para a RMBH os primeiros registros datam de 1993, em três localidades: Manancial do Barreiro, Parque Fernão Dias e Parque dos Buritis 10 . Estes eventos demonstram a im- portância destes remanescentes florestais urbanos para a biodiversidade, Nas manchas florestais onde é encontrado, J. tridactyla normalmente ocorre próximo aos cursos d’água, em regiões nas quais o sub-bosque é preservado 9,10 . Como é en- contrado em manchas florestais inseridas em paisagens urbanas 9,10 , além de áreas re- florestadas com eucalípto 11 , aparentemente não é muito sensível às modificações em seu habitat. Os registros que descrevemos aqui confirmam tais observações.

No dia 15 de fevereiro de 2014, em visi-

ta a Mata do Isidoro, região ainda composta

predominantemente por vegetação nativa lo- calizada na região norte de Belo Horizonte (19°48’44’’S, 43°54’27’’W; 738m), foram

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(19°48’44’’S, 43°54’27’’W; 738m), foram 24 Figura 1. Indivíduos de Jacamaralcyon tridactyla

Figura 1. Indivíduos de Jacamaralcyon tridactyla registrados na Mata do Isidoro, Belo Horizonte, Minas Gerais. Foto: Tulaci B. F. Duarte

observados três indivíduos de J. tridactyla em área próxima a um eucaliptal abandona- do e ao córrego que dá o nome ao local. Os indivíduos realizavam pequenos voos a par- tir de um poleiro situado a aproximadamente 10 m do solo (Figura 1). Um dos indivíduos encontrava-se com um inseto em seu bico, o que pode indicar se tratar de um adulto que estava alimentando seus filhotes. No dia 3 de março de 2014, em outra visita ao local, fo- ram observados quatro indivíduos de J. tri- dactyla. A realização de playback com canto obtido no banco de dados Xeno-Canto 12 fez com que dois indivíduos se deslocassem em direção à fonte do som. Nesta observação, os espécimes permaneceram por aproxima- damente 20 min no local, que se encontrava ainda mais degradado, com sinais recentes de queimada. O fato de J. tridactyla ser observado em manchas florestais urbanas degradadas mos- tra a necessidade de estudos sobre a história de vida da espécie. É necessário compreen- der as razões da redução de sua distribuição geográfica e dos requisitos ambientais neces- sários para sua sobrevivência e colonização. Em pesquisa realizada no site WikiAves (em abril/2014), verifica-se que a espécie ainda é encontrada em manchas florestais isoladas nos estados de Minas Gerais 13 , Rio de Janei- ro 14 e Bahia 15 . Em Belo Horizonte foi regis- trada recentemente no Parque Municipal das Mangabeiras, área de preservação localizada na extremidade sul do município 16 . Caso a espécie apresente atualmente distribuição restrita, destacamos a importância da Mata do Isidoro para sua preservação. Esta área de 950 ha é o último e maior remanescente de vegetação nativa do município, compos- to por uma transição entre Mata Atlântica e Cerrado, apresentando fragmentos de mata estacional semi-decidual 17 . Nela são encon- tradas espécies de aves características destes

dois ambientes, como o tangarazinho Ilicura militaris (Shaw & Nodder, 1809) e o sol- dadinho Antilophia galeata (Lichtenstein, 1823). A região atualmente sofre com cons- tantes invasões pelo crescimento desordena- do e com empreendimentos imobiliários em implantação.

Agradecimentos M.R. agradece ao CNPq e a FAPEMIG (PPM) E J.C.C.P. agradece à CAPES.

Referências bibliográficas

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contribuição para a geographia phytobiolo- gica; (4) Krabbe, N. (2007) Revista Brasileira de Ornitologia 15: 331-357; (5) Ribon, R. et al. (2002) Cotinga 17: 46-50; (6) BirdLife Interna- tional (2013) Jacamaralcyon tridactyla www.iuc- nredlist.org; (7) Lopes, L.E., et al. (2012) Atuali- dades Ornitológicas 169: 41-53; (8) Garcia, F.I. & M.Â. Marini (2006) Natureza & Conservação 4: 24-49; (9) Machado, R.B. et al. (1995) Revista Brasileira de Zoologia 12: 743-746; (10) Silveira, L.F. & H.R. Nobre (1998) Cotinga 9: 47-51; (11) Machado, R.B. & I.R. Lamas (1996) Ararajuba 4: 15-22; (12) Albano, C. (2011) Xeno-canto www.xeno-canto.org/XC91476; (13) Souza, A.Z. (2014) WikiAves www.wikiaves.com/1259548; (14) Marins, J.R. (2014) WikiAves www.wiki- aves.com/1283890; (15) Souza, A.Z. (2013) Wiki- Aves www.wikiaves.com/1099345; (16) Lo, V.K. (2014) WikiAves www.wikiaves.com/1247359; (17) Brandão, M. & M.G. Araújo (1992) Daphne 2: 5–12.

¹Departamento de Zoologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Av. Antônio Carlos, 6627, Pampulha, CEP: 31270-901, Belo Horizonte, MG, Brasil. ²Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre – UFMG – joaocpena@gmail.com ³tulacibhakti@yahoo.com.br

Atualidades Ornitológicas, 182, novembro e dezembro de 2014

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