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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ PRESIDENTE DA ÚNICA VARA

DO TRABALHO DE ITAPORANGA - PARAÍBA

M.S., brasileiro, casado, eletricista, nascido aos 07/02/1974,


filho ........................................., residente e domiciliado à Rua Dr. Zezito
Sérgio, s/nº, Bairro São Vicente, Princesa Isabel - PB, por conduto de seu
bastante procurador e advogado in fine firmado, legalmente constituído e
habilitado na forma do instrumento mandatício incluso (Doc. 01), vem à
presença de Vossa Excelência propor a presente RECLAMATÓRIA
LABORAL em face da SAELPA – SOCIEDADE ANÔNIMA DE ELETRIFICAÇÃO
DA PARAÍBA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº
09.095.183/0001-40, com sede na BR230, Km 25, Bairro Cristo Redentor,
João Pessoa – PB, na pessoa do seu representante legal, o que faz com
esteio e à luz da Lei nº 5.889, de 08 de Junho de 1973, c/c o art. 837 da
Legislação Trabalhista Consolidada c/c com o art. 7º e incisos da CF/88,
além dos demais dispositivos aplicáveis a espécie, pelo que passa a
delinear os substratos fáticos e jurídicos que ensejam a presente, para no
final requerer o que se segue:

PRELIMINARMENTE - DA COMPETÊNCIA

Em conformidade com a cópia do Contrato de Trabalho anexo á presente,


vemos que o reclamante fora admitido para prestar serviços na cidade de
Patos – PB, contudo de logo cumpre informar que o mesmo vinha
executando seu labor junto ao escritório da reclamada na cidade de
Princesa Isabel – PB, estando dentro dos limites da circunscrição desta
Justiça Especializada, sendo, portanto, a esta Vara de Itaporanga
competente para dirimir o litígio, senão vejamos o que reza o Art. 651 da
CLT, o qual transcrevemos:

CLT - Art. 651. A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento é


determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado,
prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro
local ou no estrangeiro.

De igual a nossa renomada jurisprudência se posiciona em relação ao


assunto sob comento:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA – COMPETÊNCIA TERRITORIAL –


PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EM LOCAL DIVERSO DAQUELEONDE SE DEU A
CONTRATAÇÃO DO EMPREGADO – 1. Em se tratando de empregador que
promova a realização de atividades fora do lugar da contratação, tem o
empregado a faculdade de ajuizar Reclamação Trabalhista no foro da
prestação de serviços ou no da celebração do contrato de trabalho.
Inteligência do parágrafo terceiro do art. 651 da CLT. 2. Conflito Negativo
de Competência que se julga procedente. (TST – CC 61500 – SBDI 2 – Rel.
Min. José Simpliciano Fernandes – DJU 13.12.2002) JCLT.651

COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO LUGAR – TRABALHO PRESTADO EM VÁRIAS


LOCALIDADES – Quando o empregado presta seu trabalho em várias
localidades, será competente para julgar sua ação, qualquer uma das
varas do trabalho com competência territorial nos locais em que o mesmo
trabalhou, considerando-se, para tanto o menor prejuízo para o mesmo.
Inteligência do art. 651, caput, e § 2º, da CLT. (TRT 14ª R. – RO 0781/02 –
(1626/02) – Rel. Juiz Pedro Pereira de Oliveira – DJRO 12.12.2002)
JCLT.651JCLT.651.2

PRELIMINARMENTE - JUSTIÇA GRATUITA - INTELIGÊNCIA DO ART. 3º, DA LEI


1060/51 - CONCESSÃO

A lei em comento garante aos pobres na forma por ela definida, isenção de
taxas e emolumentos devidos ao Poder Público de quaisquer de suas
esferas, como forma de efetivar o princípio consubstanciado no acesso a
justiça e, na garantia constitucional de apreciação pelo Judiciário de
ameaça ou lesão efetiva aos direito, a todos assegurado.

O texto legal é claro, não se fazendo necessário acompanhar de maiores


explicações ou divagações doutrinárias para demonstrar seu cabimento,
ante o cumprimento das formalidades ali elencadas, como sendo,
declaração de pobreza firmado pelo Promovente, acostada a presente.

O fato da parte está ingressando em Juízo, patrocinada por advogado não


integrante dos quadros da Defensoria Pública, nenhuma influência tem na
concessão do benefício ora pleiteado.

A jurisprudência vem unanimemente confirmando esse entendimento, nos


diversos Tribunais Pátrios, inclusive, sendo também essa posição adotada
pela Corte Paraibana de Justiça, senão vejamos, “ipsis litteris”:

ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA – JUSTIÇA GRATUITA – DIFERENÇA – REQUISITOS –


RECURSO DO ESTADO – DESPROVIMENTO "Não há confundir justiça
gratuita e assistência jurídica ou judiciária (Provimento nº 994, da CGJ).
Para concessão da justiça gratuita, do requerente só se exige ‘simples
afirmação, na própria petição inicial, de que não está em condições de
pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo
próprio ou de sua família’ (Lei nº 1.060/50, art. 4º). Os requisitos do art.
4º do Decreto Estadual nº 1.642/92 devem ser atendidos quando a parte
postula do Estado o pagamento dos honorários do advogado nomeado
assistente jurídico“ (AC nº 46.194). Em relação à primeira hipótese,
compete à parte adversa provar que é falsa a afirmação (AI nº 136.910-0,
Min. Maurício Corrêa). (TJSC – AC 98.006335-3 – SC – 1ª C.Cív. Rel. Des.
Newton Trisotto – J. 18.08.1998)

JUSTIÇA GRATUITA – DEFENSORIA PÚBLICA – ADVOGADO NÃO INTEGRANTE


DA DEFENSORIA – Comprovado que a parte necessita de assistência
gratuita, não importa que seja assistida por advogado não integrante da
Defensoria Pública. O fato de se entender que a nova lei constitucional
não recepcionou o art. 12 da Lei nº 160/1996, não e óbice para a
concessão do benefício, se a parte e assistida por advogado particular.
(TACRJ – Ag 817/96 – (Reg. 611-3) – 4ª C. – Rel. Juiz Sidney Hartung – J.
29.08.1996) (Ementa 44504)

DOS FATOS

O Promovente foi admitido em data de 06 de Maio de 2002 para exercer a


função de Eletricista, cujo contrato fora realizado na cidade de João
Pessoa – PB, sede da empresa reclamada, contudo ficou avençado no
caput da cláusula sexta (local de trabalho) que os serviços seriam
executados na cidade de Patos - PB, e por tal serviço o reclamante
receberia um salário-base mensal de R$ 280,65 (duzentos e oitenta reais e
sessenta e cinco centavos) – cópia do Contrato de Trabalho anexa.

Ao se apresentar para o seu primeiro dia de serviço na cidade de Patos -


PB, o reclamante já teve a sua primeira grande surpresa para com a
reclamada posto que foi no mesmo dia designado, sem a sua anuência, a
prestar serviços na cidade de Cajazeiras – PB.

Diante das péssimas condições de trabalho oferecidas pela empresa ré


nesta cidade e depois de muita insistência por parte do reclamante para
voltar a sua localidade de origem, após 15 (quinze) dias de serviço
prestados na cidade de Cajazeiras, foi o mesmo transferido, também a seu
contragosto, para a cidade de Pombal – PB, tendo laborado por um período
aproximado de 01 (um) ano e 03 (três) meses.

Por fim, mais uma a empresa ré efetuou outra transferência do reclamante


da cidade de Pombal para a cidade de Princesa Isabel – PB, onde prestou
seus serviços de 30 de Agosto de 2003 até o dia 12 de Dezembro de 2005,
quando foi DEMITIDO SEM JUSTA CAUSA pela reclamada em conformidade
com o que se vê do Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho anexo.
Foi o reclamante submetido a uma exaustiva carga horária de trabalho,
posto que além de exercer a função de Eletricista foi o mesmo obrigado a
exercer também a função de motorista, o que chegava a ficar em torno de
aproximadamente 74 hs (setenta e quatro horas) semanais de serviço
efetivamente prestado.

Vale salientar ainda, que como se não bastasse ser submetido a uma
exaustiva carga horária semanal, o reclamante todos os dias ficava de
sobreaviso, exceto no período de gozo de férias anuais, tendo sempre que
manter consigo um rádio (bip) para fins de localização e chamados a
qualquer hora do dia ou da noite pela empresa, até mesmo durante o seu
repouso semanal e muito raramente era o mesmo indenizado por tal,
ficando sempre no prejuízo financeiro em prol do enriquecimento sem
causa da empresa ré.

Durante o decorrer da sua jornada de trabalho de 03 (três) anos, 07 (sete)


meses e 06 (seis) dias para a reclamada, vários direitos trabalhistas foram
tolhidos pela reclamada, o que de certa forma causou um enriquecimento
sem causa em favor da empresa, uma vez que tais direitos foram
postergados durante todo o período do pacto laboral.

Desta feita, tendo se operado a rescisão do vinculo empregatício e não


tendo sido indenizados tais direitos por ocasião da rescisão, apesar de
garantidos pela CONSTITUIÇÃO FEDERAL e pela CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS
DO TRABALHO, restado atropelados ao não deferir nos períodos próprios,
necessário se faz que sejam os mesmos convertidos em verbas
trabalhistas a serem reconhecidas por este juízo e pagas por meio da
indenização correspondente desde o período primeiro aquisitivo.

DAS VERBAS RESCISÓRIAS

Vários foram os direitos do reclamante que foram postergados no decorrer


da vigência do pacto laboral, não restando outra alternativa a não ser
requerer a sua compensação por meio da presente indenização de verbas
trabalhistas pelo tempo de serviço laborado a que faz jus o Reclamante
pela injusta demissão, conforme descriminado abaixo:

I – DA CUMULAÇÃO DE FUNÇÕES

Quando foi instado a celebrar o pacto laboral para com a empresa


reclamada, o reclamante ficou ciente de que exerceria a função de
Eletricista I, é tanto que no seu contrato de trabalho cuja cópia segue
anexa, consta a referida função, o que implica dizer que deveria exercer
suas atribuições na área específica para o qual fora contratado.

Contudo, logo que começou a executar seu serviço o mesmo foi


surpreendido pela atitude da reclamada de que teria que exercer
cumulativamente a função de Motorista, mesmo a referida empresa
contando com profissionais específicos para desempenhar esta função.

Como se tratava de emprego novo e estando necessitando do serviço o


reclamante não fez objeção mesmo passando a assumir responsabilidades
maiores e dobradas diferentes para o qual foi contratado, motivo pelo
qual o mesmo tolerou exercer cumulativamente as 02 (duas) funções para
não perder seu emprego, mesmo sendo ciente de que teria uma carga
maior de trabalho.

Desta forma, por ter exercido cumulativamente as 02 (duas) funções de


Eletricista e Motorista, função esta última para a qual não foi contratado,
concomitantemente com a de Eletricista, tem o reclamante o direito ao
recebimento de contraprestação pelo exercício da função de Motorista na
base legal do piso da categoria, para assim se evitar o enriquecimento
sem causa por parte da reclamada, diante da proibição legal do trabalho
com vínculo subordinativo, sem a respectiva remuneração.

Neste mesmo norte os nossos pretórios e excelsos Tribunais Regionais do


Trabalho se posicionam, senão vejamos:

CUMULAÇÃO DE FUNÇÕES NA MESMA JORNADA DE TRABALHO –


POSSIBILIDADE MEDIANTE COMPENSAÇÃO SALARIAL – Não há óbice legal
para que o empregado acumule funções em um mesmo horário de
trabalho, desde que evidenciada a compatibilidade entre elas e percebida
a conseqüente compensação salarial. Recurso da reclamada desprovido.
(TRT 13ª R. – RO 2334/2000 – (62985) – Rel. Juiz Aluisio Rodrigues – DJPB
06.05.2001)
ACÚMULO DE FUNÇÕES – Tendo restado comprovado o labor em acúmulo
de funções, mediante prova testemunhal, correto o deferimento de
adicional sobre a remuneração. (TRT 4ª R. – REORO 01372.025/95-2 – 8ª T.
– Relª Juíza Conv. Ana Rosa Pereira Zago Sagrilo – J. 04.09.2002)

EMENTA – ACÚMULO DE FUNÇÕES – PLUS SALARIAL – Empregado admitido


para o desempenho de função de supervisor de vendas, e que no curso da
relação contratual passa a executar, cumulativamente, as tarefas de
cobrador. Reconhecimento do direito à percepção deplus salarial, por se
tratar de função de notória responsabilidade, acrescida que foi àquelas
originalmente contratadas. HONORÁRIOS DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA –
"Na Justiça do Trabalho, somente a assistência judiciária prestada pelo
sindicato representante da categoria a que pertence o trabalhador
necessitado enseja o direito à percepção de honorários advocatícios, nos
termos da Lei nº 5.584/70, artigos 14 a 16, no percentual nunca superior a
15%" (Enunciado nº 20 deste TRT). (TRT 4ª R. – RO 00448.003/95-3 – 4ª T. –
Relª Juíza Conv. Denise Pacheco – J. 26.09.2002)

ACÚMULO DE FUNÇÕES – Diferença de salário – Havendo acúmulo de


funções, duplicada a responsabilidade do empregado com as novas
atribuições assumidas, torna-se indispensável um aumento salarial, capaz
de remunerar o incremento de carga de trabalho. (TRT 11ª R. – RO
0943/2002 – (6914/2002) – Rel. p/o Ac. Juiz David Alves de Mello Júnior – J.
22.10.2002)

ACÚMULO DE FUNÇÕES – CARACTERIZADO – Exercendo o recorrente função


para a qual não foi contratado, concomitantemente com as tarefas de seu
cargo, tem ele o direito ao recebimento de contraprestação pelo exercício
da função de vendedor, para assim se evitar o enriquecimento sem causa
por parte da segunda reclamada, sendo certo, igualmente, que é defeso o
trabalho com vínculo subordinativo, sem a respectiva remuneração.
Recurso Ordinário ao qual se dá parcial provimento para acrescer à
condenação o salário correspondente à função de vendedor, de forma
simples, de todo o tempo de serviço, com as repercussões respectivas
sobre todos os demais títulos da condenação. (TRT 6ª R. – RO 1145/2000 –
3ª T. – Relª Juíza Zeneide Gomes da Costa – DOEPE 26.08.2000)

Destarte, requer a este juízo que uma vez reconhecida a cumulação de


funções por parte do reclamante, seja o mesmo devidamente indenizado
na base de 01 (um) piso salarial da categoria profissional de motorista por
cada mês de serviço prestado, para que a relação empregatícia, através
de indenização, seja equilibrada entre as partes.

II – DA AJUDA DE CUSTO MORADIA

Como alhures devidamente explicado, o reclamante no decorrer da sua


jornada de trabalho, foi transferido da sua localidade de origem por 03
(três) vezes com mudança de domicílio.

Como dito, foi contratado para prestar serviço na cidade de Patos, tendo
logo no primeiro dia sido designado, sem a sua anuência, a prestar
serviços na cidade de Cajazeiras, após 15 (quinze) dias de serviço
prestados foi o mesmo transferido, também a seu contragosto, para a
cidade de Pombal – PB, tendo laborado por um período aproximado de 01
(um) ano e 03 (três) meses e mais uma vez sido removido para a cidade de
Princesa Isabel – PB, onde prestou seus serviços até o dia 12 de Dezembro
de 2005 quando fora demitido sem justa causa.
O parágrafo terceiro do art. 469 da Consolidação das Leis do Trabalho
prevê a figura jurídica da ajuda de custo moradia com muita clareza:

Art. 469. Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua


anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se
considerando transferência a que não acarretar necessariamente a
mudança de seu domicílio.

§ 3º. Em caso de necessidade de serviço o empregador poderá transferir o


empregado para localidade diversa da que resultar do contrato, não
obstante as restrições, do artigo anterior, mas, nesse caso, ficará
obrigado a um pagamento suplementar, nunca inferior a 25% (vinte e
cinco por cento), dos salários que o empregado percebia naquela
localidade, enquanto durar essa situação.

Nossa jurisprudência também é unânime neste sentido, conforme abaixo


vemos:

ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA – Enquanto estiver sendo transferido por


interesse da Administração para exercer suas atividades fora de sua
unidade de origem, o Reclamante possui direito ao adicional de 25%
previsto no art. 469, § 3º, da CLT, por força da cláusula prevista no edital
de concurso interno a que se submeteu, que atribuiu um caráter precário
e provisório a permanência em nova lotação. Recurso de Revista não
conhecido. (TST – RR 589940 – 5ª T. – Rel. Min. Rider Nogueira de Brito –
DJU 11.10.2002)
42031388 – A ajuda de custo paga habitualmente e inferior a 50% do
salário do reclamante, deve integrar a base de cálculo das horas extras.
(TRT 5ª R. – AP 01.07.97.1497-55 – (21.137/02) – 3ª T. – Rel. Juiz Odimar
Leite – J. 01.10.2002)

TRANSFERÊNCIA DE EMPREGADO – POSSIBILIDADE E O PAGAMENTO DO


ADICIONAL CORRESPONDENTE – De acordo com o disposto no art. 469, §§
1º e 3º, da CLT, o fato da possibilidade de transferência de um empregado
constar do contrato como condição explícita ou implícita, ou ainda o fato
do empregado exercer função de confiança, não exime o empregador do
pagamento do adicional. O que se depreende da norma é que, decorrendo
a transferência da real necessidade de serviço, o empregador pode
transferir, mas fica obrigado a pagar ao empregado o adicional
correspondente. (TRT 8ª R. – RO 1295/2002 – 2ª T. – Rel. Juiz José Edílsimo
Eliziário Bentes – J. 09.10.2002)

Desta forma, requer a este juízo que uma vez reconhecida a mudança de
domicílio a contragosto do reclamante, seja o mesmo devidamente
indenizado na base de no mínimo 25% (vinte e cinco por cento) do salário
percebido pelo reclamante por cada mês de serviço prestado durante todo
o pacto laboral.
III – DO SOBREAVISO

Como já acima dito, o reclamante além de uma exaustiva carga horária


semanal de aproximadamente 74 (setenta e quatro) horas, todos os dias
da semana, incluindo-se o seu repouso semanal tinha que ficar sempre de
sobreaviso, contudo a reclamada não lhe pagava integralmente por tal,
sendo quitado pela empresa apenas em média apenas 10 (dez) ou 15
(quinze) horas por mês, quando na verdade o reclamante ficava no mínimo
144 (cento e quarenta e quatro) horas de sobreaviso.

A figura do sobreaviso está prevista no art. 244 da CLT, sendo aplicada


analogicamente ao presente caso, a norma inserida no parágrafo segundo
do mesmo artigo, conforme se nota do texto legal abaixo transcrito:

Art. 244. Omissis.

§ 2º. Considera-se de "sobreaviso" o empregado efetivo, que permanecer


em sua própria casa, aguardando a qualquer momento o chamado para o
serviço. Cada escala de "sobreaviso" será, no máximo, de vinte e quatro
horas. As horas de "sobreaviso", para todos os efeitos, serão contadas à
razão de 1/3 (um terço) do salário normal.

Na mesma linha de pensamento trilha o entendimento dos nossos


tribunais, formando jurisprudência uníssona neste limiar:

SOBREAVISO – REGIME (DE) SOBREAVISO – ESCALA DE 48 HORAS – Se o


empregado permanece de sobreaviso após as 24 horas previstas no
parágrafo 2º do art. 244 da CLT, com prejuízo do repouso semanal, no
todo ou em parte, fica o empregador obrigado a pagar em dobro o dia de
repouso, ou as horas do repouso tomadas pelo sobreaviso, salvo se for
concedida folga compensatória em outro dia da semana, nos termos do
art. 9º da lei 605/49. (TRT 2ª R. – RO 20010280477 – (20020120790) – 9ª T.
– Rel. Juiz Luiz Edgar Ferraz de Oliveira – DOESP 05.04.2002)

SOBREAVISO – PORTE DE BIP – O porte do BIP implica restrição à livre


locomoção, visto possuir o aparelho um raio de ação que, extrapolado,
impede a captação de mensagens. Mesmo não obrigado a permanecer em
sua residência, o empregado tem tolhida a liberdade de movimentação,
numa situação em que pode a qualquer momento ser convocado. Não
fosse essa a finalidade do aparelho, não se vislumbraria razoabilidade
prática em sua adoção. Direito a horas de sobreaviso, por aplicação
analógica do art. 244, parágrafo 2º, da CLT. (TRT 2ª R. – RO 20000422147 –
(20020032565) – 8ª T. – Relª Juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva –
DOESP 19.02.2002)

RECURSO ORDINÁRIO DO AUTOR – HORAS DE SOBREAVISO E REFLEXOS –


Condenação da reclamada a pagar ao reclamante diferença de horas de
sobre-aviso, à razão de 1/3 do valor da hora normal, assim consideradas
todas as jornadas, exceto as horas de labor efetivo, abatidas as horas
pagas a este título, com reflexos nos repousos semanais remunerados,
férias, com 1/3 de acréscimo e gratificações natalinas. Recurso provido
parcialmente. (TRT 4ª R. – RO 01191.002/00-4 – 3ª T. – Relª Juíza Jane Alice
de Azevedo Machado – J. 23.10.2002)

ADICIONAL DE PERICULOSIDADE SOBRE HORAS DE SOBREAVISO – Trata-se


o adicional de periculosidade de verba remuneratória, logo, integra a base
de cálculo das horas de sobreaviso. Aplicação do entendimento
consubstanciado no Enunciado nº 264. Apelo da reclamada negado, no
tópico. (TRT 4ª R. – RO 00822.861/96-8 – 6ª T. – Relª Juíza Conv. Cléia
Maria Xavier Vieira Braga – J. 24.10.2002)

HORAS DE SOBREAVISO – USO DE RÁDIO TRANSMISSOR APÓS O TÉRMINO


DA JORNADA – Comprovado que o reclamante ficava na posse e mantinha
rádio transmissor ligado mesmo após o término da jornada, isso com o
objetivo de atender a eventuais problemas com veículos da reclamada,
impõe-se deferir-lhe horas de sobreaviso, por aplicação analógica do
previsto no artigo 244 da CLT. Recurso provido no tópico. (TRT 4ª R. – RO
00126.019/97-5 – 1ª T. – Relª Juíza Maria Guilhermina Miranda – J.
05.09.2002)

Tais posições se amoldam perfeitamente ao caso em tela.

Desta forma, requer a este juízo que uma vez reconhecida o estado de
sobreaviso ao qual o reclamante era obrigado a ficar, seja o mesmo
devidamente indenizado na base de no mínimo 114 (cento e quatorze)
horas por cada mês de serviço prestado durante todo o pacto laboral.

IV – DAS HORAS EXTRAS

De acordo com o descrito acima, o reclamante tinha uma carga horária


semanal de aproximadamente 74 (setenta e quatro) horas, o que equivale
a uma média de 30 (trinta) horas extras por semana, ou seja, 120 (cento e
vinte) horas extras por mês.
Do total de 120 (cento e vinte) horas extras trabalhadas, 40 (quarenta)
destas horas eram na base de 50% (cinqüenta por cento) de acréscimo e
80 (oitenta) horas na base de 100% (cem por cento) de acréscimo,
considerando o período em que as mesmas eram laboradas.

De acordo com o que se vê dos contracheques do reclamante anexos,


vemos que a empresa reclamada somente lhe pagava em média
aproximadamente 35 (trinta e cinco) horas extras por mês, o que resta um
saldo de aproximadamente 85 (oitenta e cinco) horas extras por mês que
não foram pagas ao reclamante.

De igual modo cumpre informar a Vossa Excelência que quando do


pagamento das demais verbas como 13º salário, férias + 1/3, adicional de
periculosidade, adicional noturno, abonos salariais, FGTS, multa rescisória
do FGTS, aviso prévio, sobreaviso, ajudo de custo moradia, cumulação de
funções, não houve incidência dos reflexos das sobreditas horas extras
nos títulos já quitados.

Trazemos à colação o Enunciado nº 172 do Tribunal Superior do Trabalho,


que reza o seguinte:

ENUNCIADO Nº 172 - REPOUSO REMUNERADO - HORAS EXTRAS – CÁLCULO


- Computam-se no cálculo do repouso remunerado as horas extras
habitualmente prestadas.

Neste mesmo norte, se perpetua nossa jurisprudência, senão vejamos


alguns julgados que tratam da matéria:

HORAS EXTRAS – PAGAMENTO EXTRA RECIBOS – REFLEXOS DEVIDOS –


Restando provada a realização de horas extras cujo pagamento não
constou de recibos, são devidos seus reflexos nos demais títulos
contratuais e rescisórios ante a ausência de prova de sua quitação.
Recurso Ordinário patronal a que se nega provimento. (TRT 2ª R. – RO
20010220903 – (20020700541) – 7ª T. – Relª Juíza Anelia Li Chum – DOESP
22.11.2002)

HORAS EXTRAS – HABITUALIDADE – REFLEXOS – O valor das horas extras


pagas com habitualidade se incorpora à remuneração para fins de
pagamento das verbas devidas ao trabalhador. (TRT 13ª R. – RO 548/2001
– (63308) – Rel. Juiz Vicente Vanderlei Nogueira de Brito – DJPB
24.05.2001)
Destarte, requer a este juízo que uma vez reconhecida o número de 120
(cento e vinte) horas extras trabalhadas, sendo 40 (quarenta) destas
horas na base de 50% (cinqüenta por cento) de acréscimo e 80 (oitenta)
horas na base de 100% (cem por cento) de acréscimo e considerando que
a empresa reclamada somente lhe pagava em média aproximadamente 35
(trinta e cinco) horas extras por mês, seja a reclamada condenada a pagar
aproximadamente 85 (oitenta e cinco) horas extras por cada mês de
serviço prestado ao reclamante na proporção acima mencionada.

V – DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE

Se analisarmos perfunctoriamente os contracheques do reclamante


veremos que o mesmo recebeu na maioria dos meses o adicional de
periculosidade, contudo, se fizermos uma leitura mais acurada dos valores
descritos facilmente perceberemos que os valores pagos somente fazem
referência ao salário-base do reclamante, ou seja, a verba não era paga
em relação aos demais direitos, como por exemplo em relação as horas
extras.

Vejamos o que reza a jurisprudência pátria em relação ao tema:

ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – HORAS EXTRAS – REFLEXOS – O


adicional de periculosidade deve refletir nas horas extras habitualmente
prestadas. Não se cuidando de indenizações, mas de acréscimos
destinados a conferir um valor diferenciado à hora extra e ao trabalho em
situação de risco, afigura-se de fácil intelecção que, ao ser aplicado, o
índice do adicional de periculosidade já encontra legalmente incorporado
ao salário o plus retributivo da sobrejornada. (TRT 2ª R. – RO 19990575595
– (20010111489) – 8ª T. – Relª Juíza Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva
– DOESP 10.04.2001)

De igual modo, em nenhuma das demais verbas o adicional incidia, basta


que verifiquemos os contracheques que são a prova maior disto.

Neste entender os Tribunais Regionais do Trabalho de posicionam da


seguinte forma:

ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – Segundo a prova pericial e a própria


descrição de atividades da demandada, o reclamante trabalhou sob
condições de risco ao longo do contrato de trabalho. REFLEXOS DO
ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – Sendo o adicional de periculosidade
parcela de cunho remuneratório a teor do contido no artigo 7º, XXIII, da
CF, deve ser integrado em horas extras, férias, 13º salário, aviso prévio e
FGTS, acrescido de 40%. (TRT 4ª R. – RO 00096.611/00-6 – 7ª T. – Relª Juíza
Dionéia Amaral Silveira – J. 17.09.2002)
INSALUBRIDADE OU PERICULOSIDADE (ADICIONAL) – INTEGRAÇÃO –
ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – NATUREZA DA VERBA – REFLEXOS – O
adicional de periculosidade possui natureza salarial, porque se destina a
remunerar o trabalho em condições de perigo. Desta forma, por tratar-se
de parcela da remuneração, gera reflexos nas demais verbas contratuais e
rescisórias. Neste sentido, analogicamente, dispõe o procedente
jurisprudencial nº 102 da sdi-1 do c. Tst. (TRT 2ª R. – RO
21713200290202002 – (20020805963) – 4ª T. – Rel. Juiz Paulo Augusto
Camara – DOESP 17.01.2003)

ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – INTEGRAÇÃO – REFLEXOS – O pagamento


habitual do adicional de periculosidade integra o cálculo da remuneração
do empregado, devendo refletir nos demais adicionais, como os de horas
extras e do trabalho noturno, ante as condições duplamente danosas à
saúde do trabalhador. (TRT 15ª R. – Proc. 1937/98 – (31667/02) – 1ª T. –
Rel. Juiz Eduardo Benedito de Oliveira Zanella – DOESP 15.07.2002 – p.
250)

Sendo assim, requer a este juízo que uma vez reconhecida o adicional de
periculosidade o qual o reclamante fazia jus, seja o mesmo devidamente
indenizado pelos reflexos nas demais verbas trabalhistas como horas
extras, férias + 1/3, 13º salário, aviso prévio, FGTS e multa rescisória,
adicional noturno, abonos salariais, sobreaviso, ajuda de custo moradia e
cumulação de funções durante todo o período do pacto laboral.

VI – DO SALÁRIO FAMÍLIA

Durante o decorrer do contrato de trabalho mantido com a reclamada, a


verba do Salário Família durante a maior parte do tempo não foi quitada
pela empresa, basta para isso verificamos os contracheques do
reclamante para constatarmos a falta de pagamento.

São os seguintes meses que não foram quitados: Outubro de 2002 a Maio
de 2003, Novembro de 2003 a Julho de 2004, Novembro de 2004 a Abril de
2005, Junho de 2005 e Novembro de 2005, ou seja, um total de 24 (vinte e
quatro) parcelas de salário família não quitadas no período correto.

Desta forma, requer a este juízo que uma vez reconhecida a falta de
pagamento das verbas referentes ao salário família do reclamante seja o
mesmo devidamente indenizado na base de no mínimo 24 (vinte e quatro)
cotas mensais de salário família não quitadas durante o pacto laboral.

DO REQUERIMENTO FINAL:
Por todos os argumentos lastreados, requer o Reclamante que Vossa
Excelência se digne lhe seja concedido os benefícios da Justiça Gratuita
por ser pobre segundo os ditames da Lei; para no mérito:

I) Ser declarada a data de admissão como sendo 06/05/2002, condenando


o Promovido a indenizar todas as verbas trabalhistas durante todo o
período do pacto laboral até a data de 12/12/2005, nas funções cumuladas
de Eletricista I e Motorista;

II) Pleiteia pela condenação da Reclamada nas seguintes verbas:

Indenização pela cumulação de funções na base de 01 (um) piso salarial


da categoria profissional de motorista por cada mês de serviço prestado
durante todo o período.
Indenização pela Ajuda de Custo Moradia na base de no mínimo 25% (vinte
e cinco por cento) do salário percebido pelo reclamante por cada mês de
serviço prestado durante todo o pacto laboral.
Indenização pelo sobreaviso na base de no mínimo 114 (cento e quatorze)
horas por cada mês de serviço prestado durante toda a relação
empregatícia.
Indenização pelas 85 (oitenta e cinco) horas extras laboradas e não pagas,
sendo 30 (trinta) destas horas na base de 50% (cinqüenta por cento) de
acréscimo e 55 (cinqüenta e cinco) horas na base de 100% (cem por cento)
de acréscimo, por cada mês de serviço efetivamente prestado.
Indenização pelos reflexos das horas extras nas verbas trabalhistas como;
férias + 1/3, 13º salário, aviso prévio, FGTS e multa rescisória, adicional
noturno, abonos salariais, sobreaviso, ajuda de custo moradia e
cumulação de funções durante todo o período do pacto laboral.
Indenização pelos reflexos do adicional de periculosidade nas verbas
trabalhistas como; horas extras, férias + 1/3, 13º salário, aviso prévio,
FGTS e multa rescisória, adicional noturno, abonos salariais, sobreaviso,
ajuda de custo moradia e cumulação de funções durante todo o período do
pacto laboral.
Indenização pelo salário família não pago no período aquisitivo na base de
no mínimo 24 (vinte e quatro) cotas mensais de salário família durante
todo o pacto laboral.

III) E ainda requer pela condenação do Promovido nas despesas


processuais, demais despesas, além dos honorários advocatícios na
proporção de 20% sobre a condenação, tudo a ser apurado em liquidação
de sentença.
IV) Finalmente, pugna pela citação da Reclamada, através do seu
representante legal, no endereço fornecido no preâmbulo desta peça,
para, querendo, no prazo legal, contestar, sob pena de revelia e confissão
quanto a matéria fática;
V) Requer, por último, seja a presente autuada e processada até final
julgamento, condenando o reclamado ao pagamento das verbas
requeridas acrescidas de juros legais e correção monetária.

DAS PROVAS:

Protesta provar o alegado através dos documentos apresentados com a


inicial, bem assim por todos os meios de provas em direito admitidos,
especialmente pelo depoimento pessoal das partes, oitiva das
testemunhas, juntada de novos documentos, perícias, enfim, tudo desde
já requerido.

DO VALOR DA CAUSA:

Estima-se a presente reclamação o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais)


meramente para efeitos fiscais.

Nesta e na melhor forma de Direito,


Aguarda pelo vosso DEFERIMENTO.

Princesa Isabel - PB, em 02 de Março de 2006.

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