Вы находитесь на странице: 1из 11

'Onde vivem os monstros'

entre dissociações e reparações Gleice Lemos Frioli

RESUMO: Por intermédio da teoria de Melanie Klein, traço um paralelo entre a psicanálise e o mundo interior e onírico do menino Max, personagem do livro e filme “Onde vivem os monstros”, que ao lidar com seus ‘monstros’ internos descobre o quanto as inter-relações são difíceis e complexas, assim como a ‘convivência’ de nossos aspectos internos; contudo, Max ao enfrentar esses monstros, descobre muitas outras possibilidades de ser e agir, fazendo a reparação de seus atos, integrando partes de si e, desse modo, crescendo e aprendendo, num processo de organização de seu aparelho psíquico, ilustrando tão bem as oscilações das posições propostas por Klein.

'Onde vivem os monstros'

entre dissociações e reparações Gleice Lemos Frioli

A primeira vez que me deparei com esse título “Onde vivem os monstros”, lembro-me de ter achado estranho, uma amiga que é ilustradora e fascinada por livros infantis sempre comentava sobre esse livro e foi através dela que descobri o livro de Maurice Sendak (publicado originalmente em 1963). Depois descobri que este livro se tornara célebre por ter sido lido pelo presidente americano Barack Obama durante uma visita de crianças na Casa Branca, e que ele havia dito que esse tinha sido seu livro preferido na infância. Lembro que na própria livraria onde ela me mostrara, sentei e o li, esse livro tão fininho, mas cheio de conteúdo do mundo infantil. Esse mesmo livro veio a se tornar um belíssimo filme pelo diretor Spike Jonze. E assim que pude, comprei o DVD para ver em casa. Lembro-me também de ter pensado, como alguém poderia ter feito um filme de um livrinho tão pequeno? E sendo assim, impressionei-me com a capacidade humana de dar asas e ampliar tal temática, e torná-la ainda mais profunda e interessante, como está no filme. Estávamos em sala no CEP conversando sobre Klein, após as duas aulas que tivemos sobre ela, e indiquei para alguém esse filme dizendo que no meu olhar tinha muito a ver com a temática e teoria Kleiniana, pois na época em que tive Klein na faculdade de psicologia, eu já havia assistido a esse filme e tive essa percepção. Nesse momento então, foi que percebi, acabara de identificar qual seria o meu trabalho de fim de ciclo. Deste modo, optei por trabalhar com o filme, que me proporciona mais material para olhar e aprofundar na analise, do que o livro. O personagem principal é o menino Max, de uns 9 anos de idade, que passa toda a narrativa vestido com sua fantasia de lobo, está sempre fazendo alguma bagunça, respondendo malcriadamente e, tentando chamar atenção para si. Seus pais se separaram, a irmã cresceu e tem seus próprios amigos, e sua mãe além de estar namorando, anda muito atarefada com o trabalho. Tudo isso corrobora para a eclosão de muitos sentimentos em Max, que começa a agir de forma agressiva na tentativa de reivindicar um lugar e um olhar dentro daquela família como outrora.

Certa noite, o namorado da mãe está em sua casa, Max e a mãe brigam, ele dá uma resposta mal-educada para ela e é mandado para seu quarto, sem comer e de castigo. (No livro ele vai para o seu quarto, onde nasce uma floresta. Mas no filme ele sai correndo para a rua furioso, entra num barco e vai parar numa ilha). Naquela mesma noite, Max foge para seu mundo interno e onírico, fugindo para uma ilha misteriosa, de densa floresta, embarcando numa viagem aonde irá se deparar com os monstros que habitam essa ilha. Quando ele chega à ilha, os monstros estão destruindo pequenas cabanas (que lembram um iglu que ele havia construído na neve e que fora destruído pelos amigos de sua irmã). Ele fica fascinado com a cena e parte também para a destruição. Mas, em seguida, é confrontado pelos membros do grupo sobre a destruição das casas. Uma vez lá, diante do medo de ser devorado, ele conta aos monstros que possui superpoderes e acaba sendo eleito o rei, assim descobre que poderia ser o mais monstruoso de todos, ganhando o título de ‘aquele que morde ’e, se torna responsável por evitar que a tristeza tome conta do lugar. Deste modo ele passa a criar uma série de jogos para mantê-los em constante diversão, todos esses jogos tem um caráter de agressividade. Nesta ocupação, Max se aproxima do monstro Carol, que tem um gênio imprevisível e em minha leitura representa a desorganização egocêntrica de Max e toda sua expressão de ímpeto e agressividade (vejo-o como o

alterego 1 do menino), e Carol assim se torna o preferido dele.

No mundo interior e onírico de Max, ele ao lidar com seus ‘monstros’ internos percebe o quanto as inter-relações são difíceis, as complexidades sobre a

convivência entre pessoas, (ou mesmo pensando de modo psicanalítico, a convivência entre aspectos internos), pois, alguém sempre se magoa, e/ou fica insatisfeito. A fim de conseguir melhor explicar minhas percepções, atrevidas e arriscadas, da teoria de Melanie Klein dentro do filme, começarei a introduzir um pouco da teoria Kleiniana da qual lançarei mão para ir analisando a história de Max. (Digo atrevidas e arriscadas por ter noção de que pouco sei sobre tão complexa

teoria, e tão pouco ainda, tenho o domínio dos conceitos

ouso compartilhar por

meio deste aquilo que creio ter conseguido compreender ) Klein diferentemente de Freud, não trabalhou com o conceito de desenvolvimento calcado em fases, e sim no que ela nomeou de ‘posições’, dois

mas

modos básicos de funcionamento psíquico que se organizam e se alteram ao longo da vida dando sentido às experiências emocionais. A noção de ‘posição’ de Klein rompeu com a ideia de tempo cronológico e desenvolvimento linear, pois privilegia duas grandes possibilidades de experenciar a si mesmo e ao mundo. São elas a posição esquizo-paranóide, que caracteriza uma

infantil, juntamente com a posição depressiva. Estas

posições são mais tarde, ao longo da vida do adulto, reavivadas e atualizadas por diversas situações, em que se revivem as mesmas sensações e emoções. Nessa fuga para o mundo interior, Max irá resolver os dramas que o atormentam no momento, se deparando com seus próprios monstros, monstros esses que vivem dentro de nós e podem sair quando somos contrariados ou tentados por desejos egoístas. Vejo esses monstros como pedaços separados (dissociação ou

splitting) e não integrados dos objetos internos 2 , resultantes de um continuado jogo de

identificações projetivas 3 e introjetivas do menino Max, que frente ao ego que no

momento se encontra fragilizado, recorre à tais mecanismos de defesa. Partes essas que ele não consegue integrar, oscilando entre o que é bom e mau, de si, da mãe, do pai e até de sua irmã. Encontrando-se então, naquele momento de sua vida, na posição esquizo-paranóide de Klein, onde o ego de Max se encontra fragmentado, em busca de um objeto gratificador. Essa fragmentação do ego ocorre por sua estrutura se encontrar composta muito mais por frustrações do que por gratificações, uma vez que Max não encontra mais na mãe e na irmã a atenção que tinha antigamente, e ainda precisa lidar com a ausência do pai. Vejo como se fosse uma atualização de sentimentos arcaicos vivenciados por Max. Pois, segundo a teoria de Klein (2006) o bebê vê o seio materno como o primeiro objeto, na posição esquizo-paranóide este objeto pode ser mais frustrador do que gratificador, (o seio mau, que nega o alimento). Uma vez que Max tenha que lidar com a frustração e o não atendimento de seus desejos no momento em que os espera, não consegue lidar com isso, o que gera uma ansiedade extrema, em que todos os objetos introjetados por ele são maus, e precisam ser externalizados, porque o ‘mau’ ainda não é visto como algo que faz parte de si. Ao passo que ele projeta no seio sua frustração, e tem fantasias agressivas de arranhões, mordidas e rejeição ao seio.

A cena, cuja qual me refiro aqui, e ilustra isso muito bem, é a que Max e a mãe discutem, em que o menino está com ciúmes, pois ela não lhe dá atenção e está

das fases do desenvolvimento

a mãe discutem, em que o menino está com ciúmes, pois ela não lhe dá atenção

na sala com o namorado. O garoto e a mãe brigam, ele sobe em cima da mesa e grita com ela em tom de exigência “Alimente-me mulher!”. Max expressa aqui sua

inquietação e reivindicação, como se a mãe estivesse lhe negando o alimento (o seio

e o leite) e dando-o a outro homem, e ele projeta na mãe (no seio) sua frustração e a

responsabilizando por isso, e então acaba atuando sua fantasia agressiva, mordendo-

a literalmente, como se demonstrasse a rejeição a ela (a rejeição a esse seio). Perante essa briga, e todos os sentimentos que vem à tona em Max, ele se refugia em seu mundo interno. Klein (1969) aponta que, o mundo interno consiste em objetos, primeiro que tudo a mãe, internalizados em vários aspectos e situações emocionais. As relações entre essas figuras internalizadas, e entre elas e o ego, tendem a ser experimentadas (quando a ansiedade persecutória é dominante) como relações de natureza hostil e perigosa; serão tidas como afetuosas e boas quando o bebê é gratificado e prevalecem os sentimentos felizes. Esse mundo interior, que pode ser descrito em termos de relações e acontecimentos internos, é o produto dos próprios impulsos, emoções e fantasias da criança. Está profundamente influenciado, claro, pelas boas e más experiências do bebê, oriundas de fontes externas. O mundo

interno não é apenas o reflexo subjetivo do externo. Max se encontra num momento de sua vida, diante de uma série de frustrações, na sensação de perda e ansiedade extrema, tomado por angustias. Penso aqui na posição esquizo-paranóide e na ansiedade desse momento que é a persecutoriedade. Em que na angústia persecutória, o ego teme ser atacado, pois a mesma é experimentada pelo ego como uma ameaça de forças hostis que o atacam,

e tem uma origem principalmente interna (a pulsão de morte atua como uma força

destrutiva dentro do indivíduo) e também outra, externa: a experiência traumática do parto e todas as outras situações posteriores que geram de frustração. (BLEICHMAR, 1994) Assim como podemos pensar na angústia de aniquilamento (de desintegração), uma vez que Max teme ser engolido pelos próprios monstros internos, (posto que, ele atacara no mundo real o seu objeto de amor, o seio, a mãe) então ataca e fica na defensiva, temendo o seu aniquilamento enquanto retaliação. Um dos pilares da teoria de Klein é que primeiramente existe um mundo interno, formado a partir das percepções do mundo externo, permeado pelas

ansiedades do mundo interno. Com isso os objetos, pessoas e situações adquirem uma tonalidade toda especial. O seio materno, primeiro objeto de relação da criança com o mundo externo, tanto é percebido como seio bom (quando amamenta, daí o

nome de “seio bom” a esse objeto no mundo interno), quanto é percebido como “seio mau”, (quando não alimenta na hora em que a criança assim deseja). A criança sempre possuirá esses dois registros do seio, o bom e o mau, uma vez que é impossível satisfazer a todos os desejos da criança, (SIMON, 1986) Para Klein (SAFRA, 2010), a fantasia inconsciente é a expressão mental dos instintos, e como estes estão presentes desde a origem da vida, pode-se colocar que as fantasias já existem desde então. Os instintos buscariam objetos, e seu aparecimento estaria ligado a uma fantasia sobre a procura do objeto adequado. A fantasia estará no psiquismo humano organizando, constituindo e configurando as experiências boas ou más no interjogo dos processos de introjeção e projeção, no registro inconsciente e na interioridade de cada um de nós, que é o mundo interno. A fantasia inconsciente é descrita como um acontecimento constante e permanente da mente, expressando-se tanto nos fenômenos inconscientes como nos conscientes. (BLEICHMAR, 1994). Segundo Riviere (1986, p. 52-53 apud OLIVEIRA, 2008), uma seguidora de Klein, a vida de fantasia do sujeito pode ser apreendida como “a forma como suas sensações e percepções reais, internas e externas, são interpretadas e representadas para ele próprio, em sua mente, sob a influência do princípio de prazer-dor”. Essa mesma autora ressalta que a fantasia tem ainda como função, assegurar a divisão entre os objetos bons e ruins, realizada na vida primitiva dentro da posição esquizo- paranóide, e manter um refúgio da realidade. No decorrer do desenvolvimento, as fantasias vão sendo elaboradas, referindo-se, gradualmente, a uma maior variedade de situações, sempre influenciando a vida psíquica (KLEIN, 1963 apud OLIVEIRA, 2008). Elas nunca deixam de existir, embora na vida adulta sejam mais diferenciadas do mundo real. Cada ‘monstro’ tem uma personalidade bem definida, manifestações das muitas facetas de Max. Conforme eu pude ir percebendo os personagens internos de Max, ao longo do filme que assisti algumas vezes para fazer o trabalho, os monstros eles todos são partes componentes de um Ser, que o menino nesse momento não consegue integrar e harmonizá-los, vejo o bode Alexander como a carência, Judith como agressividade e pessimismo (talvez, quem sabe, ela possa ser a representação do seio mau, a mãe má), Ira como a criatividade e o amor, Touro como a contemplação e o funcionamento melancólico, Douglas como amizade, sapiência e a solicitude, e KW como a parte introjetada de sua mãe, a personificação materna, a

mãe boa. O que é possível de se perceber é que cada diálogo entre os habitantes dessa ilha e Max, sugere-nos a tentativa pueril de compreender e lidar com as mudanças que estão acontecendo no mundo real de Max. Klein (1946, apud BLEICHMAR, 1994) diz, ‘é na fantasia que a criança cliva o objeto e cliva si própria, mas o efeito desta fantasia é muito real, porque conduz a sentimentos e relações (e depois a processos de pensamento) que, em realidade, estão separados entre si’. No decorrer do filme acompanhamos o processo de organização do aparelho psíquico que Max vivencia, uma vez que cada monstro e sua respectiva personalidade estão atuando dentro dele, integrando comedidamente as frações de seu eu, as resoluções conflitantes do menino vão tecendo um equilíbrio da mente. Em seu mundo interno, Max lida com circunstâncias com as quais, conscientemente ou provido de razão, ainda não consegue lidar no mundo da realidade, no mundo externo. Max assim consegue compreender um pouco da complexidade e ambivalência de ser Humano. Aos poucos o pequeno rei vai percebendo o efeito da agressividade em excesso, os danos que ela pode causar às pessoas que amamos, o caráter destrutivo que essa expressão pode ganhar, assim como descobre que não consegue manter a felicidade e a satisfação o tempo todo e para todos. Como aponta Bleichmar (1994 p.105) o ego desenvolve uma capacidade crescente de controlar suas pulsões agressivas, e isto não é resultado da ameaça externa, mas do controle e renúncia que os sentimentos amorosos lhe exigem. Em se pensando no conceito de agressividade e de agressão, questiono se Max está mais para a ‘Agressividade’ do que para a ‘Agressão’, uma vez que na agressividade prevalece a pulsão de vida, enquanto na agressão predomina a pulsão de morte. A agressividade, tal qual nos diz sua etimologia (ad+gradior), representa um movimento (gradior) para a frente (ad), uma saudável forma de preoteger-se contra os predadores externos, além de indicar uma ambição sadia com metas possíveis de alcançar. A agressão, alude mais diretamente à pulsão sádico-destrutiva. (ZIMERMAN, 2001) Pois, se eu pensar no quanto de vitalidade e vontade que Max traz em si, posso ver seu modo impetuoso de ser como o de uma agressividade, mas se eu pensar no ciúme de sentiu de sua mãe, na relação de triangulação e exclusão, posso pensar no medo de castração que vem como ameaça e atualiza o Édipo. ( compartilho aqui minha dúvida )

Existe uma conexão entre a severidade do superego e os estágios precoces do conflito edípico já que sua formação inicia muito cedo e remete a criança à triangulação, ao ciúme, à exclusão. O medo da castração é uma ameaça que vem do exterior e atinge em fantasia a interioridade, por isso o superego age de forma ameaçadora no interior do ego. (RAMOS, 2008) Segundo Safra (2010) a posição depressiva é alcançada quando a criança tem a possibilidade de perceber que o mesmo objeto que a frustra é o objeto que a gratifica, conseguindo unir as duas partes, os objetos parciais (bom e mau) num objeto total. A consciência do objeto total, amado e odiado, é o que leva o individuo a mudar de posição, indo da esquizo-paranóide à depressiva. Isso porque, à medida que o objeto amado é aquele que é atacado em consequência da frustração, brota a experiência da culpa, o que conduzirá o sujeito a eventualmente desejar reparar os ataques que cometera, ou que fantasiou cometer. A ideia de conflito mental para Melanie Klein, não é uma luta entre pulsão sexual e defesa, ou com a estrutura que impede sua descarga, mas sim entre sentimentos de amor e ódio, que se enfrentam no vínculo com os objetos. (BLEICHMAR, 1994) Segundo Souza (2009), tomados de emoções avassaladoras, somos ou dom-quixotes iludidos pela idealização, ou tiranos (como é o caso de Max) convencidos de nossa pertinência e da propriedade de nosso sadismo, diante de impossibilidade de aceitar que podemos ser frustrados. Penso também que o ataque ao seu iglu, teria sido sentido como um ataque

à sua onipotência 4 e quando se depara com os monstros precisa lutar para mantê-la,

pois se o iglu era um símbolo de sua onipotência também se revelara ser um amparo contra sua fragilidade. Em seu mundo interno, Max irá sugerir aos monstros a criação de um forte, como que se tentasse recriar seu ‘iglu’, seu entorno de proteção, só que ainda mais forte e mais contingente, na tentativa de reforçar sua postura de onipotência e de inatingível. Tudo isso nos remete à frase gravada em dos presentes dado pelo seu pai: “Max, o dono do mundo”. De modo que para o menino, é muito difícil lidar com as frustrações e a realidade, uma vez que ainda se vê nesse lugar, de ‘rei’ e protegido pelo seu ‘iglu’. Aos poucos, quando Max consegue ser só o menino Max e não mais o rei, é possível pensar que ele descobre que não precisa construir um iglu ou um forte externo, pois suas forças psicológica e intelectual, sua capacidade para lidar com o cotidiano, com o mundo real, emergem de dentro para fora, e

reciprocamente de fora para dentro, como num fluxo constante, taciturno e transformador, que o potencializa para lidar com o mundo e suas vicissitudes . Na posição depressiva, o menino busca a reparação do que houve entre ele

e mãe, e passagem expressa pela cena em que vemos Max fugindo de um ataque

nervoso de Carol (que é o próprio menino) e KW (a mãe internalizada) que oferta sua barriga (seu ventre) como esconderijo para Max. E literalmente o engole , e de dentro de sua barriga escuta a discussão entre Carol e KW. E deste mesmo lugar, de dentro de KW, o menino lhe explica o motivo da raiva explosiva de Carol e, logo em seguida, decide que é hora de retornar para casa. Esse seu explicar para KW que Carol não é mau, mas que estava assustado, acaba sendo um processo de fechamento e apreensão de tudo que acontecera entre ele e sua mãe. A partir daí, Max consegue se dar conta de que ele não é um rei, apropriando-se da realidade, abdicando da ilusão de onipotência, e ao se encontrar com Carol revela-lhe que não é um rei e diz “Sou Max”. Já de volta a sua casa, a última cena na cozinha expressa muito da posição depressiva de Klein, pois, o Max que retorna ao mundo real, não é o mesmo que adentrara a selvagem ilha interna. O momento tácito entre eles e a troca

singela de sorrisos aponta para a tentativa de Max em reparar o mal que fantasiou e tentou fazer à mãe, ao imaginar devorá-la quando à mordeu. Na posição depressiva, os mecanismos de defesa perdem sua onipotência, e o mais importante será a reparação, que procura reconstruir os aspectos danificados ou perdidos do objeto dentro do self. Assim como antes os sentimentos agressivos os danificavam, agora se requer que o ego lhes dê amor e cuidado, para devolver-lhes a vida e a integridade. Assim tanto dentro quanto fora, Max cuida de seus objetos. No abraço cheio de afeto

e no sorriso que muito diz, o reizinho agora se cala, para receber o alimento que

outrora temeu lhe ser negado. O que podemos observar no desfecho da história, é que Max consegue superar essa vivência e aprender com ela, mas, pode ser que ele ainda recorra à essa ‘ilha’ interna algumas vezes mais em seu desenvolvimento, em sua vida, uma vez que estamos sempre oscilando entre as duas posições propostas por Klein. Reflito que há ainda muito para se falar de tal história, e que quanto mais assisto o filme mais observo conteúdos que eu poderia estar agregando ao material

infelizmente o tempo é curto, embora o exercício seja prazeroso,

é preciso findar e lidar com o não conseguir aprofundar-me mais

deste modo, volto

deste trabalho

mas

para minha ‘casa’ assim como Max, carregando meus monstrinhos comigo, tentando lidar com as minhas frustrações ***************

Para a psicanálise, o alter ego é um outro eu inconsciente, significando o duplo sujeito, ou seja, por meio de identificações projetivas maciças dos seus superegóicos objetos internos em alguém, o sujeito constrói uma duplicação dele. (Zimerman, 2001)

¹-

²-

Objeto interno é o que está incorporado em alguma instância psíquica, como o ego, o super ego ou

o

ideal do ego, cuja internalizarão resulta de um continuado jogo de identificações projetivas, seguidas

de identificações introjetivas, com novas reprojeções, e assim por diante.

³ - Freud pensava a projeção em termos de objetos totais projetados sobre objetos, enquanto Klein

postulou a identificação projetiva com objetos parciais, projetados dentro de figuras objetais. Conforme

Zimerman (2001), o conceito de identificação projetiva de Klein é uma necessária e estruturante defesa primitiva do ego incipiente, através de uma expulsão que, desde sempre, o sujeito faz de seus aspectos intoleráveis, dentro da mente de outra pessoa, assim como também é uma forma de penetrar no interior do corpo da mãe, com a fantasia de controlar e apossar-se dos tesouros que em sua imaginação a mãe possui, sob a forma de fezes, pênis e, principalmente os bebês imaginários.

4- Segundo Zimerman (2001), Klein foi a autora que mais se utilizou do termo onipotência, para expor as defesas primitivas do ego arcaico do bebê, num momento evolutivo em que ele imagina ter um controle onipotente sobre o seio materno. Significa poder tudo, segundo a etimologia da palavra Oni deriva de Omni, tudo. Ou seja, o sujeito pensa ter potência, poder, sobre tudo.

Referências bibliográficas:

FIGUEIREDO, L. C.; Cintra, E. M. U. Melanie Klein. Estilo e Pensamento. São Paulo:

Escuta, 2004.

KLEIN, M.; HEIMANN,P & MONEY-KIRLE, R. E. Temas de psicanálise aplicada . Rio de Janeiro: Zahar, 1969

KLEIN, M. (2006). “Notas sobre alguns mecanismos esquizóides” In: Inveja e Gratidão e outros trabalhos 1946-1963. (B. H. Mandelbaum, Trad.). Rio de Janeiro: Imago.

RAMOS, Maria Beatriz Jacques. Presente do passado: o trabalho analítico. Estud. psicanal., Belo Horizonte, n. 31, out. 2008 . Disponível em:

<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-

34372008000100012&lng=pt&nrm=iso>. acesso em: 14 maio 2012.

SAFRA, G. Psicanálise: Klein e Winnicott. In Psicoterapias, Revista Mente e Cérebro vol.2, SP: Duetto editorial, 2010

SIMON, R. Introdução à psicanálise: Melanie Klein. São Paulo: Epu. 1986.

SOUZA, A.S.L.de; Dois Vértices emocionais in Memória da psicanálise, Melanie Klein Revista Mente e Cérebro vol.4, SP: Duetto editorial, 2009

ZIMERMAN, D.E. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre: Artmed, 2001

OLIVEIRA, M.P. de. A fantasia em Melaine Klein e Lacan. Mental,

11, dez.

<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-

44272008000200007&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 13 maio 2012.

Barbacena,

2008

Disponível

.

v. 6,

n.

em:

BLEICHMAR, N. e BLEICHMAR, C. , “Melanie Klein. A fantasia inconsciente como cenário da vida psíquica,”, in A Psicanálise depois de Freud, Porto Alegre, Artes Médicas, 1994, p. 79