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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA:

O caminhar de uma nova experiência em Minas Gerais

Editores:

José Roberto Soares Scolforo Antônio Donizette de Oliveira Antônio Cláudio Davide

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a Edição

José Roberto Soares Scolforo Antônio Donizette de Oliveira Antônio Cláudio Davide 1 a Edição Lavras 2012

Lavras

2012

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA © 2011 by José Roberto Soares Scolforo, Antônio Donizette de

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

© 2011 by José Roberto Soares Scolforo, Antônio Donizette de Oliveira e Antônio Cláudio Davide, 2011 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, por qualquer meio ou forma, sem a autorização escrita e prévia dos detentores do copyright. Direitos de publicação reservados à Editora UFLA. Impresso no Brasil – ISBN: 978-85-87692-98-6

UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS Reitor: José Roberto Soares Scolforo Vice-Reitor: Édila Vilela de Resende Von Pinho

Scolforo Vice-Reitor: Édila Vilela de Resende Von Pinho Editora UFLA Campus UFLA - Pavilhão 5 Caixa

Editora UFLA Campus UFLA - Pavilhão 5 Caixa Postal 3037 – 37200-000 – Lavras – MG Tel: (35) 3829-1532 Fax: (35) 3829-1551 E-mail: editora@editora.ufla.br Homepage: www.editora.ufla.br

Diretoria Executiva: Renato Paiva (Diretor) Conselho Editorial: Renato Paiva (Presidente), Brígida de Souza, Flávio Meira Borém, Joelma Pereira e Luiz Antônio Augusto Gomes Administração: Sebastião Gonçalves Filho Secretaria: Késia Portela de Assis Comercial/Financeiro: Glaucyane Paula Araujo Ramos e Quele Pereira de Gois Revisão de Texto: Rosemary Chalfoun Bertolucci Referências Bibliográficas: Rosemary Chalfoun Bertolucci Responsável Editorial da publicação: Ewerton de Carvalho Capa: Ewerton de Carvalho Fotografias: Ewerton de Carvalho, Antônio Cláudio Davide, Vanete Maria de Melo Pavan, José Roberto Scolforo, Thiza Falqueto Altoé, Lucas Amaral de Melo e Vinícius Augusto Morais.

Ficha Catalográfica Preparada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca da UFLA

Manejo sustentável da candeia : o caminhar de uma nova experiência em Minas Gerais / editores:

José Roberto Soares Scolforo, Antônio Donizette de Oliveira, Antônio Cláudio Davide. – 1. ed. – Lavras : Ed. UFLA, 2012. 329 p. : il. ; 30 cm.

Projeto Candeia, parceria: Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Lavras, Ministério do Meio Ambiente, CNPq, IBAMA, FAPEMIG e IEF-MG.

1. Eremanthus. 2. Alpha-bisabolol. 3. Sustentabilidade. I. Scolforo, José Roberto Soares. II. Oliveira, Antônio Donizette de. III. Davide, Antônio Cláudio. IV. Universidade Federal de Lavras. V. Título.

634.97355

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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA:

O caminhar de uma nova experiência florestal em Minas Gerais

EDITORES José Roberto S. Scolforo Antonio Donizette de Oliveira Antonio Cláudio Davide

EQUIPE TÉCNICA Charles Plínio de Castro Silva Dimas Vidal Resck Edmilson Santos Cruz Ivonise Silva Andrade Jorge Faisal Mosquera Pérez José Fábio Camolesi Luciano Teixeira de Oliveira Luís Fernando Rocha Borges Olívia Alvina Oliveira Tonetti

COLABORADORES Adauta Cupertino de Oliveira Benoît Francis Patrice Loeuille Edson Gomes Renê Elizabeth Costa Rezende Abreu Emanuel José Gomes de Araújo Ewerton Carvalho Frederico Silva Diniz Henrique Ferraço Scolforo Lilian Telles Lucas Rezende Gomide Márcia Cristina de Oliveira Moura Maria Zélia Ferreira Sérgio Cecere Sérgio Teixeira da Silva Thais Cunha Ferreira Thiza Falqueto Altoé Vanete Maria de Melo Pavan Vinícius Augusto Morais

FINANCIAMENTO DO PROJETO CANDEIA Ministério do Meio Ambiente – 2001 CNPq - 2001-2002; 2010-2012; 2012-2014 IBAMA - Diretoria de Florestas - 2002 Citróleo - 2004-2006 FAPEMIG - 2007-2008 Instituto Estadual de Florestas – IEF MG - 2007-2011

FINANCIAMENTO DA PUBLICAÇÃO SEBRAE - MG

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Coordenação do Projeto Candeia Prof. José Roberto S. Scolforo Departamento

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Coordenação do Projeto Candeia Prof. José Roberto S. Scolforo Departamento de Ciências Florestais Universidade Federal de Lavras e-mail: lemaf@dcf.ufla.br

www.lemaf.ufla.br

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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

AUTORES

José Roberto Soares Scolforo

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: jscolforo@dcf.ufla.br

Antonio Donizette de Oliveira

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: donizette@dcf.ufla.br

Antonio Claudio Davide

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: acdavide@dcf.ufla.br

Antonio Carlos Ferraz Filho

Doutorando em Engenharia Florestal - Universidade Federal de Lavras e-mail: acferrazfilho@gmail.com

Benoît Francis Patrice Loeuille

Doutor em Botânica pela Universidade de São Paulo e-mail: benoit_loeuille@yahoo.fr

Charles Plínio de Castro Silva

Mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: charles.plinio@casatora.com.br

Cláudia Lopes Selvati de Oliveira Mori

Doutora em Recursos Florestais pela Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ – Piracicaba -SP e-mail: selvaticl@uol.com.br

Daniela Cunha da Sé

Doutoranda em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: cunhadase@yahoo.com.br

Dulcinéia de Carvalho

Professora do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: dulce@dcf.ufla.br

Edmilson Santos Cruz

Doutor em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: edsantoscruz@hotmail.com

Edson José Vidal

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ – Piracicaba - SP e-mail: edson.vidal@usp.br

Elizabeth Costa Rezende Abreu

Mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: elizabeth.rezende@lemaf.ufla.br

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Emanuel José Gomes de Araújo Doutorando em Engenharia Florestal -

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Emanuel José Gomes de Araújo

Doutorando em Engenharia Florestal - Universidade Federal do Paraná e-mail: ejgaraujo@gmail.com

Fábio Akira Mori

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: morif@dcf.ufla.br

Fausto Weimar Accerbi Júnior

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: fausto@dcf.ufla.br

Henrique Ferraço Scolforo

Graduando em Engenharia Florestal - Universidade Federal de Lavras e-mail: henriquescolforo@hotmail.com

Ivonise Silva Andrade

Doutora em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: ivonise@inventar.gmb.com

José Carlos Martins

Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: jkflorestal.ufla@gmail.com

José Fábio Camolesi

Mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: camolesi@dcf.ufla.br

José Márcio de Mello

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: josemarcio@dcf.ufla.br

José Otávio Brito

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ – Piracicaba -SP e-mail: jobrito@usp.br

Livia Maria Chamma Davide

Professora na Faculdade de Ciências Agronômicas - Universidade Federal da Grande Dourados - MS e-mail: lmcdavide@yahoo.com.br

Lourival Marin Mendes

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: lourival@dcf.ufla.br

Lucas Amaral de Melo

Professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Seropédica - RJ e-mail: samelinho@yahoo.com.br

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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

Marcela Carlota Nery

Universidade Federal dos Vale do Jequtinhonha e Mucuri – UFVJM - Diamantina – MG e-mail: nery.marcela@gmail.com

Márcia Cristina de Oliveira Moura

Professora do Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Colatina e-mail: marciacristina@ifes.edu.br

Maria das Graças Cardoso

Professora no Departamento de Química - Universidade Federal de Lavras e-mail: mcardoso@dqi.ufla.br

Mário Tomazello Filho

Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ – Piracicaba -SP e-mail: mtomazel@usp.br

Olívia Alvina OliveiraTonetti

Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: oaotonetti@dcf.ufla.br

Rafael Farinassi Mendes

Doutorando em Ciência e Tecnologia da Madeira - Universidade Federal de Lavras e-mail: rafaelfarinassi@gmail.com

Rosimeire Cavalcante dos Santos

Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e-mail: meire_caico@yahoo.com.br

Sybelle Barreira

Professora da Universidade de Goiás do Curso de Engenharia Florestal – Campus Goiânia e-mail: sybelle@agro.ufg.br

Soraya Alvarenga Botelho

Professora do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras e-mail: sbotelho@dcf.ufla.br

Thiza Falqueto Altoé

Doutoranda em Engenharia Florestal - Universidade Federal de Lavras e-mail: thizaaltoe@gmail.com

Vanete Maria de Melo Pavan

Mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: vanete_melo@yahoo.com.br

Vinícius Augusto Morais

Doutorando em Engenharia Florestal - Universidade Federal de Lavras e-mail: vemorais@bol.com.br

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 8

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

PREFÁCIO

O manejo sustentável da candeia e o gerenciamento de plantações dessa espécie

nativa são temas desta publicação. As informações aqui reunidas são provenientes do estudo realizado pelo Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), CITRÓLEO, Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG).

A candeia é uma planta nativa de significativa importância na biodiversidade

brasileira. A cultura da espécie pode ser uma alternativa para diversificar a produção rural e melhorar o desempenho econômico e ambiental dos pequenos empreendimentos rurais.

Da candeia são extraídos produtos de alto valor comercial, como o óleo essencial e o α-bisabolol, utilizados pelas indústrias cosmética e farmacêutica. Pela alta durabilidade de sua madeira, a espécie também é muito utilizada como moirões para cercas.

Ao apoiar a disseminação de práticas de manejos sustentáveis, o Sebrae-MG espera contribuir com a preservação da candeia e proporcionar aos pequenos produtores rurais oportunidades de negócios em um setor com potencial de desenvolvimento.

SEBRAE-MG

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Aos Agricultores, aos Empreendedores, aos Homens de Boa Fé e

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Aos Agricultores, aos Empreendedores, aos Homens de Boa Fé e à Academia por terem acreditado que é possível

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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

José Roberto Soares Scolforo

As espécies Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish e Eremanthus incanus (Less.) Less. pertencem ao gênero Eremanthus o qual inclui tanto Eremanthus Less. (sensu Schultz-Bip.) como Vanillosmopsis Schultz-Bip., mas exclui Albertinia Sprengel, Chresta Vell. Conc., Glaziovianthus G. Barroso, Prestella Schultz-Bip., Pycnocephalum (Less.) DC., Sphaerophora Schultz-Bip., e Stachyanthus DC. O nome Eremanthus é derivado do grego eremos (solitário) e anthos (sustentação de flor), em referência aos capítulos, que sustentam flores simples. Vanillosmopsis refere-se ao odor de baunilha, característico desse grupo de plantas; esse gênero é localmente chamado de candeia, vela, que se refere à sua capacidade de queimar produzindo chamas (MACLEISH, 1987). As candeias Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish e Eremanthus incanus (Less.) Less. são espécies florestais geradoras de renda e, contraditoriamente, não existia um sistema de manejo consolidado, seja para as áreas nas quais sua ocorrência é natural, seja na geração de tecnologia para viabilizar plantios puros ou mistos, buscando o uso comercial das espécies. Assim, a apropriação da candeia nativa, anteriormente ao ano 2000, era predominantemente predatória e clandestina e os agricultores que se sujeitavam a tal prática recebiam entre R$30,00 e R$40,00 pelo metro “stere” de madeira de candeia. Motivado pela necessidade de gerar conhecimento e tecnologia para a espécie, de forma a se contrapor à

clandestinidade usual na apropriação da espécie, foi proposto um projeto, em 2000, pela Universidade Federal de Lavras, por meio do Prof. José Roberto S. Scolforo, que contou, inicialmente, com apoio do Ministério do Meio Ambiente

- IBAMA. O objetivo era gerar conhecimentos e tecnologias que possibilitassem aos produtores rurais praticar o uso

sustentável de uma espécie nativa de alto valor. Outra motivação foi a expectativa de estimular a divulgação de outros trabalhos, de forma ordenada, relacionados ao sistema de produção de espécies florestais nativas que contribuam para

o desenvolvimento do setor florestal brasileiro, especialmente no segmento da agricultura familiar. Com o projeto, foi possível agregar renda aos agricultores que detêm candeais nativos com a utilização da técnica de manejo sustentável. Com a adoção dessa prática, os produtos da candeia passaram a ser comercializados por preços relativamente altos no mercado. Como exemplo, pode-se citar o caso dos pequenos empreendimentos que extraem o α-bisabolol e que pagam entre R$ 100,00 e R$130,00 pelo metro “stere” (empilhado) de madeira. Já os produtores rurais pagam R$ 120,00 pela dúzia de moirões, que serão empregados na construção de cercas. Para atingir as características comerciais desejáveis, esses moirões devem medir 2,20 m de comprimento e, no mínimo, 7 cm de diâmetro. Já, para a produção de óleo, a madeira de plantas com diâmetro maior ou igual a 5 cm, a 1,30 m de altura do solo (DAP), ou todas as demais partes da plantas não utilizadas para a produção de moirões são adequadas. Duas foram as linhas básicas para o desenvolvimento da pesquisa: o desenvolvimento de metodologias para promover o manejo sustentável dos candeais nativos e com os conhecimentos adquiridos desenvolver um sistema equivalente para os plantios comerciais da candeia que são a outra vertente desse estudo. Por esse motivo, o desenvolvimento de tecnologia que viabilize o manejo de candeiais nativos e de plantios,

com o subsequente manejo dessa espécie, foi a principal finalidade deste estudo. A base desse objetivo está no fato de que

o manejo possibilita uma constante revitalização dos candeiais, o que gera renda e impede que os povoamentos existentes sejam de alguma maneira substituídos por pastagens de baixíssima produtividade. Assim, além da alta relevância econômica da espécie, tem-se a clara convicção de que a adoção de planos de manejo com base em critérios científicos não trará nenhum problema ambiental e, sim, será uma solução para o não assoreamento dos cursos de água e a não substituição de áreas com vegetação nativa por outras culturas que nas áreas de campos de altitude são de baixíssima produtividade. Um fluxograma ilustrativo da estrutura do projeto é apresentado na Figura 1.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 12 Figura 1 - Fluxograma da estrutura do Projeto Candeia.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 12 Figura 1 - Fluxograma da estrutura do Projeto Candeia.
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Figura 1 - Fluxograma da estrutura do Projeto Candeia.

O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

SUMÁRIO

MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

11

1- CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA 19

1.1

Descrição do gênero Eremanthus

19

1.1.1

Descrição de Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish 20

1.1.2

Descrição de Eremanthus incanus (Less.) Less 22

1.1.3

Aspectos gerais da candeia 22

1.2

Óleos essenciais 23

1.3

Área de ocorrência 26

1.4

Área de ocorrência em Minas Gerais

26

1.5

Caracterização do ambiente onde se encontra a candeia 27

2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA 29

2.1 Introdução 29

2.2 Produção e tecnologia de sementes 29

2.3 Secagem das sementes e armazenamento 38

2.4 Análise da qualidade das sementes 39

2.5 Avaliação da viabilidade das sementes 39

3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA 43

3.1

Introdução 43

3.2

Propagação sexuada de mudas 43

3.2.1

Recipientes e substrato para a produção de mudas de candeia 44

3.3

Semeadura 50

3.4

Crescimento das mudas

52

3.5

Aclimatação e expedição das mudas 54

3.6

Propagação assexuada de mudas 56

3.6.1

Enxertia

56

3.6.2

Micropropagação 57

3.6.3

Estaquia e miniestaquia 58

4 - MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA 61

4.1

Implantação de povoamentos de candeia 61

4.2

Preparo do terreno 61

4.3

Espaçamento

64

4.5

Plantio 65

4.6

Irrigação 67

4.8

Combate às formigas 68

4.9

Adubação pós-plantio 69

4.10

Tratos silviculturais 70

4.11

Desrama 71

4.12

Expectativa de produção em diâmetro e altura para a candeia Eremanthus erythropappus .71

4.13

Manejo da candeia a partir da área de cobertura 82

4.14

Modelagem da produção 89

4.15

Expectativa de renda de povoamento com candeia Eremanthus erythropappus

92

4.16

Exemplo de plantios com candeia

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 5 - MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA BASEADO NA

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

5 - MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA BASEADO NA ÁRVORE INDIVIDUAL 99

5.1 Introdução 99

5.2 Escopo metodológico 100

5. 2.1 Descrição da área de estudo 100

5.2.2

Modelagem da copa 102

5.2.3

Avaliação econômica 105

5.3

Resultados e discussões 106

5.3.1

Definição dos grupos

106

5.3.1.1

Uso de variáveis Dummy 107

5.3.2

Modelagem da área de copa

108

5.3.3

Avaliação econômica com base na modelagem de área de copa

113

6 - SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus (DC.) MACLEISH) NA PRODUÇÃO E QUALIDADE DE ÓLEO ESSENCIAL 117

6.1

Introdução 117

6.2

Escopo metodológico 118

6.2.1

Área de estudo 118

6.2.2

Densidade básica 121

6.2.3

Variáveis dendrométricas 123

6.2.4

Óleo essencial da candeia 124

6.2.4.1

Análise estatística dos rendimentos do óleo essencial 129

6.2.5

Análise da composição química do óleo essencial 130

6.2.6

Amostragem do solo 130

6.3

Resultados 131

6.3.1

Valores médios das variáveis dendrométricas 131

6.3.2

Densidade básica 132

6.3.3

Rendimento de óleo essencial e α-bisabolol 133

6.3.4

Influência do solo na composição química do óleo essencial 143

7 - APROVEITAMENTO DO SUBPRODUTO DO PROCESSO DE EXTRAÇÃO DO ÓLEO DA CANDEIA PARA A MANUFATURA DE PRODUTOS DE MAIOR VALOR AGREGADO

145

7.1 Introdução 145

7.2 Fatores que afetam as propriedades dos painéis particulados de madeira 146

7.3 Parâmetros de processamento industrial dos painéis particulados a base de madeira 146

7.4 Painéis aglomerados produzidos com a madeira de candeia 147

7.5 Síntese 150

8 - INVENTÁRIO EM CANDEIAIS NATIVOS(Eremanthus erythropappus) EM MINAS GERAIS 153

8.1 Introdução 153

8.2 Valores médios obtidos da cubagem rigorosa de árvores 153

156

8.4 Densidade básica 158

8.5 Rendimento de óleo essencial e massa de matéria seca 159

8.6 Teor de óleo essencial e qualidade do óleo 160

8.7 Equações para estimar massa de mat. seca e massa de óleo essencial de árvores em pé 161

8.3 Equações para estimar volume de árvores em pé

14
14

O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

9 - OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA

163

9.1

Introdução 163

9.2

Características de um plano de manejo sustentável para a candeia 163

9.2.1

Mapa 164

9.3

Equações para estimar volume, masa seca, massa de óleo e número de moirões 165

9.3.1

Volume e número médio de moirões por planta 165

9.4

Inventário 169

9.4.1

Amostragem e quantificação do volume 169

9.5

Sistemas silviculturais 172

9.5.1

Sistema de corte seletivo 172

9.5.2

Sistema de árvores porta-sementes 175

9.5.3

Sistemas em seleção de grupo ou sistema de corte seletivo em grupos 178

9.5.4.

Sistema de corte em faixas 179

9.6

Aumento da área com candeia 180

9.7

Regeneração natural 181

9.8

Cuidados fundamentais na condução de um plano de manejo para a candeia 183

9.9

Estudo de caso para sistemas silviculturais para candeia 185

9.9.1

Um estudo de caso para o sistema porta sementes 185

9.9.2

Um estudo de caso para o sistema de corte seletivo em grupos

189

9.9.3

Um estudo de caso para o sistema de corte seletivo tradicional

195

9.10

Estratégias para ampliar áreas de candeia que margeiam fragmentos nativos 197

9.11

Exemplo de execução de planos de manejo em Baependi 199

10 - DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA Eremanthus incanus

215

10.1

Introdução 215

10.2

Dinâm. do estrato arbóreo e prognóstico do crescimento de Eremanthus incanus 215

10.2.1

Parâmetros da dinâmica de populações 216

10.3

Estudo do crescimento e prognóstico de colheita de Eremanthus incanus

220

10.4

Dinâm. da regeneração natural de Eremanthus incanus (Less.) Less. em condições naturais.224

10.4.1

Análise da regeneração natural 225

10.4.2

Taxa líquida de mudança da regeneração natural de Eremanthus incanus 228

10.5

Dinâmica da regen. natural de Eremanthus incanus (Less.) sob práticas silviculturais 230

10.5.1

Análise estatística do crescimento em altura 233

10.5.2

Análise estatística do crescimento em diâmetro 234

11 - GENÉTICA, MANEJO E CONSERVAÇÃO 237

11.1

Introdução 237

11.2

Estudo de casos 238

11.2.1

Diversidade genética de candeia como base para o manejo florestal 238

11.2.2

Estrut genética, sistema reprodutivo e distribuição espacial de genótipos da candeia 243

12 - SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA ( Eremanthus erythropappus (DC.)

247

12.1

Introdução 247

12.2

Escopo metodológico 248

12.2.1

Caracterização das áreas de estudo 248

12.2.2

Amostragem e coleta dos dados 248

12.2.3

Análise dos dados 250

15
15
O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 12.2.4 Espacialização da regeneração e do estrato arbóreo 252 12.3

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

12.2.4

Espacialização da regeneração e do estrato arbóreo 252

12.3

Resultados 253

12.4

Síntese 263

13 - INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS DO LOCAL DE CRESCIMENTO SOBRE O RENDIMENTO E A QUALIDADE DO ÓLEO ESSENCIAL DE CANDEIA(Eremanthus erythropappus (DC.) MACLEISH) NATIVA 265

13.1

Introdução 265

13.2

Desenvolvimento do estudo 267

13.2.1

Seleção das árvores e coleta de madeira 267

13.2.2

Coleta e análise do solo

269

13.2.3

Determinação da idade 269

13.2.4

Extração do óleo essencial 270

13.2.5

Avaliação da qualidade do óleo (CG) 272

13.3

Resultados

273

13.3.1

Análise do solo

273

13.3.2

Diâmetro e altura das árvores 275

13.4

Síntese 278

14 - ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 281

14.1

Introdução 281

14.2

Área de estudo 282

14.3

Análise econômica do manejo da candeia 282

14.3.1

Determinação dos custos

282

14.3.2

Determinação das receitas

282

14.3.3

Viabilidade econômica do manejo

282

14.4

Custos do manejo florestal

285

14.4.1

Custos de elaboração do plano de manejo florestal 285

14.4.1.1

Elaboração do mapa da propriedade 285

14.4.1.2

Inventário florestal e elaboração do plano de manejo florestal 285

14.4.2

Custos de exploração 286

14.4.2.1

Identificação e marcação das árvores porta-sementes 286

14.4.2.2

Transplantio de epífitas das árvores a serem cortadas 286

14.4.2.3

Custo de derrubada e traçamento das árvores 287

14.4.2.4

Custo de extração da madeira

287

14.4.2.5

Custo de transporte de madeira 287

14.4.2.6

Custo de limpeza e escarificação do solo após o corte da candeia 288

14.4.2.7

Custo de taxas e impostos 288

14.4.2.8

Custo de desbaste ou raleio da regeneração natural da candeia 288

14.4.2.9

Custo da terra 289

14.4.2.10Resumo dos custos do manejo florestal 289

14.5

Receitas do manejo florestal 290

14.6

Viabilidade econômica do manejo 290

14.6.1

Horizonte de planejamento de um corte 290

14.6.2

Horizonte de planejamento de infinitos cortes 291

14.6.2.1

Simulação dos ciclos de corte para a candeia 291

16
16

O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

14.6.2.2 Análise de sensibilidade

15 - O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA:

291

ASPECTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS 295

15.1

Considerações socioeconômicas sobre as regiões de ocorrência da candeia no estado de Minas Gerais 295

15.2

Região de Carrancas/Baependi 297

15.3

Região de Morro do Pilar/Barão de Cocais 298

15.4

O comércio dos produtos da candeia 300

15.4.1

Os produtos da candeia 300

15.4.1.1Moirões 300

15.4.1.2Óleo essencial de candeia e α-bisabolol natural 301

15.5 O Comércio de moirões 305

15.6 O comércio de α-bisabolol natural 307

16 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

317

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 18

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

18
18

CAPÍTULO 1 - CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA

1 CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA

1.1 Descrição do gênero Eremanthus

José Roberto Soares Scolforo Benoît Francis Patrice Loeuille Thiza Falqueto Altoé

A candeia pertence à família Asteraceae (= Compositae), ao gênero Eremanthus (tribo Vernonieae, subtribo Lychnophorinae). As espécies de Eremanthus são arvoretas, árvores, mais raramente arbustos, de folhas alternas, sésseis a pecioladas, com limbo inteiro, discolor, de margem não revoluta e sem bainha foliar. Os capítulos são frequentemente agregados num receptáculo secundário formando uma inflorescência de segunda ordem, chamada sincefalia ou capítulo secundário. Cada capítulo contém de uma a onze flores, com corola roxa a alva. Os frutos, cípselas, apresentam um pappus persistente a caduco com dois a cinco séries de cerdas estramíneas, às vezes alvas ou avermelhadas (MACLEISH, 1987; LOEUILLE, 2011). Eremanthus é o maior gênero da subtribo Lychnophorinae com 22 espécies listadas na Tabela 1.1 (LOEUILLE, 2012; LOEUILLE; LOPES; PIRANI, 2012). São espécies endêmicas dos cerrados e campos rupestres do Planalto Central Brasileiro, sendo que somente duas delas (E. mattogrossensis e E. rondoniensis) também ocorrem na Bolívia. Estudos filogenéticos (LOEUILLE, 2011) mostraram o monofiletismo do gênero e confirmaram a circunscrição do gênero proposta pela MacLeish (1987) incluindo Vanillosmopsis e excluindo Paralychnophora. Dentre as 22 espécies apresentadas na Tabela 1.1, serão abordadas Eremanthus erythropappus e Eremanthus incanus (Figura 1.1), pois estas são as de maior ocorrência no estado de Minas Gerais. Eremanthus erythropappus é largamente comercializada para a produção de moirões e a extração de óleo e Eremanthus incanus é utilizada apenas para a comercialização de moirões, já que não tem potencial para a extração de óleo.

Tabela 1.1 - Lista de espécies do gênero Eremanthus, segundo Loeuille (2012) e Loeuille, Lopes e Pirani (2012).

Espécies de candeia

1

Eremanthus arboreus (Gardner) MacLeish

2

Eremanthus argenteus MacLeish & H. Schumach.

3

Eremanthus auriculatus MacLeish & H. Schumach.

4

Eremanthus brasiliensis (Gardner) MacLeish

5

Eremanthus brevifolius Loeuille

6

Eremanthus capitatus (Spreng.) MacLeish

7

Eremanthus cinctus Baker

8

Eremanthus crotonoides Sch. Bip.

9

Eremanthus elaeagnus Sch. Bip.

10

Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish

11

Eremanthus glomerulatus Less.

12

Eremanthus goyazensis Sch. Bip.

13

Eremanthus hatschbachii H. Rob.

14

Eremanthus incanus Less.

15

Eremanthus leucodendron Mattf.

16

Eremanthus mattogrossensis Kuntze

17

Eremanthus mollis Sch. Bip.

18

Eremanthus pabstii G.M. Barroso

19

Eremanthus polycephalus (DC.) MacLeish

20

Eremanthus rondoniensis MacLeish & H. Schumach.

21

Eremanthus uniflorus MacLeish & H.Schumach.

22

Eremanthus veadeiroensis H. Rob.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b Figura 1.1 - Candeal nativo de Eremanthus erythropappus

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

a b
a
b

Figura 1.1 - Candeal nativo de Eremanthus erythropappus, em Delfim Moreira (a) e de Eremanthus incanus, em Morro do Pilar, MG (b).

1.1.1 Descrição de Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish

É uma espécie florestal de múltiplos usos. Sua madeira é utilizada predominantemente como moirão de cerca,

em decorrência de sua alta durabilidade e, também, na extração de óleo essencial, cujo princípio ativo é o α-bisabolol, empregado na fabricação de medicamentos e cosméticos (cremes, bronzeadores, protetores solares, veículo para medicamentos, além de uso na profilaxia e cuidados da pele de bebês e adultos, entre outros).

A candeia (Eremanthus erythropappus) é uma espécie precursora de campo, típica de encraves entre a mata

e os campos abertos (cerrado, campos rupestres e campos de altitude). Essa espécie se desenvolve rapidamente em campos abertos, formando povoamentos mais ou menos puros. Isso também acontece dentro da floresta, quando há alguma perturbação, pois é uma espécie heliófila e a entrada de luz a beneficia.

A candeia nativa apresenta distribuição de diâmetro decrescente, com árvores, normalmente, atingindo até

32,5 cm, embora, em média, um candeal apresente diâmetro em torno de 15 cm. Entretanto, foram detectados raros exemplares que chegaram a apresentar até 62,5 cm. A média de altura está entre 6 e 7 m. Já, a altura das

maiores árvores situa-se em torno de 9,5 a 10 m, muito embora tenha sido encontrado, durante a realização deste estudo, um indivíduo com 16,5 m, incrustado dentro da mata nativa.

O tronco dessa árvore possui a casca grossa e cheia de fendas no fuste; nos galhos mais novos, a casca torna-se

menos rústica. Têm de três a quatro flores por capítulo, os quais são agrupados numa sincefalia hemisférica. Na face abaxial foram observados tricomas tectores do tipo ramificado em profusão, o que justifica o aspecto esbranquiçado das folhas a olho nu, em razão da reflexão da luz. Anatomicamente, as folhas de E. erythropappus apresentam estruturas tipicamente xeromorfas, que, certamente, contribuem para uma proteção mecânica e química foliar para

a adaptação dessa espécie no seu ambiente natural. A associação de tricomas tectores e glandulares proporcionam a

proteção das folhas de candeia a fatores abióticos e bióticos do ambiente, sendo o óleo essencial fundamental pela sua localização nas duas faces da lâmina foliar (DUTRA et al., 2010).

A época de florescimento é de julho a setembro (Figura 1.2), período seco e frio do ano, e sua frutificação e

dispersão ocorrem no período de elevação da temperatura, de agosto a setembro e estende-se aos meses de outubro e novembro, quando ocorre o início do período das chuvas. Suas flores hermafroditas apresentam-se na cor púrpura, com grandes quantidades de pólen viável e néctar, atrativos às abelhas, principalmente às das espécies Apis mellifera e Trigona sp (VIEIRA; FAJARDO; CARVALHO, 2009). A dispersão das sementes ocorre entre os meses de agosto e outubro. O fruto é do tipo cípsela, com superfície cilíndrica e com dez arestas, de cor parda-escura, com aproximadamente 2 mm de comprimento. Cada fruto contém uma só semente.

20
20

CAPÍTULO 1 - CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA

Uma característica interessante dessa espécie é seu desenvolvimento em sítios com solos pouco férteis, rasos e, predominantemente, em áreas de campos de altitude que varia entre 400 e 2.200m. Enfim, a candeia se

desenvolve em locais nos quais seria difícil a implantação de culturas agrícolas ou, mesmo, a implantação de alguma outra espécie florestal.

A candeia tem comportamento semelhante às demais espécies das florestas tropicais, apresentando menor

esforço reprodutivo, à medida que a sucessão secundária alcança sua maturidade. Encontrar indivíduos mortos de candeia é comum e se deve ao estádio sucessional de cada lugar, pois, à medida que a floresta secundária se desenvolve, os indivíduos de candeia têm sua luz reduzida, o que faz com que eles morram (SILVA, 2001). As árvores de candeia apresentam anéis de crescimento caracterizados pela alternância de lenhos inicial e

tardio, demarcados por zonas fibrosas e fina linha de parênquima marginal. Apresentam também significativa variação das dimensões e frequência dos vasos no sentido radial e potencialidade, para a aplicação em dendrocronologia, como exemplo, determinação da idade e da taxa de crescimento das árvores (CHAGAS; TOMAZELLO FILHO; LISI, 2007).

A madeira é branca ou acinzentada, com grã mais escura. A faixa de densidade para a candeia situa-se

entre 0,60 e 0,78 g/cm 3 , predominando entre 0,63 e 0,71 g/cm 3 , com tendência de decréscimo no sentido base-topo, dentro de uma mesma classe diamétrica e tendência de aumento das menores para as maiores classes diamétricas, quando considerada a mesma altura relativa para retirada dos discos. Possui densidade básica média de 675 kg/m³ (PERÉZ et al., 2004b).

Possui densidade básica média de 675 kg/m³ (PERÉZ et al., 2004b). Figura 1.2 - Detalhes da

Figura 1.2 - Detalhes da florada da candeia.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 1.1.2 Descrição de Eremanthus incanus (Less.) Less. É uma árvore

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

1.1.2 Descrição de Eremanthus incanus (Less.) Less.

É uma árvore que, quando adulta, tem altura média entre 5 e 7 m, diâmetro médio entre 10 e 12 cm, com

exemplares que podem atingir até 20 ou 25 cm. O tronco é marrom-cinzento, com casca grossa e poucos galhos. As folhas são coriáceas, com pecíolos de 4 a 17 mm de comprimento e limbo com 5,5 a 14 cm de comprimento

e largura de 2 a 6 cm. A forma da folha varia de elíptica a oval, com base aguda e ápice, tendendo ao obtuso, cujas

margens são inteiras. Apresenta inflorescência cimosa, composta por 8 a 50 sincefalos, com 5 a 15 mm de altura, 7 a 15 mm de diâmetro e forma tendendo à esférica, com 30 a 100 capítulos unifloros aglomeradas em cada sincefalo. Os invólucros são cilíndricos, com 2,4 a 5 mm de altura e 0,3 a 1,5 mm de diâmetro (MACLEISH, 1987). Os verticilos externos têm forma triangular, com 1,7 a 3 mm de comprimento, 0,1 a 0,5 mm de largura

e os ápices tendem à forma obtusa. Os verticilos internos são estreitos, com 2,6 a 4 mm de comprimento e 0,3 a

0,6 mm de largura. Os ápices são pontiagudos, as margens são inteiras, a superfície abaxial possui estramíneo com ápice roxo. Apresenta, ainda, corolas púrpuras-pálidas a alvas, com 4,2 a 6,6 mm de altura e lóbulos pontiagudos. As cípselas cilíndricas possuem de 2,2 a 2,6 mm de altura, são glandulares, pubescentes e têm de 15 a 20 costas, com nectário apresentando altura entre 0,15 a 0,25 mm de altura e um pappus decíduo com três a quatro séries de cerdas, variando de estramíneo a avermelhado. A floração e a produção de frutos ocorrem de julho a outubro (MACLEISH, 1987). Essa espécie é comum em Minas Gerais e na Bahia. Ocorre entre 550 e 1.700 m de altitude, no cerrado, na floresta secundária ou raramente na caatinga e restinga. Sua utilização é, basicamente, para a produção de moirões, já que a produtividade do óleo α-bisabolol é pequena e de baixa qualidade.

1.1.3 Aspectos gerais da candeia

No sul do estado de Minas Gerais, principalmente em áreas com predominância de Cambissolos, são

localizados vários sítios degradados que dificultam a indicação de espécies florestais que possam ser cultivadas, tanto para alcançar as metas da restauração ambiental quanto para participarem do processo de produtos florestais e renda nas propriedades rurais. Dentre as poucas espécies que podem ser indicadas para cultivo nessas áreas, destaca-se a candeia que, além dos seus atributos relativos à durabilidade natural da madeira e à quantidade de óleo essencial, ocorre, naturalmente, em solos arenosos ou pedregosos, apresentando crescimento inicial acelerado e com baixa exigência edáfica (RIZZINI, 1979).

A candeia era classificada como pertencente ao grupo ecológico das pioneiras, secundária inicial, considerada

precursora na invasão de campos (CARVALHO, 1994). Estudos realizados pela equipe da Universidade Federal de Lavras (UFLA) com a espécie permitiram uma correção nessa classificação, passando-a a espécie de ecótono, nas áreas de transição entre as matas semideciduais e os campos abertos (cerrado) ou também os campos de altitude (SCOLFORO et al., 2004). Apesar de apresentar alta produção de sementes, de sua dispersão ser pelo vento e,

quando criadas as condições adequadas, a espécie apresentar alta taxa de regeneração natural, características essas das espécies pioneiras, ela não apresenta ciclo de vida curto, sendo encontrados exemplares com idade superior

a 70 anos. Desenvolve-se, rapidamente, em campos abertos, formando povoamentos mais ou menos puros. Isso

acontece também dentro da floresta, quando ocorre alguma perturbação, pois trata-se de uma espécie heliófila e, portanto, a entrada de luz a beneficia. Resultados ecofisiológicos obtidos por Pedralli (1997) mostraram que a candeia é fotoblástica positiva. Segundo esse mesmo autor e Scolforo et al. (2007), seu recrutamento via banco de sementes ocorre, principalmente, nas camadas de 0-10 cm do solo, na presença de serrapilheira e nos tratamentos de plena luz, sendo esse último,

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CAPÍTULO 1 - CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA

fator imprescindível para a germinação e o estabelecimento de seus indivíduos. Afirmam ainda, em relação à

candeia, que, para seu manejo, é fundamental a existência de clareiras, que permitem a entrada de luz necessária à germinação e ao estabelecimento de suas plântulas. Estudos realizados por Peréz et al. (2004a) demonstraram que há um acréscimo na quantidade de óleo do fuste produzido pela candeia com o aumento das classes diamétricas, sendo, em média, de 1,585 kg, com massa mínima de 0,109 kg para árvores entre 5 e 10 cm de diâmetro e massa de 4,042 kg para as árvores entre 30 e 35

cm de diâmetro. Os mesmos autores consideraram, ainda, que, embora as árvores das menores classes apresentem,

individualmente, menor quantidade de óleo em relação às de maiores classes, ao se considerar o controle por unidade de área, as árvores contidas nas menores classes de diâmetro são viáveis de serem exploradas, por produzirem maior quantidade de óleo por hectare em relação às das maiores classes. Isso é explicado pelo elevado número de indivíduos nas menores classes e pelo reduzido número nas maiores.

1.2 Óleos essenciais

Além do metabolismo primário, responsável pela síntese de celulose, lignina, proteínas, lipídeos, açúcares e outras substâncias importantes para a realização das funções vitais, as plantas apresentam o chamado metabolismo secundário. Os vegetais produzem uma grande variedade de compostos orgânicos, que não possuem ação direta

conhecida em seus processos vitais, como: fotossíntese, respiração, transporte de solutos, translocação, assimilação de nutrientes, diferenciação ou síntese de carboidratos, proteínas e lipídeos. Tais substâncias são conhecidas como metabólitos secundários (TAIZ; ZEIGER, 2004). Entre os metabólicos secundários, há um destaque para os óleos essenciais, por sua utilização crescente

nas áreas de alimentos (condimentos, antioxidantes, aromatizantes de alimentos e bebidas), cosméticos (perfumes

e produtos de higiene), e no controle de microrganismos, agindo como: bactericidas, fungicidas e virucidas, e no controle de nematoides, insetos e parasitas. De maneira geral, são misturas de substâncias orgânicas voláteis, de consistência semelhante ao óleo, definida por um conjunto de propriedades, entre as quais, destacam-se volatilidade, aroma agradável, solubilidade

em solventes orgânicos apolares, entre outras. Assim, diferem dos óleos fixos, que são misturas de triacilglicerideos, obtidos, geralmente, de sementes. São, também, denominados de essências, óleos etéreos ou óleos voláteis. Quando recentemente extraídos, são incolores ou ligeiramente amarelados; alguns podem apresentar coloração intensa, como

o óleo de camomila que é azul intenso, em razão da presença dos derivados do azuleno (SIMÕES et al., 2007). A intensidade de produção e a composição dos óleos variam acordo com a espécie, variabilidade genética, fatores ambientais, sendo, geralmente, específico para um determinado órgão e característico para o estágio de desenvolvimento da planta. Podem ser consideradas moléculas lipofílicas, de baixo peso molecular, constituídas de uma ou mais insaturações, instáveis à temperatura e à luz, podendo ser degradadas, ou sofrerem polimerização (GUIMARÃES et al., 2008). Nos vegetais, os óleos essenciais desenvolvem funções relacionadas com sua volatilidade, agindo na atração de polinizadores, na proteção contra predadores, patógenos, perda de água, aumento de temperatura e, também, desempenhando funções ecológicas, especialmente como inibidores de germinação. Essas características tornam as plantas que os produzem poderosas fontes de agentes biocidas. Os constituintes dos óleos essenciais são agrupados em duas classes quimicamente distintas: terpenóides e

fenilpropanóides. Os terpenóides são constituídos de duas ou mais moléculas de isopreno, ocorrendo de forma mais abundante nas espécies produtoras de óleo essencial. São frequentemente encontrados os monoterpenos, formados

por duas moléculas de isopreno e os sesquiterpenos (por exemplo, o α-bisabolol), formados por três moléculas de

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA isopreno (ROBBERS; SPEEDIE; TYLER, 1997). A constituição química dos componentes

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

isopreno (ROBBERS; SPEEDIE; TYLER, 1997). A constituição química dos componentes presentes em um óleo essencial é muito variada, incluindo hidrocarbonetos terpênicos, álcoois simples e terpênicos, aldeídos, cetonas, fenóis, ésteres, éteres, óxidos, peróxidos, furanos, ácidos orgânicos, lactonas e cumarinas, compostos com enxofre e até compostos com nitrogênio. No processo de extração de óleo essencial, podem ser aplicados diversos métodos, como a hidrodestilação, maceração, extração por solvente, enfleurage, CO 2 supercrítico e micro-ondas. Dentre esses, o método de maior aplicação é o de hidrodestilação, que se divide em duas técnicas – arraste a vapor e coobação, que é a destilação repetida, a fim de se obter maior concentração dos princípios ativos (SANTOS et al., 2004). Há diversos fatores que influenciam a produção de óleo pelas plantas e sua constituição química (Figura 1.3). Gobbo Neto e Lopes (2007) citam fatores como o genético, a sazonalidade, ritmo circadiano, idade, estádio de desenvolvimento da planta, temperatura, disponibilidade hídrica, radiação ultravioleta, nutrição mineral, altitude, poluição atmosférica, indução por estímulos mecânicos e ataque de patógenos.

indução por estímulos mecânicos e ataque de patógenos. Figura 1.3 - Principais fatores que podem influenciar

Figura 1.3 - Principais fatores que podem influenciar o acúmulo de metabólitos secundários em plantas. Fonte: Gobbo Neto e Lopes (2007)

O componente majoritário do óleo essencial da candeia é o α-bisabolol, (2S)-6-methyl-2-(4-methylcyclohex- 3-en-1-yl)hept-5-en-2-ol, (Figura 1.4). É um álcool terciário de fórmula molecular C 15 H 26 O, monocíclico, sesquiterpênico, insaturado e opticamente ativo, que provém da condensação de moléculas de acetil CoA. Também conhecido por levomenol, para o isômero natural alfa, trata-se de um líquido ligeiramente amarelado, pouco solúvel em água e que possui massa molar de 222,36 g/mol, temperatura de ebulição em 153°C e índice de refração (20°C) de 1,493 a 1,497 (THE MERCK INDEX, 1996).

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CAPÍTULO 1 - CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA

O H
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Figura 1.4 - Estrutura química do α-bisabolol

As principais funções biológicas do α-bisabolol, conforme citadas por Altoé (2012), são: inseticida (ANDRADE et al., 2004), fungicida (OLIVEIRA et al., 2005; PAULI, 2006;TABANCA et al., 2007), antibacteriano (PAULI, 2006; VILA et al., 2010) e anti-inflamatório (KIM et al., 2011). Várias pesquisas relatam seu potencial no tratamento de leishmaniose causada por Leishmania infantum (MORALES-YUSTEA et al., 2010), contra câncer de pâncreas (SEKI et al., 2011), como gastroprotetor (BEZERRA et al., 2009; LEITE et al., 2009), como atuante no aumento da permeabilidade da membrana de bactérias à antibióticos (BREHM-STECHER; JOHNSON, 2003), como agente pró-apoptótico no tratamento de leucemia aguda (CAVALIERI et al., 2011), na ação seletiva no combate a células tumorais (DARRA et al., 2007), no tratamento de doenças de pele (KIM et al., 2008), como analgésico, antialérgico, antiespasmódico e vermífugo (KAMATOU; VILJOEN, 2010). Por apresentar baixa toxicidade, a Food and Drug Administration (FDA) o classificou como Generally Regarded as Safe (GRAS), ou seja, este foi considerado como um aditivo alimentar seguro, estendendo seu uso às indústrias de alimentos (KAMATOU; VILJOEN, 2010). O α-bisabolol está presente na composição de itens de maquiagens, perfumes finos, xampus, sabonetes, bem como em produtos não cosméticos, tais como produtos de limpeza e detergentes (BHATIA et al., 2008). É, também, empregado em produtos destinados a peles sensíveis, especialmente para recém-nascidos, produtos adstringentes, batom líquido, bloqueador solar, creme dental, creme para escaras que ocorre em pacientes acamados, creme peeling de limpeza e estímulo da circulação, creme pós- cirúrgico, creme tonificante, emulsão para pele, filtro solar, gel antissolar, lenços umedecidos para retirada da maquiagem, loções antiacne, capilar protetora, hidratante pós-sol, pós-barba e pós-depilação (ANDRADE, 2009). Vários autores citados por Altoé (2012) verificaram que o α-bisabolol está presente em espécies de plantas como a camomila Matricaria chamomilla, Myoporum grassifolium, que apresentam elevados teores deste álcool, assim como nas folhas de Plinia cerrocampanensis, parte aérea de Salvia runcinata e S. stenophylla e no tronco de Eremanthus arboreus (= Vanillosmopsis arborea) e Eremanthus capitatus (= Vanillosmopsis pohlii). Em quantidades menores, sua presença foi relatada nas espécies Meiogyne cylindrocarpa, Achillea aleppica subsp. aleppica, Nicotiana tabacum, Satureja thymbra e S. parnassica, Arnica longifolia e Aster hesperius, Achillea ligustica, Artemisia ordosica, Schefflera heptaphylla, Elionurus elegans, Baccharis dracunculifolia, Daucus carota subsp. sativus, Artemisia absinthium, A. santonicum, A. spicigera, Catharanthus roseus, entre outras. Dentre as espécies já estudadas que apresentam α-bisabolol, a Eremanthus erythropappus destaca-se, por ser abundante na natureza e ter a vantajosa combinação de apresentar elevado teor desse álcool, com um rendimento de óleo essencial satisfatório por planta, associado à considerável produção de biomassa por área (SCOLFORO et al., 2004).

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 1.3 Área de Ocorrência A candeia Eremanthus erythropappus está distribuída

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

1.3 Área de Ocorrência

A candeia Eremanthus erythropappus está distribuída em toda a parte sudeste do Planalto Central de 400 a 2.200 metros, sendo bastante comum em colônias no meio da floresta secundária da faixa costeira e do cerrado e campos rupestres do planalto interior no centro-oeste (Goiás e Distrito Federal) e sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro) do Brasil. E. incanus ocorre no nordeste (Bahia) e sudeste (Minas Gerais) do Brasil, nos domínios do Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica (MACLEISH, 1987, LOEUILLE, 2012).

1.4 Área de ocorrência em Minas Gerais

No estado de Minas Gerais, a candeia é encontrada nas regiões demarcadas no mapa da Figura 1.5, onde também está assinalada a área de execução do Projeto Candeia.

está assinalada a área de execução do Projeto Candeia. Figura 1.5 - Área de ocorrência e

Figura 1.5 - Área de ocorrência e de estudo da candeia em Minas Gerais.

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CAPÍTULO 1 - CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA

1.5 Caracterização do ambiente onde se encontra a candeia

- Clima

Com relação ao ambiente no qual a candeia é encontrada, o clima, segundo a classificação de Köppen,

é mesotérmico úmido do tipo Cwb, tropical de altitude, com verões suaves. A temperatura do mês mais quente,

dependendo da altitude do local considerado, varia de 22 o C a 30 o C, a temperatura média anual varia entre 18 o C e 20 o C e a média anual de precipitação pluviométrica entre 1.400 e 1.550 mm. Os meses mais chuvosos são: novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, e as menores precipitações ocorrem em junho, julho e agosto.

- Classificação do solo

Nos campos de altitude da região sul de Minas, o material de origem é denominado BI, gnaisses, migmatitos, granitoides gnaisses e xistos grafitosos, ultramáficas e máficas, formações ferríferas, conditos e quartzitos. O solo é classificado como Cambissolo álico (Ca) e Cambissolo distrófico (Cd). Já, em áreas com altitude em torno de 1.000 m, no sul de Minas, o material de origem é AX, micaxisto, quartzito anfebolitos, cálcio-cilicáticas e gnaisses. O solo é classificado como Cambissolo álico (Ca), ocorrendo também Latossolo Vermelho Escuro distrófico (LEd) e Latossolo Vermelho Amarelo distrófico (LVd). Na serra do Espinhaço, mais especificamente na região da Serra do Cipó, o material de origem dessa região

é EIF, quartzito, filitos, metaconglomerado, metabrechas e filitos hematíticos. O solo é classificado como Latossolo Roxo distrófico (LRd), ocorrendo também Latossolo Vermelho Escuro álico (LEa), Cambissolo álico (Ca), solo litólico álico (Ra) e Podzólico Vermelho Amarelo distrofico (PVd).

- Análises químicas e físicas dos solos

De maneira geral, a fertilidade e a textura do solo, onde ainda se encontram remanescentes de candeia, têm as seguintes características médias: o valor de pH é baixo, com média de 5,1 e desvio padrão 0,3; a matéria orgânica pode ser classificada como valores bons, com média de 2,2 dag/kg e desvio padrão 0,9; o cálcio apresenta valor de médio a baixo ou 0,3 mg/dm 3 e desvio padrão 0,2; o magnésio, valores de baixo a muito baixo ou 0,1 cmolc/dm 3 ; o potássio apresenta grande variabilidade de disponibilidade nas áreas, com valores de bons a baixo, na grandeza de 40,7 mg/dm 3 e desvio padrão 21,7; o fósforo, baixos valores ou 1,4mg/dm 3 e desvio padrão 0,4 e o alumínio, valores médios de 1,2 cmolc/dm 3 e desvio padrão de 0,5. O índice de saturação de bases é, em média, de 9,7% e o índice de saturação de alumínio é de 67,6%. A soma de bases trocáveis é de 0,5 cmolc/dm 3 , com desvio padrão 0,2. A capacidade de troca catiônica efetiva é, em média, de 1,7 cmolc/dm 3 , com desvio de 0,6 e a capacidade de troca catiônica a pH 7,0 é de 6,6 cmolc/dm 3 , com desvio padrão de 2,8. Com base nos valores de pH, alumínio, acidez potencial e saturação por alumínio, verifica-se que possuem acidez elevada, o que pode influenciar negativamente o desenvolvimento do sistema radicular e a disponibilidade de macronutrientes. A soma de bases apresenta baixos valores, evidenciando a baixa fertilidade desse solo. Com relação às características físicas do solo, as distribuições granulométricas por tamanho indicam solos variando de textura média a arenosa, com 68,7% de areia, 20,8% de argila e 11,2% de silte, em média.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA MANEJO DA CANDEIA PLANTADA 28 28

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

MANEJO DA CANDEIA PLANTADA

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CAPÍTULO 2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA

2 PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA

2.1 Introdução

Antônio Claudio Davide José Carlos Martins Livia Maria Chamma Davide Marcela Carlota Nery Olívia Alvina Oliveira Tonetti

A silvicultura brasileira é uma atividade recente quando comparada com países da Europa com tradição de vários séculos na área. No Brasil, a produção de sementes e mudas de espécies florestais com algum grau de

melhoramento, só teve um incremento significativo nas últimas quatro décadas, com maior ênfase em espécies dos gêneros Eucalyptus e Pinus. As grandes empresas florestais do setor de celulose e papel e outros produtos da madeira estabeleceram programas de melhoramento que pudessem fornecer sementes e propágulos com características silviculturais

e tecnológicas capazes de atender às suas necessidades. Esses programas são contínuos, dinâmicos e específicos

aos interesses de cada setor, já que, na sua maioria, baseiam-se na estratégia de multipopulações, explorando as interações com sítios específicos. Além desses fatores, por se tratarem de espécies exóticas com ampla utilização em vários países, são também bastante estudadas nos seus aspectos da fisiologia e tecnologia de sementes e mudas. Com os avanços obtidos na política ambiental, a crescente conscientização da população em relação à preservação ambiental e às necessidades de manejo econômico de espécies florestais nativas, têm-se pautado a criação de programas para a busca de conhecimentos sobre essas espécies, iniciando-se pelos aspectos ecológicos, da produção e tecnologia de sementes e mudas. Atualmente, a maioria dos plantios de espécies florestais nativas são destinados à restauração de ecossistemas florestais alterados ou degradados, onde busca-se alcançar a máxima diversidade genética entre e dentro das espécies. No caso de plantios com fins comerciais, como os de candeia, deve-se explorar ao máximo a variabilidade existente dentro da espécie, selecionando-se procedências, progênies e/ou clones mais adaptados e com maiores potenciais de produção de α-bisabolol para diferentes ambientes. Esse processo é normalmente demorado e dispendioso, mas pode ser levado em paralelo com plantios comerciais de pequena escala, que utilizam fontes de sementes locais, colhidas de populações mais vigorosas, as denominadas ACS (Áreas de Coleta de Sementes). A candeia se caracteriza por ser uma espécie com alta capacidade de regenerar áreas sujeitas as ações antrópicas, no entanto, há poucas informações referente a produção, tecnologia de sementes e plantio de mudas, o que compõe o escopo desta publicação, maximizando seus usos e benefícios.

2.2 Produção e Tecnologia de Sementes

- Caracterização das Populações

Na área florestal, um exemplo clássico de incremento em produtividade, em razão do melhoramento genético pode ser encontrado em Ferreira (2005), que relata o aumento no rendimento médio volumétrico em plantios do gênero Eucalyptus no Brasil dos 13-30 m 3 .ha -1 .ano -1 até a década de 70, para aproximadamente 40

m 3 .ha -1 .ano -1 após a introdução de espécies / procedências, avaliações e seleção dos melhores materiais genéticos. Segundo Xavier, Wendling e Silva (2009), a seleção é um assunto de grande relevância na silvicultura de qualquer espécie e de acordo com Kageyama (1980), somente com a existência da variabilidade genética é possível

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA realizar seleção. O mesmo autor salienta que ganhos em produtividade

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realizar seleção. O mesmo autor salienta que ganhos em produtividade podem ser conseguidos, se aplicada uma determinada intensidade de seleção sobre a variabilidade existente. Freitas (2001) encontrou um alto grau de polimorfismo genético (89,9%) em candeia, ao estudar a

variabilidade genética da espécie em seis áreas localizadas na Estação Ecológica de Tripuí e duas localidades no Parque Estadual de Itacolomi – MG, sendo que, 14,3% da variação genética entre indivíduos foi decorrente da variação entre as populações e a maior parte, dentro das populações. No entanto, segundo Kageyama (1980), quando se tem estudo desse tipo em uma gama maior de ambientes onde a espécie ocorre naturalmente, a variação genética entre populações, ou seja, entre procedências, é muito maior do que aquelas existentes em famílias selecionadas em uma mesma população, em um mesmo local.

O termo “população” é definido como: “grupo de indivíduos da mesma espécie que ocorre em uma

determinada área e compartilha do mesmo acervo genético”. No campo, quando se realizam os trabalhos de coleta

de sementes, é muito difícil estabelecer os limites geográficos de uma determinada população e quase sempre, esse termo é utilizado como sinônimo de “origem: localização geográfica onde as populações florestais ou indivíduos fornecedores de sementes ocorrem naturalmente”; ou mesmo como sinônimo de “procedência: localização da população ou das matrizes fornecedoras de sementes ou outro material de propagação” (BRASIL, 2003).

A variação biológica total de um caráter é descrita estatisticamente pela variância fenotípica, que é subdivida

em dois componentes: a variância genética e a variância ambiental (BUENO; MENDES; CARVALHO, 2006),

ou seja, a característica apresentada pelo individuo é função do seu genótipo e do ambiente em que ele se encontra. Assim, para que a seleção do indivíduo geneticamente superior seja eficiente, além da existência de variação, é necessário que a herdabilidade do caráter em questão seja alta. Os mesmos autores definem a herdabilidade como parâmetro genético que expressa a proporção da variação genética na variação fenotípica.

A candeia possui baixa exigência edáfica, ocorrendo naturalmente em solos pobres e pedregosos (RIZZINI,

1979) e, até o momento, todos os plantios comerciais de candeia têm sido realizados por meio de material seminal

e sem nenhum controle genético sobre as sementes coletadas para tal finalidade. Mesmo em espécies rústicas como

a candeia, existe a necessidade de genótipos mais adaptados às diversas condições ambientais (SILVA; ROSADO; VIEIRA, 2005) e mais produtivos, possibilitando maior retorno econômico aos investidores.

A falta de caracterização adequada dos materiais vegetais coletados, muitas vezes só é notada muitos anos

após seu plantio. Em muitos casos, onde parcelas experimentais com espécies florestais nativas foram plantadas há décadas, em testes de espécies x procedências ou procedência x progênie, muitos materiais genéticos mostram

grandes potencialidades de utilização na silvicultura, mas não existem registros da fonte de sementes ou procedência, impossibilitando ou restringindo que o trabalho de melhoramento e/ou comercialização de sementes possa ganhar escala comercial.

As populações de candeia destinadas à produção de sementes devem ser selecionadas dentro de sua região

de ocorrência natural, buscando-se capturar a maior representatividade genética dessas populações. Kageyama e Gandara (1999), enfatizam a necessidade do entendimento do conceito de tamanho efetivo (Ne), que vem a ser a

representatividade genética que uma árvore tem, em função de seu sistema reprodutivo e de sua genealogia. Assim, sementes colhidas de uma árvore podem representar um Ne que pode variar de 1 a próximo de 4, dependendo se a espécie é alógama ou autógama, respectivamente.

O tamanho efetivo de uma população implicará na sua capacidade de manter suas características genéticas

ao longo de sucessivas gerações, de maneira que a colheita de sementes deverá priorizar o tamanho efetivo da população, para que a futura floresta originada dessas sementes represente a variabilidade genética da espécie, além de evitar cruzamentos endogâmicos e, consequentemente, a sua depressão. Assumindo-se que uma espécie é alógama, como a candeia, pode-se adotar um tamanho efetivo adequado

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para a colheita de sementes como sendo de 50. Segundo Kageyama e Gandara (1999), esse valor tem sido aceito na literatura para casos de populações a serem mantidas a médio prazo. Na prática, sugere-se colher sementes de 12 a 13 árvores de uma população natural grande, ou seja, com mais de 500 árvores, ou; reunir as sementes de várias populações pequenas, somando-se os Ne individuais, ou ainda; coletar sementes de uma floresta plantada, desde que as sementes utilizadas para formar essa população tenham um Ne de 50. Para todos os casos, deve-se colher a mesma quantidade de sementes de cada árvore, tomando-se o cuidado de obedecer uma distância de 50m a 100m entre as árvores selecionadas. Em um teste de procedência x progênie implantado em Baependi, em 2004, estão sendo testadas procedências de Delfim Moreira, Baependi, Carrancas, Itabirito e Morro do Pilar. Para cada procedência, foram coletadas sementes de 24 matrizes de polinização aberta, exceto Morro do Pilar, onde foram coletadas sementes de 20 matrizes. Nesse teste genético, foi possível identificar materiais superiores, tanto pelo volume, como pela forma, conforme pode ser visualizado na Figura 2.1.

pela forma, conforme pode ser visualizado na Figura 2.1. Figura 2.1 - Variações fenotípicas entre progênies
pela forma, conforme pode ser visualizado na Figura 2.1. Figura 2.1 - Variações fenotípicas entre progênies
pela forma, conforme pode ser visualizado na Figura 2.1. Figura 2.1 - Variações fenotípicas entre progênies
pela forma, conforme pode ser visualizado na Figura 2.1. Figura 2.1 - Variações fenotípicas entre progênies

Figura 2.1 - Variações fenotípicas entre progênies de Eremanthus erythropappus com 5 anos de idade.

- Seleção de Matrizes

De acordo com as recomendações de Davide, Faria e Botelho (1995), as árvores matrizes devem apresentar características típicas da espécie alvo, serem vigorosas, apresentar boas condições fitossanitárias, possuírem copa pequena, ramos finos com ângulo de inserção próximos de 90 graus, boa desrama natural, tronco cilíndrico, e constituírem-se em boas produtoras de sementes em várias colheitas. Essa última característica só poderá ser confirmada após vários anos de coleta, assim deve-se eleger um número maior de matrizes do que aquele determinado pelas necessidades atuais de sementes, já que matrizes pouco produtivas devem ser eliminadas da unidade de coleta de sementes. Uma vez estabelecidas as populações e as matrizes selecionadas e marcadas, os principais aspectos que devem ser considerados no processo de produção de sementes de candeia são: número de matrizes coletadas; distância entre

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA matrizes; número de ocasiões em que a matriz irá produzir

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matrizes; número de ocasiões em que a matriz irá produzir sementes em seu ciclo vital; intervalo entre eventos de produção; quantidade de sementes produzidas por árvore em cada período de produção; duração do período de produção e classificação da árvore no candeal. O número de matrizes coletadas irá variar conforme os objetivos a serem alcançados. Num primeiro caso,

o interesse poderá ser a coleta de sementes para o início de um programa de melhoramento. Nesse caso, devem-se coletar sementes de 15 a 25 matrizes em cada população, identificando individualmente o material coletado de cada matriz. Um segundo interesse poderá ser a produção de sementes destinadas à produção comercial de mudas

e nesse caso, o número de matrizes coletadas será resultante da necessidade de sementes e da capacidade média de

produção de sementes de cada matriz. Em ambos os casos, deve-se coletar quantidades semelhantes de sementes de cada árvore e manter uma distância mínima de 50 a 100 m entre matrizes. Embora a candeia seja uma espécie colonizadora de campos abertos, formando candeais puros, ela não pode ser considerada como uma espécie pioneira, pois seu ciclo de vida é longo. Dessa forma, árvores matrizes de candeia poderão produzir sementes por muitos anos consecutivos, já que as mesmas produzem sementes todos os anos. Outro importante fator a ser destacado para a seleção de matrizes, é a classificação das árvores na floresta. De acordo com Davide et al. (2000), árvores dominadas ou suprimidas apresentam pouca ou nenhuma capacidade de produzir sementes. Cerca de 90% das sementes são produzidas por árvores dominantes e/ou codominantes da comunidade florestal. Como as árvores de candeia ocorrem de maneira agregada, devem-se selecionar aquelas dominantes. É importante que a seleção de matrizes seja rigorosa e para tal, o selecionador deve ter em mente a imagem da matriz que ele considera ideal, ou seja, uma árvore superior. No caso da candeia, as arvores são, na sua maioria, de baixo porte, copa pronunciada e, muitas vezes, com inserção de ramos desde a região do colo. Para cada população, as árvores matrizes deverão ser marcadas com uma etiqueta de alumínio, além de receber uma marca maior com tinta ou fita colorida para facilitar sua visualização. Em cada etiqueta, constará um conjunto de letras e números, referentes à população e número da matriz, seguindo-se os procedimentos e recomendações do RENASEM (BRASIL,2003), para cada unidade de produção. Todas as populações, assim como todas as matrizes, deverão ser topograficamente georreferenciadas e plotadas em mapas ou croquis que possam permitir a localização fácil e rápida dessas árvores nas futuras coletas, mesmo nas situações em que a equipe de coleta for renovada. Sementes de candeia poderão ser coletadas nas Unidades de Produção de Sementes estabelecidas pelo Sistema Nacional de Sementes e Mudas (SNSM). Áreas de Coleta de Sementes (ACS) são definidas como: “população de

espécie vegetal, nativa ou exótica, natural ou plantada, caracterizada, onde são coletadas sementes ou outro material de propagação”. Essas unidades são as mais simples e fáceis de implantação e por não necessitarem de desbaste das árvores inferiores e nem de isolamento contra pólen das árvores inferiores da circunvinhança, como exigido para as Áreas de Produção de Sementes – APS, devem ser implantadas no início de um programa de melhoramento ou na produção comercial de sementes. Áreas de Produção de Sementes são definidas como: “população vegetal, nativa ou exótica, natural ou plantada, selecionada, isolada contra pólen externo, onde são selecionadas matrizes, com desbaste dos indivíduos indesejáveis e manejo intensivo para produção de sementes, devendo ser informado o critério de seleção individual”.

A necessidade de desbaste das árvores inferiores na implantação das APS pode ser um fator complicador diante das

leis ambientais, pois os candeias ocorrem naturalmente em encostas e topos de morro, muitas vezes caracterizadas como Áreas de Preservação Permanente-APP.

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CAPÍTULO 2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA

- Caracterização dos frutos e sementes

Cada fruto da candeia é uma cípsela que contém uma semente, várias cípselas juntas formam um capítulo, infrutescência típica da família Asteraceae (Figuras 2.2, 2.3 e 2.4).

típica da família Asteraceae (Figuras 2.2, 2.3 e 2.4). Figura 2.2 - Infrutescência de Eremanthus incanus

Figura 2.2 - Infrutescência de Eremanthus incanus.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Legenda: (a) panícula corimbosa; (b) capítulos dispostos em glomérulo;

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Legenda: (a) panícula corimbosa; (b) capítulos dispostos em glomérulo;

Legenda:

(a)

panícula corimbosa;

(b)

capítulos dispostos em glomérulo;

(c)

corola, anteras soldadas e estigma;

(d)

ovário ainda com o “pappus”, corola, estames e estigma;

(e)

fruto (cípsela);

(f)

folha de um ramo comum.

Figura 2.3 - Representação de um ramo de candeia - Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish. Fonte: Ecofisiologia da candeia, CETEC, p. 15, (1994).

Fonte: Ecofisiologia da candeia, CETEC, p. 15, (1994). Figura 2.4 - Eremanthus incanus Less.: (A) e

Figura 2.4 - Eremanthus incanus Less.: (A) e (B) fruto; (C) semente com tegumento; (D) e (E) embrião; (F) eixo embrionário; (G), (H) e (I) germinação (5, 15, 30 dias, respectivamente); (J) plântula com 40 dias; (L) estádio inicial da fase de muda com 65 dias. C - cotilédone; co - coleto; e - epicótilo; ex - eixo-embrionário; f - folha; ga - gema apical; hp - hipocótilo; p - protofilo; pp - papus; rs - raiz secundária; s - semente. Fonte: Davide et al. (2000).

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CAPÍTULO 2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA

- Colheita e Transporte de Frutos e Sementes

Existem vários indicadores da maturação dos frutos que estabelecem a época de colheita ou coleta de sementes. Visto que espécies do gênero Eremanthus tem características que determinam síndrome de dispersão anemocórica, o melhor indicador do ponto de colheita é o início da dispersão de suas sementes. Estas devem então ser colhidas antes que completem a secagem natural e sejam dispersadas pelo vento. Para as espécies de candeia mais importantes para a produção de moirões e óleos essenciais, como Eremanthus

incanus Less e E. erythropappus, no Sul de Minas Gerais, a época de frutificação e dispersão ocorre entre os meses de agosto e outubro, podendo estender-se até novembro, coincidindo com a maioria das espécies florestais nativas da região. A amplitude no período de frutificação/dispersão pode ocorrer, naturalmente, em função de microrregiões, anos e genótipos diferentes. Como podem ocorrer chuvas na região durante os meses de coleta, deve-se evitar

a coleta e o transporte dos capítulos logo após a ocorrência de chuvas, o que poderia levar ao aceleramento do

processo de deterioração das sementes. Após coletados, os capítulos, juntamente com restos dos pedúnculos, devem ser colocados em sacos de aniagem etiquetados, onde devem conter as informações: espécie (se houver dúvida quanto a espécie, uma exsicata deve ser coletada e levada para um herbário para a correta identificação), georreferenciamento do local de coleta, data de coleta, número de árvores coletadas e nome do coletor. Os sacos contendo os capítulos devem ser transportados

para o galpão de beneficiamento (Figura 2.5), que deve ser preferencialmente uma casa de vegetação com cobertura

e laterais fechadas com lençol plástico. Essa medida evita a perda de sementes pelo vento, além de prevenir a entrada de chuvas, reduzir o tempo de secagem e facilitar a separação das sementes dos capítulos.

e facilitar a separação das sementes dos capítulos. Figura 2.5 - Acondicionamento e transporte de capítulos

Figura 2.5 - Acondicionamento e transporte de capítulos coletados no campo para o galpão de beneficiamento.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA - Beneficiamento, Identificação e Armazenamento O beneficiamento das sementes de

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

- Beneficiamento, Identificação e Armazenamento

O beneficiamento das sementes de candeia é essencialmente manual, com a secagem dos frutos ao sol,

seguida de maceração sobre peneira (os capítulos devem ser esfregados sobre a superfície de uma peneira fina, tipo “peneira de arroz”), colocando-se embaixo, uma bandeja para aparar as sementes já soltas, (Figura 2.6a). Esse processo promove a separação dos pappus que são estruturas que favorecem a dispersão natural. Em seguida, o material que for recolhido na bandeja deve ser abanado ou soprado, obtendo, no final, as sementes (considera-se

como tal a cípsela sem os pappus) (Figura 2.6b).

a
a
b
b

Figura 2.6 - Beneficiamento de sementes de Eremanthus sp. (a) maceração dos capítulos em peneira e, (b) sementes sendo separadas por ventilação natural.

O uso de sopradores aumenta consideravelmente a qualidade dos lotes de sementes, visto que elimina

sementes vazias ou muito pequenas e concentra as de maior qualidade (Figura 2.7 e Tabela 2.1). Tonetti (2004), beneficiando sementes de Eremanthus incanus e Eremanthus erythropappus com os lotes originais contendo 2.700.000 e 3.500.000 sementes/kg, respectivamente, obteve lotes com aproximadamente 1.700.000 e 1.800.000 sementes/ kg, após o beneficiamento. Após o beneficiamento dos lotes, estes devem ser identificados por números e registrados em um livro de entrada de sementes. No registro, constará dados de origem, coleta e outros dados de interesse como germinação e umidade inicial das sementes. Nota-se que, em média, do total de sementes beneficiadas manualmente, resultaram 4,61% do peso original de sementes após passarem pelo soprador, mostrando a grande proporção de sementes vazias e outros materiais inertes (Tabela 2.1). Em contrapartida, a germinação passou de 13,05% para sementes beneficiadas manualmente, para 74,11% após passarem pelo soprador. A consequência prática disso é que na semeadura de lotes beneficiados manualmente, serão necessárias de 8 a 20 sementes/tubete ou saco plástico, enquanto que, para o lote soprado, seriam necessárias 2 a 3 sementes/recipiente para garantir ao menos uma plântula/tubete. A peletização de sementes puras poderá ser uma alternativa para otimização do uso de sementes melhoradas. Segundo Rezende (2005), sementes de candeia peletizadas com areia fina e cola a base de PVA (acetato de polivinila) diluída em água na concentração de 15%, possibilitou a manutenção da germinação, quando comparada com sementes sem peletização.

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CAPÍTULO 2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA Figura 2.7 - Esquerda: Soprador tipo
CAPÍTULO 2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA Figura 2.7 - Esquerda: Soprador tipo

Figura 2.7 - Esquerda: Soprador tipo South Dakota; direita superior: sementes na condição original; direita inferior: sementes sopradas.

Tabela 2.1 - Rendimentos no processo de purificação das sementes de E. erythropappus (kg) e germinação (%G) para sementes brutas e sopradas.

Locais de coleta

Sementes brutas

Sementes sopradas

Rendimento 3

kg

% G

kg

% G

(%)

Baependi 1

9,4

7,0

0,34

55,0

3,62

Baependi 2

41,8

8,5

2,46

64,0

5,9

Carrancas

16,0

22,0

0,66

81,0

4,12

Delfim Moreira

5,8

14,0

0,23

93,0

3,96

Natércia

12,0

9,0

0,37

48,0

3,08

Ouro Preto

3,6

28,0

0,29

73,0

8,05

Santa Bárbara

3,0

6,0

0,09

82,0

3,0

Soledade de Minas

12,0

17,0

0,45

86,0

3,75

Virgínia

11,4

6,0

0,42

85,0

3,7

Média

12,78

13,05

0,59

74,11

4,61

Total

115,0

 

5,31

   

1 - Rego D’água; 2 - Gamarra de Cima; 3 – relação entre sementes sopradas/sementes brutas.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 2.3 Secagem das sementes e armazenamento Como as sementes de

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

2.3 Secagem das sementes e armazenamento

Como as sementes de candeia são coletadas entre setembro e outubro, torna-se de fundamental importância a manutenção dos lotes de sementes viáveis, o que irá garantir a produção de mudas que deverá ser iniciada em julho/agosto do próximo ano, isso porque o ciclo de produção de mudas pode se estender por até 150 dias e as mudas devem estar disponíveis com padrão de plantio no início da estação chuvosa. A secagem contribui para a conservação de sementes. Na secagem devem ser considerados, além do menor grau de umidade de segurança, que corresponde ao nível de umidade que pode ser atingido sem prejuízos à viabilidade das sementes, o grau de umidade crítico, abaixo do qual a semente não suporta a secagem e o grau de umidade letal para cada espécie. A variação na sensibilidade à dessecação pode ocorrer, ocasionalmente, entre diferentes lotes da mesma espécie. Dependendo do método de secagem, as sementes irão embeber água em quantidades e velocidades distintas durante a germinação. Geralmente, sementes com um menor conteúdo de água podem tolerar taxas de secagem mais rápidas. A secagem rápida não induz a alguma forma de tolerância à dessecação, no entanto, sabe-se que a mesma evita reações deletérias que causem a perda da viabilidade pois, remove com rapidez suficiente, a água capaz de acelerar o metabolismo destrutivo, sem promover distúrbios à semente. Para sementes de E. incanus, sementes secas ao sol atingiram 11% de umidade, alcançando 4% na secagem rápida (com o uso de sílica gel) e 8% na lenta (com uso de sais) (DAVIDE; NERY; SILVA, 2009, dados não publicados) (Tabela 2.2). A germinação inicial foi de 75%, sendo esse valor de viabilidade mantido quando as sementes foram secas em sílica gel e armazenadas em câmara fria e freezer. Em secagem lenta (9 dias), a viabilidade das sementes foi superior a 50%, em ambas as condições de armazenamento, sendo então, essa espécie classificada no grupo das ortodoxas. Características das sementes de candeia, como tamanho reduzido e síndrome de dispersão anemocórica, são comuns em espécies que apresentam sementes ortodoxas.

Tabela 2.2 - Grau de umidade e germinação após secagem rápida e lenta, e armazenamento a -20 o C e em câmara fria (CF), de sementes de Eremanthus incanus

 

Secagem rápida

Secagem lenta

Espécie

Conteúdo de água (%)

Germinação (%)

Conteúdo de água (%)

Germinação (%)

 

11,0

75

11

75

Eremanthus

4,0

78

8

41

incanus

8,0 (CF)

72

12 (CF)

47

9,0 (-20 0 C)

73

19 (-20 0 C)

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CAPÍTULO 2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA

Por serem ortodoxas, sementes de candeia podem ser armazenadas com teores de água de 4 a 8%, acondicionadas em sacos plásticos semipermeáveis, em câmaras frias e secas (5 o C e 40% de umidade relativa), ou em salas climatizadas (18 o C e 60 a 70% de umidade relativa). Na primeira condição, a viabilidade será mantida por um período maior de tempo, ou vários anos, já, a segunda é mais indicada para armazenamento a curto prazo, como o período entre a colheita (setembro/outubro) e a semeadura (junho a agosto do ano seguinte).

2.4 Análise da qualidade das sementes

- Determinação do grau de umidade das sementes

A determinação do grau de umidade das sementes é de fundamental importância para sua conservação e baseia-se na perda de água pelas sementes quando secas em estufa. Dos lotes de sementes a serem armazenados, devem ser retiradas amostras que serão acondicionadas sobre pequenos recipientes de “papel alumínio”, pesadas em balança de precisão antes e depois de 17 horas em estufa a 103 o C + 3 o C. A diferença de peso observada após este procedimento corresponde à quantidade de água livre que havia nas sementes e pode-se então calcular a umidade, em porcentagem, pela fórmula:

Grau de umidade (%)

=

(P -

P

p) * 100

onde: “P” corresponde ao peso inicial e “p” ao peso final. Observa-se, pelos dados obtidos no Laboratório de Sementes Florestais da Universidade Federal de Lavras que, para sementes beneficiadas de Eremanthus erythropappus e de Eremanthus incanus, o grau de umidade varia de 9% a 11%, indicando ser essa a faixa de umidade de equilíbrio.

2.5 Avaliação da viabilidade das sementes

Segundo Davide, Nery e Silva (2009) que descreveram as características morfoanatômicas das sementes de Eremanthus erythropappus, estas têm coloração marrom-clara e, no tegumento, há saliências no sentido longitudinal. As características estruturais registradas antes e durante a germinação mostraram o rompimento do tegumento e o crescimento da raiz primária ao longo de cinco dias de embebição (Figura 2.8).

a b c
a
b
c

Figura 2.8 - Germinação da semente de Eremanthus erythropappus: (a) Semente seca; (b) Dois dias de embebição mostrando rompimento do tegumento e (c) Três dias de embebição e início da emissão da raiz primária. Barras representam 200μm. Fonte: Davide e Silva (2008).

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Antes da embebição, as sementes não apresentaram rupturas no tegumento

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Antes da embebição, as sementes não apresentaram rupturas no tegumento (Figura 2.8a). As primeiras modificações morfológicas ocorreram após o primeiro dia de embebição, sendo mais evidentes após o segundo dia

(Figura 2.8b). A partir do terceiro dia de embebição, foi possível verificar a germinação das sementes caracterizada pela emissão da raiz primária (Figura 2.8c). Após a germinação e com o crescimento da raiz primária houve a formação de diversos pelos radiculares. As sementes de candeia, quando não beneficiadas, apresentam baixas porcentagens de germinação e com grande amplitude de valores entre diferentes lotes. Dados obtidos pelo CETEC (1994) mostraram uma variação de 2% a 46% na porcentagem de germinação para sementes de E. erythropappus, de diferentes progênies

e procedências. Esses valores coincidem com os encontrados por outros autores, como Chaves e Ramalho (1996)

e Davide et al. (2000). Os últimos estudos de germinação de sementes de candeia não beneficiadas, realizados pelo Laboratório de Sementes Florestais da UFLA, mostraram uma variação de 7% a 12% para lotes compostos de diferentes procedências de E. incanus e E. erythropappus. Tonetti, Davide e Silva (2006) e Tonetti (2004), após experimentos com separação de sementes por fluxo de ar, aliado ao uso da técnica de raios-X concluíram que a baixa viabilidade das sementes é devida à ocorrência de estrituras vazias e que logo após o beneficiamento em soprador, a germinação se eleva consideravelmente (Figuras 2.9 e 2.10). O fato ocorre naturalmente nessas espécies, podendo variar muito entre as duas espécies e, ainda, numa mesma espécie entre procedências e ano de frutificação, sendo função de vários fatores intrínsecos ou extrínsecos às sementes que ocorrem durante a floração e frutificação.

sementes que ocorrem durante a floração e frutificação. Figura 2.9 – Sementes de Eremanthus erythropappus em

Figura 2.9 – Sementes de Eremanthus erythropappus em condições de germinação (lote original) e, sementes beneficiadas em soprador (lote beneficiado).

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CAPÍTULO 2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA

CAPÍTULO 2 - PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA Figura 2.10 - Radiografia de sementes

Figura 2.10 - Radiografia de sementes de Eremanthus erythropappus (seta destaca uma semente vazia; barra representa 5 mm).

Em ambiente de laboratório, as sementes de Eremanthus devem ser colocadas para germinar sobre substrato de papel, preferencialmente em temperatura alternada de 20 o C – 30 o C com fotoperíodo de 10 horas (TONETTI, 2004). Nessas condições, as sementes iniciam a germinação com 4 dias, concluindo o processo com 10 dias para E. incanus e 14 dias para E. erythropappus (Figura 2.11). Na Tabela 2.3, pode-se observar a variação na qualidade dos lotes de sementes de Eremanthus erythropappus, utilizando soprador para 11 procedências. Quando as sementes foram beneficiadas em soprador, a germinação foi sempre superior em relação as sementes não beneficiadas.

sempre superior em relação as sementes não beneficiadas. Figura 2.11 - Germinação de sementes de candeia

Figura 2.11 - Germinação de sementes de candeia (Eremanthus erythropappus), que começa com 4 dias de embebição, desde o início da protrusão da raiz primária (extrema exquerda), terminando com plântula com 14 dias de germinação (extrema direita). Barra representa 1 cm.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 2.3 - Grau de umidade e germinação de sementes

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Tabela 2.3 - Grau de umidade e germinação de sementes de Eremanthus erythropappus originadas de 11 procedências de Minas Gerais antes e após o beneficiamento em soprador.

Procedência

Grau de

Sementes

Germinação (%)

umidade (%)

selecionadas (%)*

Original

Após soprador

Natércia

9

3,08

9

48

Baependi 1

10

3,60

7

55

Baependi 2

9

3,94

2

76

Virgínia

11

3,65

6

85

Baependi 3

10

7,50

14

81

Baependi 4

9

4,43

3

47

Soledade de Minas

10

3,78

17

86

Delfim Moreira

10

4,02

14

93

Carrancas

10

4,11

22

81

Ouro Preto

9

7,97

28

73

Santa Bárbara

10

2,98

6

82

*Proporção, em relação ao peso original, de sementes retidas no soprador.

Há evidências de que o aumento do tempo de exposição a luz ou temperatura de 30 o C de 10 horas para 14 horas acelera o processo de germinação de sementes e E. erythropappus promovendo o início da germinação em 2 dias (DAVIDE et al., 2008). Tonetti (2004), estudando diferentes regimes de temperatura para a germinação de sementes de E. erythropappus, concluíram que a temperatura alternada de 20 o C – 30 o C associada ao fotoperíodo de 10h proporcionou a melhor condição de germinação. Todavia, no presente trabalho, o aumento do fotoperíodo em 4h, ou seja, de 10 para 14h, foi ainda mais eficiente em promover a germinação das sementes de E. erythropappus. Aparentemente, essas condições se aproximam mais das condições encontradas pelas sementes no ambiente natural, visto que a espécie é comum em regiões altas e descampadas, onde além de uma amplitude de temperatura e luminosidade muito pronunciada entre dia e noite, o dia é normalmente longo.

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CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA

3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA

3.1 Introdução

Antônio Claudio Davide Lucas Amaral de Melo

A candeia é uma árvore da família Asteraceae, considerada precursora na invasão de campos de altitude,

formando candeais. O interesse pela espécie Eremanthus erythropappus está, em parte, na madeira, que apresenta alta resistência, durabilidade e poder energético, mas, principalmente no óleo que pode ser extraído de toda a planta, o qual contém α-bisabolol. Esse princípio ativo apresenta propriedades farmacológicas, sendo largamente utilizado na indústria de cosméticos na forma de hidratantes e loções cicatrizantes (PERÉZ et al., 2004b). A madeira, em sua forma bruta, é utilizada largamente como mourões para cercas e outras construções nas propriedades rurais. Como a candeia apresenta grande valor econômico, ecológico e social, o maior interesse em seu manejo e cultivo culminou em pesquisas relacionadas à espécie. O Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Lavras vem desenvolvendo uma série de trabalhos com a espécie Eremanthus erythropappus, os quais tiveram impulso no início dos anos 2000.

Desde o início dos trabalhos, inúmeros experimentos e plantios comerciais foram implantados no estado de Minas Gerais, principalmente na região sul do Estado. Com isso, a demanda por mudas de candeia teve um aumento significativo e viveiros foram montados com o objetivo principal de produção de mudas para tais projetos. Desde 2002, o viveiro Florestal do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Lavras tem produzido mudas destinadas a pesquisas e programas de fomento. Mudas de candeia são produzidas em maior escala na região de Baependi-MG, onde 42 viveiros familiares têm capacidade de produzir 10.000 mudas/ano, cada um, em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF/MG) e a OSCIP Amanhágua. Essas mudas são produzidas em sacos plásticos, utilizando sementes sem nenhum grau de melhoramento, o que acarreta grande desuniformidade nos plantios e baixa produtividade. Mudas de candeia também são produzidas em tubetes em menor escala, essa tecnologia está plenamente disponível aos viveiristas, embora também esbarre na falta de sementes melhoradas. Nesse sentido, o programa de melhoramento da candeia implantou e mantém testes genéticos visando à produção de sementes, como também a produção de mudas clonadas de genótipos superiores.

3.2 Propagação sexuada de mudas

A produção de mudas de espécies arbóreas pode ser realizada por meio de multiplicação sexuada ou

assexuada. A multiplicação sexuada constitui a reprodução propriamente dita, envolvendo o desenvolvimento de um novo indivíduo a partir da fecundação e possuindo a semente como propágulo. Já, a propagação assexuada ou vegetativa é baseada na multiplicação de novas plantas, usando propágulos vegetativos (folhas, caules, segmentos de raízes) de uma matriz de interesse. No caso de sementes, a apomixia é uma exceção, pois ocorre a produção de sementes por meio de um

processo assexuado, não ocorrendo a fecundação. No entanto, este processo propagativo é considerado raro em espécies florestais, sendo encontrado em espécies do gênero Citrus.

A produção comercial de mudas de candeia ainda é feita, exclusivamente, via seminal, e pelas dificuldades

de produção, são poucos os viveiros que possuem controle nos aspectos relacionados ao processo. Trabalhos iniciais

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA mostram que a porcentagem de germinação das sementes de algumas

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

mostram que a porcentagem de germinação das sementes de algumas espécies de Eremanthus é bastante baixa (CETEC (1994); Chaves e Ramalho (1996) e Davide et al. (2000)). Uma hipótese levantada por Chaves e Ramalho (1996) é que a baixa porcentagem de germinação de sementes de candeia fosse decorrente de um grande número de cípselas sem embrião, fato que foi mais tarde constatado por Tonetti, Davide e Silva (2006), Tabela 3.1.

Tabela 3.1 - Porcentagem de germinação das sementes de Eremanthus erythropappus, classificadas como cheias, mal formadas e vazias.

Critério

 

Condição das Sementes

 

Cheias

Mal formadas

Vazias

Protrusão de radícula (%)

95,8 A

21,6 B

0

B

Formação de plântula normal (%)

87,5 A

10,8 B

0

B

Médias seguidas pela mesma letra na linha são iguais pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Fonte: Tonetti, Davide e Silva (2006).

3.2.1 Recipientes e substrato para a produção de mudas de candeia

Um dos recipientes mais utilizados para a produção de mudas de candeia é o saco plástico, semelhante aos utilizados para produzir mudas de café e eucalipto. Suas dimensões são variáveis, porém os mais comumente utilizados para a produção de mudas de candeia são de 8 x 15 cm e de 11 x 22 cm (Figura 3.1). No caso de substrato para enchimento de sacos plásticos, este possui como componente principal a terra de subsolo e, geralmente é composto por:

- 3 (três) partes de terra de subsolo peneirada em peneira de encosto, com malha de ½ polegada;

- 1 (uma) parte de esterco de curral curtido;

- 1 (uma) parte de casca de arroz carbonizada, caso o substrato utilizado seja muito argiloso;

- Em cada 1000 litros dessa mistura (18 carrinhos de mão), adiciona-se 5 kg de superfosfato simples e 120 g de cloreto de potássio.

kg de superfosfato simples e 120 g de cloreto de potássio. Figura 3.1 - Produção de
kg de superfosfato simples e 120 g de cloreto de potássio. Figura 3.1 - Produção de

Figura 3.1 - Produção de mudas de Eremanthus erythropappus em sacos plásticos.

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CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA

A semeadura deve ser realizada diretamente no saco plástico, colocando-se de 6 a 10 sementes/recipiente. Após a semeadura, é preciso peneirar uma fina camada (de 2 a 3 mm) de terra e, a seguir, peneirar uma camada de casca de arroz, sendo necessárias duas irrigações por dia. Se necessário for, uma tela de sombrite 50% ainda deve ser utilizada como forma de evitar extremos de temperatura em horas mais quentes do dia e evitar que as sementes sejam “arrancadas” dos recipientes pela ação de chuvas mais intensas. Além de proteger as sementes, a tela também

age como protetora das mudas nos estágios iniciais contra a ação do granizo (Figura 3.2).

estágios iniciais contra a ação do granizo (Figura 3.2). Figura 3.2 - Aspecto de um viveiro

Figura 3.2 - Aspecto de um viveiro com proteção por sombrite, após chuva de granizo.

Uma observação importante é quanto ao planejamento da produção de mudas de candeia, que deve ser feito com bastante critério, pois o tempo de produção é razoavelmente maior (5 a 6 meses), quando comparado com espécies tradicionais produzidas em viveiros comerciais, como é o caso do eucalipto (3 a 4 meses). Dessa forma, um cronograma deve ser idealizado para o melhor planejamento dessa produção (Figura 3.3).

para o melhor planejamento dessa produção (Figura 3.3). Figura 3.3 - Cronograma para produção de mudas

Figura 3.3 - Cronograma para produção de mudas de candeia

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA A produção de mudas de candeia também pode ser feita

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

A produção de mudas de candeia também pode ser feita em tubetes (Figura 3.4) com capacidade de 50,

80 ou 110 cm 3 .

(Figura 3.4) com capacidade de 50, 80 ou 110 cm 3 . Figura 3.4 - Produção

Figura 3.4 - Produção de mudas de Eremanthus erythropappus em tubetes.

No caso de tubetes, uma série de vantagens pode ser citada em relação à produção de mudas em saquinhos,

tais como:

-

os tubetes apresentam arestas internas longitudinais, impedindo o enovelamento do sistema radicular;

-

reduz significativamente o volume de substrato utilizado para produzir o mesmo número de mudas;

-

redução dos problemas ergonômicos, em razão da estrutura das bancadas;

-

redução do ataque de pragas e facilidade no controle de ervas daninhas;

-

melhor agregação do sistema radicular com o substrato;

-

menor peso e volume de substrato por muda, o que facilita nas operações de viveiro, transporte e plantio

no campo;

-

os tubetes podem ser reutilizados diversas vezes, amortizando o custo inicial;

- as raízes são podadas naturalmente pela ação do ar no momento em que saem pela base do tubete, evitando o enovelamento da raiz pivotante e induzindo a brotação de raízes novas;

- maior aeração de todo o sistema, evitando infestações fúngicas;

- menor risco de acidentes com animais peçonhentos;

- permite realizar, de maneira mais facilitada, operações durante o ciclo de produção das mudas, como a alternagem por exemplo;

- o custo final da muda é reduzido a 1 / 3 do custo alcançado com o sistema em sacos plásticos.

Porém, como toda alternativa, desvantagens também estão presentes:

- maior frequência de irrigação, pela menor quantidade de substrato por recipiente;

- necessidade de adubações de cobertura frequentemente, pela intensa lixiviação de nutrientes;

- dificuldades em retornar os tubetes para o viveiro, quando estes são enviados juntos às mudas para o

campo. Problema que pode ser resolvido com a confecção dos “rocamboles” (Figura 3.5). No entanto, essa prática causa aumento de mão de obra.

- problemas com disseminação de doenças por ineficiência do processo de esterilização na reutilização

dos tubetes;

- maior investimento inicial na implantação do viveiro.

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CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA

CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA Figura 3.5 - Confecção de rocambole com 20

Figura 3.5 - Confecção de rocambole com 20 mudas de candeia, prontas para serem levadas para o campo.

Os substratos utilizados no enchimento de tubetes podem apresentar as mais diversas composições, variando em decorrência de algumas peculiaridades do viveiro. Os materiais mais usualmente utilizados na formulação do substrato para tubetes são: composto à base de casca de pinus (substratos comerciais), fibra de coco, vermiculita de granulometria média, casca de arroz carbonizada, moinha de carvão vegetal e, em pequenas proporções, terra de subsolo (até 15 %). A escolha dos materiais a serem utilizados na formulação do substrato irá depender da espécie, tipo de

propagação (sexuada ou assexuada), origem do material, custo, dentre outros fatores. De maneira geral, e de acordo com Davide e Silva (2008), um bom substrato deve possuir as seguintes características:

custo: ser barato e facilmente disponível;

ausência de sementes de plantas invasoras, principalmente gramíneas;

aeração (bom equilíbrio entre macroporos, preenchidos por ar e microporos, preenchidos por água);

permeabilidade, a qual é determinada pela porosidade;

ter boa capacidade de retenção de água;

granulometria: é recomendável que os componentes apresentem mesma densidade, de modo que a amplitude de tamanho não seja muito alta entre partículas, para evitar a segregação no momento de retirada das mudas para a realização do plantio;

pH em H 2 O = 6,0 a 6,5;

P 2 O 5 = 300 a 600 g/m 3 ;

Potássio (níveis de K/T x 100) = 5 a 8%;

Cálcio + Magnésio (níveis de Ca + Mg/T x 100) = 85 a 95%.

Na produção de mudas de candeia, os substratos mais utilizados são aqueles compostos principalmente por variadas proporções de substrato comercial à base de casca de pinus, casca de arroz carbonizada, fibra de coco e terra de subsolo. Nessa formulação, devem ser incorporados ainda, 5 kg de fertilizante de liberação controlada com prazo de liberação de 5 a 6 meses por 1000 L (1 m 3 ) de substrato, respeitando o tempo médio de produção de mudas de candeia, ou; 5 kg de superfosfato simples e 120 g de cloreto de potássio por 1000 L (1 m 3 ) de substrato. Como base para a produção de mudas em tubetes, duas formulações de substrato são bastante utilizadas, dependendo da disponibilidade de matéria-prima (Tabela 3.2).

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 3.2 - Formulações de substrato para enchimento de tubetes

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Tabela 3.2 - Formulações de substrato para enchimento de tubetes na produção de mudas.

Formulação

 

Componentes da mistura

 

Observações

 

-

2 (duas) partes de terra de subsolo peneirada em

Em cada 1000 litros dessa mistura (18 carrinhos de mão), adiciona-se 5 kg de fertilizante de liberação lenta (5 a 6 meses), na formulação NPK 19-06-10; ou 5 kg de superfosfato simples e 120 g de cloreto de potássio.

peneira de encosto, com malha de ½ polegada;

1

-

5 (cinco) partes de casca de arroz carbonizada;

 

3 (três) partes de vermiculita com granulometria média.

-

 

- 107 litros de fibra de coco (1 fardo);

 

1) Peneirar 1 fardo de fibra de coco com volume de 107 litros em peneira com malha de ½ polegada; 2) Adicionar à fibra de coco peneirada, 30 (trinta) litros de água; 3) Homogeneizar a mistura até tornar friável todo o volume; 4) Adicionar os outros componentes da formulação e, em seguida, homogeneizar.

- 110 litros de casca de arroz carbonizada;

- 10

litros

de

terra

de

subsolo

peneirada em

2

peneira de encosto, com malha de ½ polegada;

-

1,0

kg

de

fertilizante

de

liberação

lenta

(5

a

6

meses),

na

formulação

NPK

19-06-10;

-

1,0 kg de superfosfato simples.

De acordo com resultados preliminares de Braga (2006) e Abreu (2007), a formulação de substratos para a produção de mudas de candeia, sem a utilização de matéria orgânica, como o composto orgânico, esterco bovino, cama de frango, etc., deve ser preferida, em razão do maior crescimento e melhor qualidade das mudas formadas sob ausência, principalmente desses materiais. Braga (2006), estudando o efeito da adubação, do tamanho de tubetes e presença (40%) ou ausência (0%) de esterco bovino no substrato, sobre a altura de mudas de candeia aos 120 dias após a semeadura, verificou que o maior crescimento foi observado, no tratamento cujo substrato não apresentou esterco, no tubete com 115 cm³ (ml) de capacidade (Figura 3.6 a). O menor crescimento foi verificado no tratamento que continha esterco, no tubete com volume de 55 cm³ (ml) (Figura 3.6 d). Além disso, é possível observar o incremento em altura ocasionado pela utilização de fertilizante de liberação controlada (FLC)

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CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA

CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA Fertilizante de liberação controlada (FLC) (kg.m - 3

Fertilizante de liberação controlada (FLC) (kg.m -3 de substrato)

Figura 3.6 - Efeito de doses de FLC sobre a altura de mudas de candeia, aos 120 dias após a semeadura. (a) Tubete de 115 cm³ (ml) e substrato sem matéria orgânica. (b) Tubete de 55 cm³ (ml) e substrato sem matéria orgânica. (c) Tubete de 115 cm³ (ml) e substrato com matéria orgânica. (d) Tubete de 55 cm³ (ml) e substrato com matéria orgânica. Fonte: Braga (2006).

Abreu (2007) (Figura 3.7), avaliando o efeito da utilização de esterco bovino e quantidades de adubo de liberação controlada na produção de mudas de Eremanthus erythropappus em tubetes, encontrou resultados semelhantes aos obtidos por Braga (2006).

resultados semelhantes aos obtidos por Braga (2006). Figura 3.7 - Mudas de candeia aos 120 dias

Figura 3.7 - Mudas de candeia aos 120 dias após semeadura, sob influência de três formulações de substrato e duas dosagens de fertilizante de liberação controlada (FLC). Fonte: Abreu (2007).

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Dentre as diversas formas de avaliar a qualidade de mudas,

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Dentre as diversas formas de avaliar a qualidade de mudas, sob diferentes fatores atuantes, o índice de qualidade de Dickson (IQD) é um deles. Esse índice é considerado um bom indicador da qualidade das mudas, pois considera no seu cálculo a robustez e o equilíbrio da distribuição da biomassa na muda, ponderando os resultados de vários parâmetros importantes empregados para a avaliação da qualidade. A maioria dos trabalhos recomenda um valor mínimo de 0,20 para o IQD (GOMES; PAIVA, 2004). Abreu (2007), trabalhando com a produção de mudas de candeia sob o efeito do esterco bovino e doses de fertilizante de liberação controlada, verificou que em mudas produzidas sob as maiores concentrações de esterco bovino na formulação do substrato, o mínimo valor sugerido para o índice de qualidade de Dickson não foi alcançado, como é mostrado na Figura 3.8.

Dickson não foi alcançado, como é mostrado na Figura 3.8. Figura 3.8 - Efeito do esterco

Figura 3.8 - Efeito do esterco bovino e doses de fertilizante de liberação controlada (FLC) sobre o Índice de Qualidade de Dickson, aos 120 dias após a semeadura. Fonte: Abreu (2007).

O fertilizante de liberação controlada tem sido bastante utilizado na produção de mudas de diversas espécies comerciais em tubetes, não sendo diferente para a candeia. A escolha pela adubação de base com a utilização do superfosfato simples e cloreto de potássio, em relação à utilização do adubo de liberação lenta é, na maioria das vezes, feita em decorrência de fatores financeiros. O valor da unidade de adubo de liberação controlada é, cerca de, 13 vezes mais caro que a mesma unidade do adubo superfosfato simples. No entanto, quando se opta por utilizar a primeira formulação, deve-se ter em mente que após o desbaste das mudas, adubações de cobertura devem ser realizadas toda semana, acarretando desuniformidade de crescimento das mudas, riscos de salinização das mudas, aumento de mão de obra, perda de adubo por ineficiência da operação e, consequentemente, aumento de custos.

3.3

Semeadura

Depois de coletadas e beneficiadas, se as sementes de candeia forem colocadas imediatamente para germinar, são encontrados baixos percentuais de germinação. Para Eremanthus erythropappus, a germinação tem início oito dias após a semeadura, atingindo de 6% (CHAVES; RAMALHO, 1996) a 46% de germinação em laboratório (CETEC, 1994). As causas dos baixos índices de germinação foram estudadas por Tonetti, Davide e Silva (2006), os quais concluíram que a candeia não apresenta dormência de sementes, mas sim uma alta proporção de cípselas sem embrião. Os mesmos autores observaram que, com a separação das estruturas de dispersão em duas classes (fração pesada e leve), é possível aumentar o percentual de germinação significativamente. Dentre alguns métodos para separação de sementes vazias, podem ser citados aqueles que trabalham com diferença de densidade como: uso de peneiras, mesa gravitacional, centrifugação, separadores e soluções diversas,

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CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA

como álcool, maltodextrina e sacarose. A imersão das sementes, em um meio líquido, faz com que as sementes mais leves (chochas ou vazias) permaneçam na superfície, facilitando sua remoção. Vários autores, citados por Baskin e Baskin (1998), relatam que algumas espécies de Asteraceae como, por exemplo, Bidens pilosa requerem luz para germinar à temperaturas constantes, mas germinam em luz e escuro a temperaturas alternadas. Sementes de Matricaria recutita (NOBREGA et al., 1995), e Eremanthus erythropappus (CHAVES; RAMALHO, 1996), ambas Asteraceae, também mostram bom desempenho em germinação na presença de luz, porém, já foi provado que a candeia germina mesmo sob ausência de luz (TONETTI; DAVIDE; SILVA, 2006) (Tabela 3.3).

Tabela 3.3 - Porcentagens médias de germinação (protrusão da raiz) e índice de velocidade de germinação (IVG) de dois lotes de sementes de Eremanthus erythropappus, sob 3 regimes de temperatura e luz.

Critério avaliado

Lote

 

Tratamento

20-30 o C/ 10h luz

30 o C 24h luz

30 o C 24h escuro

Protrusão de raiz

2002

95,00 aA

88,00 aAB

79,00 aB

2001

62,00 bA

50,50 bA

47,00 bA

IVG (raiz)

2002

9,821 aA

6,544 aB

8,459 aA

2001

9,328 bA

4,838 bB

5,275 bAB

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na linha e minúscula na coluna (dentro de um mesmo critério) são iguais pelo teste de Tukey a 5%. Fonte: Tonetti, Davide e Silva (2006).

A candeia apresenta grande produção de sementes de tamanho reduzido e sem dormência. Quanto ao

armazenamento, suas sementes podem ser armazenadas por longo prazo, sob baixas temperatura e umidade, sendo considerada ortodoxa. Em ambientes naturais, as sementes germinam após a ocorrência de um distúrbio, com consequente abertura

de clareiras, onde ocorre a entrada de luz direta e maior alternância de temperatura do solo, entre noite e dia. Nesse novo ambiente, as sementes germinam e as mudas jovens crescem a pleno sol ocupando o espaço da clareira.

A princípio, as mudas deveriam ser semeadas e produzidas a pleno sol, porém certos distúrbios ambientais

como rajadas de vento, chuvas torrenciais e granizo podem trazer prejuízos à produção de mudas, chegando a impossibilitar totalmente o processo. Por este motivo, aconselha-se, no momento da semeadura e primeiro mês após a germinação, a utilização de tela sombrite 50%. Mudas de candeia, com padrão de 25 a 40 cm de altura e 4 a 6 mm de diâmetro do colo podem ser produzidas com um ciclo de 120 a 150 dias, variando com as condições climáticas durante a fase de produção. O período de tempo necessário para a produção de mudas pode ser bem variável em decorrência de alguns fatores relacionados ao processo de produção. Dentre os fatores que, de maneira geral, podem adiantar ou atrasar a expedição de mudas em um viveiro florestal, citam-se: composição e proporções do substrato utilizado, tamanho e forma dos recipientes, adubações, densidade de mudas, fatores climáticos, aspectos genéticos, entre outros. No caso especial da candeia, a semeadura deve ser realizada diretamente nos recipientes (sacos plásticos ou

tubetes), Figura 3.9, em detrimento ao semeio nas sementeiras (semeio indireto). A semeadura direta, apesar de ser mais onerosa no momento da operação, apresenta uma série de vantagens em relação ao semeio em sementeiras, tais como:

a) dispensa a construção da sementeira, a qual deve apresentar padrões mínimos de qualidade;

b) evita o enovelamento das raízes ou o “pião torto”, fato que é frequentemente observado no momento da repicagem das mudas da sementeira para o recipiente de produção;

c) ocorrência de menor incidência de pragas e, principalmente, doenças;

d) não necessita de mão de obra e aparatos estruturais para a realização da repicagem;

e) reduz o custo final das mudas.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA De acordo com Davide e Silva (2008), a semeadura em

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

De acordo com Davide e Silva (2008), a semeadura em sementeiras deve ser efetuada apenas naqueles casos em que as sementes são dormentes e não se conhece um método eficiente capaz de promover uma germinação uniforme dentro de 7 a 30 dias, fato que não ocorre em sementes de candeia.

de 7 a 30 dias, fato que não ocorre em sementes de candeia. Figura 3.9 -
de 7 a 30 dias, fato que não ocorre em sementes de candeia. Figura 3.9 -

Figura 3.9 - Semeadura direta de candeia em tubetes.

3.4 Crescimento das mudas

De 30 a 45 dias após o semeio, é preciso fazer um desbaste para deixar apenas uma muda por recipiente. Nesse momento, caso as mudas ainda estejam sob a estrutura de sombrite antes do desbaste, a tela deverá permanecer por aproximadamente dez dias a fim de que as mudas remanescentes não sejam queimadas pelo sol, pelo motivo da mudança drástica do microambiente. A partir dessa idade, devem ser feitas adubações em cobertura a cada 10-15 dias, no caso de sacos plásticos, ou 7 dias, quando se tratar de tubetes e substratos sem a utilização do adubo de liberação controlada, utilizando-se 1 kg de MAP purificado (monofosfato de amônio) solúvel em água e 100 g de cloreto de potássio para cada 1000 litros de água. Essa solução é suficiente para ser utilizada na adubação de 10.000 mudas. As adubações de cobertura devem ser realizadas, de preferência, em horários com temperaturas mais amenas (até às 9h ou depois da 16h) ou em dias nublados. Em tubetes, caso, logo após a adubação, chova intensamente, a operação deve ser repetida no dia seguinte, em decorrência da grande lixiviação dos nutrientes que pode ocorrer nestes recipientes sob estas condições. Após a adubação, uma leve irrigação deve ser feita a fim de retirar os sais que permanecem aderidos à superfície foliar. A aplicação dessa solução pode causar salinidade e morte das mudas, dessa forma, é sempre preferível a utilização de fertilizante de liberação controlada para mudas produzidas em tubetes. Alguns nutrientes são importantíssimos nos primeiros estágios de uma cultura. No caso de mudas florestais, nitrogênio e fósforo devem receber atenção especial. Venturin et al. (2005), estudando a fertilização de mudas de candeia pela técnica do elemento faltante, verificou que, nos tratamento sem adubação ou com adubação incompleta (sem adição de fósforo), as plântulas não se desenvolvem. Observou também que a omissão de N, S, Mg e B na formulação afetou negativamente o crescimento em altura das plantas, enquanto as demais omissões dos nutrientes foram indiferentes em relação ao tratamento completo. Isso mostra a grande dependência das mudas de candeia quanto aos nutrientes acima citados, em especial, ao fósforo (Figura 3.10).

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CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA

CAPÍTULO 3 - PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA Figura 3.10 - Crescimento relativo da parte aérea

Figura 3.10 - Crescimento relativo da parte aérea e raiz de mudas Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish. Fonte: Venturin et al. (2005).

Ao longo do cultivo das mudas de candeia, outras preocupações devem estar sempre no alvo do viveirista. O controle de formigas em um viveiro é tão importante quanto ao manejo dessa praga no campo. Os viveiros florestais devem ser mantidos limpos de quaisquer plantas que não aquelas de interesse produtivo e, por este motivo, quando há presença de formigas cortadeiras (cabeçuda e quenquém), estas cortarão exclusivamente as mudas ali produzidas. Outro aspecto importante é quanto ao controle de plantas invasoras, principalmente nos recipientes de produção. As ditas “ervas daninhas” competem com a muda por luz, água, nutrientes e espaço, sendo muitas vezes mais eficientes na captação dos recursos que as próprias espécies cultivadas. Dessa forma, vistorias diárias e controle por meio da capina manual e “seleção” de substratos a serem utilizados no viveiro, são maneiras eficientes de combate a esse problema. Além do substrato, deve-se ter atenção quanto à origem da água utilizada na irrigação, pois esta pode trazer consigo sementes de outras espécies. Algumas enfermidades podem surgir em um viveiro de produção de mudas. Doenças causadas por fungos são frequentes em viveiros florestais e dentre as mais encontradas e que causam perdas econômicas, está o tombamento de mudas causado por fungos do gênero Rhizoctonia, doença conhecida como “damping off”. Esse fungo causa lesão deprimida no coleto das mudas, levando ao tombamento e posterior morte das mesmas. Uma forma de controle é a eliminação das fontes de inóculos dos fungos, desinfestação térmica dos tubetes e bandejas (ALFENAS et al., 2004), e utilização de fungicidas. Mudas produzidas em tubetes ou sacos plásticos não competem entre si por nutrientes e água, porém, há a competição por luz, sendo necessário realizar operações que reduzam este problema. Em estruturas montadas com tubete, um cuidado a ser tomado é alternar as mudas quando elas estiverem com aproximadamente 60 dias, deixando-se, aproximadamente 240 mudas por m 2 de canteiro, ou seja, reduz-se a capacidade da estrutura original em 50% (Figura 3.11). Essa operação possibilita maior espaço e, consequentemente, favorece o endurecimento das mudas. De acordo com Davide e Silva (2008), mudas produzidas em altas densidades tendem ao estiolamento, ou seja, serão mais altas e com menores diâmetros de coleto, representando perda de qualidade, com prováveis perdas no campo. A operação de alternagem é realizada juntamente com a seleção de mudas por classes de altura e descarte das mudas mortas e defeituosas. Com a seleção por classes de altura, é possível manejar de forma diferente as mudas, principalmente dando maior atenção às menores.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b c Figura 3.11 - Alternagem e seleção de

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Figura 3.11 - Alternagem e seleção de mudas por classes de alturas. (a) bandeja com mudas adensadas; (b) bandeja com mudas alternadas (capacidade reduzida em 50%) e, (c) detalhe da seleção por classe de altura.

No caso de sacos plásticos, é necessário realizar moveções periódicas dos recipientes sempre que for notada a possibilidade de transgressão das raízes da muda para fora do saco plástico. Essa operação é chamada de “desmame da muda”, sendo referida ao fato de que, ao passar as raízes para o solo, a muda estivesse absorvendo (mamando) do solo os recursos necessários ao seu crescimento. Durante a operação, é feita a poda das raízes. Ao realizar o novo encanteiramento das mudas, estas devem passar por uma seleção a fim de que sejam dispostas de acordo com o padrão de qualidade em que se encontram, de forma a possibilitar ambiente mais favorável de crescimento às mudas suprimidas.

3.5 Aclimatação e expedição das mudas

As mudas de candeia atingirão padrão de plantio (25 a 40 cm de altura) com aproximadamente 4 a 6 meses

de idade. Porém, para que as mudas adquiram resistência às condições adversas do campo, principalmente aos períodos de estiagem que sucedem à época de plantio, antes da expedição elas são submetidas ao processo denominado de rustificação, cuja duração varia, em média, de 15 a 25 dias. Durante esse processo, as mudas devem receber menor

quantidade de água, ou seja, a irrigação deve ser ligada menor número de vezes por dia e, se possível, com menor duração em cada período de funcionamento. Para melhor controle da frequência e duração das irrigações, estas devem ser reduzidas aos poucos, sendo que o sistema só deve ser ligado quando for observado um leve murchamento dos ápices das mudas, porém, sem crestamento.

A aclimatação de mudas por meio da restrição de água proporciona alterações em alguns processos

fisiológicos. Além da irrigação, as adubações de cobertura devem sofrer modificações, a fim de, também, possibilitar meios para que as mudas amadureçam, rustifiquem-se. Adubações à base de fontes nitrogenadas e fosfatadas (MAP, por exemplo), devem ser evitadas, sendo aconselhado manter a adubação com 100 g de cloreto de potássio para cada 1000 litros de água. Essa adubação deve ser realizada uma vez por semana, independente do recipiente ser saco plástico ou tubete. Com a mudança na irrigação e adubação, as mudas cessam o crescimento em altura e tendem a aumentar a

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proporção de tecidos vegetais relacionados com a eficiência no uso da água, tais como: espessamento de caule. Maior controle estomático, maior espessura de paredes celulares, maior deposição de substâncias impermeabilizantes sobre

a superfície das folhas, são algumas das modificações obtidas com a mudança do manejo das mudas no viveiro

durante a fase de rustificação. Mudas que passam pelo processo de rustificação apresentam percentuais superiores de pegamento no campo quando comparadas às mudas que não foram aclimatadas, principalmente se as condições do campo não se apresentarem como ideais. As principais mudanças estruturais e fisiológicas que ocorrem nas mudas após o período de rustificação são, respectivamente: redução no tamanho dos estômatos (Figura 3.12 a e b), com aumento no número dessas estruturas por área foliar, conferindo maior eficiência nos processos de troca gasosa (absorção de gás carbônico e perda de água) e; redução no potencial hídrico foliar das mudas, o que facilita a absorção de água em ambientes com deficiência hídrica. Se, durante o período de aclimatação das mudas ocorrer chuvas intensas, o processo é prejudicado, pois

o controle das irrigações não poderá ser controlado e, além disso, como são reduzidas as adubações nitrogenadas

e fosfatadas, as plantas podem apresentar sintomas de deficiências nutricionais pelo aumento da lixiviação de nitrogênio e fósforo, prejudicando a qualidade das mudas. No momento de expedição das mudas para o campo, uma seleção ainda deverá ser feita com o objetivo de obter maior uniformidade e menor taxa de mortalidade no futuro povoamento florestal a ser implantado. Mudas com problemas de conformação, tortas e de aspecto deficiente devem sofrer uma limpeza, ou mesmo, serem eliminadas. Em espécies de eucalipto, uma atividade realizada imediatamente antes da expedição das mudas, é a retirada de ramos laterais, deixando apenas o principal. No caso da candeia, essa operação é quase nula, visto que, no viveiro, as mudas raramente apresentam bifurcações laterais (Figura 3.12 c). Quando as mudas são produzidas em sacos plásticos, elas devem ser transportadas ainda embaladas. Esse transporte pode ser realizado com as mudas em contato direto com a carroceria do veículo a ser utilizado, sendo dispostas uma a uma sobre a superfície. Também podem ser acondicionadas em caixas (plásticas ou madeira), e

estas, posteriormente, serem dispostas sobre a superfície da carroceria do veículo.

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Figura 3.12 - (a) e (b) Seções paradérmicas do limbo foliar de mudas de Tabebuia serratifolia. (a) mudas sem aclimatação; (b) mudas após 20 dias de aclimatização. A barra corresponde a 50 μm. Fonte: Dousseau et al. (2008). (c) Muda de candeia sem ramificações, pronta para ser plantada no campo.

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Uma das grandes vantagens da produção de mudas em tubetes

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Uma das grandes vantagens da produção de mudas em tubetes consiste na redução dos custos de transporte, pelo menor volume e peso do material a ser transportado. Enquanto um caminhão trucado transporta, no máximo, 5.000 unidades de mudas em sacos plásticos, é possível o transporte de até 100.000 mudas oriundas de produção em tubetes, com um peso total de 3,5 toneladas, utilizando-se caixas plásticas sobrepostas. Ainda, para o caso de tubetes, quando a expedição de mudas é para pequenos produtores rurais, pode-se utilizar a confecção do rocambole, que dispensa a viagem de retorno dos tubetes vazios ao viveiro.

3.6 Propagação assexuada de mudas

A propagação vegetativa da candeia poderá trazer em curto prazo (5 a 12 anos), ganhos substanciais na

produtividade de candeais implantados, visto que essa técnica permite fixar o ganho máximo obtido em programas de melhoramento, ou de indivíduos superiores que ocorrem em candeais nativos ou em reflorestamentos seminais. Diante disso, a propagação vegetativa, ou clonagem de indivíduos superiores torna-se alternativa animadora.

A propagação vegetativa é um método pelo qual se propaga uma planta, utilizando partes vegetativas desta. De

acordo com Pasqual (2000), a propagação assexuada ou vegetativa ocorre por meio de sucessivas mitoses, pois envolve apenas tecidos somáticos de qualquer parte da planta. Nesse contexto, dois fundamentos básicos regem a propagação assexuada: a totipotencialidade das células somáticas (cada célula contém toda a informação genética necessária à geração de um novo indivíduo) e a capacidade de regeneração dos tecidos vegetais. Nos últimos tempos, tem-se verificado um grande aumento no interesse pela utilização das técnicas de propagação vegetativa para a formação de povoamentos florestais. A clonagem possibilita maior uniformização dos plantios, maior produtividade e tecnologia da madeira, além de apresentar-se a custos competitivos quando comparada às alternativas de propagação de plantas. Somando-se às características já citadas, o aproveitamento de combinações genéticas raras e a possibilidade de contornar alguns problemas com doenças fizeram com que grande parte das empresas eucaliptocultoras do Brasil substituíssem os plantios comerciais de origem seminal por plantios clonais. Dentre os inúmeros meios de propagação vegetativa, as técnicas mais comuns e de maior aplicação na clonagem de espécies florestais são: enxertia, estaquia e cultura de tecidos (XAVIER; WENDLING; SILVA, 2009; PAIVA; GOMES, 2005).

3.6.1

Enxertia

A técnica de enxertia em espécies florestais constitui-se em um eficiente método de rejuvenescimento, onde

propágulos adultos são enxertados em partes juvenis de um porta-enxerto, promovendo maior habilidade para o enraizamento das estacas provenientes destes brotos. Em candeia, a técnica tem sido utilizada como forma de resgatar matrizes superiores no campo, possibilitando trazê-las para ambientes mais próximos. Com a clonagem de árvores selecionadas de candeia por meio da enxertia,

pomares de sementes clonais podem ser implantados e, a partir destes, a colheita de sementes melhoradas, oriundas de polinização livre e ou de polinizações controladas entre as matrizes selecionadas, é facilitada.

A promoção do rejuvenescimento de árvores adultas por meio de enxertias seriadas é uma grande vantagem.

A cada enxertia, o propágulo vegetativo se rejuvenesce, pois é enxertado em mudas jovens propagadas por sementes. Com o tecido rejuvenescido, fica mais fácil a propagação vegetativa da candeia por meio de outras técnicas que possibilitam uma produção de mudas de forma mais rápida, como a estaquia. Para Huang et al. (1990), a enxertia seriada era, no início dos anos 90, o mais consistente e mais utilizado método de rejuvenescimento de plantas ou partes maduras destas.

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As brotações de mudas enxertadas possuem maior potencial de enraizamento do que brotações advindas diretamente do campo. Além disso, esse potencial é aumentado pela enxertia em série. Dessa forma, a primeira etapa para alcançar os objetivos de produção em massa de mudas de candeia por meio da clonagem é rejuvenescer os propágulos através da enxertia ou da micropropagação.

3.6.2

Micropropagação

Em espécies lenhosas, a aptidão à propagação vegetativa está associada ao grau de maturação (BONGA, 1982), sendo que a fase juvenil, na maioria das plantas, apresenta maior potencial de enraizamento, quando comparada com a fase adulta (BONGA, 1982; GEORGE, 1993; HARTMANN et al., 1997). No entan