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http://dn.sapo.pt/2008/04/26/editorial/a_revolta_silenciosa_jovens_cidadaos.html

A revolta silenciosa dos jovens


cidadãos

Cavaco acertou na mouche ao dedicar ao alheamento dos jovens portugueses da coisa política o seu
discurso comemorativo de mais um aniversário do 25 de Abril.

A Revolução dos Cravos tinha como ponto nuclear do seu programa a instauração da democracia em
Portugal - ou seja dar aos cidadãos a última palavra na decisão sobre o destino.

Neste sentido, não deixa de ser a um tempo irónico e preocupante que, 34 anos depois, os filhos do 25
de Abril não se revejam no sistema político que os seus pais ajudaram a construir.

O estudo encomendado à Universidade Católica pela Presidência da República confirma o que já se


suspeitava: os jovens dos 15 aos 29 anos são a camada etária mais insatisfeita com a qualidade da
nossa democracia.

Nunca desde o 25 de Abril os partidos políticos estiveram tão distantes dos cidadãos. A esta fria distância
não é estranho o facto de a primeira geração de políticos profissionais ter chegado ao poder nos
principais partidos. Os dois primeiros-ministros mais recentes, Santana Lopes e José Sócrates,
formaram-se na escola das Jotas.

São cada vez mais os eleitores que olham para os partidos centrais do nosso sistema político como
meras máquinas de conquista do poder desprovidas de uma pinga sequer de paixão e ideologia.

Os partidos devem, por isso, reflectir seriamente neste aviso do PR, que com a sua palavra deu um peso
institucional suplementar a uma revolta silenciosa dos eleitores que se exprimia através de crescentes
taxas de abstenção.

Ter uma casa tornou-se o sonho de qualquer família portuguesa. E por isso a percentagem de
proprietários de casa própria é superior ao da média europeia, em especial dos países do Norte, onde
existe uma forte tradição de arrendamento.

Foi a Revolução de 1974 que abriu a possibilidade da concretização deste sonho. Milhares de famílias que
viviam em condições precárias, muitas vezes em barracas, mudaram-se pela primeira vez para uma casa
a sério: paredes, tecto, água e luz. Nasceram bairros com nomes revolucionários, como 25 de Abril,
Grito do Povo ou Sonho de Abril. O fenómeno da construção social impôs-se durante algumas décadas,
ao mesmo tempo que as cooperativas de habitação alastravam pelo País.

Hoje, a casa própria é uma realidade (motivos legais e económicos prejudicaram sempre o
arrendamento), mas também o é o endividamento. Só com recurso a crédito, e por prazos longos de
mais, o sonho se pode concretizar agora para a esmagadora maioria. Mas a subida da taxa de juro
ameaça criar situações dramáticas. Esperemos que não renasça um problema da habitação em Portugal.

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