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Seção I. Fundamentos da reprodução

Anatomia do sistema genital feminino

Ryan J. Heitmann, DO

Anatomia do sistema genital feminino Ryan J. Heitmann, DO 1 A compreensão da anatomia pélvica humana

1

A

compreensão da anatomia pélvica humana é essencial para

A

região do hipocôndrio esquerdo marca a localização do

o

conhecimento fundamental de um ginecologista/obstetra. Os

baço, o fundo do estômago, o ápice do fígado e a flexura esplê-

conceitos básicos e as estruturas anatômicas não mudam, mas nosso conhecimento e compreensão de relações e função con- tinua a crescer. Os avanços nas técnicas cirúrgicas seguem atri- buindo mais importância ao conhecimento médico dos marcos

nica do colo. Na região lombar direita, situam-se o colo ascendente, alças do intestino delgado e, com frequência, a margem inferior da porção lateral do rim direito.

referenciais cirúrgicos, pode haver uma variação significativa na anatomia cirúrgica, como o clínico deve ser bem habituado com

a anatomia “normal” e preparado para os casos “atípicos”.

PAReDe ABDoMINAL

0 Anatomia topográfica

A parede abdominal anterior é dividida em planos para fins des-

critivos e para possibilitar que o médico compreenda as relações das vísceras na cavidade abdominal. O ponto de referência cen- tral é o apêndice xifoide do esterno, que está no mesmo plano da 10 a vértebra torácica. Os dois planos superiores são formados pelo ângulo subcostal; o plano inferior estende-se das costelas

inferiores à crista ilíaca e avança para as espinais ilíacas anteros- superiores. A base é formada pelos ligamentos inguinais e pela sínfise púbica.

As vísceras são localizadas mediante divisão da parede abdo-

minal anterolateral em regiões. Uma linha imaginária é traçada

do nível da cartilagem costal de cada nona costela às cristas ilí- acas. Outras duas linhas são traçadas da metade dos ligamentos inguinais para a cartilagem da oitava costela. As nove regiões formadas (Fig. 1-1) são o epigástrio, a região umbilical, o hipo- gástrio, os hipocôndrios direito e esquerdo, a região lombar e as regiões inguinais (região ilioinguinal). Na região do hipocôndrio direito estão o lobo hepático direito, a vesícula no ângulo ante- roinferior, parte do rim direito no fundo da região e, ocasional- mente, a flexura hepática do colo.

A região do epigástrio contém o lobo hepático esquerdo e

parte do direito, o estômago, o duodeno proximal, o pâncreas, as glândulas suprarrenais e os polos superiores dos rins (Fig. 1-2).

A região umbilical contém o colo transverso, o estômago, o

omento maior, o intestino delgado, as segunda e terceira porções do duodeno, a cabeça do pâncreas e parte das porções mediais dos rins. Na região lombar esquerda, localizam-se o colo descendente, o rim esquerdo e o intestino delgado. Dentro dos limites da re-

gião inguinal direita, estão o ceco e o apêndice vermiforme, parte do colo ascendente, o intestino delgado e ocasionalmente a mar- gem direita do omento maior.

A região do hipogástrio inclui o omento maior, as alças do

intestino delgado, o colo pélvico e, com frequência, parte do reto signoide.

A região inguinal esquerda encerra o colo sigmoide, parte

do colo descendente, alças do intestino delgado e a margem es- querda do omento maior. Há uma variação considerável na posição e no tamanho de órgãos individuais, devido a diferenças no tamanho e confor- mação corporal e nos processos mórbidos. Ao longo da vida, as variações nas posições dos órgãos dependem não somente da gravidade, mas também dos movimentos de vísceras ocas, que induzem mudanças posteriores na forma quando se enchem ou esvaziam. A necessidade de se reconhecer as relações das vís- ceras com as regiões abdominais torna-se mais clara quando se considera a distorção que ocorre durante a gravidez. Por exem- plo, o apêndice vermiforme está situado na região inguinal di- reita (quadrante inferior direito) até a 12 a semana de gestação.

Com 16 semanas, encontra-se no nível da crista ilíaca direita. Com 20 semanas, está no nível do umbigo, onde permanecerá até o pós-parto. Devido a esse deslocamento, os sintomas de apendicite serão diferentes durante os três trimestres. De modo semelhante, o deslocamento também causará problemas que en- volvem os intestinos.

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Seção I

FundAmentos dA reprodução

Região epigástrica Região umbilical Hipogástrico (região púbica)
Região
epigástrica
Região
umbilical
Hipogástrico
(região
púbica)

direita

Hipocôndrio

direito

Região

lombar

direita

Região

ilioinguinal

Hipocôndri o

esquerdo

Regiã o

lombar

esquerda

Regiã o

ilioinguinal

esquerda

Figura 1-1 Regiões abdominais.

0 Pele, tecido subcutâneo e fáscia

A pele abdominal é lisa, fina e muito elástica. É frouxamente

aderida às estruturas subjacentes, exceto no umbigo, em que sua aderência é firme. As linhas de clivagem (linhas de Langer) são linhas de tensão com base na orientação dos dermátonos da pele. Na parede abdominal anterior, essas linhas estão dispostas prin- cipalmente de modo transverso. Em consequência, as incisões

verticais cicatrizam sob mais tensão, portanto são propensas a se desenvolver como cicatrizes mais amplas, o que é mais notável em pacientes que tendem a formar queloides. Em compensação,

as incisões transversas, como a incisão de Pfannenstiel, cicatri-

zam com uma aparência muito melhor. Sob a pele, está o tecido subcutâneo do abdome (fáscia su- perficial). Essa fáscia protetora adiposa cobre o abdome inteiro. Abaixo do umbigo, consiste principalmente em duas camadas:

a fáscia intermédia de revestimento (fáscia de Camper), a ca- mada mais superficial que contém a maior parte da gordura, e o estrato membranáceo do tecido subcutâneo do abdome (fáscia de Scarpa; fáscia profunda), a membrana fibroelástica aderida firmemente às aponeuroses da linha média e à fáscia lata.

0 Artérias

Artérias do abdome superior

As cinco artérias intercostais inferiores (Fig. 1-3) e a artéria sub- costal acompanham os nervos torácicos. Seus ramos terminais, mais finos, entram na bainha do músculo reto do abdome, para se anastomosar com as artérias epigástricas superior e inferior. A artéria epigástrica superior é o prolongamento inferior direto da artéria torácica interna (artéria mamária interna). Essa artéria desce entre a superfície posterior do músculo reto e sua bainha para formar uma anastomose com a artéria epigástrica inferior no músculo. A artéria epigástrica inferior, um ramo da artéria ilíaca ex- terna, surge, em geral, pouco acima do ligamento inguinal e passa pelo lado medial do ligamento redondo até o anel inguinal profundo (anel inguinal abdominal). Desse ponto, ascende em direção ligeiramente medial, passando superior e lateralmente ao anel inguinal superficial (anel inguinal subcutâneo), situado entre a fáscia transversal e o peritônio. Penetrando na fáscia transversal, passa em frente à linha arqueada (linha semicircular),

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno CAPÍTULo 1  3 Fígado Estômago Colo transverso Colo ascendente
AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno
CAPÍTULo 1
3
Fígado
Estômago
Colo transverso
Colo
ascendente
Intestino delgado
Ceco
Apêndice
Ovário
Útero
Tuba uterina
Bexiga
 Figura 1-2 Vísceras abdominais in situ. O detalhe mostra a projeção do feto in situ.

apresenta-se entre o músculo reto do abdome e sua bainha, entra na substância do músculo reto do abdome e encontra a artéria epigástrica superior. Essa artéria irriga a parte central superior da parede abdominal, enquanto a artéria epigástrica inferior ir- riga a parte central inferior da parede abdominal anterior, e a artéria [ilíaca] circunflexa profunda irriga a parte lateral inferior da parede abdominal.

Artérias do abdome inferior

A artéria ilíaca circunflexa profunda é também um ramo da arté-

ria ilíaca externa, surgindo no lado oposto da artéria epigástrica ou ligeiramente abaixo da origem desse vaso. Corre lateralmente atrás do ligamento inguinal, situando-se entre a fáscia transver- sal e o peritônio. A artéria ilíaca circunflexa profunda perfura

o músculo transverso do abdome próximo à espinal ilíaca an-

terossuperior e continua entre os músculos transverso e oblí-

quo interno do abdome, ao longo e pouco acima da crista ilíaca,

e finalmente corre na direção posterior para se anastomosar

com a artéria iliolombar. Um ramo da artéria ilíaca circunflexa

profunda é importante para o cirurgião, porque forma anasto- moses com ramos da artéria epigástrica inferior. As diversas incisões no abdome encontram alguns planos musculares e vasculatura de significância clínica. A incisão de McBurney requer separação dos músculos oblíquos externo e interno do abdome e divisão do transverso. A artéria ilíaca cir- cunflexa profunda frequentemente pode ser encontrada. A incisão paramediana é feita no músculo reto direito ou esquerdo. Abaixo da linha arqueada, a fáscia dos músculos oblíquos externo e interno, bem como os músculos transversos, quando presentes, passam por cima do músculo reto do abdome; acima da linha arqueada, os músculos transversos e parte do oblíquo interno passam por baixo do músculo reto do abdome. A vasculatura é composta principal- mente por artérias perfurantes e, com frequência, pelas veias tora- coepigástricas (veias toracoabdominais). Inferiormente, pode ser encontrada a epigástrica superficial. Na incisão transversa baixa ou de Pfannenstiel, a fáscia dos oblíquos externo e interno passa por cima do músculo reto do abdome, assim como do músculo transverso, quando presente. Depois que a fáscia acima do reto é incisada, os músculos podem ser separados. A artéria e a veia

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Seção I

FundAmentos dA reprodução

Veia
Veia

Artéria subclávia

Artéria mamária

Veia axilar

interna

Artéria epigástrica

superior

toracoepigástrica

Artéria musculo

frenica

Artéria epigástrica inferior (borda medial do trigono inguinal)

Veia epigástrica

superficial

Artéria femoral

Veia femoral

Figura 1-3 Veias e artérias superficiais do abdome.

epigástricas superficiais são encontradas na fáscia intermédia de revestimento (fáscia de Camper). Lateralmente, as artérias ilíacas circunflexas superficial e profunda podem estar na margem da incisão. Abaixo do músculo transverso e entrando no músculo reto do abdome, aproximadamente equidistante do umbigo, en- contra-se a artéria epigástrica inferior. Na incisão de Cherney, deve-se tomar cuidado para evitar a

artéria epigástrica inferior, que é a principal vascularização para o músculo reto do abdome. As incisões abdominais são mostradas na Figura 1-4. A posição dos músculos influi no tipo de incisão

a ser realizada. O objetivo é expor de forma adequada o campo

operatório, evitando dano a estruturas parietais, vasos sanguí- neos e nervos. Teoricamente, as incisões transversas baixas não se estendem além das margens laterais dos músculos retos do ab- dome, a fim de evitar dano aos vasos epigástricos inferiores.

0 Veias

As veias superficiais são mais numerosas do que as artérias e for- mam telas vasculares mais extensas. Acima do nível do umbigo,

o sangue retorna pelas veias cutâneas anteriores e pelos pares de

veias toracoepigástricas, veias epigástricas superficiais e veias ilíacas circunflexas superficiais na fáscia subcutânea do abdome. Existe, portanto, uma anastomose crucial entre as veias femorais e axilares.

As veias profundas têm denominações correspondentes às das artérias que elas acompanham. Abaixo do umbigo, essas veias correm caudal e medialmente à veia ilíaca externa; acima desse nível, correm em direção à cabeça e lateralmente às veias intercostais. A drenagem linfática, nas regiões mais profundas

da parede abdominal, segue as veias profundas diretamente aos

linfonodos inguinais superficiais.

0 Vasos linfáticos

A drenagem linfática da parede abdominal inferior (Fig. 1-5)

ocorre principalmente nos 10 a 20 linfonodos inguinais su- perficiais que se situam na região do ligamento inguinal. Esses linfonodos podem ser identificados dividindo-se a região em quadrantes, por meio da interseção de linhas horizontais e verti- cais que se encontram na junção safenofemoral. A drenagem da parede abdominal lateral segue a veia ilíaca circunflexa superfi- cial e drena para os linfonodos localizados no quadrante lateral superior dos linfonodos inguinais superficiais. A drenagem da porção medial segue a veia epigástrica superficial principalmente para os linfonodos localizados no quadrante medial superior dos linfonodos inguinais superficiais. São da maior importância clínica as frequentes anastomoses entre os vasos linfáticos dos lados direito e esquerdo do abdome.

Mediana

McBurney

Pararretal

direita

Quadrante

direito inferior

Mediorretal

direita

Paramediana

direita

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

5

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno  CAPÍTULo 1 5 Inguinal oblíqua Transversa umbilical Meio abdominal

Inguinal

oblíqua

Transversa umbilical Meio abdominal Davis ou Rockey Abdominal baixa Inguinal unilateral ou bilateral
Transversa
umbilical
Meio
abdominal
Davis ou
Rockey
Abdominal
baixa
Inguinal
unilateral
ou bilateral
Pfannenstiel

Figura 1-4 Incisões abdominais. Incisões transversas são aquelas em que os músculos retos do abdome são cortados. Incisão

de Cherney é a incisão em que o músculo reto é removido do púbis e depois é suturado de volta; o músculo piramidal é deixado

nos tubérculos púbicos. Linfonodos axilares Linfonodos inguinais superficiais
nos tubérculos púbicos.
Linfonodos
axilares
Linfonodos
inguinais
superficiais

Figura 1-5 Vasos linfáticos da parede abdominal. Somente

um lado é mostrado, mas ocorre drenagem contralateral (i.e., transpõe a linha média para o lado oposto).

0 Nervos do abdome

Os seis nervos torácicos inferiores alinham-se com as costelas e emitem ramos cutâneos laterais (Fig. 1-6). Os nervos intercostais passam profundamente pelas cartilagens costais voltadas para cima e entram na parede abdominal. Os principais troncos des- ses nervos correm para frente entre os músculos oblíquo interno e transverso. Depois, os nervos penetram nas bainhas do mús- culo reto e no próprio músculo, e os ramos terminais emergem como nervos cutâneos anteriores.

O nervo ílio-hipogástrico origina-se do primeiro nervo lom-

bar, após este último ter sido integrado pelo ramo de comunica- ção do último nervo torácico (12 o ). Penetra na margem lateral do músculo psoas maior e cruza anteriormente o músculo qua- drado lombar, mas posteriormente o rim e o colo. Na margem lateral do quadrado lombar, o nervo ílio-hipogástrico penetra

na aponeurose originária do músculo transverso do abdome e entra no tecido areolar entre os músculos transverso e oblíquo interno do abdome. Nesse tecido, comunica-se, em geral, com o último nervo torácico e com o nervo ilioinguinal, que também se origina dos nervos primeiro lombar e último torácico.

O nervo ílio-hipogástrico divide-se em dois ramos. O ramo

cutâneo lateral (ramo ilíaco) penetra nos músculos oblíquos in- terno e externo do abdome, emergindo deste último acima da crista ilíaca e inervando o tegumento das partes superior e lateral

da coxa. O ramo cutâneo anterior (ramo hipogástrico), como vai adiante e abaixo, fornece ramificações tanto para o músculo transverso do abdome, como para o oblíquo interno. Comunica- -se com o nervo ilioinguinal e penetra no músculo oblíquo interno, próximo à espinal ilíaca anterossuperior. O ramo hipo- gástrico emerge medialmente abaixo da aponeurose do oblíquo externo e aí penetra, exatamente acima do anel inguinal superfi- cial, para inervar a pele e a sínfise púbica.

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Seção I

FundAmentos dA reprodução

l C3 a C4 C5, 6 r nt e v l xia a a L
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C5, 6
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Figura 1-6 Inervação cutânea da parede abdominal

Os cuidados com as artérias e as veias também devem ser tomadas com os nervos, a fim de evitar qualquer dano durante a operação cirúrgica. Com uma incisão transversa baixa, os nervos ílio-hipogástrico e ilioinguinal geralmente são encontrados. O risco de dano ou acidente aumenta, se for praticada uma incisão mais lateral. Durante o reparo das camadas da fáscia, para se evitar o engano entre os nervos ílio-hipogástrico e ilioinguinal, deve-se ter o cuidado de não colocar pontos lateralmente ao ân- gulo/ápice de incisões fasciais.

0 Músculos e fáscia do abdome

A parede muscular que sustenta as vísceras abdominais (Fig. 1-7) é composta por quatro pares de músculos e suas aponeuroses. Os três pares de músculos laterais são o oblíquo externo, o oblíquo interno e o transverso do abdome. Suas aponeuroses se interdi- gitam na linha média para conectar músculos laterais opostos, formando uma faixa espessa nessa junção, a linha alba, que se estende do processo xifoide à sínfise púbica. Anteriormente, um par de músculos — o reto do abdome, junto do par de músculos piramidais com sua bainha no limite inferior — constitui a pa- rede abdominal.

Função dos músculos do abdome

Em geral, as funções dos músculos do abdome são tríplices:

(1) sustentação e compressão das vísceras abdominais pelos

músculos oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do ab- dome; (2) depressão do tórax, em conjunto com o diafragma, pelos músculos reto, oblíquo externo, oblíquo interno e trans- verso do abdome, como é evidente na respiração, tosse, êmese,

defecação e parto; e (3) auxílio aos movimentos de curvatura do tronco mediante flexão da coluna vertebral pelos músculos reto, oblíquo externo e oblíquo interno do abdome. Há uma ajuda parcial na rotação do tórax e do abdome superior para o mesmo lado, quando a pelve está fixada ao lado oposto pelo oblíquo in- terno e pelo oblíquo externo do abdome. Além disso, o oblíquo externo superior serve como músculo de fixação na abdução do membro superior do mesmo lado e adução do membro supe- rior do lado oposto. O músculo piramidal segura a linha alba na linha média.

Músculo oblíquo externo do abdome

O músculo oblíquo externo do abdome consiste em oito digi-

tações pontiagudas fixadas às oito costelas inferiores. As fibras mais inferiores inserem-se na metade anterior da crista ilíaca e no ligamento inguinal. Na linha alba, a aponeurose do músculo

se interdigita com a do lado oposto e fusiona com o músculo oblíquo interno do abdome subjacente.

Músculo oblíquo interno do abdome

O músculo oblíquo interno do abdome origina-se da fáscia tora-

colombar, da crista do ílio e do ligamento inguinal. Indo na di- reção oblíqua oposta, esse músculo se insere nas três cartilagens costais inferiores e na linha alba em cada lado do músculo reto do abdome. A aponeurose ajuda a formar a bainha do músculo reto do abdome, tanto anterior como posteriormente. A lâmina posterior estende-se das inserções costais do músculo reto até abaixo do umbigo.

Músculo transverso do abdome

O músculo transverso do abdome, cujas fibras correm transver-

salmente e surgem das superfícies internas das seis cartilagens costais inferiores, da fáscia toracolombar, da crista ilíaca e do ligamento inguinal, localiza-se embaixo do oblíquo interno. In- serindo-se na linha alba, a aponeurose do transverso fusiona-se para formar a lâmina posterior da bainha posterior do reto. A terminação dessa lâmina é denominada linha arqueada, abaixo da qual se situam a fáscia transversal, o panículo adiposo pré-

peritoneal e o peritônio. Inferiormente, a aponeurose delgada do músculo transverso do abdome torna-se parte da bainha ante- rior do reto do abdome.

Músculos retos

Os músculos retos são como faixas que se estendem do tórax ao púbis. São divididos pela linha alba e contornados lateralmente pela linha semilunar. Três interseções tendíneas atravessam a parte superior de cada músculo reto, e uma quarta também pode estar presente abaixo do umbigo. O músculo piramidal, que é um músculo vestigial, está situado anteriormente à parte mais

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

7

interno Músculo reto
interno
Músculo
reto

Anel inguinal external

abdominal

Reflexão anterior da bainha do reto abdominal

Músculo oblíquo

externo

Linha

semilunar

Interseção

tendínea

Aponeurose do

músculo oblíquo

externo

Músculo

piramidal

Linha alba

Linha

semilunar

Bainha posterior

do reto

Músculo

transverso

abdominal

Músculo oblíquo

Linha semicircular

(linha arqueada)

Tela

subserosa

Figura 1-7 Musculatura da parede abdominal.

inferior do músculo reto, originando-se do periósteo púbico, no qual se insere. Abaixo da fáscia superficial e revestindo os músculos está a delgada e semitransparente fáscia profunda de revestimento. Suas extensões entram nos músculos laterais e os dividem em feixes espessos.

0 estruturas especiais

Há várias estruturas anatômicas especiais na parede abdominal, incluindo o umbigo, as linhas alba e semilunar e a bainha do músculo reto do abdome.

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Seção I

FundAmentos dA reprodução

Umbigo

O umbigo tem posição oposta ao espaço discoidal entre a ter-

ceira e a quarta vértebras lombares, aproximadamente 2 cm abaixo do ponto central de uma linha traçada do processo xi- foide do esterno ao ápice da sínfise púbica. O umbigo é uma

massa densa e rugosa de tecido fibroso encerrado por um anel de fibras aponeuróticas circulares, ao qual se fusiona na linha alba. Normalmente, é a parte mais forte da parede abdominal.

O umbigo também representa a distância mais curta entre a

pele e a cavidade abdominal, sendo o local mais comum para entrar no abdome com o trocarte primário durante uma cirur-

gia laparoscópica.

Linha alba

A linha alba, uma faixa fibrosa formada pela fusão das aponeuro-

ses dos músculos da parede abdominal anterior, assinala o lado medial do músculo reto do abdome; a linha semilunar forma a margem lateral, que corre da ponta da nona cartilagem costal ao tubérculo púbico. A linha alba estende-se do processo xifoide à sínfise púbica, representada acima do umbigo como um sulco mediano raso na superfície.

Bainha do músculo reto e aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome

A bainha do músculo reto do abdome serve para sustentar e con-

trolar os músculos retos. Ela contém os músculos reto e piramidal,

os ramos terminais dos seis nervos e vasos torácicos inferiores e os

vasos epigástricos inferiores e superiores. Na direção craniana, em

que essa bainha é mais ampla, sua parede anterior estende-se para cima, no tórax, até o nível da quinta cartilagem costal, e é fixada

ao

esterno. A parede mais profunda é fixada ao processo xifoide e

às

margens inferiores das sétima à nona cartilagens costais, e não

se

estende para cima no tórax anterior. Na direção caudal, em que

a bainha se estreita consideravelmente, a parede anterior é fixada

às crista e à sínfise púbicas. Acima da margem costal, na parede

torácica anterior, não há bainha completa do reto (Figura 1-8). Em vez disso, o músculo reto é revestido somente pela aponeurose do músculo oblíquo externo. Na região do abdome, na margem late- ral do músculo reto, os dois terços superiores da aponeurose do músculo oblíquo interno dividem-se nas lâminas anterior e pos- terior da aponeurose toracolombar. A lâmina anterior passa em frente ao oblíquo externo e se une à aponeurose desse músculo. A parede posterior da bainha é formada pela lâmina poste-

rior e pela aponeurose do músculo transverso do abdome. As bainhas anterior e posterior unem-se na linha média. O terço

inferior da aponeurose do oblíquo interno não apresenta divi- são, formando a parede anterior da bainha, junto às aponeuroses dos músculos oblíquo externo e transverso. A parede posterior

é ocupada pela fáscia transversal, que se estende nas superfícies

internas dos músculos reto e transverso, separando-os do peritô- nio e estendendo-se aos ligamentos inguinal e lacunar. Em geral,

a transição da aponeurose para a fáscia é razoavelmente clara, assinalada por uma linha curva, chamada linha arqueada.

0 Variações dos músculos do abdome

Essas variações têm sido notadas em todos os músculos do abdome.

Músculo reto do abdome

O músculo reto do abdome pode diferir no número de suas ins-

crições tendíneas e na extensão de seu vínculo torácico. Lapsos

Reto abdominal

Fáscia transversal
Fáscia transversal

Corte da parede abdominal acima do ligamento arqueado ou cerca de 2/3 acima da sínfise púbica

Bainha posterior

Corte da parede abdominal cerca de 1/3 acima da sínfise púbica

Fáscia transversal

Figura 1-8 Formação da bainha do músculo reto.

Oblíquo externo

Oblíquo interno

Transverso

Oblíquo externo

Oblíquo interno

Transverso

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

9

aponeuróticos ou de músculo na parte superior do tórax são re- manescentes de um estado mais primitivo em que o músculo se estendia até o pescoço. Também tem sido observada a ausência

da totalidade ou de parte desse músculo. O músculo piramidal

pode estar ausente, apenas pouco desenvolvido, duplo ou ascen- dente até o umbigo.

Músculo oblíquo externo do abdome

O músculo oblíquo externo varia na medida de sua origem

das costelas. Seus largos feixes podem estar separados por te- cido frouxo da principal protuberância do músculo, na sua área profunda ou na superficial. O feixe anterior supracostal é raro, sendo encontrado, às vezes, na porção superior da parede to- rácica. Também podem ser encontradas inscrições tendíneas transversas.

Músculo oblíquo interno do abdome

O músculo oblíquo interno do abdome, às vezes, se desvia, tanto

em suas inserções como na extensão do desenvolvimento da parte carnuda do músculo. Raramente, estão presentes inscri- ções tendíneas, ou a divisão posterior forma um músculo extra com 7 a 7,5 cm de extensão, separado do oblíquo interno por um ramo do nervo ílio-hipogástrico e um ramo da artéria ilíaca circunflexa profunda.

Músculo transverso do abdome

O músculo transverso do abdome flutua muito na extensão

do seu desenvolvimento, mas é raro estar ausente. Ocasional- mente, estende-se abaixo até o ligamento redondo do útero e às vezes se situa acima da espinal ilíaca anterossuperior (espinal anterossuperior). No entanto, em geral ocupa uma posição in- termediária.

PeLVe óSSeA

em geral ocupa uma posição in- termediária. PeLVe óSSeA A pelve (Fig. 1-9) é um anel

A pelve (Fig. 1-9) é um anel de ossos em forma de bacia que

marca a margem distal do tronco. Assenta-se sobre as extremi- dades inferiores e sustenta a coluna vertebral. É composta por dois ossos inominados, um de cada lado, unidos na superfície anterior e articulados com o sacro na superfície posterior. As duas principais divisões pélvicas são a pelve maior (pelve supe- rior ou falsa) e a pelve menor (pelve inferior ou verdadeira). A pelve maior consiste principalmente no espaço superior à linha iliopectínea, incluindo as duas fossas ilíacas e a região existente entre elas. A pelve menor, localizada abaixo da linha iliopectí- nea, é limitada anteriormente pelos ossos do púbis, posterior- mente pelo sacro e pelo cóccix, e lateralmente pelo ísquio e um pequeno segmento do ílio.

0 osso inominado

O osso inominado é composto por três partes: ílio, ísquio e

púbis.

Ílio

O

ílio consiste em uma parte superior laminar, ou asa do ílio,

e

uma parte inferior mais espessa, chamada corpo do ílio. O

corpo do ílio forma a porção superior do acetábulo e se une aos corpos do ísquio e do púbis. A superfície medial do ílio apresenta-se como uma grande área côncava: sua porção ante- rior é a fossa ilíaca; a porção posterior, menor, é composta de uma parte superior irregular, a tuberosidade ilíaca, e uma parte inferior que contém uma grande superfície para a articulação com o sacro. Na margem medial inferior da fossa ilíaca, uma crista arredondada, a linha arqueada, termina anteriormente na eminência iliopúbica (eminência iliopectínea). Posterior-

mente, a linha arqueada é contínua com a margem anterior da

asa do sacro por todo o aspecto anterior da junção sacroilíaca. Anteriormente, essa linha é contínua com a crista ou pécten no ramo superior do púbis.

A face glútea (face lateral ou dorso do ílio) é atravessada por

três cristas: as linhas glúteas posterior, anterior e inferior. A mar- gem superior é denominada crista, em cujas duas extremidades estão as espinais ilíacas anterossuperior e posterossuperior. A principal característica da margem anterior do ílio é a rígida es- pinal ilíaca anteroinferior. Importantes aspectos da margem pos- terior são as espinais ilíacas posterossuperior e posteroinferior e, abaixo desta última, a incisura isquiática maior, cuja parte infe- rior é limitada pelo ísquio. A margem inferior do ílio participa

na formação do acetábulo.

A principal vasculatura (Fig. 1-10) do osso inominado é visí-

vel quando o osso é mais compacto. O sangue irriga a superfície interna do ílio mediante ramificações das artérias iliolombar, ilí-

aca circunflexa profunda e obturatória por forames na crista, na fossa ilíaca e abaixo da linha terminal próxima à incisura isquiá-

tica maior. A superfície externa do ílio é irrigada, principalmente abaixo da linha glútea inferior, por meio de vasos nutrícios de- rivados das artérias glúteas. O ramo inferior da parte profunda

da artéria glútea superior forma a artéria nutrícia externa do ílio

e continua em seu curso para se anastomosar com a artéria cir-

cunflexa lateral. Ao deixar a pelve, abaixo do músculo piriforme, divide-se em vários ramos, dos quais um grupo passa para a ar- ticulação do quadril.

Ísquio

O ísquio é composto de corpo, ramos superior e inferior e uma

tuberosidade. O corpo do ísquio é a parte mais pesada do osso

e está ligado aos corpos do ílio e do púbis, formando o acetá-

bulo. Apresenta três superfícies: (1) a superfície interna lisa continua acima com o corpo do ílio e abaixo com a superfície interna do ramo superior do ísquio; em conjunto, essas partes formam a porção posterior da parede lateral da pelve menor; (2) a superfície externa do ísquio é a porção que entra na for- mação do acetábulo; (3) a superfície posterior é a área convexa entre a borda do acetábulo e a margem posterior, sendo sepa- rada do túber isquiático (tuberosidade) por um amplo sulco. A margem posterior, com o ílio, forma a margem óssea da incisura isquiática maior. O ramo superior do ísquio desce do corpo do osso para se unir ao ramo inferior em um ângulo de aproxima- damente 90 graus.

Figura 1-9 A pelve óssea. (Gentilmente cedida por Benson RC. Handbook of Obstetrics & Gynecology. 8th ed. Los Altos, CA: Lange; 1983.)

SUPERIOR VISÃO INFERIORVISÃO

10

Seção I

FundAmentos dA reprodução

Ligamento longitudinal anterior Ligamento anterior sacroilíaco Ligamento íleolombar Ligamento íliofemoral Forame
Ligamento longitudinal
anterior
Ligamento anterior
sacroilíaco
Ligamento íleolombar
Ligamento
íliofemoral
Forame obturado
VISÃO ANTERIOR
Ligamento Ligamento sacrococcígeo sacrotuberoso dorsal Ligamento sacroespinhoso Ligamento Linha arqueada
Ligamento
Ligamento
sacrococcígeo
sacrotuberoso
dorsal
Ligamento
sacroespinhoso
Ligamento
Linha arqueada
inguinal
do púbis
Ligamento íleolombar Ligamento Ligamento posterior Inter-espinal sacroilíaco curto Ligamento posterior
Ligamento íleolombar
Ligamento
Ligamento posterior
Inter-espinal
sacroilíaco curto
Ligamento posterior
sacroilíaco longo
Ligamento
íliofemoral
Ligamento ílioisquiático
Ligamento
Ligamento dorsal
sacrotuberoso
sacrococcígeo
VISÃO POSTERIOR
Ligamento
longitudinal anterior
Ligamento
íliolombar
Ligamento
sacroilíaco
anterior
Ligamento
sacroespinhoso
Ligamento
íliofemoral
Linha arqueada
do púbis

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

11

DIREITO ESQUERDO Aorta Artéria e veia ovariana Veia cava inferior Artéria e veia ilíaca comum
DIREITO
ESQUERDO
Aorta
Artéria e veia
ovariana
Veia cava
inferior
Artéria e veia
ilíaca comum
Ureter
Artéria
hipogástrica
Artéria
ovariana
Artéria e veia
uterina
Bexiga
Artéria e veia
vesical inferior

Figura 1-10 Irrigação sanguínea da pelve.

O grande túber isquiático e sua porção inferior estão situados

na convexidade desse ângulo. A porção inferior do túber forma

o ponto de apoio na posição sentada. A superfície posterior é

dividida em duas áreas por uma linha oblíqua. A incisura isqui-

ática menor ocupa a margem posterior do ramo superior, entre

a espinal isquiática e o túber isquiático. O ramo inferior, como

é direcionado anteriormente, une-se ao ramo inferior do púbis, formando o arco púbico (arco isquiopúbico).

O ísquio é irrigado com sangue das artérias obturatória me-

dial e circunflexa lateral. Os maiores vasos estão situados entre o acetábulo e o túber isquiático.

Púbis

O púbis é composto de um corpo e dois ramos, superior e infe-

rior. O corpo do púbis contribui para a formação do acetábulo, unindo-se ao corpo do ílio na eminência iliopúbica e ao corpo do ísquio na região da incisura do acetábulo. O ramo superior do púbis estende-se do corpo, medial e anteriormente, para encon- trar o ramo correspondente do lado oposto na sínfise púbica. A porção medial ou anterior do ramo superior é larga e achatada anteroposteriormente. Inicialmente, chamado “o corpo”, o púbis apresenta uma superfície externa e uma interna, a face sinfisial, e uma margem superior, ou crista púbica.

Aproximadamente a 2 cm da margem medial desse ramo e alinhado com a margem superior encontra-se o tubérculo pú-

bico proeminente, um importante ponto de referência. Abaixo

da crista, situam-se as superfícies anterior e posterior ou pro-

funda. A porção medial do ramo superior continua, abaixo, com o ramo inferior do púbis, e a parte lateral apresenta, an- terossuperiormente, uma área ampla e lisa, atrás da qual se

encontra uma crista irregular, a linha pectínea do púbis, que forma a parte anterior da linha terminal. Na frente e abaixo da linha pectínea do púbis, está a crista obturatória, que vai do tubérculo púbico à incisura do acetábulo. No aspecto inferior do ramo superior do púbis, encontra-se o sulco obturatório.

O ramo inferior do púbis é contínuo com o ramo superior e

segue para baixo e para trás, unindo-se ao ramo inferior do ísquio e formando o “arco isquiopúbico”. O púbis recebe sangue dos ramos púbicos da artéria obturatória e de ramos das arté- rias circunflexas medial e lateral.

0 Sínfise púbica

A sínfise púbica é uma junção sinartrodial das faces sinfisiais dos

ossos do púbis. Os ligamentos a ela associados são: (1) o disco interpúbico (fibrocartilagem interpúbica); (2) o ligamento pú- bico superior; (3) o ligamento púbico inferior; e (4) o ligamento

12

Seção I

FundAmentos dA reprodução

arqueado. O disco interpúbico é mais compacto na frente do que atrás e se projeta além das margens dos ossos, especial- mente no aspecto posterior, unindo-se intimamente com os ligamentos em suas margens. Às vezes, é inteiramente entrela- çado, mas com frequência o disco interpúbico apresenta uma

fissura estreita e alongada, com líquido no espaço intersticial, dividindo parcialmente esse disco em duas placas.

O disco interpúbico é intimamente aderente à camada de

cartilagem hialina que reveste a face sinfisial de cada osso

púbico. O ligamento púbico superior estende-se lateralmente ao longo da crista púbica, em cada lado do tubérculo púbico,

unindo-se, na linha média, ao disco interpúbico. O forte e es- pesso ligamento púbico inferior é conectado intimamente com

o revestimento fascial dos músculos que se originam nos ramos

associados do púbis. Esse revestimento consiste em vários es- tratos de fibras espessas entrecruzadas, com diferentes graus de obliquidade, o estrato superficial sendo o mais oblíquo, e o inferior estendendo-se sobre a articulação. O ligamento arque- ado é uma faixa espessa de fibras muito conectadas que preen- che o ângulo entre os ramos púbicos, formando uma cobertura arredondada e lisa sobre o arco púbico. Nos aspectos articula- res anterior e posterior, esse ligamento emite fibras entrecruza- das que, ao se entrelaçarem, fortalecem a articulação.

0 Sacro

O sacro é formado, no adulto, pela união de cinco ou seis vérte-

bras sacrais; raramente, a quinta vértebra lombar é parcialmente fundida com ele. Esse processo de união é conhecido como “sacralização” na coluna vertebral. O sacro constitui a base da coluna vertebral. Como um osso simples, considera-se que tem uma base, um ápice, duas faces (pélvica e dorsal) e duas partes laterais. A base do sacro está voltada para cima e é composta principalmente de uma parte central, formada pela face superior

do corpo da primeira vértebra sacral, e de duas áreas laterais de asas. A base (corpo) articula-se, por meio de um disco fibrocar- tilaginoso, com o corpo da quinta vértebra lombar. As asas do sacro representam os pesados processos transversos da primeira vértebra sacral, que se articulam com os dois ossos ilíacos. A margem anterior da base é denominada promontório e forma

o ângulo sacrovertebral com a quinta vertebra lombar. A mar-

gem anterior arredondada de cada asa constitui a parte posterior (parte sacral) da linha terminal.

A face pélvica do sacro é rugosa e convexa. Em sua linha

média, está a crista sacral mediana (processos espinais fusio-

coccígeos. Os cornos podem ser palpados em vida e são impor- tantes pontos de referência que indicam a abertura inferior do canal sacral (para a anestesia sacrocaudal). As partes laterais do sacro são formadas pela fusão dos pro- cessos transversos das vértebras sacrais. Formam, dorsalmente, a linha de elevações chamadas de cristas sacrais laterais. As partes correspondentes às três primeiras vértebras são particularmente compactas e apresentam uma grande área voltada para a lateral, chamada face articular, que se articula com o sacro. Atrás da face articular, o osso rugoso é chamado tuberosidade sacral e está voltado para a tuberosidade do ílio. O ápice do sacro é a pequena área formada pela superfície inferior da base da quinta parte do sacro. O cóccix é formado por quatro (raramente três ou cinco) vértebras caudais ou coccígeas. As segunda, terceira e quarta partes com frequência são fusionadas em um único osso que se articula com a primeira parte por meio de uma fibrocartilagem.

O cóccix inteiro pode tornar-se ossificado e fusionado com o

sacro (articulação sacrococcígea). O sacro recebe sua irrigação sanguínea da artéria sacral me-

diana, que se estende da bifurcação da aorta à ponta do cóccix,

e das artérias sacrais laterais, que se originam como uma única

artéria que imediatamente se divide ou como dois vasos distin-

tos provenientes da artéria hipogástrica. O ramo lombar inferior

da artéria sacral mediana ramifica-se sobre as partes laterais do

sacro, passando atrás, entre a última vértebra e o sacro, para se

anastomosar acima com as artérias lombares e abaixo com a ar- téria glútea superior. Os ramos sacrais laterais (em geral, quatro) anastomosam-se anteriormente ao cóccix com ramos da artéria sacral inferior que se originam da artéria hipogástrica. Os ramos sacrais laterais emitem pequenos ramos espinais que atravessam

os

forames sacrais e irrigam o canal sacral e a porção posterior

do

sacro.

0 Articulação sacroilíaca

A articulação sacroilíaca é uma articulação diartrodial com su-

perfícies irregulares. As faces articulares são cobertas por uma camada de cartilagem, e a cavidade articular é uma fenda es- treita. No sacro, a cartilagem é hialina em suas partes mais pro- fundas, mas muito mais espessa do que a do ílio. Uma cápsula articular está conectada às margens das faces articulares, e os

ossos são unidos pelos ligamentos sacroilíacos anteriores, pos- teriores longos e curtos, e interósseos. Além disso, há três liga- mentos (Fig. 1-11), classificados como pertencentes à própria cintura pélvica, que também servem como ligamentos acessórios

nados), e em cada lado há uma área achatada, formada pelas

à

articulação sacroilíaca: os ligamentos iliolombar, sacrotuberal

lâminas fusionadas das vértebras sacrais. As lâminas da quinta vértebra e, em muitos casos, as da quarta vértebra, e raramente

e

sacroespinal. Os ligamentos sacroilíacos anteriores unem a base e a parte

as

da terceira, são incompletas (as espinas também estão ausen-

lateral do sacro ao ílio, fundindo-se ao periósteo da face pélvica

tes), deixando, assim, uma ampla abertura para a parede dorsal do canal sacral, conhecida como hiato sacral. Lateralmente às lâminas, estão as cristas articulares (direita e esquerda), alinha- das com os processos articulares superiores pareados, situados acima. Os processos laterais articulam-se com os processos ar-

ticulares inferiores da quinta vértebra lombar. As extensões in- feriores das cristas articulares formam os cornos sacrais, que se ligam lateralmente ao hiato sacral e estão vinculados aos cornos

e, no ílio, alcançando a linha arqueada para se fixarem nos sulcos

paraglenoides. Os ligamentos sacroilíacos posteriores são extre- mamente fortes e, em essência, consistem em dois conjuntos de fibras, profundo e superficial, que formam os ligamentos sacroi- líacos posteriores curto e longo, respectivamente. O ligamento sacroilíaco posterior curto estende-se, inferior e medialmente,

da tuberosidade ilíaca, atrás da face articular e da espinal ilíaca

posteroinferior, à área traseira da parte lateral do sacro e ao

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

13

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno  CAPÍTULo 1 13 Ligamento inguinal Fáscia ilíaca anterior Ligamento

Ligamento

inguinal

Fáscia ilíaca

anterior

Ligamento

sacroespinal

Ligamento

Membrana

sacrotuberoso

obturadora

Figura 1-11 Ligamentos da pelve.

processo articular superior do sacro, incluindo a área entre este último e o primeiro forame sacral.

O ligamento sacroilíaco posterior longo estende-se inferior-

mente da espinal ilíaca posterossuperior para o segundo, o ter- ceiro e o quarto tubérculos articulares na face dorsal do sacro. Esse ligamento cobre parcialmente o ligamento curto e continua, abaixo, com o ligamento sacrotuberal. Os ligamentos interósseos são os mais fortes de todos e consistem em fibras de diferen- tes comprimentos que passam em várias direções entre os dois ossos. Estendem-se da superfície rugosa da tuberosidade sacral à superfície correspondente no aspecto lateral do sacro, acima e atrás da face articular.

0 Ligamentos

O ligamento sacrotuberal, do mesmo modo que o ligamento sa- croilíaco posterior longo, é conectado, acima, à crista ilíaca e à

espinal ilíaca posterior e ao aspecto posterior das três vértebras sacrais inferiores. Abaixo, é conectado principalmente à mar- gem medial do túber isquiático. Na outra extremidade, algumas fibras se estendem para frente, ao longo da superfície interna do ramo do ísquio, formando o processo falciforme do ligamento sacrotuberal. Outras fibras posteriores continuam nos tendões do jarrete.

O ligamento sacroespinal é triangular e delgado, estendendo-

-se da margem lateral do sacro e do cóccix à espinal isquiática. Esse ligamento passa medialmente (com profundidade) ao li- gamento sacrotuberal e é com este parcialmente conectado, ao longo da margem lateral do sacro.

O ligamento iliolombar conecta a quarta e a quinta vértebras

lombares com a crista ilíaca. Esse ligamento origina-se do pro- cesso transverso da quinta vértebra lombar, onde está intima- mente entrelaçado com o ligamento sacrolombar. Algumas de

suas fibras espalham-se inferiormente sobre o corpo da quinta vértebra, enquanto outras se elevam para o disco intervertebral

situado acima. O ligamento iliolombar está vinculado ao lábio interno da crista ilíaca por aproximadamente 5 cm. O ligamento sacrolombar geralmente é inseparável do ligamento iliolombar, sendo considerado parte desse ligamento.

0 Forames

Diversos forames estão presentes na pelve óssea. O ligamento sacroespinal separa o forame isquiático maior do menor. Esses forames são subdivisões de um grande espaço intercalar entre

o ligamento sacrotuberal e o fêmur. O músculo piriforme sai da

pelve para a coxa pelo forame isquiático maior, acompanhado pelos vasos e nervos glúteos. Os vasos pudendos internos, o nervo pudendo e o nervo para o músculo obturador interno também saem da pelve por esse forame e depois entram na re- gião perineal através do forame isquiático menor. Entretanto, o músculo obturador interno sai da pelve pelo forame isquiático menor. O forame obturado está situado entre o ísquio e o púbis. A membrana obturadora ocupa o forame obturado e está conec- tada continuamente com a superfície interna da margem óssea, exceto acima, onde a membrana faz uma ponte com o sulco ob- turatório, convertendo-o no canal obturatório, o qual dá passa- gem ao nervo e aos vasos obturatórios. Em cada lado da parte central da face pélvica do sacro, exis- tem quatro forames sacrais anteriores pelos quais passam os qua- tro primeiros nervos sacrais. De modo correspondente, na face dorsal há quatro forames sacrais posteriores para transmissão dos pequenos ramos posteriores dos quatro primeiros nervos sacrais.

TIPoS De PeLVeS

A avaliação da pelve é mais bem realizada mediante uso do con-

junto de critérios de Caldwell e Moloy, fundamentado em quatro tipos básicos de pelves: (1) ginecoide (do grego, gyne, signifi- cando mulher); (2) androide (do grego, aner, homem); (3) an- tropoide (do grego, anthropos, humano); e (4) platipeloide (do grego, platys, largo, e pella, tigela) (Fig. 1-12).

Ginecoide

Em sua forma pura, a pelve ginecoide proporciona uma abertura arredondada, levemente oval ou elíptica, com uma antecâmara perfeitamente circular (segmento anterior). Esse tipo de pelve tem segmento posterior espaçoso, bem arredondado, incisura sacroisquiática adequada, sacro côncavo, com alguma inclinação sacral para trás, e arco dos ramos púbicos do tipo normando. A pelve ginecoide tem paredes laterais retas e amplos diâmetros in- tertuberais e interespinosos. Os ossos são essencialmente médios em peso e estrutura.

Androide

A pelve androide tem uma abertura em forma de cunha, an- tecâmara estreita, segmento posterior achatado e incisura

14

Seção I

FundAmentos dA reprodução

cujos diâmetros intertuberais e interespinosos são menores do que os da pelve ginecoide média. É comum uma estrutura óssea média.

Platipeloide

Ginecoid e Android e
Ginecoid e
Android e
estrutura óssea média. Platipeloide Ginecoid e Android e Antropoid e A pelve platipeloide tem uma abertura
estrutura óssea média. Platipeloide Ginecoid e Android e Antropoid e A pelve platipeloide tem uma abertura

Antropoid e

média. Platipeloide Ginecoid e Android e Antropoid e A pelve platipeloide tem uma abertura oval distinta,

A pelve platipeloide tem uma abertura oval distinta, com ângulo/

canto retropúbico arredondado e muito amplo, e segmento pos-

terior achatado e mais amplo. A incisura sacroisquiática é estreita

e tem uma inclinação sacral normal, embora muitas vezes seja

pequena. O arco subpúbico é muito amplo, e as paredes laterais são retas, com amplos diâmetros intertuberais e interespinosos. Em qualquer caso individual, a pelve pode ser de um dos quatro tipos “puros” ou uma combinação de tipos mistos. Quando se discutem as formas pélvicas intermediárias, em geral é descrito primeiramente o segmento posterior com suas características, depois o segmento anterior (p. ex., antropoide- ginecoide, androide-antropoide ou platipeloide-ginecoide). É impossível ter uma pelve platipeloide-antropoide ou uma pla- tipeloide-androide.tem uma inclinação sacral normal, embora muitas vezes seja 0 Relações pélvicas Algumas relações importantes

platipeloide-antropoide ou uma pla- tipeloide-androide. 0 Relações pélvicas Algumas relações importantes

0 Relações pélvicas

Algumas relações importantes devem ser lembradas, iniciando- -se com as da abertura pélvica. O diâmetro transverso da abertura é o maior diâmetro, em que o osso está presente para uma circunferência de 360°. Esse diâmetro estende-se da linha

pectínea à linha pectínea do púbis e denota a separação dos segmentos anterior e posterior da pelve. Nas pelves clássicas (gi- necoides), um plano vertical proveniente do diâmetro transverso da abertura atravessa o nível do diâmetro interespinoso na espi- nal isquiática. No entanto, essas relações talvez não sejam reais em pelves combinadas ou intermediárias (tipo misto). O diâmetro trans- verso anterior da abertura da pelve vai da proeminência pectínea

à proeminência pectínea; um plano vertical proveniente do diâ-

metro transverso anterior atravessa os túberes isquiáticos. Para uma boa função da pelve, o diâmetro transverso anterior nunca

deve ter mais de 2 cm de extensão do que o diâmetro transverso (Fig. 1-13).
deve ter mais de 2 cm de extensão do que o diâmetro transverso
(Fig. 1-13).
Triângulo
anterior urogenital
Triângulo
posterior anal

Figura 1-13 Triângulos urogenital e anal.

anal  Figura 1-13 Triângulos urogenital e anal. Platipeloide  Figura 1-12 Tipos de pelves. As

Platipeloide

Figura 1-12 Tipos de pelves. As linhas brancas nos diagra- mas da direita (segundo Steele) mostram os maiores diâme- tros das pelves na esquerda. (Gentilmente cedida por Benson, RC. Handbook of Obstetrics & Gynecology. 8th ed. Los Altos, CA:

Lange; 1983.)

sacroisquiática estreita, com o sacro inclinando-se para frente. As paredes laterais são convergentes, e os ossos têm estrutura média a pesada.

Antropoide

A pelve antropoide é caracterizada por uma abertura oval, es- treita e longa, segmentos anterior e posterior extensos e estreitos, ampla incisura sacroisquiática e sacro longo e estreito, frequen- temente com seis segmentos sacrais. O arco subpúbico pode ser anguloso do tipo gótico, ou arredondado do tipo normando. As paredes laterais retas são características da pelve antropoide,

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

15

Conjugata obstétrica

A conjugata obstétrica difere da conjugata diagonais e da conju-

gata verdadeira. É representada por uma linha traçada da porção posterossuperior da sínfise púbica (em que o osso existe para uma circunferência de 360°) à interseção com o sacro. Esse ponto não é, necessariamente, o promontório da base do sacro. A con- jugata obstétrica é dividida em dois segmentos: (1) o sagital an- terior, originando-se na interseção da conjugata obstétrica com o diâmetro transverso da abertura e terminando na sínfise púbica; e (2) o sagital posterior, originando-se no diâmetro transverso da abertura até o ponto de interseção com o sacro.

Diâmetro interespinoso

O diâmetro mais significativo na pelve média é o diâmetro in-

terespinoso, representado por um plano que passa da espinal isquiática à espinal isquiática. O diâmetro sagital posterior da pelve média é uma linha bissetriz traçada em ângulo reto do meio do diâmetro interespinoso, no mesmo plano, a um ponto de interseção com o sacro. Esse é o ponto de maior importância na pelve média. Às vezes, se diz que o diâmetro sagital posterior deve ser traçado do segmento posterior da linha interseccional do diâmetro interespinoso, em um plano da superfície inferior

da sínfise, diretamente desse diâmetro ao sacro. No entanto, essa configuração com frequência coloca o diâmetro sagital poste- rior em posição inferior à do diâmetro interespinoso na pelve. É

o diâmetro interespinoso, em conjunto com o diâmetro sagital

posterior da pelve média, que determina se há, ou não, um es- paço adequado para a descida e a extensão da cabeça durante o

trabalho de parto.

Diâmetro intertuberal

O diâmetro intertuberal da abertura pélvica refletirá a extensão

do seu diâmetro transverso anterior (i.e., o primeiro não pode ser maior do que o último, se estiverem presentes paredes laterais convergentes ou retas). Portanto, o diâmetro intertuberal deter- mina, na entrada, o espaço disponível no segmento anterior da pelve, e, de modo semelhante, o grau de convergência influi no comprimento do diâmetro biparietal na saída.

Diâmetro sagital posterior

O diâmetro sagital posterior da abertura pélvica é uma linha de

interseção traçada do meio do diâmetro intertuberal à junção sacrococcígea e reflete a inclinação do sacro na direção da saída pélvica para acomodação da cabeça durante o parto. Deve-se ressaltar que as medidas complexas da pelve têm um nível mí- nimo de significância. A avaliação da pelve para uma dada gestação, o tamanho do feto para uma determinada pelve e os procedimentos de encaixe no trabalho de parto são muito mais importantes.

0 Aberturas da pelve verdadeira

Diz-se que a pelve verdadeira tem uma “entrada” superior

e uma “saída” inferior. Iniciando posteriormente, a entrada

pélvica para a pelve menor é limitada por: (1) promontório da base do sacro; (2) linha terminal, composta pela margem anterior da asa do sacro, linha arqueada do ílio e linha pectí- nea do púbis; e (3) margem superior ou crista púbica, termi- nando medialmente na sínfise. O conjugado ou o diâmetro anteroposterior se origina do centro do promontório para a sínfise púbica, com dois conjugados reconhecidos: (1) o conju- gado verdadeiro, medido do promontório ao ápice da sínfise; e (2) o conjugado diagonal, medido do promontório à base da sínfise. O diâmetro transverso é medido pela maior amplitude da entrada pélvica. O diâmetro oblíquo corre da articulação sa- croilíaca de um lado à eminência iliopúbica do outro. A saída pélvica, que se volta para baixo e levemente para trás, é muito irregular. Iniciando anteriormente, essa saída é limitada por:

(1) ligamento arqueado do púbis (na linha média), (2) arco is- quiopúbico, (3) túber isquiático, (4) ligamento sacrotuberal, e (5) cóccix (na linha média). Seu diâmetro anteroposterior é traçado da margem inferior da sínfise púbica ao ápice do cóc- cix. O diâmetro transverso passa entre as superfícies medianas dos túberes isquiáticos.

ReGIão INGUINAL

medianas dos túberes isquiáticos. ReGIão INGUINAL A região inguinal das paredes abdominais é limitada

A região inguinal das paredes abdominais é limitada medial-

mente pelo músculo reto do abdome, superiormente pela linha que conecta as espinais ilíacas anterossuperiores e inferiormente pelo ligamento inguinal. Essa região contém oito camadas de parede abdominal, que são, da mais externa para a mais interna:

(1) a pele, (2) a tela subcutânea do abdome (tecido subcutâneo), (3) a aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome, (4) o músculo oblíquo interno, (5) o músculo transverso do abdome (abaixo da margem livre, esta camada é incompleta), (6) a fáscia transversal, (7) os tecidos subperitoneais adiposo e conectivo, e (8) o peritônio. A tela subcutânea do abdome consiste na fáscia intermédia de revestimento adiposo superficial (fáscia de Cam- per), a qual é contínua com a tela subcutânea de todo o corpo e no estrato membranáceo mais profundo (fáscia de Scarpa), que reveste o terço inferior da parede abdominal e o lado medial da virilha, ambos juntando-se abaixo do ligamento inguinal para formar a fáscia lata da coxa.

0 Anel inguinal superficial (externo)

Uma evaginação triangular da aponeurose do oblíquo externo do abdome, o anel inguinal superficial (anel inguinal subcu- tâneo) (anel abdominal externo), é limitada por uma aponeu- rose em suas margens e inferiormente pelo ligamento inguinal.

O pilar medial ou superior é mais fraco e está ligado à sínfise

púbica; o pilar lateral ou inferior é mais forte e se incorpora ao

ligamento inguinal, quando passa ao tubérculo púbico. As mar- gens cortantes do anel são atribuídas ao súbito adelgaçamento

da aponeurose. Na mulher, o ligamento redondo do útero passa

através desse anel. O anel inguinal superficial é muito mais fraco

na mulher do que no homem, e a parede abdominal é relativa- mente mais forte nessa região.

16

Seção I

FundAmentos dA reprodução

0 Anel inguinal profundo (interno)

O anel inguinal profundo (anel inguinal abdominal) (anel abdo-

minal interno) é o orifício arredondado de uma expansão afuni- lada da fáscia transversal, que se localiza aproximadamente 2 cm acima do ligamento inguinal e a meio caminho entre a espinal ilíaca anterossuperior e a sínfise púbica. Medialmente, é limitado

pelos vasos epigástricos inferiores; a artéria ilíaca externa está situada abaixo. O anel inguinal profundo representa a área em que o ligamento redondo do útero emerge do abdome. A área triangular medial à artéria epigástrica inferior, limitada abaixo pelo ligamento inguinal e pela margem lateral da bainha do reto,

é conhecida como trígono inguinal (triângulo de Hesselbach), o sítio das hérnias diretas congênitas.

de uma leve dobra, a prega umbilical lateral (prega epigástrica), formada pelos vasos epigástricos inferiores e quase medial ao anel inguinal profundo, que se inclina medial e superiormente na direção do músculo reto do abdome. Da margem lateral da inserção tendínea do músculo reto para cima, em direção ao um- bigo e sobre a artéria obturatória, estende-se uma dobra mais acentuada, a prega umbilical medial (prega umbilical lateral).

A

fóvea inguinal medial situa-se entre a prega umbilical lateral

e

a prega umbilical medial, com a base da fossa voltada para o

trígono inguinal (triângulo de Hesselbach). Essa região é refor- çada pelo ligamento interfoveolar no lado medial do anel ingui- nal profundo e pelo tendão lateral conjugado ao músculo reto do abdome; no entanto, esses feixes variam em amplitude e, assim,

servem apenas de apoio.

0 Canal inguinal

Na mulher, o canal inguinal não é bem demarcado, mas normal- mente dá passagem ao ligamento redondo do útero, a uma veia,

a uma artéria proveniente do útero, que forma uma anastomose

crucial com as artérias labiais, e à adiposidade extraperitoneal.

O ovário fetal, como os testículos, é um órgão abdominal e pos-

sui um gubernáculo que se estende de seu polo inferior abaixo

e adiante para um ponto correspondente ao anel inguinal pro-

fundo, através do qual continua até os lábios maiores do pu-

dendo feminino (lábios maiores).

O processo vaginal é uma evaginação do peritônio no nível

do anel inguinal profundo, que ocorre durante o terceiro mês

fetal. No homem, o processo vaginal desce com os testículos. O processo vaginal da mulher é rudimentar, mas ocasionalmente

se encontra um pequeno divertículo peritoneal atravessando

parte da região inguinal; esse divertículo é denominado processo vaginal do peritônio (canal de Nuck). Em vez de descer, como

os testículos, o ovário move-se medialmente, tornando-se adja- cente ao útero.

A porção intra-abdominal do gubernáculo ovariano tor-

na-se ligada à margem lateral do útero em desenvolvimento, evoluindo como o ligamento suspensor do ovário (ligamento do ovário) e o ligamento redondo do útero. A porção extra- abdominal do ligamento redondo do útero torna-se atenuada no adulto e pode aparecer como um pequeno feixe de fibras. O canal inguinal é um corredor intermuscular que se estende do anel inguinal profundo para baixo, medialmente e um pouco para frente do anel inguinal superficial (cerca de 3 a 4 cm). Esse canal tem forma aproximadamente triangular e seus limites são muito artificiais. Os ligamentos lacunar e inguinal formam a base do canal. Sua parede anterior ou superficial é formada pela aponeurose do oblíquo externo, e as fibras mais inferiores do músculo oblíquo interno reforçam mais a sua parte lateral. A parede posterior ou profunda desse canal é formada inteira- mente pela fáscia transversal e é reforçada medialmente pela foice inguinal.

0 Fossas abdominais

As fossas abdominais da região inguinal consistem nas fóveas in- guinais lateral e medial. A fóvea inguinal lateral situa-se ao lado

0 Ligamentos e espaços

A foice inguinal, ou tendão conjunto, é formada pelas aponeuro-

ses dos músculos transverso e oblíquo interno do abdome. Essas fibras originam-se do ligamento inguinal e se curvam para baixo

e para frente, a fim de se inserirem na crista púbica e na linha pectínea do púbis, atrás dos ligamentos inguinal e lacunar. O

ligamento interfoveolar é parcialmente composto de feixes fibro- sos da aponeurose do músculo transverso do abdome do mesmo lado e do lado oposto. Curvando-se medial e inferiormente ao anel abdominal interno, elas se fixam ao ligamento lacunar e à fáscia pectínea.

O próprio ligamento inguinal forma a margem inferior es-

pessa da aponeurose do músculo oblíquo externo, estendendo-se da espinal ilíaca anterossuperior ao tubérculo púbico. Ao longo de sua margem inferior, é contínuo com a fáscia lata da coxa. Originando-se da porção medial do ligamento inguinal, um feixe triangular de fibras se fixa separadamente à linha pectínea do púbis. Esse feixe é conhecido como ligamento lacunar (liga- mento de Gimbernat). O ligamento inguinal reflexo (ligamento de Colles ou fáscia triangular) é representado por um pequeno feixe de fibras, frequentemente mal desenvolvido, e derivado do pilar superior do anel inguinal superficial e da parte inferior da

linha alba. Essas fibras cruzam ao lado oposto para se fixarem à linha pectínea do púbis. O ligamento inguinal forma o teto de um grande espaço osteoligamentar que se estende da fossa ilíaca

à coxa. O soalho desse espaço é formado medialmente pelo ramo superior do púbis e lateralmente pelo corpo do ílio.

O ligamento iliopectíneo estende-se do ligamento inguinal

à eminência iliopúbica, dividindo essa área em duas partes. A

divisão maior, lateral, é denominada lacuna dos músculos e é quase completamente preenchida pelo músculo iliopsoas, me- dialmente com o nervo femoral e lateralmente com os nervos cutâneos femorais laterais. A divisão menor, medial, é conhe-

cida como lacuna dos vasos e é atravessada pelas artérias e veias ilíacas externas (femorais) e pelos vasos linfáticos, que não preenchem completamente esse espaço. A margem anterior da lacuna dos vasos é formada pelo ligamento inguinal e pela fáscia transversal. O limite posterior é formado pelo ligamento pectíneo (ligamento de Cooper), um espessamento da fáscia ao longo da linha pectínea do púbis, em que a fáscia pectínea

e o ligamento iliopectíneo se encontram. As fáscias transversal

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

17

e ilíaca se estendem com os vasos, formando um envoltório fi-

broso afunilado, a bainha femoral. Essa bainha é dividida em

três compartimentos: (1) o compartimento lateral, contendo a artéria femoral; (2) o compartimento intermediário, contendo a veia femoral; e (3) o compartimento ou canal medial, contendo um linfonodo proximal dos linfonodos inguinais profundos (nó de Rosenmüller ou Cloquet) e os vasos linfáticos que drenam a maior parte da perna, virilha e períneo.

O canal femoral também contém tecido areolar, que frequen-

temente se condensa para formar o “septo femoral”. Devido à maior amplitude da pelve feminina, as lacunas dos músculos e dos vasos são espaços relativamente grandes. A abertura supe- rior ou abdominal do canal femoral é conhecida como anel fe- moral e é revestida pelo peritônio parietal.

0 Artérias

À frente do anel femoral, os ramos arteriais da artéria ilíaca ex- terna são a artéria epigástrica inferior e a ilíaca circunflexa pro- funda. A artéria epigástrica inferior surge da superfície anterior da ilíaca externa, dirigindo-se adiante e acima sobre a parede ab- dominal anterior, entre o peritônio e a fáscia transversal; penetra nessa fáscia pouco abaixo da linha arqueada, entrando no mús- culo reto do abdome ou prosseguindo ao longo de sua superfície inferior, para se anastomosar com a artéria epigástrica superior, proveniente da torácica interna. A artéria epigástrica inferior forma o limite lateral do trígono inguinal (triângulo de Hessel- bach). Em sua origem, com frequência emite um ramo para o canal inguinal, bem como outro para o púbis (ramo púbico), que se anastomosa com ramificações da artéria obturatória. O ramo

púbico da artéria epigástrica inferior torna-se, às vezes, a artéria obturatória.

A artéria ilíaca circunflexa profunda surge lateralmente e

atravessa o músculo iliopsoas até a espinal ilíaca anterossuperior, onde penetra no músculo transverso do abdome para prosseguir entre o transverso e o oblíquo interno, enviando ramos perfu- rantes para a superfície. Às vezes, essa artéria tem anastomoses com ramos penetrantes da artéria epigástrica inferior, por meio

de seus perfurantes através do músculo reto do abdome. As veias seguem um curso similar. Quando a artéria ilíaca externa atravessa o canal femoral, que

é subjacente ao ligamento inguinal, corre medialmente à veia

femoral e ao nervo femoral, permanecendo no chamado trígono femoral (triângulo de Scarpa). A bainha femoral é uma continu- ação inferior do ligamento inguinal anterior aos vasos e nervos femorais. Os ramos da artéria femoral que irrigam a virilha são: (1) a artéria epigástrica superficial, (2) a ilíaca circunflexa superficial, (3) a pudenda externa superficial e (4) a pudenda externa pro- funda. A artéria epigástrica superficial ascende através da bainha femoral sobre o ligamento inguinal, permanecendo depois na fáscia intermédia de revestimento do abdome (fáscia de Cam- per) no abdome inferior. A artéria ilíaca circunflexa superficial origina-se adjacentemente à epigástrica superior, penetrando na fáscia lata e correndo paralelamente ao ligamento inguinal até à crista ilíaca. Divide-se, então, em ramos que irrigam o tegumento da virilha, a fáscia superficial e os linfonodos, anastomosando-se

com as artérias ilíaca circunflexa profunda, glútea superior e cir- cunflexa femoral lateral. A artéria pudenda externa superficial origina-se do lado medial da artéria femoral, próximo aos vasos precedentes. Pe- netra na bainha femoral e na fáscia cribriforme, atravessando medialmente o ligamento redondo até o tegumento da parte inferior do abdome e do lábio maior do pudendo, anastomo- sando-se com a artéria pudenda interna. A artéria pudenda externa profunda passa medialmente pelos músculos pectí- neo e adutor longo, alimentando o tegumento do lábio maior

e formando, com a artéria pudenda externa, uma tela com as artérias labiais.

0 Hérnias

A hérnia (Fig. 1-14) é uma protrusão de alguma víscera de seu

local normal, que pode ocorrer com qualquer víscera abdomi- nal, especialmente o jejuno, o íleo e o omento maior. Uma hérnia pode ser devida ao aumento de pressão, tal como o resultante de exercício vigoroso, levantamento de grandes pesos, tenesmo ou aumento de esforços expiratórios, ou pode resultar de resistência reduzida da parede abdominal (congênita ou adquirida), como a que ocorre com doença debilitante ou idade avançada, distensão prolongada de ascites, tumores, gestação, obesidade, emagreci- mento, lesões (inclusive incisões cirúrgicas), ausência congênita ou falta de desenvolvimento. As hérnias provavelmente ocorrem onde a parede abdominal está estruturalmente enfraquecida pela passagem de grandes vasos ou nervos e por peculiaridades do desenvolvimento. As hérnias ventrais ocorrem ao longo da linha semilunar ou da linha alba.

Hérnia epigástrica Hérnia umbilical Hérnia semilunar Hérnia incisional (direta) Hérnia Inguinal (indireta)
Hérnia
epigástrica
Hérnia
umbilical
Hérnia
semilunar
Hérnia incisional
(direta)
Hérnia Inguinal
(indireta)
Hérnia
femoral
 Figura 1-14 Sítios de hérnia.

18

Seção I

FundAmentos dA reprodução

Durante o início do desenvolvimento fetal, porções do me- sentério e uma alça do intestino atravessam a abertura, ocu- pando uma parte da cavidade corporal (o celoma umbilical) situada no cordão umbilical. Normalmente, o mesentério e o in- testino retornam mais tarde para a cavidade abdominal. Se isso não ocorrer, resulta uma hérnia umbilical congênita. As hérnias umbilicais infantis ocorrem se as partes componentes não conse-

guem se fusionar completamente nos estágios pós-natais iniciais.

A natureza inflexível do tecido fibroso que constitui a margem

do anel predispõe ao estrangulamento.

eliminar a sensação uterina, deve-se supor que há numerosas fibras sensitivas no componente da parte simpática.

Nervos ilíacos comuns

Os nervos ilíacos comuns originam-se separadamente do plexo hipogástrico superior e descem sobre a superfície da artéria e da veia, uma parte atravessando o anel femoral e a parte rema- nescente seguindo o ilíaco interno e, finalmente, reunindo-se ao plexo pélvico.

NeRVoS DA PeLVe

O sistema autônomo pélvico pode ser dividido em plexo hipo-

gástrico superior (o plexo pré-sacral e o uterinus magnus), plexo hipogástrico médio e plexo hipogástrico inferior. O plexo hipo- gástrico superior começa pouco abaixo da artéria mesentérica inferior, é composto de 1 a 3 feixes nervosos intercomunicantes,

conectados com os gânglios mesentéricos inferiores, mas ne- nhum gânglio constitui uma parte integral do plexo. Os nervos intermesentéricos recebem ramos dos gânglios simpáticos lom- bares.

Plexo hipogástrico superior

O plexo hipogástrico superior continua no plexo hipogástrico

médio. Os nervos pré-sacrais expandem-se em treliça (ou entre- laçados) no nível da primeira vértebra sacral, com ramos comu- nicantes para o último gânglio lombar. A maior parte do plexo hipogástrico médio superior pode ser encontrada à esquerda da

linha média.

Plexo hipogástrico inferior

Na primeira vértebra sacral, este plexo divide-se em alguns ramos direcionados para os lados direito e esquerdo da pelve. Esses ramos formam o início do plexo hipogástrico inferior direito e esquerdo. O plexo hipogástrico inferior, que é a con- tinuação dividida do plexo hipogástrico médio, do plexo hipo- gástrico superior, do nervo pré-sacral e do uterinus magnus, é composto, em cada lado, de vários nervos paralelos. Esse grupo de nervos desce no interior da pelve, em posição posterior à da

artéria ilíaca comum e anterior ao plexo sacral, encurva-se late- ralmente e, afinal, entra na prega ou no ligamento sacrouterino.

A seção medial da divisão primária dos nervos sacrais envia fi-

bras (nervos erigentes) que entram no plexo pélvico, nas pregas sacrouterinas. O plexo, agora, parece conter tanto componentes da parte simpática (plexo hipogástrico inferior), como da parte parassimpática (nervos erigentes).

Gânglio hipogástrico

Em cada lado do útero, em sua base do ligamento largo, en-

contra-se o plexo grande, descrito por Lee e Frankenhäuser, conhecido como gânglio hipogástrico. Esse plexo consiste, realmente, em gânglios e ramificações nervosas de tamanhos variados, bem como em ramos do plexo hipogástrico inferior

e dos nervos erigentes combinados. Situa-se paralelamente à

parede pélvica lateral, sua face lateral superficial ao ilíaco in- terno e seus ramos; o ureter ocupa uma posição superficial ao plexo. A artéria vesical média perfura e irriga esse plexo, seus ramos mediais irrigando o pedúnculo retal. A maior parte do plexo termina em grandes ramos que entram no útero, na re- gião do óstio anatômico interno do útero (orifícios internos), enquanto outro componente menor do plexo irriga a vagina

e a bexiga urinária. Os ramos do plexo que vascularizam o

útero entram no istmo do útero, principalmente por meio da prega ou ligamento sacrouterino. No istmo do útero, um pouco fora da entrada do útero, ramos ascendentes atravessam o li- gamento largo para entrar no corpo do útero em níveis mais altos — além de irrigar as tubas uterinas. Uma parte do plexo hipogástrico inferior pode passar diretamente ao útero, sem envolvimento no plexo pélvico. Os gânglios estão em íntima proximidade com as artérias uterinas e os ureteres, na túnica adventícia da bexiga urinária e na vagina e no septo vesicovaginal. Os feixes nervosos que en- tram nos gânglios contêm elementos mielinizados e não mieli- nizados. Corpúsculos de Vater-Pacini (corpúsculos lamelares) podem ser encontrados no interior dos tecidos e, muitas vezes, são observados nos feixes nervosos, especialmente no interior dos que estão nas divisões inferiores do plexo. No útero, estão presentes nervos mielinizados e não mielinizados, que entram com os vasos sanguíneos, cuja irrigação mais rica se situa no istmo do útero. A quantidade de fibras que acompanham os vasos sanguíneos diminui de forma gradativa na direção do fundo do útero, onde ocorre a distribuição mais esparsa. As fibras correm paralelamente aos feixes musculares, e os nervos frequentemente se ramificam para formar um sincício, antes de terminarem no sarcoplasma como pequenas terminações nervosas livres.

Nervos erigentes

Os componentes sensitivos, que são principalmente viscerais, são encontrados nos nervos erigentes; no entanto, se for con- siderada a quantidade necessária de anestésicos espinais para

0 Corpúsculos sensoriais

Os corpúsculos de Vater-Pacini (corpúsculos lamelares) estão presentes fora do útero. Os corpúsculos de Dogiel e Krause (corpúsculos bulbosos) aparecem na porção supravaginal do

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

19

colo (endocérvice uterina). Também podem ser encontrados no ligamento largo do útero, junto aos corpúsculos de Vater-

Pacini e na junção das artérias uterinas com o útero. Esses corpúsculos podem modular a resposta de esforço que, refle- xivamente, estimula as contrações uterinas durante o trabalho de parto.

A inervação do colo do útero (cérvice uterina) mostra ter-

minações livres ocasionais, que entram nas papilas do epitélio escamoso estratificado da parte vaginal. A porção supravaginal do colo contém um plexo rico em terminações nervosas, que é

mais acentuado na região do óstio anatômico do colo do útero.

A porção supravaginal do colo e o istmo do útero, no estado não

gestacional, contêm a maior quantidade de nervos e vasos san- guíneos do que qualquer outra parte do útero. Já foi observada, também, a presença de um tipo de corpúsculo lamelar nessas regiões. Os nervos atravessam o miométrio e penetram no endomé- trio. Um plexo com fibras penetrantes envolvendo a região sub- mucosa está presente no terço basal do endométrio, com ramos que terminam no estroma, nas arteríolas basilares e na origem das arteríolas espirais. Os dois terços externos do endométrio são desprovidos de nervos.

eSTRUTURAS De ReVeSTIMeNTo DA PeLVe

As paredes da pelve menor são compostas das seguintes cama- das: (1) o peritônio, (2) a camada fibroareolar extraperitoneal ou subperitoneal, (3) a camada fascial, e (4) a camada muscular. A anatomia do soalho da pelve é comparável à das paredes, exceto pela ausência de uma camada osteoligamentar.

Peritônio

O peritônio apresenta algumas pregas transversas distintas, que

formam as fossas correspondentes em cada lado. A mais anterior é uma prega variável, a vesical transversa, que se estende lateral- mente da bexiga urinária à parede pélvica. Essa prega não é o revestimento superficial de qualquer estrutura definitiva. Atrás dela, situa-se o ligamento largo do útero, que reveste parcial- mente o útero e anexos, auxiliando na sua sustentação.

0 Ligamentos

O ligamento largo do útero estende-se da margem lateral de cada

lado do útero ao soalho e às paredes laterais da pelve. Esse liga- mento é composto de duas camadas, anterior e posterior; a ante- rior é voltada para baixo e a posterior, para cima, adaptando-se

à posição do útero. A margem inferior, ou “fixa”, do ligamento

largo é contínua com o peritônio parietal no soalho e nas paredes laterais da pelve. Ao longo dessa margem, a camada posterior continua lateral e posteriormente em um arco para a região do sacro, formando a prega uterossacral. Outra prega — a prega retouterina — com frequência se estende da superfície posterior do colo do útero ao reto, na linha média.

A camada anterior do ligamento largo do útero é contínua

lateralmente, ao longo da margem inferior, com o peritônio das

fossas paravesicais, e contínua medialmente com o peritônio na superfície superior da bexiga urinária. Ambas as camadas da margem fixa continuam até as paredes laterais da pelve, para se unirem com uma prega triangular do peritônio, alcançando a borda da pelve para formar o ligamento suspensor do ovário, ou ligamento infundibular, que contém os vasos e nervos ova- rianos. A margem medial do ligamento largo do útero continua,

de cada lado, com o revestimento peritoneal em ambas as super-

fícies uterinas. As duas camadas do ligamento separam-se para

conter, parcialmente, o útero, e a margem superior ou “livre”, que

é contínua lateralmente com o ligamento suspensor do ovário, envolve a tuba uterina.

O ligamento largo do útero pode ser dividido nas seguintes

regiões: (1) uma porção maior, o mesométrio, que está especial- mente associada com a margem lateral do útero; (2) o meso- vário, a prega que se origina da camada posterior do ovário; e (3) a porção delgada, a mesossalpinge, que está associada com

a tuba uterina na região da margem livre. O canto superolateral do ligamento largo do útero tem sido referido como ligamento suspensor do ovário, ou ligamento infundibulopélvico, porque suspende tanto o infundíbulo como o ovário.

0 Fossas e espaços

As fossas peritoneais são correspondentes às pregas peritoneais.

O espaço pré-vesical ou retropúbico é um espaço potencial que é

atravessado pela prega vesical transversa e está situado em frente

à bexiga urinária e atrás do púbis. Quando a bexiga está deslo- cada posteriormente, esse espaço torna-se real, anteriormente

contínuo de um lado a outro e posteriormente limitado por uma condensação de tecido areolar adiposo, que se estende da base da bexiga à parede lateral da pelve.

A escavação vesicouterina é um estreito fundo de saco cego

entre a superfície anterior do corpo do útero e a superfície supe-

rior da bexiga, quando o útero está em posição antefletida nor- mal. Na base dessa escavação, o peritônio é refletido da bexiga para o útero, na junção do colo do útero com o corpo do útero. Portanto, a superfície anterior do colo está abaixo do nível do peritônio e está conectada com a base da bexiga por tecido are- olar condensado. Na superfície posterior do corpo do útero, o peritônio es- tende-se para baixo, até o colo do útero e o fórnice posterior da vagina. Depois, é refletido sobre a superfície anterior do reto, formando um estreito fundo de saco contínuo com a fossa pa- rarretal de cada lado. O espaço inteiro, limitado anteriormente pelo colo do útero e pelo fórnice da vagina na linha média, lateralmente pelas pregas uterossacrais e posteriormente pelo reto, é a escavação retouterina ou fundo de saco (bolsa) de Douglas.

Camadas subperitoneais e fasciais

A camada subperitoneal consiste no tecido areolar frouxo e adi-

poso, subjacente ao peritônio. Externamente à subperitoneal, uma camada de fáscia reveste a parede pélvica, cobrindo os mús-

culos e, na ausência desses, ligando-se ao periósteo dos ossos pélvicos. Essa camada é conhecida como a fáscia parietal da

20

Seção I

FundAmentos dA reprodução

pelve e é subdividida em fáscia obturatória, fáscia do diafragma urogenital e fáscia do músculo piriforme.

A fáscia obturatória é de considerável espessura e reveste o

músculo obturador interno. No plano frontal, ela se liga par- cialmente com o periósteo do osso púbico e auxilia a formação do canal obturatório. No plano superior, continua-se, na linha

arqueada, com a fáscia ilíaca. Inferiormente, estende-se quase até à margem do arco isquiopúbico, onde se fixa ao osso. Nessa região inferior, também se torna contínua com uma bicamada triangular de fáscia, as fáscias do diafragma urogenital, que atra- vessam a parte anterior da abertura da pelve. Uma porção muito mais delgada da fáscia parietal da pelve reveste os músculos pi- riforme e isquiococcígeo (coccígeo) na parede pélvica posterior. Medialmente, a fáscia do músculo piriforme liga-se ao periósteo do sacro, em torno das margens dos forames sacrais anteriores, e recobre as raízes e os primeiros ramos do plexo sacral.

A fáscia visceral da pelve denota a fáscia na base da cavidade

pélvica, que envolve os órgãos pélvicos e forma vários suportes que suspendem esses órgãos a partir das paredes pélvicas. Esses suportes surgem, comumente, da parte obturatória da fáscia pa- rietal da pelve, ao longo ou próximos do arco tendíneo da fáscia

da pelve. Esse arco ou linha estende-se de um ponto próximo

à parte inferior da sínfise púbica à raiz da espinal isquiática. A partir dessa origem comum, a fáscia expande-se para dentro

e para trás, dividindo-se em várias partes classificadas como

fáscia de revestimento (endopélvica) ou suspensória e fáscia

diafragmática.

Camada muscular

Os músculos da pelve maior são o psoas maior e o ilíaco. Os músculos da pelve menor são o piriforme, o obturador interno,

o iliococcígeo (coccígeo) e o levantador do ânus; esses músculos não formam uma camada contínua.

0 Pelve maior

Psoas maior

músculo psoas maior fusiforme origina-se da 12 a vértebra to-

rácica à quinta vértebra lombar. Feixes de fibras paralelas descem quase verticalmente de cada lado dos corpos vertebrais e se esten- dem ao longo da margem da pelve menor, abaixo do ligamento

inguinal e na direção de sua inserção na coxa. A margem medial insere-se no trocanter menor, enquanto a borda lateral comparti- lha seu tendão com o músculo ilíaco. Junto com esse músculo, é

o flexor da coxa mais potente, agindo como um rotador lateral do

fêmur quando o pé está livre e fora do chão, e como um rotador

medial quando o pé está no chão e a tíbia está fixa. O componente

do psoas flexiona a coluna vertebral e a pelve e abduz a região lom-

bar da coluna vertebral. O psoas, por ter fibras mais longas do que

o ilíaco, fornece uma resposta mais rápida, porém mais fraca.

O

Ilíaco

O músculo ilíaco, em forma de leque, origina-se da crista ilíaca,

do ligamento iliolombar, da maior parte da fossa ilíaca, dos

ligamentos sacroilíacos anteriores e, com frequência, da asa do sacro. Também se origina da margem ventral do ílio, entre as duas espinais ilíacas anteriores. Esse músculo está inserido de maneira oblíqua na superfície lateral do tendão que emerge do psoas acima do ligamento inguinal e de modo direto no fêmur, imediatamente distal ao trocanter menor. A porção lateral do músculo proveniente da margem ventral do ílio é aderente ao

tendão direto do músculo reto femoral e à cápsula da articulação

do quadril.

0 Pelve menor

Piriforme

O músculo piriforme tem sua origem na parte lateral da face

pélvica (ventral) da segunda, terceira e quarta vértebras sacrais,

na margem posterior da incisura isquiática maior e na face pro- funda do ligamento sacrotuberal, próximo ao sacro. Os feixes

fibrosos atravessam o forame isquiático maior, inserindo-se, a seguir, na porção anterointerna da margem superior do trocan-

ter maior. O piriforme funciona como abdutor, rotador lateral e

extensor fraco da coxa.

obturador interno

O músculo obturador interno origina-se da face pélvica dos

ramos do púbis próximos ao forame obturado, da face pélvica

do ísquio, entre o forame e a incisura isquiática maior, da super-

fície profunda da fáscia do obturador interno, do arco fibroso que restringe o canal aos vasos e nervos obturatórios, e da face pélvica da membrana obturadora. Os feixes fibrosos convergem para a incisura isquiática menor, onde se curvam lateralmente, para se inserirem na fossa trocantérica do fêmur. O obturador interno é um eficiente rotador lateral da coxa. Quando esta se encontra fletida em um ângulo reto, o músculo funciona como abdutor e extensor.

Isquiococcígeo (coccígeo)

O músculo isquiococcígeo vai da espinal isquiática e da margem

adjacente da incisura isquiática maior para a quarta e a quinta vértebras sacrais e ao cóccix. Grande parte desse músculo é apo- neurótica. O isquiococcígeo sustenta as vísceras pélvicas e abdo- minais e possivelmente flexiona e abduz o cóccix.

elevador do ânus

O músculo elevador do ânus forma o soalho da pelve e o teto do

períneo, sendo divisível em três porções: (1) a iliococcígea, (2) a pubococcígea e (3) a puborretal.

1. Iliococcígea — A porção iliococcígea provém do arco ten- díneo do músculo elevador do ânus, que se estende da espinal isquiática ao ramo superior do púbis, próximo ao canal obtu- ratório, e inferiormente, por uma distância variável, abaixo do canal obturatório. Sua inserção ocorre no aspecto lateral do cóc-

cix e na rafe que se estende da extremidade do cóccix ao reto.

Muitos feixes de fibras musculares transpõem a linha mediana.

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

21

2. Pubococcígea — A porção pubococcígea origina-se da face

interna do púbis, da margem inferior da sínfise púbica ao canal obturatório e do arco tendíneo do músculo elevador do ânus,

posteriormente, até a origem do iliococcígeo. Essa porção esten- de-se posterior, inferior e medialmente aos órgãos urogenitais

e ao reto, inserindo-se no ligamento sacrococcígeo anterior, a

parte profunda da rafe anococcígea, e em cada lado do reto. A porção pubococcígea situa-se, em alguma extensão, na face pél- vica da inserção do músculo iliococcígeo.

3. Puborretal — A porção puborretal surge do corpo do púbis

e do seu ramo inferior, abaixo da origem da porção pubococcí-

gea, da parte adjacente à fáscia obturatória e da fáscia de reves-

timento da face pélvica do diafragma urogenital. Muitos feixes de fibras musculares se interdigitam com os do lado oposto e formam uma faixa espessa de cada lado do reto, atrás do qual os feixes de cada lado são inseridos na rafe anococcígea.

O músculo elevador do ânus serve para fletir levemente o cóccix, levantar o ânus e contrair o reto e a vagina. Esse músculo resiste à pressão direcionada para baixo que o diafragma toraco- abdominal exerce sobre as vísceras durante a inspiração.

0 Diafragma da pelve

O

diafragma da pelve (Fig. 1-15) estende-se da parte superior

da

face pélvica do púbis e do ísquio até o reto, que o atravessa.

Esse diafragma é formado pelos músculos levantador do ânus

e isquiococcígeo e pelas fáscias de revestimento. As fáscias

diafragmáticas que recobrem o músculo levantador do ânus originam-se da fáscia parietal da pelve (fáscia obturatória), a camada muscular situada entre as fáscias. Como já foi obser- vado anteriormente, a fáscia superior do diafragma da pelve é

a mais bem desenvolvida e é refletida sobre o reto, formando a

“bainha retal”. O músculo isquiococcígeo forma a porção mais profunda da parede posterolateral da fossa isquioanal (isquior-

retal), auxiliando a unir a abertura pélvica. O diafragma apre- senta um hiato urogenital, anteriormente, ocupado pela vagina

e pela uretra. O diafragma da pelve é o principal suporte do

soalho da pelve, suspendendo o reto e sustentando indireta- mente o útero.

0 Artérias e veias

A vascularização dos músculos que revestem a pelve origina-se

principalmente de ramos da artéria hipogástrica, sendo acom- panhada de contribuições da artéria ilíaca externa. O ramo ilio- lombar da artéria hipogástrica corre para cima e lateralmente sob a artéria ilíaca comum, depois abaixo do músculo psoas até a abertura superior da pelve menor, onde se divide nos ramos ilíaco e lombar, sendo que o ilíaco irriga os músculos ilíaco e psoas. Ele passa, lateralmente, abaixo do psoas e do nervo femoral, e, perfurando o osso ilíaco, ramifica-se na fossa ilíaca entre o músculo e o osso. Esse ramo fornece uma arté- ria nutrícia para o osso e, a seguir, divide-se em vários ramos

Uretra Vagina Canal obturador Reto Arco tendíneo Músculo obturador interno Pubococcigeo Ileococcigeo
Uretra
Vagina
Canal
obturador
Reto
Arco tendíneo
Músculo
obturador
interno
Pubococcigeo
Ileococcigeo
Puborretal
Espinal
isquiática
Coccigeo
Músculo
piriforme
Ligamento anterior
sacrococcigeo

Figura 1-15 Diafragma da pelve (vista superior).

Músculo

elevador

do ânus

22

Seção I

FundAmentos dA reprodução

que podem ser assim acompanhados: (1) superiormente, na direção da sincondrose sacroilíaca, para se anastomosar com

a última artéria lombar; (2) lateralmente, na direção da crista

ilíaca, para se anastomosar com as artérias circunflexa lateral e glútea; e (3) medialmente, na direção da pelve menor, para se anastomosar com o ramo circunflexo ilíaco profundo da artéria

ilíaca externa. O ramo lombar ascende sob o psoas e irriga esse músculo e o quadrado do lombo. A seguir, anastomosa-se com

a última artéria lombar. Outro ramo da artéria hipogástrica, a artéria sacral lateral,

pode ser representado como dois vasos distintos. Medialmente, passa diante do sacro e se volta para baixo, para correr parale- lamente ao tronco simpático. Cruzando as lâminas de origem do músculo piriforme, envia ramificações para esse músculo. Ao alcançar o cóccix, anastomosa-se, diante desse osso, com

a artéria sacral mediana e com a artéria sacral lateral inferior do lado oposto. A artéria obturatória origina-se, geralmente, da hipogástrica, mas às vezes pode brotar da epigástrica infe-

rior ou diretamente da artéria ilíaca externa. Corre à frente e abaixo, levemente sob a margem da pelve, localizando-se entre

o peritônio e a fáscia da pelve. Atravessando o canal obtura-

tório, emerge e divide-se nos ramos anterior e posterior, que se curvam em torno da margem do forame obturado, embaixo do músculo obturador externo. Quando a artéria obturató-

ria emerge da artéria epigástrica inferior ou da ilíaca externa, suas relações proximais são profundamente alteradas, o vaso correndo próximo ao anel femoral, onde pode estar ameaçado durante procedimentos cirúrgicos. O ramo anterior da arté- ria obturatória corre em torno da margem medial do forame obturado e se anastomosa com seu ramo posterior e a artéria circunflexa medial, irrigando os ramos dos músculos obtu- radores. A artéria pudenda interna é um ramo terminal da artéria hipogástrica, que se origina opostamente ao músculo piriforme e acompanha inferiormente a artéria glútea inferior até a margem inferior do forame isquiático maior. Sai da pelve entre os músculos piriforme e isquiococcígeo, passando acima da espinal isquiática para entrar na fossa isquioanal através do forame isquiático menor. Depois, correndo anteriormente através do canal do pudendo (canal de Alcock) na fáscia obtu- ratória, termina por se dividir na artéria perineal e na artéria do clitóris. No interior da pelve, a artéria situa-se anteriormente ao músculo piriforme e ao plexo sacral de nervos, lateralmente

à artéria glútea inferior. Entre as pequenas ramificações que

emite para a região glútea, encontram-se as que acompanham

o nervo até o músculo obturador interno. Outra de suas ramifi-

cações, a artéria retal inferior (artéria hemorroidária inferior), origina-se na parte posterior da fossa isquioanal. Ao perfurar

a fáscia obturatória, divide-se imediatamente em vários ramos,

alguns dos quais correm medialmente em direção ao reto para suprir o músculo elevador do ânus. A artéria glútea superior surge como um pequeno tronco da parte dorsolateral da artéria hipogástrica, associada, em sua origem, às artérias iliolombar e sacrais laterais, e, às vezes, à glútea inferior ou, ainda, à glútea inferior e à pudenda interna. A artéria glútea superior sai da pelve através do forame isquiático maior, acima do músculo pi- riforme, abaixo de sua veia e na frente do nervo glúteo superior.

Sob a cobertura do músculo glúteo máximo, sofre uma divisão superficial e outra profunda. A porção profunda divide-se, depois, nos ramos superior e inferior. O ramo inferior vai à frente, entre os músculos glúteo médio e glúteo mínimo, na direção do trocanter maior, onde faz anastomose com o ramo ascendente da artéria circun- flexa lateral. Emite ramificações para os músculos obturador interno, piriforme, levantador do ânus e isquiococcígeo, bem como para a articulação do quadril. O ramo circunflexo ilíaco profundo (artéria ilíaca circunflexa profunda) surge do lado da artéria ilíaca externa, em situação oposta à da artéria epi- gástrica ou um pouco abaixo da origem desse vaso. Esse ramo corre lateralmente atrás do ligamento inguinal, estendendo-se entre a fáscia transversal e o peritônio, ou em um canal fibroso formado pela união da fáscia transversal com a fáscia ilíaca. Além disso, emite ramificações que irrigam os músculos psoas

e ilíaco, assim como um ramo cutâneo que se anastomosa com

a artéria glútea superior.

Pudendo femInIno (vulvA)

com a artéria glútea superior. Pudendo femInIno (vulvA) O pudendo feminino (vulva) consiste no monte do

O pudendo feminino (vulva) consiste no monte do púbis, lá-

bios maiores do pudendo, lábios menores do pudendo, clitóris

e estruturas glandulares que se abrem no vestíbulo da vagina

(Fig. 1-16). O tamanho, a forma e a coloração das diversas estru-

turas, bem como a distribuição de pelos, variam entre os indiví- duos e os grupos étnicos. A pilosidade púbica normal da mulher

é distribuída em um triângulo invertido, com a base centrada no monte do púbis. Não obstante, em aproximadamente 25% das mulheres normais, os pelos podem estender-se acima, ao longo

da linha alba. O tipo de pelo depende, em parte, da pigmenta-

ção individual. Varia de pelos resistentes, espessos e crespos, nas mulheres negras, a pelos esparsos, razoavelmente finos e macios (lanuginosos), nas mulheres asiáticas. O tamanho e as propor- ções das várias estruturas do pudendo feminino são influencia- dos pela arquitetura pélvica, como o é também a posição dos órgãos genitais femininos externos (genitália externa) na região perineal. Os órgãos genitais femininos externos da mulher têm

sua exata correspondência no homem.

0 Lábios maiores do pudendo

Anatomia superficial

Os lábios maiores do pudendo consistem em dois montículos arredondados de tecido, que se originam no monte do púbis e terminam no períneo. Formam os limites laterais do pudendo feminino e têm aproximadamente 7 a 9 cm de extensão e 2 a 4 cm de largura, variando em tamanho com altura, peso, etnia, idade, paridade e arquitetura pélvica. Embriologicamente, essas pregas dérmicas permanentes são homólogas ao escroto do homem. Os pelos são distribuídos em suas superfícies, esten- dendo-se na parte superior da área do monte do púbis de um lado a outro. As superfícies laterais são adjacentes à superfície medial da coxa, formando um sulco profundo quando as pernas estão juntas. As superfícies mediais dos lábios maiores podem

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

23

Monte pubiano Grandes Orifício lábios uretral externo Clitóris Pequenos Vestíbulo lábios Hímen Fossa
Monte pubiano
Grandes
Orifício
lábios
uretral
externo
Clitóris
Pequenos
Vestíbulo
lábios
Hímen
Fossa
navicular
Orifício
vaginal
Ânus
Períneo

Figura 1-16 Órgãos genitais femininos externos da mulher adulta (fértil).

opor-se diretamente ou podem ser separadas pela protrusão dos lábios menores do pudendo. A fenda formada por essa oposi- ção, anteriormente, é denominada comissura anterior dos lábios. Posteriormente, a fenda não é com tanta clareza definida e se denomina comissura posterior dos lábios. A porção média da fenda entre os dois lábios é a rima do pudendo.

estruturas profundas

Abaixo da pele, há uma camada muscular fina e pouco desen- volvida, chamada túnica dartos dos lábios, cujas fibras correm, na maior parte, em ângulos retos com as rugas da superfície, formando um padrão entrecruzado. Mais profunda em relação à túnica dartos, encontra-se uma camada delgada de fáscia, ime- diatamente reconhecível na idosa ou na jovem, devido à grande quantidade de tecido adiposo e areolar. São encontradas nume- rosas glândulas sudoríparas nos lábios maiores do pudendo, com maior quantidade no aspecto medial. Na substância mais pro- funda dos lábios maiores do pudendo, há feixes musculares lon- gitudinais que são contínuos com o ligamento redondo do útero (ligamentum teres uteri) quando esse emerge do canal inguinal. Raramente, pode ser observado um persistente processo vaginal do peritônio (canal de Nuck) na região superior dos lábios. Às vezes, esse processo pode encher com líquido, causando a pre- sença de um cisto no canal de Nuck, nos lábios maiores do pu- dendo. A obliteração cirúrgica completa desse trato persistente resolverá esse problema.

Artérias

A irrigação arterial dos lábios maiores do pudendo origina-se das

artérias pudendas interna e externa, com extensas anastomoses. No interior dos lábios maiores, há um padrão arterial circular, originado inferiormente de um ramo da artéria perineal, da ar- téria pudenda externa no aspecto anterolateral e, superiormente, de uma pequena artéria do ligamento redondo do útero. O ramo inferior da artéria perineal, que se origina da artéria pudenda in- terna quando esta emerge do canal do pudendo (canal de Alcock), forma a base da tela com as artérias pudendas externas. Estas úl- timas surgem do lado medial da artéria femoral e ocasionalmente das artérias profundas localizadas pouco abaixo do anel femoral, correndo medialmente sobre os músculos adutor e pectíneo, aos quais fornecem ramificações. Essas artérias terminam em uma tela circular no interior do lábio maior, penetrando na fáscia lata adjacente à fossa ovária e passando sobre o ligamento redondo do útero para emitir uma ramificação ao clitóris.

Veias

A drenagem venosa é extensa e forma um plexo com nume-

rosas anastomoses. Além disso, as veias comunicam-se com a

veia dorsal do clitóris, as veias dos lábios menores do pudendo

e as veias perineais, como também com o plexo retal inferior.

Em cada lado, as veias labiais posteriores conectam-se com a veia pudenda externa, terminando na grande veia safena (veia safena magna) pouco antes de sua entrada (abertura safênica)

24

Seção I

FundAmentos dA reprodução

na fossa ovária. Esse grande plexo se manifesta com frequência pela presença de grandes varicosidades durante a gravidez.

Vasos linfáticos

Os vasos linfáticos dos lábios maiores do pudendo são extensos

e utilizam dois sistemas, um situado superficialmente (sob a

pele) e o outro mais profundo, no interior dos tecidos subcu- tâneos. A partir dos dois terços superiores dos lábios maiores direito e esquerdo, os vasos linfáticos superficiais seguem em direção à sínfise e se fletem lateralmente para se juntarem aos linfonodos inguinais superficiais mediais. Esses linfonodos drenam para outros linfonodos inguinais superficiais situados acima da fossa da safena. A drenagem deságua no anel femoral (fossa ovária) e através desse anel continua até os linfonodos

inguinais profundos (nós de Rosenmüller ou Cloquet; linfono- dos subinguinais profundos), conectando-se com os linfono- dos ilíacos externos. Os linfonodos subinguinais superficiais, situados acima do trígono femoral, também aceitam drenagem superficial da extre- midade inferior e da região glútea. Essa drenagem pode incluir vasos linfáticos aferentes do períneo. Na região da sínfise púbica, os vasos linfáticos se anastomosam em um plexo entre os linfo- nodos direito e esquerdo. Portanto, qualquer lesão que ocorra nos lábios maiores do pudendo possibilita envolvimento direto das estruturas linfáticas da região inguinal contralateral. A parte inferior do lábio maior do pudendo tem drenagem superficial

e profunda, compartilhada com a região perineal. A drenagem

passa parcialmente através dos vasos linfáticos aferentes para os

linfonodos subinguinais superficiais; a partir dos aspectos me- diais posteriores dos lábios maiores, entra, com frequência, no plexo linfático que circunda o reto.

Nervos

A inervação dos órgãos genitais femininos externos tem sido es-

tudada por muitos pesquisadores. O nervo ílio-hipogástrico ori- gina-se do nervo torácico T12 e do nervo lombar L1 e atravessa lateralmente para a crista ilíaca, entre os músculos transverso do abdome e oblíquo interno do abdome, ponto em que se divide em

dois ramos: (1) o nervo hipogástrico anterior, que desce anterior- mente através da pele acima da sínfise, irrigando a porção superior dos lábios maiores do pudendo e o monte do púbis; e (2) o nervo ilíaco posterior, que passa para a região glútea.

O nervo ilioinguinal origina-se da L1 e segue um curso leve-

mente inferior ao do nervo ílio-hipogástrico, com o qual pode anastomosar-se com frequência, ramificando-se em várias fibras pequenas que terminam no aspecto medial superior do lábio maior do pudendo.

O nervo genitofemoral (L1-L2) emerge da face anterior do

músculo psoas, para correr, obliquamente até abaixo, sobre sua superfície, ramificando-se na substância mais profunda do lábio maior a fim de irrigar o músculo darto e os vestígios do músculo cremaster, presente no interior do lábio maior do pudendo. Seu ramo lomboinguinal continua inferiormente até a parte superior da coxa. Do plexo sacral, o nervo cutâneo femoral posterior, originan- do-se das divisões posteriores de S1 e S2 e das divisões anteriores

de S2 e S3, divide-se em diversos ramos que derivam do plexo sa-

cral e denominados, parcialmente, de ramos perineais, os quais irrigam o aspecto medial da coxa e os lábios maiores do pu- dendo. O nervo pudendo, composto principalmente de S2, S3 e S4, frequentemente com um fascículo de S1, envia uma pequena quantidade de fibras para o aspecto medial dos lábios maiores do pudendo. O padrão de terminações nervosas está ilustrado

na Quadro 1-1.

0 Lábios menores

Anatomia superficial

Os lábios menores do pudendo consistem em duas pregas de pele que se situam no interior da rima do pudendo e medem aproximadamente 5 cm de extensão e 0,5 a 1 cm de espessura.

Sua largura varia de acordo com a idade e a paridade, medindo

de 2 a 3 cm no diâmetro menor a 5 a 6 cm no maior, com múl-

tiplas rugas na superfície. Os lábios menores do pudendo come- çam na base do clitóris, onde a fusão dos lábios é contínua com o prepúcio do clitóris, estendendo-se posterior e medialmente até

os lábios maiores do pudendo, na comissura posterior dos lábios.

Em seus aspectos superiores e mediais, abaixo do clitóris, os lá- bios menores se unem para formar o frênulo adjacente à uretra

e à vagina, terminando junto ao hímen nos lados direito e es-

querdo da fossa navicular da uretra e posteriormente no frênulo

dos lábios do pudendo, pouco acima da comissura posterior dos lábios. Uma fenda profunda é formada na superfície lateral, entre

os lábios maior e menor do pudendo. Nos lábios menores do pudendo, a pele é lisa, pigmentada e desprovida de pelos. Sua cor e distensão variam, dependendo do nível de excitação sexual e da pigmentação do indivíduo. As glândulas dos lábios são homólogas às glândulas prepuciais (glândulas de Littré) da porção peniana da uretra masculina.

Artérias

A principal fonte de irrigação arterial (Fig. 1-17) ocorre atra-

vés de anastomoses da artéria perineal superficial, um ramo da artéria dorsal do clitóris, e do aspecto medial da tela dos lábios maiores do pudendo. De modo semelhante, o padrão e o plexo venosos são extensos.

Veias

A drenagem venosa ocorre nos vasos mediais do períneo e nas

veias vaginais, diretamente nas veias dos lábios maiores do pu- dendo, posteriormente nas veias retais inferiores (veias hemor- roidárias inferiores) e superiormente nas veias do clitóris.

Vasos linfáticos

Os vasos linfáticos mediais podem unir-se, superiormente, aos

do terço inferior da vagina e lateralmente aos dos lábios maiores

do pudendo, passando aos linfonodos subinguinais superficiais e

aos linfonodos subinguinais profundos. Na linha mediana, a dre- nagem linfática coincide com a do clitóris, comunicando-se com

a dos lábios maiores do pudendo para drenar ao lado oposto.

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

25

Quadro 1-1 Distribuição quantitativa de terminações nervosas em regiões selecionadas dos órgãos genitais femininos externos

   

Toque

Pressão

Dor

Outros tipos

 

Corpúsculos de

Discos táteis de Merkel 1

Terminações

Corpúsculos de

Terminações

Corpúsculos de Ruffini 2

Corpúsculos de Dogiel e Krause 3

Meissner 1

peritríqueas

Vater-Pacini 2

nervosas livres

Monte do púbis

++++

++++

++++

+++

+++

++++

+

Lábios maiores do pudendo

+++

++++

++++

+++

+++

+++

+

Clitóris

+

+

0

++++

+++

+++

+++

Lábios menores

+

+

0

+

+

+

+++

do pudendo

Anel himenal

0

+

0

0

+++

0

0

Vagina

0

0

0

0

Raramente

0

 

1 Também chamados corpúsculos táteis. 2 Também chamados corpúsculos lamelares. 3 Também chamados corpúsculos bulbosos.

lamelares. 3 Também chamados corpúsculos bulbosos. Nervo perineal N e r v o Pudendo Nervo hemorroidal

Nervo perineal

Nervo Pudendo

Nervo

hemorroidal

inferior

Figura 1-17 Artérias e nervos perineais.

Artéria labial

posterior

Artéria dorsal

do clitóris

Artéria do

pudendo

26

Seção I

FundAmentos dA reprodução

Nervos

A inervação dos pequenos lábios do pudendo origina-se, em

parte, das fibras que suprem os grandes lábios do pudendo e de ramos do nervo pudendo, quando ele emerge do canal do pu- dendo (canal de Alcock) (Fig. 1-17). Esses ramos originam-se do nervo perineal. Os pequenos lábios do pudendo e a área do vestíbulo da vagina são homólogos à pele da uretra masculina e do pênis. A pequena parte membranácea, de aproximadamente 0,5 cm, da uretra masculina é homóloga à porção média do ves- tíbulo da vagina na mulher.

0 Clitóris

Anatomia superficial

O clitóris tem cerca de 2 cm de comprimento e é homólogo à

parte dorsal do pênis. Consiste em dois pequenos corpos ca- vernosos eréteis, que terminam em uma glande rudimentar. O corpo erétil, denominado corpo do clitóris, consiste em dois ramos do clitóris e na glande do clitóris, com pele sobreposta e prepúcio, um homólogo em miniatura da glande do pênis. Os ramos do clitóris estendem-se para fora, bilateralmente à sua posição na porção anterior do pudendo feminino. O tecido cavernoso, homólogo ao corpo esponjoso do pênis no homem, aparece no padrão vascular dos lábios menores do pudendo na mulher. Na margem inferior do arco púbico, um pequeno feixe trian- gular de fibras estende-se sobre o clitóris (ligamento suspensor

do clitóris) para separar os dois ramos do clitóris, que nesse ponto se voltam para dentro, para baixo e para os lados, pró- ximo aos ramos inferiores da sínfise púbica. Os ramos do clitóris situam-se abaixo dos músculos isquiocavernosos e dos corpos cavernosos do clitóris. A glande do clitóris localiza-se acima da terminação fusionada dos ramos do clitóris, é composta de te- cido erétil e contém um tegumento, em forma de crista, deno- minado prepúcio do clitóris. Em sua face ventral, há o frênulo do clitóris, formado pela junção fusionada dos lábios menores

do pudendo.

Artérias

A vascularização do clitóris procede de sua artéria dorsal, um

ramo terminal da artéria pudenda interna, que é a divisão final da porção posterior da artéria ilíaca interna (hipogástrica). Quando entra no clitóris, essa artéria divide-se em dois ramos,

as artérias dorsal e profunda do clitóris. Pouco antes de penetrar no clitóris, um pequeno ramo estende-se posteriormente para irrigar a área do óstio externo da uretra.

Veias

A drenagem venosa do clitóris começa em um rico plexo si-

tuado em torno da coroa da glande do clitóris correndo ao longo da face anterior para juntar-se à veia profunda e con- tinuar inferiormente para unir-se ao plexo pudendo dos pe- quenos lábios e grandes lábios, e períneo, formando a veia pudenda interna.

Vasos linfáticos

A drenagem linfática do clitóris coincide, primariamente, com a

dos pequenos lábios do pudendo, cujos lados direito e esquerdo têm acesso aos linfonodos contralaterais na tela inguinal super- ficial. Além disso, sua extensa tela fornece acesso adicional infe- rior e posteriormente ao óstio externo da uretra na direção da porção anterior do vestíbulo da vagina.

Nervos

A inervação do clitóris ocorre por meio do ramo terminal do

nervo pudendo, que se origina do plexo sacral, como já foi abordado anteriormente. Esse ramo situa-se ao lado da artéria dorsal e termina em ramos no interior da glande do clitóris, da coroa da glande e do prepúcio do clitóris. As terminações nervosas no clitóris variam entre sua ausência total no interior da glande do clitóris a uma inervação substancial localizada principalmente no prepúcio do clitóris (Quadro 1-1). A falta total de terminações nervosas no clitóris reveste-se de signifi- cado clínico, quando se considera a ênfase colocada no clitóris durante a discussão de problemas de gratificação sexual nas mulheres.

0 Vestíbulo da vagina

Anatomia superficial

A área do vestíbulo da vagina é circundada lateralmente pelos

lábios menores do pudendo, posteriormente pelo frênulo dos lábios do pudendo (ou comissura posterior dos lábios) e ante-

riormente pela uretra feminina e pelo clitóris. Inferiormente, é circundada pelo anel do hímen. A abertura da vagina, ou junção

da vagina com o vestíbulo, é limitada por uma membrana que se

estende dos lados posterior e lateral à face inferior do óstio ex-

terno da uretra, sendo denominada hímen. Sua forma e aberturas são variáveis e dependem da idade, da paridade e da experiência sexual. A forma da abertura pode ser infantil, anular, semilu- nar, cribriforme, septada ou vertical; o hímen pode, mesmo, ser imperfurado. Em mulheres fecundas e no estado pós-coito, os vestígios ou marcas do tegumento do hímen são denominados carúnculas himenais. O óstio externo da uretra, que se situa a cerca de 2 a 3 cm atrás do clitóris, em uma superfície irregular e ligeiramente elevada com áreas achatadas nas laterais, pode mostrar forma estrelada ou de lua crescente. É caracterizado por várias pregas mucosas pequenas em torno desse orifício. Bilateralmente, em sua superfície, encontram-se os orifícios das glândulas parau- retrais e periuretrais (ductos parauretrais [ductos de Skene e Astruc]). Aproximadamente, nas posições 5 e 7, no sentido horário, externamente aos anéis do hímen, há duas pequenas elevações semelhantes a pápulas, que representam os orifícios dos ductos das glândulas vestibulares maiores (glândulas de Bartholin) da mulher (glândula bulbouretral do homem). A fossa navicular da uretra se localiza entre o frênulo dos lábios do pudendo e o anel do hímen. A pele que circunda o vestíbulo é do tipo escamoso estratificado, com escassez da tela de tórulos e papilas.

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

27

Artérias

A vascularização do vestíbulo é um extenso plexo de capilares

que tem anastomoses com a artéria perineal transversa superfi- cial. Um ramo origina-se diretamente da anastomose pudenda

com a artéria retal inferior na região da fossa navicular da uretra.

A irrigação sanguínea da parte anterior da uretra, um ramo da

artéria dorsal do clitóris e a artéria ázigo da parede anterior da vagina, também contribuem.

Veias

A drenagem venosa é ampla, envolvendo as mesmas áreas des-

critas para a tela arterial.

Vasos linfáticos

A drenagem linfática tem um padrão diferente. A porção ante-

rior, incluindo o óstio externo da uretra, drena para cima e para

fora com a porção dos lábios menores do pudendo e do clitóris.

A porção seguinte ao óstio da uretra pode unir-se à da uretra

anterior, que esvazia no plexo vestibular, para terminar nos lin- fonodos inguinais superficiais, nos linfonodos subinguinais su- perficiais e profundos e na tela de linfonodos ilíacos externos. Os vasos linfáticos da fossa navicular da uretra e do hímen podem juntar-se aos da parede posterior da vagina, entrelaçando-se com os linfonodos intercalados ao longo do reto, que seguem as artérias retais inferiores. Esse padrão torna-se significativo com

o câncer. A drenagem ocorre através das telas pudenda e retal

(hemorroidária) e do plexo vestibular para a região inguinal.

Nervos

A inervação da área vestibular é principalmente do plexo sacral

através do nervo perineal. A ausência das modalidades comuns

de toque é digna de nota. A porção vestibular do anel do hímen

contém uma abundância de terminações nervosas livres (dor).

0 Glândulas vestibulares

As glândulas vestibulares maiores (glândulas de Bartholin) têm ductos que medem aproximadamente 5 mm de diâmetro. A glândula, propriamente, situa-se inferior e lateralmente ao mús- culo bulboesponjoso (músculo bulbocavernoso), sendo de cará- ter tubuloalveolar, com uma cápsula delgada e septos de tecido conectivo que a dividem em lóbulos, nos quais raramente são encontradas fibras musculares lisas. Seu epitélio varia de cuboide a colunar e é de cor pálida, com o citoplasma contendo gotícu- las mucilaginosas e esférulas coloidais com inclusões acidófilas.

O epitélio do ducto é do tipo simples e seu orifício é escamoso

estratificado como o vestíbulo. A secreção é uma substância mu- coide clara, viscosa e fibrosa, com pH alcalino, sendo produtiva durante a atividade sexual. A glândula vestibular maior é homóloga à glândula bulbou- retral (também conhecida como glândula de Cowper, glândula

de Duverney, glândula de Tiedemann, ou glândula de Bartholin

do homem). Se a abertura da glândula for obstruída, pode-se desenvolver um cisto doloroso de Bartholin.

O suprimento arterial para a glândula vestibular maior

origina-se de um pequeno ramo arterial do músculo bulboes- ponjoso que penetra profundamente em sua substância. A dre- nagem venosa coincide com a drenagem do corpo cavernoso

do clitóris (corpo bulbocavernoso). Os vasos linfáticos drenam diretamente para os linfáticos do plexo vestibular, tendo acesso à parede posterior da vagina, ao longo dos canais hemorroidários inferiores. Também drenam através do períneo para a região in- guinal. A maior parte dessa drenagem menor se dá ao longo dos vasos pudendos, nos canais do pudendo, e explica, parcialmente,

a dificuldade em tratar um câncer que envolva essa glândula.

A inervação da glândula vestibular maior deriva de um pe-

queno ramo do nervo perineal, que penetra diretamente em sua

substância.

0 Músculos dos órgãos genitais femininos externos

Os músculos (Fig. 1-18) dos órgãos genitais femininos externos e

dos corpos cavernosos na mulher são homólogos aos do homem, embora sejam menos desenvolvidos.

músculo bulboesponjoso (bulbocavernoso)

O músculo bulboesponjoso e os tecidos mais profundos caverno-

sos ou do bulbo do vestíbulo surgem na linha mediana da parte posterior do tendão central do períneo, onde cada fibra se opõe

às do lado oposto. Cada uma ascende em torno da vagina, en-

velopando o bulbo do vestíbulo (o corpo esponjoso do pênis, no homem), para terminar em três divisões: (1) o tecido fibroso dor-

sal ao clitóris, (2) a túnica fibrosa do corpo cavernoso do clitóris que se sobrepõe ao ramo do clitóris e (3) fibras entrecruzadas que

se unem às do músculo isquiocavernoso para formar o esfincter

estriado da uretra na junção de seus terços médio e inferior.

O suprimento sanguíneo deriva do ramo perineal da artéria

pudenda interna, quando surge na parte anterior da fossa isquio- anal. Profunda em relação à membrana do períneo (fáscia infe- rior do diafragma urogenital; fáscia de Colles) e atravessando-se

entre os músculos isquiocavernoso e bulboesponjoso, a artéria pudenda interna emite 1 a 2 ramos diretamente para o músculo bulboesponjoso e o corpo vestibular, continuando anteriormente para terminar na artéria dorsal do clitóris.

A drenagem venosa acompanha o plexo pudendo. Além

disso, estende-se posteriormente com as veias retais inferiores (veias hemorroidárias inferiores) e lateralmente com a veia pe- rineal, um ramo da veia pudenda interna. Os vasos linfáticos

correm principalmente com os do plexo vestibular, com dre-

nagem inferiormente para os linfonodos intercalados do reto

e anterior e lateralmente com drenagem dos lábios menores e

maiores do pudendo para os linfonodos inguinais superficiais.

A drenagem contralateral, na porção superior do músculo e do

corpo, é evidente.

Músculo isquiocavernoso

O músculo isquiocavernoso e seu tecido cavernoso anexo ori-

ginam-se do túber isquiático e do ramo inferior para o ísquio. Esse músculo envelopa o ramo de seu tecido cavernoso em uma

28

Seção I

FundAmentos dA reprodução

Músculo Músculo
Músculo
Músculo

Tecido

adiposo

Bulbo do

vestíbulo

isquiocavernoso

bulbocavernoso

Músculo

transverso

do períneo

superficial

Músculo

elevador

do ânus

Músculo glúteo

máximo

Esfíncter

anal

externo

Ligamento

anococcigeo

Cóccix

Figura 1-18 Musculatura da pelve (vista inferior).

camada delgada de músculo, ascendendo na direção e acima das faces medial e inferior da sínfise púbica, para terminar na face anterior da sínfise, na base do clitóris. A seguir, emite fibras en- trecruzadas para a região dos terços superior e médio da uretra, formando a maior parte do esfincter voluntário desse órgão. O suprimento sanguíneo ocorre por meio de ramos perfurantes da artéria perineal, quando esta ascende entre os músculos bulboes- ponjoso e isquiocavernoso, para terminar como a artéria dorsal do clitóris. A inervação provém de um ramo isquiocavernoso da divisão perineal do nervo pudendo.

Músculo transverso

O músculo transverso superficial do períneo origina-se do ramo

inferior do ísquio e do túber isquiático. As fibras musculares es-

tendem-se de um lado ao outro do períneo e se inserem em seu

tendão central, encontrando os do lado oposto. Frequentemente,

as fibras musculares dos músculos bulboesponjoso, puborretal,

transverso superficial do períneo e, mais raramente, o esfincter externo do ânus se interdigitarão. A irrigação sanguínea resulta de um ramo perfurante da divisão perineal da artéria pudenda interna, e a inervação resulta da divisão perineal do nervo pu- dendo.

Camada inferior do diafragma urogenital

A camada inferior do diafragma urogenital é um espaço poten-

cial, denominado espaço subcutâneo do períneo, que depende do tamanho e do desenvolvimento da musculatura, da paridade da mulher e da arquitetura pélvica. Ela contém tecido conectivo areolar frouxo e intercalado com gordura. Os músculos bulboes- ponjosos, com o apoio dos músculos transversos superficiais do

períneo e dos puborretais, agem como um ponto de fixação, em cada lado, para sustentação do pudendo feminino, dos órgãos genitais femininos externos e da vagina.

Considerações cirúrgicas

Uma episiotomia de linha média é mais eficaz para minimizar o trauma aos suportes vitais do pudendo feminino, os mús- culos bulboesponjoso e transverso superficial do períneo. A superdistensão da vagina, causada pela parte apresentadora e pelo corpo do infante, forma uma saculação temporária. Se a distensão ocorrer muito rapidamente ou se a dilatação estiver além da capacidade de resiliência da vagina, pode ocorrer rup- tura da musculatura vaginal, frequentemente demonstrada por um sulco cuneiforme na parede anterior e uma protrusão lin- guiforme na parede posterior da vagina. Portanto, o retorno da vagina e do pudendo feminino ao estado não grávido depende do tônus muscular e do grau de distensão da vagina durante o parto. Deve-se prestar consideração especial e deliberada ao reparo do corpo do períneo, do esfincter externo do ânus e da mucosa retal. Seja criada espontaneamente ou iatrogenicamente com a episiotomia, a falta de reparo adequado e de atenção ao retorno da função anatômica apropriada resultará em morbidade de longo prazo com dispareunia ou incontinência anal.

CoNTeúDoS DA CAVIDADe PéLVICA

ou incontinência anal. CoNTeúDoS DA CAVIDADe PéLVICA Os órgãos que ocupam a pelve feminina (Figs. 1-19

Os órgãos que ocupam a pelve feminina (Figs. 1-19 a 1-21) são a bexiga urinária, os ureteres, a uretra feminina, o útero, as tubas uterinas (oviductos uterinos ou trompas de Falópio), os ovários,

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

29

Ligamento umbilical

medial Bexiga Útero Reto
medial
Bexiga
Útero
Reto

Prega umbilical medial

Bolsa uterovesical

Prega umbilical lateral

Mesossalpinge

Ureter

Trompa uterina

Fímbrias

Ovário

Ligamento

suspensor

do ovário

Colo ascendente

Fundo de saco (fundo de saco de Douglas)

Prega retouterina

Figura 1-19 Conteúdos da pelve feminina (vista superior).

a vagina e o reto.* Com exceção da porção inferior do reto e a

maior parte da vagina, todos os órgãos mencionados se situam

imediatamente abaixo do peritônio. O útero, as tubas uterinas e

os ovários são quase completamente cobertos pelo peritônio e

estão suspensos em ligamentos peritoneais; os órgãos remanes- centes são parcialmente cobertos pelo peritônio. Esses órgãos não preenchem completamente a cavidade; o espaço remanes- cente é ocupado pelo íleo e pelo colo.

Bexiga urinária

0 Anatomia

A

bexiga urinária é um órgão muscular oco, que armazena a urina

e

se situa posteriormente aos ossos púbicos e anteriormente ao

útero e ao ligamento largo do útero. Sua forma, tamanho e po- sição variam com a quantidade de urina nela contida. Quando vazia, toma a forma de uma pirâmide um pouco arredondada, tendo corpo (base), ápice (ou vértice), face superior e face infe- rior convexa que pode ser dividida por uma crista mediana em duas faces inferolaterais.

0 Relações

A face superior da bexiga urinária é coberta pelo peritônio,

que é contínuo com a prega umbilical medial, formando,

* O reto não está descrito neste capítulo.

lateralmente, as fossas paravesicais. Posteriormente, o peri- tônio passa sobre o útero, na junção do colo com o corpo do útero, continuando a ascender, na face anterior, para formar a escavação vesicouterina. Quando a bexiga está vazia, o útero normal repousa sobre sua face superior; quando a bexiga está distendida, são as vilosidades do intestino que podem repousar sobre essa face. O corpo da bexiga repousa abaixo do peritô- nio e é adjacente ao colo uterino e ao fórnice anterior da va- gina, estando separado dessas estruturas por tecido areolar que contém veias plexiformes. A área superior à vagina se estende quando a bexiga enche. As faces inferolaterais são separadas da parede pélvica pelo espaço pré-vesical potencial, que con- tém uma pequena quantidade de tecido areolar, mas nenhum grande vaso. Essa superfície não é peritoneal, portanto é ade- quada para os procedimentos cirúrgicos. Posterolateralmente à região situada em frente à sínfise, é como se situa cada uma das faces inferolaterais em relação à fáscia do músculo obturador interno e aos vasos obturadores e nervo obturatório, a artéria umbilical obliterada acima, e a fáscia do músculo elevador do ânus abaixo. Posterior e medialmente, a face inferior é separada do corpo por uma região denominada junção uretrovesical, a porção mais estável da bexiga urinária.

0 Fáscias, ligamentos e músculos

A bexiga urinária é envolvida por uma camada delgada de fáscia,

a bainha vesical. Dois espessamentos da fáscia endopélvica, os

ligamentos mediais e laterais pubovesicais (ou puboprostáticos, no homem), estendem-se na junção vesicouretral, adjacentes ao

30

Seção I

FundAmentos dA reprodução

Vasos uterinos Ovário Útero Reto Ligamento Colo redondo (cérvice) Bexiga Ureter Ramo Púbico Elevador do
Vasos uterinos
Ovário
Útero
Reto
Ligamento
Colo
redondo
(cérvice)
Bexiga
Ureter
Ramo Púbico
Elevador
do ânus
Vagina

Figura 1-20 Vísceras da pelve (vista sagital).

músculo elevador do ânus da parte inferior do aspecto anterior da bexiga aos ossos púbicos. Espessamentos fasciais semelhan- tes, os ligamentos verdadeiros laterais, estendem-se dos lados da parte inferior da bexiga às paredes laterais da pelve. Posterior- mente, a junção vesicouretral da bexiga estende-se diretamente contra a parede anterior da vagina.

Ovário Útero Monte púbico Bexiga Ânus
Ovário
Útero
Monte
púbico
Bexiga
Ânus

Vagina

Figura 1-21 Órgãos da pelve (vista mediossagital). (Gentil-

mente cedida por Benson, RC. Handbook of Obstetrics & Gyne­ cology. 8th. ed. Los Altos, CA: Lange; 1983.)

Um feixe de fibras, o ligamento umbilical mediano ou úraco, estende-se do ápice da bexiga ao umbigo. Esse feixe representa os resquícios do alantoide embrionário. Os ligamentos umbili-

cais laterais são formados pelas artérias umbilicais obliteradas

e são representados por cordões fibrosos que se estendem junto

aos lados da bexiga e ascendem na direção do umbigo. Fre- quentemente, esses vasos serão desobstruídos, formando, desse modo, as artérias vesicais superiores. O revestimento perito- neal da bexiga é limitado à face superior. Os dobramentos do peritônio junto à parede abdominal anterior e às paredes pél- vicas correspondentes são, às vezes, descritos como ligamentos falsos superior, lateral e posterior. A túnica muscular (lisa) da bexiga urinária é representada por um padrão interdigitado contínuo e contíguo aos músculos longitudinais internos e cir- culares anteriores da uretra. Nenhuma camada muscular dis- tinta é visível.

0 Túnica mucosa (membrana mucosa)

A túnica mucosa tem coloração rósea e se situa em pregas irregu-

lares que praticamente desaparecem devido à distensão. Os três ângulos do trígono da bexiga (trígono vesical) são representados pelos óstios (orifícios) dos dois ureteres e pelo óstio interno da

uretra (orifício uretral interno). Essa área tem cor mais averme- lhada e não mostra pregueamento. É limitada posteriormente pela prega interuretérica, uma crista transversa encurvada que se estende entre os óstios dos ureteres. Uma elevação longi- tudinal mediana, a úvula da bexiga, estende-se na direção do óstio da uretra. O óstio interno da uretra normalmente é situ- ado no ponto inferior máximo da bexiga, na junção das faces

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

31

inferolateral e posterior. É circundado por uma elevação circular,

o ânulo uretral, aproximadamente no nível central da sínfise pú-

bica. O revestimento epitelial da bexiga é de transição. A túnica mucosa estende-se sobre uma tela submucosa, composta de te- cido areolar superficial à túnica muscular. Não há evidência de um esfíncter de músculo liso no colo da bexiga.

0 Artérias, veias e vasos linfáticos

O suprimento sanguíneo da bexiga origina-se de ramos da ar-

téria hipogástrica. A artéria umbilical, um ramo terminal da ar- téria hipogástrica, emite a artéria vesical superior antes de sua porção obliterada. Aproxima-se da bexiga (com as artérias ve- sicais média e inferior) através de uma condensação de tecido areolar adiposo, limitando posterosuperiormente o “espaço” pré-vesical, para se ramificar acima da face superior da bexiga. Anastomosa-se com as artérias do lado oposto e, abaixo, com as artérias vesicais média e inferior. A artéria vesical média pode

surgir de um dos vasos superiores ou pode originar-se da artéria umbilical, suprindo os lados e o corpo da bexiga. A artéria vesi- cal inferior em geral surge diretamente da artéria hipogástrica

— em comum com a artéria uterina ou como um ramo desta — e

estende-se abaixo e medialmente, onde se divide em ramos que suprem a parte inferior da bexiga. O fundo da bexiga também pode receber pequenos ramos das artérias retal média, uterina

e vaginal. As veias formam um extenso plexo, nos lados e no corpo da bexiga, cujos ramos passam ao tronco hipogástrico. Os vasos linfáticos acompanham, em parte, as veias e se co- municam com os linfonodos hipogástricos. Também se comu- nicam lateralmente com os linfonodos ilíacos externos, e alguns vasos linfáticos do fundo da bexiga passam aos linfonodos situ- ados no promontório do sacro. Os vasos linfáticos do ápice da

bexiga estão separados nos lados direito e esquerdo e raramente

se cruzam, mas há extensas anastomoses entre os vasos linfáti- cos do corpo da bexiga, que também envolvem os do colo da bexiga.

0 Nervos

O suprimento nervoso da bexiga deriva, em parte, do plexo sim-

pático hipogástrico, e, em parte, dos segundo e terceiro nervos

sacrais (os nervos erigentes).

Ureteres

0 Anatomia e relações

O ureter é um ducto levemente achatado que se estende do tér-

mino da pelve renal ao canto inferior mais externo do corpo

da bexiga urinária, em uma distância de 26 a 28 cm. O ureter é

parcialmente abdominal e parcialmente pélvico, estendendo-se inteiramente atrás do peritônio. Seu diâmetro varia de 4 a 6 mm, dependendo da distensão, e seu tamanho é uniforme, exceto para três porções ligeiramente constritas. A primeira constrição é encontrada na junção do ureter com

a pelve renal, sendo conhecida como istmo superior. A segunda constrição — o istmo inferior — encontra-se no ponto em que o

ureter atravessa a margem da pelve menor. A terceira constrição (intramural) está na parte terminal do ureter, quando atravessa

a parede da bexiga. A parte pélvica do ureter começa quando ele atravessa a margem pélvica, abaixo dos vasos ovarianos e próximo à bi- furcação da artéria ilíaca comum. Conforma-se à curvatura da parede pélvica lateral, inclinando-se um pouco lateral e pos- teriormente até alcançar o soalho da pelve. A seguir, o ureter inclina-se anterior e medialmente, no nível da espinal isquiá- tica, para alcançar a bexiga. Em sua parte superior, está rela- cionado posteriormente com a articulação sacroilíaca; depois, estendendo-se sobre o músculo obturador interno e sua fáscia, cruza a raiz da artéria umbilical, os vasos obturadores e o nervo obturatório. Em sua relação anterior, o ureter emerge detrás do ovário e abaixo de seus vasos, para passar atrás das artérias uterina e vesi- cais superior e média. Correndo anteriormente, mantém a uma relação próxima com o fórnice lateral da vagina, passando a 8 a 12 mm do colo do útero e da parede da vagina, antes de chegar à bexiga. Quando os ureteres alcançam esse órgão, estão separados por 5 cm. Os ureteres abrem-se na bexiga por duas aberturas em forma de fenda, os óstios dos ureteres, que se situam a uma dis- tância mútua de 2,5 cm quando a bexiga está vazia.

0 Parede do ureter

A parede do ureter tem aproximadamente 3 mm de espessura

e é composta por três túnicas: adventícia (de tecido conectivo), muscular e mucosa. A túnica muscular tem uma camada circu-

lar externa e uma longitudinal interna em toda a sua extensão, além de uma camada longitudinal externa no seu terço inferior.

A membrana mucosa é pregueada longitudinalmente e reco-

berta por epitélio de transição. A ação peristáltica intermitente

da musculatura ureteral impulsiona a urina para a bexiga em jatos. A passagem oblíqua do ureter através da parede da bexiga tende a constituir um dispositivo valvular, mas nenhuma valva

verdadeira está presente. As fibras circulares da parte intramural do ureter funcionam como um esfincter. Apesar disso, em certas condições de superdistensão da bexiga, a urina pode ser forçada

a retornar ao ureter.

0 Artérias, veias e vasos linfáticos

A parte pélvica do ureter recebe seu suprimento sanguíneo

de um ramo direto da artéria hipogástrica, anastomosando-se superiormente em sua adventícia com ramos da artéria ilio- lombar e inferiormente com ramos das artérias vesical inferior

e retal média. A drenagem linfática passa ao longo dos vasos

hipogástricos para os linfonodos hipogástricos e ilíacos exter-

nos, continuando até a porção média dos ureteres, onde essa drenagem é dirigida aos linfonodos paraaórticos e interaorti- cocavais.

0 Nervos

O suprimento nervoso é fornecido pelos plexos renal, ovárico e

hipogástrico. O nível espinal dos nervos aferentes é aproximada-

mente o mesmo que o do rim (T12, L1, L2). O terço inferior do

32

Seção I

FundAmentos dA reprodução

ureter recebe nervos sensitivos (fibras sensitivas) e fibras paras- simpáticas pós-ganglionares do plexo de Frankenhäuser e fibras simpáticas através desse plexo, uma vez que ele supre o corpo da bexiga urinária. Essas fibras ascendem ao terço inferior do ureter, acompanhando o suprimento arterial. O segmento médio parece receber fibras nervosas pós-ganglionares simpáticas e pa- rassimpáticas do próprio plexo hipogástrico médio e por meio desse plexo. O terço superior do ureter é suprido pela mesma inervação do rim.

Uretra

0 Anatomia e relações

A uretra feminina é um canal com 2,5 a 4 cm de comprimento.

Estende-se abaixo e adiante em uma curva do colo da bexiga (óstio interno da uretra), que se situa aproximadamente do lado

oposto à sínfise púbica. Sua terminação, o óstio externo da uretra, situa-se abaixo e atrás da margem inferior da sínfise. Posterior- mente, ajusta-se à parede anterior da vagina, especialmente nos dois terços inferiores, em que está realmente integrada à parede, formando a crista uretral. Anteriormente, a extremidade superior

é separada do “espaço” pré-vesical pelos ligamentos pubovesicais

(puboprostáticos), limítrofes com o músculo elevador do ânus e a vagina, e se estendendo acima, para os ramos púbicos.

0 Anatomia das paredes

As paredes da uretra são muito distensíveis, compostas de te- cido fibromuscular esponjoso que contém veias cavernosas e li- mitadas pelas túnicas submucosa e mucosa. Essa última túnica, quando não distendida, contém numerosas pregas longitudinais,

das quais a mais proeminente está localizada na parede posterior

e é denominada crista uretral. Além disso, há várias pequenas

glândulas (homólogas das glândulas parauretrais e periuretrais da próstata masculina [ductos de Skene e glândulas de Astruc]) que se abrem na uretra. As maiores dessas glândulas, chamadas glândulas parauretrais de Skene, podem abrir-se por meio de

um par de ductos localizado ao lado do óstio externo da uretra no vestíbulo da vagina. O epitélio inicial da túnica mucosa é de transição na extremidade superior e se torna escamoso na parte inferior. Externamente ao lume da uretra, nos dois terços inferio- res, há uma túnica de músculo liso, composta de uma camada circular externa e uma camada longitudinal interna. No terço superior, os feixes musculares dessas camadas se interdigitam e

se entrelaçam, como em um entrançado de cesta, tornando-se

contínuos e contíguos aos da bexiga urinária. Todo o músculo liso circular da uretra age como um esfincter involuntário. Na região de junção dos terços médio e inferior da uretra, fibras en-

trecruzadas (do tipo estriado) formam as origens intermediárias dos músculos bulboesponjoso e isquiocavernoso e envolvem a uretra, formando o esfincter da uretra (esfincter voluntário).

0 Artérias e veias

O suprimento arterial está intimamente envolvido com o da pa-

rede anterior da vagina, com anastomoses cruciais para a bexiga

urinária. Em cada lado da vagina, encontram-se artérias vagi- nais, que se originam, em parte, da artéria coronária do colo do útero, da artéria vesical inferior ou de um ramo direto da ar- téria uterina. Na linha mediana da parede anterior da vagina, encontra-se a artéria ázigo da vagina, que se origina da artéria coronária ou circular do colo do útero. Aproximadamente cinco ramos atravessam a parede anterior da vagina, das artérias va- ginais laterais à artéria ázigo da vagina, na linha mediana, com

pequenos ramos suprindo a uretra. Uma importante anastomose com o introito da vagina envolve a artéria do clitóris (ramos ure- trais), quando essa artéria se divide em artérias dorsal e super- ficial do clitóris, um ramo terminal da artéria pudenda interna.

A drenagem venosa segue o padrão arterial, embora com menor

definição. Na parte superior da vagina, forma-se uma extensa tela, chamada plexo venoso de Santorini.

0 Nervos

O suprimento nervoso é parassimpático, simpático e espinal.

Os nervos parassimpáticos e simpáticos derivam do plexo hipo- gástrico; o suprimento espinal ocorre por intermédio do nervo pudendo.

útero

0 Anatomia

O útero é um órgão muscular, com paredes espessas e forma de

pera, situado entre o corpo da bexiga urinária e o reto. Revestido, em ambos os lados, por duas camadas do ligamento largo do útero, comunica-se acima com as tubas uterinas e abaixo com

a vagina. Divide-se em duas porções principais: acima, a por-

ção maior ou corpo do útero, e, abaixo, a porção menor ou colo do útero, conectado por uma constrição transversal, o istmo do útero. O corpo do útero é achatado, por isso sua dimensão late- rolateral é maior do que a dimensão anteroposterior, e maior nas

mulheres que têm filhos. A face anterior ou vesical é quase plana;

a posterior é convexa. As tubas uterinas juntam-se ao útero nos

cantos ou nos ângulos superiores (laterais). A porção arredon- dada que se estende acima da plana, atravessando os pontos de junção das duas tubas, é denominada fundo do útero e é a região de maior largura. A cavidade do útero, quando vista da frente ou de trás, é aproximadamente triangular, com o corpo do útero para cima. A comunicação dessa cavidade, abaixo, com a cavidade do colo do útero, corresponde, em sua posição, ao istmo do útero e forma o

óstio interno do útero (ostium uteri internum). O colo do útero, também chamado porção vaginal do colo, tem forma semelhante

à de um barril e tem 2 a 4 cm de comprimento; sua extremi-

dade inferior une-se à vagina em um ângulo que varia de 45 a

90 graus. Essa extremidade projeta-se para o interior da vagina e

é dividida, pela linha de fixação, em uma porção supravaginal do colo e uma porção vaginal do colo. Cerca de um quarto da face

anterior e metade da face posterior do colo do útero pertencem

à

porção vaginal do colo. Na extremidade da porção vaginal, há

o

orifício externo que leva à vagina, denominado óstio externo

do útero (ostium uteri), que é circular ou oval antes do parto,

mas toma a forma de fenda transversal nas mulheres que têm

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

33

filhos. A cavidade do colo do útero é fusiforme, com pregas e sulcos, estendendo-se do óstio interno ao óstio externo do útero.

O canal do colo do útero (canal endocervical) é composto por

células colunares mucossecretoras, ao passo que o colo do útero externo é revestido por epitélio escamoso não queratinizante/ ceratinizante. A junção entre essas duas áreas é chamada junção

escamocolunar ou zona de transição. Em condições normais, o tamanho do útero é variável em diferentes idades e estados fisiológicos. Na mulher adulta que nunca teve filhos, o útero tem aproximadamente 7 a 8 cm de comprimento, 4 a 5 cm em seu ponto mais largo e 30 a 40 g

de peso. No período pré-púbere, o útero é consideravelmente

menor, enquanto em mulheres que já tiveram filhos é maior. Du- rante a gravidez, sua forma, tamanho e características tornam-se bastante modificados, dependendo do estágio gestacional.

0 Camadas da parede uterina

A parede uterina é muito espessa, consistindo em três camadas:

serosa, muscular e mucosa. A camada serosa (perimétrio) é sim- plesmente o revestimento peritoneal. Essa camada é delgada e firmemente aderida ao fundo do útero e à maior parte do corpo do útero, mas depois se espessa na face posterior e se separa do músculo por meio do paramétrio. A camada muscular (miomé- trio) é extremamente espessa, com 1,5 a 2,5 cm, sendo contínua com a camada muscular das tubas uterinas e da vagina. Tam- bém se estende aos ligamentos do ovário e redondo do útero, aos ligamentos cardinais ou principais do colo do útero e, em grau mínimo, aos ligamentos uterossacrais. Na túnica muscular, podem ser distinguidas duas camadas principais: (1) a camada externa, que é mais fraca e composta de fibras longitudinais; e

(2) a camada interna, que é mais forte, e cujas fibras entrelaça- das correm em várias direções, intermisturando-se com grandes plexos venosos. A camada muscular hipertrofia-se com o óstio interno do útero para formar um esfincter. O colo do útero, distalmente do óstio interno, perde pro- gressivamente seu músculo liso e, no final, torna-se desprovido de qualquer músculo liso e elástico em sua metade distal. Na realidade, torna-se o “tendão fechado” do útero, ponto ao qual, durante a atividade do trabalho de parto, o útero e a vagina di- rigem seus esforços. A camada mucosa (endométrio) é macia e esponjosa, composta de tecido semelhante ao tecido conectivo embrionário. A superfície consiste em uma camada única de epitélio colunar ciliado. O tecido é, mais precisamente, delicado

e friável, contendo várias glândulas tubulares que se abrem na cavidade do útero.

0 Posição e direção axial

A direção axial do útero varia enormemente. Em geral, o útero

forma um ângulo agudo com a vagina, de tal modo que sua face anterior se situa sobre a face superior da bexiga urinária, e o corpo do útero está em um plano horizontal quando a mulher

está em posição ereta. Há uma curva na área do istmo, em que,

então, a face do colo do úterose volta para baixo. Essa posição é

a anteversão ou angulação normal do útero, embora ele possa

estar colocado para trás (retroversão), sem angulação (posi- ção militar) ou para um dos lados (lateriversão/lateroversão).

A flexão para frente, no istmo, é referida como anteflexão, ou

pode ocorrer uma correspondente retroflexão ou lateriflexão/ lateroflexão. Não existe um limite nítido entre o estado normal e patológico da angulação anterior (anteversão).

0 Relações

O corpo do útero repousa, anteriormente, sobre as faces superior

e posterior da bexiga urinária, estando separados pela escavação

vesicouterina do peritônio urogenital. Toda a parede anterior do colo do útero encontra-se abaixo do soalho dessa escavação e está separada do corpo da bexiga somente pelo tecido conectivo. Posteriormente, a cobertura peritoneal estende-se para baixo,

até a porção superior da vagina; portanto, toda a face posterior

do útero é revestida pelo peritônio, e a parede posterior convexa

é separada do reto pela escavação retouterina (fundo de saco ou

bolsa de Douglas). Algumas vilosidades do intestino podem si-

tuar-se sobre a face posterior do corpo do útero e estar presentes

na escavação retouterina. Lateralmente, o útero está relacionado com várias estruturas

contidas no seu ligamento largo: as tubas uterinas, o ligamento redondo do útero e o ligamento suspensor do ovário, as artérias

e as veias uterinas e os ureteres. As relações dos ureteres com

as artérias uterinas são muito importantes cirurgicamente. Os ureteres, quando passam para a bexiga, correm paralelamente

ao colo do útero em uma distância de 8 a 12 mm. A artéria ute-

rina atravessa o ureter anterossuperiormente, próximo ao colo do útero, a cerca de 1,5 cm da parte lateral do fórnice da vagina.

Na realidade, o ureter passa sob a artéria uterina “como a água corre embaixo da ponte”.

0 Ligamentos

Embora o colo do útero seja fixo, o corpo do útero é livre para subir e descer com o enchimento e o esvaziamento da bexiga uri- nária. Os chamados ligamentos que sustentam o útero consistem

nos ligamentos uterossacrais, ligamentos transversos do colo (li- gamentos ou suportes cardinais ou principais, ligamentum trans- versum cervicis, ligamentos de Mackenrodt), ligamentos redondos do útero e ligamentos largos do útero. O colo do útero está en- caixado no tecido denominado paramétrio, que contém quan- tidades variáveis de músculo liso. Há dois pares de estruturas contínuas com o paramétrio e com a parede do colo do útero:

os ligamentos uterossacrais e o ligamento transverso (cardinal)

do colo do útero, este último sendo o principal meio de sus- tentação e suspensão do útero a partir das paredes laterais da

pelve menor. Os ligamentos uterossacrais são, de fato, as pregas inferopos- teriores do peritônio do ligamento largo do útero. Consistem

principalmente em feixes de nervos do plexo hipogástrico infe- rior e contêm fibras pré e pós-ganglionares, além de fibras C dos segmentos lombares simpáticos e parassimpáticos, sendo parte dos componentes sacrais e parte das fibras C ou sensitivas dos segmentos espinais. Os ligamentos cardinais são compostos de fibras longitudi- nais de músculo liso, que se originam superiormente do útero

e inferiormente da vagina, abrindo-se em leque na direção

da fáscia visceral da pelve, para formar, com o óstio interno

34

Seção I

FundAmentos dA reprodução

do útero, o principal suporte uterino. Há um defeito natural nas laterais desse músculo (hilo do útero) e no istmo do útero (óstio interno), por onde os suprimentos vascular e nervoso entram no útero. Os ligamentos redondos do útero, embora não constituam suportes verdadeiros, podem auxiliar na manutenção do corpo do útero em sua posição típica sobre a bexiga urinária. Esses ligamentos consistem em cordões longitudinais de fibras de músculo liso proveniente da camada externa do corpo uterino. Do ponto de fixação ao útero, imediatamente abaixo ao do liga- mento suspensor do ovário, cada ligamento redondo estende-se para baixo, para os lados e para frente entre as duas camadas do mesométrio, na direção do anel inguinal profundo (interno), que esse ligamento atravessa, e do canal inguinal, terminando em forma de leque nos lábios maiores do pudendo feminino e

se tornando contínuo com o tecido conectivo. O ligamento re-

dondo do útero (ligamentum teres uteri) é o gubernáculo ves- tigial na mulher. É acompanhado por um ramo funicular da artéria ovárica, um ramo do plexo venoso ovárico e, na parte inferior do seu curso, um ramo da artéria epigástrica inferior (artéria de Sampson), sobre a qual ele passa, quando entra no anel inguinal profundo (interno). Através do canal inguinal, é acompanhado pelo nervo ilioinguinal e pelo ramo espermático externo do nervo genitofemoral. O ligamento largo do útero, que consiste em uma prega pe- ritoneal transversa originada do soalho da pelve, entre o reto e a bexiga, propicia uma sustentação mínima. Além do suporte estático desses ligamentos, o diafragma da pelve (músculo elevador do ânus) fornece um suporte indireto, porém dinâmico. Esses músculos não entram realmente em contato com o útero, mas ajudam a sustentar a vagina e manter íntegro o soalho de toda a pelve na resistência à pressão de su- peroinferior. A eficácia desses músculos depende de um períneo intato (corpo do períneo, músculo e corpo bulboesponjosos), pois se esse estiver lacerado ou enfraquecido os ligamentos se distenderão gradualmente, e o útero cairá. Com efeito, o útero (com seus componentes) e a vagina formam uma unidade contínua.

0 Artérias

O suprimento sanguíneo do útero é fornecido pelas artérias ute-

rina e ovárica. Como um ramo terminal da artéria hipogástrica, a artéria uterina corre abaixo e medialmente, cruzando o ureter junto ao colo do útero. Depois, sobe junto à margem lateral do útero, em um curso tortuoso através do paramétrio, emitindo ramos laterais para ambas as faces uterinas. Acima, anastomo- sa-se com a artéria ovárica, no mesométrio, que cria a princi- pal fonte sanguínea acessória. No interior do útero, as artérias uterinas formam uma série de arcos acima do fundo do útero, criando anastomoses cruzadas com o lado oposto. Os ramos das artérias arqueadas (radiais) penetram no mio- métrio, em ângulos retos, terminando nas arteríolas basilares para a porção basilar do endométrio e nos ramos helicinos da artéria uterina (artérias espirais) do endométrio. As artérias es- pirais têm estrutura espiralada, não devido ao crescimento endo- metrial, mas porque, ontogeneticamente, um órgão carrega com ele seu suprimento arterial, à medida que muda de tamanho e

posição. Portanto, as artérias espirais estão aptas a manter o fluxo arterial adequado para a placenta, enquanto essa última estiver fixa no interior do útero. Por outro lado, as veias do endométrio são uma série de pequenos sinusoides que se conectam aos si- nusoides maiores do miométrio, esses últimos coalescendo nas veias maiores do complexo uterino. É útil salientar, neste ponto,

a significância do papel muscular do útero, auxiliando a contro-

lar o sangramento venoso durante o parto. O suprimento arterial para o colo do útero se dá principal- mente pelos ramos cervicais das artérias uterinas direita e es- querda, que formam uma tela em torno do colo do útero (artéria coronária), criando a artéria ázigo na linha mediana antero- posterior. Anastomoses entre essa artéria e a artéria vaginal em ambos os lados possibilitam o fluxo cruzado na parede anterior, enquanto na parede posterior da vagina ocorrem anastomoses com as artérias retais médias direita e esquerda (artérias hemor-

roidárias médias direita e esquerda), já que essas artérias suprem

a parede e o reto.

0 Veias

As veias formam um plexo e drenam, através das veias uterinas, para a veia hipogástrica. Há conexões com as veias ováricas e epigástricas inferiores, por meio da veia acompanhante do liga- mento redondo do útero.

0 Vasos linfáticos

A drenagem linfática envolve diversas séries ou cadeias de lin-

fonodos. Do plexo subperitoneal, os troncos coletores do seg- mento uterino inferior podem drenar, pelo colo do útero, para a

série de linfonodos ilíacos externos ou, pelo istmo do útero, para

os linfonodos sacrais laterais. A drenagem ao longo do ligamento

redondo do útero progride para os linfonodos inguinais superfi-

ciais, depois aos femorais, e finalmente à série de linfonodos ilí- acos externos. A drenagem lateralmente ao ligamento suspensor do ovário envolve o pedúnculo lombar e progride em um modo retroperitoneal através do ureter e anteriormente a esse para os linfonodos lombares (interaorticocavais) que se situam ao longo

da aorta e inferiormente ao rim.

Tubas uterinas (trompas de falópio; oviductos uterinos)

0 Anatomia

As tubas uterinas servem para conduzir os ovócitos (óvulos) ao útero. Estendem-se dos cantos superiores do útero até a região dos ovários, correndo na margem superior do ligamento largo

do útero (mesossalpinge). As tubas uterinas e os ovários são re- feridos em conjunto como anexos/adnexos. A princípio, o trajeto

de cada tuba é quase horizontal e levemente posterior. Ao alcan-

çar o polo (uterino) inferior do ovário, a tuba volta-se para cima,

tornando-se paralela à margem anterior (mesovariana), depois

se arqueia para trás acima do polo superior e desce posterior-

mente, para terminar em contato com a face medial. Cada tuba

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

35

tem 7 a 12 cm de comprimento e pode ser dividida em quatro partes: istmo, ampola, infundíbulo e intersticial. O istmo da tuba uterina é a porção estreita e quase reta que

se une diretamente ao útero. Seu trajeto intramural é longo e

sua abertura no útero — o óstio uterino da tuba uterina — tem aproximadamente 1 mm de diâmetro. Em seguida ao istmo, encontra-se a ampola da tuba uterina, mais larga e mais espira- lizada, que termina em uma dilatação afunilada, denominada infundíbulo da tuba uterina. As margens desse infundíbulo são orladas por numerosos processos divergentes (franjas), as fím-

brias da tuba uterina, das quais a mais longa, a fímbria ovárica,

é fixada ao ovário. O orifício afunilado do infundíbulo da tuba

uterina, denominado óstio abdominal da tuba uterina, tem cerca de 3 mm de diâmetro e se abre, realmente, na cavidade peritoneal, embora provavelmente se encontre justaposto à su- perfície do ovário durante a ovulação. A intersticial é a porção da tuba uterina que se situa no interior da parede uterina. Sua porção mais interna é vista da cavidade do útero como o óstio uterino da tuba uterina.

0 Camadas da parede

A parede da tuba uterina tem quatro camadas: a túnica serosa

(peritoneal), a tela subserosa ou adventícia (fibrosa e vascular),

e as túnicas muscular e mucosa. Cada tuba é recoberta por um

envoltório peritoneal, exceto ao longo de uma pequena faixa em sua face inferior, na qual o mesossalpinge se fixa. Nas margens do infundíbulo e das fímbrias, esse envoltório peritoneal torna-se diretamente contínuo com a membrana mucosa que reveste o in- terior da tuba. A tela subserosa é frouxa na vizinhança imediata

da tuba; é nessa camada que se encontra o suprimento sanguíneo

e nervoso. A túnica muscular tem uma camada longitudinal ex-

terna e uma camada circular interna de fibras de músculo liso, mais proeminente e contínua com a do útero na extremidade uterina da tuba. A túnica mucosa é de epitélio colunar ciliado,

com pregas longitudinais irregulares, simples na região do istmo

da tuba uterina, mas se tornando mais altas e complexas na am-

pola da tuba uterina. O revestimento epitelial estende-se para fora, nas fímbrias da tuba uterina. O movimento ciliar se dá na direção do útero.

0 Artérias e veias

O suprimento sanguíneo para as tubas uterinas origina-se das

artérias ovárica e uterina. O ramo tubário da artéria uterina corre ao longo da face inferior da tuba uterina até a extremidade fimbriada e também pode emitir um ramo para o ligamento re-

dondo do útero. O ramo ovárico da artéria uterina corre ao longo da margem fixa do ovário e emite um ramo tubário; Ambos os ramos formam anastomoses entrecruzadas no mesossalpinge. As veias acompanham as artérias.

0 Vasos linfáticos

A drenagem linfática ocorre por meio de troncos retroperitone-

ais, que correm ao longo do ureter e anteriormente a esse, para os linfonodos lombares existentes ao longo da aorta e inferiormente

ao rim.

ovários

0 Anatomia

Os ovários são órgãos pares situados junto às paredes laterais da pelve menor, pouco abaixo de sua margem. Cada ovário mede 2,5

a 5 cm de comprimento, 1,5 a 3 cm de largura e 0,7 a 1,5 cm de

amplitude, pesando cerca de 4 a 8 g. O ovário tem duas faces, me-

dial e lateral; duas margens, anterior ou mesovárica e posterior ou livre; e duas extremidades (ou polos), superior ou tubária e inferior ou uterina. Quando o útero e os anexos/adnexos estão na posição normal, o eixo longo do ovário é quase vertical, mas se curva um pouco, medial e anteriormente, na extremidade inferior,

de modo que o polo inferior tende a apontar na direção do útero.

A face medial é arredondada e, posteriormente, pode ter numero-

sas cicatrizes ou elevações que marcam a posição dos folículos em desenvolvimento e os locais dos que já foram rompidos.

0 estrutura do ovário

O ovário é recoberto por epitélio colunar cúbico ou baixo e con-

siste em um córtex e uma medula. A medula do ovário é com- posta por fibras de tecido conectivo, células musculares lisas e numerosos vasos sanguíneos, nervos, vasos linfáticos e tecido de sustentação. O córtex do ovário é composto de um fino es- troma areolar, com muitos vasos e folículos dispersos de células epiteliais, em cujo interior se encontram os óvulos definitivos (ovócitos) em vários estágios de maturação. Os folículos mais maduros aumentam de tamanho e se projetam sobre a margem livre do ovário, onde são visíveis a olho nu, sendo chamados fo- lículos ováricos vesiculosos (folículos de Graaf). Quando está completamente maduro, o folículo rompe-se, liberando o óvulo (ovócito) e transformando-se em um corpo lúteo. O corpo lúteo, por sua vez, é, posteriormente, substituído por tecido cicatricial, formando um corpo albicante, caso a gravidez não seja alcan- çada nesse ciclo menstrual específico.

0 Relações

A porção superior da face medial é projetada pela extremidade

com fímbrias da tuba uterina, e a porção restante mantém-se rela- cionada com as vilosidades do intestino. A face lateral tem forma

semelhante à da parede pélvica, para a qual se volta e onde forma uma depressão diferente, a fossa ovária. Essa fossa é revestida pelo peritônio e limitada acima pelos vasos ilíacos externos e abaixo pelos vasos e nervo obturatórios; seu limite posterior é formado pelo ureter e pelas artéria e veia uterinas, e a fixação pélvica do ligamento largo do útero está localizada anteriormente. A margem mesovárica ou anterior é razoavelmente reta e propicia a fixação para o mesovário, uma prega peritoneal pela qual o ovário é fixado à camada posterossuperior do ligamento largo do útero. Em razão de artérias, veias, nervos e vasos linfá- ticos entrarem no ovário por essa margem, ela é referida como

o hilo do ovário.

0 Mesovário

O ovário é suspenso por meio do mesovário, do ligamento

suspensor do ovário (ligamento infundibulopélvico [IP]), e do

36

Seção I

FundAmentos dA reprodução

ligamento útero-ovárico (ligamento ovariano). O mesovário consiste em duas camadas de peritônio, contínuo com a túnica epitelial do ovário e a camada posterossuperior do ligamento largo do útero. O mesovário é curto e largo, contendo ramos das artérias ovárica e uterina, com plexos de nervos, o plexo pampi- niforme de veias e a extremidade lateral do ligamento útero-ová- rico. O ligamento suspensor do ovário é uma prega triangular do

peritônio e, na realidade, é o canto lateral superior do ligamento largo do útero, que se torna confluente com o peritônio parietal

na margem da pelve. Fixa-se ao mesovário, assim como à túnica peritoneal do infundíbulo medialmente, suspendendo, assim,

tanto o ovário como a tuba uterina. Contém artéria, veias e ner- vos ováricos, depois que eles passam acima da margem da pelve

e antes de entrarem no mesovário. O ligamento útero-ovárico é uma faixa de tecido conectivo,

com pequenas e numerosas fibras musculares, que se situa entre

as duas camadas do ligamento largo, na linha limítrofe entre o

mesossalpinge e o mesométrio, conectando a extremidade ou polo inferior (uterina) do ovário com a parede lateral do útero. É

fixado exatamente abaixo da tuba uterina e acima do sítio de fi- xação do ligamento redondo do útero, sendo contínuo com esse último.

0 Artérias e veias

A artéria ovárica é a principal fonte de sangue para o ovário.

Embora ambas as artérias possam originar-se como ramos da aorta abdominal, a esquerda frequentemente se origina da ar-

téria renal esquerda; a direita, com menor frequência. Os vasos divergem mutuamente à medida que se dirigem para baixo. Ao alcançarem o nível da artéria ilíaca comum, curvam-se medial- mente sobre esse vaso e o ureter para descerem espiraladamente

a cada lado da pelve, entre as pregas do ligamento suspensor do

ovário, para o mesovário. Uma fonte sanguínea adicional é for- mada a partir de anastomoses com o ramo ovárico da artéria

uterina, que corre ao longo da margem fixa do ovário. Os vasos sanguíneos que entram no hilo emitem centrifugamente ramos

de capilares.

As veias seguem o curso das artérias e, quando emergem do hilo, formam um plexo bem desenvolvido (o plexo pampini- forme) entre as camadas do mesovário. Nas telas do plexo, ocor- rem fibras musculares lisas, dando a aparência de tecido erétil a toda a estrutura.

0 Vasos linfáticos

Os vasos linfáticos fazem a drenagem retroperitoneal, junto dos vasos das tubas uterinas e parte dos do útero, para os linfonodos lombares, ao longo da aorta inferior até o rim. A distribuição dos vasos linfáticos, no ovário, é tão ampla, que sugere que esse sistema também possa fornecer líquido adicional a esse órgão durante os períodos de tumefação folicular pré-ovulatória.

0 Nervos

O suprimento nervoso dos ovários origina-se da tela simpática

lombossacral e passa às gônadas junto da artéria ovárica.

Vagina

0 Anatomia

A vagina é um tubo fibromuscular oco e forte, com aproxima-

damente 7 a 9 cm de comprimento, estendendo-se do útero ao

vestíbulo dos órgãos genitais femininos externos, onde se abre ao exterior. Seu eixo longo é quase paralelo ao da parte inferior do sacro e encontra o colo do útero em um ângulo de 45 a 90°. Devido à projeção do colo do útero para a porção superior, a parede anterior da vagina é mais curta, por 1,5 a 2 cm, do que

a parede posterior. O saco circular de fundo cego formado em

torno do colo do útero é conhecido como fórnice da vagina e

é dividido em quatro partes: parte anterior (fórnice anterior),

parte posterior (fórnice posterior) e duas partes laterais (fórnices laterais). Na direção de sua extremidade inferior, a vagina pene- tra no diafragma urogenital e é circundada por dois músculos e corpos bulboesponjosos, que agem como um esfincter (esfincter

da vagina).

0 estrutura da parede

A parede da vagina é composta por uma túnica mucosa e uma

túnica muscular. As fibras de músculo liso são dispostas indis- tintamente em três camadas: uma camada longitudinal externa, uma camada circular e uma camada longitudinal interna pouco

diferenciada. No terço inferior, as fibras circulares envelopam a uretra. A região submucosa é suprida abundantemente com um denso plexo de veias e vasos linfáticos. A túnica mucosa mos- tra muitas rugas vaginais transversais e oblíquas, que se proje- tam internamente, a tal ponto que o lume, em corte transversal, assemelha-se a uma fenda em forma de H. Nas paredes anterior

e posterior, essas rugas formam cristas que são mais proeminen-

tes, chamadas colunas anterior e posterior das rugas, respecti- vamente; a coluna anterior das rugas forma a carina uretral da vagina em sua extremidade inferior, na qual a uretra se invagina levemente na parede anterior da vagina. A mucosa da vagina é revestida inteiramente por epitélio escamoso não queratinizado/ ceratinizado. Embora a vagina não tenha glândulas verdadeiras, há presença de uma secreção, que consiste em muco cervical, epitélio descamado e, com a estimulação sexual, em transudato direto.

0 Relações

Anteriormente, a vagina encontra-se em íntima relação com a bexiga urinária, os ureteres e a uretra, sucessivamente. A parte posterior do fórnice da vagina é recoberta pelo peritônio da es- cavação retouterina, que pode conter vilosidades do intestino. Abaixo da escavação, a vagina repousa quase diretamente sobre

o reto, dele separada por uma camada delgada de tecido conec-

tivo areolar. Na direção da extremidade inferior da vagina, o reto volta-se rapidamente para trás, e a distância entre a vagina e o reto aumenta muito. Esse espaço, preenchido com fibras muscu- lares, tecido conectivo e tecido adiposo, é conhecido como corpo do períneo. Uma parte lateral do fórnice da vagina se situa justa- mente abaixo da raiz do ligamento largo do útero e está a cerca de 1 cm do ponto em que a artéria uterina atravessa o ureter.

AnAtomIA do sIstemA GenItAl FemInIno

CAPÍTULo 1

37

A remanescente parede lateral da vagina está relacionada com as margens da porção anterior do músculo elevador do ânus. A vagina é sustentada, no introito, pelos músculos e corpos bulbo-

esponjosos, no terço inferior pelo elevador do ânus (puborretal),

e superiormente pelos ligamentos transversos (cardinais) do

útero. Com frequência, o ducto longitudinal do epoóforo (ducto de Gartner), resquício da porção inferior do ducto wolffiano (ducto mesonéfrico), pode ser encontrado nas laterais da vagina, como um tubo minúsculo ou um cordão fibroso. Muitas vezes, essas estruturas vestigiais transformam-se em cistos e aparecem como áreas translúcidas.

0 Artérias e veias

A principal irrigação sanguínea da vagina é proporcionada pelo

ramo vaginal da artéria uterina. Após formar a artéria coronária ou circular do colo do útero, passa medialmente atrás do ureter,

para emitir cinco ramos principais, sobre a parede anterior, para

a linha média. Esses ramos se anastomosam com a artéria ázigo

(originária medial da artéria coronária do colo do útero) e se continuam para baixo, a fim de irrigarem a parede anterior da vagina e os dois terços inferiores da uretra. Finalmente, a ar- téria uterina se anastomosa com o ramo uretral da artéria do clitóris. A parede posterior da vagina é irrigada por ramos das

artérias retais média e inferior, que se dirigem à linha média para

se unirem à artéria ázigo da artéria coronária do colo do útero. A seguir, esses ramos se anastomosam, no períneo, com as artérias perineais transversas superficial e profunda. As veias seguem o percurso das artérias.

0 Vasos linfáticos

Os vasos linfáticos são plexos mucosos numerosos, que se anas- tomosam com plexos musculares mais profundos. O grupo su- perior de vasos linfáticos junta-se aos do colo do útero, podendo acompanhar a artéria uterina e terminar nos linfonodos ilíacos externos, ou formar anastomoses com o plexo uterino. O grupo médio de vasos linfáticos, que drena a maior parte da vagina, parece acompanhar as artérias vaginais até os canais hipogás- tricos. Além disso, há linfonodos no septo retovaginal que são os principais responsáveis pela drenagem do reto e de parte da

parede posterior da vagina. O grupo inferior de vasos linfáticos forma frequentes anastomoses entre os lados direito e esquerdo e

se dirige acima para se anastomosar com o grupo médio de vasos

linfáticos, ou entra no pudendo feminino e drena aos linfonodos inguinais.

0 Nervos

A inervação da vagina contém tanto fibras simpáticas, como pa-

rassimpáticas. Raramente são observadas terminações nervosas

livres na mucosa; nenhum outro tipo de terminação nervosa é percebido.

ReSUMo

Ainda que a anatomia básica e a estrutura do corpo humano não estejam mudando, a evolução de abordagens e tecnologias ci- rúrgicas está. Esse campo em constante mudança exige que o cirurgião ginecológico seja bem versado em anatomia pélvica feminina por meio de constante revisão e estudo dos respecti-

vos conteúdos. Seu conhecimento e atualização sobre a pelve feminina permitirão que até o mais experiente cirurgião sênior

se adapte a situações em que a anatomia está alterada em con-

sequência de processos mórbidos, malformações congênitas ou outras complicações desconhecidas.

Berek J. Berek and Novak’s Gynecology. 14th ed. Philadelphia, PA: Lip- pincott Williams & Wilkins; 2007. Gabbe S, Niebyl JR, Simpson JL, et al.: (eds). Obstetrics. Normal and Problem Pregnancies. 5th ed. New York, NY: Churchill Livingston Elsevier; 2007. Kass J, Chiou-Tan FY, Harrell JS, Zhang H, Taber KH. Sectional neuroanatomy of the pelvic floor. J Comput Assist Tomogr 2010;34:473–477. PMID: 19820518. Rahn D, Phelan JL, Roshenraven SM, et al.: Anterior abdominal wall nerve and vessel anatomy: clinical implications for gyneco- logic surgery. Am J Obstet Gynecol 2010;202:234.e1–e5. PMID:

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