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Publicado em nosso site em 27/05/2015

IR, CSLL, PIS e COFINS - Hedge - Tributação - Roteiro de Procedimentos Roteiro - Federal - 2015/3915

Sumário

Introdução I - Conceito de "hedge"

II - Classificação II.1 - Hedge Perfeito ou Puro II.2 - Hedge Imperfeito II.3 - Hedge Operacional II.4 - Hedge Especulativo

III - Tributação

III.1 - Imposto de Renda - Incidência III.1.1 - Antecipação do IR III.1.2 - Tributação pelo Lucro Real III.1.3 - Tributação pelo Lucro Presumido III.1.4 - Tributação pelo Simples Nacional III.1.5 - Operações de Cobertura em Bolsa do Exterior III.1.6 - Remessas para o Exterior

III.2 - CSLL III.3 - Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS III.3.1 - Regime Cumulativo e discussão acerca da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718 III.3.1.1 - Reflexos das decisões III.3.1.2 - Regras válidas a partir de 2015 III.3.2 - Regime Não-cumulativo III.3.2.1 - Regras válidas a partir de 2015 III.3.2.2 - Alíquota para PIS e COFINS IV - Mercado de liquidação futura - Momento de reconhecimento dos resultados

V- Decisões Administrativas

Introdução

Neste Roteiro, trataremos sobre a tributação incidente sobre os ganhos obtidos com as operações realizadas com a finalidade de "hedge", em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o PIS/PASEP, e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social

Impressão gerada em 28/05/2015

(COFINS). Além do aspecto dos ganhos, será tratada também a questão da dedutibilidade ou não das perdas.

Nota:

O foco principal deste roteiro são as operações realizadas por instituições não financeiras (pessoas jurídicas em geral).

I - Conceito de "hedge"

De acordo com o glossário do Banco Central do Brasil, hedge pode ser conceituado de duas formas: a) operação realizada com o objetivo de obter proteção contra o risco de variações de taxas de juros, de paridade entre moedas e do preço de mercadorias; ou b) estratégia utilizada com o objetivo de reduzir o risco do portfólio, indicando neutralização de uma posição comprada/vendida em um ativo com uma posição vendida/comprada no mesmo ativo. Trata-se, portanto, de operações que visam reduzir riscos decorrentes de variações, podendo ser entendida como instrumento que objetiva a administração de riscos, minimizando o risco de mercado (redução da incerteza quanto aos resultados futuros). O hedge pode, assim, evitar ou diminuir a concretização de riscos. Normalmente as operações com a finalidade de hedge são realizadas por meio de derivativos, comumente, por meio de swaps. Conforme conceitua Elidie Palma Bifano, em seu livro "O Mercado Financeiro e o Imposto sobre a Renda", essas operações compõem um contrato atípico "formado por dois diferentes contratos que se contrapõem em seus objetivos e resultados, permitindo que dessa contraposição nasça fruto novo, que é a proteção ao risco".

Nota:

Referido termo, oriundo do inglês, pode ser traduzido para o português como cercar, limitar, restringir; safar-se, escapar, ou ainda, proteção e cobertura. Daí porque conhecemos o hedge, como sendo um contrato de cobertura.

É importante ressaltar que o conceito financeiro de hedge pode não corresponder com exatidão ao conceito trazido pela legislação tributária.

Nota:

1. De acordo com a legislação do Imposto de Renda, Lei nº 8981/1995, hedge pode ser conceituado como sendo a operação destinada, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com

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as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinar-se

à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica (Lei

- hedge operacional;

- hedge especulativo.

8981/1995, art. 77, § 1º).

2.

Sobre Hedge, vide também:

II.1 - Hedge Perfeito ou Puro

a)

Ofício Circular CVM/SEP/SNC nº 1/2004 (item 18);

b)

Circular BACEN nº 3.082/2002 (estabelece e consolida

Um hedge perfeito ou puro é aquele que elimina a

critérios para registro e avaliação contábil de instrumentos

possibilidade de ganhos ou perdas futuras de forma perfeita.

financeiros derivativos);

Trata-se, na verdade, de operação em que os instrumentos

c)

Deliberação CVM nº 550/2008 (dispõe sobre a

financeiros têm mesmo valor, índice, e prazo, ou seja, a

apresentação de informações sobre instrumentos financeiros

operação, ao final, não representará nenhum ganho,

derivativos em nota explicativa às informações trimestrais -

tampouco, nenhuma perda.

ITR);

d) Deliberação CVM nº 565/2008 (aprova o Pronunciamento

Técnico CPC 13 emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis que trata da Adoção Inicial da Lei nº

11.638/2007);

e) Deliberação CVM nº 604/2009 (aprova os Pronunciamentos Técnicos CPC 38, 39 e 40, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que tratam do reconhecimento

e mensuração, da apresentação e da evidenciação de instrumentos financeiros);

f) Instrução CVM nº 475/2008 (dispõe sobre a apresentação

de informações sobre instrumentos financeiros, em nota explicativa específica, e sobre a divulgação do quadro demonstrativo de análise de sensibilidade);

g) Resolução CFC nº 1.152/2009 (aprova a NBC T 19.18 -

Adoção Inicial da Lei Nº 11.638/2007 e da Medida Provisória

449/2008 convertida na Lei 11.941/2009);

h)

Resolução CFC nº 1.199/2009 ( aprova a IT 02 -

Instrumentos Financeiros: Reconhecimento, Mensuração e

Evidenciação);

i) Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010 (trata sobre a

retenção na fonte em operações de cobertura (hedge)).

3. Atente-se que a sigla e a numeração "NBC T 19.18"

passaram a ser "NBC TG 13", e a sigla e a numeração "IT 02" passaram a ser "CTG 03", conforme a Resolução nº

1.329/2011.

Fundamentação: art. 56, § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010; art. 77, § 1º da Lei nº 8981/1995.

II - Classificação

Em que pese as classificações em geral dependerem basicamente do critério escolhido, e ainda, da sua utilidade, torna-se importante expor algumas classificações das operações de hedge, que nos ajudarão a compreender a forma de tributação de seus resultados. Assim, discorreremos de forma breve acerca das seguintes modalidades de operação de hedge:

- hedge perfeito ou puro;

- hedge imperfeito;

II.2 - Hedge Imperfeito

Podemos classificar como hedge imperfeito aquelas operações cujos instrumentos financeiros possuem

divergências com relação ao item protegido, seja de prazo,

ou de valor. Em decorrência da diferença, haverá sempre um ganho ou uma perda, em virtude do descasamento da transação.

Nota:

Caso o risco seja inferior à operação de hedge, pode-se dizer que além de imperfeito, estamos diante de um hedge especulativo (vide tópico a seguir).

II.3 - Hedge Operacional

O hedge operacional é aquele que objetiva garantir a

operação contra riscos efetivos. Esses riscos devem estar

diretamente relacionados à atividade operacional do investidor, qual seja, a atividade para a qual aquela empresa

foi criada, e que, em tese, é a fonte geradora de receitas.

Para ser operacional, costuma-se entender ainda, que a cobertura não pode ser superior à operação que se quer proteger, sob pena de ser tratado como hedge especulativo.

II.4 - Hedge Especulativo

O hedge especulativo seria aquele que não tem relação com a

atividade operacional do investidor. Objetiva, em verdade, a geração de ganhos.

É importante salientar que esse conceito é discutível, pois em

que pese o ponto de vista fiscal, do ponto de vista do

administrador da pessoa jurídica, mesmo o hedge dito

"especulativo", pode ser necessário à atividade da empresa.

Ou

seja, o conceito do que seja "atividade operacional" pode

ser

distinto para o administrador, e para a legislação fiscal.

III - Tributação

As operações de hedge podem ocasionar ganhos ou perdas,

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originando lucros ou prejuízos. Dessa forma, há que se preocupar com a tributação incidente quando dos ganhos, e de outro lado, com a dedutibilidade das perdas, no caso de pessoa jurídica tributada pelo regime do Lucro Real. Essas operações, em verdade, são operações financeiras cujo objetivo é a proteção. Assim, ao analisar a tributação dos ganhos, bem assim, a dedutibilidade das perdas, é imprescindível verificar o tipo de aplicação financeira que foi realizada. Essas aplicações podem ser realizadas com a finalidade especulativa, ou com a finalidade de hedge, de forma que havendo enquadramento nessa última hipótese, o tratamento tributário será o disposto neste Roteiro. Nos subitens abaixo, trataremos da incidência do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, bem como sobre a dedutibilidade das perdas, sobre os resultados das operações com finalidade de hedge.

Nota:

Sobre Avaliação de Títulos, Valores Mobiliários e outros Ativos Financeiros a Preço de Mercado, vide art. 35 da Lei nº 10.637/2002; Instrução Normativa SRF nº 334/2003; art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004.

III.1 - Imposto de Renda - Incidência

O imposto sobre a renda tem como fato gerador o aumento

patrimonial, de forma que, ao auferir renda decorrente de ganhos obtidos nas operações financeiras com finalidade de hedge, haverá incidência do IR. Fundamentação: art. 25 da Lei nº 8981/1995; arts. 1º e 55 da Lei nº 9.430/1996.

III.1.1 - Antecipação do IR

Até 31.12.1998, por força do disposto no art. 77 da Lei nº 8.981/1995, não havia retenção na fonte ou tributação em separado sobre os ganhos líquidos em operações de hedge realizadas em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão, desde que essas operações fossem destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preços ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estivesse relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) fosse destinado à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Tal dispensa, contudo, foi revogada pelo art. 5º da Lei nº 9.779/1999, de forma que a partir de janeiro de 1999 os

rendimentos decorrentes das operações de cobertura (hedge), realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos, passariam a sujeitar-se à incidência

do Imposto de Renda na Fonte.

Nota:

A retenção permaneceu não sendo aplicada no caso de beneficiário relacionado no inciso I do art. 77 da Lei nº 8.981/1995 qual seja, instituição financeira, inclusive sociedade de seguro, previdência e capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil.

Apesar do disposto na Lei nº 9.779/1999, o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 1.022/2010 determina que não haverá pagamento do Imposto de Renda em separado (aplicável às aplicações de renda variável), ressalvado o caso de swap (sujeito à retenção na fonte do IR), devendo o resultado positivo ser acrescido à base de cálculo estimada ou presumida, e considerado para fins de apuração do IRPJ pelo Lucro Real.

Nota:

Para fins da dispensa de antecipação acima prevista, consideram-se de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos

inerentes às oscilações de preços ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado:

a) estiver relacionado com as atividades operacionais da

pessoa jurídica; ou

b) destinar-se à proteção de direitos ou obrigações da

pessoa jurídica.

Os rendimentos auferidos nas operações de cobertura (hedge), realizadas através de operações de swap por pessoa jurídica que não seja instituição financeira, sociedade de seguro, de previdência e de capitalização, sociedade

corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil, sujeitam-se à incidência do imposto sobre a renda na fonte às seguintes alíquotas:

a) 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento),

em aplicações com prazo de até 180 (cento e oitenta) dias;

b) 20% (vinte por cento), em aplicações com prazo de 181

(cento e oitenta e um) dias até 360 (trezentos e sessenta) dias;

c) 17,5% (dezessete inteiros e cinco décimos por cento), em

aplicações com prazo de 361 (trezentos e sessenta e um dias) até 720 (setecentos e vinte) dias;

d) 15% (quinze por cento), em aplicações com prazo acima

de 720 (setecentos e vinte) dias. Fundamentação: art. 56 da Instrução Normativa RFB nº

1.022/2010.

III.1.2 - Tributação pelo Lucro Real

Conforme verificamos, havendo acréscimo patrimonial, haverá incidência do Imposto de Renda. Dessa forma, no lucro real deverá ser computado eventual ganho obtido nas operações financeiras com finalidade de hedge.

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No caso de apuração pela Estimativa Mensal, não serão acrescidos à base de cálculo os rendimentos e ganhos líquidos produzidos por aplicação financeira de renda fixa e de renda variável, quando já tiverem sofrido tributação (na fonte ou em separado). Determina o art. 5º, § 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.515/2014, que devem ser acrescidos à base de cálculo estimada os ganhos auferidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão organizado. No que se refere às perdas, determina o § 6º do art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010, que estas poderão ser deduzidas independentemente dos ganhos em mesma operação. Isso significa que mesmo que não existam ganhos nas operações financeiras com finalidade de hedge, as perdas serão dedutíveis para o lucro real. É importante lembrar, que as operações com finalidade de hedge, em verdade, são operações financeiras cujo objetivo, é a proteção. Assim, se se tratar de swap, o tratamento que se dá às perdas, em princípio é o tratamento previsto para esse tipo de operação. A diferença quando o swap for realizado para fins de cobertura - e não em caráter especulativo, é justamente, que a totalidade da perda, mesmo que não exista ganho nessa operação, será dedutível.

Nota:

Vide tópico III.1.5 - "Operações de Cobertura em Bolsa do Exterior".

da Instrução Normativa RFB

nº 1.022/2010; art. 5º, § 1º da Instrução Normativa RFB nº

Fundamentação: art. 56,

§ 6º

1.515/2014.

III.1.3 - Tributação pelo Lucro Presumido

Quando o contribuinte for optante pelo Lucro Presumido, os ganhos obtidos com operações financeiras para fins de hedge deverão ser acrescidos à base de cálculo presumida do trimestre.

Nota:

A partir 1º.01.2015 ou a contar de 1º.01.2014, no caso de adoção antecipada das disposições constantes da Lei nº 12.973/2014, conversão da Medida Provisória nº 627/2013, quando o contribuinte for optante pelo lucro presumido, serão ser acrescidos à base de cálculo presumida do trimestre os ganhos obtidos com operações financeiras para fins de hedge, com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404/1976, auferidos naquele mesmo período.

Fundamentação: art. 25, II da Lei nº 9.430/1996; alterado pela Lei nº 12.973/2014, conversão da Medida Provisória nº

627/2013.

III.1.4 - Tributação pelo Simples Nacional

Em conformidade com o previsto no art. 13 da Lei Complementar nº 123/2006, os contribuintes optantes pelo

Simples Nacional estarão sujeitos ao Imposto de Renda relativo aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, de acordo com as normas aplicáveis aos demais contribuintes. Determina ainda

o § 2º do referido dispositivo legal, que a incidência do

imposto de renda na fonte, nesse caso, será definitiva.

Considerando ainda o disposto no art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 1.022/2010, podemos concluir que:

a) as empresas optantes pelo Simples que realizarem

operações com finalidade de hedge sofrerão tributação na

fonte no caso de swap - sendo que essa tributação será

definitiva;

b) as empresas do Simples, no caso de operações com

finalidade de hedge classificadas como renda variável, deverão tributar os ganhos mediante recolhimento do IR em separado até o último dia útil do mês subseqüente ao da apuração do ganho.

Nota:

Esses rendimentos não devem ser considerados para fins de tributação pelo regime unificado (aplicação das alíquotas constantes nos Anexos I a V da LC nº 123/2006), restringindo, sua tributação, ao disposto nas letras "a" e "b" acima.

Fundamentação: art. 13 da Lei Complementar nº 123/2006.

III.1.5 - Operações de Cobertura em Bolsa do Exterior

Conforme determina o art. 17 da Lei nº 9.430/1996, devem ser computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge), realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior.

O art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 633/2006 dispõe

que no caso de operações para fins de hedge realizadas em

mercados de liquidação futura em bolsas no exterior, as

receitas ou as despesas serão apropriadas pelo resultado:

a) da soma algébrica dos ajustes apurados mensalmente, no

caso de contratos sujeitos a ajustes de posições;

b) auferido na liquidação do contrato, no caso dos demais

derivativos. Em relação ao IRPJ e à CSLL:

a) poderão ser computados na determinação da base de

cálculo os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior, observadas as instruções expedidas pelo Banco Central do Brasil e pela Secretaria da Receita Federal;

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b) os prejuízos e perdas decorrentes das demais operações realizadas no exterior somente poderão ser deduzidos até o limite dos ganhos auferidos no exterior, não podendo ser compensados com lucros e ganhos auferidos no Brasil, observada a exceção abaixo. Admite-se, até 31 de dezembro de 2004, no caso do IRPJ, a dedução de prejuízos e perdas nas operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e com observância das normas e condições por ele estabelecidas. Fundamentação: art. 17 da Lei nº 9.430/1996; art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 633/2006.

III.1.6 - Remessas para o exterior

No caso de rendimentos decorrentes de operações de cobertura de riscos de variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridade entre moedas e de preços de mercadorias (hedge), auferidos por residentes ou

domiciliados no exterior, a alíquota do IRRF foi reduzida a zero, pelo art. 1º da Lei nº 9.481/1997. A alíquota zero, no entanto, não se aplica para rendimentos

de beneficiário residente ou domiciliado em país que não

tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento (paraíso fiscal), a que se refere o art. 24 da

Lei nº 9.430/1996. Nesse caso, que passa a abranger também

países cuja legislação não permita o acesso a informações relativas à composição societária de pessoas jurídicas, à sua

titularidade ou à identificação do beneficiário efetivo de rendimentos atribuídos a não residentes, haverá tributação na fonte à alíquota de 25%, em conformidade com o art. 8º da

Lei nº 9.779/1999.

Para fins de aplicação da redução a zero da alíquota do imposto de renda, é necessário que as operações sejam comprovadamente caracterizadas como necessárias, usuais e normais, inclusive quanto ao seu valor, para a realização da cobertura dos riscos e das despesas deles decorrentes, obedecida a regulamentação pertinente.

Nota:

Vide também Instrução Normativa RFB nº 1.037/2010, que relaciona países ou dependências com tributação favorecida ou oponha sigilo relativo à composição societária de pessoas jurídicas.

O Decreto nº 6.761/2009, regulamentou esse assunto,

dispondo, para fins da aplicação da alíquota zero, que a remessa será efetuada pela instituição autorizada a operar no mercado de câmbio, mediante comprovação da regularidade

tributária e da legalidade e fundamentação econômica da operação. A Instrução Normativa RFB nº 1.455/2014 também apresentou tal disposição.

Nota:

Cabe à instituição interveniente verificar o cumprimento dessas condições, mantendo a documentação arquivada na forma das instruções expedidas pelo Banco Central do Brasil.

Dispõe o art. 7º do Decreto nº 6.761/2009, que a pessoa física ou jurídica que efetuar pagamento de rendimento a beneficiário da redução a zero da alíquota do imposto sobre a renda deverá manter em seu poder, pelo período determinado pela legislação tributária, o documento comprobatório equivalente da realização das operações, bem como contrato

de câmbio e os documentos relativos ao pagamento, crédito,

emprego, entrega ou remessa a residentes ou domiciliados no exterior. Além disso, na hipótese de pagamento com utilização de recursos mantidos no exterior, em moeda estrangeira, de que trata a Lei nº 11.371/2006, deverão ser observadas as normas expedidas pelo Conselho Monetário

Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quanto à prestação de informações e à conservação dos documentos comprobatórios das operações realizadas no exterior.

Nota:

O descumprimento dessas disposições sujeitará a fonte pagadora ao recolhimento do imposto sobre a renda na fonte, acrescido dos encargos legais e acarretará o impedimento à utilização do benefício, enquanto não regularizada a situação.

A fonte pagadora, pessoa física ou jurídica, deverá, a partir

do ano-calendário de 2009, prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, identificando o beneficiário do rendimento, bem como o país de residência.

Nota:

As remessas serão efetuadas pela instituição autorizada a operar no mercado de câmbio, observadas as instruções expedidas pelo Banco Central do Brasil.

Fundamentação: art. 1º da Lei nº 9.481/1997; art. 24 da Lei nº 9.430/1996; art. 8º da Lei nº 9.779/1999; Decreto nº 6.761/2009; art. 5º da Instrução Normativa RFB nº

1.455/2014.

III.2 - CSLL

Os ganhos obtidos com as operações tratadas neste Roteiro também sofrerão a incidência da CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A incidência é similar à do IRPJ, com exceção das antecipações, que não ocorrem com este tributo (não há pagamento em separado, tampouco retenção de CSLL sobre aplicações financeiras). Quando se tratar de tributação pelo Lucro Presumido ou pelo Lucro Real com cálculo por Estimativa, os ganhos obtidos

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com as operações visando hedge deverão ser acrescidos à base de cálculo presumida ou estimada. No Lucro Real apurado por meio de balanço, referidos ganhos deverão compor a base de cálculo da CSLL. No caso de empresa optante pelo Simples Nacional, por falta de disposição expressa determinando a forma de tributação da CSLL sobre esses ganhos, e ainda, o disposto no art. 13 da Lei Complementar nº 123/2006, pode-se concluir que não haverá incidência desse tributo para o investidor do Simples Nacional (que sofrerá a tributação somente do IR, na forma demonstrada acima).

Nota:

Sobre Avaliação de Títulos, Valores Mobiliários e outros Ativos Financeiros a Preço de Mercado, vide art. 35 da Lei nº 10.637 de 2002; Instrução Normativa SRF nº 334/2003.

Fundamentação: Instrução Normativa SRF nº 390/2004.

III.3 - Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS

Analisando a Lei nº 9.718/1998, as Leis Complementares nº 70/1991 e nº 7/1970, e ainda, as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pode-se concluir que o fato gerador da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS é auferir receita. Assim, sempre que uma pessoa jurídica auferir receitas, ressalvadas as exclusões, isenções, ou outros benefícios, estará sujeita ao pagamento de PIS e de COFINS. As operações financeiras com finalidade de hedge podem gerar um ganho para o investidor, e esse ganho, por ser receita, pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS.

Nota:

A empresa optante pelo Simples Nacional, por falta de disposição expressa determinando a forma de tributação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre esses ganhos, e ainda, considerando o disposto no art. 13 da Lei Complementar nº 123/2006, não sofrerá a incidência dessas contribuições (que sofrerá a tributação somente do IR, na forma demonstrada acima).

Fundamentação:

7/1970; Lei nº 9.718/1998; Lei nº 10.637/2002; Lei nº

10.833/2003.

III.3.1 - Regime Cumulativo e discussão acerca da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718

Leis

Complementares

70/1991

e

Em princípio, tributarão as receitas pelo regime cumulativo, aquelas empresas tributadas pelo Lucro Presumido. As empresas do Lucro Real, deverão observar do tópico seguinte, relativas ao regime não-cumulativo. Sobre as receitas auferidas, devem ser aplicadas as alíquotas de 0,65% para o PIS/PASEP e de 3% para a COFINS. Há que se observar que por meio da Lei nº 9.718/1998, foi aumentada a base de cálculo da contribuição para o

PIS/PASEP e da COFINS. Anteriormente, a base de cálculo compreendia o faturamento da pessoa jurídica, e, após a referida Lei, passou a ser a receita bruta, muito mais abrangente, entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9718/1998). Ou seja, a lei estendeu o conteúdo semântico da palavra faturamento, "equiparando-a" a receita bruta. Ocorre que à época da edição da Lei nº 9.718/1998, a Constituição Federal, quando tratava do financiamento da seguridade social, somente previa a incidência das contribuições sobre o faturamento, de forma que não era possível a tributação incidir sobre a receita bruta, por falta de permissivo constitucional. Posteriormente, a "equiparação" entre faturamento e receita bruta das pessoas jurídicas seria introduzida no Texto Supremo pela Emenda nº 20/1998, ou seja, o governo pretendeu validar constitucionalmente a lei ordinária, em momento posterior à sua edição. Para os doutrinadores e juristas, nunca houve dúvidas: a lei que aumentou a base de cálculo das contribuições é inconstitucional, pois lei que "nasce" inconstitucional, não pode se tornar válida, posteriormente, sob pena de desrespeito a vários fundamentos e princípios, inclusive a segurança jurídica, de forma que abrindo esse precedente, poder-se-ia ser alvo de inúmeras leis inconstitucionais, que poderiam ser validadas posteriormente através de emendas constitucionais.

A partir daí, passaram-se aproximadamente 7 anos, até que o

Supremo Tribunal Federal - STF, decidisse por fim sobre a constitucionalidade ou não da Lei. E assim, no julgamento dos Recursos Extraordinários (REs) 357950, 390840, 358273

e

346084 o Plenário decidiu pela inconstitucionalidade do §

do artigo 3º da norma.

Fundamentação: Lei nº 9.718/1998.

III.3.1.1 - Reflexos das decisões

As decisões favoráveis aos contribuintes em princípio somente beneficiavam as empresas autoras das ações já julgadas. De qualquer forma, o caminho para aqueles que possuíam ações pendentes, bem como os contribuintes que ainda pretendiam iniciar a ação no Judiciário, devia ser de êxito. Conforme previsão constitucional, o Supremo também poderia comunicar ao Senado a decisão, para que o Legislativo providenciasse a suspensão da parte declarada inconstitucional, e aí sim, o disposto na decisão valeria para todos. Assim, conforme exposto acima, as decisões proferidas não davam fundamento para que de imediato todas as empresas

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tributadas com amparo da Lei nº 9.718 deixassem de recolher

b) o preço da prestação de serviços em geral;

a

contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre as

c) o resultado auferido nas operações de conta alheia; e

receitas decorrentes de operações financeiras com finalidade

d) as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa

de

hedge, sob pena de autuação do fisco federal. Até que o §

jurídica, não compreendidas nas letras "a" a "c".

do art. 3º da Lei 9718 fosse retirado do nosso ordenamento

Para fins de determinação da base de cálculo das

jurídico, salvo se amparado por decisões específicas, na qual

contribuições, excluem-se da receita bruta:

a empresa era parte, as contribuições deveriam continuar a

serem recolhidas na forma definida na lei. Ou seja, as receitas decorrentes de operações financeiras de hedge deveriam ser oferecidas à tributação relativamente ao PIS e à COFINS cumulativas.

O § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que dispunha que a

receita bruta compreendia a totalidade das receitas auferidas

pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, foi revogado pela Lei nº 11.941/2009. Isso significa que, em regra, não mais é preciso discutir em juízo a inconstitucionalidade do alargamento de base de cálculo promovido pela Lei nº 9.718 de 1998, não sendo garantida, por outro lado, a possibilidade de compensação dos valores pagos em anos anteriores, em conformidade com o dispositivo revogado. Assim, a partir de 28 de maio de 2009, não são mais devidas, pelas empresas tributadas pelo regime cumulativo, a tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre receitas não decorrentes da atividade da empresa, como por exemplo, as receitas financeiras. Fundamentação: Lei nº 9.718/1998.

III.3.1.2 - Regras válidas a partir de 2015

A partir de 1º.01.2015 começa a vigorar o novo regime

especial introduzido pela Lei nº 12.973/2014, conversão da Medida Provisória nº 627/2013. Entretanto, conforme estabelecem os arts. 75 e 119, I da Lei nº 12.973/2014, a pessoa jurídica poderá optar pela aplicação antecipada das disposições contidas nos seus arts. 1º e 2º e 4º a 70 a partir de 1º.01.2014, observando-se que a opção será irretratável e acarretará a aplicação de todas as alterações trazidas pelos artigos mencionados anteriormente e os efeitos das revogações previstas no art. 117, caput, I a VI e VIII e X, serão também a partir de 1º.01.2014, na forma, no prazo e

nas condições a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Desse modo, a partir 1º.01.2015 ou a contar de 1º.01.2014,o PIS/PASEP e a COFINS serão calculadas com base no seu faturamento, que compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/1977. De acordo com o art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, a receita bruta compreenderá:

a) o produto da venda de bens nas operações de conta

própria;

I) as vendas canceladas e os descontos incondicionais

concedidos; II) as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas

receitas, o resultado positivo da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita bruta;

III) as receitas de que trata o art. 187, IV da Lei nº

6.404/1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; e

Nota:

A Lei nº 13.043/2014, conversão da Medida Provisória nº 651/2014 que deu nova redação ao item "III", também dispôs que a pessoa jurídica poderá excluir da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da alienação de participação societária o valor despendido para aquisição dessa participação, desde que a receita de alienação não tenha sido excluída da base de cálculo das mencionadas contribuições na forma do item "III" mencionada.

IV) a receita reconhecida pela construção, recuperação,

ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços

públicos.

Nota:

1. Para efeito da adoção inicial da Lei nº 12.973/2014, as operações ocorridas até 31.12.2013, para os optantes do novo regime especial, ou até 31.12.2014 para os não optantes, permanece a neutralidade tributária (Regime Tributário de Transição - RTT), estabelecida nos arts. 15 e 16 da Lei nº 11.941/2009, e a pessoa jurídica deverá proceder, nos períodos de apuração a partir de janeiro de 2014, para os optantes, ou a partir de janeiro de 2015, para os não optantes, aos respectivos ajustes nas bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, observado os seguintes procedimentos:

a) a diferença positiva, verificada em 31.12.2013, para os optantes, ou em 31.12.2014 para os não optantes, entre o valor de ativo mensurado de acordo com as disposições da Lei nº 6.404/1976, e o valor mensurado pelos métodos e critérios vigentes em 31.12.2007, deve ser adicionada na

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determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL em janeiro de 2014, para os optantes, ou em janeiro de 2015 para os não optantes, salvo se o contribuinte evidenciar contabilmente essa diferença em subconta vinculada ao ativo, para ser adicionada à medida de sua realização, inclusive mediante depreciação, amortização, exaustão, alienação ou baixa. O mesmo se aplica à diferença negativa do valor de passivo e deve ser adicionada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL em janeiro de 2014, para os optantes, ou em janeiro de 2015 para os não optantes, salvo se o contribuinte evidenciar contabilmente essa diferença em subconta vinculada ao passivo para ser adicionada à medida da baixa ou liquidação; b) a diferença negativa, verificada em 31.12.2013, para os optantes, ou em 31.12.2014 para os não optantes, entre o valor de ativo mensurado de acordo com as disposições da

Lei nº 6.404/1976, e o valor mensurado pelos métodos e critérios vigentes em 31.12.2007, não poderá ser excluída na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL, salvo se o contribuinte evidenciar contabilmente essa diferença em subconta vinculada ao ativo para ser excluída à medida de sua realização, inclusive mediante depreciação, amortização, exaustão, alienação ou baixa. O mesmo se aplica à diferença positiva no valor do passivo e não pode ser excluída na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, salvo se o contribuinte evidenciar contabilmente essa diferença em subconta vinculada ao passivo para ser excluída à medida da baixa ou liquidação.

2. Por meio da Instrução Normativa RFB nº 1.469/2014,

ficou, inicialmente, estabelecido que a opção pela aplicação antecipada das disposições contidas na Lei nº 12.973/2014

deveria ser manifestada na DCTF referente aos fatos geradores ocorridos no mês de maio de 2014. Entretanto, com a publicação da Instrução Normativa RFB nº

tributária federal relativa ao IRPJ, à CSLL, ao PIS/PASEP e à COFINS, em razão da revogação do Regime Tributário de Transição (RTT), previstas na Lei nº 12.973/2014. A referida IN foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.515/2014, que dispôs sobre determinação e o pagamento do IRPJ e da CSLL das pessoas jurídicas, o tratamento tributário do PIS/Pasep e da Cofins no que se refere às alterações introduzidas pela Lei nº 12.973/2014 e as normas para apuração do Lucro Presumido com base no regime de caixa.

Fundamentação: Lei nº 9.718/1998, alterada pela Lei nº 13.043/2014; arts. 64 a 67 da Lei nº 12.973/2014; Instrução Normativa RFB nº 1.469/2014; Instrução Normativa RFB nº

1.515/2014.

III.3.2 - Regime Não-cumulativo

As leis que criaram o regime não-cumulativo, quais sejam, as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, já estavam, desde sua edição, amparadas pela Emenda Constitucional nº 20/1998. Dessa forma, não há dúvidas acerca da validade da tributação de toda e qualquer receita (inclusive aquelas não contempladas no faturamento da pessoa jurídica), pela contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS quando se tratar do regime não-cumulativo, ressalvados os benefícios instituídos pela legislação (alíquota zero, isenção, suspensão, dentre outros). Fundamentação: Lei nº 10.637/2002; Lei nº 10.833/2003.

III.3.2.1 - Regras válidas a partir de 2015

A partir 1º.01.2015 ou a contar de 1º.01.2014, no caso de

adoção antecipada das disposições constantes da Lei nº 12.973/2014, o PIS/PASEP e a COFINS incidirá sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação

1.484/2014, a opção será feita na DCTF referente aos fatos

contábil.

geradores ocorridos no mês de agosto de 2014.

O

total das receitas compreenderá a receita bruta de que trata

3.

No caso de início de atividade ou de surgimento de nova

o

art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, e todas as demais

pessoa jurídica em razão de fusão ou cisão, no ano-calendário de 2014, a referida opção deverá ser manifestada na DCTF referente aos fatos geradores ocorridos no 1º mês de atividade. Todavia, no caso de o 1º

mês de início de atividade ou de surgimento de nova pessoa jurídica em razão de fusão ou cisão ocorrer no período de janeiro a julho de 2014, as opções devem, nesse caso, ser exercidas na DCTF referente aos fatos geradores ocorridos no mês de agosto de 2014.

4. O exercício ou o cancelamento da opção pelas novas

regras não produzirá efeito na hipótese de entrega da DCTF fora do prazo.

5. Por meio da Instrução Normativa RFB nº 1.493/2014

foram disciplinadas as disposições que alteram a legislação

receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos

valores decorrentes do ajuste a valor presente (VIII do caput

do art. 183 da Lei no 6.404/1976).

De acordo com o art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, a

receita bruta compreenderá:

a) o produto da venda de bens nas operações de conta

própria;

b) o preço da prestação de serviços em geral;

c) o resultado auferido nas operações de conta alheia; e

d) as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa

jurídica, não compreendidas nas letras "a" a "c". Não integrarão a base de cálculo, as receitas:

a) decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à

alíquota zero;

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b)

auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de

Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes

mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida

sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas

da

empresa vendedora, na condição de substituta tributária;

sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas

c)

c.1) vendas canceladas e aos descontos incondicionais

referentes a:

contribuições. Essa redução não se aplicava às receitas financeiras oriundas

concedidos;

de

juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações

c.2) reversões de provisões e recuperações de créditos

de

hedge.

baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita;

d) de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no

6.404/1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível;

e)

decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes

do

ICMS de créditos de ICMS originados de operações de

exportação;

f) financeiras decorrentes do ajuste a valor presente de que

trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404/1976, referentes a receitas excluídas da base de cálculo da

Contribuição para o PIS/Pasep;

g) relativas aos ganhos decorrentes de avaliação de ativo e

passivo com base no valor justo;

h) de subvenções para investimento, inclusive mediante

isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à

implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e

de doações feitas pelo poder público;

i) reconhecidas pela construção, recuperação, reforma,

ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja

contrapartida seja ativo intangível representativo de direito

de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços

públicos;

j) relativas ao valor do imposto que deixar de ser pago em

virtude das isenções e reduções de que tratam as alíneas "a", "b", "c" e "e" do § 1º do art. 19 do Decreto-Lei no

1.598/1977; e

k) relativas ao prêmio na emissão de debêntures.

Nota:

de

manifestação para aplicação antecipada das disposições

contidas

subtópico III.3.1.2.

do

Observar

na

os

Lei

efeitos

da

adoção

inicial

e

constante

a

na

forma

nota

12.973/2014,

Fundamentação: Lei nº 10.637/2002; Lei nº 10.833/2003; alteradas pela Lei nº 12.973/2014.

III.3.2.2 - Alíquota para PIS e COFINS

A)

De 02 de agosto de 2004 a 31 de março de 2005

O

Decreto nº 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas da

Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o

Nota:

A redução a zero aplica-se, também, às pessoas jurídicas

que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao

regime de incidência não-cumulativa.

Portanto, no período compreendido entre 02.08.2004 e 31.03.2005, as receitas auferidas com operações financeiras

com finalidade de hedge, sofriam tributação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.

B)

De 1º de abril de 2005 até 30 de junho de 2015

O

Decreto nº 5.442/2005 promoveu alterações no que se

refere à alíquota zero para receitas financeiras. A principal alteração consistiu justamente na inclusão das receitas

decorrentes de operações com finalidade de hedge para fins

do benefício. A partir de 1º.4.2005, as receitas decorrentes de

hedge não sofrerão a tributação pelo PIS/PASEP e pela

COFINS, em virtude da alíquota zero prevista no Decreto nº 5.442/2005. Atente-se que tal benefício restringe-se às empresas tributadas pelo regime não-cumulativo das contribuições. Fica revogado o Decreto nº 5.164/2004.

C)

A partir de 1º de julho de 2015

O

Decreto nº 8.426/2015, publicado no DOU Ed. Extra de

1º.4.2015, restabelece as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS, incidentes sobre receitas financeiras para 0,65% e 4%, respectivamente, e determina que tais alíquotas aplicam-se inclusive às receitas financeiras decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração

não-cumulativa das contribuições. Referido ato complementa que tais disposições também se aplicam às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de apuração não-cumulativa

do PIS/PASEP e da COFINS.

Nota:

O Decreto nº 8.451/2015 alterou o Decreto nº 8.426/2015,

para dispor, com efeitos a partir de 1º.7.2015, que são mantidas em zero as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS

incidentes sobre as receitas financeiras decorrentes de:

a) variações monetárias, em função da taxa de câmbio, de:

a.1) operações de exportação de bens e serviços para o

exterior; a.2) obrigações contraídas pela pessoa jurídica, inclusive empréstimos e financiamentos;

b) operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de

valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de

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balcão organizado, destinadas exclusivamente à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas quando, cumulativamente, o objeto do contrato negociado:

b.1) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b.2) destinar-se à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica.

Ressalta-se que as alíquotas aplicáveis aos juros sobre o

capital próprio foram mantidas em 1,65% e 7,6%, para o PIS/PASEP e COFINS respectivamente. Fica revogado, com efeitos a partir de 1º.7.2015, o Decreto

nº 5.442/2005.

Fundamentação: Decreto 8.426/2015, alterado pelo Decreto

nº 8.451/2015.

IV - Mercado de liquidação futura - Momento de reconhecimento dos resultados

O art. 32 da Lei nº 11.051/2004 determina que para efeito de

determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, os resultados positivos ou negativos incorridos nas operações realizadas em mercados de liquidação futura, inclusive os sujeitos a ajustes de posições, serão reconhecidos por ocasião da liquidação do contrato, cessão ou encerramento da posição. Determina ainda seu § 1º, que o resultado positivo ou negativo será constituído pela soma algébrica dos ajustes, no caso das operações a futuro sujeitas a essa especificação, e pelo rendimento, ganho ou perda, apurado na operação, nos demais casos.

Nota:

No caso de operações realizadas no mercado de balcão, essas disposições se aplicam somente àquelas registradas nos termos da legislação vigente.

Considerando que essas disposições abrangem somente operações de bolsa e operações de balcão registradas, pode-se afirmar que as operações com finalidade de hedge realizadas fora de bolsa ou de balcão sofrerão incidência do imposto pelo regime de competência - ou seja, antes de sua liquidação. Fundamentação: art. 32 da Lei nº 11.051/2004.

V - Decisões Administrativas

A seguir, são transcritas algumas decisões de consulta emanadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre o assunto:

a) SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 43 de 10 de Agosto de

2010

ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da

Seguridade Social - Cofins

EMENTA: Na espécie, a associação civil que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, desde que preencha as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, é isenta da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Consideram-se receitas derivadas das atividades próprias tão somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Nesse sentido, ressalte-se que tais entidades não podem se servir da exoneração tributária para, em condições privilegiadas e extravasando a órbita de seus objetivos, praticar atos de natureza econômico-financeira, concorrendo com organizações que não gozem da isenção. Desvirtuada a natureza das atividades ou tornados diversos o caráter dos recursos e condições de sua obtenção, deixa de atuar o favor legal. Cumpre esclarecer que a Cofins incidirá sobre as receitas não decorrentes das atividades próprias da entidade em questão, segundo o regime de apuração não cumulativa, desde que esta não seja tributada pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado (quando couber); caso contrário, apurará a Cofins de acordo com a sistemática cumulativa. Sucede, porém, que está reduzida a zero a alíquota da Cofins incidente sobre as receitas financeiras (com exceção dos juros sobre o capital próprio), inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de "hedge", auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas, ainda que parcialmente, ao regime de incidência não cumulativa da Cofins. Por outro lado, a Cofins, no regime cumulativo, incidirá sobre as receitas de aplicações financeiras, auferidas antes de 28 de maio de 2009, com fundamento no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, visto que o Excelso Supremo Tribunal Federal declarou, em 09 de novembro de 2005, a inconstitucionalidade desse dispositivo com efeitos meramente "inter partes" (RE nº 357.950-9/RS). No entanto, a partir de 28 de maio de 2009, as pessoas jurídicas submetidas ao regime cumulativo não deverão recolher a Cofins sobre receitas não decorrentes da atividade que constitui seu objeto social, a exemplo, especificamente no caso consultado, das receitas financeiras, face à expressa revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo art. 79, XII, da Lei nº 11.941, de 2009.

b) SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 119 de 15 de Abril de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins EMENTA: SINDICATOS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA.

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RECEITA FINANCEIRA. Os sindicatos mencionados no art. 13, V, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, estão sujeitos à incidência não-cumulativa da Cofins em relação às receitas não decorrentes de suas atividades próprias. Portanto, a partir de 02 de agosto de 2004, a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas financeiras (exceto as oriundas de juros sobre capital próprio e, até 31/03/2005 também as decorrentes de operações de "hedge"), auferidas por estes sindicados, estão reduzidas a 0% (zero por cento).

c) SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 168 de 10 de Junho de

2008

ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins EMENTA: As receitas financeiras auferidas por associações civis sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, visto não serem relativas às suas atividades próprias, são tributadas pela Cofins. Consideram-se receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Tais entidades sujeitam-se à incidência não-cumulativa da contribuição em apreço, vez que dela não foram legalmente excluídas. Porém, a partir de 02 de agosto de 2004, fica reduzida a zero a alíquota da citada exação incidente sobre as mencionadas receitas financeiras (exceto as oriundas de juros sobre capital próprio e, até 31/03/2005, também as decorrentes de operações de "hedge"), desde que auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas, ainda que apenas em parte, ao regime de cobrança não-cumulativa da contribuição, situação na qual as associações em pauta encontram-se enquadradas.