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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO INSTITUTO DE LINGUAGENS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DE CULTURA CONTEMPORÊNEA MESTRADO ECCO/UFMT

BRUNA OBADOWSKI BRUNO

REGISTRO FOTOGRÁFICO DE HISTÓRIAS:

PARTO

Projeto apresentado para o

Mestrado, linha de pesquisa Poéticas Contemporâneas, no Programa de Pós- graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso.

curso de

CUIABÁ MT

2015

RESUMO

Este projeto tem como objetivo descrever as histórias construídas durante o trabalho parto a partir da análise de imagens. Enquanto fotógrafa de parto, busco compreender como a minha participação agrega nessa narrativa, para em um segundo momento fazer uma análise dos actantes que participam ativamente desse evento. A proposta é discutir a possibilidade da criação de histórias peculiares que se desencadeiam durante o parto normal por meio da fotografia. Para tal, a metodologia adotada por este é a pesquisa bibliográfica para contextualizar os conceitos adotados no projeto, seguida por uma pesquisa empírica na busca de dados relevantes e convenientes obtidos através da experiência e da vivência do pesquisador.

INTRODUÇÃO

O maior estudo já realizado sobre parto e nascimento no Brasil, revela que a cesariana é realizada em 52% dos nascimentos. 1 Na contramão desta estatística há um crescimento significativo do parto normal humanizado nos últimos anos.

Uma das virtudes/características do parto normal humanizado é a possibilidade da construção de uma história durante o processo do trabalho de parto 2 , história essa que dará continuidade à narrativa da família já construída durante toda a trajetória da gestação. É um rito de passagem que dura algumas horas ou por vezes dias e, ao mesmo tempo marca o final de um caminho de nove meses e o início de uma nova fase, a criação de um filho.

Quando isso acontece, o principal agente do parto passa a ser a parturiente, e isso faz com que a relação dela com o parto torne-se extremamente visceral e único, diferente da cesariana, que embora muito importante em alguns casos, o médico é o principal condutor/protagonista.

Na cesariana há poucas possibilidades de transformações da história, uma vez que o parto é padronizado e em série. Os procedimentos médicos aos quais são realizados nessa ação não podem ser mudados, são ações previamente calculadas independente da parturiente, como mostram as imagens a seguir. Ouso dizer que é como se essa narrativa de nove meses fosse quebrada e em vinte minutos o casal pulasse direto para a grande caminhada que é cuidar de um filho.

1 Fonte: http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/pesquisa-revela-numero-excessivo-de-cesarianas-no-pais

2 Trabalho de parto:

Figura 1: Parturiente durante uma cesariana Figura 2: Parturiente durante uma cesariana Figura 3: Parturiente

Figura 1: Parturiente durante uma cesariana

Figura 1: Parturiente durante uma cesariana Figura 2: Parturiente durante uma cesariana Figura 3: Parturiente durante

Figura 2: Parturiente durante uma cesariana

Parturiente durante uma cesariana Figura 2: Parturiente durante uma cesariana Figura 3: Parturiente durante uma cesariana

Figura 3: Parturiente durante uma cesariana

Fica evidente então, que quando a via de parto é normal ampliam-se as possibilidades da construção de uma narrativa própria que irá compor a história da família. Narrativa esta, que me proponho a descrever através do meu trabalho com a fotografia de parto. Para isso trago o parto como minha principal ação, ação esta que hora é extenuante e lenta ou abusadamente e descaradamente rápida. Não importa. Isso é o grande celeiro do nascimento.

Não importa. Isso é o grande celeiro do nascimento. Figura 4: Nascimento após um trabalho de

Figura 4: Nascimento após um trabalho de parto de 20 horas

Ao reconhecer o parto como minha ação principal, me proponho a descrever em um

segundo momento os actantes que participam ativamente da construção da história que

se desenvolve durante o trabalho de parto. Vale lembrar que quando uso o conceito de

actantes estou usando a definição de Latour, que entende actantes como tudo aquilo que

é passível de gerar uma ação em uma rede e que causa mudanças, transformações,

bifurcações e desvios no momento em que ele age. O papel da simetria, de acordo com a

TAR, não é que os objetos ocupam espaços de humanos, mas antes de perguntarmos o

que ou quem participa da ação (LATOUR, 2005, p. 72). Os actantes não são nem

puramente humanos ou não-humanos, mas são híbridos, o que os coloca em uma

categoria diferenciada de objetos que possam ser apenas ferramentas. Dessa forma,

utilizamos o termo atores neste trabalho de acordo com o conceito de actantes operado

pela TAR.

Apesar de reconhecer os atores que participam diretamente dessa história de acordo com

a figura 5, me limitarei a concentrar em apenas um dos atores que participam

ativamente dessa rede de ações, a fotógrafa. Afinal, a história é contada em alguns

segundos, e num piscar de olhos através de uma imagem.

segundos, e num piscar de olhos através de uma imagem. Figura 5: Diagrama - Rede de

Figura 5: Diagrama - Rede de ações durante um Trabalho de Parto

A fotografia nesse sentido não é um adereço, não é um luxo, tampouco vaidade. Não é

somente um registro imagético, apesar de muito importante. A imagem nesse contexto participa ativamente da construção da história do parto a partir do momento em que eu entro na sala de parto. O meu corpo que se faz presente já começa a participar da

construção dessa narrativa, onde as fotos ao final desse processo irão agregar na lembrança da experiência vivida pela parturiente.

É interessante frisar que há uma troca. Durante essa rede de ações que é o parto, eu

enquanto um dos atores presentes, além de agregar à história do trabalho de parto

também sou modificada. É a vida que pulsa ali na minha frente, é o rio que perfaz seu curso, desaguando no mar, é a natureza dizendo para a mulher que o poder lhe foi dado e que agora é com ela. Registro tudo e isso me transforma também.

é com ela. Registro tudo e isso me transforma também. Figura 6: Na foto a gestante,

Figura 6: Na foto a gestante, o pai do bebê, a fisioterapeuta e eu (fotógrafa). Cada actante nesse caso está fazendo parte da criação dessa história, cada qual com sua perspectiva.

Durante o parto são liberados pelo corpo da mulher hormônios como a prolactina, que ativa o instinto materno, ou as beta-endorfinas que criarão o laço de dependência e cuidado entre mãe e filho e que interferem também no nível comportamental e emocional da gestante. À medida que o parto avança, nota-se a mudança de comportamento da gestante, mudanças que são sempre registradas, afinal a história que será contada através das imagens precisa estar completa. Ao fotografar esse evento é preciso ir além de belas fotos tecnicamente corretas, capturar a verdadeira energia do momento, ou seja, capturar a concentração, a força, o companheirismo, a fraqueza, a superação, a conquista e a emoção são detalhes extremamente importantes.

a força, o companheirismo, a fraqueza, a superação, a conquista e a emoção são detalhes extremamente
Levando isso em consideração, a mulher ao viver um trabalho de parto e ao parir
Levando isso em consideração, a mulher ao viver um trabalho de parto e ao parir

Levando isso em consideração, a mulher ao viver um trabalho de parto e ao parir tem uma perspectiva completamente diferente de outras pessoas que estão ao seu lado e uma

das perspectivas é a minha enquanto fotógrafa e que será contada para a mulher através

da fotografia, agregando à sua memória, transformando e ressignificando o parto para

ela. Além disso, a parturiente não participa de alguns procedimentos que são feitos após

o parto, então esse momento também é lhe contato através da imagem.

É comum perceber a reação de emoção por parte dos pais ao receberem as imagens. À primeira vista é realmente emocionante. É como se eles estivessem revivendo o momento pela segunda vez. É quando eles reconstroem a história através da fotografia. Aquela história que já existia e que foi construída durante o parto, a fotografia recupera e ao mesmo tempo resignifica para a mulher.

A partir disso, me proponho a buscar saber de que forma a fotografia reconstrói a

história do parto, como as imagens irão participar da ressignificação do parto para essa mulher.

JUSTIFICATIVA

O trabalho se justifica por diferentes linhas argumentativas. Primeiramente, a emergência de novos debates em torno via de parto vem sendo travadas nos últimos anos, bem como as ações e consequências desencadeadas a partir dele. O parto por se tratar um acontecimento que está em curso no andamento deste trabalho, acaba por abrir

fissuras que podem fazer desviar ou bifurcar nossa pesquisa no momento que me proponho a pesquisa-lo através de imagens. A recorrência da presença de um fotógrafo para registrar o parto fortalece o fato de que durante esse acontecimento há peculiaridades a serem aprofundadas, como é o caso da criação da história durante essa rede de ações que é o parto. Quando nasce um bebê, nasce com ele uma longa história a ser contada. Essa história começa logo nos primeiros momentos do trabalho de parto da gestante. Dali para frente até a chegada do bebê tudo será novidade, cada olhar, cada expressão, cada gesto, e isso tudo merece ser guardado e recordado pela família. Registrar a gestação e o parto é poder transformar essa memória em algo palpável através da fotografia. Quando me proponho a estudar a fotografia de parto, não se trata somente da estética da fotografia dentro do senso comum, mas entender principalmente a construção dos elos daquela família que são aflorados durante aquele nascimento. Além disso, questionar, refletir e analisar a participação dos atores presentes durante um evento como o parto, também fortalecem o campo de estudo desta pesquisa. Por fim, não poderíamos deixar de frisar que a fotografia é de suma importância para a sociedade, e isso é notado através da própria demanda social, a necessidade do registro e mais, da contação de histórias através de imagens é completamente legítimo, uma vez que estamos num período em que tudo é rápido e dinâmico. Descrever através de imagens como a história é construída durante um trabalho de parto e mais, como essas imagens podem agregar a memória da mãe e como esse acontecimento pode me transformar enquanto agente participante desse evento é notadamente legítimo.

OBJETIVO GERAL

Pesquisar a contação de histórias dos partos através da fotografia e descrever a rede de ações e os atores que participam do trabalho de parto.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Investigar histórias contadas por parturientes e as transformações promovidas pela fotografia;

Analisar a participação da fotografia no contexto do parto;

Identificar os atores que participam do parto;

Descrever a rede de ações promovidas durante o trabalho de parto;

METODOLOGIA

Para Bung (apud LAKATOS e MARCONI, 2004, p.45) método científico é “um conjunto de procedimentos por intermédio dos quais (a) se propõem os problemas

científicos e (b) colocam-se à prova as hipóteses científicas”. Lakatos e Marconi (2004, p.51) complementam este conceito ao afirmarem que se alcançam seus objetivos de forma científica quando se cumpre ou se propõe a cumprir as seguintes etapas:

descobrimento do problema; colocação precisa do problema; procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema; tentativa de solução do problema com o auxílio dos meios identificados; produção de novas ideias ou produção de dados empíricos; obtenção de uma solução; comprovação da solução; correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na obtenção da solução incorreta. Apoiados nestas concepções de método científico, a metodologia adotada por este projeto para a busca de respostas ao problema indicado, através de meios científicos, é a pesquisa bibliográfica seguida por uma pesquisa descritiva amparada pelos preceitos da Teoria Ator Rede (TAR). Através de levantamento bibliográfico, buscaremos contextualizar os conceitos adotados no projeto, bem como informações em livros, revistas, jornais e publicações na internet, buscando dados que contribuam com a pesquisa e com a busca pela resposta ao problema. A pesquisa bibliográfica tem por objetivo conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre determinado tema. Ela dá suporte a todas as fases de qualquer tipo de pesquisa, uma vez que auxilia na definição do problema, na determinação dos objetivos, na construção de hipóteses, na fundamentação da justificativa da escolha do tema e na elaboração do relatório final. Em seguida, através da pesquisa empírica buscaremos dados relevantes e convenientes obtidos através da experiência, da vivência do pesquisador e das mulheres e famílias pesquisadas.

BIBLIOGRAFIA

KOEHLER,

Disponível

em: Out

Letícia.

em:

Depoimento

publicado

no

site

guiadobebe,

2013,

online.

Acessado

2014.

LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 4a

Ed. São Paulo: Atlas, 2004.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de Antropologia simétrica. Rio de Janeiro: Ed.34, 1991.

Reassembling the Social: An introduction to Actor-Network-Theory. Oxford Press: New York, 2005.