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UNIVERSIDADE PAULISTA

CAMPUS MAGALHÃES TEIXEIRA - SWIFT

INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E COMUNICAÇÃO - ICSC

CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

DAIANE CRISTINA FRANCISCO DA SILVA

A INTERFERÊNCIA

DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS NO MEIO AMBIENTE

CAMPINAS

2011

DAIANE CRISTINA FRANCISCO DA SILVA

RA.: 949505-3

A INTERFERÊNCIA

DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS NO MEIO AMBIENTE

Trabalho de Conclusão de Curso de Relações Internacionais para o Instituto de Ciências Sociais e Comunicação da Universidade Paulista, apresentado com requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais.

PROFº. ORIENTADOR: Ms. JOSÉ DIAS PASCHOAL NETO.

CAMPINAS

2011

DAIANE CRISTINA FRANCISCO DA SILVA

A INTERFERÊNCIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS NO

MEIO AMBIENTE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do

título de Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Paulista de Campinas.

ORIENTADOR:

MEMBRO:

MEMBRO:

Aprovado em:

/

/

BANCA EXAMINADORA

Prof. Ms. José Dias Paschoal Neto Universidade Paulista - UNIP

Prof Universidade Paulista - UNIP

Prof Universidade Paulista - UNIP

Campinas, 08 de Novembro de 2011.

"A indiferença com o meio ambiente é a conivência com nossa destruição."

HANS ALOIS

Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira.O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.

MARTIN LUTHER KING

"Não é a terra que é frágil. Nós é que somos frágeis. A natureza tem resistido a catástrofes muito piores do que as que produzimos. Nada do que fazemos destruirá a natureza. Mas podemos facilmente nos destruir."

JAMES LOVELOK

"Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro."

PROVÉRBIO INDÍGENA

“As coisas podem chegar até as pessoas que esperam, mas são somente as sobras deixadas por aquelas que lutam.”

ABRAHAM LINCOLN

Dedico

esse

trabalho

única

e

exclusivamente

à

minha filha, Nicoly Nascimento da Silva, por ser a

inspiração da minha vida em todos os momentos.

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por estar ao meu lado em todos os momentos da minha vida, por me dar forças para lutar pelos meus objetivos e me dar ânimo quando não tinha mais esperanças. Agradeço a minha família por estar ao meu lado, pela compreensão e principalmente pela demonstração de amor que me faz seguir em frente. Ao Sérgio, meu marido, pelo companheirismo, pela paciência e pela perseverança em lutar comigo em cada obstáculo. A minha filha Nicoly, por ser tão abençoada por Deus e por me mostrar que a alegria pode estar nos pequenos detalhes da vida. Amo vocês. Agradeço aos meus pais por me auxiliarem nos meus estudos e me incentivarem desde o princípio a “ser alguém”. Obrigado pela educação rígida e responsável que me fez aprender tanto a viver essa vida. Ao meu pai por ser meu exemplo e me incentivar a lutar e alcançar êxito em tudo que faço. Para minha mãe, pela exemplo em persistência e amor, por ser minha guerreira e me dar coragem mesmo sem saber. Agradeço pois aos meus amigos Karla Leão, Lendel Teodoro e Mariele Santos por estarem comigo e fazerem dos meus momentos na faculdade intensos e felizes. Por serem amigos de verdade, sorrirem na minha alegria e me aconselharem nos meus erros, mesmo quando eu não entendia. Realmente acredito que nunca um grupo foi tão perfeito e unido quanto o nosso. Amo muito vocês. Agradeço ainda aos meus outros amigos da faculdade que fizeram as minhas noites alegres, Bruna Bombardi Olivoto, Sandra Voltolini, Keylla Rodrigues, Carlos Cunha e Luiz França. Torço pela felicidade de vocês. Agradeço também aos meus sogros, Francisco e Maria, primeiramente por me dar a jóia raraque é meu marido e segundo por me acolherem como uma filha e torcerem por meu sucesso em todos os momentos. Agradeço aos meus professores que me ensinaram tanto, desde o Ensino Fundamental, Gláucia e Ângela, no Ensino Médio, Américo e Olívia, até hoje, Maurício Cassar, Enzo Fiorelli, Paulo Vosgrau Rolim, Paulo Ramos e Ronaldo Ramos. Agradeço muito pela educação recebida.

Um agradecimento especial para meu professor orientador José Dias Paschoal Neto pela paciência e pela forma de me fazer explorar meu potencial, para minha segunda orientadora que me auxiliou muito e me deu muita força para continuar Rita Fontoura. E com certeza a Lúcia Guimarães, por me dar as melhores aulas do último semestre e fazer em cada aula com que desenvolvêssemos sentimentos e reflexões a cerca da minha própria vida. Sinto-me muito orgulhosa em ter a Sra. como professora. Agradeço ainda pessoas que não me conhecem, porém fizeram parte muito importante na minha vida quanto à evolução desse trabalho. Pessoas como Daniel Luz com seus livros Insight 1 e 2 me auxiliaram a lutar; como Wagner Costa Ribeiro, Shigenoli Miyamoto e Paulo Roberto Almeida que mesmo não me conhecendo se propuseram a me ajudar. Pessoas já falecidas que me inspiraram continuar: Renato Russo com sua música Mais Uma Vez e Abraham Lincoln com seu pensamento “As coisas podem chegar até as pessoas que esperam, mas são somente as sobras deixadas por aquelas que lutam”; ainda a Chico Xavier com seu poema “Que eu não perca” e a Vitor Hugo em “Desejos”. Um agradecimento especial ao site Google, por ser a melhor ferramenta de busca, pelo auxílio em todos os semestres sem o qual não concluiria de forma alguma. Ao programa do governo PROUNI sem o qual não estaria aqui de jeito nenhum, agradeço a oportunidade de dar uma nova perspectiva a todos os cidadãos. Agradeço ainda a todas as pessoas que concluem comigo mais uma etapa. Estivemos no mesmo barco por quatro anos e de fato, “Só os fortes sobrevivem!”. Parabéns a todos por essa conquista. Obrigado a todos que passaram pela minha vida e contribuíram para o meu aprendizado, de qualquer forma. Buscarei sempre me aprimorar, pois “o que sei é que nada sei”.

LISTA DE GRÁFICOS E ILUSTRAÇÕES

GRÁFICO 1 CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO CONFORME OS SÉCULOS

1820 A 1992

58

GRÁFICO 2 CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO NOS ÚLTIMOS ANOS

59

GRÁFICO 3 CRESCIMENTO DA PRODUÇÃO DOMÉSTICA PER CAPITA DE

62

FIGURA 1 RATIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS ACORDOS MULTILATERAIS SOBRE MEIO AMBIENTE

53

FIGURA 2 POPULAÇÃO URBANA CRESCENTE NO MUNDO

60

FIGURA 3 NÍVEL DE POLUIÇÃO DAS ÁGUAS NO MUNDO

65

FIGURA

4

VANTAGENS

E

DESVANTAGENS

DAS

DIFERENTES

DESTINAÇÕES DO LIXO FIGURA 5 CONCENTRAÇÃO ATMOSFÉRICA DE PARTÍCULAS POLUENTES

68

NO MUNDO

69

FIGURA 6 NÍVEL DE DESMATAMENTO NO MUNDO

72

FIGURA 7 MAPA MUNDI COM O NÍVEL DE QUEIMADAS

74

FIGURA 8 CONCENTRAÇÃO DE GASES ESTUFAS NA ATMOSFERA AO LONGO DOS ANOS

77

FIGURA 9 VARIAÇÃO DA TEMPERATURA GLOBAL

78

FIGURA 10 ESCASSEZ DE ÁGUA NO MUNDO

84

FIGURA 11 RISCO DE DESERTIFICAÇÃO NO PLANETA

86

LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES

CCMA

Comitê de Comércio e Meio Ambiente

CFC

Clorofluorcarboneto

CMMAD

Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

CNUMAD

Conferência Das Nações Unidas Para O Meio Ambiente E Desenvolvimento

COPS

Conferência Das Partes Sobre Mudanças Climáticas

EMBRAPA

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

EUA

Estados Unidos Da América

FAO

Organização De Alimentação E Agricultura

FMI

Fundo Monetário Internacional

GATT

General Agreement On Tariffs And Trade Acordo Geral de Tarifas e Comércio

GDP

Gross Domestic Production Crescimento da Produção Doméstica

GEE

Gases Do Efeito Estufa

IBAMA

Instituto Brasileiro Do Meio Ambiente e Dos Recursos Naturais Renováveis

INPE

Instituto Nacional De Pesquisas Espaciais

IPCC

Intergovernmental Panel On Climate Change

MDL

Mecanismo De Desenvolvimento Limpo

MERCOSUL

Mercado Comum Do Sul

NAFTA

North American Free Trade Agreement Acordo de Livre Comércio da América do Norte

NASA

National Aeronautics And Space Administration

OIC

Organização Internacional Do Comércio

OIG

Organização Intergovernamental

OMC

Organização Mundial Do Comércio

OMI

Organização Marítima Internacional

OMM

Organização Metereológica Mundial

ONG

Organização Não Governamental

ONU

Organização Das Nações Unidas

OTAN

Organização Do Tratado Do Atlântico Norte

PEDs

Países Em Desenvolvimento

PIB

Produto Interno Bruto

PK

Protocolo De Kyoto

PNUD

Programa Das Nações Unidas Para O Desenvolvimento

PNUMA

Programa Das Nações Unidas Para O Meio Ambiente

REDD

Redução De Emissões Por Desmatamento E Degradação

RMALC

Rede Mexicana de Ação frente ao Livre Comércio

UE

União Européia

UNESCO

United Nations Educational, Scientific, And Cultural Organization

UNFCCC

Convenção Quadro Das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas

URSS

União Das Repúblicas Socialistas Soviéticas

WWF

World Wildlife Fund Fundo Mundial para a Natureza

RESUMO

O ser humano desde sua origem interfere na natureza de diversas formas, e conforme a construção das cidades e a intensificação das relações de comércio o meio ambiente sofreu com sua adaptação ao ambiente que o Homem necessitava. Alguns fatos políticos e econômicos contribuíram gradativamente para o aumento da degradação ambiental. A partir do século XX movimentos ambientalistas e uma maior mobilização da sociedade levou a cooperação dos Estados em prol da preservação ambiental através de Conferências, acordos e protocolos multilaterais. O presente trabalho visa analisar no âmbito das relações internacionais quais foram, dentro da história, as principais interferências dessas relações no meio ambiente, os processos de intensificação comercial que geraram o aumento da degradação e os principais acordos firmados entre Estados com o objetivo de preservação ambiental em nível global. Analisa historicamente a evolução das relações entre Estados sob prisma político e econômico enfatizando os acontecimentos que interferiram nas questões ambientais. Descreve ainda as principais causas e conseqüências da degradação ambiental, observando a intervenção humana como fator determinante para as modificações ambientais e por fim analisa os principais acordos multilaterais na área ambiental, sua efetividade e visibilidade internacional, identificando a cooperação internacional em prol da preservação ambiental.

Palavras Chave: Meio Ambiente. Relações Internacionais. Degradação Ambiental. Acordos Ambientais Multilaterais.

ABSTRACT

The human being, since its origin, interferes on the nature (environment) in many different ways, and according to the construction of cities and the intensification of trade relations’, the environment has suffered its adaptation to the environment that men needs’. Some events, in the political and economic areas, contributed to the gradually increasing of the environmental degradation. From the twentieth century, the environmental movements and greater mobilization of the society took the cooperation of States in favor of the environmental preservation through conferences, multilateral agreements and protocols. The present project aims to analyze the international relations, which were, in history, the main interferences in the environment of these relationships, the commerce’s intensification processes, which generated the increased degradation and the major agreements between States that has as a goal and the environmental preservation on a global level. The project analyzes the historical development of relations between States under the perspective of political and economic events that interfered in the environmental issues. It also describes the main causes and consequences of environmental degradation, observing human intervention as the determining factor for the environmental changes and finally, discusses the best multilateral agreements in the environmental area, and also its international visibility and effectiveness, identifying the international cooperation in support of environmental preservation.

Keywords: Environment. International Relations. Environmental Degradation. Multilateral Environmental Agreements.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

13

METODOLOGIA

15

1

A EVOLUÇÃO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

18

1.1 ÂMBITO POLÍTICO

18

1.2 ÂMBITO ECONÔMICO

28

2 MEIO AMBIENTE VERSUS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

39

3 A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

56

3.1

CAUSAS

56

3.1.1

CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO / URBANIZAÇÃO

57

3.1.2

CRESCIMENTO INDUSTRIAL

61

3.1.3

POLUIÇÃO

63

3.1.3.1

POLUIÇÃO DA ÁGUA

64

3.1.3.2

POLUIÇÃO DO SOLO

66

3.1.3.3

POLUIÇÃO DO AR

68

3.1.4

DESMATAMENTO / QUEIMADAS

70

3.2

CONSEQÜÊNCIAS

75

3.2.1

EFEITO ESTUFA/AQUECIMENTO GLOBAL

75

3.2.2

BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO

79

3.2.3

PERDA DA BIODIVERSIDADE/ EXTINÇÃO DE ESPÉCIES

80

3.2.4

ESCASSEZ DE RECURSOS NATURAIS/ DESERTIFICAÇÃO

82

3.2.5

CHUVA ÁCIDA / INVERSÃO TÉRMICA

87

4 MEIO AMBIENTE NA PAUTA INTERNACIONAL 89

4.1

CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO

89

4.2

PROTOCOLO DE MONTREAL

91

4.3

RIO 92 (ECO 92)

92

4.3.1

AGENDA 21

96

4.3.2

CONFERÊNCIA DAS PARTES SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

98

4.4

PROTOCOLO DE KYOTO

104

CONSIDERAÇÕES FINAIS

107

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

111

ANEXO I DECLARAÇÃO DA ONU SOBRE O MEIO AMBIENTE HUMANO (ESTOCOLMO, 1972)

122

ANEXO II DECLARAÇÃO DO RIO SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO

124

13

INTRODUÇÃO

Desde que o mundo é mundo o ser humano interfere no meio ambiente e conforme a construção de sociedades, organizações políticas através dos Estados, o Meio Ambiente sofre interferência direta seja no crescimento populacional, industrial ou na exploração dos recursos naturais para uso e comércio. Com a intensificação das trocas comerciais no período das grandes navegações e da colonização, o modelo de exploração predatório tornou-se o principal meio de acúmulo de riquezas dos países europeus. Com a Paz de Westfália houve a institucionalização do Direito Internacional, a criação do conceito de Estado soberano e a consolidação das Relações Internacionais. Porém as questões ambientais só tornaram parte dos debates internacionais no final do Século XX, quando houve a conscientização quanto à importância do Meio Ambiente e à nossa necessidade do mesmo. A partir desse momento surgiram Conferências, acordos e protocolos buscando a preservação ambiental, mas muito ainda confronta com a soberania de cada Estado e ao princípio da não intervenção, gerando muitas vezes certa lentidão na sustentação desses acordos.

O presente trabalho visa identificar a interferência das relações entre Estados no

Meio Ambiente ao longo da história, tanto no campo político como no campo econômico. Para tanto, analisou a evolução histórica das relações internacionais, salientou a influência dessas relações no Meio Ambiente, enfatizou as principais causas e conseqüências da degradação ambiental e demonstrou a importância dada às questões ambientais através de debates e acordos internacionais nas últimas décadas.

O objetivo principal do presente trabalho é identificar os principais efeitos que as

Relações Internacionais, sejam no âmbito político ou econômico, trazem ao Meio Ambiente. As principais hipóteses levantadas foram:

1. O modelo de exploração dos recursos naturais ocorrido principalmente no período de colonização, intensificado com as trocas comerciais que visavam o acúmulo de riquezas do Mercantilismo, contribuiu para a elevação da degradação ambiental.

2. As relações internacionais foram e são importantes para que haja cooperação entre os países buscando a diminuição dos impactos das atividades humanas no meio ambiente, através de conferências e protocolos.

14

3.

A questão ambiental entrou definitivamente na pauta dos debates internacionais, visto que a opinião pública criou consciência sobre a importância que a natureza tem para a manutenção da vida humana na Terra.

O trabalho começa tratando da evolução das relações internacionais, dividindo entre campo político e econômico onde no político conceituou-se Sociedade, Sociedade Política, Estado, Soberania e Interesses Políticos, além de abordar os principais acontecimentos que permearam as relações entre Estados em ambos os campos. Abordamos então a temática Meio Ambiente e a influência do homem, da sociedade e das relações entre Estados ao longo da história enfatizando o período abordado no capítulo anterior. Fala-se ainda sobre a degradação ambiental ocorrida desde a Antiguidade com povos nômades, à construção das sociedades até os dias atuais com grandes conglomerados em pequenos espaços. Trata também sobre as principais causas para a degradação ambiental como crescimento demográfico, urbanização, poluição e desmatamento tendo base em dados estatísticos e utilizando as teorias de Malthus e Neomalthusiana para explicar. Tratamos ainda de analisar as principais conseqüências dessa degradação que coloca o planeta e à vida humana sob ameaça. Por fim, analisa-se a evolução das questões ambientais na pauta mundial salientando os principais acordos, conferências e protocolos e sua efetividade na prática. Identificamos como cada Conferência foi tratada ao longo da história da Humanidade, os exemplos pela efetividade prática e a continuação das discussões em âmbito internacional. A metodologia utilizada no trabalho é basicamente a pesquisa bibliográfica através de livros, revistas, sites, artigos, teses e dissertações, além de uma entrevista feita com um autor da área. Tem um caráter histórico, principalmente nos dois primeiros capítulos, por tratar da contextualização histórica.

15

METODOLOGIA

O presente trabalho busca através de diversos processos metodológicos encontrarem

soluções viáveis para responder a questão central da pesquisa. O principal método de pesquisa será a metodologia qualitativa, na qual os fatos são registrados, analisados e interpretados para a conclusão de forma dedutiva. Segundo Brevidelli (2008) o método qualitativo é definido como aquele capaz de incorporar as questões do significado e da intencionalidade como

inseparáveis dos atos, das relações e das estruturas sociais.” (Pg. 79) Para Lima (2008), só é possível imprimir significados de fenômenos humanos a partir de interpretações e compreensões pautados na observação e na descrição de tais fatos. Ainda em Lima (2008), Denzin e Lincoln descreveram os pesquisadores qualitativos como “aqueles que enfatizam a natureza sociologicamente construída na realidade, o relacionamento íntimo entre pesquisador e o que é pesquisado, além das restrições situacionais que moldam a investigação.”

Já Silverman (2009), acredita que ‘o ponto forte da pesquisa qualitativa é a capacidade

para estudar fenômenos simplesmente impossíveis em qualquer lugar’, fala também que a pesquisa qualitativa ‘é relativamente flexível, estuda o que as pessoas estão fazendo em seu contexto natural, está bem situada tanto para estudar os processos quanto os resultados, tanto os significados quantos as causas’. Descrevendo bem a abordagem qualitativa pela qual será embasado esse trabalho, explicam-se quais os tipos de pesquisa dessa abordagem serão utilizados. A primeira e mais

comum é a pesquisa bibliográfica onde serão analisados artigos, livros, teses e sites como revisão bibliográfica de fontes e teorias 1 já publicadas a cerca do tema para embasamento e aprofundamento sobre o assunto. Segundo Severino (2007):

É aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrentes de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros, artigos, teses etc. Utiliza-se de dados ou de categorias teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados. O pesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes nos textos. (Pg. 122)

Para Lima (2008):

1 Explica assim, num nível mais geral ainda, um conjunto maior de fatos aparentemente diferentes entre si (Severino, 2007:103-104)

16

Pesquisa bibliográfica é uma atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita orientada pelo objetivo explícito de coletar materiais mais genéricos ou mais específicos a respeito de um tema. [ ] pesquisar no campo bibliográfico é procurar no âmbito dos livros, periódicos e demais documentos escritos as informações necessárias para progredir na investigação de um tema de real interesse do pesquisador. (Pg. 48-49)

Dentro da pesquisa bibliográfica o presente trabalho utilizou-se da técnica de pesquisa de documentação, que se trata do recolhimento, registro, sistematização e análise das informações. Severino (2007) descreve a documentação como:

Toda forma de registro e sistematização de dados, informações, colocando-

os em condições de análise por parte do pesquisador [

realização de uma pesquisa, é a técnica de identificação, levantamento, exploração de documentos fontes do objeto pesquisado e registro das

no contexto da

]

informações retiradas nessas fontes e que serão utilizadas no desenvolvimento do trabalho. (Pg. 124)

Para Marconi (2010), é a fase de pesquisa realizada com intuito de recolher informações prévias sobre o campo de interesse”. Além da pesquisa bibliográfica, o presente trabalho apresentará caráter histórico que, segundo Best apud Marconi (2010), é o processo que enfoca investigação, registro, análise e interpretação de fatos ocorridos no passado a fim de compreender o presente através de generalizações’; e caráter interdisciplinar que, Pardinas apud Marconi (2010) descreve como ‘é uma pesquisa em uma área de fenômenos estudados por investigadores de diferentes campos das ciências’. Outro tipo de pesquisa da abordagem qualitativa utilizado no trabalho é a pesquisa documental, que virá através de entrevista com um pesquisador do assunto. Descrevendo a pesquisa documental segundo a ABNT apud Lima (2008):

Qualquer suporte quer contenha informação registrada, formando uma unidade, que possa servir para consulta, estudo ou prova. Inclui impressos, manuscritos, registros audiovisuais e sonoros, imagens, sem modificações, independentemente do período decorrido desde a primeira publicação (Pg.

56)

A entrevista utilizada no trabalho pode ser definida por Marconi (2010) como “um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social”. Severino (2007) define a técnica como “técnica de coleta de informações sobre um determinado assunto, diretamente solicitada aos

17

sujeitos pesquisados [

representam, fazem e argumentam”. Finalizando os tipos de pesquisas da abordagem qualitativa utilizados no trabalho, a pesquisa descritiva que visa descrever diversos fatos para desencadear as possíveis soluções à problemática, Andrade (2009) explica a pesquisa:

]

O pesquisador visa apreender o que os sujeitos pensam, sabem,

Nesse tipo de pesquisa, os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. Isto significa que os fenômenos do mundo físico e humano são estudados, mas não manipulados pelo pesquisador (Pg. 114)

Ainda utilizou-se a pesquisa explicativa, na qual houve a tentativa de explicar primeiramente as causas da problemática para depois buscar as soluções. Para Severino

(2007):

É aquela que, além de registrar e analisar os fenômenos estudados, busca identificar suas causas, seja através da aplicação do método experimental/matemático, seja através da interpretação possibilitada pelos métodos qualitativos (Pg. 123)

Andrade descreve a pesquisa como ‘mais complexa, visto que além de analisar os fenômenos identificar os fatores determinantes, ou seja, suas causas’.

18

1 A EVOLUÇÃO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

As relações entre Estados foram evoluindo conforme o tempo e para entender essa evolução observou-se historicamente as Relações Internacionais no âmbito político e econômico a fim de discernir os dois campos e abranger mais tal evolução. Segundo Hobsbawm (1977),

Se a economia do mundo do século XIX foi formada principalmente sob a influência da revolução industrial britânica, sua política e ideologia foram formadas fundamentalmente pela Revolução Francesa. (p. 71)

1.1 ÂMBITO POLÍTICO

Para entender a evolução das relações entre Estados é necessário compreender a concepção de Sociedade, o conceito de Estado e Soberania, além de entender as questões de interesses político-sociais.

O ser humano tem a necessidade natural de socializar com outros da mesma espécie, a

sociedade é um agrupamento de pessoas com interesses semelhantes e habilidades distintas que causam certa interdependência e que se unem para alcançar objetivos comuns e para

proteção e segurança coletiva. Aristóteles foi o primeiro a dizer que “o homem é naturalmente um animal político”, a partir dele seguidores fortaleceram a idéia, como Cícero que disse “a primeira causa da agregação de uns homens a outros é menos a sua debilidade do que certo

instinto de sociabilidade em todos inato; [

]”

e Santo Tomás Aquino:

O homem é, por natureza, animal social e políticos, vivendo em multidão, ainda mais que todos os outros animais, o que se evidencia pela natural necessidade. (apud DALLARI, 2010, p. 10)

Dallari (2010) define sociedade como sendo “um agrupamento de humanos caracterizam-se quando têm um fim próprio e promovem manifestações de conjunto ordenadas e se submetem a um poder a fim de atingir o bem comum.”

A idéia de animal político demonstra que a política, segundo Heller apud Dallari,

“consiste sempre na organização de oposições de vontade, sobre a base de uma comunidade de vontade” e ainda, segundo Meynaud apud Dallari, “representa a orientação dada à gestão dos negócios da comunidade”, tendo como principais exemplos de sociedades políticas a

19

família e o Estado, sendo a primeira um círculo mais restrito e a segunda de maior importância, pela capacidade de influir e condicionar e pela sua amplitude. 2 Dallari (2010) define como sociedade política:

Todas aquelas que, visando a criar condições para a consecução dos fins particulares de seus membros, ocupam-se da totalidade das ações humanas, coordenando-as em função de um fim comum. (p. 48)

A construção das sociedades políticas organizadas levou ao conceito de Estado que, apesar de dividir opiniões quanto a sua origem, tem significados semelhantes entre os principais pensadores. Maquiavel foi o primeiro a dar indícios do conceito de Estado na sua obra “O Príncipe” em 1513:

] [

homens, são Repúblicas ou principados [

estados em província diferente de língua, de costumes e de leis. (1997, p. 21-

Todos os estados, todos os domínios que tiveram e têm império sobre os

Transformar em colônias os

]

26)

E mesmo diversos autores acreditarem que as sociedades sempre existiram (porém sem organização e estrutura de Estado) a consolidação do conceito de Estado deu-se em 1648 com a Paz de Westfália, sendo justificado como a luta por autonomia pelas sociedades medievais, quando então houve a consolidação das Relações Internacionais e a institucionalização do Direito Internacional. Alguns dos principais autores defendem que o Estado nasceu da necessidade humana de organizar a divisão do trabalho, buscando aproveitar os benefícios e habilidades de cada componente; que a posse de terra gerou poder e que a propriedade originou o Estado; que o Estado trata-se basicamente da soberania territorial e que o Estado é antes um produto da sociedade, quando ela chega a determinado grau de desenvolvimento 3 . (DALLARI, 2010) Rousseau define o Estado como mero executor de decisões que vem de um conjunto de pessoas associadas [e com poder e soberania] que buscam através do Estado seus interesses particulares, que ele define como “a soma das vontades particulares é definida como vontade geral do Estado”. Para Dallari (2010) é “uma situação permanente de convivência e ligado à sociedade política”. Ainda Le Prestre define:

2 DALLARI, 2010:48-49

3 Frases de Platão, Heller, Preuss e Engels respectivamente in DALLARI, 2010, p. 55

20

É um conceito jurídico que descreve uma população ocupante de um território definido e está organizada em torno de instituições políticas comuns. (2000: 124)

Nas questões políticas do Estado a definição de Interesses Políticos (Nacionais) é bem expressa com Hans Morgenthau apud Freitas, quando diz que “toda política externa atua sempre promovendo seus próprios interesses” e ainda “na Política Internacional, todas as relações se baseiam em relações de poder.” Na Paz de Westfália além da concepção de Estado, aqui já tratada o conceito de Soberania emergiu para demonstrar a autonomia e autoridade que cada Estado tem diante de seu território seja no âmbito político-econômico ou sócio-cultural, sendo a mesma una (única naquele Estado), indivisível (universalidade de fatos ocorridos no Estado), inalienável (só é importante a nação, povo ou Estado enquanto há tem) e imprescritível (não tem validade prazo de duração). Le Prestre (2000) define Soberania como sendo “a doutrina em que o Estado possui a autoridade exclusiva e suprema de decisão e de aplicação das decisões em um território dado”, Dallari por sua vez traz a Soberania como o poder absoluto e perpétuo de uma República, sendo o poder absoluto a demonstração de poder, cargo e tempo ilimitados à soberania e o poder perpétuo sendo uma soberania inesgotável, inextinguível, ou seja, para sempre. (JEAN BODIN apud DALLARI, 2010, p. 77) Ainda Reale apud Dallari (2010):

O poder de organizar-se juridicamente e de fazer valer dentro do seu território a universalidade de suas decisões nos limites dos fins éticos de convivência. (p. 80)

Conceituado Sociedade, Sociedade Política, Estado, Soberania e Interesses políticos pode-se contextualizar as Relações Internacionais no campo político. Como já abordado anteriormente, as sociedades nasceram da necessidade humana em conviver socialmente e relacionar-se com outros da mesma espécie. Desde a Suméria em 5.000 a.C que trouxe as primeiras civilizações independentes e posteriormente com a centralização do poder nas mãos dos sacerdotes; o Egito com a construção das pirâmides em sua demonstração de planejamento e organização, além da introdução da matemática e da expansão territorial devido ao poder militar, econômico e religioso conquistados no século IV a.C.

21

A China trouxe com sua cultura milenar o conceito de planejamento estratégico principalmente no campo militar, onde se estudava o inimigo visando o melhor resultado da guerra e ainda inseriu a filosofia como resposta intelectual para as crises econômicas e instabilidades políticas. A Grécia trouxe os principais conceitos que influenciam a cultura ocidental até hoje, a democracia, a ética, os métodos juntamente com o planejamento e a estratégia, além da caracterização de suas cidades-Estado pelos conflitos em busca de interesses políticos particulares. A democracia trazida de Atenas, como um sistema político representativo era confrontada com a aristocracia de Esparta, que buscava também a expansão territorial gerando uma guerra entre as cidades-Estado e diversos conflitos sociais e econômicos, que com o tempo o desgaste causou a vulnerabilidade de tais cidades-Estado e facilitou a entrada e dominação da região por outros povos. Porém o melhor retrato da sociedade na Idade Antiga é o famoso Império Romano que nos deu importantes contribuições nos relacionamentos entre o Império e seus territórios conquistados, como o Direito das Gentes no qual Oliveira (2010, p. 30) menciona como “o direito dos povos, direito das nações representando relações de poder e conquista, onde as relações entre comunidades aconteciam circunstancialmente.” S. de Paula (2003) explica como tratado ou acordo para própria conveniência fortalecido pela prática do exercício do comércio, dos atos de guerra ou religiosos, resultando nas Relações Internacionais propriamente ditas e Ramos (2004) trata como “um conjunto de práticas e métodos intelectuais que se ocupou em gerar materiais constitutivos do exercício da autoridade referente [o Império Romano] a tais relações”. O Império Romano com o lema “Divide ET Imperia” fez dos elementos adquiridos da Grécia a execução de seus interesses e além de conquistar novos territórios, levava sua cultura para esses novos povos para que assim fizessem parte do Império Romano. Com um exército forte e muito bem organizado o Império Romano conquistou territórios e introduziu sua cultura para diversos povos sendo o maior símbolo das relações internacionais da época. Até a queda da Constantinopla [em 1453] houve uma maior aproximação dos povos devido ao desenvolvimento das sociedades influenciado pelo poder da Igreja e do clero sobre os príncipes na época. 4

4 OLIVEIRA, Odete Maria De. RELAÇÕES INTERNACIONAIS: ESTUDOS DE INTRODUÇÃO. 2ª Ed. / 6ª Reimp. Curitiba: Editora Juruá, 2010

22

A Igreja também teve importância no que diz respeito às relações internacionais, visto

que parte da história da humanidade ela teve influência predominante na vida e atitudes dos indivíduos, orientando as sociedades sobre o que era certo ou não [segundo seu próprio ponto de vista].

A partir do século XIV as sociedades evoluíram tornando-se organizações

politicamente centralizadas e buscando o desenvolvimento das relações em diferentes aspectos. Entre os séculos XVI e XVII há com o renascimento do comércio ocorrendo dinâmicas políticas econômicas entre os grupos sociais e havendo a necessidade de organizações políticas mais preparadas e estruturadas. Em 1648, a Paz de Westfália transforma o Direito das Gentes utilizado desde o Império Romano - em Direito Internacional a fim de atender novas necessidades dos Estados Soberanos então conceituado. Além disso, trouxe diversos princípios utilizados ainda hoje, tais como, legitimação do statu quo 5 , legitimação de todas as formas de governo, princípio da tolerância e da liberdade religiosa, visando a não intervenção em assuntos internos, a independência dos Estados, a autonomia e a cooperação internacional dos mesmos. Segundo Ramos (2004), “a paz de Westfália é resultado de um conjunto de tratados diplomáticos firmado em 1648 entre as principais potências européias, que colocaram fim à Guerra dos Trinta Anos (1618-1648)” (p. 8). Dos eventos marcantes entre a Paz de Westfália e a Primeira Guerra Mundial (1914-17) no âmbito político social, a Revolução Francesa teve bastante relevância. Hobsbawm (1977) acredita que

A Revolução Francesa pode não ter sido um fenômeno isolado, mas foi muito mais fundamental do que os outros fenômenos contemporâneos e suas conseqüências foram, portanto mais profundas (p. 72)

A Revolução Francesa ocorreu porque o Terceiro Estado composto pela classe trabalhadora, camponeses, burguesia pagavam impostos muito altos ao monarca e não tinham participação na política e nem liberdade econômica para trabalhar.

No episódio, em 1789, a Queda da Bastilha 6 marca o início da Revolução que tinha

como lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” – tendo a prisão da família real e sua execução, além do embargo de todos os bens da Igreja nas mãos do clero, na sua evolução.

5 Statu quo: (latim) estado atual das coisas, situação atual. Refere-se ao equilíbrio entre os países para manter a paz e a cooperação entre os povos.

6 A Bastilha a monarquia prendia seus opositores (prisão política) e depois os condenava a guilhotina. Era o símbolo da monarquia francesa.

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Dos acontecimentos mais importantes da Revolução Francesa está à queda da monarquia de Luis XVI e a promulgação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que tinha como princípios a igualdade entre as pessoas e a participação do povo na política estatal e que trouxe significativos avanços para a sociedade. No período entre a Paz de Westfália e a Primeira Guerra Mundial a solidariedade entre os Estados soberanos ocorre devido ao equilíbrio de poder e a formação de alianças secretas e acirradas rivalidades num complexo jogo de interesses políticos e econômicos instigados de tensões políticas entre os países europeus. (Castro apud RAMOS, 2004, p. 10)

O clima no começo do século XX era de aparente tranqüilidade e a idéia de que as

guerras eram coisas do passado permaneciam entre a comunidade internacional. Porém as alianças estratégicas eram feitas secretamente e a busca por equilíbrio de poder entre as potências era fato escondido. Apesar da aparente paz devido aos avanços tecnológicos e econômicos na época entre 1870 a 1914 (conhecida como Belle Epóque), os países ricos e industrializados vivam um ambiente de disputas e tensão buscando conquistas de territórios e modernização em suas economias, impulsionados pelo capitalismo as nações buscavam novos territórios para fontes de matérias-prima e também novos mercados consumidores.

O primeiro sinal dessa concorrência entre as nações foi à corrida armamentista, pelo

fato dos países buscarem através da alta tecnologia de guerra a conquista de novos territórios.

Além disso, a ideologia nacionalista utópica florescia como forma de recrutar legiões de exércitos. Outro aspecto importante para a época foi às alianças estratégicas, buscando o equilíbrio de poder tanto no campo político-militar quanto no campo econômico-comercial. Essas alianças construíram o ambiente da Primeira Guerra Mundial: de um lado a Tríplice Aliança (1882) formada por Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro; do outro a Tríplice Entente (1904) formado por Rússia, Inglaterra e França. Dentre as causas conhecidas do inicio da Primeira Guerra Mundial estão o descontentamento da partilha de territórios mercantis como Ásia e África por parte de Itália e Alemanha; a forte concorrência comercial de mercados consumidores; além do clima de apreensão e alerta gerado pela corrida armamentista intensificada. A expansão alemã na busca pela estrada de ferro que ligava Berlim a Bagdá, as disputas entre França e Alemanha pelos territórios africanos (o congo francês foi entregue aos alemães), o nacionalismo sérvio X expansionismo austro-húngaro, na crise dos Bálcãs.

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O ponto chave que culminou o início da Primeira Guerra Mundial foi o assassinato de

Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro por um jovem de um grupo Sérvio

ocasionando a declaração de guerra a Sérvia (aliada Rússia e conseqüentemente da Tríplice

Entente), gerando o pretexto que as partes queriam para deflagrar a guerra.

As principais disputas causadas pela guerra eram as disputas pelo controle de

territórios africanos e asiáticos e a exploração de suas matérias prima. Durante o confronto

entre as potências na Primeira Guerra Mundial, a Itália mudou de lado devido a promessa de

ganhar territórios austríacos e a Rússia assinou paz com a Alemanha e saiu da Guerra, dando

seu lugar aos Estados Unidos (EUA) em 1917. O Japão também entrou na guerra a fim de se

apropriar das colônias alemãs no Oriente.

Com o fim da guerra, houve o Tratado de Versalhes 7 que condenava a Alemanha a

pagar indenizações para as potências vencedoras, perder suas colônias e reduzir seu poder

bélico, tornando uma das principais causas da Segunda Guerra Mundial.

Um dos pontos que o Tratado de Versalhes previa era a criação de um organismo

capaz de assegurar a paz no mundo, buscando reduzir os conflitos entre nações, eis que surge

a Liga das Nações 8 em 1920.

Os vinte anos que se passaram entre uma guerra e outra foram caracterizados pelo

nacionalismo utópico de Alemanha, Itália e Japão juntamente com o totalitarismo dos regimes

vigentes, além da humilhação sofrida pela Alemanha no final da Primeira Guerra Mundial na

qual Clausewitz apud Manyanga (p. 01) menciona como

A decisão de qualquer guerra nem sempre deve ser considerada como um caso absoluto: muitas vezes um Estado vencido vê na sua derrota um mal transitório, a que as circunstâncias políticas ulteriores poderão fornecer um remédio.

Os regimes totalitários buscavam o expansionismo através da força militar. A criação

de indústrias de armamentos e equipamentos bélicos visando reduzir a crise econômica nos

7 Assinado em 28 de junho de 1919, o Tratado de Versalhes foi um acordo de paz assinado pelos países europeus, após o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Neste Tratado, a Alemanha assumiu a responsabilidade pelo conflito mundial, comprometendo-se a cumprir uma série de exigências políticas, econômicas e militares. Estas exigências foram impostas à Alemanha pelas nações vencedoras da Primeira Guerra, principalmente Inglaterra e França. Em 10 de janeiro de 1920, a recém criada Liga das Nações (futura ONU) ratificou o Tratado de Versalhes. Fonte: http://www.suapesquisa.com/pesquisa/tratado_de_versalhes.htm

8 A idéia principal da organização era impedir as guerras e assegurar a paz através de discussões e ações diplomáticas, diálogos e soluções. A organização não funcionou muito na prática dando lugar a ONU em 1946, seus fracassos foram pela corrida armamentista das nações e pela eclosão de uma nova guerra.

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países totalitários (nazifascistas) e a falta de empregos também foi importante na militarização.

O Japão buscava expansão de seus territórios objetivando a conquista dos territórios

vizinhos e a partir desses objetivos expansionistas dos três países formou-se o Eixo com fortes características militares e grandes objetivos expansionistas. No que diz respeito ao Tratado de Versalhes, a Alemanha foi humilhada pelas condições políticas, econômicas e militares que foram impostas no tratado, perdeu territórios

e foi impedida de promover a indústria bélica do país enfurecendo os sentimentos alemães e facilitando para a manipulação do ódio alemão pela direita nacionalista. Os futuros “aliados” estavam, no período entre guerras, apenas se armando defensivamente. Os EUA se isolaram e não queria participar de agressões européias, a Inglaterra estava em paz por ser uma ilha e por ter a maior frota naval marítima militar, a França buscava novos caminhos para encurralar a Alemanha e não dar o direito de nova agressão, a Rússia estava isolada e com problemas internos [guerra civil].

O início da guerra se deu com a invasão da Polônia pela Alemanha. França e Inglaterra

logo declararam guerra à Alemanha, formando uma das alianças que mais tarde juntariam EUA e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e se tornariam os Aliados. Entre 1939 (inicio da guerra) a 1941 as potências do Eixo conquistaram importantes territórios. O EUA entrou na guerra, em 1941, quando forças japonesas atacaram Pearl Harbor. Daí até o fim da guerra (1945) as potências aliadas vencem as batalhas. Os alemães perdem contingentes no inverno russo e as forças do eixo sofrem diversas derrotas acabando o

conflito em 1945 com a rendição de Alemanha e Itália.

O Japão só se rende após as perdas em Hiroshima e Nagasaki, quando os EUA lançam

bombas atômicas em território japonês dizimando a população. Os prejuízos da guerra eram eminentes: cidades destruídas, milhões de mortos e feridos, economias devastadas, indústrias

perdidas. A reconstrução começa numa nova divisão entre os países que seguem a ideologia econômica capitalista norte-americana e os que seguem a ideologia econômica socialista soviética gerando agora uma guerra (de influências) sem confronto bélico.

A Organização das Nações Unidas (ONU) veio em 1945 ao final da Segunda Guerra

Mundial, como organismo sucessor da Liga das Nações buscando maior eficácia na manutenção da paz através das negociações de conflitos a base da diplomacia e a participação de todos os Estados independentes. Os principais objetivos da ONU são:

e a participação de todos os Estados independentes. Os principais objetivos da ONU são: Manter a

Manter a paz internacional.

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Garantir os Direitos Humanos.26 Promover o desenvolvimento socioeconômico das nações. Incentivar a autonomia das etnias dependentes. Tornar mais

Promover o desenvolvimento socioeconômico das nações.26 Garantir os Direitos Humanos. Incentivar a autonomia das etnias dependentes. Tornar mais fortes os laços

Incentivar a autonomia das etnias dependentes.Promover o desenvolvimento socioeconômico das nações. Tornar mais fortes os laços entre os países soberanos. Num

Tornar mais fortes os laços entre os países soberanos.das nações. Incentivar a autonomia das etnias dependentes. Num contexto de reconstrução européia, as potências

Num contexto de reconstrução européia, as potências sobreviventes e fortes (URSS e EUA) começam a jogar ideologicamente buscando apoio dos países para o fortalecimento de seus sistemas econômicos.

O estopim da guerra foi à inserção da Doutrina Truman 9 na qual o Estado norte-

americano disse assumir o compromisso de "defender o mundo capitalista contra a ameaça socialista" em 1947. Posteriormente houve a preocupação com a reconstrução econômica européia que foi financiada pelos EUA através do plano Marshall. Em conseqüência, a URSS

financiou os países de regime socialista e afins com o Pacto de Varsóvia buscando novas alianças para o seu sistema econômico.

A Guerra Fria tinha caráter de disputa político, econômico, tecnológico, social, militar

e ideológico entre Estados Unidos e União Soviética. A URSS tinha um sistema econômico socialista baseado na interferência total do Estado na economia, a economia planificada, igualdade social, partido único e falta de democracia. Já os EUA pregavam a expansão do

sistema capitalista onde “os mais fortes sobrevivem”, livre mercado e concorrência, economia baseada no mercado, democracia, e propriedade privada.

A Guerra é considerada Fria pela ausência de conflitos diretos, houve na verdade, a

influência das potências divergentes em pequenos conflitos locais e na reconstrução de nações

destruídas na Segunda Guerra Mundial, buscando a implantação de seus sistemas econômicos nessas nações influenciadas, ou seja, o conflito ocorreu apenas no campo ideológico. Nesse momento surgem alianças buscando o fortalecimento dos modelos econômicos. No lado capitalista surge a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1949, liderada pelos EUA, o acordo estabelecia que os Estados-membros se comprometessem em assegurar a sua defesa e que uma agressão a um ou mais aliados seria considerada uma agressão a todos. Assim, a OTAN fez grande esforço para a manutenção de uma defesa

9 “Doutrina Truman” é uma expressão que designa um conjunto de medidas políticas e econômicas assumidas depois de março 1947, data em que o então presidente dos EUA, Harry Truman, profere um violento discurso contra a “ameaça comunista”, onde diz que os EUA assumem o compromisso de defender o mundo dos soviéticos. Fonte: http://www.infoescola.com/historia/doutrina-truman/

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coletiva e, até então, ideológica, pois nunca houve um conflito armado contra o lado soviético. Além da corrida armamentista evidente das duas superpotências, principalmente nas questões nucleares, houve também a corrida espacial, onde as potências buscavam desenvolvimento para conquistar o espaço [como um novo território]. Dentre os principais envolvimentos indiretos das duas potências estão:

Guerra da Coréia: Entre os anos de 1951 e 1953 a Coréia foi palco do maior conflito armado da Guerra Fria envolvendo as duas superpotências. Após dois anos de guerra e milhares de mortes a Coréia é dividida, ficando a Coréia do Norte sob influência soviética e com um sistema socialista e a Coréia do Sul mantendo seu sistema capitalista.envolvimentos indiretos das duas potências estão: Guerra do Vietnã: ocorrida entre 1959 e 1975, contou com

Guerra do Vietnã: ocorrida entre 1959 e 1975, contou com a intervenção direta dos EUA e URSS. Os soldados norte-americanos tiveram dificuldades em enfrentar os soldados vietcongues e soviéticos e saíram derrotados de forma vergonhosa em 1975, deixando o Vietnã tornar-se socialista. O socialismo soviético entrou em crise devido ao atraso na economia [controlada pelo Estado] que juntamente com a falta de democracia impulsionou crises em diversas repúblicas [controlada pelo Estado] que juntamente com a falta de democracia impulsionou crises em diversas repúblicas socialistas em 1980. Com a queda do Muro de Berlim no inicio da década de 1990 [e a reunificação das Alemanhas] e com as reformas políticas e econômicas e acordos com EUA feitos pela URSS, o socialismo foi enfraquecendo e dissolveu a URSS. Ao fim da Guerra Fria, os EUA tornam-se a única superpotência mundial, com níveis expressivos de gastos com a indústria bélica e nas questões militares superando a soma de todos os outros países [em Produto Interno Bruto (PIB)]. Porém o cenário das relações internacionais é modificado, novos temas são inseridos na pauta de negociações, os conflitos tornam-se mais diplomáticos, a ONU ganha destaque no âmbito das relações internacionais e a cooperação, ou a busca por equilíbrio entre as nações favorece uma relação mais harmoniosa, visto que os Estados têm noção de que uma terceira guerra mundial dizimaria toda a população do planeta devido aos avanços tecnológicos e nucleares. Os países da Europa aos poucos começam a se juntar buscando uma integração e assim permanecerem fortes no âmbito das relações internacionais. A União Européia (UE) é uma integração política e econômica constituída por 27 Estados-membros. Visa o fortalecimento das relações entre as nações européias em todos os aspectos (social,

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econômico, político, tecnológico, ambiental, militar e cultural) e maior importância e visibilidade no cenário global. Dentre os acontecimentos marcantes a Guerra do Golfo teve grande importância no mundo assim como os atentados de 11 de Setembro de 2001 aos EUA, que trouxe uma nova realidade à comunidade internacional e uma instabilidade político-diplomática e militar ao mundo.

No que diz respeito ao ataque as torres gêmeas norte-americanas houve um abalo a

segurança da hegemonia mundial, causando instabilidade geral no planeta. Ainda com as decisões de guerra contra o terrorismo na doutrina Bush 10 , a efetividade da ONU foi posta a prova devido à incapacidade de conter os EUA quando o Conselho de Segurança foi contra a invasão no Iraque.

As relações internacionais no campo político são vistas desde as primeiras civilizações

mostrando a necessidade que a humanidade tem em relacionar-se. Apesar de diversos

conflitos, guerras e crises sociais e políticas as relações entre Estados estão conforme os séculos se intensificando devido aos processos de interdependência e as alianças estratégicas visando o equilíbrio do poder no cenário internacional.

A cooperação internacional trazida com a inserção de novos atores internacionais

como os organismos multilaterais [ONU] não interfere na soberania dos Estados conquistado desde a Paz de Westfália, porém ainda com esses organismos alguns Estados buscam atingir seus próprios interesses.

1.2 ÂMBITO ECONÔMICO

No âmbito econômico mostram-se os principais fatos que permearam e consolidaram as Relações Internacionais. As relações entre Estados sempre tiveram mais vínculos econômicos do que políticos, devido à necessidade de troca de mercadorias e especiarias a fim de sobrevivência e posteriormente de conforto. Na Antiguidade, as primeiras civilizações conhecidas já comercializavam entre si no modo de subsistência. Com as técnicas agrícolas dominadas pelos egípcios a Revolução Agrícola tornou o homem sedentário e o fixou em determinadas regiões originando as

10 Guerras declaradas contra Afeganistão e posteriormente contra Iraque, não aceitas pela ONU como guerra legitimas.

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primeiras cidades. A agricultura prevaleceu por grande parte da história das relações entre reinos, cidades-Estado e posteriormente os Estados soberanos. O mercantilismo é um período muito importante na história entre Estados, visto que é conhecido como um modelo econômico de transição do feudalismo 11 para o capitalismo que foi caracterizado pela intervenção do Estado na economia. Dentre outras características básicas presentes no modelo cabem citar:

Metalismo: o acúmulo de ouro e metais preciosos definia o tamanho do poder do Estado;características básicas presentes no modelo cabem citar: Balança Comercial Favorável: importar menos e exportar

Balança Comercial Favorável: importar menos e exportar mais gerando lucro ao Estado.e metais preciosos definia o tamanho do poder do Estado; Incentivo a produção manufatureira: subsídios e

Incentivo a produção manufatureira: subsídios e incentivos a indústria local visando à produção, abastecimento do mercado interno e à exportação;importar menos e exportar mais gerando lucro ao Estado. Incentivo a Construção Naval: devido à expansão

Incentivo a Construção Naval: devido à expansão territorial e as grandes navegações a busca de novas mercadorias e mercados consumidores elevaram a importância marítima no mercado e comércio;abastecimento do mercado interno e à exportação; Política demográfica favorável: buscando aumentar o

Política demográfica favorável: buscando aumentar o contingente de exército (porque a militarização gerava poder) e maior capacidade laboral e consumidora;elevaram a importância marítima no mercado e comércio; Protecionismo alfandegário: adoção de políticas que

Protecionismo alfandegário: adoção de políticas que visam proteger o mercado doméstico através de altos impostos (barreiras tarifárias) que encarecem os produtos importados;gerava poder) e maior capacidade laboral e consumidora; Colonialismo: a expansão territorial visava novos mercados

Colonialismo: a expansão territorial visava novos mercados consumidores e novas matérias prima proveniente dessas colônias, ainda utilizando de políticas de exclusividade as metrópoles tinham total controle sobre o comércio das colônias;tarifárias) que encarecem os produtos importados; Formação de Cia. De Comércio: A fim de monopolizar as

Formação de Cia. De Comércio: A fim de monopolizar as Cia. De Comércio nacionais que eram à base do comércio marítimo com a produção colonial (ou seja, buscavam as mercadorias nas colônias através dos mares) gerando a acumulo privativo de capital.tinham total controle sobre o comércio das colônias; 1 1 Caracterizado pelo retorno ao campo e

11 Caracterizado pelo retorno ao campo e abandono do comércio como a principal atividade econômica, a concentração de terra, o predomínio de grandes propriedades e do trabalho servil, além de ser fundamentado na relação de suserania e vassalagem (dependência e compromisso de fidelidade firmado entre senhores).

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As trocas comerciais eram feitas anteriormente mercadorias por mercadorias, denominada escambo, com o aumento dessas trocas entre as nações houve a necessidade de padronizar a comercialização de mercadorias através da utilização de moedas para configurar as trocas (padrão ouro). Porém como esses metais preciosos também faziam parte das mercadorias e tornava-se difícil o transporte de grandes quantidades entre os Estados foi instaurado o câmbio, buscando minimizar as transferências físicas de metais preciosos através de um mecanismo de compensação das transações entre os países (SUPRINYAK, 2000). O período marcado pelo mercantilismo (entre os séculos XIV e XVIII) foi caracterizado pela intensificação das práticas de comércio, onde ressalta a aliança político- econômica entre realeza (que buscava poder através do acumulo de riquezas e financiamento do comércio) e a burguesia (que buscava expansão comercial e proteção segurança). A Península Ibérica utilizava-se basicamente do metalismo e não contribuiu para o crescimento da sua economia, porém os Estados que não possuíam colônias repletas de metais preciosos ou não utilizavam suas colônias para a exploração buscaram desenvolver a indústria manufatureira e o comércio de produtos luxuosos que atraiam as cortes ibéricas e geravam lucros extremos à Inglaterra, França e Alemanha, além de fortalecerem a construção naval e as rotas marítimas em busca de novas mercadorias. Em 1776, Adam Smith com sua obra “A Riqueza das Nações” prega que o liberalismo econômico já se fazia presente na vida das pessoas (já capitalistas) e que era necessário o Estado deixá-lo expandir. O liberalismo econômico apareceu como objetivo de atender as necessidades da burguesia e não mais do Estado (como no mercantilismo). A intervenção do Estado na economia fazia com que não houvesse chances de expansão comercial. A doutrina econômica liberal pregava, tão somente:

economia se auto-regula por meio de leis naturais;A doutrina econômica liberal pregava, tão somente: defesa da livre concorrência; liberdade cambial; Ampla

defesa da livre concorrência;somente: economia se auto-regula por meio de leis naturais; liberdade cambial; Ampla liberdade na realização de

liberdade cambial;por meio de leis naturais; defesa da livre concorrência; Ampla liberdade na realização de contratos; Propriedade

Ampla liberdade na realização de contratos;naturais; defesa da livre concorrência; liberdade cambial; Propriedade privada; Combate ao mercantilismo; A A A

Propriedade privada;cambial; Ampla liberdade na realização de contratos; Combate ao mercantilismo; A A A Estimulo ao crescimento

Combate ao mercantilismo;liberdade na realização de contratos; Propriedade privada; A A A Estimulo ao crescimento demográfico com finalidade

A

A

A

Estimulo ao crescimento demográfico com finalidade de gerar mão de obra. O lema predominante do pensamento liberal está na expressão: “ Laissez faire, laissez passer, Le monde va de lui memê” que significa “deixa fazer, Laissez faire, laissez passer, Le monde va de lui memê” que significa “deixa fazer, deixa passar, que o mundo anda por si mesmo”. Dentre as teorias levantadas por pensadores liberais, destacam-se:

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1. Adam Smith: primeiro a dizer que o Estado não deveria interferir na economia, pregar o livre comércio, reconhecer que o trabalho é a principal fonte de riqueza de uma nação e defender a intensificação da capacidade produtiva do trabalho;

2. David Ricardo: Estudos a distribuição de renda, afirmando que há três fatores que podem desestabilizar a economia de uma nação: salário, lucro e renda da terra.

3. John Stuart Mill: defensor do Laissez faire, acreditava na necessidade da distribuição

equilibrada dos benefícios gerados pela economia e ainda propunha um sistema político capaz de permitir a participação da sociedade e garantir o direito das minorias. No século XVIII a Revolução Industrial se deu a cerca de uma série de pequenas revoluções existentes na Inglaterra que culminaram a aceleração da evolução industrial. A Revolução Demográfica ocorrida principalmente entre os séculos XVII e XVIII foi fator importante pela geração de produtores e consumidores no mercado. Com o crescimento demográfico houve também o crescimento da urbanização gerando a necessidade de abastecimento desses aglomerados urbanos impulsionando a evolução industrial. Além disso, com a urbanização houve a elevação de mão de obra nas cidades. Segundo Simão (2002, p. 09),

A Revolução Industrial é a consumação do processo iniciado nos séculos XVI e XVII, sendo a principal diferença a mentalidade da burguesia que mais madura, poderosa e consciente da sua força, deixa o desejo de ascender à nobreza e passa a ambicionar transcende-la, reclamando uma mudança de estruturas em que possam vigorar as suas crenças e estipular a ação.

Além do mercado interno que aumentava em consumo, mão de obra e rendimentos, o mercado externo (denominado comércio internacional) também era expandido na busca da balança comercial favorável e da exploração e relação monopolista colonial. Com a evolução da indústria e com a migração da população para os centros urbanos (e conseqüentemente para as indústrias), a agricultura teve a necessidade de buscar novas técnicas visando automatizar a função (tornar a agricultura industrial) gerando uma Revolução agrícola. Já dentro da Revolução Industrial a revolução nos transportes e na comunicação pode ser destacada, por exemplo, na utilização das maquinas a vapor em barcos e locomotivas. Esses tipos de transportes auxiliaram muito na comunicação (serviam como correios), no transporte de passageiros e nas transações comerciais entre Estados (transporte de cargas). As vantagens desses novos transportes eram eminentes tanto para a sociedade quanto para a indústria, visto que tinham uma capacidade de carga/pessoas maior e eram mais rápidos que os transportes anteriores.

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A competição comercial entre as nações tomou conta no período entre 1870 a 1914 e a Inglaterra preponderantemente industrializada e a frente dos outros países começou a encontrar obstáculos no mercado internacional principalmente devido ao seu modelo tradicional já ultrapassado. A Alemanha tornou-se a principal concorrente britânica pelo mercado internacional devido às inovações em técnicas e métodos de processos produtivos além dos investimentos em empresas de plantações, ferroviárias, mineiras e fabris. Além da Alemanha e Inglaterra, Rússia teve uma evolução tardia de sua industrialização, porém muito importante para a vida econômica do continente europeu. A corrida pela modernização industrial bem como pela expansão no mercado internacional impulsionou a segunda Revolução Industrial em meados do século XIX. O desenvolvimento tecnológico em diversos campos industriais 12 bem como as mais incríveis e importantes invenções 13 buscando a melhoria na qualidade de vida nas sociedades. Os países que mais se sobressaíram com a segunda Revolução Industrial foram Estados Unidos e Alemanha, que se consagraram como grandes potências devido aos avanços tecnológicos e aos novos modelos de sistema produtivo conquistados e a inserção definitiva no comércio internacional. Dentre as principais características desse processo destacam-se a utilização de gás e petróleo como combustíveis, o uso da energia elétrica tanto doméstica quanto urbana e industrial e, principalmente, a implementação de um sistema de linha de produção industrial idealizado por Henry Ford 14 . A idéia proposta por Hobsbawm (1977, p. 47) quando disse que “no geral, o dinheiro não só falava como governava” demonstra a importância do capitalismo para a época. No âmbito econômico o capitalismo é fator determinante das Relações Internacionais, por ser um sistema econômico que se caracteriza pela privatização dos meios de produção [máquinas, equipamentos, insumos e instalações]. O sistema tem no modo de produção a necessidade de trabalhadores livres e a existência de capital [recursos].

12 Elétrica, química, farmacêutica, metalúrgica e de transportes.

13 Prensa móvel, Motor de combustão interna, Telefone, Rádio, Autofalante, Fita elétrica, Furadeira elétrica, Microfone, Gramofone, Refrigerador, Filme fotográfico, Antena, Cinema, Automóvel, Lâmpada elétrica, Fonógrafo, Válvula eletrônica, Raio X. Fonte: http://www.suapesquisa.com/industrial/segunda_revolucao.htm

14 Ford é considerado o primeiro a implantar um sistema de produção em série. O engenheiro americano notou que era muito mais barato e rápido produzir um modelo de automóvel padronizado. De acordo com o sistema fordiano de produção o automóvel passava por uma esteira de montagem em movimento e os operários colocavam as peças. Logo, cada operário deveria cumprir uma função específica. Fonte: http://www.suapesquisa.com/biografias/henry_ford.htm

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A idéia central do capitalismo consiste em “lucro” num sistema que favorece o livre comércio e a livre concorrência e visa à inserção contínua de seus produtos no mercado internacional, intensificando constantemente as relações de comércio entre Estados. Nos momentos de crises e guerras ocorridos na história das Relações Internacionais sempre houve a interrupção das relações econômico-comerciais entre os países, além da elevação das políticas protecionistas visando proteger o mercado interno e restringir importações como se observa nas duas grandes guerras mundiais.

No pós Primeira Guerra Mundial a economia estadunidense, que financiava a estruturação econômica e financeira européia, devastada com a guerra, estava em ascensão e a supervalorização das ações na bolsa de Nova York bem como a estocagem de excedentes culminaram na crise de 1929, que consistiu na desvalorização brusca das ações das empresas norte-americanas e conseqüentemente a perda de bilhões de dólares e muito desemprego, visto que os investimentos migraram para a Europa, já fortalecida. Após a segunda grande Guerra Mundial houve o embate dos sistemas econômicos vigentes nas potências fortalecidas: o socialismo soviético e o capitalismo norte-americano. Apesar da importância soviética no pós-guerra seu sistema não vigorou por muito tempo devido a uma série de crises tanto políticas quanto econômicas [pelo atraso na evolução industrial em relação aos países capitalistas] e reformas no mesmo sentido. Outro ponto dominador que trouxe mais valor ao sistema capitalista foi o advento da globalização. A globalização é importante para o sistema capitalista e para a nova ordem mundial [caracterizada pela atuação dos EUA como principal ator do sistema internacional e pela cooperação entre os Estados, além da importância gerada ao fim da Guerra Fria para as organizações internacionais], pois traz a intensificação das relações entre Estados além da interdependência dos mesmos nos aspectos econômico-comerciais. Segundo Held e McGrew apud Mariano (2007, p. 124) globalização consiste em uma

mudança ou transformação na escala da organização social que liga comunidades

distantes e amplia o alcance das relações de poder nas grandes regiões e continentes do mundo”, em outras palavras, um processo que diminui fronteiras, barreiras e distância e aumenta a capacidade persuasiva dos Estados em suas relações político-econômicas. Dentre as vantagens da globalização no ambiente internacional estão à rapidez na comunicação com todo o planeta e a variedade na informação [vista de vários ângulos e possibilitando criar opinião própria a cerca do assunto], porém a globalização como impulsionadora do sistema econômico capitalista levam a acumulação permanente de capital;

“[

]

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a distribuição desigual da riqueza; o papel essencial desempenhado pelo dinheiro e pelos mercados financeiros e a concorrência, gerando além da desigualdade social dentro dos Estados a desigualdade entre Estados que no modelo capitalista traz maiores benefícios aos países ricos e já industrializados marginalizando os países em desenvolvimento. Com a importância da globalização veio também à necessidade de se criar órgãos capazes de fiscalizar as políticas comerciais adotadas pelos Estados a fim de reduzir as políticas protecionistas e buscando ideologicamente o livre comércio. A nova ordem econômica mundial traz na Conferência de Bretton Woods, em 1944, algumas regras para as relações comerciais e financeiras entre os Estados tendo como principais características o estabelecimento de Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial buscando regular as políticas internacionais de comércio e financeiras nas questões operacionais monetárias. Surge na Conferência de Havana, em 1947, o GATT General Agreement on Tariffs and Trade ou Acordo Geral de Tarifas e Comércio como um acordo provisório com a intenção de impulsionar a liberalização multilateral com a redução de tarifas aduaneiras, substituindo a OIC Organização Internacional do Comércio fracassada pela não- ratificação dos EUA. O GATT foi estabelecido ao longo dos anos e forneceu base institucional para diversas rodadas de negociações multilaterais de comércio. As seis primeiras rodadas 15 firmaram-se na diminuição dos direitos aduaneiros e reduções tarifárias. Nessas, houve sucesso pela diminuição de 35% da média das tarifas aplicadas para bens. Na Rodada Tóquio [a sétima], além da redução tarifária vários acordos tentaram reduzir também as barreiras não-tarifárias que ocorriam com mais freqüência na época como forma de proteção ao mercado doméstico. Nessa rodada a validade dos acordos só se concretizava se o país o assinasse. Esses acordos eram: Barreiras Técnicas, Subsídios, Anti- Dumping, Valoração Aduaneira, Licença de Importação, Acordos sobre Carne e produtos Lácteos dentre outros. A Rodada Uruguai, a oitava e mais importante rodada, começou em 1986 e finalizou em 1994 com 123 países membros assinantes dos acordos e o surgimento da OMC Organização Mundial de Comércio, que entrara em vigor em 1º de Janeiro de 1995 para substituir o GATT dando mais consistência ao comércio internacional e tendo mais poder sobre a pauta comercial mundial. A OMC é um órgão que fornece bases institucionais e

15 Rodada Genebra (1947), Annecy (1949), Torquay (1951), Genebra (1956), Dillon (1960-61) e Kennedy

(1964-67)

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legais. O diferencial deste órgão para o antigo GATT é o cumprimento de todos os acordos na pauta pelos Estados e não só os que fossem interessantes. Dentre os principais objetivos da organização destacam-se:

Que as relações nas áreas econômicas e no comércio de bens e serviços sejam conduzidas assegurando o pleno emprego e o crescimento amplo da renda e da demanda de todos os Estados membros; Que todos os países membros se esforcem positivamente para que os países em desenvolvimento alcancem seus objetivos; A redução tarifária e dos obstáculos que restringem o comércio e a eliminação do tratamento discriminatório nas relações internacionais de comércio; O desenvolvimento de um sistema multilateral de comércio integrado com maior liberalização; Todos os membros até os mais conservadores que preferirem preservar seus princípios fundamentais tendem a favorecer os objetivos do sistema multilateral de comércio; e Mostram a importância da existência do desenvolvimento sustentável nas pautas comerciais através da proteção do meio ambiente. A importância hegemônica dos EUA para o mundo [desde o fim da Guerra Fria] levou a construção de blocos econômicos visando uma maior rede de benefícios entre os membros e assim buscando o equilíbrio de poder no sistema econômico internacional, onde a multipolaridade se sobressaí nos mais diversos aspectos do mundo atual. Fator que configurou a nova ordem internacional, a integralização regional traz importância para o cenário global contemporaneamente. Os processos de integração econômica foram se intensificando à medida que foram mostrando resultados positivos ao cenário internacional. Dentre os principais blocos econômicos com maiores destaques no processo de integração Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) e principalmente, UE tem maior visibilidade internacional. O processo de integração é considerado uma estratégia dos Estados buscando o fortalecimento das relações internacionais [entre os países geograficamente mais próximos] e a modificação nas relações de poder em âmbito econômico, como expressa MARIANO (2002, p. 48):

em âmbito econômico, como expressa MARIANO (2002, p. 48): Os processos de integração regional são impulsionados
em âmbito econômico, como expressa MARIANO (2002, p. 48): Os processos de integração regional são impulsionados
em âmbito econômico, como expressa MARIANO (2002, p. 48): Os processos de integração regional são impulsionados
em âmbito econômico, como expressa MARIANO (2002, p. 48): Os processos de integração regional são impulsionados
em âmbito econômico, como expressa MARIANO (2002, p. 48): Os processos de integração regional são impulsionados
em âmbito econômico, como expressa MARIANO (2002, p. 48): Os processos de integração regional são impulsionados

Os processos de integração regional são impulsionados pelos Estados e fazem parte de sua lógica estratégica, no entanto, à medida que evoluem, geram impactos que vão além dos governos nacionais participantes, influenciando o conjunto da sociedade e especialmente as unidades

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governamentais sub-nacionais, como as prefeituras e os governos estaduais.

Nas questões de integração política e econômica entre Estados diversas teorias contemporâneas foram levantadas, dentre as principais:

Teoria funcionalista: David Mitrany defende a premissa de que as decisões e ações políticas estatais são delegadas a um centro decisório, fazendo o Estado renegar seus interesses para o bem comum dos membros da integração sob a resolução do centro decisório;contemporâneas foram levantadas, dentre as principais: Teoria Neofuncionalista: Ernest Haas defende a relação

Teoria Neofuncionalista: Ernest Haas defende a relação custo x benefício da integração político-econômica e acrescenta a participação dos organismos internacionais no custo x benefício da integração político-econômica e acrescenta a participação dos organismos internacionais no sistema econômico internacional auxiliando nos processos de integração, principalmente regionais

Alianças de Coalizão: Robert Osgood analisa as alianças entre Estados visando os objetivos em comum no âmbito político-econômico e estratégico-militar. Defende que as alianças estratégicas configuram o cenário internacional e moldam as relações de poder entre Estados.nos processos de integração, principalmente regionais A crise financeira de 2008 trouxe à tona a

A crise financeira de 2008 trouxe à tona a interdependência das relações internacionais que se demonstrou através dos efeitos negativos diversos aos outros Estados do mundo. Segundo Cardote (2009, p. 11):

O contágio da crise americana demonstra a atual indissociabilidade econômica dos países de economia aberta. Inseridas em um sistema econômico fluido e globalizado, as economias internas se tornam permeáveis aos efeitos das dinâmicas domésticas estrangeiras. O processo de contaminação também expõe a necessidade de um regime de coordenação e cooperação para fazer frente a esse tipo de circunstância. A teoria da interdependência complexa das relações internacionais pode ser aplicada para explicar os efeitos decorrentes do colapso econômico de 2008 e justificar a orientação adotada pelos países integrantes do G-20 para enfrentar o problema. Essa análise deve levar em consideração o efeito mais evidente da crise: a significativa contração do PIB dos países componentes do G-8.

Os países emergentes, principalmente os BRICs 16 , tiveram destaque em torno dessa crise econômica devido à diminuição dos efeitos da crise se comparado com os países do G-

16 Sigla utilizada para os quatro países emergentes em ascensão: Brasil, Rússia, Índia e China.

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8 17 . Isso acontece devido ao poder demográfico e do mercado de consumo em expansão que os quatro países juntos possuem. O que ocorreu foi à ascensão desses países em âmbito econômico internacional devido aos menores impactos gerados com a crise registrados no mundo. Segundo Maia (2010, p. 03):

No caso dos BRICs, à exceção da Rússia (cuja economia recuou em 7,9% em 2009), as medidas anticíclicas que adotaram foram fundamentais não apenas para se protegerem da recessão mundial, mas para atuar no sentido de motores do crescimento econômico internacional, substituído os países avançados como pólo de dinamismo. A forte expansão chinesa (8,7% em 2009) e da Índia (5,7%), assim como a pequena retração do Brasil (-0,2%) funcionaram como um anteparo à recessão mundial, fato que só veio a reforçar a importância crescente que tais economias emergentes exibem nos últimos dez anos.

No que se refere à quebra de empresas, bancos e imobiliárias, os países emergentes tiveram suma importância no que diz respeito à salvação de certas empresas devido a manutenção e ao consumo em suas filiais nos países em desenvolvimento. Esses países têm relevância internacional principalmente economicamente visto que estudos afirmam que se o BRICs continuar no ritmo acelerado que está caminhará em médio prazo a ultrapassagem do PIB dos países do G-7 18 , como explica Almeida (2009, p. 04):

E para onde caminham os Bric, nas próximas décadas? Certamente não em direção ao mesmo destino, ainda que o traço comum de suas trajetórias seja uma crescente adesão, incontornável, à economia mundial. O estudo da Goldman Sachs aposta que esse G4 ultrapassará, conjuntamente, o PIB do atual G7 em 2035, sendo que a China ultrapassará a todos, individualmente, até 2040.

Esse novo cenário internacional mostra a importância que a interdependência entre Estados tem para as relações internacionais e como a multipolaridade se faz presente nas mais diversas negociações e modifica as relações de poder estatais. No campo econômico as relações entre sociedades sempre foram pautadas de trocas comerciais visando à subsistência e posteriormente buscando gerar riquezas, luxo e conforto às sociedades. O capitalismo predominante atualmente e fortemente relevante desde o fim da Segunda Guerra Mundial acompanhado da globalização traz benefícios para os Estados, principalmente para aqueles que começaram a industrialização antecipadamente, mas também

17 G-8: composto pelos oito países mais desenvolvidos e industrializados economicamente no mundo EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, França, Canadá e Rússia.

18 Consiste nos países do G-8 menos a Rússia

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gera perspectiva de crescimento e desenvolvimento para os países emergentes. A multipolaridade valorizada principalmente ao final da Guerra Fria e o surgimento de organismos internacionais fazem com que o comércio internacional ganhe destaque nas relações internacionais, devido o aparecimento de agências financiadoras do desenvolvimento, além de acordos buscando o livre comércio, parcerias estratégicas e blocos econômicos. A constituição de novos atores no cenário econômico internacional contribuiu para reforçar as relações de poder e aumentar o multilateralismo em diversos campos das relações internacionais. A interdependência dos Estados é conseqüência da globalização de informações, mercados e produtos e gera instabilidades em momentos de crises econômicas em grandes potências.

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2 MEIO AMBIENTE VERSUS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

A natureza está no homem e o homem está na natureza, porque o homem é produto da história natural e a natureza é condição concreta, então, da existencialidade humana. (MOREIRA, 1985 in OLIVEIRA, 2002, p. 02)

Desde que o mundo é mundo há certa interferência humana no Meio Ambiente e

conforme a construção das sociedades, a necessidade humana de conviver com os outros, as

transformações das sociedades, bem como a divisão do trabalho humano perante suas

especialidades e conhecimentos houve uma intensificação dessa interferência. Na história da

interferência humana, fatos políticos e econômicos que permearam as relações entre Estados

tiveram grandes impactos no Meio Ambiente levando a degradação ambiental.

A relação entre homem e natureza sempre foi conflituosa, visto que desde a existência

humana na Terra, há indícios de interferências humanas nos ecossistemas de onde “ele”

habitava. Contudo, as interferências humanas no Meio Ambiente expandiram conforme o

crescimento demográfico e a complexidade das necessidades humanas, cada vez maiores.

(Segundo Redcliff apud Rocha, 2002 p. 03-04)

A evolução humana é considerada através da sua capacidade de interferência no Meio

Ambiente e nos recursos naturais a sua volta, que aumentaram com as descobertas científicas

e a criação de instrumentos que transformavam o homem no único ser a moldar os

ecossistemas a seu favor e dominar os recursos provenientes da natureza, buscando sempre

novos limites a serem ultrapassados.

O que ocorre é que no âmbito das Relações Internacionais as políticas públicas de cada

Estado para com o Meio Ambiente afetam em escala global os demais Estados, ultrapassando

fronteiras e levando o assunto a mesas de discussões globais. Miyamoto (1991, p. 108) afirma

que:

Se as relações internacionais se encontram, ainda, em grande parte, estruturadas e amparadas nas teorias de poder, onde as fronteiras são consideradas invioláveis e a soberania alardeada como absoluta, o mesmo não pode ser dito sobre as implicações das políticas públicas mal conduzidas, sem os devidos cuidados com o meio ambiente, fazendo com que as conseqüências se verifiquem não só no âmbito regional, mas podendo apresentar implicações mundiais.

Na história natural do mundo, a sobrevivência da espécie já mostra desde a pré-

história as modificações do homem, visto que sem adaptações ao meio o ser humano não teria

40

A construção pelos seres humanos de um espaço próprio de vivência,

diferente do natural, se deu sempre à revelia e com a modificação do ambiente natural. Assim, o ser humano, para sua sobrevivência, de um modo

ou de outro, sempre modificou o ambiente natural.

A partir da necessidade de superar sua capacidade limitada o homem começa a criar

ferramentas que lhe auxiliem na sobrevivência e formar grupos a fim de multiplicar as capacidades individuais e satisfazer as necessidades coletivas, originando o trabalho. Para

Dias (2008) “o trabalho é uma atividade desenvolvida pela espécie humana para modificar a natureza e adaptá-la para a satisfação de suas necessidades.” Ainda afirma que:

O trabalho humano, em sua essência, tem como objetivo maior a

manutenção da espécie humana no ambiente natural, melhorando as suas

condições de existência, ou seja, a sua qualidade de vida. (p. 03)

A capacidade de trabalho se vê ampliada devido à organização do trabalho que distribui os indivíduos em funções e seqüência de tarefas. Com isso, a interferência humana na natureza e os impactos no ambiente também elevaram. Dias (2008) completa:

A capacidade de intervenção humana sobre o meio ambiente ao longo dos anos foi sendo multiplicada de uma forma jamais imaginada pelo próprio homem, superando todos os seus limites. (p. 03)

No período Paleolítico, a descoberta do fogo pelo homem trouxe a capacidade de aquecer-se e ao mesmo tempo proteger-se dos animais ferozes existentes a aproximadamente 2 milhões de anos atrás. Na Antiguidade, as sociedades acreditavam que a natureza era ligada ao homem pela divindade, onde os Deuses eram representados por fenômenos naturais. Assim o comportamento humano era correlacionado aos fenômenos naturais, devido o medo da fúria dos Deuses. A filosofia na Antiga Grécia fez com que se questionassem a respeito desses mitos e começassem a olhar para a natureza com uma visão mais racional quanto à origem das coisas no mundo. A constituição das cidades-Estado gregas leva a substituição da temática “natureza” pela temática “homem”, tornando-o o centro do Universo com sua política, ética e seus costumes e comportamentos (antropocentrismo).

O domínio das técnicas agrícolas e a domesticação de animais causaram a primeira

revolução no mundo fixando povos em determinadas regiões, visto que antes os povos eram nômades e se deslocavam conforme as estações, clima e fácil localização de animais e

41

alimentos (vegetais) e levando a constituição das primeiras cidades e ao pensamento de que o homem deve “por natureza” dominar o meio ambiente. Segundo Dias (2008, p. 03)

Há 10.000 anos o homem era nômade e se deslocava conforme as estações do ano, a busca por caça e grãos. Há 8.000 anos houve a domesticação dos animais e o domínio da técnica de plantio, denominado Revolução Agrícola, que se caracterizou pela fixação das pessoas em determinados territórios surgindo às primeiras vilas e cidades.

A capacidade de produzir em local fixo fez um excedente da sua necessidade de

alimentos, levando o homem a interagir com os demais determinando a divisão de funções na produção de alimentos, ou seja, cada produtor se especializava em uma [ou mais] vocação na qual clima, solo e relevo lhe eram favoráveis. A produção gerava um excedente de suas necessidades; com tal excedente eram realizadas trocas entre os produtores originando as

bases do comércio. Dias explica que “a melhoria qualidade de vida se dava em detrimento do mundo natural, pois a concepção predominante era de luta do homem contra a natureza.” (p.

04).

A discussão de muitos autores a respeito da temática se justifica principalmente pelo

que Marilena Chauí traduz como cultura. Segundo Chauí apud Gonçalves (2008, p. 171):

A intervenção deliberada e voluntária dos homens sobre a natureza de alguém para torná-la conforme aos valores de sua sociedade é chamada de cultura, que tem por significado o cuidado do homem com a natureza, cultivo, sendo considerada cultura: a ética, a moral e a política das sociedades.

O surgimento da agricultura que transformou o homem em sedentário e modificou

suas relações com o meio ambiente trouxe há a necessidade de cercar o território a fim de proteger o gado e as plantações dos animais selvagens, dando origem à propriedade privada. Além disso, com o aumento da produção de alimentos e o aumento da população houve maior ocupação de espaços naturais.

A criação das cidades intensificou a destruição ambiental, como a civilização romana

que na Antiguidade contribuiu intensamente para a criação de espaços urbanos e conseqüentemente para a diminuição da biodiversidade da região 19 . A modificação dos ambientes naturais causava um desequilíbrio ecológico e conseqüentemente a proliferação de pragas e doenças gerando grandes epidemias que dizimaram a população européia.

19 O Império Romano com sua expansão territorial e com sua urbanização levou imensos espaços naturais serem devastados e causou a extinção de várias espécies de animais pelas práticas de massacre que serviam de atração na política de “Pão e Circo” para a sociedade romana no Coliseu.

42

Até o sistema feudal a agricultura era a principal fonte de riqueza e a produção era

destinada a subsistência e a auto-suficiência de certo grupo. Com o avanço do Cristianismo e

a idéia de um único Deus, a humanidade retirou o culto à natureza como forma de idolatrar os Deuses e passou a ver a natureza como um objeto a ser dominado.

O Cristianismo da Idade Média distanciou o homem da natureza por distanciar o

espírito da matéria, levando a idéia que o conhecimento se encontrava em suas próprias

Não busque fora de

ti [

O poder absoluto do homem sobre a natureza se concretiza através do pensamento

renascentista, onde o homem tornou-se o centro do Universo e a ciência passa a considerar a natureza sem alma, sem vida, mecânica e geométrica, perdendo o conceito divino da integração com o meio ambiente. 20

O pensamento pragmático cartesiano, que vê a natureza como um recurso para o

homem, acompanhado do antropocentrismo e da ideologia do sistema mercantilista afasta mais ainda o homem da natureza e a conceitua como objeto a ser dominado pelo sujeito o Homem. A apropriação de espaços físicos pelo homem se deu tanto pelo crescimento populacional, que Malthus comprovou ser de forma natural, mas também pela necessidade do “homem” (incorporado na visão de social, ou Estado) em explorar e dominar todos os espaços

atitudes como cita Santo Agostinho apud Gonçalves (2008, p. 175) “[

]

];

entra em ti mesmo. A verdade está no interior da alma humana.”.

a sua volta [possíveis]. São a partir dessas práticas mercantilistas e da intensificação das trocas comerciais geradas nesse mesmo período que é observado alguns fatos que influenciam o aumento da degradação ambiental. Dias traz a época como o marco da exploração dos recursos naturais de forma predatória,

Com a construção de um sistema econômico mundial a partir das grandes navegações iniciadas no século XV, que resultaram na incorporação de novas regiões à economia européia, como a América e o Sudeste Asiático, o homem acelerou seu processo de exploração da natureza para atender à demanda de novos produtos pelas populações européias. Problemas ambientais relacionados com a intensa exploração colonial foram registrados na época. (2008, p. 102)

Com as grandes navegações também são observadas mudanças relacionadas ao habitat natural de certas espécies que se transferem para outras regiões causando um desequilíbrio

20 In GONÇALVES, 2008, p. 175

43

ecológico e complicando os ecossistemas e a vida humana como explica Dias (2008, p. 103)

a difusão de espécies exógenas para lugares em que não havia predadores naturais e

passaram a reproduzir-se em grande quantidade, constituindo-se em pragas e disseminando doenças, entre outros problemas [ Com a Revolução Industrial, a evolução da capacidade produtiva do homem e o conseqüente crescimento econômico, diversas alterações no meio ambiente ocorreram como a utilização de energia e dos recursos naturais intensificando o processo de degradação ambiental. Dentre os principais problemas que a industrialização trouxe ao meio ambiente, Dias cita:

A industrialização trouxe vários problemas ambientais, como: alta concentração populacional, devido à urbanização acelerada; consumo excessivo de recursos naturais, sendo que alguns não renováveis (petróleo e carvão mineral, por exemplo); contaminação do ar, do solo, das águas; e desflorestamento, entre outros. (2008, p. 06)

[

]

Dias (2008) ainda comenta que:

A intensificação do comércio internacional a partir da Revolução Industrial no século XVIII gerou um incremento da exploração predatória do ambiente natural dos países colonizados, que tinham suas riquezas naturais extraídas sem nenhuma preocupação com a sua reposição ou destruídas pura e simplesmente para dar lugar a plantações de produtos consumidos nos países centrais em grande quantidade. (p. 103)

Na verdade, muitos autores acreditam que o ponto culminante para a degradação ambiental consiste na Revolução Industrial, porque foi a partir desta que houve a intensificação da exploração dos recursos naturais em todas as partes do planeta, além do aumento do desmatamento devido aos mecanismos da produção industrial do período. No século XVIII os pensamentos iluministas afastaram os dogmas religiosos da sociedade e fortaleceram a visão que a natureza era concebida como algo palpável, sendo objeto a ser possuído e dominado pelo homem. A urbanização acompanhada do crescimento demográfico, elevados na Revolução Industrial, estava à cima da capacidade pública sobre os serviços básicos gerando constantes epidemias e doenças causadas pela poluição e pela contaminação dos rios, onde eram despejados esgotos industriais. Thomas Malthus, no inicio da Era Industrial fez um trabalho no qual enfatizava sua preocupação com o crescimento demográfico que esgotaria a disponibilidade dos recursos naturais afetando o crescimento econômico dos Estados. Com a intensificação dessa relação de interferência e exploração entre homem e meio ambiente, acontecia simultaneamente à valorização econômica dos recursos naturais, visto

44

que as riquezas naturais provenientes das regiões exploradas transformavam-se imediatamente em objetos de consumo como ocorreu bastante na época do Mercantilismo e das Grandes Navegações onde todos os recursos naturais encontrados nas novas terras eram mercadorias concorridas nas cortes européias. A maior parte das colônias era povoada através do interesse exploratório nos recursos naturais que se transformariam em mercadorias de grande valor no continente europeu. Logo, o assentamento dos europeus nas colônias era apenas atraído pela extração e exploração demasiada dos recursos naturais e esses assentamentos ocorriam nos locais onde tinham abundância de tais recursos naturais, concluindo que o uso de riquezas naturais era caracterizado e motivado por um valor econômico. E invariavelmente os benefícios trazidos desse valor que os recursos naturais tinham não se convertiam para a sua comunidade local e sim para os centros hegemônicos e a comunidade local ficava com os restos que sobravam da exploração mercantil. A idéia que o Meio Ambiente do lugar é visto apenas como um espaço a se ganhar permanece até hoje na irracionalidade exploratória e gananciosa de homens capitalistas.

O sistema econômico capitalista também mudou drasticamente a relação homem-

natureza pelo ritmo do trabalho, visto que antes o ritmo do trabalho era associado ao ritmo da

natureza no método de subsistência levando a dependência total do homem para com o meio. Porém o ritmo do trabalho no modo capitalista força o rompimento desse laço devido a transformação dos recursos pelo homem, que sob a ótica do capital a natureza torna-se um meio de produção onde o homem busca a matéria prima e a transforma em mercadorias e o ritmo do trabalho do homem se associa ao ritmo do capital. Darwin traz no século XIX uma teoria que começa a mudar o pensamento humano quanto à natureza, se baseia no processo de seleção natural e conclui que somente os indivíduos aptos sobreviveriam às mudanças naturais do meio, trazendo a importância que o

meio ambiente tem para a manutenção da vida humana no planeta. Também no mesmo século a ciência dividiu a natureza em física, química e biologia enquanto a ciência do homem era divida em economia, antropologia e história fazendo com que a separação das duas vertentes ocorresse em diversos níveis do pensamento filosófico.

A cooperação estatal começa a tornar-se importante e acontece principalmente no

âmbito regional, como foi o caso da Comissão do Reno em 1815, que tratava sobre a gestão dos recursos naturais referentes à pesca na Europa.

45

O sistema econômico do mercado neoliberal considera que os recursos naturais têm

uma disponibilidade ilimitada e são tratados como bens livres, incentivando sua exploração indiscriminada. Logo, para o progresso e a manutenção das necessidades humanas esforços insustentáveis ocorrem em todos os tipos de países que aceleram o processo de esgotamento dos recursos naturais, também chamado de escassez. Apesar de toda história de interferência humana na natureza, foi no século XX que a produção industrial cresceu exorbitantemente e utilizou com maior intensidade os recursos

naturais. Também foi na segunda metade desse mesmo século que os problemas ambientais passaram a ter visibilidade internacional, devido ao aumento da industrialização e a falta de destino adequado aos resíduos industriais, graves acidentes e contaminações ocorreram ameaçando a saúde humana. Ao mesmo tempo em que o século XX é marcado pelas possibilidades, avanços gigantescos e esperanças, é marcado por riscos eminentes de uma exploração em demasia do Meio Ambiente. Os avanços na biologia, na área genética, as descobertas de novas formas de captação energética bem como novos materiais na produção alimentícia, trouxeram na denominada Terceira Revolução Industrial a elevação da produtividade industrial através da intensificação da exploração dos recursos naturais.

A relação entre os problemas ambientais tanto locais, como regionais e globais levam

a compreensão da complexidade e da interdependência existente entre os ecossistemas. 21

Dentre os sinais de degradação ambiental mais marcantes, desta época, destacam-se: a eliminação de florestas, a exaustão e contaminação química, a contaminação e o rebaixamento dos níveis potáveis, a contaminação dos oceanos, a poluição atmosférica, a depleção da camada de ozônio, a elevação das temperaturas globais. Fatores que causam a elevação do nível dos mares, transtornos climáticos, diferenciados níveis de poluição ambiental; provocam ainda chuva ácida e eliminam ecossistemas locais, tanto de espécies vegetais como de animais. Enfim, fatores que afetam/destroem a biodiversidade natural de cada ‘lugar’. (ROCHA, 2002 p. 05)

O consumismo capitalista contribuiu constantemente para a degradação ambiental

vista no século XX com maior intensidade: 2 milhões hectares de cobertura vegetal já foram devastados, a erosão do solo atinge anualmente 7 bilhões de hectares de terras agriculturáveis,

aumento de 2% no buraco da camada de ozônio e pelo menos 1 grau Celsius na temperatura global. (ROCHA, 2002 p. 06)

21 In: ALBUQUERQUE, Antonio Carlos Carneiro de. Sociedade Civil Ambientalista e As Relações Internacionais. Nepam/Unicamp. 2006, Brasilia. III Encontro Nacional ANPPAS

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No século XX também que começaram a fazer estudos mais detalhados dos animais e comparando seus comportamentos aos comportamentos dos seres humanos, chegaram à conclusão que o animal, bem como o homem, vive socialmente e, por conseguinte a relação homem-natureza não deve ser separada. As duas grandes guerras deflagradas no século XX levaram a destruição em massa tanto de populações quanto de ecossistemas inteiros, gerando desertificação, extinção de espécies, poluição de todos os tipos, além de que o aumento da capacidade industrial bélica das grandes potências gerou uma intensificação dos processos industriais e dos avanços tecnológicos que muitas vezes são nocivos ao meio ambiente. Até 1968 há o começo das ações voltadas à preservação dos ecossistemas e das espécies, onde criaram os parques nacionais (reservas florestais), tratados de caráter ambiental eram mais significativos se feitos bilateralmente relacionados às questões transfronteiriças dos Estados vizinhos; criação de instituições ambientais como Fundo Mundial para a Natureza (WWF) (1961) e maior mobilização principalmente de cientistas. A constituição da ONU trouxe importantes avanços para as questões ambientalistas, visto que a organização tem força e poder para a diplomacia entre Estados em diversos campos de negociações, dentre eles o ambiental. A questão ambiental começa a emergir no cenário internacional sob muita preocupação quanto aos efeitos da interferência humana na natureza e quanto às conseqüências que essa interferência causa à vida humana. No último século e principalmente a partir de 1950 os movimentos ambientalistas cresceram absurdamente, devido principalmente a pressão pública em torno da temática ambiental. As Organizações Não-Governamentais (ONGs) ganharam importância relevante no âmbito internacional e poder muitas vezes superior ao de alguns Estados, além de voz ativa nos debates internacionais a respeito do tema. Outro ator importante que se concretizou no cenário internacional e impulsionou as reflexões em torno da natureza bem como se capacitou da mobilização da opinião pública foi à mídia, que segundo Zulauf (2000, p.87):

A pressão dos movimentos ecologistas, amplificada pela mídia, e a inserção do tema no discurso político, a par do desenvolvimento técnico nos institutos oficiais de defesa do meio ambiente e cientifico nas universidades, levou as autoridades governamentais, em todos os níveis, a editarem leis, decretos, normas técnicas e demais instrumentos de enforcement 22 , isto é, de controle ambiental.

22 Enforcement são todos os procedimentos que existem num país que garantam a aplicação apropriada das normas e princípios.

47

Durante a Guerra Fria, houve a preocupação com a possibilidade de uma guerra nuclear, visto que as duas potências adversárias eram potências nucleares gerava instabilidade demasiada no cenário internacional, devido à possibilidade de destruição tanto do meio quanto da própria humanidade inteira. Miyamoto (1991, p. 112) comenta que “a ameaça de um conflito nuclear se constituiu, até recentemente, no perigo maior à destruição do meio ambiente, incluindo a própria Humanidade”. Com a visibilidade dos problemas ambientais começaram a surgir movimentos em prol do meio ambiente. Em 1962 Rachel Carson expôs no seu livro “Primavera Silenciosa” os perigos da utilização do inseticida DDT defendendo a substituição por controles biológicos e levando os EUA proibir seu uso devido tamanha repercussão mundial.

A partir dessa publicação o mundo entrou em alerta e a poluição tornou-se o problema

ambiental mundial, ultrapassando fronteiras. Em 1968 foram realizados encontros entre Estados (representados por cientistas, educadores, funcionários públicos e industriais) visando buscar soluções para os problemas ambientais originando o Clube de Roma 23 , ainda a

Assembléia da ONU decide realizar em 1972 uma Conferência sobre o Meio Ambiente (Estocolmo) e a UNESCO promoveu uma Conferência em Paris sobre conservação e a utilização dos recursos naturais.

O ano de 1968 ficou marcado pelo ano em que a comunidade internacional começa a

dar maior importância às questões de meio ambiente e a temática entra nas discussões globais. Na década de 70 houve maiores questionamentos quanto ao modelo de desenvolvimento econômico que mesmo demonstrando certas mudanças ainda geravam muita desigualdade

entre os países além de pobreza e miséria nas sociedades. Questionava-se a disponibilidade infinita dos recursos naturais pregada e confirmava que a deterioração ambiental agravava com o modelo de crescimento econômico.

A Conferência de Paris, realizada em 1971, trouxe diversos assuntos e organismos

para a máxima cooperação internacional em busca de soluções a crescente degradação ambiental. Como marcos dessa conferência foram criadas reservas florestais por todo o

mundo visando proteger a diversidade biológica e os recursos naturais da degradação.

Fonte: GUERREIRO, Marta Alexandra Silva. Enforcement como garantir a correta aplicação das normas

internacionais de contabilidade?, 2009. Disponível no

http://www.otoc.pt/downloads/files/1253202310_19a26_contabilidade_final.pdf Acesso em 15 Out. 2011 23 O Clube de Roma é um grupo de pessoas ilustres que se reúnem para debater um vasto conjunto de assuntos relacionados à política, economia internacional e, sobretudo, ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Roma

site:

48

O Clube de Roma publicou um relatório em 1972 que previa a destruição ambiental e

a conseqüente extinção da espécie humana do planeta.

Se se mantiverem as atuais tendências de crescimento da população mundial, industrialização, contaminação ambiental, produção de alimentos e esgotamento dos recursos, este planeta alcançará os limites de seu crescimento no curso dos próximos cem anos. O resultado mais provável será um súbito e incontrolável declínio tanto da população cômoda capacidade industrial” (MEADOWS apud DIAS, 2008, p. 15)

No século XX, a diversas Conferências internacionais acompanhadas da crescente mobilização para as questões ambientais resgatam a preocupação das sociedades com a

natureza e trazem principalmente a preocupação quanto às conseqüências que o método de produção capitalista e extremamente exploratória dos recursos naturais e o progresso científico e tecnológico trazem ao meio ambiente.

A primeira grande reunião da ONU que reuniu basicamente estudiosos ambientais

ocorreu em Estocolmo em 1972, tratava basicamente das principais preocupações ambientais na época que consistiam em poluição e chuva ácida. Teve representatividade mundial, apesar da não participação dos chefes de Estados, e é considerado o marco inicial das discussões sobre a temática ambiental em cenário internacional. Em 1983 criou-se a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) visando analisar as relações entre meio ambiente e desenvolvimento e buscar propostas globais viáveis. O trabalho desses estudos foi denominado “Nosso Futuro Comum” também conhecido como Relatório Brundtland (devido à comissão ser presidida por Gro Harlem Brundtland) trazia uma proposta de agenda global para as mudanças, onde desenvolvimento e meio ambiente estavam correlacionados, sendo a base para as discussões na RIO 92. No que diz respeito ao Comércio Internacional foi a partir da Rodada Uruguai do GATT que surgiram discussões dobre a temática ambiental. Em 1991 o GATT apontou a necessidade de analisar a interferência humana na natureza e como essas interferências no meio ambiente afetam o crescimento econômico e comercial de um Estado, sendo criado ao final da Rodada de negociações o Comitê de Comércio e Meio Ambiente (CCMA) que tinha como principais objetivos coordenar políticas ambientais com as políticas comerciais do sistema multilateral onde o comércio não seria prejudicado com barreiras não tarifárias através das políticas ambientais e o meio ambiente seria mais bem usufruído e de certa forma preservado.

49

Em 1992, a segunda e considerada mais importante Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente a ECO 92 ou RIO 92, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. É considerada de tal importância devido à mobilização das lideranças políticas, a participação de novos atores no cenário internacional como as ONGs, a constituição de uma agenda global para o Meio Ambiente a Agenda 21, demonstrando a importância que o tema mundialmente a partir daquele momento, além da importância da temática para a opinião pública que começava a pressionar seus governos a tomarem atitudes pertinentes. Após a ECO 92 diversas outras conferências foram realizadas em aspectos mais específicos ou de maior amplitude visando analisar o que foi conquistado em relação a preservação ambiental e o que ainda deve ser modificado. Apesar de alguns Estados acreditarem que interagir para buscar a resolução de problemas comuns acabaria por ferir a soberania deles [os Estados], Gro Brundtland apud Miyamoto (1991, p. 123-124) explicava:

A verdadeira soberania num mundo que se assemelha a um condomínio, onde todos precisam estabelecer entendimento e acordos recíprocos sob pena de a casa comum perecer na desordem, consiste na integração de esforços em prol de um desenvolvimento sustentado da Humanidade.

Em entrevista, Ribeiro (2011) afirma que “de forma realista os países não deixam seus interesses em prol da preservação ambiental justificado por eles como um impacto negativo à soberania dos Estados”, mostrando como os interesses políticos dos Estados são o principal fator que impedem os mesmos de pensarem em cooperação coletiva, e a principal justificativa utilizada é a perda da soberania. As Conferências das Partes sobre Mudanças Climáticas (COPs) têm gerado resultados dentro do ritmo e apesar de estabelecer metas claras e parâmetros a serem seguidos pelos países a efetividade dos acordos ocorrem com certa morosidade, segundo Ribeiro (2011). A grande mobilização levou o mercado a buscar incentivos a políticas ambientais pelas empresas. Ainda sob essa perspectiva surgiram normas, regulamentações e certificações referentes ao desenvolvimento sustentável das empresas que também são utilizados atualmente como propostas de marketing ambiental. Segundo Zulauf (2000, p. 88):

Instrumentos mais sofisticados de mercado surgiram, por exemplo, com as séries de certificados ISO 9000 e ISO 14000, pelas quais as indústrias globalizadas não têm outras alternativas senão produzir com competência e com responsabilidade ambiental. Mais uma força na direção da ampliação do mercado verde.

50

A constituição da OMC levou a importância da inserção de novos temas no âmbito das relações multilaterais de comércio. No texto dos objetivos da OMC foi incorporada a idéia de desenvolvimento sustentável acompanhado do crescimento econômico e da liberalização do comércio propostas pela organização. Segundo Queiroz (2006, p. 03) “O acordo constitutivo da OMC exorta para a busca dos meios adequados para a proteção e conservação do meio ambiente, de acordo com as necessidades de desenvolvimento de cada país.” Ainda segundo Queiroz (2006, p. 03) alguns princípios do GATT, elevados na OMC através de acordos tinham caráter ambiental em seu entendimento, tais como:

Princípio da não discriminação; Princípio do tratamento nacional; Acordo sobre Barreiras Técnicas e Medidas Sanitárias e Fitossanitárias; Acordos sobre Agricultura; Acordos sobre Propriedade Intelectual; Acordos sobre Comércio de Serviços; Acordos sobre Subsídios e Medidas Compensatórias; Utilizados como medidas protecionistas pelos Estados, através de barreiras não tarifárias de caráter ambiental para proteger o mercado interno do produto importado execrado pela OMC, que busca a eliminação de tais medidas no comércio internacional. No âmbito dos blocos econômicos, diversas políticas ambientais bem como acordos visando o desenvolvimento sustentável e a adoção de meios de produção que não degradem o meio ambiente foram feitos. No que dizem respeito a esses blocos econômicos, algumas normas foram estabelecidas para garantir a preservação ambiental dos membros e outras regulamentações que padronizam e exigem responsabilidade ambiental no âmbito das negociações comerciais. Em 1987 os países da atual UE criaram um selo ambiental comunitário, o Ecolabel, demonstrando a primeira cooperação regional em prol da temática ambiental com conseqüências comerciais, que segundo o Regulamento apud Queiroz (2006, p. 06) tinha

objetivo de ‘promover o desenho, produção, comercialização e consumo de

como “[

produtos com reduzido efeito ambiental durante o ciclo de vida e informar melhor os consumidores sobre o impacto dos produtos ao meio ambiente.” Os países da UE se vêem demasiadamente preocupados com o meio ambiente, devido à importância que é percebida pelos mesmos na falta de um meio natural que fora devastado conforme os séculos e a industrialização. Os Estados visando uma maior eficácia nas

meio natural que fora devastado conforme os séculos e a industrialização. Os Estados visando uma maior
meio natural que fora devastado conforme os séculos e a industrialização. Os Estados visando uma maior
meio natural que fora devastado conforme os séculos e a industrialização. Os Estados visando uma maior
meio natural que fora devastado conforme os séculos e a industrialização. Os Estados visando uma maior
meio natural que fora devastado conforme os séculos e a industrialização. Os Estados visando uma maior
meio natural que fora devastado conforme os séculos e a industrialização. Os Estados visando uma maior
meio natural que fora devastado conforme os séculos e a industrialização. Os Estados visando uma maior

]

51

legislações ambientais da região optaram por harmonizar as políticas ambientais domésticas

com as legislações ambientais comunitárias do bloco.

No NAFTA, após muita pressão da opinião pública por um modelo de crescimento

econômico sustentável, o bloco decidiu inserir a temática no seu texto final. Com grandes

subjeções principalmente por parte dos EUA, o NAFTA trata o meio ambiente como tema

secundário quanto à importância comercial. Ainda sob muitos questionamentos e a possível

não adesão dos EUA, o NAFTA criou um Acordo Norte Americano sobre Cooperação

Ambiental, que segundo Queiroz (2006, p. 08):

Esse acordo estabelece que os países membros adotem, dentro das possibilidades, as medidas necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente em seus territórios e, por meio da cooperação, evitar distorções comercias com impactos nocivos ao meio ambiente e o estabelecimento de novas barreiras na forma de disposições ambientais.

Ainda o NAFTA recebe várias críticas quanto a sua efetividade e preocupação com os

Estados-membros, visto que aparentemente o acordo de livre comércio funciona e beneficia

apenas a potência estadunidense e não há uma integração econômica firmada nem as reais

preocupações com a temática social e ambiental de todos os membros. A Rede Mexicana de

Ação frente ao Livre Comércio (RMALC) apud Queiroz (2006, p. 09) criticou o NAFTA

alavancando alguns pontos que devem ser repensados:

A política econômica do NAFTA carece de uma integração que permita exigir e alcançar uma verdadeira eficiência econômica, ambiental e social. Por conseguinte, o aumento do comércio e dos investimentos se faz à custa da deterioração do capital natural, humano e social. A política de investimentos vigente no México, após o NAFTA, segue sem exigir do capital estrangeiro e doméstico a internalização dos custos ambientais, permitindo que o país os siga subsidiando e mantendo a ineficácia

o chamado desenvolvimento

econômica, ambiental e social e, adiando ( sustentável.

)

No que diz respeito ao MERCOSUL, as ações voltadas à integração econômica bem

como a harmonização entre comércio e meio ambiente são mais efetivas. O bloco traçou

diretrizes para a política ambiental de seus países membros e forma coletiva e se guiou através

da criação de um subgrupo de trabalho especifico para a temática ambiental dentro do bloco.

Dentre os principais objetivos do subgrupo, estão às reuniões para discussão sobre

medidas não tarifárias (a respeito do meio ambiente), competitividade na área (busca por

processos produtivos e produtos finais ecologicamente corretos), normas internacionais

52

(adequação ao ISO 14000), instrumentos jurídicos (visando a otimização da gestão ambiental

nos países membros através de documentos e acordos em nível regional), sistemas de

informações ambientais (visando a melhor e mais eficaz utilização dos serviços ambientais) e

o selo verde (certificação ambiental comum do bloco). (QUEIROZ, 2006)

Desde sua origem o MERCOSUL traz em seus princípios e objetivos a preocupação

] a

proteção do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável mediante a articulação entre as

dimensões econômica, social e ambiental, contribuindo para uma melhor qualidade do meio

ambiente e de vida das populações.” (in QUEIROZ, 2006, p. 12)

O relatório GEO 4 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

(2007, p. 02) coloca a importância da integração entre homem e meio ambiente através de

uma frase do Relatório Brundtland “Nosso Futuro Comum” afirmando que homem e meio

são inseparáveis,

com a temática ambiental, como demonstra no Art 4º do Tratado de Assunção, que diz “[

The ‘environment’ is where we live; and development is what we all do in attempting to improve our lot within that abode. The two are inseparable

A importância dada aos acordos multilaterais de meio ambiente é demonstrada na

Figura 1, onde mostra a evolução da participação dos países nos mais diversos acordos nos

últimos anos:

Figura 1 Ratificação dos Principais Acordos Multilaterais sobre Meio Ambiente

53

53 Fonte: GEO 4 – Relatório do PNUMA, 2007 p. 09 Para que as questões ambientais

Fonte: GEO 4 Relatório do PNUMA, 2007 p. 09

Para que as questões ambientais saiam efetivamente da teoria e entrem na prática é

necessária uma governança global, na qual a Comissão de Governança Global da ONU apud Abreu (2004, p. 01) explica ser “a soma de várias maneiras de indivíduos e instituições,

público e privado, administrarem seus assuntos comuns. [

envolvimento de ONGs, movimentos civis, corporações multinacionais e o mercado de capitais.” Governança global sob a perspectiva ambiental significa uma governança coletiva, possivelmente de algum organismo internacional, que submeta todos os Estados tomar medidas equitativas para alcançar um objetivo comum, nesse caso a preservação ambiental e a

E a nível global compreende no

]

manutenção da vida humana no planeta, visando o bem coletivo da Humanidade. A governança global ainda é tratada por Viola apud Dantas (2010, p. 12) como:

A governabilidade pressupõe a existência de regras democráticas e cosmopolitas a fim de que os atores possam negociar seus diferentes interesses, tanto como uma identificação realista de quais são os principais interlocutores por parte do conjunto nesse particular momento histórico quanto em relação ao problema que os convoca.

Isso traria a minimização dos interesses estatais em busca dos interesses coletivos, o que se torna muito difícil de executar, visto que os países não aspiram deixar seus interesses particulares em prol de um objetivo comum, mesmo sabendo que esse objetivo visa a existência da raça humana no planeta. Le Prestre (2000, p. 15) menciona como a política

54

ambiental tratada pelos Estados não buscam com mesmo fervor a preservação ambiental que os ambientalistas:

‘Se o político soubesse! Se o ecologista pudesse!’ – eis um refrão repetido sem cessar nas discussões relativas ao meio ambiente. ‘Nós conhecemos os problemas e as soluções’ – dirão os cientistas. ‘Nós temos a vontade de criar um mundo melhor e a capacidade de mobilizar a opinião pública’ – dirão os militantes ecologistas.

Os desastres naturais que começaram a aparecer com mais freqüência também foram propulsores e impulsionadores da mídia e da opinião pública para a temática ambiental, pressionando os Estados à adoção de medidas visando a preservação ambiental e tornando o tema de suma importância para os debates internacionais, como explica Miyamoto (1991, p.

109-110):

Em função do desgaste progressivo da natureza, chegando a níveis alarmantes, e com a possibilidade de converter-se em situações irreversíveis, a questão ambiental tornou-se alvo de atenção cada vez maior nos últimos

Assim, a ecologia passou a fazer parte da agenda cotidiana de

discussões dos mais diferentes Estados e entidades internacionais, servindo

anos [

]

inclusive como ponto de referência para a concessão ou não de fundos para países que negligenciam a qualidade de vida ambiental.

Ao final do século XX Hans Jonas formulou o Princípio da Responsabilidade onde o modo de agir das sociedades seria responsável e não comprometeriam as possibilidades futuras de vida humana no planeta e nem suas condições para tal sobrevivência. A globalização trouxe aos Estados uma maior interdependência econômica e evidenciou a desigualdade social, além de aumentar o consumo e intensificar o comércio internacional que, por conseguinte, elevou o processo de degradação ambiental. A complexidade das relações internacionais gerada pelo mundo globalizado leva as relações de poder ser originadas agora de diversos aspectos e não mais pelo âmbito militar como prevaleceu até o fim da Guerra Fria. As relações de poder entre Estados são manipuladas através de diferentes âmbitos, dessa forma surgem potências em outros campos das relações internacionais, como energética, tecnológica e ambiental, além das tradicionais políticas, econômicas e militares. Segundo Ribeiro (2011) a degradação ambiental está historicamente vinculada a economia, visto que foi no processo de industrialização que houve a intensificação da degradação ambiental. Os principais ganhos em torno da temática ambiental foram a institucionalização da temática na agenda multilateral, através de organismos internacionais e tratados multilaterais, e na agenda nacional dos Estados’. Em outras palavras, através dos

55

organismos internacionais e da multipolarização das relações internacionais que houve a inserção da temática ambiental na pauta das negociações e discussões internacionais. A temática ambiental entra definitivamente na pauta das relações internacionais a partir das últimas décadas do século XX, quando a opinião pública começa a criar a consciência para as atividades humanas que contribuem vastamente para a degradação ambiental e as conseqüências que tal degradação traz a vida humana. Na história da Humanidade, o ser humano desde sua origem modifica de diversas maneiras o meio buscando adaptar-se e sobreviver e, posteriormente buscando suprir suas necessidades e desejos. Na Antiguidade destaque para o Império Romano que trouxe a urbanização devastando espaços naturais e com a política de “Pão e Circo” diminuiu a biodiversidade e extinguiu o grande Leão do Atlas. Com a intensificação das relações comerciais entre Estados, principalmente a partir do Mercantilismo, trouxe aos Estados europeus a extrema exploração dos recursos naturais de suas colônias causando devastação e perda de biodiversidade. Com a industrialização no século XVIII há indícios do aumento das taxas de poluição atmosférica além da contaminação dos rios e oceanos através do derramamento de dejetos industriais, trazendo graves problemas à saúde humana. Com o aumento das relações internacionais principalmente com a globalização cientistas e pesquisadores começam a se preocupar com a interferência humana no meio ambiente e como elas interferem também na vida humana. Com a institucionalização de organismos internacionais e posteriormente com o fim das guerras mundiais e a multipolarização das relações internacionais, gerando potências em diferentes campos, o meio ambiente se torna importantíssimo em âmbito internacional e começa a cooperação estatal para a busca de um bem coletivo através de Conferências, acordos e protocolos a preservação ambiental. Muito foi feito para a preservação ambiental, porém o tema esbarra muito na idéia centralizada dos Estados de que “a busca da preservação ambiental em âmbito mundial gera a perda da soberania dos Estados” e que os interesses políticos e principalmente econômicos seriam confrontados com tais medidas [de cooperação coletiva para a preservação ambiental]. Miyamoto (1991, p. 117) menciona que:

A questão ambiental, contudo, não pode ser pensada, pelo menos ao nível das relações internacionais, amparada apenas na idéia de que se tem que

eliminar as queimadas, a chuva ácida ou o CFC para resolver os problemas

O problema tem uma dimensão mais abrangente e deve ser

remetido à forma como a ordem internacional se encontra constituída.

do mundo. [

]

56

3 A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

A interferência humana, dividida em vários fatores, é a principal causa da degradação ambiental; por conseguinte os inúmeros e crescentes desastres naturais ocorridos, como enchentes, tsunamis, furacões dentre outros, mostram a seriedade das conseqüências dessa degradação à vida e saúde humana. Segundo Guerra apud Meneguzzo (2006) a degradação ambiental é:

Causada pelo homem, que, na maioria das vezes, não respeita os limites impostos pela natureza. A degradação ambiental é mais ampla que a degradação dos solos, pois envolve não só a erosão dos solos, mas também a extinção de espécies vegetais e animais, a poluição de nascentes, rios, lagos e baías, o assoreamento e outros impactos prejudiciais ao meio ambiente e ao próprio homem. (Pg. 04)

Lima e Roncaglio apud Meneguzzo (2006) certificam que:

A expressão degradação ambiental qualifica os processos resultantes dos

danos ao meio ambiente qualquer lesão ao meio ambiente causada por ação de pessoa seja ela física ou jurídica, de direito público ou privado, pelos quais se perdem ou se reduzem algumas de suas propriedades, tais como a qualidade ou a capacidade produtiva dos recursos ambientais. (Pg. 04)

Acredita-se que a degradação ambiental originária da interferência humana tem como principais prejudicados nossas futuras e presentes gerações. Logo se entende que a humanidade provoca a degradação ambiental e ela própria, acima de quaisquer outros seres, sofre com tais conseqüências. No que diz respeito à degradação ambiental, o relatório GEO 4 do PNUMA (2007, p. 38) enfatiza que as mudanças climáticas trarão problemas tanto a superfície aquática do planeta quanto a superfície terrestre:

Climate change affects the warming and acidification of the global ocean, it

influences the Earth’s surface temperature, the amount, timing and intensity

of precipitation, including storms and droughts. On land, these changes

affect freshwater availability and quality, surface water run-off and groundwater recharge, and the spread of water-borne disease vectors and it is

likely to play an increasing role in driving changes in biodiversity and species’ distribution and relative abundance.

3.1

CAUSAS

As causas da degradação ambiental resumem-se em uma única: a interferência humana no Meio Ambiente. Porém acredita-se que os principais motivos para a exploração predatória

57

dos recursos naturais têm caráter econômico, ou seja, o homem em sua ganância e no seu “modelo capitalista de ser” vê no Meio Ambiente uma relação de conquista onde ele visa apenas ganhar e não repor. Algumas das principais causas da degradação ambiental expressas na seqüência do trabalho MacNeill apud Rocha (2002: 05) menciona como,

Os progressos do passado foram acompanhados pelo enorme recrudescimento na escala de impacto ambiental sobre a Terra. Desde 1900, a população mais que triplicou. Sua economia cresceu 20 vezes. O consumo de combustíveis fósseis aumentou 30 vezes e a produção industrial 50 vezes.

3.1.1 CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO / URBANIZAÇÃO

Na história do crescimento demográfico, grandes teorias foram levantadas e posteriormente derrubadas através de novas descobertas e inovações tecnológicas. A principal teoria levantada na questão demográfica foi proferida por Malthus em 1798 com a obra “O Ensaio sobre a população” na qual garantia que a população mundial cresceria em progressão geométrica, se não houvesse guerras, epidemias ou desastres naturais e, por conseguinte a produção de alimentos cresceria em progressão aritmética, com limite devido à expansão geográfica para a agropecuária que seria utilizada para abrigo da crescente população. Logo acreditava que as populações se limitariam em se expandir caso houvesse escassez de alimentos. O que Malthus não previu foi o avanço tecnológico que aumentou a produtividade e facilitou a produção de alimentos, além de que a população mundial não continuou crescendo da forma como ele havia previsto. Segundo dados, a população mundial até 8.000 a.C era de aproximadamente 10 milhões de habitantes, quando o homem vivia como nômade e não haviam sido construídas comunidades. Com o desenvolvimento da agricultura e a formação de comunidades a população mundial começou acelerar seu processo reprodutivo. O Gráfico 1 demonstra como foi o crescimento demográfico conforme os anos,

Gráfico 1 Crescimento Demográfico Conforme os Séculos

58

58 Fonte: Própria adaptada in Wikipédia – Crescimento Populacional; UOL – Linha do Tempo. 2 4

Fonte: Própria adaptada in Wikipédia Crescimento Populacional; UOL Linha do Tempo. 24

Segundo Jaquard apud Gewehr (2006):

No ano 1000 existiam 250 milhões de homens. Depois começa uma fase de crescimento lento: entre 1200 e 1500, atinge o patamar de 400 milhões e esse número se mantém. Mas a partir de 1500, manifesta-se uma aceleração, provocada pelos progressos da higiene e da medicina. Em 1600, 580 milhões de homens; em 1700, 770 milhões; em 1800, 900 milhões. O primeiro bilhão é superado por volta de 1820, e o segundo, meio século mais tarde,

aproximadamente 1925[

] (GEWEHR, p.2)

A partir de 1900, o crescimento demográfico ocorreu de forma acintosa conforme as décadas como mostra o Gráfico 2,

Gráfico 2 Crescimento Demográfico Nos Últimos Anos

24 Fontes: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Crescimento_populacional Uol Linha do Tempo: http://www1.uol.com.br/bibliot/linhadotempo/index6.htm

59

59 Fonte: Própria adaptada in Wikipédia 2 5 O principal motivo pelo qual houve o crescimento

Fonte: Própria adaptada in Wikipédia 25

O principal motivo pelo qual houve o crescimento populacional foi o abandono do

campo pelo homem e a conquista das cidades, que em outras palavras, foi o processo de urbanização mundial. O homem deixou o modo de vida agrícola que criara há muito tempo e começou a povoar as cidades na busca de melhores condições e qualidade de vida, principalmente a partir da revolução industrial em meados do século XVIII.

A urbanização, que consiste na transferência de pessoas do meio rural (campo) para o

meio urbano (cidade), substituindo parte das vezes as atividades do setor primário (agropecuária), por atividades secundárias e terciárias (indústria e serviços respectivamente), ocorreu primeiramente na Inglaterra em 1850, e conseqüentemente em todos os países

industrializados no século XIX. Jacquard apud Gewehr acrescenta,

A partir de 1950, uma verdadeira explosão; o terceiro bilhão é atingido depois de 35 anos, em 1960; o quarto, 15 anos mais tarde, em 1975; o

quinto, após 12 anos, em 1987 [

] (GEWER, p. 2)

A população urbana cresceu constantemente a partir de 1950 e atualmente, segundo

relatórios da ONU, mais da metade da população mundial vive nas cidades [região urbana],

como demonstra Figura 2:

60

Figura 2 População Urbana Crescente No Mundo

60 Figura 2 – População Urbana Crescente No Mundo Fonte: FESP: Urbanização, Agregados Minerais e Sustentabilidade

Fonte: FESP: Urbanização, Agregados Minerais e Sustentabilidade 26

Após a Segunda Guerra Mundial e com a construção da ONU debates foram gerados a cerca do crescimento demográfico bem como do desenvolvimento de certos países e originou a teoria Neomalthusiana, que diz:

Uma numerosa população jovem, resultante das elevadas taxas de natalidades verificadas em quase todos os países subdesenvolvidos, necessitaria de grandes investimentos sociais em educação e saúde. Com isso, sobrariam menos recursos para serem investidos nos setores agrícola e industrial, o que impediria o pleno desenvolvimento das atividades econômicas e, conseqüentemente, da melhoria das condições de vida da população. (MOREIRA, 2005, p. 432)

As principais causas para o crescimento demográfico e para a urbanização são: a melhoria das condições de higiene [reduzindo epidemias e pandemias], os avanços tecnológicos na área médica [medicamentos, vacinas e tratamentos], na área da produção

26 Fonte: http://www.faculdadedeengenharia.com/?p=528

61

alimentícia e na industrialização em geral [facilitando os processos produtivos e garantindo melhor qualidade], além da busca por melhores condições de vida, de emprego, a realização pessoal e profissional influenciadora na busca por cidades, metrópoles e megalópoles. Os principais efeitos ao Meio Ambiente do crescimento demográfico mundial bem como a urbanização são, dentre outros, a poluição gerada em diversos aspectos, principalmente a proliferação do lixo urbano, a diminuição dos espaços [habitat] para fauna e flora (desatamento) causando a extinção de espécies, comentados futuramente, além da inversão térmica e a ilha do calor 27 .

3.1.2 CRESCIMENTO INDUSTRIAL

Apesar da falta de muitos índices básicos que mostrem o crescimento industrial conforme os anos, é notório que a industrialização já se faz presente na maior parte dos países e que a industrialização acompanhada da globalização está crescendo conforme o tempo se passa.

A industrialização ganhou efeito a partir da Revolução Industrial no século XVIII e começou a ganhar destaque nos países hoje conhecidos como países desenvolvidos:

Inglaterra, França, Alemanha, posteriormente EUA e Japão. No âmbito internacional, conforme os Estados foram ganhando independência e auto-suficiência foram buscando maneiras de industrializar-se para a inserção no mercado. É fácil decifrar quais os países industrializados e os países em busca da industrialização, ou seja, os Estados desenvolvidos e em desenvolvimento, através do tipo de mercado que estão inseridos, visto que os países desenvolvidos, que se industrializaram antecipadamente são os maiores fornecedores de manufaturas, produtos industriais e tecnologia; e os países em desenvolvimento em suma são fornecedores de matérias prima. O processo de industrialização se deu na Inglaterra a partir da Revolução Industrial, porém começou no período mercantilista, onde países que não tinham colônias cobertas de ouro e prata (metalismo), como França, Inglaterra e Holanda, começaram a fabricar produtos de alto luxo ou de necessidade para acumularem riquezas através da comercialização com as potências Ibéricas (Portugal e Espanha). Surge então as fábricas artesãs de tecidos e no ramo agrícola.

27 Nos grandes centros urbanos ocorre a alteração do clima e sua intensificação, devido a diminuição de áreas verdes, o calor é mais intenso e quando chove ocorrem grandes tempestades e enchentes.

62

A segunda Revolução Industrial trouxe os EUA como o país propulsor, visto que ela

foi caracterizada pela sistematização da linha de produção com o modelo do fordismo” e a evolução da tecnologia destacando Alemanha e Rússia nesse processo. Com a globalização e com a intensificação das relações entre Estados principalmente no âmbito comercial, a industrialização se tornou interesses de todos os países no mundo e começou a tornar-se realidade em alguns de forma mais rápida e em outros Estados num processo mais lento e conflituoso.

Apesar de não encontrar um índice de crescimento industrial no mundo, é percebido o crescimento industrial através do índice de crescimento da produção doméstica (GDP Gross Domestic Production) subdividido em continentes, mas que permite a percepção do crescimento mundial.

A industrialização começou a elevar a partir do período da Revolução Industrial,

porém se destaca a partir da segunda metade do século XX com a industrialização crescendo

em todos os continentes, como demonstra o Gráfico 3:

Gráfico 3 Crescimento da Produção Doméstica per capita de 1820 a 1992

da Produção Doméstica per capita de 1820 a 1992 Fonte: Iterations. 17 Dez. 2008 – Why

Fonte: Iterations. 17 Dez. 2008 Why I hate Business Cycle Talk (Part Two) 28

28 Fonte: http://listenthinkrepeat.com/wordpress/?p=216

63

Nos últimos anos conseguiram através de estudos, pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, chegar numa taxa de crescimento industrial anual, que segundo dados, gira em torno de 4,6% ao ano 29 . Destaque também para os países emergentes, principalmente os países do BRICs, que mesmo com a crise financeira de 2008 conseguiram manter suas taxas de crescimento industrial na média e melhores do que os países desenvolvidos que sofreram grandes impactos com a crise. A industrialização traz diversos impactos ao meio ambiente, desde a ocupação de espaços naturais para as instalações das fábricas, a utilização intensa de recursos naturais como fontes de energia, a contaminação de água e solo como ocorrem nos grandes acidentes com dejetos industriais e a poluição atmosférica pela eliminação de gases tóxicos.

3.1.3

POLUIÇÃO

O tema poluição é muito abrangente, pois é dividido em diversas partes. Dentre as formas de poluição destacam-se no trabalho a poluição da água, do solo e do ar. Na história da poluição, desde o século V a.C, já havia registros de pensadores reclamando da poluição do ar, água e solo. Hipócrates no livro “Ar, água e lugares” relata que a qualidade do ar e da água é comprometida pelos efeitos humanos como a produção de alimentos e pela ocupação de regiões, que causam a mudança no clima. Em 61 a.C. Séneca fala sobre a qualidade do ar de Roma que já era pesada, e fora dela também que permanecia parecida. Os intensos fumos de carvão utilizados em 1257 fizeram a Rainha Leonor de Provença deixar seu Castelo de Nottingham pela má qualidade no ar. Em 1558, a Rainha Isabel I proibiu a queima de carvão na Inglaterra e Escócia por ondas de alergias a queima de carvão. Em 1661, John Evelyn relata no seu livro o nível de poluição que afetava a capital inglesa e propôs atitudes como limitar o uso do carvão, realocar as indústrias, desenvolver combustíveis menos degradantes e plantar árvores ao longo da cidade. No século XVIII, os Estados Unidos criou as primeiras leis que visavam reduzir a poluição vinda de fábricas, ferrovias e navios. Com a Revolução Industrial a combustão de carvão aumentou cerca de 100 vezes. Além da poluição do ar, ocorrida pela emissão de gases

29 Estimativa para 2010. Fonte:

<http://www.indexmundi.com/pt/mundo/taxa_de_crescimento_da_produção_industrial.html>

64

tóxicos e combustão de carvão, houve uma crescente onda de poluição das águas devido às contaminações das indústrias que despejavam substâncias químicas em rios, mares e oceanos.

3.1.3.1 POLUIÇÃO DA ÁGUA

A água é um dos bens mais importantes à vida humana e ao Meio Ambiente, apesar do planeta ser banhado por 71% de água apenas 2,5% de toda essa água é doce e tem possibilidades de consumo, porém estão presas em geleiras, nos lençóis subterrâneos e em lagos e rios a minoria. Tanto o ser humano, que é composto por 70% de água, quanto o Meio Ambiente necessitam de água para a sobrevivência, porém a água potável não chega a diversos países, principalmente os mais pobres. Cerca de 2 bilhões de habitantes no mundo não têm contato com água potável e cerca de 3 bilhões vivem sem condições sanitárias decentes. Os principais continentes atingidos são África, Ásia Central e Oriente Médio. Nas últimas décadas o consumo da água doce tornou-se muito mais importante devido ao aumento da utilização nas atividades industriais e agrícolas, sua necessidade aumentou duas vezes mais que a população mundial. As principais causas da poluição da água são: lixos, esgotos, dejetos químicos industriais, mineração descontrolada, além da própria poluição do solo que contamina os lençóis subterrâneos e cursos de água que deságuam nos rios. Com o aumento da industrialização proveniente da Revolução Industrial, as indústrias começaram a despejar produtos químicos nos rios e lagos, quando a opinião pública começou a conscientizar-se dos danos ao Meio Ambiente e à vida humana, essas indústrias tiveram que adaptarem-se as novas realidades e buscar novas formas de eliminação de suas substâncias tóxicas. Anualmente cerca de um milhão de toneladas de óleo se espalham nos oceanos formando uma camada compacta de difícil absorção, além disso, diariamente mais de 10 bilhões de litros de esgoto são lançados em rios, lagos, oceanos e áreas de mananciais, principalmente porque a política de tratamento dos esgotos provenientes de indústrias através de legislações e fiscalizações surgiu muito recentemente, e ainda está em processo de maturação. Grandes acidentes de contaminação de lagos, rios e oceanos também já foram registrados dentre eles os mais recentes foram:

65

65 No Japão, Fukushima, pelo terremoto seguido do tsunami ocorreu uma explosão na usina nuclear e

No Japão, Fukushima, pelo terremoto seguido do tsunami ocorreu uma explosão na usina nuclear e o nível de iodo no oceano estava duas vezes maior do que o permitido. Nos EUA, o derramamento de petróleo no Golfo do México levou a segunda maior catástrofe natural do país. Na Nigéria, um derramamento de petróleo provocado por erros da companhia Shell poluiu o rio Niger. No Brasil, diversos acidentes ocorreram quanto ao derramamento de petróleo pela Petrobrás, e a intensidade é maior devido ao país não ter um plano de controle para prevenção desses acidentes bem como um plano estruturado de contenção da gravidade do problema, se o derramamento vier acontecer. A Figura 3 mostra como as águas no mundo estão muito poluídas e sofrem freqüentemente contaminações por derramamentos de petróleo dentre outros produtos químicos.

derramamentos de petróleo dentre outros produtos químicos. Figura 3 – Nível de Poluição das Águas no
derramamentos de petróleo dentre outros produtos químicos. Figura 3 – Nível de Poluição das Águas no
derramamentos de petróleo dentre outros produtos químicos. Figura 3 – Nível de Poluição das Águas no

Figura 3 Nível de Poluição das Águas no Mundo

Figura 3 – Nível de Poluição das Águas no Mundo Fonte: Terra Planeta Azul Blogspot –

Fonte: Terra Planeta Azul Blogspot Poluição dos Oceanos 30

30 Fonte: http://poluicaodosoceanos.blogspot.com/2011/03/poluicao-dos-oceano.html

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As principais conseqüências da poluição da água ao Meio Ambiente são: a escassez da mesma, provocando a extinção da vida humana e animal no mundo; a perda da biodiversidade

e conseqüentemente a extinção de espécies marítimas e aves; proliferação de algas, causando

maré vermelha e maré verde 31 ; a eutrofização 32 ; além de causar sérios danos à saúde humana

e proliferar diversos tipos de doenças.

3.1.3.2 POLUIÇÃO DO SOLO

O solo é a camada mais fina da crosta terrestre e está localizado na superfície externa.

A fertilidade do solo traz alimentos de qualidade à vida humana, através diretamente da

agricultura e indiretamente da pecuária. A poluição do solo trata basicamente da contaminação do solo, juntamente com os lençóis freáticos, por substâncias tóxicas e químicas.

Segundo Fonseca (p. 01),

A poluição do solo ocorre devido os malefícios diretos e indiretos causados pela desordenada exploração e ocupação do meio ambiente, depositando no solo elementos químicos estranhos, prejudiciais às formas de vida microbiológica e sua colaboração em relação às interações ecológicas regulares.

As principais causas da poluição do solo são os diversos processos de despejo de lixos em locais muitas vezes impróprios por parte da sociedade e indústrias, como lixões a céu aberto e aterros sanitários e incineração; o uso de pesticidas, praguicidas e outros agrotóxicos para combater pragas; a produção e uso de adubo sintético, com o processo de compostagem

de lixo, que traz substâncias que podem contaminar o solo e tem sido intensificado para suprir

a necessidade de alimentos no mundo atual.

O lixo faz parte da história da humanidade e compõem um problema grave na história

ambiental. Diversos fatores auxiliam na proliferação do lixo, tais como, o crescimento

populacional, a urbanização e a industrialização.

31 As duas marés citadas são devido à proliferação excessiva de algas em certa região, porém a maré vermelha é mais perigosa visto que as algas liberam substâncias tóxicas causando a morte de peixes devido a falta de luminosidade e oxigênio, e as algas da maré verde não libera toxinas, porém reduzem também o nível de oxigênio na água.

32 Fenômeno causado pelo excesso de nutrientes num corpo de água mais ou menos fechado, o que leva à proliferação de algas que ao se decomporem causam o aumento do número de microorganismos e à conseqüente deterioração da qualidade do corpo da água.

67

Na Idade Média, o lixo era acumulado nas ruas, proliferando doenças e a sociedade da época associava os resíduos sólidos aos enfermos e conseqüentemente uma ameaça à saúde humana doenças. Com a Revolução Industrial, o processo de urbanização e o aumento populacional, devido os avanços na medicina e nas ciências gerais houve uma maior proliferação do lixo e para escondê-lo da sociedade, surgem os lixões e aterros sanitários sem proteção ou estrutura. Com o advento da globalização e um sistema capitalista, onde o consumo é essencialmente importante, a produção de lixo aumenta a níveis assustadores, porém nas últimas décadas houve uma maior conscientização do problema que é o lixo e as diferentes classificações existentes, que devem ter atenção. O Lixo pode ser classificado como: 33 Lixo doméstico produzido pela sociedade em seu lar, tais como, embalagens de alimentos, papéis, latas, garrafas dentre outros; Lixo Comercial gerado pelo setor comercial, geralmente pode ser reciclado como papel, papelão e plásticos; Lixo Industrial originário das indústrias pode ser contaminante, ou orgânico, como produtos químicos e metais, restos de alimentos, tecidos, madeira e couro; Lixo Público originário da própria natureza, como folhas de árvores, animais mortos, galhos de plantas, terra dentre outros; Lixo Hospitalar originário da área da saúde (hospital, farmácia, veterinários, postos de saúde), podendo ser contaminante esse lixo necessita de cuidado e tratamento diferenciado dos demais, desde a sua coleta até a deposição final; Lixo Nuclear também com necessidade de atendimento diferenciado, o lixo nuclear é proveniente de atividades que envolvem produtos radioativos e tem grandes riscos de contaminação.

produtos radioativos e tem grandes riscos de contaminação. Os destinos para o lixo podem causar vantagens
produtos radioativos e tem grandes riscos de contaminação. Os destinos para o lixo podem causar vantagens
produtos radioativos e tem grandes riscos de contaminação. Os destinos para o lixo podem causar vantagens
produtos radioativos e tem grandes riscos de contaminação. Os destinos para o lixo podem causar vantagens
produtos radioativos e tem grandes riscos de contaminação. Os destinos para o lixo podem causar vantagens
produtos radioativos e tem grandes riscos de contaminação. Os destinos para o lixo podem causar vantagens

Os destinos para o lixo podem causar vantagens do ponto de vista econômico para a administração pública, mas causam muitas desvantagens principalmente relacionadas ao Meio Ambiente e à saúde humana, que sofre as conseqüências posteriormente, como mostra a Figura 4:

33 Fonte: http://www.ib.usp.br/coletaseletiva/saudecoletiva/tiposdelixo.htm

68

Figura 4 Vantagens e Desvantagens das Diferentes Destinações Do Lixo

e Desvantagens das Diferentes Destinações Do Lixo FADINI, Pedro Sérgio. Lixos: desafios e compromissos, 2001

FADINI, Pedro Sérgio. Lixos: desafios e compromissos, 2001 34

Os principais efeitos da poluição do solo causados ao Meio Ambiente são a eutrofização, o desequilíbrio das cadeias alimentares, poluição das águas (rios, lagos, mares e oceanos), extinção de espécies aquáticas, proliferação de doenças infectocontagiosas, além da contaminação dos alimentos.

3.1.3.3 POLUIÇÃO DO AR

A poluição do ar nada mais é do que a introdução de substâncias poluentes e contaminantes na atmosfera através de gases tóxicos, partículas sólidas, líquidas em suspensão ou materiais biológico e energia. Essas substâncias trazem efeitos nocivos à saúde humana e animal, modificam o clima e o ecossistema e disseminam doenças infectocontagiosas. As principais causas da poluição atmosférica são gases tóxicos emitidos por carros, fábricas, aerossóis, produção de energia em termoelétricas, evaporação de produtos químicos, emissão de poeiras de indústrias madeireiras e extrativista, além de emissões naturais de vulcões, metano por parte dos animais, compostos radioativos liberados por rochas e

34 Fonte: http://qnesc.sbq.org.br/online/cadernos/01/lixo.pdf

69

incêndios florestais, em outras palavras, o crescimento demográfico que implicou no aumento da produção industrial bem como o aumento das áreas urbanizadas e industrializadas afetam diretamente a evolução da poluição atmosférica. Os principais efeitos que esse tipo de poluição traz ao Meio Ambiente são inversão térmica, chuva ácida, efeito estufa, buraco na camada de Ozônio e escurecimento global estudos apontam a diminuição da visibilidade no mundo entre 1960 a 1990 foi de 4%. (WIKIPÉDIA, 2011) Dois acidentes relacionados à poluição atmosférica que causaram grande impacto no mundo foram:

Em 1954 em Los Angeles, EUA, quando a visibilidade foi drasticamente reduzida provocando 2.000 acidentes rodoviários num mesmo dia.atmosférica que causaram grande impacto no mundo foram: Em 1984, em Bhopal, Índia, uma nuvem tóxica

Em 1984, em Bhopal, Índia, uma nuvem tóxica de uma fábrica de pesticidas causou 20.000 mortes e mais 120.000 pessoas feridas ou com graves problemas de saúde. Em publicação a National Aeronautics And Space Administration (NASA) divulgou um mapa mundial com a concentração de partículas poluentes no ar de 2001 a 2006, mostrando a poluição a nível mundial, conforme a Figura 5:provocando 2.000 acidentes rodoviários num mesmo dia. Figura 5 – Concentração Atmosférica de Partículas

Figura 5 Concentração Atmosférica de Partículas Poluentes no Mundo

Atmosférica de Partículas Poluentes no Mundo Fonte: Power 4 Amplifique: O Estranho Mapa da Poluição

Fonte: Power 4 Amplifique: O Estranho Mapa da Poluição Mundial 35

35 Fonte: http://www.power4.com.br/blog/?p=1770

70

Apesar de acreditar que os países com mais desenvolvimento e industrialização seriam os mais poluentes, as cidades mais poluídas no mundo (por partícula) vem de Egito, Índia, China e Indonésia. Isso acontece devido às legislações provenientes de países desenvolvidos que limitam a capacidade de emissão de poluentes e induz as empresas potencialmente poluidoras a se instalarem em países em desenvolvimento (afastando assim a poluição dos países desenvolvidos).

3.1.4 DESMATAMENTO / QUEIMADAS

Conceitua-se desmatamento como uma operação que objetiva a supressão total da vegetação nativa de determinada área para uso alternativo do solo, sendo nativa a vegetação original caracterizado por florestas, cerrados, campos e vegetações rasteiras e o uso alternativo do solo significa à implantação de projetos que visam o assentamento de populações, a colonização agropecuária, industrial, florestal, mineração, transporte e energia, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) define o desmatamento como a prática do corte, capina ou queimada que leva à retirada da cobertura vegetal existente em determinada área para fins de pecuária, agricultura e expansão urbana.

A história do desmatamento mundial confunde-se muito com a história da

humanidade, visto que desde começaram a formar os primeiros agrupamentos humanos, houve a necessidade de desmatar para a construção de abrigos e para a agricultura. A descoberta do fogo e sua alimentação por lenha [madeira] fizeram com que aumentasse o desmatamento, desde 10.000 a.C. na primeira revolução agrícola, que teve a derrubada de florestas para aumentar os espaços para agricultura e pecuária. Com o

surgimento das primeiras cidades, em 2.500 a.C. o impacto ao Meio Ambiente foi ainda maior, pela necessidade de madeira para a construção de abrigos mais confortáveis e para a obtenção de lenha, que na época era a maior fonte de energia (por fornecer luz e aquecimento).

O desflorestamento continuou a aumentar na Idade Média, a necessidade por

alimentos aumentava assim como a população, e a agricultura como uma das únicas fontes de suprir tais necessidades tomava o lugar das florestas que eram derrubadas para gerar espaços e para a utilização da madeira como fonte de aquecimento e preparação dos alimentos.

71

A partir das grandes navegações iniciadas no século XIV, a necessidade por madeira foi intensificada e o desmatamento conseqüentemente, visto que a construção naval era feita de tal material. A partir do século XVI, as florestas européias desapareceram devido ao desmatamento ao longo dos anos e a precisão das indústrias pela madeira. Como conseqüência da falta de florestas para desmatar, os europeus começam a explorar as florestas de suas colônias, como aconteceu com o Pau-Brasil explorado pelos portugueses em terras brasileiras e quase extinto. Com o surgimento de organismos internacionais a preocupação com o Meio Ambiente veio crescendo, principalmente com o aparecimento de grandes desastres naturais que demonstravam que a interferência humana na natureza era intensa e prejudicial. A WWF e a FAO (Organização de Alimentação e Agricultura) são as principais organizações que cuidam de monitorar o nível de desmatamento no mundo. Segundo tais organizações, o planeta em sua existência, era coberto 50% por florestas e em 1990 correspondia a 22%, ou seja, mais da metade já foi desmatada. Uma das primeiras florestas a ser quase completamente devastada foi a Mata Atlântica na região costeira do Brasil, atualmente apenas 5% da mesma existe como reservas florestais do governo, passando de 1,3 milhões de km² em 1900 para 50 mil km² hoje. Entre as décadas de 1980 e 1990 cerca de 150 milhões de hectares 36 foram destruídos em florestas tropicais, devido à vasta biodiversidade e ao excesso de recursos naturais provenientes. As florestas tropicais ocupam cerca de 16 milhões de km² e em média 100 mil km² são desmatados por ano. As florestas de clima temperado já desapareceram em torno de 44% e são destruídas com mais intensidade. Atualmente as principais florestas tropicais existentes estão localizadas no Brasil (Amazônia), na África e no Sul e Sudeste Asiáticos. A Figura 6 demonstra o nível de desmatamento no mundo e o que nos resta de florestas ainda,

Figura 6 Nível de Desmatamento no Mundo

36 Um hectare corresponde a 10.000 m².

72

72 Fonte: Blog Amazonarium – Amazônia só tolera mais 3% de desmate (03/02/2010) 3 7 As

Fonte: Blog Amazonarium Amazônia só tolera mais 3% de desmate (03/02/2010) 37

As principais causas para o desmatamento são: a extração de madeira para fins comerciais, instalação de projetos agropecuários, implantação de projetos de mineração, construção de usinas hidrelétricas, propagação de fogo resultante de incêndios (queimadas), a urbanização e construção de novas cidades que necessita da derrubada de árvores para aumentar os espaços geográficos, a construção de condomínios residenciais e pólos industriais, a ampliação de rodovias e de áreas para a criação de gado e o cultivo de alimentos Falar em desmatamento atualmente está extremamente correlacionado em falar na Amazônia, visto que é a principal floresta tropical do mundo e é considerada o pulmão do planeta Terra. Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de 1500 com a chegada dos portugueses ao Brasil até 1970 meados do regime militar brasileiro o desmatamento na Amazônia correspondia há um pouco mais de 1% da área total da floresta e de 1970 a 2002 chegou a 16% do desmatamento. 38 A Amazônia tinha cerca de quatro milhões de km² de floresta original, até 1970 1% da sua área total foi desmatada, entre as décadas de 1960 e 1970 no regime militar brasileiro o processo de desmatamento foi intensificado devido a abertura de grandes estradas que

37 Fonte: http://www.amazonarium.com.br/blog/?p=278 38 ECOLOGIA E desenvolvimento. PIOR DESMATAMENTO DOS ÚLTIMOS 15 ANOS. Ano 13. Nº 108.

P.23

73

ligassem a Amazônia ao resto do Brasil, que posteriormente foram abandonadas pela falta de objetivos socioeconômicos para sua eficácia.

O governo brasileiro foi um dos principais protagonistas dessa devastação na

Amazônia, visto que começou a ceder terras na região a fim de conter a imigração de pobres para os centros urbanos, intensificando a ação de madeireiros e a expansão das áreas para agricultura e pecuária na década de 1980, quando o governo facilitava o crédito para a produção de carne e leite na região, ou seja, lançou planos governamentais que encorajavam

deliberadamente a colonização das florestas tropicais. Somente no final da década de 1980, quando houve uma intensa pressão internacional sobre o assunto é que o país começou a buscar formas de conter o desmatamento e realizar um desenvolvimento sustentável a fim de proteger um patrimônio que é importante para todo o planeta, afinal aproximadamente 20% da biodiversidade 39 do planeta está localizada nessa floresta. Os principais efeitos do desmatamento ao Meio Ambiente são a destruição da biodiversidade (perda da fauna e da flora), o desequilíbrio nas cadeias alimentares, a erosão e o empobrecimento dos solos, enchentes e assoreamento dos rios, a elevação das temperaturas, a poluição atmosférica e o aumento do efeito estufa devido à emissão de gases poluentes das queimadas e à diminuição da fotossíntese causada pela derrubada de árvores, o esgotamento de fontes de água natural, a desertificação, a proliferação de pragas e doenças e a descaracterização total do habitat natural dos outros seres vivos. A queimada nada mais é do que um dos processos de desmatamento. A queimada pode originar-se de forma natural, através da baixa umidade e a ação dos ventos aumenta a cobertura atingida e também pode ser originada pela ação humana, mais destacada no trabalho. Desde a descoberta do fogo e com a construção de agrupamentos humanos, há indícios de queimadas no mundo, para aumentar as áreas para o cultivo de alimento e para a construção de abrigos, para aquecimento e luz, para afastar animais perigosos e com o aumento populacional aumenta a necessidade de áreas livres para a construção das cidades.

Os principais focos de queimadas residem nos países com florestas tropicais, como no

continente africano e na Amazônia, como demonstra o mapa na Figura 7:

39 São 40 mil espécies de plantas, 2.526 vertebrados terrestres e 3 mil espécies de peixes. Cerca de dois milhões de espécies vegetais e animais onde apenas 30% são conhecidas cientificamente habituam a floresta.

74

Figura 7 Mapa Mundi com o Nível de Queimadas

74 Figura 7 – Mapa Mundi com o Nível de Queimadas Fonte: Nasa in IG –

Fonte: Nasa in IG Ultimo Segundo / Ciência 40

As causas naturais de queimadas são conhecidas como incêndios florestais que acontecem devido à baixa umidade do ar e nos períodos de muita seca nessas vegetações, nos países de clima mediterrâneo elas ocorrem no verão, e nos países tropicais acontecem no inverno. As principais causas humanas para a queimada são a expansão de áreas agrícolas, a produção agrícola também utiliza a queima de plantações, a construção de novas cidades (urbanização), sistemas produtivos primitivos como caça e coleta utilizada por indígenas. No Brasil mais de 200 mil queimadas são registradas por ano, preocupando a comunidade internacional, sendo 98% de natureza agrícola e 30% dessas queimadas ocorrem na Amazônia. Os principais impactos causados pela queimada são a perda da biodiversidade, a fragilização do solo (infertilidade) e dos agroecossistemas 41 , a poluição atmosférica, que

40 Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/satelite+da+nasa+mostra+incendios

+no+planeta/n1237787062469.html

41 Os agroecossistemas são ecossistemas naturais transformados pelo homem mediante processos para obter produtos animais, agrícolas e florestais. São sistemas abertos que recebem insumos do exterior e oferecem produtos que entram em outros sistemas externos.

75

prejudica o tráfego aéreo e diminui a visibilidade humana, a emissão de gases tóxicos e poluentes que são nocivos à saúde humana e contribuem com o aumento do efeito estufa e a qualidade de recursos hídricos da superfície.

3.2

CONSEQÜÊNCIAS

A degradação ambiental traz diversas conseqüências que afetam diretamente a saúde humana e a sua qualidade de vida. Rocha (2002: 5/6) enfatiza as conseqüências observadas no planeta com o passar dos anos:

Dentre os sinais de degradação ambiental mais marcantes, desta época, destacam-se: a eliminação de florestas, a exaustão e contaminação química, a contaminação e o rebaixamento dos níveis potáveis, a contaminação dos oceanos, a poluição atmosférica, a depleção da camada de ozônio, a elevação das temperaturas globais. Fatores que causam a elevação do nível dos mares, transtornos climáticos, diferenciados níveis de poluição ambiental; provocam ainda chuva ácida e eliminam ecossistemas locais, tanto de espécies vegetais como de animais. Enfim, fatores que afetam/destroem a biodiversidade natural de cada “lugar”. (p. 05)

Outros autores discorrem a respeito das conseqüências que a degradação ambiental traz, Zulauf (2000, p. 86) enfatiza:

O meio ambiente é o endereço do futuro para o qual haverá a maior

convergência de demandas entre todas. Não é necessário realizar estudos muito profundos para se concluir que a qualidade da água se encontra

fortemente ameaçada; que o clima tende a se transformar no próximo século por conta do efeito estufa e da redução da camada de ozônio e que a biodiversidade tende a se reduzir, empobrecendo o patrimônio genético, justamente quanto a ciência demonstra a cada dia o monumental manancial

de recursos para o desenvolvimento cientifico que a natureza alberga.

3.2.1 EFEITO ESTUFA/AQUECIMENTO GLOBAL

O efeito estufa é um fenômeno natural proveniente da liberação de gases pelos ecossistemas e é importante para o planeta por manter a temperatura global agradável, visto que sem o efeito estufa a temperatura global média 42 giraria em torno de -15ºC.(BRENA, 2009:163) O problema do efeito estufa está no agravamento desse fenômeno devido às intensas ações humanas.

42 A temperatura média mundial é um dos elementos que visam quantificar e analisar a variação da temperatura buscando as principais causas e confirmações em relação ao aquecimento global.

76

O aumento da temperatura global vem gerando preocupações em âmbito internacional

devido a estudos que comprovam que a temperatura média da Terra está aumentando conforme o tempo e as previsões registrarem anos cada vez mais quentes em relação a 500 anos atrás.

O processo do efeito estufa ocorre quando o Sol emite energia para a Terra em forma

de radiação infravermelha, uma parte da energia é absorvida pela Terra a fim de aquecer o planeta e a outra parte é refletida pela atmosfera e volta para o espaço. O agravamento do fenômeno consiste na centralização dos gases estufa na atmosfera que impedem que a radiação infravermelha volte para o espaço, concentrando-as na superfície terrestre e gerando o aquecimento global. Os principais gases conhecidos como gases-estufa são:

Vapor d’água: em abundância e mais eficaz na retenção do calor, o aumento relativo da evaporação de rios, lagos e oceanos az na retenção do calor, o aumento relativo da evaporação de rios, lagos e oceanos ocorre pelas atividades poluidoras humanas e geram o aquecimento atmosférico;

Dióxido de Carbono (CO 2 ): produzido através da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e queimadas. 2 ): produzido através da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e queimadas.

Metano (CH 4 ): Decomposição anaeróbia de pântanos, aterros sanitários, além de remunição de animais (intensificado pela 4 ): Decomposição anaeróbia de pântanos, aterros sanitários, além de remunição de animais (intensificado pela pecuária);

Óxido Nitroso (N 2 O): Natural – decomposição microbiana do solo; Ação Humana – queimada de florestas, uso 2 O): Natural decomposição microbiana do solo; Ação Humana queimada de florestas, uso de fertilizantes e queima de combustíveis fósseis;

Clorofluorcarboneto (CFCs): além da destruição da camada de ozônio, retém 20 mil vezes a mais o calor que o CO 2 ; 2 ;

Ozônio (O 3 ): apesar de proteger a Terra contra os raios ultravioletas na estratosfera, na troposfera 3 ): apesar de proteger a Terra contra os raios ultravioletas na estratosfera, na troposfera o gás é proveniente da reação entre nitrogênio e

hidrocarbonetos (da queima de combustíveis fósseis) com a luz solar.

O aumento desses gases na atmosfera é registrado após o período industrial, como

mostra a Figura 8:

Figura 8 Concentração de Gases Estufas na Atmosfera ao Longo dos Anos

77

77 Fonte: QUEIROS, Daniel. Revista de Ciência do Ambiente, 2006, p. 90 Entre as atividades humanas

Fonte: QUEIROS, Daniel. Revista de Ciência do Ambiente, 2006, p. 90

Entre as atividades humanas que mais contribuem com a intensificação do efeito estufa estão à queima de combustíveis fósseis [devido a intensa produção de gases estufas], o desmatamento [pela importância que as florestas têm como reguladoras naturais de temperatura, ventos e níveis de chuva] e a poluição atmosférica [altos níveis de CO 2 ]. As conseqüências para a intensificação do fenômeno são o aumento da temperatura global, o derretimento das calotas polares, a elevação do nível dos oceanos, a modificação dos ecossistemas, a extinção de espécies animais e vegetais e a aumento significativo nos eventos naturais extremos (tufões, furacões, enchentes, tsunamis). Outro problema existente que afetará extremamente os Estados é a interferência nos sistemas ecológicos que afetam a disponibilidade de alimentos, de recursos naturais e hídricos colocando a saúde humana sob ameaça.

78

Na história do efeito estufa teorias foram sendo aprimoradas a fim de conceituar, definir as principais causas e conseqüências do fenômeno, além de identificar como as ações humanas contribuem para tal. Jean-Baptiste Fourier foi o primeiro a formalizar uma teoria sobre o efeito das placas tectônicas em 1827. Constatou que o efeito do aquecimento do ar em estufas de vidro (verificado com plantas) também ocorria na atmosfera. John Tyndall mediu a absorção de calor pelo dióxido de carbono e pelo vapor d’água, além de introduzir a idéia de que a temperatura global produziria épocas extremamente frias (eras de gelo) e outras extremamente quentes, devido às variações da quantidade de CO 2 na atmosfera. Svante Arrhenius calculou o aumento de 5 a 6ºC da temperatura se duplicar a quantidade de CO 2 na atmosfera, em 1896, dados já obtidos com os mecanismos tecnológicos atuais.

Como principal conseqüência do efeito estufa, o aquecimento global traz sérias discussões em âmbito internacional bem como imensas preocupações da opinião pública mundial. Segundo estudos do Intergovernamental Panel On Climate Change (IPCC) entre 1861 a 2.000 houve um aumento da temperatura global média de aprox. 0,6ºC, sendo a principal causa a partir de 1952 as atividades humanas, como apresentado na Figura 9,

Figura 9 Variação da Temperatura Global

como apresentado na Figura 9, Figura 9 – Variação da Temperatura Global Fonte: IPCC apud Queiros

Fonte: IPCC apud Queiros (2006, p. 90)

79

Estima-se ainda que entre 1990 a 2100 aumente entre 1,4 a 5,8ºC da temperatura. Com isso, ocorrerá:

Derretimento das geleiras; Modificação nos meios ecológicos (plantas, animais, solo); Migração de espécies para latitudes e longitudes maiores; Branqueamento dos recifes de corais; Elevação do nível do mar entre 9 a 88 cm, ameaçando as regiões costeiras; Alteração nos meios físicos, ecossistemas e na vida humana. Ou seja, desencadeará um desequilíbrio climático e conseqüentemente ecológico devastador. Na história geológica da Terra mostra que passamos por longos períodos de resfriamento e aquecimento em escala global, porém a interferência humana em diversas regiões do planeta levam a crer que o aquecimento ocorrido atualmente seja considerado fora dos padrões atuais [anormal].

seja considerado fora dos padrões atuais [anormal]. 3.2.2 BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO O Ozônio foi
seja considerado fora dos padrões atuais [anormal]. 3.2.2 BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO O Ozônio foi
seja considerado fora dos padrões atuais [anormal]. 3.2.2 BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO O Ozônio foi
seja considerado fora dos padrões atuais [anormal]. 3.2.2 BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO O Ozônio foi
seja considerado fora dos padrões atuais [anormal]. 3.2.2 BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO O Ozônio foi
seja considerado fora dos padrões atuais [anormal]. 3.2.2 BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO O Ozônio foi

3.2.2 BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO

O Ozônio foi descoberto no século XIX por Christian Friedrich Schönbein, vem da

palavra grega “ozein” que significa cheiro. O gás além da importância por filtrar os raios ultravioletas também é utilizado para desinfetar epidemias infecciosas, segundo o INPE apud Tomasoni (2006).

A camada de Ozônio é a única proteção que o planeta tem para filtrar os raios

ultravioletas emitidos pelo Sol que são extremamente nocivos a vida humana e aos

ecossistemas. A camada absorve cerca de 95% dos raios ultravioletas do Sol, e o restante que atinge a superfície atmosférica do planeta causam sérios danos à saúde humana (como doenças e anomalias principalmente na pele) e modificam processos químicos e biológicos dos ecossistemas, causando desequilíbrio ambiental.

O principal gás tóxico que destrói a camada de Ozônio é o CFC encontrado em

produtos utilizados na refrigeração comercial e industrial, sistemas de ar condicionado fixo e

móvel, fabricação de espumas e aerossóis, sistemas de proteção de incêndio, embalagens plásticas, chips de computadores, sprays dentre outros.

O CFC foi descoberto em 1974 com a teoria da destruição da camada de Ozônio

também chamada de “Ciclo Catalítico do Cloro” que previa que a emissão do gás pela Du

80

Pont 43 reagia com o Ozônio na Estratosfera e como consequência aumentava a exposição de radiação solar no planeta. Porém o tema ganhou visibilidade ao ser publicado estudos da NASA [na década de 80] mostrando o tamanho do buraco na camada de Ozônio e suas

principais causas. Então, países industrializados proibíram ou limitaram o uso e emissão dos gases CFC.

O gás fica estável no planeta durante cerca de 150 anos e quando chega a estratosfera,

decompõem-se (tornando-se cloro) que destrói em torno de 100 mil moléculas de Ozônio (originando o buraco). No Congresso de Viena e no Protocolo de Montreal, houve a ratificação da maior parte dos países do mundo para a redução da produção desses gases CFC e em 1995 os países industrializados já haviam eliminado sua emissão, criando um fundo para auxiliar e incentivar os países em desenvolvimento nessa luta, efetivada em meados dos anos 2000, quando houve um encontro para comemorar a eficiência do Protocolo Montreal que visava à eliminação dos gases CFC, praticamente efetivados.

3.2.3 PERDA DA BIODIVERSIDADE/ EXTINÇÃO DE ESPÉCIES

Apesar de toda a certeza que à vida humana necessita da natureza, de plantas, animais e ecossistemas, é conhecido que as atividades humanas interferem direta e indiretamente na biodiversidade natural do planeta, seja poluindo, extinguindo espécies ou modificando ecossistemas.

A biodiversidade é definida como a variedade de espécies no planeta, sejam animais

ou plantas. Segundo a WWF conceitua-se biodiversidade como sendo “a riqueza da vida na

terra, os milhões de plantas, animais e microorganismos, os genes que eles contem e os intrincados ecossistemas que eles ajudam a construir no meio ambiente”. Estima-se que

existam no planeta entre 5 a 50 milhões de espécies onde apenas 1,75 milhões foram descobertas e registradas. Incrivelmente dessas 1,75 milhões de espécies já registradas 1/10 já foi extinto até o ano 2.000 e pesquisas afirmam que até 2.020 só restará 2/3 dessa biodiversidade.

A verdade é que a preservação da biodiversidade global é muito importante para a

manutenção da vida humana na Terra, visto que o ser humano necessita de alimentos, matéria

43 Empresa norte-americana no ramo químico e da ciência e tecnologia foi fundada em 1802 como fábrica de pólvora, e é reconhecida pela segurança industrial. Fonte: Wikipédia.

81

prima, medicamentos que são provenientes basicamente da biodiversidade natural de plantas, animais e ecossistemas. Outro fator de extrema importância e totalmente ligado a perda da biodiversidade é a extinção de espécies, principalmente animais. A extinção de espécies ocorre basicamente de duas maneiras, ou forma natural ou interferência humana.

A extinção de espécies é um processo natural que ocorreu durante toda a história da

vida, porém tem se intensificado com a participação humana interferindo no Meio Ambiente.

Estima-se que somente entre 2 a 4% de todas as espécies que surgiram vivem atualmente.

Os motivos naturais da extinção de espécies são: catástrofe natural, mudança de clima,

o surgimento de espécies mais fortes e avançadas, esgotamento dos recursos naturais dentre outras. Um dos maiores exemplos de extinção de espécies por causas naturais são as extinções dos dinossauros que devido às mudanças climáticas e dos ecossistemas, além de catástrofes naturais como a queda de asteróides no planeta que acabaram por extinguir suas espécies há

65 milhões de anos atrás.

A extinção apesar de ocorrer muitas vezes em massa é um processo continuo com

taxas variáveis, é também um processo necessário para a evolução de novas e mais avançadas espécies. A Terra é um planeta ativo com suas condições físicas, químicas e climáticas em

fluxo.

Além das diversas causas naturais que geram a extinção de certas espécies como foi o caso dos dinossauros, a interferência humana foi imprescindível para a extinção de outras espécies em um processo muito mais acelerado principalmente quando começa a exploração predatória, do modelo capitalista.

As modificações na natureza por parte do homem começou em tempos pré-históricos,

quando, por exemplo, as savanas africanas foram queimadas intencionalmente há 50.000 anos (por volta de 48.000 a.C.) causando perda de fauna e flora da região. Nas Américas e

Austrália Incas e Maias caçavam mamíferos grandes gerando a perda de aproximadamente 86% do que se considera mega-fauna (como o tigre dente de sabre e o mastodonte) há cerca de 20.000 anos atrás. Na Europa um pouco mais recente, há 5.000 anos as florestas foram completamente devastadas sendo transformadas em pastos e, na América do Norte, como subseqüente povos indígenas modificaram o ecossistema das florestas perdendo diversas espécies devido ao aumento da população de búfalos no local.

A colonização de ilhas próximas aos oceanos também ocasionaram a perda da

82

biodiversidade devido à introdução de animais predadores e plantas invasoras (mudança de habitat natural e conseqüentemente de ecossistemas), a caça intensiva e a conversão de florestas em pastos para a agricultura. Um exemplo são nas ilhas hawaiianas que foram extintas cerca de 50 espécies até 1778 (das 98 existentes em 400 a.C.). As principais causas recentes da extinção de espécies estão extremamente ligadas à interferência humana, tais como:

Perda e fragmentação do habitat: ameaça toda a biodiversidade, ocorrendo devido à exploração extrativista dos recursos naturais, madeira, construção civil (estradas, casas), aumento populacional e construção de novas cidades.extremamente ligadas à interferência humana, tais como: Oceanos e regiões litorâneas: conversão de manguezais em

Oceanos e regiões litorâneas: conversão de manguezais em piscicultura, pescaria intensificada, além da construção de casas, hotéis e marinas nas regiões, afetando as populações de peixes e outros seres aquáticos e comprometendo a vida marinha (cadeia alimentar).aumento populacional e construção de novas cidades. Introdução de novas espécies não nativas: causando o

Introdução de novas espécies não nativas: causando o desequilíbrio na cadeia alimentar, ocorrido desde os tempos históricos e muito intensificado com o aumento da globalização, devido às viagens e navegações que transportam novas espécies para habitat diferentes e geram doenças e processos predatórios que levam a extinção de espécies.e comprometendo a vida marinha (cadeia alimentar). Caça, pesca e outras formas de uso intensivo: geram

Caça, pesca e outras formas de uso intensivo: geram um desequilíbrio e ameaçam profundamente a extinção de espécies, aqui entram o comércio ilegal de animais (para utilização de órgãos ou para estimação), a extração de madeira (para a mobília nobre) e a pesca com dinamite prejudicam os recifes de corais, tão importantes para a sobrevivência da vida aquática.processos predatórios que levam a extinção de espécies. Poluição: utilização de agrotóxicos, as queimadas, o

Poluição: utilização de agrotóxicos, as queimadas, o lixo, o derramamento de produtos químicos em meio aquático e a erosão do solo são exemplos de poluição que prejudica os ecossistemas e geram a extinção de diversas espécies.tão importantes para a sobrevivência da vida aquática. Mudanças climáticas: cada espécie vive nas condições

Mudanças climáticas: cada espécie vive nas condições necessárias para sua sobrevivência (temperatura, umidade, nutrientes, espécies em volta, insolação), as mudanças em qualquer um desses aspectos podem gerar uma alteração nos ecossistemas que levam a perda da biodiversidade local.os ecossistemas e geram a extinção de diversas espécies. 3.2.4 ESCASSEZ DE RECURSOS NATURAIS/ DESERTIFICAÇÃO

83

Na história da escassez de recursos naturais no mundo, a teoria de Thomas Malthus ressurge prevendo a estagnação do crescimento econômico devido à escassez de alimentos (que são recursos exauríveis). A derrubada da teoria malthusiana aconteceu devido os avanços tecnológicos provenientes a partir da Revolução Industrial. Porém nesse mesmo momento, as indústrias começaram a depender de energia para o processo produtivo e as principais fontes de energia utilizadas eram recursos naturais e exauríveis. Com os choques de petróleo na década de 1970, a comunidade internacional trouxe a preocupação quanto à dependência dos recursos naturais bem como sua disponibilidade. Segundo Stiglitz apud Silva (p. 03), os recursos naturais estão em esgotamento por serem limitados e não pelo consumo exagerado. O consumo está em taxas eficientes, porém apenas por consumir um recurso limitado, já diminui e tende a esgotar sua disponibilidade num certo espaço de tempo. Os recursos naturais utilizados como matriz energética podem ser renováveis ou não renováveis. As energias provenientes de recursos renováveis são a energia hidrelétrica, eólica, geotérmica, de biomassa, das marés e solar. A principal fonte renovável utilizada como matriz energética e considerado provável sua escassez é a água, que devido ao crescimento do consumo humano e industrial, bem como sua poluição e mau uso já possuem focos de diferentes tipos de escassez, como apresentado no mapa na Figura 10,

Figura 10 Escassez de Água no Mundo

84

84 Fonte: Rede Tripoli da Política do Bem: Escassez de Água (Dimensões da Crise) 4 4

Fonte: Rede Tripoli da Política do Bem: Escassez de Água (Dimensões da Crise) 44

Diversas teorias relacionadas à escassez de recursos foram criadas e questionadas, sendo a maior parte delas correlacionada às áreas econômicas. Nesses casos, diferenciam três tipos de economias sob o prisma ambiental, sendo elas:

A Economia Ambiental: regida pelo princípio da escassez 4 5 e pelo princípio da

A

Economia Ambiental: regida pelo princípio da escassez 45 e pelo princípio da

internalização das externalidades 46 .

A Economia Ecológica: idealiza um contrato natural (semelhante ao contrato

A

Economia Ecológica: idealiza um contrato natural (semelhante ao contrato

social proposto por Rousseau) onde todos os seres habitantes do planeta têm direito à vida. Defende a idéia de que o planeta, em sua magnitude, tem limites físicos que se não analisados, respeitados e adequados ao processo de produção industrial trarão problemas sérios ao sistema econômico mundial.

A Economia Marxista: afirma que as relações entre homem e natureza ocorrem

A

Economia Marxista: afirma que as relações entre homem e natureza ocorrem

através das relações sociais (de classes) e o uso de recursos naturais ocorre devido a interesses particulares que visam objetivos fundamentais.

44 Fonte: http://www.rede.tripoli.com.br/profiles/blogs/escassez-de-gua-dimens-es-da-crise?xg_source=activity

45 Visa transformar os recursos naturais em processo de escassez em bens econômicos a fim de proteger tanto os interesses individuais dos Estados (lucro) quanto os interesses coletivos (global).

46 Os recursos naturais como bens econômicos devem ser privatizados (como única forma de protegê-los), fixado preços em conformidade com a lógica mercantil.

85

Está matematicamente comprovado que a escassez dos recursos naturais acontecerá em médio ou longo prazo se a necessidade pelos recursos energéticos continuar e se a frenética intensidade da produção industrial continuar buscando o desenvolvimento em todas as partes do mundo. Mesmo com o uso e o avanço da tecnologia a partir do século XX, o modelo de sistema capitalista utilizado (com o consumo excessivo e o uso desenfreado dos recursos ambientais sem pensar nas conseqüências) tende levar ao esgotamento desses recursos no planeta. Segundo ROCHA (2002) há somente duas alternativas para as sociedades de países em desenvolvimento, sendo elas:

Buscar o crescimento econômico / industrial / tecnológico baseado na produção predatória que causam intensos impactos e problemas ambientais,as sociedades de países em desenvolvimento, sendo elas: Ou buscar o desenvolvimento sustentável, sabendo que as

Ou buscar o desenvolvimento sustentável, sabendo que as taxas de desenvolvimento crescerão de forma gradativa e demorada, mas em prol do Meio Ambiente e da vida e saúde humana que dependem da natureza. Abrir mão do crescimento acelerado para garantir qualidade de vida a todos os seres e as gerações futuras.que causam intensos impactos e problemas ambientais, As energias não renováveis são as mais preocupantes no

As energias não renováveis são as mais preocupantes no processo de escassez, visto que por terem um lento processo de formação e reposição tornam-se limitadas pelo acelerado consumo e exploração humana. As principais fontes referidas são:

Carvão: maiores reservas e maiores problemas relacionados à poluição e mudanças climáticas (gases poluentes do efeito estufa).e exploração humana. As principais fontes referidas são: Petróleo: importante economicamente, mas nocivo ao meio e

Petróleo: importante economicamente, mas nocivo ao meio e a sociedade pela poluição atmosférica e marítima (devido aos derramamentos); com uma estimativa de esgotamento em médio prazo;e mudanças climáticas (gases poluentes do efeito estufa). Gás Natural: não necessita de refinamento, estimativa de

Gás Natural: não necessita de refinamento, estimativa de esgotamento em médio prazo;com uma estimativa de esgotamento em médio prazo; Urânio: combustível nuclear muito polêmico nas relações

Urânio: combustível nuclear muito polêmico nas relações internacionais (Irã), ainda em fase de experimentação buscando métodos seguros para sua utilização, visto que compromete a vida humana e do meio ambiente.de refinamento, estimativa de esgotamento em médio prazo; Outro problema sério causado pela interferência humana na

Outro problema sério causado pela interferência humana na natureza e sua conseqüente degradação é a desertificação. Considerada pela ONU na Agenda 21 como: a

86

degradação da terra (compreendida aqui como degradação do solo, da vegetação, dos recursos hídricos e redução na qualidade de vida da população local) em regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, resultantes de vários fatores, entre eles, as mudanças climáticas e as atividades humanas. Trata-se basicamente da transformação de um terreno em deserto devido a perda da capacidade produtiva dos ecossistemas, tendo o início do processo de desertificação na infertilidade do solo, passando pela extinção de espécies e terminando na esterilidade total do solo. Assim, as chuvas reduzem, a vegetação desaparece e solo torna-se sem vida e árido (aumentando os processos de erosão) e a população local tende a migrar pela insustentabilidade regional. Apesar dos desertos ainda não serem tantos no mundo, a desertificação compreende em aproximadamente 1/3 de toda a superfície terrestre abrigando cerca de 1/6 da população mundial. Isso acontece porque a desertificação é um processo muito demorado e leva anos para que concretize e torne deserto. As principais regiões afetadas pelo processo de desertificação são os continentes africano, latino-americano e asiático, como proporciona o mapa na Figura 11,

Figura 11 Risco de Desertificação no Planeta

11, Figura 11 – Risco de Desertificação no Planeta Fonte: Blogspot – Geografia em Estudo: Desertificação

Fonte: Blogspot Geografia em Estudo: Desertificação 47

47 Fonte: http://cmageografia.blogspot.com/2010/06/desertificacao.html

87

Dentre os principais riscos à saúde humana, a desertificação gera o aumento da temperatura, a diminuição do nível de umidade do ar, o aumento da fome e pobreza (relacionados à falta de terra cultiváveis para a produção de alimentos e renda). Para o meio ambiente o processo de desertificação traz mudanças no ecossistema eliminando algumas formas de vida e causando a extinção de espécies animais e vegetais tipicamente regionais.

3.2.5 CHUVA ÁCIDA / INVERSÃO TÉRMICA

A história da chuva ácida pode ser contada por dois fatores: a industrialização e os ventos. Em 1661, cientistas britânicos começaram a preocupar-se com a poluição industrial e seus impactos à saúde humana, sendo o termo “chuva ácida” utilizado pela primeira vez em 1872 por Robert Angus Smith descrevendo uma precipitação ácida ocorrida pela intensa poluição gerada após a Revolução Industrial na Grã-Bretanha. Posteriormente os escandinavos começaram a fazer estudos que comprovassem que a acidificação da água bem como a perda de florestas ocorria devido a poluição industrial proveniente da Grã-Bretanha trazida pelos ventos, sendo comprovado em 1969 q eu a chuva ácida ocorrida na Suécia e Noruega era devido aos poluentes vindos de Alemanha e Inglaterra, sendo o tema trazido para âmbito internacional em 1972 por Harold Harvey 48 . O termo “chuva ácida” é um dos muitos tipos de precipitação ácida que ocorrem 49 . No meio natural a evaporação da água de rios, lagos e oceanos (com ph neutro) que se combinado com gases encontrados na atmosfera geram um ph ácido propiciando a chuva ácida. Porém as principais formas de intensificar o nível de acidez dessas chuvas bem como intensificar a quantidade de chuvas ácidas existentes são predominantemente as atividade humanas, tais como, a queima de combustíveis fósseis como carvão rico em enxofre (ácido forte) e petróleo, O crescimento demográfico e conseqüentemente o aumento da industrialização trazem freqüentes casos de chuva ácida em diferentes pontos no planeta, sendo que as principais regiões afetadas em grande quantidade pela acidificação (ou chuva ácida) concentram-se em Europa, EUA e Canadá, China, Taiwan, e o sul Asiático, além de África do Sul e a África Ocidental.

48 Artigo publicado sobre um lago morto devido à acidificação da água.

49 Sendo os outros: neve, granizo e neblina ácidos, além da manifestação através de gases ou partículas secas, ou ainda aerossol ácido.

88

As principais conseqüências da chuva ácida são:

Florestas: reduz a velocidade do nascimento e crescimento vegetal, a perda dos nutrientes nas folhas, perda de minerais que são dispersos pela água, a extinção de plantas e árvores e a poluição do solo.88 As principais conseqüências da chuva ácida são: Saúde humana: proliferação de doenças como a diarréia,

Saúde humana: proliferação de doenças como a diarréia, maior vulnerabilidade e menor resistência, além de contaminação da água que gera outros graves problemas, além disso, causa a corrosão de edifícios suscitando riscos à vida humana. No que diz respeito à inversão térmica, é um fenômeno natural atmosférico (também conhecida como condição meteorológica) comum tanto em ambientes rurais como urbanos, porém no segundo com mais intensidade e efeitos nocivos devido ao lançamento e concentração de poluentes na atmosfera. O processo da inversão térmica ocorre quando uma camada de ar quente se sobrepõe a uma camada de ar frio, impedindo a dispersão do ar e concentrando os poluentes próximos a superfície. Apesar de ser um fenômeno de curta duração e de normalmente ocorrer durante o inverno e o outono, a inversão térmica traz grande incidência de problemas respiratórios para a sociedade. Na história dos acidentes relacionados à inversão térmica nos centros urbanos destacam-se:a extinção de plantas e árvores e a poluição do solo. Em 1952, Londres, um Smog

Em 1952, Londres, um Smog 5 0 gerado pela inversão térmica e intensificado pela poluição da combustão de carvão que 50 gerado pela inversão térmica e intensificado pela poluição da combustão de carvão que suscitou a morte de aproximadamente 4.000 pessoas.

Em 2007, Santiago (Chile), a prolongada inversão térmica originou condições desfavoráveis à dispersão dos poluentes.que suscitou a morte de aproximadamente 4.000 pessoas. Em 2007, São Paulo, inversão térmica estabilizada a

Em 2007, São Paulo, inversão térmica estabilizada a 58 metros prejudicando a dispersão dos poluentes e provocando problemas respiratórios na população.condições desfavoráveis à dispersão dos poluentes. 5 0 Mistura de neblina (vapor d’água), gases

50 Mistura de neblina (vapor d’água), gases (poluentes) e fumaça, formando uma massa de ar cinza que prejudica a visibilidade e ocasiona problemas respiratórios.

89

4 MEIO AMBIENTE NA PAUTA INTERNACIONAL

Nas últimas décadas, houve o aumento da conscientização das sociedades para com a preservação ambiental e dos impactos causados pela interferência humana no Meio Ambiente. Conforme a revolução da consciência social foi ocorrendo, muitos acordos e Conferências foram dando ao Meio Ambiente cada vez mais a importância devida e maior relevância dentro dos debates internacionais, afinal houve com a conscientização uma maior pressão em cima dos Estados para que assinassem acordos de preservação mundial. Até a Segunda Guerra Mundial, os únicos temas que estavam na pauta internacional de discussões eram política, comércio [econômico] e militar [estratégico segurança internacional]. Com o surgimento de organismos internacionais e com o fim da Guerra Fria novos temas entram na pauta internacional, como Direitos Humanos, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Dentre os mais novos temas abrangentes na pauta internacional, tratam no capítulo os principais acordos, protocolos e Conferências internacionais sobre a temática ambiental, abordando desde a Conferência de Estocolmo que teve grande repercussão como primeira Conferência ambiental até as Conferências do Clima denominadas COPs que estão em andamento até os dias atuais.

4.1 CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO

A Conferência de Estocolmo começou a ser planejada em 1968, quando tiveram a

idéia de organizar um encontro entre os Estados a fim de buscar soluções para a problemática

ambiental da época que se concentrava em poluição atmosférica e chuva

necessidade de discutir os problemas ambientais que possivelmente gerariam conflitos

internacionais (transfronteiriços).

A Conferência foi o ponto de partida para a inserção da temática ambiental nos

estudos das relações internacionais bem como nas principais discussões e debates em âmbito

mundial. Sendo a primeira grande Conferência da ONU, aconteceu em 1972, denominada Conferência sobre o Meio Ambiente Humano Apesar de sua representatividade, a Conferência não teve a adesão dos Chefes de Estados. Os principais temas abordados foram poluição da água, atmosférica e do solo,

Surgiu da

90

crescimento demográfico versus recursos naturais limitados. Dentre os princípios levantados na Conferência destacam-se:

Proibição de descarte de produtos tóxicos e químicos industriais na água;os princípios levantados na Conferência destacam-se: Proibição da liberação intensa de calor ou partículas

Proibição da liberação intensa de calor ou partículas que gerem o aumento da temperatura (gases estufa);de produtos tóxicos e químicos industriais na água; Impedir a poluição marítima e terrestre que trazem

Impedir a poluição marítima e terrestre que trazem danos à saúde humana, aos ecossistemas, aos recursos naturais e as espécies.que gerem o aumento da temperatura (gases estufa); A teoria malthusiana voltou a aparecer como base

A teoria malthusiana voltou a aparecer como base da discussão relacionada ao

crescimento demográfico e a disponibilidade dos recursos naturais.

Há somente dois modos de restaurar o desequilíbrio resultante: ou diminuir a taxa de natalidade, para que ela se iguale a taxa de mortalidade, mais baixa, ou deixar que essa última torne a subir. (Meadows apud Ribeiro, 2001, p. 78)

Acrescentando no documento que a desigualdade social [principalmente em centros urbanos] gera o crescimento demográfico.

A Conferência trouxe também duas vertentes distintas na questão do crescimento e

desenvolvimento.

1. Crescimento zero: barrar o crescimento econômico de base industrial, poluidor e consumidor de recursos não renováveis.

2. Desenvolvimentista: reivindicaram o desenvolvimento proveniente das indústrias.

Ainda houve a inserção de novos atores nos debates internacionais: as ONGs, que deram novos rumos as questões ambientais com manifestações pacifistas e participação nas

discussões internacionais. Ribeiro (2001, p. 81) menciona a participação das ONGs na Conferência caracterizada pela salvaguarda da soberania dos Estados,

A predominância do realismo político na Conferência de Estocolmo ficou evidente. A soberania dos países foi salvaguardada e venceu a tese de não- controle externo em relação às políticas desenvolvimentistas que poderiam vir a ser praticadas por cada país. Entretanto, ainda que de maneira tímida, assistimos à participação das ONGs, que indicava a presença de novos atores no sistema internacional. Essa participação cresceu quanto ao desenvolvimento da ordem ambiental internacional.

Da Conferência de Estocolmo foram gerados:

internacional. Da Conferência de Estocolmo foram gerados: A Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente:

A Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente: documento base para as discussões da Conferência com princípios e obrigações exigentes;

91

O Plano de Ação: implantado para operacionalizar os princípios da Declaração;91 O PNUMA 5 1 : criado em 1972 começou a funcionar em 1973 devido às

O PNUMA 5 1 : criado em 1972 começou a funcionar em 1973 devido às questões conflitantes 51 : criado em 1972 começou a funcionar em 1973 devido às questões conflitantes entre países centrais e periféricos.

4.2 PROTOCOLO DE MONTREAL

Dentre os diversos acordos e conferências que foram surgindo após a Conferência de Estocolmo, destacam-se a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio em março de 1985 que gerou o Protocolo de Montreal sobre Substancias que Destroem a Camada de Ozônio, em 1987. São os principais destaques entre os diversos acordos simplesmente pelo fato de serem exemplos de sucesso nas questões ambientais entre Estados, ou seja, conseguiu um consenso dos países, uma mobilização dos Estados e alcançaram seus objetivos, que eram reduzir os gases que contribuem para a destruição da camada de Ozônio. Primeiramente essa Convenção foi vista como meio informativo dos Estados que ainda não tinham completa noção dos danos causados por certos gases emitidos e dos danos à saúde humana que a destruição da camada de Ozônio gera. Apesar de não terem completas certezas a respeito do tema os cientistas lá presentes juntamente com os representantes dos mais diversos países resolveram por tomar medidas a fim de evitar tais substancias na atmosfera. O buraco na camada de Ozônio foi tratado como problema ambiental global devendo todos os Estados participarem ativamente na busca da solução. A devastação do Ozônio relaciona-se com o efeito estufa, coloca em risco a vida humana na Terra tornando o assunto uma segurança ambiental internacional. Motivados pelos estudos que apontaram que a camada de O 3 que cobriria a Antártida havia desaparecido e mobilizados pela doença do presidente norte-americano Ronald Reagan, com câncer de pele o Protocolo de Montreal em setembro de 1987 surge como a resposta para o clamor da opinião pública internacional. O tratado em si propôs metas quantitativas e prazos para a eliminação das substâncias que destroem a camada de O 3 , além de estipular metas de

51 O PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente foi criado em 15 de dezembro de 1972, com o objetivo de coordenar as ações internacionais de proteção ao meio ambiente e de promoção do desenvolvimento sustentável

92

acordo com a capacidade produtiva, de consumo e de desenvolvimento. Ainda para alcançar o sucesso do acordo, proibiu que os Estados aderentes do Protocolo comercializassem com Estados Não-Membros, a fim de que não houvesse a migração para países não aderentes a produção das tais substâncias poluentes. Após essa decisão os 28 países signatários do Protocolo (dos 170 participantes da Convenção) passaram para 46 (de 171), que logo entrou em vigor. De 1986, quando o Protocolo entrou em vigor para frente, vimos em diversos encontros a respeito da efetividade e a cooperação internacional no Protocolo que as reduções de tais substâncias por países centrais e periféricos estavam sendo cumpridas, sendo considerado basicamente eliminado o problema em meados dos anos 2.000.

4.3 RIO 92 (ECO 92)

Baseados no principio universal de que a natureza é um bem de todos, para todos e que cada um é responsável pela sua preservação, e que junto com a preservação não está só o meio ambiente como também está o trabalhador, sua saúde e que para preservação delas o meio ambiente laboral também é importante, por via de conseqüência, integrante da defesa ambiental, realizou-se a ECO RIO 92. (in Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil)

A segunda grande Conferência da ONU para o meio ambiente foi planejada a partir de 1988 devido à preocupação global sobre como aliar desenvolvimento (econômico) e conservação ambiental. A escolha do Brasil para sediar a Conferência ocorreu por 2 fatos: a devastação crescente da Amazônia (a conferência colocaria a opinião pública nacional em cima pressionando para a diminuição do desmatamento e das queimadas) e pela morte de Chico Mendes (sindicalista e ambientalista), que não havia tido um julgamento dos mandantes, proposto pelas manifestações. A CNUMAD (Convenção das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento) representou um momento importante para as relações internacionais, visto que houve à participação maciça dos chefes de Estado indicando maior importância das questões ambientais para o mundo na década de 1990; e a participação das ONGs juntamente com a sociedade civil nos debates (fundamentais para a fiscalização do cumprimento dos acordos pelos Estados). Segundo Le Prestre (2000) o objetivo principal da Conferência era de reconciliar o imperativo do desenvolvimento com o da proteção ambiental. Na Resolução 44/228 menciona que

93

] [

deter e inverter os efeitos da degradação do meio ambiente, no quadro dos esforços nacionais e internacionais crescentes com vistas à promoção de um

desenvolvimento durável e ecologicamente racional. (p. 213)

a conferência deverá elaborar estratégias e medidas apropriadas para

Com objetivos mais amplos que em Estocolmo, a Conferência propunha estabelecer acordos internacionais que mediassem às ações antrópicas 52 no meio ambiente. Os principais temas abordados na Convenção foram:

1. Mudanças Climáticas: efeito estufa e aquecimento global, base para o Protocolo de Kyoto;

2. Ar e água: controle de produção e emissão de diversas substâncias químicas visando à melhoria da qualidade do ar e da água;

3. Transporte alternativo: soluções para diminuir o uso de recursos naturais não renováveis que contribuem para a poluição atmosférica, chuva ácida e buraco na camada de O 3 ;

4. Ecoturismo: proteção de áreas naturais e culturas tradicionais devido a demanda crescente como pontos turísticos;

5. Redução de desperdício: reciclagem, reuso utilizado por empresas e incentivado pelos governos com abatimento dos impostos;

6. Redução da chuva ácida: desde 1980 a preocupação a respeito do tema levando

os Estados obter soluções alternativas para as atividades que emitem os gases causadores. Diversos interesses políticos e econômicos estavam presentes na Conferência, como

demonstra Ribeiro,

As preocupações ambientais globais acabam se revestindo de um caráter de divulgação, enquanto na arena política internacional as decisões de fato têm se encaminhado para contemplar interesses nada difusos (2001:109)

Dentre eles destacam-se:

Os objetivos de países industrializados: buscam impedir de novas obrigações financeiras de criar novas instituições de apoio aos países em desenvolvimento, como os únicos responsáveis pela degradação ambiental;interesses nada difusos (2001:109) Dentre eles destacam-se: Os objetivos dos países em desenvolvimento: O

Os objetivos dos países em desenvolvimento: O financiamento, pelos países industrializados, do desenvolvimento sustentável dos países emcomo os únicos responsáveis pela degradação ambiental; 5 2 Ocupação do meio terrestre pelo Homem e

52 Ocupação do meio terrestre pelo Homem e a exploração do mesmo.

94

desenvolvimento, além da igualdade nas negociações e maior imposição de suas prioridades, visto que os países em desenvolvimento são os mais ricos em recursos naturais, necessários mundialmente;

ONGs: apoiaram as reivindicações dos países do Sul relacionados ao modelo de consumo e industrialização dos países do Norte, a reforma do sistema econômico internacional, o controle das instituições internacionais de desenvolvimento, transferências financeiras, além de buscar a ampliação de seu papel na formulação e implementação das políticas ambientais e promover os princípios de abertura, participação e democracia local (com a sociedade civil);mais ricos em recursos naturais, necessários mundialmente; Organizações Intergovernamentais (OIGs): buscavam acesso

Organizações Intergovernamentais (OIGs): buscavam acesso aos recursos essenciais da conferência: financiamentos, apoio político, projetos, perícia e fiscalização. Dentre as diversas OIGs destacam-se na reunião: PNUMA, United Nations Educational, Scientific And Cultural Organization (UNESCO), FAO, Banco Mundial, Organização Metereológica Mundial (OMM), Organização Marítima Internacional (OMI) e Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD).participação e democracia local (com a sociedade civil); Outro grande marco na história das Conferências ambientais

Outro grande marco na história das Conferências ambientais foi o surgimento de dois grandes conceitos até então não definidos: desenvolvimento sustentável e segurança ambiental global.

A Segurança Ambiental Global era a necessidade de manter condições de vida e

reprodução humana no planeta. Apesar de muitos autores tratarem de segurança ambiental como um pensamento estratégico militar, acredita-se que os recursos naturais bem como os

processos naturais têm uma dimensão estratégica, por ser vital a sobrevivência da sociedade.

O Desenvolvimento Sustentável é a busca pela regularização do uso dos recursos

naturais através de técnicas de manejo ambiental e de combate ao desperdício e à poluição, em outras palavras, fazer com que as ações humanas evitem a destruição do planeta. Permitir que as gerações futuras tivessem condições de vida e usufruam dos recursos naturais necessários para a manutenção da espécie.

O tema começou a ser discutido em 1970 quando inseriram uma discussão relacionada à produção econômica e a conservação ambiental. Em 1973, surgiram no PNUMA com o conceito de ecodesenvolvimento que seria um estilo de desenvolvimento adaptado as regiões rurais do terceiro mundo, fundado em sua capacidade natural para a fotossíntese, ou seja,

95

fazer a espécie humana entrar no jogo da natureza. Em 1974, melhoraram o conceito de ecodesenvolvimento na Declaração de Coyococ (México), onde tornou-se uma relação harmoniosa entre a sociedade e seu meio ambiente natural legado à autodependência local. Porém o conceito de desenvolvimento sustentável tornou-se conhecido e aplicado mundialmente devido ao Relatório Brundtland “Nosso Futuro Comum” sendo: aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades.” Seu princípio fundamental consiste em conciliar crescimento econômico e conservação ambiental, o conceito serve de interesses diversos. Com o objetivo principal de conciliar o desenvolvimento econômico e social dos Estados com a conservação e proteção do meio ambiente a ECO 92 consagrou o conceito de desenvolvimento sustentável e contribuiu muito para a ampla conscientização mundial, além de mensurar a responsabilidade diferenciada de países desenvolvidos e em desenvolvimento, nos danos causados à natureza e incentivar apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento para obterem um desenvolvimento sustentável. Dentre os documentos oficiais emitidos na CNUMAD estão:

A Declaração Do Rio: Também chamada de Carta da Terra tinha como objetivo central expor os princípios políticos, científicos e éticos que deveriam reger toda ação no domínio ambientalista, porém depois de vários impasses acabou por sendo um documento de consenso, composto por um preâmbulo e 27 artigos que visam guiar o comportamento dos Estados, informar sobre suas interações e mobilizar as sociedades. Documento político no qual os Estados buscam se proteger e uma base no qual suas ações podem ser julgadas. Dentre os princípios: eliminação da pobreza; promoção do sistema econômico mais aberto e mais favorável aos PEDs (países em desenvolvimento), soberania, responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Agenda 21: plano de ação para a virada do século visando minimizar os problemas ambientais mundiais [mais discutido na seqüência]. A Declaração De Princípios Sobre As Florestas: documento não impositivo sobre a gestão, conservação e o desenvolvimento durável de todas as florestas, representa um primeiro consenso mundial sobre florestas, porém com muitos impasses, contém 15 princípios não obrigatórios que afirmam a soberania dos Estados sobre a exploração de seus recursos florestais, juntamente a uma recomendação de levar em consideração a importância mundial, regional e local das florestas.

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A Convenção Quadro Sobre As Mudanças Climáticas: dentre as mais importantes convenções iniciadas na RIO 92, demonstra tamanha importância pela rapidez em assinar os acordos por parte dos Estados. A inserção do tema deve-se a duas OIGs: PNUMA e OMM, que correlacionaram às catástrofes naturais ao aquecimento global, impactados pelas mudanças climáticas. Reconhece a importância da proteção do clima, a responsabilidade dos países industrializados pelas mudanças climáticas e endossa, sem cronograma estipulado, o objetivo de estabilização. A Convenção Sobre Diversidade Biológica: articulação para proteger a biodiversidade do planeta, buscando a implementação de instrumentos jurídicos e dos acordos existentes a nível global, regulamentar a biotecnologia sem enfraquecer as capacidades de pesquisa e inovação. Principais objetivos são: conservação e utilização durável dos recursos biológicos e uma partilha equitativa dos benefícios extraídos da utilização dos recursos genéticos (biomedicina), reconheceu a soberania dos Estados perante aos seus recursos genéticos além de buscar financiamentos para o desenvolvimento de pesquisa no ramo de biodiversidade biológica e visando a proteção ambiental.

4.3.1 AGENDA 21

Principal documento elaborado na ECO 92, a Agenda 21 Global é um programa de ação que viabiliza um novo padrão de desenvolvimento baseado na sustentabilidade ambiental de forma racional. Porém além de toda a proteção ambiental abordada no documento também concilia com justiça social e eficiência econômica, ou seja, é um conjunto de resoluções tomadas na ECO 92 assinada por 179 países resultando em medidas para conciliar crescimento econômico e social com a preservação ambiental. No plano de ação cada Estado definiu as bases para a preservação do meio ambiente em seu território que possibilitaria num desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 é um instrumento que identifica as questões que requerem atenção política e formula um plano detalhado das políticas a serem empreendidas, se dirige aos governos, aos organismos da ONU, as ONGs, OIGs, comunidades diversas e à opinião pública mundial, trazendo nos capítulos os principais temas abordados e de máxima relevância e inserindo meios propostos para atender a esses objetivos (de planejamento, implementação, execução, direção e controle). Os planos de ações começaram a se tornar obrigatório nas conferências mundiais após

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Estocolmo. A idéia inicial da Agenda 21 era ser uma moldura para decisões e um instrumento de ação com base contínua que guiaria os esforços da comunidade internacional para a proteção ambiental e para o desenvolvimento, que incluiria medidas de vigilância e avaliações periódicas. Le Prestre afirma:

O objetivo consiste em definir uma parceria mundial entre diferentes atores empenhados na luta pelo desenvolvimento durável, sobretudo entre países ricos e pobres, dando precisão aos problemas a resolver, os objetivos a perseguir, os meios a utilizar e as responsabilidades de cada um. (Le Prestre, 2000: 221)

Ainda Le Prestre (2000: 222) representa “o conjunto das reflexões e a soma dos interesses da comunidade internacional no âmbito do desenvolvimento durável.” A Agenda foi subdividida em quatro seções principais e em diversos temas, são tais

seções:

Dimensões econômicas e sociais: políticas que auxiliem países em desenvolvimento a buscar o desenvolvimento

Dimensões econômicas e sociais: políticas que auxiliem países em desenvolvimento a buscar o desenvolvimento sustentável, estratégias de combate a pobreza e a miséria, mudanças nos padrões de consumo, promoção da saúde pública e de melhorias na qualidade de vida social;

Conservação e questão dos recursos para o desenvolvimento: importância dos

Conservação e questão dos recursos para o desenvolvimento: importância dos

ecossistemas e de todo o meio ambiente para a manutenção da vida humana e a necessidade de modificar os processos industriais, energéticos e tudo que leve

a

degradação da natureza, incentivar políticas ambientais que melhorem a

relação homem x natureza fazendo com que a sociedade aprenda a usufruir do meio ambiente o necessário e deixando heranças naturais para as gerações futuras; além de tratar de todos os setores da sociedade a fim de reeducar e gerar maior igualdade perante todos, para buscarem juntos o desenvolvimento do Estado;

Revisão dos instrumentos necessários para a execução das ações propostas:

Revisão dos instrumentos necessários para a execução das ações propostas:

mecanismos financeiros, jurídicos bem como as ferramentas tecnológicas existentes para garantir um desenvolvimento sustentável, análise de setores de monitoramento nacionais e mundiais para o controle da sustentabilidade e fortalecimento de instituições que financiem esse desenvolvimento, buscando a consciência ambiental mundial;

A aceitação do formato e conteúdo da Agenda: aprovada por todos os países

A

aceitação do formato e conteúdo da Agenda: aprovada por todos os países

participantes da Convenção criou a Comissão de Desenvolvimento Sustentável

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(com vínculo ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas) para acompanhar e cooperar com os países na elaboração e implementação de agendas nacionais. Dentre os temas abordados, cita-se:

Combate a pobreza;de agendas nacionais. Dentre os temas abordados, cita-se: Cooperação entre as nações para o desenvolvimento

Cooperação entre as nações para o desenvolvimento sustentável;Dentre os temas abordados, cita-se: Combate a pobreza; Sustentabilidade e crescimento demográfico; Proteção

Sustentabilidade e crescimento demográfico;entre as nações para o desenvolvimento sustentável; Proteção atmosférica; Planejamento e ordenação no uso

Proteção atmosférica;sustentável; Sustentabilidade e crescimento demográfico; Planejamento e ordenação no uso dos recursos da terra;

Planejamento e ordenação no uso dos recursos da terra;e crescimento demográfico; Proteção atmosférica; Combate ao desmatamento das matas e florestas no mundo;

Combate ao desmatamento das matas e florestas no mundo;Planejamento e ordenação no uso dos recursos da terra; Combate a desertificação e a seca; Preservação

Combate a desertificação e a seca;Combate ao desmatamento das matas e florestas no mundo; Preservação aos ecossistemas do planeta, com ênfase

Preservação aos ecossistemas do planeta, com ênfase nos ecossistemas considerados frágeis;e florestas no mundo; Combate a desertificação e a seca; Desenvolvimento rural com sustentabilidade; Preservação

Desenvolvimento rural com sustentabilidade;planeta, com ênfase nos ecossistemas considerados frágeis; Preservação dos recursos hídricos, ênfase em água doce;

Preservação dos recursos hídricos, ênfase em água doce;frágeis; Desenvolvimento rural com sustentabilidade; Conservação da biodiversidade; Tratamento e destinação

Conservação da biodiversidade;Preservação dos recursos hídricos, ênfase em água doce; Tratamento e destinação dos diversos tipos de resíduos;

Tratamento e destinação dos diversos tipos de resíduos;ênfase em água doce; Conservação da biodiversidade; Fortalecimento das ONGs na busca do desenvolvimento

Fortalecimento das ONGs na busca do desenvolvimento sustentável; (tornaram-se órgãos fiscalizadores do cumprimento das medidas)Tratamento e destinação dos diversos tipos de resíduos; Educação ambiental, buscando a conscientização global;

Educação ambiental, buscando a conscientização global;órgãos fiscalizadores do cumprimento das medidas) 4.3.2 CONFERÊNCIA DAS PARTES SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS O

4.3.2 CONFERÊNCIA DAS PARTES SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

O acordo sobre mudanças climáticas se chama oficialmente Convenção Quadro das

Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, assinado por 194 países e, 1992 prevê um comprometimento voluntário principalmente dos países industrializados na redução da emissão dos gases que aceleram o efeito estufa, até a presente data já ocorreram 16 COPs

sobre mudanças climáticas.

A primeira conferência das Partes (COP 1) realizada em Berlim na Alemanha em

1995, levava certa incerteza do papel desempenhado por cada país no combate as emissões dos gases estufa. Gerou o Mandato de Berlim que estabeleceu dois anos de análise e fases de avaliação da situação. Foi definido que a sede do Secretariado da Convenção se localizaria em Bonn e estabeleceu uma fase piloto para as Atividades Implementadas Conjuntamente. O

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objetivo da COP 1 era examinar as adequações que os Estados deveriam fazer em busca da adoção de políticas que reduzissem as emissões dos gases estufa e não prejudicassem o clima global.

Devido às diversas evidências dos efeitos rápidos e catastróficos da mudança do clima para a humanidade e os ecossistemas, os Estados juntamente com ONGs, OIGs e outros estudiosos assinaram o Mandato de Berlim 53 . Representantes de 117 países participaram que entre outras resoluções definiram que o prazo dos países desenvolvidos reduzirem suas emissões até 2000 54 seria insuficiente e consentiram em elaborar um protocolo legal que tornasse oficiala questão. Adotaram o uso de atividades implementadas conjuntamente em fase piloto como alternativa de cumprimento dos objetivos de redução. Na COP 2 ocorrida em Genebra Suiça em 1996, foi definido que os países em desenvolvimento poderiam estar enviando um pedido preliminar de auxilio financeiro e tecnológico proveniente do Fundo Global para o Meio Ambiente para seu desenvolvimento sustentável, caso julgarem não ter condições suficientes para crescer ecologicamente racional. Foi estabelecido que cada país tem liberdade para encontrar soluções que forem mais relevantes para sua própria situação. As partes manifestaram o desejo de objetivos vinculados à força da lei. Principal marco da terceira Conferência (COP 3) realizada em Kyoto no Japão em 1997 foi à assinatura do Protocolo de Kyoto (PK), onde foram estabelecidas metas obrigatórias de redução de emissão dos gases poluentes e gases estufa aos países desenvolvidos no período de 2008 a 2012. Deu origem ao PK após intensas negociações. Adoção de ações mais enérgicas para o combate do aquecimento global. Em resposta aos avanços científicos e disposições políticas e sob um processo contínuo de revisão, discussão e troca de informações permanentes foi estabelecida a adoção de compromissos pelas Partes. Cerca de 159 representantes de nações participaram da Conferência que culminou no documento mais importante e polêmico no combate à mudança climática.

53 Resolução apoiando o parecer do IPCC alertando para o grande risco potencial da mudança climática e a justificativa para a tomada imediata de medidas preventivas. Estabeleceu que os países desenvolvidos deveriam definir limitações quantitativas e objetivos para suas próprias reduções.

54 Proposto pelo Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas

100

Para a implementação e ratificação do PK, criado na COP 3, foi elaborado um pacote de metas denominado “Plano de Ação de Buenos Aires” na COP 4 de Buenos Aires – Argentina em 1998, que tratava separadamente da tomada de decisões dos seguintes temas:

Mecanismos de financiamento; Desenvolvimento e transferências de tecnologia; Programa de trabalho dos mecanismos do PK, incluindo o desenvolvimento dos elementos relacionados à complacência e políticas e medidas, voltados à mitigação da mudança climática. Ficou definido um período de dois anos para esclarecer e desenvolver as ferramentas para a implementação do Protocolo, além da concentração de esforços para regulamentar e ratificar o Protocolo. A COP 5 realizada em Bonn, Alemanha em 1999, foi marcada pelas discussões técnicas sobre o protocolo, foram decididas também questões relativas à implementação do plano de ação de Buenos Aires, incentivando que as Partes intensificassem o trabalho preparatório para a tomada das decisões. Ainda abordou questões referentes ao uso da terra e mudanças do uso da terra e das florestas, a capacidade dos países em desenvolvimento. A conferência realizada em Haia (COP 6), Holanda em 2000 não foi concluída devido a muitos conflitos e divergências entre as Partes, as questões tratadas referiam-se ao Plano de Ação de Buenos Aires, as questões de financiamento aos países em desenvolvimento, e aspectos relacionados ao Comércio de Emissões e Mecanismos de Desenvolvimento, alguns sem solução. Na ocasião, os EUA propuseram a permissão da inclusão de áreas agrícolas e florestais como sumidouros de carbono, a União Européia (que não provem de florestas nem áreas agrícolas) recusou o compromisso, levando ao fracasso das negociações. Na COP 6 bis realizada em Bonn Alemanha em 2000, os EUA com o novo presidente (George W. Bush) recusou a ratificação do Protocolo e passou a participar das COPs como observador. Na ocasião foram definidas medidas flexíveis que permitem que os países troquem suas obrigações de redução por compensações financeiras aos países em desenvolvimento. Realizada para buscar soluções para uma série de incertezas deixadas no ar pela última COP mal acabada, a COP 6-bis superou as expectativas e ficou conhecida por “salvar” o PK, devido a um acordo em que concessões foram feitas a fim de agradar os interesses das Partes

por “salvar” o PK, devido a um acordo em que concessões foram feitas a fim de
por “salvar” o PK, devido a um acordo em que concessões foram feitas a fim de
por “salvar” o PK, devido a um acordo em que concessões foram feitas a fim de

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em conflito, em exemplo a utilização de sumidouros de carbono para grupos específicos visando à garantia da ratificação do PK. Ainda foram estabelecidas medidas:

Criação de um novo fundo especial para Mudanças Climáticas; Financiamento pelos países desenvolvidos (quando possível) dos países em desenvolvimento, de canais unilaterais e multilaterais que visam a proteção ambiental Desenvolver modalidades apropriadas para a divisão das responsabilidades entre os países desenvolvidos; A COP 7 ocorrida em Marrakesh, Marrocos em 2001, estavam quase completas as negociações a respeito do PK, reunidos no documento chamado de Acordo de Marrakesh. Essencial para que ficassem definidas regras operacionais para colocar os planos de COP 6- bis em prática. Dentre as regras operacionais definidas no Acordo de Marrakesh, estão regras para o Uso da Terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas e silvicultura, mecanismos de flexibilização, inventário nacional de emissões. Dentre as regras estabelecidas, cita-se:

Limitação da utilização dos créditos oriundos de florestas e agricultura Limites de transferência para as unidades de crédito; Criação de fundos internacionais que auxiliem os países menos desenvolvidos a adaptação as mudanças climáticas. Na COP 8 de Nova Deli, Índia em 2002 foram discutidas as definições ainda pendentes do Acordo de Marrakesh sobre temas como florestas, permanência, adicionalidade, linha de base, vazamentos, período de creditação, porém nada concretizado. Enfatiza-se nessa COP as iniciativas do setor privado e das ONGs para a ratificação do PK e o funcionamento dos mecanismos de flexibilização, apresentados projetos para a formação do mercado de crédito de carbono. Ponto forte na COP 9 de Milão, Itália em 2003 foi às discussões sobre as regras e procedimentos para projetos florestais no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), fechando um pacote de regras definindo a maneira como os projetos referentes devem ser conduzidos para reconhecimento junto a Convenção do clima e obtenção dos créditos de carbono. As definições fechadas foram:

do clima e obtenção dos créditos de carbono. As definições fechadas foram: Limites [geográficos] do projeto;
do clima e obtenção dos créditos de carbono. As definições fechadas foram: Limites [geográficos] do projeto;
do clima e obtenção dos créditos de carbono. As definições fechadas foram: Limites [geográficos] do projeto;
do clima e obtenção dos créditos de carbono. As definições fechadas foram: Limites [geográficos] do projeto;
do clima e obtenção dos créditos de carbono. As definições fechadas foram: Limites [geográficos] do projeto;
do clima e obtenção dos créditos de carbono. As definições fechadas foram: Limites [geográficos] do projeto;
do clima e obtenção dos créditos de carbono. As definições fechadas foram: Limites [geográficos] do projeto;

Limites [geográficos] do projeto;

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Projetos florestais de pequena escala;102 Questões de permanência e validade; O foco foi esclarecer alguns últimos detalhes técnicos sobre o

Questões de permanência e validade; O foco foi esclarecer alguns últimos detalhes técnicos sobre o PK. Ponto crucial levantado na COP 10 de Buenos Aires em 2004 foi o estabelecimento de metas para países emergentes (como Brasil, China e Índia) que aumentam sua capacidade produtiva e industrial, proposto pela UE e sem solução ao final da COP, que ainda trouxe diversos acordos bilaterais entre os Estados no que diz respeito aos recursos hídricos. Iniciaram as discussões em relação ao que aconteceria quando expirar o primeiro compromisso (pós 2012). Aprovado regras para a implementação do PK, porém dúvidas quanto à viabilidade de um novo período pós-2012. Adesão definitiva da Rússia fez com que o PK entrasse finalmente em vigor. “A principal função da conferência foi fortalecer a nova o PK entrasse finalmente em vigor. “A principal função da conferência foi fortalecer a nova fase criada com a ratificação do PK”. Primeira conferência após a entrada de vigor do PK, a COP 11 de Montreal, Canadá em 2005 teve foco em discutir quais medidas seriam tomadas quando o primeiro período proposto expirasse. Primeiro encontro referente ao PK denominado MOP 1, foi estabelecido um plano de ações a fim de estender a validade para além de 2012, como previsto em 1997. A COP 12 de Nairóbi, Quênia em 2006 trouxe discussões referentes às últimas questões técnicas remanescentes em relação ao PK (e que foram respondidas na Conferência). Começaram um trabalho para a obtenção de um novo acordo após a expiração do PK em 2012

e uma série de questões foi estabelecida no processo rumo ao novo acordo. Os principais

assuntos abordados em Nairóbi foram: a prorrogação dos compromissos assumidos pelos países para o período posterior a 2012; a revisão do texto do Protocolo de Kyoto para que os países em desenvolvimento também assumam compromissos concretos de redução de emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE); e a implantação do Fundo de Adaptação. Na COP 13 de Bali, Indonésia em 2007 foi estabelecido um “mapa do caminho”. Com

o relatório do IPCC mostrando os sinais do aquecimento global havia a necessidade de uma atuação rápida e concisa e foi adotado o Plano de Ação de Bali, o qual trouxe o cenário ambiental para as negociações relativas a um novo acordo. Nesse plano de ação são indicadas medidas a serem tomadas na busca pela preservação do clima, denominado pelos observadores de “Mapa do Caminho” devido o documento guiar/orientar os Estados rumo à proteção climática. Os trabalhos da COP 14 de Poznan, Polônia em 2008 caminharam em direção a um novo acordo climático global. As partes acordaram sobre:

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O programa de trabalho e o plano de reunião para a próxima conferência;103 A operacionalização do Fundo de Adaptação (apoiará medidas de adaptação concretas dos PEDs) Nesta convenção,

A operacionalização do Fundo de Adaptação (apoiará medidas de adaptação concretas dos PEDs) Nesta convenção, os países continuaram a trabalhar em um novo acordo para ser discutido em Copenhague. A mudança de governo nos Estados Unidos foi a marca da reunião, que discutiu soluções antecipadas pelo novo presidente, Barack Obama. Os países alcançaram um consenso sobre o programa de trabalho e o plano de ação para a convenção de Copenhague e sobre como funcionaria o Fundo de Adaptação, que serve para apoiar mudanças concretas nos países menos desenvolvidos. A Conferência foi caracterizada pela antecipação da postura a ser adotada pelo novo governo norte-americano, além de chegarem a acordo referente à ampliação do Fundo de Adaptação. Apesar de ainda não trazer um acordo com termos legais, a 15ª Conferência realizada em Copenhague, Dinamarca em 2009 proporcionou um compromisso político de buscar um mundo de baixas emissões dos gases estufa. O fato de que pesquisas científicas apontam que a temperatura do planeta registrará aumento superior a 2ºC nas próximas décadas, caso as emissões dos gases causadores de efeito estufa não sejam drasticamente reduzidas motivou a cúpula da ONU e a opinião pública mundial. Porém o que foi visto foi à incapacidade de os chamados "líderes mundiais" chegarem a um consenso, já que em vez de um acordo real, mensurável e verificável, o máximo que conseguiram extrair das negociações foi uma "carta de intenções". O chamado “Acordo de Copenhague” foi aprovado com relutância e sem unanimidade, como exige o O chamado “Acordo de Copenhague” foi aprovado com relutância e sem unanimidade, como exige o procedimento das Nações Unidas. Esse pacote prevê ações para a manutenção do aumento da temperatura global a 2ºC, mas deixa de estabelecer qualquer redução de emissões dos gases que provocam o efeito estufa para que isso seja possível. Os mais de 190 países que participam da COP-16 (Cancun, México em 2010) adotaram um princípio de acordo pelo qual adiam o segundo período de vigência do PK e elevam a "ambição" para a redução de emissões de gases poluentes. Com o Acordo de Cancun, crescem as expectativas de que a próxima reunião do clima possa produzir um tratado legalmente vinculante, capaz de obrigar a comunidade internacional a cortar emissões de gases do efeito estufa e combater os efeitos das mudanças climáticas.

104

A manutenção da elevação da temperatura global a 2ºC entrou em um documento

internacional. O texto também estabelece a operação de um Fundo Verde que até 2020, porém não especificam a origem das verbas que deverão alimentar o fundo. Foi aprovado também, o mecanismo de conservação das florestas apelidado de REDD (sigla para redução de emissões por desmatamento e degradação).

O acordo encontrou críticas de organizações não-governamentais sobre as chamadas

salvaguardas dos projetos REDD, para garantir, a defesa de direitos indígenas e da

biodiversidade.

4.4 PROTOCOLO DE KYOTO

No histórico para a implementação do Protocolo de Kyoto, destacam-se alguns acontecimentos. Em 1988 houve a 1ª reunião que tratava sobre as mudanças climáticas, e

apontava o impacto potencial inferior apenas a uma guerra nuclear. A década de 90 tornou-se

a mais quente devido a alta das temperaturas. Em 1990, foi criada uma base de colaboração

cientifica a nível internacional, o IPCC, que alertou a comunidade internacional sobre a estabilização dos níveis de CO 2 na atmosfera (necessário reduzir as emissões de 1990 em

60%).

Na ECO 92, 160 governos assinam a convenção sobre Mudanças climáticas, que tinha como objetivo “evitar interferências antropogênicas perigosas no sistema climático”, para assim proteger as fontes alimentares, ecossistemas e desenvolvimento social. Adotou-se o principio de responsabilidade comum e diferenciada, onde todos devem proteger, mas os países do Norte devem reduzir (são os maiores responsáveis). Em 1995, IPCC relata os primeiros sinais evidentes de mudanças climáticas: sugere o impacto significativo de origem humana sobre o clima global. Aprovado em 1997 por 188 países, entrou em vigor em 2004 quando a Rússia ratificou

o Protocolo, posto que para vigorar fosse necessário que se somassem no mínimo 55% das emissões globais dos gases estufa. Apesar da não adesão de Estados relativamente importantes (como os EUA detentores de aprox. 35% da poluição atmosférica global) entrarem em vigor já foi um passo crucial na luta contra as mudanças climáticas e o aquecimento global, pois demonstrou o comprometimento dos Estados para sua importância e para o cumprimento das medidas estabelecidas.

105

É um acordo internacional vinculado a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre

Mudanças Climáticas (UNFCCC), que determina ações para 37 países industrializados e a Comunidade Européia de redução das emissões dos gases estufa (devido aos países industrializados serem os principais responsáveis pelo aquecimento global em anos de atividade industrial).

O acordo previa que as partes reduziriam em média 5,2% das emissões com base no

ano de 1990 no período de 2008 a 2012, ou seja, estabeleceria um compromisso por parte dos

Estados em assegurar (individualmente ou coletivamente) que suas emissões antrópicas agregadas equivalentes de CO 2 não excedam as quantidades atribuídas pelo protocolo, com base de cálculo em 1990, reafirmando o “principio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas”.

É o começo de uma negociação de consenso internacional que visa à redução das

emissões de gases estufa na atmosfera para conter as mudanças climáticas. Considerado um pequeno passo, porém essencial para a estabilização das concentrações de gases estufa na atmosfera. Porém muitos impasses permeiam o âmbito desse documento relativo aos países industrializados comprar créditos para poluir, aos países emergentes extremamente poluidores cumprirem metas e prazos para a redução. Silva menciona os impasses do PK como uma

questão de interesses políticos estatais,

O Protocolo de Kyoto não rendeu muitos frutos, pois seus fundamentos têm caráter mais político que técnicos ou econômicos. Desde 1997, avançaram os conhecimentos científicos, aprofundaram-se as preocupações da sociedade

civil com as mudanças climáticas e retrocedeu o impulso idealista verificado

no inicio da década de 1990 [

]

(SILVA, 2009: 14)

Foram adotados compromissos com os países em desenvolvimento, levando em conta a equidade das emissões entre os países, porém sem o cumprimento de metas que retardariam seus processos de desenvolvimento industrial. Estabeleceu 3 mecanismos de flexibilidade que permitem a esses países cumprir as exigências de redução de emissões previstas no acordo, fora de seus territórios.

Implementação Conjunta;de emissões previstas no acordo, fora de seus territórios. Comércio de Emissões; A O Mecanismo de

Comércio de Emissões;acordo, fora de seus territórios. Implementação Conjunta; A O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (requer que os

A

O

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (requer que os projetos produzam benefícios à longo prazo, reais e mensuráveis) Esses mecanismos permitem o desenvolvimento sustentável e busca o crescimento econômico dos PDEs com potencial em recursos naturais e que emitem baixa quantidade dede emissões previstas no acordo, fora de seus territórios. Implementação Conjunta; Comércio de Emissões; A O

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gases estufa na atmosfera, além de ajudar os Estados com dificuldade de reduzir suas emissões não comprometendo sua economia. Desse modo, os países industrializados podem continuar emitindo seus gases e comprando dos PDEs “créditos de carbono”, mecanismo que beneficia ambos os lados. Porém esses mecanismos receberam criticas por atender os interesses dos países desenvolvidos e de alguns países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia.

107

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos mais diversos cenários ao longo da história da humanidade há a interferência humana no Meio Ambiente (seja na forma de indivíduo, de empresa, sociedade ou representando um Estado). As atividades humanas buscando a sobrevivência a priori e posteriormente buscando suprir suas mais complexas necessidades geraram uma adaptação do meio ambiente que em muitos momentos significou sua degradação. As relações internacionais podem ser constatadas na história desde a Antiguidade onde a percepção mais clara refere-se ao Império Romano, que influenciava a utilização de sua cultura aos povos conquistados. No âmbito do Direito, a Paz de Westfália foi ponto culminante para a institucionalização do conceito de Estado e Soberania utilizados até hoje. As relações entre Estados foram sendo intensificadas principalmente no âmbito econômico devido às trocas comerciais principalmente no período de transição para o Capitalismo e com a Revolução Industrial ao final do século impulsionou as relações comerciais e conseqüentemente as relações internacionais. Apesar de diversos conflitos e crises na história das relações internacionais, nos últimos anos há certa cooperação entre Estados, principalmente após a queda da hegemonia dos Estados Unidos com os ataques do 11 de Setembro, que gerou a multipolarização dos assuntos internacionais. A globalização acompanhada da formação de blocos econômicos que visam às relações de poder e da inserção de novos atores no cenário global gera um policentrismo nas relações de poder no cenário internacional. No que tange a interferência humana e, especificamente, das relações entre Estados no Meio Ambiente cabe ressaltar a influência humana desde sua origem no meio buscando sua adaptação e sobrevivência. A evolução histórica do ser humano no mundo confronta diretamente a história da natureza, visto que os avanços que a Humanidade foi adquirindo conforme os séculos geraram impactos severos ao meio. A construção de cidades, desde o século IV a.C, principalmente com a primeira revolução agrícola que fixou o Homem em determinadas regiões [abundantes em recursos naturais], proporcionou a utilização de espaços urbanos para a construção de vilas e casas para os povos. Porém a cultura dessa época permitia o convívio entre Homem e Natureza sem nenhuma espécie de conflitos, onde a natureza compreendia em uma “benção divina” e seu mau uso levaria a “fúria dos Deuses”. A idéia é abolida com o antropocentrismo e a natureza

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passa a ser objeto de posse do Homem. A partir desse momento a exploração dos recursos

naturais, a utilização de animais para o massacre como “partes de teatro” [da política de Pão e Circo] levaram a degradação ambiental que reflete muito na nossa vida atualmente.

O período do Mercantilismo foi imprescindível para o aumento da degradação