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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE TECNOLOGIA CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

MODELAGEM MATEMÁTICA E SIMULAÇÃO DE TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA PARA ENSAIOS DE IMPULSOS ATMOSFÉRICOS

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Everton Soares Pivotto

Santa Maria, RS, Brasil

2013

MODELAGEM MATEMÁTICA E SIMULAÇÃO DE TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA PARA ENSAIOS DE IMPULSOS ATMOSFÉRICOS

por

Everton Soares Pivotto

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Eletricista.

Orientador: Prof. Dr. Tiago Bandeira Marchesan

Santa Maria, RS, Brasil

2013

Universidade Federal de Santa Maria Centro de Tecnologia Curso de Engenharia Elétrica

A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o Trabalho de Conclusão de Curso

MODELAGEM MATEMÁTICA E SIMULAÇÃO DE TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA PARA ENSAIOS DE IMPULSOS ATMOSFÉRICOS

elaborado por Everton Soares Pivotto

como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Eletricista

COMISÃO EXAMINADORA:

Tiago Bandeira Marchesan, Dr. (Presidente/Orientador)

Luiz Carlos de Souza Marques, Dr. (UFSM)

Daniel Pinheiro Bernardon, Dr. (UFSM)

Santa Maria, 22 de fevereiro de 2013.

“Nossa maior fraqueza esta em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez.”

(Thomas Edison)

RESUMO

Trabalho de Conclusão de Curso Curso de Engenharia Elétrica Universidade Federal de Santa Maria

MODELAGEM MATEMÁTICA E SIMULAÇÃO DE TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA PARA ENSAIOS DE IMPULSOS ATMOSFÉRICOS

AUTOR: EVERTON SOARES PIVOTTO ORIENTADOR: TIAGO BANDEIRA MARCHESAN

Santa Maria, 22 de fevereiro de 2013.

Este trabalho trata da análise da resposta do transformador de potência a impulsos atmosféricos de

elevada frequência aplicados de forma direta ou próximos a seus terminais. Além disso, um estudo da

distribuição interna das sobretensões geradas nos enrolamentos do equipamento em função do referido

transitório é enfatizado. Um software provido de recursos visuais, baseado em C++, foi desenvolvido para

calcular os elementos elétricos que compõem o circuito equivalente do transformador, bem como, efetuar a

montagem do circuito, inserir os parâmetros de simulação e geração do arquivo netlist SPICE. A netlist é

empregada para simular o modelo utilizado para representação do equipamento durante um impulso de

tensão. O modelo do circuito equivalente é baseado nos aspectos construtivos do transformador de

potência. Todos os passos são gerados de forma automática, sendo de responsabilidade do usuário do

programa apenas a inserção dos dados referentes às características construtivas do equipamento,

parâmetros de simulação e interligação de seus terminais. Trata-se de uma ferramenta com considerável

aplicação no âmbito de geração de novos projetos de transformadores, visto possibilitar a verificação

interna de pontos nem sempre acessíveis para medição da distribuição de tensão durante o referido

transitório.

Palavras-chave:

Transformador

de

Potência,

Impulso

Atmosférico,

Simulação,

Características

Construtivos.

ABSTRACT

Trabalho de Conclusão de Curso Curso de Engenharia Elétrica Universidade Federal de Santa Maria

MATHEMATICAL MODELING AND SIMULATION OF POWER TRANSFORMERS FOR LIGHTNING IMPULSE TESTS

AUTHOR: EVERTON SOARES PIVOTTO RESEARCH SUPERVISOR: TIAGO BANDEIRA MARCHESAN

Santa Maria, February 22 th , 2013.

This study presents the transient response analysis of power transformers during high

frequency lightning impulse applied directly or near of its terminals. In addition, a study of the internal

distribution of overvoltages generated in the windings due to the transient is emphasized. User-

friendly visual software based on C++ resources was developed to compute elements that compose the

electrical equivalent circuit of the transformer, as well as the circuit assembly, simulation parameters

and SPICE netlist file. The netlist is employed to simulate the utilized model of the equipment

representation during a voltage impulse. The equivalent circuit model is based on the construction

characteristics of the power transformer. All program steps are generated automatically, the program

user is only responsible for the data input related to the construction characteristics of the equipment,

simulation parameters and interconnection of its terminals. The program is a powerful auxiliary tool in

the generation of new transformer designs since it allows the internal verification of winding points

that are not always available for measuring the voltage distribution during the lightning impulse

transient.

Keywords: Power Transformer, Lightning Impulse, Simulation, Constructive Characteristics.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Transformador de

16

Figura 2 – Esquemático do transformador ideal

18

Figura 3 – Esquema do circuito equivalente do transformador real

19

Figura 4 – Núcleo magnético com seção transversal: (a) retangular; (b) em cruz; (c) circular; e

(d) circular com canais

Figura 5 – Esquemático monofásico do: (a) núcleo tipo envolvido; e (b) núcleo tipo

21

envolvente

22

Figura 6 – Esquemático trifásico do núcleo

23

Figura 7 – Condutor continuamente transposto

24

Figura 8 – Enrolamentos em: (a) hélice; (b)

26

Figura 9 – Enrolamento em disco: (a) continuo; (b) intercalado

27

Figura 10 – Diagrama das conexões de um ensaio de

31

Figura 11 – Forma de onda do impulso de tensão

32

Figura 12 – Forma de onda do impulso de tensão cortado

33

Figura 13 – Ligações dos terminais em ensaios de impulso atmosférico: (a) Corrente de

neutro; (b) Corrente no enrolamento (medida nos terminais de outras fases); (c) Corrente

34

transferida; (d) Corrente no tanque; (e) Tensão transferida e; (d) Corrente de

Figura 14 – Transformador de potência: (a) estrutura física do núcleo e enrolamentos; e (b)

37

circuito

Figura 15 – Formas de onda em um enrolamento helicoidal: (a) Tensão versus tempo; (b)

Distribuição de tensão inicial e

38

Figura 16 – Distribuição inicial de tensão no

39

Figura 17 – Circuito equivalente de um

41

Figura 18 – Modelo físico do transformador de

42

Figura 19 – Modelo do circuito equivalente para transformador

43

Figura 20 – Identificação dos componentes da malha RLC

44

Figura 21 – Dimensões envolvidas no cálculo de capacitâncias entre

46

Figura 22 – Dimensões envolvidas no cálculo de capacitâncias entre enrolamentos e tanque.47

49

Figura 23 – Dimensões envolvidas no cálculo de capacitâncias entre

Figura 24 – Representação de espiras em diferentes discos para cálculo da indutância mútua.

Figura 25 – Aba inicial do software gerador da netlist para simulação do transformador de

potência

58

Figura 26 – Caixas spins

61

Figura 27 – Segunda aba do software gerador da netlist para simulação do transformador de

potência

62

Figura 28 – Trecho do circuito equivalente

66

Figura 29 – Ligação ZIG-ZAG

69

Figura 30 – Resultados obtidos, parâmetros de simulação e conexões dos terminais utilizados.

 

70

Figura 31 – Diagrama representativo das conexões e locais de medição de tensão

70

Figura 32 – Formas de onda de tensão disponibilizadas pelo fabricante do

71

Figura 33 – Formas de onda de tensão obtidas via simulação do modelo utilizado

71

Figura 34 – Características de uma onda de impulso de tensão para o

84

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Classes e formas das solicitações de

29

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Tensões suportáveis nominais para os enrolamentos de um transformador com

tensão máxima de ≤ 169 - Série II, baseada na prática norte

Tabela 2 - Tensões suportáveis nominais para transformadores com enrolamentos com tensão máxima de ≤ 170 - Série I, baseada na prática europeia e brasileira, conforme a

ABNT NBR

Tabela 3 – Tensões suportáveis nominais para enrolamentos de transformadores com >

170

80

81

82

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1

12

INTRODUÇÃO

12

1.1 Objetivos

13

1.2 Organização do trabalho

14

CAPÍTULO 2

15

O Transformador de Potência

15

2.1

Conceitos Básicos

17

2.2

Construção do Transformador de Potência

20

2.2.1

Núcleo

20

2.2.2

Enrolamentos

24

CAPÍTULO 3

28

Ensaio de Impulso Atmosférico em Transformadores de Potência e suas Implicações

28

3.1 Sobretensões de Origem Atmosféricas

29

3.2 Ensaio de Impulso Atmosférico

31

CAPÍTULO 4

36

Modelo Matemático do Enrolamento do Transformador de Potência

36

4.1

Cálculo dos Parâmetros do Enrolamento

40

4.1.1

Cálculo das Capacitâncias

44

4.1.1.1

Cálculo das Capacitâncias Paralelas

45

4.1.1.2

Cálculo da Capacitância Série para Enrolamentos tipo Disco Contínuo

47

4.1.1.3

Processo de Cálculo dos Parâmetros Distribuídos - Capacitâncias

49

4.1.2

Cálculo das Indutâncias

51

4.1.2.1

Processo de Cálculo dos Parâmetros Distribuídos - Indutâncias

53

4.1.3

Cálculo das Resistências

54

4.1.3.1

Processo de Cálculo dos Parâmetros Distribuídos - Resistências

55

CAPÍTULO 5

57

Software de Cálculo, Montagem e Geração da Netlist do Circuito Equivalente do Transformador de

Potência

57

5.1 Entrada de Dados das Características Construtivas do Transformador

58

5.2 Apresentação dos Valores Obtidos, Determinação dos Parâmetros de Simulação e Conexões . 62

65

5.3 Montagem do Circuito Equivalente

CAPÍTULO 6

68

6.1

Simulação e Resultados Obtidos

69

CONCLUSÃO

73

TRABALHOS FUTUROS

74

BIBLIOGRAFIA

75

ANEXO A – Níveis de Isolamento para Tensões Nominais do Equipamento

80

APÊNDICE A – Representação do Modelo dos Enrolamentos no PSpice

83

APÊNDICE B – Circuito Equivalente

87

APÊNDICE C – Netlist do Circuito Equivalente do Reator

88

12

CAPÍTULO 1

Introdução

Os transformadores de potência estão situados entre os equipamentos de maior porte e valor em subestações e usinas. Mesmo sendo projetado para ser um equipamento robusto, desde o início de sua utilização no sistema elétrico de potência o transformador demonstrou ser vulnerável às frequentes e severas solicitações resultantes dos transitórios elétricos inerentes a distúrbios atmosféricos, conforme Mendes (1995). Por serem equipamentos produzidos especificamente para uma determinada instalação, os mesmos possuem projetos originais, conforme as necessidades do consumidor final, e como tal atributo, cada máquina possui uma resposta única a transientes, tendo cada equipamento sua característica própria de impedância versus frequência. (HARLOW, 2004). A distribuição espacial das tensões no interior do enrolamento é um fator de extrema relevância e deve ser determinada, a fim de assessorar na concepção do isolamento interno do transformador. Estas determinações amparam-se em detalhadas análises das condições de projeto, fabricação e ensaios de transformadores, além de análises teóricas e estudo de falhas recentes, neste tipo de equipamento. A ocorrência de uma falha nesse tipo de equipamento resulta em expressivos transtornos operacionais e financeiros, visto que estes equipamentos são caracterizados por possuírem um elevado custo de aquisição ou reparo, especialmente transformadores instalados em unidades distantes dos centros de produção. Assim, no sentido de aumentar a confiabilidade dos transformadores, além de critérios rigorosos de ensaios, manutenção e operação, é muito importante que no instante de concepção do projeto da máquina, ferramentas computacionais de modelagem e simulação, em função das suas características construtivas e transitórios de alta frequência estejam disponíveis. Soares (2011) destaca que os transformadores de potência possuem características específicas quanto à classe de tensão, nível de potência e utilização. Sendo compostos por buchas de alta e baixa tensão, radiadores ou trocadores de calor, tanque principal, tanque de expansão, painéis de controle e outros dispositivos. Tratam-se de complexos equipamentos, os

13

quais são dependentes da interação de seus diversos componentes para um funcionamento eficiente. São constituídos internamente por enrolamentos dispostos em um núcleo ferromagnético, além de comutadores que podem ser do tipo a vazio, sob carga ou ambos. Neste trabalho, são indicados aspectos relevantes associados às características construtivas dos transformadores de potência. Relatam-se também as principais falhas originadas por meio de fenômenos atmosféricos, principalmente de natureza dielétrica associada à ressonâncias internas no equipamento, e por fim, as particularidades integradas à realização de ensaios de impulso de tensão no mesmo. A modelagem do enrolamento de transformador orientado para a análise de fenômenos transitórios oriundos de descargas atmosféricas é desenvolvida, sendo esta fundamentada no modelo elétrico de parâmetros distribuídos e representado espira por espira com a inclusão adequada dos acoplamentos eletromagnéticos correspondentes. Os parâmetros correspondentes são modelados em função dos aspectos construtivos do equipamento e dão origem ao software foco deste trabalho.

1.1 Objetivos

A técnica mais eficaz utilizada para a avaliação da isolação de transformadores de potência frente a impulsos atmosféricos consiste da execução de ensaios posteriormente a sua construção, gerando-se um banco de dados oriundos destas informações e disponíveis para futuras comparações, além de se tornarem um excelente ponto de partida para a concepção de novos projetos. Entretanto a utilização desta técnica não produz uma total confiabilidade no projeto final do transformador, visto que para grandes equipamentos nem sempre é possível se possuir um projeto já executado para fins de comparação, logo, o mesmo terá que ser efetuado quase que sem referência alguma. Além disso, a alteração dos parâmetros como a altura do enrolamento, materiais de isolação, distância entre enrolamentos, distância entre enrolamento e tanque, e outros aspectos que serão observados no decorrer deste trabalho influenciam de forma efetiva no que tange os níveis de isolamento do transformador de potência. Neste contexto, este trabalho tem por objetivo desenvolver um programa capaz de calcular todos os parâmetros elétricos necessários para a composição do circuito equivalente do transformador de potência, levando-se em conta os aspectos construtivos do mesmo. E por fim, gerar-se o netlist necessário para a sua simulação, sendo definidos juntamente a estrutura

14

do programa, os parâmetros da simulação do impulso de tensão e devidas conexões entre terminais externos de cada enrolamento.

1.2 Organização do trabalho

Para facilitar o entendimento do trabalho, a seguir é descrito, em termos gerais, o conteúdo abordado em cada seção. Por meio do capítulo 2 é apresentada uma revisão bibliográfica sobre transformadores e sua estrutura construtiva. São também descritos os modelos e características empregadas pela indústria na implementação física do núcleo e dos enrolamentos nos transformadores de potência. No capitulo 3 são descritos os modelos encontrados na literatura e utilizados na representação e modelagem matemática dos elementos constituintes em cada espira do enrolamento frente a um impulso atmosférico, ou seja, resistências, capacitâncias e indutâncias. No capitulo 4, destaca-se o estudo referente ao impulso atmosférico, revelando a forma com que o mesmo é originado e as principais implicações de seu impacto direto ou nas proximidades de um transformador de potência. De mesmo modo, são detalhados os diferentes tipos de sobretensões ao qual o equipamento que compõem o sistema de transmissão esta sujeito, além dos métodos de ensaios de impulso de tensão utilizados por laboratórios especializados, para certificação e inspeção do isolamento dos transformadores. No capitulo 5 estão abordados os conceitos gerais de funcionamento do software responsável pela modelagem do transformador de potência através da resolução dos equacionamentos aqui demonstrados, montagem de seu circuito equivalente, e definição dos parâmetros a serem incluídos no circuito para posterior simulação. A geração do circuito a ser simulado é realizada via formação de um arquivo em formato de netlist e originado após a conclusão dos referidos passos. No capitulo 6 são discutidos e analisados os resultados obtidos em simulação e confrontados com os obtidos durante ensaios de impulsos de tensão em laboratório, conforme o estudo de caso. Na conclusão deste trabalho estão expostas as considerações finais e devidas conclusões.

15

CAPÍTULO 2

O Transformador de Potência

Trabalhos referentes a transformadores que empregam técnicas de modelagem e ferramentas numéricas para a representação do comportamento do equipamento frente aos eventos a que possa ser submetido são amplamente abordados na literatura. Januário (2007) salienta que, em decorrência aos variados tipos e formas construtivas dos transformadores, das diversas maneiras em que são empregados, do seu carregamento, dos tipos de cargas conectados a eles, faz-se a necessidade de um estudo para cada caso de transitório a ser analisado. No transcorrer dos anos, inúmeros trabalhos foram produzidos, de onde surgiram modelos visando uma melhor representação dos transformadores. A modelagem realizada a partir dos dados construtivos e físicos é utilizada principalmente para descrever os efeitos gerados internamente no transformador de potência, como a distribuição da tensão de surto em enrolamentos e/ou a transferência de surtos de tensão através de enrolamentos de transformadores. Nesta conjuntura, para a modelagem precisa dos efeitos internos, o conhecimento dos aspectos e detalhes construtivos é uma condição necessária para a representação correta do transformador e obtenção dos objetivos traçados para este trabalho. Desta forma, a norma ANSI/IEEE define um transformador como um dispositivo elétrico estático, utilizados em sistemas de energia elétrica para transferir energia entre os circuitos por meio de indução eletromagnética sem alterar sua frequência de operação. (HARLOW, 2004; KULKARNI e KHAPARDE, 2004; GEORGILAKIS, 2009) Os sistemas de energia consistem tipicamente de um grande número de locais de geração, pontos de distribuição e interconexões. A complexidade do sistema leva a uma variedade de tensões de transmissão e distribuição, sendo incumbida aos transformadores de potência a transição entre estes níveis de tensão em cada um desses pontos, e desta forma, permitindo o uso universal do sistema de corrente alternada para transmissão e distribuição de energia elétrica. O termo transformador de potência é usado para se referir aos transformadores utilizados entre o gerador e os circuitos de distribuição, e estes são geralmente avaliado em

16

500 kVA e acima, sen do seu formato de construção dependen te de sua aplicação.

Transformadores feitos par a uso interno são principalmente do tipo sec o, mas também podem

ser do tipo imerso em líqu ido isolante. Para uso externo, transformado res são geralmente do

tipo imersos em líquido. ( HARLOW, 2004). Este trabalho tem como f oco principal o estudo

de transformadores imerso s em líquido isolante, como o mostrado na Fi gura 1.

Os transformadore s são classificados com base na potênci a, tensão primária e

frequência e avaliados s ob condições “normais” de funcionament o. A temperatura de

operação do transformador , e por consequência, do isolamento – o qual tende a deteriorizar-se

com o aumento da tempera tura – em condições normais de trabalho det ermina essencialmente

do isolamento a ser

utilizado em transformad ores é baseada no tempo esperado de vi da útil, com base na

a potência do mesmo, em

kVA ou MVA. Assim sendo, a escolha

temperatura de operação.

ou MVA. Assim sendo, a escolha temperatura de operação. Figura 1 – Transformador de potência. F

Figura 1 – Transformador de potência. F onte: WEG Equipamentos Elétricos S.A.

17

A expectativa de vida normal de um transformador de potência é geralmente cerca de

30 anos de serviço quando submetido a condições normais de operação. No entanto, em certas

condições, pode ser sobrecarregado, sob pena de redução de sua vida útil. (HARLOW, 2004)

2.1 Conceitos Básicos

O transformador foi inventado em 1886 por William Stanley e em seu modelo fundamental é constituído por dois enrolamentos acoplados por meio de fluxo magnético mútuo. Desta

forma, se um destes enrolamentos, o primário, é conectado a uma fonte de tensão alternada, um fluxo alternado será produzido, cuja amplitude depende da tensão primária, da frequência da tensão aplicada e do número de espiras. O fluxo mútuo ligará o outro enrolamento, o secundário, e vai induzir uma tensão no mesmo, cujo valor depende do número de espiras secundárias, bem como a magnitude do fluxo concatenado e da frequência. Por devida proporcionalidade ao número de espiras primárias e secundárias, quase que qualquer relação desejada de tensão, ou relação de transformação, pode ser obtida. (GILL, 2009; FITZGERALD, KINGSLEY JR, UMANS, 2003)

A essência da ação transformadora requer unicamente a existência de fluxo mútuo

variável no tempo ligando dois enrolamentos. Tal ação pode ocorrer por dois enrolamentos acoplados através do ar, porém este acoplamento entre os enrolamentos pode ser efetuado de forma muito mais eficaz utilizando um núcleo de ferro ou outro material ferromagnético, visto

que deste modo, a maior parte do fluxo é então limitada a este “caminho” de elevada permeabilidade que liga os enrolamentos. (FITZGERALD, KINGSLEY JR, UMANS, 2003)

A Figura 2 ilustra de forma esquemática um transformador ideal monofásico, onde os

enrolamentos primário e secundário são ligados por fluxo comum produzido no núcleo de

ferro, no qual se consideram:

- A relutância do circuito magnético é nula;

- As resistências dos enrolamentos são nulas;

- As perdas no ferro são nulas;

- As fugas magnéticas são nulas.

18

18 Fig ura 2 – Esquemático do transformador ideal. Fo nte: Fitzgerald, Kingsley Jr e Umans,

Fig ura 2 – Esquemático do transformador ideal. Fo nte: Fitzgerald, Kingsley Jr e Umans, 2003.

Sendo:

,

V , V

I , I

Fluxo ma gnético mútuo aos dois enrolamentos;

Espiras d o enrolamento primário e do enrolamento sec undário;

Tensão n o enrolamento primário e no enrolamento sec undário;

Corrente no enrolamento primário e no enrolamento s ecundário;

Tensão in duzida no enrolamento primário;

Tensão in duzida no enrolamento secundário;

Impedânc ia da carga.

Gill (2009) adverte sobre a importância sobre o conhecimento de

qual a relação entre o

transformador de tensão

representado acima, a relaç ão entre tensão e corrente pode ser expressa como segue:

e corrente, desta forma, considerando o

transformador ideal

(1)

Conforme a análise de desempenho desejada para o estudo do tr ansformador, algumas

modelo mais completo

deve tomar em conta os ef eitos das resistências de enrolamento, fluxos de fuga, e corrente de

considerações devem ser a crescentadas a seu diagrama circuital. Um

excitação finita devido à fi nita (e não linear) permeabilidade do núcleo . Além disto, para este

efeitos importantes,

particularmente problemas

superiores a faixa de áudi o ou que mudam rapidamente durante cond ições transitórias, tais

estudo de caso, as capa citâncias dos enrolamentos também têm

envolvendo o comportamento do transfor mador em frequências

19

como as encontradas em tr ansformadores de potência do sistema como resultado de surtos de

tensão causados por raios

UMANS, 2003). Conside rações referentes às capacitâncias dos enr olamentos e a devida

ou transientes de comutação. (FITZGERA LD, KINGSLEY JR,

análise destes problemas d e alta frequência serão efetuadas, respectiva mente, nos Capítulos 3

e 4, assim sendo, as capacit âncias dos enrolamentos neste momento serã o negligenciadas.

A Figura 3 ilustr a o esquema do circuito equivalente d o transformador real

monofásico.

do circuito equivalente d o transformador real monofásico. Figura 3 – Es quema do circuito equivalente

Figura 3 – Es quema do circuito equivalente do transforma dor real. Fonte: Fitzgerald, Kingsley Jr e Umans, 200 3.

Onde:

,

,

,

,

secundário;

,

Espiras d o enrolamento primário e do enrolamento sec undário;

Tensão n o enrolamento primário e no enrolamento sec undário;

Corrente no enrolamento primário e no enrolamento s ecundário;

Corrente refletida pelo enrolamento secundário ao enr olamento primário;

Corrente de excitação;

Corrente referente às perdas no núcleo;

Corrente de magnetização;

Tensão in duzida no enrolamento primário;

Tensão in duzida no enrolamento secundário;

Reatância

de

dispersão

do

enrolamento

primári o

e

do

enrolamento

Reatância

de magnetização;

 

Resistênc ia do enrolamento primário e do enrolament o secundário;

Resistênc ia referente às perdas no núcleo (ferro).

20

2.2 Construção do Transformador de Potência

De acordo com Harlow (2004), a construção de um transformador de potência varia conforme

a indústria. O arranjo base é essencialmente o mesmo e poucas mudanças significativas

ocorreram nos últimos anos. Visto o transformador de potência poder operar em níveis de tensão bastante elevados, é necessário que se aplique em sua construção materiais isolantes de grande rigidez dielétrica. Além deste fator, é de grande relevância a utilização de estruturas e geometrias onde o campo elétrico esteja bem distribuído. As elevadas correntes envolvidas também exigem um bom

dimensionamento dos condutores do enrolamento, tanto na escolha dos materiais quanto na geometria, principalmente no enrolamento de baixa tensão. Em função da maior impacto do núcleo e enrolamentos do transformador de potência no objetivo deste estudo, os mesmos serão tomados como objetos focos desta sessão. Apresenta-se, desta maneira, suas principais variações e formas construtivas. O núcleo e enrolamentos, também conhecidos como a parte ativa do transformador, são componentes importantes e determinam o desempenho e a confiabilidade do equipamento. Porém, são também uma fonte de perda de energia. Para conservar estes recursos, os projetistas buscam principalmente a redução do tamanho de ambos os componentes e a redução dos materiais utilizados. Além disso, estes componentes ocupam uma grande percentagem do custo final do equipamento.

2.2.1 Núcleo

O núcleo tem a função de fornecer ao circuito magnético a canalização do fluxo, o mesmo é

constituído por finas lâminas de aço-silício de alta qualidade empilhadas umas sobre as outras eletricamente separadas por uma fina camada de material isolante, o que dificulta a circulação de correntes parasitas entre uma chapa e outra, garantindo elevada resistividade do material do núcleo que resultam em baixas correntes de Foucault. Além destas precauções, a fim de diminuir ainda mais estas perdas, as lâminas são mantidas o mais fino possível, normalmente entre 0,23 e 0,36 mm. O núcleo de aço-silício pode ser laminado a quente ou a frio, de grão orientado ou grão não orientado, ou em casos de necessidade de desempenho adicional do tipo riscamento

21

feixe laser na seção

transversal da superfície

interior dos cristais, capa zes de impedir a movimentação da pare de de domínio e por

consequência diminuir as p erdas no núcleo. (HARLOW, 2004; GLERI AN, 2011). O emprego

do aço-silício assegura

permeabilidade magnética e resistência mecânica.

baixas perdas por histerese, além de ap resentar uma grande

da chapa de aço, criando pequenas imper feições e divisões no

a laser (laser scribing), p rocesso que se baseia na irradiação de um

scribing ), p rocesso que se baseia na irradiação de um Figura 4 – Núcleo m

Figura 4 – Núcleo m agnético com seção transversal: (a) retangul ar; (b) em cruz; (c) ci rcular; e (d) circular com canais espaçadores . Fonte: Martignoni, 1977.

A seção transversal do núcleo pode ser retangular ou circular, c om núcleos circulares

comumente referidos com o construção cruciforme, a fim de que os es forços mecânicos dos

enrolamentos sejam transfe ridos de forma mais uniforme para o núcleo . Núcleos retangulares

(Figura 4.a) são fabricados com lâminas de aço-silício de mesma largur a e são frequentemente

empregados em transform adores de menor potência, como por exemp lo transformadores de

distribuição, ou transforma dores auxiliares. Transformadores com núcl eos circulares utilizam

uma combinação de difere ntes larguras de lâminas e apresentam aproxi madamente uma seção

transversal circular. Para t ransformadores de média potência usa-se g eralmente a seção em

cruz (Figura 4.b), e seção d e dois ou mais degraus para transformadores maiores (Figura 4.c).

estrutura utilizada na

montagem do núcleo acab am por dividir em algumas partes o caminh o do fluxo magnético

em seu interior. Devido a

este fato, nas junções das lâminas de aço qu e compõem o caminho

magnético do transformad or surgem pequenos espaçamentos, denomin ados entreferros. Estes

entreferros se originam de forma perpendicular a direção do fluxo, for mando uma espécie de

“barreira” e por consequên cia, dificultando o estabelecimento do fluxo magnético. De modo a

minimizar o efeito proveni ente dos entreferros originados no interior do núcleo, são utilizadas

As limitações cons trutivas impostas pelos materiais e tipo de

22

estratégias de entrelaçame nto e sobreposição no empilhamento das l âminas nos pontos de

junção das mesmas.

componentes do transformador, o calor ge rado pelo núcleo deve

ser adequadamente dissipa do. Para transformadores de elevadas potênci as, onde a temperatura

no núcleo geralmente sup era a capacidade de temperatura do mate rial isolante o pacote

laminado é subdividido, s eparando os mesmos através de canais esp açadores alocados na

mesma direção do fluxo ( diferentemente do entreferro), conforme Fi gura 4.d, aumentando

desta forma a refrigeração

do núcleo de modo a reduzir as perdas loc alizadas. (HARLOW,

2004; MARTIGNONI, 1 977). É relevante mencionar que a tem peratura máxima de

funcionamento do transfor mador, determinada pela suportabilidade d os materiais utilizados

em sua construção é o seu

básicos de construção do núcleo usado e m transformadores de

potência: núcleo envolvido (core type) e núcleo envolvente (shell type).

Tal como os outros

principal limitador de potência.

Existem dois tipos

outros principal limitador de potência. Existem dois tipos Figura 5 – Es quemático monofásico do: (a)

Figura 5 – Es quemático monofásico do: (a) núcleo tipo en volvido; e (b) núcleo tipo envolvente. Fonte: Harlow, 2004.

23

circuito magnético. A

Figura 5.a mostra um diag rama esquemático de um núcleo de uma úni ca fase, com as setas a

indicar o caminho magnéti co. Para aplicações monofásicas, os enrola mentos são geralmente

divididos em ambas as

enrolamentos de uma fase particular são tipicamente alocados sob a m esma perna do núcleo,

como ilustrado na Figura

formas apropriadas e coloc ados e seus devidos locais durante a montage m do núcleo.

O núcleo tipo en volvente, no entanto, provê vários cami nhos para o circuito

magnético. A Figura 5.b é uma vista esquemática monofásica de núcle o tipo envolvente, com

6. Os enrolamentos são construídos em sep arado do núcleo sobre

pernas, como mostra a Figura 5. Em ap licações trifásicas, os

O núcleo tipo env olvido, fornece um único caminho para o

os dois caminhos magnéti cos ilustrados. O núcleo é tipicamente empi lhado diretamente em

“panqueca” (pancake),

torno dos enrolamentos, os

embora algumas aplicaçõe s são tais que o núcleo e os enrolamentos são montados semelhante

à forma do núcleo. Devid o a vantagens em desempenho de curto-cir cuito e transitórios de

envolvente tendem a ser mais frequente mente utilizados em

tensão, os núcleos tipo

transformadores de maiore s potências, onde as condições podem ser ma is graves. (HARLOW,

2004)

quais são normalmente enrolamentos tipo

(HARLOW, 2004) quais são normalmente enrolamentos tipo Figura 6 – Esquemático trifásico do núcleo envolvid o.

Figura 6 – Esquemático trifásico do núcleo envolvid o. Fonte: Harlow, 2004.

24

2.2.2 Enrolamen tos

O enrolamento trata-se da parte mais crítica do transformador de potê ncia e consiste de um

devidamente isoladas,

alocados e arrefecidos a fi m de resistir às condições de operação espe cificada pelo cliente e

seu desempenho e segurança. Seus c ondutores são feitos

principalmente de cobre el etrolítico ou, em alguns casos, de alumínio , que são materiais de

baixa resistividade elétric a. Porém, em função da maior resistênc ia mecânica e maior

capacidade de condução d e corrente elétrica, em relação a uma mesm a seção transversal de

um condutor de alumínio,

enrolamentos de transform adores para potências mais elevadas.

projetados e estruturados de forma a poss uírem uma seção reta

retangular, visto que neste formato originam uma melhor superfície de apoio ao enrolamento

e por consequência, uma

aqueles casos onde a seçã o transversal do condutor deve ser muito g rande, uma laminação

longitudinal do condutor é efetuada seguida de uma transposição de seu s elementos, conforme

Figura 7. Este processo é efetuado a fim de reduzirem-se as perdas p or efeito Foucault, as

quais são provocadas pelo campo magnético a que os condutores estão submetidos e também

pelicular. (HARLOW,

2004; KULKARNI, KHAP ARDE, 2004)

para reduzir as perdas por aumento da resistência efetiva pelo efeito

melhor uniformidade na transferência de esf orços mecânicos. Para

o cobre torna-se a melhor escolha no proc esso de fabricação de

normas relacionadas a

conjunto de condutores e nrolados em torno das seções do núcleo,

Os condutores são

em torno das seções do núcleo, Os condutores são Fig ura 7 – Condutor continuamente transposto.

Fig ura 7 – Condutor continuamente transposto. Fonte: Elaboração própria.

25

Os condutores são envoltos por uma camada de material isolante à base de celulose, mais conhecido, por suas características aparentes, como papel isolante. Este material tem grande capacidade térmica e grande rigidez dielétrica, principalmente quando suas fibras estão impregnadas com fluido dielétrico (óleo mineral). Emprega-se, principalmente, no isolamento dielétrico dos condutores internos do transformador, materiais à base de celulose (papel, cartão e madeira) impregnados com fluido dielétrico, graças às suas excelentes características elétricas, mecânicas e térmicas. Por contribuir com o aquecimento do equipamento devido ao efeito Joule, o projeto dos enrolamentos contempla uma estratégia de resfriamento feita por meio do fluido dielétrico. Os espaçamentos entre as camadas de condutores permitem a circulação do fluido

para que este possa retirar o calor gerado pelo enrolamento. A função dos espaçadores, então, é manter este caminho de circulação e assegurar a rigidez mecânica do conjunto do enrolamento. Os espaçadores são feitos de cartão prensado ou de madeira seca.

O tipo de enrolamento utilizado num transformador depende basicamente dos níveis

de tensão, intensidade de corrente e função do enrolamento. Em geral os enrolamentos

dividem-se em dois grupos principais: enrolamentos em hélice e enrolamentos em discos.

O enrolamento em hélice é constituído por um pouco mais de 100 filamentos isolados

enrolados em paralelo de forma contínua ao longo do comprimento do cilindro, com espaçadores inseridos entre espiras adjacentes ou discos e transposições adequadamente incluídos para minimizar a circulação de correntes entre os fios paralelos. A Figura 8.a mostra um enrolamento helicoidal e seu processo de bobinagem. Enrolamentos helicoidais são frequentemente utilizados em aplicações envolvendo alta capacidade de condução de corrente em classes de menor tensão. Um enrolamento em disco pode envolver um único fio ou vários fios condutores isolados enrolados em uma série de discos paralelos de orientação horizontal, com os discos conectados pelo lado de dentro ou pelo lado de fora nos pontos de cruzamento, conforme a Figura 8.b. A maioria dos enrolamentos de classe 25 kV e acima utilizados em transformadores de núcleo envolvido são do tipo em disco, podendo o mesmo ser subdividido em dois grupos: disco contínuo e disco intercalado. Os enrolamentos de disco contínuo, conforme Bhel (2003), são mais utilizados para tensões entre 33 e 132 kV e média corrente. Estes enrolamentos são constituídos por certo número de seções colocadas na direção axial (Figura 9.a), com dutos entre elas. Cada seção é uma bobina plana, possuindo mais do que uma volta, sendo que cada volta (espira) pode

26

compreender um ou mais c ondutores, em paralelo. Os enrolamentos sã o construídos por meio

em série, porém sem

e exibe considerável

resistência a forças axiais.

enrolamento pode ser

constituído por 5 espirar

classes de tensão de

resistência contra tensões

operação acima de 145 kV.

por seção. A desvantagem do disco continuo se dá em relação a sua

pode ser bobinado de for ma integral ou fracionária, por exemplo, o

Outra particularidade deste tipo de enrolam ento é que cada seção

nenhuma junção entre el as. Cada disco é mecanicamente rígido

de um método especial d e bobinagem, sendo as seções colocadas

de impulso não ser muito adequada para

seções colocadas de impulso não ser muito adequada para Figu ra 8 – Enrolamentos em: (a)

Figu ra 8 – Enrolamentos em: (a) hélice; (b) disco. Fonte: Elaboração própria baseado em Harlow (200 4).

em disco intercalado é possível se aumenta r a suportabilidade do

equipamento a tensão de im pulso intercalando as espiras, este intercala mento é efetuado de tal

forma que dois condutores adjacentes pertencem a dois discos diferente s. A Figura 9.b ilustra

um enrolamento em que

o entrelaçamento é efetuado em cada p ar de discos. Discos

intercalados requerem muit o mais habilidade e trabalho do que discos c ontínuos.

Nos enrolamentos

27

27 Figura 9 – Enrolamento em disco: (a) continuo; (b) inter calado. Fonte: Harlow, 2004. Por

Figura 9 –

Enrolamento em disco: (a) continuo; (b) inter calado. Fonte: Harlow, 2004.

Por vezes, uma par te do enrolamento é intercalada, enquanto a parte restante no disco

é construída de forma c ontínua, de modo a combinar as vanta gens de uma melhor

no final do enrolamento de alta tensão e de um razoável custo de

produção para o enrolam ento como um todo. Estes são conhecido s como enrolamentos

parcialmente intercalados.

suportabilidade ao impulso

28

CAPÍTULO 3

Ensaio de Impulso Atmosférico em Transformadores de Potência e suas Implicações

O transformador de potência é projetado para atuar continuamente em condições normais de funcionamento, podendo em alguns casos ser requerido que este opere continuamente a 105% da tensão nominal no fornecimento de corrente a plena carga e em 110% da tensão nominal sem carga por tempo indeterminado em frequência nominal. (HARLOW, 2004). Mesmo assim, apesar das tensões aplicadas nos dispositivos apresentarem valores acima da tensão nominal de placa do equipamento, são, todavia, consideradas tensões normais de operação. No funcionamento real de um sistema de alimentação, um transformador é submetido a tensões dielétricas normatizadas – tais como visto acima – ou fora dos padrões normativos. Um transformador pode ser sujeito a tensões dielétricas fora de padrões normativos de ensaios, as quais podem ser originadas por meio do chaveamento de sistemas de transmissão, rejeição de carga, defeitos monopolares ou demais fatores que são considerados como sobretensões de energia de frequência temporária ou transitória de frente lenta ou rápida, como exemplificado no Quadro 1. (HARLOW, 2004; ABNT NBR 6939/2000) Sobretensões anormais transitórias de frente rápida tratam-se de fenômenos de alta frequência e curta duração causados por impactos no sistema de potência e estão geralmente relacionados a surtos promovidos por fenômenos atmosféricos, sendo os mesmos tomados como a abordagem principal deste trabalho. Apesar da grande magnitude dos valores de corrente associados ao evento – apresentam amplitudes típicas em torno de 30 kA (FILHO, GIN, BIANCHI, 2005) – os mesmos não se tratam do principal fator a ser analisado nos surtos propagados nos transformadores de potência, entretanto, a sobretensão ocasionada pelo fluxo dessa corrente através da impedância característica da máquina, como será visto, é de extrema relevância. A norma brasileira de coordenação do isolamento, NBR 6939, define sobretensão como distúrbios que ocorrem sobre a tensão nominal do sistema, entre fase e terra, ou entre

29

transitórias, variáveis

tensões máximas de

operação do sistema, dada s por 2/3 para tensões nominais entr e fase e terra e 2

com o tempo, cujo valor

fases, em determinadas sit uações. Podem ser definidas como tensões

máximo é superior ao valor de crista das

para tensões nominais entr e fases.

As tensões e sobret ensões são divididas em classes, de acordo c om a forma, o grau de

amortecimento e a duração , sendo as mesmas identificadas conforme Q uadro 1.

, sendo as mesmas identificadas conforme Q uadro 1. Quadro 1 – Classes e form as

Quadro 1 – Classes e form as das solicitações de tensão. Fonte: ABNT NBR 6939/2 000.

3.1 Sobretensões de Origem Atmosféricas

Sobretensões de origem at mosféricas são ocasionadas pela incidência de descargas elétricas

atmosféricas, em um deter minado ponto do sistema. A incidência dessa descarga pode ocorrer

sobre as linhas de transmi ssão e distribuição de energia elétrica, as qu ais estão muitas vezes

localizadas em áreas co m elevadas densidades de descargas a tmosféricas; sobre o

até mesmo, de forma

determinada linha de

indireta – por indução.

transmissão, pode dar orige m a surtos de tensão que se propagam ao lon go da mesma, indo de

encontro aos equipamentos das subestações.

equipamento (em casos on de a descarga atinge uma subestação); ou,

Caso a descarga incida diretamente uma

30

De acordo com Coelho (2009) e Pranlal (2011), a descarga atmosférica inicia-se quando o campo elétrico produzido pelas cargas elétricas excede a capacidade isolante – rigidez dielétrica – do ar em um dado local na atmosfera, proporcionando deslocamento de cargas e ocasionando a formação de canais. Primeiramente, gera-se o aparecimento do traçador (leader), que se trata de uma descarga pouco luminosa que progride a cerca de 150 km/s. A progressão é desenvolvida através de saltos sucessivos (stepped leader) de 10 a 20 m, propiciando a formação de novos canais em função do campo elétrico constante na sua extremidade, que por ionização origina a geração do novo salto, com um intervalo entre saltos de 40 a 100 µs. Estes canais se movimentam em direção a terra em forma de degraus distribuindo em um canal altamente ionizado as cargas negativas da base da nuvem. Durante este processo o canal pode sofrer ramificações. Em função da aproximação do traçador descendente o campo elétrico da superfície do solo, de polaridade positiva, vai aumentando formando um novo canal que se propaga em direção ao canal descendente. No instante em que a ponta do traçador se encontra a certa altura do solo, atinge-se um valor crítico, o qual desencadeia uma descarga ascendente, criando-se desta forma um arco de retorno (return stroke), o qual é estabelecido no momento em que os dois traçadores (descendente e ascendente) se encontram, criando entre a nuvem e a terra um canal fortemente ionizado. Este arco consiste numa onda de corrente de elevada intensidade que se escoa para a terra através desse canal com velocidade de propagação na ordem de um terço da velocidade da luz no vácuo. Após a primeira descarga podem surgir descargas secundárias aproveitando o canal já existente. As consequências originadas por surtos atmosféricos vão desde o âmbito térmico (incêndios e explosões); mecânico, em função das forças eletrodinâmicas exercidas nos condutores paralelos; interferência eletromagnética, resultando no mau funcionamento de sistemas de monitoração, controle e comunicação; e no caso em estudo, o rompimento do dielétrico no interior do transformador de potência ou, em muitos casos, a diminuição da sua vida útil por estresse repetitivo. Por meio de uma análise simplificada, o impulso atmosférico pode ser considerado como uma fonte de corrente (KIESSLING, 2003), porém a sobretensão, no caso dos transformadores de potência, é considerada como o principal fator prejudicial em distúrbios ocasionados por descargas atmosféricas ao invés da sobrecorrente gerada pelo distúrbio, como já salientado. Este fato se da em função da curta duração do impulso atmosférico, sendo assim, os condutores que formam os enrolamentos dos transformadores são geralmente

31

capazes de suportar as refe ridas magnitudes de correntes. Por outro lado , esta elevada corrente

fluindo através da impedâ ncia do equipamento, ocasiona elevadas so bretensões, gerando a

ruptura do dielétrico do enr olamento e, por consequência, falhas no equ ipamento.

3.2 Ensaio de Im pulso Atmosférico

transitória aperiódica

aplicada intencionalmente, que cresce de forma abrupta até o valor de c rista e depois decresce

de forma mais lenta até ze ro. Segundo Harlow (2004), testes de impu lso são executados em

de potência, tendo como finalidade a v erificação da rigidez

dielétrica do sistema de iso lamento do equipamento, quando submetido a aplicações de tensão

testes de impulso em

transformadores são excel entes indicadores da qualidade do isolam ento, da fabricação e

processamento de papel e d o sistema de isolamento a óleo.

especificadas conforme se u valor suportável nominal. Além disso,

todos os transformadores

Saran (2009) ressalta que um impulso é caracterizado por uma tensão

Os impulsos de te nsão são aplicados em condições laborato riais que simulam as

condições nas quais o equ ipamento em campo estará sujeito quando e m operação, seguindo

equipamento, como

ilustrado na Figura 10. O t ermo impulso deve ser diferenciado do term o surto, o qual define

padrões e procedimentos

definidos em normas pertinentes a cada

fenômenos transitórios que ocorrem em equipamentos e sistemas elétric os em serviço, fora do

controle dos operadores e d as condições laboratoriais.

do controle dos operadores e d as condições laboratoriais. Figura 10 – Diagrama das conexões de

Figura 10 –

Diagrama das conexões de um ensaio de im pulso. Fonte: Harlow, 2004.

32

A figura acima ilu stra o arranjo físico adequado do gerador d e impulsos, o circuito

principal, circuito de corte , centelhador de corte, objeto em teste, shun t de corrente, circuito

de medição de tensão e d ivisor de tensão. A presente disposição fís ica tem o objetivo de

minimizar erros nas mediç ões e ruídos que podem ser provocados pelas rápidas mudanças nos

altas frequências no

circuito principal e no circu ito de corte podem produzir.

O ensaio em transf ormadores de potência é realizado utilizand o-se dois modelos de

impulso: o impulso padrão e o impulso cortado.

normalizado (Figura 11), também conhecido como impulso 1,2/50

tensão e nos tempos

virtuais de frente e de c auda , os quais foram definidos pela ABN T e representados por

um tempo virtual de frente igual a 1,2 30% e o um tempo virtual de cauda equivalente a

crista corresponde ao maior valor de tensã o da onda, sendo seu

50 20%. O valor da

ou impulso pleno, é carac terizado com base na amplitude da onda de

campos eletromagnéticos

que as altas tensões e correntes geradas em

O impulso padrão

valor padronizado pela nor ma NBR 5356-3. A Tabela 1, Tabela 2 e a Tabela 3 do Anexo A

mostram os valores de crist a.

2 e a Tabela 3 do Anexo A mostram os valores de crist a. Figura 11

Figura 11 – Forma de onda do impulso de tensão padron izado. Fonte : ABNT NBR 6936:1992 / IEC 60060-1:201 0.

33

Os tempos virtuais são determinados em função do zero virtual 0 , o qual antecede o

ponto A na curva de impul so e é definido pelo intervalo de tempo ´, s endo dado por

Neste mesmo contexto, o

B (70% da tensão de

crista). De modo similar,

e o instante no qual a

tensão atinge a metade do v alor de crista, na cauda. (ABNT NBR 6936/ 1992)

(Figura 12) é caracterizado por possuir na or dem de 110% do valor

zero – em forma de

degrau – após alguns micr ossegundos do pico de tensão, da ordem de 2 µs a 6 µs a partir do

zero virtual 0 , sendo deno minado tempo de corte .

O ensaio de impul so cortado demonstra a capacidade do trans formador de potência

objetivo do ensaio do

impulso cortado é simular cortes ríspidos eventualmente ocorridos nas ondas de sobretenção,

em casos de atuação onde

ocorra a proteção do sistema (pára-raios e cen telhadores) ou através

de degrau na tensão

aplicada a um terminal do

que podem produzir

resistir a um colapso brus co da tensão. Delgado (2010) relata que o

de crista da onda padroni zada, mas com a atuação de um corte para

vezes o intervalo de

tempo , representado pe los pontos A (30% da tensão de crista) e

o tempo virtual de cauda , também conh ecido como tempo até

meio valor, é definido pel o intervalo de tempo entre o zero virtual 0

tempo virtual de frente é dado por 1,67

O impulso cortado

de possíveis escorvament o em isoladores. Esta mudança em forma

transformador provoca oscilações internas

elevadas tensões dielétric as em regiões específicas do enrolamen to do transformador,

podendo ser, muitas vezes, origem de falhas no equipamento. (HARLO W, 2004)

vezes, origem de falhas no equipamento. (HARLO W, 2004) Figura 1 2 – Forma de onda

Figura 1 2 – Forma de onda do impulso de tensão cort ado. Fonte: ABNT NBR 6936:1992.

34

Conforme NBR 53 56:4, os procedimentos de ensaio abrangem g eralmente um modo e

uma sequência de execução . Sendo a sequência de ensaio dada pela:

a) Aplicação de i mpulso pleno com o valor reduzido (0,6 ve zes o valor suportável

nominal);

b) Aplicação de um

c) Aplicação de u m ou mais impulsos cortado com valor reduz ido (1,1 x 0,6 vezes o

impulso pleno normalizado com valor supo rtável nominal;

valor suportável nominal);

d) Aplicação de d ois impulsos cortados com o valor especific ado (1,1 vezes o valor

suportável nomi nal);

e) Aplicação de do is impulsos plenos normalizados com valor s uportável nominal.

O modo de execuçã o preferencial consiste em aplicar diretamen te a tensão de impulso

no enrolamento sob ensaio , sendo normalmente todos os terminais aterr ados, com exceção do

terminal ao qual a tensão d e ensaio é aplicada, conforme Figura 13.

qual a tensão d e ensaio é aplicada, conforme Figura 13. Figura 13 – Ligações d

Figura 13 – Ligações d os terminais em ensaios de impulso atmosféri co: (a) Corrente de

neutro; (b) Corrente no

enrolamento (medida nos terminais de outras fases); (c) Corrente

transferida; (d) Corre nte no tanque; (e) Tensão transferida e; (d) C orrente de linha.

Fonte: ABNT NBR 6936:1992.

35

Mendes (1995) relata que na prática o aterramento é efetuado de forma direta ou através de resistências de valor elevado. Este fato decorre em função de especificações via norma, as quais explicitam que as condições de potencialização dos outros terminais do transformador, em relação ao terminal em teste, não devem admitir transferência de tensão superior a 75% da sua tensão de ensaio de impulso. Posteriormente aos registros das formas de onda de tensão e corrente terem sido realizados, efetua-se a interpretação dos resultados, a qual se dá por meio de comparação entre registros da tensão de valor reduzido e com valor suportável nominal; e entre registros sucessivos da tensão de valor suportável nominal. Sendo que, no caso ideal, se não ocorrer falha, estes oscilogramas (registros) devem apresentar valores idênticos, respeitando é claro, as variações causadas pela mudança na amplitude dos impulsos na aplicação com tensão reduzida e tensão suportável nominal. Analogamente, se ocorrer falha, ela deve ser claramente indicada no oscilograma.

36

CAPÍTULO 4

Modelo Matemático do Enrolamento do Transformador de Potência

A obtenção de padrões de tensão e corrente internos no equipamento e ocasionados por

impulsos atmosféricos a partir do modelo real ou reduzido é uma tarefa árdua, pois, além da(s) amostra(s) para ensaios, é necessário dispor-se de uma estrutura laboratorial relativamente sofisticada de elevado custo. Deste modo, buscou-se desenvolver um modelo matemático do equipamento de forma a simular a aplicação de impulsos atmosféricos em

transformadores de potência e avaliar as suas implicações. Este modelo é construído a partir

de informações detalhadas sobre a geometria do transformador e propriedades dos materiais

que o constituem, propiciando uma ferramenta muito útil e capaz de auxiliar na construção do equipamento, sendo que seu principal objetivo é possibilitar a obtenção, via simulação, das correntes e tensões em pontos do enrolamento que nem sempre são acessíveis ou disponíveis nos equipamentos físicos. Diferentes autores têm introduzido modelos distintos quanto aos parâmetros físicos dos enrolamentos, em particular quando se modelam os acoplamentos indutivos dos enrolamentos. Os métodos de análise para o cálculo de transientes em enrolamentos do transformador são aplicados com vários graus de simplificação, a fim de reduzir a complexidade da análise matemática. No caso em estudo, características como histerese, perdas e saturação do núcleo serão negligenciadas. Conforme Kulkarni e Khaparde (2004), ensaios de impulso de tensão em corrente alternada com frequências de rede (50 ou 60 Hz) possuem uma distribuição de tensão linear em relação ao número de espiras e pode ser facilmente calculadas com elevado nível de exatidão. Este fator é alterado de forma significativa para impulsos de tensão em altas frequências. Soares (2011) relata que a distribuição dos transientes ocasionados pelos impulsos atmosféricos ao longo do enrolamento depende da estrutura interna do transformador, sendo a sua influência devida especialmente à sua distribuição extremamente

37

não linear de tensão ao lon go do enrolamento. Este fato se deve, visto q ue frente a transitórios

de tensão, o transformado r de potência comporta-se como uma com plexa rede capacitiva,

representada por capacitân cias série (capacitâncias entre espiras) e c apacitâncias paralelas

transformador); além

da representação ôhmico

indutância própria de cad a bobina e indutâncias mútuas entre os en rolamentos, conforme

Figura 14.b.

da resistência entre os terminais de cad a enrolamento; e da

(capacitâncias entre enrola mentos e nas partes estruturais aterradas do

entre enrola mentos e nas partes estruturais aterradas do Figura 14 – Transformad or de potência:

Figura 14 – Transformad or de potência: (a) estrutura física do núcleo circuito representativo. Fonte: Elaboração própria.

e enrolamentos; e (b)

Segundo Harlow ( 2004), Kulkarni e Khaparde (2004) observa -se para os primeiros

transientes dominada

exclusivamente pela estr utura capacitiva da bobina, visto a imp ossibilidade física de

estabelecimento instantâne o de corrente nas indutâncias do enrolamento , logo, as mesmas não

possuem efeito sobre a di stribuição de tensão inicial, podendo os co mponentes indutivos e

resistivos do transformado r serem ignorados neste momento. Por es se motivo, Kulkarni e

Khaparde (2004) ressalva m que o problema pode ser considerad o como inteiramente

poucos décimos de um

microssegundo

uma

distribuição

dos

38

eletrostático sem qualque r erro significativo. Um exemplo de distri buição de tensão em

gradiente de tensão ao

enrolamento é apresentado

longo da bobina nota-se a s ua alta não linearidade.

na Figura 15, onde, através da analise do

não linearidade. na Figura 15, onde, através da analise do Figura 15 – Formas de o

Figura 15 – Formas de o nda em um enrolamento helicoidal: (a) Tens ão versus tempo; (b) Distribuição de tensão inicial e final. Fonte: Harlow, 2004.

tensão nos instantes

iniciais da sobretensão tr ansitória ao longo do enrolamento é realiz ada de maneira mais

uniforme quanto menor for à relação da constante α, dada conforme Equ ação (2):

Kulkarni e Khapar de (2004) explanam que a distribuição de

α

(2)

Sendo:

Constant e de distribuição da tensão inicial;

Capacitân cia paralela de terra total do enrolamento (g round capacitance);

Capacitân cia série total do enrolamento.

a relação direta entre a forma de concepção

transformador, em ênfase a

impulso de tensão. Assim

compromisso entre mínim as distâncias elétricas aceitáveis e mínimas

Este fato demonstra

da estrutura física do

forma construtiva de seus enrolamentos, co m a sua resposta a um

sendo, sabendo-se que a capacitância

é determinada por um

distâncias mecânicas

39

variável fundamental

a adoção de tipos de

enrolamentos mais comp lexos – observado no item 2.2.2 (En rolamentos) – como

intercalado, ou contendo blindagens int ernas, aumentando a

constante α quando

necessário. A Figura 16 e xemplifica este comportamento, onde é pos sível a observação de

diferentes coeficientes par a a constante α, sendo que, quanto maior est a constante, maior é a

não linearidade na distribui ção da tensão no enrolamento.

enrolamentos em disco

capacitância série (entre

para controlar a distribuiç ão inicial de tensão. O ajuste de requer

proporcionadas pela estrut ura, a capacitância série total torna-se a

espiras), e assim, reduzindo ao máximo a

torna-se a espiras), e assim, reduzindo ao máximo a Figura 1 6 – Distribuição inicial de

Figura 1 6 – Distribuição inicial de tensão no enrolam ento. Fonte: Kulkarni e Khaparde, 2004.

parte do enrolamento é

Kulkarni e Khaparde

geralmente para um

intervalo de tempos entre 50 e 100 microssegundos, a corrente que ci rcula pelos elementos

indutivos passa a intensific ar-se, propagando a onda de tensão pelo enr olamento, associada a

(2004) ressalvam que, pa ssados os instantes iniciais do transitório,

dado após aproximadame nte 0,25 microssegundos. Soares (2011),

Conforme Harlow ( 2004) o início da resposta ao transitório por

oscilações típicas de um ci rcuito RLC no tempo, regidas por diferente s frequências. Durante

elétricos e magnéticos,

e por conta de um baixo fat or de amortecimento por parte dos enrolame ntos do transformador,

este transiente é oscilatório . Estas oscilações geram tensões com amplit udes diferentes a cada

instante ao longo do enrol amento, conforme Figura 15.a, as quais osci lam em torno do valor

este período transitório, é c ontínua a troca de energia entre os campos

correspondente à distribu ição de tensão final. Novamente, tamb ém para o caso de

40

sobretensões oscilatórias, é desejável que o valor da constante α seja o menor possível, haja vista que, para este caso as oscilações de tensão no decorrer do enrolamento serão tanto menores quanto mais próxima a distribuição inicial for da distribuição final, ou seja, quanto mais próxima a zero for a constante α.

4.1 Cálculo dos Parâmetros do Enrolamento

A fidelidade na representação de enrolamentos de transformadores por parâmetros elétricos, concentrados ou distribuídos, visando simular o comportamento deste, é proporcionada ao se garantir a precisão envolvendo os calculados matemáticos oriundos dos modelos utilizados, lembra Martins (2007). O desempenho do modelo matemático está diretamente associado a estes parâmetros, os quais dependem, fundamentalmente, da geometria e da localização relativa dos enrolamentos e de seus condutores, bem como das características de seus materiais que são variantes na frequência. Assim sendo, modelos matemáticos determinados por meio das características construtivas do transformador, refletem com muito mais fidelidade o comportamento transitório do enrolamento, pois as tensões e correntes em seus terminais são fortemente dependentes da frequência, envolvendo fenômenos ressonantes. Os modelos matemáticos utilizados neste capitulo são baseados nos estudos desenvolvidos por Kulkarni e Khaparde, e apresentados no livro “Transformer engineering:

Design and Practic, 2004”; por Villa (2006); e por Venegas et al. (2011), os quais são utilizados como parâmetros bases por Mattos (2011) em seu trabalho. Nestes estudos, são tratados os aspectos construtivos do núcleo e enrolamentos, bem como sua interação com a estrutura do transformador, sendo utilizado um modelo matemático baseado na geometria interna do mesmo, para aplicação em testes de impulso de tensão. Com base nestes modelos, serão definidos todos os parâmetros necessários para calcular os valores de capacitâncias, indutâncias e resistências a serem utilizadas na representação dos enrolamentos e posteriores simulações. O circuito equivalente em função do modelo definido para a representação do transformador de potência durante o surto promovido por fenômenos atmosféricos esta fortemente ligado as características físicas do equipamento, conforme Mattos (2011). Kulkarni e Khaparde (2004) representam o circuito equivalente de um único enrolamento segundo a Figura 17.

41

41 Figura 17 – Circuito equivalente de um enrolament o. Kulkarni e Khaparde, 2004. Com a

Figura 17 – Circuito equivalente de um enrolament o. Kulkarni e Khaparde, 2004.

Com a finalidade

definição será adotada:

de padronizar a nomenclatura adotada nest e trabalho, a seguinte

Indutân cia própria série;

Resistên cia série;

Capacit ância

série;

Capacit ância

em relação ao núcleo;

Capacit ância entre enrolamentos;

Capacit ância

em relação ao tanque;

Capacit ância entre enrolamentos externos das fases 1

e

2;

Capacit ância entre enrolamentos externos das fases 2

e

3;

Resistên cia para interligação entre terminais ou term inal e aterramento.

As capacitâncias c ontempladas pelo modelo sugerido por Mat tos (2011) podem ser

observadas por meio da Fig ura 18.

42

42 Figura 1 8 – Modelo físico do transformador de potên cia. Fonte: Mattos, 2011. serão

Figura 1 8 – Modelo físico do transformador de potên cia. Fonte: Mattos, 2011.

serão identificadas

numericamente com valo res variando entre 1 (um) e 3 (três). D e forma idêntica os

ao enrolamento mais

próximo da coluna do n úcleo o valor 1 (um), e de maneira pr ogressiva, os demais

enrolamentos serão numera dos sequencialmente seguindo em direção a parede do tanque.

modelo base para a

representação do circuito e quivalente a ser utilizado neste trabalho, se ndo este demonstrado

através da Figura 19. CIEG RÉ (2000) considera a representação de tod os os componentes de

um sistema para a obtenç ão de respostas adequadas como sendo pra ticamente impossível,

o detalhamento das

considerando uma faixa

enrolamentos de cada fase também serão identificados, sendo atribuído

Como se verifica

através da ilustração acima, as fases

CIEGRÉ (2000) e

Martinez-Velasco (2010) apresentam o

de frequência entre 0 e 50 MHz. Porém

características dos equipam entos que apresentam resposta de maior imp acto no sistema – caso

do transformador de potên cia – é essencial, considerando o transiente a ser analisado. Neste

contexto, Martinez-Velasc o (2010) esmiúça seu circuito equivalen te de tal forma que,

inclusive as perdas gera das pelas capacitâncias parasitas entre

enrolamentos e entre

enrolamento e tanque são r epresentadas, as quais neste trabalho serão de sconsideradas.

43

43 Figura 19 – Mode lo do circuito equivalente para transformado r monofásico. Fonte: CIEGRÉ, 2000.

Figura 19 – Mode lo do circuito equivalente para transformado r monofásico. Fonte: CIEGRÉ, 2000.

Onde:

 

indutân cia dos enrolamentos;

capacitâ ncia série;

capacitâ ncia paralela;

resistên cia dos enrolamentos;

relação de espiras;

capacitâ ncia série;

1 2

termina is do enrolamento primário;

1 2

termina is do enrolamento secundário;

 

1 2

índices

que

indicam

os

enrolamentos

prim ário

e

secundário

respectivamente.

De forma a abran ger o sistema trifásico em estudo, o mode lo monofásico acima

referido foi adaptado, resu ltando no circuito equivalente apresentado n o Apêndice B, o qual

representa um transformad or trifásico de dois enrolamentos por fase.

Como o objetivo f oco deste trabalho é avaliar a distribuição d a tensão ao longo do

enrolamento, o modelo a s er utilizado subdivide o enrolamento em vári os ramos (subcircuitos

ou blocos), como represen tado no Apêndice B. Desta forma, vários p ontos de medição são

44

Visando facilitar su a representação, apenas os dois primeiros e o último subcircuitos

onde os parâmetros

constituem parâmetros distribuídos, tamb ém é encontrado nos

Bigdeli (2009), Jacyszyn (2006), Mukher jee e Satish (2012) e

estão ilustrados no alud ido apêndice. Este formato de modelo,

representados no circuito

trabalhos de Rahimpour e

Yamashita, et al. (1999).

que formam as malhas RLC são iden tificados via código

alfanumérico, de acordo c om a definição de nomenclaturas acima d escrita e ilustrada no

indicação funcional

(nomenclatura) do compon ente, sua fase e enrolamento por ele referido, conforme Figura 20.

Apêndice B. Este códig o é gerado de modo a contemplar a

Os componentes

códig o é gerado de modo a contemplar a Os componentes Figura 20 – Identificação dos

Figura 20 – Identificação dos componentes da malha Fonte: Mattos, 2011.

RLC.

4.1.1 Cálculo das Capacitâncias

situações de impulsos

atmosféricos envolvendo

capacitâncias existentes ao

importância na distribuição inicial de tensão sobre estas. (MARTINS, 2 007)

Rahimpour e Bigdeli

(2009); Martins (2007); e

escolhido para a determin ação das capacitâncias presentes no enrola mento. Os elementos

capacitivos são calculados

capacitores planos ou cilín dricos. (MENDES, 1995)

O método de cálc ulo proposto por Kulkarni e Khaparde (20 04) leva em conta as

apresentadas pelos enrolamentos juntam ente as características

isolantes dos materiais ut ilizados para este fim e presentes no co njunto construtivo do

características geométricas

Para representar com prec isão o enrolamento do transformador em

altas frequências, deve-se considerar o efe ito predominante das

papel de fundamental

longo das bobinas, as quais efetuam um

Estes equacioname ntos são apresentados por Mendes (1995);

Kulkarni e Khaparde (2004), sendo este últim o o método de cálculo

através de formulas analíticas clássicas, a ssumindo modelos de

45

transformador de potência. Sendo estabelecidos como prioridade os cálculos envolvendo os enrolamentos do tipo disco contínuo, o qual se trata do enrolamento foco deste estudo.

4.1.1.1 Cálculo das Capacitâncias Paralelas

As capacitâncias paralelas representam, principalmente, conforme Mendes (1995), o acoplamento capacitivo entre enrolamentos e enrolamento-terra adjacentes, sendo assumido que sua distribuição ao longo do enrolamento ocorrer de maneira uniforme. A determinação da capacitância entre dois enrolamentos concêntricos ou entre o núcleo e o enrolamento mais próximo é determinada pela Equação (3), sendo que, para casos onde existam alturas diferentes entre os enrolamentos, uma média das alturas deve ser utilizada.

Onde:

capacitância do enrolamento - núcleo/enrolamento;

permissividade do ar; diâmetro médio entre um enrolamento e o núcleo/enrolamento; altura do enrolamento; espessura da isolação por óleo; permissividade do óleo isolante; espessura da isolação sólida; permissividade da isolação sólida.

As

dimensões

acima

mencionadas

por

meio

observadas através da Figura 21.

deste

equacionamento

 

(3)

podem

ser

46

46 Figura 21 – Dimensõ es envolvidas no cálculo de capacitâncias ent re enrolamentos. Fonte: Elaboração

Figura 21 – Dimensõ es envolvidas no cálculo de capacitâncias ent re enrolamentos. Fonte: Elaboração própria baseado em Mattos (201 1).

A Equação (4) e xpressa à capacitância entre um enrolam ento e o tanque do

a capacitância entre

enrolamentos de fases disti ntas do mesmo. Kulkarni e Khaparde (2004) , Rahimpour e Bigdeli

explanam que, para a determinação d a capacitância entre

enrolamentos de fases disti ntas, a distância S deve ser obtida traçando- se uma linha no centro

dos eixos de cada enrolam ento em questão e dividindo-se a mesma p or dois, além disso, o

Equação (4) também deverá ser dividido p or dois. A Figura 22

apresenta as dimensões con sideradas nesta equação.

valor obtido por meio da

(2009) e Mattos (2011)

transformador, podendo

também ser utilizada para determinar

 

(4)

Onde:

capacitânc ia enrolamento – tanque/fase;

permissivi dade do ar;

altura do e nrolamento;

distância e ntre o enrolamento e o tanque;

raio do enr olamento;

espessura d a isolação por óleo;

47

permissivi dade do óleo isolante;

espessura d a isolação sólida;

permissivi dade da isolação sólida.

a isolação sólida; permissivi dade da isolação sólida. Figura 22 – Dimensões en volvidas no cálculo

Figura 22 – Dimensões en volvidas no cálculo de capacitâncias entre en rolamentos e tanque. Fonte: Elaboração própria baseado em Mattos (201 1).

4.1.1.2 Cálculo d a Capacitância Série para Enrolamentos tipo Disco Contín uo

enrolamento tipo disco contínuo como se ndo um enrolamento

de discos planos, com espiras radialmente justapostas, enroladas

continuamente e separada s axialmente por espaçadores, os quais s ão responsáveis pela

Martins (2007) define o

formado por um conjunto

formação dos canais de óle o entre discos adjacentes.

As capacitâncias s érie representam, principalmente, o acoplam ento capacitivo entre

do cálculo da energia

espiras e bobinas adjacent es de um enrolamento, as quais resultam

eletrostática armazenada en tre espiras e bobinas.

A capacitância entr e espiras pode ser determinada por:

(5)

48

Onde:

capacitância entre espiras;

permissividade do ar;

permissividade relativa do papel isolante;

diâmetro médio do enrolamento;

largura do condutor na direção axial;

espessura do papel isolante.

A capacitância entre bobinas adjacentes (discos) de um mesmo enrolamento pode ser

determinada pela Equação (6):

+

+

Onde:

capacitância entre bobinas adjacentes;

permissividade do ar;

permissividade relativa do papel isolante;

permissividade do óleo isolante;

permissividade da isolação sólida (espaçador entre discos);

espessura do papel isolante;

espessura da isolação sólida (espaçador entre discos);

diâmetro médio do enrolamento;

profundidade radial do disco.

(6)

As dimensões expressadas nas Equações (5) e (6) se encontram ilustradas na Figura

23.

49

49 Figura 23 – Dime nsões envolvidas no cálculo de capacitâncias entre discos. Fonte: Mattos, 2011.

Figura 23 – Dime nsões envolvidas no cálculo de capacitâncias entre discos. Fonte: Mattos, 2011.

Obtidos os respecti vos valores, a associação destas capacitânc ias fornece o valor da

capacitância série total pa ra a desejada seção do enrolamento tipo d isco contínuo. Assim

sendo, a capacitância série de um enrolamento, considerando a distribui ção linear da tensão ao

longo do enrolamento por s er determinada por:

Onde:

1 +

capacitânc ia série;

capacitânc ia entre espiras;

capacitânc ia entre bobinas adjacentes;

número

de espiras por disco;

número

de discos.

(7)

4.1.1.3 Processo de Cálculo dos Parâmetros Distribuídos - Capacitâncias

referente às capacitâncias definido, conform e acima, o algoritmo

do programa se responsabiliza pela efet uação dos cálculos e

obtenção de todos os valor es necessários para a montagem do circuito . Porém, para que esta

característica seja válida , alguns aspectos dessa manipulação m atemática devem ser

observados, tendo em vista principalmente a divisão do circuito final em

inserido no código fonte

Tendo o equacionamento

blocos.

50

Desta forma, a Equação (3) é responsável pela obtenção da capacitância entre dois enrolamentos concêntricos ou entre o enrolamento e o núcleo. A capacitância entre o enrolamento externo de cada fase a o tanque do transformador é definida através da Equação (4), sendo a mesma válida para a obtenção da capacitância entre os enrolamentos externos de fases distintas, aplicando-se as devidas adequações quando ao dimensionamento a ser utilizado, conforme já salientado.

As capacitâncias paralelas referidas acima são determinadas para o enrolamento como

um todo. Logo, visando-se a distribuição destes parâmetros para a obtenção do circuito equivalente, o resultado obtido através destes equacionamentos será dividido pelo número de blocos escolhido pelo usuário do software, dando origem a distribuição destes parâmetros

para cada enrolamento em diversos subcircuitos.

A determinação da capacitância série do enrolamento varia conforme o tipo de

enrolamento utilizado pelo equipamento em estudo. Para os enrolamentos do tipo disco, são necessárias as determinações da capacitância entre espiras e entre os discos do enrolamento, as quais são determinadas, respectivamente pelas Equações (5) e (6). Logo, sua capacitância série é obtida através da associação do número de interfaces entre espiras de um mesmo disco – efetuando-se a mesma associação para todos os discos – mais a capacitância entre os discos que compõem o enrolamento. Sendo esta associação determinada através da Equação (7).

De forma idêntica a capacitância paralela, a determinação da capacitância série resulta

em um parâmetro concentrado. Assim sendo, para a distribuição deste parâmetro entre as seções do enrolamento, utiliza-se o conceito expresso por meio da Equação (8), onde o valor da capacitância série concentrada deve ser igual ao valor da capacitância série distribuída vezes o número de seções em que o enrolamento é dividido.

Onde:

capacitância série do enrolamento;

capacitância série distribuída;

número de divisões (blocos) do enrolamento;

(8)

51

4.1.2 Cálculo das Indutâncias

As indutâncias presentes em um enrolamento podem ser subdivididas em indutâncias

próprias, presentes nos condutores e mútuas, referentes aos acoplamentos magnéticos entre

condutores adjacentes e não adjacentes. Estes elementos são caracterizados por sofrerem

elevada influência principalmente nas frequências mais baixas e para fins deste estudo, sobre

a distribuição final da tensão ao longo do enrolamento, trabalhando de forma oposta à rede de

capacitâncias, a qual determina a distribuição inicial desta tensão.

Os modelos matemático propostos por Venegas et al. (2011); e Rahimpour e Bigdeli

(2009) serão empregados para a determinação da indutância dos enrolamentos, sendo estes

modelos baseados nas características construtivas do transformador, de forma análoga aos

modelos utilizados na determinação das capacitâncias.

Venegas et al. (2011) determina a indutância própria de um disco por meio da análise

da distribuição da tensão em um enrolamento experimental do tipo disco contínuo, sendo

caracterizada pela expressão matemática abaixo.

Onde:

2

permeabilidade magnética do vácuo;

raio médio do disco;

número de

diâmetro geométrico médio.

espiras por disco;

Sendo GMD definido por:

=

Onde:

+

1 + 1 +

dimensão do condutor na direção axial;

dimensão do condutor na direção radial.

(9)

(10)

52

Uma vez definidas as indutâncias próprias presentes em cada disco do enrolamento, inicia-se o processo de obtenção das indutâncias mútuas entre estes elementos. Baseado em Villa (2006), a determinação da indutância mútua entre dois elementos é expressa por meio da Equação (11).

Onde:

,

= 1,2, … − 1 = + 1 , …

(11). Onde: , = 1,2, … − 1 = + 1 , … fator de acoplamento

fator de acoplamento entre as indutâncias; indutância mútua;

indutância própria dos elementos considerados;

identifica cada disco; identifica cada disco.

(11)

Villa (2006) destaca que o fator de acoplamento entre as indutâncias próprias pode ser apurado por meio das dimensões próprias dos elementos considerados e das dimensões entre estes elementos, sendo o mesmo definido pela Equação (12).

Onde:

,

= 0,25

+

fator de acoplamento entre as indutâncias; diâmetro dos discos considerados;

espessura dos discos considerados;

distância entre os discos considerados.

(12)

O equacionamento para determinação da indutância mútua entre diferentes espiras é proporcionado por Rahimpour e Bigdeli (2009). Sendo a representação da estrutura física considerada para a devida determinação ilustrada por meio da Figura 24.

53

53 Figura 24 – Representação de espiras em diferentes discos para cálculo da indutância mútua. Fonte:

Figura 24 – Representação

de espiras em diferentes discos para cálculo da indutância mútua. Fonte: Venegas et al., 2011.

´

´ ´

´

(13)

(14)

(15)

Onde:

indutância mútua entre as espiras A e B;

,

raio das es piras consideradas;

distância e ntre as espiras consideradas;

´

integral elí ptica de primeira ordem;

´

integral elí ptica de segunda ordem.

4.1.2.1 Processo de Cálculo dos Parâmetros Distribuídos - Indutâncias

A execução da determinaçã o dos parâmetros das indutâncias próprias d e cada disco é efetuada

por meio da Equação (9), s endo cada disco considerado como uma uni dade básica. De forma

é efetuada, visando à

determinação da indutância mútua entre todas as espiras de um mesmo

semelhante, a aplicação e m conjunto das Equações (10), (11) e (12)

enrolamento.

54

Visto a necessidade da obtenção inicial de parâmetros concentrados, para posteriormente, efetuar-se uma redistribuição, conforme as opções do usuário, o método apresentado por De Leon e Semlyen (1992), onde se gera uma redução de ordem para modelos de transformadores em alta frequência, será utilizado. De acordo com Mattos (2011), neste método os parâmetros de capacitância e indutâncias próprias e mútuas, são condensados, formando blocos de espiras, o que minimiza o esforço para resolução das equações que descrevem o sistema. Deste modo, uma vez definidas as indutâncias próprias para os discos e as indutâncias mútuas entre todas as espiras de cada enrolamento, e baseado na analogia de que cada disco que teve os parâmetros calculados possa ser considerado equivalente a uma espira do modelo proposto por De Leon e Semlyen (1992), os parâmetros de indutância serão agrupados. Logo, através da soma das indutâncias próprias e mútuas de todos os discos de um enrolamento, define-se a indutância total que representará este mesmo enrolamento. Portando, a distribuição das indutâncias será realizada através da divisão do valor obtido para o parâmetro concentrado pelo número de blocos estipulado.

4.1.3 Cálculo das Resistências

A literatura referente ao assunto diverge quanto à inclusão de resistências nos circuitos equivalentes em análises de resposta para impulsos atmosféricos e frequência. Segundo Martins (2007), os valores de resistência do enrolamento podem tanto atenuar como amplificar os valores da resposta em frequência. Além deste, trabalhos como Venegas et al. (2011) e Villa (2006), incluem estas resistências a seus circuitos equivalentes com a finalidade de proporcionar ao mesmo o amortecimento das oscilações internas originadas no transcorrer do ensaio. Mork et al. (2007) explana em seu artigo que a resistência elétrica de uma bobina varia dependendo da frequência do fluxo de corrente, devido principalmente ao efeito pelicular (skin) e efeito de proximidade. O efeito pelicular é motivado pela distribuição não uniforme do campo magnético dentro do condutor, gerada em função das correntes que fluem pelo mesmo. Ao gerar-se o aumento da frequência da corrente, o fluxo de corrente é confinado cada vez mais a superfície do condutor, aumentando assim a sua resistência efetiva. O efeito

55

de proximidade é ocasionado pelos campos magnéticos externos gerados pela corrente que flui em condutores adjacentes. De acordo com Venegas et al. (2011), o valor desta resistência por espira pode ser definido através das Equações (16) e (17).

Onde:

resistência; perímetro da seção do condutor; espessura de penetração do fluxo magnético; condutividade do condutor.

(16)

Sendo a espessura de penetração do fluxo magnético determinada por:

Onde:

espessura de penetração do fluxo magnético; frequência angular; condutividade do condutor; permeabilidade magnética do vácuo.

(17)

4.1.3.1 Processo de Cálculo dos Parâmetros Distribuídos - Resistências

A determinação do valor correspondente à resistência do enrolamento é efetuada através das Equações (16) e (17), tendo a mesma o objetivo incluir no modelo utilizado o efeito de amortecimento das oscilações internas ao enrolamento, conforme Mattos (2011). O resultado obtido através deste equacionamento é referente a somente uma espira, desta forma, para a

56

obtenção da resistência total equivalente ao enrolamento é necessário multiplicar-se este valor pelo número total de espiras. O principal objetivo da inclusão das resistências série no circuito equivalente do transformador de potência se da em função do seu auxilio na convergência do sistema (durante a simulação através do LTspice) a entrada em regime permanente. Porém não se trata de um parâmetro extremamente relevante quanto ao efeito principal, ou seja, a geração das sobretenções na estrutura interna do enrolamento. Assim sendo, a obtenção do parâmetro distribuído referente à resistência série é efetuada dividindo-se a resistência total do enrolamento pelo número de blocos ao qual se pretende subdividir o circuito. A média da range de frequências para impulsos atmosféricos, com base no trabalho de CIEGRÉ (2000), foi considerada aproximadamente 1,5 MHz.

57

CAPÍTULO 5

Software de Cálculo, Montagem e Geração da Netlist do Circuito Equivalente do Transformador de Potência

Neste capitulo será apresentado o software responsável pelos cálculos, montagem e geração

da

netlist do circuito equivalente do transformador de potência, sendo inicialmente expostas

as

características gerais do programa. O mesmo é responsável pela elaboração do modelo

elétrico do equipamento, cujo qual é utilizado para a verificação das grandezas distribuídas nos enrolamentos deste (tensões e correntes) em função da sua resposta ao impulso de tensão.

O software em questão foi desenvolvido por meio do compilador Borland C++ Builder 6

(free trial version), o qual se trata de dois compiladores em um, como descreve Schildt e

Guntle (2001). Primeiramente se trata de um compilador C (C é a língua sobre a qual o C++ é construído) e em segundo lugar, é um compilador C++. Este programa foi escolhido para a confecção do software visto ser uma ferramenta para desenvolvimento de aplicações orientado a objeto, sendo originado através de um ambiente visual, o qual permite a geração

de programas com uma melhor interface homem-máquina (IHM).

O programa conta com duas abas principais, as quais são responsáveis: pela entrada

dos dados necessários para o cálculo dos elementos elétricos que compõem o circuito equivalente do transformador; pela demonstração dos resultados obtidos; inserção dos dados referentes à geração do impulso de tensão; e exportação deste conteúdo em forma de netlist, a qual será utilizada para posterior simulação e verificação de resultados.

A simulação propriamente dita do circuito é realizada informando-se ao programa

LTspice IV (freeware) o arquivo de netlist criado anteriormente. A netlist é considerada como sendo a descrição do circuito por meio de um arquivo tipo texto que contém uma lista dos elementos existentes (ramos do circuito) e seus respectivos nós de ligação, sendo esta gerada a partir de algumas regras simples de sintaxe. Desta forma, as próximas subseções deste capitulo demonstrarão de forma clara e concisa os devidos aspectos acima mencionados.

58

5.1 Entrada de Dados das Características Construtivas do Transformador

A entrada de dados para a efetuação dos cálculos e obtenção dos parâmetros elétricos de cada

elemento componente do circuito equivalente do transformador de potência é realizada

através da digitação dos valores pertinentes aos equacionamentos, sendo estes ilustrados na

Figura 25. Diversos parâmetros são solicitados para a montagem do modelo, como o número

de enrolamentos por fase considerados no equipamento, o número de subcircuitos (blocos) em

que se deseja dividir cada enrolamento e demais características construtivas referentes aos

enrolamentos, isolamento e núcleo.

referentes aos enrolamentos, isolamento e núcleo. Figura 25 – Aba inicial do software gerador da netlist

Figura 25 – Aba inicial do software gerador da netlist para simulação do transformador de potência.

59

A estrutura de entrada de dados é idealizada de forma que todas as informações

referentes à composição do enrolamento sejam digitadas nesta aba, sendo que a mesma está vinculada ao número de enrolamentos por fase que o usuário do programa deseja projetar e simular, sendo disponível para um valor máximo de quatro enrolamentos. Abaixo serão apresentadas as especificações pertinentes a cada grupo de parâmetros que compõem a aba inicial do software, sendo a mesma composta por quatro grupos distintos, porém, como já salientado, todos vinculados ao número de enrolamentos por fase, sendo eles:

Parâmetros gerais;

Parâmetros do enrolamento;

Parâmetros do isolamento;

Parâmetros do núcleo.

Os

parâmetros gerais do programa são definidos pelo:

Número de enrolamentos por fase; Número de blocos para divisão de cada enrolamento.

O

número de blocos acima referido se trata de um artifício utilizado para a

desaglutinação de elementos, visando à geração de subcircuitos e será abrangido de forma aprofundada no decorrer deste capitulo.

Os parâmetros considerados para o enrolamento (parâmetros do enrolamento) são:

Enrolamento (define para qual enrolamento os dados serão inseridos, delimitado entre 1 (um) e o número total de enrolamentos);

Número de espiras do enrolamento;

Número de discos do enrolamento;

Diâmetro interno do enrolamento [m];

Diâmetro externo do enrolamento [m];

Altura total do enrolamento [m];

Espessura do material isolante dos condutores do enrolamento [m];

Permissividade do material isolante dos condutores do enrolamento;

Dimensão do condutor na direção axial do enrolamento;

60

Parcela da área entre os discos, ocupada pelo óleo isolante;

Espessura dos separadores entre discos do enrolamento [m];

Permissividade dos separadores entre discos do enrolamento;

Seção do condutor do enrolamento [m 2 ];

Resistividade do material do condutor do enrolamento [.m];

Permissividade magnética do material do condutor do enrolamento;

Distância entre a superfície externa do enrolamento e a parede do tanque [m].

Os parâmetros do isolamento representam as características do isolamento elétrico de todas as interfaces entre, enrolamentos, tanque e núcleo, sendo considerado:

(define entre quais faces os dados serão

inseridos, podendo ser: entre o núcleo e o enrolamento 1; entre os enrolamentos; e entre o enrolamento mais externo e o tanque);

Características do isolamento entre o

Espessura de papel isolante [m];

Permissividade do papel isolante;

Espessura do espaçador isolante (sólido) [m];

Permissividade do espaçador isolante (sólido);

Espessura de óleo isolante [m];

Permissividade do óleo isolante.

Cabe aqui salientar que, a definição das faces para as quais será necessário à inserção de dados, a fim de se obter as características do isolamento elétrico é determinada pelo número de enrolamentos. Desta forma, no caso do usuário definir o número de enrolamentos como igual a 2 (dois), o mesmo terá disponível para a entrada de dados as seguintes faces:

- Características do isolamento entre o núcleo e o enrolamento 1;

- Características do isolamento entre o enrolamento 1 e o enrolamento 2;

- Características do isolamento entre o enrolamento 2 e o tanque.

Esta característica é estendível ou reduzível conforme o número de enrolamentos pré- definido. Além disso, estes parâmetros devem ser cuidadosamente aferidos, pois para cada

61

espessura total de suas

camadas para o referido po nto. Destaca-se também , que a inserção dos dados dos parâmetros fís icos dos enrolamentos e da isolação é realizada pa ra uma única fase, sendo suas medidas aplica das as demais.

interface, o valor a ser atri buído a cada material isolante é a soma da

Os parâmetros do n úcleo solicitados são:

Diâmetro do ra mo magnético [m];

Altura da parte interna do ramo magnético [m];

Distância entre as colunas das fases [m].

assegurar que as informações digitadas p elo usuário não sejam

o mesmo responsável

pelo registro das informaç ões digitadas. Assim sendo, antes de efetuar -se uma alteração nas

caixas spins (caixas de diál ogo pré-definidas, destacadas na Figura 26) dos itens: enrolamento

dados digitados até o destas informações.

perdidas, o botão “Salvar Dados” foi adicionado à aba inicial, sendo

Com o objetivo de

e; características do isolam ento entre o núcleo e o enrolamento 1, os momento deverão ser salvo s, pois esta alteração pode provocar a perda

ser salvo s, pois esta alteração pode provocar a perda Figura 26 – Caixas spins .

Figura 26 – Caixas spins.

Além disso, visand o facilitar a etapa de testes, o botão “Va lores Teste” preenche

automaticamente todos os

utilizada para o estudo de caso apresentado no capitulo 6. O botão “F echar” é utilizado para

finalizar a utilização do s oftware. E por fim, o botão “Calcular” ger a o início da etapa de cálculo dos parâmetros dist ribuídos, conforme a próxima subseção.

dados previamente cadastros, junto ao cód igo fonte, da máquina

62

5.2 Apresentação dos Valores Obtidos, Determinação dos

Parâmetros de Simulação e Conexões

Uma vez que o botão “Calcular” é acionado, os cálculos são internamente efetuados e a segunda aba (Figura 27) é apresentada ao usuário.

e a segunda aba (Figura 27) é apresentada ao usuário. Figura 27 – Segunda aba do

Figura 27 – Segunda aba do software gerador da netlist para simulação do transformador de potência.

Através desta aba, os resultados obtidos por meio do processo de cálculo são apresentados. Estes valores serão utilizados para a montagem do circuito equivalente do transformador de potência e são exibidos para os seguintes elementos:

Enrolamento (define para qual enrolamento os resultados serão apresentados, sendo o mesmo representado abaixo pela letra X);

Resistência série do enrolamento X [ohm];

Indutância série do enrolamento X [H];

63

Capacitância série do enrolamento X [F];

Capacitância paralela entre o enrolamento 1 e o núcleo [F];

Capacitância paralela entre o enrolamento 2 e o enrolamento interno 1 [F];

Capacitância paralela entre o enrolamento 2 e o tanque [F];

Capacitância paralela entre o enrolamento 2 x fase [F]:;

Capacitância paralela enrolamento 1 [F];

Capacitância paralela enrolamento 2 (fases externas) [F];

Capacitância paralela enrolamento 2 (fase central)[F].

Além da função de gerar a visualização dos resultados obtidos, os demais grupos exibidos nesta aba apresentam a função de entrada de dados dos parâmetros de simulação, os quais serão utilizados para a geração do impulso de tensão injetado no referido circuito e, a efetuação da conexão dos terminais de cada enrolamento ao seu devido local. Desta forma, como já observado, esta aba é composta por três grupos distintos, sendo

eles:

Valores calculados;

Ensaio de impulso;

Conexões.

Por meio do grupo responsável pelos parâmetros do ensaio de impulso é possível efetuar-se a entrada de dados e, por consequência, definirem-se as características referentes ao impulso de tensão a serem aplicadas a simulação, conforme desejo do usuário. As características solicitadas estão listadas a seguir:

Fase onde será aplicado o impulso;

Enrolamento onde será aplicado o impulso;

Bloco onde será aplicado o impulso;

Tempo total de simulação [s];

Máximo passo para o arquivo de saída;

Amplitude do impulso aplicado [V];

Tempo de crista do impulso [s];

Tempo de cauda do impulso [s];

64

Período para impulsos em sequência [s].

Em virtude da troca de tape no transformador, em casos excepcionais podem ser geradas incidências de aplicações do impulso em diferentes locais ao longo do enrolamento. Deste modo, visando disponibilizar esta característica ao usuário, é possibilitado ao mesmo escolher o bloco onde será incidido o impulso de tensão, e assim gerar-se a sua aplicação em qualquer ponto do enrolamento em teste, para qualquer fase ou enrolamento do transformador de potência. As conexões a serem realizadas nos terminais de interligação a rede, e disponíveis ao usuário através do grupo “conexões” na referida aba, são efetuadas de forma prática através das caixas de entrada de dados presentes ao lado de cada nomenclatura do terminal. Estes pontos de conexão são utilizados para: o acoplamento da fonte geradora do impulso de tensão; interligação entre terminais; e, na maioria dos casos, para a interligação entre o terminal e um ponto de aterramento. As conexões entre os terminais devem ser efetuadas da seguinte forma:

1) Para aterrar-se um terminal, o digito 0 (zero) deve ser atribuído a caixa de entrada de dados ao lado do mesmo; 2) Para a interligação entre dois ou mais terminais, números iguais (entre 1 e 9) devem

ser digitados nas caixas de dados ao lado dos terminais para os quais a conexão é desejada, conforme os seguintes exemplos:

- Para conectar os terminais 11000 e 12000 digita-se 1 em ambas as caixas de entrada de dados;

- Caso, para a mesma simulação, os terminais 13000 e 22000 devem ser conectados,

valores iguais entre 2 e 9 devem ser digitados em ambas as caixas de entrada de dados. Visto que, se novamente o número 1 for utilizado, o programa entenderá que estes terminais também deverão ser conectados aos terminais 11000 e 12000. 3) O digito 10 é utilizado para representar o terminal onde será aplicado o impulso, o qual já foi previamente escolhido através dos parâmetros de simulação. Logo, toda vez que estes terminais forem coincidentes, este valor deve ser atribuído à caixa de dialogo ao lado do referido terminal, a fim de não serem gerados conflitos entre os nós. Para casos onde este

terminal deva ser ligado a outro, esta definição pode ser desconsiderada. Além disso, a caixa de entrada de dados deste terminal nunca deve receber o valor 0, pois caso isto venha a

65

ocorrer, a fonte de impulso de tensão estará aplicando o mesmo diretamente a terra, inviabilizando o ensaio.

Supondo que este processo poderia gerar duvidas ao usuário, uma caixa de diálogo em forma de “?” foi alocada ao lado da caixa de entrada de dados do terminal 11000, a fim de apresentar as situações acima descritas ao mesmo. As caixas de entrada de dados referentes às conexões dos terminais do transformador também são vinculadas ao número de enrolamentos. Assim sendo, caso o número de enrolamentos seja igual a dois, somente as caixas de entrada de dados referentes a estes dois enrolamentos estarão disponíveis para a inserção de dados. Sendo o mesmo processo válido para qualquer outro número de enrolamentos por fase entre 1 e 4. O botão “Fechar” é novamente utilizado, gerando-se o fechamento da referida aba, porém não de todo o software. E por fim, o botão “Netlist” da início a etapa de montagem do circuito equivalente e posterior comando para a geração automática do arquivo .cir a ser salvo pelo usuário. Com a finalidade de apresentar o LTspice IV, versão do PSpice disponibilizado pelo fabricante de circuitos integrados Linear Technology, algumas características, comandos básicos, forma de declaração dos componentes do circuito e interligações serão repassados de forma simplificada ao decorrer da próxima subseção. Este procedimento visa repassar ao leitor uma visão básica de como o circuito é representado no LTspice IV, para posteriormente demonstrar o processo de montagem propriamente dito do circuito equivalente.

5.3 Montagem do Circuito Equivalente

Partindo-se das considerações básicas para a configuração da netlist (Apêndice A), onde, de forma resumida, efetua-se a identificação do elemento do circuito, os nós ao qual este elemento estará conectado e o seu respectivo valor, teve-se por necessidade, a incumbência de gerar-se um critério de identificação de todos os nós atribuídos no circuito. Assim sendo, seguindo-se uma metodologia em que se busca facilitar a identificação dos nós no circuito equivalente através de uma numeração sequencial, onde se tem por referência as fases e os enrolamentos do transformador, a seguinte configuração foi utilizada para a geração dos nós de interligação dos componentes da malha RLC:

66

<Fase * 10000> + < Enrolamento * 1000> + <Seq. numérica>

Onde:

Fase

número de identificação da fase;

Enrolamento

número de identificação do enrolamento;

Seq. numérica

s equência numérica representativa do bloco.

Desta forma, remo delando os dois primeiros blocos referent es ao enrolamento 1, primeira fase, ilustrados n o Apêndice B, a fim de exemplificar a refe rida sequência lógica, têm-se:

fim de exemplificar a refe rida sequência lógica, têm-se: F igura 28 – Trecho do circuito

F igura 28 – Trecho do circuito equivalente.

Para este trecho, o c ódigo que descreve o circuito é dado por:

Identificação

1

Nó 2

Valor

L_Lds111

110 00

11001

#####

R_Rds111

110 01

11002

#####

C_Cds111

110 00

11002

#####

L_Lds112

110 02

11003

#####

R_Rds112

110 03

11004

#####

C_Cds112

110 02

11004

#####

Na Figura 28, as c apacitâncias paralelas foram suprimidas, po is sua identificação e

de acordo com o enrolamento considera do. Para o ponto de nó identificado por “0” tem a função de ser a referência em relação

quantidades são variáveis aterramento do circuito, o

67

à fonte de impulso de tensão utilizada. Para a interligação entre os terminais (nós) inicial e final dos enrolamentos, entre si ou com o nó de aterramento do circuito, resistores de baixo valor serão utilizados.

68

CAPÍTULO 6

Estudo de Caso e Resultados Obtidos

Neste capítulo, o modelo estabelecido e descrito nos capítulos anteriores é aplicado para a análise de enrolamentos de transformadores submetidos a impulsos de tensão. Para este estudo de caso, visto a dificuldade da obtenção de parâmetros construtivos junto à indústria, principalmente em função da necessidade de manterem-se os segredos industriais em relação ao equipamento, um reator trifásico ZIG-ZAG será utilizado para a representação da máquina em estudo. Suas características construtivas juntamente a dados de simulação da distribuição de tensão ao longo do enrolamento foram atenciosamente cedidos por um fabricante nacional deste equipamento. Assim sendo, devido a grande semelhança construtiva do reator trifásico em relação a um transformador, o reator trifásico fará o papel do mesmo, visando desta forma a validação do modelo desenvolvido. Em virtude do já salientado segredo industrial, para o reator simulado neste trabalho, poucos dados foram fornecidos pelo fabricante, e algumas características necessitaram ser interpretadas ou extrapoladas, para a montagem do modelo. A Figura 29 apresentado o diagrama de interligação utilizado para a realização do teste com este equipamento. Através dos dados do reator repassados pelo fabricante, verificou-se que o mesmo é composto por dois enrolamentos por fase, tendo um nível de tensão 72,5 e potência aparente igual a 10 . Além disso, observou-se que, sendo os enrolamentos 12, 22 e 32 identificados por meio da Figura 29 são os enrolamentos que se encontram mais próximos a coluna do núcleo e, por consequência, os enrolamentos 11, 21 e 31 são os mais externos. Desta forma, para fins deste estudo, os enrolamentos mais próximos ao núcleo serão considerados como sendo o enrolamento 1 e o mais externo como sendo o enrolamento 2, em conformidade com o modelo físico apresentado na Figura 18.

69

69 Figura 29 – Ligação ZIG-ZAG. Fon te: Fabricante do reator trifásico em estudo. A conexão

Figura 29 – Ligação ZIG-ZAG. Fon te: Fabricante do reator trifásico em estudo.

A conexão ZIG-ZA G torna-se extremamente interessante para c ircuitos onde ocorra a existência de cargas desbal anceadas. Dado que a mesma aglomera algu mas das características da conexão Y e da conexã o , conforme Nogueira (2009), a conexão ZIG-ZAG combina as

vantagens de ambas, inclu indo o neutro. Deste modo, ela permite a

desbalanceadas sem que o caminho fechado para a

circulação de correntes de terceiro har mônico, geradas pelo

desbalanceamento de corre ntes no caso de se alimentar uma carga não b alanceada. A fim de preservar o direito de patente como propriedade indu strial do fabricante, os

parâmetros construtivos re passados para este estudo de caso não se rão divulgados, sendo

de ensaios realizados

expostos somente os dados no referido produto.

alimentação de cargas e, ainda, fornece um

neutro seja submetido a tensões elevadas

de placa e a forma de onda obtida por meio

6.1 Simulação e

Resultados Obtidos

De posse dos dados, os

repassados pelo fabricante, ou por meio de interpretação destas inform ações, os dados foram

incluídos na aba principal

sendo os resultados obtido s ilustrados na Figura 30. O circuito elétrico representado na forma

mesmo encontram-se

representadas apenas as du as primeiras a as duas últimas seções de ca da enrolamento, sendo

as demais omitidas, visa ndo assim uma amostragem menor de compreensão do circuito.

dados e uma melhor

descritiva se encontra e xposto no Apêndice C, sendo que no

quais foram obtidos de forma direta atr avés dos documentos

do software. Cada enrolamento se encontra d ividido em 30 blocos,

70

70 Figura 30 – Resultados obtidos, parâmetros de simulação e conexões dos terminais utilizados. Além das

Figura 30 – Resultados obtidos, parâmetros de simulação e conexões dos terminais utilizados.

Além das características construtivas, o fabricante forneceu juntamente duas formas de onda referentes à diferença de potencial entre dois enrolamentos adjacentes, sendo as mesmas utilizadas a fim de confrontamento direto as obtidas via simulação e desta forma avaliar a eficácia do modelo. A Figura 31 apresenta os pontos para os quais as tensões disponibilizadas pelo fabricante foram mensuradas.

tensões disponibilizadas pelo fabricante foram mensuradas. Figura 31 – Diagrama representativo das conexões e locais

Figura 31 – Diagrama representativo das conexões e locais de medição de tensão.

71

Por meio da Figura 32, onde as formas de onda de tensão disponibilizadas pelo fabricante são apresentadas, verifica-se a diferenças potencial, representada por VA, entre os pontos centrais do enrolamento 1 (fase 1) e o enrolamento 2 da mesma fase, representada em vermelho. A tensão VB, simbolizada pela forma de onda em preto, consiste da diferença de tensão entre os terminais inferiores dos enrolamentos 1 e 2 da fase 1.

os terminais inferiores dos enrolamentos 1 e 2 da fase 1. Figura 32 – Formas de

Figura 32 – Formas de onda de tensão disponibilizadas pelo fabricante do reator.

Na Figura 33 as formas de onda para os mesmos pontos são obtidas via simulação do modelo, sendo V(12000) representação do impulso de tensão aplicado ao terminal H1, de acordo com a Figura 31. Além disso, as formas de onde V(12030)-V(11030) e V(12060)- V(11060), representam as tensões VA e VB, respectivamente, da Figura 32.

VA VB V Impulso
VA
VB
V Impulso

Figura 33 – Formas de onda de tensão obtidas via simulação do modelo utilizado.

72

Via inspeção visual, é possível observar-se que as formas de onda obtidas através do modelo utilizado, apresentam certa variação quando comparadas com as formas de onda fornecidas pelo fabricante do reator. Em termos de amplitude, verifica-se que a diferença de potencial mensurada no ponto representado por VA, em seu maior pico, apresenta uma diferença em torno de 25% em relação ao ponto de referência. Efetuando a mesma comparação para a forma de onda VB, esta diferença cresce para 38,8%. Este fato se deve principalmente a falta de uma listagem completa de todas as medidas relativas à forma construtiva do reator, tanto em sua forma geométrica quanto a respeito dos materiais utilizados no seu sistema se isolação, além de possíveis divergências quanto à análise matemática em um foco global, visto a grande quantidade de elementos envolvidos no circuito equivalente do modelo. No entanto, verifica-se que o comportamento oscilatório obtido via simulação não divaga muito do comportamento oscilatório disponibilizado pelo fabricante. É possível notar que em um contexto geral, estes comportamentos apresentam boa semelhança, porém os valores obtidos via simulação aparentam estarem respondendo ao impulso de tensão de forma mais lenta em relação ao gráfico apresentado pelo fabricante.

73

CONCLUSÃO

Os sistemas elétricos de potência são construídos segundo requisitos padronizados de coordenação de isolamento, suportabilidade dielétrica, capacidade de condução de correntes nominais e de curto circuito para tempos especificados, com o objetivo de assegurar continuidade, flexibilidade e confiabilidade aos circuitos elétricos envolvidos. Neste contexto, este trabalho de conclusão de curso se concentrou no estudo de transformadores de potência e sua resposta frente aos transitórios oriundos de impulsos atmosféricos. Estes distúrbios provocam elevadas sobretensões oscilatórias nos enrolamentos do transformador, provocando muitas vezes falhas extremamente prejudiciais a seu funcionamento. Desta forma, possuir ferramentas que possibilitem a análise destes transitórios e auxiliem na obtenção de equipamentos mais confiáveis, em paralelo a redução de seus custos finais de produção, tornam-se extremamente necessários. Visando esta finalidade, o software aqui demonstrado, apresentou resultados bastante satisfatórios nos quesitos de obtenção dos valores oriundos das manipulações matemáticas, indexação destes valores aos elementos componentes do circuito equivalente e montagem do mesmo em formato de netlist. Além disso, para um usuário com algum conhecimento básico em relação ao funcionamento e características construtivas de transformadores, o software mostrou-se uma ferramenta útil, de fácil manuseio e bastante prático. O estudo referente às características construtivas do transformador foi primordial para o entendimento do regime de trabalho deste equipamento. Sendo o mesmo realizado através de revisão bibliográfica baseada na literatura especializada e por meio de visitas técnicas. Buscou-se desta forma a obtenção de uma visão mais clara em relação a seu aspecto físico. Através destas visitas, foi possível verificar-se a construção e montagem de item por item da máquina, envolvendo desde o início da construção do núcleo a montagem do equipamento em campo. Esta experiência proporcionou uma maior compreensão do transformador como um todo, facilitando no processo de transcrição destas características construtivas para o modelo utilizado. Os resultados obtidos para o enrolamento do tipo disco contínuo, propósito deste trabalho, no entanto apresentaram algumas divergências em relação aos dados fornecidos pelo fabricante. Estes resultados podem ser atribuídos, em grande parte, a aplicação de algumas

74

aproximações em relação aos quesitos construtivos do reator, em decorrência dos fatores anteriormente mencionados. A necessidade de aglutinação dos elementos para posterior distribuição também podem ter interferido nestes quesitos. Uma forma de amenizar estes fatores é a utilização de cálculos mais avançados, como a análise e manipulação matemática através do método de elementos finitos.

Trabalhos Futuros

Para a continuidade dos estudos, sugere-se, para trabalhos futuros a melhoria das ferramentas de cálculo da resposta transitória de enrolamentos para tensões transitórias, através da consideração de métodos de cálculos de alto desempenho, como o método de elementos finitos. Além disso, efetuar o estudo de outros equipamentos, utilizando-se do software desenvolvido neste trabalho, a fim de aprimorar seu desempenho e nível de detalhamento. Para fins de comparação e validação desta ferramenta computacional, seria interessante uma parceria entre Universidade/Empresa, com a função de proporcionar a elevação do conhecimento da estrutura construtiva destes equipamentos e realização de ensaios. Isto se deve a grande dificuldade envolvida na obtenção de equipamentos para a realização deste tipo de ensaio, bem como, de equipamentos a serem ensaiados.

75

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80

ANEXO A – Níveis nominais do equi pamento

de

isolamento

As tabelas abaixo

especificam os níveis de isolamento para

equipamento e seus valore s de crista suportáveis durante um impulso

NBR 5356-3.

para

tensões

tensões nominais do

atmosférico, conforme

Tabela 1 – Tensões supo rtáveis nominais para os enrolamentos de um transformador com

tensão máxima de

169 - Série II, baseada na prática n orte americana.

para os enrolamentos de um transformador com tensão máxima de 169 - Série II, baseada na

81

Tabela 2 - Tensões s uportáveis nominais para transformadores co m enrolamentos com tensão máxim a de 170 - Série I, baseada na prát ica europeia e brasileira, conforme a ABNT NBR 6939.

com tensão máxim a de 170 - Série I, baseada na prát ica europeia e brasileira,

82

Tabela 3 – Tensões suportáveis nominais para enrolame ntos de transformadores com 170 .

82 Tabela 3 – Tensões suportáveis nominais para enrolame ntos de transformadores com 170 .

83

APÊNDICE A – Representação Enrolamentos no PSpice

do

Modelo

dos

De acordo com Bloech e Rashid (2007), modelos são representações das características dos componentes elétricos e equipamentos eletrônicos. Desta forma, o PSpice trata-se de uma ferramenta muito abrangente no ramo de simulações, tendo em vista que o mesmo possui em sua biblioteca uma infinidade de modelos dos mais diferentes componentes e dispositivos elétricos e eletrônicos. Estes componentes ou dispositivos podem fornecer a seu usuário uma ideia da forma de operação de um circuito sob muitas condições. Vahidi e Beiza (2005) relatam que muitas simulações de diferentes aspectos de um sistema de energia e aplicação de engenharia utilizando o PSpice têm sido apresentadas por diferentes pesquisadores. Assim sendo, visto os transformadores de potência serem equipamentos amplamente utilizado na vida cotidiana e visando a concepção de forma segura e eficiente desses equipamentos, a precisão na concepção dos modelos e na obtenção de resultados via simulação são essenciais. Desta forma, visto a grande complexidade envolvida na construção através da representação gráfica de um circuito abrangendo uma grande quantidade de componentes em qualquer programa de simulação, fez-se interessante à realização de simulações através de netlist. A netlist trata-se de uma representação descritiva dos circuitos através de linguagem estruturada, onde são apresentados todos os componentes, suas interligações, e os seus valores. Como já salientado, o PSpice, neste caso representado pela plataforma equivalente LTspice IV, dispõem em sua biblioteca uma ampla variedade de componentes que podem ser utilizados, desde modelos básicos de resistores, indutores e capacitores, até modelos de semicondutores, formando uma base de dados com características baseadas em componentes reais. Por conseguinte, apenas resistores, capacitores, indutores e fontes de impulso de tensão serão utilizados para a representação do circuito equivalente do transformador de potência, além, é claro, das declarações para parametrização do simulador. As declarações utilizadas na montagem do circuito de simulação são apresentadas abaixo.

84

Representação d a Fonte de Impulso

A representação de uma f onte de impulso de tensão no LTspice IV

Figura 34:

é ilustrada através da

de tensão no LTspice IV Figura 34: é ilustrada através da Figura 34 – Caract erísticas

Figura 34 – Caract erísticas de uma onda de impulso de tensão p ara o LTspice.

Sendo sua configur ação definida por:

PULSE(<V1> <V2 > <TD> <TR> <TF> <PW> <PER>)

Onde:

<V1>